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Numero do processo: 15956.720318/2014-01
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
LANÇAMENTO EFETUADO A MENOR - LANÇAMENTO COMPLEMENTAR - POSSIBILIDADE - NULIDADE - INEXISTENTE
Não há descumprimento dos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN se no lançamento foi utilizada base de cálculo inferior à que poderia ter sido utilizada, desde que descrito quais os fundamentos que ensejaram o lançamento.
O fato de existir lançamento a menor não nulifica o lançamento, nem inviabiliza a possibilidade de lançamento complementar desde que respeitada a regra decadencial aplicável às contribuições previdenciárias.
Numero da decisão: 9202-007.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. Votou pelas conclusões a conselheira Ana Paula Fernandes. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencida a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), que lhe negou provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Nos termos do art. 58, §5º, do Anexo II do RICARF, a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada) não votou quanto ao conhecimento, por se tratar de questão já votada pela conselheira Ana Paula Fernandes na reunião anterior.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada),
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 LANÇAMENTO EFETUADO A MENOR - LANÇAMENTO COMPLEMENTAR - POSSIBILIDADE - NULIDADE - INEXISTENTE Não há descumprimento dos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN se no lançamento foi utilizada base de cálculo inferior à que poderia ter sido utilizada, desde que descrito quais os fundamentos que ensejaram o lançamento. O fato de existir lançamento a menor não nulifica o lançamento, nem inviabiliza a possibilidade de lançamento complementar desde que respeitada a regra decadencial aplicável às contribuições previdenciárias.
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O fato de existir lançamento a menor não nulifica o lançamento, nem inviabiliza a possibilidade de lançamento complementar desde que respeitada a regra decadencial aplicável às contribuições previdenciárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. Votou pelas conclusões a conselheira Ana Paula Fernandes. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencida a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), que lhe negou provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Nos termos do art. 58, §5º, do Anexo II do RICARF, a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada) não votou quanto ao conhecimento, por se tratar de questão já votada pela conselheira Ana Paula Fernandes na reunião anterior. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 72 03 18 /2 01 4- 01 Fl. 1165DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Relatório Tratase do auto de infração nº 51.061.6550, referente ao lançamento da contribuição patronal de 20% (competências 01/2011 a 11/2011) e da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (competências 01/2011 a 12/2011), ambas incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados. A auditoria fiscal observou que, no exercício de 2011, a empresa efetuava pagamentos mensais aos empregados, contabilizados na forma de empréstimos e, semestralmente, lançava tais valores na DIRF e nos resumos das folhas de pagamento de março e setembro a título de Participação nos Resultados, deixando de cumprir o contido no § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101/2000. Tal conduta gerou discrepâncias entre os valores informados na GFIP e aqueles informados na DIRF, o que levou a auditoria fiscal a concluir que tais valores se referiam à complementação de remuneração, em afronta ao art. 3º da Lei nº 10.101/2000. Além disso, a auditoria fiscal encontrou irregularidades nos Acordos Coletivos de Participação nos Resultados, eis que apesar de estarem assinados por uma comissão de empregados, o contribuinte não apresentou documentos que comprovassem que eles tivessem sido eleitos ou escolhidos para tal representação. Verificou, também, que em nenhuma parte do acordo há previsão para fracionamento do pagamento da PLR; que o Sindicato evidenciou interesse financeiro ao impor cobrança de taxa negocial de todos os participantes do quadro de lotação da BRQ; que havia previsão para pagamento de determinadas competências, mas os pagamentos foram lançados em outras; que alguns representantes tinham muito pouco tempo de serviço, sendo que uma deles tinha apenas um dia de serviço quando assinou o acordo coletivo. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre/RS julgado a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário exigido em sua integralidade. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento. Em sessão plenária de 09/05/2017, foi dado provimento ao recurso, prolatandose o Acórdão nº 2201003.595 (fls. 1.052/1.083), com o seguinte resultado: “Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Fl. 1166DF CARF MF Processo nº 15956.720318/201401 Acórdão n.º 9202007.194 CSRFT2 Fl. 3 3 Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 2011 PAGAMENTO A TÍTULO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. EFEITOS. Comprovado pela Autoridade Fiscal o descumprimento dos requisitos previstos na Lei nº 10.101/00 para instituição de um programa de PLR, os valores totais pagos sob essa rubrica integram o salário de contribuição. É dever do Fisco a determinação correta da base de cálculo do tributo devido, consoante preceitua o artigo 142 do CTN, sendo vedado a adoção de valores parciais. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional em 31/05/2017 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional opôs, tempestivamente, em 04/07/2017, Embargos de Declaração (1.085/1.089) alegando contradição no acórdão embargado uma vez que adotou base de cálculo diversa daquela efetivamente ocorrida, razão pela qual teria anulado a autuação por vício material; mas que tal base de cálculo não estaria incorreta, mas incompleta. Tais embargos foram rejeitados, de acordo com o Despacho s/nº, da 1ª TO da 2ª Câmara, de 18/08/2017 (fls. 1.092/1.094). O processo foi novamente encaminhado para ciência da Fazenda Nacional em 21/08/2017 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 05/09/2017, Recurso Especial (fls. 1.096/1.105). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido, a fim de restabelecer o lançamento. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº, da 2ª Câmara, de 23/10/2017 (fls. 1.108/1.112), considerado o acórdão 9202005.620. · Em seu recurso a Fazenda Nacional argumenta que, nos termos do art. 142 do CTN, o procedimento de lançamento do tributo, por meio do qual se dá a constituição do crédito tributário, a autoridade administrativa deve verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e aplicar a penalidade cabível. · Afirma que o processo administrativo de lançamento é regido por norma específica, o Decreto n. 70.235/72, que possui status de lei em sentido estrito, o qual determina quais os procedimentos a serem adotados pela autoridade lançadora, que a ele está vinculada na forma do parágrafo único do art. 142 do CTN. Fl. 1167DF CARF MF 4 · Cita o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, que estabelece as hipóteses de nulidade no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, quais são: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. · Nota, portanto, que a classificação de um ato jurídico como nulo decorre de juízo sobre a gravidade do erro incorrido, ou seja, nem todo erro, irregularidade ou vício constitui causa de nulidade. Nulidade é forma extrema de ato viciado, que, em regra, importa sua invalidade. · Destaca que, no caso, eventual erro no procedimento de apuração da base de cálculo do tributo não importou preterição do direito de defesa, eis que o contribuinte logrou identificar claramente, não apenas os fatos a ele imputados, mas o processo por meio do qual o fiscal autuante apurou o tributo lançado e, efetivamente, manifestou sua insurgência em face de tal procedimento, e que o Termo de Verificação Fiscal descreve a motivação fática e explicita os fundamentos que suportam a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de PLR em total desconformidade com as exigências da Lei 10.101/00. · Alega que o contribuinte foi capaz de compreender a imputação e apresentar sua discordância em face dos critérios eleitos pela autoridade lançadora, ficando demonstrado que lhe foram proporcionadas condições para contraditar o lançamento e exercer seu direito de defesa, e, portanto, não se pode reconhecer nulidade com fundamento tão somente pelo fato de que a autuação poderia comportar base de cálculo MAIOR do que a lançada. · Conclui que atribuir ao lançamento com base de cálculo a menor a mesma consequência de lançamento com base de cálculo incorreta mostrase, salvo melhor juízo, inadequado e desprovido de qualquer fundamento legal e lógico. Cientificado do Acórdão nº 2201003.595, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN em 30/10/2017 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem – fl. 1.122), o contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 1.127/1.152), em 14/11/2017, conforme Termo de Solicitação de Juntada à folha 1.125, portanto, tempestivamente. · Em suas contrarrazões, o contribuinte alega que não se verificou a similitude entre as situações fáticas do paradigma analisado e a do acórdão recorrido, razão pela qual o Recurso Especial da Fazenda Nacional não deve ser conhecido. · Argumenta que no acórdão utilizado como paradigma não foi tratada a mesma legislação e que basta uma simples leitura das ementas dos acórdãos para se observar que o aresto paradigma discute legislação tributária diversa (Imposto de Renda) daquela discutida no acórdão recorrido (Contribuições Previdenciárias) Fl. 1168DF CARF MF Processo nº 15956.720318/201401 Acórdão n.º 9202007.194 CSRFT2 Fl. 4 5 · Entende que a apresentação de paradigma que trate de incidência tributária diversa só seria possível excepcionalmente para discutir normas gerais em matéria tributária, porém, no caso em tela, a discussão cingese ao vício material na determinação da base de cálculo para a constituição do crédito tributário e apresenta precedente da CSRF · Requer que não seja conhecido o Recurso Especial interposto, ou ainda, sucessivamente, sejalhe negado provimento. É o relatório. Fl. 1169DF CARF MF 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 1108/1112. Contudo, havendo questionamento acerca do conhecimento passo a apreciar a questão. Do Conhecimento Da legislação interpretada de forma divergente Antes de adentrarmos ao mérito, esclareço a questão quanto à legislação interpretada de forma divergente pelos acórdãos recorrido e paradigma. Alega o contribuinte que não existe similitude fática entre os acórdãos, pois o acórdão paradigma não teria analisado a mesma legislação do acórdão recorrido, eis que o primeiro trata de lançamento de Imposto de Renda e o segundo de Contribuições Previdenciárias. Pois bem, tais alegações não merecem prosperar. Em que pese os acórdãos tratarem de tributos distintos, a questão que levou a Fazenda Nacional a apresentar seu Recurso Especial é a existência ou não de vício no lançamento. Asseverese que não se trata de discutir se o vício seria de natureza formal ou material, mas a própria existência de vício no lançamento. O vício apontado pelo redator no acórdão recorrido se consubstanciaria no fato de a auditoria fiscal ao apurar o tributo devido, têlo feito a menor e, para ele, essa situação macularia o lançamento. Entendo que para se verificar a similitude nesse caso, o tipo de tributo lançado não é determinante, o que importa é saber o que os colegiados entenderam diante da situação em que o lançamento foi efetuado em valor aquém ao que poderia ter sido lançado. Assim, a legislação que teria sido interpretada de forma divergente não guarda qualquer correlação com as legislações relativas aos tributos lançados, mas sim com aquela que rege a própria constituição do lançamento, no caso, art. 142 do CTN, que assim dispõe: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 1170DF CARF MF Processo nº 15956.720318/201401 Acórdão n.º 9202007.194 CSRFT2 Fl. 5 7 Conforme descrito acima, ao contrário de outros processos analisados por essa turma sobre a natureza de vício onde não se conhece, aqui conseguese vislumbrar o conhecimento ao fazermos o teste de divergência. Se levarmos o acórdão recorrido ao colegiado do paradigma podemos concluir que este afastou qualquer nulidade por ter sido feito levantamento menor do que aquele interpretado pelo colegiado. Assim, conheço do recurso. Apenas contraargumentando pontos trazidos pelo recorrente quanto ao conhecimento, entendo que o acordão paradigma, julgado no âmbito deste mesmo colegiado colegiado descreve sim que a determinação de base de calculo menor do que a devida não nulifica o lançamento. Senão vejamos trechos do despacho. Voto " Com efeito, no caso dos autos: ocorreram duas capitalizações seguidas de lucros, ambos reconhecidos em decorrência da aplicação do método de equivalência patrimonial às participações societárias de duas holdings (a NOVA PACTUAL e a PACTUAL) e não houve a capitalização dos lucros auferidos pela pessoa jurídica operacional (o BANCO PACTUAL); a autoridade fiscal, insurgindose contra a sequência de capitalizações perpetradas pelo contribuinte, achou por bem arbitrar em R$ 6.412.601,55 o valor do custo das ações do autuado, correspondente à participação no custo unitário médio da ação da última sociedade holding incorporada (Pactual S/A), conforme demonstrado na planilha de apuração à efl. 1065. Portanto, a autoridade autuante entendeu indevida apenas a atualização da parcela do custo da participação ultrapassou o limite de R$ 6.412.601,55, em decorrência das capitalizações de lucro. Porém, de acordo com a interpretação já apresentada por este conselheiro, entendese que ambas deveriam ter sido glosadas. Isso porque o lucro da pessoa jurídica operacional (ou seja, o lucro efetivamente auferido pelo BANCO PACTUAL) continuou mantido em seu patrimônio líquido, após as incorporações reversas, e consequentemente permaneceu passível de distribuição isenta aos adquirentes, ou terceiros (até mesmos os próprios alienantes), conforme acordo entre as partes. De fato, os alienantes venderam aos adquirentes do Banco o direito de receber os lucros isentos de tributação ou de repasse desse valor a terceiros. Ora, como, (a) em primeiro lugar, a capitalização de lucros que tem o condão de alterar o custo da participação societária é somente aquela relativa aos lucros efetivamente distribuíveis isentos de tributação e como, (b) em segundo lugar, a distribuição de lucros com isenção de tributação foi, no caso, efetivamente transferida (aos adquirentes do banco, ou terceiros por eles determinados), (c) podemos concluir que as Fl. 1171DF CARF MF 8 capitalizações de lucros realizadas não podem ter qualquer efeito no custo da participação alienada. Verifico, ainda, a propósito a partir do valor do custo concedido pela fiscalização (R$ 6.412.601,55) que, uma vez sendo glosadas as duas capitalizações ocorridas em 2006, aplicando se assim o procedimento defendido por este conselheiro, o valor do tributo devido seria maior do que o originalmente lançado, uma vez que se atingiria um montante de custo a ser concedido de R$ 5.580.612,18, conforme a seguir apurado: (...) Portanto, como não foram glosados os dois aumentos de custo, que –no entender deste conselheiro – seriam indevidos, resta desnecessária a aplicação da memória de cálculo de segregação de eventuais operações próprias das Holdings, que são apenas residuais, conforme afirmado por ambas as partes e assim, não teriam o condão de reduzir o valor lançado. Pelo contrário, caso fosse aplicado o procedimento defendido por este conselheiro, o valor do tributo devido seria maior do que o originalmente lançado. Por conta das discussões travadas em plenário sobre o tema, penso ser necessário aqui fazer um esclarecimento quanto à dúvidas sobre a eventual ocorrência de alteração do critério jurídico do lançamento por esta decisão. Tenho plena convicção de que não se está aqui alterando critério jurídico, porque no lançamento e na respectiva impugnação encontramse claramente fixados os limites da lide e não foram alterados. Com efeito, o fato e a acusação em debate estão perfeitamente descritos no termo de verificação fiscal e, na decisão, é precisamente esse fato que se analisa: i. o fato é a alienação de participações societárias; ii. a acusação é de insuficiência do recolhimento do tributo por erro na apuração do ganho de capital, por se entender que a capitalização de lucros refletidos em sociedades investidoras, pelo método da equivalência patrimonial, não teria o condão de alterar o custo da participação societária alienada; iii. o que se apresenta aqui, sem qualquer inovação quanto ao fato analisado e a acusação originalmente feita, é o fundamento que este conselheiro entende ser suficiente para julgamento da acusação, em face das alegações do sujeito passivo. Diferente seria o caso em que há uma acusação verificada insubsistente mas, por conta de outra infração, fosse mantido o tributo lançado, situação que não ocorre aqui.” (Destaques da Fazenda Nacional) Verificase que a Fazenda Nacional resume o ponto de divergência da forma abaixo: "Com efeito, em ambos os casos, o julgador constatou que houve lançamento a menor dos valores devidos pelo contribuinte e chegaram a conclusões opostas. Fl. 1172DF CARF MF Processo nº 15956.720318/201401 Acórdão n.º 9202007.194 CSRFT2 Fl. 6 9 A decisão recorrida entendeu que a não exatidão da quantificação da base de cálculo (que poderia ser maior e abarcar todos os valores pagos a título de PLR e não apenas os valores pagos a título de antecipação) enseja a nulidade da autuação. Em sentido diverso, o paradigma entendeu que se deve analisar a pertinência da infração imputada, independentemente de a base de cálculo estar menor do que poderia." Dessa forma, embora entende de forma diferente, a decisão da procedência do lançamento, passou sim, pela analise de lançamento de base menor que a lançada, razão pela qual entendo ser possivel a demonstração da divergência Do Mérito Da Participação nos Lucros e Resultados No acórdão recorrido foi dado provimento ao recurso voluntário apresentado pelo contribuinte em razão de alegado vício consubstanciado no fato de a auditoria fiscal ter apurado o montante em valor inferior ao que poderia ter efetuado. Necessário esclarecer como restou decidido no acórdão recorrido no que tange ao mérito do lançamento, ou seja, se os valores pagos a título de PLR foram efetuados nos termos da legislação de regência ou não. Para tanto, transcrevo os seguintes trechos: PAGAMENTO A TÍTULO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. EFEITOS. Comprovado pela Autoridade Fiscal o descumprimento dos requisitos previstos na Lei nº 10.101/00 para instituição de um programa de PLR, os valores totais pagos sob essa rubrica integram o salário de contribuição. É dever do Fisco a determinação correta da base de cálculo do tributo devido, consoante preceitua o artigo 142 do CTN, sendo vedado a adoção de valores parciais. (g.n.) (...) Voto Vencido (...) Como bem pontuado pelo julgador de 1ª Instância, o lançamento foi efetuado por agente competente e sem preterição do direito de defesa, já que o Relatório Fiscal é rico em detalhes e esclarecedor em relação aos motivos que levaram à exigência fiscal. O próprio julgamento da lide já em segunda instância, em cujo recurso o contribuinte contesta com detalhes as infrações a ele atribuídas, ratificam a inexistência de vício que prejudique a sua defesa e macule a legalidade do lançamento. É irrelevante para o lançamento a questão de estar relacionado ao mútuo ou à PLR, já que, no caso em tela, os dois instrumentos Fl. 1173DF CARF MF 10 estão intimamente ligados, pois, como visto, ocorreram pagamentos bimestrais relativos a supostos mútuos, cuja quitação estaria expressamente vinculada aos valores que seriam pagos semestralmente a título de PLR. O que temos, na verdade, é um lançamento decorrente da constatação da autoridade fiscal de pagamento de verbas contidas no conceito de salário de contribuição escrituradas como se fossem empréstimos e que seriam quitados apenas no momento da recepção da participação nos lucros e resultados. (g.n.) Por outro lado, de fato, a autoridade fiscal aponta o que considera irregularidades dos Acordos Coletivos firmados, o que, diretamente, teria impacto na regularidade do programa de PLR por não terem observado a legislação de regência, a qual entendo que merece ser aqui relembrada: (g.n.) (...) Assim, considerando os fatos narrados pela Autoridade lançadora, que apontam que, em sua essência, a antecipação bimestral dos valores que seriam devidos a título de participação nos lucros e resultados se configura em complementação de salário, há de se concluir que, pela avaliação da fiscalização, o programa instituído pela recorrente não atendeu aos preceitos legais para ter os valores pagos excluídos do conceito de salário de contribuição a que alude a alínea "j" do § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91. (g.n.) Tal conclusão está alinhada à opinião pessoal desta Conselheiro e, neste sentido, entendo que o lançamento deveria alcançar todos os valores pagos em razão do suposto programa de PLR. Não obstante, o fato de a Autoridade fiscal somente ter incluído na base de cálculo da contribuição previdenciária o montante que foi antecipado via contrato de mútuo, não invalida o lançamento nesta parte, mas aponta para a possibilidade de, havendo ainda amparo legal, em particular por conta da decadência, lançamento complementar. (...) Voto Vencedor (...) Voto Vencedor (...) É clara a imputação fiscal. O pagamento realizado pelo Recorrente a título de PLR contraria as disposições da Lei de Custeio da Previdência Social, Lei nº 8.212/91, e segundo a própria Autoridade Lançadora: (g.n.) "(...) reforçam a conclusão da fiscalização, para a caracterização de todos os pagamentos feitos em desacordo com os dispositivos legais aos segurados empregados da BRQ, em salário de contribuição e base de cálculo para as contribuições Fl. 1174DF CARF MF Processo nº 15956.720318/201401 Acórdão n.º 9202007.194 CSRFT2 Fl. 7 11 previdenciárias" (destaques não constam do relatório fiscal) (destaques no original) Como se vê dos trechos transcritos, houve concordância no colegiado de que o pagamento realizado pelo contribuinte a título de PLR, contraria as disposições legais, contudo, a parte da qual discordou o redator do voto vencedor diz respeito a suposta irregularidade da base de cálculo do lançamento: " Há flagrante e reconhecido erro na determinação do critério quantitativo do tributo devido pelo sujeito passivo. Houve equívoco da autoridade na determinação da base de cálculo da contribuição previdenciária." Citese ainda outro trecho do voto que bem traduz a posição de irregularidade do PLR, chancelada pelo colegiado: É irrelevante para o lançamento a questão de estar relacionado ao mútuo ou à PLR, já que, no caso em tela, os dois instrumentos estão intimamente ligados, pois, como visto, ocorreram pagamentos bimestrais relativos a supostos mútuos, cuja quitação estaria expressamente vinculada aos valores que seriam pagos semestralmente a título de PLR. O que temos, na verdade, é um lançamento decorrente da constatação da autoridade fiscal de pagamento de verbas contidas no conceito de salário de contribuição escrituradas como se fossem empréstimos e que seriam quitados apenas no momento da recepção da participação nos lucros e resultados. Por outro lado, de fato, a autoridade fiscal aponta o que considera irregularidades dos Acordos Coletivos firmados, o que, diretamente, teria impacto na regularidade do programa de PLR por não terem observado a legislação de regência, a qual entendo que merece ser aqui relembrada: LEI No 10.101, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2000. (texto vigente na época da ocorrência dos fatos geradores em discussão 2011) Art. 1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7º, inciso XI, da Constituição. Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (...) II convenção ou acordo coletivo. (...) Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. Fl. 1175DF CARF MF 12 (...) § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. (...) Assim, considerando os fatos narrados pela Autoridade lançadora, que apontam que, em sua essência, a antecipação bimestral dos valores que seriam devidos a título de participação nos lucros e resultados se configura em complementação de salário, há de se concluir que, pela avaliação da fiscalização, o programa instituído pela recorrente não atendeu aos preceitos legais para ter os valores pagos excluídos do conceito de salário de contribuição a que alude a alínea "j" do § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91. Tal conclusão está alinhada à opinião pessoal desta Conselheiro e, neste sentido, entendo que o lançamento deveria alcançar todos os valores pagos em razão do suposto programa de PLR. Não obstante, o fato de a Autoridade fiscal somente ter incluído na base de cálculo da contribuição previdenciária o montante que foi antecipado via contrato de mútuo, não invalida o lançamento nesta parte, mas aponta para a possibilidade de, havendo ainda amparo legal, em particular por conta da decadência, lançamento complementar. Ademais, pelo que se vê nos autos, não me parece razoável a alegação do contribuinte de que os empréstimos não representavam vantagem econômica definitiva dos empregados. Fosse tal ferramenta utilizada de forma eventual por parcela irrelevante do todo, observandose situações pessoais que a justificassem, outras seriam as conclusões da fiscalização, mas o que temos é a maioria absoluta dos funcionários socorrendose a empréstimos com seu empregador bimestralmente, situação incomum e que iria de encontro às finalidades sociais da entidade, que não se dedica à área financeira. Ou seja, claramente a empresa concedia valores aos empregados e os compensava posteriormente sob a denominação de PLR, todavia, tal prática, não se coaduna com as hipóteses previstas na lei 10,101 que expressamente prevê a vedação de antecipações. Fazer antecipações com a denominação de mútuos ou sob qualquer outra nomenclatura, cujo valor não demonstrou o recorrente ser sido devolvido, mas pelo contrário pago com PLR, acaba por estabelecer Conforme já restou esclarecido, o que realmente foi objeto de divergência é o entendimento do redator no sentido de que o lançamento efetuado por valores aquém do que poderia ter sido lançado está eivado de vício de nulidade. Tal divergência será tratada a seguir. Da nulidade do lançamento cujo valor de base de cálculo é inferior à quantia que deveria ter sido lançada Fl. 1176DF CARF MF Processo nº 15956.720318/201401 Acórdão n.º 9202007.194 CSRFT2 Fl. 8 13 A alegação de nulidade foi afastada pelo relator, o qual restou vencido, com o seguinte argumento: Tal conclusão está alinhada à opinião pessoal desta Conselheiro e, neste sentido, entendo que o lançamento deveria alcançar todos os valores pagos em razão do suposto programa de PLR. Não obstante, o fato de a Autoridade fiscal somente ter incluído na base de cálculo da contribuição previdenciária o montante que foi antecipado via contrato de mútuo, não invalida o lançamento nesta parte, mas aponta para a possibilidade de, havendo ainda amparo legal, em particular por conta da decadência, lançamento complementar Já no voto vencedor temos o seguinte: Voto Vencedor (...) Verifico que o lançamento tributário realizado descumpriu os requisitos determinados pelo Código Tributário Nacional para o procedimento administrativo constitutivo do crédito tributário. Explico. Como sabido, cabe ao Fisco, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, por meio de procedimento do lançamento de ofício, constituir o crédito tributário, revisando nos casos de auto lançamento, os procedimentos do sujeito passivo. Para tanto, ele deve, após verificar a ocorrência do fato gerador, identificar o sujeito passivo, determinar a matéria tributável, quantificar o tributo devido e, quando for o caso, aplicar a penalidade cabível. Por ser atividade vinculada e obrigatória, é dever da autoridade fiscal empreender esforços na determinação do critério material da regra matriz de incidência tributária, base de cálculo do tributo e alíquota aplicável, apropriandonos dos ensinamentos de Paulo de Barros Carvalho. A mensuração das grandezas tributárias deve ser corretamente efetuada quando da lavratura do auto de infração. Podese até compreender a impossibilidade do acerto em razão da ausência de comprovação por parte do contribuinte, o que, como dito, não se verificou no caso concreto. Ao reverso, o que se observa é a adoção, por parte do Auditor Fiscal, de base de cálculo diversa daquela efetivamente ocorrida. Tal fato não deixou de ser observado pelo ínclito Conselheiro Relator. Transcrevo suas considerações sobre o tema: (...) Aqui a essência da minha discordância. Fl. 1177DF CARF MF 14 As possibilidades de lançamento completar se encontram textualmente previstas no Código Tributário Nacional. Recordemos a dicção dos artigos 145 e 149: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. (...) Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública." (grifos não constam do texto legal) A leitura do Códex Tributário deixa claro que uma vez aperfeiçoado o lançamento tributário, que se perfaz com a ciência do sujeito passivo, a alteração do mesmo só pode Fl. 1178DF CARF MF Processo nº 15956.720318/201401 Acórdão n.º 9202007.194 CSRFT2 Fl. 9 15 ocorrer nos casos determinados no artigo 145, entre os quais se encontram as situações previstas no artigo 149. (g.n.) Analisemos, mesmo que de maneira perfunctória, as hipóteses de tal revisão. Os incisos I e II do artigo 145, afirmam que tal revisão pode decorrer de impugnação ou recurso o que, por imperativo processual, ocorrem no caso de comprovação da existência de fatos modificativos do lançamento, por parte do Contribuinte. Já as hipóteses previstas no artigo 149, que permitem a revisão do ato praticado de ofício constitutivo do crédito tributário, pressupõe a existência de determinação legal, falta de declaração, ausência de esclarecimento pelo contribuinte de declaração prestada, falsidade, erro ou omissão praticado pelo sujeito passivo quando da declaração, ou a prática de fraude, dolo ou simulação por parte do sujeito passivo ou mesmo da autoridade lançadora. Por fim, há previsão de revisão de lançamento quando se observe que determinado fato não era conhecido pela autoridade à época do lançamento. Nenhuma dessa hipóteses se verificou no caso concreto. Há flagrante e reconhecido erro na determinação do critério quantitativo do tributo devido pelo sujeito passivo. Houve equívoco da autoridade na determinação da base de cálculo da contribuição previdenciária. O Fisco não cumpriu seu dever, posto que equivocouse ao determinar o valor do tributo devido, e assim, se absteve de demonstrar a exatidão do lançamento realizado. (destaque no original) (...) Ora, o próprio Fisco reconhece a base de cálculo do tributo devido, aliás, a explicita! Todo os pagamentos feitos em desacordo com a legislação! E quais pagamentos foram feitos em desacordo? Como acima reproduzido do Relatório Fiscal, há a efetiva explicitação: os pagamentos a título de PLR. Todos eles e não somente os valores pagos a título de antecipação, por meio de mútuo, da PLR devida, como foi adotado pela Autoridade Lançadora. (...) No caso em apreço, observamos que não determinou o Fisco com correção o valor devido pelo Contribuinte, posto que adotou base de cálculo diversa daquela prevista na Lei, o salário de contribuição, e mais, base de cálculo diversa daquela que o próprio Auditor Fiscal, asseverou ser a correta. Como visto é dever do Fisco determinar as grandezas que embasam a Fl. 1179DF CARF MF 16 constituição do crédito tributário, e tal determinação é ponto fulcral do crédito posto que expressa sua grandeza. Tal determinação não pode ser realizada a posteriori, consoante expressa vedação do artigo 145 do CTN, o que impede salvo as hipóteses ali previstas, e aqui inexistentes a revisão do lançamento, após a cientificação do contribuinte. Por via de consequência, forçoso reconhecer a nulidade do lançamento tributário arguída, pela ocorrência de vício material. (g.n.) Não é possível concordar com a tese apresentada pelo redator que levou à nulidade do lançamento. É certo que o art. 142 do CTN já transcrito acima dispõe que dentre os procedimentos necessários ao lançamento está a apuração do montante do tributo devido. No entanto, entendo que vício nesse quesito teria como consequência a incerteza do valor do crédito, de tal sorte a impedir o contribuinte de exercer seu direito de defesa e o contraditório. No acórdão recorrido, o colegiado entendeu que a totalidade dos valores a título de PLR foi pago em desacordo com o que dispõe a Lei nº 10.101/2000. Também está claro que o objeto do lançamento é a parte da PLR correspondente aos supostos mútuos, pagos bimestralmente, os quais eram quitados quando do pagamento da PLR. De fato, poderia o fisco ter efetuado o lançamento das contribuições previdenciárias sobre a totalidade de valores pagos a esse título. Porém, se o lançamento foi efetuado considerando apenas a parte correspondente aos supostos mútuos, nada impede que, observando o prazo decadencial, se promova o lançamento complementar. Certo é que o fato de o lançamento ter sido efetuado considerando parte da base de cálculo não causou qualquer prejuízo para o contribuinte quanto ao entendimento do que foi lançado, o que se demonstra pelas suas próprias alegações de defesa. Nesse sentido, não há vício na apuração da base de cálculo, ela não está incorreta, mas sim, incompleta, conforme alegou a Fazenda Nacional. Esse entendimento se coaduna com aquele contido no acórdão paradigma, do qual transcrevo os seguintes trechos de interesse: Acórdão nº 9202005.620 (...) Verifico que, no caso dos autos, somente houve capitalização de lucros nas holdings, tendo sido mantido sem capitalização todo o lucro da pessoa jurídica operacional. Com efeito, no caso dos autos: Fl. 1180DF CARF MF Processo nº 15956.720318/201401 Acórdão n.º 9202007.194 CSRFT2 Fl. 10 17 ocorreram duas capitalizações seguidas de lucros, ambos reconhecidos em decorrência da aplicação do método de equivalência patrimonial às participações societárias de duas holdings (a NOVA PACTUAL e a PACTUAL) e não houve a capitalização dos lucros auferidos pela pessoa jurídica operacional (o BANCO PACTUAL); a autoridade fiscal, insurgindose contra a sequência de capitalizações perpetradas pelo contribuinte, achou por bem arbitrar em R$ 6.412.601,55 o valor do custo das ações do autuado, correspondente à participação no custo unitário médio da ação da última sociedade holding incorporada (Pactual S/A), conforme demonstrado na planilha de apuração à efl. 1065. Portanto, a autoridade autuante entendeu indevida apenas a atualização da parcela do custo da participação ultrapassou o limite de R$ 6.412.601,55, em decorrência das capitalizações de lucro. Porém, de acordo com a interpretação já apresentada por este conselheiro, entendese que ambas deveriam ter sido glosadas. Isso porque o lucro da pessoa jurídica operacional (ou seja, o lucro efetivamente auferido pelo BANCO PACTUAL) continuou mantido em seu patrimônio líquido, após as incorporações reversas, e consequentemente permaneceu passível de distribuição isenta aos adquirentes, ou terceiros (até mesmos os próprios alienantes), conforme acordo entre as partes. De fato, os alienantes venderam aos adquirentes do Banco o direito de receber os lucros isentos de tributação ou de repasse desse valor a terceiros. Ora, como, (a) em primeiro lugar, a capitalização de lucros que tem o condão de alterar o custo da participação societária é somente aquela relativa aos lucros efetivamente distribuíveis isentos de tributação e como, (b) em segundo lugar, a distribuição de lucros com isenção de tributação foi, no caso, efetivamente transferida (aos adquirentes do banco, ou terceiros por eles determinados), (c) podemos concluir que as capitalizações de lucros realizadas não podem ter qualquer efeito no custo da participação alienada. Verifico, ainda, a propósito a partir do valor do custo concedido pela fiscalização (R$ 6.412.601,55) que, uma vez sendo glosadas as duas capitalizações ocorridas em 2006, aplicandose assim o procedimento defendido por este conselheiro, o valor do tributo devido seria maior do que o originalmente lançado, uma vez que se atingiria um montante de custo a ser concedido de R$ 5.580.612,18, conforme a seguir apurado: (...) Por conta das discussões travadas em plenário sobre o tema, penso ser necessário aqui fazer um esclarecimento quanto à dúvidas sobre a eventual ocorrência de alteração do critério jurídico do lançamento por esta decisão. Fl. 1181DF CARF MF 18 Tenho plena convicção de que não se está aqui alterando critério jurídico, porque no lançamento e na respectiva impugnação encontramse claramente fixados os limites da lide e não foram alterados. Com efeito, o fato e a acusação em debate estão perfeitamente descritos no termo de verificação fiscal e, na decisão, é precisamente esse fato que se analisa: i. o fato é a alienação de participações societárias; ii. a acusação é de insuficiência do recolhimento do tributo por erro na apuração do ganho de capital, por se entender que a capitalização de lucros refletidos em sociedades investidoras, pelo método da equivalência patrimonial, não teria o condão de alterar o custo da participação societária alienada; iii. o que se apresenta aqui, sem qualquer inovação quanto ao fato analisado e a acusação originalmente feita, é o fundamento que este conselheiro entende ser suficiente para julgamento da acusação, em face das alegações do sujeito passivo. Diferente seria o caso em que há uma acusação verificada insubsistente mas, por conta de outra infração, fosse mantido o tributo lançado, situação que não ocorre aqui. (g.n.) Como se vê, na situação paradigma, também se concluiu que o valor lançado foi menor do que poderia ter sido, porém, não se vislumbrou qualquer nulidade. Cumpre ressaltar que no acórdão recorrido, tanto o relator como o redator concordaram no sentido de que a PLR paga pelo contribuinte foi em desacordo com a Lei nº 10.101/2000. Entretanto, afastada a nulidade, vêse que outras questões, embora enfrentadas pelo relator, não foram chanceladas na decisão ou houve qualquer manifestação do redatos do voto vencedor. São elas: arguição do contribuinte sobre a qualificação da multa, a sujeição passiva solidária e outras, conforme trazido no próprio acórdão recorrido: 8) a nulidade da competência 12/2011, já que não consta do Discriminativo do Débito a base de cálculo e a alíquota do SAT, nem o multiplicador FAP, constando apenas e diretamente um valor final a pagar. Sustenta que ficou prejudicado em seu direito de defesa e que restou descumprido requisito essencial da autuação, que é a discriminação precisa da matéria tributável, fato gerador e base de cálculo, nos termos do artigo 142; 9) a ilegalidade da multa de 150%, fundamentada pela fiscalização na omissão de informações e fatos geradores, e que por isso teria incorrido no crime previsto no artigo 337A do Código Penal. Sustenta que não houve cometimento de qualquer ato ilícito pela empresa, muito menos doloso, no sentido de se elidir do recolhimento de contribuições sociais. Tanto é que o próprio fiscal pode localizar, com clareza, os mútuos registrados no Livro Razão. Caso mantida a autuação, o que admite apenas para argumentar, a multa de ofício não pode ultrapassar 75%; 10) a ilegalidade da sujeição passiva solidária, já que o relatório apenas afirma superficialmente que o presidente da Fl. 1182DF CARF MF Processo nº 15956.720318/201401 Acórdão n.º 9202007.194 CSRFT2 Fl. 11 19 empresa teria adotado o “projeto de PLR”, “de modo que as remunerações feitas aos segurados empregados fossem feitas sob a forma de empréstimos mensais”, quando sequer descaracterizou os planos de PLR da empresa. Além disso, em nenhum momento foi individualizada qualquer conduta do presidente da empresa que tivesse determinado, interferido ou colaborado para a não consideração dos valores de mútuo ou de PLR como salário dos empregados; 11) a necessidade de exclusão dos representantes legais e dos contadores da empresa, indicados no Relatório de Vínculos: Roberto Gennaro Mannarino, Andréa Ribeiro Quadros, Antonio Eduardo Pimentel Rodrigues, Monica de Araújo Pereira, Antonio Feitosa Barbosa e Benjamin Ribeiro Quadros; 12) o descabimento da Representação Fiscal para Fins Penais, que não deve prosseguir, tendo em vista a ausência de infração por parte da impugnante. Assim, é necessário o retorno dos autos à 2ª Câmara para complementação do julgamento, apenas com relação aos tópicos acima descritos, tendo em vista que o mérito da irregularidade de PLR encontrase devidamente enfrentada pelo relator e redator. Conclusão Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, restabelecendo o lançamento e determinando com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões suscitadas pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 1183DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.910659/2015-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 25/07/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO.
Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.302
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 06 59 /2 01 5- 11 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10680.910659/201511 Acórdão n.º 3301005.302 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo pedido de restituição formalizado por meio de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, formalizado no sentido do indeferimento da restituição pretendida pela interessada, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito disponível para restituição e eventuais compensações vinculadas à esse crédito. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva esclarecendo que durante procedimento de auditoria interna, realizada nas apurações dos tributos da companhia, foram identificados pagamentos a maior em determinados períodos e a menor em outros. Para regularizar a situação fiscal perante a Receita Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição dos pagamentos a maior, retificando as DCTF para informar os novos valores. Entende que a Per/Dcomp está em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e com a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06058.524. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em síntese, trazendo argumento novo, de que o pagamento indevido seria da conta de Sociedades em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10680.910659/201511 Acórdão n.º 3301005.302 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.223, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.223): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A acórdão recorrido desce a detalhes do ocorrido: Segundo a versão apresentada pela defesa, o crédito apontado (R$ 275,20) decorreu da revisão da base de cálculo da COFINS de 31/03/2010, conforme informado na DCTF retificadora apresentada em 06/11/2014. Constatouse que o despacho decisório foi emitido levando em conta as informações contidas na DCTF retificadora, transmitida em 06/11/2014, a qual, como se vê, tratase da DCTF retificadora que a contribuinte alega conter as informações corretas correspondente ao débito do período. Nessa DCTF, o débito de COFINS confessado do período de apuração de 31/03/2010 é de R$ 1.134.352,27 – que foi quitado por meio de vários pagamentos (DARF) que totalizam R$ 871.733,98 e compensações no valor de R$ 696,80 – restando, saldo a pagar de R$ 261.921,49 – conforme a tela extraída do sistema de controle de declarações: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10680.910659/201511 Acórdão n.º 3301005.302 S3C3T1 Fl. 5 4 Essas mesmas informações constam da DCTF que está ativa no sistema de controle de declarações, transmitida em 08/01/2015. No sistema de controle de arrecadação, verificouse que os pagamentos apontados na DCTF retificadora – no valor total de R$ 871.733,98 – foram validados e vinculados ao débito de Cofins do período (código 2172). No entanto, tendo em vista que os pagamentos validados foram insuficientes para a extinção do débito e verificada a existência de outros pagamentos para o mesmo período de apuração, dentre os quais o pagamento pleiteado no PER em tela, o sistema informatizado alocou esses pagamentos para amortizar parte do saldo devedor confessado na DCTF, como se vislumbra nas telas copiadas a seguir: Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10680.910659/201511 Acórdão n.º 3301005.302 S3C3T1 Fl. 6 5 Desse modo, o pagamento por meio do DARF discriminado no PER – de R$ 275,20 – foi integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS de 31/03/2010, em face das informações prestadas pela própria contribuinte na DCTF retificadora apresentada à Receita Federal, não restando crédito para a restituição pretendida: [...] Destaca ainda a decisão de piso que "desde a constituição da DCTF pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998, e suas alterações posteriores, e de acordo com o disposto no DecretoLei nº 2.124, de 13/06/1984", tal declaração constituise em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. A recorrente, alega que o pagamento indevido de R$275,20, seria provenientes e originário "de SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), das quais" [...] "é sócia ostensiva". E acrescenta: O débito montante de R$ 1134352,27, declarado em DCTF, alberga valores devidos de Cofins de várias SCP’s que tem a Recorrente como sócia ostensiva e outras empresas como sócias participantes. A título de lembrete sabese que os sócios ostensivos de SCP’s são aquelas pessoas jurídicas que se obrigam perante terceiros, enquanto que os sócios participantes (antigos sócios ocultos), não têm essa obrigação. Em vista dessa situação, a Recorrente é responsável pelas obrigações acessórias tributárias, dentre elas, a apresentação de DCTF com os competentes recolhimentos tributários. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10680.910659/201511 Acórdão n.º 3301005.302 S3C3T1 Fl. 7 6 No caso em questão, o valor recolhido, R$ 275,2 é proveniente da atividade da SCP, "Laguna Beach" contrato anexo, Doc. 1, que recolheu este valor. Contudo, como já informado, tinha como valor devido a quantia de R$ 0 Ao manter a decisão que indeferiu o crédito pleiteado, a Receita Federal acaba violando a individualidade de outra pessoa jurídica, uma vez que o crédito solicitado diz respeito a uma sociedade em conta de participação específica que tem a Recorrente como sócia ostensiva. O quadro abaixo, demonstra muito bem a composição deste crédito. Tanto que o código do imposto é o 217208, cujo dígito identifica ser o crédito decorrente de sociedade em conta de participação. Portanto, no caso da decisão ser mantida, permanecerseá uma verdadeira invasão no patrimônio da SCP Laguna Beach, visto o desrespeito à sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta de débitos tributários que não são dela. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação não se confunde com o sócio ostensivo, os resultados daquela não podem ser tributados diretamente neste mas apenas distribuídos na proporção da participação.” (CARF, Recurso Voluntário Recurso de Ofício, PTA 15504.724276/201314, Acórdão 1402 002.208. Relator Dr. Leonardo de Andrade Couto , DJ 27.06.2016) (destacouse) Diante do exposto, não há que se falar na aplicação da IN SRF 126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar uma SCP em que ela é a sócia ostensiva e que, por isso, é obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, dentre elas, a entrega de DCTF. Ocorre, no entanto, que tal argumento de defesa não foi trazido em sede de manifestação de inconformidade, precluindo o direto de fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Também não localizei a prova da liquidez e certeza do crédito em foco, que não a DCTF retificada e o DARF dado como pago indevidamente. Tal Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10680.910659/201511 Acórdão n.º 3301005.302 S3C3T1 Fl. 8 7 comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.900131/2008-45
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Data do fato gerador: 22/01/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA.
A DCOMP constitui-se em confissão de divida nos termos da legislação vigente.
Numero da decisão: 1001-000.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Data do fato gerador: 22/01/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A DCOMP constitui-se em confissão de divida nos termos da legislação vigente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do fato gerador: 22/01/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A DCOMP constituise em confissão de divida nos termos da legislação vigente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 90 01 31 /2 00 8- 45 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13502.900131/200845 Acórdão n.º 1001000.928 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 44 a 45) interposto contra o Acórdão nº 1524.033, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA (fls. 31 a 32), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 22/01/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A DCOMP constituise em confissão de divida nos termos da legislação vigente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " A interessada transmitiu em 22/01/2004 PER/DCOMP eletrônico (fls. 03/07) visando utilizar crédito no valor original de R$ 6.168,77 do DARF recolhido pela sistemática do Simples (código de receita 6106) relativo a agosto de 2003, no valor total de R$ 6.699,28, na compensação de débito do Simples relativo a agosto de 2003. A contribuinte foi intimada (fl. 08) acerca da não localização nos sistemas da Receita Federal do DARF indicado no PER/DCOMP, não se manifestando a respeito. Desta forma, a DRF/Camaçari emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando a compensação pleiteada, exatamente sob o argumento de não localização do DARF. Irresignada, a contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade alegando desconhecer a transmissão do PER/DCOMP ora em litígio, bem como inexistir o pagamento alegado e o débito a compensar, uma vez que os débitos do período já foram, inclusive, inscritos em Dívida Ativa da União.”. Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou o recurso sob análise com base nos mesmos elementos que já havia apresentado em primeira instância. É o relatório. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13502.900131/200845 Acórdão n.º 1001000.928 S1C0T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, e por concordar com seu teor, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) A interessada reconhece a inexistência do crédito pleiteado no PER/DCOMP ora em litígio. Quanto ao débito, considerando que a Declaração de Compensação é confissão de dívida, como estabelece o § 6 o do artigo 74 da Lei 9.430, de 1996, o valor declarado na DCOMP deve ser considerado como complemento daquele declarado na DSPJ. (...)" Outrossim, repiso que a Recorrente não apresenta qualquer documento que escore suas alegações ou possa alterar a constatação já consignada em primeira instância. Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10437.720737/2014-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 CARF.
Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSOADMINISTRATIVO. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE.IMPOSSIBILIDADE DE SOBRESTAMENTO.
O processo administrativo é regido pelo princípio da oficialidade. Não há lei ou norma regimental que autorize o sobrestamento do julgamento em razão do reconhecimento, pelo STF, de repercussão geral de matéria ainda pendente da decisão judicial.
NULIDADE. INOCORRÊNCIA DAS HIPÓTESES DO ART. 59 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Não tendo ocorrido nenhuma das hipóteses do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, deve-se afastar o pedido de nulidade formulado pela parte.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM IDENTIFICAÇÃO DE ORIGEM.
Caracterizam-se como renda os créditos em conta bancária cuja origem não é comprovada pelo titular. A mera indicação de que haveria débitos relativos a pagamentos de pessoa jurídica não logra comprovar a origem de depósitos bancários.
Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros.
Cabe ao Contribuinte a comprovação da origem dos depósitos para desconstituição do lançamento. Alegação Genérica sem comprovação por prova, não ilide o lançamento.
Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO
Constatada a omissão, devido o lançamento da multa de ofício.
Súmula CARF nº 34 (VINCULANTE): Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas
Numero da decisão: 2301-005.684
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das alegações de inconstitucionalidade de lei e da questão da responsabilidade tributária da cotitular, terceira aos autos, para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Ausente momentaneamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Juliana Marteli Fais Feriato - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (Suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JULIANA MARTELI FAIS FERIATO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 CARF. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSOADMINISTRATIVO. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE.IMPOSSIBILIDADE DE SOBRESTAMENTO. O processo administrativo é regido pelo princípio da oficialidade. Não há lei ou norma regimental que autorize o sobrestamento do julgamento em razão do reconhecimento, pelo STF, de repercussão geral de matéria ainda pendente da decisão judicial. NULIDADE. INOCORRÊNCIA DAS HIPÓTESES DO ART. 59 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Não tendo ocorrido nenhuma das hipóteses do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, deve-se afastar o pedido de nulidade formulado pela parte. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM IDENTIFICAÇÃO DE ORIGEM. Caracterizam-se como renda os créditos em conta bancária cuja origem não é comprovada pelo titular. A mera indicação de que haveria débitos relativos a pagamentos de pessoa jurídica não logra comprovar a origem de depósitos bancários. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Cabe ao Contribuinte a comprovação da origem dos depósitos para desconstituição do lançamento. Alegação Genérica sem comprovação por prova, não ilide o lançamento. Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO Constatada a omissão, devido o lançamento da multa de ofício. Súmula CARF nº 34 (VINCULANTE): Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das alegações de inconstitucionalidade de lei e da questão da responsabilidade tributária da cotitular, terceira aos autos, para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Ausente momentaneamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. João Bellini Júnior - Presidente. (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato - Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (Suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
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SÚMULA 2 CARF. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSOADMINISTRATIVO. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE.IMPOSSIBILIDADE DE SOBRESTAMENTO. O processo administrativo é regido pelo princípio da oficialidade. Não há lei ou norma regimental que autorize o sobrestamento do julgamento em razão do reconhecimento, pelo STF, de repercussão geral de matéria ainda pendente da decisão judicial. NULIDADE. INOCORRÊNCIA DAS HIPÓTESES DO ART. 59 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Não tendo ocorrido nenhuma das hipóteses do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, devese afastar o pedido de nulidade formulado pela parte. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM IDENTIFICAÇÃO DE ORIGEM. Caracterizamse como renda os créditos em conta bancária cuja origem não é comprovada pelo titular. A mera indicação de que haveria débitos relativos a pagamentos de pessoa jurídica não logra comprovar a origem de depósitos bancários. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 7. 72 07 37 /2 01 4- 80 Fl. 574DF CARF MF 2 Cabe ao Contribuinte a comprovação da origem dos depósitos para desconstituição do lançamento. Alegação Genérica sem comprovação por prova, não ilide o lançamento. Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO Constatada a omissão, devido o lançamento da multa de ofício. Súmula CARF nº 34 (VINCULANTE): Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das alegações de inconstitucionalidade de lei e da questão da responsabilidade tributária da cotitular, terceira aos autos, para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Ausente momentaneamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (Suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 529/556) interposto em face da decisão da DRJ (fls. 513/521) proferida pela 1ª Turma da DRJ/CGE, Acórdão 0442.208 de 06 de Fl. 575DF CARF MF Processo nº 10437.720737/201480 Acórdão n.º 2301005.684 S2C3T1 Fl. 575 3 março de 2017, que julgou improcedente a Impugnação juntada pelo Contribuinte (fls. 442/463) e manteve o crédito tributário lançado, cuja Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 RECURSO ESPECIAL SOBRE SIGILO BANCÁRIO. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. DESCABIMENTO. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543B do CPC/73, concluiu serem constitucionais os dispositivos legais que permitem ao Fisco requisitar informações às instituições bancárias sobre movimentação financeira de contribuintes, sem prévia autorização judicial. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Conforme consta do Auto de Infração e do Termo de Verificação Fiscal de fls. 395/405, tratase de omissão relativa ao Imposto de Renda de Pessoa Física, exercício 2010, anocalendário 2009, por meio do qual se exige o crédito tributário de R$ 4.007.075,95 (quatro milhões e sete mil setenta e cinco reais e noventa e cinco centavos), assim discriminado: R$1.842.587,97 de Imposto; R$782.547,09 de juros; e R$1.381.940,94 de multa proporcional. Na justificativa apresentada pelo Termo de Verificação Fiscal, o lançamento decorreu da apuração de omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários cujas origens não foram comprovadas, discriminados às fls. 406433, no valor total anual de R$ 6.716.088,29, conforme tabelaresumo às fls. 397398, identificados nas contas bancárias de titularidade do autuado junto à Caixa Econômica Federal e Banco Bradesco S/A, e na conta corrente conjunta com Marclea Matos de Jesus, CPF 280.803.42881. Contribuinte, quando instado a se pronunciar, informou que tais valores são decorrentes de sua participação em leilões da CEF como representante de terceiros, entretanto não trouxe qualquer comprovação dessa atividade (procuração, anúncio e etc) e os extratos apresentados pelo mesmo em suas respostas às intimações fiscais estavam incompletos, conforme comprovou o DIMOF (Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira). Fl. 576DF CARF MF 4 Com relação a conta corrente que mantinha em cotitularidade com Marclea Matos de Jesus perante o Banco Bradesco, a Autoridade Fiscal abriu ação fiscal contra a cotitular para que apresentasse a origem dos depósitos nesta conta bancária que, embora intimada, decorreu o prazo sem qualquer manifestação. Diante dessa omissão, a fiscalização considerou que esses valores constituem rendimentos omitidos, com base no art. 42 da Lei 9.430/96, lançandose o crédito tributário ora discutido. Na Impugnação juntada pelo Contribuinte nas fls. 442/463, pugna pela: · Sobrestamento do julgamento do processo, considerando que a questão do acesso aos dados bancários do contribuinte sem autorização judicial foi submetida à apreciação do Supremo Tribunal Federal, com Repercussão Geral reconhecida, RE 601.314; · Que a autoridade lançadora deixou de deduzir a quantia total de R$ 439.730,00, composta de valores creditados em favor do autuado nas contas do Banco Bradesco, cujos remetentes estão identificados no próprio extrato bancário, conforme quadro demonstrativo apresentado na impugnação; · Em relação à conta bancária conjunta, pleiteia a exoneração da responsabilidade da cotitular Marclea Matos de Jesus, porquanto somente o impugnante movimenta essa conta bancária, assim como requer a exclusão da base de cálculo, o valor de R$ 500,00, relativo à transferência de titularidade de Marclea Matos de Jesus. · Que os valores em questão pertencem a terceiros e transitaram nas contas do impugnante em razão dele exercer a intermediação na arrematação de lotes de penhores de joias em leilões perante a Caixa Econômica Federal, mediante aferição de comissão de 1%, de modo que somente o valor recebido a título de comissão pode ser considerado rendimento tributável. · Apresenta cópias das notas de arrematação, no valor total de R$ 730.996,35, e pede que este valor também seja excluído da base de cálculo. · Requer o reconhecimento da inconstitucionalidade da multa aplicada. Sobre os apontamentos da Impugnação, a DRJ de fls. 513/521 decide: · Sobre o pedido de Sobrestamento do processo, o STF já julgou o Recurso Extraordinário nº 601.314, com decisão transitada em julgado em 11/10/2016, no sentido da constitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar 105/2001, que autoriza a requisição de informações bancárias, por parte do Fisco; Fl. 577DF CARF MF Processo nº 10437.720737/201480 Acórdão n.º 2301005.684 S2C3T1 Fl. 576 5 · Sobre a responsabilidade da Cotitular Marclea, não se conhece desse pedido, visto que nestes autos é inadmissível a discussão acerca da responsabilidade tributária de terceiro, aqui entendido como quem não figura no polo passivo do processo, porquanto a decisão dessa questão não tem efeito sobre o lançamento · Sobre a alegação de que os depositantes foram identificados pela peça impugnatória nas fls. 446, o art. 42 da Lei n. 9.430/96 determina a necessidade de identificação da origem, sendo que o encargo probatório decorrente da presunção legal em debate revertese em desfavor do contribuinte, que necessita demonstrar com documentos hábeis e idôneos a origem dos rendimentos transitados pela sua conta bancária para se por a salvo da tributação do Imposto de Renda, sendo que lhe cabe comprovar a causa jurídica dos rendimentos, sendo impossível de afastar a presunção legal de que os depósitos aqui mencionados possuem natureza jurídica de rendimento tributável; · Sobre a transferência entre contas de mesma titularidade e o pedido de exclusão dos R$500,00, verificase nas cópias dos extratos bancários, fls. 281317, a conta conjunta do impugnante com Marclea Matos de Jesus é a conta nº 577243, do Banco Bradesco, de modo que somente eventual débito dessa conta bancária a crédito de outra conta do impugnante seria passível de exclusão, o que não ocorreu no presente caso; · Sobre a alegação de que os valores são recursos de terceiros, verifica se que nas fls. 486507, notas de arrematação junto à Caixa Econômica Federal, expedidas em 2009, está consignado que o arrematante é o próprio impugnante, sendo que esses documentos não comprovam a suposta atividade exercida pelo Contribuinte; · Sobre a alegação de inconstitucionalidade da multa, não cabe discutir, em sede administrativa, a tese de inconstitucionalidade; Nas fls. 529/556, o Contribuinte apresenta seu Recurso Voluntário alegando: 1. Preliminarmente, sobrestamento do processo até resolução do RE 855649 que se encontra no STF com repercussão geral, cujo resultado importa na validade/constitucionalidade do presente lançamento; 2. Cerceamento de defesa pelo não conhecimento parcial da impugnação no que consiste ao pedido de responsabilização integral do Contribuinte sobre as movimentações financeiras da conta que mantem em cotitularidade com Marclea Matos Jesus; 3. Necessidade de exclusão dos valores transferidos pelas contas de mesma titularidade; Fl. 578DF CARF MF 6 4. Da atividade do recorrente das comissões percebidas do ingresso e saída de numerário de terceiros arrematações em leilões da CEF – da impossibilidade de serem considerados os ingressos em conta bancária como acréscimos patrimoniais decorrentes do produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos (art. 43, do CTN); 5. Restou comprovada mesmo que indireta e parcialmente a origem e destinação dos depósitos, conforme documentos acostados, sendo que são ingressos e saídas de numerários de terceiros, ficando o Recorrente somente com a comissão pela intermediação da compra e venda de joias, falecendo a consideração fiscal de que são "rendimentos"; 6. Que a multa de ofício de 75% tem efeito confiscatório; Este é o relatório. Voto Conselheira Relatora Juliana Marteli Fais Feriato Admissibilidade Conforme consta das fls. 526, a ciência do Contribuinte se deu com a entrega da intimação em seu domicílio fiscal em 20 de março de 2017, iniciando o prazo de 30 dias para apresentação do Recurso Voluntário em 21 de março de 2017. O Recurso Voluntário foi apresentado em 25/04/2017, conforme comprova o carimbo do recebimento do recurso em sua folha de rosto (fls. 529). O Contribuinte tinha até o dia 19/04/2017 para apresentar tempestivamente seu Recurso Voluntário, entretanto, o protocolo se deu no dia 25/04/2017. Entretanto, o Contribuinte postou seu Recurso Voluntário em 19/04/2017 no correio (fl. 570), de Santos/SP para São Paulo/SP. O Ato Declaratório Normativo COSIT nº 19/1997 determina: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto nos arts. 15 e 21 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação do art. 1º da Lei nº 8.748, de 09 de dezembro de 1993, no Decreto de 15 de abril de 1991 e na Portaria nº 12, de 12 de abril de 1982, do Ministério Extraordinário para a Desburocratização. Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que, quando o Fl. 579DF CARF MF Processo nº 10437.720737/201480 Acórdão n.º 2301005.684 S2C3T1 Fl. 577 7 contribuinte efetivar a remessa da impugnação através dos Correios: a) será considerada como data da entrega, no exame da tempestividade do pedido, a data da respectiva postagem constante do aviso de recebimento, devendo ser igualmente indicados neste último, nessa hipótese, o destinatário da remessa e o número de protocolo referente ao processo, caso existente; Portanto, tempestivo o Recurso Voluntário. Entretanto, não se conhece da alegação de inconstitucionalidade da multa de ofício de 75% imposta ao Contribuinte. A presente instância é administrativa, não cabendo a mesma verificar a constitucionalidade das leis, sendo esta atribuição ao Poder Judiciário. Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim como não se conhece sobre a matéria da responsabilidade tributária do Cotitular, referente aos montantes movimentados na conta bancária do autuado em conjunto com Marclea Matos de Jesus. Não se pode discutir acerca da responsabilidade tributária de terceiro não parte ao processo administrativo, sendo que esta decisão sequer interfere o resultado do lançamento. Portanto, conhece parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo sobre a arguição de inconstitucionalidade da multa e da responsabilidade tributária da Cotitular terceira aos autos, para que, na parte conhecida, passase à análise do mérito. Mérito Tratase de Recurso Voluntário do indeferimento da impugnação apresentada pelo Contribuinte referente a revisão do seu Imposto de Renda, diante da omissão de rendimentos, provenientes de depósitos bancários sem origem, realizados nas contas correntes do Contribuinte perante as instituições financeiras Banco Bradesco e Caixa Econômica Federal, que, durante o período apurado. Sobre os apontamentos do Recurso Voluntário, passase à análise individualmente: Preliminar de Sobrestamento do Processo Fl. 580DF CARF MF 8 Requer, preliminarmente, o sobrestamento do processo até resolução do RE 855649 que se encontra no STF com repercussão geral, cujo resultado importa na validade/constitucionalidade do presente lançamento. Sobre a suspensão do Processo Administrativo até resolução definitiva da Constitucionalidade da cobrança do imposto pelo STF, verificase que não há qualquer legalidade sobre o pedido, nenhum indicativo na legislação que enseja o sobrestamento do processo até resolução da questão pelo judiciário. Sobre o tema, este Conselho já prevaleceu entendimento: REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSOADMINISTRATIVO. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE.IMPOSSIBILIDADE DE SOBRESTAMENTO. O processo administrativo é regido pelo princípio da oficialidade. Não há lei ou norma regimental que autorize o sobrestamento do julgamento em razão do reconhecimento, pelo STF, de repercussão geral de matéria ainda pendente da decisão judicial. Suspensão do julgamento indeferida. (...) CARF. Acórdão n. 2301005.156– 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Autos 10410.721334/201294. Julgamento 03/10/2017. Ademais, verificase que a matéria já se encontra pacificada no Supremo Tribunal Federal, com o julgamento do Recurso Extraordinário nº 601.314, decisão transitada em julgado em 11/10/2016, no sentido da constitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar 105/2001, que autoriza a requisição de informações bancárias, por parte do Fisco, independentemente de autorização judicial, conforme trazido na DRJ destes autos. Portanto não vislumbro o argumento trazido pela Contribuinte, indeferindo o pedido de sobrestamento do processo. Responsabilidade de Terceiro Em relação à conta bancária conjunta, pleiteia a exoneração da responsabilidade da cotitular Marclea Matos de Jesus, porquanto somente o impugnante movimenta essa conta bancária e que é nulo o lançamento, por preterição do direito de defesa do Recorrente. Verificase que a matéria sobre este pedido não foi conhecida, visto que se trata de responsabilidade de terceiro fora da relação processual. Entretanto, necessário destacar que a Autoridade Fiscal cumpriu com seu dever, intimou a terceira para apresentar, em separado, os comprovantes da origem dos depósitos, conforme determina nova Súmula deste Conselho: Súmula CARF nº 29: Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10437.720737/201480 Acórdão n.º 2301005.684 S2C3T1 Fl. 578 9 Os cotitulares da conta bancária que apresentem declaração de rendimentos em separado devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de exclusão, da base de cálculo do lançamento, dos valores referentes às contas conjuntas em relação às quais não se intimou todos os co titulares. Ademais, o crédito tributário discutido no presente processo administrativo foi lançado única e exclusivamente contra a pessoa do Contribuinte, conforme reputa do Auto de Infração. E ainda, constatase que o Contribuinte foi corretamente tributado na proporção de 50%, por ser cotitular da conta corrente. Somente são nulos os Autos quando constatada a ocorrência do Art. 59 do Decreto n. 70.235/1972: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No presente caso, não se vislumbra a ocorrência de quaisquer uma das hipóteses previstas no Art. 59 do Decreto n. 70.235/1972. Portanto, não constatada a nulidade argüida. Exoneração do valor transferido pelas contas de mesma titularidade Requer a exclusão da base de cálculo, o valor de R$ 500,00, relativo à transferência de titularidade de Marclea Matos de Jesus. A conta conjunta que o Contribuinte tem com Marclea Matos de Jesus é a conta nº 577243, do Banco Bradesco, sendo que somente pode ser exonerado o débito dessa conta bancária a crédito de outra conta do Contribuinte. Entretanto, sobre este fato, verificase que não houve a comprovação de que o valor de R$500,00 saiu da Conta que o Contribuinte tem em titularidade com Marclea (conta de n. 577243 do Banco Bradesco). Pelo contrário, o extrato juntado nas fls. 281317 demonstram que não houve qualquer depósito realizado pela conta de n. 577243 do Banco Bradesco (a que o Contribuinte tem com Marclea) às demais contas de titularidade do Contribuinte, razão pela qual indeferese o pedido. Da atividade do recorrente das comissões percebidas do ingresso e saída de numerário de terceiros arrematações em leilões da CEF – da impossibilidade de Fl. 582DF CARF MF 10 serem considerados os ingressos em conta bancária como acréscimos patrimoniais decorrentes do produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos (art. 43, do CTN) Segundo o Contribuinte, restou comprovada mesmo que indireta e parcialmente a origem e destinação dos depósitos, conforme documentos acostados, sendo que são ingressos e saídas de numerários de terceiros, ficando o Recorrente somente com a comissão pela intermediação da compra e venda de joias, falecendo a consideração fiscal de que são "rendimentos". Conforme estipulado pela Lei nº 9.430/96: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Assim como, identificase perante este Conselho, as seguintes Súmulas sobre a matéria: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada Súmula CARF n. 29: Os cotitulares da conta bancária que apresentem declaração de rendimentos em separado devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de exclusão, da base de cálculo do lançamento, dos valores referentes às contas conjuntas em relação às quais não se intimou todos os cotitulares. Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Da mesma forma, é o entendimento das Jurisprudências Consolidadas deste Conselho: DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM IDENTIFICAÇÃO DE ORIGEM. Caracterizamse como renda os créditos em conta bancária cuja origem não é comprovada pelo titular. A mera indicação de que haveria débitos relativos a pagamentos de pessoa jurídica não logra comprovar a origem de depósitos bancários. (Acórdão nº 9202003.738 28/01/2016) .................... Considerase como comprovação de origem, para valores creditados em conta de depósito, o oferecimento de valor equivalente ao fisco, em Declaração anual de Ajuste de IRPF, a título de Rendimentos Isentos ou não tributáveis ou ainda, Fl. 583DF CARF MF Processo nº 10437.720737/201480 Acórdão n.º 2301005.684 S2C3T1 Fl. 579 11 sujeitos á tributação exclusiva na fonte, não tem o efeito de comprovação de origem desses valores, aplicandose a eles a presunção legal de omissão de rendimentos. (Acórdão nº 9202 003.902 3/04/2016) Constatouse que o Contribuinte movimentou em suas Contas Correntes o valor de R$ 6.716.088,29 durante o período apurado, não declarado em sua Declaração de Imposto de Renda. Alega o Contribuinte que todos os valores são provenientes de Leilão Extrajudicial que participou perante a Caixa Econômica Federal, no qual atual em nome de terceiros e que estes valores foram os valores pagos pelo Contribuinte, à CEF, pelos lances vencidos, em nome de terceiro. Tratase de suntuosa soma transitada nas contas de titularidades do contribuinte, sendo que ao menos deveria acostar em sua defesa a prova de que atuou em nome de terceiros. Nenhuma procuração, contrato, comprovante de conversa, comprovante de depósito que ligasse o recebimento dos valores e o pagamento do lance foram trazidos pelo Contribuinte em sua defesa. Ademais, se o próprio contribuinte afirma que cobra comissão de 1% sobre os valores negociados pelos objetos comprados nos leilões, sendo que o valor utilizado para exercer sua suposta profissão, ou seja, o valor despendido em leilões ultrapassa a casa dos 6 milhões de reais, mesmo que o Contribuinte se quede com apenas 1% disto já verifica a omissão de rendimentos. Por fim, novamente, necessário pontuar que a conforme a legislação determina sobre o tema, o ônus da prova, nos casos de depósitos bancários sem origem é do Contribuinte, o que não se vislumbra no presente caso. As provas demonstram que o Contribuinte omitiu a renda recebida durante o período analisado. O Imposto de Renda e sua Declaração são obrigações personalíssimas do Contribuinte, sendo sua responsabilidade única as informações prestadas quando do preenchimento de sua declaração anual de ajuste. Art. 787. As pessoas físicas deverão apresentar anualmente declaração de rendimentos, na qual se determinará o saldo do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no anocalendário (Lei nº 9.250, de 1995, art. 7º). Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Fl. 584DF CARF MF 12 A responsabilidade pela exatidão/inexatidão do conteúdo consignado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda é do próprio beneficiário dos rendimentos, que não pode desconhecêlos e deixar de oferecêlos à tributação. Diante disto, voto pelo indeferimento do pedido. Que a multa de ofício de 75% tem efeito confiscatório; Sobre a alegação de inconstitucionalidade da aplicação da multa, verificase seu não conhecimento conforme reportado acima. Entretanto, necessário pontuar que sobre a alegação de que a multa de ofício de 75% tem efeito confiscatório, constata: A multa tem seu lançamento de forma objetiva, ou seja, apurada a infração, constatada a omissão, a mesma é lançada, nos termos da legislação (Lei 9430/96) determina: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Súmula CARF nº 34 (VINCULANTE): Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas Portanto, não há a previsão legal para a retirada ou a redução da multa de ofício requerida pela Contribuinte. Sua redução é liberalidade do FISCO quando da sua cobrança, impossível de este Conselho rever, por falta de legalidade. Assim como, a alegação da boafé do Contribuinte em nada viabiliza a redução da multa de ofício, visto que essa é lançada sempre que constatada a infração tributária. Diante do exposto, voto por negar provimento ao pedido. Fl. 585DF CARF MF Processo nº 10437.720737/201480 Acórdão n.º 2301005.684 S2C3T1 Fl. 580 13 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário não conhecendo sobre a argüição de inconstitucionalidade da multa e da responsabilidade tributária da Cotitular terceira aos autos, para que, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento. É como voto. Juliana Marteli Fais Feriato Relatora (assinado digitalmente) Fl. 586DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720110/2014-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇO PARÂMETRO. IN SRF Nº 243/2002. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA.
O princípio da legalidade tributária, albergado no art. 150, I, da Constituição da República, estabelece que nenhum tributo poderá ser instituído ou aumentado senão por intermédio de lei. O preço parâmetro PRL60 calculado segundo o disposto na Instrução Normativa SRF nº 243/2002 resulta em ajustes ao lucro liquido sempre em montantes iguais ou inferiores àqueles calculados segundo a correta interpretação da Lei nº 9.430/96, daí porque não há que se falar em violação ao princípio da legalidade tributária.
A interpretação trazida pela Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, é a que melhor traduz os comandos estampados no art. 18 da Lei nº 9.430/96, vez que revela com maior precisão o objetivo almejado pelo referido diploma legal. No que diz respeito à proporcionalização, a questão é de ordem puramente matemática (e não jurídica), que empresta maior exatidão na determinação do preço parâmetro.
A expressão matemática extraída das disposições da IN 243 é a que otimiza o pretendido pelas normas de preços de transferência, eis que: i) matematicamente, preserva uma margem de lucro mínima, no patamar fixado pela lei (60%); ii) possibilita o ajuste tomando por base o insumo importado, e não o valor total do produto dele decorrente; iii) exclui integralmente o valor agregado, permitindo a explicitação do preço parâmetro livre de qualquer artificialismo; e iv) em que pese eventuais distorções econômicas no âmbito em que é aplicada (empresas submetidas ao controle), alcança o objetivo pretendido pelas normas de preços de transferência.
MÉTODO PRL. PREÇOS PRATICADOS. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS.
Na apuração dos preços praticados segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), deve-se incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação.
PREÇO DE TRANSFERÊNCIA - MÉTODO PIC - IMPACTO DAS VARIAÇÕES CAMBIAIS DO PERÍODO - CRITÉRIO UTILIZADO NÃO VEDADO PELAS NORMAS DE REGÊNCIA
A míngua de previsão legal ou normativa explicita, e não havendo vedação expressa, o critério utilizado pelo contribuinte para estabelecer o preço-parâmetro fixado em moeda estrangeira, consistente na adoção de um valor médio da moeda norte-americana, é válido e coerente, sendo ilegal a sua "glosa" pela autoridade fiscal.
PREÇO PRATICADO E PREÇO PARÂMETRO - BEM ADQUIRIDO DE MAIS DE UM FORNECEDOR - FIXAÇÃO PELA MÉDIA DOS PREÇOS PRATICADOS - VALIDADE
A míngua de previsão legal ou normativa explicita, e não havendo vedação expressa, o critério utilizado pelo contribuinte para estabelecer o preço-praticado e respectivo preço parâmetro, no caso de produto adquirido de mais de um fornecedor, segundo a média entre os preços praticados, é válida, sendo ilegal a pretensão fiscal de fixar um preço praticado e um preço parâmetro para cada fornecedor.
Numero da decisão: 1302-003.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto a alegação de ilegalidade da IN.SRF. 243/2002; por maioria de votos, em negar provimento ao recurso quanto a inclusão do custo de seguros, frete e impostos no preço praticado para a apuração do método PRL, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, e Flávio Machado Vilhena Dias; e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, quanto aos ajustes calculados pelo método PIC, em face da taxa de câmbio utilizada pela fiscalização no cálculo dos preços parâmetro e, ainda, ao cálculos dos preços praticados e dos preços parâmetro nos casos em que o produto foi importado de mais de um fornecedor vinculado (produto Nolo), vencido o conselheiro Rogério Aparecido Gil. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇO PARÂMETRO. IN SRF Nº 243/2002. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA. O princípio da legalidade tributária, albergado no art. 150, I, da Constituição da República, estabelece que nenhum tributo poderá ser instituído ou aumentado senão por intermédio de lei. O preço parâmetro PRL60 calculado segundo o disposto na Instrução Normativa SRF nº 243/2002 resulta em ajustes ao lucro liquido sempre em montantes iguais ou inferiores àqueles calculados segundo a correta interpretação da Lei nº 9.430/96, daí porque não há que se falar em violação ao princípio da legalidade tributária. A interpretação trazida pela Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, é a que melhor traduz os comandos estampados no art. 18 da Lei nº 9.430/96, vez que revela com maior precisão o objetivo almejado pelo referido diploma legal. No que diz respeito à proporcionalização, a questão é de ordem puramente matemática (e não jurídica), que empresta maior exatidão na determinação do preço parâmetro. A expressão matemática extraída das disposições da IN 243 é a que otimiza o pretendido pelas normas de preços de transferência, eis que: i) matematicamente, preserva uma margem de lucro mínima, no patamar fixado pela lei (60%); ii) possibilita o ajuste tomando por base o insumo importado, e não o valor total do produto dele decorrente; iii) exclui integralmente o valor agregado, permitindo a explicitação do preço parâmetro livre de qualquer artificialismo; e iv) em que pese eventuais distorções econômicas no âmbito em que é aplicada (empresas submetidas ao controle), alcança o objetivo pretendido pelas normas de preços de transferência. MÉTODO PRL. PREÇOS PRATICADOS. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 10 /2 01 4- 80 Fl. 872DF CARF MF Processo nº 16561.720110/201480 Acórdão n.º 1302003.083 S1C3T2 Fl. 873 2 Na apuração dos preços praticados segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA MÉTODO PIC IMPACTO DAS VARIAÇÕES CAMBIAIS DO PERÍODO CRITÉRIO UTILIZADO NÃO VEDADO PELAS NORMAS DE REGÊNCIA A míngua de previsão legal ou normativa explicita, e não havendo vedação expressa, o critério utilizado pelo contribuinte para estabelecer o preço parâmetro fixado em moeda estrangeira, consistente na adoção de um valor médio da moeda norteamericana, é válido e coerente, sendo ilegal a sua "glosa" pela autoridade fiscal. PREÇO PRATICADO E PREÇO PARÂMETRO BEM ADQUIRIDO DE MAIS DE UM FORNECEDOR FIXAÇÃO PELA MÉDIA DOS PREÇOS PRATICADOS VALIDADE A míngua de previsão legal ou normativa explicita, e não havendo vedação expressa, o critério utilizado pelo contribuinte para estabelecer o preço praticado e respectivo preço parâmetro, no caso de produto adquirido de mais de um fornecedor, segundo a média entre os preços praticados, é válida, sendo ilegal a pretensão fiscal de fixar um preço praticado e um preço parâmetro para cada fornecedor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto a alegação de ilegalidade da IN.SRF. 243/2002; por maioria de votos, em negar provimento ao recurso quanto a inclusão do custo de seguros, frete e impostos no preço praticado para a apuração do método PRL, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, e Flávio Machado Vilhena Dias; e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, quanto aos ajustes calculados pelo método PIC, em face da taxa de câmbio utilizada pela fiscalização no cálculo dos preços parâmetro e, ainda, ao cálculos dos preços praticados e dos preços parâmetro nos casos em que o produto foi importado de mais de um fornecedor vinculado (produto Nolo), vencido o conselheiro Rogério Aparecido Gil. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Redator designado Fl. 873DF CARF MF Processo nº 16561.720110/201480 Acórdão n.º 1302003.083 S1C3T2 Fl. 874 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face ao Acórdão nº 1675.340, de 13/01/2017, da DRJ de São Paulo que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, registrandose a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇOS PARÂMETRO. ILEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA. Não compete à esfera administrativa a análise da legalidade ou constitucionalidade de normas jurídicas. MÉTODO PRL. PREÇOS PRATICADOS. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Na apuração dos preços praticados segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. MÉTODO PIC. PREÇO PARÂMETRO.TAXA DE CÂMBIO. O valor expresso em moeda estrangeira, na importação de bens, serviços e direitos será convertido em reais pela taxa de câmbio de venda, fixada pelo boletim de abertura do Banco Central do Brasil, para a data do desembaraço aduaneiro, no caso de bens. Regra válida tanto para o preço praticado, quanto para o preçoparâmetro. MAIS DE UM FORNECEDOR VINCULADO. PREÇO PRATICADO POR FORNECEDOR. PREÇOPARÂMETRO ÚNICO. A legislação de preço de transferência visa verificar, para cada fornecedor vinculado, individualmente considerado, se os preços praticados nessas transações estão compatíveis com os preços de mercado (transações entre partes independentes). Ou seja, devese calcular, para cada fornecedor, o preço praticado e comparálo com o preço de mercado, representado por um preçoparâmetro único, independente do fornecedor. Constatado erro na apuração dos ajustes de um produto, exonerase parcialmente a exigência. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 874DF CARF MF Processo nº 16561.720110/201480 Acórdão n.º 1302003.083 S1C3T2 Fl. 875 4 A fiscalização verificou que a recorrente registrou ajuste decorrente de preço de transferência no valor de R$ 5.367.089,25 (DIPJ 2010 AC 2009, Ficha 09A Demonstração do Lucro Real PJ em Geral, em ADIÇÕES linha 09). Concluiu que, o correto seria declarar a título o valor de R$ 35.472.967,27. Face à diferença não declarada de R$ 30.094.330,12, lavrou auto de infração para cobrança dos tributos IRPJ e CSLL, acrescidos de multa de ofício e juros de mora. Registrou, ainda, que o sujeito passivo, ao calcular o preço parâmetro de determinados produtos, adotou o método PRL60, mas não adotou a metodologia do art. 12, § 11, da IN SRF n° 243/2002. Ao adotar tal metodologia, onde o sujeito passivo encontrou ajuste zero a fiscalização encontrou ajuste de R$ 41.083.513,56. A fiscalização destacou que a recorrente ainda calculou o preço de transferência, com base no método PIC, alternativamente ao método PRL60, para os produtos do documento anexo n° 5. Para os demais produtos, não houve alteração de método. Registrouse que, dos 414 produtos constantes desse segundo cálculo, a fiscalização examinou a memória de cálculo de 121 produtos, correspondentes a 95% do preço praticado total. Desse exame, a fiscalização identificou erros no cálculo do preço parâmetro de todos os produtos que adotaram o método PRL60 ou o método PIC. Para todos os demais produtos, a fiscalização aceitou o ajuste reconhecido pelo sujeito passivo. PRL 60 A fiscalização calculou o preço de transferência com base na metodologia estabelecida nos termos do art. 12, § 11, da IN SRF n° 243/2002. Ao adotar tal metodologia, onde o sujeito passivo encontrou ajuste zero a fiscalização encontrou ajuste de R$ 4.362.307,02. PIC Ao examinar o segundo cálculo da recorrente, a fiscalização constatou que o sujeito passivo, ao calcular o preço parâmetro de determinados produtos, adotou o método PIC, utilizando uma taxa de câmbio denominada "Dólar Médio do Consumo", em vez de utilizar a taxa de câmbio do art. 7°, inc. I, da IN SRF n° 243/2002. Ao utilizar tal taxa, conforme descrito nos subitens abaixo, onde o sujeito passivo encontrou ajuste de R$ 8.934.575,14 a fiscalização encontrou ajuste de R$ 26.056.239,07. Salientouse que a individualização da taxa de câmbio para cada operação está presente na IN SRF n° 243/2002, tanto na importação (art. 7°) quanto na exportação (art. 22), observável particularmente em seu art. 11, § 1°, in fine. PIC BOLSA Nas operações PIC BOLSA, a fiscalização considerou que o sujeito passivo estava amparado pelo art. 29, § 2°, inc. II, da IN SRF n° 243/2002. PRODUTO NOLO Fl. 875DF CARF MF Processo nº 16561.720110/201480 Acórdão n.º 1302003.083 S1C3T2 Fl. 876 5 Para o produto NOLO, ao calcular o preço parâmetro o sujeito passivo reuniu todas as 157 operações de importação de três exportadores diferentes, utilizou cotação diária de bolsa internacional, em dólares americanos, correspondente à data de registro da declaração de importação. Obteve assim o valor cotado em bolsa para cada operação de importação. Em seguida converteu esse valor para reais, utilizando uma taxa de câmbio única, denominada "Dolár Médio do Consumo". E depois, por média ponderada, determinou um preço parâmetro único. A fiscalização não acolheu esse modo de calcular o preço parâmetro, por entender que: a) havendo cotação diária de bolsa, deve ser calculado preço parâmetro distinto para cada exportador, de modo que as cotações das operações de um exportador não interfiram no preço parâmetro de outro exportador; b) em vez de utilizar a mencionada taxa de câmbio única, alheia à IN SRF n° 243/2002, deveria ter sido utilizada a mesma taxa de câmbio que o sujeito passivo adotou no cálculo do preço praticado a taxa de câmbio do art. 7°, inc. I, da IN SRF n° 243/2002, que leva em conta a data de cada operação de importação. PRODUTO KINO Para o produto KINO, o sujeito passivo adotou o mesmo modo de calcular que usou para o produto NOLO, com a diferença de que nesse caso houve apenas um único exportador. Assim, a fiscalização também não acolheu esse modo de calcular o preço parâmetro, porque, em vez de se utilizar a mencionada taxa de câmbio única, alheia à IN SRF nº 243/2002, deveria ter sido utilizada a mesma taxa de câmbio que o sujeito passivo adotou no cálculo do preço praticado – a taxa de câmbio do art. 7º, inc. I, da IN SRF nº 243/2002, que leva em conta a data de cada operação. PIC – DEMAIS Nas demais operações examinadas, a fiscalização considerou que recorrente estava amparada por algum dos incisos do art. 8º, parágrafo único, da IN SRF nº 243/2002. Contudo, em todas essas operações, novamente a recorrente utilizou, para cada produto, uma taxa de câmbio única, denominada “Dólar Médio do Consumo”. Novamente a fiscalização não acolheu esse modo de calcular o preço parâmetro, porque, em vez de se utilizar a mencionada taxa de câmbio única, alheia à IN SRF nº 243/2002, deveria ter sido utilizada a mesma taxa de câmbio que o sujeito passivo adotou no cálculo do preço praticado – a taxa de câmbio do art. 7º, inc. I, da IN SRF nº 243/2002, que leva em conta a data de cada operação. Fl. 876DF CARF MF Processo nº 16561.720110/201480 Acórdão n.º 1302003.083 S1C3T2 Fl. 877 6 Das Justificativas da Recorrente Após examinar o segundo cálculo da recorrente, a fiscalização apresentou suas objeções, concedendolhe oportunidade de utilizar método alternativo mais benéfico. A recorrente apresentou justificativas para métodos e cálculos adotados, que a fiscalização não acolheu, conforme razões a seguir: Quanto ao PRL 60, instado então a adotar a metodologia da IN ou método alternativo, o sujeito passivo informou que: “(...) apenas reforça sua discordância na aplicação do critério de cálculo do método do PRL de acordo com o estabelecido §11º do art. 12, da IN SRF 243/02, entendendo que o seu cálculo de PRL suporte da DIPJ 2010/2009 está adequado com a lei vigente em 2009.” A fiscalização rejeitou esta justificativa por entender que a metodologia do art. 12, §11, da IN SRF nº 243/2002 está amparada pelo art. 18, inc. II, alínea “d”, item 1, da Lei nº 9.430/1996, com redação e inclusão da lei nº 9.959/2000. Quanto à taxa de câmbio, (artigos 7º e 8º da IN SRF nº 243/2002) a recorrente sustentou que, o referido artigo 7º, inc. I, abrange exclusivamente o “preço praticado” pela recorrente na importação e não nas operações utilizadas para definir o “preço parâmetro”. A fiscalização não acolheu tal entendimento, pois o art. 7º não menciona nem preço praticado nem preço parâmetro, mas sim “o valor expresso em moeda estrangeira na importação de bens, serviços e direitos”, de modo que é aplicável na definição de ambos os preços indistintamente. Ressaltou que isso seria possível verificar, por exemplo, quando o preço parâmetro é calculado com base em operações de importação de não vinculadas com base no art. 8º, parágrafo único, inc.II, da IN SRF nº 243/2002. Quanto à variação cambial, a recorrente alegou que, considerando que as operações utilizadas como parâmetro podem ter ocorrido em datas bem “distantes” das operações de importação efetivas da recorrente (“preço praticado”), e que ainda pode haver uma considerável variação na taxa de conversão de Dólares para Reais neste referido período, temse que a aplicação do critério do art. 7º em questão para a definição do “preço parâmetro” traria embutido indevidamente em seu resultado o reflexo de tal variação cambial, gerando um elemento de “pagamento” distinto e independente da vontade da recorrente e de suas pessoas vinculadas no exterior. Em primeiro lugar, a fiscalização observou que a recorrente, em sua justificativa, não tratou das cotações em bolsa e assim não mencionou o fato de que, na data de cada importação dos produtos NOLO e KINO, foi identificada com exatidão a cotação diária adotada no método PIC. Em consequência, a fiscalização não acolheu a alegação de que houve variação cambial que prejudicou a recorrente, sequer que houve variação cambial, já que o preço parâmetro tinha por base as mesmas datas do preço praticado na operação de importação. Em outras palavras, por tratarse de cotação diária de bolsa, não houve nem datas “distantes” nem variação cambial. Fl. 877DF CARF MF Processo nº 16561.720110/201480 Acórdão n.º 1302003.083 S1C3T2 Fl. 878 7 Em segundo lugar, a fiscalização não acolheu a comparação entre preços praticado e parâmetro fosse realizada em moeda estrangeira, conforme propôs a recorrente para os demais produtos que utilizaram o método PIC. Registrou que, isto se dá porque o caput do art. 7º da IN SRF nº 243/2002 determina que o valor em moeda estrangeira será convertido em reais. Por outro lado, é justamente a conversão cambial o mecanismo utilizado pela IN SRF nº 243/2002 quando trata de “ajuste em virtude de variação cambial”, conforme disposto em seu art. 11. Assim, tendo a fiscalização obtido o preço praticado – forçosamente em reais – utilizando a taxa de câmbio do art. 7º, inc. I, obteve o preço parâmetro necessariamente também em reais utilizando a mesma taxa, mantendo portanto o mesmo critério cambial. Observese que o art. 11 também determina que a taxa de câmbio tome por base a data de cada operação, de modo que também no preço parâmetro a fiscalização manteve o mesmo critério cronológico adotado na determinação do preço praticado. Quanto à distinção entre fornecedores, a fiscalização registrou, primeiramente, que a recorrente não tratou das cotações em bolsa e assim não mencionou o fato de que, na data de cada preço praticado do produto NOLO, foi identificada com exatidão a cotação diária adotada no método PIC. A recorrente ressaltou que, a legislação e regulamentação aplicável ao PIC não dispõe (exige) se o cálculo do preço praticado e do preço parâmetro deve ser feito por fornecedor ou de forma "global". No entendimento da fiscalização, contudo, tal argumento é contrariado pelo disposto no art. 8°, parágrafo único, da IN SRF n° 243/2002, abaixo transcrito, pois no método PIC não são comparados os preços de várias empresas vinculadas, mas apenas os preços de uma empresa vinculada. Comparase, então, de cada vez, o preço praticado de uma empresa vinculada com o respectivo preço parâmetro: "Por esse método, os preços dos bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, de uma empresa vinculada, serão comparados com os preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares" (IN SRF n° 243/2002, art. 8°, parágrafo único, caput) Assim, para cada empresa vinculada que forneceu o produto NOLO, a fiscalização registrou que deve ser calculado o respectivo preço praticado. E para cada preço praticado do produto NOLO, deve ser calculado também o respectivo preço parâmetro, o que é perfeitamente possível visto tratarse de cotação em bolsa. Desse modo, a fiscalização rejeitou a adoção de qualquer "preço praticado único/global" proposto pelo sujeito passivo. Do Ajuste Realizado pela Fiscalização Rejeitadas as justificativas do sujeito passivo, e não tendo sido apresentado método alternativo mais benéfico aceitável, a fiscalização apresentou o seguinte resumo dos ajustes que realizou nos produtos examinados no segundo cálculo apresentado pela recorrente: Fl. 878DF CARF MF Processo nº 16561.720110/201480 Acórdão n.º 1302003.083 S1C3T2 Fl. 879 8 Visto que o sujeito passivo na DIPJ 2010 AC 2009 declarou apenas R$ 5.367.089,25, o ajuste não declarado apurado pela fiscalização totalizou R$ 30.094.330,12. Do Recurso Voluntário Diante da parcial procedência de sua impugnação, a recorrente interpôs recurso voluntário tempestivamente (intimação em 27/03/2017; interposição em 25/04/2017) de cujas razões destacamse os seguintes fatos e fundamentos, com base nos quais requereu o integral cancelamento do auto de infração: a) cancelouse somente crédito tributário no valor de R$ 108.624,78 (já somados IRPJ e CSLL), em razão do acolhimento parcial do argumento relativo à falta de respaldo legal para a exigência de consolidação dos preços parâmetro e praticado por fornecedor; b) cálculo do PRL60: que inicialmente a Receita Federal do Brasil ("RFB"), então Secretaria da Receita Federal ("SRF"), respeitou o comando legal e o objetivo do legislador, o que se comprova pelo fato de a Instrução Normativa n° 32, de 30.3.2001 ("IN 32/01") ter apenas reproduzido fielmente o disposto na Lei 9.430/96, pois todos os elementos necessários ao cálculo do PRL60 já estavam devidamente contemplados pela Lei; c) IN SRF nº 243/2002: ressaltou que a partir da análise da forma de cálculo estabelecida no artigo 12, § 11, da IN 243/02, concluise que é flagrante a diferença da fórmula imposta pelo artigo 18, inciso II, da Lei 9.430/96, é que a RFB pretendeu isolar o custo do bem importado do restante dos custos dos bens empregados na produção daquilo que é objeto de venda. Ou seja, na prática, a RFB tentou transformar o PRL60 em um PRL20, porém com margem 3 vezes maior e sem respaldo legal para tanto; d) nenhuma pessoa jurídica brasileira conseguiria importar produtos de parte relacionada e utilizálos na produção de um bem nacional sem que essa importação ficasse sujeita a ajuste, a menos que, a margem praticada na venda do bem no mercado local estivesse absolutamente fora da realidade de negócios, o que é incompatível com o próprio objetivo buscado pela legislação de preços de transferência; e) pela análise da Lei 12.715/12, verificase que o "novo PRL", aplicável a todas as operações em que há revenda, com ou sem agregação de valor local, prevê margens semelhantes à margem do antigo PRL20 na maioria dos casos. Ou seja, o cálculo proporcional torna desnecessária a distinção entre o PRL60 e o PRL20 (margens diferentes); Fl. 879DF CARF MF Processo nº 16561.720110/201480 Acórdão n.º 1302003.083 S1C3T2 Fl. 880 9 f) a conversão da MP 563/12 na Lei 12.715/12 criou sustentação legal para o critério de cálculo que a RFB já vinha aplicando com base na ilegal IN 243/02. Todavia, a promulgação da Lei 12.715/12 em hipótese alguma convalida os vícios da IN 243/02, vigente no período objeto da autuação de que ora se cuida; g) a metodologia de cálculo do PRL60 prevista na IN 243/02 é diferente daquela exigida pela Lei 9.430/96; h) por ser diferente do que é exigido pelo artigo 18, inciso II, da Lei 9.430/96, qualquer cálculo e respectivo ajuste levandose em consideração o artigo 12, § 11, da IN 243/02, deve ser considerado ilegal; i) o próprio Poder Executivo já se manifestou, em mais de uma oportunidade, no sentido de que o cálculo previsto na IN 243/02 carece de suporte legal, tanto é que editou duas Medidas Provisórias (uma das quais convertida em lei) para tentar 'legalizar' o dito critério de cálculo; j) a fórmula de cálculo imposta pela Lei 9.430/96 tem um claro efeito indutor em relação ao desenvolvimento de atividades produtivas locais, o que se dá por meio da redução da margem de lucro exigida no caso de agregação de valor local, ao passo que a metodologia de cálculo da IN 243/02 vai na contramão dessa intenção; e k) a IN 243/02, sob o pretexto de 'regulamentar' a Lei 9.430/96, equiparou a venda de um produto industrializado com insumos importados a diversas revendas de partes e peças. Ou seja, 'transformou' o PRL60 em um PRL20, porém com margem de 60% e, ao fazer isso, criou um cálculo de preço de transferência que inviabiliza a venda de produtos importados sem que haja ajustes, pois a margem necessária para tanto passou a ser de exorbitantes 287%; l) o frete, o seguro e, por óbvio, o II relativos às importações praticadas pela Recorrente não foram pagos a partes relacionadas, mas a terceiros, no caso de frete e seguro, e ao Governo Federal, no caso do II. Tais valores não podem ser considerados na identificação dos preços praticados, pois não se trata de valores pagos a partes relacionadas, mas a terceiros; m) no que diz respeito ao PRL60, a Fiscalização realizou o cálculo do preço parâmetro em conformidade com a metodologia de cálculo prevista na IN 243/02, que é reconhecidamente ilegal, uma vez que prevê metodologia completamente diferente e contraditória em relação àquela determinada pela Lei 9.430/96, em sua redação vigente à época dos fatos geradores; n ) o cálculo do preço praticado em relação aos itens que se sujeitaram ao PRL60 considerou os valores de frete, seguro e II, o que contradiz a legislação em vigor à época dos fatos, em especial o caput do artigo 18 da Lei 9.430/96; o) em relação ao PIC, o acórdão recorrido considerou preços praticados calculados de forma individualizada por fornecedor de cada um dos bens importados, ao invés de apenas por bens, o que contradiz a metodologia de cálculo determinada pela IN 243/02, pela Lei 9.430/96 e pelas próprias orientações da RFB sobre o assunto; e p) ainda em relação ao PIC, a Fiscalização utilizou taxa de conversão do dólar do dia em que foram realizadas as operações independentes identificadas pela Recorrente, trazendo para o cálculo do preço parâmetro o componente da variação cambial, o que é ilegal e contraria a própria lógica das regras de preços de transferência. É o relatório. Fl. 880DF CARF MF Processo nº 16561.720110/201480 Acórdão n.º 1302003.083 S1C3T2 Fl. 881 10 Voto Vencido Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Conheço o recurso voluntário, à vista de sua tempestiva interposição e do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. Do PRL20 Em relação ao PRL20, a fiscalização aceitou os cálculos da recorrente, que apurou, conforme Anexo n°s 2 e 4, o ajuste total de R$ 5.054.421,18. Assim, não há o que reparar no Acórdão recorrido. Do PRL60 Em relação ao PRL60, a fiscalização refez os cálculos da recorrente e apurou, conforme Anexo n° 8, o ajuste total de R$ 4.362.307,02. A recorrente contesta o cálculo do preço parâmetro (efetuado segundo o artigo 12 da IN SRF n° 243/2002) e do preço praticado (utilizando o valor CIF + II). Do cálculo do preçoparâmetro segundo o artigo 12 da IN SRF n° 243/2002 Para o cálculo dos preçosparâmetro pelo método PRL60 a fiscalização aplicou a sistemática prevista no artigo 12 da IN SRF n° 243/2002, vigente à época dos fatos. A recorrente alega que a referida instrução normativa não se limitou apenas a regular as regras estabelecidas no artigo 18 da Lei n° 9.430/96, estabelecendo, em relação ao método PRL60, um novo critério de cálculo, totalmente diverso daquele originalmente previsto na lei e mais prejudicial ao recorrente, violando, portanto, o princípio constitucional da legalidade. A DRJ registrou que às Delegacias de Julgamento não cabe apreciar questões acerca da eventual ilegalidade das instruções normativas editadas pela Secretaria da Receita Federal SRF (atual Secretaria da Receita Federal de Brasil RFB), pois, por força de sua vinculação ao texto da norma legal e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo (através da edição de regras administrativas, como a referida instrução normativa), deve limitarse a aplicar as disposições ali contidas, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua legalidade, constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. Examinando as mesmas alegações sustentadas pela recorrente, em outro processo administrativo, o Acórdão nº 1302002.128, de 17/05/2017, desta 2ª Turma Ordinária, 3ª Câmara, 1ª Seção de Julgamento, Presidente e Relator, Luiz Tadeu Matosinho Machado, citou o Acórdão nº 1302001.564, proferido também por este colegiado, relatado pelo Conselheiro Alberto Pinto Sousa Junior, apresentou interessante análise que bem demonstra o equívoco do raciocínio empreendido pela recorrente, verbis: Fl. 881DF CARF MF Processo nº 16561.720110/201480 Acórdão n.º 1302003.083 S1C3T2 Fl. 882 11 Sustenta a recorrente que a margem de lucro de 60%, nos termos da IN 243/02, deve ser aplicada somente sobre o valor da participação do bem importado sobre o preço líquido de venda, e não sobre o preço líquido de venda total, como determina a Lei 9.430/96 e que, por meio da proporcionalização prevista na IN 243/02, o desconto do valor agregado não se faz na apuração da margem de lucro (como propõe a alínea do inciso II do artigo 18 da Lei 9.430/96), mas sim diretamente do preço liquido de venda, como se o valor agregado fosse equivalente aos descontos, impostos e comissões, previstos nas alíneas 'a', 'b' e 'c' do artigo 18, II, da Lei 9.430/96. Ou seja, sustenta a recorrente que o cálculo do preço parâmetro devia seguir a equação abaixo: Preço parâmetro = PLV – 60% (PLV – VA), onde PLV é o preço líquido de venda e VA é o valor agregado no país. Assim, essa linha interpretativa, que foi adotada pela IN SRF 32/01, sustenta que o percentual de 60% deva incidir sobre o preço líquido de revenda já diminuído do valor agregado, o qual entende ser a diferença entre o custo total e o os insumos importados. Essa, certamente, não é a melhor exegese, pois, concordo com o Ilustre Conselheiro João Thomé, quando sustentou que: “Portanto, em que pese a formulação do texto legal, quanto à sua disposição nas alíneas e itens, do inciso II do artigo 18 da Lei nº 9.430/96, não tenha atendido à melhor técnica legislativa, o fato é que as regras de concordância da língua portuguesa levam à conclusão de que a segunda parte do item 1 (‘e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção’) exerce a função, em verdade, de uma alínea à parte, dissociada do cálculo da margem de lucro, i.e., consta ali como se se tratasse de uma alínea ‘e’, aplicável, contudo, somente no caso de bens importados aplicados à produção, mas não às demais hipóteses” (trecho da declaração de voto no Acórdão nº 110200.419, conforme transcrição em Preços de Transferência no Direito Tributário Brasileiro, 3ª ed., ed. Dialética, p. 254, obra de Luís Eduardo Schoueri). Ademais, por essa interpretação, o inciso II do art. 18 da Lei nº 9.430/96 levaria ao mesmo preço parâmetro para os diversos insumos importados que compussessem o produto vendido, já que não leva em conta, nos cálculos, a participação do custo unitário de cada insumo importado no custo total. Isso também torna a norma inócua toda vez que a participação do insumo importado no custo total não for majoritária, o que não significa, em absoluto, que não se possa transferir lucros para coligadas no exterior por meio de superfaturamento em importação de insumos de menor participação no custo total do produto. A título ilustrativo, vejamos que, se o preço líquido de venda for, no mínimo, 60% superior ao custo total, desde que o custo do insumo importado não ultrapasse 40% do custo total, não haverá ajuste de preços de transferência. Por exemplo, desde que o preço líquido de venda do automóvel seja, no mínimo, 60% superior ao custo total (insumos importados mais valor agregado), os pneus podem ser importados da coligada no exterior por até 40% do custo total do automóvel que nenhum ajuste de preços de transferência seria gerado relativo a este item. Logicamente, que tal exegese não é a melhor, pois ela anula a finalidade da norma, bastando para tal que se manipule apenas esses dois fatores. Importante também lembrar que a norma de preços de transferência não visa conceder benefícios fiscais nem estimular a produção nacional, pois o seu objetivo é apenas impedir a transferência de bases tributárias para outras jurisdições, pelos diversos motivos que levam os recorrentes a fazêlo, inclusive para reduzir carga tributária. Fl. 882DF CARF MF Processo nº 16561.720110/201480 Acórdão n.º 1302003.083 S1C3T2 Fl. 883 12 O vetusto, mas nunca esquecido, ensinamento de Carlos Maximiliano professava que: “A palavra é um mau veículo do pensamento; por isso, embora de aparência translúcida a forma, não revela todo o conteúdo da lei, resta sempre margem para conceitos e dúvidas; a própria letra nem sempre indica se deve ser entendida à risca, ou aplicada extensivamente; enfim, até mesmo a clareza exterior ilude; sob um só invólucro verbal se conchegam e escondem várias idéias, valores mais amplos e profundos do que os resultantes da simples apreciação literal do texto” (in Hermenêutica e Aplicação do Direito, ed. Forense, 17ª ed., p. 36). Com esse pensamento, afasto também uma segunda linha interpretativa que se contrapõe à do Fisco, a qual se prende ao conteúdo literal (gramatical) do inciso II do art. 18 da Lei 9.430/96, para sustentar que o valor agregado deve ser diminuído do resultado da aplicação do percentual de 60% sobre o preço líquido de venda (PP = PLV – 60% PLV – VA). Ocorre que as duas linhas interpretativas tomam como plenamente definido na norma legal o método de cálculo pelo qual seria excluído o “valor agregado no País” do preço parâmetro, o que não é verdade. Assim, a questão posta reside em saber se da expressão “diminuídos... do valor agregado no país” poderia o exegeta concluir que deveria ser levado em conta, para aplicação do percentual de 60%, a parcela do preço líquido de vendas proporcional à participação do insumo importado sobre o custo total. Entendo que sim, pois a proporcionalização determinada pelos incisos do § 11 do art. 12 da IN SRF 243/02 é uma interpretação que atende o critério da: a) razoabilidade, pois é mais conforme com o espírito de uma norma (art. 18, II, da Lei 9.430/96) que visa o controle de preços de transferência na importação, garantindo um tratamento isonômico de recorrentes que se encontrem na mesma situação; b) adequação, pois não cabia ao legislador pormenorizar, em texto de lei, o método de cálculo do preço parâmetro, bastando que desse contornos legais, os quais são observados pela IN 243/02; e c) necessidade, pois retificou a equivocada interpretação dada pela IN SRF 32/01, aperfeiçoando o método de cálculo do PRL60, de forma a permitir o controle de preços de transferência quando mais de um insumo importado estiver compondo o produto final vendido. Colheuse, também, de outro julgado desta Câmara (Acórdão nº 1301 001.056), interessante análise sobre o tema feita pelo i. Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães no voto vencedor, no qual aborda inclusive a questão da incorporação das disposições da IN. nº 243/2002 ao texto legal, e que se amoldam in totum ao caso concreto, verbis: Com efeito, as regras de preços de transferência, introduzidas no ordenamento jurídico pátrio por meio da já citada Lei nº 9.430, de 1996, objetivam impedir que, por meio de artifícios, rendas que deveriam permanecer no país sejam transferidas para o exterior. Tratandose de operações de importação de bens, serviços e direitos, tais transferências poderiam se dar por meio de superfaturamento, em que os custos seriam artificialmente majorados. A diferença entre o custo majorado e o que seria incorrido em uma operação sem artificialismos revela o montante da renda que, indevidamente, está sendo remetido ao exterior. O que, no parágrafo anterior, denominouse CUSTO INCORRIDO SEM ARTIFICIALISMOS, nada mais é que o PREÇO PARÂMETRO almejado pela lei a partir do estabelecimento de métodos matemáticos. Fl. 883DF CARF MF Processo nº 16561.720110/201480 Acórdão n.º 1302003.083 S1C3T2 Fl. 884 13 O que a legislação de preços de transferência objetiva, portanto, é identificar, por meio de métodos matemáticos, o custo (no caso da importação) efetivo de determinado bem, serviço ou direito, caso a operação não seja realizada com pessoa vinculada ou com pessoa situada em país ou dependência com tributação favorecida ou cuja legislação interna oponha sigilo à divulgação de informações referentes à sua constituição societária ou titularidade. Observase que, no método em debate (PRL 60), o legislador partiu do preço de revenda para chegar ao custo. Assim, parece razoável que se possa buscar a expressão matemática do preço parâmetro por meio do caminho inverso, isto é, através dos elementos formadores do preço. Em elevada sintetização, a formação de preços consiste em um processo de acumulação de custos, acrescida de uma margem de lucro. Admitida uma liberdade terminológica, isto é, abandonado o rigor dos conceitos próprios da teoria econômica, podese afirmar que o preço praticado por determinado unidade produtiva resulta da soma dos custos totais incorridos no processo produtivo, incluídos aí a remuneração dos fatores de produção (valor agregado), acrescidos de uma margem de lucro. A grosso modo, o preço de venda (PV) de um determinado produto poderia ser assim determinado: PV = custo de importação dos insumos + custo incorrido no processo produtivo (remuneração de fatores = valor agregado) + impostos, descontos incondicionais, comissões, etc. (despesas fixas e variáveis) + margem de lucro. No caso da aplicação do método do Preço de Revenda menos Lucro a insumo importado utilizado no processo produtivo, o preço parâmetro representa o custo de importação livre dos elementos previstos na lei como integrantes do preço de revenda. Daí que se considera esse preço de revenda diminuído dos descontos incondicionais; dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; das comissões e corretagens pagas; da margem de lucro fixada pela lei (60% sobre o preço de revenda após deduzidos os descontos incondicionais, os impostos e contribuições incidentes sobre as vendas e as comissões e corretagens pagas); e do valor agregado do país. Exprimindo matematicamente esta primeira análise, teríamos: PP = PR – C/D – ML (PR – C/D) – VA Onde: PP = Preço Parâmetro; C/D = Custos e Despesas previstos na lei; ML = Margem de Lucro VA = Valor Agregado Considerando “PR – C/D” como Preço Líquido de Revenda (PLV), teríamos: PP = PLV – ML (PLV) – VA Vêse, pois, que, na metodologia do PRL, a determinação do preço parâmetro parte do preço de revenda para, excluindo os elementos formadores deste mesmo preço (custos e despesas incorridos; margem de lucro; e valor agregado) chegar ao Fl. 884DF CARF MF Processo nº 16561.720110/201480 Acórdão n.º 1302003.083 S1C3T2 Fl. 885 14 valor de comparação estipulado pela lei. Noutra vertente, utilizandose a mesma nomenclatura acima, o preço parâmetro também poderia ser expresso da seguinte forma: PP = PLV – ML (PLV – VA) ou PP = PLV – ML (PLV) + ML (VA) Notese que, neste caso, o preço de comparação (preço parâmetro), que deveria representar o preço de revenda diminuído dos seus elementos formadores, passa a ser o preço de revenda diminuído dos custos e despesas incorridos e da margem de lucro incidente sobre ele, porém, acrescido da margem de lucro incidente sobre o valor agregado, o que, à evidência, revela artificialismo na sua determinação e desvio em relação ao pretendido pela lei. [..] Não resta dúvida de que a Instrução Normativa 243/2002 revela interpretação distinta da que foi feita pela a que lhe antecedeu (Instrução Normativa SRF nº 32, de 2001), mas isso não autoriza a conclusão de que a interpretação anterior estava em conformidade com a lei e a atual representou inovação. Ao contrário, como anteriormente demonstrado, a interpretação trazida pela Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, é a que melhor traduz os comandos estampados no art. 18 da Lei nº 9.430/96, vez que revela com maior precisão o objetivo almejado pelo referido diploma legal. No que diz respeito à proporcionalização, a questão é de ordem puramente matemática (e não jurídica), que empresta maior exatidão na determinação do preço parâmetro. Tratandose de comparação de custos (CUSTO LEGAL/PREÇO PARÂMETRO X CUSTO APROPRIADO), resta evidente que eu não posso confrontar o custo do insumo (PARTE DO PRODUTO) com o custo total do produto. Ademais, a proporcionalização em comento produz a exclusão in totum do valor agregado, permitindo, assim, a explicitação mais adequada do preço parâmetro. A alegada “majoração (indevida) da base de cálculo do IRPJ e da CSLL”, logicamente, é mera decorrência de exercício interpretativo das disposições do art. 18 da Lei nº 9.430/96, que, afastando os preceitos da Instrução Normativa nº 243/2002, revelou alternativa matemática mais favorável para a determinação do ajuste exigido pela legislação de regência. O fato de a exposição de motivos da Medida Provisória nº 478, de 2009, assinalar que grande parte da legislação relativa a preços de transferência encontra se baseada em normas complementares não autoriza concluir que referida Medida pretendeu corrigir ilegalidades da Instrução Normativa SRF nº 243/2002. O objetivo, a bem da verdade, foi, nos exatos termos ali expressos, “reduzir a litigiosidade que a matéria tem suscitado”. Resta evidente que a inclusão da fórmula de determinação do preço parâmetro sob discussão em dispositivo com força de lei, a exemplo do que fez a Medida Provisória nº 563, de 03 de abril de 2012, atual Lei nº 12.715, de 2012, contribui para a redução dos litígios, mas, como dito, isto não significa dizer que a interpretação trazida pela norma complementar editada pela Receita Federal inovou em relação ao comando legal da qual ela emergiu. Em Fl. 885DF CARF MF Processo nº 16561.720110/201480 Acórdão n.º 1302003.083 S1C3T2 Fl. 886 15 sentido contrário, temse que a contemplação em referência reafirma a procedência da interpretação infralegal, vez que representa absoluta convergência com o objetivo almejado pelas regras de preços de transferência. Cabe destacar que, não obstante a reprodução da metodologia trazida pela Instrução Normativa 243/2002, tanto a Medida Provisória nº 478, como a de nº 563, não trataram exclusivamente desta matéria (metodologia do cálculo do preço parâmetro), eis que promoveram, fundamentalmente, alteração na margem de lucro. Releva notar que os efeitos econômicos decorrentes da aplicação do método PRL 60, residem, essencialmente, na fixação, pela lei, da margem de lucro de 60%, matéria em relação a qual, ao menos em seara administrativa, a autoridade julgadora não pode se desviar do estabelecido em lei. A Medida Provisória nº 563/2012 (Lei nº 12.715, de 2012), ao reproduzir a metodologia estampada na Instrução Normativa 243/2002, joga por terra o argumento de que referida norma complementar viola o princípio “arm’s lenght” e reafirma o reverberado por densa doutrina no sentido de que, visto pela ótica econômica, o fator negativo do método PRL 60 repousa na margem de lucro de 60%, considerada excessiva se comparada a aplicável aos casos de importação para revenda (20%). Aqui, não se está negando eventuais efeitos negativos, do ponto de vista econômico, da fórmula estampada na IN 243, mas, apenas, destacando que ela retrata de forma fiel o estabelecido pela lei de regência. Concluiu, assim, o Colegiado, no sentido de que a expressão matemática extraída das disposições da IN 243 é a que otimiza o pretendido pelas normas de preços de transferência, eis que: i) matematicamente, preserva uma margem de lucro mínima, no patamar fixado pela lei (60%); ii) possibilita o ajuste tomando por base o insumo importado, e não o valor total do produto dele decorrente; iii) exclui integralmente o valor agregado, permitindo a explicitação do preço parâmetro livre de qualquer artificialismo; e iv) em que pese eventuais distorções econômicas no âmbito em que é aplicada (empresas submetidas ao controle), alcança o objetivo pretendido pelas normas de preços de transferência. (grifos nossos) A jurisprudência esmagadora deste CARF, inclusive da Câmara Superior de recursos fiscais é no mesmo sentido: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PRL60. VALOR AGREGADO. LEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA. Considerando que o método PRL não foi desenvolvido para lidar com situações nas quais a parte controlada realiza funções, emprega ativos e assume riscos muito mais elevados do que numa empresa tipicamente revendedora, o conceito de valor agregado introduzido pela Lei nº 9.959/00 deve ser entendido como algo que permite a reconfiguração da noção de “revenda” no sentido da proporcionalização evidenciada pela IN/SRF nº 243/02. (Acórdão nº 1102001.100, 06/05/2014). PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE COM BASE NA IN/SRF 243/2002. LEGALIDADE. Fl. 886DF CARF MF Processo nº 16561.720110/201480 Acórdão n.º 1302003.083 S1C3T2 Fl. 887 16 É legítima a utilização da metodologia prevista na IN SRF n. 243/2002 para proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. A margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que permite maior exatidão na apuração do preço parâmetro, conforme os objetivos legais. (Acórdão nº 1201 001.446, 09/06/2016). PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. IN SRF Nº 243/02. LEGALIDADE. A IN SRF nº 243/02 não viola o princípio da legalidade tributária, estando em consonância com o que preconiza o art. 18 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 9.959/00. (Acórdão nº 1302001.420, 04/06/2014) PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇO PARÂMETRO. IN SRF Nº 243/2002. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA. O princípio da legalidade tributária, albergado no art. 150, I, da Constituição da República, estabelece que nenhum tributo poderá ser instituído ou aumentado senão por intermédio de lei. O preço parâmetro PRL60 calculado segundo o disposto na Instrução Normativa SRF nº 243/2002 resulta em ajustes ao lucro liquido sempre em montantes iguais ou inferiores àqueles calculados segundo a correta interpretação da Lei nº 9.430/96, daí porque não há que se falar em violação ao princípio da legalidade tributária. (Acórdão nº 9101002.514, de 13/12/2016) PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇO PARÂMETRO. IN 243/2002. LEGALIDADE TRIBUTÁRIA. Legalidade tributária, de acordo com o disposto no art. 150, I, da Constituição da República, significa que nenhum tributo poderá ser instituído ou aumentado senão por intermédio de lei. Portanto, não afronta a idéia de legalidade tributária a instrução normativa expedida pela SRF que porventura exija tributo em montante inferior àquele previsto em lei. Restou provado que o preçoparâmetro PRL60 calculado segundo o disposto na Instrução Normativa SRF nº 243/2002 sempre resultará em exigência de IRPJ e CSLL em valores iguais ou inferiores àqueles que seriam devidos segundo o art. 18, II, da Lei nº 9.430/96, daí porque não há que se falar, aqui, em violação ao princípio da legalidade tributária. (Acórdão nº 9101002.524, 14/12/2016) À vista dos fundamentos e da profundidade das análises apresentadas nos votos transcritos, não há como acolher o entendimento da recorrente. Assim, adoto esses doutos ensinamentos como fundamento deste voto para rejeitar as alegações da recorrente quanto à ilegalidade da IN SRF nº 243/2002. Fl. 887DF CARF MF Processo nº 16561.720110/201480 Acórdão n.º 1302003.083 S1C3T2 Fl. 888 17 Do cálculo do preço praticado no método PRL. Custos de Seguro, Frete e Impostos Incidentes sobre as Importações A recorrente contesta a inclusão, no cálculo dos preços praticados segundo o método PRL, dos custos de seguro, frete e impostos incidentes sobre as importações. Sobre o tema, há que se considerar o disposto no artigo 18, § 6°, da Lei n° 9.430/96 (com a alteração da Lei n° 9.959/2000) e no artigo 4°, § 4°, da IN SRF n° 243/2002, in verbis: "Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei n° 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei n° 9.959, de 2000); 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei n° 9.959, de 2000) (... ) § 6° Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. (...)". (IN SRF n° 243/2002) "Art. 4° Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, nas importações de empresa vinculada, não residente, de bens, serviços ou direitos, a pessoa jurídica importadora poderá optar por qualquer dos métodos de que tratam os arts. 8° a 13, exceto na hipótese do § 1°, Fl. 888DF CARF MF Processo nº 16561.720110/201480 Acórdão n.º 1302003.083 S1C3T2 Fl. 889 18 independentemente de prévia comunicação à Secretaria da Receita Federal. (... ) § 4° Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, calculado com base no método de que trata o art. 12, serão integrados ao preço praticado na importação os valores de transporte e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa importadora, e os de tributos não recuperáveis, devidos na importação. (...)". Sobre esse questionamento, o Acórdão recorrido registrou a seguinte análise e fundamentos: O supra transcrito artigo 18, § 6°, da Lei n° 9.430/96, é claro ao determinar que o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação integram o custo. Não há como não observar esse procedimento na apuração do preço de transferência pelo método PRL, método objeto da análise. Esse método parte do preço de revenda praticado pelo recorrente (média aritmética), e daí são excluídos alguns valores (descontos incondicionais concedidos, impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, comissões e corretagens pagas, e margem de lucro, nos termos do artigo 18, inciso II, da Lei n° 9.430/96, supra transcrito, e do artigo 12 da IN SRF n° 243/2002), para se chegar ao preçoparâmetro, que será comparado ao preço considerado pela recorrente como custo. A recorrente considerou, na formação do preço de revenda, todos os seus custos, inclusive os de frete e seguro, por ela assumidos, e os tributos incidentes na importação, o preçoparâmetro, formado a partir do preço de revenda, também tem nele embutido os citados custos, ou seja, tratase de preço CIF, e não FOB, como quer fazer crer a recorrente. Assim, para que não ocorram distorções na comparação do preçoparâmetro com o preço praticado pela recorrente, também o preço praticado deverá ter, em sua composição, tais custos. Comparar nada mais é do que subtrair um do outro, de modo que o efeito de tais custos na apuração de eventual ajuste a ser feito no lucro real e na base de cálculo da CSLL será nulo. É justamente dessa forma que se elimina a influência das parcelas do custo de aquisição que não têm qualquer relação de vinculação entre as empresas importadora e exportadora, e se analisa apenas o valor da mercadoria importada. Não procede a suposição da recorrente de o legislador computou dentro da margem de lucro de 60% o próprio lucro e também outras despesas relacionadas com a revenda de mercadorias, o que inclui o frete, o seguro e o II, de modo que o preçoparâmetro corresponderia apenas ao montante pago à parte relacionada (valor FOB). Na formação do preço de revenda presumese que o recorrente considerou todos os seus custos, os quais não se confundem com despesas. O lucro presumido pela legislação é bruto, ou seja, para se chegar ao lucro líquido, dele devem ser deduzidas as despesas. O preçoparâmetro resultante corresponde ao preço pago à parte vinculada, acrescido dos custos inerentes (frete, o seguro e o II), que não estão incluídos na margem de lucro. Fl. 889DF CARF MF Processo nº 16561.720110/201480 Acórdão n.º 1302003.083 S1C3T2 Fl. 890 19 A IN SRF n° 243/2002, vigente à época dos fatos, ao dispor, em seu artigo 4°, § 4°, que "serão integrados ao preço praticado na importação os valores de transporte e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa importadora, e os de tributos não recuperáveis, devidos na importação", nada mais faz do que regulamentar os aspectos relativos aos preços de transferência expostos na Lei n° 9.430/96, não dispondo de modo diverso. E mesmo se assim não fosse, há que se observar que, conforme já mencionado, à esfera administrativa não cabe apreciar questões acerca da legalidade/constitucionalidade das normas jurídicas, competência esta exclusiva do Poder Judiciário. Por fim, quanto aos acórdãos administrativos do CARF e da CSRF citados pela recorrente, há que se destacar que essa jurisprudência não vincula as Delegacias de Julgamento. A propósito, quanto às alegações de ilegalidade, relativas ao Método PRL60 da IN SRF n° 243/2002, cumpre salientar as disposições da nova Súmula CARF nº 8, abaixo transcrita, aprovada em sessão extraordinária, no dia 3/9/2018 reunião do Pleno e das Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF: 8 A sistemática de cálculo do 'Método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de lucro de sessenta por cento (PRL 60)' prevista na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, não afronta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000. Dessa forma, não há como acolher tais alegações, considerandose correta a aplicação Método PRL60 a IN SRF n° 243/2002, já vigente à época dos fatos. Por todo o exposto, não encontro razão para acolher os argumentos sustentados pela recorrente para a não inclusão, no cálculo dos preços praticados segundo o método PRL, dos custos de seguro, frete e impostos incidentes sobre as importações. Mantém se, assim, os ajustes pelo método PRL60 apurados pela fiscalização, no total de R$ 4.362.307,02. Do PIC Em relação ao PIC, a fiscalização refez os cálculos da recorrente e apurou, conforme Anexos n°s 10 (PIC Bolsa) e 12 (PIC Demais), o ajuste total de R$ 26.056.239,07, a seguir sintetizado (valores em reais): A recorrente defende que não deve ser acolhida a taxa de câmbio utilizada pela fiscalização no cálculo dos preçosparâmetro, e os cálculos dos preços praticados e dos preçosparâmetro nos casos em que o produto foi importado de mais de um fornecedor vinculado. Sustenta que o correto seria a taxa de câmbio denominada "Dólar Médio do Consumo". Da taxa de câmbio utilizada pela fiscalização no cálculo dos preços parâmetro Fl. 890DF CARF MF Processo nº 16561.720110/201480 Acórdão n.º 1302003.083 S1C3T2 Fl. 891 20 O acórdão recorrente afastou essa alegação, com base nos seguintes fundamentos: Dispõe o artigo 7° da IN SRF n° 243/2002 que: "Art. 7° O valor expresso em moeda estrangeira, na importação de bens, serviços e direitos será convertido em reais pela taxa de câmbio de venda, fixada pelo boletim de abertura do Banco Central do Brasil, para a data: I do desembaraço aduaneiro, no caso de bens; II do reconhecimento do custo ou despesa correspondente à prestação do serviço ou à aquisição do direito, em observância ao regime de competência". Como bem observa a fiscalização o referido artigo 7° não menciona nem preço praticado nem preçoparâmetro, mas sim "o valor expresso em moeda estrangeira na importação de bens, serviços e direitos", de modo que é aplicável na definição de ambos os preços indistintamente. Assim, a recorrente deveria ter utilizado, no cálculo dos preçosparâmetro, a mesma taxa de câmbio que adotou no cálculo dos preços praticados, o seja, a taxa de câmbio do artigo 7°, inciso I, da IN SRF n° 243/200 2, que leva em conta a data de cada operação. Não há, portanto, fundamento legal que sustente a utilização, pela recorrente, da taxa de câmbio denominada "Dólar Médio do Consumo", contrariando o disposto no artigo 7°, inciso I, da IN SRF n°243/2002. Com base em tais análise e fundamentos, cabe manter a conclusão da DRJ, também nesse ponto. Dos cálculos dos preços praticados e dos preços parâmetro nos casos em que o produto foi importado de mais de um fornecedor vinculado Nos casos em que o produto foi importado de mais de um fornecedor vinculado: a) a recorrente entende que devese considerar, para cada produto, um único preço praticado e um único preçoparâmetro; b) a fiscalização entende que devese considerar, para cada produto, preços praticados e preçosparâmetro distintos para cada fornecedor. A DRJ descordou de ambos, conforme a seguir: A legislação de preço de transferência visa verificar, para cada fornecedor vinculado, individualmente considerado, se os preços praticados nessas transações estão compatíveis com os preços de mercado (transações entre partes independentes). Ou seja, devese calcular, para cada fornecedor, o preço praticado com a recorrente (como entende a fiscalização, citando o artigo 8°, § único, da IN SRF n° Fl. 891DF CARF MF Processo nº 16561.720110/201480 Acórdão n.º 1302003.083 S1C3T2 Fl. 892 21 243/2002) e comparálo com o preço de mercado, representado por um preço parâmetro único, independente do fornecedor (como entende a recorrente). E pagamento maior que o de mercado relativo a determinado fornecedor não pode ser compensado com pagamento menor, relativo a outro fornecedor. Analisandose as peças juntadas aos autos (em especial os Anexos n° 10 e 12), verificase a existência de apenas 2 produtos que foram importados de mais de um fornecedor: NOLO (PIC Bolsa, Anexo 10) e ROCKIC (PIC Demais). Em relação ao ROCKIC, observase a existência de 2 fornecedores distintos (códigos 01213073 e 04015585) e que a fiscalização utilizou, corretamente, um mesmo preçoparâmetro (R$ 4,27). Quanto aos cálculos da recorrente (fl. 708), estes estão equivocados, pois foi apurado um preço praticado médio (considerando os 2 fornecedores), ao invés de preços praticados distintos (como fez, corretamente a fiscalização). No caso, o preço praticado maior foi compensado pelo preço praticado menor, o que não é permitido. Dessa forma, nenhuma alteração precisa ser feita em relação ao ROCKIC. Em relação ao NOLO, apesar de a fiscalização e a recorrente citarem a importação de 3 fornecedores distintos, observase a existência de apenas 2 (códigos 01000092 e 04026686) e que a fiscalização utilizou, incorretamente, preços parâmetro diferentes R$ 3,61 e R$ 4,00, respectivamente , assim apurados: A A fiscalização apurou, então, um ajuste de R$ 13.532.038,22 (relativo a apenas o fornecedor de código 01000092), assim demonstrado (preços em R$): Devese, no entanto, refazer o cálculo do preçoparâmetro, considerando todas as transações em conjunto, conforme a seguir demonstrado: E refazer o cálculo dos ajuste, conforme a seguir demonstrado: Fl. 892DF CARF MF Processo nº 16561.720110/201480 Acórdão n.º 1302003.083 S1C3T2 Fl. 893 22 Assim, há que se reduzir o ajuste relativo ao produto NOLO (PIC Bolsa), de R$ 13.532.038,22, para R$ 13.201.005,69. Considerando também o ajuste do produto KINO (R$ 203.063,67), o ajuste relativo ao PIC Bolsa passa a ser de R$ 13.404.069,36. À vista do desenvolvimento e da demonstração realizada pela DRJ, que resultou e reajuste de valores e exoneração de crédito tributário, cabe confirmar a conclusão da DRJ. Assim, considerandose as conclusões retro, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Voto Vencedor Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Redator designado Com a devida vênia ao D. Relator, mas, particularmente quanto a dois pontos de seu voto, descordo de suas conclusões, no que fui acompanhado pela maioria de meus pares. De fato, de todas as críticas realizadas pela D. Auditoria Fiscal, e abarcadas, pelo acórdão recorrido, os dois pontos que mereciam uma melhor reflexão dizem respeito à: a) taxa de conversão de câmbio utilizada, em contraponto ao procedimento adotado pelo contribuinte para calcular o preço de transferência de mercadorias pelo método PIC (Preços Independes Comparados), e; b) a utilização de preços praticados e preços parâmetros distintos para definir os limites ao preço de transferência relativo ao produto NOLO, adquirido pelo recorrente de mais de um fornecedor, em contraponto ao procedimento intentado pelo contribuinte (o uso de um único e mesmo preço praticado calculado pela média dos preços praticados por fornecedores vinculados). Por um dever de lealdade, e para que este relator não incorra em estelionato intelectual, destaco que as idéias a seguir desenvolvidas foram, todas, elaboradas e expostas pelo Conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa durante a sessão de julgamento realizada no último mês de setembro. Dado o brilhantismo e correção técnica de suas considerações, as adoto e reproduzo para justificar este voto divergente. I Do cálculo do preço de transferência pelo método PIC taxa de câmbio. Para estabelecer o valor atribuído aos preços comparados, sustentou a fiscalização que o procedimento adotado pelo contribuinte estaria equivocado, mormente ao considerar a média da variação cambial verificada ao longo do exercício em que os preditos preçosparâetros foram calculados; de acordo com a D. Auditoria, no que foi acompanhada pela DRJ e, também, pelo D. Relator, o valor do limite de preço de transferência calculado de Fl. 893DF CARF MF Processo nº 16561.720110/201480 Acórdão n.º 1302003.083 S1C3T2 Fl. 894 23 acordo com o método PIC, fixado em moeda estrangeira, seria definido pela cotação da predita moeda na data em que ocorrida a importação de mercadorias pelo recorrente, na forma do art. 7º da IN 243/02. Isto é, pelo que apontou a D. Autoridade Fiscal, a cotação a ser utilizada seria a mesma verificada em relação aos preços praticados, nas datas estabelecidas pelo aludido art. 7º, alegando, mais, que, a míngua de outra previsão normativa, o critério utilizado pelo contribuinte não encontraria respaldo na legislação de regência. Em linhas gerais, a fiscalização limita o valor do preço praticado à operações de importação. De imediato, e a despeito de qualquer consideração adicional, o raciocínio adotado pela Autoridade lançadora revela uma inegável subversão do princípio da legalidade, mormente a se considerar que, nem a IN 243, e nem a Lei 9.430, estabelecem quaisquer critérios para a conversão do preço parâmetro para a moeda nacional. O art. 7º, digase, da IN 243, como o próprio acórdão recorrido reconhece, estabelece regra para a conversão do preço praticado e não do preço parâmetro. E aqui invoco as considerações do Conselheiro Marcos Nepomuceno que asserverara, de fato, que "esse dispositivo se refere apenas a operações de importação, ao passo que podem ser utilizadas para cálculo do preçoparâmetro, por exemplo, operações de exportação, operações realizadas dentro do território brasileiro ou mesmo operações realizadas inteiramente no exterior". Não pode, neste passo, a Fiscalização "impugnar" os cálculos realizados pelo recorrente sob alegação de inexistir previsão legal ou normativa a franqueálos... a legalidade, vejam bem, impede o cidadão de praticar condutas vedadas pela legislação e não contrário. Se a lei (expressão aqui adotada apenas em seu sentido formal) não proíbe e nem estabelece um critério específico para a fixação do valor em moeda corrente do preçoparâmetro, por óbvio, não pode o fisco contra este procedimento se insurgir. Há, aqui, uma liberdade imanente ao primado da legalidade. Não bastasse isso, vejam bem, impende reproduzir o questionamento proposto pelo Conselheiro Marcos, também proposto durante a sessão de julgamento realizada no último dia 18 de setembro: "a metodologia utilizada pela Fiscalização para conversão dos preçosparâmetro encontra respaldo na legislação e regulamentação vigentes à época dos fatos geradores?" E a resposta a tal questionamento, digase, é um sonoro "não"! Com efeito, a Fiscalização realizou a conversão com base na taxa de câmbio vigente na data apontada em cada documento que comprovava as operações entre partes independentes. No entanto, conforme exposto acima, não há nada na Lei 9.430/96 ou na IN SRF 243/02 que suporte esse procedimento. Ressaltese que o método usado pela Fiscalização, mencionado no parágrafo acima, deveria ser aplicado para conversão dos “preços praticados”, segundo previsão expressa da IN 243/02, porém, sua aplicação, por emprego de analogia por parte da Fiscalização, para a conversão dos preços parâmetros, além de não prevista, pode causar grave distorção na comparação dos preços praticados pela recorrente com aqueles considerados como de mercado (preço parâmetro) para fins de aplicação da legislação de preços de transferência, como será demonstrado adiante. Fl. 894DF CARF MF Processo nº 16561.720110/201480 Acórdão n.º 1302003.083 S1C3T2 Fl. 895 24 Realmente, ante a lacuna presente na legislação e regulamentação a esse respeito, a recorrente procurou empregar metodologia que, ao mesmo tempo, fosse razoável do ponto de vista econômico e se mostrasse compatível com a lógica da legislação de preços de transferência, minimizando os efeitos da variação cambial (os quais, por óbvio, não se submetem ao controle de preços de transferência por serem alheios à vontade do contribuinte). Para esse fim, o contribuinte determinou uma média ponderada do dólar das operações de importação (denominandoa “dólar médio de consumo”), dividindo o valor total em reais de todas as importações consumidas de um determinado bem pelo valor total em dólar correspondente a essas importações. Vale observar que essa metodologia de conversão, além de economicamente racional e adequada à legislação, é consistente com a própria forma de cálculo do PIC(método usado no caso em apreço), já que este método pressupõe a realização de uma média aritmética dos preços dos bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, praticados em operações entre partes independentes. O procedimento defendido pela Fiscalização, pela DRJ e pelo próprio relator, outrossim, poderia culminar com a fixação de um preço, inclusive, mais benéfico ao recorrente, justamente por não considerar as variações cambiais ocorridas ao longo do anocalendário... isto é, semelhante critério não considera os impactos dessa variação, em prol ou contra o próprio recorrente, e ato contínuo não reflete, de forma acurada, o preço de mercado (objetivo fim das regras atinentes ao preço de transferência). Não por outra razão, a IN 1.312/12, que revogou a IN 243, dispôs regra explicita sobre a questão ora examinada e, lá, em seu art. 11, § 4º, estabeleceu critério idêntico ao utilizado pelo contribuinte. Vejase: § 4º Para o ajuste do preço parâmetro pela variação cambial do período de que trata o § 2º, aplicase a seguinte fórmula: PIA = PI x VC VC = TOP/TOI TOP = OPR/OPD TOI = OIR/OID em que: PIA = Preço Independente Ajustado no ano calendário imediatamente anterior; PI = Preço Independente no ano calendário imediatamente anterior; VC = Variação Cambial do período; TOP = Taxa média das Operações Praticadas no ano calendário; TOI = Taxa média das Operações Independentes no ano calendário anterior; Fl. 895DF CARF MF Processo nº 16561.720110/201480 Acórdão n.º 1302003.083 S1C3T2 Fl. 896 25 OPR = Operações Praticadas em Reais no anocalendário; OPD = Operações Praticadas em Dólares no anocalendário; OIR = Operações Independentes em Reais no anocalendário imediatamente anterior; OID = Operações Independentes em Dólares no anocalendário imediatamente anterior. Enfim, o critério adotado pelo contribuinte não só não encontrava vedação na legislação então vigente, como atendia aos próprios anseios das normas infralegais e legais de regência, atingindo o objetivo preconizado pelas regras atinentes aos preços de transferência. [ Neste ponto, portanto, há que se dar provimento ao apelo manejado para afastar o ajuste pretendido pela D. Auditoria e confirmado pela DRJ, reformandose o acórdão recorrido quanto a esta matéria. II Dos cálculos dos preços praticados e dos preços parâmetro nos casos em que o produto foi importado de mais de um fornecedor vinculado produto NOLO De antemão, é de se frisar, como muito bem ponderado pelo Conselheiro Marcos Nepomucendo, que não há, seja na Lei 9.430/96, seja na IN SRF 243/02 ou em qualquer orientação expedida pela RFB, qualquer determinação à impor critério que imponha que os preços de transferência devam ser calculados individualmente por fornecedor. Não obstante, foi isso que a Fiscalização e a própria DRJ. Com efeito, a Fiscalização calculou um preço praticado e um preçoparâmetro para cada fornecedor da Recorrente, com relação a um mesmo produto (NOLO). Isto é, assim como no caso tratado no tópico anterior, o Fisco subverte o princípio da legalidade e a partir de mero "achismo" refuta o cálculo intentado pelo contribuinte para adotar critério não descrito, nem mesmo tangenciado, pela legislação de regência... Diferentemente do que sustenta o acórdão recorrido, as regras de preço de transferência não objetivam "verificar, para cada fornecedor vinculado, individualmente considerado, se os preços praticados nessas transações estão compatíveis com os preços de mercado (transações entre partes independentes)", mas, isto sim, a compatibilidade dos preços de mercado "DOS PRODUTOS". A adoção de dois critérios de cálculo para cada fornecedor (como pretendido pela Autoridade Fiscal), não só não encontra amparo as normas pertinentes, por falta de previsão explícita, como também não reflete, objetivamente, o preço de mercado destes bens (se há preços diferentes, considerar preços individuais por fornecedor não refletiria, sob qualquer enfoque, o efetivo preço de mercador daquele produto). Os ajustes pretendidos neste tópico também não podemprevalecer, sendo de se dar provimento ao recurso voluntário também quanto a este ponto. III Conclusão. A luz do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para: Fl. 896DF CARF MF Processo nº 16561.720110/201480 Acórdão n.º 1302003.083 S1C3T2 Fl. 897 26 a) afastar a exigência decorrente da aplicação da taxa de câmbio utilizada pela fiscalização no cálculo do preço parâmetro pelo método PIC e; b) ao cálculos dos preços praticados e dos preços parâmetro nos casos em que o produto foi importado de mais de um fornecedor vinculado (produto Nolo), devendo prevalecer os critérios adotados pelo contribuinte nestes pontos, qual seja, o preço praticado calculado a partir da média dos produtos adquiridos de dois fornecedores vinculados. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 897DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.725949/2017-33
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.839
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2015 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 59 49 /2 01 7- 33 Fl. 137DF CARF MF 2 Tratase de Auto de Infração (f. 25/30), relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2015, anocalendário de 2014, em que foram glosadas deduções de despesas médicas no valor de R$ 41.150,00 e com planos de previdência, no valor de R$ 1.875,48. O contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada procedente em parte, mediante Acórdão da DRJ Rio de Janeiro. A Decisão aceitou despesas médicas no valor de R$ 3.200,00. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de f. 106/117. Invoca preliminar de nulidade. Em síntese, alega que atendeu ao que foi solicitado pela autoridade fiscal, apresentando os respectivos recibos relativos às despesas médicas. Aduz que os recibos, por si só, fazem prova dos pagamentos realizados a este título. Argumenta que não está obrigado a apresentar seus exames médicos e laboratoriais, sob pena de ofenderse os princípios da privacidade da pessoa humana e do sigilo médico. Sustenta ainda que não é razoável exigir a apresentação de extratos ou outros meios de prova dos pagamentos, seja porque a pessoa física não é obrigada a ter escrita fiscal, seja porque a reunião destes documentos é difícil para o contribuinte. Defende que o crédito tributário não merece subsistir, por entender que está fundado em presunções, não tendo sido feita prova da ocorrência do fato gerador. Pugna pela procedência do recurso e pelo cancelamento do crédito tributário. É o relatório Voto Vencido Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Preliminar Nulidade Nos termos do art. 59 do Decreto 70235/72, que regula o processo administrativo fiscal, são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente (I) e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição de direito de defesa (II). Analisando os Autos, verificase que a Notificação de Lançamento não incide em nenhuma das hipóteses de nulidade previstas no art. 59, acima citado. Tratase de lançamento lavrado por autoridade legalmente competente e constatase ainda que foi oferecida a mais ampla defesa ao interessado, sendo que a decisão da DRJ analisou cuidadosamente as razões trazidas na impugnação, enfrentando todos os argumentos de fato e de direito aduzidos pelo contribuinte. Destarte, rejeito a preliminar de nulidade. Passemos à análise do mérito. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10166.725949/201733 Acórdão n.º 2001000.839 S2C0T1 Fl. 3 3 Mérito Despesas Mèdicas O interessado, no recurso, insurgese contra as glosas destas depesas, pelas razões que enumera. Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Desta forma, verificase que o recibo, ao contrário do que defende o recorrente, não faz prova absoluta da real ocorrência do pagamento. A autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar outros elementos de convicção da efetiva realização da despesa que se pretende deduzir. Não poderia ser de outra forma. Entender o contrário seria tolher a ação da fiscalização, que ficaria impossibilitada de exercer sua atividade investigativa, na busca de verificar a veracidade das declarações prestadas. Há que ser frisado que aqui não se trata de mera prerrogativa, mas de um dever da autoridade fiscal, haja vista tratarse de dedução da base de cálculo e, portanto, de redução do tributo. Com efeito, as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. Analisando a Notificação de Lançamento, verificamos que foram glosadas despesas médicas de valores significativos, que justifica a solicitação de informações adicionais. A Descrição dos Fatos e Enquadramento legal do Lançamento encontrase devidamente fundamentado, com todas as razões que levaram a efetivação da glosa. Não foram apresentadas provas do efetivo pagamento das despesas, não houve suficiente descrição do tratamento ou dos exames realizados. Além disso, não foram apresentadas notas fiscais, nos casos de serviços prestados por pessoas jurídicas. Aqui deve prevalecer o princípio do benefício da prova, já que o interesse em provar é do contribuinte, a quem a prova aproveita. Não há que se falar em quebra de sigilo ou de invasão à privacidade do cidadão. Não há quebra de sigilo perante o fisco, cuja atividade primordial é justamente investigar a veracidade dessas despesas que resultam em redução de tributo. Ademais, ao intimar o contribuinte para apresentar documentos adicionais que comprovam a efetividade das despesas (provas essas que beneficiam o contribuinte), a autoridade fiscal não está interessada na intimidade da pessoa, mas está cumprindo o dever legal de investigar a veracidade das declarações prestadas. Tratase de imposto lançado por homologação e o quantum devido pode ser alterado pela autoridade lançadora, no exercício de suas atribuições legais. Fl. 139DF CARF MF 4 Da mesma forma, não se mostra desarrazoado o pedido de apresentação de extratos bancários. Pode ocorrer de o contribuinte haver pago as despesas em cheques ou mediante saques da conta corrente, o que seria facilmente comprovado pela existência de saques de valores compatíveis em datas aproximadas das da efetivação das despesas. O contribuinte poderia requerer à instituição financeira os referidos extratos (em alguns casos, obtémse extratos pela internet, em poucos instantes), sendo que essa providência não lhe seria de difícil execução. Se tivesse atendido a este simples pedido, provavelmente não seriam glosadas parte ou a totalidade das despesas. O contribuinte, entretanto, por diversas vezes, mediante negativas genéricas, se opôs a trazer os elementos de prova que lhe seriam benéficos. Não apresentou à autoridade lançadora, não juntou à impugnação e não se aproveita da oportunidade agora trazida pelo recurso voluntário. Também não há razão na insurgência à multa de ofício de 75%. Tratase de multa decorrente de previsão legal (Lei 9.430/96, art. 44), de aplicação obrigatória. Em decorrência do princípio da legalidade, não cabe ao servidor público deixar de aplicar a multa, ou aplicala em percentual diverso do previsto na legislação. Desta forma, adoto a motivação do voto da decisão de primeira instância e nego provimento ao recurso voluntário. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por rejeitar a matéria preliminar suscitada, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Voto Vencedor Conselheiro Jorge Henrique Backes Redator Designado Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10166.725949/201733 Acórdão n.º 2001000.839 S2C0T1 Fl. 4 5 O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Redator Designado. Fl. 141DF CARF MF 6 Fl. 142DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.725412/2014-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2010, 2011
RESPONSABILIDADE. SUJEIÇÃO PASSIVA.
São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, de fato e/ou de direito.
SÓCIOS E ADMINISTRADORES. SONEGAÇÃO FISCAL. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Os sócios e administradores da empresa, sejam formais ou de fato, com ou sem procuração para representar a contribuinte, que praticam, de forma comissiva ou omissiva, conjuntamente com o contribuinte o crime de sonegação tipificado no art. 71 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, respondem pelo crédito tributário com multa qualificada de forma solidária, nos termos do art. 135 do Código Tributário Nacional.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010, 2011
RESPONSABILIDADE. SUJEIÇÃO PASSIVA.
São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, de fato e/ou de direito.
SÓCIOS E ADMINISTRADORES. SONEGAÇÃO FISCAL. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Os sócios e administradores da empresa, sejam formais ou de fato, com ou sem procuração para representar a contribuinte, que praticam, de forma comissiva ou omissiva, conjuntamente com o contribuinte o crime de sonegação tipificado no art. 71 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, respondem pelo crédito tributário com multa qualificada de forma solidária, nos termos do art. 135 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 3401-005.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento aos dois recursos voluntários apresentados, vencidos os Conselheiros Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que entenderam não haver fundamento para a responsabilização das pessoas físicas arroladas na autuação.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
André Henrique Lemos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2010, 2011 RESPONSABILIDADE. SUJEIÇÃO PASSIVA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, de fato e/ou de direito. SÓCIOS E ADMINISTRADORES. SONEGAÇÃO FISCAL. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. Os sócios e administradores da empresa, sejam formais ou de fato, com ou sem procuração para representar a contribuinte, que praticam, de forma comissiva ou omissiva, conjuntamente com o contribuinte o crime de sonegação tipificado no art. 71 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, respondem pelo crédito tributário com multa qualificada de forma solidária, nos termos do art. 135 do Código Tributário Nacional. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2010, 2011 RESPONSABILIDADE. SUJEIÇÃO PASSIVA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, de fato e/ou de direito. SÓCIOS E ADMINISTRADORES. SONEGAÇÃO FISCAL. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. Os sócios e administradores da empresa, sejam formais ou de fato, com ou sem procuração para representar a contribuinte, que praticam, de forma comissiva ou omissiva, conjuntamente com o contribuinte o crime de sonegação tipificado no art. 71 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, respondem pelo crédito tributário com multa qualificada de forma solidária, nos termos do art. 135 do Código Tributário Nacional.
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SUJEIÇÃO PASSIVA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, de fato e/ou de direito. SÓCIOS E ADMINISTRADORES. SONEGAÇÃO FISCAL. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. Os sócios e administradores da empresa, sejam formais ou de fato, com ou sem procuração para representar a contribuinte, que praticam, de forma comissiva ou omissiva, conjuntamente com o contribuinte o crime de sonegação tipificado no art. 71 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, respondem pelo crédito tributário com multa qualificada de forma solidária, nos termos do art. 135 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010, 2011 RESPONSABILIDADE. SUJEIÇÃO PASSIVA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, de fato e/ou de direito. SÓCIOS E ADMINISTRADORES. SONEGAÇÃO FISCAL. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. Os sócios e administradores da empresa, sejam formais ou de fato, com ou sem procuração para representar a contribuinte, que praticam, de forma AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 54 12 /2 01 4- 57 Fl. 2402DF CARF MF 2 comissiva ou omissiva, conjuntamente com o contribuinte o crime de sonegação tipificado no art. 71 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, respondem pelo crédito tributário com multa qualificada de forma solidária, nos termos do art. 135 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento aos dois recursos voluntários apresentados, vencidos os Conselheiros Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que entenderam não haver fundamento para a responsabilização das pessoas físicas arroladas na autuação. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Tratamse de autos de infração do PIS e da COFINS sob a sistemática da nãocumulatividade, sendo lançadas receitas de comissão de venda financiada, e ainda, a como sujeitos passivos solidários duas pessoas físicas: Luiz Sérgio de Oliveira Maia e Antônio Ferreira Maias. A motivação do lançamento foi resumida no relatório da DRJ/BHE (efl. 2.347 e ss.): • A Saga é uma concessionária representante da montadora VW Automóveis e é administrada por um conselho de administração composto de 3 membros efetivos e 3 membros suplentes, todos acionistas, e por uma diretoria composta de 4 diretores, que terão as atribuições determinadas pela lei e pelo estatuto da empresa, conforme definido em seu estatuto social. • Entre as empresas que fazem parte do grupo Saga, encontrase a Sagakasa Serviços Financeiros, Corretagens e Locação de Veículos Ltda. O objeto social da Sagakasa é a corretagem sobre intermediação de vendas de seguros diversos; a intermediação sobre prestação de serviços junto a instituições financeiras; a intermediação sobre prestação de serviços junto à empresa privada; e a locação de automóveis sem condutor. Fl. 2403DF CARF MF Processo nº 10120.725412/201457 Acórdão n.º 3401005.314 S3C4T1 Fl. 2.403 3 • Outra empresa que faz parte do grupo Saga é a Estação Sadif Corretora de Seguros Ltda. Seu objeto social é: a corretagem e agenciamento de seguros de veículos automotores, de plano de previdência complementar e de saúde; outras atividades de serviços financeiros relacionados à representação comercial no segmento de veículos automotores; atividades de intermediação e agenciamento de serviços e negócios em geral no segmento de veículos automotores, exceto imobiliários; e a locação de automóveis sem condutor. • As empresas Sagakasa e Sadif foram constituídas para captar receitas tributáveis da fiscalizada com o fim de pagar menos tributos. • Na constituição das empresas satélites, não houve desenvolvimento de projeto nem de empreendimento inovador. As empresas foram criadas para fazerem o que a Saga já fazia há tempos. Antes da criação das empresas satélites, de acordo com a ECD, a intermediação de contrato de financiamento para vendas era realizada pela própria fiscalizada, e os valores auferidos a título de comissão, eram registrados em conta específica da fiscalizada. • Tal composição de empresas teve como único objetivo a redução da tributação, ao submeter parcela do resultado, aquela correspondente às receitas relativas às comissões de financiamentos da Saga, que foi indevidamente transferida à Sadif e à Sagakasa. Esta transferência de toda comissão das vendas financiadas lesou o Fisco Federal em pelo menos em dois pontos fundamentais: redução a 32% da base de cálculo do IRPJ e CSLL sobre a receita transferida, considerando que as empresas satélites são optantes pelo lucro presumido; redução da tributação do PIS e da COFINS, com aplicação de alíquotas menores (regime cumulativo 0,65% e 3,0%), permitido às empresas sob o regime lucro presumido. • De modo resumido apontamse adiante alguns indícios levantados, que, em seu conjunto, comprovam que a fiscalizada desloca receitas tributáveis para as empresas satélites, que se encontram em situação tributariamente mais favorável. • Os sócios e administradores da fiscalizada e das empresas satélites são os mesmos. • As empresas satélites dão, simplesmente, continuidade ao que a fiscalizada já fazia no mesmo endereço. Na prática, nada mudou. • As empresas satélites e a fiscalizada são apresentadas ao público, seja mediante publicidade na internet, seja mediante letreiros e slogans afixados, seja na condição de prestadora de serviços (contrato de correspondente junto ao Banco Central) e de intermediadora de financiamentos (relação com o comprador do bem), com menção apenas da fiscalizada. Fl. 2404DF CARF MF 4 • Não há qualquer separação física das empresas satélites com a fiscalizada, a não ser na pequena sala, na sede da fiscalizada, que aloja as duas empresas satélites. • Há uma completa confusão patrimonial entre as empresas (satélites e fiscalizada) onde a fiscalizada arca com diversas despesas que deveriam ser das empresas satélites. • A fiscalizada, mesmo com prejuízo, "transfere" serviço de intermediação de financiamento (de acordo com a própria fiscalizada, serviço bastante rentável) para as empresas satélites. Esta transferência não possui uma causa real, um motivo que não seja predominantemente fiscal. • As empresas satélites prestaram serviços às instituições financeiras descumprindo normas do Banco Central (Resolução BACEN 3.110/2003 alterada pela 3.954/2011). • Os estabelecimentos das empresas satélites obtiveram, em alguns períodos, receitas de serviços sem possuir efetivamente nenhum funcionário. • As pessoas jurídicas que apuram o IRPJ com base no lucro real sujeitamse, como regra geral, à apuração do PIS e da COFINS no regime nãocumulativo. Já as pessoas jurídicas que apuram o Imposto de Renda com base no lucro presumido ou arbitrado sujeitamse, compulsoriamente, à apuração dessas contribuições no regime cumulativo. • Verificase que com a tributação pelo lucro presumido resulta numa expressiva economia de tributo, uma vez que há redução de alíquota tanto no IRPJ quanto no PIS/COFINS. Logo, a desconsideração das empresas satélites efetuada pelo lançamento de ofício tem como principal efeito, no caso das contribuições, o aumento da alíquota de 3% para 7,6% (COFINS) e 0,65% para 1,65% (PIS) sobre as receitas auferidas pelas empresas satélites. • A fiscalização procedeu à inclusão das operações das supostas empresas, na tributação da Saga, de modo a se tributar às operações considerando um único empreendimento. Com efeito, todas as receitas contabilizadas pelas empresas satélites, bem como seus custos e despesas, em verdade serão considerados da própria Saga. Cabe a constituição do crédito tributário relativo ao PIS e ao Cofins, na modalidade lucro real, opção de tributação da fiscalizada. • Não integram a base de cálculo as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Foram produzidas as planilhas de apuração do PIS/COFINS, anexadas ao termo de verificação fiscal, somando a receita de comissões, lançada no auto de infração, com as outras receitas da fiscalizada, descontando o total de créditos, os pagamentos ocorridos na fiscalizada e nas empresas auxiliares, chegandose ao valor devido na autuação fiscal. Fl. 2405DF CARF MF Processo nº 10120.725412/201457 Acórdão n.º 3401005.314 S3C4T1 Fl. 2.404 5 • Os valores lançados foram apurados com base na contabilidade entregues pelas empresas e também nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais DACON. • É certo que não cabe à fiscalização pautar as atividades comerciais da empresa, mas não se podem aceitar negócios empreendidos pela empresa sem nenhuma motivação comercial. Há uma diferença entre atuações que objetivam os negócios empresariais e atuações que objetivam exclusivamente reduzir a carga tributária. • Na realidade, as empresas satélites não materializam nenhum empreendimento, relativo à corretagem de financiamento bancário sobre as vendas efetuadas pela fiscalizada, que justifique a sua existência. Neste contexto, as empresas satélites foram criadas sem uma razão econômica efetiva de mercado. • Tais empresas exercem suas atividades permanentes dentro da estrutura operacional da fiscalizada. As receitas de intermediação de financiamento sobre as vendas efetuadas pela Saga e atribuídas à Sagakasa e à Sadif são, de fato, receitas da fiscalizada. O único objetivo de transferência destas receitas de intermediação e de financiamento foi reduzir indevidamente a carga tributária do IRPJ e tributos reflexos. • A Sadif começou a operar justamente quando a Sagakasa estava prestes a ultrapassar o limite do lucro presumido. No anocalendário de 2010, a Sadif obteve receita bruta de R$ 21.183.884,56 com pequeno número de funcionários, chegando ao absurdo da existência de meses sem registro de funcionários, mas com obtenção de receitas de prestação de serviços. • As empresas satélites operam em várias cidades sem possuir a mínima estrutura física para tal mister. A Sadif possui sede apenas em Goiânia enquanto a Sagakasa possui sede em Goiânia, uma filial em Uberlândia (sem registro de funcionários) e outra no Guará (sem inscrição no CNPJ). Mesmo assim, elas prestam serviços às empresas do grupo Saga com sede em Goiânia, Brasília, Anápolis e Aparecida de Goiânia. • Durante a fiscalização, ficou evidenciada a desproporção dos ganhos das receitas de intermediação entre a fiscalizada e as empresas satélites, supostamente intermediadoras, com favorecimento às que não tinham nenhuma estrutura para prestar os serviços e em detrimento da que possuía ampla e completa estrutura. • Mesmo quando as empresas satélites apresentem documentos, contrato social e alterações, com registro nos órgãos competentes, escrituração contábil, notas fiscais, contratos de prestação de serviços, etc, não se exclui a possibilidade de as operações praticadas se enquadrarem em condutas ilícitas, isso porque faz parte o envolvimento de atos jurídicos lícitos para cometimento de fraude. Tais atos são apenas cumprimentos de Fl. 2406DF CARF MF 6 formalidades na tentativa de enganar o fisco. Quem de fato presta serviços na qualidade de correspondente bancário é a Saga. Vistos isoladamente, os atos jurídicos são permitidos pela legislação; olhados em conjunto, desnudase o véu e revelase a fraude. • A fiscalizada ainda não teve o mínimo cuidado de providenciar, substituir ou substabelecer os contratos de prestação de serviços relativos às atividades supostamente praticadas pelas empresas satélites. Perante terceiros (clientes da fiscalizada, instituições financeiras e Banco Central), a Saga é a única empresa que efetivamente presta serviços. A fragilidade dos contratos de correspondentes bancários (sem termo de substabelecimento) e a precária estrutura operacional das empresas satélites corroboram o disfarce para pagar menos tributos. • Portanto, constatase conjunto de indícios que indicam que as pessoas jurídicas, Saga, Sagakasa e Sadif, reorganizamse com o motivo predominante de reduzir a carga tributária, sem se apoiar num motivo empresarial. A fiscalizada atende, plenamente, o cliente que a procura. No item 15 do termo de verificação fiscal, há um resumo dos indícios que comprovam o deslocamento da base tributável. • A conduta fraude está definida na Lei n° 4.502/64. • Para pagar menos tributos, a Saga utilizouse de práticas dolosas para enganar o fisco. Conscientemente a fiscalizada omite receita tributável que compõe efetivamente o seu lucro real, para serem tributadas pelo lucro presumido nas empresas satélites (mais benéfico). As receitas de intermediação financeira sobre as vendas 'realizadas pela fiscalizada estão sendo indevidamente apropriadas pelas empresas satélites. • Não resta dúvida que houve a intenção dolosa da fiscalizada de modificar as características essenciais do fato gerador, incorrendo em fraude. A alteração indevida do sujeito passivo, da Saga, lucro real, para as empresas satélites, lucro presumido, em relação aos fatos geradores das receitas de intermediação de financiamento, na qual se tributa utilizando base de cálculo mais benéfica, foi efetuada sem nenhuma motivação negocial que a respalde. • A criação das empresas satélites não possui substância econômica e tem a finalidade de possibilitar, unicamente, a redução do montante de impostos. E o dolo da conduta está na vontade do agente de alcançar o resultado, a redução indevida dos tributos federais. Essa rotina danosa ocorre de forma reiterada, abarcando todo o período abrangido pela fiscalização (2009 a 2011). • Diante do exposto, há indícios convergentes suficientes para a formar a convicção de que houve fraude e máfé da empresa fiscalizada. Os fatos descritos, devidamente comprovados pela documentação anexada aos autos, levam a concluir que a fiscalizada fraudou a Fazenda Pública, e todos esses eventos Fl. 2407DF CARF MF Processo nº 10120.725412/201457 Acórdão n.º 3401005.314 S3C4T1 Fl. 2.405 7 relatados foram maquinados intencionalmente para ludibriar o fisco, razão pela qual a multa foi qualificada. • Houve a formalização de processo de representação fiscal para fins penais. Quanto à responsabilização solidária, consignou o Relatório da DRJ/BHE (efl. 2.347): Os responsáveis tributários do presente tipo respondem solidariamente com a pessoa jurídica autuada pelo crédito tributário constituído neste documento de lançamento. • O senhor Luiz Sérgio de Oliveira Maia, VicePresidente da Saga, juntamente com o Presidente Antônio Ferreira Maia, criaram as empresas satélites Sagakasa e Sadif, e assinaram contratos de prestação de serviços de intermediação de financiamentos com instituições financeiras que pagaram às empresas satélites comissões sobre vendas financiadas efetuadas pela própria Saga. • A transferência de receitas da Saga para as empresas satélites, teve a única intenção de reduzir, indevidamente, o pagamento da contribuição para o PIS e da Cofins ao longo dos anos calendários de 2010 e 2011. • A criação das empresas satélites, levada a efeito pelos sócios do sujeito passivo, não possui substância econômica, tendo como finalidade, exclusivamente, a redução do montante de tributos. • A conduta desses sócios subsumese ao que dispõe o art. 72 da Lei nº 4.502/64. • Considerandose que os senhores Luiz Sérgio de Oliveira Maia e Antônio Ferreira Maia, possuem poder de gerência nas empresas Saga, Sagakasa e Sadif, e, nessa qualidade, cometeram o ilícito descrito no referido art. 72, fica caracterizada a responsabilidade solidária prevista no art. 135, III, do CTN, em decorrência de infração de lei. Todos apresentaram suas impugnações, voltandose parcialmente contra o lançamento, especialmente quanto à quantificação do valor devido, noticiandose que a Impugnante optou por parcelamento da Portaria Conjunta PGFN/RFB 13/2014, requerendo fosse apartada do processo a parte não impugnada. Já os Impugnantes requereram o afastamento da responsabilidade solidária. Houve Resolução da DRJ/BHE, convertendo o julgamento em diligência para que o processo retornasse à repartição de origem, tomandose as seguintes providências: 1. indicar, se houver, o critério e a motivação da dedução parcial de Cofins e de contribuição para o PIS declarada com efeitos constitutivos, paga ou extinta pela empresa autuada e pelas empresas consideradas suas satélites, nos períodos de março e setembro de 2010, e de novembro de 2011, seja por Fl. 2408DF CARF MF 8 meio de recolhimentos, seja por meio de declaração de compensação; 2. depois de cumprido o item anterior, antes do retorno dos autos a esta DRJ, cientificar os sujeitos passivos dos esclarecimentos e documentos acrescentados aos autos, reabrindolhes o prazo de trinta dias para se manifestar. Realizada a diligência, assim se concluiu: • Nos sistemas da Receita Federal encontramse declarações de compensações apresentadas pela Sagakasa e pela Saga, antes da lavratura do lançamento de ofício, cujos valores são: de PIS referentes respectivamente aos períodos de apuração março de 2010 e novembro de 2011, R$ 1.397,70 e R$ 30.094,86; de Cofins referentes aos períodos de apuração março de 2010, setembro de 2010 e novembro de 2011, respectivamente, R$ 8.601.22, R$ 168.198,86 e R$4.487,18. • Esses valores deverão ser deduzidos da base de cálculo dos tributos lançados, pois não há motivação para que não sejam computados. Nesse caso, os novos valores do lançamento são: (...) Sobreveio decisão da DRJ/BHE, a qual, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedentes as impugnações, de acordo com a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010, 2011 LANÇAMENTO DE OFÍCIO DEDUÇÕES DO TRIBUTO APURADO NA AÇÃO FISCAL Na apuração do tributo a ser exigido por meio de lançamento de ofício, o contribuinte faz jus à dedução de todos os valores que, antes do início da ação fiscal, tenham sido comprovadamente pagos ou que tenham sido validamente declarados como devidos, ou ainda que tenham sido retidos na fonte e que se refiram a rendimentos ou operações alcançadas pelo lançamento de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2010, 2011 LANÇAMENTO DE OFÍCIO DEDUÇÕES DO TRIBUTO APURADO NA AÇÃO FISCAL Na apuração do tributo a ser exigido por meio de lançamento de ofício, o contribuinte faz jus à dedução de todos os valores que, antes do início da ação fiscal, tenham sido comprovadamente pagos ou que tenham sido validamente declarados como devidos, ou ainda que Fl. 2409DF CARF MF Processo nº 10120.725412/201457 Acórdão n.º 3401005.314 S3C4T1 Fl. 2.406 9 tenham sido retidos na fonte e que se refiram a rendimentos ou operações alcançadas pelo lançamento de ofício. Em 09/12/2015, a Recorrente, tomou ciência do acórdão, via caixa postal (efl. 2.384) e abriu os arquivos digitais em 05/01/2016 (efl. 2.389). Ao primeiro sujeito passivo solidário, Antônio Ferreira Maia, seu A.R., informou que se mudou, em 11/12/2015 (efl. 2.386), e depois, em 21/12/2015, um terceiro o recebeu (efl. 2.388). Por fim, o segundo, Luiz Sérgio de Oliveira Maia, por uma terceira pessoa, recebeu a cientificação, via A.R., em 14/01/2016 (efl. 2.390). Os sujeitos passivos solidários, em conjunto, interpuseram recurso voluntário, em 14/01/2016 (efl. 2.392), praticamente ratificando o que já havia sido articulado em sede de impugnação, alegando em síntese: 1) A sujeição passiva de sócios e/ou administradores é medida extrema e deve ser comprovada, de forma cabal e irrefutável que estes tenham agido com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatuto, nos termos do artigo 135, III do CTN. 2) Não há qualquer prova capaz de atestar que tenham incorrido nessas hipóteses, mas tão somente para comprovarem que eles cumpriram suas funções regulares de sócios. Colacionou jurisprudência do Pleno do E. STF (RE 562.276) e do E. STJ (REsp. 327.462 e EREsp. 100.739), no sentido de que o inciso III do artigo 135 do CTN responsabiliza apenas aqueles que estejam na direção, gerência ou representação da pessoa jurídica e tão somente quando pratiquem atos com excessos de poder ou infração à lei, contrato social ou estatutos, não constituindo, o mero descumprimento da obrigação de pagar tributo ou contribuição, fundamento para a imputação da responsabilidade solidária. É o relatório. Voto Conselheiro André Henrique Lemos O recurso voluntário interposto pelos 2 (dois) sujeitos passivos solidários é tempestivo, logo, dele tomo conhecimento. Como se viu acima, os Recorrentes defendem que o mero descumprimento da obrigação de pagar tributo ou contribuição, não constitui fundamento para a imputação da responsabilidade solidária e que o inciso III do artigo 135 do CTN responsabiliza apenas aqueles que estejam na direção, gerência ou representação da pessoa jurídica e tão somente quando pratiquem atos com excessos de poder ou infração à lei, contrato social ou estatutos. Consabido que a doutrina e jurisprudência são neste sentido, porém, a questão probatória fecha o elo e é determinante para a exata prestação jurisdicional. Cumpre, portanto, ao julgador apreciar detidamente a prova produzida nos autos, e, em sendo caso de lançamento de ofício, de início, tal prova cabe à Administração Pública Federal. Fl. 2410DF CARF MF 10 Neste particular, o relatório do acórdão da DRJ/BHE, em tópico específico sobre a Sujeição passiva solidária, resume a situação fática (efl. 2.347 e ss.), sendo importante citar: • Os responsáveis tributários do presente tipo respondem solidariamente com a pessoa jurídica autuada pelo crédito tributário constituído neste documento de lançamento. • O senhor Luiz Sérgio de Oliveira Maia, VicePresidente da Saga, juntamente com o Presidente Antônio Ferreira Maia, criaram as empresas satélites Sagakasa e Sadif, e assinaram contratos de prestação de serviços de intermediação de financiamentos com instituições financeiras que pagaram às empresas satélites comissões sobre vendas financiadas efetuadas pela própria Saga. • A transferência de receitas da Saga para as empresas satélites, teve a única intenção de reduzir, indevidamente, o pagamento da contribuição para o PIS e da Cofins ao longo dos anos calendários de 2010 e 2011. • A criação das empresas satélites, levada a efeito pelos sócios do sujeito passivo, não possui substância econômica, tendo como finalidade, exclusivamente, a redução do montante de tributos. • A conduta desses sócios subsumese ao que dispõe o art. 72 da Lei nº 4.502/64. • Considerandose que os senhores Luiz Sérgio de Oliveira Maia e Antônio Ferreira Maia, possuem poder de gerência nas empresas Saga, Sagakasa e Sadif, e, nessa qualidade, cometeram o ilícito descrito no referido art. 72, fica caracterizada a responsabilidade solidária prevista no art. 135, III, do CTN, em decorrência de infração de lei. Demais disso, impende analisar outros elementos probatórios produzidos pela fiscalização, conforme narrado no relatório, agora no tópico sobre o Termo de verificação fiscal (efl. 2.347): • A Saga é uma concessionária representante da montadora VW Automóveis e é administrada por um conselho de administração composto de 3 membros efetivos e 3 membros suplentes, todos acionistas, e por uma diretoria composta de 4 diretores, que terão as atribuições determinadas pela lei e pelo estatuto da empresa, conforme definido em seu estatuto social. • Entre as empresas que fazem parte do grupo Saga, encontrase a Sagakasa Serviços Financeiros, Corretagens e Locação de Veículos Ltda. O objeto social da Sagakasa é a corretagem sobre intermediação de vendas de seguros diversos; a intermediação sobre prestação de serviços junto a instituições financeiras; a intermediação sobre prestação de serviços junto à empresa privada; e a locação de automóveis sem condutor. (grifo do Relator). • Outra empresa que faz parte do grupo Saga é a Estação Sadif Corretora de Seguros Ltda. Seu objeto social é: a corretagem e agenciamento de seguros de veículos automotores, de plano de Fl. 2411DF CARF MF Processo nº 10120.725412/201457 Acórdão n.º 3401005.314 S3C4T1 Fl. 2.407 11 previdência complementar e de saúde; outras atividades de serviços financeiros relacionados à representação comercial no segmento de veículos automotores; atividades de intermediação e agenciamento de serviços e negócios em geral no segmento de veículos automotores, exceto imobiliários; e a locação de automóveis sem condutor. (grifo do Relator). • As empresas Sagakasa e Sadif foram constituídas para captar receitas tributáveis da fiscalizada com o fim de pagar menos tributos. (grifo do Relator). • Na constituição das empresas satélites, não houve desenvolvimento de projeto nem de empreendimento inovador. As empresas foram criadas para fazerem o que a Saga já fazia há tempos. Antes da criação das empresas satélites, de acordo com a ECD, a intermediação de contrato de financiamento para vendas era realizada pela própria fiscalizada, e os valores auferidos a título de comissão, eram registrados em conta específica da fiscalizada. (grifo do Relator). • Tal composição de empresas teve como único objetivo a redução da tributação, ao submeter parcela do resultado, aquela correspondente às receitas relativas às comissões de financiamentos da Saga, que foi indevidamente transferida à Sadif e à Sagakasa. Esta transferência de toda comissão das vendas financiadas lesou o Fisco Federal em pelo menos em dois pontos fundamentais: redução a 32% da base de cálculo do IRPJ e CSLL sobre a receita transferida, considerando que as empresas satélites são optantes pelo lucro presumido; redução da tributação do PIS e da COFINS, com aplicação de alíquotas menores (regime cumulativo 0,65% e 3,0%), permitido às empresas sob o regime lucro presumido. (grifo do Relator). • De modo resumido apontamse adiante alguns indícios levantados, que, em seu conjunto, comprovam que a fiscalizada desloca receitas tributáveis para as empresas satélites, que se encontram em situação tributariamente mais favorável. • Os sócios e administradores da fiscalizada e das empresas satélites são os mesmos. • As empresas satélites dão, simplesmente, continuidade ao que a fiscalizada já fazia no mesmo endereço. Na prática, nada mudou. • As empresas satélites e a fiscalizada são apresentadas ao público, seja mediante publicidade na internet, seja mediante letreiros e slogans afixados, seja na condição de prestadora de serviços (contrato de correspondente junto ao Banco Central) e de intermediadora de financiamentos (relação com o comprador do bem), com menção apenas da fiscalizada. (grifo do Relator). • Não há qualquer separação física das empresas satélites com a fiscalizada, a não ser na pequena sala, na sede da fiscalizada, que aloja as duas empresas satélites. Fl. 2412DF CARF MF 12 • Há uma completa confusão patrimonial entre as empresas (satélites e fiscalizada) onde a fiscalizada arca com diversas despesas que deveriam ser das empresas satélites. (grifo do Relator). • A fiscalizada, mesmo com prejuízo, "transfere" serviço de intermediação de financiamento (de acordo com a própria fiscalizada, serviço bastante rentável) para as empresas satélites. Esta transferência não possui uma causa real, um motivo que não seja predominantemente fiscal. • As empresas satélites prestaram serviços às instituições financeiras descumprindo normas do Banco Central (Resolução BACEN 3.110/2003 alterada pela 3.954/2011). (grifo do Relator). • Os estabelecimentos das empresas satélites obtiveram, em alguns períodos, receitas de serviços sem possuir efetivamente nenhum funcionário. (Grifo do Relator). • As pessoas jurídicas que apuram o IRPJ com base no lucro real sujeitamse, como regra geral, à apuração do PIS e da COFINS no regime nãocumulativo. Já as pessoas jurídicas que apuram o Imposto de Renda com base no lucro presumido ou arbitrado sujeitamse, compulsoriamente, à apuração dessas contribuições no regime cumulativo. • Verificase que com a tributação pelo lucro presumido resulta numa expressiva economia de tributo, uma vez que há redução de alíquota tanto no IRPJ quanto no PIS/COFINS. Logo, a desconsideração das empresas satélites efetuada pelo lançamento de ofício tem como principal efeito, no caso das contribuições, o aumento da alíquota de 3% para 7,6% (COFINS) e 0,65% para 1,65% (PIS) sobre as receitas auferidas pelas empresas satélites. • A fiscalização procedeu à inclusão das operações das supostas empresas, na tributação da Saga, de modo a se tributar às operações considerando um único empreendimento. Com efeito, todas as receitas contabilizadas pelas empresas satélites, bem como seus custos e despesas, em verdade serão considerados da própria Saga. Cabe a constituição do crédito tributário relativo ao PIS e ao Cofins, na modalidade lucro real, opção de tributação da fiscalizada. • Não integram a base de cálculo as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Foram produzidas as planilhas de apuração do PIS/COFINS, anexadas ao termo de verificação fiscal, somando a receita de comissões, lançada no auto de infração, com as outras receitas da fiscalizada, descontando o total de créditos, os pagamentos ocorridos na fiscalizada e nas empresas auxiliares, chegandose ao valor devido na autuação fiscal. • Os valores lançados foram apurados com base na contabilidade entregues pelas empresas e também nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais DACON. Fl. 2413DF CARF MF Processo nº 10120.725412/201457 Acórdão n.º 3401005.314 S3C4T1 Fl. 2.408 13 • É certo que não cabe à fiscalização pautar as atividades comerciais da empresa, mas não se podem aceitar negócios empreendidos pela empresa sem nenhuma motivação comercial. Há uma diferença entre atuações que objetivam os negócios empresariais e atuações que objetivam exclusivamente reduzir a carga tributária. (grifo do Relator). • Na realidade, as empresas satélites não materializam nenhum empreendimento, relativo à corretagem de financiamento bancário sobre as vendas efetuadas pela fiscalizada, que justifique a sua existência. Neste contexto, as empresas satélites foram criadas sem uma razão econômica efetiva de mercado. (grifo do Relator). • Tais empresas exercem suas atividades permanentes dentro da estrutura operacional da fiscalizada. As receitas de intermediação de financiamento sobre as vendas efetuadas pela Saga e atribuídas à Sagakasa e à Sadif são, de fato, receitas da fiscalizada. O único objetivo de transferência destas receitas de intermediação e de financiamento foi reduzir indevidamente a carga tributária do IRPJ e tributos reflexos. • A Sadif começou a operar justamente quando a Sagakasa estava prestes a ultrapassar o limite do lucro presumido. No anocalendário de 2010, a Sadif obteve receita bruta de R$ 21.183.884,56 com pequeno número de funcionários, chegando ao absurdo da existência de meses sem registro de funcionários, mas com obtenção de receitas de prestação de serviços. (grifo do Relator). • As empresas satélites operam em várias cidades sem possuir a mínima estrutura física para tal mister. A Sadif possui sede apenas em Goiânia enquanto a Sagakasa possui sede em Goiânia, uma filial em Uberlândia (sem registro de funcionários) e outra no Guará (sem inscrição no CNPJ). Mesmo assim, elas prestam serviços às empresas do grupo Saga com sede em Goiânia, Brasília, Anápolis e Aparecida de Goiânia. (grifo do Relator). • Durante a fiscalização, ficou evidenciada a desproporção dos ganhos das receitas de intermediação entre a fiscalizada e as empresas satélites, supostamente intermediadoras, com favorecimento às que não tinham nenhuma estrutura para prestar os serviços e em detrimento da que possuía ampla e completa estrutura. Mesmo quando as empresas satélites apresentem documentos, contrato social e alterações, com registro nos órgãos competentes, escrituração contábil, notas fiscais, contratos de prestação de serviços, etc, não se exclui a possibilidade de as operações praticadas se enquadrarem em condutas ilícitas, isso porque faz parte o envolvimento de atos jurídicos lícitos para cometimento de fraude. Tais atos são apenas cumprimentos de formalidades na tentativa de enganar o fisco. Quem de fato presta serviços na qualidade de correspondente bancário é a Saga. Vistos isoladamente, os atos jurídicos são permitidos pela Fl. 2414DF CARF MF 14 legislação; olhados em conjunto, desnudase o véu e revelase a fraude. • A fiscalizada ainda não teve o mínimo cuidado de providenciar, substituir ou substabelecer os contratos de prestação de serviços relativos às atividades supostamente praticadas pelas empresas satélites. Perante terceiros (clientes da fiscalizada, instituições financeiras e Banco Central), a Saga é a única empresa que efetivamente presta serviços. A fragilidade dos contratos de correspondentes bancários (sem termo de substabelecimento) e a precária estrutura operacional das empresas satélites corroboram o disfarce para pagar menos tributos. (grifo do Relator). • Portanto, constatase conjunto de indícios que indicam que as pessoas jurídicas, Saga, Sagakasa e Sadif, reorganizamse com o motivo predominante de reduzir a carga tributária, sem se apoiar num motivo empresarial. A fiscalizada atende, plenamente, o cliente que a procura. No item 15 do termo de verificação fiscal, há um resumo dos indícios que comprovam o deslocamento da base tributável. • A conduta fraude está definida na Lei n° 4.502/64. • Para pagar menos tributos, a Saga utilizouse de práticas dolosas para enganar o fisco. Conscientemente a fiscalizada omite receita tributável que compõe efetivamente o seu lucro real, para serem tributadas pelo lucro presumido nas empresas satélites (mais benéfico). As receitas de intermediação financeira sobre as vendas 'realizadas pela fiscalizada estão sendo indevidamente apropriadas pelas empresas satélites. (grifo do Relator). • Não resta dúvida que houve a intenção dolosa da fiscalizada de modificar as características essenciais do fato gerador, incorrendo em fraude. A alteração indevida do sujeito passivo, da Saga, lucro real, para as empresas satélites, lucro presumido, em relação aos fatos geradores das receitas de intermediação de financiamento, na qual se tributa utilizando base de cálculo mais benéfica, foi efetuada sem nenhuma motivação negocial que a respalde. (grifo do Relator). • A criação das empresas satélites não possui substância econômica e tem a finalidade de possibilitar, unicamente, a redução do montante de impostos. E o dolo da conduta está na vontade do agente de alcançar o resultado, a redução indevida dos tributos federais. Essa rotina danosa ocorre de forma reiterada, abarcando todo o período abrangido pela fiscalização (2009 a 2011). (grifo do Relator). • Diante do exposto, há indícios convergentes suficientes para a formar a convicção de que houve fraude e máfé da empresa fiscalizada. Os fatos descritos, devidamente comprovados pela documentação anexada aos autos, levam a concluir que a fiscalizada fraudou a Fazenda Pública, e todos esses eventos relatados foram maquinados intencionalmente para ludibriar o fisco, razão pela qual a multa foi qualificada. Fl. 2415DF CARF MF Processo nº 10120.725412/201457 Acórdão n.º 3401005.314 S3C4T1 Fl. 2.409 15 • Houve a formalização de processo de representação fiscal para fins penais. Para reforçar os argumentos, citase trecho do voto ora recorrido que colaboram para as razões de decidir (efl. 2.360): Convém reiterar que os mesmos fatos e circunstâncias expostas nos itens precedentes serviram de fundamentação material do lançamento e da imposição da multa de ofício qualificada no percentual de 150%. Embora haja a contestação da responsabilização solidária, a autuada não impugnou a imputação de infração qualificada, antes concordou com o mero da exigência, e suas objeções se limitam apenas aos valores das deduções que julga ter direito na apuração do crédito tributário. E até mesmo os impugnantes que foram arrolados como sujeitos passivos solidários não contestam especificamente nenhum dos fatos e circunstâncias expostos pela fiscalização. Suas objeções são genéricas. (grifo do Relator). De qualquer forma, os fatos e circunstâncias invocados pela fiscalização são o bastante para demonstrar que a infração que resultou no lançamento do crédito tributário foi praticada de forma dolosamente. Daí se segue também que a infração de lei a que se refere o artigo 135, inciso III, do CTN se encontra caracterizada, pois o cometimento doloso de infração tributária não se enquadra como simples inadimplemento da obrigação tributária. Cumpre, por conseguinte, manter os impugnantes como sujeitos passivos solidários de todo o crédito tributário constituído, ressalvadas as exonerações determinadas neste voto. Ao que se viu dos autos, após a lavratura da autuação, seja em sede de impugnação, seja em recurso voluntário, não trouxeram os sujeitos passivos solidários nenhuma prova para desafiar o conjunto probatório produzido pela fiscalização. Nada de ilegal há no tocante a economizar tributo de modo lícito, utilizando se de meios contidos no ordenamento jurídico, porém os Recorrentes não se voltaram contra a nenhuma prova da fiscalização, mas apenas em sua impugnação, ratificada em recurso voluntário, trouxeram razões de cunho genérico, sem enfrentar as questões probatórias. Ademais, no tocante à responsabilidade solidária dos sócios, já decidiu esta C. Turma (acórdão 3401003.166, m. v.): RESPONSABILIDADE. SUJEIÇÃO PASSIVA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, de fato e/ou de direito. (...) Fl. 2416DF CARF MF 16 SÓCIOS E ADMINISTRADORES. SONEGAÇÃO FISCAL. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. Os sócios e administradores da empresa, sejam formais ou de fato, com ou sem procuração para representar a contribuinte, que praticam, de forma comissiva ou omissiva, conjuntamente com o contribuinte o crime de sonegação tipificado no art. 71 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, respondem pelo crédito tributário com multa qualificada de forma solidária, nos termos do art. 135 do Código Tributário Nacional. A decisão da DRJ/BHE adentrou no assunto e decidiu corretamente, não havendo o que ser reparado, aliás, aproveitandoa para fins de fundamento do presente voto, evitandose repetições de fundamento que se chegaria ao mesmo desiderato, situação permitida pelo § 3º, do art. 57, da Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 RICARF/2015, introduzido pela Portaria MF nº 329, de 4 de junho de 2017; e dos §§1º e 2º, do art. 50, da Lei nº 9.784/99. Assim, voto no sentido de negar provimento aos 2 (dois) recursos voluntários, mantendose o entendimento da decisão ora recorrida. (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Fl. 2417DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.903106/2009-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/12/2001
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.381
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2001 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 31 06 /2 00 9- 17 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13888.903106/200917 Acórdão n.º 3301005.381 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da compensação declarada, sob o fundamento de que o pagamento da contribuição (PIS/Cofins), informado como origem do crédito, já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do seu direito creditório, bem como a homologação da compensação, alegando que auferira receitas não sujeitas à incidência da contribuição (PIS/Cofins), dada a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1º, da Lei n° 9.718/1998, que fixou um novo conceito de faturamento, ampliando aleatoriamente a base de cálculo das contribuições para alcançar "a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas". De acordo com o então Manifestante, referido dispositivo violou flagrantemente os arts. 146 e 154 da Constituição Federal, além do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), alterando o alcance a definição de institutos, conceitos e formas do direito privado, segundo o qual faturamento é uma espécie de receita, qualificada como ingresso patrimonial decorrente de operações mercantis de venda de mercadorias e serviços e nada mais. Concluiu que o Supremo Tribunal Federal (STF), por seu Pleno, reconhecera a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, ao julgar os REs 346.084/PR, 357.9501/RS e 390.840/MG, por entender que a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. Dessa forma, pleiteou o reconhecimento da legalidade da compensação declarada, com a exclusão da base de cálculo de todas as receitas agrupadas sob a rubrica "outras receitas". A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 1430.381, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a decisão da repartição de origem. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13888.903106/200917 Acórdão n.º 3301005.381 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.379, de 25/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 13888.903098/200917, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.379): O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1430.375 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2002 CONSTITUCIONATIDAI)E. DECISÃO DO SUPREMOTRIBUNAL FEDERAL. A decisão do Supremo Tribunal Federal, prolatada em Recurso Extraordinário, não possui efeito erga omnes. PIS. BASE DE CALCULO. A partir de fevereiro de 1999, a base de cálculo do PIS passou a ser a totalidade das receitas auferidas pela empresa subtraida de algumas exclusões previstas em lei. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Aduz o Contribuinte em seu recurso que efetuou pagamento a maior da contribuição ao PIS e compensou com os valores devidos à contribuição. A Administração Fiscal não homologou o pedido de compensação por Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13888.903106/200917 Acórdão n.º 3301005.381 S3C3T1 Fl. 5 4 entender que não há crédito a favor do Contribuinte, visto que o pagamento informado pelo Contribuinte como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando, assim, crédito disponível para compensação com os débitos relacionados no PER/DCOMP, sendo que o DARF foi alocado para o débito declarado em DCTF apresentado pelo Contribuinte. Assim esclarece os fatos o Contribuinte em seu recurso (fls. 80 e seguintes): A Fiscalização incluiu na base de cálculo da PIS o valor de "outras receitas", o que levou a empresa recorrente a recolher valor de contribuição superior ao realmente devido. Segundo apurouse, a recorrente recolheu a importância de R$ 217,35 indevidamente, a titulo de PIS. Este valor tem como correspondente base de cálculo o importe de R$ 33.438,73 qual não deveria integrar a base de calculo de referida contribuição, haja vista que corresponde a "outras receitas" apuradas naquele período. Sendo credora dessa importância, que atualizada gerou um crédito de R$ 330,40, a recorrente utilizouse desse valor para compensálo com o PIS devido no mês de novembro de 2005, conforme procedimento “PER/DCOMP” anexado aos autos do processo administrativo. A Secretaria da Receita Federal não homologou a compensação, conforme despacho decisório proferido em 25 de Margo de 2009. 0 Fisco não aceitou a existência de crédito da recorrente, consolidando o valor do débito, correspondente aos valores considerados indevidamente compensados. (...) A cobrança, no entanto, não pode prosperar, devendo ser cancelada, uma vez que a importância relativa a "outras receitas" não pode ser incluída na base de cálculo para apuração dos tributos PIS e COFINS, devendo, assim, exonerar a recorrente do pagamento dos débitos do período em referência. Percebese que a questão central é que o Fisco entendeu que “outras receitas” integram a base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS, enquanto que o Contribuinte discorda visto a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718/1998 e assim se pronuncia às fls. 84 e seguintes: (...) A base de cálculo ao PIS não abrange as "outras receitas", assim consideradas aquelas que não sejam provenientes da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. A contribuição relativa ao PIS incide sobre o faturamento da empresa e teve sua cobrança instituída pela Lei Complementar n° 70/71, encontrando suporte no artigo 195, da Constituição Federal de 1988. O faturamento constituise elemento primordial na construção da base de cálculo da COFINS e do PIS, a qual foi definida pela Carta Magna, não podendo, obviamente, ser alterada por simples lei ordinária. (...) A Lei n° 9.718/98, no entanto, ampliou aleatoriamente a base de cálculo do PIS e da COFINS, passando a considerar faturamento a "totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13888.903106/200917 Acórdão n.º 3301005.381 S3C3T1 Fl. 6 5 por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas", conforme se depreende do seu artigo 3°, parágrafo primeiro. Tal dispositivo legal, ao ampliar o conceito de faturamento, violou o principio da supremacia da Constituição Federal. (...) Considerando que o Supremo Tribunal Federal já considerou inconstitucional o artigo 3°, parágrafo 1°, da Lei no 9.718/98, que ampliou o conceito de faturamento, há que se reconhecer a legalidade da compensação pretendida pela recorrente, uma vez que devem ser excluídas da base de cálculo todas as receitas que estão sob o conceito de "outras receitas". Com esses argumentos o Contribuinte requer a anulação do Despacho Decisório proferido em 4 de agosto de 2010 que não homologou o pedido de compensação. Na decisão ora recorrida assim se pronunciou o relator (fls. 73): (...) Realmente, no dia 9 de novembro de 2005, o STF, em sessão plenária em quatro recursos individuais, julgou inconstitucional o § 10 do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, que definiu como base de incidência das contribuições ao PIS e A Cofins a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. 0 STF entendeu que referida norma, quando de sua edição, era incompatível com o texto constitucional então vigente, que previa a incidência das contribuições sociais apenas sobre o faturamento das pessoas jurídicas e não sobre a totalidade das suas receitas. Contudo, como tais decisões do STF não foram proferidas em Ação Direta de Inconstitucionalidade ADIN, beneficiam, apenas e tão somente, as partes envolvidas nos recursos mencionados. (...) Neste aspecto entendo não assistir razão a administração fiscal, visto que em face a inconstitucionalidade do art. 3o § 1º, da Lei 9.718/98, deve se excluir da base de cálculo da contribuição as “outras receitas”. Ocorre que o Contribuinte não demonstrou na Manifestação de Inconformidade, bem como, no Recurso Voluntário, o que integra a rubrica “outras receitas”, pois cabe a quem alega o direito creditório demonstrar a sua liquidez e certeza. Cito trecho da decisão ora recorrida como razões para decidir (fls 74 e seguintes): Sob outro prisma, compete acentuar que após a ciência do despacho decisório transferese ao contribuinte o ônus probante objetivando sustentar suas alegações, incluindo eventuais retificações de valores informados em DCTF. Diante disto, é importante ressaltar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.903106/200917 Acórdão n.º 3301005.381 S3C3T1 Fl. 7 6 A par disso, impende observar que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, as declarações de compensação devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois há situações em que somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais, acerca da base de cálculo do PIS, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou qualquer documentação fiscal demonstrando as receitas constituídas de valores classificados como "outras receitas" que, em sua tese apresentada na manifestação de inconformidade, não estariam sujeitas à incidência de PIS e Cofins. Consoante noção cediça, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º )". Por tais razões, a contribuinte, quando apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, provar um crédito tributário a seu favor para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário seja o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação, ainda mais quando tal débito estava declarado em DCTF. Esse, por sinal, tem sido o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, como atesta de forma ilustrativa a ementa do seguinte acórdão: "DCTF ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO AUSÊNCIA DE PROVA Os dados informados em DCTF reputamse verdadeiros, até prova em contrário. Inadmissível a simples alegação de erro no seu preenchimento, desacompanhada de comprovação cabal do lapso." (Acórdão 10420.645, de 18/5/2005) Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Com essas razões, ausência de comprovação do direito ao crédito, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.903106/200917 Acórdão n.º 3301005.381 S3C3T1 Fl. 8 7 Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins, importando registrar, também, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10508.720544/2016-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Relatório 1. Por bem retratar o caso em questão, adoto como meu parte do relatório desenvolvido pela DRJSão Paulo I (acórdão n. 1677.665 fls. 4.375/4.396), o que passo a fazer nos seguintes termos: O interessado foi autuado em face do inadimplemento do compromisso de exportar mercadorias, conforme o regime aduaneiro especial de Drawback Suspensão. Segundo a “descrição dos fatos” (fls. 5 e 6 do "eprocesso"), CARGILL importou mercadorias em regime de drawback nos anos de 2010 e RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 08 .7 20 54 4/ 20 16 -1 8 Fl. 4523DF CARF MF Processo nº 10508.720544/201618 Resolução nº 3402001.472 S3C4T2 Fl. 4.524 2 2011. Descumpriu os requisitos do regime por inobservância do “princípio da vinculação física” (Decreto nº 6.759/2009, artigo 383, inciso I, e artigo 389). Foram lançados tributos, juros, multas e adicional ao frete para renovação da marinha mercante (AFRMM), no valor total de R$ 121.012.692,26 (fl. 2). O Termo de Verificação Fiscal (fls. 163 e ss.) complementa o auto de infração. Intimado em 19/12/2016 (fl. 4092), o interessado apresentou impugnação em 17/1/2016 (fls. 4095 e ss.). Alega: (...). 2. Devidamente processada, a citada impugnação foi julgada improcedente nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Exercício: 2010, 2011 DRAWBACK SUSPENSÃO. O regime aduaneiro especial de drawback suspensão submetese ao princípio da vinculação física, recaindo sobre o beneficiário o ônus de comprovar que os insumos importados com suspensão tributária foram efetivamente utilizados na fabricação das mercadorias exportadas ao amparo do regime. POSSIBILIDADE DE SUBSTITUIÇÃO DE PRODUTOS IMPORTADOS POR EQUIVALENTES. Aplicase apenas a fatos geradores ocorridos a partir de 28 de julho de 2010. Os fatos demonstram que os insumos não são fungíveis nem equivalentes. O interessado não comprovou o adimplemento dos compromissos de exportação assumidos. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. A falta de pagamento de tributos em decorrência da perda do benefício fiscal do drawback sujeita o interessado à multa de ofício e aos juros de mora. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. 3. Diante deste cenário, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 4.463/4.517, oportunidade em repisou os fundamentos já desenvolvidos em sua impugnação. 4. É o relatório. Voto 5. Como já destacado no relatório alhures desenvolvido, no que tange ao mérito da presente controvérsia o contribuinte alega ter cumprido o regime de drawback mediante a exportação dos produtos importados com suspensão de tributos. Nesse sentido, trouxe aos Fl. 4524DF CARF MF Processo nº 10508.720544/201618 Resolução nº 3402001.472 S3C4T2 Fl. 4.525 3 autos, juntamente com sua impugnação (fls. 186/4.089), documentos que atestariam a exportação dos produtos importados sob o regime do drawback. 6. Acontece que, partindo da premissa de que no regime de drawback há a necessidade de vinculação física do produto beneficiado àquele exportado1, o que, aparentemente, se contrapõe às decisões dessa própria turma julgadora2, o acórdão recorrido ignorou tais fatos e, por conseguinte, manteve esta exigência fiscal. 7. Nesse sentido, ante o entendimento consolidado de parcela significativa deste Tribunal, incluindo esta turma julgadora, pela desnecessidade da vinculação física dos produtos importados no regime de drawback e, ainda, para que se possa averiguar em concreto se o compromisso foi devidamente cumprido, mesmo que mediante a exportação de bens fungíveis, é fundamental converter o presente julgamento em diligência para que a unidade preparadora tome as seguintes providências: · analise os documentos apresentados pelo contribuinte nos autos, bem como outros que poderão ser exigidos (incluindo memorandos de exportação), promovendo relatório analítico no sentido de atestar se os produtos importados sob o regime de drawback foram de fato exportados, ainda que mediante a utilização de bens equivalentes, nos termos da lei n. 12.350/2010 e a Portaria Conjunta RFB/SECEX n. 467, com a redação dada pela Portaria conjunta n. 1.618, especificando analiticamente as datas dos fatos geradores; e, ainda · que reapure o PIS e a COFINS incidentes na importação nos termos do RE n. 559.937 do STF, cuja base de cálculo é o valor aduaneiro. 8. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para que, querendo, possa manifestarse a seu respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. 9. É a resolução. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. 1 "Com o advento da Medida Provisória nº 497, de 17/07/2010 (convertida na Lei nº 12.350/2010, cujo artigo 32 deu nova redação ao artigo 17 da lei nº 11.774/2008), admitiuse o adimplemento do compromisso de exportação mediante a substituição dos produtos importados. Citase a Lei nº 12.350/2010: (...) A regulamentação citada é expressa quanto à irretroatividade. Aplicase apenas a fatos geradores ocorridos a partir de 28 de julho de 2010. Rejeitamse os argumentos de impugnação em sentido contrário." 2 A título de exemplo convém destacar ementa extraída do acórdão n. 3402004.114, de Relatoria do Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto, "in verbis": "ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 03/11/1998 a 03/04/2002 DRAWBACK SUSPENSÃO. PRINCIPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA. O regime aduaneiro especial de drawback suspensão, consoante os termos da Lei 11.774/2008, não exige a comprovação da vinculação física entre insumos importados e os produtos finais exportados utilizados para comprovação dos termos avençados no ato concessório, desde que atendidos certos quesitos a que norma se refere. Tampouco exige contabilidade segregada para insumos importados sob essa modalidade." Fl. 4525DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15889.000523/2008-41
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005
CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. EFEITOS DA OMISSÃO DE RECEITA.
Diante da similitude entre acórdão recorrido e paradigma, é conhecido o recurso especial.
OMISSÃO DE RECEITA. LEI 9.249/1995, ART. 24. LEI 9.430/1996, ART. 42, §2º. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO PELA SISTEMÁTICA DO SIMPLES.
Diante da omissão de receita, de acordo com o artigo 24, da Lei nº 9.249/1995, "a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão."
Na hipótese de presunção de omissão de receita, o artigo 42, §2º, da Lei nº 9.430/1996 reforça a possibilidade de lançamento na forma procedida pelo auditor fiscal autuante, submetendo o contribuinte "às normas de tributação específica".
Numero da decisão: 9101-003.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto) e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Flávio Neto.
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2005 CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. EFEITOS DA OMISSÃO DE RECEITA. Diante da similitude entre acórdão recorrido e paradigma, é conhecido o recurso especial. OMISSÃO DE RECEITA. LEI 9.249/1995, ART. 24. LEI 9.430/1996, ART. 42, §2º. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO PELA SISTEMÁTICA DO SIMPLES. Diante da omissão de receita, de acordo com o artigo 24, da Lei nº 9.249/1995, "a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão." Na hipótese de presunção de omissão de receita, o artigo 42, §2º, da Lei nº 9.430/1996 reforça a possibilidade de lançamento na forma procedida pelo auditor fiscal autuante, submetendo o contribuinte "às normas de tributação específica".
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VACCARO COMÉRCIO DE ISOLANTES LTDA EPP Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. EFEITOS DA OMISSÃO DE RECEITA. Diante da similitude entre acórdão recorrido e paradigma, é conhecido o recurso especial. OMISSÃO DE RECEITA. LEI 9.249/1995, ART. 24. LEI 9.430/1996, ART. 42, §2º. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO PELA SISTEMÁTICA DO SIMPLES. Diante da omissão de receita, de acordo com o artigo 24, da Lei nº 9.249/1995, "a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão." Na hipótese de presunção de omissão de receita, o artigo 42, §2º, da Lei nº 9.430/1996 reforça a possibilidade de lançamento na forma procedida pelo auditor fiscal autuante, submetendo o contribuinte "às normas de tributação específica". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 05 23 /2 00 8- 41 Fl. 686DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto) e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Flávio Neto. Relatório Tratase de processo originado pela lavratura de Autos de Infração na sistemática do Simples Federal (fls. 2/64), diante da apuração de omissão de receitas presumida pela constatação de depósitos bancários não escriturados ao longo do ano de 2005, com imposição de multa de 75% (fls. 2/64). Extraise do Termo de Verificação e Constatação Fiscal: 1. A presente fiscalização abrangeu o ano calendário 2005 e versou sobre as incidências do SIMPLES (Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, instituído pela Lei 9.317/1996), visando verificação de movimentação financeira incompatível com a receita bruta declarada. (...) 4. Confrontamos os valores de CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) constantes nos extratos apresentados pelo contribuinte com aqueles informados pelos bancos em DCPMF (Declaração de Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) e constatamos divergências (valores de CPMF nos e extratos menor do que os declarados pelo banco). 4.1. Solicitamos e foram emitidas Requisições de Informação sobre Movimentação Financeira — RMF nos termos do § 4º do art. 4º do Decreto 3.724/2001. 5. Prosseguimos a fiscalização intimando o contribuinte, em 04/08/2008, a apresentar o ato constitutivo e eventuais alterações e a contabilidade. 5.1. Em 11/08/2008, apresentou o ato constitutivo e alterações e solicitou prazo para apresentação do Livro Caixa em virtude de acumulo de serviços no escritório de contabilidade. 5.2. Em 18/08/2008, apresentou o Livro Caixa. Fl. 687DF CARF MF Processo nº 15889.000523/200841 Acórdão n.º 9101003.904 CSRFT1 Fl. 687 3 6. Recebidos os extratos através dos bancos, conciliamos os lançamentos e expurgamos os créditos e depósitos em contas correntes com origem comprovada: créditos provenientes de transferências de mesma titularidade; empréstimos, estornos e afins (que não representavam receita bruta). 7. Em 23/09/2008, intimamos o contribuinte a comprovar a origem dos valores creditados e/ou depositados em suas contas correntes após os expurgos citados. 7.1. Em 13/10/2008 (2a feira), o contribuinte justificou que não poderia apresentar tais documentos em virtude de desorganização provocada por mudança recente na empresa. Não solicitou dilação do prazo para apresentação. 7.2. Alegou que os depósitos/créditos em contas correntes não se refeririam a • vendas de mercadorias ou serviços, mas refletiam "movimentações bancárias". 8. Durante a fiscalização, concedemos os prazos solicitados pelo contribuinte considerando que ele demonstrava esforço em apresentálos em boa medida, notadamente os extratos bancários e livro caixa (Principio da Razoabilidade — art. 2° da Lei 9.784/1999). 8.1. Entretanto, ao final, não comprovou documentalmente a origem dos valores creditados/depositados em suas contas correntes e, tampouco, solicitou prazo para fazêlo. (...) AS INFRAÇÕES APURADAS 9. Na fiscalização, apuramos as seguintes infrações: a) Omissão de Receitas decorrentes de Depósitos Bancários não Escriturados. b) Insuficiência de Recolhimentos. 10.A empresa teve uma movimentação financeira bancária anual de R$ 3.680.947,47 (três milhões, seiscentos e oitenta mil, novecentos e quarenta e sete reais e quarenta e sete centavos) já desconsiderados os valores decorrentes de transferências entre contas de mesma titularidade e demais expurgados (ver demonstrativo em anexo). 10.1. Esses valores não foram escriturados no Livro Caixa apresentado fiscalização (cópia do Livro em anexo). 10.2. Em sua Declaração Anual Simplificada — DAS (recepcionada eletronicamente em 08/05/2006, às 13:18m:26s), a empresa declarou uma receita bruta anualde R$ 145.277,82. Os valores mensais foram considerados nos lançamentos fiscais. Fl. 688DF CARF MF 4 10.3. Instada a comprovar a origem dos depósitoscréditos em bancos, a empresa não o fez (veja termos em anexo). 11. A Insuficiência de recolhimentos decorreu da aplicação de alíquotas progressivas em função dos valores de receita bruta. 11.1. A contribuinte recolheu valores mediante aplicação de alíquota decorrente da receita bruta que declarou (Declaração Anual Simplificada — DAS art. 7° da Lei 9.317/1996). 11.2. Entretanto, esta fiscalização apurou uma receita bruta superior a declarada e, portanto, as alíquotas foram majoradas em função da progressão estabelecida no art. 5° c/c art. 23 da Lei 9.317/1996. 11.3. Também, pelo §3º do art. 23 da mesma lei, as alíquotas sofreram majoração de 20% a partir do mês 03/2005 pelo que excedeu, no ano, o limite para o enquadramento no SIMPLES. Diante da apresentação de impugnações administrativas, a Delegacia da REceita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (fls. 410, volume 4, pdf 10) manteve em parte os lançamentos, excluindo irrisórios valores da base de cálculo: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 DEPÓSITO BANCÁRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Por presunção legal contida na Lei 9.430, de 27/12/1996, art. 42, os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. OMISSÃO DE RECEITAS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Apurada omissão de receita e estando a empresa submetida às regras de tributação do SIMPLES, já que dele não houve a exclusão para o período fiscalizado, os lançamentos devem ser realizados de acordo com as regras do SIMPLES no período de apuração a que corresponder a omissão. O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls.), ao qual a 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deu parcial provimento ao recurso, para exclusão de R$ 10.000,00 da base de cálculo (fls 576, acórdão 110300556), conforme acórdão cuja ementa é a seguir colacionada: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 Fl. 689DF CARF MF Processo nº 15889.000523/200841 Acórdão n.º 9101003.904 CSRFT1 Fl. 688 5 EXCLUSÃO DO SISTEMA. TRANSPOSIÇÃO DO LIMITE DE RECEITA BRUTA ANUAL. MARCO TEMPORAL DOS EFEITOS. É vedada a permanência no regime do SIMPLES à pessoa jurídica que, na condição de microempresa ou empresa de pequeno porte, ultrapassou os limites de receita bruta no ano calendário. Os efeitos da exclusão do regime simplificado, quando ultrapassado o limite da receita bruta anual, operamse a partir do anocalendário subseqüente àquele em que se deu a causa. Verificada a omissão de receita aplicamse os percentuais legalmente previstos sobre os valores mensais auferidos para a determinação dos impostos e contribuições devidos DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITA OU RENDIMENTOS. Caracteriza omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O Procurador foi intimado quanto ao acórdão em 01/02/2012. O contribuinte, intimado em 09/04/2012 (fls. ), interpôs recurso especial em 23/04/2012, no qual alega divergência jurisprudencial quanto: (i) aos artigos 14, II, V e 15, V, da Lei nº 9.317/1996, com os acórdãos paradigmas nº: (i.a) 180300074, no qual se decidiu que: “a omissão de receita comprovada por pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, praticada em meses sucessivos, caracteriza a prática reiterada de infração tributária, bastante para a exclusão da optante do SIMPLES”; (i.b) 10809746, verbis: "“a omissão de receita comprovada por pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, praticada em meses sucessivos, caracteriza a prática reiterada de infração tributária, bastante para a exclusão da optante do SIMPLES”; (ii) à ausência de comprovação dos sinais exteriores de riqueza identificando os seguintes paradigmas: (ii.a) 10417641, do qual se extrai: "o lançamento com base em depósito bancários somente pode prosperar se comprovado o nexo causal entre o depósito e o fato que representa omissão de rendimento"; (ii.b) 10417430, verbis: "É imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza". Fl. 690DF CARF MF 6 O recurso especial foi admitido em parte pelo então Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção, conforme trechos a seguir reproduzidos (fls. 658) No recurso, a recorrente sustenta a existência de divergência jurisprudencial com relação a dois pontos, por ela assim identificados: 1) impossibilidade de adoção do regime do Simples Federal por parte da fiscalização; 2) ausência de comprovação dos sinais exteriores de riqueza por parte do Fisco. (...) No que toca ao primeiro ponto, afirma a recorrente que, uma vez não foram apresentados documentos que pudessem justificar a movimentação financeira detectada, e que depósitos bancários não foram levados a registro no livro Caixa, cuja escrituração é obrigatória aos optantes do regime de tributação do Simples, conforme decidiu o próprio colegiado nos excertos do voto condutor que transcreve, então obrigatoriamente a empresa teria de ter sido excluída de oficio do Simples Federal no mês de ocorrência destas irregularidades, consoante foi defendido no recurso voluntário apresentado. Contudo, o acórdão recorrido manteve a empresa no Simples, estatuindo que sua exclusão somente surtiria efeitos no ano calendário seguinte, em razão do excesso do limite da receita para a permanência naquele regime. Como paradigmas, a recorrente apresentou os acórdãos no 180300.074 e 108 09.746 (...): No que toca ao segundo ponto, afirma a recorrente que não há como concordar com o entendimento exarado no acórdão recorrido “pois o Fisco deveria, sim, ter demonstrado eventuais sinais exteriores de riqueza do contribuinte, até mesmo para demonstrar a capacidade contributiva deste.” Como paradigmas, a recorrente apresentou os acórdãos no 104 17.641 e 10417.430 (...) Com relação à primeira divergência apontada, o contexto fático do caso concreto é substancialmente o mesmo que o do primeiro paradigma, na medida em que também se trata de empresa optante pelo regime do Simples, com relação à qual foi promovida autuação por omissão de receitas decorrentes de depósitos bancários não escriturados ao longo de diversos períodos de apuração. E, enquanto no acórdão paradigma, foi interpretada como correta a exclusão da empresa com efeitos no mês de fevereiro de 2001 (a empresa foi autuada com base na movimentação financeira detectada nos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003), no acórdão recorrido foi considerada correta a manutenção da empresa no regime simplificado durante todo o ano de 2005, no qual foi detectada a movimentação financeira não escriturada, conforme se verifica no seguinte excerto do voto condutor: (...) Já com relação ao segundo paradigma, o seu contexto fático se distancia um pouco do contexto no caso dos autos, na medida em que, apesar de também envolver a apuração de omissão de receitas por parte de empresa optante pelo Simples, tratava de situação relativa a uma empresa que se declarava inativa perante o fisco federal, tendo a omissão sido apurada pelo Fl. 691DF CARF MF Processo nº 15889.000523/200841 Acórdão n.º 9101003.904 CSRFT1 Fl. 689 7 confronto entre as declarações prestadas aos fiscos estadual e federal. Assim, as circunstâncias fáticas que ensejaram a exclusão do Simples, no caso, exibem peculiaridades distintas. (...) Com relação à segunda divergência apontada, contudo, não merece seguimento o recurso. (...) A divergência jurisprudencial apta a ensejar o recurso especial só se caracteriza quando, em situações idênticas, e em face do mesmo arcabouço normativo, são adotadas soluções diversas. Portanto, não há que se falar em divergência jurisprudencial quando estão sob confronto acórdãos proferidos em face de legislações substancialmente distintas entre si, como é o caso. Considerando que, consoante o exposto no presente despacho, apenas com relação a um item alegado pela recorrente foi demonstrada a necessária divergência jurisprudencial, pressuposto regimental para a sua admissibilidade, DOU PARCIAL SEGUIMENTO AO RECURSO ESPECIAL interposto pelo sujeito passivo ANDRÉ LUIZ VACCARO – ME, com relação ao seguinte ponto: impossibilidade de adoção do regime do Simples Federal por parte da fiscalização. O Presidente da CSRF confirmou a negativa parcial de seguimento ao recurso (fls. 664). O contribuinte foi intimado quanto a estas decisões em 11/09/2015 (fls. 675). A Procuradoria apresentou contrarrazões ao recurso especial (fls. 679) requerendo seja negado seguimento ao recurso e, sucessivamente, negado provimento. É o relatório. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora O recurso especial do contribuinte é tempestivo, mas reavalio as condições para o seu conhecimento, diante das contrarrazões apresentadas pela Procuradoria. Em síntese, alega que: "Em relação à matéria apresentada como divergente pelo contribuinte, a Egrégia Turmas não escreveu uma linha, tampouco o recorrente apresentou embargos de declaração para sanar a omissão apresentada". Assim, pede aplicação das Súmulas STF 356 e 282, como da Súmula STJ 211. Lembro os termos do voto condutor do acórdão recorrido, de lavra do exConselheiro José Sergio Gomes: Quanto ao mérito propriamente dito, importa à questão o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que Fl. 692DF CARF MF 8 trata de presunção relativa quando a pessoa jurídica não logra comprovar a origem dos recursos utilizados nas operações de depósitos ou de investimentos em conta mantida junto a instituição financeira. (...) Verificada a omissão de receita cumpre à autoridade tributária determinar o valor dos tributos de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão (artigo 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995). Em sendo empresa inscrita no SIMPLES, e não havendo sua exclusão do referido sistema no ano fiscalizado (2005), os valores devidos mensalmente pela empresa autuada devem ser determinados mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos percentuais definidos na lei do regime simplificado. O invocado desenquadramento da empresa do regime do SIMPLES em face do ultrapasse do limite anual de receita só se opera ou surte efeitos a partir do anoseguinte em que verificada dita situação excludente, consoante estatui o artigo 15, inciso IV, da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Noutro giro, o desenquadramento por atividade vedada como, por exemplo, a de representante comercial, surte efeitos a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação, consoante este mesmo artigo 15, inciso II, que não se aplica ao presente caso pelas razões deduzidas no início deste voto. A Turma julgadora, portanto, analisou a imposição tributária à luz do artigo 24, da Lei nº 9.249/1995 e 15, VI, da Lei nº 9.317/1996, que prescrevem: Lei nº 9.249/1995: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. Lei 9.317/1996 Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: II a partir do mês subseqüente ao em que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XVIII do art. 9º; Ao assim decidir, entendeu que o regime jurídico aplicável para a tributação da receita omitida era o regime a que estava submetida a contribuinte, definindo o momento da produção dos efeitos da exclusão do Simples. O contribuinte apresentou recurso especial no qual sustenta a impossibilidade de adoção da sistemática do Simples Federal para apuração da receita omitida, tanto porque a Lei nº 9.317/1996 é posterior à Lei 9249/1995, quanto porque "a recorrente sequer preenche os requisitos da lei do Simples Federal". Sustenta, ainda, que se não escriturou corretamente o livro Caixa era obrigatória a sua exclusão do Simples Fl. 693DF CARF MF Processo nº 15889.000523/200841 Acórdão n.º 9101003.904 CSRFT1 Fl. 690 9 Federal, como prevê o artigo 14, II e V, da Lei nº 9.317/1996. O acórdão paradigma apresentado é nesse sentido. Com efeito, extraise do relatório do acórdão paradigma 180300074: Tratase de ação fiscal realizada na empresa em epígrafe com a lavratura dos autos de infração, relativamente ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — Simples, crédito tributário de R$ 2.125,26 (fls. 08/09); à Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS/Simples, crédito tributário de R$ 2.125,26 (fls. 12/13); à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS/Simples, crédito tributário de R$ 26.224,99 (fls. 21 a 23); à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL/Simples, crédito tributário de R$ 13.112,47 (fls. 16 a 18) e à Contribuição para Seguridade Social — INSS/Simples, crédito tributário de R$ 28.513,70 (fls. 26 a 28) relativamente ao fato gerador ocorrido em janeiro de 2001. (..) Constatada expressiva movimentação financeira em contas correntes bancárias nos anoscalendário 2001, 2002 e 2003 em montante bem superior aos declarados o contribuinte foi intimado a apresentar os extratos bancários. Tendo em vista a recusa injustificada foram expedidas RMF junto às instituições financeiras. A análise dos extratos bancários demonstrou vultosos créditos cujas origens não foram justificadas. Foram apuradas as seguintes infrações: a) omissão de receitas — depósitos bancários não escriturados; b) insuficiência de recolhimento em função da mudança de faixa de incidência do Simples quando a receita mensal omitida somada à receita declarada implica em mudança de aliquota. Em virtude de prática reiterada de infração à legislação tributária, a empresa foi excluída do Simples a partir de fevereiro de 2001. Assim a empresa foi autuada com base no Simples no mês de janeiro de 2001. Diante deste quadro fático decidiu a Turma prolatora do acórdão paradigma 180300074: Com relação a exclusão da sistemática do SIMPLES (Lei n° 9.317/96), embora não tenha efeito prático no presente processo em virtude da exoneração total do crédito tributário objeto do lançamento, impõese a sua apreciação, tendo em vista que as exigências dos demais períodos fiscalizados (AC 2002 e 2003), objeto de processo fiscal distinto, dependem do decidido no presente. No tocante a exclusão da sistemática do SIMPLES (Lei n° 9.317/96), apresentase escorreita a decisão de primeira instância que indeferiu a manifestação de inconformidade. Fl. 694DF CARF MF 10 Com efeito, com relação à afirmação de que a o dispositivo contido no inciso V do art. 14 da Lei n° 9.317/96, representa norma penal em branco, dependente de regulamentação não assiste razão a interessada. (...) Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 734/744) que acompanhou a representação fiscal (fls. 731/732) que sustentou o ato de exclusão do SIMPLES, foi imputada a prática de omissão sistemática de receitas nos anos calendários 2001, 2002 e 2003; omissão na entrega da Declaração Simplificada SIMPLES no ano calendário 2003; falta de escrituração do Livro Caixa ou escrituração contábil e toda documentação comprobatória de suas operações. Diante de tão exuberante conjunto probatório, comprovando a prática reiterada à legislação tributária, não rechaçada em momento algum pela recorrente, não se sustentam suas alegações de nulidade do ato de exclusão da sistemática de recolhimento simplificado SIMPLES (Lei nº 9.317/96) Notase a similitude do caso do acórdão 180300074 com o caso destes autos: ambos tratam de empresas enquadradas no Simples Federal, que omitiram substancial receita, concluindo os auditores fiscais no acórdão paradigma por excluir a pessoa jurídica do Simples, enquanto o acórdão paradigma manteve a tributação pelo Simples à luz do artigo 24, da Lei nº 9.249/1995. Ao contrário do que sustenta a Procuradoria recorrida o contribuinte demonstrou a divergência apta ao conhecimento do recurso. Assim, entendo pelo conhecimento do recurso, tanto pela similitude fática quanto pela divergência na interpretação da lei tributária, rejeitando pedido da Procuradoria para não conhecimento. Passo à análise do seu mérito. No caso dos autos, o TVF aplicou o artigo 24, da Lei nº 9.249, para impor a tributação sobre receita omitida: Lei nº 9.249/1995: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. A Turma Ordinária julgou o caso à unanimidade, mantendo o auto de infração, eis que regular a tributação sob a sistemática do Simples Federal, à luz do artigo 24, da Lei nº 9.249 e do artigo 42, da Lei nº 9.430/1996: Quanto ao mérito propriamente dito, importa à questão o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que trata de presunção relativa quando a pessoa jurídica não logra comprovar a origem dos recursos utilizados nas operações de depósitos ou de investimentos em conta mantida junto a instituição financeira. (...) Fl. 695DF CARF MF Processo nº 15889.000523/200841 Acórdão n.º 9101003.904 CSRFT1 Fl. 691 11 Verificada a omissão de receita cumpre à autoridade tributária determinar o valor dos tributos de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão (artigo 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995). Em sendo empresa inscrita no SIMPLES, e não havendo sua exclusão do referido sistema no ano fiscalizado (2005), os valores devidos mensalmente pela empresa autuada devem ser determinados mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos percentuais definidos na lei do regime simplificado. O acórdão recorrido não merece reparos. A presunção de omissão de receita é prevista pelo artigo 42, da Lei nº 9.430/1996, da forma seguinte: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. (...) O próprio §2º, do artigo 42, especifica que a omissão de receita estará submetida às "normas de tributação específica". A tributação de acordo com o regime a que está submetido o contribuinte é a regra, reforçada pelo artigo 24, da Lei nº 9.249/1995, acima reproduzida. O contribuinte pede a este Colegiado a aplicação do artigo 14, II e V, da Lei nº 9.317/1996, para exclusão do Simples Federal. É o teor do artigo 14, incisos II e V: Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: II embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiver obrigada, bem assim pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da Fl. 696DF CARF MF 12 força pública, nos termos do art. 200 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Sistema Tributário Nacional); V prática reiterada de infração à legislação tributária A situação do inciso II (embaraço à fiscalização) sequer foi vislumbrada pela fiscalização. Aliás, não há necessária constatação de embaraço à fiscalização no caso da omissão de receita referida pelo artigo 42, da Lei nº 9.430 (crédito em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações). A situação tratada pelo artigo 14, V (prática reiterada de infração à lei), tampouco foi mencionada pela fiscalização. Diante disso, conheço e nego provimento ao recurso especial do contribuinte, mantendo o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 697DF CARF MF
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