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Numero do processo: 10650.000200/2007-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2003
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar a dedução de despesas médicas. Contudo, não se admite a dedução de despesas médicas, quando presente a existência de indícios veementes de que os serviços a que se referem os recibos não foram de fato executados e o contribuinte intimado deixa de carrear aos autos a prova do pagamento e da efetividade da prestação dos serviços.
Numero da decisão: 2102-001.472
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima (relator) e Roberta de Azeredo Ferrreira Pagetti. Designado para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar a dedução de despesas médicas. Contudo, não se admite a dedução de despesas médicas, quando presente a existência de indícios veementes de que os serviços a que se referem os recibos não foram de fato executados e o contribuinte intimado deixa de carrear aos autos a prova do pagamento e da efetividade da prestação dos serviços. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima (relator) e Roberta de Azeredo Ferrreira Pagetti. Designado para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente. Assinado digitalmente CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA Relator. Assinado digitalmente Fl. 1DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10650.000200/200746 Acórdão n.º 210201.472 S2C1T2 Fl. 77 2 NÚBIA MATOS MOURA – Redatoradesignada. EDITADO EM: 22/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Atilio Pitarelli e Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relatório Cuidase de recurso voluntário de fls. 66 a 74, interposto contra decisão da DRJ em Juiz de Fora/MG, de fls. 57 a 62, que julgou procedente o lançamento do IRPF de fls. 03 a 07, relativo ao anocalendário 2003, lavrado em 14/02/2007, com ciência da RECORRENTE em 16/02/2007 (fl. 17). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 4.354,71, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 04 e 05, o presente lançamento teve origem na glosa de deduções relativas a despesas médicas, nos seguintes termos: “001 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL) DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS Glosa de deduções de despesas médicas pleiteadas indevidamente, no valor de R$ 10.000,00, na declaração de. Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2004, ano calendário de 2003, relativas a supostos atendimentos pelo profissional MARCUS AUGUSTO SCALON ANACLETO, CPF 622.926.41615. Em 23/02/2005 foi enviado para a contribuinte o Termo de Intimação Fiscal PDM/0256/2005 solicitando a apresentação, dos recibos originais emitidos pelo profissional, assim como a comprovação do efetivo atendimento e pagamento (fls. 11). Em resposta, a contribuinte apresentou os recibos que totalizavam o valor de R$10.000,00 (fls.14/15), um orçamento emitido pelo profissional (fls. 13) e, além disso, informou que os pagamentos foram efetuados em espécie (fls. 12). Cabe ressaltar que os recibos apresentados não identificam o nome do beneficiário do tratamento, não sendo assim, hábeis Fl. 2DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10650.000200/200746 Acórdão n.º 210201.472 S2C1T2 Fl. 78 3 para comprovar a despesa médica, já que a dedução se restringe aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Além disso, apenas um dos recibos apresentados possui o endereço do profissional, ou seja, mais uma vez, os requisitos legais não foram atendidos. Ressaltese ainda que a simples emissão de um orçamento não configura tratamento realizado, ou seja, não houve comprovação do suposto atendimento. Quanto à comprovação do pagamento, nenhum documento hábil foi apresentado (fls. 12). Assim, foi efetuada a glosa do valor correspondente, com aplicação da multa regulamentar de 75%, consoante os Acórdãos do 1° Conselho de Contribuintes, a seguir transcritos: (...) O presente auto de infração é decorrência de trabalho especial relativo a deduções fraudulentas de despesas médicas (efetuadas com médicos, dentistas, fisioterapeutas, psicólogos e demais profissionais da área de saúde, hospitais e assemelhados), onde constatouse: a) o uso fraudulento de recibos médicos por diversos contribuintes; b) a ausência de comprovação da prestação de serviços e dos pagamentos supostamente efetuados, por parte dos contribuintes intimados; c) a atividade de distribuição de recibos falsos por diversos profissionais da área de saúde. Por isso, foi efetuada a glosa do abatimento, excluindose os valores usados indevidamente. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2003 R$ 10.000,00 75,00 Enquadramento legal: Art. 11, § 3º do DecretoLei nº 5.844/43; Arts. 73 e 80 do RIR/99.” A declarações de ajuste anual da RECORRENTE, referentes ao ano calendário 2003, foi acostadas às fls. 08 a 10 dos autos. Em razão das glosas efetuadas pela fiscalização, foi apurado imposto de renda no valor de R$ 1.997,58, que se sujeita à multa de ofício e aos juros de mora, conforme demonstrativo de cálculo de fls. 06 e 07. DA IMPUGNAÇÃO Fl. 3DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10650.000200/200746 Acórdão n.º 210201.472 S2C1T2 Fl. 79 4 Em 06/03/2007, a RECORRENTE apresentou, tempestivamente, a impugnação de fls. 19 a 31, através de procurador habilitado à fl. 32, trazendo as alegações a seguir resumidamente transcritas: “(...) PRELIMINARMENTE DA NULIDADE DO AUTO INFRAÇÃO (...) A requerente foi intimada para apresentação de documentos, antes mesmo de formalizado o Mandado de procedimento fiscal, com a devida vênia, tratase de vicio de formalidade insanável, tendo em vista que o MPF deverá ser formalizado no início do procedimento fiscal, pois a seleção de contribuintes à fiscalização deverá ter caráter objetivo e impessoal, para melhores esclarecimentos, vejamos o início deste acórdão proferido pelo Conselho de Contribuintes: (...) O Código Tributário Nacional, em seu art. 196, preceitua o seguinte, ‘in verbis’: ‘Art. 196. A autoridade administrativa que proceder ou presidir a quaisquer diligências de fiscalização, lavrará os termos necessários para que se documente o início do procedimento, na forma da legislação aplicável, que fixará prazo máximo para a conclusão daquelas.’ (...) O contribuinte deverá ser intimado pessoalmente do Mandado de Procedimento Fiscal, para que este tenha validade, esse é o posicionamento dos professores citados acima: (...) Assim sendo, o termo de intimação fiscal no PDM/0256/2005, para apresentação de documentos, não cumpre os requisitos da lei, haja vista que, o mesmo não provém de determinação da autoridade competente, bem como, não estabelece, o inicio e o prazo máximo para a conclusão dos trabalhos, (inteligência do art. 196, CTN). Desse modo, o fisco deixou de observar, formalidade essencial para a instauração do Auto de Infração ora impugnado, pois o Mandado de Procedimento fiscal. deveria ter sido elaborado pela autoridade competente. no inicio do procedimento em 23/02/2005, havendo assim, vício insanável desde o seu nascedouro, impondose por tanto, com a devida vênia, a declaração de sua nulidade, o que desde já o requer. (...) Fl. 4DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10650.000200/200746 Acórdão n.º 210201.472 S2C1T2 Fl. 80 5 DO MÉRITO: Para espancar qualquer dúvida, quanto, à impugnação do mérito do Auto de Infração em discussão, a requerente apresenta uma declaração assinada pelo profissional prestador dos serviços em questão, da qual consta que os serviços foram executados na própria contribuinte, que o pagamento foi efetuado em parcelas pela própria contribuinte, em moeda corrente, o qual foi, sem dúvida, devidamente oferecido à tributação, pelo beneficiário dos serviços. A Impugnação, no mérito do Auto de Infração, tem ainda, sua fundamentação na tese, de que, como o beneficiário, já ofereceu esse valor a tributação, na sua respectiva declaração de imposto de renda do exercício de 2004, ano calendário 2003, ocorrerá, se mantido o Auto de Infração ora Impugnado, o enriquecimento sem causa, diante de bitributação. (...)” A RECORRENTE apresentou, novamente, os recibos (fls. 53 e 54) bem como o orçamento do tratamento elaborado pelo Dr. Marcus Augusto Scalon Anacleto (fl. 55). A declaração prestada pelo profissional dentista foi acostada à fl. 33. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 57 a 62 dos autos, julgou procedente o lançamento do imposto, através de acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. DISPENSA. É dispensada a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal no procedimento de revisão interna da declaração de ajuste anual. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Mantémse o lançamento relativo às despesas médicas para cujos recibos não ficou evidenciada a efetividade do atendimento e pagamentos correspondentes, mormente quanto tal aspecto foi objeto de intimação por parte da autoridade lançadora. Lançamento Procedente” Nas razões do voto do referido julgamento, a autoridade julgadora rebateu, uma a uma, as alegações da RECORRENTE, e findou por julgar procedente o lançamento de imposto de renda consubstanciado no auto de infração. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10650.000200/200746 Acórdão n.º 210201.472 S2C1T2 Fl. 81 6 DO RECURSO VOLUNTÁRIO A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão em 07/08/2009 (sexta feira), conforme AR de fl. 65 dos autos, apresentou recurso voluntário de fls. 66 a 74 em 08/09/2009. Em suas razões de apelo, reitera todo a alegado em sua impugnação. Este recurso voluntário compôs lote, sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Preliminares De início, devo analisar as preliminares razões de defesa da RECORRENTE, que alega nulidade do lançamento tendo em vista que o fisco supostamente deixou de observar formalidade essencial para a instauração do Auto de Infração ora impugnado, pois o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF deveria ter sido elaborado pela autoridade competente no inicio do procedimento em 23/02/2005. De fato, o MPF de fl. 01 é datado de 12/02/2007, enquanto que a RECORRENTE tomou conhecimento da ação fiscal através do Termo de Intimação Fiscal nº PDM/0256/2005 de 23/02/2005 (fl. 11). Ao contrário do exposto pela autoridade julgadora de primeira instância, no documento de fl. 11 não há qualquer indicação de que o procedimento de fiscalização foi relativo a tratamento automático das declarações (malhas fiscais), hipótese em que estaria dispensado a emissão do MPF, conforme prevê o art. 11, inciso IV, da Portaria SRF n° 6.086/2005. O Termo de Intimação Fiscal de fl. 11 expressa que a fiscalização ocorreu em trabalho especial de cruzamento de informações relativas a deduções de despesas médicas e na forma dos artigos 904. Nos termos da descrição dos fatos e enquadramento legal de fl.s 04 e 05, a autoridade fiscal afirma novamente que o lançamento é decorrente de trabalho especial, nos seguintes termos: “(...) O presente auto de infração é decorrência de trabalho especial relativo a deduções fraudulentas de despesas médicas (efetuadas com médicos, dentistas, fisioterapeutas, psicólogos e demais profissionais da área de saúde, hospitais e Fl. 6DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10650.000200/200746 Acórdão n.º 210201.472 S2C1T2 Fl. 82 7 assemelhados), onde constatouse: a) o uso fraudulento de recibos médicos por diversos contribuintes; b) a ausência de comprovação da prestação de serviços e dos pagamentos supostamente efetuados, por parte dos contribuintes intimados; c) a atividade de distribuição de recibos falsos por diversos profissionais da área de saúde. Por isso, foi efetuada a glosa do abatimento, excluindose os valores usados indevidamente. (...)” Assim, deveria ter sido expedido o MPF para dar ciência à RECORRENTE do início da fiscalização, o que ensejaria a nulidade do processo administrativo. No entanto, o art. 59, § 3º, do Decreto nº 70.235/72 prevê o seguinte: “Art. 59. São nulos: (...) § 3º Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta” Sendo assim, passo a analisar o mérito da questão. Mérito Ao comparar as declarações de ajuste do RECORRENTE (fls. 08 a 10) com os recibos de despesas médicas de fls. 14 a 15, a autoridade fiscal efetuou a glosa das seguintes despesas médicas: 1) anocalendário 2003: R$ 10.000,00 pagos ao profissional Dr. Marcus Augusto Scalon Anacleto. No que tange às despesas acima citadas, entendo que deve ser reformado o lançamento, pelas razões adiante expostas. O Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999), em seu art. 73, estabelece que todas as deduções estão sujeitas à comprovação de sua realização, nos seguintes termos: "Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. § 1° Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. § 2° As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tomar irrecorrível na esfera administrativa. § 3º Na hipótese de rendimentos recebidos em moeda estrangeira, as deduções cabíveis serão convertidas para Reais, Fl. 7DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10650.000200/200746 Acórdão n.º 210201.472 S2C1T2 Fl. 83 8 mediante a utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento do rendimento." Em seu art. 80, o RIR/1999 determina, ainda, o seguinte: "Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1° O disposto neste artigo: (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento." No caso dos autos, os recibos emitidos pelo profissional dentista (fls. 14 e 15) foram rejeitados pela fiscalização visto que não indicam o nome do beneficiário do tratamento e também não apresentavam o endereço do profissional. A autoridade fiscal entendeu também que o orçamento do tratamento apresentado (fl. 13) não comprovaria a realização do tratamento, e que não foi apresentada qualquer prova inequívoca dos pagamentos correspondentes aos serviços prestados. Quando da apresentação de sua impugnação, a RECORRENTE novamente juntou aos autos os recibos das despesas médicas e o orçamento do tratamento (fls. 53 a 55), bem como declaração prestada pelo profissional dentista, que atesta a efetividade dos serviços odontológicos tomados pela RECORRENTE (fl. 33). Em oposição ao alegado pela autoridade julgadora de primeira instância, entendo que os recibos emitidos pelo profissional dentista, aliados ao orçamento do tratamento e à declaração expedida pelo mesmo profissional, devem sim ser aceitos como comprovação de despesas odontológicas. Após pesquisa no sítio da Receita Federal na internet, constatei que o Dr. Marcus Augusto Scalon Anacleto encontrase com o CPF regular. Em consulta realizada através do sistema “COMPROT”, verifiquei que não existe qualquer processo administrativo em desfavor do referido profissional a partir do anocalendário 2003 (período da ocorrência dos fatos da presente ação), o que já afasta qualquer corelação das glosas com o uso de “recibos fraudulentos”. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10650.000200/200746 Acórdão n.º 210201.472 S2C1T2 Fl. 84 9 Para efetuar a glosa de deduções, a autoridade fiscal deve motivar o seu ato, expondo as razões. Contudo, tal ato (glosa de deduções) deve obedecer aos limites fixados em lei, sob pena de o ato administrativo tornarse arbitrário e, portanto, ilegal. Sobre a discricionariedade do ato administrativo, sirvome das lições de Celso Antônio Bandeira de Mello: “89. A situação é bastante diversa quando a lei deixa ao Poder Público certa margem de discricionariedade por ocasião da prática do ato. Assim, considerese o caso da autorização do porte de arma. Se o particular o solicita, a Administração deferirá ou não, posto que a lei não constrange à prática do ato, dado que faculta ao Poder Público examinar no caso se convém ou não atender ao pretendido pelo interessado.(...) 90. Em suma: discricionariedade é liberdade dentro da lei, nos limites da norma legal, e pode ser definida como: ‘ margem de liberdade conferida pela lei ao administrador a fim de que este cumpra o dever de integrar com sua vontade ou juízo a norma jurídica, diante do caso concreto, segundo critérios subjetivos próprios, a fim de dar satisfação aos objetivos consagrados no sistema legal’. 91. Não se confundem discricionariedade e arbitrariedade. Ao agir arbitrariamente o agente estará agredindo a ordem jurídica, pois terá se comportado fora do que lhe permite a lei. Seu ato, em conseqüência, é ilícito e por isso mesmo corrigível judicialmente. (...) 98. Assim, a discricionariedade existe, por definição, única e tãosomente para proporcionar em cada caso a escolha da providencia ótima, isto é, daquela que realize superiormente o interesse público almejado pela lei aplicanda. Não se trata, portanto, de uma liberdade para a Administração decidir a seu talante, mas para decidirse do modo que torne possível o alcance perfeito do desiderato normativo. (...)” (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de Direito Administrativo. 22ª ed. rev. São Paulo: Malheiros, 2007. p.413 a 418). Conforme preceitua o art. 73 do RIR/99, as deduções pleiteadas em declaração de ajuste anual estão sujeitas à comprovação do contribuinte. Assim, entendo que os recibos em conjunto com a declaração e o orçamento do tratamento comprovam a efetividade das despesas de serviços odontológicos. Assim, agiu em conformidade com o que determina o art. 73 do Decreto nº 3.000/99, não podendo a autoridade lançadora simplesmente efetuar a glosa de tais despesas, sem motivar o seu ato. Desta forma, o pedido de dedução de tais despesas médicas, formulado pela RECORRENTE, deve ser acatado, tendo em vista que os recibos apresentados aliados à declaração prestada pelo profissional são perfeitamente aptos a comprovar a efetividade do dispêndio. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10650.000200/200746 Acórdão n.º 210201.472 S2C1T2 Fl. 85 10 Sobre o tema, importante transcrever ementa de acórdão proferido pela antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, verbis: “GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS — FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. A glosa de dedução de despesas, após a justificativa apresentada pelo contribuinte, deve ser seguida de rigorosa fundamentação que demonstre a inaplicabilidade do art. 242 do RIR/94 às despesas incorridas. A simples alegação, sem contra demonstração fundamentada, por parte da autoridade administrativa, atinge o princípio da motivação dos atos administrativos. (recurso voluntário nº 133791; 7ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes; julgamento em 16/04/2003)” Portanto, deve ser reformado o lançamento no que diz respeito à glosa do valor de R$ 10.000,00 a título de despesas médicas, durante os anocalendário 2003, cancelandose o presente lançamento de imposto de renda. Isto posto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento, restabelecendo as despesas médicas glosadas, no valor de R$ 10.000,00. Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator Fl. 10DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10650.000200/200746 Acórdão n.º 210201.472 S2C1T2 Fl. 86 11 Voto Vencedor Divirjo do ilustre Relator somente nas questões de mérito, no que diz respeito às despesas médicas relativas ao profissional dentista Marcus Augusto Scalon Anacleto. Para o exame da questão transcrevemse a seguir os dispositivos que regulam a matéria: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 Art.8º – A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Conforme se depreende dos dispositivos acima, cabe ao contribuinte que pleiteou a dedução provar que realmente efetuou os pagamentos nos valores e nas datas constantes nos comprovantes, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução, no período assinalado. Em princípio, admitese como prova idônea de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Entretanto, existindo dúvida quanto à idoneidade do documento por parte do Fisco, pode este solicitar provas não só da efetividade do pagamento, mas também da efetividade dos serviços prestados pelos profissionais. No presente caso, a contribuinte teve sua Declaração de Ajuste Anual, relativa ao anocalendário 2003, examinada e durante o procedimento fiscal foi intimada a comprovar o efetivo pagamento das deduções pleiteadas a título de despesas médicas, conforme Termo de Intimação, fls. 11. Ao atender a citada intimação, a contribuinte apresentou Fl. 11DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10650.000200/200746 Acórdão n.º 210201.472 S2C1T2 Fl. 87 12 cópias dos recibos e de plano de tratamento odontológico e esclareceu que todos os pagamentos foram realizados em dinheiro. Observase que, a despeito dos recibos e do plano de tratamento odontológico apresentados pela contribuinte, justificase, no caso, a exigência da comprovação do efetivo pagamento, no fato de a contribuinte pleitear dedução de despesas médicas, no valor de R$ 10.000,00, quando o rendimento tributável declarado foi de R$ 38.749,86. Se deste valor for diminuído a contribuição previdenciária (R$ 4.162,21) e o imposto de renda retido na fonte (R$ 1.172,71) o rendimento líquido da contribuinte passa a ser de R$ 33.414,94, o que implica dizer que os gastos com despesas médicas alcançou 30% do rendimento líquido auferido. Destaquese que a soma dos rendimentos isentos e não tributáveis e dos rendimentos sujeitos a tributação exclusiva no referido anocalendário foi de apenas R$ 2.724,18. (Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício 2004, fls. 08/10). Vale destacar, ainda, que a renda líquida média mensal da contribuinte é R$ 3.229,15 (R$ 38.749,86 / 12), o que implica dizer que houve mês que a contribuinte teria suportado despesa médica que corresponderia a mais de 60% de sua renda, dado que a quantia de R$ 10.000,00 é representada por seis recibos que variam de R$ 1.200,00 a R$ 2.000,00. Causa ainda estranheza o fato de os recibos serem seqüencialmente numerados, de 14 a 19, o que indicaria que a contribuinte seria a única cliente do profissional. E mais, a numeração dos recibos tem ordem inversamente proporcional ao mês de emissão, ou seja, o recibo emitido em janeiro é o de número 19, enquanto o recibo emitido em setembro é o de número 14, quando deveria ser exatamente ao contrário. Já no que se refere à alegação da contribuinte de que efetuou os pagamentos em espécie, vale notar que os rendimentos declarados pela contribuinte são em sua totalidade provenientes de pessoas jurídicas, tais como: Faculdade de Medicina do Triangulo Mineiro e Drogas Cruzeiro Ltda, que comumente fazem os pagamentos de seus funcionários e prestadores de serviço por intermédio de instituições financeiras. Assim, ainda, que prosperasse a argüição de pagamento em espécie, seria de fácil comprovação, mediante a apresentação de extratos bancários, com indicação de saques em datas e valores coincidentes com os recibos. Nesses termos, na falta da comprovação efetiva dos pagamentos, não há como se acatar a dedução de despesas médicas, pleiteada pela contribuinte, devendose manter o lançamento, na forma como consubstanciado no Auto de Infração. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 12DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA
score : 1.0
Numero do processo: 37299.006543/2005-65
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 19/12/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSO ESPECIAL DIVERGÊNCIA
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Não se pode conhecer do recurso especial de divergência quando a decisão recorrida e os acórdãos apontados como paradigmas analisaram realidades fáticas distintas e não comparáveis. A divergência que permite o conhecimento do recurso especial pressupõe a existência de teses diversas na interpretação dos mesmos dispositivos legais, o que não ocorre no caso em apreço.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-001.597
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso por ausência de pressuposto de admissibilidade pertinente à comprovação da divergência jurisprudencial.
Nome do relator: Gustavo Lian Hadad
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Não se pode conhecer do recurso especial de divergência quando a decisão recorrida e os acórdãos apontados como paradigmas analisaram realidades fáticas distintas e não comparáveis. A divergência que permite o conhecimento do recurso especial pressupõe a existência de teses diversas na interpretação dos mesmos dispositivos legais, o que não ocorre no caso em apreço. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por ausência de pressuposto de admissibilidade pertinente à comprovação da divergência jurisprudencial. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto (assinado digitalmente) GUSTAVO LIAN HADDAD Relator. (assinado digitalmente) EDITADO EM: Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório Em face de Right Choose Mão de Obra Temporária e Seleção de Pessoal Ltda foi lavrado o Auto de Infração de fls. 01/04, objetivando a cobrança de multa pela não apresentação da documentação fiscal comprobatória de determinados lançamentos contábeis constantes de seus livros. A Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 20500.698, que se encontra às fls. 133/137 e cuja ementa é a seguinte: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 19/12/2003 AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. NÃO FORMALIZAÇÃO DA REQUISIÇÃO PELO AUDITOR FISCAL. REGRA DO IN DUBIO PRO INFRATOR. Não consta da relação do TIAD, a requisição dos documentos que embasaram o lançamento contábil. Desse modo, entendo inservível o TIAD para sustentar a presente autuação. Ao analisar o Livro Diário, o Auditor entendeu que deveriam ser apresentados os documentos de uma conta especifica, Assim, deveria o Auditor ter solicitado formalmente os documentos por meio de TIAD especifico, até mesmo para embasar uma pretensa autuação por descumprimento de obrigação acessória. Diante do previsto no art. 112 do CTN, regra do in dúbio pro infrator, a autuação do contribuinte impõe ao Fisco prova para poder sustentála. Processo Anulado.” Fl. 2DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 37299.006543/200565 Acórdão n.º 920201.597 CSRFT2 Fl. 2 3 A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por unanimidade de votos, anulou o auto de infração. Intimada pessoalmente do acórdão em 13/11/2008 (fls. 138) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 142/147, em que sustenta divergência entre o v. acórdão recorrido e o acórdão nº 10707.751 no tocante à obrigatoriedade de apresentação da documentação que ampara os lançamentos contábeis. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 205636, de 23/11/2008 (fls. 150/152). Intimada sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional a contribuinte apresentou suas contrarazões de fls. 159/166. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Inicialmente passo ao exame de admissibilidade do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Como relatado anteriormente, a decisão proferida pelo v. acórdão foi unânime, tendo a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentado recurso especial de divergência, nos termos do artigo 7º, inciso II, do antigo Regimento Interno desta Câmara Superior. Para comprovar o entendimento divergente que lhe aproveitaria a Procuradoria da Fazenda Nacional indicou como paradigma o acórdão n° 10707.751, assim ementado: "COFINS. ARBITRAMENTO DE LUCROS. LIVRO DIÁRIO EM PARTIDAS MENSAIS. A falta de apresentação de livro auxiliar escriturado como ente complementar ao Livro Comercial escriturado em partidas mensais autoriza o arbitramento do lucro com base na receita bruta declarada. A exigência decorrente deve se amalgamar ao que fora decidido em relação ao tributo principal. IRPJ. LUCRO REAL. DOCUMENTAÇÃO. APRESENTAÇAO PARCIAL. ARBITRAMENTO DE LUCROS. SUBSISTÊNCIA. A falta de apresentação da documentação que ampara a escrituração justifica o arbitramento dos lucros. A escrituração só faz prova a favor do contribuinte quando lastreada em documentos hábeis e idôneos. Não apresentados, ainda que de forma parcial, quedase derruída a pretensão de acolhimento ao rogo recursal ao abrigo dos artigos 18, inciso IV, da Lei n° 8.541/92, e 386 do Código de processo Civil.” Entendo, no entanto, não restar configurada a divergência na medida em que as decisões analisam situações fáticas e aplicação de legislação distintas em cada caso. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 De fato, o v. acórdão recorrido trata da aplicação de multa pelo descumprimento de uma obrigação acessória, qual seja, deixar de apresentar determinados documentos à autoridade fiscal após a apresentação de intimação, tendo a Câmara recorrida considerado insuficiente a prova da intimação apresentada pelo Fisco para ensejar a aplicação da penalidade. O acórdão apontado como paradigma, por sua vez, trata do arbitramento da base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica tendo em vista a ausência de documentação que comprova os lançamentos, afetando diretamente a conformação da obrigação principal. As realidades fáticas tratadas nos acórdãos, embora se toquem tangialmente no que respeita a possíveis consequências da não disponibilização de documentos, são distintas quanto a seus efeitos multa por não apresentação de documentos (obrigação acessória) e arbitramento por contabilidade imprestável (obrigação principal), além do que o fundamento legal aplicável é diferente, não restando caracterizada divergência de teses quanto à interpretação de dispositivos legais a autorizar o conhecimento do presente recurso especial. Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Gustavo Lian Haddad (assinado digitalmente) Fl. 4DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10920.002041/2005-25
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Nov 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2001
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE INTEGRALMENTE SITUADA EM APA. COMPROVAÇÃO VIA LAUDOS PERICIAIS E DECLARAÇÃO DO IBAMA. INEXISTÊNCIA DO ADA. VALIDADE. PRINCÍPIO DA
VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO.
Tratando-se de área de preservação permanente, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente Laudo Pericial e, principalmente, Declaração emitida pelo próprio IBAMA admitindo como tal, ainda que não apresentado Ato Declaratório Ambiental ADA, impõe-se o reconhecimento de aludidas áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material,
sobretudo quando demonstrado encontrar-se situada integralmente em Área de Proteção Ambiental.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.820
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira e Henrique Pinheiro Torres.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE INTEGRALMENTE SITUADA EM APA. COMPROVAÇÃO VIA LAUDOS PERICIAIS E DECLARAÇÃO DO IBAMA. INEXISTÊNCIA DO ADA. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratandose de área de preservação permanente, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente Laudo Pericial e, principalmente, Declaração emitida pelo próprio IBAMA admitindo como tal, ainda que não apresentado Ato Declaratório Ambiental ADA, impõese o reconhecimento de aludidas áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material, sobretudo quando demonstrado encontrarse situada integralmente em Área de Proteção Ambiental. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira e Henrique Pinheiro Torres. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MA GALHAES DE 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres – Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 31/10/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório JHJ EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 11/07/2005, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 2001, incidente sobre o imóvel rural denominado “Serra Dona Francisca” localizado no município de Joinville/SC, cadastrado na RFB sob o nº 49166921, conforme peça inaugural do feito, às fls. 61/70, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário a então Terceira Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, Acórdão nº 0412.353/2007, às fls. 96/98, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 2ª Turma Ordinária da 1a Câmara, em 26/03/2009, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 310200.075, sintetizados na seguinte menta: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 ITR. LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias, de acordo com os §§ 1º e 2º do artigo 38 da Lei 9.784/99. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. São de preservação permanente as áreas do imóvel ocupadas por florestas e demais formas de vegetação natural, sem destinação comercial, na forma dos artigos 2º e 3º da Lei nº 4.771, de 1965, com Fl. 2DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MA GALHAES DE Processo nº 10920.002041/200525 Acórdão n.º 920201.820 CSRFT2 Fl. 2 3 alterações da Lei nº 7.803/89. Precedente Ac. DRJ/CGE nº 02.111/03. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. O ato do órgão competente federal ou estadual que declare as áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas tem eficácia como documento probante. Com essa finalidade foi instituído o Ato Declaratório Ambiental relativamente às áreas de utilização limitada. Recurso Voluntário Provido.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 126/135, com arrimo no artigo 7º, inciso I, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado os dispositivos legais que regulam a matéria, especialmente os preceitos contidos no artigo 111 do CTN; artigo 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, na redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 10.165/2000; artigo 10, § 1°, inciso II, alínea “a”, e § 7°, da Lei n° 9.393/1996; quanto à requisição atempada do ADA, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à contrariedade à lei arguida. No caso dos autos, tratandose do exercício de 2001, com mais razão a exigência do Ato Declaratório Ambiental, ou mesmo a protocolização tempestiva de seu requerimento, se faz presente, sobretudo após a alteração do artigo 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, na redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 10.165/2000. Contrapõese ao entendimento da Câmara recorrida, aduzindo para tanto que as áreas de utilização limitada são aquelas definidas pelo Código Florestal em seu artigo 16 e que, para serem consideradas como tal não bastam apenas “existir” no mundo fático, mas devem “existir” também no mundo jurídico quando reconhecidas pelo IBAMA a partir da requisição do ADA, mormente quando referida exigência decorre da legislação de regência, mais precisamente a Lei nº 4.771/65, que deverá ser interpretada literalmente, com arrimo no artigo 111 do Códex Tributário. Defende que para comprovação das referidas áreas, não se pode prescindir do Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado junto ao IBAMA, no prazo estipulado na legislação. Infere que a Receita Federal do Brasil já se manifestou por diversas oportunidades a propósito do assunto, firmando o entendimento de que a não incidência de ITR sobre as áreas de utilização limitada está condicionada ao reconhecimento como tal por parte do Poder Público, por intermédio do ADA, devendo existir em cada imóvel informação específica da parte reservada, como estabelecem as normatizações internas da SRF, notadamente o artigo 10, § 4º, inciso I, da IN SRF nº 43/1997, que disciplinou a Lei nº 9.393/1996, com redação do artigo 1º, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 67/1997. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MA GALHAES DE 4 Assim, inexistindo na hipótese dos autos provas de que a contribuinte procedeu à protocolização tempestiva do requerimento do ADA, impõese à manutenção da glosa realizada pela fiscalização. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 1a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de terem sido observados os pressupostos para conhecimento do recurso, uma vez tempestivo e por tratarse de decisão não unânime, além da existência do pré questionamento da matéria e contrariedade, em tese, da legislação de regência, relativamente à exigência do requerimento tempestivo do ADA, para fins de isenção do ITR, conforme Despacho nº 21010093/2010, às fls. 137/138. Instada se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 141/147, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção, ressaltando a inobservância dos requisitos para conhecimento da peça recursal. É o Relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF a contrariedade à lei suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende dos autos, em sua DITR de 2001, a contribuinte informou área de preservação permanente na dimensão de 324,00 ha, e de utilização limitada de 756,00 ha. Iniciada a ação fiscal, intimada a apresentar os documentos comprobatórios de referidas áreas, a autoridade lançadora achou por bem lavrar a presente autuação em face da glosa da área de utilização limitada (360,5 ha), admitindo, porém, 719,52 ha de preservação permanente, como se verifica do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 66/69. Interposta impugnação, a 1a Turma da DRJ em Campo Grande/MS julgou procedente o lançamento, mantendo a exigência fiscal em sua plenitude. Em face do Acórdão de 1a instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, o qual fora provido pela Câmara recorrida para admitir a área de 360,5 ha como de preservação permanente, sobretudo em razão de se encontrar totalmente situada dentro da Área de Proteção Ambiental – APA Dona Francisca, criada pelo Decreto n° 8.055, de 15/03/1997, consoante atestado pela Declaração emitida pela Fundação Municipal do Meio Ambiente de Santa Catarina, às fls. 84. Por sua vez, em seu Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram a legislação de regência, uma vez ter afastado a glosa procedida pela fiscalização deixando de Fl. 4DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MA GALHAES DE Processo nº 10920.002041/200525 Acórdão n.º 920201.820 CSRFT2 Fl. 3 5 considerar a ausência do protocolo do requerimento de ato declaratório junto ao IBAMA no prazo legal, capaz de justificar a isenção do ITR na forma inscrita no decisum guerreado. Sustenta, ainda, a PFN que ao afastar a exigência do requerimento tempestivo do ADA para fins da benesse isentiva, a Câmara recorrida contrariou os preceitos contidos no artigo 111 do CTN; artigo 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, na redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 10.165/2000; artigo 10, § 1°, inciso II, alínea “a”, e § 7°, da Lei n° 9.393/1996. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Fazenda Nacional não merece acolhimento, por não espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, contrariando a farta e mansa jurisprudência administrativa. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Inicialmente, convém delimitar a matéria posta nos autos, de maneira a possibilitar melhor compreensão dos fatos e facilitar o deslinde da controvérsia. Com efeito, inobstante a glosa realizada pela fiscalização ter sido da área de utilização limitada (interesse ecológico – 360,5 ha), a pretexto da inexistência de Ato do órgão competente federal ou estadual, em caráter particular e específico, a Câmara recorrida entendeu por bem afastar a tributação sobre referido imóvel, tendo em vista a comprovação de se encontrar situada integralmente na APA Dona Francisca, se caracterizando, portanto, como área de preservação permanente. Na esteira desse entendimento, contemplaremos a questão admitindo que o insurgimento da Procuradoria diz respeito ao reconhecimento da área de preservação permanente, para fruição da não incidência do Imposto Territorial Rural – ITR, independentemente da requisição atempada do Ato Declaratório Ambiental. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, nos seguintes termos: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MA GALHAES DE 6 a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)” (grifamos) Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, não é, em si, exclusiva condição eleita pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo às glebas de terra destinadas à preservação permanente e/ou utilização limitada. Entrementes, afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, impende esclarecer que este Egrégio Colegiado já sedimentou o entendimento de que inexiste previsão legal, anteriormente à vigência da Lei no 10.165, de 28/12/2000, contemplando a exigência do ADA para efeito de não incidência de ITR sobre as áreas de preservação permanente e/ou de utilização limitada. Aliás, o Pleno da CSRF, em 08/12/2009, aprovou a Súmula n° 41, tratando do tema nos seguintes termos: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” Por outro lado, para os exercícios de 2001 em diante, após o advento da Lei no 10.165, de 28/12/2000, que alterou a Lei no 6.938/1981, entende parte dos julgadores deste Colegiado que a protocolização atempado do ADA passou a ser exclusiva exigência legal, para fins de fruição da isenção em comento. Somente a título elucidativo, não sendo a requisição atempada do ADA, anteriormente ao exercício 2000, condição legal para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, e na linha do que fora exposto no Acórdão recorrido, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da parcela de proteção ambiental e assim considerála como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. Contudo, ainda que a legislação estabeleça, para os exercícios posteriores a 2000, em face da intempestividade e/ou ausência do ADA, o reconhecimento da inexistência das áreas de preservação permanente decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, o Fl. 6DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MA GALHAES DE Processo nº 10920.002041/200525 Acórdão n.º 920201.820 CSRFT2 Fl. 4 7 mero requerimento do ADA, não se perfaz no único meio de se comprovar a existência ou não daquelas áreas. Assim, realizado o lançamento de ITR com base em glosa das áreas de preservação permanente, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pela não requisição tempestiva do ADA, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à aludidas áreas, como aqui se vislumbra, sobretudo em face do disposto no artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, a qual estabelece que a isenção em epígrafe sobre tais glebas, independe de prévia comprovação (requisição atempada do ADA), bastando que o contribuinte a declare como tal na DITR, ficando sujeito ao pagamento do imposto devidamente corrigido na hipótese de falsidade na informação. Aliás, a jurisprudência Judicial que se ocupou do tema, notadamente após a edição da Lei n° 10.165/2000, corrobora o entendimento encimado, ressaltando, inclusive, que a MP n° 2.166/2001, por ser posterior ao primeiro Diploma Legal, o revogou, fazendo prevalecer, assim, a verdade material. Ou seja, ainda que não apresentado e/ou requerido o ADA no prazo legal, conquanto que o contribuinte comprove a existência das áreas declaradas como de preservação permanente e/ou reserva legal, mediante documentação hábil e idônea, quando intimado para tanto ou mesmo autuado, devese admitilas para fins de apuração do ITR, consoante se extrai dos julgados assim emantados: “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR. LEI N. 9.393/96 E CÓDIGO FLORESTAL (LEI N. 4.771/65). ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. MP. 2.16667/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106 DO CTN. 1. "Ilegítima a exigência prevista na Instrução Normativa SRF 73/2000 quanto à apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA comprovando as áreas de preservação permanente e reserva legal na área total como condição para dedução da base de cálculo do Imposto Territorial Rural ITR, tendo em vista que a previsão legal não a exige para todas as áreas em questão, mas, tãosomente, para aquelas relacionadas no art. 3º, do Código Florestal" (AMS 2005.35.000112067/GO, Rel. Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso, DJ de 10.05.2007). 2. A Lei n. 10.165/00 inseriu o art. 17O na Lei n. 6.938/81, exigindo para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da área tributável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). 3. Consoante a jurisprudência do STJ, a MP 2.16667/2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, consoante o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art. 106 do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retrooperância da lex mitior, dispensando a apresentação prévia do Ato Declaratório Ambiental no termos do art. 17O da Fl. 7DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MA GALHAES DE 8 Lei n. 6.938/81, com a redação dada pela Lei n. 10.165/00. 4. Apelação provida.” (8ª Turma do TRF da 1ª Região AMS 2005.36.00.0087250/MT eDJF1 p.334 de 20/11/2009) “EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL. APRESENTAÇÃO ADA. AVERBAÇÃO MATRÍCULA. DESNECESSIDADE. ÁREAS DE PASTAGENS. DIAT DOCUMENTO DE INFORMAÇÃO E APURAÇÃO. DEMOSTRAÇÃO DE EQUÍVICO. ÔNUS DO FISCO. 1. Não se faz mais necessária a apresentação do ADA para a configuração de áreas de reserva legal e consequente exclusão do ITR incidente sobre tais áreas, a teor do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/96 (redação da MP 2.16667/01). Tal regra, por ter cunho interpretativo (art. 106, I, CTN), retroage para beneficiar os contribuintes. 2. A isenção decorrente do reconhecimento da área não tributável pelo ITR não fica condicionada à averbação, a qual possui tão somente o condão de declarar uma situação jurídica já existente, não possuindo caráter constitutivo. 3. A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita alguns meses após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo art. 16 da Lei nº 4.771/65. 4. Cabe ao Fisco demonstrar que houve equívoco no DIAT Documento de Informação e Apuração do ITR, passível de fundamentar o lançamento do débito de ofício, de conformidade com o art. 14, caput, da Lei nº 9.393/96, o que não restou evidenciado na hipótese dos autos. 5. Apelação e remessa oficial desprovidas.” (2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região APELAÇÃO CÍVEL Nº 2008.70.00.0062742/PR 28 de junho de 2011) Como se observa, em face da legislação posterior (MP n° 2.166/2001) mais benéfica, dispensando o contribuinte de comprovação prévia das áreas declaradas em sua DITR, não se pode exigir a apresentação e/ou requisição do ADA para fins do benefício fiscal em epígrafe, mormente em homenagem ao princípio da retroatividade benigna da referida norma, em detrimento a alteração introduzida anteriormente pela Lei n° 10.165/2000. Mais a mais, com esteio no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. Em vista deste evidente conflito entre as normas que regulamentam a matéria, impõese privilegiar a verdade real, ou seja, a comprovação material da área declarada pelo contribuinte como de preservação permanente, o que se constata na hipótese dos autos. Com efeito, como restou circunstanciadamente demonstrado no Acórdão recorrido, a contribuinte trouxe à colação Declaração Fundação Municipal do Meio Ambiente de Santa Catarina, de fl. 84, atestando que toda a área do imóvel rural encontrase situada dentro da Área de Proteção Ambiental – APA Dona Francisca, criada pelo Decreto n° 8.055, de 15/03/1997, sendo, por conseguinte, não aproveitável. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MA GALHAES DE Processo nº 10920.002041/200525 Acórdão n.º 920201.820 CSRFT2 Fl. 5 9 Não bastasse isso, com o fito de afastar qualquer dúvida em relação à questão, rechaçando o argumento da fiscalização de que a área de 360,5 ha se mostra aproveitável, a contribuinte formulou consulta junto ao IBAMA, a propósito da possibilidade de utilização de referida área, tendo sido negado seu pleito pela Gerência Executiva em Santa Catarina, a pretexto de se tratar, por definição, de Área de Preservação Permanente, como se extrai do Ofício n° 553/03GABIN/SC, de fl. 91, nos seguintes termos: “Prezado Senhor, Com nossos cordiais cumprimentos, fazemos menção a vossa solicitação de manifestação deste Instituto sobre a viabilidade de aprovação de exploração de madeiras em regime de manejo florestal sustentável na APA da Serra Dona Francisca e tem este o objetivo de informar da inviabilidade da solicitação, por tratarse, por definição, de Área de Preservação Permanente.” Diante das razões encimadas, tratandose de área de preservação permanente, devidamente comprovada mediante Declaração do próprio IBAMA, o que prejudicaria, inclusive, a emissão de ADA, ou mesmo substituiria tal exigência, impõese o restabelecimento de referida área, glosada pela fiscalização, para efeito da fruição da isenção em comento. Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 2a Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3a SJ do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 9DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MA GALHAES DE
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Numero do processo: 15540.000038/2009-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2005
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL.
A Lei n.° 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de receitas a partir da existência de créditos em instituições financeiras cuja origem não seja comprovada.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Consoante disposto na Súmula CARF nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1301-000.782
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade, afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei n.° 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de receitas a partir da existência de créditos em instituições financeiras cuja origem não seja comprovada. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Consoante disposto na Súmula CARF nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Fl. 778DF CARF MF Impresso em 09/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 2 Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 7ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro/RJ. Cuidase na espécie de autos de infração lavrado sem desfavor da ora recorrente referente ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (fls. 04 – 07) e o correspondente reflexo no lançamento da Contribuição para o PIS/PASEP (fls. 44 – 51), da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — COFINS (fls. 52 – 59), e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL (fls. 60 – 67), referente ao anocalendário de 2005. Verificase consoante Termo de Constatação Fiscal (fls. 08 – 17) que em procedimento de Auditoria específica de movimentação financeira, foram digitados os extratos bancários dos bancos do Brasil, Itaú, Bradesco e Sudameris, sendo que do total dos valores lançados a crédito bancário diversas rubricas que não guardavam relação lógica e objetiva com possíveis receitas da atividade, como, por exemplo: resgate de aplicação financeira; bônus; CPMF; estornos; transferências entre Agências; etc...; que não foram inseridas da relação anexada ao Termo de Intimação. Assentouse ainda, que a recorrente foi intimada a comprovar a origem dos créditos/depósitos não identificados em suas contas bancárias, sendo o prazo prorrogado em virtude de solicitação, mencionandose que a presunção legal em favor do Fisco prevista na Lei 9430/96, art 42, cuida de inverter o ônus da prova quanto à descaracterização do fato presumido omissão de receita, que é do sujeito passivo. Assim, em tendo havido a intimação ao contribuinte para comprovar a origem dos créditos em conta corrente de depósito mantida junto a instituições financeiras e a subsequente falta de comprovação no todo, perfeita estaria a situação fática no que se submete ao antecedente da norma presuntiva, que por sua vez, autoriza a afirmar que os recursos dos depósitos de origem não comprovada são provenientes de atividade produtiva da empresa. Destacou a Fiscalização, que para o lançamento foi utilizado como base de cálculo do IRPJ o total dos valores correspondentes aos depósitos efetuados nas contas corrente do contribuinte fiscalizado, presentes nas Tabelas I a XII, anexo ao Termo de Constatação Fiscal, cuja origem dos recursos não foi comprovada e depois de calculado o imposto foi subtraído o imposto de renda mensal declarado pelo contribuinte e, por consequência, já oferecido à tributação e em decorrência lógica, a caracterização de não oferecimento à tributação do somatório dos valores correspondentes a depósitos bancários de origem não comprovada, como omissão de receitas, conforme disposições dos artigos 25 e 42 da Lei 9430/96, assim como do artigo 528 do RIR199 (Regulamento do Imposto de Renda — Decreto 3000/99) com a consequente geração do Imposto de Renda devido, multa de ofício e Fl. 779DF CARF MF Impresso em 09/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 15540.000038/200999 Acórdão n.º 130100.782 S1C3T1 Fl. 2 3 juros de mora aplicáveis, juntamente com a apuração reflexa da Contribuição Social, da COFINS, bem como do PIS. A recorrente, cientificada dos lançamentos pelo edital n° 38 de 11/02/2009, afixado na ARF/São Gonçalo em 16/02/2009 (fls. 70), apresentou Impugnação (fls. 443 – 462), acompanhada dos documentos de folhas 463 a 615, alegando em síntese que a referida impugnação fora apresentada tempestivamente, porquanto tomou ciência do lançamento em 11/02/2009, mediante o edital 38. Sustentou a recorrente que os autos de infração padeceriam de nulidade na medida em que a Fiscalização inviabilizou o amplo direito de defesa e ao contraditório, quando aleatoriamente realizou diversas e concomitantes formas de intimar a recorrente do auto de infração, eis que procedeu à intimação via postal na residência de um dos sócios da recorrente, sendo esta recebida pelo funcionário do condomínio onde reside, o que contrariaria o disposto no artigo 23, II do Decreto 70235/72, que determina a intimação no domicílio fiscal do sujeito passivo, afirmando que caso o endereço daquela residência fosse o eleito como domicílio fiscal do sujeito passivo, estaria a referida intimação postal em consonância com o que dispõe a Súmula 9 do 1° Conselho de Contribuintes. Na mesma ordem das ideias, afirmou que concomitantemente o Fisco realizou a intimação via edital, além da intimação via postal, que foi recebida por pessoa desconhecida, no endereço da residência de um dos sócios, sendo a intimação via edital, realizada sem observância do disposto no artigo 23, §1° do Decreto 70.235/72, não havendonos autos prova das circunstâncias ali estabelecidas de forma a legitimar a publicação do edital, tanto que no Termo de Constatação Fiscal, assim como no Termo de encerramento do Auto de Infração constaria que a ciência se daria por edital. Diante disso, aduziu que a concomitância de formas de intimação não lhe permitiria exercer seu direito à ampla defesa e ao contraditório, tendo em vista que não há possibilidade de saber, com precisão e clareza, qual o início e o término do seu prazo de defesa, afrontando assim, o devido processo legal e que tal fato seria ratificado pela falta de indicação, no termo de encerramento, da respectiva data, requerendo a nulidade da autuação. Seguiu arrazoando a nulidade do auto de infração, porquanto presente, ao seu sentir, vício formal visto que o Auditor incluiu outros tributos sem fazer a comunicação eletronicamente no MPF, como determina o artigo 9° da Portaria RFB 11.371 de 2007. No mais, sustentou que a alegada presunção legal em favor do Fisco, prevista na Lei 9430/96, que cuida em inverter o ônus da prova quanto à descaracterização do fato presumido omissão de receita, que é do sujeito passivo, seria uma afronta ao princípio da legalidade que impõe o dever de provar a ocorrência do fato gerador à autoridade tributária. Argumentou que não pode o Fisco utilizar os depósitos bancários para apurar eventual crédito tributário e que os depósitos bancários podem ser utilizados como meros indícios para fins de lançamento e constituição do crédito tributário e que a lei não ampara a tributação unicamente com base em depósitos bancários, eis que falhos, já que os valores podem ser estornados ou mesmo cancelados pela insuficiência de fundos. Aduziu que o Poder Público promulgou o Decreto Lei 2.471 de 1988 em que prevê o cancelamento e arquivamento de procedimentos administrativos que tomaram como Fl. 780DF CARF MF Impresso em 09/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 4 base apenas valores constantes de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários e que a jurisprudência pacificou entendimento neste sentido. Destacou que mesmo com a alteração da legislação e o ingresso da Lei 9.430/96, a presunção de legitimidade da autuação e mesmo do CDA é relativa e que a dita lei deixaria claro que depósito não é necessariamente renda, apesar de o Fisco utilizálo sistematicamente para efetuar o lançamento, caberia à Fazenda fazer prova de que o contribuinte se beneficiou do depósito, requerendo a desconstituição do lançamento, por afronta ao princípio da legalidade. Seguiu argumentando que a Fiscalização considerou todos os depósitos realizados aleatoriamente, inclusive os de receitas não tributáveis, como por exemplo, as de exportação, concluindo a partir daí pela ocorrência de omissão de receita, no entanto, argumentou que teria cometido um erro na elaboração de sua contabilidade, tendo em vista que deveria ter optado pelo regime de tributação com base no lucro real e não no presumido, sendo certo que em decorrência de tal equívoco, não ficou clara a origem de algumas receitas não tributáveis creditadas em suas contas bancárias, afirmando, todavia, que tal erro seria afastado na medida em que refaz toda a sua contabilidade, com isso demonstrando a retidão e a efetiva inexistência de omissão. Insurgiuse contra a multa aplicada, arrazoando acerca da vedação ao confisco e requereu a improcedência do lançamento. A 7ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro/RJ, nos termos do acórdão e voto de folhas 622 a 636, manteve integralmente as exigências fiscais, destacando que a Impugnação seria considerada tempestiva, contandose da data da afixação do edital, afastando as alegações de nulidade, não constatando qualquer prejuízo ao contraditório. Afastouse também a alegação de nulidade formal, considerandose correta a exigência dos tributos reflexos ao lançamento de IRPJ, que teve sua base de cálculo alterada. No mais, fundamentou a decisão recorrida que o lançamento se deu com base em presunção legal, transferindo o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada como receita omitida, assentando que a declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis e atos normativos é prerrogativa do Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pela Autoridade julgadora Administrativa, julgando procedentes os lançamentos acrescidos da multa de ofício e juros de mora com base na taxa SELIC, por expressa determinação legal. Devidamente cientificada (fl. 643), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 647 – 663), alegando em síntese que o lançamento se pautou unicamente em presunção, ferindo o princípio da legalidade porquanto a Fiscalização não teria provado a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Reiterou seus argumentos quanto à impossibilidade de utilização de depósitos bancários para glosarse a base de cálculo do imposto de renda, cintando precedentes e doutrina que entende favoráveis. Defendeu a possibilidade do CARF afastar a aplicação de lei contrária à Constituição Federal, reiterando que deverá prevalecer a verdade material, pela qual se poderá observar que recompôs toda a contabilidade, demonstrando a origem das receitas não tributáveis creditadas em sua conta bancária. Fl. 781DF CARF MF Impresso em 09/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 15540.000038/200999 Acórdão n.º 130100.782 S1C3T1 Fl. 3 5 Insurgiuse contra a multa aplicada, afirmando padecer de inconstitucionalidade, porquanto tendente ao confisco e afrontosa ao princípio da proporcionalidade, pugnando pelo provimento do seu Recurso. É o relatório. Voto Fl. 782DF CARF MF Impresso em 09/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 6 Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. A questão colocada para análise se relaciona à presunção legal de omissão de receitas, apurada mediante a constatação de depósitos bancários cuja origem, devidamente intimada a fazêlo, a contribuinte não demonstra. Sustenta a contribuinte, como se lê no relatório acima, que os depósitos bancários não têm, por si só, o condão se subsumirem ao conceito de renda, bem como a presunção empregada na autuação, a despeito de basearse em lei, afrontaria princípios constitucionais. O inconformismo da recorrente tem seu cerne, por qualquer ângulo que se queira analisar, no fato de a Fiscalização ter baseado o auto de infração unicamente nos aventados depósitos bancários, afirmando que esses, por não refletirem a real materialidade tributável da contribuinte, não seriam aptos a ensejar o combatido auto de infração. Oportuno registrar, afastando os argumentos da recorrente, que não se desconhece que os depósitos bancários, por natureza e de imediato, não se constituem em sinônimos de receita. Por outro turno, também não é lícito olvidar a expressa disposição do artigo 42 da Lei nº 9.430/96, consagrador de que caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Temse na espécie, portanto, perfeita subsunção das circunstâncias fáticas à abstrata previsão de presunção legal de omissão de receitas, de sorte que o fato relevante para autuação, não foi a simples existência dos depósitos, como sugere a recorrente, o critério legal se dá com a ausência de comprovação, por documentação hábil e idônea, da origem da indigitada movimentação financeira, essa sim, a ensejar por disposição legal a presunção de que se omitiu receita. Para infirmar os trabalhos fiscalizatórios, portanto, cumpria à recorrente afastar o motivo pelo qual se implementou a presunção, que como visto no parágrafo precedente, não era a existência dos depósitos ou sua natureza jurídica incompatível com a definição de receita, consistindo sim, na prova documental das origens de tais depósitos. Nesse passo, vale registrar que cumpria à recorrente demonstrar a origem dos valores depositados, fazendoo por meio de documentação hábil e idônea que evidenciasse, quais receitas seriam tributáveis e quais não o seriam. Assim sendo, não basta a mera refazer a escrituração indicando que os depósitos bancários não teriam natureza tributável, era mister, trazer aos autos, nos precisos termos do artigo 42 da Lei nº 9.430/96, prova da origem dos aludidos depósitos. Ausente qualquer justificativa quanto à origem dos depósitos considerados pela Fiscalização, está incidir na espécie a presunção legal versada no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 e consoante pacífico entendimento desse Conselho Administrativo Fiscal, observado, por exemplo, no verbeto da Súmula CARF nº 26 abaixo reproduzido, pelo qual se observa que o Fisco está dispensado, até mesmo, de comprovar o consumo da renda representada pelos aludidos depósitos, confirase: Fl. 783DF CARF MF Impresso em 09/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 15540.000038/200999 Acórdão n.º 130100.782 S1C3T1 Fl. 4 7 Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. SÚMULAS VINCULANTES Acórdão nº CSRF/04 00.157, de 13/12/2005. Por essas razões, consideramse hígidas e suficientes as imputações realizadas pela Fiscalização, amparadas em presunção disposta na legislação de regência, considerandose suficientemente demonstrada a materialidade tributável apontada e reconhecida pela decisão recorrida. No que toca à sustentada inconstitucionalidade da legislação que estabelece a referida presunção, bem como a aplicabilidade da multa de ofício, andou bem a decisão recorrida ao firmar entendimento dando conta da impossibilidade de tais perquirições na estreita via do julgamento administrativo, adstrito que está ao exame do quadro legal vigente, consagrado tal posicionamento no verbete da Súmula CARF nº. 02. Com essas considerações, conheço do Recurso Voluntário afasto as preliminares suscitadas e no mérito voto por NEGAR provimento. Sala das Sessões, em 24 de novembro de 2011 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Fl. 784DF CARF MF Impresso em 09/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE
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Numero do processo: 35301.000824/2007-54
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. NECESSÁRIA VINCULAÇÃO À DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO.
No presente caso há decisão judicial com trânsito em julgado que define o domicilio tributário do contribuinte.
As decisões proferidas pelo Poder Judiciário tem prevalência sobre as proferidas pelas autoridades Administrativas, devendo estas cumprirem as determinações judiciais, nos exatos termos em que foram proferidas.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.430
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. NECESSÁRIA VINCULAÇÁO Á DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. No presente caso há decisão judicial com trânsito em julgado que define o domicilio tributário do contribuinte. As decisões proferidas pelo Poder Judiciário tem prevalência sobre as proferidas pelas autoridades Administrativas, devendo estas cumprirem as determinações judiciais, nos exatos termos em que foram proferidas. Recurso especial negado. Vistos, rei dos e discutidos os presentes autos. Acordam os knembros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. i i Elias Sampaio Freire — Relator e Presidente-Substituto EDITADO EM: 26/04/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire (Presidente-Substituto), Gonçalo Bonet Allage (Vice-Presidente Substituto), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Alexandre Naold Nishioka (Conselheiro convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ronaldo de Lima Macedo (Conselheiro Convocado). i Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n° 205- 00.847, proferido pela antiga Quinta Camara do 2° CC em 03/07/2008 (fls. 1093/1104), interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de contrariedade A Camara Superior de Recursos Fiscais (fls. 1109/1125), nos termos do art. 7°, inciso I c/c art. 15, ambos do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007. O acórdão recorrido, por maioria de votos, anulou o auto de infração/lançamento. Segue abaixo sua ementa: "DOMICILIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. Prevalece o direito a eleição do domicilio tributário que somente pode ser recusado nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal no domicilio eleito. Processo Anulado." A recorrente afirma que o acórdão proferido merece ser reformado, pois contraria a legislação tributária de regência da matéria, precisamente, o art. 127, §2° do CTN; arts. 9°, §2°, 11, 59, 60 e 61, todos do Decreto n°70.235/72; e, ainda, arts. 2°, IX e 22, da Lei n° 9.784/99. No seu entender contraria também a prova dos autos, no ponto em que interpreta equivocadamente a decisão proferida pelo Tribunal Regional Federal da 2a Regido. Explica que não há fundamento jurídico que respalde a decretação de nulidade do auto de infração sob a argumentação de que a autoridade fiscal não demonstrou os motivos que ensejaram a recusa do domicilio fiscal eleito pelo sujeito passivo, ou ainda, que a decisão final do TRF determina a anulação dos autos praticados pela fiscalização no domicilio escolhido para realização dos trabalhos fiscais. Entende que a decisão recorrida, ao anular o presente procedimento fiscal diante de decisão do TRF que declarou que o domicilio fiscal da pessoa jurídica era aquele constante da alteração do contrato social, partiu de premissa equivocada, pois atribuiu ao acórdão em comento um efeito constitutivo de anulação que ele não tem. Desse modo, violou o teor da decisão judicial, prova coligida nos autos. Em seguida, aduz que, se foram confirmadas as razões para a desconsideração do domicilio eleito pela contribuinte, ao anular a autuação a decisão atacada afronta o art. 127, §2° do CTN. Pondera que, A luz do regramento legal pertinente, não subsiste motivo para a anulação da autuação, afinal os procedimentos de fiscalização são válidos mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicilio tributário do sujeito passivo. In casu, o auto de infração foi lavrado por servidor competente, muito embora este não fosse lotado no suposto domicilio fiscal da contribuinte. Nesse contexto, o acórdão recorrido viola o art. 9°, §2° do PAF. Alega que, da leitura detida do auto de infração, bem como do Relatório Fiscal e demais termos que acompanham o procedimento fiscal, conclui-se que tudo está em plena conformidade com o que estabelece os arts. 10, 11, 59, 60 e 61 do Decreto n°70235/72 e a Lei n°8212/91. N 2 Processo n°35301.000824/2007-54 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-01.430 Fl. 2 Em sua opinião, a descrição pormenorizada dos fatos e dos fundamentos legais que sustentam a autuação estão precisamente explicitados nos termos do procedimento fiscal. Assim, todos os elementos essenciais ao ato praticado estão presentes, não restando evidenciada situação de prejuízo ao direito de defesa a ensejar a decretação de nulidade do processo. Sustenta que o contribuinte em momento algum demonstrou de forma concreta e efetiva o prejuízo advindo da desconsideração do domicilio tributário. Na verdade, teria demonstrado ter pleno conhecimento da origem da autuação, tanto que rebate de forma bem minuciosa o debito. Cita jurisprudência da CSRF segundo a qual, se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não somente preliminares, mas também razões de mérito, mostra-se incabível a declaração de nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa, devendo prevalecer os princípios da instrumentalidade e economia processual em lugar do rigor das formas. Ao final, requer seja dado provimento ao recurso. Nos termos da Informação e Decisão de fls. 1127/1133, negou-se seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Às fls. 1137/1143, a PGFN interpôs agravo em face da Decisão acima descrita. Nos termos do Despacho n°2401-125/2009 (fls. 1145/1147), que reexaminou a admissibilidade do recurso interposto, deu-se seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. 0 contribuinte ofereceu contra-razões As fls. 1154/1185. Inicialmente afirma que, nos termos do art. 7°, §3° do Regimento Interno, o Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional não deve ser admitido, uma vez que o acórdão recorrido apreciou matéria preliminar de nulidade do lançamento, decidindo por anular a decisão de primeira instância, bem como todo o procedimento fiscal. Não deve ser admitido também porque as provas dos autos comprovam a nulidade de todo o procedimento fiscal, viciado desde sua origem. Entende que a legislação tributária estabelece que a recusa ao domicilio deve ser justificada, o que não ocorreu no presente caso. Ressalta que o domicilio da empresa, desde 1995, é sua sede em Rio das Flores. A declaração judicial citada pela recorrente, que confirma tal fato, produz reflexos em relação a uma fiscalização levada a efeito em local diverso do declarado. Explica que se a Fiscalização, embora ciente do local correto a fiscalizar, optou por efetivar o ato fiscal fora do domicilio da empresa e, se ela, empresa, não está obrigada a apresentá-los em local diverso do sell centralizador, não há como se aplicar a aferição indireta. Eis o vicio da fiscalização, em sua opinião. 3 Ressalta que não foi demonstrado qualquer empecilho para a ocorrência fiscal, tanto assim que outros órgãos Municipais, Estaduais e Federais procedem normalmente 'As suas fiscalizações. A empresa apontou o equivoco dos fiscais e indicou o endereço correto para a diligência fiscal, informação desprezada pelo Fisco. Assim, não se justifica a recusa do domicilio fiscal da recorrida. Pondera que o cerceamento de defesa se deu pela ausência de acompanhamento da ação fiscal por técnico habilitado, com a prestação de informações e apresentação de documentos necessários à conferencia da regularidade fiscal da empresa. Ao final, requer que não seja admitido o Recurso Especial interposto pela União e, caso assim não entenda, que seja negado provimento ao mesmo, mantendo-se a decisão que anulou o lançamento em tela. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Saliente-se que, não obstante o aludido recurso não encontrar previsão no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a Portaria Ministerial MF n°. 256, de 22 de junho de 2009, em suas disposições transitórias, prevê que os recursos com base no inciso I do art. 70 e do art. 9 0 do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, interpostos em face de acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior h. 1° de julho de 2009, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. Por seu turno o inciso I do art. 7° do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de contrariedade 6. lei. 0 recurso é tempestivo e examinando-se o recurso especial apresentado verifica-se que ele demonstrou, fundamentadamente, em que a decisão recorrida seria contrária A. lei, no entendimento da Fazenda Nacional, consoante o disposto no inciso I do artigo 70 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Assim, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Para melhor elucidação da controvérsia, transcrevo trecho do relato contido no Acórdão da Apelação Civet n.° 2003.51.01.022430-0 da Sétima Turma do Tribunal Regional Federal da 2' Região, de relatoria do desembargador Sérgio Schwaitzer: Trata-se de recurso de apelação inteiposto por MI MONTREAL INORMA rTICA LTDA em ataque a sentença proferida pelo MM. Juizo da 19' Vara Federal desta Cidade, nos autos de ação sob procedimento ordinário movida pela ora Apelante ern .face do INSS. A espécie foi sumariada pelo ilustre sentenciante nos seguintes termos: 4 Processo n° 35301.000824/2007-54 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-01.430 Fl. 3 "MI. MONTREAL INFORMÁTICA LTDA, qualificada na inicial, ajuiza a presente ação em face do INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL, objetivando a declaração de que o domicilio fiscal da autora é o local de sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares, n° 4 — Rio da Flores — RI Postula, ainda, seja determinado que seus requerimentos sejam recebidos e processados pela Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização de Volta Redonda, ao qual o Município de Rio das Flores está vinculado, e, ainda, que todos os atos administrativos praticados pelo réu sejam provenientes da referida Gerência Regional de Volta Redonda. Como causa de pedir, alega que tem sua sede fixada na Rua Capitão Soares, n° 4, no Município de Rio das Flores, conforme consta de seu Contrato Social, que foi devidamente registrado. Portanto, este é o seu domicilio fiscal, nos exatos termos do disposto no art. 127, do Código Tributário Nacional, e está ele submetido el fiscalização pela Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização de Volta Redonda. Entretanto, o Réu insiste em fiscalizá-la na sua filial, situada na Rua Sao José, n° 90, no Centro do Rio de Janeiro. Sustenta a ilegalidade da atuação do réu, que discricionariamente, elegeu filial para efetuar fiscalização impedindo-lhe de realizar seus atos administrativos na Gerência Regional de Volta Redonda, obstando, inclusive, o protocolo dos requerimentos de certidões. Dai o pedido. (..) Ademais, há de se salientar que transitou em julgado a seguinte decisão judicial: "dou provimento ao recurso para, reformando a sentença, julgar procedente o pedido e declarar como domicilio tributário da Autora a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares n° 04, Centro, Município de Rio das Flores — RJ.", assim ementada: "ADMINISTRATIVO — ALTERAÇÃO DE SEDE - DOMICILIO TRIBUTÁRIO — RECUSA PELA ADMINISTRAÇÃO - ART. 127, § 2° , DO CTN. I — Da leitura do caput do artigo 127 do CIN verifica-se que, a principio, a eleição de domicilio tributário é prerrogativa do contribuinte. Se o mesmo não o elege, passa a Administração a avaliar as alternativas legais para sua definição, enumeradas nos incisos do referido artigo. Nesta situação, ern se tratando de pessoa jurídica de direito privado, tem-se como domicilio tributário, ex vi do inciso II, o local de sua sede. ii — A autonomia que a pessoa jurídica possui para definir, em seus atos constitutivos, o local de sua sede, não se confunde com o exercício da faculdade de eleição do seu domicilio tributário. O ,sS' 2° do art. 127 do CTN permite que a autoridade administrativa recuse domicilio fiscal apenas quando este tenha sido fixado por eleição, e não em virtude de mudança de sede promovida por conta de alteração de contrato social da empresa. III— Recurso provido." Como se vê, no presente caso há decisão judicial com trânsito em julgado que define o domicilio tributário do contribuinte. As decisões proferidas pelo Poder Judiciário tem prevalência sobre as proferidas pelas autoridades Administrativas, devendo estas cumprirem as determinações judiciais, nos exatos termos em que foram proferidas. Portanto, o tratamento a ser conferido na esfera administrativa há de se vincular ao conteúdo da decisão judicial transitada em julgado cuja conseqüência é sua imperatividade e imutabilidade da resposta jurisdicional. Acerca do tema, assim nos ensina o eminente jurista Luiz Fux em sua obra "Curso de Direito Processual Civil", Ed. Forense, 2001, p. 694/695, da qual se extrai o seguinte excerto: "A imutabilidade da decisão é fator de equilíbrio social na medida em que os contendores obtem a última e decisiva palavra do Judiciário acerca do conflito intersubjetivo e a sua imperatividade da decisão completa o ciclo necessário de atributos que permitem ao juiz conjurar a controvérsia pela necessária obediência ao que foi decidido." A decisão judicial faz lei entre as partes, a ser aplicada ao caso concreto, não cabendo a este Colegiado dar-lhe outro entendimento diferente daquele expresso, sob pena de desobediência à determinação judicial. Neste sentido: "PREVIDENCIÁRIO — CUSTEIO — NFLD — DESCUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL - DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. Havendo decisão judicial que determina o domicilio tributário do contribuinte, deve ser esse o domicilio a ser considerado pela autoridade fiscal, salvo se comprovado obstrução ou justificativa para desconsiderá-lo, desde que devidamente justificado. A simples alegação de confronto das informações de GFIP com a verificação fisica não é suficiente para desconsiderar domicilio determinado pela justiça, se não comprovada obstrução. Processo Anulado" (Acórdão CARE no 2401-01.604, Relatora: conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira) Pelo sto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. Elias S paio Freire 6
score : 1.0
Numero do processo: 10935.901449/2008-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. MESMO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE EM CONJUNTO.
Correto o procedimento da Autoridade Administrativa de analisar em
conjunto as declarações de compensação (DCOMP) que se referem a um
mesmo alegado direito creditório. Todas as declarações mencionam
expressamente que o saldo negativo em questão é do mesmo exercício, pelo que não podem ser aceitas as alegações em contrário.
Numero da decisão: 1301-000.768
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, NEGAR
provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. MESMO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE EM CONJUNTO. Correto o procedimento da Autoridade Administrativa de analisar em conjunto as declarações de compensação (DCOMP) que se referem a um mesmo alegado direito creditório. Todas as declarações mencionam expressamente que o saldo negativo em questão é do mesmo exercício, pelo que não podem ser aceitas as alegações em contrário.
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MESMO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE EM CONJUNTO. Correto o procedimento da Autoridade Administrativa de analisar em conjunto as declarações de compensação (DCOMP) que se referem a um mesmo alegado direito creditório. Todas as declarações mencionam expressamente que o saldo negativo em questão é do mesmo exercício, pelo que não podem ser aceitas as alegações em contrário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, NEGAR provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Valmir Sandri e Alberto Pinto Souza Junior. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10935.901449/200865 Acórdão n.º 130100.768 S1C3T1 Fl. 140 2 Relatório COOPERATIVA DOS AVICULTORES DO SUDOESTE, já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal em Cascavel/PR. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Trata o processo de Declarações de Compensação, às fls. 42/64, em que foram declarados crédito de saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2003, no valor originário de R$ 1.619,13, e débitos de estimativas de CSLL de períodos dos anos calendários 2003 e 2004. 2. Conforme Despacho Decisório emitido pela DRF/Cascavel, em 23/10/2008, à fl. 38, a autoridade fiscal homologou parcialmente uma das compensações e não homologou as demais. Cientificada da decisão em 17/11/2008, conforme fl. 36, tempestivamente, em 15/12/2008, o contribuinte interpôs a manifestação de inconformidade de fls. 01/03, acompanhada dos documentos de fls. 04/35, que se resume a seguir: a. Alega que a Per/Dcomp 15000.39211.160704.1.7.029408 surgiu tendo em vista crédito oriundos de imposto de renda retido na fonte de 2003, da empresa Avibrasil, CNPJ 02.986.723/000137, devidamente declarado em DIRF, conforme documento 1, que foi utilizado para compensar CSLL de 2004 e outros débitos demonstrados em tabela (valor compensado de R$ 666,42 e saldo de crédito de R$ 1.067,67); b. Explica que a Per/Dcomp 37033.42048.310804.1.3.021086 surgiu tendo em vista créditos oriundos de imposto de renda retido na fonte de 2004, da empresa Avibrasil, CNPJ 02.986.723/000137, devidamente declarado em DIRF, conforme documento 2, que foi utilizado para compensar CSLL de 2004, sendo que o saldo foi compensado nas Dcomps 25289.64513.071006.1.7.026057 e 33881.22646.300904.1.3.022004, conforme tabela; c. Esclarece que os créditos da Per/Dcomp 15000.39211.160704.1.7.029408 não tem nenhum vínculo com as de número 25289.64513.071006.1.7.026057, 33881.22646.300904.1.3.022004 e 13870.30209.071006.1.7.025690, que devem ser consideradas em suas finalidades acima demonstrada. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 0630.628, de 03/03/2011 (fls. 69/70v), indeferiu a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. DEDUÇÃO DE IRRF. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10935.901449/200865 Acórdão n.º 130100.768 S1C3T1 Fl. 141 3 Mantémse a decisão que homologou parcialmente as compensações, por insuficiência de crédito de saldo negativo de IRPJ, descabendo alegar dedução de IRRF de período subseqüente, já que as retenções somente podem ser deduzidas do imposto de renda no próprio ano calendário a que se referem as respectivas receitas. Os seguintes excertos do voto condutor do acórdão esclarecem o alcance e os fundamentos da decisão: 5. No despacho decisório de fls. 38/41, fazse menção às seguintes Per/Dcomps: 15000.39211.160704.1.7.029408, 31329.22641.160704.1.3.029628, 37033.42048.310804.1.3.021086, 25289.64513.071006.1.7.026057, 33881.22646.300904.1.3.022004 e 13870.30209.071006.1.7.025690. A reunião das declarações de compensação no presente processo decorre da circunstância de referiremse ao mesmo crédito, qual seja, saldo negativo do IRPJ do ano calendário 2003, conforme consta expressamente no despacho decisório à fl. 38, bem como no termo “Per/Dcomp Despacho Decisório – Análise do Crédito” de fls. 39/41 que acompanha a decisão. 6. Há que se ressaltar, contudo, que, na Dcomp de número 13870.30209.071006.1.7.025690, o contribuinte ofereceu crédito de saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2004. Logo, entendo que, embora essa referida declaração de compensação tenha sido, inexplicavelmente, mencionada na decisão, ela não é objeto do presente processo. Talvez por isso mesmo é que cópia dessa Dcomp não tenha sido juntada aos autos, já que, às fls. 42/64, constam somente as outras cinco. 7. Assim, o presente processo trata das seguintes declarações de compensação: PER/DCOMP TIPO DECLARAÇÃO DÉBITO PERÍODO VALOR VENCIMENTO 15000.39211.160704.1.7.029408 RETIFICADORA 248401 01/04/2004 592,59 31/05/2004 31329.22641.160704.1.3.029628 ORIGINAL 248401 01/03/2003 99,54 30/04/2003 248401 01/06/2003 71,57 31/07/2003 248401 01/12/2003 82,42 30/01/2004 37033.42048.310804.1.3.021086 ORIGINAL 248401 01/07/2004 1.910,52 31/08/2004 25289.64513.071006.1.7.026057 RETIFICADORA 248401 01/11/2004 896,19 30/12/2004 33881.22646.300904.1.3.022004 ORIGINAL 248401 01/08/2004 495,01 30/09/2004 13870.30209.071006.1.7.025690 RETIFICADORA 248401 01/01/2005 377,52 28/02/2005 8. Na decisão atacada, foi reconhecido como crédito somente o valor de R$ 1.559,26, razão pela qual uma das compensações foi parcialmente homologada até esse limite, e as demais não foram homologadas. O exame dos fatos indica que não há reparos a fazer na decisão. 9. Na DIPJ/2004, o contribuinte apurou imposto de renda de R$ 59,87, tendo informado como retenção na fonte o montante de R$ 1.679,00, chegando a um saldo negativo de IRPJ de R$ 1.619,13, conforme impressão de tela juntada à fl. 67 e verso. Contudo, o valor de IRRF, na verdade, corresponde a R$ 1.619,13, conforme documento juntado pela própria impugnante, à fl. 05, e confirmado pela DIRF do informante, juntada à fl. 68. Assim, o crédito do contribuinte é R$ 1.559,26, conforme corretamente mencionado no despacho decisório, e não R$ 1.619,13 como declarou o contribuinte. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10935.901449/200865 Acórdão n.º 130100.768 S1C3T1 Fl. 142 4 10. Na peça de defesa, a impugnante apresentou demonstrativo em que considera uma retenção no valor de R$ 3.341,24, mas referente ao ano calendário de 2004. Ora, o crédito do contribuinte referese a saldo negativo do IRPJ do ano calendário 2003, de forma que somente podem ser deduzidos do imposto de renda as retenções ocorridas naquele ano. Não há sentido algum em apurar o valor devido de IRPJ de determinado período, considerando retenções que somente ocorreram em anos posteriores. [...] 11. Em suma, rejeito as alegações do contribuinte, devendo prevalecer a decisão proferida no despacho decisório. Ciente da decisão de primeira instância em 18/03/2011, conforme documento de fl. 78, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 12/04/2011 (registro de recepção à fl. 80, razões de recurso às fls. 80/84), mediante o qual a recorrente insiste em que as vinculações entre as diferentes declarações de compensação não seriam da forma tratada neste processo. Por sua ótica: • O PER/DCOMP nº 15000.39211.160704.1.7.029408 teria como origem créditos de IRRF do anocalendário 2003. Esta declaração não teria qualquer vínculo com as demais declarações do processo. • O PER/DCOMP 37033.42048.310804.1.3.021086 teria como origem créditos de IRRF do anocalendário 2004. A este, estariam também vinculados os PER/DCOMP nº 25289.64513.071006.1.7.026057 e nº 33881.22646.300904.1.3.022004, que utilizariam os mesmos créditos. A recorrente não se manifesta acerca do PER/DCOMP nº 31329.22641.160704.1.3.029628. Conclui que todas as compensações foram realizadas com créditos dos mesmos anos, pelo que pede o provimento de seu recurso e o cancelamento dos débitos fiscais. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. A lide se estabeleceu diante da conclusão da Autoridade Administrativa (fl. 40) de que os PER/DCOMP de números 15000.39211.160704.1.7.029408, 31329.22641.160704.1.3.029628, 37033.42048.310804.1.3.021086, 25289.64513.071006.1.7.026057, 33881.22646.300904.1.3.022004 e 13870.30209.071006.1.7.025690 tratavam todos do mesmo crédito, a saber, o saldo negativo de IRPJ apurado no exercício 2004, anocalendário 2003. A decisão de primeira instância estabeleceu que o PER/DCOMP nº 13870.30209.071006.1.7.025690 tratava de crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ Fl. 142DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10935.901449/200865 Acórdão n.º 130100.768 S1C3T1 Fl. 143 5 apurado no exercício 2005, anocalendário 2004, não tendo nem mesmo juntado por cópia ao presente processo. Sobre ele também não se manifesta a recorrente, pelo que entendo que esse PER/DCOMP está fora do alcance do litígio em discussão. A recorrente igualmente não se manifesta acerca do PER/DCOMP nº 31329.22641.160704.1.3.029628, pelo que também aqui inexiste litígio. Quanto às demais declarações, a alegação da recorrente é a mesma já trazida em sede de manifestação de inconformidade, ou seja, de que o PER/DCOMP nº 15000.39211.160704.1.7.029408 teria como origem créditos de IRRF do anocalendário 2003. Esta declaração não teria qualquer vínculo com as demais declarações do processo. O PER/DCOMP 37033.42048.310804.1.3.021086 teria como origem créditos de IRRF do ano calendário 2004. A este, estariam também vinculados os PER/DCOMP nº 25289.64513.071006.1.7.026057 e nº 33881.22646.300904.1.3.022004, que utilizariam os mesmos créditos. Compulsando os autos, encontro às fls. 44 e seguintes cópias dos PER/DCOMP acima referidos. De seu exame, extraio as informações abaixo: • PER/DCOMP nº 15000.39211.160704.1.7.029408 (fls. 44/48): transmitido em 16/07/2004, possui o sequencial 001, diz que o crédito não foi informado em processo administrativo anterior nem em outro PER/DCOMP. O crédito alegado é de saldo negativo de IRPJ apurado no exercício 2004, no valor de R$ 1.619,13. Este PER/DCOMP retifica o de nº 04470.70522.010704.1.3.023095 (vide fl. 44) • PER/DCOMP nº 37033.42048.310804.1.3.021086 (fls. 62/66): transmitido em 31/08/2004, possui o sequencial 001, diz que o crédito não foi informado em processo administrativo anterior nem em outro PER/DCOMP. O crédito alegado é de saldo negativo de IRPJ apurado no exercício 2004, no valor de R$ 1.910,52. • PER/DCOMP nº 25289.64513.071006.1.7.026057 (fls. 58/61): transmitido em 07/10/2006, possui o sequencial 001, diz que o crédito não foi informado em processo administrativo anterior, mas que foi informado em outro PER/DCOMP nº 04470.70522.010704.1.3.02 3095 (retificado pelo PER/DCOMP nº 15000.39211.160704.1.7.02 9408). O crédito alegado é de saldo negativo de IRPJ apurado no exercício 2004 (entre 01/01/2003 e 31/12/2003), no valor original de R$ 1.619,13. • PER/DCOMP nº 33881.22646.300904.1.3.022004 (fls. 53/57): transmitido em 30/09/2004, possui o sequencial 001, diz que o crédito não foi informado em processo administrativo anterior nem em outro PER/DCOMP. O crédito alegado é de saldo negativo de IRPJ apurado no exercício 2004, no valor de R$ 495,01. Como se verifica, as alegações da recorrente não podem ser aceitas. Em primeiro lugar, todas as declarações mencionam expressamente que o crédito tem origem em saldo negativo de IRPJ do exercício 2004. O PER/DCOMP nº Fl. 143DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10935.901449/200865 Acórdão n.º 130100.768 S1C3T1 Fl. 144 6 25289.64513.071006.1.7.026057 chega mesmo a especificar o período de apuração entre 01/01/2003 e 31/12/2003. Em segundo lugar, esse mesmo PER/DCOMP nº 25289.64513.071006.1.7.026057 faz constar que o crédito teria sido anteriormente informado no PER/DCOMP nº 04470.70522.010704.1.3.023095 (retificado pelo PER/DCOMP nº 15000.39211.160704.1.7.029408). E este último é aquele que o contribuinte confirma se referir ao exercício 2004, anocalendário 2003. Em terceiro lugar, a recorrente se equivoca ao fazer referência a “créditos de IRRF”. As retenções de IRRF, como regra, constituem mera antecipação dos valores devidos na declaração. O direito creditório, em tese, passível de restituição/compensação é aquele apurado ao final do período de apuração, mediante o confronto entre o imposto devido e as antecipações, inclusive as retenções sofridas na fonte. Em assim sendo, ainda que a interessada pretendesse trazer à compensação créditos referentes ao anocalendário 2004, somente poderia fazêlo após o encerramento do período de apuração anual, em 31/12/2004, nunca ao longo do anocalendário. Observo que esta menção é meramente hipotética, visto inexistir prova nos autos de que esta tenha sido a intenção do contribuinte. Diante do exposto, considero correto o procedimento da Autoridade Administrativa ao analisar conjuntamente declarações de compensação que se referem a um mesmo alegado direito creditório, não faço reparo ao decidido em primeira instância e voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 144DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13603.002202/2007-23
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano calendário: 2003
ARBITRAMENTO DO LUCRO. AUSÊNCIA DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS E COMERCIAIS.
O arbitramento é modalidade ou regime de apuração do lucro. A falta de escrituração contábil ou de manutenção do livro Caixa, por parte de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido trimestral, constitui hipótese de arbitramento do lucro. Portanto, a não apresentação dos livros e documentos necessários à apuração do lucro presumido trimestral, apesar de
reiteradas intimações, implica no arbitramento do lucro.
ÔNUS DA PROVA. EXTRAVIO DE DOCUMENTOS. Cabe ao contribuinte guardar e conservar os livros contábeis e fiscais e a
documentação com base na qual fez declaração ao fisco pelo lucro
presumido. Havendo extravio ou furto, é do contribuinte o ônus da prova do fato, bem como o de refazer a escrituração com os elementos disponíveis, de modo a registrar suas operações. Se 06 (seis) meses depois de dados como furtados os livros não foram refeitos, cabe o arbitramento do lucro pelo fisco.
LANÇAMENTOS REFLEXOS – CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS – CSLL,
PIS e Cofins. A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa.
Numero da decisão: 1802-001.057
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negaram
provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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AUSÊNCIA DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS E COMERCIAIS. O arbitramento é modalidade ou regime de apuração do lucro. A falta de escrituração contábil ou de manutenção do livro Caixa, por parte de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido trimestral, constitui hipótese de arbitramento do lucro. Portanto, a não apresentação dos livros e documentos necessários à apuração do lucro presumido trimestral, apesar de reiteradas intimações, implica no arbitramento do lucro. ÔNUS DA PROVA. EXTRAVIO DE DOCUMENTOS. Cabe ao contribuinte guardar e conservar os livros contábeis e fiscais e a documentação com base na qual fez declaração ao fisco pelo lucro presumido. Havendo extravio ou furto, é do contribuinte o ônus da prova do fato, bem como o de refazer a escrituração com os elementos disponíveis, de modo a registrar suas operações. Se 06 (seis) meses depois de dados como furtados os livros não foram refeitos, cabe o arbitramento do lucro pelo fisco. LANÇAMENTOS REFLEXOS – CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS – CSLL, PIS e Cofins. A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negaram provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fl. 251DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José De Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 252DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13603.002202/200723 Acórdão n.º 1802001.057 S1TE02 Fl. 252 3 Relatório Por economia processual e bem descrever a lide adoto parte do Relatório da decisão recorrida (fl.209/212) que transcrevo a seguir: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o auto de infração de fls.05/09 para exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, multa de oficio e juros de mora calculados até 31/07/2007, no montante de R$110.489,21, abrangendo fatos geradores compreendidos no exercício de 2004. Na descrição dos fatos, constam os seguintes registros: Arbitramento do lucro que se faz, tendo em vista que o contribuinte, notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e termos de intimação em anexo, deixou de apresentálos. Enquadramento legal: art. 530, inciso III do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 RIR/1999 001 — Receitas operacionais (atividade não imobiliária) — Revenda de mercadorias: valor apurado conforme Termo de Verificação Fiscal (TVF) em anexo. Enquadramento legal: art. 532 do RIR11999. Os demais autos de infração lavrados constam especificados abaixo, cujos valores indicados representam o montante da contribuição lançada, multa de oficio e juros de mora calculados até 31/07/2007, abrangendo fatos geradores compreendidos no exercício de 2004: • Contribuição Social s/ Lucro Liquido (CSLL) — CSLL sobre o lucro arbitrado — R$65.540,64 — fls. 10/15; • Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) — Insuficiência de recolhimento da Cofins — R$183.331,43 — fls. 18/24; • Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) — Insuficiência de recolhimento do PIS — R$39.721,71 — fls. 27/33. No citado TVF, anexado às fls. 35/44, foram relatados os procedimentos fiscais, com destaque para a ciência do Termo de Inicio de Ação Fiscal e do MPF, as intimações expedidas, além das respostas, documentos e declarações apresentados pelo contribuinte. Consta ainda um item especifico, que tratou do contrato social e alterações. Fl. 253DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Relativamente aos livros comerciais e fiscais do ano de 2003, a autoridade fiscal ressaltou que a empresa, intimada, deixou de apresentálos, limitandose a informar que teriam sido extraviados, tendo entregado apenas cópia de uma Representação Policial. Foi ressalvado ainda que o contribuinte não comprovou o atendimento às disposições do art. 264 do RIR/1999. Concluiu a fiscalização que a empresa deixou de apresentar os livros de sua escrituração comercial e fiscal ou o Livro Caixa, embora tenham sido oferecidas inúmeras oportunidades desde março de 2007, restando cabível o arbitramento do lucro, conforme legislação de regência. Na parte que cuidou do lançamento do crédito tributário, a autoridade fiscal discorreu acerca da exigência do IRPJ e da CSLL com base no lucro arbitrado, tendo ainda apontado insuficiência de recolhimento da Cofins e do PIS relativamente ao período fiscalizado. Os demais documentos que fundamentam a exigência foram juntados às fls.45/183. A intimação da exigência foi dada pelo Edital Safis n° 41/2007 (fls. 184 e 205/206), afixado em 06/08/2007, além das intimações enviadas aos responsáveis pela empresa, recepcionadas em 10 e 13 de agosto de 2008, conforme documentação de fls.185/192. Por sua vez, a impugnação de fls. 194/203 foi apresentada em 27/08/2007, cujo resumo é feito em seguida. I — Dos fatos que precederam à fiscalização O impugnante discorreu acerca de particularidades da empresa, tendo ressaltado que, antes mesmo de iniciar suas atividades na nova sede, foi surpreendido com a ação de meliantes, que levaram todos os seus bens ali alojados. Acrescentou que foi nesse mesmo período que a fiscalização federal intimou a empresa a apresentar seus livros contábeis, salientando ainda que o roubo de seus bens e documentos foi registrado na Delegacia de Policia Civil competente, e estaria sob investigação para apuração de autoria e materialidade. 11 — Da ilegalidade do arbitramento de impostos no presente caso Segundo o impugnante, não é causa para o arbitramento do lucro a simples falta de apresentação de livros comerciais, quando há razão fática que impeça tal exibição documental. No caso, embora devidamente intimado a apresentar livros de sua escrita mercantil, não pôde cumprir a intimação, uma vez que houve o extravio desses livros, que se deu por caso fortuito, tendo sido ! o impugnante vitima de roubo de vários bens e documentos, dentre os quais aqueles requisitados Pelo , fisco. Tal fato foi comprovado por meio de Representação Policial, efetivada perante a Delegacia de Policia Civil do 1º Distrito de Contagem. Porém, após tentativas para elucidação dos fatos e Fl. 254DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13603.002202/200723 Acórdão n.º 1802001.057 S1TE02 Fl. 253 5 apuração da autoria, não logrou êxito no expediente, estando o caso ainda sob investigação. Assim, se a empresa demonstrou a causa da impossibilidade de apresentar os documentos fiscais exigidos, não tendo o fisco apurado inexatidão na declaração de extravio dos documentos, e tendo sido tal extravio superveniente à declaração tributária dos impostos fiscalizados, então não poderia a Receita apurar o quantum debeatur por arbitramento. No caso, o arbitramento do valor dos tributos passou a configurar penalidade, quando deveria o fisco ter aceito a declaração de impostos apresentada pelo contribuinte referente ao período fiscalizado. Sustentou o defendente que a regra do art. 47 da Lei n°8.981, de 20 de janeiro de 1995, inciso III, não se aplica quando a falta de apresentação dos livros fiscais se der em razão de caso fortuito. Outro tanto, é o fato de que a Fazenda Pública não apresentou razões para desconstituir a declaração de rendimentos e a DCTF apresentadas pela empresa referente ao ano de 2003. Citou ainda jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Fazendo referência à declaração de fl. 129, argumentou que a empresa não se desincumbiu de apresentar a sua documentação ao fisco, pois prometeu tentar recuperála e, caso não obtivesse sucesso, faria a sua recomposição, o que obviamente necessitaria de tempo maior. Portanto, poderseia, no caso, considerar que o tempo necessário para recuperar ou recompor a escrita fiscal constitui se em mero atraso de uma obrigação acessória, e nunca em omissão do dever de colaborar com o fisco para o devido lançamento tributário. Sendo certo que ainda falta um bom tempo para se dar a decadência do direito de a Fazenda constituir o crédito tributário, então não teria o erário público qualquer prejuízo em aguardar um pouco mais para a entrega dos documentos solicitados. Daí que nessa corrente de pensamento, o atraso na escrita fiscal, não constituído de dolo, não pode justificar o arbitramento de tributos. Ao final, o impugnante pede o deferimento da impugnação, para que seja reconhecida a ilegalidade do arbitramento. À impugnação foi juntado o instrumento de procuração e cópia de alteração contratual e de documento de identificação pessoal (fls. 201/203). A decisão de primeira instância julgou PROCEDENTES os lançamentos mediante o Acórdão nº 0220.831, de 27/01/2009, da 2ª Turma da DRJ/Belo Horizonte/MG (fls.208/216), assim ementado: Fl. 255DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004 ARBITRAMENTO DO LUCRO CASO FORTUITO. A alegação de extravio dos livros e documentos, devido a caso fortuito não afasta a tributação com base em arbitramento do lucro, notadamente quando o contribuinte não observa as cautelas legais pertinentes à divulgação do fato nos meios de comunicação e aos órgãos competentes e deixa de providenciar a regularização da sua escrituração no período transcorrido até a autuação. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, tributado com base no lucro presumido, deixar de apresentar à autoridade fiscal os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa. BASE DE CÁLCULO FISCO ESTADUAL Na falta de apresentação dos livros comerciais e fiscais de escrituração obrigatória, é lícito o lançamento que tomou por base os valores informados pelo próprio contribuinte ao fisco estadual. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. A empresa foi cientificada do mencionado acórdão, em 28/02/2009 (fl.227) e, protocolizou o recurso ao atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 11/03/2009, (fls.229/233). Na peça recursal a Recorrente apresenta, em síntese, os mesmos argumentos consignados na impugnação, portanto, desnecessário repetilos porquanto já relatados acima. É o relatório. Fl. 256DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13603.002202/200723 Acórdão n.º 1802001.057 S1TE02 Fl. 254 7 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72 e suas alterações posteriores. Dele tomo conhecimento. A autuação decorre de arbitramento do lucro tendo em vista que havendo o contribuinte optado pela tributação com base no lucro presumido, deixou de cumprir as obrigações acessórias relativas à sua determinação, ou seja, o contribuinte deixou de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial ou o Livro Caixa relativos ao período de janeiro a dezembro de 2003. No relatório da ação fiscal (fls.35/44 ) consta o detalhamento dos procedimentos fiscais e das infrações apuradas pela fiscalização, do qual transcrevo o seguinte trecho (fls.41/43): (...) O contribuinte, em relação ao ano de 2003, não apresentou a escrita contábil nos termos da legislação comercial e tampouco o Livro Caixa. Por conseguinte, efetuouse o lançamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), calculado sobre o lucro arbitrado determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados em lei sobre as receitas mensais conhecidas, apuradas a partir dos dados apresentados pela própria empresa à Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais (SEF/MG) consignadas nos Demonstrativos de Apuração c Informação do ICMS (DA PI), anexos às fls. 168/179. As linhas das quais se extraíram os valores dos DAPIs foram as de número 0001 —Valores contábeis referentes aos seguintes campos: 0044 (Vendas no Estado): 0052 (Vendas para Outros Estados) e 0018 (Devolução no Estado), cujos valores estão discriminados no quadro a seguir: (...) Lavrouse, ainda, o auto de infração relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) decorrente da fiscalização do 1RPJ. Os autos de infração (fls. 05/11) indicam os valores lançados, pormenorizando a metodologia de cálculo do imposto de renda e da contribuição devida e especificando os enquadramentos legais. Na apuração do imposto e da contribuição devidos foram deduzidos os débitos constantes da Declaração de Débitos e Fl. 257DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Créditos Tributários Federais DCTFs de fl. 180 a titulo de IRPJ e CSLL, código de receita 2089 e 2372. (Grifei) 2 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS). 3 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL (PIS). Apurouse também a insuficiência de recolhimento da Cofins e do Contribuição para o Pis nos meses de janeiro a dezembro de 2003, nos valores indicados no quadro abaixo. (...) A base de cálculo mensal foi determinada a partir dos dados consignados nos DAPIs —ICMS e encontrase detalhada no Quadro 1 supra. A insuficiência de recolhimento foi apurada a partir da diferença entre as contribuições devidas (colunas 2 e 5) e os débitos declarados a titulo de COFINS e PIS constantes das DCTFs _ (colunas 3 e 6), conforme telas às fls. 180/183. (Grifei) Os autos de infração (fis. 18/31) indicam os valores lançados, pormenorizando a metodologia de cálculo das contribuições devidas e especificando os enquadramentos legais. Para constar e surtir seus efeitos legais, lavrouse o presente termo em 3 (três) vias de igual teor e forma, o qual faz parte integrante do auto de infração respectivo, juntamente com todos os demonstrativos nele citados. É sabido que o arbitramento é modalidade ou regime de apuração do lucro que se deu no presente caso em virtude de o contribuinte haver deixado de apresentar a escrituração comercial e fiscal, apesar de reiteradas intimações, tal como descrito no auto de infração, e ainda no relatório de ação fiscal, de acordo com o artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995 e artigo 1º da Lei nº 9.430, de 1996, bem como o artigo 530 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99.Vejamos: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n2 9.430, de 1996, art. 12): (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (...) Fl. 258DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13603.002202/200723 Acórdão n.º 1802001.057 S1TE02 Fl. 255 9 Alega a recorrente que, embora devidamente intimada a apresentar livros de sua escrita mercantil, não pôde cumprir a intimação, vez que tais documentos encontramse extraviados e que, o extravio desses livros se deu por caso fortuito, eis que a impugnante foi vitima do furto de vários bens e documentos, dentre os quais estavam os livros requisitados pelo erário fiscal. Desse modo, entende ser inviável a pretensão do fisco em quantificar a tributação da impugnante com base em arbitramento. Como se vê, a lei tributária ao determinar as hipóteses de arbitramento não comporta exceção para os casos em que ocorra a situação alegada pela recorrente. A razão está descrita na decisão recorrida, sintetizada em sua ementa (fl.208), da seguinte maneira: “A alegação de extravio dos livros e documentos, devido a caso fortuito não afasta a tributação com base em arbitramento do lucro, notadamente quando o contribuinte não observa as cautelas legais pertinentes à divulgação do fato nos meios de comunicação e aos órgãos competentes e deixa de providenciar a regularização da sua escrituração no período transcorrido até a autuação”. O mencionado entendimento que também adoto como razão de decidir tem escora no DecretoLei n°486, de 1969, consolidado no artigo 264 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, transcrito às fls.213/214 a seguir reproduzido, verbis: Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei n°486, de 1969, art. 4°). § 1º Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (DecretoLei n°486, de 1969, art. 10). § 2° A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observado o disposto no parágrafo anterior (DecretoLei n° 486, de 1969, art. 10, parágrafo único). § 3° Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios (Lei n°9.430, de 1996, art. 37). Como afirmado acima a falta de escrituração contábil ou de manutenção do livro Caixa, por parte de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido trimestral, constitui hipótese de arbitramento do lucro. Portanto, a não apresentação dos livros e documentos necessários à apuração do lucro presumido trimestral, apesar de reiteradas intimações, implica no arbitramento do lucro. Fl. 259DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 Depreendese da prescrição legal acima que, em relação aos documentos dito extraviados, cabe ao contribuinte guardar e conservar os livros contábeis e fiscais e a documentação com base na qual fez declaração ao fisco pelo lucro presumido. Havendo extravio ou furto, é do contribuinte o ônus da prova do fato, bem como o de refazer a escrituração com os elementos disponíveis, de modo a registrar suas operações. Registrese que, o documento apresentado pelo contribuinte (fl. 125), no qual informa o extravio de documentos da empresa, tratase de cópia de representação firmada pelo sócio Elias Neves Stehling, datada de 29/01/2007, em papel com timbre da Polícia Civil do Estado de Minas Gerais. A ciência dos lançamentos ora questionados se deu em agosto de 2007. Se 06 (seis) meses depois de dados como furtados os livros não foram refeitos, cabe o arbitramento do lucro pelo fisco, pois, o contribuinte teve a oportunidade de regularizar a escrita fiscal e contábil, e, não o fez. Portanto, é de se concluir que, a não apresentação dos livros e documentos necessários à apuração do lucro presumido trimestral implica na conseqüente apuração do IRPJ e CSSL com base no lucro arbitrado em consonância com o artigo 530 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, acima transcrito. A recorrente alega ainda que, outro fato é o de que a Fazenda Pública não apresentou razões para desconstituir a declaração de rendimentos e a DCTF apresentadas pela empresa. Sobre a questão em foco, melhor sorte não tem a defesa. A razão está novamente com a decisão recorrida ao contradizer os argumentos da impugnante (fls.214/215) da seguinte maneira: Também é importante salientar que, diferentemente do entendimento da defesa, para fins de determinação do lucro real ou presumido, o fato de o contribuinte ter apresentado a D1PJ e DCTF dos períodos fiscalizados não supre a falta da escrituração contábil e do livro Caixa, sendo insuficientes para obstar o arbitramento do lucro, na medida em que a própria ausência da escrituração impede que os dados dessas declarações sejam auditados e validados pela autoridade fiscal. Assim, uma vez constatado que o contribuinte não mantinha a escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, deixando de apresentar ainda o livro Caixa, numa demonstração clara da falta de condições materiais para se determinar o lucro real ou presumido da empresa, ficou configurada a hipótese de arbitramento do lucro de que trata o art.530, III do RIR/1999, abaixo transcrito: (...) Importante reforçar que no Termo de Verificação Fiscal (fls.41/43) restou consignado que: (...) Na apuração do imposto e da contribuição devidos foram deduzidos os débitos constantes da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTFs de fl. 180 a titulo de IRPJ e CSLL, código de receita 2089 e 2372. Fl. 260DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13603.002202/200723 Acórdão n.º 1802001.057 S1TE02 Fl. 256 11 (...) A insuficiência de recolhimento foi apurada a partir da diferença entre as contribuições devidas (colunas 2 e 5) e os débitos declarados a titulo de COFINS e PIS constantes das DCTFs _ (colunas 3 e 6), conforme telas às fls. 180/183. Como se vê, a recorrente labora em equívoco ao afirmar que a Fazenda Pública não levou em consideração as DCTF apresentadas pela empresa. Portanto, as receitas declaradas pela contribuinte foram submetidas ao Lucro Arbitrado para lançar as diferenças entre os dois regimes, bem como os valores não declarados, conforme detalhado nos Demonstrativos de Apuração do IRPJ e CSLL. E, exigidas as diferenças em relação ao PIS e a Cofins. LANÇAMENTOS REFLEXOS – CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS – CSLL, PIS e Cofins. Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 261DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10183.004869/2005-07
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2002
ÁREA DE RESERVA LEGAL. FALTA DE AVERBAÇÃO.
Não se pode excluir da área tributável, para fins de incidência do ITR, área declarada pelo contribuinte como reserva legal que
não se encontre devidamente averbada a margem da matricula do
registro do imóvel.
ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL.
A partir do exercício de 2001, e necessária a apresentação de ADA para exclusão da área de reserva legal da área tributável do ITR.
VALOR DA TERRA NUA. PROVA.
Diante da ausência de elementos probatórios convincentes para
justificar o Valor da Terra Nua pretendido pelo contribuinte, há
que se adotar o VTN fixado pelo Fisco, apurado em consonância com
a lei.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.860
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage e Manoel Coelho Arruda Junior em relação ao laudo técnico.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: Francisco Assis de Oliveira Junior
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ÁREA DE RESERVA LEGAL. FALTA DE AVERBAÇÃO. Não se pode excluir da área tributável, para fins de incidência do ITR, área declarada pelo contribuinte como reserva legal que não se encontre devidamente averbada a margem da matricula do registro do imóvel. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. A partir do exercício de 2001, e necessária a apresentação de ADA para exclusão da área de reserva legal da área tributável do ITR. VALOR DA TERRA NUA. PROVA. Diante da ausência de elementos probatórios convincentes para justificar o Valor da Terra Nua pretendido pelo contribuinte, há que se adotar o VTN fixado pelo Fisco, apurado em consonância com a lei. Recurso especial negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1720; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10183.004869/200507 Recurso nº 339.242 Especial do Contribuinte Acórdão nº 920201.860 – 2ª Turma Sessão de 28 de novembro de 2011 Matéria ITR Recorrente ALÉCIO JARUCHE Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ÁREA DE RESERVA LEGAL. FALTA DE AVERBAÇÃO. Não se pode excluir da área tributável, para fins de incidência do ITR, área declarada pelo contribuinte como reserva legal que não se encontre devidamente averbada a margem da matricula do registro do imóvel. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. A partir do exercício de 2001, e necessária a apresentação de ADA para exclusão da área de reserva legal da área tributável do ITR. VALOR DA TERRA NUA. PROVA. Diante da ausência de elementos probatórios convincentes para justificar o Valor da Terra Nua pretendido pelo contribuinte, há que se adotar o VTN fixado pelo Fisco, apurado em consonância com a lei. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage e Manoel Coelho Arruda Junior em relação ao laudo técnico. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Francisco de Assis Oliveira Junior – Relator EDITADO EM: 06/12/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de recurso especial interposto pelo contribuinte com fundamento no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Na decisão recorrida, os membros da 2ª. Câmara da 1ª. Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento negaram provimento ao recurso, exarando o Acórdão nº 3201 00159, de 21/05/2009, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ÁREA DE RESERVA LEGAL. FALTA DE AVERBACÃO. Não se pode excluir da área tributável, para fins de incidência do ITR, área declarada pelo contribuinte como reserva legal que não se encontre devidamente averbada a margem da matricula do registro do imóvel. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. A partir do exercício de 2001, e necessária a apresentação de ADA para exclusão da área de reserva legal da área tributável do ITR. VALOR DA TERRA NUA. PROVA. Diante da ausência de elementos probatórios convincentes para justificar o Valor da Terra Nua pretendido pelo contribuinte, há que se adotar o VTN fixado pelo Fisco, apurado em consonância com a lei. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. A inconformidade do contribuinte referese às seguintes divergências: Fl. 358DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 10183.004869/200507 Acórdão n.º 920201.860 CSRFT2 Fl. 2 3 a) Dispensa da necessidade da apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal para fins de apuração da base de cálculo do ITR. b) Desobrigação de averbação da área de reserva legal como condição para exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal para fins de apuração da base de calculo do ITR. O Recorrente aponta acórdão paradigmas segundo os quais, comprovada a existência das áreas de reserva legal por outros meios, deve ser acatada a exclusão. c) Desnecessidade de o Laudo técnico de avaliação observar os requisitos formais definidos pela ABNT. d) Além disso questionou em preliminar o cerceamento de defesa em razão de não ter sido apreciada a documentação juntada aos autos que comprova que a Receita Federal não fez o levantamento dos preços de terras para os municípios localizados no Estado de Mato Grosso. O recurso foi admitido, conforme consta do despacho às fls. 307/309, e encaminhado à Fazenda Nacional para apresentação de contrarazões que, por sua vez, sustentou o seguinte que no tocante à necessidade de apresentação do ADA, para efeito da exclusão das áreas de reserva legal da incidência do ITR, é necessário que o contribuinte comprove o reconhecimento formal especifico e individualmente da respectiva área, apresentando o ADA ou protocolizando requerimento de ADA perante o IBAMA ou em órgãos ambientais delegados por meio de convênio, no prazo de seis meses, contado a partir do termino do prazo fixado para a entrega da declaração. Em relação à necessidade de averbação da área de reserva legal, deve ser destacado que o dispositivo legal trata de concessão de beneficio fiscal, razão pela qual deve ser interpretado literalmente, de acordo com o art. 111 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional — CTN). No caso dos autos, constatase que as áreas declaradas de reserva legal não foram averbadas no Registro de Imóveis, consoante determina a legislação. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior, Relator O recurso especial do contribuinte é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade conforme consta do despacho às fls. 307/309, razão pela qual deve ser conhecido. Registro que o acórdão recorrido manteve a decisão de 1ª. Instância que, por sua vez, julgou procedente o lançamento no tocante à glosa da área de reserva legal, tendo em vista a inexistência de averbação junto à matrícula do Registro Imobiliário, bem como a não apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA, além de o valor da terra nua ter sido recalculado levandose em consideração os valores constantes da tabela SIPT. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 4 Conforme já mencionado, as teses controversas trazidas para apreciação deste colegiado referese à dispensa da necessidade da apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal para fins de apuração da base de cálculo do ITR; a desobrigação de averbação da área de reserva legal como condição para exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal para fins de apuração da base de calculo do ITR; e a desnecessidade de o Laudo técnico de avaliação observar os requisitos formais definidos pela ABNT. Também foi apresentada preliminar de cerceamento de defesa decorrente da não apreciação pelo órgão a quo das alegações relacionadas ao não levantamento de preços de terras pela Receita Federal, bem como as restrições de uso e acesso ao imóvel decorrente de Portaria da FUNAI. Contudo, não merece prosperar tal argumentação, tendo em vista os documentos acostados aos autos, ao contrário do que afirma o recorrente, não demonstrarem de maneira cabal o fato argüido. A apresentação de ofício elaborado Secretaria de Estado e Desenvolvimento Rural/MT declarando que as informações solicitadas pela Receita Federal e que serviriam para compor o banco de dados SIPT s exigiriam um esforço de coleta de dados em campo, bem como não se poderia utilizar os valores de terra nua baseados em dados históricos haja vista a possibilidade de distorções, não comprovam que os critérios para elaboração do SIPT não foram atendidos. Indica, apenas, que o órgão estadual não logrou êxito em atender a demanda do fisco federal que, por sua vez, tem outros meios para elaborar tais pesquisas, inexistindo norma legal que impossibilite a atuação do órgão federal ante a ausência de informação do órgão estadual. Ademais, há de ser ressaltado que tal matéria não se constitui em objeto do presente recurso especial, haja vista seu manejo ser restrito aos casos em que restar demonstrada divergência na jurisprudência entre os colegiados deste Conselho. Inicialmente, há de ser destacado que o Ato Declaratório AmbientalADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental que o integram para fins de isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial RuralITR, sobre estas últimas, registrese que este documento é instrumento legal que possibilita ao Proprietário Rural uma redução do Imposto Territorial Rural ITR, em até 100%, quando declarar no Documento de Informação e Apuração DIAT/ITR, Áreas de Preservação Permanente (APP), Reserva Legal (ARL), Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), Interesse Ecológico (AIE), Servidão Florestal ou Ambiental (ASFA), áreas cobertas por Floresta Nativa (AFN) e áreas Alagadas para Usinas Hidrelétricas (AUH). Nesse sentido, deve ser preenchido e apresentado pelos declarantes de imóveis rurais obrigados à apresentação do ITR. O cadastramento das áreas de interesse ambiental declaradas permite a redução do Imposto Territorial Rural do imóvel rural. Com isso, procurase estimular a preservação e proteção das florestas e, consequentemente, contribuir para a conservação da natureza e melhor qualidade de vida. O Ato Declaratório Ambiental tornouse obrigatório a partir da inclusão do artigo 17O na Lei nº 6.938, de 1981, Código Florestal Brasileiro, por meio da alteração implementada pela Lei 10.165, de 2000. Além disso, no tocante à necessidade da apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal para fins de apuração da base de cálculo do ITR, observase que a Medida Provisória nº 2.16667, de 2001, acrescentou o § 7º ao artigo 10 da Lei nº 9.393, de 1996, Fl. 360DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 10183.004869/200507 Acórdão n.º 920201.860 CSRFT2 Fl. 3 5 estabelecendo que para fins de isenção do ITR relativa as áreas de proteção permanente e reserva legal, não há obrigatoriedade de prévia comprovação por parte do declarante. É dizer, ao apresentar o documento de Informação e Apuração DIAT/ITR, o contribuinte não está obrigado a apresentar qualquer documentação, contudo, durante procedimento fiscal, tendo sido intimado a apresentar o referido documento com objetivo de comprovar a existência das áreas utilizadas para fins de isenção, verificase a necessidade de sua apresentação em conformidade ao art. 17O do Código Florestal. Nesse sentido, considerando que o lançamento reportase ao exercício 2002, posterior, portanto à modificações implementadas pela legislação, não há como acolher a pretensão do contribuinte de não lhe ser exigido o ato declaratório ambiental, tendo em vista encontrarse contrária às exigências legais. No que pertine à alegação de estaria desobrigada de averbar a área de reserva legal como condição para exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal para fins de apuração da base de calculo do ITR, entendo que não merece prosperar a pretensão do contribuinte. De acordo com o texto legal, o conceito de Reserva Legal encontrase no Código Florestal, Lei nº 4.771, de 1965, art. 1°, §2°, III, inserido pela MP n°. 2.16667, de 24.08.2001, como sendo "área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas." Para fins de gozo de isenção do ITR, as áreas de reserva legal devem estar averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no respectivo cartório. Tal obrigação decorre do comando legal previsto no § 8º do art. 16 do Código Florestal, Lei 4.771, de 1965, com a redação alterada pela Medida Provisória nº 2.16667: § 8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. Com efeito, a Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, ao disciplinar o instituto da reserva legal e consagrar a exigência de sua averbação ou registro à margem da inscrição da matricula do imóvel teve como objetivo, conforme o § 2º do art. 16, vedar "a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, ou desmembramento da área". Assim como acontece com as áreas de preservação permanente, as áreas de reserva legal foram instituídas com a finalidade de atender aos princípios da função social da propriedade e da proteção ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Uma vez definida pela lei a área de reserva legal, os limites para sua exploração, e, finalmente, a obrigatoriedade de se averbar a margem da matrícula do imóvel, o legislador, buscando contrabalançar os interesses de toda a sociedade, permitiu que os proprietários de tais áreas, em contrapartida a tantas obrigações, tivessem algum tipo de beneficio. Tal beneficio é exatamente a possibilidade de exclusão, da incidência do ITR, das áreas caracterizadas como de reserva legal (art. 10, II da Lei 9393/96, transcrito acima). Fl. 361DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 6 Áreas de reserva legal são, portanto, aquelas já acima mencionadas, definidas pelo citado Código Florestal em seu artigo 16, e que, para serem consideradas como tal, não bastam apenas "existir" no mundo fático, mas devem "existir" também no mundo jurídico quando averbadas na matricula do imóvel. Nesse sentido, o art. 16 da Lei nº 4.771/65 dispõe, dentre outros aspectos, sobre a obrigatoriedade da averbação para que as áreas de reserva legal sejam definitivamente delimitadas e protegidas. Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão ,desde que sejam mantidas, a título de reserva legal ,no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do §7º deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. Como é possível observar, a depender da localização da propriedade haverá um percentual mínimo para definição da área de reserva legal, circunstância que, para usufruto da isenção, exige sua constituição por meio da averbação na matrícula do registro imobiliário. No tocante ao laudo de avaliação e a exigência de atendimento aos requisitos da ABNT, destaca o contribuinte, respaldado em alguns julgados de outros colegiados, que o dispositivo legal não previu que o laudo esteja submisso aos critérios da ABNT, sendo necessário tão somente que a emissão seja feita por entidade de reconhecida capacitação técnica ou profissional habilitado. Importante destacar que os procedimentos para fixação do VTN mínimo, adotados pelo órgão lançador, obedecem às exigências contidas no parágrafo 2.° do art. 3° da Lei n°8.847/1994. Na hipótese de o contribuinte não concordar com o VTN mínimo lançado, a administração abriulhe a possibilidade de rever essa valoração, por meio de laudo técnico emitido por entidade de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado, o qual irá detalhar as condições de localização, padrão de terras e serviços públicos disponíveis para a propriedade em apreço e, assim, atribuirlhe justo valor, conforme previsto no § 4°, do artigo 3°, da Lei citada, que assim dispõe, "verbis": "§ 4° A autoridade administrativa competente poderá rever, com base em laudo técnico emitido por entidade de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado, o Fl. 362DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 10183.004869/200507 Acórdão n.º 920201.860 CSRFT2 Fl. 4 7 Valor da Terra Nua mínimo VTNm, que vier a ser questionado pelo contribuinte." De fato, analisando o dispositivo legal, não encontramos a exigência de que o laudo deva cumprir as orientações da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Além disso, o próprio Código de Processo Civil, artigo 436, afirma que a autoridade julgadora “não está adstrito ao laudo pericial, podendo formar a sua convicção com outros elementos ou fatos provados nos autos.” Contudo, não se pode olvidar que a simples menção ao conceito de laudo nos remete a documento elaborado por um ou mais peritos capacitados para realizar determinada tarefa de acordo com critérios técnicos estabelecidos. Ora, quando se trata de exame de provas em que especificidades técnicas são essenciais para formação de convicção, encontrase pacificado no âmbito deste CARF, bem como do poder judiciário, que as Normas Técnicas da ABNT são os requisitos mínimos que devem ser exigidos para fins de apuração da verdade que se procura alcançar. Nesse sentido, a ABNT é entidade consagrada e reconhecido como o Fórum Nacional de Normalização, isto é, nela são discutidos padrões mínimos que devem ser atendidos com o propósito de evitar subjetivismos na elaboração de laudos e documentos de natureza técnica. Na medida em que são exigidos determinados requisitos, estes passam a valer para todas as pessoas envolvidas, permitindo uma melhor análise do conteúdo que se pretende evidenciar, sendo útil, especialmente, para os órgãos julgadores que são auxiliados por meio de laudos com o objetivo de produzirem provas técnicas, isto é, provas cuja grau de especialidade demandam profissionais com conhecimentos específicos. As Normas Brasileiras, cujo conteúdo é de responsabilidade dos Comitês Brasileiros (ABNT/CB), dos Organismos de Normalização Setorial (ABNT/ONS) e das Comissões de Estudo Especiais Temporárias (ABNT/CEET), são elaboradas por Comissões de Estudo (CE), formadas por representantes dos setores envolvidos, delas fazendo parte: produtores, consumidores e neutros (universidades, laboratórios e outros), conforme consta do Prefácio da atualmente vigente Norma Técnica 146533 que trata da avaliação de bens imóveis. No que pertine a laudos de avaliação, verificase que a força probante de tais documentos encontrase justamente no atendimento dos requisitos normativos criados justamente para eliminar o elemento subjetivo da avaliação. Conforme bem destacado no acórdão recorrido, o laudo apresentado pelo sujeito passivo com o objetivo de demonstrar o Valor da Terra Nua para efeito de calculo do ITR não atende ao mínimo exigido pelas Normas da ABNT razão pela qual o valor que foi apurado não tem o poder de alterar o procedimento adotado pela autoridade fiscal. Ressalto que a jurisprudência deste colegiado é pacífica no entendimento de que os laudos de avaliação somente possuem o poder de afastar o VTN estabelecido pelo sistema SIPT na hipótese de atender as normas procedimentais definidas pela ABNT, especificamente. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 8 Transcrevo trecho do acórdão recorrido, fl. 304/305, que reporta as razões de inadimissibilidade do laudo: “...o laudo trazido aos autos pelo contribuinte, verifica se estar indicada a metodologia utilizada (método comparativo direto de preços, tornandose como parâmetros comparativos o valor das terras brutas sem benfeitorias) e que ali se afirma ter chegado aquele VTN por meio de pesquisa de preços, que se teria realizado junto a entidades privadas (corretores e imobiliárias) e a entidades públicas (prefeitura e EMPAER), mas. em momento algum, são trazidos documentos que respaldem a dita pesquisa. nem mesmo urn rol indicativo desta. Não há qualquer documento que demonstre as fontes da pesquisa que se afirma têlo subsidiado: não há declaração da prefeitura, não há declaração da EMPAER, não há sequer comprovação de vendas imobiliárias realizadas no período que tenham sido efetuadas ao preço simbólico de R$ 1,00 por hectare. 0 que consta é indicação genérica das fontes de pesquisa, sem que as tenha concretamente indicado. O Laudo Técnico apresentado, apesar de ter sido elaborado por profissional habilitado e estar acompanhado de ART, não cumpriu as normas constantes da ABNT, como salientado no Auto de infração, limitandose a indicar um VTN por hectare para o imóvel sem demonstrar a origem dos valores utilizados como base para chegar a esse valor intimo de R1,00 por hectare, nem mesmo demonstrar que houve levantamento de preços de benfeitorias ou de areas distintas do imóvel. Demais . .disso, deixou de constar no laudo a indicação de, pelo menos, cinco transações ou ofertas de imóveis semelhantes no que diz respeito a situação, destinacão, forma; grau de aproveitamento, características tisicas e ambiência, devidamente verificados, como estatui a norma. Ante o exposto, pelos motivos acima expostos, voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pelo contribuinte para, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Francisco de Assis Oliveira Junior Fl. 364DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 10183.004869/200507 Acórdão n.º 920201.860 CSRFT2 Fl. 5 9 Fl. 365DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI
score : 1.0
Numero do processo: 10380.010626/2004-92
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 1999
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE ART. 61 DA LEI N°. 8.981,
DE 1995 DECADÊNCIA.
O art. 61 da Lei no. 8.981, de 1995, relativo ao imposto de renda retido na fonte sobre pagamentos a beneficiários não identificados ou efetuados sem comprovação da operação ou causa, veicula hipótese de lançamento de ofício, dada a evidente ausência de antecipação de pagamento do imposto em relação aos fatos geradores ocorridos, sendo o prazo de decadência para a
constituição do crédito tributário de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, a teor do artigo 173, I, CTN.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-001.882
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage, Manoel Coelho Arruda Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: IRPJ - outros assuntos (ex.: suspenção de isenção/imunidade)
Nome do relator: Francisco Assis de Oliveira Junior
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1673; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10380.010626/200492 Recurso nº 155.186 Especial do Procurador Acórdão nº 920201.882 – 2ª Turma Sessão de 29 de novembro de 2011 Matéria IRF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BEACH PARK HOTEIS E TURISMO LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1999 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE ART. 61 DA LEI N°. 8.981, DE 1995 DECADÊNCIA. O art. 61 da Lei no. 8.981, de 1995, relativo ao imposto de renda retido na fonte sobre pagamentos a beneficiários não identificados ou efetuados sem comprovação da operação ou causa, veicula hipótese de lançamento de ofício, dada a evidente ausência de antecipação de pagamento do imposto em relação aos fatos geradores ocorridos, sendo o prazo de decadência para a constituição do crédito tributário de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, a teor do artigo 173, I, CTN. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage, Manoel Coelho Arruda Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Francisco de Assis Oliveira Junior – Relator EDITADO EM: 06/12/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no art. 7º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007, c/c artigo 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Na decisão recorrida, Acórdão nº 10423.044, de 05/03/2008, consta a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE — IRRF Anocalendário: 1999 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE ART. 61 DA LEI N°. 8.981, DE 1995 DECADÊNCIA O art. 61 da Lei no. 8.981, de 1995, relativo ao imposto de renda retido na fonte sobre pagamentos a beneficiários não identificados ou efetuados sem comprovação da operação ou causa, veicula hipótese de lançamento por homologação, sendo o prazo de decadência para a constituição do crédito tributário de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, a teor do artigo 150, parágrafo 4° do CTN, salvo nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação. LEI N° 10.684/2003 (PAES REFIS II) DÉBITOS CONFESSADOS APÓS A LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO O Programa Especial de Parcelamento PAES, instituído pela Lei n°. 10.684, de 30 de maio de 2003, abrange confissão de débitos com vencimento ate 28 de fevereiro de 2003, não declarados e ainda não confessados, relativos a tributos e contribuições correspondentes a períodos de apuração objeto de ação fiscal por parte da SRF não concluída no prazo da vigência da lei. Somente a adesão ao Programa Especial de Parcelamento formalizada dentro do prazo da vigência da lei e Fl. 570DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 10380.010626/200492 Acórdão n.º 920201.882 CSRFT2 Fl. 2 3 antes da lavratura do Auto de Infração autoriza a exclusão da base de calculo da exigência do valor confessado. Argüição de decadência acolhida. Recurso negado. A inconformidade da Fazenda Nacional referese ao acolhimento da preliminar de decadência do lançamento referente aos fatos geradores ocorridos até 19/11/1999, aplicando no caso o art. 150, § 4º, do CTN, extinguindo parcialmente o crédito tributário lançado. No entendimento da Fazenda Nacional, a decisão contrariou os dispositivos previstos nos artigos 149, V, e 173, I, ambos do CTN, pois inexistindo pagamento do tributo o prazo a ser aplicado não é o previsto no art. 150, § 4º, conforme aplicou a decisão recorrida, mas o previsto no art. 173 do CTN, sendo esta a orientação atual do Superior Tribunal de Justiça. O recurso foi admitido, conforme consta do despacho às fls. 537/538, e encaminhado ao contribuinte para ciência, tendo sido facultadolhe a apresentação de contra razões que, por sua vez, sustentou a tese referente à aplicação do art. 150, 4º, haja vista o que se homologa é a atividade do sujeito passivo e não o recolhimento propriamente dito. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco de Assis Oliveira Junior, Relator O recurso especial é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, conforme consta do despacho às fls. 537/538. Inicialmente, destaquese que a tese controversa trazida para apreciação deste colegiado referese à aplicação do prazo de decadência ao crédito lançado e discutido no presente lançamento que, por sua vez, teve como fato gerador do Imposto de Renda Retido na Fonte diversos pagamentos sem causa contabilizados pela empresa, em conformidade com o procedimento previsto no art. 61, § 1º, da Lei nº 8.981/95. No tocante à preliminar decadência, insta observar que para deslinde da questão há de ser considerada também a previsão contida no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, alterado pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, abaixo transcrito: “62A – As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infracontitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 4 Dessa forma, no tocante à matéria prazo decadencial, o Superior Tribunal de Justiça, julgando os recursos submetidos à sistemática de repetitivos, proferiu o Acórdão no Resp 973733, pacificando a matéria, cujo ementa transcrevo: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Fl. 572DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 10380.010626/200492 Acórdão n.º 920201.882 CSRFT2 Fl. 3 5 Nesse sentido, considerando a existência de decisão emanada do egrégio Tribunal, em sede de Recursos Repetitivos, passo a análise do caso concreto. Notese, inicialmente que, diferente da tese dominante nesse Conselho em relação ao fato de que a atividade desenvolvida pelo sujeito passivo tendente a praticar as ações previstas no art. 142 do CTN, independente de pagamento, seria o objeto da homologação pela autoridade tributária, verificase que a teor da decisão do STJ, o que deve ser homologado é o pagamento eventualmente antecipado pelo sujeito passivo. Inexistem dúvidas quanto ao fato de que todos os membros desde colegiado concordam que a modalidade de lançamento por homologação ocorre quando a legislação que rege determinado tributo determine ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento do valor devido, sem prévio exame da autoridade administrativa. Nesses casos, a atuação da administração tributária é posterior, seja ao homologar expressamente o pagamento prévio realizado pelo sujeito passivo, seja de maneira tácita, decorrido o prazo legalmente estabelecido para sua manifestação acerca do recolhimento efetuado pelo obrigado, conforme consta do § 4º do art. 150 do CTN, in verbis: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” No caso em apreço, não há nos autos documento comprobatório de recolhimento antecipado de IRRF sobre os eventos contabilizados pela empresa na conta caixa e, por essa razão, não seria possível a aplicação do prazo fixado no parágrafo 4° do artigo 150 conforme decidiu o acórdão recorrido. Registrese que o presente lançamento tem natureza especial dada a condição de ter sido constituído por meio de ação fiscal em que o contribuinte foi instado a comprovar a destinação ou os beneficiários de diversos pagamentos não identificados em sua contabilidade. Por essa razão verificase que, para os fatos sob apreciação deste colegiado, não se verificou a necessária antecipação do pagamento. Acrescentese, conforme tenho defendido nesta colenda Turma, que a antecipação de pagamento deve ser apreciada sob a égide de cada regime jurídico em que se analisa a obrigação principal objeto do lançamento, razão pela qual, considerando a especificidade dos lançamentos decorrentes do art. 61 da Lei no. 8.981, de 1995. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 6 Nesse sentido, isto é, inexistindo razão para aplicação da norma específica que norteia os lançamentos por homologação, a saber, recolhimento antecipado referente aos fatos geradores que constituíram o lançamento, seguese a imperiosa necessidade de aplicação da regra geral esculpida no Código Tributário Nacional nos termos do artigo 173 . Assim, a conclusão que se impõe é a de que, não havendo pagamento antecipado, o lançamento de tributo sujeito à homologação poderá ser realizado no prazo previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, cujo termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado. “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;....” No presente caso em que saídas da conta caixa ocorreram nos meses de 01/1999 a 12/1999, o vencimento do imposto ocorreu, respectivamente, nas mesmas competências, segundo o disposto no § 2° do artigo 61 da Lei n° 8.981/1995. Uma vez que o lançamento poderia ser efetuado no dia útil subseqüente ao do vencimento do tributo, o primeiro dia do exercício seguinte em relação à competência mais antiga, isto é, 01/1999, seria 01/01/2000. Nesta data, teve início a fluência do prazo decadencial de 5 (cinco) anos, dentro do qual a Fazenda Pública poderia levar a efeito o lançamento, previsto no artigo 173 do CTN, e encerrouse em 31/12/2004. Considerando que a ciência do auto de infração em tela ocorreu em 19/11/2004 (fl. 06), o lançamento objeto destes autos não se encontra atingido pela decadência e por conseguinte, assiste razão à Fazenda Nacional em seu propósito de ver reformada a decisão recorrida. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso, para no mérito, DAR PROVIMENTO ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Fl. 574DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI
score : 1.0
Numero do processo: 10680.012125/2006-28
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1997, 1999, 2001
DECADÊNCIA. CSLL. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8. MATÉRIA NÃO CONHECIDA.
Não se conhece do recurso que tem como base legal dispositivo declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal (STF).A decadência das contribuições sociais segue as regras dos demais tributos sujeitos a lançamento por homologação, tendo em vista a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, nos termos da Súmula Vinculante STF nº 8.
Numero da decisão: 9101-000.716
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso da Fazenda Nacional.
Matéria: CSL- glosa compens. bases negativas de períodos anteriores
Nome do relator: CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1997, 1999, 2001 DECADÊNCIA. CSLL. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. Não se conhece do recurso que tem como base legal dispositivo declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal (STF).A decadência das contribuições sociais segue as regras dos demais tributos sujeitos a lançamento por homologação, tendo em vista a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, nos termos da Súmula Vinculante STF nº 8.
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CSLL. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. Não se conhece do recurso que tem como base legal dispositivo declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal (STF). A decadência das contribuições sociais segue as regras dos demais tributos sujeitos a lançamento por homologação, tendo em vista a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, nos termos da Súmula Vinculante STF nº 8. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso da Fazenda Nacional. (documento assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (documento assinado digitalmente) CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS - Relator. EDITADO EM: 20/01/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Leonardo de Andrade Couto, Claudemir Rodrigues Malaquias, Viviane Vidal Wagner, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Susy Gomes Hoffman (Vice- Presidente), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Antonio Carlos Guidoni Filho, Karen Jureidini Dias e Valmir Sandri. Relatório Com fundamento no art. 7º, inciso I do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), aprovado pela Portaria MF nº 147, Anexo II, de 25 de junho de 200, a Fazenda Nacional apresentou o Recurso Especial (fls. 467/483) em face do Acórdão 105-16.797, proferido pela Egrégia Quinta Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, assim ementado, na parte que interessa à presente análise: “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO - DECADÊNCIA - CSLL - SUA NATUREZA TRIBUTÁRIA - APLICAÇÃO DO ARTIGO 150 DO CTN - A Contribuição social sobre o lucro líquido, instituída pela Lei n/ 7.689/88, em conformidade com os arts. 149 e 195, § 4º, da Constituição Federal, tem a natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no RE Nº 146.733-9-SÃO PAULO, o que implica na observância, dentre outras, às regras do art. 146, III, da Constituição Federal de 1988. Desta forma, a contagem do prazo decadencial da CSLL se faz de acordo com o Código Tributário Nacional no que se refere à decadência, mais precisamente no art. 150, § 4º. Recurso voluntário conhecido e provido.” Em 30.11.2003, a contribuinte teve ciência do auto de infração (fls. 03/04) lavrado para exigência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) em razão da não observância do limite de 30% para compensação de bases de cálculo negativas de períodos anteriores. A fiscalização efetuou o lançamento relativamente ao 4º trimestre de 1996, ao 1º, 2/ e 3º trimestres de 1998, aos quatro trimestres de 2000, ao 1º, 2º e 4º trimestres de 2001 e ao 2º e 3º trimestres de 2002. A Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte, por meio da decisão de fls. 446/462, por maioria de votos, acolheu a preliminar de decadência suscitada pela contribuinte em relação aos fatos geradores ocorridos até junho de 2001. Entendeu o acórdão recorrido que o lançamento relativamente aos trimestres anteriores ao 4º trimestre de 1996 até o 2º trimestre de 2001, fora efetuado quando já havia transcorrido o prazo de cinco anos estabelecido no art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. Em 27.03.2008, a Fazenda Nacional, por seu representante, apresentou Recurso Especial sustentando, em suas razões, que a decisão recorrida contrariou o disposto no art. 45 da Lei nº 8.212/91, que prevê o prazo decadencial de 10 anos para as contribuições sociais. O art. 45 da Lei nº 8.212/91 é norma especial frente ao CTN e este prevê expressamente, em seu art. 150, a edição de norma especifica sobre decadência em matéria tributária, inexistindo qualquer conflito sobre as normas em referência. Por meio do despacho PRESI nº 105-185/2008, o Presidente da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes deu seguimento ao recurso. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10680.012125/2006-28 Acórdão n.º 9101-00.716 CSRF-T1 Fl. 2 3 É o relatório. Voto Conselheiro CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS O recurso da Fazenda Nacional foi interposto tempestivamente, desafia decisão não unânime da Câmara a quo e, nos termos do art. 15, inciso I do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), demonstra fundamentadamente que a decisão recorrida apresenta suposta contrariedade à lei. No entanto, não deve ser conhecido, pelas seguintes razões. O recurso especial interposto pela Fazenda Nacional tem por fundamento a contrariedade ao art. 45 da Lei nº 8.212/91, que prevê o prazo decadencial de 10 anos para a constituição do crédito tributário relativo às contribuições sociais. Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram, por unanimidade, declarar a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei Nº 8.212/1991, editando a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: Súmula Vinculante nº 8 "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei nº 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário." Sobre os recursos pendentes de julgamento e efeitos da aludida súmula, o Decreto nº 2.346/99 determina o seguinte: “Art. 4º Ficam o Secretário da Receita Federal e o Procurador- Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: I - não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; II - não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; III - sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV- sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal.” (os grifos não constam do original) Fl. 3DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS 4 Em consequência, tendo em vista que o recurso interposto pela Fazenda Nacional questiona unicamente a contrariedade à norma que foi declarada inconstitucional pelo STF, a análise do recurso restou prejudicada, por perda de objeto, em face do que dispõe o Parágrafo único do art. 4º do aludido Decreto nº 2.346/99. Assim, em face da Súmula Vinculante do STF nº 8, não se conhece do recurso que tem como base legal dispositivo declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante do exposto, por encontrarem-se não só os órgãos do Poder Judiciário, mas também os órgãos julgadores da Administração Fazendária vinculados à referida súmula, voto no sentido de não conhecer do recurso especial. É como voto. Sala das sessões, 9 de novembro de 2010. (documento assinado digitalmente) CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS - Relator Fl. 4DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS
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