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Numero do processo: 10855.000729/2007-63
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2002, 01/04/2002 a 31/12/2003
PIS/FATURAMENTO. AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. BASE DE CÁLCULO. VALORES REPASSADOS A TERCEIROS. TRIBUTAÇÃO.
As agências de propaganda e publicidade não podem excluir da base de cálculo do PIS, apurado a partir da soma dos valores totais das faturas/notas fiscais de serviços por elas emitidas, os valores pagos aos veículos de divulgação, que não são meros repasses financeiros, mas sim custos ou despesas.
NOTA FISCAL/FATURA. PREÇO DOS SERVIÇOS PRESTADOS.
A nota fiscal/fatura representa o valor dos serviços prestados pelo emitente ao seu destinatário, no valor da importância total nela consignada.
RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO
Numero da decisão: 9303-003.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Relator), Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Fabiola Cassiano Keramidas e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas.
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
FRANCICO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA - Relator.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. BASE DE CÁLCULO. VALORES REPASSADOS A TERCEIROS. TRIBUTAÇÃO. As agências de propaganda e publicidade não podem excluir da base de cálculo do PIS, apurado a partir da soma dos valores totais das faturas/notas fiscais de serviços por elas emitidas, os valores pagos aos veículos de divulgação, que não são meros repasses financeiros, mas sim custos ou despesas. NOTA FISCAL/FATURA. PREÇO DOS SERVIÇOS PRESTADOS. A nota fiscal/fatura representa o valor dos serviços prestados pelo emitente ao seu destinatário, no valor da importância total nela consignada. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Relator), Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Fabiola Cassiano Keramidas e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. FRANCICO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 07 29 /2 00 7- 63 Fl. 757DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO D E ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Insurgese a contribuinte em Recurso Especial de fls.556/603, admitido pelo Exame de Admissibilidade nº 330000.038, fls.610/612, contra o Acórdão 330100.491, fls. 538/578 que, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao Recurso Voluntário. O Acórdão traz a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2002 DECADÊNCIA. DIFERENÇAS APURADAS. LANÇAMENTO. O prazo para a Fazenda Nacional exigir crédito tributário decorrente de contribuição social declarada e paga a menor, em face da Súmula n° 08, de 2008, editada pelo Supremo Tribunal Federal, passou a ser de 05 (cinco) anos contados dos respectivos fatos geradores. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2002 a 31/12/2003 DIFERENÇAS. VALORES DECLARADOS. VALORES DEVIDOS. As diferenças apuradas entre os valores da contribuição declarados e/ ou pagos e os efetivamente devidos com base nas receitas escrituradas estão sujeitas a lançamento de oficio, acrescidas das cominações legais, juros de mora e multa de oficio. MULTA DE OFÍCIO Fl. 758DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO D E ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10855.000729/200763 Acórdão n.º 9303003.065 CSRFT3 Fl. 653 3 Nos lançamentos de oficio, para constituição de crédito tributário, incide multa punitiva calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo ou contribuição lançados, segundo a legislação vigente. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Relata a Recorrente que no período de janeiro/2001 a dezembro/2003 que se refere à acusação, a mesma foi ressarcida de honorários a ela devidos pelos serviços prestados aos clientes dos valores entregues aos veículos de comunicação (TV/rádio/revistas/jornais) para a divulgação de peças publicitárias. Disse também que ao emitir as devidas notas fiscais a seus clientes segregou os honorários a ela destinados ("bonificação da agência de propaganda"), contabilizandoos como receita, dos valores objeto de ressarcimento ("rateio das notas fiscais de veiculação publicitária em mídias — TV/rádio/jornal/revista/outdoor e placas em estádios"), que não contabilizou como receita sua, não incluindo tais valores na base de cálculo do PIS. Alega a Contribuinte que o entendimento do Conselho é de que a base de cálculo do PIS inclui a totalidade das receitas das pessoas jurídicas independentemente da atividade por ela exercida e da classificação contábil adotada para as receitas, desconsiderando o amparo legal para se tributar apenas as bonificações recebidas das empresas de divulgação. Quanto ao debate em torno da base de cálculo, aduz que a decisão contraria a alínea “b” do inciso I do artigo 195 da constituição da República; o artigo 2° da lei n° 9.718/1998; o artigo 11 da lei n° 4.680/1965; o inciso IV do artigo 9° do decreto n° 57.690/66; e o parágrafo único do artigo 53 da lei n° 7.450/1985. Transcreve ementas dos Acórdãos paradigmáticos 20216.821 e 20179.210 deste Conselho, às fls. 562/565, cujo entendimento afasta da base tributável os valores destinados aos veículos de divulgação. Ainda à fls. 566/570, transcreve trechos da doutrina da base de cálculo para evidenciar a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS. Ainda nesse sentido, alega a Contribuinte que a agência recebe valores de seus clientes a titulo de honorários e de ressarcimento de despesas efetuados em seu nome. Aqueles, em razão do serviço prestado. Estes, como ressarcimento ou para fins de repasse a terceiros. E não há qualquer óbice a que tais valores — honorários e ressarcimento de despesas — sejam cobrados mediante uma única nota fiscal, desde que esse documento fiscal contemple a segregação entre os honorários e os valores objeto de ressarcimento, como fez a recorrente. Requer, por fim, o Provimento ao recurso especial com vistas a desconstituir o lançamento levado a efeito contra a recorrente. Em Contrarrazões, às fls.614/618, sustenta a Fazenda Nacional que o acórdão recorrido não merece reparo, tendo em vista a recente análise de inconstitucionalidade do art. 3º, §1°, da Lei n° 9.718/98 pelo STF, e transcreve, à fl. 616, decisões dessa tendência jurisprudencial nas quais se entende o faturamento como o conjunto de receitas decorrentes da atividade fim da empresa. Fl. 759DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO D E ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Segue aduzindo que os serviços foram faturados em nome da empresa, constituindo receita própria. O fato de haver o repasse posterior das verbas decorrentes da subcontratação de serviços é irrelevante neste caso, porque incapaz de excluir a incidência da Cofins. Transcreve, à fl.617, artigo 3°, §2°, da Lei 9.7l8/98, para apontar receitas passíveis de exclusão da base de cálculo da Cofins, as quais diferem das mencionadas na recorrida decisão. Por fim, pede que seja negado provimento ao recurso especial, com a consequente manutenção do entendimento de que o PIS deve incidir sobre a totalidade das receitas recebidas pelas agências de publicidade, independentemente da atividade por ela exercida e da classificação contábil adotada para as receitas, inclusive sobre os valores recebidos dos anunciantes e destinados aos veículos de comunicação, que não são meros repasses, mas sim custos e despesas. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA O Recurso preenche condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. O tema é recorrente neste Conselho e todos nós Julgadores concordamos com o fato de que a Agência de Propaganda e de Publicidade como a ora Recorrente, não presta serviços de divulgação uma vez que seu objeto social diz respeito à criatividade na área de marketing em campanhas que objetivam o incremento de consumo de bens e serviços e de promoção de diretrizes emanadas de organizações em geral, da sociedade. Também ficamos concordes no acatamento do fato de que o numerário recebido pela Agência e destinado aos vários tipos de mídia, transita em seus registros bancário/contábil antes das respectivas destinações. Concluímos todos, portanto, que a receita da Agência de Propaganda se materializa, exclusivamente, quando do recebimento de honorários por campanhas de publicidade, comissões em decorrência das intermediações com os veículos de comunicação e, se for o caso, proveniente de serviços gráficos, filmagem, editoração, etc. Após essas considerações, peço a audiência dos Eminentes Julgadores presentes para a definição da atividade que envolve este processo, prevista no artigo 3º da Lei nº 4,680: Fl. 760DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO D E ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10855.000729/200763 Acórdão n.º 9303003.065 CSRFT3 Fl. 654 5 “Agência de Propaganda é a pessoa jurídica especializada nos métodos, na arte e na técnica publicitários, que, através de profissionais a seu serviço, estuda, concebe, executa e distribui propaganda aos Veículos de Divulgação, por ordem e conta de clientes anunciantes, com o objetivo de promover a venda de mercadorias, produtos e serviços, difundir idéias ou informar o público a respeito de organizações ou instituições a que servem.” Enfim, trago à colação, como predicativo analógico em relação ao Imposto sobre a Renda, o fundamento do art. 13 da Lei nº 10.925 de 23 de julho de 2004, que promana o entendimento de que as agências de publicidade e propaganda podem excluir da base de cálculo do PIS e da COFINS as importâncias pagas diretamente ou repassadas a empresas de rádio, televisão, jornais e revistas, sendolhes vedado o aproveitamento do crédito em relação às parcelas excluídas. Este dispositivo se comunica com o parágrafo único do art. 53 da Lei nº 7.450/85 Tudo isto faz sentido, haja vista que entradas ou ingressos de créditos pertencentes a terceiros não se tornam receitas da Agência de Propaganda por não serem eles de sua propriedade e até mesmo porque nunca trarão reflexos na formação definitiva do resultado patrimonial e ainda por não serem remunerações decorrentes de seu objeto social. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso interposto para afastar da base de cálculo do PIS os valores repassados aos veículos de divulgação. Sala das Sessões, 13 de agosto de 2014. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator Fl. 761DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO D E ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Voto Vencedor Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas Redator Designado A teor do relatado, a questão que se apresenta a debate diz respeito à base de cálculo do PIS devida pelas agências de propaganda. De um lado, a Fazenda entende que a contribuição incide sobre o total da receita proveniente do faturamento constante das Notas Fiscais emitidas pela reclamante, enquanto esta defende a exclusão dos valores pagos por ela aos veículos de divulgação. A meu sentir, não merece reparo o acórdão recorrido, pois o PIS, diferentemente do que acontece com o IRPJ e a CSLL, à época da ocorrência dos fatos geradores objeto destes autos, incidia sobre o total do faturamento, assim entendido, as receitas provenientes da venda de mercadorias, de serviços ou de ambos, e não sobre o lucro ou a diferença entre as receitas e as despesas, como acontece com esses dois tributos. No caso sob análise, dúvida não há que a Fiscalização tributou, tãosomente, as receitas oriundas do faturamento realizado pela recorrente, com base nas Notas Fiscais de serviços por ela emitidas, como determinava a legislação dessa contribuição, vigente à época dos fatos geradores objeto do lançamento em análise. É incontroverso nos autos que os valores lançados correspondem aos das faturas emitidas pela Fiscalizada. A discórdia entre ela e o Fisco reside na pretensão de se excluir da base de cálculo os valores correspondentes aos pagamentos efetuados aos veículos de divulgação, para tanto, a defesa socorrese da Lei 4.680/65 que dispõe sobre o exercício da profissão de publicitário e de agenciador de propaganda. Acontece, porém, que essa lei não dispõe sobre o tratamento tributário das pessoas que menciona, como não poderia ser. A incidência das contribuições devidas pelas agências publicitárias e pelos veículos de divulgação, á época dos fatos em análise, obedecia à regra geral das demais pessoas jurídicas, sem qualquer regalia ou diferenciação. De outro lado, o que a recorrente pretende, na realidade, é tributar apenas a receita líquida, deduzindo as despesas incorridas com a prestação dos serviços. Essa pretensão poderia encontrar abrigo se estivéssemos tratando de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou ainda da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, onde a incidência está associada ao conceito de lucro, grosso modo, receitas menos despesas, mas não sobre as contribuições incidentes sobre o faturamento, como é o caso do PIS, que tem como base de cálculo as receitas oriundas da venda de bens, de serviços ou de ambos. As exclusões permitidas são somente aquelas listadas, numerus clausus, na lei instituidora da contribuição, in casu, a Lei Complementar 7/70, e nas demais que alteraram o texto original, sobretudo a Lei 9.715/1998 e 9.718/1998. Dentre as exclusões legais não se encontra a pretendida pelo sujeito passivo. De outro lado, como já dito linhas acima, não se pode aplicar a essa contribuição os mesmos critérios adotados para o IRPJ e para a CSLL, que tem forma diversa de tributação. Aqui, peço licença para transcrever excerto do voto condutor do acórdão recorrido, da Lavra do eminente Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, que discorreu sobre o tema com a costumeira competência. Para o deslinde da questão importa analisar, primeiro, a legislação afeta ao mercado de propaganda e publicidade, Fl. 762DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO D E ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10855.000729/200763 Acórdão n.º 9303003.065 CSRFT3 Fl. 655 7 visando definir se os pagamentos efetuados pela recorrente aos veículos seriam meros repasses financeiros, ou seriam custos, como considerou a Fiscalização, e também para saber de que modo as agências de propaganda devem faturar os serviços por elas prestados; segundo, analisar as bases de cálculo do PIS, do IRPJ e do ISS, para saber se as legislações dos dois impostos podem ser aplicadas à contribuição; terceiro, as decisões administrativas citadas, que supostamente confirmariam os argumentos da recorrente. A Lei nº 4.680/65, como sua ementa indica, dispõe “sobre o exercício da profissão de Publicitário e de Agenciador de Propaganda e dá outras providências.” Após definir que agenciadores são “os profissionais que, vinculados aos veículos da divulgação, a eles encaminhem propaganda por conta de terceiros” (art. 2º), e que agência é a pessoa jurídica especializada em publicidade (art. 3º), estabelece no seu art. 11 que a comissão constitui a remuneração dos agenciadores, enquanto o desconto a remuneração das agências, sendo ambas fixadas pelos veículos de divulgação, sobre os preços estabelecidos em tabela destes. A finalidade da referida Lei é regular as profissões de publicitário e agenciador de propaganda e não o mercado de propaganda e publicidade. Tanto assim que nos seus artigos finais determinou a sua fiscalização a cargo do antigo Departamento Nacional do Trabalho, enquanto sua regulamentação ficou para o Ministério do Trabalho. Além do mais, o meio da publicidade não funciona como prevê a lei, sendo comum as agências substituírem as pessoas físicas que exercem a atividade regulamentada de agenciador de propaganda. Embora o artigo 17 da referida Lei nº 4.680/65 estabeleça que a atividade publicitária nacional será regida pelos princípios e normas do Código de Ética dos Profissionais da Propaganda, instituído em 1957, nem na Lei, nem no Código, há qualquer dispositivo de índole tributária, tampouco dispondo sobre os valores das faturas/notas fiscais a serem emitidas pelas agências ou pelos veículos de propaganda. As disposições acerca do faturamento, mas não sobre os valores de faturas ou notas fiscais, repitase, encontramse no Decreto nº 4.680/65, que dispõe: “Art 9º Nas relações entre a Agência e o cliente serão observados os seguintes princípios básicos. (...) IV O Cliente comprometerseá a liquidar à vista, ou no prazo máximo de trinta (30) dias, as notas de honorários e de despesas apresentadas pela Agência. (...) Fl. 763DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO D E ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 Art 15. O faturamento da divulgação será feito em nome do Anunciante, devendo o Veículo de Divulgação remetêlo à Agência responsável pala propaganda.” (Grifos nosso) Os dois dispositivos acima precisam ser lidos em conjunto, impondose uma interpretação sistemática. Assim, percebese que a agência poderá cobrar os seus honorários e apresentar ao anunciante as despesas que realizar. Todavia, cada nota fiscal ou fatura deve ser emitida com o valor dos serviços que cada empresa realizar: a da agência com o valor dos seus diversos serviços, a do veículo com o valor da veiculação. Uma fatura englobando as outras, como no caso em tela, é prova de que quem emitiu pelo total contratou todos os serviços. Por que o veículo deve remeter a sua fatura à agência de propaganda? Para que esta confira os serviços e apresentea ao anunciante, demonstrando que a propaganda elaborada foi devidamente veiculada e que cada um (agência e veículo) possa receber a sua parte, a par das faturas emitidas, na forma dos contratos firmados. A interpretação feita pela recorrente não se sustenta porque transforma simples apresentação da fatura do veículo, ao anunciante, numa suposta obrigatoriedade de emissão da sua fatura por valor irreal, que não refletiria as operações. Pretende fazer prevalecer sobre a legislação tributária e comercial dispositivos isolados da Lei nº 4.680/65 e do Decreto que a regulamenta, numa interpretação assaz desarrazoada que não encontra guarida nem ao menos na literalidade dos texto legal. As agências de propaganda desenvolvem atividades complexas, sendo remunerada de diversas formas, tanto por parte dos veículos quanto pelos clientesanunciantes. Neste sentido a própria recorrente informa que tal remuneração pode ser decomposta em três parcelas: honorários à base de 20%, cobrados dos veículos; honorários de no mínimo 15%, cobrados dos clientesanunciantes; e honorários diversos, por serviços especiais, como pesquisas de mercado, promoção de vendas, relações públicas, etc. Destarte, uma agência pode realizar os contratos mais diversos, tanto com os seus anunciantes quanto com os veículos, a depender de cada situação específica. O desconto a ser recebido dos veículos, de que fala o art. 11 da Lei nº 4.680/65, é apenas uma das formas possíveis de remuneração, constituindose na hipótese em que a agência é remunerada pelos veículos e não pelos anunciantes. A hipótese dos autos é outra, pois a recorrente, ao emitir a nota fiscal/fatura pelo valor total dos serviços, deixa caracterizado um contrato em que é remunerada de forma global pelos anunciantes. Tratase de um “pacote fechado”, nos quais dentre outros serviços encontrase o de veiculação, a ser contratado junto a emissoras de televisão, rádios, editoras, etc. Daí os pagamentos aos veículos serem custos e não meros repasses financeiros. Neste ponto cabe destacar que a fatura é o documento comprobatório de um serviço prestado ao seu destinatário por Fl. 764DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO D E ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10855.000729/200763 Acórdão n.º 9303003.065 CSRFT3 Fl. 656 9 quem a emite, no valor da importância total nela consignada. É o que informa o art. 20 da Lei nº 5.474/68, cuja dicção é a seguinte: “Art. 20. As emprêsas, individuais ou coletivas, fundações ou sociedades civis, que se dediquem à prestação de serviços, poderão, também, na forma desta lei, emitir fatura e duplicata. § 1º A fatura deverá discriminar a natureza dos serviços prestados. § 2º A soma a pagar em dinheiro corresponderá ao preço dos serviços prestados.” (destaque nosso) Interpretando o artigo acima, Rubens Requião informa que “a fatura discriminará a natureza do serviço prestado, e a soma a pagar corresponderá ao seu valor.”1 Valor este que corresponde a receita auferida pela recorrente, embora parte dela seja destinada aos veículos de propaganda. Ressaltese que após emitida a fatura o prestador dos serviços poderá acompanhála de duplicata, que como se sabe é título executivo extrajudicial. Ou seja, a recorrente tornase titular do direito de crédito junto ao anunciante, no valor da fatura emitida. No caso dos autos, em que os veículos também emitem notas fiscais contra os anunciantes, de forma que a soma dos documentos comerciais resulta num valor superior à soma dos serviços, o procedimento não está correto. Os veículos deveriam faturar em nome da recorrente. Da forma como está há duplicidade de valores faturados contra o anunciante. De todo modo, e apesar da incorreção, o fato de a recorrente ter em seu poder vias de notas fiscais emitidas por terceiros contra o seu credor, o anunciante, não lhe permite deduzir tais valores da sua receita bruta. Até porque é certo que o PIS também incidirá sobre os valores faturados pelos veículos, em face da sua incidência em cascata ou bis in idem (bis repetição; in idem sobre o mesmo). Passase agora à análise da base de cálculo do PIS, que no período é o faturamento ou receita bruta, na forma das Leis nºs 9.715/98 e 9.718/98, sendo despiciendo analisar as alterações promovidas por esta última. Do total das receitas auferidas, relativas a vendas de mercadorias e prestação de serviços, não são deduzidos os custos ou despesas, ainda que o resultado implique em prejuízo. Daí não se aplicar ao PIS nem à Cofins o conceito contábil de receita como acréscimo patrimonial, não havendo nisto qualquer ofensa ao art. 110 do CTN. Neste sentido o pronunciamento do STF na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 1, mais precisamente no voto do relator, Min. Moreira Alves, ao acentuar a conceituação de faturamento para fins tributários, nos termos da LC nº 70/91. 1 In Curso de Direito Comercial, São Paulo, Saraiva, 2º vol., p. 461. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO D E ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 Também não tem qualquer importância a contabilidade, não alterando a base de cálculo do PIS a apropriação dos valores recebidos dos anunciantes, na parte destinada aos veículos, em conta do passivo. Como obrigações também podem ser apropriados outros custos e despesas, sem qualquer influência no cálculo do PIS. Neste sentido a Lei nº 9.718/98 veio explicitar, no seu art. 3º, § 1º, que “Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas.” As deduções possíveis na base de cálculo do PIS são somente aquelas elencadas expressamente em lei, a depender das especificidades de cada atividade. Assim acontece, por exemplo, com as sociedades cooperativas, as instituições financeiras e as operadoras de planos de saúde, mas não com a atividade de propaganda e publicidade, sujeitas às mesmas regras das outras prestadoras de serviços. No IRPJ, bem diferente do PIS e da Cofins, a base de cálculo é a renda ou resultado do período, podendo ser deduzidos das receitas os custos e as despesas incorridos. Por isto é que a legislação do IRPJ prevê que a retenção desse imposto, na atividade de agência de propaganda, se dê sobre o valor líquido, após a dedução dos pagamentos aos veículos. Quanto à IN Conjunta SRF/STN/SFC nº 04/97, cujo art. 13 é citado no Recurso, determina que a retenção se dê sobre o valor de cada nota fiscal, não podendo ser aplicada como pretende a recorrente. Observese: “Art. 13. Nos pagamentos de serviços de propaganda e publicidade, quando efetuados por intermédio de agência de propaganda, a retenção será efetuada em relação a esta e a cada uma das demais pessoas jurídicas prestadoras do serviço, pelo valor das respectivas notas fiscais de sua emissão. (...) § 3º O valor do imposto e das contribuições retido será compensado pela empresa emitente da nota fiscal, na proporção de suas receitas, devendo o comprovante de retenção ser fornecido em seu nome.” O ISS, por sua vez, é tributo cuja base de cálculo pode variar de um Município para outro, no âmbito de suas competências tributárias. Dessarte, sua legislação, assim como a do IRPJ, não podem ser aplicadas ao PIS, como já assentado na decisão de primeira instância. Adentrase agora no terceiro e último ponto desta análise, cabendo afirmar que, do mesmo modo como a legislação do IRPJ não pode ser aplicada ao PIS, também assim acontece com as decisões administrativas citadas no Recurso, quase todas relativas a esse imposto ou a CSLL, que lhe segue. Apenas Solução de Consulta da SRRF da 7ª Região Fiscal nº 350/98 e o Acórdão nº 20173.944 é que dizem respeito à contribuição. Fl. 766DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO D E ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10855.000729/200763 Acórdão n.º 9303003.065 CSRFT3 Fl. 657 11 Esta Solução de Consulta da SRRF da 7ª Região Fiscal nº 350/98 informa que as agências de turismo podem excluir das bases de cálculo do PIS e da Cofins os valores repassados às empresas de transportes aéreos, relativamente às vendas de passagens. Tratase de vendas em consignação, que não é o caso das agências de propaganda. Quanto ao Acórdão nº 20173.944, invocado sob o argumento de que cabe à fiscalização comprovar que os valores arrecadados por ordem dos veículos de propaganda se constituem em receita por ela auferida, trata da Cofins em situação distinta da dos autos e que serve, inclusive, para demonstrar a diversidade dos contratos no ramo da publicidade. Conforme o relatório daquele julgado, ali o preço total do serviço publicitário, incluindo a veiculação, é contratado diretamente entre o cliente anunciante e a agência, havendo duas formas de pagamento. No chamado “desconto” o veículo recebe diretamente do anunciante oitenta por cento do total, emitindo nota fiscal nesse valor, enquanto a agência recebe também do anunciante o restante, faturando o equivalente a vinte por cento. Já na chamada “comissão” a situação é semelhante à destes autos, com o veículo no lugar da agência. Na primeira situação não há dúvida quanto à tributação, até porque os valores e faturas são independentes. Na segunda, todavia, o veículo fatura pelo total e emite a duplicata correspondente, cobrando o total mas considerando não tributável a parcela que repassará para a agência, a título de comissão. O ilustre relator, Conselheiro Jorge Freire fundamentase em julgamento anterior Recurso nº 109.019 , quando ficou assentado que o valor referente ao repasse de verbas de empresas consorciadas, para empresa responsável pela administração de obra a cargo daquelas, não constituía faturamento a ensejar a incidência da norma impositiva. Não aplicaria o mesmo fundamento, pelo que chego a conclusão diferente. Tanto no julgado mais antigo, relativo a obra subcontratada, quanto no Acórdão nº 20173.944, em que o veículo de divulgação fatura e recebe pelo total dos serviços, para efeito de base de cálculo do PIS deve ser tomada a soma dos valores faturados por cada empresa. É vedado o abatimento em virtude de subcontratos e também o decorrente de repasses dos veículos de propaganda às agências. De igual modo neste julgado, em que a emissão de faturas/notas fiscais pelo total, por parte da recorrente, caracteriza a remuneração global a cargo dos anunciantes. A referendar a interpretação ora adotada, cabe mencionar que esta Terceira Câmara, por unanimidade de votos, já decidiu conforme a ementa seguinte: “Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 767DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO D E ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 12 Período de apuração: 30/04/1997 a 30/04/2000 Ementa: PIS/PASEP. FALTA DE RECOLHIMENTO. EMPRESA DE PUBLICIDADE E PROPAGANDA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DE VALORES REPASSADOS A TERCEIROS. DESCABIMENTO. Inexistia dispositivo legal à época dos fatos autorizando a exclusão da base de cálculo dos valores que, computados como receita de prestação de serviços, ou integrantes do faturamento, foram destinados a terceiros (veículos de comunicação) para fazer frente aos custos com a divulgação de propaganda.”(Acórdão nº 20312.093, Recurso nº 129.059, sessão de 24/05/2007, relator Odassi Guerzoni Filho, unânime, sendo que na mesma sessão foi julgado o processo da Cofins, com idêntico resultado Acórdão nº 20312.094, Recurso nº 129.130) Por fim, destaco que não caberia cogitar aqui da aplicação do art. 13 da Lei nº 10.925/2004, publicada em 26/07/2004, segundo o qual “O disposto no parágrafo único do art. 53 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, aplicase na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS das agências de publicidade e propaganda, sendo vedado o aproveitamento do crédito em relação às parcelas excluídas.” O art. 53 da Lei nº 7.450/85 trata de casos nos quais há incidência de imposto na fonte sobre alguns serviços prestados, inclusive o de propaganda, sendo que o seu parágrafo único exclui de tal retenção os valores por serviços de propaganda e publicidade, pagos diretamente ou repassados a empresas de rádio, televisão, jornais e revistas. A Lei nº 10.925/2004 introduziu norma nova relativa ao PIS e à Cofins, já sob a égide da nãocumulatividade, sendo impertinente qualquer retroatividade na sua eficácia. Desta feita, não há como atender à pretensão da recorrente de tributar apenas a receita líquida, isto é, a receita pertinente ao faturamento deduzida das despesas para sua obtenção. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Fl. 768DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO D E ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 11041.000560/2004-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999, 2001
IRPF. FATO GERADOR. DISPONIBILIDADE DA RENDA. CTN, ART. 43.
Nos termos do art. 43, caput, do CTN, a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda constitui fato gerador do imposto de renda e proventos de qualquer natureza.
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2101-002.641
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para excluir a multa isolada relativamente ao ano-calendário de 1998. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que votou por negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Júnior e Daniel Pereira Artuzo.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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FATO GERADOR. DISPONIBILIDADE DA RENDA. CTN, ART. 43. Nos termos do art. 43, caput, do CTN, a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda constitui fato gerador do imposto de renda e proventos de qualquer natureza. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para excluir a multa isolada relativamente ao anocalendário de 1998. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que votou por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 1. 00 05 60 /2 00 4- 36 Fl. 433DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11041.000560/200436 Acórdão n.º 2101002.641 S2C1T1 Fl. 405 2 (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Júnior e Daniel Pereira Artuzo. Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 168/199) interposto em 08 de junho de 2005 contra o acórdão de fls. 154/164, do qual o Recorrente teve ciência em 18 de maio de 2005 (fl. 167), proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Santa Maria (RS), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de efl. 83/89, lavrado em 23 de novembro de 2004 (ciência em 26 de novembro de 2004), em decorrência de omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas, verificada no anocalendário de 1998, e falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê leão (multa isolada), nos anoscalendário 1998 e 2000. O acórdão teve a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1999 Ementa: FATO GERADOR. A aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda constitui fato gerador do imposto de renda e proventos de qualquer natureza da pessoa física. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Data do fato gerador: 31/12/1998 Ementa: MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. FALTA DE RECOLHIMENTO DO CARNELEÃO. Apurandose omissão de rendimentos sujeitos ao recolhimento do CarnêLeão, é pertinente a multa exigida sobre o valor do imposto mensal devido e não recolhido, que será cobrada isoladamente. Lançamento Procedente” (efl. 154). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (efls. 168/199), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. Foi proferido acórdão pelo Primeiro Conselho de Contribuintes (efls. 211/219) que, por maioria de votos, desqualificou a multa e acolheu a preliminar de decadência, cancelando a exigência. A Fazenda interpôs Recurso Especial (efls. 230/239), ao qual a 4ª. Turma da Câmara Superior negou provimento, por meio de acórdão (efls. 301/305) que foi objeto de Fl. 434DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11041.000560/200436 Acórdão n.º 2101002.641 S2C1T1 Fl. 406 3 recurso extraordinário (efls. 309/317), ao qual o Pleno da Câmara Superior deu provimento, para afastar a decadência, determinando o retorno dos autos para julgamento das demais questões (efls. 390/395). É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. O contribuinte aduz, no presente caso, (i) que, por meio de dação em pagamento, imóveis que garantiriam honorários de sua titularidade passaram à propriedade dos Srs. Uirassu Trindade de Bem e Ricardo Fagundes Ligocki, conforme comprovam as certidões emitidas pelo Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de Ponte Alta do Tocantins/TO; (ii) que o instrumento particular gerou ao Recorrente apenas um direito pessoal frente às pessoas dos novos proprietários; (iii) a inocorrência do fato gerador, uma vez que a disponibilidade da renda está condicionada à venda dos imóveis, o que ainda não ocorreu; (iv) a não configuração da disponibilidade jurídica ou econômica que justifique a tributação ora questionada, posto que não coube ao Recorrente nenhuma espécie de beneficio; e (v) a ilegalidade da cobrança cumulativa de multa isolada e multa de oficio. Depreendese dos autos que a discussão cingese à ocorrência ou não do fato gerador do imposto de renda supostamente incidente sobre o recebimento em bens a título de honorários advocatícios. Segundo o Recorrente, na condição de advogado, juntamente com seus colegas de profissão, receberia duas frações de imóveis (matrículas 1.295 e 1.296) como garantia dos honorários advocatícios que receberia pela assistência jurídica prestada ao sr. João Gilmar Vasques. Aduziu, ainda, que em Ação Cautelar de Arresto, processo nº 948/98, os bens dados em garantia foram entregues a outros credores, os quais, por meio de um “Instrumento Particular de Parceria e Confissão de Dívida”, comprometeramse a reservar do produto final de uma possível venda uma parcela para efeitos de pagamento dos honorários anteriormente convencionados com o Recorrente. Para a autoridade fiscal, referido instrumento particular concretizou a efetiva disponibilização da renda do contribuinte, tendo em vista que ele e seus colegas“recebem o equivalente a 50% (cinquenta por cento) daqueles bens imóveis descritos no parágrafo anterior, a título de honorários” (Descrição dos Fatos do Auto de Infração do MPF nº 1011000.2004.000060, efl. 93). Concordo com a autoridade fiscal. Na realidade, não é apenas a venda dos imóveis objeto do contrato que pode caracterizar a efetiva disponibilização da renda para o contribuinte, como quer fazer parecer o Recorrente em seu recurso. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11041.000560/200436 Acórdão n.º 2101002.641 S2C1T1 Fl. 407 4 No presente caso, a disponibilidade econômica ou jurídica pode ocorrer em dois momentos, um na data do contrato, outro, no momento da efetiva venda dos imóveis. As bases de cálculo também serão correspondentes a cada uma das eventuais rendas auferidas. De fato, dispõe o art. 43 do CTN que: “Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção.” Nesse sentido, a cláusula 2a. do Instrumento Particular de Parceria e Confissão de Dívida é clara no sentido de demonstrar a efetiva disponibilização do bem ao Recorrente (efl. 14): “2a. Os presentes bens foram havidos através de dação em pagamento firmada nos autos da ação cautelar e executória movida pelos segundo parceiros contra Joao Gilmar Vasques, sendo que 50% (cinquenta por cento) destes bens ficarão aos procuradores e primeiros parceiros como forma de pagamento de honorários, conforme contrato particular de honorários advocaticios firmado anteriormente entre as partes.” (grifo nosso) Portanto, restando clara a ocorrência do fato gerador do imposto ora exigido face à efetiva disponibilização da renda ao contribuinte, em respeito ao art. 43, caput, do CTN, entendo que não merece reparo nesse aspecto a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Santa Maria (efls. 154/164). Por fim, com relação à concomitância da multa de ofício com a multa isolada, entendo que o recurso deve ser provido. Verificase que no auto de infração lavrado contra o Recorrente foram lançadas, no anocalendário de 1998, concomitantemente, a multa de ofício, pelo não recolhimento do tributo ao final do anocalendário, e a multa isolada, pelo não recolhimento mensal do carnêleão (efl. 83). Tenho entendido que, em situações como a presente, o recurso deve ser provido. Com efeito, diante do princípio da consunção, transposto dos lindes do direito penal, viola a necessária proporcionalidade das penas a interpretação de que seriam cumuláveis referidas multas sobre o mesmo ilícito, qual seja, deixar de recolher o tributo devido. Assim sendo, considerandose que a antecipação do recolhimento é iter procedimental lógico à omissão de rendimentos, não se faz possível cumular as multas de ofício e isolada, sob pena de incorrerse em bis in idem punitivo, consoante já me manifestei em outras oportunidades: Fl. 436DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11041.000560/200436 Acórdão n.º 2101002.641 S2C1T1 Fl. 408 5 “MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA IMPOSSIBILIDADE A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes da 2ª Câmara e da Câmara Superior de Recursos Fiscais.” (Primeiro Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário n.º 153.289, Relator Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, sessão de 05/11/2008) Válido conferir, neste esteio, o seguinte julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA –IRPF Exercício: 2002, 2003 MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO. A aplicação concomitante da multa isolada (inciso II, a, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação atribuída pela Lei n° 11.488, de 2007) com a multa de oficio (inciso I, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996), não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Precedentes desta Câmara Superior de Recursos Fiscais (acórdão n° 0104.987, julg. em 15/06/2004). Recurso especial negado.” (CSRF, 2ª Turma, Recurso Especial n.º 157.292, Acórdão n.º 920200.746, Relator Conselheiro Moisés Nunes da Silva, sessão de 13/04/2010). Nesse exato sentido decidiram, de forma reiterada, todas as câmaras, sem exceção, do antigo Conselho de Contribuintes, consoante alguns acórdãos selecionados, cujas ementas seguem transcritas: “MULTA ISOLADA A multa de que trata o art. 18 da Lei 10.833, de 2003, é a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96. A expressão "multa isolada" não significa que se trate de multa diversa da multa de ofício, mas sim, que a multa de ofício é aplicada isoladamente, ou seja, desacompanhada do principal sobre o qual incidiu.” (1º Conselho de Contribuintes, 1ª Câmara, Recurso Voluntário n. 161.660, Relatora Conselheira Sandra Maria Faroni, j. em 06/03/2008.) “MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO Pacífica a jurisprudência deste Primeiro Conselho de Contribuintes de que não cabe a aplicação concomitante da multa de lançamento de ofício com multa isolada, apuradas em face da mesma omissão (Acórdão CSRF nº 0104.987 de 15/06/2004).” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário n. 153.809, Relatora Conselheira Núbia Matos Moura, j. em 07/08/2008 Fl. 437DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11041.000560/200436 Acórdão n.º 2101002.641 S2C1T1 Fl. 409 6 “MULTA ISOLADA – MULTA DE OFÍCIO – CUMULATIVIDADE – Afastase a multa isolada quando a sua aplicação cumulativamente com a multa de ofício implica na dupla penalização do mesmo fato.” (1º Conselho de Contribuintes, 3ª Câmara, Recurso Voluntário n. 161.967, Relator Conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento, j. em 17/04/2008.) Assim sendo, acolho o entendimento segundo o qual é impossível a cumulação das multas de ofício e isolada, excluindose do quantum debeatur o valor referente à multa isolada relativamente ao anocalendário de 1998. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento EM PARTE ao recurso, para excluir a multa isolada relativamente ao anocalendário de 1998. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 438DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10380.017285/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 17 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1101-000.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, determinar o SOBRESTAMENTO do processo enquanto não sobrevier decisão do Supremo Tribunal Federal para o RE nº 601.314/SP, divergindo o Conselheiro José Ricardo da Silva e o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente), José Ricardo da Silva (vice-Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Maria Elisa Brussi Boechat (substituta) e Nara Cristina Takeda Taga. Ausente, justificadamente, a Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri.
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, determinar o SOBRESTAMENTO do processo enquanto não sobrevier decisão do Supremo Tribunal Federal para o RE nº 601.314/SP, divergindo o Conselheiro José Ricardo da Silva e o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente), José Ricardo da Silva (vicePresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Maria Elisa Brussi Boechat (substituta) e Nara Cristina Takeda Taga. Ausente, justificadamente, a Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .0 17 28 5/ 20 08 -1 8 Fl. 589DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Relatório Trata se de auditoria fiscal levada a efeito em pessoa jurídica optante pelo regime jurídico tributário simplificado instituído pela Lei n° 9.317, de 1996, o Simples, na condição de empresa de pequeno porte (EPP). A auditoria fiscal foi determinada pelo Mandado de Procedimento Fiscal n° 0310100/00618/08, concernente aos anoscalendário 2004 e 2005. O que se discute neste processo administrativo são as exigências fiscais relativas ao anocalendário 2004. Quanto ao anocalendário 2005, tendo em vista o contribuinte haver sido excluído do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2005, conforme assentado no Ato Declaratório Executivo nº 63, de 14/10/2008 (matéria tratada no processo administrativo de nº 10380.016501/200808), o lançamento foi efetivado a partir do arbitramento do lucro, sendo que os respectivos créditos tributários são discutidos no processo nº 10380.019142/200832. A contribuinte, por meio do Termo de Início de Fiscalização (fl. 109), foi intimada a apresentar, no prazo assinalado pela Fiscalização: “1. Os livros contábeis: Diário, Razão e/ou Caixa, relativos aos anos calendário de 2004 e 2005; 2 — Apresentar relação nominal de todas as contascorrentes de depósitos bancários mantidas pelo sujeito passivo em instituições financeiras no BRASIL e/ou EXTERIOR, INCLUSIVE, as relativas a outros INVESTIMENTOS, cuja movimentação financeira deuse no transcorrer dos anoscalendário de 2004 e 2005. Outrossim, informamos ao INTIMADO, que a presente relação DEVERÁ se fazer acompanhar de seus correspondentes EXTRATOS BANCÁRIOS.” Ainda como parte do Termo de Início de Fiscalização, fezse constar a observação de que a contribuinte, caso tivesse dificuldade de apresentar os extratos bancários, objeto da presente intimação, poderia autorizar, por escrito, a fiscalização a os obter junto às instituições financeiras correspondentes. Atendendo à intimação, a contribuinte assevera que, em razão de desorganização administrativa da empresa, não mantém escrituração contábil em livros Razão, Caixa e Diário; ainda, em razão da dificuldade de obter os extratos bancários dos anos de 2004 e 2005, a empresa expressamente autoriza a Receita Federal do Brasil a requerer os extratos atinentes às seguintes contas bancárias – que alegadamente seriam as únicas contas de titularidade da empresa: 1)BANCO RURAL Agencia: 0022 Conta: 065000657 2) BANCO MERCANTIL DO BRASIL Agencia: 0026 Conta: 026051743 Fl. 590DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10380.017285/200818 Resolução nº 1101000.086 S1C1T1 Fl. 4 3 Apesar de ter declarado possuir apenas as duas contas bancárias acima mencionadas, a Fiscalização apurou, por meio de informações a que tinha acesso (CPMF), a existência de duas outras contas bancárias mantidas pela contribuinte no Banco Bradesco e no Banco do Brasil, e procedeu à emissão de Requisições de Movimentação Finaneira – RMFs às quatro instituições. Foram, então lavrados Auto de Infração que encerram exigências, à alíquota do regime do SIMPLES, de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS e INSS atinentes ao anocalendário 2004. Todas as exigências se fizeram acompanhar de lançamento de multa de ofício (75%). Os lançamentos em questão lastreimase na presunção legal de omissão de receitas decorrente de depósitos bancários não contabilizados a que alude o art. 42 da Lei n. 9.430/96. A contribuinte alega que houve irregularidade no procedimento fiscal, porque a autoridade fiscal promoveu a quebra de sigilo bancário, na medida em que emitiu RMF a duas instituições financeiras para as quais não havia obtido autorização. É mister trazer à balha – no que tange à omissão de receitas por depósitos bancários – o seguinte excerto da Impugnação, verbis: “3. Em todos os autos de infração ora impugnados, o fiscal autuante anotou que obteve os extratos bancários com base em autorização do contribuinte. 4. A afirmação e totalmente equivocada. 5. Com efeito, no documento de fl. 120, constou, unicamente, a autorização para que a Receita Federal obtivesse os extratos dos Bancos RURAL e MERCANTIL DO BRASIL. 6. Realmente, após indicar a existência das contas nos citados bancos (indicandose, inclusive, agencia e número da conta), consignouse que "fica a Receita Federal devidamente autorizada a requerer, JUNTO A ESSES BANCOS tais documentos". 7. Percebese, com muita facilidade, que a autorização ficou restrita, expressamente, às duas instituições fmanceçiras apontadas no documento (Banco Mercantil do Brasil e Rural). 8. Assim, o auditor fiscal incidiu em manifesto erro ao afirmar que o contribuinte o autorizou a buscar os extratos bancários. E, em seguida, incorreu em ilegalidade ao requisitar informações de instituições financeiras diversas daquelas (Bradesco e Banco do Brasil).” (destaques no original) Alegase ainda a existência de distorções nos valores dos depósitos bancários não escriturados, que deram azo ao lançamento correspondente à infração relativa à omissão de receitas. Consoante afirmado pela Recorrente, teria havido estornos e duplicidades nos depósitos, não considerados pela autoridade lançadora. A Recorrente, a título ilustrativo, indicou dois valores que considerou terem sido considerados em duplicidade, em razão de haver (i) estornos de depósitos de cheques devolvidos e (ii) reapresentação de cheque com depósitos idênticos. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10380.017285/200818 Resolução nº 1101000.086 S1C1T1 Fl. 5 4 A DRJ decidiu converter o julgamento em diligência, por meio da Resolução nº 08002.309, de 13/01/2012, fls. 331335, para que o processo fosse encaminhado à DRF Fortaleza para que o sujeito passivo fosse intimado a apresentar demonstrativo contendo a relação exaustiva de todos os lançamentos que, no seu entendimento, tivessem sido indevidamente tributados. Diante da inação da contribuinte, que apresentou resposta, indicando os lançamentos que entendia terem sido indevidamente tributados, a impugnação do contribuinte foi julgada parcialmente procedente, para excluir apenas os valores que indicara na Impugnação como sendo duplamente contabilizados pela Fiscalização. O acórdão de impugnação restou assim ementado: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário:2004 REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA RMF. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Verificado que o procedimento adotado pela fiscalização encontra fundamento no Decreto nº 3.724, de 2001, que autoriza a expedição de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF, não há que se falar em nulidade do feito. OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. REGULARIDADE DA TRIBUTAÇÃO. O art. 42 da Lei 9.430, de 1996, contempla uma presunção legal de omissão de receitas, estabelecida com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Intimado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs o competente Recurso Voluntário (fls. 365371), em que reitera os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR O Recurso Voluntário é tempestivo (ciência em 19.11.2012, fl. 363, e interposição em 26.11.2012, fls. 365 e seguintes) e, assim, dele tomo conhecimento. Fl. 592DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10380.017285/200818 Resolução nº 1101000.086 S1C1T1 Fl. 6 5 É absolutamente estreme de dúvidas que o caso em vergaste envolve lançamento de ofício lastreado em presunção legal de omissão de receitas por depósitos bancários não identificados pelo sujeito passivo após regular intimação (art. 42 da Lei n. 9.430/96). Ocorre que o Fisco teve acesso à movimentação financeira de duas das contas da Recorrente sem amparo em qualquer decisão judicial, sendo inequívoca a expedição de bastantes Requisições de Movimentação Financeira – RMFs. Frisese que o contribuinte expressamente pleiteia o reconhecimento da nulidade do lançamento em virtude de dito procedimento, o que se verifica pela leitura do trecho do inconformismo supratranscrito. Entendo que a análise do presente feito não pode ter lugar no momento presente, revelandose imperioso o seu sobrestamento, na esteira do §1o do art. 62A do Regimento Interno deste Colendo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que reza, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. §1o Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. No que tange ao tema em referência, é inquestionável que o Supremo Tribunal vem sobrestando feitos que versam sobre a questão em análise – ante o reconhecimento da repercussão geral no Recurso Extraordinário n. 601.314/SP –, o que se depreende da leitura do seguinte decisum, prolatado nos autos do Agravo de Instrumento n. 765.714/SP, litteris: No caso, o recurso extraordinário versa sobre matéria – sigilo bancário, quebra. Fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes diretamente ao Fisco, sem autorização judicial (Lei complementar 105/2001, art. 6o). Aplicação retroativa da Lei 10.174/2001, que alterou o art. 11, § 3o, da Lei 9.311/96 e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência – cuja repercussão geral já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (RE 601.314RG/SP, de minha relatoria). Isso posto, preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dou provimento ao agravo de instrumento para admitir o recurso extraordinário e, com fundamento no art. 328, parágrafo único, do RISTF, determino a devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja observado o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso extraordinário discute se questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP. (AI 765.714/SP; Min. Ricardo Lewandowski; DJ 22/10/2010; sem grifos no original) Fl. 593DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10380.017285/200818 Resolução nº 1101000.086 S1C1T1 Fl. 7 6 Nessa senda, diante da hialina incidência do supracitado §1o do art. 62A, determino o SOBRESTAMENTO do vertente feito até deslinde final do Recurso Extraordinário n. 601.314, em que se reconheceu a Repercussão Geral da quaestio iuris de que se cuida. BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR – Relator Fl. 594DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10880.677984/2009-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3302-000.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto.
RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto. RELATÓRIO Trata o presente de declaração de compensação, relativa a crédito de abril/2004 indeferida pela autoridade administrativa sob o fundamento de que o DARF informado como origem do crédito fora utilizado para quitação de outros débitos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 77 98 4/ 20 09 -5 3 Fl. 293DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677984/200953 Resolução nº 3302000.478 S3C3T2 Fl. 294 2 A recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando que: 1. A maior parte das receitas decorrem da prestação do serviço de transmissão de energia elétrica de acordo com contrato firmado em 13/09/1999 (CONTRATO CPST Nº 006/1999), firmado com o Operador Nacional do Sistema Elétrico ONS; 2. Estas receitas estariam sujeitas à incidência cumulativa da Lei nº 9.718/98, por decorrerem de contratos de longo prazo, a preço predeterminado e firmado anteriormente a 31/10/2003, por disposição prevista no inciso XI, alíneas "b" e "c", do art. 10 da Lei nº 10.833/2003; 3. A Nota Técnica nº 224/2006, expedida pela SFF/ANEEL, apresentou entendimento sobre o tema, concluindo que as receitas decorrentes dos Contratos de Prestação de Serviço de Trasmissão CPST, firmados anteriormente a 31/10/2003, e reajustados anualmente pelo IGPM, se sujeitam à incidência cumulativa das contribuições prevista na Lei nº 9718/98; 4. Recolheu, equivocadamente, as contribuições para o PIS e Cofins no regime nãocumulativo, não separando as sujeitas ao regime cumulativo, e, posteriormente, transmitiu várias DCOMPs para aproveitar o crédito originado do pagamento indevido; 5. Estava providenciando a retificação das DCTF e Dacons, quando foi surpreendida com a ciência dos despachos decisórios, não homologando as compensações; 6. Foi necessária a retificação dos Dacons e das DCTF, após a ciência dos despachos decisórios, para corrigir o erro de fato cometido e que as DCOMPs não foram retificadas em razão da intimação para ciência dos despachos decisórios, de acordo com a vedação constante nos artigos 77 e 95 da IN RFB nº 900/2008; 7. Os erros cometidos no preenchimento dos DARFs, DCTFs, Dacons e DCOMP não causaram prejuízo ao erário e devem ser reconhecidos pela Administração Tributária, nos termos do art. 147 do CTN e em atendimento ao princípio da verdade material; 8. Poderá disponibilizar os documentos como Diário, Razão, Faturas, Balancetes, Contratos, normas da ANEEL para realização de diligência, caso seja necessária; A Terceira Turma da DRJ/BEL em Belém proferiu decisão nos termos da ementa que abaixo transcrevese: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2004 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Em sede de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. DCTF E DACON RETIFICADORES. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677984/200953 Resolução nº 3302000.478 S3C3T2 Fl. 295 3 A DCTF e o DACON Retificadores, na condição de documentos confeccionados pelo próprio interessado, não exprimem nem materializam, por si só, o indébito fiscal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente interpôs tempestivamente recurso voluntário, alegando resumidamente que: 1. O IGPM deve ser considerado índice que reflete a variação ponderada dos custos e, portanto, enquadrado no art. 109 da Lei nº 11.196/2005; 2. Ainda que se negue a inclusão do IGPM no art. 109 da Lei n 11.196/2005, tal índice é mero reajuste do preço contratado, e não modificação deste preço, e que se o art. 109 da Lei nº 11.196/2005 estipulou que a variação dos custos não descaracteriza o preço predeterminado, com maior razão, um índice geral de correção não deveria descaracterizálo; 3. As IN SRF 468/2004 e 658/2006 consistem em flagrante ofensa ao princípio da legalidade insculpido no art. 150, inciso I da Constituição Federal; 4. O indébito decorre de erro na aplicação da alíquota; 5. Não disponibilizou toda a documentação, como Diário, Razão, Faturas, Balancetes, normas da ANEEL em razão do grande volume, vez que foram apresentadas 51 defesas administrativas; 6. Em momento algum, afirmou que a retificação do DACON e da DCTF constituem o direito creditório líquido e oponível à RFB, mas que pretendeu apenas cumprir os deveres instrumentais quanto ao erro alegado e que tais informações estão consubstanciadas em sua escrituração contábil; Cita, ainda, jurisprudência deste Conselho e do STJ e apresenta cópia do balancete, demonstrativos das receitas, indicação da conta contábil, de modo a corroborar suas alegações. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A autoridade administrativa indeferiu a homologação pelo fato de o DARF apontado como origem do crédito pleiteado estava alocado a débitos em DCTF. Após a ciência do despacho, a recorrente providenciou a retificação do Dacon e da DCTF, demonstrando os valores alegados como corretos. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677984/200953 Resolução nº 3302000.478 S3C3T2 Fl. 296 4 A DRJ considerou a manifestação de inconformidade improcedente, sob os argumentos de que o contrato CPST 006/1999, apresentado pela recorrente, não era apto a demonstrar que não houve após 31/10/2003 a implementação de quaisquer das ocorrências que descaracterizassem o preço predeterminado; que a Cláusula 53 assegurava às partes a prerrogativa de solicitar a revisão das cláusulas e condições avençadas; que a competência da ANEEL não alcança a interpretação da legislação tributária; que o IGPM não constitui índice que reflete a variação dos custos de produção nem reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; que a desconstituição dos créditos confessados não se efetiva com a apresentação da DCTF e Dacon retificadores, mas com a apresentação da escrita fiscal e contábil e respectiva documentação de suporte. Por sua vez, a recorrente, em recurso voluntário, alega que o reajuste pelo IGP M não descaracteriza o preço determinado, e apresenta cópias dos balancetes e demonstrativos de forma a comprovar seu direito. Vêse que a lide se refere ao alcance da expressão "preço predeterminado", e, consequentemente, da sujeição das receitas auferidas à incidência nãocumulativa ou cumulativa das contribuições. Passase, assim, à análise dos requisitos para exclusão das receitas em questão da incidência nãocumulativa das contribuições e da definição de preço predeterminado. As receitas decorrentes de determinados contratos firmados antes de 31/10/2003 foram excluídas da incidência nãocumulativa das contribuições, a partir da vigência do inciso XI do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, aplicado ao PIS/Pasep pelo art. 15 da referida lei: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (Produção de efeito) [...]XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; [...]Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]V no art. 10, incisos VI, IX e XI a XXI desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 296DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677984/200953 Resolução nº 3302000.478 S3C3T2 Fl. 297 5 V nos incisos VI, IX a XXV do caput e no § 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Regulamentando o dispositivo, a RFB editou a IN SRF 468/2004, que, em seu art.2º, estipulou que a implementação do primeiro reajuste ou a revisão para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro dos contratos, após 31/10/2003, descaracterizariam o preço predeterminado, nos seguintes termos: Art. 2o Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1 o Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2 o Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1 o . § 3 º Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei n º 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art. 1 º . Posteriormente, a Lei nº 11.196/2005, em seu art. 109, dispôs que o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos não será considerado para fins de descaracterização do preço determinado: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. Novamente, regulamentando a matéria, a RFB editou a IN SRF nº 658/2006, revogando a IN SRF nº 468/2004 e incorporando as disposições do art. 109 acima mencionado, nos seguintes termos: Do Preço Predeterminado Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677984/200953 Resolução nº 3302000.478 S3C3T2 Fl. 298 6 § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º1, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado.(grifo não original) Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarseão à incidência não cumulativa das contribuições. Verificase que a Receita Federal considerou que as hipóteses de reajuste e de revisão dos contratos administrativos, destinados à manutenção do equilíbrio econômico financeiro, expressos no art. 55, inciso III, 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666/93, descaracterizariam o preço predeterminado, excetuando o reajuste não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. A revisão contratual decorre de fatos imprevisíveis, ou previsíveis, porém de conseqüências incalculáveis, retardadores ou impeditivos da execução do ajustado, ou, ainda, em caso de força maior, caso fortuito ou fato do príncipe, configurando álea econômica extraordinária e extracontratual2. Já o reajuste é cláusula necessária nos contratos administrativos3 e "objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômicos". A legislação distingue as duas figuras, como se observa na Lei nº 8.987/95, que, dispondo sobre o regime de concessão de serviços públicos, especifica em seu art. 9º, §3º4, a 1 A data é 31/10/2003. 2 Art. 65, inciso II, alínea "d" da Lei nº 8.666/93 3 Art. 55, inciso III da Lei nº 8.666/93 4 Lei 8.987/95: Art. 9o A tarifa do serviço público concedido será fixada pelo preço da proposta vencedora da licitação e preservada pelas regras de revisão previstas nesta Lei, no edital e no contrato. [..~] § 2o Os contratos poderão prever mecanismos de revisão das tarifas, a fim de manterse o equilíbrio econômicofinanceiro. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677984/200953 Resolução nº 3302000.478 S3C3T2 Fl. 299 7 possibilidade de revisão da tarifa decorrente da criação ou alteração de tributos. Já o artigo 18 da referida lei dispõe que o edital de licitação deverá prever os critérios de reajuste e revisão da tarifa, também ocorrendo a referida distinção nos artigos 23 e 29. A situação aqui tratada referese a reajuste e não a revisão contratual e se o procedimento altera o preço predeterminado. A definição desta expressão adotada pela RFB era a disposta na IN SRF nº 21/79: 3 Produção em Longo Prazo O contrato de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens e serviços a serem produzidos, com prazo de execução física superior a 12 (doze) meses, terá seu resultado apurado, em cada períodobase, segundo o progresso dessa execução: 3.1 Preço predeterminado é aquele fixado contratualmente, sujeito ou não a reajustamento, para execução global; no caso de construções, bens ou serviços divisíveis, o preço predeterminado é o fixado contratualmente para cada unidade. A instrução normativa acima foi utilizada como fundamento em diversas soluções de consulta da RFB, após a edição do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. O entendimento era pacífico neste sentido até a edição da IN SRF 468/2004. Porém a RFB editou a referida instrução, modificando o entendimento sobre a definição de preço predeterminado, sem que qualquer lei tenha sido publicada alterando tal definição. Foi meramente nova interpretação normativa que suscitou rebates por parte dos contribuintes, tendo o STJ se pronunciado sobre a ilegalidade da IN SRF 468/2004: AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.310.284 PR (2012/00355487) EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 557 DO CPC. INEXISTÊNCIA. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. A eventual nulidade da decisão monocrática calcada no art. 557 do CPC fica superada com a reapreciação do recurso pelo órgão colegiado, na via de agravo regimental, como bem analisado no REsp 824.406/RS de Relatoria do Min. Teori Albino Zavascki, em 18.5.2006. § 3o Ressalvados os impostos sobre a renda, a criação, alteração ou extinção de quaisquer tributos ou encargos legais, após a apresentação da proposta, quando comprovado seu impacto, implicará a revisão da tarifa, para mais ou para menos, conforme o caso. [...] Art. 23. São cláusulas essenciais do contrato de concessão as relativas: [...] IV ao preço do serviço e aos critérios e procedimentos para o reajuste e a revisão das tarifas; Art. 29. Incumbe ao poder concedente: [...] V homologar reajustes e proceder à revisão das tarifas na forma desta Lei, das normas pertinentes e do contrato; Fl. 299DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677984/200953 Resolução nº 3302000.478 S3C3T2 Fl. 300 8 2. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços" e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 3. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. Precedentes: REsp 1.089.998RJ, DJe 30/11/2011; REsp 1.109.034 PR, DJe 6/5/2009; e REsp 872.169RS, Dje 13/5/2009. RECURSO ESPECIAL Nº 1.169.088 MT (2009/02357184) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. INTIMAÇÃO PESSOAL DA FAZENDA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI, "B' DA LEI 10.833/03. CONCEITO DE PREÇO PREDETERMINADO. IN SRF 468/04. ILEGALIDADE. PRECEDENTE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MULTA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ. [...]4. O preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/03, não perde sua natureza simplesmente por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Precedente. 5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve ser afastada quando notório o propósito de prequestionamento dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 98/STJ. 6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte. RECURSO ESPECIAL Nº 1.089.998 RJ (2008/02056082) EMENTA TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a Fl. 300DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677984/200953 Resolução nº 3302000.478 S3C3T2 Fl. 301 9 implementação da primeira alteração de preços " e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômico financeiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação ." (Fls. 335, grifo meu.) Mantenho o voto apresentado, no sentido de dar provimento ao recurso especial. De fato, a IN SRF nº 468/2004 extrapolou a legislação vigente ao estipular que o reajuste implicaria em descaracterização do preço predeterminado. Entretanto, o advento do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 alterou a configuração legislativa sobre a matéria. O art. 109 mencionou expressamente que "o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069/95, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado". Se a intenção da modificação era permitir que o reajuste não descaracterizasse o preço predeterminado, não foi o que restou publicado. O art. 109 faz referência à Lei 9.069/95, conversão das MPs que criaram o Plano Real, na qual estipulava que a correção monetária, em virtude de estipulação legal ou em negócio jurídico, deveria darse pelo Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr, de acordo com o art. 27 da Lei nº 9.069/95, mas ressalvadas as hipóteses de seu parágrafo primeiro: § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I às operações e contratos de que tratam o Decretolei nº 857, de 11 de setembro de 1969, e o art. 6º da Lei nº 8.880, de 27 de maio de 1994; II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; III às hipóteses tratadas em lei especial. Foi justamente sobre o inciso II do §1º que o art. 109 fez a ressalva quanto ao reajuste não descaracterizar o preço predeterminado e não sobre o IPCr. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677984/200953 Resolução nº 3302000.478 S3C3T2 Fl. 302 10 Salientase que a Lei nº 10.192/2001, conversão de MPs que se originaram da MP nº 1.503/95, extinguiu o IPCr em seu art. 8º: Art. 8o A partir de 1o de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1o Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1o de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. § 2o Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, deverá ser utilizada média de índices de preços de abrangência nacional, na forma de regulamentação a ser baixada pelo Poder Executivo. A mesma lei, em seu artigo 2º, dispôs que: Art. 1o As estipulações de pagamento de obrigações pecuniárias exeqüíveis no território nacional deverão ser feitas em Real, pelo seu valor nominal. Parágrafo único. São vedadas, sob pena de nulidade, quaisquer estipulações de: I pagamento expressas em, ou vinculadas a ouro ou moeda estrangeira, ressalvado o disposto nos arts. 2o e 3o do DecretoLei no 857, de 11 de setembro de 1969, e na parte final do art. 6o da Lei no 8.880, de 27 de maio de 1994; II reajuste ou correção monetária expressas em, ou vinculadas a unidade monetária de conta de qualquer natureza; III correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados, ressalvado o disposto no artigo seguinte. Art. 2o É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano. § 1o É nula de pleno direito qualquer estipulação de reajuste ou correção monetária de periodicidade inferior a um ano. § 2o Em caso de revisão contratual, o termo inicial do período de correção monetária ou reajuste, ou de nova revisão, será a data em que a anterior revisão tiver ocorrido. § 3o Ressalvado o disposto no § 7o do art. 28 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, e no parágrafo seguinte, são nulos de pleno direito quaisquer expedientes que, na apuração do índice de reajuste, produzam efeitos financeiros equivalentes aos de reajuste de periodicidade inferior à anual. O Decreto nº 1.544/95 estipulou que, na hipótese de não existir previsão de índice para substituir o IPCr e na falta de acordo entre as partes, deveria ser utilizada a média Fl. 302DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677984/200953 Resolução nº 3302000.478 S3C3T2 Fl. 303 11 aritmética entre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor INPC do IBGE e o Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna IGPDI da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Art. 1º Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, a média de índices de preços de abrangência nacional a ser utilizada nas obrigações e contratos anteriormente estipulados com reajustamentos pelo IPCr, a partir de 1º de julho de 1995, será a média aritmética simples dos seguintes índices: I Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); II Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGPDI), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Observase que a própria legislação, já em 1995, cuidou de diferenciar o reajuste em função de índices gerais ou setoriais do reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, inicialmente no art. 27 da Lei 9.069/95 e posteriormente nos artigos 1º e 2º da Lei nº 10.192/2001 (na realidade, a diferença temporal entre as disposições é de apenas 10 dias). O art. 109, ao se referir apenas ao reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, acabou inovando a definição de preço predeterminado, estabelecendo uma distinção até então inexistente. Quisesse apenas referirse a reajuste em geral, bastaria têlo feito nos termos do art. 2º da Lei nº 10.192/2001. Reforçam este entendimento, as emendas feitas à MP 252/2005, citadas na Nota Técnica 224/2006 SFFANEEL: Emendas n° 224 (Dep. Eduardo Gomes), 225 (Dep. Eduardo Sciarra), e 353 (Dep. Max Rosenmann): EMENDA ART. 44A. O art. 10, inciso XI,da Lei nº 10.833, de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 10........................................................................... ........................................................................................ XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais." JUSTIFICATIVA: a redação proposta , com adição da locução "independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais" fazse necessária, visto que o Poder Executivo através da Instrução Normativa nº 468/2004, da SRF, mudou a interpretação do conceito de "preço predeterminado" passando a impedir que os contratos abrigados pela Lei nº 10.833/2003, deixem de usufruir o direito de permanecer sob o regime da cumulatividade. A IN em questão entende que o simples reajuste de preço por índices oficiais já caracteriza uma mudança da base do preço e desta forma afasta a eficácia do dispositivo legal. No fundo o que a IN faz é, na prática, Fl. 303DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677984/200953 Resolução nº 3302000.478 S3C3T2 Fl. 304 12 equiparar o conceito de preço predeterminado " ao conceito de preço fixo, uma vez que praticamente não existe contrato com prazo superior a um ano sem previsão de reajustamento. Tivesse sido assim publicado o artigo 109, a interpretação forçosamente retornaria ao texto da IN SRF nº 21/79, mas não foi o ocorrido. Todavia, a redação da IN SRF 658/2006 modificou, sutilmente, a redação do art. 109, ao dispor no §3º do art. 3º: § 3 º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1 º do art. 27 da Lei n º 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. A redação da lei que era "reajuste de preços em função do" foi regulamentada como "reajuste de preços em percentual não superior". Esta redação não exclui, a priori, a utilização de qualquer índice, desde que ele não ultrapasse o acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Assim, se a fórmula de reajuste utilizada não ultrapassar aqueles limites, deve tal fórmula de reajuste não descaracterizar o preço predeterminado. Ressaltase que o art. 109 está em consonância com o fundamento econômico para o reajuste que é a variação dos custos, como dispõe o inciso XI do art. 40 da Lei nº 8.666/93 e o inciso XVIII do art. 3º da Lei nº 9.427/96, que instituiu a Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL: Lei nº 8.666/93: Art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o nome da repartição interessada e de seu setor, a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de que será regida por esta Lei, o local, dia e hora para recebimento da documentação e proposta, bem como para início da abertura dos envelopes, e indicará, obrigatoriamente, o seguinte: [...]XI critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do custo de produção, admitida a adoção de índices específicos ou setoriais, desde a data prevista para apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta se referir, até a data do adimplemento de cada parcela; (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994) Lei nº 9.427/96: Art. 3o Além das atribuições previstas nos incisos II, III, V, VI, VII, X, XI e XII do art. 29 e no art. 30 da Lei no 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, de outras incumbências expressamente previstas em lei e observado o disposto no § 1o, compete à ANEEL: (Redação dada pela Lei nº 10.848, de 2004) (Vide Decreto nº 6.802, de 2009). [...]XVIII definir as tarifas de uso dos sistemas de transmissão e distribuição, sendo que as de transmissão devem ser baseadas nas seguintes diretrizes: (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) Fl. 304DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677984/200953 Resolução nº 3302000.478 S3C3T2 Fl. 305 13 a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para cobertura dos custos dos sistemas de transmissão; e (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para a cobertura dos custos dos sistemas de transmissão, inclusive das interligações internacionais conectadas à rede básica; (Redação dada pela Lei nº 12.111, de 2009) b) utilizar sinal locacional visando a assegurar maiores encargos para os agentes que mais onerem o sistema de transmissão; (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) Estabelecidas as condições para a definição de preço predeterminado, passase à análise do contrato apresentado. A recorrente auferiu receitas decorrentes da prestação de serviço de transmissão de energia elétrica, regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL instituída pela Lei nº 9.427/1996, e pelo contrato firmado com o Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS em 13/09/1999, intitulado Contrato de Prestação de Serviço de Transmissão de Energia Elétrica (CONTRATO CPST Nº 006/1999). O ONS é entidade de direito privado sem fins lucrativos, cabendolhe, dentre outras atribuições, a de contratar e administrar os serviços de transmissão de energia elétrica e respectivas condições de acesso, bem como dos serviços ancilares, nos termos do art. 13, parágrafo único, alínea “d” da Lei nº 9.648/98, sob fiscalização e regulação da ANEEL (Resolução nº 351/98 e Decreto nº 2.655/98). O contrato celebrado denominase CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSMISSÃO e tem por objeto regular as condições de administração e coordenação por parte da ONS, da prestação de serviço de transmissão pela Transmissora (recorrente). Seu prazo de vigência é a partir de 13/09/1999 e permanece até a extinção da concessão da transmissora. A claúsula 36º dispõe que a recorrente teria direito a receber dos usuários, mediante os Contratos de Uso do Sistema de Transmissão, um duodécimo da receita anual permitida, e seu parágrafo 1º dispôs que os serviços de operação de rede básica, serviços de telecomunicações e serviços ancilares seriam remunerados pela RAP até a assinatura de contratos específicos, a serem assinados até 30/06/2000 e 31/12/2002. A cláusula 37º menciona ainda a existência de Contrato de Concessão de Serviço Público de Transmissão de Energia Elétrica. A cláusula 40º estipula que o pagamento mensal à transmissora será realizado de acordo com as datas e condições definidas nos Contratos de Uso do Sistema de Transmissão. Cláusula 40º O pagamento mensal, definido na Cláusula 36*, devido pelos USUÁRIOS à TRANSMISSORA pela Prestação dos Serviços de Transmissão, será realizado em 3 (três) vencimentos, cada um equivalente a 1/3 (um terço) do valor global devido, nas datas e condições definidas nos CONTRATOS DE USO DO SISTEMA DE TRANSMISSÃO. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677984/200953 Resolução nº 3302000.478 S3C3T2 Fl. 306 14 Verificase que o contrato apresentado é entre o ONS e a recorrente e destinase a regular as condições de administração e coordenação por parte da ONS, da prestação de serviço de transmissão, mas não corresponde aos contratos dos quais decorrem as receitas auferidas. Assim, nestes contratos é que estão previstos as condições que permitem aferir sua caracterização como de longo prazo e do preço predeterminado, como: data de assinatura, prazo de vigência, data em que ocorreu o primeiro reajuste, fórmula estabelecida para cálculo do reajuste, e outros. Por outro lado, a Nota Técnica nº 224/2006, elaborada pela Superintendência de Fiscalização Econômica e Financeira – SFF/ANEEL, apresenta os modelos de contratos utilizados na concessão do serviço público de transmissão, contratos de prestação de serviços de transmissão CPST e contratos de uso do sistema de transmissão CUST. Da análise das cláusulas dos modelos apresentados, são necessários alguns esclarecimentos por parte da recorrente para melhor compreendêlos, bem como detalhar a receita auferida, vinculando cada parcela ao contrato que lhe deu origem. Diante do exposto, voto para converter o presente julgamento em resolução para que a autoridade administrativa intime a recorrente a: 1. Relacionar as receitas auferidas ao contrato do qual decorrem; 2. Apresentar o Contrato de Concessão do Serviço Público de Transmissão, especificando a data de assinatura, o prazo de vigência, as condições contratadas para o reajustamento fórmula e datas de reajuste; 3. Identificar o primeiro reajustamento ocorrido após 31/10/2003, relativamente às receitas auferidas; 4. Esclarecer se houve alguma revisão do contrato visando a manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro; 5. Apresentar as resoluções da ANEEL relativas a novos acréscimos ao preço originalmente contrato Receita Anual Permitida identificando a origem destes acréscimos; 6. Esclarecer se na receita auferida constam revisões de que trata a cláusula abaixo reproduzida: Oitava Subcláusula A ANEEL procederá, anualmente, à revisão da RECEITA ANUAL PERMITIDA do SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSMISSÃO, pela execução de modificações, reforços e ampliações nas INSTALAÇÕES DE TRANSMISSÃO, inclusive as decorrentes de novos padrões de desempenho técnico determinados peia ANEEL, conforme procedimentos definidos na Oitava Subcláusula da Cláusula Quarta deste CONTRA TO DE CONCESSÃO 7. Esclarecer se na receita auferida há parcela recebida devida à ultrapassagem do sistema de transmissão e da sobrecarga; 8. Informar a existência de Contratos de Conexão à Transmissão firmados após 31/10/2003, de acordo com a Resolução nº 489/2002; Fl. 306DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677984/200953 Resolução nº 3302000.478 S3C3T2 Fl. 307 15 9. Se houve parcela de ajuste na Receita Anual Permitida, relacionada com a majoração das alíquotas de PIS e Cofins, nos termos do disposto no item 69 da Nota Técnica 224/2006: PA (PIS/COFINS) = parcela a ser adicionada a PA de cada concessionária de serviço público de transmissão de energia elétrica, resultante do impacto financeiro decorrente da majoração das alíquotas do PIS/PASEP e da COFINS 10. Esclarecer se consta receita auferida de novas instalações de transmissão, de acordo com o item 70 da Nota Técnica 224/2006 e a data em que foram autorizadas pela ANEEL: Dessa forma, é possível, e freqüentemente ocorre, a necessidade da realização de obras visando a implantação de novas instalações de transmissão de energia elétrica integrantes da Rede Básica do Sistema Interligado Nacional SIN. Tais obras são então autorizadas por esta ANEEL, mediante a publicação de Resoluções Autorizativas, nas quais é fixada respectiva receita.. 11. Esclarecer se existe algum índice setorial que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; 12. Elaborar comparativo entre a evolução dos custos da prestação do serviço e da variação do índice mencionado no item anterior e o reajuste adotado, relativo ao período correspondente ao reajuste ocorrido imediatamente anterior a 31/10/2003 e os ocorridos até a competência do crédito objeto da DCOMP. Após concluída a resposta à intimação, elaborar relatório fiscal, separando as receitas que entender sujeitas à incidência nãocumulativa das sujeitas à incidência cumulativa, a partir das premissas contidas nesta resolução, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre as conclusões obtidas, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 307DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Numero do processo: 15504.008239/2009-71
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2005,2006
NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
LUCRO PRESUMIDO.OMISSÃO DE RECEITAS.
Caracteriza-se como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente.
Os reembolsos de despesas ou de custos integram a receita bruta, ou seja, a receita bruta é representada pelo valor total contratado (honorários e reembolsos).
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1803-002.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani e Meigan Sack Rodrigues que davam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. LUCRO PRESUMIDO.OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente. Os reembolsos de despesas ou de custos integram a receita bruta, ou seja, a receita bruta é representada pelo valor total contratado (honorários e reembolsos). DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 82 39 /2 00 9- 71 Fl. 761DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 253 2 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani e Meigan Sack Rodrigues que davam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 0414, com a exigência do crédito tributário no valor de R$293.860,82 a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido referente aos segundo, terceiro e quarto trimestres do anocalendário de 2004 e aos primeiro, segundo, terceiro e quarto trimestres do anocalendário de 2005. Consta na Descrição dos Fatos: 001 OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE A PARTIR DO AC 93 OMISSÃO (REDUÇÃO INDEVIDA) DE RECEITAS DA ATIVIDADE A PARTIR DO AC 93 Em decorrência da não inclusão dos valores cobrados a titulo de "Reembolso de Despesa" no faturamento, resultou numa omissão, ou diminuição, da receita tributável, gerando recolhimento a menor de IRPJ e com reflexo na CSLL, PIS e COFINS, os quais são objeto de lançamento de oficio. [...] ENQUADRAMENTO LEGAL Fl. 762DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 254 3 Art. 528 do RIR/99. Lei n° 9.249/95, art. 15, e Lei n° 9.430/96, arts. 10 e 25, inciso I Art. 20 da Lei n° 5.474, de 18/07/1968. Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 1524 com a exigência do crédito tributário no valor de R$24.020,99 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos: 001 PIS SOBRE OMISSÃO DE RECEITA FALTA/INSUFICIÊNCIA DO PIS Em decorrência da não inclusão dos valores cobrados a titulo de "Reembolso de Despesa" no faturamento, resultou numa omissão, ou diminuição, da receita tributável, gerando recolhimento a menor de IRPJ e com reflexo na CSLL, PIS e COFINS, os quais são objeto de lançamento de oficio. [...] ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 1° e 3° da Lei Complementar n° 7/70; Art. 24, § 2°, da Lei n° 9.249/95; Arts. 2°, inciso I, alínea "a" e parágrafo único, 3°, 10, 22, 51 e 91 do Decreto n° 4.524/02. III – O Auto de Infração às fls. 25 34 com a exigência do crédito tributário no valor de R$110.867,69 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos: 001 COFINS OMISSÃO DE RECEITA Em decorrência da não inclusão dos valores cobrados a titulo de "Reembolso de Despesa" no faturamento, resultou numa omissão, ou diminuição, da receita tributável, gerando recolhimento a menor de IRPJ e com reflexo na CSLL, PIS e COFINS, os quais são objeto de lançamento de oficio. [...] ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 2°, inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22, 51 e 91 do Decreto n° 4.524/02. IV – O Auto de Infração às fls. 3544 a exigência do crédito tributário no valor de R$105.789,85 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos: 001 CSLL PRESTADORA DE SERVIÇOS FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL Fl. 763DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 255 4 Em decorrência da não inclusão dos valores cobrados a titulo de "Reembolso de Despesa" no faturamento, resultou numa omissão, ou diminuição, da receita tributável, gerando recolhimento a menor de IRPJ e com reflexo na CSLL, PIS e COFINS, os quais são objeto de lançamento de oficio. [...] ENQUADRAMENTO LEGAL Art. 22 da Lei n° 10.684/03 e art. 37 da Lei n° 10.637/02. Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação, fls. 302336, com as alegações abaixo transcritas. Faz um relato sobre a ação fiscal e suscita que: II. DIREITO DO CONCEITO DE RECEITA,E A SUA DIFERENCIAÇÃO DOS MEROS INGRESSOS A presente autuação fiscal decorre do entendimento da autoridade tributária de que os ingressos contabilizados pela Impugnante a, titulo de "reembolso de despesas" configurariam ,receita tributável, e por isso passível de inclusão na. base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS e também do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social Sobre'o Lucro (Lucro Presumido). Na fundamentação do auto de infração, é trazida legislação que define o conceito de receita bruta como sendo o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o prego dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (art. 44 da Lei nº 4.506/64 e Decretolei nº 1.598/77, art. 12). O conceito de receita, tendo em vista que é utilizado pela Constituição Federal para a' definição de competência tributária (artigo 195, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 42/98), deve ser interpretado tendo em vista o conteúdo jurídico que lhe é .dado pelo ramo do. direito privado do qual se origina (Direito Comercial); nos termos da ' artigo 110 do Código Tributário Nacional. Ou seja, o legislador constitucional ao trazer, para o núcleo da regra " instituidora de competência impositiva o conceito de receita, utilizouse de um instituto jurídico que possui conteúdo já previamente definido, o qual não pode ser ultrapassado tanto pelo legislador' ordinário quanto pelo intérprete e aplicador das normas tributárias. No presente caso, conforme será amplamente demonstrado' (com base inclusive na ,melhor doutrina e na jurisprudência administrativa Tribunais) efetuou se uma interpretação equivocada sobre a natureza dos ingressos contabilizados pela Impugnante como "Reembolso de Despesas", de forma a se determinar a incid8rIcia do PIS/COFINS e IRPJ/CSLL sobre valores que efetivamente não configuram no caso aquisição de riqueza nova (receita). Partindose da própria fundamentação legal deste lançamento, podemos já trazer um conceito ' básico , de. receita como sendo os valores representativos de entradas ou ingressos no patrimônio de uma pessoa em decorrência das suas atividades negociais, remunerandoa pelo exercício destas, e se destinando a pertencer ao seu respectivo patrimônio. Fl. 764DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 256 5 Desta definição se retiram dois 'requisitos intrínsecos ao conceito de receita que serão importantes para a análise deste caso concreto: a) os ingressos devem decorrer da atividade negocial' do contribuinte, sendo uma remuneração desta; b) os Valores devem efetivamente passar a compor o patrimônio do contribuinte. [...] A definição contábil reforça o entendimento de que o conceito de receita, pressupõe o ingresso de riqueza que efetivamente se consolidará no contribuinte, compondo o seu patrimônio (no caso da pessoa jurídica, o Patrimônio Liquido). Por isso, nem todoo ingresso no contribuinte:será receita tributável, já que em diversas situações o mesmo pode ser mero ingresso transitório que não se incorporará no seu patrimônio. A, inexistência do requisito da permanência do ingresso (incorporação ao Patrimonial) é indispensável inclusive para se atender ao principio da capacidade contributiva (que é um limite constitucional ao poder de tributar), sob pena incidir a tributação sobre um fator, que não corresponde à potencialidade econômica para suportála. [...] Assim, apesar dessa diferenciação ter que ser efetuada pela análise e identificação de cada entrada positiva (receita ou ingresso), esta atividade interpretativa deve ser centrada nos parâmetros definidos pela ordem jurídica (nos termos em que corretamente interpretada pelos operadores). O ingresso que hão configura receita deve ser considerado como aquela entrada que não tem natureza de remuneração ou contraprestação ao exercício da atividade econômica de quem o recebe, bem como não se incorpora positivamente ao seu patrimônio. Ou seja, não configuram receitas tributáveis as entradas de valores que apenas transitam contabilmente pela empresa, mas sem se incorporar como elemento novo ao seu patrimônio. [...] As duas principais espécies de ingressos que não caracterizam receitas tributáveis sac, certos tipos de reembolsos de despesas e aquelas entradas referentes ao ressarcimento de despesas que são rateadas entre empresas coligadas ou do mesmo grupo econômico. Em ambas as hipóteses, reembolso ou rateio de despesas, não é a denominação contábil que determina a sua natureza tributável ou não tributável, mas sim a sua análise em face dos pressupostos que informam o conceito de receita, já expostos nesta impugnação; Tratando já diretamente do reembolso de despesas, a sua caracterização, como receita ou como mera entrada depende da natureza do gasto reembolsado. O fato desta entrada estar vinculada, diretamente ''ou indiretamente, a , um contrato de prestação de serviço por si só não é definidor da sua natureza jurídica. O critério definidor já consagrado pela doutrina diferencia dois tipos de despesas vinculadas a prestação do serviço: as despesas incorridas para a prestação do serviço e que compõem o custo operacional do prestador; e as despesas que, apesar de arcadas originariamente pelo prestador, na, verdade se referem a obrigações ou dispêndios do tomador, que, por comodidade ou facilitação da obtenção dos resultados pretendidos pelas partes, é quitada pelo prestador no pressuposto do seu posterior reembolso (pagamento por conta e ordem). Essa matéria pressupõe, então, a análise do contexto do qual surgiu e se pagou determinada despesa, em face da, relação contratual firmada entre tomador e prestador e a segregação dos dispêndios que configUram custo operacional da prestação, daqueles outros que não são incorridos como condição da referida prestação. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 257 6 Conforme será inequivocamente demonstrado, no caso da Impugnante são claramente segregáveis, com base 'em Critérios jurídicos, econômicos e de razoabilidade, as obrigações pagas que correspondem a custos operacionais de sua atividade, de outros valores que na verdade se referem a pagamentos efetuados por conta e ordem dos tomadores (já que se referem a obrigações destes). [...] 11.2. DA JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA DOS. TRIBUNAIS A questão da diferenciação entre receita tributável e valores reembolsáveis (pagamento em nome de terceiros), inclusive especificamente no caso dos prestadores de serviços, já foi objeto de análise dos órgãos de julgamento administrativo e judicial, havendo sólidos precedentes reconhecendo a pertinência da argumentação jurídica deduzida no item anterior. [...] A decisão do Superior Tribunal de Justiça é irretocável e não deixa dúvidas da impossibilidade jurídica de se tributarem corno receita valores que, apesar de ingressarem 'contabilmente na pessoa jurídica, não integram o seu patrimônio, seja por se referirem a receitas de outrem, seja por se referirem ao reembolso de ‘pagamentos efetuados por,conta e ordem de terceiros. Estando desta forma consolidados os pressupostos jurídicos que devem nortear a análise da presente autuação em face dos argumentos deduzidos nesta defesa, passa a Impugnante a explicitar a natureza dos reembolsos de despesas equivocadamente considerados como receita tributável pela Fiscalização. 11.3 — DA NATUREZA DE REEMBOLSO DE DESPESAS DE TERCEIROS DOS VALORES AUTUADOS A Impugnante é sociedade de advogados que tem como objeto social a prestação de serviços de advocacia e consultoria jurídica. Tratandose de profissão regulamentada, a remuneração dos serviços. , efetuada nos termos da legislação própria. O artigo 22 da Lei no 8.906/94 (Estatuto da Advocacia) dispõe que "a prestação de serviço profissional assegura aos inscritos na OAB o direito aos honorários convencionados,.‘ aos fixados por arbitramento judicial e aos de sucumbência". A remuneração dos serviços "prestados pela Impugnante, portanto, se dá pela cobrança de honorários advocatícios na modalidade de prolabore acompanhamento (decorrente dá prestação do trabalho em si) e de sucesso/sucumbência (decorrente do ganho total ou parcial da ação). Desta forma, a Impugnante oferece a tributação do PIS/COFINS e ' IRPJ/CSLL (Lucro Presumido) os valores referentes aos honorários advocatícios que recebe pelos seus serviços, bem como outras receitas que compõem o seu lucro operacional (por exemplo, receitas financeiras). Contudo, em virtude da natureza do seu serviço e da forma como o mesmo é prestado, a Impugnante incorre em diversas despesas que não se referem ao seu custo operacional, e que na verdade são de responsabilidade do seu cliente. E conforme expressamente definido contratualmente, posteriormente ao pagamento das despesas deste tipo e mediante comprovação documental, a Impugnante é ressarcida pelos verdadeiros responsáveis por aqueles dispêndios. [...] A existência de cláusulas, especificas para os honorários advocatícios e para os reembolsos de despesas deixam patente que o serviço prestado pela Impugnante é Fl. 766DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 258 7 um serviço individualizado e eminentemente intelectual, de defesa dos interesses jurídicos dos seus clientes., Ocorre que para litigar administrativa ou judicialmente, qualquer pessoa física ou jurídica irá incorrer em outros custos além daqueles referentes ao trabalho do seu advogado. , Por exemplo, terá que arcar com as custas judiciais e taxas de oficiais de justiça. Poderá ter que arcar também com o custo de outros profissionais, corno os peritos judiciais. Todos estes custos são de responsabilidade daquele que está litigando e não do seu advogado. Apenas para facilitar a condução do processo, o advogado na maioria Os vezes paga em nome do seu cliente essas despesas. Caso contrário seria grande o risco de uma perda de prazo recursal pelo fato de , o cliente não ter enviado a tempo o comprovante do recolhimento das custas recursais (caso esse pagamento ficasse originariamente sob sua responsabilidade). Portanto, a figura do reembolso de despesa é natural, e totalmente razoável e justificável na prestação de serviços jurídicos. E exatamente por isso, e consoante já exaustivamente demonstrado a Impugnante tem a convicção que os valores referentes ao, reembolso de despesa não têm a natureza de efetiva receita sua, motivo pelo qual estes não são incluídos na base de cálculo dos referidos tributos. Entretanto, equivocadamente, a Fiscalização Tributária considerou que os valores contabilizados corno "reembolso de despesas" teriam a natureza de receita tributável. [...] A seguir demonstrase a natureza e .justificativa de cada um destes grupos de reembolso de despesas. Com relação as cópias de todos os comprovantes de pagamento, a Impugnante informa que tendo em vista'o volume de documentos, não esta fazendo _a juntada dos mesmos .nesta Impugnação, mas que já se coloca à disposição para tanto (requerendO apenas o deferimento , de um prazo razoável para tanto). Requerse de antemão, nos termos do disposto no inciso IV e na alínea ' "a" do §4º ambos do artigo 16 do Decreto no 70.235/72, que ,caso seja considerada necessária a análise documental, sejam os autos baixados em diligência. 1) Custas e despesas análogas Nesse grupo estão incluídas todos os tipos de custas judiciais (de distribuição, recursais, etc.), as taxas judiciárias (por exemplo, taxas pela utilização do oficial de justiça) e as autenticações de documentos. As custas e taxas judiciárias são cobradas para remunerar a utilização do aparato judiciário, sendo devido por todo aquele que ingressa com um litígio. [...] Desta forma, não restam dúvidas que não se pode imputar as custas e despesas judiciais a natureza de custos operacionais da Impugnante, uma vez que legalmente são valores devidos pelo seu cliente. E por isso, o reembolso destes valores para recompor o patrimônio da Impugnante pelo custo do seu pagamento em nome do cliente (tanto que no documento de arrecadação consta sempre o nome da parte e nunca o do seu advogado) é mero reembolso de despesas e não receita tributável. 2) Despesas com Advogados Correspondentes O prolabore cobrado pela Impugnante remunera .o trabalho técnico da condução dos processos e o acompanhamento dos mesmos nas cidades nas quais possui base (Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Brasília). Fl. 767DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 259 8 Contudo, a Impugnante um escritório de advocacia de grande porte que possui como clientes empresas) de atuação nacional, as quais por este motivos possuem processos nos diversos Estados da Federação. Enquanto a responsabilidade pela condução técnica é sempre da Impugnante, nas comarcas, localizadas fora das capitais, citadas, é necessário o trabalho de outro profissional (chamado de advogado correspondente) que será responsável pelo acompanhamento de publicações nos diários oficiais locais, bem como pela execução de atos que demandam a presença , física (obtenção de cópias de decisões, protocolos de petições, etc.). A despesa com o advogado correspondente é do cliente, uma vez que se, trata de outra prestação de serviço, que extrapola o objeto daquele contratado com a Impugnante. [...] Inclusive, a separação entre os valores recebidos a títulos de honorários e o valor das despesas que devem ser arcadas pelo cliente (como os advogados correspondentes) é prática Orientada pelas Seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil, entidade legalmente responsável Pela regulamentação e controle do exercício da advocacia. [...] De se destacar ainda, que o citado valor compõe a receita do advogado correspondente e compõe assim a base de cálculo do PIS/COFINS e IRPJ/CSLL (no caso de sociedade de advogados) ou do IRPF (no caso de pessoa física), sendo que a presente autuação configura a dupla incidência tributária sobre o mesmo fato econômico. [...] Impõese, portanto também neste tópico o cancelamento da presente exigência fiscal. 3) Despesas com Viagens Conforme já exposto, a Impugnante é responsável pela condução técnica do processo, com a preparação e protocolo de todas as pegas processuais que o irão compor. Contudo, é usual que para que essa condução seja mais efetiva,.em prol do sucesso buscado pelo cliente, sejam necessárias viagens de profissionais da Impugnante (até porque, conforme já exposto, a Impugnante é responsável por processos que correm em praticamente todos os Estados da Federação). [...] Como a condução do processo já está abrangida nos honorários pactuados, a Impugnante não cobra nenhum adicional pelo fato de que o seu profissional está tendo que se deslocar. Mas por outro lado também não pode lhe ser imputado que arque com os custos (passagens aéreas, hotéis, táxis até aeroportos e para o trânsito na cidade de destino, etc). Casa este custo fosse de responsabilidade da Impugnante, a sua atividade econômica (que como logicamente objetiva o lucro) se tornaria inviável. Isto porque é impossível se prever quantas viagens podem ser necessárias na condução de um processo, que normalmente dura anos até chegar ao seu término. [...] Ressaltese:, que o reembolso somente é efetuado mediante apresentação dos comprovantes de cada pagamento, o que permite a comprovação da natureza dos valores contabilizados a este titulo. Fl. 768DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 260 9 Impõese também neste tópico o cancelamento da presente exigência fiscal. 4) Despesas com Deslocamento O acompanhamento de um processo administrativo ou judicial exige um imprevisível número de deslocamentos para fóruns, tribunais, Delegacias da Receita Federal, etc. Também são usuais os deslocamentos para reuniões com o cliente ou com terceiros pelo mesmo indicados (por exemplo; auditores externos). Esses deslocamentos são mais comumente efetuados por táxis, mas podem ser também efetuados em carros particulares dos advogados (com reembolso de quilometragem percorrida e estacionamento) e são contratualmente de responsabilidade do cliente (uma vez que são despesas incorridas em seu interesse). [...] Ressalte que a Impugnante somente emite nota de reembolso para deslocamentos realizados para o 'cumprimento de tarefas e diligências efetuadas Por determinação ou em prol do cliente; Impõese também neste tópico o cancelamento da presente exigência fiscal. 5) Despesas incorridas na condução do processo A Impugnante para o exercício de suas atividades incorre em diversos cUstos necessários os quais suporta e que são componentes da apuração do seu lucro (receitas menos despesas). Por exemplo: pagamento de sua folha de salários aluguel do imóvel no qual está instalada, material de informática e de escritório entre tantas outras. Contudo, ,existem gastos que não são como os supracitados, decorrentes da sua operação. Tratamse, no caso; de custos variáveis e diretamente vinculados ao trâmite de cada processo. [...] O mesmo raciocínio jurídico aplicase presente autuação, que determina o provimento do pedido de seu cancelamento. Solicita produção de todos os meios de prova. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Por todo o exposto, requerse o cancelamento integral da presente autuação fiscal, urna' vez que resta comprovada que não possuem a natureza de receita tributável os valores recebidos pela Impugnante como reembolso de despesas (gastos por conta e ordem de terceiros). Destacandose que, no caso de custas e taxas judiciais, autenticações e honorários de perito, •a própria legislação processual civil dispõe expressamente que se trata de valores devidos por aquele que demanda judicialmente, não podendo de forma alguma ser considerado como 'um custo do advogado responsável pela causa. E com relação às cópias de todos os comprovantes de pagamento e demais documentos vinculados ao reembolso de despesas,' a Impugnante informa que, tendo em vista o volume de documentos, não está fazendo a juntada dos mesmos nesta Impugnação, mas que já se coloca à disposição para tanto (requerendo apenas o Fl. 769DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 261 10 deferimento de um prazo razoável). Requerse, assim, nos termos 'do disposto no inciso IV e na alínea "a" do §4º ambos do artigo 16 do Decreto no,70.235/72, que caso seja considerada necessária a análise documental, sejam os autos baixados em diligência. Está registrado como ementa do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0230.121, de 21.12.2010, fls. 388397: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2005, 2006 RECEITA BRUTA REEMBOLSO DE DESPESAS Integra a receita bruta da pessoa jurídica, para fins de cálculo do IRPJ, o valor percebido a título de reembolso de despesas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2005, 2006 RECEITA BRUTA REEMBOLSO DE DESPESAS Integra a receita bruta da pessoa jurídica, para fins de calculo da CSLL, o valor percebido a titulo de reembolso de despesas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2005, 2006 RECEITA BRUTA REEMBOLSO DE DESPESAS Integra a receita bruta da pessoa jurídica, para fins de cálculo da contribuição para o PIS, o valor percebido a titulo de reembolso de despesas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2005, 2006 RECEITA BRUTA REEMBOLSO DE DESPESAS Integra a receita bruta da pessoa jurídica, para fins de calculo da Cofins, o valor percebido a titulo de reembolso de despesas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Notificada em 17.10.2011, fl. 670, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 16.11.2011, fls. 671720, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Acrescenta que: II. DIREITO II. 1. DA DECISÃO RECORRIDA A decisão proferida pela DRJ/BHE considerou que os valores de reembolso de despesas incluídos pela Fiscalização Tributária na base de cálculo do IRPJ, Fl. 770DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 262 11 CSLL, PIS e COFINS, comporiam a receita bruta do Recorrente, nos termos da definição constante do Regulamento do Imposto de Renda, aplicável também aos demais tributos em questão. Isso porque, no caso, a receita bruta teria como base o preço dos serviços prestados pelo Recorrente, o qual abrangeria todo o custo envolvido na prestação, como matériasprimas, e bens e serviços consumidos na sua consecução. Sendo que o reembolso de despesas, a ser ver, seria parcela componente do preço dos serviços, vinculada a suportar o custo da sua prestação. Citese trecho do voto proferido pelo Relator: [...] Nos tópicos seguintes se demonstrará, de forma irrefutável, o equívoco da manutenção do lançamento em questão. Mas já antecipando, a decisão recorrida, a par de trazer argumentos a respeito da relação entre a receita bruta e o preço dos serviços prestados, se equivoca ao não efetuar corretamente a diferenciação entre o que se constitui no preço do serviço prestado pelo Recorrente e o mero ingresso de reembolso de valores pagos por conta e ordem de terceiros (no caso, os seus clientes). O Recorrente considerou na base de cálculo dos valores que recolheu a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS a totalidade dos montantes que recebeu e referentes ao preço dos seus serviços que foram contratados. O preço do seu serviço se encontra previamente estipulado nos respectivos contratos de serviços advocatícios, e o mesmo abarca todo o custo e margem vinculados à sua atividade. Dessa forma, nenhum outro valor é cobrado dos seus clientes, no que se refere ao conjunto de elementos humanos (remuneração dos seus advogados e demais funcionários) e materiais (instalações, materiais de uso e consumo, energia elétrica, e todos os demais inerentes a atividade de um escritório de advocacia). Tanto que o lançamento somente abarca os valores percebidos a título de reembolso de despesa, não havendo qualquer questionamento sobre a documentação que os suportou. A negativa de análise da diferença entre o preço dos serviços do Recorrente e o contexto dos valores recebidos a título de reembolso de despesas é patente na decisão. Além de se negar a analisar a natureza das despesas reembolsadas, a decisão buscou darlhe o tratamento de exclusão da base de cálculo, para poder justificar o lançamento, pela suposta falta de previsão legal para tal exclusão. Citese novamente o voto do Relator: [...] Primeiro, não se trata no caso de exclusão da base de cálculo, que necessitaria de previsão legal expressa, e sim de valores que não são abrangidos pela materialidade dos referidos tributos (lucro e receita) e que, portanto, não são tributáveis, independentemente da existência de previsão expressa nesse sentido. Por outro lado, a negativa de se reconhecer que valores como o de custas e de honorários de perito não se encontram abrangidos pelo preço dos serviços do Recorrente é feita pela decisão de forma totalmente simplista e equivocada. No caso, pela simples arguição de que as normas que regulam o processo civil não teriam eficácia no campo tributário. Conforme restou muito bem demonstrado na Impugnação, tais valores pela sua natureza intrínseca, confirmada inclusive pelas normas processuais, são custos arcados por todo aquele que implementa uma discussão administrativa ou judicial e Fl. 771DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 263 12 que não estão abrangidos pelos honorários do advogado contratado para patrocinar a causa. A própria experiência comum comprova tal fato. Afinal, todo aquele que já litigou em algum momento sabe que além do pagamento dos advogados terá que arcar com os valores referentes a custas, taxas judiciárias, honorários de peritos, autenticações e diversos outros custos inerentes ao processo judicial. Tanto que a parte que demanda (no caso, o cliente do Recorrente) pode efetuar por si mesmo o pagamento, por exemplo, de custas e taxas judiciais, e simplesmente enviar o comprovante para o Recorrente juntar nos autos. Ou ainda, no caso de advogado integrante do escritório ter que viajar para cumprir determinada tarefa vinculada a condução do processo (por exemplo, ida à Brasília para sustentação oral em Tribunal), o cliente pode emitir e pagar diretamente as passagens. Essas situações efetivamente ocorrem no diaadia. Entretanto, os curtos prazos processuais e a necessidade de agilidade, determinam que, na maioria das vezes, o escritório faça o pagamento da despesa por conta e ordem do cliente e depois requeira o reembolso. Outra situação que demonstra o absurdo do entendimento fiscal aplicado nesse caso. Honorários de perito. Tal despesa é decorrente do andamento do processo, tanto que em muitos processos inexiste perícia. Não há qualquer relação entre essa despesa e o preço do serviço do Recorrente. É inequívoco que se trata de remuneração de serviço de terceiro, nomeado pelo juízo, a quem incumbe inclusive fixar o valor dos seus honorários. O fato de o Recorrente ter antecipado o pagamento desses honorários, a pedido do seu cliente, e depois requerido o seu reembolso, transforma a verba em sua remuneração? Claramente que não. Ou seja, a decisão recorrida, data venia, se absteve de efetivamente analisar o caso concreto do Recorrente, mantendo uma exigência fiscal que não possui válida base legal. Dessa forma, e conforme será demonstrado com ainda mais propriedade a seguir, é equivocada a decisão recorrida, impondose a sua reforma por este Eg. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e consequente cancelamento do lançamento fiscal em análise. II.2. DO CONCEITO DE RECEITA E A SUA DIFERENCIAÇÃO DOS MEROS INGRESSOS E REEMBOLSO A autuação fiscal ora em análise decorre do entendimento da autoridade tributária de que os ingressos contabilizados pelo Recorrente a título de "reembolso de despesas" configurariam receita tributável, e por isso passível de inclusão na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS e também do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social Sobre o Lucro (Lucro Presumido). Na fundamentação do auto de infração é trazida legislação que define o conceito de receita bruta como sendo o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (art. 44 da Lei n° 4.506/64 e Decretolei n° 1.598/77, art. 12). O conceito de receita, tendo em vista que é utilizado pela Constituição Federal para a definição de competência tributária (artigo 195, com a redação dada pela Fl. 772DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 264 13 Emenda Constitucional n° 20/98), devese ser interpretado tendo em vista o conteúdo jurídico que lhe é dado pelo ramo do direito privado do qual se origina (Direito Comercial), nos termos do artigo 110 do Código Tributário Nacional. Ou seja, o legislador constitucional, ao trazer para o núcleo da regra instituidora de competência impositiva o conceito de receita, utilizouse de um instituto jurídico que possui conteúdo já previamente definido, o qual não pode ser ultrapassado tanto pelo legislador ordinário quanto pelo intérprete e aplicador das normas tributárias. No presente caso, conforme será amplamente demonstrado (com base inclusive na melhor doutrina e na jurisprudência administrativa e dos Tribunais) efetuouse uma interpretação equivocada sobre a natureza dos ingressos contabilizados pelo Recorrente como "Reembolso de Despesas", de forma a se determinar a incidência do PIS/COFINS e IRPJ/CSLL sobre valores que efetivamente não configuram no caso aquisição de riqueza nova (receita). Partindose da própria fundamentação legal deste lançamento, podemos já trazer um conceito básico de receita como sendo os valores representativos de entradas ou ingressos no patrimônio de uma pessoa em decorrência das suas atividades negociais, remunerandoa pelo exercício destas, e se destinando a pertencer ao seu respectivo patrimônio. Desta definição se retiram dois requisitos intrínsecos ao conceito de receita que serão importantes para a análise deste caso concreto: a) os ingressos devem decorrer da atividade negocial do contribuinte, sendo uma remuneração desta; b) os valores devem efetivamente passar a compor o patrimônio do contribuinte. Os referidos requisitos são identificáveis também na definição que a ciência contábil dá ao conceito de receita. [...] A definição contábil reforça o entendimento de que o conceito de receita pressupõe o ingresso de riqueza que efetivamente se consolidará no contribuinte, compondo o seu patrimônio (no caso da pessoa jurídica, o Patrimônio Líquido). Por isso, nem todo o ingresso no contribuinte será receita tributável, já que em diversas situações o mesmo pode ser mero ingresso transitório que não se incorporará no seu patrimônio. A inexistência do requisito da permanência do ingresso (incorporação ao patrimonial) é indispensável inclusive para se atender ao princípio da capacidade contributiva (que é um limite constitucional ao poder de tributar), sob pena incidir a tributação sobre um fator que não corresponde à potencialidade econômica para suportála. [...] A doutrina e também a jurisprudência, como se demonstrará, diferenciam corretamente a receita tributável de outros ingressos que por sua natureza (relação fática ou jurídica de que decorrem) não agregam efetivamente ao patrimônio do contribuinte. Ou seja, não integram o conjunto de direitos e obrigações que, no seu conjunto, e desde que tenha valor econômico, a ordem jurídica não o denomina como patrimônio. Assim, apesar dessa diferenciação ter que se efetuada pela análise e identificação de cada entrada positiva (receita ou ingresso), esta atividade interpretativa deve ser centrada nos parâmetros definidos pela ordem jurídica (nos termos em que é corretamente interpretada pelos operadores). A decisão acorrida pretendeu absorver todos os valores recebidos pelo Recorrente como sendo decorrentes do pagamento dos serviços advocatícios Fl. 773DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 265 14 prestados. Para tanto desconsiderou: a) que os contratos firmados com os seus clientes determinam de forma específica o preço dos serviços e prevêem o reembolso das despesas incorridas pelo cliente para o andamento do seu processo e que por questão de agilidade e segurança são antecipadas pelo Recorrente; b) o fato de que as notas de reembolso em questão se referem exclusivamente a despesas cuja natureza reembolsável está prevista contratualmente e que se encontram suportadas pelos comprovantes de pagamento. Não cabe ao intérprete alargar a hipótese de incidência e a base de cálculo dos tributos, tendo em vista a sua vinculação aos princípios da legalidade, tipicidade e capacidade contributiva. [...] Assim, o ingresso que não configura receita deve ser considerado como aquela entrada que não tem natureza de remuneração ou contraprestação ao exercício de sua atividade econômica, bem como não se incorpora positivamente ao seu patrimônio. Ou seja, não configuram receitas tributáveis as entradas de valores que apenas transitam contabilmente pela empresa, mas sem se incorporar como elemento novo ao seu patrimônio. [...] As duas principais espécies de ingressos que não caracterizam receitas tributáveis são certos tipos de reembolsos de despesas e aquelas entradas referentes ao ressarcimento de despesas que são rateadas entre empresas coligadas ou do mesmo grupo econômico. Em ambas as hipóteses, reembolso ou rateio de despesas, não é a denominação contábil que determina a sua natureza tributável ou nãotributável, mas sim a sua análise em face dos pressupostos que informam e conceito de receita, já expostos neste Recurso. E tratando já diretamente do reembolso de despesas, a sua caracterização como receita ou como mera entrada depende da natureza do gasto reembolsado. Sendo que o fato desta entrada estar vinculado, diretamente ou indiretamente, a um contrato de prestação de serviço, isso, por si só, não é definidor da sua natureza jurídica. O critério definidor já consagrado pela doutrina diferencia dois tipos de despesas vinculadas à prestação do serviço: as despesas incorridas para a prestação do serviço e que compõe o custo operacional do prestador; e as despesas que apesar de arcadas originariamente pelo prestador na verdade se referem a obrigações ou dispêndios do tomador, que por comodidade ou facilitação da obtenção dos resultados pretendidos pelas partes, é quitada pelo prestador no pressuposto do seu posterior reembolso (pagamento por conta e ordem). Essa matéria pressupõe, então, a análise do contexto do qual surgiu e se pagou determinada despesa, em face da relação contratual firmada entre tomador e prestador, e a segregação dos dispêndios que configuram custo operacional da prestação, daqueles outros que não são incorridos como condição da referida prestação. E, no caso do Recorrente, é claramente segregável, com base em critérios jurídicos, econômicos e de razoabilidade, as obrigações pagas que correspondem a custos operacionais de sua atividade, de outros valores que na verdade se referem a pagamentos efetuados por conta e ordem dos tomadores (já que se referem à obrigações destes). [...] Fl. 774DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 266 15 O exemplo dado no texto citado é bastante representativo da diferença entre custos da prestação do serviço e pagamento feito por conta e ordem de terceiro (despesa reembolsável). Afinal, não é necessário qualquer profundo conhecimento jurídico ou do funcionamento do Poder Judiciário para se reconhecer que o pagamento das custas processuais é um ônus próprio daquele que busca a tutela jurisdicional, não sendo um custo que o advogado deve arcar para a prestação do seu serviço. Este fato demonstra também que, tanto na autuação fiscal quanto na decisão administrativa não se efetuou minimamente uma análise sobre qual a natureza dos serviços prestados pelo Recorrente, caso contrário, não se teria incluído os valores das custas pagas em nome dos clientes no cálculo dos tributos lançados. II.3. DA JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA E DOS TRIBUNAIS A questão da diferenciação entre receita tributável e valores reembolsáveis (pagamento em nome de terceiros), inclusive especificamente no caso dos prestadores de serviços, já foi objeto de análise dos órgãos de julgamento administrativo e judicial, havendo sólidos precedentes reconhecendo a pertinência da argumentação jurídica deduzida no item anterior. [...] A decisão do Superior Tribunal de Justiça é irretocável e não deixa dúvidas da impossibilidade jurídica de se tributar com receita valores que, apesar de ingressarem contabilmente na pessoa jurídica, não integram o seu patrimônio, seja por se referirem a receitas de outrem, seja por se referirem ao reembolso de pagamentos efetuados por conta e ordem de terceiros. Estando desta forma consolidados os pressupostos jurídicos que devem nortear a análise da presente autuação em face dos argumentos deduzidos tanto na Impugnação quanto nesse Recurso Voluntário, passa o Recorrente a explicitar a natureza dos reembolsos de despesas equivocadamente considerados como receita tributável pela Fiscalização. II.4 DA NATUREZA DE REEMBOLSO DE DESPESAS DE TERCEIROS DOS VALORES AUTUADOS O Recorrente é sociedade de advogados que tem como objeto social a prestação de serviços de advocacia e consultoria jurídica. Tratandose de profissão regulamentada, a remuneração dos serviços é efetuada nos termos da legislação própria. O artigo 22 da Lei n° 8.906/94 (Estatuto da Advocacia) dispõe que "a prestação de serviço profissional assegura aos inscritos na OAB o direito aos honorários convencionados, aos fixados por arbitramento judicial e aos de sucumbência." [...] A remuneração dos serviços prestados pelo Recorrente, portanto, é via a cobrança de honorários advocatícios na modalidade de prólabore acompanhamento (decorrente da prestação do trabalho em si) e de sucesso/sucumbência (decorrente do ganho total ou parcial da ação). Desta forma, o Recorrente oferece à tributação do PIS/COFINS e IRPJ/CSLL (Lucro Presumido) os valores referentes aos honorários advocatícios que recebe pelos seus serviços, bem como outras receitas que compõe o seu lucro operacional. Contudo, em virtude da natureza do seu serviço e da forma como o mesmo é prestado, o Recorrente em várias situações incorre em diversas despesas, efetuadas contratualmente por conta e ordem do seu cliente, e que não se referem ao seu custo Fl. 775DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 267 16 operacional. Nesses casos, e conforme expressamente definido contratualmente, posteriormente ao pagamento das despesas deste tipo e mediante comprovação documental, o Recorrente é ressarcido pelos verdadeiros responsáveis por aqueles dispêndios. [...] A existência de cláusulas específicas para os honorários advocatícios e para os reembolsos de despesas deixam patente que o serviço prestado pelo Recorrente é um serviço individualizado e eminentemente intelectual, de defesa dos interesses jurídicos dos seus clientes. Ocorre que para litigar administrativa ou judicialmente, qualquer pessoa física ou jurídica irá incorrer em outros custos além daqueles referentes ao trabalho do seu advogado. Por exemplo, terá que arcar com as custas judiciais e taxas de oficiais de justiça. Poderá ter que arcar também com o custo de outros profissionais, como os peritos judiciais. Todos estes custos são de responsabilidade daquele que está litigando e não do seu advogado. Sendo apenas que para facilitar a condução do processo o advogado, na maioria das vezes, paga em nome do seu cliente essas despesas. Caso contrário seria grande o risco de uma perda de prazo recursal pelo fato de o cliente não ter enviado a tempo o comprovante do recolhimento das custas recursais (caso esse pagamento ficasse originariamente sob sua responsabilidade). Portanto, a figura do reembolso de despesa é totalmente razoável e justificável na prestação de serviços jurídicos. E exatamente por isso, e consoante já exaustivamente demonstrado, que o Recorrente tem a convicção que os valores referentes ao reembolso de despesa não tem a natureza de efetiva receita sua, motivo pelo qual estes não são incluídos na base de cálculo dos referidos tributos. Entretanto, equivocadamente, a Fiscalização Tributária considerou que os valores contabilizados como "reembolso de despesas" teriam a natureza de receita tributável. Citando mais uma vez o Termo de Verificação Fiscal: O texto legal é claro ao considerar, como preço dos serviços prestados, a soma a pagar em dinheiro. Consequentemente, não importe ser a título de reembolso de despesas ou mesmo a qualquer outro título, esses valores compõem o preço dos serviços prestados. Logo, em sendo preço, deve, evidentemente, integrar a receita bruta. O Contrato firmado e a forma de faturar parte por meio de Notas Fiscal e parte por Nota de Reembolso não respalda o procedimento do interessado. O faturamento engloba as despesas e o lucro bruto. O fato de não ter sido emitido documento fiscal em relação aos reembolsos não dispensa a apropriação total da receita bruta. Nas folhas 1 e 2 do Termo de Verificação Fiscal se apresenta Tabela na qual se identificou as rubricas contabilizadas pelo Recorrente como referentes a reembolsos de despesas. Importante frisar que a Fiscalização em nenhum momento questionou ou duvidou da forma como se efetuaram os lançamentos contábeis por parte do Recorrente, fazendo a sua análise com base nestas informações. Para fins de facilitar a identificação da natureza e justificativa de cada rubrica, as mesmas podem ser segregadas nos seguintes grupos: 1) Custas e despesas análogas Reembolso de Custas Fl. 776DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 268 17 Reembolso de Autenticações Reembolso de Taxas e Emolumentos 2) Despesas com Advogados Correspondentes Reembolso de Honorários de Acompanhamento Reembolso de INSS s/ Honor de Acompanhamento 3) Despesas com Viagens Reembolso de Passagem Aérea Reembolso de Hotel Reembolso de Despesas c/ Viagem Reembolso de Lanches e Refeições 4) Despesas com Deslocamento Reembolso de Táxi Reembolso de Quilometragem Reembolso de Serviços de Entrega Reembolso de Ônibus/Metrô Reembolso de Estacionamento 5) Despesas incorridas na condução do processo Reembolso de Fotocópias Reembolso de Correios Reembolso de Telefone Reembolso de Assinatura de Jornais (Informadores Jurídicos) Reembolso de Despesas Diversas A seguir, demonstrarseá a natureza e justificativa de cada um destes grupos de reembolso de despesas. Conforme expressamente consignado na Impugnação, com relação às cópias de todos os comprovantes de pagamento, o Recorrente, tendo em vista o volume de documentos, não efetuou a juntada dos mesmos na defesa, mas se colocou à disposição para tanto (requerendo apenas o deferimento de um prazo razoável). Por isso, requereu na defesa, nos termos do disposto no inciso IV e na alínea " a " do § 4°, ambos do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, que caso a DIPJ considerasse necessária a análise documental, fossem os autos baixados em diligência. Contudo, a decisão recorrida considerou desnecessária qualquer diligência para a análise do caso concreto. [...] O Recorrente, dessa forma, reitera que está à disposição deste Eg. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para a apresentação de qualquer esclarecimento Fl. 777DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 269 18 ou documento adicional, caso eventualmente seja considerado necessária a baixa dos autos em diligência. 1) Custas e despesas análogas Nesse grupo estão incluídas todos os tipos de custas judiciais (de distribuição, recursais, etc), as taxas judiciárias (por exemplo, taxas pela utilização do oficial de justiça) e as autenticações de documentos. As custas e taxas judiciárias são cobradas para remunerar a utilização do aparato judiciário, sendo devido por todo aquele que ingressa com um litígio. [...] Desta forma, não restam dúvidas que não se pode imputar às custas e despesas judiciais a natureza de custos operacionais do Recorrente, uma vez que legalmente são valores devidos pelo seu cliente. E por isso, o reembolso destes valores para recompor o patrimônio do Recorrente pelo custo do seu pagamento em nome do cliente (tanto que no documento de arrecadação consta sempre o nome da parte e nunca o do seu advogado) é mero reembolso de despesas e não receita tributável. 2) Despesas com Advogados Correspondentes O prólabore cobrado pelo Recorrente remunera o trabalho técnico da condução dos processos e o acompanhamento dos mesmos nas cidades nas quais possui base (Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Brasília). Contudo, o Recorrente é um escritório de advocacia de grande porte que possui como clientes empresas de atuação nacional, as quais por este motivo possuem processos nos diversos Estados da Federação. Enquanto a responsabilidade pela condução técnica é sempre do Recorrente, nas comarcas localizadas fora das capitais citadas, é necessário o trabalho de outro profissional (chamado de advogado correspondente) que será responsável pelo acompanhamento de publicações nos diários oficiais locais, bem como pela execução de atos que demandam a presença física (obtenção de cópias de decisões, protocolos de petições, etc). A despesa com o advogado correspondente é do cliente, uma vez que se trata de outra prestação de serviço, que extrapola o objeto daquele contratado com o Recorrente. [...] De se destacar ainda, que o citado valor compõe a receita do advogado correspondente e compõe assim a base de cálculo do PIS/COFINS e IRPJ/CSLL (no caso de sociedade de advogados) ou do IRPF (no caso de pessoa física), sendo que a presente autuação configura a dupla incidência tributária sobre o mesmo fato econômico. Impõese, portanto, também neste tópico o cancelamento da presente exigência fiscal. 3) Despesas com Viagens Conforme já exposto, o Recorrente é responsável pela condução técnica do processo, bem com pela preparação e protocolo de todas as peças processuais que o irão compor. Contudo, é usual que para que essa condução seja mais efetiva, em prol do sucesso buscado pelo cliente, sejam necessárias viagens de profissionais do Fl. 778DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 270 19 Recorrente (até porque, conforme já exposto, o Recorrente é responsável por processos que correm em praticamente todos os Estados da Federação). Notadamente tendo em vista que os Tribunais Superiores (STJ e STF) e o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais estão localizados em Brasília. Assim, sempre que são necessários despachos com magistrados ou julgadores administrativos ou que são marcados julgamentos nos quais é possível a execução de sustentação oral por parte do advogado, o Recorrente indaga ao cliente se ele quer que o advogado diretamente responsável pelo processo se desloque para efetuar providências desta natureza. Nesses casos, os despachos ou sustentações orais não são indispensáveis (ou seja, as decisões serão proferidas com base nas petições protocoladas). Mas como o cliente é o maior interessado no sucesso da demanda, este tem a alternativa de optar pelo deslocamento do advogado responsável, arcando, contudo, com os custos de viagens decorrentes. Como a condução do processo já está abrangida nos honorários pactuados, o Recorrente não cobra nenhum adicional pelo fato de que o seu profissional está tendo que se deslocar. Mas, por outro lado, também não pode lhe ser imputado que arque com os custos (passagens aéreas, hotéis, táxis até aeroportos e para o trânsito na cidade de destino, etc). Caso este custo fosse de responsabilidade do Recorrente, a sua atividade econômica (que como todas, objetiva o lucro) se tomaria inviável. Isto porque é impossível se prever quantas viagens podem ser necessárias na condução de um processo, que normalmente perdura por anos até chegar ao seu término. Também neste ponto, o cliente tem toda a possibilidade de assumir diretamente os custos da viagem, comprando as passagens e reservando o hotel, por exemplo. Mas também é facilmente compreensível que operacionalmente para ele seja melhor que o escritório antecipe essas despesas para posterior reembolso (muitas vezes, as empresas apenas estipulam limites de gastos, que direcionam a compra de passagens e marcação de hotéis). Ressaltese que o reembolso somente é efetuado mediante a apresentação dos comprovantes de cada pagamento, o que permite a comprovação da natureza dos valores contabilizados a este título. Impõese também neste tópico o cancelamento da presente exigência fiscal. 4) Despesas com Deslocamento O acompanhamento de um processo administrativo ou judicial exige um imprevisível número de deslocamentos para fóruns, tribunais, Delegacias da Receita Federal do Brasil, etc. Também são usuais os deslocamentos para reuniões com o cliente ou com terceiros pelo mesmo indicados (por exemplo, auditores externos). Esses deslocamentos são mais comumente efetuados por táxis, mas podem ser também efetuados em carros particulares dos advogados (com reembolso de quilometragem percorrida e estacionamento) e são contratualmente de responsabilidade do cliente (uma vez que são despesas incorridas em seu interesse). [...] Fl. 779DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 271 20 Ressalte que o Recorrente somente emite nota de reembolso para deslocamentos realizados para o cumprimento de tarefas e diligências efetuadas por determinação ou em prol do cliente. Impõese também neste tópico o cancelamento da presente exigência fiscal. 5) Despesas incorridas na condução do processo O Recorrente para o exercício de suas atividades incorre em diversos custos necessários os quais suporta e que são componentes da apuração do seu lucro (receitas menos despesas). Por exemplo: pagamento de sua folha de salários, aluguel do imóvel no qual está instalada, material de informática e de escritório, entre tantas outras. Contudo, existem gastos que não são como os supracitados, decorrentes da sua operação. Tratamse, no caso, de custos variáveis e diretamente vinculados ao trâmite de cada processo. São dessa natureza: a) o custo com cópias de documentos que instruirão os processos. Normalmente os processos são instruídos com um volume grande de documentos (por exemplo, contratos e documentos contábeis e fiscais) que necessitam ser fotocopiados. Usualmente, também, o Recorrente é demandado a enviar relatórios para auditorias externas, os quais também são copiados. E, em outras diversas situações, são necessárias a obtenção de cópias para o cliente. Nesse caso, essas cópias, que não se referem ao trabalho intelectual prestado pelo Recorrente (o qual demanda outros custos, como pessoal, cursos, livros, etc.) são tiradas em prol de uma necessidade do cliente, sendo o custo por este arcado, conforme previamente acordado no contrato de prestação de serviços; b) despesas com o envio de documentos pelos Correios. Tratase de despesas também efetuadas em prol das mais diversas demandas dos clientes (envio de documentos para auditorias, peritos, advogados correspondentes, controladoras no Brasil e no exterior, etc); c) despesas com telefonemas interurbanos e internacionais efetuados em atendimento a demanda dos clientes. Nesse caso, na fatura de reembolso juntase cópia da conta de telefone e identificase o número vinculado à ligação reembolsada, de forma que o cliente pode confirmar que tratase de uma despesa decorrente ao atendimento de sua demanda; d) Informadores. Determinados clientes demandam que o escritório reforce a segurança do seu procedimento de identificação de publicações através da contratação de determinado serviço de leitura de diários oficiais. Por ser uma demanda específica e fora do procedimento normal adotado pelo escritório, a despesa é arcada pelo cliente demandante. [...] O mesmo raciocínio jurídico aplicase à presente autuação, o que determina o provimento do pedido de seu cancelamento. Solicita produção de todos os meios de prova. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Fl. 780DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 272 21 Conclui que: Por todo o exposto, requerse a reforma da decisão proferida pela DRJ/BHE e o conseqüente cancelamento integral da presente autuação fiscal, uma vez que resta comprovada que não possuem a natureza de receita tributável os valores recebidos pelo Recorrente como reembolso de despesas (gastos por conta e ordem de terceiros). E com relação às cópias de todos os comprovantes de pagamento, o Recorrente reitera o consignado na Impugnação, de que se coloca à disposição para a sua apresentação (requerendo apenas o deferimento de um prazo razoável, tendo em vista o volume da documentação), caso seja considerado necessário pela Turma julgadora a baixa do processo em diligência fiscal. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº Fl. 781DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 273 22 As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais2. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. A autoridade tributária tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos3. As Autoridade Fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 4 A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional5. Assim, os Autos de Infração, fls. 0444 e o Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0230.121, de 21.12.2010, fls. 388397, contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. 4 Fundamentação legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. 5 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 782DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 274 23 ensejaram os procedimentos de ofício. A tese protetora exposta ela defendente, assim sendo, não está demonstrada. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos6. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. Ademais, no Termo de Início do Procedimento Fiscal, fls. 5051, que foi cientificado a Recorrente em 16.12.2008 consta: No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal e na forma do disposto no art. 7º da Lei nº 2.354/54 e no art. 7° do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, damos inicio ao procedimento de fiscalização junto ao contribuinte acima identificado. Com base nos arts. 904, 905, 911, 927 e 928 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda), fica o contribuinte INTIMADO a apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias a contar da ciência deste, os elementos abaixo especificados: Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2005: Tributo: COFINS e PIS. 1. Livros Diário e Razão ou, opcionalmente Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária; 2. Contrato/Estatuto Social e suas alterações 3. Informar se adotou o regime de caixa (se adotou o critério de reconhecimento de suas receitas de venda de bens ou direitos ou de prestação de serviços com pagamento a prazo ou em parcelas na medida do recebimento) 4. Livro Registro de Apuração do ISS 5. Relação de todas as medidas judiciais propostas pela empresa, relativas a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Apresentar, de forma reduzida, uma descrição do objeto da ação (pedido) e situação atual dos processos; 6. Informar eventuais créditos tributários já confessados em parcelamentos especiais (REFIS/PAES/PAEX) ou em compensações (PER/DCOMP) que não foram declarados em DCTF; 7. Apresentar demonstrativos mensais de apuração da base de cálculo da COFINS e PIS, contribuição retida por clientes, valor suspenso e valor a pagar. 6 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 783DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 275 24 8. Apresentar os DARF de pagamentos ou, eventualmente, de depósitos judiciais; 9. Apresentar os comprovantes de retenção da COFINS e PIS pelos clientes. 10. Designar preposto ou representante legal para acompanhar os trabalhos e as solicitações da fiscalização. Outros elementos poderão ser solicitados no decorrer da ação fiscal. A resposta à presente intimação deverá ser prestada por escrito, datada e assinada pelo contribuinte, ou seu representante legal, com indicação dos elementos que estão sendo apresentados. No Termo de Constatação e Intimação Fiscal, fls. 9798, que foi cientificado a Recorrente em 11.02.2009 consta: Nos termos do Decreto nº 70.235/72 comunicamos nesta data, ao contribuinte supra identificado, a continuação da ação fiscal iniciada em 16/12/2008. Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2005: Tributo: COFINS e PIS. Constatamos que a empresa apresentou uma planilha contendo a relação de NF emitidas e os valores retidos de COFINS e PIS. Para um universo de 3600 notas fiscais foi selecionada uma amostra de documentos, de forma aleatória combinada com a seleção de maiores valores. Portanto, fica o contribuinte INTIMADO a apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias a contar da ciência deste, os elementos abaixo especificados: Deixar à disposição na sede da empresa, as seguintes notas fiscais: Nº Ord. NF nº Nº Ord. NF nº 1 19806 32 21699 2 19923 33 21832 3 19957 34 21903 4 20025 35 21984 5 20034 36 22004 6 20104 37 22017 7 20229 38 22071 8 20242 39 22085 9 20257 40 22109 10 20258 41 22119 11 20406 42 22131 12 20419 43 22142 13 20455 44 22246 14 20512 45 22285 15 20532 46 22312 16 20550 47 22332 17 20685 48 22423 18 20719 49 22439 19 20742 50 22638 20 20882 51 22655 21 21044 52 22709 22 21148 53 22717 23 21206 54 22807 Fl. 784DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 276 25 24 21346 55 22940 25 21409 56 22940 26 21430 57 23016 27 21474 58 23153 28 21523 59 23231 29 21534 60 23244 30 21609 61 23356 31 21640 62 23428 63 23437 Outros elementos poderão ser solicitados no decorrer da ação fiscal. No Termo de Constatação e Intimação Fiscal, fls. 160161, que foi cientificado a Recorrente em 14.04.2009 consta: Nos termos do Decreto nº 70.235/72 comunicamos nesta data, ao contribuinte supra identificado, a continuação da ação fiscal iniciada em 16/12/2008. Período: 01/04/2004 a 31/12/2005: Constatamos que a empresa escritura na conta 1.1.2.02.0002 "Clientes — Notas de Reembolso" os valores empenhados e recebidos dos clientes a título de reembolso de despesas. Em anexo é apresentado um relatório com os valores a crédito nesta conta relativo aos recebimentos. Desta forma, com base nos arts. 904, 905, 911, 927 e 928 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda), fica o sujeito passivo acima identificado INTIMADO a apresentar, no prazo de 13 (treze) dias a contar da ciência deste, os elementos abaixo especificados: 1. Verificar se os valores constantes da planilha estão corretos; 2. Informar qual a natureza destes recebimentos e se foram adicionados à base de cálculo da COFINS, PIS, IRPJ e CSLL; 3. Apresentar cópias das seguintes "Notas de Reembolso" (selecionadas aleatoriamente): [...] Outros elementos poderão ser solicitados no decorrer da ação fiscal. Ainda, a Recorrente na impugnação e no recurso voluntário poderia ter produzido as provas que entendesse necessárias, trazendo aos autos a demonstração de suas teses de defesa. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente discorda do procedimento fiscal, inclusive pela falta de “diferenciação entre o que se constitui no preço do serviço prestado pelo Recorrente e o mero ingresso de reembolso de valores pagos por conta e ordem de terceiros (no caso, os seus clientes)”, defendendo que em relação a esses últimos não caberia oferecêlos a tributação. Fl. 785DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 277 26 A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. O regime de tributação com base no lucro presumido trimestral é uma opção da pessoa jurídica para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada com o pagamento do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. É determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração. Quando se tratar de pessoa jurídica com atividades diversificadas serão adotados os percentuais específicos para cada uma das atividades econômicas, cujas receitas deverão ser apuradas separadamente. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia incluído o ICMS. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. A pessoa jurídica deve manter o Livro Registro de Inventário, bem como a escrituração contábil nos termos da legislação comercial, ressalvada a hipótese, neste caso, de escriturar o Livro Caixa, incluindo toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente7. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. 7 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º, art. 25 e art. 26 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 786DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 278 27 Está registrado no Termo de Verificação Encerramento de Ação Fiscal, fls. 4549, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: Constatamos que a empresa escritura na conta 1.1.2.02.0002 "Clientes — Notas de Reembolso" os valores recebidos dos clientes a título de reembolso de despesas, sendo que em 14/04/09 a fiscalizada foi intimada a Informar qual a natureza destes recebimentos e se foram adicionados à base de cálculo da COFINS, PIS, IRPJ e CSLL, bem como apresentar cópias de algumas "Notas de Reembolso" (selecionadas aleatoriamente). Em resposta recebida de 27/04/09 é informado o seguinte: [...] • São cobrados dos clientes os honorários prólabore e/ou honorário de sucesso. • Informa que os "seus clientes incorrem em diversos custos que são inerentes e indispensáveis ao acesso as jurisdições administrativa e judicial; • Acrescenta que as "propostas e contratos trazem cláusulas expressas nas quais se consignam de forma plenamente identificada e segregada os valores referentes aos honorários decorrente do trabalho a ser prestado e aqueles outros valores, decorrentes da antecipação do pagamento de quantias devidas pelo tomador do serviço". Anexos à resposta o sujeito passivo apresentou 32 cópias dos espelhos da Notas de Reembolso, das 49 solicitadas. Tais notas servem de amostra da natureza dos reembolsos cobrados, que de forma ilustrativa são assim distribuídas [...]: NATUREZA DO REEMBOLSO VALOR % da Amostra Reembolso de Passagem Aérea Total 5.422,07 24,67% Reembolso de Honorários Acomp. Total 2.743,50 12,48% Reembolso de Táxi Total 2.743,58 12,48% Reembolso de Custas Judiciais Total 2.024,39 9,21% Reembolso de Hotel Total 1.812,09 8,25% Reembolso de Despesas Diversas Total 1.734,28 7,89% Reembolso de Despesas c/ Viagem Total 1.410,05 6,42% Reembolso de Correios Total 1.066,66 4,85% Reembolso de Telefone Total 771,74 3,51% Reembolso de Quilometragem Total 594,82 2,71% Reembolso de Fotocópias Total 563,80 2,57% Reembolso de Serviços de Entrega Total 278,70 1,27% Reembolso de INSS s/Honor de Acomp. PF Total 259,20 1,18% Reembolso de Autenticações Total 238,00 1,08% Reembolso de Taxas e Emolumentos Total 133,09 0,61% Reembolso Assinatura de Jornais Total 130,80 0,60% Reembolso de Lanches e Refeições Total 32,65 0,15% Reembolso de Ônibus/Metrô Total 29,96 0,14% Reembolso de Estacionamento Total 7,00 0,03% Reembolso de CPMF Total 1,54 0,01% Total Geral 21.975,92 100,00% Fl. 787DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 279 28 Tais valores são ilustrativos, pois estão sujeitos a erros estatísticos, mas demonstram que a natureza dos custos são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei n° 4.506/64, art. 47, § 2°). Cabe aqui citar alguns conceitos simples para se ter a visão geral: A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei n°4.506/64, art. 44, e DecretoLei n° 1.598/77, art. 12). Para relembrar, a receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas (DecretoLei n ° 1 598/77, art. 12 § 1 °). O lucro bruto corresponde à diferença entre a receita líquida das vendas e serviços e o custo dos bens e serviços vendidos (Lei n° 6.404/76, art. 187, inciso II). O lucro presumido é uma forma de tributação simplificada, e opcional, para determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL das pessoas jurídicas que não estiverem obrigadas, no anocalendário, à apuração do lucro real. A base de cálculo do lucro presumido, decorrente da receita bruta, será determinada trimestralmente, mediante a aplicação do percentual sobre a receita bruta de 32% (trinta e dois por cento), para as atividades de prestação de serviços, pelas sociedades civis, relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada; (Lei n ° 9.249/95, art. 15, e Lei n° 9.430/96, arts. 1° e 25, inciso 1). O que a sistemática do Lucro Presumido quer alcançar é o calculo simplificado do lucro, este calculado em 32%. Ou seja, admitese que 68% do faturamento corresponderiam aos custos e apenas 32% o lucro bruto. O sujeito passivo, ao excluir do faturamento os custos, cria uma deturpação da sistemática. Se a empresa fosse tributada no Lucro Real não haveria efeito fiscal, pois o lucro líquido é aumentado tanto por entradas a título de receitas como a título de "estorno de despesa", assim a designação não interfere. O mesmo ocorreria se fosse tributado o lucro nas pessoas físicas dos advogados, pois as despesas/custos seriam deduzidas por via do livro caixa. Voltando ao lucro presumido, cabe buscar, em legislação especifica, o que vem a ser o preço dos serviços prestados. Nesse sentido, a Lei n° 5.474, de 18/07/1968, dispondo sobre a emissão de duplicatas e faturas, preceitua, em seu art. 20: Art. 20 — As empresas, individuais ou coletivas, fundações ou sociedades civis, que se dediquem a prestação de serviços, poderão, também, na forma desta Lei, emitir fatura e duplicata. [...] § 2° A soma a pagar em dinheiro corresponderá ao preço dos serviços prestados. O texto legal é claro ao considerar, como preço dos serviços prestados, a soma a pagar em dinheiro. Conseqüentemente, não importa ser a título de reembolso de despesas ou mesmo a qualquer outro título, esses valores compõem o preço dos serviços prestados. Logo, em sendo preço, deve, evidentemente, integrar a receita bruta. Fl. 788DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 280 29 O Contrato firmado e a forma de faturar parte por meio de Nota Fiscal e parte por Nota de Reembolso não respalda o procedimento do interessado. O faturamento engloba as despesas e o lucro bruto. O fato de não ter sido emitido documento fiscal em relação aos reembolsos não dispensa a apropriação total da receita bruta. Com relação às exclusões da receita bruta, o CTN, em seu art. 111, determina a interpretação literal de legislação tributária que disponha sobre suspensão, exclusão ou outorga de isenção. Nessa linha, em se tratando da apuração da receita bruta, a legislação tributária fixa o modo pelo qual será apurada, explicitando os títulos das parcelas a serem subtraídas de sua composição. No caso, as deduções da receita bruta permitidas no IRPJ estão determinadas pelo art. 280 do RIR/1999, a seguir transcrito: Art. 280. A receita liquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas (Decreto Lei n° 1.598, de 1977, art. 12, § 1°). Pelo exposto, concluise que os reembolsos de despesas ou de custos integram a receita bruta, ou seja, a receita bruta é representada pelo valor total contratado (honorários e reembolsos). O mesmo se aplica às contribuições para o PIS e COFINS, no sentido de que os custos só são dedutíveis em se tratando da sistemática de apuração não cumulativa, que estaria o sujeito passivo submetido se apurasse o Lucro Real. Ao optar pelo lucro presumido fazse, também, a opção pelo regime cumulativo. Os arts. 2° e 3° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, que assim dispõem: "Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, sendo calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões operacionais e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio liquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. [...] Fl. 789DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 281 30 DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO Em decorrência da não inclusão dos valores cobrados a título de "Reembolso de Despesa" no faturamento, resultou numa omissão, ou diminuição, da receita tributável, gerando recolhimento a menor de IRPJ e com reflexo na CSLL, PIS e COFINS, os quais serão objeto de lançamento de oficio, sendo este Termo parte integrante do Auto de Infração. Em anexo é apresentado o extrato da contacontábil 1.1.2.02.0002 "Clientes Notas de Reembolso" e o relatório com os valores a crédito nesta conta relativo aos recebimentos, já expurgados dos lançamentos de estorno relativo à baixas para perdas e recebimentos a titulo de rateio de despesas entre as empresas do mesmo grupo. Abaixo encontramse demonstrados os valores de base de cálculo a lançar: [...] MÊS CRÉDITOS Recebimentos Estorno Vlr Baixa Tranf. Rateio de Custos Faturamento a Lançar 01/04/04 37.525,52 1,73 0,00 37.523,79 01/05/04 81.503,47 3.301,21 3.420,21 74.782,05 01/06/04 69.746,14 63,10 4.060,26 65.622,78 01/07/04 133.989,48 11,03 3.301,57 130.676,88 01/08/04 97.958,90 35,63 10.035,86 87.887,41 01/09/04 87.075,30 17,33 7.840,26 79.217,71 01/10/04 104.258,89 44,73 5.700,07 98.514,09 01/11/04 88.523,48 524,65 10.985,72 77.013,11 01/12/04 85.520,51 3.369,42 6.133,46 76.017,63 01/01/05 70.155,12 124,27 15.587,95 54.442,90 01/02/05 60.488,37 62,80 1.196,72 59.228,85 01/03/05 39.970,05 100,50 3.594,21 36.275,34 01/04/05 78.396,63 6.791,29 2.155,09 69.450,25 01/05/05 112.875,74 8.720,76 19.050,79 85.104,19 01/06/05 80.951,41 1.527,02 8.900,39 70.524,00 01/07/05 72.755,04 0,00 5.034,84 67.720,20 01/08/05 101.646,69 370,82 5.718,05 95.557,82 01/09/05 121.731,02 0,00 16.770,70 104.960,32 01/10/05 79.976,96 0,00 15.634,44 64.342,52 01/11/05 102.314,79 138,45 17.301,75 84.874,59 01/12/05 131.849,46 903,71 27.746,70 103.199,05 Total Geral 1.839.212,97 26.108,45 190.169,04 1.622.935,48 Tendo em vista que a Recorrente ser optante pela apuração do tributo pela modalidade de lucro presumido, vale observar o que dispõe a Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, sobre a determinação do lucro presumido: Art. 25. O lucro presumido será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: I o valor resultante da aplicação dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, sobre a receita bruta definida pelo art. 31 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, auferida no período de apuração de que trata o art. 1º desta Lei; (Vide arts. 5º e 98 da MP nº 627, de 11 de novembro de 2013) Fl. 790DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 282 31 II os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso anterior e demais valores determinados nesta Lei, auferidos naquele mesmo período. (Vide arts. 5º e 98 da MP nº 627, de 11 de novembro de 2013) Por sua vez, a Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, assim prescreve: “Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Vide Medida Provisória nº 252, de 15/06/2005) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, [...] § 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. § 3º As receitas provenientes de atividade incentivada não comporão a base de cálculo do imposto, na proporção do benefício a que a pessoa jurídica, submetida ao regime de tributação com base no lucro real, fizer jus. § 4º O percentual de que trata este artigo também será aplicado sobre a receita financeira da pessoa jurídica que explore atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para a revenda, quando decorrente da comercialização de imóveis e for apurada por meio de índices ou coeficientes previstos em contrato. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) No que toca à conceituação de receita bruta, devese observar o que dispõe o art. 31 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, remetido tanto pelo inciso I do art. 25 da Lei n° 9.430, de 1996, quanto pelo caput do art. 15 da Lei nº 9.249, de 1995, reproduzido a seguir: “Art. 31. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia.(Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) Parágrafo único. Na receita bruta, não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos nãocumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário.” Fl. 791DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 283 32 A Recorrente defende que os valores, que ela denomina como reembolsos, recebidos dos clientes que ela possui não podem ser objeto da tributação na composição da receita sobre o qual será aplicada coeficiente para calcular o lucro presumido, como informa em sua defesa: “a) o custo com cópias de documentos que instruirão os processos. Normalmente os processos são instruídos com um volume grande de documentos (por exemplo, contratos e documentos contábeis e fiscais) que necessitam ser fotocopiados. Usualmente, também, o Recorrente é demandado a enviar relatórios para auditorias externas, os quais também são copiados. E, em outras diversas situações, são necessárias a obtenção de cópias para o cliente. Nesse caso, essas cópias, que não se referem ao trabalho intelectual prestado pelo Recorrente (o qual demanda outros custos, como pessoal, cursos, livros, etc.) são tiradas em prol de uma necessidade do cliente, sendo o custo por este arcado, conforme previamente acordado no contrato de prestação de serviços; b) despesas com o envio de documentos pelos Correios. Tratase de despesas também efetuadas em prol das mais diversas demandas dos clientes (envio de documentos para auditorias, peritos, advogados correspondentes, controladoras no Brasil e no exterior, etc); c) despesas com telefonemas interurbanos e internacionais efetuados em atendimento a demanda dos clientes. Nesse caso, na fatura de reembolso juntase cópia da conta de telefone e identificase o número vinculado à ligação reembolsada, de forma que o cliente pode confirmar que tratase de uma despesa decorrente ao atendimento de sua demanda; d) Informadores. Determinados clientes demandam que o escritório reforce a segurança do seu procedimento de identificação de publicações através da contratação de determinado serviço de leitura de diários oficiais. Por ser uma demanda específica e fora do procedimento normal adotado pelo escritório, a despesa é arcada pelo cliente demandante.” Sobre honorários advocatícios, tem cabimento mencionar o Estatuto da Advocacia e da OAB, previsto na Lei 8.906, de 04 de julho de 1994: Art. 22. A prestação de serviço profissional assegura aos inscritos na OAB o direito aos honorários convencionados, aos fixados por arbitramento judicial e aos de sucumbência. § 1º O advogado, quando indicado para patrocinar causa de juridicamente necessitado, no caso de impossibilidade da Defensoria Pública no local da prestação de serviço, tem direito aos honorários fixados pelo juiz, segundo tabela organizada pelo Conselho Seccional da OAB, e pagos pelo Estado. § 2º Na falta de estipulação ou de acordo, os honorários são fixados por arbitramento judicial, em remuneração compatível com o trabalho e o valor econômico da questão, não podendo ser inferiores aos estabelecidos na tabela organizada pelo Conselho Seccional da OAB. § 3º Salvo estipulação em contrário, um terço dos honorários é devido no início do serviço, outro terço até a decisão de primeira instância e o restante no final. Fl. 792DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 284 33 § 4º Se o advogado fizer juntar aos autos o seu contrato de honorários antes de expedirse o mandado de levantamento ou precatório, o juiz deve determinar que lhe sejam pagos diretamente, por dedução da quantia a ser recebida pelo constituinte, salvo se este provar que já os pagou. § 5º O disposto neste artigo não se aplica quando se tratar de mandato outorgado por advogado para defesa em processo oriundo de ato ou omissão praticada no exercício da profissão. Art. 23. Os honorários incluídos na condenação, por arbitramento ou sucumbência, pertencem ao advogado, tendo este direito autônomo para executar a sentença nesta parte, podendo requerer que o precatório, quando necessário, seja expedido em seu favor. Art. 24. A decisão judicial que fixar ou arbitrar honorários e o contrato escrito que o estipular são títulos executivos e constituem crédito privilegiado na falência, concordata, concurso de credores, insolvência civil e liquidação extrajudicial. § 1º A execução dos honorários pode ser promovida nos mesmos autos da ação em que tenha atuado o advogado, se assim lhe convier. § 2º Na hipótese de falecimento ou incapacidade civil do advogado, os honorários de sucumbência, proporcionais ao trabalho realizado, são recebidos por seus sucessores ou representantes legais. § 3º É nula qualquer disposição, cláusula, regulamento ou convenção individual ou coletiva que retire do advogado o direito ao recebimento dos honorários de sucumbência. § 4º O acordo feito pelo cliente do advogado e a parte contrária, salvo aquiescência do profissional, não lhe prejudica os honorários, quer os convencionados, quer os concedidos por sentença. [...] Art. 35. Os honorários advocatícios e sua eventual correção, bem como sua majoração decorrente do aumento dos atos judiciais que advierem como necessários, devem ser previstos em contrato escrito, qualquer que seja o objeto e o meio da prestação do serviço profissional, contendo todas as especificações e forma de pagamento, inclusive no caso de acordo. § 1º Os honorários da sucumbência não excluem os contratados, porém devem ser levados em conta no acerto final com o cliente ou constituinte, tendo sempre presente o que foi ajustado na aceitação da causa. § 2º A compensação ou o desconto dos honorários contratados e de valores que devam ser entregues ao constituinte ou cliente só Fl. 793DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 285 34 podem ocorrer se houver prévia autorização ou previsão contratual. § 3º A forma e as condições de resgate dos encargos gerais, judiciais e extrajudiciais, inclusive eventual remuneração de outro profissional, advogado ou não, para desempenho de serviço auxiliar ou complementar técnico e especializado, ou com incumbência pertinente fora da Comarca, devem integrar as condições gerais do contrato. (grifos acrescentados) Outro ponto relevante ao deslinde da questão é observar que essas despesas correm por conta da Recorrente, por força de alegada cláusula avençada em contrato de prestação de serviços advocatícios. Embora a Recorrente afirme entender que tais reembolsos/pagamentos provenientes dos clientes não constituam sua receita própria, argumentando que os pagamentos se prestam a reembolsar despesas por conta e ordem de terceiros, clientes, tal entendimento não se sustenta como se passa a explicar. Temse que os honorários da sucumbência não excluem os contratados, porém devem ser levados em conta no acerto final com o cliente ou constituinte, tendo sempre presente o que foi ajustado na aceitação da causa. Se a Recorrente fosse optante pelo lucro real como forma de apuração de tributo, as custas e despesas análogas, despesas com advogados correspondentes, despesas com viagens, despesas com deslocamento, despesas incorridas na condução do processo, entre outras, constituiriam custos ou despesas inerentes à prestação de serviços prestados como pode se depreender dos seguintes dispositivos legais: art. 290, art. 299 e art. 344 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Inferese assim que compõem o preço dos serviços prestados e, por conseguinte, integram a receita bruta decorrente da prestação de serviços advocatícios. Na apuração do resultado da pessoa jurídica, o custo é deduzido da receita líquida da prestação de serviços, definida como a receita bruta diminuída dos serviços cancelados, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre serviços para determinação do lucro bruto, nos termos do art. conforme do art. 278 e art. 280 do RIR, de 1999. As despesas operacionais devem ser computadas na determinação do lucro operacional, consoante o art. 277 do RIR, de 1999. Ambos, consequentemente, reduzirão o lucro líquido, a partir do qual seria apurada a base de cálculo do tributo das pessoas jurídicas tributadas pelo regime do lucro real. Nesse sentido há que se ressaltar que para alcançar o objeto social da Recorrente, qual seja, prestação de serviços advocatícios, é usual ou normal no exercício de suas de atividades entendendose como necessárias as pagas ou incorridas para sua a realização que incorra em despesas em razão da referida prestação de serviços advocatícios, que após descontadas da receita nos termos legais, resultam no lucro objeto de tributação, caso adotasse a tributação com base no lucro real. Em outras palavras, as despesas indicadas na peça de defesa são essenciais ao cumprimento do objeto social da Recorrente. Por outro lado, é descabido o argumento de afastar estas despesas como se de outrem fossem, já que todas elas são inerentes à prestação de serviços advocatícios em questão, ou seja, despesas necessárias ao alcance do fim social da Recorrente. Em que pese a alegação de que há cláusula contratual estabelecida entre a Recorrente e os cliente de que as despesas Fl. 794DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 286 35 correrão por conta destes últimos, é relevante observar o que dispõe art. 123 do Código Tributário Nacional, em relação às convenções particulares: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Assim, não é lícito à Recorrente considerar que as despesas listadas na pela recursal são por elas adimplidas por conta e ordem de outrem do ponto de vista tributário, mas tãosomente do ponto de vista contratual, atinente ao Direito Civil. Nesse sentido, o ingresso de valores recebidos pela Recorrente dos clientes, para fazer face a estas custas e despesas análogas, despesas com advogados correspondentes, despesas com viagens, despesas com deslocamento e despesas incorridas na condução do processo que, repisese são despesas inerentes e necessárias ao êxito do fim social da Recorrente, devem ser consideradas integrantes de sua receita bruta. Vale reproduzir o conceito de despesas operacionais constantes do art. 299 do RIR, de 1999: “Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Tornase, claro, portanto, que os ingressos de valores que se prestam a reembolsar as despesas necessárias à atividade da pessoa jurídica, considerarseão receitas, passíveis de tributação. Como a Recorrente é optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido, não há que se falar em dedução dos custos e despesas operacionais. Nessa sistemática, que é forma opcional de tributação oferecida ao sujeito passivo, a dedução de custos e despesas é substituída por um percentual de presunção do lucro, em conformidade com o art. 26 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Isso, contudo, não modifica a apuração nem a natureza da receita auferida. Em outras palavras, todos os valores recebidos compõem o preço da prestação de serviços advocatícios, ainda que discriminados em rubricas diversas tais como reembolsos de custas e despesas análogas, despesas com advogados correspondentes, despesas com viagens, despesas com deslocamento e despesas incorridas na condução do processo. O que ocorre, na realidade, é um repasse de despesas, que serão de responsabilidade do cliente quitar e reembolsados à Recorrente, e por conseguinte integra o Fl. 795DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 287 36 preço da prestação de serviços advocatícios, ainda que discriminando separadamente as rubricas. Desse modo, a receita dos escritórios que tenham por atividade a prestação de serviços advocatícios, inclui, além do valor percebido a título de honorários, todas as demais verbas reembolsadas pelos cliente a qualquer título, como de custas e despesas análogas, despesas com advogados correspondentes, despesas com viagens, despesas com deslocamento e despesas incorridas na condução do processo, entre outras, por se tratar de receita operacional própria da atividade social. Por essa razões, consideramse receitas auferidas pela Recorrente, decorrentes do exercício de sua atividade econômica, além de honorários decorrentes da prestação de serviços advocatícios, valores recebidos dos clientes, independente da denominação utilizada, que se prestam a pagar despesas com custas e despesas análogas, despesas com advogados correspondentes, despesas com viagens, despesas com deslocamento e despesas incorridas na condução do processo. Ademais, as convenções entre particulares não podem afastar estas despesas como se de outrem fossem, já que todas elas são inerentes à prestação de serviços advocatícios, necessárias ao alcance do fim social da Recorrente. As convenções particulares não podem ser opostas à Fazenda Pública para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Assim, tais valores devem integrar a base de cálculo sobre a qual se calcula o lucro presumido das pessoas jurídicas optantes por esta modalidade de tributação do IRPJ, de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. No que se refere ao PIS e a Cofins, reiterese temse que o somatório de reembolso de despesas é considerado como receita bruta, para fins do art. 3º Lei nº 9.718, 27 de novembro de 1998. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto, não restando caracterizada a falta de comprovação do ilícito fiscal. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso8. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade9. 8 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 9 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 796DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 288 37 Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 10. Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 10 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Declaração de Voto Conselheiro Fernando Ferreira Castellani Tratase, o presente recurso, de discussão centrada no conceito de receita tributável, para fins de IRPJ, CSLL, PIS E COFINS, para fatos geradores ocorridos no período de 04/2004 a 12/2005. Em apertada síntese, o recorrente, escritório de advocacia, deixou de oferecer à tributação valores recebidos de seus clientes à título de reembolsos de despesas específicas, tais como custas processuais, valores de cópias reprográficas, custos de deslocamentos específicos de avião, taxi ou carro, peritos, advogados correspondentes, dentre outros. O recorrente, mensalmente, ao faturar os valores devidos pelos clientes, emitia nota fiscal de prestação de serviços, englobando a totalidade dos valores de honorários advocatícios ajustados contratualmente, e nota de débito de reembolso, acompanhadas dos comprovantes, para mera devolução dos valores antecipados pelos escritório. Toda essa operação era regularmente Fl. 797DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 289 38 contabilizada, em conta própria identificada contacontábil 1.1.2.02.0002 "Clientes Notas de Reembolso". A fiscalização não contesta a existência dos valores, assim como sua comprovação. Não há questionamento acerca de eventual inexistência da despesa e do pagamento, mas apenas de sua classificação e tratamento jurídico. Basicamente, o que se discute é a caracterização ou não desses valores supostamente de reembolso como receita tributável. A análise do presente caso deve passar, necessariamente, em dois pontos fundamentais: i. caracterização do reembolso como receita; e ii. efetiva caracterização de um pagamento como mero reembolso. Explico: devemos analisar, inicialmente, em um plano conceitual, se o reembolso de uma despesa de terceiro pode ser considerada receita e, definida essa premissa, analisar se os valores indicados como reembolso são, efetivamente mero reembolso e não receita disfarçada (na qual se esconderia mais valia típica da atividade fim). No que se refere ao primeiro ponto destacado, pareceme absolutamente claro que os reembolsos de despesas não podem, em hipótese algum, serem tratados como receita tributável. Conceitualmente, receita tributável não se confunde com receita contábil. Há de se atentar de que a partir do substrato do fato jurídico devese definir o contorno do fato tributário e do fato contábil, e não o contrário. Isso é muito importante. Existem diferentes extratos de linguagem, cada qual com sua função e com sua especificidade. Em excepcional trabalho sobre o tema, o professor José Antônio Minatel resume bem essas diferentes acepções do termo receita: “São diferentes as perspectivas que o vocábulo receita experimenta em diferentes linguagens: realidade autônoma com a tônica no ingresso financeiro (linguagem do texto constitucional); ponto de partida, ou meio que contribui positivamente para a formação do resultado da entidade empresarial (linguagem da lei societária); conceito relativo que exige cotejo com custos e despesas, através de métodos e técnicas uniformizadoras da elaboração das demonstrações financeiras para registro e exteriorização do resultado da entidade (linguagem da ciência contábil); registro de ingresso público, ou indicativo de formação de preços das utilidades colocadas no mercado (linguagem da ciência econômica); entrada definitiva de dinheiro nos cofres do poder público (linguagem da ciência das finanças); ingresso pela venda de mercadorias e serviços, acepção restrita em que receita corresponde ao conceito de faturamento (LC nº 70/91), posteriormente ampliada para corresponder a outros ingresso (Lei nº 9.718/98), sendo irrelevante o tipo de atividade e a classificação contábil adotada (linguagem da lei tributária)”. (Conteúdo do conceito de receita e regime jurídico para sua tributação. São Paulo: MP Editora, 2005, p. 243). O resumo mostra bem a dificuldade a ser enfrentada, que não se refere, de forma alguma, a discussão sobre eventual despesa ou custo dedutível, pois a rigor disso não trata, mas apenas e tão somente a correta adequação do conceito de receita tributável. Em passagem interessante, o professor Ives Grandra da Silva Martins, assim se manifesta: Fl. 798DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 290 39 “Etimologicamente, receita significa a quantia recebida,m apurada ou arrecadada, que acresce ao conjunto de rendimentos da pessoa física, em decorrência direta ou indireta da atividade por ela exercida. Salienta, entretanto, a doutrina, que nem toda entrada é receita. Só pode ser tido como receita o ingresso de recursos que passe a fazer parte do patrimônio do contribuinte. O simples registro na contabilidade da empresa da entrada de determinada importância não a transforma em receita.(...). Ademais, o mero ingresso de valores na contabilidade de uma empresa não é fator que demonstre a existência de capacidade contributiva – limite imposto à instituição de tributos, inclusive de contribuições sociais, que tem como fato gerador elemento denotador dessa capacidade, como é o caso do conceito de receita.” (PIS e COFINS – Não incidência sobre reembolso. RDDT 122, 2005, p. 132). É nota marcante e essencial do conceito de receita, para fins tributários, a presença de incontestável capacidade contributiva. A capacidade contributiva somente estará presente diante de auferição efetiva de receita própria, independente de eventual apuração de resultado de atividade. Isso significa dizer que a materialidade receita demonstrará capacidade contributiva, podendo ser objeto de tributação, ainda que o resultado apurado das operações ou da operação seja negativo (venda por valor menor que o custo de aquisição). Receita não é resultado, como o lucro, por exemplo. Todo e qualquer reembolso de despesa ou de custo não relacionado à prestação da atividade essencial contratada devem ser desconsiderados para fins de configuração de receita. Notese: despesas ou custos não relacionados à prestação da atividade contratada. No presente caso, o recorrente é escritório de advocacia regularmente constituído, em regime de tributação pelo lucro presumido. A atividade contratada repousa, como não poderia deixar de ser, na atividade intelectual de advocacia, que consiste em assessoramento, em aconselhamento e em defesa ténica em processos, administrativos e judiciais. Faz parte da atividade contratada, então, a realização de reuniões, elaboração de opiniões legais ou pareceres, elaboração de petições e de defesas, a definição de estratégias empresarias, entre outras. Para prestar tal atividade, a contratada, então recorrente, deverá manter instalações adequadas (próprias ou de terceiros), possuir maquinário e infraestrutura para elaboração de peças (computadores, impressoras, livros, para consulta, papelaria em geral, funcionários, administrativos e operacionais – advogados, entre outros). Por essa atividade, única, por sinal, passível de ser oferecida e comercializada pelos escritórios de advocacia, atividade regulada por lei própria, serão ajustados e devidos honorários profissionais, calculados de diversas formas possíveis (valor fechado por trabalho, percentual do benefício econômico, por horas trabalhadas, entre outras). Os honorários, ainda, podem ser arbitrados (na falta de ajuste contratual) e de sucumbência (definidos no processo, para a parte vencedora). Contratualmente, a recorrente, assim como a maioria dos escritórios de advocacia, definem valores de honorários de forma independente e apartada das despesas específicas geradas para a prestação da atividade, não englobadas na atividade própria. Em outras palavras, definese a remuneração sem considerar os custos com taxas judiciais e de Fl. 799DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 291 40 cartórios, cópias, deslocamentos, perícias, alimentação, envio de documentos, entre outros. Essa medida tem um objetivo claro e evidente, motivado pela boa fé contratual: demonstrar, de maneira inequívoca, o valor dos honorários advocatícios. A forma usual de contratação e de remuneração da atividade dos escritórios de advocacia e demais prestadores de serviços de atividade intelectual estabelece a sistemática de eventual antecipação de pagamento de despesas próprias do contratante (taxas, cópias, etc) pelo profissional contratado, com posterior reembolso mediante a comprovação efetiva da despesa e envio do documento comprobatório (guia de recolhimento, nota fiscal, boleto, entre outros). A justificativa para essa sistemática é óbvia: garantir segurança ao contratante que não está suportando honorários maiores do que os definidos contratualmente, assim como, a depender do regime de tributação, utilizar, em sua contabilidade fiscal, como custo ou despesa dedutível. Essa sistemática, de forma alguma, pode ser equiparada a um subterfúgio contratual para a mera diminuição de receita tributável, tão pouco equiparada a meras convenções privadas que visam alterar sujeição passiva e, portanto, inoponíveis à administração tributária. Tratase, isso sim, de modelo contratual comum e rotineiro, lícito, regular e amparado pela legislação. Toda análise jurídica acerca de uma operação, para sua eventual validação ou desconsideração, para fins tributários, deve, necessariamente, percorrer três diferentes searas: jurídica, contábil e econômica. Havendo a comprovação da operação nos três diferentes estratos de linguagem, devese, como regra, aceitar a regularidade da operação. O recorrente, aparentemente, desenvolve operações amparadas nos três níveis de análise: juridicamente, existe um contrato formal e regular, disciplinando a remuneração da atividade prestada e o reembolso das despesas e dos custos específicos, de forma apartada; contabilmente, existe registro expresso e formal na contabilidade de todos os pagamentos e dos documentos respectivos classificados como reembolso de despesas; economicamente, existe o pagamento efetivo dos valores. Existindo, efetivamente, suporte nos três diferentes aspectos de análise, parecenos demasiadamente rígida a interpretação, por presunção, de que tratase de receita própria, sonegada e intencionalmente classificada como reembolso apenas para diminuição da tributação do recorrente, prestador de serviço intelectual. Importante destacar que a opção, pela recorrente, pelo sistemática do lucro presumido em nada altera a conclusão acerca da possibilidade de não oferecimento à tributação dos valores de reembolso. A rigor, o que se discute aqui não é a possibilidade de dedução dos valores de reembolso do resultado (na condição de custos e/ou despesas necessárias), mas sim de sua não inclusão no próprio conceito de receita bruta. Obviamente, a sistemática do lucro presumido impede qualquer dedução, já que, como o próprio nome deixa claro, o resultado é decorrente de uma presunção, calculada a partir da receita bruta. A exclusão dos valores de reembolso do valor de receita bruta decorre do reconhecimento de sua natureza jurídica específica de valor diverso de receita, não de seu reconhecimento como despesa ou custo. Definido, aqui, então, meu posicionamento acerca da não caracterização dos reembolsos como receita própria, excluindo, assim, da base inicial do cálculo do próprio lucro presumido para fins de IRPJ e, consequentemente, para CSLL, PIS e COFINS. Fl. 800DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 292 41 No que se refere ao segundo ponto destacado, ou seja, o reconhecimento de um ingresso como efetivo reembolso, passo as minhas considerações. Inicialmente destaco novamente que considero como não configurador de receita tributável os ingressos caracterizadores de mero reembolso. Tratase, em minha opinião, de ponto claro. A caracterização de um ingresso como reembolso, contudo, não é assunto simples. O ingresso caracterizador de mero reembolso deve ser aquele que representa apenas e tão somente o mero repasse de despesa tida com terceiros, pessoas físicas ou jurídicas, não vinculadas diretamente à prestação da atividade essencial contratada. Mais que isso, o valor, para ser assim considerado, não pode ser acrescido de qualquer mais valia ou remuneração e comprovada por documento idôneo emitido pelo terceiro. Assim, em análise ainda inicial, para ser considerado mero reembolso, a despesa deve ser algo diferente da atividade contratada, ainda que a ela vinculada, por obviedade. Na prestação do serviço jurídico, por exemplo, a atividade intelectual de elaboração da peça processual, o custo do estagiário ou profissional que auxilia em sua confecção, o papel, tinta, impressora e computador para sua elaboração, o aluguel do espaço utilizado (escritório), dentre outros, são absolutamente essenciais e diretamente vinculados a prestação contratada, devendo, portanto, ser remunerado pelos honorários profissionais contratados, caracterizadores de receita. Os valores, contudo, de taxa judicial para a distribuição, autenticação de documento necessário, deslocamento para acompenhamento, entre outros, comprovados pela guia de recolhimento, fatura do cartório e recibo da empresa de transporte ou taxista são meros reembolsos, afinal são valores que não integram a remuneração da atividade. A argumentação de que o eventual custo de deslocamento ao fórum, para distribuição da ação ou despacho com juiz, por exemplo, é essencial a prestação e sua remuneração, portanto, é honorário de serviço caracterizador de receita tributável é tão falacioso quanto entender que o valor de passagem aérea adquirida pela Receita Federal para custear a ida de conselheiro para julgamento no CARF, em Brasília, é rendimento tributável, afinal, é essencial à realização do julgamento e, portanto, da atividade fim, a presença do conselheiro no local. O mesmo raciocínio vale para eventual diária para funcionário público que se desloca para outra localidade para cumprir diligência. O valor pago, então, é rendimento tributável e não indenização. Situações similares devem receber tratamento equivalente. Não se pode permitir que a mera escolha de palavras aleatórias defina tratamento jurídico diferenciado, caracterizador de arbítrio refutado pela isonomia. Aplicando o raciocínio ao caso concreto da recorrente, entendo que a eventual caracterização do ingresso como receita tributável ou não (mero reembolso) dependerá da análise de cada rubrica específica, conceitual e documentalmente. Conforme apontado pela contabilidade da recorrida, foram distribuídos, como ingressos decorrentes de reembolso, os seguintes: 1) Custas e despesas análogas Reembolso de Custas Fl. 801DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 293 42 Reembolso de Autenticações Reembolso de Taxas e Emolumentos 2) Despesas com Advogados Correspondentes Reembolso de Honorários de Acompanhamento Reembolso de INSS s/ Honor de Acompanhamento 3) Despesas com Viagens Reembolso de Passagem Aérea Reembolso de Hotel Reembolso de Despesas c/ Viagem Reembolso de Lanches e Refeições 4) Despesas com Deslocamento Reembolso de Táxi Reembolso de Quilometragem Reembolso de Serviços de Entrega Reembolso de Ônibus/Metrô Reembolso de Estacionamento 5) Despesas incorridas na condução do processo Reembolso de Fotocópias Reembolso de Correios Reembolso de Telefone Reembolso de Assinatura de Jornais (Informadores Jurídicos) Reembolso de Despesas Diversas Os presentes itens, apesar de todos indicados como reembolso de despesa, na contabilidade, devem receber tratamento tributário compatível com sua realidade fática e jurídica. Apenas para exemplificar, vejamos: i. valores constantes do item custas e despesas análogas, por exemplo, não geram, qualquer dúvida (desde que regularmente documentados), não devendo, portanto, ser considerado receita tributável; ii. valores alocados no item despesas com advogado correspondente, por sua vez, devem ser analisados de maneira mais detida, de forma a se atestar, com segurança, não se tratar de profissional contratado com habitualidade (o que acabaria por ocultar contratação formal de empregado); iii. valores como os constantes do item despesas com deslocamento, por fim, somente poderiam ser admitidos se decorrentes de contratação de terceiro (recibo de taxi ou transportadora ou comprovante de Fl. 802DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 294 43 abastecimento de combustível), não se admitindo mero documento interno realizado pelo próprio profissional do escritório (relatório de viagens sem valor fiscal). Assim, pelos exemplos acima detalhados, percebese a necessidade plena de comprovação de que os valores indicados na contabilidade são efetivamente reembolso de despesas e não mera remuneração, com mais valia e, portanto, ganho tributável embutido. Essa análise, contudo, depende de comprovação documental e análise pontual, incompatível nessa instancia processual. Desta forma, no que se refere especificamente ao reconhecimento dos ingressos como mero reembolso, entendo pela necessidade de retorno à Delegacia da Receita Federal, em diligência, para verificação documental dos valores indicados, para sua manutenção ou eventual glosa. É como voto. (assinado digitalmente) Fernando Ferreira Castellani Fl. 803DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I
score : 1.0
Numero do processo: 10675.000752/2005-12
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 23 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1801-000.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Fernandes Limiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO
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score : 1.0
Numero do processo: 10245.900197/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Considera-se homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Provas apresentadas e comprovadas em diligência.
Recurso Voluntário Provido
Direito Creditório Reconhecido
Numero da decisão: 3301-002.494
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator, que integra o presente julgamento.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Sidney Eduardo Stahl, Andrada Márcio Canuto Natal, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Considera-se homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Provas apresentadas e comprovadas em diligência. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator, que integra o presente julgamento. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator. Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Sidney Eduardo Stahl, Andrada Márcio Canuto Natal, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Considerase homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Provas apresentadas e comprovadas em diligência. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator, que integra o presente julgamento. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Sidney Eduardo Stahl, Andrada Márcio Canuto Natal, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 90 01 97 /2 00 9- 14 Fl. 307DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 28 /01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10245.900197/200914 Acórdão n.º 3301002.494 S3C3T1 Fl. 308 2 Relatório JOÃO EVANGELISTA FERREIRA DE SOUSA & CIA LTDA., já qualificado nos autos, recorre a este Conselho (Recurso Voluntário de fls. 95 e seguintes) contra o acórdão nº 0118.649,de 03 de agosto de 2010, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA (fls. 92 e seguintes), que não reconheceu o direito creditório alegado, não homologando a compensação declarada, através de PERDCOMP (fls.), conforme relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: Tratase de declaração de compensação transmitida em 19/10/2006 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito de R$ 366,60, resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2172, do período de apuração de 31/07/2002, no valor originário de R$ 1.542,99. A Delegacia de origem, em análise datada de 25.05.2009 (fl. 03), constatou que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada em 03/06/2009, a interessada apresentou, em 26.06.2009, manifestação de inconformidade na qual alega (fls. 01/02): "Os créditos oriundos dos pedidos de compensação se originaram na elaboração das listas positivas e negativas com base na Lei n°10.147/2000, que foram elaboradas após o pagamento das contribuições, gerando assim um crédito a ser compensado posteriormente. Quando foi retificada a DIPJ 2003, por esquecimento não foi alterada a ficha da COFINS, sendo alterada apenas a do PIS. Em 21/06/2009, procedemos à alteração da referida ficha, transmitindo uma nova declaração retificadora. (.) Entendemos que, após os esclarecimentos que estão ao nosso alcance, não vemos mais motivos para o indeferimento da PER/DCOMP. Nos colocamos à disposição para fazermos qualquer modificação que se faça necessária para que seja efetuada a devida compensação.(.) Como pode ser constatado, nossa empresa recolheu as referidas contribuições a maior, portanto, nos é permitida a compensação com os débitos vencidos.(.) À vista de todo o exposto, está sobejamente demonstrada a insubsistência e a improcedência do Despacho Decisório.” Fl. 308DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 28 /01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10245.900197/200914 Acórdão n.º 3301002.494 S3C3T1 Fl. 309 3 A DRJ considerou a manifestação de inconformidade improcedente e não reconheceu o direito creditório, sob a seguinte Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Ano calendário: 2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. 0 crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de divida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ONUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Entre outras alegações constantes do v. Acórdão extraise o seguinte trecho: No caso presente, ao efetivar sua compensação, por intermédio de DCOMP, a interessada indicou como crédito a compensar aquele constante de DARF relativo receita de código 2172, do período de apuração de 07/2002. Ocorre que, em consulta aos sistemas da Receita Federal do Brasil, constatouse que o referido DARF encontravase inteiramente alocado a débito informado pelo próprio sujeito passivo, não existindo, por conseguinte, crédito a compensar. Neste ponto, cumpre referir que o crédito tributário resulta constituído não somente pelo lançamento, mas também nas hipóteses de confissão de divida previstas pela legislação tributária, como se dá no caso de entrega da DCTF. Com efeito, o valor informado na DCTF, por decorrer de uma confissão do contribuinte, pode ser encaminhado a divida ativa da Unido sem que se faça necessário o lançamento de oficio. 0 valor confessado faz prova contra o contribuinte. Logo, se o valor declarado (confessado) em DCTF é igual ou maior que o valor pago, a conclusão imediata é que não há valor a restituir ou compensar, pois o próprio contribuinte está informando que efetuou um pagamento igual ou menor ao confessado. Assim, é condição necessária — embora não suficiente — a que o sujeito passivo pleiteie o reconhecimento de direito creditório referente a débito confessado em DCTF a apresentação prévia de nova declaração, retificando a confissão anterior. E nos termos da legislação que rege a matéria, a alteração de informações prestadas em DCTF efetuase mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 28 /01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10245.900197/200914 Acórdão n.º 3301002.494 S3C3T1 Fl. 310 4 Esclareçase, ainda em relação ao tema, que a desconstituição do crédito confessado em DCTF não depende apenas da apresentação de DCTF Retificadora,mas igualmente da comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que houve pagamento indevido ou a maior. Ou seja, para ilidir a presunção de legitimidade do crédito tributário vinculado ao pagamento antecipado (lançamento por homologação'), não se mostra suficiente que o contribuinte promova a redução do débito confessado em DCTF (e menos ainda que o faça apenas em declaração de informações econômico fiscais da pessoa jurídica), fazendose necessário, notadamente, que demonstre, por intermédio de sua escrita contábil e fiscal e respectiva documentação de suporte, que o pagamento foi realmente indevido. Desta feita, ambas as condições devemse encontrar presentes para que possa ser reconhecida a pretensão creditória do sujeito passivo. No caso concreto, como permanece válida a confissão de divida originalmente efetuada pela contribuinte, haja vista a não apresentação, ao que consta dos autos, de DCTF Retificadora, resulta notória a impossibilidade de ser acolhida sua pretensão. Assinalese que em se tratando de pedido de restituição o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de apresentação de documentos comprobatórios de seu direito creditório, por ter sido ele quem inaugurou o procedimento administrativo. Acrescendo a tudo o que se afirmou até aqui, o Decreto n° 70.235, de 1972, assim dispõe: "Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.° da Lei n.° 8.748/1993) (grifouse) Constatase, pois, que figura como ônus do sujeito passivo trazer aos autos administrativos, já com sua peça impugnatória, as provas cuja produção encontrese em sua esfera de responsabilidade. Tempestivamente, o contribuinte protocolizou recurso voluntário de fls. 97 e seguintes, alegando, sumariamente, que “Os créditos oriundos dos pedidos de compensação se originaram na elaboração das listas positives e negativas com base na Lei o° 10.147/2000 que foram elaboradas após o pagamento das contribuições, gerando assim créditos a serem compensados posteriormente. Quando foi retificada a D1PJ 2003, por esquecimento não foi alterada a ficha da COFINS, sendo alterada apenas a ficha do PIS. Em 21/06/2009, procedemos a alteração da referida ficha, transmitindo uma nova declaração retificadora.0 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 28 /01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10245.900197/200914 Acórdão n.º 3301002.494 S3C3T1 Fl. 311 5 fato de não termos feito a DCTF retificadora no tempo hábil, não impede que os créditos existentes sejam identificados. Na confecção da PERDCOMP20722.28423.141206.1.3.046201, foi utilizado do total de créditos referente julho/2002 que é de R$ 1.210,81, apenas R$366,60”. A Empresa reconhece a falha por não ter retificado a DCTF, mas apresenta os documentos contábeis que – no seu entender – comprovam o alegado crédito. Por fim, requer seja cancelado o débito fiscal reclamado. O julgamento do presente recurso foi convertido em diligência a fim de que a DRF de origem examinasse as alegações do Contribuinte e os documentos juntados, e também para que se verificasse se realmente existe pagamento a maior do tributo e suas conseqüências no PER/DCOMP apresentado. A diligência foi realizada. É o Relatório. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 28 /01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10245.900197/200914 Acórdão n.º 3301002.494 S3C3T1 Fl. 312 6 Voto Conforme constatado anteriormente, o recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos na lei e deve ser conhecido. O contribuinte, que atua no ramo farmacêutico, teria declarado em DCTF débito relativo à COFINS, período de apuração de julho de 2002, no valor de R$ 1.542,99, quitado através de DARF. Desse valor existiria um crédito de R$ 1.210,81 e teria utilizado apenas R$ 366,60. para compensação através da PER/DCOMP objeto deste processo. O Despacho Decisório não homologou a compensação declarada, pela inexistência de crédito, pois os pagamentos realizados teriam sido integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O Contribuinte informa ter apresentado apenas DIPJ retificadora, esquecendo se de apresentar DCTF retificadora. Em sede de recurso, como já havia feito quando da sua Manifestação de Inconformidade, o Contribuinte argumenta que, quando apurou a contribuição originalmente teria incluído indevidamente valores que, pela Lei 10.147/00, deveriam ser excluídos da base de cálculo, surgindo aí o valor a ser compensado. De início deve ser ressaltado, como constou no Despacho Decisório, que o Contribuinte deveria ter observado o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, segundo o qual as alegações e provas devem ser apresentadas em primeira instância. Entretanto, o presente processo decorre de Despacho Decisório eletrônico, o qual tem origem nas informações prestadas pelo próprio Contribuinte. Nessas situações, não há uma fase de instrução, antes do mencionado Despacho Eletrônico. É feita apenas uma verificação nos registros do sistema da Receita Federal e aí é gerado, eletronicamente, o Despacho. Não se pode menosprezar a possibilidade de erro nas Declarações e até por esse motivo é prevista a retificação, no prazo legal. Mas, iniciado o procedimento fiscal, não mais é permitida a alteração da Declaração ou, se efetuada, a retificação não produz nenhum efeito, nos termos da Súmula do CARF nº 33. Como se aduz dos autos, o Contribuinte apresentou a justificativa para o seu erro já na sua Manifestação de Inconformidade, e essa justificativa, como se verá a seguir, não chegou a ser analisada pelo Despacho Decisório. Na apresentação do seu Recurso Voluntário, os documentos juntados aos autos podem confirmar as alegações do Contribuinte e a existência do crédito. Neste processo, o Acórdão Recorrido prendeuse apenas e tão somente à declaração constante da DCTF e ao fato do Contribuinte não ter apresentado na Manifestação de Inconformidade as provas das alegações. Todavia, como mencionado, o Contribuinte desde o início apresentou os seus motivos para o erro na declaração e se colocou à disposição para apresentar quaisquer elementos necessários. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 28 /01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10245.900197/200914 Acórdão n.º 3301002.494 S3C3T1 Fl. 313 7 Outro aspecto relevante é que, conforme se verifica de seu Contrato Social, a área de atuação da Recorrente é exatamente o ramo farmacêutico e perfumaria, alcançado pelas disposições da Lei 10.147/00 (alíquota zero ou isenção). Tal documento foi apresentado já na manifestação de inconformidade, mas este e outros aspectos não foram apreciados ou verificados pelo Despacho Decisório. O julgamento do presente recurso foi convertido em diligência a fim de que a DRF de origem examinasse as alegações do Contribuinte e os documentos juntados, para que se verificasse se realmente existe pagamento a maior do tributo e suas conseqüências no PER/DCOMP apresentado. A diligência realizada pela Delegacia da Receita Federal de origem chegou a seguinte conclusão: Foram confrontados os valores informados na DIPJ, referentes à receita bruta, às Vendas de Produtos/Mercadorias sujeitas à substituição tributária e a base de cálculo da Cofins, fls. 302/303, com os valores apurados nas Listas Positivas e Negativas apresentadas pelo interessado, fls 108/180. Foi verificado o total da receita bruta escriturado no Livro Caixa, fls 252/256, com os valores escriturados no Livro Registro de Saídas, fls 202/205, com os valores informados na Guia de Informação Mensal do ICMS – GIM, fls. 110. Percebe se que todos guardam compatibilidade entre si. A verificação foi feita desta forma, uma vez que a pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido está dispensada da escrituração contábil, desde que mantenha o livro Caixa, regime no qual se enquadra a interessada. Ressaltese que, segundo a DIPJ vigente para o anocalendário 2002, transmitida em 17/06/2009, por ser retificadora, a COFINS apurada monta R$ 332,18, compatível com a apuração efetuada por meio desta diligência. Diante das verificações efetuadas, a diligência constatou que o valor do crédito que pode ser reconhecido é de R$ 1.210,81. Esse valor é resultado do cálculo demonstrado abaixo: Valor recolhido em 15/08/2002: R$ 1.542,99 () Valor devido da Cofins (período apuração 07/2002): R$ 332,18 (=) Crédito de pagamento indevido/a maior: R$ 1.210,81 Importa alertar a Delegacia da Receita Federal que será responsável pela operacionalização da compensação de que há mais de um débito a ser compensado com esse crédito. Em face do exposto, considerando que a turma designada para o julgamento no CARF determinou, por unanimidade, a conversão do julgamento em diligência, para que se buscasse a verdade real dos fatos e, que, assim, o resultado da diligência realizada pela Delegacia da Receita Federal de origem foi de que, realmente o contribuinte tem direito ao crédito, dou provimento ao recurso voluntário. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 28 /01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10245.900197/200914 Acórdão n.º 3301002.494 S3C3T1 Fl. 314 8 Luiz Augusto do Couto Chagas Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Fl. 314DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 28 /01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10280.901359/2012-01
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO.
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos, no caso analisado, ácido sulfúrico (assim como o frete relativo a seu transporte).
ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3403-003.519
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito em relação a aquisições de ácido sulfúrico (assim como ao frete relativo a seu transporte). Sustentou pela recorrente o Dr. Victor André Teixeira Lima, OAB/PA no 9.664.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos, no caso analisado, ácido sulfúrico (assim como o frete relativo a seu transporte). ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2061; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 956 1 955 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.901359/201201 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403003.519 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2015 Matéria DCOMPPIS Recorrente ALUNORTE ALUMINA DO NORTE DO BRASIL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos, no caso analisado, ácido sulfúrico (assim como o frete relativo a seu transporte). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 13 59 /2 01 2- 01 Fl. 956DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito em relação a aquisições de ácido sulfúrico (assim como ao frete relativo a seu transporte). Sustentou pela recorrente o Dr. Victor André Teixeira Lima, OAB/PA no 9.664. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Versa o presente sobre Pedido de Ressarcimento/Restituição PER de no 11720.34692.301109.1.1.087226 (fls. 2 a 5)1, com transmissão em 30/11/2009, referente a créditos de Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa exportação/2o trimestre de 2008, em valor de R$ 8.664.242,51 (com base no § 1o do art. 5o da Lei no 10.637/2002), sendo o montante utilizado em compensações R$ 8.403.119,41 (DCOMP de fls. 6 a 9). A análise efetuada pela fiscalização culmina no parecer de fls. 10 a 15 (emitido em 22/05/2012), no qual são informadas as glosas de créditos efetuadas pelo fisco (detalhadas em planilhas anexas): (a) produtos/bens que não são aplicados diretamente no processo produtivo ou são descritos de forma imprecisa que não possibilita enquadramento para fins de aproveitamento do crédito; (b) serviços considerados pela fiscalização como não utilizados na produção dos bens (Alumina, que é o produto final); (c) bens do ativo imobilizado, considerando as glosas efetuadas no processo administrativo no 10280722272/200965 (com depreciação de 1/48 para as aquisições de maio/2004 a dezembro/2005, e de 1/12 para as aquisições de fevereiro a dezembro/2007); (d) em relação aos meses de abril a junho de 2008, bens que não compõem o ativo imobilizado, bens que não são utilizados diretamente na produção de alumina e bens com descrição incompleta, que não permita a vinculação ao ativo ou ao processo produtivo; e (e) nas notas enquadradas como custos de edificações, foi aplicada sem fundamento a taxa de depreciação de 1/12 (ao invés de 1/24, conforme art. 6 da Lei no 11.488/2007). Com base no parecer é emitido Despacho Decisório (extrato à fl. 738, com ciência à empresa em 18/07/2012, cf. AR de fl. 739), deferindose crédito no montante de R$ 6.388.301,47, homologandose parcialmente a DCOMP, e exigindose o pagamento em relação aos débitos indevidamente compensados, com acréscimos legais. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 957DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10280.901359/201201 Acórdão n.º 3403003.519 S3C4T3 Fl. 957 3 A empresa apresenta sua manifestação de inconformidade em 16/08/2012 (fls. 740 a 789), anexando material explicativo do processo produtivo de alumina (fls.742 a 749, aclarando a função do óleo BPF, do ácido sulfúrico, do oxigênio e da cal, entre outros, além dos serviços portuários e de transporte de rejeitos industriais) e sustentando que: (a) na não cumulatividade (que não foi restrita pelo texto constitucional), geram créditos os custos, despesas e encargos relativos à receita de exportação, e consideramse insumos, conforme entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, todos os gastos gerais da pessoa jurídica necessários para a produção dos bens ou prestação de serviços; (b) não foi feita qualquer visita na empresa, dificultando a análise da efetiva aplicação dos bens no processo produtivo; (c) as glosas em relação ao ativo imobilizado sob o fundamento de que a empresa não teria observado as exigências constantes da Lei no 11.196/2005 (depreciação de 1/12 somente em relação às máquinas e equipamentos adquiridos sob o RECAP) não procedem, visto que a empresa, “por uma questão de tempo real de depreciação das máquinas e equipamentos aplicados em seu processo de industrialização, não se apropria de tais créditos automaticamente, de modo que pelas especificidades da impugnante, é evidente que a conduta apontada no parecer seria, como é, impraticável”, e não há por parte do fisco a indicação de quais seriam os prazos corretos; (d) não há uma clara indicação da razão as glosas do ativo imobilizado, nem quais seriam os itens específicos, ao menos referidos em planilha que permita à postulante compreender o porquê da desconsideração; (e) o ativo imobilizado compreende todo o complexo de bens e direitos /ativo patrimonial imprescindível a que a sociedade empresária se mantenha em operação, abarcando edificações, equipamentos, maquinário, e também benfeitorias em locação ou arrendamento, e móveis, utensílios, entre outros, havendo previsão expressa para desconto de créditos em relação a edificações e bens do ativo imobilizado, ainda que não enquadrados como insumos (incisos VI e VII da Lei no 10.637/2002); e (f) não há disposição normativa que restrinja o aproveitamento dos encargos de depreciação/amortização a partir da utilização do bem. Demanda, por fim, produção de prova pericial, via auditagem suplementar. Em 04/12/2013 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 865 a 877), no qual se decide unanimemente pela improcedência da manifestação de inconformidade (e da demanda pericial), sob os argumentos de que: (a) o conceito de insumos para as contribuições deriva do inciso II do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003 e da IN SRF no 404/2004 (bens com ação direta sobre o produto em fabricação); (b) somente os serviços prestados por pessoa jurídica contribuinte geram créditos, desde que utilizados diretamente na linha de produção da empresa; (c) as glosas em relação ao ativo imobilizado alcançam, de forma geral, produtos não utilizados na produção de bens destinados a venda e bens considerados como edificações, perfeitamente individualizados; e (d) o encargo referente à depreciação somente é computável no resultado do exercício a partir da época em que o bem começa a ser utilizado, e às taxas previstas na legislação de regência. Cientificada do acórdão da DRJ em 03/01/2014 (AR de fl. 879), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 30/01/2014 (fls. 880 a 924), basicamente reiterando as considerações expostas na manifestação de inconformidade, acrescentando que: (a) da análise do processo produtivo da empresa e de disposições normativas expressas temse que são considerados como insumos os bens aplicados diretamente na produção (como alumina e fluorita em pó), os combustíveis e lubrificantes (como óleo BPF e GLP) e as partes e peças (de reposição), e os serviços diretamente aplicados ou consumidos no processo produtivo, e de manutenção de máquinas e equipamentos; e (b) insumo é, assim, tudo aquilo que concorre na composição do processo produtivo. Fl. 958DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN 4 É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como relatado de início, o presente processo se refere exclusivamente à Contribuição para o PIS/PASEP relativa ao 2o trimestre de 2008. Os assuntos em discussão são basicamente os mesmos já analisados pela turma em diversos processos da mesma recorrente (em que pese existir nos presentes autos haver uma melhor descrição do processo produtivo da empresa): (a) aspectos constitucionais da não cumulatividade; (b) delimitação do conceito de insumo para as contribuições; (c) glosas de bens considerados como insumos; (d) glosas de serviços considerados como insumos; e (e) glosas em relação a edificações e bens do ativo imobilizado, inclusive no que se refere a bases diferenciadas (1/12). Preliminarmente a tais questões, no entanto, cabe efetuar considerações sobre o ônus probatório nos processos referentes a compensação, como o presente. 1. Considerações iniciais O ônus probatório em processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito. Assim vem reiteradamente decidindo esta turma de forma unânime: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Fl. 959DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10280.901359/201201 Acórdão n.º 3403003.519 S3C4T3 Fl. 958 5 Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) Não há dúvidas, assim, sobre ser o ônus probatório da recorrente, no caso em análise. E o fisco não se furtou a assegurar à recorrente a possibilidade de exercer tal prova, durante o procedimento de fiscalização. Incumbe à empresa a apresentação de prova de vínculo dos bens e serviços ao seu processo produtivo, sendo a visita às instalações da empresa medida que se faz necessária somente no caso de haver dúvidas em relação ao conteúdo probatório apresentado. Da mesma forma, a diligência se presta a esclarecer dúvida do julgador, e não à complementação probatória. Feitos estes esclarecimentos, indeferese, por desnecessária, a realização de perícia no caso concreto. Aproveitase ainda este tópico preliminar para aclarar que as decisões administrativas e judiciais prestamse a auxiliar na formação de convicção de julgador administrativo, mas apenas em alguns casos excepcionais (v.g., as proferidas nas sistemáticas citadas no art. 62A do Regimento Interno deste CARF) efetivamente exercem efeito vinculante no julgamento por este colegiado. Assim, indubitavelmente se toma em conta a jurisprudência apresentada na presente análise, ainda que dela se discorde eventualmente. 2. Do caráter constitucional da não cumulatividade Impendese destacar a impossibilidade de análise por parte deste CARF de eventual tese que sustente ser a nãocumulatividade expressa na Constituição Federal brasileira (art. 195, § 12) inatingível (ou não sujeita a restrições) pela legislação infraconstitucional, devendo eventual modulação ser feita tãosomente no próprio texto constitucional, o que culminaria no reconhecimento de inconstitucionalidade nas limitações estabelecidas essencialmente pelas Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003. O tema já é inclusive sumulado no âmbito deste tribunal: “Súmula CARF no 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Resta, assim, a análise da abrangência do conceito de insumos na legislação referente à contribuição, e a verificação da compatibilidade das glosas a tal conceito. 3. Da delimitação do conceito de insumos para as contribuições O termo insumo é polissêmico. Por isso, há que se indagar qual é sua abrangência no contexto das Leis no 10.627/2002 e no 10.833/2003. Na busca de um norte para a questão, poderseia ter em consideração os teores do § 5o do art. 66 da IN SRF no 247/2002 (editado com base no art. 66 da Lei no 10.637/2002) e do art. 8o da IN SRF no 404/2004 (editado com alicerce no art. 92 da Lei no 10.833/2003), que, para efeito de disciplina da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, estabelecem entendimento de que o termo insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda abrange “as matérias Fl. 960DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN 6 primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado” e “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. Outro caminho seria buscar analogia com a legislação do IPI ou do IR (ambas frequentes na jurisprudência deste CARF). Contudo, tal tarefa se revela improfícua, pois em face da legislação que rege as contribuições, o conceito expresso nas normas que tratam do IPI é demasiadamente restritivo, e o encontrado a partir da legislação do IR é excessivamente amplo, visto que se adotada a acepção de “despesas operacionais”, chegarseia à absurda conclusão de que a maior parte dos incisos do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003 (inclusive alguns que demandaram alteração legislativa para inclusão v.g. incisos IX, referente a energia elétrica e térmica, e X, sobre valetransporte ... para prestadoras de serviços de limpeza...) é inútil ou desnecessária. A Lei no 10.637/2002, que trata da Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, e a Lei no 10.833/2003, que trata da COFINS nãocumulativa, explicitam, em seus arts. 3o, que podem ser descontados créditos em relação a: “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis (...)” (grifo nosso) A mera leitura dos dispositivos legais já aponta para a impossibilidade de se considerar como insumo um bem ou serviço que não seja utilizado na produção ou fabricação do bem destinado à venda. Há, assim, que se acolher a argumentação de que o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final, como vem reiteradamente decidindo esta Terceira Turma: “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. (...).” (Acórdão no 3403003.166, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime – em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014) (No mesmo sentido os Acórdãos no 3403002.469 a 477; no 3403 001.893 a 896; no 3403001.935; no 3403002.318 e 319; e no 3403.002.783 e 784) Isto posto, cabe analisar a adequação ao conceito de insumo das rubricas questionadas no presente contencioso, já destacando que não se identifica com a legislação do IPI nem com a do IR. As glosas discutidas ocorreram basicamente em três grupos: bens utilizados como insumo, serviços utilizados como insumo e bens do ativo imobilizado. Fl. 961DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10280.901359/201201 Acórdão n.º 3403003.519 S3C4T3 Fl. 959 7 3.1. Bens utilizados como insumo Em relação a bens utilizados como insumos, o texto que trata da justificativa para as glosas (fls. 11/12) é extremamente sintético, pelo que merece ser integralmente transcrito: 13) CRÉDITOS DECORRENTES DE BENS INFORMADOS COMO INSUMOS, OBJETO DE GLOSA: Em primeiro lugar cabe realçar que a legislação em vigor estabelece que a pessoa jurídica poderá creditarse em relação a aquisições de bens e serviços utilizados como insumos, inclusive combustíveis e lubrificantes (art 3º da Lei 10.637/2002).Todavia o bem para ser considerado insumo deve guardar relação com o conceito estabelecido no artigo 8º da IN 404/2004 que considera insumo a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O contribuinte apresentou uma extensa relação de bens adquiridos utilizados para crédito de PIS. As glosas demonstradas nas planilhas de glosas de Insumos do arquivo correspondente em anexo, são de bens que não se enquadram como Insumos ou são descritos de forma imprecisa que não possibilita enquadramento para fins de aproveitamento de crédito. Exemplo: Materiais Diversos e Frete. Nota da Planilha Insumos: N Glosa por não enquadramento no conceito de insumo; NSD Glosa por não apresentar descrição ou descrição incompleta; S Crédito aceito.” Vejase que o conceito de insumo adotado pelo fisco (derivado da legislação do IPI) não corresponde ao aclarado no tópico anterior do presente voto. Assim, fazse necessário verificar se os bens glosados são efetivamente necessários à produção de alumina (produto final fabricado pela empresa). Na planilha referente a glosas de bens (fls. 235 a 351 e 352 a 468 abril; fls. 469 a 595 maio; e fls. 596 a 713 junho)2, são relacionados como não enquadrados no conceito de insumos (N): ácido sulfúrico (CFOP compra para industrialização ou produção rural); inibidor de corrosão para tratamento de água potável, dispersante; acetileno, oxigênio, gás argônio, Conhec. Transp. aprovada Ger. Marcílio Santana (CFOP serviço de transporte); Ctrc. Ref. Fornec. Eletrotecnica Wilson (CFOP serviço de transporte); Ctrc. Ref. Fornec. Carbomil Química S/A (CFOP serviço de transporte); thinner e tinta de acabamento (CFOP material de uso e consumo); avental, luvas, lentes para óculos, chuveiro, tonner e cartuchos para impressoras; adesivos, cabos, bicicleta caloi barra forte, alicate, chave de fenda, rolamentos, parafusos, arruelas, e outros materiais de uso e consumo. Na mesma planilha, são ainda glosados por conter descrição incompleta (NSD) os 2 Confessese que é preciso muito boa vontade para verificar a qual categoria está vinculado cada bem no mês de abril, pois a coluna da planilha com o detalhamento da categoria (N, S ou NSD)está em página diferente da referente à descrição do bem. Os bens relacionados à fl. 235, por exemplo, são categorizados à fl. 352. Os relacionados à fl. 236 são categorizados à fl. 353, e assim por diante. Fl. 962DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN 8 bens descritos como: “frete” (sem especificação); “materiais diversos”; e bens sem qualquer descrição. Por certo que em relação a itens descritos como “materiais diversos”, ou “fretes”, ou ainda sequer descritos, resta inviável a identificação com o processo produtivo, tornando carente de comprovação o direito de crédito (a menos que fornecidos pela postulante elementos adicionais, o que não ocorre nestes autos). Também em relação aos materiais de escritório (como cartuchos para impressoras ) e de uso/consumo (como ferramentas ou vestes) não há dúvidas de que assiste razão ao fisco nas glosas. Há que se ter, também, alguma criatividade para imaginar como uma bicicleta caloi barra forte é indispensável à produção de alumina. Expurgando ainda algumas siglas pouco decifráveis (em regra se referindo a fretes não identificados precisamente), restam a analisar somente os produtos químicos: ácido sulfúrico, inibidor de corrosão, dispersante, acetileno, oxigênio e gás argônio. Em todo o arrazoado da empresa sobre seu processo produtivo, no entanto, somente há questionamento específico em relação ao ácido sulfúrico. E entendemos que assiste razão à recorrente, como tem reiteradamente decidido esta Terceira Turma, que já apreciou diversos outros processos da mesma empresa, em relação a idêntico processo produtivo, restando configurado que o ácido sulfúrico se enquadra no conceito de insumo: “A fiscalização considerou o ácido sulfúrico como material de limpeza e consignou na planilha 10 que o inibidor de corrosão e o dispersante de sais são aplicados no tratamento de água potável e no resfriamento de água. (...) A descrição do processo produtivo revela que o ácido sulfúrico tem outras utilidades, além se servir como desincrustante. A limpeza de dutos e trocadores de calor, assim como a desmineralização da água das caldeiras e o tratamento de efluentes são procedimentos necessários para assegurar a eficiência das instalações fabris e a proteção do meioambiente. A empresa incorre em custos ao adotar esses procedimentos. E é inequívoco que esses custos estão umbilicalmente correlacionados com o processo produtivo da alumina, enquadrandose na disposição do art. 290, I do RIR/99. Assim, devem ser afastadas as glosas relativas ao ácido sulfúrico e aos respectivos fretes, uma vez que são insumos que integram o custo de produção (art. 290, I, do RIR/99). Integrando o custo de produção, o valor desses insumos deve ser considerado no cálculo do crédito da contribuição, nos termos do art. 3º, II, da Lei nº 10.833/03. Quanto aos demais bens descritos na planilha 10 A, tidos pela recorrente como insumos, verificase que em sua maioria não são relacionados ao processo produtivo. (...) Fl. 963DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10280.901359/201201 Acórdão n.º 3403003.519 S3C4T3 Fl. 960 9 Segundo o critério do Fisco, realmente tais produtos não são insumos aptos a gerarem créditos das contribuições, mas pelo critério do custo de produção, que vem sendo adotado pelo CARF, tais produtos poderiam ensejar a tomada do crédito, caso a recorrente tivesse apresentado algum elemento capaz de elidir a glosa efetuada. Caberia à recorrente ter comprovado na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário onde são aplicados e quais as funções desempenhadas pelos produtos, pois a teor do art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72 a impugnação deve ser específica e vir acompanhada dos elementos de prova necessários ao convencimento do julgador. Tendo em vista, que não houve contestação específica em relação aos demais bens relacionados na planilha 10 – A e que os elementos existentes nos autos não permitem identificar nem a função e nem onde são aplicados aqueles produtos, há que se manter a glosa efetuada pela fiscalização.”(voto condutor do Acórdão no 3403001.955, Rel. Cons. Antonio Carlos Atulim, unânime em relação à matéria, sessão de 20.mar.2013) (No mesmo sentido os Acórdãos no 3403001.954 e 956) “O Ácido Sulfúrico, conforme explica o Recorrente, é empregado na limpeza dos caloríficos por onde circula o licor enriquecido de alumina, dependendo deste procedimento a manutenção do sistema de trocas térmicas e a estabilidade dos reagentes. (...) Entendo que o contribuinte demonstrou de maneira satisfatória, por meio de sua explicação, a participação destes três bens no processo produtivo. A atuação destes três bens configura o conceito de insumo para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, pois atuam e colaboram no processo produtivo da indústria de alumina, devendose reconhecer o crédito pela sua aquisição. (...) Quanto às demais aquisições de bens, no entanto, tendo em vista que não houve a demonstração pelo contribuinte de sua participação no processo produtivo precluindo a oportunidade de fazêlo, eis que não fez tal demonstração nem na manifestação de inconformidade, nem no recurso voluntário , deve ser mantida a glosa realizada pela Fiscalização..” (voto unanimemente acolhido no Acórdão no 3403002.764, Rel. Cons. Ivan Allegretti, sessão de 25.fev.2014) (grifo nosso) (No mesmo sentido o Acórdão no 3403002.765) Assim, na linha que já vem adotando esta turma, entendese que são improcedentes as glosas em relação às aquisições de ácido sulfúrico (assim como dos correspondentes fretes, desde que identificados). E, ainda acompanhando a recorrente Fl. 964DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN 10 jurisprudência da turma, mantémse a glosa em relação aos demais itens, não questionados especificamente nas peças de defesa. 3.2. Serviços utilizados como insumo Em relação a serviços utilizados como insumo, são igualmente sintéticas as motivações das glosas (fl. 12), aqui integralmente transcritas: “15) CRÉDITOS DECORRENTENTES (sic) DOS SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS: Serviços glosados por não serem considerados como utilizados diretamente na produção da Alumina (produto final) conforme Planilha de glosas, em anexo.” Entre os serviços glosados (planilha de fls. 714 a 737) estão: revisão em parafusadeira; serviços de hotelaria aos empregados da Alunorte; e serviço descrito como “Secretaria da Receita Federal”. Mas é novamente genérica a defesa. E os únicos serviços especificamente questionados (remoção de resíduos e operações portuárias) não foram objeto de glosa. Diante da ausência de questionamento específico em relação aos itens glosados, considerase, neste tópico, improcedente o recurso voluntário. 3.3. Bens do ativo imobilizado Em relação ao ativo imobilizado, a justificativa da glosa (fls. 12/14), novamente transcrita de forma integral, remete parcialmente a outro processo administrativo (que teve o recurso voluntário recentemente apreciado por esta turma): “16) CRÉDITOS DECORRENTES DO ATIVO IMOBILIZADO: O contribuinte apurou crédito de depreciação em duas modalidades: 1/48 avos para bens adquiridos de Maio/2004 a Dezembro/2005 e 1/12 avos para as aquisições posteriores. Para o trimestre em análise efetuamos glosas da seguinte maneira: a) Considerando glosas realizadas em procedimento fiscal anterior formalizado no Processo 10280.722272/200965 para as aquisições de Maio/2004 a Dezembro/2005 (1/48 avos) e de fevereiro a dezembro de 2007 (1/12 avos) conforme demonstrado abaixo: (...) b) Glosas efetuadas nos meses Abril, Maio e Junho de 2008 (art. 3º da Lei 10.637/2002) Efetuamos glosas conforme planilha DEPRECIAÇÃO em anexo. Referemse tais Notas Fiscais a aquisições de bens enquadrados nas seguintes situações: bens que não compõem o ativo imobilizado, bens do ativo imobilizado que não são utilizados diretamente na produção da Alumina, bens que não foram provados pertencerem ao ativo imobilizado para utilização na produção da Alumina ou com descrição incompleta. Fl. 965DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10280.901359/201201 Acórdão n.º 3403003.519 S3C4T3 Fl. 961 11 Com relação às Notas Fiscais enquadradas como custos de EDIFICAÇÕES embora haja previsão para crédito de PIS no artigo 3º da Lei 10.637/2002 o contribuinte aplicou aos mesmos a taxa de depreciação na modalidade 1/12 avos sem fundamentação legal para tanto. A taxa de depreciação, neste caso, deve ser aplicada em função da vida útil da edificação (§ 1º do Art. 1º da IN 457/2004) ou na modalidade 1/24 avos na hipótese de edificações incorporadas ao ativo imobilizado, adquiridas ou construídas para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços (art. 6º da Lei 11.488/2007).” (grifo nosso) Na planilha de fls. 126 a 234, as glosas são codificadas da seguinte forma: NP (para bens do ativo imobilizado que não são utilizados diretamente na produção da Alumina); NA (para bens que não compõe o ativo imobilizado); NSD (para bens em relação aos quais não se provou a configuração de ativo imobilizado para utilização na produção da Alumina ou com descrição incompleta); e EDIF (para edificações). A recorrente não questiona a simples remissão ao outro processo, sem detalhamento da motivação da parcela correspondente das glosas nestes autos, e parece compreender bem a motivação quando se defende da mesma forma que naquele processo, discutindo os dois mecanismos de depreciação (1/48 e 1/12). Mas a defesa é novamente genérica, com reprodução de diversos dispositivos normativos e decisões, sem a eficaz vinculação à situação concreta narrada nos autos. E, reiterese, esta mesma Terceira Turma já apreciou aquele processo administrativo, exatamente em relação à matéria, concluindo que: “DA GLOSA DOS CRÉDITOS TOMADOS COM BASE NO ART. 3º, § 14 DA LEI Nº 10.833/04 Quanto à glosa dos créditos tomados sobre o valor de aquisição de bens para o ativo imobilizado, como opção à regra geral da tomada de crédito sobre a depreciação desses bens (art. 3º, § 14 da Lei nº 10.833/04), o exame das planilhas 1 a 7B revela que essas glosas foram motivadas pela fiscalização em dois fatos: a) os bens não se enquadram como máquinas e equipamentos ou não são aplicados diretamente na produção dos bens destinados à venda; e b) os bens, embora pertençam ao imobilizado, são edificações não abrangidas pelo benefício legal. (...) Os bens relacionados nessa planilha não se enquadram na hipótese legal do art. 3º, VI, da Lei nº 10.833/03, ou seja, não constituem “máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”. O requisito legal que rende ensejo ao crédito é que as máquinas, os equipamentos ou os “outros bens” sejam passíveis de ativação e que sua destinação seja a locação a terceiros ou o Fl. 966DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN 12 emprego na produção, o que não é o caso dos produtos glosados pela fiscalização na planilha 1. Por seu turno, os valores dos produtos relacionados nas planilha 2 e 5 foram glosados porque os bens ali descritos constituem edificações. Os bens descritos constituem partes de edificações, como estruturas metálicas, ou bens destinados à construção civil, como elevadores, mãodeobra, “diversos materiais para construção civil”, e etc. A opção prevista no art. 3º, § 14 da Lei nº 10.833/04 só alcança os bens especificados no art. 3º, VI, da lei, que não inclui obras de construção civil e nem suas partes. Quanto à planilha 4, os bens relacionados constituem basicamente móveis como por exemplo: gaveteiros, colchões, painel divisor, armários, balcão de atendimento, mesa de reunião, mapoteca e cabideiro, (...). É óbvio que tais produtos não possuem aptidão para gerarem créditos, pois nem sequer são utilizados na produção da alumina. Portanto, ficam mantidas as glosas efetuadas pela fiscalização. DA GLOSA DOS CRÉDITOS TOMADOS COM BASE NO ART. 31 DA LEI Nº 11.196/2005. (...) O que a fiscalização fez foi glosar bens que não se enquadram na previsão contida no art. 31 da Lei nº 11.196/2005. Os requisitos estabelecidos nesse dispositivo legal são os seguintes: a) a pessoa jurídica deve ter projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados prioritários; b) localização nas áreas das extintas Sudene e Sudam; c) o crédito é gerado pela aquisição, a partir do ano de 2006, de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, relacionados em regulamento, destinados à incorporação ao seu ativo imobilizado; d) o desconto do crédito deve ser feito no prazo de 12 meses, contados da aquisição do bem; e e) o crédito é resultante da aplicação da alíquota de 7,6% sobre 1/12 do custo de aquisição do bem. O exame da planilha 7D revela que a fiscalização somente questionou o item “c” acima relacionado, pois os códigos das glosas foram os seguintes: DT05 – indica que o bem foi glosado em virtude da data de aquisição ser anterior à publicação da Lei nº 11.196/2005; EDIF06 E EDIF07 – indica que se tratam de edificações dos anos de 2006 e 2007, que não são contempladas pelo benefício; Nindica que os bens não são considerados bens do imobilizado ou não são empregados no processo produtivo do adquirente; NCDindica que os bens não estão relacionados no regulamento; NREBindica que o bem não possui aptidão para gerar crédito por ter sido adquirido em operação equiparada a exportação (que é desonerada das contribuições). A recorrente mais uma vez não se desincumbiu do ônus estabelecido no art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72, pois não Fl. 967DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10280.901359/201201 Acórdão n.º 3403003.519 S3C4T3 Fl. 962 13 contestou especificamente e nem trouxe documentação hábil a elidir nenhum dos motivos invocados para a glosa. Sendo assim, devem ser mantidos os cálculos elaborados pela fiscalização. A defesa invocou as soluções de consulta proferidas pela 8ª Região Fiscal, nas quais o órgão entendeu que materiais utilizados na manutenção dos bens de produção da empresa são passíveis de gerarem créditos das contribuições. Esse direito em momento algum foi contestado pela fiscalização ou pelo Acórdão de primeira instância. A questão é a mesma já constatada linhas acima, qual seja: o contribuinte não apresentou contestação específica elencando quais itens foram destinados à manutenção do ativo imobilizado, não demonstrou se os bens aplicados eram ou não passíveis de ativação obrigatória e também não demonstrou onde e como foram aplicados. Ao contrário do alegado pela defesa, o art. 6º, §§ 1º e 3º da Lei nº 10.833/03, não autoriza o crédito em relação a qualquer gasto vinculado à obtenção da receita de exportação, pois o § 1º remete o cálculo do crédito ao disposto no art. 3º. Portanto, os eventos que dão direito ao crédito são os mesmos, independentemente de a venda da produção ocorrer no mercado interno ou externo.” (Acórdão no 3403001.954, Rel. Cons. Antonio Carlos Atulim, unânime em relação ao tema, sessão de 20.mar.2013) (grifo nosso) (No mesmo sentido os Acórdãos no 3403001.955 e 956, Rel. Cons. Antonio Carlos Atulim, unânimes em relação ao tema, sessão de 20.mar.2013, que tratavam, respectivamente, da COFINS do terceiro e do primeiro trimestres de 2007) Mantémse, assim, novamente o entendimento já firmado na turma, restando hígidas neste tópico as glosas decorrentes efetuadas pelo fisco. Nos itens referentes aos meses de abril a junho de 2008, não assiste melhor sorte à recorrente. Pela simples leitura das listas de glosas (com as correspondentes codificações), percebese que os bens relacionados enquadramse objetivamente em cada uma das categorias descritas pelo fisco (NP, NA, NSD e EDIF). E, ao contrário da fiscalização, que detalha e individualiza as glosas, a recorrente não traz qualquer questionamento específico de item glosado. Quanto às taxas de depreciação para edificações, devem ser aplicadas na forma do art. 3o da Lei no 10.637/2002 (art. 1o, § 1o da IN SRF no 457/2004) ou do art. 6o da Lei no 11.488/2007 (art. 1o, § 2o da IN SRF no 457/2004). A recorrente, em suas peças de defesa, ao invés de discernir as máquinas e equipamentos adquiridos sob o RECAP, simplesmente afirma ser “impraticável” a conduta apontada no parecer, em virtude das especificidades da empresa. Por fim, a regra de que o encargo referente à depreciação somente é computável no resultado do exercício a partir da época em que o bem começa a ser utilizado encontra expressa guarida no art. 305, § 2o do RIR (por sua vez derivado de disposição legal Fl. 968DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN 14 art. 57, § 8o da Lei no 4.506//1964): “[A] quota de depreciação é dedutível a partir da época em que o bem é instalado, posto em serviço ou em condições de produzir”. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, para reconhecer o direito ao crédito em relação a aquisições de ácido sulfúrico (assim como ao frete relativo a seu transporte). Rosaldo Trevisan Fl. 969DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 10280.722268/2009-05
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO.
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos, no caso analisado, ácido sulfúrico (assim como o frete relativo a seu transporte), óleo combustível BPF, e serviços de transporte de rejeitos industriais.
ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3403-003.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito em relação a aquisições de ácido sulfúrico (assim como ao frete relativo a seu transporte) e de óleo combustível BPF, e em relação a serviços de transporte de rejeitos industriais. Sustentou pela recorrente o Dr. Victor André Teixeira Lima, OAB/PA no 9.664.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos, no caso analisado, ácido sulfúrico (assim como o frete relativo a seu transporte), óleo combustível BPF, e serviços de transporte de rejeitos industriais. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos, no caso analisado, ácido sulfúrico (assim como o frete relativo a seu transporte), óleo combustível BPF, e serviços de transporte de rejeitos industriais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 22 68 /2 00 9- 05 Fl. 663DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito em relação a aquisições de ácido sulfúrico (assim como ao frete relativo a seu transporte) e de óleo combustível BPF, e em relação a serviços de transporte de rejeitos industriais. Sustentou pela recorrente o Dr. Victor André Teixeira Lima, OAB/PA no 9.664. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Versa o presente sobre Pedido de Ressarcimento/Restituição PER de no 35361.91866.230807.1.1.086264 (fls. 5 a 8)1, com transmissão em 16/08/2007, referente a créditos de Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa exportação/1o trimestre de 2007, em saldo de R$ 6.442.070,58 (com base no § 1o do art. 5o da Lei no 10.637/2002), sendo o montante utilizado em compensações (DCOMP de fls. 9 a 36, nos valores de R$ 4.867.500,13, R$ 1.266.290,39, R$ 10,33, R$ 1.128,43, R$ 19.278,18, R$ 8.969,73 e R$ 2.043,42). Iniciada a ação fiscal tendente a verificar o direito creditório demandado, em 03/09/2010 (fls. 40/41), a empresa é intimada a apresentar documentos e esclarecimentos, culminando a análise fiscal no relatório de fls. 411 a 415, no qual são relacionadas as glosas de créditos efetuadas pelo fisco (detalhadas em planilhas anexas ao relatório): (a) combustíveis e carvão energético utilizados como energia térmica no aquecimento de caldeiras, equipamentos e fornos, considerando que a Lei no 11.488/2007 só admitiu créditos a partir de 15/06/2007 (os combustíveis/carvão energético utilizados na queima de caldeiras não podem ser considerados como insumos antes de 15/06/2007 por não agirem diretamente no processo produtivo; (b) produtos/bens que não são aplicados diretamente no processo produtivo; (c) produtos/bens considerados como ativo imobilizado; (d) produtos/bens que não contêm descrição detalhada ou informação sobre sua aplicação no processo produtivo; (e) fretes referentes aos produtos/bens glosados; (f) serviços considerados pela fiscalização como não utilizados na produção dos bens; e (g) bens do ativo imobilizado que não se enquadram como máquinas e equipamentos utilizados na produção de bens destinados a venda e edificações. Com base no relatório da fiscalização é emitido o Despacho Decisório de fl. 421 (em 05/12/2011), deferindose crédito no montante de R$ 2.606.465,92, e o Auto de Infração de fl. 419 (com ciência à empresa em 15/12/2011), no valor glosado, de R$ 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 664DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10280.722268/200905 Acórdão n.º 3403003.516 S3C4T3 Fl. 664 3 3.835.604,67. Em relação às compensações (homologadas parcialmente, o despacho decisório figura à fl. 423. A empresa apresenta sua manifestação de inconformidade em 11/01/2012 (fls. 510 a 545), sustentando que: (a) na não cumulatividade (que não foi restrita pelo texto constitucional), geram créditos os custos, despesas e encargos relativos à receita de exportação, e consideramse insumos, conforme entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, todos os gastos gerais da pessoa jurídica necessários para a produção dos bens ou prestação de serviços; (b) não foi feita qualquer visita na empresa, dificultando a análise da efetiva aplicação dos bens no processo produtivo; (c) os custos com transporte de rejeitos são geradores de créditos, pois inerentes às atividades produtivas da empresa, assim como os custos de transporte dos insumos considerados glosados; (d) constituem insumos o óleo BPF (destinado à queima em fornos adequados para calcinação de hidrato e geração de vapor nas caldeiras), o ácido sulfúrico (para limpeza dos trocadores de calor por onde passa o licor rico em alumina, na neutralização de efluentes cáusticos), inclusive glosado em duplicidade, e o inibidor de corrosão (que forma uma película protetora contra corrosão nas tubulações de água de resfriamento); (e) há previsão expressa para desconto de créditos em relação a edificações e bens do ativo imobilizado, ainda que não enquadrados como insumos (incisos VI e VII da Lei no 10.637/2002), embora no caso concreto tais bens sejam efetivamente utilizados na produção de alumina, e o aproveitamento possa ser feito em bases diferenciadas (1/12) para os equipamentos descritos no RECAP e depreciação acelerada para aquisições de bens de capital por empresas estabelecidas em microrregiões menos favorecidas nas áreas de atuação da SUDAM e da SUDENE, cabendo ainda destacar que o fisco considerou indevidamente (sem justificativa) como edificações algumas máquinas e equipamentos; e (f) não houve violação ao REIDI, que reduziu para 24 meses o prazo mínimo para utilização dos créditos decorrentes da aquisição de edificações. Demanda, por fim, produção de prova pericial, via auditagem suplementar. Ainda em 11/01/2012 apresenta a empresa impugnação à autuação (fls. 439 a 474), basicamente sob as mesmas razões utilizadas para desconstituir as glosas. Em 08/02/2012 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 574 a 592), no qual se decide unanimemente pela improcedência da manifestação de inconformidade e da impugnação (e pela improcedência da demanda por perícia), sob os argumentos de que: (a) o conceito de insumos para as contribuições deriva do inciso II do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003 e da IN SRF no 404/2004 (bens com ação direta sobre o produto em fabricação); (b) somente os serviços prestados por pessoa jurídica contribuinte geram créditos, desde que utilizados diretamente na linha de produção da empresa; (c) em relação a ativo imobilizado, as glosas estão todas especificamente motivadas (DT05 glosados em virtude da data de aquisição/emissão nota fiscal ser anterior à previsão legal, que só reconheceu o beneficio para bens adquiridos a partir de 2006; EDIF06 glosados por serem considerados como edificações do ano de 2006; EDIF07 glosados por serem considerados como Edificações do ano de 2007; N glosados por não serem considerados como bens do ativo imobilizado e/ou não serem empregados no processo produtivo do adquirente; NCD glosados por não estarem relacionados no Decreto no 5.789/2006, mencionados no Decreto no 5.988/2006; e NREB glosados por serem vendas equiparadas a exportações, não gerando direito a crédito), não havendo cerceamento de defesa; (d) o encargo referente à depreciação somente é computável no resultado do exercício a partir da época em que o bem começa a ser utilizado; (e) as glosas em relação ao ativo imobilizado não alcançam a totalidade dos valores pleiteados, havendo a autoridade fiscal primeiramente identificado cada uma das glosas Fl. 665DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN 4 efetuadas para, na sequência, refazer o cálculo das parcelas que deveriam ser levadas à base de cálculo do direito creditório, consideradas as depreciações adotadas pelo sujeito passivo; e (f) as glosas em relação a “bens considerados como edificações” estão com a perfeita e individualizada identificação do bem ou serviço glosado (v.g., bens e serviços explicitamente destinados ao setor administrativo ou caracterizados como obras civis, passando por gaveteiros, armários, poltronas, colchões, leitos, serviços de paisagismo e de fornecimento de refeições). Cientificada do acórdão da DRJ em 15/02/2012 (AR de fl. 593), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 16/03/2012 (fls. 595 a 638), basicamente reiterando as considerações expostas na manifestação de inconformidade, e acrescentando que: (a) não há disposição normativa que restrinja o aproveitamento dos encargos de depreciação/amortização a partir da utilização do bem; (b) a Lei no 11.488/2007 não vedou nem autorizou o aproveitamento de créditos em relação ao óleo BPF (ou outro óleo combustível), que já era autorizado pelas Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003; e (c) são relevantes as decisões administrativas/judiciais trazidas aos autos. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como relatado de início, a ação fiscal buscou verificar o direito creditório demandado neste processo e em outros (referentes a “PIS não cumulativo” e a “COFINS não cumulativa”, de 2005 a 2007). O presente processo se refere exclusivamente à Contribuição para o PIS/PASEP relativa ao 1o trimestre de 2007. Cabe destacar que o processo congênere (de no 10280.722277/200998, referente à COFINS relativa ao 1o trimestre de 2007) foi apreciado por esta Terceira Turma recentemente, acordandose que: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. CRÉDITOS. ÁCIDO SULFÚRICO, FRETES, SERVIÇOS DE REMOÇÃO DE REJEITOS INDUSTRIAIS. É legítima a tomada de crédito da contribuição nãocumulativa em relação às aquisições de ácido sulfúrico e respectivos fretes, óleo BPF utilizado como combustível e serviços de remoção de lama vermelha, areia e crosta, por integrarem o custo de produção do produto exportado (alumina).”(Acórdão no 3403001.956, Fl. 666DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10280.722268/200905 Acórdão n.º 3403003.516 S3C4T3 Fl. 665 5 Rel. Cons. Antonio Carlos Atulim, maioria, sessão de 20.mar.2013) (grifo nosso) (No mesmo sentido os Acórdãos no 3403001.954 e 955, Rel. Cons. Antonio Carlos Atulim, maioria, sessão de 20.mar.2013, que tratavam, respectivamente, da COFINS do quarto e do terceiro trimestres de 2007) (nos três julgamentos fui vencido quanto ao reconhecimento de créditos em relação à remoção de resíduos, ao lado do Cons. Robson José Bayerl) Assim, prosseguese na análise do presente processo, destacandose que os assuntos em discussão são basicamente os mesmos já analisados pela turma nos Acórdãos mencionados: (a) aspectos constitucionais da não cumulatividade; (b) delimitação do conceito de insumo para as contribuições; (c) glosas de bens considerados como insumos (v.g., óleo BPF e ácido sulfúrico); (d) glosas de serviços considerados como insumos (transporte de rejeitos); e (e) glosas em relação a edificações e bens do ativo imobilizado, inclusive no que se refere a bases diferenciadas (1/12). Preliminarmente a tais questões, no entanto, cabe efetuar considerações sobre o ônus probatório nos processos referentes a compensação, como o presente. 1. Considerações iniciais O ônus probatório em processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito. Assim vem reiteradamente decidindo esta turma de forma unânime: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) Fl. 667DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN 6 Não há dúvidas, assim, sobre ser o ônus probatório da recorrente, no caso em análise. E o fisco não se furtou a assegurar à recorrente a possibilidade de exercer tal prova, durante o procedimento de fiscalização. Incumbe à empresa a apresentação de prova de vínculo dos bens e serviços ao seu processo produtivo, sendo a visita às instalações da empresa medida que se faz necessária somente no caso de haver dúvidas em relação ao conteúdo probatório apresentado. Da mesma forma, a diligência se presta a esclarecer dúvida do julgador, e não à complementação probatória. Feitos estes esclarecimentos, indeferese, por desnecessária, a realização de perícia no caso concreto. Aproveitase ainda este tópico preliminar para aclarar que as decisões administrativas e judiciais prestamse a auxiliar na formação de convicção de julgador administrativo, mas apenas em alguns casos excepcionais (v.g., as proferidas nas sistemáticas citadas no art. 62A do Regimento Interno deste CARF) efetivamente exercem efeito vinculante no julgamento por este colegiado. Assim, indubitavelmente se toma em conta a jurisprudência apresentada na presente análise, ainda que dela se discorde eventualmente. 2. Do caráter constitucional da não cumulatividade Impendese destacar a impossibilidade de análise por parte deste CARF de eventual tese que sustente ser a nãocumulatividade expressa na Constituição Federal brasileira (art. 195, § 12) inatingível (ou não sujeita a restrições) pela legislação infraconstitucional, devendo eventual modulação ser feita tãosomente no próprio texto constitucional, o que culminaria no reconhecimento de inconstitucionalidade nas limitações estabelecidas essencialmente pelas Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003. O tema já é inclusive sumulado no âmbito deste tribunal: “Súmula CARF no 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Resta, assim, a análise da abrangência do conceito de insumos na legislação referente à contribuição, e a verificação da compatibilidade das glosas a tal conceito. 3. Da delimitação do conceito de insumos para as contribuições O termo insumo é polissêmico. Por isso, há que se indagar qual é sua abrangência no contexto das Leis no 10.627/2002 e no 10.833/2003. Na busca de um norte para a questão, poderseia ter em consideração os teores do § 5o do art. 66 da IN SRF no 247/2002 (editado com base no art. 66 da Lei no 10.637/2002) e do art. 8o da IN SRF no 404/2004 (editado com alicerce no art. 92 da Lei no 10.833/2003), que, para efeito de disciplina da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, estabelecem entendimento de que o termo insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda abrange “as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado” e “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. Fl. 668DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10280.722268/200905 Acórdão n.º 3403003.516 S3C4T3 Fl. 666 7 Outro caminho seria buscar analogia com a legislação do IPI ou do IR (ambas frequentes na jurisprudência deste CARF). Contudo, tal tarefa se revela improfícua, pois em face da legislação que rege as contribuições, o conceito expresso nas normas que tratam do IPI é demasiadamente restritivo, e o encontrado a partir da legislação do IR é excessivamente amplo, visto que se adotada a acepção de “despesas operacionais”, chegarseia à absurda conclusão de que a maior parte dos incisos do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003 (inclusive alguns que demandaram alteração legislativa para inclusão v.g. incisos IX, referente a energia elétrica e térmica, e X, sobre valetransporte ... para prestadoras de serviços de limpeza...) é inútil ou desnecessária. A Lei no 10.637/2002, que trata da Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, e a Lei no 10.833/2003, que trata da COFINS nãocumulativa, explicitam, em seus arts. 3o, que podem ser descontados créditos em relação a: “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis (...)” (grifo nosso) A mera leitura dos dispositivos legais já aponta para a impossibilidade de se considerar como insumo um bem ou serviço que não seja utilizado na produção ou fabricação do bem destinado à venda. Há, assim, que se acolher a argumentação de que o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final, como vem reiteradamente decidindo esta Terceira Turma: “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. (...).” (Acórdão no 3403003.166, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime – em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014) (No mesmo sentido os Acórdãos no 3403002.469 a 477; no 3403 001.893 a 896; no 3403001.935; no 3403002.318 e 319; e no 3403.002.783 e 784) Isto posto, cabe analisar a adequação ao conceito de insumo das rubricas questionadas no presente contencioso, já destacando que não se identifica com a legislação do IPI nem com a do IR. As glosas discutidas ocorreram basicamente em três grupos: bens utilizados como insumo, serviços utilizados como insumo e bens do ativo imobilizado. 3.1. Bens utilizados como insumo Fl. 669DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN 8 Em relação a bens utilizados como insumos, as glosas efetuadas foram (fl. 412): “10.1 Combustíveis e Carvão Energético utilizados como energia térmica no aquecimento de caldeiras, equipamentos e fornos, considerando que a lei 11.488/2007 só admitiu créditos a partir de 15/06/2007. A utilização de combustíveis/carvão energético utilizados na queima de caldeiras não podem ser considerados como insumos antes de 15/06/2007 por não agir diretamente no processo produtivo; 10.2 Glosas efetuadas em produtos/bens por não serem aplicados diretamente no processo produtivo; 10.3 Glosas efetuadas nos produtos/bens por serem considerados como ativo imobilizado; 10.4 Glosas efetuadas em produtos/bens por não conterem descrição detalhada do bem ou informação sobre sua aplicação no processo produtivo; 10.5 Glosa dos fretes referentes aos produtos/bens glosados.” Na planilha 10 (fls. 346 a 353) são detalhadas as glosas de bens, que abrangem: óleo combustível BPF (para geração de vapor das caldeiras para o processo de calcinação do hidrato), ácido sulfúrico (para limpeza ácida dos trocadores de calor e neutralização de efluentes líquidos), e inibidor de corrosão (para tratamento de água potável e resfriamento de água). São ainda glosados os fretes relativos ao transporte de ácido sulfúrico. A empresa alega em sua defesa que consideramse insumos, conforme entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, todos os gastos gerais da pessoa jurídica necessários para a produção dos bens ou prestação de serviços. Sobre o tema, remetemos ao entendimento já exarado neste voto a respeito da delimitação do conceito de insumos para as contribuições, reiterando que o insumo gerador de créditos deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. E, nesse contexto, cabe destacar que esta Turma já analisou dois dos itens sobre os quais se defende a empresa (em relação ao mesmo período), concluindo unanimemente que estes são enquadrados no conceito de insumos adotado: “A descrição do processo produtivo permite identificar que o óleo BPF é aplicado no processo produtivo como fonte de energia para a calcinação do hidrato; a areia é utilizada no processo produtivo como elemento filtrante e depois de tratada é descartada como rejeito industrial; a lama vermelha se origina do processamento do underflow e é descartada como rejeito industrial, após ser devidamente tratada; e o ácido sulfúrico é utilizado para desincrustar linhas e trocadores de calor, para neutralizar efluentes e para desmineralizar a água das caldeiras. Na descrição do processo produtivo não foi possível verificar onde são aplicados e nem a função desempenhada pelos produtos inibidor de corrosão, antiespumante e aditivo dispersante. Entretanto, a fiscalização consignou na planilha 10 que a função do aditivo dispersante é eliminar borras do óleo combustível pesado. Fl. 670DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10280.722268/200905 Acórdão n.º 3403003.516 S3C4T3 Fl. 667 9 O exame da planilha 10 revela que neste processo administrativo a fiscalização só glosou créditos decorrentes das aquisições de ácido sulfúrico, dos respectivos fretes e do óleo BPF. A motivação para a glosa dos fretes foi a mesma utilizada para o ácido, ou seja, o frete foi glosado porque o material transportado, sob a ótica da fiscalização, não tinha aptidão para gerar crédito da contribuição. A fiscalização considerou o ácido sulfúrico como material de limpeza. A descrição do processo produtivo revela que o ácido sulfúrico tem outras utilidades, além se servir como desincrustante. A limpeza de dutos e trocadores de calor, assim como a desmineralização da água das caldeiras e o tratamento de efluentes são procedimentos necessários para assegurar a eficiência das instalações fabris e a proteção do meioambiente. A empresa incorre em custos ao adotar esses procedimentos. E é inequívoco que esses custos estão umbilicalmente correlacionados com o processo produtivo da alumina, enquadrandose na disposição do art. 290, I do RIR/99. Assim, devem ser afastadas as glosas relativas ao ácido sulfúrico e aos respectivos fretes, uma vez que são insumos que integram o custo de produção (art. 290, I, do RIR/99). Integrando o custo de produção, o valor desses insumos deve ser considerado no cálculo do crédito da contribuição, nos termos do art. 3º, II, da Lei nº 10.833/03. Relativamente ao óleo BPF, não se questiona que ele é aplicado no processo produtivo para calcinar o hidrato. O que se questiona é que sendo ele fonte de energia térmica, a previsão legal para a tomada de crédito só surgiu a partir de junho de 2007 com a publicação da Lei nº 11.488/2007. Não há como se concordar com os argumentos lançados pela autoridade administrativa e nem pela ilustre Procuradora da Fazenda Nacional, pois a interpretação acima é fruto de um equívoco que consiste em confundir a fonte da energia com a própria energia. Vejamos. É certo que a redação original do art. 3º, III, da Lei nº 10.833/03 só previa o crédito em relação à energia elétrica. Entretanto, o art. 3º, II, na mesma redação original, estabelecia o direito de crédito em relação a combustíveis, in verbis: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a:(Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I – omissis...; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; Fl. 671DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN 10 III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica;” (Grifei) Com a nova redação do art. 3º da Lei nº 10.833/03, introduzida pela Lei nº 10.488/2007, o inciso III passou a prever o direito de crédito em relação à “energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica.” A empresa, ao adquirir o óleo BPF, está adquirindo um combustível previsto no art. 3º, II, da Lei nº 10.833/03 e não a energia térmica que passou a ser prevista no inciso III a partir de junho de 2007. E isto é assim porque o óleo BPF para poder gerar o calor necessário à calcinação do hidrato, deve sofrer uma reação química com o oxigênio denominada combustão. É a combustão do combustível (óleo BPF), que se dá na presença do comburente (oxigênio presente na atmosfera), que gera a energia térmica necessária ao processo produtivo. O inciso III na redação da Lei nº 11.488/2007 prevê o direito de crédito em relação à aquisição da energia e não em relação à fonte de energia. Eis aí o equivoco cometido pela fiscalização e pela ilustre Procuradora da Fazenda Nacional. Tratandose as aquisições de óleo BPF de aquisições de combustível e não de energia térmica, o crédito no trimestre em questão tem amparo no art. 3º, II, da Lei nº 10.833/03 na redação vigente à época dos fatos, devendo ser revertida a glosa efetuada pela fiscalização. Quanto aos demais bens descritos na planilha 10 A, tidos pela recorrente como insumos, verificase que em sua maioria não são relacionados ao processo produtivo. Após a leitura da descrição do processo de fabricação da alumina, é de clareza vítrea que torneiras para jardim, ferramentas manuais, ferramentas intercambiáveis, trenas, tábuas de passar, lixeiras para a sala de RH, pilha alcalina AAA, bateria automotiva, etc, não são insumos aplicados no processo produtivo, não sendo aptos a gerarem créditos da contribuição. A mesma planilha relaciona alguns poucos bens que geram dúvidas quanto a integrarem ou não o custo de produção. Entretanto, a descrição do processo produtivo não permitiu identificar onde esses bens são aplicados e nem a função que desempenham. Estão nesta classe de produtos: a espuma de poliuretano e guarnição esponjosa, a roda cortadora para aço e ferro, disjuntores e transformador de comando. A fiscalização considerou que esses produtos não são insumos porque não se desgastam ou perdem suas propriedades físicas ou químicas mediante ação direta do produto em fabricação. Segundo o critério do Fisco, realmente tais produtos não são insumos aptos a gerarem créditos das contribuições, mas pelo critério do custo de produção, que vem sendo adotado pelo CARF, tais produtos poderiam ensejar a tomada do crédito, caso a recorrente tivesse apresentado algum elemento capaz de elidir a glosa efetuada. Fl. 672DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10280.722268/200905 Acórdão n.º 3403003.516 S3C4T3 Fl. 668 11 Caberia à recorrente ter comprovado na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário onde são aplicados e quais as funções desempenhadas pelos produtos, pois a teor do art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72 a impugnação deve ser específica e vir acompanhada dos elementos de prova necessários ao convencimento do julgador. Tendo em vista, que não houve contestação específica em relação aos demais bens relacionados na planilha 10 A e que os elementos existentes nos autos não permitem identificar nem a função e nem onde são aplicados aqueles produtos, há que se manter a glosa efetuada pela fiscalização.” (voto condutor do Acórdão no 3403001.956, Rel. Cons. Antonio Carlos Atulim, unânime em relação à matéria, sessão de 20.mar.2013) Em relação ao terceiro item (inibidor de corrosão), a glosa é fundamentada no fato de a aplicação ser em água potável, e não em água destinada ao processo produtivo. Na manifestação de inconformidade a empresa até alega (fl. 514) que o inibidor de corrosão é utilizado para “formar uma película protetora contra corrosão nas tubulações de água de resfriamento”. Mas sequer esta informação é renovada em sede de recurso voluntário, restando carente de questionamento específico tal item. Assim, mantenho o entendimento externado pela turma no referido julgamento, reconhecendo o direito ao crédito em relação às aquisições de ácido sulfúrico (assim como o frete relativo a seu transporte) e óleo combustível BPF. Não havendo questionamento específico, mantémse a glosa em relação aos demais itens. 3.2. Serviços utilizados como insumo Em relação a serviços utilizados como insumo, as glosas são as seguintes (fl. 412): “CRÉDITOS DECORRENTES DE SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS (Ficha 06A/03): Pela análise dos arquivos magnéticos recebidos, referente a aquisição de serviços, constatamos a existência de Serviços, considerados pela fiscalização, como não utilizados na produção dos bens, conforme detalhamento das glosas relacionadas nas planilhas 08 e 09, anexas.” Na planilha 8 (fls. 342 e 343) são detalhadas as glosas de serviços, que abrangem troca de telha e montagem/desmontagem de andaimes, entre outros, não questionados especificamente pela defesa, restrita aos serviços de transporte de rejeitos industriais. E no único serviço especificamente questionado assiste razão à recorrente, conforme também já assentado unanimemente por esta turma recentemente. Transcrevase excerto do julgamento que resultou no Acórdão no 3403002.764, no qual passamos a acolher a possibilidade de crédito em relação à remoção de resíduos, reformando posicionamento anterior, adotado nos Acórdãos no 3403001.954, 955 e 956: Fl. 673DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN 12 “Deve ser reconhecido o direito de crédito em relação ao pagamento pela prestação de serviço de remoção de rejeitos industriais, visto que tal atividade deve ser considerada como inserida no contexto da produção, tal como sustenta o Recorrente (fl. 464/465). Entendo que assiste razão ao Recorrente, pois os serviços de transporte dos resíduos industriais configuram atos que viabilizam e integram a atividade produtiva. Não apenas o transporte de matériaprima destinada ao processo produtivo, mas também o transporte dos resíduos decorrentes da produção configura ato que viabiliza e integra o processo produtivo. Este tema foi enfrentado logo nos primeiros julgados deste Conselho a respeito do regime nãocumulativo, concluindose que “Quanto aos dispêndios realizados com o serviço de remoção de resíduos industriais, não há nenhuma dúvida de que este serviço é parte do processo de industrialização dos bens exportados e está vinculado à receita de exportação. Pela natureza da atividade da recorrente, sem este serviço não há produção. Sendo um serviço diretamente vinculado ao processo produtivo, entendo que a recorrente tem direito ao crédito da Cofins incidente sobre a compra desse serviço e, como tal, tem direito ao ressarcimento desse crédito em face da exportação dos produtos (inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002)” (trecho do voto proferido no Acórdão 20181.139, Recurso 148.457, Processo 11065.101271/200647, Rel. Cons. Walber José da Silva, j. 02.06.2008). Entendo, pois, que deve ser reconhecido o direito de crédito em relação aos serviços de remoção de resíduos em questão. Quanto às demais aquisições de serviços, no entanto, tendo em vista que não houve a demonstração pelo contribuinte de sua participação no processo produtivo –precluindo a oportunidade de fazêlo, eis que não fez tal demonstração nem na manifestação de inconformidade, nem no recurso voluntário, deve ser mantida a glosa realizada pela Fiscalização.” (voto unanimemente acolhido no Acórdão no 3403002.764, Rel. Cons. Ivan Allegretti, sessão de 25.fev.2014) (grifo nosso) Assim, novamente mantenho o entendimento externado pela turma, reconhecendo o direito ao crédito em relação a serviços de transporte de rejeitos industriais, mantendose a glosa em relação aos serviços não especificamente questionados pela defesa. 3.3. Bens do ativo imobilizado Em relação ao ativo imobilizado, as motivações para as glosas (efetuadas em relação a bens com depreciação de 1/48 e de 1/12 foram, respectivamente (fls. 413/414): 13.1 Por aproveitamento do crédito no prazo de 4 (quatro anos) correspondendo a 1/48 (quarenta e oito avos) do valor de Fl. 674DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10280.722268/200905 Acórdão n.º 3403003.516 S3C4T3 Fl. 669 13 aquisição do bem (Lei no 10.833/2003, art 3o , § 14, introduzido pela Lei no 10.865, art. 21 e Instrução Normativa SRF no 457/2004, art. 1, inciso I do § 2o e art. 2o, § 2o, e inciso II do caput). Através (sic) dos arquivos magnéticos referentes a aquisições para o Ativo Imobilizado de maio/2004 a dezembro/2005, constatamos a existência de bens que não se enquadram como maquinas e equipamentos utilizados na produção de bens destinados a venda. Efetuamos a glosa dos bens separandoos em duas categorias: 1) Máquinas, equipamentos e outros bens não utilizados na produção dos produtos destinados à venda. 2) Máquinas, equipamentos e outros bens considerados como Edificações, conforme detalhado nas planilhas 01 a 07B, em anexo. (...) Em relação à construção da Expansão II, o contribuinte informou que a mesma (sic) só entrou em operação a partir de janeiro de 2006 e a Expansão III somente em 2008. (...) 13.2 Por aproveitamento do crédito no prazo de 12 (doze) meses, contados da data de aquisição, sendo calculado, mediante a aplicação da alíquota de 7,6% sobre o valor correspondente a l/12 (um doze avos) do custo de aquisição do bem. O benefício é aplicável às máquinas, aos aparelhos, aos instrumentos e aos equipamentos, novos, relacionados em regulamento e incorporados ao ativo imobilizado adquiridos entre 2006 e 2013, por pessoas jurídicas que tenham projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados prioritários para o desenvolvimento regional em microregiões menos desenvolvidas localizadas em áreas de atuação das extintas Sudene e Sudam. (Lei 11.196/2005, art 31, e Decreto no 5.988/2006). Após analise dos arquivos contendo listagem dos bens com aproveitamento de crédito no prazo de 12 (doze) meses, constatamos diversas irregularidades na utilização dos referidos créditos. Elaboramos a Planilha 07D onde constam todas as glosas efetuadas e as planilhas 07E, 07F e 07G resumindo os valores glosados. Abaixo segue codificação adotada para as glosas efetuadas na planilha 07D: DT05 Glosados em virtude da data de aquisição(emissão nota fiscal) ser anterior a previsão legal que só reconheceu o benefício para bens adquiridos a partir de 2006 EDIF06 Glosados por serem considerados como Edificações do ano de 2006. EDIF07 Glosados por serem considerados como Edificações do ano de 2007. Fl. 675DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN 14 N Glosados por não serem considerados como bens do ativo imobilizado e/ou não empregados no processo produtivo do adquirente. NCD Glosados por não estarem relacionados no Decreto 5.789/2006 mencionado no Decreto no 5.988/2006. NREB Glosados por serem vendas equiparadas a exportações, não gerando direito a crédito.” (grifo nosso) O primeiro grupo de glosas (depreciação de 1/48 Lei no 10.833/2003, art. 3o, § 14) é detalhado nas planilhas 01 a 07B (fls. 99 a 210). De fato, compulsando as planilhas percebese que os objetos das glosas são bens destinados a atividades administrativas (v.g., mesa de reunião, gaveteiro, armário, colchão, leitos e poltronas) ou tratamse de obras civis, não atendendo aos pressupostos da matriz legal (serem máquinas e equipamentos e destinarem se ao processo produtivo). No segundo grupo de glosas (depreciação de 1/12 Lei no 11.196/2005, art. 31), a fiscalização expõe que ocorreram diversas irregularidades, detalhadas nas planilhas de fls. 211 a 341, dividindoas em seis grupos: aquisição anterior à vigência da base legal; edificações de período posterior (2006 e 2007); ausência de qualificação como bens do ativo imobilizado ou empregados no processo produtivo; falta de previsão no decreto regulamentador; e vendas equiparadas a exportações. E a recorrente, em ambos os casos, apresenta defesa genérica, não apontando objetivamente elementos que levariam a comprovar a adequação ao comando legal, ou sequer suscitar dúvida quanto ao registrado pelo fisco. São reproduzidos diversos dispositivos normativos e decisões, mas a defesa não consegue vinculálos de forma eficaz à situação concreta narrada nos autos. Como destacou o julgador de piso, “não foi a autoridade fiscal, mas sim a contribuinte que não se desincumbiu do ônus mínimo de demonstrar razões de fato e de direito que pudessem corroborar suas afirmações”. E a regra de que o encargo referente à depreciação somente é computável no resultado do exercício a partir da época em que o bem começa a ser utilizado encontra expressa guarida no art. 305, § 2o do RIR (por sua vez derivado de disposição legal art. 57, § 8o da Lei no 4.506//1964): “[A] quota de depreciação é dedutível a partir da época em que o bem é instalado, posto em serviço ou em condições de produzir”. Também em relação a tal tema já se manifestou esta Turma no processo congênere de COFINS relativa ao mesmo período, chegando às mesmas conclusões que aqui externamos: “DA GLOSA DOS CRÉDITOS TOMADOS COM BASE NO ART. 3º, § 14 DA LEI Nº 10.833/04 Quanto à glosa dos créditos tomados sobre o valor de aquisição de bens para o ativo imobilizado, como opção à regra geral da tomada de crédito sobre a depreciação desses bens (art. 3º, § 14 da Lei nº 10.833/04), o exame das planilhas 1 a 7B revela que essas glosas foram motivadas pela fiscalização em dois fatos: a) os bens não se enquadram como máquinas e equipamentos ou não são aplicados diretamente na produção dos bens destinados à venda; e b) os bens, embora pertençam ao imobilizado, são edificações não abrangidas pelo benefício legal. (...) Fl. 676DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10280.722268/200905 Acórdão n.º 3403003.516 S3C4T3 Fl. 670 15 Os bens relacionados nessa planilha não se enquadram na hipótese legal do art. 3º, VI, da Lei nº 10.833/03, ou seja, não constituem “máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”. O requisito legal que rende ensejo ao crédito é que as máquinas, os equipamentos ou os “outros bens” sejam passíveis de ativação e que sua destinação seja a locação a terceiros ou o emprego na produção, o que não é o caso dos produtos glosados pela fiscalização na planilha 1. Por seu turno, os valores dos produtos relacionados nas planilha 2 e 5 foram glosados porque os bens ali descritos constituem edificações. Os bens descritos constituem partes de edificações, como estruturas metálicas, ou bens destinados à construção civil, como elevadores, mãodeobra, “diversos materiais para construção civil”, e etc. A opção prevista no art. 3º, § 14 da Lei nº 10.833/04 só alcança os bens especificados no art. 3º, VI, da lei, que não inclui obras de construção civil e nem suas partes. Quanto à planilha 4, os bens relacionados constituem basicamente móveis como por exemplo: gaveteiros, colchões, painel divisor, armários, balcão de atendimento, mesa de reunião, mapoteca e cabideiro, (...). É óbvio que tais produtos não possuem aptidão para gerarem créditos, pois nem sequer são utilizados na produção da alumina. Portanto, ficam mantidas as glosas efetuadas pela fiscalização. DA GLOSA DOS CRÉDITOS TOMADOS COM BASE NO ART. 31 DA LEI Nº 11.196/2005. (...) O que a fiscalização fez foi glosar bens que não se enquadram na previsão contida no art. 31 da Lei nº 11.196/2005. Os requisitos estabelecidos nesse dispositivo legal são os seguintes: a) a pessoa jurídica deve ter projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados prioritários; b) localização nas áreas das extintas Sudene e Sudam; c) o crédito é gerado pela aquisição, a partir do ano de 2006, de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, relacionados em regulamento, destinados à incorporação ao seu ativo imobilizado; d) o desconto do crédito deve ser feito no prazo de 12 meses, contados da aquisição do bem; e e) o crédito é resultante da aplicação da alíquota de 7,6% sobre 1/12 do custo de aquisição do bem. O exame da planilha 7D revela que a fiscalização somente questionou o item “c” acima relacionado, pois os códigos das glosas foram os seguintes: Fl. 677DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN 16 DT05 – indica que o bem foi glosado em virtude da data de aquisição ser anterior à publicação da Lei nº 11.196/2005; EDIF06 E EDIF07 – indica que se tratam de edificações dos anos de 2006 e 2007, que não são contempladas pelo benefício; Nindica que os bens não são considerados bens do imobilizado ou não são empregados no processo produtivo do adquirente; NCDindica que os bens não estão relacionados no regulamento; NREBindica que o bem não possui aptidão para gerar crédito por ter sido adquirido em operação equiparada a exportação (que é desonerada das contribuições). A recorrente mais uma vez não se desincumbiu do ônus estabelecido no art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72, pois não contestou especificamente e nem trouxe documentação hábil a elidir nenhum dos motivos invocados para a glosa. Sendo assim, devem ser mantidos os cálculos elaborados pela fiscalização. A defesa invocou as soluções de consulta proferidas pela 8ª Região Fiscal, nas quais o órgão entendeu que materiais utilizados na manutenção dos bens de produção da empresa são passíveis de gerarem créditos das contribuições. Esse direito em momento algum foi contestado pela fiscalização ou pelo Acórdão de primeira instância. A questão é a mesma já constatada linhas acima, qual seja: o contribuinte não apresentou contestação específica elencando quais itens foram destinados à manutenção do ativo imobilizado, não demonstrou se os bens aplicados eram ou não passíveis de ativação obrigatória e também não demonstrou onde e como foram aplicados. Ao contrário do alegado pela defesa, o art. 6º, §§ 1º e 3º da Lei nº 10.833/03, não autoriza o crédito em relação a qualquer gasto vinculado à obtenção da receita de exportação, pois o § 1º remete o cálculo do crédito ao disposto no art. 3º. Portanto, os eventos que dão direito ao crédito são os mesmos, independentemente de a venda da produção ocorrer no mercado interno ou externo.” (Acórdão no 3403001.956, Rel. Cons. Antonio Carlos Atulim, unânime em relação ao tema, sessão de 20.mar.2013) (grifo nosso) (No mesmo sentido os Acórdãos no 3403001.954 e 955, Rel. Cons. Antonio Carlos Atulim, unânimes em relação ao tema, sessão de 20.mar.2013, que tratavam, respectivamente, da COFINS do quarto e do terceiro trimestres de 2007) Mantémse, assim, novamente o entendimento já firmado na turma, restando hígidas neste tópico as glosas efetuadas pelo fisco. 4. Considerações finais Cabe destacar derradeiramente que o presente processo inclui ainda um Auto de Infração (fl. 419). A autuação, no montante de R$ 3.835.604,67 (não há indicação de multas ou juros) só é mencionada na referida folha, e foi expressamente lavrada “em obediência ao Fl. 678DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10280.722268/200905 Acórdão n.º 3403003.516 S3C4T3 Fl. 671 17 disposto no art. 9o, § 4o do Decreto no 70.235/72”. Tal dispositivo, com a redação dada pela Lei no 11.941/2009, dispõe: “Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (...) § 4o O disposto no caput deste artigo aplicase também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário”. Matematicamente, percebese que o valor da autuação (R$ 3.835.604,67) corresponde exatamente (em verdade, com diferença de um centavo) ao crédito pleiteado no PER de fls. 5 a 8 (R$ 6.442.070,58) subtraído do valor homologado das compensações pelo despacho de fl. 421 (R$ 2.606.465,92). Ou seja, equivale ao valor glosado de créditos. E se a empresa não detém os créditos, a providência a ser adotada pelo fisco é a não efetivação do ressarcimento ou da restituição. Caso já tenham os créditos sido utilizados em compensação declarada, mas não homologada, ainda assim não haveria que se falar em lançamento, mas na providência referida no art. 74, §§ 6o a 9o da Lei no 9.430/1996 (encaminhamento para inscrição em dívida ativa). Assim, entendese que, pelo próprio fundamento adotado (art. 9o, § 4o do Decreto no 70.235/72), não se está efetivamente exigindo crédito tributário, mas tão somente registrando o valor glosado. Não trata, portanto, o presente processo de exigência de crédito tributário, mas de análise de PER (no montante de R$ 6.442.070,58) e de DCOMP (valores de R$ 4.867.500,13, R$ 1.266.290,39, R$ 10,33, R$ 1.128,43, R$ 19.278,18, R$ 8.969,73 e R$ 2.043,42), com parcial deferimento na unidade local, como exposto. Entendimento diverso levaria ou a duplicidade de exigência ou a exigência via lançamento de crédito confessado. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, para reconhecer o direito ao crédito em relação a aquisições de ácido sulfúrico (assim como ao frete relativo a seu transporte) e de óleo combustível BPF, e em relação a serviços de transporte de rejeitos industriais. Rosaldo Trevisan Fl. 679DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN 18 Fl. 680DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 10865.003947/2009-01
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2004 a 01/06/2009
ASSISTÊNCIA À SAÚDE FORNECIDA PELO EMPREGADOR POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. AUSÊNCIA DE SUBSUNÇÃO À NORMA TRIBUTÁRIA. HIPÓTESE DE AUSÊNCIA DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. FALTA DE AJUSTE ENTRE NORMA E FATO. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-003.885
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Fabio Pallaretti Calcini, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2004 a 01/06/2009 ASSISTÊNCIA À SAÚDE FORNECIDA PELO EMPREGADOR POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. AUSÊNCIA DE SUBSUNÇÃO À NORMA TRIBUTÁRIA. HIPÓTESE DE AUSÊNCIA DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. FALTA DE AJUSTE ENTRE NORMA E FATO. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrente SERTA DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2004 a 01/06/2009 ASSISTÊNCIA À SAÚDE FORNECIDA PELO EMPREGADOR POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. AUSÊNCIA DE SUBSUNÇÃO À NORMA TRIBUTÁRIA. HIPÓTESE DE AUSÊNCIA DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. FALTA DE AJUSTE ENTRE NORMA E FATO. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Fabio Pallaretti Calcini, Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 39 47 /2 00 9- 01 Fl. 582DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10865.003947/200901 Acórdão n.º 2803003.885 S2TE03 Fl. 583 2 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal PAF contempla o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.218.9768, que objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias decorrentes da prestação de serviços de cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho, bem como o lançamento de Glosa de Compensação Indevida realizada pelo contribuinte, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 24 a 43, com período de apuração de 07/2004 a 05/2009, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 55 e 56. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 21/12/2009, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, fls. 01. O contribuinte apresentou petição de defesa com razões, as fls. 326 a 360, em 20/01/2010, acompanhada dos documentos, de fls. 361 a 457. Consta dos autos, as fls. 461 e 462, pedido de desistência da impugnação/recurso por parte do contribuinte, relativamente a Glosa de Compensação, tal pedido se fez acompanhar dos documentos, de fls. 463 a 478. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1440.568 9ª, Turma DRJ/RPO, em 27/02/2013, fls. 516 a 519. No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento do decisório da DRJ, em 28/03/2013, conforme AR, de fls. 523. Irresignado o contribuinte impetrou Recurso Voluntário, em 29/04/2013, fls 537 a 561, acompanhada dos documentos, de fls. 562 a 577. As razões recursais sumariadas estão a seguir expostas, salvo os tópicos que se referem a inconstitucionalidade de leis, v.g., das cooperativas, Art. 22, IV, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99 – 15%; Multa Punitiva Inconstitucionalidade; SELIC inconstitucionalidade Mérito. · que é possível a esfera administrativa afastar a aplicação de lei que padece de inconstitucionalidade, sendo isso reconhecido pelo TIT/SP e defendido por Alberto Xavier em artigo jurídico que publicou, cita um precedente do 1º CC, de 14/06/1994 e outros dois da CSRF, datados de 14/04/1989 e 06/11/2001, cita HLM, bem como a professora LMLRR que cita José Afonso da Silva, sendo evidente que o que se pleiteava não era a declaração de inconstitucionalidade da lei, mas sim a não aplicação de lei inconstitucional, devendo o órgão Fl. 583DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10865.003947/200901 Acórdão n.º 2803003.885 S2TE03 Fl. 584 3 julgador manifestarse acerca da inconstitucionalidade e da inaplicabilidade da norma inconstitucional; · que os TRF’s têm entendido que o patamar adequado de multa é de 20%, transcreve decisões, sendo inadmissível o percentual aplicado neste lançamento, sendo que os tribunais superiores sugerem uma multa de 20%, porém a recorrente entende ser este patamar de 20%, ainda, elevado, sugerindo 2%, conforme parágrafo 1º, do artigo 52, da Lei 8.078/90, acrescentado pelo Lei 9.298/96, devendo por analogia e respeito ao princípio da isonomia ser aplicado o percentual de 2%, pois a inflação não chega a 1%, devendo a multa ser anulada por incabível; · que, ainda, que houvesse lei criando a SELIC em razão da aplicação do artigo 161, §1º, do CTN tal patamar não poderia ser superior a 1%, sendo que para ultrapassálo necessário seria lei complementar; · Do requerimento: a) recebimento; b) acolhimento do recurso, reformandose a decisão a quo, julgandose o lançamento totalmente improcedente. A autoridade preparadora não se manifestou sobre a tempestividade do recurso. Os autos subiram ao CARF, fls. 580. Os presentes autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 18/07/2014, Lote 09, despacho, de fls. 581. É o Relatório. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10865.003947/200901 Acórdão n.º 2803003.885 S2TE03 Fl. 585 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Equivocase a recorrente não é possível ao julgador administrativo adentrar em questões de inconstitucionalidade seja para declarála ou simplesmente reconhecêla para afastar a aplicação da lei, pois o afastamento da aplicação da lei existente, válida e eficaz, enseja violação ao princípio da legalidade, usurpação da competência constitucional do Chefe do Poder Executivo Federal, uma vez que só àquela autoridade cabe autorizar a não aplicação de lei, no âmbito da Administração Pública Federal, sendo que o mero afastamento da aplicação da lei confundese com a declaração de sua inconstitucionalidade é o espírito da SV Nº transcrita. Súmula Vinculante 10 Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte. Não cabe ao julgador administrativo pronunciarse sobre questões de inconstitucionalidade ante a expressa vedação legal, abaixo transcrita. Decreto 70.235/72 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) RICARF PT/MF 256/2009 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A razão é muito simples no Poder Executivo – Administração Pública vige o princípio da hierarquia e quem exerce sua chefia máxima é o Senhor Presidente da República, a quem a Constituição da República Federativa do Brasil atribui em primeiro mão a competência de por intermédio da sanção em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional, introduzir a norma no mundo jurídico, dandolhe existência, estipulando sua vigência e atribuindolhe eficácia. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10865.003947/200901 Acórdão n.º 2803003.885 S2TE03 Fl. 586 5 Logo, não é cabível que um servidor que lhe é subordinado e subalterno e lhe deve obediência, possa desfazer de um ato da maior autoridade do Poder Executivo, pois assim estaríamos subvertendo o regime. Além do que, a própria CRFB/88 no artigo 102, caput, estabeleceu que o seu guardião é o Supremo Tribunal Federal – STF. Assim cabe exclusivamente ao órgão maior do judiciário brasileiro o controle concentrado de constitucionalidade da leis e aos demais órgãos do judiciário o difuso. A CRFB/88 não atribui competência para órgão julgador administrativo seja ele qual for, exercer o controle de constitucionalidade das leis. Ademais, todas as normas que passam pelo processo legislativo constitucionalmente estabelecido gozam de presunção de constitucionalidade e assim devem ser respeitadas, afinal de contas é a própria CRFB/88 em seu artigo 5º, inciso LVII, diz: “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;”, “mutatis mutandis”, por que condenar a lei antes que o órgão competente o faça. Assim sendo, todas as argumentações ligadas a questão de constitucionalidade, seja em preliminar ou em mérito, não foram sumariadas e nem serão apreciadas, ante a vedação legal expressa, que se impõe, como demonstrado. Os precedentes administrativos do extinto CC ou da CSRF citados pela recorrente e que entendiam pela possibilidade de afastamento das normas inconstitucionais, não mais têm aplicabilidade, pois todos são anteriores a vedação imposta pela Lei 11.941/2009, e decisão do TIT/SP não obriga ao CARF e não irradia efeitos jurídicos a terceiros. No entanto, o contrário não é vedado ao julgador administrativo, isto é, esclarecer a constitucionalidade, deste ou daquele ato legal. O critério de proporcionalidade e razoabilidade na fixação do patamar da multa é voltado ao legislador ordinário e não ao aplicador da norma, pois a esse último cabe obedecer ao princípio da legalidade e por certo na discussão legislativa que antecedeu a aprovação do projeto de lei, tais princípios foram debatidos. De mais a mais o próprio Supremo Tribunal Federal – STF na ADI 551/RJ suscitada pela recorrente já informou que multa no percentual de até 100% do tributo não configura confisco, foi o que disse o E. Ministro Marco Aurélio Melo em seu voto, veja a passagem transcrita, pois a premissa é simples se a multa não pode ultrapassar o valor do principal por certo esse valor pode chegar até cem por cento. VOTO O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (PRESIDENTE) – Embora haja dificuldade, como ressaltado pelo ministro Sepúlveda Pertence, para se fixar o que se entende como multa abusiva, constatamos que as multas são acessórios e não podem, como tal, ultrapassar o valor do principal. No caso, quando se cogita de multa de duas vezes o valor do principal – que é o tributo não recolhido – ou de cinco vezes, na hipótese de sonegação, verificase o abandono dessa premissa e dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10865.003947/200901 Acórdão n.º 2803003.885 S2TE03 Fl. 587 6 Por isso, acompanho o relator. ADI 5511/RJ. Data 24/10/2002. Tribunal Pleno. (o destaque é meu). Este não é o único precedente do Corte Suprema no RE 241.074RS o D. Ministro Ilmar Galvão assim se posicionou sobre a matéria. EMENTA: TRIBUTÁRIO. COFINS. PARCELAMENTO. JUROS. MULTA DE 80% . ALEGAÇÕES DE EFEITO CONFISCATÓRIO, USURA, E DESRESPEITO AOS PRINCÍPIOS DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E DA ISONOMIA. Alegações improcedentes, em face da legislação que rege a matéria, visto que as cominações impostas à contribuinte, por meio de lançamento de ofício, decorrem do fato de haverse ela omitido na declaração e recolhimento tempestivos da contribuição, assentando o Supremo Tribunal Federal, por outro lado, que a norma do art. 192, § 3.º, da Carta Magna, não é autoaplicável. Recurso não conhecido. (RE 241074, Relator(a): Min. ILMAR GALVÃO, Primeira Turma, julgado em 12/11/2002, DJ 19122002 PP00093 EMENT VOL0209607 PP01416) (o grifo é meu). Aliás, a legislação civil admite que a multa possa chegar a cem por cento da obrigação sem que tal seja considerado confisco. Lei 10.406/2002 Art. 412. O valor da cominação imposta na cláusula penal não pode exceder o da obrigação principal. Assim sendo, não há motivos para excluir ou reduzir as multas aplicadas, uma vez que estão dentro dos limites admitidos e previstos na legislação. A legislação citada pelo contribuinte não tem aplicabilidade no âmbito do processo administrativo fiscal e muito menos na seara tributária federal, pois referese a relação consumerista no âmbito privado. A multas tributárias têm regramento e legislação próprias e a elas se subordinam. A utilização da taxa SELIC é absolutamente admitida e normal na esfera tributária. O artigo 34, da Lei 8.212/91, assim o determinava, estando presente no artigo 35 e 35A, da Lei 8.212/91, bem como é admitida pela Súmula 4 do CARF e pelos nossos tribunais superiores – STJ e STF. Aliás, o próprio CARF tem Súmula sobre o assunto. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10865.003947/200901 Acórdão n.º 2803003.885 S2TE03 Fl. 588 7 O STJ assim se posiciona, sendo inclusive compatível com o artigo 161, § 1º da Lei 5.172/66 para este tribunal superior. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AFERIÇÃO DA NECESSIDADE DE PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. ANÁLISE DOS REQUISITOS FORMAIS DA CDA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7/STJ. PAGAMENTO NÃO EFETUADO. NÃO OCORRÊNCIA DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. PRECEDENTE REGIDO PELA SISTEMÁTICA DO ART. 543C, DO CPC. 1. "Avaliar a necessidade da produção de prova pericial atrai o óbice contido na Súmula 7/STJ, haja vista tal providência demandar o revolvimento do substrato fáticoprobatório permeado nos autos" (AgRg no Ag 989.493/SP, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 23/06/2008). 2. A investigação acerca do preenchimento dos requisitos formais da CDA que aparelha a execução fiscal demanda, necessariamente, a revisão do substrato fático probatório contido nos autos, providência que não se coaduna com a via eleita, conforme vedação expressa da Súmula 7/STJ. 3. É inaplicável o benefício do art. 138 do CTN ao tributo confessado e nãopago pelo contribuinte. 4. A Primeira Seção desta Corte, quando do julgamento do REsp. n. 1.111.175/SP, de relatoria da Ministra Denise Arruda, pacificou entendimento, pela sistemática do art. 543C, do CPC, no sentido da legalidade da Taxa Selic, a qual incide sobre o crédito tributário a partir de 1º.1.1996 não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária tendo em vista que o art. 39, § 4º da Lei n. 9.250/95 preenche o requisito do § 1º do art. 161 do CTN. 5. O presente agravante regimental tratou, também, de questões diversas daquelas pacificadas em sede de recurso repetitivo, pelo que deixo de aplicar a multa prevista no § 2º do art. 557 do CPC. 6. Agravo regimental não provido.(AGA 200900895519, MAURO CAMPBELL MARQUES, STJ SEGUNDA TURMA, 28/09/2010) (grifo meu). A SELIC em recente julgamento do STF no sistema da Repercussão Geral Tema nº 214, no RE 212.209, em 08/06/2011, foi considerada cabível e compatível com a seara tributária, conforme sua página de notícias, assim pensa, também, o STJ, observese os textos. O Plenário do Supremo Tribunal Federal (SFT) ratificou, ontem, quartafeira (18), por maioria de votos, jurisprudência firmada em 1999, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 212209, no sentido de que é constitucional a inclusão do valor do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual, Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) na sua própria base de cálculo. A decisão foi tomada no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 582461, interposto pela empresa Jaguary Engenharia, Mineração e Comércio Ltda .contra decisão do Tribunal de Fl. 588DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10865.003947/200901 Acórdão n.º 2803003.885 S2TE03 Fl. 589 8 Justiça do Estado de São Paulo (TJSP), que entendeu que a inclusão do valor do ICMS na própria base de cálculo do tributo – também denominado “cálculo por dentro” – não configura dupla tributação nem afronta o princípio constitucional da não cumulatividade. No caso específico, a empresa contestava a aplicação, pelo governo de São Paulo, do disposto no artigo 33 da Lei paulista nº 6.374/89, segundo o qual o montante do ICMS integra sua própria base de cálculo. Súmula Em 23 de setembro de 2009, o Plenário do STF reconheceu repercussão geral à matéria suscitada no RE. Após a decisão do RE, o presidente da Corte, ministro Cezar Peluso, propôs que fosse editada uma súmula vinculante para orientar as demais cortes nas futuras decisões de matéria análoga. Assim, uma comissão da Corte vai elaborar o texto da súmula para ser posteriormente submetido ao Plenário. O caso A decisão da Justiça paulista afastou a alegação da empresa de que o artigo 13, parágrafo 1º, da Lei Complementar (LC) nº 87/96 (que prevê a inclusão do valor do ICMS na sua própria base de cálculo), bem como o artigo 33 da lei paulista nº 6.374/89, no mesmo sentido, conflitariam com a Constituição Federal (CF) no que diz caber a lei complementar definir os fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes dos impostos. Considerou legítima, ainda, a aplicação da taxa Selic e da multa de 20% sobre o valor do imposto corrigido. (grifos meus). Esta casa de justiça vem assim decidindo. EMBARGOS DECLARATÓRIOS – ESCLARECIMENTOS. Em se tratando de situação concreta a reclamar esclarecimentos, impõese prover os declaratórios sem o empréstimo de eficácia modificativa. TAXA SELIC – DÉBITO TRIBUTÁRIO. O Tribunal, na sessão plenária de 18 de maio de 2011, apreciando o Recurso Extraordinário nº 582.461/SP, assentou a legalidade da aplicação da taxa Selic para fins tributários. (AI 760894 AgRED, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 03/04/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe084 DIVULG 30042012 PUBLIC 02052012 RET v. 15, n. 85, 2012, p. 139141) (realce meu) A exação em tela nestes autos, qual seja contribuição social previdenciária, em razão da prestação de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, no caso específica médico, UNIMED LESTE PAULISTA COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO, vem sendo objeto de muitas discussões no âmbito do contencioso administrativo e até recentemente vinha me posicionando ao lado de sua validade. Todavia, após novas reflexões e análise de vários elementos entre os quais os estudos sobre a matéria realizado pelo Cons. Amílcar Barca Teixeira Júnior, passei a adotar um novo posicionamento. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10865.003947/200901 Acórdão n.º 2803003.885 S2TE03 Fl. 590 9 Realmente, de um olhar mais aguçado verifico que a questão em tela não se subsume ao que consta do artigo 22, IV, da Lei 8.212/91, observese os esclarecimentos. O citado texto legal diz que “...relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados...”, e, como fica claro no presente caso os serviços não são prestados a ela recorrente empresa, mas sim aos beneficiários da cooperativa, que são os colaboradores da recorrente. A diferença pode ser sutil, mas implica em uma significativa mudança de direção. Um exemplo, talvez, possa por luz sobre a matéria. Imaginese uma cooperativa de trabalho típica – como a de carregadores e descarregadores de carga, em uma transportadora. Ora a transportadora vai contratar a cooperativa que colocará nas dependências desta ou de terceiros os cooperados que realizarão os serviços. Ou seja, uma pessoa jurídica contrata uma cooperativa e recebe serviços dos cooperados por intermédio da cooperativa, hipótese da Lei 8.212/91, artigo 22, IV. No caso dos autos a empresa contrata a cooperativa que ofertará os cooperados em seus consultórios próprios ou nas dependências de hospitais e clínicas conveniadas e os serviços serão prestados aos beneficiários pessoas físicas, colaboradores da empresa fiscalizada e não a entidade contratante da cooperativa. Destarte, penso que a exação ou a situação não se amolda ao artigo 22, IV, da Lei 8.212/91, pois o serviço não é prestado a favor da empresa contratante, mas sim dos beneficiários pessoas físicas, colaboradores da empresa fiscalizada. A exação tornase indevida, isto é, esta deixa de ter suporte e substrato, pois não ocorre o nascimento da obrigação tributária, uma vez que a hipótese de incidência e o fato jurídico material do mundo dos fenômenos não se ajustam, pois compreendem círculos excêntricos e não concêntricos, não havendo a subsunção do fato à norma jurídica tributária. Fl. 590DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10865.003947/200901 Acórdão n.º 2803003.885 S2TE03 Fl. 591 10 Além do que dito, acima e considerado pelos membros dessa turma o Supremo Tribunal Federal – STF no julgamento do RE 595838 / SP considerou o artigo 22, IV, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 9.876/99 inconstitucional, observese a decisão. Diante do exposto, dou provimento ao recurso extraordinário para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. É como voto. Ressalto, por oportuno que como consta dos autos em pelo menos duas passagens que o Levantamento GL – GLOSA DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA, ainda, consta deste PAF, apesar da desistência da impugnação e do recurso formalizada pelo contribuinte, pois segundo consta havia inviabilidade técnica para a realização do desmembramento, devendo a DRF – origem observar, diligenciar e solucionar o situação. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe provimento, pois entendo que a hipótese de incidência abstratamente prevista em lei e situação fática não se ajustam. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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