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Numero do processo: 10768.002192/2001-60
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS - RECURSO ESPECIAL- DECADÊNCIA – CSLL - ART. 45 DA LEI Nº. 8.212/91 – Não se conhece de recurso calcado em dispositivo declarado inconstitucional e já sumulado pelo Supremo Tribunal Federal - Súmula Vinculante nº 08.
Numero da decisão: 9101-000.714
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso
Matéria: CSL- glosa compens. bases negativas de períodos anteriores
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) CAIO MARCOS CANDIDO Presidente Substituto (assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre de Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, Karem Jureidini Dias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e João Carlos de Lima Junior. Fez sustentação oral a Drª. Ana Carolina Gandra - OAB/RJ nº 114499 Fl. 433DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 04/02/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10768.002192/2001-60 Acórdão n.º 9101-00.714 CSRF-T1 Fl. 2 2 Relatório Generali do Brasil Companhia Nacional de Seguros interpõe recurso especial, insurgindo-se contra o acórdão nº 107-09.006, proferido pela antiga Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que afastou a preliminar de decadência do lançamento de CSLL suscitada. O recurso foi interposto dentro do prazo regimental, e com fulcro no art. 7º, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria 147/2007. Afirma o contribuinte que o Acórdão recorrido, que adotou o prazo decadencial de 10 anos para a CSLL, merece ser reformado por ter dado interpretação divergente da expendida pelas demais câmaras a respeito do tema. Como 1° paradigma, foi apresentado o Acórdão/ CSRF/01-05.204, que tem a seguinte ementa: CSL/COFINS/PIS — DECADÊNCIA — ART. 45 DA LEI n° 8.212/91 — INAPLICABILIDADE — Por força do Art. 146, III, b, da Constituição Federal e considerando a natureza tributária das contribuições, a decadência para o lançamento da CSLL, COFINS e PIS, deve ser apurada conforme o estabelecido no art. 150, §4°, 1 do CTN, com a contagem do prazo de 5 (cinco) anos a partir do fato gerador. Recurso especial negado. A presidência da Sétima Câmara, considerando preenchidos os requisitos legais, deu seguimento ao especial. A PFN, intimada, não apresentou contra-razões. É o relatório. Fl. 434DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 04/02/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10768.002192/2001-60 Acórdão n.º 9101-00.714 CSRF-T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O presente recurso foi interposto com base nos permissivos do art. 7º., inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria do MF n. 147/2007, tendo o contribuinte apresentado paradigma desta E. Turma que acolhe a tese dos cinco anos para a constituição das contribuições sociais. Entretanto, ante a Súmula Vinculante nº 08 editada pelo E. Supremo Tribunal Federal, reconhecendo a inconstitucionalidade do parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam da decadência e prescrição de crédito tributário, o recurso ora interposto não deve ser conhecido, eis que prejudicado o argumento da D. Procuradoria em relação ao malferimento do art. 45 da Lei nº. 8.212/91, porquanto, todos os atos praticados com base no referido dispositivo estão eivados de iliceidade, tendo em vista ter o mesmo sido declarado inconstitucional pelo Pretório Excelso. Dessa forma, por encontrarem-se não só os órgãos do Poder Judiciário, mas principalmente a Administração Pública Direta e Indireta vinculada à referida súmula, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial do contribuinte. Sala das Sessões, em 10 de novembro de 2010 (assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 435DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 04/02/2011 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 10880.912988/2006-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Ano-calendário: 2002
ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP QUANTO À NATUREZA DO CRÉDITO. VINCULAÇÃO DE PAGAMENTO A DÉBITO COM NATUREZA DE ANTECIPAÇÃO DO IRPJ. EVIDÊNCIAS DE UTILIZAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. Provado o erro cometido no preenchimento da DCOMP, motivador de sua não homologação, a compensação deve ser analisada a partir da real natureza do crédito utilizado, mormente tendo em conta as peculiaridades das antecipações previstas nos casos de importâncias pagas, entregues ou creditadas, pelo anunciante, às
agências de propaganda.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE DIRECIONADA POR OUTRA NATUREZA DE CRÉDITO. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação tem por pressuposto crédito de outra natureza, em razão de informação equivocada do sujeito passivo. A homologação da
compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez admitida que outra é a natureza do crédito, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1101-000.594
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR
PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Divergiu o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que negou provimento ao recurso voluntário e fez declaração de voto.
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano-calendário: 2002 ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP QUANTO À NATUREZA DO CRÉDITO. VINCULAÇÃO DE PAGAMENTO A DÉBITO COM NATUREZA DE ANTECIPAÇÃO DO IRPJ. EVIDÊNCIAS DE UTILIZAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. Provado o erro cometido no preenchimento da DCOMP, motivador de sua não homologação, a compensação deve ser analisada a partir da real natureza do crédito utilizado, mormente tendo em conta as peculiaridades das antecipações previstas nos casos de importâncias pagas, entregues ou creditadas, pelo anunciante, às agências de propaganda. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE DIRECIONADA POR OUTRA NATUREZA DE CRÉDITO. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação tem por pressuposto crédito de outra natureza, em razão de informação equivocada do sujeito passivo. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez admitida que outra é a natureza do crédito, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
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VINCULAÇÃO DE PAGAMENTO A DÉBITO COM NATUREZA DE ANTECIPAÇÃO DO IRPJ. EVIDÊNCIAS DE UTILIZAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. Provado o erro cometido no preenchimento da DCOMP, motivador de sua não homologação, a compensação deve ser analisada a partir da real natureza do crédito utilizado, mormente tendo em conta as peculiaridades das antecipações previstas nos casos de importâncias pagas, entregues ou creditadas, pelo anunciante, às agências de propaganda. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE DIRECIONADA POR OUTRA NATUREZA DE CRÉDITO. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação tem por pressuposto crédito de outra natureza, em razão de informação equivocada do sujeito passivo. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez admitida que outra é a natureza do crédito, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Divergiu o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que negou provimento ao recurso voluntário e fez declaração de voto. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912988/200641 Acórdão n.º 110100.594 S1C1T1 Fl. 408 2 (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Diniz Raposo e Silva. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912988/200641 Acórdão n.º 110100.594 S1C1T1 Fl. 409 3 Relatório Y&R PROPAGANDA LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São PauloI que, por maioria de votos, INDEFERIU a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou a compensação veiculada na DCOMP nº 04210.95184.141003.1.3.048068. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Trata o presente processo de pedido de restituição/declaração de compensação, transmitido por meio do programa PER/DCOMP, referente a pagamento indevido ou a maior de IRRF, efetuado no anocalendário de 2002. 2. Despacho Decisório (fl. 06) da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (DERAT SÃO PAULO) não homologou a compensação declarada em virtude da inexistência de crédito, sob a seguinte fundamentação: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados pra quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” 3. A contribuinte apresentou, em 19/06/2008, por seus procuradores, manifestação de inconformidade (fls. 12 a 19), alegando, em síntese, o seguinte: 3.1 que a base de cálculo do imposto de renda a ser pago mensalmente revelouse negativa e houve, portanto excesso de pagamentos de imposto retido na fonte sob o código de receita 8045; 3.2 que, nos termos da IN SRF nº 600/2005 (artigo 5°), é permitido ao contribuinte que apurar saldo negativo de IRPJ compensar este crédito com outros tributos federais, a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, corrigindo tal saldo mediante aplicação de juros Selic; 3.3 que no presente caso, conforme se depreende da sua DIPJ 2003, no ano calendário de 2002, foi apurado resultado negativo em todos os meses do ano, motivo pelo qual não houve imposto de renda a ser pago; 3.4 que nesse mesmo ano efetuou diversos recolhimentos do IRRF sob o código 8045, declarando corretamente tais valores em suas DCTFs trimestrais; 3.5 que, em 31/12/2002, apurou saldo negativo de IRPJ, no montante de R$ 448.957,61, correspondente ao valor exato de todas as retenções efetuadas ao longo do ano, uma vez que, além de ter apurado prejuízo fiscal, não existiram quaisquer outros recolhimentos ou retenções de imposto no período; 3.6 que, pretendendo utilizar o referido crédito relativo a saldo negativo de IRPJ, a Requerente elaborou e apresentou, em outubro de 2003, a competente Declaração de Compensação perante a repartição fiscal; 3.7 que, como o valor do saldo negativo era exatamente igual ao valor do IRRF recolhido por meio de DARF, a Requerente, ao elaborar a referida DComp, acabou optando, de maneira desavisada, pelo “Tipo de Crédito” relativo a pagamento indevido ou a maior, e não a saldo negativo de IRPJ; Fl. 6DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912988/200641 Acórdão n.º 110100.594 S1C1T1 Fl. 410 4 3.8 que, não obstante, como os pagamentos indevidos ou a maior referemse àqueles efetuados por meio de DARF, a Requerente, seguindo esse raciocínio, houve por bem pleitear a compensação do crédito existente relacionado a um valor específico de IRRF recolhido sob o código 8045; 3.9 que, dessa forma, ao apresentar a presente DComp, a Requerente vinculou o débito que pretendia ver compensado a um DARF de IRRF recolhido sob o código de receita 8045, abstendose de mencionar a totalidade do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002. E, foi justamente em virtude da adoção deste procedimento que, ao analisar a DComp em questão, mediante confrontação eletrônica de dados, a Receita Federal negou homologação à compensação pleiteada; 3.10 que o preenchimento equivocado da DComp em questão, por parte da Requerente, em nada altera a existência de crédito em seu favor a título de saldo negativo de IRPJ; 3.11 que, ainda que a Requerente porventura tenha preenchido de forma errônea a sua DComp, esse fato não pode ser considerado como causa suficiente a ensejar o indeferimento do crédito pleiteado, uma vez que é perfeitamente possível a sua comprovação; 3.12 que o processo administrativo tributário está sujeito às garantias constitucionais ordinariamente previstas, quais sejam, a garantia do devido processo legal e do duplo grau de jurisdição, da ampla defesa e contraditório e da necessária fundamentação das decisões, além do princípio da verdade material que estabelece que a Administração Pública deve buscar, a qualquer momento, todas as provas e fatos que comprovem a verdadeira situação enfrentada; 3.13 que outros processos administrativos (relacionados na manifestação de inconformidade), tem por objeto a compensação de outros débitos, mas com o mesmo crédito relativo a saldo negativo de IRPJ do ano de 2002, motivo pelo qual devem ser apensados, nos termos do art. 9°, § 1º do Decreto 70.235. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: • Não seria possível transmudar o pedido para saldo negativo do IRPJ, isso porque o reconhecimento desta alteração importaria grave irregularidade, pois, além de se burlar o instituto da decadência, estarseia suprimindo da Delegacia da Receita Federal em São Paulo atribuição regimental de se pronunciar, em primeiro lugar, sobre o mérito da restituição pleiteada. • Destacou que por esta razão não foi analisado o mérito da existência ou não de crédito da requerente a título de saldo negativo de IRPJ. Não é o caso de se impedir o aproveitamento por parte da requerente de crédito que ela venha a possuir, bastando, para tanto, que a interessada formalize nova declaração que se sujeitará à análise da autoridade competente. Também, pelos mesmos motivos, não cabe a apensação deste processo a outros processos administrativos que tenham por objeto a compensação de débitos com crédito relativo a saldo negativo de IRPJ do ano de 2002. • Esclareceu que o caso em tela nem é hipótese de retificação da Per/Dcomp, uma vez que esse procedimento não é admitido após a ciência da decisão administrativa, em observância ao disposto no artigo 57 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005, em vigor na data em que foi proferido o Despacho Decisório ora contestado. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912988/200641 Acórdão n.º 110100.594 S1C1T1 Fl. 411 5 Divergiu o julgador Eduardo Newman de Mattera Gomes que, ante o objeto social da interessada, e tendo em conta a sistemática de recolhimento do imposto de renda na fonte imposta às agências de propaganda e publicidade, entendeu ser possível compreenderse perfeitamente a incorreção cometida pelo contribuinte no preenchimento da DCOMP eletrônica sob análise, mormente tendo em conta o prejuízo fiscal informado na DIPJ. Frisou, ainda, a possibilidade de a autoridade administrativa retificar as informações erroneamente insertas em declarações apresentadas pelo contribuinte para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, citando doutrina neste sentido, ainda que impedida esteja a retificação pela contribuinte, depois da prolação do despacho decisório. Cientificada da decisão de primeira instância em 20/10/2009 (fl. 389), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 18/11/2009 (fls. 392/401, no qual reprisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade e pede que prevaleça na íntegra o voto vencido do I. Sr. Eduardo Newman de Mattera Gomes. Esclarece que, como agência de propaganda, está submetida ao regime específico de retenção do imposto de renda na fonte (IRRF), conforme determina a Instrução Normativa SRF n° 123/92, recolhendo, por conta e ordem de seus clientes (anunciantes), o imposto que, originariamente, seria por eles retido na fonte, recolhendoos através de um único DARF, sob código 8045, além de cumprir outras obrigações acessórias. Optando pela apuração anual do lucro real, levantou balancetes de suspensão mensais apurando prejuízo fiscal em todos os períodos, evidenciandose o excesso de pagamentos de imposto de renda retido na fonte sob o código de receita 8045, cuja soma, no anocalendário 2002, representou R$ 448.957,61, declarado em DCTF e informado a seus clientes anunciantes como comprovado na manifestação de inconformidade. Afirma, assim, seu direito de compensar aquele indébito a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, corrigindo tal saldo mediante aplicação de juros Selic (art. 5° da IN SRF n° 600/2005). Destaca, porém, que tendo em conta a identidade entre o valor do saldo negativo e dos recolhimentos de IRRF, optou, desavisadamente, pelo “Tipo de Crédito” relativo a pagamento indevido ou a maior de IRRF, e não a saldo negativo de IRPJ. Discorda da decisão recorrida, pois não pretende inovar seu pedido de compensação, havendo apenas mero erro formal, que deve ser retificado de ofício. Nem há o que se falar em burlar o prazo de decadência, pois a DCOMP foi apresentada em 2003, dentro do prazo legal de prescrição. Destaca sua boafé ao requerer o apensamento de todos os processos administrativos nos quais discute o saldo negativo de 2002, para julgamento conjunto, como forma de não haver aproveitamento em duplicidade do crédito. Reafirma a imprescindibilidade deste apensamento também para evitar decisões conflitantes, bem como em observância ao art. 9o, §1o do Decreto nº 70.235/72, que permite a formalização de um único processo quando várias exigências dependerem dos mesmos elementos de prova. Invoca o princípio da verdade material, para que seja superado o mero erro formal ora em discussão, citando ementas de julgados dos Conselhos de Contribuintes neste sentido. Discorda da argumentação de que a análise do saldo negativo pela Delegacia de Julgamento suprimiria atribuição regimental da Delegacia da Receita Federal que jurisdiciona a contribuinte, pois o art. 147, §2o do Código Tributário Nacional impõe à autoridade Fl. 8DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912988/200641 Acórdão n.º 110100.594 S1C1T1 Fl. 412 6 administrativa a quem compete a revisão da declaração o dever de retificar os erros, mormente sendo a DCOMP instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Cita outras ementas de julgados dos Conselhos de Contribuintes e firma que cabe à Delegacia de Julgamento corrigir a omissão da Delegacia da Receita Federal que exerce jurisdição sobre seu domicílio fiscal, em proceder à mencionada revisão. Quando muito, poderia a Delegacia Regional de Julgamento determinar, nos termos do art. 29 do Decreto n° 70.235/72, as diligências necessárias para a comprovação do crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ que ora se pleiteia, mas jamais o indeferimento da solicitação, por todas as alegações de fato e de direito já expostas. Pede, assim, que sejam apensados os processos por ela relacionados, que tem por objeto a compensação de outros débitos, mas com o mesmo crédito relativo a saldo negativo de IRPJ do ano de 2002, e que da análise de seu recurso resulte a homologação das compensações efetuadas, requerendose eventual diligência, se necessária, para que a autoridade competente, a partir da documentação já anexa aos autos da manifestação de inconformidade apresentada, comprove de uma vez por todas a existência do crédito, tal como informado. Em 14/07/2010 a recorrente fez juntar aos autos digitalizados instrumento de substabelecimento. E, em 07/02/2011 o Presidente da 4a Câmara da 3a Seção do CARF acolheu proposta do Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, em favor do encaminhamento dos autos à 1a Seção do CARF, tendo em conta que a competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado e, no caso, o crédito alegado é originário de suposto pagamento a maior de IRRF (antecipação de IRPJ) e/ou da existência de Saldo Negativo de IRPJ, cuja apreciação é de competência da Primeira Seção, nos termos do art. 7º, § 1º, c/c art. 2º, incisos I e III, do Regimento Interno do CARF. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912988/200641 Acórdão n.º 110100.594 S1C1T1 Fl. 413 7 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA O litígio presente nestes autos tem os mesmos contornos daquele verificado nos autos do processo administrativo nº 10880.912964/200691, motivo pelo qual as razões de decidir são as mesmas ali expressas e, a seguir, reproduzidas: Inicialmente no que tange ao pedido de apensação dos processos indicados pela recorrente, cumpre esclarecer que, embora desejável, a juntada não é essencial para solução do litígio presente nestes autos, e também não se mostra viável operacionalmente. De fato, a matéria restou tratada em diferentes processos em razão de iniciativa da contribuinte, que vislumbrou seu crédito formado a partir de cada recolhimento de IRRF, e assim individualizou sua compensação em diferentes DCOMP. Em conseqüência, os litígios daí decorrentes, sob a aparência de indébitos individuais, ingressaram neste Conselho Administrativos de Recursos Fiscais e foram tratados de forma individualizada. É certo que houve um erro na atribuição da maior parte deles à 3a Seção de Julgamento, já corrigido com a sua redistribuição à 1a Seção de Julgamento e, em alguns casos, à 2a Seção de Julgamento, à qual cabe, em regra, o julgamento dos litígios envolvendo IRRF, salvo quando antecipação do IRPJ, circunstância que tem sido constatada na análise de cada litígio, e ensejado a redistribuição dos autos à 1a Seção de Julgamento. Assim, ao final, todos estes litígios possivelmente serão apreciados por esta 1a Seção de Julgamento. E, nesta análise, é perfeitamente possível apreciar, de forma individualizada, a defesa da interessada centrada, basicamente, na alegação de que tais créditos não corresponderiam a pagamentos indevidos aferidos a partir de recolhimentos isolados, mas sim a saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2002. Isto especialmente porque a apuração da contribuinte, no referido período, resultou em prejuízo fiscal, de modo que a soma dos indébitos individuais, veiculados nas DCOMP, corresponde ao indébito total alegado em recurso, a evidenciar que eventual provimento do recurso da interessada resultaria em idêntico benefício, tanto na análise global dos litígios, como na individualizada. Aliás, a própria recorrente reconhece este fato ao afirmar que como o valor do saldo negativo era exatamente igual ao valor do IRRF recolhido por meio de DARF, a Requerente, ao elaborar a referida DComp, acabou optando, de maneira desavisada, pelo “Tipo de Crédito” relativo a pagamento indevido ou a maior, e não a saldo negativo de IRPJ. Em verdade, o julgamento individualizado dos litígios possibilitaria, apenas, que decisões diferentes fossem adotadas em casos semelhantes. Todavia, tanto a Fazenda Nacional como a interessada dispõem de recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais no caso de decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara, turma de Câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais (art. 37, §2o, inciso II do Decreto nº 70.235/72). Nem mesmo existe a aventada possibilidade de aproveitamento em duplicidade do crédito pois o reconhecimento deste, pela autoridade administrativa competente, Fl. 10DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912988/200641 Acórdão n.º 110100.594 S1C1T1 Fl. 414 8 dependeria da confirmação de sua disponibilidade no momento da apresentação da DCOMP. E, quanto ao disposto no art. 9o, §1o do Decreto nº 70.235/72, mesmo admitindose sua aplicação analógica no âmbito da compensação, não se pode aqui afirmar que as compensações individualizadas pela contribuinte dependam dos mesmos elementos de prova, na medida em que cada recolhimento se referiria a operações específicas, com reflexos próprios na apuração do lucro real e do saldo negativo. Demais disto, a nova redação que lhe foi dada pela Lei nº 11.196/2005 deixa claro que a reunião de lançamentos nas circunstâncias ali previstas é uma possibilidade, e não um dever: Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] Por estas razões, indeferese o pedido de apensamento dos processos relacionados pela recorrente e declarase desnecessária sua reunião para julgamento conjunto. De toda sorte, durante o julgamento do presente processo, a Turma Julgadora concluiu que, independentemente da apreciação dos processos conexos que estavam em pauta, seria conveniente buscar a reunião dos demais processos para apreciação desta mesma Relatora, razão pela qual esforços serão feitos neste sentido. Além disso, concluiuse que seria recomendável a apensação ao menos dos seis processos que foram apresentados na mesma sessão de julgamento, de forma a garantir que eles tivessem o mesmo encaminhamento. No mérito, aduz a recorrente que, como agência de propaganda, está submetida ao regime específico de retenção do imposto de renda na fonte (IRRF), conforme determina a Instrução Normativa SRF n° 123/92, recolhendo, por conta e ordem de seus clientes (anunciantes), o imposto que, originariamente, seria por eles retido na fonte, recolhendoos através de um único DARF, sob código 8045. De fato, a legislação fixa uma sistemática peculiar de incidência de imposto na fonte nos casos de agências de propaganda: Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999 – RIR/99: Art. 651. Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte, à alíquota de um e meio por cento, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas (Lei nº 7.450, de 1985, art. 53, DecretoLei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, art. 8º, e Lei nº 9.064, de 1995, art. 6º): I a título de comissões, corretagens ou qualquer outra remuneração pela representação comercial ou pela mediação na realização de negócios civis e comerciais; II por serviços de propaganda e publicidade. § 1º No caso do inciso II, excluemse da base de cálculo as importâncias pagas diretamente ou repassadas a empresas de rádio e televisão, jornais e revistas, atribuída à pessoa jurídica pagadora e à beneficiária responsabilidade solidária Fl. 11DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912988/200641 Acórdão n.º 110100.594 S1C1T1 Fl. 415 9 pela comprovação da efetiva realização dos serviços (Lei nº 7.450, de 1985, art. 53, parágrafo único). § 2º O imposto descontado na forma desta Seção será considerado antecipação do devido pela pessoa jurídica. Instrução Normativa SRF nº 123, de 1992: Art. 1º A base de cálculo do Imposto de Renda de que trata o art. 53, inciso II da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, é o valor das importâncias pagas, entregues ou creditadas, pelo anunciante, às agências de propaganda. Art. 2º Não integram a base de cálculo as importâncias repassadas pelas agências de propaganda a empresas de rádio, televisão, jornais, publicidade ao ar livre ("outdoor"), cinema e revistas, nem os descontos por antecipação de pagamento. Parágrafo único O anunciante e a agência de propaganda são solidariamente responsáveis pela comprovação da efetiva realização dos serviços. Art. 3º O imposto deverá ser recolhido pelas agências de propaganda, por ordem e conta do anunciante, até o décimo dia da quinzena subsequente à de ocorrência do fato gerador. § 1º A agência de propaganda efetuará o recolhimento do imposto utilizando um único Documento de Arrecadação de Receitas Federais DARF, preenchido em duas vias, englobando todas as importâncias relativas a um mesmo período de apuração. § 2º O valor do imposto será convertido em quantidade de UFIR diária pelo valor desta no primeiro dia útil subsequente ao de ocorrência do fato gerador. § 3º O valor em cruzeiros do imposto a pagar será determinado mediante a multiplicação da sua quantidade em UFIR pelo valor da UFIR diária na data do pagamento. Art. 4º A agência de propaganda deverá fornecer ao anunciante, até o dia 15 de fevereiro de cada ano, documento comprobatório com indicação do valor do rendimento e do Imposto de Renda recolhido, relativo ao anocalendário anterior. Parágrafo único As informações prestadas pela agência de propaganda deverão ser discriminadas na Declaração de Imposto de Renda na fonte DIRF Anual do anunciante. Art. 5º A dedutibilidade, pelo anunciante, das despesas de propaganda, segundo o regime de competência, está sujeita às disposições do art. 247 do vigente Regulamento do Imposto de Renda (RIR/80). Art. 6º A agência de propaganda deverá informar o valor do imposto na Declaração de Contribuintes e Tributos Federais DCTF. Art. 7º O Imposto de Renda na fonte poderá ser deduzido do imposto apurado mensalmente na forma do art. 38 da Lei nº 8.383, de 1991, assim como do imposto estimado em cada mês, caso a agência de propaganda tenha optado pela faculdade prevista nos arts. 39, 86 ou 87 da mesma lei. Art. 8º Esta Instrução Normativa aplicase aos fatos geradores que ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1993. Nestes termos, a Lei nº 7.450/85, base legal do RIR/99, estabelece a incidência do imposto de renda no momento do pagamento, de uma pessoa jurídica a outra pessoa jurídica, por serviços de propaganda e publicidade. Por sua vez, a Instrução Normativa SRF nº 123/92 atribui à agência de propaganda, na condição de beneficiária, o recolhimento do imposto incidente sobre o pagamento ou crédito, por ordem e conta do anunciante. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912988/200641 Acórdão n.º 110100.594 S1C1T1 Fl. 416 10 Ainda, a legislação impõe, à agência de propagada, o dever de fornecer ao anunciante documento comprobatório com indicação do valor do rendimento e do Imposto de Renda recolhido, relativo ao anocalendário anterior, para que ele os discrimine em sua DIRF e disponha da prova necessária para a dedutibilidade da despesa de propaganda. Os dispositivos antes transcritos também exigem que a agência de propagada informe em DCTF o imposto incidente sobre o pagamento por ela recebido, e reconhecem o direito de a agência de propaganda deduzir este imposto de renda na fonte na apuração definitiva do imposto de renda incidente sobre o lucro (IRPJ). Admissível, portanto, neste contexto, que uma agência de propaganda se confunda, no preenchimento da DCOMP, quanto à natureza de seu crédito, e vislumbre indébitos em cada recolhimento de imposto incidente sobre os valores que lhes foram pagos ou creditados, ao invés de um saldo negativo consolidado, mormente se no anocalendário correspondente foi apurado prejuízo fiscal. Neste caso excepcional, distinto da generalidade dos casos nos quais as antecipações cabem a quem paga ou credita rendimentos, o imposto incidente na fonte foi recolhido pela própria beneficiária, de forma que ela dispunha dos DARF que representavam o indébito de imposto de renda naquele período, o que pode têla induzido a apontá los como origem do crédito utilizado em compensação. Cumpre, assim, confirmar se no presente caso concreto estão presentes os demais elementos caracterizadores da condição da recorrente como credora da Fazenda Nacional, no anocalendário 2002, a título de saldo negativo de IRPJ. Está provado nos autos que a contribuinte tem por objeto social: (a) a prestação dos serviços de propaganda, publicidade, marketing, comunicações, promoções, convenções e realização de eventos em geral; (b) a representação de outras sociedades, nacionais ou estrangeiras; (c) a prestação de serviços de assessoria e assistência pertinentes às atividades indicadas no item (a); e (d) a participação em outras sociedades, na qualidade de sócia ou acionista (fl. 26). É inconteste, também, que houve recolhimento sob o código de receita 8045, destinado ao IRRF incidente sobre rendimentos não especificados (condenações judiciais, multas e vantagens); serviços de propaganda, e que tal recolhimento foi vinculado a débito de mesmo valor declarado em DCTF, motivo da não homologação da compensação. Porém, não há prova, nos autos, de que o recolhimento apontado na DCOMP corresponda, efetivamente, a imposto incidente sobre pagamentos que lhe foram feitos a título de serviços de propaganda. Como acima indicado, o código de receita 8045 prestase, também, ao recolhimento de IRRF incidente sobre rendimentos não especificados (condenações judiciais, multas e vantagens) que tenham sido pagos, e não recebidos pela contribuinte. Contudo, a interessada afirma que os recolhimentos teriam esta natureza, e junta comprovantes apresentados a seus clientes anunciantes, além de DCTF, DARF e DIPJ, como evidências do excesso de pagamentos de imposto de renda retido na fonte sob o código de receita 8045, cuja soma, no anocalendário 2002, representaria R$ 448.957,61. Em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal, constatase que a contribuinte transmitiu as seguintes DCOMP eletrônicas (já excluídos os documentos retificados), apontando indébitos de IRRF no anocalendário 2002: DCOMP CRÉDITO APURAÇÃO PROC ADMINIST. 22305.98962.141003.1.3.040291 2.547,31 05/01/2002 10880.912964/200691 16845.17748.141003.1.3.045032 3.127,21 12/01/2002 10880.912991/200664 16872.02259.141003.1.3.044008 28.106,59 19/01/2002 10880.912990/200610 25926.81926.141003.1.3.045913 5.446,57 26/01/2002 10880.912989/200695 Fl. 13DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912988/200641 Acórdão n.º 110100.594 S1C1T1 Fl. 417 11 DCOMP CRÉDITO APURAÇÃO PROC ADMINIST. 04210.95184.141003.1.3.048068 18.432,77 02/02/2002 10880.912988/200641 37590.58144.141003.1.3.040831 3.833,05 09/02/2002 10880.912987/200604 12566.72466.141003.1.3.045410 7.429,94 16/02/2002 10880.912986/200651 22446.93141.141003.1.3.045550 19.724,64 23/02/2002 10880.912985/200615 22532.02564.141003.1.7.048434 109,28 23/02/2002 10880.912967/200625 17966.65019.141003.1.3.048668 7.433,51 02/03/2002 10880.912984/200662 08725.12760.141003.1.3.049105 7.433,51 02/03/2002 10880.912965/200636 03475.35811.201003.1.7.040837 3.778,86 09/03/2002 10880.912983/200618 27834.36530.141003.1.3.042217 3.824,04 16/03/2002 10880.912982/200673 36503.98360.141003.1.3.041021 21.937,09 23/03/2002 10880.912980/200684 15598.37698.141003.1.3.045089 5.721,01 30/03/2002 10880.912963/200647 07980.11161.141003.1.3.047103 7.891,72 06/04/2002 10880.912978/200613 28708.07251.141003.1.3.040867 6.841,68 13/04/2002 10880.912966/200681 12006.15388.201003.1.7.043070 10.148,83 20/04/2002 10880.912977/200661 27387.52252.141003.1.3.047050 12.844,76 27/04/2002 10880.912976/200616 13182.09862.141003.1.3.046947 6.389,16 04/05/2002 10880.912975/200671 09546.55746.141003.1.3.041211 8.472,63 11/05/2002 10880.912974/200627 07521.85698.201003.1.3.041223 20.772,15 18/05/2002 10880.912994/200606 42250.96509.141003.1.3.045520 3.068,08 25/05/2002 10880.912973/200682 20434.30143.141003.1.3.041001 19.340,42 01/06/2002 10880.912972/200638 08983.47705.141003.1.3.040136 3.719,34 08/06/2002 10880.912971/200693 07517.78787.201003.1.7.043595 11.721,31 15/06/2002 10880.912993/200653 32929.51569.141003.1.3.043086 6.666,43 22/06/2002 10880.912970/200649 15304.18822.141003.1.7.041323 10.501,23 29/06/2002 10880.912969/200614 01560.94152.141003.1.3.049141 12.597,86 06/07/2002 10880.912968/200670 23736.01015.211003.1.7.049006 6.458,94 13/07/2002 10880.912979/200650 Total 286.319,92 Obs: os itens em negrito correspondem aos processos distribuídos a esta Relatora Nesta consulta observase, também, que a contribuinte não transmitiu DCOMP ou Pedido de Restituição em formulário eletrônico para utilização de crédito relativo a saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2002. Há documentos desta natureza apontando saldos negativos de IRPJ apurados nos exercícios de 1999, 2002, 2004 e 2007 a 2010 (correspondentes aos anoscalendário de 1998, 2001, 2003 e 2006 a 2009), mas nada vinculado ao exercício de 2003. A DIPJ apresentada para o anocalendário 2002, e processada sob nº 1011791, não traz qualquer informação na Ficha 12A, destinada ao Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, mas o cálculo das estimativas indicadas na Ficha 11 e a Demonstração do Lucro Real na Ficha 09A confirmam a alegação de que foi apurado prejuízo fiscal em todos os períodos daquele anocalendário. Em consulta ao sistema Eprocesso, constatase a existência de lançamento de ofício relativo ao IRPJ devido no anocalendário 2002, sob nº 19515.004275/200725, cujo demonstrativo de apuração evidencia que a determinação da base de cálculo do IRPJ resultou na conversão do prejuízo fiscal declarado na DIPJ em lucro, e sobre este foi apurado o tributo devido, sem qualquer dedução de antecipações daquele anocalendário (fl. 300 daqueles autos), procedimento coerente com a indisponibilidade destas antecipações já utilizadas em compensação desde 2003. De forma semelhante também procedeu a contribuinte, ao concordar parcialmente com a exigência, promovendo o recolhimento de IRPJ calculado sobre o valor das infrações não contestadas, reduzido pelo prejuízo fiscal informado na DIPJ, e sem qualquer dedução de antecipações daquele anocalendário (demonstrativo à fl. 438 daqueles autos). Fl. 14DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912988/200641 Acórdão n.º 110100.594 S1C1T1 Fl. 418 12 A DIPJ traz, ainda, em sua Ficha 43 – Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte, as seguintes informações relativas ao código de receita 8045: Fonte Pagadora Rendimento Bruto IRRF 00.006.878/000134 416.533,48 6.248,19 00.074.569/000100 600,00 9,00 00.355.188/000190 1.037,19 15,56 00.366.449/000178 6.092,80 91,39 00.394.478/000224 470.034,73 7.050,60 00.396.253/000126 180.921,16 2.713,82 00.637.277/000120 17.368,11 260,52 00.811.990/000148 461.246,75 6.918,72 00.904.448/000130 6.380,00 95,70 00.904.448/001101 2.943,88 44,16 01.294.481/000158 330.563,05 4.958,46 01.633.510/000169 50.000,00 750,00 01.764.411/000116 3.611,20 54,17 01.868.682/000111 105,00 1,58 02.015.014/000104 773,03 11,59 02.038.394/000100 1.685,50 25,29 02.113.665/000137 16.040,05 240,61 02.131.538/000160 116.849,19 1.752,73 02.183.757/000436 169.170,44 2.537,56 02.240.314/000197 337,12 5,05 02.245.323/000170 4.185,00 62,78 02.441.272/000152 3.091,37 46,37 02.719.250/000101 123.284,91 1.849,28 02.863.830/000178 37.886,32 568,32 03.459.453/000179 371,25 5,57 03.541.428/000130 3.307,48 49,61 03.687.592/000150 72.146,61 1.082,18 03.784.906/000132 160,50 2,41 03.898.955/000104 246,40 3,70 03.907.562/000101 13.445,00 201,68 03.988.598/000167 13.000,00 195,00 04.067.191/000160 47.108,32 706,62 07.196.033/0026,56 500,00 7,50 15.179.682/002243 571,20 8,57 16.640.849/000160 7.026,87 105,41 17.168.220/000121 1.860,00 27,90 17.244.708/000190 137,21 2,06 17.397.076/000103 18.389,95 275,85 19.900.000/000176 746,00 11,19 19.900.000/002039 3.014.131,86 45.212,87 24.949.232/000159 10.120,07 151,80 Fl. 15DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912988/200641 Acórdão n.º 110100.594 S1C1T1 Fl. 419 13 Fonte Pagadora Rendimento Bruto IRRF 26.983.734/000121 301,80 4,53 29.341.120/000215 48,00 0,72 31.323.157/000181 475.090,79 7.126,37 31.323.157/001315 175.773,47 2.636,65 32.215.014/000119 30.520,00 45,78 32.215.014/000208 1.747.390,85 26.210,91 33.010.851/000174 12.852,00 192,78 33.066.234/000190 34.188,24 512,82 33.216.797/000118 110.593,10 1.658,90 33.252.156/000119 10.894.503,62 163.417,53 33.267.741/000192 16.431,04 246,48 33.300.914/000127 12.771,08 191,56 34.267.617/000190 22.591,04 338,87 40.377.293/000145 5.596,34 83,95 42.145.946/000781 70.553,96 1.058,34 42.214.912/000311 467,34 7,01 43.830.074/000400 5.410,65 81,16 43.830.074/000834 14.260,00 216,90 43.915.172/000106 552,00 8,28 43.924.497/000147 48.230,40 723,46 45.039.237/000114 3.799.892,60 59.958,79 45.948.395/000197 181.146,94 2.717,21 46.024.030/000805 106.273,20 1.594,09 46.070.868/001998 507.374,91 7.610,59 46.379.400/000150 647.798,31 9.717,02 46.566.444/000190 6.645,60 99,69 46.869.475/000110 971,19 14,57 49.362.411/000116 166.042,96 2.490,65 50.686.591/000170 3.644,00 54,66 54.313.564/000294 43,60 0,65 54.639.463/000127 21.361,82 320,43 55.960.736/000101 4.272,00 64,08 56.324.114/000141 144.565,07 2.168,48 56.994.502/000130 34.443,50 516,66 57.947.475/000298 35.627,83 534,42 58.183.401/000104 20.893,56 313,41 59.104.273/000129 174.703,29 2.620,59 60.434.065/000509 71.077,00 1.066,16 60.452.752/004960 39.614,20 594,21 60.509.239/000113 361.868,48 5.248,03 60.544.244/000167 5.890,00 88,36 60.628.369/000175 2.083.626,44 31.437,99 60.746.945/000112 2.450.482,67 36.757,96 Fl. 16DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912988/200641 Acórdão n.º 110100.594 S1C1T1 Fl. 420 14 Fonte Pagadora Rendimento Bruto IRRF 60.749.397/000140 20.959,99 314,41 60.898.723/000181 619.418,14 9.291,94 61.065.421/000195 8.268,30 124,02 61.067.377/000152 51.761,67 776,43 61.186.888/000193 26.508,75 397,69 61.277.273/000172 48.349,84 725,25 61.533.949/000141 78.472,47 1.177,08 62.528.369/000129 696,96 10,45 66.970.229/000167 47.104,71 706,36 67.385.369/000130 55.286,78 829,30 68.153.956/000248 90.000,00 1.350,00 69.349.017/000155 32.500,00 487,50 71.613.400/000110 1.481,13 22,21 73.090.482/000191 38.132,85 572,00 75.775.460/000190 64,28 0,96 76.494.806/000145 46.288,43 694,33 77.070.332/000177 8.658,21 129,87 79.343.547/000140 16.663,55 249,95 79.875.902/000121 940,49 14,12 80.430.317/000105 308,96 4,63 82.611.617/000108 4.664,41 69,97 82.645.029/000195 5.521,12 82,81 83.093.708/000161 963,18 14,45 83.358.697/000102 75,84 1,14 83.358.697/000366 56,88 0,85 86.547.619/000136 1.751.592,68 26.274,24 87.156.337/000170 6.812,57 102,19 90.721.994/000128 1.526,40 22,90 91.043.687/000106 343,04 5,15 91.235.549/001273 63,20 0,95 91.235.549/002407 14.107,81 211,62 91.903.989/000107 338,81 5,08 92.821.701/000100 814,15 12,22 92.821.701/000290 760,46 11,40 93.049.245/000275 332,64 4,99 96.201.124/000104 20,00 0,30 Totais 33.122.784,59 499.811,83 Conforme instruções de preenchimento da DIPJ, a referida ficha destinase às seguintes informações: FICHA 43 Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte Nesta Ficha devem ser prestadas informações sobre todo o imposto de renda retido na fonte durante o período abrangido pela declaração, incidente sobre as receitas que compõem a base de cálculo do tributo devido, independentemente de a empresa ter Fl. 17DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912988/200641 Acórdão n.º 110100.594 S1C1T1 Fl. 421 15 apurado prejuízo fiscal ou imposto de renda devido menor que o retido na fonte durante o período. Para o preenchimento desta ficha o beneficiário que esteja compensando imposto de renda retido na fonte (IRRF) deverá observar as seguintes instruções: a) CNPJ da Fonte Pagadora e Nome Informar número de inscrição no CNPJ, inclusive dígitos de controle e o respectivo nome da pessoa jurídica responsável pela retenção e recolhimento do IRRF que estiver sendo compensado. b) Código da Receita Indicar, nesta linha, o código de receita utilizado para recolhimento do IRRF, conforme Tabela de Códigos da Arrecadação, disponível na Caixa de Combinação. c) Rendimento Bruto Informar o valor bruto do rendimento que originou a retenção. d) Imposto de Renda Retido na Fonte Informar o valor de todo o imposto de renda retido na fonte durante o período abrangido pela declaração, incidente sobre as receitas que compõem a base de cálculo do tributo devido, independentemente de a empresa ter apurado prejuízo fiscal ou imposto de renda devido menor que o retido na fonte durante o período. Atenção: Não deve ser informado nessa linha o valor das retenções na fonte efetuadas por órgãos públicos. Porém, mesmo destinandose esta ficha à informação do imposto de renda incidente sobre as receitas que compõem a base de cálculo do tributo devido, notase, no conjunto de informações prestadas, a presença de diversos veículos de comunicação (emissoras de rádio e televisão, jornais, editoras de revistas) e prestadores de serviços associados a propaganda (publicidade, produções, promoções, comunicação, edição, gráfica), ao passo que a recorrente afirma que seu crédito decorreria de recolhimentos, por conta e ordem de seus clientes (anunciantes). E, embora a contribuinte tenha apresentado comprovantes de imposto de renda recolhido em decorrência de serviços de propaganda e publicidade apontando tais prestadores de serviços também como anunciantes, não se pode negar que é incomum uma agência de propaganda receber rendimentos de veículos de comunicação, ou de empresas que prestam serviços associados a propaganda, aos quais normalmente faz pagamentos, em razão da veiculação de publicidade em favor de seus clientes. Assim, é razoável supor que o IRRF vinculado a estes veículos de comunicação, e aos prestadores de serviços associados a propagada, possa representar retenções promovidas pela interessada, incidentes sobre rendimentos do beneficiário do pagamento, e não próprios, as quais teriam, também, resultado em recolhimentos sob o código 8045. Tal constatação opera em desfavor da interessada, na medida em que, como antes mencionado, não há prova segura nos autos de que os DARF apontados nas DCOMP correspondam, efetivamente, a imposto incidente sobre pagamentos que lhe foram feitos a título de serviços de propaganda, e não a IRRF incidente sobre rendimentos não especificados (condenações judiciais, multas e vantagens) que tenham sido pagos, e não recebidos pela contribuinte. Notase, inclusive, que os comprovantes de imposto de renda recolhido emitidos em favor destes veículos de comunicação e prestadores de serviços, juntados a estes autos, distinguemse dos demais por apresentarem, como base de cálculo do imposto retido, o mesmo valor do rendimento bruto, enquanto nos demais casos estes valores são sempre distintos, possivelmente em razão do disposto no §1o do art. 651 do RIR/99, que permite a dedução, da base de cálculo, das importâncias pagas diretamente ou repassadas a empresas de rádio e televisão, jornais e revistas. Fl. 18DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912988/200641 Acórdão n.º 110100.594 S1C1T1 Fl. 422 16 Necessário, portanto, o aprofundamento da análise dos elementos apresentados pela recorrente, para confirmação dos indícios de sua condição de credora da Fazenda Nacional em decorrência da apuração de saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2002. O quadro abaixo evidencia quais operações informadas na DIPJ cujo comprovante de imposto de renda foi juntado pela contribuinte em sua defesa, e destaca, em negrito, aquelas nas quais a razão social da pessoa jurídica indicada como fonte pagadora, e a identidade entre a base de cálculo do imposto retido e o rendimento bruto estão presentes como indícios de que não se trate, ali, de imposto de renda recolhido sobre rendimentos auferidos pela interessada: Fonte Pagadora/ Anunciante DIPJ Comprovante de Imposto Recolhido Rend. Bruto IRRF Rend.Bruto Janeiro Fevereiro Março Fl 00.006.878/000134 416.533,48 6.248,19 801.667,89 439,34 438,61 437,57 227 00.074.569/000100 600,00 9,00 6.600,00 221 00.355.188/000190 1.037,19 15,56 1.037,19 15,56 316 00.366.449/000178 6.092,80 91,39 6.092,80 91,39 266 00.394.478/000224 470.034,73 7.050,60 00.396.253/000126 180.921,16 2.713,82 180.921,16 2.713,82 260 00.637.277/000120 17.368,11 260,52 17.368,00 260,52 292 00.811.990/000148 461.246,75 6.918,72 461.246,75 91,35 554,26 5.379,70 289 00.904.448/000130 6.380,00 95,70 67.780,00 7,50 6,60 6,60 211 00.904.448/001101 2.943,88 44,16 01.294.481/000158 330.563,05 4.958,46 330.563,05 216,67 288 01.633.510/000169 50.000,00 750,00 50.000,00 243 01.764.411/000116 3.611,20 54,17 3.611,20 322 01.868.682/000111 105,00 1,58 105,00 277 02.015.014/000104 773,03 11,59 773,03 1,89 307 02.038.394/000100 1.685,50 25,29 4.595,50 22,25 3,04 209 02.113.665/000137 16.040,05 240,61 132.203,44 97,13 8,16 13,24 230 02.131.538/000160 116.849,19 1.752,73 116.849,19 1.678,26 313 02.183.757/000436 169.170,44 2.537,56 169.170,44 278 02.240.314/000197 337,12 5,05 3.526,22 235 02.245.323/000170 4.185,00 62,78 02.441.272/000152 3.091,37 46,37 3.091,37 310 02.719.250/000101 123.284,91 1.849,28 123.284,91 252 02.863.830/000178 37.886,32 568,32 03.459.453/000179 371,25 5,57 371,25 269 03.541.428/000130 3.307,48 49,61 3.307,48 327 03.687.592/000150 72.146,61 1.082,18 03.784.906/000132 160,50 2,41 160,50 2,41 270 03.898.955/000104 246,40 3,70 246,70 3,70 321 03.907.562/000101 13.445,00 201,68 57.745,00 253 03.988.598/000167 13.000,00 195,00 13.000,00 13.000,00 242 04.067.191/000160 47.108,32 706,62 47.108,32 324 07.196.033/0026,56 500,00 7,50 5.500,00 248 15.179.682/002243 571,20 8,57 16.640.849/000160 7.026,87 105,41 7.026,87 26,71 303 17.168.220/000121 1.860,00 27,90 20.460,00 27,90 247 17.244.708/000190 137,21 2,06 137,21 2,06 273 17.397.076/000103 18.389,95 275,85 18.389,95 249 19.900.000/000176 746,00 11,19 746,00 218 Fl. 19DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912988/200641 Acórdão n.º 110100.594 S1C1T1 Fl. 423 17 Fonte Pagadora/ Anunciante DIPJ Comprovante de Imposto Recolhido Rend. Bruto IRRF Rend.Bruto Janeiro Fevereiro Março Fl 19.900.000/002039 3.014.131,86 45.212,87 24.594.628,64 7.537,62 4.070,01 2.394,92 208 24.949.232/000159 10.120,07 151,80 64.203,37 151,80 222 26.983.734/000121 301,80 4,53 301,80 268 29.341.120/000215 48,00 0,72 48,00 0,72 285 31.323.157/000181 475.090,79 7.126,37 541.524,23 250 31.323.157/001315 175.773,47 2.636,65 886.581,97 1.132,68 7,66 207 32.215.014/000119 30.520,00 45,78 11.256,05 228 32.215.014/000208 1.747.390,85 26.210,91 33.010.851/000174 12.852,00 192,78 32.642,00 184,59 2,64 220 33.066.234/000190 34.188,24 512,82 34.188,24 126,71 299 33.216.797/000118 110.593,10 1.658,90 110.593,10 1.658,90 294 33.252.156/000119 10.894.503,62 163.417,53 10.894.503,62 20.155,78 14.769,59 14.435,73 263 33.267.741/000192 16.431,04 246,48 16.431,04 48,53 19,86 301 33.300.914/000127 12.771,08 191,56 12.771,08 47,50 300 34.267.617/000190 22.591,04 338,87 22.591,04 80,12 259 40.377.293/000145 5.596,34 83,95 5.596,34 83,95 311 42.145.946/000781 70.553,96 1.058,34 607.547,03 663,05 28,76 32,65 229 42.214.912/000311 467,34 7,01 467,34 7,01 237 43.830.074/000400 5.410,65 81,16 5.410,65 267 43.830.074/000834 14.260,00 216,90 14.460,00 271 43.915.172/000106 552,00 8,28 552,00 8,28 287 43.924.497/000147 48.230,40 723,46 48.230,40 219,24 298 45.039.237/000114 3.799.892,60 59.958,79 3.997.254,01 78,62 10.553,76 3.261,79 262 45.948.395/000197 181.146,94 2.717,21 1.084.268,66 197,14 21,08 3,78 213 46.024.030/000805 106.273,20 1.594,09 106.273,20 65,87 688,38 326 46.070.868/001998 507.374,91 7.610,59 46.379.400/000150 647.798,31 9.717,02 46.566.444/000190 6.645,60 99,69 6.645,60 22,12 29,48 296 46.869.475/000110 971,19 14,57 971,19 14,54 302 49.362.411/000116 166.042,96 2.490,65 166.042,96 271,68 503,67 112,40 264 50.686.591/000170 3.644,00 54,66 3.644,00 8,40 13,20 9,00 315 54.313.564/000294 43,60 0,65 43,60 0,65 286 54.639.463/000127 21.361,82 320,43 21.361,82 246 55.960.736/000101 4.272,00 64,08 46.192,00 11,28 5,28 210 56.324.114/000141 144.565,07 2.168,48 144.565,07 1.241,74 325 56.994.502/000130 34.443,50 516,66 42.093,50 227,46 233 57.947.475/000298 35.627,83 534,42 35.627,83 169,78 148,50 314 58.183.401/000104 20.893,56 313,41 20.893,56 71,90 19,83 308 59.104.273/000129 174.703,29 2.620,59 790.824,90 239 60.434.065/000509 71.077,00 1.066,16 71.077,00 251 60.452.752/004960 39.614,20 594,21 39.614,20 272,16 295 60.509.239/000113 361.868,48 5.248,03 361.868,48 1.194,68 265 60.544.244/000167 5.890,00 88,36 29.450,00 232 60.628.369/000175 2.083.626,44 31.437,99 2.155.610,19 1.344,61 736,84 261 60.746.945/000112 2.450.482,67 36.757,96 13.819.586,02 4.728,30 877,90 1.747,54 217 60.749.397/000140 20.959,99 314,41 20.959,99 80,17 297 60.898.723/000181 619.418,14 9.291,94 3.642.778,05 1.956,59 959,84 1.864,31 216 61.065.421/000195 8.268,30 124,02 15.531,30 255 61.067.377/000152 51.761,67 776,43 51.761,67 245 61.186.888/000193 26.508,75 397,69 286.308,75 39,66 31,73 31,73 214 Fl. 20DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912988/200641 Acórdão n.º 110100.594 S1C1T1 Fl. 424 18 Fonte Pagadora/ Anunciante DIPJ Comprovante de Imposto Recolhido Rend. Bruto IRRF Rend.Bruto Janeiro Fevereiro Março Fl 61.277.273/000172 48.349,84 725,25 48.349,84 256 61.533.949/000141 78.472,47 1.177,08 78.472,47 293 62.528.369/000129 696,96 10,45 696,96 309 66.970.229/000167 47.104,71 706,36 232.523,56 256 67.385.369/000130 55.286,78 829,30 55.286,78 110,74 318 68.153.956/000248 90.000,00 1.350,00 90.000,00 257 69.349.017/000155 32.500,00 487,50 71.613.400/000110 1.481,13 22,21 1.481,13 291 73.090.482/000191 38.132,85 572,00 38.132,85 56,40 197,40 226 75.775.460/000190 64,28 0,96 64,28 0,96 323 76.494.806/000145 46.288,43 694,33 46.288,43 694,33 279 77.070.332/000177 8.658,21 129,87 8.658,21 304 79.343.547/000140 16.663,55 249,95 159.598,92 194,24 231 79.875.902/000121 940,49 14,12 940,49 284 80.430.317/000105 308,96 4,63 308,96 4,52 317 82.611.617/000108 4.664,41 69,97 4.664,41 47,12 282 82.645.029/000195 5.521,12 82,81 5.521,12 62,86 281 83.093.708/000161 963,18 14,45 963,18 9,41 312 83.358.697/000102 75,84 1,14 834,24 240 83.358.697/000366 56,88 0,85 625,68 241 86.547.619/000136 1.751.592,68 26.274,24 14.829.893,98 4.193,40 2.499,40 1.248,92 215 87.156.337/000170 6.812,57 102,19 6.812,57 82,54 280 90.721.994/000128 1.526,40 22,90 1.526,40 8,50 306 91.043.687/000106 343,04 5,15 343,04 5,15 319 91.235.549/001273 63,20 0,95 695,20 0,95 238 91.235.549/002407 14.107,81 211,62 138.477,54 38,44 43,38 12,80 212 91.903.989/000107 338,81 5,08 338,81 5,08 305 92.821.701/000100 814,15 12,22 814,15 6,64 276 92.821.701/000290 760,46 11,40 760,46 3,28 275 93.049.245/000275 332,64 4,99 332,64 4,99 290 96.201.124/000104 20,00 0,30 20,00 272 Por oportuno registrese que às fls. 219, 223, 224, 225, 234, 236, 244, 254, 274 e 283, a interessada juntou comprovantes de imposto recolhido pertinente a anunciantes que não foram indicados na DIPJ, sendo que alguns deles, inclusive, estão apontados como residentes no exterior. De toda sorte, mesmo desconsiderandose as informações relativas aos veículos de comunicação, e aos prestadores de serviços associados a propagada, bem como outros nos quais a razão social não permite aferir a atividade da empresa, mas apresentam rendimento bruto idêntico à base de cálculo do imposto, constatase que remanescem operações nas quais houve imposto recolhido informado para os meses de janeiro, fevereiro e março, aos quais se referem as compensações submetidas à análise desta Relatora: Fl. 21DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912988/200641 Acórdão n.º 110100.594 S1C1T1 Fl. 425 19 Fonte Pagadora DIPJ Comprovante de imposto recolhido Rend.Bruto IRRF Rend.Bruto Jan. Fev. Mar. Fl 00.006.878/000134 416.533,48 6.248,19 801.667,89 439,34 438,61 437,57 227 00.904.448/000130 6.380,00 95,70 67.780,00 7,50 6,60 6,60 211 02.038.394/000100 1.685,50 25,29 4.595,50 22,25 3,04 209 02.113.665/000137 16.040,05 240,61 132.203,44 97,13 8,16 13,24 230 17.168.220/000121 1.860,00 27,90 20.460,00 27,90 247 19.900.000/002039 3.014.131,86 45.212,87 24.594.628,64 7.537,62 4.070,01 2.394,92 208 24.949.232/000159 10.120,07 151,80 64.203,37 151,80 222 31.323.157/001315 175.773,47 2.636,65 886.581,97 1.132,68 7,66 207 33.010.851/000174 12.852,00 192,78 32.642,00 184,59 2,64 220 42.145.946/000781 70.553,96 1.058,34 607.547,03 663,05 28,76 32,65 229 45.948.395/000197 181.146,94 2.717,21 1.084.268,66 197,14 21,08 3,78 213 55.960.736/000101 4.272,00 64,08 46.192,00 11,28 5,28 210 56.994.502/000130 34.443,50 516,66 42.093,50 227,46 233 60.746.945/000112 2.450.482,67 36.757,96 13.819.586,02 4.728,30 877,90 1.747,54 217 60.898.723/000181 619.418,14 9.291,94 3.642.778,05 1.956,59 959,84 1.864,31 216 61.186.888/000193 26.508,75 397,69 286.308,75 39,66 31,73 31,73 214 79.343.547/000140 16.663,55 249,95 159.598,92 194,24 231 86.547.619/000136 1.751.592,68 26.274,24 14.829.893,98 4.193,40 2.499,40 1.248,92 215 91.235.549/001273 63,20 0,95 695,20 0,95 238 91.235.549/002407 14.107,81 211,62 138.477,54 38,44 43,38 12,80 212 Totais 8.824.629,63 132.372,43 21.431,93 9.160,20 8.057,34 Por sua vez, as DCOMP apresentadas para estes períodos de apuração, veiculam os seguintes créditos: DCOMP CRÉDITO APURAÇÃO PROC ADMINIST. 22305.98962.141003.1.3.040291 2.547,31 05/01/2002 10880.912964/200691 16845.17748.141003.1.3.045032 3.127,21 12/01/2002 10880.912991/200664 16872.02259.141003.1.3.044008 28.106,59 19/01/2002 10880.912990/200610 25926.81926.141003.1.3.045913 5.446,57 26/01/2002 10880.912989/200695 04210.95184.141003.1.3.048068 18.432,77 02/02/2002 10880.912988/200641 37590.58144.141003.1.3.040831 3.833,05 09/02/2002 10880.912987/200604 12566.72466.141003.1.3.045410 7.429,94 16/02/2002 10880.912986/200651 22446.93141.141003.1.3.045550 19.724,64 23/02/2002 10880.912985/200615 22532.02564.141003.1.7.048434 109,28 23/02/2002 10880.912967/200625 17966.65019.141003.1.3.048668 7.433,51 02/03/2002 10880.912984/200662 08725.12760.141003.1.3.049105 7.433,51 02/03/2002 10880.912965/200636 03475.35811.201003.1.7.040837 3.778,86 09/03/2002 10880.912983/200618 27834.36530.141003.1.3.042217 3.824,04 16/03/2002 10880.912982/200673 36503.98360.141003.1.3.041021 21.937,09 23/03/2002 10880.912980/200684 15598.37698.141003.1.3.045089 5.721,01 30/03/2002 10880.912963/200647 Portanto, embora o exame preliminar das provas existentes nestes autos não permita concluir pela existência integral dos indébitos utilizados pela interessada em compensação, há evidências suficientes de que houve erro no preenchimento da DCOMP, confirmando a alegação de que a contribuinte pretendeu, em verdade, valerse de saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário 2002, e não de recolhimentos indevidos de IRRF, promovidos naquele anocalendário. Opera ainda, em favor da contribuinte, a constatação de que todas as DCOMP em análise por esta Relatora foram apresentadas em 14/10/2003, após o encerramento do anocalendário 2002, e indicam a aplicação, ao crédito, de taxa de juros em percentual inferior ao que seria admitido sobre o indébito se correspondente a saldo Fl. 22DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912988/200641 Acórdão n.º 110100.594 S1C1T1 Fl. 426 20 negativo apurado em 31/12/2002. De fato, nos termos do Ato Declaratório SRF nº 3/2000, os saldos negativos de IRPJ e CSLL são acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada, correspondente, no período de janeiro a outubro de 2003, a 17,81%, ao passo que a contribuinte adotou, nas DCOMP sob análise, taxas que variaram entre 5,93% e 12,2%. Quanto à admissibilidade da retificação do conteúdo da DCOMP no curso do contencioso administrativo, adotase aqui as razões expressas pelo I. Julgador Eduardo Newman de Mattera Gomes que, ausente na sessão de julgamento da 2a Turma da DRJ/São PauloI na qual foi apreciado o presente processo, assim declarou seu voto, em favor da contribuinte, na decisão proferida nos autos do processo administrativo nº 10880.912965/200636: Neste ponto, é importante ressaltarse que entendo que as informações erroneamente insertas em declarações apresentadas pelo contribuinte para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, inclusive as prestadas em DCOMP, são passíveis de retificação por parte do Fisco, desde que evidenciado o erro cometido pelo declarante, em decorrência do princípio da estrita legalidade tributária e da aplicação analógica da norma veiculada no art. 147, §2º, do CTN, sendo relevante transcrevermos as seguintes lições tecidas por Leandro Paulsen na obra “Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência”, 10ª edição, Livraria do Advogado, p. 996: “Aplicação por analogia aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Tendo em conta que a quase totalidade dos tributos, atualmente, sujeitamse a lançamento por homologação vinculados a obrigações acessórias de prestar declarações ao Fisco e que não há dispositivo no CTN cuidando especificamente da retificação de tais declarações, o §1º do art. 147 tem sido bastante invocado e aplicado por analogia para definir o marco até quando pode o contribuinte retificar suas declarações livremente, com eficácia imediata, e, a contrario sensu, a partir de quando o contribuinte não pode exigir do Fisco que, independentemente de apreciação dos erros e equívocos da declaração originalmente prestada, considere as retificações. Isso toma absoluta relevância na medida em que é reconhecido ao Fisco o direito de inscrever em dívida ativa créditos formalizados mediante declaração do próprio contribuinte, conforme se vê em nota ao art. 201 do CTN. Declaração retificada. Efeitos quanto à futura inscrição e sobre inscrição já realizada. Distinção. Retificada a declarações pelo contribuinte – DCTF, DIRPJ etc , não pode mais o Fisco proceder à inscrição em dívida dos valores apontados na declaração originária, pois esta já não mais persiste. Contudo, efetuada a inscrição de declaração do contribuinte, não se torna insubsistente pela simples retificação posterior pelo contribuinte. No caso, impende que este demonstre perante o Fisco o erro na declaração originária. Aplicase ao caso, por analogia, o art. 147, §1º, do CTN. A perda do prazo para retificação “ad nutum” do contribuinte não impede que o contribuinte peticione administrativamente ou ajuíze ação para afastar os efeitos do equívoco. O §1º simplesmente retira do contribuinte a possibilidade de tornar, por ato próprio, insubsistente a sua declaração originária quando já notificado do lançamento (lançamento por declaração) ou, por analogia, quando já inscrita a declaração em dívida ativa (tributos sujeitos a lançamento por homologação em que prestada declaração e não pago o tributo). Não compromete, porém, os direitos de petição e de acesso ao Judiciário. Poderá o contribuinte, pois, a qualquer tempo, enquanto não decaído o seu direito, peticionar administrativamente noticiando os equívocos e solicitando a revisão de ofício pela autoridade, forte no art. 149 do Fl. 23DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912988/200641 Acórdão n.º 110100.594 S1C1T1 Fl. 427 21 CTN. Poderá, também, ajuizar ação no sentido de ver anulado lançamento e cancelada inscrição indevidos e, até mesmo, buscando, a restituição de indébitos. “EXECUÇÃO FISCAL. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. ART. 147, §1º, DO CTN. RETIFICAÇÃO JUDICIAL. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. 1. Embora seja vedado ao contribuinte a retificação da declaração após a notificação do lançamento (art. 147, §1º, do CTN), isso não impede que ele demande a sua nulidade, demonstrando que a declaração foi feita com erro e que não ocorreu o fato gerador do tributo, ou que houve erro em sua quantificação, uma vez que a Constituição Federal, em seu artigo 5º, inciso XXXV, assegura que a lei não eximirá o Judiciário de apreciar lesão à direito, bem como a exigência tributária é baseada no princípio da legalidade. 2. Reconhecida pela própria Receita Federal a inexistência de débito, cabível a manutenção da sentença que determinou a extinção da execução (...) (TRF4, 2ª T., AC 2005.04.01.0017924, Rel. Dirceu de Almeida Soares, publicado em 30/03/2005)” Logo, como entendo que a autoridade administrativa deve retificar de ofício a declaração prestada com erro pelo sujeito passivo (aplicação analógica da norma veiculada no art. 147, §2º, do CTN), e em função dos princípios da estrita legalidade, da verdade material e do informalismo moderado que rege o processo administrativo (Lei nº. 9.784/99, art. 2º parágrafo único, inciso IX), entendo que deve ser considerado que o contribuinte buscou veicular na DCOMP encartada nos autos o direito creditório relativo ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002. Frisese, por relevância, que a vedação do contribuinte retificar a DCOMP eletrônica a partir da data da prolação do DespachoDecisório (art. 57 da IN SRF nº. 600/2005) certamente não impede a retificação de ofício prevista no art. 147, §2º, do CTN. De fato, entendese que a proibição da retificação por iniciativa do contribuinte a partir da decisão administrativa prolata pela DERAT/SPO busca apenas evitar que inovações (matérias não contidas expressa ou implicitamente na inaugural DCOMP) causem óbice ao regular trâmite processual ou se constituam em tentativas de burlar os prazos prescricionais previstos para a restituição / compensação de direitos creditórios. Contudo, entendo que não se pode defender que devem ser perenizados erros cometidos pelo contribuinte, principalmente nos casos em que é evidente a intenção do sujeito passivo quando veiculou o seu direito creditório. Ressaltese, neste ponto, que, em decorrência da interpretação das normas administrativas ter por “norte” o atendimento ao interesse público (Lei nº. 9.784/99, art. 2º parágrafo único, inciso XI), entendo que fere tal mister a grave conseqüência decorrente do não reconhecimento do erro sob análise (perda do direito creditório pelo contribuinte, vez que, na data de ciência do DespachoDecisório – 20/05/2008, já se encontrava prescrito o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002), com o conseqüente enriquecimento estatal relativo a tributo nãodevido, se confirmada a efetiva existência do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002. Por todo o exposto, cabe aqui afastar a nãohomologação da compensação, que teve por referência a indicação equivocada pelo sujeito passivo, em DCOMP, de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior verificado em DARF, e não de saldo negativo. Porém, para afirmar a homologação da compensação, é necessária a prova da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado, mas sob sua real natureza de saldo negativo. De fato, a desconstituição do único fundamento da decisão – impossibilidade de compensação de indébito cujo DARF estava alocado a débito nos sistemas informatizados da Receita Federal – é insuficiente para concluir pela integridade da Fl. 24DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912988/200641 Acórdão n.º 110100.594 S1C1T1 Fl. 428 22 formação do crédito, dado que as análises da autoridade administrativa foram prejudicadas pela informação equivocada da natureza do indébito pela interessada. Superado este obstáculo, necessária se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, a apuração de IRPJ nos mesmos termos expressos em sua DIPJ e a efetiva natureza de antecipação do recolhimento apontado na DCOMP, demonstrando a disponibilidade do indébito daí resultante, mediante prova de que não se valeu dele em outras compensações com ou sem pedido, de forma que o crédito assim confirmado possa ser confrontado com os débitos compensados e verificada a sua suficiência para extinção destes. Registrese, inclusive, o entendimento expresso pela maioria desta Turma Ordinária, no sentido de que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer ao crédito utilizado na DCOMP a natureza de parcela do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2002, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, providenciandose a apensação dos processos apreciados nesta sessão (nº 10880.912964/200691, 10880.912965/200636, 10880.912982/200673, 10880.912984/200662, 10880.912988/2006 41 e 10880.912987/200604) antes de seu retorno à origem. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Declaração de Voto Conselheiro CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO. Conforme o disposto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, a declaração de compensação se submete ao exame da Receita Federal (expresso, ou tácito por decurso de prazo). Além disso, o § 14 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, atribui competência a própria Receita para disciplinar a compensação prevista no artigo. Fl. 25DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912988/200641 Acórdão n.º 110100.594 S1C1T1 Fl. 429 23 Portanto, as declarações de compensação devem considerar as regras administrativas postas pela Receita, no que tange ao direito material, que sujaz à declaração. Assim, devem obedecer à forma determinada de declarar o exercício do direito de compensação. Por isso, não basta que materialmente o contribuinte tenha direito a restituição ou a compensação, é preciso que ele siga corretamente a formalidade imposta pela Receita. Se uma declaração de compensação não atende a forma, a administração não homologará a compensação declarada e o contribuinte deve fazer uma nova declaração, se quiser aproveitar seu crédito. Se a Receita não homologa uma determinada declaração de compensação, o faz em razão do seu conteúdo. Neste caso, se a única alegação de defesa do contribuinte é de que sua declaração não retratou exatamente o direito que tem, esta alegação consiste em admitir que violou a forma imposta legalmente e em pretender desobedecer às consequencias legais à violação das formalidades. Conforme relatório, o contribuinte declarou a compensação de forma errada. Ou seja, o modo como formalizou o seu pedido não corresponde àquele que se infere de sua defesa. Em resumo, no caso em julgamento, o contribuinte não logrou infirmar as razões da decisão da DRF/DRJ e insistiu em uma declaração errada, sem retificar a declaração, discutindo sua negativa no presente processo administrativo. Se o contribuinte não conseguiria retificar sua declaração, pois para a adequação do pedido seria preciso alterar a natureza do crédito informado na Dcomp original, isso apenas confirma que a declaração do contribuinte estava errada, na medida em que não retratava o direito declarado. De qualquer modo, se não é possível ao contribuinte retificar sua declaração, por vedação da legislação posta pela Receita, então ele deve acatar a negativa da compensação originalmente declarada e, se quiser, deve apresentar uma nova Dcomp, nos termos da legislação. Se disso resulta algum ônus financerio para o contribuinte (por exemplo, os encargos moratórios do débito erroneamente declarados compensados na declaração original), isso decorre de seu próprio erro. Não cabe à Administração evitar prejuízo ao contribuinte que agiu em desacordo com a legislação. A Administração não pode abrir mão das formalidades legalmente estabelecidas pelo Fisco. Tais formalidades decorrem da legislação, são postas em razão da racionalização administração tributária, e com base em competência legal. Frisese ainda que o contribuinte teve longo tempo e muitas oportunidades para se adequar a legislação. Ele teve um despacho contrário ao seu pedido e inclusive um acórdão da DRJ, onde toda a situação ficou clara. Se ele prefere insistir no erro na esperança de que a Administração, no curso do processo administrativo, decida favoravelmente ao seu pleito, ele deve arcar com o ônus de Fl. 26DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10880.912988/200641 Acórdão n.º 110100.594 S1C1T1 Fl. 430 24 ver seu direito de repetir decaído, além daquele ônus decorrente de seu erro na declaração de compensação. Noutro giro, a busca do direito material deve respeitar as formas estabelecidas na legislação aplicável. Neste aspecto, destaquese a importância que o sistema jurídico dá às formalidades, como garantidoras do próprio direito material. Por tais razões, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, 4 de outubro de 2011. (documento assinado digitalmente) CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO Fl. 27DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, A ssinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 19740.000294/2006-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário:2003
PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC.
Para fins de deferimento do PERC, a exigência de comprovação de
regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 (Súmula CARF nº 37).
Numero da decisão: 1402-000.774
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para prosseguimento na análise do PERC.
Matéria: IRPJ - outros assuntos (ex.: suspenção de isenção/imunidade)
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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Para fins de deferimento do PERC, a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 (Súmula CARF nº 37). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para prosseguimento na análise do PERC. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 933DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 19740.000294/200638 Acórdão n.º 140200.774 S1C4T2 Fl. 444 2 Relatório Sul América Seguros de Vida e Previdência S/A recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 7ª Turma da DRJ Rio de Janeiro 01/RJ, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade interposta pela interessada às fls. 407/410, em 09/07/2007, instruída como os documentos de fls. 412/413, face ao Despacho Decisório de fls. 379/381, de 31/05/2007, que indeferiu seu Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC, com fundamento no artigo 60 da Lei 9.069/95. No despacho decisório de fls. 379/381 constou resumidamente que: em 18/09/2006 o contribuinte recebeu a Intimação n° 424/2006, expedida pela DIORT/DEINF/RJ, em 12/09/06 (fl. 102), onde foram solicitados diversos documentos com o intuito de ser verificar a sua regularidade fiscal; em 17/10/2006 o contribuinte apresentou resposta à referida intimação, atendendo parcialmente ao solicitado; foi juntada a documentação apresentada pelo interessado às fls. 104/298, não sendo comprovados os pagamentos relativos aos débitos em cobrança referentes ao IOF e IRRF citados na intimação de fls. 102; na mesma oportunidade, a empresa solicitou prorrogação de prazo por 30 dias para atender ao restante da intimação; após análise da documentação apresentada e realização de pesquisas nos Sistemas Internos da RFB (fls. 300/317), foi constatado que continuavam pendentes de pagamentos débitos de diversos tributos, conforme telas anexas às fls. 308/310; após pesquisas a situação do contribuinte foi descrita no despacho de fl. 318; em 16/11/2006 o contribuinte solicitou nova prorrogação de prazo para comprovação dos débitos indicados na Intimação n° 424/2006 (fl. 319); em 28/12/2006 o contribuinte apresentou esclarecimentos/documentos, em atendimento aos itens 2 e 3 da referida intimação (fl. 323/327); a DIORT/DEINF/RJ juntou aos autos as seguintes pesquisas: telas do sistema IRPJOEIF/PERC 2004 (fls. 328/333); fichas da DIPJ Ex. 2004 (fls. 334/339) e extrato da DCTF referente aos débitos de IRPJ do AC 2003 (fls. 340/341); foi apurada a base de cálculo do incentivo fiscal e o percentual de pagamento do tributo, conforme planilhas anexadas às fls. 342/344; verificouse que o débito de IOF (cód. 3467) com vencimento em 01/10/2003, no valor de R$ 109,61, descrito nos extratos emitidos em 06/09/2006 e Fl. 934DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 19740.000294/200638 Acórdão n.º 140200.774 S1C4T2 Fl. 445 3 01/11/2006, constantes das fls. 92 e 309 respectivamente, somente foi pago pelo contribuinte em 12/12/2006, conforme telas dos sistemas Sief e Sinal anexadas às fls. 345/349; tal recolhimento referese a pagamento parcial do débito total de R$ 344.446,21, para o qual existem outros pagamentos parciais realizados nos anos de 2003, 2004 e 2005, conforme relacionados nas telas das fls. 377/378; as pesquisas do Sinal de fls. 377/378 demonstram que em 12/12/2006 o interessado quitou também outros débitos de IOF vencidos em 2000 e 2001; constatouse ainda que os débitos do referido tributo, referentes aos vencimentos de 18/07/2001 e 22/08/2001, respectivamente nos valores de R$ 258.382,72 e R$ 164.887,85 também só foram integralmente quitados em 12/12/2006, conforme extratos às fls. 375/376; em consulta ao sistema SINCOR/TRATANI (fls. 350/374), de 29/05/2007, constatouse que o contribuinte apresenta irregularidade fiscal junto à RFB, possuindo diversos débitos em cobrança no sistema Sief; os fatos descritos comprovam que o contribuinte possuía débitos junto à Receita Federal do Brasil, com vencimentos anteriores ao período de opção por aplicações nos incentivos fiscais (EX 2004 / AC 2003), assim como possui diversos débitos atualmente em cobrança no sistema Sief; com base no acima disposto e com fulcro no item 5.4 da Norma de Execução Corat/Cosit n° 02, de 10 de maio de 2006, o pedido do contribuinte foi indeferido em 31/05/2007. A interessada não se conformando com o indeferimento do seu pedido, alegou em sua defesa, em síntese que: com esteio no artigo 592 do RIR/992, optou na sua Declaração de Rendimentos relativa ao anocalendário de 2003, pela aplicação de 18% do imposto de renda devido no Fundo de Investimento da AmazôniaFINAM; sendo constatadas pela RFB divergências entre as opções feitas e os termos constantes no Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais preencheu e protocolizou Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos FiscaisPERC; para sua surpresa o seu pedido foi denegado, nos termos do despacho de fls. 379/381, sob o fundamento de que não atendia aos requisitos necessários para o gozo do beneficio fiscal estabelecidos no art. 60 da Lei n° 9.069/95; destaca que no momento da elaboração do despacho contestado que as exigências fiscais lá apontadas às fls. 345/349 e 375/378 já estavam quitadas; também são improcedentes os débitos apontados às fls. 350/374, no relatório "Informações de Apoio para Emissão de Certidão", tanto que a própria SRF, sem que qualquer pagamento fosse efetuado, expediu Certidão Positiva de Débitos e de Tributos e Contribuições Federais com Efeitos de Negativa", cuja cópia encontrase em anexo (doc. 1, fl. 413); à vista de todo o exposto requer a reforma da decisão de fls. 379/381, com o conseqüente deferimento de seu pedido e a expedição do certificado a que faz jus. É o relatório.” Fl. 935DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 19740.000294/200638 Acórdão n.º 140200.774 S1C4T2 Fl. 446 4 Na decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 12 21.064 (fls. 417292) de 17/09/2008, por unanimidade de votos, indeferiuse a solicitação da interessada nos termos representados em sua ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 MOMENTO DE COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE. O momento em que deve ser comprovada a regularidade fiscal, pelo sujeito passivo, com vistas ao gozo do beneficio fiscal é a data da apresentação da DIRPJ, na qual foi manifestada a opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos correspondentes. Comprovada a existência de débitos exigíveis quando da opção indeferese a solicitação do contribuinte. Solicitação Indeferida.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 28/05/2009 (A.R. de fl. 400), a contribuinte interpôs recurso voluntário em 29/06/2009 (fls. 403413) no qual reforçou as alegações da peça impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. No que diz respeito ao preenchimento dos requisitos necessários à obtenção do benefício, digno de destaque é o disposto no art. 60, da Lei n° 9.069/95, que orienta a administração tributária nos procedimentos de reconhecimento de benefícios fiscais, a saber: "Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais." Não há dúvidas de que o contribuinte, para obter a concessão ou reconhecimento de um benefício fiscal deve estar quite com a Receita Federal. A controvérsia, diante da lacuna da lei, é o momento para sua aferição: i) sempre que se analisar o pedido, ii) no momento de sua concessão ou iii) quando o contribuinte pleiteia o benefício fiscal. Fl. 936DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 19740.000294/200638 Acórdão n.º 140200.774 S1C4T2 Fl. 447 5 Em sua Decisão, a DRJ entendeu que o momento em que deve ser comprovada a regularidade fiscal, pelo sujeito passivo, com vistas ao gozo do beneficio fiscal, seria a data da apresentação da DIRPJ, na qual foi manifestada a opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos correspondentes. Em sentido diverso, no âmbito deste CARF, o enunciado nº 37 da súmula do CARF estabelece: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Com efeito, conforme sumulado, entendese ser admitida a prova da quitação a qualquer momento do processo administrativo. Isso porque se entende que o sentido da lei não é impedir que o contribuinte em débito usufrua o benefício, mas sim, condicionar seu gozo à quitação do débito. Assim, não sendo possível identificar que na data da entrega da declaração o contribuinte possuía débitos de tributos ou contribuições federais, deverá ser considerada a regularidade comprovada nos autos. Novos débitos que surjam após a data da entrega da declaração influenciarão a concessão do benefício apenas em anos calendários subseqüentes. Outrossim, verifico que nem a DRF de origem, nem a DRJ, apreciaram os demais requisitos para a concessão do incentivo. Pelo exposto, conheço e dou provimento parcial ao recurso para determinar a remessa dos autos à Unidade de origem para que se prossiga na análise do pedido de revisão. Sala das Sessões, em 20 de outubro de 2011. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 937DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10675.004760/2004-49
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2000
ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL-ADA. EXERCÍCIO ANTERIOR A 2001. DESNECESSIDADE. SÚMULA.
De conformidade com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, vigentes à época da ocorrência do fato gerador, notadamente a Lei nº 9.393/1996, c/c Súmula no 41 do CARF, inexiste previsão legal exigindo a apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA para fruição da isenção do ITR relativamente às áreas de reserva legal e/ou preservação permanente até o exercício 2000, inclusive.
In casu, tratando-se de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente averbação à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador, ainda que apresentado ADA intempestivo, impõe-se
o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. INSTRUÇÕES NORMATIVAS. LIMITAÇÃO LEGAL.
Às Instruções Normativas é defeso inovar, suplantar e/ou coarctar os ditames da lei regulamentada, sob pena de malferir o disposto no artigo 100, inciso I, do CTN, mormente tratando-se as IN’s de atos secundários e estritamente vinculados à lei decorrente.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.620
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Rycardo Henrique Magalháes de Oliveira
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL-ADA. EXERCÍCIO ANTERIOR A 2001. DESNECESSIDADE. SÚMULA. De conformidade com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, vigentes à época da ocorrência do fato gerador, notadamente a Lei nº 9.393/1996, c/c Súmula no 41 do CARF, inexiste previsão legal exigindo a apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA para fruição da isenção do ITR relativamente às áreas de reserva legal e/ou preservação permanente até o exercício 2000, inclusive. In casu, tratando-se de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente averbação à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador, ainda que apresentado ADA intempestivo, impõe-se o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. INSTRUÇÕES NORMATIVAS. LIMITAÇÃO LEGAL. Às Instruções Normativas é defeso inovar, suplantar e/ou coarctar os ditames da lei regulamentada, sob pena de malferir o disposto no artigo 100, inciso I, do CTN, mormente tratando-se as IN’s de atos secundários e estritamente vinculados à lei decorrente. Recurso especial negado.
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ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTALADA. EXERCÍCIO ANTERIOR A 2001. DESNECESSIDADE. SÚMULA. De conformidade com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, vigentes à época da ocorrência do fato gerador, notadamente a Lei nº 9.393/1996, c/c Súmula no 41 do CARF, inexiste previsão legal exigindo a apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA para fruição da isenção do ITR relativamente às áreas de reserva legal e/ou preservação permanente até o exercício 2000, inclusive. In casu, tratandose de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente averbação à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador, ainda que apresentado ADA intempestivo, impõese o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. INSTRUÇÕES NORMATIVAS. LIMITAÇÃO LEGAL. Às Instruções Normativas é defeso inovar, suplantar e/ou coarctar os ditames da lei regulamentada, sob pena de malferir o disposto no artigo 100, inciso I, do CTN, mormente tratandose as IN’s de atos secundários e estritamente vinculados à lei decorrente. Recurso especial negado. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/05/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 19/05/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Henrique Pinheiro Torres – PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator (Assinado digitalmente) EDITADO EM: 13/05/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente – Substituto), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente Substituto), Elias Sampaio Freire, Alexandre Naoki Nishioka, Giovanni Christian Nunes Campos, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Relatório JOSÉ CARLOS SANCHES, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 07/12/2004, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 2000, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Planalto Verde 6 Penha”, localizado no município de Presidente Olegário/MG, cadastrado na RFB sob o nº 40662209, conforme peça inaugural do feito, às fls. 19/25, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Terceiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 03 18.671/2006, às fls. 121/133, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 2ª Câmara, em 24/04/2008, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 30239.386, sintetizados na seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2000 ITR. ÁREA ISENTA. RESERVA LEGAL. PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Existindo nos autos prova suficiente para comprovar a existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, as mesmas devem ser reconhecidas. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/05/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 19/05/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 10675.004760/200449 Acórdão n.º 920201.620 CSRFT2 Fl. 2 3 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 200/212, com arrimo no artigo 7º, inciso I, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado os dispositivos legais que regulam a matéria, especialmente os preceitos contidos nos artigos 111 do CTN; 10, § 1°, inciso II, alínea “a”, da Lei n° 9.393/1996; § 4°, do artigo 10, da IN SRF n° 43/1997; e artigo 1° da IN SRF n° 67/1997, quanto à requisição atempada do ADA, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à contrariedade à lei argüida. Contrapõese ao entendimento da Câmara recorrida, aduzindo para tanto que as áreas de preservação permanente e reserva legal são aquelas definidas pelo Código Florestal em seu artigo 16 e que, para serem consideradas como tal não bastam apenas “existir” no mundo fático, mas devem “existir” também no mundo jurídico quando reconhecidas pelo IBAMA a partir da requisição do ADA, mormente quando referida exigência decorre da legislação de regência, mais precisamente a Lei nº 4.771/65, que deverá ser interpretada literalmente, com arrimo no artigo 111 do Códex Tributário. Defende que para comprovação das referidas áreas, não se pode prescindir do Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado junto ao IBAMA, no prazo estipulado na legislação. Infere que a Receita Federal do Brasil já se manifestou por diversas oportunidades a propósito do assunto, firmando o entendimento de que a não incidência de ITR sobre as áreas de preservação permanente e reserva legal está condicionada ao reconhecimento como tal por parte do Poder Público, por intermédio do ADA, devendo existir em cada imóvel informação específica da parte reservada, como estabelecem as normatizações internas da SRF, notadamente o artigo 10, § 4º, inciso I, da IN SRF nº 43/1997, que disciplinou a Lei nº 9.393/1996, com redação do artigo 1º, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 67/1997. Assim, inexistindo na hipótese dos autos provas de que o contribuinte procedeu à protocolização tempestiva do requerimento do ADA, impõese à manutenção da glosa realizada pela fiscalização. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, a ilustre Presidente da então 2ª Câmara do 3° Conselho, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de terem sido observados os pressupostos para conhecimento do recurso, uma vez tempestivo e por tratarse de decisão não unânime, além da existência do pré questionamento da matéria e contrariedade, em tese, da legislação de regência, relativamente a exigência do requerimento tempestivo do ADA, para fins de isenção do ITR, conforme Despacho nº 302.361/2008, às fls. 213/215. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/05/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 19/05/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 4 Instado a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, o contribuinte não apresentou suas contrarrazões, como se verifica das informações contidas dos documentos de fls. 218/220. É o Relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pela ilustre Presidente da 2ª Câmara do então Terceiro Conselho de Contribuintes a contrariedade à lei suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram a legislação de regência, uma vez ter afastado a glosa procedida pela fiscalização deixando de considerar a ausência do protocolo do requerimento de ato declaratório junto ao IBAMA no prazo legal, capaz de justificar a isenção do ITR na forma inscrita no decisum guerreado Sustenta, ainda, a PFN que ao afastar a exigência do requerimento tempestivo do ADA para fins da benesse isentiva, a Câmara recorrida contrariou as normas insertas no Código Florestal Nacional (Lei nº 4.771/65 e atualizações) e, bem assim, as normatizações internas da SRF, notadamente o artigo 10, § 4º, inciso I, da IN SRF nº 43/1997, que disciplinou a Lei nº 9.393/1996, com redação do artigo 1º, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 67/1997. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a respeito da exigência do requerimento atempado do Ato Declaratório Ambiental – ADA relativamente às áreas de reserva legal e preservação permanente, dentro do prazo legal, para fruição da não incidência do Imposto Territorial Rural ITR. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Fazenda Nacional não merece acolhimento, por não espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, contrariando a farta e mansa jurisprudência administrativa. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, nos seguintes termos: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/05/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 19/05/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 10675.004760/200449 Acórdão n.º 920201.620 CSRFT2 Fl. 3 5 I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)” (grifamos) Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, não é, em si, condição eleita pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo às glebas de terra destinadas à preservação permanente e reserva legal. Somente a título elucidativo, não sendo a requisição atempada do ADA, anteriormente ao exercício 2000, condição legal para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, e na linha do que fora exposto no julgado recorrido, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da parcela de proteção ambiental e assim considerála como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. Contudo, ainda que a legislação estabeleça, para os exercícios posteriores a 2000, em face da intempestividade e/ou ausência do ADA, o reconhecimento da inexistência das áreas de reserva legal decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, o mero requerimento do ADA, não se perfaz no único meio de se comprovar a existência ou não daquelas áreas. Assim, realizado o lançamento de ITR com base em glosa de áreas de reserva legal e/ou preservação permanente, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pela não Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/05/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 19/05/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 6 requisição tempestiva do ADA, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à aludidas áreas, como aqui se vislumbra. Mais a mais, com arrimo no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. Entrementes, afora entendimento pessoal a propósito da matéria, impende esclarecer que este Egrégio Colegiado já sedimentou o entendimento de que inexiste previsão legal, anteriormente à vigência da Lei no 10.165, de 28/12/2000, contemplando a exigência do ADA para efeito de não incidência de ITR sobre as áreas de preservação permanente e reserva legal, o que se vislumbra na hipótese dos autos (exercício 2000). Aliás, o Pleno da CSRF, em 08/12/2009, aprovou a Súmula n° 41, contemplando o tema e rechaçando de uma vez por todas a pretensão da Fazenda nos presentes autos, senão vejamos: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” In casu, o que torna ainda mais digno de realce, relativamente à área de reserva legal, é que a contribuinte trouxe à colação documentos comprobatórios de sua existência, dando conta inclusive que a averbação fora procedida anteriormente ao fato gerador do tributo, como a própria a autoridade lançadora reconheceu no Relatório da Autuação, às fls. 21, registrando, ainda, que o ADA apresentado encontrase intempestivo, bem como não contempla da totalidade da área de preservação permanente informada na DITR. Por derradeiro, no que tange às determinações inseridas nas Instruções Normativas nºs 43 e 67, de 1997, esteios do entendimento da Fazenda Nacional, uma vez demonstrado que a legislação tributária específica, vigente à época, não condiciona a isenção em comento à protocolização tempestiva do ADA, não podem aludidas normas complementares/secundárias, por sua própria natureza, inovar, suplantar e/ou cingir os ditames contidos nas leis regulamentadas. Perfunctória leitura do artigo 100, inciso I, do Códex Tributário, fulmina de uma vez por todas a pretensão fiscal, senão vejamos: “Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I – os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas;[...] Na esteira desse entendimento, cabe invocar os ensinamentos do renomado doutrinador Antonio Carlos Rodrigues do Amaral, na obra “Comentários ao Código Tributário Nacional”, volume 2, coord. Ives Gandra da Silva Martins, Editora Saraiva, 1998, págs. 40/41, que ao tratar do artigo 100 do Código Tributário Nacional, assim preleciona: “ Atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas. São as instruções ministeriais, as portarias ministeriais e atos expedidos pelos chefes de órgãos ou repartições; as instruções normativas expedidas pelo Secretário da Receita Federal; as circulares e demais atos normativos internos da Administração Fl. 6DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/05/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 19/05/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 10675.004760/200449 Acórdão n.º 920201.620 CSRFT2 Fl. 4 7 Pública, que são vinculantes para os agentes públicos, mas não podem criar obrigações para os contribuintes que já não estejam previstas na lei ou no decreto dela decorrente. Também não vinculam o Poder Judiciário, que não está obrigado a acatar a interpretação dada pelas autoridades públicas através de tais atos normativos.” Outro não é o entendimento do eminente jurista Leandro Paulsen, ao comentar o Código Tributário Nacional, adotando posicionamento do Supremo Tribunal Federal, nos seguintes termos: “Vinculação absoluta dos atos normativos à lei. “... As instruções normativas editadas por órgão competente da administração tributária, constituem espécies jurídicas de caráter secundário, cuja validade e eficácia resultam, imediatamente, de sua estrita observância dos limites impostos pelas leis, tratados, convenções internacionais, ou decretos presidenciais, de que devem constituir normas complementares. Essas instruções nada mais são, em sua configuração jurídico formal, do que provimentos executivos cuja normatividade está diretamente subordinada aos atos de natureza primária, como as leis e as medidas provisórias a que se vinculam por um claro nexo de acessoriedade e de dependência. Se a instrução normativa, editada com fundamento no art. 100, I, do Código Tributário Nacional, vem a positivar em seu texto, em decorrência de má interpretação de lei ou medida provisória, uma exegese que possa romper a hierarquia normativa que deve manter com estes atos primários, viciarseá de ilegalidade...” (STF, Plenário, AGRADI 365/DF, rel. Min. Celso de Mello, nov/1990)” (DIREITO TRIBUTÁRIO – Constituição e Código Tributário Nacional à luz da Doutrina e da Jurisprudência” – 5ª edição, Porto Alegre: Livraria do Advogado:ESMAFE, 2003, pág. 740) Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso voluntário do contribuinte, na forma decidida pela então 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Assinado digitalmente) Fl. 7DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/05/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 19/05/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 8 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/05/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 19/05/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10950.001594/2010-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Período de apuração: 2005, 2006
NULIDADE CERCEAMENTO
AO DIREITO DE DEFESA
Não existindo exigência tributária durante a fase procedimental, sendo esta
preparatória ao lançamento de ofício, o correspondente direito à ampla defesa
e o contraditório concretizase
após a formalização do auto de infração.
MULTA DE OFÍCIO ALEGAÇÃO
DE CARÁTER
CONFISCATÓRIO INCOMPETÊNCIA
DO CONSELHO PARA
AFASTAR APLICAÇÃO DA MULTA
Multa não é tributo, é penalidade. A aplicação da multa ao autor do ilícito
fiscal , é lícita. Incompetência do Conselho para afastar a aplicação da multa.
JUROS DE MORA SELIC
Aplicase
a taxa SELIC, a partir de 01/01/1996, na atualização monetária do
indébito, não podendo ser cumulada, porém com qualquer outro índice.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.293
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Período de apuração: 2005, 2006 NULIDADE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA Não existindo exigência tributária durante a fase procedimental, sendo esta preparatória ao lançamento de ofício, o correspondente direito à ampla defesa e o contraditório concretizase após a formalização do auto de infração. MULTA DE OFÍCIO ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO INCOMPETÊNCIA DO CONSELHO PARA AFASTAR APLICAÇÃO DA MULTA Multa não é tributo, é penalidade. A aplicação da multa ao autor do ilícito fiscal , é lícita. Incompetência do Conselho para afastar a aplicação da multa. JUROS DE MORA SELIC Aplicase a taxa SELIC, a partir de 01/01/1996, na atualização monetária do indébito, não podendo ser cumulada, porém com qualquer outro índice. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Walber José da Silva Presidente. (Assinado Digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Relator. (Assinado Digitalmente) EDITADO EM: 14/02/2012 Fl. 730DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10950.001594/201071 Acórdão n.º 330201.293 S3C3T2 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. e Alexandre Gomes. Relatório Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem representar a contenda: Trata o processo de Auto de Infração de Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, As fls. 527/541, que exige R$ 22.528,46 de PIS regime cumulativo, R$ 11.951,72 de PIS regime nãocumulativo, além da multa de oficio de 75% e dos acréscimos legais; e Auto de Infração de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, As fls. 542/556, que exige R$ 103.977,29 de Cofins no regime cumulativo, R$ 55.028,19 de Cofins no regime nãocumulativo, alem da multa de oficio de 75% e dos acréscimos legais. A autuação decorreu da diferença apurada entre o valor escriturado na contabilidade e o declarado/pago, nos anos calendário de 2005 e 2006. Cientificada dos lançamentos em 31/03/2010 (fls. 536 e 551), a interessada, por intermédio de seus procuradores legalmente constituídos (fls. 577/614), apresentou, em 30/04/2010, a impugnação de fls. 566/575, tecendo as argumentações que a seguir estão sintetizadas. Alega em preliminar nulidade do lançamento, por cerceamento de defesa, pelo fato de a fiscalização não lhe ter oportunizado, ainda que tenha sido solicitada prorrogação de prazo, tempo necessário para análise de demonstrativos de apuração das contribuições que resultaram na emissão do Auto de Infração. Diz expressamente que "foi intimada em 18/03/2010 para se manifestar, em 05 dias úteis, sobre sua anuência quanto aos valores constantes nos demonstrativos de apuração da contribuição para o PIS/Pasep a pagar — regime cumulativo e nãocumulativo; e demonstrativo de apuração da Cofins a pagar — regime cumulativo e nãocumulativo, referente aos anos calendário de 2005 e 2006, porém, apesar de requerida a dilação de prazo em 20 dias, o pedido foi indeferido pelo Sr. Auditor Fiscal, que por ocasião do termo de verificação, alegou que o prazo para apresentação de informações e documentos que digam respeito a fatos que devam estar registrados em declarações apresentadas a administração tributária é de 05 (cinco) dias úteis, confirme dispõe o artigo 19, §1º, da Lei n°3.470/58 (fls.520 e 523)." Pondera que inexistia empecilho para concessão da prorrogação do prazo solicitada, já que o prazo decadencial somente ocorreria em 2011. Também não foi intimada apenas para a apresentação de documentos, mas para que analisasse todos os valores constantes dos demonstrativos de apuração realizados pelo fisco, que seria, a seu ver, humanamente impossível de ser realizado em 5 dias úteis. Ressalta que a autoridade fiscal deveria se pautar pelo principio da razoabilidade ao exigir o cumprimento de exigências, não Fl. 731DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10950.001594/201071 Acórdão n.º 330201.293 S3C3T2 Fl. 3 3 devendo estipular prazo tão curto a ponto de inviabilizar a sua obtenção. Lembra o prazo de 10 dias para o atendimento de solicitação da autoridade fiscal constante na Lei n° 8.137/90 e o prazo de 20 dias para o contribuinte prestar esclarecimento, quando se tratar de lançamento de oficio, constante do Regulamento do Imposto de Renda. Portanto, acredita não ter sido garantido o direito de defesa, por não lhe ter dada oportunidade de evidenciar eventuais diferenças e deduções não consideradas que poderia impedir a lavratura do auto de infração e a demanda administrativa. No mérito, contesta a exigência da multa de 75%, por entender excessiva e desproporcional, apresentando caráter confiscatório, conforme posicionamento do STF, devendo ser reduzida a 20%, nos termos do art. 59 da Lei n° 8.383/91 e art. 112 do CTN; e a aplicação da taxa Selic como juros de mora, dada a sua ilegalidade. Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em não acolher a preliminar de nulidade e, no mérito, julgar procedentes os lançamentos, mantendo as exigências de R$ 22.528,46 de PIS/Pasep no regime cumulativo, R$ 11.951,72 de PIS/Pasep no regime nãocumulativo, além da multa de oficio e encargos legais; e R$ 103.977,29 de Cofins no regime cumulativo, R$ 55.028,19 de Cofins no regime nãocumulativo, além da multa de oficio e encargos legais. Intimada em 29/11/2010, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 22/12/2010. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. A questão principal de que trata a presente autuação diz respeito à diferença apurada entre o valor escriturado na contabilidade e o declarado/pago, nos anoscalendário de 2005 e 2006. Nulidade – Cerceamento ao Direito de Defesa Neste ponto, não assiste razão a Recorrente. Senão vejamos. Não há que se falar em cerceamento ao direito de defesa durante a fase procedimental, sendo esta um ato preparatório à produção de atos subseqüentes, o que, no caso concreto, foi à lavratura do auto de infração. Após essa formalização, o contribuinte foi cientificado para que, caso discordasse, apresentasse impugnação. Fl. 732DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10950.001594/201071 Acórdão n.º 330201.293 S3C3T2 Fl. 4 4 A partir desse momento é que o contribuinte, respaldada pelas garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa, passa a participar ativamente da fase litigiosa do processo administrativo, podendo apresentar as suas razões, bem como as provas pertinentes a sua defesa. Assim, em consonância com os artigos 14 e 15 do Decreto nº 70.235, de 1972, bem como a i. decisão ora recorrida, rejeito a preliminar de nulidade argüida. Multa de Ofício – Alegação de caráter confiscatório – Incompetência do Conselho para afastar aplicação da multa A Recorrente alega que a multa de ofício aplicada no presente Auto de Infração se caracteriza como confiscatória, tendo em vista afrontar diversos Princípios Constitucionais, dentre eles o da capacidade contributiva e o da proibição de tributo com efeito de confisco. Primeiramente, há de se salientar que multa não é tributo. É penalidade, ainda que esse valor integre o crédito tributário em sentido lato. Não existe vedação constitucional ao confisco do produto de atividade contrária à lei, como se vê ao ler o artigo 243 da Constituição Federal em vigor. Desta forma, a aplicação de multa ao autor do ilícito fiscal é lícita, pois a lei destinase a proteger a sociedade, não o patrimônio do autor do ilícito. O E. Superior Tribunal de justiça já decidiu pela inexistência de efeito de confisco na aplicação da multa de ofício, tendo em vista ter sido fixada por lei: “Tributário. Fraude. Notas Fiscais Paralelas. Parcelamento de Débito. Redução de Multa. Lei 8.218/91. Aplicabilidade. Inocorrência de Confisco. Taxa Selic. Lei nº 9.065/95. Incidência. 1. Recurso Especial contra v. Acórdão que considerou legal a cobrança de multa fixada no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento) e determinou a incidência da Taxa Selic sobre os débitos objeto do parcelamento. 2. A aplicação da Taxa Selic sobre débitos tributário objeto de parcelamento está prevista no art. 13 da Lei 9.065 de 20/07/95. 3. É legal a cobrança de multa, reduzida do percentual de 300% (trezentos por cento) para 150% (cento e cinqüenta por cento), ante a existência de fraude por meio de uso de notas fiscais paralelas, comprovada por documentos juntados aos autos. Inexiste na multa efeito de confisco, visto haver previsão legal (art. 4, II da Lei nº 8.218/91). 4.Não se aplica o artigo 920 do Código Civil, ao caso, porquanto a multa possui natureza própria, não lhe sendo aplicáveis as restrições impostas no âmbito do direito privado. 5. A exclusão da multa ou a sua redução somente ocorrem com suporte na legislação tributária. 6. Recurso não provido.” (STJ. REsp 419.156. Rel Min. José Delgado. DJ 07/05/2002) Fl. 733DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10950.001594/201071 Acórdão n.º 330201.293 S3C3T2 Fl. 5 5 Veja, portanto a ausência de efeito de confisco, uma vez que esse efeito é vedado pela Constituição Federal, na aplicação da multa isolada. A referida multa tem caráter de penalidade. Outrossim, não é de competência desta Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento afastar aplicação de multa isolada, sob o argumento de que essa seria confiscatória, uma vez que tratase de exigência legal. Neste sentido o Conselheiro José Henrique Longo reconheceu, no Acórdão nº 10806.571, da Oitava Câmara, a incompetência desta Câmara para afastar a aplicação da multa isolada, nos seguintes termos: “Por fim, no tocante ao caráter confiscatório, não é permitido a este tribunal administrativo contrapor a escala de valores que o legislador ordinário aplicou, frente aos comandos da Constituição Federal. Cabe apenas ao Poder Judiciário essa prerrogativa de declarar ilegítima determinada norma, formalmente introduzida no sistema jurídico de modo válido. Desse modo nego seguimento ao recurso.” Nesse sentido, por mais esse argumento, nego provimento ao presente recurso. Juros de Mora – SELIC Por fim, no que tange a aplicação da Taxa Selic, também não assiste razão à Recorrente, na medida em que a partir de 01 de abril de 1995 os juros moratório incidentes sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devido, no período de inadimplência à taxa referencial SELIC. Por todo exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Sala das Sessões, em 9 de novembro de 2011 GILENO GURJÃO BARRETO (Assinado Digitalmente) Fl. 734DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10950.001594/201071 Acórdão n.º 330201.293 S3C3T2 Fl. 6 6 Fl. 735DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 10830.006798/2008-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
IRPF. DEDUÇÕES. DESPESA MÉDICA. COMPROVAÇÃO.
Comprovada a efetividade das despesas médicas efetuadas, através de
diversos documentos trazidos aos autos, e ainda de declaração firmada pelo prestador de serviço, devem as mesmas ser restabelecidas. Por outro lado, quando não é feita a comprovação do dispêndio, deve prevalecer a glosa das referidas despesas.
Numero da decisão: 2102-001.660
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
PARCIAL provimento ao recurso para seja restabelecida a glosa da despesa médica no valor de R$ 11.000,00. Fez sustentação oral a advogada do fiscalizado, Dra. Ana Cláudia Feio Gomes, OAB-SP-nº 226.485.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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DEDUÇÕES. DESPESA MÉDICA. COMPROVAÇÃO. Comprovada a efetividade das despesas médicas efetuadas, através de diversos documentos trazidos aos autos, e ainda de declaração firmada pelo prestador de serviço, devem as mesmas ser restabelecidas. Por outro lado, quando não é feita a comprovação do dispêndio, deve prevalecer a glosa das referidas despesas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso para seja restabelecida a glosa da despesa médica no valor de R$ 11.000,00. Fez sustentação oral a advogada do fiscalizado, Dra. Ana Cláudia Feio Gomes, OABSPnº 226.485. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 29/11/2011 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Nubia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Acácia Sayuri Wakasugi. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO 2 Relatório Em face do contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 57/58 para exigência de IRPF em razão da glosa das despesas médicas deduzidas por ele no Exercício de 2004. Da Notificação constaram os seguintes esclarecimentos a justificar a glosa: Glosa do valor total de R$ 20.000,00, indevidamente deduzido à titulo de DESPESAS MEDICAS pela não comprovação do efetivo pagamento nos termos da intimação 99/2008. As glosas referemse a: Cristiane Ferreira e Flavia Andréa W Guedes. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01/09, por meio da qual alegou que não deixou de prestar esclarecimentos às autoridades fiscais, pois dispunha de toda a documentação necessária para comprovar suas despesas médicas. Afirmou que o lançamento não poderia prosperar porque todas as despesas foram efetivamente suportadas por ele, em razão de tratamentos recebidos por ele mesmo ou por seus dependentes. Questionou ainda a aplicação da multa de ofício de 75%. Na análise de suas alegações, os membros da DRJ em São Paulo decidiram pela manutenção integral do lançamento, por considerarem imprestáveis os recibos apresentados. O contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 121/132, por meio do qual reiterou os termos de sua Impugnação e asseverou que não seria razoável desconsiderar os recibos apresentados apenas porque lhes faltava o endereço dos profissionais emitentes, como fez a decisão recorrida. Afirmou ainda que não poderia ser penalizado por erros constantes de documentos que não foram por ele elaborados. Discorreu sobre a alegada violação aos princípios da Razoabilidade, Finalidade e Busca da Verdade Material. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 15.09.2010, como atesta o AR de fls. 120. O Recurso Voluntário foi interposto em 07.10.2010 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 10830.006798/200840 Acórdão n.º 210201.660 S2C1T2 Fl. 138 3 Conforme relatado, tratase de lançamento por meio do qual foram glosadas despesas médicas efetuadas pelo Recorrente ao longo do anocalendário 2003. Tais despesas seriam – segundo o Recorrente – comprovadas através de recibos acostados às fls. 13/38, e deixaram de ser acolhidos pelas autoridades fiscais em razão da falta de comprovação do efetivo pagamento dos valores neles constantes. O Recorrente ofereceu Impugnação, à qual anexou diversos documentos que comprovariam as despesas cuja dedução pretendeu. Na análise dos mesmos, a decisão recorrida decidiu pela manutenção do lançamento, ao entendimento de que os recibos não preencheriam os requisitos da lei, verbis: Doc. 2, são treze recibos emitidos por Flávia Andréa Wustemberg (cópia autenticada), no total de R$ 9.000,00, contendo o pagante, valor, o serviço prestado, data, nome da profissional, número do registro no CRF, assinatura e CPF da profissional. Ausente o endereço da profissional. Doc. 3, são doze recibos emitidos por Cristiane Pinto Ferreira, (cópia autenticada), no total de R$ 11.000,00, contendo o pagante, valor, o serviço prestado, o mês da prestação do serviço, nome da profissional, número do registro no CREFITO, assinatura e CPF da profissional. Ausente o endereço da profissional e data. Verificase nos recibos falhas, um dos quais especificado na norma acima reproduzida (art. 46, da IN n° 15/2001), o endereço da profissional, sendo considerados inidôneos e imprestáveis para a prova das despesas deles constantes, conforme jurisprudência citada pelo próprio contribuinte. Assim, procedese nesta decisão, rejeitando os documentos apresentados e mantendo a glosa dos valores deles constantes. Em sede de recurso, e visando contraditar o entendimento esposado na decisão recorrida, o Recorrente reiterou os argumentos de sua Impugnação, alegando que o entendimento da decisão recorrida não teria sido razoável, e afrontava diversos princípios do Direito Administrativo. Com efeito, a legislação fiscal prevê que para que o contribuinte possa se beneficiar da dedução de suas despesas médicas do Imposto de Renda, deverá ele ter em mãos, além dos recibos competentes (que devem preencher os requisitos da lei), quaisquer outros documentos que demonstrem, ainda que minimamente, a efetividade dos serviços prestados, bem como o seu pagamento. Sem que tais provas sejam feitas, está correta a glosa das despesas médicas não comprovadas. É o que determina o art. 8º da Lei nº 9.250/95: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: Fl. 152DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO 4 a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; (...) No caso em exame, o Recorrente trouxe aos autos os seguintes documentos, relativamente aos serviços prestados por cada uma das profissionais que motivaram as glosas: Flávia Andréa Wustemberg (fonoaudióloga): recibos, em valores diversos, totalizando R$ 9.000,00; e Cristiane Pinto Ferreira (fisioterapeuta): recibos em valores diversos, totalizando R$ 11.000,00, relatório médico da Orto Clinica Campinas, atestando que o mesmo sofre de hérnia de disco lombar, necessitando de acompanhamento fisioterápico (fls. 48), e laudos de exames de ressonância magnética (de 2004). Como salientado acima, é certo que a lei não estabelece que o recibo seja um documento suficiente à comprovação de despesas médicas para fins de dedução do IRPF. Porém, quando as autoridades fiscais entenderem que os recibos não são suficientes para este fim, podem requerer ao contribuinte que apresente outros documentos comprobatórios das despesas incorridas (isto é, dos serviços médicos contratados). No caso em tela, o Recorrente logrou trazer aos autos documentos que indicam que ele realmente necessitou contratar os serviços de profissional fisioterapeuta, como se vê do relatório médico e laudo acostados à Impugnação. Tais documentos atestam ser verossímil a contratação da profissional Cristiane Ferreira Sacchi para tratamento do próprio Recorrente. Devese ressaltar ainda que a referida profissional prestou nova declaração, que foi acostada ao Recurso Voluntário interposto (fls. 134), e da qual consta a confirmação dos serviços prestados, bem como que o valor recebido fora devidamente declarado em sua Declaração de Ajuste Anual. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 10830.006798/200840 Acórdão n.º 210201.660 S2C1T2 Fl. 139 5 Assim, devem ser restabelecidas as despesas incorridas com a mencionada profissional. Diversamente, em relação à profissional Flávia Andréa Wustemberg, o Recorrente, em nenhum momento demonstrara a efetividade dos serviços por ela prestados, deixando, inclusive, de descrever – ainda que de maneira simples e leiga – quais teriam sido os serviços prestados e em favor de quem (dele mesmo ou de seus dependentes). E foi somente em sede de “aditamento” ao seu Recurso Voluntário que o mesmo logrou trazer uma declaração firmada pela referida profissional por meio da qual a mesma declara ter recebido os R$ 9.000,00 objeto dos recibos anteriormente apresentados. Entretanto, tal declaração, desacompanhada de outros documentos (como o pedido médico mencionado no documento – fls. 148), e também desacompanhada de prova do desembolso dos valores alegadamente pagos, não é suficiente a comprovar a despesa cuja dedução o Recorrente pretende. Por isso, entendo que deve ser mantida a glosa em relação à referida profissional. Por fim, quanto ao pedido de afastamento da multa de ofício aplicada ao lançamento, não assiste razão ao Recorrente quando afirma que a hipótese não se enquadra no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Ao contrário, a hipótese é exatamente esta, em que houve falta do pagamento do imposto (cujo montante foi reduzido em razão de deduções indevidamente utilizadas), além de o mesmo ter sido indevidamente declarado. Ademais, a aplicação da referida multa decorre de expressa disposição legal, razão pela qual não pode ter sua aplicação afastada por este órgão julgador, por esbarrar no enunciado nº 2 da Súmula deste Conselho, segundo o qual: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”. Neste último caso, apesar do enunciado não tratar diretamente da questão da multa, deve ele ser aplicado ao caso vertente, pois, sendo a multa de ofício uma determinação legal – devidamente prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, não cabe ao julgador administrativo avaliar sobre o seu acerto ou sua tecnicidade, mas somente aplicála. Sendo assim, deve ser aplicado aqui o caput art. 72 do Regimento Interno deste Conselho de Contribuintes, que assim determina: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Diante do exposto, VOTO no sentido de DAR PARCIAL provimento ao Recurso para que seja restabelecida a glosa da despesa médica no valor de R$ 11.000,00. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 154DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO 6 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO
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Numero do processo: 10850.002288/2004-31
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PAF SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA – DIREITO DE DEFESA NECESSIDADE
DE CONHECIMENTO DOS ARGUMENTOS NA FASE LITIGIOSA É nula a decisão que deixa de apreciar os argumentos das impugnações dos responsáveis incluídos pela fiscalização no pólo passivo da
obrigação tributária.
Numero da decisão: 9101-000.988
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS
FISCAIS, por unanimidade de votos, em reconhecer a nulidade do acórdão recorrido, determinando o retorno dos autos à Câmara a quo, a fim de que seja conhecido o Recurso Voluntário do responsável solidário Décio Castilho Afonso e apreciado o seu mérito.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Karem Jureidini Dias
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Interessado FAZENDA NACIONAL PAF SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA – DIREITO DE DEFESA NECESSIDADE DE CONHECIMENTO DOS ARGUMENTOS NA FASE LITIGIOSA É nula a decisão que deixa de apreciar os argumentos das impugnações dos responsáveis incluídos pela fiscalização no pólo passivo da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 11ªª TTUURRMMAA DDAA CCÂÂMMAARRAA SSUUPPEERRIIOORR DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em reconhecer a nulidade do acórdão recorrido, determinando o retorno dos autos à Câmara a quo, a fim de que seja conhecido o Recurso Voluntário do responsável solidário Décio Castilho Afonso e apreciado o seu mérito. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Claudemir Rodrigues Malaquias, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner, Susy Gomes Hoffmann, Alberto Pinto Souza Júnior, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Júnior, Antonio Carlos Guidoni Filho e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Fl. 224DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10850.002288/200431 Acórdão n.º 910100.988 CSRFT1 Fl. 2 2 Tratase de Recurso Especial apresentado pelo responsável solidário, com base no artigo 32, inciso II, do antigo Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, em face do Acórdão nº 10195.692, da então Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. O Auto de Infração, lavrado contra a empresa Comercial de Carnes e Derivados Valentim Ltda., exige IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS, referentes aos anoscalendário de 1998 e 2002, cuja ciência se deu em 14/10/2002. Houve o arbitramento do lucro no período compreendido entre o 3º trimestre de 1998 e o último trimestre de 2002, em razão da falta de apresentação de livros e documentos de sua escrituração. Ainda, houve a imposição de multa qualificada, em razão de o contribuinte não ter apresentado DIPJ`s e/ou DCTF`s durante o período fiscalizado. Foram indicados como responsáveis os Srs. Sebastião Giacheto Ferreira e Décio Castilho Alonso, nos termos do artigo 124, I e art. 135, II do Código Tributário Nacional. As impugnações apresentadas pelos responsáveis não foram conhecidas pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, sob o fundamento de ser incabível a discussão da responsabilidade no processo administrativo fiscal. Houve, ainda, apresentação de impugnação da pessoa jurídica contribuinte sem identificação do subscritor. A autuada notificada para comprovar o subscritor da mesma, não atendeu, razão pela qual tal impugnação também não restou conhecida. Sobrevieram, então, os Recursos Voluntários dos responsáveis Sebastião Giacheto Ferreira e Décio Castilho Alonso, bem como da autuada pessoa jurídica, tendo sido o Recurso desta última considerado intempestivo. O acórdão da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, não conheceu dos recursos, nos termos da seguinte ementa: NORMAS PROCESSUAIS: RESPONSABILIDADE Incabível discutirse responsabilidade solidária no processo administrativo fiscal, pois tal questão está adstrita à fase de cobrança do crédito tributário. PEREMPÇÃO Não se conhece do recurso apresentado após o decurso do prazo legal. Recursos não conhecidos. Às fls. 2.172 e 2.173, consta o AR, em que os sujeitos passivos Décio Castilho Alonso e Sebastião Giacheto Ferreira foram intimados do referido acórdão. Entretanto, apenas o responsável Décio Castilho Alonso apresentou Recurso Especial, no qual traz como paradigma o Acórdão nº 10708.374, que entendeu ser nula a decisão que deixa de apreciar os argumentos das impugnações postas por contribuintes incluídos pela fiscalização no pólo passivo da obrigação tributária. Alega, ainda, que houve limitação ao exercício do direito de defesa, bem como que houve confusão entre a responsabilidade solidária e a responsabilidade subsidiária, requerendo, por fim, seja reconhecida a nulidade da decisão de primeira instância. O Despacho de fls. 2.212/2.213 deu seguimento ao Recurso do responsável. A Fazenda Nacional apresentou Contrarazões, alegando que apenas no momento da cobrança do crédito judicialmente é que se discutirá a procedência da responsabilidade solidária. Fl. 225DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10850.002288/200431 Acórdão n.º 910100.988 CSRFT1 Fl. 3 3 É o relatório. Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora Fl. 226DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10850.002288/200431 Acórdão n.º 910100.988 CSRFT1 Fl. 4 4 O Recurso é tempestivo e foi determinado seu seguimento em juízo de admissibilidade, pelo que dele conheço. O Recurso, interposto pelo responsável solidário, requer a anulação do acórdão de primeira instância, uma vez que não restou conhecida sua impugnação. O fundamento do acórdão recorrido é no sentido de ser incabível a discussão sobre a responsabilidade solidária na instância administrativa. Alega o Recorrente violação ao direito de defesa, apontando acórdão paradigma que reputou nula a decisão que não permitiu contraditório dos responsáveis no processo administrativo. Desta forma, não se trata de decidir, in casu, se procedente ou não a responsabilidade imputada ao Recorrente, mas se cabível tal discussão no âmbito administrativo. A Constituição Federal, em seu artigo 5º, LIV, assegurou aos litigantes o contraditório e a ampla defesa, tanto no processo judicial quanto no processo administrativo. Verificase que tais direitos devem ser assegurados a todos os litigantes, razão pela qual, se o sujeito passivo indicado como responsável também é parte da lide, e dela poderá sofrer diversas consequências danosas, ao responsável também deve ser dada a oportunidade de exercer o contraditório e a ampla defesa. Nesse sentido, Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa Martínez Lopes (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª Edição, 2010) apontam as razões para assegurar o direito de defesa ao responsável no processo administrativo: “Em que pese haver a possibilidade de defesa judicial pela via dos embargos à execução, o responsável inscrito na dívida ativa figurará, até que lhe seja oferecida a possibilidade da interposição dos referidos embargos, como inadimplente, arcando com todas as consequências danosas advindas desse fato (v.g., inscrição no Cadin, impossibilidade de obter certidão negativa). Assim, incluído como responsável tributário no auto de infração ou em termo de responsabilidade à parte, esperase que o interessado possa sempre se defender contra o lançamento no âmbito do contencioso administrativo. Em substância, tratase de dar plea atuação ao princípio constitucional que garante o direito de defesa, não só no trâmite do processo judicial, mas também na precedente fase administrativa.” Seguindo tal orientação, diversos são os acórdãos deste Conselho em que se reconhece o direito de defesa do responsável solidário, verbis: “Ementa: SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA NECESSIDADE DE APRECIAÇÃO Carece de respaldo legal a decisão de primeira instância que deixa de conhecer impugnações interpostas por sujeitos passivos solidários com base no argumento de que o acórdão prolatado em segundo grau é inexeqüível. O responsável tributário que ingressa na relação jurídicotributária como sujeito passivo indireto, poderá dela ser excluído se assim entender as autoridades competentes para apreciar as suas razões. Não conhecer os argumentos Fl. 227DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10850.002288/200431 Acórdão n.º 910100.988 CSRFT1 Fl. 5 5 expendidos pelos indicados no autos para compor o pólo passivo da obrigação tributária constitui, à evidência, cerceamento do direito de defesa. (Acórdão 10517372, sessão de 18/12/2008)” “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE A SÓCIO PESSOA FÍSICA E A TERCEIROS NECESSIDADE DE CONHECIMENTO DOS ARGUMENTOS NA FASE LITIGIOSA ADMINISTRATIVA É nula a decisão de primeiro grau que deixa de apreciar os argumentos das impugnações postas por contribuintes incluídos pela fiscalização no pólo passivo da obrigação tributária. (Acórdão nº 10708.374, sessão de 07/12/2005)” “PAF. NULIDADE. DEVIDO PROCESSO LEGAL. Tendo em vista que a empresa indicada como responsável solidária não foi cientificada da decisão de primeira instância, deve ser declarada a nulidade do acórdão, por preterição do direito de defesa. Preliminar de nulidade acolhida. (Acórdão CSRF/0305.559, sessão de 12/11/2007)” “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS. DIREITO À IMPUGNAÇÃO. NECESSIDADE DE CONHECIMENTO PELA DRJ. Nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional, o lançamento deve identificar os sujeitos passivos da relação obrigacional tributária, incluindo, quando possível, além do contribuinte o responsável tributário referido no inc. II do art. 121 do mesmo Código. Efetuado o lançamento contra o contribuinte e o responsável tributário, ambos têm direito à impugnação. Apresentada a impugnação em tempo hábil pelo responsável tributário, mas não sendo conhecida pela primeira instância, o processo deve ser anulado desde a decisão recorrida para que outra seja proferida, com análise dos argumentos de defesa de todos os sujeitos passivos impugnantes. Embargos acolhidos. (Acórdão nº 20312.647, sessão de 12/12/2007)” A discussão acerca da responsabilidade no âmbito do processo administrativo fiscal se faz ainda mais necessária frente à prerrogativa da Fazenda Pública de redirecionar a execução fiscal para terceiro, responsável solidário. O entendimento já pacificado pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que a inclusão de sócio na Certidão de Dívida Ativa, em razão da presunção de legalidade do ato administrativo, inverte o ônus da prova, cabendo, portanto, ao sujeito passivo comprovar que não restou caracterizada nenhuma das circunstâncias previstas no artigo 135 do Código Tributário Nacional (excesso de mandato, infringência à lei ou ao contrato social). Nesse sentido o julgamento do Recurso Especial Representativo de Controvérsia nº 1.104.900/ES, (Primeira Seção do STJ, Rel. Ministra Denise Arruda, DJe 1º/4/2009, sob o regime do artigo 543C do CPC), foi no sentido de que é possível o redirecionamento da execução fiscal de maneira a atingir sócio da empresa executada, desde que o seu nome conste da CDA. Assim, considerando que a inscrição em dívida ativa pressupõe a liquidez e certeza do crédito, inclusive em relação ao nome do devedor e de eventuais codevedores Fl. 228DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10850.002288/200431 Acórdão n.º 910100.988 CSRFT1 Fl. 6 6 responsáveis; considerando ser o lançamento atividade vinculada, que inclui a identificação do sujeito passivo, incluindo a identificação de responsável solidário; considerando que a indicação de responsável solidário por meio do lançamento deve estar acompanhada de provas, é certo que no âmbito administrativo deve ser possibilitada a discussão quanto ao vínculo de responsabilidade, garantindose o direito à ampla defesa e ao contraditório. Nesse sentido é o voto do Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima no acórdão CSRF/0105543, sessão de 19/06/2006: Primeiramente, cumpre examinar a legitimidade processual dos responsáveis solidários para atuar no processo administrativo fiscal. Essas pessoas sofreram a imputação da responsabilidade solidária pela fiscalização por débitos de empresa individual com fundamento no interesse comum na situação que constitui o fato gerador (art. 124, I, do CTN) e, se mantida a exigência, os acusados seriam incluídos na certidão de dívida ativa, titulo que goza de liquidez e certeza e permite a cobrança do crédito tributário em Juizo. O efeito prático da presunção de certeza e liquidez estabelecida em lei é inverter o ônus da prova; invocandoa, a autoridade administrativa fica dispensada de provar a existência do crédito tributário que a lei presume — cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se relativa), provar o fato presumido não existir no caso / . Na cobrança executiva, não há lugar para discussões sobre o mérito da pretensão do fisco ao crédito tributário, incluindose as questões relativas à sujeição passiva. Como observa Paulo Cesar Conrado, no processo de execução, o Estadojuiz parte do "direito material tributário já dito".2 Como regra, a legitimidade passiva processual, ou seja, a legitimidade para se defender da imposição fiscal, decorre da própria sujeição passiva na relação jurídica material. Nesse aspecto, verificase que a fiscalização atribuiu a determinadas pessoas a responsabilidade pelo pagamento do tributo com fundamento em sua participação no fato jurídico tributário ou em função de seu vinculo com o realizador desse fato. Humberto Theodoro Júnior observa que o procedimento previsto na Lei de Execução Fiscal não se destina ao acertamento da relação creditícia entre o Fisco e o contribuinte, mas apenas se volta para a expropriação de bens do devedor para satisfação do direito ao credor (artigo 646, CPC). Segundo ele, o acertamento é fato que precede à execução e consolidase no título executivo. Por isto, no processo executivo, não há lugar para discussões e definições de situações controvertidas ou incertas no plano jurídico. 3 A imputação de responsabilidade pelo auditor fiscal e a, posterior, inclusão do acusado na CDA resultam, sem dúvida, conseqüências gravosas na esfera de direitos do contribuinte. O responsável se vê diante de uma demanda judicial expropriatória de seu patrimônio com fulcro na exigência de tributo e respectivos acréscimos legais. Essa ação executiva vem acompanhada por prova plena, qualificada pela presunção de Fl. 229DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10850.002288/200431 Acórdão n.º 910100.988 CSRFT1 Fl. 7 7 certeza e liquidez, cuja origem está lastreada em prévio processo administrativo fiscal. Em que pese haver a possibilidade de defesa judicial pela via dos embargos a execução, o responsável inscrito na dívida ativa figurará, até que lhe seja oferecida a possibilidade da interposição dos referidos embargos, como inadimplente, arcando com todas as conseqüências danosas advindas desse fato (v.g., inscrição no CADIN, impossibilidade de obter certidão negativa). Assim, incluído como responsável tributário no auto de infração ou em termo de responsabilidade à parte, devese .assegurar o direito de defesa administrativo do interessado quanto a tal imputação. A Suprema Corte tem reafirmado sua posição firme de que "não se pode desconhecer que o Estado, em tema de restrição à esfera jurídica de qualquer cidadão ou entidade, não pode exercer a sua autoridade de maneira abusiva ou arbitrária, desconsiderando, no exercício de sua atividade, o postulado da plenitude de defesa, pois cabe enfatizar o reconhecimento da legitimidade éticojurídica de qualquer medida imposta pelo Poder Público, de que resultem conseqüências gravosas no plano dos direitos e garantias individuais, exige a fiel observância do princípio do devido processo legal (CF, art. 5 0, LIV e LV)". A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal sustenta a essencialidade desse princípio, "nele reconhecendo uma insuprimível garantia, que, instituída em favor de qualquer pessoa ou entidade, rege e condiciona o exercício, pelo Poder Público, de sua atividade, ainda que em sede materialmente administrativa, sob pena de nulidade do próprio ato punitivo ou da medida restritiva de direitos." (grifei) 4 Dessa perspectiva não se afastou a Lei n° 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. O art. 2° desse diploma legal determina, expressamente, que a Administração Pública obedecerá aos princípios da ampla defesa e do contraditório. O parágrafo único desse dispositivo estabelece que nos processos administrativos sejam observados, dentre outros, os critérios de "observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados" (inciso VIII) e de "garantia dos direitos à comunicação" (inciso X). Além disso, a Lei n°9.784, de 1999, em várias passagens, resguarda o direito à informação aos acusados (art. 28) 6 e a interposição de recursos nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio (art. 2°, parágrafo único, inciso X)6. A propósito, ensina a eminente Professora Ada Pellegrini Grinover: "litigantes existem sempre que, num procedimento qualquer, surja um conflito de interesses. Não é preciso que o conflito seja qualificado pela pretensão resistida, pois neste caso surgirão a lide e o processo jurisdicional. Basta que os partícipes do processo administrativo se anteponham face a face, numa posição contraposta. Litígio equivale à controvérsia, a contenda, e não a lide. Pode haver litigantes — e os há — sem acusação Fl. 230DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10850.002288/200431 Acórdão n.º 910100.988 CSRFT1 Fl. 8 8 alguma, em qualquer lide." 7 Com efeito, o inciso II do artigo 90 e 58 da Lei n° 9.784/99, lei geral do processo administrativo, incluem também, entre os legitimados para atuar no processo administrativo, "aqueles que, sem terem iniciado o processo, têm direito ou interesses que possam ser afetados pela decisão a ser adotada". A legitimação do terceiro se configura quando a solução que se dará à lide deve influir em outra relação jurídica de direito material em que ele faz parte como sujeito passivo, como é o caso da atribuição de responsabilidade solidária por interesse comum. A ausência de dispositivo específico disciplinando a matéria no Decreto n° 70.235/72 leva a concluir que esta norma geral aplicase subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. Cientificados da imputação de responsabilidade solidária pela fiscalização, nasce o direito ao acusado de ver suas alegações apreciadas pela Câmara Recorrida por força do que dispõe a Lei n° 9.784, de 1999, e o art. 50, VII, do texto constitucional. Firmado esse entendimento, passo a examinar a ilegitimidade passiva alegada pela decisão da turma julgadora de primeira instância. Nesse sentido, cabe observar o lançamento fiscal ter fundamento em interposição fictícia de pessoas, em que a pessoa jurídica realizou negócios jurídicos em seu nome apenas para ocultar os reais beneficiários dos rendimentos e que normalmente figurariam no pólo passivo da obrigação tributária. Segundo a fiscalização, a imputação os rendimentos foi realizada as pessoas que efetivamente praticaram o fato jurídico tributário, reunido em sociedade de fato ou comum. Essa, aliás, é a regra inscrita na Lei n° 9.430/96, art. 42, § 5°, que determina que, no caso de interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito bancário, como a seguir transcrito: "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002." Como no caso em comento, a acusação trouxe evidências relativas à existência vários beneficiários da omissão de receita, Fl. 231DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10850.002288/200431 Acórdão n.º 910100.988 CSRFT1 Fl. 9 9 organizados sobre a gerência do principal interessado, impõe a fiscalização a solidariedade por força do interesse comum demonstrado pelo conjunto de pessoas (sociedade de fato). Como na solidariedade não há benefício de ordem, a exigência fiscal recai sobre todos os integrantes dessa sociedade de fato, arrolados no lançamento, podendo o fisco em fase de cobrança eleger, entre os devedores solidários, aqueles que irão responder, em parte ou integralmente, pela dívida. Não vislumbro também a possibilidade de tal imputação de responsabilidade por solidariedade ser realizada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, posteriormente, na fase de cobrança, como sustenta a decisão de primeiro grau. Neste processo, não estamos diante de hipótese de responsabilidade por substituição ou transferência a ensejar o redirecionamento da cobrança em razão de fato superveniente ocorrido após a inscrição em Dívida Ativa v.g., impossibilidade de cobrança do contribuinte — art. 134, atuação dos sócios com excesso de poder ou infração à lei — art. 135, evento sucessório — art 131/132/133). A identificação dos sujeitos passivos já era passível de conhecimento pelos agentes fiscais por ocasião da lavratura do auto de infração, pois a pluralidade de pessoas que compõe o pólo passivo da obrigação tributária, já pertencia à relação jurídica desde a ocorrência do fato jurídico tributário. O lançamento fiscal que traz os devedores solidários apenas explicita tal fato. Nesse caso, não é admissivel qualquer inovação no lançamento de ofício para inclusão de novas pessoas no pólo passivo da obrigação tributária após transcorrido o prazo decadencial previsto no 173 do Código Tributário Nacional. Dado o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário e determinar o retorno à DRJ competente para apreciação das questões apresentadas pelos interessados (responsável principal e solidário) na impugnação ao lançamento. Ademais, as decisões com preterição do direito de defesa são nulas, conforme dispõe o artigo 59, II, do Decretolei nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Além do Decreto nº 70.235/72 (que dispõe especificamente sobre o processo administrativo fiscal), de se observar também, ainda que de forma subsidiária, o disposto na norma geral do Processo Administrativo Federal (Lei nº 9.784/99), que garante a participação, inclusive com a possibilidade de produção de provas, daqueles que têm direitos ou interesses que possam ser afetados pela decisão. Esse é o teor dos mencionados dispositivos: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, Fl. 232DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10850.002288/200431 Acórdão n.º 910100.988 CSRFT1 Fl. 10 10 proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: [...] VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; [...] X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; [...] Art. 9o São legitimados como interessados no processo administrativo: [...] II aqueles que, sem terem iniciado o processo, têm direitos ou interesses que possam ser afetados pela decisão a ser adotada; [...] Art. 58. Têm legitimidade para interpor recurso administrativo: [...] II aqueles cujos direitos ou interesses forem indiretamente afetados pela decisão recorrida; Por fim, cumpre citar a Portaria RFB nº 2.284, de 29 de novembro de 2010, que estabelece os procedimentos a serem observados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil quando da constatação de pluralidade de sujeitos passivos de uma mesma obrigação tributária, garantindo direito de defesa para todos os autuados como responsáveis, verbis: Art. 3º Todos os autuados deverão ser cientificados do auto de infração, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. Art. 8º Na hipótese de diligência ou de perícia, de que trata o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, todos os autuados que impugnaram ou recorreram do crédito tributário serão cientificados do resultado, sendolhes concedido prazo para manifestação. Por todo o exposto e considerando que a solidariedade foi imputada no lançamento, bem como que o Recorrente impugnou e recorreu, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do responsável Décio Castilho Afonso, para reconhecer a nulidade do acórdão recorrido, determinando o retorno dos autos, a fim de que seja conhecido seu Recurso Voluntário e apreciado o mérito. Fl. 233DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10850.002288/200431 Acórdão n.º 910100.988 CSRFT1 Fl. 11 11 (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias – Relatora. Fl. 234DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS
score : 1.0
Numero do processo: 10680.009690/2007-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2004 a 31/10/2005
Ementa: PRELIMINAR – INEXIGIBILIDADE DE DEPÓSITO RECURSAL
Não há que se falar em depósito recursal quando a norma que o exigia já havia sido revogada à época da interposição do recurso voluntário.
INCONSTITUCIONALIDADE – INCRA.
Incidência, na espécie, da Súmula CARF nº 2.
ILEGITIMIDADE – TAXA SELIC
Incidência, na espécie, da Súmula CARF nº 4.
Numero da decisão: 2301-002.399
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em
negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Adriano González Silvério
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2004 a 31/10/2005 Ementa: PRELIMINAR – INEXIGIBILIDADE DE DEPÓSITO RECURSAL Não há que se falar em depósito recursal quando a norma que o exigia já havia sido revogada à época da interposição do recurso voluntário. INCONSTITUCIONALIDADE – INCRA. Incidência, na espécie, da Súmula CARF nº 2. ILEGITIMIDADE – TAXA SELIC Incidência, na espécie, da Súmula CARF nº 4.
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Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente VIACAO SERRA VERDE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2004 a 31/10/2005 Ementa: PRELIMINAR – INEXIGIBILIDADE DE DEPÓSITO RECURSAL Não há que se falar em depósito recursal quando a norma que o exigia já havia sido revogada à época da interposição do recurso voluntário. INCONSTITUCIONALIDADE – INCRA. Incidência, na espécie, da Súmula CARF nº 2. ILEGITIMIDADE – TAXA SELIC Incidência, na espécie, da Súmula CARF nº 4. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente) Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Adriano Gonzales Silvério e Damião Cordeiro de Moraes. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 13/01 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº 37.025.2055, a qual exige contribuições previdenciárias devidas “pela empresa à Seguridade Social e a outras entidades incidentes sobre a remuneração dos segurados, declaradas em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP e em Guias de Recolhimento Rescisório do FGTS e Informações à Previdência Social — GRFP.” Segundo aponta o relatório fiscal às fl. 27 o crédito é decorrente de “divergências apontadas pelo sistema de controle de arrecadação do INSS — "AGUIA" e pelos documentos apresentados pelo contribuinte GFLP e Guias da Previdência Social – GPS.” Decorre portanto de divergências verificadas em GFIPS, GRFP e GPS. A autuada, devidamente intimada, apresentou impugnação alegando, em apertada síntese, a ilegalidade da contribuição destinada ao SAT, ao Sest/Senat, do Sebrae, do SalárioEducação; que a multa é excessiva, bem como a impossibilidade de aplicação da Taxa Selic e a inconstitucionalidade da Taxa Selic. A DRJ de Belo Horizonte manteve a autuação tal como lançada. Dessa decisão foi interposto recurso voluntário o qual, em sede preliminar, sustenta a inexigibilidade do depósito prévio de 30% (trinta por cento) do valor do crédito tributário como requisito para o conhecimento do presente recurso e, no mérito, repisa os argumentos deduzidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério Em relação à preliminar de desnecessidade de depósito prévio como condição para o processamento e conhecimento do presente recurso, destaco que o art. 19, inciso I, da Medida Provisória n° 413, de 03 de janeiro de 2008, publicada no DOU de 04/01/2008, revogou os §§ 1° e 2° do art. 126 da Lei n° 8.213, de 24 de julho de1991, que determinavam a realização de depósito prévio, correspondente ao valor de 30% da exigência, como requisito de admissibilidade do recurso voluntário: "Art. 19. Ficam revogados: I a partir da data da publicação desta Medida Provisória, os §§ 1º e 2º do art. 126 da Lei n2 8.213, de 24 de julho de 1991;” A mencionada Medida Provisória, por sua vez, foi convertida na Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008, cujo artigo 42, inciso I, manteve a citada revogação. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 13/01 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10680.009690/200799 Acórdão n.º 2301002.399 S2C1T1 Fl. 136 3 Destarte, não é mais cabível o depósito recursal para o seguimento de recurso interposto em processo administrativo referente a créditos previdenciários. No mérito, o recurso voluntário restringese a sustentar a ilegalidade das contribuições ao SAT, Sebrae, SalárioEducação, Sest/Senat, bem como alegar a ilegitimidade da multa e da Taxa Selic como juros de mora. Incidem, na espécie, as Súmulas CARF nº 2 e 4, respectivamente, cuja redação é a seguinte: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.” Notese que para se reconhecer as ilegalidades suscitadas pela recorrente deveria esse órgão fazer um juízo de pertinência da lei que institui as citadas contribuições com a Carta Magna, o que é vedado. O mesmo se pode dizer em relação à multa a qual foi aplicado dentro dos ditames legais previstos à época. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER o recurso voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, mantendose hígida a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 145DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 13/01 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 10183.004867/2005-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2002
ÁREA DE RESERVA LEGAL. FALTA DE AVERBAÇÃO.
Não se pode excluir da área tributável, para fins de incidência do ITR, área declarada pelo contribuinte como reserva legal que não se encontre devidamente averbada a margem da matricula do registro do imóvel.
ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL.
A partir do exercício de 2001, e necessária a apresentação de ADA para exclusão da área de reserva legal da área tributável do ITR.
VALOR DA TERRA NUA. PROVA.
Diante da ausência de elementos probatórios convincentes para justificar o Valor da Terra Nua pretendido pelo contribuinte, há que se adotar o VTN fixado pelo Fisco, apurado em consonância com a lei.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.859
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage e Manoel Coelho Arruda Junior em relação ao laudo técnico.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: Francisco Assis de Oliveira Junior
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ÁREA DE RESERVA LEGAL. FALTA DE AVERBAÇÃO. Não se pode excluir da área tributável, para fins de incidência do ITR, área declarada pelo contribuinte como reserva legal que não se encontre devidamente averbada a margem da matricula do registro do imóvel. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. A partir do exercício de 2001, e necessária a apresentação de ADA para exclusão da área de reserva legal da área tributável do ITR. VALOR DA TERRA NUA. PROVA. Diante da ausência de elementos probatórios convincentes para justificar o Valor da Terra Nua pretendido pelo contribuinte, há que se adotar o VTN fixado pelo Fisco, apurado em consonância com a lei. Recurso especial negado.
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FALTA DE AVERBACÃO. Não se pode excluir da área tributável, para fins de incidência do ITR, área declarada pelo contribuinte como reserva legal que não se encontre devidamente averbada a margem da matricula do registro do imóvel. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. A partir do exercício de 2001, e necessária a apresentação de ADA para exclusão da área de reserva legal da área tributável do ITR. VALOR DA TERRA NUA. PROVA. Diante da ausência de elementos probatórios convincentes para justificar o Valor da Terra Nua pretendido pelo contribuinte, há que se adotar o VTN fixado pelo Fisco, apurado em consonância com a lei. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage e Manoel Coelho Arruda Junior em relação ao laudo técnico. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Francisco de Assis Oliveira Junior – Relator EDITADO EM: 06/12/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de recurso especial interposto pelo contribuinte com fundamento no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Na decisão recorrida, os membros da 2ª. Câmara da 1ª. Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento negaram provimento ao recurso, exarando o Acórdão nº 3201 00160, de 21/05/2009, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ÁREA DE RESERVA LEGAL. FALTA DE AVERBACÃO. Não se pode excluir da área tributável, para fins de incidência do ITR, área declarada pelo contribuinte como reserva legal que não se encontre devidamente averbada a margem da matricula do registro do imóvel. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. A partir do exercício de 2001, e necessária a apresentação de ADA para exclusão da área de reserva legal da área tributável do ITR. VALOR DA TERRA NUA. PROVA. Diante da ausência de elementos probatórios convincentes para justificar o Valor da Terra Nua pretendido pelo contribuinte, há que se adotar o VTN fixado pelo Fisco, apurado em consonância com a lei. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. O lançamento, portanto, foi julgado procedente no tocante à glosa da área de reserva legal, tendo em vista a inexistência de averbação junto à matrícula do Registro Imobiliário, bem como a não apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA, além de o Fl. 341DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 10183.004867/200518 Acórdão n.º 920201.859 CSRFT2 Fl. 2 3 valor da terra nua ter sido recalculado levandose em consideração os valores constantes da tabela SIPT. A inconformidade do contribuinte referese às seguintes divergências: a) Dispensa da necessidade da apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal para fins de apuração da base de cálculo do ITR. b) Desobrigação de averbação da área de reserva legal como condição para exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal para fins de apuração da base de calculo do ITR. O Recorrente aponta acórdão paradigmas segundo os quais, comprovada a existência das áreas de reserva legal por outros meios, deve ser acatada a exclusão. c) Desnecessidade de o Laudo técnico de avaliação observar os requisitos formais definidos pela ABNT. d) Além disso questionou em preliminar o cerceamento de defesa em razão de não ter sido apreciada a documentação juntada aos autos que comprova que a Receita Federal não fez o levantamento dos preços de terras para os municípios localizados no Estado de Mato Grosso. O recurso foi admitido, conforme consta do despacho às fls. 307/309, e encaminhado à Fazenda Nacional para apresentação de contrarazões que, por sua vez, sustentou o seguinte que no tocante à necessidade de apresentação do ADA, para efeito da exclusão das áreas de reserva legal da incidência do ITR, é necessário que o contribuinte comprove o reconhecimento formal especifico e individualmente da respectiva área, apresentando o ADA ou protocolizando requerimento de ADA perante o IBAMA ou em órgãos ambientais delegados por meio de convênio, no prazo de seis meses, contado a partir do termino do prazo fixado para a entrega da declaração. Em relação à necessidade de averbação da área de reserva legal, deve ser destacado que o dispositivo legal trata de concessão de beneficio fiscal, razão pela qual deve ser interpretado literalmente, de acordo com o art. 111 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional — CTN). No caso dos autos, constatase que as áreas declaradas de reserva legal não foram averbadas no Registro de Imóveis, consoante determina a legislação. É o relatório. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 4 Voto Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior, Relator O recurso especial do contribuinte é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade conforme consta do despacho às fls. 307/309, razão pela qual deve ser conhecido. Registro que o acórdão recorrido manteve a decisão de 1ª. Instância que, por sua vez, julgou procedente o lançamento no tocante à glosa da área de reserva legal, tendo em vista a inexistência de averbação junto à matrícula do Registro Imobiliário, bem como a não apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA, além de o valor da terra nua ter sido recalculado levandose em consideração os valores constantes da tabela SIPT. Conforme já mencionado, as teses controversas trazidas para apreciação deste colegiado referese à dispensa da necessidade da apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal para fins de apuração da base de cálculo do ITR; a desobrigação de averbação da área de reserva legal como condição para exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal para fins de apuração da base de calculo do ITR; e a desnecessidade de o Laudo técnico de avaliação observar os requisitos formais definidos pela ABNT. Também foi apresentada preliminar de cerceamento de defesa decorrente da não apreciação pelo órgão a quo das alegações relacionadas ao não levantamento de preços de terras pela Receita Federal, bem como as restrições de uso e acesso ao imóvel decorrente de Portaria da FUNAI. Contudo, não merece prosperar tal argumentação, tendo em vista os documentos acostados aos autos, ao contrário do que afirma o recorrente, não demonstrarem de maneira cabal o fato argüido. A apresentação de ofício elaborado Secretaria de Estado e Desenvolvimento Rural/MT declarando que as informações solicitadas pela Receita Federal e que serviriam para compor o banco de dados SIPT s exigiriam um esforço de coleta de dados em campo, bem como não se poderia utilizar os valores de terra nua baseados em dados históricos haja vista a possibilidade de distorções, não comprovam que os critérios para elaboração do SIPT não foram atendidos. Indica, apenas, que o órgão estadual não logrou êxito em atender a demanda do fisco federal que, por sua vez, tem outros meios para elaborar tais pesquisas, inexistindo norma legal que impossibilite a atuação do órgão federal ante a ausência de informação do órgão estadual. Ademais, há de ser ressaltado que tal matéria não se constitui em objeto do presente recurso especial, haja vista seu manejo ser restrito aos casos em que restar demonstrada divergência na jurisprudência entre os colegiados deste Conselho. Inicialmente, há de ser destacado que o Ato Declaratório AmbientalADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental que o integram para fins de isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial RuralITR, sobre estas últimas, registrese que este documento é instrumento legal que possibilita ao Proprietário Rural uma redução do Imposto Territorial Rural ITR, em até 100%, quando declarar no Documento de Informação e Apuração DIAT/ITR, Áreas de Preservação Permanente (APP), Reserva Legal (ARL), Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), Fl. 343DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 10183.004867/200518 Acórdão n.º 920201.859 CSRFT2 Fl. 3 5 Interesse Ecológico (AIE), Servidão Florestal ou Ambiental (ASFA), áreas cobertas por Floresta Nativa (AFN) e áreas Alagadas para Usinas Hidrelétricas (AUH). Nesse sentido, deve ser preenchido e apresentado pelos declarantes de imóveis rurais obrigados à apresentação do ITR. O cadastramento das áreas de interesse ambiental declaradas permite a redução do Imposto Territorial Rural do imóvel rural. Com isso, procurase estimular a preservação e proteção das florestas e, consequentemente, contribuir para a conservação da natureza e melhor qualidade de vida. O Ato Declaratório Ambiental tornouse obrigatório a partir da inclusão do artigo 17O na Lei nº 6.938, de 1981, Código Florestal Brasileiro, por meio da alteração implementada pela Lei 10.165, de 2000. Além disso, no tocante à necessidade da apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal para fins de apuração da base de cálculo do ITR, observase que a Medida Provisória nº 2.16667, de 2001, acrescentou o § 7º ao artigo 10 da Lei nº 9.393, de 1996, estabelecendo que para fins de isenção do ITR relativa as áreas de proteção permanente e reserva legal, não há obrigatoriedade de prévia comprovação por parte do declarante. É dizer, ao apresentar o documento de Informação e Apuração DIAT/ITR, o contribuinte não está obrigado a apresentar qualquer documentação, contudo, durante procedimento fiscal, tendo sido intimado a apresentar o referido documento com objetivo de comprovar a existência das áreas utilizadas para fins de isenção, verificase a necessidade de sua apresentação em conformidade ao art. 17O do Código Florestal. Nesse sentido, considerando que o lançamento reportase ao exercício 2002, posterior, portanto à modificações implementadas pela legislação, não há como acolher a pretensão do contribuinte de não lhe ser exigido o ato declaratório ambiental, tendo em vista encontrarse contrária às exigências legais. No que pertine à alegação de que estaria desobrigada de averbar a área de reserva legal como condição para exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal para fins de apuração da base de calculo do ITR, entendo que não merece prosperar a pretensão do contribuinte. De acordo com o texto legal, o conceito de Reserva Legal encontrase no Código Florestal, Lei nº 4.771, de 1965, art. 1°, §2°, III, inserido pela MP n°. 2.16667, de 24.08.2001, como sendo "área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas." Para fins de gozo de isenção do ITR, as áreas de reserva legal devem estar averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no respectivo cartório. Tal obrigação decorre do comando legal previsto no § 8º do art. 16 do Código Florestal, Lei 4.771, de 1965, com a redação alterada pela Medida Provisória nº 2.16667: § 8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos Fl. 344DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 6 casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. Com efeito, a Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, ao disciplinar o instituto da reserva legal e consagrar a exigência de sua averbação ou registro à margem da inscrição da matricula do imóvel teve como objetivo, conforme o § 2º do art. 16, vedar "a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, ou desmembramento da área". Assim como acontece com as áreas de preservação permanente, as áreas de reserva legal foram instituídas com a finalidade de atender aos princípios da função social da propriedade e da proteção ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Uma vez definida pela lei a área de reserva legal, os limites para sua exploração, e, finalmente, a obrigatoriedade de se averbar a margem da matrícula do imóvel, o legislador, buscando contrabalançar os interesses de toda a sociedade, permitiu que os proprietários de tais áreas, em contrapartida a tantas obrigações, tivessem algum tipo de beneficio. Tal beneficio é exatamente a possibilidade de exclusão, da incidência do ITR, das áreas caracterizadas como de reserva legal (art. 10, II da Lei 9393/96, transcrito acima). Áreas de reserva legal são, portanto, aquelas já acima mencionadas, definidas pelo citado Código Florestal em seu artigo 16, e que, para serem consideradas como tal, não bastam apenas "existir" no mundo fático, mas devem "existir" também no mundo jurídico quando averbadas na matricula do imóvel. Nesse sentido, o art. 16 da Lei nº 4.771/65 dispõe, dentre outros aspectos, sobre a obrigatoriedade da averbação para que as áreas de reserva legal sejam definitivamente delimitadas e protegidas. Art16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão ,desde que sejam mantidas, a título de reserva legal ,no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do §7º deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. Como é possível observar, a depender da localização da propriedade haverá um percentual mínimo para definição da área de reserva legal, circunstância que, para usufruto da isenção, exige sua constituição por meio da averbação na matrícula do registro imobiliário. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 10183.004867/200518 Acórdão n.º 920201.859 CSRFT2 Fl. 4 7 No tocante ao laudo de avaliação e a exigência de atendimento aos requisitos da ABNT, destaca o contribuinte, respaldado em alguns julgados de outros colegiados, que o dispositivo legal não previu que o laudo esteja submisso aos critérios da ABNT, sendo necessário tão somente que a emissão seja feita por entidade de reconhecida capacitação técnica ou profissional habilitado. Importante destacar que os procedimentos para fixação do VTN mínimo, adotados pelo órgão lançador, obedecem às exigências contidas no parágrafo 2.° do art. 3° da Lei n°8.847/1994. Na hipótese de o contribuinte não concordar com o VTN mínimo lançado, a administração abriulhe a possibilidade de rever essa valoração, por meio de laudo técnico emitido por entidade de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado, o qual irá detalhar as condições de localização, padrão de terras e serviços públicos disponíveis para a propriedade em apreço e, assim, atribuirlhe justo valor, conforme previsto no § 4°, do artigo 3°, da Lei citada, que assim dispõe, "verbis": "§ 4° A autoridade administrativa competente poderá rever, com base em laudo técnico emitido por entidade de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado, o Valor da Terra Nua mínimo VTNm, que vier a ser questionado pelo contribuinte." De fato, analisando o dispositivo legal, não encontramos a exigência de que o laudo deva cumprir as orientações da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Além disso, o próprio Código de Processo Civil, artigo 436, afirma que a autoridade julgadora “não está adstrito ao laudo pericial, podendo formar a sua convicção com outros elementos ou fatos provados nos autos.” Contudo, não se pode olvidar que a simples menção ao conceito de laudo nos remete a documento elaborado por um ou mais peritos capacitados para realizar determinada tarefa de acordo com critérios técnicos estabelecidos. Ora, quando se trata de exame de provas em que especificidades técnicas são essenciais para formação de convicção, encontrase pacificado no âmbito deste CARF, bem como do poder judiciário, que as Normas Técnicas da ABNT são os requisitos mínimos que devem ser exigidos para fins de apuração da verdade que se procura alcançar. Nesse sentido, a ABNT é entidade consagrada e reconhecido como o Fórum Nacional de Normalização, isto é, nela são discutidos padrões mínimos que devem ser atendidos com o propósito de evitar subjetivismos na elaboração de laudos e documentos de natureza técnica. Na medida em que são exigidos determinados requisitos, estes passam a valer para todas as pessoas envolvidas, permitindo uma melhor análise do conteúdo que se pretende evidenciar, sendo útil, especialmente, para os órgãos julgadores que são auxiliados por meio de laudos com o objetivo de produzirem provas técnicas, isto é, provas cuja grau de especialidade demandam profissionais com conhecimentos específicos. As Normas Brasileiras, cujo conteúdo é de responsabilidade dos Comitês Brasileiros (ABNT/CB), dos Organismos de Normalização Setorial (ABNT/ONS) e das Comissões de Estudo Especiais Temporárias (ABNT/CEET), são elaboradas por Comissões de Estudo (CE), formadas por representantes dos setores envolvidos, delas fazendo parte: Fl. 346DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 8 produtores, consumidores e neutros (universidades, laboratórios e outros), conforme consta do Prefácio da atualmente vigente Norma Técnica 146533 que trata da avaliação de bens imóveis. No que pertine a laudos de avaliação, verificase que a força probante de tais documentos encontrase justamente no atendimento dos requisitos normativos criados justamente para eliminar o elemento subjetivo da avaliação. Conforme bem destacado no acórdão recorrido, o laudo apresentado pelo sujeito passivo com o objetivo de demonstrar o Valor da Terra Nua para efeito de calculo do ITR não atende ao mínimo exigido pelas Normas da ABNT razão pela qual o valor que foi apurado não tem o poder de alterar o procedimento adotado pela autoridade fiscal. Ressalto que a jurisprudência deste colegiado é pacífica no entendimento de que os laudos de avaliação somente possuem o poder de afastar o VTN estabelecido pelo sistema SIPT na hipótese de atender as normas procedimentais definidas pela ABNT, especificamente. Transcrevo trecho do acórdão recorrido, fl. 304/305, que reporta as razões de inadimissibilidade do laudo: “...o laudo trazido aos autos pelo contribuinte, verifica se estar indicada a metodologia utilizada (método comparativo direto de preços, tornandose como parâmetros comparativos o valor das terras brutas sem benfeitorias) e que ali se afirma ter chegado aquele VTN por meio de pesquisa de preços, que se teria realizado junto a entidades privadas (corretores e imobiliárias) e a entidades públicas (prefeitura e EMPAER), mas. em momento algum, são trazidos documentos que respaldem a dita pesquisa. nem mesmo urn rol indicativo desta. Não há qualquer documento que demonstre as fontes da pesquisa que se afirma têlo subsidiado: não há declaração da prefeitura, não há declaração da EMPAER, não há sequer comprovação de vendas imobiliárias realizadas no período que tenham sido efetuadas ao preço simbólico de R$ 1,00 por hectare. 0 que consta é indicação genérica das fontes de pesquisa, sem que as tenha concretamente indicado. O Laudo Técnico apresentado, apesar de ter sido elaborado por profissional habilitado e estar acompanhado de ART, não cumpriu as normas constantes da ABNT, como salientado no Auto de infração, limitandose a indicar um VTN por hectare para o imóvel sem demonstrar a origem dos valores utilizados como base para chegar a esse valor intimo de R1,00 por hectare, nem mesmo demonstrar que houve levantamento de preços de benfeitorias ou de areas distintas do imóvel. Demais . .disso, deixou de constar no laudo a indicação de, pelo menos, cinco transações ou ofertas de imóveis semelhantes no que diz respeito a situação, destinacão, forma; grau de aproveitamento, características tisicas e ambiência, devidamente verificados, como estatui a norma. Ante o exposto, pelos motivos acima expostos, voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pelo contribuinte para, no mérito, negarlhe provimento. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 10183.004867/200518 Acórdão n.º 920201.859 CSRFT2 Fl. 5 9 (Assinado digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Fl. 348DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI
score : 1.0
Numero do processo: 13936.000164/2004-60
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES Asatividades de reparação e manutenção de
aparelhos telefônicos não podem ser caracterizadas como atividades
regulamentadas, para fins de habilitação profissional. Uma atividade não pode ser livremente equiparada àquela de engenheiro, devendo ser comprovado que o contribuinte exerce tal atividade regulamentada ou assemelhada.
Numero da decisão: 9101-001.061
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS
FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do Procurador.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Karem Jureidini Dias
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HAGEDORN EXCLUSÃO DO SIMPLES As atividades de reparação e manutenção de aparelhos telefônicos não podem ser caracterizadas como atividades regulamentadas, para fins de habilitação profissional. Uma atividade não pode ser livremente equiparada àquela de engenheiro, devendo ser comprovado que o contribuinte exerce tal atividade regulamentada ou assemelhada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 11ªª TTUURRMMAA DDAA CCÂÂMMAARRAA SSUUPPEERRIIOORR DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do Procurador. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Orlando José Gonçalves Bueno, Claudemir Rodrigues Malaquias, Valmir Sandri, Alberto Pinto Souza Júnior, Viviane Vidal Wagner, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Júnior, Antonio Carlos Guidoni Filho e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 23/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13936.000164/200460 Acórdão n.º 910101.061 CSRF‐T1 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 80/86), contra o Acórdão nº 30334.641 (fls. 69/74), proferido pela então Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. O processo se refere a Ato Declaratório (Comunicação de Exclusão) nº. 555.944, de 02 de agosto de 2004 (fls. 03), por meio do qual o contribuinte ARTUR M. HAGEDORN, ora Recorrido, foi excluído do programa SIMPLES de recolhimento de tributos federais, art. 9º XIII, art.12, art.14, I, art.15, II, todos da Lei 9.317/96, art. 73 da Medida Provisória nº. 2.15834, de 27/07/2001 e art.20, XII, art.21, art.23, I, art.24, II, c/c parágrafo único, todos da Instrução Normativa SRF nº. 355/03. Em síntese, o contribuinte foi excluído do SIMPLES, por meio do referido Ato Declaratório, sob o argumento de exercer atividade econômica vedada, relacionada a reparação e manutenção de aparelhos telefônicos. Cientificado da sua exclusão do SIMPLES, o contribuinte apresentou Impugnação em 20.09.2004 (fls. 01), requerendo revisão de sua exclusão do SIMPLES. Foi proferido acórdão pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba Paraná (fls. 14/17) sob o nº. 0611.478, de 06 de julho de 2006, com a seguinte ementa, in verbis: “Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples. Anocalendário: 2004 Ementa: EXCLUSÃO AO SIMPLES. A empresa que presta serviços de manutenção de equipamentos de telecomunicações não pode aderir a Simples (SIC) por caracterizar o exercício de profissão regulamentada. Solicitação Indeferida” A ciência do Acórdão nº. 0611.478 se deu em 11.08.2006 (fls. 23). O contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 11.09.2006 (fls. 24/31), ao Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Em síntese, o contribuinte alegou que (i) para executar serviço de engenharia na área de telecomunicações, há a necessidade de autorização prévia do CREA, e a recorrente empresa não possui registro no referido órgão; (ii) a empresa não possui funcionários, tratandose de uma empresa com faturamento exíguo, composta apenas por uma pessoa física que executa pequenos consertos em aparelhos telefônicos, além da venda dos mesmos; (iii) “Salta aos olhos o ponto de desacordo entre o entendimento do contribuinte e da Receita Federal, qual seja: a julgar pelo acórdão, entende a Receita tratarse de contribuinte que exerça a atividade de engenheiro, fato que não ocorre, como atestarão as Notas Fiscais de prestação de serviços e de venda de equipamentos que anexamos a este pedido. Além do que, não existe profissional habilitado como engenheiro no quadro da empresa, e baseiase o acórdão tão somente na descrição do objeto da sociedade.”; (iv), por fim, alega que é “evidente que a fiscalização não constatou in loco o que afirma através de um procedimento Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 23/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13936.000164/200460 Acórdão n.º 910101.061 CSRF‐T1 Fl. 3 3 gerado pelo sistema de informática, desconhecendo como já dissemos a real situação da empresa”. Sobreveio Acórdão nº. 30334.641 da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, com a seguinte ementa, in verbis: "SIMPLES. ATIVIDADE NÃO IMPEDIDA. CANCELAMENTO DO ADE DE EXCLUSÃO. As informações constantes dos autos revelam que a atividade exercida pela recorrente, de serviços de reparação e manutenção de aparelhos telefônicos, de nenhuma forma se assemelha à atividade de engenharia ou qualquer outra profissão dependente de regulamentação legal, e não é impeditiva ao SIMPLES. O ADE de exclusão deve ser cancelado, reconhecendose o direito de permanência da empresa no SIMPLES." Contra esse acórdão, proferido à unanimidade, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, no qual alega, primeiramente, que há divergência jurisprudencial com relação ao Acórdão nº. 30131.831, e no mérito alega que: (i) há impossibilidade de se anular ato declaratório de exclusão; (ii) a atividade de assistência técnica exercida pela Recorrida, a teor da Resolução CONFEA nº. 218/73, é efetivamente equiparada a atividade exclusiva de engenheiro; e (iii) não importa se o serviço vem a ser prestado efetivamente por engenheiro ou profissional legalmente habilitado, mas sim o fato de que a atividade exercida pela empresa em questão exija a prestação dos serviços profissionais de engenheiro ou técnico habilitado. O Despacho de fls. 95/97 determinou o seguimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, tendo o contribuinte apresentado Contrarrazões às fls. 107/110. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 23/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13936.000164/200460 Acórdão n.º 910101.061 CSRF‐T1 Fl. 4 4 Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora. O Recurso Especial é de divergência. O acórdão paradigma possui a seguinte ementa: SIMPLES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TELEFONIA. VEDAÇÃO. Os serviços de instalação e manutenção de equipamentos de telefonia e telecomunicações, inerentes a profissões que exigem habilitação profissional legalmente exigida, vedam a pessoa jurídica que o presta de optar pelo Simples. Recurso Voluntário Improvido. (Acórdão nº 30131.831, relatora Conselheira Atalina Rodrigues Alves) A princípio, de se conhecer do Recurso Especial, não fosse a análise do caso concreto em razão da atividade efetivamente desenvolvida. Nessa medida, até para segurança quanto ao teor do julgado, conheço do Recurso para análise da norma aplicável ao caso concreto. Pois bem, a questão cingese em saber se a atividade do contribuinte é considerada atividade vedada para a opção do SIMPLES. Nesse sentido, de um lado, argumenta o contribuinte que a atividade exercida, qual seja: reparação e manutenção de aparelhos telefônicos, não exige profissional de engenharia. Desse modo, entende o contribuinte que sua atividade não se enquadra nas atividades descritas no artigo 9º, inciso XIII, da Lei nº. 9.317/96, o qual veda a opção pelo SIMPLES no caso de profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida (regulamentação). Nesse sentido, reproduzo a norma acima citada: “Artigo 9°. Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (...)” Por outro lado, a Fazenda Nacional argumenta que a atividade do contribuinte é atividade exclusiva de engenharia e, por esse, motivo não deve prosperar o entendimento de que o contribuinte se enquadre nas pessoas jurídicas que podem fazer a opção pelo SIMPLES. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 23/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13936.000164/200460 Acórdão n.º 910101.061 CSRF‐T1 Fl. 5 5 Vejamos que a própria DRJ assume que à vista do objeto social da ora Recorrida fica evidente que não são realizados qualquer serviço de engenheiro ou atividade assemelhada, previsto no artigo 9º, XIII da Lei nº 9.317/96 (fls. 16). Mas prossegue afirmando que não podem optar pelo SIMPLES as pessoas jurídicas que exercem atividades que exijam serviço profissional regulamentado. Em primeiro lugar este Tribunal não está vinculado a Ato Declaratório, podendo, desde logo, limitarse ao quanto afirmado desde o julgamento inicial, no sentido de que o contribuinte não realiza serviço de engenharia ou assemelhado. Em segundo lugar, entendo que o serviço prestado pelo contribuinte não equivale ao exercício de engenheiro e não é regulamentado. Nessa mesma linha entendeu o acórdão recorrido, que bem analisou os autos, e verificou que não restou comprovado pela fiscalização a equiparação da atividade exercida pelo contribuinte à de engenheiro, ao contrário, vale transcrição do seguinte trecho do voto do acórdão recorrido: A autoridade administrativa não realizou nenhuma verificação in loco, nem tampouco logrou demonstrar documentalmente a realização de atividade impedida. E certo que o contribuinte trouxe aos autos, na fase recursal, cópias de notas fiscais de serviços para demonstrar que sua atividade, realizada pelo titular da empresa, é de pequenos consertos em aparelhos celulares, bem como venda de peças eventualmente utilizadas nesses consertos ou vendidas em avulso. Mas é esta singela atividade de conserto de celulares e venda de peças que a decisão recorrida pretendeu que equivalesse a atividade assemelhada a de profissão legalmente regulamentada. t, perfeitamente plausível que tais serviços de reparo e manutenção de celulares e/ou o comercio das peças correspondentes são atividades que nada tem de assemelhadas com engenharia, ou com qualquer outra profissão com habilitação legalmente exigida. Nesse mesmo sentido o voto condutor do Acórdão CSRF/40306.233, que trata de objeto semelhante: “Entendo que a atividade, embora possa vir a utilizar alguns conceitos próprios da Engenharia, não é atividade privativa de engenheiro, nem tampouco exige sua presença para o respectivo desenvolvimento. Tanto assim o é, que no próprio contrato social consta (fl. 12/13) que o administrador da sociedade, composta apenas por duas pessoas, identificase sob o termo genérico "empresário", demonstrando que não possui formação própria de engenheiro. Logo, diante da ausência de indícios que denotem a necessidade de supervisão ou mesmo a atuação direta de um engenheiro para a execução da atividade, parece a melhor conclusão lembrarmos que o tratamento tributário Fl. 5DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 23/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13936.000164/200460 Acórdão n.º 910101.061 CSRF‐T1 Fl. 6 6 simplificado, materializado, dentre outros diplomas, pela Lei n° 9.317/96, tem uma ratio protetiva das pequenas e micro empresas, decorrente do mandamento constitucional inserto no artigo 179, da Carta Magna. Logo, a exclusão da Interessada demandaria adequação razoável ao texto da lei o que não se nota nesse caso. Vale dizer, dessa forma, que o emprego inadequado da analogia nessa circunstância poderia representar, em última análise, a criação de nova hipótese de restrição a direito, especialmente inadmissível na seara tributária, fortemente vinculada ao Princípio da Legalidade”. De mais a mais, a jurisprudência administrativa, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais, na antiga competência, já firmou entendimento no sentido de que não é cabível à fiscalização equiparar livremente uma atividade a atividade de engenharia, sem que tal equiparação esteja devidamente fundamentada. Nesse sentido os acórdãos: “Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES Tratandose de empresa que exerça mais de uma atividade, cabe ao fisco a comprovação de que uma delas se enquadra nas vedações previstas no inciso XIII do art. 9° da Lei n. 9.317/96. Não havendo comprovação de que o contribuinte exercia atividade de engenheiro ou assemelhado, deve ser mantida a decisão proferida pela Terceira Câmara, cancelandose o Ato Declaratório de Exclusão. Recurso Especial do Procurador Negado.” (Acórdão CSRF/40306.183, sessão de 30/10/2008) “ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. NÃO ENQUADRAMENTO. A atividade de prestação de serviço de reparação e manutenção de máquinas e equipamentos industriais não pode ser livremente equiparada àquela de engenheiro, para fim de exclusão do SIMPLES. Recurso Especial Negado”. (Acórdão CSRF/40306.233, sessão de 08/12/2008) Por fim, de se aplicar ao caso a Súmula CARF nº 57: “A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal.”. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias – Relatora. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 23/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13936.000164/200460 Acórdão n.º 910101.061 CSRF‐T1 Fl. 7 7 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 23/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS
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