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Numero do processo: 10830.003238/2008-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
Ementa: BASE DE CÁLCULO DO PIS. ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. SÚMULAS DO STJ. PRECEDENTES.
A parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e94 do STJ. SOBRESTAMENTO. ART.62-A DO RICARF. REVOGAÇÃO
Revogado o art. 62-A do Regimento Interno do CARF pela Portaria MF nº 545 de 18.11.2013, indevido o sobrestamento do feito, quando não sujeito ao regime do art. 543-C do CPC.
Numero da decisão: 3302-002.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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ementa_s : Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 Ementa: BASE DE CÁLCULO DO PIS. ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. SÚMULAS DO STJ. PRECEDENTES. A parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e94 do STJ. SOBRESTAMENTO. ART.62-A DO RICARF. REVOGAÇÃO Revogado o art. 62-A do Regimento Interno do CARF pela Portaria MF nº 545 de 18.11.2013, indevido o sobrestamento do feito, quando não sujeito ao regime do art. 543-C do CPC.
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ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. SÚMULAS DO STJ. PRECEDENTES. A parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e94 do STJ. SOBRESTAMENTO. ART.62A DO RICARF. REVOGAÇÃO Revogado o art. 62A do Regimento Interno do CARF pela Portaria MF nº 545 de 18.11.2013, indevido o sobrestamento do feito, quando não sujeito ao regime do art. 543C do CPC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. (Assinado Digitalmente) EDITADO EM: 16/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 2 Relatório Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem refletir a contenda. “Tratase de Pedido de Restituição (fl. 2) foi apresentado em 11/04/08; compreende a competência de março de 2003; refere se, ao que consta, ao pagamento a maior de PIS em razão da inclusão do ICMS na sua base de cálculo; foi acompanhado de quadro demonstrativo dos cálculos (fl. 4). O Pedido de Restituição foi indeferido sob os seguintes fundamentos constantes do Despacho Decisório (fls. 25/30). Acerca da regularidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS, decidiu: Todos os textos legais que tratam da contribuição federal em destaque (plenamente em vigor) não prevêem a hipótese da exclusão da parcela relativa ao ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep. As Leis nos 9.715/98, 9.718/98 10.637/02 indicam o faturamento (dentro deste conceito está embutido o valor atinente ao imposto estadual), correspondente a receita bruta auferida, entendendose esta como a totalidade das receitas obtidas, independentemente do tipo de atividade desenvolvida, como base de cálculo da exação em apreço. Somente as parcelas legalmente autorizadas é que podem ser excluídas de sua base de cálculo, não estando enquadrado nessa situação, conforme já destacado, o devido a titulo do ICMS. Ressalvou, inclusive, a edição de Súmulas pelo STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS." Súmula 68. "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do Finsocial". Súmula 94. Acerca da compatibilidade dos dados informados neste Pedido, bem como existência de outros processos assemelhados, informou que as informações consignadas na planilha de fl. 2 não guardam coerência com o declarado em DCTF e DIPJ, vide fls. 19/21, consultas aos sistemas SiefFiscel e IRPJ, respectivamente, haja vista a divergência dos valores envolvidos. O Contribuinte apresentou sua Manifestação de Inconformidade (fls.35/42), nos seguintes termos: Argumentou que o ICMS “... é receita do Estado tributante; nunca do Contribuinte”. Quanto à divergência de valores, registrada pelo Despacho Decisório, informou que ... “com efeito, os valores relativos às receitas de venda de sucatas, de materiais de consumos e financeiras, cuja tributação é discutida por ela, não integraram Fl. 109DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10830.003238/200833 Acórdão n.º 3302002.371 S3C3T2 Fl. 2 3 o crédito em seu favor descrito no pedido. Por essa razão, há divergência com as informações constantes das referidas declarações. Passou a discutir o conceito de “receita”/”faturamento”, para firmar entendimento de que nela não é possível incluir o ICMS, por ser este “receita do Estado” e “não integra o patrimônio do Contribuinte”. Quanto à competência da Autoridade Administrativa de afastar a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS ressalvou que “dessa forma, a interpretação oficial dada ao artigo 3º da Lei n° 9.718/98 se colocou em desconformidade com o artigo 110 do CTN, o que configura vício na aplicação e não de inconstitucionalidade, passível de controle administrativo.” Ressaltou a existência de Recurso Extraordinário (RE 240.785) pendente de julgamento no STF, tendendo a corroborar o entendimento de que o ICMS não pode integrar a base de cálculo do PIS/COFINS. Requereu ao fim o reconhecimento do direito creditório.” Acordaram os membros da 7ª. Turma de Julgamento, por unanimidade, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, e não reconhecer o direito do creditório, indeferindo a restituição pleiteada, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Intimada em 08.06.2012, inconformada o Recorrente interpôs recurso voluntário em 03.07.2012. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. De início cumpre esclarecer que a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS é objeto ao menos de dois processos judiciais sob a responsabilidade do STF, no caso, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18 e o Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852MG, sendo que, nenhuma das duas ações foi ainda julgada até a presente data. Relativamente à ADC nº18, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Fl. 110DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 4 Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010,quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852MG, este foi também suspenso até o julgamento do ADC no. 18. Por conta da suspensão dos julgamentos determinada pelo STF, os processos envolvendo a mesma matéria, pendentes de serem examinados por este Conselho, ficaram também suspensos, em sintonia com o disposto nos §§ 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/07/2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, e na Portaria CARF nº 01, de3/01/2012. Todavia, em 20 de novembro de 2013 foi publicada a Portaria MF nº 545 de 18.11.2013 que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministro de Estado da Fazenda, onde restou prescrito o que segue: “O Ministro de Estado da Fazenda, no uso das atribuições que lhe conferem os incisos I e II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e o art. 4º do Decreto nº 4.395, de 27 de setembro de 2002, Resolve: Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.” Neste sentido, entendo por bem julgar o presente recurso voluntário, haja vista não haver mais óbice para sua suspensão. Pois bem, o E. Superior Tribunal de Justiça proferiu decisão monocrática e definitiva no Recurso Especial (REsp) no 1.127.877/SP, recurso que foi recebido na origem segundo a sistemática do artigo 543C do CPC, conforme despacho proferido pelo Sr. relator, Min. Teori Zavascki, em 03/11/2009, (transitada em julgado em 20/06/2012), por força da ADC no. 18, à época com provimento cautelar no sentido de suspenderse todos esses julgamentos. Derrogada a cautelar, retornou a lide a julgamento, o que ocorreu, no entanto, inobservando o regime do 543C no caso concreto, até mesmo pela existência de duas Súmulas anteriores. Assim, em face da decisão proferida pelo E. STJ no REsp no 1.127.877/SP, não há como reconhecer direito creditório favoravelmente à recorrente, visto que o E. STJ manteve seu entendimento no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo da COFINS, conforme ementa do voto acima referenciado: “1. Tratase de recurso especial interposto contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região que, em mandado de Fl. 111DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10830.003238/200833 Acórdão n.º 3302002.371 S3C3T2 Fl. 3 5 segurança objetivando afastar a incidência do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, bem como o direito à compensação dos valores recolhidos,negou provimento à apelação, sob o fundamento de que o faturamento representa a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Os embargos de declaração foram rejeitados. No recurso especial (fls. 719/726), a recorrente aponta ofensa aos seguintes dispositivos: (a) art.535, II, do CPC, pois, mesmo com a oposição dos embargos de declaração, não foram sanadas as omissões apontadas; e (b) arts. 2° e 3°, da Lei 9.718/98, alegando, em síntese, que,uma vez que o ICMS não é componente do faturamento previsto no art. 195 da CF, é indevida a sua inclusão na base de cálculo da COFINS. Contrarrazões às fls. 750/752. 2. Não há nulidade por omissão no acórdão que, mesmo sem ter examinado individualmente cada um dos argumentos trazidos pelo vencido, decide de modo integral e com fundamentação suficiente a controvérsia posta. No caso dos autos, o Tribunal de origem julgou, com fundamentação suficiente, a matéria devolvida à sua apreciação. 3. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, DJe de04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min.Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, Djede 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de02/09/2009. 4. Pelo exposto, com fundamento no art. 557, caput, do CPC, nego seguimento ao recurso especial. Intimese.” Perfilome aos julgados anteriores, que ao longo do tempo têm se mantido na jurisprudência de todos os Tribunais, até que porventura o STF, ainda a julgar Recurso Especial específico além da própria ADC no. 18, decida ao contrário. Ante o exposto, conheço do recurso e negolhe provimento. É como voto. Sala das Sessões, em 26 de novembro de 2013. GILENO GURJÃO BARRETO Relator Fl. 112DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 6 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.006461/2001-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2001
Ementa:
OMISSÃO NA DECISÃO RECORRIDA. NECESSIDADE DE COMPLEMENTAÇÃO. OFENSA AO DEVIDO PROCESSO LEGAL. NULIDADE.
A omissão relativa a fato relevante para o deslinde da causa caracteriza cerceamento do direito de defesa, a demandar anulação do acórdão recorrido para que outro seja produzido com apreciação de todas as razões de inconformidade.
Decisão Anulada
Numero da decisão: 3402-002.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para anular a decisão da Delegacia de Julgamento, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Pedro Souza Bispo, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2001 Ementa: OMISSÃO NA DECISÃO RECORRIDA. NECESSIDADE DE COMPLEMENTAÇÃO. OFENSA AO DEVIDO PROCESSO LEGAL. NULIDADE. A omissão relativa a fato relevante para o deslinde da causa caracteriza cerceamento do direito de defesa, a demandar anulação do acórdão recorrido para que outro seja produzido com apreciação de todas as razões de inconformidade. Decisão Anulada
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para anular a decisão da Delegacia de Julgamento, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Pedro Souza Bispo, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Fenelon Moscoso de Almeida.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1793; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 125 1 124 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.006461/200142 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.406 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de julho de 2014 Matéria IPI Recorrente EDITORA GAZETA DO POVO LTDA Recorrida DRJ RIBEIRÃO PRETO (SP) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2001 Ementa: OMISSÃO NA DECISÃO RECORRIDA. NECESSIDADE DE COMPLEMENTAÇÃO. OFENSA AO DEVIDO PROCESSO LEGAL. NULIDADE. A omissão relativa a fato relevante para o deslinde da causa caracteriza cerceamento do direito de defesa, a demandar anulação do acórdão recorrido para que outro seja produzido com apreciação de todas as razões de inconformidade. Decisão Anulada Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para anular a decisão da Delegacia de Julgamento, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Pedro Souza Bispo, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Fenelon Moscoso de Almeida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 64 61 /2 00 1- 42 Fl. 432DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 2 Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido: A empresa acima identificada peticionou ressarcimento de saldo credor do IPI com fundamento no artigo 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, e Instrução Normativa IN/ SRF nº 33, de 1999, no montante de R$ 483.702,19. A Delegacia da Receita Federal DRF em Curitiba indeferiu o ressarcimento, alegando que para ter o direito ao ressarcimento do IPI é preciso que o contribuinte cumpra com as obrigações acessórias estabelecidas pela SRF, ou seja, a escrituração completa dos seus livros fiscais, emissão de nota fiscal modelo 1 ou 1A, na venda de seus produtos, além do preenchimento das fichas do IPI constantes das DIPJ dos períodos a que se referir. Sendo assim, o fundamento para o indeferimento do pleito foi o descumprimento das obrigações acessórias fundamentais, o que impossibilitou a análise do pleito. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual, alegou, em resumo, o que se segue: Preliminarmente, argúise a impossibilidade de cobrança relativamente ao Pedido de Compensação protocolado em 11 de outubro de 2001, que engloba os débitos de PIS e COFINS, ambos do período de apuração de setembro de 2001, e de valores de R$ 46.312,89 e R$ 69.606,92, respectivamente. A contribuinte cumpriu todas as obrigações acessórias que lhe eram possíveis cumprir, frente às características especiais de sua atividade operacional, que está voltada, em essência, para a editoração, impressão e comercialização de um jornal, de circulação diária, na cidade de Curitiba (Jornal Gazeta do Povo), com publicidade. Por disposição constitucional, o jornal é imune a impostos (art. 150, VI, d). No entanto, em relação ao IPI, a sua legislação de regência, o considera como produto industrializado, considerando a atividade da contribuinte como uma operação de transformação e enquadrando o produto final (jornal de circulação diária e com publicidade) na TIPI, no código 4902.10.00, ex.01, a alíquota zero por cento. Situação fática reconhecida pela própria autoridade administrativa no seu despacho decisório. Importante se considerar que frente ao ICMS as operações com jornais são imunes à incidência do imposto estadual, não sendo a empresa contribuinte do ICMS e não está obrigada à inscrição estadual e ao cumprimento das obrigações acessórias estaduais, como emitir nota fiscal, razão pela qual documenta suas operações comerciais com a emissão de nota fiscal de serviços. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.006461/200142 Acórdão n.º 3402002.406 S3C4T2 Fl. 126 3 O despacho decisório vai além do exigido pela regulamentação própria e impõe o dever da contribuinte em manter escrituração completa do IPI, emissão de nota fiscal e preenchimento das fichas de IPI nas DJPJ. Esses não são requisitos exigidos para o aproveitamento do crédito do artigo 11, da Lei nº 9.779/99 mesmo porque as hipóteses de produtos isentos ou tributados à alíquota zero são especiais, que não permitem o cumprimento rigoroso, por parte do contribuinte de todas as obrigações acessórias previstas na legislação para os contribuintes em geral. A rigor, o produto final da atividade da contribuinte – jornal – é beneficiado pela imunidade tributária, embora a legislação do IPI o considere como produto tributado, sujeito a alíquota zero, e, mesmo que se considere o produto imune, o pedido de ressarcimento dos créditos de IPI é válido e independe de qualquer obrigação acessória, em função da autorização contida no artigo 4º da IN 33/99. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ Ribeirão Preto (SP) julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 1437.384, de 25 de abril de 201227 de maio de 2013, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2001 RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃOTRIBUTADOS (NT). O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias nãotributadas (N/T) pelo imposto. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta, em síntese, que: a) O jornal é um produto industrializado, sendo a empresa, consequentemente, um estabelecimento industrial; b) Pela sistemática da legislação do IPI, os jornais, com publicidade, e periodicidade superior a 4 vezes por semana, na TIPI são classificados na posição 4902.10.00 – Ex 01, tendo a previsão de alíquota zero; c) Mesmo que se considere a imunidade, pela letra do art. 4º, da IN SRF nº 33/99, também está amparado pelo art. 11 da Lei nº 9.779/99, uma vez que imunidade não se equipara a produto “NT”; Fl. 434DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 4 d) A DRF/Curitiba, no seu despacho de fls. 317/320, negou o direito ao crédito de IPI pleiteado sob o único e exclusivo pressuposto de que não teria cumprido com as obrigações acessórias essenciais, reconhecendo o caráter industrial de sua atividade e a classificação fiscal do jornal, sujeito à alíquota zero. Já a Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto inovou e ampliou o âmbito de discussão até então delimitado administrativamente, considerando o produto como não tributado (NT). Nessa nova ótica provocada pela DRJ, os insumos adquiridos para a produção do jornal não gerariam direito ao creditamento e, consequentemente, ressarcimento do imposto. Termina sua petição recursal pedindo a reforma de parte do acórdão vergastado, para fins de deferir o pedido de ressarcimento dos créditos básico de IPI, com fundamento no art.11 da Lei nº 9779/99 e a consequente homologação das declarações de compensação a ele vinculadas. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Preliminarmente, acolho as alegações do recorrente quanto a impossibilidade do indeferimento do pleito de ressarcimento baseado na classificação fiscal do produto, uma vez que esse fato não foi motivo determinante das razões de decidir do despacho decisório de fls. 317/320. Sabemos que é na manifestação de inconformidade que surge a lide. Também não é surpresa que, pelo principio da congruência, é neste momento que se delimita a matéria a ser discutida, a controvérsia sobre os fatos. Controvérsia é choque de razões, alegações ou fundamentos divergentes, que se excluem – de modo que a aceitação de uma delas é negação da oposta ou viceversa (Carnelutti). Se a afirmação de determinado fato não é contestada por uma afirmação oposta, colidente com ela, não há controvérsia. Segundo Dinamarco, A controvérsia gera a questão, definida como dúvida sobre um ponto, ou como ponto controvertido. Se não há controvérsia, o ponto (fundamento da demanda ou da defesa) permanece sempre como ponto, sem erigir em questão. E mero ponto, na técnica do processo civil, em princípio independe de prova. Como já dito, no processo administrativo fiscal, na manifestação de inconformidade o sujeito passivo tem o ônus de criar a controvérsia, sob pena de deixar incontroversa a sua versão quanto aos fatos. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10980.006461/200142 Acórdão n.º 3402002.406 S3C4T2 Fl. 127 5 Regressando aos autos, conforme dito alhures, a primeira instância administrativa aduziu a razão de decidir matéria que não fez parte da lide inicial, formada pelas razões do despacho decisório em indeferir o pleito de ressarcimento e pelas razões recursais apresentadas na manifestação de inconformidade. Assim sendo, entendo que o mérito está adstrito na definição da necessidade de cumprimento das obrigações acessórias por parte do recorrente para fins de fazer jus ao crédito básico do IPI, nos termos da Lei nº 9.779/99. Após análise profunda do acórdão vergastado, verifico que não houve apreciação das provas acostadas aos autos. O Colegiado a quo não se pronunciou acerca dos documentos apresentados pelo recorrente, fato que caracteriza omissão de matéria fática. Esse é um caso típico de omissão, sanável por intermédio de embargos de declaração. É fato que não existe previsão para embargos contra decisão proferida em primeira instância administrativa. A previsão de embargos de declaração no âmbito do processo administrativo nasce no Regimento Interno do CARF. Diante destas circunstâncias, surge uma pergunta, como fica então o sujeito passivo que teve seu direito cerceado por uma decisão incompleta, decisão esta que se omitiu sobre ponto fundamental que poderia dar outro rumo a lide? Resposta simples, a omissão é um vício de atividade, de um error in procedendo, na medida em que o julgador desatende comando legal regulador de sua atuação à frente do processo. Esse defeito do pronunciamento do julgador traz em si um ultraje à sadia regra de correlação entre a demanda e sentença, que vincula os fundamentos da decisão e seu dispositivo à causa de pedir e aos pedidos formulados pela parte, respectivamente. A jurisprudência do CARF é uníssona no sentido de anular a decisão citra petita para afastar o cerceamento do direito de defesa. Pelo exposto, voto por anular o acórdão recorrido para que a primeira instância produza uma nova decisão, analisando todos os fundamentos jurídicos relevantes apresentados na manifestação de inconformidade. Sala das Sessões, em 22/07/2014 Gilson Macedo Rosenburg Filho. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 6 Fl. 437DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 1/08/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10783.725353/2011-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO. RECONHECIMENTO. ÔNUS DA PROVA.
Nos pedidos de restituição e compensação de tributos é do contribuinte o ônus de provar os fatos constitutivos do direito creditório pleiteado. Prescrição contida no artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, aplicado supletivamente ao PAF (Decreto No. 70.235/72).
O contribuinte deve demonstrar objetivamente com base em provas as suas alegações, de modo a evidenciar e corroborar o direito pretendido e não tentar transferir ao Fisco este ônus processual. Atribuir à fiscalização este dever é subverter as atribuições das partes na relação processual. Não cabe ao Fisco, e muito menos às instâncias julgadoras, suprir deficiências probatórias da parte autora.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação, nos termos do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 3202-001.201
Decisão: Recurso voluntário negado.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher em parte as preliminares suscitadas, apenas para realizar o julgamento deste processo em conjunto ao processo nº 10783.725365/2011-03; no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO. RECONHECIMENTO. ÔNUS DA PROVA. Nos pedidos de restituição e compensação de tributos é do contribuinte o ônus de provar os fatos constitutivos do direito creditório pleiteado. Prescrição contida no artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, aplicado supletivamente ao PAF (Decreto No. 70.235/72). O contribuinte deve demonstrar objetivamente com base em provas as suas alegações, de modo a evidenciar e corroborar o direito pretendido e não tentar transferir ao Fisco este ônus processual. Atribuir à fiscalização este dever é subverter as atribuições das partes na relação processual. Não cabe ao Fisco, e muito menos às instâncias julgadoras, suprir deficiências probatórias da parte autora. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação, nos termos do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional.
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decisao_txt : Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher em parte as preliminares suscitadas, apenas para realizar o julgamento deste processo em conjunto ao processo nº 10783.725365/2011-03; no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
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PEDIDO DE RESSARCIMENTO Recorrente AGRO FOOD IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 Pedido de perícia/diligência. Prescindibilidade. Indeferimento. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO. RECONHECIMENTO. ÔNUS DA PROVA. Nos pedidos de restituição e compensação de tributos é do contribuinte o ônus de provar os fatos constitutivos do direito creditório pleiteado. Prescrição contida no artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, aplicado supletivamente ao PAF (Decreto No. 70.235/72). O contribuinte deve demonstrar objetivamente com base em provas as suas alegações, de modo a evidenciar e corroborar o direito pretendido e não tentar transferir ao Fisco este ônus processual. Atribuir à fiscalização este dever é subverter as atribuições das partes na relação processual. Não cabe ao Fisco, e muito menos às instâncias julgadoras, suprir deficiências probatórias da parte autora. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação, nos termos do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso voluntário negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 53 53 /2 01 1- 71 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.725353/201171 Acórdão n.º 3202001.201 S3C2T2 Fl. 286 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher em parte as preliminares suscitadas, apenas para realizar o julgamento deste processo em conjunto ao processo nº 10783.725365/201103; no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório O presente processo trata de pedido de ressarcimento, cumulado com a compensação de tributos, embasados em supostos créditos da Cofins na sistemática da não cumulatividade, oriundos da aquisição de café para revenda, cujo valor apontado pelo contribuinte é de R$ 2.100.000,00, referente ao período de apuração do 4º trimestre de 2005 (e fls. 7/ss). Para elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento lastreado em pretensos créditos oriundos da incidência não cumulativa da contribuição para a COFINS, tal como estatuído na Lei 10.833/03 e posteriores alterações, cujo valor apontado pelo contribuinte é de R$2.100.000,00 (dois milhões e cem mil reais) abrangendo o 4º trimestre de 2005. Segundo a Informação Fiscal SEFIS/DRF/VIT/ES nº 107/2011 (fls. 02/06) a auditoria fiscal comprovou à saciedade que a AGRO FOOD apropriouse ilicitamente de créditos integrais fictos, razão pela qual foram objeto de glosa. As provas e documentos produzidos durante os trabalhos fiscais que constam do processo administrativo nº 10783.725365/201103, bem como a presente Informação Fiscal e Despacho Decisório, serão cientificados simultaneamente à AGRO FOOD, por se tratarem do mesmo objeto, qual seja: análise, glosa e recomposição dos créditos a descontar. AGRO FOOD apresentou à fiscalização MEMÓRIA DE CÁLCULO em meio magnético nas quais estão relacionadas, de forma individualizada, por fornecedor, as notas fiscais dos bens adquiridos para revenda utilizadas como BASE DE CÁLCULO dos créditos a descontar de PIS/COFINS constantes dos DACON´s apresentados. Diante das fartas provas e documentos acostados ao processo administrativo nº 10783.725365/201103, a fiscalização constatou na escrituração da AGRO FOOD infração tributária relacionada à apropriação indevida de créditos integrais da contribuição social não cumulativa – COFINS (7,6%), calculados sobre os valores Fl. 291DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.725353/201171 Acórdão n.º 3202001.201 S3C2T2 Fl. 287 3 das notas fiscais de aquisição de café em grãos; quando o correto seria a apropriação de créditos presumidos (Art. 29 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004 (DOU 30/12/2004), que deu nova redação ao artigo 8º da lei nº 10.925/2004). Isso porque as pretensas aquisições de café contabilizadas pela AGRO FOOD em nome de comprovadas pseudo atacadistas, todas verdadeiramente empresas de fachada, foram usadas para dissimular as verdadeiras operações realizadas, quais sejam: aquisições de café em grãos diretamente de pessoas físicas (produtores rurais/maquinistas). Os créditos integrais apropriados sobre notas fiscais de empresas de fachada foram glosados na presente auditoria e reconhecido o direito ao crédito presumido sobre tais operações, na forma da legislação aplicável. Ao final, em face da AGRO FOOD, foram lançados, em determinados períodos de apuração, os valores devidos a título de COFINS em razão da falta/insuficiência de crédito a descontar no período e, principalmente, a apuração dos novos valores passíveis de ressarcimento. O despacho decisório DRF/VIT/ES não reconheceu o direito creditório apontado no pedido de ressarcimento, abrangendo o período do 4º trimestre de 200e, relativo à apuração não cumulativa da contribuição para a COFINS, nos termos da Lei 10.833/03 e atos normativos pertinentes e homologou as compensações apresentadas em Dcomp. A interessada foi cientificada em 06/08/2012 e apresentou manifestação de inconformidade em 03/09/2012 alegando que é imprescindível o julgamento em conjunto com o processo 10783.725365/201103. A interessada reitera as alegações efetuadas no processo 10783.725365/201103, afirmando ter adquirido o café de boafé, que as confirmações do negócio informam o produtor do café para que se saiba a qualidade do café adquirido e que não há provas de seu envolvimento na fraude. Acrescenta que desempenha atividades relacionadas ao comércio de café em grãos e/ou industrializado no País bem como a importação e exportação dos mesmos. Alega também que uma vez mantida a glosa deve ser reduzido o valor do IRPJ e CSLL apurados que foram objeto da Declaração de Compensação. A glosa do crédito impacta na base de cálculo dos débitos de IR e CSLL que vieram a ser compensados pelo crédito pleiteado. Pleiteia perícia sob a alegação de que o crédito pleiteado referese ao 4º trimestre de 2004, ao passo que o Demonstrativo de Cálculo dos Créditos a Descontar acostado às fls. 1.393 do Processo 10783.725365/201103 demonstra a apuração dos créditos mensalmente ao longo de todo o de 2004. Junta DOC. 09 Encerra a impugnação requerendo: a) Seja deferida a produção de prova pericial; b) O julgamento simultâneo do processo 10783.725365/201103, bem como dos processos nº 10783.725360/201172, 10783.725356/201112, 10783.725353/201171; c) Sejam reconhecidos os créditos integrais da COFINS apropriados pela Recorrente, no período em questão; d) Sejam desconsiderados todos os argumentos fáticos e jurídicos lançados na Informação Fiscal SEFIS/DRF/VIT/ES nº 107/2011, no qual se embasou a glosa a qual se contesta, conforme fundamentação deduzida na presente Manifestação de Inconformidade. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.725353/201171 Acórdão n.º 3202001.201 S3C2T2 Fl. 288 4 Por fim, protesta pela juntada posterior de quaisquer documentos que se fizerem necessário para demonstrar o seu direito aos créditos de Cofins não cumulativos do período. A 16ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro proferiu o Acórdão nº 1254.435, em 03 de abril de 2013 (e folhas nº 208/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 Diligência. Perícia. Desnecessária. Indeferimento. Indeferese o pedido de diligência (ou perícia) quando a sua realização revelese prescindível ou desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora. Juntada de Novas Provas A prova documental deve ser apresentada na impugnação; precluído o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto quando justificado por motivo legalmente previsto. Análise Simultânea. Processo. É cabível a análise simultânea de processos quando a decisão se baseou em provas e documentos produzidos durante os trabalhos fiscais que constam em outro processo. Crédito. Poder de investigação. É dever da autoridade investigar a exatidão do crédito apurado pelo sujeito passivo quando da análise dos valores pleiteados em Pedido de Ressarcimento ou PER/Dcomp para fins de decisão. Pedido de Ressarcimento. Saldo remanescente. O pedido de ressarcimento deverá ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, líquido das utilizações por desconto ou compensação. Matéria já Apreciada. Incabível nova apreciação de matéria já analisada em processo anterior relativo ao mesmo período e mesmo tributo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A interessada regularmente cientificada do Acórdão, interpôs Recurso Voluntário em 05/06/2013 (efls. 219/ss), onde repisa os argumentos trazidos na impugnação. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.725353/201171 Acórdão n.º 3202001.201 S3C2T2 Fl. 289 5 Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. Da admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Preliminares Do pedido para o julgamento deste processo conjuntamente com o processo nº 10783.725365/201103 A Recorrente requer, em sede de preliminar, seja o presente processo julgado em conjunto com o processo nº 10783.725365/201103, assim como todos os demais processos vinculados à matéria. O pedido da Recorrente está sendo atendido, razão pela qual estaremos julgando na mesma sessão de julgamentos o presente processo conjuntamente com o processo nº 10783.725365/201103 – que trata dos autos de infração do PIS e da Cofins e, ainda, com os demais processos que também tratam de pedido de ressarcimento e compensação das contribuições (nºs 10783.725349/201111, 10783.725353/201171, 10783.725356/201112 e 10783.725360/201172). Assim sendo, acatada a preliminar suscitada pela Recorrente. Do pedido para realização de perícia/diligências A Recorrente requer a realização de diligência a fim de que seja determinado o montante de créditos de Cofins, e ao fim, seja concedida a totalidade dos créditos apurados. Não há necessidade de perícia ou diligência, senão vejamos. No que concerne à produção de prova pericial é oportuno ressaltar que o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993, permite a autoridade julgadora indeferir a perícia eventualmente solicitada, quando entendêla prescindível, sem que se configure tal fato cerceamento do direito de defesa. A perícia reveste se das características de atividade de apoio ao julgamento e serve à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde de questão controversa. Compulsandose os autos verificase que a Recorrente foi intimada pela fiscalização para apresentar os documentos que comprovassem o seu direito, assim como teve oportunidade de defenderse amplamente com a apresentação da impugnação e recurso. É certo que o processo deve ter um ritmo, deve andar para frente, sendo que cada fase tem sua finalidade própria. A fase de apresentação de provas já foi superada. Agora, na fase recursal já não mais é o momento próprio para apresentação ou produção de provas. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.725353/201171 Acórdão n.º 3202001.201 S3C2T2 Fl. 290 6 Neste sentido, interessante citar abalizada lição de Maria Teresa Martinez López e Marcela Cheffer Bianchini (artigo “Aspectos Polêmicos sobre o Momento de Apresentação da Prova no Processo Administrativo Fiscal Federal”, do livro “A Prova no Processo Tributário”, Dialética: São Paulo, 2010, p. 51): (...) O devido processo legal manifesta princípios outros além do da verdade material. O processo requer andamento, desenvolvimento, marcha e conclusão. A segurança e a observância das regras previamente estabelecidas para a solução das lides constituem valores igualmente relevantes no processo. E, neste contexto, o instituto da preclusão passa a ser figura indispensável ao devido processo legal, e de modo algum se revela incompatível com o Estado de Direito ou com o direito de ampla defesa ou com a busca pela verdade material. O artigo 16 do PAF, em seu parágrafo 4°, estabelece limitações à atividade probatória do administrado ao determinar que a prova documental deve ser apresentada com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que restar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior ou referirse a fato ou direito superveniente.” (grifamos) Assim sendo, indefiro o pedido para realização de perícia e diligência apresentado pela Recorrente. Mérito Conforme voto proferido nos autos do processo nº 10783.725365/201103 (onde foram analisados os argumentos e provas trazidos pelas partes), julgado conjuntamente com este processo, restou decidido que a Recorrente não tem direito aos pretensos créditos do PIS e da Cofins solicitados, verbis: Em conclusão, diante do robusto quadroprobante apresentado pela fiscalização (repitase: estão acostados aos autos mais de 1.300 folhas de documentos / efolhas 47 a 1.398), composto por diversas espécies de provas, congruentes e consistentes, estou plenamente convencido da existência dos ilícitos tributários (materialidade), caracterizada pela interposição fraudulenta dos atacadistas de fachada (“laranjas”) entre os produtores rurais e os reais adquirentes do café, o que permitiu a utilização de créditos indevidos e fictícios das contribuições sociais por parte destes últimos, bem como na participação da Recorrente na prática desses ilícitos (autoria). Deste modo, deve ser indeferido o pedido de ressarcimento cumulado com compensação de tributos em decorrência da ausência de certeza e liquidez do suposto crédito reclamado, nos termos do que prescreve o artigo 170 do CTN. Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. O art. 170 do CTN fixa pressuposto nuclear a ser atendido pelo contribuinte a fim de que possa ser corroborada a compensação pela Fazenda Nacional: que seus créditos estejam revestidos de liquidez e certeza. Os créditos pleiteados, como se viu no julgamento do processo nº 10783.725365/201103 não é líquido e muito menos certo. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.725353/201171 Acórdão n.º 3202001.201 S3C2T2 Fl. 291 7 Como muito bem destacado no voto condutor da decisão administrativa de primeira instância, por se tratar de declaração de compensação invertese o ônus da prova, devendo o contribuinte comprovar o seu direito líquido e certo, dentro do prazo para homologação previsto no art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430, de 1996. Portanto, não há que se falar em decadência do direito do Fisco para verificar os requisitos necessários para a homologação da compensação pretendida. Assim sendo, “não se pode concluir que a autoridade fiscal deva aprovar o saldo anterior de crédito de não cumulatividade demonstrado na Dacon correspondente, e decidir pelo ressarcimento, sem a verificação prévia da liquidez e certeza do crédito pleiteado. (...) Portanto, correta a análise de todo o anocalendário de 2004”. Em nosso ordenamento jurídico, ex vi do artigo 333, do CPC – Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo tributário, o ônus da prova incumbe ao autor quanto à existência de fato constitutivo de seu direito. Esse artigo estabeleceu um regramento, destinado ao julgador, possibilitando que possa tomar uma decisão em desfavor daquela parte que não desempenhou bem a sua função de provar. Em reforço a este dispositivo, o artigo 396 do CPC impõe a exigência da devida instrução do pedido, verbis: Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provarlhe as alegações. No mesmo sentido, o artigo 28 do Decreto nº 7.574/2011 (que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União) informa caber ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A Recorrente deveria comprovar suas alegações, com base em documentos e livros fiscais, de modo a evidenciar e corroborar o direito pretendido e não tentar transferir ao Fisco o dever de comprovar as suas alegações (da Recorrente). Atribuir ao Fisco este dever é subverter as atribuições das partes na relação processual. Não cabe ao Fisco, e muito menos às instâncias julgadoras, suprir deficiências probatórias da parte/autora. Em outro giro, merece ser acolhido o pedido da Recorrente para que seja “sanado erro material identificado” no acórdão da DRJ (objeto do processo nº 10783.725365/201103), que inovou ao negar tanto o direito ao crédito integral quanto o direito ao crédito presumido, de forma contrária à Informação Fiscal exarada pela autoridade da DRF – Vitória. De fato, na INFORMAÇÃO FISCAL SEFIS/DRF/VIT/ES nº 107/2011 restou consignado o seguinte (vide efolha 5): Os créditos integrais apropriados sobre notas fiscais de empresas de fachada foram glosados na presente auditoria e reconhecido o direito ao crédito presumido sobre tais operações, na forma da legislação aplicável. Assim, efetuouse a RECOMPOSIÇÃO dos saldos dos créditos decorrentes de operações do mercado interno e externo. Após o desconto dos créditos com as contribuições da COFINS devidas mensalmente, efetuouse o cálculo dos saldos dos créditos passíveis de ressarcimento, os quais foram pleiteados por meio de PER/DCOMP. Ao final, em face da AGRO FOOD, foram lançados, em determinados períodos de apuração, os valores devidos a título de COFINS em razão da falta/insuficiência de crédito a descontar no período e, principalmente, a apuração dos novos valores passíveis de ressarcimento. A fiscalização limitou o valor do PEDIDO DE RESSARCIMENTO ao valor do saldo do crédito a descontar referente à parcela do MERCADO EXTERNO (PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO). Fl. 296DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.725353/201171 Acórdão n.º 3202001.201 S3C2T2 Fl. 292 8 Como dito, a recomposição dos créditos a descontar da COFINS nãocumulativa além de resultar em saldo a pagar dessa contribuição, acarretou no RECONHECIMENTO PARCIAL do valor dos créditos pleiteados nos PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. Entretanto, conforme tabela abaixo, após as glosas e a recomposição dos créditos a descontar, NÃO resultou saldo disponível de crédito no final do trimestre. Dessa forma, NÃO se RECONHECE o crédito oriundo da COFINS EXPORTAÇÃO requerido no PEDIDO DE RESSARCIMENTO, referente ao 4° trimestre de 2005 . (...) Em face de todo acima exposto, propõese ao Delegado da Receita Federal do Brasil em VITÓRIA/ES que: (a) INDEFIRA o direito creditório apontado no pedido de ressarcimento no montante o direito creditório apontado no pedido de ressarcimento no montante de R$2.100.000,00 (dois milhões e cem mil reais), abrangendo o período do 4º trimestre de 2005, relativo à apuração não cumulativa da contribuição para a COFINS, nos termos da Lei 10.833/03 e atos normativos pertinentes; (b) NÃO HOMOLOGUE as compensações apresentadas em DCOMP. Destarte, ao negar provimento ao recurso voluntário apresentado não se pode agravar a situação da Recorrente (reformatio in pejus). Entretanto, no caso deste processo (depois de refeitos os cálculos) o indeferimento foi total, portanto, não há valores a serem ressarcidos/compensados, nos termos do que foi decidido no Despacho Decisório DRF/VIT/ES (efolha 71). Por fim, quanto ao pedido formulado pela Recorrente de redução dos débitos compensados de IRPJ e CSLL, na hipótese de ser mantida a glosa dos créditos integrais das contribuições, como já destacado na decisão recorrida, tratase matéria que não compete ao CARF manifestarse. Isto porque o pedido de reconhecimento de direito creditório (ou de redução de débitos compensados) deve ser formulado em procedimentos próprios, não se prestando o Recurso Voluntário como instrumento adequado a tais pretensões. Não há, portanto, previsão legal para o atendimento do pedido formulado pela Recorrente na seara do contencioso administrativo federal. Ante ao exposto, em preliminares, acolho o pedido da Recorrente para que o presente processo seja julgado conjuntamente com o processo nº 10783.725365/201103 e nego o pedido para realização de perícia; no mérito, em face da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, nos termos do artigo 170/CTN, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 297DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.725353/201171 Acórdão n.º 3202001.201 S3C2T2 Fl. 293 9 Fl. 298DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10670.000697/2006-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3401-000.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Por maioria, convertido o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Júlio Ramos. Ausente justificadamente o Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça.
(assinado digitalmente)
JULIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso De Almeida, Angela Sartori.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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Acordam os membros do colegiado: Por maioria, convertido o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Júlio Ramos. Ausente justificadamente o Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça. (assinado digitalmente) JULIO CÉSAR ALVES RAMOS – Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso De Almeida, Angela Sartori. Relatório Tratase de Recurso Voluntário manejado contra o indeferimento do pedido de compensação com crédito de COFINS e PIS incidentes sobre “outras receitas” que não faturamento bruto durante o período de apuração de janeiro/99 a março/2001 em razão da RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 70 .0 00 69 7/ 20 06 -8 3 Fl. 889DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10670.000697/200683 Resolução nº 3401000.778 S3C4T1 Fl. 890 2 declaração de inconstitucionalidade pelo STF do alargamento da base de cálculo realizada pelo art. 3º da Lei n.º 9.718/98. Às fls. 03 consta Certidão expedida pela Seção Judiciária de Minas Gerais noticiando que a ação transitou em julgado em 02.02.2006. A DRF às fls. 141/147, não homologou a compensação pleiteada com fundamento no art. 168 do CTN, sob o argumento de que o seu direito teria sido atingido pela decadência, já que o pedido de compensação fora protocolado somente em 15.05.2006 e os pagamentos ocorreram a mais de 5 anos da data do protocolo. O Recorrente não concordou com tal decisão e apresentou Manifestação de Inconformidade às 149/173, esclarecendo que em relação aos créditos pertinentes ao período de abril/2001 a dezembro/2005, apresentou PER/DCOMP's eletrônicas, compensando tais créditos com os respectivos débitos de PIS e COFINS relativos ao mês de março de 2006. Já para os créditos relativos ao período de fevereiro/1999 a março/2001, apresentou DCOMP's em papel, para compensação com os respectivos débitos de PIS e COFINS relativos ao mês de abril de 2006. A apresentação do pedido em papel decorreu do fato de que a entrega eletrônica somente possibilita á compensação de créditos relativos aos últimos 5 anos. Em sua Manifestação de Inconformidade, o interessado traz decisões do STJ para demonstrar que era impossível realizar a compensação, antes do trânsito em julgado da ação junto ao Poder Judiciário, mesmo porque seu direito não era líquido e certo. A DRJ às fls. 203/204 solicitou diligência com o propósito de esclarecer: a) o valor do crédito oriundo da decisão transitada em julgado, considerando, inclusive, os pagamentos efetuados no período de 01/1999 a 03/2001; b) se tal crédito é suficiente para a validação das compensações pleiteadas (ressaltese que a empresa efetuou outras compensações via PERDCOMP); Deste modo, o contribuinte foi devidamente intimado às fls. 205 a apresentar: a) demonstrativo da base de cálculo do PIS e COFINS e os registros contábeis que comprovam o faturamento dos meses de 02/99 04/99 a 08/99; 01/2000 a 05/2000, 08/2000 a 12/2000 ; 01/2001 a 03/2001; b) Registros contábeis das receitas excluídas da base de cálculo do PIS e COFINS, que ensejaram a pretensa restituição cumulada com compensação ( receitas estranhas ao faturamento); c) Registros contábeis das compensações e créditos de pagamentos indevidos ou a maior reconhecidos por decisão judicial e transitada em julgado em 02/02/2006, dos meses de fevereiro/1999 a março/2001, em função da inconstitucionalidade do art. 3% §1º da Lei n° 9.718198, que determinou o alargamento da base de cálculo da Cofins. Assim, em 25.03.2008, a interessada apresentou esclarecimentos às fls. 212/214, com a finalidade de atender a referida intimação e informa que existia no Plano de Fl. 890DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10670.000697/200683 Resolução nº 3401000.778 S3C4T1 Fl. 891 3 Contas da empresa, a conta denominada Ressarcimento PIS/COFINS s/ Exportação, que registrava o crédito presumido de PIS /COFINS, no grupo de outras receitas operacionais. Esclarece ainda que a empresa registrou o crédito nesta conta "inativa", não abrindo conta especifica para este lançamento. Cumpre informar que a empresa anexou balances referentes ao período compreendido entre fevereiro/99 a março/2001 anexo às fls.217/263. A Seção de Arrecadação e Cobrança da DRF de Montes Carlos – MG, informa em 21.08.2009 às fls. 267/268, que o contribuinte não apresentou documentos para apurar a base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos em que foi decidido no Poder Judiciário, razão pela qual concluiu não ser possível determinar o montante do crédito, por falta de apresentação de provas pelo contribuinte. Sobreveio a Decisão n.º 0927037 – 2ª Turma da DRJ em Juiz de Fora às fls. 272/274 que acolheu parcialmente a pretensão do contribuinte para afastar a decadência do direito, mas indeferiu o pedido de compensação por ausência de prova por parte do sujeito passivo. A ementa restou lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2006 DECADÊNCIA Quando se trata de crédito oriundo de ação judicial, o termo inicial para sua utilização é a data do transito em julgado. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido Demonstrando insatisfação com a decisão de primeiro grau, a contribuinte apresenta Recurso Voluntário às fls. 278/282, com “preliminar de nulidade” do acórdão atacado, com fundamento no art. 16, § 4º do Decreto n.º 70.235/72, pois destaca que não se trata de falta de documentação, mas sim de sua “suposta” insuficiência. Além do que, a decisão afirma laconicamente que a empresa encaminhou documentos às fls. 212/263, com os quais não foi possível a apuração do crédito e questiona por qual motivo não foi possível a apuração com base na documentação apresentada. Logo, segundo as razões de recurso, a falta de resposta a esse questionamento evidencia a ausência de motivação e fundamentação do acórdão a apontar sua patente nulidade. Sustenta ainda que é dever do julgador instaurar a fiscalização para suprir a insuficiência de provas e não transferir o ônus da prova ao contribuinte, uma vez que é dever do Fisco apurar os fatos, por força do art. 142 do CTN. Neste sentido, transfere para a Fazenda Nacional o ônus de apurar a materialidade do crédito em questão. Fl. 891DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10670.000697/200683 Resolução nº 3401000.778 S3C4T1 Fl. 892 4 Já no mérito, sublinha que o contribuinte trouxe aos autos os balancetes para demonstrar contabilmente a reapuração da base de cálculo, conforme decisão judicial. Com efeito, menciona que após a decisão judicial a empresa tem direito a excluir da base de cálculo receitas provenientes de variação monetária, variação cambial, operações com renda fixa, fundo de aplicações financeiras e outras receitas financeira e cita as respectivas contas contábeis. Afirma que as planilhas anexas às fls. 385/391 e os balancetes já juntados anteriormente, demonstram a diferença entre o valor de PIS e COFINS recolhido (com base na receita bruta e o valor de PIS e COFINS devido sobre o faturamento, ou seja, excluindo receitas nos termos da decisão judicial e que essa diferença representa exatamente o recolhimento indevido utilizado nas compensações em questão. O contribuinte reconhece em seu recurso que em alguns meses o valor do recolhimento indevido que decorre dos balancetes é menor 'do que o recolhimento indevido demonstrado nas DCOMP's. Porém, por outro lado, lembra que em outros meses os balancetes demonstram um valor de recolhimento indevido maior do que o utilizado na DCOMP. Ao final requer o acolhimento da preliminar para que seja declarada a nulidade do acórdão recorrido, por ausência de fundamentação ou ausência de prova para negar o direito creditório. Não sendo acolhida a preliminar, deseja o contribuinte que os autos sejam encaminhados para a realização diligência a fim de que seja apurado o crédito. Por derradeiro, subsidiariamente, pleiteia a reforma da decisão para que seja reconhecido o direito de crédito no limite dos valores dos recolhimentos indevidos demonstrados por meio dos balancetes, inclusive com utilização dos valores de recolhimentos indevidos demonstrados a maior do que o informado nas DCOMP's, homologando as compensações quanto aos valores demonstrados. O processo foi encaminhado à 3ª Turma Especial desta Terceira Seção, sendo que o Conselheiro Alexandre Ken, condutor do voto vencedor, considerou (i) que a competência das turmas especiais fica restrita ao julgamento de recursos em processos de valor inferior ao limite fixado para interposição de recurso de oficio pela autoridade julgadora de primeira instância, nos termos do § 2º do art. 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF; (ii) que esse valor está fixado atualmente em R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), e (iii) que o valor total dos débitos objeto das Dcomps de que se trata montam a R$ 1.521.152,66 (um milhão, quinhentos e vinte e um mil, cento e cinquenta e dois reais e sessenta e seis centavos, fl. 142 do volume, entendendo ao final que os autos deveriam ser encaminhados às turmas ordinárias da 3ª Câmara desta 3ª Seção. Redistribuído o processo, coube a mim a relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte Fl. 892DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10670.000697/200683 Resolução nº 3401000.778 S3C4T1 Fl. 893 5 DA ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo e presentes se encontram os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele eu conheço. DA INEXISTÊNCIA DE NULIDADE Como bem ressaltou o Conselheiro Conforme Juliano Lirani, vencido na 3ª Turma especial, o núcleo da lide está em se apurar se os documentos apresentados pelo contribuinte e anexo às fls. 212/214, bem como as planilhas às fls. 385/391, trazidas ao processo após a decisão de primeiro grau, constituem documentos hábeis e suficientes para a apuração do direito creditório. Outra preocupação é analisar se a Intimação 010/2009, anexa às fls. 205, foi devidamente cumprida pelo contribuinte com a apresentação dos documentos às fls. 212/214. Na Intimação n.º 010/2009, o contribuinte foi instado a juntar demonstrativo da base de cálculo do PIS e COFINS e os registros contábeis que comprovassem o faturamento em determinados meses, bem como registros contábeis das receitas excluídas da base de cálculo do PIS e COFINS e registros contábeis das compensações e créditos de pagamentos indevidos ou a maior reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado em 02/02/2006. Entretanto, analisando os documentos apresentados pelo contribuinte no atendimento da Intimação n.º 010/2009, verificase que de fato este deixou de atendela a contendo, pois se limitou a apresentar balancete do período às fls. 217/262. Justamente em razão da falta de prova, por parte do contribuinte, a decisão de primeiro grau manifestouse pelo indeferimento do pedido de compensação pleiteado, por compreender que compete ao interessado constituir prova de seu direito, nos termos do art.16 do Decreto n.º 70.235/72. Neste aspecto, não assiste razão ao contribuinte no tocante a preliminar de nulidade da decisão “a quo”, tendo em vista que a esta está devidamente fundamentada. Destarte, se não foi reconhecido o seu direto creditório, tal fato decorreu da inércia do Recorrente em não ter apresentado os demonstrativos da base de cálculo dos PIS e COFINS, quando intimado, bem como em razão de que os balancetes não espelharem com precisão e a clareza que o caso exige, as receitas que devem ser excluídas da incidência das contribuições. Assim, rejeito a preliminar suscitada. DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA Por outro lado, no tocante ao mérito, verificase que o contribuinte deseja a reforma da decisão “a quo” para que seja reconhecido o direito de crédito no limite dos valores dos recolhimentos indevidos demonstrados por meio dos balancetes, inclusive com utilização Fl. 893DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10670.000697/200683 Resolução nº 3401000.778 S3C4T1 Fl. 894 6 dos valores de recolhimentos indevidos demonstrados a maior do que o informado nas DCOMP's, homologando as compensações quanto aos valores demonstrados. Em relação a este pedido, creio que o correto não seja deferir o pedido em relação ao recolhimento a maior realizado durante dado período, mas sim encaminhar os autos para diligência. Assim, o Fisco poderá se manifestar a respeito das planilhas anexadas aos autos às fls. 385/391, uma vez que estes documentos vieram aos autos após a decisão da DRJ e até a presente data não consta não há qualquer explanação a tal respeito e ainda oportunizar ao contribuinte que traga aos autos outras provas que entenda necessária. A diligência é medida que se impõe neste caso, pois o Recorrente socorreuse ao Poder Judiciário para que este reconhecesse seu direito a ser tributado na exata medida em que a Constituição Federal apregoa e agora por meio do presente processo administrativo objetiva somente tornar concreto o seu direito. Deste modo, embora o Decreto n.º 70.232/72 exija que o contribuinte apresente as provas em que se baseia o seu direito, por outro lado, em com fundamento no princípio da verdade real e da ampla defesa, voto pela diligência. CONCLUSÃO Ante o exposto, dou provimento parcial ao apelo para encaminhar os autos para diligência, a fim de que a fiscalização se manifeste a respeito das planilhas juntadas às fls. 385/391 e seja oportunizado ao contribuinte anexar outros elementos probatórios, principalmente porque há indícios de que integrou a base de cálculo das contribuições receitas advindas de aplicações financeiras e outras receitas. (assinado digitalmente) Fernando Marques Cleto Duarte Relator Fl. 894DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
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Numero do processo: 15971.000456/2007-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 07/07/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, II DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91.
O reconhecimento do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário substitutivo com fundamento no artigo 173, inciso II, do CTN, não tem o condão de convalescer a decadência do direito de lançar contribuições relativas a obrigações tributárias já extintas, quando da lavratura do lançamento substituído.
Encontram-se extinto o crédito tributário decorrente de todos os fatos geradores apurados pela Fiscalização.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-003.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário do Auto de Infração de Obrigação Acessória pela fluência do prazo decadencial, na forma do exposto pelo artigo 173, I, do Código Tributário Nacional.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, II DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. O reconhecimento do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário substitutivo com fundamento no artigo 173, inciso II, do CTN, não tem o condão de convalescer a decadência do direito de lançar contribuições relativas a obrigações tributárias já extintas, quando da lavratura do lançamento substituído. Encontramse extinto o crédito tributário decorrente de todos os fatos geradores apurados pela Fiscalização. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário do Auto de Infração de Obrigação Acessória pela fluência do prazo decadencial, na forma do exposto pelo artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 97 1. 00 04 56 /2 00 7- 44 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15971.000456/200744 Acórdão n.º 2302003.187 S2‐C3T2 Fl. 179 3 Relatório Período de apuração: 01/01/1999 a 31/05/1999 Data da lavratura do Auto de Infração: 07/07/2006. Data de ciência do Auto de Infração: 10/07/2006. Tratase de Recurso Voluntário interposto pela empresa acima identificada, em face de Decisão de Primeira Instância Administrativa proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou procedente o crédito tributário aviado no Auto de Infração nº 35.736.7200, decorrente do descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso III do art. 32 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 225, III do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, lavrado em desfavor do Recorrente em virtude de a empresa ter deixado de prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, conforme descrito no Relatório Fiscal da Infração a fl. 13. CFL 35 Deixar a empresa de prestar ao INSS todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. O presente lançamento é substitutivo ao anteriormente anulado por vício formal, por incorreção em sua fundamentação legal. De acordo com a resenha fiscal, a empresa apresentara o Livro Razão da conta contábil 4.1.01.0001, intitulada produção médica, sem, no entanto, apresentar os documentos que deram suporte a todos os lançamentos contábeis dessa conta. Por tal fato fora autuada através do Auto de Infração nº 35.736.3060. Ao apresentar sua defesa, a cooperativa alegou ter corrigido a falta. Apesar de comprovar a alegada correção em diversas competências, não logrou êxito em apresentar todos os documentos que subsidiassem os valores lançados naquela conta nas competências 01/1999 a 05/1999, cujas contribuições incidentes sobre as divergências verificadas, foram lançadas na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n° 35.736.2969. A multa foi aplicada em conformidade com a cominação prevista nos artigos 92 e 102 ambos da Lei nº 8.212/91 c.c. artigos 283, II, ‘b’ e 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999, e fixada no seu valor mínimo, digase, R$ 11.568,83 – valor atualizado pela Portaria nº 119, de 18 de abril de 2006 , conforme destacado no Relatório Fiscal de Aplicação da multa a fl. 14. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Irresignada com o supracitado lançamento tributário, a notificada apresentou impugnação a fls. 43/56. A Delegacia da Receita Previdenciária em Ribeirão Preto/SP lavrou Decisão Notificação nº 21.431.4/034/2007, a fls. 108/118, julgando procedente o Auto de Infração em debate e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 05/03/2007, conforme Aviso de Recebimento AR, a fl. 120. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora recorrente interpôs recurso voluntário a fls. 122/135, requerendo ao fim a reforma da decisão e o cancelamento do Auto de Infração lavrado. O Julgamento foi convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 2302 000.085, de 16 de março de 2011, a fls. 159/160, para que a fiscalização informasse em que data se deu a ciência ao sujeito passivo do lançamento originário, bem como quando se houve por anulado o lançamento anterior, e qual a natureza do vício que gerou a nulidade. Fruto do incidente processual mencionado no parágrafo anterior, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araraquara/SP emitiu Informação Fiscal a fl. 165. Devidamente cientificada do teor da Diligência Fiscal acima referida em 05/04/2013, a empresa se manifestou formalmente nos autos a fls. 173/174. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15971.000456/200744 Acórdão n.º 2302003.187 S2‐C3T2 Fl. 180 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 05/03/2007. Havendo sido o recurso voluntário protocolizado no dia 29/03/2007, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Assim, afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, urge serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. A decadência tributária conceituase como a perda do poder potestativo da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário mediante o lançamento, em razão do exaurimento integral do prazo previsto na legislação competente. No estudo da decadência tributária, tão importante quanto a determinação do prazo decadência é a fixação da data de início da contagem de tal prazo. Ordinariamente, a contagem do prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Alternativamente, se ocorrer, antes da data assinalada no parágrafo anterior, qualquer medida preparatória indispensável à efetivação do lançamento, o dies a quo do prazo em relevo é antecipado para a data em que o sujeito passivo for validamente notificado do início do procedimento de constituição do crédito tributário ora em apreço. Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Nessa perspectiva, iniciado o procedimento de lançamento, este somente poderá convolar em crédito tributário as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores que tenham ocorrido nos cinco anos que antecederem ou a data prevista no inciso I do art. 173 do CTN ou aquela assinalada no Parágrafo Único desse mesmo dispositivo legal, a que ocorrer primeiro na linha do tempo. Assim, iniciado o procedimento administrativo do lançamento, este irá alcançar, com a mesmo força constitutiva, todos os fatos geradores não vitimados pela decadência. O crédito tributário decorrente de tal procedimento somente restará definitivamente constituído, e assim dotado de liquidez, certeza e dos demais atributos à sua exigibilidade, com o Trânsito em Julgado na instância administrativa do Processo Administrativo Fiscal correspondente. Ocorre que o inciso II do art. 173 do codex tributário prevê uma hipótese de interrupção sui generis da decadência tributária: Se antes da ocorrência do Trânsito em Julgado administrativo o procedimento do lançamento for declarado nulo por vício formal, a Fazenda Pública passa a dispor do prazo contínuo de 05 anos, contados da data em que se tornou definitiva tal decisão anulatória, para Fl. 183DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15971.000456/200744 Acórdão n.º 2302003.187 S2‐C3T2 Fl. 181 7 sanar as inquinções da nulidade em realce, e realizar a constituição do crédito tributário sobre exatamente os mesmos fatos geradores integrantes do lançamento substituído, que fora declarado nulo. Alertese que tal hipótese de interrupção atinge, indistintamente, tanto a hipótese prevista no inciso I quanto aquela assentada no Parágrafo Único do art. 173 do CTN. No caso em debate, o lançamento originário aviado no Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 35.736.3060 houvese por declarado nulo, em razão de vício formal por incorreção da fundamentação legal, mediante decisão administrativa datada de 30/12/2005. Nesse contexto, tendo a decisão anulatória em foco se tornado definitiva em 30/12/2005, a Fazenda Pública teria até a data de 30/12/2010 para promover a constituição do crédito tributário em realce, mediante a formalização do lançamento substitutivo. Ora, havendo sido o Auto de Infração de Obrigação Acessória substituto lavrado em 07/07/2006, com ciência do Autuado em 10/07/2006, não demanda áurea mestria concluir que este se houve por formalizado dentro do prazo concedido pela lei, na expressão do inciso II do art. 173 do CTN. Ocorre, todavia, que o crédito tributário ora em debate, conforme já salientado, houvese por constituído em substituição ao Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 35.736.3060, que procedeu ao lançamento de crédito tributário decorrente do descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso III do art. 32 da Lei nº 8.212/9, em razão da não apresentação de todos os documentos que deram esteio fático aos lançamentos contábeis efetuados na conta 4.1.01.0001, intitulada produção médica, lançados nas competências de 01/1999 a 05/1999. Há que se verificar, portanto, os efeitos irradiados da Súmula Vinculante nº 8 do STF sobre o lançamento originário formalizado mediante o já citado Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 35.736.3060. Consoante o entendimento prevalecente neste Colegiado, em sua escalação titular, sujeitamse sempre ao regime referido no art. 173 do CTN os lançamentos tributários de penalidade pecuniária decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, eis que o crédito tributário dele consequente é sempre oriundo de lançamento de ofício, jamais de lançamento por homologação, circunstância que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito tatuado no §4º do art. 150 do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 §1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. §2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. §3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. §4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Nessas hipóteses, apenas mediante a deflagração de procedimento formal de fiscalização, nas dependências do sujeito passivo, tem condições a Administração Tributária de apurar a ocorrência de eventual infração a dispositivos da Lei de Custeio da Seguridade Social e, em consequência, proceder à lavratura do competente Auto de Infração de Obrigação Acessória. Cumpre ressaltar que a eventual extinção da obrigação tributária principal, por qualquer de suas modalidades, seja mediante pagamento, seja em razão de homologação tácita do crédito tributário, não irradia efeitos sobre as obrigações tributárias acessórias, as quais ainda subsistem de observância obrigatória pelo Sujeito Passivo até que sobrevenha a decadência. Anotese que o regime do lançamento por homologação, conforme expressamente consignado no caput do art. 150 do CTN, somente ocorre quanto aos tributos (obrigação tributária principal) cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, jamais quanto às penalidades pecuniárias decorrentes do descumprimento de obrigação tributária acessória, estas, sempre formalizadas mediante lançamento de ofício. Nessa perspectiva, diante do tratamento diferenciado relativo ao lançamento de obrigação principal, há que se reconhecer a existência de discrimen na apreciação da decadência em relação a cada espécie de lançamento. Assim, uma coisa é a extinção do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário mediante Auto de Infração de Obrigação Principal, em razão de os correspondentes fatos geradores terem ocorrido em período já alcançado pela decadência. Outra coisa distinta é a extinção do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário mediante Auto de Infração de Obrigação Acessória decorrente do descumprimento objetivo de obrigação acessória. Nessa perspectiva, a análise da subsunção do fato in concreto à norma de regência revela que, ao caso sub examine, operase a incidência das disposições inscritas no inciso I do transcrito art. 173 do CTN. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15971.000456/200744 Acórdão n.º 2302003.187 S2‐C3T2 Fl. 182 9 No caso aludido, tendo sido a ciência do Auto de Infração de Obrigação Acessória substituído AI nº 35.736.3060 realizada aos 29 dias do mês de março de 2005, conforme consignado na Comunicação DRF/AQA/SACAT nº 190/2013, a fl. 171, os efeitos do lançamento em questão alcançariam, com a mesma eficácia constitutiva, todas as obrigações tributárias exigíveis a contar da competência dezembro/1999, inclusive, nos termos do art. 173, I do CTN, excluídos os fatos geradores relativos ao 13º salário desse mesmo ano. Assim delimitadas as nuances materiais do lançamento originário, nesse específico particular, sendo de janeiro a maio de 1999 o período de apuração do lançamento substituído, consoante o entendimento majoritário deste Sodalício e à luz da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal, fácil é concluir que os fatos geradores das obrigações tributárias acessórias objeto do Auto de Infração de origem houveramse por ocorridas em período integralmente atingido pela decadência, no termos do inciso I do art. 173 do CTN, de maneira que o crédito tributário por ele apurado já se encontrava extinto na data do lançamento primário, nos termos do art. 156, V, in fine, do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) V a prescrição e a decadência; (...) 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 12898.001648/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2004
DECADÊNCIA. DIES A QUO PARA CONTAGEM DO PRAZO. LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. BASE DE CÁLCULO AFERIDA .PELO PAGAMENTO GLOBAL DE PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA.
Na aferição indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias com esteio no valor do pagamento global de plano de previdência privada, considera-se ocorrido o fato gerador no último dia da competência em que a parcela foi quitada.
Para a contagem do prazo decadencial, nesses casos, adota-se como data do fato gerador o último dia do mês correspondente ao pagamento.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-003.452
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, ACORDAM os membros do colegiado, I) Por maioria de votos, rejeitar a argüição de decadência da competência 09/2004. Vencida a conselheira Carolina Wanderley Landim, que acolhia a argüição. II) Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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OFERECIMENTO A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. CLÁUSULAS DIFERENCIADAS. AFASTAMENTO DA NORMA DE ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. As contribuições da empresa para plano de previdência privada disponível a todos os seus empregados e dirigentes não se submete a incidência de contribuições previdenciárias, ainda que no plano haja cláusulas diferenciadas para determinados grupos de trabalhadores. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. DIES A QUO PARA CONTAGEM DO PRAZO. LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. BASE DE CÁLCULO AFERIDA .PELO PAGAMENTO GLOBAL DE PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. Na aferição indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias com esteio no valor do pagamento global de plano de previdência privada, considerase ocorrido o fato gerador no último dia da competência em que a parcela foi quitada. Para a contagem do prazo decadencial, nesses casos, adotase como data do fato gerador o último dia do mês correspondente ao pagamento. Recurso Voluntário Provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 16 48 /2 00 9- 71 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, ACORDAM os membros do colegiado, I) Por maioria de votos, rejeitar a argüição de decadência da competência 09/2004. Vencida a conselheira Carolina Wanderley Landim, que acolhia a argüição. II) Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12898.001648/200971 Acórdão n.º 2401003.452 S2C4T1 Fl. 238 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 12 50.917 de lavra da 13.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ no Rio de Janeiro I (RJ), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.145.9559. O crédito em questão referese à exigência das contribuições patronais para outras entidades ou fundos. Nos termos do relatório fiscal, fls. 32 e segs., o lançamento teve como origem a verificação de contribuições não recolhidas incidentes sobre os valores pagos a título de “Previdência Privada” em desacordo com os ditames da Lei n.º 8.212/1991. Após extenso arrazoado, onde comenta a legislação que regula os sistemas previdenciários no Brasil, com base em textos doutrinários e jurisprudenciais, o fisco concluiu que os valores desembolsados pela recorrente a título de previdência privada devem sofrer a incidência de contribuições previdenciárias, por não atenderem às disposições contidas no § 9. do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991. Justifica que os planos não assumem o caráter previdenciário, mas assistencial, posto que custeados inteiramente pela empresa, além de não serem extensivos a todos os empregados e dirigentes, conforme as cláusulas dos contratos firmados entre a autuada e empresa de previdência complementar. Segundo a autoridade lançadora, o não atendimento à intimação para apresentação dos aportes efetuados para cada segurado autorizou o fisco efetuar o lançamento por arbitramento, cabendo ao sujeito passivo fazer prova em contrário. A multa, ressaltase no relatório fiscal, foi imposta levandose em consideração as alterações promovida s pela Lei n.º 11.941/2009, optandose pelo valor mais favorável ao sujeito passivo, quando se comparou a multa aplicada com base na legislação vigente no momento da ocorrência dos fatos geradores e aquela calculada com esteio na norma atual. Cientificado do lançamento em 29/09/2009, o sujeito passivo ofertou impugnação, tendo o órgão de primeira instância declarado parcialmente procedente o lançamento. A DRJ declarou improcedente a impugnação. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, no qual, após pugnar pela tempestividade do recurso e relatar o principais fatos processuais, em apertada síntese, argumentou que: a) ocorreu decadência também para a competência 09/2004, posto que o pagamento que deu ensejo às contribuições ocorreu em 17/09/2004, data de quitação do boleto relativo ao plano de previdência privada; Fl. 239DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 b) essa interpretação quanto à contagem do prazo decadencial tem por base o Parecer MPS n. 2.952, de 16/01/2003; c) não houve desrespeito às regras da legislação previdenciária, posto que, conforme as cláusulas contratuais dos dois planos auditados, estes estavam à disposição de todos os funcionários da recorrente, fossem empregados ou diretores; d) nos termos da Lei Complementar – LC n. 109/2001 é obrigatório o oferecimento dos planos de previdência a todos os empregados, todavia, a adesão é facultativa; e) o fato de nem todos os empregados aderirem ao plano, não desnatura a previdência complementar quanto às parcelas relativas aos empregados participantes; f) o fato de determinadas categorias de trabalhadores terem em seu plano certas características específicas não torna a parcela sujeita à incidência de contribuições; g) a alínea “p" do § 9. do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991, por ser norma de isenção, deve ser interpretada literalmente, conforme determina o inciso II do art. 111 do CTN, assim, os artifícios hermenêuticos para tributar a verba, lançados na peça de acusação e no acórdão recorrido, não devem ser aceitos; h) é justificável que funcionários mais graduados, que assumem maior responsabilidade, tenham regras diferenciadas na instituição de um plano de previdência, tal qual ocorre com a remuneração básica, não havendo vedação legal a essa prática; i) a própria Constituição Federal, em seu art. 202, § 2. , determina que os valores relativos a planos de previdência não integram a remuneração dos participantes; j) essa mesma determinação é repetida no art. 69 da LC n. 109/2001; k) também o art. 458, § 2. , da CLT retira o caráter salarial dos valores vertidos aos planos de previdência privada; l) não é cabível que se justifique a tributação sob o argumento da autonomia do Direito Previdenciário, isso porque a relação jurídica entre o contribuinte e a RFB é Direito Tributário, o qual não pode deturpar conceitos consagrados em outros ramos jurídicos; m) o caso em tela vem a revelar não a vontade da RFB em tributar os valores pagos a título de previdência privada, mas a prevalência do entendimento individual de um dos seus agentes; n) não há ato normativo da RFB que dê respaldo ao lançamento, estando este arrimado em interpretação casuística da norma tributária; o) o precedente do STF utilizado no relatório fiscal para descaracterizar o plano previdenciário da recorrente em plano assistencial não se aplica ao AI em questão. Observase que a própria DRJ rechaçou essa tese; p) também não tem pertinência com o caso sob enfoque o citado § 3. do art. 202 da Constituição Federal; r) o lançamento representa um verdadeiro desestímulo às empresas que colaboram na construção de um futuro melhor para os trabalhadores, via instituição de planos de previdência privada para aqueles; Fl. 240DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12898.001648/200971 Acórdão n.º 2401003.452 S2C4T1 Fl. 239 5 s) não há razão para inversão do ônus da prova, posto que o fisco dispõe de tempo e estrutura suficientes para provar a ocorrência do fato gerador das contribuições; t) o ônus probandi é de quem alega, no caso, o fisco teria o dever de demonstrar que a recorrente descumpriu as determinações legais; u) os contratos foram firmados em consonância com a legislação de regência, não havendo motivos para que os planos sofram a tributação pretendida; v) o CARF tem reiteradamente demonstrado a sua antipatia contra os lançamentos elaborados por presunção, conforme a jurisprudência colacionada. Ao final, pede o reconhecimento da decadência para a competência 09/2004 e, no mérito, o provimento do recurso. É o relatório. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Ressaltase que não houve inconformismo da recorrente quanto aos levantamentos que tratam da diferença de RAT, portanto, é matéria que não será apreciada neste voto. Decadência Alega o sujeito passivo que a competência 09/2004 estaria decadente, haja vista que o fato gerador (pagamento da prestação do plano de previdência) ocorreu no dia 17/09/2004 e a ciência do lançamento deuse em 29/09/2009. Argumenta que os cinco anos da ocorrência do fato gerador caiu no dia 17/09/2009, portanto, na dada em que tomou conhecimento da lavratura, já teria se consumado o lapso de decadência. Nos termos do art. 150, § 4. do CTN, o ponto de partida para contagem do prazo decadencial é a data do fato gerador: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Assim, é necessário para o deslinde da contenda que seja definido com precisão qual o momento da ocorrência do fato gerador para esse caso, em que a apuração está se dando por arbitramento com base nos valores pagos pela empresa a título de previdência privada. Quando estamos diante de pagamento efetuado diretamente pela empresa autuada aos trabalhadores, não há dúvida de que se considera ocorrido o fato gerador no último dia da competência em que houve a prestação de serviço, posto que as contribuições são apuradas pelo regime de competência e os documentos comprobatórios da prestação de serviço somente são preparados no final do período, ou seja, quando do encerramento da competência em questão. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12898.001648/200971 Acórdão n.º 2401003.452 S2C4T1 Fl. 240 7 Nos casos de arbitramento há a dificuldade de demarcar o momento da ocorrência do fato gerador. Há de se considerar que para as contribuições previdenciárias os fatos geradores são agrupados por período, ou seja, é um tributo em que se considera o fato gerador nãoinstantâneo ou complessivo. Mesmo que o empregador pague aos seus empregados o salário semanalmente, a apuração das contribuições ocorre como se o pagamento fosse efetuado ao final do mês, que é quando se encerra o ciclo de apuração. No caso sob apreciação, verificase que a parcela paga a título de previdência privada ocorreu em meados de setembro de 2004, todavia, como esta foi considerada parte da remuneração dos empregados, a apuração da contribuição deve ser efetuada ao final do período, ou seja, no último dia da competência em questão. Para fins de contagem da decadência, o melhor entendimento é o de que esse pagamento deve ser considerado um adiantamento salarial que se deu no decorrer do período de apuração. Como bem asseverou órgão recorrido, não é a data de pagamento do salário que define a integralidade da ocorrência do fato gerador das contribuições sociais, mas o término do período de apuração do imposto, que se dá mensalmente. Feitas essas considerações, podemos concluir que para a fatura sob referência, emitida em 17/09/2004, os fatos geradores devem ser tidos como ocorridos na competência 09/1997, não havendo o que se falar em decadência, posto que a data do lançamento ocorreu em 29/09/2009. Planos de previdência complementar Foram duas as razões que levaram o fisco a submeter a verba previdência privada à tributação: i) falta de extensão do benefício a todos os empregados e dirigentes da autuada e ii) perda do caráter previdenciário do plano, em razão da empresa arcar com a totalidade do seu financiamento. Esse último motivo restou afastado na decisão de primeira instância, como se pode ver do excerto do acórdão recorrido: “11.4. No que diz respeito às alegações da Impugnante acerca da inaplicabilidade da caracterização de plano de assistência social aos planos de previdência privada por ela oferecidos, rendemonos a estas, e concordamos, neste aspecto, com a Impugnante. De fato, o artigo 203 da Constituição Federal não se aplica à regulamentação ou definição das ações abrangidas pelos planos de previdência privada, visto que tal comando constitucional é direcionado às ações estatais de suprimento de necessidades básicas daqueles que delas necessitem. 11.5. Deste modo, o fato isolado de a provedora do plano de previdência privada estabelecer que apenas ela fará contribuições ao mesmo não é suficiente para descaracterizálo como tal, e muito menos para mudar a sua natureza jurídica para plano assistencial. Não é a pura e simples ausência de contribuição por parte do beneficiário que tem o condão de transformar um contrato de suplementação de aposentadoria em ação assistencial.” Fl. 243DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Cabenos, então, nos aprofundar na discussão acerca do possível descumprimento da regra que exige para isenção da parcela que o plano de previdência seja ofertado a todos os empregados e dirigentes da empresa. Há precedentes aqui neste Conselho no sentido de que esta exigência após a edição da LC n. 109/2001 subsiste apenas para os planos de regime fechado de previdência privada. Os que encampam esta tese defendem que a alínea “p" do § 9. da Lei n.º 8.212/1991 fora revogada tacitamente pela referida LC, uma vez que esta sendo lei especial prevaleceria sobre os ditames da Lei de Custeio da Previdência Social, posto tratar exclusivamente da regulamentação da previdência complementar e não trazer a exigência de oferta a todos os empregados e dirigentes para os planos de previdência privada abertos. Posso ilustrar esse posicionamento com o seguinte julgado da 2.ª Turma Ordinária da 4.ª Câmara, que exarou o Acórdão n. 2402002.860, de 21/06/2012, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1999 a 31/12/2006 PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. Após o advento da LC n° 109/2001, somente no regime fechado, a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes. No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, poderá eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria, mas não como instrumento de incentivo ao trabalho, eis que flagrantemente o caracterizaria como um prêmio e, portanto, gratificação. JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido. Todavia, a nossa turma tem entendido de forma diversa. Aqui é unânime, ou pelo menos era, a tese de que a Lei n.º 8.212/1991 deve prevalecer sobre a LC n. 109/2001, mantendose a exigência de oferta do benefício da previdência privada para isenção da parcela, independentemente do plano ser de regime aberto ou fechado. Trago à colação o Acórdão n. 2401002.883, de 20/02/2013, cuja ementa foi assim redigida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 (...) Fl. 244DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12898.001648/200971 Acórdão n.º 2401003.452 S2C4T1 Fl. 241 9 PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NECESSIDADE EXTENSÃO À TOTALIDADE DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES. LEI N° 8.212/91 EM CONFRONTAÇÃO COM A LEI COMPLEMENTAR N° 109/2001. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. Os valores pagos aos funcionários da contribuinte a título de plano de previdência privada complementar somente estarão fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias se extensivos à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, nos termos do artigo 28, § 9. , alínea “p”, da Lei n° 8.212/91, a qual prevalece em relação ao disposto na Lei Complementar n° 109/2001 em razão do princípio da especialidade, sobretudo quando àquela LC adentrou a matéria reservada à Lei Ordinária, se equiparando a esta, portanto, neste tema. Pois bem, partindo do pressuposto que a regra que rege a isenção das parcelas pagas a título de previdência privada é a Lei n.º 8.212/1991, devemos investigar se de fato o fisco tem razão ao afirmar que a empresa não ofertava o plano de previdência complementar a todos os seus empregados e dirigentes. Comecemos pela transcrição das cláusulas do Contrato n. 900/500/900 (Renda de Aposentadoria e Benefício Mínimo): Cláusula 2.1 Para início de vigência do PGBL serão aceitos como Participantes todos os funcionários da Instituidora que estiverem em plena atividade profissional. Cláusula 3.1 Os Participantes que possuírem cargos de níveis gerenciais estarão eleitos ao beneficio de renda de aposentadoria, cujos valores decorrem exclusivamente dos valores de contribuição, tempo de contribuição e rendimentos dos Fundos de Investimento Exclusivos (FIE's), destinados a alocar os recursos de cada PGBL. (...) Cláusula 3.3 Os Participantes que possuem cargos distintos dos relacionados no subitem 3.1 receberão como beneficio mínimo um valor equivalente a 3 (três) salários base, pagos em uma única parcela no momento da aposentadoria, aos 65 (sessenta e cinco) anos desde que tenham no mínimo 5 (cinco) anos de participação no plano. Cláusula 5.1 O PGBL contratado será integralmente custeado pela Instituidora, não sendo permitido ao Participante realizar contribuições ao mesmo. Cláusula 7.2 As contribuições, deduzida a taxa descrita no subitem 7.1, terão seus valores creditados na Reserva Individual de cada Participante, e serão aplicadas na aquisição de cotas do (FIFE) vinculados a cada PGBL. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Cláusula 7.4 As contribuições destinadas ao benefício mínimo terão seus valores creditados em uma conta em nome da Instituidora, tendo como único e exclusivo fim custear os pagamentos dos benefícios a medida em que forem ocorrendo as aposentadorias. Cláusula 8.1 Durante o período de contribuição, até a idade de aposentadoria, definida no subitem 3.2, é permitido ao Participante, após 60 (sessenta) dias a contar da data de aplicação do valor da contribuição efetuada pela Icatu Hartford, solicitar resgate parcial ou integral da Reserva constituída pelas contribuições efetuadas pela Instituidora. Cláusula 8.2 O intervalo mínimo entre pedidos de resgate de um mesmo Participante será de 60 (sessenta) dias contados a partir da data do registro da última solicitação de resgate do Participante. Cláusula 9.1 As reservas constituídas pelas contribuições da Instituidora poderão ser transferidas para outros planos, inclusive para outras Entidades Abertas de Previdência Complementar (EAPCs), a partir de solicitação do Participante. Cláusula 10.2 Quando do desligamento do funcionário eleito ao benefício de aposentadoria, ele terá direito ao saldo do valor da reserva constituída por meio das contribuições da Instituidora, destinado ao Participante a) cancelar sua inscrição com o conseqüente resgate do seu saldo; b) permanecer como Participante independente, se relacionando diretamente com a Icatu Hartford com as mesmas condições do plano contratado; c) portar seus recursos para um plano individual; d) transferir o saldo acumulado em seu nome para outra Entidade de Previdência Privada, a ser indicada pelo Participante. Cláusula 10.2.1 Quando do desligamento dos funcionários eleitos ao beneficio mínimo, antes da aposentadoria conforme item 3.2, a reserva constituída pela Instituidora permanecerá na conta da empresa, podendo ser utilizada nas reavaliações periódicas para ajustar os valores devidos de contribuições para o grupo remanescente. Com base nas disposição acima, o fisco e também o órgão a quo concluíram que o plano de previdência sob enfoque não atenderia ao disposto na regra de isenção, posto que não seria ofertado em igualdade de condições para todos os segurados a serviço da empresa. Argumentase que apenas os funcionários ocupantes de cargos gerenciais possuem efetivamente um plano de previdência, posto que os demais, malgrado formalmente pudessem aderir ao programa, não detinham o direito aos seus benefícios fundamentais, quais sejam: Fl. 246DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12898.001648/200971 Acórdão n.º 2401003.452 S2C4T1 Fl. 242 11 a) aposentadoria; b) portabilidade das contribuições; c) possibilidade de resgate; e d) instituição de reserva técnica em seu nome. De fato, analisando os temos do Contrato acima mencionado, percebese grande disparidade entre os benefícios fornecidos aos gerentes e àqueles a que faziam jus os ocupantes dos demais cargos. Enquanto os primeiros tinham direito à aposentadoria, os demais, ao se aposentarem, recebiam apenas um valor em parcela única correspondente a três vezes o salário base. Por outro lado, somente os ocupantes de cargos gerenciais poderiam efetuar resgates após sessenta dias a contar da data de aplicação da contribuição. A possibilidade de transferência das reservas para outros planos também somente era permitida aos gerentes, a quem era permitido o resgate da reserva instituída em seu nome quando do desligamento da empresa. Cabenos avaliar se essas diferenciações nas características do plano de previdência para os dois grupos de trabalhadores podem ser interpretadas como exclusão de parcela dos empregados do plano, de modo a afastar a regra desonerativa inserta na alínea “p" do § 9. do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991. Tendose em conta que a não incidência de contribuições sobre a parcela em questão vem prevista na Constituição, § 2. do art. 202, devese interpretar a regra da Lei n. 8.212/1991 de forma a dar a máxima efetividade ao comando constitucional. Assim para que não se amesquinhe o desejo do legislador constitucional, há de se entender que somente o descumprimento dos requisitos expressos constantes da alínea “p" do § 9. do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991 pode levar à tributação sobre a parcela, não cabendo ao interprete alargar essas exigências para fazer incidir contribuições sobre os valores pagos a título de previdência privada. Para aqueles que entendem que é caso de isenção, a exegese do citado dispositivo deve seguir a regra hermenêutica prevista no inciso II do art. 111 do CTN, assim disposto: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. (grifei) Assim, tratandose de regra isencional, a interpretação do dispositivo há de levar em conta a sua literalidade, o que leva à conclusão de que o único requisito necessário à Fl. 247DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 desoneração tributária é o oferecimento do plano de previdência a todos os empregados e dirigentes do sujeito passivo. Pois bem, quer se entenda que é caso de imunidade, quer seja isenção, tenho que concordar com o sujeito passivo que a própria norma que regula a matéria (LC n. 109/2001) não apresenta qualquer vedação à instituição de cláusulas que beneficiem determinado grupo de empregados. Essa mesma conclusão pode ser extraída do Acórdão n. 2402001.291, de 21/10/2010, em que a 2.ª Turma Ordinária de 4.ª Câmara da 2.ª Seção do CARF, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso do sujeito passivo para declarar improcedentes as contribuições incidentes sobre os pagamentos efetuados a título de previdência complementar, no qual não havia proporcionalidade entre os valores destinados às contas de todos beneficiários. Na ocasião, o Ilustre Conselheiro Marcelo Oliveira pronunciou se: “Quanto ao mérito, em síntese, verificamos que o motivo do Fisco conceituar os valores pagos a título de previdência complementar pela recorrente a seus segurados foi a desproporcionalidade nos pagamentos, inclusive em situações em que os segurados apresentam mesmo patamar salarial. A recorrente contesta essa exigência, pois, segundo seus instrumentos de contestação, a única exigência da Lei para que esses valores não integram o SC é que o plano deve estar disponível a totalidade dos segurados. (...) A interpretação literal limitase ao texto legal, não cabendo maiores discussões sobre os diversos significados que uma palavra ou uma expressão podem ter. Portanto, tanto para os contribuintes quanto para o Fisco, não há como interpretar a legislação que concede isenção de maneira que não seja literal. Assim, como na legislação há como única condição para o usufruto da isenção que o a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, esteja disponível totalidade de seus empregados e dirigentes, e, como no presente caso, há a disponibilização de um único plano a todos os empregados, não há como tributar esses valores”.(grifos originais) A luz desse entendimento, devese ser afastada a tributação sobre a verba paga a título de previdência privada. Conclusão Voto por afastar a decadência e, no mérito, por dar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 248DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12898.001648/200971 Acórdão n.º 2401003.452 S2C4T1 Fl. 243 13 Fl. 249DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13884.900347/2009-44
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/04/2001
BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE.
O inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718 não teve eficácia em seu período de vigência. Inexiste permissivo legal para exclusão da base de cálculo tributável dos valores faturados repassados a terceiros.
Numero da decisão: 3803-005.695
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2001 a 30/04/2001 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. O inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718 não teve eficácia em seu período de vigência. Inexiste permissivo legal para exclusão da base de cálculo tributável dos valores faturados repassados a terceiros.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2001 a 30/04/2001 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2001 a 30/04/2001 PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2001 a 30/04/2001 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. O inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718 não teve eficácia em seu período de vigência. Inexiste permissivo legal para exclusão da base de cálculo tributável dos valores faturados repassados a terceiros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 03 47 /2 00 9- 44 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Tratase de PER/DCOMP, através do qual Loja do Pintor Tintas e Materiais para Construção busca compensar crédito de COFINS referente ao período de apuração abril de 2001, no valor original de R$ 5.954,30, com débitos de COFINS que totalizam o mesmo valor. A DRF em São José dos Campos/SP através de despacho decisório eletrônico não homologou o pedido do sujeito passivo sob o argumento de que localizou o pagamento indicado, contudo, o mesmo estava totalmente alocado para pagamento de outros débitos do contribuinte, não restando saldo suficiente para a compensação requerida. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, por meio da qual alega que: a) realizou pagamento indevido a maior, pois não considerou os termos do § 2º, do inciso III, do artigo 3º, da Lei 9.718/98 (inferese tratar do inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98) quando apurou a base de cálculo das contribuições; b) o crédito foi devidamente apurado e compensado na forma da legislação em vigor; c) o único fundamento para a glosa das compensações efetuadas pela recorrente é uma pretensa inexistência de créditos; d) sequer foi solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não a existência e suficiência do crédito; e) a autoridade fiscal teria acesso às planilhas de apuração e poderia verificar a regularidade do encontro de contas efetuado se tivesse solicitado ao contribuinte a prova dos créditos; f) o despacho decisório deve ser anulado, determinando que a autoridade efetue as diligências para comprovar a origem e existência do crédito utilizado; ou, que seja logo homologada a compensação declarada. Ao final pede deferimento da manifestação de inconformidade. A 3ª Turma da DRJ/CPS julgou improcedente a manifestação de inconformidade afirmando que: Fl. 52DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13884.900347/200944 Acórdão n.º 3803005.695 S3TE03 Fl. 11 3 a) o contribuinte é responsável pelas informações sobre os créditos e os débitos em DCOMP, cabendo a autoridade tributária a sua necessária verificação e validação; b) o despacho decisório foi emitido corretamente, pois foi baseado nas informações prestadas pelo contribuinte para a administração tributária; c) é indevido o crédito reclamado, pois o dispositivo legal invocado pelo interessado quedouse inaplicável, por falta de regulamentação, até sua formal revogação; d) a não homologação da compensação declarada foi baseada nas informações declaradas pelo contribuinte, dispensando, a priori, o aprofundamento das investigações; e) não há motivos que justifiquem a realização de diligências ou a anulação do despacho; f) o contribuinte não conseguiu provar a existência de direito creditório capaz de suportar a compensação declarada. Inconformado, o sujeito passivo protocolou Recurso Voluntário, onde alega: a) a não localização dos darfs, por si só, não pode gerar a não homologação da compensação, pois os valores indicados à compensação foram resultados de uma análise contábil e fiscal realizada por empresa contratada que identificou os créditos fiscais passíveis de compensação com tributos, estando as informações e documentos de posse da mesma; b) a ausência de norma regulamentadora não pode prejudicar o contribuinte pela omissão do Poder Executivo, principalmente porque não poderia contrariar o dispositivo, mas apenas explicitálo; Ao final requer o acolhimento do recurso para determinar a apresentação dos documentos à comprovar o crédito, que estão em poder de escritório que realizou o levantamento dos créditos fiscais para então julgar a homologação ou não da compensação. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira – Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Percebese que a lide se restringe a dois pontos: a) a comprovação do crédito, bem como o momento de apresentação das provas; e b) a possibilidade de creditamento com base no do inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 Da comprovação do crédito. As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430/96. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, o interessado deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” A defesa não trouxe nenhuma prova na qual pudesse sustentar a existência do direito creditório pretendido, limitase a informar que os cálculos foram feitos por empresa contratada e pede para que seja determinada a apresentação dos documentos em posse desse terceiro. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 333 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13884.900347/200944 Acórdão n.º 3803005.695 S3TE03 Fl. 12 5 Pelo exposto é fácil concluir que a alegação do recorrente de que não pode apresentar as provas porque estariam em posse de terceiro não deve prosperar, por que lhe compete o ônus de provar suas alegações. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, contudo, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos, como escrita fiscal, escrita contábil, planilhas de cálculo e outras informações e documentos que a recorrente poderia ter trazido em sua defesa. Da impossibilidade de creditamento A insuficiente comprovação por parte do contribuinte é bastante para impossibilitar o creditamento, mas vale abordar o ponto que se refere ao inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98, citase: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: [...] Fl. 55DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Grifo Nosso) A interpretação literal da norma acima transcrita revela que é necessária norma regulamentadora, expedida pelo Poder Executivo, para que se possa excluir da base de cálculo as receitas transferidas para outra pessoa jurídica. O legislador tem a possibilidade de outorgar o poder e condicionar a eficácia das normas a atos do Poder Executivo. Nesse caso o chefe do Poder Executivo estava no direito, inclusive, de negar eficácia à norma e assim o fez por meio de medida provisória. Verificase que nunca houve norma regulamentadora de tal dispositivo até o momento de sua revogação por meio de medida provisória. Essa situação, diferentemente do alegado pelo contribuinte, impede sua aplicação. O CARF tem acompanhado esse entendimento, inclusive em relação ao mesmo contribuinte no Acórdão nº 340301.086 da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF que foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000 COFINS. LEI Nº 9.718/98. RECEITAS TRANSFERIDAS PARA TERCEIROS.INEFICÁCIA. O inciso III do § 2º do art. 3º, da Lei nº 9.718 ao prever que os “valores que, computados como receita tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentares expedidas pelo Poder Executivo", embora vigente temporariamente, não logrou eficácia no ordenamento em face de sua revogação pelo art. 47, inciso IV, da MP nº 199118 antes de qualquer iniciativa regulamentar. Recurso Voluntário Negado Logo, o crédito é inexistente por falta de eficácia da norma alegada que permitiria a exclusão de receitas transferidas para terceiros. Conclusão O pleito do contribuinte carece de provas suficientes à comprovação de suas alegações, pois não trouxe aos autos nenhuma prova fiscal e/ou contábil capaz de demonstrar o seu direito creditório. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13884.900347/200944 Acórdão n.º 3803005.695 S3TE03 Fl. 13 7 Ainda que trouxesse robusta documentação probatória, entendemos que o crédito pleiteado é inexistente, uma vez que a norma autorizadora não chegou a ser regulamentada e, consequentemente, nunca foi eficaz. Pelo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso e por NÃO RECONHECER o direito creditório pretendido. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 10783.916735/2009-97
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.523
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gilberto Baptista, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luís Roberto Bueloni Ferreira.
Relatório
Nome do relator: NELSO KICHEL
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gilberto Baptista, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luís Roberto Bueloni Ferreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 16 73 5/ 20 09 -9 7 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.916735/200997 Resolução nº 1802000.523 S1TE02 Fl. 159 2 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de efls.88/90 contra decisão da 15ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I (efls. 76/80) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. Quanto aos fatos, consta dos autos que: em 20/11/2008, a Contribuinte transmitiu pela internet o PER/DCOMP nº 13235.56503.201108.1.3.045516 (efls. 44/49), informando compensação tributária: débitos informados: a) – PIS/PASEP, código de receita 8109, período de apuração outubro/2008, data de vencimento 20/11/2008, valor R$ 867,02; b) Cofins, código de receita 2172, PA outubro/2008, data de vencimento 20/11/2008, valor R$ 4.001,70. crédito utilizado (valor original na data da transmissão): R$ 4.541,29: que o direito creditório pleiteado decorreu de pagamento indevido ou a maior do IRPJ do período de apuração 31/03/2008 (1º trimestre/2008 – 1ª cota), código de receita 2089 (regime de apuração Lucro Presumido), data de arrecadação 30/04/2008, valor R$ 51.753,98. Crédito original na data da transmissão da DCOMP: R$ 37.340,11. Em 07/10/2009, houve emissão do Despacho Decisório (eletrônico), efl. 04, pela DRF/Vitória, denegando o direito creditório pleiteado, com a seguinte fundamentação: (...) 3FUNDAMENTACÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 37.340,11. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitagão de débitos do contribuinte, não restando crédito disponivel para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...). Fl. 159DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.916735/200997 Resolução nº 1802000.523 S1TE02 Fl. 160 3 Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Ciente do despacho decisório em 20/10/2009 (efl. 74), a Contribuinte, em 17/11/2009, apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.02/03), juntando ainda documentos de efls. 04/73, cujas razões, em síntese, são as seguintes: que efetuou pagamento do IRPJ/1ª cota, no valor de R$ 51.753,98, do PA 31/03/2008, data de recolhimento 30/04/2008, código de receita 2089; que em 06/10/2008 confessou na DCTF débito do IRPJ/1º trimestre/2008, no valor de R$ 155.261,95 (efls. 37/43); que o pagamento restou totalmente vinculado ao débito confessado na referida DCTF primitiva; que, em 15/07/2009, transmitiu a DIPJ 2009, anocalendário 2008, com IRPJ a pagar/1º trimestre, no valor de R$ 8.309,76, e não R$ 155.261,95 (efls. 50/56); que em 23/10/2009 transmitiu a DCTF retificadora do 1º trimestre/2008, reduzindo o IRPJ a pagar de R$ 155.261,95 para R$ 8.309,76, em conformidade com a DIPJ original (a transmissão da DCTF retificadora ocorreu após a ciência do despacho decisório que denegara o crédito pleiteado); que, diversamente do informado na DCOMP, houve pagamento a maior de R$ 43.444,23 quanto ao IRPJ/1º cota do 1º trimestre/2008; que o crédito, por conseguinte, existe, sendo superior, inclusive, ao valor de R$ 37.340,11 informado na DCOMP. Por fim, a Contribuinte pediu: a) que, de ofício, seja efetuado o ajuste do crédito original na data transmissão da DCOMP. Ou seja: que o crédito original do IRPJ/1ª cota/1º trimestre/2008 não seria apenas R$ 37.340,11, mas sim R$ 43.444,23; que os débito correto do PIS do PA outubro/2008 é R$ 846,94, e não R$ 867,02; que o débito correto da Cofins do PA outubro/2008 é R$ 3.909,04, e não R$ 4.001,70. b) que o crédito pleiteado seja reconhecido e os débitos extintos por homologação da compensação. A 15ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I, não acatando a DCTF retificadora que reduziu o IRPJ a pagar do 1º trimestre/2008 confessado na DCTF primitiva, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, não reconhecendo o crédito pleiteado e Fl. 160DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.916735/200997 Resolução nº 1802000.523 S1TE02 Fl. 161 4 também não procedeu aos ajustes dos débitos confessados na DCOMP, conforme Acórdão, de 18/08/2011, cuja ementa transcrevo a seguir (efl. 76), in verbis: (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR NÃO COMPROVADO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Não tendo sido demonstrada pelo interessado a causa do erro do débito confessado na DCTF, nem tampouco comprovado, com documentação hábil e idônea, o verdadeiro valor do tributo devido, deixase de reconhecer a existência de qualquer direito creditório decorrente do alegado pagamento indevido ou a maior. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ALTERAÇÃO DOS VALORES DOS DÉBITOS APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. A alteração dos débitos informados na Declaração de Compensação somente poderá ser efetuada pelo sujeito passivo, caso a referida declaração ainda se encontre pendente de decisão administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 17/10/2011 (efl. 87), a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 11/11/2011 (efls. 88/90), juntando ainda os documentos de e fls.91/153, aduzindo as sequintes razões: que houve erro de fato quanto ao débito do IRPJ confessado na DCTF primitiva atinente ao PA 1º trimestre/2008: que, quando da entrega da respectiva DCTF, foi calculado o IRPJ com coeficiente de presunção do lucro de 32% sobre a receita bruta de serviços; que o cálculo correto do imposto, no caso, é mediante aplicação do coeficiente de preunção do lucro de 8% sobre a receita bruta de serviços; que para comprovar a base tributável do PA 1º trimestre/2008 – receita bruta de serviços – juntou: a) cópia do livro Diário, onde consta registrado o balancete acumulado de janeiromarço/2008, receita bruta de prestação de serviços de R$ 2.551,905,17 (efls. 149/151); que, porém, a base de cálculo seria de apenas R$ 2.487.417,35; que a diferença de R$ 64.487,82 corresponde a exclusão: Fl. 161DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.916735/200997 Resolução nº 1802000.523 S1TE02 Fl. 162 5 (a1) R$ 56.170,39 – NF nº 7987, de 14/01/2008, cujo valor foi recebido em 20/11/2007 – cópia do livro Razão (efl. 126); (a2) R$ 8.317,43 – NF nº 8046, de 15/02/2008, cujo valor foi recebido em 20/12/2007 – cópia do livro Razão (efl. 127) (a3) que esses valores excluídos da base de cálculo do IRPJ/1º trimestre/2008 foram oferecidos à tributação do imposto no 4º trimestre/2007 – planilha (efl.128) e cópia do Razão (efls. 129/131). b) planilha de cálculo do IRPJ do PA 1º trimestre/2008 com coeficientes de 32% e 8% (efl. 125); c) IRRF de R$ 35.263,88 – cópia Balancete Analítico (efl.150); d) que em 23/10/2009 transmitiu DCTF do 2º trimestre/2008 ajustando os débitos da Contribuição para o PIS e à Cofins do PA outubro/2008, conforme valores já citados na impugnação. Por fim, a Recorrente pediu o reconhecimento do direito creditório pleiteado e a extinção dos débitos pela homologação da compensação. É o relatório. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.916735/200997 Resolução nº 1802000.523 S1TE02 Fl. 163 6 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Logo, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de processo de compensação tributária. A questão central da lide diz respeito se o direito creditório pleiteado tem liquidez e certeza, nos termos do art. 170 do CTN, para quitação dos débitos informados/confessados na DCOMP objeto dos autos. A propósito dos requisitos do crédito objetado contra o fisco para encontro de contas (compensação tributária), transcrevo o disposto no art. 170 do CTN, in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.(Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (grifei) No mesmo sentido dispõe o art. 268 do Decreto nº 7212, de 15/06/2010: Art.268.O sujeito passivo que apurar crédito do imposto, inclusive decorrente de trânsito em julgado de decisão judicial, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observadas as demais prescrições e vedações legais(Lei nº 5.172, de 1966, art. 170,Lei nº 9.430, de 1996, art. 74,Lei no10.637, de 2002, art. 49,Lei no10.833, de 2003, art. 17, eLei no11.051, de 2004, art. 4o). §1oA compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados(Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 1º,e Lei nº 10.637, de 2002, art. 49). §2oA compensação declarada à Secretaria da Receita Federal do Brasil extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 2º, eLei nº 10.637, de 2002, art. 49). No caso, a Recorrente busca o reconhecimento do direito creditório relativo ao PA 31/03/2008 (1º trimestre/2008), uma vez que teria pago a maior o IRPJ relativo a esse período de apuração, no regime do Lucro Presumido. Para a Contribuinte, o imposto a pagar do 1º trimestre/2008 seria de R$ 8.309,76. Porém, efetuou recolhimento do IRPJ em DARF – 1ª cota/1º trimestre/2008 no valor Fl. 163DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.916735/200997 Resolução nº 1802000.523 S1TE02 Fl. 164 7 de R$ 51.753,98. Que, por consequinte, teria efetuado pagamento a maior de imposto no valor R$ 43.444,22 = (R$ 51.753,98 – R$ 8.309,76). Entretanto, a decisão recorrida não acatou a DCTF retificadora, com base na seguinte argumentação: a) que, em 06/10/2008, a Contribuinte confessara na DCTF imposto a pagar do PA – 1º trimestre/2008 no valor de R$ 155.261,95; b) que a DCTF retificadora foi transmitida apenas em 23/10/2009 (após a data de ciência do despacho decisório), reduzindo o imposto do PA – 1º trimestre/2008 de R$ 155.261,95 para R$ 8.309,76; c) que, nessa situação de redução de tributo pela DCTF retificadora (após ciência do despacho decisório que denegou o crédito pleiteado e passou a exigir os débitos confessados na DCOMP), é necessário comprovação do motivo, da razão, dessa redução de imposto pela Contribuinte; d) que, eventual existência de erro de fato que pudesse justificar a redução do imposto pela DCTF retificadora, não foi comprovado nos autos, pois a Contribuinte não juntara cópia dos livros contábeis e fiscais de sua escrituração. Nesta instância recursal, a Recorrente rebelase contra a decisão a quo que denegou o direito creditório, alegando: a) que ocorreu erro de fato em relação ao débito do imposto confessado na DCTF primitiva, relativo ao PA – 1º trimestre/2008, pois confessara o imposto pagar na DCTF primitiva pela aplicação de coeficiente de presunção do lucro de 32% sobre as receitas de prestação de serviços, quando o correto é apuração do imposto com coeficiente de presunção do lucro de 8%, conforme DIPJ respectiva; b) que a DCTF retificadora foi apresentada em conformidade com a DIPJ; c) que, para comprovar o alegado erro de fato, juntou cópia dos livros de sua escrituração contábil/fiscal. Compulsando os autos, observase que a Recorrente, nesta instânica recursal, também não justificou, não comprvou, a razão pela qual busca, pretende, a aplicação do coeficiente de presunção do lucro de 8% sobre as receitas de prestação de serviços para efeito de apuração do IRPJ, e não 32%. Sem comprovação do alegado erro de fato não há como admitir como válida a DCTF retificadora. Em regra, no regime de apuração do Lucro Presumido para a prestação de serviços a legislação tributária do IRPJ e da CSLL impõem a aplicação do coeficiente de 32% e 12%, respectivamente (Lei nº 9.249/95, arts. 15 e 20). Nesse sentido, transcrevo os arts. 15 e 20 da Lei nº 9.249/1995, com redação atualizada pela legislação posterior, in verbis: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Fl. 164DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.916735/200997 Resolução nº 1802000.523 S1TE02 Fl. 165 8 Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995.(Vide Lei nº 11.119, de 205)(Vide Medida Provisória nº 627, de 2013)(Vigência) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I um inteiro e seis décimos por cento, para a atividade de revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II dezesseis por cento: a) para a atividade de prestação de serviços de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto no caput deste artigo; b) para as pessoas jurídicas a que se refere oinciso III do art. 36 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, observado o disposto nos §§ 1ºe 2º do art. 29 da referida Lei; III trinta e dois por cento, para as atividades de:(Vide Medida Provisória nº 232, de 2004); a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa;(Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (...) Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem osarts. 27 e 29 a 34 da Lei no8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento.(Redação dada Lei nº 10.684, de 2003)(Vide Medida Provisória nº 232, de 2004)(Vide Lei nº 11.119, de 205)(Vide Medida Provisória nº 627, de 2013)(Vigência) (...) Frisese que a Lei nº 11.727 (art. 29), de 23/06/2008, que deu nova redação à alínea “a” do inciso III § 1º do art. 15 da Lei nº 9.249/95, permite a aplicação do coeficiente de presunção do lucro de 8% para serviços hospitalares e atividades inerentes, in verbis: Art. 29. A alínea a do inciso III do § 1o do art. 15 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 15. ............................................................ § 1o .......................................................... Fl. 165DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.916735/200997 Resolução nº 1802000.523 S1TE02 Fl. 166 9 ............................................................. III – ...................................................... a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; ..................................................................” (NR) Desde antes da edição dessa Lei nº 11.727/2008 (art. 29), a jurisprudência do STJ e administrativa deste CAF já admitiam a aplicação de coeficientes de presunção do lucro reduzidos a essas atividades elencadas, desde que fosse comprovada a exploração de atividade organizada sob a forma de sociedade empresária e com observância de normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa. Entretanto, a Recorrente, em momento algum nos presentes autos, fez alusão, nem comprovação, de que as receitas de prestação de serviços do anocalendário 2008 decorreram de prestação de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas. Compulsando os atos constitutivos da pessoa jurídica (Recorrente) – 8ª Alteração Contratual – Consolidação do Contrato Social, de 27/10/2008 (Cláusula Terceira) (e fls. 08/20), observa que ela tem o seguinte objeto social: CLÁUSULA TERCEIRA: A Sociedade tem por Objeto Social: A Prestação de Serviços Médicos Hospitalares, principalmente na especialização em Oncologia Clinica e Cirúrgica, e Quimioterapia, para Apoio ao Diagnóstico e Terapia de seus pacientes, tendo como responsável técnico perante aos órgãos de saúde o médico ROBERTO DE OLIVEIRA LIMA; O PA do imposto é anterior a essa Alteração Contratual nº 08, de 27/10/2008. Logo, quanto às receitas de serviços do anocalendário 2008, a Contribuinte não comprou nos autos que elas decorreram de prestação de serviços hospitalares e inerentes, ou se decorreram de serviços de meras consultas médicas. Além disso, não consta dos autos que, no anocalendário 2008, a Recorrente, desde o início do ano, estaria organizada sob a forma de sociedade empresária e que atendia às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa. Há dúvida plusível e insuperável, por conseguinte, se a Recorrente faz jus, ou não, à apuração do IRPJ e da CSLL, anocalendário 2008, com coeficientes reduzidos de presunção do lucro para essas exações fiscais. Sem esses elementos de prova, está prejudicada a aferição da certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.916735/200997 Resolução nº 1802000.523 S1TE02 Fl. 167 10 Como visto, para formação da convicção do julgador, e em observância do princípio da verdade material, tornase necessário a realização de instrução processual complementar, para complementação de provas pela Recorrente quanto ao direito creditório pleiteado, relativo ao PA – 1º trimestre/2008 – pagamento da 1ª cota. Diante do exposto, propugno pela conversão do julgamento em diligência, para retorno dos autos do processo à unidade de origem da RFB, ou seja, à DRF/Vitória, no sentido de que a fiscalização: a) intime a Recorrente a comprovar a origem ou natureza da receitas de prestação de serviços, se decorreram de prestação de serviços hospitalares de que trata o art. 29 da Lei nº 11.727/2008 ou se decorreram de consultas médicas; b) intime a Recorrente a comprovar se, desde o início do anocalendário 2008, estava organizada sob a forma de sociedade empresária e se atendia às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa (juntar cópia de contrato social abarcando todo o anocalendário 2008 e documentos emitidos, espedidos pela Anvisa que autorizaram o funcionamento do estabelecimento da Recorrente para todo o período do anocalendário 2008); c) intimar a Recorrente para à luz da legislação de regência e da escrituração contábil e fiscal a comprovar o direito creditório pleiteado, sua liquidez e certeza; d) intimar a Recorrrente a comprovar o valor exato dos débitos confessados na DCOMP; e) elabore, ao final da diligência fiscal, relatório minucioso, circunstânciado, conclusivo, inclusive com auxílio de demonstrativos/planilhas, se a Recorrente no ano calendário 2008 (nos respectivos trimestres) faz jus à apuração do IRPJ e da CSLL com coeficientes de presunção do lucro reduzidos, demonstrando o valor de eventual direito creditório (crédito) da Recorrente, na hipótese que reste comprovado que as receitas decorreram de prestação de serviços hospitalares (Obs: receitas de consultas médicas e outras fontes não implicam aplicação de coeficientes reduzidos na apuração do IRPJ e da CSLL), e se disponível eventual crédito para utilização para a compensação dos débitos confessados na DCOMP; f) intime a Recorrente do resultado da diligência para, em querendo, apresentar razões, abrindo prazo de trinta dias a partir da ciência. Por tudo que foi exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 167DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 13888.003921/2007-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Período de apuração: 22/03/2002 a 28/06/2004
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - CONTRADITÓRIO - NULIDADE.
Não há falar em violação de princípios do devido processo legal na fase inquisitorial do procedimento, em que a relação jurídica processual ainda não se estabeleceu.
DECADÊNCIA - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.
O prazo decadencial relativo aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, no caso de ausência de pagamento antecipado, é o do art. 173, I, do CTN.
IRRF - PAGAMENTO SEM CAUSA - OPERAÇÃO INEXISTENTE.
É cabível o lançamento de IRRF à alíquota de 35% sobre os pagamentos cuja causa for infirmada pela Fiscalização. No caso em tela, foi comprovada a inexistência das operações que ensejariam os pagamentos.
MULTA DE OFÍCIO - QUALIFICAÇÃO.
Uma vez constatada a existência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, nos termos do art. 44, II, da Lei nº 9.430/96, é devida a qualificação de multa de ofício no patamar de 150%.
Negado Provimento ao Recurso.
Numero da decisão: 2202-002.562
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo (Relator), Fábio Brun Goldschnmidt e Pedro Anan Junior, que proviam parcialmente o recurso, para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Márcio de Lacerda Martins. Fez sustentação oral pelo contribuinte o Dr. Ricardo Alexandre Hidalgo, OAB/DF nº 182.632.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
(Assinado digitalmente)
Márcio de Lacerda Martins - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Suplente Convocado) e Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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REUN. DE BEB. TATUZINHO 3 FAZENDAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Período de apuração: 22/03/2002 a 28/06/2004 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CONTRADITÓRIO NULIDADE. Não há falar em violação de princípios do devido processo legal na fase inquisitorial do procedimento, em que a relação jurídica processual ainda não se estabeleceu. DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. O prazo decadencial relativo aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, no caso de ausência de pagamento antecipado, é o do art. 173, I, do CTN. IRRF PAGAMENTO SEM CAUSA OPERAÇÃO INEXISTENTE. É cabível o lançamento de IRRF à alíquota de 35% sobre os pagamentos cuja causa for infirmada pela Fiscalização. No caso em tela, foi comprovada a inexistência das operações que ensejariam os pagamentos. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICAÇÃO. Uma vez constatada a existência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, nos termos do art. 44, II, da Lei nº 9.430/96, é devida a qualificação de multa de ofício no patamar de 150%. Negado Provimento ao Recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo (Relator), Fábio Brun AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 39 21 /2 00 7- 12 Fl. 3454DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS 2 Goldschnmidt e Pedro Anan Junior, que proviam parcialmente o recurso, para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Márcio de Lacerda Martins. Fez sustentação oral pelo contribuinte o Dr. Ricardo Alexandre Hidalgo, OAB/DF nº 182.632. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. (Assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Suplente Convocado) e Fabio Brun Goldschmidt. Fl. 3455DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS Processo nº 13888.003921/200712 Acórdão n.º 2202002.562 S2C2T2 Fl. 10.214 3 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização 1.1 Do MPF 08125002006004637 Em 15/08/06, foi lavrado Termo de Declaração dos depoimentos do Sr. Maurício de Souza e da Sra. Olinda de Oliveira Cabral de Souza (fls. 348349 e fl.352). Em seu depoimento o Sr. Maurício informou que: a) a empresa G.M Transportes Dracena Ltda. foi constituída em 1998 pelo Sr. José Milton Rodrigues e pelo Sr. Almir Alves Gabriel e tinha como objetivo auxiliar o filho do Sr. José Milton, o Sr. Marcelo Pereira da Silva; b) quando os dois primeiros retiraramse da empresa, esta passou a ser administrada pelo Sr. Marcelo e pela Sra. Olinda de Oliveira Cabral de Souza (esposa do depoente). Logo após, o Sr. Marcelo retirouse da empresa, ficando a mesma sob responsabilidade da Sra. Olinda, todavia ela não tinha conhecimento dos negócios; c) a empresa não possuía nenhum veículo, pois seu objeto era o agenciamento de fretes; d) em meados de 2004 a empresa foi autuada pelo fisco estadual, sendo providenciada sua baixa (processo conduzido pelo Sr. Arrnaldo) junto àquele órgão; e) o Sr. João Dorival Senerini o procurou dizendo que precisava de conhecimento de transportes, pois possuía caminhões parados e buscava alguém que realizasse fretes, na oportunidade o Sr. João disse responsabilizarse pelos impostos; f) conforme as solicitações do Sr. João, a G.M repassava os conhecimentos de transporte em branco e, posteriormente, recebiaos preenchidos para lançamento nos livros; g) não se recorda de quem o procurou para ir ao cartório prestar a escritura pública de declaração, e que quando chegou ao local essa já estava pronta para assinatura. A Sra. Olinda de Oliveira Cabral de Souza acrescentou que à ocasião da declaração prestada em cartório, foi procurada pelo advogado da recorrente, mesma pessoa que preparou a declaração. O advogado prometeu que a recorrente pagaria o valor devido no auto de infração que havia sido lavrado pelo Fisco estadual em desfavor da G.M Transportes (aproximadamente R$34.000,00), mas a promessa foi apenas parcialmente cumprida. Em resposta à intimação não constante nos autos, a Transportadora Transouza Ltda., em 15/08/06, informou que: a) os semirreboques de placas BWK9276, BXB41388 e BWK9285 nunca pertenceram a sua frota, e que o semirreboque de placa BXE4166 pertence a sua frota, sendo uma carreta graneleira, mas no ano de 2000 não estava em atividade; b) quanto ao motorista não é possível afirmar, pois o mesmo não estava em atividade pela empresa (fl. 355). Respondendo ao termo de intimação, que não está presente nos autos, a empresa Durval Simionato, relacionou, em 23/08/06, os documentos fiscais impressos a partir de 1998 para a G.M Transportes Ltda.ME, anexando notas fiscais de serviços emitidas (6703, 7934 e 27010) bem como as respectivas autorizações de impressão de documentos fiscais (fls. 361 375). O Sr. José Luiz Godoy da Cruz, em seu depoimento (fl. 358), em 24/08/06, alegou que: a) foi procurado pela recorrente para prestar uma declaração em cartório a respeito dos transportes que teria realizado para ela; b) o transporte realizado para a recorrente sempre Fl. 3456DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS 4 foi de álcool, sendo realizado nos anos de 2000 e 2001 nos veículos IX2897 LR7715 (modelo L111) e BWC6288 (modelo L112), ambos de sua propriedade, e que o volume transportado era sempre de 30.000 litros; c) recordase da empresa Blaw Química, mas todos os serviços foram contratados e pagos pela recorrente, sendo que os pagamentos eram feitos em dinheiro ou com cheques de terceiros, e que era contratado e pago pelo Sr. Roberto; d) o Sr. Antonio Margarida, seu funcionário, também realizava fretes para a recorrente, e em uma oportunidade utilizou seu caminhão com a placa de outro veículo; e) não possui os conhecimentos de transporte, pois os guarda somente durante três anos (fl. 358). Em seu depoimento, em 16/11/06, o Sr. Rogério Benedito Franco da Rocha (fl. 427) informou que: a) foi procurado pelo Sr. Yuri Rego Mendes para efetuar a transferência de uma das empresas de Osasco para Piracicaba; b) foi a Osasco algumas vezes, onde manteve contato com o Sr. Humberto e com a Sra. Lúcia, proprietários de uma empresa que tinha como objeto a fabricação de produtos de limpeza; c) que após efetuar a transferência foi comunicado pelo Sr. Yuri que o mesmo não precisava mais de seus serviços, pois havia encontrado outro contador. A Sra. Melissa Villanova Soares, em 24/11/06, prestou os seguintes esclarecimentos: a) conheceu a empresa AJAT’s através do namorado da Sra. Arlete, o Sr. Carlos Pensado, que à época trabalhava na empresa Sabará em Rio Claro; b) fazia os serviços bancários, isto é, basicamente dirigiase ao banco Itaú para efetuar o pagamento de contas particulares do Sr. Yuri; c) na empresa trabalhavam apenas ela e a Sra. Arlete, que cuidava das notas fiscais; d) no escritório havia uma sala de reunião, uma sala de espera, duas salas normais, um computador, fax, xerox e 3 linhas telefônicas; e) a Sra. Arlete emitia as notas fiscais com dados que a mesma geralmente trazia de casa, ou os recebia por telefone, sendo as notas entregues ao motoboy quando prontas; f) lembrase das empresas Blaw e Druanza (fl. 429). Em seu depoimento, em 02/02/07, a Sra. Arlete de Fátima Bragaia Martello (fl. 431) declarou que: a) era namorada do Sr. Carlos Augusto Rigo Pensado, o qual conhecia o Sr. Yuri que era irmão do “pessoal” da Sabará de Rio Claro; b) trabalhavam apenas ela e a Sra. Melissa na AJAT’s; c) o Sr. Yuri administrava a empresa, o mesmo era irmão do Sr. Newton, que ela não conheceu, e do deputado Bebeto; d) seu trabalho se resumia na emissão de notas fiscais de dados recebidos por fax; e) “o modus operandi era o seguinte: chegava uma pessoa com uma nota fiscal da Blaw Química de Campinas e pegava a nota fiscal de venda para a Tatuzinho”; f) algumas vezes a Sra. Cláudia, da Blaw, entrava em contato com a AJAT’s; g) nunca viu nenhum caminhão e/ou mercadoria chegando ou saindo da empresa. O Sr. Carlos Augusto Rigo Pensado prestou depoimento (fl. 433), em 02/02/07, alegando que: a) foi funcionário da Sabará de Rio Claro por longo período, empresa cujos proprietários em 2000 eram os Srs. Felipe e Yuri, que são irmão; b) como, basicamente, fazia o serviço contábil não sabia dizer o que realmente a empresa fazia e se chegavam caminhões na empresa, o que lhe parece improvável, pois no local não podiam estacionar caminhões; c) apenas apurava os valores a pagar, sem acompanhar se os mesmo eram pagou ou não; d) quando a Sabará comprou a Druanza, seu nome foi colocado como Diretor Superintendente, não tendo recusado por acreditar que a empresa agia corretamente; e) esteve em Barra das Garças e constatou que a empresa existia e produzia álcool de cereais; f) a Druanza vendia para a Sabará, e esta mantinha contato com a recorrente através do Sr. Felipe Alberto Rego Haddad; g) os irmãos Haddad suspenderam as atividades na Sabará e abriram a Central Petroquímica; h) a AJAT’s não possuía nenhuma tancagem. Em 30/04/07 a fiscalização, com base no MPF 08125002006004637, lavrou termo de Representação Fiscal de Inaptidão em face da AJAT’s Comercio de Produtos Fl. 3457DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS Processo nº 13888.003921/200712 Acórdão n.º 2202002.562 S2C2T2 Fl. 10.215 5 Químicos Ltda. (fls. 391396). Nesse procedimento, a autoridade administrativa constatou que a recorrente utilizavase do artifício da fabricação de crédito do IPI, através da criação de empresas de fachada, de modo que simulava a compra de um produto denominado “composto concentrado não alcóolico para elaboração de bebidas” ou “extrato concentrado para elaboração de bebidas”, com alíquota de IPI em torno de 50%. Ainda, observou que a última ação fiscal realizada envolvendo a recorrente teve como ponto de partida a Blaw Química Ltda., empresa de fachada, sediada em Campinas/SP, onde se constatou a existência de outras empresas, dentre as quais a AJAT’s. O Fisco conclui que a AJAT’s teve seu domicílio alterado para a cidade de Piracicaba/SP, sendo que a nova sede era prédio comercial localizado em rua onde sequer é permitido o trânsito de veículos pesados (fls. 378379). De acordo com a SRF o objeto social da empresa é o “comércio atacadista de outros produtos químicos”, e seus sócios são o Sr. Newton Castro Mendes Filho (responsável perante na SRF) e o Sr. Ailton Sabino Camargo (fl. 382384). Os dados financeiros apresentados no Termo de Representação Fiscal de Inaptidão demonstraram que a) a movimentação financeira da AJAT’s no ano de 2000 foi de R$ 517,22, no ano de 2001 foi de R$ 12.810.318,52, no ano de 2002 foi de R$ 14.743.334,21, no ano de 2003 foi de R$ 26.627.405,26, no ano de 2004 foi de R$ 16.955.602,63 e no ano de 2005 foi de R$ 6.392,10; b) foram entregues DIPJ’S nos anoscalendários de 2000, 2001 e 2002, tendo a empresa optado pelo Lucro Real, não tendo sido entregues, porém, as DIPJ’S dos anos seguintes; c) os débitos declarados em DCTF somavam R$ 745.412,89, tendo o valor de R$10.221,96 sido pago; d) a empresa emitiu notas fiscais à recorrente em 2002, 2003 e 2004 cujos valores superam R$50.000.000,00; e) o Fisco Estadual já havia apurado irregularidades na empresa. Conforme relato, a Fiscalização esteve no endereço da AJAT’s em 09/11/06, onde constatou que no local encontravase instalada a empresa EVN Automações Topográficas Ltda, após, dirigiuse à residência (endereço tido como domicílio fiscal) do Sr. Newton Castro Mendes, onde verificou que no local residia sua mãe, a Sra. Maria de Nazaré. A mesma informou não saber o paradeiro de seus filhos, Sr. Newton e Sr. Yuri. Diante disso, foi expedido o Edital DRF/PCA/SOFIS nº 008/2006 para dar ciência do início do procedimento fiscal à AJAT’s (fl. 405). A fiscalização ainda obteve da Imobiliária Souza os contratos de locação do imóvel em que a AJAT’s supostamente estaria instalada (fls. 406412). Deles colhese que: a) o imóvel foi alugado pela primeira vez em 17/05/00 pelo Sr. Yuri Rego Mendes; b) o contrato foi renovado ao longo dos anos, sendo que a última renovação ocorreu em 17/05/12, com prazo de 12 meses. Após essa data, o imóvel foi locado através de novo contrato. A autoridade administrativa concluiu no termo de Representação Fiscal de Inaptidão que: a) jamais entrou ou saiu qualquer mercadoria da AJAT’s, sendo seu escritório destinado à emissão de notas fiscais com dados repassados por telefone ou fax; b) a AJAT’s mantinha estreita relação com a Blaw Química e com a Druanza, que era administrado pela Sr. Yuri, irmão do Sr. Newton e que ambos tinham ligação com a empresa Sabará; c) os dados bancários comprovam que os pagamentos da recorrente à AJAT’s se prestavam para outra finalidade. Diante disso, iniciou o procedimento de declaração de inaptidão. Fl. 3458DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS 6 Após as diligências devidas, em 29/07/07 foi publicado no Diário Oficial da União o Ato Declaratório Executivo nº 127, no qual foi declarada inapta no CNPJ a empresa AJAT’s com base no apurado no processo nº 13888.000961/200711 — em que foi constatada a inexistência de fato da pessoa jurídica. Os documentos emitidos pela AJAT’s foram considerados inidôneos e incapazes de produzir efeitos tributários em favor de terceiros interessados a partir de 03/02/00 (fl. 387). A autoridade administrativa, em 05/09/07, requereu por intermédio da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira nº 08.1.252007000058, uma série de informações referentes à conta mantida pela empresa AJAT’s Comércio de Produtos Químicos Ltda. junto ao Banco Luso Brasileiro S/A. (fls.473474). Em resposta, o Banco Luso apresentou: a) o extrato da conta corrente no período de 01/01/02 a 31/12/04; b) a codificação para especificar a natureza dos lançamentos; c) a ficha cadastral da empresa; d) o instrumento de alteração contratual (fls. 450460); e) doc. de débito e de crédito (fl. 461); f) docs. diversos (fls. 462463); g) RMF (fls. 475492). Em 28/09/07, a Igapó Veículos Ltda. informou que não celebrou qualquer negócio comercial e/ou jurídico com a AJAT’s, e não depositou quaisquer dos cheques em sua conta corrente (fl. 511). Na mesma data, a Associação Paulista de Educação e Cultura alegou que os cheques mencionados no termo de intimação fiscal não constam do extrato de sua conta corrente (fl. 519). A empresa Alves Veríssimo Indústria, Comércio e Importações, em 01/10/07, em resposta ao termo de intimação lavrado em 14/09/07 — que não se encontra nos autos — informou que: a) nunca manteve negócios com a AJAT’s; b) desconhece as operações que deram causa à emissão dos cheques; c) detectou inúmeras movimentações irregulares ocorridas no ano de 2004 em sua conta corrente nº 0000107928, que diziam respeito a volumosos créditos e débitos, cuja origem era estranha à empresa; d) encaminhou notificação extrajudicial ao Banco Santos informando o ocorrido e requerendo que fossem prestados por escrito os esclarecimentos sobre as movimentações (fls. 505508). O Banco Cruzeiro do Sul, em resposta à intimação fiscal, afirmou, em 02/10/07, que os cheques descritos não tiveram como beneficiário o Banco, mas foram depositados na conta corrente titulada pelo cliente Vila Promotora de Créditos e Vendas (fls. 522523). Após, a Petros informou que os valores tratavamse de pagamento das parcelas decorrentes da venda dos Edifícios Serrador e Astória, imóveis vendidos pela Petros à Serrador Rio Empreendimento e Participações Ltda. (fl. 538). Ainda em 02/10/07, a Christy Administradora Ltda. alegou não ter como prestar todas as informações, pois à época a empresa estava enquadrada no SIMPLES Federal, e esteve com as atividades paralisadas e em fase de encerramento desde o ano de 2004 (fl. 555). A Algodoeira Atibaia Ltda., na mesma data, informou que estabeleceu acordo comercial com a AJAT’s, sendo a conta utilizada apenas para o depósito do cheque, cujo valor era logo em seguida sacado (fls. 558559). O Sr. Irineu Costa, em resposta a termo de intimação fiscal não constante nos autos, esclareceu que os valores depositados em sua conta do Banco do Brasil correspondiam à receita da venda de produtos agrícolas (contratos 30.933/15 e 30.083/15), cujo comprador foi a Granol – Industrial. Com. Exp. S/A (fls. 499502).,, Fl. 3459DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS Processo nº 13888.003921/200712 Acórdão n.º 2202002.562 S2C2T2 Fl. 10.216 7 Em manifestação ao termo de intimação fiscal, a Finest Brazillian Granite alegou, em 03/10/07, que: a) nunca teve relação comercial com a AJAT’s; b) não houve trânsito de recursos de terceiros pelas contas da empresa; c) o cheque não transitou pela sua tesouraria e não foi endossado pela mesma; d) não consta do extrato do banco qualquer depósito no valor do citado cheque (fls. 562563). O Sr. Tholobato Nunes Gonçalves, em 03/10/07, informou que o valor era referente à venda de parte da fazenda localizada no Município de ItapagipeMG, realizada em outubro de 2005, e teve comprador o Sr. Sílvio França de Macedo, que lhe informou que comprou a fazenda através de negócio de triangulação que incluía a AJAT’s (fls. 545546). Em 03/10/07, a Sra. Jurema Chohfi Maluf alegou que desconhece tanto a origem dos depósitos, quanto a AJAT’s (fl. 549). Ao manifestarse a respeito da intimação fiscal, a empresa Sodexo, em 08/10/07, alegou que os valores correspondentes aos cheques nunca foram creditados em sua conta corrente ou de investimento (fls. 526528). O Sr. Luis de Oliveira Perego afirmou, em 10/10/07: a) não se recordar de ter feito transações com a AJAT’s; b) não possuir o controle individual do depósito efetuado em sua conta; c) desconhecer o endereço da AJAT’s, bem como seus sócios (fls. 566567). Em resposta à intimação, em 10/10/07, a empresa Bombril aduziu que nunca manteve relações comerciais de qualquer natureza com a AJAT’s, mesmo tendo havido o depósito, pois tal sociedade não consta dos seus cadastros de clientes ou fornecedores, de modo que os depósitos podem ter sido originados de duplicatas (fls.514516). A MATEC Engenharia de Construções Ltda., em 17/10/07, em resposta ao Procedimento Fiscal nº 41244768, informou que os cheques nº 563, 566, 596, 597, 606, 609, 611, nos valores de R$263.898,00, R$200.000,00, R$250.000,00, R$25.000,00 R$221.266,00, R$350.000,00 e R$350.000,00 emitidos pela AJAT’s foram recebidos como pagamento pela execução do contrato firmado com a empresa Sol Invest e Participações Ltda. (fls. 495496). Em 19/10/07, o Sr. Fabio Roberto Chumenti Auriemo afirmou que o valor depositado em sua conta referese ao pagamento de empréstimo no valor de R$ 398.687,00 (fl. 531534). A Construtora São José alegou, em 22/10/07, que os valores recebidos foram originados da comercialização de quatro unidades do Empreendimento Hotel Holliday Inn Anhembi (fls. 541542). O Sr. Manoel José de Lima afirmou que: a) não possuía e não fazia parte de qualquer pessoa jurídica; b) não recebeu valores; c) tratavase de uma falsificação grosseira de seus documentos. (fl.552). Da juntada aos autos da relação de notas fiscais de “álcool neutro” emitidas pela AJAT’s (fl. 570713), a fiscalização apresentou o seguinte esquema de fabricação (fl. 716): a Blaw Química vendia a AJAT’s o “álcool neutro”, essa adicionava água a ele gerando o “álcool neutro padronizado” que era utilizado para a fabricação da “aguardente bruta”. Fl. 3460DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS 8 Da juntada aos autos da relação de notas fiscais de “extrato concentrado” emitidas pela AJAT’s (fl. 720905), a fiscalização apresentou o seguinte esquema de fabricação e vendas (fl. 908): a AJAT’s produzia o “extrato concentrado” e a ele adicionava o “extrato natural de guaraná” para a produção da “preparação comp n alc c/ extrato de guaraná”, esse produto era vendido às empresas Júpiter, Destilaria da Barra e Quatersil. Em resposta à notificação (fl.972974), a SAMAE informou que: a) possuía o caminhão com as características descritas no ofício, mas não constava nos relatório que o veículo tenha trafegado em rodovia de Piracicaba na data das notas fiscais; b) o veículo tinha a carroceria adaptada com berços para acomodação dos cilindros de cloro o que torna difícil o transporte de qualquer outra mercadoria; c) acreditava se tratar de veículo com as placas iguais ao de sua propriedade, pois seu veículo estava estacionado no período. 1.2 Do MPF 08125002006004610 Após analisar a escrituração contábil e fiscal da recorrente, a Fiscalização constatou o registro de um volume significativo de operações comerciais (compra e venda) de produtos inexistentes, efetuados com empresas fictícias, com o intuito de aproveitamento fraudulento de créditos de IPI e desvio de recursos. A autoridade administrativa lavrou Termo de Início de Fiscalização, em 08/11/06, requisitando que a recorrente apresentasse: a) notas fiscais de entradas – 2002 e 2003 – relativas aos fornecedores AJAT’s Comercio de Produtos Químicos Ltda, e Orion Leste C E Rep Prod E Essen Ltda; b) Livro Registro de Apuração de IPI de 2002 até 2006 (outubro); c) memórias de cálculo dos valores apurados do IPI referentes ao Processo nº 2005.61.09.001089 8, mandado de segurança onde o contribuinte pleiteia, em síntese, o direito à utilização e aproveitamento do créditoprêmio do IPI relativo aos últimos dez anos, bem como a informação dos valores porventura já compensados (fl. 74). Posteriormente, tendo em vista que na análise das DCTF’s foi constatada queda acentuada dos recolhimentos do IPI a partir de meados de 2005, sem que constasse informação a respeito dos valores suspensos e/ou compensado, a recorrente foi intimada, em 21/11/06, a apresentar as memórias de cálculos dos valores apurados do IPI, e a informar os valores suspensos e/ou compensados, bem como os números dos processos judiciais (fl. 75). Em 29/01/07 foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal nº 00129/01/07 solicitando que a recorrente apresentasse: a) comprovantes de pagamentos das compras efetuadas da AJAT’s a partir de 2002; b) Livros de Entrada e Saída de 2000 a 2004; c) Livros de Apuração do IPI de 2000 a julho de 2001; d) Livro de Controle de Produção e Estoque de 2002 a 2004; e) contratos de compra e venda firmados com as empresas AJAT’s e Orion; f) notas fiscais de entradas da empresa AJAT’s referentes ao ano de 2004. (fl.76). A recorrente afirmou não ter a composição do produto “extrato concentrado não alcóolico para fabricação de bebidas”, mas que o mesmo entra na padronização do produto final denominado “composto concentrado alcóolico para bebidas”, à razão de 8,8% até 9,2%, dependendo do teor da aguardente a ser padronizada, e que entregou, na oportunidade, o Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque referente ao anocalendário de 2000 (fl. 345). Dando continuidade ao procedimento de fiscalização, a autoridade administrativa lavrou o Termo de Intimação Fiscal nº 016/2007 em 06/07/07, intimando a recorrente a apresentar os Livros de Registros de Entradas e Saídas referentes aos anos calendários 2000 a 2003, retirados da repartição em 30/05/07, para posterior devolução, o que não havia ocorrido até aquele momento (fl. 77). Fl. 3461DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS Processo nº 13888.003921/200712 Acórdão n.º 2202002.562 S2C2T2 Fl. 10.217 9 A recorrente foi intimada, pelo Termo de Intimação Fiscal nº 01720/08/2007, em 20/08/07, a apresentar: a) Livro de Controle de Produção de Estoque de 2001; b) Livro Diário e Razão do anocalendário de 2004; c) os seguintes arquivos magnéticos referentes ao ano de 2004: plano de contas, lançamentos contábeis, saldos mensais, cadastros PJ/PF relacionada, dados mestre de mercadorias/serviços (saídas e entradas) e dados itens de mercadorias/serviços (saídas e entradas) (fls. 7879). A fiscalização lavrou o Termo de Intimação Fiscal nº 01829/08/2007, em 29/08/07, intimando a recorrente a: a) apresentar cópias das notas fiscais emitidas por ela, conforme planilha e seus respectivos comprovantes de recebimento; b) informar a composição e a finalidade dos produtos “álcool neutro”, “extrato concentrado não alcóolico à base de essências para a preparação de bebidas” e “preparação composta para elaboração de bebidas”, com procedência da empresa AJAT’s no período de 2002 e 2003; c) informar a composição e a finalidade dos produtos “aguardente composta” e “preparações compostas para a elaboração de bebidas com extrato de guaraná”, que afirmar ter vendido no período de 2002 e 2003, e tais produtos estão sujeitos ao registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e, em caso afirmativo, informar os dados do registro, e, se dispensados, o fundamento legal para a dispensa (fls. 8081). Em resposta (fls.911913), a recorrente apresentou cópia dos comprovantes de recebimento solicitados. No tocante à composição e à finalidade dos produtos adquiridos junto à empresa AJAT’s, a recorrente afirmou entender que o pedido referese aos componentes como comercialmente são conhecidos no mercado, não apresentando a composição química industrial por não dispor de meios e instrumentos para proceder a esse tipo de análise quando da aquisição dos insumos. Dessa forma, esclareceu que: a) álcool neutro: álcool etílico, conhecido e utilizado vastamente no país. Designado na posição 22.07.10.00.02 da TIPI é usado comercialmente na elaboração de inúmeras bebidas alcóolicas de variados teores e propriedades adicionadas, visando ao aperfeiçoamento para o consumo; b) extrato concentrado não alcóolico à base de essências para a preparação de bebidas: insumo extremamente concentrado, designado pela posição 21.06.90.10.02 da TIPI, consoante classificação adotada pelo fornecedor AJAT’s. Composto por óleos essenciais destinado ao aprimoramento da bebida que se pretende obter. Foi meramente comercializado pela IRB, pois o processo de aperfeiçoamento pelo qual passou no estabelecimento foi o de simples diluição de água, de modo que o composto assim obtido não é um produto final, mas serviu de insumo. Não houve análise química do extrato pela IRB, pois não se tratava de comercialização de produto químico, mas de simples componente para bebidas; c) preparação composta para elaboração de bebidas: possui composição semelhante à do extrato não alcóolico: óleos essenciais extraídos de diversas fontes. Sua finalidade é a obtenção de produtos com variados sabores e aromas. O procedimento para seu preparo é a simples diluição em água para comercialização. d) aguardente bruta: vendida pela recorrente nos períodos de 2002 e 2003, é aquela de natureza especificada na TIPI na posição 22.08.40.00. Seu teor Fl. 3462DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS 10 alcóolico pode variar, proporcionando variados resultados em razão da padronização final; e) aguardente composta: produto de conhecimento público vendido pela recorrente nos períodos de 2002 e 2003, identificado com o código 22.08.40.00 da TIPI; f) preparações compostas para elaboração de bebidas com extrato de guaraná: insumo de produção de bebidas, ocupa a posição 21.06.90.10.01 da TIPI. É usado vastamente no mercado; g) está enquadrada nas normas do Ministério da Agricultura aplicáveis à industrialização e comercialização dos produtos do setor de bebidas, alimentos e assemelhados, e cumpre, rigorosamente, todas as suas obrigações. Acrescentou que as operações em comento são do mesmo gênero da atividade principal da empresa, e que, pelo seu conhecimento, inexiste norma específica destina a regular individualizadamente cada uma delas, não havendo falar em obrigação de fazer ou desoneração da mesma. A autoridade fiscal recebeu ofício da Delegacia Regional Tributária de Araraquara encaminhando cópia parcial do AIIM 3.075.3181, lavrado em 22/08/07, contra a recorrente, cujo item 2 aponta crédito indevido de ICMS em relação à documentação fiscal emitida pela AJAT’s (fls. 10771124). A recorrente foi intimada, pelo termo de intimação fiscal nº 0019, em 06/09/07, a apresentar o diário auxiliar de clientes do ano de 2004 (fl. 83). Foi lavrado, em 24/09/07, termo de depoimento do Sr. José Felício Franceto Junior (fls. 11321133), que esclareceu que: a) possui um bar em frente à Bell Química, o qual era frequentado pelo Sr. Fernando Antônio Farina Fabris; b) foi convidado, pelo Sr. Fernando, a emprestar o seu nome para fazer parte da empresa Bell, lhe sendo prometido um pagamento mensal de R$500,00, valor que aumentaria quando a empresa estivesse em pleno funcionamento, mas recebeu tal quantia por apenas dois ou três meses; c) aceitou emprestar o nome para a empresa e assinou diversos papéis levados pelo Sr. Fernando, sem, contudo, ter conhecimento de que era sóciogerente; d) a empresa funcionava em uma pequena sala comercial que continha apenas uma mesa e telefone, não havendo outro estabelecimento; e) nunca participou das operações cotidianas da empresa, tendo continuado a trabalhar em seu bar durante o período em que participou da empresa; f) não sabe de quem a empresa comprava e para quem vendia os produtos, sabia apenas que a empresa comprava e vendia solventes; g) não conheceu o Sr. Carlos Augusto Rigo Pensado enquanto participou da sociedade; h) não tem conhecimento de que a empresa trabalhava com produtos alimentícios; i) passou a suspeitar dos negócios irregulares quando manifestou o desejo de se desligar da empresa, e encontrou resistência por parte do Sr. Fernando e do Sr. Carlão; j) para desligarse da empresa vendeu suas quotas, no valor nominal de R$250.000,00, por R$5.000,00 para o Sr. Fernando, e não recorda de ter recebido essa quantia; k) se reconhece como “laranja” do Sr. Fernando; l) nunca participou ou soube dos negócios da empresa, desconhecendo o paradeiro dos documentos fiscais e contábeis da mesma, bem como o dos Srs. Fernando e Carlão. Em 25/09/07, o Sr. Fernando Antônio Farina Fabris prestou depoimento (fls. 11371138), informando que: a) vendeu a empresa Bell Química em maio de 2003 para um grupo de São Paulo do qual era sócio o Sr. Jair, todavia, a alteração cadastral da Jucesp foi feita em 2005; b) era sócio do Sr. Carlos Augusto Rigo Pensado e conhecia o Sr. José Feliciano Franceto Junior; c) era dono de fato da empresa Bell desde a sua fundação, mas por ter Fl. 3463DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS Processo nº 13888.003921/200712 Acórdão n.º 2202002.562 S2C2T2 Fl. 10.218 11 pendências junto à RFB pediu que o Sr. José emprestasse o nome para fazer parte do quadro social da empresa; d) o Sr. José Feliciano não tinha qualquer responsabilidade na empresa, não tendo participado de qualquer negócio, e recebia apenas uma pequena quantia mensal; e) o objetivo da empresa era a venda de álcool hidratado e anidro, principalmente para indústrias de tinta; f) o álcool neutro não serve para fazer aguardente ou cachaça, por ser um produto muito caro, de forma que a recorrente utiliza o álcool neutro em pouca quantidade; g) em 2002 a empresa funcionava em Piracicaba, tendo alugado poucas vezes um tanque em São Paulo; h) em 2002 o Sr. Carlos Augusto trabalhava na Sabará, empresa ligada à recorrente; i) nunca comprou ou vendeu nada à recorrente; j) trabalhou na empresa Sabará onde conhecia o Sr. Yuri Rego Mendes; k) a recorrente emitia notas fiscais contra sua empresa sem o seu conhecimento e do Sr. Carlos Augusto; l) foi procurado pelo Sr. Edson Prudence, advogado, para assinar declaração em cartório, cujo teor confirmava que havia ocorrido operações entre a Bell Química e a recorrente, tendo recebido a quantia de R$10.000,00 para assinala; m) declarou ao fiscal do ICMS de Campinas, Sr. Marcelo, que não recebeu de fato as mercadorias da recorrente, contradizendo a declaração que havia prestado em cartório; n) o valor das notas ficais da recorrente para a Bell eram absurdos e incompatíveis com o mercado; o) a Bell não tinha conta em banco, nem estrutura física para armazenamento de produtos; p) era a recorrente quem pagava as notas fiscais emitidas contra a Bell Química, pois sua empresa nunca possuiu a quantia de R$ 295.000,00 para pagar sequer uma dessas notas fiscais; q) a operação física das mercadorias nunca existiu, havendo somente a emissão de notas fiscais, não tendo a Bell emitido nota fiscal de saída; r) se tratava de um esquema da recorrente para sonegar o IPI; s) o extrato que a recorrente supostamente comprava de uma empresa do Rio de Janeiro era, na verdade, água misturada com pó de suco, conforme lhe dito pelo Sr. Moisés; t) o objetivo do esquema, organizado por Felipe Hadad, era caixa dois para desvio de dinheiro; u) os Srs. Carlão, Moisés, Edson e João Carlos têm conhecimento do esquema; v) foi repreendido pelo Sr. Edson Prudence por ter dado o depoimento ao fiscal do ICMS; w) o Sr. João Carlos possuía uma empresa em Piracicaba, a CRASE, e que em uma visita observou uma série de notas fiscais emitidas pela recorrente a ela; y) as empresas dos irmãos Hadad fabricavam, predominantemente, álcool neutro; x) o Sr. Carlos sabe de todo o esquema envolvendo as empresas Orion, Blaw e AJAT’s, porque participava dele por ter medo de perder o emprego na Sabará; z) o esquema da recorrente com a Bell Química era de lavagem de dinheiro, pois nunca houve movimentação física das mercadorias, sendo que o maior beneficiário do esquema era o Grupo Tavares, dona da recorrente; aa) o elo de ligação entre os irmãos Hadad e o Comendador era o Sr. Edson Prudence; bb) a Bell nunca comprou 964.000 litros de aguardente composta, ao custo de R$7.500.000,00, da recorrente; cc) que os Srs. João Carlos, Yuri, Felipe e Newton, que são parentes, dividiam uma parte do dinheiro do esquema. Após, a recorrente foi intimada, em 05/10/07, a apresentar cópias dos conhecimentos de transporte rodoviários de cargas que acompanharam as notas fiscais emitidas por ela e listadas ao termo de intimação fiscal (fl. 84). Em 02/10/07, foi lavrado Termo de Depoimento do Sr. Augusto Rigo Pensado (fls.10201021), na oportunidade o mesmo esclareceu que: a) trabalhou como contador na empresa Sabará, cujo dono é o Sr. Felipe Hadad; b) foi sócio da empresa Bell Química, e que a mesma não possuía filias nem tancagem, e que inexistia a quantia de R$250.000,00 para integralizar as quotas da empresa; c) comprava e vendia álcool para fins alimentícios, mas que não se recorda dos clientes da empresa Bell Química; d) nunca trabalhou com aguardente ou aguardente composta; e) pagava os fornecedores em dinheiro, e nunca pagou nenhuma duplicata da recorrente, pois nunca fez negócios com ela, por conhecer sua “fama”; f) soube, através do Sr. Fernando, que a recorrente emitia notas fiscais contra sua empresa, mas não sabe Fl. 3464DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS 12 como os títulos da recorrente foram pagos pela Bell Química; g) emprestou seu nome para compor o quadro social da empresa Druanza a pedido do Sr. Felipe Hadad; h) a Destilaria da Barra era do irmão do Sr. Felipe Hadad, o Sr. João Carlos Rego Mendes, e que ele também fazia parte dessa empresa a pedido do Sr. Felipe, contudo não sabia das operações da mesma; i) visitou a Destilaria da Barra, em Coronel Macedo/SP, e que suas instalações estavam com aparência de abandonada; j) ficou pouco tempo no quadro social da Destilaria da Barra, sem nunca receber nada por isso, mas temia perder o emprego; k) conhecia os Srs. Yuri Rego Mendes e Edson Prudence; l) a recorrente utilizou o nome da Bell Química para praticar fraudes, assim como fez com outras empresas. A fiscalização intimou a empresa Cimento Rio Com e Rep de Materiais de Construção Ltda. (fl. 1047), em 05/10/07, a apresentar esclarecimentos. Em resposta foi informado que o veículo BXJ 4142 foi adquirido para realizar transportes única e exclusivamente dos produtos da empresa, não prestando serviços a terceiros (fls. 10481057). Na mesma data, a Sra. Edna Carvalho da Silva de Godoy foi intimada a prestar esclarecimentos (fl. 1060). Atendendo à intimação informou que seu veículo possui carroceria de madeira aberta, sendo destinado ao transporte de cargas secas, nunca tendo transportado líquidos e/ou prestado serviços à recorrente (fls. 10611064). A Sra. Eliana Celia da Silva prestou depoimento em 08/10/07, informando que: a) emprestou seus documentos para fazer parte da Destilaria da Barra a pedido do Sr. João Carlos Rego Mendes; b) assinou vários papéis sem ler a pedido do Sr. João Carlos, mas não sabe dos negócios da empresa, nem onde está localizada, pois nunca esteve em sua sede; c) o Sr. João Carlos fez a mesma coisa com outras pessoas; d) o Sr. João Carlos é casado com a irmã de seu esposo; e) não sabe qual era o objetivo da Destilaria da Barra, mas segundo o Sr. João Carlos, o objetivo era construir uma empresa nos moldes da Tropical; f) o Sr. João Carlos nunca lhe falou quais eram os negócios da empresa (fornecedores e clientes); g) o Srs. Felipe Hadad, Yuri Rego Mendes, João Carlos Rego Mendes e Bebeto, exDeputado Federal, são irmãos; h) nunca recebeu nada do Sr. João Carlos, tendo emprestado o nome apenas para ajudalo; i) desconhece quais são as atividade do Sr. João Carlos atualmente; j) se reconhece incapaz de administrar ou fazer parte de qualquer empresa, e arrependese de ter emprestado seu nome; k) o Sr. João Carlos prometeu retirar seu nome da sociedade (fls. 1025/1026). Em 16/10/07 lavrouse termo de intimação fiscal intimando a recorrente a: a) apresentar cópia da nota fiscal nº 002848, emitida em 18/06/04 pela Destilaria da Barra, correspondente à devolução de 12.000 litros do produto “preparações comp. não alc. com extrato de guaraná”; b) indicar os funcionários responsáveis pelo recebimento e conferência das mercadorias oriundas da empresa AJAT’s e que assinaram/vistoriaram o verso das notas fiscais sobre o carimbo identificado pela expressão “I.R.B Almox. Rio Claro”; c) apresentar os comprovantes de que as mercadorias por ela vendidas correspondem às notas fiscais anexadas ao termo de intimação fiscal (fls. 8586). Em 23/10/07, os Srs. Arlindo Carlos Gobbo e Emerson Carlos Gobbo (fls. 1034 1035) foram intimados a apresentar esclarecimentos. Em resposta, informaram que: a) em janeiro de 1999 adquiriram uma gleba de terras onde veio a se estabelecer a Destilaria de Barra; b) a desmontagem das instalações teve início em junho de 2003 e término em dezembro do mesmo ano; c) não houve plantações de pastagens na área; d) a Destilaria funcionou até abril de 1999, quando a cana existente na área acabou; e) não têm conhecimento se houve trânsito de caminhões ou carretas tanque, transportando carga líquida com destino à Destilaria de janeiro a dezembro de 2003; f) não sabem a capacidade de armazenamento de mercadorias líquidas na empresa (fls. 10361044). Fl. 3465DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS Processo nº 13888.003921/200712 Acórdão n.º 2202002.562 S2C2T2 Fl. 10.219 13 Na mesma data, a G.M Transportes Dracena Ltda, em resposta à intimação não constante nos autos, alegou que o veículo de placas BCG6422 pertence à TAF Transportadora Fernandópolis Ltda, mas o veículo não realizou o transporte em 30/12/02 (fl. 1192). Em 30/10/07, o Sr. Jair Batagin prestou depoimento (fls. 1030/1031) informando que: a) era dono da Destilaria da Barra juntamente com dois irmãos; b) a empresa possuía dois funcionários e produzia aguardente, vendendoa a clientes do Rio Grande do Sul; c) o galpão era pequeno, a tancagem era de 250.000 litros, e os equipamentos eram antiquados; d) parou de produzir em 1998 e anunciou a venda da empresa no jornal O Estado de São Paulo, sendo procurado pelo Sr. João Carlos Rego Mendes que mostrouse interessado na compra; e) o Sr. João Carlos apenas intermediou a venda, o adquirente das quotas foi o Sr. Carlos Augusto Rigo Pensado; f) o Sr. João Carlos o pagou com três cheques, sendo que o terceiro não foi compensado por insuficiência de fundos; g) mesmo no auge de sua produção não faturou mais do que R$ 300.000,00 por ano; h) não saberia informar até quando a Destilaria operou. A recorrente foi intimada em 22/11/07 a apresentar: a) Livros Diários e Razão das competências de 01/2005 e 09/2007; e b) Livro de Registro e Apuração do IPI de 11/2006 a 09/2007 (fl. 88). Foi lavrado Termo de Intimação Fiscal, em 28/11/07, requerendo a apresentação de: a) cópia da última alteração contratual e do contrato social consolidado atual; e b) cópia do último balanço social (fl. 89). Em resposta, a recorrente juntou aos autos os instrumentos de alteração de contrato social (fls. 91101). 1.3 Acórdão nº 1420345 – Processo nº 13888.003922/200767 A 2ª Turma da DRJ/POR, em 10/09/08, no acórdão nº 1420.345 (fls.2618 2680), referente ao processo nº 13888.003922/200767, em que figurava como interessada a recorrente, por unanimidade, considerou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. O período apurado foi: 01/01/02 a 28/02/02, 21/08/02 a 31/08/02, 11/10/02 a 28/02/03, 21/03/03 a 31/03/03, 21/04/03 a 30/04/03, 21/05/03 a 31/05/03, 21/06/03 a 30/06/03, 21/07/03 a 31/07/03, 21/08/03 a 31/08/03, 21/09/03 a 30/09/03, 21/10/03 a 31/10/03, 21/11/03 a 30/11/03, 11/12/03 a 20/12/03, 21/01/04 a 31/01/04, 01/02/04 a 20/02/04, 01/03/04 a 31/03/04, 11/04/04 a 30/04/04, 11/05/04 a 31/05/04 e 11/06/04 a 30/06/04. O acórdão analisou três questões: o IPI, o processo administrativo fiscal e as normas de administração tributária. Quanto ao IPI, dois pontos foram analisados: a) as notas fiscais inidôneas e a glosa de crédito: se entendeu que devem ser glosados os créditos do imposto escriturados nos livros fiscais e alusivos a documentos fiscais reputados como tributariamente ineficazes; b) a aplicação de multa de ofício majorada e a circunstância qualificativa: definiuse que cabe a inflição da penalidade pecuniária exacerbada (150%) quando restar comprovada a circunstância qualificativa, como naquele caso, a intenção de fraude. No que refere ao processo administrativo fiscal, o acordão analisou a preclusão temporal das provas adicionais e assentou que deve ser rejeitado o pedido de apresentação de provas suplementares, em razão da preclusão temporal, pois o momento propício para a defesa cabal é a o da oferta da peça impugnatória. E, pertinente às normas da administração tributária foi analisado os efeitos tributários, a terceiros interessados, decorrentes de documentação inidônea. A DRJ entendeu que somente por meio da apresentação da comprovação cumulativa da entrada de bens no Fl. 3466DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS 14 recinto industrial e do efetivo pagamento pelas aquisições, pode o terceiro interessado elidir a ineficácia jurídicotributária da documentação reputada inidônea. 1.4 Termo De Verificação Fiscal A autoridade administrativa, em 07/12/07, lavrou Termo de Verificação Fiscal (fls. 2673) em que estabeleceu os seguintes itens de análise: a) relação entre a recorrente e a Blaw Química Industrial Ltda; b) relação entre a recorrente e a AJAT’s Comércio de Produtos Químicos Ltda; c) suposto cliente Destilaria de Álcool e Aguardente da Barra Ltda; d) suposto cliente Bell Química Comercial Piracibana Ltda; e) suposto cliente Júpiter Comércio, Transportes, Representações de Álcool e de Cana LtdaME; f) suposto cliente Quatersul Comércio e Representações Ltda. Quanto à relação entre a recorrente e a Blaw Química, a autoridade fiscal concluiu que: a) a partir de fevereiro de 1997, a RFB suspendeu o IPI incidente nas saídas de bebidas alcóolicas e produtos nas posições 22.04, 22.05, 22.06 e 22.08 da NBM/SH com destino ao estabelecimento industrial que os utilizasse como insumo na fabricação de bebidas. Tal medida impossibilitou que a recorrente creditasse do IPI originário de suas matérias primas, então ela passou a adquirir o “composto concentrado para bebidas”, posição 21.06, cuja alíquota de IPI era de 50%. Contudo, o Fisco Estadual concluiu que tal “composto concentrado” tratavase de álcool destilado simples de origem agrícola fornecido pela empresa Tropical, e, após essa ser desativada, passou a ser fornecido pela empresa Druanza. Em razão da prática reiterada de “fabricação de créditos”, o Fisco Estadual lavrou dois autos de infração; b) como a alíquota do IPI sobre o “composto concentrado para bebidas” (código 21.06.90.10 Ex03) foi reduzida a “zero” pelo Decreto 3.149/99, a recorrente passou a adquirir o “extrato concentrado não alcóolico para elaboração de bebidas” (posição 21.06.90.10 éx02) com alíquota de IPI de 40% para ser usado na elaboração do “composto concentrado” comercializado com alíquota “zero” de IPI; c) de 03/02/00 a 30/08/00 houve grande volume de aquisições do produto “extrato concentrado não alcóolico para elaboração de bebidas” fornecido à recorrente pela empresa Blaw Química. Contudo, tal empresa jamais fabricou e/ou vendeu o referido produto, pois se tratava de empresa dedicada à produção de desengraxantes para máquinas pesadas e não possuía sequer estrutura operacional para fabricação do “extrato concentrado”, assim, a Blaw Química foi enquadrada pelo Fisco Estadual no rol de responsáveis pela emissão de documentos inidôneos; d) da análise do fluxo contábil extraise que a totalidade do “extrato concentrado” adquirido da Blaw Química foi transferida para a conta do produto “composto concentrado especial para bebidas”, que teria 96,23% de seu custo formado pela matériaprima “extrato concentrado” e apenas 3,77% de aguardente bruta; e) em 2000, a matériaprima “composto concentrado especial para bebidas” teria sido vendida para as empresas de fachada: BG Esmagadora de Grãos e Óleos Vegetais e Crase Comercial Ltda. A primeira tinha como Fl. 3467DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS Processo nº 13888.003921/200712 Acórdão n.º 2202002.562 S2C2T2 Fl. 10.220 15 responsável, com 90% das quotas, o Sr. Mauricy Schumaker Gomide (antigo gerente da empresa Druanza que forneceu o “composto concentrado” para a recorrente por determinado período) que declarou à fiscalização que não sabia nada a respeito da empresa BG. Já a empresa Crase estaria localizada na cidade de Piracibada/SP, mas em procedimento fiscal constatouse a sua inexistência de fato, razão pela qual sua inscrição restou inapta no CNPJ; f) pela análise das notas fiscais de venda da recorrente para a Crase, constatou se como transportadora a empresa GM Transportes Dracena Ltda, mesma empresa que consta como transportadora nas notais fiscais emitidas em nome da Blaw Química. Em diligência junto a GM, a fiscalização foi informada que os semirreboques de placas BKW9276, BXB4138 e BWK 9285 nunca pertenceram à frota da empresa, e que o semirreboque de placa BXE4166 pertence à frota, mas em 2000 não estava mais em atividade. g) da análise de todas as saídas de recursos da conta corrente mantida pela empresa Blaw Química no Banco Luso Brasileiro S/A, vêse que a conta era mantida exclusivamente com recursos oriundos da recorrente, sendo que todos os pagamentos foram feitos a pessoas físicas ou jurídicas que não tinham relação com as atividades operacionais da Blaw. Ademais, não houve pagamentos de empregados, de encargos, de impostos ou de compras de matériasprimas, ocorreram de irregularidades na abertura da conta, e 25% dos recursos retornavam à recorrente, enquanto outros valores consideráveis tiveram como destino empresas em situação inapta por inexistência de fato. A respeito da relação entre a recorrente e a AJAT’s, a fiscalização concluiu que: a) foi solicitado ao Banco Luso, mediante RMF, a movimentação financeira da empresa, bem como a cópia dos cheques por ela emitidos, pois da verificação dos sistemas da RFB contatouse que a empresa movimentou conta apenas no Banco Luso, pertencente ao Grupo Tavares de Almeida, que controla a recorrente; b) 95,86% dos valores creditados na conta da empresa são provenientes da recorrente, e o maior volume de recursos retornou a ela a título de restituição por antecipação de pagamentos; c) os recursos que retornaram à recorrente, ou foram sacados pela empresa, ou foram parar em contas de pessoas físicas ou jurídica que não possuíam relação com as operações normais da AJAT’s, enquanto outro montante transitou pelo Banco Santos em operações desconhecidas pelos detentores das contas. Dessa forma, não houve qualquer saída de dinheiro da AJAT’s com destino a possíveis fornecedores de matériasprimas, pois a mesma não tinha capacidade operacional para fabricação; d) as operações comerciais com a recorrente jamais existiram, e os pequenos pagamentos efetuados à AJAT’s foram feitos para dar aparência de legalidade às operações e possibilitar o desvio de vultosas quantias; Fl. 3468DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS 16 e) de 08/01/02 a 27/02/02 a empresa emitiu 70 notas fiscais do produto “álcool neutro” (alíquota de 8% de IPI) para a recorrente, sendo o valor total das notas fiscais de R$ 3.188.987,89, todavia, da análise da movimentação financeira da AJAT’s verificase que não há qualquer pagamento efetuada a Blaw que, supostamente, foi quem vendeu o produto à AJAT’s; f) a AJAT’s emitiu 173 notas fiscais de “extrato concentrado não alcóolico para elaboração de bebidas” para a recorrente de 26/08/02 a 23/06/04, o que correspondeu a 559.000 kg do produto que tinha alíquota do IPI em 40%, o valor total das notas fiscais foi de R$ 25.464.054,00. O fluxo completo do “extrato concentrado” seria o seguinte: a AJAT’s vendeu 559.000 kg do produto à recorrente que acrescentou a ele 56 kg do produto “extrato natural de guaraná”, dessa mistura fabricouse 559.000 litros de “preparação composta não alcóolica c/ extrato de guaraná” que foi vendido às empresas Júpiter, Destilaria da Barra e Quatersil; g) a classificação fiscal utilizada nas notas fiscais do “extrato concentrado” foi a 2106.90102, sendo que a partir de 01/12/02 o Decreto nº 4.488/02 acrescentou a NC (213) que determinou que as saídas dos estabelecimentos industriais, ou a eles equiparados, dos produtos classificados no Ex02 do Código 2106.9010 ficam sujeitas ao imposto de R$0,9020 por litro, sem prejuízo a NC (211) que previa valor inferior aos 40% incidentes sobre o valor das mercadorias. Da análise das notas fiscais, contatouse que NC (21 3) foi propositalmente ignorada para que o “extrato concentrado” entrasse na recorrente com um crédito altíssimo de IPI a ser compensado; h) o “extrato concentrado” teria sido utilizado pela recorrente como insumo na fabricação da “preparação composta c/ extrato de guaraná”, a partir da adição de uma irrisória quantidade de “extrato natural de guaraná”, contudo tal mistura foi simulada para poder se valer da NC (211) que determina que “ficam reduzidas em 50% as alíquotas do IPI relativas aos extratos concentrados para elaboração de refrigerantes, contendo suco de fruta ou extrato de semente de guaraná”; i) a classificação fiscal utilizada para as “preparações com guaraná” foi a 2106.901001, que consta da TIPI com alíquota de 27%. Com a redução da NC (211), o imposto destacado nas notas fiscais de venda desse produto foi para 13,5%, portanto, a recorrente ignorou a NC (213) que reduziria o imposto creditado na compra, mas observou a NC (211) que permitiu reduzir o imposto debitado na venda; j) há incoerência no enquadramento dos produtos “extrato concentrado” e “preparações compostas com extrato de guaraná”, e das alegações da recorrente se conclui que o “extrato concentrado” seria mais concentrado que as “preparações compostas com extrato de guaraná”, que seriam formuladas a partir da diluição daquele em água; k) a recorrente teria adquirido 559.000 kg do produto “extrato concentrado” ao custo de R$ 18.188.610,00, sem considerar o IPI destacado, pois este foi recuperado na apuração do imposto a recolher. Ao produto misturou uma quantidade ínfima de pó de guaraná, a custo praticamente “zero” e, em seguida, vendeu o produto resultante desta “fabricação” por R$ 10.115.200,00, sem considerar imposto que foi repassado ao suposto Fl. 3469DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS Processo nº 13888.003921/200712 Acórdão n.º 2202002.562 S2C2T2 Fl. 10.221 17 comprador. Recebeu em devolução da AJAT’S, a título de bonificação por pontualidade nos pagamento, o percentual de 25% do montante pago, assim a recorrente teria se submetido a uma operação comercial extremamente prejudicial, assumindo, deliberadamente, um prejuízo de quase R$ 2.000.000,00; l) entre 28/10/02 e 24/06/04 a AJAT’s emitiu 46 notas fiscais do produto “preparações compostas para elaboração de bebidas” para a recorrente, correspondendo a 980.189 litros do produto no valor de R$2.681.366,24. A classificação fiscal utilizada nas quatro primeiras notas fiscais foi a de 2106.909 (alíquota “zero” de IPI), nas outras 42 notas foi utilizada a classificação 2106.901002 (alíquota de 40% até 30/11/02 e de R$ 0,9020/litro a partir de 01/12/02, conforme NC (213)). m) o fluxo completo da “preparação composta”, no período de 28/10/02 a 24/06/04 seria o seguinte: a AJAT’s vendeu 980.189 litros para a recorrente, que teria acrescentado 978.832l de aguardente bruta às “preparações compostas” ao produto, praticamente na proporção 1:1, formulando 1.959.021 litros do produto denominado “aguardente composta”, e vendendo 1.958.818 litros desse novo produto às empresas: Bell, Júpiter, Destilaria da Barra e Quatersil. As notas fiscais desse produto foram emitidas com a classificação fiscal 2106.901002 (a mesma utilizada nas notas fiscais do “extrato concentrado”). A recorrente teria utilizado a “preparação composta” como insumo na fabricação da “aguardente composta” a partir da adição de aguardente bruta, e a “aguardente composta” também foi vendida sem IPI, de modo que ainda que essas operações não tenham repercutido na apuração do IPI, tiveram reflexo no campo do ICMS e possibilitaram o desvio de recursos da recorrente; n) existe um conflito entre as declarações da recorrente: pelo controle de estoque, as “preparações compostas para elaboração de bebidas” seriam utilizadas como insumos, assim como a aguardente bruta na suposta fabricação da “aguardente composta”, contudo a recorrente afirma que promove apenas uma “simples diluição em água para comercialização, mantidas rigorosamente as propriedades originais provenientes do fornecedor”; o) a recorrente teria adquirido 980.189 litros das “preparações compostas” por R$ 23.681.366,24, acrescentado a eles 978.832 litros de aguardente bruta, que estava registrada com um determinado custo no estoque. Assim, teria vendido 1.958.818 litros da “aguardente composta” ao preço de R$ 14.407.337,69, e recebeu da AJAT’S 25% do montante pago. Ao final, teria feito uma operação comercial extremamente prejudicial, assumindo, deliberadamente, um prejuízo improvável de mais de R$3.000.000,00, desconsiderandose o custo da aguardente bruta, da mãodeobra, encargos, despesas administrativas e vendas. p) foram emitidas 70 notas fiscais de “álcool neutro” da AJAT’s para a recorrente, sendo que 92% dessas notas apresenta alguma irregularidade. A empresa emitiu 173 notas fiscais do produto “extrato concentrado não Fl. 3470DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS 18 alcóolico para elaboração de bebidas” para a recorrente, entretanto em 125 notas sequer consta as placas dos veículos utilizados. A AJAT’s emitiu 46 notas do produto “preparações compostas para elaboração de bebidas” para a recorrente, e em 85% delas não consta as placas dos veículos supostamente utilizados para o transporte; q) os produtos “extrato concentrado não alcóolico para bebidas” e “preparação composta para elaboração de bebidas” não foram adquiridos pela recorrente da AJAT’s, e também não foram por ela produzidos, não podendo, consequentemente, têlos vendido. No entanto, a recorrente, novamente, com o intuito de dar aparência de legalidade a essas operações, não só fez os registros contábeis das vendas, como também recebeu recursos financeiros advindos dos supostos clientes. No tocante ao suposto cliente Destilaria de Álcool e Aguardente da Barra Ltda, o Fisco concluiu que: a) a empresa foi declarada Inapta no cadastro da Receita Federal em 17/07/04, devido à omissão na entrega de sua DIPJ; b) até 09/08/00 seus sóciosgerentes eram os Srs. Nelson Batagim, Jair Batagi, e Eivelto Derly Batagim que cederam e transferiram a título oneroso suas quotas a Sra. Eliane Célia da Silva e ao Sr. Carlos Augusto Rigo, que se retirou da sociedade para a entrada do Sr. João Carlos Rego Mendes. c) a empresa teria adquirido da recorrente no período de 01/03 a 06/04, os seguintes produtos: PRODUTO ANO VOLUME UNIDADE VR. MERCADORIA VALOR IPI VALOR TOTAL 2003 1.286.616 Litros 9.182.980,80 0 9.182.980,80 Aguardente Composta 2004 488.134 Litros 3.465.751,40 0 3.465.751,40 2003 228.600 Litros 2.112.400,00 555.498,00 4.670.298,00 Prep. Comp. N. Atc Ex. G 2004 176.000 Litros 3.168.000,00 427.680,00 3.595.680,00 Total 2.179,350 Litros 19.931.532,20 983.178,00 20.914.710,20 d) a empresa não teria condições de arcar com o pagamento dos títulos de cobrança emitidos pela recorrente, pois apresentou movimentação financeira de R$25.369,56 no ano de 2002, e nenhuma movimentação nos anos de 2003 e 2004; e) os depoimentos dos Srs. Carlos Augusto Rigo Pensado, Jair Batagin e da Sra. Eliana da Silva, apontam para o fato de que a Destilaria da Barra seria uma empresa de fachada, o que pode ser corroborado pelas respostas às intimações das transportadoras que supostamente prestaram serviço à recorrente, e que indicam que os serviços jamais foram feitos; f) a fiscalização do ICMS de SP autuou a recorrente, através do AIIM 3.075.318 por creditar–se indevidamente do ICMS, relativo à entrada de mercadorias adquiridas da AJAT’s, pois as notas fiscais dessas operações foram declaradas inidôneas no Processo nº 1000425128813/2004, por terem sido emitidas após a data de cessação das atividades do estabelecimento do suposto emitente. No mesmo AIIM a recorrente foi autuada por emitir notas Fl. 3471DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS Processo nº 13888.003921/200712 Acórdão n.º 2202002.562 S2C2T2 Fl. 10.222 19 fiscais de saída de mercadorias tributadas para a Destilaria da Barra, em virtude deste estabelecimento encontrarse inapto no Cadastro de Contribuintes da Secretaria da Fazenda desde 21/01/99. Através do Processo nº 12595296291/2007, foram declarados inidôneos todos os documentos atribuídos à Destilaria da Barra e emitidos a partir de 18/07/00. Nesse processo, consta a Declaração de Não Localização do Contribuinte lavrada em 09/01/04, com base na declaração do Sr. Emersos Carlos Gobbo de 30/12/03, que afirmou que desde a aquisição do Sítio Santa Maria, não houve funcionamento do alambique; Quanto ao suposto cliente Bell Química, a autoridade administrativa concluiu que: a) a empresa foi constituída em 31/05/01 pelos sóciosgerentes Srs. Sandro Fabiano Bellan e Carlos Augusto Rigo, sendo que em 25/07/01 o primeiro retirouse da empresa, sendo admitido como sóciogerente o Sr. Jorge Felício Franceto Júnior que se retirou em 20/05/02, quando admitido em seu lugar o Sr. Fernando Antônio Farina Fabris; b) dos depoimentos dos Srs. José Felício Franceto Júnior, Antônio Farina Fabris e Carlos Augusto Rigo Pensado, colhese que a Bell Química tratavase de empresa de fachada, que nunca comprou quaisquer produtos da recorrente. No que refere ao suposto cliente Júpiter Comércio, Transportes Representações de Álcool e de Cana, a fiscalização concluiu que: a) a empresa tem como sóciogerente o Sr. José Izaias dos Santos, que possui 5% das quotas sociais, e a empresa Somer Inc, domiciliada no Panamá, que possui 95% das quotas; b) a empresa encontrase em situação Inapta no cadastro da Receita Federal desde 17/07/04 e teria adquirido da recorrente no período de 10/2002 a 12/2002 os seguintes produtos: PRODUTO ANO VOLUME UNIDADE VR. MERCADORIA VALOR IPI VALOR TOTAL Aguardente Composta 2002 30.016 Litros 213.413,76 0 213.413,76 Prep. Comp. N. Atc Ex. G 2002 114.400 Litros 2.112.400,00 285.174,00 2.397.574,00 Total 144.416 Litros 2.325.813,76 285.174,00 2.610.987,76 c) a empresa não teria condições de arcar com o pagamento dos títulos de cobrança emitidos pela recorrente o montante de R$ 2.610.987,76, incluindo o IPI, pois não apresentou movimentação financeira em todo o ano de 2002, e em 2003 apresentou o valor de R$ 47,35; d) das respostas às intimações feitas a alguns transportadores, depreendese que os veículos constantes nas notas fiscais ou não realizaram o serviço ali descrito, ou não tinham condições para fazêlo, por se tratarem de caminhões com carroceria para transporte de carga seca. A respeito do suposto cliente Quatersul, o Fisco concluiu que: Fl. 3472DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS 20 a) a empresa foi declarada Inativa nas DIPJ2003 e DIPJ2007, estando omissa na entrega das DIPJ de 2004 e 2006, e teria adquirido da recorrente no mês de 06/2004, os seguintes produtos: PRODUTO ANO VOLUME UNIDADE VR. MERCADORIA VALOR IPI VALOR TOTAL Aguardente Composta 06/04 63.998 Litros 454.385,00 0 454.385,00 Prep. Comp. N. Atc Ex. G 60/04 40.000 Litros 720.000,00 97.200,00 817.200,00 Total 103.998 Litros 1.174.385,80 97.200,00 1.271.585,80 b) a empresa não teria condições de arcar com o pagamento dos títulos de cobrança emitidos pela recorrente, pois apresentou movimentação financeira de R$ 10,52 durante o ano de 2004; c) nenhuma das compras realizadas pelos fornecedores da empresa, constantes do registro dos sistemas da RFB, que perfizeram o total de R$ 9.078,525,80 em mercadorias no ano de 2004 existiu, pois a empresa teve movimentação financeira nesse período de apenas R$ 10,52 em sua conta bancária. Por fim, entendeuse que embora as operações de venda de mercadorias pela AJAT’s não tenham ocorrido, a recorrente efetuou o pagamento das duplicatas, cujos valores transitaram pela conta mantida em nome daquela no Banco Lusitano Brasileiro S/A, e imediatamente foram repassadas a terceiros que não manitnham com a AJAT’S nenhum tipo de atividade operacional. Desta forma, como não ocorreram as operações que deram causa aos pagamentos efetuados, aplicouse a norma estabelecida no art. 674 do RIR . 2 Auto de Infração Em 07/12/07, a autoridade administrativa lavrou auto de infração (fls. 0925), imputando à recorrente falta de recolhimento do IRRF sobre pagamentos aos quais ela, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a causa dos pagamentos e as operações. Apurouse tributo no valor de R$ 28.245.976,15 a título de imposto devido, sobre o qual foi aplicada multa de ofício qualificada ao patamar de 150% com base no art. 44, II, da Lei nº 9.430/96. O total do crédito tributário apurado foi de R$ 88.972.297,80, incluídos imposto, multa de 150% e juros moratórios calculados até 28/06/04. O contribuinte tomou ciência da notificação em 13/12/07. 3 Impugnação Indignada com a autuação, a recorrente apresentou impugnação (fls. 13321425) tempestiva, esgrimindo os seguintes argumentos: A respeito da “suposta inexistência das vendas da AJAT’s à Tatuzinho”: a) não consta como beneficiária final das compras efetuadas junto à fornecedora AJAT’s, não fazendo parte da listagem feita pelos agentes fiscais de pessoas físicas e/ou jurídicas que tinham relação com a AJAT’s; Fl. 3473DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS Processo nº 13888.003921/200712 Acórdão n.º 2202002.562 S2C2T2 Fl. 10.223 21 b) a hipótese com a qual os auditores federais trabalharam já havia se mostrado frágil e subsistente, quando os agentes estaduais resolveram abandonála ao constatarem a natureza dos insumos, liberandoos; c) a Fiscalização conviveu pacificamente, em todos os seus pormenores, com o “composto concentrado” da posição 21.06 por mais de 200 dias, pois a nota fiscal nº 001570, emitida em 02/06/98 está carimbada pelo crivo do acompanhante ininterrupto (regime especial); d) o Fisco Federal está desautorizado pelos fatos, pois seu procedimento é completamente sustentado pelos precedentes estaduais e depoimentos de pessoas sem qualificação técnica, profissional ou legal para interferir com tanto poder decisório em seara tributária; e) a coleta de amostras fez os agentes fiscais do Estado de São Paulo abandonar a tese da inexistência das operações, e passar a utilizar a da glosa dos créditos em face de novo argumento: as notas fiscais dos fornecedores conteriam supostas irregularidades formais quanto ao Regulamento do ICMS do Estado de São Paulo; f) tanto os julgadores dos processos administrativos fiscais do Estado de São Paulo, quanto o Judiciário paulista entendeu que as operações efetivamente ocorreram e estavam comprovadas nos autos, mas que o estado mantém a exigência para glosar os créditos em razão das supostas irregularidades nas notas fiscais; Quanto aos “processos referentes à Tropical e Druanza”: a) o AIIM nº 385369 foi contestado judicialmente, por meio de Ação Anulatória de Débito Fiscal, processo nº 000011/2005, que tramita na 3ª Vara Cível da Comarca de Rio Claro, SP, tendo sido julgado procedente o pedido; b) o AIIM nº 385369A foi julgado improcedente pela Delegacia Tributária de Julgamento de Bauru – DTJ3; c) o AIIM nº 21330220 foi objeto da Ação Anulatória de Débito Fiscal, processo nº 0025552/2006, que tramita na 4ª Vara Cível da Comarca de Rio Claro, SP, não discute a efetividade das operações, mas a classificação fiscal das mercadorias da fornecedora e o ingresso no estabelecimento da recorrente; d) a fiscalização estadual confirmou a circulação das mercadorias e o ingresso no estabelecimento da recorrente, atestando a ocorrência do fato gerador do IPI; e) quando da análise das amostras colhidas pelo Fisco Estadual, o IPT informou que não dispunha dos equipamentos necessários ao atendimento pleno do pedido, todavia, a EMBRAPA do Rio de Janeiro, utilizandose das amostras de contra prova e, dispondo de todos os meios necessários para a análise química, não classificou a mercadoria na TIPI, mas identificou, na análise química qualitativa, o óleo essencial. Como a canadeaçúcar é uma gramínea Fl. 3474DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS 22 e do seu caldo não é possível extrairse óleo essencial, o produto jamais poderia ser destilado de canadeaçúcar da natureza da posição 22.08 da TIPI; No tocante à “Blaw Química Industrial Ltda”: a) quanto à irregularidade da abertura da conta corrente da Blaw no Banco Luso: a abertura de conta bancária é regida pelas normas do Bacen, uma vez satisfeitas as suas exigências, quaisquer outras indagações pecam pela impertinência. As normas para abertura de conta foram integralmente cumpridas, e o crédito utilizado para abertura de conta corrente da Blaw teve como peso a qualidade e liquidez dos títulos da recorrente, sendo as operações efetuadas pela referida empresa no Banco Luso denominadas de operações de “risco sacado”, lastreadas em duplicatas mercantis; b) as operações havidas com a Blaw foram objeto de autuações pelo Fisco Federal (processos: 13888.000507/200590 – IPI, 13888.000508/200534 – IRRF e 13888.001895/200526 Multa Regulamentar/IPI), e encontramse em fase recursal. Nesses processos, houve inspeção do Conselho Regional de Química da IV Região (CRQ IV) que constatou a presença de matériaprima e de produto acabado, fatos suficientes para comprovar a efetividade e a materialidade das operações de compra dos produtos; c) a Blaw não possui um estabelecimento pequeno, pois nele continha materiais, dependências, compartilhamentos, cômodos e, pelo menos, duas manipulações a de desengraxantes e a de extratos, e não é uma empresa “modesta”, porque a contratação de advogado em caráter permanente demonstra que havia assuntos de certa monta na empresa. Ademais, a operação industrial da Blaw não passava de simples mistura de ingredientes; Quanto à “Vistoria realizada pelo CRQIV”: a) o Agente Fiscal do CRQ que vistoriou o estabelecimento da Blaw agiu dentro dos limites a que está sujeito como agente público, sendo certo que a única irregularidade encontrada na empresa foi a ausência do responsável técnico; b) o fiscal da CRQ agiu corretamente quando tomou informações junto ao gerente do estabelecimento; c) quanto ao baixo consumo de energia elétrica, o mesmo é perfeitamente normal, porquanto a mistura de componentes líquidos, como narra o relatório do CRQ, dispensa a utilização de força motriz, de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos além dos constatados da vistoria; d) não é em procedimento de vistoria que se analisam produtos, mas em outros procedimentos fiscais especificamente determinados pela autoridade administrativa da fiscalização; e) o fiscal do CRQ constatou e mediu o estoque, relatando que havia ali 400 kg de desengraxante e 13 toneladas de extrato concentrado, que correspondia a 97% do estoque da empresa, o que comprova que a atividade da mesma não se resumia a produzir desengraxante. Ou seja, é falsa a alegação de que esse produto ocupava 99% da produção da empresa; Fl. 3475DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS Processo nº 13888.003921/200712 Acórdão n.º 2202002.562 S2C2T2 Fl. 10.224 23 f) a Receita Federal não tem condições mínimas de avocar a si a autoridade para julgar o procedimento do CRQ; Referente aos “Depoimentos e Declarações”: a) os depoimentos foram “arrancados” de modestas pessoas que ao serem interpeladas, pensaram tratarse de procedimento da Polícia Federal, e procuraram falar apenas o que fosse do agrado do inquiridor; b) as testemunhas foram “rearguidas” pelo Fisco, o que por si só configura ato coercitivo; c) o constrangimento que os depoentes foram submetidos pela autoridade fiscal só é comparável com as inquirições realizadas durante a Ditadura; d) recolheu depoimentos através de escrituras públicas de declaração, lavradas em Notas de Tabelião, em conformidade com os ditames legais, de modo que não poderiam ter sido impugnadas pela autoridade administrativa, pois as escrituras públicas, de acordo com o art. 215 do Código Civil, têm fé pública, fazendo prova plena, sendo que o mesmo não se pode afirmar dos depoimentos colhidos pelas agentes fiscais; Quanto à “Questão Probatório – Depoimentos vs. Provas Documentais”: a) a prova documental é a rainha das provas, predominando sobre as demais, a declaração pessoal tem caráter meramente “ancilar”, a prova testemunhal e a confissão não são a “rainha das provas”. As provas documentais que devem prevalecer sobre as declarações pessoais, provas testemunhais e confissões são: o Termo de Vistoria do CRQ –IV, as notas fiscais de venda à recorrente, os registros de entrada e de saída da recorrente, o livro Diário, as duplicatas postas em cobrança bancária, os DOCs. dos pagamentos, os débitos nas contascorrentes da recorrente em cotejo com os créditos nas contascorrentes da empresa Blaw, a lista dos destinatários finais dos pagamentos feitos pela recorrente, as notas fiscais de revenda da recorrente, os ingressos financeiros relativos a essas vendas, os extratos da conta corrente que registraram esses ingressos e desembolsos relativos às compras, os Registros de Inventários que mostram a presença do produto na recorrente, as DCTF’S e DIPI; b) foi reconhecido pelo Fisco que a empresa Blaw Química estava com a sua situação perfeitamente em ordem. A law tinha existência de fato, isso foi constatado pelo CRQIV, e a fiscalização reconheceu que lá esteve em diligência; c) foi autuada por infração que não cometera, pois não emitiu notas fiscais inidôneas, tampouco praticou qualquer outro ato ilícito, devendo ser considerada efetivamente como terceiro interessado na relação jurídica; e) quanto à afirmação de que há veemente indicação de ocorrência de conluio entre as empresas, há que se destacar que o ‘conluio’ não pode ser indicado, ele tem que ser provado, assim sendo, a imposição está fulminada em face da Fl. 3476DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS 24 existência dos pressupostos que comprovam o pagamento e a internação das mercadorias; No tocante aos “Adquirentes do Composto da Tatuzinho”: a) a fiscalização não obteve nenhuma prova contrária ao afirmado pela recorrente; b) as empresas adquirentes estavam em dia com o Fisco Estadual e Federal, fato que não foi refutado pela fiscalização; Referente à “Comprovação dos Ingressos dos Insumos”: a) trouxe aos autos dois instrumentos de provas, sendo que o livro foi escriturado conforme as normas do Regulamento do IPI, não se tratando de “suposto controle de estoque”; b) a escrituração da aquisição do livro de registro de entradas não é um fato isolado como prova, mas parte do contexto atinente à operação, uma vez que as entradas no Diário foram declaradas nas DIPI’S e nas GIA’S e as quantidades são coincidentes com as descritas nas notas fiscais, bem como com as quantidades pagas; c) a legislação autorizou a substituição do Livro por fichas de controle da produção e estoque; Pertinente ao “Transporte das Mercadorias”: a) as oitivas e declarações que embasaram a conclusão do julgador têm vício de consentimento; b) a documentação apresentada pela defesa “joga por terra” tudo aquilo que não for documento; c) ainda que alguns documentos não estejam em perfeita ordem, eles não têm o condão de neutralizar a validade do transporte e afetar a ocorrência do fato. Tratase de circunstância acessória que teria seus vícios fulminados com a comprovação do pagamento e da internação da mercadoria; Quanto à “Comprovação dos Pagamentos pelas Aquisições dos Insumos”: a) a emitente das notas fiscais encontravase em dia com a Receita Federal, com a Receita Estadual e com o CRQ, gozando da condição de Pessoa Jurídica Apta, de modo que restam comprovadas as vendas de mercadorias provenientes de produção das compras efetuadas junto à Blaw para terceiros; b) as situações em que a lei presume que operações possam ser consideradas como inexistentes não se enquadram ao caso; A respeito da “Alegada continuação do esquema fraudulento com a empresa AJAT’s”: a) receita bruta e capital social são conceitos totalmente distintos. A primeira resulta da intensidade da atividade econômica da empresa e de outros fatores. Fl. 3477DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS Processo nº 13888.003921/200712 Acórdão n.º 2202002.562 S2C2T2 Fl. 10.225 25 O capital social é previamente definido e alterado ao belprazer dos sócios, não estando atrelado ao faturamento, de modo que as notas fiscais emitidas em determinado período podem superar o montante aplicado a título de capital social; b) o Ato Declaratório Executivo nº 127/07 foi instrumento feito “sob medida” para satisfazer, exclusivamente, aos anseios da fiscalização; c) os depoimentos das Sras. Melissa Villanova Soares e Arlete de Fátima Bragaia Martello não merecem a menor credibilidade, pois não é possível verificar se estão falando a verdade; Referente à “Análise da Movimentação Financeira da AJAT’s”: a) a AJAT’s não movimentou conta exclusivamente no Banco Luso, mas também no Itaú, Bradesco e Safra; b) a norma tributária impõe limitações quanto à base de cálculo dos tributos, sendo ilimitados os percentuais de desconto; c) os descontos feitos pela AJAT’s decorreram da necessidade de venda e obedeceram aos interesses das partes, não tendo os auditores fiscais, ao discordaram do desconto oferecido, indicado qual dispositivo legal teria sido violado; d) as empresas Delta Fac, Engefin e Beta Fac, maiores destinatárias dos recursos da AJAT’s, são as financiadoras dos negócios com a Blaw relacionados ao item 67 do Termo de Verificação Fiscal; e) a movimentação financeira da AJAT’s, com indicação dos destinatários finais, aponta no sentido de que a empresa não firmou nenhum contrato de financiamento e sim, obteve recursos junto às factorings para liquidar os seus compromissos com fornecedores; f) em nenhum momento a recorrente, ou alguém relacionado a ela, figurou como destinatária dos recursos da AJAT’s, de modo que fosse possível haver dúvida quanto à caracterização legal da destinação simulada; g) a narrativa dos auditores fiscais está eivada de contradições e incertezas; h) do total de R$16.631.500,76, R$9.033.223,00 saiu da conta da AJAT’s para pagamento das factorings; i) na escritura fiscal da AJAT’s constam todos os pagamento efetuados pela mesma à empresa Blaw Química, de modo que a recorrente protesta sua juntada aos autos; Quanto ao “Álcool Neutro”: a) a AJAT’s pagou a Blaw antecipadamente por tomada de crédito de diversas empresas factoring e bancos, sendo que, após ter recebido os pagamentos da Fl. 3478DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS 26 recorrente, a Blaw liquidou as operações de crédito com as instituições financeiras; b) a fiscalização confirmou que a recorrente mantinha rigoroso controle de estoque do álcool neutro e que o utilizava na fabricação de bebidas da linha “ICE”, mas, surpreendentemente, declarou que a operação não existiu; c) a linha de bebidas da recorrente vai desde a aguardente de luxo à conhecida no meio como sendo um produto de combate. Também fabrica conhaque e vodca sem que haja destilação, portanto, o álcool neutro é indispensável ao processo de obtenção, padronização e acabamento dos seus produtos, de modo que seria estranho não têlo adquirido; No tocante ao “Extrato Concentrado Não Alcóolico Para Elaboração de Bebidas”: a) se os auditores entendem que o produto saiu com a classificação errada e deveria ser tributado com 40% de IPI, o óbvio é concluir pelo denominado “ato falho” como confirmador da existência de fato da operação; b) não se pode admitir que os auditores tenham “deixado de lado” verificações como as que definem a quantidade da produção para a venda, sendo evidente que todo o fiscal que audita fábrica de bebidas alcóolicas é sabedor do adicionamento de pelo menos, água e gludex; c) as respostas às intimações não foram contestadas, restando naturalmente induvidoso que prevalece o seu inteiro teor e devem ser admitidos os quantitativos e qualificativos da diluição; d) os auditores fiscais não consideraram o elemento padronizador usado na diluição do produto para realizar seus cálculos; e) a diluição na proporção de 1 para 1 usada para preparação segue o parâmetro admitido e citado pelos próprios auditores, ela permite aos adquirentes uma margem também de 1 para 1 em novas diluições e agregações aplicáveis na obtenção de produtos prontos para o consumo; f) o custo de R$ 13.641.458,00 mencionado pela fiscalização se refere à quantidade padronizada e não à quantidade comprada de 559.000 litros de extrato. A recorrente teve custo aproximado de R$ 12,20/litro e vendeu o produto final a R$18,09, numa proporção aproximada e plenamente compatível com o negócio; Referente às “Preparações Compostas Para Elaboração de Bebidas”: a) a fiscalização omitiu a diluição para gerar prejuízo; b) a autuação incorreu em equívoco, pois a preparação composta foi misturada com aguardente bruta para obtenção da aguardente composta, devendo os cálculos ser retificados da seguinte forma: INSUMO LITROS Custo bruto – total Custo bruto/ litro Preparação composta 980.189 23.681.366,24 24,16 Aguardente Bruta 978.832 244.708,00 0,25 Soma 1.959.021 23.926.074,24 12,21 Fl. 3479DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS Processo nº 13888.003921/200712 Acórdão n.º 2202002.562 S2C2T2 Fl. 10.226 27 Diluente (H2O) 40% 783.608 Zero Zero Total obtido 2.742.629 23.926.074,24 8,72 () reversão 25% do custo 0 5.981.074,24 = Resultado bruto 2.742.629 17.944.555,68 6,56 () vendas consideradas Pelos AFRFBs 1.958.818 14.407.337,69 7,35 = Notas: 1) Custo bruto da preparação composta = R$24,16 2) Custo bruto do produto final= R$6,56 3) Preço bruto de venda= R$7,35 4) Saldo do produto cuja venda não foi considerada pelos autuantes= 783.811 litros 5) Valor bruto de venda do saldo, sendo R$7,35 por litro= R$5.761.010,85 Resumo Valor total do custo = R$17.944.555,68 Total das vendas: 14.407.337,69+ 5.761.010,85= R$20.168.348,54 Lucro bruto na operação= R$2.223.892,86 A respeito do “Transporte de Mercadorias da AJAT’s para a Tatuzinho”: a) o Sr. Maurício de Souza e a Sra. Olinda de Oliveira Cabral de Souza já haviam sido “interrogados” pelo fisco em razão da lavratura dos processos referentes à Blaw, sendo certo que, naquela ocasião, os termos de depoimento foram lavrados de maneira reservada; b) os depoimentos não podem prosperar diante da declaração lavrada em escritura pública, perante o Tabelião de Notas e de Protestos de Letras e Títulos da Comar de Dracena, SP; c) o Sr. João Dorival Senerini, em declaração, informou ter sido induzido a erro pela fiscalização, pois se tivessem perguntado se havia prestado serviços à recorrente sua resposta teria sido diferente, pois lhe foi perguntado se havia prestado serviço à empresa Blaw Química. Além do mais, confirma que os veículos cujas placas constam em notas fiscais de venda emitidas pela empresa Blaw a recorrente são de sua propriedade; d) o depoimento do Sr. Maurício de Souza não pode ser reputado verdadeiro, pois o mesmo encontravase em situação emocional abalada; e) em declaração, a Sra. Olinda de Oliveira Cabral de Souza informou que participou ativamente das negociações da empresa da qual é sócia e que realizou serviços de fretes para a empresa Blaw Química, mas que que quando da visita do Agente Fiscal Federal, ela e seu marido, o Sr. Maurício de Souza, passava por dificuldade e forte pressão emocional; Fl. 3480DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS 28 Quanto à “Destinação do Extrato Concentrado Não Alcóolico para Bebidas e da Preparação Composta para a Elaboração de Bebidas Adquiridos da AJAT’s”: a) não houve desclassificação da escritura, nem indagação do departamento contábil, ou dos funcionários da recorrente; b) impossibilidade de negar que o fato gerador do IPI tenha ocorrido; c) a alegação de que os adquirentes não estavam habilitados e não tinham capacidade para adquirir os produtos carece da necessária prova documental; No que refere à “Destilaria de Álcool e Aguardente da Barra Ltda.”: a) há contradição entre a alegação de que a empresa Destilaria de Álcool e Aguardente da Barra Ltda. estaria Inapta desde 17/07/04 e a afirmação de que a mesma adquiriu no período de 01/2003 a 06/2004 produtos da recorrente; b) uma vez constatado e observado que os pagamentos foram regulares e efetuados na rede bancária, não há sentido falar que “embora esses títulos tenham sido pagos”, não foi a Destilaria da Barra quem os pagou; c) os dados obtidos nos sistemas informatizados da Receita Federal, supridos por informações passadas pelos bancos, não valem como comprovante; d) as incoerências e as informações contraditórias do depoimento do Sr. Carlos Augusto Rigo Pensado; e) o AIIM nº 3.075.318 do Estado de São Paulo confirma e reconhece que o estabelecimento da AJAT’s existia; f) a declaração de que “a atuação está sustentada em único pilar: declaração de idoneidade proferida no processo nº 12595296291/2007. Não há outro argumento no procedimento fiscal nem nos termos do AIIM” não condiz com a veracidade dos fatos; g) não foi verificada a relação entre as empresas AJAT’s e Destialaria da Barra com a recorrente; h) o Sr. Felipe Haddad não aparece em momento algum como participante de qualquer uma das operações comerciais descritas no feito fiscal; i) a fiscalização não provou o envolvimento da recorrente no “esquema”; Pertinente à “Bell Química Comercial Piracibacana Ltda.”: a) as pessoas perquiridas não se encontravam investidas de poder de polícia próprio da autoridade fiscal e nem gozavam do pressuposto de veracidade e legitimidade como ocorre com os atos dos agentes fiscalizadores; b) a parte relativa à situação cadastral confirma a existência válida da empresa no local vistoriado pela fiscalização; c) a existência de relato da Jucesp emitido em 19/10/05, de consultas ao Sintegra de 18/04/02 e 26/02/05, com a informação “habilitada”, e de cópias da Fl. 3481DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS Processo nº 13888.003921/200712 Acórdão n.º 2202002.562 S2C2T2 Fl. 10.227 29 situação cadastral do CNJP de 18/04/02 a 26/02/05 apresentando a situação “apta” e “ativa” à empresa Bell Química; Quanto às “Clientes Júpiter Comércio, Transportes, Representações de Álcool e de Cana Ltda. – ME. E Quatersil Comércio e Representação Ltda.” a) as principais características dos negócios de compra e venda são sua onerosidade e obediência aos princípios e leis mercantis, contábeis, econômicas, gerenciais e comerciais, essas características encontramse presentes nas operações, e o Fisco Federal reconheceu a efetividade dos pagamentos, embora alegue que se refiram a outras coisas, sem dizer quais; b) a fiscalização visa descaracterizar uma operação comercial típica e universalmente aceita, sob o argumento de que ocorreram irregularidades fiscais regulamentares. Há afronta à ordem jurídica dos acontecimentos, pois a lei tributária regula fatos decorrentes da lei comercial, e a lei comercial nasce e existe independentemente de quaisquer efeitos fiscais; No tocante às “Penalidades e sua Agravante”: a) a inexistência de registro do tempo e lugar do cometimento do alegado ilícito, bem como da prova do delito; b) o teor do termo de verificação fiscal é um demonstrativo das inúmeras dúvidas que os autuantes tiveram. Anexos à impugnação, foram juntados os seguintes documentos: a) instrumentos de alteração dos contratos sociais (fls. 14261479); b) relatório de vistoria do CRQ– IV Região (fl. 1483); c) ficha cadastral da Jucesp (fls. 14841486); d) notas fiscais emitidas pela Tropical (fls. 14781532); e) contrato social da Destilaria da Barra (fls.15341537); f) consulta ao cadastro do ICMS (fls. 15381540); g) cadastro Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (fls. 15421545); h) certidão negativa de débitos (fl. 1546); i) cadastro ANP (fl. 1547); j) cadastro Jucesp Bell Química (fls. 15501554); k) auto de infração e imposição de multa (fls. 15591560) l) contrato social BG Esmagadora de Grãos e Óleos (fls. 15611564); Fl. 3482DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS 30 m) laudo técnico da Embrapa (fls. 15691571); n) Fenaroli’s Handbook of Flavor Ingredients (fls. 15721576); o) escritura pública de declaração (fls. 15771581); p) matrícula de imóvel (fl. 15971598); q) relatório de apuração de inidoneidade (fls. 16001609); r) sentença da ação anulatória de débito fiscal (fls. 16111617); s) conhecimentos de transportes dos produtos adquiridos da AJAT’s (fls. 1619 1842, fls.19642012); t) documentos referentes aos pagamentos feitos à AJAT’s, e pela Quatersil, Bell Química, pela Júpiter (fls. 18441962, fls. 20122609 dos anexos; fls. 2112 2814). 4 Acórdão de Impugnação O lançamento foi julgado procedente pela 3ª Turma da DRJ/RPO, por unanimidade (fls.26812704), mantido o crédito tributário exigido. Os fundamentos foram os seguintes: a) restou demonstrada, pela documentação acostada aos autos, pelo termo de verificação fiscal, e pelo Acórdão nº 1420.345, a simulação das operações comerciais realizadas entre a AJAT’s e a recorrente; b) a fornecedora AJAT’s tratavase de uma empresa de fachada, não tendo sido comprovado o ingresso dos produtos descritos nas notas; c) os pagamentos realizados pela recorrente como “pagamento dos produtos” foram simulados, conforme se colhe do relato fiscal e da documentação acostada ao processo, inclusive da publicação do Ato Declaratório Executivo nº 127, em que a AJAT’s foi considerada Inapta por ter sido constatada a inexistência de pessoa jurídica de fato e considerados inidôneos os documentos emitidos por ela a partir de 03/02/00, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiros interessados; d) não cabe analisar as contestações sobre a conduta, nem os documentos que a recorrente junta com intuito de modificar entendimento, uma vez que os mesmo foram analisados no processo nº 13888.000961/200711 que culminou na publicação do Ato Declaratório Executivo nº 127; e) os pagamentos efetivamente realizados não foram suficientes para comprovar a operação mercantil, pois não foi comprovado o ingresso dos produtos descritos nas notas fiscais emitidas pela AJAT’s; f) a documentação acostada aos autos leva à conclusão de que houve simulação de transações comerciais, com pessoas jurídicas interpostas, para fraudar o Fisco e, por meio do argumento de “terceiro de boafé”, buscase atribuir a responsabilidade da conduta ilegal à empresa de fachada, como ocorreu no processo nº 13890.000508/200534; Fl. 3483DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS Processo nº 13888.003921/200712 Acórdão n.º 2202002.562 S2C2T2 Fl. 10.228 31 g) em virtude do Ato Declaratório Executivo nº 127 as notas fiscais emitidas pela AJAT’s em favor da recorrente devem ser consideradas inidôneas, não podendo ser aceitas como documentação hábil e idônea; h) a alegação de que os pagamentos foram contabilizados e tiveram seu numerário saído da recorrente com destino à conta corrente mantida pela AJAT’s no Banco Luso não legitima a operação simulada que foi acobertada por nota fiscal emitida por empresa inidônea e que teve como destino efetivo, terceiras pessoas não vinculadas comercialmente à suposta empresa fornecedora; i) o pagamento sem causa é aquele feito para cumprir uma suposta prestação, não fundado em erro, mas na inexistência da obrigação; j) a AJAT’s é empresa de fachada, não podendo ser identificada como a beneficiária do pagamento, motivo pelo qual inexiste obrigação a ser cumprida por parte da recorrente sob a alegação de que a causa do pagamento é o fornecimento de matéria prima conforme contrato. Esse contrato não pode ser considerado causa legal para a obrigação do pagamento, por se tratar de causa torpe, baseada em fato simulado (art. 61 da Lei nº 8.981/95); k) é correto invocar as disposições do art. 61, e parágrafos, da Lei nº 8.981/95, haja vista a ocorrência do fato gerador do IRRF; l) foi mantida a qualificação da multa no percentual de 150%, pois caracterizado o intuito de fraudar o Fisco, mediante a utilização de documentação inidônea; m) rejeitado o pedido de juntada posterior de documentos, em virtude da disposição contida no art. 16, §4º, da Lei nº 9.532/97; 5 Recurso Voluntário Notificada da decisão em 31/12/08, a recorrente, não satisfeita com o resultado do julgamento, interpôs recurso voluntário (27332801) em 30/01/09, repisando os argumentos da impugnação e acrescentando os seguintes: a) é ilegal o Fisco querer forçála a pagar por irregularidades de terceiros, pois cumpriu com suas obrigações, adquiriu os insumos de forma lícita, e pagou por eles, e os recebeu, de acordo com as normas em vigor e suportou todos os tributos destacados nas notas fiscais, inclusive o IPI. De maneira que, ao suportálos, possui o direito de lançar mão de seus créditos; b) é ilegal o Fisco reconduzir, desde o início da fiscalização, um processo contra a recorrente a sua revelia, e tal proceder ter acarretado a produção de provas de impossível contradição, seja por que não dizem respeito à recorrente, seja por que se esgotaram na sua própria produção; c) a fiscalização deveria ter descaracterizado as operações, inquinandoas de inexistentes. Comprovada a inexistência das operações, deveriam ter sido considerados ilegítimos os créditos então aproveitados pela recorrente; Fl. 3484DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS 32 d) estava autorizada a tomar os créditos, pois não pode ser responsabilizada pelos equívocos de outros contribuintes; e) para comprovar a tese criada, os agentes fiscais aproveitaram os depoimentos tomados pelo Fisco Estadual, prosseguiram com a quebra do sigilo bancário da AJAT’s a fim de comprovar alguma relação entre as movimentações financeiras da empresa e a recorrente. Não satisfeitos, questionaram o método produtivo da recorrente e, por fim, mediante novas quebras de sigilo bancários procuraram desqualificar as vendas feitas pela recorrente à Destilaria da Barra, à Bell Química, à Júpiter e à Quatersil; f) verificou se a AJAT’s estava regular perante o Fisco, e constatou que sua inscrição no CNPJ estava ativa, e também habilitada junto ao Fisco Estadual; g) não participou da fiscalização, havendo ofensa aos princípios da segurança jurídica, do contraditório, do devido processo legal e da ampla defesa; h) não localizou os depoimentos citados nos itens 29, 30, 31, 32 e 33 do Termo de Verificação Fiscal, que deveriam constar dos autos como prova de substância das alegações feitas pelos agentes fiscais; i) a decadência parcial do crédito tributário lançado, pois foi cientificada da autuação (abrange o período de 22/03/02 a 28/06/04) em 13/12/07, e que não houve dolo, fraude, nem simulação de sua parte, o que impõe que o prazo decadencial aplicável, sendo o IRRF tributo sujeito a lançamento por homologação, seja o previsto no art. 150, §4º, do CTN; j) tem direito a apresentar alegações e documentos após a apresentação da defesa, conforme os arts. 3º e 38 da Lei nº 9.784/99, devendo o art. 16, §4º da Lei nº 70.235/72 ser aplicado em consonância com os princípios constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e contraditório; Anexos ao recurso voluntário foram juntados os seguintes documentos: a) cópia do instrumento de alteração de seu contrato social (fls. 28092816); b) cópia do ato de nomeação de administradores da recorrente (fls. 28172819); c) documentação da AJAT’s (fls. 28222922); d) cópia do relatório da Polícia Civil do Estado de São Paulo – Divisão de Investigação Sobre Crimes Contra a Fazenda (fls. 29232926); e) cópia da petição do processo nº 0641/2005 da 2ª Vara Criminal de Rio Claro SP (fls. 29282929); f) cópia do pedido de arquivamento de inquérito policial, realizado pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (fls. 29302931); g) balanço dos produtos: “álcool neutro”, “álcool neutro padronizado”, “extrato não alcóolico p/ bebidas”, “comparação composta para elaboração de bebidas”, “aguardente composta”, “prep. comp. não alc. c/ extrato de guaraná” (fls. 29342994); Fl. 3485DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS Processo nº 13888.003921/200712 Acórdão n.º 2202002.562 S2C2T2 Fl. 10.229 33 6 Solicitação de dilação do prazo para juntada de escrituração fiscal Novamente, a recorrente requereu dilação do prazo para juntada de documentação referente a sua escrituração fiscal, tendo em vista a complexidade na reunião da documentação necessária e o grande volume de documentos. Na oportunidade, requereu a remessa dos autos ao Primeiro Conselho de Contribuintes por entender ser dele a competência para analisar a matéria discutida nos autos (fls. 31773178 do eprocesso). 7 Juntada de escrituração fiscal A recorrente requereu a juntada da escrituração fiscal necessária à instrução do Recurso Voluntário. (Anexos I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII, destes autos, e fls. 15241823, fls. 18542188, fls. 16701755 e fls. 18251852 do eprocesso;) 8 Conflito de competência Em 12/03/13 a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, então Relatora deste processo, arguiu conflito de competência, submetendo o feito à consideração do Presidente da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF, para que os autos fossem encaminhados ao Presidente do CARF para dirimir conflito de competências. (fls. 50005003 do eprocesso). O conflito observado pela então Conselheira Relatora embasavase no fato do lançamento do IRRF ter os mesmos elementos de prova dos lançamentos do IPI (não comprovação das operações de compra de insumo apuradas no curso da mesma ação fiscal), tratandose assim de procedimentos conexos, os quais são de competência da Segunda e Terceira Seções do CARF (arts. 3º e 4º do RICARF). Ocorre que, para a Relatora, o art. 2º, IV, do RICARF estabelece como competência da Primeira Seção do CARF julgar recursos voluntários em processos relativos à tributação de pessoa física ou outro tributo, quando lastreados em fatos cuja apuração serviu também para determinar a prática da infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Ante a omissão do Regimento Interno do CARF vislumbrada quanto à competência para julgamento de procedimentos conexos de tributos diversos em que não houve lançamento de IRPJ, o feito foi encaminhado ao Presidente da Segunda Seção de Julgamento do CARF. Em resposta, a qual foi referendada pelo Presidente do CARF, o Presidente da Segunda Seção de Julgamento entendeu pela inocorrência de conflito de competência, pois os arts. 4º, III, e 3º, II, do RICARF têm competências claramente definidas. Assim, sugeriu a devolução do processo a seu colegiado de origem, para julgamento, com relatoria da Conselheira para o qual ele foi devidamente sorteado (fls. 0102 do eprocesso). 9 Problemas de Digitalização do Processo O processo foi encaminhado, em 30/04/12, ao Presidente da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF, para ser devolvido à Secretaria para que juntasse aos autos do arquivo digital referente ao processo (fls. 01 do eprocesso). Fl. 3486DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS 34 Os autos foram encaminhados Presidente à Secretaria para saneamento das incorreções na digitação do presente processo. Após, o mesmo retornou à Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga. (fl.02 do eprocesso). Em decorrência de sua aposentadoria, o processo foi sorteado a este Conselheiro. 10 Memoriais Em 30/01/14, a recorrente apresentou memoriais alegando a existência de fatos novos, e que este processo havia sido sobrestado em razão dos §§ 1º e 2º do art. 62A, do Regimento Interno da CARF. Dentre os argumentos apresentados, destacamse os seguintes: a) o fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, por meio de procedimento administrativo sem prévia autorização judicial configura quebra de sigilo bancário de forma inconstitucional, pois é contrário aos princípios que asseguram ser inviolável a intimidade e o sigilo de dados, nos termos do art. X e XII, da Constituição; b) a inconstitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar nº 105/01 é matéria de discussão no RE nº 601.314, tendo sido reconhecida a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Contudo, o processo deve permanecer sobrestado até o julgamento definitivo do RE nº 601.314, sob pena de que sejam proferidas decisões conflitantes sobre o mesmo tema e que possam acarretar em prejuízos irreversíveis à recorrente; c) a mera cassação da inscrição da Ajat’s no CNPJ não é suficiente para sustentar a simulação das operações alegada pelo Fisco, não podendo ser adotado outro entendimento, tanto que o Poder Judiciário Estadual proferiu sentença favorável à recorrente cancelando o auto de infração lavrado por suposto creditamento indevido de ICMS decorrente de registro de documentos fiscais considerados inidôneos pela fiscalização; d) a ação judicial nº 583.00.2005.0110431 foi ajuizada por Zwecker Empreendimentos Ltda. em face do Grupo Tavares de Almeida, da recorrente e de outros. A autora sustentou ser sócia junto com o Grupo Tavares de Almeida em diversos empreendimentos, dentre eles da sociedade recorrente, e que o Grupo Tavares de Almeida, por meio de seus administradores, teria desviado verbas da empresa Tatuzinho, reduzindo supostamente a empresa à insolvência, o que teria lhe causado prejuízos. O fundamento principal usado pela autora foi a lavratura das autuações sofridas pela recorrente, que afirmou, com base nessas autuações, que teria ocorrido a emissão de notas irregulares para desviar dinheiro da sociedade, que não corresponderiam à entrada de mercadorias, e que as operações teriam sido realizadas por intermédio do Banco Luso Brasileiro S.A. Ao desse processo, foi realizada perícia contábil e fiscal da empresa, sendo constatada a regularidade das operações realizadas de das notas fiscais, que não houve desvio de dinheiro e, consequentemente, que não foi causado prejuízo algum à parte autora; A recorrente apresentou os seguintes documentos: a) acórdão do RE nº 601.314/SP; Fl. 3487DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS Processo nº 13888.003921/200712 Acórdão n.º 2202002.562 S2C2T2 Fl. 10.230 35 b) decisão judicial do processo de ICMS; c) acórdão Apelação Cível nº 000070426.2009.8.26.0510 TJSP; d) acórdão da Apelação Cível nº 583.00.2005.011041 TJSP; e) laudo pericial contábil 10.1 Do Acórdão da Apelação Cível nº 583.00.2005.011041 TJSP O acórdão da Apelação Cível nº 583.00.2005.011041 TJSP foi disponibilizada em 14/12/10. Dentre as conclusões obtidas, e que não foram objeto do memorial da recorrente, destacamse: a) a autora daquela ação ajuizou medida cautelar de produção de prova, na qual ficou constatado por meio de prova pericial, que o Grupo Tavares, com ativa participação dos administradores, realizou desvio de verbas da sociedade e reduziu a companhia à insolvência, inviabilizando a autora de receber a parte que lhe cabe referente aos haveres societários. Os valores das notas fiscais emitidas não correspondiam à entrada das mercadorias. Para encobrir os desvios, os réus inventaram um ativo virtual com o caixa de outra empresa, Engenho São Pedro, da qual a autora é sócia e o réu Manoel Rodrigues Tavares de Almeida também é administrador, o que demonstra um desvio de verbas não apenas da empresa Tatuzinho como também da sociedade Engenho São Pedro; b) a perícia do processo principal não conseguiu identificar a existência dos desvios indicados pela autora na inicial, mas identificou que os pagamentos realizados pela Tatuzinho às empresas Blaw Química, Orion Leste, Ajat’s e BF foram implementados por meio de boletos bancários, constando, nesse vértice, o Banco Luso e Brasileiro S/A. Quanto à indagação: “este dinheiro que teria sido usado para pagar as compras questionadas realmente saiu do caixa da ré”, o perito respondeu que “para que eu pudesse efetivamente afirmar se o dinheiro decorrente das operações teria ou não saído do caixa da ré para outra finalidade, eu teria que ter examinado o destino final dos valores pagos para as referidas empresas; a perícia não fez essa investigação, especialmente porque tal requerimento foi indeferido pelo juízo”; c) a tese de que houve desvios não pode prevalecer, à luz da prova técnica realizada. Contudo, o perito judicial encontrou dois procedimentos inadequados na contabilidade da Tatuzinho: (i) provisão para contingências fiscais; e (ii) tratamento contábil para bonificações; d) a autuação do Fisco Estadual é reflexo automático da declaração de idoneidade das empresas com as quais a Tatuzinho transacionou, em outras palavras: antes de autuar, o Fisco nenhuma diligência realizou para apurar se houve ou não a efetiva circulação das mercadorias pelos estabelecimentos; É o relatório. Fl. 3488DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS 36 Voto Vencido Conselheiro Rafael Pandolfo O recurso voluntário em análise atende aos requisitos do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido e julgado. Antes de iniciar a análise do recurso, é importante fazer algumas observações. A um, cabe distinguir o presente caso dos demais julgados por essa Turma em sessões recentes. Naqueles casos, no qual o Fisco procurou lançar IRRF sobre os valores pagos nas operações conhecidas como “SojaPapel”, os autos de infração foram considerados insubsistentes pela falta de comprovação da efetividade do pagamento. Naqueles precedentes, o lançamento baseouse nas conclusões do Fisco estadual e não realizou as diligências necessárias à comprovação no processo administrativo federal de que i) os pagamentos teriam ocorrido; ii) as operações seriam inexistentes. No presente caso, enquanto o Fisco estadual falhou em comprovar a alegação de inocorrência das operações, o federal realizou detida e extensiva análise fática das operações registradas nas 289 notas fiscais entre a recorrente e a AJAT’s, conforme será adiante demonstrado. A dois, é importante consignar que o presente auto de infração trata tão somente de imposto sobre a renda retido na fonte em decorrência de pagamento sem causa. Ou seja, os fatos relevantes à resolução do dissídio são os ligados aos pagamentos realizados pela recorrente à AJAT’s, conforme sintetizado no Termo de Verificação Fiscal (fl. 72): 151. Embora as operações de venda de mercadorias pela AJAT’S não tenham ocorrido, a TATUZINHO efetuou os pagamentos das duplicatas emitidas, cujos valores transitaram pela conta mantida em nome da AJAT’S no Banco Luso Brasileiro S/A, e imediatamente foram repassados para terceiros, que não mantiveram com a AJAT’S nenhum tipo de atividade operacional, conforme amplamente demonstrado neste Termo. Deste modo, como não ocorreram as operações que deram causa aos pagamentos efetuados, aplicase a norma estabelecida no artigo 674, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR 199). Portanto, os pontos a serem analisados são: a) cerceamento de defesa por não participação da recorrente no procedimento de instrução e pela falta dos depoimentos que basearam o auto de infração nos autos; b) decadência parcial do crédito tributário; c) existência das operações de compra de insumos da AJAT’s; d) cabimento da aplicação da multa de ofício qualificada; 1 PRELIMINAR: DO CERCEAMENTO DE DEFESA A recorrente alega que, por não ter sido intimada a acompanhar a produção probatória, teve seu direito de defesa cerceado. Como base para sua alegação, cita os arts. 29 e 30 da Lei nº 9.874/99: Fl. 3489DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS Processo nº 13888.003921/200712 Acórdão n.º 2202002.562 S2C2T2 Fl. 10.231 37 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizam se de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. Art. 30. São inadmissíveis no processo administrativo as provas obtidas por meios ilícitos. Ocorre que, os artigos citados referemse à instrução processual, que se dá após a instauração do contraditório. As provas que foram atacadas pelo recorrente foram produzidas na fase de inquérito, na qual somente é chamado o contribuinte a participar quando a Fiscalização entender necessário. O momento para que o recorrente apresente/produza suas provas e impugne as produzidas pelo Fisco no curso da fase de inquérito é o do prazo de impugnação, conforme pode ser depreendido dos arts. 14 e 15 do Decreto nº 70.235/72: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. É, inclusive, assentado na jurisprudência desse Conselho que o período de inquérito não é o momento adequado para o exercício de defesa do contribuinte: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. NULIDADE. Não há falar em violação de princípios do devido processo legal na fase inquisitorial do procedimento, em que a relação jurídica processual ainda não se estabeleceu. (CARF. 3ª Seção. 3ª Turma Especial. Ac. 380301.390. Rel. Conselheiro Alexandre Kerr. Julg. em 06/04/11) Sendo assim, como teve oportunizada a produção e contradita de provas na impugnação e no recurso voluntário, não há que se dizer que a recorrente teve cerceado seu direito de defesa. Ademais, a recorrente não foi chamada a acompanhar a tomada dos depoimentos durante o procedimento de fiscalização porquanto esse foi realizado em face de outra contribuinte: a AJAT’s. Por último, o recorrente alega que os depoimentos não estariam presentes nos autos, e que tal ausência implicaria nulidade do processo. Ocorre que, conquanto alguns Fl. 3490DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS 38 depoimentos não estejam nos autos por terem sido extraídos de citações presentes nos relatórios da fiscalização estadual constituída contra a própria recorrente, os depoimentos presentes nos autos são suficientes à formação da convicção deste julgador acerca dos fatos. Os depoimentoschave estão às fls. 427, 429, 431 e 433 do processo. 2 PRELIMINAR: DECADÊNCIA Alega a recorrente que teria operado a decadência parcial do crédito tributário lançado. O Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF) é tributo sujeito ao lançamento por homologação, modalidade de lançamento em que o contribuinte antecipa o pagamento do tributo e declara o montante devido ao Fisco, ficando esse procedimento sujeito à posterior homologação por parte da Fazenda Pública. Não havendo qualquer ato que expressamente homologue a declaração efetuada pelo contribuinte e o respectivo pagamento, ainda que parcial, considerase o procedimento tacitamente homologado após o transcurso do prazo de 5 anos contados da data do fato gerador, nos termos do que dispõe o §4º, do art. 150, do CTN. Passado esse prazo, salvo a comprovação de dolo, de fraude ou de simulação, o direito de efetuar eventual lançamento de ofício encontrase atingido pela decadência. Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça, analisando o assunto sob o rito previsto no art. 543C, do Código de Processo Civil, cuja decisão é de observância obrigatória por esta Colenda Corte, nos termos do art. 62 A do Regime Interno, entendeu que o art. 173, inciso I, do CTN, é aplicado, de modo ordinário, somente, nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando não há qualquer pagamento realizado pelo contribuinte, ou quando verificada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação: in verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco Fl. 3491DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS Processo nº 13888.003921/200712 Acórdão n.º 2202002.562 S2C2T2 Fl. 10.232 39 regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). Grifamos. No caso em tela, não se verificam nos autos a existência de qualquer pagamento antecipado de IRRF, motivo pelo qual o prazo aplicável aos fatos geradores consubstanciados neste auto de infração é o do art. 173, I do Código Tributário Nacional: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 3492DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS 40 No caso do IRRF incidente sobre o pagamento sem causa e/ou destinatário conhecido, o fato gerador é instantâneo, podendo o Fisco lançar o tributo desde o momento da ocorrência do pagamento realizado. Art. 61. omissis §2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. Assim, o prazo decadencial iniciará a ser contado do primeiro dia do exercício subseqüente ao do pagamento realizado, pois o lançamento já poderia ter sido efetuado no próprio exercício onde ocorre o pagamento. Dessa forma, como o primeiro pagamento em questão ocorreu em 22/03/02, o prazo de início da contagem do prazo decadencial é o dia 1º/01/03, podendo o tributo ser lançado até o dia 31/12/07. O recorrente foi notificado do lançamento em 13/12/07, ou seja, antes de findo o prazo do fisco para lançar. Não ocorreu, logo, a decadência do crédito tributário no caso em análise. 3 MÉRITO: DA EXISTÊNCIA DE CAUSA PARA OS PAGAMENTOS O mérito do recurso gira em torno da existência de causa para os pagamentos realizados à AJAT’s. Segundo a recorrente, os pagamentos foram realizados à AJAT’s em decorrência de compra de insumos para a produção de bebidas. Para demonstrar a veracidade das operações, apresenta as notas fiscais e declarações de funcionários da AJAT’s relatando que a empresa funcionava regularmente; A Fiscalização, por outro lado, buscou demonstrar a inexistência dessas operações, para enquadrar os pagamentos realizados na incidência prevista no art. 61 da Lei nº 8.981/95: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. §2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. §3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Com fito de demonstrar a inexistência das operações, o Fisco realizou procedimento de fiscalização. O extenso rol probatório pode ser repartido em (a) depoimentos; (b) extratos bancários da AJAT’s; (c) notas fiscais; (d) visita dos fiscais à AJAT’s. Fl. 3493DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS Processo nº 13888.003921/200712 Acórdão n.º 2202002.562 S2C2T2 Fl. 10.233 41 3.1 DEPOIMENTOS Durante o procedimento de Fiscalização foram colhidos diversos depoimentos. Destacamse os depoimentos das funcionárias da AJAT’s, que atestam nunca terem visto qualquer caminhão/mercadoria sair da empresa, e que sua função consistia tão somente em emitir notas fiscais com base em dados recebidos por telefone ou fax (fls. 429 e 431) e do contador da AJAT’s, que informou não saber da existência de tancagem na empresa (fl. 433). Transcrevemse abaixo os depoimentos das funcionárias da empresa: (i) Melissa Villanova Soares: No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal tomamos a termo o depoimento do contribuinte acima identificado, que de livre e espontânea vontade prestou as informações que se seguem. Trabalhou na AJAT's no período de novembro de 2000 a agosto de 2002. Conheceu a empresa através de sua amiga Arlete, na verdade através de seu namorado o Sr. Carlos Pensado que na época trabalhava na Sabará em Rio Claro. Que a Arlete neste momento não trabalhava na empresa e que só veio a trabalhar posteriormente. Que trabalhava no horário comercial. Que fazia os serviços bancários, basicamente no banco Itaú da "praça". Que estes serviços se referiam ao pagamento de contas particulares do Yuri. Que o Yuri tinha conta no Itaú. Que o Sr. Yuri quase nem ia na empresa e que deixava o envelope com os pagamentos a serem feitos em sua casa. Que o Sr. Yuri morava no edifício ITA na Rua Gomes Carneiro — em frente a imobiliária Teixeira. Que o Sr.Yuri trabalhava na Sabará. Que foi contratada pelo Sr. Yuri e que só teve contato com ele. Que não conheceu o Newtom e seus irmãos. Que trabalhavam na empresa somente ela e a Arlete. Que a Arlete cuidava das notas fiscais — na parte da tarde. Que recebia o pagamento geralmente em dinheiro ou cheque do Sr. Yuri. Que apesar de ser registrada a empresa não recolhia os direitos trabalhistas. Que saiu da empresa porque devolveu um telefone que estava em seu nome e o Sr. Yuri não gostou e a demitiu. Que no momento de sua saída recebeu os direitos, inclusive os trabalhistas. Que no escritório tinha uma sala de reunião, uma sala de espera, duas salas normais, um computador, fax, xerox e 3 linhas telefônicas. Que a Arlete era quem emitia as notas. Que os dados das notas fiscais geralmente a Arlete trazia de casa, mas às vezes recebia alguns dados por telefone. Que as notas preenchidas, ora a Arlete levava consigo após o trabalho , ora entregava a motoboy. Que se lembra da empresa BLAW porque a Arlete sempre conversava com a secretária da empresa. Que se lembra da empresa Druanza de ouvir falar. (ii) Arlete de Fátima Bragaia Martello No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal tomamos a termo o depoimento do contribuinte acima Fl. 3494DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS 42 identificado, que de livre e espontânea vontade prestou as informações que se seguem. Que era namorada do Carlos Augusto Rigo Pensado, o qual conhecia o Yuri que era irmão do pessoal da Sabará de Rio Claro. Acertou o trabalho com o Yuri. Durante o período que trabalhou na empresa não foi registrada Que trabalhou na mesma mais ou menos à época da Melissa; entrou uns 2 meses antes e saiu uns dois meses depois. Trabalhavam somente as duas, isto é, ela e a Melissa. Que era o Yuri quem tocava a empresa Que não conhece o Sr. Newton. Que o deputado Bebeto é irmão do Yuri e do Newton. Que a empresa tinha conta no banco Luso e que o Yuri tinha conta em outro banco. Que seu trabalho se resumia a emissão de notas fiscais. Que recebia os dados para a emissão das notas fiscais por fax, e que não sabe quem os passava. Que o modus operandi era o seguinte: chegava uma pessoa com uma nota fiscal da BLAW Química de Campinas e pegava a nota fiscal de venda para a Tatuzinho. Que .algumas vezes a Cláudia da BLAW ligava para a AJAT’S. Que nunca viu nenhum caminhão/mercadoria chegando ou saindo da empresa. Que se lembra do nome Druanza. Que o Sr. Yuri morava em Piracicaba, no edifício ITA, e trabalhava em Rio Claro. Colhese dos depoimentos que a AJAT’s seria uma empresa de fachada, com a única função de emitir notas de venda de mercadoria para a Tatuzinho, para coadunar com o esquema de fabricação de créditos de IPI, haja vista que nenhuma das funcionárias disse ter visto qualquer mercadoria circular pela sede da companhia, estabelecimento do qual — segundo os conhecimentos de transporte que serão adiante mais detidamente analisados — saiam as mercadorias destinadas à Tatuzinho que foram estipulados como causas para os pagamentos ora autuados. É importante referir que, durante o processo que culminou na decretação na inidoneidade da AJAT’s, verificouse que a empresa foi, durante muito tempo, regular, assim como outras das empresas envolvidas no esquema. Ocorre que, ao que parece, havia o costume dos sócios da recorrente envolvidos no esquema de adquirir empresas tradicionais que estavam passando por dificuldades econômicas e transformálas em fábricas de produção de créditos falsos de IPI, utilizandose da roupagem e da tradição dessas empresas. No caso da AJAT’s, verificase que em 2000 a movimentação financeira da empresa foi pífia — R$517,22 — enquanto, após a venda da empresa, ela aumentou vertiginosamente — R$ 12.810.318,52 em 2001 — embora os recursos recebidos pela empresa não tenham sido empregados na compra de insumos necessários à produção das mercadorias que seriam comercializadas. Ainda, após a venda da empresa pelos antigos donos, a sede foi transferida de Osasco/SP, para Piracicaba/SP, onde passou a “operar” na sala comercial sem qualquer estrutura para a atividade desenvolvida pela empresa, conforme será adiante melhor descrito. A recorrente traz diversas declarações emitidas e certificadas em cartório para tentar contraditar os depoimentos colhidos pela Fiscalização. Ocorre que a única declaração trazida pelo recorrente para tentar comprovar as operações da AJAT’s é a do sócio da empresa — Newton Castro Mendes Filho —(fl. 1.580), que não dá detalhes sobre o modus operandi da empresa que fossem capazes de esclarecer o motivo de suas funcionárias nunca terem visto qualquer mercadoria transitar pela empresa. Fl. 3495DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS Processo nº 13888.003921/200712 Acórdão n.º 2202002.562 S2C2T2 Fl. 10.234 43 3.2 EXTRATOS BANCÁRIOS DA AJAT’S Através de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira — RMF emitido ao banco Luso (fls. 475492)., a Fiscalização quebrou o sigilo fiscal da AJAT’s A partir da análise dos extratos recebidos, a Fiscalização reforçou aquilo que já era possível depreender dos demais documentos anteriormente colhidos: a inexistência das operações entre a AJAT’s e a recorrente. Não consta nos extratos qualquer pagamento realizado a fornecedor, muito embora as declarações dadas pelas funcionárias apontassem que a empresa recebia notas fiscais de aquisição de insumos da BLAW Química. Dessa forma, perguntase como pode ocorrer a suposta industrialização por parte da AJAT’s se não há registro do pagamento das operações de compra de insumos? Aliado à falta de estrutura da empresa para realizar a alegada industrialização (constatada pela declaração do contador e por inspeção do Fiscal que será adiante analisada), a inexistência de pagamentos a fornecedores auxilia a formar a convicção da ocorrência de operações fraudulentas, embora se pudesse chegar a essas conclusões sem a consulta aos extratos bancários da AJAT’s. Quanto ao argumento de que os extratos seriam a prova da efetividade do pagamento e que tal prova não teria sido realizada sem eles, é importante ressaltar que em nenhum momento a recorrente diz que os pagamentos não ocorreram, muito pelo contrário, sustenta firmemente sua existência, de modo que tal fato é incontroverso e prescinde de prova. 3.3 NOTAS FISCAIS A Fiscalização teve acesso a 289 notas fiscais das operações envolvendo a venda de insumos da AJAT’s para a recorrente. Nessas notas, grande parte sequer possuía identificação do veículo que realizava o transporte. Em uma das raras notas com identificação do veículo utilizado para transporte, encontrouse a placa “CDZ0694”. Ao verificarse o proprietário do veículo, descobriuse que este pertencia à Secretaria Municipal de Água e Esgoto de Piracicaba — SEMAE a qual, intimada a prestar esclarecimentos (fl. 972), informou não ter registro de ter realizado transporte para essas empresas e que o caminhão em questão era adaptado para carregar cilindros de cloro, não sendo adequado ao transporte da espécie de carga identificada na nota fiscal apresentada, concluindo que o caminhão em questão deveria ser veículo com mesma placa do caminhão da SEMAE. Transcrevese abaixo a declaração: 1 Realmente o SEMAE possui um caminhão com as características enunciadas no oficio DRF/GAB n° 13.888/401/2007; 2 Não consta pelos relatórios do veiculo que o mesmo tenha trafegado pela Rodovia Piracicaba — Rio Claro em qualquer data próxima às NF emitidas, ou seja, 11/11/2002 a 22/11/2002; 3 Para tanto juntamos cópia do relatório do veiculo questionado onde se observa o trajeto do mesmo (Piracicaba — Americana) quando do transporte de cloro para esta Autarquia e veiculo parado no estacionamento do SEMAE nos demais dias, pois o mesmo é utilizado exclusivamente para este fim. Acrescentandose que o fundo da carroceria é adaptado com Fl. 3496DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS 44 berços para acomodação dos cilindros de cloro e isto faz com que o transporte de qualquer outra mercadoria seja tremendamente dificultado. Assim, diante do exposto, acreditamos que se trata de veiculo com placas iguais ao de propriedade do SEMAE (...)" Dessa forma, em conjunto com as demais provas, verificase a irregularidade das notas fiscais e sua inaptidão para comprovar a ocorrência dos transportes, ainda mais quando se verifica que existem notas fiscais com informações falsas. 3.4 ESTRUTURA DA AJAT’S Além de todas as provas já referidas que demonstravam irregularidade da AJAT’s, em visita à sede da empresa, local do qual — de acordo com os conhecimentos de transporte às fls.16191842 e 19642012 — saíam as mercadorias remetidas à recorrente, o Fiscal verificou que não havia qualquer estrutura para armazenar as mercadorias vendidas, nem estrutura para carga/descarga de caminhões no local, conforme fotos (fls. 378379). A partir das provas acima referidas, a Fiscalização chegou às seguintes conclusões: A empresa AJAT’s inexistia de fato. Sua estrutura era composta, única e exclusivamente, por uma sala em prédio comercial no qual duas funcionárias emitiam notas fiscais, conforme apurado nos depoimentos das funcionárias, abaixo reproduzidos: A empresa AJAT’s foi declarada, em 2007, como inapta perante a Receita Federal, em decorrência de procedimento de fiscalização que constatou sua inexistência de fato desde meados de 2000; As notas fiscais apresentavam como local de saída da mercadoria o endereço da sala comercial, que não possuía capacidade para armazenar a quantidade de insumos supostamente vendidos pela AJAT’s. Ainda, o local onde fica situado o prédio sequer possui estrutura para receber caminhões de carga/descarga; Contador envolvido em uma das supostas clientes da recorrente — Sabará — e exsócio da AJAT’s, confessou perante o Fisco estadual que as empresas estavam envolvidas em conluio no qual eram simuladas operações de venda e industrialização de produtos com o único intuito de gerar créditos de IPI. Análise dos depósitos e pagamentos realizados através da única conta bancária da AJAT’s não permitiu identificar qualquer pagamento destinado à compra de álcool neutro, extrato concentrado, preparações compostas — produtos supostamente vendidos à recorrente — ou de matéria prima para sua produção. Inclusive, o maior beneficiário dos pagamentos da AJAT’s é a própria recorrente, devido a cláusula no contrato entre as duas, na qual 25% do valor dos contratos é retornado na forma de bonificação; É oportuno referir que a recorrente, em aditivo ao recurso voluntário, traz decisão judicial na qual o auto de infração relativo ao ICMS das operações entre as empresas citadas no auto de infração, além de conclusão de inquérito que teve por conclusão o não oferecimento de denúncia. Quanto à conclusão do inquérito, o promotor de justiça entendeu não ser cabível a proposição de denúncia devido à falta de indícios de autoria, embora comprovada a materialidade do crime contra a ordem tributária, além de ser provável que Fl. 3497DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS Processo nº 13888.003921/200712 Acórdão n.º 2202002.562 S2C2T2 Fl. 10.235 45 o crime prescreveria caso o processo criminal fosse levado adiante, conforme pode ser apreendido da leitura dos trechos abaixo: Em que pese comprovada a materialidade do fato e a imposição de penalidade administrativotributária, não foram reunidos indícios suficientes de autoria. Não está devidamente caracterizada, sob a ótica penal, a vontade livre e consciente dos responsáveis legais pela empresa de fraudar o fisco. É cediço o emaranhado de normas jurídico administrativas a serem observadas na seara comercial. Não se ignora, ainda, a "colcha de retalhos" das normas tributárias, alteradas constantemente, muitas vezes flagrantemente inconstitucionais o que toma ainda mais penosa a atividade empresarial neste pals. (...) Somente a titulo de argumentação, acrescentese, ainda, que caso estivesse patente o elemento subjetivo da conduta, uma vez oferecida a denúncia e comprovada a responsabilidade criminal de eventuais acusados, pela pena que seria aplicada em concreto, o crime certamente estaria prescrito. Ou seja, em nenhum momento se disse que restou comprovada a idoneidade das operações, somente que não se apurou a autoria das fraudes. Quanto à citada decisão judicial, entendeuse nulo o lançamento de ICMS contra a recorrente, pois, segundo o Juiz, tal lançamento seria mero reflexo da declaração de inidoneidade da AJAT’s, faltando provas de que haveria inexistência das operações. Isso, aliado à escrituração regular das operações, demonstraria que a Tatuzinho teria agido de boa fé. Tal entendimento pode ser observado nos seguintes trechos: Destaquese inicialmente que a autuação do Fisco Estadual é reflexo automático da declaração de inidoneidade das empresas com as quais a autor transacionou. Em outras palavras: antes de autuar, o Fisco nenhuma diligência realizou para apurar se houve ou não efetiva circulação das mercadorias pelo estabelecimento da autora. (...) Não bastasse isso, vêse ainda que as declarações de inidoneidade ocorreram somente anos depois de autora ter mantido relações comerciais com as empresas inidôneas. Em outras palavras: quando a autora manteve relações comerciais com essas empresas, nenhuma noticia de irregularidade sobres elas existia. (...) As notas fiscais copiadas a fls.374, 699, 1408 e seguintes, emitidas pela “Blaw Quimica Industrial Ltda" (Blaw) e "AJAT’s Comercio de Produtos Químicos Ltda." (AJAT’s), atendem formalmente às exigências da legislação e foram Fl. 3498DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS 46 emitidas Por contribuinte em situação regular, de modo que é inadmissível concluir infração ao Regulamento do ICMS. Mais: as mercadorias nelas especificadas foram Minuciosa. E devidamente escrituradas no Livro "Registro de Entradas" da autora!!! Ora, tivesse havido simulação, custa crer que haveria tamanha coincidência entre o material especificado nas notas e a escrituração contábil da autora... Ademais, a autora ainda fez juntar cópia dos conhecimentos de transporte (fls.390 e • seguintes). Dai porque se conclui que as mercadorias ao contrário do que entendeu o Fisco — saíram do estabelecimento das vendedoras e entraram sim no estabelecimento da autora. Esse raciocínio não pode, contudo, ser aplicado ao processo em análise. O processo acima referido trata de relação jurídica distinta — créditos de ICMS — e suas conclusões partem das provas existentes naquele processo. A decisão se fixa nas premissas usualmente acolhidas pela doutrina e pela jurisprudência de que são aproveitáveis os créditos de ICMS de operações realizadas com empresas declaradas inidôneas quando a empresa adquirente das mercadorias possua boafé, a qual deve ser pressuposta quando apresentada escrituração regular das operações. Ocorre que, naquele caso, o Fisco estadual não produziu as provas necessárias à demonstração da máfé da adquirente, de modo que o juiz, com base no conjunto probatório a sua disposição, considerou existentes as operações devido à existência de notas fiscais. No processo em análise, contudo, conforme se verifica pela apreciação dos autos, a Fiscalização fez prova contundente da inexistência das operações, a partir do completo, exemplar e extensivo trabalho realizado. Ao analisar as notas fiscais de transporte entre a AJAT’s e a recorrente, (fls. 16711840), é possível verificar que o transporte supostamente ocorreria entre o endereço da AJAT’s — Av. Independência, 546, sala 92, centro, no município de Piracicaba/SP — e o endereço da Tatuzinho — Av. Marginal Pres. Kennedy, 1005, no município de Rio Claro/SP. Ocorre que, conforme demonstrado pela Fiscalização através de visita ao local e depoimento de exfuncionários da AJAT’s, o prédio de sua sede não possuía estrutura logística para armazenar/permitir o descarregamento/carregamento da carga através dos caminhões identificados. Inclusive, os depoimentos colhidos das funcionárias da empresa, acima reproduzidos, dizem que não se lembram de ter visto qualquer produto sendo remetido da sede da empresa, e que as atividades desenvolvidas no escritório limitavamse ao preenchimento de notas fiscais. Caso a recorrente comprovasse, por exemplo, que a AJAT’s possuía estoque em outro local, e que era de lá que saiam as mercadorias, motivo pelo qual o escritório da sede tão somente emitia notas fiscais, cairia por terra toda a fundamentação de inexistência das operações, que é baseada na impossibilidade lógica da ocorrência dos negócios nos moldes descritos. Tal prova, contudo, não foi apresentada, motivo pelo qual prevalece a tese fazendária. Por último, os documentos apresentados em sede de memorial pela recorrente com o intuito de demonstrar a existência das operações não servem para os fins a que se destinam. A um, pois a declaração do perito contábil na ação diz que não é possível verificar se as notas são idôneas ou não, pois não teve acesso ao livro de entradas e saídas, e a dois, pois a Fl. 3499DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS Processo nº 13888.003921/200712 Acórdão n.º 2202002.562 S2C2T2 Fl. 10.236 47 própria ação onde está inserto o laudo do perito contábil denota a existência de práticas não ortodoxas nas atividades da recorrente. Dessa forma, entendo que restou mais do que demonstrado que as operações não ocorreram, e que os pagamentos foram efetivamente realizados. Sendo assim, estão presentes os pressupostos para a aplicação do art. 61 da Lei nº 8.981/95, e é correto o lançamento realizado. 4. MULTA: QUALIFICAÇÃO A Fiscalização aplicou multa qualificada ao crédito tributário constituído, com base no seguinte fundamento: 148. Tendo sido constatado pela fiscalização que a TATUZINHO utilizou diversas empresas de fachada para simular a compra e venda de mercadorias inexistentes, com o intuito de fraudar o fisco, agravase a multa de oficio, aplicandose a multa de 150% prevista no inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430/96. A qualificação da multa de ofício é prevista no inciso II, do art. 44, da Lei nº 9.430/96, ela redação á época da autuação: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. O Fisco enquadrou a conduta do contribuinte como fraudulenta, definida pelo art. 72, da Lei nº 4.502/64 como: Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Analisando o caso e a materialidade específica da obrigação tributária, entendo que a multa deve ser desqualificada. O dispositivo sancionatório utilizado exige que a conduta penalizada tenha resultado diminuição do tributo devido. No caso em tela – lançamento de IRRF – não ocorreu qualquer redução da obrigação ora discutida. A qualificação da multa deve ocorrer no auto de infração no qual se discute o imposto reduzido – IPI. Aliás, a consequência matemática da operação em tela é o próprio aumento do valor do IRPJ, fato que inviabilizaria a qualificação da multa no caso em tela. Fl. 3500DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS 48 Por fim, caso persistam dúvidas, entendo que as mesmas devam ser dirimidas em favor da desqualificação da multa, conforme prescreve o art. 112, do CTN, sobretudo os incisos II e IV: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Dessa forma, entendo que não há que se falar em multa qualificada, pois não ficou demonstrado — e nem poderia ser — conduta dolosa da recorrente que buscasse fraudar o Fisco em relação ao IR. Com base no acima exposto, REJEITO AS PRELIMINARES; e, no mérito voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício ao patamar de 75%. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo – Relator Fl. 3501DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS Processo nº 13888.003921/200712 Acórdão n.º 2202002.562 S2C2T2 Fl. 10.237 49 Voto Vencedor Conselheiro Marcio de Lacerda Martins, Com a devida vênia ao i. relator, discordo de sua decisão quanto à desqualificar a penalidade aplicada face às seguintes ponderações. Conforme relato da autoridade lançadora, a majoração da multa de 75% para 150% se justifica pelos fatos que foram constatados durante a fiscalização e que, de forma resumida, reproduzo aqui em excertos do Termo de Verificação Fiscal, a saber: MAJORAÇÃO DA MULTA 148. Tendo sido constatado pela fiscalização que a TATUZINHO utilizou diversas empresas de fachada para simular a compra e venda de mercadorias inexistentes, com o intuito de fraudar o fisco, agravase a multa de oficio, aplicandose a multa de 150% prevista no inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430/96. Esta é a conclusão final da fiscalização após exaustivas diligência em empresas envolvidas em operações comerciais com a recorrente. Tais operações foram caracterizadas de simuladas objetivando fraudar o fisco mediante o argumentomáscara de “terceiro de boafé”, imputando toda a responsabilidade tributária a empresas de fachada criadas sem lastro de capital suficiente para absorver tais responsabilidades. As diligências fiscais foram mais do que suficientes para demonstrar nos autos que a Blaw Química Industrial Ltda não possuía estrutura operacional para a fabricação do produto denominado “extrato concentrado não alcoólico para elaboração de bebidas”. A autoridade lançadora fundamentou a aplicação da multa qualificada em provas e em depoimentos coletados de funcionários da própria empresa que confirmaram a inexistência de estrutura operacional para fabricação desse produto uma vez que se dedicava à produção de desengraxantes para máquinas pesadas, a partir de solventes químicos. As autoridades julgadoras da DRJ de Ribeirão Preto concluíram pela manutenção da multa qualificada nos seguintes termos: Quanto à multa aplicada, cumpre citar o disposto na Lei n° 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I. (...) II. cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito defraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de Fl. 3502DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS 50 novembro de 1964, independente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Assim dispõe os citados artigos da Lei n° 4.502, de 1964: Art. 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Portanto, caracterizado o evidente intuito de fraudar o Fisco, mediante a utilização de documentação inidônea, reputase aplicável a multa prevista no inciso II do referido art. 44, no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento). Ratifico por inteiro a conclusão das autoridades julgadoras da instância de piso, reforçando os argumentos utilizados quanto ao lançamento de IR fonte pela identificação de pagamentos sem causa. Sem causa porque a matéria prima indicada, o contrato de fornecimento e a empresa fornecedora compõem um conjunto de ações fraudulento montado para fraudar o Fisco em benefício da recorrente. Assim, considero presentes os requisitos para a aplicação da penalidade qualificada e voto pela sua manutenção no lançamento ora recorrido. Assinado digitalmente Marcio de Lacerda Martins Fl. 3503DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalment e em 22/04/2014 por MARCIO DE LACERDA MARTINS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003070/2004-80
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2000
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. TERMO INICIAL.
O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (STJ - Recurso Repetitivo).
Numero da decisão: 1803-002.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2000 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. TERMO INICIAL. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (STJ - Recurso Repetitivo).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Arthur José André Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2000 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. TERMO INICIAL. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (STJ Recurso Repetitivo). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 30 70 /2 00 4- 80 Fl. 876DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.003070/200480 Acórdão n.º 1803002.222 S1TE03 Fl. 436 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Arthur José André Neto. Fl. 877DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.003070/200480 Acórdão n.º 1803002.222 S1TE03 Fl. 437 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 362 e 363): Em ação fiscal levada a efeito sobre o contribuinte acima identificado, para verificação do cumprimento das obrigações tributárias relativas ao anocalendário 1999, foram lavrados Autos de Infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (143/146), de Contribuição para o PIS (fls. 149/151), de COFINS (fls. 154/156) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 159/162). Conforme relatado no Termo de Constatação Fiscal de fls. 132/137, foram constatadas três irregularidades: (I) omissão de receitas no valor de R$ 1.983.000,00, composto de parte de contrato de mútuo supostamente firmado com a empresa Vallmarg (R$ 1.780.000,00) e mútuo com a empresa BISCAYNE (R$ 763.000,00); (II) devolução não comprovada de vendas, no montante de R$ 109.040,07, lançada em 31/mar/99; (III) custos ou despesas indedutíveis, no montante de R$ 121.250,43 (ver fl. 134). As irregularidades constatadas resultaram na adição das receitas omitidas e na glosa dos dispêndios indevidamente deduzidos sobre as bases de cálculo dos tributos lançados (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS). A fls. 138/140 “Termo de Apuração do novo Lucro Real e Redução dos Prejuízos Fiscais e da Base de Cálculo Negativa da Contribuição Social sobre o Lucro” – encontramse discriminados os ajustes efetuados pela fiscalização nas bases tributáveis do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apuradas na DIPJ 2000. Com relação ao IRPJ, o prejuízo de R$ 2.150.337,73 foi ajustado para Lucro de R$ 62.952,77, o qual foi compensado em 30% com prejuízos de períodos anteriores; com relação à CSLL, a base de cálculo negativa de R$ 2.158.123,73 foi ajustada para base positiva de R$ 55.166,77, a qual foi compensada em 30% com bases negativas de períodos anteriores (fls. 138/139). O créditos tributários constituídos, acrescidos de multa e juros calculados até 30/11/2004 estão discriminados a fl. 163, em quadro integrante de “Termo de Encerramento”: IRPJ R$ 17.07307 PIS R$ 37.626,29 COFINS R$ 139.718,27 CSLL R$ 7.979,42 Irresignada, a autuada apresentou defesa em face dos Autos de Infração de PIS e de COFINS. Fl. 878DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.003070/200480 Acórdão n.º 1803002.222 S1TE03 Fl. 438 4 A fls. 168/183, “Impugnação ao Auto de Infração e Imposição de Multa PIS”, na qual alega, em síntese: 1. decadência do crédito tributário, sustentando que sobre o PIS, sendo um tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional; 2. alega que a Lei 9.718/98 é ilegal e inconstitucional, razão pela qual não pode ser utilizada pela fiscalização para constituição de créditos tributários. Sustenta que referido diploma alargou o conceito de “faturamento” definido pelo art. 1º e parágrafo 1º da Lei 5.474/68 (Lei da Fatura e da Duplicata), confrontando diretamente o disposto no art. 110 do Código Tributário Nacional e art. 195 da CF/88; 3. é nulo o crédito fazendário, pois sua constituição foi realizada mediante aplicação dos juros SELIC, os quais são incompatíveis com nosso ordenamento jurídico; 4. caso ultrapassados os argumentos anteriores, deve ser autorizada a compensação do valor consignado no Auto de Infração com créditos de PIS detidos pela impugnante, conforme comprova o balanço patrimonial ora acostado e a declaração elaborada pelo departamento financeiro da impugnante (docs 4 e 5). Coloca à disposição da fiscalização todos os documentos necessários à comprovação da origem do crédito de PIS nãocumulativo e outras informações pertinentes. Argumenta, ainda, que a pretensão compensatória é legítima e válida, eis que o crédito de PIS não cumulativo será utilizado para abatimento de PIS eventualmente devido em outras operações regulares, caso esse crédito não seja aproveitado para pagamento da dívida constante do lançamento; 5. requer seja anulado integralmente o Auto de Infração e multa exigida ou, ao menos, seja autorizada a compensação do crédito de PIS detido pela impugnante para pagamento dessa dívida; 6. protesta pela juntada posterior de documentos e apresentação de outras alegações que se mostrarem necessários. A fls. 255/270, em “Impugnação ao Auto de Infração e Imposição de Multa COFINS”, a autuada reproduz as alegações contidas na impugnação em face da autuação de PIS. A fls. 341, o contribuinte junta petição para anexar procuração (342/343) e darfs de IRPJ e CSLL (345/351), os quais foram utilizados para liquidação dos débitos de IRPJ e de CSLL vinculados ao presente processo fiscal, conforme comprova o extrato de processo de fl. 352. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada, na parte ainda objeto de litígio (fls. 360 e 361): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 [...]. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/1999, 28/02/1999, 31/03/1999 Fl. 879DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.003070/200480 Acórdão n.º 1803002.222 S1TE03 Fl. 439 5 Ementa: [...]. DECADÊNCIA. A contagem do prazo decadencial para o lançamento de ofício do IRPJ observa o artigo 173, inciso I, do CTN. Termo iniciado no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. [...]. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/1999, 28/02/1999, 31/03/1999 AUTUAÇÕES REFLEXAS. Sendo os lançamentos de PIS e de COFINS reflexos do lançamento de IRPJ, recebem idêntico julgamento. Lançamento Procedente 3. Cientificada da referida decisão em 14/01/2009 (fls. 388), a tempo, em 12/02/2009, apresenta a interessada Recurso de fls. 391 a 410, instruído com os documentos de fls. 411 a 432, nele reiterando, entre outros argumentos, a decadência dos lançamentos relativos ao Pis e à Cofins, em face do disposto no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966). Em mesa para julgamento. Fl. 880DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.003070/200480 Acórdão n.º 1803002.222 S1TE03 Fl. 440 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Recursos repetitivos (STJ) 4. Dispõe o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010 (grifouse): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 5. Relativamente à questão da decadência do lançamento do crédito tributário, é o seguinte o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) na sistemática de Recursos Repetitivos (art. 543C do CPC): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 881DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.003070/200480 Acórdão n.º 1803002.222 S1TE03 Fl. 441 7 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, “Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro”, 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, “Direito Tributário Brasileiro”, 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). [...]. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) 6. Conforme se verifica da Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), de fls. 39verso, 40, 42verso e 43, para os meses de janeiro, fevereiro e março de 1999, foram apurados valores de Contribuição para o Programa de Integração Social (Pis) e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), com a correspondente indicação de valores a pagar. 7. Dessa forma, e não tendo sido apontada, pela fiscalização, a inexistência de pagamentos antecipados por parte da Recorrente (objeto do procedimento fiscal de “Verificações Obrigatórias”), aplicase o disposto no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), na forma da decisão retro transcrita, pelo que decaídos estão os lançamentos de Pis e de Cofins dos meses de janeiro a março de 1999, lavrados apenas em 20/12/2004 (fls. 149 e 154). Fl. 882DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.003070/200480 Acórdão n.º 1803002.222 S1TE03 Fl. 442 8 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 883DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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