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Numero do processo: 10830.001319/2010-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO COMPATÍVEL COM A OPERAÇÃO DE VENDA DE VEÍCULOS USADOS. Não há incompatibilidade entre a presunção legal de omissão de receitas, decorrente da apuração de depósitos bancários de origem não identificada, e a sistemática de tributação da venda de veículos usados, na medida em que: (i) nenhuma pessoa, física ou jurídica, está desobrigada de comprovar as operações que teriam originado os depósitos efetuados em suas contas correntes, devendo manter os adequados controles para comprovar a regularidade fiscal dos recursos assim recebidos, e (ii) as empresas dedicadas à venda de veículos usados devem emitir as correspondentes notas fiscais de entrada e de saídas/vendas a respaldar a comprovação da operação. As planilhas preenchidas e apresentadas pela empresa em cumprimento às intimações fiscais, isoladamente, não são instrumentos hábeis a comprovar as operações que teriam dado causa aos depósitos/créditos efetuados nas contas correntes.
OMISSÃO DE RECEITAS. VENDAS DE VEÍCULOS USADOS. Sujeita-se à tributação a diferença verificada entre base tributável, apurada ex-officio, na documentação apresentada (notas fiscais de entrada e saída de veículos usados), e a base de cálculo informada pela contribuinte na DIPJ. COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO DO LUCRO. Na revenda de veículos automotores usados, de que trata o art. 5º da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998, aplica-se o coeficiente de determinação do lucro presumido de 32% (trinta e dois por cento) sobre a receita bruta, correspondente à diferença entre o valor de aquisição e o de revenda desses veículos (Súmula CARF nº 85).
OMISSÃO DE RECEITAS. COMISSÃO DE INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA. Configura omissão de receitas de comissão na intermediação dos contratos de financiamento, a divergência verificada entre base tributável, apurada ex-officio, nas Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte - Dirf, apresentadas pelas fontes pagadoras, e a base de cálculo informada pela contribuinte na DIPJ, e que teria respaldado a constituição dos débitos correspondentes nas DCTF.
MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO REITERADA DE RECEITAS DE INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA. A prática reiterada de deixar de declarar receitas sabidamente auferidas, acerca das quais sequer é demonstrada a emissão das correspondentes notas fiscais, justifica a imposição de multa qualificada. REITERAÇÃO DE PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. INTUITO DE FRAUDE NÃO DEMONSTRADO. A falta de escrituração de depósitos bancários e de comprovação de sua origem autorizam a presunção de omissão de receitas, mas o intuito de fraude somente é caracterizado se reunidas evidências de que os créditos decorreriam de receitas de atividade, de modo a provar, ainda que por presunção, a intenção do sujeito passivo de deixar de recolher os tributos que sabia devidos.
DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Caracterizado o evidente intuito de fraude na falta de recolhimento do crédito tributário lançado, o prazo para sua constituição, por meio do lançamento, é regido pelo art. 173, I do CTN. EXERCÍCIO. DEFINIÇÃO. Segundo as normas de direito financeiro, o exercício corresponde ao ano civil (de 1o de janeiro a 31 de dezembro). FORMA DE CONTAGEM DO PRAZO ESTIPULADO NO ART. 173, I DO CTN. O prazo decadencial previsto no art. 173, I do CTN tem início no primeiro dia do ano civil posterior ao ano civil no qual o lançamento do tributo devido pode ser efetuado, e o lançamento somente pode ser efetuado depois de encerrado o período de apuração do tributo correspondente.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
Numero da decisão: 1101-001.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR as argüições de nulidade do lançamento; 2) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao principal exigido; 3) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade, divergindo a Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat e o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão, que negavam provimento ao recurso, e votando pelas conclusões o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior; 4) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO aos recursos de ofício e voluntário relativamente à arguição de decadência; e 5) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora sobre a multa de ofício, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO COMPATÍVEL COM A OPERAÇÃO DE VENDA DE VEÍCULOS USADOS. Não há incompatibilidade entre a presunção legal de omissão de receitas, decorrente da apuração de depósitos bancários de origem não identificada, e a sistemática de tributação da venda de veículos usados, na medida em que: (i) nenhuma pessoa, física ou jurídica, está desobrigada de comprovar as operações que teriam originado os depósitos efetuados em suas contas correntes, devendo manter os adequados controles para comprovar a regularidade fiscal dos recursos assim recebidos, e (ii) as empresas dedicadas à venda de veículos usados devem emitir as correspondentes notas fiscais de entrada e de saídas/vendas a respaldar a comprovação da operação. As planilhas preenchidas e apresentadas pela empresa em cumprimento às intimações fiscais, isoladamente, não são instrumentos hábeis a comprovar as operações que teriam dado causa aos depósitos/créditos efetuados nas contas correntes. OMISSÃO DE RECEITAS. VENDAS DE VEÍCULOS USADOS. Sujeitase à tributação a diferença verificada entre base tributável, apurada exofficio, na documentação apresentada (notas fiscais de entrada e saída de veículos usados), e a base de cálculo informada pela contribuinte na DIPJ. COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO DO LUCRO. Na revenda de veículos automotores usados, de que trata o art. 5º da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998, aplicase o coeficiente de determinação do lucro presumido de 32% (trinta e dois por cento) sobre a receita bruta, correspondente à diferença entre o valor de aquisição e o de revenda desses veículos (Súmula CARF nº 85). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 13 19 /2 01 0- 13 Fl. 3041DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 3 2 OMISSÃO DE RECEITAS. COMISSÃO DE INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA. Configura omissão de receitas de comissão na intermediação dos contratos de financiamento, a divergência verificada entre base tributável, apurada exofficio, nas Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte Dirf, apresentadas pelas fontes pagadoras, e a base de cálculo informada pela contribuinte na DIPJ, e que teria respaldado a constituição dos débitos correspondentes nas DCTF. MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO REITERADA DE RECEITAS DE INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA. A prática reiterada de deixar de declarar receitas sabidamente auferidas, acerca das quais sequer é demonstrada a emissão das correspondentes notas fiscais, justifica a imposição de multa qualificada. REITERAÇÃO DE PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. INTUITO DE FRAUDE NÃO DEMONSTRADO. A falta de escrituração de depósitos bancários e de comprovação de sua origem autorizam a presunção de omissão de receitas, mas o intuito de fraude somente é caracterizado se reunidas evidências de que os créditos decorreriam de receitas de atividade, de modo a provar, ainda que por presunção, a intenção do sujeito passivo de deixar de recolher os tributos que sabia devidos. DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Caracterizado o evidente intuito de fraude na falta de recolhimento do crédito tributário lançado, o prazo para sua constituição, por meio do lançamento, é regido pelo art. 173, I do CTN. EXERCÍCIO. DEFINIÇÃO. Segundo as normas de direito financeiro, o exercício corresponde ao ano civil (de 1o de janeiro a 31 de dezembro). FORMA DE CONTAGEM DO PRAZO ESTIPULADO NO ART. 173, I DO CTN. O prazo decadencial previsto no art. 173, I do CTN tem início no primeiro dia do ano civil posterior ao ano civil no qual o lançamento do tributo devido pode ser efetuado, e o lançamento somente pode ser efetuado depois de encerrado o período de apuração do tributo correspondente. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR as argüições de nulidade do lançamento; 2) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao principal exigido; 3) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade, divergindo a Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat e o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão, que negavam provimento ao recurso, e votando pelas conclusões o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior; 4) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO aos recursos de ofício e voluntário relativamente à arguição de decadência; e 5) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora sobre a multa de ofício, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Fl. 3042DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 4 3 Júnior, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso. Fl. 3043DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 5 4 Relatório MANTOVA COMÉRCIO DE VEÍCULOS, PEÇAS E SERVIÇOS LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas/SP que, por maioria de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 29/01/2010, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 28.165.505,59. A investigação fiscal resultou de expressivas divergências entre a movimentação financeira com base na CPMF e as receitas efetivamente declaradas nas respectivas DIPJ, apresentadas na sistemática do lucro presumido para os anoscalendário 2004, 2005 e 2006. O exame da escrituração fiscal revelou que a totalidade da movimentação financeira consignada nos extratos bancários exibidos pela fiscalizada, não estava devidamente registrada nos Livros Razão apresentados, fato que levou a imediata desconsideração desta escrita. Durante os 500 (quinhentos) dias subsequentes a Fiscalização informa ter orientado a contribuinte a reconstituir sua escrituração fiscal e contábil, mas ao final a contribuinte conseguiu comprovar apenas parte de suas transações comerciais. Em razão destas análises constatouse: · Omissão de Receita Apurada em relação à Receita Declarada em DIPJ/DCTF o Com base nas Notas Fiscais de Venda equiparada a consignação, apresentadas pela contribuinte durante o procedimento fiscal, as quais foram admitidas como origem de parte dos depósitos bancários creditados ao sujeito passivo. A partir destes documentos foi possível determinar o lucro obtido na comercialização de veículos usados, submetidos a tributação na forma da Instrução Normativa SRF nº 152/98; o Com base nas receitas de prestação de serviços de comissão de intermediação financeira apurada a partir das DIRF entregues pelas instituições financeiras/crédito: as fontes pagadoras informaram receitais anuais de R$ 1.688.569,00 (2004), R$ 3.554.563,00 (2005) e R$ 4.010.943,00 (2006), e estes montantes foram considerados como origem de parte dos depósitos bancários creditados ao sujeito passivo; · Omissão de Receita Depósitos/Créditos de Origem Não Comprovada: selecionados os depósitos bancários passíveis de comprovação, nos totais anuais de R$ 30.547.773,00 (2004), R$ 64.919.786,00 (2005), R$ 88.143.990,00 (2006), restaram sem comprovação as parcelas que não foram correlacionadas com as operações antes descritas. As exigências de IRPJ e CSLL no anocalendário 2006 foram determinadas mediante arbitramento dos lucros, tendo em conta a ausência de escrituração de depósitos bancários em livro caixa e/ou razão consistente, bem como pela impossibilidade de se comprovar o lucro efetivo obtido. Sobre as receitas presumidas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada foi aplicado o coeficiente de 9,6% para apuração do lucro Fl. 3044DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 6 5 tributável, e sobre as demais receitas auferidas foi aplicado o coeficiente de 38,4% para arbitramento do lucro. Nos anoscalendário 2004 e 2005 foi respeitada a opção da contribuinte pelo lucro presumido. Além disso, foram exigidas a Contribuição ao PIS e a Cofins sobre as receitas omitidas. A multa de ofício foi qualificada em razão de evidente intuito de fraude, revelado pela falta de declaração reiterada e sistemática de receitas auferidas, além de a contribuinte tentar ludibriar o fisco ao inserir elementos inexatos em sua contabilidade visando dolosamente não recolher os tributos devidos. Impugnando a exigência, a contribuinte arguiu a decadência do crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos no anocalendário 2004, discordou da imputação de omissão de receitas, questionou o procedimento fiscal e a metodologia adotada, argumentou que o lucro também deveria ter sido arbitrado nos anoscalendário 2004 e 2005, reportouse aos esclarecimentos apresentados no curso da fiscalização e defendeu o cancelamento das exigências. Questionou a equiparação da venda de veículos usados a prestação de serviços e o regime de reconhecimento de receitas adotado pela Fiscalização, opôsse à presunção de omissão de receitas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, asseverou que a Fiscalização tinha meios para apurar sua real receita, criticou a forma de demonstração das infrações e pediu o cancelamento dos lançamentos por falta de liquidez e certeza. Discordou da qualificação da penalidade e da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. A Turma Julgadora acolheu parcialmente a arguição de decadência relativamente aos créditos tributários cujo lançamento era possível no próprio anocalendário de 2004. No mais, rejeitou os argumentos da impugnante em acórdão assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004, 2005, 2006 Diligência. Indeferimento. Indeferese a produção de prova diligencial, por se tratar de matéria de prova a ser feita mediante a mera juntada de documentação, cuja guarda e conservação compete à própria interessada. Nulidade. Inocorrência. Observados os requisitos essenciais de validade, prescritos no art. 142 do CTN e no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e não tendo se configurado qualquer das hipóteses de nulidade do art. 59 deste último decreto regulamentar, deve ser declarada a validade formal dos lançamentos em apreço. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 Omissão de Receitas. Depósito Bancário. Falta de Comprovação da Origem. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Omissão de Receitas. Depósito Bancário. Falta de Comprovação da Origem. Presunção Compatível com a Operação Venda de Veículos Usados. Fl. 3045DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 7 6 Não há incompatibilidade entre a presunção legal de omissão de receitas, decorrente da apuração de depósitos bancários de origem não identificada, e a sistemática de tributação da venda de veículos usados, na medida em que: (i) nenhuma pessoa, física ou jurídica , está desobrigada de comprovar as operações que teriam originado os depósitos efetuados em suas contas correntes, devendo manter os adequados controles para comprovar a regularidade fiscal dos recursos assim recebidos, e (ii) as empresas dedicadas à venda de veículos usados devem emitir as correspondentes notas fiscais de entrada e de saídas/vendas a respaldar a comprovação da operação. Omissão de Receitas. Depósito Bancário. Falta de Comprovação da Origem. Operação Venda de Veículos Usados. Prova Hábil. As planilhas preenchidas e apresentadas pela empresa em cumprimento às intimações fiscais, isoladamente, não são instrumentos hábeis a comprovar as operações que teriam dado causa aos depósitos/créditos efetuados nas contas correntes. Para afastar a imputação de omissão de receitas, por falta de comprovação da origem dos recursos, deveria a empresa ter apresentado as competentes notas fiscais de entrada e de saída/venda relativas às operações de venda de veículos usados, estas últimas em valores compatíveis aos depósitos consignados nos extratos das contas correntes. Omissão de Lucros. Vendas de Veículos Usados. Notas Fiscais de Saídas/Vendas. Configura omissão de lucros, nas vendas de veículos usados, a divergência verificada entre base tributável, apurada exofficio, na documentação apresentada (notas fiscais de entrada e saída de veículos usados), e a base de cálculo informada pela contribuinte na DIPJ, e que teria respaldado a constituição dos débitos correspondentes nas DCTF. Omissão de Receitas. Comissão de Intermediação Financeira. DIRF. Configura omissão de receitas de comissão na intermediação dos contratos de financiamento, a divergência verificada entre base tributável, apurada exofficio, nas Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte Dirf, apresentadas pelas fontes pagadoras, e a base de cálculo informada pela contribuinte na DIPJ, e que teria respaldado a constituição dos débitos correspondentes nas DCTF. Regime de Reconhecimento das Receitas. Na ausência de prova em contrário a ser ofertada pela contribuinte, admitese a tributação das receitas comprovadamente auferidas nas operações de venda, corroboradas pelas notas fiscais emitidas, e nas operações de intermediação de negócios, consignadas DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras. Apenas se apresentada a contraprova hábil a desconstituir a prova construída pelo Fisco, é que a exigência poderia ser afastada por inconsistência no regime de reconhecimento das receitas. Lucro Presumido. AnosCalendário 2004 e 2005. Erro na Sistemática de Tributação. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária deve determinar o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. O erro na sistemática de tributação adotada somente pode comprometer irrevogavelmente o lançamento quando: (i) comprometida a base de cálculo apurada por exemplo, nas hipóteses legais de arbitramento dos lucros, em que indevidamente é mantido o Lucro Real, de forma que a tributação incida sobre a Fl. 3046DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 8 7 receita e não sobre o lucro; ou (ii) quando a adoção da sistemática de tributação válida impõe uma fundamentação específica não referida no lançamento. A manutenção, no lançamento, da sistemática de tributação já adotada pela empresa impede que se reconheça a possibilidade de ter sido subtraído da contribuinte o conhecimento de qualquer fato. Coeficiente de Determinação do Lucro Presumido/Arbitrado. Venda de Veículos Usados. Equiparação à Consignação. Ao equiparar, para fins tributários, a venda de veículos usados às operações de consignação, a Lei, jurídica e tributariamente, descaracterizou a natureza propriamente mercantil de tais operações, ao permitir que fosse considerada como receita bruta apenas a diferença entre a venda e a compra do veículo usado, fazendo incidir a tributação exatamente sobre o lucro auferido nas operações de consignação. Não é possível juridicamente afetar a base de cálculo de uma incidência sem devido efeito sobre a natureza da operação, pelo menos para fins tributários. Lucro Arbitrado. Anocalendário 2006. O lucro da pessoa jurídica deve ser arbitrado quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. Quando conhecida a receita bruta, o lucro arbitrado das pessoas jurídicas, deve ser determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados para a determinação do Lucro Presumido, acrescidos de vinte por cento. Apesar de ter sido conhecida, mediante prova indireta, por presunção, instituída em Lei, a receita omitida é a receita conhecida. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2004, 2005, 2006 Multa Qualificada. Omissão de Receita. Expressiva, Sistemática e Reiterada. Inaplicável ao caso a Súmula nº 14 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, na medida em que não se trata de simples apuração de omissão de receitas, mas de apuração de omissão de receitas com circunstâncias (quais sejam: informação sistemática e reiterada à RFB de bases de cálculo e de tributos devidos em valores expressivamente menores do que os efetivamente apurados) que autorizam a qualificação da multa de ofício, porque comprovado o evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Multa Qualificada. Omissão de Receita. Presunção Legal. A qualificação da multa de ofício não é incompatível com a imputação de omissão de receitas por presunção legal. Na verdade, a presunção legal é apenas um meio indireto de provar o fato (omissão de receitas), e não tem o condão de comprometer o juízo acerca do dolo da conduta, principalmente quando: (i) não se trata de uma operação isolada, mas de praticamente toda a movimentação financeira da empresa de três anos; (ii) a escrituração mantida não faz prova da regularidade fiscal da movimentação financeira; e (iii) a informação prestada à RFB acerca das receitas auferidas ao longo do ano é comprovadamente falsa, não apenas em face da presunção legal, mas das notas fiscais emitidas pela própria empresa autuada e das DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras. Decadência. Lançamento por Homologação. Fl. 3047DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 9 8 Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, ocorrendo a apuração e o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Decadência. Dolo. Fraude. Simulação. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Juros de Mora. Incidência sobre a Multa de Ofício. A multa de ofício é débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela SRF, configurandose regular a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. A exoneração de parte do crédito tributário lançado foi submetida a reexame necessário. Cientificada da decisão de primeira instância em 06/07/2010 (fl. 2032), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 02/08/2010 (fls. 2036/2088), no qual reprisa os argumentos apresentados na impugnação. Inicialmente observa que embora tenha apresentado à d. fiscalização farta documentação comprobatória de sua atividade, foi submetida a exacerbada autuação, apenas parcialmente cancelada na decisão de 1ª instância. Na sequência, defende a decadência, também, dos créditos tributários de IRPJ e CSLL exigidos no 4º trimestre/2004, bem como da Contribuição ao PIS e da COFINS lançadas em dezembro/2004, dada a formalização do lançamento em 29/01/2010. Subsidiariamente argumenta que mesmo aplicando o art. 173, I do CTN, as exigências pertinentes ao anocalendário 2004 estariam alcançadas pela decadência porque o trimestre/mês do fato gerador representaria o "exercício em curso" e o 1º dia do próximo ano materializa o "início do exercício seguinte". Aborda a precariedade do trabalho fiscal, reportandose à metotologia equivocada, visto que há legislação específica que deve ser aplicada na apuração do lucro da atividade de compra e venda de veículos, e à conclusão contraditória se comparada com as premissas adotadas. Primeiramente observa que a Fiscalização, desconsiderou imediatamente a escrita da Recorrente por entender que a movimentação consignada nos extratos bancários não estava registrada no Livro Razão em sua totalidade, e na sequência pretendeu comparar as receitas escrituradas/declaradas pela Recorrente com a sua movimentação financeira, sem observar que sua receita corresponde apenas à diferença entre o custo da compra e o valor da venda do veículo, que é sempre muito inferior ao valor da nota fiscal de venda emitida e ao valor dos depósitos bancários registrados em sua movimentação financeira. Discorre sobre os efeitos da Lei nº 9.716/98, reportase aos relatórios apresentados no curso do procedimento fiscal, e aponta contradição entre a postura fiscal que afirma consistentes os dados apresentados, em relação às notas fiscais de vendas e compras exibidas, e ignora esta metodologia diferenciada de apuração ao afirmar que o relatório apresenta montante incompatíveis com a movimentação financeira. Transcreve outros excertos da acusação fiscal para enfatizar que a Fiscalização procurou comparar o incomparável. Fl. 3048DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 10 9 Na sequência, afirma que a forma de tributação adotada para apuração do IRPJ e da CSLL nos anoscalendário 2004 e 2005 é incompatível com a desconsideração de sua escrituração, pois em tais circunstâncias o lucro deveria ter sido arbitrado, com majoração dos percentuais de presunção do lucro e adoção dos relatórios "demonstrativo detalhado da apuração do lucro por placa de veículo, validado pela própria fiscalização, como já assinalado anteriormente. Cita jurisprudência em favor de seu entendimento, observa que tais contradições dificultaram sua defesa, e pede a declaração de nulidade dos lançamentos. Acrescenta, ainda, que há outras impropriedades/contradições no trabalho fiscal, ante a aplicação da presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 mesmo frente a documentos, demonstrativos e relatórios que contêm elementos mais que suficientes para se apurar o lucro efetivo da atividade de compra e venda de veículos. Contrapondose a afirmação fiscal específica, diz que a fiscalização primou pelo aproveitamento somente dos extratos bancários, desconsiderando todos os demais elementos capazes de evidenciar o efetivo lucro auferido na compra e venda de veículos. Enfatiza que, embora discordando da metodologia adotada pelo Fisco, para não ser acusada de embaraço à fiscalização, apresentou relatórios no modelo sugerido pela Fiscalização para comprovação da origem dos depósitos bancários, ocasião em que não era obrigada a demonstrar o ganho/lucro obtido nas operações, porque a Fiscalização teria os meios para apurálo, sem optar pelo trabalho mais cômodo de lançar com base na presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, apesar de conhecer a tributação diferenciada de suas atividades. Menciona, ainda, a existência de contradição no título da última coluna do Anexo 2 do Termo de Verificação fiscal, reportandose à abordagem acerca deste ponto na decisão recorrida e reafirmando que a dupla negativa ali consignada resulta na confirmação de que a origem dos depósitos foi comprovada, e não poderiam ter sido considerados como base de cálculo dos tributos lançados. Conclui que os equívocos, contradições, inconsistências e impropriedades demonstradas acima são mais que suficientes para cancelar os Autos de Infração ora refutados, vez que maculam o trabalho fiscal retratado no Termo de Verificação Fiscal e demonstrativos que o acompanham (fls. 98/123), que, à evidência, não podem servir de sustentação para a apuração das bases tributáveis lançadas nos autos de infração combatidos. A recorrente reitera a alegação de imprestabilidade do demonstrativo/listagem de depósitos bancários com origem não comprovada, reproduzindo a abordagem da matéria na decisão recorrida e observando que como o referido demonstrativo fundamenta os lançamentos decorrentes da presunção de omissão de receitas, a falta de totalização dos depósitos bancários ao final de cada mês, sem sombra de dúvidas, cerceia o direito de defesa da Recorrente, vez que impossibilita a correta identificação da matéria tributável e do tributo devido. Acrescenta que o §1º do art. 42 da Lei nº 9.430/96 situa a omissão de receitas no mês do crédito efetuado, a evidenciar a importância desta identificação, e assevera que a ausência de totalização mensal impede a correlação deste demonstrativo com o Anexo 5 elaborado pela Fiscalização, e que a própria autoridade julgadora de 1ª instância reconheceu ser muito grande o volume de depósitos, sendo impossível para a Recorrente ratificar se o valor registrado em um demonstrativo corresponde exatamente à soma dos depósitos listados no outro relatório. Ademais, não lhe foi disponibilizado o arquivo eletrônico da "Relação Detalhada", feito provavelmente em arquivo tipo xls (Excel) e utilizado pela fiscalização. Fl. 3049DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 11 10 Relaciona 10 (dez) depósitos bancários considerados sem comprovação da origem, e diz que foram elaborados demonstrativos detalhados contendo a data e o valor do depósito, os dados da venda (placa, tipo de carro, data da venda, valor da venda), dados da transferência financeira e identificação do vendedor e do comprador (nome e CPF), para comprovar sua origem. Faz referência à fl. 270 e à fl. 1997v dos autos, e descreve uma das operações para afirmar imprestável o demonstrativo elaborado pela Fiscalização, defendendo o cancelamento das exigências decorrentes de supostos depósitos bancários de origem não comprovada. Reportase às impropriedades na apuração da suposta "omissão de receita de serviço" e "omissão de receita de venda" notas fiscais de venda (lucro bruto) x valor da receita extraída da DIRF x receita declarada DIPJ, inicialmente defendendo que a equiparação promovida pela Lei nº 9.716/98 não autoriza concluir que as operações de compra e venda de veículos se equiparam a prestação de serviços, pois elas subsistem como atividade comercial de compra e venda de veículos. Neste sentido, diz ser impróprio o confronto entre as notas fiscais de vendas (lucro bruto) e o valor das receitas extraídas da DIRF, posto que é ilógico e sem sentido tomar essas duas grandezas para se apurar a suposta receita omitida, além de as duas bases de comparação observarem diferentes regimes de reconhecimento de receitas. Afirma a impossibilidade de aplicação da presunção do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 em atividade na qual o depósito não caracteriza receita, qual seja, de compra e venda de veículos usados. Reportase a julgado administrativo que exige prova da utilização dos valores depositados, capaz de caracterizar a disponibilidade econômica da renda. Diz que a autoridade administrativa tinha elementos mais que suficientes para apurar o lucro efetivo da atividade da Recorrente, como os demonstrativos que lhe foram apresentados, e ainda assim os ignorou, com vistas a aplicar a tributação máxima, muito mais gravosa ao contribuinte, não sendo temerária a alegação da Recorrente, como alega a d. 2ª Turma da DRJ/Campinas. Para demonstrar os equívocos da Fiscalização, indica as apurações pertinentes ao 1º trimestre/2004, mencionando que ao admitir que depósitos bancários no valor de R$ 524.822,00 corresponderiam a notas fiscais de venda emitidas em janeiro/2004, a Fiscalização tributou daquelas operações apenas o lucro de R$ 36.891,00, equivalente a 7,02% da receita de vendas, percentual semelhante ao verificado em fevereiro/2004 (8,7%) e março/2004 (7,4%). Conclui, assim, ser possível asseverar que apenas 7,02 % dos depósitos bancários representariam "receita" da atividade de compra e venda de veículos, passível de tributação, metodologia que refletiria de forma mais próxima o que ocorre na realidade. Invoca metodologia semelhante aplicada por este Conselho em caso de empresas de factoring, cuja atividade pressupõe volumosa movimentação bancária, e também submetese a legislação específica que determina que a receita da atividade corresponde a determinado percentual sobre o valor da operação. Cita caso semelhante no qual a própria Delegacia da Receita Federal do Brasil, em sede de procedimento de fiscalização, reconhece que não se pode tomar a soma dos depósitos bancário pura e simplesmente como base de cálculo da suposta receita omitida, devendo os depósitos serem tomados como indícios, início de investigação. Considerando que a Fiscalização dispunha de elementos para determinação da base tributável, e a regência específica da matéria pela Lei nº 9.716/98, entende que a presunção do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 deve ser prontamente afastada. Fl. 3050DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 12 11 Observa, ainda, que apresentou todas as notas fiscais que conseguiu cruzar com os depósitos bancários, mas que não esgotou este cruzamento em razão do grande volume de operações, inclusive requerendo ajuda às instituições financeiras acerca dos veículos vendidos, mas sem ter obtido ainda estas informações, de modo que não pode ser prejudicada por esta razão, consoante julgado administrativo ao qual se reporta. Entende, assim, que ao deixar de acolher as provas apresentadas, e fiandose na presunção legal, o Fisco abdicou da descoberta da verdade material, transferindo toda carga probatória para a Recorrente, procedimento esse que deve ser rechaçado por este Conselho. De toda sorte, defende que a presunção legal estaria elidida pela comprovação da origem dos depósitos a partir da identificação das instituições financeiras remetentes dos numerários em razão dos financiamentos de veículos usados vendidos pela empresa autuada. Aduz que a própria Fiscalização comprovou e atestou que o volume de depósitos bancários referese a créditos efetuados por instituições financeiras em conta bancária da Recorrente, todos provenientes de contratos de financiamento de veículos usados vendidos pela empresa autuada, operações de financiamento só concretizadas mediante a apresentação das respectivas notas fiscais de vendas, tempestivamente emitidas, porque imprescindíveis para a obtenção do financiamento do comprador. Em tais circunstâncias, a receita corresponderia unicamente à diferença entre o valor de venda e o custo da compra, procedimento não observado pela Fiscalização, a despeito da descrição "autoexplicativa" contida nos extratos bancários da Recorrente. Invoca o art. 42, §2º da Lei nº 9.430/96, e pede o cancelamento da exigência. Observa que alguns valores lançados decorrem da suposta aplicação indevida do coeficiente de determinação do lucro presumido para apuração do IRPJ (8%) e reitera sua discordância quanto à classificação, pela Fiscalização de sua atividade de venda de veículos usados como prestação de serviços. Diz que ficções jurídicas como as previstas no art. 5º da Lei nº 9.716/98 não permitem interpretações extensivas, e que a lei, ao equiparar as operações de compra e venda de veículos usados a operações de consignação, apenas estipulou que a tributação incide sobre a diferença verificada entre as notas fiscais de venda e aquisição, sendo equivocada a equiparação de "consignação" a prestação de serviços, para fins de aplicação do coeficiente de 32%, como defendido na decisão recorrida. A atividade da pessoa jurídica continua a ser comercial, e a equiparação a prestação de serviços foi afastada pelo TRF/4a Região ao apreciar mandado de segurança coletivo impetrado pela Associação de Revendedores de Veículos Automotores no Estado de Santa Catarina, consoante excertos do julgado que transcreve. Discorda também o arbitramento dos lucros no anocalendário 2006, vez que a aplicação do art. 532 do RIR/99 pressupõe receita bruta conhecida, à qual não se equipara a omissão de receita caracterizada por presunção legal. Cita julgados administrativos neste sentido. Afirma imprópria, ainda, a tributação isolada do lucro cumulada com arbitramento com base em depósito bancário, no anocalendário 2006. Isto porque a Fiscalização classificou sua contabilidade como imprestável, e ainda assim verificou a correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pela Recorrente em sua escrituração contábil, comprovados no Demonstrativo de Lucro por Placa de Veículo exibido pela empresa autuada. Este procedimento revela a adoção de critérios contraditórios e excludentes e evidenciam excesso de subjetividade na apreciação dos documentos Fl. 3051DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 13 12 disponibilizados pela Recorrente, assim como mudança aleatória de metodologia, de cunho exclusivamente arrecadatório. Conclui, assim, que por qualquer ângulo de análise, os autos de infração relativos ao anocalendário não podem prosperar. Opõese à qualificação da penalidade, vez que não restou comprovada a prática de quaisquer das infrações previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Defende que depósito bancário não é motivo para agravamento de penalidade, mormente tendo em conta que todos os rendimentos tributáveis foram devidamente registrados na contabilidade, de acordo com a sistemática prevista na Lei nº 9.716/98, e em algumas operações sofreu prejuízos. Invoca a Súmula nº 14 do Primeiro Conselho de Contribuinte e discorda da acusação fiscal no sentido de que o suposto "intuito doloso" da Recorrente seria resultante da prática reiterada de "uma única infração", qual seja, "a omissão de rendimentos". Ademais, a acusação de omissão de rendimentos em mais de um anocalendário não justifica o agravamento da penalidade, especialmente na situação em análise, quando a Fiscalização admite como válida a escrituração apresentada pelo contribuinte em determinados períodos, como aconteceu no presente caso em relação aos anoscalendário de 2004 e 2005. Cita, ainda, julgados administrativos em abono ao seu entendimento de que inexiste no ordenamento jurídico presunção legal no sentido de exigir a aplicação de multa agravada na hipótese de autuação calcada na presunção legal de omissão de rendimentos apurada em mais de um anocalendário consecutivo. Diz que a retórica invocada pelo julgador não é compatível com os critérios por ele adotados na apreciação da impugnação apresentada pela Recorrente, pois da leitura do acórdão recorrido observase que a manutenção da multa agravada está fundamentada na malfadada presunção hominis, inaceitável no âmbito do Direito Tributário, assim como na aplicação de raciocínio destituído de qualquer respaldo na legislação em vigor, consubstanciado, por exemplo, na adoção de suposta "prática reiterada" para caracterizar evidente intuito de fraude. E assevera ser absurdo agravar a penalidade da exigência fiscal em relação a períodos nos quais a escrituração contábil foi considerada apta e idônea pela fiscalização. Acrescenta que a fundamentação adotada pela autoridade fiscal para agravar a penalidade foi reproduzida de auto de infração lavrado contra ouro contribuinte, em situação absolutamente distinta da que se verifica nos presentes autos, dada as referências reiteradas ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), e conclui que houve aplicação de argumentos e dispositivos de legislação notoriamente inaplicáveis à situação em exame, a exemplo da menção ao inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, que prevê a aplicação de multa isolada, para justificar o agravamento da penalidade. Afirma, também, a ausência de convicção da autoridade autuante para agravar a penalidade, em razão de vícios no auto de infração reconhecidos pela própria DRJ/CPS (agravamento da penalidade apenas de maio a dezembro, no anocalendário 2006). Discorda da afirmação da autoridade julgadora no sentido de que foi beneficiada pelo erro perpetrado, dada a eleição de critérios subjetivos e destituídos de previsão legal que inquina de incerteza a autuação, e prejudica em muito a Recorrente. E entende que o art. 112 do CTN é plenamente aplicável em tais circunstâncias. Defende, ainda, ser equivocado o agravamento da penalidade com base no art. 71 da Lei nº 4.502/64, vez que não praticou a infração ali descrita, mas sim realizou Fl. 3052DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 14 13 operações de maneira clara, explícita, e delas a fiscalização teve fácil conhecimento, sem qualquer embaraço ou tentativa da Recorrente de ocultar as operações de venda de veículos praticadas durante o período fiscalizado. Descreve os documentos apresentados à Fiscalização, reportase à constatação fiscal de que o relatório apresentado no curso do procedimento era consistente com as notas fiscais de vendas e compras exibidas, e afirma não ser digna de confiança a ilação no sentido de que a Recorrente "não foi capaz de apresentar a documentação fiscal das operações". Reitera que a presunção legal contida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 não enseja a criação de novas presunções, cita doutrina e destaca que cabe ao Fisco a incumbência de comprovar o dolo do contribuinte nas denominadas "infrações subjetivas", o que não se faz com mera alegação de prática reiterada. E acrescenta que não mediu esforços para atender prontamente às incontáveis exigências feitas pelo d. agente fiscal, a quem cumpria questionar e/ou desconstituir as provas juntadas pela Recorrente e que por si só evidencia a origem das operações , mediante o emprego de outros mecanismos disponibilizados pelo ordenamento jurídico. Finaliza asseverando que a autoridade fiscal aplicou a multa agravada tãosomente com o objeto de contornar a sua desídia, para desta forma, tentar alcançar período já extinto pela decadência. Por fim, discorda da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, ante a ausência de previsão legal, ou ao menos enquanto a acusação estiver pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. Argumenta que a lei somente cogita da aplicação de juros de mora sobre a multa moratória exigida mediante a lavratura de auto de infração. Fl. 3053DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 15 14 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A preliminar de decadência renovada em recurso voluntário, bem como o recurso de ofício decorrente de exoneração motivada pelo reconhecimento parcial da decadência arguida em impugnação, porque afetados pela acusação de fraude, serão apreciados ao final. A recorrente afirma precário o trabalho fiscal, em razão da metodologia adotada, não só em razão da legislação específica que rege a apuração do lucro da atividade de compra e venda de veículos usados, como também em decorrência da desconsideração preliminar de sua escrita e posterior arbitramento dos lucros apenas no anocalendário 2006. Tais aspectos, porque poderiam ensejar a declaração de nulidade dos lançamentos, serão apreciados preliminarmente. Com referência à alegada comparação das receitas escrituradas/declaradas pela Recorrente com a sua movimentação financeira, promovida pela Fiscalização supostamente sem observar que sua receita corresponde apenas à diferença entre o custo da compra e o valor da venda do veículo, que é sempre muito inferior ao valor da nota fiscal de venda emitida e ao valor dos depósitos bancários registrados em sua movimentação financeira, cumpre esclarecer que não foi este o procedimento aqui adotado, como bem exposto na decisão recorrida: II DDAA CCOOMMPPAATTIIBBIILLIIDDAADDEE EENNTTRREE AA PPRREESSUUNNÇÇÃÃOO LLEEGGAALL DDEE OOMMIISSSSÃÃOO DDEE RREECCEEIITTAASS PPOORR FFAALLTTAA DDEE CCOOMMPPRROOVVAAÇÇÃÃOO DDAA OORRIIGGEEMM DDOOSS DDEEPPÓÓSSIITTOOSS BBAANNCCÁÁRRIIOOSS EE AA TTRRIIBBUUTTAAÇÇÃÃOO DDIIFFEERREENNCCIIAADDAA DDAASS OOPPEERRAAÇÇÕÕEESS DDEE VVEENNDDAA DDEE VVEEÍÍCCUULLOOSS UUSSAADDOOSS A presente fiscalização foi instaurada em função das expressivas divergências apuradas entre a movimentação financeira de recursos nas contas correntes de titularidade da empresa e as receitas efetivamente declaradas nas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, e que teriam servido de suporte aos recolhimentos de tributos, efetivados nos anoscalendário de 2004 a 2006. Nos termos da legislação em vigor, os titulares das contas de depósitos ou de investimentos, mantidas junto a instituições financeiras, têm o ônus de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem de todos os valores ali individualizadamente creditados, sob pena de tais recursos serem reputados como oriundos de receitas omitidas da atividade empresarial. Consta também expressamente da legislação que os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submetemse às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Quanto ao tratamento diferenciado dado às operações de venda de veículos usados, convém fazer referência às determinações da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998, in verbis: Art. 5º As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos Fl. 3054DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 16 15 tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículo s usados , adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Parágrafo único. Os veículos usados, referidos neste artigo, serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída , sujeitando se ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação. De acordo com as disposições legais acima, já é possível inferir que apenas as operações de venda de veículos usados estão abrangidas pelo tratamento diferenciado, e que para a fruição do benefício é necessária a observância de controles (obrigações acessórias) a corroborarem a operação, mediante a emissão da competente documentação fiscal de suporte, quais sejam, as notas fiscais de entrada e de saída/venda dos veículos usados. Para aprofundar a regulamentação do preceito legal, foram também editadas as Instruções Normativas SRF nº 152, de 16 de dezembro de 1998, e nº 247, de 21 de novembro de 2002, com o seguinte disciplinamento: Instrução Normat iva SRF nº 152 , de 16 de dezembro de 1998 DOU de 17 /12/1998, pág . 105 Dispõe sobre a determinação da base de cálculo de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, relativamente às operações com veículos usados. Alterada pela IN SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002. (*) O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto no art. 5° da Lei n° 9.716, de 26 de novembro de 1998, resolve: Art. 1° A pessoa jurídica sujeita à tributação pelo imposto de renda com base no lucro real, presumido ou arbitrado, que tenha como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores, deverá observar, quanto à apuração da base de cálculo dos tributos e contribuições de competência da União, administrados pela Secretaria da Receita Federal – SRF, o disposto nesta Instrução Normativa. Art. 2° Nas operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, inclusive quando recebidos como parte do pagamento do preço de venda de veículos novos ou usados, o valor a ser computado na determinação mensal das bases de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, pagos por estimativa, da contribuição para o PIS/PASEP e da contribuição para o financiamento da seguridade social COFINS será apurado segundo o regime aplicável às operações de consignação. § 1° Na determinação das bases de cá lculo de que trata este art igo será computada a diferença entre o va lor pelo qual o ve ículo usado houver sido a l ienado, constante da nota f iscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota f iscal de entrada . § 2° O custo de aquisição de veículo usado, nas operações de que trata esta Instrução Normativa, é o preço ajustado entre as partes. Art. 3° A pessoa jurídica deverá manter em boa guarda, à di sposição da Secretaria da Receita Federal , os demonstrativos de apuração das bases de cálculo a que se refere o artigo anter ior . Art. 4° As disposições desta Instrução Normat iva apl icamse exclusivamente para efe itos tr ibutários . Art. 5° Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 30 de outubro de 1998. Instrução Normat iva SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002 DOU de 26 .11 .2002 Dispõe sobre a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral. Fl. 3055DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 17 16 Art. 10. [...] § 4º A pessoa jurídica que tenha como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores deve apurar o valor da base de cálculo nas operações de venda de veículos usados adquiridos para revenda, inclusive quando recebidos como parte do pagamento do preço de venda de veículos novos ou usados, segundo o regime aplicável às operações de consignação. § 5º Na determinação da base de cálculo de que trata o § 4º será computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido a l ienado, constante da nota f iscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota f iscal de entrada . § 6º O custo de aquisição de veículo usado, nas operações de que tratam os §§ 4º e 5º, é o preço ajustado entre as partes. Decorre dos atos normativos acima transcritos, que a pessoa jurídica dedicada à venda de veículos usados, além da emissão da documentação fiscal de suporte das operações de aquisição e venda dos veículos usados, essencial para a determinação das bases de cálculo diferenciadas dos tributos devidos, deve manter em boa guarda, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os demonstrativos de apuração das bases de cálculo dos tributos nas operações em apreço , tendo em conta que a especificidade de tratamento prevista em Lei, não deve afetar a escrituração comercial das empresas. Nesse contexto, oportuno dizer que não há qualquer incompatibilidade entre a presunção legal prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, e a sistemática de tributação prevista no art. 5º da Lei nº 9.716, de 1998, na medida em que: (i) nenhuma pessoa, física ou jurídica1, está desobrigada de comprovar as operações que teriam originado os depósitos efetuados em suas contas correntes, devendo manter os adequados controles para comprovar a regularidade fiscal dos recursos assim recebidos, e que (ii) as empresas dedicadas à venda de veículos usados devem emitir as correspondentes notas fiscais de entrada e de saídas/vendas a respaldar a comprovação da operação. Assim sendo, para corroborar a argumentação da Impugnante de que toda a movimentação financeira, detectada nas contas correntes de sua titularidade, teria tido por origem operações de venda de veículos usados, bastaria que a empresa tivesse apresentado as competentes notas fiscais de entrada e de saída/venda relativas às operações, estas últimas em valores correspondentes aos depósitos consignados nos extratos das contas correntes. Notese que todas as notas f iscais de saídas/vendas de veículos usados, disponibil izadas pela empresa , foram consideradas como origem de parte dos recursos depositados nas contas correntes de titularidade da empresa, conforme Anexo 4 ao termo de constatação e intimação de fls. 1855/1857. É de se ressaltar que, seguindo os critérios adotados pela fiscalização no lançamento, se a empresa tivesse apresentado notas fiscais de saídas/vendas de veículos usados a suportar toda a movimentação financeira verificada em suas contas correntes, não teria remanescido qualquer exigência a ser formulada com 1 Podese dizer que mesmo as pessoas jurídicas imunes ou isentas devem fazer a prova hábil e idônea da origem dos recursos depositados em suas contas correntes, para a verificação da observância dos requisitos legais previstos no art. 14 do CTN: I – não distribuição de qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; II aplicação integralmente, no País, dos seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; e III manutenção de escrituração de receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Na falta de cumprimento de tais requisitos, deve a autoridade competente suspender a aplicação do benefício. Fl. 3056DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 18 17 base na falta de comprovação da origem dos depósitos bancários. Foi justamente porque não apresentada a comprovação das operações que teriam dado causa à maioria dos depósitos, que os recursos foram tributados como omissão de receitas da atividade. Talvez seja importante esclarecer que as relações denominadas “Planilha Modelo – Mantova Veículos Comprovação de Depósitos/Créditos Bancários e Comprovação de Lucro Por Operação”, de fls. 264/306, apresentadas pela empresa em cumprimento às intimações fiscais, isoladamente, não são instrumentos hábeis a comprovar as operações que teriam dado causa aos depósitos. Para a comprovação da operação que teria dado causa aos depósitos/créditos efetuados nas contas correntes, impõese a apresentação da documentação hábil e idônea, qual seja, as notas f iscais de saída/venda de veículos usados, acompanhadas das correspondentes notas f iscais de entrada . Diante da ausência de tal documentação, completamente inapropriada a afirmação da defesa de que “a autoridade administrativa tinha elementos mais que suficientes para apurar o lucro efetivo da atividade da Impugnante”. Nesse aspecto, também, revelase, no mínimo, temerária a alegação da Impugnante de que “a conduta de aplicar a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 teve como único propósito aplicar a tributação máxima, muito mais gravosa ao contribuinte”. Na verdade, diante da falta de comprovação, com documentação hábil e idônea, da maior parte dos recursos depositados nas contas correntes de titularidade da empresa, a imputação de omissão de receitas não poderia deixar de ser feita pelo agente fiscal, por dever de ofício, sob pena de responsabilidade funcional. Para confirmar que a autoridade dispunha de elementos para apurar a efetiva receita da atividade da empresa, ainda sugere a contribuinte, que deveria a fiscalização ter tributado os valores depositados nas contas correntes de origem não identificada , com base nas seguintes presunções: (i) de que se trataria de recursos originados da atividade de venda de veículos usados; e (ii) que, em média2, apenas 7,02% dos depósitos bancários (valor da nota fiscal de venda) representariam ‘receita’ (lucro) da atividade de compra e venda de veículos, passível de tributação. Conforme já assinalado anteriormente, o ônus da prova de que os depósitos bancários, tributados conforme Anexo 2 ao termo de verificação fiscal de 29/01/2010 (fls. 119/121), tiveram por origem as operações de venda de veículos usados é da própria empresa. Não integram os presentes autos as notas fiscais de entrada e, principalmente, de saída/venda de veículos usados, prova hábil a validar a argumentação da defesa, até agora sem fundamento fático, de que toda a movimentação financeira seria decorrente da venda de veículos usados. Ademais, conforme assinalado pela própria Impugnante, na defesa apresentada, e ratificado pela Consolidação das Alterações Contratuais, datada de 01/08/2003, em vigor, portanto, na data dos eventos objeto de fiscalização (fls. 161/165), a empresa não se dedicava exclusivamente à venda de veículos usados, mas também ao comércio de veículos novos, nacionais e estrangeiros . É a seguinte a redação da Cláusula Segunda: “O objeto social será: 1. Compra e venda de veículos, novos e usados, nacionais e estrangeiros; 2. Compra e venda de acessórios para veículos; 3. Conserto, reparação, lubrificação e regulagem eletrônica de veículos; 4. Estacionamento para veículos; 2 Média apurada a partir do Anexo 4 ao termo de constatação e intimação de 20/01/2010 (fls. 1855/1857). Fl. 3057DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 19 18 5. Importação de veículos e peças”. Diante de tais elementos, a maior parte das alegações da empresa de não ter sido observada a sistemática de tributação específica prevista para a venda de veículos usados decorreu do simples fato de não ter sido feita a prova da origem do recurso depositado na conta corrente da empresa, ou seja, de não haver apresentado a interessada a emissão das notas f iscais de saída/venda de veículos usados para respaldar toda a movimentação f inanceira consignada nos extratos bancários . Convém reiterar que a previsão contida no art. 5º da Lei nº 9.716, de 1998, abrange exclusivamente as receitas auferidas na atividade de venda de veículos usados , que para receberem tal tratamento, tributariamente menos oneroso, devem estar comprovadas pela documentação hábil e idônea definida pela legislação tributária: notas fiscais de entrada, notas fiscais de saída, demonstrativos de apuração das bases de cálculo, e se for o caso, escrituração comercial. In casu, ainda que se tratasse de empresa dedicada, exclusivamente, à compra e venda de veículos usados, o que não é o caso da Impugnante, deveria ser feita a prova da vinculação entre os depósitos/créditos efetuados nas contas corrente e as operações de venda de veículos usados. Somente a partir da construção desta prova, é que seria possível a aplicação da legislação específica quanto à determinação das bases de cálculo e dos tributos devidos. Ainda para ratificar que todos os recursos depositados em suas contas correntes teriam origem na atividade empresarial exercida na venda de veículos usados, assevera a Impugnante que a maior parte dos recursos, conforme comprovado e atestado pela própria fiscalização, seria advinda das instituições financeiras que teriam feito transferências, em razão dos financiamentos de veículos usados vendidos pela autuada. Assevera ainda que operações de financiamento só seriam concretizadas mediante apresentação das respectivas notas fiscais de venda, tempestivamente emitidas, porque imprescindíveis para obtenção do financiamento pelo comprador. Nesse aspecto, não se pode confundir o fato de a maior parte dos recursos depositados ser advinda de instituições financeiras, provavelmente em função de contratos de financiamento celebrados entre as instituições financeiras e os adquirentes dos veículos, com o fato de não estar provada a operação praticada pela autuada e que teria dado causa aos depósitos . Noutras palavras: ainda que tais depósitos tenham sido feitos em função de contratos de financiamentos, celebrados entre as instituições financeiras e os adquirentes dos veículos, resta a contribuinte provar a operação por ela praticada e que subjaz a tais contratos de financiamento, principalmente, se se trata de venda de veículos usados ou de venda de veículos novos, tendo em conta que a incidência de tributação diferenciada somente é aplicável àquelas operações e não a estas últimas. Na verdade, diante da dificuldade da empresa, em fazer a prova relativamente a cada um dos valores depositados nas contas correntes de sua titularidade, a fiscalização, em seu favor, acatou como origem de parte dos recursos depositados: (i) as vendas de veículos usados, comprovadas nas notas fiscais de vendas apresentadas, e (ii) as receitas de comissão, auferidas na prestação de serviços de intermediação financeira, apuradas nas DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras, receitas/lucros que foram tributados em separado, quando omitidos. Os valores depositados remanescentes permaneceram sem origem identificada. Às fls. 119/121, consta o Anexo 2 ao Termo de Verificação de 29/01/2010, no qual foram consolidados, mensal e trimestralmente, os valores depositados nas 27 (vinte Fl. 3058DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 20 19 e sete) contas correntes de titularidade da empresa, e excluídas as receitas comprovadamente auferidas na venda de veículos usados e na intermediação financeira, resultando em valores depositados sem origem identificada, nos valores de R$ 19,1 milhões, R$ 44,1 milhões e R$ 31,3 milhões, respectivamente, nos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, fato a ensejar a imputação de omissão de receitas. (destaques do original) Era obrigação da contribuinte manter os demonstrativos de apuração das bases de cálculo dos tributos nas operações em apreço, e na parte em que suportado por documentação hábil, todas as notas fiscais de saídas/vendas de veículos usados, disponibilizadas pela empresa, foram consideradas como origem de parte dos recursos depositados nas contas correntes de sua titularidade. Além disso, a empresa apresentava em seu objeto social, também, o comércio de veículos novos, nacionais e estrangeiros, dentre outras atividades de prestação de serviços. Assim, excluídos os depósitos bancários correspondentes às notas fiscais de venda de veículos usados, submetidas à tributação segundo a legislação específica, bem como as demais receitas de prestação de serviços auferidas em atividades de intermediação financeira, os depósitos remanescentes prestamse validamente como indícios da presunção legal de omissão de receitas se não comprovada sua origem. A autoridade fiscal, por sua vez, não está obrigada a tributálos como se decorrentes da compra e venda de veículos usados se o sujeito passivo não demonstra ser esta sua origem. A título de exemplo, tomese nos demonstrativos de apuração das infrações (fls. 1850/1862) as referências a janeiro/2005, mês em que a contribuinte foi beneficiada com depósitos bancários no total de R$ 4.211.581,00. Deste montante, admitiuse comprovada a origem da parcela de R$ 783.319,00 equivalente ao faturamento apurado com base nas notas fiscais de venda, além da parcela de R$ 273.156,00, correspondente à receita de omissão de intermediação financeira apurada com base em DIRF. Já o lucro apurado na venda de veículos usados neste mesmo período foi de R$ 16.256,00, reduzido por estorno decorrente de devoluções no montante de R$ 15.640,00, sendo classificada como tributável apenas a parcela de R$ 619,00, do total de R$ 783.319,00 de depósitos bancários vinculados a esta origem. De outro lado, nas planilhas apresentadas pela contribuinte confirmase que apenas parte das operações descritas foram vinculadas a notas fiscais de venda (fl. 221 e 233) Inexiste, portanto, qualquer contradição na postura fiscal que afirma consistentes os dados apresentados, em relação às notas fiscais de vendas e compras exibidas, e ignora esta metodologia diferenciada de apuração em relação aos demais créditos, por entender que o relatório apresenta montante incompatíveis com a movimentação financeira, isto simplesmente porque o demonstrativo de apuração das bases de cálculo não foi acompanhado de todas as notas fiscais de saída esperadas em razão das operações ali descritas, e reportava operações de valor significativamente inferior à movimentação financeira do período, como dito pela Fiscalização: 23. Em análise ao relatório demonstrativo do lucro apresentado pela fiscalizada em relação a 2004 e 2005, ficou constatado que embora com dados consistentes em relação às notas fiscais de vendas e compras exibidas, os montantes mensais/anuais apurados (2004 R$ 9,6 milhões e 2005 R$ 17,7 milhões) estão muito inferiores a movimentação financeira verificado a partir de seus extratos bancários; É indispensável a apresentação das notas fiscais de saídas/vendas para validação dos demonstrativos de apuração das bases de cálculo dos tributos nas operações de compra e venda de veículos usados. Não basta que o demonstrativo seja compatível com notas fiscais apresentadas e com a movimentação financeira verificada no período fiscalizado. Para Fl. 3059DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 21 20 se prestar como origem dos depósitos bancários, e impor a observância da sistemática de apuração específica, o demonstrativo de base de cálculo deve se reportar a operações suportadas por documentação hábil, na forma da legislação. Assim, são impróprias as alegações da recorrente no sentido de que a Fiscalização, mesmo frente a documentos, demonstrativos e relatórios que contêm elementos mais que suficientes para se apurar o lucro efetivo da atividade de compra e venda de veículos, optou pelo trabalho mais cômodo de lançar com base na presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96. A contribuinte não mantinha, ou deixou de apresentar à Fiscalização, controle documental da grande parte de suas operações, subsistindo significativo descompasso entre aquelas demonstradas e os depósitos bancários verificados no período fiscalizado. Conforme consta dos autos, foram lavradas diversas intimações cientificando a contribuinte das irregularidades constatadas e concedendolhe prazos, reiteradamente, para comprovação da origem dos depósitos por meio de documentação hábil e idônea. Ultrapassados quase 500 (quinhentos) dias sem obter estes esclarecimentos, a presunção legal é o meio posto à disposição da Fiscalização para superar os impedimentos à constituição do crédito tributário, mas antes disso a autoridade lançadora logrou distinguir os depósitos bancários que poderiam ser vinculados a operações de compra e venda de veículos usados e a atividades de intermediação financeira, desconsiderando os demais elementos, que no entender da recorrente seriam capazes de evidenciar o efetivo lucro auferido na compra e venda de veículos, porque correspondentes a mero demonstrativos sem documentação de suporte a lhes conferir validade. Em tais condições, o Fisco não está obrigado a buscar com terceiros informações para apuração do ganho/lucro obtido nas operações, porque a lei impõe ao sujeito passivo esta obrigação acessória, caso pretenda se beneficiar da tributação diferenciada, reduzindo a presunção legal de 8% de lucro em operações de revenda de mercadorias. Inexiste, portanto, qualquer prejuízo à validade do lançamento em razão de precariedade do trabalho fiscal por inobservância da legislação específica que deve ser aplicada na apuração do lucro da atividade de compra e venda de veículos, ou por conclusão contraditória se comparada com as premissas adotadas. A recorrente também assevera que a forma de tributação adotada para apuração do IRPJ e da CSLL lançados nos anoscalendário 2004 e 2005 é incompatível com a desconsideração de sua escrituração, pois em tais circunstâncias o lucro deveria ter sido arbitrado. A autoridade julgadora de 1ª instância firmou a desnecessidade de qualquer justificativa específica para formalização do lançamento segundo a opção do sujeito passivo, e acrescentou que a tributação na sistemática do lucro presumido difere do arbitramento apenas em razão do agravamento dos coeficientes de apuração do lucro, e assim seria mais benéfica ao sujeito passivo: IIIIII –– DDAA SSIISSTTEEMMÁÁTTIICCAA DDEE TTRRIIBBUUTTAAÇÇÃÃOO AA)) AAnnoossccaalleennddáárriioo ddee 22000044 ee 22000055 Quanto à sistemática de tributação adotada, apesar das menções genéricas feitas no termo de verificação acerca da imprestabilidade da escrituração apresentada, para a comprovação da movimentação financeira consignada nos extratos bancários, o relevante é que, no lançamento de IRPJ e CSLL dos anoscalendário de 2004 e 2005, foram observadas as normas previstas no art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, com a seguinte redação em vigor à data dos fatos, in verbis: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o reg ime de Fl. 3060DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 22 21 tr ibutação a que est iver submet ida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão . § 1º No caso de pessoa jurídica com at iv idades d iversif icadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. § 2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. [...] Desta forma, verificada a omissão de receitas, o valor do IRPJ e da CSLL foram determinados de acordo com o Lucro Presumido, regime de tributação ao qual estava submetida a pessoa jurídica nos anoscalendário de 2004 e 2005. É esta a fundamentação legal contida no enquadramento legal do lançamento, consolidado no art. 528 do RIR/99 (fls. 21). E não se reconhece aqui qualquer prejuízo à defesa quanto à existência de contrariedade entre a sistemática de tributação adotada no lançamento e a descrição dos fatos, contida no termo de verificação de fls. 98/115. Pelo contrário, a contribuinte somente teria sido beneficiada com uma tributação mais benéfica, haja vista que atualmente a única divergência legal entre a determinação do Lucro Arbitrado e do Lucro Presumido é o agravamento dos mesmos percentuais de presunção da base de cálculo . Transcrevemse as disposições do Regulamento do Imposto de Renda – RIR para confronto das sistemáticas de tributação: Subt ítulo IV Lucro Presumido Base de Cálculo Art. 519. Para efeitos do disposto no artigo anterior, considerase receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de (Lei no 9.249, de 1995, art. 15, § 1º): [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens, imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza. [...] § 3º No caso de atividades diversificadas, será aplicado o percentual correspondente a cada atividade (Lei no 9.249, de 1995, art. 15, § 2o). [...] Subt ítulo V Lucro Arbitrado CAPÍTULO II BASE DE CÁLCULO Base de Cálculo quando conhecida a Receita Bruta Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais f ixados no art . 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). Fl. 3061DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 23 22 Adotase assim o entendimento de que o erro na sistemática de tributação adotada somente pode comprometer irrevogavelmente o lançamento quando: (i) comprometida a base de cálculo apurada – por exemplo, nas hipóteses legais de arbitramento dos lucros, em que indevidamente é mantido o Lucro Real, de forma que a tributação incida sobre a receita e não sobre o lucro; ou (ii) quando a adoção da sistemática de tributação válida impõe uma fundamentação específica não referida no lançamento. A manutenção, no lançamento, da sistemática de tributação já adotada pela empresa impede que se reconheça a possibilidade de ter sido subtraído da contribuinte o conhecimento de qualquer fato. Cumpre acrescentar que as irregularidades constatadas nos anoscalendário 2004 e 2005 não são idênticas àquelas verificadas no anocalendário 2006, quando o lucro foi arbitrado. Isto porque o procedimento fiscal esteve inicialmente concentrado nos anos calendário 2004 e 2005, e nesta primeira fase foram apresentados os Livros Razão daqueles períodos, desprezados pela Fiscalização ante a falta de registro da totalidade da movimentação financeira neste período, oportunizandose à contribuinte a apresentação de outros elementos comprobatórios de suas atividades, com vistas a evitar o arbitramento dos lucros. Já para o ano calendário 2006, embora intimada, a contribuinte não apresentou o Livro Caixa ou o Livro Razão, limitandose a entregar à Fiscalização, além de notas fiscais e demonstrativos referentes às operações com veículos usados, os Livros de Registro de Entrada e Saída e de Apuração de ICMS. É neste contexto que a autoridade lançadora promoveu o arbitramento dos lucros apenas no anocalendário 2006, com fundamento no art. 530, inciso III do RIR/99, que assim dispõe: Art 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): [...] III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; [...] Os depósitos bancários de origem não comprovada apresentam montantes significativos em todos os anoscalendário fiscalizados (R$ 19.182.441,00 em 2004, R$ 44.153.368,00 em 2005 e R$ 31.355.972,00), sendo certo que as operações demonstradas pela contribuinte e aferidas a partir das informações em DIRF representaram menos de 50% dos ingressos totais em cada anocalendário. Todavia, ante a opção da contribuinte pela apuração do IRPJ e da CSLL na sistemática do lucro presumido, a falta de escrituração da integralidade da movimentação bancária não se mostrou motivo suficiente para o arbitramento dos lucros, até porque a Fiscalização apenas precisava determinar as receitas tributáveis, e logrou identificálas nos elementos apresentados pela contribuinte (extratos bancários, notas fiscais de venda, demonstrativos de operações com veículos usados) e por terceiros (DIRF), ainda que se valendo de prova presuntiva em boa parte desta apuração. Contudo, no anocalendário 2006 agregouse às irregularidades constatadas a falta de apresentação do Livro Caixa ou de escrituração equivalente, motivo suficiente para arbitramento do lucro, na forma do dispositivo legal antes transcrito. Assim, a desconsideração inicial da escrita do sujeito passivo nos anos calendário 2004 e 2005 foi minimizada pela associação dos Livros Razão originalmente apresentados à documentação posteriormente apresentada à Fiscalização. Já no anocalendário 2006, embora documentos semelhantes tenham sido apresentados à autoridade lançadora, resta Fl. 3062DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 24 23 inconteste que o Livro Caixa, ou equivalente, não foi apresentado, o que autoriza o procedimento diferenciado adotado para este último período de apuração. Ressaltese que estas constatações foram extraídas do extenso relato fiscal acerca das intimações e respostas apresentadas pela contribuinte, consignado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 98/115), bem como da fundamentação legal para o arbitramento dos lucros consignada no mesmo Termo e no Auto de Infração (fls. 19/29), inexistindo qualquer deficiência na motivação do lançamento ou o cerceamento ao direito de defesa, como alegado pela recorrente. Por fim, a recorrente questiona a demonstração dos depósitos bancários de origem não comprovada. Inicialmente, reportase a contradição presente no título da última coluna do Anexo 2 do Termo de Verificação Fiscal, a seguir reproduzida: Também afirma imprestáveis os demonstrativos de depósitos bancários de origem não comprovada porque ausente totalização mensal dos valores ali consignados. Discorda da abordagem destas matérias, assim exposta na decisão recorrida: II –– DDAA NNUULLIIDDAADDEE PPOORR CCEERRCCEEAAMMEENNTTOO AAOO DDIIRREEIITTOO DDEE DDEEFFEESSAA Deve ser declarada a validade formal dos lançamentos em apreço por preencherem todos os requisitos essenciais, prescritos no art. 142 do CTN e no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e não estar configurada qualquer das hipóteses de nulidade prescritas no art. 59 também do decreto regulamentador do processo administrativo fiscal federal. Também não se reconhece qualquer comprometimento ao direito de defesa decorrente da contradição na nomenclatura da coluna (5) do Anexo 2 ao Termo de Verificação Fiscal, que consigna: ‘Saldo NÃO de Origem NÃO Comprovada’. É evidente que os valores que integram tal rubrica decorrem da diferença positiva entre (1) os depósitos apurados nas contas correntes, e a soma entre (2) o faturamento, comprovado mediante as notas fiscais de vendas, e (3) a receita de comissão, comprovada nas DIRF. Ademais, foi regularmente esclarecido no termo de verificação que “os montantes mensais apurados a part ir das notas fiscais de vendas (2) e os montantes mensais de comissões de intermediação apurados a part ir da DIRF (3) , foram considerados para f ins de comprovação de origem dos depósitos”. Na verdade, detectado o erro na consignação da dupla negativa, falaciosa a argüição lógica de que dupla negativa enseja uma afirmação. Quanto ao Anexo 2 ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal de 20/01/2010 (fls. 1697/1850) questionou a defesa também a falta de totalização mensal, o que teria cerceado o direito de defesa, por impossibilitar a correlação com o “Resumo dos Fl. 3063DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 25 24 Saldos Mensais de Depósitos Pendentes de Comprovação de Origem”, Anexo 5 do Termo de Constatação e Intimação Fiscal de 20/01/2010 (fls. 1858/1862). No que tange à relação detalhada dos depósitos, individualizadamente, apurados nos extratos das contas correntes da empresa, tal se impõe em decorrência do preceito legal da presunção de omissão de receitas prevista no art. 42, §3º da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. [...] § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente [...]: ............................................................................................................................... Observese que, na relação, cada depósito foi identificado por instituição financeira, agência, conta corrente, valor e histórico constante do extrato, tendo ainda a fiscalização tomado o cuidado de relacionálos em ordem cronológica. Por amostragem, não se verificou qualquer erro na totalização efetuada no Anexo 5 do Termo de Constatação e Intimação Fiscal de 20/01/2010 (fls. 1858/1862) denominado “Resumo dos Saldos Mensais de Depósitos Pendentes de Comprovação de Origem”. Compete à defesa, apontar, especificamente, o erro na consolidação mensal efetuada pelo Fisco, devendo ser afastada a alegação de cerceamento do direito de defesa, na medida em que, apesar de trabalhoso, é perfeitamente possível verificar se o valor consolidado no Anexo 5 do Termo de Constatação e Intimação Fiscal de 20/01/2010 (fls. 1858/1862) corresponde exatamente à soma dos depósitos listados no Anexo 2 ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal de 20/01/2010 (fls. 1697/1850). Não há reparos a estas conclusões. A dupla negativa no título da última coluna do Anexo 2 é mera incorreção que não demanda saneamento por não resultar em prejuízo para o sujeito passivo, dada a descrição dos critérios de apuração da base tributável, contida no Termo do Verificação Fiscal. Quanto à falta de totalização mensal dos depósitos, a lei exige apenas sua individualização, e isto foi feito pela Fiscalização, mediante referência ao Anexo 2 do Termo de Constatação e Intimação Fiscal lavrado em 20/01/2010, juntado às fls. 1697/2691. De toda sorte, tal demonstrativo foi apresentado à contribuinte com resumo de seus valores mensais no corpo da intimação referida (fls. 1689/1692), em valores idênticos àqueles consignados no Anexo 2 do Termo de Verificação Fiscal. Assim, os depósitos bancários foram totalizados mensalmente, embora a autoridade lançadora não tenha aberto uma linha específica para esta informação no demonstrativo questionado pela recorrente. Para além disso, a recorrente não logrou identificar qualquer erro na totalização mensal promovida pela Fiscalização, sendo certo que a dificuldade nesta conferência seria a mesma se os totais mensais estivessem inseridos no corpo do demonstrativo individualizado dos depósitos bancários, e não pode ser invocada como motivo suficiente para se presumir que houve erro no trabalho fiscal, ou eventual inobservância do art. 42, §1º da Lei nº 9.430/96. Por fim, a autoridade lançadora não está obrigada a entregar ao sujeito passivo os arquivos eletrônicos de suas apurações, mas nada impediria que a contribuinte os solicitasse ao agente fiscal, ao invés de alegar apenas em defesa que não lhe foi disponibilizado o arquivo eletrônico da "Relação Detalhada", feito provavelmente em arquivo tipo xls (Excel) e utilizado pela fiscalização. Fl. 3064DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 26 25 A recorrente também questiona a validade dos referidos demonstrativos indicando, a título exemplificativo, 10 (dez) depósitos bancários considerados sem comprovação da origem, e consignando que foram elaborados demonstrativos detalhados contendo a data e o valor do depósito, os dados da venda (placa, tipo de carro, data da venda, valor da venda), dados da transferência financeira e identificação do vendedor e do comprador (nome e CPF), para comprovar sua origem. Faz referência à fl. 270 e à fl. 1997v dos autos, e descreve uma das operações para afirmar imprestável o demonstrativo elaborado pela Fiscalização, defendendo o cancelamento das exigências decorrentes de supostos depósitos bancários de origem não comprovada. Ocorre que, como se observa à fl. 270, poucas operações foram vinculadas a notas fiscais de venda, circunstância já abordada neste voto, e constatada, inclusive, em relação à operação especificamente descrita no recurso voluntário, nos seguintes termos: No caso, por exemplo, do depósito feito no dia 02.07.2004, no valor de R$ 2.000,00, no Banco Itaú, tem origem na venda do veiculo Corsa Sedan Super, Placa CTB 7224, vendido em 24.06.2004, pelo valor de R$ 16.200,00, tendo como vendedor Osmar Aparecido Donizete Pedro e comprador Melva Damielli Conde Franz, sendo que nesta operação o lucro bruto da Recorrente foi de R$ 300,00. É certo que dentre os depósitos relacionados pela recorrente constatase que os créditos de R$ 22.300,00 e R$ 13.200,00, verificados em 02/07/2004, corresponderiam às notas fiscais de venda nº 5134 e 1438. Tais depósitos, porém, computados no montante apurado em julho/2004 (R$ 3.073.046,00), conforme fl. 1721v, não se prestaram integralmente como indícios da presunção de omissão de receitas, sendo antes reduzidos pelo faturamento comprovado pela contribuinte à Fiscalização, no valor de R$ 1.345.974,00, além de decotados pelas receitas de intermediação financeira apuradas em DIRF (R$ 146.054,00). Aliás, a autoridade fiscal demonstra, no Termo de Verificação Fiscal, que previamente cientificou a contribuinte das consequências da falta de escrituração completa de sua movimentação financeira, reportandose ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal lavrado em 20/01/2010, do qual são colhidos os seguintes excertos: DAS CONSTATAÇÕES 2. Tendo sido saneadas as pendências relativas aos anoscalendário 2004 a 2007, haja vista que os livros contábeis razão e diário foram considerados imprestáveis por não contemplarem a totalidade da movimentação bancária no período, foram efetuados os seguintes procedimentos em relação a este período para obtenção da base de cálculo passível de tributação: Auditoria Contas Bancárias • Cotejo em todas contas bancárias relacionadas acima, considerado de interesse fiscal, sendo elaborado uma lista detalhada de todos os créditos passiveis de comprovação (Anexo 2 do presente Termo); • Não foram considerados no Anexo 2 retro citado, os créditos relativos a transferência de mesma titularidade estornos de débitos devoluções de cheques resgates de aplicações captação empréstimos e financiamentos Resumos dos Depósitos Apurados Passíveis de Comprovação de Origem Fl. 3065DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 27 26 [...] (*) Os montantes acima resumidos encontramse devidamente detalhados nos Anexos a seguir: Anexo 1 Resumo dos Depósitos/Créditos Apurados Passíveis de Comprovação de Origem Anexo 2 Relação Detalhada Depósitos/Créditos Apurados Passíveis de Comprovação de Origem Ordem Cronológica Auditoria do Demonstrativo de Lucro das Vendas de Veículos Usados 3. Cotejo das notas fiscais de compra e venda averiguação dos dados. Auditoria das Receitas Apuradas de Prestação de Serviços Base DIRF (cód 8045) 4. Em consulta as bases de dados relacionadas ã Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF, foi constatado expressivos montantes de receita de prestação de serviços junto a diversas instituições financeiras/crédito a titulo de comissão de intermediação sobre operações de financiamento de veículos, em tese, não declarados nas respectivas DIPJ/DCTF conforme demonstrado no quadro resumo a seguir Quadro Resumo Receita de Comissão de Intermediação Financeira Base DIRF cód 8045 [...] Sistemática de Apuração da Base de Cálculo Devida 5. Tendo em vista a impossibilidade/dificuldade demonstrada pelo contribuinte em conseguir comprovar de forma origem/motivação dos créditos de forma individualizada esta fiscalização, visando se aproximar ao máximo do crédito devido e aproveitando ao máximo todas informações, documentos/relatórios apresentados pelo contribuinte adotou o seguinte critério. Montante Mensal de Depósitos de Créditos Apurados (1) ( ) Montante Mensal de Notas Fiscais de Venda Contidas no Relatório por Placas (2) ( ) Montante mensal de Comissões Apuradas Base DIRF (3) ( = ) Montante Mensal de Depósitos Apurados Pendentes de Comprovação de Origem (4) 6. Tendo em vista que a fiscalizada não mantém escrituração contábil/fiscal e/ou Livro Caixa contemplando toda movimentação financeira do período, passa a incorrer na obrigatoriedade de comprovar a origem/motivação dos todos depósitos/créditos apurados em seus extratos bancários; 7. A comprovação/identificação da origem do crédito tem como objetivo o afastamento da presunção legal seca, prevista no artigo 42 da Lei 9430/96 OMISSÃO DE RECEITAS DEPOSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADAS; 8. Conforme pode ser verificado na fórmula acima os montantes mensais apurados a partir das notas fiscais de vendas (2) e os montantes mensais de comissões de intermediação apurados a partir da DIRF(3), foram considerados para fins de comprovação de origem dos depósitos; 9. Uma vez quantificadas os volumes mensais de vendas a partir das notas fiscais apresentadas e os volume mensal de comissões recebidas, o saldo remanescente (4) corresponde exatamente o montante de depósitos/créditos em relação aos quais não foram apresentadas quaisquer comprovações que possam esclarecer sua origem, Fl. 3066DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 28 27 portanto, pendentes de comprovação, estando ainda, por conseguinte, passiveis de tributação por presunção legal prevista no art 42 da Lei 9430/96; 10. Portanto, elaborado, neste momento apenas para os anoscalendário 2004 a 2006, Resumo dos Saldos Mensais de Depósitos Pendentes de Comprovação de Origem (Anexo 5 do presente Termo); 11. Tendo em vista que esta fiscalização já esgotou todos documentos, notas fiscais e informações disponibilizadas, em tese, os saldos mensais pendentes de comprovação (4), somente de poderão ser reduzidos ou extintos, se forem identificados pelo contribuinte no Anexo 2, créditos/depósitos que por equivoco foram mantidos por esta fiscalização nesta lista, mas comprovadamente referese a créditos não sujeitas a tributação tais como: resgate de aplicações, transferência de mesma titularidade, empréstimos/financiamentos, estornos de débitos etc; [...] DA INTIMAÇÃO Em relação aos anos 2004 a 2006 14. Fica o contribuinte intimado no prazo de 7(sete) dias improrrogáveis, a contar da ciência do presente Termo, analisar os dados contidos nos Anexos 1,2,3,4 e 5 e apresentar: • Se for o caso, manifestação de discordância dos dados apresentados/apurados; • Comprovação de origem dos saldos mensais de depósitos/créditos de cada ano calendário conforme demonstrados na coluna 5 do Resumo consignado no Anexo 5 do presente Termo ou, se for o caso, identificar quais depósitos/créditos que se encontram incluídos indevidamente na Relação de Depósitos/ Créditos consignadas no Anexo 2 do presente Termo; 15 Fica alertado ao contribuinte que, a falta de comprovação de origem dos saldos remanescente de créditos/depósitos consignados na coluna 5 do Anexo 5 do presente Termo, não restará alternativa a esta fiscalização sendo a de considerálos por presunção legal, como OMISSÃO DE RECEITA DE SERVIÇOS, conforme rege o artigo 42 da Lei 9.430/96 cujos as bases de cálculos na apuração IRPJ e CSLL devidos, serão apuradas pelo artifício extremo de Arbitramento de Lucro, ou seja, utilizandose o coeficiente majorado de 38% aplicado integramente sobre os montantes retro citados; [...] A contribuinte não respondeu a esta intimação e, ao longo dos 18 (dezoito) meses anteriores nos quais se desenvolveu o procedimento fiscal, foi cientificada das deficiências de sua escrituração, com a concessão de sucessivos prazos para regularização, bem como para indicação da origem de cada depósito bancário identificado pela autoridade lançadora. Contudo, os únicos elementos apresentados foram as planilhas referentes a vendas de veículos, as notas fiscais de compra e venda de algumas operações ali consignadas e os Livros de Registro de Saída e de Apuração de ICMS. Frente à precariedade da escrituração do Livro Razão nos anos 2004 e 2005, e da ausência deste livro ou do Livro Caixa no ano calendário 2006, a autoridade fiscal se valeu dos meios possíveis para admitir a origem de parte dos depósitos bancários, ao passo que a recorrente direcionou sua defesa na busca de deficiências formais nesta investigação significativamente prejudicada por sua desídia na escrituração e guarda dos documentos pertinentes a suas operações comerciais, sem agregar qualquer prova documental que, desconsiderada pela Fiscalização, pudesse justificar a origem dos demais créditos bancários autuados, e assim, eventualmente, reduzir a incidência, por atrair Fl. 3067DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 29 28 a incidência da sistemática prevista na Lei nº 9.716/98, ou excluíla por inteiro, por não se tratar de recursos advindos de terceiros. Resta evidente, por todo o exposto que os equívocos, contradições, inconsistências e impropriedades apontados pela recorrente não se prestam a invalidar as exigências, razão pela qual deve ser REJEITADA a arguição de nulidade dos lançamentos. No mérito, a recorrente argumenta que a equiparação promovida pela Lei nº 9.716/98 não autoriza concluir que as operações de compra e venda de veículos se equiparam a prestação de serviços, pois elas subsistiriam como atividade comercial de compra e venda de veículos. Diz também ser impróprio o confronto entre as notas fiscais de vendas (lucro bruto) e o valor das receitas extraídas da DIRF, posto que é ilógico e sem sentido tomar essas duas grandezas para se apurar a suposta receita omitida, além de as duas bases de comparação observarem diferentes regimes de reconhecimento de receitas. Mais à frente acrescenta que ficções jurídicas como as previstas no art. 5º da Lei nº 9.716/98 não permitem interpretações extensivas, e que a lei, ao equiparar as operações de compra e venda de veículos usados a operações de consignação, apenas estipulou que a tributação incide sobre a diferença verificada entre as notas fiscais de venda e aquisição, sendo equivocada a equiparação de "consignação" a prestação de serviços, para fins de aplicação do coeficiente de 32%, como defendido na decisão recorrida. Fez referências, ainda, a decisão do TRF/4ª Região ao apreciar mandado de segurança coletivo impetrado pela Associação de Revendedores de Veículos Automotores no Estado de Santa Catarina. Tais argumentos foram validamente refutados na decisão recorrida, cujos excertos são aqui transcritos em razão da pertinência de seus argumentos: IIII –– DDAA IIMMPPUUTTAAÇÇÃÃOO DDEE OOMMIISSSSÃÃOO DDEE LLUUCCRROO NNAASS VVEENNDDAASS DDEE VVEEÍÍCCUULLOOSS UUSSAADDOOSS EE DDEE OOMMIISSSSÃÃOO DDEE RREECCEEIITTAASS DDEE PPRREESSTTAAÇÇÃÃOO DDEE SSEERRVVIIÇÇOOSS DDEE IINNTTEERRMMEEDDIIAAÇÇÃÃOO FFIINNAANNCCEEIIRRAA Conforme assinalado no termo de verificação fiscal acima transcrito, os lançamentos em apreço fundamentaramse também na apuração de omissão de lucros , nas vendas de veículos usados, com base nas notas fiscais de entrada e saídas/vendas de veículos usados apresentadas, e de omissão de receitas de prestação de serviços de intermediação financeira, apurada a partir das DIRF entregues pelas instituições financeiras. No tocante aos lucros auferidos nas operações de vendas de veículos usados, a fiscalização a partir das notas fiscais de entrada e saída/vendas de veículos usados apresentadas, teria determinado o lucro, mensal e trimestralmente, passível de tributação , conforme Anexo 4 do termo de constatação de 20/01/2010 (fls. 1855/1857). Tais valores teriam sido confrontados com aqueles informados pela contribuinte na DIPJ para a determinação da receita omitida. Já as receitas de comissão decorrentes da prestação de serviço de intermediação financeira, comprovadas nas Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte – Dirf apresentadas pelas instituições financeiras, encontramse consolidadas, mensal e trimestralmente, no “Anexo 3 – Demonstrativo de Receita de Comissão de Intermediação Financeira – Base DIRF” do mesmo termo acima referido (fls. 1851/1854). Para a efetivação da autuação e de determinação da omissão de lucros/receitas da atividade, tais informações foram novamente consolidadas, agora, no Anexo 1 do Termo de Verificação Fiscal de 29/01/2010 (fls. 116/118), no qual foram Fl. 3068DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 30 29 confrontados os lucros, auferidos nas vendas de veículos usados, e as receitas de comissão, auferidas na intermediação financeira, com as receitas, informadas na DIPJ, mensal e trimestralmente. Diante dos protestos levantados pela defesa, registrese que o fato de a escrituração ser imprestável para a validação da base de cálculo apurada pela pessoa jurídica (Lucro Real ou Presumido), sujeita à verificação pela autoridade fiscal, não tem o condão de desconstituir a omissão de receita porventura apurada na escrituração e/ou nas declarações prestadas pela empresa ao Fisco. [...] IIVV –– DDOO PPEERRCCEENNTTUUAALL DDEE PPRREESSUUNNÇÇÃÃOO DDOO LLUUCCRROO PPRREESSUUMMIIDDOO//AARRBBIITTRRAADDOO AAPPLLIICCÁÁVVEELL AAOO LLUUCCRROO DDAASS OOPPEERRAAÇÇÕÕEESS DDEE VVEENNDDAA DDEE VVEEÍÍCCUULLOOSS UUSSAADDOOSS No que tange aos percentuais de presunção do lucro, foram adotados os seguintes critérios, no lançamento: (i) 32% e 38,4% para as receitas auferidas na atividade de venda de veículos usados, porque equiparada à consignação, e para as receitas auferidas na atividade de intermediação financeira; e (ii) 8% e 9,6% para as receitas omitidas e comprovadas mediante os depósitos de origem não identificada, por se tratar da regra geral prevista no caput do art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Contesta a defesa ainda a aplicação do percentual de 32% na compra e venda de veículos usados, porque a equiparação legal à operação de consignação, somente teria o condão de reduzir a receita bruta da atividade, sem alterar a natureza jurídica da compra e venda. Contrariamente ao defendido pela Impugnante, não é possível juridicamente afetar a base de cálculo de uma incidência sem devido efeito sobre a natureza da operação . Dito por outras palavras: ao equiparar, para fins tributários, a venda de veículos usados às operações de consignação, a Lei nº 9.716, de 1998, jurídica e tributariamente, descaracterizou a natureza propriamente mercantil de tais operações, ao permitir que fosse considerada como receita bruta apenas a diferença entre a venda e a compra do veículo usado, fazendo incidir a tributação exatamente sobre o lucro auferido nas operações de consignação. Destaquese a existência de notícia recente sobre o julgamento da matéria na 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, Acórdão ainda não formalizado nº CSRF/910100017, de 09/03/2009, no qual, por unanimidade, foi dado provimento ao recurso da PGFN para reformar o Acórdão nº 10808.865, em que a exigência teria sido excluída, sob o fundamento da natureza comercial da operação de compra e venda de veículos. Quanto à decisão judicial do TRF da 4ª Região no Mandado de Segurança Coletivo nº 2006.72.05.0043362/SC, impetrado pela Associação dos Revendedores de Veículos Automotores no Estado de Santa Catarina – ASSOVESC, apenas registre se que não é vinculante, e não se coaduna com a interpretação dada pela Administração Tributária à norma jurídica contida no art. 5º da Lei nº 9.716, de 1998. Cumpre observar a existência do Recurso Especial nº 1.160.907, contra tal decisão, pendente de apreciação no Superior Tribunal de Justiça – STJ. Protesta ainda a defesa no sentido de que “se há omissão de receitas, não seria decorrente de prestação de serviços, mas da atividade comercial exercida pela Impugnante, de compra e venda de veículos”. Além do esclarecimento acima, oportuno que se diga que a omissão de receitas, imputada com base nos depósitos bancários de origem não identificada, e que representa a maior parte da base tributável das autuações, foi tributada nos percentuais de 8%, nos anoscalendário de 2004 e 2005, e de 9,6%, no ano Fl. 3069DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 31 30 calendário de 2006. Conforme já acima relatado, tal procedimento é consentâneo com a regra geral de tributação prevista no caput do art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Oportuno que se diga que também foi exigida da autuada a diferença de IRPJ e CSLL em função da utilização do percentual de 8% para a tributação do lucro auferido na venda de veículos usados, quando deveria ter utilizado o percentual de 32%. VV DDAASS DDEEMMAAIISS MMAATTÉÉRRIIAASS IIMMPPUUGGNNAADDAASS Não tem razão a defesa, também, quando afirma a impropriedade no confronto entre o lucro bruto apurado na venda de veículos usados e os rendimentos de comissão de intermediação de operações financeiras, apurados nas DIRF. Na verdade, ambos os valores foram utilizados como prova da origem dos recursos depositados, e confrontados não entre si, mas com as informações contidas na DIPJ acerca da receita bruta da atividade. Quanto à inconsistência no regime de reconhecimento das receitas, salientese que, na ausência de prova em contrário a ser ofertada pela contribuinte, é perfeitamente admitida a tributação das receitas comprovadamente auferidas nas operações de venda, com base na data da emissão da nota fiscal, e nas operações de intermediação de negócios, com base nas informações prestadas nas DIRF pelas fontes pagadoras. Apenas se apresentada a contraprova hábil a desconstituir a prova construída pelo Fisco, e não com base em meras alegações, é que a exigência poderia ser afastada. Acrescentese que a aplicação do coeficiente de 32% (ou de 38,4% em caso de arbitramento dos lucros) é matéria já pacificada neste Conselho, nos termos da Súmula CARF nº 85: Na revenda de veículos automotores usados, de que trata o art. 5º da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998, aplicase o coeficiente de determinação do lucro presumido de 32% (trinta e dois por cento) sobre a receita bruta, correspondente à diferença entre o valor de aquisição e o de revenda desses veículos. É certo que o Superior Tribunal de Justiça tem se manifestado reiteradamente em sentido contrário, como bem expressa a ementa da decisão proferida em 10/12/2014, nos autos do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.462.321/SC: TRIBUTÁRIO. IRPJ. CSLL. COEFICIENTES PARA COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COMPRA E VENDA DE VEÍCULOS. CONSIGNAÇÃO. OPERAÇÃO MERCANTIL. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INAPLICABILIDADE DO DISPOSTO NO ART. 15, § 1º, III, DA LEI N. 9.249/95. DA AUSÊNCIA DE AFRONTA AO ARTIGO 97 DA CF. 1. Discutese na presente ação mandamental a possibilidade de aplicação, nas operações de compra e venda de veículos, do coeficiente de presunção fiscal de 8% e 12% respectivamente, na composição da base de cálculo do IRPJ e CSLL. 2. Defende a Fazenda Nacional que o acórdão recorrido malferiu o art. 5º da Lei n. 9.716/98, com o argumento de que a operação de venda de veículos usados mediante consignação configura prestação de serviços, sujeitando a empresa prestadora à respectiva alíquota. 3. É assente na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça que as empresas concessionárias de veículos, nas vendas a consumidor final, não atuam por consignação, mas realizam negócios em nome e por conta própria, de modo que a Cofins deve ser recolhida sobre a receita bruta, e não sobre a eventual margem de lucro. Fl. 3070DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 32 31 4. As Turmas que compõem a Seção de Direito Público desta Corte já enfrentaram a controvérsia e concluíram que a existência de autorização legal contida no art. 5º da Lei n. 9.716/98, destinada ao contribuinte, para que equipare as vendas de veículos usados às operações de consignação não significa que estas atividades devem ser consideradas como prestação de serviço, para fins de definição da alíquota do IRPJ e da CSLL (arts. 15, III, "a", e 20 da Lei n. 9.249/95). 5. Não há falar em afronta ao artigo 97 da Constituição Federal, nos termos em que foi editada a Súmula Vinculante 10 do STF. A violação à cláusula de reserva de plenário só ocorre quando a decisão, embora sem explicitar, afasta a incidência da norma ordinária pertinente à lide, para decidila sob critérios diversos alegadamente extraídos da Constituição. Agravo regimental improvido. Todavia, a recorrente não alega ter sido favorecida em qualquer processo judicial neste sentido, e somente as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo art. 543C do Código de Processo Civil são de reprodução obrigatória pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, a aplicação do entendimento esposado na Súmula CARF nº 85 se impõe, nos termos do art. 45, inciso VI e 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, alterada pela Portaria MF nº 586/2010: Art. 45. Perderá o mandato o conselheiro que: [...] VI deixar de observar, reiteradamente, enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF expedidas, respectivamente na forma dos arts. 73 e 77 72 e 76, bem como o disposto no art. 62; [...] Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. [...] A recorrente prossegue afirmando a impossibilidade de aplicação da presunção do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 em atividade na qual o depósito não caracteriza receita, qual seja, de compra e venda de veículos usados. Diz que a autoridade administrativa tinha elementos mais que suficientes para apurar o lucro efetivo da atividade da Recorrente, como os demonstrativos que lhe foram apresentados, e ainda assim os ignorou, com vistas a aplicar a tributação máxima, muito mais gravosa ao contribuinte, não sendo temerária a alegação da Recorrente, como alega a d. 2ª Turma da DRJ/Campinas. Como já extensamente abordado na preliminar de nulidade, a contribuinte não fez prova durante o procedimento fiscal, e nem mesmo no curso do processo administrativo, de que outros depósitos bancários poderiam corresponder a operações de compra e venda de veículos usados, e lhes atribuiu esta natureza apenas em razão de demonstrativos apresentados à Fiscalização, em sua maior parte dissociados dos documentos de suporte das operações, especialmente as notas fiscais de venda. Em sua defesa, a recorrente limitase a estimar a "receita" da atividade de compra e venda de veículos a partir do confronto entre os depósitos bancários e o resultado das operações admitidas como comprovadas pela Fiscalização, invocando a aplicação de metodologia semelhante aplicada por este Conselho em caso de empresas de factoring. Ocorre Fl. 3071DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 33 32 que instituições financeiras desta espécie, por exercerem atividade específica e uniforme, podem apresentar circunstâncias fáticas favoráveis à conclusão de que sua movimentação bancária não autoriza a presunção de omissão de receitas a partir, apenas, dos depósitos bancários de origem não comprovada. Já a contribuinte aqui autuada, como demonstrado, apresenta objeto social diversificado, o qual abrange outras atividades não regidas pelo art. 5º da Lei nº 9.716/98, como a venda de veículos novos e a prestação de serviços diversos. Acrescentese, ainda, que também neste caso a própria Delegacia da Receita Federal do Brasil, em sede de procedimento de fiscalização, reconhece que não se pode tomar a soma dos depósitos bancário pura e simplesmente como base de cálculo da suposta receita omitida, devendo os depósitos serem tomados como indícios, início de investigação. E neste sentido, a autoridade lançadora se empenhou em alcançar a realidade das operações do sujeito passivo, facultandolhe a comprovação da origem dos depósitos por vários meios, para além de sua precária escrituração contábil, ao final excluindo da tributação significativa parcela dos depósitos bancários verificados nos períodos autuados, identificados como decorrentes de operações de compra e venda de veículos usados. A recorrente também se reporta a julgado administrativo que exige prova da utilização dos valores depositados, capaz de caracterizar a disponibilidade econômica da renda, mas tratase ali de decisão em face de exigência a título de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, e de tese superada pela Súmula CARF nº 26 (A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada). Aduz que em razão do grande volume de operações ainda não esgotou o cruzamento de suas notas fiscais com os depósitos bancários, e que requereu ajuda às instituições financeiras acerca dos veículos vendidos, mas sem ter obtido, ainda, estas informações. Contudo, como já dito, quando iniciada a fiscalização, depois de já transcorridos mais de 3 (três) anos do encerramento do primeiro período investigado, a contribuinte não dispunha de escrituração completa de sua movimentação financeira, e não logrou reconstituíla nos 18 (dezoito) meses que se seguiram, nem mesmo complementála nestes 4 (quatro) anos em que se desenvolve o processo administrativo fiscal. Frente a tais circunstâncias, resta claro que a desídia é da contribuinte, e não da Fiscalização que, no entender da recorrente, ao se fiar na presunção legal, teria abdicado da descoberta da verdade material, transferindo toda carga probatória para a Recorrente. Nos termos do art. 264 do RIR/99, era obrigação da autuada conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, de modo que o grande volume de operações, e a dificuldade de sua prova, não pode ser oposto para desconstituir a exigência. Imprópria, também, a pretensão de elidir presunção legal em razão da identificação, nos extratos bancários, das instituições financeiras remetentes dos numerários em razão dos financiamentos de veículos usados vendidos pela empresa autuada. A Fiscalização somente confirmou parcialmente que o volume de depósitos bancários referese a créditos efetuados por instituições financeiras em conta bancária da Recorrente, e isto porque apresentadas as notas fiscais correspondentes a operações de compra e venda de veículos usados, eventualmente financiados por aquelas instituições. A alegada descrição "auto explicativa" contida nos extratos bancários da Recorrente somente evidencia que os depósitos bancários decorriam de atividades comerciais realizadas sem emissão de nota fiscal, e de forma Fl. 3072DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 34 33 alguma permitem distinguir se o financiamento decorreria da venda de um veículo usado ou novo. Incorreta, assim, a conclusão de que em tais circunstâncias, a receita corresponderia unicamente à diferença entre o valor de venda e o custo da compra, restando inaplicável o art. 42, §2º da Lei nº 9.430/96, porque não comprovada a origem dos depósitos bancários e consequente submissão da receita a norma de tributação específica. A recorrente discorda, ainda, do arbitramento dos lucros no anocalendário 2006, vez que a aplicação do art. 532 do RIR/99 pressupõe receita bruta conhecida, à qual não se equipara a omissão de receita caracterizada por presunção legal. Questiona, também, a tributação isolada do lucro cumulada com arbitramento com base em depósito bancário, no anocalendário 2006, dado que a Fiscalização classificou sua contabilidade como imprestável, e ainda assim verificou a correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pela Recorrente em sua escrituração contábil, comprovados no Demonstrativo de Lucro por Placa de Veículo exibido pela empresa autuada. Este procedimento revelaria a adoção de critérios contraditórios e excludentes e evidenciariam excesso de subjetividade na apreciação dos documentos disponibilizados pela Recorrente, assim como mudança aleatória de metodologia, de cunho exclusivamente arrecadatório. A decisão recorrida, mais uma vez, merece transcrição, por bem ter refutado estas alegações, e inclusive contraditado os julgados administrativos invocados em impugnação com outras decisões deste Conselho em sentido diverso: Configurada a hipótese de aplicação das normas de arbitramento dos lucros, prescrevem os atos legais que, quando conhecida a receita bruta , o lucro arbitrado das pessoas jurídicas, deve ser determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados para a determinação do Lucro Presumido, acrescidos de vinte por cento (art. 532 do RIR/99 – matriz legal: Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). Questiona a defesa a compatibilidade entre o arbitramento dos lucros, com base na receita bruta conhecida, e a tributação da omissão de receitas, com base em depósitos bancários de origem não identificada. Em seu entender, a omissão de receitas, apurada em decorrência de presunção legal, não poderia ser equiparada à receita conhecida. Contrariando o entendimento da Impugnante, cumpre esclarecer que apesar de ter sido conhecida, mediante prova indireta, por presunção, instituída em Lei, a receita omitida é exatamente a receita conhecida . A referendar tal interpretação, a jurisprudência administrativa é unânime acerca da compatibilidade entre a sistemática de tributação com base no Lucro Arbitrado e a presunção legal de omissão de receitas, construída a partir dos depósitos bancários sem comprovação da origem, conforme ementas dos julgados abaixo: Nº Acórdão 10323640 Turma 3ª Câmara Data da Sessão 17/12/2008 Relator(a) Leonardo de Andrade Couto Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 LUCRO ARBITRADO. CABIMENTO O resultado da pessoa jurídica deve ser apurado mediante arbitramento do lucro quando não são apresentados elementos que permitam o levantamento sob outra forma nem a efetiva movimentação financeira realizada pela pessoa jurídica. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. Fl. 3073DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 35 34 Nº Acórdão 10323506 Turma 3ª Câmara Data da Sessão 26/06/2008 Relator(a) Antonio Bezerra Neto Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 Ementa: ARBITRAMENTO. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO A falta de apresentação de livros e documentos pela pessoa jurídica tributada com base no lucro real dá ensejo ao arbitramento de seus lucros. Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Nº Acórdão 10517304 Turma 5ª Câmara Data da Sessão 12/11/2008 Relator(a) Marcos Rodrigues de Mello Ementa: Assunto: DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RECEITAS Caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO DO LUCRO COM BASE NA RECEITA BRUTA CONHECIDA IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DOS CUSTOS DE MERCADORIAS VENDIDAS Se o regime de apuração do lucro aplicado ao sujeito passivo é o do arbitramento com base na receita bruta conhecida, não há que se falar em aproveitar os custos das mercadorias vendidas, pois estes somente são considerados na apuração do lucro real. Nº Acórdão 10809780 Turma 8ª Câmara Data da Sessão 17/12/2008 Relator(a) Valéria Cabral Géo Verçoza Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃOCOMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DO REGISTRO DE RECEITAS. Caracterizam omissão de registro de receitas os valores creditados em conta corrente de depósitos ou investimentos, mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL COM VÍCIOS OU INEXISTENTE. A falta de regular escrituração comercial e fiscal, ou a escrita que contenha vícios e não reflita toda a movimentação financeira da empresa, inclusive bancária, implica o arbitramento do lucro. Também não haveria qualquer incompatibilidade entre o arbitramento dos lucros e a comparação entre os valores escriturados e informados nas declarações apresentadas pela empresa, porque não se confunde a sistemática de tributação a abranger todas receitas auferidas em todas as atividades, inclusive aquelas informadas nas declarações prestadas à RFB, com a determinação da receita omitida, para a qual é imprescindível a comparação entre a receita apurada e a declarada. Inexiste, também, qualquer impedimento à tributação dos resultados auferidos em operações de compra e venda de veículos usados quando imprestável a escrituração comercial. A lei autoriza a equiparação destas operações a consignação desde que os veículos usados sejam objeto de notas fiscais de compra e de venda, e esta comprovação documental foi considerada suficiente pela Fiscalização para, em benefício do sujeito passivo, reduzir o montante de depósitos bancários de origem não comprovada, e dele destacar como receita apenas o resultado das operações correspondentes. O lucro tributável decorrente desta receita permanece passível de determinação por arbitramento em razão da falta de apresentação, especialmente, no Livro Caixa, inexistindo qualquer contradição entre tais critérios de apuração. Fl. 3074DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 36 35 Por tais razões, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos créditos tributários principais exigidos, ressalvandose a postergação da análise da preliminar de decadência, como inicialmente exposto. Com referência à qualificação da penalidade, cumpre ter em conta os exatos termos da acusação fiscal: 46. Não resta dúvida e está convicta esta fiscalização que o contribuinte em relação a todos os anoscalendário omitiu do Fisco Federal de forma sistemática e reiterada grande volume de rendimentos tributáveis, quando deixou de informar, através das declarações entregues Receita Federal, os efetivos montantes auferidos de receita no período de jan/2004 a dez/2006 ; 47. A fiscalizada deixou de declarar, REITERADAMENTE E DE FORMA CONSECUTIVA, nos anoscalendário 2004, 2005 e 2006 , incidindo na multa qualificada tipificada no artigo 44 da Lei 9.430/96 (art. 461 do RIPI/98 e art. 488 do RIPI/2002) 48. Conforme explanado anteriormente, a fiscalizada sistematicamente declarou a menor os tributos devidos, tentou ludibriar o fisco ao inserir elementos inexatos em sua contabilidade visando dolosamente não recolher os tributos devidos. 49. Da análise dos documentos coletados, verificouse que as receitas reais da fiscalizada, nos quatro anos fiscalizados, é expressivamente superior ao declarado em todos os anos sob ação fiscal. 50. Oportuno se faz a transcrição do art. 44 da Lei nº 9.430/96 e dos artigos nela mencionados da Lei nº 4.502/64: "Lei 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de of/c/a, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n9 4.502/64, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (grifo nosso) Lei 4.502/64 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72." 51. Ocorre, porém, que nos tipos penais acima transcritos há necessariamente um componente doloso, sem o qual não é possível a caracterização do ilícito. Em outras palavras, para a ocorrência do crime, é necessário que a ação perpetrada tenha Fl. 3075DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 37 36 como finalidade prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre um fato juridicamente relevante; 52. Adentramos, assim, no campo das infrações subjetivas, em contraposição regra geral da responsabilidade objetiva que impera no campo das infrações legislação tributária; 53. Sobre os conceitos de infração objetiva e subjetiva, Paulo de Barros Carvalho (" Curso de Direito Tributário" , Ed. Saraiva, 14a ed., p. 504 e ss) pontifica, in verbis; 54. Infração subjetiva é aquela para a configuração de que exige a lei que o autor do ilícito tenha operado com dolo ou culpa (esta em qualquer um dos seus graus). Caso de infração subjetiva é o comportamento do contribuinte do imposto sobre a renda que, ao prestar sua declaração de rendimentos, omite, propositadamente, algumas receitas, com o objetivo de recolher quantia menor do que a devida. As infrações objetivas, de outra parte, são aquelas em que não é preciso apurarse a vontade do infrator. Havendo o resultado previsto na descrição normativa, qualquer que seja a intenção do agente, dáse por configurado o ilícito. Situação típica é a do nãopagamento de determinada quantia, a titulo de imposto predial e territorial urbano, nos prazos fixados na notificação de lançamento. Sendo irrelevante o ânimo do devedor, não realizado o recolhimento até o limite final do prazo, incorrerá ele em juros de mora e multa de mora. Ainda que o principio geral, no campo das infrações tributárias, seja o da responsabilidade objetiva, o legislador não está tolhido de criar figuras típicas de infrações subjetivas. São elas a sonegação, a fraude e o conluio, além daquelas em que se eleger a culpa (nos aspectos da negligência, imprudência ou imperícia), como ingrediente necessário do tipo legal" (negritamos) Cristalino, portanto, que para a configuração do crime no caso sob comento é preciso restar caracterizado que o autor do ilícito agiu com a intenção de impedir ou retardar o conhecimento, pela Fazenda Pública, do IPI devido no período sob ação fiscal. 55. É mister esclarecer que a caracterização do intuito doloso, na maioria das vezes, configura uma difícil tarefa, tendo em vista que a sua comprovação só pode ser evidenciada quando temos um determinado padrão da conduta delitiva associada a atos comissivos ou omissivos praticados de maneira reiterada. 56. Quando se pratica uma determinada conduta delitiva, de forma não reiterada, até poderíamos considerála como um erro escusável, dependendo, é claro, de uma análise do conjunto fático probatório. 57. Mas quando se pratica a mesma conduta delitiva consecutivamente por vários anos (três) aí adentramos no campo volitivo da conduta humana, não podendo se aceitar que tal evento seja meramente um erro escusável. 58. O intuito doloso foi caracterizado pela prática reiterada de uma única infração: Omissão de Receitas. 59. A comprovação de que a prática delituosa deuse de forma consistente e reiterada ao longo do tempo denota o intuito doloso pela fiscalizada. 60. Portanto, concluise pelo dolo não a partir de uma única ação delituosa, mas pela repetição desta conduta no decorrer de um longo lapso temporal: três anos consecutivos. 61. Assim, diante das definições anteriormente transcritas e da análise dos fatos e documentos apurados por esta fiscalização, constatamos que a PRATICA SISTEMÁTICA da fiscalizada, materializada pela omissão de declarar se subsumem perfeitamente ao tipo previsto no art. 71 da Lei n.° 4.502/1964. Fl. 3076DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 38 37 62. Para corroborar tais assertivas trazemos à presente lume algumas jurisprudências, iniciandose pelo brilhante voto aquilatado pelo ilustre julgador José Tarcísio Januário, Acórdão n° 38, de 28 de setembro de 2001, da 5ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas, SP: " Divirjo do Relator no concernente à caracterização do" evidente intuito de fraude", que da azo a aplicação da multa qualificada prevista no inciso II do Art. 44, da Lei 9.430/96, e, por conseqüência, da repercussão no presente processo. 46. Aludido artigo 44 vem assim vazado: " Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I se setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n"4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." (grifei) 47. Vejase que para os casos de falta de declaração ou de declaração inexata, e outros listados no inciso I, será aplicada a multa de 75%, a menos que o Fisco detecte e aponte o evidente intuito de fraude, ou seja que se demonstre tratarse de conduta dolosa. 48. Evidente intuito de fraude, como bem lembrou o Relator, é conceito amplo no qual se inserem aquelas condutas dolosas definidas como sonegação, fraude ou conluio, consoante a Lei n°4.502, de 1964 (in verbis): " Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 Fraude é toda ago ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72." (grifei) 49. Não se olvide, outrossim, que, pela Lei n° 8.137, de 27 de dezembro de 1990, no âmbito do Direito Penal e, portanto, com inflexão sobre este caso (aplicação de penalidade com representação para fins penais), a sonegação vem definida, de forma genérica, como qualquer conduta dolosa que ofenda a ordem tributária, entre as quais coloco em relevo as que colaciono abaixo: " Art. 1º. Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório mediante as seguintes condutas: I omitir informação, ou prestar declaração falsa As autoridades fazendárias; II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; [...] Art. 2º. Constitui crime da mesma natureza: I fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; [...]" Fl. 3077DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 39 38 50. Assim, no exame dos dois dispositivos legais supra transcritos verificase que sonegação, para fins de Direito Tributário Penal ou, como não poderia deixar de ser, para o Direito Penal Tributário, não necessita do falso material, contentase apenas com a omissão de informações na declaração ou omissão da própria declaração a que está sujeito o contribuinte. 51. É bem verdade que a falsidade material deixa exposto o evidente intuito de fraude, porém, o dolo, elemento subjetivo do tipo qualificado tributário ou do tipo penal, também está presente quando a consciência e a vontade do agente para prática da conduta (positiva ou omissiva) exsurge da reiteração de atos que tenham por escopo, iniludivelmente, impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador e de suas circunstâncias materiais, necessárias a sua mensuração. 52. De fato, a conduta ardilosa de declarar sistematicamente ao Fisco valores menores do que aqueles que de fato seriam os verdadeiros, sem que nenhuma justificativa plausível para tanto seja apresentada, além de retardar o conhecimento do fato gerador por parte da autoridade administrativa, ainda faz essa supor, pelo principio da boafé, que aquele contribuinte está cumprindo com suas obrigações, desviando seu foco pare aqueloutros que nem mesmo apresentaram as devidas declarações. (grifo nosso) [...] 55. A jurisprudência administrativa dá guarida ao entendimento aqui esposado, consoante se denota dos recentes acórdãos do Prime iro Conselho de Contribuintes, cujas ementas transcrevo: "QUINTA TURMA ACÓRDÃO: 10513289 SESSÃO: 13/09/2000 Negado provimento ao recurso pelo voto de qualidade. Ementa: COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS A compensação de tributos e contribuições, em atenção a legislação, normatizada através da IN na 21/97, deverá observar as suas normas e disposições estipuladas. MULTA AGRAVADA: Cabível a multa agravada, quando o autor do procedimento fiscal demonstra, por elementos seguros de prova, que os envolvidos na prática da infração tributária conseguiram o objetivo de, reiteradamente, além de omitirem a informação em suas declarações de rendimentos, deixar de recolher os tributos devidos. A prática de reduzir indevidamente receita oferecida à tributação, por força de erro de soma ou outro artificio, é forte indicio de prática fraudulenta, merecendo a imposição da multa agravada de 150 % .(grifo nosso) TERCEIRA TURMA ACÓRDÃO: 10320.469 SESSÃO: 06/12/2000 Ementa: MULTA MAJORADA. OMISSÃO SISTEMÁTICA E REITERADA NA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS DE RECEITAS OPERACIONAIS TRIBUTA VEIS. PERTINÊNCIA ACUSATÓRIA.. Restando provada a manifesta intenção de se ocultar a ocorrência do fato gerador dos tributos com o objetivo de se obter vantagens indevidas em matéria tributá ria, mormente quando se omite nos elementos formais acessórios receitas tributáveis de forma sistemática e reiterada ao longo de vários exercícios sociais, sob o primado e ao sabor da clandestinidade impõese a multa majorada consentânea com a tipicidade que se apresenta viciada. (grifo nosso) Por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso." Fl. 3078DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 40 39 56. Também no judiciário a omissão na declaração vem sofrendo a devida reprimenda, como nos mostra a emenda de recente decisão do Tribunal Regional Federal da 4a região: "TRF 4 ACR APELAÇÃO CRIMINAL 4897 SEGUNDA TURMA Data da Decisão: 21/09/2000 SONEGAÇÃO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. ADEQUAÇÃO FIXAÇÃO DA PENA. CRIME CONTINUADO. PENA DE MULTA. SUBSTITUIÇÃO DA PENA. PARCIAL PROVIMENTO. 1. Inocorre cerceamento de defesa, pelo indeferimento de prova pericial, quando esta se revela desnecessária para elucidação da verdade real. 2. O traço distintivo entre os tipos penais previstos no artigo 1°, I, e artigo 2°, I, ambos da Lei no 8137/90 reside na existência, ou não, respectivamente, de supressão ou redução de tributos. O primeiro crime é, portanto, material, dependendo para sua consumação do resultado naturalistico, ao passo que o segundo é crime formal, de consumação antecipada... 4. A sonegação fiscal, decorrente da omissão de declaração do ajuste anual do imposto de renda, é crime que somente se repete de 12 em 12 meses. Este lapso temporal, por si só, não impede o reconhecimento da continuidade delitiva, quando os seus demais elementos se acham preenchidos. (grifei)." 57. No mesmo sentido do até aqui esposado, o Tribunal Regional da 1° região já teve oportunidade de deixar assentado que a sonegação fiscal independe de fraude material anterior à conduta omissiva ou comissiva que ocultou os rendimentos do Fisco, nos termos seguintes: "TRF 1 ACR APELAÇÃO CRIMINAL 01398910 QUARTA TURMA Data da Decisão: 01/12/1998 PENAL. SONEGAÇÃO FISCAL. ELEMENTARES DO TIPO. CIRCUNSTANCIAS ATENUANTES. INAPLICABILIDADE 1. Não integra o tipo do art. 1°, I, da Lei n°8.137/90, a falsificação de recibo destinado a comprovar, fraudulentamente, o conteúdo da declaração do imposto de renda sonegado. 2. Não se aplicam as circunstâncias atenuantes do art. 65, III, do Código Penal, quando a penabase é fixada, na sentença, no mínimo legal. 3. lmprovimento do recurso [...]" 61. Resta patente o ardil, a manha da contribuinte, inclusive por não restar dúvida a qualquer pessoa de senso comum de que ela, contribuinte, sabia perfeitamente o quanto devia a titulo de contribuição, porém assumiu o risco de declarar e recolher apenas parte diminuta da divida. 62. Portanto, está caracterizado aquele plus subjetivo que leva a aplicação da multa de oficio para o percentual agravado de 150 %, conforme inciso II, do art. 44, da Lei 9.430/96. [...] 39. Revelado, portanto, o ardil do contribuinte em declarar valores in verídicos ao Fisco, sem a apresentação de qualquer justificativa plausível para tanto, cabível é a exigência dos valores devidos com a aplicação da penalidade agravada, no patamar de 225%, porque também presente a recusa na apresentação da documentação necessária durante a ação fiscal. (grifo nosso) 56. No mesmo sentido, a Delegacia de Julgamento de Brasília/DF, no Acórdão n° 1.111, de 21 de fevereiro de 2002, decidiu: " Multa Majorada A prática sistemática, adotada durante anos consecutivos, de reduzir indevidamente a receita em suas declarações, forma o elemento subjetivo da conduta Fl. 3079DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 41 40 dolosa, justificando a penalidade agravada. Tal situação fática se subsume perfeitamente ao tipo previsto no art. 71, inciso /, e 72 da Lei n.° 4.502/1964." (Grifo nosso) 2. Do voto do relator, extraise: " Os fatos que autorizaram a qualificação da multa de oficio estão descritos as fls. 62 a 72 (Volume I do processo n° 10166.014820/200139) e folhas 10 do presente processo, "in fine". Dali se extrai que: ` Receita Escriturada Não Declarada' a prática de reduzir indevidamente a receita oferecida a tributação em suas declarações (DIRPJ, DIPJ e DCTF), reiteradamente, é forte indicio de prática fraudulenta, pois visa não recolher ou recolher a menor tributo devido. A multa exasperada de 150% tem fundamento legal no art. 44, inciso II, da Lei n.° 9.430/1996. Dispõe o dispositivo que a multa é devida nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Por seu turno, os arts. 71, 72 e 73 da Lei n.° 4.502/1964, assim rezam: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Ora, agindo como anteriormente exposto, e de forma sistemática durante anos consecutivos, a contribuinte tentou impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Essa prática sistemática, durante anos consecutivos, forma o elemento subjetivo da conduta dolosa. Tal situação fática se subsume perfeitamente aos tipos previstos nos arts. 71, inciso I, e 72 da Lei n.°4.502/1964. (grifo nosso) Como já se disse alhures, deixando de informar suas receitas e de declarar ou declarar a menor o imposto devido, a contribuinte aposta na consumação do prazo decadencial. Não se efetuando o lançamento dos tributos nas Declarações, ficaria a Fazenda Pública, se não efetuado o lançamento de oficio no prazo decadencial, impossibilitada de promover a inscrição na Divida Ativa e propor a competente ação de execução. Pelo exposto, é de se manter a exasperação da multa." 3. Ao recurso voluntário interposto contra essa decisão, junto ao Primeiro Conselho de Contribuintes, não foi dado provimento, por unanimidade, sendo proferido o acórdão: " IRPJ/CSLL. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA QUALIFICADA. A prática reiterada de infrações definidas como falta de recolhimento e/ou de declaração inexata, por diversos anos seguidos, caracteriza indicio veemente da ocorrência de irregularidades definidas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/64 e justifica a aplicação da multa qualificada." (Acórdão n° 10194095; Sessão de 26/02/2003; Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes; relator Kazuki Shiobara) 63. Portanto, demonstrado de maneira clarividente, é imperativo a aplicação da Multa Qualificada de 150%, nos anoscalendário 2004 a 2006, a teor no disposto do artigo 44 da Lei 9.430/96; Fl. 3080DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 42 41 64. Os expressivos valores consideravelmente superiores aos valores efetivamente declarados, por si só, afastam quaisquer possíveis alegações de erro, estando o contribuinte enquadrado na situação prevista no inciso II do art. 44 da Lei 9.430/96. (grifos do original, negritos acrescentados) Claro está, nestes termos, que a autoridade lançadora entendeu presente o evidente intuito de fraude em razão da reiterada omissão de receitas constatada nos três períodos fiscalizados. No início da abordagem há também referência ao grande volume de rendimentos tributáveis omitidos. Observase nos autos de infração que a Fiscalização não qualificou a penalidade nas exigências decorrentes de resultado na venda de veículos usados não declarados, bem como da diferença de coeficiente de presunção/arbitramento do lucro aplicada sobre os resultados declarados. De fato, no Anexo 1 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 116/118) é possível verificar que a receita declarada em DIPJ aproximavase daquela apurada pela Fiscalização em razão das operações de venda de veículos usados até junho/2005, sendo que a autoridade lançadora não entendeu dolosa a conduta de deixar de declarar qualquer receita daquela natureza em DIPJ no 3º e no 4º trimestres de 2005, ou omitilas em valores mais representativos nos trimestres de 2006. A multa qualificada, assim, restou aplicada sobre os créditos tributários decorrentes de omissão de receitas de prestação de serviços de intermediação financeira, acerca das quais não foi identificada qualquer nota fiscal emitida como indicado no Anexo 1 do Termo de Verificação Fiscal, bem como para a omissão de receitas presumida a partir de depósitos bancários de origem não comprovada. A reiterada omissão de receitas decorrentes de intermediação financeira é indiscutível. A recorrente sequer se manifesta diretamente contra os créditos tributários exigidos em razão desta infração. Apenas tangencia o tema em argumentação que confunde esta omissão com a outra receita também classificada pela Fiscalização como decorrente de prestação de serviços, qual seja, o resultado auferido nas operações de venda de veículos usados, e não apresenta qualquer justificativa para a falta de emissão de notas fiscais correspondente a estas receitas. Quanto a este ponto, não há qualquer reparo à acusação fiscal: a PRÁTICA SISTEMÁTICA da fiscalizada, materializada pela omissão de declarar se subsume perfeitamente ao tipo previsto no art. 71 da Lei n.° 4.502/1964. A defesa da recorrente, por sua vez, dirigese, em sua maior parte, à outra infração punida com a multa qualificada, e no que tange à omissão em destaque aproveitase apenas suas referências acerca da impossibilidade de qualificação frente à validação de sua escrituração nos anoscalendário 2004 e 2005, e do uso da presunção hominis para configuração do dolo, além das críticas às referências, contidas na acusação fiscal, a matéria não tratada nestes autos, das quais resultaria a aplicação de argumentos e dispositivos de legislação notoriamente inaplicáveis à situação em exame, e da alegada ausência de convicção da autoridade autuante para agravar a penalidade, em razão de vícios no auto de infração reconhecidos pela própria DRJ/CPS (agravamento da penalidade na infração de omissão de receitas presumida a partir de depósitos bancários apenas de maio a dezembro, no anocalendário 2006). Como extensamente demonstrado neste voto, a adoção da sistemática do lucro presumido para cálculo das exigências de IRPJ e CSLL nos anoscalendário 2004 e 2005 não decorre da validade da escrituração apresentada pelo sujeito passivo, mas sim da Fl. 3081DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 43 42 apresentação, mesmo com irregularidades, do Livro Razão para estes períodos. A documentação apresentada ao Fisco, e seu confronto com a DIPJ apresentada, permitiu à autoridade lançadora identificar que a contribuinte não emitiu nota fiscal e omitiu as receitas decorrentes de intermediação financeira, e em momento algum a defesa desconstituiu esta acusação. Como dito nos excertos da acusação fiscal antes reproduzidos, a omissão ocasional destas receitas poderia caracterizar erro escusável, mas sua reiteração nos 3 (três) anos fiscalizados, ou seja, na apuração do IRPJ e da CSLL dos 12 (doze) trimestres fiscalizados, e na apuração da COFINS e da Contribuição ao PIS nos 36 (trinta e seis) meses fiscalizados, deixa patente a intenção de sonegar os tributos sobre elas incidentes. Há muito os colegiados desta instância administrativa, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais admitem a punição, com gravidade, daqueles que têm conhecimento da dimensão do fato gerador ocorrido, e optam reiteradamente por ocultálo, para ostentar aparente regularidade no cumprimento das obrigações acessórias e principais. Neste sentido os julgados cujas ementas são, a seguir, transcritas: Acórdão nº 910100.140, sessão de 12/05/2009, 1a Turma da CSRF MULTA AGRAVADA – CONDUTA REITERADA – Nos termos da jurisprudência majoritária da CSRF, e das Câmaras da Primeira Seção do CARF, a prática reiterada de infrações à legislação tributária denota a intenção dolosa do contribuinte de fraudar a aplicação da legislação tributária e lesar o Fisco. Acórdão nº 910100.172, sessão de 15/06/2009, 1a Turma da CSRF MULTA QUALIFICADA DE 150% A aplicação da multa qualificada pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude, nos termos do artigo 44, inciso II, da Lei 9430/96. O fato de o contribuinte ter apresentado Declaração de Rendimentos de forma reiterada e com valores significativamente menores do que o apurado, legitima a aplicação da multa qualificada. Acórdão nº 910100.320, sessão de 25/08/2009, 1a Turma da CSRF MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É aplicável a multa de ofício qualificada de 150 %, naqueles casos em que restar constatado o evidente intuito de fraude. A conduta ilícita reiterada ao longo do tempo, descaracteriza o caráter fortuito do procedimento, evidenciando o intuito doloso tendente à fraude. Acórdão nº 910100.417, sessão de 03/11/2009, 1a Turma da CSRF MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível quando o Contribuinte presta declaração, em três anos consecutivos, com os valores zerados, não apresenta DCTF nem realiza qualquer pagamento. Este conjunto de fatos demonstra a materialidade da conduta, configurado o dolo específico do agente evidenciando não somente a intenção mas também o seu objetivo. De fato, a conduta ardilosa de declarar sistematicamente ao Fisco valores menores do que aqueles que de fato seriam os verdadeiros, ou mesmo afirmar que nada deve, sem que nenhuma justificativa plausível para tanto seja apresentada, além de retardar o conhecimento do fato gerador por parte da autoridade administrativa, ainda faz essa supor, pelo princípio da boafé, que aquele contribuinte está cumprindo com suas obrigações, desviando seu foco para outros que nem mesmo apresentaram as devidas declarações. Quanto ao uso da presunção hominis, talvez a recorrente pretenda que se imponha ao Fisco o dever da prova direta da intenção de sonegar, subjacente às evidências reunidas nestes autos, desmerecendo a validade da prova presuntiva defendida com sólidos argumentos por Maria Rita Ferragut (in Evasão Fiscal: o parágrafo único do artigo 116 do CTN Fl. 3082DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 44 43 e os limites de sua aplicação, Revista Dialética de Direito Tributário nº 67, Dialética, São Paulo, 2001, p. 119/120): Por outro lado, insistimos que a preservação dos interesses públicos em causa não só requer, mas impõe, a utilização da presunção no caso de dissimulação, já que a arrecadação pública não pode ser prejudicada com a alegação de que a segurança jurídica, a legalidade, a tipicidade, dentre outros princípios, estariam sendo desrespeitados. Dentre as possíveis acepções do termo, definimos presunção como sendo norma jurídica lato sensu, de natureza probatória (prova indiciária), que a partir da comprovação do fato diretamente provado (fato indiciário), implica juridicamente o fato indiretamente provado (fato indiciado), descritor de evento de ocorrência fenomênica provável, e passível de refutação probatória. É a comprovação indireta que distingue a presunção dos demais meios de prova (exceção feita ao arbitramento, que também é meio de prova indireta), e não o conhecimento ou não do evento. Com isso, não se trata de considerar que a prova direta veicula um fato conhecido, ao passo que a presunção um fato meramente presumido. Só a manifestação do evento é atingida pelo direito e, portanto, o real não tem como ser alcançado de forma objetiva: independentemente da prova ser direta ou indireta, o fato que se quer provar será ao máximo jurídica certo e fenomenicamente provável. É a realidade impondo limites ao conhecimento. Com base nessas premissas, entendemos que as presunções nada “presumem” juridicamente, mas prescrevem o reconhecimento jurídico de um fato provado de forma indireta. Faticamente, tanto elas quanto as provas diretas (perícias, documentos, depoimentos pessoais etc.) apenas “presumem”. Mais à frente, abordando diretamente a questão da prova da fraude, a mesma autora acrescenta: As presunções assumem vital importância quando se trata de produzir provas indiretas acerca de atos praticados mediante dolo, fraude, simulação, dissimulação e máfe em geral, tendo em vista que, nessas circunstâncias, o sujeito pratica o ilícito de forma a dificultar em demasia a produção de provas diretas. Os indícios, por essa razão, convertemse em elementos fundamentais para a identificação de fatos propositadamente ocultados para se evitar a incidência normativa. Em tais circunstâncias, é perfeitamente possível provar, por meio de presunção, que a conduta reiterada do sujeito passivo não poderia ser justificada por outra intenção, que não a de sonegar os tributos devidos em razão das receitas de intermediação financeira auferidas nos três anoscalendário fiscalizados. Daí a inaplicabilidade da Súmula nº 14 (A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo), na medida em que restou evidenciado o referido intuito de fraude na conduta do sujeito passivo. No mais, são irrelevantes as referências equivocadas, na acusação fiscal, à legislação do IPI, na medida em que os dispositivos legais que efetivamente fundamentam a qualificação da penalidade foram corretamente expostos pela Fiscalização, inclusive no que tange à menção ao inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não apenas citado, mas reproduzido no corpo da acusação fiscal em sua redação original, vigente à época dos fatos, e não naquela alterada pela Lei nº 11.438/2007, quando passou a prever a aplicação de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas. Quanto à aplicação da multa de ofício de 75% nos primeiros Fl. 3083DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 45 44 meses de 2006, tratase de inconsistência verificada apenas em relação à outra infração que será, na sequência, abordada. Inexiste, portanto, qualquer dúvida que possa ensejar a aplicação do art. 112 do CTN. Em consequência, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade vinculada à omissão de receitas de intermediação financeira. Com referência à qualificação da penalidade em razão da omissão de receitas presumida a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, é certo que a contribuinte não contabilizou integralmente sua movimentação financeira, assim como a presunção de omissão de receitas se verificou em todos os períodos fiscalizados. Todavia, para se afirmar que os depósitos bancários correspondem a receitas da atividade é necessário que a Fiscalização reúna outras evidências, como por exemplo o creditamento bancário a título de cobrança ou desconto, ou indícios outros que vinculem os depósitos bancários a clientes da contribuinte, de modo a demonstrar que o sujeito passivo, ao deixar de escriturálos e de comprovar sua origem no curso do procedimento fiscal, tinha a intenção de não recolher os tributos decorrentes daquelas bases de cálculo sabidamente tributáveis. A presunção legal permite que o Fisco promova a exigência ainda que o sujeito passivo não se desincumba de seu dever de escriturar, porém a reiterada constatação de receitas presumidamente omitidas não é suficiente para qualificação da penalidade, pois não permite concluir que o sujeito passivo agiu ou se omitiu dolosamente para impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária do fato gerador, ou mesmo para impedir ou retardar sua ocorrência. Ainda que por indícios esta intenção deve estar, ao menos, presumida, de modo que a sua reiteração a ocorrência conduza à caracterização do intuito de fraude presente nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, como exige o art. 44, inciso II da Lei nº 9.430/96, em sua redação original. Se a presunção de omissão de receitas não está associada a outros elementos que a vinculem a receitas sabidamente tributáveis, a jurisprudência deste Conselho já está consolidada no seguinte sentido: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73. Esclareçase que, como consignado neste voto, a recorrente invocou a descrição "auto explicativa" contida nos extratos bancários para vincular outros depósitos bancários a operações de compra e venda de veículos usados, evidência de vendas sem emissão de nota fiscal, na medida em que as operações assim comprovadas foram admitidas pela Fiscalização como origem de parte dos depósitos bancários. Ocorre que esta circunstância não foi integrada à acusação fiscal acima exposta, acrescida apenas por referências ao significativo descompasso entre a movimentação financeira e as receitas declaradas pelo sujeito passivo, e pela menção ao grande volume de rendimentos tributáveis omitidos, mas aí tendo em conta, também, a significativa parcela de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. Assim, além da reiteração, a acusação fiscal apenas afirma que a omissão de receitas presumida a partir de depósitos bancários de origem não comprovada apresenta valores expressivos, constatações que não se prestam como indícios da intenção de omitir receitas sabidamente tributáveis. Fl. 3084DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 46 45 Em tais circunstâncias, a presunção legal de omissão de receitas subsiste, mas a qualificação da penalidade não se sustenta. Desnecessário, portanto, apreciar as demais alegações da recorrente acerca da ausência de embaraços à investigação fiscal, da validade da documentação apresentada e necessária desconstituição por parte da Fiscalização, do regular registro contábil dos rendimentos tributáveis, do indevido uso da presunção hominis para qualificação da penalidade e das inconsistências verificadas na acusação de sonegação, pois tais argumentos já foram antes refutados no que importa à caracterização da omissão de receitas, bem como para manutenção da multa qualificada sobre a omissão de receitas de intermediação financeira. Por estas razões, deve ser DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir a qualificação da penalidade aplicada sobre os créditos tributários decorrentes da presunção de omissão de receitas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada. E, com respeito à arguição de decadência relativamente aos créditos tributários exigidos no anocalendário 2004, a maioria da Turma Julgadora de 1ª instância entendeu que: De fato, a regra constante do citado art. 150, § 4º, do CTN, deve ser afastada nos casos de comprovação de dolo, fraude ou simulação, consoante expressamente previsto no normativo em questão. Confirmada referida hipótese, diante de absoluta falta de outra previsão legal, a contagem do prazo decadencial deve observar a regra geral, prevista no art. 173, inciso I, do CTN, por obediência ao princípio da segurança jurídica, inclusive, conforme esposado na jurisprudência que abaixo se reproduz: “PRAZO DE DECADÊNCIA Inexistindo regra específica para contagem do prazo em que se opera a decadência nos casos de fraude, dolo, simulação ou conluio, deverá ser adotada a regra geral de contagem prevista no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, tendo em vista que nenhuma relação jurídicotributária poderá protelarse indefinidamente no tempo, sob pena de insegurança jurídica. (Ac. 10320.512, de 21 02/2001).Assim, relativamente aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 1995, em 05072001 a Fazenda Pública encontravase em pleno gozo de sua prerrogativa de constituir o lançamento.” (grifouse e negrejouse) [Ac. 1º CC nº 10194.230, de 11/06/2003, DOU de 05/11/03] Paulo de Barros Carvalho, em “Curso de Direito Tributário”, Ed. Saraiva, 16ª edição, pág. 429, comunga de mesmo entendimento: “Para nós, diante da lacuna causada pela omissão do legislador ordinário em disciplinar esse prazo, entendemos que a regra que mais condiz com o espírito do sistema é a do art. 173, I, do Código Tributário Nacional, isto é, havendo dolo, fraude ou simulação, adequadamente comprovados pelo fisco, o tempo de que dispõe para efetuar o lançamento de oficio é de cinco anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter praticado o lançamento.”(negrejouse) Divergese quanto à aplicação do comando previsto no art. 173, parágrafo único, do CTN, a fim de dilatar o início da contagem do prazo decadencial, como pretendido pela ilustre relatora, por se entender que referido normativo trata, em verdade, de regra excepcional, a qual visa, ao contrário, antecipar o início da contagem do prazo decadencial expresso no dispositivo como regra geral, diante de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento, notificada pela autoridade administrativa à contribuinte. Posto isto, no presente caso, considerando a ciência dos autos de infração em 29/01/2010, aplicandose a regra de contagem prevista no art. 173, inciso I, do CTN, concluise ter se operado o transcurso do prazo decadencial, relativamente ao Fl. 3085DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 47 46 crédito tributário correspondente aos fatos geradores mensais de jan/04 a nov/04 do Pis e da Cofins, e aos fatos geradores ocorridos no 1º ao 3º trimestre do ano calendário de 2004, do IRPJ e da CSLL, porque o lançamento relativo aos meses de jan/04 a nov/04 e ao 1º ao 3º trim/04 poderia ter sido efetuado ainda ao longo do ano de 2004, iniciandose, assim, a contagem do prazo decadencial, em 1º/jan/2005; o mesmo não se concluindo com relação aos fatos geradores do Pis e da Cofins do mês de dez/04 e do IRPJ e da CSLL do 4º trimestre/04, dado o início da contagem do prazo decadencial em 1º/jan/2006. Restou vencida a Relatora, Julgadora Maria Lucia Aguilera, que vislumbrou no termo de intimação fiscal de 17/02/2009 a notificação ao sujeito passivo de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento, que na forma do art. 173, parágrafo único do CTN, configuraria termo inicial da contagem do prazo decadencial para formalização do lançamento. A recorrente argumenta que mesmo os créditos tributários de IRPJ e CSLL exigidos no 4º trimestre/2004, assim como da Contribuição ao PIS e da COFINS lançadas em dezembro/2004, estariam alcançados pela decadência, dada a formalização do lançamento em 29/01/2010. Subsidiariamente argumenta que mesmo aplicando o art. 173, I do CTN, as exigências pertinentes ao anocalendário 2004 não subsistiriam porque o trimestre/mês do fato gerador representaria o "exercício em curso" e o 1º dia do próximo ano materializa o "início do exercício seguinte". A contagem do prazo decadencial é afetada pela decisão do Superior Tribunal de Justiça, na sistemática prevista pelo art. 543C do Código de Processo Civil, expressa no acórdão proferido nos autos do REsp nº 973.733/SC, publicado em 18/09/2009, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL.ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o Fl. 3086DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 48 47 pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O referido julgado é comumente utilizado para evidenciar que o fato de o tributo sujeitarse a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomarse o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos. Resta claro, a partir da ementa transcrita, que é necessário haver uma conduta objetiva a ser homologada, sob pena de a contagem do prazo decadencial ser orientada pelo disposto no art. 173 do CTN. Relevante notar, porém, que, no caso apreciado pelo Superior Tribunal de Justiça, a discussão central prendiase ao argumento da recorrente (Instituto Nacional de Seguridade Social – INSS) de que o prazo para constituição do crédito tributário seria de 10 (dez) anos, contandose 5 (cinco) anos a partir do encerramento do prazo de homologação previsto no art. 150, §4o do CTN, como antes já havia decidido aquele Tribunal Superior. De fato, o relatório daquele julgado expressa que em debate estava o lançamento formalizado em 26/03/2001, de valores devidos em 01/01/92 e 01/01/95. Por sua vez, a autarquia previdenciária, além de invocar o art. 45 da Lei nº 8.212/91, pretendeu que o prazo para constituição do crédito tributário tivesse início após a homologação do lançamento, momento que reputava ser o primeiro dia seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Em resposta a esta arguição, o Ministro Relator Luiz Fux assim se posicionou: Outrossim, impende assinalar que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao Fl. 3087DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 49 48 primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Como se vê, não houve qualquer argumentação no sentido de se retirar os efeitos da expressão em que o lançamento poderia ser efetuado. Aliás, neste sentido, recentemente foi aprovada a Súmula CARF nº 101 (Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). De outro lado, a expressão exercício deve ser interpretada como um conceito extraído do Direito Financeiro, correspondente ao ano civil, consoante dispõe a Lei nº 4.320/64: Do Exercício Financeiro Art. 34. O exercício financeiro coincidirá com o ano civil. Art. 35. Pertencem ao exercício financeiro: I as receitas nêle arrecadadas; II as despesas nêle legalmente empenhadas. (grifos não dispostos no original) Aliás, esta mesma interpretação é encontrada nos arts. 9o e 104 do CTN, bem como no art. 150, III, “a” e “b”, da Constituição Federal: Código Tributário Nacional (CTN) Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] II cobrar imposto sobre o patrimônio e a renda com base em lei posterior à data inicial do exercício financeiro a que corresponda; [...] Art. 104. Entram em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação os dispositivos de lei, referentes a impostos sobre o patrimônio ou a renda: I que instituem ou majoram tais impostos; II que definem novas hipóteses de incidência; III que extinguem ou reduzem isenções, salvo se a lei dispuser de maneira mais favorável ao contribuinte, e observado o disposto no artigo 178. Constituição Federal Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] Fl. 3088DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 50 49 III cobrar tributos: a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado; b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou; (negrejouse) Aplicando esta interpretação ao caso concreto, considerandose o disposto no art. 173, I do CTN em relação ao IRPJ e reflexos em 31/12/2004, na medida em que somente passíveis de lançamento a partir de 01/01/2005 (depois de encerrado o período de apuração), o primeiro dia do ano civil seguinte seria 01/01/2006, o que permitiria a constituição de crédito tributário pelo Fisco até 31/12/2010, e revelaria que o lançamento formalizado em 29/01/2010 poderia alcançálos validamente, infirmando a alegação da recorrente em favor da decadência destas exigências mesmo se considerado o disposto no art. 173, I do CTN. Com referência à arguição de decadência das exigências de IRPJ e reflexos tendo como termo final do período de apuração a data de 31/12/2004, em razão da ciência do lançamento em 29/01/2010, ela somente prosperaria se admitida a homologação tácita prevista no art. 150, §4º do CTN. Ocorre que, embora afastada parcialmente a acusação de dolo, no que tange à omissão de receitas presumidas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, e apesar de parte das exigências terem sido originalmente formalizadas sem a qualificação da penalidade, o fato é que em todos os períodos autuados foram mantidas infrações praticadas com dolo específico de sonegação, de modo que não se poderia cogitar da homologação tácita de qualquer parcela do crédito tributário devido. Em tais circunstâncias, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN, como antes exposto, de modo que apenas as parcelas indicadas na decisão de 1ª instância estão alcançadas pela decadência. E, quanto ao entendimento esposado no voto vencido da decisão recorrida, sua aplicação encontra impedimento na Súmula CARF nº 72 (Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN), pois o entendimento assim consolidado afasta a aplicação do art. 173, parágrafo único, do CTN. Logo, deve subsistir a exoneração dos créditos tributários passíveis de lançamento no próprio anocalendário 2004. Por tais razões, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO aos recursos de ofício e voluntário, e confirmar a decadência apenas do IRPJ e da CSLL lançados do 1º ao 3º trimestres de 2004, bem como da Contribuição ao PIS e da COFINS lançados de janeiro a novembro/2004. Por fim, a recorrente discorda da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, ante a ausência de previsão legal, ou ao menos enquanto a acusação estiver pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. Argumenta que a lei somente cogita da aplicação de juros de mora sobre a multa moratória exigida mediante a lavratura de auto de infração. Contudo, a aplicação de juros de mora incidentes sobre a multa de ofício se impõe consoante as razões de decidir da I. Conselheira Viviane Vidal Wagner expressas em voto vencedor em julgamento proferido em 11/03/2010 na Câmara Superior de Recursos Fiscais, formalizado no Acórdão nº 910100.539: Com a devida vênia, ouso discordar do ilustre relator no tocante à questão da incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. Fl. 3089DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 51 50 De fato, como bem destacado pelo relator, o crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. Em razão dessa constatação, ao meu ver, outra deve ser a conclusão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de oficio. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito." Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo:Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1o, do CTN: "Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória § 1o A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional. A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§1o). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tomandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. Fl. 3090DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 52 51 A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio. Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação especifica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). § 1o A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo 13 previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 1o). § 2o O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 2o). § 3o A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou este E. colegiado quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA — MULTA DE OFÍCIO — OBRIGAÇÃO PR1NICIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Nesse sentido, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Fl. 3091DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 53 52 Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei nº 9.065, de 1995. A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, corno se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaraçã o do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(g.n) No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, nos seguintes termos: Súmula CARFn° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso do contribuinte e DAR PROVIMENTO ao recurso da Fazenda Nacional para considerar aplicável a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio, devidos à taxa Selic. Ademais, recentemente, a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça manifestouse neste sentido, como exposto na ementa do acórdão proferido em sede de AgRg no REsp 1.335.688PR (Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.” (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min.Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. Fl. 3092DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.001319/201013 Acórdão n.º 1101001.266 S1C1T1 Fl. 54 53 Colhese do respectivo voto condutor: [...] Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: ‘... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento.’” Assim, também deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. Diante de todo o exposto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir a qualificação da penalidade aplicada sobre os créditos tributários decorrentes da presunção de omissão de receitas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 3093DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10730.900521/2010-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1301-000.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 30 .9 00 52 1/ 20 10 -5 8 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por SILVANA CRISTINA DOS SANTOS FERNANDES, Assinado digitalme nte em 12/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FON SECA DE MENEZES Processo nº 10730.900521/201058 Resolução nº 1301000.239 S1C3T1 Fl. 165 2 Relatório Trata o presente processo de declaração de compensação, por meio da qual a contribuinte pretende extinguir débito do SIMPLES referente ao período de apuração de fevereiro de 2005 com crédito, também do SIMPLES, relativo a pagamento a maior do período de apuração de setembro de 2004. A Delegacia da Receita Federal em Niterói, Rio de Janeiro, unidade administrativa que primeiro analisou o pedido formalizado pela contribuinte, o indeferiu com base na alegação de que o valor pleiteado havia sido utilizado, integralmente, na quitação de débito de titularidade da requerente. Inconformada, a contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade (fls. 01/03), por meio da qual argumentou: que o valor apurado no mês de setembro de 2004 havia sido recolhido em duplicidade, tendo sido efetuado o primeiro recolhimento, no valor total de R$ 19.070,02, em 29 de outubro de 2004, e o segundo, no valor total de R$ 22.091,42, em 30 de novembro de 2004, que foi utilizado como pagamento indevido ou a maior no PER/DCOMP; que o valor principal do DARF recolhido em setembro de 2004 não correspondia ao valor efetivamente apurado, o que levou à Receita Federal a não identificar o recolhimento; que o valor apurado em setembro de 2004 era de R$ 18.854,17 e, como o DARF recolhido em 29 de outubro de 2004 foi de R$ 18.057,03, havia uma diferença a ser recolhida de R$ 797,14; que, ao invés de recolher a diferença de R$ 797,14, em 30 de novembro de 2004 recolheu R$ 18.854,17, valor que havia sido apurado em setembro de 2004; que o crédito apurado, já considerando a multa e os juros, seria de R$ 21.157,42. A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, apreciando as razões trazidas pela defesa, decidiu, por meio do acórdão nº 12 34.563, de 1º de dezembro de 2010, pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. O referido julgado restou assim ementado: DIREITO CREDITÓRIO. Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, líquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional (art. 170 do Código Tributário Nacional). DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por SILVANA CRISTINA DOS SANTOS FERNANDES, Assinado digitalme nte em 12/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FON SECA DE MENEZES Processo nº 10730.900521/201058 Resolução nº 1301000.239 S1C3T1 Fl. 166 3 Uma vez que não restou comprovado pelo interessado que o pagamento de simples foi efetuado indevidamente ou a maior, concluise que tal pagamento não constitui direito creditório passível de restituição ou compensação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PELO DECURSO DE PRAZO DE 5 (CINCO) ANOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A Lei n° 10.833/2003, ao dar nova redação ao § 5º do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, fixando o prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação, para a SRF homologar ou não a compensação declarada pelo sujeito passivo, reconheceu a homologação tácita das compensações que, após 5 (cinco) anos da data do protocolo da declaração de compensação, não tenham sido objeto de despacho decisório proferido pela autoridade competente da SRF referida nos artigos 41 e 73 da Instrução Normativa SRF n° 600/2005. Irresignada, ARQUI FORMA ARQUITETURA E CONSTRUÇÃO – SERVIÇOS DE MÃO DE OBRA TÉCNICA ESPECIALIZADA, sucessora por incorporação de SERVIFORMA REFORMA NAVAIS LTDA, apresentou o recurso voluntário de fls. 35/42, no qual sustentou: que, embora a compensação tenha sido homologada pela via tácita, não houve reconhecimento do direito creditório, o que é necessário haja vista a existência de outros pedidos de compensação; que, relativamente aos outros processos, não há litispendência, mas tão somente identidade das partes e de causa de pedir; que a negativa da existência do direito creditório gera conseqüência direta nos demais processos administrativos; que, considerados os termos da decisão recorrida, anexa demonstração de sua receita bruta acumulada até setembro de 2004, DARFs, planilha explicativa e notas fiscais, além de documentos apresentados anteriormente. Adiante, a Recorrente trouxe argumentos no sentido de comprovar o alegado pagamento indevido. É o Relatório. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por SILVANA CRISTINA DOS SANTOS FERNANDES, Assinado digitalme nte em 12/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FON SECA DE MENEZES Processo nº 10730.900521/201058 Resolução nº 1301000.239 S1C3T1 Fl. 167 4 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Às fls. 163 do presente, consta a seguinte informação: Apesar de não ter sido juntado o AR, comprovando a data em que o contribuinte tomou ciência sobre o Acórdão 1234563 — 7ª Turma da DRJ/RJ1 (fls. 26 a 33), pelo Princípio da Razoabilidade é de se considerar o contribuinte cientificado em 23/12/2010. Tal conclusão tem como base as informações contidas nos processos 10730.900536/201016 e 10730.900539/201050 (em ambos o interessado é a SEVIFORMA REFORMAS NAVIAS LTDA) que, junto com presente processo, possuem intimações datadas em 20/12/2010 (fls. 31, 33 e 34, respectivamente), AR juntados aos dois primeiros processos cientificando o contribuinte em 23/12/2010 (fls. 30, e 36, respectivamente) e Recursos Voluntários interpostos para os alusivos processos protocolados em 20/01/2011 (fls. 32, 37 e 35, respectivamente). Pelos Princípios da Celeridade e da Economia Processual, não se justifica enviar nova intimação para dar ciência sobre o Acórdão se o contribuinte já interpôs o Recurso Voluntário pertinente, às fls. 35 a 42. Com base em tal pronunciamento, tenho por tempestivo o recurso interposto e, atendidos os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Trata a lide de declaração de compensação, por meio da qual a contribuinte pretende extinguir débito do SIMPLES referente ao período de apuração de fevereiro de 2005 com crédito, também do SIMPLES, relativo a pagamento a maior do período de apuração de setembro de 2004. Em conformidade com o Despacho Decisório de fls. 04, relativo à Declaração de Compensação nº 30772.50467.100305.1.3.049579, o direito creditório apontado para fins do encontro de contas (R$ 22.091,42, correspondente ao período de apuração de 30 de setembro de 2004 e recolhido em 30 de novembro do mesmo ano, código 6106 – SIMPLES) foi considerado inexistente, vez que o valor correspondente teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos de titularidade da contribuinte. Apreciando a argumentação da contribuinte no sentido de que o crédito indicado para compensação deriva de pagamento em duplicidade, a Turma Julgadora assim se pronunciou: [...] O interessado alega que teria havido recolhimento em duplicidade do simples de setembro de 2004. Para comprovar o seu direito creditório, juntou 2 (dois) darfs com período de apuração de 30/09/2004 (fls. 05 e 06). Aduz que o primeiro recolhimento, no valor total de R$ 19.070,02, em 29/10/2004, não corresponderia ao valor efetivamente apurado. Isto porque, o valor apurado em setembro/2004 seria de R$ 18.854,17 e o darf recolhido seria de R$ 18.057,03, tendo faltado uma diferença a ser recolhida de R$ 797,14; que em vez de recolher a diferença de R$ 797,14, no segundo darf, em 30/11/2004, recolheu R$ 18.854,17 (valor apurado referente a setembro/2004), o que caracterizaria pagamento Fl. 187DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por SILVANA CRISTINA DOS SANTOS FERNANDES, Assinado digitalme nte em 12/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FON SECA DE MENEZES Processo nº 10730.900521/201058 Resolução nº 1301000.239 S1C3T1 Fl. 168 5 indevido ou a maior; que o crédito apurado, já considerando multa e juros, conforme demonstrativo na manifestação de inconformidade, seria de R$ 21.157,42. Cabe esclarecer que os 2 (dois) darfs (fls. 05 e 06), por si sós, em que pese terem sido preenchidos com período de apuração de 30/09/2004, não são provas cabais de recolhimento em duplicidade de simples de setembro de 2004, principalmente porque os valores das receitas brutas acumuladas e percentuais informados nos darfs são totalmente divergentes. Neste diapasão, poderia se supor que o equívoco estaria, justamente, na informação constante no período de apuração, se tratando, assim, de darfs de períodos de apuração distintos. Ademais, para comprovar o recolhimento a maior ou indevido, e, por conseguinte, a certeza e liquidez do suposto crédito pago indevidamente, o interessado deveria ter juntado os documentos contábeis que comprovariam, efetivamente, a receita bruta acumulada até setembro de 2004 e o valor do simples devido, já que o próprio interessado admite que teria havido recolhimento a menor no primeiro darf (R$ 19.070,02): Impende ressaltar, mais uma vez, que cabe ao interessado comprovar a certeza e liquidez do suposto crédito pago indevidamente. Uma vez que não restou comprovado pelo interessado que o pagamento de tributo de simples foi efetuado indevidamente ou a maior, concluise que tal pagamento não constitui direito creditório passível de restituição ou compensação. Sendo assim, não restando documentalmente comprovada a existência de crédito líquido e certo contra a Fazenda Pública, voto pelo não reconhecimento do direito creditório. Da homologação tácita da compensação declarada decurso de prazo de 5 (cinco) anos da data da entrega da declaração fundamento no art. 74, § 5º, da Lei n° 9.43011996, com redação dada pela Lei n° 10.83312003. Cabe ressaltar que, a despeito do fato de haver o indeferimento do direito creditório pleiteado pelo interessado, cumpre à Administração aplicar a legislação que rege a compensação, nos termos do artigo 74 da Lei n° 9.430/1996. A legislação aplicável às compensações de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal foi alterada pelo art. 49 da Lei 10.637, de 30.12.2002, resultante da conversão em lei da Medida Provisória n° 66, de 29.08.2002, que modificou a redação do art. 74 da Lei 9.430/96. Com efeito, segundo o § 2° do artigo mencionado, a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Em seguida, o art. 17 da Medida Provisória 135, de 30.10.2003, convertida na Lei n° 10.833, de 29.12.2003, introduziu novas alterações no art. 74 da Lei 9.430/96, dentre as quais destacase o § 5°, que fixa o prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da entrega da declaração de compensação, para a homologação da compensação declarada. A compensação não homologada, consoante o § 7°, deve ser cientificada ao sujeito passivo, para que este, no prazo de trinta dias, pague os débitos indevidamente compensados. Pode, ainda, o contribuinte, nos termos do § 9°, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. O artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, alterado pela Lei n° 10.637/2002, Lei n° 10.833/2003 e Lei 11.051/2004, passou a ter a seguinte redação: ... Fl. 188DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por SILVANA CRISTINA DOS SANTOS FERNANDES, Assinado digitalme nte em 12/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FON SECA DE MENEZES Processo nº 10730.900521/201058 Resolução nº 1301000.239 S1C3T1 Fl. 169 6 Como já foi mencionado anteriormente, o § 2° do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, incluído pela Lei n° 10.637/2002, reza que a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, e que o § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, incluído pela Lei n° 10.833/2003, fixa prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação, para a homologação da compensação declarada pelo interessado. Dito isso, impende ressaltar que o interessado tomou ciência do Despacho Decisório da autoridade a quo da Diort da DRF Niterói (RJ) em 27/04/2010 (fl. 24), ou seja, já decorridos mais de 05 (cinco) anos da data da entrega da declaração de compensação que foi em 10/03/2005 (fl. 18). Aliás, na data que o Despacho Decisório foi emitido, 19/04/2010 (fl.14), a compensação já havia sido tacitamente homologada, pois já havia transcorrido o prazo de 5 (cinco) anos da data da apresentação da declaração de compensação, ocorrida em 10/03/2005 (fl. 18). Concluise, do exposto, que, a despeito do não reconhecimento do direito creditório, a compensação do débito está tacitamente homologada, por força da norma legal contida no § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, incluído pela Lei n° 10.833/2003, a qual determina que o prazo para a homologação da compensação declarada é de 5 (cinco) anos, contados da data de sua entrega. Impende ressaltar, outrossim, que a homologação tácita prevista no § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, incluído pela Lei n° 10.833/2003, tem como objeto á compensação declarada e não o direito creditório pleiteado . Isso significa que o transcurso do lapso de cinco anos contados da apresentação da declaração de compensação, à falta de decisão notificada, aperfeiçoa condição resolutória da extinção do débito compensado, ainda que se constate ser o direito creditório insuficiente para a quitação do débito em apreço. Neste sentido, citase a Solução de Consulta Interna n° 1 da Cosit, de 04 de janeiro de 2006, item 7: ... Notase, pois, que o motivo inicial que ensejou o indeferimento da compensação pleiteada pela contribuinte foi a alegação de que o pagamento tido como indevido, que constitui o crédito indicado para o encontro de contas, teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos de titularidade da contribuinte. A Turma Julgadora de primeira instância, todavia, admitindo até certo ponto a possibilidade da ocorrência de duplicidade de pagamento, embora decrete a homologação tática da compensação, não reconhece o direito creditório sob alegação de que a contribuinte não aportou ao processo elementos capazes de comprovar a referida ocorrência. Destaco que, não sendo a falta de comprovação do efetivo recolhimento em duplicidade o motivo que ensejou a emissão do despacho decisório denegatório, não se poderia esperar que a contribuinte juntasse à Manifestação Inconformidade elementos relacionados à citada comprovação, cabendo ressaltar que não existe indício nos autos de que a contribuinte tenha sido intimada a fazêlo em momento anterior à expedição do referido Despacho Decisório. Em sede de recurso, a contribuinte argumenta que, em que pese a homologação tácita da compensação tributária objeto do presente processo, a apreciação do direito creditório Fl. 189DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por SILVANA CRISTINA DOS SANTOS FERNANDES, Assinado digitalme nte em 12/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FON SECA DE MENEZES Processo nº 10730.900521/201058 Resolução nº 1301000.239 S1C3T1 Fl. 170 7 estampado na Declaração de fls. 18/22 é necessária, visto que outros pedidos estão atrelados ao referido crédito. De fato, por ocasião da apreciação das lides instauradas nos processos nºs 10730.900537/201061 e 10730.900538/201013, esta Primeira Turma Ordinária, por meio das Resoluções nºs 1301000.174 e 1301000.175, de 03 de dezembro de 2013, resolveu converter os julgamentos em diligência para que a apreciação deles fosse feita conjuntamente com a do presente processo, vez que é neste que a discussão acerca da própria existência do direito creditório foi e está sendo levada a efeito. Considerando, pois, a ausência de intimação prévia para que a contribuinte aportasse aos autos comprovação do alegado em sede defesa; a divergência de fundamentos na denegação do reconhecimento do direito creditório promovida nas instâncias precedentes; os argumentos e documentos trazidos pela contribuinte em sede de recurso; e o princípio da verdade material, conduzo meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que sejam adotadas as seguintes providências: i) sejam apensados ao presente, para fins de julgamento conjunto, os processos administrativos nºs 10730.900536/201016 e 10730.900539/201050, que atualmente se encontram neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; ii) seja apensado ao presente, para fins de julgamento conjunto, o processo administrativo nº 10730.900535/201071, que atualmente se encontra na Delegacia da Receita Federal em Niterói, Rio de Janeiro, e que de acordo com informação consignada na peça recursal já foi julgado em primeira instância; iii) sejam sobrestados os julgamentos dos processos administrativos nºs 10730.900537/201061 e 10730.900538/201013 até que a diligência de que trata o item seguinte seja realizada, devendo os referidos processos serem apensados ao presente; e iv) seja apreciada pela unidade administrativa de origem, com base nos argumentos e documentos juntados ao processo, ou, se necessário, na documentação contábil e fiscal da contribuinte, a efetiva ocorrência de pagamento em duplicidade e, sendo o caso, o montante de crédito passível de reconhecimento no presente processo e em cada um dos que ora se solicita a apensação (processos nºs: 10730.900535/201071; 10730.900536/2010 16; 10730.900537/201061; 10730.900538/201013; e 10730.900539/201050). Relativamente ao item “iv” acima, solicitase que o resultado da análise seja reproduzido em relatório fundamentado, o qual deverá ser cientificado à contribuinte para que ela, se quiser, adite razões. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 190DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por SILVANA CRISTINA DOS SANTOS FERNANDES, Assinado digitalme nte em 12/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FON SECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10314.004833/2003-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 19/06/1998 a 24/10/2001
ACÓRDÃO DA DRJ. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. PERÍCIA.
Presentes os elementos de fato necessários ao julgamento, torna-se prescindível a realização de perícia.
FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO.TERCEIRA HIPÓTESE DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA.
Constatado que a classificação fiscal das mercadorias, objeto da lide, diz respeito a um código NCM diverso, tanto daquele utilizado pela impugnante, bem como daquele que a fiscalização entendeu ser a correta, o lançamento deverá ser julgado improcedente por erro na sua fundamentação.
Sendo improcedente a classificação do Fisco, também devem ser julgadas improcedentes as multas dos artigos 44 e 45 da Lei 9.430/96, do artigo 169, I, b do Decreto-lei 37/66 e do artigo 636 do decreto 4.543/2002, cominadas em decorrência do lançamento equivocadamente fundamentado.
Preliminar de nulidade rejeitada. Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3202-001.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Jr. declarou-se impedido. Fizeram sustentação oral, pela Recorrente, os advogados Dra. Ana Paula Vieira e Dr. Roberto Maraston.
Luis Eduardo Garrossino Barbieri Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama , Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Paulo Roberto Stocco Portes.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 19/06/1998 a 24/10/2001 ACÓRDÃO DA DRJ. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. PERÍCIA. Presentes os elementos de fato necessários ao julgamento, torna-se prescindível a realização de perícia. FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO.TERCEIRA HIPÓTESE DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA. Constatado que a classificação fiscal das mercadorias, objeto da lide, diz respeito a um código NCM diverso, tanto daquele utilizado pela impugnante, bem como daquele que a fiscalização entendeu ser a correta, o lançamento deverá ser julgado improcedente por erro na sua fundamentação. Sendo improcedente a classificação do Fisco, também devem ser julgadas improcedentes as multas dos artigos 44 e 45 da Lei 9.430/96, do artigo 169, I, b do Decreto-lei 37/66 e do artigo 636 do decreto 4.543/2002, cominadas em decorrência do lançamento equivocadamente fundamentado. Preliminar de nulidade rejeitada. Recurso voluntário provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Jr. declarou-se impedido. Fizeram sustentação oral, pela Recorrente, os advogados Dra. Ana Paula Vieira e Dr. Roberto Maraston. Luis Eduardo Garrossino Barbieri Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama , Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Paulo Roberto Stocco Portes.
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Recorrente Siemens Ltda Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 19/06/1998 a 24/10/2001 ACÓRDÃO DA DRJ. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. PERÍCIA. Presentes os elementos de fato necessários ao julgamento, tornase prescindível a realização de perícia. FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO.TERCEIRA HIPÓTESE DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA. Constatado que a classificação fiscal das mercadorias, objeto da lide, diz respeito a um código NCM diverso, tanto daquele utilizado pela impugnante, bem como daquele que a fiscalização entendeu ser a correta, o lançamento deverá ser julgado improcedente por erro na sua fundamentação. Sendo improcedente a classificação do Fisco, também devem ser julgadas improcedentes as multas dos artigos 44 e 45 da Lei 9.430/96, do artigo 169, I, “b” do Decretolei 37/66 e do artigo 636 do decreto 4.543/2002, cominadas em decorrência do lançamento equivocadamente fundamentado. Preliminar de nulidade rejeitada. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Jr. declarouse impedido. Fizeram sustentação oral, pela Recorrente, os advogados Dra. Ana Paula Vieira e Dr. Roberto Maraston. Luis Eduardo Garrossino Barbieri – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 48 33 /2 00 3- 11 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI 2 Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama , Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Paulo Roberto Stocco Portes. Relatório Trata o presente processo de autos de infração, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados, acrescidos de juros de mora e multas dos artigos 44 e 45 da Lei 9.430/96, do artigo 169, I, “b” do Decretolei 37/66 e do artigo 636 do decreto 4.543/2002, em razão da incorreta classificação das mercadorias. Confirase: (fl. 82/ss.): A empresa acima qualificada submeteu a despacho de importação, mediante as DI's listadas A. folha 03, o que declarou serem "Aparelhos de gerenciamento de rede de telecomunicação digital. Carrier ESB 2000i", classificandoos na posição 8517.80.10 referente aos "OUTROS APARELHOS ELÉTRICOS PARA TELEFONIA OU TELEGRAFIA". A fiscalização solicitou laudo técnico da mercadoria importada pela DI 0007439592 (folhas 37 a 45). O laudo informou que: 1 — as unidades terminais ESB 2000i permitem a transmissão de sinais de voz, dados, de telecontrole e teleproteção, na faixa de freqüência de 24 kHz a 500 kHz, utilizandose de linhas de alta e média tensão; 2 — sua função principal é a transmissão de informações digitais por corrente portadora; 3 — como função complementar o equipamento pode auxiliar no gerenciamento de redes elétricas; 4 — o equipamento em questão não é um aparelho de gerenciamento de rede de telecomunicação digital (TMN). Tal equipamento não desempenha nenhuma função de gerenciamento, apesar de que pode auxiliar bastante a tomada de decisões no âmbito do gerenciamento de redes de transmissão de energia. Com base no laudo técnico a fiscalização entendeu que a correta classificação do produto em questão seria na posição 8517.50.99 e 8517.50.90 para as importações anteriores a 17/02/99, relativa aos "OUTROS APARELHOS, PARA TELECOMUNICAÇÃO Fl. 126DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10314.004833/200311 Acórdão n.º 3202001.403 S3C2T2 Fl. 126 3 POR CORRENTE PORTADORA OU PARA TELECOMUNICAÇÃO DIGITAL". Foi então lavrado auto de infração (folhas 01 a 29) e cobradas as diferenças de IPI, seus juros de mora e as multas dos artigos 44 e 45 da lei 9.430/96, do artigo 169, I, "b" do Decretolei 37/66 e do artigo 636 do decreto 4.543/2002. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação, no devido prazo, alegando, em síntese, que ocorreu a decadência do direito de cobrar o crédito tributário decorrentes das DI´s 040003333, 05912590, 98/07018927 e 07183928; que a mercadoria foi classificada corretamente; e que, ainda que subsistisse a reclassificação, não seria devida a multa, nos termos do ADN COSIT 12/97, pois a mercadoria foi descrita corretamente. Apreciando o pleito da Contribuinte, a DRJ julgou procedente em parte o lançamento, acolhendo apenas a alegação de decadência, conforme resume a ementa abaixo transcrita (fl. 82 e ss.): Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 19/06/1998 a 24/10/2001 Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS O aparelho ESB 2000i, independentemente de possuir a função de gerenciar redes, classificase na posição 8517.50.99 em razão de se tratar de um aparelho para telecomunicação por corrente portadora ou para telecomunicação digital. Relativamente as DI's registradas no ano de 1998, ocorreu a decadência do direito de sua cobrança, sendo considerado nulo o lançamento. Lançamento Procedente em Parte Não resignada, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 97/ss.) e, preliminarmente, requereu a produção de prova pericial, com a finalidade de identificar o equipamento e definir as suas características, função e aplicação. No mérito, a recorrente continua a assegurar que o aparelho em comento, teria sua classificação no NCM 8517.80.10, pois o mesmo foi desenvolvido para exercer sua função principal de gerenciar e controlar redes de telecomunicação, operadas pelas companhias elétricas. Quanto às multas do art. 526, II do RA e do art. 45 da Lei nº 9.430/96, aduz que não merecem prosperar, tendo em vista que as mercadorias mencionadas nas DI´s possibilitaram a sua identificação e o seu enquadramento tarifário. O processo digitalizado, então, foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Fl. 127DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI 4 Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e, por isso, merece ser apreciado. De logo, cumpre apreciar a preliminar constante do recurso voluntário, pugnando pela nulidade do acórdão da DRJ, por ter cerceado o direito de defesa da empresa ao indeferir o pedido de perícia. Para a recorrente, a perícia seria necessária para que fosse identificada a função principal do aparelho, que, segundo a empresa, seria determinante para classificação fiscal por ela pretendida. Já na ótica do acórdão recorrido os autos teriam os elementos necessários à classificação fiscal da mercadoria, ainda que eventualmente se adotasse a mesma interpretação da contribuinte. Possuo o mesmo entendimento da DRJ. A meu ver, a presente controvérsia administrativa está suficientemente instruída, para fins de determinar a correta classificação fiscal, sendo dispensável o pedido de perícia solicitado pela recorrente. Assim, com base no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, REJEITO A PRELIMINAR DE NULIDADE do aresto recorrido. No mérito, é oportuno transcrever os fundamentos do voto recorrido, utilizados para rejeitar o pleito da empresa. Leiase (fls. 85/ss): Entendo que está havendo um erro na tentativa de se estabelecer a correta classificação para os equipamentos em questão. A interessada insiste em definir que os equipamentos importados são gerenciadores de rede de transmissão, apresentando laudo técnico que conclui que os aparelhos em questão possuem esta finalidade. No entanto, para fins de classificação fiscal, não importa se os equipamentos em questão possuem ou não a função de gerenciamento de rede. Isto porque, tal dado é irrelevante para a sua classificação no Sistema Harmonizado. A posição 8517 compreende os seguintes aparelhos: [...] Tanto a interessada quanto a fiscalização concordam que os aparelhos em questão se enquadram na posição 8517. A divergência fica por conta de suas subposições. A posição 8517 é dividida em 06 subposições, a saber: [...] A interessada pretende classificar os equipamentos em questão na subposição 8517.80, entendendo que nenhuma outra subposição seria aplicável para classificálos. Entretanto, não é o que demonstram os laudos técnicos. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10314.004833/200311 Acórdão n.º 3202001.403 S3C2T2 Fl. 127 5 Independente da controvérsia sobre a função de gerenciamento de redes, todos os laudos técnicos identificam os equipamentos ora analisados como sendo aparelhos para telecomunicação por corrente portadora e para comunicação digital: [...] Assim, é inconteste que, independente de possuir a função principal ou secundária de gerenciamento, os aparelhos em questão transmitem dados por corrente portadora e também podem realizar telecomunicação digital. Desta forma, é impossível classificálos na posição mais genérica "Outros aparelhos para telefonia e telegrafia", se há posição especifica para os aparelhos para telecomunicação por corrente portadora ou para telecomunicação digital. Como se vê, a DRJ decidiu que é irrelevante para classificação fiscal o fato de os equipamentos importados servirem para gerenciamento de redes de transmissão, como quer o contribuinte, ao defender a correção da sua classificação no NCM 8517.80.10. Determinante, para o acórdão recorrido, é o fato destas mercadorias transmitirem dados por corrente portadora e poderem realizar telecomunicação digital, o que faria com que o produto fosse classificado na subposição 8517.50.99 (85.50.90 para os pedidos anteriores a 17/02/199). No entanto, considero que ambas as classificações, do contribuinte e do Fisco, são equivocadas. Leiamse as subposições da NCM 8517, que interessam ao desfecho da controvérsia: 8517 APARELHOS ELÉTRICOS PARA TELEFONIA OU TELEGRAFIA, POR FIO, INCLUÍDOS OS APARELHOS TELEFÔNICOS POR FIO CONJUGADO COM UM APARELHO TELEFÔNICO PORTÁTIL SEM FIO E OS APARELHOS DE TELECOMUNICAÇÃO POR CORRENTE PORTADORA OU DE TELECOMUNICAÇÃO DIGITAL; VIDEOFONES 8517.50 Outros aparelhos, para telecomunicação por corrente portadora ou para telecomunicação digital 8517.50.21 Sobre linhas metálicas 8517.50.22 Sobre linhas de fibras ópticas, com velocidade de transmissão superior a 2,5Gbits/s 8517.50.99 Outros 8517.80 Outros aparelhos 8517.80.10 De gerenciamento de redes (TMNTelecommunications Management Network) Conforme se verifica do laudo, utilizado pela fiscalização para realizar a autuação e destacado pelo acórdão recorrido, o produto importado possui “a função principal do equipamento ESB 2000i é a transmissão de informações digitais por corrente portadora, através de linhas de transmissão de energia elétrica de alta ou média tensão”. Confirase (fl. 41): Fl. 129DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI 6 Resumidamente: a função principal do equipamento ESB 2000i é a transmissão de informações digitais por corrente portadora, através de linhas de transmissão de energia elétrica de alta ou média tensão. 4. Especificar demais funções eventualmente desempenhadas pelo equipamento; Conforme consta no manual do equipamento ESB 2000i (ANEXO I), uma função secundaria, mas que decorre diretamente da função principal é a utilização do equipamento como auxiliar no gerenciamento de redes elétricas. As unidades que integram uma malha de transporte de energia elétrica obviamente possuem linhas de transmissão de energia que se estendem de uma unidade a outra. Utilizandose desse meio físico já disponível, o equipamento ESB 2000i pode enviar informações importantes que serão utilizadas no gerenciamento, manutenção, verificação, alarme, etc. de redes de transmissão. Ora, considerando que o equipamento se utiliza de linhas de transmissão de energia, isto é, linhas para o transporte de dados, sua classificação correta seria na subposição 8517.50.21 (aparelhos, para telecomunicação por corrente portadora ou para telecomunicação digital, sobre linhas metálicas), e não na subposição 8517.50.99. Desse modo, embora concorde com a fiscalização que a classificação da Recorrente não foi correta, entendo que tampouco foi adequada a classificação adotada pela autoridade fiscal. Na minha visão, uma terceira classificação é a correta, a saber: 8517.50.21. A invalidade da classificação atribuída pelo Fisco torna improcedente o auto de infração, diante da impossibilidade de modificação da fundamentação do lançamento. No mesmo sentido ora adotado, segue a jurisprudência administrativa: DRJ – FORTALEZA – 3ª TURMA ACÓRDÃO Nº 0812894 de 21 de Fevereiro de 2008 ASSUNTO:Processo Administrativo Fiscal EMENTA: FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. TERCEIRA HIPÓTESE DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA. Constatado que a classificação fiscal das mercadorias, objeto da lide, diz respeito a um código NCM diverso, tanto daquele utilizado pela impugnante, bem como daquele que a fiscalização entendeu ser a correta, o lançamento deverá ser julgado improcedente por erro na sua fundamentação. INCORREÇÕES NO LANÇAMENTO. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72 não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10314.004833/200311 Acórdão n.º 3202001.403 S3C2T2 Fl. 128 7 Data do fato gerador: :21/06/1999 a 21/06/1999, 25/08/1999 a 25/08/1999, 08/08/2000 a 08/08/2000, 07/12/2000 a 07/12/2000, 13/12/2000 a 13/12/2000. Consequetemente, sendo improcedente a classificação do Fisco, também devem ser julgadas improcedentes as multas dos artigos 44 e 45 da Lei 9.430/96, do artigo 169, I, “b” do Decretolei 37/66 e do artigo 636 do decreto 4.543/2002, cominadas em decorrência do lançamento equivocadamente fundamentado. Ante o exposto, voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 131DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI
score : 1.0
Numero do processo: 14751.720082/2012-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INTEMPESTIVOS.
Não devem ser conhecidos os embargos de declaração opostos fora do prazo regimental de cinco dias da ciência da decisão.
Embargos não conhecidos.
Numero da decisão: 3202-001.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração apresentados pela Recorrente. Ausente o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior.
Irene Souza de Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INTEMPESTIVOS. Não devem ser conhecidos os embargos de declaração opostos fora do prazo regimental de cinco dias da ciência da decisão. Embargos não conhecidos.
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score : 1.0
Numero do processo: 36660.000443/2005-97
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/1999 a 31/12/2004
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda. Vencidos os conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Maria Teresa Martínez Lopez que votavam por negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Relatora
EDITADO EM: 17/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda. Vencidos os conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Maria Teresa Martínez Lopez que votavam por negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 66 0. 00 04 43 /2 00 5- 97 Fl. 336DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Relatora EDITADO EM: 17/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD relativa ao período de 06/1999 a 12/2004, correspondente à contribuição dos segurados empregados, descontada e não repassada à Previdência Social, no prazo legal, bem como contribuição relativa à retenção de 11% (onze por cento) do valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços, não recolhida em época própria. Foi aplicada a multa prevista no o artigo 35 da Lei 8.212, de 1991. Em sessão plenária de 1º/12/2011, foi julgado o Recurso Voluntário em nome do Contribuinte em epígrafe, prolatandose o Acórdão 2403000.895 (fls. 230 a 250), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1999 a 31/12/2004 PRELIMINARMENTE. DECADÊNCIA PARCIAL. QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE N 8. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO. ART.150, § 4º. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. O STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO Processo nº 36660.000443/200597 Acórdão n.º 9202003.629 CSRFT2 Fl. 13 3 Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Tratandose de contribuição social previdenciária, tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplicase a decadência do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART.62A. VINCULAÇÃO À DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RESP N 973.733/SC. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART.173, I , CTN. Considerando a exigência prevista no Regimento Interno do CARF no art.62A, esse Conselho deve reproduzir as decisões do Superior Tribunal de Justiça proferidas em conformidade com o art.543C do Código de Processo Civil. No caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o RESP n 973.733/SC decidiu que o art.150,§ 4º do Código Tributário Nacional só será aplicado quando for constada a ocorrência de recolhimento, caso contrário, será aplicado o art.173, I, do Código Tributário Nacional. AUTUAÇÃO. AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO SOBRE VALORES LANÇADOS. ALEGAÇÕES AUTOR. VERDADEIRAS. Os fatos não contestados pela parte, tornamse incontroversos e, consequentemente, o que foi alegado por uma parte (fisco) serão reputados como verdadeiros, em respeito à regra do artigo 302 do CPC e artigo 58 do Decreto nº 7.574/2011. CESSÃO DE MÃODEOBRA. DEFINIÇÃO LEGAL. LEI 8.212/91. CONSTATAÇÃO.RETENÇÃO 11% SOBRE O VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU FATURA DE SERVIÇOS. NÃO OCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. A cessão de mãodeobra é conceituada segundo a Lei n 8.212/91, e que, uma vez constatada, obriga o contratante de serviços, executados mediante cessão de mãodeobra, a reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.711/98, sistemática interpretada como legal e constitucional pelos Tribunais Superiores. Todavia, tal retenção só poderá acontecer se for constatada a cessão de mãodeobra., o que não foi feito pela autoridade fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO 4 A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do colegiado, nas preliminares, por maioria de votos, em dar provimento parcial para reconhecer a decadência das competências de 06/1999 a 02/2000, inclusive, com base no § 4º, do artigo 150, do CTN. Vencidos os conselheiros Igor Araujo Souza e Jhonatas Ribeiro da Silva que votaram pela aplicação do Art. 173 do CTN no levantamento GF1; e o conselheiro Carlos Alberto Mess Stringari que votou pela aplicação do Art. 173 do CTN em todo o lançamento. No mérito, I) por maioria de voto, em dar provimento parcial para determinar o recalculo do valor da multa de mora, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício na questão da multa de mora. II) por maioria de voto, afastar a cobrança sobre os levantamentos relativos à cessão de mãodeobra. Vencidos os conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mess Stringari nos levantamentos GER, IMJ, PRO,SIS E ZOQ. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mess Stringari no levantamento do PER.” O processo foi encaminhado à Fazenda Nacional em 13/01/2012 (Despacho de Encaminhamento de fls. 251). Conforme o art. 7º, da Portaria MF nº 527, de 2010, o prazo para interposição de Recurso Especial expiraria em 27/02/2012. Em 15/02/2012, foi interposto o Recurso Especial de fls. 252 a 269 (Despacho de Encaminhamento de fls. 317), com fundamento no 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir as seguintes matérias: decadência; e recálculo da multa. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial, admitindose a rediscussão apenas da questão do recálculo da multa, conforme o Despacho nº 2400294/2012, de 06/06/2012 (fls. 319 a 325), o que foi confirmado pelo Despacho de Reexame nº 2400 507R/2012, de 20/08/2012 (fls. 326). Em seu apelo, no que tange à matéria que obteve seguimento à Instância Especial, a Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos, em síntese: o artigo 35 da Lei n° 8.212, de 1991, na nova redação conferida pela MP n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, não pode ser entendido de forma isolada do contexto legislativo no qual está inserido, sobretudo de forma totalmente dissociada das alterações introduzidas pela MP n° 449 à legislação previdenciária; para a solução destes questionamentos, devese lembrar que 'não se interpreta o Direito em tiras, aos pedaços. (...) um texto de direito isolado, destacado, desprendido do sistema jurídico, não expressa significado normativo algum" (Grau, Eros Roberto. Ensaio e Discurso sobre a Interpretaçc5o/Aplicação do Direito. 2° edição. São Paulo: Melhoramentos, pág. 40); nesse contexto, impende considerar que a Lei n° 11.941, de 2009 (fruto da conversão da MP n° 449 de 2008), ao mesmo tempo em que alterou a redação do artigo 35, introduziu na Lei de Organização da Previdência Social o artigo 35A, a fim de instituir uma Fl. 339DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO Processo nº 36660.000443/200597 Acórdão n.º 9202003.629 CSRFT2 Fl. 14 5 nova sistemática de constituição dos créditos tributários previdenciários e respectivos acréscimos legais de forma similar à sistemática aplicável para os demais tributos federais; "Art. 35A Nos casos de lançamento de oficio relativos as contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996". o inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata" a redação do art. 35A é clara: efetuado o lançamento de oficio das contribuições previdenciárias indicadas no artigo 35 da Lei n° 8.212, de 1991, deverá ser aplicada a multa de oficio prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996; assim, à semelhança do que ocorre com os demais tributos federais, verificado que o contribuinte não realizou o pagamento ou o recolhimento do tributo devido e não declarou no documento próprio (GFIP) todos os dados relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias (a respeito, ver as fls. 38/39 do Relatório Fiscal), cumpre à fiscalização realizar o lançamento de oficio e aplicar a respectiva multa (de oficio) prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996; por outro lado, como sói ocorrer com os demais tributos federais, a incidência da multa de mora ocorrerá naqueles casos expressos no art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ou seja, nas hipóteses em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso, de forma espontânea, independente do lançamento de oficio, efetuado com esteio no art. 149 do CTN; assim, no lançamento de oficio, diante da falta de pagamento ou recolhimento do tributo e/ou falta de declaração ou declaração inexata, é exigido, além do principal e dos juros moratórios, os valores relativos às penalidades pecuniárias que no caso consistirá na multa de oficio; a multa de oficio será aplicada quando realizado o lançamento para a constituição do crédito tributário; a incidência da multa de mora, por sua vez, ficará reservada para aqueles casos nos quais o sujeito passivo, extemporaneamente, realiza o pagamento ou o recolhimento antes do procedimento de oficio (ou seja, espontaneamente – o que não foi o caso); essa mesma sistemática deverá ser aplicada às contribuições previdenciárias, em razão do advento da MP n° 449 de 2008, posteriormente convertida da Lei n° 11.941, de 2009; é o que se percebe pela simples leitura do art. 35A da Lei n° 8.212, cuja literalidade se pede vênia para repisar: Fl. 340DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO 6 "Art. 35A Nos casos de lançamento de oficio relativos as contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996". logo, diante da redação explícita da norma, fica claro que, tratandose de lançamento de oficio, considerandose que não houve no caso a declaração de todos os dados relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias devidas (no presente caso concreto, repisese não houve essa declaração em GFIP), nem o recolhimento ou pagamento do tributo devido, a multa a ser aplicada é aquela prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996; a multa de mora, diante da novel sistemática, tanto no microssistema previdenciário, quanto de acordo com a disciplina da Lei n° 9.430 aplicável em relação aos demais tributos federais, não terá lugar nesse lançamento de oficio; a multa de mora e a multa de oficio são excludentes entre si, e deve prevalecer, na hipótese de lançamento de oficio, configurada a falta ou recolhimento do tributo e/ou a falta de declaração ou declaração inexata, a multa de oficio prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, diante da literalidade do art. 35A; nessa esteira, não há como se adotar outro entendimento sendo o de que a multa de mora prevista no art. 35, da Lei n° 8.212, de 1991 em sua redação antiga (revogada) está inserida em sistemática totalmente distinta da multa de mora prescrita no art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996; logo, por esse motivo não se poderia aplicar à espécie o disposto no art. 106 do CTN, pois, para a interpretação e aplicação da retroatividade benigna, a comparação é feita em relação à mesma conduta infratora praticada, em relação à mesma penalidade; como conclusão, para se averiguar sobre a ocorrência da retroatividade benigna no caso concreto, a comparação entre normas deve ser feita entre o art. 35, da Lei n° 8.212, de 1991 em sua redação antiga (revogada) e o art. 35A da LOPS; aqui cabe consignar o que o paradigma deixou registrado sobre o tema: "Quanto às alterações trazidas pela MP 449, a recorrente apresenta a tese de que com a nova redação dada ao art. 35 da Lei n° 8.212/1991, as contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidas de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. De acordo com o citado dispositivo, a limitação da multa se daria em 20% que é o percentual que a recorrente pretende que seja aplicado com a retroação benigna da lei. Ocorre que a MP 449, além de alterar o art. 35 da Lei n° 8.212/1991, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, "Art. 35A Nos casos de lançamento de oficio relativos as contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996". 0 inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: Fl. 341DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO Processo nº 36660.000443/200597 Acórdão n.º 9202003.629 CSRFT2 Fl. 15 7 "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. A meu ver, a forma de cálculo que o contribuinte pretende que seja aplicada em seu favor é utilizada no caso em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso, de forma espontânea. Entretanto, se ocorreu o lançamento de oficio que é o presente caso, a multa devida seria de 75%, superior aos 50% previstos na antiga redação do art. 35 da Lei n° 8.212/1991, inciso II, alínea "d" que corresponde ao percentual devido após ciência do acórdão da segunda instância, porém anterior à inscrição em divida ativa. Assim, não há como retroagir, ainda que se considere a multa moratória como penalidade, pois a lei atual não é mais favorável ao contribuinte, pelo menos até essa instância." a tese encampada pelo acórdão recorrido no sentido de que há retroatividade benigna em razão do advento da MP n° 449, de 2008 (convertida na Lei n° 11.941, de 2009) que conferiu nova redação ao art. 35 da Lei n° 8.212, de 1991, portanto, não merece prevalecer, pois a forma de cálculo ali defendida somente pode ser utilizada no caso em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso espontaneamente; na espécie, não houve recolhimento espontâneo do tributo devido, houve isto sim, lançamento de oficio, logo, inarredável a aplicação das disposições específicas da legislação previdenciária; por pertinente, cabe trazer à baila voto do Il. Conselheiro Júlio César Vieira Gomes, proferido nos autos do processo administrativo n° 35464.003731/200395 (acórdão n° 230100.282) que corrobora, na parte abaixo transcrita, o entendimento ventilado no presente recurso, verbis: "Comparando com o artigo 44 da Lei n°9.430, de 27/12/1996, que trata das multas quando do lançamento de oficio dos tributos federais, vejo que as regras estão em outro sentido. As multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração: (....) Outra diferença é que as multas do artigo 44 se justificam pela necessidade de realização de lançamento pelo fisco, já que o sujeito passivo não efetuou o pagamento / recolhimento / declaração; sendo calculadas independentemente do decurso do tempo, eis que a multa de oficio não é cumulativa com a multa de mora. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO 8 (...) Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas panes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento/recolhimento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos as penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o paaamento/recolhimento antes do procedimento de oficio, ou a multa de oficio, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da MP n° 449/1996 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de oficio e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores 6 MP n° 449/1996 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de oficio. por fim, cumpre voltar a atenção para o disposto na Instrução Normativa RFB n° 971 de 13/11/2009, sobre as regras a serem observadas em razão do advento da MP n° 449, de 2008 posteriormente convertida na Lei n° 11.941, de 2009: “Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996.” caso se entenda pela diversidade de natureza das multas, também não se poderia falar na espécie em retroatividade benigna entre a multa prevista no art. 35 da norma revogada e na novel redação emprestada ao mesmo dispositivo pela Lei n° 11.941; nessa linha de raciocínio, a NFLD em testilha deve ser mantida, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a Fl. 343DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO Processo nº 36660.000443/200597 Acórdão n.º 9202003.629 CSRFT2 Fl. 16 9 norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou o art. 35A da MP n° 449/2008, atualmente convertida na Lei n° 11.941/2009. Ao final, a Fazenda Nacional pede o conhecimento e o provimento do recurso, reformandose o acórdão recorrido, no ponto em que determinou a aplicação do art. 35, caput, da Lei n° 8.212, de 1991 (na atual redação conferida pela Lei n° 11.941, de 2009), em detrimento do art. 35A, também da Lei n° 8.212, de 1991, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Cientificada do acórdão e do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, a Contribuinte quedouse silente. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e, no que tange à matéria que obteve seguimento – recálculo da multa – atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD relativa ao período de 06/1999 a 12/2004, correspondente à contribuição dos segurados empregados, descontada e não repassada à Previdência Social, no prazo legal, bem como contribuição relativa à retenção de 11% (onze por cento) do valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços, não recolhida em época própria. Foi aplicada a multa prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 1991. Na decisão recorrida, determinouse o recálculo da multa, com base na redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, ao artigo 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. A Fazenda nacional, por sua vez, pede que eventual retroatividade benigna seja aferida comparandose o dispositivo legal aplicado com o art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação da Lei nº 11.941, de 2009. A retroatividade benigna encontrase efetivamente prevista no Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), conforme a seguir: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No presente caso, os fatos geradores ocorreram à luz de legislação posteriormente alterada, de sorte que a aferição acerca de eventual retroatividade benigna deve Fl. 344DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO 10 ser levada a cabo mediante comparação da redação original da Lei nº 8.212, de 1991, com a sua nova redação, conferida pela Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009: Redação da Lei nº 8.212, de 1991, à época dos fatos geradores “Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 345DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO Processo nº 36660.000443/200597 Acórdão n.º 9202003.629 CSRFT2 Fl. 17 11 § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento.” (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações da Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Confrontados os textos de lei, constatase que, no caso do acórdão recorrido, comparouse, para efeito de aplicação da retroatividade benigna, a multa que fora exigida por meio de NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, com a multa tipificada na nova redação do art. 35, da Lei nº 8.212, de 1991, que não demanda lançamento de ofício, eis que se trata de simples mora. Nesse passo, esclareçase que, independentemente da denominação que se dê à penalidade, há que se perquirir acerca do seu caráter material, e nesse sentido não há dúvida de que, mesmo na antiga redação do art.35 da Lei nº 8.212, de 1991, estavam ali descritas multas de mora e multas de ofício. As primeiras, cobradas com o tributo recolhido após o Fl. 346DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO 12 vencimento, porém espontaneamente. As últimas, cobradas quando do pagamento por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais, nos lançamentos de ofício. Além disso, tanto os demais tributos como as contribuições previdenciárias têm seu regramento básico estabelecido pelo Código Tributário Nacional, que não só determina que a exigência tributária tem de ser formalizada por meio de lançamento, como também especifica as respectivas modalidades: lançamento por homologação, lançamento por declaração e lançamento de ofício. Cada uma dessas modalidades está ligada ao grau de colaboração verificado por parte do sujeito passivo. No caso dos tributos e contribuições federais, foi adotado de forma genérica o lançamento por homologação, que atribui ao sujeito passivo o dever de calcular o valor devido e efetuar o seu recolhimento, independentemente de prévia ação por parte da Autoridade Administrativa. Por outro lado, se o sujeito passivo deixa de cumprir com essas obrigações, o Fisco pode exigir o tributo por meio de lançamento de ofício. Nesta sistemática, qualquer que seja o tributo ou contribuição, e independentemente da denominação atribuída ao lançamento, claramente são visualizadas duas formas de recolhimento fora do prazo estabelecido: aquele efetuado espontaneamente, passível de aplicação de multa de mora; e aquele efetuado por força de ação fiscal, aplicável aí a multa de ofício, mais onerosa. Assim, embora a antiga redação do artigo 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora” para as contribuições previdenciárias, não há dúvida de que os incisos componentes do dispositivo legal já continham a descrição das duas condutas tipificadas nos dispositivos legais que regulavam os demais tributos federais: pagamento espontâneo e pagamento efetuado por força de ação fiscal, conforme os ditames do CTN. Diante do exposto, relativamente à parte do Recurso Especial da Fazenda Nacional que obteve seguimento – recálculo da multa – doulhe provimento para restabelecer a penalidade, nos termos em que figurou no lançamento, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a administração tributária deverá apreciar a norma mais benéfica: se a multa aplicada, na redação do art. 35, II, da Lei n° 8.212, de 1991, já revogado, ou a multa do art. 35A, incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 347DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO
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Numero do processo: 11543.001643/2006-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA
Regularmente intimado o contribuinte, tendo lhe sido dado amplo conhecimento acerca das acusações imputadas no lançamento, proporcionada a defesa na forma do rito previsto no Decreto no. 70.235, de 1972 e tendo sido consideradas todas as alegações constantes dos autos, não é de se falar em violação aos princípios do contraditório e ampla defesa.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
GLOSA DE DEDUÇÕES A TÍTULO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA OFICIAL, DE DEPENDENTES, DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO E DE DESPESAS MÉDICAS.
É de se manter a glosa relativa a deduções não devidamente comprovadas.
MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA/SELIC.
A aplicação da multa de ofício e dos juros de mora decorrem de expressa previsão legal, não cabendo a este Conselho afastar a aplicabilidade de lei por argumentação de violação a preceito constitucional.
Numero da decisão: 2101-002.711
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka, Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Junior (Relator) e Daniel Pereira Artuzo.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA Regularmente intimado o contribuinte, tendo lhe sido dado amplo conhecimento acerca das acusações imputadas no lançamento, proporcionada a defesa na forma do rito previsto no Decreto no. 70.235, de 1972 e tendo sido consideradas todas as alegações constantes dos autos, não é de se falar em violação aos princípios do contraditório e ampla defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. GLOSA DE DEDUÇÕES A TÍTULO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA OFICIAL, DE DEPENDENTES, DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO E DE DESPESAS MÉDICAS. É de se manter a glosa relativa a deduções não devidamente comprovadas. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA/SELIC. A aplicação da multa de ofício e dos juros de mora decorrem de expressa previsão legal, não cabendo a este Conselho afastar a aplicabilidade de lei por argumentação de violação a preceito constitucional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka, Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Junior (Relator) e Daniel Pereira Artuzo.
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PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA Regularmente intimado o contribuinte, tendo lhe sido dado amplo conhecimento acerca das acusações imputadas no lançamento, proporcionada a defesa na forma do rito previsto no Decreto no. 70.235, de 1972 e tendo sido consideradas todas as alegações constantes dos autos, não é de se falar em violação aos princípios do contraditório e ampla defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. GLOSA DE DEDUÇÕES A TÍTULO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA OFICIAL, DE DEPENDENTES, DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO E DE DESPESAS MÉDICAS. É de se manter a glosa relativa a deduções não devidamente comprovadas. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA/SELIC. A aplicação da multa de ofício e dos juros de mora decorrem de expressa previsão legal, não cabendo a este Conselho afastar a aplicabilidade de lei por argumentação de violação a preceito constitucional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 16 43 /2 00 6- 53 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11543.001643/200653 Acórdão n.º 2101002.711 S2C1T1 Fl. 98 2 (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka, Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Junior (Relator) e Daniel Pereira Artuzo. Relatório Tratase de lançamento de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Física, no valor de R$ 13.267,89 (efls. 16 a 25), decorrente de omissão de rendimentos recebidos junto ás pessoas jurídicas Willisa Serviços Temporários Ltda. e Bemon Engenharia e Montagens Ltda., deduções indevidas a título de contribuição para a previdência oficial e a título de despesas com instrução, com dependentes e médicas para o anocalendário de 2001. Apresentou o contribuinte, a propósito, impugnação ao auto, de efls. 02 a 13 onde alegou: a) Direito à compensação de valores, visto que é detentor de Títulos da Dívida Agrária que representariam crédito contra a União (TDAs); b) Violação ao contraditório e ao amplo direito de defesa, por jamais ter sido intimado das fases anteriores do lançamento; c) Caráter confiscatório dos juros SELIC aplicados no lançamento, que, em seu entender, são revestidos de ilegalidade, citando jurisprudência e súmula do STF que sustentariam seu posicionamento e d) Caráter confiscatório também da Multa de Ofício aplicada Assim, requereu o contribuinte, em sede impugnatória, que: a) fossem considerados indevidos os juros cobrados com base na taxa SELIC, por força da Súmula n° 121, do Supremo Tribunal Federal e do anatocismo existente na hipótese, além do fato de corresponder à variação financeira calculada com base na média de custódias atribuídas a instituições financeiras; b) fosse considerada indevida a multa exigida, por ocorrência de confisco tributário, em vigência o art. 150, inciso IV da CF/88. c) fossem considerados passíveis de compensação tributária, na forma estatuída no art. 156, inciso II do CTN c/c art. 66, da Lei n° 8.383191 e art. 170 do CTN, os valores constantes dos títulos de crédito de que dispõe o impugnante e inerentes a dívidas da União Federal (Títulos Públicos); Fl. 98DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11543.001643/200653 Acórdão n.º 2101002.711 S2C1T1 Fl. 99 3 d) fosse reaberto o prazo para ciência do lançamento e apresentação de provas para refutálo, sob pena de violação da ampla defesa e contraditório do impugnante, em vista que o impugnante não recebeu as intimações porventura remetidas pela Receita Federal; A autoridade julgadora de 1a. instância julgou parcialmente procedente o lançamento, aceitando a condição de dependente de Rainer Scalzer Moreira, originalmente rejeitada quando do lançamento, na forma de Acórdão de de efls. 72 a 79, assim.ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. Antes da lavratura de auto de infração, não há que se falar em violação ao princípio do contraditório, já que a oportunidade de contradizer o fisco é prevista em lei para a fase do contencioso administrativo, que se inicia com a impugnação do lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. GLOSA DE DEDUÇÕES A TÍTULO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA OFICIAL, DE DEPENDENTES, DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO E DE DESPESAS MÉDICAS. Mantémse a glosa relativa a deduções não devidamente comprovadas. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA/SELIC. A aplicação da multa de ofício e dos juros de mora decorre de expressa previsão legal e deverá obrigatoriamente ser cumprida pela autoridade administrativa por força do ato administrativo vinculado. Lançamento Procedente em Parte Insurgese o contribuinte contra a autoridade julgadora de 1a. instância através do Recurso Voluntário de efls. 85 a 94, onde repisa exatamente os argumentos tecidos em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Relator Fl. 99DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11543.001643/200653 Acórdão n.º 2101002.711 S2C1T1 Fl. 100 4 O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Noto inicialmente, em linha com o já observado pela autoridade julgadora de 1ª. instância, que, contrariamente ao afirmado em seu pleito recursal, o contribuinte foi regularmente intimado pela autoridade fiscal acerca da matéria autuada, consoante prerrogativa estabelecida na forma do art. 11 do §3o. do DecretoLei no. 5.844, de 23 de setembro de 1943 e termo de efls. 52 e 53, tendo oferecido os esclarecimentos documentais de efls. 54 a 60. Foi lhe dado pleno conhecimento de todas as acusações imputadas e ampla oportunidade de defesa acerca das mesmas, tendo sido todas as suas razões de impugnação sido analisadas de forma pertinente, na forma do rito previsto no Decreto n 70.235, de 06 de março de 1972. De se rejeitar, assim, a preliminar alegada de violação ao contraditório e à ampla defesa. Na forma de resposta de efl. 54, também acedo ao fato de se tratar a omissão de rendimentos objeto de autuação como matéria não impugnada e, assim, transitada em julgado, sendo de se aceitar, quanto à comprovação de dependentes, somente a Cédula de Identidade de efl. 55, sendo de se rejeitar a cópia referente à dependente Ravena Scalzer Moreira constante da mesma efl. 55, uma vez que não se pode precisar de onde tenha sido retirada aquela qualificação civil. Ainda, nenhuma novidade probatória foi trazida que justificasse qualquer alteração das despesas médicas documentadas às efls. 59/60, que, consoante observado de forma escorreita pela autoridade julgadora de 1a. instância, totalizam o montante concedido pela autoridade autuante de R$ 4.228,78, a título de dedução. Plenamente aplicável a multa de ofício, uma vez se tratar o art. 44, inciso I da Lei no. 9.430, de 24 de dezembro de 1996, que a respalda, de dispositivo legal vigente e cuja aplicabilidade não pode ser afastada pela argumentação de violação ao princípio constitucional de confisco, na forma estabelecida pelo Art. 62, caput, do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF), bem como pelo teor da Súmula CARF no. 04, in verbis: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (...) Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11543.001643/200653 Acórdão n.º 2101002.711 S2C1T1 Fl. 101 5 Quanto aos juros dos quais se recorre, se deve tecer a mesma consideração quanto à plena aplicabilidade e vigência do teor do art. 61, §3o. da Lei no.9.430, de 1996, plenamente exigíveis assim, também, os juros calculados à Taxa Selic, consoante inclusive Súmula CARF no.04, muito propriamente já reproduzida no decisum de 1a. instância, verbis: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Acedo, ainda, à argumentação do recorrido, no sentido de que a matéria alegada de eventual possibilidade de compensação de eventuais créditos tributários oriundos da propriedades de Títulos da Dívida Agrária é estranha à competência deste CARF. Assim, não conheço do recurso quanto a esta matéria. Diante do exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso, exceto quanto à matéria de compensação com TDAs, e, na parte conhecida, NEGAR provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Relator Fl. 101DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/ 02/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13807.015450/99-77
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
PERÍCIA. DILIGÊNCIA.
As perícias requeridas não constituem direito subjetivo formal da parte. O deferimento daquelas se insere no âmbito da formação do juízo de convencimento do julgador, pautado pela suficiência ou não de elementos nos autos.
OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA DE ESTOQUE APURADA POR MEIO DE CONTAGEM FÍSICA.
Presunção legal de omissão de receitas detectada e apurada pelo valor resultante da multiplicação das diferenças, positivas e negativas (omissão de vendas e omissão de compras, respectivamente), entre as quantidades de mercadorias escrituradas em livros fiscais e/ou informadas nas declarações, acrescidas das compras e deduzidas da vendas ulteriores contabilizadas, e as apuradas em contagem física efetuada pelo autuante, pelos respectivos preços médios de venda ou de compra. Ausência de contraprova da recorrente. Omissão de receitas caracterizada.
Numero da decisão: 1802-002.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar e no mérito NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Henrique Heiji Erbano, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 PERÍCIA. DILIGÊNCIA. As perícias requeridas não constituem direito subjetivo formal da parte. O deferimento daquelas se insere no âmbito da formação do juízo de convencimento do julgador, pautado pela suficiência ou não de elementos nos autos. OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA DE ESTOQUE APURADA POR MEIO DE CONTAGEM FÍSICA. Presunção legal de omissão de receitas detectada e apurada pelo valor resultante da multiplicação das diferenças, positivas e negativas (omissão de vendas e omissão de compras, respectivamente), entre as quantidades de mercadorias escrituradas em livros fiscais e/ou informadas nas declarações, acrescidas das compras e deduzidas da vendas ulteriores contabilizadas, e as apuradas em contagem física efetuada pelo autuante, pelos respectivos preços médios de venda ou de compra. Ausência de contraprova da recorrente. Omissão de receitas caracterizada.
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DILIGÊNCIA. As perícias requeridas não constituem direito subjetivo formal da parte. O deferimento daquelas se insere no âmbito da formação do juízo de convencimento do julgador, pautado pela suficiência ou não de elementos nos autos. OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA DE ESTOQUE APURADA POR MEIO DE CONTAGEM FÍSICA. Presunção legal de omissão de receitas detectada e apurada pelo valor resultante da multiplicação das diferenças, positivas e negativas (omissão de vendas e omissão de compras, respectivamente), entre as quantidades de mercadorias escrituradas em livros fiscais e/ou informadas nas declarações, acrescidas das compras e deduzidas da vendas ulteriores contabilizadas, e as apuradas em contagem física efetuada pelo autuante, pelos respectivos preços médios de venda ou de compra. Ausência de contraprova da recorrente. Omissão de receitas caracterizada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar e no mérito NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 01 54 50 /9 9- 77 Fl. 985DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13807.015450/9977 Acórdão n.º 1802002.501 S1TE02 Fl. 3 2 Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Henrique Heiji Erbano, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. Fl. 986DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13807.015450/9977 Acórdão n.º 1802002.501 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP), que por unanimidade de votos julgou procedente em parte a impugnação apresentada pela contribuinte. Para descrever os fatos, por economia processual, transcrevo o relatório constante do acórdão 1623.127, in verbis: “Contra a empresa em epígrafe foram lavrados os autos de infração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para Financiamento da Seguridade (COFINS), Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) e Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), de fls. 573 a 592, em razão de omissão de receitas, caracterizada pela apuração de diferenças em levantamento de estóque de mercadorias importadas e de produtos acabados, conforme descrito nos Termos de Verificação nº 01 e 02 (fls. 168 a 171 e 569 a 572). Foram apontados como infringidos os seguintes dispositivos legais: (…) O Termo de Verificação n° 01 (fls. 168 a 171) narra os procedimentos utilizados na ação fiscal no que tange ao levantamento de estoque das mercadorias importadas por todos os estabelecimentos da empresa fiscalizada. Informa que foi apurada a diferença entre a soma das quantidades de mercadorias em estoque no inicio do período mais a soma das mercadorias adquiridas ou recebidas em devolução, e as registradas como saída na escrituração do contribuinte comparandose o resultado com o estoque final inventariado. Observa que foi elaborado o mapa "Controle de Estoque das Mercadorias Importadas" (fls. 162 a 167), que demonstra a reconstituição do estoque final de mercadorias importadas no anocalendário de 1995, evidenciando a existência de diferenças em relação ao estoque final inventariado, caracterizandose a omissão de vendas quando o estoque final calculado é maior que o registrado pelo contribuinte comparando se o resultado de compras quando o estoque final calculado é menor que o inventariado. Fl. 987DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13807.015450/9977 Acórdão n.º 1802002.501 S1TE02 Fl. 5 4 O Termo de Verificação n° 02 (fls. 569 a 572) relata os procedimentos adotados pela Fiscalização no levantamento de estoque de produtos fabricados acabados, relativamente ao estabelecimento São Paulo (Cajuru), onde, à época, não havia mais produção, mas sim uma loja através da qual se dava a saída de produtos fabricados pelos outros estabelecimentos da empresa. Ressalta que foram escolhidos para o trabalho apenas alguns grupos de produtos que se referiam a produtos acabados finais e não componentes, tendo sido selecionados os grupos 01, 02, 03, 04, 05, 07 e 08. Informa que foram elaborados relatórios de levantamento das entradas e saídas de produtos fabricados do estabelecimento de São Paulo, bem como as posições iniciais e finais de seus estoques, submetidos a validação do contribuinte. Após tratamento das inconsistências apontadas pela empresa, passouse à apuração das diferenças entre a soma das quantidades de mercadorias em estoque no início do período mais a soma das mercadorias adquiridas ou recebidas em devolução, e as registradas como saídas, na escrituração do contribuinte, e comparandose o resultado com o estoque final inventariado. O mapa "Controle de Estoque dos Produtos Acabados Estabelecimento São Paulo" (fls. 566 e 567) registra a reconstituição do estoque final de produtos acabados, demonstrando a apuração da diferença em relação ao estoque final inventariado. A Fiscalização destaca que só foi tributada a omissão de vendas, ou seja, a diferença positiva entre o estoque final calculado e o regisirado, uma vez que as entradas no estabelecimento São Paulo são decorrentes de transferências e não de compras. Cientificada do lançamento em 22/12/1999, a interessada apresentou em 21/01/2001 a impugnação de fls. 598 a 616, por intermédio de procuradores. Alega a autuada o que segue, em síntese: a Fiscalização adotou uma postura cômoda e com fins meramente arrecadatórios, uma vez que não se preocupou em buscar as origens das diferenças de estoque apuradas; é um absurdo presumir que a diferença de estoque encontrada pela Fiscalização, de menos de 0,2% do movimento anual da impugnante, seja caracterizada como omissão de receitas; as supostas diferenças de estoque apuradas correspondem a quebras/perdas, vendas de sucatas de produtos que saíram de linha em 1995, vendas em Fl. 988DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13807.015450/9977 Acórdão n.º 1802002.501 S1TE02 Fl. 6 5 consignação, transferência para assistência técnica, etc.; a margem de quebra/perda dos produtos industrializados e comercializados pela impugnante é bastante grande, devido à sua extrema fragilidade; ocorreram inúmeros ingressos de mercadorias tão somente para conserto, bem como saídas em substituição ao consumidor final, os quais foram considerados pela Fiscalização como efetivas entradas e/ou saídas do estabelecimento da impugnante; o alegado é evidenciado através das notas fiscais anexadas a titulo de exemplo (fls. 687 a 691); a Fiscalização também não considerou que a impugnante foi obrigada a sucatear diversos produtos que saíram de linha no ano de 1995, conforme se depreende das notas fiscais anexas (fls. 650 a 686); a Fiscalização deixou, ainda, de considerar que a empresa realizou inúmeras remessas em consignação, cuja baixa no estoque somente pode ocorrer quando forem faturadas as vendas efetivas; junta à impugnação, exemplificativamente, algumas notas fiscais de remessa em consignação (fls. 634 a 649); é sabido que inúmeros produtos eram furtados pelos próprios funcionários da impugnante, a exemplo dos fatos narrados no processo crime cuja cópia é juntada à impugnação (fls. 626 a 633); tais fatos por si demonstram que é muito razoável que a diferença apurada pela Fiscalização seja oriunda de tais acontecimentos; requer a realização de diligência em seu estabelecimento para através da análise de seus registros fiscais e de outros documentos necessários à comprovação das suas alegações, constatar os vícios constantes no auto de infração; não foram computadas pela Fiscalização as devoluções de mercadorias realizadas no ano de 1995; a impugnante passa a enumerar outros equívocos que entende estarem presentes nos mapas anexos ao auto de infração (item "44" da impugnação, fls 606 e 607), comprometendose a demonstralos quando da realização da diligência (anexa planilhas denominadas "Controle de Estoque Rubbermaid", fls. 692 a 696); a Fiscalização considerou indevidamente como preço atribuído às mercadorias o preço máximo de venda, Fl. 989DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13807.015450/9977 Acórdão n.º 1802002.501 S1TE02 Fl. 7 6 uma vez que tais valores não refletem o real valor praticado no mercado pela impugnante; anexa relatórios de apuração do preço médio de venda dos produtos, bem como notas fiscais comprovando os reais preços praticados (fls. 697 a 825); é fundamental para a validade do lançamento tributário a determinação certa, absoluta e única da matéria tributável, portanto, as irregularidades contidas no auto de infração ensejam sua nulidade; os dispositivos legais citados no lançamento não se prestam embasar a autuação, eis que não estabelecem qualquer previsão legal no sentido caracterizar como omissão de receitas a constatação de diferenças apuradas em estoque; tal hipótese de omissão de receitas somente passou a vigorar no ordenamento jurídico com o advento da Lei n° 9.430/1996, consoante atesta o parágrafo 3º do seu artigo 41; a fundamentação aduzida no tocante a pretensão relativa ao IRPJ é extensiva aos autos de infração de CSLL, PIS, COFINS e IRRF, lavrados por via reflexa; o auto de infração relativo ao IRRF foi lavrado com base na presunção de que os valores que teriam reduzido indevidamente o lucro liquido da impugnante foram distribuídos aos seus acionistas; todavia, a tributaçhão do IRRF somente pode ser admitida caso, a distribuição do lucro arbitrado realmente ocorra, sob pena de tributação de valores não disponíveis tanto jurídica quanto economicamente para o sócio, em afronta ao artigo 43 do Código Tributário Nacional. Por fim, a impugnante requer o cancelamento da exigência fiscal na sua totalidade e reitera o pedido de realização de diligências. Pelo despacho de fls. 854 e 855, desta Terceira Turma de Julgamento, foram solicitados à Delegacia de Fiscalização de São Paulo esclarecimentos quanto a diversos questionamentos apresentados pelo contribuinte. A fiscalização ofereceu a Informação Fiscal de fls. 858 a 864, cientificada a empresa (fl 865), que apresentou a manifestação de fls. 870 a 880, onde argui, preliminarmente, que o autuante poderia solicitar documentos/informações complementares, mas se ateve aos elementos constantes dos autos, o que teria prejudicado o resultado da diligência. Na sequência, a contribuinte tece considerações quanto Fl. 990DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13807.015450/9977 Acórdão n.º 1802002.501 S1TE02 Fl. 8 7 aos esclarecimentos prestados pelo autuante. Ao final, reitera o pedido de cancelamento integral dos lançamentos. Alternativamente, requer nova baixa dos autos em diligência.” Em sua decisão, a DRJ em São Paulo (SP) por unanimidade de votos, houve por bem não reconhecer integralmente o pleito do contribuinte, conforme ementa transcrita abaixo: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1995 PRELIMINAR. NULIDADE. Não se acata a arguição de nulidade se o lançamento foi efetuado por agente competente, com a observância dos requisitos exigido pela legislação tributária. ÔNUS DA PROVA. Demonstrado nos autos que o lançamento teve por base elementos da escrituração fornecidos pela própria contribuinte, incumbe esta instruir a impugnação com as provas das inconsistências que considera existirem no trabalho fiscal. DILIGÊNCIA. NECESSIDADE. FALTA DE COMPROVAÇÃO Não evidenciada a necessidade de realização de diligência no estabelecimento da empresa, porquanto os elementos juntados à impugnação não são hábeis a demonstrar e nem ao menos contituem indício de prova da ocorrência de erros no lançamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA Anocalendário: 1995 OMISSÃO DE RECEITA. DIFERENÇA DE ESTOQUE. Caracteriza omissão de receita a diferença apurada em levantamento quantitativo de estoque, em confronto com o registrado na contabilidade. APURAÇÃO DO VALOR TRIBUTÁVEL. PREÇO MÉDIO DE VENDA. Por não se poder precisar o momento da ocorrência da omissão de venda, deve ser utilizado o preço médio para quantificar a omissão. Demonstrado pela contribuinte que o preço utilizado pelo Fisco na Fl. 991DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13807.015450/9977 Acórdão n.º 1802002.501 S1TE02 Fl. 9 8 determinação receita omitida excede o preço médio deve ser reproduzido o valor tributável. DECORRÊNCIA. A decisão relativa ao lançamento principal se aplica, no que couber às exigências de CSLL, PIS, COFINS e IRRF, posto que fundamentados nos mesmos elementos de prova. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1995 OMISSÃO DE RECEITA. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. A legislação tributária estabelece a presunção de que os recursos omitidos foram automaticamente recebidos pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual. Não cabe à autoridade administrativa conhecer de questões relativas à constitucionalidade legalidade de normas, por se tratar de atribuição reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Inconformada com a improcedência da impugnação, a Recorrente pleiteia pela reforma do julgado, alegando preliminarmente o cerceamento do direito de defesa e no mérito a inocorrência de omissão de receita e a não incidência do IRRF . Este é o Relatório. Fl. 992DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13807.015450/9977 Acórdão n.º 1802002.501 S1TE02 Fl. 10 9 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade previstos na legislação ora em vigor, portanto dele tomo conhecimento. Nessa etapa do processo o cerne da lide passa a se resumir na alegação pela Recorrente de que teve seu direito de defesa cerceado em virtude do não deferimento de nova diligência para comprovação dos fatos por ela suscitados, bem como na suposta inexistência de receitas omitidas, com a consequente não incidência do IRRF. Inicialmente a preliminar de cerceamento do direito de defesa embasado no não deferimento de nova perícia não pode prosperar. A Recorrente foram dadas inúmeras oportunidades de juntar as provas que pretendia produzir, inclusive com a realização de diligência e manifestação sobre o resultado apurado, contudo a Recorrente se limitou a fazer alegações. Além disso, o não deferimento de diligência não pode ser invocado como cerceamento de direito de defesa. A diligência serve para a formação da convicção da(s) autoridade(s) julgadora(s), sendo sua indicação uma mera sugestão pelas partes. O julgador deve ter livre convicção quanto as provas apresentadas e fatos alegados. O processo deve seguir o princípio da verdade material, princípio este que determina que a autoridade julgadora deverá buscar a realidade dos fatos, e, se necessário for, determinar a realização de diligência para formar a sua convicção. Nesse sentido estipula o Processo Administrativo Fiscal (PAF): “Decreto nº 70.235/72: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” Contendo os autos todos os elementos necessários para solução da lide, torna se desnecessária a realização da diligência e perícia/auditagem requerida. O presente caso, considerando todo o tempo passado sem a juntada das provas alegadas, entendo que não seria o caso de nova diligência, de modo que na forma do Decreto nº 70.235/72, art. 16, § 1º considero o pedido de diligência como não formulado, por deixar de atender os requisitos do inciso IV do mesmo artigo. A omissão de receitas foi apurada com base em levantamento quantitativo por espécie, com a aplicação da presunção legal de receitas omitidas prevista no art. 41 da Lei 9.430/96: Art. 41. A omissão de receita poderá, também, ser determinada a partir de levantamento por espécie das quantidades de matérias Fl. 993DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13807.015450/9977 Acórdão n.º 1802002.501 S1TE02 Fl. 11 10 primas e produtos intermediários utilizados no processo produtivo da pessoa jurídica. § 1°. Para os fins deste artigo, apurarseá a diferença, positiva ou negativa, entre a soma das quantidades de produtos em estoque no início do período com a quantidade de produtos fabricados com as matériasprimas e produtos intermediários utilizados e a soma das quantidades de produtos cuja venda houver sido registrada na escrituração contábil da empresa com as quantidades em estoque, no final do período de apuração, constantes do livro de Inventário. § 2°. Considerase receita omitida, nesse caso, o valor resultante da multiplicação das diferenças de quantidades de produtos ou de matériasprimas e produtos intermediários pelos respectivos preços médios de venda ou de compra, conforme o caso, em cada período de apuração abrangido pelo levantamento. § 3°. Os critérios de apuração de receita omitida de que trata este artigo aplicamse, também, às empresas comerciais, relativamente ás mercadorias adquiridas para revenda. Evidente que o procedimento levado a efeito pelo autuante, de levantamento quantitativo por espécie, na forma descrita no primeiro parágrafo deste tópico conduz ao mesmo resultado do procedimento préfigurado no art. 41 da Lei 9.430/96. Mais do que isso, a rigor, o autuante precipitou o mesmo procedimento previsto no citado art. 41, simplesmente encadeado de forma sintética, que mantém integral respeito à prescrição legal. A mesma ordem de evidência se instala no levantamento efetuado pelo autuante, para sua constatação de omissão de vendas (diferença positiva de que trata o art. 41, § 1°) e se aplicaria a omissão de compras (diferença negativa aludida no art. 41, § 1º, porquanto a apuração e o levantamento físico se derem por espécie de mercadoria. Outrossim, a fiscalização apurou omissão de vendas (diferença positiva entre o registro de inventário ajustado e a contagem física) de cada uma das mercadorias. As diferenças apuradas foram valoradas com base nos últimos preços médios de venda ou de compra. Contra o detalhado procedimento empolgado pelo autuante, como emerge dos autos, a recorrente nada argu iu nem trouxe documentação alguma a infirmar a pretensão fiscal, a não ser planilha sem documentação suporte e o pedido de perícia, já apreciado em preliminar. Outrossim, diante das evidências carreadas pelo autuante, com diligente aplicação da norma legal de presunção de omissão de receitas do art. 41 da Lei 9.430/96, e do exposto no penúltimo parágrafo do tópico anterior, nego provimento ao recurso sobre a irresignação quanto à pretensão exacional de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS sobre tais fatos econômicos de relevância jurídica. Relativamente ao IRRF, a Recorrente afirma que não houve comprovação da distribuição dos lucros aos sócios e. portanto, não se verificou disponibilidade econômica ou jurídica de renda, a justificar a incidência da exação. Fl. 994DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13807.015450/9977 Acórdão n.º 1802002.501 S1TE02 Fl. 12 11 Isso também não pode prosperar eis que o lançamento do IRRF fundamentavase no disposto no artigo 44 da Lei n° 8.541/1992, com a edação dada pela Lei n° 9.064/1995, in verbis: "Art. 44. A receita omitida ou a diferença verificada na determinação dos resultados das pessoas jurídicas por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido será considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual e tributada exclusivamente na fonte à alíquota de 25%, sem prejuízo da incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica. (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) § 1º O fato gerador do imposto de renda na fonte considerase ocorrido no dia da omissão ou da redução indevida. (Redação dada pela Lei nº 9.064, de 1995) § 2° O disposto neste artigo não se aplica a deduções indevidas que, por sua natureza, não autorizem presunção de transferência de recursos do patrimônio da pessoa jurídica para o dos seus sócios.(Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995)". Assim, a legislação tributária estabelece a presunção de que os recursos omitidos foram automaticamente recebidos pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual. Ressaltese aqui, que não cabe à autoridade administrativa conhecer de arguições dc ilegalidade ou inconstitucionalidade de normas, por ser tal atribuição reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário. Nesse particular, ao julgador administrativo não cabe afastar a lei, sendo essa matéria já sumulada nesse Conselho: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Isto posto, não há qualquer reparo a fazer na decisão da DRJ. Por todo o exposto voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito em NEGAR provimento ao recurso apresentado. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 995DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13807.015450/9977 Acórdão n.º 1802002.501 S1TE02 Fl. 13 12 Fl. 996DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 10280.902055/2012-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não-cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes.
Gastos com a aquisição de ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão, no contexto do Processo Bayer de produção de alumina, ensejam o creditamento das contribuições sociais não cumulativas.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
Numero da decisão: 3402-002.639
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reverter as glosas de créditos tomados sobre as aquisições de ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Relator
Participaram ainda do julgamento os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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CONHECIMENTO. A parte, ao recorrer, deve claramente identificar o objeto e os motivos de sua irresignação. Não se conhece do recurso genérico e desprovido de fundamentação. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixe de formular quesitos. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social nãocumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Gastos com a aquisição de ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão, no contexto do Processo Bayer de produção de alumina, ensejam o creditamento das contribuições sociais não cumulativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 20 55 /2 01 2- 52 Fl. 1836DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reverter as glosas de créditos tomados sobre as aquisições de ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Relator Participaram ainda do julgamento os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Alunorte –alumina do Norte do Brasil S/A transmitiu o Pedido Eletrônico de Ressarcimento – PER nº 09727.82722.190110.1.1.088167, visando ao ressarcimento do saldo credor da PIS acumulado no 4° trimestre de 2009, no valor de R$ 8013701,5300000003. A DRF/BEL deferiu o ressarcimento de R$ 3040620,3300000001. De acordo com o Parecer SEORT/DRF/BEL Nº 680 (fls. 10 a 40), que amparou o Despacho Decisório, a glosa de R$ 4973081,2000000002, deveuse aos seguintes ajustes: (i) no coeficiente de rateio dos créditos, previsto no inciso II do § 8º do art. 3º da Lei de Regência, pelo recálculo das receitas de vendas para o mercado interno, com acréscimos das receitas omitidas contribuinte; (ii) exclusão dos créditos sobre bens que não são empregados na produção de bens destinados à venda, ou descritos de forma imprecisa que não possibilita enquadramento para fins de aproveitamento do crédito; (iii) exclusão dos créditos tomados sobre ferramentas e equipamentos de segurança e proteção individual; (iv) exclusão dos créditos tomados sobre itens não enquadrados como partes e peças de reposição de máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado, que não atende aos requisitos para crédito, porque não são partes e peças de reposição que possam comprovadamente ser enquadradas como insumos diretos; Fl. 1837DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.902055/201252 Acórdão n.º 3402002.639 S3C4T2 Fl. 1.837 3 (v) exclusão dos créditos tomados sobre itens empregados indiretamente na produção: a aquisição de bens e serviços não enquadrados como insumos diretos, porque não sofrem alterações em decorrência da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação; (vi) exclusão dos créditos tomados sobre combustíveis e lubrificantes, não aplicados em máquinas e equipamentos diretamente envolvidos na produção dos bens destinados à venda; (vii) exclusão dos créditos tomados sobre serviços que não guardam relação direta com as atividades produtivas; (viii) exclusão dos créditos tomados sobre serviços de manutenção de bens componentes do Ativo Imobilizado; (ix) exclusão dos créditos sobre serviços de hotelaria e sobre serviços prestados por pessoas físicas; (x) exclusão dos créditos tomados sobre o valor das despesas com fretes contratados para o transporte de produtos acabados ou em elaboração entre estabelecimentos industriais e destes para os estabelecimentos comerciais da mesma pessoa jurídica; (xi) exclusão dos créditos tomados sobre serviços não especificados adequadamente em relação ao processo produtivo: (xii) exclusão dos créditos tomados sobre as despesas de depreciação de bens destinados ao Ativo Imobilizado, mas que, pela sua descrição, não se destinam ao AI (serviços de hotelaria, sedex, locação de veículos, serviços de apoio administrativo, aluguel de imóvel residencial, serviços de intérprete e tradução francês português, limpeza de fossa, fornecimento de combustíveis, serviços de paisagismo, serviços de transporte, desenvolvimento e implantação de site da internet); (xiii) exclusão dos créditos tomados sobre as despesas de depreciação de bens destinados ao Ativo Imobilizado, não utilizados na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços: (compra de cadeiras para o restaurante, armários, condicionador de ar, válvulas); (xiv) exclusão dos créditos tomados sobre as despesas de depreciação de bens destinados ao Ativo Imobilizado, sem prova de que efetivamente destinemse ao AI: Fl. 1838DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN 4 aquisição de materiais diversos, fornecimento de materiais; (xv) recomposição dos créditos tomados sobre edificações, procedida pelo contribuinte à taxa de 1/12, quando o correto é 1/24., e; (xvi) exclusão dos créditos tomados em aquisições de bens com suspensão das contribuições sociais. Todos esses ajustes foram detalhados, item por item, consolidados em planilha específica. Sobreveio Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela 3ª Turma da DRJ/BEL. O Acórdão nº 01030.184, de 9/30/2014 (fls. 1.630 a 1.655), teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 PAF. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. PAF. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. PAF. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/1972, também se fazendo incabível sua realização quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo. PIS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. BENS E SERVIÇOS. DESCRIÇÃO E IDENTIFICAÇÃO. IMPRESCINDIBILIDADE. Em sede de ressarcimento, deve restar demonstrada de forma induvidosa a existência dos créditos alegados. A descrição precisa de bens e serviços, bem como a perfeita identificação de sua concreta aplicação ou consumo na produção ou fabricação do produto, é imprescindível ao reconhecimento da pretensão creditória. PIS NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CRÉDITOS. Fl. 1839DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.902055/201252 Acórdão n.º 3402002.639 S3C4T2 Fl. 1.838 5 No cálculo do PIS NãoCumulativo somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. PIS NÃOCUMULATIVO. FRETE. CRÉDITOS. A pessoa jurídica somente poderá descontar créditos calculados em relação a frete na operação de venda e desde que o ônus seja suportado pelo vendedor. PIS NÃOCUMULATIVO. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. Na nãocumulatividade do PIS, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos no País para utilização na produção de bens destinados à venda, desde que observadas as disposições normativas que regem a espécie. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/BEL. O arrazoado de fls. 1.665 a 1.710, após síntese dos fatos relacionados com a lide, repetindo integralmente os termos da Manifestação de Inconformidade, está estruturado em três capítulos. O primeiro, intitulado “DA BREVE SÍNTESE DO PROCESSO PRODUTIVO DA ALUMINA DA APLICAÇÃO DIRETA DE ALGUNS DOS INSUMOS INEXPLICAVELMENTE GLOSADOS DO INCABIMENTO DAS GLOSAS RELATIVAS AO ÁCIDO SULFÚRICO, CALCÁRIO CALDEIRA. INIBIDOR DE CORROSÃO E SERVIÇOS EMPREGADOS COMO INSUMOS DESCRIÇÃO E JUSTIFICATIVA DE SUA INCLUSÃO NO COMPUTO DO CUSTO DE PRODUÇÃO DA ALUMINA EXPORTADA DA JURISPRUDÊNCIA DO CARF QUE VEM REFORMANDO TAIS GLOSAS ESPECIFICAS”, descreve o processo produtivo da alumina, controverte as glosas dos créditos tomados sobre as compras de ácido sulfúrico, calcário e inibidores de corrosão, explicando seu emprego no processo. Irresignase também contra as glosas dos créditos sobre os serviços de remoção de rejeitos industriais. O segundo capítulo – DO INCABIMENTO DAS GLOSAS DOS CRÉDITOS RELATIVOS AO ATIVO IMOBILIZADO/EDIFICAÇÕES SEGUNDO O REGIME PREVISTO NAS LEIS 10833/2003 E 10637/2002 ART. 31. INCISO II. DA LE111.196/2005 E §14, DO ART. 3° DA LEI 10833/2003 E INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N° 457/2004 – pugna pelo direito de tomada de créditos sobre a depreciação acelerada, aplicável para as aquisições de bens de capital realizadas por pessoas jurídicas estabelecidas na área de atuação da SUDAM, com fundamento na Lei nº 11.196, de 2005, que instituiu o Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras (RECAP), ou Fl. 1840DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN 6 com fundamento na Lei nº 11.488, de 2007, que instituiu o Regime Especial de Investimentos para o Desenvolvimento da InfraEstrututra (REIDI). O último capítulo – DOS CONTORNOS LEGAIS. ENTENDIMENTO DOUTRINÁRIO E JURISPRUDENCIAL RELATIVO AO REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE APLICADO A COFINS E CONTRIBUIÇÃO AO PISPASEP – digressiona sobre a não cumulatividade das contribuições sociais. Em conclusão, pede a reversão das glosas e reitera o pedido de realização de perícia, indicando e qualificando o perito. A numeração das folhas referese à atribuída pelo processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 1.665 a 1.710 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJBEL3ª Turma nº 01030.184, de 9/30/2014. MATÉRIAS CONTROVERTIDAS Dentre os diversos ajustes procedidos pela Fiscalização, o recorrente atevese às glosas dos créditos tomados sobre as aquisições de ácido sulfúrico, de calcário e de inibidores de corrosão e sobre a contratação de serviços de transporte de resíduos industriais. PEDIDO DE PERÍCIA Transcrevo o pedido de perícia formulado na conclusão do recurso para maior clareza: Reiterase, outrossim, o pedido e realização de perícia suplementar em que pese o material probatório que ilustra claramente, não somente a aplicação efetiva dos bens glosados como insumos que integram o custo de produção do produto final destinado à venda como ainda que não houve classificação e apropriação de créditos sobre "edificações" ao Ativo Imobilizado da companhia recorrente, senão de máquinas e equipamentos que, portanto, deveriam ter sido considerados como cabíveis para esse fim, levando em consideração não ter sido realizada qualquer inspeção física presencial na industrial da Refinaria da Recorrente. Na condição de assistente técnico, reitera a nomeação do Sr. Sebastião José Rosa inscrito no CRC/RJ, sob o n.° 039332/04, residente e domiciliada na cidade de Barcarena PA, sito na Tv. Lino José Gomes, 223, CEP 68447 000. Fl. 1841DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.902055/201252 Acórdão n.º 3402002.639 S3C4T2 Fl. 1.839 7 A propósito, o § 1° do art. 16 do Processo Administrativo Fiscal Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF determina que se considere não formulado o pedido de perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do mesmo artigo. Embora tenha indicado e qualificado o perito, o recurso deixou de formular quesitos, de sorte que tenho como não formulado o pedido. MÉRITO Conceito de insumo adotado neste voto Com a edição da Emenda Constitucional nº 42, de 31 de dezembro de 2003, o princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais alcançou o plano constitucional através da inserção do § 12 ao art. 195 da Constituição da República Federativa do Brasil – CF/88. É verdade, da norma constitucional em referência não se extrai a possibilidade de dedução de créditos a todo e qualquer bem ou serviço adquirido para consecução da atividade empresarial, restando expresso que a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade aplicável às Contribuições Sociais ficaria afeta ao legislador ordinário. Foi o art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , inc. II, com a redação da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, no que pertine ao PIS, que regulamentou o direito de crédito da Contribuição sobre bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI. Interpretando o conteúdo da legislação fiscal em comento, a Autoridade Tributária veiculou, pela Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002 (redação alterada pela Instrução Normativa SRF nº 358, de 9 de setembro de 2003), e Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004, orientação necessária à sua execução, estabelecendo, para fins de aproveitamento de créditos, o alcance do termo "insumo", ao dispor: INSRF nº 247, de 2002 PIS/Pasep Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: [...] b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: (Redação dada pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.2) na prestação de serviços; (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) Fl. 1842DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN 8 [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) II utilizados na prestação de serviços: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) INSRF nº 404, de 2004 Cofins Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: [...] b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; [...] § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o Fl. 1843DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.902055/201252 Acórdão n.º 3402002.639 S3C4T2 Fl. 1.840 9 produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...] O que se deduz da leitura das referidas regras infralegais é que a apuração do creditamento da Contribuição ao PIS e da Cofins foi restrita aos bens que compõem diretamente os produtos da empresa (a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado) ou prestação de serviços aplicados ou consumidos na fabricação do produto. A definição de "insumos" adotada pelo Fisco foi, nitidamente, contrabandeada da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, ditada, atualmente pelo art. 226 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010 – RIPI/2010. Comparese: Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; [...] Todavia, penso não ser possível que a sistemática das Contribuições Sociais nãocumulativas colha o conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI, porque o legislador ordinário simplesmente não fez essa importação. Cabe enfatizar: nas leis que tratam do PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos, não há remissão a qualquer arcabouço normativo em vigor para se colher o conceito de "insumos". A nãocumulatividade das Contribuições Sociais apresenta perfil totalmente diverso daquela atinente ao IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Como se verifica, na técnica de arrecadação dessas contribuições, não há propriamente um mecanismo nãocumulativo, decorrente do creditamento de valores das entradas de bens que sofrerão nova incidência em etapa posterior da cadeia produtiva, nos moldes do que existe para o IPI, tributo geneticamente informado pelo Fl. 1844DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN 10 princípio. As próprias Leis Instituidoras elasteceram a definição de "insumos", ao admitir que prestação de serviços seja considerada como tal, verdadeira heresia no regime do IPI. Ressalta se, ainda, que a nãocumulatividade do PIS e da Cofins não tem por objetivo eliminar o ônus destas contribuições apenas no processo fabril, visto que a incidência destas exações não se limita às pessoas jurídicas industriais, mas a todas as pessoas jurídicas que aufiram receitas, inclusive prestadoras de serviços (excetuandose as pessoas jurídicas que permanecem vinculadas ao regime cumulativo elencadas nos artigos 8º da Lei nº 10.637, de 2002, e 10 da Lei nº 10.833, de 2003), o que dá maior extensão ao contexto normativo desta contribuição do que aquele atribuído ao IPI. A utilização da legislação do IR, como pretende parcela da doutrina e a jurisprudência marginal do CARF, também encontra o óbice do excessivo alargamento do conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a produção de uma empresa, perdendo a conceituação uma desejável proximidade ao processo produtivo e à atividadefim, que é o que se intenta desonerar, passandose a desonerar o produtor como um todo e não especificamente o processo produtivo. Com efeito, o conceito de “insumos” não é próprio da legislação do Imposto de Renda que faz uso de termos jurídicocontábeis, a exemplo dos termos “Custos de mercadorias ou serviços” e “Despesa Operacional”. Sob o signo “Despesas Operacionais” se encontra uma miríade de despesas que sequer se aproximam de um conceito formulado pelo senso comum de “insumos”. Inclinome pelo conceito de insumo deduzido no voto condutor do REsp nº 1.246.317 MG (2011/00668193). Nele, o Ministro Mauro Campbell Marques interpreta que, da dicção do inc. II do art. 3º tanto da Lei nº 10.637, de 2002, quanto da Lei nº 10.833, de 2003, extraise que nem todos os bens ou serviços, utilizados na produção ou fabricação de bens geram o direito ao creditamento pretendido. É necessário que essa utilização se dê na qualidade de "insumo" ("utilizados como insumo"). Isto significa que a qualidade de "insumo" é algo a mais que a mera utilização na produção ou fabricação, o que também afasta a utilização dos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" inerentes ao IR. Não basta, portanto, que o bem ou serviço seja necessário ao processo produtivo, é preciso algo a mais, algo mais específico e íntimo ao processo produtivo. As leis, exemplificativamente, mencionam que se inserem no conceito de “insumos” para efeitos de creditamento: a) serviços utilizados na prestação de serviços; b) serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c) bens utilizados na prestação de serviços; d) bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e) combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f) combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. O Min. Campbell Marques extrai o que há de nuclear da definição de “insumos” para efeito de creditamento e conclui: Fl. 1845DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.902055/201252 Acórdão n.º 3402002.639 S3C4T2 Fl. 1.841 11 a) o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos pertinência ao processo produtivo; b) a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição essencialidade ao processo produtivo; e c) não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto possibilidade de emprego indireto no processo produtivo. Explica ainda que, não basta, que o bem ou serviço tenha alguma utilidade no processo produtivo ou na prestação de serviço: é preciso que ele seja essencial. É preciso que a sua subtração importe na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante. O Carf, ao menos majoritariamente, vem sufragando o entendimento de que o conceito de insumo para o fim de creditamento das contribuições sociais não cumulativas é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. Ilustro: Acórdão nº 3403002.783, de 25 de fevereiro de 2014, Cons. Rosaldo Trevisan ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:01/10/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITOS DE ICMS CEDIDOS A TERCEIROS .NÃO INCIDÊNCIA. RE 606.107/RSRG. Não incidem a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS sobre créditos de ICMS cedidos a terceiros, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 606.107/RS, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art.62 A de seu Regimento Interno. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO.CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos os combustíveis utilizados em caminhões da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos, e as despesas de remoção de resíduos industriais. Por outro lado, não constituem insumos os Fl. 1846DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN 12 combustíveis utilizados em veículos da empresa que transportam funcionários. Acórdão nº 3403002.656, de 28 de novembro de 2013, Cons. Rosaldo Trevisan: ASSUNTO:CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO.SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Particularmente, entendo ainda mais apropriado a especificidade do conceito deduzido pelo Min. Mauro Campbell Marques, plasmado no REsp 1.246.317MG, segundo o qual (sublinhado no original): Insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003 são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Portanto, não é todo e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ. Há de se perquirir a pertinência e a essencialidade do gasto relativamente ao processo fabril ou de prestação de serviço para que se lhe possa atribuir a natureza de insumo. Com as disposições das Leis de Regência em vista e à luz do conceito acima deduzido, passase à analise do caso concreto. A Alunorte dedicase à extração da alumina (Al2O3) da bauxita por meio do processo Bayer. De 4 a 7 toneladas métricas de bauxita extraemse 2 toneladas métricas de Fl. 1847DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.902055/201252 Acórdão n.º 3402002.639 S3C4T2 Fl. 1.842 13 alumina, que permitirão produzir 1 tonelada métrica de alumínio.As principais etapas desse processo são: moagem, digestão (extração com soda cáustica), separação e filtração de resíduos sólidos, precipitação e calcinação, obtendose então a alumina calcinada1. Fluxograma do Processo Bayer 2 Em apertadíssima síntese, a alumina é separada da bauxita por meio de uma solução aquecida de soda cáustica (hidróxido de sódio) e de cal (óxido de cálcio). A mistura é bombeada para o interior de recipientes de alta pressão e aquecida. A soda cáustica dissolve a alumina, que se precipita da solução saturada. A alumina é, então, lavada e aquecida para a remoção da água. O material precipitado é filtrado e lavado, para remover e recuperar a solução cáustica. Todo o restante é eliminado por filtragem e a alumina é seca até atingir a forma de pó branco. Mérito: glosa de créditos a título de insumos No contexto do Processo Bayer, a recorrente explica que o ácido sulfúrico é usado em refinarias de alumina para desincrustar linhas dos trocadores de calor e outros 1 Fonte: http://slideplayer.com.br/slide/78211/, visitado em 04/02/2015. 2 Publicado em http://www.hydro.com/pt/AHydronoBrasil/Sobreoaluminio/Ciclodevidado aluminio/Refinodaalumina/, visitado em 04/02/2015. Fl. 1848DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN 14 equipamentos. É utilizado também para neutralização de efluentes e desmineralização da água para as caldeiras. O calcário (produto AL 200 – Carbomil) é empregado durante o processo de combustão nas caldeiras a carvão para absorção do enxofre, que é formado durante o processo de queima do carvão mineral. O inibidor de corrosão, por sua vez, é usado em refinarias de alumina para desincrustar linhas dos trocadores de calor e outros equipamentos. É utilizado também para neutralização de efluentes e desmineralização da água para as caldeiras. Entendo que o recorrente demonstrou de maneira satisfatória, por meio de sua explicação, a relação de pertinência e essencialidade destes três bens para com o processo produtivo, nos termos do conceito de insumo que se adota neste voto, devendose reverter as respectivas glosas. No que pertine à glosa dos créditos sobre serviços, a insurgência recursal resumiuse ao excerto abaixo transcrito: Especificamente quanto aos serviços utilizados com insumos. a D. autoridade fazendária, glosara serviços inegavelmente empregados como insumos porque diretamente aplicados ao processo produtivo, particularmente o de Transporte de Rejeitos Industriais, Serviço de Limpeza Industrial. Ácido Sulfúrico e Serviços Portuários. Naturalmente, que não poderia furtarse a impugnante do creditamento dos valores desembolsados com o transporte destes rejeitos, que são sabidamente inerentes ao processo fabril da alumina produzida e exportada por pessoa jurídica como a requerente. Os dispêndios com este transporte são, portanto, irrefutavelmente, dedutíveis. Não obstante a variada gama de rejeitos produzidos – alguns relacionados com a atividade produtiva, outros não, o fato é que o recurso foi genérico, sem especificar a que resíduo industrial se referia, nem indicar como se dá a prestação do serviço de transporte, de modo que se pudesse aferir sua pertinência com o processo produtivo e certificar a satisfação dos demais requisitos para a tomada de créditos a título de insumo (e.g., ser prestado por pessoa jurídica). Incidentalmente, convém também frisar que o Parecer nº 680 não reporta qualquer glosa com a designação genérica “Transporte de Rejeitos Industriais”. A teor do art. 17 do Processo Administrativo Fiscal Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF, é dever do contribuinte indicar as matérias contra as quais se insurge, bem como deduzir as razões de alegação, sendolhe vedado fazer contestações genéricas. Nesse sentido, não conheço dessa insurgência recursal. Mérito – glosa dos créditos sobre as despesas de depreciação Da planilha de créditos tomados sobre despesas de depreciação, além daqueles tomados sobre bens que não compõem o AI (e.g. serviços de hotelaria, sedex, locação de veículos, serviços de apoio administrativo, aluguel de imóvel residencial, serviços de intérprete e tradução francês/português, limpeza de fossa, fornecimento de combustíveis, serviços de paisagismo, serviços de transporte, desenvolvimento e implantação de sítio da internet etc.) e que não são utilizados para utilização na produção de bens (e.g. cadeiras para o restaurante, armários, condicionador de ar, válvulas etc.), a Fiscalização glosou o creditamento em excesso, decorrente, ou do emprego do valor de aquisição do bem como base de cálculo do crédito, ou do emprego de taxa de depreciação acelerada (1/12), sobre bens relacionados a edificações, entendendo que, neste caso, deve ser aplicada taxa de depreciação em função da Fl. 1849DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.902055/201252 Acórdão n.º 3402002.639 S3C4T2 Fl. 1.843 15 vida útil da edificação, ou seja, 25 anos ou 1/24 avos na hipótese de edificações incorporadas ao ativo imobilizado, adquiridas ou construídas para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços (art. 6º da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). A Recorrente, por sua vez, não contesta a classificação das operações, tal como realizada pela Fiscalização. O argumento recursal fundamental é o de que, em relação a DRS Depósito de Rejeitos Sólidos; motobombas de diversas capacidades; válvulas angulares de diversos tamanhos; tanques de diversos tamanhos; empilhadeiras de bauxita e carvão; recuperadoras de bauxita e carvão; filtros hiperbáricos para polpa de bauxita; moinhos; Agitadores; aquecedores de polpa de bauxita; digestores pequenos e grandes; aquecedores de licor pobre; flash tanques; hidrociclones para remoção de areia; decantadores de licor rico; lavadores de lama vermelha; filtros de lama vermelha; válvulasfacas nos filtros de lama vermelha; filtros de pressão e licor rico; trocadores de calor de tubos; trocadores de calor de placas; precipitadores de hidrato; hidrociclones de hidrato; classificadores gravimétricos de hidrato; espessadores de hidrato; filtros de hidrato; calcinadores de hidrato/alumina; correias transportadoras de hidrato e alumina, e; silos de hidrato e alumina, os gastos com a aquisição e montagem de tais equipamentos são evidentes passíveis de incorporação ao ativo imobilizado, e os créditos gerados sobre os valores de compra, naturalmente apropriáveis no período apuratório considerado pelos regimes especiais constantes do art. 31, inciso II, da Lei 11.196/2005 e §3°, do art. 14 da Lei 10.833/2003 e Instrução Normativa SRF n° 457/2004 Alega, a Recorrente, que a Lei de Regência teria assegurado o direito de crédito também para estas hipóteses, conforme previsto categoricamente no art. 3°, incisos VI e VII. Ocorre que, nada obstante se esteja tratando de situação prevista pela Lei como hipótese de creditamento, tratase de hipótese em que a Lei não permite o creditamento pelo valor da aquisição, mas na proporção de sua depreciação. O que fez a Fiscalização, portanto, foi glosar o crédito que o contribuinte apropriou pelo valor integral da aquisição, visto que, ao classificarse a operação na hipótese do inciso VI, não poderia haver o creditamento tomando como base de cálculo o valor total pelo qual foi adquirido o bem. Não procede, pois, a alegação do Recorrente, devendo ser mantida a glosa. O Recorrente também sustenta que a Lei nº 11.196, de 2005, concede aos beneficiários do RECAP a possibilidade de optar pela amortização de em periodicidade diferenciada de 1/12 para os equipamentos referidos pela Lei. A Lei nº 11.196, de 2005, foi regulamentada pelo Decreto nº 5.988, de 2006, que assim dispôs: Art. 1º Sem prejuízo das demais normas em vigor aplicáveis à matéria, para bens adquiridos de 1° de janeiro de 2006 a 31 de dezembro de 2013, as pessoas jurídicas que tenham projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação, enquadrado em setores da economia considerados prioritários para o desenvolvimento regional, em microrregiões menos desenvolvidas localizadas nas áreas de atuação das extintas SUDENE e SUDAM, terão direito: Fl. 1850DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN 16 I à depreciação acelerada incentivada, para efeito de cálculo do imposto sobre a renda; e II ao desconto, no prazo de doze meses contado da aquisição, dos créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS de que tratam o inciso III do § 1° do art. 3° da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o inciso III do § 1° do art. 3° da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e o § 4° do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, na hipótese de aquisição de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, destinados à incorporação ao ativo imobilizado. O Recorrente, no entanto, não demonstrou o preenchimento dos requisitos para a fruição deste benefício de amortização acelerada, não tendo impugnado pontualmente os fundamentos específicos das glosas, nem detalhado as características de cada um dos bens glosados. A arguição já foi apreciada pelo Conselheiro Ivan Allegretti por ocasião do julgamento do recurso voluntário interposto pela própria Alunorte, no processo nº 10280.722278/200932, idêntico ao que ora se analisa, resultando no Acórdão nº 3403 002.764, de 25 de fevereiro de 2014. Confirase as ementas pertinentes, que corroboram a presente decisão: MÁQUINAS, EQUIPAMENTOS E OUTROS BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E EDIFICAÇÕES. ART. 3°, VI e VII, e § 1º, III, DA LEI 10.833/2003. Nada obstante se esteja tratando de situações previstas pela Lei como hipóteses de creditamento, tratase de hipóteses em que a Lei não permite o creditamento pelo valor da aquisição, mas na proporção dos encargos de depreciação e amortização. ATIVO IMOBILIZADO. FALTA DE IMPUGNAÇÃO CONCRETA DOS BENS ENVOLVIDOS. DEPRECIAÇÃO ACELERADA PREVISTA NA LEI 11.196/2005. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. Para a fruição da depreciação acelerada prevista na Lei n° 11.196/2005 é necessário demonstrar o atendimento de seus requisitos. Conclusão Com essas considerações, voto em dar provimento parcial ao recurso, para reverter as glosas dos créditos tomados sobre as aquisições de ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão. Sala de sessões, em 24 de fevereiro de 2015 Fl. 1851DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.902055/201252 Acórdão n.º 3402002.639 S3C4T2 Fl. 1.844 17 Fl. 1852DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 19515.004682/2009-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
-DECADÊNCIA - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - RUBRICAS NÃO CONSIDERADAS COMO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO - SÚMULA 99 DO CARF
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
De acordo com a Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Assim, existindo recolhimento de contribuições patronais, o dispositivo a ser aplicado é o art. 150, § 4°, do CTN, independente se não ocorrer recolhimento específico sobre a mesma rubrica.
Recurso Voluntário Provido em Parte
VEICULO FORNECIDO AOS EMPREGADOS - UTILIZAÇÃO PARA O TRABALHO - VEÍCULO É UTILIZADO NOS FINS DE SEMANA - NÃO ALTERAÇÃO DE SUA DESTINAÇÃO BASE - PARA O TRABALHO
Entendo que a possibilidade de utilização de carro destinado a prestação de serviços nos fins de semana, não caracteriza benefício indireto ao empregado, conforme vem-se encaminhando a próprio doutrina trabalhista e a jurisprudência o TST ao teor da súmula º 367.
SEGURO DE AUTOMÓVEL UTILIZADO PARA O TRABALHO - EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO
O pagamento parcial de seguro de automóvel, necessário para o empregado desempenhar suas atividades, tem sua natureza voltada para o trabalho, não havendo como dividir ou considerar que parcialmente constituiria salário de contribuição.
PLR - NÃO ARQUIVAMENTO DO ACORDO NO SINDICATO - DESCUMPRIMENTO DA LEI 10.101/2000
não assiste razão ao recorrente ser desnecessária o arquivamento no sindicato, razão pela qual ao descumprir o § 2 do art. 2 da lei 8212/2000, razão pela qual procedente o lançamento em relação a esse fato gerador.
Numero da decisão: 2401-003.809
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos: a) rejeitar as preliminares de nulidade, b) excluir do lançamento os fatos geradores até 10/2004, face a aplicação da decadência qüinqüenal. II) no mérito, dar provimento parcial aos recursos para excluir os levantamentos: a) alimentação fornecida in natura - levantamentos ALM e Z2; b) veículos à disposição de funcionários e dirigentes levantamentos VEI e Z8; c) levantamento SEV seguros. III) por maioria de votos, negar provimento ao recurso para o levantamento PLR, vencida a conselheira Carolina Wanderley Landim, que dava provimento ao recurso.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora e Presidente em Exercício
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 -DECADÊNCIA - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - RUBRICAS NÃO CONSIDERADAS COMO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO - SÚMULA 99 DO CARF O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. De acordo com a Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Assim, existindo recolhimento de contribuições patronais, o dispositivo a ser aplicado é o art. 150, § 4°, do CTN, independente se não ocorrer recolhimento específico sobre a mesma rubrica. Recurso Voluntário Provido em Parte VEICULO FORNECIDO AOS EMPREGADOS - UTILIZAÇÃO PARA O TRABALHO - VEÍCULO É UTILIZADO NOS FINS DE SEMANA - NÃO ALTERAÇÃO DE SUA DESTINAÇÃO BASE - PARA O TRABALHO Entendo que a possibilidade de utilização de carro destinado a prestação de serviços nos fins de semana, não caracteriza benefício indireto ao empregado, conforme vem-se encaminhando a próprio doutrina trabalhista e a jurisprudência o TST ao teor da súmula º 367. SEGURO DE AUTOMÓVEL UTILIZADO PARA O TRABALHO - EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO O pagamento parcial de seguro de automóvel, necessário para o empregado desempenhar suas atividades, tem sua natureza voltada para o trabalho, não havendo como dividir ou considerar que parcialmente constituiria salário de contribuição. PLR - NÃO ARQUIVAMENTO DO ACORDO NO SINDICATO - DESCUMPRIMENTO DA LEI 10.101/2000 não assiste razão ao recorrente ser desnecessária o arquivamento no sindicato, razão pela qual ao descumprir o § 2 do art. 2 da lei 8212/2000, razão pela qual procedente o lançamento em relação a esse fato gerador.
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FINANCIAMENTO DE VEÍCULO VALOR DA PARCELA PAGA PELA EMPRESA BENEFÍCIO INDIRETO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO Ao não apenas financiar o veículo, mas arcar com parte de financiamento, para que o bem seja agregado ao patrimônio do empregado, apenas demonstra a concessão de um benefício indireto, que o empregado teria que arcar para usufruir. Assim, não entendo, mesmo que o carro seja utilizado em serviço, que o citado benéfico enquadrase em uma das modalidades acima destacadas. VEICULO FORNECIDO AOS EMPREGADOS UTILIZAÇÃO PARA O TRABALHO VEÍCULO É UTILIZADO NOS FINS DE SEMANA NÃO ALTERAÇÃO DE SUA DESTINAÇÃO BASE “PARA O TRABALHO” Entendo que a possibilidade de utilização de carro destinado a prestação de serviços nos fins de semana, não caracteriza benefício indireto ao empregado, conforme vemse encaminhando a próprio doutrina trabalhista e a jurisprudência o TST ao teor da súmula º 367. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 46 82 /2 00 9- 02 Fl. 882DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 SEGURO DE AUTOMÓVEL UTILIZADO PARA O TRABALHO EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO O pagamento parcial de seguro de automóvel, necessário para o empregado desempenhar suas atividades, tem sua natureza voltada para o trabalho, não havendo como dividir ou considerar que parcialmente constituiria salário de contribuição. PLR NÃO ARQUIVAMENTO DO ACORDO NO SINDICATO DESCUMPRIMENTO DA LEI 10.101/2000 não assiste razão ao recorrente ser desnecessária o arquivamento no sindicato, razão pela qual ao descumprir o § 2 do art. 2 da lei 8212/2000, razão pela qual procedente o lançamento em relação a esse fato gerador. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL RUBRICAS NÃO CONSIDERADAS COMO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO SÚMULA 99 DO CARF O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. De acordo com a Súmula CARF nº 99: “Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.” Assim, existindo recolhimento de contribuições patronais, o dispositivo a ser aplicado é o art. 150, § 4°, do CTN, independente se não ocorrer recolhimento específico sobre a mesma rubrica. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 883DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.004682/200902 Acórdão n.º 2401003.809 S2C4T1 Fl. 3 3 ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos: a) rejeitar as preliminares de nulidade, b) excluir do lançamento os fatos geradores até 10/2004, face a aplicação da decadência qüinqüenal. II) no mérito, dar provimento parcial aos recursos para excluir os levantamentos: a) alimentação fornecida in natura levantamentos ALM e Z2; b) veículos à disposição de funcionários e dirigentes levantamentos VEI e Z8; c) levantamento SEV seguros. III) por maioria de votos, negar provimento ao recurso para o levantamento PLR, vencida a conselheira Carolina Wanderley Landim, que dava provimento ao recurso. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora e Presidente em Exercício Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 884DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 Relatório O presente processo correspondente ao lançamento de contribuições previdenciárias, incidentes sobre os valores pagos pela ROCHE DISGNÓSTICA BRASIL LTDA. aos seus empregados, no período de 01/2004 a 12/2004, conforme abaixo especificado: (1) AI DEBCAD n.º 37.192.2534, Processo n. 19515.004682/200902, referente a contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais. Conforme consta do relatório fiscal fls. 220, considerados como base de cálculo das contribuições patronais, os montantes pagos a Prestadores De Serviço Pessoas Físicas e as diferenças de salário entre valores declarados em Folhas de Pagamento, GFIP e DIRF e rubricas elencadas abaixo. (2) AI DEBCAD n.º 37.192.2607, fl. 762, Processo n. 19515.004681/200950, referente a parcela destinada a segurados empregados não descontada na época própria. (3) AI DEBCAD n.º 37.192.2577, fls. 497, Processo n. 19515.004677/200991 referente a parcela destinada a terceiros. Ainda conforme consta do relatório os seguintes critérios foram adotados para efeito de levantamento: I. Prestação de Serviços de Pessoas Físicas sem Vínculo Empregatício: a. a) Que não foram declaradas em folhas de pagamentos e Gfips. b. b) Os valores de tais pagamentos, identificados, através da análise da Contabilidade, foram levantados sem redução de multa. II. Remunerações a Empregados: a. Consideramos como base de cálculo a diferença entre os valores obtidos através do arquivo digital da GFIP e os valores declarados em DIRF, não justificados pelo contribuinte, bem como rubricas definidas pelo contribuinte como sem incidência de contribuição, reenquadradas por esta auditoria fiscal e elencadas em 2.3 abaixo. Levantamentos utilizados neste documento de débito: Fl. 885DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.004682/200902 Acórdão n.º 2401003.809 S2C4T1 Fl. 4 5 1. LEV: 13S DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO Classificação: Dispensado de declarar em GFIP (c/redução de multa) 2. LEV: ALM AJUDA ALIMENTAÇÃO Classificação: Não declarado em GFIP (sem redução de multa) 2.1. Período de Apuração: 01/2004 a 12/2004 2.2. FPAS: 5150 2.3. DO FATO GERADOR 1.1. A alimentação fornecida pela empresa a seus empregados é um benefício normalmente previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho. Entretanto, para que essa parcela "in natura" não integre o saláriodecontribuição, esta deve ser fornecida de acordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, sendo irrelevante se o benefício é concedido a título gratuito ou a preço subsidiado. 3. LEV: AUD AUTÔNOMOS DECLARADOS EM GFIP Classificação: Declarado em GFIP (c/red. de multa) 3.1. Período de Apuração: 01/2004 a 12/2004 FPAS: 5150 Observação: Tratase de levantamento criado para a correta apropriação dos valores recolhidos. 4. LEV: AUT AUTÔNOMOS NAO DECLARADOS Classificação: Não declarado em GFIP (sem Redução de multa) 4.1. Período de Apuração: 01/2004 a 12/2004 FPAS: 5150 5. LEV: FIN AJUDA FINANCIAMENTO VEÍCULOS Classificação: Não declarado em GFIP (sem redução de multa) 5.1. Período de Apuração: 01/2004 a 12/2004 FPAS: 5150 1. DO FATO GERADOR 1.1. Algumas empresas disponibilizam para seus funcionários empréstimos para serem amortizados ao longo de certo lapso temporal, sendo esse desconto efetuado em folha de pagamento. 5.2. Entretanto, para que esses valores dos veículos não integrem o saláriodecontribuição, os mesmos devem ser integralmente devolvidos à empresa. Todos os funcionários elegíveis por este instrumento terão direito ao financiamento após três meses de vínculo empregatício. 5.3. A Roche Diagnostica do Brasil Ltda se compromete em amortizar 60% do valor de cada parcela durante os 48 meses do contrato e enquanto existir vínculo empregatício, via desconto em Folha de Pagamento.O veículo será registrado no nome do funcionário com reserva de domínio para Roche Diagnostica Brasil Ltda., até que seja quitado. As parcelas do empréstimo e do reembolso de parte das despesas de depreciação (60% ou 40% do valor do veículo) definido em contrato específico, serão corrigidas a cada 12 meses pela variação do IPCA (em vigor desde 28/04/2004, ou índice oficial equivalente que venha a substituílo). 5.4. Os contratos assinados antes da data acima citada continuarão sendo reajustados pelo índice determinado na época de suas assinaturas (IGPMM/FGV), até o final de sua Fl. 886DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 vigência. O valor do contrato terá como teto máximo o valor financiado, definido neste procedimento e o financiamento será realizado desde que sejam cumpridas, integralmente as condições para firmálo. 5.5. Em caso de roubo ou furto, o novo financiamento permanecerá com a ajuda de custo igual à anterior, 60% de ajuda de custo; 5.6. Segundo e demais financiamentos A partir do segundo financiamento, todos os outros seguirão os mesmos critérios definidos para o primeiro financiamento, sendo que a Roche amortizará 40% do valor de cada parcela. O funcionário somente será ilegível a um novo financiamento desde que sejam cumpridos os prazos previstos para o seu benefício, conforme tabela abaixo: 6. LEV: SEV SEGURO VEÍCULOS FUNCIONÁRIOS: 7. Valores fornecidos a título de seguro do veículo, conforme procedimento da cláusula 5.6 da "Política de Veículos", conta contábil 0041610103; 8. LEV: VEI VEÍCULOS A DISPOSIÇÃO DE DIRIGENTES,. 8.1. Classificação: Não declarado em GFIP (sem Redução de multa) 8.2. Período de Apuração: 01/2004 a 12/2004 FPAS: 5150 1. CONTEXTO 1.1. O fornecimento de transporte pela empresa é um benefício normalmente previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e, normalmente, é feito através do fornecimento de valetransporte, que é um benefício social, instituído pela Lei n°. 7.418, de 16/12/1985. Para se desonerar dessa obrigação, algumas empresas proporcionam, por meios próprios ou contratados, o deslocamento de seus trabalhadores, da residência para o trabalho e viceversa. 8.3. Veículo à disposição do empregado: se a empresa fornece veículo ao empregado que desenvolve atividade da empresa, certamente não integra a remuneração, porquanto fornecido para o trabalho. Entretanto, se o veículo é usado também em horários fora do trabalho e finais de semana, o valor correspondente a essa parcela do uso configurase como salário pago sob a forma de utilidade, integrando a remuneração. O cálculo desse valor foi efetuado da seguinte forma: 8.3.1. • Valor contábil do bem: R$ 60.000,00 • Depreciação do bem: 1/60, conforme legislação do IR. 8.3.2. • Valor mensal: 1/60 x R$ 60.000,00 = R$ 1.000,00 • Horas mensais: 30 x 24 = 720 horas • Horas para o trabalho: 10 horas/dia x 22 = 220 horas/mês • Horas pelo trabalho: 720 220 = 500 horas/mês 9. LEV: PLR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS Classificação: Não declarado em GFIP (sem redução de multa) 9.1. Período de Apuração: 01/2004 a 12/2004 FPAS: 5150 LEV: PPR ADIANTAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS Classificação: Não declarado em GFIP (sem redução de multa) 9.2. Período de Apuração: 01/2004 a 12/2004 FPAS: 5150 DO FATO GERADOR 1.1. A CF, nos termos do art. 7o, inciso XI, assegura aos empregados o direito à participação Fl. 887DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.004682/200902 Acórdão n.º 2401003.809 S2C4T1 Fl. 5 7 nos lucros ou resultados da empresa desvinculada da remuneração, quando concedida de acordo com lei específica, ou seja, a Lei n°. 10.101, de 19/12/2000. 9.3. A Lei n°. 10.101, de 19/12/2000 regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, como um instrumento de integração entre o capital e o trabalho e de incentivo à produtividade. 9.4. Para que o segurado empregado tenha direito à PLR não há, portanto, necessidade de lucro por parte da empresa, podendo ser paga em função de um resultado, que não é o resultado operacional previsto na DRE. O resultado, conforme previsto na Lei n°. 10.101/00, é um resultado que se baseia em regras claras e objetivas de metas a serem alcançadas e que tem o intuito de incentivar a produtividade. 9.5. Para a participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, a Lei n°. 10.101/00 estabelece as seguintes condições: 9.5.1. A PLR deve ser objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos abaixo, escolhidos pelas partes de comum acordo: 9.5.2. Comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; 9.5.3. Convenção ou acordo coletivo. 9.5.4. Dos instrumentos decorrentes da negociação, deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: 9.5.5. • índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; 9.5.6. • Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. 9.6. Notas 1 : 9.7. O instrumento de acordo celebrado deve ser arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. 9.8. Esta Auditoria Fiscal concluiu que tanto o PLR quanto o PPRR foram concedidos em desconformidade com a legislação, pois a Roche Diagnostica do Brasil Ltda deixou de arquivar na entidade sindical dos trabalhadores o acordo celebrado. 10. LEV: REM FOPAG TRABALHADORES NORMAL Classificação: Declarado em GFIP (c/red. de multa) 10.1. Período de Apuração: 01/2004 a 12/2004 FPAS: 5150 Observação: Tratase de levantamento criado para a correta apropriação dos valores recolhidos. 11. LEV: REN FOPAG TRABALHADORES NAO DECLARADOS EM GFIP Classificação: Não declarado em GFIP (sem redução de multa) Fl. 888DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 11.1. Período de Apuração: 01/2004 a 12/2004 FPAS: 5150 12. LEV: Z2 TRANSF DO LEV ALM ATE 11/08 Classificação: Não declarado em GFIP Período de Apuração: 01/2004 a 12/2004 Período do Débito: 06/2004 a 06/2004 FPAS: 5150 LEV: Z3 TRANSF DO LEV AUT ATE 11/08 Classificação: Não declarado em GFIP Período de Apuração: 01/2004 a 12/2004 Período do Débito: 13. FPAS: 5150 LEV: Z5 TRANSF DO LEV FIN ATE 11/08 Classificação: Não declarado em GFIP Período de Apuração: 01/2004 a 12/2004 Período do Débito: 06/2004 a 06/2004 FPAS: 5150 14. LEV: Z6 TRANSF DO LEV REM ATE 11/08 Classificação: Declarado em GFIP (até 03/12/2008) 14.1. Período de Apuração: 01/2004 a 12/2004 Período do Débito: 15. FPAS: 5150 LEV: Z7 TRANSF DO LEV REN ATE 11/08 Classificação: Não declarado em GFIP Período de Apuração: 01/2004 a 12/2004 Período do Débito: 16. FPAS: 5150 LEV: Z8 TRANSF DO LEV VEI ATE 11/08 Classificação: Não declarado em GFIP Período de Apuração: 01/2004 a 12/2004 Período do Débito: 06/2004 a 06/2004 FPAS: 5150 Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 30/10/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 10/11/2009 Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, conforme segue: a) AI DEBCAD n.º 37.192.2534, Processo n. 19515.004682/200902, fls. 243 a 281 b) AI DEBCAD n.º 37.192.2607, Processo n. 19515.004681/200950, referente a parcela destinada a segurados empregados não descontada na época própria, fls. 790 c) AI DEBCAD n.º 37.192.2577, fls. 541 a 578, Processo n. 19515.004680/200913 referente a parcela destinada a terceiros. Foi exarada a Decisão de 1 instância, em relação a cada autuação constante do presente processo, conforme segue: · AI DEBCAD n.º 37.192.2534, Processo n. 19515.004682/200902, fls. 362 e seguintes que deu procedencia parcial do lançamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2005 DECLARAÇÃO EM GUIA DE RECOLHIMENTO DO FUNDO DE GARANTIA DO TEMPO DE SERVIÇO E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL GFIP ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. CRÉDITO JÁ CONSTITUÍDO. Fl. 889DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.004682/200902 Acórdão n.º 2401003.809 S2C4T1 Fl. 6 9 A declaração em GFIP antes do início da ação fiscal constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, não sendo cabível o lançamento através de Auto de Infração. Após o advento da MP n.° 449/2008, convertida na Lei n.° 11.941/09, que deu nova redação aos artigos 32 e 37 da Lei n° 8.212/91, não é possível o lançamento, através de Auto de Infração, de crédito já constituído por meio de declaração em GFIP antes do início da ação fiscal. DECADÊNCIA PARCIAL. SÚMULA VINCULANTE DO STF. Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.°8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante n.° 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a fiscalização para constituir os créditos relativos às contribuições previdenciárias será regido pelo Código Tributário Nacional (CTN Lei n.° 5.172/66). CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há cerceamento de defesa quando o Auto de Infração (AI) e seus anexos integrantes são regularmente cientificados ao sujeito passivo, sendolhe concedido prazo para sua manifestação, e quando estejam discriminados, nestes, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam a autuação. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao Contribuinte o ônus da prova de suas alegações, ao contestar fatos apurados na Contabilidade, nas Folhas de Pagamento, Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social (GFIP's), e Guias da Previdência Social (GPS), de sua própria elaboração. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A CARGO DA EMPRESA. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados a seu serviço. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. Entendese por salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados aos empregados, a qualquer título, inclusive sob a forma de utilidades. Fl. 890DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 Em relação às contribuições previdenciárias, somente as exclusões arroladas exaustivamente na legislação não integram o salário de contribuição. ALIMENTAÇÃO EM DESACORDO COM O PAT. Os valores relativos à alimentação fornecida sem a devida inscrição no PAT Programa de Alimentação do Trabalhador integram o saláriodecontribuição das contribuições previdenciárias. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. O pagamento a segurado empregado de verba a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, em desacordo com a lei específica, integra o salário de contribuição. VEÍCULOS CEDIDOS À DIRIGENTES. Os encargos de depreciação de veículos fornecidos, pelo trabalho, para dirigentes segurados empregados, representam complementação financeira, integrando a remuneração e o saláriodecontribuição. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM ATRASO. DIFERENÇA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. Sobre as contribuições sociais pagas com atraso incidem juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC e multa de mora, de caráter irrelevável, conforme legislação vigente à época dos fatos geradores. PRODUÇÃO DE PROVAS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. A apresentação de provas, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. PEDIDO DE PERÍCIA. NÃO CONHECIMENTO. Considerar seá não formulado o pedido de perícia quando a empresa não apresentar os motivos que a justifique, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, o nome, endereço e a qualificação profissional de seu perito. Impugnação Procedente em Parte · AI DEBCAD n.º 37.192.2607, Processo n. 19515.004681/200950referente a parcela destinada a segurados empregados não descontada na época própria, fls. 842 · AI DEBCAD n.º 37.192.2577, fls. 673 e seguintes, Processo n. 19515.004680/200913 referente a parcela destinada a terceiros. Fl. 891DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.004682/200902 Acórdão n.º 2401003.809 S2C4T1 Fl. 7 11 Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 424 a , contendo em síntese os mesmos argumentos da impugnação, os quais podemos descrever de forma sucinta: AI DEBCAD n.º 37.253.0079 – Processo n. 19515.004679/200981, fls. 279 a 301: 17. Decadência Parcial do Debito Levantado Diferenças de Fatos Geradores Aplicação do artigo 150, parágrafo 4o , do CTN 18. Da Nulidade Absoluta da Notificação de Débito / \ Afirma que a fiscalização não expõe de maneira clara e precisa coftro foram apurados os valores lançados e a base de cálculo, na medida em que ignorou os documentos apresentados e informações prestadas pela Impugnante. 19. Da Alimentação Fornecida In Natura No presente caso não foi observado que a alimentação in natura fornecida não tem natureza salarial e, portanto, não integra a remuneração para fins de incidência de contribuições previdenciárias, independentemente de inscrição da empresa no programa de alimentação do trabalhador PAT. Ressalta que tal entendimento já foi consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça há muito tempo. 19.1. Inexistência de Benefício Salarial Do Real Alcance da Expressão "Folha de Salários" Alega que desde a Constituição Federal de 1988 a Impugnante tem recolhido a contribuição à Seguridade Social conforme estipulado no artigo 195, inciso I, agora alterado pela Emenda Constitucional 20/98. Transcreve o dispositivo legal, bem como julgados do Supremo Tribunal Federal, e discorre sobre o conceito de folha de salários. 19.1.1. A Ausência de Inscrição no PAT não Altera a Natureza da Alimentação Fornecida aos Empregados Transcreve o artigo 3 o da Lei n° 6321/76 e observa que a lei declara como não integrativa da remuneração a parcela paga "in natura" nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. Tal determinação decorre do fato de que em tais programas a alimentação é paga pelo trabalhador, o trabalhador compra a alimentação fornecida pela empresa. 19.1.2. A Alimentação era Fornecida para Facilitar a Execução do Trabalho Transcreve doutrina e afirma que é totalmente diversa a natureza das utilidades fornecidas pelo empregador para que o empregado possa executar os serviços aos quais se obrigou, e as prestações in natura, substitutivas do salário em dinheiro, concedidas como remuneração pelo trabalho prestado. 20. Da "AjudaFinanciamento" de Veículos Da análise dos fatos e documentos fornecidos pela RECORRENTE, a fiscalização concluiu que os veículos seriam utilizados pelo trabalho (inaplicável, portanto, a regra do artigo 458, parágrafo 2o, da CLT), e não para o trabalho, na medida em que os carros poderiam ser utilizados aos finais de semana pelos empregados. 20.1. Entretanto, a razão de não se efetuar o desconto integral da parcela, devida pelo empregado no financiamento, decorre da necessidade de utilização do veículo do empregado para trabalho, pois os veículos são utilizados para a prestação dos respectivos serviços, de forma que as parcelas não descontadas dos empregados se Fl. 892DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 12 prestam, exclusivamente, para reembolsar despesas, bem como custear a depreciação inerente da utilização do veículo para o trabalho. 21. Veículos à Disposição de Empregados e Dirigentes Argumenta que longe de ser utilidade, a cessão de veículos pela Defendente tem a simples função de permitir ao empregado a execução de suas atividades profissionais e seu transporte diário no percurso casatrabalhocasa. 21.1. Sua razão é a necessidade do trabalho. Tanto os empregados quanto os executivos necessitam constantemente de se deslocarem entre a empresa e os clientes. 21.2. Por pertencerem à frota da empresa, a utilização dos veículos não é exclusiva do empregado a quem é confiado, mas sim em caráter preferencial, de modo que todos esses veículos, quando não utilizados pelos gerentes ou diretores, servem para o trabalho diário dos funcionários dos diversos setores da empresa. Nos termos do artigo 458, parágrafo 2o, da CLT, não configuram salário utilidade. 22. Do Seguro Automóvel Pago pela Empresa em Relação aos Veículos de Propriedade dos Empregados. Quanto a esse benefício assim argumentou o recorrente: 22.1. A fiscalização alega que sobre os valores pagos a título de seguro automóvel deve haver incidência de contribuições previdenciárias, uma vez que tais verbas não se encontram dentre aquelas que não integram o salário de contribuição (artigo 28, parágrafo 9o, da Lei n° 8212/91). 22.2. No entanto, a contratação do referido seguro não proporciona nenhum benefício aos empregados, pois o valor da indenização que é paga, em caso de sinistro, decorre de evento incerto, não incrementa o patrimônio do empregado. 22.3. Menciona julgamento do antigo CRPS, e afirma que tanto o CRPS quanto o STJ entendem que não incide contribuição previdenciária sobre verbas decorrentes de seguro. 22.4. Mesmo que o sinistro ocorra, também não haverá benefício ao empregado, pois tal indenização terá claro caráter de simples reposição patrimonial, haja vista que ele receberá o valor correspondente (ou, em muitos casos, muito menor) ao bem móvel que possuía. 23. Conclusão Por todo o exposto, espera que seja acolhida a preliminar de decadência parcial, e, no mérito, seja a presente defesa acolhida também, e que seja julgada insubsistente a autuação. 24. Das Supostas Diferenças de Recolhimento, Declaradas ou não em GFIP, Relativamente a Empregados e Trabalhadores Autônomos " Foram lançados diversos débitos decorrentes de supostas diferenças de recolhimento de contribuições previdenciárias, relativamente a valores declarados e supostamente não declarados em GFIP. 24.1. Contudo, apesar das planilhas anexas que fazem parte do lançamento há no Relatório Fiscal qualquer relato que possibilite à impugnante defenderse das alegações. 24.2. Se a fiscalização alega que eventuais trabalhadores ou valores deveriam constar em GFIP, deve especificar a situação fática de cada lançamento. O mesmo deveria ter sido feito em relação a eventuais valores ou trabalhadores que constaram da GFIP, e, supostamente, tiveram seus respectivos valores não recolhidos em GPS. Fl. 893DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.004682/200902 Acórdão n.º 2401003.809 S2C4T1 Fl. 8 13 24.3. Contudo, seja em relação à suposta diferença de pagamentos efetuados a empregados / contribuintes individuais (cujos valores tenham ou não sido declarados em GFIP), seja em relação à suposta diferença de valores que deveriam ter sido recolhidos a título de 13°, a Impugnante junta, neste momento, cópias de suas GFIP's e respectivas GPS, de todo o ano de 2004. 25. Dos Valores Pagos a Título de PLR e Respectivo Adiantamento 25.1. Segundo a fiscalização, os pagamentos feitos a título de "PLR/PPR^ne empresa teriam natureza salarial, pois teriam sido feitos com irregularidade, qual seja, o acora<\ celebrado para pagamento dos respectivos valores não foi arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. 25.2. Antes de argumentar sobre a suposta irregularidade, apresenta entendimento do STJ e dos Tribunais Regionais Federais, no sentido de que a PLR paga, independentemente do cumprimento de determinadas formalidades legais, não perde sua natureza não salarial. 25.3. Cita e transcreve jurisprudência, e argumenta que o entendimento firme e pacífico nos tribunais é de que somente o pagamento denominado de PLR, em comprovada fraude de lei, é que deve ser descaracterizado, consistindo fraude uma substituição indevida do salário do empregado por parcelas denominadas de PLR. 25.4. As partes são livres e têm total flexibilidade nas negociações coletivas que tratam da participação nos lucros e resultados, não podendo mero requisito formal sugerido pela Lei n° 10101/2000 servir de fundamento para a desnaturação do pagamento feito pela empresa. 25.5. Da Exigência de Protocolo de Arquivamento do Plano na Entidade Sindical 25.5.1. A fiscalização alega uma absurda formalidade, a de que não foi apresentado protocolo de arquivamento dos acordos no Sindicato, como se este fato pudesse alterar a natureza jurídica da PLR, ou invalidar o negociado e acordado com os empregados. 25.5.2. O fato de a PLR, eventualmente, não possuir protocolo/carimbo do sindicato, não faria com que devesse ser incluída no salário de contribuição, por duas razões: 25.5.3. Ressalta que a PLR sempre foi do conhecimento de todos os empregados, e sua distribuição sempre obedeceu aos parâmetros e critérios fixados no acordo firmado^fa^o não refutado pelo auditor fiscal. * Afirma também que a Constituição não prevê forma específica para a celebração do acordo, e desta forma, a participação do Sindicato não pode ser considerada obrigatória. Transcreve doutrina e jurisprudência. 25.5.4. Por fim, argumenta que constatada eventual irregularidade, o máximo que poderia ser imputado à Impugnante seria uma multa pelo descumprimento da forma estabelecida em lei, mas jamais retirar a natureza jurídica do pagamento, fazendo que sobre ele incidam contribuições previdenciárias. 26. Das Supostas Diferenças de Acréscimos Legais A fiscalização aduziu que a RECORRENTE havia deixado de recolher acréscimos legais (multa de mora e juros pela taxa SELIC), em relação a eventuais valores recolhidos em atraso. Fl. 894DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 14 26.1. Contudo, não há menção sobre este tema no Relatório Fiscal, o que impossibilita que a Impugnante apresente argumentação em contrário. 27. Por todo o exposto, espera que seja acolhida a preliminar de decadência parcial, e, no mérito, seja a presente defesa acolhida também, e que seja julgada insubsistente a autuação. Reprisou os mesmos argumentos em relação ao AI DEBCAD n.º 37.192.260 7, Processo n. 19515.004681/200950, referente a parcela destinada a segurados empregados não descontada na época própria. Reprisou também em relação ao AI DEBCAD n.º 37.192.2577, fls. 716 e seguintes, Processo n. 19515.004680/200913 referente a parcela destinada a terceiros, os mesmos argumentos da parcela paronal. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 895DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.004682/200902 Acórdão n.º 2401003.809 S2C4T1 Fl. 9 15 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação constantes nos autos. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO DECADÊNCIA Quanto a aplicação do prazo decadencial exponho meu entendimento a respeito do tema, concluindo ao final, o dispositivo legal a ser aplicado ao caso concreto. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 896DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 16 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4º. Entendo que atribuir esse mesmo raciocínio a todos os fatos geradores de contribuições previdenciária definindo remuneração como algo global, é no mínimo abrir ao Fl. 897DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.004682/200902 Acórdão n.º 2401003.809 S2C4T1 Fl. 10 17 contribuinte possibilidades de beneficiarse pelo seu “desconhecimento ou mesmo interpretação tendenciosa” para sempre escusarse ao pagamentos de contribuições que seriam devidas. De forma sintética, podemos separar duas situações: em primeiro, aquelas em que não há por parte do contribuinte o reconhecimento dos valores pagos como salário de contribuição, é o caso, por exemplo, dos salários indiretos não reconhecidos (ALIMENTAÇÃO PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS, PRÊMIOS, ALIMENTAÇÃO EM DESACORDO COM O PAT, ABONOS, AJUDAS DE CUSTO, GRATIFICAÇÕES ETC). Nestes casos, incabível considerar que houve pagamento antecipado, simplesmente porque não houve reconhecimento do fato gerador pelo recorrente e caso não ocorresse a atuação do fisco, nunca haveria o referido recolhimento. Tal fato pode ainda ser ratificado, pela não informação, por parte do contribuinte do salário de contribuição em GFIP. Nesse caso, toda a máquina administrativa, em especial a fiscalização federal terá que ser movida para identificar a existência pontual de contribuições a serem recolhidas. Não é algo que se possa determinar pelo simples confronto eletrônico de declarações e guias de recolhimento. Dessa forma, em sendo desconsiderada a natureza tributária de determinada verba, como poderseia considerar que houve antecipação de pagamento de contribuições. Entendo que só se antecipa, aquilo que se considera. Afastase, aqui a aplicação do art, 150, § 4º, pois como considerar que houve antecipação de pagamento de algo que o contribuinte nunca pretendeu recolher. Antecipar significa: Fazer, dizer, sentir, fruir, fazer ocorrer, antes do tempo marcado, previsto ou oportuno; precipitar, chegar antes de; anteceder. Ou seja, não basta dizer que houve recolhimento em relação a remuneração como um todo, mas sim, identificar sob qual base foi o pagamento realizado. A acepção do termo remuneração não pode ser, para fins de definição do salário de contribuição una, tanto o é, que a doutrina e jurisprudência trabalhistas não admitem o pagamento aglutinado das verbas trabalhista, o denominado salário complexivo ou complessivo. Considerar que os fatos geradores são únicos, e portanto, a remuneração deva ser considerada como algo global, e desconsiderar a complexidade das contribuições previdenciárias, bem como a natureza da relação laboral. Não há como engajarse em tal raciocínio em relação às contribuições previdenciárias, visto que existe até mesmo, documento próprio para que o contribuinte indique mensalmente e por empregado o que é devido e realize o recolhimento das contribuições correspondente a estes fatos geradores. Assim, deverseá considerar que houve antecipação para aplicação do § 4º do art. 150 do CTN, quando ocorreu por parte do contribuinte o reconhecimento do valor devido e o seu parcial recolhimento, sendo em todos os demais casos de não reconhecimento da rubrica aplicável o art. 173, I do referido diploma. Sumula n. Contudo, embora, meu entendimento quanto a aplicação da decadência siga os parâmetros acima destacados, deixo de aplicar referido entendimento, tendo em vista posição unânime da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que ao apreciar por diversas vezes a questão dos pagamentos indiretos firma entendimento de que em se tratando de salário indireto o recolhimento de qualquer montante, mesmo que a outro título ou sobre rubrica é suficiente para atender o comando legal de existência de pagamento antecipado, levando, por consequência a aplicação do art. 150, § 4º do CTN. Ocorre que no caso em questão, o lançamento foi efetuado em 30/10/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no Fl. 898DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 18 dia 10/11/2009. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 01/2004 a 12/2004, sendo assim a luz do 150 , § 4º , devem ser excluídos os fatos geradores até a competência 10/2004. PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO Destacase, em sede de preliminar, que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, ou ofensa ao princípio do contraditório e da ampla defesa, tampouco pela falta de fundamentação legal. A nulidade é declarada, quando viciado ou ilegal o ato praticado, o que não é o caso. Destacase ter o auditor cumprido todos os passos necessários a realização do procedimento: autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal – MPF F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento. Intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária. Autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandato, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do AI ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Notese, que as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida fundamentação das contribuições, e que não é possível identificar eventuais diferenças não lhe confiro razão. Não só o relatório fiscal se presta a esclarecer as contribuições objeto de lançamento, cujo como também o DAD – Discriminativo analítico de débito, que descreve de forma pormenorizada, mensalmente, a base de cálculo, as contribuições e respectivas alíquotas. Sem contar, ainda, o relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito que traz toda a fundamentação legal que embasou o lançamento. Ao final do relatório fiscal, ainda constam informações acerca dos relatórios encaminhados ao recorrente, sendo que o mesmo não alega o não recebimento dos mesmos em meio digital, mas tão somente a impossibiladade de apuração dos valores, razão pela qual, entendo que o lançamento encontrase devidamente esclarecido. Isto posto, entendo que realizou o auditor devidamente o lançamento, tendoo fundamentado na legislação que rege a matéria, qual seja: lei 8212/91, Decreto 3.048/99. Superadas as preliminares, passemos a analise do mérito. DO MÉRITO DO LEVANTAMENTO DE FOLHA NORMAL – GFIP Destaque para o fato de que a autoridade julgadora já exclui do lançamento os valores declarados em GFIP e não recolhidos em sua totalidade, tendo em vista constituir confissão de dívida passível de cobrança eletrônica e que à época do lançamento não mais se determinava o lançamento, como ocorria anteriormente. Vejamos trecho da decisão: Ora, da análise conjunta dos artigos 32, parágrafo 2o, e artigo 37, ambos da Lei n° 8212/91, na redação dada pela Lei n.° 11.941, de 27/05/2009, verificase que as informações prestadas por intermédio da GFIP constituem crédito tributário, e que será lavrado Auto de Infração no caso do não recolhimento de contribuições não declaradas em GFIP: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (•••) Fl. 899DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.004682/200902 Acórdão n.º 2401003.809 S2C4T1 Fl. 11 19 § 2" A declaração de que trata o inciso IV do caput deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). Pelo exposto, deve ser excluído, de ofício, o Levantamento REM, uma vez que a declaração em GFIP constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, nos termos da legislação vigente à época do lançamento. DA DEFINIÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO E SUAS EXCLUSÕES De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) grifo nosso. Como parte do lançamento envolve contribuições sobre os pagamentos feitos a contribuintes individuais, importante apreciar, primeiramente, o conceito de salário de contribuição em relação a estes segurados. Para os trabalhadores contribuintes individuais, aos quais se enquadram os diretores não empregados, o art. 28, III da referida lei, assim dispõe: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o §5º; Quanto a contribuição patronal às contribuições da empresa sobre a remuneração dos contribuintes individuais é regulada pelo art. 22, III da Lei n ° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.876/1999, nestas palavras: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) Fl. 900DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 20 III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Inciso acrescentado pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99 vigência a partir de 02/03/2000 conforme art. 8º da Lei nº 9.876/99). A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial. Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; Fl. 901DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.004682/200902 Acórdão n.º 2401003.809 S2C4T1 Fl. 12 21 f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 902DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 22 s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) ALIMENTAÇÃO FORNECIDA IN NATURA – LEVANTAMENTOS ALM e Z2 (conforme fls. 414) Quanto ao mérito toda a argumentação do recorrente fundase em um único ponto:a alimentação in natura, mesmo que fornecida sem adesão ao PAT. Assim, descreveu o auditor: A alimentação fornecida pela empresa a seus empregados é um benefício normalmente previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho. Entretanto, para que essa parcela "in natura" não integre o saláriodecontribuição, esta deve ser fornecida de acordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, sendo irrelevante se o benefício é concedido a título gratuito ou a preço subsidiado. Conforme mencionado anterior, o art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, assim específica as condições para exclusão do valor da alimentação fornecida ao ao empregado do conceito de salário de contribuição. Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção Fl. 903DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.004682/200902 Acórdão n.º 2401003.809 S2C4T1 Fl. 13 23 estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)Grifo nosso No que tange ao auxílio alimentação, o dispositivo que trata do mesmo é a alíneas “c” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, acima transcrita. Embora tenha a autoridade fiscal seguido a estrita observância legal, que define claramente nos limites da lei 6.321/76, quanto a inscrição da empresa no PAT, convém analisar a questão de forma, um pouco mais aprofundada, inclusive quanto aos atos emanados da Procuradoria da Fazenda Nacional, seguindo o entendimento jurisprudencial a respeito do tema. A Lei nº 6.321/1976 em seu artigo 3º dispõe que “ não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho.” Por sua vez o Decreto nº 05/1991 que regulamentou a Lei nº 6.321/1976, define com precisão como se dá a aprovação dos programas de alimentação pelo Ministério do Trabalho, conforme de verifica no § do art. 1º, in verbis: “§ 4° Para os efeitos deste Decreto, entendese como prévia aprovação pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a apresentação de documento hábil a ser definido em Portaria dos Ministros do Trabalho e Previdência Social; da Economia, Fazenda e Planejamento e da Saúde” Art. 4º Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. (alterado pelo Dec. 2.101, de 23.12.96) Parágrafo único. A pessoa jurídica beneficiária será responsável por quaisquer irregularidades resultantes dos programas executados na forma deste artigo. Contudo, entendo que outra questão deve ser trazida a julgamento antes desses outros pontos. Acredito que o lançamento ora sob enfoque, se enquadra na exclusão prevista no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 03/2011, posto que a alimentação mencionada no dito Parecer se coaduna com a objeto deste lançamento, qual seja: com a fornecida “in natura”, ou seja, sob a forma de utilidades. Transcrevo abaixo, o referido parecer para esclarecimentos da sua aplicabilidade. ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro Fl. 904DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 24 fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Brasília, 20 de dezembro de 2011. ADRIANA QUEIROZ DE CARVALHO ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional CONCLUSÃO: Neste ponto, entendo assiste razão ao recorrente quanto a exclusão da rubrica “alimentação” razão pela qual dou provimento ao recurso. AJUDA FINANCIAMENTO DE VEÍCULOS – Levantamentos FIN e Z5, fls. 391. Quanto a este benefício entendo que razão não assiste ao recorrente. Entendo que o fornecimento de veiculo de propriedade da empresa, ao empregado para o desempenho de suas atividades realmente se coadnuna com a exclusão prevista na legislação previdenciária , contudo não é o caso que vislumbro no levantamento em questão. Analisando os termos do art. 28, § 9º, vislumbro 3 alíneas quanto ao fornecimento de veículos e transporte: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 905DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.004682/200902 Acórdão n.º 2401003.809 S2C4T1 Fl. 14 25 Ao não apenas financiar o veículo, mas arcar com parte de financiamento, para que o bem seja agregado ao patrimônio do empregado, apenas demonstra a concessão de um benefício indireto, que o empregado teria que arcar para usufruir. Assim, não entendo, mesmo que o carro seja utilizado em serviço, que o citado benéfico enquadrase em uma das modalidades acima destacadas. CONCLUSÃO: quanto ao financiamento de veículo constituir salário de contribuição, entendo que procedente o lançamento, não havendo qualquer reparo a ser feito na decisão proferida. VEÍCULOS A DISPOSIÇÃO DE FUNCIONÁRIOS E DIRIGENTES – Levantamentos VEI e Z8. Quanto a este levantamento assim, destacou a autoridade fiscal: O fornecimento de transporte pela empresa é um benefício normalmente previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e, normalmente, é feito através do fornecimento de valetransporte, que é um benefício social, instituído pela Lei n°. 7.418, de 16/12/1985. Para se desonerar dessa obrigação, algumas empresas proporcionam, por meios próprios ou contratados, o deslocamento de seus trabalhadores, da residência para o trabalho e viceversa. Veículo à disposição do empregado: se a empresa fornece veículo ao empregado que desenvolve atividade da empresa, certamente não integra a remuneração, porquanto fornecido para o trabalho. Entretanto, se o veículo é usado também em horários fora do trabalho e finais de semana, o valor correspondente a essa parcela do uso configurase como salário pago sob a forma de utilidade, integrando a remuneração. O cálculo desse valor foi efetuado da seguinte forma: Concordo com a autoridade fiscal que o fornecimento de veículo da empresa pode ou não ser considerado benefício indireto dependendo do fim a que se destina. Contudo, ao analisar os termos do relatório fica evidente que a base para o fornecimento dos veículos é a utilização em serviço, podendo o empregado permanecer com o mesmo nos fins de semana. É nesse ponto, que entendo que a possibilidade de utilização de carro destinado a prestação de serviços nos fins de semana, não caracteriza benefício indireto ao empregado, conforme vemse encaminhando a próprio doutrina trabalhista. Súmula nº 367 do TST UTILIDADES "IN NATURA". HABITAÇÃO. ENERGIA ELÉTRICA. VEÍCULO. CIGARRO. NÃO INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO (conversão das Orientações Jurisprudenciais nºs 24, 131 e 246 da SBDI1) Res. 129/2005, DJ 20, 22 e 25.04.2005 I A habitação, a energia elétrica e veículo fornecidos pelo empregador ao empregado, quando indispensáveis para a realização do trabalho, não têm natureza salarial, ainda que, no caso de veículo, seja ele utilizado pelo empregado também em atividades particulares. (exOjs da SBDI1 nºs 131 inserida em 20.04.1998 e ratificada pelo Tribunal Pleno em 07.12.2000 e 246 inserida em 20.06.2001) Fl. 906DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 26 Ou seja, o encaminhamento do TST é que a verba não compõe a remuneração, mesmo nos casos de utilização para atividades particulares, o que entendo se coaduna com o presente levantamento. Observemos que o art. 28, § 9, não é claro ao determinar as verbas excludentes em relação aos veículos, mas podemos, identificar uma questão que entendo abarca a questão ora sob análise, se o ressarcimento das despesas pelo uso de veículo do empregado (...), quando devidamente comprovadas as despesas realizadas, encontramse excluídos e nada dispõe o dispositivo, acerca da necessária utilização exclusiva para o trabalho, mesma interpretação pode ser dado ao presente caso, reforçado esse entendimento pela súmula do TST acima descrita. CONCLUSÃO; entendo que razão assiste ao recorrente quanto ao levantamento fornecimento de veículos da empresa, mesmo que a utilização dêse basicamente para o trabalho, mas o empregado permanece com o veículo nos fins de semana. DO SEGURO DO AUTOMÓVEL DOS EMPREGADOS UTILIZADO PARA O TRABALHO Conforme descrito pela autoridade fiscal: durante a ação fiscal, foi constatado que a empresa pagou valores a título de seguro de veículos aos empregados, conforme item 5.6 da "Política de Veículos", documento juntado às fls. 308/317 pela Impugnante, do qual transcrevemos trecho: 5.6 Seguro do Veículo Os veículos adquiridos por meio deste procedimento serão incluídos na apólice coletiva de seguro mantida pela empresa, sendo esse custo integralmente assumido pela Roche Diagnóstico Brasil Ltda.Ç..) " Interessante observar que o pagamento de seguros para os beneficiários da modalidade 5.2.1 JobCar era adstrita aos trabalhadores que precisavam do carro para desempenhar suas atividades, o que não restou claro na política em relação aos beneficiários da modalidade “Company Car e Benefit Car”. Assim, conforme descrito acima,o seguro davase por meio de apólice coletiva, sendo que a maior parte do lançamento diz respeito a parcela do seguro de automóvel “PARA” o desempenho de seu trabalho. Neste sentido, entendo que os argumentos apontados pelo recorrente para excluir os valores de seguro de automóvel da base de cálculo merecem prosperar. Em primeiro lugar, valhome do fato trazido na própria política, de que realmente os carros eram utilizados para o desempenho do trabalho. Dessa forma, entendo que o fornecimento do seguro do automóvel constitui na sua base um pagamento “para” o desempenho do trabalho. Ressalto que, o fato de existir previsão em acordo ou convenção coletiva de forma alguma afasta a natureza salarial de uma utilidade, devendo para avaliação de sua natureza ser identificado as condições de seu pagamento e se existe disposição legal que autorize dita exclusão. No caso, entendo aplicável para exclusão da parcela do seguro o disposto no art. 28, §9º, “s”, ou seja, o mesmo dispositivo utlizado pela autoridade fiscal, contudo, entendo aplicável o disposto na súmula 365 do TST, já descrita anteriormente: Outro ponto que entendo pertinente e que também leva ao raciocínio da exclusão da base de cálculo é que o seguro de um carro não pode ser feito de forma fracionada, ou seja, não existe a possibilidade de fazer seguro de automóvel apenas para os dias ou mesmo horas em que o empregado trabalha, diferente do ressarcimento de combustível. Fl. 907DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.004682/200902 Acórdão n.º 2401003.809 S2C4T1 Fl. 15 27 CONCLUSÃO: entendo que razão assiste ao recorrente para exclusão do levantamento pertinente ao seguro coletivo. DO PAGAMENTO DE PLR EM DESACORDO COM A LEI 10.101/2000 – levantamentos PLR E PPR Quanto a essa imputação, basicamente entende o recorrente que o mero descumprimento de regras não alteram a natureza do PLR considerando os termos da CF/88. Nesse sentido, prepriso os argumentos colacionados: Ressalta que a PLR sempre foi do conhecimento de todos os empregados, e sua distribuição sempre obedeceu aos parâmetros e critérios fixados no acordo firmado^fa^o não refutado pelo auditor fiscal. * Afirma também que a Constituição não prevê forma específica para a celebração do acordo, e desta forma, a participação do Sindicato não pode ser considerada obrigatória. Transcreve doutrina e jurisprudência. Por fim, argumenta que constatada eventual irregularidade, o máximo que poderia ser imputado à Impugnante seria uma multa pelo descumprimento da forma estabelecida em lei, mas jamais retirar a natureza jurídica do pagamento, fazendo que sobre ele incidam contribuições previdenciárias. Contudo, não tenho como me filiar a tese trazida pelo recorrente, razão pela qual entendo que o não arquivamento dos instrumentos de acordo, gera o descumprimento da lei 10.101/2000 e altera a natureza do pagamento, não podendo ser considerado mero descumprimento capaz de ensejar multa. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) grifo nosso. A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial. Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 908DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 28 j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Assim, é clara a legislação, ao descrever que apenas o pagamento de acordo com a lei específica é que garantirá a não integração dos pagamentos no salário de contribuição. Dessa forma o argumento de que os pagamentos realizados a título de PLR, mesmo que desconsiderados pela fiscalização como tal, não se adequam à hipótese de incidência das contribuições previdenciárias não merece guarida. Porém um ponto, deve ser prontamente enfrentado, posto que seu acatamento dispensaria a apreciação das demais alegações. Trouxe o recorrente: “por força do que dispõe o artigo 7 0, XI da Constituição Federal os pagamentos realizados a título de PLR estão automaticamente excluídos da base de cálculo das contribuições previdenciárias” De forma expressa, a Constituição Federal de 1988 remete à lei ordinária a fixação dos direitos da participação nos lucros, assim, devemos nos ater ao disposto na norma que trata a questão, nestas palavras: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. Parte dos argumentos trazidos pelo recorrente foram no sentido que, o pagamento de PLR, por si só, já se encontra afastado do conceito de salário de contribuição, e da hipótese de incidência, O QUE NÃO VENHO A CONCORDAR. Quanto a verba participação nos lucros e resultados, em primeiro lugar, assim, como já bem disse o julgador de primeira instância devese ter em mente que é norma constitucional de eficácia limitada, o que de pronto afasta a argumentação, que pela sua natureza já não poderia ser considerada salário de contribuição.. Para fins de esclarecimento, cabe citar, o item 02, do Parecer CJ/MPAS no 547, de 03 de maio de 1996, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS, dispõe, verbis: (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos) Vale ressaltar o que o Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99 traz em seu bojo acerca da matéria, o que bem esclarece que a CF/88, realmente incentiva as empresas a participarem os seus lucros com seus empregados, todavia o próprio texto constitucional submeteu ditas regras aos limites legais, senão vejamos: EMENTA DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. 7º , INC. XI DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO Fl. 909DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.004682/200902 Acórdão n.º 2401003.809 S2C4T1 Fl. 16 29 SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. (...) 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. 8. Necessita portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. 11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI, da Constituição da República, referente a participação nos lucros dos trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da medida provisória regulamentadora. 12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou: O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo que garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendose a ordem para efeito de implementar in concreto o pagamento de tais verbas, sem prejuízo dos valores correspondentes à remuneração. Tendo em vista a continuação da transcrição a edição, superveniente ao julgamento do presente WRIT injuncional, da Medida Provisória nº 1.136, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou Fl. 910DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 30 resultados da empresa e dá outras providências, verificase a perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma constitucional invocada, terem garantida a participação nos lucros e nos resultados da empresa. (grifei) 14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º, inc. XI), ficando o pagamento da participação nos lucros e sua desvinculação da remuneração, sujeitas as regras e critérios estabelecidos pela Medida Provisória. 15. No caso concreto, as parcelas referemse a períodos anteriores a regulamentação do dispositivo constitucional, em que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de participação nos lucros. 16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração, pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos) Neste contexto podemos descrever normas constitucionais de eficácia limitada são as que dependem de outras providências normativas para que possam surtir os efeitos essenciais pretendidos pelo legislador constituinte. Ou seja, enquanto não editada a norma, não há que se falar em produção de efeitos, bem como não acato o argumento de que o pagamento de PLR, por si só, já encontrase excluído do conceito de salário de contribuição. Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do saláriode contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. A Lei nº 10.101/2000 dispõe, nestas palavras : Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Fl. 911DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.004682/200902 Acórdão n.º 2401003.809 S2C4T1 Fl. 17 31 Isto posto, não há de se acatar a teoria de que os pagamentos à título de PLR já encontramse, por previsão constitucional, fora da base de cálculo conforme argumentado pelo recorrente. Assim , voltase novamente a uma questão nuclear, qual o limite para interpretação dos dispositivos da lei 10.101/2000. Nesse ponto argumenta o recorrente, de que a essência da lei foi cumprida, e que as restrições atribuídas pelo auditor não se sustentam. Ora, não quisesse o legislador estabelecer limites, participação de órgãos protetores dos trabalhadores na negociação, qual seria a necessidade de esmiuçar a legislação de PLR. No caso, se acatássemos o entendimento do recorrente o texto constitucional seria o suficiente, ou no mínimo a lei 10.101/2000, precisaria ter apenas 2 artigos. Data vênia, aos que entendem que o auditor tem levado ao extremo as averiguações do cumprimento da lei 10.101, entendo ser da competência dos órgãos colegiados, justamente corrigir os exageros, ou mesmo as interpretações equivocadas, mas de forma alguma ignorar a existência de dispositivos legais, e de exigência legais para a referida desviNculação, que nada mais são do que reflexos da vontade legislativa acerca das limitações do pagamento de participações nos lucros e resultados. CONCLUSÃO: não assiste razão ao recorrente ser desnecessária o arquivamento no sindicato, razão pela qual ao descumprir o § 2 do art. 2 da lei 8212/2000, razão pela qual procedente o lançamento em relação a esse fato gerador. LEVANTAMENTO DAL Quanto ao levantamento DAL entendo que competiria ao recorrente demonstrar o equivoco da autoridade fiscal, uma vez que descrito no relatório fiscal e indicado no relatório DAD , em lançamento separado, os meses em que se constatou atraso no recolhimento de contribuições sem o acréscimo de juros e multa. Assim, entendo que razão não assiste ao recorrente. Nesse sentido, também já restou enfrentada a questãopelo julgador, que excluiu do lançamento as diferenças de determinadas competências a luz da decadência qüinqüenal. Contudo, em relação as competência não decadentes manifestouse o julgador pela existência de guias recolhidas em atraso, conforme segue: Ao contrário do que alega o Contribuinte, nem todos os recolhimentos previdenciários foram efetuados em época própria. Através da análise das GPS do Contribuinte, foram apuradas diferenças de acréscimos legais (multa e juros), incidentes sobre contribuições previdenciárias recolhidas com atraso, conforme perfeitamente demonstrado no Relatório DAL Diferenças de Acréscimos Legais, fls. 31 a 32. Novamente não há que se falar em cerceamento de defesa, posto que as diferenças de acréscimos legais foram apuradas com base nas guias de recolhimento do Contribuinte. Cabe ressaltar que a Autuada juntou na impugnação somente as cópias das GPS que não foram recolhidas com atraso, mas nos relatórios RDA (fl. 25) e DAL verificase, claramente, que o Contribuinte recolheu as seguintes GPS com atraso: • GPS competência 09/2004, data de pagamento 03/11/2004, código 2100, total líquido (sem acréscimos legais) de R$ 284,84; Fl. 912DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 32 • GPS competência 09/2004, data de pagamento 02/12/2004, código 2100, total líquido (sem acréscimos legais) de R$ 53,00; • GPS competência 11/2004, data de pagamento 03/01/2005, código 2100, total líquido (sem acréscimos legais) de R$ 183,33. Ante o exposto, após a exclusão de ofício do Levantamento REM, e a exclusão por decadências das competências 03/2004, 04/2004, e 08/2004, do Levantamento DAL, temse que a fiscalização cumpriu estritamente as disposições legais vigentes, e cabe ressaltar que se trata de procedimento de natureza indeclinável para o Agente Fiscalizador, dado o caráter de que se reveste a atividade administrativa do lançamento, que é vinculada e obrigatória, nos termos do artigo 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional. Assim, não confiro razão ao recorrente. DAS DIFERENÇAS EM RELAÇÃO AOS TRABALHADORES AUTÔNOMOS E REMUNERAÇÃO DE EMPREGADOS. Quanto a este ponto, alega o recorrente a impossibilidade de identificar as respectivas diferenças, razão pela qual nulo o levantamento em questão. Contudo, essa questão foi enfrentada pelo julgador de primeira instância e não identifico no recurso aspectos capazes de alterar aquele posicionamento. Senão vejamos: Levantamentos REN e 13S Conforme o Relatório Fiscal, foram apuradas remunerações de segurados empregados, constantes das Folhas de Pagamento da empresa, e não declaradas em GFIP. E, ao contrário do que afirma a Impugnante, os seguintes relatórios anexos, contidos no CDROM de fl. 218, e entregues ao Contribuinte conforme Recibo de fls. 231/233, demonstram, por fonte de informação, competência, e funcionário, as remunerações recebidas: • Diferenças de Folhas de Pagamento Não Declaradas em GFIP; • Folhas de Pagamento 13° salário; • Remunerações por Fontes de Informação. Como já exposto, cabe ao Contribuinte o ônus da prova de suas alegações, ao contestar fatos apurados nas Folhas de Pagamento, GFIP's, e GPS de sua própria elaboração. A Defendente pode argüir diversas matérias pertinentes à sua defesa, a participação processual do Contribuinte deve ser a mais abrangente possível, porém, sua impugnação há de ser específica, deve indicar o que pretende refutar e produzir provas, no prazo de defesa, trazer a este julgado todos os dados comprovadores dos fatos que alega e que entende como suficientes para reformar o lançamento. De forma contrária, o que temos é mera alegação sem prova, fato este que não deve ter campo favorável dentro do processo administrativo. Importante observar que as fls. 209 e seguintes existe não apenas o relatório das guias e dos acréscimos gerados pelos atrasos, como a diferença em relação aos trabalhadores autônomos, razão pela qual não confiro razão ao recorrente. Fl. 913DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.004682/200902 Acórdão n.º 2401003.809 S2C4T1 Fl. 18 33 Da mesma forma, em relação a competência 13/2004, não demonstrou o recorrente o cumprimento da obrigação de efetivar o recolhimento, nem mesmo insurgiuse especificamente em relação a esse levantamento, indicando que em relação as diferenças apuradas não foi possível identificar as bases de cálculo. Ora, às fls. 04, o levantamento 13S descreve a apuração de débito na competência 12/2004. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO dos recursos: AI DEBCAD n.º 37.192.2534, Processo n. 19515.004682/200902, AI DEBCAD n.º 37.192.2607, Processo n. 19515.004681/200950, AI DEBCAD n.º 37.192.2577, Processo n. 19515.004677/200991 para rejeitar as preliminares de nulidade, excluir do lançamento os fatos geradores até 10/2004 face a aplicação da decadência qüinqüenal e no mérito DAR PROVIMENTO PARCIAL AOS RECURSOS para excluir do lançamento os levantamentos: I) ALIMENTAÇÃO FORNECIDA IN NATURA – LEVANTAMENTOS ALM e Z2; II) VEÍCULOS À DISPOSIÇÃO DE FUNCIONÁRIOS E DIRIGENTES – Levantamentos VEI e Z8; III) LEVANTAMENTO SEV SEGUROS. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 914DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 10768.002002/2007-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
MULTA DEMORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA.
Nos termos dos REsp 962.379 e 1.149.022, submetidos ao rito dos processos repetitivos previsto no art. 543C do Código de Processo Civil, portanto, de observância obrigatória no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força do art. 62-A, do Regimento Interno do CARF, para que se configure a denúncia espontânea nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, na forma do art. 150, §4o do Código Tributário Nacional, o pagamento deve preceder a constituição da obrigação tributária, ou seja, a entrega da DCTF, excluindo-se, inclusive, a multa de mora.
Numero da decisão: 3201-001.897
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: Relator
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 MULTA DEMORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA. Nos termos dos REsp 962.379 e 1.149.022, submetidos ao rito dos processos repetitivos previsto no art. 543C do Código de Processo Civil, portanto, de observância obrigatória no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força do art. 62A, do Regimento Interno do CARF, para que se configure a denúncia espontânea nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, na forma do art. 150, §4o do Código Tributário Nacional, o pagamento deve preceder a constituição da obrigação tributária, ou seja, a entrega da DCTF, excluindose, inclusive, a multa de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 20 02 /2 00 7- 08 Fl. 352DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Erika Costa Camargos Autran. Relatório Versa o presente litígio sobre cobrança de multa de mora, referente ao PIS, do período de março a dezembro de 2004. De acordo com o relato da ora Recorrente, a Lei n° 10.833/03 era omissa quanto à sistemática da cumulatividade do PIS relativamente às receitas provenientes de contratos que com cláusula de reajuste, de sorte que seguia a orientação constante da Instrução Normativa SRF n° 21/79. Contudo, quase um ano após a edição de Lei n° 10.833/2003 foi editada a INSRF n° 468/04, que determinou que a partir do 1o reajuste de preços, as receitas dos contratos com preço predeterminado estariam sujeitas ao regime da não cumulatividade do PIS e da COFINS, que resultou em crédito tributário a ser pago pela Recorrente. Assim, em maio de 2005 a exigência atingia o montante de R$7.709.671,64 (sete milhões, setecentos e nove mil, seiscentos e setenta e um reais e sessenta e quatro centavos), que, acrescidos de juros de mora, alcançou a cifra de R$ 8.537.969,39 (oito milhões, quinhentos e trinta e sete mil, novecentos e sessenta e nove reais e trinta e nove centavos), devidamente quitados. O procedimento de apuração da diferença de crédito tributário e sua quitação, ocorreram antes do início de qualquer procedimento fiscalizatório, entendendo, portanto, a Recorrente que se subsumia à hipótese utilizouse da denúncia espontânea, sem a inclusão da multa moratória, previsto no art. 138 do CTN. Portanto, na impugnação apresentada, ademais de alegar a aplicação do art.138 do CTN, requereu a incidência do parágrafo único do art. 100 do mesmo diploma normativo, segundo o qual é vedado exigência de penalidades na hipótese de o contribuinte ter seguido orientação veiculada pela própria autoridade administrativa, como ocorreu no caso em tela, no qual a Recorrente baseouse na Instrução Normativa SRF n° 21/79. A impugnação foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão n° 13 34.248 5a Turma da DRJ/RJ2, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01 /04/2004 a 30/06/2004 MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA Cabível multa de mora sobre valores pagos em atraso, visto que a denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN, aplicase apenas às multas de lançamento de ofício, de caráter punitivo, não afetando aquelas derivadas do adimplemento da obrigação tributária fora do prazo legal. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10768.002002/200708 Acórdão n.º 3201001.897 S3C2T1 Fl. 94 3 SENTENÇA JUDICIAL Não sendo parte nos litígios objetos de ações judiciais, o sujeito passivo não pode usufruir dos efeitos de sentenças prolatadas, que só possuem efeitos inter partes e não erga omnes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Em consonância com a decisão recorrida, a multa de mora não teria natureza de penalidade, mas de indenização pelos danos causados ao patrimônio público pelo atraso no recolhimento do tributo devido, conforme prescrição da Lei n° 9.430/96, art.61, que determina o dever de recolher a multa de mora e os juros de mora como acréscimos ao pagamento efetuado após o vencimento, caráter indenizatório a multa de mora. A indenização, do contribuinte ao Estado justificarseia em razão do prejuízo sofrido pela demora no adimplemento da obrigação. Ademais, o Parecer Normativo CST n ° 61; de 26/10/1979, item 4 estabelece que "4.1 As multas fiscais ou são punitivas ou são compensatórias”, interpretação essa que seria suficiente para excluir a multa de mora do campo de incidência do art.138 do CTN. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reiterou os argumentos de impugnação, acrescendo que o art. 61, Lei 9.430/96, deve ser aplicado para os casos de constituição regular de créditos tributários através do lançamento e não nos casos de denúncia espontânea, pois a “Lei Complementar – hierarquicamente superior à Lei Ordinária — abarca expressamente a hipótese de exclusão da responsabilidade do contribuinte por penalidades quando efetuada a denúncia espontânea, devendo, portanto, prevalecer a disposição contida no Art. 138, CTN sobre àquele mencionado dispositivo da Lei 9.430/96”. Submetido o processo a essa Turma de Julgamento, entendeuse que não havia elementos suficientes nos autos para a apuração da ocorrência de denúncia espontânea, nos moldes do REsp 962.379, de relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, DJe 28/10/08, submetido ao rito dos processos repetitivos previsto no art. 543C do CPC. Determinouse, por conseguinte, a conversão do julgamento em diligência, para que fosse juntada a DCTF retificadora, dos períodos em cobro. Às e.fls.222 a 228, foi juntada parte da DCTF retificadora, relativa ao 2o trimestre de 2004, onde sequer consta a data da sua entrega, bem como não constam quaisquer considerações da autoridade julgadora preparadora sobre tal juntada. Instada a se manifestar, a Procuradoria da Fazenda Nacional abstevese, pelo momento, de se pronunciar. A Recorrente junta aos autos cópia do procedimento de denúncia espontânea, onde consta o pedido protocolizado em 17/05/2005, juntado todos os DARFs de pagamento, que datam de 06/05/2005. É o relatório. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Recorrente realizou o pagamento de crédito tributário a destempo, em virtude da INSRF n° 468/04, que determinou que a partir do 1o reajuste de preços, as receitas dos contratos com preço predeterminado estariam sujeitas ao regime da não cumulatividade do PIS e da COFINS, que resultou em crédito tributário a ser pago. Realizou o pagamento da obrigação tributária principal, acrescida de juros moratórios, porém, não a acresceu da multa de mora, por lhe reputar indevida, em virtude do quanto determinado no art.138 do CTN, pois o pagamento teria ocorrido antes de qualquer procedimento da fiscalização. Ademais, alega que tãosomente em virtude do atraso do Fisco em editar a INSRF n° 468/04 e, por seguir orientação do Fisco, aplicável seria o art.100, §único do CTN. A DRJ não reconheceu o direito creditório, sob a alegação de que a multa de mora, tendo natureza compensatória, estaria fora do campo de incidência do art.138 CTN, ao passo que o art.61 da Lei n. 9430/96, determinaria expressamente a sua cobrança. Entendo que assiste razão à Recorrente, quando estabelece que a multa de mora está abrangida pelo instituto da denúncia espontânea, nos moldes do art.138 CTN. Destarte, em consonância com entendimento esposado em recurso repetitivo do Superior Tribunal de Justiça, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento É dizer, se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. O REsp 962.379, de relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, DJe 28/10/08, submetido ao rito dos processos repetitivos previsto no art. 543C do CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" . É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS– GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia Fl. 355DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10768.002002/200708 Acórdão n.º 3201001.897 S3C2T1 Fl. 95 5 espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Ademais, o Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 1.149.022 – SP, da mesma forma, entendeu abrangida pela denúncia espontânea, atendidas certas condições, a multa de mora, como se verifica: REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 6 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Da documentação acostada aos autos, verificase que foram acostados diversos DARFs relativo a recolhimentos de PIS e COFINS nãocumulativos, referentes aos períodos de apuração em referência. A Recorrente junta aos autos cópia do procedimento de denúncia espontânea, onde consta o pedido protocolizado em 17/05/2005, juntado todos os DARFs de pagamento, que datam de 06/05/2005, observandose que a DCTF considerada no procedimento, conforme consta do próprio auto de infração, foi a entregue em 19/05/2006, por conseguinte, restando atendidas as condições da denúncia espontânea. Considerandose que os entendimentos veiculados nos recursos repetitivos são de reprodução obrigatória no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força do art. 62A, do Regimento Interno do CARF c/c art. 543C do CPC, é de ser julgado procedente o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 357DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10768.002002/200708 Acórdão n.º 3201001.897 S3C2T1 Fl. 96 7 Fl. 358DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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