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Numero do processo: 13807.004238/2005-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3201-000.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o processo em diligência.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
EDITADO EM: 27/11/2012
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorin, Daniel Mariz Gudiño e Paulo Sérgio Celani, ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira.
http://decisoes-w.receita.fazenda/pesquisa.asp
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o processo em diligência. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator. EDITADO EM: 27/11/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorin, Daniel Mariz Gudiño e Paulo Sérgio Celani, ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. http://decisoes-w.receita.fazenda/pesquisa.asp
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o processo em diligência. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 27/11/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorin, Daniel Mariz Gudiño e Paulo Sérgio Celani, ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. http://decisoesw.receita.fazenda/pesquisa.asp Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciado Pedido de Ressarcimento relativo a um crédito de PIS não cumulativo decorrente de operações RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 07 .0 04 23 8/ 20 05 -9 3 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 13807.004238/200593 Resolução nº 3201000.345 S3C2T1 Fl. 137 2 de exportação no 1º trimestre de 2005. Originalmente a empresa ingressou com o pedido de ressarcimento no valor de R$ 205.429,80, conforme documentos de fls. 1 ao qual foram anexadas Declarações de Compensação em que o contribuinte pretende compensar débitos utilizando o crédito deste processo. O contribuinte baseou seu pleito no previsto no §2º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Em 21/09/2007 a DRF de São José do Rio Preto, SP, foi notificada da decisão judicial exarada nos autos da Ação Cautelar nº 2007.61.00.0060715 que determinou a apreciação, com brevidade, dos pedidos de ressarcimentos feitos pela INDUSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA. A fiscalização efetuou então os procedimentos fiscais com vistas a verificar a regularidade do valor pleiteado para ressarcimento. Em função de uma operação desencadeada pela Polícia Federal, denominada “Operação Grandes Lagos”, descobriuse que os principais fornecedores da INDUSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA faziam parte de uma grande organização criminosa criada com o objetivo de fraudar a administração tributária cujo modus operandi é a interposição de pessoas físicas e jurídicas com o objetivo de eximir os titulares de fato do pagamento de tributos e contribuições sociais. Um dos fornecedores da CMA é uma empresa criada para vender notas fiscais “frias” a sonegadores. Outra é uma empresa “fantasma” criada com o único objetivo de vender notas fiscais “frias” para terceiros, com receita fictícia de R$172 milhões sem ter movimentado um centavo sequer em suas contas bancárias. Como essas e outras empresas do esquema estavam entre os fornecedores da CMA nos anoscalendários 2004 e 2005, foi necessário que a fiscalização fizesse uma análise minuciosa da contabilidade da empresa, da forma adotada para a apuração de seus lucros, assim como das declarações enviadas à Receita Federal do Brasil, o que envolveu, entre outros, a verificação da escrituração de seus livros comerciais. Após intimações parcialmente atendidas e verificações efetuadas, detalhadamente descritas na Informação Fiscal de fls. 29/40 e tendo em vista que a escrituração da CMA, relativamente aos anos calendários 2004 e 2005 continha evidentes indícios de fraudes e vícios, erros e deficiências que a tornaram imprestável para a apuração do lucro real e que, regularmente intimada, deixou de apresentar os livros auxiliares de sua escrituração referente ao mesmo período, a fiscalização decidiu arbitrar o seu lucro em cada um dos trimestres desses anoscalendários, de acordo com o disposto no RIR/99, art. 530 , II, b e III. O arbitramento do lucro da CMA nos períodos supracitados implicou na lavratura dos autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, nos quais foram descritas de forma detalhada as irregularidades constatadas na contabilidade da CMA, bem como as fraudes por ela praticadas. Tendo em vista que nos trimestres dos anoscalendários 2004 e 2005 o lucro da CMA foi arbitrado de ofício, a base de cálculo do PIS e da Cofins foi também apurada de ofício, mensalmente, na sistemática Fl. 155DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 13807.004238/200593 Resolução nº 3201000.345 S3C2T1 Fl. 138 3 cumulativa, haja vista que a sistemática nãocumulativa dessas contribuições é exclusiva para contribuintes tributados com base no lucro real, conforme dispõe o art. 8º, II da Lei 10.637 de 2002 (PIS), e o art. 10, II, da Lei 10.833, de 2003 (Cofins). Assim sendo, tendo em vista a necessidade da apuração do PIS e da Cofins na sistemática cumulativa para as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro arbitrado, os pedidos de ressarcimento de créditos de PIS e Cofins não cumulativos foram indeferidos pelo Despacho Decisório de fls. 52/56 e as compensações não homologadas. Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade às fls. 60/68, na qual alega, em síntese, que: A empresa ofereceu impugnação ao processo que contém os autos de infração resultantes do arbitramento do lucro e, não havendo decisão administrativa transitada em julgado a respeito do arbitramento, isso não pode ser utilizado pelo Fisco como escusa para negar ao contribuinte seu direito à compensação pretendida; A negativa da administração em reconhecer um direito creditício regularmente comprovado por um contribuinte por qualquer razão traz um abalo na confiança que este contribuinte depositou na administração, bem como um abalo na segurança jurídica em abstrato, nas relações entre contribuintes e Fazenda Pública; É cediço em nossa doutrina jurídica que o arbitramento não pode ter caráter de penalidade, mas tão somente como forma de aferição de lucros com o fim de definirse a base de cálculo do imposto perseguido. Não havendo caráter punitivo, este não pode ter o condão de interferir negativamente em um direito do contribuinte. Se há quantificação do valor devido, bem como do direito ao ressarcimento por créditos da mesma natureza, não se justifica a negativa oferecida; A compensação traduzse na concreção de um direito do contribuinte oponível ao Estado. Se há um crédito do contribuinte em relação ao Estado, este não pode, ao arbitrar o lucro da empresa ou sob qualquer outro pretexto, negarlhe a restituição; O crédito existe, portanto, o devedor, no caso a Fazenda, deve satisfazêlo sob pena de incorrer em apropriação indébita ou enriquecimento ilícito; O direito à compensação tem inegável fundamento na Constituição Federal. Isto quer dizer que nenhuma norma inferior pode, validamente, negar esse direito, seja por via oblíqua, tornando impraticável seu exercício; O crédito do contribuinte é parcela de seu patrimônio. É sua propriedade. Na medida em que não se admite a compensação de créditos do contribuinte com dívidas fiscais suas, está se admitindo verdadeiro confisco de seus créditos; Acerca da investigação criminal em andamento conhecida como “Operação Grandes Lagos”, a fiscalização tributária deve pautarse nas operações investigadas em cada auto, não podendo presumirse fraudes ou irregularidades pelo fato de haver uma investigação Fl. 156DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 13807.004238/200593 Resolução nº 3201000.345 S3C2T1 Fl. 139 4 criminal contra a autuada, quanto mais que não há condenação penal que pese contra a recorrente. Ao final, requereu que seja acolhida a presente manifestação de inconformidade reconhecendose o direito do contribuinte aos créditos pretendidos bem como homologando as compensações pleiteadas. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/RPO nº 32.825, de 10/03/2011: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. O direito creditório só é passível de ser reconhecido se lastreado em documentação fiscal e contábil, demonstrada nos autos pelo contribuinte. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. LUCRO ARBITRADO. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO PIS E DA COFINS PELA SISTEMÁTICA NÃO CUMULATIVA. As pessoas jurídicas tributadas pelas regras do lucro arbitrado ficam impossibilitadas de apurar o PIS e a Cofins pelo regime da não cumulatividade, ficando sujeitas à apuração pela sistemática cumulativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Intimado da decisão, a recorrente interpõe recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Como podemos observar do processo, este discute o direito ao crédito de PIS sobre operações de exportação. Como decidiu a decisão recorrida, o crédito foi negado porque, nos autos do processo n.º 16004.000029/200938, a contabilidade da empresa foi desconsiderada e seu lucro foi arbitrado, o que impediria o direito ao crédito daquela contribuição. Como o julgamento daquele outro processo administrativo impacta no julgamento deste, se faz necessária a juntada de cópia integral daquele, com a respectiva decisão final proferida. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 13807.004238/200593 Resolução nº 3201000.345 S3C2T1 Fl. 140 5 Somente com estes documentos é possível julgar este processo. Diante do exposto, voto por baixar este processo em diligência para que a autoridade lançadora junte cópia integral do processo n.º16004.000029/200938. Realizada a diligência, deverá ser dado vista ao recorrente para se manifestar, querendo, pelo prazo de 30 dias. Após, devem ser encaminhados os autos para vista à PGFN da diligência realizada. Por fim, devem os autos retornar a este Conselheiro para julgamento. Sala de sessões, 24 de setembro de 2012. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Fl. 158DF CARF MF Impresso em 14/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 13808.003332/2001-91
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1996
LUCRO REAL. CONTABILIDADE. AVALIAÇÃO DAS PROVAS. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
O lançamento tributário deve ser liquido e certo. Não se pode aceitar que a fase litigiosa se transforme num exercício continuado de identificação de erros e acertos nos cálculos da auditoria fiscal e do julgamento de primeiro grau. Conforme dispõe o artigo 112 do CTN, o lançamento requer prova segura da ocorrência do fato gerador do tributo. Tratando-se de atividade plenamente vinculada (Código Tributário Nacional, arts. 3o. e 142), cumpre à fiscalização realizar as inspeções necessárias para a obtenção dos elementos de convicção e certeza indispensáveis à constituição do crédito tributário.
Apesar das dificuldades relatadas e das incertezas decorrentes dos lançamentos contábeis da contribuinte, tendo os próprios lançamentos contábeis servido de base para apuração da glosa efetuada, é esta contabilidade que deverá servir para avaliação das provas apresentadas.
Numero da decisão: 1301-001.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1996 LUCRO REAL. CONTABILIDADE. AVALIAÇÃO DAS PROVAS. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. O lançamento tributário deve ser liquido e certo. Não se pode aceitar que a fase litigiosa se transforme num exercício continuado de identificação de erros e acertos nos cálculos da auditoria fiscal e do julgamento de primeiro grau. Conforme dispõe o artigo 112 do CTN, o lançamento requer prova segura da ocorrência do fato gerador do tributo. Tratando-se de atividade plenamente vinculada (Código Tributário Nacional, arts. 3o. e 142), cumpre à fiscalização realizar as inspeções necessárias para a obtenção dos elementos de convicção e certeza indispensáveis à constituição do crédito tributário. Apesar das dificuldades relatadas e das incertezas decorrentes dos lançamentos contábeis da contribuinte, tendo os próprios lançamentos contábeis servido de base para apuração da glosa efetuada, é esta contabilidade que deverá servir para avaliação das provas apresentadas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima - Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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CONTABILIDADE. AVALIAÇÃO DAS PROVAS. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. O lançamento tributário deve ser liquido e certo. Não se pode aceitar que a fase litigiosa se transforme num exercício continuado de identificação de erros e acertos nos cálculos da auditoria fiscal e do julgamento de primeiro grau. Conforme dispõe o artigo 112 do CTN, o lançamento requer prova segura da ocorrência do fato gerador do tributo. Tratandose de atividade plenamente vinculada (Código Tributário Nacional, arts. 3o. e 142), cumpre à fiscalização realizar as inspeções necessárias para a obtenção dos elementos de convicção e certeza indispensáveis à constituição do crédito tributário. Apesar das dificuldades relatadas e das incertezas decorrentes dos lançamentos contábeis da contribuinte, tendo os próprios lançamentos contábeis servido de base para apuração da glosa efetuada, é esta contabilidade que deverá servir para avaliação das provas apresentadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 33 32 /2 00 1- 91 Fl. 1630DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LI MA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1631DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 13808.003332/200191 Acórdão n.º 1301001.081 S1C3T1 Fl. 11 3 Relatório Trata a presente autuação do anocalendário de 1996, exigidos IRPJ e CSLL (lucro real anual) no montante de R$ 1.656.202,25, incluindo imposto, contribuição, multas de 75% e juros de mora calculados até 29/06/2001, em razão de contabilização e declaração de Compras em valor superior ao registrado no livro de Entradas, tendo sido apurada a diferença de R$ 1.932.526,76 entre a escrituração fiscal e a contábil (fls. 6 a 141). A empresa apresentou impugnação, em 09/08/2001 (fl. 143), alegando que a fiscalização confrontou o "valor de compras e o Somatório dos Códigos Fiscais de Operação CFOP's 1.12 e 2.12 do Livro de registro de Entradas", mas deixou de considerar "a soma das BONIFICAÇÕES (CF0Ps 1.99 e 2.99), no montante de Compras no Exercício de 1.996, como também, não considerou os ajustes e estornos feitos nos Livros de Entrada, conforme documentação arquivada nos autos" (sic). Acosta demonstrativos dos cálculos de cada depósito, por mês, com cópias de partes da escrituração fiscal, de partes de "extrato" correspondente ao razão contábil e de notas fiscais das bonificações (fls. 172 a 1059). A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/SPOI) por meio do Acórdão 1610.765, de 22/09/2006 (fls. 1.087 e s.s.), decidiu a matéria considerando procedente o lançamento, tendo sido lavrada a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica/IRPJ Anocalendário: 1996 Ementa: MAJORAÇÃO DAS COMPRAS. CUSTO DAS MERCADORIAS VENDIDAS/CMV. BONIFICAÇÕES. ESTORNOS. AJUSTES. A contabilização e a declaração de Compras em valor superior ao registrado no livro de Entradas configura majoração indevida das Compras e, portanto, do CMV, visto que as mercadorias recebidas a titulo de bonificações não podem ser contabilizadas como se tivessem tido algum custo efetivo e que os estornos e os outros ajustes devem ser demonstrados, tanto na escrituração fiscal como na contábil, para justificar suas exclusões do valor tributável. AUTO REFLEXO. CSLL. 0 voto referente ao IRPJ refletese na CSLL. É o relatório do essencial a decidir. Passo ao voto. Fl. 1632DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LI MA 4 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. A peça recursal repisa com algumas variações as argumentações iniciais, das quais transcrevo alguns excertos. “A Recorrente buscou demonstrar a improcedência do lançamento pela apresentação de farta prova documental, cuja análise indica de forma suficientemente clara que a diferença de R$ 1.932.526,76 entre compras registradas e compras declaradas é fruto da desconsideração, pelos agentes fiscais, das mercadorias recebidas pela empresa a titulo de bonificação, indicadas no livro de entrada pelos CF0Ps n° 1.99 e 2.99. Nesse sentido, as autoridades julgadoras de primeira instância mantiveram integralmente o Auto de Infração, por considerarem, grosso modo, que os valores representativos das bonificações recebidas pela empresa não poderiam ser lançados em conta de estoque, porquanto seu custo de aquisição critério imposto para avaliação dos elementos do ativo circulante — equivaleria a zero. A metodologia observada pela fiscalização para consolidar o lançamento foi imprópria, haja vista que eventual conclusão acerca da redução do lucro tributável no período deveria, necessariamente, ser precedida da análise dos valores representativos das bonificações que foram efetivamente baixados como custo no anocalendário de 1996; e (ii) a contabilização das bonificações como custo de aquisição de mercadorias para revenda não trouxe qualquer prejuízo ao Fisco, uma vez que teve como contrapartida lançamento a crédito em conta de receita. Assim, a suposta redução do lucro tributável pelo aumento do custo de aquisição teve seus efeitos fiscais anulados pelo oferecimento à tributação das receitas decorrentes do recebimento de bonificações.” Por pertinente, vejamos trechos do TVF: “No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal (...) verificamos que a fiscalizada, na determinação dos custos das mercadorias vendidas, super avaliou o montante das compras com os valores lançados na contabilidade em comparação com os valores lançados no livro de registro de entradas, conforme tabela em anexo que passa a fazer parte integrante do presente termo. (...). Em função da diferença acima apurada ficou alterado para maior o custo das mercadorias vendidas implicando em redução indevida do lucro liquido do exercício no mesmo montante. (...). A diferença de R$ 1.932.526,76 será adicionada ao lucro liquido do exercício na determinação do lucro real, conforme disposto no art. 249 do RIR/99, e será tributada de acordo com o disposto no art. 289 do mesmo Regulamento." A metodologia fiscal limitouse, portanto, à mera valoração das compras realizadas no período, a partir do que concluíram os agentes fazendários que o Fl. 1633DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 13808.003332/200191 Acórdão n.º 1301001.081 S1C3T1 Fl. 12 5 resultado do exercício teria sido indevidamente reduzido, sem, contudo, adotarem procedimento algum tendente à verificação da parcela de estoque superavaliado efetivamente computada na apuração do lucro liquido do ano calendário de 1996. É exatamente essa a falha no critério eleito pela fiscalização que inviabiliza a exigência de todo o valor constituído no presente Auto de Infração. (...) Não por outro motivo, a indicação de estoque superavaliado não permite, a principio, que se conclua pela redução do lucro tributável no período. A bem da verdade, essa redução só se verifica quando a venda da mercadoria for concretizada, momento em que o contribuinte procede a baixa de seu estoque, lançando, em contrapartida, o custo da mercadoria vendida a resultado. A redução do lucro tributável pelo aumento do custo de aquisição de mercadoria é compensado, na mesma proporção, pelo registro da parcela de bonificação em conta de receita. Ou seja, as contas de resultado são afetadas por lançamentos a débito (custo de mercadoria vendida) e a crédito (receita de bonificação) de idêntico valor, sendo, portanto, nulo o efeito fiscal verificado. Aliás, esclareçase que os valores relativos às bonificações lançados como receitas foram efetivamente tributados pelo IRPJ e pela CSLL, na medida em que, de acordo com o que se verifica da Ficha 07 da DIRPJ, ¡untada as fls. 39 dos autos, as únicas exclusões verificadas no período para apuração do Lucro Real referemse à diferença de correção monetária IPC/BTNF, que em nada se relacionam com o caso em questão.” Os autos do presente processo veio a julgamento nesta Corte Administrativa ocasião em que a Quinta Câmara do Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, sob a relatoria do Conselheiro Marcos Rodrigues de Mello, analisando a impugnação e a vista dos documentos apresentados (cópia da conta "bonificações e amostras" do seu livro Razão relativas ao mês de março, que revelam o procedimento contábil adotado pela empresa), decidiu converter o julgamento em diligencia para que a autoridade lançadora traga aos autos o livro razão dos demais meses do ano calendário e se manifeste sobre a contabilização das bonificações e a interferência no resultado do exercício (Resolução 1051.453, de 04/02/2009, às fls.1224). Encontrase às fls. 1.545 dos autos “Relatório de Encerramento de Diligencia Fiscal”, do qual, por pertinente ao deslinde da matéria, transcrevo suas conclusões: Considerando a enormidade do Livro Razão dispensei a apresentação do todo solicitado na primeira intimação; bem como tendo em vista a falta dos lançamentos detalhados acima, por TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL — 2, abri novo prazo para a autuada apresentar: “• Cópia do livro razão completo, todos os meses do ano em apreço, das contas com a classificação contábil: 115010002 MERCADORIAS ADQUIRIDAS e 344020006 BONIFICAÇÕES E AMOSTRAS GRATIS; Fl. 1634DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LI MA 6 • Colocar A disposição todos os livros de entradas de mercadorias correspondentes ao ano acima reportado; ou seja, dos locais em que adentram mercadorias para revenda na empresa; • Outras solicitações, se necessárias, serão requeridas no transcorrer do trabalho; Toda e quaisquer dúvidas, informações ou esclarecimentos, devem ser prestadas/solicitadas sempre por escrito em papel timbrado da empresa ". Resposta: “3. Nossa solicitação com relação à conta 115010002 — Mercadorias Adquiridas, do grupo 115010000 — Mercadorias para Revenda, na qual temos movimento até o mês d junho/1996, prendese ao aspecto do controle dos estoques. A partir do mês julho/1996, a empresa passou a utilizar a conta: 115010001 do mesmo grupo. Encaminho em anexo o movimento anual de ambas para eventualmente, caso seja necessário alguma classe de informação quanto ao movimento de mercadorias na empresa. 4. Com relação a conta: 344020006 — Bonificações e Amostras Grátis, do grupo: 344020000 — Outras Receitas Operacionais, encaminho razão anual da mesma acompanhado de planilha na qual procedi a levantamento das contrapartidas a débito existentes na conta. Entendo que a planilha substitui os lançamentos contábeis e é explicativa. 5. Para complemento e confronto com o item acima, encaminho planilhas elaboradas pela empresa, mês a mês, nas quais podemos observar o montante (total) das mercadorias enviadas para estoque; o pagamento aos fornecedores e os totais apropriados de bonificações e amostras grátis. Acompanha movimento consolidado anual.” 1. Por derradeiro dou ciência da tentativa de conciliar as planilhas. Baldados foram nossos esforços, pois na contabilidade da empresa ocorrem meses em que a contabilidade apresenta lançamentos não acusados pela empresa nas planilhas e vice versa em outros, isto pode ser observado do confronto entre os anexos. 2. Se me for permitido opinar no tocante a forma de apropriação das bonificações nos estoques, entendo, s.m.j, que a despeito dos lançamentos efetuados na conta outras receitas operacionais, ocorre na apropriação do estoque final mês a mês, com relação ao valor da mercadoria bonificada não às quantidades, distorção do item já que está gravado com valor indevido. Assim colocado, considerando, ter atendido a solicitação do eminente Relator da Quinta Câmara do Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes; por termo próprio abro prazo à empresa para conhecimento do que neste consta, fornecendo no ato cópia de inteiro teor deste relatório, reiterando que dentro do prazo estipulado, fica aberta à mesma a possibilidade de apresentar novas ponderações tão somente com relação ao exposto, se entender pertinente, sempre por escrito, para posterior prosseguimento. É o que submeto à consideração superior. Entendo, que a diligencia conforme proposta não foi atendida em seu inteiro teor. Fica claro que a principal lide discutida no presente processo diz respeito a diferença de valores da “Conta Compras”, no montante de R$ 1.932.526,76, registrado a maior na contabilidade (Livro Diário) em confronto com o Livro Registro de Entradas. Fl. 1635DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 13808.003332/200191 Acórdão n.º 1301001.081 S1C3T1 Fl. 13 7 Vêse que a autoridade fiscal que procedeu a diligencia não cotejou os lançamentos contábeis (Livro Diário) com os lançamentos das bonificações descritas em planilhas elaboradas pela própria recorrente, deixando, desta maneira, de se manifestar sobre a contabilização das bonificações e a interferência no resultado do exercício, itens solicitados na Resolução 1051.453. Fato este reconhecido até pela recorrente conforme constatase em suas razões alegadas após a diligência. A regra do processo administrativo fiscal é de que são conhecidos todos os documentos que instruíram a impugnação formalizada tempestivamente (arts. 14, 15 e 16, inc. III, do Decreto 70.235, de 1972), com alterações posteriores. A impugnação apresentada em primeira instancia administrativa sustenta que as bonificações, estornos e ajustes justificam as diferenças apuradas pela fiscalização. Colaciona provas de cada mês, por depósito, em planilhas e quadros na tentativa de provar que boa parte da diferença entre as compras registradas na escrituração fiscal e as contabilizadas e declaradas, para fins de apuração do CMV, prendese ao tratamento contábil dado pela impugnante às bonificações. O relatório e voto condutor de primeira instância após conceituar o termo “Bonificação” conclui que a base elementar de contabilização dos estoques é o seu custo efetivo. Aduz, mais: “que no caso de bonificação especificada em Nota Fiscal própria, sob o CFOP 1.99 ou 2.99, como é o caso em exame, que sempre representa parcela redutora do custo para o comprador, o registro contábil deve ser efetuado pelo custo efetivo das mercadorias adquiridas, ou seja, considerando como compra a mercadoria da Nota Fiscal de Venda e a da Nota Fiscal de Bonificação e rateando a bonificação obtida por todo o lote das mercadorias adquiridas, procedimento consentâneo com o principio contábil do custo como base do valor, visto que esse custo é o que foi efetivamente despendido para adquirir o lote das mercadorias. E se a Nota Fiscal de Bonificação for isolada, ou seja, se não houver o lote, simplesmente não deve ser contabilizada (qual seria a contrapartida?), pois o seu custo é zero. Em resumo: tratar bonificações recebidas a custo zero como se houvesse um custo efetivo é um procedimento contábil inaceitável, que poderia, todavia, ser remediado por meio das respectivas adições por ocasião da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Não foi esse o procedimento adotado pela impugnante.” Contudo, alega a ora recorrente que contabiliza os valores das bonificações a debito da conta “Estoque” o que aumenta o seu custo e, a crédito em conta de “Resultado”sendo, por conseguinte, tributada pelo IRPJ e CSLL, resultado que de fato tornaria nulo o efeito fiscal dos valores referentes as “bonificações”. Insiste a recorrente: “Não por outro motivo, a indicação de estoque superavaliado não permite, a principio, que se conclua pela redução do lucro tributável no período. A bem da verdade, essa redução só se verifica quando a venda da mercadoria for concretizada, momento em que o contribuinte procede a baixa de seu estoque, lançando, em contrapartida, o custo da mercadoria vendida a resultado.” Fl. 1636DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LI MA 8 Pois bem, apesar da própria fiscalização reconhecer que as planilhas de contabilização elaboradas pela recorrente refletem as bonificações contabilizadas no respectivo Livro Diário não encontro nos autos o cotejo ou a confrontação relativas aos lançamentos efetuados mesmo que por amostragem. Melhor explicando, não foi realizada aferição dos lançamentos contábeis (nem mesma na diligencia determinada) em que a contribuinte alega a baixa do estoque lançando, em contrapartida, o custo da mercadoria vendida em conta de resultado, demonstrando por amostragem que tais lançamentos, não obstante possa ter havido impropriedade técnica na realização dos mesmos (lançamentos contábeis), o efeito fiscal foi nulo. E mais, os artigos 923, 924 e 925 do RIR/1999 estabelecem que a contabilidade faz prova em favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentação hábil, cabendo à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados, salvo quando a lei atribua ao contribuinte a produção da prova daqueles: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei n 1.598, de 1977, art. 9o, § 1o.); Art. 924. Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (DecretoLei n 1.598, de 1977, art.9o., § 2o.) Art. 925. O disposto no artigo anterior não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração (Decreto Lei n 1.598, de 1977, art. 9o., § 3o.) Finalizando, entendo que a fase litigiosa não se presta a exercícios de identificação de erros e acertos nos cálculos da auditoria fiscal e do julgamento de primeiro grau, mesmo assim, constato dos lançamentos contábeis apresentados, por amostragem, a veracidade da nulidade dos efeitos fiscais da conta “Bonificações”. Por isso, dou provimento ao recurso para declarar insubsistente o lançamento. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 1637DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 12/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por PLINIO RODRIGUES LI MA
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Numero do processo: 10480.905172/2010-50
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
EDITADO EM: 31/10/2012
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e José Fernandes do Nascimento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator EDITADO EM: 31/10/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 51 72 /2 01 0- 50 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e José Fernandes do Nascimento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Solon Sehn. Relatório Este processo decorre da não homologação de compensação pleiteada por meio de PER/DCOMP (retificadora), uma vez que, para a quitação do débito apontado pela suplicante, não foi confirmado o direito creditório por esta alegado, relativamente à COFINS de fevereiro de 2003, no valor de R$ 390,83. Inconformada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade onde alegou que o direito creditório estaria demonstrado na DACON retificadora do período e que, por limitação técnica da Receita Federal, não procedera à correspondente retificação da DCTF. Tais argumentos, todavia, não foram acolhidos pela 2a Turma da DRJ Recife, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada, fundamentada, basicamente, na não comprovação do direito creditório alegado (vide fls. 63/69). A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 05/03/2012 (fls. 72). Inconformada, a autuada apresentou, em 21/03/2012, o recurso voluntário de fls. 75/78, onde alega que a receita apontada como “outras receitas” na DIPJ do anocalendário de 2004, trata se exclusivamente de receita financeira, não tendo o contribuinte, no período, nada faturado a título de resultado de sua atividade de prestação de serviços. Ressalta, ainda, que a análise da ficha 06A da DIPJ (que alega anexar) seria suficiente para se chegar à conclusão de que nada recebera pela prestação de serviços (linha 08), portanto, o faturamento e a receita bruta do período corresponderiam a zero. Por sua vez, a receita financeira, indicada na linha 24 da DIPJ, não entraria na composição da Receita Bruta. Defende que a Lei no 11.941/09, ao revogar expressamente o § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/98, mudou o conceito anterior de receita bruta, deixando claro que esta corresponde ao faturamento. Assim, a receita financeira, mera compensação parcial do capital de giro no tempo, não poderia ser confundida com a “receita do faturamento”, a qual decorre principalmente das vendas e revendas de mercadorias e da prestação de serviços. Por todo o exposto, requer seja provido integralmente seu recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para a sua aceitação. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10480.905172/201050 Acórdão n.º 3802001.349 S3TE02 Fl. 82 3 A discussão diz respeito à existência ou não de direito creditório decorrente de alegado pagamento indevido da COFINS de competência de fevereiro de 2003 (regime cumulativo). É verdade que a Lei no 11.941, de 27/05/2009, em seu artigo 79, inciso XII, revogou expressamente o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, que ampliara a base de cálculo do PIS e da COFINS. Este dispositivo, contudo, já fora declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, ao entender que o alargamento do conceito de faturamento prescrito pela norma em evidência estava maculado por vício formal de constitucionalidade. Com a declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, o STF entendeu que o PIS e a COFINS somente poderiam incidir sobre as receitas operacionais das empresas, ou seja, aquelas ligadas às suas atividades principais. O alcance desse entendimento, em relação à COFINS regida pelo regime da nãocumulatividade, prevaleceu até a edição da Medida Provisória no 135, de 20/10/2003, posteriormente convertida na Lei no 10.833, de 29/12/2003, que trouxe nova ampliação da base de cálculo da contribuição, agora, sem o vício da inconstitucionalidade, dada a edição da EC no 20, de 15/12/1998. A ampliação da base de cálculo para as empresas submetidas ao novo regime edificado pela norma em evidência – da nãocumulatividade – passou a viger a partir de 1o de fevereiro de 2004. Portanto, referida ampliação da base de cálculo da COFINS, nos termos acima observados, não alcança o período cujo direito creditório é reclamado pela empresa (fevereiro de 2003). Consequentemente, considerando a natureza jurídica da reclamante – empresa de natureza comercial –, para o mês de fevereiro de 2003, a exigência da contribuição sobre receitas outras além das originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, em tese, não é legítima. Abstraindose dessa questão, temse, contudo, que a recorrente não comprova o crédito tributário reclamado. A título comprobatório do direito, esta alega anexar a ficha 06A da DIPJ, a qual, segundo defende, seria suficiente para demonstrar que a base de cálculo da contribuição teria sido composta unicamente por receitas financeiras não integrantes da citada base de cálculo. Tal documento, contudo, não foi acostado aos autos e, ainda que o fosse, o mesmo, por si só, não seria suficiente para demonstrar o alegado equívoco e o consequente direito creditório que a suplicante alega fazer jus. Com efeito, a interessada não juntou ao processo nenhuma documentação contábil ou fiscal capaz de confirmar o direito reclamado. Constam dos autos unicamente as DACON original e retificadora, bem como a ficha 26A da DIPJ do período, documentos que são insuficientes para a comprovação do direito. Para tanto, deveria a suplicante, por exemplo, ter apresentado o Livro Razão acompanhado do Livro Diário com os lançamentos que alicerçassem as correções aduzidas como legítimas. Não custa lembrar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante Fl. 83DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 compensação. A não comprovação da certeza e da liquidez dos referidos créditos não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. Sala de Sessões, em 23 de outubro de 2012. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 84DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 10882.001525/2009-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
DÉBITOS INFORMADOS EM DIPJ, MAS NÃO DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO.
A partir do ano-calendário 1999, a DIPJ possui caráter meramente informativo. Não tendo os débitos sido recolhidos ou compensados, nem tampouco declarados em DCTF, que possui caráter de confissão de dívida, mas tão somente informados em DIPJ, procedente o lançamento de ofício das parcelas não confessadas.
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
AUTO DE INFRAÇÃO. LOCAL DE LAVRATURA.
É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. O local da verificação da infração não significa o local em que foi praticada.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
A fase que antecede o lançamento tributário tem caráter meramente inquisitório, e não reclama seja instaurado o contraditório. Nos termos do Decreto nº 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal, é a partir da impugnação da exigência que se instaura a fase litigiosa do procedimento.
Numero da decisão: 1102-000.805
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade, e no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Documento assinado digitalmente.
Albertina Silva Santos de Lima - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, José Sérgio Gomes, e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Recorrente BRASALPLA BRASIL INDÚSTRIA DE EMBALAGENS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. AUTO DE INFRAÇÃO. LOCAL DE LAVRATURA. É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. O local da verificação da infração não significa o local em que foi praticada. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. A fase que antecede o lançamento tributário tem caráter meramente inquisitório, e não reclama seja instaurado o contraditório. Nos termos do Decreto nº 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal, é a partir da impugnação da exigência que se instaura a fase litigiosa do procedimento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 DÉBITOS INFORMADOS EM DIPJ, MAS NÃO DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. A partir do anocalendário 1999, a DIPJ possui caráter meramente informativo. Não tendo os débitos sido recolhidos ou compensados, nem AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 15 25 /2 00 9- 84 Fl. 270DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 10/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10882.001525/200984 Acórdão n.º 1102000.805 S1C1T2 Fl. 3 2 tampouco declarados em DCTF, que possui caráter de confissão de dívida, mas tão somente informados em DIPJ, procedente o lançamento de ofício das parcelas não confessadas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 DÉBITOS INFORMADOS EM DIPJ, MAS NÃO DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. A partir do anocalendário 1999, a DIPJ possui caráter meramente informativo. Não tendo os débitos sido recolhidos ou compensados, nem tampouco declarados em DCTF, que possui caráter de confissão de dívida, mas tão somente informados em DIPJ, procedente o lançamento de ofício das parcelas não confessadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade, e no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. Albertina Silva Santos de Lima Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, José Sérgio Gomes, e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório Trata o presente processo de autos de infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, decorrentes do procedimento de revisão das declarações regularmente processadas (DIPJ/DCTF), perfazendo um crédito tributário no montante total de R$ 1.535.865,21, aí já incluídos os juros de mora e a multa de ofício de 75%. De acordo com os respectivos Termos de Verificação Fiscal, foram constatadas divergências, no anocalendário de 2005, entre os valores dos referidos tributos a pagar, informados em DIPJ, os informados em DCTF, e os recolhimentos efetuados, conforme as tabelas abaixo reproduzidas: Fl. 271DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 10/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10882.001525/200984 Acórdão n.º 1102000.805 S1C1T2 Fl. 4 3 TRIB PERÍODO DIPJ DCTF PAGTOS. DIPJ () DIPJ () VALORR$ VALORR$ DCTF PAGTOS. IRPJ 3. TRIM/2005 906.797,91 795.504,40 1.091.376,38 111.293,51 184.578,47 IRPJ 4. TRIM/2005 641.404,50 82.720,44 176.533,95 558.684,06 464.870,55 TOTAIS 1.548.202,41 878.224,84 1.267.910,33 669.977,57 280.292,08 TRIB PERÍODO DIPJ DCTF PAGTOS. DIPJ () DIPJ () VALORR$ VALORR$ DCTF PAGTOS. CSLL 2. TRIM/2005 188.059,68 104.923,29 104.923,28 83.136,39 83.136,40 CSLL 3. TRIM/2005 335.041,14 294.975,47 381.220,90 40.065,67 46.179,76 CSLL 4. TRIM/2005 229.583,21 32.724,75 68.908,30 196.858,46 160.674,91 TOTAIS 752.684,03 432.623,51 555.052,48 320.050,52 197.631,55 O contribuinte foi intimado acerca dessas diferenças (fls. 15 a 17), tendo respondido que, tanto com relação ao IRPJ, quanto à CSLL, os lançamentos feitos em DIPJ estão corretos, faltando corrigir as respectivas DCTF (fls 23). O contribuinte foi então intimado, em 14/04/2009, a retificar suas declarações, o que o fez em 22 e 25/05/2009, de sorte que os novos valores informados em DCTF passaram a coincidir com aqueles de sua DIPJ. A autoridade procedeu então ao lançamento de ofício das diferenças decorrentes da declaração a menor, nas DCTF originais, relativas ao IRPJ e CSLL, esclarecendo, nos Termos de Verificação Fiscal lavrados, que, de acordo com orientação emanada pela COSIT — Coordenação do Sistema de Tributação, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, o indébito decorrente de pagamento de tributo a maior do que o informado pelo contribuinte em DCTF não deve ser considerado para efeito de aproveitamento/utilização na apuração do tributo devido, devendo o respectivo crédito tributário ser constituído de ofício em sua totalidade, e que, comprovando o contribuinte, na impugnação, que já pagou o tributo lançado, ou parte dele, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento poderá exonerálo da multa de oficio, quando o pagamento houver sido tempestivo. O contribuinte contestou o lançamento por meio de impugnação, cujos fundamentos foram assim sintetizados pela decisão recorrida em seu relatório, que neste mister adoto: Em preliminar, com fundamento no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e no art. 196 do CTN, requer a nulidade dos autos de infração, porque lavrados fora do estabelecimento da autuada, que, assim, restou impedida de fornecer elementos de defesa ou esclarecimentos para demonstrar sua regularidade fiscal. Cita doutrina. Ainda em sede de nulidade, com fundamento no art. 5º, LV, da CF, de 1988, e no art. 148 do CTN, argui ofensa aos princípios da legalidade, da motivação, do contraditório, do devido processo legal e da ampla defesa, pois a fiscalização não teria esgotado as diligências necessárias para elucidação dos fatos, antes da lavratura dos autos de infração. Colaciona jurisprudência. Nesse diapasão, requer sejam anulados os autos de infração, “determinando se a remessa dos autos ao Agente Fiscal para que em complemento de diligências Fl. 272DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 10/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10882.001525/200984 Acórdão n.º 1102000.805 S1C1T2 Fl. 5 4 sejam levantados todos os pedidos de compensação e PERDCOMP da Autuada, objetivando a demonstração da inexistência de débito tributário”. No mérito, continua protestando pela nulidade dos lançamentos, porque a fiscalização deixou de cientificar a autuada de suas conclusões antes da lavratura dos autos de infração, implicando cerceamento de defesa. Diz que continua em diligências em sua sede “tentando verificar porque houve a divergência de informações na DIPJ e DCTF”. Afirma a existência de pedidos de compensação e PER/DCOMP que estão sendo levantados pela Autuada. E continua: “E DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO 1 O Sr. Agente Fiscal em razão das diligências realizadas constatou a ocorrência do indébito fiscal, ou seja, o pagamento do tributo a maior do que o devido, para os seguintes tributos: CSLL 3º TRIMESTRE R$ 46.179,76 IRPJ 4º TRIMESTRE R$ 184.578,47 TOTAL R$ 230.758,23 2 O indébito decorrente do tributo recolhido à maior do valor devido, gera o direito do contribuinte requerer a sua compensação, e sendo esta anterior ao tributo exigido pelo fisco em Auto de Infração, requer a esta D. Junta seja deferida a exoneração de eventual multa de oficio, eis que não cabe o bis in idem. 3 Diante do exposto requer a compensação do valor de R$ 230.758,23, procedendose de oficio, sobre qualquer tributo que venha a ser julgado como devido, exonerandoo da obrigação do pagamento da multa de oficio, eis que sendo este Auto de Infração posterior ao tributo exigido pelo fisco. F PEDIDO DE COMPENSAÇÃO COM OS SALDOS DOS PER/DCOMP LOCALIZADOS 1 A Autuada localizou um per/dcomp no valor de R$ 1.185.737,33, sob o nº 23857.14140.100105.1.3.011098, com pedido de compensação de R$ 728.088,82 para IRPJ no valor de R$ 531.323,97 e CSLL no valor de R$ 196.764,85, o qual restam ainda com créditos favoráveis a Autuada no importe de R$ 457.648,51, e que entende que o saldo foi efetivamente utilizado em compensação desses tributos. 2 O crédito da Autuada decorrente do per/dcomp anexado gera o direito do contribuinte requerer a sua compensação com outros tributos, e sendo esta anterior ao tributo exigido pelo fisco em Auto de Infração, requer a esta D. Junta seja deferida a exoneração de eventual multa de oficio, eis que não cabe o bis in idem. 3 Diante do exposto, postula a Autuada a compensação de Oficio com o saldo do perdcomp no importe de R$ 457.648,51, Fl. 273DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 10/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10882.001525/200984 Acórdão n.º 1102000.805 S1C1T2 Fl. 6 5 com eventual tributo que seja julgado devido, pois este é um dos perdcomp que entende haver postulação de compensação dos tributos que geraram as divergências da DACOM com a DCTF e da DIPJ com a DCTF utilizados pelo agente fiscal para imputar a responsabilidade do pagamento das diferenças dos tributos.” Quanto à multa aplicada, julga indevida, diante da nulidade e das compensações alegadas, além de inconstitucional, dado o caráter confiscatório do percentual de 75%. Cita jurisprudência e doutrina, requerendo a sua redução “a valores nunca superiores a 10% do valor do tributo, conforme jurisprudência colacionado do STF, e respeitando o limite estabelecido pelo artigo 412 do Código Civil Brasileiro, e consonância com o artigo 150, IV da Constituição Federal”. Ao final, reitera as razões de defesa apresentadas, requerendo prazo adicional de 60 (sessenta) dias para apresentação de todos os pedidos de compensação eventualmente formulados, bem como protestando pela produção de todas as provas em direito admitidas, em especial diligência fiscal, oitiva de testemunhas, exames, perícias, juntadas de documentos, etc.” A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP indeferiu o pedido de diligências e de posterior produção de provas, ressaltando que até o julgamento nenhuma prova nova havia sido apresentada, afastou as nulidades alegadas e, no mérito, manteve o lançamento efetuado. Esclareceu a DRJ que o valor do recolhimento a maior constatado pelo fisco, de R$ 230.758,23, não pode ter a sua compensação aceita pela autoridade julgadora contra os débitos lançados de ofício, visto que que tal procedimento depende, unicamente, de iniciativa da contribuinte, a ser formalizada pela entrega da competente Declaração de Compensação (PER/DCOMP). E observou ainda que, embora inexista comprovação de que remanesça disponível qualquer parcela do direito creditório correspondente ao pedido de ressarcimento de IPI, vinculado a PER/DCOMP nº 23857.14140.100105.1.3.011098, apontado pela contribuinte em suas razões de defesa, consultandose os sistemas informatizados da RFB, constatouse a entrega pela contribuinte, após o encerramento do 1º, 2º, 3º e 4º trim/2005, de diversas PER/DCOMP, as quais foram relacionadas pela autoridade julgadora a quo, mas que, contudo, em nenhuma delas se confirma a inclusão dos débitos de IRPJ e CSLL aqui discutidos. O Acórdão no 0537.294 possui a seguinte ementa: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005 Provas No âmbito do Processo Administrativo Fiscal não existe previsão da apresentação de prova testemunhal. A prova documental, por sua vez, deve ser apresentada no momento da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, o que não se logrou atender neste caso. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 10/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10882.001525/200984 Acórdão n.º 1102000.805 S1C1T2 Fl. 7 6 Diligências e Perícias. Indeferese o pedido de diligência e perícia quando presentes nos autos elementos capazes de formar a convicção do julgador, bem como quando não preenchidos os requisitos legais previstos para sua formulação. Auto de Infração. Local da Lavratura. A lavratura do Auto de Infração em local diverso daquele em que o sujeito passivo exerce suas atividades é compatível com o ordenamento jurídico. O local da verificação da infração não significa o local em que foi praticada. Cerceamento do Direito de Defesa. O direito ao contraditório e à ampla defesa é exercido após a instauração da fase litigiosa, com a impugnação ao lançamento, não cabendo cogitarse de cerceamento do direito de defesa no curso da ação fiscal. Nulidade. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005 Falta de Recolhimento/Declaração em DCTF. Dada a natureza informativa da DIPJ, é cabível o lançamento de ofício do IRPJ devido no encerramento do trimestre, demonstrado na citada declaração, quando verificada a falta de recolhimento/compensação e de declaração em DCTF. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2005 Falta de Recolhimento/Declaração em DCTF. Dada a natureza informativa da DIPJ, é cabível o lançamento de ofício da CSLL devida no encerramento do trimestre, demonstrada na citada declaração, quando verificada a falta de recolhimento/compensação e de declaração em DCTF. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 Multa de Lançamento de Ofício. A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Inconstitucionalidade. Instâncias Administrativas. Competência. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de Fl. 275DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 10/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10882.001525/200984 Acórdão n.º 1102000.805 S1C1T2 Fl. 8 7 inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco.” Cientificada desta decisão em 10.04.2012, conforme AR de fls. 233, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, fls. 235253, aviado em 10.05.2012, conforme consta em carimbo aposto ao envelope, fls. 255, no qual reprisa os argumentos expostos por ocasião da inicial, e acrescenta, ainda, pedido de nulidade de todo o processo em razão de não terem sido os seus procuradores constituídos nos autos, conforme documento de fls. 109, cientificados da decisão recorrida cientificada aos procuradores constituídos nos autos, conforme documento de fls. 109. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Com relação ao pedido de nulidade do processo, ou da decisão recorrida, em razão de não ter sido esta cientificada aos seus procuradores constituídos, impende registrar que, nos termos do Decreto n° 70.235/1972, que rege o processo administrativo fiscal, não há qualquer previsão neste sentido. Ao contrário, o artigo 23, que regula inteiramente a questão relativa à ciência da recorrente, quanto aos atos e termos processuais, elenca exaustivamente os meios de intimação passíveis de utilização pelas autoridades administrativas. Além disto, a alegação de que teria tido seu direito de defesa cerceado, por ter sido ela própria (recorrente) cientificada, e não os seus procuradores, carece de fundamento, posto que não demonstrado em que medida tal circunstância lhe teria acarretado qualquer prejuízo, uma vez que tempestivamente interpôs o recurso ora sob análise deste colegiado. Quanto à preliminar de nulidade dos autos de infração, porque lavrados fora do estabelecimento da autuada, o que teria cerceado o seu pleno direito de defesa, tal questão encontrase pacificada por meio de súmula, de observação obrigatória no âmbito deste Colegiado, e que a seguir se transcreve: “Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte.” Tampouco prosperam os pedidos de nulidade em razão de supostamente não ter a fiscalização esgotado as diligências necessárias para elucidação dos fatos, antes da lavratura dos autos de infração, ou não lhe ter cientificado de suas conclusões antes da lavratura dos autos de infração, implicando cerceamento de defesa. Ao contrário, os fatos foram devidamente e suficientemente elucidados antes da lavratura dos autos de infração. Além disto, cediço que a fase que antecede o lançamento tributário tem caráter meramente inquisitório, e não reclama seja instaurado o contraditório. No Fl. 276DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 10/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10882.001525/200984 Acórdão n.º 1102000.805 S1C1T2 Fl. 9 8 âmbito da legislação que rege o Processo Administrativo Fiscal, o direito ao contraditório está assegurado a partir da ciência, pelo contribuinte, da formalização do crédito tributário por meio do lançamento, e, neste sentido, é claro o artigo 14 do Decreto nº 70.235/72, que assim determina: “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento.” De resto, cumpre observar que, nos termos do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 – PAF, que rege o processo administrativo fiscal, somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Nenhuma dessas circusntâncias ocorreu no caso concreto, tendo o contribuinte exercido plenamente o seu direito de defesa por meio da competente impugnação e do presente recurso. Por outro lado, os autos de infração foram lavrados com estrita observância de todas as normas legais a ele atinentes, não se verificando, portanto, quaisquer das alegadas violações aos princípios da legalidade, da motivação, do contraditório, do devido processo legal e da ampla defesa. Afastadas as preliminares, passo ao mérito. Inicialmente, de rigor, impende registrar que não há qualquer contestação quanto aos valores apurados pelo fisco, ao contrário, há a expressa aquiescência da recorrente, que reconhece que não informara corretamente, nas DCTF originalmente apresentadas, os valores dos tributos devidos, e que os valores da DIPJ é que são os corretos. A decisão recorrida traçou extenso e detalhado histórico da legislação atinente à DCTF e à DIPJ, o qual aproveito ao presente voto, como se aqui transcrito estivesse. Cediço que desde a criação da Declaração Integrada de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, esta constitui mero instrumento de prestação de informações, não configurando confissão de dívida, sendo que apenas a DCTF permaneceu como instrumento de comunicação de existência de crédito tributário, constituindose em confissão de dívida, nos termos do que estatuído originalmente no DecretoLei no 2.124/84. Portanto, não tendo sido confessados os débitos, legítima é a sua cobrança de ofício, nos termos dos atos legais e regulamentares editados para disciplinar o tratamento a ser dado aos valores constantes das referidas declarações, os quais já foram todos exaustivamente explicitados na decisão recorrida. Protesta a recorrente que os valores por ela recolhidos a maior, e que foram identificados pelo fisco, deveriam ter sido aproveitados no lançamento, ou senão deveriam os órgãos julgadores lhe reconhecer o direito à sua compensação, de ofício, com os tributos que venham a ser julgados devidos, para não incorrer em bis in idem, ou ao menos deveria ser exonerada a eventual multa de oficio, vez que os tributos foram recolhidos anteriormente ao auto de infração. Conforme explicitado na decisão recorrida, desde a edição da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de Fl. 277DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 10/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10882.001525/200984 Acórdão n.º 1102000.805 S1C1T2 Fl. 10 9 2002, restou estipulado que toda compensação deve se dar mediante a apresentação de Declaração de Compensação, na qual o contribuinte deve formalizar a extinção do crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela autoridade administrativa. Não há qualquer registro de que tenha o contribuinte assim procedido com relação aos valores por ele recolhidos a maior, no montante de R$ 230.758,23, os quais são relativos a períodos de apuração diversos dos aqui em litígio. Por outro lado, a única possibilidade de compensação de ofício de créditos do sujeito passivo constante na legislação é aquela prevista no artigo 7o do DecretoLei no 2.287/1986, pelo qual a autoridade fiscal deverá verificar, antes de proceder à restituição ou ao ressarcimento de tributos, e mediante consulta aos sistemas internos, a existência de débitos em aberto em nome do sujeito passivo, no âmbito da RFB e da PGFN. Contudo, os débitos aqui discutidos não se encontram em aberto, ao contrário, estão com sua exigibilidade suspensa, justamente em razão da interposição do presente recurso administrativo. Portanto, afora a previsão de compensação de ofício acima descrita, e inaplicável ao caso, a compensação de eventual pagamento a maior com os débitos da recorrente reclama iniciativa da parte, a qual, conforme visto, deve ser formalizada por meio de PER/DCOMP. Igual raciocínio em tudo se aplica ao suposto crédito remanescente oriundo de ressarcimento de IPI, e vinculado ao PER/DCOMP nº 23857.14140.100105.1.3.011098. Conforme bem ressaltado na decisão recorrida, não fez a recorrente sequer a comprovação de que remanesceria algum crédito disponível, após todas as compensações por ela já pleiteadas com aquele crédito. Ademais disso, tampouco há qualquer registro de que tenha a recorrente, em algum momento, incluído os débitos aqui discutidos entre aqueles que pretendeu compensar com o referido e suposto crédito. Quanto à multa aplicada, tampouco merecem guarida as alegações recursais de sua inconstitucionalidade e nulidade, ante o caráter confiscatório, bem como de que seria indevida, ou os protestos pela sua redução a valores nunca superiores a 10% do valor do tributo, consoante jurisprudência que colaciona. A multa é devida, posto que está expressamente prevista na legislação referida nos autos de infração, e nenhuma causa há para que seja afastada ou reduzida. Ademais, cediço que não pode este órgão julgador deixar de aplicar lei regularmente editada pelo Poder Legislativo e em plena vigência sob o fundamento de violação a princípios constitucionais, estando tal questão já devidamente pacificada nos termos da seguinte súmula: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Para arrematar, em que pesem os sucessivos pedidos para a juntada de novas provas, não trouxe a recorrente aos autos nenhum elemento novo até o julgamento do presente recurso. E, encontrandose os autos devidamente instruídos, absolutamente desnecessária a realização de qualquer diligência, conforme requerida pela parte. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 10/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 10882.001525/200984 Acórdão n.º 1102000.805 S1C1T2 Fl. 11 10 É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 279DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 10/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA
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Numero do processo: 10469.903959/2009-00
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
Numero da decisão: 1802-001.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 39 59 /2 00 9- 00 Fl. 44DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho Relatório Por economia processual e considerar pertinente, adoto o Relatório da decisão recorrida (fl.18) que a seguir transcrevo: A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação —DCOMP de fls. 11/15, por meio da qual compensou credito do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ código 2089 com débitos de sua responsabilidade. 0 crédito informado, no valor de R$ 1.992,14 seria decorrente de pagamento indevido ou a maior do imposto apurado no 1° trimestre do anocalendário 2002. Através do despacho de fl.01, emitido eletronicamente, a Delegacia da Receita Federal em Natal — DRF/Natal identificou integral utilização anterior do pagamento para quitação de debito do IRPJ, em face do que não homologou a compensação declarada. A interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 03/07), fazendo, em síntese, as seguintes alegações: que o crédito é fruto da redução da base de cálculo do IRPJ para sociedades que desenvolvem atividades hospitalares de 32% para 8%, descreve sobre a matéria às fls. 04/06; não procedeu à retificação da DCTF por ocasião da compensação pleiteada, para deixar patente que seu pagamento foi a maior, porque já havia transcorrido o tempo hábil para retificação, o sistema da Receita Federal não aceita retificação "após cinco anos da data prevista"; o crédito subsiste porque o descumprimento de obrigação acessória, não interfere na principal; requer a procedência da manifestação de inconformidade, homologação das compensações e a retificação de oficio das DCTFs corn base no art. 149, inciso II do CTN. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Recife/PE) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1134.289, de 07 de julho de 2011 (fls.18/21), cientificado ao interessado em 29/08/2011. A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.18): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.903959/200900 Acórdão n.º 1802001.520 S1TE02 Fl. 3 3 A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 27/09/2011. Eis a defesa da Recorrente: ... O presente Recurso tem por escopo sanar defeito correspondente a uma formalidade do procedimento das compensações, não se pretendendo, pois, discutir o mérito dos crédito tributários respectivos. Não há que se falar em inexistência dos créditos, isto pelo fato de que os tributos pagos forma a maior resultado de recolhimento do 1o. Trimestre do ano calendário 2000, ao qual a empresa tem créditos e, por via de conseqüência, poderia utilizá los para posteriores compensações. Entretanto, efetuados os pagamentos, a contribuinte, não oferecera retificação da DCTF para restar patente o pagamento a maior, o que aparentemente demonstraria que não haveria crédito para a citada compensação. Quando a recorrente realizou as compensações em tela, já havia transcorrido o tempo hábil para retificar as DCTFs e, por esta razão, não mais poderia ser feito, ainda que intempestivamente, porque o sistema da Receita Federal não opera as retificações após cinco anos da data prevista. Nesse contexto, a obrigação de apresentar a DCTF é uma obrigação tributária acessória que, ainda quando descumprida, não interfere na obrigação principal, ou seja, ainda que não se tenha procedido às retificações, o crédito subsiste. Observase que as compensações não foram homologadas somente em virtude do mero descumprimento de obrigação acessória, havendo crédito suficiente para legitimar as compensações. IIIDO PEDIDO: À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, fundada na lavratura do auto de infração, espera e requer a Recorrente que seja acolhido o Fl. 46DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 presente Recurso Administrativo, homologandose as compensações administrativas realizadas e cancelando os débitos ora determinados. Para tanto, requer à Receita Federal que retifique as DCTFs de ofício, em conformidade com o art. 149, II, do CTN, que prevê o lançamento de ofício pela autoridade administrativa quando "a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária". Finalmente, requer seja dado provimento ao Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 28239.01206.111105.1.3.04 9465 (fls.11/15), transmitido em 11/11/2005, em que a contribuinte pretende compensar débito de PIS: R$ 115,51, código 8109, e Cofins: R$ 533,10 , código 2172, relativos ao mês de outubro de 2005, com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior do IRPJ (DARF: código – 2089, Período de Apuração: 31/03/2002; Vencimento: 30/04/2002, Valor: R$ 5.891,99). Conforme o despacho decisório de fl.01, emitido em 25/05/2009 não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no PER/DCOMP, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Em sede de primeira instância, a manifestação de inconformidade apresentada em 02/07/2009(fls.03/07), foi julgada improcedente mediante o Acórdão nº 1134.289, de 07 de julho de 2011 (fls.18/21) mantendo o despacho decisório que não homologou a compensação porque constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. A Recorrente diz que não pretende discutir o mérito do crédito tributário e que, não há falar em inexistência do crédito, pelo fato de que o tributo pago a maior foi resultado de recolhimento do 1o. Trimestre do ano calendário 2000, ao qual a empresa tem créditos e, por via de conseqüência, poderia utilizálos para posteriores compensações. A defesa não pode prosperar, pois, como explicado acima, nos presentes autos se discute a compensação de débito de PIS e Cofins com a utilização de crédito decorrente de Fl. 47DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.903959/200900 Acórdão n.º 1802001.520 S1TE02 Fl. 4 5 pagamento indevido ou a maior do IRPJ (DARF: código – 2089, Período de Apuração: 31/03/2002; Vencimento: 30/04/2002, Valor: R$ 5.891,99). Verificase que a Recorrente se reporta a crédito relativo ao 1º trimestre de 2000, portanto, distinto do constante no PER/DCOMP em comento relativo ao 1º trimestre/2002, o que por si só já desqualifica o objeto do Recurso. Sobre o pagamento a maior, a Recorrente aduz que efetuados os pagamentos, a contribuinte, não oferecera retificação da DCTF para restar patente o pagamento a maior, o que aparentemente demonstraria que não haveria crédito para a citada compensação. E, quando a recorrente realizou as compensações em tela, já havia transcorrido o tempo hábil para retificar as DCTFs e, por esta razão, não mais poderia ser feito, ainda que intempestivamente, porque o sistema da Receita Federal não opera as retificações após cinco anos da data prevista. Ainda que se admita como equívoco da Recorrente ao se reportar ao 1º trimestre de 2000 e não ao 1º trimestre de 2002, depreendese de suas alegações que a contribuinte pretende que o indébito se exteriorize tão somente com os dados declarados na DCTF comparados com o PER/DCOMP. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Registrese que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, a declaração de compensação deve estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais, acerca da base de cálculo do IRPJ, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito do contribuinte na Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 É cediço que as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Repisese que o ponto nodal da lide reside no fato de que o contribuinte pretende a restituição de valor na ordem de R$ 648,61, adotando a via do PER/DCOMP no qual pretende utilizar crédito de IRPJ relativo ao 1º trimestre do ano calendário de 2002. A busca da verdade material não autoriza ao julgador substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito. Não o fez. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PERDCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 11/11/2005, tomou ciência do despacho decisório expedido em 25/05/2009, e apresentou a manifestação de inconformidade em 02/07/2009 (fls.03/07). Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 05 (cinco) anos da entrega do PERDCOMP. É dever do Fisco proceder a análise do crédito desde a sua origem até a data da compensação e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. No tocante à revisão de ofício da DCTF, aventada pela interessada, como bem ressaltado na decisão recorrida, não se aplica ao caso a determinação do inciso II do art. 149 do Código Tributário Nacional (CTN), uma vez que não se discute no presente processo lançamento de ofício de crédito tributário decorrente de lavratura do auto de infração como aduzido pela Recorrente. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.903959/200900 Acórdão n.º 1802001.520 S1TE02 Fl. 5 7 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 27/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 14098.000010/2010-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. REMUNERAÇÕES.
As informações prestadas pela própria empresa em sua escrituração contábil gozam da presunção de veracidade, sendo ônus da empresa a comprovação de eventual equívoco em seus lançamentos contábeis.
ATIVIDADE RURAL.
Contribuem sobre a remuneração dos segurados as empresas que desenvolvem atividades comerciais autônomas, ainda que também se dediquem à atividade rural.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-003.008
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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REMUNERAÇÕES. As informações prestadas pela própria empresa em sua escrituração contábil gozam da presunção de veracidade, sendo ônus da empresa a comprovação de eventual equívoco em seus lançamentos contábeis. ATIVIDADE RURAL. Contribuem sobre a remuneração dos segurados as empresas que desenvolvem atividades comerciais autônomas, ainda que também se dediquem à atividade rural. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 00 00 10 /2 01 0- 06 Fl. 430DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14098.000010/201006 Acórdão n.º 2402003.008 S2C4T2 Fl. 431 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal realizado em 19/01/2010 pela diferença entre as contribuições previdências sobre as folhas de pagamento/GFIP e sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural (contribuição patronal e GILRAT – seguro de acidente no trabalho). A fiscalização constatou que a recorrente desenvolvia outras atividades desvinculadas de sua produção rural, como o comércio de produtos rurais de terceiros e transporte rodoviário. Por essa razão, considerou que a base de cálculo seria a remuneração dos segurados e não a receita bruta da comercialização da produção rural. Seguem transcrições de trechos do relatório fiscal e do acórdão recorrido: Relatório Fiscal: 5.1.1 Todavia, nos termos do § 22 do art. 201 do Decreto 3.048/99 (RPS Regulamento da Previdência Social), não se aplica a substituição anteriormente referida à pessoa jurídica, exceto à agroindústria, que, além da atividade rural, explorar também outra atividade econômica autônoma, quer seja comercial, industrial ou de serviços, no mesmo ou em estabelecimento distinto, independentemente de qual seja a atividade preponderante, devendo esta verter normalmente para a Seguridade Social as contribuições incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e trabalhadores avulsos, conforme quadro demonstrativo a seguir: ... 5.1.2 Ocorre que, da análise dos documentos (contrato social e alterações posteriores, livros contábeis diário e razão 2005, balancetes mensais analíticos 2005, livros fiscais de registro entradas e saídas, notas fiscais de entrada, notas fiscais de saída, folhas/resumos de pagamento, recibos de pagamentos de empregados, entre outros) apresentados pela autuada em atendimento às intimações lavradas no curso do procedimento fiscal, em confronto com as informações prestadas à Receita Federal do Brasil, através de GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social), foi constatado que a autuada, embora exerça atividades autônomas, como será demonstrado a seguir, autoenquadrase incorretamente no FPAS 604 como produtor rural pessoa jurídica que exerce exclusivamente atividade rural e em vista disso deixou de recolher para a Seguridade Social as seguintes contribuições incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados que lhe prestaram serviços no período fiscalizado: contribuição patronal (20%), G1LRAT (3%) e SENAR (2,5%). Fl. 432DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 5.1.2.1 Contratualmente, corroborando o exposto no parágrafo anterior, mais precisamente a partir da quarta alteração contratual, arquivada na JUCEMAT/MT sob o n" 20050047809, a empresa usa a denominação social de "Polato, Importação, Exportação e Comércio Ltda" e explora as seguintes atividades autônomas: a) agricultura em geral; b) comércio, produção, beneficiamento, estocagem e armazenamento de sementes fiscalizadas e ou certificadas e também de outras classes e de mudas para a agricultura; c) comércio, exportação e importação de cereais, de algodão e dos subprodutos primários, secundários, terciários e potenciais resultantes da industrialização, de insumos e de fertilizantes; d) armazéns gerais (na forma da Lei n° 7 9.973, de 29/05/2000); e) transporte de cargas em geral. 5.1.2.2 Contabilmente, conforme quadro demonstrativo abaixo, a autuada além das receitas com vendas de algodão em pluma, algodão em caroço, fibrilha de algodão e milho, escritura também, nas contas contábeis abaixo exemplificadas, receitas provenientes das seguintes atividades autônomas: revenda de produtos (defensivos agrícolas, soja e grãos, pluma de algodão, caroço de algodão, milho, arroz em casca, fibrilha de algodão) e receitas de serviços transporte rodoviário de cargas. ... 5.2 Da análise dos documentos (livros contábeis diário e razão 2005, folhas/resumos de pagamento, recibos de pagamentos de empregados, entre outros), apresentados em atendimento às intimações lavradas no curso do procedimento fiscal, em confronto com as informações prestadas à Receita Federal do Brasil, através de GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social), foi constatado que a autuada deixou de recolher para a Seguridade Social as seguintes contribuições incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados que lhe prestaram serviços no período fiscalizado: contribuição patronal (20%), GILRAT (3%), FNDE (2,5%), INCRA (0,2%) e SENAR (2,5%). ... 5.3 A partir do confronto entre os documentos e informações apresentados em atendimento às intimações fiscais lavradas no curso da ação fiscal e as informações prestadas à Receita Federal do Brasil, através de GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, constatouse que a autuada deixou de proceder ao recolhimento de contribuições previdenciárias, a cargo do empregador, alíquota de 20%, incidentes sobre as remunerações, não discriminadas nas folhas de pagamento e não declaradas em GFIP, pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais prestadores de serviços diversos. Tais remunerações foram apuradas a partir do exame da escrituração contábil, fornecida pela empresa, em meio papel, nas seguintes contas: 3420522 Serviços Prestados por Pessoas Físicas, 4110521 Serviços Prestados por Pessoas Físicas, 4111423 Serviços Prestados por Pessoas Físicas. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14098.000010/201006 Acórdão n.º 2402003.008 S2C4T2 Fl. 432 5 Acórdão: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL O julgamento, no processo administrativo fiscal, consiste na verificação da consentaneidade do lançamento à legislação em vigor. CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNDO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL E PARA FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS EM RAZÃO DA INCAPACIDADE LABORATIVA São devidas a contribuições da empresa para o Fundo de Previdência e Assistência Social, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados e contribuintes individuais, bem como para financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa. ... Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: Foi apresentada impugnação, f. 290301, em 01/03/2010 através da qual a empresa, após qualificarse e resumir fatos inicialmente demonstra inconformidade com o lançamento efetuado com base no fato gerador de "comercializar". Os fatos já estão narrados, no auto de infração que se hostiliza, CONTUDO, chamase a atenção para os itens 5.1.2, 5.1.2.1 e 5.1.2.2. Ao final desses itens, verificase que a autoridade lançadora alega (sic): (...) Contabilmente, conforme quadro demonstrativo abaixo, a autuada além das receitas com venda de algodão em pluma, algodão em caroço, fibrila de algodão e milho, escritura também, nas contas contábeis abaixo exemplificadas, receitas provenientes das seguintes atividades autônomas: revenda de produtos (defensivos agrícolas, soja em grãos, pluma de algodão, caroço de algodão, milho, arroz em casca, fibrila de algodão) e receitas de serviços de transporte rodoviário de carga. Percebese, claramente, que a base do cálculo para o lançamento, se deu no fato de comercializar. Logo não foi feliz ao definir o fato gerador. O fato de a autuada ter promovido alteração em seu contrato social, por si só, não prova o exercício de outras atividades que não a rural, logo, abusiva e ilegal a presunção pura e simples de exercício empresarial diverso do real. Afirma, também, que no período do lançamento, não houve prestação de serviços por segurados, à empresa: Não obstante isso, durante o período, verificase a ausência de contraprestação laboral, dessa forma, como bem caminham os Fl. 434DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 entendimentos dos tribunais superiores na atualidade, impossível é a incidência de contribuição social, vez que lhe falta a subsunção legal. Insistase, não há falar em contribuição social em não havendo a respectiva contraprestação laboral, quer isso dizer, que comercialização de produtos (ainda que houvesse) não pode servir de base para o lançamento de encargos sociais. No exercício de suas atividades encontrase a impugnante sujeita a enorme gama de tributos, sendo que a autoridade impugnada lhe exige o recolhimento de contribuição social mesmo quando não se verificam serviços laborais efetivamente prestados. Todavia sendo tais valores conforme restará amplamente comprovado, com esteio, inclusive em pacífica jurisprudência dos tribunais superiores pagos cm circunstância em que não há, indubitavelmente, prestação de serviço, temse que não configurada, por conseqüência, a hipótese de incidência prevista no inciso I do artigo 22, da Lei n° 8.212, de 234 de julho de 1.991. Assim, tem a impugnante o direito líquido e certo de não ser compelida ao recolhimento da contribuição social (patronal) previdenciária incidente à margem do princípio constitucional da legalidade tributária sobre os valores em debate. Todavia, a autoridade impugnada, que por exercer atividade vinculada e obrigatória, nos termos do parágrafo único do artigo 142, do Código Tributário Nacional, lançou a malfada contribuição cumulada com multas e penalidades. Prossegue nessa tese, trazendo lições doutrinárias e ementa de acórdãos judiciais no sentido de que, sem a ocorrência do fato gerador pagamento de remuneração por serviços prestados , inexiste tributo. E mais que: Em se tratando de lançamento de oficio de multa de 75% (setenta e cinco por cento), consagrada como teto menor foge a qualquer parâmetro de normalidade, pois está acrescido dos juros moratórios que dobram o valor do lançamento originário em aproximadamente 36 meses. É o Relatório. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14098.000010/201006 Acórdão n.º 2402003.008 S2C4T2 Fl. 433 7 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Preliminares Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento não se observa qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 436DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Ressaltase que os recolhimentos e créditos do recorrente foram devidamente considerados para o cálculo das contribuições e todas as rubricas levantadas decorrem de regrasmatrizes legalmente criadas e que, portanto, não podem ser afastadas do lançamento sob pena de se negar aplicação aos diplomas legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico. Cuidou a autoridade fiscal de demonstrar ao recorrente em seu relatório de fundamentos legais do débito todos os dispositivos legais e regulamentares que impõem a obrigação tributária de recolhimento. Pela mesma razão já aqui apontada, não compete a este julgador afastar a aplicação das normas legais. Em razão da clareza do lançamento e do reconhecimento das bases de cálculo pelo próprio recorrente, é prescindível qualquer diligência ou perícia para a necessária convicção no julgamento do presente recurso, devendose aplicar o disposto nas normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis: DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14098.000010/201006 Acórdão n.º 2402003.008 S2C4T2 Fl. 434 9 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornarem nulos quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Mérito No mérito, a fiscalização constatou através da escrituração contábil que a recorrente desenvolvia outras atividades desvinculadas de sua produção rural, como o comércio de produtos rurais de terceiros e transporte rodoviário. Daí, lançou a diferença entre a contribuição previdenciária sobre a remuneração dos segurados e a que tem como base de cálculo a receita bruta da comercialização da produção rural. A questão principal é, portanto, a existência ou não de atividade empresarial que não tenha a produção rural própria como objeto. Melhor dizendo, para que a empresa se enquadre na situação prevista no artigo 25 da lei 8.870/94, com as alterações introduzidas pela e 10.256/2001 e, portanto, contribua sobre a sua receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, não poderá desenvolver outra atividade econômica autônoma, como dispõe o artigo 201, §22º do Decreto nº 3.048/99: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. ... Art.201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: ... IV dois vírgula cinco por cento sobre o total da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, em substituição às contribuições previstas no inciso I do caput e no art. 202, quando se tratar de pessoa jurídica que tenha como fim apenas a atividade de produção rural.(Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001). Fl. 438DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 ... §22. A pessoa jurídica, exceto a agroindústria, que, além da atividade rural, explorar também outra atividade econômica autônoma, quer seja comercial, industrial ou de serviços, no mesmo ou em estabelecimento distinto, independentemente de qual seja a atividade preponderante, contribuirá de acordo com os incisos I, II e III do art. 201 e art. 202.(Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) Embora a recorrente tenha se insurgido contra o enquadramento realizado pela fiscalização, não trouxe qualquer elemento de prova que demonstrasse não se dedicar à comercialização de produtos rurais que não sejam apenas aqueles de sua produção própria. Ressaltase, ainda, que realizou alteração de sua denominação e objeto social, passando a contemplar também a importação ou e a exportação de produtos rurais. Também sustenta o entendimento da fiscalização a existência de estabelecimentos atacadistas e de transporte de carga, o que corrobora para o expressivo volume de vendas de produção de terceiros. A escrituração contábil evidencia contas específicas para lançamentos de despesas com importações e receitas com produção de terceiros. Outra alegação é que, ainda que houvesse atividade econômica autônoma, a recorrente não remuneraria segurados, logo não teria ocorrido fato gerador da contribuição previdenciária. Acontece que nos autos constam folhas de pagamento e contas contábeis de remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais. Com relação à multa aplicada, verifico que a fiscalização realizou comparativo entre multa de mora e multa de ofício para que a recorrente se beneficiasse da retroatividade benéfica: 6.2. Assim, em respeito ao princípio da retroatividade benigna tributária, previsto no artigo 106 do CTN (Código Tributário Nacional, lei n" 5.172/66), foi feito um comparativo, entre as penalidades referidas nos itens 2 e 3, deste relatório, para fins de aplicação da penalidade menos gravosa ao contribuinte, denominado Anexo III Demonstrativo de Aplicação da Penalidade Menos Gravosa (Retroatividade Benigna Tributária) em relação à Multa por Omissão de Fatos Geradores combinada com Ausência de Recolhimento de Contribuições Previdenciárias. Por fim, a recorrente insurgese contra a cobrança em tese – seriam inconstitucionais os dispositivos legais. No entanto, o artigo 26A do Decreto n° 70.235/72 restringe a atuação do órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 439DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14098.000010/201006 Acórdão n.º 2402003.008 S2C4T2 Fl. 435 11 Fl. 440DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10314.005392/99-18
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 01/06/1998
RESTITUIÇÃO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. INAPLICÁVEL O ARTIGO 166 DO CTN.
O imposto de importação é tributo direto, que não comporta o seu repasse a terceiro, sendo sua restituição insuscetível ao determinado no artigo 166 do CTN.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-000.809
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e Judith do Amaral Marcondes Armando, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Nanci Gama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Matéria: II/IE/IPI- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Nanci Gama
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 01/06/1998 RESTITUIÇÃO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. INAPLICÁVEL O ARTIGO 166 DO CTN. O imposto de importação é tributo direto, que não comporta o seu repasse a terceiro, sendo sua restituição insuscetível ao determinado no artigo 166 do CTN. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e Judith do Amaral Marcondes Armando, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Nanci Gama Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 53 92 /9 9- 18 Fl. 400DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 309/353) contra a decisão unânime da Primeira Câmara do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes, que deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, acórdão n° 30133..198 (fls. 302/307), para determinar a restituição do imposto de importação requerida pelo contribuinte. Segundo o acórdão recorrido, o imposto de importação, por não se tratar de imposto indireto que, por sua natureza, comporte sua transferência para terceiro, não se encontra sujeito, para sua restituição, a comprovação de que o respectivo encargo foi suportado pelo requerente, contribuinte de referido imposto. O recurso especial encontrase fundamentado em acórdãos divergentes, tendo sido o mesmo admitido conforme despacho às fls. 354/356. O contribuinte apresentou contrarazões reiterando suas razões no sentido de que inaplicável o disposto no artigo 166 do CTN. Ademais não há prova do repasse do encargo financeiro para terceiros. É o relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora Como dito acima, com o presente recurso de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional, colocase a questão de saber se os impostos ditos diretos, ou seja, aqueles que por sua natureza não comportam sua transferência para terceiros, como no caso do IPI, ou do ICMS estadual, encontramse sujeitos para sua restituição, a comprovação que o respectivo encargo não foi transferido para terceiros. O imposto de importação é tributo direto, e, portanto, não comporta, por sua natureza, transferência para terceiros. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, assim se posicionou acerca da necessidade da comprovação da transferência de encargos financeiros de que trata o artigo 166 do CTN: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ART. 3º, I, DA LEI Nº 7.787/89, E ART. 22, I, DA LEI Nº 8.212/91. AUTÔNOMOS, EMPREGADORES E AVULSOS. COMPENSAÇÃO. TRANSFERÊNCIA DE ENCARGO FINANCEIRO. ART. 166 DO CTN. LEIS NºS 8.212/91, 9.032/95 E 9.129/95. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, em sede de embargos de divergência, pacificou o entendimento para acolher a tese de que o art. 66, da Lei nº 8.383/91, em sua interpretação sistêmica, autoriza ao contribuinte efetuar, via autolançamento, compensação de tributos pagos cuja exigência foi indevida ou inconstitucional. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.005392/9918 Acórdão n.º 9303000.809 CSRFT3 Fl. 371 3 Tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro são somente aqueles em relação aos quais a própria lei estabeleça dita transferência. Somente em casos assim aplicase a regra do art. 166, do Código Tributário Nacional, pois a natureza, a que se reporta tal dispositivo legal, só pode ser a jurídica, que é determinada pela lei correspondente e não por meras circunstancias econômicas que podem estar, ou não, presentes, sem que se disponha de um critério seguro para saber quando se deu, e quando não se deu, aludida transferência. Na verdade, o art. 166, do CTN, contém referencia bem clara ao fato de que deve haver pelo interprete sempre, em casos de repetição de indébito, identificação se o tributo, por sua natureza, comporta a transferência do respectivo encargo financeiro para terceiro ou não, quando a lei expressamente, não determina que o pagamento da exação é feito por terceiro, como é o caso do ICMS e do IPI. A prova a ser exigida na primeira situação deve ser aquela possível e que se apresente bem clara, a fim de não se colaborar para o enriquecimento ilícito do poder tributante. Nos casos em que a lei expressamente determina que o terceiro assumiu o encargo, necessidade há, de modo absoluto, que esse terceiro conceda autorização para a repetição de indébito. A contribuição previdenciária examinada é de natureza direta. Apresentase com essa característica porque a sua exigência se concentra, unicamente, na pessoa de quem a recolhe, no caso, uma empresa que assume a condição de contribuinte de fato e de direito. A primeira condição é assumida porque arca com o ônus financeiro imposto pelo tributo; a segunda, caracterizase porque é a responsável pelo cumprimento de todas as obrigações, quer as principais, quer as acessórias. Em conseqüência, o fenômeno da substituição legal no cumprimento da obrigação, do contribuinte de fato pelo contribuinte de direito, não ocorre na exigência do pagamento das contribuições previdenciárias quanto à parte da responsabilidade das empresas. A repetição do indébito e a compensação da contribuição questionada podem ser assim deferidas, sem a exigência da repercussão. Embargos de Divergência rejeitados”. (Resp. 168469/SP ; Embargos de Divergência no Recurso Especial 1998/00637532, DJU 17/12/1999, pág. 00314, Relator Min. Ari Pargendler, data de decisão 10/11/1999, Primeira Seção) Como entendeu o Superior Tribunal de Justiça, a exigência da comprovação da não transferência do encargo financeiro a terceiro somente é aplicável para os TRIBUTOS DE NATUREZA INDIRETA, assim definidos pelo CTN como sendo aqueles que comportam o repasse do encargo financeiro a terceiros, isto é, aqueles em que o contribuinte de iure Fl. 402DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 repassa o valor do tributo ao consumidor final, qualificado pela legislação tributária como contribuinte de facto. Como se sabe, é a própria lei instituidora do tributo que prevê a possibilidade de seu encargo financeiro ser transferido a terceiro. Ocorre que o tributo objeto do pedido em exame, o imposto de importação, não tem natureza de tributo indireto, mas antes de verdadeiro TRIBUTO DIRETO, pois, ao ser recolhido, é suportado única e exclusivamente pelo importador. Tratandose, pois, de tributo que não comporta o repasse de seu encargo financeiro, classificado como do tipo DIRETO, temse como absolutamente inaplicável o disposto no artigo 166 do CTN. Ressalto que a orientação pacífica dos tribunais nacionais, é no sentido de repudiar com afinco a exigência contida no artigo 166 do CNT, de que seria necessário ao contribuinte fazer prova de não ter repassado o ônus do tributo a terceiro, quando se está diante de um tributo direto. Logo, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Nanci Gama Fl. 403DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 28/12/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10380.018907/2008-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007
CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA DA REMUNERAÇÃO. FALTA DE FORMALIZAÇÃO DA REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Inexiste nulidade, por cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, em autuação, na qual o fisco narra a suposta falta de formalização da remuneração de segurados que executaram obra de construção civil e apresenta a fundamentação legal que autoriza a aferição indireta da remuneração, com base na área construída e no padrão da obra.
CONSTRUÇÃO CIVIL. ARBITRAMENTO. FALTA DE PROVA DA EXISTÊNCIA DE REMUNERAÇÃO NÃO FORMALIZADA. LANÇAMENTO BASEADO EM INDÍCIOS. IMPROCEDÊNCIA.
Não procede o lançamento por arbitramento, quando o fisco, embora apresente indícios, não consegue demonstrar cabalmente que a empresa deixou de formalizar remunerações pagas para execução de obra de construção civil.
INEXISTÊNCIA DE TRABALHADORES EM FUNÇÕES NECESSÁRIAS À CONSTRUÇÃO CIVIL. MOTIVO PARA ARBITRAMENTO. INOCORRÊNCIA.
O fato de não haver na folha de pagamento da obra trabalhadores especialistas em determinadas funções necessárias no segmento da construção civil, por si só, não é suficiente a autorizar a aferição indireta das remunerações.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-002.832
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, dar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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AFERIÇÃO INDIRETA DA REMUNERAÇÃO. FALTA DE FORMALIZAÇÃO DA REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade, por cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, em autuação, na qual o fisco narra a suposta falta de formalização da remuneração de segurados que executaram obra de construção civil e apresenta a fundamentação legal que autoriza a aferição indireta da remuneração, com base na área construída e no padrão da obra. CONSTRUÇÃO CIVIL. ARBITRAMENTO. FALTA DE PROVA DA EXISTÊNCIA DE REMUNERAÇÃO NÃO FORMALIZADA. LANÇAMENTO BASEADO EM INDÍCIOS. IMPROCEDÊNCIA. Não procede o lançamento por arbitramento, quando o fisco, embora apresente indícios, não consegue demonstrar cabalmente que a empresa deixou de formalizar remunerações pagas para execução de obra de construção civil. INEXISTÊNCIA DE TRABALHADORES EM FUNÇÕES NECESSÁRIAS À CONSTRUÇÃO CIVIL. MOTIVO PARA ARBITRAMENTO. INOCORRÊNCIA. O fato de não haver na folha de pagamento da obra trabalhadores especialistas em determinadas funções necessárias no segmento da construção civil, por si só, não é suficiente a autorizar a aferição indireta das remunerações. Recurso Voluntário Provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 89 07 /2 00 8- 17 Fl. 442DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10380.018907/200817 Acórdão n.º 2401002.832 S2C4T1 Fl. 443 3 Relatório Insurgiuse o sujeito passivo contra o Acórdão n.º 0820.786 de lavra da 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRJ em Fortaleza (CE), que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o Auto de Infração – AI n.º 37.190.7055. O crédito foi constituído para exigência das contribuições patronais para outras entidades ou fundos (Salário Educação, INCRA, SEBRAE, SESI e SENAI). De acordo com o relatório fiscal, os fatos geradores que ensejaram o lançamento foram as remunerações pagas aos empregados que laboraram na obra de construção civil de responsabilidade da impugnante, matricula CEI n° 32.110.01586/7. Informase ainda que a base de cálculo foi aferida indiretamente pelo método CUB, em virtude do não registro na contabilidade do movimento real de remuneração dos segurados a serviço da autuada, conforme justificativas lançadas no relato da auditoria. No recurso voluntário interposto, a empresa alegou, em apertada síntese, que: a) a falta de indicação pelo fisco do dispositivo legal supostamente infringido conduz à nulidade da lavratura, a par do que dispõe o inciso IV do art. 10 do Decreto n.º 70.235/1972; b) não consta da autuação qual a norma que dá guarida à conclusão de que a contabilidade não reflete a remuneração efetivamente paga aos segurados; c) traz citações doutrinárias e jurisprudenciais que vão ao encontro da sua tese de que a incompleta fundamentação legal da autuação é causa de sua nulidade; d) a própria decisão recorrida reconhece a omissão do fisco, quanto à menção ao dispositivo legal violado; e) deve ser reconhecida a nulidade do AI, posto que há claro cerceamento ao seu direito de defesa em razão da imperfeição acima apontada; f) os valores declarados pela recorrente corresponde à real remuneração paga aos empregados e prestadores de serviço que executaram a obra de construção civil relativa à autuação, sendo equivocada a apuração das contribuições por arbitramento; g) as casas construídas são do tipo populares, não necessitando para sua edificação de profissionais com alto grau de especialização; h) não se indicou qual a tabela utilizada para apuração do custo da obra, tampouco a abrangência do sindicato da construção civil que a emitiu; i) a conclusão do fisco de que a remuneração empregada atingiu o percentual de apenas 22% do custo real é precipitada e fere o princípio da razoabilidade; Fl. 444DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 j) apesar da fiscalização afirmar que houve compras de materiais após o encerramento da obra, não discriminou o montante desses materiais e a sua representatividade em comparação ao custo total da obra; k) a obra efetivamente encerrouse em 2007, conforme “Habitese” fornecido pela Prefeitura de Fortaleza; l) o material adquirido após 07/2007 é de pequena monta e se destinou ao atendimento a pedidos de manutenção feitos pelos proprietários das unidades; m) ao falar que os trabalhadores envolvidos na obra exerciam diversas funções, a empresa quis se referir a todos os empregados e não apenas àquele que continuou na obra após 07/2007, além de que o padrão das unidades construídas permitiu a utilização de profissionais executando várias atividades; n) não se justifica que na competência 07/2007 a mãodeobra aferida corresponda a R$ 144.186,30 e para o período integral da obra (01 a 07/2007) se apure um total de remuneração de R$ 184.826,37; o) a aferição indireta é um procedimento excepcional e não pode ser utilizado como a regra dos procedimentos fiscalizatórios; p) na espécie o que se verifica é uma arbitrariedade, posto que os critérios adotados pela Autoridade Fiscal não possuem razoabilidade; r) considerandose as alterações na Lei n.º 8.212/1991, promovidas pela Lei n.º 11.941/2009, devese aplicar a legislação mais benéfica ao sujeito passivo. Ao final, pede a declaração de nulidade do AI. É relatório. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10380.018907/200817 Acórdão n.º 2401002.832 S2C4T1 Fl. 444 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Nulidade do lançamento A apreciação da nulidade do lançamento, em razão do cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo, passa pela análise do teor do relatório de trabalho do fisco. Na sua peça de acusação a Autoridade Fiscal lançou as seguintes considerações: 15. Ante o exposto, a auditoria constatou que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço. Senão vejamos: A empresa adquiriu material que implica a necessidade de mãodeobra especializada para a prestação de serviço, tais como gesseiro, eletricista, bombeiro, pintor, carpinteiro, ..., sendo que inexiste registros contábeis da referida mãode obra; A empresa efetuou a compra de material de construção após a competência 07/2007, entregue no endereço da obra e contabilizado no seu centro de custo, quando a empresa não mais efetuava lançamentos na conta salários e ordenados; A empresa construiu um condomínio de 15 (quinze) casas, com instalação hidráulica e elétrica, aplicação de gesso, pintura em textura acrílica, contabilizando somente a mãodeobra de pedreiros e serventes. Considerando os fatos acima narrados, o fisco apresentou, como justificativa legal para aferição indireta da remuneração, o § 4.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991, verbis: "Art. 33... Parágrafo 4.º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução da obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãode obra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário." Fl. 446DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Cotejandose os fatos narrados com a fundamentação apresentada não se verifica qualquer incoerência. O fisco indicou evidências da existência de remunerações não registradas na documentação da empresa (folhas de pagamento, GFIP e contabilidade) e lançou em seu relatório a fundamentação do § 4.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991, o qual autoriza o arbitramento das contribuições na hipótese de ocorrência de remuneração não formalizada. Nesse sentido, não identificamos sequer a omissão na fundamentação legal apontada pela DRJ, posto que o fundamento invocado está em consonância com os fatos trazidos aos autos. Fica afastada, assim, a alegada nulidade do AI por cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo, posto que os fatos narrados amoldamse à base legal apresentada pela auditoria . Falta de formalização da mãodeobra O fisco acusa a empresa de não registrar o total da mãodeobra utilizada na edificação da obra sob fiscalização. Suas conclusões se baseiam em três fatos, quais sejam: a) execução da obra apenas com pedreiros e serventes, sem a utilização de trabalhadores especialistas, a exemplo, dentre outros, de engenheiro, eletricista, carpinteiro, gesseiro, instalador hidráulico e pintor; b) compra de material de construção, mesmo após o encerramento da obra, sem que se apresentasse a remuneração utilizada para aplicação dos referidos produtos; c) diferença entre a remuneração declarada pela empresa e aquela calculada indiretamente pelo método CUB. A empresa, para se livrar da exigência, argumenta que as casas edificadas são de fácil execução, o que motivou a utilização de trabalhadores em mais de uma função. Assevera que, após o término da obra, adquiriu material de pequena monta, apenas para realizar pequenos serviços por solicitação dos proprietários dos imóveis, mantendo apenas um trabalhador executar os trabalhos. Aduz que a documentação apresentada está em sintonia com a realidade da mãodeobra utilizada na construção. Diante da controvérsia acerca da formalização da mãodeobra utilizada, verificase que as conclusões do fisco estão lastreadas apenas em indícios, posto que não há nenhuma evidência a indicar que a contabilidade do sujeito passivo não registrou a real mão deobra utilizada. O fato de não constarem na folha de pagamento trabalhadores especialistas em funções requeridas pela indústria da construção civil, apesar de não representar uma situação ideal, por si só, não é motivo para que se desconsidere a documentação apresentada e se arbitre o valor do saláriodecontribuição. É de se ressaltar que o contribuinte apresentou toda a documentação e os esclarecimentos solicitados pela auditoria, além de que não foi apurado o descumprimento de qualquer obrigação acessória relacionada ao lançamento, a não ser a falta de declaração na GFIP das remunerações obtidas por aferição indireta. Regra geral, as autuações edificadas por arbitramento são acompanhadas de lavraturas correlatas motivadas por descumprimento de obrigações acessórias decorrentes das condutas de não apresentar documentos ou apresentálos com deficiência, preparar folhas de Fl. 447DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10380.018907/200817 Acórdão n.º 2401002.832 S2C4T1 Fl. 445 7 pagamentos em desconformidade com os padrões normativos e não contabilizar os fatos geradores de contribuição em títulos próprios da escrita contábil. Não se vislumbrou na fiscalização quaisquer dessas condutas, o que reforça o nosso entendimento de que a aferição indireta da remuneração teve como pressuposto meros indícios. Observese que a compra de materiais após o encerramento da obra foi justificada pela empresa pela necessidade de efetuar reparos a pedido dos adquirentes dos imóveis, o que não é incomum no ramo da construção civil. É corriqueiro o surgimento de pequenos ajustes e manutenções a serem efetuados pelo construtor, mesmo após a entrega da obra. Além de que foi mantido um trabalhador vinculado à obra, não havendo o que se falar em compra de material sem a mãodeobra necessária a sua aplicação. A existência de reclamatórias trabalhistas indicativas do pagamento de remunerações não formalizadas, por muitas vezes utilizada como causa para adoção de arbitramento, sequer foi mencionada pelo fisco. É cediço que o ônus de provar a ocorrência do fato gerador é do acusador – o fisco, não cabendo na espécie a inversão desse encargo, posto que a empresa auditada apresentou toda a documentação e esclarecimentos solicitados durante a ação fiscal. Podemos concluir, então, que, malgrado o fisco tenha apresentado indícios de irregularidades, não se desincumbiu do dever de demonstrar a ocorrência dos pressupostos necessários a autorizar a apuração das contribuições por arbitramento. Nessa toada, é de se declarar a improcedência do lançamento. Conclusão Voto por afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, por dar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 448DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10240.003060/2008-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
Ementa: CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, estes a partir de 04/2003, a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração. AFERIÇÃO INDIRETA Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira - Presidente. Liege Lacroix Thomasi - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silverio, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Ementa: CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, estes a partir de 04/2003, a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração. AFERIÇÃO INDIRETA Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 30 60 /2 00 8- 71 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silverio, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato Fl. 200DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10240.003060/200871 Acórdão n.º 2302001.989 S2C3T2 Fl. 189 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação principal foi lavrado em 16/10/2008 e cientificado ao sujeito passivo através de Registro Postal em 23/10/2008, referindose às contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, apuradas indiretamente, com base nos registros contábeis da autuada , no período de 01/2004 a 12/2004. O relatório fiscal de fls. 34/38 diz que a contabilidade da recorrente não foi aproveitada como documento de prova a seu favor, devido a inconsistências apuradas, como a não escrituração do movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço e sua movimentação bancária. O fisco aduz que através dos sistemas corporativos da Receita Federal do Brasil, foi possível averiguar a movimentação financeira da empresa com as instituições Banco Bradesco S/A, Banco da Amazônia S/A, Banco do Brasil S/A, Banco Itaú S/A, Banco Mercantil de São Paulo S/A e Cooperativa de Crédito Rural de Porto Velho, enquanto a contabilidade registra apenas a movimentação financeira com o Bradesco S/A. Foram solicitados documentos para comprovar as despesas que originaram a emissão de cheques para os referidos bancos, mas nada foi apresentado. O fisco também faz referência à reclamação trabalhista com reconhecimento de vínculo empregatício, sem qualquer registro do segurado na contabilidade. Os fatos ensejaram a lavratura de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, quanto à contabilidade e permitiram a aferição indireta do crédito lançado.Às fls.39/43, constam demonstrativos das remunerações aferidas. Após a impugnação, despacho de fls. 153/155, dispõe sobre a remessa ao contribuinte dos extratos disponibilizados pelos sistemas corporativos da Receita Federal do Brasil, nos quais se baseou o lançamento, com abertura de prazo para manifestação. Informação fiscal de fls.159, junta as informações solicitadas e é dada ciência ao contribuinte, que se manifesta às fls.167/169, após o que Acórdão de fls.171/179, pugna pela procedência do lançamento. Inconformado, o contribuinte apresenta recurso voluntário, onde diz que repisa as alegações apresentadas na defesa de que: a) é inaceitável e exagerada a quantificação dos valores levados à conta de salários; b) que as condições de trabalho do vendedor externo Timóteo dos Santos Gueiros não guardam semelhança com os demais vendedores da autuada; c) que colacionou na peça de defesa declarações de seus funcionários, onde atestam que seus ganhos são aqueles constantes das folhas de pagamento; Fl. 201DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 d) que os valores lançados não representam a contribuição para a previdência social; e) que o lançamento carece de amparo legal; f) que os documentos trazidos pelo fisco não esclarecem nem justificam os lançamentos e g) que o auditor fiscal em sua fúria arrecadatória lançou valores irreais e fictícios, sem qualquer respaldo legal. Por fim, requer a insubsistência do auto de infração por estar eivado de vícios insanáveis. É o relatório. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10240.003060/200871 Acórdão n.º 2302001.989 S2C3T2 Fl. 190 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Não vislumbro a tese de nulidade do Auto de Infração como quer a recorrente, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a Fl. 203DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10240.003060/200871 Acórdão n.º 2302001.989 S2C3T2 Fl. 191 7 O lançamento referese às contribuições não descontadas, relativas à cota do segurado empregado, que por expressa determinação legal a empresa é obrigada a arrecadar dos segurados empregados a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração e recolher o produto arrecadado no dia 2 do mês seguinte ao da competência (art. 30, inciso I, letras “a” e “b” da Lei n.º 8.212/91), sendo que o crédito também tem suporte no artigo 20 da Lei n.º 8.212/91, que trata da contribuição dos segurados empregados. Referese, ainda, o lançamento, às contribuições previdenciárias relativas a alíquota de 11%, do segurado contribuinte individual, incidente sobre a sua remuneração, que deve ser arrecadada e recolhida pela empresa, nos termos da Lei n.º 10.666, de 08/05/2003: Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 10 (dez) do mês seguinte ao da competência. As alegações da recorrente quanto a valores irreais e fictícios são improcedentes, uma vez que o relatório fiscal explicita que o lançamento foi efetuado por aferição indireta, já que a contabilidade da empresa não refletia o movimento financeiro e o total das remunerações pagas aos segurados a seu serviço, indicando os valores que serviram de parâmetro para o levantamento e que se encontram discriminados nas planilhas de fls.39/43. Segundo o relatório, durante a auditoria fiscal foi constatado que apenas a movimentação financeira com o Banco Bradesco S/A, estava registrada na contabilidade, enquanto através dos sistemas corporativos da Receita Federal do Brasil, foi apurada a movimentação financeira da empresa com diversas instituições financeiras. A recorrente foi intimada a apresentar os extratos bancários das contas correntes mantidas em todas as instituições financeiras, cujos cheques estavam lançados nos registros contábeis. As instituições financeiras foram discriminadas no TIAD emitido em 09/07/2008, d somente foram apresentados os documentos referentes ao Banco Bradesco S/A e Banco da Amazônia S/A .Com relação a este último foram solicitados em novo TIAD, datado de 16/09/2008, os documentos que deram suporte à emissão dos cheques constantes dos extratos, mas nada foi apresentado. Também não foram apresentados os recibos de pagamento do vendedor Timóteo dos Santos Gueiros , cuja relação de emprego foi reconhecida pela Justiça do Trabalho, conforme consta dos autos e tampouco há registro de suas remunerações na contabilidade da recorrente. Por este motivo, acertado o procedimento fiscal que aferiu o valor da remuneração dos demais vendedores que prestavam serviços à recorrente e do prolabore, conforme demonstrado nas planilhas de fls. 38/40, Anexo I do Relatório Fiscal, com base no último salário percebido pelo reclamante, sendo que o levantamento constante desta autuação incide sobre a diferença entre os valores de salários das folhas de pagamento do ano de 2004, e o valor do salário de vendedor reconhecido pela justiça trabalhista. Aos argumentos da recorrente de que não poderia haver comparação entre os vendedores externos e internos, tenho a dizer que ao não apresentar documentos hábeis a fazer prova a seu favor como a apresentação de contabilidade regular, atendendo à boa técnica contábil, a recorrente sujeitase à aferição indireta como procedido no presente levantamento, invertendose o ônus da prova. Ou seja, quando o fisco não dispõe de elementos para apurar Fl. 205DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 regular e comprovadamente as contribuições previdenciárias devidas, a legislação lhe permite o arbitramento, cabendo ao contribuinte fazer prova de suas alegações. A contribuição previdenciária é espécie tributária cuja modalidade de lançamento é denominada por homologação ou autolançamento, com previsão legal no art. 150 do Código Tributário Nacional. Nessa modalidade, a lei atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, competindo a esta, posteriormente, conferir o procedimento e homologálo. No âmbito da Receita Federal do Brasil, o Auditor Fiscal examina diretamente documentos, livros contábeis e fiscais, bem como outros elementos subsidiários, e, com estes elementos postos a sua disposição, verifica se o lançamento foi corretamente efetuado pelo contribuinte, homologandoo. Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, o fisco deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. A prerrogativa da Receita Federal do Brasil de arrecadar e fiscalizar as contribuições previdenciárias, bem como, aferir indiretamente a contribuição previdenciária devida e lançála de ofício, encontra embasamento legal no art. 148 do CTN, do qual o art. 33, §§ 3º, 4º e 6º da Lei n 8.212/91 são corolários: CTN "Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou em consideração, o valor ou preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial." Lei 8.212/91 "Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação alterada pela Lei nº 10.256/01) (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10240.003060/200871 Acórdão n.º 2302001.989 S2C3T2 Fl. 192 9 § 4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. (...) §6 Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, o faturamento e o lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário." Na análise da contabilidade de uma empresa a auditoria fiscal verifica a obediência às formalidades intrínsecas e extrínsecas determinadas pela legislação comercial, fiscal e resoluções do Conselho Federal de Contabilidade, que visam possibilitar que os usuários da mesma possam analisar a situação da empresa versando seus interesses e que a demonstração dos resultados seja correta para a apuração do tributos que forem previstos em lei. Os princípios contábeis que regem a contabilidade visam, justamente, que os demonstrativos reflitam a real situação da empresa no período analisado. Assim, quando a fiscalização se depara com uma escrita contábil onde não há o lançamento de todos os fatos geradores de contribuição é mister a lavratura do auto de infração, por descumprimento da obrigação acessória contida no artigo 33, parágrafos 2° e 3º, da Lei n° 8.212/91. O Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99, traz no seu artigo 233, parágrafo único, o que se considera documento deficiente: .Art.233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. Devese salientar que o direito tributário utilizase de institutos de outros ramos do direito, mormente do direito privado, para instituir as hipóteses de incidência tributária, bem como prescrever obrigações acessórias que, nos termos do art.115, do CTN Código Tributário Nacional, constituemse na imposição de prática ou abstenção de ato que não configure obrigação principal. Ao instituir obrigações acessórias o legislador visa permitir, aos órgãos competentes, uma eficaz administração tributária. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Assim, não cabe, nem deve o legislador tributário disciplinar determinadas condutas, já reguladas no ordenamento jurídico, bastando, para tanto, incorporálas ao direito tributário. Isto significa que, quando a Lei 8.212/91 prescreve a exibição de livros e documentos relacionados a estas contribuições, é evidente que, nestes comandos, está implícito o dever da empresa de observar a legislação que rege a matéria. Portanto, está correto o lançamento com base na aferição dos salários de contribuição dos segurados empregados e contribuintes individuais que prestaram serviços à recorrente, que não trouxe elementos capazes de ilidir a autuação. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 208DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10283.720414/2008-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA. INOCORRÊNCIA.
Não importa renúncia às instâncias administrativas a propositura de mandado de segurança coletivo impetrado por associação, visto que não impede que seus filiados, individualmente, postulem seus direitos em Juízo ou fora dele e que a decisão na ação coletiva só fará coisa julgada se lhe for favorável.
MULTA DE OFÍCIO. CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA.
Não comporta multa de ofício o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA
Todo atraso no pagamento do crédito tributário enseja a cobrança de juros de mora, calculados com base na Taxa Selic, independente do motivo ou de quem tenha dado causa e, portanto, legítima a exigência dos juros moratórios incidentes sobre débito apurado em procedimento de ofício.
Numero da decisão: 2202-001.991
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência o valor de R$8.786,56, bem como excluir da exigência a incidência da multa de ofício por erro escusável.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Odmir Fernandes, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo.
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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SERVIDORES DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO AMAZONAS. RENDIMENTO ISENTO. O valor do Auxílio Moradia recebido pelos membros do Ministério Público do Estado do Amazonas é considerado isento, visto que não integra a remuneração do beneficiário e é pago em substituição ao direito de uso de imóvel funcional, sendo irrelevante a comprovação de pagamento de aluguel, uma vez que se a lei que outorgou a isenção não exigiu tal requisito. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. GRATIFICAÇÃO DE COMARCA DE DIFÍCIL PROVIMENTO. As verbas recebidas mensalmente em valor fixo a título de Gratificação de Comarca de Difícil Provimento estão contidas no âmbito da incidência tributária e devem ser consideradas como rendimento tributável na Declaração de Ajuste Anual, pois não há lei específica que lhes conceda a isenção. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA. INOCORRÊNCIA. Não importa renúncia às instâncias administrativas a propositura de mandado de segurança coletivo impetrado por associação, visto que não impede que seus filiados, individualmente, postulem seus direitos em Juízo ou fora dele e que a decisão na ação coletiva só fará coisa julgada se lhe for favorável. MULTA DE OFÍCIO. CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 04 14 /2 00 8- 49 Fl. 300DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10283.720414/200849 Acórdão n.º 2202001.991 S2C2T2 Fl. 291 2 Não comporta multa de ofício o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA Todo atraso no pagamento do crédito tributário enseja a cobrança de juros de mora, calculados com base na Taxa Selic, independente do motivo ou de quem tenha dado causa e, portanto, legítima a exigência dos juros moratórios incidentes sobre débito apurado em procedimento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência o valor de R$8.786,56, bem como excluir da exigência a incidência da multa de ofício por erro escusável. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Odmir Fernandes, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10283.720414/200849 Acórdão n.º 2202001.991 S2C2T2 Fl. 292 3 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 3 a 18, integrado pelos demonstrativos de fls. 19 e 20, pelo qual se exige a importância de R$5.451,75, a título de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, referente ao anocalendário 2003. DA AÇÃO FISCAL O procedimento fiscal encontrase resumindo na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 5 a 18, na qual o autuante esclarece que: · intimado a apresentar documentação comprobatória de todos os valores lançados a título de rendimentos isentos e nãotributáveis, mensalmente, informados em sua declaração de ajuste anual, relativa ao anocalendário de 2003, o contribuinte apresentou, por intermédio de seu procurador, os documentos de fls. 24 a 56; · examinando a documentação apresentada, a fiscalização verificou que os valores declarados como isentos e não tributáveis, referiamse as seguintes verbas pagas pela Procuradoria Geral de Justiça: gratificação de Auxílio Moradia (R$11.186,56), gratificação de Localidade (R$3.233,19) e abono pecuniário (R$7.804,80); · com a finalidade de esclarecer a natureza das gratificações percebidas pelo contribuinte, foi lavrada nova intimação fiscal para a qual o contribuinte apresentou os documentos de fls. 58 a 176; · quanto à gratificação de Auxílio Moradia, analisando a prestação de contas, verificouse que somente parte deste valor foi efetivamente utilizada pelo contribuinte para custear despesas com moradia. O somatório das despesas comprovadas representa um total anual de R$2.400,00, enquanto o total anual recebido foi R$11.186,56, sendo que a diferença (R$8.786,56) foi considerada rendimento tributável, tendo em vista o disposto no Ato Declaratório SRF no 87, de 12 de novembro de 1999; · as valores recebidos a título de gratificação de localização (R$3.233,19), disciplinada pelo art. 289 da Lei Complementar Estadual no 11, de 17 de dezembro de 1993, em razão do efetivo exercício em Comarca de difícil provimento, foram considerados rendimentos tributáveis, por não haver previsão para nãoincidência ou isenção do imposto de renda na legislação federal; · o abono pecuniário decorrente da conversão de 1/3 de férias em pecúnia (R$7.804,80) foi considerado rendimento tributável; Fl. 302DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10283.720414/200849 Acórdão n.º 2202001.991 S2C2T2 Fl. 293 4 · dessa forma, os rendimentos declarados como isentos e não tributáveis foram reclassificados como rendimentos tributáveis, conforme a seguir discriminado: o Abono Pecuniário: R$7.804,80; o Gratificação de Localidade: R$3.233,19 o Gratificação de Auxílio Moradia: R$8.786,56. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 190 a 202, instruída com os documentos de fls. 203 a 252, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 255): Em sua impugnação, fls. 190/202, o Interessado, por meio de seu advogado, fl. 203, alega, em síntese, que: "O auxíliomoradia tem natureza indenizatória, haja vista que os valores pagos a este título não constituem acréscimo patrimonial, daí sua natureza, razão pela qual não podem ser objeto de incidência do imposto de renda". "Para se ter idéia, hoje, o valor do auxíliomoradia importa em R$ 537,30 (quinhentos e trinta e sete reais e trinta centavos) e, em muitas Comarcas, sequer se iguala, muito menos supera o valor do aluguel, sendo freqüente a necessidade de ser complementado pelo colega que necessita da moradia, para se fixar, ou seja, residir no local, onde exerce suas funções". A gratificação de difícil provimento decorre de lei, art. 289 da Lei Complementar 011/93 (Lei Orgânica do Ministério Público do Estado do Amazonas). Tem caráter indenizatório os rendimentos decorrentes da conversão de férias em pecúnia e tais conversões "sempre foram autorizadas em razão da absoluta necessidade de serviço" segundo a Resolução n° 003/2008 do Colégio de Procuradores de Justiça. O impugnante juntou cópia da petição inicial em Mandado de Segurança Coletivo, impetrado pela Associação Amazonense do Ministério Público em face do Chefe da Fiscalização da Receita Federal do Brasil, Manaus, AM. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém (PA) julgou procedente em parte o lançamento, proferindo o Acórdão no 0120.073 (fls. 254 a 261), de 01/12/2010, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 PAF. PESSOA FÍSICA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10283.720414/200849 Acórdão n.º 2202001.991 S2C2T2 Fl. 294 5 Para que haja renúncia às instâncias administrativas em razão da propositura, pelo contribuinte, de ação judicial, deve ocorrer igualdade de objeto e de partes entre o Processo Administrativo Fiscal e a Ação Judicial. Quando o interessado no PAF é pessoa física e a ação judicial é um Mandado de Segurança Coletivo, não ocorre a chamada concomitância, pois as partes são diferentes, já que este remédio constitucional só pode ser impetrado, segundo a Constituição Federal, por partido político, por organização sindical e entidade de classe ou associação em defesa de seus associados. IRPF. ISENÇÃO. REGIME PECULIAR. PROVAS. A lei não menciona de forma específica e taxativa cada renda a ser tributada. Para configurar o fato gerador do IRPF a lei exige apenas a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda e proventos. Já no que diz respeito à exceção à tributação, tal como a isenção, o comportamento legal é outro, relaciona de forma taxativa uma a uma e na maioria das vezes estabelece as condições para o seu gozo. Assim, para que o autuado possa refutar o lançamento tributário, que reclassificou os rendimentos declarados, deve ir além das citações das normas isentivas e comprovar que sua situação fática preenche os requisitos legais necessários para o gozo de isenção tributária. FÉRIAS INDENIZADAS. PARECER PGFN APROVADO PELO MINISTRO DA FAZENDA. Art. 19 da Lei 10.522/02. APLICAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. O PARECER PGFN/CRJ/N° 2141/2006, aprovado pelo Ministro da Fazenda, acata o entendimento jurisprudencial do STJ de que não incide imposto de renda sobre férias proporcionais convertidas em pecúnia, não em razão de concordar com essa tese, mas em decorrência das sucessivas derrotas que sofreu no judiciário se opondo a tal entendimento. Como essa visão pragmática da Administração Tributária Federal está amparada pelo ordenamento jurídico, art. 19 da Lei 10.522/02, aplicase, também, na esfera administrativa. A decisão a quo excluiu da base de cálculo o valor do abono pecuniário decorrente da conversão de 1/3 em pecúnia, como se observa pelo seguinte trecho extraído do voto condutor (fl. 258verso): Assim, no caso sob exame seria puro academicismo aprofundar a discussão sobre as teses subjacentes às interpretações das partes litigantes, seria um prolongamento desnecessário da controvérsia, pois em decorrência de uma visão pragmática da Administração Tributária Federal, amparada pelo ordenamento jurídico, art. 19 da Lei 10.522/02, acatouse o entendimento jurisprudencial do STJ de que não incide imposto de renda sobre férias proporcionais convertidas em pecúnia. Nessa freqüência, com o advento do PARECER PGFN/CRJ/N° 2141/2006 e do ATO DECLARATÓRIO N° 5, de 7 de novembro de 2006, é forçoso reconhecer que não deve prosperar o lançamento de IRPF sobre as verbas recebidas em decorrência de férias indenizadas. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 304DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10283.720414/200849 Acórdão n.º 2202001.991 S2C2T2 Fl. 295 6 Notificado do Acórdão de primeira instância, em 03/02/2011 (vide AR de fl. 262 verso), o contribuinte interpôs, em 09/03/20111, tempestivamente, o recurso de fls. 269 a 277, firmado por seu procurador (vide instrumento de mandato de fl. 203), no qual alega, em síntese, que: 1. A decisão recorrida não deu atenção devida e correta à decisão judicial que tramitou na 4ª Vara Federal da Seção Judiciária do Amazonas, Processo N° 2008.32.000026458, (cópia da sentença anexa). Transcreveu parte da sentença judicial e informou que o processo judicial subiu ao TRF da 1ª Região em grau de recurso, admitido somente no efeito devolutivo. 2. Defende que a decisão de primeira instância não pode alegar desconhecimento da condição do recorrente, ou seja, que é Promotor de Justiça, portanto, Membro do Ministério Público do Estado do Amazonas e, no mínimo, deveria ter adotado a correta e prudente postura de aguardar o deslinde da demanda judicial. Aduz que “É sem dúvida, dever da recorrida, abster de um pronunciamento na esfera administrativa, em termos decisórios, uma vez que, a matéria encontrase "sub judice" e ao Poder Judiciário cabe a decisão soberana.” (fl. 272). 3. No que diz respeito ao Auxílio Moradia, registra sua discordância e indignação com a decisão recorrida, entendendo que não cabe nenhuma cobrança, eis que está protegido sob o manto judicial, em que pese o insipiente pensamento do recorrido. 4. Quanto à gratificação da Comarca de Difícil Provimento, limitase a afirmar que “lançou, corretamente, todos os dados, conforme constam do Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda, de fls. 32.” (fl. 276). Acrescenta que se houve erro ou equívoco, foi cometido pela própria Fazenda Pública estadual, não sendo lícito ao recorrente promover qualquer alteração nas informações prestadas, pois, se assim o fizesse, estaria prestando uma falsa informação. 5. Alega que preencheu sua declaração com base Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda fornecido pela fonte pagadora, não podendo ser penalizado por eventual erro da fonte pagadora, não sendo justo a aplicação de multas e juros, pois sabidamente o recorrente não deu causa a nada. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 13, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 28/11/2011, veio numerado até à fl. 289 (última folha digitalizada)2. 1 Quartafeira de cinzas. 2 Não foi encaminhado o processo físico a esta Conselheira. Recebido apenas o arquivo digital. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10283.720414/200849 Acórdão n.º 2202001.991 S2C2T2 Fl. 296 7 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. 1 Mandado Segurança Coletivo O contribuinte alega que a decisão recorrida não observou a decisão que tramitou na 4ª Vara Federal da Seção Judiciária do Amazonas, e que, no mínimo, deveria ter sido prudente e aguardado o deslinde da demanda judicial, abstendose “de um pronunciamento na esfera administrativa, em termos decisórios, uma vez que, a matéria encontrase "sub judice" e ao Poder Judiciário cabe a decisão soberana.” (fl. 272). O presente lançamento referese à tributação de três verbas recebidas pelo contribuinte quais sejam, Abono Pecuniário, Gratificação de Localidade e Gratificação de Auxílio Moradia, sendo que a decisão recorrida excluiu da base de cálculo a primeira. De acordo com a cópia da sentença do processo judicial no 2008.32.00.0026458, de 03/08/2009, (fls. 280 a 288), a Associação Amazonense do Mistério Público – AAMP impetrou Mandado de Segurança Coletivo no que se refere à isenção das parcelas recebidas a título de Abono Pecuniário, Auxílio Moradia e Diárias. Logo, das matérias ainda em litígio, apenas o Auxílio Moradia está sendo discutido tanto na esfera judicial quando na esfera administrativa. É certo que, em se tratando de processo administrativo cujo objeto é idêntico àquele submetido ao Poder Judiciário, inócua tornase a manifestação deste Colegiado quanto a ela, uma vez que a decisão pretoriana sempre prevalecerá, importando renúncia às instâncias administrativas, nos termos do art. 38 da Lei no 6.830, de 22 de setembro de 1980, e no Ato Declaratório COSIT no 03, de 1996. Ressaltese que esta questão já se encontra pacificada no âmbito deste Tribunal, por meio da Súmula CARF no 1, em vigor desde 22/12/2009: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Entendo, contudo, que a renúncia a esfera administrativa ocorre somente quanto o próprio sujeito passivo propõem a ação judicial, expondo expressamente sua vontade. No caso do Mandado de Segurança Coletivo, a demanda judicial pode ser impetrada por: (a) partido político com representação no Congresso Nacional; ou (b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados (art. 5o, inciso LXX, da Constituição Federal). Tais entidades agem em nome Fl. 306DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10283.720414/200849 Acórdão n.º 2202001.991 S2C2T2 Fl. 297 8 próprio na defesa de interesses alheios, independentemente de qualquer manifestação de seus associados, que podem muito bem desconhecer a demanda judicial. Dessa forma, não se pode dizer que a impetração da demanda coletiva implicaria na renuncia à esfera administrativa por parte de cada um de seus membros individualmente. Ademais, a existência de uma ação coletiva perpetrada por associação de classe não obsta o direito de seus associados a buscar individualmente a tutela jurisdicional, assim como a ação coletiva não produz coisa julgada em desfavor do contribuinte. Assim, não há como negar o direito do contribuinte em ver sua impugnação e/ou recurso apreciado pelos órgãos julgadores administrativos, pelo simples fato da associação a ele vinculada ter ingressado judicialmente com mandado de segurança coletivo questionando a mesma matéria discutida na via administrativa, pois se a decisão meritória, ao final do processo judicial, for pela improcedência do pedido, não faz coisa julgada para os associados, permanecendo o direito do contribuinte questionar individualmente via Mandado de Segurança a mesma matéria. Concluiuse, assim, o Mandado de Segurança Coletivo não tem o condão de caracterizar a concomitância das esferas administrativa e judicial que importe na renúncia à esfera administrativa, agindo com acerto a decisão recorrida em apreciar a matéria objeto da demanda judicial. Nesse sentido, é a jurisprudência dominante no âmbito deste Tribunal, citandose, como exemplo, os seguintes precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais: PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA. INOCORRÊNCIA. O mandado de segurança coletivo impetrado por associação (substituto processual) não está elencado entre as hipóteses previstas no art. 1º, § 2º do DecretoLei nº 1.737, de 1979 e no art. 38, Parágrafo Único, da Lei nº 6.830, de 1980, não importando renúncia à esfera administrativa, mormente quando presentes no processo administrativo questões distintas daquelas levadas à apreciação do Poder Judiciário. A propositura de mandado de segurança coletivo por entidade associativa não impede que seus filiados, individualmente, postulem seus direitos em Juízo ou fora dele, visto que a decisão na ação coletiva só fará coisa julgada se lhe for favorável. (Precedentes: Acórdão nº 10322.030, de 07/07/2005, Terceira Câmara do 1º CC, Conselheiro rel. Alexandre Barbosa Jaguaribe; Acórdão nº 10708.985, de 25/04/2007, Sétima Câmara do 1º CC, Conselheiro rel. Natanael Martins; Acórdão nº 10196.674, de 17/04/2008, Primeira Câmara do 1º CC Conselheiro rel. João Carlos de Lima Júnior).(Acórdão no , de 910101.069, de 28/11/2011). PROCESSO TRIBUTÁRIO. CONCOMITÂNCIA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. INOCORRÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não impede que o contribuinte associado pleiteie individualmente Fl. 307DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10283.720414/200849 Acórdão n.º 2202001.991 S2C2T2 Fl. 298 9 tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que aquele (mandado de segurança) não induz litispendência e não produz coisa julgada em desfavor do contribuinte nos termos da lei. t impróprio falarse em afronta ao principio da unicidade de jurisdição neste caso, pois o sistema jurídico admite a co existência e convivência pacifica entre duas decisões (uma de natureza coletiva e outra individual), sendo que, via de regra, aplicarseá ao contribuinte aquela proferida no processo individual. A renúncia à instância administrativa de que trata o art. 38 da Lei n. 6.830/80 pressupõe ato de vontade do contribuinte expressado mediante litisconsórcio com a associação na ação coletiva ou propositura de ação individual de objeto análogo ao processo administrativo, o que não se verifica na hipótese. (Acórdão no 9101001.216, de 18/01/2011) Outrossim, não obstante alegue o recorrente que a decisão judicial não teria sido observada pelo julgador a quo, não é o que dos autos de depreende. O objeto da referida ação foi assim descrito pelo Juízo da 4ª Vara da Federal da Seção Judiciária do Amazonas (fl. 280 – grifos nossos): [...] obter provimento jurisdicional que determine a suspensão da exigibilidade do imposto de renda sobre as parcelas indenizatórias recebidas pelos membros do, Ministério Público do Estado do Amazonas – MPEAM, quais sejam: abono pecuniário, auxíliomoradia e diárias. Pretende, ainda, que o impetrado seja impedido de realizar procedimentos fiscalizatórios que tenham por objeto a incidência de imposto de renda sobre as referidas parcelas em relação aos membros do MPEAM que ainda não foram notificados pela Receita Federal do Brasil. Observase que o pedido inicial era composto de duas partes: a suspensão da exigibilidade do imposto incidente sobre as verbas questionadas judicialmente e o pedido para que a Receita Federal fosse impedida de realizar procedimentos fiscalizatórios sobre tais rendimentos. A sentença foi parcialmente favorável ao contribuinte, sendo oportuno transcrever o seguinte excerto da parte final da decisão judicial (fl. 287): Quanto ao pleito para que a impetrada seja impedida de realizar procedimentos fiscalizatórios que tenham por objeto o Imposto de Renda a sobre as parcelas versadas neste processo, perfilho o entendimento esposado na decisão de fls. 244/245, segundo a qual: “É bem verdade que o Poder Judiciário não pode (e não deve), através de seus éditos, impedir que a Receita Federal (ou outros órgãos) exerça seu poderdever de atuação e fiscalização com toda a plenitude, instrumentos, métodos e meios ou de adotar as medidas administrativas (e até judiciais, se necessário) cabíveis e legalmente autorizadas, sob peita de desvirtuar os preceitos constitucionais da independência e da separação de poderes, salvo naqueles casos expressamente autorizados pela lei ou manifestamente ilegais.” Pelo exposto, concedo parcialmente a segurança para determinar à autoridade impetrada que se abstenha de exigir imposto de renda sobre as parcelas pagas aos integrantes da impetrante a título de abono pecuniário, auxíliomoradia e diárias. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10283.720414/200849 Acórdão n.º 2202001.991 S2C2T2 Fl. 299 10 Como se vê, houve somente a determinação da suspensão da exigibilidade do imposto de renda, não havendo nenhum óbice à realização de procedimentos fiscalizatórios. Importa registrar que não consta dos autos decisão judicial final favorável ao contribuinte. O fato de o Mandado de Segurança Coletivo ter garantido a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não impede que o lançamento seja efetuado e, no caso de contestação, que este seja apreciado pelos órgãos julgadores administrativos, seguindo os ritos normais sem que seja necessário aguardar o resultado da decisão judicial final. Vencida a questão preliminar quanto ao conhecimento da matéria objeto do Mandado de Segurança Coletivo, resta agora analisar o mérito do lançamento. 2 Auxílio Moradia Em análise do argüido, cabe lembrar que a Constituição Federal conferiu à União a competência para instituir o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza (art. 153, inciso III), dispondo, ainda, em seu art. 150, §6o, que “Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, [...]”. O Código Tributário Nacional – CTN, em seus arts. 43 a 45, disciplina de uma forma geral o fato gerador, a base de cálculo e os contribuintes do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza. Dispõe ainda o citado código que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador (art. 113), e este, por sua vez, consiste na situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência (art. 144). Em se tratando do imposto de renda pessoa física, a Lei no 7.713, de 1988, preceitua: Art. 3o O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9o a 14 desta Lei. § 1o Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. [...] § 4o A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. § 5o Ficam revogados todos os dispositivos legais concessivos de isenção ou exclusão, da base de cálculo do imposto de renda das pessoas físicas, de rendimentos e proventos de qualquer Fl. 309DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10283.720414/200849 Acórdão n.º 2202001.991 S2C2T2 Fl. 300 11 natureza, bem como os que autorizam redução do imposto por investimento de interesse econômico ou social. Inferese, assim, que de acordo com a Lei no 7.713, de 1998, são tributáveis todos os rendimentos produto do trabalho, do capital, ou da combinação de ambos, bem como os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, que não estiverem contemplados nas hipóteses de isenção. A tributação dos rendimentos independem de sua denominação, bastando que fique demonstrado o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Destaquese que a referida lei tratou também de revogar todas as isenções e exclusões da base de cálculo do imposto de renda das pessoas físicas, passando a considerar isentos apenas os rendimentos listados em seu art. 6o. Tratase de uma lista exaustiva e somente se poderá invocar nova hipótese de isenção não contemplada no referido artigo se esta estiver expressa em lei específica, tendo em vista o disposto no art. 111 do CTN. No que diz respeito ao Auxílio Moradia pago pelas pessoas jurídicas de direito público, importa transcrever o art. 25 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art.25. O valor recebido de pessoa jurídica de direito público a título de auxíliomoradia, não integrante da remuneração do beneficiário, em substituição ao direito de uso de imóvel funcional, considerase como da mesma natureza deste direito, não se sujeitando à incidência do imposto de renda, na fonte ou na declaração de ajuste. Tratase de hipótese de isenção tributária para a qual devem ser atendidos três requisitos: (a) o Auxílio Moradia deve ser recebido de pessoa jurídica de direito público; (b) este valor não pode integrar remuneração do beneficiário; e (c) valor deve ser pago em substituição ao direito de uso de imóvel funcional. No caso dos autos, tratase de Auxílio Moradia recebido por Promotor de Justiça do Estado do Amazonas, conforme declaração da Procuradoria Geral da Justiça juntada à fl. 35. A remuneração dos membros do Ministério Público do Estado do Amazonas, por meio de subsídio mensal, está prevista no art. 271 da Lei Complementar no 11, de 17 de dezembro de 1993 (Lei Orgânica Estadual do Ministério Público do Estado do Amazonas): Art. 271. O subsídio mensal dos membros do Ministério Público, constituise exclusivamente de parcela única, vedado o acréscimo de qualquer gratificação, adicional, abono, prêmio, verba de representação ou outra espécie remuneratória. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos membros do Ministério Público afastados para o exercício de cargo em comissão ou função de assessoria no âmbito da Procuradoria Geral de Justiça. Por sua vez, o art. 279 da mesma lei concede um conjunto de vantagens aos membros do Ministério Público, dentre elas, o auxílio moradia (grifos nossos): Fl. 310DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10283.720414/200849 Acórdão n.º 2202001.991 S2C2T2 Fl. 301 12 Art. 279. Além dos subsídios, os membros do Ministério Público terão direito às seguintes vantagens: I de caráter indenizatório: a) auxílio alimentação; b) diárias; c) indenização de férias não gozadas; d) auxíliomoradia, nas Comarcas em que não haja residência oficial condigna para o membro do Ministério Público; e) ajuda de custo, para despesas de transporte e mudança; f) auxíliotransporte, para deslocamento a serviço, fora da sede de exercício; g) auxíliofuneral; h) licençaprêmio convertida em pecúnia; i) outras vantagens indenizatórias previstas em Lei, inclusive as concedidas aos servidores públicos em geral. II de caráter permanente: a) benefícios percebidos de planos de previdência instituídos por entidades fechadas, ainda que extintas; b) benefícios percebidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS em decorrência de recolhimento de contribuição previdenciária oriunda de rendimentos de atividade exclusivamente privada. III de caráter eventual ou temporário: a) auxílio préescolar; b) benefícios de plano de assistência médicosocial; c) devolução de valores tributários e/ou contribuições previdenciárias indevidamente recolhidos; d) bolsa de estudo com caráter remuneratório; e) gratificação pela participação em comissão, grupo de trabalho ou grupo especial de assessoramento técnico, de caráter transitório, correspondente a 10% (dez por cento) do subsídio do participante. Parágrafo único. As verbas previstas nos incisos e alíneas deste artigo não integram o subsídio de que trata o art. 271 desta Lei e estão excluídas da incidência do limite remuneratório constitucional, sendo vedada, no cotejo com esse limite, a exclusão de outras parcelas que não estejam arroladas neste artigo. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10283.720414/200849 Acórdão n.º 2202001.991 S2C2T2 Fl. 302 13 Examinandose os dois dispositivos acima transcritos, verificase que o Auxílio Moradia recebidos pelos membros do Ministério Público do Estado do Amazonas satisfaz os três requisitos previstos no art. 25 da Medida Provisória no 2.15835, de 2001, visto que é pago por pessoa jurídica de direito público, não integra a remuneração do beneficiário e é pago, somente, nas Comarcas em que não exista residência oficial, ou seja, em substituição ao direito de uso de imóvel funcional. Cumpridos esses três requisitos estipulados pela lei, há que se reconhecer a isenção do Auxílio Moradia recebido pelo contribuinte, sendo irrelevante a comprovação de pagamento de aluguel correspondente ao valor total da verba recebida, conforme exigido pelo fisco, uma vez que a lei que outorgou a isenção não requer tal condição. Dessa forma, há que se excluir da base de cálculo o valor R$8.786,56 relativo ao Auxílio Moradia tributado pela fiscalização. 3 Gratificação de Comarca de Difícil Provimento Quanto à gratificação da Comarca de Difícil Provimento, alegar simplesmente que “lançou, corretamente, todos os dados, conforme constam do Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda, de fls. 32.” (fl. 276), não afasta a tributação imposto, pois a responsabilidade por infrações tributárias independe da intenção do agente, conforme disposto no art. 136 do Código Tributário Nacional. Como já esclarecido no item anterior, não existindo um dispositivo expresso em lei que conceda à isenção, o fato de uma verba ter caráter indenizatório, por si só, não a exclui do campo de incidência do imposto de renda. Como exemplo de indenizações isentas temos: a indenização por acidente de trabalho (art. 6º, inciso IV, da Lei nº 7.713); a indenização destinada a reparar danos patrimoniais em virtude de rescisão de contrato (art. 70, § 5º, da Lei nº 9.430, 1996); pagamento efetuado por pessoas jurídicas de direito público a servidores públicos civis, a título de incentivo à adesão a programas de desligamento voluntário (art. 14 da Lei nº 9.468, de 1997); a indenização e o aviso prévio pagos por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, até o limite garantido pela lei trabalhista (art. 6º, inciso V, da Lei nº 7.713, de 1988); e outras. Destarte, legítima a tributação da verba recebido a título de Gratificação de Comarca de Difícil Acesso, por não existir lei específica que lhes conceda a isenção e/ou não haver o contribuinte comprovado que se tratavam de despesas reembolsadas necessárias ao exercício da atividade funcional. 4 Multa de Ofício e Juros de Mora O recorrente alega que preencheu sua declaração com base no Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda fornecido pela fonte pagadora, não podendo ser penalizado por eventual erro da fonte pagadora e não sendo justo a aplicação de multas e juros, pois sabidamente o recorrente não deu causa a nada. De fato, verificase o contribuinte preencheu a declaração de rendimentos do anocalendário 2003 (fls. 180 a 183), em conformidade com o comprovante de rendimento fornecido pela ProcuradoriaGeral de Justiça do Estado do Amazonas (fl. 66), que informou Fl. 312DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10283.720414/200849 Acórdão n.º 2202001.991 S2C2T2 Fl. 303 14 como rendimentos isentos e não tributáveis valores recebidos a título de Auxílio Moradia (R$11.186,56), Gratificação Localidade (R$3.233,19) e Abono Pecuniário (R$7.804,80). Em situações como esta que aqui se tem, em que o lançamento decorre da reclassificação dos rendimentos que foram declarados de acordo com informação prestada pela fonte pagadora, induzindo o contribuinte a preencher equivocadamente a sua declaração de ajuste anual, é entendimento pacificado no âmbito deste Tribunal Administrativo que a multa de ofício deve ser afastada. Neste sentido, cabe aqui transcrever o seguinte trecho do voto constante do Acórdão no 10421.914, de 21/09/2006, quando foi apreciada situação semelhante, na Relatoria do Conselheiro Nelson Mallmann, a quem peço vênia para adotar como minhas suas razões de decidir: Outrossim, por força do protesto interposto pelo suplicante, é indiscutível e inatacável que o contribuinte, utilizandose do Comprovante de Rendimentos Pagos ou Creditados fornecido pela fonte pagadora (Assembléia Legislativa do Estado de Roraima), conforme consta dos autos às fls. 42/45, que classificou a “Ajuda de Custo” como rendimentos isentos ou não tributáveis, foi induzido a escusável erro no preenchimento de sua Declaração de Ajuste Anual. É de se admitir que o suplicante agiu de boa fé ao utilizarse das informações prestadas pela fonte pagadora, motivo porque, invocando os princípios da legalidade e da justiça fiscal, entendo que não lhe deve ser imputada a multa de ofício. Aliás, nesta vertente, vem decidindo esta Corte de Julgamento, a exemplo das decisões prolatadas nos Acórdãos n.° s 10417.289, 10416.923, 10416.925, 104.17.270, 104.17.126, 10417.135, 10417.255, 10417.084, 10245.588 e 10417.256 da lavra de ilustres e dignos Conselheiros deste Conselho, dos quais transcrevo, de forma exemplificativa, a ementa do Acórdão 10245.588: “MULTA DE OFÍCIO COMPROVANTE DE RENDIMENTOS PAGOS OU CREDITADOS EXPEDIDO PELA FONTE PAGADORA DADOS CADASTRAIS EXCLUSÃO DE RESPONSABILIDADE Tendo a fonte pagadora informado no Comprovante de Rendimentos Pagos ou Creditados que os rendimentos decorrentes de passivos trabalhistas deferidos em sentença judicial são isentos e não tributáveis e considerando que o lançamento foi efetuado com base nos dados cadastrais espontaneamente declarados pelo sujeito passivo da obrigação tributária que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável e involuntário no preenchimento da Declaração de Ajuste Anual, incabível a imputação da multa de ofício, sendo de se excluir sua responsabilidade pela falta cometida.” Os autos não deixam dúvidas de que, o contribuinte foi induzido a erro pela fonte pagadora, a qual fez constar no informe de rendimentos, como isentos ou não tributáveis, os valores pagos ao contribuinte a título de “Ajuda de Custo”, o que levou Fl. 313DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10283.720414/200849 Acórdão n.º 2202001.991 S2C2T2 Fl. 304 15 declarálos como tal. Assim, entendo que deve ser exigido do contribuinte tão somente o imposto e os encargos de mora, dispensandoo do recolhimento da multa de ofício, tendo em vista não ter ele agido de forma dolosa ou mesmo culposa na presente omissão, mesmo porque o rendimento foi informado em sua declaração, ainda que de forma equivocada. No que se refere aos juros de mora, cabe ressaltar que todo atraso no pagamento do credito tributário enseja a sua cobrança, independente do motivo ou de quem tenha dado causa, conforme determinação expressa contida no art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. §1o Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. O texto legal acima, determinou a cobrança de juros de mora à taxa de 1% ao mês, sobre o crédito pago após o vencimento, caso a lei não disponha de modo diverso. No presente lançamento está se exigindo a título de juros de mora a Taxa Selic sobre o imposto apurado de ofício, prevista, de forma literal, no artigo 13 da Lei no 9.065, de 20 de junho de 1995 e no § 3o do art. 61 da Lei no 9.430/1996. Ademais, a aplicação da taxa Selic sobre os débitos pagos em atraso já se encontra pacificada no âmbito deste Tribunal Administrativo, nos termos da Súmula no 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em, em vigor desde 22/12/2009: Súmula CARF no 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Destarte, há que se afastar a aplicação da multa de ofício, mantendose, contudo, a incidência de juros de mora sobre o imposto mantido. 5 Conclusão Diante do exposto, voto por DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$8.786,56 (Auxílio Moradia) e afastar a exigência da multa de ofício de 75% incidente sobre o valor do imposto remanescente. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 314DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10283.720414/200849 Acórdão n.º 2202001.991 S2C2T2 Fl. 305 16 Fl. 315DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO
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