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Numero do processo: 10680.921286/2011-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
PIS/COFINS. SUSPENSÃO AGROPECUÁRIA. ART. 9º DA LEI Nº 10.925/2004. EFEITOS A PARTIR DE 01/08/2004, NA SUA REDAÇÃO ORIGINAL, E A PARTIR DE 30/12/2004, EM RELAÇÃO ÀS ALTERAÇÕES DA LEI Nº 11.051/2004.
Nos termos do art. 17, III, da Lei nº 10.925/2004 e do art. 5º da IN/SRF nº 636/2006, o art. 9º da mesma lei, que criou hipóteses de suspensão da incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep na atividade agropecuária, produziu efeitos a partir de 01/08/2004, relativamente às atividades previstas na sua redação original, e a partir de 30/12/2004, em relação àquelas incluídas pela Lei nº 11.051/2004, tendo exorbitado o poder regulamentar a IN/SRF nº 660/2006 ao estabelecer que a eficácia só se daria a partir da data da publicação (04/04/2006) da IN/SRF nº 636/2006, por ela revogada, e que já havia regulamentado o referido art. 9º (atendendo ao determinado no seu § 2º), com efeitos retroativos à primeira data legalmente prevista.
Numero da decisão: 9303-007.852
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PIS/COFINS. SUSPENSÃO AGROPECUÁRIA. ART. 9º DA LEI Nº 10.925/2004. EFEITOS A PARTIR DE 01/08/2004, NA SUA REDAÇÃO ORIGINAL, E A PARTIR DE 30/12/2004, EM RELAÇÃO ÀS ALTERAÇÕES DA LEI Nº 11.051/2004. Nos termos do art. 17, III, da Lei nº 10.925/2004 e do art. 5º da IN/SRF nº 636/2006, o art. 9º da mesma lei, que criou hipóteses de suspensão da incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep na atividade agropecuária, produziu efeitos a partir de 01/08/2004, relativamente às atividades previstas na sua redação original, e a partir de 30/12/2004, em relação àquelas incluídas pela Lei nº 11.051/2004, tendo exorbitado o poder regulamentar a IN/SRF nº 660/2006 ao estabelecer que a eficácia só se daria a partir da data da publicação (04/04/2006) da IN/SRF nº 636/2006, por ela revogada, e que já havia regulamentado o referido art. 9º (atendendo ao determinado no seu § 2º), com efeitos retroativos à primeira data legalmente prevista. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 12 86 /2 01 1- 71 Fl. 2298DF CARF MF Processo nº 10680.921286/201171 Acórdão n.º 9303007.852 CSRFT3 Fl. 2.299 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 2.254 a 2.260), contra o Acórdão 3401003.831, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 2.232 a 2.252), sob a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 SUSPENSÃO. ARTIGOS. 9º E 17 DA LEI FEDERAL 10.925/2004. TERMO INICIAL DE EFICÁCIA. Pela previsão expressa do artigo 17, da Lei Federal 10.925/2004, o termo inicial de eficácia da suspensão prevista no art. 9º da mesma Lei Federal é 1º de agosto de 2004, data de regulamentação do beneficio pela Receita Federal. Precedentes dessa Seção no mesmo sentido. INVALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 660/2006. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 105 E 106 DO CTN. HIERARQUIA DE NORMAS NO DIREITO BRASILEIRO. A pretensão de retroagir os efeitos da alteração promovida pela Instrução Normativa SRF 660/2006 sobre a Instrução SRF 636/2006 afeta fatos geradores pretéritos a sua edição. Em seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 2.263 a 2.266), a PGFN defende que a suspensão só passou a existir a partir de 04/04/2006, data da publicação da IN/SRF nº 636/2006, que regulamentou o art. 9º da Lei nº 10.925/2004, conforme art. 11 da IN/SRF nº 660/2006, que revogou a anterior (a qual tinha expressos efeitos retroativos à data legalmente prevista – 01/08/2004, na redação original). O contribuinte apresentou Contrarrazões (fls. 2.275 a 2.292). É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Preenchidos todos os requisitos e respeitadas as formalidades regimentais, conheço do Recurso Especial. No mérito, a discussão restringese à determinação da data a partir da qual passou a ter eficácia o art. 9º da Lei nº 10.925/2004 (e alterações da Lei nº 11.051/2004, publicada em 30/12/2004), que criou hipóteses de suspensão da incidência PIS/Cofins nas vendas de produtos e insumos da atividade agropecuária, nos termos e condições estabelecidos pela Receita Federal. Fl. 2299DF CARF MF Processo nº 10680.921286/201171 Acórdão n.º 9303007.852 CSRFT3 Fl. 2.300 3 Vejamos a evolução legislativa de interesse: Lei nº 10.925/2004 Art. 9º A incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS fica suspensa na hipótese de venda dos produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 09.01, 10.01 a 10.08, 12.01 e 18.01, todos da NCM, efetuada pelos cerealistas que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os referidos produtos, por pessoa jurídica e por cooperativa que exerçam atividades agropecuárias, para pessoa jurídica tributada com base no lucro real, nos termos e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal. Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1º do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º do art. 8º desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6º e 7º do art. 8º desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) Art. 17. Produz efeitos: (...) III a partir de 1º de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8º e 9º desta Lei; Fl. 2300DF CARF MF Processo nº 10680.921286/201171 Acórdão n.º 9303007.852 CSRFT3 Fl. 2.301 4 Instrução Normativa nº 636/2006 (Publicada em 04/04/2006) Art. 1º Esta Instrução Normativa disciplina a comercialização de produtos agropecuários na forma dos arts. 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925, de 2004. (...) Art. 5º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1º de agosto de 2004. Instrução Normativa nº 660/2006 (Publicada em 17/07/2006) Art. 1º Esta Instrução Normativa disciplina a comercialização de produtos agropecuários na forma dos arts. 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925, de 2004. (...) Art. 11. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I em relação à suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que trata o art. 2º, a partir de 4 de abril de 2006, data da publicação da Instrução Normativa nº 636, de 24 de março de 2006, que regulamentou o art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004; e II em relação aos arts. 5º a 8º, a partir de 1º de agosto de 2004. Art. 12. Fica revogada a Instrução Normativa SRF nº 636, de 2006. É maciça (eu diria, praticamente toda no mesmo sentido) a jurisprudência do CARF no sentido de inadmitir que norma administrativa (no caso a IN/SRF nº 660/2006), pudesse limitar a eficácia a partir de uma data bem posterior à prevista na própria lei instituidora do regime suspensivo – ainda mais quando outra norma do mesmo Órgão, revogada pouco depois, atribuía seus efeitos retroativamente à data estabelecida no diploma legal, como está retratado em recentíssimo Acórdão, unânime (3402005.118, de 17/04/2018, que serviu inclusive de paradigma para diversos outros julgados naquela Sessão da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 SUSPENSÃO. ART. 9º DA LEI Nº 10.925/2004. EFICÁCIA DESDE 1º DE AGOSTO DE 2004. Em conformidade com o disposto no art. 17, III da Lei nº 10.925/2004, aplicase desde 1º de agosto de 2004 a suspensão da incidência do PIS e da Cofins prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004. Fl. 2301DF CARF MF Processo nº 10680.921286/201171 Acórdão n.º 9303007.852 CSRFT3 Fl. 2.302 5 A ementa prendese exclusivamente ao que dispõe a lei, e no Voto Condutor não é muito diferente, dada à clareza da norma legal e à vasta jurisprudência administrativa a que me referi: "A matéria não comporta maiores digressões, eis que a própria Lei nº 10.925/2004 determinou que o referido benefício produziria efeitos a partir de 1º de agosto de 2004. Estando perfeitamente definida a data do início da suspensão pela Lei, é certo que a regulamentação reservada à Secretaria da Receita Federal, nos termos do § 2º do art. 9º da referida Lei, não dizia respeito a esse aspecto. Nesse sentido, a primeira regulamentação da suspensão, dada pela Instrução Normativa SRF nº 636/2006, já tinha reconhecido a sua produção de efeitos retroativa, a partir de 1º de agosto de 2004. A matéria já foi objeto de análise por esse CARF no Acórdão nº 3401002.078 da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária desta 3ª Seção, j. 28.11.2012..." Do Voto Condutor do citado Acórdão de 2012, extraio o seguinte excerto: "Se por um lado é certo que “os termos e condições” estabelecidos pela RFB pode limitar a suspensão da incidência das duas Contribuições, na hipótese do art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, por outro, tal limitação não pode impedir por completo a suspensão da incidência das duas Contribuições, a começar necessariamente em 1º de agosto de 2004. Muitos menos pode a RFB, ao deixar de regulamentar a norma, tornar nulos seus efeitos a partir do momento em que já tem alguma eficácia, segundo a Lei nº 10.925, de 2004." Naquele julgado é evocada decisão do STJ (não vinculante, é verdade, mas bem incisiva a respeito), qual seja, o Acórdão no REsp nº 1.160.835/RS, sendo que, em pesquisas no site daquele Tribunal Superior na Internet, encontrei o de nº 1.143.568/SC (trazido no Voto Condutor do Acórdão Recorrido – fls. 2.245 e 2.246), que remete ao primeiro e cuja ementa transcrevo parcialmente a seguir (e que adoto como razões de decidir): PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVOS. ARTS. 97, VI, 99 e 111, I, DO CTN ... E INÍCIO DA POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO AMBOS COM EFEITOS A PARTIR DE 1º/8/2004. INTERPRETAÇÃO DO ART. 17, III, DA LEI Nº 10.925/2004. LEGALIDADE DO ART. 5º DA IN SRF N. 636/2006. ILEGALIDADE DO ART. 11, I, DA IN SRF N. 660/2006 QUE FIXOU A DATA EM 4/4/2006. 1. Discutese nos autos a possibilidade de aproveitamento simultâneo de crédito ordinário da sistemática nãocumulativa de PIS/PASEP e de COFINS, prevista no art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, com o crédito presumido previsto no art. 8º, § 1º, da Lei nº 10.925/2004, referente às aquisições feitas junto a pessoas jurídicas cerealistas, transportadoras de leite e agropecuárias que funcionam como intermediárias entre as Fl. 2302DF CARF MF Processo nº 10680.921286/201171 Acórdão n.º 9303007.852 CSRFT3 Fl. 2.303 6 pessoas físicas produtoras agropecuárias e as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, para o período de 1º/08/2004 a 03/04/2006. (...) 6. O crédito presumido e a suspensão da incidência das contribuições produziram efeitos conjuntamente a partir de 1º/8/2004, nos termos do art. 17, III, da Lei nº 10.925/2004, de forma que as INs SRF nºs 636/2006 e 660/2006, ainda que sob o pálio do § 2º do art. 9º da referida Lei nº 10.925/2004, não poderiam alterar a data de concessão da suspensão da incidência das contribuições, mas tão somente disciplinar sua aplicação mediante a instituição de obrigações tributárias acessórias. Nesse sentido, está conforme a lei o art. 5º da IN SRF 636/2006, que fixou a data do início do crédito presumido e da suspensão em 1º/8/2004, e ilegal o art. 11, I, da IN SRF 660/06, que revogou o artigo anterior e, de forma equivocada, fixou a data do início do crédito presumido e da suspensão em 4/4/2006. 7. Esta Corte já enfrentou o tema da revogação da IN SRF n. 636/2006 pela IN SRF n. 660/2006 e concluiu que tal revogação não teve o condão de alterar de 1º/8/2004 para 4/4/2006 o início dos efeitos da suspensão da incidência das contribuições ao PIS e à COFINS prevista no art. 9º, da Lei nº 10.925/04. Precedente: REsp nº 1.160.835/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 23/4/2010. 8. Nos termos do art. 17, III, da Lei nº 10.925/2004 e do art. 5º da IN SRF 636/2006, tanto o direito ao crédito presumido de que trata o art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, quanto a suspensão da incidência das contribuições ao PIS e à COFINS prevista no art. 9º, da Lei nº 10.925/2004, produziram efeitos a partir de 1º/8/2004, relativamente às atividades previstas na redação original da Lei nº 10.925/2004, e a partir de 30/12/2004 em relação às atividades incluídas pela Lei nº 11.051/2004. À vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 2303DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.911685/2009-55
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO CERTO.
De acordo com art. 170 do Código Tributário Nacional, somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do sujeito passivo.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária:
Numero da decisão: 3002-000.562
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade, e em rejeitar a preliminar suscitada. No mérito, acordam, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que lhe deu provimento parcial para fins de reconhecer o direito creditório, condicionado à confirmação do montante quando da execução do julgado. A conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões suscitou proposta de diligência, rejeitada pelos demais conselheiros.
(assinado digitalmente).
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente).
Alan Tavora Nem - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
Nome do relator: ALAN TAVORA NEM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO CERTO. De acordo com art. 170 do Código Tributário Nacional, somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do sujeito passivo. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária:
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade, e em rejeitar a preliminar suscitada. No mérito, acordam, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que lhe deu provimento parcial para fins de reconhecer o direito creditório, condicionado à confirmação do montante quando da execução do julgado. A conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões suscitou proposta de diligência, rejeitada pelos demais conselheiros. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
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DIREITO LÍQUIDO CERTO. De acordo com art. 170 do Código Tributário Nacional, somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do sujeito passivo. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade, e em rejeitar a preliminar suscitada. No mérito, acordam, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que lhe deu provimento parcial para fins de reconhecer o direito creditório, condicionado à confirmação do montante quando da execução do julgado. A conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões suscitou proposta de diligência, rejeitada pelos demais conselheiros. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 91 16 85 /2 00 9- 55 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10120.911685/200955 Acórdão n.º 3002000.562 S3C0T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator). Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 42/46 dos autos: "Tratam os autos da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 2219S.29555.201107. 1.3.045588, transmitida eletronicamente em 20/11/2007, com base em créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: A partir das características do DARF foi identificado que o referido pagamento havia sido utilizado integralmente, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada. Assim, em 7/10/2009, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 22), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 15.092,49. Cientificado dessa decisão em 20/10/2009, bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 16/11/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2 e 3, acrescida de documentação anexa. A contribuinte esclarece que os sistemas da Receita Federal teriam considerado as informações constantes na DCTF original e que, teria sido transmitida uma DCTF retificadora, que já constava nos sistemas “na data da auditoria”. Argumenta que o Dspacho Decisório deveria ser cancelado, uma vez que nos próprios sistemas da RFB a DCTF original já teria sido substituída pela DCTF retificadora. Apresenta, em síntese, os seguintes pontos de discordância: PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 30/9/2006 5856 39.678,14 13/10/2006 Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10120.911685/200955 Acórdão n.º 3002000.562 S3C0T2 Fl. 4 3 a) não foi levado em consideração a análise da DCTF retificadora que permanecia como atual na data da análise; b) não foi observado que a DCTF original já se encontrava cancelada no sistema da Receita Federal; c) o processamento da auditoria foi feito somente por meio eletrônico, não sendo analisado o caso fisicamente através dos documentos. Ao final, entendendo ter demonstrado a insubsistência e improcedência do indeferimento do pleito, requer que seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade". Resumindo, o contribuinte em 20/11/2007 protocolou pedido de compensação em razão de suposto pagamento indevido de COFINS (2219S.29555.201107. 1.3.045588) (fls. 30/34) no valor de R$ 39.678,14. O contribuinte teve negado sua homologação em razão "das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." (fls. 22 Despacho Decisório). O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 02/03) requerendo em preliminar que "diante do fato exposto, solicitamos o cancelamento do despacho decisório nº 848534187, referente ao pedido de compensação através da PER/DCOMP supracitada, uma vez que com nova apreciação da auditoria fiscal, levando cm consideração os dados constantes na DCTF RETIFICADORA. demonstra claramente a existência do crédito compensado" e no mérito "de acordo com a os Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 4 da Lei 9.430 de 27 de dezembro de 1996. os valores pagos indevidamente ou a maior, torna objeto de compensação por parte do contribuinte, uma vez demonstrado claramente, através dos demonstrativos (DCTF), respalda o direito do crédito". A DRJ/BSB proferiu o Acórdão nº 0349.266 (fls. 42/46) por meio do qual decidiu pela improcedência em relação às alegações na manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte, no mérito, não conheceu do direito creditório postulado, bem como deixou de homologar a compensação do pedido apresentado. O acórdão foi assim ementado: "APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10120.911685/200955 Acórdão n.º 3002000.562 S3C0T2 Fl. 5 4 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente." Cientificado da decisão, o contribuinte, ingressou com Recurso Voluntário (fls. 55/62) requerendo a reforma do Acórdão recorrido, tendo em vista: a) a nulidade da decisão, concluindo que "não é lícito à autoridade fiscal desconsiderar o crédito fiscal que tem como origem apuração de pagamentos indevidos devidamente escriturados/fundamentados ao singelo argumento de falta de idônea comprovação". É o relatório Voto Conselheiro Alan Tavora Nem Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. A discussão em análise consiste em saber se o contribuinte em razão de suposto pagamento indevido ou a maior de COFINS tinha ou não crédito para realizar compensação com tributo da mesma espécie. Preliminar Nulidade Importante ressaltar que no processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, que não prevê a hipótese em comento, in verbis: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10120.911685/200955 Acórdão n.º 3002000.562 S3C0T2 Fl. 6 5 § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir lhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 1993.). Sendo assim, ao meu ver, não assiste razão o contribuinte em sua alegação de nulidade alegando que a "decisão imotivada é decisão nula, viciada em sua forma, nulidade que consiste "na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato" (Art. 2°, parágrafo único, „b" da Lei no 4.717/65, que regula a Ação Popular)". Dessa forma, rejeito a preliminar apresentada pelo contribuinte. Mérito Ventiladas as considerações preliminares, passo à analise do tema em si. O Acórdão da DRJ aduz que "para comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração". Sendo assim, o contribuinte deixou de apresentar nos autos a prova dos fatos alegados. Importante esclarecer que, o ônus da prova quanto à existência do crédito no caso de pedido de compensação é do contribuinte. Dispõe o art. 373 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, que o ônus da prova incumbe ao autor (no caso em tela ao contribuinte que iniciou o processo de compensação), quanto ao fato constitutivo do seu direito (correspondente à comprovação do direito ao crédito tributário que pretende ter reconhecido para fins de homologação da compensação). É o que se infere da transcrição a seguir: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Portanto, como é condição indispensável para a homologação da compensação pretendida, que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública seja líquido e certo, é evidente a indispensabilidade da demonstração da liquidez e certeza do suposto crédito restituendo (origem e quantificação) que, como demonstrado e expressamente dispõe o art. 373, I da lei adjetiva (aplicável subsidiariamente ao PAF), incumbe ao autor do PER, assim como as respectivas retificações dos auto lançamentos e dos respectivos registros fiscais (DCTF, Dacon etc), razões pelas quais, entendo que não merece reparo a decisão recorrida, cuja fundamentação se baseia na inexistência do suposto crédito exatamente pela ausência da demonstração ou comprovação do direito creditório alegado. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10120.911685/200955 Acórdão n.º 3002000.562 S3C0T2 Fl. 7 6 Princípio da Razoabilidade Quanto ao afastamento da legislação aplicada por ferimento ao Princípio da Razoabilidade, deixo de apreciar, em razão da Súmula nº 2, do CARF, que assim dispõe: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Pelo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.916644/2010-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/03/2000
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA.
Não decorrendo 5 (cinco) anos, do pedido de PER/DCOMP e da decisao do despacho decisório, não ocorre homologação tácita nos termos do art. 74, §5º da Lei 9430/96.
ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. REVOGAÇÃO PELO ART. 56 DA LEI No 9.430/96.
A isenção da COFINS, das sociedades civis de prestação de serviços profissionais foi revogada pelo art. 56, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Precedentes do STF.
Numero da decisão: 3201-004.576
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada) acompanhou o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/03/2000 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Não decorrendo 5 (cinco) anos, do pedido de PER/DCOMP e da decisao do despacho decisório, não ocorre homologação tácita nos termos do art. 74, §5º da Lei 9430/96. ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. REVOGAÇÃO PELO ART. 56 DA LEI No 9.430/96. A isenção da COFINS, das sociedades civis de prestação de serviços profissionais foi revogada pelo art. 56, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Precedentes do STF.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada) acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1910; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.916644/201097 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201004.576 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de dezembro de 2018 Matéria COFINS. ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. Recorrente J. CARDOSO ASSESSORIA TRIBUTÁRIA LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2000 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Não decorrendo 5 (cinco) anos, do pedido de PER/DCOMP e da decisao do despacho decisório, não ocorre homologação tácita nos termos do art. 74, §5º da Lei 9430/96. ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. REVOGAÇÃO PELO ART. 56 DA LEI No 9.430/96. A isenção da COFINS, das sociedades civis de prestação de serviços profissionais foi revogada pelo art. 56, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Precedentes do STF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada) acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 66 44 /2 01 0- 97 Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10880.916644/201097 Acórdão n.º 3201004.576 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação – DCOMP lastreada em recolhimento indevido ou a maior de COFINS. O contribuinte alega, em síntese, que é uma sociedade civil de profissão regulamentada, prevista na Lei Complementar 70/91, podendo gozar do direito ao crédito apontado em virtude de estar isenta da contribuição. Diante de tal fato, foi proferido despacho decisório eletrônico. O pleito foi indeferido sob o fundamento de que, embora tenha sido localizado o pagamento indicado na DCOMP em análise, os créditos foram integralmente utilizados para quitação de débitos do Contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na DCOMP. Inconformado, apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada pela DRJ/São Paulo. O Acórdão 16042.489 que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2000 PAGAMENTO A MAIOR. INOCORRÊNCIA. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação da disponibilidade deve ser efetuada pelo Contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido. Tendo sido o pagamento constante do DARF, ao qual foi atribuído o crédito utilizado na DCOMP, integralmente alocado para a quitação de débitos confessados pelo Contribuinte, não cabe reforma do Despacho Decisório que não homologou a compensação. A insuficiência da apresentação de prova inequívoca mediante documentação hábil e idônea, com vistas a comprovar a existência de crédito proveniente de recolhimento indevido ou a maior, acarreta a negativa de reconhecimento do direito creditório e, por conseqüência, a nãohomologação da compensação declarada, em face da impossibilidade da autoridade administrativa aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito. ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. REVOGAÇÃO. A isenção da COFINS que beneficiava as sociedades civis de profissão legalmente regulamentada, prevista na Lei Complementar no 70, de 1991, deixou de vigorar com a publicação da Lei nº 9.430, de 1996. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação, ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, cujo reconhecimento encontrase na esfera de competência do Poder Judiciário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10880.916644/201097 Acórdão n.º 3201004.576 S3C2T1 Fl. 4 3 Não se conformando com a decisão de primeira instância apresentou Recurso Voluntário a este Conselho. Em síntese, alega: a) em preliminar, que ocorreu homologação tácita, pois a decisão foi proferida aos 360 (trezentos e sessenta) dias após o seu protocolo, afrontando o art. 24, da Lei 11.457/07; b) no mérito, que o artigo 56 da Lei 9.430/96, ao revogar a isenção das sociedades civis, descumpriu comando constitucional expresso no artigo 146, inciso III, que exige lei complementar para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.574, de 11/12/2018, proferido no julgamento do processo 10880.916643/201042, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.574): "O Recurso é tempestivo e o conheço. Inicialmente não se pode aplicar o art. 24, da Lei 11.457/07 no presente caso, pois, tal regramento não se trata de homologação tácita, mas sim, obrigatoriedade de analise de pedidos realizados pelo Contribuinte no âmbito da Procuradoria da Fazenda Nacional. Contudo, nos termos do art. 74, § 5º, da Lei 9430, prescreve que o prazo para homologação tácita é de 5 (cinco) anos, caso que não ocorrido no caso em tela. Assim, deve ser REJEITADA a preliminar de homologação tácita. O mérito não merece ser provido. Pois o Contribuinte sustenta: No que respeita à decisão recorrida, o recorrente ora reafirma os termos da Manifestação de Inconformidade, pois aceitar a decisão contestada seria admitir que a não imposição fiscal da Lei Complementar 70/91, do inciso II do art. 6°, fosse anulada por norma impositiva do artigo 56 da Lei 9.430/96. Se, anteriormente, a Lei Complementar 70 tivesse imposto a cobrança às sociedades civis, seria possível que a lei ordinária eventualmente viesse a isentálas. O contrário, entretanto, como acontece neste caso, não é possível, pois representaria a criação de uma tributação sem que a Lei Complementar a tivesse instituído, isto é, não ocorreu a introdução de uma norma de isenção pela lei ordinária, mas a criação de imposição fiscal pela lei ordinária, por meio de revogação parcial de norma complementar que não a prevê. Tendo em consideração o expendido, reafirma as razões expostas na Manifestação de Inconformidade, no sentido da validade da restituição pleiteada. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10880.916644/201097 Acórdão n.º 3201004.576 S3C2T1 Fl. 5 4 Contudo, o Supremo Tribunal Federal fixou a seguinte tese em repercussão geral no Recurso Extraordinário no 377.4573, vejamos: EMENTA: Contribuição social sobre o faturamento – COFINS (CF, art. 195, I). 2. Revogação pelo art. 56 da Lei 9.430/96 da isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6o, II, da Lei Complementar 70/91. Legitimidade. 3. Inexistência de relação hierárquica entre lei ordinária e lei complementar. Questão exclusivamente constitucional, relacionada à distribuição material entre as espécies legais. Precedentes. 4. A LC 70/91 é apenas formalmente complementar, mas materialmente ordinária, com relação aos dispositivos concernentes à contribuição social por ela instituída. ADC 1, Rel. Moreira Alves, RTJ 156/721. 5. Recurso extraordinário conhecido mas negado provimento. ACORDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, na conformidade da ata do julgamento e das notas taquigráficas por maioria de votos, desprover o recurso. Em seguida o Tribunal, tendo em vista o disposto no artigo 27 da Lei no 9.868/99, rejeitou pedido de modulação de efeitos. Prosseguindo, o Tribunal rejeitou questão de ordem que determinava a baixa do processo ao Superior Tribunal de Justiça, pela eventual falta da prestação jurisdicional. Por maioria, resolvendo questão de ordem, entendeu que estava correta a submissão do recurso extraordinário na forma proposta pelo Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista a questão de ordem para permitir a aplicação do artigo 543B do Código de Processo Civil, nos termos do voto do relator. Diante do exposto, REJEITO a preliminar de homologação tácita, e no mérito em NEGAR PROVIMENTO Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 51DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.902165/2013-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.618
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando-o.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando-o. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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(assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 02 16 5/ 20 13 -9 3 Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10850.902165/201393 Resolução nº 3401001.618 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou improcedentes as razões da Recorrente sobre a reforma do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações dos débitos pleiteados. A contribuinte pleiteou o ressarcimento e compensação de créditos tributários decorrentes de supostos pagamentos indevidos ou a maior de PIS/Cofins. Em Despacho Decisório, os pedidos foram indeferidos e as compensações não homologadas em razão de não ter sido comprovado o direito creditório, dado que grande parte dos pagamentos restava inteiramente vinculada a débito declarado em DCTF, e, quanto aos pagamentos que evidenciaram recolhimento a maior, o respectivo valor fora previamente utilizado em outras compensações. A Contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que tem direito aos valores pagos indevidamente em relação à PIS/COFINS, que fora calculada sobre receitas financeiras, e estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. Apresentou balancetes de verificação, DCTF´s, planilhas de apuração e guias de recolhimento e declarações de compensação para comprovação de suas alegações e dos valores pleiteados. Sobreveio Acórdão da Delegacia de Julgamento, através do qual não foi reconhecido o direito creditório requerido. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.588, de 26 de novembro de 2018, proferida no julgamento do processo 16007.000043/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.588: "O Recurso é tempestivo, e, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, tomo seu conhecimento. Como se aduz da leitura do relatório, restam pendente de análise por esse Colegiado a incidência de COFINS Cumulativa sobre a rubrica "receitas financeiras". Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10850.902165/201393 Resolução nº 3401001.618 S3C4T1 Fl. 4 3 Ora, nos termos do julgamento do RE 585235/MG, julgado sob efeito de repercussão geral, o artigo 3º, §1º, da Lei Federal 9.718/1998, foi considerado inconstitucional, de modo que, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições sociais, no caso de empresas que não exercem atividade de instituições financeiras, não cabe a inclusão de receitas financeiras ou outras alheias ao seu objeto social. Desta feita, é de se afastar a glosa com base no artigo 62, §1º, inciso II, b, do RICARF. Contudo, como até o presente momento, a Receita Federal não se pronunciou sobre os documentos juntados desde a impugnação pela Recorrente, é de se converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 182DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14098.720192/2014-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
INOVAÇÃO RECURSAL. PRECLUSÃO.
Não há como ser apreciado o mérito do recurso quanto a suscitação de incompetência do Auditor Fiscal para realizar diligências que dizem respeito à instrução e fundamentação do Auto de Infração, uma vez que a matéria não foi aventada em sede de impugnação, além de não apresentar nenhuma prova a corroborar suas novas alegações de defesa. Assim, a teor do que dispõe o artigo 15 e inciso III do artigo 16, ambos do Decreto nº 70.235/72, com suas alterações posteriores, no presente caso ocorreu preclusão quanto a matéria em questão.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
É cabível o lançamento fiscal para constituir crédito tributário decorrente de omissão de rendimentos, comprovando-se por meio de documento que o contribuindo foi o real beneficiário de rendimentos tributáveis,
MULTA DE OFÍCIO DE 150%. APLICABILIDADE.
A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique importe ou diferença de imposto a pagar. Nos casos de lançamento de ofício, onde resultou comprovada a insuficiência do recolhimento do imposto, é exigível a multa de ofício por expressa determinação legal.
Numero da decisão: 2401-005.915
Decisão: .
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 INOVAÇÃO RECURSAL. PRECLUSÃO. Não há como ser apreciado o mérito do recurso quanto a suscitação de incompetência do Auditor Fiscal para realizar diligências que dizem respeito à instrução e fundamentação do Auto de Infração, uma vez que a matéria não foi aventada em sede de impugnação, além de não apresentar nenhuma prova a corroborar suas novas alegações de defesa. Assim, a teor do que dispõe o artigo 15 e inciso III do artigo 16, ambos do Decreto nº 70.235/72, com suas alterações posteriores, no presente caso ocorreu preclusão quanto a matéria em questão. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. É cabível o lançamento fiscal para constituir crédito tributário decorrente de omissão de rendimentos, comprovando-se por meio de documento que o contribuindo foi o real beneficiário de rendimentos tributáveis, MULTA DE OFÍCIO DE 150%. APLICABILIDADE. A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique importe ou diferença de imposto a pagar. Nos casos de lançamento de ofício, onde resultou comprovada a insuficiência do recolhimento do imposto, é exigível a multa de ofício por expressa determinação legal.
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secao_s : Segunda Seção de Julgamento
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decisao_txt : . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
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PRECLUSÃO. Não há como ser apreciado o mérito do recurso quanto a suscitação de incompetência do Auditor Fiscal para realizar diligências que dizem respeito à instrução e fundamentação do Auto de Infração, uma vez que a matéria não foi aventada em sede de impugnação, além de não apresentar nenhuma prova a corroborar suas novas alegações de defesa. Assim, a teor do que dispõe o artigo 15 e inciso III do artigo 16, ambos do Decreto nº 70.235/72, com suas alterações posteriores, no presente caso ocorreu preclusão quanto a matéria em questão. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. É cabível o lançamento fiscal para constituir crédito tributário decorrente de omissão de rendimentos, comprovandose por meio de documento que o contribuindo foi o real beneficiário de rendimentos tributáveis, MULTA DE OFÍCIO DE 150%. APLICABILIDADE. A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique importe ou diferença de imposto a pagar. Nos casos de lançamento de ofício, onde resultou comprovada a insuficiência do recolhimento do imposto, é exigível a multa de ofício por expressa determinação legal. . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 72 01 92 /2 01 4- 51 Fl. 563DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier– Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Na forma relatada às fls. 486/489, tratam os presentes de Auto de Infração de fls. 3/3, acompanhado do termo de inicio de verificação fiscal de fls. 141/143 e do Termo de Verificação Fiscal de fls. 10/17, relativo ao imposto sobre a renda de pessoa física do anocalendário 2013, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 9.824.955,85, composto da seguinte forma: R$ 3.692.065,63 relativo ao Imposto; R$ 594.791,77 de Juros de mora (calculados até 05/12/2014); e R$ 5.538.098,45 de Multa Proporcional. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 4), que o lançamento é decorrente de omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas, cujos fatos geradores ocorreram em entre janeiro e maio de 2012. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 10/11), a omissão de rendimentos decorrente de ganho de omissão de rendimentos que se deu da seguinte forma: Em março de 2009, na tentativa de receber esses valores, firmou contrato com a empresa individual N. P. Lopes Serviços – ME (CNPJ 04.908.473/000142), de propriedade do contribuinte ora fiscalizado Newman Pereira Lopes, por meio do qual ficaram estipulados honorários advocatícios relacionados a um possível acordo judicial entre a Centrus e o Estado de Mato Grosso, com várias cláusulas estipulando valores diferenciados de honorários conforme os termos do possível acordo. Então, em novembro de 2011, foi firmando acordo com o Estado de Mato Grosso, com participação da PGE/MT, no qual o governo Fl. 564DF CARF MF Processo nº 14098.720192/201451 Acórdão n.º 2401005.915 S2C4T1 Fl. 3 3 pagaria em espécie o valor devido à Centrus, RS 85.000.000,00 (oitenta e cinco milhões de reais), em 18 parcelas iguais, a partir de janeiro de 2012. Desse montante, devido o contrato pactuado, grande parte seria paga à empresa individual N. P. Lopes Serviços – ME, como honorários advocatícios ad exitum. Foram pagas pelo Estado de Mato Grosso à Centrus as cinco parcelas referentes ao acordo. Dessas parcelas, os honorários pagos por força do contrato foram de 57,5% totalizando R$ 13.425.972,21 (treze milhões, quatrocentos e vinte e cinco mil, novecentos e setenta e dois reais e vinte e um centavos), conforme tabela abaixo: Tabela I Período Valor dos honorários (R$) 01/2012 2.677.048,61 02/2012 2.677.048,61 03/2012 2.677.048,61 04/2012 2.677.048,61 05/2012 2.677.048,61 06/2012 2.717.777,77 Total 13.425.972,21 Conforme relatado no Ofício da PREVIC, por ocasião do pagamento das quatro primeiras parcelas dos honorários, a N. P. Lopes Serviços – ME solicitou à Centrus que emitisse vários cheques de pequenos valores em nome da empresa Agro Consulte Agropecuária Consultoria Assessoria Agenciamento Intermediação de Negócios Agrícolas LTDA – ME, CNPJ 36.973.878/000128, totalizando R$ 2.677.048,61 em cada parcela, e apresentou Notas Fiscais de Serviços de assessoria jurídica supostamente prestados pela Agro Consulte. A última parcela foi paga diretamente a N. P. Lopes Serviços – ME (R$ 2.717.777,77) [...] Na Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física – DIRPF, o contribuinte informou rendimentos de Pessoa Física num total de R$ 55.300,00 (cinquenta e cinco mil e trezentos reais) e rendimentos recebidos da Pessoa Jurídica nos valores R$ 8.009,00 (oito mil e nove reais) recebidos de N. P. Lopes Serviços – ME e de R$ 8.009,00 (oito e nove reais) recebidos de Lopes Comércio de Produtos Aeronáuticos LTDA. Ao final constatou: Do Exposto, contatase que Newman Pereira Lopes prestou individualmente serviços jurídicos à Centrus e recebeu como Fl. 565DF CARF MF 4 honorários o valor de R$ 13.425.972,21 (treze milhões, quatrocentos e vinte e cinco mil, novecentos e setenta e dois reais e vinte e um centavos). Embora o contrato tenha sido celebrado em nome de sua empresa individual, N. P. Lopes Serviços – ME, a tributação do Imposto sobre a Renda deve se dar à pessoa jurídica. Quando ao instrumento destinado a subrogar os pagamentos à Agro Consulte, numa tentativa de eximir o contribuinte ora fiscalizado da tributação, tal não deve prosperar pra fins tributários, pois não houve qualquer comprovação de participação da Agro Consulte nas tratativas ou qualquer prestação de serviços. Ao contrário, ficou evidenciado que a empresa não funciona no endereço contigo em seus atos constitutivos e utilizouse de documentos fiscal inidôneo como contrapartida de suposta prestação de serviços de assessoria jurídica. Nem Agro Consulte nem N. P. Lopes Serviços – ME declararam ao fisco o recebimento de qualquer valor referente a este serviços. Devidamente cientificados, o Interessado apresentou em 11/12/2014 (fl. 318), tempestivamente, impugnação (fls. 412/450), alegando, resumidamente, o que segue: Afirma que o lançamento realizado em face do impugnante, ora recorrente, é indevido, vez que realizou serviço dentro do objeto social da empresa N. P. Lopes Serviços ME., da qual é sócio, e, que o objeto da atividade contratada não é exclusivo da advocacia. Sustenta, ainda, que o fato gerador recaiu em face das empresas N. P. Lopes e Agro Consulte, de modo que somente elas podem ser enquadradas como sujeitos passivos dá obrigação tributária e não o recorrente. Destarte, o recorrente sustenta que intermediou acordo amigável e extrajudicial entre o Centrus – Instituto Mato Grosso de Seguridade Social (credora) e o Estado de Mato Grosso (devedora), e que o Centrus contratou a empresa N. P. Lopes Serviços ME, da qual o recorrente é sócio, de tal sorte que a atividade realizada não é privativa da função de advogado. O recorrente, por sua vez, executou o ato, pois era sócio da empresa N. P. Lopes Serviços ME, posteriormente subrogando parte dos serviços para a empresa Agro Consulte. Utilizando, ainda, da impugnação o recorrente afirma que os documentos juntados aos autos, tais como: recibo de quitação; relação dos cheques emitidos pela Centrus para o pagamento das quatro primeiras parcelas à empresa Agro Consulte e para a parcela de número cinco a empresa N. P. Lopes Serviços ME, bem como a fotocópia de todos os cheques, apontando o cedente e cessionário. Da análise de tal documentação, nenhum valor foi recebido pelo ora recorrente, sendo, ainda, devidamente declarado o valor recebido pela empresa N. P. Lopes Serviços ME. Também, condenou o redirecionamento do lançamento tributário baseado no que chamou de “meras presunções, sem, ao menos, averiguar para quem foi destinado os recebimentos”. Neste contexto continuou afirmando que se fosse o lançamento, deveria o auditor fiscal se ater aos valores retidos pela Centrus, ao passo que as retenções restam confirmadas através do comprovante anual de regimentos pagos ou creditados e de retenção de imposto de renda na fonte da pessoa jurídica da Centrus. Fl. 566DF CARF MF Processo nº 14098.720192/201451 Acórdão n.º 2401005.915 S2C4T1 Fl. 4 5 Continuou afirmando que o auto de infração, ao deixar de apontar a informação correta do valor a ser lançado e seu cálculo, também deixou de conceder ao ora recorrente o exercício do contraditório e da ampla defesa. Destarte, tendo o auto de infração ferido o princípio da ampla defesa e do contraditório, este estaria eivado de vício insuscetível de convalidação, requerendo, ainda, a declaração de nulidade do lançamento fiscal com feitos retroativos. Nesta linha, tendo o lançamento o amparo da presunção arbitrária, cuja validade não suporta o rigor do princípio da verdade material, cumulado com a prova produzida pelo recorrente que não realizou o fato gerador da obrigação tributária, tornaria a sua sujeição passiva indevida, sendo o cancelamento do auto de infração a medida a ser adotada. Portanto, segundo o ora recorrente, tendo o mesmo comprovado que não omitiu rendimentos, a simples alegação de que este teria omitido rendimentos recebidos de pessoa jurídica não merece prosperar, estando ausente a conduta material para caracterização do evidente intuito sonegador ou de fraude, nos caos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64, assim, restando injustificada, de toda sorte, a imposição da multa. Por fim, trouxe a baila a Súmula n. 14, sustentando que a mera omissão de renda, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, de modo que o Fisco jamais poderia impor sanções qualificadas sem fazer provas contundentes e cabais das supostas condutas fraudulentas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1281.519 da 19ª Turma da DRJ/RJO, às fls. 485/498, julgando improcedente a impugnação apresentada em face do lançamento, mantendo o crédito tributário exigido em sua integralidade. Recordese: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PESSOA FÍSICA. Uma vez comprovado que o contribuinte foi o real beneficiário de rendimentos tributáveis recebidos no decorrer do anocalendário em questão, procede a infração apurada na peça fiscal. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PRESENÇA DOS PRESSUPOSTOS LEGAIS. Presentes os pressupostos legais de qualificação da multa de ofício, correta sua imposição. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Fl. 567DF CARF MF 6 O contribuinte foi regularmente cientificado do Auto de Infração e exerceu plenamente seu direito de defesa por meio de impugnação, dentro do prazo assegurado pela legislação, inexistindo, portanto, cerceamento do direito de defesa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 514/545), apresentando os mesmos argumentos lançados em sua peça de Impugnação, acrescendo o que segue: No Recurso Voluntário em tela o Recorrente inovou sustentando que o trabalho do Sr. Auditor Fiscal a todo esteve em desacordo com os ditames exigidos na legislação, para tal fundamentou seu argumento em suposta falta de autorização para realização de diligências, tais como: solicitação de informações a Junta Comercial do Estado de Mato Grosso e a Prefeitura de Cuiabá, e visitando a sede da empresa Agro Consulte. Neste ponto, sustenta que o Sr. Auditor Fiscal não poderia realizar procedimento fiscalizatório em face das empresas estranhas a presente fiscalização tributária, violando, portanto, o principio do contraditório e ampla defesa. Com isso, requereu a nulidade do auto de infração ante o vício insuscetível de convalidação. Ademais, sustenta que não assiste razão ao Julgador a quo vez que a assessoria prestada não é atividade privativa da advocacia, podendo, portanto, ser praticada pela empresa N. P. Lopes Serviços ME. O recorrente tenta, assim, afastar a aplicação do parágrafo 2º, do art. 150, do RIR/99. Destarte, a todo tenta afastar a atividade prestada pelo recorrente como sendo atividade de advogado, construindo, assim, uma tese de atividade de intermediador outorgado por instrumento procuratório. Noutra ponta, o recurso em análise atacou a fundamentação do acórdão de fls. 485/498, no que se refere ao afastamento da espontaneidade da ratificação da declaração realizada pela empresa individual N. P. Lopes Serviços ME, afirmando que os efeitos do afastamento da espontaneidade não poderia alcançar a empresa retro por deter personalidade jurídica própria. Neste ponto o acórdão fundamentou seu entendimento baseado no fato da retificação ter sido realizada após o início da fiscalização com a devida ciência do recorrente. Fundamenta seu recurso dizendo não haver confusão patrimonial entre a empresa N. P. Lopes Serviços ME e seu sócio, ora recorrente, e, por fim, o recorrente nega suposta atividade sonegadora e fraudulenta, sustenta a inexistência de situação típica de imputação do agravamento da penalidade, principalmente por defender que o recorrente não foi o real beneficiário dos valores pagos a Agro Consulte. Desta feita, os autos foram remetidos para julgamento. É o relatório. Fl. 568DF CARF MF Processo nº 14098.720192/201451 Acórdão n.º 2401005.915 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 13/06/2016 conforme Aviso de Recebimento acostado à fl. 504, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 13/07/2016, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO 2.1. Da Preliminar de nulidade. Sem razão o recorrente ao alegar que o auto de infração é nulo, pois em que pese tal procedimento ser em face deste, o Sr. Auditor Fiscal está vestido de autoridade e competência para obter informações legais e públicas a respeito das pessoas jurídicas N. P. Lopes Serviços e Agro Consulte, conforme observado nos autos. No caso, os arts. 949 e 950 do Decreto 9.580/2018 dispõe: Art. 949. Compete, em caráter privativo, aos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil do Ministério da Fazenda constituir, mediante lançamento, o crédito tributário relativamente ao imposto sobre a renda, executar procedimentos de fiscalização, com objetivo de verificar o cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo, e praticar todos os atos definidos na legislação específica, inclusive os relativos à apreensão de livros, documentos e assemelhados (Lei nº 10.593, de 2002, art. 6º, caput, inciso I, alíneas “a” e “c”). Parágrafo único. A ação fiscal e todos os termos a ela inerentes são válidos, mesmo quando formalizados por AuditorFiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil do Ministério da Fazenda de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 9º, § 2º). Art. 950. Para fins do disposto na legislação tributária, não se aplicam as disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes, das Fl. 569DF CARF MF 8 industriais ou dos produtores, ou da obrigação destes de exibilos (Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional, art. 195, caput). O art. 897, também do Decreto 9.580/2018, dispõe: Art. 897. As declarações das pessoas físicas e jurídicas ficarão sujeitas à revisão pelas autoridades administrativas, as quais exigirão os comprovantes necessários à revisão (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 74, caput). § 1º A revisão será feita com elementos de que dispuser a administração, esclarecimentos verbais ou escritos solicitados aos contribuintes, ou por outros meios facultados na legislação tributária (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 74, § 1º). § 2º Os pedidos de esclarecimentos deverão ser respondidos no prazo de vinte dias, contado da data em que tiverem sido recebidos (Lei nº 3.470, de 1958, art. 19, caput). § 3º Nas hipóteses em que as informações e os documentos solicitados digam respeito a fatos que devam estar registrados em declarações apresentadas à administração tributária, o prazo a que se refere o § 2º será de cinco dias úteis (Lei nº 3.470, de 1958, art. 19, § 1º). § 4º O contribuinte que deixar de atender ou não atender satisfatoriamente ao pedido de esclarecimentos ficará sujeito ao lançamento de ofício de que trata o art. 902 (Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional, art. 149, caput, inciso III). Toda a situação fática que determinou a ocorrência do fato gerador foi detalhadamente descrita no Termo de Verificação Fiscal (fls. 10/17), com discriminação da base de cálculo, do montante devido, da fundação legal. O sujeito passivo foi identificado e regularmente intimado da autuação. Foram cumpridos os requisitos do Decreto 70.235/72, art. 10, não havendo que se falar em nulidade ou cerceamento do direito de defesa. Acrescentese que foi devidamente concedido ao autuado a oportunidade de apresentar documentos durante a ação fiscal, prazo para apresentar impugnação e produzir provas. Assim, uma vez verificado a ocorrência do fato gerador, o auditor fiscal tem o dever de aplicar a legislação tributária de acordo com os fatos por ele constatados e efetuar o lançamento tributário. No caso, inexistentes qualquer das hipóteses de nulidade previstas no Decreto 70.235/72, art. 59. Ademais, o Auto de Infração observou estritamente os ditames da legislação tributária, sem qualquer vício de procedimento. Neste ponto, destacase que o Auto de Infração, bem como o Termo de Verificação Fiscal, foi constituído por Auditor Fiscal competente para tal, detalhando, inclusive, as infrações apuradas e os devidos enquadramentos legais, de modo que atendeu todos os requisitos formais necessários de validade. Sendo assim, resta evidente a possibilidade de o auditor fiscal da Receita Federal do Brasil de qualquer localidade do país apurar o crédito tributário com base nos fatos efetivamente ocorridos, bem como acessar dados públicos dos bancos de dados federais e estaduais, não havendo que se falar em nulidade do lançamento. Fl. 570DF CARF MF Processo nº 14098.720192/201451 Acórdão n.º 2401005.915 S2C4T1 Fl. 6 9 2.2. Da omissão de rendimentos. O presente apura infração de omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica no ano de 2012, conforme consta do auto de infração de fls. 02/08. O Termo de verificação Fiscal de fls. 10/17 constatou que o recorrente recebeu R$13.425.972,21 a título de honorários advocatícios pago em cinco parcelas entre janeiro e maio de 2012, no entanto, o impugnante alegou que não foi o real beneficiário dos rendimentos, mas sim as pessoas jurídicas N. P. Lopes Serviços ME e Agro Consulte. Ocorre que o Termo de Acordo firmado entre a Centrus – Instituto Mato Grosso de Seguridade Social e o Estado de Mato Grosso resultou no pagamento da importância de R$85.000.000,00 em favor da Centrus. Já o Recorrente firmou contrato advocatício com a Centrus, resultando, posteriormente, no recebimento da quantia apontada no parágrafo anterior. Da análise dos documentos acostados aos autos, verificase que os poderes outorgados pela Centrus para o ora Recorrente (fl. 20) os qualificam como bastante procurador para transacionar e por fim na demanda judicial nº 1136/2000 que tramitava na 4ª Vara de Fazenda Pública de Cuiabá, e, ainda, contatouse que o Recorrente recebeu poderes representativos em encontros e reuniões, vedado o substabelecimento de tal mandado. Além do mais, a remuneração pelo trabalho acima foi formalizado por um contrato de assessoria, pelo qual o Recorrente utilizou de sua empresa N. P. Lopes. Em que pese todo formalismo contratual, a Fiscalização verificou que o real beneficiário foi o Recorrente dos valores recebidos a título de honorários pela assessoria e mediação do acordo firmado entre a Centrus e o Estado de Mato Grosso. Destarte, a tese de omissão de rendimentos resta evidenciada, também, pelo contrato firmado com a Agro Consulte, o qual aponta esta como empresa que atuava no ramos de Projetos, Consultoria e Fomento Mercantil, enquanto a empresa do Recorrente detinha o conhecimento necessário para solucionar o conflito judicial apontado anteriormente. No entanto, do trabalho realizado está claro que a Centrus outorgou poderes exclusivos a pessoa física do Recorrente não para as empresas N. P. Lopes Serviços e Agro Consulte, e, todo trabalho foi encabeçado unicamente pelo Recorrente. Neste ponto, o Acórdão ora debatido bem apontou: Em primeiro lugar, a procuração de fl. 20 é bem clara ao outorgar poderes ao contribuinte, como pessoa física, a atuar diretamente na assessoria da Centrus relativa à negociação da dívida com o Governo do Estado do Mato Grosso, vedando, inclusive, substabelecimento. Os Ofícios 018 e 019 de 2012, emitidos pela Centrus às fls 36/39, foram assinados pelo liquidante do Instituto e pelo contribuinte na qualidade de advogado constituído daquele Órgão (consta esta identificação expressamente no próprio texto dos referidos documentos), com a Fl. 571DF CARF MF 10 indicação, inclusive, do número de seu registro na OAB. Além disso, todos os termos de quitação emitidos pela Centrus, aprestados às fls. 40/44, foram assinados pelo contribuinte pessoa física, com indicação de seu CPF, e não como representante da pessoa jurídica NP Lopes. Da mesma foram, o acordo efetuado entre o Governo do Estado do Mato Grosso e o Instituto de Seguridade às Fls. 296/299 foi bem assinado pelo contribuinte na qualidade de advogado da Centrus, conforme identificação expressa abaixo de sua assinatura. Ainda, o Termo de Verificação Fiscal (fls. 10/17) afirmou: Portanto, não resta dúvida que a prestação dos serviços de consultoria e assessoria jurídica foi efetiva e pessoalmente realizada pelo contribuinte ora fiscalizado, participando de todos os atos envolvendo as tratativas do acordo e sua execução. [...] Diante do exposto, constatamos que a atividade profissional desenvolvida foi exercida individualmente e é privativa de advogado [...] Desta feita, importa trazer ao caso o Decreto 9.580/2018 que alterou o Decreto 3000/99, no entanto mantendo o mesmo conceito do antigo art. 150, agora identificado pelo art. 162. Senão, vejamos: “Art. 162. As empresas individuais são equiparadas às pessoas jurídicas (DecretoLei nº 1.706, de 23 de outubro de 1979, art. 2º). § 1º São empresas individuais: [...] II as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, por meio da venda a terceiros de bens ou serviços (Lei nº 4.506, de 1964, art. 41, § 1º, alínea “b”; e DecretoLei [...] § 2º O disposto no inciso II do § 1º não se aplica às pessoas físicas que, individualmente, exerçam as profissões ou explorem as atividades de: I médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 6º, caput, alínea “a”; Lei nº 4.480, de 14 de novembro de 1964, art. 3º; e Lei nº 10.406, de 2002 Código Civil, art. 966, parágrafo único);” Portanto, o sujeito passivo originário é aquele que efetivamente prestou o serviço, não pode o contribuinte destinar tal passivo àquele que não participou do serviço prestado, e, mais, o contribuinte sequer declarou os supostos rendimentos obtidos pela N. P. Lopes Serviços ME, assim como se verifica nas fls. 129/130. Após a ciência do procedimento fiscalizatório que deu origem o Auto de Infração de fls. 02/08 o contribuinte promoveu a retificação da declaração da sua empresa. Ocorre que isso afasta a espontaneidade para promover a referida retificação. Noutra ponta, o termo de subrogação assinado entre a empresa N. P Lopes Serviços ME e a Agro Consulte, anuído pela Centrus (fls. 301/202) não altera a realidade dos fatos, qual seja, o único beneficiário foi o Recorrente, bem como este foi o único a realizar as atividades contratadas, a saber: atividades privativas de advogado. Fl. 572DF CARF MF Processo nº 14098.720192/201451 Acórdão n.º 2401005.915 S2C4T1 Fl. 7 11 É mister destacar que a Fiscalização restou fundamentada em fatos e provas robustas capazes de fundamento o lançamento ora recorrido. Ainda, certo que o recorrente foi autuado na qualidade de pessoa física, pois tais rendimentos não foram oferecidos na declaração anual de importo de renda, e, o suposto repasse de parte da quantia para empresa Agro Consulte não desqualifica o crédito ora debatido, pois o fato gerador foi o recebimento, pelo Recorrente, do importe pago a título de honorários, os quais foram recebidos única e exclusivamente pelo trabalho realizado unicamente pelo Recorrente. Ademais, restou constatado às fls. 251/252 que a empresa Agro Consulte está inativa desde 2010, e, pior, o Termo de Constatação de fls. 251/252 verificou que a mesma não funciona em seu domicílio fiscal, nem mesmo os é conhecida no local e arredores. A questão não melhora com as informações obtidas junto à prefeitura da cidade de Cuiabá –MT, onde foi solicitado cópias das Notas Fiscais de Serviços emitidas pela empresa Agro Consulte. Ocorre que a prefeitura de Cuiabá informou que a empresa sequer possui inscrição no cadastro mobiliário do Município, ao passo que não há autorização para emissão das Notas Fiscais de fls. 47, 50, 53 e 56. Destarte, as atividades empresarias da Agro Consulte dizem respeito a criação de bovinos para corte, ao passo que não compreende atividades exclusivas de advogado, como no presente caso. E, ainda, a autoridade intimou o Recorrente para apresentar documentos que comprovassem a efetiva prestação de serviço pela subcontratada Agro Consulte, porém não obteve resposta, conforme fl. 268. Ainda, o recorrente suscitou eventual erro na base de calculo que levaria ao ”enriquecimento ilícito do Fisco Federal”, no entanto, em nada merece reparo o acórdão ora debatido, porquanto os valores de imposto de renda retido na fonte indicados no comprovante de fl. 305 já excluídos do lançamento, fato este corroborado nos documentos de fls. 45/46. Assim, o lançamento não merece nenhum reparo. Diante do exposto, pelos serviços exclusivos de advogado prestados a Centrus, que o restou vastamente comprovado, o Recorrente foi o verdadeiro beneficiário dos rendimentos no importe de R$13.425.972,91. 2.3. Da multa de ofício de 150%. Sobre o tema em debate, requer o Recorrente a exclusão da multa de ofício aplicada, até mesmo por entender ser confiscatória. Todavia, entendo que as razões recursais não merecem prosperar. Uma vez instaurado o procedimento de ofício e constatada infração à legislação tributária, o crédito tributário apurado pela autoridade fiscal somente pode ser satisfeito com os encargos do lançamento de ofício. Nesse aspecto, a multa qualificada corresponde a uma exceção, a qual visa penalizar o contribuinte que maliciosamente oculta o fato gerador de obrigação tributária. É o caso dos autos. Fl. 573DF CARF MF 12 A Lei 4.502/64, nos artigos descritos no §1º da lei acima, dispõe: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Por sua vez, a Lei 9.430/96 traz regramentos específicos sobre a matéria, vejase: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de aração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) [...] § 1º O percentual de multa que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Não menos importante, temse outros dispositivos que tratam do tema, a saber: art. 1º, I, da Lei 4.729; Lei nº 8.137/90, especialmente em seu artigo 1º, I; art. 2º, I. Assim, mostrase cabível a aplicação da multa de ofício quantificada em 150%, disciplinada pelo art. 44, § 1º da Lei nº 9.430/96, uma vez que, diante do conjunto de operações realizada pelo Recorrente, resta clara a intenção de negar a existência de recurso tributáveis com o intuito de ocultar o fato gerador e consequente ausência de recolhimentos do Importo de Renda devido. Logo, uma vez que o contribuinte agiu dolosamente com claro motivo fraudulento e de sonegação, devida é a multa como imposta. No tocante ao argumento da capacidade contributiva e do caráter confiscatório da imposição (multa), entendese que os argumentos também falecem de possibilidade de Fl. 574DF CARF MF Processo nº 14098.720192/201451 Acórdão n.º 2401005.915 S2C4T1 Fl. 8 13 acolhimento, posto que a vedação ao confisco instituído pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu, o que fora observado nos autos. Assim, não há razão para afastar a aplicação da multa de ofício. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 575DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12585.000103/2011-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Ressarcimento no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º, do CTN regulamenta o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir lançamento com pedido de ressarcimento. O artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS/COFINS INCIDENTE SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. VEDAÇÃO EXPRESSA. INDEFERIMENTO.
Há vedação legal expressa ao creditamento das contribuições ao PIS e Cofins sobre a compra de veículos automotores para revenda, nos termos do art. 3º, inciso I, alínea b, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.176
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. Vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède que conhecia integralmente do recurso e lhe negava provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Ressarcimento no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º, do CTN regulamenta o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir lançamento com pedido de ressarcimento. O artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS/COFINS INCIDENTE SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. VEDAÇÃO EXPRESSA. INDEFERIMENTO. Há vedação legal expressa ao creditamento das contribuições ao PIS e Cofins sobre a compra de veículos automotores para revenda, nos termos do art. 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. Vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède que conhecia integralmente do recurso e lhe negava provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 01 03 /2 01 1- 96 Fl. 143DF CARF MF Processo nº 12585.000103/201196 Acórdão n.º 3302006.176 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento do ressarcimento de créditos da contribuição não cumulativa (PIS/Cofins), tendo como fundamento a existência de vedação legal expressa (§ 1º do artigo 2º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003), que incluem, nos seus incisos III e IV, quando adquiridos para revenda, as máquinas, veículos e autopeças. Segundo a Fiscalização, o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, devia ser entendido no sentido de que os créditos que podiam ser mantidos eram aqueles que existissem caso a receita à qual eram vinculados não fosse tributada à alíquota zero, inexistindo lógica na manutenção de crédito que a lei vedava desde a sua definição, em função da vedação expressa contida no artigo 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Ainda de acordo com a autoridade fiscal, à semelhança da substituição tributária, a tributação monofásica aplicada a certos produtos – dentre os quais os veículos e autopeças – fazia incidir toda a carga tributária das contribuições na pessoa jurídica fabricante ou no importador, atribuindo alíquota zero aos elos subsequentes do ciclo de venda do produto (atacadistas e varejistas), sendo que a concessão de crédito a estes últimos viria a distorcer a tributação, anulando o aumento da carga tributaria paga pela pessoa jurídica fabricante ou pelo importador. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte arguiu que existia norma que possibilitava o creditamento, este intrínseco à não cumulatividade, em conformidade com o art. 17 da Lei nº 11.033/2004. Por outro lado, argumentou o então Manifestante ser desnecessário o enfrentamento do mérito, uma vez que Despacho Decisório havia sidolhe cientificado após o limite temporal de 5 anos contados da data de protocolização do pedido. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 16064.025, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que, tratandose de pedido de ressarcimento, não havia que se falar em prazo de cinco anos para sua análise, inexistindo hipótese de reconhecimento tácito do crédito. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 12585.000103/201196 Acórdão n.º 3302006.176 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.167, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 12585.000094/201133, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.167): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, a Recorrente trouxe em sede recursal os seguintes argumentos de defesa: a. existe norma que possibilita o creditamento, afinal é intrínseco à não cumulatividade o creditamento, como ficou comprovado com o art. 17 da Lei nº 11.033/04; b. mas não será necessário nem estender esse mérito, já que o Despacho Decisório não pode prevalecer já que cientificado após o limite temporal, como se passa a demonstrar. Referida matéria já foi objeto de análise por esta antiga turma nos autos do PA nº 19515.721292/201379 (acórdão nº 3302005.274), onde restou decido por afastar o direito de tomar crédito em relação as aquisições para revenda de máquinas, veículos e autopeças sujeitos à incidência monofásica, bem como afastar a incidência do instituto da homologação tácita para os pedidos de restituição/ressarcimento, cujas razões adoto como causa de decidir: Da inexistência de homologação tácita Quanto à suposta homologação tácita objeto dos pedidos de ressarcimento, urge esclarecer que o § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, trata do prazo para homologação da compensação declarada, inexistindo na legislação prazo quanto à homologação tácita de pedido de ressarcimento, que aliás, não é o caso dos autos. Rejeitase assim a preliminar arguida. MÉRITO Quanto ao mérito, destacamse a seguir os excertos do TVF: Inicialmente, vale esclarecer que o interessado é pessoa jurídica revendedora de veículos e autopeças, mercadorias sujeitas à incidência monofásica, e incide, portanto, na vedação contida no art. 3º, I, b c/c o art. 2º, § 1º, III e IV das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, que impedem a apuração de créditos na aquisição, para revenda, das máquinas, veículos e autopeças especificadas na Lei nº 10.485, de 2002. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 12585.000103/201196 Acórdão n.º 3302006.176 S3C3T2 Fl. 5 4 3. A despeito da vedação supracitada, o contribuinte apura créditos calculados sobre máquinas, veículos e autopeças tendo em vista a disposição contida no artigo 17 da Lei nº 11.033, de 2004, que autoriza a manutenção dos créditos vinculados às vendas com suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. (...) A par da tributação concentrada, estipulada aos fabricantes e importadores de veículos e autopeças, o § 2º do artigo 3º da Lei nº 10.485, de 2002, atribui a incidência de alíquota zero para a receita de venda dos mesmos veículos e autopeças, quando apurada por comerciantes atacadistas e varejistas. “Art.3º ... § 2º Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001.” (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (g.n.)” 15. Em suma, para as máquinas, veículos e autopeças relacionados na Lei nº 10.485, de 2002, vigora o regime de incidência monofásica da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, com concentração da tributação nos respectivos fabricantes e importadores dessas mercadorias e com incidência de alíquota zero para as receitas apuradas, por comerciantes atacadistas e varejistas, com as vendas das mesmas. (...) Dentre as hipóteses para as quais há vedação legal expressa para a apuração de créditos, estão as citadas no § 1º do artigo 2º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, que incluem, nos seus incisos III e IV, quando adquiridos para revenda, as máquinas, veículos e autopeças supracitados. “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008)” (g.n.) Art. 2°, § 1o (...) III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” (g.n.) (...) Fl. 146DF CARF MF Processo nº 12585.000103/201196 Acórdão n.º 3302006.176 S3C3T2 Fl. 6 5 19. Nesse sentido, não ensejam apuração de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, as aquisições, para a revenda, de máquinas e veículos classificados nos códigos da TIPI supracitados e de autopeças relacionadas nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002. Estando bem delineada a espécie normativa que fundamenta a questão e objetivamente abordada pela decisão de piso, reproduzemse os fundamentos, como razão de decidir, com escopo no 1artigo 50, § 1º da Lei 9.784, de 1999, a seguir destacados: Quanto ao mérito, digase que a alegação da impugnante de que existiria norma que possibilitaria a constituição dos créditos glosados está fundamentada, como bem disse o Despacho Decisório, em uma interpretação equivocada do art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Esse artigo apenas afirma que podem ser mantidos os créditos porventura existentes vinculados a operações com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. No presente caso não existe crédito a ser mantido, pouco importando, pois, que a operação de venda da contribuinte tenha sido com alíquota zero. E o crédito não existe porque, como também deixa claro o Despacho Decisório, há vedação legal para a sua apuração no caso de veículos e autopeças submetidos à sistemática monofásica:(grifei). Lei nº 10.637, de 2002: Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos). § 1º Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [destaques acrescidos] Lei nº 10.833, de 2003: Fl. 147DF CARF MF Processo nº 12585.000103/201196 Acórdão n.º 3302006.176 S3C3T2 Fl. 7 6 Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [destaques acrescidos] Assim, em virtude da vedação determinada pelo art. 3º, inciso I, alínea b, da Lei nº 10.637, de 2002, e pelo art. 3º, inciso I, alínea b, da Lei nº 10.833, de 2003, a contribuinte não podia apurar nenhum crédito decorrente da aquisição de veículos e autopeças submetidos à sistemática monofásica e, portanto, não há sentido em invocar a permissão do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, já que não há crédito a ser mantido. Com isso, concluise novamente pela correção do procedimento fiscal ao lavrar os lançamentos de ofício para formalizar as glosas dos créditos, devendo a contribuinte retificálos em suas declarações.(grifei). No mesmo sentido são as decisões proferidas nos acórdãos nº 3302 005.447 e 3302005.447, envolvendo o crédito nas aquisições de produtos sujeitos ao regime de tributação monofásica e a homologação tácita, respectivamente: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. VEDAÇÃO EXPRESSA. INDEFERIMENTO. Há vedação legal expressa ao creditamento das contribuições ao PIS e a COFINS sobre a compra de veículos automotores para revenda, nos termos do art. 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, não se podendo reconhecer credito que afronte tal vedação. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O Fl. 148DF CARF MF Processo nº 12585.000103/201196 Acórdão n.º 3302006.176 S3C3T2 Fl. 8 7 art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Em relação ao prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias para conclusão do procedimento administrativo, previsto no artigo 24, da Lei nº 11.457/07, constatase que referida matéria não foi suscitada na impugnação, ensejando, assim, a aplicação do artigo 17, do Decreto nº 70.235/72, a saber: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Diante do exposto, voto em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu conhecer em parte o recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 149DF CARF MF
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Numero do processo: 10569.000475/2010-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS E DE ORIGEM NÃO COMPROVADA (LEI Nº 9.430/96, ART.42). OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito, poupança e/ou investimento, junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Para imputação por presunção legal da infração omissão de receitas (fato probando) basta que o fisco comprove a ocorrência do fato indiciário, ou se-ja, a existência de extratos bancários de conta corrente cuja movimentação financeira bancária não foi registrada na escrituração contábil/fiscal e a pessoa jurídica, embora intimada, não comprove a origem dos recursos ingressados a crédito na conta corrente bancária.
A partir do fato indiciário depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada (fato conhecido), presume-se a ocorrência ou existência de omissão de receitas à margem da tributação (fato probando).
A presunção legal de omissão de receitas, que implica inversão do ônus da prova, tem caráter relativo.
O ônus probatório da não ocorrência do fato probando omissão de receitas, portanto, é do sujeito passivo, que poderá afastá-la mediante produção de prova apta,idônea e cabal.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA TÉCNICO-CONTÁBIL. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de diligência ou perícia, cujo objetivo é instruir o processo com as provas documentais que o recorrente deveria produzir em sua defesa, juntamente com a peça impugnatória ou recursal.
A perícia técnica se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos.
A diligência fiscal, perícia técnico-contábil, não tem o condão de substituir a parte na atividade de produção de prova.
Para afastar a omissão de receitas, infração imputada por presunção legal, o ônus probatório, atividade de produção de provas, é do sujeito passivo, em face da inversão do ônus da prova.
Considera-se inexistente o pedido de diligência e perícia técnica, quando não atender aos ditames do art. 16, IV, do Decreto 70.235/72. Aplicação da inteligência do § 1º do art.16 do mesmo diploma legal.
Não configura cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de diligência ou perícia considerada meramente protelatória, desnecessária, prescindível ou cujo pedido foi formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72.
INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DOS TRIBUTOS DO SIMPLES. RECEITA DECLARADA - DIFERENÇA DE ALÍQUOTA - INFRAÇÃO REFLEXA.
Mantida a infração principal - omissão de receitas, implica, por decorrência, a manutenção da infração - insuficiência de recolhimento dos tributos do Simples acerca da receita informada na Declaração Simplificada do Simples - diferença de alíquota (infração reflexa).
LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL-Simples, PIS-Simples, Cofins - Simples e Contribuição para Seguridade Social - INSS - Simples.
Mantido o lançamento principal, por decorrência devem ser mantidos também os lançamentos reflexos, pela conexão dos fatos e provas, e inexistindo razão fática e jurídica para decidir diversamente.
Numero da decisão: 1301-003.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto- Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, substituída pelo Conselheiro Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito, poupança e/ou investimento, junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para imputação por presunção legal da infração omissão de receitas (fato probando) basta que o fisco comprove a ocorrência do fato indiciário, ou se ja, a existência de extratos bancários de conta corrente cuja movimentação financeira bancária não foi registrada na escrituração contábil/fiscal e a pessoa jurídica, embora intimada, não comprove a origem dos recursos ingressados a crédito na conta corrente bancária. A partir do fato indiciário depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada (fato conhecido), presumese a ocorrência ou existência de omissão de receitas à margem da tributação (fato probando). A presunção legal de omissão de receitas, que implica inversão do ônus da prova, tem caráter relativo. O ônus probatório da não ocorrência do fato probando omissão de receitas, portanto, é do sujeito passivo, que poderá afastála mediante produção de prova apta,idônea e cabal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA TÉCNICOCONTÁBIL. INDEFERIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 56 9. 00 04 75 /2 01 0- 12 Fl. 855DF CARF MF Processo nº 10569.000475/201012 Acórdão n.º 1301003.628 S1C3T1 Fl. 856 2 Indeferese o pedido de diligência ou perícia, cujo objetivo é instruir o processo com as provas documentais que o recorrente deveria produzir em sua defesa, juntamente com a peça impugnatória ou recursal. A perícia técnica se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. A diligência fiscal, perícia técnicocontábil, não tem o condão de substituir a parte na atividade de produção de prova. Para afastar a omissão de receitas, infração imputada por presunção legal, o ônus probatório, atividade de produção de provas, é do sujeito passivo, em face da inversão do ônus da prova. Considerase inexistente o pedido de diligência e perícia técnica, quando não atender aos ditames do art. 16, IV, do Decreto 70.235/72. Aplicação da inteligência do § 1º do art.16 do mesmo diploma legal. Não configura cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de diligência ou perícia considerada meramente protelatória, desnecessária, prescindível ou cujo pedido foi formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DOS TRIBUTOS DO SIMPLES. RECEITA DECLARADA DIFERENÇA DE ALÍQUOTA INFRAÇÃO REFLEXA. Mantida a infração principal omissão de receitas, implica, por decorrência, a manutenção da infração insuficiência de recolhimento dos tributos do Simples acerca da receita informada na Declaração Simplificada do Simples diferença de alíquota (infração reflexa). LANÇAMENTO REFLEXO: CSLLSimples, PISSimples, Cofins Simples e Contribuição para Seguridade Social INSS Simples. Mantido o lançamento principal, por decorrência devem ser mantidos também os lançamentos reflexos, pela conexão dos fatos e provas, e inexistindo razão fática e jurídica para decidir diversamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. Fl. 856DF CARF MF Processo nº 10569.000475/201012 Acórdão n.º 1301003.628 S1C3T1 Fl. 857 3 (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, substituída pelo Conselheiro Ângelo Abrantes Nunes. Fl. 857DF CARF MF Processo nº 10569.000475/201012 Acórdão n.º 1301003.628 S1C3T1 Fl. 858 4 Relatório Tratase do Recurso Voluntário (efls. 840/849) em face do Acórdão da 3ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I (efls. 753/764) que julgou a Impugnação improcedente, mantendo os autos de infração do SIMPLES Federal, anocalendário 2006. Quanto aos fatos consta dos autos: que, em 26/08/2010, a Fiscalização da RFB, unidade DEMAC Rio de Janeiro, lavrou Autos de Infração do SIMPLES Federal (IRPJ, PIS, CSLL, Cofins e Contribuição para Seguridade Social INSS), anocalendário 2006, ao imputar as seguintes infrações com multa de 75% (efls. 03/27 e 600/649), in verbis: (...) 001 OMISSÃO DE RECEITAS RECEITAS NÃO ESCRITURADAS Valor apurado conforme Termo de Constatação anexo. (...) ENQUADRAMENTO LEGAL: Art. 24 da Lei n 2 9.249/95; arts. 2º, §2º, 3º, §1º, alínea "a", 5º , 7º , § 1, 18, Lei nº 9.317/96; Art. 3º da Lei nº 9.732/98.; Arts. 186, 188 e 199, do RIR/99. 002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO (infração reflexa) Insuficiência de valor recolhido apurada conforme Termo de Constatação anexo. (...) que quanto aos fatos apurados consta do Termo de Constatação Fiscal a narrativa, descrição (efls. 76/82), in verbis: (...) I DOS FATOS: O contribuinte em questão, no anocalendário de 2006 era optante pelo Simples Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte. (...) Fl. 858DF CARF MF Processo nº 10569.000475/201012 Acórdão n.º 1301003.628 S1C3T1 Fl. 859 5 Em 08/02/2010 a empresa apresentou, por escrito, declaração informando a impossibilidade de apresentar os livros contábeis em virtude de ter ocorrido alagamento na empresa e danificado a documentação. Após várias prorrogações o contribuinte entregou a totalidade dos Extratos Bancários, em 05/05/2010, referente ao ano calendário de 2006 das contas: 1) 13.210.1 da agência 05762 do Banco do Brasil; 2) 860638 da agência 14176 do Banco Bradesco; 3) 118.3105 da agência 0047 do Banco SAFRA; 4) 69994240 da agência 0455 do Banco REAL. Intimamos ao contribuinte através do TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL de 16/06/2010 a: Informar e comprovar a origem de cada item de lançamento bancário a crédito nas contascorrentes abaixo especificadas, conforme Anexos I a IV: (...). (...) Em 13/07/2010 o contribuinte solicitou postergação para atender ao Termo de Intimação Fiscal do dia 16/06/2010, entregando em 03/08/2010 a planilha com a identificação das receitas de vendas ocorridas no período. Em 20/08/2010 solicitamos ao contribuinte esclarecimento referente à planilha entregue, contendo a identificação das receitas. Esclarecemos que o contribuinte não apresentou os Livros contábeis alegando que, em virtude das chuvas, os livros foram danificados no alagamento ocorrido, sendo que não apresentou laudo pericial do corpo de bombeiro. Constatamos que a empresa extrapolou o limite de Receita Bruta para enquadramento de empresa de pequeno porte para o ano calendário 2006, conforme demonstrado na Tabela I —Total de Receitas. II— DO LANÇAMENTO: Com base nas informações disponibilizadas pelo contribuinte, e a inexistência da escrituração contábil, apuramos o crédito com base na movimentação financeira, onde a falta de escrituração e os valores encontrados confirmam a Omissão de Receita, pois o total de depósitos apurados é superior à receita declarada. Logo decidiu essa Fiscalização proceder ao lançamento. Destaquese que na totalização dos créditos bancários foram excluídos os empréstimos obtidos, transferências de uma conta para outra de mesma titularidade, créditos referentes a redução Fl. 859DF CARF MF Processo nº 10569.000475/201012 Acórdão n.º 1301003.628 S1C3T1 Fl. 860 6 de saldo devedor, havendo débito em igual valor, cheques sustados, estornos de lançamentos, baixa automática poupança e as devoluções/estorno de cheques depositados, conforme identificação do contribuinte. Os depósitos/créditos bancários ora lançados como receita omitida encontramse listados com discriminação individualizada de banco, agência, conta, data, histórico e valor no Extrato consolidado dos créditos anexos I a IV do Auto de Infração, que fazem parte integrante e inseparável deste Auto de Infração. Nos anexos, consta ainda, a resposta do contribuinte com relação a origem dos créditos, onde os valores marcados em verde foram excluídos. Assim, fica evidenciada a infração classificada como OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE CARTÃO DE CRÉDITO/DÉBITO da ordem de R$ 5.017.622,96 demonstrada mensalmente, nos quadros abaixo, denominados Tabelas I e II. Nos anexos V a VIII constam os valores com os créditos considerados tomados como base para elaboração das tabelas: (...). Tabela II Valores omitidos (...) Em conseqüência da omissão de receitas, foi apurada a infração INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO, apurada conforme quadro abaixo, tendo em vista que os recolhimentos efetuados pelo contribuinte foram feitos com base em percentuais inferiores, haja vista a mudança de percentual com relação à receita bruta acumulada (art. 5 2 da Lei 9.317/96). Fl. 860DF CARF MF Processo nº 10569.000475/201012 Acórdão n.º 1301003.628 S1C3T1 Fl. 861 7 (...) que as alíquotas do SIMPLES Federal, anocalendário 2006, constam do demonstrativo a seguir, extraído do lançamento fiscal: (...) que o crédito tributário lançado de ofício, na data de lavratura dos autos de infração do SIMPLES Federal, anocalendário 2006, perfaz o montante de R$ 1.450.540,75, assim especificado por exação fiscal: Auto de Infração Principal (R$) Juros de Mora (calculados até 30/07/2010) (R$) Multa de Ofício 75% (R$) Total (R$) IRPJSimples 46.535,72 19.201,26 34.901,75 100.638,73 PISSimples 34.068,99 14.058,41 21.551,70 73.679,10 CSLL Simples 47.583,97 19.717,00 35.687,93 102.988,90 Cofins Simples 139.942,82 58.009,56 104.957,07 302.909,45 Contrib. Seguridade Social INSS Simples 402.197,15 166.479,60 301.647,81 870.324,56 Total (R$) 1.450.540,75 Obs: Os valores pagos no SIMPLES Federal, anocalendário 2006, que foram pagos sobre a receita declarada foram deduzidos como crédito, sendo lançada a diferença, conforme demonstrativos (efls. 05/27). Fl. 861DF CARF MF Processo nº 10569.000475/201012 Acórdão n.º 1301003.628 S1C3T1 Fl. 862 8 Ciente do lançamento fiscal, o sujeito passivo apresentou Impugnação, cujas razões estão assim consignadas no relatório da decisão recorrida que transcrevo (efls. 753/764), in verbis: (...) 2. Na impugnação o interessado, alega, em síntese, o que se segue: a) Que a verificação apenas da movimentação bancária é insuficiente para a apuração do crédito tributário, pois contraria o disposto no art.199 do RIR/99; b) Que deveriam ter sido consideradas na apuração do crédito as despesas do contribuinte, as retenções na fonte realizadas e os eventuais créditos; c) Que o fisco deveria (...) ter requisitado todos os documentos que embasaram os lançamentos nos livros fiscais; d) Requer a realização de diligência para que se proceda à apuração do crédito tributário, considerando as despesas, as retenções na fonte e eventuais créditos; e) Diz que os autos de infração de IRPJ e CSLL foram lavrados sem que o interessado fosse consultado quanto a forma de tributação desejada do IRPJ/CSLL; f) Requer a realização de diligência para que o interessado se manifeste acerca de sua opção pela forma de tributação do IRPJ e CSLL e levantamento das despesas dedutíveis; g) Quanto à autuação da contribuição previdenciária, diz que o interessado sofreu retenção na fonte de 11% e que não considerar esses valores equivale a obrigar o interessado a pagar o tributo duas vezes; h) A base de cálculo deveria ter sido apurada com base nas notas fiscais e não nos extratos bancários; i) Requer a realização de diligência para que sejam levantados todos os valores retidos na fonte de contribuição previdenciária; j) Quanto ao auto de infração de PIS/PASEP e COFINS diz que a opção pelo regime da cumulatividade ou da não cumulatividade do PIS e da COFINS depende da tributação adotada para o IRPJ; k) Requer a realização de diligência para que o interessado efetue sua opção pela forma de tributação do IRPJ, e, conseqüentemente, se apure o valor correto do PIS/COFINS; l) Quanto à imposição de multa alega que fere os princípios constitucionais do nãoconfisco e da proporcionalidade; m) Por fim, requer: Fl. 862DF CARF MF Processo nº 10569.000475/201012 Acórdão n.º 1301003.628 S1C3T1 Fl. 863 9 a. a realização de diligência para a apuração correta do crédito tributário; b. eventualmente, caso o julgamento não seja convertido em diligência, que o auto de infração seja julgado insubsistente por ausência de embasamento dos dados para apuração do quantum debeatur dos tributos, considerando que os extratos bancários foram a única fonte de informação utilizada pelo fiscal autuante; c. alternativamente, caso todas as razões aduzidas pelo interessado não sejam acolhidas, o que se admite tão somente em razão do princípio da eventualidade, não merece prevalecer o valor designado no auto de infração, pois deve ser afastado o valor desproporcional cobrado de multa, em respeito ao princípio da equidade. (...) Na sessão de 26/07/2012, a 3ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I julgou o lançamento Improcedente, ao manter os autos de infração do SIMPLES Federal, ano calendário 2006, conforme Acórdão (efls. 753/764), cuja ementa e parte dispositiva transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Não compete à autoridade administrativa declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade de lei. DILIGÊNCIA. PEDIDO GENÉRICO. Consideramse não formulados os pedidos genéricos de diligência, por não atenderem aos requisitos da lei. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam Omissão de Receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, em relação aos quais o titular não comprove a origem dos recursos utilizados. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. INFRAÇÃO DECORRENTE. À Insuficiência de Recolhimento aplicase o mesmo tratamento dispensado à infração Omissão de Receitas, por força da causa e do efeito que as vincula. Fl. 863DF CARF MF Processo nº 10569.000475/201012 Acórdão n.º 1301003.628 S1C3T1 Fl. 864 10 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Ciente desse decisum em 29/05/2014 (quintafeira) por via postal Avisto de Recebimento AR (efl. 837), o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário em 30/06/2014 segundafeira (efls. 840/849), cujas razões, em síntese, são as mesmas alegadas na instância a quo, ou seja: 1 Pedido de Diligência: que a decisão recorrida negou o pedido de conversão do feito em diligência com a alegação de que o sujeito passivo não trouxera documentos que sustentassem sua alegação. Todavia, o pedido de diligência foi feito exatamente para que o fisco comprove melhor a autuação feita, pois para o lançamento do crédito tributário o i. Auditor Fiscal utilizou apenas os extratos bancários da empresa, em total desacordo com o disposto no art. 199 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99),; que a verificação apenas da movimentação bancária através do extrato bancário é insuficiente para se chegar ao valor do crédito tributário, por essa razão deve o feito ser convertido em diligência; que não se pode deixar de verificar as despesas do contribuinte, as retenções na fonte realizadas, os eventuais créditos em respeito ao princípio do nãocumulatividade, sob pena de o contribuinte pagar um valor a maior do que o efetivamente devido; que o dever e a responsabilidade de comprovar as imputações dos fatos é do fisco e não do contribuinte; que a decisão recorrida, ao manter os autos de infração, ofende diretamente ao princípio do indubio pro reo, na qual o fisco terá que fazer prova de que suas alegações são verdadeiras, e o contribuinte/réu só poderá ser condenado em caso de haver a mais completa certeza da incorreção de seu procedimento, pois esta é a previsão do art. 112 do CTN; que, com base no art. 16, IV do Decreto nº 72.235/72, requer seja a decisão recorrida reformada para converter o feito em diligência, haja vista que é o fisco quem deve comprovar suas alegações, a fim de apurar o valor correto do crédito tributário, considerando as despesas, as retenções na fonte e eventuais créditos. 2 Quanto ao mérito: que a r. decisão recorrida também não foi a mais adequada, pois considerou os depósitos bancários como renda, o que tem conceito completamente diferente; que ainda o fisco considerou lançamento fiscal como se o sujeito passivo estivesse no SIMPLES Federal. Porém, a fiscalização ao considerar que a movimentação bancária no ano calendário 2006 foi superior ao limite do SIMPLES FEDERAL, representou por sua exclusão desse regime de apuração. Entretanto, efetuou o lançamento fiscal do anocalendário 2006 ainda no SIMPLES Federal; Fl. 864DF CARF MF Processo nº 10569.000475/201012 Acórdão n.º 1301003.628 S1C3T1 Fl. 865 11 que deveria ter efetuado o lançamento fiscal por outro regime de apuração, diverso do SIMPLES Federal; que, assim, deixou de considerar os custos e despesas incorridos na geração de receitas , os quais são relevantes na apuração do valor real devido; que os autos de infração do SIMPLES Federal foram lavrados diretamente sobre a receita bruta (faturamento); que, todavia, não se pode confundir renda com faturamento, pois o Decreto nº 3.000/99 (RIR/99) dispõe que a renda é a diferença dos rendimentos e as deduções previstas pela legislação, ou seja, nem toda receita é considerada renda e tampouco toda despesa é dedutível; que para se chegar ao valor exato do valor devido de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, bem como da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, já que ambas tem a mesma base de cálculo, não se pode deixar de observar a origem do rendimento, bem como levantar todas as despesas do contribuinte, o que repitase, em momento algum foi observado pelo fisco; que a Empresa, ora recorrente, no anocalendário 2006, era optante do SIMPLES, todavia a receita omitida superou o limite autorizado pela legislação, ocorreu o seu desenquadramento; que, com o seu desenquadramento do SIMPLES, a recorrente poderá optar pelo recolhimento do IRPJ, bem como da CSLL, na forma do lucro presumido, lucro real trimestral ou anual, conforme disposto no §29 do art. 32 da Lei Complementar nº 123/06; que a recorrente não pôde efetuar a opção pelo recolhimento do IRPJ, bem como da CSLL, no regime desejado, pois o fisco lavrou os Autos de Infração sem qualquer consulta sobre a forma de tributação desejada, ou seja, violando claramente a legislação vigente; que, sendo assim, não há outra opção que não seja a devolução dos autos para realização de diligência a fim de que se possa colher da recorrente sua opção da forma de tributação do IRPJ, bem como de CSLL, e, outrossim, realizar o levantamento das despesas dedutíveis a fim de que se possa chegar ao valor da renda; que em relação à Contribuição Previdenciária Patronal, como se sabe, a Lei nº 9.711/98, que passou a vigorar a partir de fevereiro de 1999, introduziu a obrigatoriedade da retenção na fonte da Contribuição Previdenciária pela empresa contratante, de 11% (onze por cento) sobre o valor total dos serviços contidos na nota fiscal, fatura ou recibo emitido pelo contratado; que as empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES também estão sujeitas à retenção de 11% (onze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo emitido; que como se pode ver de algumas cópias GPS's (Guia da Previdência Social), já carreadas nos autos quando da Impugnação (efls. 723/726), a recorrente sofreu retenção na fonte da Contribuição Previdenciária de empresas como: Eletrobrás Termonuclear S/A, Belocap, Procosa Produtos de Beleza; que desconsiderar as retenções ocorridas na fonte da Contribuição Previdenciária da recorrente é obrigar a recorrente a pagar novamente a mesma exação fiscal; que a realização de diligência se faz necessário com o objetivo de se levantar todos os valores retido na fonte de Contribuição Previdenciária Patronal, sob pena de pagar duas vezes o mesmo tributo; Fl. 865DF CARF MF Processo nº 10569.000475/201012 Acórdão n.º 1301003.628 S1C3T1 Fl. 866 12 que em relação às contribuições (PIS e COFINS), destacase que com a exclusão do SIMPLES o sujeito passivo passa a ter opção por dois regimes possíveis para o PIS/PASEP e para a COFINS incidente sobre o faturamento: o regime cumulativo; ou o regime nãocumulativo; que a opção pelo regime da cumulatividade ou da nãocumulatividade está diretamente ligada há opção pela forma de tributação do Imposto de Renda Pessoa da Jurídica; que em caso de opção do IRPJ pelo lucro presumido o PIS/PASEP e a COFINS serão automaticamente pelo regime da cumulativadade, já em caso de opção do IRPJ pelo lucro real as contribuições serão automaticamente pelo regime da nãocumulatividade; que, diante do exposto, o sujeito passivo reitera o pedido para a conversão de julgamento em diligência para que se possa realizar a opção da forma de sua tributação de IRPJ e consequentemente do PIS/Pasep e COFINS e chegar ao valor real de seu recolhimento; que, caso as razões aduzidas pela recorrente não sejam acatadas, o que se admite tão somente em razão do princípio da eventualidade, não merece prevalecer o valor designado ao auto de infração, pois admitiu a imposição de multa com nítido caráter confiscatório e notadamente desproporcional. Por fim, a recorrente pediu, em face das razões de fato e direito aduzidas,,que seja dado ao recurso provimento integral, reformada a r. decisão combatida, por ser medida de justiça. É o relatório. Fl. 866DF CARF MF Processo nº 10569.000475/201012 Acórdão n.º 1301003.628 S1C3T1 Fl. 867 13 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Por isso, conheço do recurso. A lide versa acerca do crédito tributário lançado de ofício (autos de infração do SIMPLES Federal), anocalendário 2006, pela imputada das seguintes infrações: a) omissão de receitas receitas não escrituradas depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada (Lei 9.317/96, arts. 18 e 24; RIR/99, art. 199; e art. 42 da Lei 9430/96); b) insuficiência de recolhimento quanto às receitas informadas no SIMPLES Federal (infração reflexa). Nas razões do recurso nesta instância recursal ordinária, a recorrente argumentou: que extrapolou o limite de receita bruta para permanecer no SIMPLES Federal, anocalendário 2006; que, entretanto, mesmo assim, o fisco lavrou autos de infração do SIMPLES Federal; que, então, o fisco se equivocou, pois deveria ter lavrado os autos de infração por regime de apuração diverso do SIMPLES Federal, anocalendário 2006; que o fisco levou em conta para apuração da receita bruta apenas os depósitos bancários; que os depósitos bancários não são renda, não são acréscimo patrimonial; que se deve converter o julgamento em diligência para apurar melhor os fatos (receitas, despesas, custos retenções de exações fiscais na fonte, créditos de PIS e Cofins) e apurar os tributos e contribuições por regime de apuração diverso do SIMPLES Federal, ou seja, que se abra prazo para fazer opção por algum regime diverso do SIMPLES Federal, pois até agora o fisco não facultou tal opção. Identificados os principais pontos controvertidos, passo a enfrentálos. 1 Quanto à apuração da receita bruta omissão de receitas depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada regime de apuração do SIMPLES Federal: Fl. 867DF CARF MF Processo nº 10569.000475/201012 Acórdão n.º 1301003.628 S1C3T1 Fl. 868 14 Diversamente do alegado pela recorrente, não houve desenquadramento ou exclusão da autuada do SIMPLES Federal quanto anocalendário 2006, período objeto do lançamento fiscal. Por conta do excesso de receita bruta, anocalendário 2006, decorrência da omissão de receitas, cabível a exclusão do SIMPLES Federal a partir do primeiro dia do exercício seguinte, ou seja, 01/01/2007 (Lei 9.317/96, art. 15, inciso IV). Assim, quanto ao anocalendário 2006, diversamente do alegado pela recorrente, o lançamento fiscal foi efetuado corretamente no regime do SIMPLES Federal, por ser a opção manifestada pela contribuinte, tanto que entregou ao fisco declaração do Simples, quanto ao anocalendário 2006, porém declarou em torno de 10% (dez por cento) do total da sua receita bruta desse ano. A fiscalização da RFB envidou todos os esforços para que a contribuinte apresentasse a escrituração contábil do anocalendário 2006, porém a fiscalizada alegou simplesmente durante o procedimento de fiscalização que fora afetada pela ocorrência de inundação (enchente) e que a escrituração contábil e documentos de suporte dos registros contábeis restaram danificados, destruídos, extraviados, não podendo então atender às intimações da fiscalização, porém não apresentou laudo pericial do corpo de bombeiro ou registro de ocorrência junto à Defesa Civil para comprovar sua alegação. A propósito, transcrevo a declaração do sujeito passivo de 08/02/2010 (efl. 31), in verbis: (...) Fimatec Comercio e Representações LTDA, firma estabelecida nesta cidade a Rua Ismael da Rocha, 162 Ramos/RJ CEP. 21.031050 vem mui respeitosamente participar a Vossa Senhoria que, estamos impossibilitados de apresentar o complemento da documentação tais como livro caixa e isto devido o alagamento que sofreu a empresa com esta última chuva que caíram sobre o Rio de Janeiro. Esperamos contar com a vossa compreensão. (sic) (...) Ainda, transcrevo a narrativa dos fatos constante do Termo de Constatação (efls. 76/82), parte integrante dos autos de infração, onde consta consignado a falta de comprovação da destruição, danificação, da documentação de sua escrituração contábil/fiscal, in verbis: (...) I DOS FATOS: O contribuinte em questão, no anocalendário de 2006, era optante pelo Simples Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte. Fl. 868DF CARF MF Processo nº 10569.000475/201012 Acórdão n.º 1301003.628 S1C3T1 Fl. 869 15 Em 18/05/2009 comparecemos ao estabelecimento do contribuinte a fim de proceder à ciência pessoal ao Termo de Inicio de Fiscalização. A ciência fora dada ao Sr. João Marcos Nogueira de Siqueira, CPF: 859.793.68787, que se declarou Sup. Administrativo do estabelecimento. No referido Termo solicitamos a apresentação dos seguintes elementos relativos ao ano calendário de 2006: 1 Contrato Social e alterações contratuais; 2 Livro Diário e Razão e/ou Livro Caixa; 3 Informar em quais instituições bancárias manteve contas no anocalendário de 2006 (nome do banco, agência e nº da conta); 4 Apresentar todos os extratos bancários de TODAS contas correntes, contas de poupança e fundos de investimentos mantidos junto a Instituições Financeiras no Brasil e no Exterior, no período de 01/01/2006 a 31/12/2006. (...) Em 08/02/2010 a empresa apresentou, por escrito, declaração informando a impossibilidade de apresentar os livros contábeis em virtude de ter ocorrido alagamento na empresa e danificado a documentação. Após várias prorrogações o contribuinte entregou a totalidade dos Extratos Bancários, em 05/05/2010, referente ao ano calendário de 2006 das contas: 1) 13.210.1 da agência 05762 do Banco do Brasil; 2) 860638 da agência 14176 do Banco Bradesco; 3) 118.3105 da agência 0047 do Banco SAFRA; 4) 69994240 da agência 0455 do Banco REAL. (...) Em 20/08/2010 solicitamos ao contribuinte esclarecimento referente a planilha entregue, contendo a identificação das receitas. Esclarecemos que o contribuinte não apresentou os Livros contábeis alegando que, em virtude das chuvas, os livros foram danificados no alagamento ocorrido, sendo que não apresentou laudo pericial do corpo de bombeiro. Constatamos que a empresa extrapolou o limite de Receita Bruta para enquadramento de empresa de pequeno porte para o ano calendário 2006, conforme demonstrado na Tabela I —Total de Receitas. (...) Fl. 869DF CARF MF Processo nº 10569.000475/201012 Acórdão n.º 1301003.628 S1C3T1 Fl. 870 16 Tabela I Total da Receita (...) II— DO LANÇAMENTO: Com base nas informações disponibilizadas pelo contribuinte, e a inexistência da escrituração contábil, apuramos o crédito com base na movimentação financeira, onde a falta de escrituração e os valores encontrados confirmam a Omissão de Receita, pois o total de depósitos apurados é superior à receita declarada. Logo decidiu essa Fiscalização proceder ao lançamento. Destaquese que na totalização dos créditos bancários foram excluídos os empréstimos obtidos, transferências de uma conta para outra de mesma titularidade, créditos referentes a redução de saldo devedor, havendo débito em igual valor, cheques sustados, estornos de lançamentos, baixa automática poupança e as devoluções/estorno de cheques depositados, conforme identificação do contribuinte. Os depósitos/créditos bancários ora lançados como receita omitida encontramse listados com discriminação individualizada de banco, agência, conta, data, histórico e valor no Extrato consolidado dos créditos anexos I a IV do Auto de Infração, que fazem parte integrante e inseparável deste Auto de Infração. Nos anexos, consta ainda, a resposta do contribuinte com relação a origem dos créditos, onde os valores marcados em verde foram excluídos. Assim, fica evidenciada a infração classificada como OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS (...) da ordem de R$ Fl. 870DF CARF MF Processo nº 10569.000475/201012 Acórdão n.º 1301003.628 S1C3T1 Fl. 871 17 5.017.622,96 demonstrada mensalmente, nos quadros abaixo, denominados Tabelas (...). Tabela II Valores Omitidos (...) Como demonstrado, a recorrente, embora intimada, não apresentou a escrituração contábil e os documentos de suporte dos registros contábeis. A não apresentação dos livros Caixa, Razão/Diário, não configura fato ou motivo para exclusão de contribuinte do Simples Federal e aplicação de outro regime de apuração. Logo, diversamente do alegado pela recorrente, não houve equívoco algum da Fiscalização. Se não houve exclusão do Simples, não há que se falar em falta de intimação para escolha de outro regime de tributação. No caso, a receita bruta do anocalendário 2006 no âmbito do SIMPLES Federal restou apurada pela fiscalização da RFB com base nos extratos bancários fornecidos pela própria fiscalizada. O art. 42 da Lei 9.430/96 aplicase aos contribuintes do SIMPLES Federal por força do art. 18 da Lei 9.317/96 e art. 199 do RIR/99, no caso anocalendário 2006. O art. 42 da Lei 9.430/96 autoriza o fisco a presumir a omissão de receitas, quando o contribuinte regularmente intimado, não comprova a origem dos recursos depositados a crédito em suas contas correntes bancárias. Tratase de presunção relativa que inverte o ônus da prova. Ou seja, o ônus probatório não é de quem imputa a infração, mas sim do imputado. A contribuinte foi intimada a comprovar a origem dos depósitos a crédito em suas contas bancárias, em 16/06/2010, com demonstrativo anexo, consta discriminado cada Fl. 871DF CARF MF Processo nº 10569.000475/201012 Acórdão n.º 1301003.628 S1C3T1 Fl. 872 18 depósito a crédito, ou seja, de forma individualizada, por conta bancária, agência, valor etc (e fls. 48/75); porém, a contribuinte não conseguiu se desincumbir desse ônus probatório. Omissão de receitas Para o fisco compete, nesse caso, comprovar a existência de depósitos ban cários não escriturados e de origem não comprovada, com lastro em extratos bancários (prova indiciária) para imputação da omissão de receitas, por presunção legal. As cópias dos extratos bancários a própria contribuinte forneceu, entregou à Fiscalização e constam dos autos (efls. 130/599). Ainda, como já dito anteriormente, e reiterando: a contribuinte foi intimada a comprovar a origem dos depósitos a crédito em suas contas bancárias, em 16/06/2010, com demonstrativo anexo, consta discriminado cada depósito a crédito, ou seja, de forma individualizada, por conta bancária, agência, valor etc (efls. 48/75); porém, a contribuinte não conseguiu se desincumbir desse ônus probatório. Assim, o fisco pode presumir a omissão de receitas (depósitos bancários de origem não comprovada), quando a contribuinte, regularmente intimada, não comprove através de documentos hábeis e idôneos a origem dos depósitos a crédito em suas contas bancárias, uma vez que não mais se aplica a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos e, também, não se aplicam os precedentes jurisprudenciais calcados em legislação re vogada. Isto porque existem duas realidades distintas no que se refere ao uso da movimentação financeira bancária para a caracterização da omissão de receitas, sendo uma com base no art. 6°, § 5°, da Lei nº 8.021/1990 (dispositivo revogado pela Lei n. 9.430/96), e a outra com base no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Veja: Lei n° 8.021/1990: "Art.6º.O lançamento de oficio, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) § 5º O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações."[revogado] Lei n° 9.430/1996 : "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantido junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Com base nos dispositivos acima transcritos, verificase que o que distingue uma realidade da outra é que a partir de 01/01/1997, entrada em vigor da Lei n° 9.430/96, a existência de depósitos não escriturados ou de origem não comprovada, tornouse uma Fl. 872DF CARF MF Processo nº 10569.000475/201012 Acórdão n.º 1301003.628 S1C3T1 Fl. 873 19 nova hipótese legal de presunção de omissão de receitas, que veio a se juntar às outras já exis tentes no ordenamento jurídico, sendo que, a partir daí, atenuouse a carga probatória atribuída ao fisco que precisa apenas demonstrar a existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada, mediante extratos bancários, para satisfazer o ônus probandi a seu cargo. Antes, tal previsão legal para depósitos bancários inexistia e, com isso, o fisco necessitava, nos estritos termos do art. 6°, caput, e § 5°, da Lei n° 8.021/1990, não apenas constatar a existência dos depósitos bancários, mas estabelecer uma conexão, um nexo causal, entre tais depósitos e alguma exteriorização de riqueza, renda consumida e/ou operação concreta do sujeito passivo que pudesse dar ensejo à omissão de receitas. O fato é que, após a edição da Lei n° 9.430/1996, a movimentação bancária mantida ao largo da escrituração contábil da empresa ou sem comprovação da origem, presumese realizada com valores omitidos à tributação, salvo prova em contrário, e não mais se aplicando, portanto, o entendimento exarado na Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos. Para fatos geradores a partir de 1°/01/1997, no tocante à omissão de rendimentos/receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, portanto, tem vigência única e plenamente o art. 42 da Lei n°9.430196. Esse diploma legal, como já dito alhures, encerra presunção legal que impli ca inversão do ônus da prova. O ônus da prova de que não houve omissão de receitas/rendimentos, assim, é da contribuinte. Não há que se falar em necessidade de comprovação de sinais exteriores de riqueza ou prova do consumo da renda para tributar depósitos bancários de origem não comprovada pelo contribuinte, conforme matéria já sumulada por este Egrégio Conselho Administrativo, in verbis: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Portanto, correta a imputação pelo fisco da omissão de receitas com base nos depósitos bancários no âmbito do SIMPLES Federal, anocalendário 2006. Esse entendimento encontrase, também, pacificado no âmbito deste Conselho de Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cujos precedentes, apenas a título de ilustração, transcrevo (ementas de julgamento), in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Fl. 873DF CARF MF Processo nº 10569.000475/201012 Acórdão n.º 1301003.628 S1C3T1 Fl. 874 20 Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidos junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Acórdão nº 108 09.836, sessão de 05 de fevereiro de 2009, Relatora Valéria Cabral Géo Verçoza). ASSUNTO:IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Ano calendário: 2002 a 2004. Ementa: IRPJ — DEPÓSITOS BANCÁRIOS — OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.(Acórdão nº 101 97.116, sessão de 05 de fevereiro de 2009, Relator Valmir Sandri). ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES Exercício: 2003, 2004. Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA—PROCEDÊNCIA. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL Em se tratando de presunção legal, cabe ao Fisco a prova do fato indiciário. Ao contribuinte incumbe provar que o fato indiciário não leva, em seu caso concreto, ao fato presumido por lei. Esse ônus não pode ser transferido pelo contribuinte à Administração Tributária.(Acórdão nº 105 17.369, sessão de 17 de dezembro de 2008, Relator Waldir Veiga Rocha). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF. Exercício. 2000, 2001, 2002. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art .42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. (Acórdão nº 10249.393, sessão de 06 denovembrode2008.Relatora Núbia Matos Moura). Assunto: SIMPLES NACIONAL. EXERCÍCIO: 2004, 2005 Ementa: PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. ARTIGO 42, DA Fl. 874DF CARF MF Processo nº 10569.000475/201012 Acórdão n.º 1301003.628 S1C3T1 Fl. 875 21 LEI N°.9.430, DE 1996. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.(Acórdãonº 195 00.088, sessão 09 de dezembro de 2008, Relator Benedicto Celso Benicio Junior). Por fim, apenas a título de argumentação, não há conflito entre o art. 42 da Lei n° 9.430/96, que presume como rendimento omitido os valores creditados em conta de depósitos para os quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove sua origem, e os arts. 43 e 44 do Código Tributário Nacional que definem o fato gerador do imposto de renda – IR e o conceito de renda pela Constituição Federal. Ainda, apenas para argumentar, eventual antinomia entre as normas citadas somente poderia ser resolvido no âmbito de declaração de inconstitucionalidade das normas pelo Poder Judiciário, falecendo competência ao CARF para tanto, conforme matéria já sumulada: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Na fase de fiscalização, como já demonstrado, a contribuinte, embora intimada a comprovar a origem dos depósitos bancários, não se desincumbiu desse ônus pro batório para elidir a omissão de receitas. Já na fase processual, tanto na primeira instância de julgamento, quanto nesta fase recursal, o sujeito passivo, também, não produziu provas para afastar a omissão de receitas e a infração reflexa. Portanto, devem ser mantidas a infração omissão de receita e a infração reflexa. 2 Pedido de diligência fiscal: Quanto ao pedido de diligência fiscal é totalmente desnecessário, despiciendo, para resolução da lide, pois, como já demonstrado, o lançamento foi corretamente efetuado pelo fisco no âmbito da legislação do SIMPLES Federal, anocalendário 2006. No âmbito do SIMPLES a exigência fiscal dáse diretamente sobre a receita bruta, mediante aplicação de alíquota mensal única sobre a faixa de receita bruta acumulada até o respectivo mês. Logo, os custos ou despesas não interferem na apuração dos tributos e contribuições do SIMPLES. As despesas ou custos são presumidos, ou seja, já foram considerados pelo legislador quando da fixação pela lei da alíquota incidente sobre a receita bruta, base de cálculo do SIMPLES Federal. Fl. 875DF CARF MF Processo nº 10569.000475/201012 Acórdão n.º 1301003.628 S1C3T1 Fl. 876 22 No caso, transcrevo o demonstrativo de alíquotas do SIMPLES aplicado quanto anocalendário 2006, constante do auto de infração (efl. 06), em face da receita bruta acumulada mensalmente. Assim, no âmbito do SIMPLES a tributação dáse diretamente sobre a receita bruta, não há que se falar em dedução de custos ou despesas. As despesas e os custos são irrelevantes no âmbito do Simples, pois a tributação dáse diretamente sobre a receita bruta. Quanto à contribuição patronal para o INSS no âmbito do SIMPLES, também, conforme auto de auto de infração, a alíquota incide sobre a receita bruta e não sobre a folha. Em relação à insuficiência de pagamento do Simples quanto à receita declarada no SIMPLES, a parte paga ao INSS foi descontada, foi dado crédito, conforme demonstrativo (efls. 06/27). Já quanto às cópias GPS's (Guia da Previdência Social), carreadas nos autos quando da Impugnação (efls. 723/726), a recorrente argumenta que sofreu retenção na fonte da Contribuição Previdenciária de empresas como: Eletrobrás Termonuclear S/A, Belocap, Procosa Produtos de Beleza e que faz jus ao crédito dessas e de outras ainda não juntadas aos autos. Nesse caso, não há previsão legal de aproveitamento dos alegados créditos (retenções na fonte). Ou seja, com relação à alegação da interessado acerca de duplicidade de pagamento de contribuição previdenciária temse que na forma da lei de regência do SIMPLES (Lei 9.317/96), a opção ou inscrição no SIMPLES implica pagamento mensal unificado de tributos e contribuições, inclusive, às contribuições para seguridade social. Assim, inexiste previsão legal para dedução das retenções alegadas. Fl. 876DF CARF MF Processo nº 10569.000475/201012 Acórdão n.º 1301003.628 S1C3T1 Fl. 877 23 Ainda, incabível cogitar aplicação do regime nãocumulativo do PIS/COFINS, pois o regime de apuração dessas exações fiscais é cumulativo no SIMPLES. Não cabe pedido genérico de realização de diligência fiscal ou perícia técnicocontábil para produção de provas cujo ônus probatório é da recorrente, em face da pre sunção legal (art. 42 da Lei 9.430/96). Por outro lado, como já demonstrado, o fisco produziu as provas necessárias e suficientes para a imputação válida da omissão de receitas. Frise que, no caso de depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada, não cabe ao fisco e nem ao julgador substituir a parte na atividade de produ ção de provas, pois o art. 42 da Lei 9.430/96 encerra presunção legal de omissão de receitas, ou seja, inversão do ônus da prova. Cabe ao fisco apenas com base nos fatos indiciários (fatos conhecidos), cópia dos extratos bancários da autuada e ausência de escrituração contábil/fiscal, por consequência, presumir a omissão de receitas (fato probando). Destarte, não cabe converter julgamento em diligência para produzir prova cujo ônus probatório é da recorrente, para afastar a presunção de omissão de receitas, infração imputada pelo fisco. Os precedentes da jurisprudência do CARF são pacíficos, pelo não cabimento de diligência fiscal ou perícia técnicocontábil no caso, conforme ementas de julgados, precedentes, que transcrevo, in verbis: NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR.. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. De conformidade com o artigo 29 do Decreto n° 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária.A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2°, do artigo 38, da Lei n° 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72.(Acórdão nº 20601.462, sessão de 09/10/2008). PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de diligência considerada desnecessária, prescindível e formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72.(Acórdão nº 10249.407, sessão de 06/11/2008). PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.A admissibilidade de diligência ou perícia, por não se constituir em direito do autuado, depende do livre convencimento da autoridade julgadora como meio de melhor apurar os fatos, podendo como tal dispensar quando entender desnecessárias ao deslinde da questão. Ademais, temse como não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos do inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/72, principalmente quando este se Fl. 877DF CARF MF Processo nº 10569.000475/201012 Acórdão n.º 1301003.628 S1C3T1 Fl. 878 24 revela prescindível. (Acórdão nº 19300.018, sessão de 13/10/2008). PEDIDO DE PERÍCIA PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.(Acórdão nº 10515.978, sessão de 20/07/2006). DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. Indeferese o pedido de diligência ou perícia, cujo objetivo é instruir o processo com as provas que o recorrente deveria produzir em sua defesa, juntamente com a peça impugnatória ou recursal, quando restar evidenciado que o mesmo poderia trazêlas aos autos, se de fato existissem.(Acórdãonº10248.141,de25/01/2007). PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Deve ser indeferido pedido de diligencia quando prescindível, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/72.(Acórdão nº 20180.294, sessão de 23/05/2007). PERÍCIA.DESNECESSIDADE.Deve ser indeferido o pedido de perícia, quando o exame de um técnico é desnecessário à solução da controvérsia, apenas circunscrita à matéria contábil e aos argumentos jurídicos ordinariamente compreendidos na esfera do saber do julgador.(Acórdão nº 10222.937, sessão de 28/03/2007). DILIGÊNCIA E PERÍCIA. NEGATIVA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. É incabível a realização de diligência ou perícia para responder a quesitos de natureza legal, cujo conhecimento seja elementar ou que se refiram a prova passível de produção unilateral pelo contribuinte.(Ac. 330201.280, sessão de 09/11/2011, Relator José Antonio Francisco). PEDIDO DE PERÍCIA TÉCNICA CONTÁBIL. MEIO DE PROVA DESNECESSÁRIO. INDEFERIMENTO. O pedido de perícia técnica, para análise de dados que integram a escrituração contábil e já presentes nos autos, demonstra intenção protelatória e não caracteriza cerceamento do direito de defesa quando indeferido. A autoridade julgadora é livre para formar sua convicção devidamente motivada, podendo deferir perícias quando entendêlas necessárias, ou indeferir as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, sem que isto configure preterição do direito de defesa. Por se tratar de prova especial, subordinada a requisitos específicos, a perícia só pode ser admitida, pelo Julgador, quando a apuração do fato litigioso não se puder fazer pelos meios ordinários de convencimento.(Ac. nº1802001.006, sessão de 17/10/2011). ASSUNTO:PERÍCIA/DILIGÊNCIA PRESCINDIBILIDADE – A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para deslinde do litígio,não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos (Acórdão CSRF 107.05810, Relatora Karem Jureidini Dias). Fl. 878DF CARF MF Processo nº 10569.000475/201012 Acórdão n.º 1301003.628 S1C3T1 Fl. 879 25 ASSUNTO:PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2009,2010,2011 DILIGÊNCIA/PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. A conversão do julgamento em diligência ou perícia só se revela necessária para elucidar pontos duvidosos que requeiram conhecimento técnico especializado para o deslinde de questão controversa.Não se justifica a sua realização quando presentes nos autos elementos suficientes a formar a convicção do julgador.(Acórdão nº 1402 003.129–4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, sessão de 15/05/2018,Conselheiro Paulo Mateus Ciccone–Presidente e Relator). DILIGÊNCIA.PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. A diligência não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte. Tratandose da comprovação de origem de depósitos bancários, a prova deveria ser produzida pela parte, sendo desnecessária a realização de diligência. Ademais, a solicitação de diligência ou perícia deve obedecer ao disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, competindo à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis.(Acórdão 1301002.984– 3ª Câmara/1ªTurma Ordinária, Sessão de 12/04/2018,Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator). Portanto rejeito o pedido de realização de diligência por ser desnecessária para resolução da lide. Além do mais, o pedido não atendeu à legislação de regência, formulado de forma genérica, configurando caráter procrastinatório. 3 Multa de ofício aplicada (75%): A recorrente argumentou que é desproporcional, confiscatória, fere princípios constitucionais. Essa penalidade foi aplicada em atividade repressiva de fiscalização (fiscalização externa). Tratase de multa pecuniária mínima cominada na legislação de regência para as infrações imputadas por falta de pagamento de tributos, objeto dos autos. Ainda, não compete ao CARF pronunciarse sobre a arguição de pretensa inconstitucionalidade da legislação que comina penalidade, conforme Súmula CARF nº 02, já transcrita alhures. 4 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DOS TRIBUTOS DO SIMPLES. RECEITA DECLARADA DIFERENÇA DE ALÍQUOTA INFRAÇÃO REFLEXA. Mantida a infração principal omissão de receitas, implica, por decorrência, a manutenção da infração insuficiência de recolhimento dos tributos do Simples acerca da receita informada na Declaração Simplificada do Simples diferença de alíquota (infração reflexa). 5 LANÇAMENTO REFLEXO: CSLLSimples, PISSimples, Cofins Simples e Contribuição para Seguridade Social INSS Simples. Fl. 879DF CARF MF Processo nº 10569.000475/201012 Acórdão n.º 1301003.628 S1C3T1 Fl. 880 26 Mantido o lançamento principal, por decorrência devem ser mantidos também os lançamentos reflexos, pela conexão dos fatos e provas, e inexistindo razão fática e jurídica para decidir diversamente. Por tudo que foi exposto, voto para conhecer do recurso, rejeitar o pedido de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 880DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.010049/2010-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF.
Do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual somente pode ser deduzido o imposto de renda efetivamente retido pela fonte pagadora, devidamente comprovado mediante documentação hábil e idônea, desde que relativo aos rendimentos incluídos na sua base de cálculo.
Numero da decisão: 2002-000.698
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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Do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual somente pode ser deduzido o imposto de renda efetivamente retido pela fonte pagadora, devidamente comprovado mediante documentação hábil e idônea, desde que relativo aos rendimentos incluídos na sua base de cálculo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 01 00 49 /2 01 0- 11 Fl. 94DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (efls. 18/22) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual Retificadora do exercício 2007 (efls. 57/62), onde se apurou: Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF de R$ 33.901,93 referente à fonte pagadora Secretaria de Saúde do Distrito Federal. O contribuinte apresentou impugnação (efls. 04/12), cujas alegações foram resumidas no relatório do acórdão recorrido (efls. 64): a) como houve retenção de imposto na fonte, “não haveria que se falar tanto em pagamento adicional quanto em restituição de imposto de renda”, entretanto, como houve pagamento de honorários advocatícios e periciais, para o recebimento dos valores da ação judicial, haveria direito a restituição de imposto de renda; b) que o demonstrativo de cálculos conteria códigos de difícil compreensão; c) que constaria imposto sobre ganho de capital, fato ausente no anocalendário em exame; d) que os cálculos efetuados pela fiscalização para apuração do valor tributável, imposto retido na fonte e honorários advocatícios e periciais; e) afirma que o imposto retido sobre a parcela alvo de cessão deveria ser compensada na DIRPF, uma vez que o valor teria sido efetivamente retido na fonte; f) pede que o lançamento seja retificado de acordo com demonstrativo que apresenta ao final da peça impugnatória. A impugnação foi julgada improcedente pela 17ª Turma da DRJ/SP1 (efls. 63/70), conforme decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Pelos elementos constantes dos autos, fica sem fundamento a alegação de cerceamento do direito de defesa, na medida em que, à interessada, foi franqueado pleno acesso às provas que embasaram a autuação e que as infrações e circunstâncias da autuação encontramse detalhadas nos autos. Preliminar rejeitada. GLOSA DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE. RENDIMENTOS DECORRENTES DE AÇÃO TRABALHISTA. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10166.010049/201011 Acórdão n.º 2002000.698 S2C0T2 Fl. 95 3 É de se manter a glosa da dedução do imposto de renda retido na fonte, objeto do lançamento, uma vez ficar evidenciado, pelos elementos constantes dos autos, que o valor do imposto retido na fonte glosado no lançamento referese à cessão parcial de precatórios. Cientificado do acórdão de primeira instância em 29/01/2014 (efls. 76), o interessado ingressou com Recurso Voluntário em 20/02/2014 (efls. 79/89) com os argumentos a seguir sintetizados. Expõe que no ano de 1999 celebrou acordo judicial em Reclamação Trabalhista n° 162/86, Precatório n° 449/94, onde foram compensados valores cedidos a terceiros, com pagamento de um sinal em 2006 e 12 parcelas trimestrais em 2007, 2008 e 2009, conforme se depreende da Certidão lavrada pela Justiça do Trabalho da 10ª Região. Alega, contudo, que a Receita está ignorando que houve retenção na fonte da alíquota de 27,5% sobre as cessões, glosando tal parcela na declaração de IR. Insurgese, ainda, contra a glosa de despesas judiciais com advogado e perito contábil. Defende que uma simples análise dos documentos oficiais permite concluir que houve retenção na fonte a título de IR sobre as cessões, de forma que a recusa da Receita em reconhecer tal fato é feita ao arrepio do que consta da Certidão emitida pelo TRT da 10ª Região e da Declaração de Rendimentos do autor emitida pelo Distrito Federal. Assevera que a glosa em questão corresponde a apropriação indébita por parte da Administração. Suscita a ausência de justa causa para a autuação, uma vez que a cessão dos precatórios não altera a natureza jurídica da relação que lhe deu origem, conforme art. 157, I, da Constituição Federal. Relata que a Administração entendeu que o montante de honorários advocatícios e periciais passíveis de dedução tem que ser calculado sobre percentual do total pago, uma vez que teria havido a divisão dos rendimentos totais em (i) rendimentos sujeito ao ajuste anual; (ii) rendimentos isentos não tributáveis; e (iii) créditos sujeitos a ganho de capital (cessões). Defende, contudo, que não há autorização legal para a glosa proporcional de honorários. Entende que, pelo fato de a cessão não alterar a natureza jurídica dos valores cedidos, esses não perderam o caráter de verba trabalhista, ou seja, continuaram sendo tributos da mesma forma que o seriam se quem recebesse fosse o contribuinte. Alega, ainda, que, conforme faz prova a Certidão emitida pela Justiça do Trabalho, mesmo os valores cedidos foram pagos com o desconto do imposto de renda à alíquota de 27,5%. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Relatora O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 96DF CARF MF 4 Inicialmente cabe esclarecer ao recorrente que as operações que importem cessão de direitos estão sujeitas à apuração de ganho de capital, conforme disposto no art. 117 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99. Os ganhos devem ser apurados no mês em que forem auferidos e tributados em separado dos demais rendimentos, não integrando a base de cálculo na Declaração de Ajuste. Da mesma forma, o imposto pago a esse título não é compensável no Ajuste Anual. Art. 117. Está sujeita ao pagamento do imposto de que trata este Título a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza (Lei nº 7.713, de 1988, arts. 2º e 3º, § 2º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 21). [...] § 2º Os ganhos serão apurados no mês em que forem auferidos e tributados em separado, não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração (Lei nº 8.134, de 1990, art. 18, § 2º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 21, § 2º). [...] § 4º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 3º). Os art. 3º e 27 da Instrução Normativa SRF nº 84/2001 corroboram esse entendimento. Art. 3º Estão sujeitas à apuração de ganho de capital as operações que importem: I alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins; Art. 27. O ganho de capital sujeitase à incidência do imposto de renda, sob a forma de tributação definitiva, à alíquota de quinze por cento. § 1º O cálculo e o pagamento do imposto devido sobre o ganho de capital na alienação de bens e direitos devem ser efetuados em separado dos demais rendimentos tributáveis recebidos no mês, quaisquer que sejam. § 2º O imposto incidente sobre ganhos de capital não é compensável na Declaração de Ajuste Anual. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10166.010049/201011 Acórdão n.º 2002000.698 S2C0T2 Fl. 96 5 Vale mencionar que a última publicação do Perguntas e Respostas do Imposto Sobre a Renda da Pessoa Física, divulgada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para o exercício 2018, traz orientação específica para a cessão de precatório nesse sentido: CESSÃO DE PRECATÓRIO 562 — Qual é o tratamento tributário na cessão de direito de precatório? Quanto ao cedente: A diferença positiva entre o valor de alienação e o custo de aquisição na cessão de direitos representados por créditos líquidos e certos contra a Fazenda Pública (precatórios) está sujeita à apuração do ganho de capital, pelo cedente. Os ganhos de capital serão apurados, pela pessoa física cedente, no mês em que forem auferidos, e tributados em separado, mediante aplicação de uma das alíquotas progressivas estabelecidas pela Lei nº 13.259, de 16 de março de 2016, não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração. O custo de aquisição na cessão original, ou seja, naquela em que ocorre a primeira cessão de direitos, é igual a zero, porquanto não existe valor pago pelo direito ao crédito. Nas subsequentes, o custo de aquisição será o valor pago pela aquisição do direito na cessão anterior. Considerase como valor de alienação o valor recebido do cessionário pela cessão de direitos do precatório. Quanto ao cessionário: O cessionário subrogase no crédito do cedente, que para aquele transfere todos os direitos, inclusive os acessórios do crédito. Por ocasião do recebimento do precatório, o cessionário apurará o ganho de capital considerando como valor de alienação o valor líquido passível de compensação, isto é, após excluídas as deduções legais. Considerase como custo de aquisição o valor pago ao cedente, quando da aquisição da cessão de direitos do precatório. Os ganhos de capital serão apurados, pela pessoa física cessionária, no mês em que forem auferidos, e tributados em separado, mediante aplicação de uma das alíquotas progressivas estabelecidas pela Lei nº 13.259, de 16 de março de 2016, não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração. Atenção: Fl. 98DF CARF MF 6 O crédito líquido e certo, decorrente de ações judiciais, instrumentalizado por meio de precatório, mantém por toda a sua trajetória a natureza jurídica do fato que lhe deu origem, independendo, assim, de ele vir a ser transferido a outrem. O acordo de cessão de direitos não pode afastar a tributação na fonte dos rendimentos tributáveis relativo ao precatório no momento em for quitado pela União, pelos estados, pelo Distrito Federal ou pelos municípios. Em função da natureza jurídica do crédito cedido, ocorrerá a incidência de imposto sobre a renda retido na fonte, quando cabível, no momento do pagamento do precatório, considerado como tal quando ocorrer a homologação da compensação do precatório com débitos de natureza tributária do cessionário para com a União, os estados, o Distrito Federal ou os municípios. Em virtude da transação efetuada, o imposto sobre a renda retido na fonte não constitui ônus do cessionário nem do cedente, não integrando a base de cálculo do ganho de capital e não sendo passível de compensação ou dedução. (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), art. 123; Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, arts. 1º, 2º, 3º, caput e §§ 2º a 4º, 16, caput e § 4º; Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 21, caput e §§ 1º e 2º; Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil (CC), arts. 286, 287, 347 e 348; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda – RIR/1999, arts. 117 e 129; Instrução Normativa SRF nº 84, de 11 de outubro de 2001, arts. 2º, 3º, 18 e 27; Parecer Cosit nº 26, de 29 de junho de 2000). Dessa forma, considero correta a compensação indevida de IRRF apurada no lançamento, uma vez que o imposto se refere à cessão do precatório nº 449/1994 indicada na Certidão emitida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (efls. 26), como confirma o próprio recorrente. Já o entendimento do auditor de que os honorários devem ser proporcionalizados conforme a natureza dos rendimentos recebidos na ação judicial encontra respaldo nas orientações divulgadas pela Receita Federal para o exercício 2007, as quais devem ser seguidas pelo contribuinte. 408 — Honorários advocatícios e despesas judiciais podem ser diminuídos dos valores recebidos em decorrência de ação judicial? Os honorários advocatícios e as despesas judiciais podem ser diminuídos dos rendimentos tributáveis, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, desde que não sejam ressarcidas ou indenizadas sob qualquer forma. Da mesma maneira, os gastos efetuados anteriormente ao recebimento dos rendimentos podem ser diminuídos quando do recebimento dos rendimentos. Os honorários advocatícios e as despesas judiciais pagos pelo contribuinte devem ser proporcionalizados conforme a natureza dos rendimentos recebidos em ação judicial, isto é, entre os Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10166.010049/201011 Acórdão n.º 2002000.698 S2C0T2 Fl. 97 7 rendimentos tributáveis, os sujeitos a tributação exclusiva e os isentos e nãotributáveis. O contribuinte deve informar como rendimento tributável o valor recebido, já diminuído do valor pago ao advogado, independentemente do modelo de formulário utilizado. Caso utilize a Declaração de Ajuste Anual no modelo completo, deve preencher a Relação de Pagamentos e Doações Efetuados, informando o nome, o número de inscrição no CPF e o valor pago ao beneficiário do pagamento (ex: advogado). Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 100DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.683952/2009-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1401-000.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, nos termos do voto do Relator, vencido o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, que lhe negou provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.683947/2009-84, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente).
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) e Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, nos termos do voto do Relator, vencido o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, que lhe negou provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.683947/200984, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente). Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) e Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado). Relatório. Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão daTurma da DRJ/SPO, que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade, dada a impossibilidade de retificação de ofício de inexatidão material verificada no preenchimento da Per/Decomp, desde que esteja pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 83 95 2/ 20 09 -9 7 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10880.683952/200997 Resolução nº 1401000.605 S1C4T1 Fl. 3 2 A interessada apresentou Declaração de Compensação (Dcomp), visando compensar crédito supostamente decorrente de pagamento efetuado a maior a título de CSLL, com débitos de COFINS apurados dentro do mesmo ano calendário. O Despacho Decisório não homologou a referida compensação, sob fundamento de que o crédito pleiteado pela Recorrente, por se tratar de estimativa de CSLL, não poderia ter sido utilizado na compensação tributária. O crédito compensado referese a um pagamento de CSLL, o qual foi considerado indisponível pela DERAT/SP por tratarse o crédito de pagamento a título de estimativa mensal da pessoa jurídica tributada pelo Lucro Real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução de IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Mesmo após a Manifestação de Inconformidade, restou mantido integralmente o Despacho Decisório. Inconformada, interpôs Recurso Voluntário repisando o argumento quanto a erro de fato no preenchimento de sua DIPJ e uma vez demonstrada a inexistência de vedação legal (Lei n. 9.430/96) para a compensação de crédito oriundo de pagamento a maior de estimativa de IRPJ, forçoso concluir que a Recorrente teria direito ao crédito integral objeto da DCOMP em questão e, consequentemente, homologação integral da compensação pleiteada. É o relatório do essencial. Voto. Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1401000.600, de 22/11/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10880.683947/200984, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1401000.600): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. Conforme esclarece a Recorrente, no ano calendário em discussão, ela teria efetuado o pagamento de IRPJ apurado em um mês daquele ano, contudo, passado algum tempo, verificou que, na verdade, não haveria imposto algum a recolher naquele mês. Ao final do ano, em virtude das retenções sofridas e das antecipações pagas pela Recorrente, restou apurado saldo negativo de Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10880.683952/200997 Resolução nº 1401000.605 S1C4T1 Fl. 4 3 IRPJ, o qual, de acordo com a legislação, poderia ser utilizado na compensação de outros tributos administrados pela RFB. No entanto, quando do preenchimento da DECOMP para a compensação do referido crédito com outros débitos relativos ao período de apuração seguinte, sustenta a ocorrência de erro no qual acabou optando equivocadamente pelo tipo de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior e não saldo negativo de IRPJ e procurou demonstrar que esse erro de preenchimento não seria a causa suficiente a ensejar o indeferimento do crédito pleiteado, especialmente pelo princípio da verdade material. Erro esse, que defende a recorrente poderia ser retificado de ofício, pois segundo ela a Declaração de Compensação é o instrumento hábil e suficiente paras a exigência de débitos indevidamente compensados. Diversamente do entendimento da decisão recorrida, entendo que restou caracterizado o erro de fato no preenchimento da DCOMP quanto à informação do crédito utilizado/pleiteado. Resta evidente que a informação prestada na DCOMP, quanto à origem do crédito, está em dissonância, em parte, com a DIPJ que trata da apuração do imposto e do pretenso crédito do imposto do anocalendário em questão (declaração de ajuste anual), pois o pretenso crédito pleiteado do anocalendário discutido restou apurado pela contribuinte a título de saldo negativo e não a título de pagamento indevido de estimativa mensal. Lembrese que a Súmula CARF nº 84 permite a restituição de estimativa mensal recolhida em excesso, a partir da data do respectivo recolhimento, no caso de erro de fato comprovado na apuração da base de cálculo da estimativa mensal (erro quanto à apuração com base na receita bruta ou com balancete de suspensão/redução), ou seja, recolhimento que extrapolou, em completa dissonância em relação à base de cálculo demonstrada na escrituração contábil/fiscal na forma da legislação de regência, que não é o caso, pois a contribuinte não alegou erro de fato na apuração do IRPJ – Estimativa Mensal que tivesse gerado recolhimento em excesso à revelia da base de cálculo de que trata a legislação de regência, mas apenas erro de informação na DCOMP quanto à origem do crédito pleiteado na DCOMP. Como demonstrado, restou configurada a existência do erro na informação do direito creditório no preenchimento da DCOMP objeto dos autos (inexatidão material quanto à origem do crédito utilizado/demandado), sendo então hipótese para retificação, correção da DCOMP, conforme art. 57 da IN SRF 460/2004 e IN ulteriores que tratam da matéria, art. 147, § 2º, do CTN, e art. 32 do Decreto nº 70.235/72. Reconhecido, caracterizado, o erro de fato no preenchimento da DCOMP (inexatidão material quanto à informação do direito creditório), deve ser afastado, por conseguinte, o óbice que impediu a decisão recorrida de enfrentar o mérito do crédito, sua Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10880.683952/200997 Resolução nº 1401000.605 S1C4T1 Fl. 5 4 liquidez e certeza, a título de saldo negativo do IRPJ do anocalendário questionado. Ou seja, o erro de fato no preenchimento dos dados do crédito na DCOMP, diversamente do entendimento da decisão recorrida, configura sim inexatidão material a que alude o art. 57 da IN SRF nº 460/2004, podendo ser corrigida de ofício pelo julgador, e IN seguintes que tratam da matéria, art. 147, § 2º, do CTN, e art. 32 do Decreto nº 70.235/72. Neste sentido: LUCRO REAL ANUAL. DECLARAÇÃO DE JUSTE ANUAL. DEDUÇÃO INTEGRAL DOS PAGAMENTOS ANTECIPADOS POR ESTIMATIVA MENSAL. APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO NA DIPJ. PEDIDO DE APROVEITAMENTO DE CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA MENSAL NA DCOMP. ERRO DE FATO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DCOMP. ÓBICE AFASTADO. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS À DRJ PARA ANÁLISE DE MÉRITO DO CRÉDITO A TÍTULO DE SALDO NEGATIVO. Restando comprovado nos autos que o recolhimento da estimativa mensal foi computado no saldo negativo do imposto na declaração de ajuste anual, configura erro de fato no preenchimento da DCOMP, quando o contribuinte presta informação acerca do crédito pleiteado a título de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal, quando deveria fazêlo a título de saldo negativo. Tratase de inexatidão material no preenchimento da DCOMP, a qual pode ser retificada de ofício pelo julgador ou a pedido do contribuinte para correção do erro de informação quanto ao crédito do referido do anocalendário, nos termos do art. 57 da IN SRF 460/04, art. 147, § 2º, do CTN, e art. 32 do Decreto nº 70.235/72. ACÓRDÃO: 1802002.532 Ademais, para evitar prejuízo ao contraditório e à ampla defesa e para evitar subtração de instância de julgamento quanto à análise de mérito do direito créditório – saldo negativo do IRPJ do anocalendário em questão, tornase necessário devolver os autos à primeira instância de julgamento, para que proceda análise de mérito do direito creditório a título de saldo negativo do IRPJ. Por tudo que foi exposto, entendo possível afastar o óbice que impediu a decisão recorrida de enfrentar o mérito do crédito, sua liquidez e certeza, a título de saldo negativo do IRPJ do anocalendário questionado e voto no sentido de converter os autos em diligência a fim de que a DRF de origem faça nova apreciação no que se refere ao direito creditório alegado para que se analise se além do pagamento reclamado para compensação havia também saldo negativo do imposto passível de aproveitamento naquele ano calendário. É como voto." Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10880.683952/200997 Resolução nº 1401000.605 S1C4T1 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 114DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.904784/2009-96
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. IMPOSSIBILIDADE.
Como a alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do Despacho Decisório, houve a estabilização da lide. Não verificada circunstância de inexatidão material, que pode ser corrigida de ofício ou a pedido, descabe a retificação do Per/DComp após ciência do Despacho Decisório, para alteração dos elementos do direito creditório, pois a modificação do pedido original configura inovação processual vedada.
Numero da decisão: 1003-000.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. IMPOSSIBILIDADE. Como a alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do Despacho Decisório, houve a estabilização da lide. Não verificada circunstância de inexatidão material, que pode ser corrigida de ofício ou a pedido, descabe a retificação do Per/DComp após ciência do Despacho Decisório, para alteração dos elementos do direito creditório, pois a modificação do pedido original configura inovação processual vedada.
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ERRO NO PREENCHIMENTO. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. IMPOSSIBILIDADE. Como a alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do Despacho Decisório, houve a estabilização da lide. Não verificada circunstância de inexatidão material, que pode ser corrigida de ofício ou a pedido, descabe a retificação do Per/DComp após ciência do Despacho Decisório, para alteração dos elementos do direito creditório, pois a modificação do pedido original configura inovação processual vedada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 30535.61646.061206.1.3.046917 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 90 47 84 /2 00 9- 96 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13609.904784/200996 Acórdão n.º 1003000.396 S1C0T3 Fl. 63 2 em 06.12.2006, fls. 2931, utilizandose do pagamento a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), código 2484, no valor de R$21.459,65 recolhido em 31.10.2003 para compensação dos débitos ali confessados. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fls. 2428, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 21.459,65 Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF a seguir, discriminado no Per/DComp, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal [...] Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 2ª Turma/DRJ/BHE/MG nº 0234.923, de 27.09.2011, efls. 3439: Retificação da Declaração de Compensação. A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 17.11.2011, efls. 4243, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 19.12.2011, efls. 4460, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fatos aduz que: 3. Observando esta sistemática, ao final do ano calendário 2002, apurado o lucro real / líquido e deduzidas as retenções na fonte sofrida no exercício, além das antecipações realizadas, a ora Recorrente apurou para este período saldo devedor da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido no importe de R$ 17.327,90 (dezessete mil, trezentos e vinte e sete reais e noventa centavos), consoante informado em sua DIPJ 2003, ficha 17. 4. Desta forma, tal como permitido pela legislação, a Recorrente transmitiu Pedido Eletrônico de Compensação PER/DCOMP, a fim de que lhe fosse deferida a compensação de débitos consolidados em seu desfavor com o crédito apurado e acima especificado. Ocorre que por mero erro material, ao indicar a origem do crédito apurado quando da transmissão do aludido pedido de compensação eletrônico acima citado, ao invés de se indicar a existência do saldo devedor apurado a Recorrente informou suposto "Pagamento Indevido ou a Maior". 5. Tal erro material motivou o indeferimento da compensação pretendida pelo Órgão competente pela análise ante a não constatação da suposta guia que suportasse o noticiado "pagamento a maior ou indevido ". Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13609.904784/200996 Acórdão n.º 1003000.396 S1C0T3 Fl. 64 3 6. Apresentada a devida manifestação de inconformidade em face do r. despacho decisório, pela qual restou demonstrada a materialidade do crédito apurado pela Recorrente, não obstante os erros materiais ocorridos quando da transmissão do pedido, a 02ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Belo Horizonte entendeu por não acolhêla ao argumento, em suma, que (i) não foi comprovado mediante documentos hábeis o crédito informado e que (ii) a inexatidão verificada na PER/DCOMP não se tratava de erro material passível de retificação, mas, sim de créditos de natureza distinta, o que impossibilitaria a análise do pleito. 7. Todavia, conforme será exposto a seguir, principalmente sob o fundamento do princípio da verdade material com que se norteia a Administração Tributária, a r. decisão recorrida não pode prosperar. Vejamos. II DO DIREITO: DA EFETIVA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO A SUSTENTAR A COMPENSAÇÃO ALMEJADA. 8. A despeito do que se entendeu a Turma julgadora, é impossível se falar na ausência da comprovação do crédito apurado pela Recorrente a sustentar as declarações, bem como impossibilidade de correções dos erros materiais constatados. 9. Quanto à ausência de documentos, da simples leitura dos documentos carreados aos autos quando da manifestação de inconformidade, é possível verificar que foi anexada DIPJ 2003, mais especificamente na ficha 17, na qual indicada o saldo devedor hábil a sustentar a compensação pretendida. Na declaração consta, inclusive, a composição do saldo devedor, com a devida indicação das retenções na fonte sofridas pela Recorrente e antecipações por estimativas realizadas. Ainda que não se tenha feito indicar a origem exata do crédito consolidado no preenchimento da declaração eletrônica, assim como já informado na narrativa de fatos, e que eventuais informações lançadas pelo Contribuinte não tenham sido confirmadas pela análise superficial realizada pela DRJ pelos "bancos de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários DCTF (...)", o crédito restou devidamente discriminado na D1PJ, tratandose, pois, em suma de meros erros materiais e divergências de informações que não tem o condão de indeferir a pretensão da Recorrente. É cediço que, conforme o princípio da instrumentalidade das formas, não devem ser invalidados atos, sejam eles processuais ou administrativos, que contenham simples irregularidade, desde que atinjam sua finalidade, e que dele não resulte qualquer prejuízo à parte adversa ou, in casu, ao Fisco. Portanto, não prospera a assertiva contida na r. decisão recorrida no sentido de que não consta devidamente comprovado o crédito informado pela Recorrente. 10. O que se verifica, pois, é que a despeito de eventuais erros materiais verificados na transmissão da declaração pela Recorrente e juntada de eventuais documentos que demonstrassem à exaustão a origem do crédito apurado, a DRJ não tratou de verificar da forma que se exigia todas as informações contidas nas Declaração Econômico Fiscais da empresa, apegandose essencialmente aos erros materiais para afastar as razões aduzidas pelo Contribuinte em sua manifestação de inconformidade. A bem da verdade, em atendimento ao princípio da verdade material, aplicável ao processo administrativo como um todo, deveria a autoridade julgadora, ante as informações não confirmadas na análise e irregularidades no preenchimento da compensação eletrônica, repitase, superficialmente realizada pela DRJ nas Declarações Econômico — Fiscais da empresa e base e dados da RFB tomar Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13609.904784/200996 Acórdão n.º 1003000.396 S1C0T3 Fl. 65 4 providências tendentes a confirmar e sanar as divergências, tais como intimar o sujeito passivo a prestar os esclarecimentos necessários a suportar as informações lançadas em sua DIPJ. Em não procedendo desta forma, todavia, a ilustre DRJ deixou de impulsionar o processo da forma mais adequada e, por tal razão, não emprestou a validade devida à prova trazida aos autos, em manifesto prejuízo ao direito de ampla defesa do contribuinte, frisese. A respeito da aplicação do princípio da verdade material no contencioso administrativo como um comando imperativo a partir do qual a Administração Tributária tem o dever de proceder à devida investigação exaustiva das informações contidas nas provas trazidas aos autos [...] Até porque, como é de conhecimento, em rigor, as Declarações Fiscais não alteram a realidade dos fatos ou são aptas a constituir, por si só, fatos jurídicos. A qualificação jurídica de um fato, isto é, a aptidão dele para produzir efeitos tributários, a exemplo do surgimento de uma obrigação tributária ou a existência de crédito compensável, não decorre da vontade declarada do contribuinte, por se tratar de competência exclusiva das autoridades administrativas, em razão do artigo 142 do CTN. [...] Agasalhando a tese sustentada pela Recorrente, as decisões administrativas respaldam o presente recurso. Como se extrai do julgado abaixo ementado, que tratou de situação similar a destes autos nele, o ressarcimento foi indeferido por inconsistências verificadas na DCTF o órgão julgador, pautado no principio da busca da verdade material, reconheceu o direito do contribuinte, a despeito de tal circunstância [...]. 11. É de ver porquanto, tendo a Recorrente juntado prova hábil a evidenciar a origem do crédito que embasaria a compensação intentada, por força do princípio da verdade material), há de ser conhecido e provido este recurso voluntário, cancelandose o crédito tributário ora exigido. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Concernente ao pedido expõe que: 12. Diante do exposto, requer a Recorrente seja conhecido e provido o presente Recurso, com vistas a que seja decretada a total insubsistência da autuação, para é a presente para requerer seja reformado o Despacho Decisório, homologando se as Declarações de Compensação [...], e anulando o Processo de Cobrança [...]. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13609.904784/200996 Acórdão n.º 1003000.396 S1C0T3 Fl. 66 5 A Recorrente suscita que deve ser reconhecido o direito creditório de saldo negativo de CSLL do anocalendário 2002 no valor de R$17.327,90 e que pelos documentos juntados aos autos restou comprado o erro material. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 1. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. A regra é de que o Per/Dcomp somente pode ser retificado pela Recorrente caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador, em conformidade com o art. 56 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 17 de outubro de 2004, o art. 57 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, o art. 77 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, art. 88 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de dezembro de 2012 e art. 107 da Instrução Normativa RFB nº 1.717, de 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13609.904784/200996 Acórdão n.º 1003000.396 S1C0T3 Fl. 67 6 17 de julho de 2017, todas editadas com fundamento no poder disciplinar da RFB previsto no § 14 do art. 74 da Lei n º 9.430, de 1996. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos existentes no Per/DComp podem ser corrigidos de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. O conceito de erro material apenas abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos, não resultantes de entendimento jurídico, como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). A pretensão de retificação do Per/DComp para fins de constar direito creditório diverso do originalmente identificado, apenas trazida em sede de impugnação, constitui inovação da matéria tratada nos autos, não podendo ser objeto de análise neste processo. Ainda, a manifestação de inconformidade não é meio adequado para retificação do Per/DComp pela incompatibilidade dos instrumentos e pela preclusão da possibilidade de referida retificação após a decisão administrativa exarada pela autoridade preparadora. O Per/DComp delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de débitos tributários. Instaurado o contencioso e estabilizada a lide, não se admite que a Recorrente altere o pedido mediante a modificação dos elementos do direito creditório aduzido Per/DComp, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto. A Recorrente recebeu o Termo de Intimação em 10.03.2009 previamente à ciência do Despacho Decisório em 20.07.2007, fls. 2128: O DARF indicado abaixo, não foi localizado nos Sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Verifique se todos os dados da Ficha DARF,informados no PER/DCOMP, conferem com os dados do DARF objeto do crédito. No caso de REDARF, as informações devem ser as constantes da retificação. A data de arrecadação é a data em que o pagamento foi realizado, que consta da autenticação bancária. [...] Se houver qualquer divergência, solicitase transmitir o PER/DCOMP retificador. Caso contrário, compareça à unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil de sua jurisdição com esta intimação, o(s) DARF original(is) e eventuais REDARF, no prazo indicado. Base legal: Arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172, de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com as alterações posteriores. Arts. 4º e 56 a 61 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005. (grifos acrescentados) Ocorre que a Recorrente teve a oportunidade de apresentar o documento retificador dentro do prazo legal e permaneceu silente. Ademais, como a alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do Despacho Decisório, houve a estabilização da lide. A ausência de verificação Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13609.904784/200996 Acórdão n.º 1003000.396 S1C0T3 Fl. 68 7 de circunstância de inexatidão material, que pode ser corrigida de ofício ou a pedido, descabe a retificação do Per/DComp após ciência do Despacho Decisório, para alteração do direito creditório, pois a modificação do pedido original configura inovação processual vedada. Assim a alteração de ofício do elemento material do direito creditório consignado no Per/DComp originalmente apresentado não tem amparo legal. Conforme determinam os §§ 1º e 3º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, exceto nos casos em que a lei, por disposição especial, atribua a ele o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração. A Recorrente tem o ônus de instruir os autos com documentos hábeis e idôneos que justifiquem a retificação das informações retificadas relativamente a inexatidões materiais. Nesse sentido também vale ressaltar o disposto no art. o art. 195 do Código Tributário Nacional e o art. 4º do DecretoLei nº 486, de 03 de março de 1969, que preveem, em última análise, "que os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram." Por conseguinte não cabe razão a Recorrente, uma vez que há necessidade de apresentação dos documentos que serviram de fundamento para o registro para os lançamentos contábeis, mesmo porque os dados confessados devem refletir a verossimilhança com os registros efetivados. Nesse sentido, a produção do conjunto probatório robusto é indispensável para que a autoridade administrativa possa se pautar no princípio da verdade material, conforme princípio da legalidade insculpido no art. 37 da Constituição Federal. Consta no Acórdão da 2ª Turma/DRJ/BHE/MG nº 0234.923, de 27.09.2011, efls. 3439, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): A Manifestante, por sua vez, alega ter cometido erro no preenchimento da Dcomp quanto à especificação do tipo de crédito tributário e que o crédito tributário se refere à saldo negativo da CSLL apurado no anocalendário de 2002 e não pagamento indevido ou a maior de CSLL. Na DIPJ 2003 apresentada pelo contribuinte em 30/06/2003, especificamente na Ficha 16 – Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Mensal por Estimativa, verificase que o contribuinte apurou a contribuição social com base em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução. Em alguns meses apurou CSLL a pagar o que totalizou R$62.787,01. Na Ficha 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fl. 06) o contribuinte deduziu na linha 38 a CSLL mensal paga por estimativa no valor de R$52.951,89 o que resultou na apuração de um saldo negativo no valor de R$ 17.327,90. Pesquisando os bancos de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), nas Declaração de Débitos e Créditos Tributários DCTF correspondentes aos meses do ano de 2002, não foram encontrados débitos de contribuição social declarados e, ainda, não foram localizados pagamentos com código 2484, para o respectivo ano de 2002, [...] O contribuinte anexou à sua Manifestação de Inconformidade cópia de quatro DARF, 2 (dois) com o código de receita 2484 e 2 (dois) com o código de receita 5788: Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13609.904784/200996 Acórdão n.º 1003000.396 S1C0T3 Fl. 69 8 os pagamentos com código de receita 2484 referemse aos período de apuração de setembro e de outubro de 2003. E, uma vez não se tratando de estimativa recolhida no anocalendário de 2002, são estranhos a lide discutida neste processo. [...] os pagamentos com código de receita 5788 dizem respeito a IRPJ suplementar, tributo estranho a lide discutida no presente processo, que trata de saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL do ano calendário de 2002. [...] Ou seja, não foi possível confirmar a apuração do saldo negativo apontado pela manifestante. No caso, o contribuinte não anexou ao processo documento hábil a comprovar a apuração do saldo negativo que informou nas DIPJ do exercício de 2003, ano calendário de 2002. Esclarecese que a retificação de DCOMP só tem cabimento nos casos de inexatidão material, e enquanto pendente de decisão administrativa, com base nos artigos 57 e 58 da Instrução Normativa nº SRF nº 600, de 28/12/2005, vigente à época da transmissão da DCOMP. No presente caso, o erro quanto à origem do crédito não se trata de inexatidão material. É uma questão de direito, posto que a natureza dos créditos é diferente. A análise eletrônica de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior é diferente do exame eletrônico para a aferição do saldo negativo. No caso de pagamento indevido, primeiramente é verificado a existência do pagamento representado pelo DARF e posteriormente é realizado o confronto com outros sistemas informatizados da RFB para verificar a disponibilidade de sua utilização. Já o saldo negativo requer a análise de todas as parcelas que compõem o referido saldo, entre elas, todos os pagamentos mensais das estimativas, o imposto de renda retido na fonte, as DCTFs de todo o período de apuração, etc. Além disso, a título de exemplificação, destacase que as datas de valoração do crédito podem ser diferentes. Assim, para exercer o direito à restituição, o contribuinte tem a obrigação de indicar corretamente qual a origem do crédito. Registrese que o procedimento de compensação é efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal, quanto do contribuinte. Assim, por um lado corre contra a administração o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, de outro lado pesa sobre o contribuinte a exatidão dos valores informados, visto que, uma vez analisada a DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo. Portanto, não merece reparo o Despacho Decisório de fl. 03, por ter sido efetuado de acordo com as determinações legais. Ante o exposto e o contido nos autos deste procedimento administrativo fiscal, reconheço por tempestiva e improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, para não reconhecer o direito creditório. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional. Atinente aos princípios constitucionais, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13609.904784/200996 Acórdão n.º 1003000.396 S1C0T3 Fl. 70 9 âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade3. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 3 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº 2. Fl. 70DF CARF MF
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