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Numero do processo: 10850.902164/2013-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.617
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando-o.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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(assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 02 16 4/ 20 13 -4 9 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10850.902164/201349 Resolução nº 3401001.617 S3C4T1 Fl. 23 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou improcedentes as razões da Recorrente sobre a reforma do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações dos débitos pleiteados. A contribuinte pleiteou o ressarcimento e compensação de créditos tributários decorrentes de supostos pagamentos indevidos ou a maior de PIS/Cofins. Em Despacho Decisório, os pedidos foram indeferidos e as compensações não homologadas em razão de não ter sido comprovado o direito creditório, dado que grande parte dos pagamentos restava inteiramente vinculada a débito declarado em DCTF, e, quanto aos pagamentos que evidenciaram recolhimento a maior, o respectivo valor fora previamente utilizado em outras compensações. A Contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que tem direito aos valores pagos indevidamente em relação à PIS/COFINS, que fora calculada sobre receitas financeiras, e estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. Apresentou balancetes de verificação, DCTF´s, planilhas de apuração e guias de recolhimento e declarações de compensação para comprovação de suas alegações e dos valores pleiteados. Sobreveio Acórdão da Delegacia de Julgamento, através do qual não foi reconhecido o direito creditório requerido. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.588, de 26 de novembro de 2018, proferida no julgamento do processo 16007.000043/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.588: "O Recurso é tempestivo, e, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, tomo seu conhecimento. Como se aduz da leitura do relatório, restam pendente de análise por esse Colegiado a incidência de COFINS Cumulativa sobre a rubrica "receitas financeiras". Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10850.902164/201349 Resolução nº 3401001.617 S3C4T1 Fl. 24 3 Ora, nos termos do julgamento do RE 585235/MG, julgado sob efeito de repercussão geral, o artigo 3º, §1º, da Lei Federal 9.718/1998, foi considerado inconstitucional, de modo que, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições sociais, no caso de empresas que não exercem atividade de instituições financeiras, não cabe a inclusão de receitas financeiras ou outras alheias ao seu objeto social. Desta feita, é de se afastar a glosa com base no artigo 62, §1º, inciso II, b, do RICARF. Contudo, como até o presente momento, a Receita Federal não se pronunciou sobre os documentos juntados desde a impugnação pela Recorrente, é de se converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.959886/2012-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 25/08/2010
PIS. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DÉBITOS. ACRÉSCIMOS LEGAIS. INCIDÊNCIA
Os débitos vencidos sofrem a incidência de acréscimos legais (multa e juros de mora), na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-006.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 25/08/2010 PIS. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DÉBITOS. ACRÉSCIMOS LEGAIS. INCIDÊNCIA Os débitos vencidos sofrem a incidência de acréscimos legais (multa e juros de mora), na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DÉBITOS. ACRÉSCIMOS LEGAIS. INCIDÊNCIA Os débitos vencidos sofrem a incidência de acréscimos legais (multa e juros de mora), na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 98 86 /2 01 2- 37 Fl. 90DF CARF MF 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário apresentado pela empresa INTERCEMENT BRASIL S.A, face ao Acórdão nº 0652.543, de 10/06/2015, proferido pela DRJ em Curitiba (PR), a qual homologou parcialmente a compensação efetivada por meio da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 32526.07380.240212.1.3.042873. O referido PER/DCOMP foi transmitida em 24/02/2012 e analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da RFB que emitiu o Despacho Decisório em 04/09/2012, rastreamento nº 031091148, assinado pelo titular da DRF de jurisdição. Inconformada com a decisão, da qual teve ciência em 13/09/2012, a Recorrente interpôs, em 15/10/2012, Manifestação de Inconformidade contra a decisão prolatada no Despacho Decisório, pelas razões de fato e de direito assim resumidas: que a DCTF original trazia um valor devido de R$ 1.290.980,12, que foi recolhido por meio de DARF de mesmo valor; na medida em que o exercício teve a sua apuração corrigida, verificouse que o valor correto seria de R$ 1.030.063,21; dos procedimentos perpetrados para a compensação ora discutida, explica que, originalmente recolheu a contribuição do PIS referente a julho de 2010 no valor de R$ 1.290.980,12 exatamente o valor que a autoridade administrativa observou para indeferir a compensação então requerida. Ocorre que, num segundo momento, percebeu que parte de suas receitas estavam erroneamente tributadas pelo regime não cumulativo. Aduz que, por se tratar de serviços de concretagem e, portanto, equiparado ao conceito legal de prestação de serviços em obras de construção civil, deveriam ser tributadas pelo regime cumulativo. Desse modo, a nova apuração demonstrou o valor devido de R$ 1.030.063,21 gerando o saldo de crédito de R$ 260.916,91. Ressalta que a apuração excluiu da base de cálculo das duas contribuições as receitas que não deveriam ser tributadas pelo sistema não cumulativo. O saldo obtido foi devidamente atualizado pela Selic, trazendo à data de fevereiro de 2012 (momento da retificação da DCTF e da efetivação do procedimento de compensação) o crédito originalmente disponível. A operação de atualização, tal como prevista pela legislação, apurou o crédito de R$ 303.524,64. O PER/DCOMP, transmitido em 24/02/2012, foi o meio hábil utilizado para o pagamento das contribuições do mesmo exercício, apuradas dessa vez pela utilização do sistema certo de tributação, pela aplicação do regime cumulativo. Aduz que optou por recolher o tributo, inclusive com juros e correção monetária, como se pode observar pela folha 02/04 do Pedido de Compensação. Dessa forma, os débitos calculados pela apuração cumulativa perfizeram os montantes de R$ 242.783,43 (principal de R$ 208.702,34 mais o acréscimo de R$ 34.081,09), com relação ao PIS e de R$ 60.741,20 com vencimento no mesmo mês relativamente à Cofins, não se configurando o tributo em atraso neste caso. Reafirma que os valores que permitiram o pagamento de tributos por meio de compensação foram provenientes da diferença encontrada na percepção do pagamento a maior realizado no mês de julho de 2010. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.959886/201237 Acórdão n.º 3402006.043 S3C4T2 Fl. 91 3 Conclui afirmando que a homologação parcial ocorreu por não ter sido analisada a DCTF retificadora, a qual demonstrava com clareza a existência do crédito utilizado. Por meio do Acórdão acima citado, a DRJ/CTA deferiu em parte a Manifestação de Inconformidade, julgando por manter a homologação parcial da compensação declarada por meio da DCOMP nº 32526.07380.240212.1.3.042873, de acordo com o teor do Despacho Decisório prolatado pela DERAT/SP. Em síntese, o fundamento foi que é exigível multa moratória sobre o débito compensado, que se trata de débito de PIS no regime cumulativo referente ao período de apuração de julho de 2010, extinto mediante compensação com crédito decorrente do pagamento a maior também de PIS e referente ao mesmo período de apuração de julho 2010, apurado pelo regime não cumulativo. Regularmente notificado do acórdão de primeira instância, a Recorrente recorreu em tempo hábil a este Conselho, alegando, em síntese, que: 1 que o crédito e o débito compensado, se referem ao mesmo tributo e ao mesmo período de apuração, diferenciandose um do outro apenas pela circunstância de que o crédito tem origem no recolhimento a maior sob o código de receita relativo à apuração no regime nãocumulativo (6912) e o débito é relativo ao tributo apurado na sistemática cumulativa (código 8109); 2 que nesse sentido foi o entendimento da RFB manifestado em Solução de Consulta Fiscal, que o mero equívoco de recolhimento das contribuições do PIS/COFINS em regimes distintos não pode ensejar a imposição de penalidades ou acréscimos legais ao contribuinte, devendo apenas ocorrer o devido encontro de contas. Com esse propósito, transcreve a resposta à Consulta “Processo de Consulta nº 166/07 Órgão: Superintendência Regional da Receita Federal SRRF/10ª Região Fiscal." Diante do exposto, requerse seja dado integral provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido, a fim de que seja integralmente homologada a compensação declarada nestes autos. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. O recurso voluntário preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme revela o trecho a seguir transcrito, o Acórdão recorrido se fundamentou no entendimento de que seria exigível a multa moratória em relação ao um dos débitos compensado nestes autos. Portanto, denotase que o litígio estabelecido neste processo administrativo se deu não em razão do reconhecimento do direito creditório, mas sim porque o crédito, reconhecido em sua totalidade, foi insuficiente para a quitação dos débitos informados. Vejase: Fl. 92DF CARF MF 4 “Com relação ao primeiro débito informado na Dcomp (PIS/Pasep, código 8109, de julho de 2010), vêse que estava vencido na data da entrega da Dcomp. Assim, sobre o valor principal incidiram os acréscimos legais (multa de mora e juros à taxa Selic), conforme dispõe o art. 61 da Lei nº 9430, de 1996, acima reproduzido. No entanto, a contribuinte não observou a legislação correlata, pois deixou de calcular o valor da multa de mora, incidente a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo até o dia em que ocorrer o seu pagamento, limitado a vinte por cento. (...) Fazendose então o encontro de contas, valorados até a data da entrega de declaração de compensação, vêse que o crédito, reconhecido em sua totalidade, de fato, não foi suficiente para quitar totalmente o segundo débito informado, conforme detalhado a seguir:” (Grifei) Como muito bem pontuado pela decisão de piso (as quais subscrevo as razões tecidas fazendo as adaptações que entendo necessárias, adotandoas como razão de decidir, com forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 1999), o Despacho Decisório foi emitido pela DERAT/SP, com fundamento nas informações prestadas na DCTF retificadora nº 100.2010.2012.1881675619, recepcionada em 24/02/2012. Nessa DCTF o débito de PIS/Pasep, código 6912, apurado em julho de 2010, foi alterado de R$ 1.290.980,12 para R$ 1.030.063,21, que foi recolhido por meio do DARF de R$ 1.290.980,12. É importante ressaltar que, de acordo com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 (com as modificações legais posteriores), a compensação tributária se efetiva no momento da entrega da Declaração de Compensação. Como a DCOMP foi entregue em 24/02/2012, somente nessa data é que se efetivou a compensação. Em seu recurso a Recorrente alega que é "(...) fundamental observar que, conforme narrado, o acórdão recorrido se fundamenta apenas no entendimento de que é Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10880.959886/201237 Acórdão n.º 3402006.043 S3C4T2 Fl. 92 5 exigível multa moratória sobre o débito compensado, que se trata de débito de PIS no regime cumulativo referente ao período de apuração de julho de 2010, extinto mediante compensação com crédito decorrente do pagamento a maior também de PIS e referente ao mesmo período de apuração de julho 2010, apurado pelo regime não cumulativo". E, prossegue afirmando que "no entendimento da própria RFB, manifestado em Solução de Consulta Fiscal, o mero equívoco de recolhimento das contribuições do PIS/COFINS em regimes distintos não pode ensejar a imposição de penalidades ou acréscimos legais ao contribuinte, devendo apenas ocorrer o devido encontro de contas". “Processo de Consulta nº 166/07 Órgão: Superintendência Regional da Receita Federal SRRF/10ª Região Fiscal Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep. Ementa: REGIMES CUMULATIVO E NÃOCUMULATIVO. PAGAMENTO NO PRAZO LEGAL. NÃOINCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. Na hipótese de o sujeito passivo haver apurado a Contribuição para o PIS/Pasep sobre determinada receita com base no regime nãocumulativo, em vez de fazêlo de acordo com o regime cumulativo, não constitui débito a parcela da contribuição que deveria ter sido recolhida sob o código próprio do regime cumulativo, mas tenha sido paga, no prazo legal, mediante o código pertinente ao regime não cumulativo. Em decorrência, por ocasião do acerto das correspondentes obrigações acessórias e dos respectivos controles administrativos, não podem ser exigidos acréscimos legais em relação a essa parcela". Pois bem. Preliminarmente, se faz necessário repisar que a DCOMP foi entregue em 24/02/2012 e, somente nessa data é que se efetivou a compensação. Entretanto, a análise da compensação não se resume ao confronto dos montantes originais dos débitos e dos créditos utilizados na referida DCOMP, pois, por previsão legal, ambos os valores estão sujeitos a atualizações até a data da entrega da declaração. O art. 36 da IN RFB nº 900, de 2008, vigente na época da entrega da declaração de compensação (revogada pela IN RFB nº 1.300, de 2012, atualmente pela IN RFB nº 1.717, de 2017), dispôs, quanto à valoração dos débitos e créditos, que na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos artigos 72 e 73 e os débitos sofrerão incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da declaração de compensação. Por outro lado, o art. 61 da Lei nº 9430, de 1996, dispõe sobre os débitos quitados com atraso: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Fl. 94DF CARF MF 6 § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) No presente caso, verificase que a Recorrente em seu recurso informa que atualizou corretamente o crédito (em 16,33%), perfazendo o montante de R$ 303.524,63. Desta forma, temos que com relação ao primeiro débito informado na DECOMP "001 de 002" (PIS/Pasep, código 8109, de julho de 2010), vêse que estava vencido na data da entrega da DCOMP. Assim, sobre o valor principal incidiram os acréscimos legais (multa de mora e juros à taxa Selic), conforme dispõe o art. 61 da Lei nº 9430, de 1996, acima reproduzido. No entanto, a Recorrente não observou a legislação correlata, pois deixou de calcular o valor da multa de mora, incidente a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo até o dia em que ocorrer o seu pagamento, limitado a vinte por cento. Ou seja, quando verificamos o "Demonstrativo Analítico de Compensação" (quadro acima), constatase que a Compensação "001 de 002" utilizou o crédito de R$ 284.253,90 para quitar o débito de PIS de julho de 2010, com os acréscimos legais (principal de R$ 208.702,34 + multa de R$ 41.740,47 + juros de R$ 34.081,09), restando para a segunda compensação o crédito de R$ 19.000,72 (já atualizado em 16,33%), o qual, não foi suficiente para quitar totalmente o débito, subsistindo o saldo devedor de R$ 41.740,47, tal como exigido no Despacho Decisório elaborado pela DERAT/SP. Por outro lado, o segundo débito informado ("002 de 002"), venceu em 24/02/2012, mesma data da entrega da DCOMP. Neste caso, como o débito não estava vencido na data da entrega da DCOMP, sobre ele não incidiram os acréscimos legais. Concluindo, temos que, fazendose o encontro de contas valorados até a data da entrega de Declaração de Compensação (DCOMP), vêse que o crédito, reconhecido em sua totalidade, de fato, não foi suficiente para quitar totalmente o segundo débito informado, conforme detalhado no "Demonstrativo Analítico de Compensação" elaborado pelo Fisco. Dispositivo Diante do exposto e à vista de todo o arrazoado, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose hígida a declaração de piso. É como voto. Waldir Navarro Bezerra (assinado digitalmente) Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10880.959886/201237 Acórdão n.º 3402006.043 S3C4T2 Fl. 93 7 Fl. 96DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.909888/2012-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004
RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. RE 566.621. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF.
O termo inicial para contagem do prazo prescricional de restituição de indébito tributário relativo aos pedidos administrativos protocolados após 09/06/2005 é a data do pagamento antecipado de que trata o artigo 150 do CTN.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.447
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. RE 566.621. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O termo inicial para contagem do prazo prescricional de restituição de indébito tributário relativo aos pedidos administrativos protocolados após 09/06/2005 é a data do pagamento antecipado de que trata o artigo 150 do CTN. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 98 88 /2 01 2- 51 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 11065.909888/201251 Acórdão n.º 3302006.447 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da compensação declarada (DComp), em razão do transcurso do prazo decadencial de cinco anos entre a data da arrecadação e a data da transmissão da DComp. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do seu direito, arguindo o seguinte: a) o prazo para se pleitear a restituição do crédito extinguese a partir da data da transmissão da declaração de compensação, sendo equivocado o entendimento de que a extinção do crédito em tributo sujeito ao lançamento por homologação ocorre a partir do pagamento antecipado; b) o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já apreciou a questão (REsp 1.002.932/SP), concluindo que o prazo para se pleitear a restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da Lei Complementar nº 118/2005 segue a tese dos cinco mais cinco anos. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 10045.726, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que o direito de se pleitear restituição de tributo ou contribuição pago a maior ou de utilizar o indébito para fins de compensação decai com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data da extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando que o termo inicial para contagem do prazo prescricional para repetição de indébito fosse a data de entrega da DCTF retificadora, em conformidade com o decidido no REsp 1.002.932/SP, julgado na sistemática de recursos repetitivos. É o relatório. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 11065.909888/201251 Acórdão n.º 3302006.447 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.436, de 30/01/2019, proferida no julgamento do processo nº 11065.909876/201227, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.436): O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A lide se restringe ao termo inicial para repetição do indébito tributário. A recorrente pleiteia que o termo inicial seja contado a partir da entrega de DCTF retificadora, a qual teria constituído o crédito cujo extinção por pagamento seria indevida. A matéria foi pacificada pelo julgamento do RE 566.621, com repercussão geral reconhecida nos termos do artigo 543B do anterior Código de Processo Civil, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida nos julgamentos deste Conselho, por força da aplicação do § 2º1 do artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. O julgamento consolidou a tese dos "cinco mais cinco" contados do fato gerador, pela aplicação combinada dos artigos 150, § 4º, 156, inciso VII e 168, inciso I do CTN, afastando a natureza interpretativa da Lei Complementar nº 118/2005 e aplicando o prazo de cinco anos estabelecido no artigo 168 do CTN, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, às ações ajuizadas a partir de 09/06/2005, conforme ementa abaixo transcrita: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou do s arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 64DF CARF MF Processo nº 11065.909888/201251 Acórdão n.º 3302006.447 S3C3T2 Fl. 5 4 estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Decisão Após os votos da Senhora Ministra Ellen Gracie (Relatora) e dos Senhores Ministros Ricardo Lewandowski, Ayres Britto, Celso de Mello e Cezar Peluso (Presidente), conhecendo e negando provimento ao recurso, e os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes, dando lhe provimento, foi o julgamento suspenso para colher o voto do Senhor Ministro Eros Grau. Ausente, licenciado, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Falaram, pela recorrente, o Dr. Fabrício Sarmanho de Albuquerque e, pelo recorrido, Ruy Cesar Abella Ferreira, o Dr. Marco André Dunley Gomes. Plenário, 05.05.2010. Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, negou provimento ao recurso extraordinário, contra os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes. Ausente, licenciado, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidiu o julgamento o Senhor Ministro Cezar Peluso. Plenário, 04.08.2011. A decisão proferida foi reconhecida no REsp 1.269.570/MG, superando o julgado no REsp 1.002.932/SP, conformandose à jurisprudência do STF, nos termos da seguinte ementa: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITO NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR Fl. 65DF CARF MF Processo nº 11065.909888/201251 Acórdão n.º 3302006.447 S3C3T2 Fl. 6 5 HOMOLOGAÇÃO. ART. 3º, DA LC 118/2005. POSICIONAMENTO DO STF. ALTERAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SUPERADO ENTENDIMENTO FIRMADO ANTERIORMENTE TAMBÉM EM SEDE DE RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. 1. O acórdão proveniente da Corte Especial na AI nos Eresp nº 644.736/PE, Relator o Ministro Teori Albino Zavascki, DJ de 27.08.2007, e o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009, firmaram o entendimento no sentido de que o art. 3º da LC 118/2005 somente pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. Sendo assim, a jurisprudência deste STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior. 2. No entanto, o mesmo tema recebeu julgamento pelo STF no RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011, onde foi fixado marco para a aplicação do regime novo de prazo prescricional levandose em consideração a data do ajuizamento da ação (e não mais a data do pagamento) em confronto com a data da vigência da lei nova (9.6.2005). 3. Tendo a jurisprudência deste STJ sido construída em interpretação de princípios constitucionais, urge inclinarse esta Casa ao decidido pela Corte Suprema competente para dar a palavra final em temas de tal jaez, notadamente em havendo julgamento de mérito em repercussão geral (arts. 543A e 543B, do CPC). Desse modo, para as ações ajuizadas a partir de 9.6.2005, aplicase o art. 3º, da Lei Complementar n. 118/2005, contandose o prazo prescricional dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em cinco anos a partir do pagamento antecipado de que trata o art. 150, §1º, do CTN. 4. Superado o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009. 5. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. De outro lado, a Fazenda Nacional reconheceu a aplicação dos julgados aos pleitos administrativos, mediante o Parecer PGFN/CRJ/Nº 1247/2014 (confirmado na Nota PGFN/CRJ/Nº 1217/2014), cuja conclusão em seu item 122 recomendou a adoção de orientação mais flexível, 2 12. Não se está, aqui, a afastar a plausibilidade da orientação plasmada no Parecer PGFN/CRJ/Nº 1528/2012, perfeitamente adequada ao cenário em que proferida, afinal a Administração Tributária, independentemente da LC nº 118/05, defendia a tese prevista em seu art. 3º, o que, à época, justificou uma interpretação mais restritiva do decidido no RE 566.621/RS. Todavia, os já mencionados precedentes posteriores, bem como o atual contexto, recomendam a adoção de orientação mais flexível, entendendo, sob a ótica da ratio decidendi do julgado em repercussão geral (Tema nº 04), que, em se tratando de pleito administrativo anterior à vigência da LC nº 118/2005 ou de demanda judicial que, embora posterior, seja a este (anterior) relativa (art. 169 do CTN), deve ser observada a sistemática da “tese dos cinco mais cinco”. 13. São essas as considerações que esta CRJ reputa úteis ao deslinde das questões jurídicas trazidas à sua apreciação, sugerindo, em caso de aprovação, (i) a revogação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 1528/2012, (ii) ampla divulgação do presente Parecer às unidades da PGFN e da RFB, a fim de conferir tratamento uniforme à matéria, (iii) o encaminhamento de cópia deste Parecer à CASTF, para possível desistência dos agravos regimentais pendentes, mencionados na Nota PGFN/CASTF/Nº 683/2014, por incidência do disposto no art. 1º, V, da Portaria PGFN Nº 294/2010 e (iv) a adequação, à orientação aqui contida, do tópico correspondente ao RE 566.621/RS na Lista do art. 1º, V e § 1º, da Portaria PGFN Nº 294/2010. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 11065.909888/201251 Acórdão n.º 3302006.447 S3C3T2 Fl. 7 6 privilegiando a razão de decidir do RE 566.621, estendendo a sistemática da tese dos "cinco mais cinco" aos pleitos administrativos formulados anteriormente à vigência da LC nº 118/2005, ou seja, anteriores a 09/06/2005. Por fim, foi editada a Súmula CARF nº 91, de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, a teor do artigo 72 do Anexo II do Regimento Interno. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador Assim, aos pleitos administrativos protocolados após 09/06/2005, como é o caso dos presentes autos (DCOMP entregue em 29/11/2010), devese considerar a extinção do crédito tributário no momento do pagamento antecipado, no caso 15/02/2005, sendo este o termo inicial para contagem do prazo prescricional de cinco anos e não no momento de entrega de DCTF retificadora. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. Ressaltese que, no presente processo, a DComp foi transmitida em 30/11/2010, após, portanto 09/06/2005, tendo o pagamento sido antecipado em 12/11/2004, termo inicial para a contagem do prazo prescricional de cinco anos. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.010909/2010-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/04/2010
DACON MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.
A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa por atraso na entrega.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-006.139
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
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EXPORT E DISTRIB. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/04/2010 DACON MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa por atraso na entrega. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 09 09 /2 01 0- 52 Fl. 41DF CARF MF Processo nº 15504.010909/201052 Acórdão n.º 3402006.139 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento para exigência de multa por atraso de entrega do DACON. Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, alegando uma indisponibilidade no sistema do RECEITANET, que não concluía a recepção dos arquivos. A defesa foi julgada improcedente nos termos do Acórdão da DRJ n.º 02037.815. Intimada desta decisão a empresa apresentou Recurso Voluntário tempestivo reiterando sua alegação de defesa, afirmando que procedeu com o protocolo físico, juntamente com a tela de indisponibilidade do sistema da RFB. Tratandose o presente caso de caso fortuito ou força maior, caberia ser excluída a responsabilidade do sujeito, que agiu de boafé. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.129, de 31 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 15504.010532/201031, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402006.129): "O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Como relatado, pretende a Recorrente que seja afastada a multa aplicada de atraso na entrega do DACON em razão da indisponibilidade do sistema da Receita Federal (RECEITANET), que teria sido devidamente comprovado pelas telas anexas à Impugnação (efls. 06/07). Contudo, as telas anexadas pelo sujeito passivo não evidenciam, de forma contundente, que o equívoco ocorreu no sistema da Receita Federal, na data sugerida pelo sujeito passivo (08/06/2010). Com efeito, a primeira tela anexada aos autos (efl. 06) não identifica o sujeito passivo a que corresponde: Fl. 42DF CARF MF Processo nº 15504.010909/201052 Acórdão n.º 3402006.139 S3C4T2 Fl. 0 3 Esta é a única tela que traz a suposta data de tentativa de envio (08/06/2010). Contudo, observase que esta tela não identifica a quem ela se refere, não sendo possível confirmar que corresponderia, apenas, à Recorrente. Neste aspecto, essencial frisar que exatamente por não identificar o sujeito a que se refere, esta mesma tela foi anexada em outros processos administrativos, relacionados a sujeitos passivos distintos do presente, inclusive com o mesmo horário de tentativa de envio (21:09). É o que se confirma, de forma exemplificativa, da análise de processos que compõe o lote de repetitivos do presente processo, nos quais a mesma tela foi acostada aos autos: Processo nº 15504.010538/201017 da empresa GEMAPE MAQUINAS E PECAS LTDA: tela idêntica à acima reproduzida foi acostada às efls. 10 daqueles autos; Processo nº 15504.011788/201066 da empresa CHARM REPRESENTACOES LTDA: tela idêntica à acima reproduzida foi acostada às efls. 06 daqueles autos; e Processo nº 13603.001542/201032 da empresa WRS AUTO PECAS LTDA: tela idêntica à acima reproduzida foi acostada às efls. 08 daqueles autos. Por sua vez, a única tela que identifica a empresa por meio de seu nome e CNPJ (efl. 07), não identifica a data de tentativa de envio, somente um horário da tela do computador (22:09): Fl. 43DF CARF MF Processo nº 15504.010909/201052 Acórdão n.º 3402006.139 S3C4T2 Fl. 0 4 Assim, as telas acostadas aos presentes autos não comprovam que o atraso no envio poderia ser imputado ao sistema da Receita Federal. Essencial mencionar que, quando comprovado que ocorreu um erro técnico que prejudicou todos os contribuintes, a própria Receita Federal procede com o cancelamento das multas, como ocorreu no Ato Declaratório Executivo n.º 90/2009, para as declarações entregues em outubro/2009. No presente caso, a Receita não emitiu qualquer ato suscetível a comprovar erro técnico generalizado em seu sistema. E, por sua vez, os documentos acostados aos autos não são suficientes para demonstrar que esse erro técnico seria imputável à Receita Federal, ou mesmo que teria ocorrido especificamente quanto ao sujeito passivo autuado. Nesse sentido, cabe ser mantida a multa aplicada. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 44DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13874.000223/2003-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/07/1998 a 30/09/1998
RECOLHIMENTO. COMPROVAÇÃO DE ALEGAÇÕES.
Estando comprovada em diligência que houve pagamento dos débitos declarados em DCTF, e não sendo efetuada a apropriação por limitação nos sistemas informatizados é de se cancelar a autuação..
Numero da decisão: 3401-005.770
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, acolhendo o resultado da diligência.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Renato Vieira de Àvila (suplente convocado). Ausente Conselheiro Cassio Schappo.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, acolhendo o resultado da diligência. Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes - Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Renato Vieira de Àvila (suplente convocado). Ausente Conselheiro Cassio Schappo.
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COMPROVAÇÃO DE ALEGAÇÕES. Estando comprovada em diligência que houve pagamento dos débitos declarados em DCTF, e não sendo efetuada a apropriação por limitação nos sistemas informatizados é de se cancelar a autuação.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, acolhendo o resultado da diligência. Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Renato Vieira de Àvila (suplente convocado). Ausente Conselheiro Cassio Schappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 4. 00 02 23 /2 00 3- 91 Fl. 172DF CARF MF Processo nº 13874.000223/200391 Acórdão n.º 3401005.770 S3C4T1 Fl. 173 2 Relatório Tratase de auto de infração de infração (fls. 07/09) lavrado para exigir a contribuição COFINS em virtude de falta de recolhimento dos períodos de apuração de julho, de agosto e de setembro de 1998. Em sua impugnação, a contribuinte alegou: que desconhece os motivos da irregularidade informada, pois os pagamentos foram devidamente realizados. A DRJ Riberão Preto julgou improcedente em parte a impugnação, conforme ementa do Acórdão nº 1434.161, de 09 de junho de 2011: FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento das contribuições para a Cofins, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. COMPROVAÇÃO DE ALEGAÇÕES. As alegações desacompanhadas de provas que as corroborem devem ser desconsideradas no julgamento. MULTA DE OFÍCIO. RETRO ATIVIDADE BENIGNA. EXONERAÇÃO. Exonerase a multa de ofício imposta sobre diferença apurada em débito declarado na DCTF, tendo em vista a retroatividade benigna do art. 18 da Lein° 10.833, de 2003. A contribuinte apresentou recurso voluntário, onde repisa o que disse na impugnação, e afirma que as provas foram juntadas com a impugnação, ao contrário do que afirma a decisão de 1º grau. Sumetido a julgamento no CARF o julgamento foi convertido em diligência pelas seguintes motivações e determinação: O auto de infração objeto deste processo teve como motivo a não localização dos recolhimentos do COFINS nos PA 07/1998, 08/1998 e 09/1998. Com relação aos PAs 07,08 e 09 de 1998 a contribuinte junta cópia dos DARFs (fls. 2930). No entender dos Julgadores de 1ª Instância, como a contribuinte apresentara DCTF referente ao 3º trimestre de 1997 e relacionada a esses (DARFS), esses pagamentos teriam sido alocados para esse trimestre de 1997 e o 3º trimestre de 1998 teria permanecido descoberto de pagamento. Ocorre que a autoridade da unidade jurisdicionante, às fls. 42, em 09/08/2004, assim consignou: Fl. 173DF CARF MF Processo nº 13874.000223/200391 Acórdão n.º 3401005.770 S3C4T1 Fl. 174 3 O contribuinte em epígrafe está apresentando impugnação ao Auto de Infração DCTF COFINS do ano calendário de 1997 e 1998 , alegando que o débito , alvo do referido Auto , foi liquidado por pagamento antes da lavratura do mesmo , porém apresenta as seguintes inconsistências: 1 para o 3º trimestre de 1997 foram apresentadas duas declarações de DCTF sendo uma delas referentes aos débitos e pagamentos do 3º trimestre de 1998 e esta declaração é que alimentou o sistema de 1997 , daí os pagamentos de 1998 foram alocados automaticamente via DCTF e como consequencia gerou ao auto de infração de 1998; 2 os pagamentos referentes aos débitos da declaração correta do 3º trimestre de 1997 estão disponíveis no sistema. Estando o processo devidamente formalizado, encaminhese o presente à SACAT/DRF/SOROCABA , para análise e manifestação. Lendo as cópias das DCTFS referidas, pareceme que a contribuinte perpetrou equivoco ao identificála como pertencente a 1997, quando o correto seria 1998. Os pagamentos relacionados nessas DCTFs indicam que os PAs são os de 1998. Contudo, estamos diante de uma situação que pode revelar não só um desencontro nos registros relacionados a esses débitos e pagamentos. Pareceme que o contribuinte aponta um erro de preenchimento nas DCTF's, corroborado pela autoridade administrativa da jurisdição; mas divergindo da apreciação feita pela DRJ. Há um conflito de entendimentos a esse respeito, e a solução não reside nesses documentos juntados. Proponho a esta E Turma aprovar a conversão do julgamento em diligência para a unidade jurisdicionante verificar e, se for o caso reconhecer, se a contribuinte apresentou em duplicidade DCTF para o 3º trimestre de 1997. E se a última transmissão dessa declaração se referiria, de fato, ao 3º trimestre de 1998. E se há pagamentos nos sistemas de controle da Receita Federal feitos pelo contribuinte de serem considerados em condição de quitar os débitos dos PAs dos citados trimestres de 1997 e 1998. A DRF Sorocaba respondeu a diligência, Despacho Secat nº 055/2018, fls. 164 e sgs. Concluindo que: Trata o presente despacho de atendimento ao pedido de diligência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), no qual solicita para verificar e, se for o caso reconhecer, se a contribuinte apresentou em duplicidade DCTF para o 3º trimestre de 1997. E se a última transmissão dessa declaração se referiria, de fato, ao 3º trimestre de 1998. E se há pagamentos nos sistemas de controle da Receita Federal feitos pelo contribuinte de serem considerados em condição de quitar os débitos dos PAs dos citados trimestres de 1997 e 1998. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 13874.000223/200391 Acórdão n.º 3401005.770 S3C4T1 Fl. 175 4 Para elucidar as dúvidas existentes, foi juntado ao processo acima discriminado, o processo 13874.000313/200209 (fl. 103 a 160), que trata de cobrança da Cofins do 3º trimestre de 1997. Conforme se observa nas conclusões constantes do Despacho Decisório DRF/SOR/SECAT nº 648/2011, cuja cópia foi destacada às fl. 161 a 163, o julgador conclui que houve erro por parte do contribuinte em declarar os valores nas DCTF no 3º trimestre de 1997 e 3º trimestre de 1998. Por esse motivo, os valores pagos, referente aos períodos do 3ºT/1998, foram alocados para o 3ºT/1997. Por não ser possível, por inibição por parte dos sistemas da RFB, de se efetuar a desalocação dos pagamentos do 3ºT/1998, alocados indevidamente para o do 3ºT/1997, por erro do contribuinte, para alocálos para os períodos 1998, os mesmos foram mantidos alocados para 1997. Os pagamentos corretos, referente ao 3º T/1997, foram bloqueados nos sistemas da RFB para evitar que venha a ser utilizado indevidamente. Concluise, portanto, que os valores referente ao 3º trimestre de 1998 foram devidamente recolhidos, porém não sendo possível a vinculação dos pagamentos aos débitos. O mesmo ocorre para o 3ºT/1997. Dêse ciência ao interessado deste Despacho, do Despacho Decisório DRF/SOR/SECAT nº 648/2011 e da Resolução nº 3401000.857 do CARF, podendo, no prazo de 30 (trinta) dias contados do recebimento deste, a se manifestar sobre o relatado. Após, o processo acima discriminado seguirá para julgamento junto ao CARF. Foi dada ciência ao contribuinte do teor do despacho, não tendo sido apresentada alegações. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Conforme conclui o resultado da diligência existe um erro no sistema que impede a vinculação dos pagamentos incorretamente vinculados pelo contribuinte: Concluise, portanto, que os valores referente ao 3º trimestre de 1998 foram devidamente recolhidos, porém não sendo possível a vinculação dos pagamentos aos débitos. O mesmo ocorre para o 3ºT/1997. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13874.000223/200391 Acórdão n.º 3401005.770 S3C4T1 Fl. 176 5 Ora, os erros nos sistemas informatizados não podem ser impedimento ao usufruto do direito pelo contribuinte. Seguindo a conclusão da DRF na diligência deve ser reconhecida a apropriação dos DARF à DCTF e a autuação cancelada. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por darlhe provimento. Mara Cristina Sifuentes Relatora (assinado digitalmente) Fl. 176DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.007282/2005-62
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/04/2004
DCTF. ATRASO NA ENTREGA. MULTA.
A não entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, no prazo estipulado na legislação, sujeitará o infrator à pena administrativa de multa.
Numero da decisão: 1001-000.994
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 30/04/2004 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. MULTA. A não entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, no prazo estipulado na legislação, sujeitará o infrator à pena administrativa de multa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1280; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.007282/200562 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.994 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 05 de dezembro de 2018 Matéria Multa por Atraso na Entrega de Declaração Recorrente GRUPO INTEGRADO DE ANESTESIOLOGIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/04/2004 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. MULTA. A não entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, no prazo estipulado na legislação, sujeitará o infrator à pena administrativa de multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 72 82 /2 00 5- 62 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 11080.007282/200562 Acórdão n.º 1001000.994 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 50 a 52) interposto contra o Acórdão nº 11215, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS (fls. 38 a 42), que, por unanimidade, julgou improcedente a Impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 30/04/2004 Ementa: Comprovado o exercício de atividades por parte da empresa, exigível a multa por entrega de DCTF a destempo. Lançamento Procedente" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Trata o presente processo de auto de infração, relativo à multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF — lavrado contra o contribuinte acima identificado. A autuada impugna o lançamento, alegando que no dia 12/05/2004 a Secretaria da Receita Federal efetuou modificações no programa gerador da DCTF. Esta empresa, através do contador e responsável pela confecção e envio das declarações, efetuou as modificações determinadas. Argumenta que após as modificações terem sido realizadas no programa gerador da DCTF, versão "DCTF 3.0" e, após várias tentativas no dia 14/05/2004 não foi possível a transmissão da declaração através da internet. Enfim, apesar da insistência do contador, o programa gerador não possibilitou que fosse enviada a declaração no dia 14/05/2004.”. Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Impugnação, a ora Recorrente apresentou o recurso sob análise com base nos mesmos elementos que já havia apresentado em primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues Fl. 79DF CARF MF Processo nº 11080.007282/200562 Acórdão n.º 1001000.994 S1C0T1 Fl. 4 3 O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, e por concordar com seu teor, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) Observo que nos anoscalendário de 1999, 2000 e 2001 a entrega das DCTF's era disciplinada pela IN SRF no 126, de 30 de outubro de 1998, que assim dispunha: Art. 6°A falta de entrega da DCTF ou a sua entrega após os prazos referidos no art. 2°, sujeitará a pessoa jurídica ao pagamento da multa correspondente a cinqüenta e sete reais e trinta e quatro centavos, por mêscalendário ou .fiageio de atraso, tendo como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo ,final a data da efetiva entrega (Decretolei n°1.968, de 1982, art. li, §§ 2°e 3°, com as modificações do Decretolei n°2.065, de 1983, art. 10; Lei n°8.383, de 1991, art. 3°, inciso I; da Lei n°9.249, de 1995, art. 30). Já a IN SRF n° 255, de 11 de dezembro de 2002, estabeleceu, com esteio no art. 7° da Lei n" 10.426, de 24 de abril de 2002, novas formas de cálculo da multa por atraso na entrega da DCTF, observandose a retroatividade benigna estatuida no art. 106 da Lei no 5.172 (CTN). Dispõe o art. 7° da referida Instrução Normativa: 'Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar a DCTF nos prazos fixados ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentar declaração original, (..) e strjeficir4eci às seguintes multas: I de dois por cento ao mês calendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago , no caso de falta de entrega desta declaração ou entrega após o prazo, ilmitada a vinte por cento, observado o disposto no ss 3'; (g.n.) § 2° Observado o disposto no ss 3°, as multas sera() reduzidas: I em cinqüenta por cento, quando a declaração for apresentada após o p razo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; II em vinte e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3°A multa minima a ser aplicada será de: I — R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa jurídica inativa. II RS 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. § 4° Para DCTF que seja referente até o terceiro trimestre de 2001, a multa será de R$ 57,34 (cinqüenta e sete reais e trinta e quatro centavos) por mês calendário ou fração, salvo quando da aplicação do disposto no caput resultar penalidade menos gravosa." Fl. 80DF CARF MF Processo nº 11080.007282/200562 Acórdão n.º 1001000.994 S1C0T1 Fl. 5 4 Retrocedendo no tempo, a titulo de esclarecimento, a penalidade pecuniária aplicável ao descumprimento da referida obrigação acessória tinha fundamento legal nos seguintes dispositivos: art. 11, § 2" e 30, do Decreto lei n.° 1.968/1982, com as modificações do art. 10 do Decreto lei n.° 2.065/1983, art. 5°, § 3°, do Decretolei n.° 2.124/1984, art. 30, inciso I, da Lei n.° 8.383/1991, e art. 30 da Lei n.° 9.249/1995, além da regulamentação dada, no caso, pelas IN's 73/96 e 126/98. Portanto, não é verdade que a instituição da obrigação acessório bem como a da penalidade pecuniária pelo seu descumprimento, esteja a ferir o principio do legalidade. Resta patente que têm suporte legal a exigência de apresentação da DCTF, bem assim a aplicação de penalidade por atraso na sua entrega, ainda que os tributos e contribuições hajam sido integralmente pagos. Também é cediço que a autoridade administrativa não dispõe de competência para examinar argüições de ilegalidade e inconstitucionalidade de normas insertas no ordenamento jurídico, competência esta atribuida em caráter privativo ao Poder Judiciário, refutandose, por este motivo, qualquer questionamento quanto ao caráter confiscatório da penalidade. Os demais argumentos da contribuinte não a socorrem, pois não ha como o contribuinte alegar desconhecimento de lei, consoante o artigo 3° da Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro. Destaquese ainda que não compete a autoridade julgadora considerar, em sua apreciação e convencimento, situações de cunho pessoal e de natureza econômico financeira dos contribuintes. A autuada não contesta o atraso na entrega das declarações, até mesmo porque esta circunstância não pode ser desmentida ante os registros eletrônicos de recepção nos sistemas da SRF, nos quais não consta problema algum para a geração da declaração no programa disponibilizado aos contribuintes. Assim é que, estando comprovada a prática da infração, como no caso vertente, resta procedente a lavratura do auto de infração pela autoridade fiscal, a quem cumpre efetuar o lançamento, atividade vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142 do CTN. Observo ainda que o auto de infração está em plena conformidade com o Decreto 70.235/1972 e alterações posteriores, estando suficientemente instruido de maneira a possibilitar a ampla defesa da autuada, bem como o julgamento por parte deste parecerista, não havendo infringencia alguma ao art. 9 ° ou 10° do referido decreto. (...)" Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 11080.007282/200562 Acórdão n.º 1001000.994 S1C0T1 Fl. 6 5 É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11030.721107/2012-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO NÃO CARACTERIZADO. VÍCIO MATERIAL NO LANÇAMENTO.
A incidência de imposto de renda na fonte à alíquota de 35%, prevista no artigo 61 da Lei 8.981/95, tem como pressuposto fático a efetiva comprovação, por parte do fisco, da ocorrência de pagamento, sob pena de macular o lançamento por vício material.
Numero da decisão: 1201-002.699
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em dar provimento ao recurso voluntário, por maioria de votos. Vencido o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa.
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gisele Barra Bossa e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
1.0 = *:*
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO NÃO CARACTERIZADO. VÍCIO MATERIAL NO LANÇAMENTO. A incidência de imposto de renda na fonte à alíquota de 35%, prevista no artigo 61 da Lei 8.981/95, tem como pressuposto fático a efetiva comprovação, por parte do fisco, da ocorrência de pagamento, sob pena de macular o lançamento por vício material.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
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secao_s : Primeira Seção de Julgamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar provimento ao recurso voluntário, por maioria de votos. Vencido o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gisele Barra Bossa e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente em exercício).
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VÍCIO MATERIAL NO LANÇAMENTO. A incidência de imposto de renda na fonte à alíquota de 35%, prevista no artigo 61 da Lei 8.981/95, tem como pressuposto fático a efetiva comprovação, por parte do fisco, da ocorrência de pagamento, sob pena de macular o lançamento por vício material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar provimento ao recurso voluntário, por maioria de votos. Vencido o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gisele Barra Bossa e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 11 07 /2 01 2- 04 Fl. 470DF CARF MF 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Auto de Infração (fls. 3/7) que exige IRFonte de 35%, relativo a 31/12/2010, sob a alegação de que a empresa teria efetuado pagamentos a beneficiários não identificados. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (TVF de fls. 8/12): 03.02. Das irregularidades 03.02.01. Imposto de Renda na Fonte sobre pagamentos a beneficiáro não identificado A contribuinte foi intimada em 15/08/2011 a apresentar, entre outros elementos, documentação que serviu de base para o lançamento efetuado no dia 31/12/2010 a crédito da conta Caixa (1.1.1.01.001) e a débito da conta Cheques Prédatados (1.1.3.01.001) no valor de R$ 6.011.325,33 (item 7a do Termo de Diligência Fiscal nr. 02, em anexo. Em sua resposta ao referido termo a fiscalizada informou que "não será possível apresentar a documentação que embasa os registros contábeis efetuados, em 2010, na conta contábil 1.1.3.01.001 cheques prédatados, conforme solicitado. Continua em sua resposta: "Referidos valores, em cheques pré datados, digase, chegaram até a Intimada, através da distribuição de lucros das empresas do Grupo Bianchini, que são suas controladas." Alega ainda que "Por outro lado, vale dizer, também não é possível elaborar um demonstrativo dos cheques que compõem o saldo da conta citada, visto que as empresas não possuíam controle destes cheques." Dessa forma, a contribuinte não apresentou qualquer comprovação relativa ao valor que deu saída da conta caixa no dia 31/12/2010. Como tal saída ou pagamento não teve seu beneficiário identificado através de documentação probatória, considerase tal saída como pagamento a beneficiário não identificado e, portanto, sujeito ao IRRF de 35% sobre a base de cálculo reajustada conforme demonstrado abaixo: Data do pagamento Valor Pago Base de Calcul Reajustada IR devido 31/12/2010 6.011.325,33 9.248.192,82 3.236.867,49 Dessa forma, tendo sido constatada a falta de retenção do imposto de renda na fonte, foi efetuado o lançamento do respectivo imposto, constituindose o crédito tributário através de Auto de Infração formalizado no processo nr. 11030.721107/201204 . Fl. 471DF CARF MF Processo nº 11030.721107/201204 Acórdão n.º 1201002.699 S1C2T1 Fl. 3 3 A contribuinte apresentou impugnação (fls. 84/92). Argumenta que jamais poderia o fisco presumir a existência de um pagamento, sendo essencial a necessária comprovação dos desembolsos, o que nunca foi feito. Alega que não houve qualquer saída de numerário ou pagamento a beneficiário não identificado. Em suas palavras: para que os administradores da empresa pudessem/possam ter uma visão real da situação financeira da mesma, a empresa optou por criar uma conta específica para os cheques prédatados e no final de cada mês, estes eram/são somados e registrados nesta conta específica. Nesse sentido lançou a crédito, na conta contábil caixa, o montante de R$ 6.011.325,33, cuja contrapartida foi justamente um lançamento a débito na conta cheques prédatados, apenas como forma de ter um controle financeiro mais detalhado. Em seguida sustenta que referido valor foi utilizado para pagamento das seguintes contas: (i) em 31/12/2010, os valores de R$ 334.751,48 e R$ 346.335,32 para quitação de empréstimos tomados dos Srs. Cláudio José Bianchini e Maristela Bianchini, de acordo com os contratos de mútuo e recibos (fls. 118/186); (ii) em maio/2011, adiantamento de R$ 2.000.000,00 para futuro aumento de capital em duas empresas das quais seria sócia (R$ 1.000.000,00 para a empresa Futura Empreendimentos Imobiliários Ltda. e R$ 1.000.000,00 para a empresa Bianchini Empreendimentos Imobiliários Ltda.), conforme atestam as alterações contratuais apresentadas (fls. 187/223) ; (iii) em 05/05/2011, distribuição de dividendos aos acionistas, no montante de R$ 3.330.238,53, conforme ata societária (fls. 109/113) e recibos que junta (fls. 224/226). Referida documentação, no entender da contribuinte, demonstra cabalmente que o crédito de caixa com a contrapartida na conta cheques prédatados, bem como a comprovação do destino dos títulos, afastariam por si só o enquadramento de pagamentos a beneficiários não identificados. Em Sessão de 30/03/2013, a DRJ/POA julgou a defesa improcedente, por meio de decisão de fls. 230/235, que restou assim ementada: IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA COMPROVADA OU A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. Crédito na conta caixa indica a realização de um pagamento, salvo comprovação em contrário, a cargo da contribuinte. Os pagamentos para os quais não se comprovar o beneficiário ou a causa ficam sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte. Cientificada da decisão em 15/05/2013 (AR fls. 238), a empresa interpôs recurso voluntário (fls. 239/260) no dia 14/06/2013. Reitera as alegações de defesa e contraria determinados pontos da decisão de primeiro grau. Posteriormente, a contribuinte apresentou petição (fls. 291/295). Menciona decisões do CARF que amparariam sua tese e anexa estudo (fls. 297/303) concluindo que: Fl. 472DF CARF MF 4 4 CONCLUSÃO Como resultado das nossas análises, conforme relatado nos itens 2 e 3 supra, concluímos que o lançamento efetuado na escrituração contábil da empresa "COMBI PARTICIPAÇÕES S/A" em 31 de dezembro de 2010, no valor de R$ 6.011.325,33, envolvendo as contas "Caixa" e "Cheques Prédatados", não representa, efetivamente, uma saída de recursos financeiros da empresa. No nosso entender, pelas razões referidas neste relatório, o valor de R$ 6.011.325,33, que foi considerado pelos Agentes Fiscais como pagamento a beneficiários não identificados, não corresponde a efetivo pagamento realizado pela empresa "COMBI PARTICIPAÇÕES S/A", uma vez que inexiste prova da movimentação financeira de tais recursos. Assim, dito lançamento contábil por não ter suporte em documentos válidos e eficazes, não poderá dar suporte ao auto de infração emitido pela .Secretaria da Receita Federal do Brasil, exigindo, do contribuinte, o pagamento de expressiva cifra a título de imposto de renda retido na fonte, ao argumento de que dito lançamento corresponde a pagamento a beneficiário não identificado. Cientificada dessa petição complementar e documentos, a PGFN se manifestou às fls. 311/314 ratificando o procedimento fiscal adotado. Finalmente, e alegando existência de fatos novos, a Recorrente novamente peticiona aos autos (fls. 464/469), trazendo cópia do Acórdão n. 2202002.928 (fls. 323/343), o qual analisou matéria semelhante para empresa do grupo, mas que teve o lançamento mantido por voto de qualidade, bem como de ação anulatória ajuizada para reforma e que conta com perícia contrária à legitimidade do lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade. Conforme visto, a controvérsia diz respeito se a Recorrente efetuou ou não pagamentos que somam a quantia de R$ 6.011.325,33, em 31/12/2010, a beneficiários não identificados. Segundo a fiscalização, o lançamento a crédito da conta caixa pelo valor e data acima mencionados ensejam a aplicação do artigo 674 do RIR/99, que assim dispõe: Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, Fl. 473DF CARF MF Processo nº 11030.721107/201204 Acórdão n.º 1201002.699 S1C2T1 Fl. 4 5 ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). § 1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). § 2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 2º). § 3º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3º). Grifei. Já a Recorrente sustenta, em linhas gerais, que a fiscalização não cumpriu seu ônus de provar a existência efetiva de pagamentos, bem como que houve indevida desconsideração de sua contabilidade e dos documentos das operações, fatos estes que maculam o lançamento. Pois bem. Em primeiro lugar, cumpre observar que a fiscalização nunca demonstrou a efetiva ocorrência de pagamentos ou entrega de recursos por parte da Recorrente em 31/12/2010. O que ocorreu, na verdade, foi uma presunção de que teria havido pagamentos exclusivamente a partir da identificação de registro contábil a crédito da conta caixa, mas cuja contrapartida sequer foi feita em conta de despesa. Ocorre, porém, que a leitura do texto legal do artigo 674 acima revela que sua aplicação exige a comprovação, por parte do fisco, da efetiva existência de pagamento. Sem a demonstração cabal de que a empresa de fato entregou recursos a terceiros, e este ônus compete à fiscalização, não há como a norma em questão produzir efeitos. Nesse sentido é a jurisprudência do CARF, conforme atestam as ementas dos seguintes julgados: PAGAMENTO CARACTERIZAÇÃO DO ATO ÔNUS DA PROVA. A caracterização pela fiscalização, mediante provas, de que ocorreu pagamento é pressuposto material para o lançamento do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, de que trata o caput do art. 61. (Acórdão 2202002.221. Data de Publicação: 17/06/2013). IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃOIDENTIFICADO. INCIDÊNCIA. O art. 61 da Lei n° 8.981/95 traz uma presunção legal da existência de rendimentos, cujo fato indiciário a ser provado pelo fisco é a ocorrência de efetivo pagamento, cuja causa ou o beneficiário não é identificado. (Acórdão 1301.000.950. Sessão de 14/06/2012). Fl. 474DF CARF MF 6 IRFONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA. INOCORRÊNCIA. Tributo não é penalidade ou sanção de ato ilícito. A exigência de IRFonte com fulcro no art. 35 da Lei 8.981/1995 deve observar 2 premissas básicas: i) a efetiva realização do pagamento (prova a cargo do Fisco); e ii) a inexistência ou não comprovação da causa do desembolso, e/ou a constatação de que o beneficiário não é aquele apontado pela fonte pagadora (prova também a cargo do Fisco). (Acórdão 1402.001.343. Sessão de 06/03/2013). Com efeito, a hipótese normativa do IRFonte sobre pagamento a beneficiário não identificado consiste em um elemento fático determinado, qual seja, o efetivo pagamento, sem o que não pode haver a incidência deste tributo, sob pena de flagrante ofensa ao disposto nos artigos 113, §1o e114 do CTN, in verbis: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. [...] Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência Em se tratando de exigência de IRFonte de 35% previsto no referido artigo 674 do RIR/99, a prova da ocorrência do pagamento a beneficiário não identificado deve ser produzida pelo Fisco, que não pode se valer de convicções pessoais ou de presunção de entrega de recursos não prevista em lei. O princípio da legalidade, que norteia a relação jurídicotributária, preceitua que a oneração do patrimônio do contribuinte somente pode decorrer de situações suficientemente descritas em lei e perfeitamente identificadas no mundo dos fatos, sob pena de se tributar uma realidade econômica inexistente ou diversa daquela prevista na regra tributária. Nos termos do artigo 142 do CTN: Artigo 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo Único A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Sobressai desse dispositivo legal a imposição à Administração Tributária (atividade vinculada e obrigatória) de averiguar a subsunção do fato (ou conceito do fato) à norma tributária, individualizandoa e tipificandoa de forma explícita, clara e congruente. Para que a autoridade fiscalizatória possa efetivamente proceder ao lançamento, deve antes confirmar a prática dos atos que teriam deflagrado a incidência tributária, sob pena de incorrer em vício material. Fl. 475DF CARF MF Processo nº 11030.721107/201204 Acórdão n.º 1201002.699 S1C2T1 Fl. 5 7 Cabe lembrar, aqui, da regra geral processual de que quem alega deve provar1. O ônus da prova, pois, compete a quem acusa, salvo exceções legais expressas. É justamente por isso que o artigo 9º do Decreto 70.235/72 determina que os Autos de Infração deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Nas lições de Arruda Alvim2, recaindo sobre uma das partes o ônus da prova relativamente a tais e quais fatos, não cumprindo esse ônus e inexistindo nos autos quaisquer outros elementos, pressuporseá um estado de fato contrário a essa parte. Assim, quem devia provar e não o fez perderá a demanda. Nesse caso concreto, a efetiva existência de pagamento condição necessária e suficiente para a exigência do tributo de fonte deveria ter sido certificada. Tratase de elemento do aspecto material da hipótese de incidência do IRFonte de 35% que jamais poderia ter sido desprezada. A falta, então, da prova da efetiva existência de pagamentos nesse caso concreto constitui descumprimento de requisito estrutural pela autoridade fiscal responsável pelo lançamento, viciando materialmente o Auto de Infração. Apesar de lógica essa conclusão, não se pode perder de vista que a própria Receita Federal já se manifestou que apenas o registro contábil não é suficiente para fins de exigência de IRFonte, sendo imprescindível a comprovação do pagamento pela fiscalização. Veja, a propósito, o teor da Solução de Consulta Interna no 11/2013: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. O registro contábil de despesa amparado em nota fiscal inidônea não autoriza, por si só, além da exigência do IRPJ (em face da glosa da despesa inexistente ou não comprovada), a cobrança pelo Fisco do IRRF por pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. A glosa de custo ou despesa, baseada em nota fiscal inidônea é compatível com o lançamento reflexo do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF) motivado pelo pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, desde que haja a comprovação por parte da autoridade fiscal do efetivo pagamento Ainda chama atenção nessa situação particular o fato de que os lançamentos contábeis a crédito na conta caixa sequer poderiam ser invocados como meio probatório hábil e suficiente para caracterizar os referidos pagamentos, uma vez que restou demonstrado que as contrapartidas de tais lançamentos foram feitas em conta do próprio ativo. Mais precisamente, a Recorrente justificou e demonstrou que os lançamentos a crédito em caixa tiveram como contrapartida outra conta de ativo (cheque), conta esta que, em 31/12/2010 (data considerada como fato gerador), registrou apenas duas saídas (ou seja, 1 Artigo 373, do CPC: "O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." 2 Manual de direito processual civil. Volime II. São Paulo: Editora RT. 2007. Fl. 476DF CARF MF 8 apenas dois pagamentos, respectivamente de R$ 334.751,48 e de R$ 346.335,32), sendo a diferença (R$ 5.330.238,53, cf. fl. 117) mantida como saldo em conta patrimonial. Esses dois pagamentos, a propósito, de acordo com o que esclarece a Recorrente e como se percebe do próprio descritivo dos registros na contabilidade, tiveram como destino a liquidação de mútuos, em conformidade com os comprovantes de fls. 118/186 (contratos e recibos). A DRJ, nesse particular, não "aceita" essa comprovação, sob o singelo argumento de que os recibos indicariam que os recebimentos se deram em moeda corrente (e não cheque). Não concordo, porém, com esse racional. Tratase de um excesso de formalismo que não poderia prevalecer. Como se sabe, e valendose de jargão popular, "cheque é dinheiro", além do que é incontroverso que a disponibilidade econômica da compensação de um cheque é a mesma do recebimento em espécie. Para os demais valores (que montam R$ 5.330.238,53) a decisão de piso procurou justificar a ausência de identificação do destinatário dos supostos pagamentos por convicções pessoais, mas parece ter deixado de observar que estes outros valores estavam compondo o saldo existente em outra conta de Ativo na data considerada como fato gerador (31/12/2010), o que por si só já afasta o indício de pagamentos na data eleita como fato gerador. Em outras palavras, quer parecer que a DRJ buscou "salvar" a presente cobrança por meio de ilações acerca de operações que teriam ocorrido posteriormente ao fato gerador considerado, procedimento este que também não se sustenta em face de outro erro de direito, agora no aspecto temporal do lançamento. Mas, não é só. Se foi a contabilidade a base do lançamento e o fato indiciário do pagamento, esta mesma contabilidade, quando menos, deveria ter sido tomada como válida e correta no ano calendário de 2010, sob pena de contradizer o próprio critério jurídico empregado pela fiscalização. Ou toda a contabilidade é imprestável e a fiscalização toma um outro rumo (como, por exemplo, a presunção legal de omissão de receita por saldo credor de caixa ou até mesmo adoção do método de arbitramento), ou as informações nela registradas possuem eficácia, na linha do que determinam os artigos 923 e 924 do RIR/99, verbis: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Art. 924. Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 2º). Assim sendo, e tendo em vista que a contabilidade, em 31/12/2010, atesta que apenas os montantes justificados de R$ 334.751,48 e de R$ 346.335,32 é que de fato saíram do caixa, sendo a diferença (R$ 5.330.238,53) mantida em conta de ativo, a presunção de que também esta diferença corresponderia a pagamentos feitos em 31/12/2010 "cai por terra". Fl. 477DF CARF MF Processo nº 11030.721107/201204 Acórdão n.º 1201002.699 S1C2T1 Fl. 6 9 Enfim, e na linha de mais um precedente do CARF3 "a hipótese de incidência de imposto de renda na fonte à alíquota de 35%, prevista no art. 61 da Lei 8.981/95, tem como pressuposto fático a efetuação de pagamento ou entrega de recursos. Embora a contabilização e despesas não comprovadas em contrapartida à conta Caixa indique a ocorrência de pagamentos a beneficiário não identificado, se os elementos dos autos não são suficientes para formar a convicção nesse sentido, não prospera o lançamento". Pelo exposto, e nesse mesmo sentido, DOU PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli 3 Acórdão 1301000.964. Sessão de 03/07/2012. Fl. 478DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16592.723645/2017-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS A TÍTULO DE RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES À PREVIDÊNCIA PRIVADA, PGBL.
Os resgates de Plano Gerador de Benefício Livre - PGBL com opção pelo regime progressivo de tributação estão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de 15%, devendo, ainda, ser declarados como tributáveis na declaração de ajuste anual, em que o respectivo imposto de renda retido na fonte será compensado.
RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES.
A responsabilidade por infração fiscal independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF. VALORES RECEBIDOS A TÍTULO DE RESGATE. ISENÇÃO. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE.
Os valores recebidos a título de resgate, que, segundo a legislação previdenciária, só poderá ocorrer enquanto não cumpridas as condições contratuais para o recebimento do benefício, por não configurar complemento de aposentadoria, estão sujeitos à incidência do imposto sobre a renda, ainda que efetuado por portador de moléstia grave. Solução de Divergência COSIT Nº 10, de 14 de agosto de 2014.
MULTA DE OFÍCIO DE 75%. APLICABILIDADE.
A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. Nos casos de lançamento de ofício, onde resultou comprovada a insuficiência do recolhimento de imposto, é exigível a multa de ofício por expressa determinação legal.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
Numero da decisão: 2401-005.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Matheus Soares Leite.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS A TÍTULO DE RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES À PREVIDÊNCIA PRIVADA, PGBL. Os resgates de Plano Gerador de Benefício Livre - PGBL com opção pelo regime progressivo de tributação estão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de 15%, devendo, ainda, ser declarados como tributáveis na declaração de ajuste anual, em que o respectivo imposto de renda retido na fonte será compensado. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. A responsabilidade por infração fiscal independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF. VALORES RECEBIDOS A TÍTULO DE RESGATE. ISENÇÃO. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Os valores recebidos a título de resgate, que, segundo a legislação previdenciária, só poderá ocorrer enquanto não cumpridas as condições contratuais para o recebimento do benefício, por não configurar complemento de aposentadoria, estão sujeitos à incidência do imposto sobre a renda, ainda que efetuado por portador de moléstia grave. Solução de Divergência COSIT Nº 10, de 14 de agosto de 2014. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. APLICABILIDADE. A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. Nos casos de lançamento de ofício, onde resultou comprovada a insuficiência do recolhimento de imposto, é exigível a multa de ofício por expressa determinação legal. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
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Os resgates de Plano Gerador de Benefício Livre PGBL com opção pelo regime progressivo de tributação estão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de 15%, devendo, ainda, ser declarados como tributáveis na declaração de ajuste anual, em que o respectivo imposto de renda retido na fonte será compensado. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. A responsabilidade por infração fiscal independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF. VALORES RECEBIDOS A TÍTULO DE RESGATE. ISENÇÃO. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Os valores recebidos a título de resgate, que, segundo a legislação previdenciária, só poderá ocorrer enquanto não cumpridas as condições contratuais para o recebimento do benefício, por não configurar complemento de aposentadoria, estão sujeitos à incidência do imposto sobre a renda, ainda que efetuado por portador de moléstia grave. Solução de Divergência COSIT Nº 10, de 14 de agosto de 2014. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. APLICABILIDADE. A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. Nos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 59 2. 72 36 45 /2 01 7- 98 Fl. 98DF CARF MF 2 casos de lançamento de ofício, onde resultou comprovada a insuficiência do recolhimento de imposto, é exigível a multa de ofício por expressa determinação legal. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Matheus Soares Leite. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Tratam os presentes de Notificação de Lançamento de fl. 06, referente ao anocalendário 2012, exercício 2013, acompanhada da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 07/09 e do demonstrativo de apuração de fls. 10/11, em que foi lhe exigido o imposto suplementar, no valor de R$ 157.953,45, acrescido da multa de ofício no valor de R$ 118.465,08 e juros de mora de R$ 76.370,49 (calculado até 31/07/2017), totalizando o crédito tributário apurado em R$ 352.789,02. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 07/09), as infrações apuradas pela Fiscalização foram: Fl. 99DF CARF MF Processo nº 16592.723645/201798 Acórdão n.º 2401005.943 S2C4T1 Fl. 3 3 Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou Sem Vínculo Empregatício no valor de R$ 1.048,38, tendo como fonte pagadora São Paulo Previdência – SPPREV; Omissão de Rendimentos Recebidos a Título de Resgate de Contribuições à Previdência Privada, PGBL e Fapi no valor de R$ 1.147.828,56, tendo como fonte pagadora a CAIXA VIDA E PREVIDÊNCIA S/A; Omissão de Rendimentos Recebidos a Título de Benefício ou Resgate de Planos de Seguro de Vida (VGBL) no valor de R$ 145.698,95, tendo como fonte pagadora a CAIXA VIDA E PREVIDÊNCIA S/A; Devidamente cientificado do lançamento em 03/08/2017 (fl. 53), o Interessado apresentou impugnação tempestiva em 01/09/2017 (fls. 02/05), por intermédio de procurador regularmente constituído, alegando o que segue: (i) Infração: OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO E/OU SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO Fonte Pagadora: 09.041.213/000136 – SÃO PAULO PREVIDÊNCIA – SPPREV (ATIVA). CPF Beneficiário: 519.057.10844 – DOMINGOS DOS SANTOS. Valor da infração: 1.048,38. Concordo com essa infração. (ii) Infração: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS A TÍTULO DE RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES À PREVIDÊNCIA PRIVADA, PGBL E FAPI Fonte Pagadora: 03.730.204/000176 – CAIXA VIDA E PREVIDÊNCIA S/A (ATIVA). CPF Beneficiário: 519.057.10844 – DOMINGOS DOS SANTOS. Valor da infração: 1.147.828,56. Não concordo com essa infração. Outras alegações: Foi declarado como consta nos rendimentos tributáveis o valor acima, portanto esta dirimido de nova tributação. (iii) Infração: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS A TÍTULO DE BENEFÍCIO OU RESGATE DE PLANOS DE SEGURO DE VIDA (VGBL) Fonte Pagadora: 73.020.400/017612 – CAIXA VIDA E PREVIDÊNCIA S/A (ATIVA). Fl. 100DF CARF MF 4 CPF Beneficiário: 519.057.10844 – DOMINGOS DOS SANTOS. Valor da infração: 145.698,95. Não concordo com essa infração. O valor contestado consta da declaração de ajuste anual como recebido de outra fonte pagadora. CNPJ e nome da outra fonte pagadora: Declarado CNPJ 03.730.204/000176 ** Na NOT.LAC 2013/097004919487300 CONSTA CNPJ 73.020.400/017610 (PESQ. anexa o número do CNPJ não é válido) *** o número acima 73.020.400/017612 (PESQ. anexa não existe o CNPJ INFORMADO) portanto nossa informação é válida. Em seguida, anexou os documentos de fls. 05/36 e fls. 39/42. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 0842.261 da 1ª Turma da DRJ/FOR, às fls. 67/77, julgando improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido em sua integralidade. Recordese: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 DISPENSA DE EMENTA Acórdão dispensado de ementa, conforme determinação contida na Portaria RFB nº 2.724, de 27 de setembro de 2017. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Do resultado do julgamento, o contribuinte Recorrente foi intimado em 26/03/2018 (fl. 84). Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 24/04/2018 (às fls. 87/93), argumentando, em síntese, o que segue: (i) O Recorrente é idoso e conta com 72 anos de idade, além de ser portador de doença grave (neoplasia maligna desde 2009), como provado neste processo administrativo. Diante desse quadro, constatandose eventual erro material quanto ao campo nas informações prestadas em sua Declaração de Ajuste Anual (exercício 2013 – ano calendário 2012), no caso específico no que tange ao resgate de plano de previdência privada – PGBL e de seguro VGBL, isso não pode gerar a cobrança de imposto suplementar e de altíssima multa de ofício, essa no importe de R$ 118.465,08; (ii) De forma simples e objetiva, a multa por omissão tem como finalidade penalizar o contribuinte por deixar de prestar informações de recebimentos à Receita Federal. Inexistiu, neste caso, a alegada omissão, uma vez que os rendimentos em tela foram lançados na mencionada declaração de ajuste, apontando a fonte pagadora Caixa Vida e Previdência S/A; Fl. 101DF CARF MF Processo nº 16592.723645/201798 Acórdão n.º 2401005.943 S2C4T1 Fl. 4 5 (iii) Ademais, apesar da respeitável decisão recorrida reconhecer que restou comprovado que o Recorrente é portador de doença grave (neoplasia maligna desde 2009), desconsiderou as isenções tributárias decorrentes da mesma ao proceder o lançamento fiscal. Dessa forma, o recolhimento tributário se deu de forma correta; (iv) Sob outro enfoque, o entendimento de primeiro grau quanto às multas não merece prosperar também pelos absurdos importes em que foram lançadas, punindo de forma extrema o idoso Recorrente. A fórmula contábil e as altíssimas multas impostas estão levando a cobrança a valores estratosféricos, em desacordo com os preceitos constitucionais. Cita doutrina a respeito das multas. A atual jurisprudência, inclusive da lavra do Colendo STF, permite que o Magistrado afaste a imposição de multas desproporcionais, inclusive por violação ao disposto no mencionado inciso IV do artigo 150 da Carta da República. Colaciona jurisprudência para corroborar a sua tese; (v) Diante do exposto, demonstrada a insubsistência e a improcedência da ação fiscal, aguardo o Recorrente o acolhimento do presente recurso voluntário, que almeja o cancelamento integral do débito fiscal reclamado, pelos motivos aqui expendidos. É o relatório. Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 26/03/2018 (fl. 84), e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 24/04/2018 (fl. 87), razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO a. Da omissão de rendimento decorrente do resgate de contribuições à previdência privada – PGBL e de Seguro VGBL. De início, verificase que o Recorrente defende que no caso de eventual erro material quanto ao campo nas informações prestadas em sua Declaração de Ajuste Anual (Anocalendário 2012), no caso específico no que tange ao resgate de plano de previdência Fl. 102DF CARF MF 6 privada – PGBL e de seguro VGBL, não é capaz de gerar a cobrança de imposto suplementar e multa de ofício. Ao contrário do que sustenta o Recorrente, tais rendimentos não foram ofertados à tributação na DIRPF 2013, anocalendário 2012, como se verifica da Declaração de Ajuste Anual (fls. 56/61). Referida situação se mostra ainda mais evidente nos quadros demonstrativos no voto condutor do julgado de primeira instância (fl. 70). Dessa forma, não procede a alegação de erro material nas informações prestadas na Declaração de Ajuste Anual, uma vez que os valores sequer foram ofertados à tributação. Ainda sobre a matéria, o Decreto Nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/1999), vigente à época dos fatos, previa em seu artigo 43 que: “Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como: [...] XIV os benefícios recebidos de entidades de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições, observado o disposto no art. 39, XXXVIII (Lei nº 9.250, de 1995, art. 33); XV os resgates efetuados pelo quotista de Fundos de Aposentadoria Programada Individual FAPI (Lei nº 9.477, de 1997, art. 10, § 2º);” (grifei). Por sua vez, a Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, ao disciplinar a elaboração da Declaração Anual de Ajuste expressamente determina que “Sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições” (artigo 33). Merece destaque o fato de que o resgate de contribuições para plano de previdência privada somente possui tributação exclusiva na fonte se o contribuinte optar pelo regime regressivo de tributação, a teor do artigo 1º da Lei nº 11.053 de dezembro de 2004: “Art. 1º É facultada aos participantes que ingressarem a partir de 1o de janeiro de 2005 em planos de benefícios de caráter previdenciário, estruturados nas modalidades de contribuição definida ou contribuição variável, das entidades de previdência complementar e das sociedades seguradoras, a opção por regime de tributação no qual os valores pagos aos próprios participantes ou aos assistidos, a título de benefícios ou resgates de valores acumulados, sujeitamse à incidência de imposto de renda na fonte às seguintes alíquotas: I 35% (trinta e cinco por cento), para recursos com prazo de acumulação inferior ou igual a 2 (dois) anos; Fl. 103DF CARF MF Processo nº 16592.723645/201798 Acórdão n.º 2401005.943 S2C4T1 Fl. 5 7 II 30% (trinta por cento), para recursos com prazo de acumulação superior a 2 (dois) anos e inferior ou igual a 4 (quatro) anos; III 25% (vinte e cinco por cento), para recursos com prazo de acumulação superior a 4 (quatro) anos e inferior ou igual a 6 (seis) anos; IV 20% (vinte por cento), para recursos com prazo de acumulação superior a 6 (seis) anos e inferior ou igual a 8 (oito) anos; V 15% (quinze por cento), para recursos com prazo de acumulação superior a 8 (oito) anos e inferior ou igual a 10 (dez) anos; e VI 10% (dez por cento), para recursos com prazo de acumulação superior a 10 (dez) anos.” Caso o contribuinte não tenha exercido a opção pelo regime regressivo de tributação, os valores resgatados de previdência de Plano Gerador de Benefício Livre – PGBL sujeitamse ao regime progressivo de tributação, ou seja, sofrem retenção na fonte de 15% e devem ser incluídos dentre os rendimentos tributáveis submetidos ao ajuste anual, conforme determina o artigo 3º da mesma lei. Confirase: “Art. 3º A partir de 1o de janeiro de 2005, os resgates, parciais ou totais, de recursos acumulados relativos a participantes dos planos mencionados no art. 1o desta Lei que não tenham efetuado a opção nele mencionada sujeitamse à incidência de imposto de renda na fonte à alíquota de 15% (quinze por cento), como antecipação do devido na declaração de ajuste da pessoa física, calculado sobre: I os valores de resgate, no caso de planos de previdência, inclusive FAPI; II os rendimentos, no caso de seguro de vida com cláusula de cobertura por sobrevivência. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica na hipótese de opção pelo regime de tributação previsto nos arts. 1º e 2º desta Lei.” Ou seja, apesar do imposto retido na fonte, na declaração de ajuste anual, os rendimentos percebidos e a retenção devem ser informados para a determinação de diferenças a serem pagas ou restituídas. Além disso, a responsabilidade por infrações tributárias é objetiva e independe da culpa ou dolo do agente. O artigo 136 do Código Tributário Nacional assim preceitua: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Fl. 104DF CARF MF 8 Dessa forma, não se pode afastar a motivação legal que ensejou o lançamento, formalizado por meio da notificação em causa. b. Da isenção decorrente de aposentadoria. Aduz o Recorrente, que apesar da decisão a quo reconhecer que restou comprovado que ele é portador de doença grave (neoplasia maligna desde 2009), desconsiderou as isenções tributárias decorrentes da mesma ao proceder o lançamento fiscal. Dessa forma, afirma que o recolhimento tributário se deu de forma correta. Com relação a este tema, assim dispõe o artigo 39, XXXI e XXXIII, e §§ 4º e 6º, do Decreto nº 3.000/99: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: [...] XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); [...] XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); [...] XXXVIII o valor de resgate de contribuições de previdência privada, cujo ônus tenha sido da pessoa física, recebido por ocasião de seu desligamento do plano de benefício da entidade, que corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995 (Medida Provisória nº 1.74937, de 11 de março de 1999, art. 6º); [...] XLIV os seguros recebidos de entidades de previdência privada decorrentes de morte ou invalidez permanente do participante (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso VII, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 32); Fl. 105DF CARF MF Processo nº 16592.723645/201798 Acórdão n.º 2401005.943 S2C4T1 Fl. 6 9 [...] § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). [...] § 6º As isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII também se aplicam à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão.” Nesse diapasão, extraise dos citados dispositivos que o benefício da isenção em decorrência de moléstia grave depende da existência de duas condições cumulativas: a) rendimentos oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão, assim como suas complementações (condição de caráter objetivo); e b) sujeito passivo portador de alguma das moléstias previstas no texto legal, comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial (condição de caráter subjetivo). Contudo, conforme bem anotado pela decisão guerreada, apesar do Recorrente comprovar por atestado/laudo médico pericial (fl. 42) que é portador de neoplasia maligna desde 2009, nada foi trazido aos autos a fim de comprovar a condição de aposentado. Somase ainda que mesmo que o Contribuinte fosse aposentado, o rendimento em debate não é de aposentadoria, razão pela qual não se aplica a isenção mencionada em lei. Além disso, não restou configurado que os rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições à previdência privada correspondem às parcelas de contribuições efetuadas no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995. Portanto, inaplicável a isenção prevista no artigo 39, inciso XXXVIII, do Decreto nº 3.000, de 1999, acima transcrito. Ademais, vale destacar que o tema em debate já foi objeto de consulta à CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit), a partir da qual foi editada a Solução de Divergência nº 10, de 14 de agosto de 2014, cujas conclusões se transcreve: “11. Diante do exposto, solucionase a divergência apontada respondendo ao interessado que: 11.1. somente está isento do imposto sobre a renda o rendimento relativo a provento de aposentadoria percebido por portador de doença grave a partir do mês da concessão da aposentadoria pela previdência oficial, desde que atendidas as condições estabelecidas na legislação tributária; Fl. 106DF CARF MF 10 11.2. a isenção do imposto sobre a renda incidente sobre rendimento relativo à complementação de aposentadoria recebida de entidade de previdência complementar por portador de doença grave, independentemente do plano de benefício de aposentadoria oferecido, alcança somente a complementação de aposentadoria paga, independentemente da forma adotada (parcela única, parcelas ou renda mensal), desde que assim previsto no respectivo plano de benefício, a partir do mês da concessão da aposentadoria pela previdência oficial, observadas as condições estabelecidas na legislação tributária; 11.3. os valores recebidos a título de resgate, que, segundo a legislação previdenciária, só poderá ocorrer enquanto não cumpridas as condições contratuais para o recebimento do benefício, por não configurar complemento de aposentadoria, estão sujeitos à incidência do imposto sobre a renda, ainda que efetuado por portador de moléstia grave;” Dessa forma, verificase que as importâncias recebidas em decorrência do resgate de contribuições efetuadas às entidades de previdência privada, Fundo Gerador de Aposentadoria Programada Individual Fapi ou Plano Gerador de Benefício Livre PGBL sujeitamse ao imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual, mesmo que o beneficiário de tais importâncias seja portador de moléstia grave prevista em lei. Portanto, nego provimento ao recurso também quanto a esse tema. c. Da multa de ofício O Recorrente sustenta que a multa de ofício de 75% aplicada estaria ferindo o princípio do nãoconfisco, motivo pelo qual deveria ser anulada, e, além disso, o valor aplicado é exorbitante. Entretanto, o inconformismo não merece prosperar. Uma vez instaurado o procedimento de ofício e constatada infração à legislação tributária, o crédito tributário apurado pela autoridade fiscal somente pode ser satisfeito com os encargos do lançamento de ofício (multa de 75%). “Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) [...] § 1º O percentual de multa que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº Fl. 107DF CARF MF Processo nº 16592.723645/201798 Acórdão n.º 2401005.943 S2C4T1 Fl. 7 11 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Neste sentido, o artigo 142 do CTN prevê que a autoridade lançadora tem o dever de lavrar a referida multa de ofício, sob pena de responsabilidade funcional, visto que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória. Assim, no momento em que o auditor realiza de ofício o lançamento do imposto de renda, deve ser aplicada a multa do artigo 44 da Lei nº 9.430/96 sobre o imposto suplementar calculado, por estrita determinação legal. Quanto às alegações de inconstitucionalidade levantadas pelo Recorrente, sobre a aplicação da multa com suposto efeito de confisco, de acordo com o disposto na Súmula nº 02 deste órgão julgador, esta matéria é estranha à sua competência. Sem delongas, a teor do disposto no artigo 26ª do Decreto 70.235 de 06/03/1972, recepcionado pela ordem constitucional vigente com força de lei, aos órgãos de julgamento administrativo é vedado afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, excetuando apenas os casos relacionados no próprio Decreto, os quais não têm relação com o objeto da presente lide. Confirase: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993.” No mesmo sentido é o artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF: Fl. 108DF CARF MF 12 “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973.” Desse modo, não é lícito a este Colegiado a análise da constitucionalidade de normativos legais, mediante afastamento de sua aplicação, mesmo que existam doutrinas e/ou julgados que respaldem a tese esposada na peça recursal, ainda mais quando se constata que tais decisões não se enquadram nos termos prescritos no inciso I do parágrafo 6º anteriormente reproduzido. Além disso, de conformidade com a Súmula CARF nº 2, de aplicação obrigatória no âmbito deste Conselho, é vedado a esta Corte Administrativa pronunciarse sobre constitucionalidade de lei: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Desta feita, temse como não sendo possível aos órgãos de julgamento administrativos afastarem as conclusões contidas no despacho decisório sob o fundamento de que as normas legais que lhe dão suporte ferem princípios consagrados na Carta da República, pois, admitir ao julgador administrativo tal análise equivaleria invadir competência exclusiva do Poder Judiciário. Portanto, não há razões para modificar o julgamento de primeira instância. 3. CONCLUSÃO: Fl. 109DF CARF MF Processo nº 16592.723645/201798 Acórdão n.º 2401005.943 S2C4T1 Fl. 8 13 Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora. Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720985/2009-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA SALARIAL.
Tratando-se de verba de natureza eminentemente salarial e não existindo qualquer isenção concedida pela União, ente constitucionalmente competente para legislar sobre imposto de renda, não há dúvida de que as diferenças de URV devem se sujeitar à incidência do imposto de renda.
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE JUROS DE MORA.
Como a verba principal não é isenta ou fora do campo de incidência do IR, bem como não é oriunda de rescisão do contrato de trabalho, há incidência do imposto de renda sobre os juros.
Numero da decisão: 9202-007.057
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento integral, e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deu provimento parcial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10580.720964/2009-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA SALARIAL. Tratando-se de verba de natureza eminentemente salarial e não existindo qualquer isenção concedida pela União, ente constitucionalmente competente para legislar sobre imposto de renda, não há dúvida de que as diferenças de URV devem se sujeitar à incidência do imposto de renda. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE JUROS DE MORA. Como a verba principal não é isenta ou fora do campo de incidência do IR, bem como não é oriunda de rescisão do contrato de trabalho, há incidência do imposto de renda sobre os juros.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento integral, e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deu provimento parcial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10580.720964/2009-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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NATUREZA SALARIAL. Tratandose de verba de natureza eminentemente salarial e não existindo qualquer isenção concedida pela União, ente constitucionalmente competente para legislar sobre imposto de renda, não há dúvida de que as diferenças de URV devem se sujeitar à incidência do imposto de renda. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE JUROS DE MORA. Como a verba principal não é isenta ou fora do campo de incidência do IR, bem como não é oriunda de rescisão do contrato de trabalho, há incidência do imposto de renda sobre os juros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento integral, e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deu provimento parcial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10580.720964/200994, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 09 85 /2 00 9- 18 Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10580.720985/200918 Acórdão n.º 9202007.057 CSRFT2 Fl. 257 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pelo sujeito passivo contra decisão proferida pela turma a quo que concluiu pela incidência do imposto de renda sobre verbas recebidas a título de "Valores Indenizatórios de URV". No entendimento daquele colegiado, em que pese a classificação dada pela respectiva lei estadual, as verbas em questão possuem natureza remuneratória, pois visavam corrigir diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão das moedas Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV em 1994. Na mesma decisão também foi mantido o lançamento do imposto sobre os valores correspondentes aos juros de mora. Na peça recursal o sujeito passivo argui serem as verbas indenizatórias, nos exatos termos em que fixado pela lei estadual, e cita como exemplo o entendimento sedimentado pelo STF quando da promulgação da sua Resolução nº 245, a qual reconheceu que o abono conferido aos magistrados da União em razão das diferenças de URV possui natureza jurídica indenizatória. Subsidiariamente, defende a não incidência do IRPF sobre os juros de mora, pois referidos valores não representariam acréscimo patrimonial. Cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, pugnando pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202007.054, de 25/07/2018, proferido no julgamento do processo 10580.720964/200994, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor dos votos proferidos naquela decisão, quanto à admissibilidade e quanto ao mérito (Acórdão 9202007.054): Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e portanto deve ser conhecido. Permitome trazer a colação o constante do acórdão 9202 006.361, de 06 de abril de 2018, da lavra da ilustre Conselheira Rita Elisa REis da Costa Bacchieri, por irrepreensíveis: Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10580.720985/200918 Acórdão n.º 9202007.057 CSRFT2 Fl. 258 3 Conforme relatório, discutese nos autos a incidência do Imposto de Renda sobre os valores recebidos pelo Recorrente em razão de lei estadual que previa pagamento de diferenças decorrentes de erro na conversão da moeda Cruzeiro Real para URV Unidade Real de Valor. Insatisfeito com a decisão a quo, o Contribuinte interpôs Recurso Especial objetivando o cancelamento do lançamento sob o fundamento de que citada verba tem caráter indenizatório. Subsidiariamente, caso seja negado provimento ao recurso neste aspecto, requer a exclusão dos juros moratórios da base de cálculo utilizada. Segundo argumentos apontados no Recurso, a verba em questão possui a mesma natureza do abono variável pago aos membros da Magistratura Federal e ao Ministério Público Federal. Segundo a Resolução nº 245/2002 as verbas recebidas teriam natureza indenizatória e como tal estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Desta forma, aplicando o princípio da isonomia, a interpretação dada à legislação estadual deve ser igual aquela adotada para as leis federais nº 10.474/2002 e 10.477/2002. Pertinentes as considerações do Recorrente. Ao contrário do apontado no acórdão recorrido e do alegado em sede de contrarrazões não se pode afastar a aplicação do citado entendimento apenas pelo fato de a Resolução nº 245/2002 versar sobre valores recebidos por profissionais da União, afinal interpretandose sistematicamente as normas pertinentes, percebemos que o problema central da discussão natureza jurídica das verbas decorrentes de diferenças de URV também é tratado tanto na resolução quanto nas normas federais acima citadas. O jurista Marco Aurélio Greco ao se manifestar sobre a questão emitiu parecer didático, demonstrando que apesar de as normas federais regularem a forma de pagamento de "abono variável", esse é composto por valores de URV e como tal, adotandose a posição do STF, devem ser classificados como verbas indenizatórias. O professor ainda traçou um histórico demonstrando que toda a legislação estadual teve como pano de fundo o tratamento dado ao pagamento efetuado na esfera federal. Merece transcrição parte do parecer, haja vista a clareza na exposição dos fatos (grifos nossos): Em 2002, foi editada a Lei federal n. 10.474 cujo artigo 1° fixa o subsídio de Ministro do Supremo Tribunal Federal e cujo artigo 2° estabelece que o "abono variável" concedido pela Lei n. 9.655/98" passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo Magistrado, vigente à data daquela lei e a decorrente desta lei" (caput), "descontados todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados a qualquer título" (§ 1°). Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10580.720985/200918 Acórdão n.º 9202007.057 CSRFT2 Fl. 259 4 Ou seja, a diferença entre o que cada Magistrado recebia em 1998 e o que foi fixado pela Lei n. 10.474/2002. Aqui está o ponto! Fixouse o subsídio do Ministro do S.T.F. e a diferença entre este e a remuneração individualmente percebida, no lapso temporal previsto na lei, seria pago a título de abono variável. Meses após esta Lei, é editada pelo Supremo Tribunal Federal a Resolução n. 245/2002 cujo artigo 1° é explícito ao prever: "Artigo 1º É de natureza indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da lei 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal." Diante da clareza dessa previsão, encerrase a discussão quanto à natureza jurídica do abono variável: tem natureza indenizatória. Portanto; não está sujeito à incidência do imposto sobre a renda e o que foi retido deveria ser devolvido ao magistrado. (É o que estabelece a respeito o art. 3°, II da REs. N. 245/2002). A questão que remanesceu em aberto era no sentido de saber se o montante desse abono variável englobava ou não a "diferença de URV". Para os agentes públicos que já estavam recebendo essa diferença, por força de decisão judicial ou administrativa, obviamente que o abono não a englobava, pois era expressamente excluída de sua base de cálculo (§ 1° do art 2° da Lei n. 10.474/2002 e inciso I, do art. 2° da Resolução n. 245/2002 do S.T. F) Para os demais, a resposta a esta pergunta é simples: se a "diferença de URV" foi considerada quando da fixação do subsídio do Ministro do S.T.F. (art. 1° da Lei n. 10.474/2002), então, ela (dif. URV) está abrangida pelo valor do abono, pois este corresponde à diferença entre o subsídio e a remuneração individual. Em números: se o subsídio foi fixado em R$ 100,00 computandose a diferença de URV de R$ 10,00 e a remuneração individual era de R$ 70,00 então o abono (de R$ 30,00) englobava a diferença de URV, pois esta estava dentro dos R$100,00 que serviram de patamar para cálculo do abono. Mas, como saber se o subsídio fixado pela Lei n. 10.474/2002 levava em conta a" diferença de URV"? A resposta não está no texto da lei, mas na estrutura da remuneração de Ministro do S.T.F então vigente. À época da Mensagem enviada pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal com o projeto que se transformou na Lei n. 10.474/2002 vigorava a Resolução STF n. 195/2000 cujo artigo 1° previa: Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10580.720985/200918 Acórdão n.º 9202007.057 CSRFT2 Fl. 260 5 "Artigo 1° A remuneração do Ministro do Supremo Tribunal Federal será integrada das parcelas: R$ 454,53 (Lei 8.880/94) + R$ 1.008,83 (DL n. 2.371/87) + R$ 9.536,74 (Lei 8.448/92), num total de R$ 11.000,00." Ora, a "parcela da Lei n. 8.880/94" é exatamente a "diferença de URV"!! Portanto, ao se fixar na Lei n. 10.474/2002 o subsídio do Ministro que serviu de parâmetro para cálculo do abono variável, englobouse a "diferença de URV" extinguindo, com isto, eventuais pretensões neste sentido que ainda subsistissem. Aliás, isto foi expressamente apontado na Mensagem que encaminhou o projeto de lei que se transformou na Lei n. 10.474/2002: "A remuneração total da magistratura da União remanescerá composta unicamente de três parcelas (vencimento básico, gratificação e adicional de tempo de serviço). Não haverá possibilidade de incidir sobre esses valores quaisquer outros percentuais, tal como hoje está a correr, por exemplo, com os 11,98% relacionados com a conversão da URV." Podese concluir que, na fixação do subsídio e, portanto, na dimensão do abono variável, foi levada em conta a diferença de URV. Daí duas consequências: 1 quem recebeu o abono variável da Lei n. 10.474/2002 e não havia ganho por decisão administrativa ou judicial a diferença de URV estava a recebêla naquele momento embutida no abono. 2 Ao dizer que o abono da Lei n. 10.474/2002 tinha natureza jurídica indenizatória não sujeita a imposto sobre a renda, o Supremo Tribunal Federal estava a dizer que a "diferença de URV" até então não recebida e que veio a ser embutida no abono tem natureza indenizatória. A natureza indenizatória do abono variável da Lei n. 10.474/2002 e a intributabilidade dessa verba pelo imposto sobre a renda veio a ser reconhecida pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, no Parecer n. 529/2003 e estendida também ao abono previsto pela Lei federal n. 10.477/2002 aplicável aos Procuradores da República pelo Parecer PGFN n. 923/2003 (ambos referidos na Nota COSIT n. 177/2008). No âmbito dos agentes públicos estaduais, a PGFN entendeu que a natureza da verba era remuneratória (e, portanto, tributada pelo I.R.), salvo no caso do Rio de Janeiro, pois havia lei estadual determinando a aplicação aos Procuradores do Estado do abono previsto na Lei n. 10.477/2002. Em suma, como reconhecido pela própria PGFN os abonos variáveis previstos nas Leis n. 10.474/2002 e n. 10.477/2002 não Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10580.720985/200918 Acórdão n.º 9202007.057 CSRFT2 Fl. 261 6 são alcançados pela norma de incidência do imposto sobre a renda. E acrescenta: A Lei Complementar n. 20/2003 e a Lei n. 8.730/2003 do Estado da Bahia prevêem expressamente que os pagamentos nelas previstos dizem respeito às diferenças pela conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. Notese que estas Leis: 1) São de setembro de 2003, portanto, depois da Lei federal n. 10.474/2002 que instituiu o abono que englobava a diferença de URV e da Resolução n. 245/2002 do Supremo Tribunal Federal que afirmou o caráter indenizatório desse abono; 2) Aplicamse aos que não haviam até então recebido a "diferença de URV" os quais, se estivessem no âmbito federal ou no Estado do Rio de Janeiro, a estariam recebendo embutida no abono e como verba de natureza indenizatória. O quadro aqui exposto mostra que os dispositivos das referidas leis do Estado da Bahia, ao preverem que as 36 parcelas em que foi dividido o pagamento da diferença de URV tinham natureza indenizatória, não veiculam preceitos despropositados à vista do contexto jurídico da época. Mais ainda, se em relação a idênticas funções exercidas no âmbito federal e do Estado do Rio de Janeiro admitiuse o caráter indenizatório por existir lei expressa determinando o pagamento de verba que englobe a URV, cumpre ser assegurado o mesmo tratamento ao Estado da Bahia, sob pena de violação ao artigo 150, II da CF/88. (GRECO, Marco Aurélio. Imposto Sobre a Renda: Valores Pagos a Agente Públicos Estaduais a Título de Diferença de URV. Falta de Fundamento Jurídico Para a União Cobrar o Imposto. Revista Eletrônica de Direito do Estado (REDE), Salvador, Instituto Brasileiro de Direito Público, nº. 30, abril/maio/junho de 2012. Disponível na Internet: <http://www.direitodoestado.com/revista/REDE30ABRIL2012 MARCOAURELIOGRECO.pdf>. Acesso em: 06 de junho de 2016) Portanto, se o entendimento adotado pelo STF, e também pela Procuradoria da Fazenda Nacional em seus pareceres, é no sentido de o abono variável recebido pelos magistrados federais e Ministério Público Federal ser verba indenizatória, e se tal abono também é composto por verba paga em razão da conversão da moeda da época em URV, forçoso concluir que essa mesma verba quando prevista pelas leis estaduais deve receber o mesmo tratamento. Entendimento diverso violaria o princípio constitucional da isonomia e a segurança jurídica. Para o professor Roque Antônio Carrazza para garantir a segurança jurídica na relação Fisco/contribuinte é mister que "a lei que descreve a açãotipo tributária valha para todos igualmente, isto é, seja aplicada a seus destinatários (quer pelo Judiciário, quer pela Administração Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10580.720985/200918 Acórdão n.º 9202007.057 CSRFT2 Fl. 262 7 Fazendária) de acordo com o princípio da igualdade (art. 5º, I da CF)." Destaco ainda que o lançamento e acórdão recorrido ao afastarem o caráter indenizatório das verbas, sob o argumento de que essas serviram para repor "a atualização monetária dos salários do período considerado", reforçaram a tese de que os valores ora discutidos não podem ser tributados pelo imposto de renda. Isso porque é passível na doutrina e na jurisprudência dos tribunais que a correção monetária não representa acréscimo patrimonial, é na verdade mecanismo de recomposição da efetiva desvalorização da moeda, seu objetivo é preservar o poder aquisitivo original em relação à inflação, inflação essa que motivou toda a sistemática de aplicação da própria URV. O Ministro Marco Aurélio, relator do Recurso Extraordinário nº 565.089, onde se discute (em sede de Repercussão Geral) a indenização por falta de revisão anual em vencimentos dos servidores públicos de São Paulo, externa em seu voto o seguinte entendimento: O Supremo já assentou que “a correção monetária não se constitui em um plus, não é uma penalidade, mas mera reposição do valor real da moeda corroída pela inflação” – Agravo Regimental na Ação Cível Originária nº 404, da relatoria do Ministro Maurício Corrêa. Nos termos do art. 43 do CTN não se discute que o fato gerador do Imposto de Renda é a disponibilidade econômica ou jurídica de renda (produto do capital, do trabalho ou de ambos) ou proventos de qualquer natureza, entretanto o conceito de renda é limitado e não abrange valores que não representem acréscimo ao patrimônio do contribuinte, como é o caso dos autos. Portanto, sob todos os prismas analisados, não vejo como possível afastar a natureza indenizatória das verbas recebidas pelo Recorrente à titulo de "diferenças de URV", seja pela aplicação da Resolução nº 245 do STF, seja pelo fato de tal medida ter sido adotada no intuito de recompor seu patrimônio pela perda experimentada pela quando da conversação das moedas. Diante do exposto, dou provimento do Recurso Especial do Contribuinte. Do pedido subsidiário: Vencida quanto ao mérito haja vista decisão da maioria do Colegiado neste julgamento, manifestome acerca do pedido subsidiário formulado pelo Recorrente, por meio do qual defende a não incidência do Imposto de Renda sobre os valores recebidos a título de juros. Segundo o entendimento do Recorrente, invariavelmente, os juros de mora possuem natureza indenizatória, pois sua função é Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10580.720985/200918 Acórdão n.º 9202007.057 CSRFT2 Fl. 263 8 a de recompor dano ao patrimônio do beneficiário que deixou de receber no tempo certo valor que lhe seria devido. Tratase de entendimento compartilhado pelos mais renomados juristas, valendo citar parte do artigo publicado pelo Professor Hugo de Brito Machado, na Revista Dialética de Direito Tributário nº 215 (p. 115/116): Não há dúvida quanto à natureza indenizatória dos juros de mora. A expressão juros moratórios, que é própria do Direito Civil, designa a indenização pelo atraso no pagamento da divida. O Código Civil de 1916 estabelecia que as perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, consistem nos juros de mora e custas, sem prejuízo das pena convencional. E o Código Civil vigente estabelece: "Art. 404. As perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, serão pagas com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, abrangendo juros, custas e honorários de advogados, sem prejuízo da penas convencional. Parágrafo único: Provado que os juros de mora não cobrem o prejuízo, e não havendo pena convencional, pode o juiz concede ao credor indenização complementar." Com se vê, o legislador previu que o não recebimento nas datas correspondentes dos valores me dinheiro aos quais se tem direito implica prejuízo. (...) Não se trata de lucro cessante, nem de dano simplesmente moral, que evidentemente também podem ocorrer. Tratase de perda patrimonial efetiva, decorrente do não recebimento, nas datas correspondentes, dos valores aos quais tinha direito. Perda que o legislador presumiu e tratou como presunção absoluta que não admite prova em contrário, e cuja indenização com juros de mora independe de pedido do interessado. Ora, os valores recebidos a título de juros moratórios não estariam sujeitos ao imposto, afinal o conceito de renda e proventos propostos pela Constituição Federal exigem a ocorrência de um acréscimo patrimonial experimentado ao longo de um determinado período de tempo, o que conforme anteriormente exposto não ocorre no presente caso concreto. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Voto Vencedor Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora Designada 1. Das diferenças de URV Argumenta a Recorrente a não incidência do imposto de renda sobre a diferença de URV, considerando que tais parcelas não Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10580.720985/200918 Acórdão n.º 9202007.057 CSRFT2 Fl. 264 9 representam qualquer acréscimo patrimonial, produto do capital ou trabalho, mas constituem ressarcimento pelo erro no cálculo da remuneração, na oportunidade da conversão de cruzeiro real para URV e, conseqüentemente, reposição de quantias que deveriam integrar a remuneração ao longo do tempo passado, na tentativa de reparar prejuízos. Desse modo, a verba sob análise é indenização e não salário. Além disso, sustenta a Contribuinte que, com o advento da Resolução n.º 245 do Supremo Tribunal Federal, foi dado tratamento definitivo à controvérsia, deixando claro que se cuida de verba indenizatória os abonos conferidos aos magistrados federais em razão das diferenças de URV e, por esse motivo, isentos da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Reafirmando o exposto, salienta a recorrente a edição da Lei Complementar LEI ESTADUAL nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, determinando a natureza indenizatória das parcelas referentes às diferenças de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor. Assim, a primeira apreciação a ser feita referese à natureza das verbas sob análise. E o segundo ponto a ser examinado é sobre a existência ou não de isenção relativa à URV. Ao meu ver, embora seja pouco relevante, para fins de incidência do imposto de renda, a natureza indenizatória da verba, entendo que os valores recebidos pela Contribuinte decorrem da compensação pela falta de correção no valor nominal do salário, oportunamente, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. Não obstante o meu entendimento anteriormente destacado acerca da natureza salarial da diferença de URV, cabe ressaltar que, no caso do Magistratura, há, de fato a Lei 8.730/2003, que dispôs de modo diverso, tratando a verba como indenização. Tendo em vista que o imposto de renda é regido por legislação federal, tal dispositivo não possui efeito tributário para a análise do tributo em questão. Assim, estando a mencionada lei em plena vigência, prestase apenas ao fim por ela almejado, qual seja o pagamento de precatório, de forma especial. Cabe destacar que a inaplicabilidade da referida lei não decorre de um juízo de inconstitucionalidade, mas sim de uma interpretação sistemática das normas, em observância do princípio da legalidade, tendo em vista a ausência de lei isentiva, no presente caso. Observase que a Constituição Federal exige a edição de lei específica para a concessão de isenção, conforme abaixo transcrito: Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10580.720985/200918 Acórdão n.º 9202007.057 CSRFT2 Fl. 265 10 “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) § 6º. Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g.” (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) O Código Tributário Nacional, em consonância com a exigência constitucional, destaca, em seu art. 97, que: somente a lei pode estabelecer (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Como é sabido, a isenção é uma das hipóteses de exclusão do crédito tributário, portanto, fazse necessária a edição de lei para a instituição de isenção. Acrescentase que o caput do art. 43 do Decreto 3.000/99 (RIR) e do art. 16 da Lei n. 4.506/64 deixam claras as regras da tributação sobre as remunerações por trabalho prestado no exercício de cargo público, hipótese dos autos, como se extrai dos trechos abaixo colacionados: “Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.76955, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): (...). “Art. 16. serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado tôdas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício dos empregos, cargos ou funções referidos no artigo 5º do Decretolei número 5.844, de 27 de setembro de 1943, e no art. 16 da Lei número 4.357, de 16 de julho de 1964, tais como: (...) Além disso, o art. 3º da Lei 7.713/88 evidencia a determinação da incidência do IRPF sobre o rendimento bruto, pouco importando a denominação da parcela tributada, nos seguintes termos: “Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) (...) Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10580.720985/200918 Acórdão n.º 9202007.057 CSRFT2 Fl. 266 11 § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título.” Ora, tratandose de verba de natureza eminentemente salarial e não existindo qualquer isenção concedida pela União, ente constitucionalmente competente para legislar sobre imposto de renda, não há dúvida de que as diferenças de URV devem se sujeitar à incidência do imposto de renda. Sobre a aplicação da Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) 245/2002 pugnada pela Recorrente, notase que foi conferida natureza jurídica indenizatória ao abono variável concedido à Magistratura Federal e ao Ministério Público da União, não se confundindo com as diferenças decorrentes de URV, ora analisadas. Desse modo, reiterese, deve ser considerada a natureza salarial das diferenças sob apreciação. E, ainda que fosse considerada a natureza indenizatória da verba sob análise, ressaltase que a incidência do imposto de renda independe da denominação do rendimento, pois as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei específica concessiva de isenção. Havendo, notadamente, acréscimo patrimonial, sob a forma de diferenças de vencimentos recebidos a destempo, resta evidente da incidência do imposto de renda. 2. Dos juros de mora No que se referem aos juros de mora, aplico o posicionamento da Primeira Seção do STJ, no Recurso Repetitivo n.º 1.227.133/RS, no sentido da incidência do imposto de renda sobre tais juros, em regra, não incidindo, excepcionalmente, quando decorrentes da rescisão do contrato de trabalho ou quando a verba principal for isenta ou fora do campo de incidência do IR. Portanto, como a verba principal não é isenta ou fora do campo de incidência do IR, bem como não é oriunda de rescisão do contrato de trabalho, há incidência do imposto de renda sobre os juros. Reafirmando o exposto, temos que as verbas pagas a título de juros de mora seguem a mesma natureza das verbas principais a que se referem. Tal situação está expressamente prevista no art. 55, inciso XIV, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/99): “Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10580.720985/200918 Acórdão n.º 9202007.057 CSRFT2 Fl. 267 12 (...) XIV. os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis;” (Grifamos) Convém lembrar que os juros de mora relativos ao recebimento em atraso de verbas de natureza salarial são tributáveis, nos termos do art. 43, §3º do Decreto 3.000/99 (RIR) e do art. 16, parágrafo único, da Lei n.º 4.506/64: “Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.76955, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): (...) § 3º Serão também considerados rendimentos tributáveis a atualização monetária, os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, parágrafo único).” “Art. 16. serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado tôdas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício dos empregos, cargos ou funções referidos no artigo 5º do Decretolei número 5.844, de 27 de setembro de 1943, e no art. 16 da Lei número 4.357, de 16 de julho de 1964, tais como: (...) Parágrafo único. Serão também classificados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo.” (Grifamos) No presente caso os juros moratórios em questão são acessórios de verbas de natureza salarial. Assim, por óbvio, também têm natureza salarial, e, sendo assim, configuram acréscimo patrimonial sujeito à tributação por parte do Imposto de Renda. 3. Da conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10580.720985/200918 Acórdão n.º 9202007.057 CSRFT2 Fl. 268 13 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 268DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.003955/2002-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001
PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. ACOLHIMENTO PARCIAL. PIS/COFINS.
No caso de tributos sujeitos à lançamento por homologação, a aplicação do art. 173, inciso I e não o art. 150, § 4º, ambos do CTN, é condicionada à existência de dolo ou a inexistência de pagamento das referidas contribuições, o que não foi aferido nos autos.
Restando comprovado através de diligência a realização de pagamentos de PIS/COFINS nos períodos de janeiro a agosto/1997, necessário aplicar o art. 150, § 4º, razão pela qual restam decaídos os referidos créditos cujos fatops geradores ocorreram até agosto de 1997.
NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. NÃO OCORRÊNCIA
Demonstrado que os Autos de Infração foram lavrados de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação das disposições dos artigos 10 e 59 do Decreto n.° 70.235, de 1972, não há que se acatar o pedido de nulidade dos Autos de Infração.
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ COOPERATIVA. DISTRIBUIÇÃO DO LUCRO AUFERIDO. TRIBUTAÇÃO DO RESULTADO TOTAL
É vedado às cooperativas distribuírem qualquer espécie de benefício às cotas-partes do capital ou estabelecer outras vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros, excetuando-se os juros até O máximo de 12% (doze por cento) ao ano, que incidirão sobre a parte integralizada.
A distribuição de lucro gerado por uma cooperativa frauda O regime jurídico cooperativo, estando o resultado total apurado Sujeito à tributação.
LANÇAMENTOS DECORRENTES
A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes quando não houverem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa.
PIS/PASEP. COFINS. DEPÓSITOS JUDICIAIS. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE.
Os depósitos judiciais apenas suspendem a exigibilidade do crédito tributário se forem efetuados em montante integral.
APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR.
Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida.
Numero da decisão: 1401-003.084
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário tão somente para acolher a preliminar de decadência quanto aos créditos de PIS/COFINS cujos fatos geradores tenham ocorrido até agosto/1997.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Carlos André Soares Nogueira, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (Conselheira Suplente Convocada), Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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ACOLHIMENTO PARCIAL. PIS/COFINS. No caso de tributos sujeitos à lançamento por homologação, a aplicação do art. 173, inciso I e não o art. 150, § 4º, ambos do CTN, é condicionada à existência de dolo ou a inexistência de pagamento das referidas contribuições, o que não foi aferido nos autos. Restando comprovado através de diligência a realização de pagamentos de PIS/COFINS nos períodos de janeiro a agosto/1997, necessário aplicar o art. 150, § 4º, razão pela qual restam decaídos os referidos créditos cujos fatops geradores ocorreram até agosto de 1997. NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. NÃO OCORRÊNCIA Demonstrado que os Autos de Infração foram lavrados de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação das disposições dos artigos 10 e 59 do Decreto n.° 70.235, de 1972, não há que se acatar o pedido de nulidade dos Autos de Infração. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ COOPERATIVA. DISTRIBUIÇÃO DO LUCRO AUFERIDO. TRIBUTAÇÃO DO RESULTADO TOTAL É vedado às cooperativas distribuírem qualquer espécie de benefício às cotas partes do capital ou estabelecer outras vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros, excetuandose os juros até O máximo de 12% (doze por cento) ao ano, que incidirão sobre a parte integralizada. A distribuição de lucro gerado por uma cooperativa frauda O regime jurídico cooperativo, estando o resultado total apurado Sujeito à tributação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 39 55 /2 00 2- 77 Fl. 1302DF CARF MF 2 LANÇAMENTOS DECORRENTES A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes quando não houverem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. PIS/PASEP. COFINS. DEPÓSITOS JUDICIAIS. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. Os depósitos judiciais apenas suspendem a exigibilidade do crédito tributário se forem efetuados em montante integral. APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário tão somente para acolher a preliminar de decadência quanto aos créditos de PIS/COFINS cujos fatos geradores tenham ocorrido até agosto/1997. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (VicePresidente), Carlos André Soares Nogueira, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (Conselheira Suplente Convocada), Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre (RS), que julgou improcedente a impugnação Fl. 1303DF CARF MF Processo nº 11020.003955/200277 Acórdão n.º 1401003.084 S1C4T1 Fl. 1.303 3 administrativa apresentada pelo contribuinte em virtude da redução indevida do lucro real, por ter distribuído resultados (lucros) e vantagens a seus associados (planilhas de fls. 83 a 93), oriundos de atos não cooperativos extrínsecos, em desacordo com os arts. 24, 28 e 87 da Lei n° 5.764, de 1971, e art. 168 do RIR/1994 e art. 182 do RIR/1999, implicando na tributação integral de seus resultados, exigindose os Autos de Infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS/PASEP), Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), o Relatório da Atividade Fiscal de fls. 5882. Cientificada dos lançamentos, a interessada apresentou a impugnação administrativa de fls. 626664, em 07/10/2002, alegando as seguintes razões: a)Afirma que “entende que a Fiscalização descaracterizou a sociedade, tributando a totalidade dos seus ingressos como receita tributável, mesmo aquelas provenientes de atos cooperativos, em virtude de ter excluído, como custo operacional direto, o valor correspondente ao repasse dos mesmos. Assim, ao tributar a integralmente as receitas (atos cooperativos e atos não cooperativos), a autoridade fiscal desobedeceu a lei e a normas regulamentares, evidenciando o imenso equívoco da autuação, o rateio de despesas indiretas entre atos cooperativos e atos não cooperativos. Em decorrência da exclusão de dentro do custo direto do repasse aos cooperativados, aumentou automaticamente o resultado tributável, gerando uma distribuição de sobras aos cooperados em valor superior àquele efetivamente realizado pela cooperativa, atingindo todo o resultado, independente de advir de atos cooperativos ou não”; b) Aduz que “a autuação afronta o art. 13°, § 1°, do Decretolei n° 1.598, de 1997 e 0 art. 47 da Lei n° 4.506, de 1964, atualmente consolidado nos arts. 290 e 299 do RIR/19 99, bem como o art. 168 do RIR /1999 e os Pareceres Normativos CST 38/80 e 73/75. O PN nº 38/80 explicita que deve o imposto de renda ter por base de cálculo 0 resultado determinado a partir da escrituração contábil, que apresente destaque das receitas e correspondentes custos, despesas e encargos, como explicitado no PN CST n° 73/75. Por Sua Vez, 0 PN n° 73/75 diz que nessas condições, devem ser apuradas em separado as receitas das atividades próprias das cooperativas e as receitas derivadas das operações por elas realizadas com terceiros. Igualmente computados em separado os custos diretos, e imputadas às receitas com as quais guardam correlação. A partir daí, e desde que impossível destacar os custos e encargos indiretos de cada uma das duas espécies de receitas, devem eles ser apropriados proporcionalmente ao valor das duas receitas brutas”. c) Diz que “a legislação do IRPJ, no art. 279 do RIR/1999, determina a contabilização de tais ingressos como receita operacional. Logo, ao desconsiderarse, para apuração das sobras, o custo dos atos cooperativos, há contrariedade à legislação”. d) Aduz que “a desconsideração dos conceitos citados, implicou num desvirtuamento da realidade da cooperativa, na medida em que foram desprezados, para o cálculo da sobra do ato cooperativo principal, os custos dele decorrentes. O erro está em considerar que os valores percebidos por um Fl. 1304DF CARF MF 4 cooperativado são sobras, ou seja, resultados de uma sociedade após o exercício, o que desmente o próprio nome de sobras, cujo cálculo advém de resultarem da diferença entre os valores arrecadados pela cooperativa e os valores pagos, ao longo do exercício, ao associado”. e) Afirma que “não foram consideradas como despesas dedutíveis, aquelas decorrentes do pagamento do seguro de vida aos cooperativados, feitas com os recursos do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social. A característica essencial de uma sociedade cooperativa vem a será assistência técnica, educacional e social aos seus cooperativados, tal como expressamente imposta pelo art. 4°, inciso VIII, da Lei n° 5.764, de 1971. Decorre deste ato legal, a obrigatoriedade dessas entidades constituírem esse fundo, contendo, no mínimo, 5% das sobras líquidas, tornandose evidente que sendo o seguro de vida umas das fornas mais tradicionais de assistência social, não desvirtuando a finalidade de uma cooperativa a utilização desse fundo”. f) Sobre as provisões para créditos frustrados, ainda que insignificantes em relação ao conjunto da autuação, obedeceram ao disposto no art. 9° da Lei n° 9.430, de 1996. Além das alegações feitas na impugnação do IRPJ, o Contribuinte argumenta, em relação ao PIS/PASEP e a COFINS, o seguinte: “Os períodos anteriores a setembro de 1997 estão decaídos, nos termos do art. 173, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Conforme art. 3° da Lei n° 9.715, de 1998, a base de cálculo da contribuição, no caso de entidades que têm como objeto a prestação de serviços, é tão somente o valor de operações por conta própria e o resultado das operações por conta alheia. Os atos cooperativos não podem ser considerados uma operação de conta própria de venda de serviços, quando feitos em nome dos cooperativados (Ato Declaratório n° 70, de 1999)”. e) Aduz que “conforme art. 3° da Lei n° 9.715, de 1998, a base de cálculo da contribuição, no caso de entidades que têm como objeto a prestação de serviços, é tão somente o valor de operações por conta própria e o resultado das operações por conta alheia. Os atos cooperativos não podem ser considerados uma operação de conta própria de venda de serviços, quando feitos em nome dos cooperativados (Ato Declaratório n° 70, de 1999)”. f) Diz que “sendo uma operadora de planos de saúde, teria direito a excluir, da base da COFINS, os eventos efetivamente pagos, as provisões técnicas e a coresponsabilidade cedida, nos termos da Medida Provisória n° 2.15835”. g) Afirma que “nos atos considerados pela Fiscalização como não cooperativos, o próprio auto de infração menciona que, antes de sua lavratura, foram os valores dos atos cooperativos judicialmente depositados em ação proposta pela autuada (PIS/PASEP e COFINS). Assim, tratandose de depósito completo, realizado antes da exigência do tributo, sobre ele deve ser considerada suspensa a exigibilidade do PIS/PASEP e da COFINS”. h) Requereu “a procedência da defesa, para que seja integralmente anulados os Autos de Infração. Requer ainda, em relação ao PIS/PASEP e a COFINS, que seja oportunizada a comprovação de haver realizado o depósito completo dos valores antes da lavratura do Auto de Infração”. Fl. 1305DF CARF MF Processo nº 11020.003955/200277 Acórdão n.º 1401003.084 S1C4T1 Fl. 1.304 5 O Acórdão ora Recorrido (1028.660 – 1ª Turma da DRJ/POA) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL Demonstrado que os Autos de Infração foram lavrados de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação das disposições dos artigos 10 e 59 do Decreto n.° 70.235, de 1972, não há que se acatar o pedido de nulidade dos Autos de Infração. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA J URÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 COOPERATIVA. DISTRIBUIÇÃO DO LUCRO AUFERIDO. TRIBUTAÇAO DO RESULTADO TOTAL É vedado às cooperativas distribuírem qualquer espécie de benefício às cotas partes do capital ou estabelecer outras vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros, excetuandose os juros até O máximo de 12% (doze por cento) ao ano, que incidirão sobre a parte integralizada. A distribuição de lucro gerado por uma cooperativa frauda O regime jurídico cooperativo, estando o resultado total apurado Sujeito à tributação. LANÇAMENTOS DECORRENTES A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes quando não houverem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. PIS/PASEP. COFINS. DEPÓSITOS JUDICIAIS. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. Os depósitos judiciais apenas suspendem a exigibilidade do crédito tributário se forem efetuados em montante integral. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Conforme entendimento da turma julgadora, houve distribuição de lucros sobre atos não cooperados. Além disso “quanto ao pagamento do seguro de vida pela Autuada aos seus cooperados, utilizando recursos do FATES, constitui benefício aos seus cooperados, o que é vedado pelo § 1° do art. 182 do RIR/99. O FATES (art. 28, II, da Lei n° 5.764, de 1971) se destina a prestação assistência técnica, educacional e social aos associados e de seus familiares. O pagamento de seguro de vida não se enquadra em nenhuma dessas modalidades de prestação de assistência, não podendo ser deduzido para fins de apuração dos resultados. Fl. 1306DF CARF MF 6 E que, “em relação às exclusões da base da COFINS os valores dos eventos efetivamente pagos, os valores das provisões técnicas e a coresponsabilidade cedida nos termos da MP n. 2.1835, solicitadas pela Autuada, cabe esclarecer que tendo sido tributada como as demais pessoas jurídicas e não como cooperativa, não cabe essas exclusões. Quanto aos depósitos judiciais efetuados pela autuada em relação ao PIS/PASEP e a COFINS, cujos valores contestados não foram declarados nas DCTF e foram efetuados após o início da ação fiscal, constatase que não foi comprovado o montante integral dos valores exigidos nos Autos de Infração”. Concluiu que a contribuinte atuava como uma empresa comum, usufruindo de um regime de tributação diferenciado de forma indevida. Ciente da decisão do Acórdão em 14/02/2011 (fls. 738), o contribuinte interpõe Recurso Voluntário em 16/03/2011 (fls. 739/773), que é reprodução quase que literal da sua impugnação, acrescentando os seguintes argumentos: 1. Da Absoluta falta de Base Legal: Afirma que “inexiste no mundo jurídico, no capítulo que no Direito Tributário positivo brasileiro regula as relações cooperativas e fisco, a possibilidade de descaracterização da cooperativa, por este fundamento”. 2. Do Tributo Exigido como Pena: Aduz que “há, e a lei para isto não é avara, sanções de natureza pecuniária, como as multas penais tributárias que agravam a situação do tributo devido. (...) Converter parcela intributável em tributável, com base em uma censura de procedimento exclusivamente societário, sem qualquer prejuízo ao Fisco, tal' consequência, que ainda assim seria discutível ao lume do Código Tributário Nacional, deveria vir expressa, _explícita e manifestamente prevista no texto legal”. 3. D. de Tributar, não Descaracterizar: Afirma que “a Receita Federal, através de um Parecer Normativo, sem qualquer base legal, entendeu considerar tributável uma parcela das mensalidades. Arrecadadas pela recorrente e demais cooperativas congêneres (...) essa parcela seria correspondente ao valor previamente estimado das despesas hospitalares e laboratoriais que a recorrente custeará, quando seus associados necessitarem prescrever exames clínicos ou internações hospitalares”. 4. Aduz que “todo o ato que envolva uma cooperativa e os associados daquela cooperativa e que vise à prestação de serviços 'dessa cooperativa, aos mesmos associados, é um ato cooperativo”. 5. Afirma que “a natureza e a extensão desses atos vêm balizada pelo Estatuto Social da Cooperativa, tecnicamente subsumindose no conceito jurídico de objeto social da entidade”. 6. Da Inexistência destes Atos na Recorrente: Diz que “fornecimento a não_ sócios inexistiu, plenamente caracterizado, na espécie, o fornecimento aos sócios, dos meios necessários ao exercício de sua profissão. Em virtude disto, a apelante jamais praticou atos não Fl. 1307DF CARF MF Processo nº 11020.003955/200277 Acórdão n.º 1401003.084 S1C4T1 Fl. 1.305 7 cooperativos tributáveis. (...) A recorrente, como cooperativa, realiza sua finalidade legal possibilitando que clientela contratada demande o consultório dos seus sócios. Complementa esse fornecimento cobrando o preço desses serviços e os repassando' aos mesmos”. 7. Da conduta da Fiscalização: Afirma que “a Autoridade Fiscal excluiu, o custo operacional direto, dedutível da receita decorrente desses atos cooperativos, no valor correspondente ao repasse dos mesmos aos seus médicos associados, ampliando a base tributável”. (...) “Em decorrência da exclusão operada pela autoridade fiscal do repasse aos cooperativados, automaticamente aumentou o resultado 'tributável da autuada, gerando uma distribuição de sobras 'aos cooperados em valor superior àquele efetivamente realizado pela cooperativa, para efeitos de, ser declarado que a mesma distribuíra resultados de atos tributáveis, tidos pelo Fisco como não cooperativos”. 8. Das Demais autuações: Afirma que “no que concerne aos atos considerados pela Receita Federal como, não cooperativos, o próprio auto de infração menciona que, 'antes de sua lavratura, foram, juntamente com os valores' dos atos cooperativos (virtude da polêmica sobre o âmbito de incidência das contribuições sobre os atos cooperativos), a recorrente propôs ações judiciais”. 9. Requereu o provimento do recurso interposto para que sejam anulados os autos de infração Lavrados, porquanto todos fundamentados na descaracterização da recorrente, bem como, em qualquer hipótese, seja consignado não ser possível à tributação dos atos cooperativos praticados pela recorrente”. Às fls. 776/783 dos autos – Resolução de nº 1401000.415 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, convertendo o julgamento em diligência para: 1. Esclarecer se as bases de cálculo desses tributos consideraram ou não essas ações judiciais; 2. Pronunciarse sobre a possível identidade de objetos entre o presente processo administrativo e as respectivas judiciais; 3. A depender das respostas dos quesitos anteriores, juntar cópia de certidão objeto e pé das ações judiciais mencionadas no TVF, bem assim outras peças judiciais; 4. Verificar se o contribuinte possuía a época dos fatos alguma liminar ou medida cautelar impedindo o lançamento desses tributos, para efeito de avaliação do cabimento da multa de ofício. Fl. 1308DF CARF MF 8 Às fls. 799/ 800 dos autos – Petição do Contribuinte – Juntada de documentos. A informação fiscal concluiu: Às fls. 986/992 dos autos – Petição do Contribuinte, alegando em síntese: 1. “Embora as ações judiciais não ataquem o procedimento derivado da autuação, que tem origem na descaracterização e tributação global dos atos cooperativos, os depósitos judiciais, confessadamente não considerados na autuação, já começaram a ser devolvidos (no caso da COFINS), bem como, para o caso do PIS, há decisão que dá suporte à pretensão da contribuinte”; 2. “Há que de decidir se o fato ensejador da autuação – descaracterização tem respaldo no ordenamento jurídico e na jurisprudência, principalmente desse Conselho, o que se viu comprovadamente não existir”. 3. “Os processos do PIS e COFINS contam com decisões judiciais favoráveis à cooperativa, reafirmando a natureza dos atos cooperativos e sua não tributação, tendo, inclusive, o da COFINS, já transitado em julgado”. Fl. 1309DF CARF MF Processo nº 11020.003955/200277 Acórdão n.º 1401003.084 S1C4T1 Fl. 1.306 9 Às fls. 1156/ dos autos – Resolução de nº 1401000.522 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, convertendo o julgamento em diligência para que a autoridade local verifique em relação ao PIS e COFINS, meses janeiro a set. de 1997: a) pagamento; b) compensação; c) constituição do crédito por apresentação de DCTF, pedido de parcelamento e demais meios de formalização; d) Após, elaboração de parecer técnico. Às fls. 1250/1253 dos autos – Informação Fiscal, concluindo que: “a contribuinte, pessoa jurídica, declarou créditos tributários de PIS, sob o código 8301, e COFINS sob o código 2172, relativos aos meses de janeiro a setembro de 1997, através de DIPJ e de DCTF, tendo efetuado a quitação dos valores através de pagamentos realizados por Documentos de Arrecadação – DARF”. Às fls. 1257/1261 dos autos Petição do Contribuinte, requerendo “o acolhimento do recurso, para que seja cancelada a exigência fiscal em sua integralidade, porquanto originada no processo de descaracterização de seu tipo societário, o que a torna ilegal, sob qualquer ângulo que se examine”. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao eprocesso. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, por isto dele conheço. Da análise dos autos é fácil constatar que o Recurso Voluntário apresentado constituise de repetição dos argumentos utilizados em sede de impugnação, os quais foram detalhadamente apreciados pelo julgador a quo. Em sede recursal, as poucas inovações trazidas pela parte em nada inovam a tese defendida na impugnação, apenas a reafirmam. Fl. 1310DF CARF MF 10 As poucas inovações exprimem a clara insatisfação do recorrente com a autuação, e busca desqualificar o trabalho fiscal de forma genérica. Em verdade, o TVF foi bem minucioso no trabalho realizado, não apenas descrevendo o procedimento fiscalizatório, mas apresentando todos os conceitos utilizados. Ademais, explicou o porque da recomposição da base de cálculo, bem como as glosas de deduções indevidamente realizadas pela contribuinte. Nestes termos, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador pelo § 3º do Art. 57 do Regimento Interno do CARF: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017). Da análise do presente processo, com exceção da análise atinente à decadência parcial do crédito de PIS/COFINS objeto da Resolução de nº 1401000.522, que será posteriormente apreciado, entendo ser plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. Assim, desde já proponho a manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos, considerandose como se aqui transcrito integralmente o voto da decisão recorrida: DA PRELIMINAR DE NULIDADE Alegando que seus argumentos de defesa são procedentes, a Autuada requer a nulidade dos Autos de Infração. Fl. 1311DF CARF MF Processo nº 11020.003955/200277 Acórdão n.º 1401003.084 S1C4T1 Fl. 1.307 11 Analisandose os Autos de Infração constantes no processo, concluiu se que eles contemplam todos os requisitos obrigatórios previstos no art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972 e foram instruídos com os elementos indispensáveis à comprovação das irregularidades, não se vislumbrando nenhum vício de forma que ensejasse a sua nulidade dentro das hipóteses previstas no art. 59 do referido decreto, que assim dispõe: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Vêse que as questões suscitadas pela defesa não se enquadram em nenhum dos itens do artigo acima transcrito. Não há a incompetência de que trata os incisos I e II, e não ocorre a hipótese de preterição do direito de defesa na fase de lançamento. Os elementos de hipótese de incidência tributária e o enquadramento legal das infrações foram devidamente descritos nos Autos de Infração. A Fiscalização verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo e lançou as penalidades cabíveis, sendo que os Autos de Infração contêm as condições necessárias para produzir os efeitos que lhes competem, qual seja, formalizar o crédito tributário, individualizandoo e dandolhe a condição de exigibilidade, conforme detinha o Código Tributário Nacional (CTN), art. 142. Diante do exposto, rejeitase a preliminar de nulidade. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Constatase que a Autuada não discorda de que ocorreu a distribuição de resultados positivo (lucros) aos associados oriundos de atos não cooperativos, se limitando a alegar que a Fiscalização descaracterizou a cooperativa, não obedeceu a legislação pertinente às cooperativas, não efetuou as deduções de custos e despesas na apuração do valor tributável, não fez diversas exclusões na base de cálculo do PIS/PASEP e COFINS e não considerou os depósitos judiciais referentes a essas contribuições. Inicialmente, destacase que a pessoa jurídica não foi descaracterizada de sua condição de cooperativa. O que se tem nos autos é que em razão de ter distribuído resultados positivos (lucros) aos associados, oriundos de atos não cooperativos, ocorreu à tributação integral de seus resultados (atos não cooperativos). Como adiante se verá, a Autuada fraudou o regime tributário beneficiado das cooperativas, porque age de fato como uma sociedade empresarial, não obedecendo as limitações legais em seu atuar pertinentes às cooperativas. O Fisco, tãosomente, atento a esta realidade, aplica as regras tributárias correspondentes. As sociedades cooperativas estão reguladas pela Lei n° 5.764, de 1971, que definiu a Política Nacional de Cooperativismo e instituiu o regime jurídico das cooperativas. São sociedades de pessoas de natureza civil, com forma jurídica própria, constituídas para prestar serviços aos associados e que se Fl. 1312DF CARF MF 12 distinguem das demais sociedades por características singulares quanto à formação da sociedade(art. 4°, 6°, 24, § 3°, e art. 29 e 42). No caso concreto, em sendo cooperativa de trabalho médico, cabe analisar os arts. 182 e 183, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 1999 (RIR/99), que assim dispõe: Entendemse da leitura desses dispositivos legais que: a) as sociedades cooperativas, que obedecerem ao disposto na legislação específica, somente não terão incidência do imposto de renda sobre o resultado suas atividades econômicas, de proveito comum, sem objetivo de lucro, denominado ato cooperativo; b) o resultado positivo das atividades estranhas à sua finalidade sofre a incidência do imposto de renda (art. 183); c) é vedado às cooperativas distribuírem qualquer vantagens ou privilégios financeiros ou não em favor de seus associados, excetuados os juros até o máximo de doze por cento, incluindose a distribuição de resultado oriundos de atos não cooperativos (lucros). Desta forma, por pertencer os resultados gerados com os atos não cooperados à cooperativa e não aos cooperados, tais resultados não podem ser distribuídos. No caso de ocorrer à distribuição de resultados (lucros) aos associados ou terceiros, desobedecendo ao disposto no 2° do art. 182 do RIR/1999, deve ser tributado todo o resultado como as pessoas jurídicas com fins lucrativos. Conforme se verifica dos autos, corretamente a Fiscalização tributou a integralidade dos resultados, eis que ficou comprovado que a Autuada distribuiu resultados (lucros) aos cooperados, referente a atos não cooperativos, conforme assim é descrito pela Fiscalização no Relatório da atividade Fiscal (fls. 67, 68, 69 e 74): Fl. 1313DF CARF MF Processo nº 11020.003955/200277 Acórdão n.º 1401003.084 S1C4T1 Fl. 1.308 13 Por outro lado, o art. 87 da Lei n° 5.764, de 1971, a seguir transcrito, determina expressamente que os resultados das operações das cooperativas com não associados, devem ser levados à conta do “Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social FATES”, e devem ser contabilizados em separado, permitindo o cálculo para incidênša de tributos: Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do “Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social” e serão contabilizados em separado, de molda a permitir cálculo para incidência de tributos. Ainda sobre o FATES, o art. 28, II, da Lei n° 5.764, de 1971, dispõe que os resultados das operações das cooperativas com não associados, destinamse à prestação de assistência aos associados, seus familiares e, quando previsto em estatuto, aos empregados da cooperativa, não podendo jamais serem distribuídos aos seus associados, por ter destinações previstas legalmente. Também, cabe esclarecer que o pagamento do seguro de vida pela Autuada aos seus cooperados, utilizando recursos do FATES, constitui benefício aos seus cooperados, o que é vedado pelo § 1° do art. 182 do RIR/99. Como visto, o FATES (art. 28, II, da Lei n° 5.764, de 1971) se destina a prestação assistência técnica, educacional e social aos associados e de seus familiares. O pagamento de seguro de vida não se enquadra em nenhuma dessas modalidades de prestação de assistência, não podendo ser deduzido para fins de apuração dos resultados. Fl. 1314DF CARF MF 14 Quanto aos dispêndios (custos e despesas), constatase que já foram computados no cálculo feito pela Fiscalização, conforme planilhas de fls. 83 94. No caso, para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, corretamente a Fiscalização somou os resultados tributáveis e os resultados não tributáveis apurados pela Autuada e glosou parte dos custos. Quanto ao argumento de que não foram consideradas como despesas dedutíveis as decorrentes do seguro de vida aos cooperativados, concluiuse que não são necessárias à atividade da Autuada, conforme legislação vigente. Diante do exposto, o Auto de Infração do IRPJ deve ser mantido integralmente. DOS LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL, PIS/PASEP E COFINS: Em relação aos lançamentos da CSLL, PIS/PASEP e COFINS que decorrem da mesma infração tributária que motivou a autuação relativa ao IRPJ (lançamento principal), deve ser aplicada idêntica solução, em face da estreita relação de causa e efeito. Tendo o Contribuinte sido tributado como as demais pessoas jurídicas, a totalidade da sua receita operacional compõe a base de cálculo dessas contribuições, não prosperando os argumentos da defesa. Quanto à alegação de que ocorreu a decadência, com base no art. 173, I, do Código Tributário Nacional, concluiuse que não cabe razão ao Contribuinte. Assim, dispõe o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional: Art. I 73 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Considerando esse argumento, verificase que não ocorreu a decadência em relação aos períodos de apuração 01/1997 a 08/1997 do PIS/PASEP e da COFINS. No caso dos autos, o fato gerador do PIS/PASEP e da COFINS mais distante ocorreu em 31/01/1997. Portanto, a contagem do prazo se iniciou em 01/01/1998 e terminou em 31/12/2002 (cinco anos). O Contribuinte foi cientificada dos lançamentos em 05/09/2002 (fl. 35). Fl. 1315DF CARF MF Processo nº 11020.003955/200277 Acórdão n.º 1401003.084 S1C4T1 Fl. 1.309 15 Assim, nessa data, ainda não tinha se esgotado o prazo para constituir o crédito tributário do PIS/PASEP e da COFINS de forma que é descabida a alegação da ocorrência da decadência. Em relação às exclusões da base da COFINS os valores dos eventos efetivamente pagos, os valores das provisões técnicas e a co responsabilidade cedida nos termos da MP n. 2.1835, solicitadas pela Autuada, cabe esclarecer que tendo sido tributada como as demais pessoas jurídicas e não como cooperativa, não cabe essas exclusões. Quanto aos depósitos judiciais efetuados pela autuada em relação ao PIS/PASEP e a COFINS, cujos valores contestados não foram declarados nas DCTF e foram efetuados após o início da ação fiscal, constatase que não foi comprovado o montante integral dos valores exigidos nos Autos de Infração. Conforme cópia dos DARFs de fls. 127 e 128, os valores depositados foram inferiores aos valores lançados, fato esse que não suspende a exigibilidade do crédito tributário, conforme art.15, II, do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: Nesse contexto, temse que, na dicção do art. 151, II, do CTN, suspende a exigibilidade do crédito apenas o depósito do seu montante integral. Essa condição, como visto, não foi atendida pela Autuada. Desse modo, guardadas as devidas proporções ao objeto do processo administrativo, concluindose não estar suspensa a exigibilidade do crédito de que trata o presente processo. Diante de tudo isso, resta à conclusão de que foi correto o procedimento adotado pela fiscalização, efetuando o lançamento de ofício do crédito tributário, ainda que parcialmente coberto por depósitos judiciais. Diante do exposto, os lançamentos do PIS/PASEP, CSLL e COFINS devem ser mantidos integralmente. CONCLUSÃO Isso posto, voto no sentido de: a) rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência; Fl. 1316DF CARF MF 16 b) julgar procedentes os Autos de Infração do IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS; c) efetuar a cobrança dos valores mantidos, acrescidos da multa de ofício de 75% e dos juros de mora regulamentares. De fato, entendo que a decisão da DRJ enfrentou adequadamente o cerne da questão e as alegações de impugnação reiteradas no Recurso. Ao contrário do alegado pela recorrente, não estão presentes nenhuma das causas de nulidade previstas no RPAF. As sociedades cooperativas estão reguladas pela Lei n° 5.764, de 1971, que definiu a Política Nacional de Cooperativismo e instituiu o regime jurídico das cooperativas e são sociedades de pessoas de natureza civil, com forma jurídica própria, constituídas para prestar serviços aos associados e que se distinguem das demais sociedades por características singulares quanto à formação da sociedade(art. 4°, 6°, 24, § 3°, e art. 29 e 42). Entretanto, para usufruir dos benefícios tributários atinentes a tal tipo de sociedade, diversos requisitos formais devem ser observados pelas sociedades cooperativas, requisitos estes previstos na Lei n. 5.764/71. Alguns referemse à apuração dos resultados, ou à sua destinação, os quais estão abaixo transcritos: "Art. 4°. As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características: (...) VII retorno das sobras líquidas do exercício, proporcionalmente às operações realizadas pelo associado, salvo deliberação em contrário da Assembléia Geral; (...) Art.24. (...) § 3° É vedado às cooperativas distribuírem qualquer espécie de benefício às quotaspartes do capital ou estabelecer outras vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros excetuandose os juros até no máximo de 12% (doze por cento) ao ano que incidirão sobre a parte integralizada." Sobre este assunto, dispõem os artigos 182 e 183 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99: Fl. 1317DF CARF MF Processo nº 11020.003955/200277 Acórdão n.º 1401003.084 S1C4T1 Fl. 1.310 17 “Art. 182. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação específica não terão incidência do imposto sobre suas atividades econômicas, de proveito comum, sem objetivo de lucro (Lei ng 5.764/71, art. 3 e Lei n. 9.532/97, art. 69). § 1° É vedado às cooperativas distribuir qualquer espécie de benefício às quotaspartes do capital ou estabelecer outras vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros, excetuados os juros até o máximo de doze por cento ao ano atribuídos ao capital integralizado (Lei 5764/71, artigo 24, § 3°). § 2° A inobservância do disposto no parágrafo anterior importará tributação dos resultados, na forma prevista neste Decreto. (g.n.)” Art. 183. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação especifica pagarão o imposto calculado sobre os resultados positivos das operações e atividades estranhas à sua finalidade, tais como (Leis n° 5764/71, artigos 85, 86, 88 e 111, e Lei ng 9.430/96, arts. 1 e 2.): I de comercialização ou industrialização, pelas cooperativas agropecuárias ou de pesca, de produtos adquiridos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou para suprir capacidade ociosa de suas instalações industriais; II de fornecimento de bens ou serviços a não associados, para atender aos objetivos sociais; III de participação em sociedades não cooperativas, públicas ou privadas, para atendimento de objetivos acessórios ou complementares.” Sobre a destinação dos resultados decorrentes de atos nãocooperativos, diz o Parecer Normativo CST n° 38/80: "2.2. 3. Destinação dos Resultados dos Atos NãoCooperativos. Os rendimentos dessas operações, além de tributáveis, não podem ser distribuídos, pois passam a integrar obrigatoriamente a conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" (arts. 87 e 88, § único). " Como bem concluiu a decisão recorrida: Fl. 1318DF CARF MF 18 Entendemse da leitura desses dispositivos legais que: a) as sociedades cooperativas, que obedecerem ao disposto na legislação específica, somente não terão incidência do imposto de renda sobre o resultado suas atividades econômicas, de proveito comum, sem objetivo de lucro, denominado ato cooperativo; b) o resultado positivo das atividades estranhas à sua finalidade sofre a incidência do imposto de renda (art. 183); c) é vedado às cooperativas distribuírem qualquer vantagens ou privilégios financeiros ou não em favor de seus associados, excetuados os juros até o máximo de doze por cento, incluindo se a distribuição de resultado oriundos de atos não cooperativos (lucros). O cooperativismo permite que indivíduos isolados, com menos condições de enfrentar o mercado, aumentem sua competitividade, daí a importância das sociedades cooperativas. As cooperativas são as únicas sociedades que possuem duas naturezas jurídicas diferentes: Jurídica própria e natureza Civil. A natureza civil é atribuída à sociedade cooperativa devese ao fato de seu objetivo estar voltado para a prestação de serviços aos associados. Colocandose em evidência as diferenças em relação aos demais tipos societários, porque são constituídas para prestar serviços aos associados. As Cooperativas servem para intermediar negócios e buscar alternativas para seus cooperados, proporcionandolhes condições de vida e competitividade no mercado. Exatamente por isso, que a legislação tributária estabelece benefícios fiscais para as atividades cooperadas, desde que cumpridos os requisitos previstos na legislação. O objetivo do legislador é o de favorecer o cooperativismo, e não criar um subterfúgio para uma sociedade empresarial comum obter vantagens tributárias que afetam a livre concorrência. Assim, o presente lançamento não teve por objetivo descaracterizar a Recorrente como cooperativa, ao contrário do por ela alegado. Mas tão somente, aferir o cumprimento dos requisitos necessários para a fruição do tratamento tributário diferenciado. O descumprimento dos requisitos previstos na legislação acarretam em uma conseqüência tributária, qual seja, a tributação das receitas aferidas em iguais condições a uma sociedade empresarial comum. Isto porque, como já dito, o tratamento diferenciado não pode acarretar em concorrência desleal. Nesta esteira, entendo que restou suficientemente comprovado pelo agente fiscal que a Recorrente descumpriu os requisitos previstos na legislação de regência. E como conseqüência, conforme previsto no §o. 2. do art. 182 do RIR/98: A inobservância do disposto no parágrafo anterior importará tributação dos resultados, na forma prevista neste Decreto. Como bem analisado pela DRJ: Fl. 1319DF CARF MF Processo nº 11020.003955/200277 Acórdão n.º 1401003.084 S1C4T1 Fl. 1.311 19 Conforme se verifica dos autos, corretamente a Fiscalização tributou a integralidade dos resultados, eis que ficou comprovado que a Autuada distribuiu resultados (lucros) aos cooperados, referente a atos não cooperativos, conforme assim é descrito pela Fiscalização no Relatório da atividade Fiscal (fls. 67, 68, 69 e 74): Além disso, a Recorrente também distribuiu benefícios aos seus segurados, como seguros, ao invés de aplicar as sobras no fundo FATES. O pagamento do seguro de vida pela Autuada aos seus cooperados, utilizando recursos do FATES, constitui benefício aos seus cooperados, o que é vedado pelo § 1° do art. 182 do RIR/99. Como visto, o FATES (art. 28, II, da Lei n° 5.764, de 1971) se destina a prestação assistência técnica, educacional e social aos associados e de seus familiares. Outrossim, os eventuais depósitos realizados em ações judiciais, não devem ser aproveitados no presente lançamento visto que ocorreram após o início do procedimento fiscal. Eventual imputação de pagamento deverá ser realizada na unidade preparadora, antes da exigência do crédito tributário mantido. Assim, face a tudo o quanto exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário, adotando a decisão recorrida. A única divergência deste Relator quanto à decisão recorrida, está no afastamento da decadência dos créditos de pis e cofins relativo aos meses de janeiro a setembro de 1997. Isto porque, a autoridade julgadora de primeiro grau adotou, portanto, o art. 173, inciso I e não o art. 150, § 4º, ambos do CTN, para aferir o prazo decadencial. Fl. 1320DF CARF MF 20 Para tal, porém, é necessária, em face da jurisprudência com efeitos repetitivos do STJ, a inexistência de pagamento das referidas contribuições, o que não foi aferido nos autos. Assim, o feito foi baixado em diligência nos termos da Resolução de nº 1401 000.522 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, que às fls. 1250/1253 dos autos – Informação Fiscal, conclui que: “a contribuinte, pessoa jurídica, declarou créditos tributários de PIS, sob o código 8301, e COFINS sob o código 2172, relativos aos meses de janeiro a setembro de 1997, através de DIPJ e de DCTF, tendo efetuado a quitação dos valores através de pagamentos realizados por Documentos de Arrecadação – DARF”. Assim, tendo em vista que a ciência do lançamento se deu em 05/09/2002, necessário acolher a preliminar de decadência dos créditos de PIS/COFINS cujos fatos geradores ocorreram ate agosto/1997. Desta feita, face a tudo o quanto exposto, dou parcial provimento ao Recurso Voluntário para acolher a preliminar de decadência quanto aos crédito de PIS/COFINS cujos fatos geradores ocorreram até agosto/1997 e, nos demais termos, nego provimento ao Recurso Voluntário, mantendo, em razão da faculdade garantida ao julgador pelo § 3º do Art. 57 do Regimento Interno do CARF, a decisão recorrida nos demais termos, pelos seus próprios fundamentos, com os acréscimos aqui expostos, que apenas a ratificam. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 1321DF CARF MF
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