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Numero do processo: 13864.720081/2011-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2007 a 31/12/2009
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 - NFLD CORRELATAS
A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado das NFLD lavradas sobre os mesmos fatos geradores.
INCONSTITUCIONALIDADE - ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO - IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Entendo que a fixação de metas pela própria empresa posteriormente, não se amolda a pretensão constitucional de negociação de PLR, muito menos a exigência da lei que rege a matéria.
PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS - DIRETORES ESTATUTÁRIOS - AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO
Tratando-se de valores pagos aos diretores estatutários, não há que se falar em exclusão da base de cálculo pela aplicação da lei 10.101/2000, posto que essa só é aplicável aos empregados.
Da mesma forma, inaplicável a regra do art. 158 da lei 6404/76, quando não apresenta a empresa resultado positivo a ser distribuído.
PAGAMENTO EM VALOR SUPERIOR AO ACORDO DE PLR - NATUREZA DIVERSA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS
Tendo o recorrente descumprindo os limites do acordo, passa a conceder à título de parcela excedente uma mera gratificação (ou mesmo prêmio descrito pelo auditor), ou seja, sob essa acaba por incidir contribuição previdenciária. Não é a nomenclatura participação nos lucros que define, por si só, a natureza da verba, mas sua finalidade e características.
PAGAMENTO A EMPREGADOS NÃO CONTEMPLADOS NO ACORDO DE PLR
Concordo com o recorrente que a lei 10.101/2000 não condiciona o PLR a uma permanência mínima, porém a lei 10.101/2000, exige que os termos dos pagamentos devem ser ajustados. Se realizado o pacto, o pagamento em desconformidade do acordo, acaba se afastando da natureza do PLR convencionado, passando, por mera liberalidade da empresa a constituir pagamento sobre outro fundamento.
Mesmo que a empresa diga que é PLR e observou os mesmos parâmetros, fato é que o acordo firmado não acobertava tal pagamentos. Dessa forma, não há como afastar a natureza remuneratória da verba, posto que na verdade não existia, para o pagamento a esses trabalhadores, negociação para concessão do benefício em conformidade com a lei 10.101/2000.
PLR - INOBSERVÂNCIA DA PERIODICIDADE SEMESTRAL
O simples fato de existirem mais pagamentos no mesmo exercício ou mesmo no mesmo semestre, não desnatura o PLR. Contudo, o ANEXO VI - , fl. 296, Relação de empregados que receberam o PPR mais de duas vezes no ano calendário 2009, descreve empregado a empregado, aqueles que receberam em mais de duas parcelas, e não entendi, como os meros complementos.
PAGAMENTOS DE MAIS DE DUAS PARCELAS DA PLR NO MESMO ANO CIVIL - DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO DA LEI 10.101/2000 - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA APENAS SOBRE AS PARCELAS EXCEDENTES.
A empresa deve respeitar a norma que a impede de efetuar o pagamento em mais de duas vezes no mesmo ano civil, o que restou descumprido. Todavia, a incidência tributária deve atingir apenas as parcelas que excederam a periodicidade legal.
AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 - OMISSÃO EM GFIP - PREVIDENCIÁRIO
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Inobservância do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999.: informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social-INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97).
Numero da decisão: 2401-003.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões acerca da periodicidade do pagamento, por entenderem que haveria incidência somente sobre a parcela excedente, os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Elias Sampaio Freire, Igor Araújo Soares, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Carolina Wanderley Landin, sendo que os conselheiros Igor Araújo Soares, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Carolina Wanderley Landin votaram também pelas conclusões quanto à exigência referente ao momento da pactuação. O conselheiro Kleber Ferreira de Araújo apresentará declaração de voto referente a questão da periodicidade do pagamento, que reflete o entendimento da maioria.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS ACORDO PRÉVIO ASSINATURA DE ACORDO NO FIM DO EXERCÍCIO POSSIBILIDADE DE AUMENTO DE VALOR PAGO A TITULO DE PLR, POR DESEMPENHO INDIVIDUAL Ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros, sem a existência de acordo prévio o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário. ESTIPULAÇÃO DE METAS CRITÉRIOS OU REGRAS PREVISÃO NO ACORDO FIRMADO FIXAÇÃO UNILATERAL PELO EMPREGADOR As metas a serem alcançadas devem estar descritas nos acordos firmados, ou em documento apartado que obedeça a mesma forma exigida na lei 10.101/2000. Entendo que a fixação de metas pela própria empresa posteriormente, não se amolda a pretensão constitucional de negociação de PLR, muito menos a exigência da lei que rege a matéria. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 72 00 81 /2 01 1- 19 Fl. 1892DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS DIRETORES ESTATUTÁRIOS AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO Tratandose de valores pagos aos diretores estatutários, não há que se falar em exclusão da base de cálculo pela aplicação da lei 10.101/2000, posto que essa só é aplicável aos empregados. Da mesma forma, inaplicável a regra do art. 158 da lei 6404/76, quando não apresenta a empresa resultado positivo a ser distribuído. PAGAMENTO EM VALOR SUPERIOR AO ACORDO DE PLR NATUREZA DIVERSA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS Tendo o recorrente descumprindo os limites do acordo, passa a conceder à título de parcela excedente uma mera gratificação (ou mesmo prêmio descrito pelo auditor), ou seja, sob essa acaba por incidir contribuição previdenciária. Não é a nomenclatura “participação nos lucros” que define, por si só, a natureza da verba, mas sua finalidade e características. PAGAMENTO A EMPREGADOS NÃO CONTEMPLADOS NO ACORDO DE PLR Concordo com o recorrente que a lei 10.101/2000 não condiciona o PLR a uma permanência mínima, porém a lei 10.101/2000, exige que os termos dos pagamentos devem ser ajustados. Se realizado o pacto, o pagamento em desconformidade do acordo, acaba se afastando da natureza do PLR convencionado, passando, por mera liberalidade da empresa a constituir pagamento sobre outro fundamento. Mesmo que a empresa diga que é PLR e observou os mesmos parâmetros, fato é que o acordo firmado não acobertava tal pagamentos. Dessa forma, não há como afastar a natureza remuneratória da verba, posto que na verdade não existia, para o pagamento a esses trabalhadores, negociação para concessão do benefício em conformidade com a lei 10.101/2000. PLR INOBSERVÂNCIA DA PERIODICIDADE SEMESTRAL O simples fato de existirem mais pagamentos no mesmo exercício ou mesmo no mesmo semestre, não desnatura o PLR. Contudo, o ANEXO VI , fl. 296, Relação de empregados que receberam o PPR mais de duas vezes no ano calendário 2009, descreve empregado a empregado, aqueles que receberam em mais de duas parcelas, e não entendi, como os meros complementos. PAGAMENTOS DE MAIS DE DUAS PARCELAS DA PLR NO MESMO ANO CIVIL DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO DA LEI 10.101/2000 INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA APENAS SOBRE AS PARCELAS EXCEDENTES. A empresa deve respeitar a norma que a impede de efetuar o pagamento em mais de duas vezes no mesmo ano civil, o que restou descumprido. Todavia, a incidência tributária deve atingir apenas as parcelas que excederam a periodicidade legal. AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 OMISSÃO EM GFIP PREVIDENCIÁRIO A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a Fl. 1893DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13864.720081/201119 Acórdão n.º 2401003.626 S2C4T1 Fl. 3 3 obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999.: “ informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2007 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 NFLD CORRELATAS A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado das NFLD lavradas sobre os mesmos fatos geradores. INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1894DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões acerca da periodicidade do pagamento, por entenderem que haveria incidência somente sobre a parcela excedente, os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Elias Sampaio Freire, Igor Araújo Soares, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Carolina Wanderley Landin, sendo que os conselheiros Igor Araújo Soares, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Carolina Wanderley Landin votaram também pelas conclusões quanto à exigência referente ao momento da pactuação. O conselheiro Kleber Ferreira de Araújo apresentará declaração de voto referente a questão da periodicidade do pagamento, que reflete o entendimento da maioria. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1895DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13864.720081/201119 Acórdão n.º 2401003.626 S2C4T1 Fl. 4 5 Relatório O presente processo correspondente ao lançamento de contribuições previdenciárias, incidentes sobre os valores pagos pela CERVEJARIAS KAISER BRASIL S/A. aos seus empregados, no período de 02/2007 a 12/2009, a título de Participação nos Resultados da empresa, bem como a multas por descumprimento de obrigações tributárias acessórias.encontrase assim dividido: 1. AI nº 37.262.8222, às contribuições previdenciárias a cargo da empresa. 2. AI nº 37.262.8230, às contribuições previdenciárias dos próprios segurados empregados; 3. AI nº 37.262.8249, às contribuições destinadas a outras entidades e fundos; 4. AI nº 37.262.8214, à multa por apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, o que configura infração ao disposto no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24/07/1991; e 5. AI nº 37.262.8257, à multa por deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social, o que configura infração ao disposto no inciso I do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, c/c o art.225, inciso I e § 9º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 66 e seguintes, 6. Com relação aos pagamentos a empregados 6.1. a) Constatado o pagamento de valores a título de participação nos resultados, a Auditoria passou a verificar se o pagamento foi feito de acordo com os termos da Lei n.° 10.101, de 19/12/200, a fim de confirmar ou não o seu enquadramento na hipótese de não incidência de contribuição previdenciária contido no artigo 3º da referida lei; b) Os Acordos de Participação nos Resultados, em seu item 5 e parágrafos, estabeleceram que uma das regras para o pagamento do PPR é que houvesse resultado financeiro positivo, conforme índice EBITDA préestabelecido no Anexo I de cada Acordo. 6.2. Essa condição é aplicada apenas aos empregados que exercem função de chefe, coordenador, supervisor, especialista, administrativos, técnicos e operacionais, os quais poderão receber a título de "bônus" ou "PPR" de 1 a 1,3 salários, no caso de atingir as metas; 7. Com relação aos pagamentos aos diretores não empregados 7.1. a) O art. 2º da Lei nº 10.101/2000 estabelece que “A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados”. Portanto, não está previsto o pagamento de PPR para o dirigente da empresa, pelos seguintes motivos: Fl. 1896DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 7.1.1. • seria estabelecer um acordo consigo próprio; 7.1.2. • incompatibilidade da condição de dirigente, no caso Diretores eleitos, com a condição de empregado, pois ao empregado é imposta a condição de subordinação, conforme previsto no art. 3º da CLT; 7.1.3. • o pagamento ou crédito de participação nos lucros de administradores, regida pela Lei n° 6.404/76, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias em qualquer caso, por falta de previsão legal de não incidência; e 7.1.4. • contraria o texto dos Acordos de Participação nos Resultados na sua cláusula 1 e 2, que ao estabelecer o objetivo do Acordo, limitou o seu alcance apenas ao empregados da empresa. 7.2. b) Não obstante, do exame das folhas de pagamento ficou constatado que, com base na alínea "b" do parágrafo 6º da Cláusula 5ª dos Acordos de Participação sob exame, os dirigentes Miguel Angel Peirano e Jorge Alexander Kowalski (ambos eleitos em assembleia realizada em 17/04/2006 e sem dados de vínculo trabalhista no CNIS) receberam valores a titulo de participação nos resultados, a saber: 7.3. c) Mencionada alínea "b", segundo a qual o PPR a ser pago a diretores será definido pela empregadora, contém dois elementos incompatíveis com a Lei n.° 10.101/2000, a saber: 7.3.1. • não sendo empregado, o dirigente não pode se beneficiar de acordo estabelecido entre empregador e empregados; e 7.3.2. • fere o ditame da Lei que condicionou o pagamento do PPR a regras claras e objetivas quanto à fixação do direito de receber o PPR, pois não estabelece a priori meta a ser cumprida pelo dirigente. 7.4. d) Com base nas informações dos vínculos empregatícios e empresariais, verificase que o vínculo entre a empresa e os Srs. Miguel Angel Peirano e Jorge Alexander Kowalski é de contribuinte individual diretor. 7.5. Portanto, os valores das rubricas pagos nos códigos 272, 273, 1347 e 1348 foram considerados retiradas pro labore. 8. Com relação ao estabelecimento das metas 8.1. a) Os Acordos firmados com os sindicatos não cumpriram o disposto no § 1º do art. 2º da Lei nº 10.101/2000, quando ficou estabelecido, nos parágrafos quinto e sexto de sua Cláusula 5ª, que em relação aos trabalhadores ali identificados (empregados que se enquadrarem nos níveis de Coordenação, chefia e equivalentes, e empregados de nível executivo – gerentes e diretores –, consoante a estrutura de cargos e salários da empregadora), a meta para efeito de percepção da PPR seria definida pela própria empresa. 8.2. b) O pagamento do PPR para os empregados citados nesses parágrafos, em especial os gerentes e diretores empregados, ficou condicionado a metas a serem definidas pela empregadora, configurando um ato unilateral de vontade. Desta forma, mesmo com a concordância do sindicato, tal circunstância descaracteriza a tipificação do pagamento do PPR, nos termos da a Lei n.° 10.101/2000, pelo que os pagamentos efetuados nas rubricas de código 272 PPR Bônus CP, 273 PPR Bônus LP, 275 Bônus PPR e 1343 Fl. 1897DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13864.720081/201119 Acórdão n.º 2401003.626 S2C4T1 Fl. 5 7 PPR Gerencial não estão contemplados como hipótese de não incidência de contribuição previdenciária e, destarte, foram considerados bases de cálculo de contribuição previdenciária. 9. Com relação à periodicidade dos pagamentos 9.1. a) A empresa pagou valores a título de PPR para os empregados relacionados no Anexo VI do relatório fiscal em mais de duas ocasiões no ano de 2009. Em realidade, foram feitos pagamentos para a maioria dos empregados listados nos meses de março, abril e setembro, havendo ainda casos de o empregado receber em quatro meses do ano. 9.2. b) Tal procedimento contraria o § 2o do artigo 3º da Lei n.° 10.101/2000, de acordo com o qual “É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil.”, motivo pelo qual esses pagamentos não podem ser abrangidos pela hipótese de não incidência de que trata esse mesmo artigo. 10. Com relação aos montantes pagos acima dos limites 10.1. a) A cláusula 2 dos Acordos de Participação nos Resultados estipulou que, se atingida os resultados préestabelecidos, o PPR a ser paga para as categorias de chefe, coordenador, supervisor e especialista seria correspondente a 1,3 salários, e para as categorias administrativos, técnicos e operacionais o PPR seria correspondente a um salário do empregado. 10.2. b) Contudo, ficou constatado que foram feitos pagamentos a diversos empregados em valores superiores a estabelecido no Acordo, como o demonstra o Anexo VII do relatório fiscal, onde se encontram relacionados os pagamentos em valores acima de dois salários dos trabalhadores beneficiados. 11. Com relação ao período de contrato de trabalho 11.1. a) A cláusula 7, letra "a" do Acordo de Participação nos Resultados dispõe que para o empregado ser incluído no PPR é necessário que tenham mais de quatro meses ou 120 dias trabalhados na empregadora, no período de apuração dos resultados. 11.2. b) Ocorre que os empregados relacionados no Anexo VIII receberam pagamentos a título de PPR sem haver cumprido esse requisito, conforme descrito na coluna “Situação irregular para o recebimento do PPR (Rubricas 1342, 2434, 1345, 1346 e 1351)”. 12. A base de cálculo utilizada para o cálculo da contribuição da remuneração dos empregados foi o valor pago sob as rubricas denominadas PPR Bônus CP código 272, PPR Bônus LP código 273, Bônus PPR código 275, PPR Média Chefia código 1342, PPR Gerencial código 1343, PLR Lei 10101/00 código 1345, PPR VC código 1346, Bônus LP código 1347, Bônus CP código 1348 e PPR Complementar código 1351, conforme consta das folhas de pagamento do PPR da empresa e Relação de Pagamentos efetuados a empregados demitidos, apresentadas a auditoria fiscal em meio magnético; Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 26/07/2011, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. Fl. 1898DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 1065 a 1077. O processo foi baixado em diligência, com o objetivo de que a autoridade fiscal prestasse esclarecimentos, acerca da relação contida no anexo VII do relatório fiscal, tendo em vista que a planilha ali descrita não se refere a descrição contida no item 3.2.5 do relatório fiscal “valores superiores ao estabelecido no acordo”, fls. 1525 a 1542. Foi elaborada informação fiscal, fl. 1545 a 1548, com as retificações pertinentes aos anexos.apontados pelo impugnante. Manifestouse o recorrente fls. 1679, fazendo contraponto as retificações promovidas pelo recorrente alegando por fim, erro na apuração da base de cálculo em relação a certos empregados da planta de Jacareí. Foi exarada a Decisão de 1 instância, 1731 a 1791, que confirmou a procedência parcial do lançamento, quanto aos Autos de Infração nº 37.262.8222, 37.262.8230 e 37.262.8249, retificandose de R$ 10.824.863,72 para R$ 10.597.989,30, de R$ 591.554,26 para R$ 513.368,45 e de R$ 1.388.578,90 para R$ 1.356.435,04, respectivamente, os créditos por meio deles lançados, na forma do DADR – Discriminativo Analítico do Débito Retificado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2007 a 31/12/2009 PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Quando em desacordo com a legislação específica, os valores recebidos pelos empregados a título de participação nos lucros ou resultados da empresa caracterizam fato gerador de contribuição previdenciária. PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS. INEXISTÊNCIA DE LUCRO NO EXERCÍCIO. IRRELEVÂNCIA. Quando não atrelado à existência de resultado contábil positivo, o direito dos trabalhadores à participação nos resultados da empresa permanece a despeito de esta haver apurado prejuízo em suas demonstrações financeiras. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAR INFORMAÇÕES DE INTERESSE DO INSS, POR INTERMÉDIO DA GFIP. DESCUMPRIMENTO. MULTA. Constitui infração, punível com multa pecuniária, a empresa omitir, na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP, valores que constituam fatos geradores de contribuições previdenciárias, ou inserir, na mesma Guia, dados incorretos que provoquem alteração no cálculo das contribuições devidas. PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO. MOMENTO. Fl. 1899DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13864.720081/201119 Acórdão n.º 2401003.626 S2C4T1 Fl. 6 9 Em regra, a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 1862 a 1873, contendo em síntese os mesmos argumentos da impugnação, os quais podemos descrever de forma sucinta: 13. Quanto à fixação da “PPR” com base nos resultados da empresa 13.1. O instituto da “Participação nos Lucros ou Resultados” encontra lastro no inciso XI do art. 7º da Constituição Federal, e regulamentação na Lei nº 10.101/2000, cujo art. 1o declara ser a PLR (i)"instrumento de integração entre o capital e o trabalho" e (ii) "incentivo à produtividade"; 13.2. É evidente que a conjunção "OU", constante no nome do instituto, tal como definido na Constituição e na lei, autoriza o pagamento do benefício na presença de lucros ou de um outro resultado convencionado pelas partes (condições que não são cumulativas, mas alternativas), sendo isto confirmado pelo art. 2º da referida lei; 13.3. De fato, se a lei permite que as partes (trabalhadores e empresa) convencionem critérios e condições outros daqueles que enumera (parte final do § 1º do art. 2º), claro está que estes podem estipular uma condição diversa do auferimento de lucro pela empresa; 13.4. Isso para não dizer que o comando afirma que os critérios ali enumerados (dentre os quais o lucro inciso I, in fine) podem ser levados em conta, o que obviamente significa que também podem não o ser. E que, ao lado dos índices de lucratividade, a lei indica critérios alternativos que nada têm que ver com o auferimento de lucro; 13.5. Com efeito, impedir o estabelecimento de PPR segundo critérios diversos do lucro equivale a transferir parcialmente para os empregados o risco do empreendimento, contra o que dispõe o art. 2ºo da CLT1. De fato, pode muito bem ocorrer que, apesar de todo o esforço dos empregados, a empresa apresente prejuízos em um dado ano, em razão de variáveis completamente fora do controle daqueles, como as taxas de juros ou de câmbio, desastres naturais, crises internacionais e outros; 13.6. Nada justifica, assim, as afirmações do Fisco de que resultado é, no contexto da lei, sinônimo de lucro, e de que a verificação de prejuízo obsta em qualquer hipótese o pagamento de PPR. Tudo depende, como é natural, dos termos do ajuste celebrado entre a empresa e seus empregados;. 13.7. Pois bem, a Impugnante celebrou vários Acordos Coletivos de Participação nos Resultados quanto ao período autuado, onde, em linhas gerais, ficou estabelecida a divisão das metas em dois grandes grupos: um de caráter coletivo (Indicador Global do Negócio), outro associado à individualidade do trabalho dos empregados, em seus diversos níveis e funções (Placar de Resultados FCE) Fl. 1900DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 10 13.8. Vale notar, inclusive, que há preponderância das metas individuais sobre os Indicadores Globais, como o demonstra, a título de exemplo, o item 5 (“Da Composição do PPR”) do acordo celebrado na Unidade Escritórios de São Paulo para o período de 2007; 13.9. Da análise desses acordos fica nítido que houve fixação de metas claras e objetivas condicionantes do pagamento de Participação nos Resultados, tal como exige a Lei n° 10.101/2000, art. 2º, § 1º); 10ª) É essencial observar que os acordos firmados pela Impugnante não aludem em nenhum momento a Participação nos Lucros e tampouco adotam o auferimento de lucro como condição ("gatilho") para o pagamento do benefício. Falam, sim, em Participação nos Resultados, condicionandoa à obtenção de um certo nível de EBITDA, vale dizer, “Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization” (ganhos antes do pagamento de juros, tributos, depreciações e amortizações); 13.10. Noutras palavras, o EBITDA equivale ao resultado operacional da empresa, que é justamente aquele pelo qual os empregados podem ser responsabilizados (sendo certo que a contratação de financiamentos a juros depende de decisões de diretoria muito além de sua alçada). Bem por isso, este é o critério normalmente adotado para efeito de participação nos resultados, certo como é que somente com indicadores estritamente operacionais é possível aferir o melhor ou pior desempenho dos empregados; 13ª) Assim, ao preferir o EBITDA ao lucro, a Impugnante não inovou em nada, adequando se às práticas do mercado e é importante reconhecêlo– beneficiando os seus colaboradores, que doutro modo nada receberiam em anos de resultados finais negativos; 13.11. Oportuno ainda esclarecer que, ao contrário do que sustenta a autuação, a PPR paga quando não há lucros não se transforma só por isso em prêmio, como se depreende da doutrina de Sérgio Pinto Martins, para quem o prêmio “é outorgado unilateralmente pelo empregador, constituindose numa liberalidade deste em razão de esforço feito pelo empregado, enquanto a participação nos lucros pode decorrer de previsão legal, de acordo ou convenção coletiva, de regulamento de empresa ou até do contrato de trabalho (...)” 14. ;Quanto aos pagamentos feitos a Diretores estatutários 14.1. A questão levantada pela fiscalização – de que os diretores estatutários Miguel Angel Peirano e Jorge Alexander Kowalski receberam pagamentos a título de PPR irregularmente, por não ostentarem a condição essencial de empregados celetistas – resumese a simples equívocos de escrituração, visto que tais pagamentos foram feitos pelo estabelecimento da Impugnante no México e, por política interna da empresa, todos os tributos devidos foram recolhidos aos cofres públicos do Brasil, como se demonstrará pela juntada posterior de documentos. 15. Quanto à fixação unilateral de metas pela empresa 15.1. Não tem razão o auditor fiscal quando afirma, no item 3.2.3 de seu relatório, que o pagamento do PPR para os empregados ali citados, em especial os gerentes e diretores empregados, “ficou condicionado a metas a serem definidas pela empregadora, configurando um ato unilateral de vontade”, pois, apesar de não estabelecidos nos Acordos Coletivos, os Placares de Resultados aplicáveis aos Gerentes e Diretores foram posteriormente convencionados por estes com a Impugnante, como se verifica dos documentos devidamente assinados pelos empregados em tela e ora juntados à guisa de exemplo; Fl. 1901DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13864.720081/201119 Acórdão n.º 2401003.626 S2C4T1 Fl. 7 11 15.2. O simples fato de tais critérios terem sido fixados depois de assinatura dos acordos coletivos não basta para que sejam desconsiderados, pois em alguns casos a negociação pode ser mais demorada (a justificar o fatiamento dos instrumentos) e tendo em vista que a própria Lei n° 10.101/2000 admite a preexistência de planos espontâneos a ser compensados com o acordo coletivo de trabalho (art. 3º, § 3º); 3ª) Isso demonstra que o próprio ACT pode ser assinado ao longo do exercício, o que também se aplica, com maior razão, a um simples ajuste complementar relativo a uma categoria específica de empregados. 16. Quanto à periodicidade dos pagamentos 16.1. Também improcede a afirmação do auditor notificante, no sentido de que “A empresa pagou valores a título de PPR para os empregados relacionados no Anexo VI deste relatório fiscal em mais de duas ocasiões no ano de 2009”, pois o que houve – como se provará pela juntada posterior de documentos – foram complementações a empregados que, por erro, receberam na data azada valor inferior àquele que lhes caberia em face da estrita aplicação dos critérios convencionados; 16.2. Não se trata, portanto, de novas apurações e pagamentos, mas sim entrega de diferenças constatadas a posteriori, decorrentes de equívocos justificáveis pela complexidade dos cálculos envolvidos e pela quantidade de empregados mantidos pela empresa. 17. Quanto aos pagamentos supostamente superiores ao valor acordado 17.1. Está eivada de nulidade a alegação fiscal de que vários empregados da Impugnante teriam recebido PPR em valores superiores àqueles acordados, vez que o Fisco não fez prova dessa irregularidade; 17.2. Com efeito, embora o auditor afirme haver relacionado no Anexo VII de seu relatório os pagamentos efetuados a título de participação nos lucros e resultados correspondentes a mais de dois salários dos empregados beneficiados, o referido anexo não faz qualquer menção a pagamentos superiores ao acordado; 17.3. Em realidade, o Anexo VII do Relatório Fiscal nada tem que ver com a matéria em comento, cuidando na verdade daquela ligada ao item subseqüente (pagamentos de PPR feitos a empregados com menos de 120 dias trabalhados), motivo pelo qual a autuação deve ser anulada nesta parte por vício formal, na medida em que torna impossível o exercício do direito de defesa do contribuinte. 18. Quanto os pagamentos a empregados recém contratados 18.1. No tocante à afirmação do auditor fiscal, de que os empregados relacionados no Anexo VIII receberam pagamentos a título de PPR sem haver cumprido o requisito de ter mais de quatro meses ou 120 dias trabalhados na empregadora no período de apuração dos resultados, vale salientar que, embora não exista nos documentos disponibilizados à Impugnante o citado Anexo VIII ao Relatório Fiscal, diante da transcrição parcial do conteúdo e pelo contexto, é possível constatar que se trata na verdade da tabela constante do Anexo VII; Fl. 1902DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 12 18.2. Seja como for, o fato articulado pelo fisco não basta para desnaturar os valores pagos a título de PPR, de saída porque não há qualquer violação à Lei n° 10.101/2000, que não condiciona o direito à PPR a uma permanência mínima do trabalhador no emprego; 18.3. Deveras, embora prevista nos acordos coletivos, a norma restritiva pode ser afastada por liberalidade do empregador (pagamento de PPR proporcional aos dias trabalhados), em benefício dos novos empregados ou daqueles que por alguma razão se desligaram da empresa antes do transcurso do referido prazo; 18.4. A prática alinhase ao cunho marcadamente social da PPR, não sendo merecedora de críticas no âmbito trabalhista ou fiscal; 18.5. No entanto, caso assim não se entenda, impõese que só os pagamentos feitos nesta situação (31 casos nos três anos fiscalizados) sejam tidos por salariais, sem contaminarem os demais. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 1903DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13864.720081/201119 Acórdão n.º 2401003.626 S2C4T1 Fl. 8 13 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. DO MÉRITO Assim, como já especificado pelo julgador de primeira instância, não houve por parte do contribuinte a impugnação do AI nº 37.262.8257, referente à multa por deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social, o que configura infração ao disposto no inciso I do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, c/c o art.225, inciso I e § 9º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999. Dessa forma, em relação ao referido AI não há o que ser apreciado, tendo em vista inclusive o desmembramento do débito. Assim, remanescem os seguintes AI: a) AI nº 37.262.8222, às contribuições previdenciárias a cargo da empresa. b) AI nº 37.262.8230, às contribuições previdenciárias dos próprios segurados empregados; c) AI nº 37.262.8249, às contribuições destinadas a outras entidades e fundos; d) AI nº 37.262.8214, à multa por apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, o que configura infração ao disposto no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24/07/1991; e QUANTO AO PAGAMENTO DE PLR Quanto aos levantamentos de PLR, devemos primeiramente identificar os fundamentos da autoridade fiscal, para que referidos valores constituíssem salário de contribuição, para então baseado na peça recursal e impugnatória, determinar a procedência do lançamento frente aos argumentos do julgador de primeira instância. O pagamento de PLR nada mais é do que uma forma de remunerar o empregado, contudo, por força constitucional, dita verba encontrase desvinculada do salário desde que paga nos exatos termos de lei, ou seja, tendo a lei 10.101 descrito a forma, como o PLR deve ser distribuído, bem como estabelecido regras para o seu pagamento, deverá o interessa, para usufruir do benefício constitucional Dessa forma, conclui o auditor, que ao descumprilas, assume o recorrente o risco de não mais ter esses pagamentos desvinculados do salário, passando a ter natureza salarial e por conseguinte faz nascer a obrigação de efetivar recolhimentos à título de Fl. 1904DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 14 contribuições previdenciárias sobre o PLR. Oportunamente, vale mencionar que não há qualquer nulidade no presente lançamento, quando desincumbiuse a autoridade fiscal e julgadora de explicitar qual o fato gerador, a base de cálculo e a contribuição devida. Assim, não há que se falar em presunção, considerando ter o auditor com base nos documentos apresentados durante a fiscalização, analisadoos e apontado quais dos requisitos legais, no seu entender deixaram de ser cumpridos. Tal procedimento encontrase em perfeita consonância com o princípio da segurança jurídica, tendo o auditor devidamente fundamentado a autuação, notificado o recorrente, permitindolhe o exercício do amplo poder de defesa, bem como o direito ao contraditório. O fato de ter o auditor e o recorrente interpretações distintas, quanto a incidência de contribuições sobre o PLR, de forma, alguma, invalida o lançamento. As referências do auditor quanto a suas conclusão podem ser facilmente alcançadas pelo documentos constantes dos autos. Passemos, agora, antes mesmos de apreciar a procedência do lançamento, identificar, toda a legislação que abarca a matéria, para que possamos cotejar seu cumprimento. DA DEFINIÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) grifo nosso. A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial. Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Assim, é clara a legislação, ao descrever que apenas o pagamento de acordo com a lei específica é que garantirá a não integração dos pagamentos no salário de contribuição. Dessa forma o argumento de que os pagamentos realizados a título de PLR, mesmo que desconsiderados pela fiscalização como tal, não se adequam à hipótese de incidência das contribuições previdenciárias não merece guarida. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS DIRETORES – Fl. 1905DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13864.720081/201119 Acórdão n.º 2401003.626 S2C4T1 Fl. 9 15 Em relação aos levantamentos sobre os pagamentos aos diretores NÃO EMPREGADOS, identificados nos relatórios como contribuintes individuais, lançou a autoridade fiscal contribuições por entender que os pagamentos não se coadunam com os preceitos legais, seja da lei 6.494 ou mesmo da lei 10.101/2000. Quanto aos pagamentos aos diretores estatutários, sejam as diferenças a participação nos Lucros e resultados, entendo que não demonstrou recorrente estar incorreta a descrição fiscal, ou mesmo que os valores de PLR aos diretores foram recolhidos ou estariam amparados por legislação para que os valores estejam excluídos do conceito de salário de contribuição. De forma expressa, a Constituição Federal de 1988 remete à lei ordinária a fixação dos direitos da participação nos lucros, nestas palavras: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. A Lei nº 8.212/1991, em obediência ao preceito constitucional, na alínea “j”, § 9º, do art. 28, dispõe, nestas palavras: Art. 28 § 9º Não integram o saláriodecontribuição: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. A edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, que dispunha sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas, veio atender ao comando constitucional. Desde então, sofreu reedições e renumerações sucessivamente, tendo sofrido poucas alterações ao texto legal, até a conversão na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. A Lei nº 10.101/2000 dispõe, nestas palavras : Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (grifo nosso) I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo Fl. 1906DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 16 ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º (...) § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) Art. 4º Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: I – Mediação; II – Arbitragem de ofertas finais. § 1º Considerase arbitragem de ofertas finais aquela que o árbitro deve restringirse a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes. § 2º O mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes. § 3º Firmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das partes. § 4º O laudo arbitral terá força normativa independentemente de homologação judicial. Cabe observar que o § 2º, do art. 2º, da Lei n ° 10.101, foi introduzido no ordenamento jurídico a partir da Medida Provisória nº 955, de 24 de março de 1995, e o § 3º, do art. 3º, a partir da Medida Provisória nº 1.69851, de 27 de novembro de 1998. Notese, conforme grifado no art. 1 da referida lei, que a PLR descrita na Lei 10.101/2000 serve apenas para regulamentar a distribuição no âmbito dos “empregados”, ou seja, não serve para afastar do conceito de remuneração os valores pagos à título de “participações estatutárias”. Mesmo que previsto em parte dos acordos coletivos, não existe previsão legal para tal exclusão. Não se pode elastecer o conceito de lucros ou resultados, sob pena de todas as empresas enquadrarem como resultados, as verbas salariais. A Lei n ° 10.101, resultado da conversão das Medidas Provisórias anteriores, é cristalina nesse sentido. O empregado tem que obter parcela de seu rendimento associado ao resultado da empresa como um todo e não apenas Fl. 1907DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13864.720081/201119 Acórdão n.º 2401003.626 S2C4T1 Fl. 10 17 à execução de sua atividade laboral, pois este último terá, obviamente, natureza salarial, como mera natureza de prêmio ou gratificação. Da mesma forma, entendo inaplicável os termos da lei 6404/76, para consubstanciar o pagamento, tendo em vista que o art. 152 da referida lei, abre a possibilidade da companhia distribuir lucros, contudo, como bem enfatizado pelo auditor e não contestado, a empresa não obteve lucro, ou mesmo argumentou que os pagamentos estariam consubstanciados e lucros obtido por esse permissivo legal. Da mesma forma, existindo pagamento aos segurados Miguel Angel e Jorge Alexander, enquanto prestando serviços no Brasil, vinculados a autuada, correto a inclusão de tais valores como base de cálculo. Quanto a indicação da própria empresa que todos os tributos devidos foram recolhidos, não apresentou o recorrente qualquer prova do efetivo recolhimento, razão pela qual meras alegações não são suficientes para afastar o lançamento realizado. CONCLUSÃO: devem ser mantidos os lançamentos em relação aos diretores, tendo em vista ausência de amparo legal para excluir tais verbas do conceito de salário de contribuição, nem tal pouco em relação aos citados CI não demonstrou o efetivo recolhimento da contribuição previdenciária correspondente. FUNDAMENTAÇÃO: não enquadramento na lei 10.101/2000, nem em relação fática à lei 6404//76. FIXAÇÃO UNILATERAL DE METAS AOS EMPREGADOS NOS NÍVEIS DE COORDENAÇÃO, CHEFIA E EQUIVALENTES, GERENTES E DIRETORES Quanto a este ponto, vejamos novamente trecho do relatório fiscal que trata da questão, destacando prontos do Parágrafo quinto e sexto dos itens 6 dos acordos coletivos: a) Os Acordos firmados com os sindicatos não cumpriram o disposto no § 1º do art. 2º da Lei nº 10.101/2000, quando ficou estabelecido, nos parágrafos quinto e sexto de sua Cláusula 5ª, que em relação aos trabalhadores ali identificados (empregados que se enquadrarem nos níveis de Coordenação, chefia e equivalentes, e empregados de nível executivo – gerentes e diretores –, consoante a estrutura de cargos e salários da empregadora),a meta para efeito de percepção da PPR seria definida pela própria empresa. b) O pagamento do PPR para os empregados citados nesses parágrafos, em especial os gerentes e diretores empregados, ficou condicionado a metas a serem definidas pela empregadora, configurando um ato unilateral de vontade. Desta forma, mesmo com a concordância do sindicato, tal circunstância descaracteriza a tipificação do pagamento do PPR, nos termos da a Lei n.° 10.101/2000, pelo que os pagamentos efetuados nas rubricas de código 272 PPR Bônus CP, 273 PPR Bônus LP, 275 Bônus PPR e 1343 PPR Gerencial não estão contemplados como hipótese de não incidência de contribuição previdenciária e, destarte, foram considerados bases de cálculo de contribuição previdenciária. Fl. 1908DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 18 Com relação a esse ponto identificamos como argumentos do recorrente em seu recurso e impugnação: (...) “Apesar de não estabelecidos nos AC, os placares de resultados aplicáveis aos gerentes e diretores foram posteriormente convencionados por estes com a recorrente, como se verifica dos documentos anexados à impugnação (doc n. 05 da impugnação), devidamente assinados pelos empregados em tela e ora juntados à guisa de exemplo. Fl. 1865. Quanto a este ponto, concordo com o recorrente que nada impede que seja feito em documento apartado, desde que cumpra o mesmo rito do acordo principal. Senão vejamos: DA EXIGÊNCIAS LEGAIS PARA FORMALIZAÇÃO DO ACORDO A Lei nº 10.101/2000 dispõe, nestas palavras : Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º (...) § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) Da leitura do § 1º do art. 2 da lei 10.101/2000, podemos extrair claramente a necessidade de constar dos instrumentos (seja realizada a negociação em documentos apartados ou no mesmo documentos) as regras, metas ou critérios que ensejarão ao pagamento. Fl. 1909DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13864.720081/201119 Acórdão n.º 2401003.626 S2C4T1 Fl. 11 19 Neste caso, a exigência legal é que se negocie com os sindicatos, ou mesmo com a comissão de empregados, assistida por representante do sindicato, o “pretendido”, o que se deseja alcançar e o que isso representará de retorno para os empregados. Qualquer estabelecimento de planos diretamente pelo empregador, ou até mesmo sua negociação direta com os empregados (sem a participação do sindicato), adquire verdadeiro caráter de “acordo por adesão”, posto que a hipossuficiência do empregado frente ao empregador detentor do poder econômico”, não permite que sejam verdadeiramente negociadas as cláusulas (coerção presumida). O sindicato tem por escopo proteger a categoria profissional, frente a superioridade econômica do empregador; dessa forma, não age como mero telespectador, mas intervindo de forma a evitar que o “poder de coerção” do empregador acabe por intimidar empregados a firmar acordos que os prejudicariam mesmo que indiretamente, já que não reflete nas demais verbas trabalhistas devidas aos empregados (FGTS, Férias, !3 salário etc.). Apenas, com fim de esclarecer, analisando o doc. 5, indicado pela empresa, fl. 1519, não identifico o cumprimento do requisito legal, vez que apresentado o formulário de alcance do resultado, mas de forma algumas a comprovação de que as regras e mestas ali estabelecidas forma negociadas pelo empregador. CONCLUSÃO: entendo que a fixação de metas pela própria empresa posteriormente, não se amolda a pretensão constitucional de negociação de PLR, muito menos a exigência da lei que rege a matéria. FUNDAMENTAÇÃO: Descumprimento do § 1º do art. 2 da lei 10.101/2000. QUANTO AO PAGAMENTO EM VALORES SUPERIORES AO ACORDADO – PR e PR1 Descrição fiscal do descumprimento: a) A cláusula 2 dos Acordos de Participação nos Resultados estipulou que, se atingida os resultados préestabelecidos, o PPR a ser paga para as categorias de chefe, coordenador, supervisor e especialista seria correspondente a 1,3 salários, e para as categorias administrativos, técnicos e operacionais o PPR seria correspondente a um salário do empregado. b) Contudo, ficou constatado que foram feitos pagamentos a diversos empregados em valores superiores a estabelecido no Acordo, como o demonstra o Anexo VII do relatório fiscal, onde se encontram relacionados os pagamentos em valores acima de dois salários dos trabalhadores beneficiados. Em relação a esse tópico, assim argumentou o recorrente, fl. 1868: “Ocorreu, Todavia, que a impugnante e seus empregados convencionaram a PPR não se limitaria a um teto, como poderia ser deduzido do texto dos acordos coletivos. O só fato de isso ter sido decidido depois da assinatura dos acordos coletivos não desnatura os valores como PPR, pois há casos em que a negociação final pode ser demorada (a justificar o fatiamento Fl. 1910DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 20 dos instrumentos), tanto que a própria lei 10.101/2000 admite a compensação dos valores pagos na forma de planos anteriores. Isso demonstra que o próprio acordo pode ser assinado ao longo do exercício, o que também se aplica, como maior razão, a um simples ajuste complementar relativo ao pagamento de valores superiores aos originalmente estimados” Dessa forma, baseandose nos resultados operacionais (EBITDA) dos períodos e diante dos altos índices de produtividade e superação de metas pelos empregados, a Recorrente decidiu suplementar as quantias pagas a título de PPR, o que jamais foi contestado pelos empregados ou por seus sindicatos. Quanto a este ponto, entendo que razão não assiste ao recorrente. A lei 10.101/2000, estabelece a necessária negociação da participação dos lucros ou resultados, sendo livre as partes para pactuar as regras, metas e critérios para o pagamento, contudo ao pactuálos deverá obedecer os termos do acordo, sendo que ao pagar acima dos limites convencionados, afastase da exclusão da base de cálculo prevista no art. 28, §9 da lei 8212/91. No meu entender, tendo o recorrente descumprindo os limites do acordo, passa a conceder à título de parcela excedente uma mera gratificação (ou mesmo prêmio descrito pelo auditor), ou seja, sob essa acaba por incidir contribuição previdenciária. Não é a nomenclatura “participação nos lucros” que define, por si só, a natureza da verba, mas sua finalidade e características. Se os valores pagos ultrapassam aqueles previstos no instrumento que autorizam o pagamento, não há que se falar em previsão dos mesmos no acordo, razão pela qual correto o procedimento adotado. Vejamos trecho de decisão dos tribunais acerca dessa questão: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS X PRÊMIO – DENOMINAÇÃO DA PARCELA E SUA NATUREZA – PREVALÊNCIA. Verificandose que, embora denominada “participação noslucros”, a parcela paga ao trabalhador tinha natureza de “prêmio”, assim considerada a promessa de vantagem caso o empregado atinja certo nível de produção ou observe determinada conduta, temse como inaplicável o disposto no art. 10, XI da Constituição Federal e na lei 10.101/00, devendo ser reconhecida a natureza remunueratória dos valores pagos e eferidos os respectivos reflexos, não sendo admissível a prevalência do rótulo em relação ao conteúdo.” TRT – 24 Reg – Proc 00556200103124002 – RO Rel: Juiz Amaury Rodrigues Pinto Junior – DJMS 22.1.2003. Por fim, em relação a este item, já foi declarada a decadência parcial, conforme decisão de primeira instância: Destarte, como esse novo Anexo VIII foi trazido aos autos somente por ocasião da diligência fiscal determinada por esta 6ª Turma, é de se acolher as razões da defesa, no sentido de que, “considerando que a descrição do fato não foi suficiente para a certeza de sua ocorrência, por ausência de elemento essencial, o lançamento original estava afetado de vício material, contrariando o art. 142 do CTN”, bem como de que é “Evidente o caráter inovador do Relatório Fiscal da Diligência, que agregou levantamentos e discriminativos das bases de cálculo e Fl. 1911DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13864.720081/201119 Acórdão n.º 2401003.626 S2C4T1 Fl. 12 21 dos valores devidos”, motivo pelo qual “somente agora o crédito tributário foi efetivamente constituído”. Desse acolhimento impõese, igualmente, o reconhecimento de que “a intimação recebida pela empresa em 18.07.2012 quanto ao resultado da diligência fiscal tem natureza de novo lançamento, substitutivo do original, quanto à cobrança de contribuições sobre valores de PPR alegadamente pagos em montante superior ao previsto nos acordos coletivos”, e, por conseguinte, de que, relativamente a tais contribuições, operouse “a decadência de todos os créditos relativos a fatos anteriores a julho de 2007”, isto é, relativos a pagamentos realizados há mais de cinco anos contados da data da aludida intimação. Em suma, no que respeita às contribuições apuradas com base nos pagamentos noticiados no item 3.2.5 do relatório fiscal, devem ser excluídos dos autos de infração impugnados os valores lançados em competências anteriores a 07/2007, conforme planilha “Retificação por Decadência”, que ora anexamos ao presente decisum. Quanto a procedência parcial do lançamento, importante salientar que não cabe a este colegiado a reapreciação das questões, tendo em vista inexistir recurso de ofício sobre a matérias excluídas do lançamento. CONCLUSÃO: o pagamento acima dos limites legais consiste base de cálculo de contribuições previdenciárias. FUNDAMENTAÇÃO: Descumprimento do do art. 2 da lei 10.101/2000 e seus parágrafos.. QUANTO AO PAGAMENTO INDEPENDENTE DO PERÍODO DO CONTRATO. Neste ponto, assim menciona o auditor os fundamentos para o descumprimento da lei: a) A cláusula 7, letra "a" do Acordo de Participação nos Resultados dispõe que para o empregado ser incluído no PPR é necessário que tenham mais de quatro meses ou 120 dias trabalhados na empregadora, no período de apuração dos resultados. b) Ocorre que os empregados relacionados no Anexo VIII receberam pagamentos a título de PPR sem haver cumprido esse requisito, conforme descrito na coluna “Situação irregular para o recebimento do PPR (Rubricas 1342, 2434, 1345, 1346 e 1351)”. Já o recorrente traz em suas alegações, fls. 1869: “Ora, o fato não basta para desnaturar os valores pagos a título de PPR de saída porque não há qualquer violação à lei 10.101/2000, que não condiciona o direito à PPR a uma permanência mínima do trabalhador no emprego. Fl. 1912DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 22 Embora prevista nos acordos coletivos, a norma restritiva pode ser afastada por liberalidade do empregador (pagamento de PPR proporcional aos dias trabalhados), em benefício dos novos empregados ou daqueles que por alguma razão se desligaram da empresa antes do transcurso. A prática alinhase ao cunho marcadamente social da PPR, não sendo merecedora de críticas o âmbito trabalhista ou fiscal. Os valores pagos em questão devem ter o mesmo encaminhamento daqueles pagos em patamares superiores aos valores previstos na convenção coletiva. (abordados no tópico anterior). Concordo com o recorrente que a lei 10.101/2000 não condiciona o PLR a uma permanência mínima, porém a lei 10.101/2000, exige que os termos dos pagamentos devem ser ajustados. Bom, se realizado o pacto, o pagamento em desconformidade do acordo, acaba se afastando da natureza do PLR convencionado, passando, por mera liberalidade da empresa a constituir pagamento sobre outro fundamento. Mesmo que a empresa diga que é PLR e observou os mesmos parâmetros, fato é que o acordo firmado não acobertava tal pagamentos. Dessa forma, não há como afastar a natureza remuneratória da verba, posto que na verdade não existia, para o pagamento a esses trabalhadores, negociação para concessão do benefício em conformidade com a lei 10.101/2000. CONCLUSÃO: o pagamento para trabalhadores não incluídos no acordo que disciplina o pagamento de PPR, consiste base de cálculo de contribuições previdenciárias. FUNDAMENTAÇÃO: Descumprimento do art. 2 da lei 10.101/2000 e seus parágrafos.. QUANTO A PERIODICIDADE NO PAGAMENTO Quanto ao aspecto da periodicidade, assim indicou a autoridade fiscal: a) A empresa pagou valores a título de PPR para os empregados relacionados no Anexo VI do relatório fiscal em mais de duas ocasiões no ano de 2009. Em realidade, foram feitos pagamentos para a maioria dos empregados listados nos meses de março, abril e setembro, havendo ainda casos de o empregado receber em quatro meses do ano. b) Tal procedimento contraria o § 2o do artigo 3º da Lei n.° 10.101/2000, de acordo com o qual “É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil.”, motivo pelo qual esses pagamentos não podem ser abrangidos pela hipótese de não incidência de que trata esse mesmo artigo. Por outro lado a empresa assim, descreveu seu entendimento acerca da periodicidade exigida em lei: Tudo o que houve foram complementações a empregados que, por erro, receberam na data azada valor inferior àquele que lhes caberia em face da estrita aplicação dos critérios convencionados. Fl. 1913DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13864.720081/201119 Acórdão n.º 2401003.626 S2C4T1 Fl. 13 23 Não se trata, portanto de novas apurações e pagamentos, mas sim entrega de diferenças constatadas a posteriori, decorrentes de equívocos justificáveis pela complexidade dos cálculos envolvidos e pela quantidade de empregados mantidos pela empresa. Realmente, conforme apontado pelo auditor, a lei 10.101/2000 não admite o pagamento de PLR mais duas vezes no ano, ou com periodicidade inferior a um semestre civil, ou seja, entendo que os dois prazos são cumulativos e não uma opção. Assim, ao pagar PLR em desconformidade com a lei, também em relação a periodicidade, passam os valores distribuídos a compor o conceito de salário de contribuição. Assim descreve o dispositivo legal a respeito: Art. 3º A participação de que trata o art. 2onão substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Contudo, para que seja descumprido o requisito da periodicidade, deve o auditor indicar que a empresa distribuiu efetivamente PLR aos empregados com a inobservância da lei. Se confirmada a alegação da empresa, que tratase de meras diferenças, esses valores, não merecem ser tratados como outra parcela de PLR, mas simples ajuste do mesmo, como o fim de realizar o pagamento correto após apuração. No presente caso, entendo que razão assiste ao recorrente.no sentido, que o simples fato de existirem mais pagamentos, não desnatura o PLR. Contudo, o ANEXO VI – , fl. 296, Relação de empregados que receberam o PPR mais de duas vezes no ano calendário 2009, descreve empregado a empregado, aqueles que receberam em mais de duas parcelas, e não entendi, como os meros complementos. Muitos pagamentos extras, apresentam o mesmo valor da ultima parcela, mesmo que em valores menores que a parcela inicial. Assim, embora, aceite o argumento teórico do recorrente, não consegui identificar nos presentes autos que os terceiros pagamentos, representem simples diferença, tendo o auditor identificado pontualmente cada um dos beneficiados. CONCLUSÃO: entendo que para a relação apresentada pela autoridade fiscal, foi descumprido o limite máximo de salário de contribuição, razão pela qual deve consistir base de cálculo de contribuição. FUNDAMENTO: descumprimento do §2o do art. 3 da lei 10.101/2000. QUANTO A PACTUAÇÃO PRÉVIA DOS ACORDOS Questionando a indicação de exigência na lei de pacto prévio, assim manifestase o recorrente acerca do art. 3 da lei 10.101/2000. O primeiro dispositivo, ao determinar que são dedutíveis do lucro real mesmo as participações constituídas no curso do Fl. 1914DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 24 exercício, deixa claro que estas não precisam estar formalizados antes do início deste. No mesmo sentido, a segunda regra, autorizando a compensação com a PLR devida na forma de acordo ou convenção coletiva dos pagamentos espontâneos anteriormente feitos, põe acima de toda dúvida que tais instrumentos podem ser celebrados quando o ano já corria, como resultados já alcançados e participações já creditadas aos empregados. Assim, ao contrário de impedimento tácito (pois expresso a própria decisão reconhece não existir), o que há é clara autorização para que acordos sejam celebrados – com todos os efeitos de direito – a qualquer tempo antes do encerramento do exercício em que auferidos os resultados a serem partilhados com os trabalhadores. Já no relatório fiscal descreveu o auditor, fls. 78: “Observamos que, por ocasião da assinatura dos Acordos de Participação nos Resultados pelos sindicatos e empresa (agosto a novembro de 2006), já havia decorrido três quartos do período no qual as metas programadas deveriam ser cumpridas, ou seja, o cumprimento ou não das metas já eram praticamente fatos pretéritos.” O requisito pactuação prévia, também foi indicado pelo auditor como descumprimento de exigência legal, razão pela qual merece ser apreciado. Segundo o recorrente a lei não exige pacto prévio ao exercício, podendo o mesmo ser pactuado no decorrer do exercício. Acredito ser o argumento pacto prévio o mais importante para que se possa definir o regularidade dos planos, sendo determinante para procedência da autuação. Devemos ter em mente a natureza do pagamento PLR e de sua finalidade, qual seja, estimular o empregado a participar do capital da empresa, onde seu maior esforço gerará maiores lucros, que serão com ele repartidos. Não acho possível qualquer outro raciocínio a respeito do tema. Por exemplo ao acatarmos a possibilidade de que as partes, fixem mediante acordo o resultado a ser alcançado, inclusive estabelecendo no acordo o resultado global a ser alcançado, não há como estabelecer um resultado no fim do exercício. Entendo, ser o requisito pacto prévio, fundamental, para que se faça cumprir os preceitos da lei 10.101/00. No caso em questão a autoridade fiscal, conforme descrito no relatório fiscal, procedeu ao lançamento de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos feitos à título de participação nos lucros, também sob o fundamento de falta de acordo prévio ao exercícios em que se baseavam os pagamentos. Se não se exigisse acordo prévio ao trabalho desempenhado, poderseia vislumbrar que o trabalho exaustivo do empregado durante todo um ano, com a promessa por parte do empregador de uma futura participação nos lucros, resultasse no incremento ínfimo em sua remuneração. Ou seja, para que possa sentirse estimulado o empregado, tem que ter a mínima noção do quanto esse seu empenho, trarlheá de resultados, até para que o mesmo verifique seu interesse em dedicarse de forma mais profícua. Todos os acordos para os anos de 2006, 2007 e 2008, foram pactuados no fim do exercício a que se referem. Fl. 1915DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13864.720081/201119 Acórdão n.º 2401003.626 S2C4T1 Fl. 14 25 Como é sabido, o grande objetivo do pagamento de participação nos lucros e resultados e a participação do empregado no capital da empresa (essa é a base do texto constitucional), de forma que esse se sinta estimulado a trabalhar em prol do empreendimento, tendo em vista que o seu engajamento, resultará em sua participação no capital (na forma de distribuição dos lucros alcançados). Assim, como falar em envolvimento do empregado na empresa, se o mesmo não tem conhecimento prévio do quanto a sua dedicação irá refletir em termos de participação. É nesse sentido, que entendo que a lei exigiu não apenas o acordo prévio ao trabalho do empregado, ou seja, no início do exercício, bem como o conhecimento por parte do trabalhador de quais as regras, critérios (ou mesmo metas), que deverá alcançar para fazer jus ao pagamento. Da mesma forma, vislumbrase a necessidade de critérios para que se mensure o alcance dos resultados inicialmente estipulados, assim, como descreveu a autoridade fiscal. CONCLUSÃO: entendo que o requisito pacto prévio restou descumprido em relação a todos os plr 2006, 2007 e 2008, quando só realizado o acordo no fim do exercício para o qual se refere. FUNDAMENTAÇÃO: Descumprimento do §1 do art. 2 da lei 10.101/2000 e seus parágrafos.. QUANTO A NECESSÁRIA EXISTÊNCIA DE LUCRO Embora muito bem fundamentada a análise do auditor acerca do conceito “resultado”, não me filio a tese por ele adotada, considerando as definições de lucros e resultados. Tendo sido estipulado por meio de instrumento regular a possibilidade de alcance de resultados sejam globais, setoriais e individuais, não há que se falar em descumprimento dos preceitos constitucionais. Porém embora tenha o recorrente, apresentado diversos argumentos em relação a esse tópico, a questão já restou inclusive afastada pelo julgador de primeira instância. Razão pela qual entendo não ser mais necessário manifestarme a respeito. QUANTOS AOS AI DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAL – TERCEIROS E SEGURADOS Cumpre observar, primeiramente, que fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, AI nº 37.262.8249, conforme art. 94 da Lei 8.212/91. Todavia, o resultado do presente auto de infração, em relação ao mérito, segue o mesmo resultado da obrigação principal correlata, onde foram lançadas as contribuições patronais, acima julgadas. No mesmo sentido, AI nº 37.262.8230, às contribuições previdenciárias dos próprios segurados empregados; não há o que ser apreciado, tendo em vista que o próprio recorrente não questiona expressamente as contribuições. QUANTOS AOS AI DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Por fim, restou lavrado durante o mesmo procedimento o AI nº 37.262.8214, no qual foi aplicada multa por apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, o que configura infração ao disposto no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24/07/1991; e Fl. 1916DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 26 Conforme descrito no relatório fiscal a autuação teve por fundamento o art. 32, IV da Lei n ° 8.212/1991, que disciplina que o contribuinte é obrigado informar ao INSS, por meio de documento próprio, informações a respeito dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, nestas palavras: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97) (grifo nosso) Importante salientar, que tratandose de AI de obrigação acessória, não há quanto ao mérito qualquer questão a ser apreciada, posto que a procedência dos fatos geradores que ensejaram a multa ora aplicada, já foram objeto de apreciação no presente processo. Razão pela qual a procedência da obrigação principal, resulta na procedência das acessórias. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 1917DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13864.720081/201119 Acórdão n.º 2401003.626 S2C4T1 Fl. 15 27 Declaração de Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Ouso discordar do brilhante voto da Relatora apenas na parte que diz respeito à apreciação do descumprimento da periodicidade legal para pagamento da PLR relativa aos pagamentos realizados no ano de 2009. Em relação à periodicidade da distribuição dos lucros ou resultados, o fisco indicou que a autuada distribuiu lucros a determinados empregados em três ocasiões no mesmo ano civil. Assim, os Auditores concluíram que as contribuições previdenciárias deveriam incidir sobre todas as parcelas pagas pela empresa a título de distribuição de lucros e resultados para os pagamentos efetuados em 2009. Tal entendimento foi mantido pela DRJ e adotado pela Relatora. Peço vênias para discordar desse posicionamento. O art. 3º, §2º da Lei 10.101/00, limita o pagamento de antecipação ou distribuição de valores a título de PLR a duas vezes ao ano, em periodicidade não inferior a um semestre civil: Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Da leitura da legislação (Lei 10.101/00) acima mencionada, verificase que não há nenhuma exceção em relação aos pagamentos referentes às competências anteriores ou posteriores, ou seja, ainda que se trate de antecipação ou complementação, tal parcela será considerada na aplicação da regra da periodicidade. Contudo, havendo dois pagamentos no mesmo ano civil, entendo que não se pode tributar a totalidade dos pagamentos efetuados, mas apenas aquele pagamento que acabou por violar a regra de periodicidade prevista na lei. Esse posicionamento vem sendo manifestado tanto pela jurisprudência administrativa quanto a judicial, conforme se observa dos trechos abaixo transcritos: Quanto ao pagamento de PLR efetuado aos empregados nas localidades em que a recorrente firmou acordo coletivo com o sindicato da categoria, entendo que a recorrente deixou de cumprir os requisitos legais apenas no exercício de 2000, quando efetuou pagamento de PLR três vezes no exercício, sendo duas delas dentro do mesmo semestre civil. Fl. 1918DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 28 A recorrente efetuou pagamentos em 05/2000, 06/2000 e 12/2000. A meu ver, a parcela que representou o descumprimento do requisito legal corresponde àquela efetuada em 06/2000 e sobre esta devem incidir as devidas contribuições. (CARF, trecho do voto condutor, proferido pela Relatora Conselheira Ana Maria Bandeira, Acórdão 20601.025, Sessão de 02/07/2008). TRIBUTÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PERIODICIDADE MÍNIMA DE SEIS MESES. ART. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (CONVERSÃO DA MP 860/1995) C/C O ART. 28, § 9º, "j", DA LEI 8.212/1991. REDUÇÃO DA MULTA MORATÓRIA. ART. 27, § 2º, DA LEI 9.711/1998. EXIGÊNCIA DE PAGAMENTO INTEGRAL. ART. 35 DA LEI 8.212/1991. REDAÇÃO DADA PELA LEI 9.528/1997. DISCUSSÃO ACERCA DA CONSTITUCIONALIDADE. NÃOCONHECIMENTO.[...] 12. Escapam da tributação apenas os pagamentos que guardem, entre si, pelo menos seis meses de distância. Vale dizer, apenas os valores recebidos pelos empregados em outubro de 1995 e abril de 1996 não sofrem a incidência da contribuição previdenciária, já que somente esses observaram a periodicidade mínima prevista no art. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (conversão da MP 860/1995). [...] (STJ, REsp 496.949/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 25/08/2009, DJe 31/08/2009) Desse modo, apenas sobre as parcelas dos lucros ou resultados pagas ou creditadas em inobservância à regra legal devem incidir as contribuições previdenciárias. Já as parcelas pagas em observância ao art. 3º, §2º da Lei n. 10.101/2000 – uma vez por semestre e, no máximo, duas vezes por ano – devem ser excluídas. Assim, pelo raciocínio acima, somente houve o descumprimento em relação ao terceiro pagamento, posto que distribuída em excesso com relação à previsão legal de dois pagamentos por ano civil. Todavia, os dois pagamentos efetuados em conformidade com o § 2. do art. 3. da Lei n. 10.101/2000 não devem sofrer a tributação. Conclusão Voto por afastar a incidência de contribuições sobre as parcelas pagas em conformidade com a periodicidade legal, mantendose a tributação apenas em relação à parcela excedente. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 1919DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 10935.902475/2012-97
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/09/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.630
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/09/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/09/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de COFINS que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/09/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 24 75 /2 01 2- 97 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.780, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 01/08/2012, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 22556.60336.201107.1.2.045808, rastreamento nº 029225098, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 22.001,85, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 5856), do período de 31/08/2004, efetuado em 15/09/2004, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 13/08/2012, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 58DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902475/201297 Acórdão n.º 3802002.630 S3TE02 Fl. 122 3 Data do fato gerador: 15/09/2004 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao Fl. 59DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902475/201297 Acórdão n.º 3802002.630 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 61DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 62DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902475/201297 Acórdão n.º 3802002.630 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 63DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902475/201297 Acórdão n.º 3802002.630 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 65DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 13982.001233/2009-10
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
MULTA QUALIFICADA - JUSTIFICATIVA - OMISSÃO DE RENDIMENTOS AMPARADA EM PRESUNÇÃO LEGAL
Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser justificada e comprovada nos autos, não se prestando para tanto a alegação de relevância econômica e reiteração da conduta, desacompanhada da demonstração de outros elementos dolosos em ato comissivo (facere) do agente, notadamente quando se trata de exigência alicerçada em presunção legal.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.284
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad Relator
EDITADO EM: 07/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justicadamente, o Conselheiro Marcelo Oliveira.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 MULTA QUALIFICADA - JUSTIFICATIVA - OMISSÃO DE RENDIMENTOS AMPARADA EM PRESUNÇÃO LEGAL Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser justificada e comprovada nos autos, não se prestando para tanto a alegação de relevância econômica e reiteração da conduta, desacompanhada da demonstração de outros elementos dolosos em ato comissivo (facere) do agente, notadamente quando se trata de exigência alicerçada em presunção legal. Recurso especial negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 07/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justicadamente, o Conselheiro Marcelo Oliveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1514; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 6 1 5 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13982.001233/200910 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.284 – 2ª Turma Sessão de 30 de julho de 2014 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado HUGO ADOLFO LUNARDI ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 MULTA QUALIFICADA JUSTIFICATIVA OMISSÃO DE RENDIMENTOS AMPARADA EM PRESUNÇÃO LEGAL Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser justificada e comprovada nos autos, não se prestando para tanto a alegação de relevância econômica e reiteração da conduta, desacompanhada da demonstração de outros elementos dolosos em ato comissivo (“facere”) do agente, notadamente quando se trata de exigência alicerçada em presunção legal. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 12 33 /2 00 9- 10 Fl. 370DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator EDITADO EM: 07/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justicadamente, o Conselheiro Marcelo Oliveira. Relatório Em face de Hugo Adolfo Lunardi, foi lavrado o auto de infração de fls. 02/12, objetivando a exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física dos exercícios de 2005, 2006 e 2007, em decorrência da omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origens não comprovadas, sendolhe imputada multa de ofício qualificada de 150%. A Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 220101.328, que se encontra às fls. 316/322 e cuja ementa é a seguinte: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO JUSTIFICADOS ELEMENTOS CARACTERIZADOS DO FATO GERADOR. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. O fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte. A presunção de omissão de rendimentos se caracteriza ante a falta de esclarecimentos da origem dos valores creditados junto ao sistema financeiro. MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS ESTRIBADA EM UMA PRESUNÇÃO LEGAL. Nos termos do enunciado nº 14 da Súmula deste Conselho, não há que se falar em qualificação da multa de ofício nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do evidente intuito de fraude. Nessa linha, incabível o Fl. 371DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 13982.001233/200910 Acórdão n.º 9202003.284 CSRFT2 Fl. 7 3 exasperamento da multa de ofício quando a omissão de rendimentos está estribada em mera presunção legal, sem qualquer conduta adicional que qualifique tal presunção.” A anotação do resultado do julgamento indica que a turma, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário para desqualificar a multa de oficio, reduzindoa ao percentual de 75%. Regularmente intimada do acórdão (fls. 324) a Fazenda Nacional interpôs em 11/06/2012 o recurso especial de fls. 325/331, pleiteando a reforma do v. acórdão recorrido tendo em vista divergências entre o v. acórdão recorrido e os acórdãos n.ºs 10196.446 e 105 17.034 no tocante à aplicação da multa qualificada (artigo 44, II, da Lei nº 9.430/96 e artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64). Ao Recurso Especial da Fazenda foi dado seguimento, conforme Despacho n.º 220101.328 de 28/02/2012 (fls. 333/338). Regularmente intimado do acórdão e do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, o contribuinte opôs embargos de declaração alegando que o acórdão foi omisso ao não se pronunciar quanto à alegação de que os depósitos bancários verificados em sua conta corrente pertenciam a terceiros, aplicandose, assim, o disposto no art. 42, § 5º da Lei 9.430/1996. O contribuinte foi regularmente intimado em 05/11/2012 (fls. 364) do Despacho em Embargos de 12/07/2012 às fls. 358/359, que não acolheu os Embargos de Declaração opostos, deixando de apresentar suas contrarazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Analiso, inicialmente, a admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Os acórdãos paradigmas apontados pela Recorrente encontramse assim ementados: Acórdão nº 10196.446 “(...) MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É aplicável a multa de ofício qualificada de 150 %, naqueles casos em que restar constatado o evidente intuito de fraude. A conduta ilícita reiterada ao longo do tempo, descaracteriza o caráter fortuito do procedimento, evidenciando o intuito doloso tendente à fraude. (...)” Acórdão n.º 10517.034 "(...) MULTA QUALIFICADA. Provada a ocorrência da situação prevista no art. 71, I da Lei 4502/64, aplicase a multa Fl. 372DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 qualificada prevista no art. 44 da Lei 9.430. A prática reiterada da infração demonstra de forma inequívoca o dolo do agente.” No presente caso, o v. acórdão recorrido entendeu que divergência e/ou omissão entre valores declarados e os apurados por meio de depósitos bancários não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Destarte, patente a divergência, razão pela qual conheço do recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. A discussão no presente recurso está limitada à possibilidade de restabelecimento da multa qualificada aplicada ao contribuinte. A penalidade em questão foi aplicada com base no art. 44, inciso II da Lei n. 9.430, de 1996, incorporado ao art. 957, II, do RIR/99, assim redigido: “Art. 957 – Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de imposto (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 44) (...) II de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Os dispositivos referidos, vale dizer, os artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502, de 1964, cuidam das figuras do dolo, fraude e sonegação, nos seguintes termos: “Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” Já me manifestei em outras oportunidades que nos termos da previsão legal acima, para que a multa de lançamento de ofício de 75% seja qualificada e elevada para 150% é imprescindível que se configure o evidente intuito de fraude, demonstrado inequivocadamente nos autos a partir de elementos probatórios colacionados pela fiscalização. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 13982.001233/200910 Acórdão n.º 9202003.284 CSRFT2 Fl. 8 5 Essa posição é reconhecida pela jurisprudência deste E. Colegiado, restando incontroverso que a fraude não se presume, sendo necessário que sejam produzidas provas do evidente intuito a que se refere a norma legal, não bastando suspeitas. A experiência indica que o evidente intuito de fraude se configura nas situações em que demonstrado o emprego de meios ardis, como notas fiscais calçadas, recibos falsificados, etc. Ao contrário da responsabilidade pela obrigação tributária principal, que a teor do art. 136 do CTN não requer dolo ou culpa para sua configuração, bastando a prática da infração por qualquer meio, a aplicação da multa dita qualificada pressupõe dolo específico, no sentido de subtrair o imposto que se sabe devido pela utilização de meios fraudulentos. Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 267, a multa qualificada foi aplicada pelo agente fiscal pelos seguintes fundamentos: “(...) Ademais, o montante das receitas omitidas pelo contribuinte, e consideradas na presente autuação, quais sejam: R$ 83.425,00 (ano calendário 2004), R$ 128.027,25 (ano calendário 2005) e, R$ 155.562,64 (ano calendário 2006), não foram informadas à Receita Federal, especialmente quanto aos anoscalendários de 2005 e 2006, pois que o contribuinte efetuou a sua declaração com valores ZERADOS, ou seja, sem qualquer rendimento. Já no anocalendário de 2004, informou o total de rendimentos de R$ 13.199,99, conforme se verifica nas declarações juntadas às fls. 234 a 247. Assim, percebese a intenção do contribuinte em burlar o Fisco, omitindo tais rendimentos, e consequentemente, sonegando o devido imposto de renda IR à Receita Federal, que ora buscase reaver aos cofres públicos. Agindo deste modo, o autuado incorreu no disposto no artigo 71 da Lei n°, 4.502, de 30 de novembro de 1964, o qual trás no seu bojo a definição de sonegação. (...)” Verifico ante o acima transcrito que a autoridade fiscal autuante considerou que a conduta reiterada de omissão de rendimentos por meio da entrega de declaração zerada foi considerada na comprovação do dolo e ensejou a aplicação da multa qualificada. O v. acórdão recorrido, por entender que não bastam divergências e/ou omissões entre os valores declarados e os apurados pra comprovar o evidente intuito de fraude, reduziu a multa de ofício para 75%. A meu ver andou bem a decisão recorrida. A simples omissão de rendimentos, ainda que reiterada e em valor superior ao rendimento efetivamente declarado pelo contribuinte, desacompanhada de outros elementos comprobatórios de ato comissivo (“facere”) indiciário de evidente intuito de fraude, não dá causa à qualificação da multa. Dentre outras razões, tal conclusão decorre do fato de que, se assim não fosse, não haveria hipótese para a aplicação da multa de ofício “não qualificada” de 75%. Com efeito, considero que para a correta aplicação da multa qualificada a inobservância da legislação tributária tem que estar acompanhada de prova que o contribuinte, por ato fraudulento, levou a autoridade administrativa a erro, por meio por exemplo da utilização de documentos falsos, notas frias, interposição de pessoas, etc. Tal constatação é ainda mais patente em se tratando de omissão de rendimentos decorrente dos depósitos de origem não comprovada, cuja caracterização é objeto Fl. 374DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 de presunção legal relativa, não bastando alegações de relevância econômica dos valores envolvidos e reiteração de conduta para a demonstração do evidente intuito de fraude. Nesta linha inclusive a posição consolidada da jurisprudência deste tribunal administrativo, nos termos da Súmula n. 25 abaixo transcrita: Súmula CARF 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Como bem apontou com o usual brilhantismo o ilustre Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos em acórdão sobre o tema, se o entendimento sumular antes transcrito não permite a qualificação da multa de ofício quando presente uma simples omissão de rendimentos, como justificar a qualificação dessa multa em uma presunção de omissão de rendimentos, em que não ficou demonstrada nenhuma fraude, e que a própria omissão de rendimentos é presumida? O evidente intuito de fraude não pode ser presumido, como ocorre com a presunção legal de omissão de rendimentos, mas minudentemente demonstrado. Entender diferente seria presumir a fraude em situação em que a própria hipótese de incidência – omissão de rendimentos por depósitos de origem não comprovada é presumida pela lei, situação que merece repúdio. Destarte, conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 375DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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Numero do processo: 10580.004926/2005-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/07/1988 a 31/07/1993
RESTITUIÇÃO.DÉBITODEPISDEDUÇÃO.EXCLUSÃO.
Para fins de cálculo do valor a ser restituído a título de PIS, não deve ser excluído dos pagamentos efetuados pela Recorrente os valores de PIS-Dedução recolhidos com recursos do IRPJ, ainda que destes não destacados.
PIS-DEDUÇÃO. IRPJ.
Para as pessoas jurídicas que apuram o lucro real mensal, o PIS-Dedução devia ser apurado mensalmente tendo por base o imposto de renda devido em cada mês-calendário, excluído o adicional.
Recurso voluntário provido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 3202-001.233
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Ana Paula Lui, OAB/SP nº. 157.658.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente.
Charles Mayer de Castro Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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RESTITUIÇÃO Recorrente BANCO ALVORADA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/07/1988 a 31/07/1993 RESTITUIÇÃO.DÉBITODEPISDEDUÇÃO.EXCLUSÃO. Para fins de cálculo do valor a ser restituído a título de PIS, não deve ser excluído dos pagamentos efetuados pela Recorrente os valores de PIS Dedução recolhidos com recursos do IRPJ, ainda que destes não destacados. PISDEDUÇÃO. IRPJ. Para as pessoas jurídicas que apuram o lucro real mensal, o PISDedução devia ser apurado mensalmente tendo por base o imposto de renda devido em cada mêscalendário, excluído o adicional. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Ana Paula Lui, OAB/SP nº. 157.658. Irene Souza da Trindade Torres Presidente. Charles Mayer de Castro Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 49 26 /2 00 5- 67 Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 1/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 A interessada apresentou pedido de restituição, cumulado com pedido de compensação de débitos próprios, de crédito oriundo de ação judicial transitada em julgado. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: A interessada transmitiu diversas Declarações e Compensações DCOMP eletrônicas (fls. 01/24) visando compensar débitos declarados com crédito originado da Ação Judicial nº 93.0031430, transitada em julgado e baixada definitivamente em 28/02/2003. Na referida Ação Declaratória, a autora questionou a cobrança do PIS com base nos Decretosleis nº 2.448 e nº 2.449, de 1988, e requereu a declaração de inexistência de relação jurídica entre as partes. Ajuizou, também, Medida Cautelar nº 93.00197134 solicitando a suspensão da exigibilidade sobre os valores vincendos relativos à diferença apurada entre a aplicação da Lei Complementar nº 7, de 1970, e do Decretolei nº 2.445, de 1988. A DRF/Salvador proferiu o Despacho Decisório DRF/SDR nº 709, de 25 de agosto de 2006, não homologando as compensações, sob a alegação de que o direito da contribuinte à compensação já se extinguira em face do transcurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data do pagamento que originou o crédito, previsto no art. 168 do Código Tributário Nacional – CTN. A Manifestação de Inconformidade da interessada foi julgada improcedente por esta Delegacia de Julgamento, nos termos do Acórdão nº 11.928, de 22 de dezembro de 2006. Porém, ao Recurso Voluntário interposto pela contribuinte foi dado provimento parcial pela Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, conforme Acórdão nº 20402.539, de 20 de junho de 2007, “para afastar a prescrição e determinar o retorno dos autos ao órgão julgador de primeira instância para apreciação do pedido”. Desta forma, por meio do Despacho DRJ/SDR nº 393/2008 o presente processo foi encaminhado ao SEORT da DRF/Salvador para quantificação do crédito a que a contribuinte fazia jus, retornando posteriormente a esta Delegacia de Julgamento para atender ao determinado no Acórdão nº 20402.539. A partir dos valores levantados nos demonstrativos às folhas 1205/1267, foi exarada a Informação Fiscal nº 71/2009 (fls. 1268/1274), concluindose pela existência de direito creditório, em 31/12/1995, no valor de R$5.681.915,37 (cinco milhões, seiscentos e oitenta e um mil, novecentos e quinze reais e trinta e sete centavos), tendo sido a contribuinte cientificada em 18/09/2009 (Aviso de Recebimento – AR à folha 1280). Inconformada com os cálculos efetuados, a contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade (fls. 1285/1307) alegando, em síntese: Fl. 1499DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 1/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10580.004926/200567 Acórdão n.º 3202001.233 S3C2T2 Fl. 1.499 3 1. Improcede a afirmação do auditor fiscal de que não foram recolhidos valores a título de PISDedução, pois, conforme já demonstrado nos autos, à época dos fatos em que se apura o crédito (1988 a 1993) a requerente estava obrigada a recolher o PIS na forma estabelecida nos DecretosLeis nº 2.445/88 e 2.449/88, que determinavam o recolhimento da Contribuição à alíquota de 0,65% sobre a receita operacional bruta; 2. Somente a partir de setembro de 1993, amparada por decisão judicial, é que passou a recolher o PIS nos moldes da Lei Complementar nº 7/70, que estabelecia o recolhimento da contribuição em duas parcelas, denominadas de PISRepique e PISDedução; 3. Sendo assim, "por óbvio", conforme, inclusive, reconhecido pelo Sr. Fiscal, como à época a requerente estava submetida às regras dos DecretosLeis supracitados, realizou o recolhimento do IRPJ em obediência à legislação aplicável, ou seja, sem considerar a dedução da parcela correspondente ao "PIS Dedução"; 4. Portanto, com a decisão judicial transitada em julgado favorável à requerente, no sentido de reconhecer a inconstitucionalidade dos DecretosLeis, determinando o recolhimento do PIS nos moldes da Lei Complementar nº 7/70 (PISRepique e PISDedução), deveria o Sr. Fiscal ter realizado a compensação de ofício entre os valores recolhidos a maior a título de IRPJ (considerandoos como PISDedução) e os valores devidos a título da Contribuição ao PIS; 5. A forma de mensuração do crédito, subtraindose o que fora recolhido nos moldes dos DecretosLeis, tidos por inconstitucionais, do PISRepique (uma vez que o PISDedução faz parte do recolhimento do IRPJ), tal qual realizado pela requerente, conforme se verifica pelas planilhas de fls. 892, 893, 902, 905, 908 e 921, já foi confirmado, inclusive, por esta Delegacia de Julgamento, conforme ementa transcrita; 6. A possibilidade de compensação de valores recolhidos a maior também é inquestionável no antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, transcrevendo ementas que corroborariam seus argumentos; 7. Sendo assim, não há como ser mantida a decisão, no sentido da impossibilidade do "destaque" da parcela do PISDedução "contida" no valor recolhido a maior a título de IRPJ, pois, repitase, à época, não tinha a requerente a possibilidade de recolhêlos de forma individualizada, diferentemente do que foi apurado no despacho ora recorrido; 8. Resta claro que os valores indicados nas planilhas elaboradas pela requerente, para compor o valor do crédito de PIS, foram feitas de forma correta (a exemplo da planilha de fls. 905), a despeito da tentativa do Sr. Fiscal em incluir, no valor devido de PIS (LC 7/70), o montante referente ao PISDedução (fls. 1.159), que já havia sido recolhido juntamente com o IRPJ do período, e Fl. 1500DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 1/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 em lançálo novamente, em desrespeito ao entendimento jurisprudencial já consolidado no antigo Conselho de Contribuintes, fato que diminuiu, substancialmente, o crédito apurado pela requerente; Isto posto, verificase que o valor de R$ 5.681.915,37 do crédito do PIS considerado na Informação ora recorrida carece de liquidez e certeza, requisitos indispensáveis ao crédito tributário, sendo necessária a sua reforma para que sejam considerados os valores apontados pela requerente, que são suficientes para a homologação das compensações realizadas; 10. Conforme previsto na Lei Complementar nº 7/70, por se tratar de uma instituição financeira, a requerente deveria recolher o PISRepique a partir da aplicação da alíquota de 5% sobre o IRPJ devido, e, em observância à essa regra, a requerente, ao elaborar as suas planilhas para a apuração do crédito total do PIS, sempre levou em consideração o valor do PISRepique, limitado a 5% do IRPJ, sem adicional, devido no ano (apurado por meio da declaração de ajuste anual); 11. O sr. Fiscal, na apuração do crédito do PIS, por meio do "Anexo I", ao modificar os critérios utilizados pela requerente, desrespeitou, de forma flagrante, a regra acima citada, da limitação referente ao montante do PIS devido, em 5% do IRPJ devido ao ano, pois, conforme se observa da planilha de fls. 1.159, que trata do Exercício de 1992 (anocalendário 1991), calculou o PISRepique sobre os valores do IRPJ recolhidos por estimativa, não buscando, por conseguinte, o valor efetivamente devido de IRPJ no ano, após o ajuste, conduta que, por óbvio, resultou em uma apuração do PISRepique em valor superior ao que determina a Lei Complementar n° 7/70 (5% sobre o IRPJ devido), no caso, R$ 138.178.12, em vez de R$ 90.713,80; 12. Esse cálculo errôneo foi efetuado em mais de um exercício, a exemplo de 1993, conforme se observa do confronto das planilhas similares às acima transcritas, constantes das folhas 908 (planilha do Requerente) e 1.160 (planilha do Sr. Fiscal); 13. O Sr. Fiscal não poderia ter se valido do sistema SICALC para imputar débitos e calcular o montante do PIS nos moldes da Lei Complementar nº 7/70, porque, conforme informações extraídas do próprio sítio da Receita Federal do Brasil, o programa SICALC deve ser utilizado quando se faz necessário realizar cálculos de acréscimos legais, ou seja, quando houver atraso no recolhimento de determinado tributo, e no presente caso, conforme informado linhas acima, o PISRepique, à época em que se pleiteia o crédito, não era devido pela requerente, que só passou a recolhêlo a partir de setembro de 1993, não havendo, assim, que se falar em tributo vencido e, muito menos, em incidência de multa e juros, para fins de imputação de valores; 14. A forma correta de calcular o crédito a que faz jus a requerente decorre do confronto entre os valores recolhidos a título de “PISDecretos”, atualizados até determinada data (dezembro de 1995) por um critério e após, pela taxa SELIC, considerandose, ainda, o montante de juros no percentual de Fl. 1501DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 1/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10580.004926/200567 Acórdão n.º 3202001.233 S3C2T2 Fl. 1.500 5 1% ao mês, computados desde o pagamento indevido dos valores e o valor que seria devido a título de PISRepique, também atualizado pelos mesmos critérios aplicados ao PISDecretos, conforme se verifica pelas planilhas de folhas 892, 893, 902, 905, 908 e 921, apresentadas pela requerente; 15. Desta forma, demonstrado o evidente equívoco cometido pelo Sr. Agente Fiscal, ao utilizar o SICALC para imputar juros e multa a valor que não foi recolhido em atraso, requerse a reforma da decisão ora recorrida para que o cálculo seja realizado por meio do encontro de valores, tal qual feito pela requerente, nos moldes acima apontados; Ademais, foram incluídos no sistema SICALC valores desconhecidos, como, por exemplo, no primeiro quadro do SICALC, à fl. 1.163, em que o Sr. Fiscal informou um valor de pagamento no montante de 85.616.429,67, realizado em janeiro de 1989, quando se verifica que a guia DARF do período (à fl. 993), totaliza o montante recolhido de 152.604.981,04; 17. Da mesma forma, verificase que o valor recolhido, por guia DARF, referente ao mês de setembro de 1991 (fl. 1004) perfaz a quantia de 5.255.028,30, enquanto que o Sr. Fiscal informou, no programa SICALC, o valor de 99.234.421,99 (fl. 1.178), sendo que o mesmo equívoco foi cometido em períodos posteriores; 18. Além disso, foram identificados diversos DARF recolhidos que não foram lançados no programa, como, por exemplo, o DARF recolhido em 05 de março de 1990, no montante de 8.444.555,58 (fl. 998), que não foi informado no SICALC (que passa de fevereiro de 1990, à fl. 1168, para abril de 1990, à fl. 1169), nada tratando do valor recolhido no mês de março deste ano; 19. Ainda, o Sr. Fiscal não indicou as razões pelas quais, às fls. 1.215 a 1.218, considerou o saldo como "zero", visto que isso não era possível, já que a requerente recolheu DARF de todos os períodos e anexouos corretamente aos presentes autos, às fls. 998 a 1.021; 20. Verificase mais um erro cometido pelo Sr. Fiscal, ao informar, no Anexo II (fl. 1162), que o valor arrecadado no dia 26/02/1993 foi de 6.261.714.115,71, quando o valor correto é 6.361.714.115,71, conforme se observa no DARF de fl. 1.018; 21. Na hipótese de não serem consideradas as alegações feitas nos tópicos anteriores (que são suficientes para reforma do despacho ora recorrido e, consequentemente, à homologação das DCOMP apresentadas), fato esse que se admite a título argumentativo, é importante destacar a ocorrência da preclusão do direito do Sr. Fiscal em questionar a forma de apuração do crédito do PIS realizada pela requerente, referente aos valores recolhidos a maior, a título de PISDecretos e aqueles devidos com base na Lei Complementar nº 7/70; Fl. 1502DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 1/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 22. É importante esclarecer que, a partir do trânsito em julgado da ação judicial, ocorrido em 2002, surgiu para a requerente o dever de apurar e utilizar o crédito gerado, em razão dos recolhimentos efetuados com base no PISDecretos, e, paralelamente, surgiu ao Fisco a possibilidade de questionar a sistemática de apuração deste crédito, no prazo de cinco anos; 23. Com isso, vale dizer que o Sr. Fiscal não poderia, neste momento (por meio do Despacho de 31/08/2009), questionar a forma de apuração dos créditos de PIS realizada pela requerente, tal como fez, pois ela já foi consumada no tempo, em razão do decurso do prazo decadencial/"preclusão" de cinco anos, pois, tal questionamento equivaleria à realização de um novo lançamento; 24. Neste sentido, o antigo Conselho de Contribuintes já se manifestou reiteradas vezes, reconhecendo a impossibilidade de o Fisco questionar a legalidade dos fatos e atos ocorridos após o transcurso do prazo decadencial de cinco anos, conforme julgados que transcreve; Ante o exposto, com base na jurisprudência pacífica dos antigos Conselhos de Contribuintes, não se pode olvidar que ocorreu, no presente caso, a decadência/"preclusão" do direito do Fisco em questionar a validade do critério apurado pela requerente (em razão da decisão transitada em julgado em 2002), posto que realizado após os cincos anos, por meio do despacho ora recorrido, ainda que os seus efeitos tenham ocorrido em momento subsequente (com a utilização desses créditos por meio das DCOMP apresentadas em 2004 e 2005); 26. Assim, a título exemplificativo, verificase que a requerente apurou um valor de PIS a ser recolhido, nos moldes da Lei Complementar 7/70, no valor de R$7.536,72, mas o Sr. Fiscal, modificando o critério utilizado pela requerente, apurou outro valor de PIS devido, qual seja, R$15.073,44 (fl. 1.159), ou seja, evidente que o Sr. Agente Fiscal, por meio do despacho ora recorrido, procedeu ao "lançamento" do montante de R$ 7.536,72, a título de PISDedução, e, com isso, reduziu o quantum de crédito apurado pela requerente; 27. Portanto, a sistemática de apuração do crédito de PIS adotada pela requerente, quando do trânsito em julgado da decisão (2002), não pode, nesse momento (2009), ser questionada pelo Fisco, ainda que o crédito tenha sido utilizado posteriormente, nas DCOMP apresentadas; 28. Assim, por tudo o quanto exposto, reiterese que o procedimento adotado pelo Sr. Fiscal não pode ser admitido por esta Delegacia de Julgamento, uma vez que a diferença apurada representou a constituição de um novo crédito tributário, o que não é possível, em razão, repitase, da evidente decadência/"preclusão" do direito de o Fisco questionar a forma de apuração do crédito realizada pela requerente, conforme reiteradas jurisprudências já mencionadas; 29. Ademais, apenas a título argumentativo, se fosse possível, o montante referente ao PISDedução (supostamente não recolhido) deveria ter sido lançado por meio do competente auto Fl. 1503DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 1/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10580.004926/200567 Acórdão n.º 3202001.233 S3C2T2 Fl. 1.501 7 de infração (lançamento de ofício), e não por meio de despacho decisório. Considerandose a transmissão em 30/03/2009 da Declaração Eletrônica de Compensação nº 24606.02014.300309.1.548442, na qual a contribuinte pretendeu utilizar o mesmo crédito objeto do presente processo, em 08/07/2010 foi exarado o Despacho Decisório DRF/SDR nº 716/2010 (fls. 1370/1372) não homologando a compensação declarada, tendo sido a contribuinte cientificada em 13/07/2010 (AR à folha 1373). Em 10/08/2010 a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 1375/1399), alegando: 1. O PER/DCOMP nº 24606.02014.300309.1.548442 foi transmitido em março de 2009, antes da Informação nº 71/2009 que analisou o crédito de PIS, proferida em agosto de 2009, mas, por algum motivo, o referido PER/DCOMP não foi objeto de análise na referida Informação; 2. Analisando o despacho decisório ora combatido, resta evidente que a DRF/SDR considerou insuficiente o crédito do PIS em razão da Informação nº 71/2009, já contestada pela requerente por meio da Manifestação de Inconformidade apresentada em 20 de outubro de 2009, razão pela qual valese da presente Manifestação de Inconformidade para reiterar os argumentos aventados na Manifestação de Inconformidade anterior, para que seja reformado por esta Delegacia de Julgamento o Despacho Decisório DRF/SDR n° 0716/2010, uma vez que foi apurado, de forma incorreta, o quantum correspondente ao crédito de PIS, e que é suficiente para a homologação de todas as compensações realizadas, inclusive da levada a efeito por meio do PER/DCOMP nº 24606.02014.300309.1.548442. (g.n.) A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvados julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/SDR n.º 1531.025, de 16/11/2012 (fls. 1436 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/07/1988 a 31/07/1993 CRÉDITO DECORRENTE DE AÇÃO JUDICIAL COM TRÂNSITO EM JULGADO. VALORES A COMPENSAR. Comprovada a existência de pagamento indevido ou a maior de tributo ou contribuição reconhecida em ação judicial com trânsito em julgado, é cabível a sua utilização na extinção de débitos vencidos mediante apresentação de Declaração de Compensação, sendo ressalvado ao fisco o direito de averiguar a integralidade e a efetividade dos recolhimentos tidos por efetuados a maior e fiscalizar amplamente a compensação realizada, bem como a exatidão dos valores a compensar. Fl. 1504DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 1/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 PIS REPIQUE. PIS DEDUÇÃO. O recolhimento para o PIS nos moldes da Lei Complementar nº 07, de 1970, deveria ser efetuado em duas parcelas, a primeira mediante dedução do valor do IRPJ devido e a segunda com recursos próprios da empresa. PIS REPIQUE. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo do PIS/REPIQUE é o Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas devido ao final do período de apuração, e assim seu vencimento coincide com o vencimento daquele imposto, e não com as antecipações e duodécimos efetuados. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário de fls. 1451/1470, por meio do qual aduz, em síntese, depois de relatar os fatos: À época dos fatos, estava obrigada a recolher o PIS na forma estabelecida pelos Decretosleis n.º 2.445 e 2.446, ambos de 1988, que determinavam o recolhimento no percentual de 0,65% sobre a receita operacional bruta. Contudo, como reconhecido pela DRJ, somente a partir de setembro de 1993, com a decisão judicial que reconheceu o direito a recolher o PIS com base na Lei Complementar – LC n.º 7, de 1970, é que se viu autorizado a recolher a contribuição em duas parcelas, o PISRepique e o PISDedução. Assim, para mensurar o crédito, realizou um encontro de contas entre os valores recolhidos indevidamente e os que deveriam ter sido recolhidos. A partir daí verificou o quanto de PISRepique e do PIS Dedução seriam devidos. Ao realizar o encontro de contas, apenas descontou, do saldo credor do PIS Decreto reconhecido judicialmente, o valor devido a título de PISDedução, já que a LC n.º 7, de 1970, autorizava destacar o valor do PISDedução do valor de IR devido no anocalendário, ou seja, o valor do PISDedução já havia sido recolhido aos cofres públicos. Considerando que a decisão judicial transitou em julgado favoravelmente ao Recorrente, a autoridade fiscal deveria ter realizado a compensação dos 5% do valor recolhido a título de IRPJ como PISDedução com os valores devidos a título de contribuição para o PIS (dá exemplo e transcreve ementa de decisão do antigo Conselho de Contribuintes). A DRJ entendeu pela impossibilidade de devolução do IRPJ sob o argumento de que a parcela de 5% de do PISDedução não teria sido destinada ao Fundo de Participação. À época em que apresentou a DCOMP já não havia qualquer restrição à compensação de tributos federais. Portanto, ainda que a decisão judicial não tenha se manifestado expressamente sobre a possibilidade de compensar parcela do IR devido com o PISDedução, o fato é que à época havia previsão expressa na legislação vigente autorizando a compensação de impostos com contribuições. Ainda que a parcela do IRPJ não recolhido não tenha sido destinada ao Fundo de Participação previsto na LC n.º 7, de 1970, o fato é que a Recorrente tinha decisão judicial que lhe garantia recolher o PIS nos termos desta LC, legislação que previa expressamente que o PISDedução seria destacado do IRPJ devido no período, de forma que agiu de forma legítima ao mensurar os créditos de PIS sem descontar o valor do PISDedução que já havia sido recolhido aos cofres públicos (transcreve trecho de decisão judicial para fundamentar o seu entendimento). Fl. 1505DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 1/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10580.004926/200567 Acórdão n.º 3202001.233 S3C2T2 Fl. 1.502 9 Entendeu a DRJ que o cálculo do PISRepique deveria ser realizado sobre o IRPJ devido após a incidência da alíquota adicional. No entanto, o adicional ao IRPJ foi instituído no direito brasileiro através do Decretolei n.º 1.704, de 1979, o qual determinou, em seu art. 3º, § 1º, que o adicional estava adstrito a ser destinado integralmente como receita da União, não sendo permitidas quaisquer deduções (transcreve ementa de decisão do antigo Conselho de Contribuintes para fundamentar o seu entendimento). A própria Receita Federal assim dispôs no Ato Declaratório n.º 39, de 1995. Apesar de a DRJ ter reconhecido alguns erros cometidos pela fiscalização, outros foram mantidos. Apesar de constar o DARF relativo ao mês de outubro de 1991 na quantia de Cr$ 5.255.028,30 (fl. 1004; eprocesso n.º 1040), como informa a Turma Julgadora, nada explica o motivo pelo qual a fiscalização informou no Sicalc o valor de Cr$ 99.234.421,99 (fl. 1178; eprocesso n.º 1227). A DRJ simplesmente se omitiu a esse respeito, ao afirmar que “o valor recolhido por guia DARF, na quantia de Cr$ 5.255.028,30 também foi considerado pelo agente do Fisco, conforme Demonstrativo de Vinculação à folha digital 1.240 e Demonstrativo de Pagamentos Cadastrados à folha digital 1265”. A fiscalização, para a apuração do crédito discutido no presente processo, saldo zero, o que não era possível, já que a Recorrente comprovou, mediante juntada de DARF, recolhimento de PISDecreto em todos os períodos. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente obteve, em decisão judicial definitiva, o direito de repetir valores do PIS recolhidos a maior com base em leis julgadas inconstitucionais. O litígio incialmente versou sobre a extinção do direito de pleitear a restituição, matéria posteriormente ultrapassada por este Colegiado Administrativo, que determinou o retorno dos autos à instância de origem para apreciação do mérito. Assim, os autos foram encaminhados à DRF/Salvador para quantificação do crédito e retornou à instância de piso para novo julgamento. Neste retorno dos autos ao CARF, o que agora resta controvertido são apenas duas matérias: a) divergência no cálculo do PIS a restituir, uma vez que, segundo a fiscalização, a Recorrente deduziu apenas o PISRepique (esse valor é recolhido com recursos próprios), não o fazendo em relação ao PISDedução (valor recolhido mediante dedução do IRPJ devido; o PISDedução não teria sido deduzido do Imposto de Renda na época própria e, portanto, não teria composto Fundo de Participação); e b) inclusão, pela fiscalização, da parcela correspondente ao adicional do imposto de renda na base de cálculo do PIS. Como se passa a demonstrar, em ambos os casos assiste razão à Recorrente. No que respeita ao primeiro, a decisão paradigma trazida aos autos pela Recorrente bem esclarece os motivos pelos quais a decisão recorrida é de ser afastada (CARF, Fl. 1506DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 1/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 10 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Acórdão n.º 330200.907, de 7/4/2001, Rel. WALBER JOSÉ DA SILVA), motivo pelo que a adoto como razão de decidir: E a decisão administrativa final foi no sentido de efetuar a restituição dos valores pagos indevidamente a título de PIS. E o valor do pagamento indevido do PIS, aqui decidido, apurase com a exclusão, dos pagamentos efetuados pela recorrente, dos valores devidos a título de PISDedução e de PISRepique. Portanto, preclusos os argumentos da recorrente sobre a forma de apuração dos valores a restituir, deles não se conhecendo. No entanto, a recorrente alega, e com razão, que os valores do PISDedução não são encargos seus e que os mesmos integram o IRPJ pago. De fato, a parcela a cargo das empresas prestadoras de serviços, a título de PIS, é somente o valor do PISRepique. O fato da empresa pagar o IRPJ integralmente, ou seja, sem a dedução do PISDedução, caracteriza pagamento indevido de IRPJ no exato valor do PIS não deduzido do IRPJ, sem nenhum prejuízo para o Fisco que pode fazer, de ofício, a devida compensação. Considerando que o PISDedução era calculado com base no IRPJ devido ou como se devido fosse, pode haver diferença não recolhida de PISDedução. Isto corre, por exemplo, em razão de isenção concedida à recorrente. Neste caso o ônus do recolhimento é do contribuinte. No caso dos autos, cabe à RFB apurar eventuais diferenças de PISDedução a ser excluído do valor a restituir. Portanto, na execução da decisão administrativa transitada em julgado (Acórdão nº 20215.530), que determinou que o indébito fosse apurado conforme declarado pela DRJ, deve ser considerado e excluído dos pagamentos da recorrente, o valor do PISRepique e eventuais diferenças de PISDedução não recolhidas junto com o IRPJ. (g.n.). Com efeito, o IRPJ a ser recolhido, na forma da Lei Complementar n.º 7, de 1970, era apenas 95% do valor devido, já que os 5% a título de PISDedução eram dele destacados e recolhidos em separado. Ora, se o IRPJ devido foi integralmente recolhido, sem qualquer redução, é porque o compôs os 5% do PISDedução. Recolhimento, portanto, houve, embora sem o devido destaque, que não se verificou porque a Recorrente recolheu o PIS na forma dos diplomas legais posteriormente considerados inconstitucionais. Sobre a inclusão, pela fiscalização, da parcela correspondente ao adicional do imposto de renda na base de cálculo do PIS, essa matéria encontrase superada, tanto que a própria SRF, por meio do Ato Declaratório n.º 39, de 28/11/1995, dispôs que o PISDedução devia ser apurado mensalmente tendo por base o imposto de renda devido em cada mês calendário, excluído, no entanto, o adicional (fonte: Sijut): Fl. 1507DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 1/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10580.004926/200567 Acórdão n.º 3202001.233 S3C2T2 Fl. 1.503 11 ATO DECLARATÓRIO No. 39 DE 28 /11 /1995 SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL SRF PUBLICADO NA PAG. 19614 EM 29 /11 /1995 1. A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: a) pelas pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda, inclusive as empresas públicas e as sociedades de economia mista e suas subsidiárias, com base no faturamento do mês; b) pelas entidades sem fins lucrativos definidas como empregadoras pela legislação trabalhista, inclusive as fundações, com base na folha de salários; c) pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. (...) 3. As pessoas jurídicas que aufiram receita bruta exclusivamente da prestação de serviços recolherão a contribuição para o PIS/PASEP correspondente ao período de 1º de outubro de 1995 a 28 de fevereiro de 1996: a) mediante dedução de cinco por cento do imposto de renda devido ou calculado como se devido fosse (PISDedução); b) com recursos próprios, em valor idêntico ao da dedução prevista na alínea anterior (PISRepique). (...) 3.2. A contribuição para o PISDedução tem por base de cálculo o valor do imposto de renda devido, apurado de conformidade com a opção do contribuinte por uma das seguintes formas de tributação: a) lucro real anual e pagamento mensal do imposto por presunção; b) lucro real mensal; c) lucro presumido; d) lucro arbitrado. 3.2.1.As sociedades civis de profissão legalmente regulamentada que optarem pelo regime de tributação previsto no art. 1º do Decretolei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, contribuirão para o PISDedução e PISRepique com base no Fl. 1508DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 1/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 12 valor do imposto de renda de pessoa jurídica, como se devido fosse, apurado à alíquota de 25% (vinte e cinco por cento), sobre os resultados determinados na forma do citado artigo. 3.2.1.1. As sociedades civis de profissão legalmente regulamentada que optarem pelo regime de tributação com base no lucro real, presumido ou arbitrado contribuirão para o PIS na forma prevista no subitem 3.2. 3.2.2.A contribuição de que trata este subitem será: a) calculada mediante a aplicação da alíquota de 5%; b) deduzida do imposto de renda devido, para fins de determinar o valor do imposto a pagar. 3.3. Na hipótese da alínea ""a"" do subitem 3.2 o contribuinte deverá apurar o PISDedução tendo por base o imposto de renda devido em cada mêscalendário, diminuído dos incentivos fiscais de que trata o art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com a redação da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, observados os limites e prazos previstos na legislação vigente. 3.4. Na hipótese da alínea ""b"" do subitem 3.2 a contribuição será apurada tendo por base o imposto de renda devido em cada mêscalendário, excluídos o adicional de que trata o art. 39 da Lei nº 8.981, de 1995, e os incentivos fiscais de dedução previstos na legislação do imposto de renda. (g.n.) Portanto, também aqui é de dar razão à Recorrente. No que concerne à falta de explicitação do motivo pelo qual a fiscalização informou no Sicalc o valor de Cr$ 99.234.421,99 (fl. 1178; eprocesso n.º 1227), a razão está em que este recolhimento consta do Demonstrativo de Pagamentos Cadastrados (fl. 1266; e processo), daí porque foi levado para registro naquele sistema, a fim de calcular o valor a ser restituído. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1509DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 1/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10580.004926/200567 Acórdão n.º 3202001.233 S3C2T2 Fl. 1.504 13 Fl. 1510DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 1/08/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10930.001292/2006-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
IRPF. PROVENTOS DE APOSENTADORIA DE MAIORES DE 65 ANOS. ISENÇÃO.
Considerando que o valor dos proventos de aposentadoria da contribuinte declarante, com 65 anos ou mais, não ultrapassa o limite da tabela anual progressiva, é de ser reconhecida a isenção de tais rendimentos.
Recurso Provido
Numero da decisão: 2102-003.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
(Assinado digitalmente)
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Jose Raimundo Tosta Santos e Núbia Matos Moura.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA DE MAIORES DE 65 ANOS. ISENÇÃO. Considerando que o valor dos proventos de aposentadoria da contribuinte declarante, com 65 anos ou mais, não ultrapassa o limite da tabela anual progressiva, é de ser reconhecida a isenção de tais rendimentos. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos Presidente (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Jose Raimundo Tosta Santos e Núbia Matos Moura. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 12 92 /2 00 6- 54 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Relatório Tratase de Auto de Infração contra a contribuinte acima qualificada, relativo ao exercício 2002, que exige crédito tributário no valor de R$2.970,00, acrescida legaiscalculados até 09/2006. Conforme consta do Demonstrativo das Infrações em fl. 104, o Fisco apurou Omissão de Rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício. A fiscalização considerou que a contribuinte recebeu R$ 10.800,00 do Bradesco Vida e Previdência S/A, conforme extrato da DIRF. Cientificada da exigência tributária em 02/10/2006 (fl. 109) e, inconformada com o lançamento lavrado pelo Fisco, a autuada apresentou impugnação em 20/10/2006 (fls. 01/04), acompanhada dos documentos de fls. 05 e seguintes, alegando em síntese, que o rendimento autuado referese aos proventos de aposentadoria pagos por entidade de previdência privada e, assim, isentos do imposto de renda, uma vez que conta com mais de 65 anos, a teor do § 1° do art. 8° da Lei 9.250, de 1995. Por fim requereu a insubsistência do lançamento. A Turma de Primeira Instância, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada, conforme excertos do voto abaixo transcritos: “ [...] a parcela isenta deve ser considerada em relação à soma dos rendimentos de aposentadoria pagos pela previdência oficial ou privada. Pela análise dos autos, verificase que a contribuinte recebeu R$ 3.070,26 do INSS, conforme consignado em sua DIRPF à fl. 18, rendimento este não incluído entre os rendimentos tributáveis declarados, conforme documento de fl. 11 e a declaração anual de ajuste de fls. 13/22. Recebeu, ainda, R$ 10.800,00, de previdência privada, conforme documento de fl. 08, corroborado pelo extrato da DIRF à fl. 26. Dessa forma, os proventos de aposentadoria perfazem R$ 13.870,26. Considerando que a parcela isenta para o anocalendário de 2001, correspondia a R$ 900,00 mensais, totalizando R$ 10.800,00 anuais (900,00 x 12), cabe manter a tributação do valor excedente ao limite de isenção, no caso, de R$ 3.070,26, cancelandose, em conseqüência R$ 2.125,67 [(10.800,00 3.070,26) x 27,5%] de imposto, e demais consectários legais. Isso posto, voto no sentido de considerar procedente em parte o lançamento, mantendo R$ 844,33 (3.07 ,26 x 27,5%) de imposto, acrescidos da multa de ofício de 75%, e encargos legais.” A contribuinte foi cientificada do Acórdão n° 0620.490 da 4ª Turma da DRJ/CTA em 20/01/2009 (fl. 119). Sobreveio Recurso Voluntário representado pelo Espólio de Maria Georgina Guilhermina Von Der Leyen em 13/02/09 (fls. 120/123), desacompanhado de documentos. Em síntese, a contribuinte aduziu que: Fl. 130DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10930.001292/200654 Acórdão n.º 2102003.005 S2C1T2 Fl. 127 3 “A recorrente jamais teve rendimento oriundo da Previdência social em toda a sua vida, posto que jamais fez qualquer recolhimento aquela instituição. Tal rendimento é fato novo nos autos e não fez parte da notificação de lançamento inicial. Não pode ser verdade a afirmação de que na fl. 18, de que consignou em sua DIRPF o rendimento de R$3.070,26 oriundo do INSS, uma vez que naquele ano, a recorrente optou por apresentar a DIRPF em modelo simplificado, conforme cópia em anexo, não restando demonstrado ou especificado, nenhum dos rendimento isentos e não tributáveis, não havendo nenhum rendimento a este título entre os rendimento tributáveis ali declarados. Portanto, a afirmação da relatora do julgamento é equivocada, configurandose um erro material, devendo ser anulado o julgamento, sem considerar esta afirmação equivocada. [..] Diante do exposto, requer o conhecimento e provimento do presente recurso, declarando nulo o julgamento ora recorrido, por força do erro material supra, remetendo os autos de volta à delegacia de Julgamento, para que proceda a outro julgamento, sem as premissas equivocadas do erro material cometido.” É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. O presente lançamento se cinge à controvérsia acerca de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica (Bradesco Vida e Previdência S/A), no qual a contribuinte, representada por seu espólio no presente recurso, alega serem tais rendimentos provenientes de aposentadoria pagos por entidade privada, assim, isentos do imposto de renda, uma vez que conta com mais de 65 anos, a teor do § 1° do art. 8° da Lei 9.250, de 1995. Alega ainda, “que jamais teve rendimento oriundo da Previdência Social em toda a sua vida, posto que jamais fez qualquer recolhimento aquela instituição” e que não recebeu o rendimento de R$3.070,26 oriundo do INSS, “uma vez que naquele ano, a recorrente optou por apresentar a DIRPF em modelo simplificado, não restando demonstrado ou especificado, nenhum dos rendimento isentos e não tributáveis, não havendo nenhum rendimento a este título entre os rendimento tributáveis ali declarados”. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Da análise dos autos, verificase que efetivamente a contribuinte apresentou declaração de ajuste anual modelo simplificado, não restando especificado nenhum dos rendimento oriundo do INSS, conforme consta da declaração de fls. 13/17. Ademais, cumpre ressaltar que o Auto de Infração referese exclusivamente quanto aos rendimentos recebidos do Bradesco Vida e Previdência S/A. Nesse sentido, considerando que a recorrente logrou comprovar que tais rendimentos são isentos, conforme inclusive reconheceu a DRJ, e considerando que não ultrapassam o limite de isenção, nos termos da Lei 9.250/1995, a qual foi normatizada pela Instrução Normativa nº 15 de 2001, em seu art. 5º, inciso XIII, vigente à época, in verbis: “Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: XIII rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno ou por entidade de previdência privada domiciliada no país, até o valor de R$ 900,00 (novecentos reais), por mês, a partir do mês em que o contribuinte completar sessenta e cinco anos de idade, sem prejuízo da parcela isenta prevista na tabela de incidência mensal do imposto;” (grifei) Relativamente à isenção de proventos de aposentadoria de contribuintes maiores de 65 anos, há que se observar às disposições do art. 39, XXXIV, do RIR/1999, in verbis: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XXXIV os rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno, ou por entidade de previdência privada, até o valor de novecentos reais por mês, a partir do mês em que o contribuinte completar sessenta e cinco anos de idade, sem prejuízo da parcela isenta prevista na tabela de incidência mensal do imposto (Lei 7.713, de 1988, art, 6°, XV, e Lei 9.250, de 1995, art. 28).” Por ser assim, não cabe à turma de primeira instância inovar, criar novas fontes pagadoras, as quais não foram incluídas no Auto de Infração como Omissão de Rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica, bem como a contribuinte, em seu recurso, nega ter recebido qualquer valor do INSS. Cabe ressaltar que o Auto de Infração cingese tão somente quanto aos rendimentos percebidos do Banco Bradesco, sem fazer qualquer referência a rendimentos provenientes do INSS. Ademais, o documento de fl. 18, trata de outro contribuinte, bastando para tanto conferir o respectivo CPF, por certo tal documento não pertence ao presente processo. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 132DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10930.001292/200654 Acórdão n.º 2102003.005 S2C1T2 Fl. 128 5 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11075.000552/00-34
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/03/1996 a 31/12/1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL ADMISSIBILIDADE. PRESSUPOSTOS
O recurso especial de divergência previsto no Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes/CARF tem, dentre os requisitos, o prequestionamento de matéria e a demonstração da divergência entre casos com identidade de situações fáticas, comprovada mediante confronto de acórdãos. Se não preenchido os pressupostos, o recurso nesse aspecto não há de ser admitido. Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 9303-002.896
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, que conhecia. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos e Luiz Eduardo de Oliveira Santos votaram pelas conclusões.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente substituto
Maria Teresa Martínez López - Relatora
EDITADO EM: 05/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto)
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/03/1996 a 31/12/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL ADMISSIBILIDADE. PRESSUPOSTOS O recurso especial de divergência previsto no Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes/CARF tem, dentre os requisitos, o prequestionamento de matéria e a demonstração da divergência entre casos com identidade de situações fáticas, comprovada mediante confronto de acórdãos. Se não preenchido os pressupostos, o recurso nesse aspecto não há de ser admitido. Recurso não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, que conhecia. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos e Luiz Eduardo de Oliveira Santos votaram pelas conclusões. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente substituto Maria Teresa Martínez López - Relatora EDITADO EM: 05/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto)
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RECURSO ESPECIAL ADMISSIBILIDADE. PRESSUPOSTOS O recurso especial de divergência previsto no Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes/CARF tem, dentre os requisitos, o prequestionamento de matéria e a demonstração da divergência entre casos com identidade de situações fáticas, comprovada mediante confronto de acórdãos. Se não preenchido os pressupostos, o recurso nesse aspecto não há de ser admitido. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, que conhecia. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos e Luiz Eduardo de Oliveira Santos votaram pelas conclusões. Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente substituto Maria Teresa Martínez López Relatora EDITADO EM: 05/05/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 00 05 52 /0 0- 34 Fl. 536DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 21/ 05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por MARIA TERESA MA RTINEZ LOPEZ 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto) Relatório Tratase de análise de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Retornando aos fatos, têmse que a interessada é uma empresa que atua no ramo de transporte rodoviário de cargas, prestando serviços, inclusive, a diversos de seus clientes domiciliados no exterior. A lavratura do Auto de Infração foi justificada pelo Fisco pelo fato de não ter a Recorrente efetuado o recolhimento do PIS sobre a parcela dos fretes internacionais, na parte relativa ao transcurso no território nacional. Por discordar desse procedimento, a contribuinte apresentou impugnação e, mais tarde, cópia de uma solução de consulta, sobre a mesma questão, oriunda da Delegacia da Receita Federal de Santo Ângelo/RS, convalidando o procedimento da Recorrente. Este fato, contudo, deixou de ser considerado no julgamento da impugnação, por ter sido, dito documento, protocolado em data posterior à da decisão contra a qual se recorre. No julgamento da impugnação, a Colenda 2a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Santa Maria, julgou procedente o lançamento, justificando a sua decisão nos termos da ementa a seguir transcrita: "BASE DE CÁLCULO EXCLUSÕES – FRETES INTERNACIONAIS. A exclusão da base de cálculo do PIS das receitas de fretes internacionais não abrange a parcela dos serviços realizados dentro do território nacional, mesmo que prestados para pessoas (físicas ou jurídicas) domiciliadas no exterior." O contribuinte apresentou recurso ao então Conselho de Contribuinte obtendo decisão favorável, por meio do Acórdão nº 20309.593, do então relator César Piantavigna. A ementa dessa decisão está assim redigida: PIS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE RECEITAS CONDIZENTES A TRANSPORTES INTERNACIONAIS. ARTIGO 4°, III, DA LEI N° 9.715/98. As receitas oriundas da prestação de serviços de transportes internacionais, assim considerados os que ligam pontos geográficos situados no interior do País e fora deste, não podem ser incluídas na base de cálculo do PIS. O transporte internacional não pode ser cindido em dois deslocamentos, notadamente por trecho demarcado por dois pontos estabelecidos no País, e pelo limite da fronteira deste até o lugar de destino da carga ou passageiro. Recurso provido. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 21/ 05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por MARIA TERESA MA RTINEZ LOPEZ Processo nº 11075.000552/0034 Acórdão n.º 9303002.896 CSRFT3 Fl. 537 3 Dessa decisão houve embargos pela DRF de Uruguaiana/RS, resultando no Acórdão nº 20312.505, cujo relator foi o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis. A ementa dessa decisão está assim redigida: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/1996 a 31/12/1998 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. NECESSIDADE DE ESCLARECIMENTO. Constatada contradição no julgado, entre a ementa e o resultado, por um lado, e a parte dispositiva do voto, por voto, cabe sanála re/ratificando o acórdão embargado. PIS. BASE DE CÁLCULO. FATOS GERADORES DE 03/96 A 12/98. TRANSPORTE INTERNACIONAL DE CARGAS OU PASSAGEIROS. EXCLUSÃO. INGRESSO DE DIVISAS. DESNECESSIDADE. Somente a partir de 30/09/1999, com a revogação do art. 4° da Lei n° 9.715/98, pelo art. 23, II, "g" da MP n° 1.8586/1999, é que a exclusão da base de cálculo do PIS Faturamento, das receitas correspondentes ao serviço de transporte internacional de cargas ou passageiros, passou a ser subordinada ao pagamento com o ingresso de divisas externas, nos termos do art. 14, III e § 1° da referida MP, atualmente sob o n° 2.15835/2001. Antes, consoante o art. 4°, III, da Lei n° 9.715/98, inexistia a exigência de que o pagamento por tal serviço se desse em moeda estrangeira. Embargos acolhidos. Consta das conclusões do voto do Conselheiro relator: Destarte, para o PIS no período autuado (de 03/96 a 12/98) inexistia a exigência de ingresso de divisas. Pelo o exposto, conheço dos Embargos de Declaração e os acolho para, sanando as contradições, manter o seu resultado pelo provimento integral e alterar o final do voto, de modo a excluir neste a expressão "...cujas coberturas foram fixadas em divisa externa". A parte dispositiva do voto passa, então, à redação seguinte: "Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso para efeito de excluir do cálculo do PIS o valor das receitas auferidas pela Recorrente com a prestação de serviços de transporte internacional de cargas". Dessa decisão houve apresentação de novos embargos da PGFN sobre o fundamento de que, (SIC) “ não houve pronunciamento sobre o fato de que as receitas não foram autuadas em razão de não terem representado ingresso de divisas, mas em razão de terem provindo de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil, o que não caracteriza exportação, independentemente do advento ou não da MP nº 2.8586/1999. É preciso que a Câmara defina qual a sua posição diante desta hipótese em que todos os contratantes são empresas nacionais.” Fl. 538DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 21/ 05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por MARIA TERESA MA RTINEZ LOPEZ 4 O contribuinte também apresentou embargos de declaração, pelo qual requer (sic) “se digne Vossa Excelência não acolher os Embargos de Declaração (com pedido de efeitos infringentes) opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, e, determinar que seja sanado o equívoco do Acórdão nº 20312505, notadamente porque, como comprovado, é flagrantemente intempestiva qualquer manifestação da Procuradoria nos autos deste processo.” Ambos os embargos foram rejeitados. O da Fazenda Nacional, sob o entendimento de ter ocorrido a figura da preclusão, e o do contribuinte, por ausência de obscuridade. O então ilustre Conselheiro EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, ao se manifestar sobre os Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, através dos quais foi apontada omissão no Acórdão nº 20312.505, deixou consignado, de forma a não deixar dúvida, que ditos embargos apresentamse preclusos, pois o momento oportuno para ser levantada qualquer omissão ocorreu logo após a mesma Procuradoria ter sido cientificada do Acórdão original sob o nº 20309.582 (fls. 468). Inconformada, a Fazenda Nacional interpõe Recurso de divergência. Alega que a isenção do PIS sobre operações de transporte internacional somente se justifica com relação às tomadoras domiciliadas no exterior. Cita jurisprudência a respeito. Conclui (SIC) “ Por todo o exposto, considerando que o serviço de transporte internacional de mercadorias foi prestado pelo contribuinte a empresas domiciliadas no Brasil, desconfigurando, assim, a própria operação de exportação, correto o lançamento dos valores devidos a título de contribuição para o PIS”. Conforme Despacho 400345, de fls. 491, sob o entendimento de estarem presentes as condições de admissibilidade, o recurso interposto deu seguimento (SIC) “ tão somente em relação à exclusão dos valores referentes à prestação de serviços de transporte internacional de cargas, cujos pagamentos foram realizados por empresas sediadas no país, sem ingresso de divisas em moeda estrangeira, na base de cálculo da COFINS”. Pelo pedido de reexame de admissibilidade (Despacho 400345R) confirmado o seguimento parcial do recurso. O recorrido apresentou contrarrazões ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. Pede para que: I) não seja conhecido o recurso, por duas razões – a um, pela preclusão reconhecida pelo relator dos embargos, e a dois, pela ausência específica de paradigma. No mérito, pede a manutenção do acórdão recorrido, a vista da inexistência de dispositivo legal que determine o cumprimento dessa obrigação. É o relatório. Voto Fl. 539DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 21/ 05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por MARIA TERESA MA RTINEZ LOPEZ Processo nº 11075.000552/0034 Acórdão n.º 9303002.896 CSRFT3 Fl. 538 5 Conselheira MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ ADMISSIBILIDADE Este exame preliminar sobre o cabimento do recurso denominase juízo de admissibilidade, transposto o qual, em sentido favorável ao recorrente, passará o órgão recursal ao juízo de mérito do recurso. DA FIGURA DA PRECLUSÃO Através do despacho de fls. 424, o Presidente da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes intimou o Sr. Procurador Representante da Fazenda Nacional, a tomar ciência do Acórdão nº 20309582. Não tendo havido manifestação do Procurador da Fazenda Nacional para interposição de embargos de declaração ou de recurso especial, o processo foi devolvido para a DRJ de Santa Maria/RS, para as providências cabíveis (fls. 425), a qual, por sua vez, o remeteu para a SACAT da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Uruguaiana (fls. 426). De posse do inteiro teor do processo administrativo, o Sr. Delegado Substituto da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Uruguaiana analisou o Acórdão n. 20309.582, e interpôs Embargos de Declaração (fls. 427 a 430) por ter constatado uma contradição entre o que constou na primeira folha da r. decisão e a sua parte dispositiva, eis que, as fls. 420 constou que "Acordam os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso", e, nas fls. 423, foi dito o que segue: "Diante do exposto, voto no sentido de que seja dado provimento parcial ao recurso, para excluir do cálculo do PIS (= base de cálculo da contribuição) embutido no auto de infração de fls. 02/04, o valor das receitas auferidas pela Recorrente com a prestação de serviços de transporte internacional de cargas cujas coberturas foram fixadas em divisa externa." (o grifo é do original). Referidos embargos foram acolhidos e providos, decorrendo, do seu julgamento, o Acórdão n. 20312.505, que teve, por Relator, o Conselheiro EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS. Esse acórdão recebeu a seguinte ementa (fls. 438): "ASSUNTO: Contribuição para o PIS/PASEP Período de Apuração: 01/03/1996 a 31/12/1998 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. NECESSIDADE DE ESCLARECIMENTO. Constatada contradição no julgado, entre a ementa e o resultado, por um lado, e a parte dispositiva do voto, por outro, cabe sanála, reratificando o acórdão embargado. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 21/ 05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por MARIA TERESA MA RTINEZ LOPEZ 6 PIS. BASE DE CÁLCULO. FATOS GERADORES DE 03/96 A 12/98. TRANSPORTE INTERNACIONAL DE CARGAS OU PASSAGEIROS. EXCLUSÃO. INGRESSO DE DIVISAS. DESNECESSIDADE. Somente a partir de 30/09/1999, com a revogação do art. 40 da Lei nº 9.715/98, pelo art. 23, II, "g" da MP n° 1.8586/99, é que a exclusão da base de cálculo do PIS faturamento, das receitas correspondentes ao serviço de transporte internacional de cargas ou passageiros, passou a ser subordinado ao pagamento com o ingresso de divisas externas, nos termos do art. 14, III, § 1º, da referida MP, atualmente sob o n° 2.15835/2001. Antes, consoante o art. 40, III, da Lei n° 9.715/98, inexistia a exigência de que o pagamento por tal serviço se desse em moeda estrangeira. Embargos acolhidos." Na parte dispositiva desse acórdão (fls. 442), e para que não pairasse nenhuma dúvida quanto à manutenção da decisão anterior, proferida através do Acórdão nº 20309.582, o Relator assim se manifestou: "Pelo o exposto, conheço dos Embargos de Declaração e os acolho para, sanando as contradições, manter o seu resultado pelo provimento integral, e alterar o final do voto, de modo a excluir neste a expressão "... cujas coberturas foram fixadas em divisa externa". A parte dispositiva do voto passa, então, à redação seguinte: "Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso para efeito de excluir do cálculo do PIS o valor das receitas auferidas pela Recorrente com a prestação de serviços de transporte internacional de cargas". Decorreu daí dois outros Embargos de Declaração, a saber: a) um interposto pela ora Recorrida, para que restasse esclarecido o que quis dizer o Relator, através da expressão "re/ratificando o acórdão embargado" (que constou da ementa do Acórdão nº 20312.505 fls. 438); e, b) outro, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional sob a alegação de que "a nova decisão concentrouse na dicção do art. 23, II "g" da MP n° 1.8586/1999, enfatizando o aspecto do ingresso de divisas, porém, omitiuse sobre uma questão prévia, haja vista que não houve pronunciamento sobre o fato de que todos os serviços foram contratados por empresas domiciliadas no Brasil, inexistindo, em verdade, a própria exportação."(fls. 447). O eminente Relator do Acórdão Embargado, Conselheiro EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, após uma detida análise, concluiu por não admitilos (fls.468). De fato, é pertinente reproduzir as razões pelas quais não foram admitidos os embargos declaratórios manejados pela Procuradoria da Fazenda Nacional, porque também servem de fundamento para não conhecer do recurso especial, por esta Conselheira. Se não vejamos: ••• Fl. 541DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 21/ 05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por MARIA TERESA MA RTINEZ LOPEZ Processo nº 11075.000552/0034 Acórdão n.º 9303002.896 CSRFT3 Fl. 539 7 Data vênia, não há como admitir nenhum dos dois Embargos de Declaração. O interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional apresentase precluso, por não ter o tema da omissão sobre a circunstância de que todos os serviços foram contratados por empresas domiciliadas no Brasil – sido abordado no Acórdão embargado, sob o n° 20312.505 e proferido em sede dos primeiros embargos. O momento oportuno para ser levantada a omissão em tela ocorreu logo após a PFN ter sido cientificada do Acórdão original, sob o nº 20309.582. As fls. 424 e 425 comprovam que em 12/08/2004 houve ciência pessoal ao Procurador Representante da Fazenda Nacional, sendo que somente após o Acórdão dos embargos da autoridade executora foram interpostos os presentes declaratórios. Na lição de Chiovenda, repetida por Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart, temse que: "... a preclusão consiste na perda, ou na extinção ou a consumação de uma faculdade processual. Isso pode ocorrer pelo fato: I) de não ter à parte observado a ordem assinalada pela lei ao exercício da faculdade, como os termos peremptórios ou a sucessão legal das atividades e das exceções; II) de ter a parte realizado atividade incompatível com o exercício da faculdade, como a proposição de uma exceção incompatível com outra, ou da prática de ato incompatível com a intenção de impugnar uma decisão; iii) de ter a parte já exercitado validamente a faculdade. A cada uma das situações acima corresponde, respectivamente, os três tipos de preclusão: a temporal, a lógica e a consumativa. No caso em tela ocorreu a preclusão temporal, consistente na perda da oportunidade que a ora Embargante teve para argüir a omissão em questão. Ultrapassada aquela etapa, extinguese o direito de levantála agora, nesta fase dos Embargos. Destarte, se no julgamento dos Embargos de Declaração interpostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Uruguaiana, o eminente Relator EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, limitouse a dirimir a contradição existente entre a ementa e a parte dispositiva do Acórdão original de nº20309.582 (fls.420/423). Entende a recorrida que se não houve inovação no julgado, não justificaria a um novo prazo para a interposição de recurso especial, ou, em sendo possível, a impossibilidade de discussão da matéria, nesta instancia, face a ocorrência da preclusão. Penso que quanto à possibilidade de interpor recurso especial, adveio do novo Acórdão, independentemente de ter ocorrido manutenção ou não da decisão anterior (Ac. 20309.582). Até porque o recurso é contra a decisão vigente como um todo. Resta analisar os efeitos da preclusão. A questão está ligada a um pressuposto processual específico, que diz respeito ao “prequestionamento”, o qual consiste na Fl. 542DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 21/ 05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por MARIA TERESA MA RTINEZ LOPEZ 8 manifestação expressa sobre a matéria objeto do recurso pela decisão recorrida da instância inferior. Se a matéria não foi ventilada não pode ser objeto de análise nesta instância. Ainda que fosse superada a questão da preclusão, outra merece ser observada. Ainda que não compartilhada por alguns dos meus pares que votaram pelas conclusões, entendo que o paradigma utilizado pela Fazenda Nacional, o qual se refere à COFINS, onde a legislação suporte é, no entender desta Conselheira, distinta da ora analisada. Se não vejamos: O Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25/06/2007, art.7°, `época vigente, assim dispõe, in verbis: "Art. 7°. Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: (...) II decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais." O Acórdão nº 20401.533 utilizado como paradigma, pela D. Fazenda Nacional possui a seguinte ementa: Acórdão nº 20401.533 "COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE INTERNACIONAL PRESTADA A EMPRESA DOMICILIADA NO BRASIL. Compõe a base de cálculo da contribuição os valores relativos à prestação de serviço de transporte internacional cujo pagamento pela realização de tal serviço foi arcado por empresa domiciliada no Brasil, exatamente por não serem tais operações consideradas como exportação de serviços. Recurso negado." (Segundo Conselho de Contribuintes. Quarta Câmara. Recorrente:Transportes Grall Ltda. Relatora Nayra Bastos Manatta.) Alega a Fazenda Nacional, (SIC): “Neste acórdão paradigma, a Quarta Câmara se debruçou sobre a problemática do serviço de transporte internacional de cargas, em período de apuração anterior a 1999, exatamente como ocorre no caso em apreço. Porém, o aludido órgão julgador afastou a isenção, embasandose na circunstância de que os custos do serviço não foram arcados por empresa sediada no plano internacional, descaracterizando assim a operação de exportação. É exatamente neste ponto que resta configurada a divergência jurisprudencial: enquanto, no acórdão recorrido, a Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes desconsiderou o fato de que as empresas contratantes do serviço de transporte internacional encontramse domiciliadas no Brasil, mantendo a isenção, a Quarta Câmara do mesmo Conselho afastou a isenção tributária no caso em que restou comprovado que o serviço de transporte internacional foi pago por empresa domiciliada no Brasil, desconfigurando, assim, a própria existência de operação de exportação.” A questão é que a legislação interpretada é distinta, ainda que a matéria incidental possa ter similaridade. Para melhor compreensão transcrevo excertos do Acórdão apontado como paradigma. Consta do relatório da decisão que serviu como paradigma: (Da defesa do contribuinte) Fl. 543DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 21/ 05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por MARIA TERESA MA RTINEZ LOPEZ Processo nº 11075.000552/0034 Acórdão n.º 9303002.896 CSRFT3 Fl. 540 9 1. o inciso 1 do art. 1° do Decreto n° 1030/93 prevê que as atividades de exportação de mercadorias e serviços, efetuadas diretamente pelo exportador,não integram a base de cálculo da cofins; 2. o art. 1° da Lei Complementar n° 85/96 também isenta da incidência da Cofins as receitas de vendas de mercadorias e serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; 10 o art. 14 da Medida Provisória n° 18588 de 1999 expressamente exclui da base de calculo da Cofins as receitas decorrentes do transporte internacional de cargas ou passageiros; Consta do voto do Paradigma, como matéria de decidir: De acordo com o disposto no art. 10 inciso I do Decreto n° 1030/93 são isentas da Cofins as receitas decorrentes da venda de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador. Art. 1° Na determinação da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), instituída pelo art. 1° da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991, serão excluídas as receitas decorrentes da exportação de mercadorias ou serviços, assim entendidas: I vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; E mais adiante: (...) Observese que como disse a própria recorrente com o advento da Medida Provisória n° 18588 de 1999, restaram isentas da Cofins as receitas advindas do transporte internacional de cargas ou passageiros, a partir de. 01/02/99, ou seja, só a partir de tal data é que os transportes internacionais de cargas e passageiros ficaram isentos da Cofins, independentemente de serem considerados serviços exportados ou não, o que implica em dizer, independente de o pagamento relativo à prestação de tal serviço ser arcado por empresa domiciliada no Brasil ou no exterior. (...) Antes de tal dispositivo legal apenas os serviços de transportes internacionais exportados, ou seja cujo pagamento pela prestação de tal serviço seja arcado por empresa domiciliada no exterior, estavam isentos da Cofins. Despacho de admissibilidade entendeu que: Fl. 544DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 21/ 05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por MARIA TERESA MA RTINEZ LOPEZ 10 Os fatos geradores, em ambas as situações, ocorreram em período anterior 09/1999 e a legislação, nada obstante tratarse de tributos distintos (PIS e Cofins), é similar, de modo que há possibilidade de se estabelecer um parâmetro de exame de divergência. Fixada tal premissa, vislumbrase ictu oculi a apontada contradição entre os julgados em questão, porquanto o aresto recorrido concluiu que para definir a natureza do serviço de transporte internacional de carga, como exportação, é prescindível a ocorrência de pagamento por estabelecimentos localizados no exterior, com ingresso de divisas em moeda estrangeiras, bastando que se dê o transporte de um ponto localizado no país a outro localizado no exterior. Já o acórdão paradigma entendeu não ser suficiente apenas este critério, mas também, e principalmente, que houvesse pagamento em moeda estrangeira realizado por empresa localizada no exterior (...) No caso em análise, como exposto, tratase de PIS. Confirase a ementa da decisão recorrida. PIS. BASE DE CÁLCULO. FATOS GERADORES DE 03/96 A 12/98. TRANSPORTE INTERNACIONAL DE CARGAS OU PASSAGEIROS. EXCLUSÃO. INGRESSO DE DIVISAS. DESNECESSIDADE. Somente a partir de 30/09/1999, com a revogação do art. 40 da Lei nº 9.715/98, pelo art. 23, II, "g" da MP n° 1.8586/99, é que a exclusão da base de cálculo do PIS faturamento, das receitas correspondentes ao serviço de transporte internacional de cargas ou passageiros, passou a ser subordinado ao pagamento com o ingresso de divisas externas, nos termos do art. 14, III, § 1°, da referida MP, atualmente sob o n° 2.15835/2001. Antes, consoante o art. 40, III, da Lei n° 9.715/98, inexistia a exigência de que o pagamento por tal serviço se desse em moeda estrangeira. Embargos acolhidos." O que se tem no presente caso, é que até um certo momento, existia uma legislação específica para o PIS e outra para a COFINS leis que dispunham sobre a não incidência sobre as receitas de transporte internacional de cargas e passageiros. No caso do PIS, não existia nenhum dispositivo legal impondo a segregação das receitas de transporte internacional, para que fossem tributadas as parcelas decorrentes do serviço, considerando o percurso no território nacional ou o recebimento em moeda nacional. Deveria, no meu entender, ter a Fazenda Nacional, trazido, se fosse o caso, paradigma da mesma contribuição. Diferentemente, por exemplo, da decadência, em que a legislação é a mesma para os tributos (aplicabilidade de uma determinada Lei aos tributos), podendo ser utilizado um paradigma de imposto ou contribuição distinto, eis que, repito, a análise da legislação é a mesma. CONCLUSÃO: Diante do acima exposto voto no sentido de não conhecer do recurso. MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ Fl. 545DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 21/ 05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por MARIA TERESA MA RTINEZ LOPEZ Processo nº 11075.000552/0034 Acórdão n.º 9303002.896 CSRFT3 Fl. 541 11 Fl. 546DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 21/ 05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por MARIA TERESA MA RTINEZ LOPEZ
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Numero do processo: 18471.000330/2005-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 21/03/2000 a 30/06/2000
Insumos Isentos. Creditamento.Exceções.
A não-cumulatividade do IPI, salvo nas hipóteses expressamente previstas na legislação, é implementada por meio da compensação do débito decorrente da saída do estabelecimento com o crédito decorrentes do imposto pago quando da aquisição de insumos.
Cumpre ao Contribuinte, portanto, demonstrar que faz jus ao tratamento diferenciado previsto em lei específica.
Estorno em Duplicidade. Comprovação
A alegação de erro material, configurado pela realização de estorno de crédito em duplicidade, deve estar respaldada em elementos de prova.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.681
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Presentes os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Nanci Gama, Luis Marcelo Guerra de Castro e Adriana Oliveira e Ribeiro.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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CREDITAMENTO.EXCEÇÕES. A nãocumulatividade do IPI, salvo nas hipóteses expressamente previstas na legislação, é implementada por meio da compensação do débito decorrente da saída do estabelecimento com o crédito decorrentes do imposto pago quando da aquisição de insumos. Cumpre ao Contribuinte, portanto, demonstrar que faz jus ao tratamento diferenciado previsto em lei específica. ESTORNO EM DUPLICIDADE. COMPROVAÇÃO A alegação de erro material, configurado pela realização de estorno de crédito em duplicidade, deve estar respaldada em elementos de prova. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Presentes os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Nanci Gama, Luis Marcelo Guerra de Castro e Adriana Oliveira e Ribeiro. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 03 30 /2 00 5- 37 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 18471.000330/200537 Acórdão n.º 3102001.681 S3C1T2 Fl. 239 2 Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo do Auto de Infração de fls. 61 a 67, que exige da contribuinte o recolhimento de imposto no valor de R$ 129.497,01, mais multa de ofício e juros de mora correspondentes, além da multa regulamentar básica no valor de R$ 21,90. As infrações, descritas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 58 a 60 podem ser assim resumidas: a) glosa de crédito oriundo da NF n° 27.077 (fl. 22), em razão de não se tratar de aquisição de insumo da Amazônia Ocidental, não fazendo jus ao incentivo estabelecido pelo artigo 158 do RIPI/98; b) glosa do valor de R$ 61.318,07, escriturado como "outros créditos" e historiado como retorno de valor estornado em duplicidade em período anterior, sendo que a contribuinte não logrou comprovar o lançamento a débito em duplicidade; c) foi apresentado o RAIPI, referente ao ano de 2000, sem o devido registro na Junta Comercial e sem o visto da repartição do Fisco Estadual (fl. 58), irregularidades que ensejaram a aplicação da multa regulamentar estabelecida pelo art. 478 do RIPI/98. A autuada apresentou a Impugnação de fls. 72 a 77 discordando do lançamento. Não apresenta razões questionando a exigência da multa regulamentar básica. Quanto às demais infrações, alega, em síntese: a) em relação ao crédito originado da NF n° 27.077, relativo a aquisição de insumo efetuada perante a empresa Pepsi Cola Engarrafadora, situada em Sapucaia do Sul/RS, defende a legitimidade do creditamento efetuado em razão da emitente da aludida nota fiscal ter procedido ao estorno do valor correspondente ao crédito efetuado quando da aquisição, perante empresa situada na Amazônia, desse insumo isento; b) em relação ao crédito efetuado para correção de valor estornado em duplicidade, aduz que se trata de erro material, sendo que "o simples fato do crédito ter sido estornado em duplicidade é suficiente para gerar direito creditório do valor singular"; Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão a quo pela manutenção integral da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 2DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 18471.000330/200537 Acórdão n.º 3102001.681 S3C1T2 Fl. 240 3 Período de apuração: 21/03/2000 a 31/03/2000 CRÉDITO INCENTIVADO. IMPOSSIBILIDADE. O direito ao crédito incentivado previsto no art. 158 do RIPI/98 atinge, tãosomente, as aquisições de produtos industrializados na Amazônia Ocidental elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, ou seja, cuja isenção tenha por amparo o art. 6° do Decretolei 1.435/75, matriz legal do art. 73, inciso III, do RIPI/98. 21/06/2000 a 30/06/2000 CORREÇÃO DE ESTORNO EM DUPLICIDADE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. O registro a Crédito de valor justificado pelo contribuinte como correção de estorno em duplicidade deve estar lastreado em documentação idônea que comprove a duplicidade do estorno, efetuada em período anterior ao do registro da correção. Lançamento Procedente Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a interessada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente: a) reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa; b) defender o direito ao creditamento quando da aquisição de insumos isentos, citando julgados do Supremo Tribunal Federal e dos extintos Conselhos de Contribuintes; e c) no intuito de demonstrar a duplicidade do estorno relativo ao terceiro decêndio do mês de maio de 2000, junta cópia do Livro de Apuração do IPI, pleiteando que, caso haja dúvidas acerca de tal duplicidade, seja o julgamento convertido em diligência. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção. A exigência fiscal litigiosa, como já adiantado, está escorada na glosa de dois créditos específicos: um decorrente de aquisição de insumos isentos e outro alegadamente decorrente de duplicidade do estorno de crédito. Enfrento separadamente cada um desses pontos. Apuração de Créditos sobre a Aquisição de Insumos Isentos: Fl. 3DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 18471.000330/200537 Acórdão n.º 3102001.681 S3C1T2 Fl. 241 4 Em que pesem as abalizadas opiniões doutrinárias e manifestação anterior do Pretório Excelso sobre o tema, não vejo como apurar créditos na aquisição de insumos isentos. A meu ver, pelos mesmos motivos que orientaram a alteração da jurisprudência daquela Corte Constitucional, a nãocumulatividade disciplinada pela Constituição Federal de 1988 não admite que sejam computados créditos em operações envolvendo a aquisição de produtos isentos. Nesse aspecto, tomo emprestadas as conclusões da Ministra Carmem Lúcia no votovista exarado nos autos do RE 566.819, por meio do qual a jurisprudência do STF, até então representada pelo RE 212.484, sofreu significativa modificação. Confirase : 22. Não adentro os pormenores da diferenciação doutrinária e legal atinente aos institutos tributários da isenção, não tributação e da aplicação de alíquotazero. Sob a perspectiva constitucional, para afastar "o pleito do adquirente de insumo desonerado é suficiente a constatação de que em nenhuma dessas hipóteses (isenção, nãotributação ou alíquota zero) apresenta elemento essencial e condicionante à compensação, a saber, recolhimento de imposto na operação anterior. 23. É certo que a incidência do imposto sobre o valor total da operação de que decorrer a saída do produto (Lei n. 4.502/64, art.14, inc. II, e Decreto n. 4.544/02 RIPI, art. 131, inc. II) suscita o alegado diferimento do imposto em relação à operação desonerada. Contudo, tenho que o princípio constitucional da não cumulatividade limitase a compensar a pessoa que recolhe imposto (débito) sobre uma operação já tributada (crédito), não envolvendo, portanto, a pretendida anulação dos efeitos de eventual diferimento decorrente de uma operação desonerada. Assim, o sistema de créditos decorrente da nãocumulatividade não procura restringir o pagamento do tributo à atividade industrial que o produtor realiza (valor agregado), mas evitar que este recolha imposto sobre operação já tributada. Com efeito, a Constituição de 1988 assim definiu os contornos da não cumulatividade do IPI: "Art. 153. Compete à União instituir imposto sobre: (..) , IV produtos industrializados: (...) § 3° O imposto previsto no inciso IV: (...) Fl. 4DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 18471.000330/200537 Acórdão n.º 3102001.681 S3C1T2 Fl. 242 5 II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores;". (original não destacado) Já no plano da Lei Complementar, no caso, do CTN, extraise o seguinte comando: Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. (original não destacado) Finalmente, coube à Lei nº 4.502, de 1964, com status de lei ordinária, disciplinar: Art. 25. A importância a recolher será o montante do imposto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuído do montante do imposto relativo aos produtos nele entrados, no mesmo período, obedecidas as especificações e normas que o regulamento estabelecer. Ora, se a regra é o creditamento a partir do montante pago, a exceção seria a possibilidade de se apurar créditos a partir de operações desoneradas. Ademais, se não representa um meio de evitar a incidência “em cascata” do elo anterior, a apuração de crédito em operação isenta representa, com efeito, um favor fiscal e, como tal, exige a expedição de lei específica, mormente após a reforma levada a efeito por meio da Emenda Constitucional nº 3, de 1993, que acrescentou o § 6º ao art. 150 daquela Carta1. No caso do presente litígio, verificase que o sujeito passivo pretende apurar créditos quando da aquisição de produtos que foram alvo da isenção consignada no art. 59, II, do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto nº 2.637, de 1998 (RIPI/98), assim redigido: Art. 59. São isentos do imposto (DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, art. 9º, e Lei nº 8.387, de 30 de dezembro de 1991, art. 1º): (...) II os produtos industrializados na ZFM, por estabelecimentos com projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA, que não sejam industrializados pelas modalidades de acondicionamento ou reacondicionamento, destinados a comercialização em qualquer outro ponto do Território Nacional, excluídos as armas e munições, fumo, bebidas alcoólicas e automóveis de passageiros e produtos de perfumaria ou de toucador, preparados ou preparações cosméticas, salvo 1 § 6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g Fl. 5DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 18471.000330/200537 Acórdão n.º 3102001.681 S3C1T2 Fl. 243 6 quanto a estes (posições 3303 a 3307 da TIPI) se produzidos com utilização de matériasprimas da fauna e flora regionais, em conformidade com processo produtivo básico; Ocorre que, ao tratar do direito a apuração de crédito nas operações acima mencionadas, fixou o mesmo RIPI/98 em seu art. 158: Art. 158. Os estabelecimentos industriais poderão creditarse do valor do imposto calculado, como se devido fosse, sobre os produtos adquiridos com a isenção do inciso III do art. 73, desde que para emprego como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização de produtos sujeitos ao imposto (DecretoLei nº 1.435, de 1975, art. 6º, § 1º). Como é possível perceber, inobstante o legislador tenha isentado do imposto um rol significativo de operações, quando elencou que confeririam direito a crédito, restringiu as sobremaneira, limitando tal direito às operações que se beneficiarem da isenção capitulada no art. 73, III, do mesmo regulamento. Diz o dispositivo: Art. 73. São isentos do imposto: (...) III os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, excetuados o fumo do Capítulo 24 e as bebidas alcoólicas, das posições 2203 a 2206 e dos códigos 2208.20.00 a 2208.70.00 e 2208.90.00 (exceto o Ex 01) da TIPI (DecretoLei nº 1.435, de 1975, art. 6º, e DecretoLei nº 1.593, de 1977, art. 34). Ora, embora a recorrente tenha alegado, não consta dos autos qualquer elemento que demonstre que o concentrado de Pepsi Cola tenha sido elaborado a partir de materiaisprimas agrícolas ou extrativas de produção daquela região. Relevante para tal convicção, ademais, é o fato de que as notas fiscais relativas à comercialização de concentrado de Pepsi – Cola, colacionadas pelo próprio sujeito passivo, como já destacado, pelo órgão a quo, fundamentam a isenção no art. 59, II do mesmo RIPI/98, não trazendo qualquer alusão ao art. 73, III2. Se não há elementos que demonstrem o alegado direito a tratamento diferenciado, não vejo como reconhecêlo. Estorno em duplicidade Também não vejo como extrair da cópia do livro de apuração do IPI relativo ao terceiro decêndio do mês de maio de 2000 a comprovação de que teria sido promovido 2 Cópias às fls. 110 a 113 Fl. 6DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 18471.000330/200537 Acórdão n.º 3102001.681 S3C1T2 Fl. 244 7 estorno de crédito em duplicidade. Aliás, a Recorrente também não explicita de que forma esse livro fiscal demonstraria a plausibilidade da sua alegação. Com efeito, compulsando tal livro, verificase, no trecho à fl. 235, a realização de estorno de crédito no valor de R$ 147.643,99, com a sucinta descrição “Devolução de produto/inventario”. Ora, tal informação desacompanhada das notas fiscais que explicitem de que forma se processaram as operações, com a devida licença, não prova a duplicidade de estorno, até porque o valor escriturado representa sequer um múltiplo do crédito glosado (R$ 61.318,07) . Outrossim, também não vejo como acatar o pedido de diligência, pois desde o procedimento fiscal o sujeito passivo foi informado da necessidade de apresentar as notas fiscais relativas as operações que, segundo alega, teriam sido registradas em duplicidade. De se destacar, quanto a esse ponto, que a Recorrente sequer esclareceu o porquê da não apresentação desses documentos. Ora, sabidamente, o procedimento de diligência, ex vi dos incisos III e IV, combinados, do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 19723, não se presta a suprir o dever de instruir o processo com os meios de prova que dêem suporte ao alegado, visa exclusivamente à complementação da instrução processual. Assim, imagino, não se logrou êxito em demonstrar a imprescindibilidade da providência, condição expressamente prevista no art. 18 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, que estabelece: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.” Peço licença para transcrever a interpretação de James Marins4 acerca do conteúdo do dispositivo acima transcrito: “... cumprirá à autoridade julgadora de primeira instância apreciar os requerimentos de produção de provas, apreciar sua pertinência e determinar a realização daquelas que seja em virtude de terem sido requeridas ou por deliberação ex officio da autoridade de primeira instância sejam necessárias para que a instrução se complete. 3 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. 4 Direito Processual Tributário. São Paulo. 2005, Dialética, 4ª Edição, p. 279. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 18471.000330/200537 Acórdão n.º 3102001.681 S3C1T2 Fl. 245 8 O juízo de pertinência probatória será feito principalmente com base nos critérios de imprescindibilidade e praticabilidade.” (os grifos não constam do original) Nessa linha, rejeito o pedido de diligência e mantenho a glosa. Conclusão Com essas considerações, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 28 de novembro de 2012 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 8DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002767/2006-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2004
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SAQUES OU TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS.
Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. (Súmula nº 67 - Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010).
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-003.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, que negava provimento.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 25/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002, 2004 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SAQUES OU TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS. Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. (Súmula nº 67 - Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010). Recurso Voluntário Provido
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SAQUES OU TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS. Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. (Súmula nº 67 Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010). Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, que negava provimento. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 25/08/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 27 67 /2 00 6- 03 Fl. 402DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.002767/200603 Acórdão n.º 2102003.065 S2C1T2 Fl. 394 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Contra ISMAR ARLINDO GRECHI ROMANI foi lavrado Auto de Infração, fls. 214/220, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2001 e 2003, exercícios 2002 e 2004, no valor total de R$ 683.854,88, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 30/11/2006. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, fls. 205/210, foi acréscimo patrimonial a descoberto, nos meses de outubro e dezembro de 2001, junho a outubro de 2003 e dezembro de 2003, caracterizado por excesso de aplicações sobre origens, em decorrência de remessas realizadas para o exterior em dólares. No que tange à movimentação de recursos no exterior há de se esclarecer que os fatos trazidos aos autos foram apurados durante as investigações do “Caso Banestado”, momento em que se identificou a empresa Beacon Hill Service Corporation como intermediária de diversas ordens de pagamento. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 225/237, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente o lançamento, por unanimidade de votos, conforme Acórdão DRJ/SPOII nº 1729.024, de 02/12/2008, fls. 247/261. Cientificado da decisão de primeira instância, em 23/01/2009, fls. 268, o contribuinte apresentou, em 20/02/2009, recurso voluntário, fls. 270/298, no qual traz as alegações a seguir resumidas: Da ilegitimidade passiva – O recorrente não é titular da disponibilidade dos rendimentos aplicados no MTB Hudson, supostamente provenientes do Citibank, razão pela qual não poderão tais valores ser considerados como dispêndios seus. O recorrente sempre foi correntista do Banco Bradesco, única instituição financeira com a qual trabalhou e, por conseqüência, jamais poderia ter remetido recursos ao MTB Hudson Bank via Citibank. Para corroborar tal fato requereuse na impugnação a intimação do Citibank para declarar se o recorrente está ou esteve na condição de correntista da referida instituição financeira, contudo, a autoridade julgadora de primeira instância indeferiu o pedido. A simples menção do nome do recorrente não constitui prova para que seja considerado o titular dos recursos, sobretudo porque a conta movimentada não lhe pertence. Da decadência do Direito de Constituir Crédito Tributário – O tributo exigido (IRPF) é sujeito ao lançamento por homologação e a constituição do crédito ocorreu Fl. 403DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.002767/200603 Acórdão n.º 2102003.065 S2C1T2 Fl. 395 3 em 06/12/2006. Logo, o fato gerador ocorrido no mês de outubro de 2001 foi lavrado após o término do lapso temporal da decadência. Registrese que o fato gerador do IRPF ocorre mensalmente. Da exigência da Produção de Prova Negativa – O Auditor Fiscal exigiu do recorrente a produção de prova negativa. Tal prova é praticamente impossível, pois, não bastasse o sigilo bancário, fiscal e de informações, notadamente no exterior, não há meios jurídicos para que se comprove a “não prática” de determinado ato. Some se a isso o indeferimento do pedido do recorrente para que o Citibank fosse intimado. Utilização indevida de presunções – A fiscalização presumiu que o recorrente teria omitido rendimentos, pois entendeu que recursos utilizados para realização de créditos efetuados na conta do MTB Hudson Bank seriam de sua titularidade. É evidente que não restou comprovado, por meio das provas admitidas em Direito, que o recorrente é titular de quaisquer contas ou valores existentes no exterior e de que houve créditos por conta e ordem do recorrente, passíveis de serem tributados nos termos da legislação pátria. Da Prova no Direito Tributário – Ainda que se admita que os recursos remetidos para o exterior fossem de titularidade do recorrente, não foi comprovado pela Fisco quais são os valores movimentados, com apresentação dos extratos bancários ou documentos equivalentes, tampouco a sua natureza, de modo que jamais poderia ser admitida a inclusão de tais valores no fluxo de caixa mensal do recorrente. A Auditora Fiscal juntou aos autos apenas planilhas elaboradas pela própria Receita Federal, com informações obtidas de suposta mídia eletrônica fornecida pela Promotoria do Distrito de Nova Iorque. Não consta dos autos a transcrição da mídia eletrônica que foi realizada pelos peritos criminais, há apenas um relatório que nada diz quanto ao recorrente. Não existe nos autos a fonte da qual a RFB extraiu as supostas informações que deram lastro ao relatório gerado pelo sistema eletrônico do Fisco. Não basta ao Fisco apenas supor a existência de omissão de rendimentos, mas sim provála. No caso em questão sequer foi juntado aos autos o extrato bancário que revela os alegados depósitos, bem como não foi juntada a transcrição da mídia pelos peritos criminais. Além disso, não se pode equiparar as supostas transferências financeiras a depósitos bancários não comprovados. Há que se comprovar, mediante aprofundamento da investigação fiscal, que essa transferência financeira configurou acréscimo patrimonial do contribuinte. Da taxa Selic – Considerandose a natureza remuneratória da taxa Selic, a inconstitucionalidade de sua aplicação, bem como sua ilegalidade, não há que se admitir a sua utilização com a natureza de juros Selic. É o Relatório. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.002767/200603 Acórdão n.º 2102003.065 S2C1T2 Fl. 396 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Do exame dos documentos que compõe o processo, principalmente do Demonstrativo Mensal de Evolução Patrimonial, fls. 139/143, inferese que o acréscimo patrimonial a descoberto apurado pela autoridade fiscal nos anoscalendário 2001 e 2003, foram evidenciados tãosomente pelas operações de remessa de recursos ao exterior, nos valores de US$ 755.215,00 e US$ 164.160,00, respectivamente, nas quais o contribuinte figura como ordenante. Para melhor analisar a questão, vale lembrar que a remessa de recursos para o exterior, por si só, não comprova consumo de renda ou aquisição de patrimônio. A transferência de recursos financeiros de um país para outro, deve ser analisada, para fins de elaboração de fluxo de caixa, da mesma forma como se analisa uma transferência de numerário entre contas bancárias mantidas pelo contribuinte em instituições financeiras domiciliadas no Brasil. O fato de o contribuinte movimentar seus recursos financeiros de uma instituição para outra não pode ser tomada como consumo de renda ou aquisição de patrimônio. O consumo da renda somente é evidenciado quando a autoridade fiscal comprova que o contribuinte comprou bens móveis ou imóveis ou que suportou despesas. A transferência bancária, por si só, ainda que seja do Brasil para o exterior, não equivale à realização de despesas. E mais, dos autos não restou comprovado que o valores correspondentes às transferências dos referidos recursos ao exterior tenham sido convertida em consumo de renda ou aquisição de patrimônio, seja aqui no Brasil ou no exterior. Ou seja, a autoridade fiscal limitouse a tributar a operação bancária, sem comprovar a existência de acréscimo patrimonial a descoberto. Nesse sentido, importa observar a Súmula nº 67 (Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010), que abaixo se transcreve: Súmula CARF nº 67: Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. (Acórdãos precedentes: CSRF/0104.663, de 13/10/2003; 106 17.156, de 06/11/2008; 10615.820, de 20/12/2006; 10419.123, de 05/12/2002; 10417.359, de 28/01/2000) Este é o caso dos autos. Lançamento de acréscimo patrimonial a descoberto sem a comprovação da destinação do recurso, da efetividade da despesa ou da aplicação ou do consumo da renda. Logo, não pode prosperar o lançamento. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.002767/200603 Acórdão n.º 2102003.065 S2C1T2 Fl. 397 5 Dessa forma, tornase desnecessária a análise das demais argumentações apresentadas pelo contribuinte no recurso, uma vez que não pode prosperar o lançamento calcado em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, evidenciado por remessas de recursos ao exterior, sem comprovação da destinação do recurso, da efetividade da despesa, da aplicação ou do consumo. Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 406DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10580.911786/2009-17
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/08/2006
Direito ao crédito não conhecido.
Ausência da prova do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 3802-003.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negar-lhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negar-lhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1645; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 111 1 110 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.911786/200917 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802003.514 – 2ª Turma Especial Sessão de 20 de agosto de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Recorrente SOCIEDADE ANÔNIMA HOSPITAL ALIANÇA Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/08/2006 Direito ao crédito não conhecido. Ausência da prova do crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negarlhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 17 86 /2 00 9- 17 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ/BHE, a qual, por unanimidade de votos, julgou pela IMPROCEDÊNCIA da manifestação de inconformidade, tendo em vista que, na ótica fazendária, o contribuinte não conseguiu comprovar o direito ao crédito e, por via de conseqüência, não houve a homologação da compensação pleiteada. Em ato contínuo, o processo de Declaração de Compensação fora realizado pelo contribuinte por meio eletrônico, no qual pretendia quitar os débitos declarados no referido documento, com créditos decorrentes de recolhimento indevido realizado, por meio de DARF, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/08/2006 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à identificação e exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS os medicamentos com incidência de alíquota zero, conforme decisão em seu favor, ainda não transitada em julgado, perante a 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal sob o número 2009.34.00.0314472, de modo a manter a integralidade do crédito declarado e a homologar a compensação pleiteada por intermédio do PER/DCOMP. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que os requisitos de admissibilidade do presente recurso se fazem presentes, é de rigor dele tomar conhecimento e analisar o mérito da questão. Mérito Consultando os autos do processo noticiado pelo contribuinte, se verifica que houve a propositura de mandado de segurança coletivo, impetrado pela Confederação Nacional de Saúde, Hospitais e Estabelecimentos e Serviços, com o objetivo de suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS proveniente de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações posteriores feitas pela Lei nº 10.548/02, de modo a isentar ou impedir a cobrança de tais valores dos Hospitais e Clínicas substituídos. Nessa decisão de primeira instância do Pode Judiciário em favor ao recorrente, a qual está em segundo grau de jurisdição, a segurança foi concedida para Fl. 82DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911786/200917 Acórdão n.º 3802003.514 S3TE02 Fl. 112 3 determinar à autoridade fiscal que se abstivesse de exigir o recolhimento da contribuição para o PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicação, bem como foi declarado o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e da COFINS sobre a receita de medicamentos. A partir da decisão judicial proferida pelo Justiça Federal, surge a seguinte situação: o contribuinte cumpre a determinação judicial e, por sua conta e risco, adota esse novo modelo tributário para o futuro e aqui sempre é bom lembrar que essa decisão judicial ainda não é definitiva, pois comporta recursos de ambas as partes envolvidas no processo até o seu ultimato da marcha processual. E, por outro lado, em relação ao passado, o contribuinte se antecipa e requer a compensação dos direitos decorrentes da própria decisão judicial. Pois bem! Para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e certeza decorrentes do artigo 170 do Código Tributário Nacional. E é justamente aqui se esbarra o direito do contribuinte. A compensação tributária dáse nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Não é possível o encontro de contas se o contribuinte não demonstrar, previamente, estes dois requisitos. No presente caso, o recorrente tem ao seu favor uma decisão judicial precária que suspende a exigibilidade do PIS e da COFINS proveniente de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações posteriores, bem como declaração do direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e da COFINS sobre a receita de medicamentos. Esta situação, por sua vez, não implica no reconhecimento da liquidez e da certeza dos créditos tributários. A compensação de tributos devidos com créditos do particular em face do fisco é permitida em nossa legislação, desde que satisfeitos certos requisitos para tanto. Inicialmente, é interessante lembrar que a matéria está prevista no Código Tributário Nacional, no caput do art. 170: "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública." Desde logo se verifica que o CTN é expresso ao afirmar que a lei poderá permitir a compensação, desde que seja ela feita com a utilização de créditos líquidos e certos. Não basta, assim, que existam hipotéticos pagamentos de um tributo posteriormente julgado indevido: é preciso que exista a certeza do pagamento, bem como o valor atualizado do seu montante. Por via de conseqüência, qualquer decisão judicial que autorize a compensação de créditos ilíquidos ou incertos estará violando o art. 170 do CTN. Interessante observar que o dispositivo transcrito acima não condiciona a compensação a uma necessária intervenção do Poder Judiciário. Não exige o CTN, assim, que somente possa compensar créditos aquele que tenha uma autorização judicial para tanto. O caput do art. 66 da Lei nº 8.383, de 30/12/91, autoriza a compensação prevista no art. 170 do CTN: "Art. 66. Os casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação Fl. 83DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes." Expressamente se verifica, inicialmente, que há de haver pagamento indevido ou a maior de tributos para que possa surgir o direito à compensação. Além disso, como mencionado acima, os créditos precisam ser líquidos e certos. Assim, se inexiste pagamento indevido ou a maior, não é possível compensar (art. 66 da Lei nº 8.383/91). Nesse sentido, se não há a certeza da existência dos pagamentos devidos, ou se estes não são líquidos, não é possível compensar (art. 170 do CTN). Presentes esses requisitos, tem o contribuinte o direito à compensação. Se não estão presentes esses requisitos, não tem o contribuinte o direito à compensação. Tendo em vista que, no presente caso, o contribuinte tem em seu poder uma decisão judicial passível de reforma, já que não houve o acertamento tributário definitivo, sou pelo CONHECIMENTO do presente recurso e dele NEGOLHE provimento para manter a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 84DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10935.906224/2012-81
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/11/2006
Recurso Voluntário não conhecido
A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
Numero da decisão: 3802-003.191
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 62 24 /2 01 2- 81 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ/CTA, a qual, por unanimidade de votos julgou pelo não acolhimento da manifestação de inconformidade apresentada. Em ato contínuo, o despacho decisório pela DRF de Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do PER/DCOMP, devido à inexistência de crédito pleiteado, já que o pagamento de PIS/PASEP, do período acima indicado, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte o mesmo fato gerador, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/11/2006 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PERD/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE NORMAS VIGENTES JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da COFINS, sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, já que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998 não pode ser alargado ao ponto de abranger o conceito de ingresso. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que a matéria posta para análise – inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, não está afeta à competência desse Fl. 56DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906224/201281 Acórdão n.º 1802003.191 S1TE02 Fl. 12 3 colegiado, já que não é permitido aos Conselheiros do CARF se pronunciarem sobre os aspectos constitucionais de lei tributária. É de rigor a aplicação da Súmula CARF nº 02 que determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Precedentes: Acórdão nº 10194876, de 25/02/2005 Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201 77691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005. Portanto, pelas razões por mim aqui expostas, NÃO CONHEÇO do recurso ora interposto (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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