Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,218)
- Segunda Câmara (27,798)
- Primeira Câmara (25,084)
- Segunda Turma Ordinária d (17,357)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,074)
- Primeira Turma Ordinária (15,838)
- Primeira Turma Ordinária (15,815)
- Primeira Turma Ordinária (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (15,681)
- Segunda Turma Ordinária d (14,211)
- Primeira Turma Ordinária (12,951)
- Primeira Turma Ordinária (12,270)
- Segunda Turma Ordinária d (12,235)
- Quarta Câmara (11,512)
- Primeira Turma Ordinária (11,297)
- Quarta Câmara (83,859)
- Terceira Câmara (66,190)
- Segunda Câmara (54,484)
- Primeira Câmara (19,047)
- 3ª SEÇÃO (16,074)
- 2ª SEÇÃO (11,240)
- 1ª SEÇÃO (6,768)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (121,972)
- Segunda Seção de Julgamen (112,889)
- Primeira Seção de Julgame (75,297)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,908)
- Câmara Superior de Recurs (37,678)
- Terceiro Conselho de Cont (25,959)
- IPI- processos NT - ressa (5,005)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,960)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,860)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,242)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,651)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,197)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,618)
- HELCIO LAFETA REIS (3,506)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,208)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,889)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,591)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,820)
- 2019 (30,956)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,913)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,464)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,118)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,077)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 11516.002739/2004-02
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
PROCESSO JUDICIAL. LANÇAMENTO. IDENTIDADE DE OBJETO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 01.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 9202-007.750
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento, em razão de concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001 PROCESSO JUDICIAL. LANÇAMENTO. IDENTIDADE DE OBJETO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 01. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11516.002739/2004-02
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6011824
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9202-007.750
nome_arquivo_s : Decisao_11516002739200402.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
nome_arquivo_pdf_s : 11516002739200402_6011824.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento, em razão de concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
id : 7756069
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:45:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911437942784
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1577; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11516.002739/200402 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.750 – 2ª Turma Sessão de 28 de março de 2019 Matéria IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MOACIR FRASSETTO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 PROCESSO JUDICIAL. LANÇAMENTO. IDENTIDADE DE OBJETO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 01. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento, em razão de concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 27 39 /2 00 4- 02 Fl. 236DF CARF MF 2 Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra decisão proferida pelo Colegiado a quo que entendeu pela não incidência de Imposto de Renda sobre as verbas recebidas pelo Contribuinte a título de "Auxílio Combustível". Referida verba foi paga ao servidor do estado de São Catarina com base na Lei Complementar Estadual nº 100/93 e Decreto Estadual nº 4.131/93. O Acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 AUXÍLIO COMBUSTÍVEL. INDENIZAÇÃO. A verba paga sob a rubrica “auxílio combustível” tem por objetivo indenizar gastos com uso de veículo próprio para realização de serviços externos de fiscalização. Neste contexto, é verba de natureza indenizatória, que não se incorpora à remuneração do fiscal para qualquer efeito e, portanto, está fora do campo de incidência do IRPF. IRPF. DESPESAS MÉDICOODONTOLÓGICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto. Recurso Voluntário Provido em Parte Intimado o Contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pela manutenção do julgado quanto a este tema. Tempestivamente, apresentou seu próprio Recurso Especial contra parte da decisão que manteve o lançamento relativo ao estorno das despesas médicas, recurso não conhecido nos termos do respectivo despacho de admissibilidade. Às efls. 166/233 são juntadas informações acerca da interposição de Ação Anulatória de Débito fiscal, com decisão favorável ao contribuinte já transitada em julgado. É o relatório. Voto Fl. 237DF CARF MF Processo nº 11516.002739/200402 Acórdão n.º 9202007.750 CSRFT2 Fl. 3 3 Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri O Recurso ora discutido preenche os requisitos legais, razão pela qual dele conheço. Em que pese o objetivo do recurso seja a discussão acerca da incidência do Imposto de Renda sobre as verbas recebidas pelo Contribuinte a título de auxílio combustível, conforme descrito no relatório, temos informações acerca de decisão judicial transitada em julgado nos autos da Ação Anulatória de Débito Fiscal de nº 500888283.2016.404.7200. Segundo expediente da Equipe de Ações Judiciais SECAT DRF/Florianópolis, a sentença proferida pelo Juizado Especial Federal transitou em julgado em 12/05/2017. Pela relevância, transcrevese parte da manifestação de efls. 223: O processo 11516.002739/200402 encontrase no CARF para análise do Recurso Especial do Procurador. Informo que o contribuinte ingressou com ação judicial, sob nº 500888283.2016.404.7200, obtendo êxito no rendimento "Auxílio Combustível", conforme determinado em julgamento abaixo. A glosa das despesas médicas, no Auto de Infração, foi mantida pela DRJ, e débito foi apartado para o PAF n.º 11516.721069/201652 (controle transferido para o parcelamento nesta delegacia). A ação transitou em julgado, em 12/05/2017, neste sentido. Sentença: "JULGO PROCEDENTE O PEDIDO, resolvendo o mérito com base no artigo 487, I, do CPC/2015 e nos termos da fundamentação supra, para anular, tão somente, o lançamento fiscal relativo ao auxíliocombustível e determinar à ré que proceda à compensação/restituição do indébito tributário, nos termos da fundamentação. Atualização pela SELIC, até a data da efetiva compensação/restituição." (grifei) Neste cenário, considerando a identidade de objetos, aplicase ao caso o Enunciado da Súmula CARF nº 01, a qual prevê que a propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o propósito de discutir os termos da relação tributária importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto: Súmula CARF nº 01 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 238DF CARF MF 4 O Professor Marcos Vinícius Neder e a Conselheira Maria Teresa Martinez López, na obra Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado (Editora Dialética. São Paulo 2010, p. 299) explicam que a súmula reflete o fundamento de que o ordenamento jurídico brasileiro adota o princípio da jurisdição una, estabelecido no artigo 5º, inciso XXXV, da Carta Política de 1988. A todo rigor, inexiste dispositivo legal que permita a discussão paralela da mesma matéria em instâncias diversas, sejam elas administrativas ou judiciais ou uma de cada natureza. Diante do exposto, caracterizada a concomitância, dou provimento ao recurso para declarar a definitividade do crédito nos termos em que foi lançado, valendo destacar que a unidade responsável pelo crédito deverá observar o conteúdo da sentença judicial favorável ao contribuinte. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 239DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.003995/2007-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
RETENÇÃO NA FONTE. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Não comprovada a retenção do imposto sobre a renda na fonte, não é possível reconhecer o direito à sua compensação com o tributo devido na declaração de ajuste anual do beneficiário do rendimento.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto sobre a renda na declaração de ajuste anual, legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário.
Aplicação da Súmula CARF n.° 12.
Numero da decisão: 2101-002.019
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201301
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 RETENÇÃO NA FONTE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada a retenção do imposto sobre a renda na fonte, não é possível reconhecer o direito à sua compensação com o tributo devido na declaração de ajuste anual do beneficiário do rendimento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto sobre a renda na declaração de ajuste anual, legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário. Aplicação da Súmula CARF n.° 12.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 10510.003995/2007-49
conteudo_id_s : 6016552
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2101-002.019
nome_arquivo_s : Decisao_10510003995200749.pdf
nome_relator_s : CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
nome_arquivo_pdf_s : 10510003995200749_6016552.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
id : 7769424
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:46:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911440039936
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1809; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 95 1 94 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10510.003995/200749 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101002.019 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de janeiro de 2013 Matéria IRPF Imposto sobre a Renda de Pessoa Física Recorrente Fernando de Araujo Menezes Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 RETENÇÃO NA FONTE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada a retenção do imposto sobre a renda na fonte, não é possível reconhecer o direito à sua compensação com o tributo devido na declaração de ajuste anual do beneficiário do rendimento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto sobre a renda na declaração de ajuste anual, legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário. Aplicação da Súmula CARF n.° 12. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 39 95 /2 00 7- 49 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Eivanice Canário da Silva e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração contra o contribuinte em epígrafe (fls. 10 a 14), no qual foi apurada omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Em 17 de setembro de 2007, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1 a 6), na qual admite ter havido equívoco no preenchimento da Declaração de Ajuste Anual no tocante aos rendimentos tributáveis, concordando inclusive com o ajuste efetuado pela Autoridade Fiscal em relação aos rendimentos. Entende, contudo, que o imposto sobre a renda na fonte, calculado com base na Tabela Progressiva, nos termos do §2° do artigo 46 da Lei n.º 8.541, de 1992, deve ser alterado de R$ 55.214,38 para R$ 85.598,82. Conclui, com esses argumentos, que faz jus à restituição de R$ 627,94 mais acréscimos legais. A 3.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Salvador (BA), mediante o Acórdão n.º 1521.746, de 25 de novembro de 2009, julgou a impugnação improcedente, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 IMPOSTO NA FONTE. AÇÃO JUDICIAL. NÃO RETENÇÃO. Não pode ser compensado na declaração o imposto na fonte que deixou de ser retido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 27.1.2010, no qual repisa os argumentos trazidos na impugnação. Pede seja julgado improcedente o Auto de Infração, reformandose a decisão recorrida. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy Fl. 102DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10510.003995/200749 Acórdão n.º 2101002.019 S2C1T1 Fl. 96 3 O Recurso Voluntário, tempestivo, atende aos demais requisitos legais. Dele conheço. 1. Da compensação de imposto sobre a renda retido na fonte Já sob ação fiscal (vide fls. 40), o recorrente apresentou, em 12.4.2007, declaração de ajuste anual retificadora (fls. 22 a 26), na qual declara rendimentos recebidos do Banco do Brasil S/A da ordem de R$ 358.705,71 e retenção na fonte de R$ 93.567,17. Admite terse equivocado no preenchimento da Declaração de Ajuste Anual quanto aos rendimentos tributáveis e concorda com o ajuste efetuado pela Autoridade Fiscal em relação aos rendimentos (o montante dos rendimentos tributáveis recebidos do Banco do Brasil S/A apurados pela Fiscalização totalizam R$ 329.728,81, vide fls. 11). Por outro lado, alega que o imposto sobre a renda na fonte deve ser calculado com base na Tabela Progressiva, nos termos do § 2° do artigo 46 da Lei n.º 8.541, de 1992. Nesse sentido, tendo em vista que o valor tributável da ação trabalhista totalizou R$ 329.728,81, o imposto na fonte deve ser alterado de R$ 55.214,38 para R$ 85.598,82. Sendo assim, considerando que o imposto devido na Declaração de Ajuste Anual foi alterado para R$ 84.970,88, conclui que faz jus à restituição de R$ 627,94 mais acréscimos legais. Ocorre que, para que se admita a compensação, na Declaração de Ajuste Anual, do imposto retido na fonte, exigese a comprovação da efetiva retenção pela fonte pagadora dos rendimentos, tal como previsto no artigo 55 da Lei n.º 7.450 de 23 de 1985, que veda expressamente a compensação de imposto sobre a renda retido na fonte que não esteja devidamente respaldado em documentação hábil e idônea. Vejamos: Art 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. No entanto, examinando os autos deste processo, não encontramos qualquer indício de prova da retenção de imposto sobre a renda na fonte em valor equivalente ao que o recorrente sustenta ter direito de compensar, qual seja, R$ 85.598,82. Intimado, o Banco do Brasil S/A informou que, no anocalendário 2002, o recorrente não recebeu rendimento para o qual tivesse havido retenção de imposto sobre a renda na fonte (vide fls. 78). Por outro lado, ficou comprovado nos autos o recolhimento de imposto de renda na fonte (código de receita 0561) no valor de R$ 55.214,38, com referência ao processo judicial trabalhista n.º 01040265/97, e com o CPF do recorrente (DARF às fls. 49). Esse montante foi devidamente compensado pela Fiscalização no cálculo do imposto suplementar, conforme se observa às fls. 12. Sendo assim, nada mais há que se compensar a título de imposto retido na fonte, além do que já foi compensado pela autoridade lançadora. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 2. Do dever de declarar os rendimentos auferidos no anocalendário e de recolher o imposto sobre a renda Com fundamento no caput do artigo 46 da Lei n.º 8.541, de 1992 e em julgados cujas ementas transcreve, o recorrente sustenta que a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto de renda, em se tratando de rendimentos pagos em cumprimento de decisão judicial, é da pessoa jurídica obrigada ao seu pagamento, cabendo à Fazenda Pública cobrar do Banco do Brasil S/A o imposto que eventualmente não tenha sido retido. Sobre o tema, impende salientar que a omissão da fonte pagadora dos rendimentos tributáveis na retenção do imposto sobre a renda não exclui a responsabilidade do beneficiário. É de se esclarecer que, no momento do pagamento do rendimento, é a fonte pagadora responsável pela retenção do imposto. Todavia, é dever do beneficiário do rendimento declarálo na sua declaração de ajuste do anocalendário e recolher o tributo correspondente. A Lei n.º 9.784, de 1999, reguladora do processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, que prevê direitos aos administrados, também lhe exige deveres, tais como expor os fatos conforme a verdade e prestar as informações que lhe forem solicitadas, colaborando para o esclarecimento dos fatos. Entre outras situações, esses deveres se impõem no preenchimento das declarações apresentadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil, a exemplo da Declaração de Ajuste Anual de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (DIRPF). O contribuinte pessoa física, sempre que enquadrado nos requisitos da legislação de regência, deve preencher, anualmente, sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda e, nela, deve informar todos os rendimentos auferidos durante o ano calendário, sejam eles tributáveis na declaração, tributados exclusivamente na fonte, isentos ou não tributáveis. É na declaração de ajuste anual que é apurada a base de cálculo do imposto sobre a renda de pessoa física, e somente os rendimentos isentos ou não tributáveis, ou com tributação definitiva ou exclusiva na fonte estão excluídos da base de cálculo anual. Vejamos o que dispõe o artigo 10 da Lei n.º 8.134, de 1990: Art. 10. A base de cálculo do imposto, na declaração anual, será a diferença entre as somas dos seguintes valores: I de todos os rendimentos percebidos pelo contribuinte durante o anobase, exceto os isentos, os não tributáveis e os tributados exclusivamente na fonte; e II das deduções de que trata o art. 8°. Nesse sentido, não pode o contribuinte pessoa física, na declaração de ajuste anual, esquivarse de apurar e recolher o imposto sobre a renda correspondente, sob a alegação de que a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do tributo é da fonte pagadora do rendimento. A propósito, este Conselho já se pronunciou sobre o assunto, por meio da Súmula CARF n.° 12, externando o entendimento que, mesmo nos casos em que a fonte pagadora não tenha retido o imposto na fonte, constatada a omissão de rendimentos tributáveis na declaração, cabível o lançamento do imposto sobre a renda de pessoa física em nome do beneficiário. Confira: Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de Fl. 104DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10510.003995/200749 Acórdão n.º 2101002.019 S2C1T1 Fl. 97 5 ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Conclusão Ante todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 105DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10580.903457/2013-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2000
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais.
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE.
Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
Numero da decisão: 3401-005.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10580.903457/2013-71
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6002527
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3401-005.893
nome_arquivo_s : Decisao_10580903457201371.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10580903457201371_6002527.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
dt_sessao_tdt : Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
id : 7726081
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911442137088
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1952; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.903457/201371 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401005.893 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO PIS/COFINS Recorrente BANCO ALVORADA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 34 57 /2 01 3- 71 Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10580.903457/201371 Acórdão n.º 3401005.893 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou insubsistente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório que indeferiu pedido de restituição de COFINS. Do Pedido de Compensação e do Despacho Decisório O contribuinte pleiteou compensação, referente a pagamento efetuado indevidamente ou a maior, transmitido através de PER. Em despacho decisório, o pedido foi indeferido sob a alegação que o “recolhimento apontado como origem do crédito encontrase integralmente alocado ao débito informado pelo contribuinte, não restando qualquer saldo de pagamento a ser restituído. ” Da Manifestação de Inconformidade O Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, argumentando o seguinte: 1. O Supremo Tribunal Federal declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, contida no §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998 e que o presente pedido de restituição se mostra subsistente, pois os recolhimentos da contribuição em tela foram realizados nos estritos lindes do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, cujo descompasso com o sistema normativo acabou por provocar o recolhimento a maior nesse tocante e, por conseguinte, não há como prosperar o indeferimento do presente pedido de restituição. 2. O STF declarou a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98 porque reconheceu que as contribuições sociais ao PIS e à Cofins só poderiam incidir sobre o faturamento das empresas, assim entendida “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, não podendo incluir na base de cálculo receitas não operacionais. 3. O conceito de faturamento não varia em função do objeto social de cada contribuinte, pois a base de cálculo ficaria sujeita a um grau de incerteza absolutamente incompatível com uma obrigação tributária. Assim sendo, não há qualquer relação de identidade entre o conceito de faturamento com a atividade principal dos contribuintes. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10580.903457/201371 Acórdão n.º 3401005.893 S3C4T1 Fl. 4 3 4. Mesmo que se entenda que as receitas financeiras auferidas por instituições financeiras têm natureza de receita de prestação de serviços, integrando o conceito de faturamento, o que se admite apenas para argumentar, não podem integrar referida base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolvam intermediação financeira. 5. A base de cálculo, deveria ficar restrita somente às receitas auferidas no exercício de seu objeto social, com a prestação de serviços bancários, tais como administração de fundos de investimentos, assessoria em operações de fusão e aquisição, intermediação financeira e concessão de crédito, dentre outras atividades. 6. As receitas financeiras obtidas com a aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias, realizadas no seu único e exclusivo interesse, sem intermediação, não configuram prestação de serviços, uma vez que ninguém presta serviço para si próprio. Junto com a impugnação, o recorrente apresentou planilhas de cálculo, e balancete analítico do mês de referência. Da Decisão de Primeiro Grau O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 14061.567. Do Recurso Voluntário Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso, reprisando as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.809, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10580.902382/201491, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.809): "Da Admissibilidade Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10580.903457/201371 Acórdão n.º 3401005.893 S3C4T1 Fl. 5 4 O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade; de modo que tomo seu conhecimento. Do Mérito O núcleo do litígio reside na forma de aplicação da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei Federal 9718/1998 pelo STF – quando do julgamento do RE nº 585.235, sob a forma do art. 543B, do CPC, sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, no que tange às instituições financeiras. Naquela oportunidade, restou pacificado que, para fins de incidência cumulativa das contribuições sociais, o faturamento é o resultado das atividades típicas, ou seja, que decorram do objeto social do contribuinte. Como não poderia ser diferente, esse vem sendo o entendimento adotado nessa Seção, e na Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 COFINS. FATURAMENTO. LEI 9.784/98 [SIC]. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Consoante entendimento firmado pelo STF, as receitas operacionais obtidas pelas instituições financeiras, decorrentes de sua atividade fim, integram o conceito de receita bruta utilizado pelo art. 3º da Lei nº 9.718/98. RECUPERAÇÃO DE ENCARGOS E DESPESAS E REVERSÃO DE PROVISÕES OPERACIONAIS. Lançamentos que não representes ingressos de receita oriundos das atividades típicas das instituições financeiras não podem ser alcançados pela incidência da COFINS. (Acórdão nº 3201004.445, Relatora Tatiana Josefovicz Belisário, sessão de 27.11.2018) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10580.903457/201371 Acórdão n.º 3401005.893 S3C4T1 Fl. 6 5 As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. (Acórdão nº 9303002.934, Redator designado: Ricardo Paulo Rosa, sessão de 03.06.2014). Acertadamente, a decisão ora recorrida destacou que as atividades operacionais das instituições financeiras se encontram elencadas no Plano de Conta COSIF, nos termos emanados pelo Banco Central do Brasil: O Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional, instituído pela Circular do Banco Central do Brasil nº 1.273, de 29 de dezembro de 1987, traz em seu Capítulo 1 Normas Básicas, Seção 17 Receitas e Despesas, item 3, que as rendas obtidas tanto com as operações ativas como com a prestação de serviços, ambas referentes a atividades típicas, regulares e habituais da instituição financeira, são classificadas como operacionais. Confirase: 3 As rendas operacionais representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais. (grifos nossos) No Cosif, as contas de receitas operacionais são divididas em: 7.1 RECEITAS OPERACIONAIS 7.1.1.00.001 Rendas de Operações de Crédito 7.1.2.00.004 Rendas de Arrendamento Mercantil 7.1.3.00.007 Rendas de Câmbio 7.1.4.00.000 Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez 7.1.5.00.003 Rendas com Títulos e Valores Mobiliários e Instrumentos Financeiros Derivativos Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10580.903457/201371 Acórdão n.º 3401005.893 S3C4T1 Fl. 7 6 7.1.7.00.009 Rendas de Prestação de Serviços 7.1.8.00.002 Rendas de Participações 7.1.9.00.005 Outras Receitas Operacionais (...) Portanto, em uma instituição financeira as receitas financeiras decorrem de serviços prestados aos clientes (financiamentos, empréstimos, operações de câmbio na importação ou exportação, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, seguros, arrendamento mercantil, administração de planos de previdência privada e tantas outras mais) não constituindo mero ganho financeiro como acontece em outras empresas. São, portanto, receitas operacionais, que compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins. (...) Especificamente quanto a instituições financeiras e contribuintes a ela equiparadas por força do artigo 22, § 1° da Lei 8.212/91, devese entender por faturamento os ganhos obtidos com operações financeiras realizadas por tais entidades, quanto à captação, movimentação e aplicação de ativos que proporcionem alguma forma de ganho pecuniário, posto não ser outro o objeto social de tais sociedades. Observando o caso concreto, tratase de instituição financeira que tem por objeto social “efetuar operações bancárias em geral, inclusive câmbio”. Esse, portanto, é o limite das atividades típicas que devem ser objeto de escrutínio para sua inclusão na base de cálculo das contribuições sociais. No presente processo, a Recorrente pleiteia crédito de COFINS no montante calculado sobre a diferença entre a totalidade de receitas operacionais e a receita de prestação de serviços bancários (conta 7.1.7.00.00.9), entendendo, a despeito do entendimento acima esposado, que somente as atividades de prestação de serviços bancários poderiam vir a ser objeto de incidência das contribuições sociais, ignorando que a atividade bancária per si não se restringe, por óbvio, aos serviços prestados aos clientes. Adicionese aos argumentos anteriores que a própria Lei Federal 9.718/1998 partiu da premissa que as receitas financeiras geradas nas atividades das instituições bancárias eram tributadas, quando previu, em seus parágrafos 5º e 6º, hipóteses específicas de dedução: Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10580.903457/201371 Acórdão n.º 3401005.893 S3C4T1 Fl. 8 7 I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. Assim, todas as receitas decorrentes da atividade bancária, seja pela prestação de serviços, seja pela fruição de resultados financeiros dos ativos próprios e de terceiros, devem ser tributadas pelas contribuições sociais, observadas das deduções acima. Por outro lado, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente, nos termos do RE 1.104.184/RS, do STJ, julgado sob efeitos do artigo 543C do antigo CPC. Sob a mesma ótica, não é possível admitir na base de cálculo das contribuições as receitas decorrentes da locação de imóveis, eis que essa atividade não se encontra contemplada no seu contrato social. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10580.903457/201371 Acórdão n.º 3401005.893 S3C4T1 Fl. 9 8 Tratase, portanto, de resultados que não decorre da atividade bancária, de forma que a parcela do lançamento referente a essa rubrica deve ser cancelada. Por todo o exposto, conheço do Recurso, e doulhe parcial provimento para afastar a glosa sobre as receitas decorrentes da remuneração de juros sobre o capital próprio e locação de imóveis próprios." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. . Da mesma forma, a Declaração de Voto do Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, apresentada no processo paradigma, é extensível ao presente processo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso voluntário, e darlhe parcial provimento para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10580.903457/201371 Acórdão n.º 3401005.893 S3C4T1 Fl. 10 9 Fl. 164DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.724058/2017-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.971
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.724058/2017-94
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6017738
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-001.971
nome_arquivo_s : Decisao_10880724058201794.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RODRIGO MINEIRO FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 10880724058201794_6017738.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
id : 7771794
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:46:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911445282816
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1636; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 1.660 1 1.659 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.724058/201794 Recurso nº De Ofício Resolução nº 3402001.971 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 24 de abril de 2019 Assunto Classificação Fiscal de mercadorias Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida COMPANHIA BRASILEIRA DE ALUMINIO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Por bem retratar o caso em questão adoto o relatório desenvolvido pela DRJ Florianópolis até aquela fase: O presente processo referese aos autos de infração de fls. 03 a 243, lavrados para exigência de Imposto de Importação, CofinsImportação, Pis/Pasep Importação e multa por classificação incorreta, totalizando um crédito tributário exigido no valor de R$ 151.925.240,83, assim discriminado: [...] A autuação decorre da constatação pela Autoridade Aduaneira, em sede de Revisão Aduaneira, que a autuada vinha utilizando classificação fiscal, do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .7 24 05 8/ 20 17 -9 4 Fl. 1660DF CARF MF Processo nº 10880.724058/201794 Resolução nº 3402001.971 S3C4T2 Fl. 1.661 2 produto por ela importado, equivocada e, por conta deste fato, o benefício fiscal do drawback vinculado a tais importações era indevido, lançandose então os tributos, acompanhados de juros de mora e multa, além da multa pelo erro na classificação fiscal. A autuada realizou, entre os dias 05/04/2012 a 18/04/2016, um total de 114 operações de importação do produto denominado “Hidróxido de Níquel”, sendo que destas, 110 foram acobertadas por regime suspensivo de Drawback e as demais com recolhimento integral dos tributos. Estas 110 declarações de importação, em que se aplicou a suspensão dos tributos, estavam acobertadas pelos Atos Concessórios de Drawback de número: 20110053540, 20120002884, 20130055441 e 20150027087, conforme tabela de fls, 187 a 191. Todas as 114 declarações de importação apresentaram descrição semelhante, o que possibilitou à fiscalização a extensão dos resultados dos laudos realizados em 2 DI que incidiram em canal vermelho (que não fazem parte desta autuação) e cujas amostras da mercadoria foram submetidas a análise. (DI 11/12249097 e 12/02496450). Para a DI 11/12249097 houve a apresentação do laudo 2370/20111 (fls. 1221) em 05/10/2011 e para a DI 12/02496450 o laudo 608/20121 (fls. 1234) foi apresentado em 20/04/2012. Ambos os laudos concluíram que a mercadoria analisada “tratase de produto constituído de compostos inorgânicos contendo Cobalto, Manganês, Níquel, Sulfato e Sílica, na forma de pó granulado verde escuro” e, na resposta ao quesito 1, informam que “Não se trata de Outro Óxido e Hidróxido de Níquel, de constituição química definida”. Em 25/05/2016 a ALF/Santos, através da Notificação GRALT nº 12/2016 (fls. 1225) solicitou à L. A. Falcão Bauer C.T.C.Q Ltda., responsável pela emissão dos laudos mencionados acima, que providenciasse aditamento/complemento ao laudo técnico nº 2370/20111, buscando esclarecer, entre outras coisas, se a técnica utilizada para identificação da amostra submetida à análise poderia ter influenciado no resultado da análise original. A conclusão apresentada (fls. 1223 e 1224) é que a técnica utilizada para determinar a composição química da amostra não interferiu nos resultados, já que sua composição foi apurada na amostra tal e qual, ou seja, antes de ser submetida ao aquecimento (800ºC/2h). Com base no resultado apresentado nos laudos mencionados, e tomando emprestados os laudos emitidos, a fiscalização concluiu que a classificação fiscal adotada pela empresa (NCM 2825.40.90), quando da realização das 114 operações, não seria a adequada e que as mercadorias deveriam ter sido classificadas na NCM 7501.20.00, gerando, conseqüentemente, a aplicação da multa pela incorreção na classificação fiscal. A classificação utilizada pela empresa em suas declarações de importação encontrase inserida na seguinte estrutura: Fl. 1661DF CARF MF Processo nº 10880.724058/201794 Resolução nº 3402001.971 S3C4T2 Fl. 1.662 3 Já a classificação proposta pela fiscalização aduaneira apresenta a seguinte estrutura: Como decorrência da reclassificação, o regime tributário suspensivo de drawback, concedido especificamente para a importação enquadrada na NCM 2825.40.90, não mais se aplicaria às importações realizadas pela empresa, o que fez com que fossem lavrados os autos de infração com a cobrança dos tributos suspensos quando do registro das declarações de importação, acrescidos de multa (75%) e juros. Uma vez que a empresa que efetuou as importações, Votorantim Metais S/A foi incorporada pela Companhia Brasileira de Alumínio, as autuações se deram em nome da incorporadora. Devidamente cientificada dos Autos de Infração, a interessada apresentou sua impugnação às fls. 1245 a 1528, alegando, em síntese: a) que os autos de infração seriam nulos em razão de terem incluído as DIs em que houve o recolhimento integral dos tributos, alterando, desta forma, a base de cálculo dos valores lançados; b) que não estariam presentes quaisquer das hipóteses previstas no art. 149 do CTN para revisão do lançamento, já que teria informado que as importações se beneficiavam do regime suspensivo decorrente de drawback; c) que os laudos em que se baseou a fiscalização não dizem respeito às DI objeto da fiscalização, e que, por conta disso, a autuação se baseou em mera suposição; d) que não teriam sido observados os trâmites previstos na IN 1063/2010 para a coleta das amostras; Fl. 1662DF CARF MF Processo nº 10880.724058/201794 Resolução nº 3402001.971 S3C4T2 Fl. 1.663 4 e) que laudo solicitado pela impugnante junto à Escola Politécnica de Universidade de São Paulo (Poli) concluiu que a mercadoria importada por ela deveria ser classificada na posição 2825.40.90; f) que a técnica utilizada pela Falcão Bauer teria alterado as características do produto, segundo apontado no laudo da Poli; g) que o produto importado é um hidróxido, e não um óxido, como classificado pela fiscalização; h) que o produto importado por ela é composto majoritariamente de níquel e que a presença de outros elementos não inviabiliza a classificação na posição 2825.40.90; i) que os objetivos do regime de drawback foram plenamente cumpridos e que eventual erro na classificação não resulta em descumprimento do regime; j) que, como não houve erro de classificação das mercadorias, os autos de infração emitidos devem ser cancelados; Ao final postula pelo cancelamento dos autos de infração lavrados, já que não houve erro de classificação das mercadorias e pela produção de provas periciais, tendo, inclusive, formulado quesitos a serem respondidos, e de outros elementos complementares. Antes do julgamento da impugnação, em razão de dúvidas deste julgador quanto à conclusão dos laudos técnicos apresentados pela fiscalização aduaneira às fls. 1.221 e 1.234, foi solicitada diligência à unidade preparadora para que fossem realizadas novas análises laboratoriais e que fossem respondidos aos quesitos apresentados às fls. 1.571. À impugnante foi facultado apresentar outros quesitos que fossem de seu interesse, tendo exercido esse direito, conforme quesitos apresentado às fls. 1.577 e 1.578, além de solicitar a retificação de dois quesitos apresentados pela fiscalização aduaneira. Os novos laudos foram apresentados às fls. 1.588 a 1.595 e 1.600 a 1.607, em aditamento aos laudos anteriormente realizados. Após a impugnante ser cientificada dos laudos mencionados acima, apresentou MANIFESTAÇÃO sobre o aditamento aos laudos técnicos, às fls. 1.619 a 1.628, em que alega, em síntese: 1. que as impurezas detectadas nos laudos são provenientes do processo de beneficiamento do níquel, não tendo sido deixadas deliberadamente a fim de tornar o composto apto a um fim específico; 2. que, conforme comprovam os laudos, a finalidade do produto é exatamente aquela que a Impugnante informou e destinou: preparação de placas eletrolíticas, não tendo o produto qualquer outra função específica, enquadrandose perfeitamente nas Notas do Capítulo 28 da NESH; 3. que as amostras utilizadas nos laudos e nos aditamentos não representam as DIs objeto da autuação fiscal, o que ensejaria a nulidade da autuação fiscal; 4. que os aditamentos aos laudos, mesmo utilizando as mesmas amostras, apresentaram percentuais completamente distintos, o que macula as suas conclusões; 5. que os laudos são incoerentes no ponto que indicam que o produto químico analisado possui impurezas que decorrem da fabricação ou de sua própria natureza, mas que não pode ser considerado um composto de constituição química definida, implicando na necessidade de elaboração de nova análise Fl. 1663DF CARF MF Processo nº 10880.724058/201794 Resolução nº 3402001.971 S3C4T2 Fl. 1.664 5 laboratorial a ser realizada sobre amostra importada no período objeto da autuação. Por meio do acórdão nº 0741.065 de 6 de dezembro de 2017 (fls. 1641 a 1652), a 1ª Turma da DRJ Florianópolis, por unanimidade de votos, julgou procedente a impugnação, exonerando o crédito tributário lançado. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 05/04/2012 a 18/04/2016 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. COMPETÊNCIA. A competência legal para realizar a classificação fiscal de mercadorias importadas é de ocupante do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, atribuição de caráter privativo. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MERCADORIA IMPORTADA. CARACTERÍSTICAS. PROVAS. A classificação fiscal de mercadoria importada deve ser realizada com base em sua natureza e características técnicas devidamente comprovadas, observandose as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) e as Regras Gerais Complementares (RGC). Subsidiariamente são utilizadas as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), aprovadas pelo Decreto nº 435, de 27/01/1992 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 05/04/2012 a 18/04/2016 LAUDO EMPRESTADO. É eficaz o laudo ou parecer técnico sobre produto importado, no caso de se tratar de produto originário do mesmo exportador, com igual denominação, inclusive se exarado em outro processo administrativo fiscal. REVISÃO ADUANEIRA. A Fazenda Nacional tem o direito de efetuar a revisão aduaneira no período de cinco anos a contar do registro da Declaração de Importação. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Fl. 1664DF CARF MF Processo nº 10880.724058/201794 Resolução nº 3402001.971 S3C4T2 Fl. 1.665 6 Conforme determina o artigo 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, que estabeleceu o limite de alçada em R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), o julgador a quo recorreu de ofício a este Conselho. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. Conheço de o Recurso de Ofício em razão da exoneração do crédito tributário lançado ser superior ao limite de alçada em R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Conforme relatado, a questão cingese sobre a correta classificação fiscal de produtos importados descritos como “Hidróxido de Níquel”, e a exigência de Imposto de Importação, CofinsImportação, PisImportação e multa por classificação incorreta decorrentes de alegado erro de classificação. A DRJ Florianópolis considerou procedente a impugnação, reconhecendo como correta a classificação adotada pelo importador, e exonerou o crédito tributário lançado. A decisão recorrida entendeu que o produto importado deveria ser classificado no Capítulo 28 e não no Capítulo 75 como concluiu a fiscalização aduaneira, e, em permanecendo no Capítulo 28, a classificação correta seria a 2825.40.90, que era a classificação utilizada nas DIs objeto da revisão aduaneira. O fundamento da decisão recorrida foi que a mercadoria importada não se tratava de óxido de níquel, mesmo que impuro, conforme embasamento utilizado pela fiscalização para reclassificála, mas sim de hidróxido de níquel, de acordo com os aditamentos aos laudos, excluindo a classificação no Capítulo 75; e que o fato de conter impurezas não seria suficiente, por si só, para alteração da classificação fiscal, conforme Nota 1 do Capítulo 28. Iniciaremos nossa análise pela possibilidade de inclusão do produto no Capítulo 28, conforme declarado pelo importador. O ponto chave é verificar se o produto em questão é um produto composto de constituição química definida. Apenas se o produto for considerado como compostos de constituição química definida, apresentados isoladamente mesmo que contenham impurezas, é que permitiria sua classificação no Capítulo 28. Assim dispõe a Nota 1 do Capítulo 28: “Capítulo 28 Produtos químicos inorgânicos; compostos inorgânicos ou orgânicos de metais preciosos, de elementos radioativos, de metais das terras raras ou de isótopos Notas. 1. Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capítulo compreendem apenas: Fl. 1665DF CARF MF Processo nº 10880.724058/201794 Resolução nº 3402001.971 S3C4T2 Fl. 1.666 7 a) Os elementos químicos isolados ou os compostos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo que contenham impurezas; [...]” O aditivo ao Laudo nº 2370/20111 expressamente descaracteriza o produto como de constituição química definida: “A presença de outros compostos e o baixo teor de Níquel, expresso tanto como Óxido de Níquel ou como Hidróxido de Níquel descaracteriza a amostra analisada como um Óxido ou Hidróxido de Níquel, de constituição química definida e isolado”. Os laudos são claros ao afirmar que o produto importado é uma mistura complexa constituída majoritariamente de hidróxido de níquel e outros hidróxidos, além de outros componentes químicos e impurezas. De acordo com o Laudo nº 2370/20111 o produto é constituído pelos seguintes elementos: Segundo o referido laudo, as substâncias diferentes do hidróxido de níquel são decorrentes do processo hidrometalúrgico utilizado no beneficiamento do mineralminério de origem e provenientes de sua associação na natureza. Entretanto, enquanto o Laudo nº 2370/20111 expressamente descaracteriza o produto como de constituição química definida, o laudo apresentado pela recorrida aponta que as impurezas do produto são normalmente esperadas em conjunto com o hidróxido de níquel ou decorrem do processo de beneficiamento (fabricação) do componente químico , ainda que reconheça que o produto era uma mistura complexa constituída por diversos elementos (Laudo assinado pelo Prof. Dr. Guilherme Frederico Bernardo Lenz e Silva, Eng, Esp., Dr. Eng. Engenheiro Metalurgista e de Segurança do Trabalho, CREA/MG 686086/D; CRQ/SP 04362573 (IV Região), às fls.1637, 1639). Transcrevo excerto do referido laudo: “Apesar de ser possível a caracterização de cada elemento e a determinação de suas fases específicas por meio de técnicas analíticas e de caracterização química. Os resultados das caracterizações indicam se tratar de uma substância complexa, formada por diferentes elementos e fases cristalinas. A substância mencionada é formada majoritariamente por uma mistura de hidróxidos onde o hidróxido de níquel é o principal constituinte. Em ambas as análise o teor de hidróxidos (Ni + Mg + Co) foi de aproximadamente de 60%. Tratase de uma mistura decorrente de operações de tratamentos de minérios, concentração e reações químicas contendo impurezas do ponto de vista minerometalúrgico como, por exemplo, o caso do quartzo (dióxido de silício). Fl. 1666DF CARF MF Processo nº 10880.724058/201794 Resolução nº 3402001.971 S3C4T2 Fl. 1.667 8 Assim, é possível afirmar que essas impurezas ou são normalmente esperadas em conjunto com o hidróxido de níquel ou decorrem do processo de beneficiamento (fabricação) do componente químico. Dessa forma, no presente caso, são impurezas nos termos do que dispõe a letra A, das Notas do Capítulo 28 do Sistema Harmonizado de Classificação de Mercadorias. [...] 8. Informar se o produto objeto dos autos referese a um hidróxido ou a um óxido." De acordo com as caracterizações realizadas (composição química elementar) e determinações de fases cristalinas, o produto objeto dos autos referese a uma mistura complexa, constituída majoritariamente de hidróxido de níquel (36,7 e 52,87%) e outros hidróxidos como hidróxido de magnésio (22,4 e 5,18%), hidróxido de cobalto (1,74 e 1,77%), contendo quartzo (um óxido) além de outras impurezas.” Vejamos o que dispõe nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), em especial o Capítulo 28 e da posição 2825: “CONSIDERAÇÕES GERAIS Ressalvadas as disposições em contrário, o Capítulo 28 apenas compreende os elementos químicos isolados (corpos simples) ou os compostos de constituição química definida apresentados isoladamente. Um composto de constituição química definida apresentado isoladamente é uma substância constituída por uma espécie molecular (covalente ou iônica, especificamente) cuja composição é definida por uma relação constante entre seus elementos e que pode ser representada por um diagrama estrutural único. Numa rede cristalina, a espécie molecular corresponde ao motivo repetitivo. Os elementos de um composto de constituição química definida apresentado isoladamente combinamse em proporções características precisas determinadas pela valência dos diferentes átomos presentes, e pela maneira como as ligações entre estes átomos devem efetuarse. Quando a proporção de cada elemento é invariável e característica de cada composto, dizse que ela é estequiométrica. A relação estequiométrica de certos compostos é às vezes ligeiramente modificada em razão de lacunas ou inserções na rede cristalina. Estes compostos são então chamados de quase estequiométricos e podem ser classificados como compostos de constituição química definida apresentados isoladamente, desde que essas modificações não tenham sido efetuadas deliberadamente. A) Compostos de constituição química definida. (Nota 1) Fl. 1667DF CARF MF Processo nº 10880.724058/201794 Resolução nº 3402001.971 S3C4T2 Fl. 1.668 9 Permanecem incluídos no Capítulo 28 os compostos de constituição química definida que contenham impurezas e os mesmos compostos em solução aquosa. O termo “impurezas” aplicase exclusivamente às substâncias cuja presença no composto químico distinto resulta exclusiva e diretamente do processo de fabricação (incluindo a purificação). Estas substâncias podem resultar de qualquer dos agentes intervenientes no processo de fabricação, e que são essencialmente os seguintes: a) Matérias de base não transformadas; b) Impurezas que se encontram nas matérias de base; c) Reagentes utilizados no processo de fabricação (incluindo a purificação); d) Subprodutos. Convém notar que estas substâncias não são sempre consideradas como “impurezas”, nos termos da Nota 1 a). Quando tais substâncias são deliberadamente deixadas no produto, a fim de tornálo particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral, não são consideradas como impurezas cuja presença é admissível. [...] 28.25 Hidrazina e hidroxilamina, e seus sais inorgânicos; outras bases inorgânicas; outros óxidos, hidróxidos e peróxidos, de metais. [...] 2825.40 Óxidos e hidróxidos de níquel [...] Esta posição compreende: [...] 5) Óxidos e hidróxidos de níquel: a) O óxido de níquel (óxido niqueloso) (NiO). Obtémse por calcinação prolongada do nitrato ou do carbonato. Conforme o modo de preparação, apresentase sob a forma de um pó cinzentoesverdeado, mais ou menos denso e mais ou menos escuro. Empregase na preparação de esmaltes, na indústria do vidro como corante, como catalisador em síntese orgânica. É um óxido básico. b) O óxido niquélico (sesquióxido) (Ni2O3), pó negro que se utiliza na preparação de esmaltes, como corante, e na fabricação de placas de acumuladores alcalinos. c) O hidróxido niqueloso (Ni(OH)2), pó fino, de cor verde, que se emprega na preparação de placas eletrolíticas, como elemento constituinte das placas de acumuladores alcalinos e na fabricação de catalisadores de níquel. Fl. 1668DF CARF MF Processo nº 10880.724058/201794 Resolução nº 3402001.971 S3C4T2 Fl. 1.669 10 Excluemse desta posição: a) O óxido natural de níquel (bunsenita) (posição 25.30). b) Os óxidos impuros de níquel, por exemplo os sinters de níquel e o óxido de níquel de tipo granuloso (óxido verde de níquel) (posição 75.01). [...]” O julgador a quo entendeu que a mercadoria importada não era óxido de níquel, mesmo que impuro, conforme embasamento utilizado pela fiscalização para reclassificála, mas sim de hidróxido de níquel, de acordo com os aditamentos aos laudos, e que o fato de conter impurezas não seria suficiente, por si só, para alteração da classificação fiscal, conforme Nota 1 do Capítulo 28. Entretanto, a conclusão da decisão recorrida contraria a conclusão do Laudo nº 2370/20111, que expressamente afirmou que o produto não se tratava de composto inorgânico de constituição química definida, o que afastaria sua classificação no Capítulo 28, conforme excertos abaixo reproduzidos: [...] O fundamento utilizado na decisão recorrida foi por exclusão: como o produto não era um óxido de níquel, mesmo que impuro, conforme embasamento utilizado pela fiscalização para reclassificála, mas sim de hidróxido de níquel, as impurezas do produto não seriam suficientes, por si só, para alteração da classificação fiscal, conforme Nota 1 do Capítulo 28. A turma julgadora não se manifestou sobre a exigência de que o produto fosse de constituição química definida, apresentados isoladamente mesmo que contenham impurezas, para sua classificação no Capítulo 28. Portanto, permanece a dúvida acerca se o produto poderia ser classificado como um composto de constituição química definida, e se os demais elementos poderiam ser considerados como impurezas, nos termos da Nota 1 do Capítulo 28. Diante disso, converto o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para a adoção das seguintes providências por parte da autoridade preparadora: Fl. 1669DF CARF MF Processo nº 10880.724058/201794 Resolução nº 3402001.971 S3C4T2 Fl. 1.670 11 (i) intimar a parte para, querendo, apresentar quesitos e indicar assistente técnico. Na hipótese de indicação de assistente técnico este deverá, com antecedência mínima de 10 (dez) dias, ser intimado da data e local da perícia para que possa acompanhála; (ii) determine a produção de nova análise laboratorial a ser realizada sobre amostra importada no período objeto da autuação, em laboratório diverso, nos termos do artigo 30, § 2°, do Decreto nº 70.235/72, de forma a esclarecer se o produto em questão tratase de um composto de constituição química definida, e se os demais produtos que fazem parte do composto, além do hidróxido de níquel, poderiam ser considerados como impurezas, nos termos da Nota 1 do Capítulo 28 da NCM; e se o produto pode ser classificado como um produto intermediário da metalurgia do níquel. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento. É a resolução. (assinado com certificado digital) Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 1670DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.002047/2009-61
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA E FAPI - COMPROVAÇÃO DO ÔNUS SUPORTADO
As contribuições para as entidades de previdência privada e FAPI podem ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, no percentual de 12%, desde que devidamente comprovado o pagamento pelo contribuinte.
Numero da decisão: 2002-001.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA E FAPI - COMPROVAÇÃO DO ÔNUS SUPORTADO As contribuições para as entidades de previdência privada e FAPI podem ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, no percentual de 12%, desde que devidamente comprovado o pagamento pelo contribuinte.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11516.002047/2009-61
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6008651
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2002-001.035
nome_arquivo_s : Decisao_11516002047200961.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : THIAGO DUCA AMONI
nome_arquivo_pdf_s : 11516002047200961_6008651.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
id : 7746462
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911453671424
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1361; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 74 1 73 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.002047/200961 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002001.035 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 25 de abril de 2019 Matéria IRPF Recorrente JAIR BORGHETTI SPILLER Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA E FAPI COMPROVAÇÃO DO ÔNUS SUPORTADO As contribuições para as entidades de previdência privada e FAPI podem ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, no percentual de 12%, desde que devidamente comprovado o pagamento pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Notificação de lançamento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 20 47 /2 00 9- 61 Fl. 74DF CARF MF 2 Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 06 a 10), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a autuação por omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício. Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 1.043,08, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 18 dos autos, cujas alegações, em síntese foram: A Descrição dos Fatos enquadramento Legal (Anexo 2), emitidos pela Receita Federa, concluiu omissão de rendimento do trabalho com e/ou sem vínculo empregatício. A Análise e a .conclusão a Secretaria da Receita Federal do Brasil justificaram falta de comprovante de DEPÓSITO de R$ 8.000,00 (Oito mil reais), sem que o mesmo fosse solicitado verbalmente e/o por escrito pela Receita Federal, para conferência. Em vista disso, acrescentou aos rendimentos Tributáveis declarados o valor de R$ 8.000,00 (Oito mil reais), que foi efetuado a titulo de abatimento com Previdência Privada/FAPI, no Bradesco Vida e Previdência. Para compro r de modo completo e inequívoco, faço seguir novamente o COMPROVANTE RENDIMENTO RECEBIDO DO BRADESCO VIDA E PREVIDÊNCIA (Anexo 6), o qual foi entregue para a Receita Federal, de Florianópolis/SC, no dia 06/12/2007, com carta (Anexo 1), que corresponde aos rendimentos recebidos pelo titular Jair Borghetti Spitler, referente a previdência Privada da Complementar Programada. I Faço seguir, também, (no Anexo 7), o comprovante (Xerox Autenticada) do DEPÓSITO de R$ 8.000,00 (oito milI reais), efetuado no Bradesco Vida e Previdência (este não solicitado pela Receita Federal) porém a3usado na Análise como SEM COMPROVAÇÃO por parte do contribuinte]. Tratase do comprovante de DEPÓSITO para abertura de uma nova Previdência Privada em nome de minha esposa, Maria da Graça Spiller, com a finalidade de aproveitar o incentivo legaI de dedução do IR com Previdência Privada/FAPI — PGBL A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/FNS que, por unanimidade, em 21/08/2009, no acórdão 0717.236, às efls. 59 a 60, julgou a impugnação improcedente. Recurso Voluntário Ainda inconformado, o contribuinte, apresentou Recurso Voluntário, às e fls. 65 a 71, no qual alega, em resumo: Fl. 75DF CARF MF Processo nº 11516.002047/200961 Acórdão n.º 2002001.035 S2C0T2 Fl. 75 3 · que o valor R$8.000,00 é dedução com Plano de Previdência junto ao Bradesco; · que os documentos que instruem o processo estão autenticados em cartório, logo, dotados de fé pública; É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 08/09/2009, efls. 64, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 29/09/2009, efls. 65, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. O contribuinte foi autuado pela omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício no valor de R$8.000,00, relativa a fonte pagadora Bradesco Vida e Previdência S/A. Em sua defesa, o contribuinte alega que tal valor é referente a plano de previdência contraído junto a instituição financeira. A DRJ manteve a autuação, nos seguintes termos: Todavia, considerandose que o Comprovante de Rendimentos Pagos e Imposto de Renda na Fonte, de fls. 15, emitido pela Bradesco Vida e Previdência, versa tão somente sobre os valores pagos ao contribuinte pela referida entidade pagadora e o de fls. 16, não serve como comprovante de depósito do valor ora guerreado, e se tratar somente de uma proposta de inscrição ao plano de previdência Bradesco PGBL Proteção Familiar não fora autenticado pela referida entidade confirmando o valor nele consignado, há que se manter as glosas procedidas pela autoridade lançadora. Por todo o exposto, manifestome pela procedência lançamento, mantendo o crédito tributário, acrescido de multa de oficio de 75% e juros de mora. A dedução de contribuição à Previdência Privada encontrase disposta no artigo 8º, inciso II, alínea e, da Lei nº 9.250, de 1995, como se vê: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas Fl. 76DF CARF MF 4 : I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) e) as contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no Pais, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social; (grifos nossos) Ainda, o artigo 11 da Lei nº 9.532/97, prevê que a dedução relativa às contribuições para entidades de Previdência Privada e FAPI, cujo ônus tenha sido da pessoa física, limitase a 12% do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual (DAA). Em sede de Recurso Voluntário, visando comprovar o ônus suportado, junta os documentos de efls. 67 a 69 que comprovam o efetivo pagamento do Plano de Previdência contratado. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.901666/2013-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2010 a 30/11/2010
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracteriza-se a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade.
Numero da decisão: 3302-006.887
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2010 a 30/11/2010 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracteriza-se a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16682.901666/2013-18
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6008065
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat May 18 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-006.887
nome_arquivo_s : Decisao_16682901666201318.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 16682901666201318_6008065.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
id : 7744862
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911456817152
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1652; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.901666/201318 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302006.887 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2019 Matéria Processo Administrativo Fiscal Recorrente TIM S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2010 a 30/11/2010 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracterizase a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. Relatório Trata o presente processo do Pedido de Restituição (PER), transmitido pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a restituição de PIS. Consta no processo Despacho Decisório Eletrônico proferido pela unidade de origem, o qual concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER, sob o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 16 66 /2 01 3- 18 Fl. 346DF CARF MF Processo nº 16682.901666/201318 Acórdão n.º 3302006.887 S3C3T2 Fl. 3 2 fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ, nos termos do Acórdão nº 12089.018. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) A ausência de retificação de DCTF ou de qualquer outra obrigação acessória jamais poderia ser impeditivo do reconhecimento do seu direito ao crédito, na medida em que o Fisco possui outros meios de apurar a existência de eventual indébito tributário. Assim, não restam dúvidas de que a falta de retificação da DCTF não deve implicar na perda do direito ao crédito; b) Não há concomitância entre o presente processo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. A lide proposta foi no sentido de que fosse reconhecido o direito líquido e certo da recorrente não se sujeitar à incidência do PIS/Cofins sobre as receitas de interconexão, bem como para reconhecer o crédito referente a eventuais valores pagos indevidamente, relativamente a contribuições apuradas e recolhidas após a impetração do writ. O objeto da ação judicial se destina apenas às contribuições de PIS e Cofins apuradas e recolhidas após a distribuição do referido MS; c) No caso concreto, há uma divisão muito clara. Os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição. Apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Bem verdade que há certa semelhança entre as causas de pedir dos processos administrativos e judicial. Ambos estão fundados na “não incidência do PIS/COFINS sobre receitas de interconexão”. Todavia, os pedidos efetuados para se afastar o PIS e a COFINS sobre as receitas de interconexão, bem como para se reconhecer o crédito sobre pagamentos indevidos realizados envolvem a mesma discussão para períodos de apuração distintos. Frisese: os pedidos administrativos se voltam às contribuições apuradas e pagas antes da impetração do mandado de segurança. Já aquelas apuradas e pagas após o ajuizamento da ação judicial são objeto do mandado de segurança. Diante desse cenário, verificase que não há concomitância entre o mandado de segurança em curso perante o Poder Judiciário e o presente processo administrativo, tendo em vista que os períodos de apuração relativos ao crédito referente ao indébito tributário são distintos; d) Os valores recebidos pela Recorrente e repassados a outras operadoras a título de interconexão de redes não configuram receita tributável pelo PIS e COFINS, pois não se trata de “receita” auferida pela Recorrente, quer do ponto de vista jurídico, quer mesmo do ponto de vista contábil. No caso dos valores recebidos pela Recorrente e repassados a terceiros a título de interconexão de redes, o que se verifica é um mero e transitório ingresso de recursos que devem ser repassados ao terceiro que cedeu seus meios de rede à Recorrente. Não há, portanto, qualquer efetivo acréscimo patrimonial da Recorrente, porque já há um imediato e compulsório destino para aquele valor recebido, que é repassado para as outras operadoras de telecomunicação; e) A tributação nos moldes pretendidos pelo Fisco implica a tributação pelo PIS/COFINS da receita total auferida pela Recorrente pela prestação do serviço de Fl. 347DF CARF MF Processo nº 16682.901666/201318 Acórdão n.º 3302006.887 S3C3T2 Fl. 4 3 telecomunicação, incluindo a parcela que será repassada a terceiros pela interconexão de redes. E, além dessa tributação, nos termos da pretensão fiscal, haveria uma nova incidência do PIS/COFINS pelo terceiro que realiza a interconexão, no momento em que ele apropriar a receita que lhe é repassada, caracterizando o bis in idem tributário; f) A base de cálculo do PIS/COFINS não deve ser integrada por elementos estranhos à receita auferida, notadamente pelos valores que devem ser repassados a terceiros a título de interconexão de redes. Na prática, isso faz com que todo o valor pago pela Recorrente a título de PIS/COFINS sobre esses valores de interconexão de redes seja qualificado como indébito tributário, que lhe deve ser restituído. Termina o recurso requerendo o provimento para que seja reformado o acórdão recorrido, a fim de que seja deferido o pedido de restituição formulado. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.815, de 25 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.900008/201490, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.815): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise. O cerne da questão está em decidir se há concomitância entre esse processo administrativo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Para tanto, é necessário analisar os objetos dos respectivos processos. Conforme já mencionado na decisão a quo, o indébito pleiteado no Pedido de Restituição decorre, nas palavras do contribuinte, “da indevida inclusão na base de cálculo do PIS de valores referentes a ingressos de numerário em razão de contratos de interconexão, os quais não constituem "receita" da Manifestante”. Portanto, defende em processo administrativo a não incidência do PIS/COFINS sobre tarifas de interconexão. Vejamos o objeto do MS nº 002418579.2013.4.02.5101: Pela petição inicial, temos os seguintes pedidos: a) concessão de medida liminar para assegurar o direito liquido e certo da impetrante à suspensão da exigibilidade dos créditos tributários, nos termos do art. 151, IV, do CTN, das Fl. 348DF CARF MF Processo nº 16682.901666/201318 Acórdão n.º 3302006.887 S3C3T2 Fl. 5 4 contribuições ao PIS e a Cofins, sobre os meros ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza); b) determinação à Autoridade Coatora sobre o contudo da decisão liminar, bem como acerca do conteúdo do presente mandamus, para que no prazo legal, preste as informações que entender necessárias, com a posterior oitiva do representante do Ministério Público; c) Ciência à União Federal, nos termos do art. 7º, II, da Lei nº 12.016/2009; d) ao final, a concessão da segurança para confirmar a liminar requerida e assegurar o direito liquido e certo de a impetrante não se sujeitar à incidência das contribuições ao PIS e à Cofins, sobre meros ingressos apurados mensalmente pelo regime da competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza), sob pena de violação ao art. 2º da Lei nº 9,718/99 e aos arts. 5º, II; 145 § 1º; 150, I e IV e 195, I, "b" da Constituição Republicana de 1988, com a consequente compensação do indébito dessas contribuições, apurados desde a distribuição do presente writ, devidamente atualizado pela Taxa Selic, após o trânsito em julgado, nos termos dos artigos 165, 170 e 170A do CTN. A sentença de primeiro grau do Mandado de Segurança nº 002418579.2013.4.02.5101, assim decidiu: Tratase de mandado de segurança com pedido de liminar impetrado por INTELIG COMUNICAÇÕES LTDA contra ato atribuído ao DELEGADO DA DELEGACIA ESPECIAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE MAIORES CONTRIBUINTES NO RIO DE JANEIRO DEMAC, objetivando a declaração de não incidência das contribuições ao PIS e à COFINS, sobre os ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela Impetrante, decorrentes de tarifas de interconexão serviços prestados pelas demais operadoras, que são posteriormente repassados àquelas congêneres, bem como a declaração do direito de compensar o indébito referente a estas contribuições, apurado desde a distribuição do writ. Sustenta, em apertada síntese, que as chamadas "tarifas de interconexão" não constituem receita, e sim meros ingressos econômicos ou financeiros, tendo cm vista que são recebidas, cm um primeiro momento, pela Impetrante, porem repassadas cm seguida às operadoras que efetivamente prestaram os serviços ao cliente usuário da Impetrante. (...) Fl. 349DF CARF MF Processo nº 16682.901666/201318 Acórdão n.º 3302006.887 S3C3T2 Fl. 6 5 Pelo exposto, com fulcro no art. 269. I, do CPC. JULGO PROCEDENTE O PEDIDO e CONCEDO A SEGURANÇA, para determinar ao Impetrado que se abstenha de exigir da Impetrante que recolha o PIS e a Cofins, incluindo na base de cálculo o valor recebido pela Impetrante e posteriormente repassado a operadora congênere, que prestou efetivamente o serviço, a título de "tarifa de interconexão", bem como para declarar o direito da Impetrante à compensação do indébito, apurado desde a distribuição do presente, na forma da lei de regência, de acordo com a modalidade escolhida pelas Impetrantes, aplicandose a SELIC como critério de atualização do indébito, vedada a cumulação com qualquer outro índice, nos termos da fundamentação supra. Analisando as razões jurídicas apresentadas na peça recursal, fico convencido da identidade das demandas administrativa e judicial, pois nas duas esferas o que se discute é a inexistência de relação jurídica tributária do PIS e da Cofins em relação as receitas de interconexão. O próprio recorrente reconhece essa congruência entre os processos administrativo e judicial. Sua alegação para afastar a concomitância se ampara no fato de que os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição, e que apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 0024185 79.2013.4.02.5101. Não comungo do entendimento no qual a concomitância é afastada pela falta de identidade entre os períodos de apuração apontados nos processos judicial e administrativo. O diferencial entre os períodos de apuração, aqueles contemplados pelo mandamus e os não contemplados, na minha visão, referese somente à possibilidade de o recorrente utilizálos para pedido de compensação antes do trânsito em julgado, por ordem judicial, conforme sua solicitação na exordial. Os demais períodos de apuração, os que foram apurados antes da distribuições do writ, deverão esperar o trânsito em julgado da ação para poderem se credenciar a objeto de um pedido de restituição, com possíveis compensações. Digo isso, pois a decisão do Poder Judiciário sobre a incidência do PIS e da Cofins nas receitas oriundas das tarifas de interconexão, terá reflexos para todos os períodos de apuração, independentemente se foi contemplado no pedido do MS nº 002418579.2013.4.02.5101 ou não Isso se deve ao fato de que na existência de processos paralelos, com objeto e finalidade idênticos, não é salutar que haja decisões com efeitos redundantes ou antagônicos. Em qualquer das hipóteses, prevalecerá a decisão judicial, motivo pelo qual a concomitância de processos ofende o princípio da economia processual. Em face disso, a opção do contribuinte pela via judicial encerra o processo administrativo fiscal em definitivo, em qualquer das fases em que ele se encontre. Fl. 350DF CARF MF Processo nº 16682.901666/201318 Acórdão n.º 3302006.887 S3C3T2 Fl. 7 6 Registrese que a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal, que adota o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. Sendo assim, nos casos em que o sujeito passivo opta pela via judicial para a discussão de matéria tributária implica na renúncia ao poder de recorrer nesta instância, nos termos do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80 e do § 2º, art. 1º do Decretolei nº 1.737, de 1979. Ratificando este entendimento, foi aprovado o enunciado de Súmula CARF nº 01, in verbis: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Na linha do entendimento fixado, não conheço do recurso quanto à matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário e na parte conhecida, nego provimento ao recurso por enxergar identidade entre os pedidos e as causas de pedir apresentados no MS nº 2007.70.00.0222765 e neste recurso administrativo." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 351DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.720012/2008-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
GLOSA DE ÁREA DECLARADA. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.
Para fins de exclusão da tributação relativamente à área de preservação permanente é necessária a comprovação dessa área por meio de laudo técnico ou do Ato do Poder Público que assim a declarou.
GLOSA DE ÁREA DECLARADA. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO.
Para fins de exclusão da tributação relativamente à área de interesse ecológico, é necessário o reconhecimento da área por ato específico conforme previsto no art. 10, §1º, inciso II, alínea "b", da lei 9.393/96, no qual se declare a área como de interesse ambiental, ampliando as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal.
Numero da decisão: 2301-005.969
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso.
João Maurício Vital - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles e João Maurício Vital (Presidente), ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 GLOSA DE ÁREA DECLARADA. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Para fins de exclusão da tributação relativamente à área de preservação permanente é necessária a comprovação dessa área por meio de laudo técnico ou do Ato do Poder Público que assim a declarou. GLOSA DE ÁREA DECLARADA. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. Para fins de exclusão da tributação relativamente à área de interesse ecológico, é necessário o reconhecimento da área por ato específico conforme previsto no art. 10, §1º, inciso II, alínea "b", da lei 9.393/96, no qual se declare a área como de interesse ambiental, ampliando as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 18471.720012/2008-39
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6008595
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2301-005.969
nome_arquivo_s : Decisao_18471720012200839.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JOAO MAURICIO VITAL
nome_arquivo_pdf_s : 18471720012200839_6008595.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso. João Maurício Vital - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles e João Maurício Vital (Presidente), ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
dt_sessao_tdt : Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
id : 7746248
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911473594368
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1683; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.720012/200839 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.969 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de abril de 2019 Matéria IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Recorrente PEDRO MOREIRA MACHADO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 GLOSA DE ÁREA DECLARADA. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Para fins de exclusão da tributação relativamente à área de preservação permanente é necessária a comprovação dessa área por meio de laudo técnico ou do Ato do Poder Público que assim a declarou. GLOSA DE ÁREA DECLARADA. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. Para fins de exclusão da tributação relativamente à área de interesse ecológico, é necessário o reconhecimento da área por ato específico conforme previsto no art. 10, §1º, inciso II, alínea "b", da lei 9.393/96, no qual se declare a área como de interesse ambiental, ampliando as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso. João Maurício Vital Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles e João Maurício Vital (Presidente), ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 72 00 12 /2 00 8- 39 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 18471.720012/200839 Acórdão n.º 2301005.969 S2C3T1 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2301005.963, de 08 de abril de 2019 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 18471.720023/200819, paradigma deste julgamento, com adaptações na forma a seguir apresentada. Tratase de Notificação de Lançamento referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do Exercício: 2004, relativo ao imóvel “Sítio do Carretão” (NIRF 4.095.2428), com área declarada de 11,2 ha, localizado no município do Rio de Janeiro RJ. O contribuinte foi regularmente intimado a apresentar diversos documentos para comprovar informações prestadas em sua Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR). Em resposta, o contribuinte solicitou prorrogação de prazo. A fiscalização, então, efetuou a glosa das áreas informadas de preservação permanente e de interesse ecológico, além de desconsiderar o VTN declarado, arbitrando novo valor, com o conseqüente aumento das áreas tributável/aproveitável, do VTN tributável e da alíquota de cálculo do ITR, pela redução do grau de utilização do imóvel (GU), resultando no lançamento do imposto suplementar. Contra a notificação foi apresentada impugnação, com os seguintes argumentos: § que discorda do procedimento fiscal, pois solicitou novo prazo para atender à intimação inicial, tendo então recebido a notificação de lançamento, por não comprovar as citadas áreas ambientais e o VTN declarado; § preliminarmente, alega que a RFB não se manifestou sobre seu pedido de prorrogação do prazo e, sendo o imóvel um condomínio, deveriam ser intimados e notificados todos os condôminos; § apresenta parecer técnico emitido pelo Parque Estadual da Pedra Branca, informando que o Sítio do Carretão situase dentro do referido parque, considerado área de preservação permanente e interesse ecológico, sendo improcedente seu enquadramento legal relativo a esses itens e ao VTN, conforme a referida notificação de lançamento. § Ao final, requer seja acolhida a impugnação, para cancelar o débito. Em seguida, foi proferido o acórdão da DRJ (1ª instância administrativa), considerando a impugnação improcedente e mantendo o crédito tributário. Irresignada, a recorrente apresentou Recurso Voluntário, argumentando o seguinte: Fl. 80DF CARF MF Processo nº 18471.720012/200839 Acórdão n.º 2301005.969 S2C3T1 Fl. 4 3 § que o acórdão da DRJ cometeu lapso na leitura e análise do Parecer Técnico emitido pelo Parque Estadual da Pedra Branca e que este Parecer é conclusivo quanto à área do Sítio do Carretão estar situada totalmente dentro da unidade de conservação da natureza, conforme texto assinalado no Parecer, que transcreve; § que ao analisar de forma incorreta e parcial o Parecer Técnico emitido pelo Parque Estadual de Pedra Branca (PEPB) refuta documentação oficial comprobatória da localização da área, que neste caso é isenta do ITR; § que não procede o afirmado no acórdão de que o parecer técnico e anexos apresentados não quantificam a área do imóvel efetivamente inserida nos limites do citado Parque Estadual, de modo a justificála para fins de exclusão do cálculo do ITR, sem apresentação de ADA; e § que o Parque Estadual da Pedra Branca, órgão do Estado do Rio de Janeiro é o gestor desta unidade do Sistema de Unidades de Conservação da Natureza, aonde se localiza a área Sítio do Carretão. É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2301005.963, de 08 de abril de 2019 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 18471.720023/200819, paradigma deste julgamento. Apresentase, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2301005.963, de 08 de abril de 2019 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, na forma descrita a seguir. O recurso é tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto e passo a julgálo. Da delimitação da lide Inicialmente cumpre registrar que o VTN arbitrado pela fiscalização com base no Sistema SIPT, em razão da falta de laudo técnico de avaliação com ART, não foi objeto de contestação no recurso. A matéria é tida, portanto, como não contestada. Do Mérito Das Áreas de Preservação Permanente e de Interesse Ecológico Fl. 81DF CARF MF Processo nº 18471.720012/200839 Acórdão n.º 2301005.969 S2C3T1 Fl. 5 4 Argumenta a recorrente que teria direito à isenção de ITR em relação às áreas declaradas como de Preservação Permanente e de Interesse Ecológico e que tais áreas foram reconhecidas por meio de Parecer do Parque Estadual da Pedra Branca (PEPB), órgão do Estado do Rio de Janeiro. Destacou que a propriedade como um todo estaria inserida no Parque. Para tanto, juntou o ofício INEA/DIBAP nº 233, de 28/08/2013, que afirma encontrar se a propriedade inserida no Parque. Entretanto, verificase no Parecer Técnico PEPB nº 18/2008, de 30/12/2008 as seguinte afirmativas que demonstram estar a propriedade apenas parcialmente inserida no Parque Estadual: B Unidade de Conservação e entorno: A propriedade em questão está parcialmente inserida dentro limites (SIC) geográficos do Parque Estadual da Pedra Branca, Unidade de Conservação da Natureza (Lei Federal nº 9.985/2000, Lei Estadual nº 2.377/1974, Decreto Federal nº 4.340/2002 e Decreto Estadual nº 39.172/2006). Porém, parte da citada propriedade encontrase dentro da zona de amortecimento (limites) desta Unidade de Conservação, (Resolução CONAMA nº 13/1990). O artigo 2º da Resolução CONAMA 13/1990, citada no Parecer, reza: Art. 2º Nas áreas circundantes das Unidades de Conservação, num raio de dez quilômetros, qualquer atividade que possa afetar a biota, deverá ser obrigatoriamente licenciada pelo órgão ambiental competente. (grifei) Parágrafo Único O licenciamento a que se refere o caput deste artigo só será concedido mediante autorização do responsável pela administração da Unidade de Conservação. Ou seja, nas áreas circundantes é possível a realização de atividades, desde que licenciadas, possibilitando sua classificação na categoria de área utilizável, o que implica, não se tratar de uma área automaticamente isenta de ITR. Para obter a isenção tributária é necessário o atendimento a outros requisitos legais. Além de preservar e declarar tais áreas, por força da legislação ambiental, elas devem ser documentadas, regularizadas e atualizadas, a fim de serem contempladas com a isenção. Com respeito à exigência de Ato Declaratório Ambiental (ADA), como requisito para gozo da isenção do ITR nas Áreas de Preservação Permanente e de Interesse Ecológico, primeiramente cumpre registrar que sua apresentação passou a ser obrigatória com a Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que alterou a redação do § 1º do art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 18471.720012/200839 Acórdão n.º 2301005.969 S2C3T1 Fl. 6 5 § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (...) Entretanto, o Poder Judiciário tem inúmeros precedentes, aplicáveis a fatos geradores anteriores à Lei nº 12.651, de 2012, a qual aprovou o Novo Código Florestal, no sentido da dispensa da apresentação do ADA para reconhecimento da isenção das áreas de preservação permanente e de reserva legal, com vistas a afastálas da tributação do ITR. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional emitiu, sobre tal assunto, o Parecer PGFN/CRJ nº 1329/2016, por meio do qual adequou sua atuação ao entendimento pacífico do STJ, resultando em nova redação para o item 1.25 da Lista de Dispensa de Contestar e Recorrer da PGFN (lista essa relativa a temas em relação aos quais se aplica o disposto no art. 19 da Lei nº 10.522/02 e nos arts. 2º, V, VII, §§ 3º a 8º, 5º e 7º da Portaria PGFN Nº 502/2016). O Parecer PGFN/CRJ nº 1329/2016 não tem efeito vinculante para esta instância administrativa. Mas, entendo ser pertinente alinhar o entendimento deste Colegiado à atuação da PGFN, uma vez que a disputa poderia ser levada à esfera judicial, resultando num dispêndio desnecessário de recursos públicos. Assim, me filio à tese adotada no Parecer citado para que seja dispensada a apresentação do ADA para reconhecimento da isenção no caso da área de preservação permanente. Quanto à existência da Área de Preservação Permanente (APP), em que pese o afastamento da exigência de ADA, esta precisa ser demonstrada por meio de laudo técnico ou do Ato do Poder Público que assim a declarou, conforme solicitado no Termo de Intimação Fiscal. A recorrente não apresentou esses documentos. Assim, considero que não restou comprovada a área de preservação permanente declarada, devendo ser mantida sua glosa. Quanto à Área de Interesse Ecológico, a recorrente apresenta como prova de sua existência apenas o Parecer do Parque Estadual da Pedra Branca (PEPB) citado. Tal Parecer apenas afirma que a propriedade está parcialmente inserida no Parque. Por sua vez, o Parque foi criado pela lei estadual nº 2.377, de 28 de junho de 1974. Essa lei se reveste de caráter genérico, não específico com relação a determinado imóvel e, por tal motivo, não cumpre a exigência de haver o reconhecimento da área por ato específico, conforme previsto no art. 10, §1º, inciso II, alínea "b", da lei 9.393/96. Nos termos desse artigo, a área deve ser declarada como de interesse ambiental, ampliando as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e reserva legal, ou seja, restrições além do manejo sustentável. Segue o texto da lei: "Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: II – área tributável, a área total do imóvel menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei no 12.651, de 25 de maio de 2012; Fl. 83DF CARF MF Processo nº 18471.720012/200839 Acórdão n.º 2301005.969 S2C3T1 Fl. 7 6 b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso prevista na alínea anterior; (grifei) (...)". Transcrevo ainda abaixo acórdão do Tribunal Regional da 1ª Região com entendimento nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO ITR IMÓVEL RURAL ÁREA ESTADUAL DE PROTEÇÃO AMBIENTAL ISENÇÃO (ART. 10, § 1º, II, B, DA LEI Nº 9.393/96): AUSENTE PROVA INEQUÍVOCA (ART. 273 DO CPC)AGRAVO PROVIDO. (...) 4 O simples fato de o imóvel estar, em princípio, localizado dentro de área estadual de "Proteção Ambiental" não induz, só por si, isenção tributária. A Lei nº 9.393/96 (em leitura apropriada) parece reclamar mais. Não tributáveis seriam, sim, as "partes" de qualquer imóvel rural (encravado ou não em área de proteção ambiental) que, porventura (comprovadamente, na forma da lei), fossem "de preservação permanente"; "de reserva legal"; "de interesse ecológico"; ou "comprovadamente imprestáveis para exploração econômica". 5 Imóvel rural, pois, ainda que localizado em área de proteção ambiental, pode estar sujeito ao ITR, desde que nele estejam contidas glebas de terras economicamente aproveitáveis (com limitações ambientais, que sejam) não enquadráveis na exceção legal: isenção favor legal reclama interpretação restrita (art. 111, II, do CTN). (grifei) 6 Decidir em oposto sentido, afastando crédito tributário da ordem de quase R$ 60.000,00, reclama prova inequívoca, aqui ausente, que só ampla instrução poderá, se o caso, evidenciar. (...) Assim, não basta que o imóvel esteja localizado no perímetro e/ou nas áreas circundantes de uma Unidade de Conservação Ambiental para que reste comprovada a existência de áreas de interesse ecológico com direito à isenção do ITR dentro da propriedade. Portanto, pelo conjunto fático, não cabe o afastamento das glosas das áreas não tributáveis promovidas no lançamento. Conclusão Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. João Maurício Vital Relator Fl. 84DF CARF MF Processo nº 18471.720012/200839 Acórdão n.º 2301005.969 S2C3T1 Fl. 8 7 Fl. 85DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000803/2008-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1995 a 31/12/2003
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO.
O Superior Tribunal de Justiça diante do julgamento do Recurso Especial nº 973.733-SC, em 12/08/2009, afetado pela sistemática dos recursos repetitivos, consolidou entendimento que o termo inicial da contagem do prazo decadencial seguirá o disposto no art. 150, §4º do CTN, se houver pagamento antecipado do tributo e não restar constado dolo, fraude ou simulação.
Portanto, quando configurada as causas que atingem a decadência, o crédito deve ser exonerado até a data de seu prazo quinquenal.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2301-005.913
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Antônio Sávio Nastureles (Presidente em exercício)
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente convocada), Thiago Duca Amoni (suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e Antônio Sávio Nastureles (Presidente em exercício). Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni, suplentes convocados, integraram o colegiado em substituição, respectivamente, aos conselheiros João Maurício Vital e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1995 a 31/12/2003 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO. O Superior Tribunal de Justiça diante do julgamento do Recurso Especial nº 973.733-SC, em 12/08/2009, afetado pela sistemática dos recursos repetitivos, consolidou entendimento que o termo inicial da contagem do prazo decadencial seguirá o disposto no art. 150, §4º do CTN, se houver pagamento antecipado do tributo e não restar constado dolo, fraude ou simulação. Portanto, quando configurada as causas que atingem a decadência, o crédito deve ser exonerado até a data de seu prazo quinquenal. Recurso de Ofício Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 18471.000803/2008-49
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5996407
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2301-005.913
nome_arquivo_s : Decisao_18471000803200849.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WESLEY ROCHA
nome_arquivo_pdf_s : 18471000803200849_5996407.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Antônio Sávio Nastureles (Presidente em exercício) (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente convocada), Thiago Duca Amoni (suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e Antônio Sávio Nastureles (Presidente em exercício). Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni, suplentes convocados, integraram o colegiado em substituição, respectivamente, aos conselheiros João Maurício Vital e Alexandre Evaristo Pinto.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
id : 7713773
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911477788672
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1594; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.000803/200849 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 2301005.913 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES SocIAIs PREVIDENCIÁRIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO UBS S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1995 a 31/12/2003 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO. O Superior Tribunal de Justiça diante do julgamento do Recurso Especial nº 973.733SC, em 12/08/2009, afetado pela sistemática dos recursos repetitivos, consolidou entendimento que o termo inicial da contagem do prazo decadencial seguirá o disposto no art. 150, §4º do CTN, se houver pagamento antecipado do tributo e não restar constado dolo, fraude ou simulação. Portanto, quando configurada as causas que atingem a decadência, o crédito deve ser exonerado até a data de seu prazo quinquenal. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Antônio Sávio Nastureles (Presidente em exercício) (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 08 03 /2 00 8- 49 Fl. 647DF CARF MF Processo nº 18471.000803/200849 Acórdão n.º 2301005.913 S2C3T1 Fl. 3 2 convocada), Thiago Duca Amoni (suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e Antônio Sávio Nastureles (Presidente em exercício). Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni, suplentes convocados, integraram o colegiado em substituição, respectivamente, aos conselheiros João Maurício Vital e Alexandre Evaristo Pinto. Relatório Tratase de recurso de ofício interposto contra acórdão de julgamento da DRJ/Rio De Janeiro/RJ I, que julgou improcedente em parte o lançamento fiscal com base na consideração de que o processo teve os efeitos da decadência atingidos. Em razão do valor autuado ser maior que o valor de alçada, foi interposto o referido Recurso de Ofício. Diante dos fatos apresentados, é o breve relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha relator A DRJ de origem decidiu no sentido de que o crédito fiscal deveria ser exonerado. O auto de infração possui um valor total autuado de R$ 5.165.884,39 (cinco milhões, cento e sessenta e cinco mil, e oitenta e quatro reais, e trinta e nove centavos. Restou um valor remanescente, que já foi quitado pela contribuinte, segundo consta das informações dos autos. Cumpre destacar que a Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017 majorou o limite de alçada para interposição de recurso de ofício, que deixou de ser aquele estabelecido na Portaria MF n.º 3, de 3 de janeiro de 2008, na quantia de R$ 1.000.000,00 um milhão de reais, para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), conforme se transcreve os dispositivos da Portaria abaixo: "Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017. (Publicado(a) no DOU de 10/02/2017, seção 1, pág. 12). Estabelece limite para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ). O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso da atribuição que lhe confere o inciso II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e tendo em vista o disposto no inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, resolve: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Fl. 648DF CARF MF Processo nº 18471.000803/200849 Acórdão n.º 2301005.913 S2C3T1 Fl. 4 3 § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008". A Súmula CARF n.º 103 estabelece que o limite de alçada do recurso de ofício deve ser analisado na data de sua apreciação em segunda instância, conforme se transcreve abaixo: "Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância". Este Conselho em análise reiterada sobre o assunto, com a matéria já sumulada, decidiu por diversas vezes que o limite de alçada deve ser analisado na data que o recurso for julgado, conforme ementa abaixo transcrita: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE. PORTARIA MF Nº 63, DE 2017. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº63,de09 de fevereiro de 2017 majorou o limite de alçada para interposição de recurso de ofício, que deixou de ser o valor estabelecido na Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008 (R$ 1.000.000,00 um milhão de reais), para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Nos termos da Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância". (Processo n.° 10166.723214/201422, Acórdão n.º 2202004.316, Conselheiro Relator Martin Da Silva Gesto, publicado em 20/11/2017). Portanto, o recurso está sendo posto para julgamento na data de 13.03.2019, após a vigência da Portaria de 2017, e ultrapassa o valor de alçada, estando regular para seu julgamento. Assim, em análise da decisão de primeira instância que exonerou quase por completo o auto de infração, verifico que deve ser realizada a manutenção da decisão de primeira instância, uma vez que de fato o auto de infração está contaminado pela decadência, em quase sua totalidade. A exigência em exame é relativa ao período de 07/1995 a 12/2003, e o lançamento foi realizado apenas em 26/04/2005, data da ciência do sujeito passivo. Portanto, cinco anos a mais do permitido legal para a sua exigência, e que assim foram excluídas do presente lançamento as competências até 03/2000. Fl. 649DF CARF MF Processo nº 18471.000803/200849 Acórdão n.º 2301005.913 S2C3T1 Fl. 5 4 Cumpre destacar que, para os demais períodos a contribuinte quitou os valores em questão, renunciando expressamente ao seu direito de recorrer (efls. 612, 627 e 640). Com isso, em relação à decadência, o Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008, e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8. São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Fl. 650DF CARF MF Processo nº 18471.000803/200849 Acórdão n.º 2301005.913 S2C3T1 Fl. 6 5 Ademais, o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Assim, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN,e que nesse caso, temse aplicação do art. 150, inciso §4, do CTN, uma vez que houve recolhimento parcial (efls. 40 e seguintes do eprocesso). Por outro lado, o Superior Tribunal de Justiça consolidou seu entendimento no Recurso Especial n.º 973.733, de 12/08/2009, julgado sob o regime dos recursos repetitivos, de aplicação obrigatória a este Tribunal. Nesse sentido, o prazo decadencial para o Fisco lançar o crédito tributário é de cinco anos, contados: i) a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento e não houver dolo, fraude ou simulação (art. 150, §4º, CTN); ou ii) a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento (art. 173, I, CTN). Existindo pagamento localizado no presente feito, o que atrai a regra do art. art. 150, §4º, CTN, verificase que de fato a presente autuação foi atingida pelos efeitos da decadência, devendo ser o crédito fiscal exonerado, conforme conclusão da DRJ de origem. Para os demais períodos, como já mencionado, houve quitação do débito. CONCLUSÃO Em face do exposto, voto por conhecer e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício, impondo a manutenção da decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 651DF CARF MF Processo nº 18471.000803/200849 Acórdão n.º 2301005.913 S2C3T1 Fl. 7 6 Fl. 652DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13768.000106/2009-20
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2004
DASN. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE.
Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE AO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA CARF Nº. 49.
A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49.
Numero da decisão: 1002-000.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2004 DASN. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE AO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13768.000106/2009-20
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6013376
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1002-000.647
nome_arquivo_s : Decisao_13768000106200920.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : AILTON NEVES DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 13768000106200920_6013376.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo.
dt_sessao_tdt : Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
id : 7759951
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:45:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911480934400
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1262; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 112 1 111 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13768.000106/200920 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.647 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 07 de maio de 2019 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente CASA TAQUETÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 DASN. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE AO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 8. 00 01 06 /2 00 9- 20 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13768.000106/200920 Acórdão n.º 1002000.647 S1C0T2 Fl. 113 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo. Relatório Por bem expressar os fatos ocorridos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a exigência da multa por atraso na entrega da declaração, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/RJ1: Versa o presente processo sobre o auto de infração de fl. 19, cientificado à interessada acima qualificada em 09/03/2009, por meio do qual é exigido da mesma a multa por atraso na entrega da sua Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica DSPJ Simples, do exercício de 2005, anocalendário 2004, no valor de R$ 2.357,03. Inconformada, a interessada apresentou, em 27/03/2009, a impugnação de fls. 01/07, onde argüi a tempestividade e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, descreve a autuação e alega, em síntese: Que recebeu o comunicado do Ato Declaratório n° 210087 em 03/11/2000 e imediatamente fez a Solicitação de Revisão da Vedação/Exclusão à Opção pelo Simples SRS, mas mesmo assim o sistema não permitiu a transmissão da declaração em tempo e hora. Que, mesmo fora do prazo, apresentou espontaneamente a Declaração, antes de qualquer procedimento fiscal, estando, portanto, diante do instituto da denúncia espontânea albergada pelo art. 138 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional CTN. Transcrevendo acórdãos e expondo sua opinião sobre o assunto, protesta contra a cobrança de multas nas denúncias espontâneas de entrega de Declarações e cumprimento de obrigações acessórias. Encerra pedindo seja determinada a suspensão da cobrança e seus efeitos e que seja julgado procedente o seu pleito, para declarar insubsistente o auto de infração, com as devidas baixas. A DRJ/RJ1 negou provimento à impugnação e o contribuinte apresentou Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância no qual ratificou e reforçou os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Após uma primeira análise dos autos, este colegiado decidiu baixar o processo em diligência, conforme Resolução n.º 1002000.003, desta 2.ª Turma Extraordinária (efls. 43/47), abaixo reproduzida: Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13768.000106/200920 Acórdão n.º 1002000.647 S1C0T2 Fl. 114 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem: a) informe o resultado da análise da SRS apresentada para a finalidade de reinclusão no Simples do anocalendário de 2004; b) informe, de acordo com a legislação vigente à época dos fatos, se a referida SRS teve efeito suspensivo da exigibilidade do crédito tributário discutido nos presentes autos; c) esclareça, por meio de parecer conclusivo, se houve, à época dos fatos, algum óbice na recepção da declaração do Simples nos sistemas de controle da SRF que teria motivado o atraso na entrega da declaração do anocalendário de 2004 nos moldes do relato feito pelo contribuinte; d) forneça, ou intime o contribuinte a apresentar, certidão de objeto e pé ou cópia da sentença judicial com trânsito em julgado dos Embargos à Execução de ns. 2002.02.01.0412285 e 2005.50.04.0007229. Vencido o conselheiro Júlio Lima Souza Martins, que entendeu desnecessária a diligência. Em Relatório de Diligência (efls. 98) a Unidade Preparadora prestou os esclarecimentos conforme segue: Este processo trata da mesma situação do de nº13768.000105/200985, o qual foi encaminhado ao SECAT/DRF/VIT/ES para informação quanto aos questionamentos feitos na Resolução do CARF nº1002000.002 em seus itens “a” a “c”. Em análise nos sistemas da RFB, verificamos que o contribuinte foi excluído do SIMPLES FEDERAL, com efeitos a partir de 01/11/2000, e apresentou SRS cuja análise foi concluída em 10/04/2001, em decisão que manteve a exclusão, conforme tela do SIVEX, fl. 94. Em 16/12/2004, o interessado, alegando não ter obtido resposta quanto à sua SRS, protocolou o processo de nº13768.000151/200470 requerendo sua reinclusão a partir da data de 01/11/2000. Tal processo foi extinto pelo Ato Declaratório Executivo DRF/VIT/ES nº15, de 30 de março de 2016, sem análise do mérito, conforme cópia integral juntada aos autos. Durante todo este período, não era possível a entrega das DIPJ no modelo SIMPLES via Receitanet Contribuinte, tendo em vista que estava excluído da modalidade do SIMPLES FEDERAL. Em 23/10/2007, foram entregues as declarações referentes aos anos calendário 2005, 2004 e 2003, via Receitanet Receita, as quais geraram as MAED que estão sendo controladas nos Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13768.000106/200920 Acórdão n.º 1002000.647 S1C0T2 Fl. 115 4 processos nº13768.000105/200985, 13768.000106/200920 e 13768.000107/200974, respectivamente. Feitas estas considerações, encaminhese este processo ao SEORT/DRF/VIT/ES para providências relativas ao item “d” da Resolução CARF. Consta, ainda, do relatório de diligência, Sentença de procedência do pedido com trânsito em julgado relativa aos embargos a execução constante do processo 2005.50.04.0007229, concedendo a antecipação de tutela "para que o Embargado retire o nome da Embargante do CADIM" (efls. 103/106). Atendidas as solicitações constantes da Resolução n.º 1002000.003 (efl. 109), não consta que o Recorrente tenha apresentado contrarrazões, sendo os autos encaminhados a esta relatoria em 01/02/2019 (efls. 111). E o Relatório do necessário. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF n.º 329/2017. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Preliminares O Recorrente alega ausência de resposta de sua petição, a qual consta do processo nº 13768.000151/200470. Baseada nessa alegação, este colegiado decidiu baixar o processo em diligência objetivando verificar possível cerceamento do direito de defesa do Recorrente. Em cumprimento à diligência, constatase que a Unidade de Origem juntou aos autos o processo nº 13768.000151/200470 (e.fl. 50), no qual o ora Recorrente solicitou a sua manutenção no Simples Federal, afirmando não ter recebido nenhuma resposta acerca da SRS Solicitação de Revisão de Exclusão do Simples perpetrada pelo ADE nº 210.087 com Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13768.000106/200920 Acórdão n.º 1002000.647 S1C0T2 Fl. 116 5 efeitos a partir de 01/11/2000 e alegando que o ADE em referência não explicitou a natureza das pendências junto à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Constatase, ainda, às efls. 90, que o requerente não obteve resposta de seu pedido, tendo o processo nº 13768.000151/200470 sido arquivado por meio do ADE/DRF/VITÓRIA nº 15/2016, com base no artigo 52 da lei nº 9.784/99 e sob a justificativa de que eventual decisão não teria o condão de produzir quaisquer efeitos tributários. Confira se: Entendo que não assiste razão ao Recorrente. Compulsandose os autos do processo nº 13768.000151/200470 às efls. 53, vejo que o requerimento do contribuinte diz respeito ao direito de apresentação da declaração do simples federal do exercício de 2004, conforme excerto seguinte: Entretanto, o auto de infração de efls. 21 referese ao atraso na entrega da declaração do Simples Federal do exercício de 2005, período em que o contribuinte já estava enquadrado no Simples, conforme indica o documento seguinte: Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13768.000106/200920 Acórdão n.º 1002000.647 S1C0T2 Fl. 117 6 Assim, o contribuinte não teve seu direito a entrega tempestiva da declaração prejudicado, eis que já estava enquadrado no Simples desde o exercício de 1999. Correta, portanto, a afirmação da Unidade de Origem consignada no ADE/DRF/VITÓRIA nº 15/2016, no sentido de que o objeto da decisão do processo nº 13768.000151/200470 seria inútil ao presente processo, eis que não teria o condão de gerar quaisquer efeitos tributários. Com relação à Sentença de procedência a favor do contribuinte relativa aos embargos a execução constante do processo 2005.50.04.0007229, constato que não possui qualquer relevância para a solução do litígio constante desses autos, porque tem por objeto auto de infração lavrado em 24/10/1998 e não multa por atraso na entrega de declaração (efls 104). Rejeito, portanto, as preliminares suscitadas. Mérito Observo, inicialmente, que não há discussão quanto ao atraso na entrega da declaração e ao cálculo do valor da multa exigida, o que torna o fato incontroverso. Os argumentos do Recorrente, a exemplo do que ocorreu em primeira instância, baseiamse no instituto da denúncia espontânea, haja vista ter efetuado a entrega da declaração antes de qualquer procedimento fiscal. Não vejo como acolher o pleito do Recorrente, pois a decisão da DRJ apresenta estreita sintonia com a jurisprudência do CARF. Os indigitados argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, conforme consta de trechos do voto condutor do acórdão recorrido, pelo que peço vênia para transcrevêlos e, com base no §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999 c/c §3º do art. 57 do RICARF, adotálos, desde já, como razões de decidir (grifos do original): Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13768.000106/200920 Acórdão n.º 1002000.647 S1C0T2 Fl. 118 7 A interessada protesta que o atraso na entrega de suas Declarações, que motivou a autuação, estaria albergado pelo instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional CTN, in verbis: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Ocorre que, a multa imposta à interessada, referente ao atraso na entrega de Declarações, não pode ser excluída pelo instituto da denuncia espontânea, uma vez que o próprio art. 7º da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002, que prevê a imposição da multa, discorre em seu parágrafo 2o que as multas serão reduzidas à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício. Tal dispositivo foi observado no auto de infração e conta com a inaplicabilidade do art. 138 do CTN, uma vez que prevê a imposição da multa, mesmo que reduzida, exatamente no caso da entrega da Declaração após o prazo, espontaneamente, antes de procedimento de oficio. Voltandose ao exame do auto de infração, verificase estar indicado que as apresentações das Declarações ocorreram após o prazo final de entrega e que no demonstrativo do auto de infração, os cálculos das multas indicam ter sido observados os parâmetros dispostos no artigo 7o da Lei n° 10.426/2002, explicitados pelo artigo 7o da IN SRF 255/2002. Logo, tenho o entendimento que é fato incontroverso o atraso no cumprimento da obrigação acessória e que a autuação se deu com observância ao que determina a legislação. É verdade que há julgados administrativos e de tribunais com entendimento diverso. A ciência do Direito suscita controvérsias. Embora tais julgados tenham apenas efeitos entre as partes, vale mencionar a decisão proferida pelo STJ no Resp n 246.963, demonstrando o entendimento de que o art. 138 do Código Tributário Nacional não pode ser invocado para afastar as multas aplicadas por atraso na apresentação das declarações (DIPJ, DCTF, DIRF etc), mesmo que o contribuinte tome a iniciativa de apresentálas antes de receber a respectiva intimação. 'DENÚNCIA ESPONTÂNEA, ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA 1. A entidade denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração do imposto de renda. 2. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13768.000106/200920 Acórdão n.º 1002000.647 S1C0T2 Fl. 119 8 pelo art. 138 do CTN. 3. Há de se acolher a incidência do art. 88, da Lei n° 8.981/95, por não entrar em conflito com o art. 138 , do CTN. 4. Recurso provido . Processo: 190388 RE/SP Recurso Especial UF: GO Decisão: Superior Tribunal de Justiça STJ Primeira Turma em 03.12.1998 Publicação: DJ em 22.03.1999 Relator: José Delgado Informações Adicionais: Decisão: Por unanimidade, dar provimento ao recurso. STJ RE/SP 190388 03.12.1998' Apesar de tratar de outro dispositivo legal que prescreve a aplicação de multa regulamentar por falta ou atraso no cumprimento da obrigação acessória de entregar a declaração de rendimentos (pessoa física e jurídica), a decisão não deixa dúvidas que seriada mesma no caso em exame, pois a natureza da infração é idêntica. Neste sentido não discrepa o entendimento do então Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF, conforme Acórdão n° 10243711, de 14/04/1999, in verbis: 'ESPONTANEIDADE INAPLICABILIDADE DO ART. 138 DO CTN A entrega da declaração é uma obrigação acessória a ser cumprida anualmente por todos aqueles que se encontrem dentro das condições de obrigatoriedade e, independe da iniciativa do sujeito ativo para seu implemento. A vinculação da exigência da multa à necessidade de procedimento prévio da autoridade administrativa fere o artigo 150 inciso II da Constituição Federal na medida em que, para quem cumpre o prazo e entrega a declaração acessória não se exige intimação, enquanto para quem não a cumpre seria exigida. Se esta fosse a interpretação estaríamos dando tratamento desigual a contribuintes em situação equivalente.' Não há, portanto, nenhum conflito entre o artigo 138 do CTN e a legislação Federal que dispõe sobre a aplicação de multas regulamentares, pois o afastamento das penalidades em função da denúncia espontânea não ocorre quando o fato gerador é o descumprimento de uma conduta meramente formal. Do acima exposto, verificase a higidez do lançamento, eis que teve como lastro o artigo 7º da Lei nº 10.426/2002. Concluise ainda, que a exoneração da multa pelo atraso na entrega de declaração fundada na Denúncia espontânea não se aplica aos casos de multas decorrentes de descumprimento de obrigações acessórias. Isso porque a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo cobrado. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, nasce um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). De arremate, vale dizer que o assunto encontrase sumulado no enunciado 49 do CARF: Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13768.000106/200920 Acórdão n.º 1002000.647 S1C0T2 Fl. 120 9 Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Dispositivo Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente não merecem acolhimento. Portanto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 120DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.907087/2009-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA DE CSLL. TOTAL DEDUZIDO AO FINAL DO PERÍODO. DIVERGÊNCIA COM VALORES DECLARADOS EM DCTF. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO.
Não cabe reconhecimento de direito creditório relativo à estimativa da CSLL quando, ainda que o contribuinte tenha recolhido valor a maior que o apurado em determinado mês, o valor total deduzido ao final do ano calendário, a título de pagamento de estimativas, é maior que a soma de estimativas declaradas em DCTF, sendo que tal diferença é superior ao crédito postulado
Numero da decisão: 1402-003.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10480.907079/2009-46, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA DE CSLL. TOTAL DEDUZIDO AO FINAL DO PERÍODO. DIVERGÊNCIA COM VALORES DECLARADOS EM DCTF. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. Não cabe reconhecimento de direito creditório relativo à estimativa da CSLL quando, ainda que o contribuinte tenha recolhido valor a maior que o apurado em determinado mês, o valor total deduzido ao final do ano calendário, a título de pagamento de estimativas, é maior que a soma de estimativas declaradas em DCTF, sendo que tal diferença é superior ao crédito postulado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10480.907087/2009-92
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6010478
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1402-003.844
nome_arquivo_s : Decisao_10480907087200992.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : EDELI PEREIRA BESSA
nome_arquivo_pdf_s : 10480907087200992_6010478.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10480.907079/2009-46, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
id : 7751781
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:45:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051911498760192
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1751; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.907087/200992 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.844 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de março de 2019 Matéria DCOMP Recorrente SABARA QUIMICOS E INGREDIENTES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA DE CSLL. TOTAL DEDUZIDO AO FINAL DO PERÍODO. DIVERGÊNCIA COM VALORES DECLARADOS EM DCTF. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. Não cabe reconhecimento de direito creditório relativo à estimativa da CSLL quando, ainda que o contribuinte tenha recolhido valor a maior que o apurado em determinado mês, o valor total deduzido ao final do ano calendário, a título de pagamento de estimativas, é maior que a soma de estimativas declaradas em DCTF, sendo que tal diferença é superior ao crédito postulado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10480.907079/200946, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 70 87 /2 00 9- 92 Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10480.907087/200992 Acórdão n.º 1402003.844 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face da r. decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Recife que decidiu por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Adoto o relatório da r. DRJ em sua integralidade, complementandoo ao final no que entender necessário. A contribuinte acima qualificada apresentou a Declaração de Compensação DCOMP de fls. [...], por meio da qual compensou crédito da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, apurada por estimativa em [...], com débito da contribuição apurada por estimativa em [...]. O crédito pleiteado importa em [...]. Através do Despacho Decisório eletrônico de fl. [...], a Delegacia da Receita Federal do Recife – DRF/Recife não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, ao fundamento de que a pessoa jurídica somente poderá utilizar o valor a maior pago por estimativa ao final do período de apuração. A interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. [...]), alegando, em síntese: preliminar de prescrição do direito de cobrança do crédito tributário indevidamente compensado com base no art. 174 do Código Tributário Nacional (CTN); apura seus resultados com base em balancetes mensais de suspensão e tendo verificado recolhimento de estimativa indevido entregou PER/DCOMP para compensação com base no art. 74 da Lei nº 9430/1996; não concorda com a decisão prolatada porque a compensação foi elaborada com base no seu balanço anual e nas disposições normativas tributárias vigentes. A r. DRJ em São Paulo proferiu decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVAS DE IRPJ OU CSLL. IN RFB N° 900/2008. SOLUÇÃO DE CONSULTA INTERNA COSIT N° 19/2011. CARÁTER INTERPRETATIVO. POSSIBILIDADE. De acordo com a Solução de Consulta Interna COSIT n° 19, de 05/12/2011, a revogação da vedação do uso de estimativa de IRPJ/CSLL como crédito, instituída pela IN RFB n° 900/2008, tem caráter interpretativo, sendo tal tipo de crédito permitido, mesmo para fatos geradores anteriores à publicação daquela instrução normativa. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA DE CSLL. TOTAL DEDUZIDO AO FINAL DO PERÍODO. DIVERGÊNCIA COM VALORES DECLARADOS EM DCTF. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. Não cabe reconhecimento de direito creditório relativo à Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10480.907087/200992 Acórdão n.º 1402003.844 S1C4T2 Fl. 4 3 estimativa da CSLL quando, ainda que o contribuinte tenha recolhido valor a maior que o apurado em determinado mês, o valor total deduzido ao final do ano calendário, a título de pagamento de estimativas, é maior que a soma de estimativas declaradas em DCTF, sendo que tal diferença é superior ao crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário alegando preliminarmente a prescrição do débito pretendido. No mérito, sustenta que utilizou crédito de CSLL recolhido, incluindo juros e multa, para compensar com débito o mesmo imposto vencido posteriormente, através de PER/DCOMP. Afirma que a compensação carreada está em linha com a legislação tributária vigente. É o relatório. Voto Conselheira Edeli Pereira Bessa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.836, de 21/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº10480.907079/200946, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.836): 1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. – PRELIMINAR PRESCRIÇÃO A Recorrente alega que teria prescrito o direito de a Fiscalização cobrar o crédito definitivamente constituído. Ocorre que, in casu, a prescrição é instituto que visa a preservação da segurança jurídica, impedindo que o fisco exerça sua pretensão de cobrança após se manter inerte pelo prazo de 5 anos. No caso em análise, o contribuinte pleiteou a compensação, cujo prazo para homologação é de 5 anos contados da data da entrega da declaração, nos termos do §5 do art. 74, da Lei nº 9.430/96. Além disso, o próprio art. 174 do CTN em seu Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10480.907087/200992 Acórdão n.º 1402003.844 S1C4T2 Fl. 5 4 inciso IV determina que interrompe a prescrição qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor. Nessa senda, ante o reconhecimento do débito, nos termos nos termos o § 6 do art. 74 da Lei 9.430/96, não há como se aplicar o instituto da prescrição ao caso em espécie, como bem observou a r. DRJ. Por esse motivo, afasto a preliminar suscitada. 3. DO MÉRITO Em que pese o inconformismo da Recorrente, razão não lhe assiste. O levantamento realizado pela DRJ em sua fundamentação de decidir mostram tanto a ausência de liquidez e certeza do crédito quanto a ausência do próprio crédito. Por essa razão, adoto os fundamentos da r. DRJ como razão de decidir: Assente a possibilidade, em tese, de promoverse a compensação na forma dos autos, cumpre averiguarse os requisitos de liquidez e certeza previstos no art. 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN). Conforme consta do Despacho Decisório, fl. [...], foi recolhido em [...], CSLL relativa à estimativa apurada em [...], no valor total de [...], pagamento confirmado no sistema SIEF, encontrando¬se disponível, sem alocações, reservas ou bloqueio. Também no sistema IRPJConsulta, se verifica que a contribuinte, em sua Declaração de Informações Econômico Fiscais– DIPJ retificadora entregue em 15/09/2005, não apurou CSLL por estimativa em [...], nada declarando a tal título na DCTF, conforme consulta no sistema DCTF (DCTF retificadora ativa entregue em [...]). No entanto, a contribuinte declarou em DCTF o valor total de CSLL por estimativa código 2484 de R$ 362.224,15 enquanto que para apuração da CSLL no ajuste anual (DIPJ retificadora entregue em 15/09/2005) deduziu CSLL mensal paga por estimativa na Ficha 17 linha 43 no valor de R$ 492.466,92, portanto, valor superior em R$ 130.242,77 à soma dos valores efetivamente declarados em DCTF o que conduziria, caso homologada a compensação em análise, ao duplo aproveitamento do crédito. Logo, se utilizou de R$ 130.242.77 maior do que declarado em DCTF, conforme se demonstra. Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10480.907087/200992 Acórdão n.º 1402003.844 S1C4T2 Fl. 6 5 Com efeito, constatase que o valor das estimativas deduzidas no ajuste anual é superior à soma das estimativas declaradas mensalmente em DCTF, o que leva à conclusão de que o excesso de estimativa no montante de R$ 130.242,77 já foi utilizado ao final do anocalendário. Essa diferença é superior ao pagamento de estimativa feito a maior (ou indevidamente) relativo ao período de apuração [...], crédito oferecido na presente compensação, [...]. Isto posto, voto por afastar a preliminar suscitada e no mérito negar provimento ao recurso aduzido. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, por afastar a preliminar suscitada e no mérito negar provimento ao recurso aduzido. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10480.907087/200992 Acórdão n.º 1402003.844 S1C4T2 Fl. 7 6 Fl. 291DF CARF MF
score : 1.0
