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Numero do processo: 10730.900913/2009-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/12/2004
CONTRATO DE FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. ENERGIA ELÉTRICA. PREÇO PREDETERMINADO.
O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei 10.833/03, fosse não abarcar, na hipótese em estudo, os contratos com preço preestabelecido e cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado.
Numero da decisão: 3302-002.604
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. O conselheiro Walber José da Silva apresentará declaração de voto.
(Assinado Digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO - Relator.
EDITADO EM: 16/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Mônica Elisa de Lima, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
Sustentação Oral: Luis Felipe Krieger Moura Bueno OAB/RJ 117908.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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ENERGIA ELÉTRICA. PREÇO PREDETERMINADO. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei 10.833/03, fosse não abarcar, na hipótese em estudo, os contratos com preço preestabelecido e cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. O conselheiro Walber José da Silva apresentará declaração de voto. (Assinado Digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 90 09 13 /2 00 9- 83 Fl. 508DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 2 EDITADO EM: 16/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Mônica Elisa de Lima, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Sustentação Oral: Luis Felipe Krieger Moura Bueno – OAB/RJ 117908. Relatório Adotase o relatório, por bem refletir a contenda. “Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica – não homologada de débito de CSLL (cód. 248401), relativo ao período de apuração de dez/05, com crédito oriundo de pagamento considerado indevido, a título de Cofins (cód. 5856) recepcionada pela RFB em 31/01/2006, tudo conforme se verifica na cópia da PerdComp constante dos autos. A autoridade fiscal não homologou a compensação efetuada, pois entendeu inexistir o direito creditório declarado (fl. 271). Cientificada da decisão (fl. 275), em 04/03/09, a contribuinte apresentou, em 03/04/09, Manifestação de Inconformidade (fls. 03/10) alegando, em resumo, que: 1. reconhece que parte da compensação que efetuou foi indevida, pois usou Taxa SELIC acumulada em percentual incorreto, por este motivo recolherá a diferença; 2. quanto ao restante da compensação declarada, a incorreção é do despacho decisório; 3. contribuiu involuntariamente para o equívoco do despacho decisório, pois prestou informações incorretas em documentos fiscais; 4. firmou contratos a preços predeterminados, antes de 31/10/03, com FURNAS, GERASUL/TRACTEBEL, CERJ/AMPLA e SAMARCO, aprovados pela ANEEL, e com prazo de duração superior a um ano; 5.as receitas decorrentes de tais contratos estavam sujeitas à Cofins cumulativa (art. 10, Lei nº 10.833/03); 6. na mesma direção opinou a ANEEL pelo ofício nº 1.431/2006SFF/ ANEEL, juntado ao presente recurso; 7. equivocadamente, as referidas receitas foram declaradas como sujeitas ao Pis/Cofins nãocumulativos; 8. ao perceber a falha retificou a contabilidade, mas olvidou de retificar a DCTF; Fl. 509DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10730.900913/200983 Acórdão n.º 3302002.604 S3C3T2 Fl. 3 3 9. ao constatar a situação apresentou Per/Dcomp’s, mas cometeu novo equívoco, ensejando compensação parcialmente indevida, cujo débito será quitado como já exposto; 10. ao não retificar a DCTF, induziu a Autoridade a quo a supor que inexistia crédito a restituir/compensar; 11. não obstante os erros que estão sendo corrigidos, é indubitável seu direito de reaver o valor recolhido a maior. A contribuinte requer a homologação da compensação declarada. Em 20/04/10, a contribuinte, em Aditamento à Manifestação de Inconformidade, solicita juntada de novas peças aos autos (fls. 279/318). Os autos foram baixados em diligência (fls. 319/320) para a Autoridade a quo: (1) confirmar as receitas decorrentes de cada contrato no período de apuração do crédito;(2) discriminar e quantificar em tabela específica, quando houver, o crédito relativo a cada contrato. A Delegacia de origem, então, informou (fl. 420 e seguintes) que a receita bruta somada à receita recebida no mês em exame (07/04) diminuída da receita diferida resultava no total de R$ 46.782.975,14, até um pouco acima daquilo que fora informado pela contribuinte equivocadamente, segundo alega, como submetida ao regime cumulativo: R$ 45.995.553,30. A Delegacia, porém, informou que o valor retido efetivo não correspondia ao considerado pela contribuinte (fl. 424). Cientificada, a contribuinte aditou sua Manifestação de Inconformidade, onde alegou, em resumo, que: 1. a diligência constatou que as receitas vinculadas aos contratos no período equivalem ao valor das receitas consideradas no regime cumulativo; 2. divergiu, porém, do total retido, pois a requerente não conseguiu localizar os documentos comprobatórios; 3. optou por desprezar a citada diferença na composição do seu direito creditório recolhendo em 10/02/12, os créditos que com ela foram compensados. Pede o reconhecimento do direito creditório no valor remanescente, homologando sua compensação.” Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da 5ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Intimada do acórdão supra em 03.05.2012, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 04.06.2012. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 4 É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Inicialmente, faço referência às duas causas de nulidade invocadas pelo contribuinte. A primeira, quanto aos termos da IN no. 21/79, conquanto interessante a observação do conceito de contrato prédeterminado com entidades governamentais, não creio que afete esse julgamento, posto que a questão aqui decidida o será por força da própria Lei. A segunda, quanto à inobservância do art. 30 do RPAF, não creio também ser aplicável in casu, uma vez que os pareceres mencionados e que são de vinculação obrigatória são os proferidos pelo Ministério da Fazenda e seus órgãos, e ainda assim dentro de certos parâmetros. Afasto portanto as preliminares de nulidade. Quanto ao mérito, a recorrente alega que, equivocadamente apurou a contribuição do PIS/COFINS com incidência nãocumulativa, quando o correto, segundo seu entendimento, seria com incidência cumulativa. Ao ser julgada sua manifestação, a autoridade julgadora de primeira instância entendeu de forma contrária, ou seja, que estava correta a apuração da base de cálculo do PIS/COFINS com incidência não cumulativa, e manteve a não homologação da compensação do débito fiscal, inexistindo, portanto, o direito creditório da Recorrente. Nos termos do artigo 10 da Lei nº 10.833/03, combinado com o artigo 109 da Lei nº 11.196/05, as receitas provenientes de contratos predeterminados estão sujeitas ao regime cumulativo, no seguinte sentido: “Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (Produção de efeito) (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa Fl. 511DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10730.900913/200983 Acórdão n.º 3302002.604 S3C3T2 Fl. 4 5 jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; (...) Lei nº 11.196/05 “Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003.” Tal determinação aplicase ao PIS, conforme redação dada pela Lei nº 10.865/04: “Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1º e 2º do art. 10 desta Lei; (...)” No mesmo sentido, são as prerrogativas prescritas nos artigos 2º e 3º da IN/SRF nº 658/2006: “Do Regime de Incidência Art. 2 º Permanecem tributadas no regime de cumulatividade, ainda que a pessoa jurídica esteja sujeita à incidência não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: I com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil; II com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; III de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem assim os contratos Fl. 512DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 6 posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas em processo licitatório até aquela data; e IV com prazo superior a 1 (um) ano, de revenda de imóveis, desmembramento ou loteamento de terrenos, incorporação imobiliária e construção de prédio destinado à venda. Do Preço Predeterminado Art. 3 º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1 º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2 º Ressalvado o disposto no § 3 º , o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2 º , da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei n º 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3 º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1 º do art. 27 da Lei n º 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado.” Pois bem, conforme exposto no acórdão recorrido, para ser possível a adoção do regime cumulativo, devese preencher alguns requisitos, sendo dentre eles os seguintes: 1. receita auferida com o fornecimento de bens e/ou serviços; 2. o contrato tenha sido firmado antes de 31/10/03; 3. contrato para um período superior a 1(um) ano; 4. o preço dos bens e/ou serviços fornecidos seja predeterminado. Também, conforme relatado no acórdão proferido pela DRF do Rio de Janeiro, consta dos autos que o Recorrente firmou contratos de fornecimentos de energia elétrica com 05 (cinco) empresas, sendo que da análise desses contratos os i. julgadores elaboraram o seguinte quadro: CONTRATO FURNAS GERASUL (Tractebel) CERJ (Ampla) SAMARCO COELCE (fl. dos autos) (43) (101) (160) (240) (254) Fl. 513DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10730.900913/200983 Acórdão n.º 3302002.604 S3C3T2 Fl. 5 7 Bem / serviço En. elétrica En. elétrica En. elétrica En. elétrica En. elétrica Data 05/05/98 20/10/99 26/06/02 30/09/03 14/10/02 Prazo 20 anos 20 anos 20 anos 30/09/03 a 31/12/06 01/01/03 a 31/12/04 Preço PRÉ p/u PRÉ p/u PRÉ p/u PRÉ p/u PRÉ p/u De todo exposto, o ponto crucial para dirimir a controvérsia, provém da definição de contrato a preço predeterminado. O parágrafo 3º do art. 3º da IN 658/2006, supracitado prescreve que “O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado”. Nesse mesmo sentido é o artigo 109 da Lei n 11.196/06 acima mencionada. Vimos que dispor acerca dos “reajustes de preços” o legislador referese, apenas a reajustes comuns aplicados a quaisquer contratos, de forma genérica, de forma a melhor refletir a variação dos custos de produção e custos dos insumos utilizados. Assim, aplicandose os índices do mercado, caracterizado está o atendimento da exigência do parágrafo 3º da IN nº 658/06, onde está determinado que o reajustes não pode ultrapassar essa variação prescrita na legislação. Todavia, de forma equivocada ao julgar a manifestação de inconformidade da ora Recorrente, os i. julgadores entenderam que, devido aos contratos serem ajustados anualmente, pelos reais índices inflacionários, no caso o IGPM, a partir desse reajuste a Recorrente deveria computar suas receitas através do regime da nãocumulatividade, pois teria ocorrido neste caso a alteração no preço do fornecimento, o que impõe a exclusão do regime cumulativo. Não compartilho desse entendimento, pois o reajuste de preços realizados anualmente, não descaracteriza os contratos a “preço predeterminado”. Conforme exposto pelo i. Conselheiro relator Ivan Allegretti, em seu voto proferido no acórdão nº 3403002.248: “Quanto ao cerne da aplicação do parágrafo 3º do art. 3º da IN 658/2006 e do art. 109 da Lei nº 11.196/2005, entendo que se destinam deliberadamente a impedir que se possa interpretar a simples aplicação de reajuste como critério para descaracterizar o contrato a “preço predeterminado”. Isto, aliás, justifica a determinação do parágrafo único do art. 109 da Lei nº 11.196/2005, de que tal interpretação deve ser tomada em conta desde 1º novembro de 2003, ou seja, tal como se imprimisse efeito declaratório à interpretação do que seja contrato por preço predeterminado, previsto no art. 10, XI, da Lei nº 10.833/03. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 8 Esta nova Lei, portanto, teve a finalidade de integrar o sentido da Lei anterior. A intenção, ao que tudo indica, foi a de alinharse à interpretação que os Tribunais já vinham pronunciando para o dispositivo da Lei nº 10.833/05, antes da Lei nº 11.196/05 ter vindo à lume.” (CARF – Acórdão nº 3403002.248. Rel. Ivan Allegretti. Sessão 23.05.2013) Neste sentido, o Judiciário sem exceção, tem reconhecido o direito dos contribuintes nessa situação. Citemos os seguintes julgados: “TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. LEI 10833/2003. NÃO CUMULATIVIDADE. EXCEÇÃO À REGRA ESTABELECIDA PELO ARTIGO 10, INCISO XI, CC. ARTIGO 15, INCISO V, DA LEI N° 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 468/04. ILEGALIDADE. REVOGADA PELA LEI No 11.196, DE 21 DE NOVEMBRO DE 2005. 1. Discutese a validade da tributação na forma preconizada pelo artigo 10, inciso XI, cc. artigo 15, inciso V, da Lei n° 10.833/03, diante do contrato de concessão firmado com o Poder Público, antes de 31 de outubro de 2003, por período certo, superior a um ano, e a preço determinado, não se sujeitando a ilegal INSRF n° 468/04, que, desbordando do texto legal e alterando os critérios de tributação traçados pela lei, definiu o que vem a ser preço determinado. 2. A INSRF n° 468/04 conferiu interpretação equivocada ao inciso XI, alínea “c” do artigo 10 da Lei 10.833/03. 3. A Lei 11.196, de 21 de novembro de 2005, tratou de dissipar eventual dúvida de interpretação nesse sentido, dispondo sobre o tema, em seu artigo 109, que: “Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003.” 4. Apelação e remessa oficial improvidas.” (TRF 3ª Região. Rel. ELIANA MARCELO. MAS 200561000030246. DJ 06/12/2007) “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PIS. COFINS. PERMANÊNCIA NO REGIME DA CUMULATIVIDADE. CONTRATO DE FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. ENERGIA ELÉTRICA. PREÇO PREDETERMINADO. CLÁUSULA DE REAJUSTE. REQUISITOS DO ART. 10, XI, B, DA LEI 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 658/06. INADEQUAÇÃO. COMPENSAÇÃO. TAXA SELIC. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10730.900913/200983 Acórdão n.º 3302002.604 S3C3T2 Fl. 6 9 1. A Secretaria da Receita Federal, ao editar as INs SRF 468/04 e 658/06, impediu que contratos, embora se subsumindo as hipóteses previstas na Lei 10.833/03, usufruam o regime da cumulatividade, uma vez que alterou o conceito de preço predeterminado, ao entender que a mera atualização monetária acarreta mudança no preço. 2. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei 10.833/03, fosse não abarcar, na hipótese em estudo, os contratos com preço preestabelecido e cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. 3. Essa desclassificação da natureza jurídica dos contratos com preço preestabelecido pela Receita Federal encontra óbice na inadequação do veículo utilizado: a instrução normativa. 4. Diante da evolução da legislação reguladora da compensação tributária, resta autorizada a compensação de créditos decorrentes do recolhimento indevido a título de PIS e COFINS na sistemática da nãocumulatividade, corrigidos monetariamente pela taxa SELIC, com qualquer tributo arrecadado e administrado pela Secretaria da Receita Federal, ainda que o destino das arrecadações seja outro, nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96. 5. Remessa oficial a que se nega provimento.” (TRF 1ª Região. Rel. Des. Fed. MARIA DO CARMO CARDOSO. REOMS 200536000125322. DJ 9/3/2007) grifos nossos A Secretaria da Receita Federal, de forma equivocada, bem como utilizando se de norma inadequada para a alteração da legislação, no caso a Instrução Normativa, tentou impedir que os contratos por preços predeterminados usufruíssem do regime da cumulatividade, por entender que a mera atualização monetária acarretaria a mudança no preço, entendimento do qual não compartilho. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei 10.833/03, fosse não abarcar, os contratos com preço preestabelecido e cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Ademais, conforme exposto pela Recorrente, a APINE – Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica – protocolou consulta com fins de averiguar a possibilidade do “enquadramento dos índices utilizados para reajuste de preços dos contratos de compra e venda de energia elétrica celebrados anteriormente a 31/10/2003, nas disposições do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069/95 e, consequentemente, no art. 109 da Lei nº 11.196/05 e no § 3º da IN SRF nº 658/06, sejam eles o IGPM ou quaisquer previstos nos contratos padronizados, nos contratos aprovados e/ou homologados pela ANEEL ou contratos celebrados com condições específicas, com base na regulamentação vigente à época”, cuja resposta provém do Ofício nº 1431/2006SFF/ANEEL, no seguinte sentido: Fl. 516DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 10 “ (...) Resta, portanto, hialino que o IGPM é índice que se amolda ao comando legal do art. 27 da Lei nº 9.069/95 e, consequentemente, no art. 109 da Lei nº 11.196/05 e no § 3º da instrução Normativa SRF nº 658, de 04 de julho de 2006. (...)” De outra parte, resta ainda esclarecer que, conquanto tais fatos não tenham sido objeto da Nota Técnica nº 224/2006 – SFF/ANEEL, de 16 de junho de 2006, os demais índices previstos nos contratos aprovados e/ou homologados pela ANEEL, bem como nos contratos celebrados com condições específicas, com base na regulamentação vigente à época, na medida em que visam exatamente refletir a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, mantendo o poder de compra da moeda, enquadramse nas disposições do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069/95 e consequentemente, nas disposições do art. 109 da Lei nº 11.196/05 e no §3º do art. 3º da IN SRF nº 658/06. Assim, a correção do preço por índices previstos nos contratos aprovados e/ou homologados pela ANEEL, bem como nos contratos celebrados com condições específicas, com base na regulamentação vigente à época, não descaracteriza o preço predeterminado. Por fim, salientamos que o Ofício supracitado foi expedido pela ANEEL que é agência do governo competente para homologar as tarifas e seus reajustes, segundo as respectivas naturezas e fundamentos econômicos, sendo que, uma resposta oficial proveniente dessa agência do Governo sobre a natureza do reajuste não pode ser descartada por outro órgão do governo, em face da segurança jurídica que sustenta o direito pátrio. Finalizando, considerando que o Despacho Decisório na sua origem não analisou os valores dos créditos, importante que a Delegacia de origem apure os respectivos, e que lhe seja concedido o direito sobre os valores ao final calculados. Por todo exposto, conheço do recurso, e doulhe provimento parcial para autorizar a compensação de créditos decorrentes do recolhimento indevido a título de PIS e COFINS na sistemática da nãocumulatividade, sujeita à devida valoração do crédito efetivamente existente. É como voto. Sala das Sessões, em 28 de maio de 2014. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator Fl. 517DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10730.900913/200983 Acórdão n.º 3302002.604 S3C3T2 Fl. 7 11 Declaração de Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA Como relatado, a empresa Recorrente apresentou Pedido Eletrônico de Restituição de valor tido por ela como pagamento indevido ou a maior de PIS, efetuado no dia 15/03/04. Processado o pedido, o Delegado da DRF em Niterói constatou que o DARF informado no PER foi integralmente utilizado para liquidar débito regularmente declarado em DCTF, não existindo pagamento indevido. Por esta razão, e somente por esta razão, o pedido de restituição foi indeferido. Portanto, o Delegado da DRF em Niterói, única autoridade competente para reconhecer originalmente o direito ao crédito pleiteado, fundamentou sua decisão exclusivamente no fato do DARF estar integralmente alocado a débito declarado em DCTF. Para tomar essa decisão, a autoridade competente da RFB não precisou conhecer das razões que levaram a empresa Recorrente a pleitear a restituição. O fato de não existir pagamento disponível para restituição foi o suficiente para a autoridade competente tomar a sua decisão. E assim o fez. Não se conformando com a decisão, a empresa interessada apresentou manifestação de inconformidade reconhecendo que não efetuara a retificação da DCTF. Expõe as razões que a levaram a cometer referido erro. Além disso, e principalmente, aduz a empresa interessada as razões que a levaram a efetuar recolhimento a maior de PIS. Diz a recorrente que o pagamento indevido ocorreu porque foi incluído, indevidamente, na base de cálculo do PIS não cumulativo, receitas sujeitas à tributação cumulativa do PIS, pelas razões que cita. Tendo em vista as razões que levaram ao indeferimento do pedido, essas alegações da recorrente não podem integrar a lide porque o Despacho Decisório atacado pela Manifestação de Inconformidade nada disse sobre esta matéria e nela não se fundamentou. Sendo único o fundamento fático para o indeferimento do pedido (Darf alocado a débito regularmente declarado), qualquer outro fato que eventualmente tenha acontecido com a Recorrente não pode integrar a lide estabelecida neste processo. Portanto, enganase a decisão recorrida quando afirma que a questão central do contencioso é a definição do regime (cumulativo ou nãocumulativo) a que se submetem as receitas apuradas. O resultado da diligência, com o qual concorda a Manifestante, limitouse apenas a apurar as receitas vinculadas aos contratos no PA (do crédito), mas nada informou quanto ao segundo item da diligência pedida relativo ao crédito. Tal item basicamente traduziase em enfrentar a questão central do contencioso, a de Fl. 518DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 12 definir o regime (cumulativo ou nãocumulativo) a que se submetem as receitas apuradas Tal matéria não foi apreciada e nem decidida pelo Delegado da DRF em Niterói, autoridade da RFB competente para decidir pedido de restituição. Ao apreciar e decidir tal matéria, que foi alegada em sede de Manifestação de Inconformidade, a Turma de Julgamento da DRJ ultrapassou os limites de sua competência. Além de ter decidido, originalmente, pedido de restituição, a Turma de Julgamento deixou de apreciar as razões da empresa interessada sobre os motivos que a levaram a pedir a restituição sem antes retificar a DCTF. Deveria a Turma de Julgamento ter decidido se é possível ou não apresentar pedido eletrônico de restituição sem retificar a DCTF onde consta o débito que o pagamento foi alocado. Porventura entendesse a Turma de Julgamento da DRJ que o pedido poderia ser realizado sem a prévia retificação da DCTF, o processo deveria retornar à DRF de Niterói para o Delegado apurar a existência de indébito, à luz das alegações trazidas pela empresa interessada e das providencias que entendesse necessárias. Ou seja, afastado o óbice do Despacho Decisório, apurarseia a eventual existência de pagamento indevido. Alias, esse entendimento é pacífico nesta Turma de Julgamento, a exemplo dos Acórdãos nº 3302002.365, de 26/11/2013 (Processo nº 10650.900486/200923) e 3302 002.210, de 27/06/2013 (Processo nº 10166.908050/200944). Portanto, o entendo que deverseia afastar o motivo de indeferimento do pedido de restituição (DARF alocado a débito declarado em DCTF) e determinar que a DRF apure a eventual existência de pagamento indevido. Havendo pagamento indevido, seria o mesmo restituído à empresa interessada ou utilizado em compensação regularmente declarada, conforme o caso. Estas são as razões pelas quais não posso acompanhar o Ilustre Relator, já que conduzo meu voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar a razão do indeferimento do pedido de restituição e determinar que o Delegado da DRF em Niterói apure a existência de indébito e, se for o caso, proceda a restituição. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11030.902230/2012-16
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/11/2002
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/11/2002 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/11/2002 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 22 30 /2 01 2- 16 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.902230/201216 Acórdão n.º 3801003.162 S3TE01 Fl. 65 2 Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.902230/201216 Acórdão n.º 3801003.162 S3TE01 Fl. 66 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de análise de Pedido Eletrônico de Restituição, transmitido em 27/02/2007, sendo o crédito pretendido correspondente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins cujo pagamento ocorreu em 13/12/2002, relativo ao período 01/11/2002 a 30/11/2002. De acordo com o Despacho Decisório emitido eletronicamente, o crédito pleiteado pelo interessada não foi reconhecido, uma vez que o pagamento indicado já estava totalmente alocado para quitação de débito do contribuinte. A ciência do Despacho Decisório ocorreu mediante AR em 15/08/2012. A interessada por sua vez, alega basicamente a existência de direito creditório oriundos de pagamentos de Pis e Cofins, apurados com a inclusão do ICMS na base de cálculo, parcela esta incluída indevidamente quando do cálculo do pagamento do tributo em questão. Aduz argumentação em favor de sua tese. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 Ementa: RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO ICMS. BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo da Cofins e do Pis por se tratar de tributo que integra o preço de venda de mercadorias e serviços e por não haver previsão legal para a sua exclusão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.902230/201216 Acórdão n.º 3801003.162 S3TE01 Fl. 67 4 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que sucedeu no recurso apresentado, no qual a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também Fl. 67DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.902230/201216 Acórdão n.º 3801003.162 S3TE01 Fl. 68 5 sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria sendo calculado “por dentro”, ou seja, o montante do próprio imposto está incluído na sua base de cálculo, nos termos do art. 13, §1º, inciso I da LC 87/96, integrando assim a receita bruta ou faturamento, que é base de cálculo das contribuições, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal para tanto. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, estas passaram a ter como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, ,porém não trazendo qualquer disposição que se refira à possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo. O inciso VII do art. 1º das retrocitadas leis, incluído pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, prevê apenas a exclusão das receitas decorrentes de transferência onerosa de créditos acumulados de ICMS originados de operações de exportação. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), que foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, Fl. 68DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.902230/201216 Acórdão n.º 3801003.162 S3TE01 Fl. 69 6 DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 69DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 15504.722680/2012-64
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTOS. ELABORAÇÃO DE ACORDO COM AS NORMAS PREVISTAS. OBRIGAÇÃO.
Constitui infração punível na forma da lei deixar de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos, conforme disposto no art. 225, I e § 9º, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99.
É obrigatória a inclusão em folhas de todos os pagamentos a segurados, independente da natureza salarial. Compete à autoridade fiscal identificar as parcelas integrantes ou não da base de cálculo das contribuições previdenciárias.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.363
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Sustentação oral Advogado Dr César Almeida Pereira, OAB/DF nº 36386.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTOS. ELABORAÇÃO DE ACORDO COM AS NORMAS PREVISTAS. OBRIGAÇÃO. 1. Constitui infração punível na forma da lei deixar de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos, conforme disposto no art. 225, I e § 9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. 2. É obrigatória a inclusão em folhas de todos os pagamentos a segurados, independente da natureza salarial. Compete à autoridade fiscal identificar as parcelas integrantes ou não da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Sustentação oral Advogado Dr César Almeida Pereira, OAB/DF nº 36386. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 26 80 /2 01 2- 64 Fl. 485DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.722680/201264 Acórdão n.º 2803003.363 S2TE03 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.722680/201264 Acórdão n.º 2803003.363 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, tendo em vista que a empresa deixou de incluir em folha de pagamento, no período de 01/2007 a 12/2008, segurados empregados e contribuintes individuais com as respectivas remunerações, o que constitui infração a Lei 8.212/91, art. 32, I, c/c art. 225, I, § 9º, do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, além de deixar de informar em GFIP, nas mesmas competências, os valores pagos a cooperativa de trabalho. Esclarece o auditor fiscal que a contribuição previdenciária incidente sobre tais valores já havia sido recolhida pelo contribuinte antes do início do procedimento fiscal. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 13 de março de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2007 a 30/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTO. Deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo INSS constitui infração à legislação previdenciária. Deverão ser incluídas em folha de pagamento todas as pessoas físicas que prestaram serviços ao contribuinte, bem como todo o valor pago a elas quer integrem ou não a base de cálculo das contribuições previdenciárias. GFIP APRESENTADA COM INFORMAÇÃO INCORRETA OU OMISSA. Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, com incorreção ou omissão de fato gerador, base de cálculo e valores devidos a título de contribuição previdenciária. CONEXÃO. Devem ser julgados em conjunto com o processo principal os processos vinculados por conexão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Fl. 487DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.722680/201264 Acórdão n.º 2803003.363 S2TE03 Fl. 5 4 Trata o presente PAD de auto de infração lavrado em face da empresa Fresar Tecnologia de Pavimento Ltda., objetivando a cobrança de supostas contribuições patronais destinadas à Seguridade Social – conforme relatório fiscal outrora anexado e abaixo pormenorizado , inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos empregados e às contribuições da empresa supostamente incidentes sobre valores pagos ou creditados a contribuintes individuais (diretores). A Recorrente é sociedade limitada que atua no ramo de construção civil, tendo como norma de conduta a transparência e a honestidade nas diversas relações estabelecidas no exercício normal de suas atividades, dentre as quais se insere, indubitavelmente, as relações jurídicotributárias mantidas com o fisco federal, Estadual e Municipal. Discordando veementemente dos parâmetros assinalados no auto de Infração, a recorrente demonstrou os motivos pelos quais o presente foi lavrado de maneira equivocada, sem observar a realidade factual envolvida, bem como a legalidade na constituição e operacionalização das Sociedades Individuais prestadoras de serviços específicos a esta Empresa Recorrente. Os pressupostos da vinculação empregatícia não foram demonstrados em sua inteireza pelo auditor fiscal, particularmente a subordinação jurídica, outorga que o empregado concede ao empregador para este comandar ou direcionar a atividade, fundamental para distinguir o trabalho sem vínculo empregatício. Todos os sócios se reportavam somente aos termos do contrato firmado, desenvolvendo suas atividades, desde que não transbordando os limites fixados, como bem entenderem, e assim, assumindo o risco pessoal pelos serviços prestados conforme disciplina a legislação pertinente às sociedades individuais. No mesmo sentido temos que não há que se falar em exclusividade, pois, como já tratado, as pessoas jurídicas prestadoras dos serviços possuíam a autonomia de produzirem negócios jurídicos com qualquer outro sujeito de demandasse os seus serviços. Não existe em nosso ordenamento jurídico qualquer norma legal que vede a possibilidade de uma sociedade prestar, em um período de tempo, serviços somente a uma única pessoa jurídica, não podendo, ainda, as notas fiscais emitidas serem sequencias e genéricas. Nada razoável a interpretação fática tomada pela julgadora. O auditor fiscal informa haver constatado a existência de pagamentos aos segurados empregados Ronan Álvares Diniz Júnior, Vitor Ephigênio da Silva e Nilton Roberto de Assis, a título de locação de veículos de propriedade dos mesmos. Por fim, relata que o contrato de locação permite o uso próprio e a serviços da FRESAR ou de outras empresas do grupo econômico de modo que entendeu o auditor subsumir o rendimento do aluguel nos termos do artigo 28, § 9º, “s”, da Lei 8.212/91, integrandoo ao salário contribuição. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.722680/201264 Acórdão n.º 2803003.363 S2TE03 Fl. 6 5 O Auditor fiscal informa haver constatado a existência de pagamentos a administradores da empresa, mediante custeio de aluguel residencial para o segurado Eduardo Vilela de Sanatanna e através de Notas Fiscais de Serviços – NFS, ao segurado Saulo Vilela de Santana. O i. Auditor fiscal desconsiderou a personalidade jurídica da ABS Engenharia e Consultoria, sob o fundamento de que os valores pagos pelas Notas Fiscais emitidas pela referida PJ, tratarseiam de remuneração do prólabore de forma indireta. A fiscalização tributária posicionouse no sentido de conferir às operações havidas em relação à criação da empresa ABS consultoria, caráter de simulação, entendendo que a intenção real seria proceder ao pagamento de “prólabore ao sócio administrador”, sem que, com isso, fosse contabilizado a contribuição previdenciária correspondente. Tornamse ainda insubsistentes, pela via reflexa, as multas, juros e as obrigações acessórias alinhadas nos autos de Infração 37.349.2952, 51.007.0248, 51.007.025 6 e 37.349.2944, por não haver qualquer descumprimento legal. Diante de todo o exposto, entende a recorrente que merece ser reformada a decisão de primeira instância para, reconhecendo os argumentos ora aduzidos: cancelar o auto de infração ora objurgado, diante da ilegalidade da autuação fiscal lavrada. Requerse, por corolário, a exclusão das multas impostas, por insubsistir a obrigação principal. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.722680/201264 Acórdão n.º 2803003.363 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Cuidam os presentes autos de discussão acerca de obrigações acessórias descumpridas pelo contribuinte, tendo em vista que a empresa deixou de incluir em folha de pagamento, no período de 01/2007 a 12/2008, segurados empregados e contribuintes individuais com as respectivas remunerações, o que constitui infração a Lei 8.212/91, art. 32, I, c/c art. 225, I, § 9º, do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Além do descumprimento descrito no parágrafo anterior, a empresa deixou de informar em GFIP, nas mesmas competências, os valores pagos a cooperativa de trabalho. Neste ponto, esclarece o auditor fiscal que a contribuição previdenciária incidente sobre tais valores já havia sido recolhida pelo contribuinte antes do início do procedimento fiscal. Apesar da clareza das informações contidas nos autos, o sujeito passivo, em seu recurso, utiliza os mesmos argumentos de suas defesas em relação às obrigações principais. Ao agir da forma em que agiu, não resta qualquer dúvida de que a matéria de mérito não foi contestada pelo contribuinte, situação que se amolda na regra disposta no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. O lançamento foi realizado em virtude de descumprimento de obrigação prevista na legislação de regência. O Relatório Fiscal da Infração (fls.7 e seguintes) informa que o sujeito passivo contratou e remunerou segurados empregados no período de janeiro/07 a dezembro/07, através de Notas Fiscais de Serviços – NTF e deixou de incluílos na sua folha de pagamentos de segurados e também remunerou através de NFS sócio administrador da empresa, não tendo da mesma forma, incluído suas remunerações na sua folha de pagamentos de segurados. Ao proceder na forma especificada no parágrafo anterior, a empresa infringiu o disposto no inciso I do art. 32 da Lei nº 8.212/91 c/c o § 9º e inciso I do art. 225 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Como se pode observar, restou amplamente demonstrado que a falta apontada existiu. Não tendo o contribuinte cumprindo as determinações previstas na legislação de regência, correto o lançamento. A recorrente estava obrigada a confeccionar folha de pagamento com todas as remunerações pagas aos segurados a seu serviço. A obrigação de preparar folhas para todos os pagamentos a segurados vem expressa na legislação vigente, artigo 32, I, da Lei n. 8.212/9, Fl. 490DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.722680/201264 Acórdão n.º 2803003.363 S2TE03 Fl. 8 7 combinado com o inciso I e parágrafo 9º do artigo 225 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Os citados artigos estão assim redigidos: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; O Decreto n.º 3.048/99, que aprovou o Regulamento da Previdência Social traz no seu artigo 225, parágrafo 9º, os elementos que devem conter a folha de pagamento: Art.225. A empresa é também obrigada a: I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; (...) § 9º A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: I discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; II agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) III destacar o nome das seguradas em gozo de salário maternidade; IV destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e V indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. É, pois, obrigatória a inclusão em folhas de todos os pagamentos a segurados, independente da natureza salarial. Compete à autoridade fiscal identificar as parcelas integrantes ou não da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.722680/201264 Acórdão n.º 2803003.363 S2TE03 Fl. 9 8 Vêse da análise dos autos, que constitui infração punível na forma da lei deixar de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos. É obrigatória, portanto, a inclusão em folhas de todos os pagamentos a segurados, independente da natureza salarial. Compete à autoridade fiscal identificar as parcelas integrantes ou não da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Em seu recurso, como já referido, o contribuinte não discutiu o mérito. Ele ficou restrito a questões genéricas. No que diz respeito ao DEBCAD 51.007.0248, restou amplamente evidenciado que a empresar apresentou GFIP com incorreções ou omissões, situação que a enquadra no CFL 78. Ou seja, a empresa deixou de informar na GFIP, nas mesmas competências, os valores pagos a cooperativa de trabalho. Neste ponto, restou esclarecido que o sujeito passivo já havia recolhido as contribuições previdenciárias referentes a este fato gerador antes do início do procedimento fiscal que ensejou o lançamento ora discutido. Contudo, a conduta do contribuinte constituiu infração ao disposto no artigo 32A da lei nº 8.212/91. Ademais, o sujeito passivo foi intimado, conforme TIF nº 04, de 09/03/2012, a corrigir a GFIP, declarando as informações omitidas, porém não o fez no prazo estipulado. A aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória constante da Lei n.º 8.212/91, está dentro dos pressupostos legais e constitucionais, não foi inquinada de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, estando totalmente válida e devendo ser obedecida pela via administrativa. Por último, a autuação objeto do presente recurso, foi executada de acordo com os preceitos legais e o Auto de Infração lavrado, contém todos os elementos essenciais à sua validade, descritos no art. 10 do Decreto n.º 70.235, de 06/03/1972, devendo ser mantido na sua integralidade, já que a recorrente não comprovou a correção da falta. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.722680/201264 Acórdão n.º 2803003.363 S2TE03 Fl. 10 9 Fl. 493DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 10580.721059/2009-51
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2802-000.064
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 27/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros. Em proveito ao valioso trabalho consubstanciado às fls. 84 e seguintes dos autos, perfeitamente elaborado pela Douta Delegacia da Receita Federal, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais valese da respectiva transcrição do relatório apresentado naquela oportunidade, a saber: “ Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 146.087,83, Fl. 135DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.721059/200951 Resolução n.º 2802000.064 S2TE02 Fl. 136 2 incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; e) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e Fl. 136DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.721059/200951 Resolução n.º 2802000.064 S2TE02 Fl. 137 3 correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boa fé seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV; h) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boa fé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo Advogado Geral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB. Foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que, em razão de jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visassem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, deveriam ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global.” Ato contínuo, em sessão de 23/02/2011, a 3ª Turma da DRJ/SDR, no Acórdão 1526.266, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, fundamentando que: (a)as diferenças reconhecidas através da Lei n.º 8.730/2003, tinham, em sua origem, natureza eminentemente salarial, por se incorporarem à remuneração dos Magistrados do Estado da Bahia, inclusive ressaltando a espontaneidade do contribuinte, que reconheceu a ocorrência do fato gerador do tributo; (b)o recebimento extemporâneo de referidas diferenças não altera a sua natureza, mesmo nos casos em que o beneficiário tenha sido obrigado a recorrer ao judiciário, e que o acordo tenha sido implementado mediante lei complementar; (c)independe a natureza do tributo conferida pelo Artigo 5º da Lei 8.730/2003, uma vez que prevalece a lei federal que regulamenta o imposto de renda; (d)a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, sendo que as indenizações não desfrutam de isenção indistintamente, nos termos do Artigo 150, § 6º, CF/88; (e)o Artigo 55, inciso XIV, do RIR/99, determina que as indenizações estão sujeitas à tributação; Fl. 137DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.721059/200951 Resolução n.º 2802000.064 S2TE02 Fl. 138 4 (f)a Resolução nº 245, de 2002, do STF, não pode ser aplicada aos Magistrados da Bahia, pois que não se pode conferir isenção sem lei específica e nem por analogia, nos termos do inciso II, do Artigo 111, do CTN, sendo inextensível o âmbito de aplicação de tal Resolução, não havendo em que se falar em isonomia; (g)é de competência exclusiva da União a exigência do tributo e o lançamento fiscal em comento; (h)é cabível a aplicação da multa de ofício em percentual de 75%, uma vez que esta é fixada independentemente da boafé do impugnante, com fulcro no Artigo 136 do CTN, diferentemente da sanção prevista no inciso II, do Artigo 44, da Lei n.º 9.430/1996; e (i)os pareceres, notas e demais consultas realizadas para verificação de multa ou de outro consectário não vinculam a Autoridade Fiscal, tendo mero caráter informativo ou restritivo, seja pela inobservância de requisitos formais ou pelo não atendimento do Artigo 100 do CTN. Regularmente intimado (fl. 90), o Contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário (fls. 92/130), repisando os argumentos contidos na Impugnação e requerendo a reforma do Acórdão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal para julgar nulo o auto de infração, alegando (i) inexistência de conduta hábil à aplicação de multa; (ii) efeito vinculante da consulta efetuada; (iii) nulidade do lançamento por forma inadequada de apuração da base de cálculo; (iv) não incidência de IR sobre juros moratórios; (v) a URV tem natureza indenizatória; (vi) ilegitimidade da União; e (vii) violação ao Princípio da Isonomia Tributária. É o relatório. Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. Preliminarmente, observo que a hipótese do lançamento de ofício de Imposto de Renda Pessoa Física contempla rendimentos recebidos de forma acumulada, matéria que se encontra pendente de julgamento ao qual se atribuiu repercussão geral, conforme decisão nos autos do Recurso Extraordinário número 614232, cuja ementa segue abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da Fl. 138DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.721059/200951 Resolução n.º 2802000.064 S2TE02 Fl. 139 5 isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. Voto no sentido de sobrestar o julgamento até decisão do pretório Excelso sobre o tema. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Fl. 139DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
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Numero do processo: 13502.000717/2003-01
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/1998 a 31/12/1998
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
Estando presentes os requisitos formais previstos nos arts. 9 e 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade do lançamento.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO ELETRÔNICO. CANCELAMENTO. DÉBITOS COBRADOS EM DUPLICIDADE.
Cancela-se o lançamento de ofício quando a administração constata o lançamento em duplicidade de um mesmo crédito tributário.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-003.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/1998 a 31/12/1998 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Estando presentes os requisitos formais previstos nos arts. 9 e 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade do lançamento. LANÇAMENTO DE OFÍCIO ELETRÔNICO. CANCELAMENTO. DÉBITOS COBRADOS EM DUPLICIDADE. Cancela-se o lançamento de ofício quando a administração constata o lançamento em duplicidade de um mesmo crédito tributário. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/1998 a 31/12/1998 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Estando presentes os requisitos formais previstos nos arts. 9 e 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade do lançamento. LANÇAMENTO DE OFÍCIO ELETRÔNICO. CANCELAMENTO. DÉBITOS COBRADOS EM DUPLICIDADE. Cancelase o lançamento de ofício quando a administração constata o lançamento em duplicidade de um mesmo crédito tributário. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 07 17 /2 00 3- 01 Fl. 193DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13502.000717/200301 Acórdão n.º 3801003.241 S3TE01 Fl. 11 2 Relatório Adotase o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o processo do Auto de Infração eletrônico nº 0000668 (fls. 37/46), referente ao período de apuração 01/06/1998 e 31/12/1998, em que se exige o valor de R$ 393.797,37 (trezentos e noventa e três mil, setecentos e noventa e sete reais e trinta e sete centavos) de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, multa de ofício e acréscimos legais. O lançamento fiscal originouse em procedimento de auditoria interna nas DCTF dos 2º, 3º e 4º trimestres de 1998, conforme dispõe a IN SRF n.º 45, de 05 de maio de 1998, e IN SRF n.º 77, de 24 de julho de 1998, em que se constatou a falta de recolhimento/pagamento do PIS, e declaração inexata, conforme consta da descrição dos fatos e enquadramento legal e dos Anexos I e III (fls. 38/43). Cientificada da autuação em 11/07/2003 (AR, cópia fl. 91), a contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 01/15, cujo teor é sintetizado a seguir. sustenta, em preliminar, que o presente auto de infração é nulo por consubstanciar exigência de tributo já lançado, uma vez que, em 30/09/1999, a SRF do Rio de Janeiro/Capital, lavrou AI contra a sua matriz, gerando o Processo Administrativo nº 15374.001961/9929 (cópia, fls. 48/59) no qual se exige os mesmos créditos tributários constantes do presente lançamento, posto que, de acordo com o art. 15, III, da Lei nº 9.779, de 1999, a apuração e o recolhimento da contribuição para o PIS devem ser efetuados de forma centralizada pela matriz da pessoa jurídica; que, de todo modo, caso não seja reconhecida a improcedência do AI por este motivo, é de se notar, todavia, com relação ao auto de infração, referente ao Processo Administrativo nº 15374.001961/9929, que houve o pagamento do tributo aí exigido, nos termos da Medida Provisória nº 38, de 2002, conforme guias anexas (Darf, cópia às fls. 66/78), razão pela qual, não deve prosperar o auto de infração ora combatido, já que está exigindo os mesmos créditos tributários já recolhidos, de forma, centralizada pela matriz (art. 15, III, da Lei nº 9.779, de 1999); aponta, ainda, como causas de nulidade do auto infração: a ocorrência de lançamento em duplicidade; a obrigatoriedade de intervenção de servidor público competente para a validade do lançamento e Revisão efetuada em desconformidade com o art. 149 do Código Tributário Nacional (CTN), artigos 835 e 841 e incisos do RIR/99 e IN SRF nº 94, de 1997; do trabalho de Fl. 194DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13502.000717/200301 Acórdão n.º 3801003.241 S3TE01 Fl. 12 3 revisão da DCTF; da ofensa ao art. 37, da CF, de 1988; da violação ao art. 3º da Lei nº 9.784, de 1999; da ilegalidade do lançamento por inobservância do devido processo legal, discorrendo, em extenso arrazoado, sobre todos estes assuntos; no, mérito, diz ser indevida a exigência do crédito tributário em questão, já que ficou caracterizada a duplicidade de lançamento, mediante o Processo Administrativo nº 15374.001961/9929, e o seu efetivo pagamento pela matriz, nos termos da MP nº 38, de 2002 (Darf, cópia às fls. 66/78), restando, desse modo, extinto o presente crédito tributário de acordo com disposição contida no art. 156, I, do CTN; requer, ante o exposto, que sua impugnação seja julgada procedente, a fim de que: seja cancelado o AI em questão, tendo em vista tratarse de duplicidade de lançamento, conforme AI anexo (Processo nº 15374.001961/9929); seja reconhecida a nulidade do AI impugnado, na medida em que a revisão de lançamento foi efetuada de forma contrária a lei, sem sua intimação para apresentação de documentos e/ou esclarecimentos; seja cancelado o AI, tendo em vista o pagamento do tributo efetuado nos termos da MP nº 38, de 2002, conforme Darf comprobatórios do recolhimento em questão (cópia, fls. 66/78). A DRJ em Salvador (BA) julgou procedente o lançamento, nos termos da ementa abaixo transcrita: NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO. Uma vez não caracterizada a duplicidade de lançamento, e tendo sido apurada a falta ou insuficiência de recolhimento do PIS, nos prazos previstos na legislação tributária, é devida sua cobrança, com os encargos legais correspondentes. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Sustenta inicialmente que demonstrou em sua impugnação que os créditos de PIS ora cobrados foram lançados duas vezes pela Autoridade. Uma neste Auto de Infração, e outra nos autos que deram origem ao Processo Administrativo n° 15374.001961/9929. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13502.000717/200301 Acórdão n.º 3801003.241 S3TE01 Fl. 13 4 Pontua que é sabido que a apuração e o pagamento do PIS têm de ser efetuadas "de forma centralizada" ou, em outros termos, junto à matriz da pessoa jurídica, como determina o artigo 15, inciso III da Lei 9.779/99. Argumenta que não bastasse a ilegalidade da cobrança perante a filial, no primeiro processo administrativo (n° 15374.001961/9929) foi efetuado o pagamento, o que está comprovado. Esclarece que, em casos idênticos, a mesma Recorrente obteve êxito em anular os lançamentos, pois à exemplo do presente caso, a exação foi lançada em duplicidade (na sede e na filial). É o que comprova a decisão proferida no processo administrativo autuado sob o n° 10120.000211/200218, que julgou improcedente auto de infração respectivo, pelo fato de ter ocorrido lançamento em duplicidade. Insiste que os débitos cobrados no processo administrativo n° 15374.001961/9929 — já extintos pelo pagamento — eram exatamente aqueles em discussão nessa sede (mesmo período, mesmos valores, mesmo Código de Receita — 2986). De outro giro, defende a tese de nulidade do auto de infração, uma vez que o procedimento mecânico adotado viola diversas disposições legais aplicáveis ao rito processual administrativo, o que acarreta a nulidade dos lançamentos ora atacados. Aduz que demonstrou que, por se tratar de revisão de lançamento, a norma aplicável ao caso concreto é o artigo 149 e incisos do Código Tributário Nacional, que estabelece as hipóteses taxativas em relação às quais autorizase o lançamento de oficio. Referida norma utilizase, sistematicamente, do termo "QUANDO SE COMPROVE", como pressuposto à efetivação do lançamento de ofício, sendo que o caso concreto não se refere a nenhuma das hipóteses previstas no referido dispositivo. Destaca que foi efetuada revisão de lançamento sem qualquer procedimento humano que atendesse aos requisitos e imposições legais requeridas para a prática do ato, que, como visto, resultou inexistente — remanescendo, tãosomente, o "fato da máquina", sem qualquer trabalho de revisão de servidor público competente. Alega que caracterizada a supressão de um grau de jurisdição, contrariando o artigo 5° da Carta Constitucional, na medida em que a mesma autoridade executou o trabalho de fiscalização e de julgamentos, por ter praticado o trabalho que a própria fiscalização deixou de praticar. Sustenta violação ao Código de Defesa do Consumidor e outros vícios. Defende que os mandamentos da Lei 9.784/99 não foram observados. Por fim, requer que seu recurso seja conhecido, processado e provido para o fim de: a) declarar a nulidade e conseqüente cancelamento do Auto de Infração ora combatido, por manifesta violação à legislação pertinente ao escorreito procedimento administrativo fiscal, ou ainda ao devido processo legal administrativo; Fl. 196DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13502.000717/200301 Acórdão n.º 3801003.241 S3TE01 Fl. 14 5 b) reconhecer a improcedência do Auto de Infração ora combatido, tendo em vista o lançamento em duplicidade com o auto de infração lançado contra a matriz (processo administrativo n°15374.001.961/9929) ou ainda; c) reconhecer a extinção de todos os débitos (CTN, art. 156, inc. I), tendo em vista que os débitos em debate foram comprovadamente pagos, com fulcro na MP 38/02, conforme comprovado pelos documentos anexos e, finalmente; d) na pior das hipóteses, subsidiariamente, converterse o julgamento em diligência e determinar a realização de análise por auditor (e não máquina) para apurar a duplicidade dos lançamentos de débitos de PIS com aqueles objeto do processo administrativo n°15374.001.961/9929 (Decreto 70.235/72, artigo 18). Posteriormente, apresentou uma petição com diversos documentos em que esclarece que malgrado os valores lançados estivessem suspensos pelo Processo Judicial, verificase que: (a) o lançamento do PAF 15374.001.961/9929 efetivamente compreendeu a totalidade de seu faturamento englobando a Matriz e as Filiais; (b) que este valor lançado, em face do sistema da época, (declaração e recolhimentos por estabelecimentos) não constava de DCTF (eis que cada filial declarava seu faturamento e PIS separadamente da Matriz); (c) em 12 de agosto de 2002, a Impugnante deu notícia de haver aderido ao Parcelamento Especial instituído pela MP 38/2002; (d) tendo requerido desistência da ação judicial, e (e) efetuado os pagamentos da exigência fiscal nos termos previstos na legislação de regência do parcelamento, conforme documentado (extrato PROFISC) e pedido de arquivamento do feito às fls 271/272 do PAF 15374.001.961/9929 (juntadas aos autos). Reitera que evidenciase a ocorrência de lançamentos efetuados em duplicidade, conforme declaração de constatação pela própria Receita Federal do Brasil por duas vezes: uma em 2006 e outra em 2008. Requereu, por último: (i) sejam conhecidas as informações relativas ao Processo Administrativo Fiscal nº 15374001.961/.9929, por se configurar informação já conhecida pela Receita Federal do Brasil e por ela sonegada aos autos, bem assim das cópias de suas partes ora trazidas aos autos; (ii) caso assim não se considere, pedese converter o presente julgamento em diligência para apuração dos fatos e informações relativas ao Processo Administrativo Fiscal nº 15374001.961/9929, em função da aplicação do Princípio da Verdade Material e do Princípio do Devido Processo Legal; (iii) que o lançamento promovido tãosomente por "fato da máquina" sem o reexame necessário da inteligência humana apta a converter o fato em ato jurídico de Fl. 197DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13502.000717/200301 Acórdão n.º 3801003.241 S3TE01 Fl. 15 6 lançamento tributário, seja declarado ilegal em face ao art. 142 do CTN e, neste caso, às circunstâncias materiais da situação normada, e, sucessivamente; (iv) seja anulado o lançamento em duplicidade por cobrança do mesmo valor, como objeção ao vício material decorrente do erro de fato, causado pelo mero "factum machinae" e do manifesto desvio de finalidade e eventual desvio de função. É o relatório. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13502.000717/200301 Acórdão n.º 3801003.241 S3TE01 Fl. 16 7 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. De início apreciase a alegação de nulidade do auto de infração por diversos motivos, tais como: o procedimento mecânico viola diversos dispositivos legais, ao efetuar lançamento restou caracterizada a supressão de um grau de jurisdição, violação ao Código de Defesa do Consumidor, diversos vícios no lançamento e não observância dos mandamentos da Lei 9.784/99. Em pese os esforços da recorrente em caracterizar uma nulidade, as argumentações não procedem, visto que no âmbito do processo administrativo fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontrase presente, uma vez que o auto de infração foi lavrado por servidor competente e o inciso II aplicase, apenas, aos casos de despachos e decisões, ressaltando que o auto de infração enquadrase na categoria de atos e termos processuais prevista no inciso I do aludido artigo. Ao contrário do alegado de que a autuação não pode prosperar, o lançamento de ofício observou o procedimento previsto no Decreto nº 70.235/72, em especial os requisitos formais estabelecidos nos arts. 9 e 10, de sorte que as alegações de eventuais vícios no lançamento, em especial de que o lançamento eletrônico viola diversos dispositivos legais, não podem prevalecer, mormente quando se constata que o sujeito passivo demonstra conhecer os fatos motivadores da autuação. Por seu turno, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória nos termos do § único do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), isto é, quando o AuditorFiscal identificar uma infração à legislação tributária, ele tem o dever funcional de efetuar o lançamento correspondente a esta infração ou, no caso de ser incompetente para formalizar a exigência, representar para seu chefe imediato, que, por seu turno, adotará as providências necessárias para a constituição do crédito tributário. Destarte, este lançamento de ofício contém todos os elementos necessários e suficientes para a constituição do crédito tributário, inclusive uma sucinta descrição dos fatos. De sorte que não há que se falar em violação aos dispositivos do Código do Consumidor e da Lei 9.784/99, pois a requerente teve a oportunidade de apresentar robusta impugnação, além das razões coerentes desse recurso voluntário, inclusive apresentou uma petição a destempo Fl. 199DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13502.000717/200301 Acórdão n.º 3801003.241 S3TE01 Fl. 17 8 com diversos documentos importantes para a solução do litígio. Nessas manifestações evidenciamse a correta percepção da matéria e da motivação do lançamento. Por tais razões, são insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração, posto que não houve transgressão aos requisitos formais legalmente exigidos e a requerente pode exercer sua defesa plena, após ter ciência dos fatos motivadores da exigência. No mérito, a recorrente sustenta essencialmente a ocorrência de lançamento em duplicidade, uma vez que o lançamento de ofício constante do processo administrativo fiscal 15374.001961/9929 compreende, nos períodos de apuração em discussão, a totalidade de seu faturamento englobando a Matriz e as Filiais. Assiste razão à recorrente, conforme será demonstrado. Como relatado, trata o processo do Auto de Infração eletrônico nº 0000668 (fls. 37/46), referente ao período de apuração 01/06/1998 e 31/12/1998, em que se exige o valor de R$ 393.797,37 (trezentos e noventa e três mil, setecentos e noventa e sete reais e trinta e sete centavos) de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, multa de ofício e acréscimos legais da filial 0287. Ocorre, todavia, que para os mesmos períodos de apuração e para o mesmo tributo, PIS, a autoridade fiscal constituiu de ofício os créditos tributários, segundo processo n° 15374.001961/9929. Os elementos comprobatórios colacionados a este processo, indicam que, de fato, o lançamento ocorreu em duplicidade, senão vejamos. Neste sentido, a informação fiscal de fl. 308, in verbis; Em atendimento ao pedido formulado pela Equipe de Controle e Auditoria (Eqcau) da Derat/RJO/Dicat. informo que, após análise minuciosa da extensa documentação contábil apresentada em atendimento aos termos lavrados em 05/10/2006 e em 07/11/2006, a base de cálculo do Auto de Infração do PIS de fls. 13 a 22 é composta pelo somatório do faturamento dos meses de março de 1996 a dezembro de 1998 do estabelecimento matriz e de todas as filiais do contribuinte.(grifouse) Na mesma direção, as decisões proferidas nos processos 10166.000246/2002 12, 11516/001860/200328 e 10120.000211/200218. Assim sendo, a controvérsia foi objeto de análise em outros processos administrativos, sendo desnecessária a conversão do processo em diligência, em especial porque os fatos geradores ocorreram há mais de 18(dezoito) anos. Em remate, o lançamento de ofício deve ser cancelado porque a administração reconheceu que os valores exigidos neste auto de infração eletrônico também estavam sendo exigidos em outro lançamento de ofício, portanto restou caracterizada a duplicidade de lançamento. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13502.000717/200301 Acórdão n.º 3801003.241 S3TE01 Fl. 18 9 Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário no sentido de cancelar o lançamento de ofício. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 201DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 15868.720083/2011-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência. Acompanhou o julgamento a consultora Judith do Amaral Marcondes Armando.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Gilberto de Castro Moreira Junior e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência. Acompanhou o julgamento a consultora Judith do Amaral Marcondes Armando. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Gilberto de Castro Moreira Junior e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Trata o presente processo de autos de infração lavrados contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins e do Programa de Integração Social PIS, referente a períodos de apuração compreendidos entre 31/12/2005 a 31/03/2006, no valor total de R$ 4.936.839,17. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Tratase da lavratura de autos de infração, contra a empresa qualificada em epígrafe, que constituíram créditos tributários RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 58 68 .7 20 08 3/ 20 11 -9 5 Fl. 544DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15868.720083/201195 Resolução nº 3202000.220 S3C2T2 Fl. 545 2 referentes à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), no valor total de R$ 4.936.839,17, apurados no regime de incidência nãocumulativa, referentes ao período de 31/12/2005 a 31/03/2006. A fiscalização foi iniciada à vista de indeferimento de pedidos de ressarcimento, conforme segue: No processo administrativo n.° 15868.001643/200994 o Senhor Chefe da DIORT/DERAT (SP), por meio do despacho decisório datado de 08/06/2011, indeferiu o pedido de ressarcimento de Cofins no regime nãocumulativo, do 4º trimestre de 2005, e consequentemente, não homologou as declarações de compensação a ele vinculadas. No processo administrativo n.° 15868.001644/200939 o Senhor Chefe da DIORT/DERAT (SP), por meio do despacho decisório datado de 08/06/2011, indeferiu o pedido de ressarcimento de Cofins no regime nãocumulativo, do 1º trimestre de 2006, e consequentemente, não homologou as declarações de compensação a ele vinculadas. Tais despachos decisórios foram expedidos pela Delegacia de Administração Tributária em São PauloSP (Derat), mas a análise dos pleitos foi transferida à DRF/AraçatubaSP por ordem do SuperintendenteSubstituto da Receita Federal do Brasil na 8ª Região Fiscal, conforme Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007 e MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL FISCALIZAÇÃO Nº 08.1.90.002011022590. (fls.02/04). Em decorrência dos indeferimentos, o lançamento de ofício foi efetuado: Por ocasião da elaboração dos despachos decisórios acima mencionados foram refeitos os cálculos dos créditos presumidos da agroindústria. Em razão da diminuição do valor do crédito presumido da agroindústria a que tem direito o sujeito passivo, o total de créditos de Cofins apurados mês a mês não foi suficiente para extinguir os débitos apurados de Cofins no período, o que gerou os valores de Cofins a pagar demonstrados nas planilhas juntadas às fls. 20 a 27 do processo administrativo digital n.° 12585.720205/2011 21. No quadro a seguir demonstramos de forma resumida os valores constantes das referidas planilhas nos meses de dezembro de 2005 a março de 2006. No referido despacho decisório, a autoridade fiscal constatou que no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais DACON, no período de Outubro a Dezembro de 2005 e janeiro a março de 2006, o contribuinte tem receitas decorrentes de vendas no mercado externo e interno, e apurou créditos de compra de bens utilizados como insumos, despesas de energia elétrica, despesas de aluguéis de prédios locados de pessoas jurídicas, encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado o faturamento do mês, ou do mês anterior, e tributada no regime nãocumulativo. Foram aceitos os valores informados pelo contribuinte como base de cálculo dos seguintes créditos: despesas de energia elétrica, despesas Fl. 545DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15868.720083/201195 Resolução nº 3202000.220 S3C2T2 Fl. 546 3 de aluguéis de prédios locados de pessoas jurídicas e encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado. Contudo, foi detectada diferença de compra de bens utilizados como insumos na análise do DACON, ensejando glosas, além de compras de pessoas físicas e devolução de vendas. Especificamente quanto à compras de pessoas físicas, foi constatada a inclusão na base de cálculo do crédito, como sendo bens utilizados como insumos, compras que montam R$ 101.919.028,73 do mês de dezembro de 2005, R$103.380.149,06, R$ 85.017.232,02 e R$ 106.794.054,60, relativas aos meses de janeiro, fevereiro e março de 2006, respectivamente. Desta forma, com base nos arquivos digitais dos registros fiscais a fiscalização elaborou diversas planilhas para a apuração dos créditos. Ademais, conforme fl.33 do Termo de Verificação de Infração Fiscal, os Auditoresfiscais informam que lançamento fora realizado respeitando o prazo decadencial: Em relação à decadência, no presente caso, não houve pagamento antecipado correspondente aos períodos de apuração, de dezembro de 2005 a março de 2006. Destarte, não tendo havido pagamento, o prazo decadencial deve ser contado de acordo com o disposto no art. 173, I, verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados:. I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento , poderia ter sido efetuado; O período de apuração mais antigo (dezembro de 2005) tem como data de vencimento o dia 13/01/2006. Assim, a realização do lançamento de ofício seria possível a partir do dia 14/01/2006. O primeiro dia do exercício seguinte, nos termos do art. 173, I, foi, portanto 01/01/2007, a partir do qual, contados cinco anos, cheqase ao prazo para lançamento de 01/01/2012. Além disso, os Auditoresfiscais lavraram o “Termo de Sujeição Passiva”, sendo o sujeito passivo solidário JBS S/A, CNPJ 02.916.265/000160, conforme fls. 46/47, uma vez que a Bertin S/A, CNPJ 09.112.489/000168 (atual Bracol Holding Ltda), foi totalmente incorporada pela JBS S/A. O Termo de Sujeição Passiva Solidária foi lavrado em nome de JBS S/A, CNPJ 02.916.265/000160, com base no art. 124, I, do Código Tributário Nacional (CTN), pois entendeu a fiscalização que houve interesse comum da empresa Bertin Ltda. (atual Bracol Holding Ltda.) e da Bertin S/A nos fatos geradores relacionados às dívidas tributárias anteriores à cisão (que já estavam constituídas ou não na data da cisão, mas de fatos geradores anteriores à referida operação). Entendeu, ainda, cabível a aplicação do art.124, II, do CTN, combinado com o 5º do Decreto–lei nº 1.598, de 1977, e com o art. 132 do CTN, quanto à responsabilidade tributária solidária da Bertin S/A Fl. 546DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15868.720083/201195 Resolução nº 3202000.220 S3C2T2 Fl. 547 4 pelas dívidas tributárias da Bertin Ltda. até a data do evento, uma vez que houve continuidade na atividade sobre outra roupagem societária. A JBS S/A incorporou a Bertin S/A e passou a ser responsável solidária pelas dívidas tributárias da Bertin Ltda. até a data do evento de transferência de seus bens para a empresa Bertin S/A. Inconformadas, as interessadas apresentaram as impugnações de fls. 50 a 69 e 138 a 156, da Bracol Holding Ltda, e da JBS S/A, respectivamente. Na impugnação da Bracol Holding Ltda, preliminarmente, requer a anulação do lançamento, a teor art. 59 do Decreto no 70.235, de 1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF), porquanto os auditoresfiscais da DRF/Araçatuba não teriam competência para não reconhecer a existência dos direitos creditórios do PIS e da Cofins, tampouco para lavrar auto de infração contra a impugnante, pois o seu domicílio fiscal é São Paulo, capital. Assim, o lançamento somente poderia ser efetuado pelos servidores da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat), em São Paulo, haja vista que o seu recolhimento é centralizado na capital. Afirma ainda que desconhece os indeferimentos de seus pedidos de ressarcimento das contribuições, o que impossibilitaria a desconsideração dos créditos utilizados para descontar as contribuições do período. Ainda segundo a autuada, o lançamento também seria nulo porque não foi observado pela fiscalização o local indicado no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) para realização dos trabalhos, que seria no endereço da empresa, em São Paulo, e não em Araçatuba. Ressalta também a impugnante que o fato de várias intimações terem sido assinadas apenas por um dos AFRFB também desobedeceria ao MPF, que não permite atuação individual de um dos auditoresfiscais nele contidos. Quanto à transferência de competência “interdelegacias”, alega que esta também deveria estar contemplada no MPF e que o próprio superintendente da Receita Federal deveria ter emitido o mandado, a teor do art. 6º da Portaria RFB no 11.371, de 2007. Também reclama que não foi cumprida a formalidade prevista no art. 44 da citada Lei no 9.784, de 1999, que garante à recorrente o direito de se manifestar no prazo de dez dias após o encerramento da fase de instrução do processo. Afirma que os próprios auditores reconheceram a entrega dos documentos e arquivos digitais, mas em vez de analisarem o material e solicitarem eventuais esclarecimentos em prazo razoável, simplesmente lavraram os autos de infração. Sendo assim, confirma sua intenção de apresentar todos os documentos fiscais, que estão à disposição da fiscalização em seu estabelecimento. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15868.720083/201195 Resolução nº 3202000.220 S3C2T2 Fl. 548 5 Afirma ainda que houve erro e falta de motivação para o indeferimento do pleito da recorrente, pois isso só seria possível caso a contribuinte não possuísse efetivamente o direito ao ressarcimento. Mas, segundo ela, a negativa ocorreu porque houve falta de razoabilidade por parte dos AFRFB, que consideraram que ela não tinha nenhum direito, o que não pode ser admitido, pois que não poderia exercer sua atividade sem adquirir insumos, já que é uma das maiores empresas do seu ramo de atividade. Assim, a fiscalização deveria ter continuado as diligências no estabelecimento da contribuinte e não ter realizado um levantamento fiscal precário, que não levou em consideração todos os seus documentos. Aduz também que houve cerceamento do direito de defesa, pois não foram apresentados os motivos do lançamento de ofício, haja vista que os auditores contestaram apenas pequenos elementos componentes do seu direito creditório, não contestando os demais, prejudicando a ampla defesa. Argumenta que a fiscalização deveria ter concedido prazos razoáveis para apreciação dos documentos e realizado todos os atos necessários para apurar o direito creditório da postulante, haja vista que ela não teria justificativas para não os apresentar. Desta forma, em cumprimento ao princípio da verdade material o lançamento deve ser cancelado. Quanto ao arbitramento dos valores das contribuições, alega que não foram cumpridos os requisitos contidos no art. 148 do CTN. Em relação ao que ela denomina mérito, argumenta que ocorreu a decadência, eis que os débitos lançados abrangem períodos superiores a 5 (cinco) anos, nos termos do artigo 150 do CTN. Também, entende que o lançamento deve ser cancelado porquanto a postulante possui o direito ao ressarcimento dos créditos das contribuições reclamados, como comprovam os documentos existentes em seu estabelecimento, mas que não os está anexando ao presente “por serem em grande quantidade”, e anexa uma planilha e alguns documentos que demonstrariam as aquisições ocorridas e o direito ao crédito postulado. Argumenta também que o Dacon foi elaborado conforme suas operações geradoras dos créditos e a indicação pelos autuantes de valor zero de crédito seria o mesmo que admitir que a autuada realizaria suas operações sem adquirir insumos. Requer a realização de perícia e diligência para se constatar a existência do direito creditório, nomeando perito e listando os quesitos que deseja ser respondidos, às fls. 5078 e 5146. Haja vista a existência de grande quantidade de documentos, esclarece que a perícia deverá ser feita no estabelecimento da contribuinte. Conclui, solicitando o cancelamento dos autos de infração. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15868.720083/201195 Resolução nº 3202000.220 S3C2T2 Fl. 549 6 Por fim, requer que o seu patrono também seja intimado de todas as decisões proferidas nestes autos. A impugnação apresentada pela JBS S/A, ao Termo de Sujeição Passiva Solidária, contém as seguintes alegações: Ocorreu a decadência, uma vez que o prazo decadencial é de cinco anos e já havia transcorrido interstício temporal maior no momento da ciência; Houve cerceamento do seu direito de defesa, uma vez que não tem acesso a dados internos (escrituração, notas fiscais, dados bancários) da Bracol Holding Ltda. A comprovar que os valores escriturados e declarados por aquela empresa eram escorreitos; Aquela empresa não tem qualquer relação societária com a impugnante não existindo interesse daquela em fornecer documentos a essa impugnante. Pelo contrário, a responsabilização solidária da ora impugnante é benéfico para aquela empresa, pois tem necessidade de manter sua regularidade fiscal e, como sociedade anônima, tem que prestar contas aos acionistas; Alega suspensão da decisão que concluiu pela responsabilidade solidária da ora impugnante. Impetrou Mandado de Segurança contra o Delegado da Receita Federal de Araçatuba (processo nº MS 000380565.2011.4.03.6107 – 2ª Vara da Justiça Federal de Araçatuba), para assegurar o direito ao contraditório e ampla defesa em relação à decisão que imputou responsabilidade solidária à ora impugnante, tendo sido deferida a liminar, assegurando o direito de apresentar impugnação administrativa contra a decisão que imputou aquela responsabilidade. Portanto, o referido Termo de Sujeição Passiva não mais subsiste e deverá ser expedida uma nova intimação para a apuração da responsabilidade; Dessa forma, considerando que o auto de infração foi lavrado com base em termo de sujeição passiva nulo, devem ser anulados todos os atos posteriores, inclusive o presente auto de infração, nos moldes do § 2º do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, culminando com o art. 248 do Código de Processo Civil; No item 6 da peça impugnatória, a interessada disserta a respeito da “inexistência de responsabilidade solidária da Impugnante em relação a débitos da BRACOL HOLDING LTDA. Será discutida pela Impugnante em processo administrativo próprio (...) Alega incompetência da d. Autoridade Fiscal da DRF em Araçatuba para lavrar o Auto de Infração em tela. Solicitou que todas as intimações e publicações sejam realizadas em nome de Fábio Augusto Chilo, OAB/SP nº 221.616, com escritório à Av. Marginal Direita do Tietê, 500, Vila Jaguará, São Paulo/SP. CEP 05118100, inclusive para se fazer presente no julgamento e realização sustentação oral. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15868.720083/201195 Resolução nº 3202000.220 S3C2T2 Fl. 550 7 Excepcionalmente, a JBS S/A solicita juntada da petição de fls.261/275 e conhecimento de seu teor pelo julgador, tendo em vista que decorre de fato superveniente a lavratura da autuação. Tal petição, solicita o conhecimento da ocorrência de lapso temporal que perfaz a decadência ao direito da Secretaria da Receita Federal do Brasil em instaurar processo administrativo próprio para a apuração de eventual operação de cisão entre as empresas Bracol Holding Ltda e Bertin S/A, fato que, por dedução lógica dos fatos narrados pelos Auditoresfiscais, solidifica a JBS S/A como Sujeito Passivo Solidário. É o relatório. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou improcedente as impugnações, proferindo o Acórdão DRJ/RPO n.º 1442.105, de 23/05/2013 (fls. 277/296), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/12/2005 a 31/03/2006 COFINS NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. NÃOCOMPROVAÇÃO. GLOSA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A nãocomprovação dos créditos, referentes à Cofins nãocumulativa, indicados no Dacon, implica sua glosa por parte da fiscalização e no lançamento de ofício da contribuição indevidamente descontada no período em questão. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/12/2005 a 31/03/2006 DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo autuado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. COMPETÊNCIA PARA LANÇAMENTO. É atribuição do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil constituir o crédito tributário mediante lançamento consubstanciado em auto de infração. PREVENÇÃO DE JURISDIÇÃO. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15868.720083/201195 Resolução nº 3202000.220 S3C2T2 Fl. 551 8 O início do procedimento fiscal previne a jurisdição, na hipótese de competência concorrente entre as unidades administrativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. Perfeitamente legal a lavratura do auto de infração na repartição fiscal, uma vez que a lei prevê seja ele lavrado no local de verificação da falta e não obrigatoriamente no estabelecimento do contribuinte. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/12/2005 a 31/03/2006 MPF. LANÇAMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Irregularidades no MPF ou a sua ausência não são condições suficientes para anular auto de infração. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUCESSÃO. A pessoa jurídica que absorveu parcela significativa do patrimônio da empresa cindida é responsável solidária pelo pagamento do crédito tributário decorrente de infração anterior à cisão, mormente quando a empresa resultante da cisão é constituída pelos mesmos sócios da sociedade devedora do fisco, demonstrando a existência de interesse comum entre elas. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INCORPORAÇÃO. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de incorporação de outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado incorporadas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário de fls. 318/337, por meio do qual alega os mesmos argumentos já suscitados na impugnação, com o acréscimo de que o auto de infração seria nulo porque não existiria legislação que respalde o indeferimento do pedido de ressarcimento de créditos da Cofins pelo motivo exposto, mas só se efetivamente não possuísse este direito (cita a Instrução Normativa – IN SRF n.º 900, de 2009). Ademais, os AFRFs sustentam haver inconsistências em algumas fichas dos Dacons embora não tenham contestado a consistência dos demais documentos que demonstram a existência do crédito. Requer seja concedida a oportunidade de realizar sustentação oral das razões de defesa e que o seu patrono também seja intimado de todas as decisões proferidas nestes autos. A apontada responsável solidária apresentou Recurso Voluntário de fls. 350/433, por meio do qual aduz, em síntese: A BRACOL, não a Recorrente, é que detém os livros e demais elementos para comprovar que o mérito da autuação é improcedente. Embora a DRJ tenha afastado a alegação de cerceamento do direito de defesa sob a alegação de que, por ser incorporadora da BERTIN Fl. 551DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15868.720083/201195 Resolução nº 3202000.220 S3C2T2 Fl. 552 9 S/A, deveria possuir a escrituração desta, não há fundamento legal para exigir a escrituração de terceiros. O indeferimento do pedido de diligência, portanto, é causa de nulidade, pois a Recorrente (JBS) teria acesso aos documentos do contribuinte que praticou o fato imponível (BRACOL). Operouse a decadência em relação ao período de apuração de dezembro de 2005 a março de 2006, quer pela aplicação do art. 150, § 4º, do CTN quer pela aplicação do art. 173, I, do mesmo diploma legal. Em Mandado de Segurança impetrado pela Recorrente, obtevese liminar para garantir a apresentação de impugnação administrativa contra a decisão que lhe imputou a responsabilidade solidária. A segurança foi concedida, reconhecendo o direito de apresentar a reclamação administrativa contra o Termo de Intimação Fiscal datado de 25/08/2011 (o que lhe atribuiu a responsabilidade solidária). Nada obstante, não se instaurou processo administrativo próprio para essa discussão. A pretensa responsabilidade solidária deriva de uma operação denominada drop down, realizada em outubro de 2007, por meio da qual a BRACOL substituiu o seu acervo por ações da BERTIN. Considerando que a atribuição de responsabilidade solidária se trata de forma de exigência de crédito tributário, há um prazo para questionar a operação ocorrida em outubro de 2007. O Termo de Sujeição Passiva é nulo. É equivocado om entendimento da DRJ de que a decisão judicial antes mencionada não interfira no presente processo administrativo. A conduta dos AuditoresFiscais configura ato de improbidade administrativa. Há de se aplicar objetivamente o princípio da moralidade administrativa. Há que se reconhecer a nulidade da autuação, baseada em sujeição passiva nula. Não restou devidamente caracterizada a sujeição passiva solidária, como afirmam os AuditoresFiscais. Deixouse de baixar os autos em diligência, a fim de averiguar a existência ou não de decisão no processo n.º 15868.720080/201151, no qual se teria atribuído a responsabilidade à Recorrente. Tomouse como verdade absoluta a menção feita no Termo de Sujeição Passiva Solidária. O lançamento é nulo porque não foi observado pela fiscalização o local indicado no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) para realização dos trabalhos, que seria no endereço da empresa, em São Paulo, e não em Araçatuba. Deveria estar comprovada a autorização do superintendente da Receita Federal. Deveria estar contemplada na autorização do superintendente também a transferência de competência para outra região. A emissão do MPF se deu com base na Portaria de Delegação de Competência n.º 36, de 2004, publicada sete anos antes da Portaria 3.014, de 2011, que, atualmente, disciplina a matéria. Considerando que, sob a égide da Portaria 3.007, de 2001, foi editada a Portaria de Delegação de Competência, delegando a possibilidade de emissão de MPF para o chefe da equipe de fiscalização, o mesmo deve ser feito na disciplina atual da Portaria 3.014, de 2011, mostrandose nulo o MPF. Em 10/12/2012, o Pleno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não aprovou a seguinte proposta de súmula: “Irregularidade na emissão ou prorrogação do MPF não acarreta a nulidade do lançamento”. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15868.720083/201195 Resolução nº 3202000.220 S3C2T2 Fl. 553 10 A unidade administrativa que realizou a fiscalização dista 600 km da BRACOL, o que caracterizou o cerceamento do direito de defesa (dificuldade para entregar documentos, dirimir dúvidas etc.). Também cerceado o direito de defesa, porque sequer teve condições de exercer o contraditório em relação ao mérito da autuação. Não teve acesso aos documentos da BRACOL, com quem não tem qualquer relação societária. Não há interesse da BRACOL de franquear à Recorrente seus arquivos. O indeferimento do pedido de diligência pela DRJ é causa de nulidade. A responsabilidade solidária da Recorrente deve ser discutida em processo administrativo próprio. Através de uma operação denominada drop down, realizada em outubro de 2007, a BRACOL substituiu o seu acervo por ações da BERTIN. Não houve uma redução do capital da empresa, mas, sim, uma substituição de parte dos elementos patrimoniais, consistente na criação de uma subsidiária para a qual converte o estabelecimento comercial a título de integralização de capital. Em 2009, a Recorrente incorporou a totalidade das ações da BERTIN. A acusação fiscal é que, na realidade, a primeira operação se tratou de uma cisão, a ensejar a responsabilidade solidária nos termos do art. 132 do CTN. No entanto, isso não ocorreu. A BERTIN não era uma pessoa jurídica que foi criada a partir da cisão da BRACOL. A Recorrente foi intimada para retificar os registros a fim de constar a cisão. Todavia, o art. 24 da IN 1183, de 2011, não prevê a possibilidade de desconsideração do ato societário realizado (cita o art. 110 do CTN). Nos termos do art. 286 da Lei n.º 6.404, de 1976, o prazo para anular uma deliberação da assembleia é de 2(dois) anos. No caso, já teria havido a prescrição. O Termo de Intimação Fiscal já referido foi originado de uma MPFD, não de uma MPFF. No máximo, há responsabilidade subsidiária, na forma prevista no art. 133, II, do CTN. Há uma acusação de que houve continuidade na atividade sob outra roupagem jurídica. Todavia, se houve infração, a responsabilidade deveria cair sobre os sócios e administradores da BRACOL, nos termos do art. 134/135 do CTN (diz a Recorrente que é de ser afastada essa acusação e passa a tecer comentários sobre a BRACOL e sobre o Grupo BERTIN). A DRJ decidiu que houve cisão da TINTO HOLDING (atual denominação da BERTIN Ltda.). No entanto, cabia analisar os argumentos da Recorrente de que não houve cisão e que, assim, não há falar em solidariedade. Houve nulidade. Não há subsunção dos fatos ao disposto no art. 132 do CTN. O art. 124 não é de ser aplicado ao caso, e o art. 5º do Decretolei n.º 1.598, de 1977, é de ser aplicado no âmbito do imposto de renda. Há, portanto, erro de tipicidade. A DRJ inovou em relação aos fundamentos do auto de infração. A decisão recorrida indica também, como fundamento da responsabilidade, o inciso I do art. 124 do CTN, não citado no auto de infração. Ainda que assim não se entenda, a responsabilidade deve ser Fl. 553DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15868.720083/201195 Resolução nº 3202000.220 S3C2T2 Fl. 554 11 afastada, pois a Recorrente não participou da ocorrência do fato gerado realizado pela TINTO HOLDING, ainda em se tratando de PIS/Cofins, tributos que incidem sobre a receita. O lançamento é nulo, pois à Recorrente foi atribuída a responsabilidade, sem que se tenha, contudo, observado que esta se restringe à proporção do patrimônio transferido. É equivocado responsabilizarse a Recorrente diante do fato de que os tributos exigidos são recolhidos centralizadamente. Caso venha a ser atribuída alguma responsabilidade à Recorrente, esta se daria com fundamento no art. 133 do CTN, que trata da responsabilidade subsidiária e que tampouco pode ser aplicado, porque não há provas da incapacidade de adimplemento pela BRACOL. Ademais, a responsabilização por tributos como o PIS/Cofins teria como pressuposto a aquisição de todas as atividades da BRACOL, que, no entanto, continua operando. A decisão merece ser reformada porque não reconheceu o direito ao crédito presumido sobre as aquisições de matériasprimas, produtos intermediário e material de embalagem a pessoas físicas. Conforme Termo de Verificação Fiscal, parcela dos créditos considerados indevidos referemse ao percentual de apuração dos créditos presumidos calculados sob a sistemática da Lei n.º 10.925, de 2004. A mercadoria adquirida é animal vivo. A fiscalização interpretou a apuração do crédito desconsiderando o disposto no caput do art. 8º da referida Lei. A Recorrente analisa o § 3º em consonância com o seu caput, ou seja, apura os créditos “no percentual dos produtos a serem fabricados”. Ainda que se entenda o contrário, faz jus ao percentual de 60% (a Recorrente passa a tecer comentários sobre o processo de industrialização). As demais glosas não procedem, o que poderia ter sido constatado não fosse o indeferimento do pedido de diligência. Há nulidade não apenas pelo indeferimento deste pedido, mas, também, porque deixou de analisar os documentos juntados pela BRACOL. Tratase de exigência de débitos da Cofins que foram objeto de compensações não homologadas. Assim, os débitos não compensados não podem cobrados por auto de infração, mas inscrição em dívida ativa (cita o art. 29 da IN SRF n.º 460, de 2004, e art. 37 da IN RFB n.º 900, de 2008). A exigibilidade do crédito tributário está suspensa, nos termos do art. 151 do CTN e do art. 74, § 11, da Lei n.º 9.430, de 1996. Conforme art. 135, III, do CTN, a responsabilidade é exclusiva dos administradores à época dos fatos. A fiscalização tem o dever de intimar os administradores para prestar esclarecimentos, tem o dever de requerer documentos e de promover diligências. O incorporador responde pelos tributos devidos pela incorporada. A multa transferível é somente aquela lavrada antes da sucessão. O direito de a Administração instaurar processo administrativo para “a apuração da acusação de operação de cisão” decaiu em 10/10/2012, se aplicado o art. 150, § 4º, do CTN, ou 31/12/2012, se aplicado o art. 173, I, do mesmo diploma legal. Por fim, requer a nulidade da decisão recorrida ou, ainda, a nulidade ou improcedência do lançamento. Requer que as intimações sejam endereçadas ao patrono, bem como sejam os autos encaminhados ao escritório da corregedoria da RFB para apuração de ato de improbidade administrativa dos AuditoresFiscais. É o relatório. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15868.720083/201195 Resolução nº 3202000.220 S3C2T2 Fl. 555 12 O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Conforme noticiam os autos, o presente processo administrativo tem origem nos pedidos de ressarcimento de créditos de PIS/Cofins, formalizados por meio dos processos de n.º 15868.001643/200994 e 15868.001644/200939, nos quais os pleitos foram indeferidos pela unidade de origem. Em face da glosa de créditos, promoveuse o lançamento ora em análise, daí a necessidade de julgamento conjunto, a fim de evitar decisões contraditórias sobre a mesma matéria, tal como sugerido no despacho antes mencionado. Assim, sem que tenha havido o trânsito em julgado administrativo nos processos de n.º 15868.001643/200994 e 15868.001644/200939 (e isso ainda não ocorreu, conforme consulta ao COMPROT), nos quais se discute a existência, ou não, de direito creditório pretendido pela Recorrente, não há como esta Turma solucionar a lide em relação à exigência neste processo formulada. Em casos tais, a conversão do julgamento em diligência tem sido medida adotada noutras Turmas Julgadoras e até mesmo nesta própria, podendose citar, a título de exemplo, a Resolução nº 3202000.171, de 26/11/2013. Dessa forma, voto por novamente CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a autoridade preparadora aguarde até que ocorram as decisões administrativas definitivas a serem proferidas nos autos dos processos n.º 15868.001643/2009 94 e 15868.001644/200939. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 555DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 11030.904394/2012-88
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/07/2004
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2004 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 43 94 /2 01 2- 88 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904394/201288 Acórdão n.º 3801003.208 S3TE01 Fl. 88 2 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904394/201288 Acórdão n.º 3801003.208 S3TE01 Fl. 89 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a restituir o crédito nele declarado em razão de pagamento indevido ou a maior de Pis, relativo ao fato gerador de 31/07/2004. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual indefere a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 23/01/2013 (fl. 8), o contribuinte apresentou, em 20/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 11/21, com os argumentos a seguir sintetizados. Informa que pediu a restituição dos valores pagos a maior a título de Pis, uma vez que foram pagos sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Traz entendimentos doutrinários e jurisprudência dos tribunais acerca do conceito de faturamento, o qual entende não abarcar o conceito de “ingresso”. O ICMS seria mero ingresso na escrituração contábil das empresas, para posterior destinação ao Fisco, terceiro titular de tais valores. Cita o recurso extraordinário nº 240785, que se encontra em fase decisória no STF, outros excertos doutrinários e princípios constitucionais, discorrendo acerca da impossibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, visto que não representa riqueza do contribuinte, não fazendo parte da receita ou do faturamento. Por fim, requer seja deferido o seu pedido de restituição, tendo em vista ser inconstitucional a cobrança do PIS/Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, e que os créditos sejam acrescidos de juros Selic, desde o seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2004 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904394/201288 Acórdão n.º 3801003.208 S3TE01 Fl. 90 4 Não há previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Cofins apuradas pelos regimes cumulativo e nãocumulativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904394/201288 Acórdão n.º 3801003.208 S3TE01 Fl. 91 5 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que sucedeu no recurso apresentado, no qual a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904394/201288 Acórdão n.º 3801003.208 S3TE01 Fl. 92 6 sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria sendo calculado “por dentro”, ou seja, o montante do próprio imposto está incluído na sua base de cálculo, nos termos do art. 13, §1º, inciso I da LC 87/96, integrando assim a receita bruta ou faturamento, que é base de cálculo das contribuições, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal para tanto. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, estas passaram a ter como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, ,porém não trazendo qualquer disposição que se refira à possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo. O inciso VII do art. 1º das retrocitadas leis, incluído pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, prevê apenas a exclusão das receitas decorrentes de transferência onerosa de créditos acumulados de ICMS originados de operações de exportação. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), que foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904394/201288 Acórdão n.º 3801003.208 S3TE01 Fl. 93 7 DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 93DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
score : 1.0
Numero do processo: 13831.000164/2007-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA NOS AUTOS DE RECLAMAÇÃO TRABALHISTA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUTIBILIDADE.
Sendo certo que o valor considerado omitido pela fiscalização se refere ao êxito obtido em ação trabalhista ajuizada pelo contribuinte, faz-se mister a consideração, pela fiscalização, da dedutibilidade dos valores pagos ao patrono da causa.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-002.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para excluir da base de cálculo do imposto o valor de R$ 15.229,00, relativo a honorários advocatícios. Vencidos os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, que davam provimento em parte ao recurso.
(assinado digitalmente)
MARIA CLECI COTI MARTINS Presidente Substituta
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins (Presidente Substituta), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Heitor de Souza Lima Júnior, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Eduardo de Souza Leão.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA NOS AUTOS DE RECLAMAÇÃO TRABALHISTA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUTIBILIDADE. Sendo certo que o valor considerado omitido pela fiscalização se refere ao êxito obtido em ação trabalhista ajuizada pelo contribuinte, fazse mister a consideração, pela fiscalização, da dedutibilidade dos valores pagos ao patrono da causa. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para excluir da base de cálculo do imposto o valor de R$ 15.229,00, relativo a honorários advocatícios. Vencidos os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, que davam provimento em parte ao recurso. (assinado digitalmente) MARIA CLECI COTI MARTINS – Presidente Substituta (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 1. 00 01 64 /2 00 7- 81 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/06/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins (Presidente Substituta), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Heitor de Souza Lima Júnior, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Eduardo de Souza Leão. Relatório Tratase de recurso voluntário (fl. 127) interposto em 25 de abril de 2011 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) (fls. 109/111), do qual o Recorrente teve ciência em 11 de abril de 2011 (fl. 114), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento de fls. 02/05, lavrado em 23 de abril de 2007, em virtude de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista, verificada no anocalendário de 2003. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Face aos elementos constantes nos autos, há que se excluir da tributação o valor dos rendimentos incluídos no presente lançamento e ainda considerar o valor do imposto retido na fonte conforme informação da fonte pagadora. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte” (fl. 109). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fl. 127), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Tratase de auto de infração lavrado em face do contribuinte, em virtude de ter sido verificada omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista, verificada no anocalendário de 2003. Em se tratando de recurso que versa a respeito de rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte, houve resolução deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF no sentido de determinar o sobrestamento de seu julgamento, até o trânsito em julgado de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 614.406, nos termos do disposto pelo art. 62A, §§ 1º e 2º, do RICARF. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/06/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 13831.000164/200781 Acórdão n.º 2101002.455 S2C1T1 Fl. 140 3 Cumpre salientar, todavia, que, em 18 de novembro de 2013, foi editada a Portaria MF n.º 545, que alterou o Regimento Interno do CARF, revogando os parágrafos primeiro e segundo do supracitado art. 62A, razão pela qual retornam os autos para julgamento. Inicialmente, necessário se faz esclarecer que o Recorrente apresentou impugnação parcial ao auto de infração, questionando apenas a dedutibilidade dos honorários advocatícios pagos em razão de êxito na ação trabalhista. Neste sentido, houve o desmembramento da parte não contestada, que foi transferida para cobrança nos autos do Processo Administrativo n.º 13831.720102/201175. Dessa forma, restou no presente processo administrativo exclusivamente a discussão acerca da possibilidade de dedução da aludida segunda parcela dos honorários advocatícios pagos em razão da ação trabalhista, no valor de R$ 15.229,00 (fl. 128). A esse respeito, sustenta o Recorrente que a fiscalização não considerou, no cálculo do tributo, a referida segunda parcela da quantia paga a título de honorários advocatícios judiciais, nos termos da legislação, considerandose apenas a primeira parcela (fl. 29), no valor de R$ 51.628,50. Realmente, tendo havido uma ação trabalhista, com êxito para o Requerente/Recorrente, é de se esperar que o advogado que atuou no processo tenha recebido honorários profissionais, os quais, nos termos do artigo 12 da Lei n.º 7.713/88, são dedutíveis do montante tributável, in verbis: “Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização.” Nesse sentido, aliás, diversos julgados deste Tribunal Administrativo, conforme se extrai das seguintes ementas: “RENDIMENTOS RECEBIDOS EM AÇÃO JUDICIAL HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DEDUÇÃO Admitese como dedução dos rendimentos recebidos acumuladamente, os valores das despesas com ação judicial, inclusive com advogados, comprovadamente feitas pelo contribuinte. Recurso parcialmente provido.” (1º Conselho de Contribuintes, 4ª. Câmara, Relator Conselheiro Nelson Mallmann, Acórdão n. 10422.935, de 22/01/2008) “HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DEDUÇÃO Comprovado o pagamento de honorários advocatícios e a efetiva contratação do profissional, deve ser admitida a dedução na determinação da base de cálculo do imposto. Recurso provido.” (1º Conselho de Contribuintes, 4ª. Câmara, Relator Conselheiro Remis Almeida Estol, Acórdão n. 10422.477, de 24/07/2007) Fl. 141DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/06/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 Pois bem, o Recorrente trouxe aos autos, por ocasião do recurso voluntário, o recibo da segunda parcela referente a prestação de serviços advocatícios emitido pelo escritório de advocacia Edivaldo Bruzamolim Silva da Rocha, no valor de R$ 15.229,00 (fl. 128). Cumpre salientar que tais recibos já haviam sido juntados aos autos anteriormente, notadamente às fls. 25/26. O referido recibo, aliado ao extrato da Transferência Eletrônica Disponível (TED) no qual consta a transferência do referido valor (fl. 130), é suficiente para comprovar o efetivo pagamento dos honorários advocatícios e, portanto, sua dedutibilidade. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso, para excluir da base de cálculo do imposto o valor de R$ 15.229,00. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 142DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/06/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS
score : 1.0
Numero do processo: 10070.002477/2002-20
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITâNCIA. RENUNCIA TÁCITA. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. OBJETOS DISTINTOS. INEXISTÊNCIA.
A concomitância entre os processos administrativos e judiciais, com a renúncia tácita do administrativo, só se dá quando o objeto de ambos os processos são idênticos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.528
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para declarar a nulidade da decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à autoridade julgadora de primeira instância para que se pronuncie em relação às alegações feitas pelo contribuinte em sede de manifestação de inconformidade, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITâNCIA. RENUNCIA TÁCITA. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. OBJETOS DISTINTOS. INEXISTÊNCIA. A concomitância entre os processos administrativos e judiciais, com a renúncia tácita do administrativo, só se dá quando o objeto de ambos os processos são idênticos. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para declarar a nulidade da decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à autoridade julgadora de primeira instância para que se pronuncie em relação às alegações feitas pelo contribuinte em sede de manifestação de inconformidade, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1668; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 303 1 302 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10070.002477/200220 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801003.528 – 1ª Turma Especial Sessão de 16 de abril de 2014 Matéria IRPF Recorrente MAURICEIA BERNARDES DOS SANTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITâNCIA. RENUNCIA TÁCITA. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. OBJETOS DISTINTOS. INEXISTÊNCIA. A concomitância entre os processos administrativos e judiciais, com a renúncia tácita do administrativo, só se dá quando o objeto de ambos os processos são idênticos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para declarar a nulidade da decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à autoridade julgadora de primeira instância para que se pronuncie em relação às alegações feitas pelo contribuinte em sede de manifestação de inconformidade, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 0. 00 24 77 /2 00 2- 20 Fl. 303DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 05/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10070.002477/200220 Acórdão n.º 2801003.528 S2TE01 Fl. 304 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 2ª Turma da DRJ/RJOII (Fls. 272), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Em 26 de julho de 2002, Mauriceia Bernardes dos Santos ingressou com o pedido de restituição, relativo aos anos calendário de 1997,1998,1999,2000 e 2001 por ser portadora de moléstia grave. Por meio do Despacho Decisório DIORT no 271/2003 (fls.108/110), a Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro deferiu o pedido de restituição dos anoscalendário 1997 a 2000 em favor da interessada conforme documentos de fls. 162/165. Em 24 de maio de 2004, o presente processo foi encaminhado DEFIC/RJO/DIFIS II/EQFIS 24 (fl.168) que decidiu por remeter os autos ao CAC/CATETE para as providencias enumeradas no Despacho de f1.176. Em atenção, a contribuinte alega, na petição de f1.179, não estar pleiteando nada na justiça referente a este processo de restituição, e informa que já havia recebido as restituições de 1997 a 2001, faltando receber, apenas, os pagamentos efetuados por Darf, relativos ao ano de 2001. A DIORT/EQPEF (fl.185/186), no entanto, anexou os documentos de fls.181/184, informando que a interessada é parte em processo judicial onde pleiteia reconhecimento de isenção sobre a mesma matéria tributária. Em conseqüência, a Equipe de Fiscalização24 restabeleceu os valores declarados pela contribuinte em sua declaração de ajuste anual/2002, anocalendário 2001, com a inclusão dos rendimentos recebidos da Fundação Vale do Rio Doce de Seguridade Social, no valor total de R$ 32.618,10, conforme tela de f1.187. Frisese que, em 12/07/2005, a Sra. Mauriceia Bernardes dos Santos reitera não estar pleiteando na justiça nada referente ao presente processo e declara que está participando da ação judicial coletiva, no processo no 2002.02.01.0191827, referente à isenção de imposto de renda sobre suplementação de salário. Tendo em vista as informações constantes dos autos, a EQPEF, por meio do Despacho de f1.202 indeferiu o pedido de Fl. 304DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 05/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10070.002477/200220 Acórdão n.º 2801003.528 S2TE01 Fl. 305 3 restituição dos valores recolhidos em DARF (fls. 198/199) anexos ao processo. A interessada, então, apresentou, em 31/05/2006, a manifestação de inconformidade de fl.205/206, argumentando que: 1. inicialmente, o seu pedido de isenção em face de ser portadora de moléstia grave foi deferido, já tendo inclusive recebido algumas das parcelas; 2. todavia, foi exarado despacho sugerindo a existência de concomitância entre o presente processo administrativo e o judicial de n° 2001.51.01.0081874 que tramita perante a 24 Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro; 3. entretanto, apesar de o processo judicial também tratar da recuperação de indébito relativo ao IRPF, seus fundamentos e períodos são totalmente estranhos ao do presente feito; 4. no processo judicial, já transitado em julgado conforme documentos acostados aos autos, pleiteia a restituição do imposto de renda indevidamente retido na fonte quando do pagamento das complementações salariais promovidas pelo Fundo de Pensão VALIA, da Companhia Vale do Rio Doce; 5. a discussão quanto à restituição do IRRF sobre as parcelas resgatadas a titulo de complementação de aposentadoria, recolhidas sob a égide da Lei n° 7.713/88, persistiu até a edição do art. 33 da Lei no 9.2520/95; 6. então, o interregno temporal objeto do pedido de restituição no processo judicial n° 2001.51.01.0081874 é aquele compreendido entre 01/01/1989 a 31/12/1995, totalmente estranho ao período objeto do pedido de restituição no presente feito administtativo, que busca o indébito relativo ao anoscalendário de 1997 a 2001; 7. portanto, não obstante a Receita Federal do Brasil ser parte Ré no multimencionado processo judicial e, assim, ter ciência de todos os atos ali praticados, vem demonstrar que os feitos em nada se interferem, motivo pelo qual requer seja reformada a decisão ora recorrida e deferido o seu pedido de restituição. Ressaltese que, junto A. manifestação de inconformidade, a contribuinte anexou cópia da documentação relativa ao processo judicial n° 2001.51.01.0081874(fls.207/225) e da anexada ao processo administrativo formalizado em face da Notificação de retificação de oficio da declaração de ajuste/2002(fls.231/236). Da análise do processo, verificouse a necessidade de encaminhar o presente à DIORT/DERAT/RJ para a providência contida no Despacho de fls.237/238, tendo sido, entretanto, respondido pela respectiva Divisão que, em complemento ao Despacho Decisório de fls. 108/110 exarou o Despacho de fl. 202, razão pela qual entende esgotada a Instância. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 05/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10070.002477/200220 Acórdão n.º 2801003.528 S2TE01 Fl. 306 4 Passo adiante, a 2ª Turma da DRJ/RJOII entendeu por bem não conhecer a impugnação, em decisão que restou assim ementada: OPÇÃO POR VIA JUDICIAL RENUNCIA INSTANCIA ADMINISTRATIVA. A opção pela via judicial afasta o pronunciamento da jurisdição administrativa sobre a matéria argüida em juizo, razão pela qual não se aprecia o seu mérito, não se conhecendo da manifestação de inconformidade apresentada. Cientificada em 07/10/2009 (Fls. 283), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 05/11/2009 (fls. 285 a 289), argumentos em síntese: (…) 1.10. Nesse passo, é imperioso destacar que a propositura de ação judicial não significa estar o contribuinte necessariamente resignando seu direito à esfera administrativa, desde que o processo judicial não trate da mesma matéria e períodos de apuração que o pedido administrativo. 1.11. No mandado de segurança n° 2001.51.01.0081874, o objetivo era conseguir a abstenção da retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre o resgate de parcelas atinentes à complementação de aposentadoria, referentes aos anos calendário de 1989 a 1995, por entender que tais pagamentos possuíam caráter indenizatário e, logo, não se enquadravam no conceito de renda como disposto no art. 43 do CTN. 1.12. Frisese que, assim como dito na manifestação de inconformidade, tal ação judicial encontrase transitada em julgado a favor dos contribuintes que nela ingressaram, dentre eles a RECORRENTE, como se verifica pelos anexos extratos de andamento processual, certidão de julgamento e voto emitidos no sitio do Superior Tribunal de Justiça. 1.13. Por outro lado, o processo administrativo ora em exame visa tão somente a restituição do IRPF pago durante os anos calendários de 1997 a 2001, por ter a RECORRENTE sido acometida por moléstia grave, passível de isenção preceituada no art. 39, XXXIII do RIR/99. 1.14. Cumpre esclarecer que, apesar da restituição ora almejada compreender o IRPF pago sobre proventos de aposentadoria também originários da VALIA, esses valores não podem ser confundidos Com aqueles tratados no citado processo judicial que, além de alusivos a verbas indenizatórias e não à pensão propriamente, referemse a períodos diversos. 1.15. Portanto, não há de se falar em concomitância de pedidos na esfera administrativa e judicial. Verificase facilmente que os dois processos divergem quanto A matéria, o pedido e objetivo de cada um, e também quanto ao espaço temporal abrangido. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 05/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10070.002477/200220 Acórdão n.º 2801003.528 S2TE01 Fl. 307 5 1.16. Logo, a vedação A restituição de indébitos que sejam também objeto de discussão judicial imposta pelo art. 50 da IN/SRF no 460/2004, não pode ser aplicada no presente caso, pois os indébitos tratados no processo judicial distinguemse daqueles ora pleiteados. 1.17. Em suma, o cerne do processo em tela cingese apenas na verificação de que os indébitos tratados no processo judicial não se confundem com os que se consubstanciaram no pedido de restituição objeto deste processo administrativo. (…) É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Em primeiro plano, cumpre ressaltar que a lide se refere unicamente a pedido de restituição do IRPF da contribuinte, do ano base 2001, em virtude da sua reconhecida moléstia grave. Conforme se verifica nos autos, a recorrente é parte de ação judicial n° 2001.51.01.0081874 visando o direito a restituição do IRRF sobre as parcelas resgatadas a titulo de complementação de aposentadoria, recolhidas sob a égide da Lei n° 7.713/88, que persistiu até a edição do art. 33 da Lei no 9.2520/95. Por seu Turno, a DRJ não conheceu do recurso contra o indeferimento a manifestação de inconformidade, em razão da suposta concomitância entre o processo administrativo e o processo judicial. Inconformada, a contribuinte apresenta recurso contra o não conhecimento de sua impugnação. No caso presente, entendo que realmente não há concomitância de processo judicial e administrativo; haja vista que, no meu entendimento, não estão discutindo a mesma matéria. É que, na verdade, o conceito de concomitância é uma ginástica interpretativa do direito processual. Por analogia, ele reflete as características da litispendência, essa sim prevista no Processo Civil, como explica o consultor jurídico Rodrigo Dalla Pria, professor do Ibet de Sorocaba (SP) e juiz substituto no Tribunal de Impostos e Taxas de São Paulo. “Usamos a Fl. 307DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 05/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10070.002477/200220 Acórdão n.º 2801003.528 S2TE01 Fl. 308 6 tripla identidade prevista no artigo 301 do Código de Processo Civil: mesma parte, mesma causa de pedir e mesmo pedido”, diz. Deste modo, no presente caso, entendo que o processo judicial não tem como objeto o mesmo do processo administrativo; havendo diferenças nas causas de pedir e nos pedidos. Assim, não se aplica ao presente caso a Súmula CARF n° 1, de aplicação obrigatória para os conselheiros; in verbis: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Com a inexistência da concomitância impõese o dever do julgamento da matéria objeto do presente processo pelas autoridades administrativas. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto no sentido de dar provimento ao recurso para anular a decisão recorrida, devendo ser proferida nova decisão, desta feita com a apreciação das alegações feitas pelo contribuinte em sede de manifestação de inconformidade. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 308DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 05/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 10830.720418/2011-89
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS. DIRPF. EXISTÊNCIA DE SÚMULA ADMINISTRATIVA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ. ÔNUS DA PROVA.
Súmula CARF nº 40: A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício.
DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. DIRPF. CONDIÇÕES. DOAÇÕES A PESSOA DA FAMÍLIA. INDEDUTIBILIDADE.
As deduções permitidas na base de cálculo do imposto de renda são aquelas taxativamente descritas em lei (nº 9.250, de 1995, art 8º, II). Doações a pessoas próximas, por mera liberalidade do contribuinte, sem que haja determinação judicial em face das normas do direito de família ou acordo homologado judicialmente, não são dedutíveis e não podem ser declaradas/consideradas, por falta de previsão legal. Cabe ao contribuinte fazer prova da obrigação definida em juízo e comprovar seu efetivo pagamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.538
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS. DIRPF. EXISTÊNCIA DE SÚMULA ADMINISTRATIVA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ. ÔNUS DA PROVA. Súmula CARF nº 40: A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. DIRPF. CONDIÇÕES. DOAÇÕES A PESSOA DA FAMÍLIA. INDEDUTIBILIDADE. As deduções permitidas na base de cálculo do imposto de renda são aquelas taxativamente descritas em lei (nº 9.250, de 1995, art 8º, II). Doações a pessoas próximas, por mera liberalidade do contribuinte, sem que haja determinação judicial em face das normas do direito de família ou acordo homologado judicialmente, não são dedutíveis e não podem ser declaradas/consideradas, por falta de previsão legal. Cabe ao contribuinte fazer prova da obrigação definida em juízo e comprovar seu efetivo pagamento. Recurso Voluntário Negado.
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DIRPF. EXISTÊNCIA DE SÚMULA ADMINISTRATIVA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ. ÔNUS DA PROVA. Súmula CARF nº 40: A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. DIRPF. CONDIÇÕES. DOAÇÕES A PESSOA DA FAMÍLIA. INDEDUTIBILIDADE. As deduções permitidas na base de cálculo do imposto de renda são aquelas taxativamente descritas em lei (nº 9.250, de 1995, art 8º, II). Doações a pessoas próximas, por mera liberalidade do contribuinte, sem que haja determinação judicial em face das normas do direito de família ou acordo homologado judicialmente, não são dedutíveis e não podem ser declaradas/consideradas, por falta de previsão legal. Cabe ao contribuinte fazer prova da obrigação definida em juízo e comprovar seu efetivo pagamento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 04 18 /2 01 1- 89 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10830.720418/201189 Acórdão n.º 2801003.538 S2TE01 Fl. 121 2 Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Relatório Adoto com Relatório o elaborado péla Autoridade Julgadora de 1ª instância, complementandoo ao final (fl 107): Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado, em 25/03/2011, o Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, do(s) ano(s)calendário 2006, por intermédio do qual lhe é exigido crédito tributário no montante de R$ 19.998,37, dos quais R$ 8.327,02correspondem a imposto; R$ 3.305,82 juros de mora (calculados até 28/02/2011); R$ 8.365,53 a multa proporcional (passível de redução). Conforme a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, o procedimento fiscal resultou na apuração das seguintes infrações: DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS Redução indevida da Base de Cálculo com despesas médicas, pleiteadas indevidamente, conforme Termo de Verificação Fiscal que faz parte integrante do presente auto de infração. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa(%) 31/12/2006 R$ 10.280,00 150,00 DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO JUDICIAL Glosa de deduções com pensão judicial, pleiteada indevidamente, conforme Termo de Verificação Fiscal, que faz parte integrante do presente auto de infração. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa(%) 31/12/2006 R$ 20.000,00 75,00 Da Impugnação Cientificado do lançamento o contribuinte apresentou, em 28/04/2011, a impugnação, alegando que: Fl. 121DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10830.720418/201189 Acórdão n.º 2801003.538 S2TE01 Fl. 122 3 Os recibos do profissional Alexandre Costa Gottschal, emitidos para a impugnante, comprovam a realização dos seus serviços, bem como o valor pago por eles. Nada mais se poderia exigir da impugnante e nem há como fazer qualquer presunção de fraude ou inidoneidade deles, até porque, frisese, o profissional efetivamente prestou os serviços e foi efetivamente pago por eles. Não era obrigada fazer pagamentos das citadas despesas com o referido profissional, utilizarse necessariamente de cheque, cartão de crédito, débito, ou ainda retirar dinheiro de sua conta bancária especificamente para aquele fim. E, nos termos do art. 333, inciso I, do CPC, caberia a Receita fazer prova da sua afirmação de fraude e inidoneidade dos recibos do dito profissional, o que não fez, partindo já da mera presunção de serem fraudulentos, tão somente porque os pagamentos respectivos não foram efetuados entre as formas elencadas no parágrafo anterior. Com relação ao ponto remanescente, referente as despesas com Walter Lino Sandy e Marlene Riboli Vieira, elas efetivamente se realizaram, mas não em decorrência de pensão alimentícia, mas como ajuda, a título de doação, pela necessidade dos dois, respectivamente excônjuge e mãe da impugnante, para despesas necessárias dos dois. E se foram declaradas como pensão alimentícia, o foram por engano e equívoco da contadora que fez a declaração de renda, não existindo qualquer máfé da impugnante. Em suma, pelas razões acima delineadas, deve ser julgada procedente a presente impugnação, declarandose insubsistente o auto de infração aqui em discussão. Em seu Voto, destacou o Julgamento recorrido que: Em 25/03/2010, foi publicado o ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO N° 006/2010, de 23 de março de 2010, no qual foi declarada a inidoneidade dos RECIBOS DE PAGAMENTOS DE TRATAMENTO ODONTOLÓGICO, emitidos em nome ou pelo contribuinte ALEXANDRE COSTA GOTTSCHALL, CPF 137.373.38884, no período de 01/01/2006 a 31/12/2007, por serem ideologicamente falsos e, portanto, imprestáveis e ineficazes para dedução da base de cálculo do imposto de renda, por quaisquer usuários, em razão do contido na "Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz", objeto do processo Administrativo número 10830.003635/201020. (...) Quanto as alegações referentse a pensão alimentícia, a contribuinte alega que foram a título de doação e que por engano e equivoco da contadora foi declarado erroneamente. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10830.720418/201189 Acórdão n.º 2801003.538 S2TE01 Fl. 123 4 Assim sendo, decidiuse pela manutenção do lançamento tributário, de cuja decisão a contribuinte foi cientificada em 14/09/2011, conforme AR na folha 114, apresentando recurso voluntário em 14/10/2001, protocolado na folha 115. Em sede de recurso, aduz que não era obrigada a saber do Ato Declaratório e que efetivamente pagou pelos serviços odontológicos. Assim, citando artigos do RIR/1999, entende que os recibos apresentados fazem prova hábil a possibilitar a dedução com despesas médicas pleiteada, uma vez que “para afastar a presunção de boafé, seria necessária a comprovação da existência de fraude...” Em relação à glosa de dedução declarada como sendo relativa a pensão alimentícia judicial, repete que as despesas foram doações a Walter e Marlene, pela necessidade dos dois. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Em relação à glosa efetuada com as supostas despesas odontológicas tidas com o profissional ALEXANDRE COSTA GOTTSCHALL, não se pode passar por cima da decisão administrativa que, no curso de regular processo, considerou os recibos por ele emitidos com “tributariamente ineficazes”. Tal decisão foi publicada em Diário Oficial da União em 25 de março de 2010, como consta da folha 53. Assim, inverteuse o ônus da prova. Não mais se considera, salvo prova em contrário, hábeis e idôneos os recibos por ele emitidos, mas compete ao usuário do serviço demonstrar que houve a efetiva prestação e o pagamento correspondente. Esse é o posicionamento assente deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que inclusive já editou Súmula no seguinte sentido: Súmula CARF nº 40: A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício. A Súmula consolida o entendimento administrativo e visa a trazer segurança, uniformidade e eficiência aos Julgamentos, sendo de observância obrigatória por estes Conselheiros, conforme art. 72 do Regimento Interno (Portaria MF nº 256/2009): Fl. 123DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10830.720418/201189 Acórdão n.º 2801003.538 S2TE01 Fl. 124 5 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. A situação dos autos enquadrase perfeitamente na hipótese da Súmula, uma vez que, regularmente intimada, a contribuinte não fez prova da efetividade da prestação do serviço e do pagamento, concentrandose em alegar a presunção de validade dos recibos. Neste sentido, também conforme a Súmula, é de se manter a multa duplicada, no percentual de 150% do valor da infração, prevista no § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. Em relação ao valor declarado como “pensão alimentícia” que a Recorrente reconhece inexistente, alegando que deuse a título de “doação” a excônjuge e mãe, é de se ressaltar apenas que as deduções possíveis na declaração de ajuste anual são aquelas taxativamente previstas em lei, no caso a Lei nº 9.250/1995, que em seu artigo 8º autorizou determinadas. Não se admite, na legislação, dedução com “doações” a pessoa da família, por mera liberalidade do doador, não fixadas em determinação judicial ou acordo homologado em juízo, em face das normas do direito de família. Apesar de se reconhecer a magnitude do ato de doação, impossível de se considerar tais valores como dedutíveis da base de cálculo do imposto, por falta de previsão legal para tal. E, segundo o artigo 142 do CTN (Código Tributário Nacional), o lançamento é ato administrativo plenamente vinculado à lei. Pelo todo aqui exposto, VOTO por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 124DF CARF MF Impresso em 08/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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