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Numero do processo: 19515.720712/2011-38
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os julgados em confronto.
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DECRETO-LEI Nº 1.510, DE 1976. AÇÕES DETIDAS EM 1983. ISENÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO.
Matéria com dispensa legal de constituição por meio do Parecer SEI nº 74/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF, aprovado pelo Ministro da Fazenda, que ensejou a publicação do Ato Declaratório PGFN nº 12, de 25/06/2018. Aplicação do art. 62, § 1º, alínea "c", do Anexo II, do RICARF.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional, e sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 9202-007.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para que seja aplicada a isenção do imposto de renda sobre o ganho de capital referente à alienação das ações detidas pelo Contribuinte em 1983, vencida a conselheira Ana Paula Fernandes, que lhe deu provimento integral. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os julgados em confronto. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DECRETOLEI Nº 1.510, DE 1976. AÇÕES DETIDAS EM 1983. ISENÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. Matéria com dispensa legal de constituição por meio do Parecer SEI nº 74/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, aprovado pelo Ministro da Fazenda, que ensejou a publicação do Ato Declaratório PGFN nº 12, de 25/06/2018. Aplicação do art. 62, § 1º, alínea "c", do Anexo II, do RICARF. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional, e sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para que seja aplicada a isenção do imposto de renda sobre o ganho de capital referente à alienação das ações detidas pelo Contribuinte em 1983, vencida a conselheira Ana Paula Fernandes, que lhe deu provimento integral. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 07 12 /2 01 1- 38 Fl. 1086DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2008, acrescido de juros de mora e multa de ofício, tendo em vista a omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas e omissão de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em Bolsa, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 331 a 336. Em sessão plenária de 18/03/2014, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2201002.342 (fls. 628 a 646), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. GANHO DE CAPITAL. GASTOS COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE ASSESSORIA FINANCEIRA. CUSTO DE AQUISIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os gastos com prestação de serviço de assessoria financeira não compõem o custo de aquisição para fins de cálculo do ganho de capital. IRPF. APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL. AVALIAÇÃO DE AÇÕES. CUSTO ZERO. Em respeito ao princípio da verdade material, discordando a fiscalização da documentação apresentada pelo contribuinte ou em não sendo possível para este apresentar qualquer documento que comprove o custo de aquisição, impõese a realização de outros procedimentos investigatórios com o fito de se apurar o Fl. 1087DF CARF MF Processo nº 19515.720712/201138 Acórdão n.º 9202007.148 CSRFT2 Fl. 1.087 3 ganho de capital. Inadmissível a atribuição de custo zero a bens cujo custo de aquisição é possível mensurar. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO. A isenção prevista no artigo 4º do DecretoLei nº 1.510, de 1976, por ter sido expressamente revogada pelo artigo 58 da Lei nº 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989 (vigência da Lei nº 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido a regime jurídico. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito: I quanto à omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Nathalia Mesquita Ceia, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), que deram provimento integral ao recurso nesta parte; II quanto ao ganho de capital, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para considerar como custo de aquisição em 31/12/2003 o valor de R$ 5.131.497,46, vencidos os Conselheiros Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), que também admitiram a dedução a título de assessoria e acolheram a isenção relativamente às ações detidas em 1983, a Conselheira Nathalia Mesquita Ceia, que também admitiu a dedução a título de assessoria, e o Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima (Suplente convocado), que também acolheu a isenção relativamente às ações detidas em 1983; III quanto à aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Nathalia Mesquita Ceia, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), que deram provimento ao recurso nesta parte. Fez sustentação oral pelo Contribuinte a Dra. Ana Paula Lui, OAB/SP 157.658." O processo foi encaminhado à PGFN em 13/05/2014 (Despacho de Encaminhamento de fls. 647) e, em 25/06/2014, foi interposto o Recurso Especial de fls. 648 a 655 (Despacho de Encaminhamento de fls. 656), com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir a questão dos critérios para a comprovação e atribuição do custo de aquisição de ações. Fl. 1088DF CARF MF 4 Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 18/08/2014 (fls. 658 a 660). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos: a exigência de apresentação de prova específica para determinação do custo de aquisição da participação acionária encontrase expressa no art. 16 da Lei 7.713, de 1988, bem como o art. 762 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999; da análise do texto normativo acima explicitado temse clara a condição imposta pela legislação para que o contribuinte possa ter aceito o valor indicado como o efetivo custo de aquisição das ações de sua propriedade; ressaltese que não se trata de matéria que admite qualquer meio de prova, mas sim de matéria cuja comprovação contém forma específica e legalmente estabelecida, não podendo o Julgador se furtar à observância de tal preceito, aceitando prova distinta; a devida comprovação do custo de aquisição da participação acionária é ônus do contribuinte, não podendo ser extraída a partir da apreciação de provas inadequadas, em afronta à legislação, sob pena de estar premiando a falta de diligência por parte de quem possui o dever de comprovar o que alega na forma devida; desta forma, a não apresentação de documento específico em consonância com a lei inviabiliza o pedido do contribuinte no tocante ao valor apontado, devendo ser considerado o custo zero; em não cumprindo a determinação legal, o custo deve ser considerado zero, não podendo o princípio da verdade material ser utilizado como fundamento para descumprimento de texto normativo expresso; dentre os instrumentos aptos à tal comprovação, cumpre ressaltar que não se encontra menção à apresentação de DIRPF e/ou o registro em ata da empresa, por consistir mera declaração unilateral sem qualquer prova da veracidade das informações apresentadas; não logrando êxito o contribuinte em comprovar o valor do custo de aquisição das ações alienadas, não poderá ter deferido seu pleito de considerálas no valor de R$ 5.131.497,46, por falta de atendimento aos requisitos legais, estando correta a indicação “zero” do custo de aquisição efetuada pela fiscalização. Ao final, a Fazenda Nacional requer seja conhecido e provido o Recurso Especial, restabelecendose a decisão de primeira instância. Cientificado do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 19/08//2014 (Termo de Abertura de Documento de fls. 666), o Contribuinte, em 22/08/2014, opôs os Embargos de Declaração de fls. 668 a 714, rejeitados conforme despacho de 30/09/2014 (fls. 761 a 763), e, em 02/09/2014, ofereceu as Contrarrazões de fls. 717 a 757, contendo os seguintes argumentos: Da incompatibilidade do acórdão paradigma em análise mais detida do referido paradigma, verificase que a situação fática e os fundamentos da decisão proferida naquele processo, não se enquadram à situação objeto de discussão nos presentes autos; Fl. 1089DF CARF MF Processo nº 19515.720712/201138 Acórdão n.º 9202007.148 CSRFT2 Fl. 1.088 5 isso porque, de acordo com o próprio relatório do acórdão paradigma, a discussão acerca do custo de aquisição gira em torno de infrações quanto a: "Ganhos líquidos no mercado de renda variável referente a operações realizadas em bolsa de valores, anoscalendário 1999 e 2000, conforme Resumo de Apuração de Ganhos Renda Variável (fls. 31 a 37)." (fl. 3 do acórdão paradigma) e o relatório segue no mesmo sentido, indicando que "entendeu, o agente fiscal, não restar demonstrado o custo de aquisição das ações negociadas em bolsa de valores (Bovespa), que foi considerado igual a "zero" para fins de apuração do ganho líquido em operações de renda variável!' (fl. 4 do acórdão paradigma); como se vê, claramente a situação fática explorada no julgamento do acórdão paradigma (operações realizadas em Bolsa de Valores, isto é, com sociedade de capital aberto), diverge completamente da disputa travada nos presentes autos, em que se discute o custo de aquisição de ações sem qualquer relação com operações em bolsa de valores, isto é, em negociação com sociedade de capital fechado; ademais, o voto condutor do mencionado paradigma, ao fundamentar seu entendimento para considerar o custo zero na aquisição das ações naqueles autos, suscita a aplicação do artigo 762 do Decreto n° 3000/99 (RIR/99), o qual dispõe acerca de operação realizada em "Mercados à Vista", o que não se amolda à situação do acórdão recorrido; mais uma vez vêse que o objeto do acórdão paradigma não se adequa à descrição fática trazida nos presentes autos, pois o próprio fundamento legal do decidido no paradigma não poderia ser aplicado a presente situação, haja vista que o presente caso não envolve operação no mercado bursátil, pelo que nem mesmo se aplicaria o dispositivo legal que embasou o acórdão paradigma; além disso, outro ponto que demonstra a total incompatibilidade do descrito no acórdão paradigma com a hipótese dos autos repousa no fato de que, no paradigma, o custo de aquisição foi considerado zero, pois os documentos apresentados seriam meros demonstrativos com indicação de nome e CPF de supostos clientes, bem como valor de alienação; contudo, tal situação não reflete a realidade dos presentes autos, em que o Contribuinte apresentou, não meros demonstrativos, mas sim a Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física (DIRPF), relativamente ao anocalendário 2004, em que, como reconhecido pela própria Turma Julgadora, havia indicação clara e fiel do total de ações detidas do Banco BMC, bem como seu custo de aquisição; a DIRPF é o documento eleito pela própria Autoridade Fiscal como elemento suficiente para a declaração dos bens e direitos dos Contribuintes, sendo que a partir da sua entrega o Fisco pode auditar as informações prestadas e se, for o caso, apurar eventuais infrações do Contribuinte e inconsistências em sua confissão, Impossibilidade de reexame de provas pela CSRF além do consignado até aqui, o presente Recurso Especial não merece acolhida também pelo fato de que objetiva o reexame de prova por parte desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o que é vedado em sede de Recurso Especial; Fl. 1090DF CARF MF 6 conforme se depreende do acórdão recorrido, o Relator é categórico em afirmar que a DIRPF/2004 apresentada pelo Contribuinte indica expressamente o montante de ações e o valor destas, bem como por meio do registro das Atas de Assembléia do Banco BMC é possível identificar o valor das ações; as provas carreadas aos autos para comprovação do custo de aquisição foram analisadas pela Turma Julgadora que as considerou suficientes a demonstrar o custo, pelo que foi considerado o valor de R$ 5.131.497,46 como tal; desta forma, o que pretende a Recorrente é o reexame de tais evidências, o que não se permite neste momento processual, especialmente porque não é possível a esta Câmara Superior que se permita tal expediente, a fim de evitar que se torne terceira instância para atender ao inconformismo da Recorrente Do Direito como mencionado, de acordo com o Recurso Especial, o acórdão recorrido não poderia, valendose do princípio da verdade material, permitir a comprovação do custo de aquisição das ações pelo Contribuinte por meios que não aqueles descritos no artigo 16 da Lei 7.713, de 1988, e artigo 762 do RIR, de 1999, contudo o acórdão recorrido não negou a aplicação desse dispositivo legal; a Turma Julgadora decidiu que o custo foi devidamente comprovado pelos valores declarados em DIRPF, bem como são plenamente passíveis de identificação pelas atas do Banco BMC S.A., ou seja, não há qualquer ofensa ao artigo 16, da Lei 7.713, de 1988; do exame do citado normativo, diferentemente do que consignou a Recorrente, o acórdão recorrido enquadrou a situação do Contribuinte tanto no caput como, de forma subsidiária, no § 2º, do artigo 16, da Lei 7.713, de 1988; havendo a possibilidade de apuração do custo e a sua comprovação nos autos, como ocorre no caso em apreço, tornase evidente que a pretensão da Recorrente em rediscutir matéria de prova sob o argumento de que o acórdão se valeu da verdade material, não deve prevalecer, uma vez que a decisão recorrida apenas mencionou tal princípio para reforçar ainda mais a validade dos documentos ofertados pelo Contribuinte; com efeito, o elemento determinante para o deferimento do pleito do Contribuinte não foi a verdade material, mas sim a existência de provas que suportam o custo reconhecido de R$ 5.131.497,46; o princípio da verdade material é preceito intrínseco ao processo administrativo fiscal e à própria atuação das autoridades administrativas fiscais, representando um dos principais preceitos decorrentes do direito processual administrativo; não pode a Administração exigir que determinada afirmação sobre um fato só se considere provada através do meio de prova "x", se por outros meios de prova a Administração consegue chegar à certeza de que aquele mesmo fato ocorreu; ainda que a decisão recorrida estivesse balizada apenas no princípio da verdade material, o que não é o caso, não poderia a Autoridade Fiscal, como pretende a Recorrente, furtarse da observância e aplicação do mencionado princípio, uma vez que este é vinculado ao próprio processo administrativo, devendo a autoridade observálo sem exceção, conjuntamente às disposições legais; Fl. 1091DF CARF MF Processo nº 19515.720712/201138 Acórdão n.º 9202007.148 CSRFT2 Fl. 1.089 7 deveras, havendo provas do custo de aquisição, a Autoridade Fiscal não poderia desqualificar tais documentos sem a devida comprovação de sua inveracidade, o que, inclusive, motivou a menção ao princípio da verdade material pelo acórdão recorrido; as Declarações de Imposto de Renda de Pessoa Física possuem presunção de veracidade em relação às informações ali dispostas pelo contribuinte declarante, o que inclusive já foi reconhecido pelo antigo Conselho de Contribuintes não basta à Autoridade Fiscal ou ao Recorrente simplesmente afastar o custo de aquisição das ações detidas pelo Contribuinte constante das DIRPF apresentadas, sem que sejam trazidas provas em sentido contrário capazes de infirmar tais declarações; aliás, cumpre notar que a própria Autoridade Fiscal, no intuito de apurar a base de cálculo do crédito tributário, fez uso das DIRPFs apresentadas, como, por exemplo, para constatar o valor de alienação das ações, assumindo, assim, a presunção de veracidade das informações ali descritas, pois não se poderia aceitar que um mesmo documento representasse a verdade para um fim e não para outro, sem que se apresentasse qualquer fundamento para tanto. Ao final, o Contribuinte requer seja negado provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Intimado da rejeição de seus Embargos em 06/10/2014 (Termo de Abertura de Documento de fls. 766), o Contribuinte interpôs, em 20/10/2014, o Recurso Especial de fls. 769 a 807, com fundamento nos artigos 64, II, e 67, do Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, suscitando diversas matérias. Ao Recurso Especial do Contribuinte foi dado seguimento parcial, apenas em relação às matérias a seguir especificadas, conforme Despacho de Admissibilidade de 06/04/2015 (fls. 1.035 a 1.050), o que foi mantido pelo Despacho de Reexame de fls. 1.051/1.052: isenção aplicável às ações detidas em 1983; e incidência de juros sobre a multa de ofício. Em seu apelo, quanto às matérias que obtiveram seguimento, o Contribuinte apresenta as seguintes alegações: Da isenção aplicável às ações detidas em 1983 conforme consta do acórdão recorrido, a isenção disposta no DecretoLei nº 1.510, de 1976, não seria aplicável ao caso presente, pois o dispositivo legal que a abarcava foi revogado pela Lei n° 7.713, de 1988, de modo que a lei nova deveria ser aplicada aos fatos geradores ocorridos durante a sua vigência; muito embora o Contribuinte tenha aumentado sua participação societária junto ao Banco até a correspondente alienação ao Banco Bradesco S/A por meio de novas aquisições, é fato inconteste que parte das ações alienadas já era de propriedade do Recorrente em 1983, cinco anos antes da edição da Lei n°. 7.713, de 1988, que revogou a mencionada isenção; Fl. 1092DF CARF MF 8 daí porque, apesar de revogada a isenção, o Recorrente tem direito adquirido a dela usufruir, relativamente às ações que então possuía, posto que, antes mesmo da edição da Lei que a revogou, já havia cumprido a única condição imposta, qual seja, a manutenção da participação societária por cinco anos; desta forma, não há dúvidas de que a conclusão adotada pela Turma Julgadora no sentido de não reconhecer a isenção a que faz jus o Recorrente no tocante às ações detidas em 1983 não pode prosperar, eis que em total desacordo com a própria jurisprudência recente desta Câmara Superior (bem como com aquela que prevalece nos tribunais superiores acerca do tema), o que não se pode admitir, a teor dos acórdãos paradigmas ora apresentados; Da ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa de ofício ainda que se entenda pela manutenção da autuação em análise, o que se alega a título argumentativo, é certo que os juros calculados com base na taxa SELIC não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada, por absoluta ausência de previsão legal; isso porque o entendimento exarado no acórdão recorrido conflita frontalmente com posição adotada pelo Plenário desta Câmara Superior de Recursos Fiscais que, em julgamento ocorrido nos autos do processo administrativo n° 10680.002472/200723, negou provimento a recurso especial da PGFN, reconhecendo a impossibilidade de exigência de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, em razão do disposto no artigo 161, do Código Tributário Nacional. Ao final, o Contribuinte pede o conhecimento e provimento do Recurso Especial, reconhecendose a improcedência do lançamento fiscal. Cientificada do Recurso Especial da Contribuinte e dos despachos que lhe deram seguimento parcial em 27/04/2017 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.073), a Fazenda Nacional ofereceu, em 10/05/2017 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.084), as Contrarrazões de fls. 1.074 a 1.083, com os seguintes argumentos: Da isenção tal benefício fiscal foi revogado pelo art. 58, da Lei nº 7.713, de 1988; portanto, com a revogação dessa isenção, praticado o fato gerador do imposto, qual seja, auferimento de ganho de capital com a alienação de participação societária, é devido o imposto de renda incidente; na hipótese dos autos, à época em que o Contribuinte vendeu sua participação acionária (2007), a isenção instituída pelo DecretoLei nº 1.510, de 1976, já havia sido revogada pelo art. 58, da Lei nº 7.713, de 1988; em se tratando de isenção, prevalece a regra da revogabilidade a qualquer tempo, salvo nos casos de isenção condicional ou concedida a prazo certo; dessa forma, a ressalva contida no art. 178 do CTN é inaplicável à isenção ora discutida, pois se trata de benefício fiscal concedido de forma genérica e por prazo indeterminado; Fl. 1093DF CARF MF Processo nº 19515.720712/201138 Acórdão n.º 9202007.148 CSRFT2 Fl. 1.090 9 temse que a isenção pleiteada pelo contribuinte, além de não ser concedida a termo, também não guarda relação com aquelas outorgadas em função de determinadas condições, amoldandose, por conseguinte, à regra geral da revogabilidade a qualquer tempo; analisando a isenção pleiteada, concluise que só haveria direito adquirido a ela se realizados durante a vigência da lei que a veiculou os pressupostos necessários à sua concessão, quais sejam, posse da participação acionária por mais de cinco anos e alienação dessas ações. Dos juros de mora sobre a multa de ofício por ser a multa, indubitavelmente, obrigação principal, não se pode chegar a outra conclusão se não a de que o crédito tributário engloba o tributo e a multa; logo, tanto sobre o tributo (principal) quanto sobre a multa devem incidir juros, como determina o § 1º, do art. 161, do Código Tributário Nacional; a permanecer o entendimento literal segundo o qual na expressão “crédito não integralmente pago” não estaria incluída a multa de ofício, a eficácia de qualquer penalidade pecuniária, seja pelo descumprimento da obrigação principal, seja pelo da obrigação acessória, restaria comprometida. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja negado provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Em julgamento Recursos Especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte. Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2008, acrescido de juros de mora e multa de ofício, tendo em vista a omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas e omissão de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em Bolsa (Termo de Verificação Fiscal de fls. 331 a 336). No acórdão recorrido, foram mantidas as infrações, apenas acolhendose o custo de aquisição de R$ 5.131.497,46 na apuração do ganho de capital. A Fazenda Nacional busca em seu Recurso Especial reduzir o custo de aquisição a zero, para efeito de apuração do ganho de capital. O Contribuinte, por sua vez, na parte em que seu Recurso Especial teve seguimento, visa rever a tributação das ações detidas em 1983, bem como a incidência de juros sobre a multa de ofício. O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Em sede de Contrarrazões, o Contribuinte pede o não conhecimento do apelo, alegando que a operação de ganho de capital tratada no acórdão recorrido não guardaria Fl. 1094DF CARF MF 10 similitude com a do paradigma, que inclusive teria aplicado legislação diversa. Ademais, assevera que o recurso objetivaria o reexame de provas por parte desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o que seria vedado em sede de Recurso Especial. Quanto à alegação de falta de similitude entre o acórdão recorrido e os paradigmas, convém examinar as situações fáticas retratadas nos julgados em confronto. No caso do acórdão recorrido, tratase de apuração de ganho de capital na alienação de quotas de capital de pessoa física, não negociadas em Bolsa, em que foi considerado como custo o valor constante da respectiva Declaração de Ajuste Anual. Confira se: "Atribuição do Custo Zero às Ações Detidas em 31/12/2003 O fisco considerou o custo igual a zero das ações detidas pelo contribuinte em 31/12/2003 do Banco BMC, em razão da falta de comprovação do valor informado na DIRPF/2004 às fls. 150/155. Contudo, ouso discordar da tese abraçada pelo I. Relator do acórdão recorrido, pois no quadro “Declaração de Bens e Direitos” da DIRPF/2004, fl. 147pdf, informa que o contribuinte possuía em 31/12/2003 o total de 7.546.782 de ações do Banco BMC, perfazendo o montante de R$ 5.131.497,46. Com efeito, compulsandose o Termo de Verificação Fiscal, mais precisamente da tabela denominada “Ações do Banco BMC pertencente a Francisco Jaime”, fl. 335pdf, verificase que a própria fiscalização considerou, para fins de cálculo do custo de aquisição, que o contribuinte possuía em 31/12/2003 o montante de 7.546.782 de ações do Banco BMC, contudo, não atribuiu qualquer valor a elas. Ora, não há como aceitar o entendimento do fisco em atribuir custo zero para as ações, mesmo porque é presumível que tenha custado algum valor. Além do mais, por meio do registro das atas é possível identificar o valor das ações, sobretudo porque, para esse tipo de aquisição, não há escritura pública lavrada em cartório informando o valor da transação. Frisese, ainda, que a legislação determina a manutenção dos comprovantes exclusivamente para dar lastro a declaração de bens e direitos referente àquele exercício e, portanto, não há como o contribuinte mantêlos indefinidamente. Em respeito ao princípio da verdade material, discordando a fiscalização da documentação apresentada pelo contribuinte ou em não sendo possível para esse apresentar qualquer documento que comprove o custo de aquisição, impõese a realização de outros procedimentos investigatórios com o fito de se apurar o ganho de capital." Quanto ao paradigma Acórdão nº 10248.236 tratase de ganhos auferidos por pessoa física em operações no mercado à vista de ações nas Bolsas de Valores, sendo que o Contribuinte apresentou como provas do custo das ações documentos não acatados pelo Colegiado. Confirase o voto condutor do acórdão paradigma: "2) Do mérito. Ganhos na venda de ações operações realizadas em 2000. Fl. 1095DF CARF MF Processo nº 19515.720712/201138 Acórdão n.º 9202007.148 CSRFT2 Fl. 1.091 11 A meu ver a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo nesta parte. Seja quanto ao custo de aquisição das ações, considerado zero; seja quanto a tributação dos valores, considerando para efeito de isenção o valor total das operações em cada mês e não apenas o valor dos ganhos. Peço vênia, para aqui adotar os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido como razões de decidir, a seguir transcritos: (...) A autoridade fiscal, na busca de elementos que oferecessem subsídios à correta aferição do ganho líquido nas operações realizadas pelo contribuinte, exigiu do fiscalizado, por duas vezes, a comprovação do custo de aquisição das ações alienadas. Ante a inércia do intimado, não logrou a autoridade fiscal êxito em seu intento, pelo que não restou alternativa senão considerar como zero o custo de aquisição das ações alienadas. Em que pese o fato de ter o impugnante apresentado demonstrativos na tentativa de provar o custo de aquisição das ações (fls. 261 a 294), as únicas informações que podem ser confirmadas são as relativas às alienações, para as quais é vasta e suficiente a documentação acostada aos autos (fls. 66 a 198 cópias de recibos, de cheques, de Notas de Corretagem etc), obtida do Processo n°13982.000334/200504, cujo lançamento, relativo a depósitos bancários de origem incomprovada, foi objeto de apreciação por esta DAI, como já mencionado no relatório que acompanha o presente voto. Os demonstrativos apresentados, muito embora indiquem o nome e CPF dos supostos clientes do defendente, bem como os valores que a eles teriam sido repassados, não são aptos para provar o custo de aquisição das ações alienadas, vez que desacompanhados de qualquer documento a corroborar as informações neles consignadas. Ou seja, a única prova do custo de aquisição apresentada foram os referidos demonstrativos, elaborados pelo próprio impugnante. Assim sendo, na hipótese de falta de comprovação do valor pago pelas ações e não sendo possível sua determinação pela forma descrita na legislação tributária, será o custo considerado igual a zero. É o que dispõe o art. 762, §§ 2° e 3' do RIR/99, in verbis: 'Art. 762. Os custos de aquisição dos ativos objeto das operações de que trata o artigo anterior serão considerados pela média ponderada dos custos unitários (Lei n° 8.981, de 1995, art. 72,§ 2°).(...) § 2° Na ausência do valor pago, o custo de aquisição será, conforme o caso (Lei n°7.713, de 1988, art. 16, incisos III, IV e V): 1 o valor da avaliação no inventário ou arrolamento; Fl. 1096DF CARF MF 12 II o valor de transmissão utilizado, na aquisição,, para cálculo do ganho líquido do alienante; III o valor da ação por conversão de debênture fixado pela companhia emissora; IV o valor corrente, na data da aquisição. § 3° O custo de aquisição é igual a zero nos casos de (Lei n° 7.713, de 1988, art. 16, § 4º): 1 partes beneficiárias adquiridas gratuitamente; II acréscimo da quantidade de ações por desdobramento; III aquisição de qualquer ativo cujo valor não possa ser determinado pelos critérios previstos nos parágrafos anteriores. Quanto à alegação de que deveria ser aplicado o art. 122, do RIR/99, que prevê isenção do imposto na hipótese de o ganho de capital ser inferior a RS 20.000,00 (vinte mil reais), cumpre esclarecer que a matéria em análise não se amolda ao referido dispositivo legal. As isenções relativas a operações realizadas por pessoas físicas no mercado de renda variável estão disciplinadas pelo art. 777, do RIR/99, que tem a seguinte dicção (grifos acrescidos): 'Art. 777. Não estão sujeitos ao imposto de que trata este Título (Lei n°8.313, de 1991, art. 14, Lei n° 8.668, de 25 de junho de 1993, art. 16, e Lei n°8.981, de 1995, arts. 68, 72, § 8°, e 73, § (..) IV — os ganhos líquidos auferidos por pessoa física em operações no mercado à vista de ações nas bolsas de valores e em operações com ouro, ativo financeiro, cujo valor das alienações realizadas em cada mês seja igual ou inferior a quatro mil, cento e quarenta e três reais e cinqüenta centavos para o conjunto de ações e para o ouro, ativo financeiro, respectivamente (Lei n°8.981, de 1995, art. 72, § 8°, e Lei n°9.249. de 1995, art. 30);' (..)" (grifei) Assim, a matéria tratada no paradigma não é a mesma analisada no recorrido, cada qual regida por legislação específica, com suas nuances e especificidades. Ainda que, relativamente ao custo, as legislações de certa forma se equiparem, não há no paradigma previsão para rejeição de valor declarado em DIRPF, até porque não é essa a lógica das operações nele tratadas. A diversidade de regramento entre as operações analisadas nos acórdãos em confronto resta ainda mais clara quando da análise do pedido do Contribuinte do paradigma, no sentido de aplicarse o limite de isenção. Nessa oportunidade, o relator deixa claro que tal limite somente é válido para outro tipo de operação, qual seja, a operação que se verifica no acórdão recorrido. Ainda que não bastassem esses argumentos, a questão que mais afasta os dois julgados, no entender desta Conselheira, é que no caso do acórdão recorrido o custo está sendo extraído da Declaração de Ajuste Anual, enquanto que no paradigma o Contribuinte limitouse a apresentar demonstrativos por ele mesmo elaborados. Ora, ainda que se pudesse induzir a CSRF a promover a revaloração das provas, estarseia comparando a Declaração de Ajuste Anual prestada perante a Administração Tributária, com todos os seus efeitos, com meros demonstrativos. Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 19515.720712/201138 Acórdão n.º 9202007.148 CSRFT2 Fl. 1.092 13 Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Quanto ao Recurso Especial do Contribuinte, este é tempestivo e, em relação às matérias que obtiveram seguimento, atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Quanto à primeira matéria isenção aplicável às ações detidas em 1983 o apelo visa rediscutir a aplicabilidade da isenção prevista no DecretoLei nº 1.510, de 1976, nos casos de alienação de participações societárias ocorridas após a vigência da Lei nº 7.713, de 1988, quando já cumprida a condição imposta de manutenção da participação societária por cinco anos. Ressalvado o posicionamento pessoal desta Conselheira, que sempre foi no sentido da inexistência de direito adquirido à isenção do Imposto de Renda, a Fazenda Nacional, parte neste processo, exarou o Parecer SEI nº 74/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, que ensejou a publicação do Ato Declaratório PGFN nº 12, de 25/06/2018, que assim determina: "O PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do PARECER SEI Nº 74/2018/CRJ/PGACET/PGFN MF, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 22 de junho de 2018, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que fixam o entendimento de que há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, não sendo a referida isenção, contudo, aplicável às ações bonificadas adquiridas após 31/12/1983 (incluemse no conceito de bonificações as participações no capital social oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros).” JURISPRUDÊNCIA: REsp 1.133.032/PR, AgRg no REsp 1.164.768/RS, AgRg no REsp 1.231.645/RS, REsp 1.659.265/RJ, REsp 1.632.483/SP, AgRg no AgRg no AREsp 732.773/RS, REsp 1.241.131/RJ, EDcl no AgRg no REsp 1.146.142/RS e AgRg no REsp 1.243.855/PR.." (grifei) Destarte, considerando que parte das ações alienadas já era de propriedade do Contribuinte em 1983, e conforme o parecer acima, forçoso concluir pelo provimento do recurso, nesta parte. Fl. 1098DF CARF MF 14 Quanto à segunda matéria incidência de juros sobre a multa de ofício conforme o art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996, sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, incidem juros de mora à taxa SELIC. Confirase: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Quanto à aplicação da taxa Selic propriamente dita, a questão já se encontra sumulada, conforme a seguir: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Por outro lado, de acordo com os artigos 113, § 1º, e 139, do CTN, o crédito tributário, que decorre da obrigação principal, compreende tanto o tributo, em si, quanto a penalidade pecuniária, o que inclui a multa de oficio proporcional de caráter punitivo. Confira se: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Destarte, quando a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 61, utiliza a expressão "débitos decorrentes de tributos e contribuições", a única interpretação cabível é no sentido de que se trata da integralidade do crédito tributário, incluindose a multa de ofício proporcional punitiva, constituída por ocasião do lançamento. Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça: "TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC/73. INEXISTÊNCIA. DEVIDO ENFRENTAMENTO DAS QUESTÕES RECURSAIS. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. ICMS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. BASE DE CÁLCULO. MATÉRIA DE CUNHO EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. REEXAME. COMPETÊNCIA DO STF. Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 19515.720712/201138 Acórdão n.º 9202007.148 CSRFT2 Fl. 1.093 15 1. Inexiste violação do art. 535 do CPC/73 quando a prestação jurisdicional é dada na medida da pretensão deduzida, com enfrentamento e resolução das questões abordadas no recurso. 2. Nos termos da jurisprudência pacífica do STJ, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. 3. Da leitura do acórdão recorrido, depreendese que que a questão acerca da base de cálculo do ICM/ST foi debatida pelo Tribunal de origem com fundamento eminentemente constitucional, sendo a sua apreciação de competência exclusiva do Supremo Tribunal Federal, conforme dispõe o art. 102, III, do permissivo constitucional Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp 870.973/MG, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/06/2016, DJe 14/06/2016) A matéria inclusive já havia integrado o Informativo STJ nº 0511, de 06/02/2013: "DIREITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA FISCAL PUNITIVA. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. Precedentes citados: REsp 1.129.990PR, DJe 14/9/2009, e REsp 834.681 MG, DJe 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012." Quanto à jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, podem ser citados os seguintes julgados: "JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Precedentes no STJ (REsp nº 1.129.990PR, REsp 834.681MG e AgRg no REsp 1.335.688PR).." (Acórdão nº 9101003.457, de 06/03/2018) "JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. LEGALIDADE A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de ofício proporcional, sobre a qual devem incidir os juros Fl. 1100DF CARF MF 16 de mora à taxa Selic." (Acórdão nº 9202006.728, de 18/04/2018) "JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. De uma simples análise sistemática dos arts. 113, 139 e 161 do CTN, c/c art. 43 da Lei nº 9.430/96, depreendese que crédito tributário, quer se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculados à taxa Selic, até o mês anterior, e de um por cento no mês de pagamento." (Acórdão nº 9303006.251, de 24/01/2018) Diante do exposto, seguindo a jurisprudência do STJ e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em relação à matéria "incidência de juros sobre a multa de ofício", nego provimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. Em síntese, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, quanto ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, dele conheço e, no mérito, doulhe provimento parcial, para que seja aplicada a isenção do Imposto de Renda sobre o ganho de capital referente à alienação das ações detidas pelo Contribuinte em 1983. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 1101DF CARF MF
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Numero do processo: 16349.000365/2009-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
A não-cumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva Entrada vs. Saída, mas de uma perspectiva Despesa/Custo vs. Receita, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços.
INSUMO. CONCEITO.
Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividade-fim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo não-circulante, hipótese em que já previsão específica de apropriação.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO
PROPORCIONAL.
Na determinação dos créditos da não-cumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS.
Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS
O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País.
Numero da decisão: 3401-004.911
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. A não-cumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva Entrada vs. Saída, mas de uma perspectiva Despesa/Custo vs. Receita, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. INSUMO. CONCEITO. Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividade-fim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo não-circulante, hipótese em que já previsão específica de apropriação. REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da não-cumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas. REGIME NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País.
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A nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. INSUMO. CONCEITO. Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividadefim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo nãocirculante, hipótese em que já previsão específica de apropriação. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas. REGIME NÃOCUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 03 65 /2 00 9- 80 Fl. 485DF CARF MF Processo nº 16349.000365/200980 Acórdão n.º 3401004.911 S3C4T1 Fl. 0 2 (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da nãocumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Fl. 486DF CARF MF Processo nº 16349.000365/200980 Acórdão n.º 3401004.911 S3C4T1 Fl. 0 3 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, de créditos de contribuição não cumulativa, vinculadas à receita do mercado externo, com débitos administrados pela RFB. Foi emitido Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado e homologou as compensações até o limite reconhecido. Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, a contribuinte encaminhou sua Manifestação de Inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, o seguinte: 1) Créditos a descontar na importação: a empresa apurou créditos decorrentes de suas operações de importação de insumos e produtos para revenda, norteandose pelo art. 15 da Lei n° 10.865/2004. O Fisco questionou tais créditos com base nas seguintes premissas: (a) importação de bens classificados na NCM 38.08 assim como das matériasprimas utilizadas para sua produção que supostamente deveriam ser tributados à alíquota zero da contribuição; e (b) crédito tomado sobre produtos que não se caracterizam no conceito de insumos. Ocorre que o NCM 38.08 não diz respeito apenas a defensivos agrícolas, bem como a empresa não fabrica somente o tipo de produto classificado em tal NCM. Estão inseridos no rol de produtos abarcados pela NCM 38.08 diversas outras mercadorias e não só defensivos agrícolas abarcados pela alíquota zero da contribuição. A empresa é produtora de inseticidas, raticidas, produtos de jardinagem amadora e repelentes, os quais se inserem, como os defensivos agrícolas, no rol 38.08 da NCM, mas que são tributados pela alíquota regular. Não foram confrontados os NCMs indicados pela empresa em suas DIs, se pautando o despacho decisório apenas em premissa de que todos os produtos comercializados estariam classificados no NCM 38.08 como defensivos agrícolas e que, por isso, não dariam direito ao crédito pleiteado. Acosta planilha e folders. 2) Créditos decorrentes da aquisição de insumos: a Fiscalização glosou créditos da empresa relativos à aquisição de insumos utilizados em seu processo produtivo. Estas glosas são refutadas porque: a) conceito de insumos: tomandose como referência os intentos do Legislador, constantes de Exposição de Motivos da norma instituidora da sistemática nãocumulativa da COFINS (delimitou o regime de apuração de créditos totalmente diferente daquela adotada pela legislação do IPI), reputase claramente ilegal o conceito utilizado pela Fiscalização na definição de insumos. A definição sugerida pela Fiscalização se pautou, além da impossível utilização por analogia das normas do IPI, também na IN n°247/2002, que trata quase que de forma idêntica da conceituação de insumos para creditamento da COFINS da conceituação elaborada para fins de IPI. Isso fica latente quando se contempla como um dos prérequisitos para o enquadramento de determinada mercadoria como insumo seu contato direto com o produto final que está sendo elaborado. A intenção do legislador era a desoneração do faturamento e não do produto final, razão pela qual difícil conceber como necessários, para a conceituação de insumos, a restrição contida no referido Fl. 487DF CARF MF Processo nº 16349.000365/200980 Acórdão n.º 3401004.911 S3C4T1 Fl. 0 4 dispositivo infralegal, que obriga a ocorrência do contato direto da mercadoria com o produto final que se está a elaborar. A norma infralegal agiu ao total arrepio de suas competências ao regular preceito em total desacordo com os intentos da legislação que lhe dá fulcro, sofrendo, por conseguinte, de uma ilegalidade contida em sua gênese. Deve ser afastada a aplicabilidade da possível interpretação restritiva do crédito aqui discutido, pautada pela definição contida na IN, que obrigue o contato direto do insumo com o produto final que se está a produzir. È de todo evidente que o crédito de insumos apropriados pela empresa não pode ser contestado pelos argumentos levantados pela Fiscalização, vez que este se baseou em norma ilegal emitida pela RFB em desacordo com a legislação que lhe dá sustento, devendo este ser reconhecido em sua totalidade; b) contato direto dos insumos glosados ao produto final: após análise exaustiva dos diversos produtos enumerados pela Fiscalização em sua planilha de exclusões, a empresa houve por bem elaborar demonstrativo (anexado), no qual justifica o enquadramento dos produtos desconsiderados do conceito de insumos sugerido, refutando os argumentos de que estes não poderiam gerar direito ao crédito de COFINS apropriado. Assim: 1) materiais de embalagem: em sua totalidade, os materiais de embalagem considerados pelo despacho decisório como de mero acondicionamento para transporte, compõem na verdade o produto final e servem não para o transporte, mas sim para a proteção dos produtos comercializados desde o término de sua produção até o consumo final. Os produtos elaborados pela empresa, por serem de cunho tóxico, se sujeitam a diversas normas regulatórias emanadas por Agências Governamentais, as quais lhe obrigam a acondicionar suas mercadorias em embalagens padronizadas e resistentes. As caixas (que compõem grande parte dos produtos glosados pelo despacho em questão) são reforçadas por divisórias e colunas de proteção, além de se utilizarem de gramatura superior as caixas comuns contidas no mercado, evitando que o produto químico produzido sofra alterações em decorrência do contato excessivo com, por exemplo, a luz solar. Tal proteção não visa o transporte da mercadoria, a qual seria inutilizada por seu consumidor final após o recebimento destas, mas sim o acondicionamento de produtos tóxicos que devem ser sempre guardados por estas na sequência ao seu manejo, evitando assim prejuízos ao meio ambiente decorrentes de possíveis contaminações. Também se pode ver que na embalagem do produto final comercializado existem rótulos que são colocados em cada uma delas contendo informações importantes acerca das recomendações para a utilização dos produtos, assim como dos perigos que este pode causar caso sejam manejados de forma imprópria. Se estas caixas servissem apenas para o mero transporte não se fariam necessárias explicações atinentes aos procedimentos que devem ser adotados pelo consumidor final para utilização dos produtos. Os materiais de embalagem servem ao propósito de acondicionamento da mercadoria em si e não para o mero transporte destas. Não há que se falar em ilegalidade do crédito, devendo as caixas e todos os outros produtos que a compõem (rótulos, tinta, etiquetas e etc.) ser reconhecidos como insumos dos produtos comercializados, com geração de créditos; 2) materiais de limpeza: podem ser separados naqueles que são utilizados para a limpeza do pátio industrial e nos que são utilizados como produtos intermediários que visam a higienização das tubulações por onde passam os produtos químicos elaborados pela empresa ou o tratamento da água utilizada para aquecer em "banho maria" as matérias primas colocadas na caldeira de produção. Quanto a estes últimos, por serem de aplicação necessária ao processo produtivo, não há que se Fl. 488DF CARF MF Processo nº 16349.000365/200980 Acórdão n.º 3401004.911 S3C4T1 Fl. 0 5 questionar que geram direito ao crédito de COFINS. Os produtos glosados pela fiscalização, como se comprova pela planilha anexa, dizem respeito ao segundo tipo de materiais de limpeza, ou seja, aqueles que estão inseridos no processo produtivo e não são simplesmente utilizados para desinfetar o pátio fabril, mas sim para impedir que bactérias contaminem os produtos químicos que estão sendo produzidos; 3) créditos sobre matéria prima alíquota zero: esse beneficio é aplicado apenas nas aquisições destinadas à produção de defensivos agrícolas, sendo que nas aquisições regulares destas mercadorias no mercado interno ou externo ocorre a incidência normal de COFINS. Como dito, é empresa que, dentre outros, produz mercadorias saneantes também classificadas no NCM 38.08 (engloba os defensivos agrícolas), as quais se sujeitam à alíquota regular da contribuição aqui tratada (inseticidas, raticidas, fungicidas e etc.). Assim, equivocada está a Fiscalização ao glosar, sem uma análise aprofunda, todas as matérias primas adquiridas após a data de vigência da alíquota zero atribuída para a produção de defensivos agrícolas. 3) Despesas com aluguéis: a Fiscalização glosou parcela dos créditos aferidos na rubrica "Despesas de Alugueis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas" sob o argumento de estarem contidos em sua composição valores que não se prestam a este tipo creditório. A maioria das glosas diz respeito a despesas tidas com energia elétrica, as quais foram incorretamente inseridas na rubrica em questão. Os créditos decorrentes de despesas de energia elétrica não vislumbram qualquer restrição pela legislação vigente da contribuição, devendo ser considerados em sua íntegra. A situação em tela se caracteriza como sendo mero equivoco formal cometido pela empresa no preenchimento de seu DACON. Não se presta como argumento suficiente para a glosa de créditos pleiteados, eis que nos processos referentes a ressarcimento/restituição, o principio da verdade material deve ser aplicado, tanto quanto nos casos relativos à constituição de créditos tributários. 4) Rateio Proporcional: a Fiscalização recalculou as porcentagens adotadas pela empresa para fins de apuração dos tipos creditórios aferidos no período em questão, sob o argumento de que não poderiam ter sido incluídos no cômputo das "Receitas de Vendas Não Tributadas no Mercado Interno", receitas tidas com operações financeiras e com vendas de ativos imobilizados. Fundamentou no art. 17 da Lei n° 11.033/2004. Mas este artigo prevê apenas a possibilidade de manutenção dos créditos de COFINS dos contribuintes quando estes possuam receitas abrangidas por normas isentivas ou de não incidência. Não faz ele qualquer distinção entre as receitas que deverão ser incluídas ou não no computo da sistemática de cálculo intitulada "rateio proporcional". Além disso, caso estivesse correto o entendimento da Fiscalização, a exclusão destas receitas do cálculo do rateio proporcional não poderia ocasionar a anulação do direito creditório aferido, porquanto o crédito permaneceria válido, passando de um crédito decorrente de receitas não tributadas para um crédito de receitas tributadas e/ou de exportações. 5) Diligências e perícias: pelo volume de documentos juntados aos autos, não resta outra alternativa para a análise efetiva de todo material apresentado, assim como para desvendar a verdade material dos fatos, que se: a) baixe o processo em diligência para análise dos documentos apresentados, como também outros que os sejam entendidos necessários para a validação do crédito pleiteado; b) realize trabalhos periciais, visando a validação dos argumentos apresentados pela empresa em relação ao correto enquadramento de seus insumos, a fim de que se reconheça seu direito creditório; Fl. 489DF CARF MF Processo nº 16349.000365/200980 Acórdão n.º 3401004.911 S3C4T1 Fl. 0 6 c) sejam analisados os quesitos que apresenta (art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972). Sobreveio Acórdão nº 10047.131, exarado pela DRJ/POA, que considerou improcedente a impugnação, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário tempestivo, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.871, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 16349.000309/200945, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.871): "Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo, e reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo seu conhecimento. Do Mérito A maior parte dos créditos glosados pela Fiscalização devemse ao fato de que essa autoridade descaracterizou como insumos as aquisições de mercadorias que ensejaram o respectivo crédito de COFINS nãocumulativa. Nessa linha, foram glosados créditos referentes à aquisição de produtos de limpeza industrial e material de embalagens. Diante disso, convém discorrer brevemente sobre a não cumulatividade da Contribuição Social ao PIS e da COFINS A modalidade nãocumulativa das contribuições sociais surgiu em decorrência da edição das Medidas Provisórias 66/2002 e 135/2003, posteriormente convertidas nas Leis Federais 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 490DF CARF MF Processo nº 16349.000365/200980 Acórdão n.º 3401004.911 S3C4T1 Fl. 0 7 Anteriormente, a nãocumulatividade tributária no Brasil foi inaugurada com o ICMS e o IPI, sob influência da sistemática de tributação sobre o valor agregado, em voga em muitos países europeus a partir da segunda metade do século XIX, e pouco se desenvolveu de doutrina – e jurisprudência – a respeito da definição dos itens que poderiam ser admitidos como crédito; primeiro, porque houve uma taxatividade mais explícita dos itens creditáveis; segundo, até o advento da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os debates jurídicos eram monopolizados pelos conflitos de ordem eminentemente formal, especialmente nos casos em que o contribuinte leis ordinárias est de forma conflituosa com os dispositivos constitucionais sobre tais tributos nos últimos cinquenta. Contudo, diferentemente de outros tributos nãocumulativos, como o ICMS e o IPI, a regulamentação constitucional limitou se a delegar à lei ordinária para que essa estabelecesse quais setores de atividade econômica o regime nãocumulativo seria aplicável, conforme se denota da inclusão do parágrafo doze ao artigo 195, da Constituição Federal: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. Vejam que, em relação ao ICMS e ao IPI, a Constituição Federal foi um pouco menos econômica, buscando definir limites mínimos para a aplicação do conceito da não cumulatividade tributária: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: IV produtos industrializados; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...) Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: I será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas Fl. 491DF CARF MF Processo nº 16349.000365/200980 Acórdão n.º 3401004.911 S3C4T1 Fl. 0 8 anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; De tal forma, ainda que o princípio da nãocumulatividade guarde um significado próprio – qual seja a de viabilizar a tributação sobre o valor agregado –, é certo que a modalidade nãocumulativa das contribuições sociais deve ser encarada mormente pelos mandamentos previstos nas respectivas leis de sua criação, não cabendo a esse Tribunal ultrapassar os limites objetivos previstos por essa legislação infraconstitucional. Esse é o comentário de Ricardo Mariz de Oliveira, na obra coletiva “Não Cumulatividade Tributária: Todavia, pelo que consta desse artigo, já se pode constatar que se trata de um regime de nãocumulatividade parcial, pois ele não assegura plena dedução de créditos, mas apenas dos valores listados “numerus clausulus” e segundo regras de cálculo prescritas expressamente. (Editora Dialética, 2009. Página 427) Assim, devese ter em vista que a nãocumulatividade não comporta um conceito absoluto e independente da legislação que regra os tributos com essa particularidade. Isso não será diferente com as contribuições sociais. Na miríade de atos normativos que regem a contribuições sociais nãocumulativas, é muito claro que nos detemos no artigo 3º, das Leis Federais de regência, muito embora as modalidades de direito ao crédito estejam espalhadas na legislação ordinária que regulam as contribuições sociais para setores específicos e operações específicas, as quais algumas serão objeto de análise mais adiante. Nesse primeiro momente, vejamos o citado artigo 3º: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o; e (Redação dada pela Medida Provisória nº 413, de 2008) Produção de efeitos a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) Fl. 492DF CARF MF Processo nº 16349.000365/200980 Acórdão n.º 3401004.911 S3C4T1 Fl. 0 9 b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); V – despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para Fl. 493DF CARF MF Processo nº 16349.000365/200980 Acórdão n.º 3401004.911 S3C4T1 Fl. 0 10 locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. E fica bem claro que o item de maior questionamento desde o início da vigência do regime nãocumulativo é aquele que se refere a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.” Vejam que a expressão “insumo”, na legislação de referência, não foi adicionada de uma definição própria para aplicação, de modo que, nos termos do artigo 11, da Lei Complementar 95/1998, que trata da elaboração e redação das leis, as palavras devem ser utilizadas no texto legal em seu sentido comum, de modo que a interpretação da legislação deve seguir tal comando como premissa. Diante disso, cabe mencionar que, segundo o Dicionário Aurélio1, insumo pode ser definido como o “elemento que entra no processo de produção de mercadorias ou serviços; máquinas e equipamentos, trabalho humano, etc.; fator de produção”. No que se refere ao conceito de insumo em âmbito jurídico, o eminente tributarista Aliomar Baleeiro2, há muito já definira: 1 Novo Aurélio Século XXI – O Dicionário da Língua Portuguesa, 3ª Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. 2 In Direito Tributário Brasileiro, 9ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1980, pág. 214. Fl. 494DF CARF MF Processo nº 16349.000365/200980 Acórdão n.º 3401004.911 S3C4T1 Fl. 0 11 (...) é uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa 'input', isto é, o conjunto dos fatores produtivos, como matériasprimas, energia, trabalho, amortização do capital, etc., empregados pelo empresário para produzir o 'output' ou o produto final. (...) De fato, do ponto de vista puramente econômico, o conceito acima nos parece apropriado. Para a ciência econômica, tal definição inclui todos os elementos necessários à produção de um bem, mercadoria ou serviço, tais como matériasprimas, bens intermediários, equipamentos, capital, horas de trabalho, etc. Todavia, para fins fiscais, o termo insumo é utilizado de maneira mais restrita, haja vista a pouca disposição existente até hoje para se desenvolver esse conceito no Direito Brasileiro. Nas raras remissões legislativas encontradas, usualmente tratase do ICMS e do IPI, tributos onde há uma forte vinculação física entre o produto final e o bem que irá gerar crédito fiscal, mesmo porque constituem impostos sobre a “produção e circulação de bens e serviços”, tal como disposto em nosso Código Tributário Nacional (Capítulo IV da Lei nº 5.172/1966 CTN). No caso do ICMS, o que se observa é uma evolução gradual do conceito de insumo, que acaba ampliando o conceito básico e evidente da tríade matériaprima/produto intermediário/material de embalagem, principalmente no que se refere ao que se chama produto intermediário. Nas raras oportunidades em que a legislação estadual enfrentou o tema, podemos citar um ato normativo que pode ser considerado como pioneiro na definição de insumo: a Decisão Normativa CAT 01/2001, do Estado de São Paulo, que, ao exemplificar mercadorias que poderiam ser consideradas insumos, deu especial destaque àqueles produtos que são utilizados no processo ainda que não componham o produto final: Entre outros, têmse ainda, a título de exemplo, os seguintes insumos que se desintegram totalmente no processo produtivo de uma mercadoria ou são utilizados nesse mesmo processo produtivo para limpeza, identificação, desbaste, solda etc.: lixas; discos de corte; discos de lixa; eletrodos; oxigênio e acetileno; escovas de aço; estopa; materiais para uso em embalagens em geral tais como etiquetas, fitas adesivas, fitas crepe, papéis de embrulho, sacolas, materiais de amarrar ou colar (barbantes, fitas, fitilhos, cordões e congêneres), lacres, isopor utilizado no isolamento e proteção dos produtos no interior das embalagens, e tinta, giz, pincel atômico e lápis para marcação de embalagens; óleos de corte; rebolos; modelos/matrizes de isopor utilizados pela indústria; produtos químicos utilizados no tratamento de água Fl. 495DF CARF MF Processo nº 16349.000365/200980 Acórdão n.º 3401004.911 S3C4T1 Fl. 0 12 afluente e efluente e no controle de qualidade e de teste de insumos e de produtos. Porém, como podemos verificar, o conceito amplificado de insumo para o ICMS (e também do IPI) é derivado da conclusão de que são os elementos que participam efetivamente do processo produtivo, haja vista que, conforme dito anteriormente, o ICMS demanda uma intrínseca relação entre a entrada da mercadoria utilizada no processo econômico que ensejará a saída do produto final. Ademais, verificase que enquanto o ICMS e o IPI possuem profunda relação com a movimentação física de bens e mercadorias, o que se reflete na maneira como a não cumulatividade se manifesta – como regra, apropriase créditos na entrada de bens e mercadorias que venham a serem movimentados posteriormente com débito do imposto , o PIS e a COFINS possuem relação com um aspecto absolutamente econômico, representado e controlado graficamente pela contabilidade, a geração de receitas tributáveis. Nessa linha, a nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, expressivamente mais complexa e mais alheia aos operadores do Direito e aos legisladores, que durante cinquenta anos acostumaram com a “nãocumulatividade física” em detrimento de uma “nãocumulatividade econômica” De certo, é possível entender essa falha conceitual ao se analisar com cuidado o artigo 3º acima mencionado, quando se observa que os incisos e parágrafos insistem na ideia de permitir o crédito, por exemplo, desde a entrada dos bens para estoque (quando menciona “aquisição”) enquanto o conceito intrínseco da nãocumulatividade econômica está sobre a noção de custo e despesa, que não são registrados no momento da aquisição do estoque, mas sim quando da sua realização pela venda, e consequente registro contábil da receita. Desse modo, acredito que o conceito de insumo para a legislação do PIS/PASEP e da COFINS parece ser mais abrangente que o utilizado para créditos do IPI e do ICMS – como faz crer das conclusões da decisão ora recorrida –, de maneira que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. Nesse caso, entendo que a legislação possibilitou o desconto de créditos das contribuições além dos elementos que compõem os custos diretos e indiretos de produção através alocação por atividade (i.e. “Sistema de Custeio ABC”), e incluiu componentes que, em uma análise puramente contábil, seriam classificados como despesas variáveis, estritamente atreladas com a geração de receitas. Fl. 496DF CARF MF Processo nº 16349.000365/200980 Acórdão n.º 3401004.911 S3C4T1 Fl. 0 13 Porém, como premissa básica para a apuração de créditos de PIS/PASEP e COFINS, temos que os custos diretos e indiretos constituem base de cálculo de forma inquestionável; já as despesas deverão ser analisadas caso a caso, na medida em que cada uma contribua de forma cabal para a venda do produto ou serviço. Por outro lado, a Instrução Normativa SRF nº 247/2002, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 358/2003, ao regulamentar a cobrança do PIS/PASEP e da COFINS, definiu insumo de uma maneira mais restrita, contrariando, em última análise, o espírito das Leis Federais nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que visavam mitigar o efeito cascata das contribuições e “estimular a eficiência econômica”3: Art. 66. (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço.(...) Partindo esse entendimento, a Receita Federal amenizou algumas restrições, criando um entendimento, que vigora até hoje em diversas Soluções de Consulta, de que deve haver um vínculo de imprescindibilidade e à essencialidade do respectivo bem ou serviço para que seja possível a apropriação de créditos. Assim, destacou a Solução de Consulta que inaugurou esse raciocínio: “Solução de Consulta nº 400/2008 (8ª Região Fiscal) PIS/PASEP. CRÉDITO. INSUMOS. 3 Exposição de Motivos da Lei Federal nº 10.833/2003. Fl. 497DF CARF MF Processo nº 16349.000365/200980 Acórdão n.º 3401004.911 S3C4T1 Fl. 0 14 Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/PASEP devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.637, de 2002, art. 3o, inciso II; IN SRF no 247, de 2002, art.66, § 5o. COFINS. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da Cofins nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da COFINS devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados Fl. 498DF CARF MF Processo nº 16349.000365/200980 Acórdão n.º 3401004.911 S3C4T1 Fl. 0 15 como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.833, de 2003, art. 3o, inciso II; IN SRF no 404, de 2004, art.8o, § 4o.(DOU de 08/12/2008)” Já a Instrução Normativa SRF nº 404/2004 manteve a definição anterior, em seu artigo 8º, §4º, que assim dispôs: Artigo 8º. (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...) Consideradas, pois, as manifestações acima, podemos afirmar que o conceito de insumo para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS deve ser tido de forma mais abrangente, desde que tais itens estejam intimamente ligados à atividadefim da empresa e que principalmente venham a ser utilizados efetivamente e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo para geração de receitas, devendo ser inquestionável o crédito decorrente dos elementos que compõem o custo de produção, seja direto ou indireto. Passo a analisar item a item que fora glosado pela fiscalização e mantido pela decisão de primeiro grau: (A) MATERIAL DE EMBALAGEM Tal como ficou demonstrado pelas declarações e documentação fornecida pela Recorrente, os materiais de embalagem e transporte que foram objeto de glosa de créditos Fl. 499DF CARF MF Processo nº 16349.000365/200980 Acórdão n.º 3401004.911 S3C4T1 Fl. 0 16 são absolutamente necessários para o atendimento da legislação vigente que regula a produção e comercialização dos produtos ofertados pela Recorrente, de modo que não há como não considerálos como custo operacional. Diante da exposição anterior, sobre a nãocumulatividade das contribuições sociais, não vejo razão para manter a glosa. (B) MATERIAL DE LIMPEZA Da mesma forma, a atividade da Recorrente requer a obediência de diversas regras exigidas pelas autoridades sanitárias. Tal fato por si só já justifica a apropriação de créditos pela Recorrente, eis que, tais dispêndios são verdadeiros custos indiretos que deve ensejar o direito ao desconto de crédito. Por conta disso, merece reforma a decisão recorrida. (C) DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA REGISTRADAS COMO ALUGUÉIS Tendo sido comprovado que houve apenas erro material na demonstração dos créditos na DACON, não há como não reconhecer o direito ao crédito de energia elétrica eis que tal despesa está expressamente prevista no rol das possibilidades de apropriação de crédito não cumulativo. Ainda, como a fiscalização não analisou a documentação suporte das despesas de energia elétrica, não cabe somente em sede de recurso avaliar a procedência e sua regularidade documental, razão pela qual não entendo ser nem mesmo caso de diligência. (D) AQUISIÇÃO DE PRODUTOS IMPORTADOS E VENDIDOS COM ALÍQUOTA ZERO Em obediência ao artigo 15, inciso II, da Lei Federal 10865/2004, nos casos de insumos importados, classificados na posição 38.08, em que houver pagamento da COFINS, não há qualquer óbice para a manutenção do crédito, nessa hipótese. Ainda, nos termos do artigo 17, da Lei 11.033/2004, não há menor dúvida de que são garantidos os créditos sobre insumos que implicam em vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da COFINS . (E) RATEIO PROPORCIONAL Por fim, não vejo razão da manutenção da decisão no que tange ao rateio dos créditos da nãocumulatividade segundo a proporção entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno, haja vista que somente há previsão para o rateio entre receitas cumulativas e não cumulativas, nos termos do artigo 3º, da Lei Federal 10.833/2003, mesmo porque não houve qualquer menção no despacho decisório de que a Recorrente teria parte de suas receitas tributadas no regime cumulativo. Fl. 500DF CARF MF Processo nº 16349.000365/200980 Acórdão n.º 3401004.911 S3C4T1 Fl. 0 17 Por todo o exposto, conheço do Recurso e doulhe parcial provimento, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado deu parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 501DF CARF MF
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Numero do processo: 10494.000326/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 18/11/2004
ISENÇÃO. REPARO DE AERONAVES. CONDIÇÕES.
Nos termos da Lei 8.032/90, art. 2º, II, "j" e art. 3º , I: são isentas do Imposto sobre a Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados, as importações de partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção de aeronaves e embarcações. A partir de 10/11/2004, são requisitos para a isenção, como determina o art. 172, do Decreto 4.543/2002; caso a importação seja promovida por oficina especializada em reparo, revisão ou manutenção de aeronaves; em não sendo estando na posse ou propriedade da aeronave; esta deverá: 1) apresentar contrato de prestação de serviços, indicando o proprietário ou possuidor da aeronave; e 2) estar homologada pelo órgão competente do Ministério da Defesa.
O art. 60 da Lei 9.065/95 traz mais uma condição para o reconhecimento de benefícios fiscais em geral: a comprovação pelo contribuinte, da quitação de tributos e contribuições federais. Já o art. 27 da Lei 8.036/90 condiciona o obtenção de isenções e outros benefícios, à apresentação do Certificado de Regularidade do FGTS - Fundo de Garantia por Tempo de Serviço.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 18/11/2004
IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO . IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. DECISÃO. MESMOS FUNDAMENTOS.
Aplicam-se ao lançamento do IPI as mesmas razões de decidir aplicáveis ao II, quando ambos os lançamentos recaírem sobre idêntica situação fática.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.769
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 18/11/2004 ISENÇÃO. REPARO DE AERONAVES. CONDIÇÕES. Nos termos da Lei 8.032/90, art. 2º, II, "j" e art. 3º , I: são isentas do Imposto sobre a Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados, as importações de partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção de aeronaves e embarcações. A partir de 10/11/2004, são requisitos para a isenção, como determina o art. 172, do Decreto 4.543/2002; caso a importação seja promovida por oficina especializada em reparo, revisão ou manutenção de aeronaves; em não sendo estando na posse ou propriedade da aeronave; esta deverá: 1) apresentar contrato de prestação de serviços, indicando o proprietário ou possuidor da aeronave; e 2) estar homologada pelo órgão competente do Ministério da Defesa. O art. 60 da Lei 9.065/95 traz mais uma condição para o reconhecimento de benefícios fiscais em geral: a comprovação pelo contribuinte, da quitação de tributos e contribuições federais. Já o art. 27 da Lei 8.036/90 condiciona o obtenção de isenções e outros benefícios, à apresentação do Certificado de Regularidade do FGTS - Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 18/11/2004 IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO . IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. DECISÃO. MESMOS FUNDAMENTOS. Aplicam-se ao lançamento do IPI as mesmas razões de decidir aplicáveis ao II, quando ambos os lançamentos recaírem sobre idêntica situação fática. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2018; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 1.094 1 1.093 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10494.000326/200841 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.769 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de julho de 2018 Matéria ISENÇÃO E REDUÇÃO DE TRIBUTOS NA IMPORTAÇÃO Recorrente AMERICA SUL MATERIAIS AERONAUTICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 18/11/2004 ISENÇÃO. REPARO DE AERONAVES. CONDIÇÕES. Nos termos da Lei 8.032/90, art. 2º, II, "j" e art. 3º , I: são isentas do Imposto sobre a Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados, as importações de “partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção de aeronaves e embarcações”. A partir de 10/11/2004, são requisitos para a isenção, como determina o art. 172, do Decreto 4.543/2002; caso a importação seja promovida por oficina especializada em reparo, revisão ou manutenção de aeronaves; em não sendo estando na posse ou propriedade da aeronave; esta deverá: 1) apresentar contrato de prestação de serviços, indicando o proprietário ou possuidor da aeronave; e 2) estar homologada pelo órgão competente do Ministério da Defesa. O art. 60 da Lei 9.065/95 traz mais uma condição para o reconhecimento de benefícios fiscais em geral: a comprovação pelo contribuinte, da quitação de tributos e contribuições federais. Já o art. 27 da Lei 8.036/90 condiciona o obtenção de isenções e outros benefícios, à apresentação do Certificado de Regularidade do FGTS Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 18/11/2004 IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO . IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. DECISÃO. MESMOS FUNDAMENTOS. Aplicamse ao lançamento do IPI as mesmas razões de decidir aplicáveis ao II, quando ambos os lançamentos recaírem sobre idêntica situação fática. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 49 4. 00 03 26 /2 00 8- 41 Fl. 1094DF CARF MF 2 Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1673.883, proferido pela 21ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 1. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido, em parte: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 16/06/2008, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados na importação e Contribuições PIS/COFINS Importação, [...] e juros de mora, além de multa equivalente ao valor aduaneiro, no valor de [...], em virtude dos fatos a seguir escritos. A América Sul Materiais Aeronáuticos Ltda, CNPJ 94.121.803/0001 48, registrou diversas declarações de importação nas quais solicitava a isenção do imposto de importação e do imposto sobre produtos industrializados, nos termos do artigo 2°, inciso II, alínea j, e artigo 3º , inciso I, da Lei n° 8.032/90, tendo sido reconhecido o beneficio fiscal no momento do desembaraço aduaneiro. Fl. 1095DF CARF MF Processo nº 10494.000326/200841 Acórdão n.º 3301004.769 S3C3T1 Fl. 1.095 3 Ocorre que, em ato de revisão aduaneira, realizada nos termos do artigo 570 do Decreto n° 4.543/2002 (Regulamento Aduaneiro), e de verificação de condições posteriores, nos termos dos artigos 124 e 131 do mesmo Decreto no 4.543/2002, descritos detalhadamente no Relatório de AuditoriaFiscal constante nas folhas 194 a 246, ficou constatado que a empresa não fazia jus ao beneficio pleiteado, tendo em vista que não atendia aos requisitos ou não cumpria is condições para tanto. Sendo assim, revogouse a isenção e cobramse os tributos devidos, acrescidos dos juros moratórios. Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 01/07/2008 (fls.5), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 29/07/2008, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 768 à 821, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante alegou que: PRELIMINARMENTE: ü A arguição de ineficácia do mandado de procedimento fiscal prazo vencido; ü A arguição de nulidade do auto de lançamento inversão indevida do ônus da prova; QUANTO AO MÉRITO ü A inconstitucionalidade dos decretos quando restringem benefícios fiscais além do texto da lei que regulamentam; ü A revogação dos benefícios fiscais no caso da autuada; ü Os beneficiários; ü Os produtos; ü As certidões negativas; ü A transferência dos bens; CONCLUSÕES: O presente auto de infração não merece prosperar diante de todas as razões de fato e de direito elencadas e fundamentadas anteriormente. especialmente quanto a: 1. ineficácia da fiscalização pela extrapolação do prazo do Mandado de Procedimento Fiscal, prorrogado irregularmente e que implicou em cerceamento da defesa do contribuinte; Fl. 1096DF CARF MF 4 2. nulidade do auto de lançamento pela inversão indevida do ônus da prova contra o contribuinte diante da insuficiências das provas colhidas na fiscalização por culpa da autoridade responsável; 3. inconstitucionalidade dos decretos que embasaram a autuação porque restringem além da determinação do texto da lei os benefícios fiscais; 4. nulidade do auto de infração porque revogou de forma inconsistente e sem provas os benefícios fiscais de todas as importações da autuada, sem qualquer discriminação peça a peça de acordo com a legislação. Diante de todo o exposto, o Auto de Infração não merece ser mantido, pelo que requer, a Autuada, que o mesmo seja julgado improcedente, determinando desde já seu arquivamento. REQUER ainda, a produção de provas que venham a ser consideradas indispensáveis à comprovação de suas alegações, em qualquer fase do processo, devido ao alto grau de complexidade da matéria em questão. A 23ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em São Paulo decidiu baixar os presentes autos em diligência, através da Resolução nº 16.000.595, de 24 de setembro de 2015, para que a autoridade preparadora RECALCULASSE a base de cálculo das Contribuições PIS/COFINS Importação à luz do que foi determinado pelo RE 559937. Findada a instrução, intimouse a parte interessada, sendo concedido o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, em atenção ao art. 28 da Lei No. 9.784/99 c/c art. 35, Parágrafo ùnico do Decreto 7.574/2011. A parte se manifestou, de folhas 987 à 991, no sentido de reforçar as alegações já apresentadas na impugnação. O citado acórdão decidiu pela procedência parcial da impugnação, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 18/11/2004 Solicitação de isenção do imposto de importação e do imposto sobre produtos industrializados, nos termos da Lei n° 8.032/90. Os benefícios fiscais em análise são para peças destinadas a reparo, revisão ou manutenção de aeronaves utilizadas no transporte . comercial de cargas ou de passageiros, portanto do tipo vinculados à destinação dos bens e à qualidade do importador. Não houve em momento algum a revogação da isenção pelo Auto de Infração. A fiscalização em procedimento de Revisão Aduaneira constatou que, nos casos aqui retratados, o importador não fez jus isenção pleiteada. Cabe sim à Receita Federal do Brasil a par do rol de competência conferidas à ANAC o critério de verificar se a isenção subjetiva foi atendida. Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 10494.000326/200841 Acórdão n.º 3301004.769 S3C3T1 Fl. 1.096 5 A autoridade preparadora refez os cálculos para a exigência das Contribuições PIS/COFINS Importação, à luz do que foi determinado pelo RE 559937. Deu provimento em parte, "consoante a resposta à Resolução nº 16.000.595 [...] a autoridade preparadora refez os cálculos para a exigência das Contribuições PIS/COFINS – Importação", "à luz do que foi determinado pelo RE 559937"(grifos do original), este no qual o STF determinou a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS e das ditas contribuições, em suas bases de base de cálculo, sob a sistemática da repercussão geral. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, repetindo parte dos argumentos de sua impugnação, em síntese: preliminarmente; terse prorrogado irregularmente o prazo do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF); e ser indevida a inversão do ônus da prova praticada pela fiscalização; e, no mérito, que: as notas fiscais emitidas no período substituem os contratos requeridos; quando do despacho aduaneiro das mercadorias, as certidões apresentadas anteriormente estavam válidas; a fiscalização coloca que não fez uma verificação exaustiva da destinação de cada item importado; e a fiscalização partiu da revogação da isenção, mas o acórdão recorrido, contraditoriamente, afirma não ter havido revogação. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 1098DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. Preliminares A recorrente aduz ter havido "extrapolação do prazo do mandado de Procedimento Fiscal, prorrogado irregularmente", a cercear sua defesa. A impugnação descreve a situação: O procedimento fiscal iniciouse a partir da lavratura do MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL, documento elaborado e assinado pelo Sr. Inspetor da Receita Federal em 08 de fevereiro de 2007, e entregue ao representante da Autuada em 09 de fevereiro de 2007(dcto de folha 249 do Auto de Infração). No corpo do referido MPF consta formalmente o prazo para execução da fiscalização que deveria ser executada até 08 de junho de 2007. Porém, como comprova o TERMO DE ENCERRAMENTO (documento de folha 756 do Auto de Infração) somente encerrouse com o recebimento do AUTO DE INFRAÇÃO N° 10494.000326/200841, pelo representante da Autuada em 01 de julho de 2008, extrapolando assim em mais de um ano o prazo determinado. [...] Em folha 250 do Auto de Infração, o órgão fiscalizador apresenta um MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL N° 1015400 2007 00012, onde constam os dados da Autuada, e um quadro denominado VALIDADE DE PRORROGAÇÃO DOS MPFS, onde aparecem as seguintes informações: [...] Nenhum Aviso, notificação ou intimação foi apresentada a qualquer representante da Autuada sobre prorrogações. [...] 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 10494.000326/200841 Acórdão n.º 3301004.769 S3C3T1 Fl. 1.097 7 Descabe razão à recorrente. A falta da ciência da prorrogação do MPF não fez cercear a defesa da contribuinte, exercida na sua plenitude e sem prejuízos, por ocasião da impugnação, já no curso do contencioso administrativo. É que tem entendido este CARF : NULIDADE. PRORROGAÇÃO DO MPF. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Quando da prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal, a ausência da ciência por parte do fiscalizado não fere o princípio do devido processo legal, bem como seus corolários: ampla defesa e o contraditório, posto que a oportunidade para se defender adequadamente tem lugar com a apresentação da impugnação. (CARF, 1ª Seção, 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Ac. 1402002.604, de 20/06/2017, rel. Conselheiro Demetrius Nichele Macei). Ademais, o MPF é "mero instrumento interno da Receita Federal do Brasil destinado ao controle e ao planejamento das atividades fiscalizatórias" e que irregularidades em sua emissão não são suficientes para se anular o lançamento ", como já decidiu Câmara Superior deste Conselho (CARF, 3ª Turma, CSRF, Ac. 9303005.852, de 17/10/2017, rel. Conselheiro Demes Brito). Argumenta ainda a recorrente, pela "inversão do ônus da prova indevidamente realizada na fiscalização". E prossegue: [...] houve lavratura de Auto de Infração sem embasamento probatório do fisco, revogando benefícios fiscais aduaneiros através em dilações dos Agentes fiscalizadores baseadas unicamente em planilhas não exigíveis legalmente do contribuinte e que foram consideradas não conclusivas para afastar a revogação. Diz que a autuação utilizase da "regra de inversão do ônus da prova do art 179 do CTN" (Código Tributário Nacional): Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. [...] §2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. Entendo que, como bem colocou o acórdão recorrido: Não se trata de inversão do ônus da prova, mas determinação advinda do próprio legislador que condiciona ao interessado que faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão em caráter subjetivo. Fl. 1100DF CARF MF 8 (Grifos do original). Alega ainda que: Não houve qualquer comprovação da fiscalização de que no momento das importações a recorrente não poderia ter gozado dos benefícios fiscais, ou que até o momento da fiscalização tivesse que deixar de gozar de tais benefícios, houve apenas a solicitação que o contribuinte provasse sua condição de beneficiário, ou melhor, até mesmo estendeu esta comprovação aos clientes da Recorrente, sem nem mesmo provar o nexo entre a importação de determinada peça e a utilização posterior. Ora, não basta que os benefícios tenham sido concedidos no momento do desembaraço aduaneiro, quando não pode a autoridade fiscal avaliar se foi dada ao bem destinação que prevê a norma. Tal só é possível, a posteriori, em sede de revisão aduaneira, no prazo quinquenal, podendo a fiscalização exigir os documentos e esclarecimentos que entender necessários, dentro do que lhe outorga a lei, justamente o que ocorreu no caso. Mérito Destaca o acórdão recorrido, sobre a origem da fiscalização, que: A presente ação fiscal teve sua origem em pesquisas internas realizadas por esta Secretaria da Receita Federal do Brasil, que buscava identificar possíveis descumprimentos de normas em importações realizadas com a isenção do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados, [...] Nesse contexto, chamou a atenção da fiscalização, desde o início, o fato de a empresa ter importado grande quantidade de mercadorias com isenção do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados, tais como pneumáticos, pastilhas e discos de freio e partes de motores, que, em tese, não poderiam ser utilizadas nos reparos a que a empresa estaria autorizada a realizar, que, segundo informações obtidas inicialmente no sítio disponibilizado pela América Sul na internet (www.americasul.com.br), estariam limitados àqueles realizados em acessórios elétricos (folha 755). Após detalhada explanação, o acórdão de piso conclui pelos seguintes requisitos para a isenção em pauta: 1) Nos termos da Lei 8.032/90, art. 2º, II, "j" e art. 3º , I: importação de “partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção de aeronaves e embarcações”; 2) Como determina o art. 172, do Decreto 4.543/02 (Regulamento Aduaneiro – RA/02), com alteração que lhe fez o Decreto n° 5.268/04, vigente a partir de 10 de novembro de 2004: Art. 172. A isenção do imposto, na importação de partes, peças e componentes, será reconhecida somente aos bens destinados a reparo, revisão ou manutenção de aeronaves e de embarcações. Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 10494.000326/200841 Acórdão n.º 3301004.769 S3C3T1 Fl. 1.098 9 § 1º Para cumprimento do disposto no caput, o importador deverá fazer prova da posse ou propriedade da aeronave ou embarcação. § 2º Na hipótese do § 1o, caso a importação seja promovida por oficina especializada em reparo, revisão ou manutenção de aeronaves, esta deverá: I apresentar contrato de prestação de serviços, indicando o proprietário ou possuidor da aeronave; e II — estar homologada pelo órgão competente do Ministério da Defesa. Acrescento que, quanto às contribuições PIS/Pasep e CofinsImportação, a empresa se beneficio da redução a zero nas respectivas alíquotas, com base na Lei 10.865/2004: Art. 8º. As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7o desta Lei, das alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) [...] § 12. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas das contribuições, nas hipóteses de importação de: (Regulamento) VI aeronaves, classificadas na posição 88.02 da NCM; (Redação dada pela Lei nº 10.925, 2004) (Vigência) VII – partes, peças, ferramentais, componentes, insumos, fluidos hidráulicos, lubrificantes, tintas, anticorrosivos, equipamentos, serviços e matériasprimas a serem empregados na manutenção, reparo, revisão, conservação, modernização, conversão e industrialização das aeronaves de que trata o inciso VI deste parágrafo, de seus motores, suas partes, peças, componentes, ferramentais e equipamentos; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) E prossegue a DRJ: Como se percebe, o benefício está agora direcionado aos proprietários ou possuidores de aeronaves, ou ainda às oficinas homologadas que disponham de contrato de prestação de serviços com os proprietários ou possuidores de aeronaves, independentemente da condição dessas aeronaves ou da utilização dada a elas. Claro que a condição primeira de que as partes, peças e componentes sejam destinados a reparo, revisão ou manutenção de aeronaves continua valendo. A alteração introduzida pelo Decreto n° 5.268/2004 claramente alterou a tipificação da isenção. Além de estar vinculada à destinação dos bens, Fl. 1102DF CARF MF 10 ela agora está também vinculada à qualidade do importador, uma vez que só algumas pessoas podem usufruir desse benefício fiscal. O Decreto n° 4.543/2002, vigente à época, previa essa espécie de beneficio fiscal no Livro n, (sic) Título I, Capítulo Vm (sic) DAS ISENÇÕES E DAS REDUÇÕES DO IMPOSTO, Seção m (sic) — Da Isenção ou da Redução Vinculada à Qualidade do Importador, cujo artigo 123 dispunha: Art. 123. Quando a isenção ou a redução for vinculada à qualidade do importador, a transferência de propriedade ou a cessão de uso dos bens, a qualquer título, obriga ao prévio pagamento do imposto (Decretolei n° 37, de 1966, art. 11). Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos bens transferidos ou cedidos: a) a pessoa ou a entidade que goze de igual tratamento tributário, mediante prévia decisão da autoridade aduaneira (Decretolei n° 37, de 1966, art. 11 . parágrafo único, inciso I); b) após o decurso do prazo de três anos, contado da data do registro da declaração de importação, no caso de bens objeto da isenção a que se referem as alíneas “c” e “d” do inciso Ido art. 135 (Decretolei n° 1.559, de 29 de junho de 1977, art. Io); e c) — após o decurso do prazo de cinco anos, contado da data do registro da declaração de importação, nos demais casos. Com a alteração da tipificação da isenção de vinculada à destinação dos bens para isenção mista (vinculada à destinação dos bens e à qualidade do importador), mudaram também os procedimentos a serem observados para a manutenção do beneficio fiscal reconhecido no curso do despacho aduaneiro: a transferência do bem sem o pagamento dos tributos renunciados na importação depende agora não só da manutenção da finalidade que motivou a concessão do beneficio, mas também de que o cessionário goze de igual tratamento tributário daquele que fez a cessão, mantendose ainda a necessidade de prévia decisão da autoridade aduaneira. (Grifos deste relator). Falta de homologação e não utilização na oficina A autuação constatou que; para operações realizadas pela empresa a partir de 10 de novembro de 2004; sendo "oficina especializada em reparo, revisão ou manutenção de aeronaves" e não possuindo ou sendo proprietária de aeronaves; importou certas partes, peças e componentes sob o benefício em pauta; sem "estar homologada pelo órgão competente do Ministério da Defesa", para realizar serviços nas Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 10494.000326/200841 Acórdão n.º 3301004.769 S3C3T1 Fl. 1.099 11 quais pudessem ser utilizadas as ditas importações, como exige o RA/02, art. 172, § 2°, II. Também verificou que determinados itens importados não foram utilizados em sua oficina, não tendo portanto sido "destinados ao reparo, revisão e manutenção de aeronaves e embarcações”, como condiciona a Lei 8.032/90, art. 2º, II, "j" e art. 3º , I. Não satisfez assim condições para a fruição dos benefícios. Reproduzo trecho da peça autuatória (fl. 220 e 221): Não sendo a América Sul proprietária e nem possuidora de qualquer aeronave, restalhe, na condição de oficina especializada, a hipótese prevista na exceção à regra para que possa usufruir os beneficios fiscais destinados ao setor aeronáutico. Não temos nenhuma dúvida de que a América Sul seja, de fato, uma oficina especializada em consertos de aeronaves. A própria ANAC reconheceu isso ao emitir o Certificado de Homologação de Empresa n° 001103/ANAC (folha 314). Porém, essa certificação feita pela ANAC não autoriza a empresa a executar, de forma indiscriminada, qualquer tipo de conserto. Pelo contrário, o Adendo ao Certificado de Homologação (folhas 315 a 324) especifica detalhadamente quais os reparos que a América Sul está autorizada a executar em aeronaves. Ora, se os beneficios fiscais têrn como beneficiários os proprietários ou possuidores de aeronaves, e se a legislação condicionou a exceção aberta às oficinas homologadas a que as peças importadas sejam destinadas ao conserto de aeronaves de outras pessoas, proprietárias ou possuidoras, exigindo como prova disso a apresentação de um contrato firmado entre elas, é por demais óbvio que a legislação não estendeu esses beneficios para as importações realizadas pelas oficinas especializadas que não se destinem aos consertos por elas realizados. De um outro ângulo, a isenção do II e do IPI e a redução das alíquotas do PIS/PASEPImportação e da COFINSImportação não alcançam as mercadorias importadas por essas empresas que sejam simplesmente destinadas para revenda, por exemplo. Podemos dizer, objetivamente, que todas as importações de partes, peças ou componentes do setor aeronáutico, realizadas pela América Sul no período compreendido entre 10 de novembro de 2004 e 28 de fevereiro de 2007, que não tenham sido utilizadas por ela própria para os consertos autorizados pela ANAC não cumprem os requisitos para o reconhecimento dos beneficios fiscais. Aquelas importações realizadas pela América Sul que se destinavam à revenda jamais poderiam ter sido desembaraçadas com o reconhecimento dos beneficios fiscais em análise. E se não faziam jus a esses benefícios no momento da concessão, muito menos poderiam fazer no período correspondente à fruição deles. Dentro desse quadro, chamam atenção as importações de pneumáticos registradas pela fiscalizada, uma vez que a empresa não está autorizada pela ANAC a realizar consertos nessa área. Aliás, consta no sitio da empresa na internet (ver na folha 601) que a mesma foi, recentemente, nomeada distribuidora Michelin para o Brasil, mantendo estoques no Brasil e trabalhando com a venda em balcão dessas mercadorias. Fl. 1104DF CARF MF 12 Assim como os pneumáticos, a América Sul importou diversas outras partes, peças e componentes aeronáuticos que, por suas características, não poderiam ser utilizados nos consertos autorizados pela ANAC. Com o objetivo de identificarmos quais dos itens importados pela América Sul não haviam sido utilizados nos consertos realizados pela empresa, emitimos o Termo de Intimação n° 094/2007 (folha 326), solicitando que a empresa informasse em quais reparos autorizados pelo Certificado de Homologação 001103/ANAC foram/são utilizados os itens importados com beneficios fiscais no período compreendido entre 10 de novembro de 2004 e 28 de fevereiro de 2007, tomando o cuidado de anexar intimação um CD contendo a relação de todos os itens importados no período. A empresa apresentou, em resposta, um CD contendo a planilha de todos os equipamentos importados no período, na qual acrescentou uma coluna "OFICINA" e a preencheu com a expressão "OK" para os itens utilizados nos consertos que a oficina está autorizada a realizar, deixando em branco nos demais casos. A planilha impressa encontrase nas folhas 497 a 600. A partir da resposta apresentada pela América Sul, podemos concluir que todos os itens listados na planilha das folhas 497 a 600 que apresentam a coluna "OFICINA" em branco não poderiam ter sido importados com os beneficios fiscais oferecidos ao setor aeronáutico, razão pela qual revogamos a isenção anteriormente reconhecida a eles, nos termos do artigo 155 do CTN. A referido Certificado de Homologação de Empresa n° 001103/ANAC (folha 314 e seguintes), especifica os modelos de acessórios de aeronaves com os quais a oficina de manutenção aeronáutica está autorizada a operar, em adendo, detalhando "DESCRIÇÃO", "MODELO" e "FABRICANTE", incluindo tão somente: "MAGNETO", "SISTEMA/IGNIÇÃO", "CABLAGEM", "ALTERNADOR", "STARTER", 'MOTOR PARTIDA" e "VIBRADOR PART": [...] Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 10494.000326/200841 Acórdão n.º 3301004.769 S3C3T1 Fl. 1.100 13 A recorrente coloca que: Na decisão exarada em primeira Instância Administrativa se verifica na fundamentação em folhas 1.029 a 1031 do Processo, que apesar de a empresa ter apresentado uma planilha com o que ela considerou ter sido utilizado em sua oficina e em branco o que não utilizado, não dizendo em momento algum que vendeu, transferiu ou mantinha ainda em estoque os produtos, foi considerado que nada podia ser provado pela empresa porque não existiam contratos naquelas datas e revogado o benefício na importação. Entendo que se respondeu a intimação "solicitando que a empresa informasse em quais reparos autorizados pelo Certificado de Homologação" e "acrescentou uma coluna "OFICINA" e a preencheu com a expressão "OK", portanto, para os itens utilizados nos consertos que a oficina está autorizada a realizar, deixando em branco nos demais casos", é porque os itens sem o "OK" não foram utilizados na sua oficina. A autuação explica que fez a diferenciação que exigem as diferentes leis, aplicáveis aos impostos e às contribuições respectivamente (fl. 222 e 223): [...] Enquanto a primeira prevê a isenção do II e do IPI para as partes, peças ou componentes destinados ao reparo, revisão ou manutenção de aeronaves, a segunda, de uma forma mais ampla, estende a redução das alíquotas do PIS/PASEPImportação e da C0FlNSImportação para as partes, peças, ferramentais, componentes, insumos, fluidos hidráulicos, lubrificantes, tintas, anticorrosivos, equipamentos e matériaprimas a serem empregados na manutenção, reparo, revisão, conservação, modernização, conversão e montagem das aeronaves, de seus motores, suas partes, peças, componentes, ferramentais e equipamentos. Como se percebe, existem alguns itens que, ao serem importados, podem ser beneficiados com a redução das alíquotas do PIS/PASEP Importação e da COFINSImportação, mas que, em contrapartida, não fazem jus à isenção do II e do IPI, por não se enquadrarem como partes, peças ou componentes de uma aeronave. E o caso, por exemplo, das ferramentas e dos selantes importados pela America Sul. Listamos a seguir, na Tabela IV, todos os itens que, dentro do critério exposto acima, apesar de fazerem jus à redução das aliquotas do PIS/Pasep Importação e da COFINSImportação, não fazem jus à isenção do II e do IPI. [...] Fl. 1106DF CARF MF 14 Falta de contratos A autuação entende ainda que a contribuinte não logrou "apresentar contrato de prestação de serviços, indicando o proprietário ou possuidor da aeronave", com datas que cobrissem o período sob análise, como condiciona o RA/02, art. 172, § 2º, II, não satisfazendo outra condição a fruição dos benefícios; desta feita, atingindo todas as importações realizadas entre 10 de novembro de 2004 e 28 de fevereiro de 2007; e não só os "itens importados que deixaram de ser utilizados nos reparos efetuados pela oficina" (fl. 221 e 222): Procurando avaliar se a América Sul cumpriu todas as condições para ter os benefícios fiscais em estudo reconhecidos, e considerando que compete ao beneficiário o ônus de fazer essa prova, emitimos, em 09 de fevereiro de 2007, o Termo de Inicio de Fiscalização n° 04/2007 onde, em seu item 10, solicitávamos a apresentação de todos os contratos de prestação de serviço firmados pela empresa relacionados com os produtos importados. Não tendo obtido resposta, intimamos a empresa novamente, no dia 26 de novembro de 2007 (ver Termo de Intimação n° 094/2007 na folha 326), a apresentar os já mencionados contratos. Dessa vez, a América Sul apresentou os contratos das folhas 464 a 494. Analisando os contratos, podemos perceber que todos eles apresentam o mesmo texto, tendo 10 deles sido assinados pelo sócio Milton Edgar Martin, com endereço de Porto Alegre, e tendo 21 deles sido assinados pela sócia Stela Mariz Klemm, com endereço de São Paulo. Chama a atenção, nos contratos, o fato de que aqueles firmados pela América Sul de Porto Alegre não apresentam qualquer data e, aqueles firmados pela América Sul de São Paulo, terem todos sido assinados entre os meses de junho e julho de 2007. Ora, se o período fiscalizado é de 10 de novembro de 2004 e 31 de fevereiro de 2007 (sic) e se a empresa não apresentou nenhum contrato em vigor nesse período, não nos resta outra conclusão senão aquela de que a América Sul não fez prova do cumprimento das condições exigidas para o reconhecimento dos benefícios fiscais, para nenhuma das importações registradas no período. Por essa razão, revogamos não só os benefícios fiscais dos itens importados que deixaram de ser utilizados nos reparos efetuados pela oficina, mas sim os benefícios fiscais de todas as importações registradas pela America Sul no período, listados na planilha das folhas 497 a 600, nos termos do artigo 155 do CTN. Em conseqüência dessa revogação, cobramos os tributos renunciados, acrescidos dos juros e da multa de mora, que não apresenta Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 10494.000326/200841 Acórdão n.º 3301004.769 S3C3T1 Fl. 1.101 15 caráter punitivo, mas deixamos de propor a aplicação de qualquer multa de oficio por vedação expressa do inciso II do artigo 155 do CTN. Sobre os contratos sem data, entendo que esta é determinante do objeto do negócio contratado. Sem ela, não há como balizar o período em que se aplica o obrigação pactuada. Sem a data, tais contratos não fazem prova a favor da contribuinte, nos termos da legislação que os exige. Sobre o tema, a recorrente argumenta que [...] na decisão de primeira Instância, repete o julgador que manteve a Autuação quanto a estes valores, que reconhece que certamente todos os clientes da recorrente são oficinas homologadas ou são pessoas físicas ou jurídicas proprietárias de aeronaves, a Recorrente não efetivou um documento isolado, chamado “Contrato de Prestação de Serviços” que indicasse o proprietário ou possuidor da aeronaves. Mas, Senhores Julgadores todas as notas fiscais emitidas no período e apresentadas a fiscalização como comprovantes suficientes do dito “Contrato” possuem os requisitos fundamentais exigíveis para a comprovação que se quer. As Notas Fiscais possuem todos os requisitos do contrato de prestação de serviços e devem ser consideradas como contrato, ou pelo menos representativas do contrato de prestação de serviços. O que se extrai desta passagem é que a recorrente não se insurge a quanto a afirmação da fiscalização de que aquela não logrou "apresentar contrato de prestação de serviços, indicando o proprietário ou possuidor da aeronave", com datas que cobrissem o período sob análise, restando tal fato incontroverso. Apenas quis substituir os ditos contratos, exigidos pelo RA/02, art. 172, § 2º, II, pelas notas fiscais que emitiu. Certidões negativas Aduz a recorrente que a decisão da DRJ teria tomado como fundamento o fato de a que "a empresa deixou de apresentar as certidões negativas de INSS e FGTS quando do despacho aduaneiro em várias ocasiões quando da liberação de Importações pela Autoridade Aduaneira". E assim se contrapõe: [...] quando do despacho das mercadorias em relação ás DIs, as certidões apresentadas anteriormente estavam válidas, por isso a autoridade aduaneira permitiu o livre desembaraço das mercadorias. O art. 60 da Lei 9.065/95 traz mais uma condição para o reconhecimento de benefícios fiscais em geral: a comprovação pelo contribuinte, da quitação de tributos e contribuições federais. Já o art. 27 da Lei 8.036/90 condiciona o obtenção de isenções e outros benefícios, à apresentação do Certificado de Regularidade do FGTS Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. Fl. 1108DF CARF MF 16 Sobre o tema assim coloca a autuação: Porém, apesar de a América Sul ter indicado o número de diversas certidões negativas e certificados de regularidade perante o FGTS nas DI registradas no Siscomex, conforme Tabela V a seguir, não as apresentou a esta fiscalização quando intimada, alegando dificuldades para reunilas. Com base em "informações disponíveis nos sistemas informatizados desta Secretaria da Receita Federal do Brasil e nos sítios na internet da Previdência Social, da Caixa Econômica Federal e da própria Receita Federal" a fiscalização assim concluiu : A análise do gráfico revela claramente que a América Sul não possuía certificado de regularidade do FGTS emitido paro os dias 05 e 06 de dezembro de 2004, os dias 02 e 03 de abril de 2005, os dias 30 e 31 de julho de 2005, os dias compreendidos entre 29 de outubro e 07 de novembro de 2005, inclusive, os dias compreendidos entre 05 de fevereiro e 06 de julho de 2006, inclusive, os dias compreendidos entre 06 de agosto e 13 de agosto de 2006, inclusive, os dias compreendidos entre 13 de setembro e 28 de setembro de 2006, inclusive, o dia 29 de outubro de 2006, os dias compreendidos entre 29 de novembro de 2006 e 01 de janeiro de 2007, inclusive, e os dias compreendidos entre 01 de fevereiro e 28 de fevereiro de 2007, inclusive. [...] No entanto, para as DI 06/06303116, 06/15036125 e 06/15786965, apesar de o registro ter ocorrido em datas não cobertas pelos certificados de regularidade do FGTS emitidos pela Caixa Econômica Federal para a América Sul, o desembaraço das mercadorias ocorreu em datas em a empresa estava amparada pelos mencionados certificados (07.07.2006, 05.01.2007 e 02.01.2007, respectivamente). Assim, para o momento relativo ao registro das DI 06/01901554, 06/02434046, 06/02942963, 06/03006960, 06/03619767, 06/04431184, 06/05090127, 06/0638750 6, 06/07326292, 06/07818977, 06/09476321, 06/11589286, 07/01812880, 07/01977323 e 07/02592638, o importador não tem como apresentar provas de sua regularidade perante o FGTS, razão pela qual, também aqui, seria proposta a revogação dos beneficios fiscais reconhecidos para estas importações, caso os mesmos não tivessem sido ainda revogados pelos motivos expostos nos tópicos anteriores. Assim, para esses essas DIs procede o mais esse fundamento da autuação. Transferência dos bens Sobre o tema, a autuação afirma não ter havido solicitação de autorização quando houve transferência das partes, peças e componentes importados com benefícios fiscais (fl. ) (nos termos do art. 123, parágrafo único, e alíneas) (fl. 232): [...] Além disso, a América Sul, após o desembaraço, não fez nenhuma solicitação para transferência das partes, peças e componentes Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 10494.000326/200841 Acórdão n.º 3301004.769 S3C3T1 Fl. 1.102 17 importados com beneficios fiscais, razão pela qual podemos concluir que a sociedade empresária não tinha, em nenhum momento, a necessária autorização da autoridade aduaneira para transferir os bens importados com isenção para terceiros. Tal afirmação não fora combatida pela recorrente, restando pois incontroversa. É o que basta. Se quando transferiu, não solicitou autorização e, portanto, não houve "prévia decisão da autoridade aduaneira", como exige o RA/02, art. 123, "a" (salvo a hipótese de "decurso de prazo" da alínea "c") descabelhe o direito à manutenção dos benefícios. Vale citar a menção da autuação à notas fiscais que demonstram a venda de itens pela recorrente (fls 224 e 225): Porém, pelas notas fiscais apresentadas pela América Sul, referentes ao período compreendido entre agosto de 2002 e dezembro de 2006, em conjunto com a relação dos clientes (folhas 327 a 463), também apresentada pelo contribuinte, pudemos perceber que os itens foram vendidos para pessoas fisicas proprietárias de aeronave, para pessoas jurídicas também proprietárias de aeronave, para aeroclubes, para outras oficinas atuantes no conserto de aeronaves, para empresas de aviação agrícola, para empresas de táxi aéreo e para outras empresas comerciais, atuantes no mercado de venda de balcão de peças para aeronaves . Por outro lado, como bem traz a recorrente, a fiscalização afirma que não fez uma verificação exaustiva da destinação de cada item importado, mantendose, entendo, o presente fundamento apenas para os itens para os quais haja tal verificação nos autos: Já vimos no tópico DA DESTINACÃO E DO EMPREGO que esta é uma análise de dificil execução, para dizer o menos. A verificação, uma a uma, de onde foi empregada cada parte de aeronave importada pela América Sul tomaria tempo em demasia e não levaria a resultado diferente daquela que já podemos chegar por diversos outros meios, qual seja, a revogação da isenção relativa a todas as importações registradas pela América Sul no período compreendido entre 10 de novembro de 2004 e 28 de fevereiro de 2007. A recorrente ainda argumenta que: Se o motivo não foram as “possíveis” transferências a terceiros, que como já descrito anteriormente não foram provadas item a item e, portanto, nulificam o Auto de Lançamento, então mais razão subsiste a Recorrente para que a totalidade do presente Auto de Infração não prospere na Superior Instância Administrativa [...] Não é assim. Há outros e mais bem demonstrados fundamentos a ampararem a autuação. Revogação Fl. 1110DF CARF MF 18 Alega a recorrente que a fiscalização "partiu de fato da revogação, ou da consideração de que de plano não deveria , a recorrente, gozar dos benefícios fiscais", tendo o acórdão de piso, contraditoriamente, afirmado que " Não houve em momento algum a revogação da isenção pelo Auto de Infração" (grifos do original). Entendo que errou o acórdão recorrido nessa passagem. A autuação, ao final, assim procede: "Dessa forma, revogamos os benefícios fiscais indevidamente reconhecidos para essas importações e cobramos os tributos renunciados, acrescidos dos juros moratórios". O CTN, art. 179, caput e § 2º, c/c art. 155, prevê uma tal revogação de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor: No caso das contribuições, o que se pleiteou foi a redução a zero de suas alíquotas e não a isenção de tributos, não se aplicando os dispositivos acima referidos. Cobram se as contribuições sem revogação de ofício, pois a norma não a previu por sendo indevida a redução de alíquota empregada, esta que é condicionada ao emprego na "manutenção, reparo, revisão, conservação, modernização, conversão e industrialização das aeronaves [...] de seus motores, suas partes, peças, componentes, ferramentais e equipamentos", nos termos da Lei 10.865, art. 8º., § 12, VII, o que não ficou demonstrado no presente caso. A recorrente não discute tal tema, restando incontroverso. Conclusão Assim, por todo o exposto, voto negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 1111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.901236/2013-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2012
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DCTF.
Constatada a existência do crédito tributário, por meio da DCTF retificadora apresentada, ela deve ser analisada pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo, seguindo-se daí o rito processual ordinário.
Numero da decisão: 1301-003.329
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a questão da DCTF retificadora e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do crédito pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. Constatada a existência do crédito tributário, por meio da DCTF retificadora apresentada, ela deve ser analisada pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo, seguindose daí o rito processual ordinário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a questão da DCTF retificadora e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do crédito pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 12 36 /2 01 3- 98 Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10073.901236/201398 Acórdão n.º 1301003.329 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por maioria de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, para manter na íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas, em razão da inexistência do crédito alegado para quitação dos débitos informados no PER/DCOMP. O presente processo decorre de pedido de compensação, cujo crédito tem origem em pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais. O Despacho Decisório proferido pela da unidade de origem não reconheceu o valor do crédito pretendido e não homologou as compensações declaradas. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirmou que o valor a maior recolhido se deu basicamente pois desconsiderou os valores pagos em meses anteriores, apresentou planilha que demonstra como os cálculos ocorreram. O Acórdão recorrido entendeu que na data da transmissão das PerdComps o crédito não era líquido e certo, uma vez que as DCTFs não estavam retificadas, e todo o DARF alocado ao débito estava consumido, sem crédito algum, bem como porque o interessado não juntou provas e documentos. No Recurso Voluntário apresentado a recorrente defende que o acórdão recorrido deve ser anulado pois não se baseou na verdade material dos fatos, e simplesmente baseouse na DCTF que não foi retificada para não homologar as compensações, juntou as DCTFs retificadoras bem como os cálculos em que se basearam os pagamentos. É o relatório. Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10073.901236/201398 Acórdão n.º 1301003.329 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.326, de 16/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10073.901241/2013 09, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O direito creditório analisado no processo paradigma tem como origem pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, relativo ao período de apuração de 31/08/2011. No presente processo, o crédito pleiteado tem origem em pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, referente ao período de apuração de 31/08/2011. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.326): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A recorrente apresentou PerdComps, onde se utilizou de créditos decorrentes de IRPJ pago a maior, pois ao efetuar o pagamento das estimativas mensais, não levou em consideração os valores já recolhidos em meses anteriores. Segundo o Despacho Decisório, todo o DARF relacionado estava alocado para um débito, de tal forma que não restou nenhum crédito disponível a ser compensado, não homologando a compensação pleiteada. De igual forma entendeu o acórdão recorrido, que na data da transmissão da Perdcomp, o crédito não se encontrava líquido e certo, bem como faltou ao recorrente trazer a prova do indébito tributário. Passemos aos fatos. O crédito a que refere a recorrente é de IRPJ, antecipação, e segundo a recorrente quando realizou o pagamento do DARF para quitar a antecipação, não levou em consideração os valores pagos em meses anteriores, levandoo a pagar um valor maior. Apresentou planilhas em que se demonstra tal cálculo, e em sede recursal juntou a DCTF retificadora e livros de apuração. Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10073.901236/201398 Acórdão n.º 1301003.329 S1C3T1 Fl. 5 4 O ponto aqui é que a DCTF foi somente retificada após o Despacho Decisório, não gerando a informação de crédito para a RFB. Porém, ainda que a DCTF tenha sido transmitida posteriormente ao Despacho decisório, é certo que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, nos termos do art. 19, da MP 199026/1999, dessa forma, prevalece a declaração retificadora. Ademais, no caso em tela, de acordo com a DIPJ, a recorrente apurou seu IRPJ em todos os meses do ano com base em balancete de suspensão ou redução, não caracterizando alteração de regime. Em situações semelhantes, temos o entendimento de que a retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impediria o deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, tal como preconiza o § 1º do art. 147 do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Assim, tendo em vista o princípio da busca da verdade material, já que juntou documentos, ainda que em sede recursal daquilo que faria jus ao seu direito, voto no sentido de se afastar o óbice de desconsideração da DCTF retificadora. E dessa forma, a unidade de origem poderá verificar o mérito do pedido, acerca da existência do crédito e da respectiva compensação, bem como analisar a liquidez e certeza do referido crédito, nos termos do art. 170, do CTN. Posteriormente, podese seguir o rito processual habitual. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL para superar a questão da DCTF retificadora e determinar o retorno dos autos à unidade de origem, refazendo sua análise diante da documentação apresentada." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a questão da DCTF retificadora e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do crédito Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10073.901236/201398 Acórdão n.º 1301003.329 S1C3T1 Fl. 6 5 pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 344DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.722504/2011-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009
PARCELAMENTO. LEI Nº 11.941/09. COMPETÊNCIA.
Não compete à esta instância julgadora apreciar questões relativas à inclusão ou exclusão de débitos em parcelamento,mas, tão somente o que diz respeito à legalidade do lançamento tributário.
IPI. NOTAS FISCAIS DE SIMPLES FATURAMENTO. NOTAS FICAIS DE VENDA. APURAÇÃO DO IMPOSTO COMPROVADA.
Restando comprovado que o tributo destacado nas notas fiscais de simples faturamento foram devidamente destacados nas notas fiscais de venda e levados à apuração do IPI devido, bem como demonstrada efetiva correspondência entre respectivas as notas fiscais, não pode ser mantido o lançamento do imposto.
IPI. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. PENALIZAÇÃO.
A falta de referência à nota fiscal de venda na nota de simples remessa,quando demonstrado que o tributo foi efetivamente levado à apuração não autoriza o lançamento do IPI destacado. Tal violação é apta a atrair apenas eventual penalização por descumprimento de obrigação acessória.
Numero da decisão: 3201-004.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, apenas para excluir do lançamento aqueles valores correspondentes ao IPI constante das Notas Fiscais de Simples Faturamento com efetiva correspondência em Notas Fiscais de Saída, nos termos da diligência realizada pela Autoridade Preparadora.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 PARCELAMENTO. LEI Nº 11.941/09. COMPETÊNCIA. Não compete à esta instância julgadora apreciar questões relativas à inclusão ou exclusão de débitos em parcelamento,mas, tão somente o que diz respeito à legalidade do lançamento tributário. IPI. NOTAS FISCAIS DE SIMPLES FATURAMENTO. NOTAS FICAIS DE VENDA. APURAÇÃO DO IMPOSTO COMPROVADA. Restando comprovado que o tributo destacado nas notas fiscais de simples faturamento foram devidamente destacados nas notas fiscais de venda e levados à apuração do IPI devido, bem como demonstrada efetiva correspondência entre respectivas as notas fiscais, não pode ser mantido o lançamento do imposto. IPI. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. PENALIZAÇÃO. A falta de referência à nota fiscal de venda na nota de simples remessa,quando demonstrado que o tributo foi efetivamente levado à apuração não autoriza o lançamento do IPI destacado. Tal violação é apta a atrair apenas eventual penalização por descumprimento de obrigação acessória.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, apenas para excluir do lançamento aqueles valores correspondentes ao IPI constante das Notas Fiscais de Simples Faturamento com efetiva correspondência em Notas Fiscais de Saída, nos termos da diligência realizada pela Autoridade Preparadora. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
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LEI Nº 11.941/09. COMPETÊNCIA. Não compete à esta instância julgadora apreciar questões relativas à inclusão ou exclusão de débitos em parcelamento,mas, tão somente o que diz respeito à legalidade do lançamento tributário. IPI. NOTAS FISCAIS DE SIMPLES FATURAMENTO. NOTAS FICAIS DE VENDA. APURAÇÃO DO IMPOSTO COMPROVADA. Restando comprovado que o tributo destacado nas notas fiscais de simples faturamento foram devidamente destacados nas notas fiscais de venda e levados à apuração do IPI devido, bem como demonstrada efetiva correspondência entre respectivas as notas fiscais, não pode ser mantido o lançamento do imposto. IPI. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. PENALIZAÇÃO. A falta de referência à nota fiscal de venda na nota de simples remessa,quando demonstrado que o tributo foi efetivamente levado à apuração não autoriza o lançamento do IPI destacado. Tal violação é apta a atrair apenas eventual penalização por descumprimento de obrigação acessória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, apenas para excluir do lançamento aqueles valores correspondentes ao IPI constante das Notas Fiscais de Simples Faturamento com efetiva correspondência em Notas Fiscais de Saída, nos termos da diligência realizada pela Autoridade Preparadora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 25 04 /2 01 1- 06 Fl. 653DF CARF MF Processo nº 13603.722504/201106 Acórdão n.º 3201004.173 S3C2T1 Fl. 653 2 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 0958.298, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), que assim relatou o feito: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração, fls. 02 a 22, para exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI no valor de R$404.334,59, acrescido da multa de ofício no montante de R$304.357,95 e dos juros de mora (calculados até 31/05/2011) de R$ 121.255,94, totalizando a exigência de R$ 829.948,48, cuja motivação fática encontrase no próprio documento, bem como no Termo de Verificação Fiscal, fls. 30 a 35, dos quais, pela pertinência, reproduzemse os seguintes trechos: Auto de Infração 001 PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL. IPI NÃO LANÇADO FALTA DE DESTAQUE DO IPI NA NOTA FISCAL DE SAÍDA. Falta de destaque parcial ou integral do Imposto sobre Produtos Industrializados em diversas notas fiscais de saída de produtos tributados do estabelecimento, conforme descrito na tabela 03 (Notas Fiscais de Saída sem Destaque ou com Destaque Parcial do IPI) e no Termo de Verificação Fiscal anexos. [01/01/2007 a 31/10/2008 no valor total de R$31.145,27] (...)002 IPI LANÇADO NÃO RECOLHIMENTO OU RECOLHIMENTO A MENOR O estabelecimento industrial não efetuou o recolhimento integral do Imposto sobre Produtos Industrializados, conforme descrito no Termo de Verificação fiscal anexo. Fl. 654DF CARF MF Processo nº 13603.722504/201106 Acórdão n.º 3201004.173 S3C2T1 Fl. 654 3 003 IPI LANÇADO E NÃO ESCRITURADO FALTA DE ESCRITURAÇÃO O estabelecimento industrial emitiu notas fiscais de saída com destaque do Imposto sobre Produtos Industrializados, contudo não escriturou os valores destacados nos Livros de Registro de Saldas, conforme descrito na tabela 02 (Notas Fiscais de Saída com IPI Destacado e não Escriturado no Livro de Registro de Saldas) e no Termo de Verificação Fiscal anexos. (...) Termo de Verificação Fiscal No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n° 005411/2010 (MPFF), emitido em substituição ao Mandado de Procedimento Fiscal Diligência n° 001440/2010 (MPFD), levamos a efeito junto ao contribuinte acima identificado procedimento de auditoria para verificação, por amostragem, do correto cumprimento de suas obrigações tributárias relativas ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) no período de janeiro/2007 a dezembro/2009. (...)Relativamente às notas fiscais de saídas já mencionadas (maio/2008), integram, juntamente com outras notas fiscais emitidas ao longo do período fiscalizado, a tabela 02 “Notas Fiscais de Saída com IPI Destacado e não Escriturado no Livro de Registro de Saídas”, cópia anexa, apurandose, desse modo, não só o valor dos débitos de IPI destacados e não escriturados no mês de maio/2008, mas em todo o período auditado. Conforme explicado, nas tabelas 01 e 02 cuidamos de notas fiscais de entradas e saídas, das quais anexamos algumas cópias para melhor instrução do presente, nas quais encontramse regularmente destacados os valores de créditos e débitos do IPI, sem que, contudo, tais valores tenham sido escriturados nos Fl. 655DF CARF MF Processo nº 13603.722504/201106 Acórdão n.º 3201004.173 S3C2T1 Fl. 655 4 Livros de Registro de Entradas e de Registro de Saídas, cópias anexas, não sendo, consequentemente utilizados na correspondente apuração mensal do tributo. Contudo não foi esse o único equívoco do contribuinte, conforme ficará comprovado pela tabela 03 “Notas Fiscais de Saída sem Destaque ou com Destaque Parcial do IPI”, cópia anexa. Na referida tabela 03 estão discriminadas todas as notas fiscais de saídas, das quais juntamos algumas cópias, nas quais a fiscalizada deixou de destacar o IPI devido, integral ou parcialmente. (...)Por último, no “Demonstrativo de Reconstituição da Escrita Fiscal” estão consolidadas todas as informações relativas à escrituração, sejam aquelas apresentadas pelo contribuinte (Dados do Livro do IPI), sejam aquelas apuradas pela auditoria (Dados da Fiscalização), em cuja coluna de débitos apurados estão lançados os valores das tabelas 02 e 03 (consolidados para cada mês), para enfim chegarse aos saldos reconstituídos em cada período de apuração. Por fim. e para que não nos alonguemos em demasia, frisese que outro equívoco apontado diz respeito ao não recolhimento dos saldos devedores dos meses de julho/2007 (R$ 10.320,55), outubro/2008 (R$ 149.160,27) e maio/2009 (R$ 87.237,81). Conforme já demonstrado quando do exame do Termo de Intimação n° 328/2010 e respectiva resposta, tais valores não foram recolhidos, não foram informados nas respectivas DCTF, e nem constam de eventuais declarações de compensação, tornandose necessário, portanto, constituirse o respectivo crédito tributário mediante o presente lançamento. De tudo que foi analisado resultou a lavratura do Auto de Infração do IPI com as seguintes infrações: 001 Produto Saído do Estabelecimento Industrial ou Equiparado a Industrial com Emissão de Nota Fiscal IPI Não Lançado Falta de Destaque do IPI na Nota Fiscal de Saída. 002 IPI Lançado Não Recolhimento ou Recolhimento a Menor. 003 IPI Lançado e Não Escriturado Falta de Escrituração. (...)Após a ciência do Auto de Infração, em 16/06/2011, insurgiuse o contribuinte contra o feito fiscal por meio do arrazoado de fls. 372 a 391, em 15/07/2011, que assim vai resumido: A IPI Lançado falta de recolhimento ou recolhimento a menor do tributo A.1 Débito no valor de R$ 10.320,25 Dado que o contribuinte veio a saber que deve o tributo após a fiscalização da Receita Federal do Brasil, o valor de R$ 10.320,25 não foi incluído no parcelamento especial de que trata a Lei 11.941/2009, porém preenche todas as características necessárias para inclusão nessa modalidade menos gravosa de Fl. 656DF CARF MF Processo nº 13603.722504/201106 Acórdão n.º 3201004.173 S3C2T1 Fl. 656 5 parcelamento, quais sejam (...)Assim sendo, requer o contribuinte a inclusão de tal débito na parcelamento especial de que trata a Lei 11.941, de 27 de maio de 2009 por constituir modalidade de parcelamento mais favorável ao contribuinte, com as reduções de multa e juros nos termos da referida lei. (...)A.2 Débito no valor de R$ 149.160,27 O débito no valor de R$ 149.160,27 foi incluído no parcelamento especial de que trata a Lei 11.941/2009. O débito em questão foi declarado em DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, por força da imposição da Lei 11.941/2009, para fins de consolidação do parcelamento junto a Receita Federal do Brasil. Assim, o crédito tributário exigido já foi incluído em parcelamento junto a Receita Federal do Brasil, razão pela qual o contribuinte entende ser indevida a inclusão do crédito tributário no auto de infração ora impugnado. Para regularizar a situação será necessário a desconstituir e excluir o crédito tributário e seus acréscimos do valor do auto de infração ora impugnado. A.3 Débito no valor de R$ 87.237,81 O valor de R$ 87.237,81 foi compensado através de entrega de Per Dcomp — Pedido Eletrônico de Compensação de Débitos entregue (...)Tal expediente foi utilizado pelo contribuinte, pois foi intimado anteriormente em 26/04/2010, tendo sucessivas prorrogações do Mandado de Procedimento Fiscal sendo a última em julho/2010, entretanto passaramse mais de 60 dias sem que houvesse qualquer ato da autoridade administrativa. Dessa forma, entende o contribuinte, foi readquirida a espontaneidade tributária e, consequentemente, a possibilidade da utilização do instituto da compensação para liquidação dos seus débitos, forma essa de extinção do crédito tributário. B IPI não lançado produto saído do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial com emissão de nota fiscal sem destaque do imposto. Novamente, o contribuinte veio a saber que deve o tributo após a fiscalização da Receita Federal do Brasil, assim o valor de R$ 31.145,27 (Tabela 3 elaborada pela RFB) não foi incluído no parcelamento especial de que trata a Lei 11.941/2009, porém preenche todas as características necessárias para inclusão nessa modalidade menos gravosa de parcelamento, quais sejam (...)Entende e requer o contribuinte a inclusão de tal débito no parcelamento especial de que trata a Lei 11.941, de 27 de maio de 2009 por constituir modalidade de parcelamento mais favorável ao contribuinte, com as reduções de multa e juros nos termos da referida lei. (...)C IPI lançado e não escriturado em livro fiscal. Para maior lucidez e entendimento da questão entendemos ser necessário a distribuição dos valores em dois sub itens e utilizandose da Tabela 02 Notas fiscais de saída com IPI Fl. 657DF CARF MF Processo nº 13603.722504/201106 Acórdão n.º 3201004.173 S3C2T1 Fl. 657 6 destacado e não escriturado no Livro Registro de Saídas elaborado pela douta fiscalização, a saber: C.1 débitos apurados nos períodos janeiro/2007, agosto/2007, maio/2008, outubro/2008 e novembro/2008; e C.2 débitos apurados nos períodos março/2007, abril/2007, maio/2007 e junho/2007. C.1 débitos apurados nos períodos janeiro/2007, junho/2007, agosto/2007, maio/2008, outubro/2008 e novembro/2008. Dado que o contribuinte veio a conhecer os débitos após a apuração da douta fiscalização, cujo montante é de R$ 81.270,38 (Tabela 2 elaborada pela RFB) e que os mesmos não foram incluídos no parcelamento especial de que trata a Lei 11.941/2009, porém preenchem todas as características necessárias para inclusão nessa modalidade menos gravosa de parcelamento, quais sejam (...)Entende e requer o contribuinte a inclusão de tal débito no parcelamento especial de que trata a Lei 11.941, de 27 de maio de 2009 por constituir modalidade de parcelamento mais favorável ao contribuinte, com as reduções de multa e juros nos termos da referida lei. C.2 débitos apurados nos períodos março/2007, abril/2007 e maio/2007. Os débitos apurados nesses períodos tem como base as seguintes notas fiscais: (...)Assim, a operação listada pela douta fiscalização referese Simples faturamento decorrente de venda para entrega futura. Caracterizase venda para entrega futura a operação na qual a venda da mercadoria, no caso o seu faturamento, ocorre em uma data, e a sua efetiva saída do estabelecimento fornecedor, fato este gerador do ICMS, em uma data posterior. (...)Veja douto julgador que o contribuinte, apesar de destacar na NF de Simples Faturamento o IPI não inclui no livro fiscal de apuração, porém veio a incluir o IPI devido na operação nas NF's de remessas das mercadorias. Diante do exposto, é necessário desconstituir e excluir do referido auto de infração o débito de IPI nesse valor pela improcedência da cobrança. Mantida a cobrança haverá dupla tributação da mesma operação, a uma pela nota fiscal de simples faturamento (CFOP 6.922) e a duas pela nota fiscal de venda decorrente de venda para entrega futura (CFOP 6.116). CONCLUSÃO À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante a seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, reformandose o auto de infração e o respectivo débito fiscal reclamado, bem como: A. IPI Lançado falta de recolhimento ou recolhimento a menor do tributo; Fl. 658DF CARF MF Processo nº 13603.722504/201106 Acórdão n.º 3201004.173 S3C2T1 Fl. 658 7 inclusão do valor de R$ 10.320,25 no parcelamento especial de que trata a Lei 11.941/2009; exclusão do valor R$ 149.160,27 do auto de Infração por estar incluído no parcelamento especial de que trata a Lei 11.941/2009; exclusão do valor R$ 87.237,81 do auto de infração por estar haver pedido de compensação do referido débito e este não ser devido; B. IPI não lançado produto saído do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial com emissão de nota fiscal sem destaque do imposto; e inclusão do valor de R$ 31.145,27 no parcelamento especial de que trata a Lei 11.941/2009; C. IPI lançado e não escriturado em livro fiscal. quanto aos débitos apurados nos períodos janeiro/2007, junho/2007, agosto/2007, maio/2008, outubro/2008 e novembro/2008 a inclusão dos valores devidos no parcelamento especial de que trata a Lei 11.941/2009, quanto aos débitos apurados nos períodos março/2007, abril/2007 e maio/2007 a desconstituição e exclusão dos valores apurados de IPI devidos sob pena de pagamento em duplicidade pelo contribuinte. Termos em que Pede deferimento. Diante dos argumentos apresentados pelo contribuinte, o processo retornou processo à DRF Contagem/MG para diligência, nos termos do Despacho nº 12/2014 da 3ª Turma de Julgamento da DRJ/JFA, às fls. 470/478, para que a autoridade lançadora verificasse o cumprimento dos requisitos legais para a alegação do contribuinte de venda para entrega futura de parte das notas fiscais de saída com lançamento tributário, a verificação da alegação de parcelamento do débito de R$ 149.160,27 (Período de Apuração 31/10/2008) em data anterior à ação fiscal e a imediata cobrança dos débitos não contestados pelo reclamante. Inicialmente foi juntada manifestação da Seção de Acompanhamento e Controle Tributário SACAT da DRF Contagem/MG, às fls. 484/490, que se pronunciou nos seguintes termos: A. IPI Lançado falta de recolhimento a menor do tributo (o contribuinte solicita a inclusão do valor de R$10.320,25, PA 31/07/2007 e vencimento 15/08/2007 no parcelamento da Lei 11.941/2009) O Débito em análise está extinto por compensação na Dcomp 20788.06216.150807.1.3.044496, transmitida em 15/08/2007, conforme tela abaixo.(...) Portanto, o pedido do contribuinte de inclusão desse valor no Parcelamento da Lei 11.941/2009 é improcedente. Fl. 659DF CARF MF Processo nº 13603.722504/201106 Acórdão n.º 3201004.173 S3C2T1 Fl. 659 8 B. IPI não lançado – produto saído do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial com emissão de note fiscal sem destaque do imposto (o contribuinte solicita a inclusão do valor de R$31.145,27 no parcelamento da Lei 11.941/2009) O contribuinte solicita a inclusão dos valores retirados da Tabela 3, anexa ao eprocesso, elaborada pela RFB e transcrita abaixo, no Parcelamento da Lei 11.941/2009. (...)Portanto, o pedido do contribuinte de inclusão desses valores no Parcelamento da Lei 11.941/2009 é procedente. Esses valores deverão ser desmembrados do presente processo para o processo 13603.722236/201467, cadastrado para este fim. Os débitos serão suspensos por representação até que exista sistema de revisão de consolidação do parcelamento da Lei 11.941/2009. Acontece que contribuinte indicou para inclusão no parcelamento os valores descritos na Tabela 3, mas os valores diferem do Auto de Infração lançado. Para subsidiar tal desmembramento, é necessário o manifestação da Seção de Fiscalização a respeito dos valores, por competência, referentes ao IPI não lançado, a ser desmembrados do Auto de Infração. C. IPI lançado e não escriturado em livro fiscal (o contribuinte solicita a inclusão dos débitos apurados nos períodos janeiro/2007, junho/2007, agosto/2007, maio/2008, outubro/2008 e novembro/2008 no parcelamento da Lei 11.941/2009) O contribuinte solicita a inclusão dos valores retirados da Tabela 2, anexa ao eprocesso, elaborada pela RFB e transcrita abaixo, no Parcelamento da Lei 11.941/2009. Acontece que contribuinte indicou para inclusão no parcelamento os valores descritos na Tabela 2, mas os valores diferem do Auto de Infração lançado. Para subsidiar tal desmembramento, é necessário o manifestação da Seção de Fiscalização a respeito dos valores, por competência, referentes ao IPI lançado e não escriturado em livro fiscal a ser desmembrados do Auto de Infração. Considerandose que não há débitos lançados para os meses maio/2008 e novembro/2008 no Auto de Infração, solicito que a Fiscalização se manifeste sobre a possibilidade de inclusão desses valores no Parcelamento da Lei 11.941/2009. 2. Analisando o item III da diligência, temos que: O débito de R$149.160,27, PA 31/10/2009, foi declarado na DCTF retificadora entregue em 24/06/2010, conforme tela abaixo.(...) Em análise aos documentos apensados ao processo do Auto de Infração, constatase que o contribuinte recebeu o Termo de Intimação 0110/2010 em 01/03/2010. A partir do recebimento dessa Intimação, o contribuinte perdeu a espontaneidade para Fl. 660DF CARF MF Processo nº 13603.722504/201106 Acórdão n.º 3201004.173 S3C2T1 Fl. 660 9 declarar o IPI do período de janeiro de 2006 a dezembro de 2006. Desse modo, o IPI lançado no Auto de Infração sobressai ao IPI declarado na DCTF retificadora. Assim que existir processo de revisão de consolidação do Parcelamento da Lei 11.941/2009, o débito em questão, declarado na DCTF, será retirado do parcelamento. Após, será suspenso por representação e, na sequência, extinto por duplicidade com a observação DCTF após Auto de Infração. Posteriormente, a Seção de Fiscalização da DRF Contagem/MG se manifestou por intermédio de documento às fls. 516/520, in verbis: I Da Alegação de Venda Para Entrega Futura. (...)As notas fiscais apresentadas (2ª via fixaarquivo) estão legíveis, permitindose desse modo o perfeito exame das mesmas, cujas cópias anexamos ao presente. (...)No entanto, conforme já percebido pela autoridade julgadora, e agora confirmado pelo exame dos documentos apresentados, não existe nas notas fiscais de saída quaisquer referências à nota fiscal de simples faturamento (número, série, data), do mesmo modo que confirmouse, conforme já exposto pela autoridade julgadora, que os destinatários das notas fiscais de simples faturamento e de saída são distintos. (...)Não restam dúvidas, portanto, de que a impugnante não cumpriu os requisitos legais fixados pelo art. 310, inciso VII e § 3º do Decreto nº 2.637, de 25/06/98 (RIPI/98), ratificada pelos artigos nº 333 do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/2002) e nº 407 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI/2010). (...) II – Dos Débitos não Contestados pelo Contribuinte. Em despacho datado de 03/10/2014 a SACAT/DRF/CON encaminhou o presente para a SAFIS no sentido de ver sanadas diversas dúvidas apontadas por aquela seção. B. IPI não Lançado (...)Contudo, o exame da Tabela 3 em confronto com o Demonstrativo de Débitos Apurados – Imposto sobre Produtos Industrializados – Não Lançado (2ª e 3ª folhas do Auto de Infração do IPI) comprova a absoluta igualdade de tais valores. C. IPI Lançado e Não Escriturado. (...)O exame da mencionada Tabela 2 em confronto com o Demonstrativo de Débitos Apurados – Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Lançado e Não Escriturado (5ª folha do Auto de Infração do IPI) comprova que a divergência apontada não existe. III – Da Alegação de Parcelamento do Débito antes da Ação Fiscal. Sugerimos , por oportuno, o reexame da questão referente ao débito no valor de R$ 149.160,27 objeto de lançamento no presente Auto de Infração. Fl. 661DF CARF MF Processo nº 13603.722504/201106 Acórdão n.º 3201004.173 S3C2T1 Fl. 661 10 Tal reexame fazse necessário pois ao contrário do que foi afirmado o débito referese ao período de apuração de 31/10/2008 e não 31/10/2009 e ainda, o ato que impediu a retomada da espontaneidade por parte da então fiscalizada (invalidando portanto a entrega da mencionada DCTF retificadora em 24/06/2010) foi o Termo de Intimação nº 328/2010 do qual o contribuinte foi cientificado em 26/05/2010. Por fim, e embora não tenha sido objeto de questionamento pela DRJ/JFA, mencionese o equívoco do contribuinte ao considerar ter recuperado a espontaneidade em 26/11/2010 (conforme mencionado na impugnação apresentada), e consequentemente estar autorizado a apresentar Pedido de Compensação do débito no valor de R$ 87.237,81 (oitenta e sete mil, duzentos e trinta e sete reais e oitenta e um centavos) relativo ao período de apuração de maio/2009 e que foi objeto de lançamento através do presente Auto de Infração. Conforme pode ser consultado em documento que instrui o processo desde a formalização do mesmo, no dia 21/10/2010 o contribuinte apresentou resposta ao Termo de Intimação nº 491/2010, tendo sido lavrado termo de recebimento dos documentos apresentados assinado pelo AFRFB Cláudio Honorato da Silva, supervisor do grupo de IPI e responsável pelo acompanhamento da ação de fiscalização levada a efeito pelo AFRFB Danilo Paula Bodevan. O processo restou encaminhado para ciência do contribuinte, fl. 528, tomando ciência do resultado da diligência em 05/05/2015, fl. 536, que apresentou, em 03/06/2015, contra razões às fls. 539/553, na qual alega em síntese que: Débito de R$10.320,25 PA 31/07/07 e venc. 15/08/07: extinto por compensação na DCOMP 20788.06216.150807.1.3.044496, transmitida em 15/08/2007, conforme conclusão da SACAT/DRF/CON. Débito de R$149.160,27 PA 31/10/2008: objeto da declaração da DCTF retificadora entregue em 24/06/2010, e transferido, como informado pela SACAT/DRF/CON, do "sistema Fiscel" para o processo n° 18208.089794/201142 e consolidado no parcelamento da Lei n° 11.941/2009, no código 5123 (IPI Demais Produtos). Considerando o entendimento fiscal pela impossibilidade de declaração espontânea do débito em questão, prevalecendo o lançamento formalizado no Auto de Infração que originou o presente processo administrativo, foi informado pela SACAT/DRF/CON que o valor objeto da DCTF retificadora será excluído do parcelamento, quando da revisão de consolidação deste. Nesse caso, requer a Impugnante que, de toda forma, o referido crédito tributário constituído no Auto de Infração (R$ 149.160,27) seja incluído no parcelamento da Lei n° 11.941/09. Débito de R$87.237,81 PA 31/05/2009: esclarece a Impugnante que o valor em referência foi compensado por meio de PER/DCOMPs entregues em 11/2010, conforme tabela Fl. 662DF CARF MF Processo nº 13603.722504/201106 Acórdão n.º 3201004.173 S3C2T1 Fl. 662 11 abaixo, restando extinta a obrigação tributária em questão: (...)O entendimento da Impugnante pela possibilidade de compensação dos débitos em questão, á época, decorre da ausência de prosseguimento da ação fiscal após sucessivas prorrogações do Mandado de Procedimento Fiscal Diligência n° 01440/2010, sendo a última ocorrida em julho/2010, transcorrendo mais de 60 dias sem qualquer ato seguinte por parte da autoridade tributária.(...) B IPI não lançado Nota Fiscal sem destaque do imposto Em relação ao lançamento fundado na ausência de destaque do IPI nas Notas Fiscais, a Impugnante reiterou a informação quanto à adesão ao parcelamento excepcional previsto na Lei n° 11.941/2009 e, assim, a inclusão de todos os débitos vencidos até 30 de novembro de 2008, requerendo fosse consolidado o crédito tributário no valor de R$ 31.145,27 no referido parcelamento, com as reduções de multa e juros garantidas pela legislação respectiva. C IPI não lançado e não escriturado em livro fiscal (...)C.1. Débitos apurados nos períodos janeiro/2007, junho/2007, agosto/2007, maio/2008, outubro/2008 e novembro/2008. Os débitos em questão, por terem vencimento até 30 de novembro de 2008, devem ser consolidados no âmbito do parcelamento excepcional previsto na Lei n° 11.941/09.(...) Débito apurado no mês de maio/2008 Quanto ao débito do mês de maio/2008, no valor de R$ 25.690,86, constatase que a própria fiscalização apurou crédito na mesma competência, no valor de R$ 99.886.64, portanto, apurouse saldo credor de R$ 74.195.78 em favor da Impugnante, devendo ser desconstituído o crédito tributário em relação a esta competência. C.2. Débitos apurados nos períodos março/2007, abril/2007 e maio/2007 Em relação aos débitos apurados nas competências acima, a Impugnante apresentou as Notas Fiscais de Saída que comprovam que as operações consistiriam em "venda para entrega futura", estabelecendose uma correlação entre as notas fiscais de simples faturamento (CFOP 6.922) e as notas fiscais de saída (CFOP 6.116). É como relato. Passo ao voto. Após exame da Impugnação apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 IPI. FALTA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO DA DIFERENÇA INADIMPLIDA. Fl. 663DF CARF MF Processo nº 13603.722504/201106 Acórdão n.º 3201004.173 S3C2T1 Fl. 663 12 O não recolhimento do saldo devedor de IPI apurado pela reconstituição da escrita fiscal e não declarado em DCTF sujeita o contribuinte ao lançamento dos montantes inadimplidos, considerados os recolhimentos feitos a menor previamente ao início da ação fiscal como parcelas redutoras da exigência a ser formulada. IPI NÃO DESTACADO NA NOTAFISCAL. LANÇAMENTO EXOÍFICIO. Constatada pela fiscalização a saída de produtos tributados com emissão de notafiscal mas sem o destaque do imposto, o IPI deve ser exigido mediante lançamento de ofício. SOLICITAÇÃO DE INCLUSÃO DE DÉBITOS NO PARCELAMENTO ESPECIAL DE QUE TRATA A LEI Nº 11.941/2009. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido contestada pelo reclamante, tornandose definitiva na esfera administrativa. ESPONTANEIDADE. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal, por prazo superior a sessenta dias, permite a apresentação de Declaração de Compensação para quitar os débitos com a incidência de multa de mora. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado com a parcela do crédito tributário mantido, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este CARF, reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao parcelamento, e, no mérito, postulando pela exclusão do IPI relativo às Notas Fiscais de simples faturamento. Os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. Em primeiro exame esta Turma resolveu por converter o feito em diligência, conforme Resolução nº 3201000.887 de 27 de abril de 2017, nos seguintes termos: Desse modo, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que a Autoridade preparadora, relativamente às notas fiscais de saída das mercadorias (fls. 443/452, 456/458, 463 e 467) e às notas de simples faturamento (fls. 442, 455, 462 e 466), informe: (i) há a devida correlação entre mercadorias descritas e os adquirentes das mercadorias? Diante da informação de que não há identidade entre os destinatários, pedese indicar em planilha comparativa indicando os produtos descritos, datas de emissão, Fl. 664DF CARF MF Processo nº 13603.722504/201106 Acórdão n.º 3201004.173 S3C2T1 Fl. 664 13 destinatários indicados e CFOPs, além de qualquer outro dado tido por relevante. (ii) para as notas fiscais de simples faturamento, há a indicação de que estas foram emitidas nessa condição? (iii) para as notas de saída efetiva das mercadorias, houve o destaque do IPI devido? Houve o devido registro no Livro de Apuração do IPI e consequente inclusão na base de cálculo do imposto calculado? (iv) anexe novas cópias das Notas Fiscais A Diligência realizada demonstrou que: (i) para parte das Notas Fiscais de Simples Faturamento existe a devida correlação com as Notas Fiscais de Saída (apenas 1 delas não possuia); (ii) as "notas fiscais de simples faturamento estão claramente identificadas como referentes a operações dessa natureza"; (iii) "em todas as notas fiscais de vendas (6.116) examinadas ocorreu o destaque do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI)" e que o "valor correspondente ao IPI foi devidamente escriturado nos Livros de Registro de Saídas e consequentemente considerado quando da apuração dos saldos"; e, finalmente, que (iv) a contribuinte declarou não possuir os originais das Notas Fiscais, referenciando às cópias já anexadas quando da Diligência solicitada pela DRJ. Intimado do resultado da diligência, o contribuinte não se manifestou. Os autos, então, retornaram à minha relatoria para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo e dele tomo conhecimento. Preliminar Inicialmente, o Recorrente postula pela aplicação dos Princípios da Verdade Material e do Formalismo Moderado, sustentando que a improcedência parcial do seu pleito se deu por razões meramente formais. Tenho que os princípios em referência, caros ao procedimento administrativo fiscal, foram devidamente observados, seja pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, quanto por este CARF, por meio da determinação de diligências. Ainda que, em primeira instância, os argumentos do contribuinte não tenham sido acolhidos, foi efetuado o detalhado exame dos fatos e documentos relativos à apuração fiscal realizada. Fl. 665DF CARF MF Processo nº 13603.722504/201106 Acórdão n.º 3201004.173 S3C2T1 Fl. 665 14 Parcelamento Lei nº 11.941/2009 Quanto ao mérito, afirma o Recorrente que a DRJ deveria ter se manifestado quanto ao pedido de inclusão de parte dos débitos autuados no Parcelamento Especial instituído pela Lei nº 11.941/2009. A questão relativa ao parcelamento de parte dos débitos lançados no presente Auto de Infração foi objeto de diligência requerida pela DRJ. Conforme se verifica pelo relato dos fatos, a questão é complexa e controvertida. Isso porque, num primeiro momento, a questão foi examinada pela Seção de Acompanhamento e Controle Tributário (SACAT) da Delegacia da Receita Federal em Contagem, que, a despeito de se manifestar, em tese, pela procedência dos pedidos formulados, entendeu que estes dependiam de liquidação pela Fiscalização para sua efetiva implementação. Assim, os autos foram remetidos para a Seção de Fiscalização (SAFIS) daquela mesma DRF, que emitiu o Relatório de fls. 516/520. Nessa etapa, a Fiscalização considerou que as divergência apontadas pela SACAT não existiam e solicitou que fosse refeita a análise por aquele setor. Não obstante tal solicitação, não foi efetuada nova análise pela SACAT. Após a prestação de informações pela SAFIS, foi dada ciência da diligência ao contribuinte, que se manifestou às fls. 539/550 insistindo pela inclusão de parte dos débitos objeto do lançamento no parcelamento especial. Após, os autos foram remetidos à DRJ para julgamento. Alguns dos débitos indicados pelo Recorrente como parcelados foram excluídos do lançamento. Portanto, sobre estes não resta qualquer controvérsia a ser examinada nesta instância julgadora. Todavia, parte dos débitos foram mantidos: Item 2 B Em relação ao débito lançado de R$ 149.160,27, decorrente de recolhimento a menor de IPI, Item 2 B, o contribuinte alega que o valor "foi declarado em DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais", estando incluído no parcelamento especial de que trata a Lei 11.941/2009, "razão pela qual o contribuinte entende ser indevida a inclusão do crédito tributário no auto de infração ora impugnado". Neste ponto, a Seção de Acompanhamento e Controle Tributário SACAT da DRF Contagem/MG informa que o débito de R$149.160,27, PA 31/10/2009, foi declarado na DCTF retificadora entregue em 24/06/2010, isto é, posteriormente ao início da Ação Fiscal (Termo de Intimação 0110/2010 em 01/03/2010), razão pela qual perdeu a espontaneidade para declarar o IPI do período, devendo ser mantida a cobrança via lançamento de ofício, excluindose a cobrança do montante lançado em DCTF "por duplicidade com a observação DCTF após Auto de Infração", conforme despacho às fls. 484/490. Fl. 666DF CARF MF Processo nº 13603.722504/201106 Acórdão n.º 3201004.173 S3C2T1 Fl. 666 15 Dessa forma, não merece prosperar o argumento apresentado pelo impugnante. (...) Item 3 A Em relação aos débitos de IPI lançados em nota fiscal mas não escriturados, o contribuinte subdivide a impugnação em 2 partes, sendo que inicialmente solicita a inclusão do débito de R$ 81.270,38, referente às dívidas apuradas nos períodos de janeiro/2007, junho/2007, agosto/2007, maio/2008, outubro/2008 e novembro/2008, no parcelamento especial de que trata a Lei nº 11.941/2009. Dessa forma, o reclamante não contesta a exigência destes valores, solicitando a inclusão em parcelamento especial. Registrese que, apesar da manifestação da SACAT, tais débitos foram constituídos em procedimento de auditoria fiscal, com lançamento de ofício, razão pela qual devem obedecer os requisitos da Lei nº 11.941/2009 para apuração de eventuais reduções de multa e juros devidos. Portanto, aplicável à hipótese o artigo 17 do Decreto 70.235/72 (que rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União), que assim dispõe: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997”. Assim, é de se considerar definitiva, na esfera administrativa, referido lançamento, decorrente de débitos de IPI lançados em nota fiscal mas não escriturados, por se tratar de matéria não contestada. Por outro lado, o contribuinte questiona o débito de IPI referente a maio/2008 no valor de R$25.690,86, alegando que "não merece prosperar a cobrança, pois a douta fiscalização apurou no mesmo período créditos no valor de R$99.886,64". Neste ponto, devese esclarecer que o lançamento dos débitos de IPI no auto de infração decorreu da recomposição da escrita fiscal do contribuinte, ou seja, o montante cobrando encontrase calculado à fl. 11 do detalhamento do lançamento de ofício, documento em que se percebe o valor total de imposto exigido, R$404.334,59, inclusive sem cobrança relativa ao mês de maio/2008. Isto é, em que pesem os lançamentos a débito do imposto decorrentes do procedimento fiscal e inclusive com lançamento a crédito no montante de R$99.886,64 em maio/2008, estes não geram automaticamente a exigência tributária. O fato gerador do tributo decorre justamente do batimento mensal de débitos e créditos de IPI que, quando comparados aos Fl. 667DF CARF MF Processo nº 13603.722504/201106 Acórdão n.º 3201004.173 S3C2T1 Fl. 667 16 montantes escriturados e recolhidos pelo contribuinte, vão formar o quantum debeatur exigido no auto de infração. Portanto, não merece prosperar a alegação apontada pelo reclamante. Observase que, nas duas hipóteses, o que fez a DRJ foi apenas afirmar que inexistia lide a ser examinada em sede de contencioso administrativo. Ou seja, a Recorrente, em sua Impugnação, não contestou a validade dos lançamentos tributários, mas, apenas, informou sua inclusão no parcelamento. Logo, de fato, tratase de hipótese de aplicação do artigo 17 do Decreto 70.235/72. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte postula pelo afastamento de tal conclusão sob a alegação de que se tratam de questões unicamente formais ou procedimentais e defende que os débitos em questão preenchem todos os requisitos para serem incluídos no parcelamento e passa a questionar as conclusões apresentadas pela DRF de Contagem. Com a devida vênia às razões da Recorrente, é preciso chancelar que a regulamentação e o controle dos pedidos de parcelamento são de competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio dos seus órgãos de fiscalização. A DRJ, conquanto integrante da RFB, é órgão julgador e, este CARF, sequer é órgão integrante da RFB. Logo, falecemlhe competência para deferir ou mesmo indeferir qualquer pedido de inclusão de débitos tributários em parcelamentos especiais. Ademais, é de se ressaltar que a adesão ao parcelamento se deu posteriormente à lavratura do Auto de Infração. Ou seja, os débitos lançados não estavam constituídos no momento da lavratura, sendo, portanto, correto o procedimento do lançamento de ofício realizado. Em se confirmando a inclusão de tais débitos no parcelamento, estes serão retirados da presente autuação na condição de "baixados" e não na condição de "cancelados", já que, como dito, sua constituição se deu de forma legítima. Por fim, ainda nesse aspecto, não há falar em retroatividade benigna requerida pela Recorrente, uma vez que norma especial que prevê anistia não se enquadra em nenhuma hipótese prevista no art. 106 do CTN. A Lei nº 11.941/2009 não deixou de definir qualquer infração ou cominou penalidade menos severa. Tratase de norma excludente do crédito tributário na espécie de anistia. Assim, é de se indeferir o requerimento formulado pelo Recorrente quanto à exclusão, do lançamento, dos créditos tributários alegadamente incluídos em parcelamento. Não obstante, lhe é assegurado o seu questionamento junto aos órgãos competentes, ou seja, perante Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte ou o Comitê Gestor do referido parcelamento, nos termos da legislação aplicável. Mérito Quanto aos demais débitos, instaurouse efetivamente a lide tributária. Em sua Impugnação e também eu seu Recurso Voluntário, a Recorrente aduz que a cobrança de IPI levada a efeito pela Fiscalização corresponde a cobrança em duplicidade Fl. 668DF CARF MF Processo nº 13603.722504/201106 Acórdão n.º 3201004.173 S3C2T1 Fl. 668 17 do IPI, uma vez que se referem a Notas Fiscais para venda futura, cujo IPI foi destacado, posteriormente, quando do efetivo faturamento dessas vendas. Alega que o confronto entre as notas fiscais comprova o seu "espelhamento". Ou seja, que para cada Nota Fiscal cobrada pelo Fisco, existiria uma nota emitida posteriormente com exatamente os mesmos dados da primeira, mas com o destaque do IPI. Essa questão foi objeto de diligência realizada pela DRF de origem a requerimento da DRJ, nos seguintes termos: O contribuinte alega que as autuações lançadas no item “003 IPI Lançado e Não Escriturado Falta de Escrituração dos débitos” apurados nos períodos março/2007, abril/2007 e maio/2007, petição às fls. 380/389, com valores abaixo discriminados, são, em verdade, vendas para entrega futura, com a elaboração de notas fiscais de simples faturamento (fls. 442, 455, 462 e 466) e posterior destaque do IPI nas notas fiscais de saída das mercadorias (fls. 443/452, 456/458, 463 e 467). Entretanto, como a notas fiscais digitalizadas encontramse em difícil estado de leitura, não foi possível identificar indícios de que a impugnante tenha observados os requisitos legais, com disposição no Regulamento do IPI, em especial os citados no art. 310 do RIPI/1998, na alegada “venda para entrega futura”. Isto é, não foi possível identificar as referências das notas fiscais de saída das mercadorias (fls. 443/452, 456/458, 463 e 467) às notas de simples faturamento (fls. 442, 455, 462 e 466) para configuração do referido instituto. Não foi possível localizar, por exemplo, declaração do número da nota fiscal original nas notas fiscais de saída. Ademais, como informado pelo próprio contribuinte, os adquirentes lançados nas notas de simples fatura e de saída das mercadorias são pessoas jurídicas distintas. Assim, diante da impossibilidade de leitura das informações contidas nas notais fiscais citadas acima, propõese o retorno do presente processo para que a autoridade fiscal possa diligenciar e apurar a possibilidade de a operação descrita pelo contribuinte enquadrarse na hipótese legal de “venda para entrega futura”, com a observância dos requisitos previstos no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, em especial aqueles dispostos no art. 310 do Decreto nº 2.637/1998. A DRF de origem, após o cuidados exame dos documentos e informações existentes nos autos, apresentou a seguinte resposta: I Da Alegação de Venda Para Entrega Futura. (...)As notas fiscais apresentadas (2ª via fixaarquivo) estão legíveis, permitindose desse modo o perfeito exame das mesmas, cujas cópias anexamos ao presente. (...) No entanto, conforme já percebido pela autoridade julgadora, e agora confirmado pelo exame dos documentos apresentados, não Fl. 669DF CARF MF Processo nº 13603.722504/201106 Acórdão n.º 3201004.173 S3C2T1 Fl. 669 18 existe nas notas fiscais de saída quaisquer referências à nota fiscal de simples faturamento (número, série, data), do mesmo modo que confirmouse, conforme já exposto pela autoridade julgadora, que os destinatários das notas fiscais de simples faturamento e de saída são distintos. (...) Não restam dúvidas, portanto, de que a impugnante não cumpriu os requisitos legais fixados pelo art. 310, inciso VII e § 3º do Decreto nº 2.637, de 25/06/98 (RIPI/98), ratificada pelos artigos nº 333 do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/2002) e nº 407 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI/2010). (...) Observase, portanto, que a diligência realizada limitouse a verificar se as notas fiscais emitidas pela Recorrente na condição de venda para entrega futura preenchiam tais condições, nos Termos do RIPI. Não se nega, a rigor, a existência de normas acerca das obrigações acessórias a serem cumpridas pelos contribuinte, com reflexo direto na própria apuração do IPI. Não obstante, em sede de atividade de revisão de lançamento, tenho que devese perquirir além do cumprimento de tais obrigações acessórias, que, inclusive, podem ser objeto de penalização própria. É imprescindível a análise acerca da efetiva ocorrência do fato gerador de obrigação tributária, legitimando, assim, o lançamento, consoante princípios da legalidade e da verdade material. Por essa razão foi novamente solicitada diligência por esta Turma Julgadora com novos questionamentos relativamente às notas fiscais de saída das mercadorias (fls. 443/452, 456/458, 463 e 467) e às notas de simples faturamento (fls. 442, 455, 462 e 466), como se passa a expor, indicando o quesito e resposta da Autoridade Lançadora (fls. 630/). (i) há a devida correlação entre mercadorias descritas e os adquirentes das mercadorias? Diante da informação de que não há identidade entre os destinatários, pedese indicar em planilha comparativa indicando os produtos descritos, datas de emissão, destinatários indicados e CFOPs, além de qualquer outro dado tido por relevante. Item I : Solicitouse a elaboração de planilha na qual sejam claramente identificados elementos tidos por relevantes e que permitam estabelecer correlações entre as notas fiscais de simples faturamento (6.922) e as de vendas (6.116). O exame dos documentos permite fixar as correlações indicadas na tabela abaixo, na qual identificamos as notas fiscais de simples faturamento (6.922) e as correspondentes notas fiscais de vendas (6.116) : (vide quadro de fl. 632) Continuando com nossa análise, identificamos em cada nota fiscal aquelas saídas de produtos que deram razão ao lançamento impugnado. Fl. 670DF CARF MF Processo nº 13603.722504/201106 Acórdão n.º 3201004.173 S3C2T1 Fl. 670 19 É importante ressaltar que estão sendo examinadas as correlações existentes entre as notas fiscais no que diz respeito aos produtos que deram origem ao lançamento da infração “003 – IPI Lançado e Não Escriturado – Falta de Escrituração dos Débitos” apurada para os meses de março/2007, abril/2007 e maio/2007 nos valores de R$ 51.561,60; R$ 33.585,84; R$ 22.865,64. Tal explicação se faz necessária uma vez que se perceberá que não foram relacionados nos demonstrativos a seguir examinados todos os produtos constantes das notas fiscais de simples faturamento (6.922) ou de vendas (6.116), mas tão somente aqueles que foram objeto da infração acima mencionada. I.a) A análise iniciase com a nota fiscal de simples faturamento nº 001519 e aquelas indicadas pelo contribuinte em sua impugnação como sendo as correspondentes notas fiscais de vendas (nº 001545, 001576, 001634, 001642, 001656, 001673, 001718, 001765), cujo exame conjunto permite aferir a perfeita identidade dos produtos, quantidades e valores. Desse modo, verificase que para cada uma das 800 unidades dos produtos constantes da nota fiscal nº 001519 existe uma correspondente nota fiscal de saída (venda) com a mesma descrição do produto e valor unitário, todas emitidas em datas posteriores à da nota fiscal nº 001519. Salientese, contudo, e conforme já demonstrado quando da diligência solicitada pela DRJ Juiz de Fora/MG, que não existe nas notas fiscais de saída quaisquer referências à nota fiscal de simples faturamento (número, série, data), do mesmo modo que confirmamos mais uma vez que os destinatários das notas fiscais de simples faturamento (Daimler Chrysler Leasing e Arrendamento Mercantil S.A. – 00.162.760/000103) e de saída (Sambaiba Transportes Urbanos Ltda –01.751.967/000178) são pessoas jurídicas distintas. Forçoso é reconhecer, contudo, que no campo de “dados adicionais” da nota fiscal nº 001519 consta a identificação da empresa que viria a ser a destinatária das notas fiscais de venda (Sambaiba Transportes Urbanos Ltda). Nos quadros abaixo estão discriminados os produtos, quantitativos, valores e valor do IPI destacado em cada nota fiscal examinada. (vide quadros de fl. 633/635) I.b) Analisaremos agora as correlações entre a nota fiscal de simples faturamento nº 001654 e aquelas indicadas pelo contribuinte em sua impugnação como sendo as correspondentes notas fiscais de vendas (nº 001796 e 001822) cujo exame em conjunto permite mais uma vez aferir a perfeita identidade dos produtos, quantidades e valores. Desse modo, novamente verificamos que para cada uma das 542 unidades dos produtos objeto do presente exame (Terminal de Fl. 671DF CARF MF Processo nº 13603.722504/201106 Acórdão n.º 3201004.173 S3C2T1 Fl. 671 20 Dados TD 40, Bateria de Backup, Cx. Proteção AVL+Bateria) e constantes da nota fiscal nº 001654 existe uma correspondente nota fiscal de saída (venda) com a mesma descrição do produto e valor unitário, todas emitidas em datas posteriores à da nota fiscal nº 001654. Salientese, contudo, e conforme já demonstrado quando da diligência solicitada pela DRJ Juiz de Fora/MG, que não existe nas notas fiscais de saída quaisquer referências à nota fiscal de simples faturamento (número, série, data), do mesmo modo que confirmamos mais uma vez que os destinatários das notas fiscais de simples faturamento (Bradesco Leasing S.A. Arrendamento Mercantil – 47.509.120/000182) e de saída (Viação Cidade Dutra Ltda – 02.320.010/000130) são pessoas jurídicas distintas. No entanto, devemos mais uma vez reconhecer que no campo de “dados adicionais” da nota fiscal nº 001654 consta a identificação da empresa que viria a ser a destinatária das notas fiscais de venda (Viação Cidade Dutra Ltda). (vide quadros de fl. 635/636) I.c) O exame das correlações entre a nota fiscal de simples faturamento nº 001774 e indicada pelo contribuinte em sua impugnação tendo como correspondente a nota fiscal de venda nº 002038 permite mais uma vez aferir a perfeita identidade dos produtos, quantidades e valores. Mais uma vez verificamos que para cada uma das 188 unidades dos produtos objeto do presente exame (Terminal de Dados TD 40, Bateria de Backup, Cx. Proteção AVL+Bateria) e constantes da nota fiscal nº 001774 existe a correspondente nota fiscal de saída nº 2038 (venda) com a mesma descrição de produtos e valores unitários, emitida em data posterior à da nota fiscal nº 001774. Salientese, contudo, e conforme já demonstrado quando da diligência solicitada pela DRJ Juiz de Fora/MG, que não existe na nota fiscal de saída quaisquer referências à nota fiscal de simples faturamento (número, série, data), do mesmo modo que confirmamos mais uma vez que os destinatários da nota fiscal de simples faturamento (Bradesco Leasing S.A. Arrendamento Mercantil – 47.509.120/000182) e de saída (Viação Gato Preto Ltda – 60.870.847/000159) são pessoas jurídicas distintas. Salientese, contudo, que no campo de “dados adicionais” da nota fiscal nº 001774 consta a identificação da empresa que viria a ser a destinatária das notas fiscais de venda (Viação Gato Preto Ltda). Os demonstrativos abaixo mais uma vez explicitarão o que foi dito até o momento na presente diligência fiscal. (vide quadros de fl. 637) I.d) Por fim chegamos ao exame da nota fiscal de simples faturamento nº 001773 e sua correspondente nota fiscal de venda nº 2.037, que requerem explicações adicionais. Fl. 672DF CARF MF Processo nº 13603.722504/201106 Acórdão n.º 3201004.173 S3C2T1 Fl. 672 21 Conforme mencionado anteriormente, quando tratamos do Termo de Intimação Fiscal nº 001/2018, foi solicitado ao contribuinte que apresentasse documentos e/ou esclarecimentos relacionados às referidas notas fiscais. Tais esclarecimentos decorrem do fato de que ao contrário do que até agora foi exposto, não foram indicadas pelo contribuinte em sua impugnação quais as notas fiscais de venda que acobertariam a saída da totalidade dos produtos sob exame (Terminal de Dados TD 40, Bateria de Backup, Cx. Proteção AVL+Bateria). Desse modo, e conforme demonstraremos abaixo, foram identificadas saídas totais (vendas) de apenas 31 unidades de cada um dos produtos mencionados acima (nf nº 002037), enquanto na nota fiscal de simples faturamento (nf nº 001773) constam 181 unidades. Assim foi o contribuinte intimado a esclarecer e comprovar a eventual saída das demais 150 unidades. Contudo a impugnante apenas informou em resposta que “... não possui os documentos, ...”, cópia anexa. Assim, dando continuidade ao exame das correlações entre a nota fiscal de simples faturamento nº 001773 e aquela indicada pelo contribuinte em sua impugnação como correspondente, isto é, a nota fiscal de venda nº 002037, concluímos pela perfeita identidade dos produtos e valores, salientandose a já explicada divergência de quantidades. Assim, e ao contrário do ocorrido com as notas fiscais até então examinadas verificamos que para as 181 unidades dos produtos objeto do presente exame (Terminal de Dados TD 40, Bateria de Backup, Cx. Proteção AVL+Bateria) e constantes da nota fiscal nº 001773 existe a correspondente nota fiscal de saída nº 2037 (venda) com a mesma descrição de produtos e valores unitários, emitida em data posterior à da nota fiscal nº 001773, sem que contudo tal correspondência alcance os quantitativos. Esclareçase mais uma vez que não existe na nota fiscal de saída quaisquer referências à nota fiscal de simples faturamento (número, série, data), do mesmo modo que confirmamos mais uma vez que os destinatários da nota fiscal de simples faturamento (Bradesco Leasing S.A. Arrendamento Mercantil – 47.509.120/000182) e de saída (Viação Gato Preto Ltda – 60.870.847/000159) são pessoas jurídicas distintas. Salientese, contudo, que no campo de “dados adicionais” da nota fiscal nº 001773 consta a identificação da empresa que viria a ser a destinatária das notas fiscais de venda (Viação Gato Preto Ltda). Os demonstrativos abaixo mais uma vez explicitarão o que foi dito até o momento na presente diligência fiscal. (vide quadros de fl. 638) Fl. 673DF CARF MF Processo nº 13603.722504/201106 Acórdão n.º 3201004.173 S3C2T1 Fl. 673 22 Logo, no que diz respeito à comprovação de que as saídas realizadas a título de simples faturamento possuem efetiva correspondência com notas fiscais de venda posteriormente emitidas, restou comprovada a alegação do contribuinte, exceto no que diz respeito à nota fiscal de simples faturamento nº 001773. Para esta, não restou comprovada a venda da totalidade dos bens informados. Não obstante, reafirma a Fiscalização que as respectivas notas fiscais de venda não possuem "quaisquer referências à nota fiscal de simples faturamento (número, série, data)" e que os destinatários da nota fiscal de simples faturamento e de são pessoas jurídicas distintas. Neste aspecto, contudo, ressalta a autoridade fiscal que nos campos de “dados adicionais” das notas fiscais de faturamento constam a identificação da empresa que viria a ser a destinatária das notas fiscais de venda que, em todos os caso, é a mesma PJ que consta na NF de venda. (ii) para as notas fiscais de simples faturamento, há a indicação de que estas foram emitidas nessa condição? Sim, as notas fiscais de simples faturamento estão claramente identificadas como referentes a operações dessa natureza, conforme quadro abaixo : 6.922 – Lançamento efetuado a título de simples faturamento, decorrente de venda para entrega futura. Em tal quesito, portanto, comprovouse que, embora a Recorrente tenha descumprido o dever instrumental de informar, nas notas fiscais de venda quaisquer referências às notas fiscais de simples faturamento (número, série, data), como explicitado no item 'i', as Notas Fiscais de Simples Faturamento foram devidamente identificadas como tal. (iii) para as notas de saída efetiva das mercadorias, houve o destaque do IPI devido? Houve o devido registro no Livro de Apuração do IPI e consequente inclusão na base de cálculo do imposto calculado? Sim, em todas as notas fiscais de vendas (6.116) examinadas ocorreu o destaque do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). O valor correspondente ao IPI foi devidamente escriturado nos Livros de Registro de Saídas e consequentemente considerado quando da apuração dos saldos credores ou devedores em cada período de apuração no Livro de Registro de Apuração do IPI. Fl. 674DF CARF MF Processo nº 13603.722504/201106 Acórdão n.º 3201004.173 S3C2T1 Fl. 674 23 A resposta demonstra que o IPI devido pela Recorrente foi devidamente lançado no seu livro de apuração, portanto, que não houve ausência de recolhimento do IPI em virtude do descumprimento do dever instrumental de informar, nas notas fiscais de venda, a respectiva nota fiscal de simples faturamento. (iv) anexe novas cópias das Notas Fiscais Para atendimento ao presente item foram solicitadas ao contribuinte novas cópias das Notas Fiscais, conforme Termo de Intimação Fiscal nº 001/2018. Em resposta a impugnante esclareceu não possuir tais documentos. A despeito disso acreditamos que as cópias anexadas ao processo quando da realização de diligência anteriormente determinada pela DRJ Juiz de Fora/MG, e autenticadas pela auditoria à época, estão suficientemente legíveis para amparar as conclusões da presente diligência. Nesse aspecto, é preciso destacar que, não obstante existam cópias das Notas Fiscais digitalizadas no presente feito juntamente com a primeira diligência solicitada ainda pela DRJ, esta digitalização não se faz legível. Não obstante, considerando que na primeira diligência a Fiscalização teve acesso às cópias físicas (antes da digitalização ao eprocesso) e as considerou suficientemente legíveis para realizar a diligência solicitada, superase tal aspecto. Pois bem. Como se depreende da diligência realizada, a única questão que permanece controvertida nos autos é: Quando da emissão das Notas Fiscais de Venda a Recorrente não informou quaisquer dados relativos às respectivas Notas Fiscais de Simples Faturamento. Tal omissão configura o descumprimento do art. art. 310, inciso VII e §3º, do Decreto nº2.637, de 25/06/98, RIPI/98, ratificada pelos artigos nº 333 do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/2002) e nº 407 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI/2010), verbis: Art. 310. A Nota Fiscal, modelos 1 ou 1A, será emitida (...) VI na saída de produto cuja unidade não possa ser transportada de uma só vez, quando o imposto incida sobre o todo VII nas vendas à ordem ou para entrega futura do produto, quando houver, desde logo, cobrança do imposto; (...) § 2º No caso do inciso VI do caput, cumpre ao vendedor do produto observar as seguintes normas: Fl. 675DF CARF MF Processo nº 13603.722504/201106 Acórdão n.º 3201004.173 S3C2T1 Fl. 675 24 I a nota fiscal será emitida pelo valor da operação correspondente ao todo, com destaque do imposto e com a declaração de que a remessa, da unidade, será feita em peças ou partes; II a cada remessa corresponderá nova nota fiscal, com indicação do número, série, se houver, e data da nota inicial, e sem destaque do imposto, ressalvadas, quanto ao destaque, § 3º Na hipótese do inciso VII do o vendedor emitirá, por ocasião da efetiva saída do produto, nova nota fiscal: (...) III com declaração do número, série, se houver, e data da nota fiscal originaria, bem assim da nota fiscal expedida pelo comprador ao destinatário da mercadoria, se este não for o próprio comprador, assim como do imposto destacado nessas notas fiscais. Não se nega que tal dispositivo não tenha sido adequadamente cumprido pelo Recorrente. Contudo, como venho ressaltando desde o requerimento da diligência solicitada, em sede de atividade de revisão de lançamento, devese perquirir além do cumprimento de tais obrigações acessórias, que, inclusive, podem ser objeto de penalização própria. É imprescindível a análise acerca da efetiva ocorrência do fato gerador de obrigação tributária, legitimando, assim, o lançamento, consoante princípios da legalidade e da verdade material. E, na hipótese dos autos, restou comprovado que o fato gerador da obrigação tributária foi corretamente preservado e o tributo correspondente devidamente apurado. E é preciso assinalar, ainda, que a efetiva apuração do tributo vem sendo demonstrada pelo contribuinte desde a apresentação de sua Impugnação ao lançamento. A diligência realizada, portanto, apenas fez chancelar a alegação de defesa do contribuinte e comprovar que a alegação de ausência de recolhimento do imposto é improcedente. Logo, a omissão incorrida pelo Recorrente em suas Notas Fiscais de Venda seria capaz de atrair apenas eventual penalização por descumprimento de obrigação acessória, mas, jamais, poderia ser utilizada como critério de apuração de fato gerador do tributo, notadamente quando resta devidamente comprovado como na presente hipótese que o tributo devido foi regularmente apurado. Diante do exposto, voto por dar PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para excluir do lançamento aqueles valores correspondentes ao IPI constante das Notas Fiscais de Simples Faturamento com efetiva correspondência em Notas Fiscais de Saída, nos termos da diligência realizada pela Autoridade Preparadora. Para a nota fiscal de simples faturamento nº 001773, deverão ser excluídos apenas os valores cuja saída foi devidamente comprovada. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 676DF CARF MF Processo nº 13603.722504/201106 Acórdão n.º 3201004.173 S3C2T1 Fl. 676 25 Fl. 677DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.722372/2014-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2402-000.672
Decisão: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para a adoção das providências mencionadas no voto do relator.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Mario Pereira de Pinho Filho (Presidente).
Relatório
Cuida-se de Recurso Voluntário de fls. xxx, voltado contra decisão de fls. xxxx, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário dos DEBCADs nºs: 51.056.495-0, 51.056.496-8, 51.056.497-6, 51.056.498-4, 51.056.499-2, 51.056.500-0 e 51.056.501-8.
Eis o relatório da decisão recorrida:
DAS AUTUAÇÕES Tratam-se lançamentos de contribuições sociais, constantes dos Autos de Infração abaixo relacionados, elaborados com base nos mesmos elementos de prova:
Fundamentos dos lançamentos fiscais Consoante o Relatório Fiscal (fls. 79-93), seus anexos e demais elementos constantes dos autos, depreende-se que:
1. Trata-se de procedimento fiscal instaurado em face do contribuinte em epígrafe objetivando verificar o cumprimento das obrigações previdenciárias e para outras Entidades e Fundos.
2. Da análise das notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela empresa JAURU, no período de 01/2010 a 12/2012, constatou-se que foram prestados serviços para diversas empresas (conforme Demonstrativo do Anexo 1, que contém as notas fiscais emitidas, as datas, os valores e os tomadores dos serviços), todavia, a empresa deixou de elaborar folhas de pagamento distintas por obra de construção civil e por tomador de serviços, alocando indistintamente, em folhas de pagamentos mensais únicas, todos os segurados a seu serviço. Pelo descumprimento desta obrigação acessória foi lavrado o Auto de Infração 51.056.501-8 (CFL 86).
3. Foi verificada a contabilização dos custos incorridos com a mão-de-obra aplicada na execução dos serviços contratados em contas únicas: 2101020001 salários a pagar; 2101020004 - rescisões a pagar; 2101020006 - 13º salário a pagar; 2101020008 férias a pagar; 2101030001 INSS a recolher. A Autoridade lançadora explicita que por determinação legal caberia a empresa fiscalizada, na condição de prestadora de serviços, lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Os registros deveriam ser feitos em contas individualizadas e por tomador de serviços, o que não ocorreu. Esta ensejou a lavratura do Auto de Infração 51.056.500-0 (CFL 34).
4. Considerando que a empresa apresentou mais de uma GFIP em cada competência, a GFIP processada e indicada nos sistemas da RFB na condição de exportada foi considerada válida para todos os fins, cujos dados foram utilizados pela auditoria fiscal (item 3.4.1.1 do REFISC).
5. Além do expressivo número de GFIP´s retificadoras, a empresa também apresentou, para as mesmas competências, GFIP´s nos códigos FPAS 507 e 515, todavia, a atividade preponderante da empresa (CNAE 42.12.0.00 construção de obras de arte especiais), está enquadrada no código FPAS 507. Em que pese a utilização de códigos FPAS diferentes, as alíquotas aplicadas sobre as bases de cálculo (total das remunerações dos segurados empregados), são as mesmas para ambos os códigos FPAS (5,8%), ou seja, os valores declarados como devidos aos terceiros não se alteram. Diante disso, para fins comparativos entre os valores devidos e os declarados e, apenas para este fim, foram consideradas todas as GFIP´s válidas em ambos os códigos FPAS, em cada competência.
6. O Demonstrativo constante do Anexo 2 do REFISC contém os valores declarados nas GFIP(s) nos códigos FPAS 507 e 515, totalizados mês a mês (remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais; contribuições descontadas destes mesmos segurados e pagamentos feitos pela empresa a título de salário-maternidade e salário-família).
Os valores declarados nas GFIP (s), em cada FPAS, constam do Demonstrativo do Anexo 3 do REFISC.
7. Com base nos valores declarados na GFIP, a fiscalização elaborou um demonstrativo contendo todos os valores compensados em GFIP e os recolhimentos efetuados no CNPJ da empresa Jauru (GPS código 2100 e 2119), dados e valores constantes do anexo 4 e em resumo no anexo 5, reproduzido no item 3.4.3 do REFISC.
8. Conciliados os valores devidos, declarados nas GFIP válidas, e os valores efetivamente recolhidos e compensados em GFIP (GPS código 2100 e 2119), a fiscalização apurou sobras de recolhimento/compensação em algumas competências, conforme demonstrativo do Anexo 6, reproduzido, também, no item 3.4.3.1 do REFISC. Eventuais valores declarados na GFIP e não recolhidos pela empresa não foram objeto da auditoria fiscal, uma vez que se sujeitam a cobrança automática pelos sistemas informatizados da RFB, através da emissão de intimações para pagamento (IP) e/ou débito confessado em GFIP (DCG)
encaminhadas diretamente ao contribuinte.
9. Conciliados os valores extraídos das folhas de pagamento mensais apresentadas pela empresa em arquivos devidamente autenticados, com a somatória dos valores declarados nas GFIP(s) código FPAS 507 e 515, apurou-se os valores não declarados na GFIPs válidas, que constam no Demonstrativo Anexo 8, e reproduzido no item 3.4.4.1 do REFISC. Os valores não declarados pela empresa constam do levantamento DF DIF VALORES FOPAG X GFIP, e os créditos tributários devidos foram constituídos nos AI DEBCAD nº(s) 51.056.495-0 E 51.056.497-6 9.1 As sobras de recolhimento/compensação, foram considerados como créditos da empresa e utilizados como dedução dos valores apurados.
10. No AI DEBCAD nº 51.056.498-4, foram constituídos os valores compensados/abatidos a maior levantamento GL, verificados na conciliação entre os valores efetivamente destacados nas NFS a título de retenção de 11% (Lei nº 9.711/98) e os valores compensados/abatidos em GFIP (s).
12. Conforme detalhado nos itens 3.5.2 do REFISC, restou verificada a simulação de valores declarados nas GFIPs a título de compensação das retenções e que a Autuada atribuiu às compensações o valor exato e suficiente para inibir o sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal de apurar créditos contra a mesma, restando demonstrada a falsidade de declaração relativamente à compensação, em GFIP das competências 03/2010, 05/2010, 02/2011, 05/2011, 01 a 12/2012, e ensejando a aplicação da multa isolada de ofício de 150%, incidente sobre os valores compensados a maior, conforme previsão contida no art. 89, parágrafo 10º, da Lei nº8.212, de 1991, constituída através do Auto de Infração 51.056.499-2 (código de levantamento FA compensação com falsidade).
13. No decorrer da auditoria fiscal foram examinados, entre outros, os seguintes documentos: GFIPs, contratos de prestação de serviços, notas fiscais de prestação de serviços e os livros Razão e Diário, relativos aos exercícios de 2010 a 2012. Os livros Diário foram apresentados em meio digital no formato MANAD. Os códigos de identificação dos arquivos constam dos Recibos de Entrega de Arquivos Digitais anexados aos respectivos processos de débito.
14. Os fatos acima relatados configuram, em tese, crime contra a ordem tributária, crime de sonegação de contribuição previdenciária e de apropriação indébita, em face do que, foi encaminhada Representação Fiscal para Fins Penais ao Ministério Público Federal, para eventual propositura de ação penal.
15. A fim de demonstrar os fatos geradores, a fiscalização anexou aos autos os seguintes anexos:
v Anexo 01 Demonstrativo das notas fiscais de prestação de serviços v Anexo 2 Demonstrativo dos valores declarados em GFIP - Resumo v Anexo 3 Demonstrativo dos valores devidos declarados em GFIP v Anexo 4 Demonstrativo dos valores recolhidos por tipo de GPS v Anexo 5 Resumo do total recolhido por competência e por código GPS v Anexo 6 Demonstrativo dos valores recolhidos, dos valores devidos declarados em GFIP e das sobras de recolhimento v Anexo 7 Demonstrativo dos valores declarados em GFIP Código FPAS 507 e 515 v Anexo 8 Demonstrativo dos valores não declarados em GFIP e lançados nos Autos de Infração v Anexo 9 Demonstrativo dos valores compensados/abatidos em GFIP.
IMPUGNAÇÃO Cientificado pessoalmente das autuações em 06/08/2014, o contribuinte apresentou impugnação às fls. 330-361, com juntada de documentos (fls. 62-430).
Nas considerações preliminares, apresenta um breve relato sobre as autuações em epígrafe. Na seqüência, apresenta suas razões de impugnação.
Preliminares 1. Nulidade Dos Autos De Infração Face À Extinção Do Mandado De Procedimento Fiscal Por Decurso Do Prazo Caducidade Condição Resolutiva Extintiva Com fundamento no art. 11 da Portaria nº 3.014, de 29.06.2011, aduz que a prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) contém vícios insanáveis que o tornam nulo.
Relata que o Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização nº 09.1.01.00-2014-00161-0, datado de 25 de fevereiro de 2013, deveria ser executado até o dia 25 de junho de 2014, e que a prorrogação, na data de 18 de julho de 2014, ocorreu quando o MPF já se encontrava extinto, consoante o art. 14, incisos I e II, da Portaria antes citada.
Defende que a autoridade responsável poderia ter emitido novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal, consoante estabelecido pelo art. 15 da Portaria nº 3.014/2011, todavia, não se valeu dessa prerrogativa legal, verificando-se a caducidade do MPF, condição resolutiva extintiva, que deve ser reconhecida independentemente da argüição do interessado, em observância aos princípios insculpidos no art. 37 da Constituição Federal.
Argumenta, também, que em nenhum momento restaram constatadas condições que autorizariam a prorrogação do MPF, ou seja, a motivação do ato administrativo, consoante requer o art. 50, da Lei nº 9.784/99.
III Síntese Da Autuação Nulidade Das Autuações Improcedência Das Infrações Pagamento Dupla Incidência De Cobrança E De Penalidades Para Os Mesmos Fatos Geradores Infração Única Absorção Da Pena De Maior Gravidade Pela De Menor Gravidade Revisão Dos Valores E Sanções Relata que a autoridade lançadora lavrou sete (07) autos de infração, todavia, as autuações se mostram equivocadas em grande parte, conforme analise individual das infrações.
IV AI 51.056.495-0 Extinção Do Crédito Tributário Pagamento Excesso De Cobrança Argumenta que aderiu ao parcelamento dos débitos recolhidos a menor, quanto ao montante das obrigações previdenciárias definidas nos arts. 22, incisos I, II e III, da Lei nº 8.212, de 1991, e alterações posteriores (contribuições patronais e para o SAT/RAT),
objetos da referida autuação, conforme se comprova pelo Extrato de Situação Fiscal, Recibo de Pedido de Parcelamento da Lei nº 12.996, de 18 de junho de 2014, todos emitidos pela Receita Federal do Brasil e o DARF no valor de R$ 1.972.246,06.
Diante, disso, o crédito encontra-se com a exigibilidade suspensa (art. 151, VI do CTN).
V AI 51.056.496-8 Extinção Do Crédito Tributário - Pagamento Informa que também como se comprova pelo Extrato de Situação Fiscal, Recibo de Parcelamento da Lei nº 12.996, de 18 de junho de 2014, e o DARF no valor de R$ 2.046.549,38, a impugnante aderiu ao programa de recuperação fiscal, na forma da Lei nº 12.996, de 2014, recolhendo integralmente o montante devido nesta rubrica.
Diante disso, está extinto o crédito tributário, fulcro no art. 156, I, do Código Tributário Nacional, e, ainda, que não houve qualquer má-fé da impugnante no lançamento das contribuições devidas, tanto que, logo que intimada, procedeu ao pagamento, tal como comprova a documentação que apresenta.
VI AI 51.056.497-6 Extinção Do Crédito Tributário Pagamento Informa que como se comprova pelo Extrato de Situação Fiscal, Recibo de Parcelamento da Lei nº 12.996, de 18 de junho de 2014, e o DARF no valor de R$ 1.652.735,46, a impugnante aderiu ao programa de recuperação fiscal, na forma da Lei nº 12.996, de 2014, recolhendo integralmente o montante devido nesta rubrica.
Diante disso, está extinto o crédito tributário, fulcro no art. 156, I, do Código Tributário Nacional, e que não houve má-fé da impugnante no lançamento das contribuições devidas, tanto que logo intimada para o seu pagamento assim procedeu, tal como comprova a documentação que apresenta.
VIII - AI 51.056.498-4 Glosa De Compensações Ausência De Má Fé Impossibilidade De Cobrança Bis In Idem Alega que mostra-se equivocada a conclusão da autoridade lançadora, de que a impugnante teria agido com simulação em suas declarações prestadas nas GFIP(s),
quando apontou os valores declinados a título de compensação de retenções efetuadas pelos tomadores de serviços.
Justifica que não houve simulação nos lançamentos efetuados, mas sim mero erro dos responsáveis administrativos quanto ao uso e lançamento dessas informações.
Explica que é praxe na sua atividade que os valores devidos por seus tomadores de serviços sejam aferidos por medições, ou seja, periodicamente é acompanhada a evolução da obra e/ou dos serviços contratados, e quando é atingido um objetivo, descrito nessas medições, o tomador efetua o pagamento dos valores à impugnante.
Antes da emissão da nota fiscal, são encaminhadas medições tanto para o contratante quanto para a contratada, e havendo aprovação destas, há emissão da nota fiscal e o pagamento pelos serviços prestados.
Ocorre que em alguns períodos, dentre estes os relacionados no quadro apresentado pela Autoridade Fiscal, as medições, acompanhadas do relatório gerencial, foram encaminhadas tanto ao departamento de recursos humanos como ao departamento financeiro, sendo que o primeiro não recebeu as notas fiscais, a fim de fazer o comparativo entre os valores efetivamente retidos e aqueles constantes nos relatórios gerenciais, equivocadamente adotados pelo RH.
Assim, não houve dolo o má-fé ao prestar informações equivocadas.
Diz, ainda, que não é somente a Nota Fiscal que é admitida como prova da retenção para fins de compensação, contemplando outros mecanismos como o recibo ou mesmo a fatura, e que não se pode impingir sanção gravosa sem um mínimo de prova de que a conduta do agentes se fez livre e conscientemente com um propósito ilícito.
No caso, a empresa disponibilizou toda a documentação exigida pela autoridade fiscal, prova de que não tinha nada a esconder.
Acrescenta, quanto aos valores apontados no AI DEBCAD nº 51.056.498- 4, que há duplicidade de cobrança em relação ao AI DEBCAD nº 51.056.495-0, porquanto:
Nos valores apurados no AI 51.056.495-0, quanto à contribuição social e para o amparo dos segurados, a Autoridade Fiscal efetuou toda a apuração embasada na folha de pagamento efetiva da Impugnante, desconsiderando os abatimentos equivocados e decorrentes das retenções glosadas, que supostamente não teriam sido realizadas pelos tomadores dos serviços.
Assim, não poderia posteriormente a Autoridade Fiscal realizar novo cálculo, apenas para aferir os valores indicados como retidos e utilizados para a compensação, pois isto caracteriza nova incidência de contribuição, sobre os valores já apurados anteriormente.
As planilhas indicadas como anexos aos autos de infração, pela Autoridade Fiscal, retratam exatamente isto, sendo vedado no ordenamento jurídico brasileiro a cobrança dúplice de contribuições, impostos, e tributos em geral.
A fim de demonstrar esses fatos, elaborou os anexos III a V, em face do que aponta os seguintes valores:
Assevera que como facilmente se observa está havendo a exigência dúplice pela Autoridade Fiscal, notadamente pelo fato de inicialmente se apurar as contribuições baseado na folha de pagamento, abatendo os valores retidos nas notas fiscais de forma física e, posteriormente, fazer incidir a glosa sobre os valores lançados em GFIP como retidos, esta pretende também constituir o crédito tributário em valores dispostos a maior, o que não pode ser admitido.
VIII - AI 51.056.499-2 Multa Isolada Ausência De Dolo Ou Má-Fé Cumulação De Multa De Ofício E Multa Isolada Configuração De Bis In Idem Impossibilidade De Imposição Afirma que a multa isolada aplicada de forma qualificada é absolutamente inexigível, pois não houve dolo ou má-fé na ação da Impugnante quanto às informações prestadas em GFIP.
Diz que consoante posicionamento do CARF, não há que se falar em imposição de multa de ofício com multa isolada, sendo nulo o presente AI. Além disso, como já defendido, o que ocorreu foi uma falha na prestação das informações, mas não dolo objetivando lesar os cofres públicos. Menciona que o anexo VII à impugnação traz alguns exemplos desses equívocos, onde são reproduzidos alguns relatórios gerenciais lançados pelo departamento financeiro e destinados ao departamento de recursos humanos que não se concretizaram imediatamente ou se concretizaram com alguma alteração. Com base nesses relatórios, o departamento de recursos humanos, de modo equivocado, fundamentou as informações prestadas em GFIP, e até por conta disso ocorreram inúmeras retificações na GFIP.
Anota que tanto o art. 74 da Lei nº 4.502/64 quanto o art. 18 e § 2o da Lei nº 10.833/2003, art. 89, §10, da Lei n.° 8.212/1996, e 44, §1o, da Lei n.° 9.430/1996, exigem expressamente a presença de dolo e comprovação de falsidade da declaração, ou seja, "que aflore com tal clareza que não se possam suscitar dúvidas acerca da má fé nos atos praticados, com o inequívoco propósito de violar a lei. Inexistindo fraude, conforme definido no art. 72 da Lei nº 4.502, de 64, é incabível a aplicação da multa qualificada pelo parágrafo 10 do art, 82 da Lei nº 8.212, de 1991.
Para reforçar seu entendimento, cita doutrina e jurisprudência administrativa do CARF.
IX AI 51.056.500-0 Multa Obrigação Acessória Cumulação De Multas Configuração De Bis In Idem Impossibilidade De Imposição Alega que se impõe a nulidade do AI, porque o Fisco previdenciário, ao aplicar a multa de R$ 18.128,43 em face da suposta ausência de lançamentos adequados nos títulos da contabilidade da impugnante, relativos às contribuições previdenciárias, não observou que a infração cometida é única, de natureza continuada, o que resulta na aplicação de uma única multa, fixada de acordo com a gravidade da transgressão.
Outrossim, em atenção ao princípio da eventualidade, requer a redução da multa aplicada ao mínimo legal (R$ 6.361,73), porque não houve esclarecimentos e justificação para a aplicação da multa em critério diverso.
A simples indicação genérica de dispositivos legais complexos não atente ao primado da motivação, exigindo-se a demonstração clara de como se chegou ao montante da multa expresso no AI.
Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema.
X AI 51.056.501-8 Multa Obrigação Acessória Cumulação De Multas Configuração De Bis In Idem Impossibilidade De Imposição Argui que os mesmos vícios apontados em relação ao AI DEBCAD nº 51.056.500-0 estão contemplados no AI nº 51.056.501-8, relativo a suposta infração ao artigo 92 e 102 da Lei nº 8.212, de 1991 e 283, caput e parágrafo 3º, do art. 373 do RPS.
Xi Requerimentos Requer, ao final, sejam acolhidas as alegações supra, a produção de todos os meios de prova em direito admitidos e a realização de perícia, indicando, desde logo, assistente técnico e quesitos.
Da interposição do Recurso Voluntário, pugnando pela reforma integral da r. decisão de piso.
As razões do recurso fiam-se nos mesmíssimos argumentos apresentados na Impugnação de fls. 331/361, incluindo-se o pedido de prova pericial, requerendo o conhecimento e provimento do recurso para que seja decretada a total nulidade de todos os autos de infração ou, alternativamente, seja reconhecida a violação ao princípio do devido processo legal e, por isso, seja decretada a nulidade da decisão de piso, com a determinação de produção de prova pericial. Por derradeiro, em caso de não acolhimento de tais pedidos, requer a reforma da decisão, isentando a Recorrente de qualquer pagamento ou sejam reduzidos os valores lançados, conforme os argumentos expendidos.
Com a apresentação de tais razões, houve Resolução por esta e. 2ª Turma de Julgamento, nos seguintes termos:
"Assim, devido ao exposto, resolvo converter o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora informe se e quais lançamentos presentes nos autos, com suas respectivas competências, foram objeto de parcelamento, confissão irretratável de dívida, extinção sem ressalva do débito (pagamento), por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto."
Às fls. 543 usque 564 foi juntado o resultado da diligência anteriormente determinada.
Às fls. 565 acostou-se a intimação enviada ao Contribuinte acerca da realização da diligência.
Às fls. 566 conta AR recebido pelo sujeito passivo, datado de 22/04/2016.
É o relatório.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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decisao_txt : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para a adoção das providências mencionadas no voto do relator. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Mario Pereira de Pinho Filho (Presidente). Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário de fls. xxx, voltado contra decisão de fls. xxxx, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário dos DEBCADs nºs: 51.056.495-0, 51.056.496-8, 51.056.497-6, 51.056.498-4, 51.056.499-2, 51.056.500-0 e 51.056.501-8. Eis o relatório da decisão recorrida: DAS AUTUAÇÕES Tratam-se lançamentos de contribuições sociais, constantes dos Autos de Infração abaixo relacionados, elaborados com base nos mesmos elementos de prova: Fundamentos dos lançamentos fiscais Consoante o Relatório Fiscal (fls. 79-93), seus anexos e demais elementos constantes dos autos, depreende-se que: 1. Trata-se de procedimento fiscal instaurado em face do contribuinte em epígrafe objetivando verificar o cumprimento das obrigações previdenciárias e para outras Entidades e Fundos. 2. Da análise das notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela empresa JAURU, no período de 01/2010 a 12/2012, constatou-se que foram prestados serviços para diversas empresas (conforme Demonstrativo do Anexo 1, que contém as notas fiscais emitidas, as datas, os valores e os tomadores dos serviços), todavia, a empresa deixou de elaborar folhas de pagamento distintas por obra de construção civil e por tomador de serviços, alocando indistintamente, em folhas de pagamentos mensais únicas, todos os segurados a seu serviço. Pelo descumprimento desta obrigação acessória foi lavrado o Auto de Infração 51.056.501-8 (CFL 86). 3. Foi verificada a contabilização dos custos incorridos com a mão-de-obra aplicada na execução dos serviços contratados em contas únicas: 2101020001 salários a pagar; 2101020004 - rescisões a pagar; 2101020006 - 13º salário a pagar; 2101020008 férias a pagar; 2101030001 INSS a recolher. A Autoridade lançadora explicita que por determinação legal caberia a empresa fiscalizada, na condição de prestadora de serviços, lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Os registros deveriam ser feitos em contas individualizadas e por tomador de serviços, o que não ocorreu. Esta ensejou a lavratura do Auto de Infração 51.056.500-0 (CFL 34). 4. Considerando que a empresa apresentou mais de uma GFIP em cada competência, a GFIP processada e indicada nos sistemas da RFB na condição de exportada foi considerada válida para todos os fins, cujos dados foram utilizados pela auditoria fiscal (item 3.4.1.1 do REFISC). 5. Além do expressivo número de GFIP´s retificadoras, a empresa também apresentou, para as mesmas competências, GFIP´s nos códigos FPAS 507 e 515, todavia, a atividade preponderante da empresa (CNAE 42.12.0.00 construção de obras de arte especiais), está enquadrada no código FPAS 507. Em que pese a utilização de códigos FPAS diferentes, as alíquotas aplicadas sobre as bases de cálculo (total das remunerações dos segurados empregados), são as mesmas para ambos os códigos FPAS (5,8%), ou seja, os valores declarados como devidos aos terceiros não se alteram. Diante disso, para fins comparativos entre os valores devidos e os declarados e, apenas para este fim, foram consideradas todas as GFIP´s válidas em ambos os códigos FPAS, em cada competência. 6. O Demonstrativo constante do Anexo 2 do REFISC contém os valores declarados nas GFIP(s) nos códigos FPAS 507 e 515, totalizados mês a mês (remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais; contribuições descontadas destes mesmos segurados e pagamentos feitos pela empresa a título de salário-maternidade e salário-família). Os valores declarados nas GFIP (s), em cada FPAS, constam do Demonstrativo do Anexo 3 do REFISC. 7. Com base nos valores declarados na GFIP, a fiscalização elaborou um demonstrativo contendo todos os valores compensados em GFIP e os recolhimentos efetuados no CNPJ da empresa Jauru (GPS código 2100 e 2119), dados e valores constantes do anexo 4 e em resumo no anexo 5, reproduzido no item 3.4.3 do REFISC. 8. Conciliados os valores devidos, declarados nas GFIP válidas, e os valores efetivamente recolhidos e compensados em GFIP (GPS código 2100 e 2119), a fiscalização apurou sobras de recolhimento/compensação em algumas competências, conforme demonstrativo do Anexo 6, reproduzido, também, no item 3.4.3.1 do REFISC. Eventuais valores declarados na GFIP e não recolhidos pela empresa não foram objeto da auditoria fiscal, uma vez que se sujeitam a cobrança automática pelos sistemas informatizados da RFB, através da emissão de intimações para pagamento (IP) e/ou débito confessado em GFIP (DCG) encaminhadas diretamente ao contribuinte. 9. Conciliados os valores extraídos das folhas de pagamento mensais apresentadas pela empresa em arquivos devidamente autenticados, com a somatória dos valores declarados nas GFIP(s) código FPAS 507 e 515, apurou-se os valores não declarados na GFIPs válidas, que constam no Demonstrativo Anexo 8, e reproduzido no item 3.4.4.1 do REFISC. Os valores não declarados pela empresa constam do levantamento DF DIF VALORES FOPAG X GFIP, e os créditos tributários devidos foram constituídos nos AI DEBCAD nº(s) 51.056.495-0 E 51.056.497-6 9.1 As sobras de recolhimento/compensação, foram considerados como créditos da empresa e utilizados como dedução dos valores apurados. 10. No AI DEBCAD nº 51.056.498-4, foram constituídos os valores compensados/abatidos a maior levantamento GL, verificados na conciliação entre os valores efetivamente destacados nas NFS a título de retenção de 11% (Lei nº 9.711/98) e os valores compensados/abatidos em GFIP (s). 12. Conforme detalhado nos itens 3.5.2 do REFISC, restou verificada a simulação de valores declarados nas GFIPs a título de compensação das retenções e que a Autuada atribuiu às compensações o valor exato e suficiente para inibir o sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal de apurar créditos contra a mesma, restando demonstrada a falsidade de declaração relativamente à compensação, em GFIP das competências 03/2010, 05/2010, 02/2011, 05/2011, 01 a 12/2012, e ensejando a aplicação da multa isolada de ofício de 150%, incidente sobre os valores compensados a maior, conforme previsão contida no art. 89, parágrafo 10º, da Lei nº8.212, de 1991, constituída através do Auto de Infração 51.056.499-2 (código de levantamento FA compensação com falsidade). 13. No decorrer da auditoria fiscal foram examinados, entre outros, os seguintes documentos: GFIPs, contratos de prestação de serviços, notas fiscais de prestação de serviços e os livros Razão e Diário, relativos aos exercícios de 2010 a 2012. Os livros Diário foram apresentados em meio digital no formato MANAD. Os códigos de identificação dos arquivos constam dos Recibos de Entrega de Arquivos Digitais anexados aos respectivos processos de débito. 14. Os fatos acima relatados configuram, em tese, crime contra a ordem tributária, crime de sonegação de contribuição previdenciária e de apropriação indébita, em face do que, foi encaminhada Representação Fiscal para Fins Penais ao Ministério Público Federal, para eventual propositura de ação penal. 15. A fim de demonstrar os fatos geradores, a fiscalização anexou aos autos os seguintes anexos: v Anexo 01 Demonstrativo das notas fiscais de prestação de serviços v Anexo 2 Demonstrativo dos valores declarados em GFIP - Resumo v Anexo 3 Demonstrativo dos valores devidos declarados em GFIP v Anexo 4 Demonstrativo dos valores recolhidos por tipo de GPS v Anexo 5 Resumo do total recolhido por competência e por código GPS v Anexo 6 Demonstrativo dos valores recolhidos, dos valores devidos declarados em GFIP e das sobras de recolhimento v Anexo 7 Demonstrativo dos valores declarados em GFIP Código FPAS 507 e 515 v Anexo 8 Demonstrativo dos valores não declarados em GFIP e lançados nos Autos de Infração v Anexo 9 Demonstrativo dos valores compensados/abatidos em GFIP. IMPUGNAÇÃO Cientificado pessoalmente das autuações em 06/08/2014, o contribuinte apresentou impugnação às fls. 330-361, com juntada de documentos (fls. 62-430). Nas considerações preliminares, apresenta um breve relato sobre as autuações em epígrafe. Na seqüência, apresenta suas razões de impugnação. Preliminares 1. Nulidade Dos Autos De Infração Face À Extinção Do Mandado De Procedimento Fiscal Por Decurso Do Prazo Caducidade Condição Resolutiva Extintiva Com fundamento no art. 11 da Portaria nº 3.014, de 29.06.2011, aduz que a prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) contém vícios insanáveis que o tornam nulo. Relata que o Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização nº 09.1.01.00-2014-00161-0, datado de 25 de fevereiro de 2013, deveria ser executado até o dia 25 de junho de 2014, e que a prorrogação, na data de 18 de julho de 2014, ocorreu quando o MPF já se encontrava extinto, consoante o art. 14, incisos I e II, da Portaria antes citada. Defende que a autoridade responsável poderia ter emitido novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal, consoante estabelecido pelo art. 15 da Portaria nº 3.014/2011, todavia, não se valeu dessa prerrogativa legal, verificando-se a caducidade do MPF, condição resolutiva extintiva, que deve ser reconhecida independentemente da argüição do interessado, em observância aos princípios insculpidos no art. 37 da Constituição Federal. Argumenta, também, que em nenhum momento restaram constatadas condições que autorizariam a prorrogação do MPF, ou seja, a motivação do ato administrativo, consoante requer o art. 50, da Lei nº 9.784/99. III Síntese Da Autuação Nulidade Das Autuações Improcedência Das Infrações Pagamento Dupla Incidência De Cobrança E De Penalidades Para Os Mesmos Fatos Geradores Infração Única Absorção Da Pena De Maior Gravidade Pela De Menor Gravidade Revisão Dos Valores E Sanções Relata que a autoridade lançadora lavrou sete (07) autos de infração, todavia, as autuações se mostram equivocadas em grande parte, conforme analise individual das infrações. IV AI 51.056.495-0 Extinção Do Crédito Tributário Pagamento Excesso De Cobrança Argumenta que aderiu ao parcelamento dos débitos recolhidos a menor, quanto ao montante das obrigações previdenciárias definidas nos arts. 22, incisos I, II e III, da Lei nº 8.212, de 1991, e alterações posteriores (contribuições patronais e para o SAT/RAT), objetos da referida autuação, conforme se comprova pelo Extrato de Situação Fiscal, Recibo de Pedido de Parcelamento da Lei nº 12.996, de 18 de junho de 2014, todos emitidos pela Receita Federal do Brasil e o DARF no valor de R$ 1.972.246,06. Diante, disso, o crédito encontra-se com a exigibilidade suspensa (art. 151, VI do CTN). V AI 51.056.496-8 Extinção Do Crédito Tributário - Pagamento Informa que também como se comprova pelo Extrato de Situação Fiscal, Recibo de Parcelamento da Lei nº 12.996, de 18 de junho de 2014, e o DARF no valor de R$ 2.046.549,38, a impugnante aderiu ao programa de recuperação fiscal, na forma da Lei nº 12.996, de 2014, recolhendo integralmente o montante devido nesta rubrica. Diante disso, está extinto o crédito tributário, fulcro no art. 156, I, do Código Tributário Nacional, e, ainda, que não houve qualquer má-fé da impugnante no lançamento das contribuições devidas, tanto que, logo que intimada, procedeu ao pagamento, tal como comprova a documentação que apresenta. VI AI 51.056.497-6 Extinção Do Crédito Tributário Pagamento Informa que como se comprova pelo Extrato de Situação Fiscal, Recibo de Parcelamento da Lei nº 12.996, de 18 de junho de 2014, e o DARF no valor de R$ 1.652.735,46, a impugnante aderiu ao programa de recuperação fiscal, na forma da Lei nº 12.996, de 2014, recolhendo integralmente o montante devido nesta rubrica. Diante disso, está extinto o crédito tributário, fulcro no art. 156, I, do Código Tributário Nacional, e que não houve má-fé da impugnante no lançamento das contribuições devidas, tanto que logo intimada para o seu pagamento assim procedeu, tal como comprova a documentação que apresenta. VIII - AI 51.056.498-4 Glosa De Compensações Ausência De Má Fé Impossibilidade De Cobrança Bis In Idem Alega que mostra-se equivocada a conclusão da autoridade lançadora, de que a impugnante teria agido com simulação em suas declarações prestadas nas GFIP(s), quando apontou os valores declinados a título de compensação de retenções efetuadas pelos tomadores de serviços. Justifica que não houve simulação nos lançamentos efetuados, mas sim mero erro dos responsáveis administrativos quanto ao uso e lançamento dessas informações. Explica que é praxe na sua atividade que os valores devidos por seus tomadores de serviços sejam aferidos por medições, ou seja, periodicamente é acompanhada a evolução da obra e/ou dos serviços contratados, e quando é atingido um objetivo, descrito nessas medições, o tomador efetua o pagamento dos valores à impugnante. Antes da emissão da nota fiscal, são encaminhadas medições tanto para o contratante quanto para a contratada, e havendo aprovação destas, há emissão da nota fiscal e o pagamento pelos serviços prestados. Ocorre que em alguns períodos, dentre estes os relacionados no quadro apresentado pela Autoridade Fiscal, as medições, acompanhadas do relatório gerencial, foram encaminhadas tanto ao departamento de recursos humanos como ao departamento financeiro, sendo que o primeiro não recebeu as notas fiscais, a fim de fazer o comparativo entre os valores efetivamente retidos e aqueles constantes nos relatórios gerenciais, equivocadamente adotados pelo RH. Assim, não houve dolo o má-fé ao prestar informações equivocadas. Diz, ainda, que não é somente a Nota Fiscal que é admitida como prova da retenção para fins de compensação, contemplando outros mecanismos como o recibo ou mesmo a fatura, e que não se pode impingir sanção gravosa sem um mínimo de prova de que a conduta do agentes se fez livre e conscientemente com um propósito ilícito. No caso, a empresa disponibilizou toda a documentação exigida pela autoridade fiscal, prova de que não tinha nada a esconder. Acrescenta, quanto aos valores apontados no AI DEBCAD nº 51.056.498- 4, que há duplicidade de cobrança em relação ao AI DEBCAD nº 51.056.495-0, porquanto: Nos valores apurados no AI 51.056.495-0, quanto à contribuição social e para o amparo dos segurados, a Autoridade Fiscal efetuou toda a apuração embasada na folha de pagamento efetiva da Impugnante, desconsiderando os abatimentos equivocados e decorrentes das retenções glosadas, que supostamente não teriam sido realizadas pelos tomadores dos serviços. Assim, não poderia posteriormente a Autoridade Fiscal realizar novo cálculo, apenas para aferir os valores indicados como retidos e utilizados para a compensação, pois isto caracteriza nova incidência de contribuição, sobre os valores já apurados anteriormente. As planilhas indicadas como anexos aos autos de infração, pela Autoridade Fiscal, retratam exatamente isto, sendo vedado no ordenamento jurídico brasileiro a cobrança dúplice de contribuições, impostos, e tributos em geral. A fim de demonstrar esses fatos, elaborou os anexos III a V, em face do que aponta os seguintes valores: Assevera que como facilmente se observa está havendo a exigência dúplice pela Autoridade Fiscal, notadamente pelo fato de inicialmente se apurar as contribuições baseado na folha de pagamento, abatendo os valores retidos nas notas fiscais de forma física e, posteriormente, fazer incidir a glosa sobre os valores lançados em GFIP como retidos, esta pretende também constituir o crédito tributário em valores dispostos a maior, o que não pode ser admitido. VIII - AI 51.056.499-2 Multa Isolada Ausência De Dolo Ou Má-Fé Cumulação De Multa De Ofício E Multa Isolada Configuração De Bis In Idem Impossibilidade De Imposição Afirma que a multa isolada aplicada de forma qualificada é absolutamente inexigível, pois não houve dolo ou má-fé na ação da Impugnante quanto às informações prestadas em GFIP. Diz que consoante posicionamento do CARF, não há que se falar em imposição de multa de ofício com multa isolada, sendo nulo o presente AI. Além disso, como já defendido, o que ocorreu foi uma falha na prestação das informações, mas não dolo objetivando lesar os cofres públicos. Menciona que o anexo VII à impugnação traz alguns exemplos desses equívocos, onde são reproduzidos alguns relatórios gerenciais lançados pelo departamento financeiro e destinados ao departamento de recursos humanos que não se concretizaram imediatamente ou se concretizaram com alguma alteração. Com base nesses relatórios, o departamento de recursos humanos, de modo equivocado, fundamentou as informações prestadas em GFIP, e até por conta disso ocorreram inúmeras retificações na GFIP. Anota que tanto o art. 74 da Lei nº 4.502/64 quanto o art. 18 e § 2o da Lei nº 10.833/2003, art. 89, §10, da Lei n.° 8.212/1996, e 44, §1o, da Lei n.° 9.430/1996, exigem expressamente a presença de dolo e comprovação de falsidade da declaração, ou seja, "que aflore com tal clareza que não se possam suscitar dúvidas acerca da má fé nos atos praticados, com o inequívoco propósito de violar a lei. Inexistindo fraude, conforme definido no art. 72 da Lei nº 4.502, de 64, é incabível a aplicação da multa qualificada pelo parágrafo 10 do art, 82 da Lei nº 8.212, de 1991. Para reforçar seu entendimento, cita doutrina e jurisprudência administrativa do CARF. IX AI 51.056.500-0 Multa Obrigação Acessória Cumulação De Multas Configuração De Bis In Idem Impossibilidade De Imposição Alega que se impõe a nulidade do AI, porque o Fisco previdenciário, ao aplicar a multa de R$ 18.128,43 em face da suposta ausência de lançamentos adequados nos títulos da contabilidade da impugnante, relativos às contribuições previdenciárias, não observou que a infração cometida é única, de natureza continuada, o que resulta na aplicação de uma única multa, fixada de acordo com a gravidade da transgressão. Outrossim, em atenção ao princípio da eventualidade, requer a redução da multa aplicada ao mínimo legal (R$ 6.361,73), porque não houve esclarecimentos e justificação para a aplicação da multa em critério diverso. A simples indicação genérica de dispositivos legais complexos não atente ao primado da motivação, exigindo-se a demonstração clara de como se chegou ao montante da multa expresso no AI. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema. X AI 51.056.501-8 Multa Obrigação Acessória Cumulação De Multas Configuração De Bis In Idem Impossibilidade De Imposição Argui que os mesmos vícios apontados em relação ao AI DEBCAD nº 51.056.500-0 estão contemplados no AI nº 51.056.501-8, relativo a suposta infração ao artigo 92 e 102 da Lei nº 8.212, de 1991 e 283, caput e parágrafo 3º, do art. 373 do RPS. Xi Requerimentos Requer, ao final, sejam acolhidas as alegações supra, a produção de todos os meios de prova em direito admitidos e a realização de perícia, indicando, desde logo, assistente técnico e quesitos. Da interposição do Recurso Voluntário, pugnando pela reforma integral da r. decisão de piso. As razões do recurso fiam-se nos mesmíssimos argumentos apresentados na Impugnação de fls. 331/361, incluindo-se o pedido de prova pericial, requerendo o conhecimento e provimento do recurso para que seja decretada a total nulidade de todos os autos de infração ou, alternativamente, seja reconhecida a violação ao princípio do devido processo legal e, por isso, seja decretada a nulidade da decisão de piso, com a determinação de produção de prova pericial. Por derradeiro, em caso de não acolhimento de tais pedidos, requer a reforma da decisão, isentando a Recorrente de qualquer pagamento ou sejam reduzidos os valores lançados, conforme os argumentos expendidos. Com a apresentação de tais razões, houve Resolução por esta e. 2ª Turma de Julgamento, nos seguintes termos: "Assim, devido ao exposto, resolvo converter o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora informe se e quais lançamentos presentes nos autos, com suas respectivas competências, foram objeto de parcelamento, confissão irretratável de dívida, extinção sem ressalva do débito (pagamento), por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto." Às fls. 543 usque 564 foi juntado o resultado da diligência anteriormente determinada. Às fls. 565 acostou-se a intimação enviada ao Contribuinte acerca da realização da diligência. Às fls. 566 conta AR recebido pelo sujeito passivo, datado de 22/04/2016. É o relatório.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para a adoção das providências mencionadas no voto do relator. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Mario Pereira de Pinho Filho (Presidente). RELATÓRIO Cuidase de Recurso Voluntário de fls. xxx, voltado contra decisão de fls. xxxx, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário dos DEBCADs nºs: 51.056.4950, 51.056.4968, 51.056.4976, 51.056.4984, 51.056.4992, 51.056.5000 e 51.056.5018. Eis o relatório da decisão recorrida: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .7 22 37 2/ 20 14 -6 1 Fl. 570DF CARF MF Processo nº 10980.722372/201461 Resolução nº 2402000.672 S2C4T2 Fl. 571 2 DAS AUTUAÇÕES Tratamse lançamentos de contribuições sociais, constantes dos Autos de Infração abaixo relacionados, elaborados com base nos mesmos elementos de prova: Fundamentos dos lançamentos fiscais Consoante o Relatório Fiscal (fls. 7993), seus anexos e demais elementos constantes dos autos, depreendese que: 1. Tratase de procedimento fiscal instaurado em face do contribuinte em epígrafe objetivando verificar o cumprimento das obrigações previdenciárias e para outras Entidades e Fundos. 2. Da análise das notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela empresa JAURU, no período de 01/2010 a 12/2012, constatouse que foram prestados serviços para diversas empresas (conforme Demonstrativo do Anexo 1, que contém as notas fiscais emitidas, as datas, os valores e os tomadores dos serviços), todavia, a empresa deixou de elaborar folhas de pagamento distintas por obra de construção civil e por tomador de serviços, alocando indistintamente, em folhas de pagamentos mensais únicas, todos os segurados a seu serviço. Pelo descumprimento desta obrigação acessória foi lavrado o Auto de Infração 51.056.5018 (CFL 86). 3. Foi verificada a contabilização dos custos incorridos com a mão deobra aplicada na execução dos serviços contratados em contas únicas: 2101020001 – salários a pagar; 2101020004 rescisões a pagar; 2101020006 13º salário a pagar; 2101020008 – férias a pagar; 2101030001 – INSS a recolher. A Autoridade lançadora explicita que por determinação legal caberia a empresa fiscalizada, na condição de prestadora de serviços, lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos Fl. 571DF CARF MF Processo nº 10980.722372/201461 Resolução nº 2402000.672 S2C4T2 Fl. 572 3 geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Os registros deveriam ser feitos em contas individualizadas e por tomador de serviços, o que não ocorreu. Esta ensejou a lavratura do Auto de Infração 51.056.5000 (CFL 34). 4. Considerando que a empresa apresentou mais de uma GFIP em cada competência, a GFIP processada e indicada nos sistemas da RFB na condição de “exportada” foi considerada válida para todos os fins, cujos dados foram utilizados pela auditoria fiscal (item 3.4.1.1 do REFISC). 5. Além do expressivo número de GFIP´s retificadoras, a empresa também apresentou, para as mesmas competências, GFIP´s nos códigos FPAS 507 e 515, todavia, a atividade preponderante da empresa (CNAE 42.12.0.00 – construção de obras de arte especiais), está enquadrada no código FPAS 507. Em que pese a utilização de códigos FPAS diferentes, as alíquotas aplicadas sobre as bases de cálculo (total das remunerações dos segurados empregados), são as mesmas para ambos os códigos FPAS (5,8%), ou seja, os valores declarados como devidos aos terceiros não se alteram. Diante disso, para fins comparativos entre os valores devidos e os declarados e, apenas para este fim, foram consideradas todas as GFIP´s válidas em ambos os códigos FPAS, em cada competência. 6. O Demonstrativo constante do Anexo 2 do REFISC contém os valores declarados nas GFIP(s) nos códigos FPAS 507 e 515, totalizados mês a mês (remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais; contribuições descontadas destes mesmos segurados e pagamentos feitos pela empresa a título de salário maternidade e saláriofamília). Os valores declarados nas GFIP (s), em cada FPAS, constam do Demonstrativo do Anexo 3 do REFISC. 7. Com base nos valores declarados na GFIP, a fiscalização elaborou um demonstrativo contendo todos os valores compensados em GFIP e os recolhimentos efetuados no CNPJ da empresa Jauru (GPS código 2100 e 2119), dados e valores constantes do anexo 4 e em resumo no anexo 5, reproduzido no item 3.4.3 do REFISC. 8. Conciliados os valores devidos, declarados nas GFIP válidas, e os valores efetivamente recolhidos e compensados em GFIP (GPS código 2100 e 2119), a fiscalização apurou sobras de recolhimento/compensação em algumas competências, conforme demonstrativo do Anexo 6, reproduzido, também, no item 3.4.3.1 do REFISC. Eventuais valores declarados na GFIP e não recolhidos pela empresa não foram objeto da auditoria fiscal, uma vez que se sujeitam a cobrança automática pelos sistemas informatizados da RFB, através da emissão de intimações para pagamento (IP) e/ou débito confessado em GFIP (DCG) encaminhadas diretamente ao contribuinte. 9. Conciliados os valores extraídos das folhas de pagamento mensais apresentadas pela empresa em arquivos devidamente autenticados, Fl. 572DF CARF MF Processo nº 10980.722372/201461 Resolução nº 2402000.672 S2C4T2 Fl. 573 4 com a somatória dos valores declarados nas GFIP(s) código FPAS 507 e 515, apurouse os valores não declarados na GFIP’s válidas, que constam no Demonstrativo Anexo 8, e reproduzido no item 3.4.4.1 do REFISC. Os valores não declarados pela empresa constam do levantamento DF – DIF VALORES FOPAG X GFIP, e os créditos tributários devidos foram constituídos nos AI DEBCAD nº(s) 51.056.4950 E 51.056.4976 9.1 As sobras de recolhimento/compensação, foram considerados como créditos da empresa e utilizados como dedução dos valores apurados. 10. No AI DEBCAD nº 51.056.4984, foram constituídos os valores compensados/abatidos a maior – levantamento GL, verificados na conciliação entre os valores efetivamente destacados nas NFS a título de retenção de 11% (Lei nº 9.711/98) e os valores compensados/abatidos em GFIP (s). 12. Conforme detalhado nos itens 3.5.2 do REFISC, restou verificada a simulação de valores declarados nas GFIP’s a título de compensação das retenções e que a Autuada atribuiu às compensações o valor exato e suficiente para inibir o sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal de apurar créditos contra a mesma, restando demonstrada a falsidade de declaração relativamente à compensação, em GFIP das competências 03/2010, 05/2010, 02/2011, 05/2011, 01 a 12/2012, e ensejando a aplicação da multa isolada de ofício de 150%, incidente sobre os valores compensados a maior, conforme previsão contida no art. 89, parágrafo 10º, da Lei nº8.212, de 1991, constituída através do Auto de Infração 51.056.4992 (código de levantamento FA – compensação com falsidade). 13. No decorrer da auditoria fiscal foram examinados, entre outros, os seguintes documentos: GFIP’s, contratos de prestação de serviços, notas fiscais de prestação de serviços e os livros “Razão” e “Diário”, relativos aos exercícios de 2010 a 2012. Os livros “Diário” foram apresentados em meio digital no formato MANAD. Os códigos de identificação dos arquivos constam dos “Recibos de Entrega de Arquivos Digitais” anexados aos respectivos processos de débito. 14. Os fatos acima relatados configuram, em tese, crime contra a ordem tributária, crime de sonegação de contribuição previdenciária e de apropriação indébita, em face do que, foi encaminhada Representação Fiscal para Fins Penais ao Ministério Público Federal, para eventual propositura de ação penal. 15. A fim de demonstrar os fatos geradores, a fiscalização anexou aos autos os seguintes anexos: √ Anexo 01 – Demonstrativo das notas fiscais de prestação de serviços √ Anexo 2 – Demonstrativo dos valores declarados em GFIP Resumo √ Anexo 3 – Demonstrativo dos valores devidos declarados em GFIP √ Anexo 4 – Demonstrativo dos valores recolhidos por tipo de GPS √ Anexo 5 – Resumo do total recolhido por competência e por código GPS √ Anexo 6 – Demonstrativo dos valores recolhidos, dos valores devidos declarados em GFIP e das sobras de recolhimento √ Anexo 7 – Demonstrativo dos valores declarados em GFIP – Código FPAS 507 e 515 √ Anexo 8 – Demonstrativo dos valores não Fl. 573DF CARF MF Processo nº 10980.722372/201461 Resolução nº 2402000.672 S2C4T2 Fl. 574 5 declarados em GFIP e lançados nos Autos de Infração √ Anexo 9 – Demonstrativo dos valores compensados/abatidos em GFIP. IMPUGNAÇÃO Cientificado pessoalmente das autuações em 06/08/2014, o contribuinte apresentou impugnação às fls. 330361, com juntada de documentos (fls. 62430). Nas considerações preliminares, apresenta um breve relato sobre as autuações em epígrafe. Na seqüência, apresenta suas razões de impugnação. Preliminares 1. Nulidade Dos Autos De Infração Face À Extinção Do Mandado De Procedimento Fiscal Por Decurso Do Prazo – Caducidade – Condição Resolutiva Extintiva Com fundamento no art. 11 da Portaria nº 3.014, de 29.06.2011, aduz que a prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) contém vícios insanáveis que o tornam nulo. Relata que o Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização nº 09.1.01.002014001610, datado de 25 de fevereiro de 2013, deveria ser executado até o dia 25 de junho de 2014, e que a prorrogação, na data de 18 de julho de 2014, ocorreu quando o MPF já se encontrava extinto, consoante o art. 14, incisos I e II, da Portaria antes citada. Defende que a autoridade responsável poderia ter emitido novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal, consoante estabelecido pelo art. 15 da Portaria nº 3.014/2011, todavia, não se valeu dessa prerrogativa legal, verificandose a caducidade do MPF, condição resolutiva extintiva, que deve ser reconhecida independentemente da argüição do interessado, em observância aos princípios insculpidos no art. 37 da Constituição Federal. Argumenta, também, que em nenhum momento restaram constatadas condições que autorizariam a prorrogação do MPF, ou seja, a motivação do ato administrativo, consoante requer o art. 50, da Lei nº 9.784/99. III – Síntese Da Autuação – Nulidade Das Autuações –Improcedência Das Infrações – Pagamento – Dupla Incidência De Cobrança E De Penalidades Para Os Mesmos Fatos Geradores –Infração Única – Absorção Da Pena De Maior Gravidade Pela De Menor Gravidade – Revisão Dos Valores E Sanções Relata que a autoridade lançadora lavrou sete (07) autos de infração, todavia, as autuações se mostram equivocadas em grande parte, conforme analise individual das infrações. IV – AI 51.056.4950 – Extinção Do Crédito Tributário –Pagamento – Excesso De Cobrança Argumenta que aderiu ao parcelamento dos débitos recolhidos a menor, quanto ao montante das obrigações previdenciárias definidas nos arts. 22, incisos I, II e III, da Lei nº 8.212, de 1991, e alterações posteriores (contribuições patronais e para o SAT/RAT), objetos da referida autuação, conforme se comprova pelo “Extrato de Situação Fiscal”, Recibo de Pedido de Parcelamento da Lei nº 12.996, Fl. 574DF CARF MF Processo nº 10980.722372/201461 Resolução nº 2402000.672 S2C4T2 Fl. 575 6 de 18 de junho de 2014, todos emitidos pela Receita Federal do Brasil e o DARF no valor de R$ 1.972.246,06. Diante, disso, o crédito encontrase com a exigibilidade suspensa (art. 151, VI do CTN). V – AI 51.056.4968 – Extinção Do Crédito Tributário Pagamento Informa que também como se comprova pelo Extrato de Situação Fiscal, “Recibo de Parcelamento da Lei nº 12.996, de 18 de junho de 2014”, e o DARF no valor de R$ 2.046.549,38, a impugnante aderiu ao programa de recuperação fiscal, na forma da Lei nº 12.996, de 2014, recolhendo integralmente o montante devido nesta rubrica. Diante disso, está extinto o crédito tributário, fulcro no art. 156, I, do Código Tributário Nacional, e, ainda, que não houve qualquer máfé da impugnante no lançamento das contribuições devidas, tanto que, logo que intimada, procedeu ao pagamento, tal como comprova a documentação que apresenta. VI – AI 51.056.4976 – Extinção Do Crédito Tributário –Pagamento Informa que como se comprova pelo Extrato de Situação Fiscal, “Recibo de Parcelamento da Lei nº 12.996, de 18 de junho de 2014”, e o DARF no valor de R$ 1.652.735,46, a impugnante aderiu ao programa de recuperação fiscal, na forma da Lei nº 12.996, de 2014, recolhendo integralmente o montante devido nesta rubrica. Diante disso, está extinto o crédito tributário, fulcro no art. 156, I, do Código Tributário Nacional, e que não houve máfé da impugnante no lançamento das contribuições devidas, tanto que logo intimada para o seu pagamento assim procedeu, tal como comprova a documentação que apresenta. VIII AI 51.056.4984 – Glosa De Compensações –Ausência De Má Fé – Impossibilidade De Cobrança – Bis In Idem Alega que mostrase equivocada a conclusão da autoridade lançadora, de que a impugnante teria agido com simulação em suas declarações prestadas nas GFIP(s), quando apontou os valores declinados a título de compensação de retenções efetuadas pelos tomadores de serviços. Justifica que não houve simulação nos lançamentos efetuados, mas sim mero erro dos responsáveis administrativos quanto ao uso e lançamento dessas informações. Explica que é praxe na sua atividade que os valores devidos por seus tomadores de serviços sejam aferidos por medições, ou seja, periodicamente é acompanhada a evolução da obra e/ou dos serviços contratados, e quando é atingido um objetivo, descrito nessas medições, o tomador efetua o pagamento dos valores à impugnante. Antes da emissão da nota fiscal, são encaminhadas medições tanto para o contratante quanto para a contratada, e havendo aprovação destas, há emissão da nota fiscal e o pagamento pelos serviços prestados. Ocorre que em alguns períodos, dentre estes os relacionados no quadro apresentado pela Autoridade Fiscal, as medições, Fl. 575DF CARF MF Processo nº 10980.722372/201461 Resolução nº 2402000.672 S2C4T2 Fl. 576 7 acompanhadas do relatório gerencial, foram encaminhadas tanto ao departamento de recursos humanos como ao departamento financeiro, sendo que o primeiro não recebeu as notas fiscais, a fim de fazer o comparativo entre os valores efetivamente retidos e aqueles constantes nos relatórios gerenciais, equivocadamente adotados pelo RH. Assim, não houve dolo o máfé ao prestar informações equivocadas. Diz, ainda, que não é somente a Nota Fiscal que é admitida como prova da retenção para fins de compensação, contemplando outros mecanismos como o recibo ou mesmo a fatura, e que não se pode impingir sanção gravosa sem um mínimo de prova de que a conduta do agentes se fez livre e conscientemente com um propósito ilícito. No caso, a empresa disponibilizou toda a documentação exigida pela autoridade fiscal, prova de que não tinha nada a esconder. Acrescenta, quanto aos valores apontados no AI DEBCAD nº 51.056.498 4, que há duplicidade de cobrança em relação ao AI DEBCAD nº 51.056.4950, porquanto: Nos valores apurados no AI 51.056.4950, quanto à contribuição social e para o amparo dos segurados, a Autoridade Fiscal efetuou toda a apuração embasada na folha de pagamento efetiva da Impugnante, desconsiderando os abatimentos equivocados e decorrentes das retenções glosadas, que supostamente não teriam sido realizadas pelos tomadores dos serviços. Assim, não poderia posteriormente a Autoridade Fiscal realizar novo cálculo, apenas para aferir os valores indicados como retidos e utilizados para a compensação, pois isto caracteriza nova incidência de contribuição, sobre os valores já apurados anteriormente. As planilhas indicadas como anexos aos autos de infração, pela Autoridade Fiscal, retratam exatamente isto, sendo vedado no ordenamento jurídico brasileiro a cobrança dúplice de contribuições, impostos, e tributos em geral. A fim de demonstrar esses fatos, elaborou os anexos III a V, em face do que aponta os seguintes valores: Assevera que “como facilmente se observa está havendo a exigência dúplice pela Autoridade Fiscal, notadamente pelo fato de inicialmente se apurar as contribuições baseado na folha de pagamento, abatendo os valores retidos nas notas fiscais de forma física e, posteriormente, fazer incidir a glosa sobre os valores lançados em GFIP como retidos, esta pretende também constituir o crédito tributário em valores dispostos a maior, o que não pode ser admitido.” Fl. 576DF CARF MF Processo nº 10980.722372/201461 Resolução nº 2402000.672 S2C4T2 Fl. 577 8 VIII AI 51.056.4992 – Multa Isolada – Ausência De Dolo Ou MáFé – Cumulação De Multa De Ofício E Multa Isolada –Configuração De Bis In Idem – Impossibilidade De Imposição Afirma que a multa isolada aplicada de forma qualificada é absolutamente inexigível, pois não houve dolo ou máfé na ação da Impugnante quanto às informações prestadas em GFIP. Diz que consoante posicionamento do CARF, não há que se falar em imposição de multa de ofício com multa isolada, sendo nulo o presente AI. Além disso, como já defendido, o que ocorreu foi uma falha na prestação das informações, mas não dolo objetivando lesar os cofres públicos. Menciona que o anexo VII à impugnação traz alguns exemplos desses equívocos, onde são reproduzidos alguns relatórios gerenciais lançados pelo departamento financeiro e destinados ao departamento de recursos humanos que não se concretizaram imediatamente ou se concretizaram com alguma alteração. Com base nesses relatórios, o departamento de recursos humanos, de modo equivocado, fundamentou as informações prestadas em GFIP, e até por conta disso ocorreram inúmeras retificações na GFIP. Anota que tanto o art. 74 da Lei nº 4.502/64 quanto o art. 18 e § 2o da Lei nº 10.833/2003, art. 89, §10, da Lei n.° 8.212/1996, e 44, §1o, da Lei n.° 9.430/1996, exigem expressamente a presença de dolo e comprovação de falsidade da declaração, ou seja, "que aflore com tal clareza que não se possam suscitar dúvidas acerca da má fé nos atos praticados, com o inequívoco propósito de violar a lei”. Inexistindo fraude, conforme definido no art. 72 da Lei nº 4.502, de 64, é incabível a aplicação da multa qualificada pelo parágrafo 10 do art, 82 da Lei nº 8.212, de 1991. Para reforçar seu entendimento, cita doutrina e jurisprudência administrativa do CARF. IX – AI 51.056.5000 – Multa – Obrigação Acessória –Cumulação De Multas – Configuração De Bis In Idem –Impossibilidade De Imposição Alega que se impõe a nulidade do AI, porque o Fisco previdenciário, ao aplicar a multa de R$ 18.128,43 em face da suposta ausência de lançamentos adequados nos títulos da contabilidade da impugnante, relativos às contribuições previdenciárias, não observou que a infração cometida é única, de natureza continuada, o que resulta na aplicação de uma única multa, fixada de acordo com a gravidade da transgressão. Outrossim, em atenção ao princípio da eventualidade, requer a redução da multa aplicada ao mínimo legal (R$ 6.361,73), porque não houve esclarecimentos e justificação para a aplicação da multa em critério diverso. A simples indicação genérica de dispositivos legais complexos não atente ao primado da motivação, exigindose a demonstração clara de como se chegou ao montante da multa expresso no AI. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema. X – AI 51.056.5018 – Multa – Obrigação Acessória –Cumulação De Multas – Configuração De Bis In Idem –Impossibilidade De Imposição Fl. 577DF CARF MF Processo nº 10980.722372/201461 Resolução nº 2402000.672 S2C4T2 Fl. 578 9 Argui que os mesmos vícios apontados em relação ao AI DEBCAD nº 51.056.5000 estão contemplados no AI nº 51.056.5018, relativo a suposta infração ao artigo 92 e 102 da Lei nº 8.212, de 1991 e 283, caput e parágrafo 3º, do art. 373 do RPS. Xi – Requerimentos Requer, ao final, sejam acolhidas as alegações supra, a produção de todos os meios de prova em direito admitidos e a realização de perícia, indicando, desde logo, assistente técnico e quesitos. Da interposição do Recurso Voluntário, pugnando pela reforma integral da r. decisão de piso. As razões do recurso fiamse nos mesmíssimos argumentos apresentados na Impugnação de fls. 331/361, incluindose o pedido de prova pericial, requerendo o conhecimento e provimento do recurso para que seja decretada a total nulidade de todos os autos de infração ou, alternativamente, seja reconhecida a violação ao princípio do devido processo legal e, por isso, seja decretada a nulidade da decisão de piso, com a determinação de produção de prova pericial. Por derradeiro, em caso de não acolhimento de tais pedidos, requer a reforma da decisão, isentando a Recorrente de qualquer pagamento ou sejam reduzidos os valores lançados, conforme os argumentos expendidos. Com a apresentação de tais razões, houve Resolução por esta e. 2ª Turma de Julgamento, nos seguintes termos: "Assim, devido ao exposto, resolvo converter o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora informe se e quais lançamentos presentes nos autos, com suas respectivas competências, foram objeto de parcelamento, confissão irretratável de dívida, extinção sem ressalva do débito (pagamento), por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto." Às fls. 543 usque 564 foi juntado o resultado da diligência anteriormente determinada. Às fls. 565 acostouse a intimação enviada ao Contribuinte acerca da realização da diligência. Às fls. 566 conta AR recebido pelo sujeito passivo, datado de 22/04/2016. É o relatório. RESOLUÇÃO A Recorrente alega que os créditos lançados por meio dos Debcads nº 51.056.4950, 51.056.4968 e 51.056.4976 estariam inseridos em parcelamento de que trata a Lei nº 12.996, de 18 de junho de 2014, tendo recolhido parte de seus valores, em alguns casos a totalidade dos mesmos. Tal argumento foi apresentado em impugnação e afastado pela DRJ por ausência de comprovação. Fl. 578DF CARF MF Processo nº 10980.722372/201461 Resolução nº 2402000.672 S2C4T2 Fl. 579 10 A Recorrente tomou ciência dos lançamentos em 06/08/2014 [Fl 3], apresentando impugnação em 05/09/2014 e considerando que o parcelamento de que trata a Lei nº 12.996/14 permitiam a inclusão das rubricas em lide e seus efeitos contavam da data de vencimento da obrigação e não de sua constituição, não havia óbice para que os créditos referidos fossem parcelados. Dos autos consta extrato de situação fiscal emitido por meio do eCAC em 04/09/2014 [Fls. 405407] informando que todos os débitos da Recorrente com exigibilidade suspensa, naquela data, em razão da Lei 12.996/14, estavam em situação de consolidação, não havendo registro de outros débitos com exigibilidade suspensa em decorrência de impugnação, naturalmente, porque esta só foi protocolizada no dia seguinte. Na folha de nº 408 consta Recibo de Pedido de Parcelamento da Lei nº 12.996/14 datado de 18/06/2014, provando que a Recorrente, de fato aderiu ao parcelamento. Nas fls. 409 e seguintes a Recorrente junta discriminativo do débito referente ao AI Debcad nº 51.056.4950, relativo a créditos de contribuições previdenciárias patronais a cargo da empresa e SAT/RAT, no valor total de R$ 17.310.689,38, dos quais R$ 8.465.842,92 referente ao principal, R$ 2.495.464,19 são juros e R$ 6.349.382,27 referemse a multas. Nas Fls 415 e 416, constam DARF datado de 25/08/2014, recolhido sob o código de receita 4743 Lei 12.996, de 2014 RFB débitos previdenciários parcelamento, no valor de R$ 1.972.246,06. A Portaria PGFN nº 13/14, em seu Capitulo III, trata da antecipação dos valores a serem pagos como condição de ingresso e indicação da opção por uma das modalidades previstas no Art. 3º da Portaria. Vejamos: Art. 3º A opção pelas modalidades de parcelamentos de que tratam os incisos I a IV do § 1º do art. 1º, considerados isoladamente, se dará mediante: I antecipação de 5% (cinco por cento) do montante da dívida objeto do parcelamento, após aplicadas as reduções, na hipótese de o valor total da dívida ser menor ou igual a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais); II antecipação de 10% (dez por cento) do montante da dívida objeto do parcelamento, após aplicadas as reduções, na hipótese de o valor total da dívida ser maior que R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) e menor ou igual a R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais); III antecipação de 15% (quinze por cento) do montante da dívida objeto do parcelamento, após aplicadas as reduções, na hipótese de o valor total da dívida ser maior que R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais) e menor ou igual a R$ 20.000.000,00 (vinte milhões de reais); ou IV antecipação de 20% (vinte por cento) do montante da dívida objeto do parcelamento, após aplicadas as reduções, na hipótese de o valor total da dívida ser maior que R$ 20.000.000,00 (vinte milhões de reais). §1º A antecipação de que trata este artigo referese à 1ª (primeira) prestação do parcelamento. Fl. 579DF CARF MF Processo nº 10980.722372/201461 Resolução nº 2402000.672 S2C4T2 Fl. 580 11 §2º Para enquadramento nos incisos I a IV do caput, considerase o valor total da dívida na data do pedido, sem as reduções de que trata o art. 2º. §3º Para determinação do valor a ser pago a título de antecipação, sobre a dívida consolidada na data do pedido aplicamse as reduções previstas no art. 2º. Considerando que o valor original da divida estava estabelecido em R$ 17 milhões, caberia a Recorrente realizar a antecipação de 15% do montante da divida após aplicadas as reduções. Tomando a hipótese de redução prevista no Art. 2º, inciso V1 da mesma portaria, teríamos: Principal Juros Multa Créditos originais R$ 8.465.842,92 R$ 2.495.464,19 R$ 6.349.382,27 Reduções sem redução 25% 60% Antecipação R$ 8.465.842,92 R$ 1.871.598,14 R$ 2.539.752,91 Assim, o montante apurado após a aplicação das deduções é de R$ 12.877.193,97. Aplicandose o percentual de que trata o Art. 3º, III da Portaria, para a Recorrente aderir ao Parcelamento em questão, indicando os créditos relativos ao Debcad nº 51.056.4950, deveria antecipar a quantia de R$ 1.931.579,09, que com eventual atualização de que trata o §3º do mesmo artigo chegaria aos R$ 1.972.246,06 do Darf em questão. O mesmo ocorreu com os créditos registrados no Debcad 51.056.4968, Contribuições de segurados, que originalmente foram consolidados em R$ 3.601.248,99, sendo composto pelo principal R$ 1.756.332,07, juros R$ 527.667,83 e multa R$ 1.317.249,09, entretanto, para este crédito a Recorrente optou pelo pagamento à vista com as reduções previstas no Art. 2º, inciso I da Portaria2. Neste caso a Recorrente recolheu o principal somando aos juros com redução de 45% de seu valor na data da opção, o que equivale ao valor constante no DARF de Fls 421, emitido em 25/08/2014, com código de receita 4795 Lei nº 12.996, de 2014 RFB Demais DébitosPagamento à vista com utilização de Prejuízo Fiscal e Base de CálculoNegativada CSLL, no valor de R$ 2.046.549,38. 1 Art. 2º Os débitos de que trata esta Portaria Conjunta poderão ser pagos ou parcelados da seguinte forma: [...] V parcelados em até 180 (cento e oitenta) prestações mensais e sucessivas, com redução de 60% (sessenta por cento) das multas de mora e de ofício, de 20% (vinte por cento) das multas isoladas, de 25% (vinte e cinco por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) do valor do encargo legal. 2 Art. 2º Os débitos de que trata esta Portaria Conjunta poderão ser pagos ou parcelados da seguinte forma: I pagos à vista, com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício, de 40% (quarenta por cento) das multas isoladas, de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) do valor do encargo legal; Fl. 580DF CARF MF Processo nº 10980.722372/201461 Resolução nº 2402000.672 S2C4T2 Fl. 581 12 Por fim, o Debcad nº 51.056.4976, contribuições de terceiros, que originalmente constituiu crédito no valor de R$ 2.908.673,08, sendo composto pelo Principal R$ 1.412.407,96; Juros R$ 436.959,59 e Multa R$ 2.908.673,08. Para este lançamento a Recorrente também optou pelo beneficio de redução previsto no Art. 2º, inciso I da Portaria, é o que se percebe através do Darf de fls 429430, emitido em 25/08/2014, também sob o código de Receita 4795, no valor de R$ 1.652.735,46. Tendo em conta estas considerações, este processo foi baixado em diligência conforme determinado na Resolução nº 2402000.523 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária [fls. 527 e ss], eis que confirmada a adesão ao parcelamento, nos termos do Art. 78, §2º do RICARF, haveria desistência da lide nestes pontos. Com tal perspectiva em conta, o processos foi baixando em diligência para que a autoridade preparadora informe se e quais lançamentos presentes nos autos, com suas respectivas competências, foram objeto de parcelamento. Em retorno de diligência foi juntada informação de fl. 538, noticiando a adesão ao parcelamento, porém indicando que o mesmo foi cancelado por decisão administrativa. Indicando ainda, haver 10 parcelas devedoras no valor de R$ 26.167,10. A informação fiscal apresentada foi extremante sumária [Fl. 540]: "Informamos que para este processo não consta parcelamento em manutenção conforme telas anexas. À consideração superior após devolvase à origem para seguimento." Regularmente intimada a Recorrente não apresentou manifestação. Em nosso sentir a questão merece uma investigação mais apurada, sob pena de se decidir matéria que fora objeto de desistência ou se exigir tributo já quitado, ainda que parcialmente. O parcelamento em questão se processa por fase, adesão, opção pela modalidade de pagamento, consolidação com indicação clara das obrigações a serem parceladas ou quitadas e a manutenção de sua regularidade e no caso de haver discussão administrativa ou judicial, apresentação de desistência total ou parcial. Vejamos o regramentos sobre a desistência definidos na Portaria PGFN nº 13/14: Art. 7º Os requerimentos de adesão aos parcelamentos ou ao pagamento à vista com utilização de créditos decorrentes de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) na forma do art. 19 deverão ser protocolados exclusivamente nos sítios da PGFN ou da RFB, na Internet, até às 23h59min59s (vinte e três horas, cinquenta e nove minutos e cinquenta e nove segundos), horário de Brasília, do dia 1º (primeiro) de dezembro de 2014, ressalvado o disposto no art. 22. §5º O requerimento de adesão ao parcelamento ou ao pagamento previstos no caput: Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10980.722372/201461 Resolução nº 2402000.672 S2C4T2 Fl. 582 13 I implicará confissão irrevogável e irretratável dos débitos abrangidos pelo parcelamento ou pagamento em nome do sujeito passivo, na condição de contribuinte ou responsável, configurará confissão extrajudicial nos termos dos arts. 348, 353 e 354 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil (CPC) e sujeitará o requerente à aceitação plena e irretratável de todas as condições estabelecidas nesta Portaria Conjunta; e [...]Art. 8º Para pagamento à vista ou inclusão no parcelamento de débitos objeto de discussão administrativa ou judicial, na forma desta Portaria Conjunta, o sujeito passivo deverá desistir de forma irrevogável de impugnação ou recurso administrativos, de ações judiciais propostas ou de qualquer defesa em sede de execução fiscal e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos e ações judiciais. [...]§ 4º O pagamento à vista ou a inclusão nos parcelamentos de débitos que se encontram com exigibilidade suspensa em razão de impugnação ou de recurso administrativos implicará desistência tácita destes. § 5º Nos casos de pagamento à vista sem utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL de débitos que se encontrem com exigibilidade suspensa em razão de impugnação ou recurso administrativos ou de ação judicial, o sujeito passivo deverá apresentar o comprovante de pagamento dos débitos junto à unidade da PGFN ou RFB de seu domicílio tributário, conforme o órgão responsável pela administração do débito. §6º Somente será considerada a desistência parcial de impugnação e de recurso administrativos interpostos ou de ação judicial se o débito objeto de desistência for passível de distinção dos demais débitos discutidos na ação judicial ou no processo administrativo. Nos autos do presente Processo Administrativo não consta o pedido de desistência que deveria ser apresentado pelo Sujeito Passivo em atendimento ao que dispõe a Portaria PGFN nº 13/14. Por outro lado, os pagamentos realizados, conforme já demonstrado, não deixam dúvida quanto a intenção da Recorrente de parcelar os créditos constituídos pelo Debcad nº 51.056.4950 e pagar á vista, sem utilização de prejuízo fiscal ou base negativa da CSLL, os créditos de que tratam o Debcad 51.056.4968 e Debcad nº 51.056.4976. No caso dos Debcads quitados á vista, teríamos uma renúncia tácita as razões da presente lide e no caso do valores parcelados, a desistência estaria condicionada a consolidação do parcelamento. Embora o retorno de diligência registre que, no momento da consulta, os créditos em lide não estavam sob parcelamento, talvez isso se deva uma decorrência da ausência de atendimento a alguma das fases do processo de parcelamento ou em razão do cancelamento do mesmo. O fato é que houve requerimento e pagamento, inclusive com recolhimento de parcelas conforme demonstram os documentos juntados por ordem da diligência, o que suscita dúvidas a serem esclarecida por meio de nova diligência. Fl. 582DF CARF MF Processo nº 10980.722372/201461 Resolução nº 2402000.672 S2C4T2 Fl. 583 14 Assim, devido ao exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora informe: 1 Quanto ao DARF de Fls 415 e 416, datado de 25/08/2014, recolhido sob o código de receita 4743 Lei 12.996, de 2014 RFB débitos previdenciários parcelamento, no valor de R$ 1.972.246,06, aparentemente calculado na forma da Portaria nº 13/14 para parcelamento dos créditos registrados no Debcad nº 51.056.4950: a) Se o mesmo foi considerado válido para os fins de adesão ao parcelamento; b) Em sendo válido ou não, informe se o mesmo foi apropriado e se a apropriação de tal valor abrangem qualquer parcela dos créditos relativos ao Debcad referido; 2 Quanto ao DARF de Fls 421, emitido em 25/08/2014, com código de receita 4795 Lei nº 12.996, de 2014 RFB Demais DébitosPagamento à vista com utilização de Prejuízo Fiscal e Base de CálculoNegativada CSLL, no valor de R$ 2.046.549,38, aparentemente relacionando a quitação á vista e sem dedução de prejuízo fiscal ou base de calculo negativa dos créditos relativos ao Debcad 51.056.4968: a) Informar se o mesmo foi considerado válido para os fins de conferência do benefício de que trata o Art. 2º da Portaria PGFN nº 13/14; b) Informar se o mesmo foi apropriado e contra quais créditos e os critérios adotados para escolha dos créditos a serem quitados; 3 Quanto ao Darf de fls 429430, emitido em 25/08/2014, também sob o código de Receita 4795, no valor de R$ 1.652.735,46, aparentemente relacionando a quitação á vista e sem dedução de prejuízo fiscal ou base de calculo negativa dos créditos relativos ao Debcad nº 51.056.4976: a) Informar se o mesmo foi considerado válido para os fins de conferência do benefício de que trata o Art. 2º da Portaria PGFN nº 13/14; b) Informar se o mesmo foi apropriado, contra quais créditos e os critérios adotados para escolha dos créditos a serem quitados; 4 Quanto ao parcelamento requerido: a) Informar quais as fases foram atendidas pela Recorrente; b) Qual o teor da decisão administrativa que cancelou a opção; c) Se algum dos pagamentos em antecipação [parcelas no valor de 26.167,10] realizados referese a qualquer dos créditos constantes do presente processo. Após a elaboração da informação fiscais deve dar ciência desta ao sujeito passivo para que, desejando, apresente manifestação escrita no prazo legal. Conclusão Em razão do exposto, voto por converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Fl. 583DF CARF MF Processo nº 10980.722372/201461 Resolução nº 2402000.672 S2C4T2 Fl. 584 15 Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 584DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.721570/2013-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2202-000.822
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para fins de que a autoridade lançadora junte aos autos o extrato do SIPT que embasou o lançamento fiscal, devendo, na sequência, ser intimado o contribuinte para que possa se manifestar acerca do resultado da diligência.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para fins de que a autoridade lançadora junte aos autos o extrato do SIPT que embasou o lançamento fiscal, devendo, na sequência, ser intimado o contribuinte para que possa se manifestar acerca do resultado da diligência. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase, em breves linhas, de lançamento para constituir crédito tributário referente a ITR. Intimado, o Contribuinte impugnou a autuação. Analisando a defesa, a DRJ RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 00 73 .7 21 57 0/ 20 13 -6 0 Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10073.721570/201360 Resolução nº 2202000.822 S2C2T2 Fl. 191 2 manteve integralmente o crédito. Inconformado, o Contribuinte interpôs recurso voluntário, ora levado a julgamento. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Em 16/09/2013 foi lavrada Notificação de Lançamento (fls. 3/8) para constituir crédito complementar referente a ITR em função da glosa da área de interesse ecológico não comprovada e do arbitramento do VTN por falta de comprovação. Intimado em 20/09/2013 (fl. 9), o Contribuinte protocolou Impugnação em 02/10/2013 (fls. 16/33 e docs. anexos fls. 34/75). Chegando à DRJ, foi proferido o acórdão nº 03070.557, de 27/04/2016 (fl. 82/89), que manteve integralmente o crédito tributário e restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2010 DA PERDA DA ESPONTANEIDADE. O início do procedimento administrativo ou medida de fiscalização exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores, para alterar informações da declaração do ITR que não sejam objeto da lide. DA REVISÃO DE OFÍCIO ERRO DE FATO A revisão de ofício, de dados informados pelo contribuinte na sua DITR, somente cabe ser acatada quando comprovada a hipótese de erro de fato, com documentos hábeis, observada a legislação aplicada a cada matéria. DAS ÁREAS DE INTERESSE ECOLÓGICO. Para fins de exclusão do ITR/2010, as áreas de interesse ecológico, declaradas ou pretendidas, deveriam ter sido comprovadas por ato específico de órgão competente e por ADA protocolado tempestivamente no IBAMA. DO VALOR DA TERRA NUA VTN. Deverá ser mantido o VTN/ha arbitrado para o ITR/2010 com base no SIPT, por não ter sido apresentado laudo técnico de avaliação com ART, nos termos da NBR 14.6533 da ABNT, que atingisse fundamentação e grau de precisão II, demonstrando inequivocamente o valor fundiário do imóvel à época do fato gerador do imposto e suas peculiaridades desfavoráveis, que justificassem o valor pretendido. DA MULTA DE OFÍCIO E DOS JUROS DE MORA LANÇADOS. O imposto suplementar, apurado em procedimento de fiscalização, será exigido juntamente com a multa proporcional e os juros de mora baseados na Taxa SELIC, ambos aplicados aos demais tributos. Impugnação Improcedente Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10073.721570/201360 Resolução nº 2202000.822 S2C2T2 Fl. 192 3 Crédito Tributário Mantido Intimado em 27/05/2016 (fl. 147), e ainda inconformado, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 26/06/2016 (fls. 92/97 e docs. anexos fls. 98/146), argumentando, em síntese: · Que não é parte legítima para figurar no polo passivo da autuação, vez que litiga com a empresa White Martins Gases Industriais Ltda. há 45 (quarenta e cinco) anos pela propriedade do imóvel objeto do lançamento, mas que em 2005 a empresa, escorandose em decisões judiciais, vendeu o imóvel para um terceiro, pelo valor de R$ 2.656.115,14, inclusive com registro da transferência no cartório de imóveis da Comarca de ParatyRJ, e que desde então o indivíduo foi desapossado do imóvel. Nesse contexto, em que pese ainda discuta judicialmente, no presente não preenche nenhum dos requisitos dos arts. 29 e 31 do CTN, não podendo figurar como sujeito passivo da exação; · Que, subsidiariamente, o imóvel encontrase inserido na área de interesse ecológico do Parque Nacional da Serra da Bocaina, não sendo necessário ADA nessa hipótese; · Que não existe legislação que determine a obrigatoriedade da apresentação da ADA; · Que a Instrução Normativa IBAMA nº 76 é inconstitucional; · Que não cabe arbitramento do VTN pela fiscalização com base no SIPT; · Que é inconstitucional aplicar a multa de ofício no exorbitante valor de 75%; e · Que é indevida a cobrança de juros pela taxa SELIC. Em 01/07/2016 a mesma peça foi protocolada novamente (fls. 150/155 e docs. 156/188). É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Diligência A verdade é que os autos não se encontram em estágio apto a serem julgados. Conforme o relatório, a notificação de lançamento glosou a área de interesse ecológico e arbitrou o VTN, ambos por falta de comprovação das informações declaradas. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10073.721570/201360 Resolução nº 2202000.822 S2C2T2 Fl. 193 4 Especificamente em relação ao arbitramento do VTN, a autoridade lançadora esclareceu que o efetuou com base no valor obtido no SIPT. Não esclareceu, contudo, a aptidão agrícola utilizada. Compulsando os autos, não se identificaram o extrato do SIPT que lastreou o lançamento. Tratase de informação essencial, sem a qual não se pode analisar e julgar o presente auto. Enfim, entendo ser necessário converter o julgamento em diligência para: · que a autoridade lançadora junte aos autos o extrato do SIPT que embasou o lançamento fiscal; e · após a juntada, intimese o Contribuinte para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 193DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.720514/2009-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO.
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda.
Numero da decisão: 9303-007.316
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de crédito sobre gastos com (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas e tratores (v) medicamentos e fertilizantes, mantendo a decisão recorrida quanto às despesas com empilhadeiras, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento parcial em menor extensão, para restabelecer a glosa apenas com relação aos medicamentos e fertilizantes.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CONCEITO DE INSUMO. DIREITO DE CRÉDITOS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RASIP AGRO PASTORIL S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de crédito sobre gastos com (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas e tratores (v) medicamentos e fertilizantes, mantendo a decisão recorrida quanto às despesas com empilhadeiras, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento parcial em menor extensão, para restabelecer a glosa apenas com relação aos medicamentos e fertilizantes. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 05 14 /2 00 9- 18 Fl. 260DF CARF MF Processo nº 11020.720514/200918 Acórdão n.º 9303007.316 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL, com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 3803003.728 proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, em 27 de novembro de 2012, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 INSUMOS. CRÉDITOS NA INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA O conceito de insumo para a apuração de créditos a descontar do PIS não cumulativo, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária à atividade da empresa, mas tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. AQUISIÇÕES. ALÍQUOTA ZERO Descabe crédito em relação as aquisições de produtos sujeitos a alíquota zero, tendo em vista que prevalece a interpretação de que o art. 153, IV, da CF adota a técnica de cobrança própria dos impostos sobre valor agregado, permitindo a compensação do imposto devido na operação subsequente com a importância recolhida na operação antecedente. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. EQUIPAMENTOS Afastase a glosa dos créditos em relação a despesas de manutenção de empilhadeiras, tratores e pulverizadores e retroescavadeiras, uma vez que no dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade do PIS, o contribuinte possui direito subjetivo ao benefício, tendo em vista que esta despesa está vinculada ao processo produtivo. O Colegiado a quo entendeu por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito e autorizar o ressarcimento tão somente quanto aos seguintes itens: despesas com empilhadeiras (custos de aquisição de GLP e manutenção de empilhadeiras); despesas com aquisições de combustíveis e lubrificantes gastos com viveiros e pomares; despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; despesas com conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes e despesas com embalagem de transporte (material de transporte). Não resignada em parte com a decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto ao conceito de insumos para fins de utilização de créditos das contribuições para o PIS e a COFINS na sistemática da não cumulatividade. Insurgiuse especificamente quanto aos seguintes itens: (1) despesas com empilhadeiras; despesas com embalagem de transporte (material de embalagem); despesas Fl. 261DF CARF MF Processo nº 11020.720514/200918 Acórdão n.º 9303007.316 CSRFT3 Fl. 4 3 com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; despesas com conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes; e (2) despesas com combustíveis e lubrificantes. Visando à comprovação do dissenso interpretativo, com relação às despesas tratadas no item “1” indicou o Acórdão n.º 20312.448, segundo o qual apenas podem ser considerados insumos para fins de cálculo do crédito do PIS nãocumulativo aqueles elencados no art. 3º da Lei nº 10.637/2002 combinado com o art. 66 da IN SRF nº 464/2004, adotando a tese da definição de “insumos” prevista na legislação do IPI. Além disso, invocou paradigmas específicos para cada um dos créditos atacados: despesas com embalagem de transporte (material de transporte) – Acórdão n.º 310100.795; despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores – Acórdão n.º 3302 001.521; e despesas com empilhadeira – Acórdão n.º 3802000.341. Quanto às despesas com combustíveis e lubrificantes, constantes do item “2” da peça recursal, os acórdãos indicados foram os de n.º 380100.470 e 3301001.290. Dentre as decisões citadas como paradigmas na peça recursal, foi considerado como suficiente à comprovação do dissenso, no exame de admissibilidade, o Acórdão n.º 20312.448 que, diversamente da decisão recorrida, adota como conceito de “insumo” a tese trazida na legislação do IPI. A Recorrente aduz, em síntese, que os insumos aptos a serem considerados como créditos de PIS/Pasep e COFINS no regime nãocumulativo foram tratados de foram taxativa no art. 3º das Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente. Portanto, para efeitos de crédito do tributo, incluemse no conceito de insumo, além de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, os itens que sejam incorporados ao bem produzido, e os bens que, mesmo não se integrando à mercadoria, sejam consumidos e/ou alterados no processo de industrialização em função da ação exercida diretamente sobre o produto, com exceção daqueles compreendidos no ativo permanente. Segundo a Fazenda Nacional, tais requisitos não são atendidos pelos itens admitidos como insumos pelo acórdão recorrido, merecendo o mesmo ser reformado. Nos termos do despacho de exame de admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, foi dado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, por ter sido entendida como comprovada a divergência jurisprudencial, com base no Acórdão paradigma n.º 20312.448, quanto ao conceito de insumo para utilização dos créditos na apuração do PIS e da COFINS na sistemática da nãocumulatividade. Cientificada a Contribuinte, não foram apresentadas contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Fl. 262DF CARF MF Processo nº 11020.720514/200918 Acórdão n.º 9303007.316 CSRFT3 Fl. 5 4 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.304, de 15/08/2018, proferido no julgamento do processo 11020.003571/200921, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.304): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito Do Direito ao Crédito de PIS e COFINS nãocumulativos – Conceito de insumos No mérito, adentrase à análise do direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos decorrentes de: (1) despesas com empilhadeiras; despesas com embalagem de transporte (material de embalagem); despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; despesas com conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes; e (2) despesas com combustíveis e lubrificantes. De início, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] Fl. 263DF CARF MF Processo nº 11020.720514/200918 Acórdão n.º 9303007.316 CSRFT3 Fl. 6 5 consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 264DF CARF MF Processo nº 11020.720514/200918 Acórdão n.º 9303007.316 CSRFT3 Fl. 7 6 empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Fl. 265DF CARF MF Processo nº 11020.720514/200918 Acórdão n.º 9303007.316 CSRFT3 Fl. 8 7 Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em Fl. 266DF CARF MF Processo nº 11020.720514/200918 Acórdão n.º 9303007.316 CSRFT3 Fl. 9 8 substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime nãocumulativo. Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos, pois pendente de julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Fazse a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda". No caso dos autos, conforme já afirmado, a Contribuinte RASIP AGROPASTORIL S/A é pessoa jurídica que desenvolve a atividade econômica principal do cultivo de maçãs. No seu Estatuto Social (fl. 213), art. 3º, como objeto social são listadas as seguintes atividades: "(a) a produção agrícola e pastoril, a fruticultura e apicultura; (b) a criação de rebanhos de diversas espécies; (c) a indústria, o comércio, a importação e a exportação de produtos alimentícios, de produtos da agricultura, da fruticultura e da pecuária, inclusive derivados do leite; (d) a elaboração e execução de projetos e atividades de fruticultura, florestamento e reflorestamento; (e) a produção e comercialização de produtos agrícolas, sementes e mudas; e (f) a prestação de serviços inerentes a essas atividades." Importa ter em perspectiva referida atividade econômica desenvolvida pela Recorrida, pois ao se adotar o critério da pertinência, relevância e essencialidade para a definição do conceito de insumos, tais parâmetros devem ser analisados frente ao processo produtivo do Sujeito Passivo em referência. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 11020.720514/200918 Acórdão n.º 9303007.316 CSRFT3 Fl. 10 9 A Fazenda Nacional, por meio de recurso especial, confronta o acórdão do recurso voluntário no que tange à possibilidade de tomada de créditos de PIS e COFINS não cumulativos pela Contribuinte decorrentes dos seguintes itens, divididos em dois grupos: (1) despesas com empilhadeiras; despesas com embalagem de transporte (material de embalagem); despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; e (2) despesas com combustíveis e lubrificantes. Na perspectiva do conceito de insumos segundo o critério da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo, entendese não assistir razão à Recorrente quanto ao pedido de restabelecimento das glosas, pois as despesas em testilha têm relação direta com a atividade econômica principal da empresa contribuinte – o cultivo de maçãs. Para elucidar a assertiva, passase à análise individual dos bens e serviços: (a) despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção): no Relatório de Verificação Fiscal (fl.96), após visitas da Fiscalização à sede da empresa, foi consignado que as empilhadeiras são utilizadas para diversos fins: “descarregamento da fruta vinda dos pomares, carregamento/descarregamento da fruta nas câmaras frias, movimentação pelo packing (local onde a maçã é selecionada, limpada e embalada), bem como no carregamento das caixas de maçãs na saída dos produtos do estabelecimento”. Entendeu a Autoridade Fiscal que, ante a falta de segregação dos custos, despesas e respectivos créditos vinculados às empilhadeiras pela Contribuinte, não haveria direito ao crédito, por inexistência de previsão legal, já que as mesmas seriam utilizadas para “mero transporte da fruta dentro do processo produtivo (não há transformação ou ação direta sobre a maçã)” e, ainda, “após a finalização do processo produtivo, em suma, no início da operação de venda – carregamento da fruta na saída do estabelecimento (expedição)”. O entendimento da Fiscalização – que também é defendido pela Fazenda Nacional – é pautado pelo critério do conceito de insumos da legislação do IPI, exigindo o contato, desgaste, modificação do bem ou serviço no processo produtivo, bem como que o mesmo entre em contato com a mercadoria a ser produzida. No entanto, à luz da posição intermediária para definição do conceito de insumos, a utilização das empilhadeiras para o transporte das frutas nos pomares e para o seu carregamento na saída do estabelecimento, denota pertinência, relevância e essencialidade, com o processo produtivo do cultivo de maçãs. As empilhadeiras foram utilizadas pela Contribuinte na produção, ainda que de forma indireta, e se mostram indispensáveis à consecução do seu objeto social de produção e venda das maçãs. Além disso, não se pode imaginar que não conte a empresa com o auxílio de máquinas para o transporte do seu produto, em grandes quantidades, ao longo da produção e na saída para a venda, pois hipótese contrária inviabilizaria o próprio cultivo e escoamento da produção. Portanto, deve ser mantido o reconhecimento do direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos com relação às despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção). " (...)3 "(e) Conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes: 3 Não se transcreveu, do voto da relatora do processo paradigma, a parte que analisou o direito de crédito de insumos cujos entendimentos resultaram vencidos na votação, e que, portanto, não se aplicam à solução do presente litígio. Contudo, a íntegra do voto consta do Acórdão 9303007.304. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 11020.720514/200918 Acórdão n.º 9303007.316 CSRFT3 Fl. 11 10 Com relação aos medicamentos e fertilizantes, têmse que deve ser reformada a decisão para excluílos da possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e COFINS não cumulativos. Isso porque, consoante apontado no Relatório de Verificação Fiscal, estavam sujeitos à alíquota zero na operação anterior de aquisição dos mesmos, possibilidade de crédito que foi afastada pelo próprio acórdão recorrido ao tratar do tópico específico da “alíquota zero”. Por essa razão, nesse ponto dáse provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional para restabelecer a glosa com relação aos medicamentos e fertilizantes." (...) "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões, quanto ao direito de se aproveitar créditos sobre despesas que não integram o custo do produto industrializado. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS e da Cofins no regime da nãocumulatividade previsto nas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Como visto, a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso da Fazenda Nacional, como bem relatado, referese ao aproveitamento de créditos assim separados: 1) Despesas com empilhadeiras 2) combustíveis e lubrificantes; 3) Bens diversos; 4) Materiais utilizados para embalagens de transporte; 5) Serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; e 6) Conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes Porém, como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da necessidade e da essencialidade, adotado pelo voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º das Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que trata das possibilidades de creditamento do PIS e da Cofins: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 269DF CARF MF Processo nº 11020.720514/200918 Acórdão n.º 9303007.316 CSRFT3 Fl. 12 11 III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (...). 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...). Fl. 270DF CARF MF Processo nº 11020.720514/200918 Acórdão n.º 9303007.316 CSRFT3 Fl. 13 12 Ora, segundo estes dispositivos legais, somente geram créditos das contribuições os custos com bens e serviços utilizados como insumos na fabricação dos bens destinados a venda. Note que os dispositivos legais descrevem de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não necessitariam ter sido elaborados desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não haveria necessidade de ter descido a tantos detalhes. No presente caso, é incontroverso que as referidas despesas são necessárias para a atividade econômica do contribuinte. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que os gastos com aqueles bens e serviços estão vinculados às atividades econômicas do contribuinte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda e na prestação de serviços. Portanto, considerando esse conceito de que os insumos devem ser utilizados diretamente na fabricação do produto destinado a venda, passemos à análise de cada item objeto do recurso especial. 1) Despesas com empilhadeiras (combustíveis e peças de manutenção) Nesse ponto só vou justificar as razões porque acompanhei a relatora pela possibilidade de tal creditamento. Verificase pelo relatório fiscal que essas empilhadeiras são usadas dentro do processo fabril de beneficiamento das maças, produto final do contribuinte. Ou seja, os combustíveis e as peças de manutenção, não ativáveis, são consumidas diretamente no processamento das maças, que são efetivamente os produtos destinados à venda. 2) Combustíveis e lubrificantes Na análise do direito ao crédito efetuada pela autoridade fiscal, foi negado o crédito nas aquisições de combustíveis não utilizados diretamente no processo produtivo. De acordo com a fiscalização a maior parte dos créditos pleiteados eram referentes a combustíveis e lubrificantes utilizados em tratores agrícolas. Em seu recurso voluntário, o contribuinte sustenta que o processo produtivo de maçãs é amplo e iniciase desde o cultivo da terra. Ou seja, um retorno ao conceito de essencialidade, não em relação à sua atividade produtiva direta, mas em relação à sua atividade econômica como um todo. Inclusive, como esclarecido no relatório da fiscalização, boa parte desses combustíveis eram levados ao ativo imobilizado pela própria empresa, em razão da vida útil dos pomares. Porém, como já frizado, as leis da não cumultatividade não trazem essa ampliação toda como pretende o contribuinte e como entende a ilustre relatora do presente voto. Como abordo no item seguinte, não há possibilidade legal do aproveitamento de créditos de insumos de insumos. 3) Bens Diversos Nessa rubrica, o acórdão recorrido negou o creditamento de vários itens e concedeu o crédito sobre alguns itens com a seguinte justificativa: Por sua vez, tomando por vista que a Interessada também é produtora de queijo e derivados do leite, e portanto necessita de todo um cuidado quanto ao gado, para que o produto comercializado e fornecido ao consumidor final seja de boa qualidade, despesas com materiais de limpeza e higienização, cerca para rebanhos e manutenção de laboratório dado seu contato direto com o produto e participação efetiva no processo produtivo devem ser aproveitadas pela empresa. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 11020.720514/200918 Acórdão n.º 9303007.316 CSRFT3 Fl. 14 13 Não concordo com essa assertiva e não vejo que são insumos, da forma como genericamente descritos, utilizados no processo industrial do produto destinado a venda. O fato, por si só, de que ele tenha a atividade de produção de queijo e leite, significa concluir o seu uso diretamente em sua fase industrial. Notoriamente a cerca para rebanhos, além de não ser insumo, pois provavelmente deve ser um item do ativo imobilizado, jamais teria alguma utilidade direta na fabricação de queijo e leite. Da mesma forma, há que ser comprovado que as despesas com limpeza e higienização não se referem à fase pré industrial. Em que momento foram aplicadas essas despesas. Manutenção de laboratório, também é um termo muito genérico para ser acatado como despesas aplicadas no processo industrial. Importante relembrar que a legislação não prevê possibilidade de creditamento de insumos de insumos e esse colegiado tem tido o entendimento de que não é possível o creditamento de insumos utilizados na fase agrícola, ou préindustrial. 4) Materiais utilizados para embalagens de transporte Tomo da transcrição de trecho do voto da decisão recorrida, sobre que elementos está se discutindo tal creditamento. Constam na glosa itens como Cantoneiras – utilizadas para evitar o amassamento das caixas de papelão pelas amarras durante o transporte do produto; Pallets e seus acessórios – pregos e etiquetas – utilizados para o empilhamento de caixas para armazenamento e transporte; Fitas/Amarras – usadas para amarrar as caixas de papelão sobre os pallets. Observe que são todos itens utilizados após o encerramento do processo produtivo. São utilizados para acondicionamento de transporte da produção. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que o uso da embalagem é essencial para a preservação das características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. Penso inclusive, que em maior ou menor grau, a depender do produto final, esta é a finalidade mesmo da embalagem de transporte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Portanto após o encerramento do processo produtivo não é possível tal creditamento, a não ser nas hipóteses expressamente previstas na legislação, a exemplo do aproveitamento do crédito do frete na operação de venda (situação excepcionada expressamente pela Lei) ou alguém seria capaz de dizer que o frete na operação de venda, suportado pelo contribuinte, não é um item essencial à sua atividade econômica. Se bastasse isso não seria necessária a excepcionadade constante da Lei. 5) Serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores. Pela característica dos bens, evidente que sua utilização é feita na etapa pré industrial. Na manutenção das lavouras que faz parte da etapa agrícola, em relação aos quais nego provimento pelas mesmas razões do item 3, supra analisado. 6) Conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes Em relação aos itens medicamentos e fertilizantes manifesto minha concordância com o voto da ilustre relatora que neste ponto proveu o recurso especial da Fazenda Nacional. Em relação aos demais confirmo o entendimento do colegiado de que sobre tais itens não há previsão legal para autorizar o creditamento, por fugirem do conceito legal de insumos estabelecido pela legislação de regência. Como dito nos itens 3 e 5 anteriores, tratamse de despesas relevantes para atividade econômica do contribuinte, porém aplicadas nas fases antecendentes ao processo produtivo propriamente dito. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 11020.720514/200918 Acórdão n.º 9303007.316 CSRFT3 Fl. 15 14 Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para reestabelecer as glosas de crédito em relação aos seguintes itens: (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores e (v) conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para reestabelecer as glosas de crédito em relação aos seguintes itens: (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores e (v) conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 273DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.904600/2012-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008
Pagamento Indevido. Direito de Crédito. ônus da Prova.
Nos pedidos de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte.
Numero da decisão: 1301-003.395
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 PAGAMENTO INDEVIDO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Nos pedidos de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 46 00 /2 01 2- 43 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10930.904600/201243 Acórdão n.º 1301003.395 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por RCC VEÍCULOS LTDA., pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra a decisão da DRJ, que negou provimento à manifestação de inconformidade da recorrente, mantendo o despacho decisório da DRF de origem. No referido despacho decisório, a autoridade administrativa não reconheceu a existência do crédito pleiteado pela recorrente e, assim, deixou de homologar a compensação declarada em dcomp. A decisão fundouse no argumento de que, embora tendo sido encontrado o DARF, o pagamento já estava inteiramente utilizado para quitar outro débito da própria recorrente, não remanescendo qualquer valor. Não homologada a compensação, sobreveio manifestação de inconformidade, à qual a DRJ negou provimento. O órgão julgador de primeira instância deixou consignado que a retificação de declaração, por iniciativa do próprio declarante, quando destinada a reduzir ou excluir tributo, só é admissível quando comprovado o erro em que se funda a retificação. Além disso, incumbe ao sujeito passivo apresentar a prova da existência do crédito pleiteado, de tal modo a viabilizar, para a autoridade administrativa, a verificação de liquidez e certeza do direito. Não resignada, a contribuinte interpôs recurso. Disse que, após realizar revisão contábil, constatou ter apurado incorretamente débitos de tributo. Diante disso, apresentou declarações de compensação a fim de recuperar os valores pagos indevidamente. Com o mesmo propósito, retificou DIPJ e DCTF, nesta última declarando valor de débito menor do que aquele que havia sido recolhido, resultando daí um crédito a favor da recorrente. A recorrente sustenta que as declarações retificadoras devem ser aceitas como prova de seu direito. Nessa linha de argumentação, distingue procedimento administrativo tributário de processo administrativo tributário. O primeiro nada mais seria do que a ação de acompanhamento realizado pelo órgão público, sem conteúdo de litígio, apenas com finalidade informativa. O processo, ao contrário, teria por objeto a resolução de um conflito em matéria tributária, cabendo à Administração o controle de legalidade dos atos praticados pelo contribuinte. Segundo essa classificação, o presente processo seria apenas um procedimento administrativo, instaurado pela Receita Federal para verificar a declaração de compensação entregue pela recorrente. Só após o lançamento fiscal é que se teria processo administrativo tributário propriamente dito, bastando para tanto que o contribuinte formalizasse a impugnação, ou seja, a resistência face à pretensão fiscal. Em vista desses argumentos, concluiu que o acórdão da DRJ cometera grave equívoco ao desconsiderar a DCTF retificadora, sob o fundamento de que a retificação se dera após a ciência do despacho decisório. Concluiu dizendo que, no caso concreto, o processo administrativo se instaurou apenas com a apresentação da manifestação de inconformidade, não existindo antes disso lançamento tributário. Nessa linha de raciocínio, seria incorreto desconsiderar a DIPJ e a DCTF como provas da retificação dos valores anteriormente informados. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10930.904600/201243 Acórdão n.º 1301003.395 S1C3T1 Fl. 4 3 No mais, aduziu que não tinha sofrido procedimento de fiscalização, nem os débitos haviam sido enviados à Procuradoria da Fazenda NacionalPFN. Somente com a decisão recorrida é que se tomou ciência de um processo administrativo de cobrança de débitos. Com esses fundamentos, pugnou pelo reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.391, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10930.904596/2012 13, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.391): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. A controvérsia gira em torno da existência do direito creditório oriundo de pagamento parcialmente indevido de tributo. A DRF de origem não homologou a compensação porque o pagamento se encontrava inteiramente alocado a um débito declarado pela própria recorrente. A DRJ, por sua vez, negou provimento à manifestação de inconformidade por falta de comprovação do direito. Nos pedidos de restituição e nas compensações, cumpre ao contribuinte, em primeiro lugar, fazer prova do pagamento, ou seja, demonstrar que o dinheiro entrou nos cofres públicos. Depois, tem de provar que esse pagamento se fez em desacordo com a legislação aplicável. Vale dizer, provar que houve erro na apuração do débito; ou provar que quem pagou não era devedor ou aquele que recebeu o pagamento não era o credor (erro quanto ao sujeito da relação jurídica). O contribuinte não precisa provar que pagou por erro, nem que o erro era escusável. Basta demonstrar que o pagamento se fez em desacordo com a legislação aplicável. No caso em exame, a recorrente cingiuse a afirmar que fizera uma revisão contábil, que evidenciou erro na apuração do débito. Não disse, entretanto, em que consistia o erro. O erro, em tese, pode decorrer de inúmeras situações, tais como a inclusão Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10930.904600/201243 Acórdão n.º 1301003.395 S1C3T1 Fl. 5 4 na base de cálculo de receitas isentas ou imunes, de receitas já tributadas ou passíveis de diferimento; do registro de meros ingressos de caixa como sendo valores tributáveis; da falta de registro de despesas dedutíveis. Ademais, o indébito pode ter origem em toda sorte de equívocos referentes aos ajustes do lucro líquido, bem como do emprego de alíquotas incorretas. Diante da imprecisão e da forma lacônica como o fato constitutivo do direito da recorrente foi descrito no recurso, tornase ocioso qualquer exame de livros fiscais e contábeis, bem como a determinação de qualquer tipo de diligência, em face da impossibilidade de delimitar o objeto a ser examinado. Ressaltese que a retificação da DCTF, ou de qualquer outra declaração pelo próprio contribuinte, depois de ter sido intimado do despacho decisório, não serve como prova do pretenso direito creditório. Nesse sentido é o Parecer Normativo Cosit nº 2/2015 e a jurisprudência do CARF. Na situação em análise, além de a retificação da DCTF ser posterior à intimação do despacho decisório, não há no recurso sequer a descrição do fato de que teria se originado o crédito pretendido. A regra básica, em matéria de prova, é a de que aquele que alega o fato tem o ônus de proválo. Portanto, se no auto de infração o ônus da prova é da autoridade fiscal, nos pedidos de restituição e nas compensações o ônus de provar o indébito é daquele que bate às portas do Fisco, reivindicando o direito. Por último, cabe dizer que, no caso em exame, a solução da controvérsia passa ao largo das supostas diferenças entre processo e procedimento. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10930.904600/201243 Acórdão n.º 1301003.395 S1C3T1 Fl. 6 5 Fl. 85DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720546/2016-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 2401-005.812
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa., Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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GANHO DE CAPITAL Recorrente EUFRASIO HUMBERTO DOMINGUES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa., Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 05 46 /2 01 6- 84 Fl. 3904DF CARF MF Processo nº 19515.720546/201684 Acórdão n.º 2401005.812 S2C4T1 Fl. 3.905 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora que, por unanimidade de votos, julgou improcedente Impugnação apresentada contra Auto de Infração que apurou crédito tributário no valor total de R$ 14.291.078,85, fato gerador 21/12/2011, por falta de recolhimento do imposto incidente sobre ganhos de capital na alienação de bens e direitos, tendo o fiscalizado informado corretamente o referido imposto na Declaração de Ajuste Anual. Do Termo de Verificação Fiscal, em síntese, extraise: a) Compulsando a DIRPF do exercício 2012. anocalendário 2011, os documentos e esclarecimentos apresentados pelo contribuinte Eufrásio Humberto Domingues, além de declarações, documentos apresentados e lançamentos contábeis da Terrasol, constatouse a infração de omissão do ganho de capital na alienação do imóvel situado na Rua General Manoel Azambuja Brilhante. n° 400, bairro centro, Osasco SP, cep 06010016. Tal alienação foi informada na DIRPF, exercício 2012. com valor de alienação RS 75.708.732,00 e custo de aquisição do RS 40.750.566,58, sendo apurado ganho de capital de RS 33.200.429,21 e imposto devido (15% do ganho) de RS 4.980.064,38. Tendo em vista o custo de aquisição de R$ 40.750.566,58, o fiscalizado foi intimado por meio do TTF05 e TTF06 a comprovar o efetivo dispêndio dos valores considerados como custo do imóvel, qual seja, o desembolso do montante referente ao custo das obras do Exército Brasileiro passível de apropriação como custo do imóvel. b) De acordo com as declarações do contribuinte e constatações por meio de documentação apresentada, este venceu a licitação com o Exército Brasileiro e contratou a Terrasol (para fornecer a matérias e supervisionar a obra) e a Tratenge (para executar a obra). Como as faturas da Tratenge eram emitidas em nome da Terrasol, a Terrasol assumiu todos os custos das obras de construção civil (materiais e mão de obra) do exército mediante contrato com a pessoa física Eufrásio Humberto Domingues. Como conclusão, a Terassol assumiu todos os custos de mão de obra (efetivadas pela Tratenge e faturadas em nome da Terrasol) e de material (Terrasol) para as obras do Exército Brasileiro, além do acompanhamento técnico de supervisão. c) Com a realização das obras para o Exército, houve a efetivação da transferência da propriedade do imóvel prometido em dação em pagamento para o fiscalizado. E em 21/12/2011. foi lavrada a Escritura Publica de Dação em Pagamento no 16° Tabelião de Notas de São Paulo, no qual o fiscalizado efetua, em dação em pagamento, a transferência da propriedade do imóvel outrora pelo Exército Brasileiro ao outorgado Phaser Incorporação SPE S/A, pelo valor final de RS 75.708.732,00. Segundo a escritura pelo valor final de RS 75.708.732.00 a PJ Phaser (credora) dá quitação aos seguintes créditos (Eufrásio Humberto Devedor): RS 70.708.732,00 cedidos pela Banif — Banco Internacional do Funchal (Brasol) S/A à Phasar, tendo como devedor a pessoa física Eufrásio Humberto desde a origem. E também R$ 5.000.000,00 cedidos pela Fl. 3905DF CARF MF Processo nº 19515.720546/201684 Acórdão n.º 2401005.812 S2C4T1 Fl. 3.906 3 Lindencorp Participações e Incorporações Ltda à Phaser, tendo como devedora a Conspar Empreendimento e Participações Ltda. d) Da apuração do ganho de capital e custo de aquisição — para que o contribuinte possa considerar os custos da obra como custo do imóvel adquirido do Exército Brasileiro em futura alienação, é imprescindível que ele tenha incorrido no pagamento e consequente assunção efetiva de tais custos frente à contratada Terrasol (uma vez que a Terrasol efetivamente assumiu todos os custos e pagamentos decorrentes das obras). Em resposta a TIF05 (26/04/2016) e TIF06 (20/06/2016), o contribuinte declara que, de fato, os tais custos desembolsados pela Terrasol ainda estão pendentes de quitação. Alega ainda que os custos da obra estão contabilizados na forma de mútuo entre a Terrasol (mutuante) e o contribuinte (mutuário). De rigor, não se trata de mútuo, mas de contrato de prestação civil (celebrado com a Terrasol) seguido de declaração de dívida do devedor Eufrásio Humberto. Mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis, consistindo em contrato real que se aperfeiçoa com a efetiva entrega do dinheiro. Portanto, não se presta a substituir assunção de prestação contratual (dever de pagar em detrimento da construção civil), ou a garantir dividas. Portanto, não há de se falar em mútuo, pois não houve a efetiva transferência de dinheiro da Terrasol para o Eufrásio Humberto, mas reconhecimento da dívida do segundo em relação ao credor Terrasol. e) Mesmo que o contribuinte tivesse apresentado instrumentos eficazes a surtir efeito de confissão de divida tais com declaração e confissão de dívida, ou notas promissórias, ainda sim restaria demonstrado que a quitação não ocorreu. Ausente a efetiva assunção de despesa com o desembolso e o reflexo econômico dos gastos, impossível a dedução como custo da obra para fins de redução de ganho de capital como professa o contribuinte. A Declaração de Ajuste Anual (exercício 2012) do contribuinte corrobora a existência de uma dívida com a Terrasol intitulada como empréstimo no valor de RS 40.750.566,58, exatamente o valor de custo de obras de construção do Exército Brasileiro. Ou seja, tratase de uma dívida em 31/12/2011, data posterior à alienação (21/12/2011), portanto não quitada e não passível de apropriação como custo de aquisição para dedução do ganho de capital. f) Concluise que quem efetivamente custeou o empreendimento do exército foi a Terrasol, restando uma dívida da pessoa física Eufrásio Humberto Domingues para com a pessoa jurídica. Por se tratar de negócio com parte relacionada, no qual é credor e devedor, embora não se confundam, possuem interesses em comum já que são respectivamente Terrasol e o próprio sócio administrador Eufrásio Humberto, não há efetiva quitação ou cobrança neste sentido. Resta patente a impossibilidade de considerar e abater o custo de aquisição inexistente para apurar o ganho de capital. Tais custos só poderiam ser deduzidos para fins de cálculo de ganho de capital se a pessoa física Eufrásio Humberto Domingues tivesse quitado os custos assumidos pela Terrasol até a data da alienação à Phaser (21/12/2011) ou situação hipotética, a própria Terrasol tivesse vencido a licitação, efetuado as obras e recebido o imóvel e alienado à Phaser. Fl. 3906DF CARF MF Processo nº 19515.720546/201684 Acórdão n.º 2401005.812 S2C4T1 Fl. 3.907 4 g) O custo de aquisição, no caso de bem imóvel, deve ser calculado na forma como determina o artigo. 131, combinado com os artigos 128, 835 e 841 do RIR e artigos 5º e 17º da Instrução Normativa SRF nº 84 de 1/10/2001. Como não houve valores efetivamente pagos pela pessoa física e o custo de obras de Exército ainda são valores devidos por Eufrásio Humberto Domingues para a Terrasol, o custo de aquisição foi de R$ 0,00. O contribuinte apresentou impugnação, considerada tempestiva, da qual, em síntese, se extrai: a) Houve cerceamento de defesa ao entregar ao fiscalizado apenas o auto de infração e seus anexos e Relatório Fiscal, sem as cópias dos documentos e planilhas que embasaram a autuação. b) Fiscalização de Período Já Fiscalizado deve ser decretada a nulidade do lançamento em face do disposto no art. 146 do CTN, pois as exigências do presente Auto de Infração já tinham sido objeto de outro MPF, o de n° 06.1.85.000 2013001990, executado e encerrado pela Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes — DEMAC — Belo Horizonte (MG), sendo encerrada sem qualquer procedimento exigência (RIR, art. 906; e jurisprudência). c) Decadência. Descabia exigência fiscal para apresentação dos documentos comprobatórios do custo de aquisição, relativo aos períodos de 09/2008, 12/2009, 12/2010, pois já tinham decorrido mais de cinco anos para a apresentação desses documentos, tendo decaído assim o valor de R$ 33.979.688.90. Nesse sentido, o ganho de capital seria R$ 39.630.859,66 e a tributação de 15% sobre esse valor no total de R$ 5.944.628,80. Com o valor recolhido do imposto sobre ganho de capital de R$ 4.980.064,38 teria um saldo a pagar de R$ 964.564,42, muito diferente do cálculo do fiscal. d) Da não aceitação dos documentos comprobatórios da Obra. Os pagamentos dos materiais de construção para a Tratenge foram realizados pela Terrasol por conta de contratos de mútuos, firmados entre o fiscalizado e a Terrasol (Doc. 03), da qual o fiscalizado é sócio, sendo devidamente escriturados no Livro Razão da Terrasol, cujos empréstimos se encontram ainda pendentes de pagamento e suportadas por notas promissórias. (Doc. 04). Reproduz parte do item 7.3 e 7.3.1 do Relatório Fiscal e argumenta que sem ter motivo plausível para motivar sua autuação, o Auditor distorceu os fatos ao citar, equivocadamente, a legislação que vigorou para o período de 1º de janeiro de 1992 até 31 de dezembro de 1995, por ser anterior à data de aquisição dos bens ou direitos, não alcançando fatos ocorridos depois do ano calendário de 2008, além de que menciona o §2°, do artigo 128, da IN SRP n° 84, de 2001, como se as aquisições fossem com pagamento parcelado, inclusive por intermédio de financiamento, que destoa completamente do caso em questão. As referidas aquisições foram pagas à vista pela Terrasol, conforme lançamentos entregues ao Auditor Fiscal, datada de 27/06/2016 e recebida em 28/06/2016 (Doe. 05), cujo empréstimo foi suportada por Contrato de Mútuo firmado entre o notificado e a Terrasol. Quanto à não aceitação pela fiscalização dos materiais de construção como documentos Fl. 3907DF CARF MF Processo nº 19515.720546/201684 Acórdão n.º 2401005.812 S2C4T1 Fl. 3.908 5 comprobatórios dos custos da obra sob a alegação de que estes se encontravam em nome da Tratenge e Terrasol, o fiscalizado argumenta que o Auditor Fiscal desconhece que essa prática que é usual na área de construção civil, pois, cabe as contratadas ou subcontratadas, por força contratual, efetuar compras de materiais de construção em seu nome próprio, as quais, depois da prestação de contas, são reembolsadas por estes gastos. Estranha ainda a posição firmada pelo Auditor Fiscal de não aceitar, também, à comprovação do custo em virtude da não liquidação das parcelas descritas nos contratos de mútuos firmados entre o contribuinte e a Terrasol, pois se algum inconveniente houvesse sobre tal assunto, caberia exclusivamente à parte (Terrasol) tomar as medidas cabíveis para o recebimento das parcelas e não ao Auditor Fiscal. Refuta o item 3.5 do Relatório Fiscal, no qual o Auditor afirma que para a execução da obra, a Terrasol valeuse de recursos contabilizados e declarados pelo contribuinte Terrasol (mutuaria) como mútuo, tendo como mutuante, a empresa Conspar Empreendimentos e Participações Ltda (Conspar), pois o Auditor Fiscal fora informado de que o contribuinte não efetuou qualquer empréstimo a empresa CONSPAR, relacionadas à "obra do exército", a qual foi evidenciada na resposta do "Termo de Intimação Fiscal", de 03/12/2015, recebida em 08/12/15 pelo Chefe — Matr. 6154332 Cleber Ramos da Silva (Doe. 06), em seu item 5. Entende que o lucro na operação de venda de imóveis por pessoas físicas é considerado como ganho de capital pela diferença positiva entre o valor de alienação de bens ou direitos e o respectivo custo de aquisição. Defende que a afirmativa do capítulo 5 do Relatório Fiscal, que trata da fundamentação, natureza jurídica e características do fato gerador, de que constatouse infração de OMISSÃO DO GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEL, além de ser inverídica, é equivocada e sem qualquer respaldo legal, haja vista que a operação imobiliária foi devidamente informada na Declaração de Ajuste Anual — 2012 (Doe. 07), o que vem a demonstrar, mais uma vez, o desconhecimento dos fatos e o despreparo do nobre Auditor Fiscal em não saber distinguir da omissão de ganho de capital na alienação de imóvel da glosa de custo. e) Da Possibilidade de Aferição Indireta da Obra de Construção Civil discorre sobre aferição indireta em obra de construção civil e defende que o fisco ao não aceitar os documentos comprobatórios do custo da obra, poderia ter efetuado o arbitramento de custo de construção civil, levando em consideração a área construída os respectivos valores (base SINDUSCOM), nos termos do art. 142 do CTN, ao invés de considerar zero como custo da obra de construção civil. f) Do Ônus da Prova discorre sobre ônus da prova e argumenta que as informações prestadas pelo Auditor Fiscal foram feitas com meras suposições, já que não conseguiu qualquer ilícito fiscal, bem como o Auditor não obedeceu aos princípios que norteiam o ordenamento jurídico, pois deixou margem a duvidas sobre a matéria. g) Do Pedido por fim, requer o cancelamento do auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Física, e o arquivamento do processo Fl. 3908DF CARF MF Processo nº 19515.720546/201684 Acórdão n.º 2401005.812 S2C4T1 Fl. 3.909 6 administrativo fiscal, protestandose provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidas, especialmente apresentação de demonstrativos, extratos, declarações, documentos, inclusive perícias, diligências, vistorias, aditamentos, juntada de documentos e as que mais se fizerem necessárias. Do Acórdão prolatado pela Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, em síntese, se extrai: a) Cerceamento. O interessado teve ciência da descrição detalhada da infração imputada e da fundamentação legal em que se baseou o Auto de Infração, bem como de todos os valores considerados para determinar a matéria tributada. Os fatos e a fundamentação legal foram devidamente explicitados na Descrição dos Fatos Legais e no Relatório Fiscal, e permitiram ao impugnante o conhecimento pleno da motivação da ação fiscal, sem dar margem a dúvidas quanto à matéria tida como infringida, inexistindo, assim, qualquer embaraço ao exercício do seu direito de defesa. O contribuinte poderia ter tido vista do processo e obtido cópia. Além disso, a impugnação demonstra pleno conhecimento da infração. Rejeitase a preliminar. b) Período já fiscalizado. A presente ação fiscal foi instaurada após ordem por escrita com a devida autorização do SuperintendenteAdjunto da SRRF Superintendência da Receita Federal do Brasil da 8ª Região FiscaL fl. 358, através do Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal de Fiscalização (TDPFF) n° 08.1.96.002016025280, Termo este que instaura o procedimento fiscal, conforme Portaria n° 1687 de 17/09/2014. Dessa forma, mesmo que já tenha ocorrido a fiscalização do período ora verificado, o novo exame do anocalendário 2011 foi procedido com base em ordem escrita da autoridade competente, como se vê pelo citado TDPF F. Observado o art. 906 do RIR e inexistente qualquer hipótese do art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972. c) Decadência. Tratandose de lançamento não sujeito ao ajuste anual, para o qual houve pagamento parcial do tributo, o prazo de decadência se iniciou no mês da ocorrência do fato gerador, em dezembro/2011, encerrandose em dezembro/2016. Cabe registrar que incumbe ao contribuinte a comprovação do custo atribuído ao bem ou direito, ainda que o bem tenha sido adquirido e declarado há mais de cinco anos da data do lançamento. Portanto, enquanto não decaído o direito de a Fazenda realizar o lançamento relativo ao ganho de capital na alienação de bem ou direito, o contribuinte é obrigado a manter em boa guarda os documentos comprobatórios do custo de aquisição do bem ou direito alienado. Considerando que por ocasião da ciência do lançamento, 18/10/2016, fl. 369, o direito da Fazenda Pública de lançar não estava extinto, não há de se falar em decadência. d) Ao contrário do que defende o sujeito passivo, não há que acatar como custo de aquisição os documentos comprobatórios de dispêndio com o empreendimento de construção civil em relação ao Exército Brasileiro, se não foi comprovado que o custo foi suportado pelo mesmo. Fl. 3909DF CARF MF Processo nº 19515.720546/201684 Acórdão n.º 2401005.812 S2C4T1 Fl. 3.910 7 e) Empréstimos/mútuos realizados com terceiros, pessoa física ou jurídica, além de estarem consignados nas declarações de imposto de renda do mutuante e do mutuário, devem estar comprovados, por meio de documentação hábil e idônea, a sua contratação, a efetiva transferência de numerário do credor para o tomador. coincidente em datas e valores, e a quitação pelo devedor da dívida contraída. E necessário também que seja compatível com os rendimentos e disponibilidades financeiras declarados pelo mutuante, nas respectivas datas de entrega e recebimento dos valores. Sem esses elementos para conferir veracidade aos contratos de mútuo, não é possível aceitálos. Verificase que os "contratos de mútuo" anexados às fls. 412/413 e 414/419, não comprovam negócio jurídico perante a Fazenda Pública, uma vez que os documentos apresentados encontramse apenas assinados pelo mutuante e mutuário, que no caso se trata da mesma pessoa, pois o contribuinte representa a empresa Terrasol, e por duas testemunhas, sem reconhecimento de suas firmas e sem qualquer registro público. Ademais, não se trata, tão somente, da "formalidade" do contrato de mútuo e sim de todo o conjunto de provas que deixou de ser apresentado. O interessado não comprovou nem a transferência do numerário para a empresa Terrasol e nem a quitação do empréstimo contraído. De acordo com o contrato de mútuo de fls 412/413, o mutuário Eufrásio Humberto Martins se comprometia a restituir à mutuante Terrasol Comercial Construtora Ltda a quantia mutuada, a partir de outubro de 2011 com os acréscimos de 2% (por cento) ao ano de juros sobre os valores ora enviados em suas respectivas datas. Caso o mutuário não liquidasse o saldo na data pré determinada, e se houvesse concordância entre as partes, o instrumento seria automaticamente renovado pelo mesmo período, ou seja, por mais 03 (três) anos. O contrato de mútuo de fls. 414/417, com aditivo de correção às fls. 418/419, previa o pagamento seria efetivado em 03 anos, havendo cobrança de juros de 2% (dois) por cento ao ano, com total anuência e aceite do mutuário e que o instrumento seria automaticamente renovado pelo mesmo período, a cada três anos. Não faz prova a contabilidade desacompanhada de documentos hábeis a alicerçála. Assim, conforme acima exposto, vêse que os contratos de mútuo juntados aos autos não comprovam negócio jurídico perante a Fazenda Pública, estando esse despido de provas da efetiva transferência dos recursos, coincidente em datas e valores, tanto na concessão como por ocasião do recebimento do empréstimo. Conforme cita o próprio contribuinte, é pratica na construção que as contratadas ou sub contratadas, por força contratual, efetuem compras de materiais de construção em seu nome próprio, as quais, depois da prestação de contas, são reembolsadas por estes gastos. Portanto, caberia ao contribuinte ter demonstrado, como contratante da Terrasol e da Tratenge, que ao final da construção, este reembolsou efetivamente todas as despesas. Notase que as notas fiscais anexadas à impugnação só reforçam o que o dispêndio da obra foi da Terrasol, fls. 539/3185. Assim, se o contribuinte quer que as despesas em questão sejam acatadas como custo de aquisição, este deveria ter comprovado que arcou efetivamente com as despesas, através de pagamentos de boletos, títulos de créditos, depósitos bancários, transferências e outros. Notase até o momento, o contribuinte também não comprovou que quitou a nota promissória de R$ 44.000.000,00 com a Terrasol Comércio Construtora Ltda, que teria vencido em 03/01/2017, fl. Fl. 3910DF CARF MF Processo nº 19515.720546/201684 Acórdão n.º 2401005.812 S2C4T1 Fl. 3.911 8 427. Considerando que a tributação do ganho de capital ocorre em separado dos demais rendimentos tributáveis recebidos, não há de se falar em glosa de custo de aquisição, mas sim em omissão de ganho de capital, na forma efetuada pelo Auditor Fiscal. f) Possibilidade de Aferição Indireta. a fiscalização não questionou o valor do custo da obra, mas sim quem foi o responsável pelo pagamento deste. Deve se esclarecer que não se pode confundir a pessoa física do sócio com a pessoa jurídica da empresa Terrasol Comércio Construtora Ltda. Portanto, considerando que não restou comprovado que o contribuinte, pessoa física, desembolsou os valores pertinentes à obra, não procede o argumento do sujeito passivo quanto à necessidade de aferição indireta da obra. g) Ônus da Prova. Ao contrário das alegações apresentadas, as informações prestadas pelo Auditor Fiscal não foram feitas com base em meras suposições, mas em verificação de documentos apresentados pelo contribuinte, bem como os esclarecimentos obtidos através de Termos de Intimação Fiscal, o que foi devidamente demonstrado no Relatório Fiscal. Na relação processual tributária, compete ao sujeito passivo oferecer os elementos que possam ilidir a imputação (Lei n° 9.784, de 1999, art. 36; e Decreto n° 70.235, de 1972, art. 15). h) A jurisprudência e a doutrina invocadas não têm o condão de vincular o presente julgamento. Indeferemse os pedidos de diligência e perícia por desnecessários. Falece competência para se pronunciar acerca de bens ou direitos arrolados. Intimado em 04/12/2017, o contribuinte interpôs em 06/02/2018 recurso voluntário, em síntese, alegando: a) Tempestivamente, apresenta recurso voluntário, com fulcro no art. 5o, inciso LV. da Constituição Federal, cumulado com os arts. 14 e seguintes do Decreto n° 70235/72, com as alterações introduzidas pelas Leis n° 8.748/93, 9.532/97, 11.196/05 e 11.941/2009. b) Como os argumentos de defesa em sede de impugnação não foram levados a efeito, a decisão atacada é nula por cerceamento ao direito de defesa. Além disso, reiteramse os demais argumentos da impugnação acerca do cerceamento de defesa. c) Período já fiscalizado. Reiteramse os argumentos de defesa e se acrescenta que o TDPF (F), por ser mero instrumento de controle administrativo, não pode ser considerado como ordem escrita para reabertura da ação fiscal, prevista no caput do artigo 906, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000. de 1999. Além de que, um segundo exame fiscal em relação ao mesmo exercício, deveria estar acompanhado de despacho fundamentado da autoridade hierarquicamente superior, contendo as razões que o motivou. Sua falta vicia o lançamento, determinandolhe a anulabilidade do lançamento, por vício formal. Fl. 3911DF CARF MF Processo nº 19515.720546/201684 Acórdão n.º 2401005.812 S2C4T1 Fl. 3.912 9 d) Decadência. Reitera argumentos e destaca seu inconformismo com adoção de custo zero. e) Não aceitação de documentos. Reitera argumentos. Suscita novamente inconformismo com custo zero. Cita consulta ao "Serviço Fale Conosco" do site da Receita Federal no sentido de que podem integrar o custo de aquisição, quando comprovados com documentação hábil e idônea, no caso se imóveis, os dispêndios com a construção, ampliação e reforma, não se referindo que tais despesas/gastos devam estar pagos/liquidados/quitados. As operações teriam sido devidamente comprovadas, não sabendo a fiscalização distinguir entre omissão de ganho de capital e glosa de custo. Além disso, o contribuinte teria sido submetido a uma dura inquisição por ter sido fiscalizado ao longo de mais de vinte meses, a se lembrar dos anos sombrios da ditadura, sendo grande seu sacrifício por ser pessoa física e não contar com auxiliares na busca de documentos de mais de cinco anos. f) Possibilidade de Aferição Indireta. Reitera argumentos e afirma que comprovou no decorrer da ação fiscal e com a impugnação ter arcado efetivamente com os gastos/dispêndios na obra de construção civil, com contratos, documentos diversos e dívidas devidamente informadas na DAA. g) Pedido. Solicita o provimento ao recurso para a reforma do Acórdão. Ao encaminhar os autos, o órgão preparador ressalta que o contribuinte apresentou o recurso voluntário intempestivamente. É o relatório. Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Conforme despacho de fls. 3899, o órgão preparador acusa a intempestividade do recurso voluntário. O recorrente afirma ser tempestivo o recurso voluntário, contudo não apresenta qualquer motivação para tal afirmativa. Compulsando os autos, verifico que a ciência da intimação do Acórdão de Impugnação se operou no dia 04/12/2017 (fls. 3563) e a interposição do recurso no dia 06/02/2018 (fls. 3566), logo o recurso voluntário é intempestivo por extrapolar o prazo legal de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância (Decreto nº 70.235, de 1972, arts. 5°, 23, inciso III do caput e alínea a do inciso III do §2°, III, e 33). Isso posto, voto não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Fl. 3912DF CARF MF
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