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Numero do processo: 10903.720009/2018-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2014
SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. REGIME NÃO CUMULATIVO. NÃO INCIDÊNCIA.
No regime de apuração não-cumulativo da Contribuição, os valores decorrentes de subvenção para investimento, na forma de crédito presumido de ICMS, não se caracterizam como receitas tributáveis, nos termos do art. 30 e 54 da Lei n° 12.973/2014; art. 1°, §3°, X da Lei n° 10.637/2002 e art. 1°, §3°, IX da Lei n° 10.833/2002.
SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. APLICAÇÃO IMEDIATA DA LEI COMPLEMENTAR N°160/2017.
O §4° do art. 30, da Lei n° 12.973/2014, com a redação dada pela LC n° 160/2017, prescreve que os incentivos e os benefícios fiscais ou financeiro-fiscais relativos ao ICMS, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos no caput. Já o §5º do mesmo artigo determina a aplicação do §4º aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados, aplicando-se imediatamente a eles.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
null
SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. REGIME NÃO CUMULATIVO. NÃO INCIDÊNCIA.
No regime de apuração não-cumulativo da Contribuição, os valores decorrentes de subvenção para investimento, na forma de crédito presumido de ICMS, não se caracterizam como receitas tributáveis, nos termos do art. 30 e 54 da Lei n° 12.973/2014; art. 1°, §3°, X da Lei n° 10.637/2002 e art. 1°, §3°, IX da Lei n° 10.833/2002.
SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. APLICAÇÃO IMEDIATA DA LEI COMPLEMENTAR N°160/2017.
O §4° do art. 30, da Lei n° 12.973/2014, com a redação dada pela LC n° 160/2017, prescreve que os incentivos e os benefícios fiscais ou financeiro-fiscais relativos ao ICMS, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos no caput. Já o §5º do mesmo artigo determina a aplicação do §4º aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados, aplicando-se imediatamente a eles.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3301-007.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2014 SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. REGIME NÃO CUMULATIVO. NÃO INCIDÊNCIA. No regime de apuração não-cumulativo da Contribuição, os valores decorrentes de subvenção para investimento, na forma de crédito presumido de ICMS, não se caracterizam como receitas tributáveis, nos termos do art. 30 e 54 da Lei n° 12.973/2014; art. 1°, §3°, X da Lei n° 10.637/2002 e art. 1°, §3°, IX da Lei n° 10.833/2002. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. APLICAÇÃO IMEDIATA DA LEI COMPLEMENTAR N°160/2017. O §4° do art. 30, da Lei n° 12.973/2014, com a redação dada pela LC n° 160/2017, prescreve que os incentivos e os benefícios fiscais ou financeiro- fiscais relativos ao ICMS, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos no caput. Já o §5º do mesmo artigo determina a aplicação do §4º aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados, aplicando-se imediatamente a eles. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. REGIME NÃO CUMULATIVO. NÃO INCIDÊNCIA. No regime de apuração não-cumulativo da Contribuição, os valores decorrentes de subvenção para investimento, na forma de crédito presumido de ICMS, não se caracterizam como receitas tributáveis, nos termos do art. 30 e 54 da Lei n° 12.973/2014; art. 1°, §3°, X da Lei n° 10.637/2002 e art. 1°, §3°, IX da Lei n° 10.833/2002. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. APLICAÇÃO IMEDIATA DA LEI COMPLEMENTAR N°160/2017. O §4° do art. 30, da Lei n° 12.973/2014, com a redação dada pela LC n° 160/2017, prescreve que os incentivos e os benefícios fiscais ou financeiro- fiscais relativos ao ICMS, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 3. 72 00 09 /2 01 8- 58 Fl. 655DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-007.502 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10903.720009/2018-58 são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos no caput. Já o §5º do mesmo artigo determina a aplicação do §4º aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados, aplicando-se imediatamente a eles. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (documento assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Adoto o relatório da decisão recorrida, por economia processual: Em decorrência de ação fiscal desenvolvida junto à empresa qualificada, foram lavrados os Autos de Infração da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 467/478), conforme demonstrativos abaixo: (...) Os detalhes do procedimento fiscal estão descritos no Termo de Verificação Fiscal (fls. 481/528), cujo resumo no tocante à autuação é o seguinte: - Inicialmente, a Fiscalização alerta para não se confundir as empresas BRITÂNIA ELETRÔNICOS ou simplesmente “BRITÂNIA”, objeto da presente fiscalização, e suas acionistas BRITÂNIA ELETRODOMÉSTICOS, CNPJ 76.492.701/0001-57, com 57,6% das ações, e BRITÂNIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., CNPJ 04.644.892/0001-14, com os restantes 42,4% das ações. A autuada BRITÂNIA ELETRÔNICOS era anteriormente denominada “DIAMOND BUSINESS TRADING S/A”, como se vê na maior parte dos documentos societários juntados aos autos. - A BRITÂNIA é beneficiária de crédito presumido de ICMS, concedido pelo Estado de Santa Catarina. No AC 2014 creditou-se aproximadamente de R$ 146 milhões em receitas de crédito presumido de ICMS. Da apuração e contabilização do Crédito Presumido de ICMS/SC Fl. 656DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-007.502 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10903.720009/2018-58 - Destaca que as receitas auferidas pela BRITÂNIA, advindas das subvenções concedidas por recebimento de créditos presumidos de ICMS do Estado de Santa Catarina, transitaram a crédito de contas de resultado (Conta 3121002 – ICMS, às fls. 420 a 461) e finalmente foram integralizadas na conta Patrimonial (Conta 2360003 – Reserva de Incentivos Fiscais-ICMS, às fls. 462 a 466). - Sem fundamento legal, estas receitas de subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas do Estado de Santa Catarina, não sofreram incidência do PIS e da COFINS, apesar de terem transitado por conta de resultado e constarem da Reserva de Incentivos Fiscais – ICMS da fiscalizada. - Conforme se demonstra dos lançamentos contábeis, o crédito presumido de ICMS é receita, uma vez que impacta positivamente o resultado do período aumentando o lucro. Sem a apropriação do crédito presumido, o desembolso com pagamentos de ICMS seria bem maior e o resultado de lucro do período seria bem menor. De fato, sem o CP de ICMS, o resultado seria de prejuízo contábil em 2014. Da Situação da BRITÂNIA em relação Crédito Presumido de ICMS em Santa Catarina - A análise dos Atos Administrativos apresentados pela fiscalizada (fls. 62 a 82) levou a Fiscalização a concluir que a fiscalizada é beneficiária de Subvenções para Custeio e ou Operação, pois em seus contextos não há a menção de quaisquer obrigações por parte da subvencionada que impliquem em “investimento” no sentido do art. 38 do DL 1.598/77 e do art. 18 da Lei 11.941/2009. - Em análise do Protocolo de Intenções com o governo do Estado de Santa Catarina (fls. 75 a 82), verifica-se que o referido protocolo fala em propósito de “manutenção dos investimentos atuais”, e não “implantação ou expansão de empreendimentos”, ou seja, o sentido de manutenção é o mesmo de custeio. Despacho Concessório - O Despacho Concessório nº 165000002751494 foi proferido pela Diretoria de Administração Tributária da Secretaria de Estado da Fazenda/SC no bojo do Tratamento Tributário Diferenciado nº 125000001688634. A vigência nele informada é de janeiro/2013 em diante. - A BRITÂNIA foi questionada sobre quais são as obrigações porventura exigidas pelo Estado de Santa Catarina em contrapartida do benefício de subvenção de ICMS concedido. Em resposta a fiscalizada afirmou que: Fl. 657DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-007.502 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10903.720009/2018-58 - Acontece que a autuada BRITÂNIA não tem produção, pois não é uma indústria e sim, basicamente, uma importadora. Portanto, tal condição de “incremento da produção própria”, se cumprida, o foi por empresa alheia à fiscalizada e, portanto, não pode a fiscalizada beneficiar-se de efeitos tributários de subvenção para investimentos se os investimentos foram levados a efeitos por outra(s) empresa(s) que não a dita subvencionada. - Os esclarecimentos retro são seguidos por cinco tabelas demonstrativas (fls. 14 e 15) que em suma informam: * Dispêndios de R$ 61,9 milhões pelo grupo BRITÂNIA nos AC 2005 a 2015 sendo R$ 10,1 milhões no AC 2014, principalmente em máquinas e acessórios (R$ 7,2 milhões) e móveis e utensílios (R$ 2,4 milhões); porém, apenas 2,5% ou R$ 252.901,64 foram aplicados pela fiscalizada BRITÂNIA no AC 2014 (vide tabela a seguir); * Totais mensais de 1744 a 1996 empregos diretos mantidos pelo grupo BRITÂNIA, mas na fiscalizada, apenas 7% a 8% dos empregos ou totais mensais de 140 a 148 de empregos diretos mantidos (dados do CAGED do AC 2014); * R$ 13.826.946,64 em despesas incorridas com serviços logísticos contratados de empresas estabelecidas no estado de Santa Catarina; * Contribuição de R$ 5,4 milhões aos Fundos Social, de Defesa Civil, de Educação, e Pró Emprego, e recolhimentos de ICMS no valor de R$ 16,4 milhões, no Fl. 658DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-007.502 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10903.720009/2018-58 AC 2014, somando recolhimentos de R$ 21,9 milhões entre contribuições aos Fundos Estaduais e ICMS Normal. - O importante dos dados apresentados, e da resposta da BRITÂNIA às fls. 11 a 19, é que a fiscalizada realizou apenas 2,5% dos “investimentos” de seu grupo econômico em SC, e manteve menos de 8% da força de trabalho total, e sem aumento significativo no número de empregos diretos durante o AC 2014. - Segue detalhamento do desembolso da BRITÂNIA ELETRÔNICOS em 2014, em relação aos R$ 10,1 milhões ditos gastos pelo grupo de empresas no mesmo ano: Do monopsônio entre partes relacionadas - Durante o AC 2014 a BRITÂNIA ELETRÔNICOS teve um único cliente: a sua controladora BRITÂNIA ELETRODOMÉSTICOS lhe adquiriu 99,81% de todas as mercadorias conforme totalização das NF de saída da autuada. - A mesma situação se repete nos anos-calendário anterior e posterior. Em 2013 a BRITÂNIA ELETRODOMÉSTICOS adquiriu 98,94% de todas as mercadorias saídas da BRITÂNIA ELETRÔNICOS. E em 2015 a BRITÂNIA ELETRODOMÉSTICOS adquiriu 99,61% das mercadorias saídas da BRITÂNIA ELETRÔNICOS. - Ou seja, na prática, tanto no período autuado de 2014 como nos AC anterior e posterior, a autuada BRITÂNIA ELETRÔNICOS vende apenas para a BRITÂNIA ELETRODOMÉSTICOS (de acordo com as NCM, em 2014 a autuada importava principalmente matéria prima para a indústria da BRITÂNIA ELETRODOMÉSTICOS). - Tanto é assim que o próprio Despacho “TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DIFERENCIADO Nº 125000001688634” autorizou o CP de ICMS nas vendas da BRITÂNIA ELETRÔNICOS (antiga “DIAMOND”) para filiais da sua controladora BRITÂNIA ELETRODOMÉSTICOS conforme dispositivos transcritos a seguir: Fl. 659DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-007.502 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10903.720009/2018-58 Da fundamentação jurídica do procedimento da BRITÂNIA - No presente caso trata-se de receita de subvenção para custeio dada a não exigência específica de implantação ou expansão de empreendimento econômico. E se por acaso o CP de ICMS fosse receita de subvenção para investimento, ainda assim inaplicável a isenção para a BRITÂNIA, visto que os “investimentos” do período foram realizados por outras empresas distintas da subvencionada (ainda que do mesmo “grupo econômico”). - Quanto à opção pela aplicação das disposições da Lei nº 12.973/2014 para o ano-calendário de 2014, ou seja, retroativamente, a partir de 1º de janeiro de 2014, a BRITÂNIA (à época “DIAMOND”) informou “NÃO” em sua ECF. Em atenção ao disposto no art. 2°, § 1º, da IN RFB nº 1469/2014, tal opção também foi feita em sua DCTF referente ao mês de agosto/2014. - No presente caso, como a BRITÂNIA não optou pela antecipação dos efeitos da Lei 12.973/2014 de 1º de janeiro de 2015 para 1º de janeiro de 2014 (“fim do RTT”), então, para a mesma, no período em questão - AC 2014 - não se aplica a Lei 12.973/2014. Também não se aplicam as disposições dos §§ 4º e 5º do art. 30 da Lei 12.973/2014 incluídos pela Lei Complementar 160/2017, por vedação legal expressa (ausência de opção para 2014). Portanto, para a BRITÂNIA é aplicável o art. 18 da Lei 11.941/2009 durante o AC 2014. Exigências do DL 1.598/77 e da Lei 12.973/2014: implantação ou expansão - Diante da aparente inovação legislativa, cabe ressaltar que: a) O art. 9º da LC 160/2017 alterou o art. 30 da Lei 12.973/2014 acrescentando- lhe os §§ 4º e 5º; mas não alterou o caput do art. 30 da Lei 12.973/2014, o qual dispõe que as subvenções “para investimento” são aquelas “concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos”; b) O § 4º incluído pela LCP 160/2017 no art. 30 da Lei 12.973/2014 afastou “a exigência de outros requisitos ou condições não previstos” no art. 30, ou seja, o novel § 4º do art. 30 da Lei 12.973/2014: Fl. 660DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-007.502 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10903.720009/2018-58 a. Mantém as exigências dos requisitos e condições previstos no próprio art. 30 da Lei 12.973/2014, e b. Veda a exigência de outros requisitos ou condições não previstos no mesmo art. 30 da Lei 12.973/2014. c. “Outros requisitos ou condições”: refere-se a exigências feitas fora do caput e §§ do art. 30 da Lei 12.973/2014; p.ex. eventuais exigências exaradas em Pareceres, Instruções, etc. c) Estas condições do caput do art. 30 da Lei 12.973/2014, quais sejam, de “implantação ou expansão de empreendimentos econômicos”, encontram-se na legislação há mais de quarenta anos, desde a edição do Decreto-Lei nº 1.598 de 1977; d) O DL 1.598/77, em seus arts. 19, V, e 38, § 2º assim definiu: “... as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção e redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos...”. e) O Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999), reportando-se aos DL 1.598 e 1.730 já citados, da mesma forma dispõe em seu art. 443: “...as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos”; f) A Lei 11.941/2009, no seu art. 18, manteve a mesma linha: “...Para fins de aplicação do disposto nos arts. 15 a 17 desta Lei às subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, ...” g) A Lei 12.973/2014, no art. 30, seguiu exatamente a mesma e antiga definição: “As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos”; - O Protocolo de Intenções firmado em 29/10/2012 (fls. 72 a 82) diz respeito a “investimentos”, porém: 1. Genericamente falando, com o sentido amplo de “gastos” ou “desembolsos” que deverão ser feitos no estado de SC; 2. Por empresas do mesmo grupo econômico, e não exclusivamente pela ora fiscalizada BRITÂNIA (antiga DIAMOND); 3. Minimamente efetuados pela subvencionada (na prática, a BRITÂNIA “investiu” apenas 2,5% do valor total “investido” pelo seu grupo econômico); 4. É anterior ao Acordo ratificado em 29/04/2011 pelo documento “DESPACHO CONCESSÓRIO Nº 115000001135169”; Fl. 661DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-007.502 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10903.720009/2018-58 5. Afirma categoricamente que o mesmo não é um contrato preliminar. Ora, se não há contrato preliminar, e não há outro documento posterior equivalente, não há também o contrato definitivo. E se não há novo contrato, definitivo, não há outras obrigações entre as partes além do escrito no documento. Portanto, a fiscalizada BRITÂNIA, individualmente, não tem quaisquer obrigações de investimento no estado de SC. Logo, se não há obrigações para a fiscalizada BRITÂNIA de investir em implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, então, em relação ao PROTOCOLO e DESPACHO firmados, os desembolsos das empresas por seu atos de gestão são mera liberalidade. Refutando que o CP de ICMS “não é receita” - O CP de ICMS, enquanto subvenção para custeio, é tributável pelo PIS e pela Cofins, visto que: a) Os arts. 1º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 permaneceram inalterados; b) Portanto, os mesmos são, inequivocamente, fato gerador de PIS e COFINS por compreenderem “o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil ”, e além disso; c) Não foi revogado o caput do art. 3º da Lei 9.718/98; d) A Lei 11.941/2009 trata de conceitos contábeis e de nova redação da Lei das S/A, e por isso, ao revogar o § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, fê-lo adequando o conceito de Receita Bruta à sua acepção contábil e não a seus efeitos fiscais; não fosse assim, teriam sido também revogados os arts. 1º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, contudo, permaneceram inalterados; e) A isenção prevista do art. 21, § único, inciso I, da Lei 11.941/2009, alcança somente as subvenções para investimento (interpretação literal) não as para custeio (caso da subvenção ora em análise). f) O CP de ICMS é receita de acordo com a ciência contábil cristalizada na Lei das S/A. - A norma contábil brasileira, formalizada principalmente na Lei das S/A e em diversos pronunciamentos contábeis, admite apenas duas formas de origem de recursos para uma entidade: "Aumento de Capital Social" ou "Receitas". Uma “exceção” poderia ser uma “recuperação de despesas”, o que não é o caso, como mais adiante se vê. CP de ICMS não é Recuperação de custos ou de despesas Se o estado de SC remitir (perdoar) um passivo da BRITÂNIA para com próprio estado de SC, não está a BRITÂNIA recuperando despesas com o estado de SC, porque não se trata de despesas ou desembolso com terceiros e sim com o seu credor de ICMS que é o estado de SC. É perdão de dívida por mera liberalidade do credor estado de SC e por convenção entre as partes. CP de ICMS é Perdão ou Remissão de dívida - Sendo a obrigação da BRITÂNIA (ICMS a recolher) cancelada ou reduzida pelo seu credor, o estado de Santa Catarina, a extinção da obrigação se dá, Fl. 662DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-007.502 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10903.720009/2018-58 necessariamente, mediante perdão de dívida, mediante a remissão pelo estado de SC da obrigação tributária da BRITÂNIA. - A Solução de Consulta nº 17 - SRRF01/Disit, de 27 de abril de 2010, esclarece os efeitos do perdão de dívida como receita sujeita ao PIS e à Cofins. - O ICMS a Recolher é creditado no Passivo da BRITÂNIA para somente depois de um tempo ser quase que integralmente remitido mediante a baixa por CP de ICMS reconhecido a crédito de conta de resultado. Em suma, com histórico de “VALOR REF. CREDITO PRESUMIDO”, a BRITÂNIA credita o CP de ICMS à conta de resultado 3121002 - ICMS e debita na conta de passivo 2120002 - ICMS. - A RECOLHER baixando ou reduzindo a dívida ou obrigação correspondente. CPC 07 – Subvenção Governamental – Destaques - O Pronunciamento Técnico CPC 07 (R1), do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, trata de Subvenção e Assistência Governamentais. São destaques do CPC 07: “12. Uma subvenção governamental deve ser reconhecida como receita ao longo do período e confrontada com as despesas que pretende compensar, em base sistemática, desde que atendidas as condições deste Pronunciamento. A subvenção governamental não pode ser creditada diretamente no patrimônio líquido. (...) 15. O tratamento contábil da subvenção governamental como receita deriva dos seguintes principais argumentos: (a) uma vez que a subvenção governamental é recebida de uma fonte que não os acionistas e deriva de ato de gestão em benefício da entidade, não deve ser creditada diretamente no patrimônio líquido, mas, sim, reconhecida como receita nos períodos apropriados; (b) subvenção governamental raramente é gratuita. A entidade ganha efetivamente essa receita quando cumpre as regras das subvenções e cumpre determinadas obrigações. A subvenção, dessa forma, deve ser reconhecida como receita na demonstração do resultado nos períodos ao longo dos quais a entidade reconhece os custos relacionados à subvenção que são objeto de compensação; (c) assim como os tributos são despesas reconhecidas na demonstração do resultado, é lógico registrar a subvenção governamental que é, em essência, uma extensão da política fiscal, como receita na demonstração do resultado. (...) 15B. Há situações em que é necessário que o valor da subvenção governamental não seja distribuído ou de qualquer forma repassado aos sócios ou acionistas, fazendo-se necessária a retenção, após trânsito pela demonstração do resultado, em conta apropriada de patrimônio líquido, para comprovação do atendimento dessa condição. Nessas situações, tal valor, após ter sido reconhecido na demonstração do resultado, pode ser creditado à reserva própria (reserva de incentivos fiscais), a partir da conta de lucros ou prejuízos acumulados.” - Cita jurisprudência do CARF a respeito do Crédito Presumido de ICMS/SC. II - DA IMPUGNAÇÃO Fl. 663DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-007.502 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10903.720009/2018-58 Cientificada das autuações em 07/12/2018 (fl. 533), a interessada apresentou, em 02/01/2019, a impugnação (fls. 538/563) e documentos anexos, para alegar, em síntese e fundamentalmente, o seguinte: - A BRITÂNIA ELETRÔNICOS S.A, doravante denominada como Impugnante, é uma sociedade anônima que exerce atividades de comércio atacadista de aparelhos eletrônicos de uso pessoal e doméstico, no território nacional, sediada no Estado de Santa Catarina. Da não caracterização dos créditos presumidos de ICMS como receita bruta para fins de incidência de PIS e COFINS - Não há incidência de PIS e COFINS sobre créditos presumidos de ICMS, sendo irrelevante serem os mesmos qualificados como subvenção para investimento ou subvenção para custeio. - A base de cálculo do PIS/COFINS se restringe às receitas obtidas pelo contribuinte em decorrência da venda de mercadorias ou serviços, visto estes fatos reunirem os elementos a servir-lhe de suporte, ou seja, o ingresso financeiro que incorpora, de forma positiva e definitiva, ao patrimônio do contribuinte, representando o objeto para o qual fora constituída a pessoa jurídica e a contraprestação do emprego de fatores produtivos em prol da sociedade. - As subvenções governamentais concedidas através de créditos presumidos de ICMS configuram-se benefícios fiscais concedidos pelos Estados-membros com o objetivo de estabelecer equilíbrio de mercado entre empresas estabelecidas em outros Estados e que gozem de benefícios regionais específicos, reduzindo-se a carga fiscal. Nesse sentido, o benefício fiscal representa uma recuperação de custo, não consistindo em receita nova. - O crédito presumido em análise tem o condão de reduzir a despesa de ICMS da empresa subvencionada. E em se tratando de uma redução de despesa, não se pode interpretar que tal valor tenha natureza de receita, sob pena de se pretender a tributação sobre riqueza inexistente. - Destaca-se a alínea “b” do inciso V do § 3º do art. 1º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que determinam que não integram a base de cálculo as receitas referentes a "reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de participações societárias, que tenham sido computados como receita". - Do exposto, se mostra irrelevante a qualificação do crédito presumido de ICMS outorgado pelo Estado-membro se como subvenção para custeio ou investimento para finalidade de exclusão da base de cálculo dos referidos valores do PIS e da COFINS, restando plenamente aplicável ao caso em análise a previsão do “b” do inciso V do § 3º do art. 1º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. - Cita o Parecer do Procurador Geral da República, exarado nos autos do Recurso Extraordinário - RE nº 835.818/PR, no qual foi reconhecida a repercussão geral, bem como doutrina e jurisprudência administrativa e judicial. Do incentivo fiscal fruído pela Impugnante – Caracterização como subvenção para investimento Fl. 664DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-007.502 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10903.720009/2018-58 - O incentivo fiscal fruído pela Impugnante tem como base legal a Lei Complementar Estadual nº 541/2011, a Lei Estadual nº 10.297/1996 e o Decreto nº 418/2011. - A concessão do benefício fiscal foi perfectibilizada pelo Tratamento Tributário Diferenciado nº 125000001688634, anexado à presente, com data de início em 01/01/2013, e que estabelece crédito presumido na operação subsequente à importação de mercadoria para comercialização. - Para fazer jus ao incentivo fiscal, as contrapartidas exigidas pelo Estado de Santa Catarina foram estabelecidas no Protocolo de Intenções firmado em 29 de outubro de 2012, sendo que o cumprimento das obrigações em análise foi integralmente atestado e comprovado durante o processo de fiscalização. - Caso pertinente, requer a baixa dos autos em diligência, a fim de que a autoridade fiscal confirme o cumprimento integral de todos os requisitos estabelecidos no Protocolo de Intenções. - Conforme já decidiu o CARF, não se aplicam à caracterização da subvenção para investimento os requisitos impostos pelo Parecer Normativo nº 112/78, que exige a aplicação integral dos incentivos em bens do ativo imobilizado. No caso em análise, as contrapartidas diversas exigidas foram atendidas, tendo a subvenção atingido o investimento esperado pelo Estado Catarinense nas diversas áreas que lhe eram relevantes. - Em sendo caracterizados os incentivos fiscais fruídos pela Impugnante como subvenções para investimento, não há incidência de PIS e COFINS, já que durante o ano-calendário 2014 vigia o disposto no art. 21 da Lei nº 11.941/2009, que autorizava, no âmbito do Regime Tributário de Transição (RTT), a exclusão dos valores de subvenção para investimento da base de cálculo das contribuições PIS e COFINS. - Cita decisões do CARF relativas a processos anteriores da Impugnante, em que foi reconhecida a natureza de subvenção para investimento do crédito presumido de ICMS concedido pelo Estado de Santa Catarina, PAF nº 10920.724243/2012-51 e 13974.720014/2013-19. Da Lei Complementar nº 160/2017 – Da superação do conceito de subvenção para investimento - A Lei Complementar nº 160/2017, no artigo 9º, incluiu os §§ 4º e 5º ao artigo 30 da Lei nº 12.973/2014, que assevera que os benefícios fiscais ou financeiros-fiscais concedidos pelos Estados relativos ao ICMS, por força de lei, passaram a ser considerados subvenção para investimento – estando, dentre eles, os créditos presumidos de ICMS. - A norma em questão tem caráter interpretativo, pois nos termos do § 5º se aplica inclusive aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados. - Cumpre salientar que a Lei Complementar nº 160/2017 previa requisitos a serem observados por convênio a ser publicado, conforme seu art. 3º. Tal convênio foi posteriormente publicado – trata-se do Convênio ICMS nº 190/2017. - Tanto a LC nº 160/2017 quanto o Convênio ICMS nº 190/2017 definiram os requisitos a serem observados para que seja aplicável a novação do artigo 9º da LC nº Fl. 665DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-007.502 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10903.720009/2018-58 160/2017, a fim de qualificar os incentivos como subvenção para investimento, não cabendo interpretações adicionais quanto à caracterização ou não desta qualidade, como pretende a autoridade fiscal. - O Estado de Santa Catarina cumpriu integralmente com os requisitos estabelecidos na LC nº 160/2017 e no Convênio ICMS nº 190/2017, de forma que a publicação dos atos normativos relativos aos benefícios fiscais foi realizada através do Decreto nº 1.555/2018. - Por sua vez, o registro e o depósito no CONFAZ da documentação comprobatória dos incentivos também foram integralmente observados pelo Estado de Santa Catarina, conforme se atesta do relatório gerado no Sistema de Administração Tributária – SAT, em que o Estado disponibiliza os atos concessivos depositados no CONFAZ (telas do sistema e relatórios também constam como anexo à presente). O registro e o depósito dos atos concessivos foram perfectibilizados mediante os Certificados de Registro de Depósito no CONFAZ - 32/2018, 45/2018, 54/2018 e 63/2018. - Portanto, não restam dúvidas quanto à aplicabilidade da LC nº 160/2017, e, para o caso em tela, dos efeitos estabelecidos pelos §§ 4º e 5º do art. 9º da referida norma, que caracterizam o incentivo fiscal fruído como subvenção para investimento. - Os requisitos legais para caracterização da subvenção para investimento, tanto nos termos do Decreto-Lei nº 1.598/1977, da Lei nº 12.973/2014, quanto da Lei Complementar nº 160/2017, foram integralmente cumpridos – quais sejam, a manutenção dos valores em conta de patrimônio líquido, em Reserva de Lucros específica para Incentivos Fiscais, que somente teria utilização restrita, sem se operar qualquer distribuição dos valores aos sócios/acionistas. - Diante do exposto, ao contrário do fundamento adotado pela lavratura aqui impugnada, o comando interpretativo disciplinado nos §§ 4º e 5º do artigo 30 da Lei nº 12.973/2014 possui plena aplicabilidade ao caso em tela, devendo assim serem integralmente baixadas as exações aqui impugnadas. - Cita jurisprudência administrativa e judicial. Da violação ao princípio constitucional federativo - Mediante a concessão de benefícios fiscais, o Estado de Santa Catarina realiza renúncia fiscal, aplicando seus recursos nas empresas através da concessão de créditos de ICMS, não existindo previsão legal para as consequências fiscais pretendidas pela Receita Federal. - A pretensão da União Federal representa invasão da competência tributária privativa dos Estados, na medida em que limitaria a eficácia de benefícios fiscais por eles concedidos. - Tal interferência na competência dos Estados-membros vem sendo repelida pelo Superior Tribunal de Justiça que, ao julgar os Embargos de Divergência nº 1.517.492/PR, unificou o entendimento de ambas as turmas, determinando a não tributação do crédito presumido de ICMS. - Assim, incabível a tributação por PIS e COFINS também sob a ótica da impossibilidade de interferência de um ente na tributação de outro ente, sob pena de violação do pacto federativo previsto na Constituição Federal. Fl. 666DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3301-007.502 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10903.720009/2018-58 Do Pedido - Diante do exposto, a Impugnante requer, respeitosamente, dignem-se Vossas Senhorias a julgar integralmente procedente a presente Impugnação Administrativa, afastando as exações aqui impugnadas, em vista da regularidade na apuração das contribuições ao PIS e a COFINS, visto que (i) os créditos presumidos de ICMS outorgados pelo Estado de Santa Catarina não se qualificam como receita para fins de tributação, nos termos da exposição; (ii) o incentivo fiscal da Impugnante ser qualificado como subvenção para investimento, mesmo antes do advento da Lei Complementar nº 160/2017; (iii) após o advento da Lei Complementar nº 160/2017, não restam dúvidas quanto à caracterização do incentivo como subvenção para investimento; e (iv) a eventual tributação de PIS e COFINS sobre incentivos fiscais estaduais configura ofensa ao pacto federativo. A 1ª Turma da DRJ/BHE, acórdão nº 02-093.246, deu provimento à impugnação, com decisão assim ementada: CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. REQUISITOS. Os incentivos e benefícios fiscais ou financeiro-fiscais relativos ao ICMS instituídos unilateralmente (sem convênio) até a data de início de produção de efeitos da Lei Complementar nº 160, de 2017, passaram a ser considerados subvenções para investimentos, desde que respeitados os requisitos previstos no art. 30 da Lei nº 12.973, de 2014, e atendidas as exigências de registro e depósito previstas no art. 3º da mencionada Lei Complementar. Diante disso, cabe o recurso de ofício, nos termos do art. 34 do Decreto nº 70.235/72, com alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/1997, c/c art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09/02/2017. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora. O recurso de ofício reúne os pressupostos legais de interposição, dele, tomo conhecimento. A controvérsia reside nas exclusões da base de cálculo do PIS e da COFINS, regime não-cumulativo, do crédito presumido de ICMS concedido pelo Estado de Santa Catarina. Entendo que a decisão de piso é irretocável, porquanto os créditos presumidos de ICMS são subvenções para investimento, não compondo as bases de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 667DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3301-007.502 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10903.720009/2018-58 Sustento tal entendimento em três pilares: a) o advento da Lei Complementar nº 160/2017, a qual acrescentou os §§ 4º e 5º ao art. 30 da Lei nº 12.973/14; b) cumprimento dos requisitos do art. 30 da Lei nº 12.973/2014 e registro e depósito, nos termos do art. 3º da Lei Complementar nº 160/2017 e c) a posição firmada pelo STJ, nos Embargos de Divergência em REsp nº 1.517.492 – PR, DJ 01/02/2018. a) Advento da Lei Complementar nº 160/2017 O art. 30 da Lei n° 12.973/2014 passou a ter a seguinte redação, dada pela LC n° 160/2017: Art. 30. As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e as doações feitas pelo poder público não serão computadas na determinação do lucro real, desde que seja registrada em reserva de lucros a que se refere o art. 195-A da Lei n o 6.404, de 15 de dezembro de 1976, que somente poderá ser utilizada para: I - absorção de prejuízos, desde que anteriormente já tenham sido totalmente absorvidas as demais Reservas de Lucros, com exceção da Reserva Legal; ou II - aumento do capital social. § 1 o Na hipótese do inciso I do caput, a pessoa jurídica deverá recompor a reserva à medida que forem apurados lucros nos períodos subsequentes. § 2 o As doações e subvenções de que trata o caput serão tributadas caso não seja observado o disposto no § 1 o ou seja dada destinação diversa da que está prevista no caput, inclusive nas hipóteses de: I - capitalização do valor e posterior restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou subvenções governamentais para investimentos; II - restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, nos 5 (cinco) anos anteriores à data da doação ou da subvenção, com posterior capitalização do valor da doação ou da subvenção, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitada ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou de subvenções governamentais para investimentos; ou III - integração à base de cálculo dos dividendos obrigatórios. § 3 o Se, no período de apuração, a pessoa jurídica apurar prejuízo contábil ou lucro líquido contábil inferior à parcela decorrente de doações e de subvenções governamentais e, nesse caso, não puder ser constituída como parcela de lucros nos termos do caput, esta deverá ocorrer à medida que forem apurados lucros nos períodos subsequentes. § 4 o Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeiro-fiscais relativos ao imposto previsto no inciso II do caput do art. 155 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo. (Incluído pela Lei Complementar nº 160, de 2017) § 5 o O disposto no § 4 o deste artigo aplica-se inclusive aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados. (Incluído pela Lei Complementar nº 160, de 2017) Fl. 668DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 3301-007.502 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10903.720009/2018-58 O §4° prescreve que os incentivos e os benefícios fiscais ou financeiro-fiscais relativos ao ICMS, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos no art. 30. Logo, obsta a imposição de requisito estranho ao prescrito pelo caput, tais como os sustentados pela fiscalização. E, o §5º do art. 30 da Lei nº 12.973/2014 determina a aplicação do §4º aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados, aplicando-se, portanto, ao presente processo. Por sua vez, o art. 10 da Lei Complementar nº 160/2017 estabeleceu: Art. 10. O disposto nos §§ 4o e 5o do art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, aplica-se inclusive aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeiro-fiscais de ICMS instituídos em desacordo com o disposto na alínea ‘g’ do inciso XII do § 2° do art. 155 da Constituição Federal por legislação estadual publicada até a data de início de produção de efeitos desta Lei Complementar, desde que atendidas as respectivas exigências de registro e depósito, nos termos do art. 3o desta Lei Complementar. Dessa forma, até mesmo os benefícios fiscais de ICMS concedidos unilateralmente (sem convênio), “guerra fiscal”, até a data de início de produção de efeitos da Lei Complementar nº 160/2017 são considerados subvenções para investimentos, desde que atendidos os requisitos do art. 30 da Lei nº 12.973/2014 e que haja o registro e depósito previstos no art. 3º da mesma Lei Complementar e regulamentados pelo Convênio ICMS nº 190, de 15 de dezembro de 2017. Então, nos termos do §5°, a aplicação das prescrições da LC n° 160 é imediata, inclusive ao objeto do presente processo. b) Cumprimento dos requisitos do art. 30 da Lei nº 12.973/2014 e registro e depósito, nos termos do art. 3º da Lei Complementar nº 160/2017 No tocante ao atendimento dos requisitos do art. 30 da Lei nº 12.973/2014 e registro e depósito, nos termos do art. 3º da Lei Complementar nº 160/2017, a decisão de piso tratou de forma didática desse tema. Transcrevo o voto condutor, por com ele concordar integralmente, adotando-o como minhas razões de decidir: Em consulta ao sítio eletrônico do CONFAZ constata-se que o Estado de Santa Catarina efetuou o registro e o depósito da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos do referido benefício fiscal, conforme Certificados de Registro de Depósito no CONFAZ – 32/2018, 45/2018, 54/2018 e 63/2018. Da mesma forma atesta-se o cumprimento conforme relatório gerado no Sistema de Administração Tributária – SAT, em que o Estado disponibiliza os atos concessivos depositados no CONFAZ (acostado aos autos às fls. 600/606). O incentivo fiscal em questão do Estado de Santa Catarina tem como base legal a Lei Complementar Estadual nº 541, de 2011, a Lei Estadual nº 10.297, de 1996, e o Decreto nº 418, de 2011, e foi concedido por meio do Tratamento Tributário Diferenciado nº 125000001688634, Despacho Concessório nº 165000002751494 (anexado às fls. 62/74) que, em síntese, concede crédito presumido de ICMS na operação subsequente à importação de mercadoria para comercialização. Fl. 669DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 3301-007.502 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10903.720009/2018-58 O Decreto nº 418, de 2011, dispõe em seu art. 3º a respeito do tratamento tributário diferenciado: Art. 3º O Secretário de Estado da Fazenda fica autorizado a conceder tratamento tributário diferenciado, conforme definido em termo de acordo celebrado entre o Chefe do Poder Executivo e o interessado, bem como estabelecer as condições necessárias ao controle e fiscalização do mesmo. § 1º O disposto neste artigo condiciona-se: I - à apresentação, pelo interessado, do termo de que trata o caput instruído com a documentação que o motivou; II - a prévio parecer da Diretoria de Administração Tributária - DIAT da Secretaria de Estado da Fazenda - SEF; e III - à inexistência de débito em nome do interessado para com a Fazenda Pública Estadual. § 2º Desde que fundamentado, poderá o Secretário de Estado da Fazenda conceder parcialmente o tratamento tributário diferenciado previsto no acordo. § 3º Na hipótese de o tratamento tributário diferenciado a ser concedido ter equivalência com tratamento tributário diferenciado já concedido a outro contribuinte, fica dispensado o termo referido no caput. §§ 4º e 5º – ACRESCIDOS – Dec. 211/15, art. 1º - Efeitos a partir de 08.06.15: § 4º O tratamento tributário diferenciado de que trata este artigo poderá ser cassado ou alterado a qualquer tempo, a juízo de conveniência da administração tributária, observado o seguinte: I – a competência para determinar a cassação ou alteração do tratamento tributário diferenciado é da autoridade que o tiver concedido; e II – qualquer agente do fisco poderá propor à autoridade competente a alteração ou cassação do tratamento tributário diferenciado. § 5º Salvo disposição expressa na legislação ou no ato concessório, o tratamento tributário diferenciado de que trata este artigo terá vigência por prazo indeterminado. § 6º – ACRESCIDO – Dec. 1021/16, art. 1º - Efeitos a partir de 30.12.16: § 6º A aplicação do disposto no § 3º deste artigo: I – levará em consideração a equivalência da atividade desenvolvida, bem como a existência de tratamento concedido por outra unidade da Federação; e II – em relação aos empreendimentos relacionados à atividade de comércio exterior, poderá considerar, para fins de graduação de tratamento, a contribuição do empreendimento para a economia local em razão do volume movimentado, bem como seu nível de comprometimento com o desenvolvimento do Estado, assim considerados os que, isolada ou cumulativamente: Fl. 670DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 3301-007.502 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10903.720009/2018-58 a) promovam de forma continuada, por período mínimo de 36 (trinta e seis) meses, operações de importação por intermédio de portos, aeroportos ou pontos de fronteira alfandegados situados no Estado; b) promovam saídas com mercadorias em montante igual ou superior a R$ 100.000.000,00 (cem milhões de reais); ou c) instalem, expandam ou mantenham, em território catarinense, centro de distribuição ou de unidade fabril. (grifo nosso) (...) Passa-se, a seguir, à análise do cumprimento dos requisitos estabelecidos pelo art. 30 da Lei nº 12.973, de 2014, quais sejam: - registrar a subvenção em reserva de lucros a que se refere o art. 195-A da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976 - reserva de incentivos fiscais (inc. I); - somente utilizar a citada reserva para absorção de prejuízos ou aumento de capital social (inc. II). Nos termos do exposto no item 2 do Termo de Verificação Fiscal, as receitas auferidas pela BRITÂNIA advindas das subvenções concedidas por recebimento de créditos presumidos de ICMS do Estado de Santa Catarina, transitaram a crédito de contas de resultado (Conta 3121002 – ICMS, completo, às fls. 288 a 419, e com filtro para CP de ICMS, às fls. 420 a 461) e finalmente foram integralizadas na conta Patrimonial (Conta 2360003 – Reserva de Incentivos Fiscais-ICMS, às fls. 462 a 466). Ao detalhar as etapas de contabilização das receitas de subvenções, a Fiscalização conclui: [...] IV – Quarta etapa: finalmente, os valores desses créditos presumidos de ICMS são registrados diretamente no Patrimônio Líquido mediante reclassificação de parte dos lucros do período transformando-os em reservas. São lançamentos: - a crédito da conta 2360003 - RESERVA DE INCENTIVOS FISCAIS – ICMS (aumentando-a) e - a débito 2380022 – LUCRO DO EXERCÍCIO DE 2.014 (reduzindo-o) Em consulta à Escrituração Fiscal Digital, ano-calendário 2014, verifica-se que a interessada lançou o total de R$ 146.129.799,53 na Conta 2360003 – Reserva de Incentivos Fiscais - ICMS, conforme demonstrado a seguir: Fl. 671DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 3301-007.502 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10903.720009/2018-58 Quanto ao requisito de "somente utilizar a citada reserva para absorção de prejuízos ou aumento de capital social", este não foi questionado pela autoridade fiscal. c) Posição firmada pelo STJ, no Embargos de Divergência em REsp nº 1.517.492 - PR, DJ 01/02/2018 A decisão, proferida em sede de Embargos de Divergência em Recurso Especial, reconheceu a impossibilidade de inclusão de crédito presumido de ICMS nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. O acordão foi assim ementado: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. ICMS. CRÉDITOS PRESUMIDOS CONCEDIDOS A TÍTULO DE INCENTIVO FISCAL. INCLUSÃO NAS BASES DE CÁLCULO DO IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA JURÍDICA - IRPJ E DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL. INVIABILIDADE. PRETENSÃO FUNDADA EM ATOS INFRALEGAIS. INTERFERÊNCIA DA UNIÃO NA POLÍTICA FISCAL ADOTADA POR ESTADO- MEMBRO. OFENSA AO PRINCÍPIO FEDERATIVO E À SEGURANÇA JURÍDICA. BASE DE CÁLCULO. OBSERVÂNCIA DOS ELEMENTOS QUE LHES SÃO PRÓPRIOS. RELEVÂNCIA DE ESTÍMULO FISCAL OUTORGADO POR ENTE DA FEDERAÇÃO. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO FEDERATIVO. ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCONSTITUCIONALIDADE ASSENTADA EM REPERCUSSÃO GERAL PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (RE N. 574.706/PR). AXIOLOGIA DA RATIO DECIDENDI APLICÁVEL À ESPÉCIE. CRÉDITOS PRESUMIDOS. PRETENSÃO DE CARACTERIZAÇÃO COMO RENDA OU LUCRO. IMPOSSIBILIDADE. I – Controverte-se acerca da possibilidade de inclusão de crédito presumido de ICMS nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. II – O dissenso entre os acórdãos paradigma e o embargado repousa no fato de que o primeiro manifesta o entendimento de que o incentivo fiscal, por implicar redução da carga tributária, acarreta, indiretamente, aumento do lucro da empresa, insígnia essa passível de tributação pelo IRPJ e pela CSLL; já o segundo considera que o estímulo outorgado constitui incentivo fiscal, cujos valores auferidos não podem se expor à incidência do IRPJ e da CSLL, em virtude da vedação aos entes federativos de instituir impostos sobre patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros. Fl. 672DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 3301-007.502 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10903.720009/2018-58 III – Ao considerar tal crédito como lucro, o entendimento manifestado pelo acórdão paradigma, da 2ª Turma, sufraga, em última análise, a possibilidade de a União retirar, por via oblíqua, o incentivo fiscal que o Estado-membro, no exercício de sua competência tributária, outorgou. IV – Tal entendimento leva ao esvaziamento ou redução do incentivo fiscal legitimamente outorgado pelo ente federativo, em especial porque fundamentado exclusivamente em atos infralegais, consoante declinado pela própria autoridade coatora nas informações prestadas. V – O modelo federativo por nós adotado abraça a concepção segundo a qual a distribuição das competências tributárias decorre dessa forma de organização estatal e por ela é condicionada. VI – Em sua formulação fiscal, revela-se o princípio federativo um autêntico sobreprincípio regulador da repartição de competências tributárias e, por isso mesmo, elemento informador primário na solução de conflitos nas relações entre a União e os demais entes federados. VII – A Constituição da República atribuiu aos Estados-membros e ao Distrito Federal a competência para instituir o ICMS – e, por consequência, outorgar isenções, benefícios e incentivos fiscais, atendidos os pressupostos de lei complementar. VIII – A concessão de incentivo por ente federado, observados os requisitos legais, configura instrumento legítimo de política fiscal para materialização da autonomia consagrada pelo modelo federativo. Embora represente renúncia a parcela da arrecadação, pretende-se, dessa forma, facilitar o atendimento a um plexo de interesses estratégicos para a unidade federativa, associados às prioridades e às necessidades locais coletivas. IX – A tributação pela União de valores correspondentes a incentivo fiscal estimula competição indireta com o Estado-membro, em desapreço à cooperação e à igualdade, pedras de toque da Federação. X – O juízo de validade quanto ao exercício da competência tributária há de ser implementado em comunhão com os objetivos da Federação, insculpidos no art. 3º da Constituição da República, dentre os quais se destaca a redução das desigualdades sociais e regionais (inciso III), finalidade da desoneração em tela, ao permitir o barateamento de itens alimentícios de primeira necessidade e dos seus ingredientes, reverenciando o princípio da dignidade da pessoa humana, fundamento maior da República Federativa brasileira (art. 1º, III, C.R.). XI – Não está em xeque a competência da União para tributar a renda ou o lucro, mas, sim, a irradiação de efeitos indesejados do seu exercício sobre a autonomia da atividade tributante de pessoa política diversa, em desarmonia com valores éticos-constitucionais inerentes à organicidade do princípio federativo, e em atrito com o princípio da subsidiariedade, que reveste e protege a autonomia dos entes federados. XII – O abalo na credibilidade e na crença no programa estatal proposto pelo Estado- membro acarreta desdobramentos deletérios no campo da segurança jurídica, os quais não podem ser desprezados, porquanto, se o propósito da norma consiste em descomprimir um segmento empresarial de determinada imposição fiscal, é inegável que o ressurgimento do encargo, ainda que sob outro figurino, resultará no repasse dos custos adicionais às mercadorias, tornando inócua, ou quase, a finalidade colimada pelos preceitos legais, aumentando o preço final dos produtos que especifica, integrantes da cesta básica nacional. Fl. 673DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 20 do Acórdão n.º 3301-007.502 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10903.720009/2018-58 XIII – A base de cálculo do tributo haverá sempre de guardar pertinência com aquilo que pretende medir, não podendo conter aspectos estranhos, é dizer, absolutamente impertinentes à própria materialidade contida na hipótese de incidência. XIV – Nos termos do art. 4º da Lei n. 11.945/09, a própria União reconheceu a importância da concessão de incentivo fiscal pelos Estados-membros e Municípios, prestigiando essa iniciativa precisamente com a isenção do IRPJ e da CSLL sobre as receitas decorrentes de valores em espécie pagos ou creditados por esses entes a título de ICMS e ISSQN, no âmbito de programas de outorga de crédito voltados ao estímulo à solicitação de documento fiscal na aquisição de mercadorias e serviços. XV – O STF, ao julgar, em regime de repercussão geral, o RE n. 574.706/PR, assentou a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, sob o entendimento segundo o qual o valor de ICMS não se incorpora ao patrimônio do contribuinte, constituindo mero ingresso de caixa, cujo destino final são os cofres públicos. Axiologia da ratio decidendi que afasta, com ainda mais razão, a pretensão de caracterização, como renda ou lucro, de créditos presumidos outorgados no contexto de incentivo fiscal. XVI – Embargos de Divergência desprovidos. Para a Ministra Regina Helena, que proferiu o voto condutor, permitir a tributação pelo IRPJ e CSLL do crédito presumido de ICMS implica na possibilidade de a União retirar, por via oblíqua, o incentivo fiscal que o Estado-membro, no exercício de sua competência tributária, outorgou. Para tal conclusão, cita como premissas: i. A competência tributária consiste na aptidão para instituir tributos, descrevendo, por meio de lei, as suas hipóteses de incidência. No Brasil, a atribuição de competências é feita pela Constituição. Em um Estado constituído sob a forma federativa, há o convívio de três ordens jurídicas distintas: a federal, a estadual/distrital e a municipal. ii. O princípio republicano e o princípio da legalidade decorrem do princípio da segurança jurídica, que se sustenta nos valores certeza e igualdade. iii. A Federação é cláusula pétrea, intangível pelo Poder Constituinte Derivado, conforme o disposto no art. 60, § 4º, I, da Constituição. iv. O princípio federativo é um autêntico sobreprincípio regulador da repartição de competências tributárias e, portanto, elemento essencial na solução de conflitos nas relações entre a União e os demais entes federados. v. O art. 155, XII, g, da Constituição, atribuiu aos Estados-membros e ao Distrito Federal a competência para instituir o ICMS e, por conseguinte, outorgar isenções, benefícios e incentivos fiscais, atendidos os requisitos de lei complementar. vi. A concessão de incentivo por Estado-membro é instrumento legítimo de política fiscal para materialização da autonomia consagrada pelo modelo federativo. Embora represente renúncia de arrecadação, volta-se a realizar interesses estratégicos para a unidade federativa, associados às prioridades e às necessidades locais coletivas. Apontou a Ministra que: Com efeito, o juízo de validade quanto ao exercício da competência tributária há de ser implementado em comunhão com os objetivos da Federação, insculpidos no art. 3º da Fl. 674DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 21 do Acórdão n.º 3301-007.502 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10903.720009/2018-58 Constituição da República, dentre os quais se destaca a redução das desigualdades sociais e regionais (inciso III), finalidade da desoneração em tela, ao permitir o barateamento de itens alimentícios de primeira necessidade e dos seus ingredientes, reverenciando o princípio da dignidade da pessoa humana, fundamento maior da República Federativa brasileira (art. 1º, III, C.R.). (...) Naturalmente, não está em xeque a competência da União para tributar a renda ou o lucro, mas, sim, a irradiação de efeitos indesejados do seu exercício sobre a autonomia da atividade tributante de pessoa política diversa, em desarmonia com valores éticos- constitucionais inerentes à organicidade do princípio federativo, e em atrito com a subsidiariedade, "um princípio de bom senso", no dizer do professor André Franco Montoro (Federalismo e o fortalecimento do Poder Local no Brasil e na Alemanha. Coleção Debates da Fundação Konrad Adenauer: Rio de Janeiro, 2002. p. 59), que reveste e protege a autonomia dos Estados-membros. (...) Outrossim, o abalo na credibilidade e na crença no programa estatal proposto pelo Estado-membro, a seu turno, acarreta desdobramentos deletérios no campo da segurança jurídica, os quais não podem ser desprezados. Deveras, se o propósito da norma consiste em descomprimir um segmento empresarial de determinada imposição fiscal, é inegável que o ressurgimento do encargo, ainda que sob outro figurino, resultará no repasse dos custos adicionais às mercadorias, tornando inócua, ou quase, a finalidade colimada pelos preceitos legais, aumentando o preço final dos produtos que especifica, integrantes, como assinalado, da cesta básica nacional. Diante disso, aduz que a exegese em torno do exercício de competência tributária federal, no contexto de estímulo fiscal legitimamente concedido por Estado-membro, tem por vetor principal um juízo de ponderação dos valores federativos envolvidos. Ao final, concluiu que a tributação pela União de valores correspondentes a esse incentivo fiscal fere a cooperação e a igualdade, inerentes à Federação. Ademais, o voto sustenta a estreita semelhança axiológica do caso em comento com a decisão proferida pelo STF, no RE n° 574.706/PR RG, que declarou a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Por isso, sustenta que “na linha de raciocínio esposada pelo Supremo Tribunal Federal, os créditos presumidos de ICMS, concedidos no contexto de incentivo fiscal, não teriam, com ainda mais razão, o condão de integrar as bases de cálculo de outros tributos, como quer a ora Embargante, em relação ao IRPJ e à CSLL, quer porque não representam lucro”. Por conseguinte, as decisões proferidas posteriormente a esse precedente, além de aplicá-lo, também se voltam às disposições da LC n° 160/2017 de forma expressa: CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. EXCLUSÃO DO LUCRO REAL BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. POSSIBILIDADE. ENTENDIMENTO FIXADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO E POR LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE (LEI COMPLEMENTAR Nº 160/2017) QUE INSERIU OS § § 4º E 5º AO ART. 30 DA LEI Nº 12.973/2014 QUE CONDICIONA TAL EXCLUSÃO AO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS ALI PREVISTOS. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. APLICAÇÃO AOS PROCESSOS EM CURSOS NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADOS. ART. 493 DO CPC/2015. AGRAVO CONHECIDO PARA, EM JUÍZO DE RETRATAÇÃO, RECONSIDERAR EM PARTE A DECISÃO AGRAVADA Fl. 675DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 22 do Acórdão n.º 3301-007.502 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10903.720009/2018-58 PARA APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. (...) O supracitado § 5º do art. 30 da Lei nº 12.973/2014 determina a aplicação do § 4º aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados, aplicando-se, portanto, ao presente feito, inclusive com base no já citado art. 493 do CPC/2015. Ante o exposto, com fulcro no art. 1.021, § 2º, c/c o art. 493 do CPC/2015, c/c o art. 259 do RISTJ, conheço do agravo interno para, em juízo de retratação, e em razão de legislação superveniente que influencia no mérito da lide, reconsiderar em parte a decisão agravada para consignar que a aplicação do entendimento fixado no EREsp nº 1.517.492/PR, relatora para acórdão Ministra Regina Helena Costa, no sentido da exclusão dos créditos presumidos de ICMS da base de cálculo do IRPJ e da CSLL (lucro real), fica condicionada ao registro dos valores do benefício na reserva de lucros referida pelo art. 195-A da Lei nº 6.404/1976, e que sua utilização somente ocorra para: I - absorção de prejuízos, desde que anteriormente já tenham sido totalmente absorvidas as demais Reservas de Lucros, com exceção da Reserva Legal; ou II - aumento do capital social. AgInt no AgInt no REsp 1.605.245 – RS, DJ 18/05/2018. Por conseguinte, a tese fixada pelo STJ é plenamente aplicável ao PIS e à COFINS. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Fl. 676DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10680.721293/2013-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 16 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2020
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Data do fato gerador: 01/01/2009
DA ÁREA DE RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL - RPPN
A área de Reserva Particular do Patrimônio Natural - RPPN, para fins de exclusão da tributação do ITR, deve estar averbada à margem do registro imobiliário do imóvel, à época do respectivo fato gerador.
ITR. VALOR DA TERRA NUA. SIPT. APTIDÃO AGRÍCOLA. INFORMAÇÃO INSUFICIENTE. NULIDADE.
O SIPT - Sistema de Preços de Terras, como importante instrumento de atuação do Fisco na fiscalização do ITR, possui bases legais que justificam a sua existência, mas que também prevêem o seu regramento, os seus limites.
Esse regramento determina que as informações que comporão o sistema considerarão levantamentos realizados pelas Secretárias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios e obedecerão ao disposto nos artigos 14 da Lei nº 9.393/96, c.c. o art. 12 da Lei nº 8.629/93.
A Tela SIPT CONSULTA que traz apenas a informação sobre o valor do VTN médio por aptidão agrícola não atende à determinação desses dispositivos legais e o lançamento levado a efeito com fundamento nesse documento é nulo, devendo prevalecer o valor da terra nua declarado pelo contribuinte.
Numero da decisão: 2402-008.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Ana Claudia Borges de Oliveira, Marcio Augusto Sekeff Sallem e Denny Medeiros da Silveira (Presidente).
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Data do fato gerador: 01/01/2009 DA ÁREA DE RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL - RPPN A área de Reserva Particular do Patrimônio Natural - RPPN, para fins de exclusão da tributação do ITR, deve estar averbada à margem do registro imobiliário do imóvel, à época do respectivo fato gerador. ITR. VALOR DA TERRA NUA. SIPT. APTIDÃO AGRÍCOLA. INFORMAÇÃO INSUFICIENTE. NULIDADE. O SIPT - Sistema de Preços de Terras, como importante instrumento de atuação do Fisco na fiscalização do ITR, possui bases legais que justificam a sua existência, mas que também prevêem o seu regramento, os seus limites. Esse regramento determina que as informações que comporão o sistema considerarão levantamentos realizados pelas Secretárias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios e obedecerão ao disposto nos artigos 14 da Lei nº 9.393/96, c.c. o art. 12 da Lei nº 8.629/93. A Tela SIPT CONSULTA que traz apenas a informação sobre o valor do VTN médio por aptidão agrícola não atende à determinação desses dispositivos legais e o lançamento levado a efeito com fundamento nesse documento é nulo, devendo prevalecer o valor da terra nua declarado pelo contribuinte.
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ITR. VALOR DA TERRA NUA. SIPT. APTIDÃO AGRÍCOLA. INFORMAÇÃO INSUFICIENTE. NULIDADE. O SIPT Sistema de Preços de Terras, como importante instrumento de atuação do Fisco na fiscalização do ITR, possui bases legais que justificam a sua existência, mas que também prevêem o seu regramento, os seus limites. Esse regramento determina que as informações que comporão o sistema considerarão levantamentos realizados pelas Secretárias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios e obedecerão ao disposto nos artigos 14 da Lei nº 9.393/96, c.c. o art. 12 da Lei nº 8.629/93. A Tela SIPT CONSULTA que traz apenas a informação sobre o valor do VTN médio por aptidão agrícola não atende à determinação desses dispositivos legais e o lançamento levado a efeito com fundamento nesse documento é nulo, devendo prevalecer o valor da terra nua declarado pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 12 93 /2 01 3- 37 Fl. 162DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10680.721293/201337 Acórdão n.º 2402008.062 S2C4T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Ana Claudia Borges de Oliveira, Marcio Augusto Sekeff Sallem e Denny Medeiros da Silveira (Presidente). Relatório Tratase de lançamento de ofício formalizado em relação à recorrente para fins de exigência de Imposto Territorial Rural (ITR) relativo ao exercício de 2009, acrescido de multa de ofício (75%) e juros legais calculados até 06/04/2013, no importe total de R$ 3.405.893,17, incidente sobre imóvel rural denominado “Fazenda Morro Velho”, cadastrado na RFB sob o nº 1.322.4549, com área total de 2.003,60 hectares, localizado no Município de Nova Lima/MG. Relata a autoridade fiscal que após regularmente intimado, a contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a título de reserva particular do patrimônio natural, nem comprovou o valor da terra nua declarado por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 146533 da ABNT. Do "Complemento da Descrição dos Fatos", consta que a "contribuinte não apresentou Laudo de Avaliação e Averbação da área de reserva particular do patrimônio natural". (Destacamos) Desse modo, a autoridade fiscal glosou integralmente a área de 912,0 ha de reserva particular do patrimônio natural declarada, além de alterar o VTN do imóvel de R$ 17.843.380,37 (R$ 8.905,66/ha) para R$ 37.840.390,32 (R$18.886,20/ha), com os consequentes aumentos da área tributável/área aproveitável e do VTN tributável, disso resultando o imposto suplementar de R$ 1.635.090,34 que, com os acréscimos legais, perfazem os aludidos R$ 3.405.893,17, conforme demonstrado a fls. 07. Notificada do lançamento aos 17/04/2013 (fls. 120), a recorrente apresentou impugnação aos 17/05/2013 (fls. 37 ss.), alegando, em síntese: para exclusão da base de cálculo de áreas de proteção ambiental, como a RPPN, o elemento essencial é a sua materialidade em detrimento de outros requisitos de ordem formal, de modo que não se sustenta o argumento de que a exclusão depende de averbação dessa área no registro de imóveis competente; a averbação da RPPN no registro de imóveis se trata de mera obrigação acessória, tanto que não existe disposição legal que a determine, de modo que o seu descumprimento não tem o condão de impedir a exclusão dessas áreas da área tributável para fins de cálculo do ITR; Fl. 163DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10680.721293/201337 Acórdão n.º 2402008.062 S2C4T2 Fl. 4 3 em relação à RPPN, seus efeitos dependem de ato de vontade do proprietário, nos termos da Lei nº 9.985/00, mediante termo de compromisso perante o órgão ambiental e o reconhecimento da área em questão por parte deste; no presente caso, foi emitido Ato Declaratório Ambiental, instrumento legal, nos termos do art. 1º da IN IBAMA 76/2005, que permite ao proprietário rural a validação dos dados declarados em sua DITR para fins de isenção do ITR; ainda que a averbação no registro imobiliário fosse reputada desnecessária para fins de exclusão da área de RPPN da base de cálculo do ITR, houve, sim, a devida averbação, conforme se comprova da respectiva matrícula do imóvel, anexada como DOC. 04 da impugnação (fls. 62 ss.); do disposto nos arts. 2º e 3º da Portaria SRF nº 447/021, constatase que o sistema utilizado pela RFB para arbitrar o valor do imóvel rural não possibilita ao contribuinte o acesso aos dados nele inseridos, de forma que lhe inviabiliza a discordância das informações levantadas e dos cálculos efetuados, caracterizando cerceamento ao seu direito de defesa; o arbitramento do valor da terra nua pelo Fisco baseouse em critérios subjetivos ao considerar os valores constantes no SIPT, sistema supostamente estabelecido com base no art. 14 da Lei nº 9.393/96 para fornecer informações relativas a valores de terras para o cálculo e lançamento do ITR; o fato de não serem divulgados os parâmetros e diretrizes adotados pela RFB para o estabelecimento do quantum debeatur do ITR deixa o contribuinte à mercê da forma de apuração do tributo que melhor aprouver ao Fisco, que não está adstrita aos contornos da Lei nºs 8.629/93 e 9.393/96, em afronta ao princípio da legalidade; cita julgados do Conselho de Contribuintes no sentido de que a não disponibilização ao contribuinte do acesso às informações lançadas no SIPT para o cômputo do valor da terra nua caracteriza afronta aos princípios da ampla defesa e do contraditório e implica em nulidade do lançamento, e da Câmara Superior de Recursos Fiscais no sentido de que o sistema deve ser alimentado com informações sobre aptidão agrícola, conforme expressamente previsto no art. 14 da Lei nº 9.393/96 c.c. o art. 12 da Lei nº 8.629/93, sendo inválido o arbitramento feito com base apenas na média do VTN declarado para os imóveis da região de localização do imóvel autuado. O lançamento foi julgado procedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2009 DA NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Improcedente a arguição de nulidade quando a Notificação de Lançamento contém os requisitos contidos no art. 11 do Decreto 1 Aprova o Sistema de Preços de TerrasSIPT Fl. 164DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10680.721293/201337 Acórdão n.º 2402008.062 S2C4T2 Fl. 5 4 nº 70.235/72 e ausentes as hipóteses do art. 59, do mesmo Decreto. DO ÔNUS DA PROVA Cabe ao contribuinte, quando solicitado pela autoridade fiscal, comprovar com documentos hábeis, os dados informados na sua DITR, posto que é seu o ônus da prova. DA ÁREA DE RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL (RPPN) Cabe ser mantida a glosa da área de RPPN quando demonstrado nos autos que essa área já engloba as áreas declaradas como de preservação permanente, de interesse ecológico e de florestas nativas e que foram mantidas pela fiscalização, para fins de exclusão da área tributável do imóvel. DO VALOR DA TERRA NUA (VTN). SUBAVALIAÇÃO Deve ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, com base no SIPT, por falta de documentação hábil (Laudo Técnico de Avaliação, elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotada no CREA, em consonância com as normas da ABNT NBR 14.6533), demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado, à época do fato gerador do imposto, e a existência de características particulares desfavoráveis, que pudessem justificar a revisão do VTN em questão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada dessa decisão aos 05/01/2015 (fls. 109), a recorrente apresentou recurso voluntário tempestivamente, aos 03/02/2015 (fls. 113/126), reiterando e reforçando os argumentos de defesa apresentados em sua impugnação. Não houve contrarrazões. Iniciado o julgamento do recurso aos 18/01/2019, diante dos fundamentos apresentados pelo julgador de primeira instância para manter o lançamento, qual seja no sentido de que a área de RPPN glosada pela fiscalização já englobaria as áreas declaradas como de preservação permanente, de interesse ecológico e de florestas nativas, estas três últimas reconhecidas e mantidas pela fiscalização, houve por bem este colegiado determinar a conversão do julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil se pronunciasse, à luz do laudo apresentado pelo recorrente e dos fundamentos da decisão recorrida, acerca de eventual sobreposição de áreas, conforme sustentado pelo julgador "a quo", oportunizando ao contribuinte o direito de se manifestar quanto ao pronunciamento da Unidade de Origem. Sobrevindo a Informação Fiscal de fls. 135/139, os autos retornaram a este tribunal para apreciação e julgamento dos respectivos esclarecimentos e do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 165DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10680.721293/201337 Acórdão n.º 2402008.062 S2C4T2 Fl. 6 5 Voto Conselheira Renata Toratti Cassini – Relatora. O recurso é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele conheço. Da diligência Como relatado, tratase de retorno de diligência determinada por este colegiado que teve por objetivo obter esclarecimentos por parte da autoridade lançadora visando dirimir dúvidas acerca de eventual sobreposição de áreas de RPPN, de preservação permanente, de interesse ecológico e de florestas nativas declaradas pelo ora recorrente em sua DITR/2009. A diligência foi encaminhada, expressamente, "para dirimir essas dúvidas relativamente a eventual sobreposição das áreas em questão" de modo que "a Secretaria da Receita Federal do Brasil se pronuncie, à luz do laudo apresentado, acerca da sobreposição de áreas sustentada pela DRJ, dando oportunidade à contribuinte de se manifestar quanto ao pronunciamento da Unidade de Origem, inclusive possibilitando que apresente novo laudo, elaborado de acordo com a Norma NBR 14.6533 da ABNT" (fls. 133). Pois bem. Em resposta a esse pedido de diligência, sobreveio a Informação Fiscal de fls. 135/139 que, no modesto entendimento desta relatora, com todo o respeito, não respondeu ao que foi questionado e, assim, não atendeu satisfatoriamente ao que foi solicitado. Com efeito, conforme se constata da Informação Fiscal em questão, após inciar sua manifestação asseverando que "cabe ao contribuinte, quando solicitado pela autoridade fiscal, comprovar com documentos hábeis, os dados informados na sua DITR, posto que é seu o ônus da prova", a r. autoridade fiscal passa a reproduzir trechos técnicos do laudo apresentado pelo recorrente, de registros pontuais do imóvel em questão e apontar dados de DITR's do imóvel de exercícios posteriores, mais precisamente de 2012, 2015 e 2016, para concluir, ao final, que "esse contribuinte altera e cria áreas não tributáveis no mesmo imóvel rural de NIRF nº 1.322.4549, sem nenhum critério plausível de uma sustenção legal . E, por todo o acima exposto, sustentamos o Lançamento na sua integralidade". Em suma, em sua Informação Fiscal, faz um sem número de apontamentos que, com todo o respeito, não respondem ao questionamento objetivo que lhe foi dirigido por meio da solicitação de diligência e, desse modo, não contribui para dirimir a dúvida suscitada, qual seja, há ou não sobreposição entre as áreas de RPPN, de preservação permanente, de interesse ecológico e de florestas nativas, declaradas na DITR/2009. Seja com for, analisando novamente as circuntâncias do presente caso concreto (mais precisamente, da autuação e do seu fundamento), bem como a informação fiscal, constatase que independentemente do resultado da diligência melhor explicando, ainda que o resultado da diligência tivesse sido no sentido de que há sobreposição entre as Fl. 166DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10680.721293/201337 Acórdão n.º 2402008.062 S2C4T2 Fl. 7 6 áreas de proteção ambiental declaradas pelo recorrente na DITR/2009 esse resultado não alteraria o resultado do presente julgamento, pelas razões que passamos a expor. Da área de Reserva Particular do Patrimônio Natural RPPN Como relatado, a Fiscalização glosou a área declarada pela recorrente a título de Reserva Particular do Patrimônio Natural, de 912,0 ha, sob o fundamento de que mencionada área não estaria averbada à margem da matrícula do imóvel. Em sua impugnação, a recorrente, dentre outras alegações, anexou aos autos cópia da matrícula do imóvel, que comprova que a mencionada área está devidamente averbada no registro do imóvel desde 13/04/2005. A decisão recorrida, todavia, ainda assim, mesmo à vista desse documento (bem como do Ato Declaratório Ambiental tempestivamente apresentado pela recorrente, que no entendimento do julgador de 1º grau, diferentemente do desta relatora, é imprescindível para o gozo da isenção tributária sobre esta e outras áreas ambientais), manteve a autuação sob o fundamento de que a recorrente também juntou aos autos outros comprovantes, de outras áreas isentas de ITR declaradas, que foram aceitas no lançamento, motivo pelo qual não se pode afastar a tributação da área em questão. Diz que o laudo técnico anexado aos autos para informar as áreas de preservação permanente, de interesse ecológico e de florestas nativas existentes no imóvel conclui que essas áreas somam 912,426 ha, mesmo tamanho da área de RPPN declarada e averbada na matrícula do imóvel (912 ha). Como o laudo não indica a existência de área de RPPN no imóvel, a decisão recorrida conclui que a RPPN engloba as demais áreas ambientais de 912,4 ha já enquadradas nas previsões legais de isenção e reconhecidas pela fiscalização. A recorrente, por sua vez, argumenta que o laudo técnico em questão foi claro em consignar a existência e extensão, especificamente, de Áreas de Florestas Nativas, de Áreas de Interesse Ecológico e de Áreas de Preservação Permanente e suas dimensões, mas em momento nenhum trata de áreas de Reserva Particular do Patrimônio Natural, mas tampouco descarta a existência dessas áreas no imóvel. Ressalta que o laudo apenas a ela não faz referência, o que não infirma a materialidade de sua existência, que a própria decisão recorrida reconhece ter restado comprovada pelos documentos juntados, quais sejam, a averbação no registro do imóvel antes da ocorrência o fato gerador e a emissão tempestiva do correspondente Ato Declaratório Ambiental, instrumento legal que possibilita ao proprietário do imóvel rural a validação dos dados declarados para fins de isenção do ITR. Entendemos que tem razão a recorrente. Com efeito, conforme se verifica da Notificação de Lançamento Fiscal, a fls. 5, o motivo que ensejou a glosa da área de Reserva Particular do Patrimônio Natural RPPN declarada pela recorrente e, portanto, o lançamento do valor do ITR relativamente a essa área, conforme relato do auditor fiscal, foi sua não averbação à margem da matrícula do imóvel. Vejase, a respeito, o trecho respectivo do tópico "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal", abaixo reproduzido, com destaques: Fl. 167DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10680.721293/201337 Acórdão n.º 2402008.062 S2C4T2 Fl. 8 7 Notese que TODOS os dispositivos legais e normativos relacionados no "Enquadramento Legal" do fato que ensejou o lançamento contém, justamente, a determinação no sentido de que se deve proceder à averbação da área de RPPN à margem do registro do respectivo imóvel. Ou seja, não há nenhuma margem de dúvida de que esse foi o motivo da autuação ausência de registro da área de RPPN no CRI não sendo lícito ao julgador de 1º grau concluir que, por se tratar de área com dimensão semelhante (e ainda que fosse idêntica) à soma de outras áreas ambientais existentes no imóvel, tratase de área que engloba estas últimas, já consideradas, portanto, pelo agente fiscal. Fosse este o caso, é dizer, houvesse sobreposição dessas áreas, o motivo da autuação deveria ter sido outro, ou melhor, outros: a ausência de averbação da área de RPPN à margem do registro do imóvel E a sobreposição das áreas declaradas como de interesse ambiental. Mas não foi! Desse modo, da forma como está posto o lançamento, não pode o julgador proceder da maneira como fez, data venia, pois inovou no julgamento, na prática acrescentando ao lançamento elemento que ele não contém. Essa inovação é absolutamente VEDADA, porque flagrantemente atentatória ao direito da defesa do contribuinte, de quem não se pode exigir (sequer esperar!) que se oponha àquilo que não sejam os fundamentos específicos do lançamento. Notese que a área total do imóvel, constante do respectivo registro no CRI e reconhecido na própria Informação Fiscal, é de 2.003,6 ha, suficiente, portanto, para abrigar todas as áreas ambientais declaradas pela recorrente, restando, ainda, uma área de 179,174 ha. Ademais, há que se notar, ainda, que a recorrente protocolizou Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA aos 24/09/2009 no qual todas essas áreas estão declaradas. Não é demais relembrar que esse documento foi concebido pelo legislador para conferir efetividade à norma de isenção, especialmente no que concerne à aferição do real cumprimento das normas ambientais pelo contribuinte, de maneira a permitir que ele possa usufruir da redução da base de cálculo do ITR. Fl. 168DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10680.721293/201337 Acórdão n.º 2402008.062 S2C4T2 Fl. 9 8 Em outras palavras, a finalidade específica do ADA para o fim específico de fruição da redução da base de cálculo do ITR foi facilitar a fiscalização, por parte da Receita Federal, da preservação de determinadas áreas ambientais por meio do poder de polícia atribuído ao IBAMA. É dizer, no caso da redução da base de cálculo do ITR, mais especificamente no que diz respeito às áreas de interesse ambiental lato sensu, além da necessidade de fiscalizar um sem número de contribuintes, não fosse a previsão de utilização do ADA, exigirseia da Receita Federal que tomasse para si o dever de fiscalizar as propriedades rurais existentes em todo território nacional, o que não parece viável, seja do ponto de vista econômico, seja técnico. Nesse sentido, tendo em vista que a recorrente apresentou o Ato Declaratório Ambiental tempestivamente, aos 24/09/2009, ao IBAMA, órgão competente para fiscalizar as áreas ambientais declaradas, a única conclusão que se pode extrair de tudo isso é que houvesse alguma irregularidade com relação a elas em face da declaração apresentada (como a sobreposição das áreas, por exemplo), a uma, caberia ao IBAMA ter prestado essa informação à RFB e, a duas, caberia ao auditor fiscal da Receita Federal, de posse dela, ter lavrado o auto de infração também com base nesse motivo. Se não o fez, ou é porque houve falha da fiscalização ou essa irregularidade, de fato, não existe. Desse modo, o fato de o mencionado laudo também não fazer referência à área de RPPN igualmente não significa ela que não exista. Concluir o contrário seria o mesmo que desacreditar o próprio sistema concebido legalmente para viabilizar a fiscalização das áreas ambientais passíveis de isenção por parte da RFB em detrimento de um laudo elaborado por um particular que, a propósito, sequer conclui o que se pretendeu a ele atribuir. Nesse passo, esclareçase que a necessidade de averbação da RPPN à margem do registro do imóvel já constava do antigo Código Florestal (Lei nº 4.771/65), que previa, em seu art. 6º, o seguinte: Art. 6º O proprietário da floresta não preservada, nos termos desta Lei, poderá gravála com perpetuidade, desde que verificada a existência de interesse público pela autoridade florestal. O vínculo constará de termo assinado perante a autoridade florestal e será averbado à margem da inscrição no Registro Público. (Destacamos) Ainda antes da revogação dessa lei pelo novo Código Florestal (Lei nº 12.651/12), esse dispositivo legal já houvera sido revogado pela Lei nº 9.985/00, que regulamentou o art. 225, § 1º, incisos I, II, III e VII da Constituição Federal e instituiu o Sistema Nacional Unidades de Conservação da Natureza SNUC e, em seu art. 21, § 1º, continuou prevendo a necessidade de averbação da área de RPPN no cartório de registro de imóveis nos seguintes termos: Art. 21. A Reserva Particular do Patrimônio Natural é uma área privada, gravada com perpetuidade, com o objetivo de conservar a diversidade biológica. § 1o O gravame de que trata este artigo constará de termo de compromisso assinado perante o órgão ambiental, que verificará a existência de interesse público, e será averbado à margem da inscrição no Registro Público de Imóveis. (Destacamos) Fl. 169DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10680.721293/201337 Acórdão n.º 2402008.062 S2C4T2 Fl. 10 9 Por sua vez, o Decreto federal nº 5.746, de 05 de abril de 2006, que regulamentou este dispositivo legal (qual seja o art. 21 da Lei nº 9.985/00), dispõe, em seus arts. 5º e 8º, o seguinte: Art. 5o A criação da RPPN dependerá, no âmbito federal, da avaliação pelo IBAMA, que deverá: I verificar a legitimidade e a adequação jurídica e técnica do requerimento, frente à documentação apresentada; II realizar vistoria do imóvel, de acordo com os critérios estabelecidos no Anexo III deste Decreto; III divulgar no Diário Oficial da União a intenção de criação da RPPN; disponibilizar na internet, pelo prazo de vinte dias, informações sobre a RPPN proposta, e realizar outras providências cabíveis, de acordo com o § 1o do art. 5o do Decreto no 4.340, de 22 de agosto de 2002, para levar a proposta a conhecimento público; IV avaliar, após o prazo de divulgação, os resultados e implicações da criação da unidade, e emitir parecer técnico conclusivo que, inclusive, avaliará as propostas do público; V aprovar ou indeferir o requerimento, ou, ainda, sugerir alterações e adequações à proposta; VI notificar o proprietário, em caso de parecer positivo, para que proceda à assinatura do Termo de Compromisso, e averbação deste junto à matrícula do imóvel afetado, no Registro de Imóveis competente, no prazo de sessenta dias contados do recebimento da notificação; e VII publicar a portaria referida no art. 2o deste Decreto, após a averbação do Termo de Compromisso pelo proprietário, comprovada por certidão do Cartório de Registro de Imóveis. Parágrafo único. Depois de averbada, a RPPN só poderá ser extinta ou ter seus limites recuados na forma prevista no art. 22 da Lei no 9.985, de 18 de julho de 2000. (...) Art. 8o A área criada como RPPN será excluída da área tributável do imóvel para fins de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de acordo com a norma do art. 10, § 1o, inciso II, da Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996. (Destacamos) Pelo que se infere do art. 21 da Lei nº 9.985/00 e dos dispositivos do Decreto nº 5.746/06, que o regulamentam, a averbação na matrícula do imóvel faz parte do processo de constituição da RPPN, pelo que, evidentemente, também é necessária para que respectiva área faça jus à isenção tributária uma vez que, s.m.j., sem o registro, ela sequer ainda se aperfeiçoou como área gravada como Reserva Particular do Patrimônio Natural. Do mesmo modo, dispõe Decreto nº 1.922/96, que trata das RPPN e traz, em seu art. 5º, os requisitos para o seu reconhecimento, e no seu art. 6º, prevê a necessidade de Fl. 170DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10680.721293/201337 Acórdão n.º 2402008.062 S2C4T2 Fl. 11 10 averbação da respectiva área no cartório de registro de imóveis competente, nos seguintes termos: Art 5° O proprietário interessado em ter reconhecido seu imóvel, integral ou parcialmente, como RPPN, deverá requerer junto à Superintendência do IBAMA na Unidade da Federação onde estiver situado o imóvel ou junto ao Órgão Estadual do Meio Ambiente OEMA, acompanhado de cópias autenticadas dos seguintes documentos: I título de domínio, com matrícula no Cartório de Registro de Imóveis competente; II cédula de identidade do proprietário, quando se tratar de pessoa física; III ato de designação de representante quando se tratar de pessoa jurídica; IV quitação do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR; V plantas de situação, indicando os limites, os confrontantes, a área a ser reconhecida e a localização da propriedade no município ou região. Parágrafo único. Serão prioritariamente apreciados pelo órgão responsável pelo reconhecimento os requerimentos referentes aos imóveis contíguos às unidades de conservação ou a áreas cujas características devam ser preservadas no interesse do patrimônio natural do país. Art. 6° O órgão responsável pelo reconhecimento da RPPN, no prazo de sessenta dias, contados da data de protocolização do requerimento, deverá: I emitir laudo de vistoria do imóvel, com descrição da área, compreendendo a tipologia vegetal, a hidrologia, os atributos naturais que se destacam, o estado de conservação da área proposta, indicando as eventuais pressões potencialmente degradadoras do ambiente, relacionando as principais atividades desenvolvidas na propriedade; II emitir parecer, incluindo a análise da documentação apresentada e, se favorável, solicitar ao proprietário providências no sentido de firmar, em duas vias, o termo de compromisso, de acordo com o modelo anexo a este Decreto; III homologar o pedido por meio da autoridade competente; IV publicar no Diário Oficial ato de reconhecimento da área como RPPN. 1° Após a publicação do ato de reconhecimento, o proprietário deverá, no prazo de sessenta dias, promover a averbação do termo de compromisso, a que se refere o inciso II do art. 6° deste Decreto, no Cartório de Registro de Imóveis competente, gravando a área do imóvel reconhecida como Reserva, em caráter perpétuo, nos termos do que dispõe o art. 6° da Lei 4.771/65, a fim de ser emitido o título de reconhecimento definitivo. 2° O descumprimento, pelo proprietário, da obrigação referida no parágrafo anterior importará na revogação da portaria de reconhecimento. (Destacamos) Ou seja, à luz das normas legais e infralegais que disciplinam da matéria, não há como prescindir da averbação do gravame da área como RPPN à margem do registro do imóvel, inclusive para fins de gozo do benefício de isenção tributária, uma vez que, parecenos, Fl. 171DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10680.721293/201337 Acórdão n.º 2402008.062 S2C4T2 Fl. 12 11 antes disso, a sua criação sequer se aperfeiçoou. No entanto, uma vez que isso tenha ocorrido, não se há falar em outras exigências para que a fruição do benefício seja possível. Salientamos que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também é no sentido da necessidade da averbação da RPPN na matrícula do imóvel para fins de gozo do benefício da isenção. Confirase o seguinte trecho da decisão proferida pelo Min. Mauro Campbell Marques no Agravo nº 1.425.331/MT (DJe 19/10/2011): "(...) TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. ITR. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. SÚMULA 7/STJ. RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL (RPPN). IMPOSTO TERRITORIAL RURAL (ITR). LEI 9.985/2000. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DO IMÓVEL PARA ISENÇÃO TRIBUTÁRIA. EXIGIBILIDADE. DECISÃO (...) No que diz respeito à (im)prescindibilidade da averbação da reserva legal para fins de gozo da isenção fiscal, o recurso merece acolhida. É que a averbação da reserva funciona como garantia do meio ambiente. Desta forma, a imposição da averbação para fins de concessão do benefício fiscal poderia funcionar a favor do meio ambiente, ou seja, como mecanismo de incentivo à averbação e, via transversa, impedimento à degradação ambiental. Em outras palavras: condicionando a isenção à averbação atingirseia o escopo fundamental dos arts. 16, § 2º, do Código Florestal e 10, inc. II, alínea "a", da Lei n. 9.393/96. Nesse sentido: TRIBUTÁRIO E AMBIENTAL. ITR. ISENÇÃO. RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. IMPRESCINDIBILIDADE. NECESSIDADE DE INTERPRETAÇÃO EXTRAFISCAL DA RENÚNCIA DE RECEITA. 1. A controvérsia sob análise versa sobre a (im)prescindibilidade da averbação da reserva legal para fins de gozo da isenção fiscal prevista no art. 10, inc. II, alínea "a", da Lei n. 9.393/96. 2. O único bônus individual resultante da imposição da reserva legal ao contribuinte é a isenção no ITR. Ao mesmo tempo, a averbação da reserva funciona como garantia do meio ambiente. 3. Desta forma, a imposição da averbação para fins de concessão do benefício fiscal deve funcionar a favor do meio ambiente, ou seja, como mecanismo de incentivo à averbação e, via transversa, impedimento à degradação ambiental. Em outras palavras: condicionando a isenção à averbação atingirseia o escopo fundamental dos arts. 16, § 2º, do Código Florestal e 10, inc. II, alínea "a", da Lei n. 9.393/96. 4. Esta linha de argumentação é corroborada pelo que determina o art. 111 do Código Tributário Nacional CTN (interpretação restritiva da outorga de isenção), em especial pelo fato de que o ITR, como imposto sujeito a lançamento por Fl. 172DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10680.721293/201337 Acórdão n.º 2402008.062 S2C4T2 Fl. 13 12 homologação, e em razão da parca arrecadação que proporciona (como se sabe, os valores referentes a todo o ITR arrecadado é substancialmente menor ao que o Município de São Paulo arrecada, por exemplo, a título de IPTU), vê a efetividade da fiscalização no combate da fraude tributária reduzida. 5. Apenas a determinação prévia da averbação (e não da prévia comprovação, friso e repito) seria útil aos fins da lei tributária e da lei ambiental. Caso contrário, a União e os Municípios não terão condições de bem auditar a declaração dos contribuintes e, indiretamente, de promover a preservação ambiental. 6. A redação do § 7º do art. 10 da Lei n. 9.393/96 é inservível para afastar tais premissas, porque, tal como ocorre com qualquer outro tributo sujeito a lançamento por homologação, o contribuinte jamais junta a prova da sua glosa no imposto de renda, por exemplo, junto com a declaração anual de ajuste, o contribuinte que alega ter tido despesas médicas, na entrega da declaração, não precisa juntar comprovante de despesa. Existe uma diferença entre a existência do fato jurígeno e sua prova. 7. A prova da averbação da reserva legal é dispensada no momento da declaração tributária, mas não a existência da averbação em si. 8. Mais um argumento de reforço neste sentido: suponhase uma situação em que o contribuinte declare a existência de uma reserva legal que, em verdade, não existe (hipótese de área tributável declarada a menor); na suspeita de fraude, o Fisco decide levar a cabo uma fiscalização, o que, a seu turno, dá origem a um lançamento de ofício (art. 14 da Lei n. 9.393/96). Qual será, neste caso, o objeto de exame por parte da Administração tributária? Obviamente será o registro do imóvel, de modo que, não havendo a averbação da reserva legal à época do períodobase, o tributo será lançado sobre toda a área do imóvel (admitindo inexistirem outros descontos legais). Perguntase: a mudança da modalidade de lançamento é suficiente para alterar os requisitos da isenção? Lógico que não. E se não é assim, em qualquer caso, será preciso a preexistência da averbação da reserva no registro. 9. É de afastar, ainda, argumento no sentido de que a averbação é ato meramente declaratório, e não constitutivo, da reserva legal. Sem dúvida, é assim: a existência da reserva legal não depende da averbação para os fins do Código Florestal e da legislação ambiental. Mas isto nada tem a ver com o sistema tributário nacional. Para fins tributários, a averbação deve ser condicionante da isenção, tendo eficácia constitutiva. 10. A questão ora se enfrenta é bem diferente daquela relacionada à necessidade de ato declaratório do Ibama relacionado à área de preservação permanente, pois, a toda evidência, impossível condicionar um benefício fiscal nestes termos à expedição de um ato de entidade estatal. 11. No entanto, o Código Florestal, em matéria de reserva ambiental, comete a averbação ao próprio contribuinte proprietário ou possuidor, e isto com o objetivo de viabilizar todo o rol de obrigações propter rem previstas no art. 44 daquele diploma normativo. 12. Recurso especial provido. (REsp 1027051/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/04/2011, DJe 17/05/2011) Assim sendo, CONHEÇO do agravo de instrumento para CONHECER PARCIALMENTE e, nessa parte, DAR PROVIMENTO ao recurso especial, nos termos da fundamentação acima. (...)". (Destacamos) Fl. 173DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10680.721293/201337 Acórdão n.º 2402008.062 S2C4T2 Fl. 14 13 Também no mesmo sentido é a jurisprudência dominante deste Tribunal, a exemplo, dentre vários outros, do julgado abaixo transcrito2, que citamos apenas ilustrativamente: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL. RECONHECIMENTO POR ATO DO PODER PÚBLICO. AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL. ANTERIOR À OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. ISENÇÃO NO ÂMBITO DO ITR. A Reserva Particular do Patrimônio Natural deve ser reconhecida por ato do poder público ambiental e averbada no Cartório de Registro de Imóveis antes do fato gerador. (Destacamos) ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. NECESSIDADE DE ATO ESPECÍFICO Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, as áreas de interesse ecológico devem estar declaradas em ato específico pelo órgão ambiental competente. Desse modo, considerando que no presente caso o fundamento da lavratura do auto de infração foi a ausência de averbação da RPPN no CRI, bem como que a recorrente comprovou a efetivação dessa averbação da área de Reserva Legal do Patrimônio Natural no registro do imóvel, efetivada muito antes do início da fiscalização, o requisito para o gozo do benefício da isenção foi devidamente satisfeito e não lhe pode ser negado sob outros fundamento, quaisquer que sejam eles. Valor da Terra Nua Sobre o Valor da Terra nua, a recorrente alega que a autoridade fiscal valeu se de critérios subjetivos ao proceder ao arbitramento do valor da terra nua pela aplicação do SIPT, que, na verdade, tratase de sistema supostamente estabelecido com base no art. 14 da Lei nº 9.393/96. Diz que constatase dos arts. 2º e 3º da Portaria SRF nº 447/02, que aprova o aludido sistema, que a RFB não franqueia o acesso ao contribuinte aos dados nele inseridos, o que impossibilita que ele confira as informações levantadas, os cálculos efetuados e se cumprem efetivamente os critérios legais, afrontando, assim, o princípio da legalidade e o próprio direito de defesa do contribuinte. Neste ponto, entendemos que assiste razão à recorrente. O SIPT Sistema de Preços de Terras, como importante instrumento de atuação do Fisco na fiscalização do ITR, possui bases legais que justificam a sua existência, qual seja o art. 14 da Lei n° 9.393/96. Contudo, o fato de ter previsão em lei não significa, em absoluto, uma legitimidade incondicional. Muito ao contrário. A mesma lei que o legitima também prevê o seu regramento. Ou seja, os seus limites. 2 Acórdão nº 2201002.512 Fl. 174DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10680.721293/201337 Acórdão n.º 2402008.062 S2C4T2 Fl. 15 14 Nessa linha, o próprio regramento do Sistema de Preços de Terra SIPT prevê que as informações que comporão o sistema considerarão levantamentos realizados pelas Secretárias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, e o objetivo desse direcionamento, é, evidentemente, realizar o princípio da verdade material, tão caro ao Direito Tributário. Assim é que para que dispõe o art. 14 da Lei nº 9.393/96 o seguinte: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. § 2º As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. (Destacamos) O art. 12, § 1º, II da Lei nº 8.629/93, em sua redação original, vigente à época, previa o seguinte3: Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: 3 A redação atual do art. 12 da Lei nº 8.629/93 é a seguinte: Art. 12. Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel II aptidão agrícola; III dimensão do imóvel; IV área ocupada e ancianidade das posses; V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. § 1o Verificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. § 2o Integram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. § 3o O Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela superavaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. Fl. 175DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10680.721293/201337 Acórdão n.º 2402008.062 S2C4T2 Fl. 16 15 a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado. Conforme se verifica dos autos, não se demonstra, para a utilização dos dados constantes no Sistema de Preços de Terras SIPT, que houve consideração de levantamentos realizados pela Secretaria de Agricultura local, não se desincumbindo o Fisco do ônus que lhe compete de comprovar, para a aferição do valor do crédito tributário, o critério adotado à luz da legislação de regência. Com efeito, da tela SIPT juntada aos autos a fls. 10 apenas consta um valor de VTN/ha com a informação de que se trataria do valor do VTN médio por aptidão agrícola, conforme reproduzido abaixo: Ora, convenhamos, essa informação não satisfaz os requisitos dos artigos 14 da Lei nº 9.393/96, c.c. o art. 12 da Lei nº 8.629/93, seja na sua redação original ou na sua redação atualmente em vigor, que exigem muito mais do que isso. Apenas afirmar, pura e simplesmente, que o VTN utilizado se trata do VTN médio por aptidão agrícola não atende à determinação legal. Ainda que conste da Tela SIPT CONSULTA que o valor em questão se trata do VTN médio por aptidão agrícola, não há a menor possibilidade de se saber se, de fato, foram atendidos todos os parâmetros legais para o cálculo do VTN. Aliás, de que aptidão agrícola se trataria? Qual foi considerada? Campos? Matas? Pastagens? Nem essa informação foi prestada! Sendo assim, neste caso concreto, não há como negar que houve, sim, cerceamento ao direito de defesa da recorrente, de modo que não pode prevalecer o arbitramento com base nos dados do SIPT, pelo que tratandose de lançamento por homologação, deve prevalecer o valor da terra nua declarado pela recorrente. Fl. 176DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10680.721293/201337 Acórdão n.º 2402008.062 S2C4T2 Fl. 17 16 Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Fl. 177DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10580.003432/2005-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
Ementa:
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS.
Não há como prosperar a cobrança da multa por atraso na entrega da Declaração de Rendimentos, mormente quando os rendimentos tributáveis percebidos pela contribuinte são inferiores ao limite estabelecido para apresentação da Declaração Anual de Ajuste - exercício 2004.
Além do mais, não há nos autos prova de que a RECORRENTE foi de fato responsável pela entrega da DIRPF.
Numero da decisão: 2202-001.727
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto do relator.
Nome do relator: Pedro Anan Junior
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003 Ementa: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. Não há como prosperar a cobrança da multa por atraso na entrega da Declaração de Rendimentos, mormente quando os rendimentos tributáveis percebidos pela contribuinte são inferiores ao limite estabelecido para apresentação da Declaração Anual de Ajuste - exercício 2004. Além do mais, não há nos autos prova de que a RECORRENTE foi de fato responsável pela entrega da DIRPF.
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Não há como prosperar a cobrança da multa por atraso na entrega da Declaração de Rendimentos, mormente quando os rendimentos tributáveis percebidos pela contribuinte são inferiores ao limite estabelecido para apresentação da Declaração Anual de Ajuste exercício 2004. Além do mais, não há nos autos prova de que a RECORRENTE foi de fato responsável pela entrega da DIRPF. . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto do relator. (Assinado Digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 47DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausente, justificadamente, os Conselheiros Antonio Lopo Martinez e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10580.003432/200565 Acórdão n.º 220201.727 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de Auto de Notificação de Lançamento decorrente do processamento de Declaração de Rendimentos Pessoa Física, relativa ao exercício anocalendário de 2003, pelo qual é lançada multa por atraso na entrega da declaração no valor de R$165,74. O lançamento limitouse a aplicar a multa devida por atraso na entrega da declaração de rendimentos, anocalendário de 2003. O enquadramento legal consta da referida Notificação. Discordando da exigência fiscal, o interessado apresenta a impugnação argumentando não estar obrigado à apresentação da declaração e têla apresentado espontaneamente com o beneficio do artigo 138 do Código Tributário Nacional. Requer, por fim, que seja acolhida a impugnação e determinado o cancelamento da multa em questão. A autoridade recorrida, ao examinar o pleito, decidiu, por unanimidade pela procedência do lançamento através do acórdão DRJ/SDR n° 1520.005, de 23 de julho de 2009, às fls. 19/20, cuja ementa está abaixo transcrita: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2003 Ementa: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A apresentação da Declaração pelas pessoas físicas obrigadas, quando intempestiva, enseja a aplicação da multa por atraso na entrega. Devidamente cientificado dessa decisão em 27/08/2009, ingressou o contribuinte com recurso voluntário tempestivamente em 21/09/2009, onde ratifica os argumentos apresentados na impugnação, trazendo o argumento adicional que não recebeu os rendimentos tributáveis, informados na DIRPF entregue em 02/2005. Este é o relatório Fl. 49DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 4 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. No caso em questão, tratase de lançamento de multa isolada por atraso na entrega de Declaração de Rendimentos relativa ao anocalendário de 2003. Alega a Recorrente que estava isenta de contribuir, portanto estava dispensada de entrega de DIRPF, entregando a Declaração de isento. Ocorre todavia, que o mês de fevereiro de 2005, foi entregue uma DIRPF, referente ao anocalendário de 2003, onde constam rendimentos tributáveis no valor de R$ 13.200,00, fls. 11 a 13, onde demonstra que a declaração foi entregue intempestivamente. Alega a Recorrente que nunca recebeu tais rendimentos, tendo em vista que só havia efetuado um estágio junto a Caixa Econômica Federal, e que sofreu um furto dos seus documentos que tem gerado transtornos até a presente data, e que não entregou tal Declaração. Ao analisar a Declaração de Rendimentos que foi entregue de fls. 11 a 13, podemos verificar que os rendimentos recebidos pela Recorrente foram pagos por ela mesmo, o que a meu ver é um fato estranho que não pode ser desprezado.. Além do mais, pode ter ocorrido que alguém possa ter entregue a DIRPF em nome da Recorrente, para reforçar tal fato o furto dos documentos poderia ter contribuído para tal. Entendo que tais argumentos, geram dúvida pois não há comprovação efetiva que a Recorrente entregou a DIRPF o que a meu ver são suficientes para não subsistir o lançamento. Ora, o Estado não possui qualquer interesse subjetivo nas questões, também no processo administrativo fiscal. Daí, os dois pressupostos basilares que o regulam: a legalidade objetiva e a verdade material. Sob a legalidade objetiva, o lançamento do tributo é atividade vinculada, isto é, obedece aos estritos ditames da legislação tributária, para que, assegurada sua adequada aplicação, esta produza os efeitos colimados (artigos 3º e 142 e seu parágrafo único do Código Tributário Nacional). Nessa linha, compete, inclusive, à autoridade administrativa, zelar pelo cumprimento de formalidades essenciais, inerentes ao processo. Daí, a revisão do lançamento por omissão de ato ou formalidade essencial, conforme preceitua o artigo 149, IX da Lei n.º 5.172/66. Igualmente, o cancelamento de ofício de exigência infundada, contra a qual o sujeito passivo não se opôs (artigo 21, parágrafo 1º, do Decreto n.º 70.235/72). Sob a verdade material, citemse: a revisão de lançamento quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado (artigo 149, VIII, da Lei n.º 5.172/66); as Fl. 50DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10580.003432/200565 Acórdão n.º 220201.727 S2C2T2 Fl. 3 5 diligências que a autoridade determinar, quando entendêlas necessárias ao deslinde da questão (artigos 17 e 29 do Decreto n.º 70.235/72); a correção, de ofício, de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto (artigo 32, do Decreto n.º 70.235/72). Como substrato dos pressupostos acima elencados, o amplo direito de defesa é assegurado ao sujeito passivo, matéria, inclusive, incita no artigo 5º, LV, da Constituição Federal de 1988 A lei não proíbe o ser humano de errar: seria antinatural se o fizesse; apenas comina sanções mais ou menos desagradáveis segundo os comportamentos e atitudes que deseja inibir ou incentivar. Todo erro ou equívoco deve ser reparado tanto quanto possível, da forma menos injusta tanto para o fisco quanto para o contribuinte. Da legislação de regência é de se entender que quando houver apresentação da “Declaração” nos termos da Norma de Execução n° 2002/005, de 03 de dezembro de 2002, negando a autoria da apresentação da Declaração de Ajuste Anual, elaborada por computador e enviada através da Internet, nada mais justo, até pela fragilidade do sistema, já que o mesmo não possui nenhum tipo de senha ou trava que vincule o acesso por CPF ao sistema de elaboração de declaração de imposto de renda, que se dispense o contribuinte da multa por atraso na entrega da declaração, provocado, em tese, por ato de terceiros Nesta sentido, conheço do recurso, e no mérito, dou provimento. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 51DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10935.905450/2009-40
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
O ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação pertence ao contribuinte.
PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO.
A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 3002-001.084
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Sabrina Coutinho Barbosa, Carlos Alberto da Silva Esteves e Larissa Nunes Girard (Presidente).
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. O ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação pertence ao contribuinte. PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Sabrina Coutinho Barbosa, Carlos Alberto da Silva Esteves e Larissa Nunes Girard (Presidente). Relatório Trata o processo de Declaração de Compensação de IPI pago indevidamente ou a maior, relativo a julho/2004, utilizado para a quitação de débitos de Cofins no valor original de R$ 200,00 (fls. 20 a 24). A Delegacia da Receita Federal responsável pela análise decidiu não homologar a compensação porque o pagamento informado havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos, não restando crédito para compensar – Despacho Decisório à fl. 3. Em sua Manifestação de Inconformidade, a recorrente limitou-se a solicitar a reconsideração da decisão (fl. 2). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 54 50 /2 00 9- 40 Fl. 57DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3002-001.084 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.905450/2009-40 A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, tendo em vista que a recorrente não comprovou a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado, ônus que lhe cabia quando nos pedidos de restituição e/ou compensação - Acórdão DRJ nº 14-30.966, assim ementado (fls. 27 a 29): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Data do fato gerador: 31/07/2004 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 20.10.2010, conforme Aviso de Recebimento à fl. 31, e protocolizou o Recurso Voluntário em 29.10.2010, conforme carimbo aposto pelo Setor de Protocolo - fl. 32. Em seu Recurso Voluntário, a recorrente informou ter recolhido IPI de forma indevida sobre os produtos por ela industrializados, já que possuíam alíquota zero, conforme se podia constatar pelo ramo de atividade da empresa e documentos acostados aos autos. Instruiu seu Recurso com cópia do Acórdão recorrido, DCTF relativa ao débito de Cofins – setembro/2005, inscrição CNPJ, uma folha do Registro de Saídas, cópia do contrato social e alterações, cópias de notas fiscais (fls. 32 a 53). É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard, Relatora. O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Diante do não reconhecimento do direito creditório pela primeira instância, tendo em vista a ausência absoluta de provas e de razões, a recorrente traz aos autos, pela primeira vez, explicações e documentos que fundamentem o seu pedido. Portanto, a discussão deste Colegiado será sobre o momento para a produção de provas no processo administrativo fiscal. Faço consignar que não há questionamento sobre a necessidade de demonstração da certeza e liquidez do crédito pleiteado para o reconhecimento do direito, conforme estabelece o art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN), nem quanto ao fato de que o ônus dessa prova cabe ao contribuinte. Sobre o momento para a produção probatória no processo fiscal, assim dispôs o Decreto nº 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 58DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3002-001.084 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.905450/2009-40 (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (grifado) Do exposto, extraímos que a recorrente deveria ter juntado a documentação necessária para comprovar o alegado direito quando decidiu recorrer do despacho decisório. Foi aí que se iniciou o contencioso e foram definidos os limites desta lide. A apresentação da manifestação de inconformidade é momento crucial no processo administrativo fiscal. O que é trazido pelo sujeito passivo a título de razões e provas define a natureza e a extensão da controvérsia que, regra geral, só deveria alcançar este Conselho após a apreciação da matéria pela primeira instância. Ao admitir o início da produção de provas em fase de recurso voluntário, suprimimos o exame da matéria pelo colegiado a quo, de fato, uma supressão de instância, em desfavor do contraditório e do rito processual estabelecido no referido Decreto. Consoante ainda o art. 16, transcrito acima, preclui o direito da recorrente de fazer prova em momento posterior à apresentação da manifestação de inconformidade, exceto se demonstrada a impossibilidade de fazê-lo tempestivamente por motivo de força maior ou a existência de novos fatos ou razões, ocorridos ou trazidos aos autos após a juntada da manifestação. Ainda sobre a entrega extemporânea de documentos, dita o comando que tal solicitação deve ocorrer mediante petição fundamentada, na qual fique demonstrada a ocorrência de alguma das exceções. Há de se ponderar, todavia, que a ocorrência de determinadas especificidades permitiria ao julgador conhecer da prova apresentada intempestivamente, em prol da verdade material, que é um princípio caro ao processo administrativo fiscal, mas não absoluto, como muitas vezes se pretende. Deve o julgador procurar o equilíbrio com os demais princípios, em especial como os princípios da legalidade e do devido processo legal, principalmente porque se trata de afastar a aplicação de um dispositivo legal que determina expressamente a preclusão. Para tanto, é requisito que o contribuinte tenha exercido seu papel de tentar demonstrar o direito no momento oportuno, ou seja, na interposição da manifestação de inconformidade. Nesse contexto, as provas apresentadas com o recurso voluntário poderiam ser conhecidas com o objetivo de esclarecer um ponto obscuro, complementar uma demonstração já iniciada ou reforçar o valor do que foi anteriormente apresentado, algo próprio do desenvolvimento da marcha processual. Ocorre que não foi esse o caso. Nem sequer uma explicação sobre a origem do pagamento indevido foi apresentada. A Manifestação de Inconformidade consiste de um único Fl. 59DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3002-001.084 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.905450/2009-40 parágrafo em que se solicita a reconsideração do Despacho Decisório, nada mais. Dessa forma, considero precluso o direito para o início da produção de provas, motivo pelo qual não conheço da documentação trazida nesta fase. Ressalto que o entendimento exposto não constitui posição isolada, mas recorrente no Carf. A ver, por exemplo, julgamentos recentes na 3ª Seção da CSRF, dos quais transcrevo as seguintes ementas: ACÓRDÃO nº 9303-009.282 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/ 2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. ACÓRDÃO nº 9303-008.438 Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 DOCUMENTOS. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. IMPUGNAÇÃO E/OU MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INOBSERVÂNCIA. PRECLUSÃO. O momento para apresentação dos documentos que respaldam o direito em que se funda o recorrente é a apresentação da manifestação de inconformidade e/ou impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outra oportunidade, salvo quando se tratar de fato ou direito superveniente ou, ainda, que a não apresentação se verifique por impossibilidade ocasionada por motivo de força maior, devidamente caracterizado. No caso concreto, além da preclusão, os elementos trazidos ao processo não poderiam ser aceitos como prova. Portanto, em não tendo sido demonstrada a certeza e liquidez do crédito pleiteado, não cabe o reconhecimento ao direito creditório. Com essas considerações, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 60DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001003/2008-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004, 01/03/2004 a 31/08/2004, 01/10/2004 a 30/11/2004
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade ou vício material quando estão explicitados todos os elementos concernentes ao lançamento e claramente descritos os motivos da autuação. Além disso, no presente caso, o ato administrativo de lançamento foi motivado pelo conjunto das razões de fato e de direito que carrearam à conclusão contida na acusação fiscal à luz da interpretação da legislação tributária compatível com as razões apresentadas no lançamento.
BOLSAS DE ESTUDO. GRADUAÇÃO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Em nenhum momento a fiscalização procurou verificar se o curso de graduação estava vinculado às atividades desenvolvidas pela empresa e tinha como objetivo a capacitação dos funcionários, limitando-se apenas ao fato desse auxílio se referir à educação de ensino superior.
Súmula CARF nº 149: Não integra o salário de contribuição a bolsa de estudos de graduação ou de pós-graduação concedida aos empregados, em período anterior à vigência da Lei nº 12.513, de 2011, nos casos em que o lançamento aponta como único motivo para exigir a contribuição previdenciária o fato desse auxílio se referir a educação de ensino superior.
Numero da decisão: 2401-007.453
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(documento assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Jose Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rodrigo Lopes Araújo, Rayd Santana Ferreira, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004, 01/03/2004 a 31/08/2004, 01/10/2004 a 30/11/2004 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade ou vício material quando estão explicitados todos os elementos concernentes ao lançamento e claramente descritos os motivos da autuação. Além disso, no presente caso, o ato administrativo de lançamento foi motivado pelo conjunto das razões de fato e de direito que carrearam à conclusão contida na acusação fiscal à luz da interpretação da legislação tributária compatível com as razões apresentadas no lançamento. BOLSAS DE ESTUDO. GRADUAÇÃO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Em nenhum momento a fiscalização procurou verificar se o curso de graduação estava vinculado às atividades desenvolvidas pela empresa e tinha como objetivo a capacitação dos funcionários, limitando-se apenas ao fato desse auxílio se referir à educação de ensino superior. Súmula CARF nº 149: Não integra o salário de contribuição a bolsa de estudos de graduação ou de pós-graduação concedida aos empregados, em período anterior à vigência da Lei nº 12.513, de 2011, nos casos em que o lançamento aponta como único motivo para exigir a contribuição previdenciária o fato desse auxílio se referir a educação de ensino superior.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (documento assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Jose Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rodrigo Lopes Araújo, Rayd Santana Ferreira, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004, 01/03/2004 a 31/08/2004, 01/10/2004 a 30/11/2004 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade ou vício material quando estão explicitados todos os elementos concernentes ao lançamento e claramente descritos os motivos da autuação. Além disso, no presente caso, o ato administrativo de lançamento foi motivado pelo conjunto das razões de fato e de direito que carrearam à conclusão contida na acusação fiscal à luz da interpretação da legislação tributária compatível com as razões apresentadas no lançamento. BOLSAS DE ESTUDO. GRADUAÇÃO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Em nenhum momento a fiscalização procurou verificar se o curso de graduação estava vinculado às atividades desenvolvidas pela empresa e tinha como objetivo a capacitação dos funcionários, limitando-se apenas ao fato desse auxílio se referir à educação de ensino superior. Súmula CARF nº 149: Não integra o salário de contribuição a bolsa de estudos de graduação ou de pós-graduação concedida aos empregados, em período anterior à vigência da Lei nº 12.513, de 2011, nos casos em que o lançamento aponta como único motivo para exigir a contribuição previdenciária o fato desse auxílio se referir a educação de ensino superior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 10 03 /2 00 8- 60 Fl. 192DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-007.453 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15586.001003/2008-60 (documento assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Jose Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rodrigo Lopes Araújo, Rayd Santana Ferreira, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro - RJ (DRJ/RJ1) que, por unanimidade de votos, manteve o Crédito Tributário exigido, conforme ementa do Acórdão nº 12-25.696 (fls. 129/145): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004, 01/03/2004 a 31/08/2004, 01/10/2004 a 30/11/2004. Salário de contribuição. Incidência. Integra o salário de contribuição o valor relativo a curso superior, graduação e pós- graduação, de que tratam os art. 43 a 57 da Lei nº 9.394, de 1996. Multa de mora. É devida a multa moratória sobre as contribuições arrecadadas em atraso, no percentual estabelecido pela legislação de regência. Arguição de Inconstitucionalidade. A declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis e atos normativos é prerrogativa do Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pela Administração Pública. Provas. Preclusão. O momento para a produção de provas, no processo administrativo, é juntamente com a impugnação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata do AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD 37.170.223-2 (fls. 03/41), consolidado em 25/07/2008, no valor de R$ 1.518,97, acrescidos de juros e multa, apurado nos períodos de 01/2004, 03/2004 a 08/2004 e 10/2004 a 11/2004, referente às contribuições destinadas a outras entidades ou fundos (SESC, SENAC, INCRA, FUNDO NACIONAL DE EDUCAÇÃO e SEBRAE). De acordo com Relatório Fiscal (fls. 59/61): 1. As contribuições lançadas incidem sobre os valores pagos pela empresa a estabelecimentos de nível superior referente à faculdade cursada por seus empregados, contrariando o disposto no art. 28, § 9º, alínea "t", da Lei 8.212/1991; Fl. 193DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-007.453 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15586.001003/2008-60 2. Foram deduzidos na base de cálculo os valores descontados dos empregados; 3. A alíquota aplicada foi 5,80%. O Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração, via Correio, em 31/07/2008 (AR - fl. 67) e, em 26/08/2008, apresentou tempestivamente sua Impugnação de fls. 69/95, instruída com os documentos nas fls. 97 a 125. O Processo foi encaminhado à DRJ/RJ1 para julgamento, onde, através do Acórdão nº 12-25.696, em 20/08/2009 a 10ª Turma julgou no sentido de considerar PROCEDENTE o Crédito Tributário lançado. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/RJ1, via Correio, em 08/09/2009 (AR - fl. 149) e, inconformado com a decisão prolatada, em 08/10/2009, tempestivamente, apresentou seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 151/177, onde alega que: 1. A Contribuição devida a outras entidades ou fundos não incide sobre investimentos feitos na qualificação profissional de seus empregados, quando tais pagamentos são efetuados diretamente à instituição de ensino; 2. O Contribuinte não está obrigado a recolher Contribuição Social sobre os valores pagos às instituições de ensino em que seus empregados cursam o ensino superior e tampouco informar tais pagamentos na Guia de Recolhimento do FGTS e Previdência Social; 3. Não houve em nenhum momento a intenção de agir com dolo, ou fraudar a Seguridade Social; 4. A multa aplicada, embora prevista em lei, claramente está em dissonância com os preceitos constitucionais, que veda terminantemente a utilização do tributo com efeitos confiscatórios. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto, Relatora. Juízo de admissibilidade O recurso voluntário dos solidários responsáveis foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Violação à ampla defesa e contraditório O contribuinte alega que restaram violados os princípios constitucionais de presunção da inocência, do contraditório e da ampla defesa, pois o fiscal presumiu a realização de um ato ilícito fiscal, aplicando irregularmente à Recorrente as sanções legais. Fl. 194DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-007.453 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15586.001003/2008-60 Não lhe assiste razão. Verifica-se que no curso do processo administrativo o contraditório e o direito de defesa foram devidamente exercidos, em todas as instâncias de julgamento, não tendo sido identificado qualquer embaraço ao conhecimento das questões de fato e de direito constantes no lançamento, sendo oportunizado o mais amplo direito de defesa da Recorrente. Não há que se falar em nulidade ou vício material quando estão explicitados todos os elementos concernentes ao lançamento e claramente descritos os motivos da autuação. Além disso, no presente caso, o ato administrativo de lançamento foi motivado pelo conjunto das razões de fato e de direito que carrearam à conclusão contida na acusação fiscal à luz da legislação tributária compatível com as razões apresentadas no lançamento, não ensejando qualquer nulidade. Se existem falhas na acusação fiscal, elas serão objeto de apreciação quando do julgamento de mérito. Mérito Trata o presente processo da exigência de contribuições destinadas a outras entidades ou fundos - terceiros, referentes às competências 01/2004 a 11/2004 (descontínuo), sobre os valores pagos pela empresa a estabelecimentos de ensino nível superior, referente faculdade cursada por seus empregados. Segundo a fiscalização, como os valores pagos pela empresa referem-se a pagamento de curso superior, restou contrariado o disposto na Lei 8.212/91, art. 28, § 9º, alínea "t", tendo em vista que somente não integram o salário de contribuição os valores pagos referente a educação básica e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa. O Recorrente se insurge contra a exigência da contribuição previdenciária sobre os investimentos feitos pela Recorrente na qualificação profissional de seus empregados, quando tais pagamentos são efetuados diretamente à instituição de ensino. Afirma que não há elemento suficiente para comprovar a vontade deliberada de remunerar seus empregados indiretamente, como foi presumido pelo fiscal. E assevera que não há proibição a que o empregador proporcione a capacitação e a qualificação profissional de seus empregados através do investimento em curso de nível superior. Pois bem. A hipótese de exclusão da alínea "t" do § 9º do art. 28 da Lei 8212/91 abrange, expressamente, cursos de capacitação e qualificação profissionais dos empregados, bastando que o curso esteja vinculado às atividades desenvolvidas pela empresa. Vejamos o teor do dispositivo legal vigente à época dos fatos: Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: (...) § 9º Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja Fl. 195DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-007.453 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15586.001003/2008-60 utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Constata-se que em nenhum momento a fiscalização procurou verificar se o curso de graduação estava vinculado às atividades desenvolvidas pela empresa e tinha como objetivo a capacitação dos funcionários. A acusação fiscal se limitou ao fato desse auxílio se referir a educação de ensino superior. O Recorrente sustenta a não incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de educação de nível superior de seus empregados, uma vez que estes pagamentos visam à qualificação e capacitação profissional dos trabalhadores, não se constituindo em salário in natura, por não retribuir o trabalho efetivo. O que se constata é que referidas verbas são empregadas para o trabalho, e não pelo trabalho, não tendo natureza salarial. Não ficou evidenciado, em nenhum momento pela fiscalização, que se estaria diante da hipótese em que existiria o pagamento de salários através de reembolsos escolares pagos de forma simulada. Ao manter a exigência fiscal relativa ao pagamento das bolsas de estudos, a decisão de primeira instância traz a fundamentação no sentido de que a alínea “t”, § 9º, art. 28 da Lei nº 8.212/91, prevê duas situações cujos valores não integram o salário de contribuição: a) educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 1996; e b) cursos de capacitação e qualificação profissionais, senão vejamos: 15. Note-se que a educação básica é um dos dois componentes da educação escolar, sendo o outro a educação superior, de tal sorte que, quando a alínea "t", § 9º, art. 28 da Lei nº 8.212/1991, especifica objetivamente a primeira, promove a exclusão da segunda de seu campo de abrangência. 16. Portanto, o custo relativo à educação superior (graduação e pós-graduação) de que trata o Capítulo IV, arts. 43 a 57, da Lei nº 9.394/1996, integra o salário de contribuição para efeito de incidência de contribuição previdenciária. Vale dizer, o valor não está alcançado pela exclusão prevista na alínea "t", § 9 2, art. 28 da Lei nº 8.212/1991, pelo que se enquadra como valor pago, devido ou creditado a "qualquer título', conforme previsto no inciso I, art. 28 da Lei nº 8.212/1991. 17. A autuada, ao arcar com o ônus de tais pagamentos em benefício de seus empregados, está proporcionando-lhes um ganho econômico, uma vantagem adicional percebida durante a vigência do contrato de trabalho. Via de regra, portanto, todos os rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades, são considerados salário-de-contribuição. 18. Não há dúvida de que o pagamento das mensalidades de curso superior de seus empregados representa dispêndio, realizado com habitualidade, destinado aos empregados, como forma de retribuir o trabalho que estes lhe prestaram, independentemente da forma como foi efetuada, se diretamente feita às instituições de nível superior ou a título de reembolso ao empregado. Ao examinar as informações descritas no Relatório Fiscal e a fundamentação exposta no acórdão recorrido, percebe-se que o motivo determinante para a exigência foi a mera circunstância de terem sido feitos pagamentos a título de mensalidades de cursos de graduação. Não se ocupou o relatório fiscal em analisar a pertinência do curso superior ofertado com as atividades desenvolvidas pela Recorrente, ou mesmo o fato de a graduação em si já representar uma qualificação profissional ao empregado por todo o aparato educacional envolvido (ensino, pesquisa, estudo). Fl. 196DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-007.453 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15586.001003/2008-60 A fiscalização se limita tão somente a relacionar gastos diversos com funcionários na educação de ensino superior, trazendo a relação dos valores envolvidos, mas também sem qualquer menção à natureza do curso superior ofertado. Vislumbra-se que a fiscalização deixou de demonstrar a incompatibilidade dos cursos superiores ofertados, à luz dos requisitos estabelecidos na norma isentiva (alínea “t”, § 9º, art. 28 da Lei nº 8.212/91). Tal como a fiscalização, a decisão de primeira instância não se ocupa em analisar a situação concreta, a pertinência do curso, a importância para os funcionários, a capacitação profissional, a disponibilidade de acesso, se restringindo apenas ao fato de se tratar de curso de graduação superior. Saliente-se ainda que em face da vasta jurisprudência do CARF no sentido de acolher a possibilidade de curso superior se enquadrar na norma isentiva, a matéria acabou sendo pacificada com a edição da Súmula CARF nº 149 assim redigida: Súmula CARF nº 149 Não integra o salário de contribuição a bolsa de estudos de graduação ou de pós- graduação concedida aos empregados, em período anterior à vigência da Lei nº 12.513, de 2011, nos casos em que o lançamento aponta como único motivo para exigir a contribuição previdenciária o fato desse auxílio se referir a educação de ensino superior. Por todo o exposto, entendo que deve ser excluído do lançamento os valores lançados a título de bolsa de estudos de educação superior. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares apontadas e, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 197DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 18159.000311/2009-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri Mar 06 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1994
DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
O descumprimento de obrigação tributária acessória é hipótese que se submete ao prazo decadencial descrito no CTN, art. 173, I.
Restou fulminado o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário atingido pela decadência.
Numero da decisão: 2401-007.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para declarar a decadência do crédito tributário lançado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(documento assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Jose Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rodrigo Lopes Araújo, Rayd Santana Ferreira, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para declarar a decadência do crédito tributário lançado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (documento assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Jose Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rodrigo Lopes Araújo, Rayd Santana Ferreira, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1994 DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O descumprimento de obrigação tributária acessória é hipótese que se submete ao prazo decadencial descrito no CTN, art. 173, I. Restou fulminado o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário atingido pela decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para declarar a decadência do crédito tributário lançado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (documento assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Jose Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rodrigo Lopes Araújo, Rayd Santana Ferreira, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face da Decisão Notificação nº 11.424.4/0312/2005 da Delegacia da Receita Previdenciária em Governador Valadares (fls. 208/219) que julgou PROCEDENTE a autuação, conforme ementa: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 15 9. 00 03 11 /2 00 9- 87 Fl. 373DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-007.471 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18159.000311/2009-87 PREVIDENCIÁRIO. TÍTULOS PRÓPRIOS Constitui infração ao art. 32, II, da Lei n° 8.212/91 c/c art. 225, II e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social - RPS o fato de a empresa deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. AUTUAÇÃO PROCEDENTE O presente processo trata do Auto de Infração - AI DEBCAD 35.786.351-8 (fls. 03/08), consolidado em 16/12/2004, que aplicou Multa no valor de R$ 93.232,26 em razão do descumprimento de obrigação acessória pelo fato de deixar de lançar, em títulos próprios de sua contabilidade, valores pagos a segurados empregados. De acordo com Relatório Fiscal (fls. 09/11): a. Os valores pagos aos segurados empregados, não contabilizados, correspondem a diversas verbas no período de 1994; b. As verbas pagas foram coletadas de diversos recibos de pagamentos individuais obtidos mediante exame dos autos de diversos processos trabalhistas; c. O contribuinte remunera seus empregados, sem registrar a totalidade desses pagamentos em sua Contabilidade; d. Nos processos trabalhistas, o Poder Judiciário Trabalhista, em sentenças prolatadas, reconhece essas verbas como pagamentos “Extra Folha”; e. A não inclusão na folha de valores pagos com recibos e sua não contabilização configura "fraude" prevista no inciso Il, do art. 290 do Regulamento da Previdência Social; f. A multa foi elevada em 06 vezes devido à ocorrência de uma reincidência genérica e uma específica e em três vezes devido ter o infrator agido com fraude. O Contribuinte tomou ciência do AI, pessoalmente, em 20/12/2004 (fl. 03) e, em 03/01/2005, apresentou tempestivamente sua Impugnação de fls. 95/180. O Processo foi encaminhado à Delegacia da Receita Previdenciária em Governador Valadares para julgamento, onde, através da Decisão-Notificação nº 11.424.4/0312/2005, em 28/11/2005, julgou no sentido de considerar PROCEDENTE Autuação Fiscal, declarando o contribuinte devedor à Seguridade Social do crédito previdenciário de R$ 93.232,26. O contribuinte tomou ciência da Decisão-Notificação, via Correio, em 12/12/2005 (AR - fl. 221) e, inconformado com a decisão prolatada, tempestivamente, em 30/12/2005 apresentou seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 224/322, onde alega: 1. Preliminarmente: a) A nulidade da decisão recorrida em razão da não apreciação das alegações de cunho constitucional em sede administrativa; b) A decadência do direito do INSS de lavrar o AI combatido; 2. A ilegalidade da multa aplicada pelo INSS; Fl. 374DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-007.471 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18159.000311/2009-87 3. Vícios materiais na motivação da autuação; 4. Ausência de conduta dolosa por parte do contribuinte; É o relatório. Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto, Relatora. Juízo de admissibilidade O recurso voluntário dos solidários responsáveis foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Decadência O presente processo trata de multa por descumprimento de obrigação acessória de obrigação acessória prevista no artigo 32, inciso II, da Lei n° 8.212 de 24 de julho de 1991, por ter deixado a empresa de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, valores pagos a segurados empregados. A DECISÃO-NOTIFICAÇÃO n° 11.424.4/0312 /2005 entendeu que o lançamento constituído em 16/12/2004 respeitou o prazo decenal imposto pelo artigo 45, inciso I da Lei 8.212/91. A Recorrente se insurge contra a referida decisão e pleiteia, dentre outras razões recursais, o reconhecimento da decadência do crédito tributário. Inicialmente, cabe registrar que Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212/1991, que previa o prazo decadencial de 10 anos para a constituição do crédito devido à Seguridade Social. Em consequência, o prazo para a Receita Federal do Brasil constituir créditos tributários envolvendo contribuições destinadas à Seguridade Social e a terceiros, assim entendidos outras entidades e fundos para os quais existe competência do órgão fazendário para fiscalizar, passou a ser de 5 anos. Esse posicionamento encontra-se sumulado através da Súmula Vinculante nº 8, publicada no DOU de 20/06/2008. A declaração pelo Supremo Tribunal Federal da inconstitucionalidade do prazo decenal do art. 45 da Lei nº 8.212/91, resultou na expedição da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20/6/2008, verbis: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. A partir de tal entendimento, a contagem do prazo decadencial deve ser interpretada em consonância com os preceitos estabelecidos no Código Tributário Nacional, em especial no § 4º do art. 150, no caso de pagamento antecipado, ou com base na regra prevista no Fl. 375DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-007.471 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18159.000311/2009-87 art. 173, inciso I do CTN, na hipótese da inexistência de pagamento parcial ou da comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação (Súmulas CARF nºs 99 e 101). Ocorre que o presente processo é relativo à multa por descumprimento de obrigação acessória, razão pela qual, a aferição da decadência tem como base o disposto no artigo 173, inciso I do CTN. Referido entendimento encontra-se sumulado neste Conselho através da Súmula CARF nº 148 que assim dispõe: No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN. Assim, como o Auto de Infração é relativo ao período de janeiro a dezembro de 1994, com a ciência do contribuinte em 20/12/2004, nos termos das regras insculpidas no art. 173, I do CTN, o direito de a Fazenda Pública de constituir o crédito tributário das contribuições previdenciárias relativas ao ano de 1994, encontra-se fulminado pela decadência. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e DOU-LHE provimento para declarar a decadência do lançamento. (documento assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 376DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13807.727399/2016-10
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2010
MULTA. GFIP ENTREGUE INTEMPESTIVAMENTE.
Estando o contribuinte obrigado a efetuar a entrega de GFIP, e tendo-a feito após o prazo estabelecido na legislação, é devida a multa pelo atraso.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. PENALIDADE.
As penalidades por descumprimento de obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea grafado no art. 138, do Código Tributário Nacional. Súmula CARF nº49.
AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Súmula CARF nº 46.
INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº2.
Numero da decisão: 2002-002.249
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 16592.725689/2015-91, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 MULTA. GFIP ENTREGUE INTEMPESTIVAMENTE. Estando o contribuinte obrigado a efetuar a entrega de GFIP, e tendo-a feito após o prazo estabelecido na legislação, é devida a multa pelo atraso. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. PENALIDADE. As penalidades por descumprimento de obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea grafado no art. 138, do Código Tributário Nacional. Súmula CARF nº49. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Súmula CARF nº 46. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº2.
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GFIP ENTREGUE INTEMPESTIVAMENTE. Estando o contribuinte obrigado a efetuar a entrega de GFIP, e tendo-a feito após o prazo estabelecido na legislação, é devida a multa pelo atraso. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. PENALIDADE. As penalidades por descumprimento de obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea grafado no art. 138, do Código Tributário Nacional. Súmula CARF nº49. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Súmula CARF nº 46. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº2. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 16592.725689/2015-91, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 72 73 99 /2 01 6- 10 Fl. 38DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-002.249 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13807.727399/2016-10 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, e, dessa forma, adoto neste relatório excertos do relatado no Acórdão nº 2002-002.039, de 29 de janeiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata o presente processo de auto de infração consubstanciando exigência referente à multa por atraso na entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, prevista no artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação da Lei nº 11.941, de 2009. Cientificada da decisão do colegiado de primeira instância, a qual julgou improcedente a impugnação, a empresa apresentou recurso voluntário, alegando, em síntese: - nulidade da autuação por não ter sido assegurado seu direito ao contraditório e à ampla defesa. - prescrição do crédito tributário. - entrega espontânea da GFIP, sem prévia intimação da Receita Federal do Brasil – RFB e com recolhimento dos tributos confessados. - ausência de intimação prévia e da dupla visita. - caráter confiscatório da multa. - existência do Projeto de Lei nº 7.512, de 2014. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Relatora Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2002-002.039, de 29 de janeiro de 2020, paradigma desta decisão. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Acerca da nulidade suscitada, observo que o lançamento atende integralmente aos preceitos de ordem pública expressos no art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN - e apresenta os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972. Ressalte-se especialmente que o auto contém o enquadramento legal completo e uma descrição dos fatos clara, permitindo ao contribuinte conhecer a infração que lhe está sendo atribuída. Ademais, ele pôde apresentar sua defesa, garantindo-se plenamente no presente processo o direito ao contraditório e à ampla defesa. Fl. 39DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-002.249 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13807.727399/2016-10 Dessa feita, rejeito essa preliminar. Sobre a prescrição, com base no CTN, art. 174, há que se lembrar que esta só se aplica a partir da constituição definitiva do crédito tributário. Não há que se falar em prescrição contada da entrega da GFIP, pois naquela data o crédito tributário (multa por atraso) não estava constituído, o que só acontece a partir do lançamento e ciência à contribuinte. O prazo prescricional é de cinco anos e começa a contar a partir da data da constituição definitiva do crédito tributário, ou melhor, desde o momento em que o titular do direito (a Fazenda Pública) pode exigir do devedor a prestação tributária. Isto se dá quando esgotado o prazo para pagamento ou apresentação de recurso administrativo sem que eles tenham ocorrido ou, ainda, decidido o último recurso administrativo interposto pelo contribuinte, o que ainda não ocorreu nestes autos. Ainda que se entenda que a recorrente quer suscitar a decadência do crédito tributário, melhor sorte não lhe assiste. Nos casos de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária o prazo para a constituição do crédito tributário extingue-se em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme previsto no art. 173, I, do Código Tributário Nacional - CTN. É nesse sentido a Súmula CARF n° 148, de observância obrigatória pelos Conselheiros no julgamento dos Recursos: No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN. Tomando-se o ano-calendário de 2010, cuja competência mais antiga deveria ser apresentada até 05/02/2010, o lançamento só poderia ser efetuado após o vencimento do prazo, ou seja, a partir de 06/02/2010. Logo, inicia-se a contagem do prazo decadencial em 1º de janeiro de 2011, encerrando-se em 31 de dezembro de 2015. Para o ano-calendário 2011, o prazo decadencial encerraria em 31 de dezembro de 2016. Como relatado, discute-se nestes autos a exigência referente à multa por atraso na entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, prevista no artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação da Lei nº 11.941, de 2009. Esclareço que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do Código Tributário Nacional - CTN, parágrafo único). Assim, constatado o atraso ou a falta na entrega da declaração/demonstrativo, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício da multa pertinente. A exigência da penalidade independe da capacidade financeira ou de existência de danos causados à Fazenda Pública. Ela é exigida em função do descumprimento da obrigação acessória. Portanto, não assiste razão à Fl. 40DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-002.249 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13807.727399/2016-10 recorrente ao pleitear a exclusão multa pelo fato de ter efetuado os recolhimentos previdenciários devidos. A autuação não aponta a falta ou insuficiência desse recolhimento. No tocante à alegação de espontaneidade na entrega da Declaração, trago a Súmula CARF nº 49, de observância obrigatória por este colegiado: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Quanto à alegação de falta de intimação prévia ao lançamento, no caso em tela, não houve necessidade dessa intimação, pois a autoridade autuante dispunha dos elementos necessários à constituição do crédito tributário devido. A prova da infração é a informação do prazo final para entrega da declaração e da data efetiva dessa entrega, a qual constou do lançamento. As disposições insertas no art. 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, não contrariam o entendimento manifestado acima. Em nenhum momento há imposição de prévia intimação ao lançamento tributário. Apenas nos casos em que a intimação é necessária é que a intimação deve ser realizada. Nesse sentido, é o que dispõe a Súmula CARF nº 46: Súmula CARF nº 46 O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Acrescento que o artigo 55, da Lei nº123, de 2006, trata de fiscalizações trabalhistas, sanitárias, de segurança, de relações de consumo, entre outras, não se aplicando ao processo administrativo fiscal relativo a tributos, conforme explicitado em seu §4º. Quanto às alegações de violação a princípios constitucionais, não cabe tal discussão na esfera administrativa de julgamento, prevalecendo a vinculação à lei, que conduz à obrigatoriedade de observância e aplicação das normas regularmente editadas. Acrescento a Sumula CARF nº2, de observância obrigatória por este colegiado: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, quanto ao Projeto de Lei n º 7.512, de 2014, esclareço que sua existência não impede a constituição e a exigência do crédito tributário com base na legislação em vigor e que rege a matéria. Pelo exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 41DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-002.249 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13807.727399/2016-10 Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 42DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 13866.720603/2016-69
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2011
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. MICROEMPRESAS E EMPRESAS DE PEQUENO PORTE. FISCALIZAÇÃO ORIENTADORA. DUPLA VISITA. DESCABIMENTO.
Os benefícios da fiscalização orientadora e o critério da dupla visita previstos no art. 55 da Lei Complementar nº 123, de 2006, não se aplicam ao lançamento de multa por atraso na entrega da GFIP.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. SÚMULA CARF nº 148.
A multa por atraso na entrega da GFIP é exigida por lançamento de ofício. A contagem do prazo decadencial para o seu lançamento segue a regra do art. 173, I, do CTN e tem início no primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da GFIP (Súmula CARF nº 148).
Numero da decisão: 2003-000.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Raimundo Cassio Gonçalves Lima - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Sara Maria de Almeida Carneiro Silva - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Gonçalves Lima (Presidente), Gabriel Tinoco Palatinic, Wilderson Botto e Sara Maria de Almeida Carneiro Silva.
Nome do relator: SARA MARIA DE ALMEIDA CARNEIRO SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2011 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. MICROEMPRESAS E EMPRESAS DE PEQUENO PORTE. FISCALIZAÇÃO ORIENTADORA. DUPLA VISITA. DESCABIMENTO. Os benefícios da fiscalização orientadora e o critério da dupla visita previstos no art. 55 da Lei Complementar nº 123, de 2006, não se aplicam ao lançamento de multa por atraso na entrega da GFIP. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. SÚMULA CARF nº 148. A multa por atraso na entrega da GFIP é exigida por lançamento de ofício. A contagem do prazo decadencial para o seu lançamento segue a regra do art. 173, I, do CTN e tem início no primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da GFIP (Súmula CARF nº 148).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cassio Gonçalves Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Sara Maria de Almeida Carneiro Silva - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Gonçalves Lima (Presidente), Gabriel Tinoco Palatinic, Wilderson Botto e Sara Maria de Almeida Carneiro Silva.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2020-03-12T15:24:52Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2020-03-12T15:24:52Z; Last-Modified: 2020-03-12T15:24:52Z; dcterms:modified: 2020-03-12T15:24:52Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2020-03-12T15:24:52Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-03-12T15:24:52Z; meta:save-date: 2020-03-12T15:24:52Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-03-12T15:24:52Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2020-03-12T15:24:52Z; created: 2020-03-12T15:24:52Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2020-03-12T15:24:52Z; pdf:charsPerPage: 1665; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-03-12T15:24:52Z | Conteúdo => S2-TE03 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13866.720603/2016-69 Recurso Voluntário Acórdão nº 2003-000.628 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária Sessão de 19 de fevereiro de 2020 Recorrente GOMES DE CATANDUVA REPRESENTACOES COMERCIAIS LTDA - ME Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2011 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. MICROEMPRESAS E EMPRESAS DE PEQUENO PORTE. FISCALIZAÇÃO ORIENTADORA. DUPLA VISITA. DESCABIMENTO. Os benefícios da fiscalização orientadora e o critério da dupla visita previstos no art. 55 da Lei Complementar nº 123, de 2006, não se aplicam ao lançamento de multa por atraso na entrega da GFIP. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. SÚMULA CARF nº 148. A multa por atraso na entrega da GFIP é exigida por lançamento de ofício. A contagem do prazo decadencial para o seu lançamento segue a regra do art. 173, I, do CTN e tem início no primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da GFIP (Súmula CARF nº 148). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cassio Gonçalves Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Sara Maria de Almeida Carneiro Silva - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Gonçalves Lima (Presidente), Gabriel Tinoco Palatinic, Wilderson Botto e Sara Maria de Almeida Carneiro Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 6. 72 06 03 /2 01 6- 69 Fl. 31DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-000.628 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13866.720603/2016-69 Trata-se de exigência de multas por atraso na entrega da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) relativas ao ano-calendário de 2011, em relação às quais o autuado apresentou impugnação, alegando a denúncia espontânea da infração. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação por considerar que as razões apresentadas não invalidam o lançamento, mantendo o crédito tributário tal como lançado. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário no qual alega que é empresa optante pelo simples nacional, e que portanto deve ser observado o art. 55 da Lei Complementar nº 123, de 2006, quando da aplicação das penalidades; alega ainda a decadência do direito de lançar quando do lançamento. Requer o deferimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheira Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Relatora. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão por que dele conheço. Preliminares Não forma apresentadas questões preliminares. Mérito Microempresas e empresas de pequeno porte – fiscalização orientadora - dupla visita Alega o recorrente nulidade do lançamento por inobservância à legislação, em especial ao art. 55 da Lei Complementar nº 123, de 2006, que trata da fiscalização orientadora para microempresas e empresas de pequeno porte, e estabelece o critério de dupla visita para lavratura de autos de infração. Não assiste razão ao recorrente. O caput do dispositivo remete à fiscalização em relação a aspectos trabalhista, metrológico, sanitário, ambiental, de segurança e de uso e ocupação do solo. Ainda de acordo com o § 4º, este não se aplica ao processo administrativo fiscal relativo a tributos e, no que concerne a obrigações acessórias, o § 5º estabelece que o critério de dupla visita aplica-se à lavratura de multa por seu descumprimento quando relativa às matérias previstas no caput do dispositivo, ou seja, matérias que envolvam aspectos trabalhista, metrológico, sanitário, ambiental, de segurança, de relações de consumo e de uso e ocupação do solo. Considerando que o lançamento que aqui se discute foi efetuado observando os estritos termos previstos no art. 32-A da Lei nº 8.212, de 1991, e não incidiu nas hipóteses de Fl. 32DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-000.628 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13866.720603/2016-69 nulidade previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, procedente é o lançamento. Da decadência do direito de lançar No direito tributário, o prazo decadencial para que autoridade fiscal proceda ao lançamento do crédito tributário está disciplinado tanto no art. 150, quanto no art. 173 do Código Tributário Nacional (CTN), sendo que o art. 150 trata de hipótese de contagem de prazo decadencial quando há antecipação do pagamento do tributo, o que não é o caso. Trata-se aqui de penalidade pelo descumprimento tempestivo de obrigação acessória, exigida por lançamento de ofício cujo prazo para constituição encontra-se no art. 173, inciso I, do CTN, matéria sobre a qual este Conselho já tem posição firmada por meio Conselho já tem posição firmada por meio da Súmula de observância obrigatória por seus membros, no seguinte sentido: Súmula CARF Nº 148: No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN. Considerando a disciplina do inciso I do art. 173 do CTN, a contagem do prazo em que o Fisco teria o direito de efetuar o lançamento da multa (já que a entrega se deu em atraso) iniciou-se em 01/01/2012 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), encerrando-se em 31/12/2016 (5 anos). Considerando que a ciência do lançamento ocorreu antes dessa data, não há que se falar em decadência. O cerne da questão é saber se o contribuinte cumpriu o prazo estipulado pela legislação aplicável, restando incontroverso que não cumpriu. Dessa forma, não há como prover o recurso. Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, mantendo o crédito tributário tal como lançado. É como voto. (documento assinado digitalmente) Sara Maria de Almeida Carneiro Silva Fl. 33DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-000.628 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13866.720603/2016-69 Fl. 34DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 16561.000126/2008-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003, 2004
MULTA QUALIFICADA DEPÓSITOS BANCÁRIOS
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14) DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO.
Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita ao ajuste na declaração anual, em 31 de dezembro do ano calendário, e independente de exame prévio da autoridade administrativa o lançamento é por homologação. Havendo pagamento antecipado o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada ano-calendário questionado,
entretanto, na inexistência de pagamento antecipado a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, exceto nos casos de constatação do evidente intuito de fraude.
Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ÔNUS DA PROVA
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais.
JUROS TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de
Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula 1º CC nº 4).
Argüição de decadência acolhida.
Recurso Provido em Parte.
Numero da decisão: 2202-001.362
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos,
desqualificando a multa de lançamento de ofício, acolher a argüição de decadência suscitada pelo Recorrente, para declarar extinto o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo ao ano-calendário de 2002 e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral, seu advogado, Dra. Shirley Fernandes Marcon Chalita, OAB/SP nº. 171.294.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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(Súmula CARF nº 14) DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita ao ajuste na declaração anual, em 31 de dezembro do anocalendário, e independente de exame prévio da autoridade administrativa o lançamento é por homologação. Havendo pagamento antecipado o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada anocalendário questionado, entretanto, na inexistência de pagamento antecipado a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, exceto nos casos de constatação do evidente intuito de fraude. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 07/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. JUROS TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula 1º CC nº 4). Argüição de decadência acolhida. Recurso Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, desqualificando a multa de lançamento de ofício, acolher a argüição de decadência suscitada pelo Recorrente, para declarar extinto o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo ao anocalendário de 2002 e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral, seu advogado, Dra. Shirley Fernandes Marcon Chalita, OAB/SP nº. 171.294. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 07/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16561.000126/200824 Acórdão n.º 220201.362 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, PAULO ROBERTO KRESS MOREIRA , foi lavrado auto de infração, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2002 e 2003, que apurou crédito tributário no valor de R$ 11.914.201,35, sendo R$ 3.621.012,30 referente ao imposto, R$ 2.861.670,73 referente aos juros de mora calculados até 09/2008 e R$ 5.431.518,32 referente à multa de oficio. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 117/121), o procedimento teve origem na omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em. contas de depósitos ou de investimento, mantidos em instituições financeiras no exterior, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações, não foram comprovados mediante documentação hábil e idônea. Foram considerados como omissão de rendimentos os valores depositados no período de 24/01/2002 a 25/02/2003, todos lavrados com a multa qualificada de 150%. Cientificado do lançamento em foco, em 13/10/2008 (fl. 137), o interessado apresentou, em 12/11/2008, a impugnação de fls. 141/182, aduzindo o que se segue: 1) A Lei Maior de .nosso ordenamento jurídico veda explicitamente que qualquer pessoa seja processada ou julgada senão por autoridade competente (art. 5 0, inciso LIII da Constituição Federal). 2) O Decreto n° 70.235/1972 confirma estas palavras ao estabelecer em seu art. 10 que "o auto de infração será lavrado por servidor competente..." e em seu art. 59, inciso I, dispõe que são nulos "os atos e termos lavrados por pessoa incompetente". 3) A determinação da competência do servidor público está adstrita à jurisdição do órgão que está subordinado. No caso do Ministério da Fazenda, a Secretaria da Receita Federal possui várias Delegacias espalhadas pelo território nacional com áreas determinadas de atuação. 4) Esta divisão e delimitação são fundamentais, tanto para o contribuinte que responde pelas suas obrigações tributárias ao órgão administrativo competente assim como para os agentes fiscais para que sua atuação fique adstrita à jurisdição da Delegacia que está subordinado, sob pena de crime de responsabilidade. 5) O mesmo entendimento tem o professor Luiz Antônio Caldeira Miretti. 6) O impugnante é residente em São Paulo, mais precisamente na Rua Grumete Sandoval Santos n° 48, Bairro do Morumbi, portanto, a competência para fiscalizálo pertence Fl. 3DF CARF MF Emitido em 07/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 exclusivamente à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização — DEFIS/SP. 7) Entretanto a Fiscalização e a autuação do impugnante foram procedidas pela Delegacia Especial de Assuntos Internacionais — DEAIN. 8) A Delegacia Especial de Assuntos Internacionais — DEAIN não tem competência para fiscalizar o impugnante, tendo em vista que o mesmo não realizou qualquer movimentação de recursos no exterior. 9) Conforme art. 170 do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil (Portaria MF 95, de 30/04/2007), o único fato que poderia resvalar numa eventual competência da Delegacia Especial de Assuntos Internacionais DEAIN seria uma ocasional movimentação de recursos praticados pelo impugnante no exterior, porém, tal fato nunca ocorreu. 10) Da leitura do Termo de Vcrificaçâ'o Fiscal, observase que a suposta movimentação de valores no exterior teria ocorrido na conta bancária n° 506924 do Delta National Bank and Trust Company em Nova York, EUA, denominada Giulia, cuja titularidade pertencia ao impugnante e a Sra. Vilma Kress Moreira. 11) Apesar do impugnante não ter condições de compreender os termos e verificar a veracidade e autenticidade da documentação acostada às fls. 24/104, uma vez que a mesma encontrase em língua estrangeira não dominada pelo mesmo, é possível concluir que tais documentos não comprovam a efetiva movimentação dos elevados valores apurados tão pouco que a titularidade dos supostos valores movimentados fossedo impugnante. 12) Os documentos de fls. 24/104 não evidenciam que o impugnante movimentou recursos no exterior. Eles poderiam, no máximo, servir como indícios para que fosse realizada uma fiscalização mais extensa que pudesse colher outros elementos probatórios de uma eventual movimentação financeira no exterior. 13) Não havendo qualquer prova acerca de eventual movimentação de recursos no exterior praticada pelo impugnante, resta nítido que a competência para fiscalizálo é exclusiva da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização — DEFIS/SP. 14) Tanto é assim, que a DRF/Osasco/SP encaminhou a representação e dossiê documental a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização — DEFIS/SP, conforme se verifica das fl. 18 e do próprio Termo de Verificação Fiscal (fl. 105). 15) A jurisdição fiscal sobre o domicílio tributário constituise uma garantia do contribuinte, é uma imposição normativa que visa preservar o cidadão de não ser autuado por qualquer Auditor Fiscal, impedindo assim a efetivação de atos arbitrários, Fl. 4DF CARF MF Emitido em 07/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16561.000126/200824 Acórdão n.º 220201.362 S2C2T2 Fl. 3 5 como o praticado pela Auditora Fiscal lotada na Delegacia Especial de Assuntos Internacionais — DEAIN. 16) Láudio Camargo Fabretti, em seu "Código Tributário Nacional Comentado", conceitua lançamento como sendo: "um ato de concretização da lei tributária efetuado pela autoridade administrativa competente para arrecadar e fiscalizar o tributo. Ato de competência privativa, isto é, exclusivo da pessoa política que tem poderes legais para proceder à arrecadação e fiscalização da dívida tributária." 17) Considerando a incompetência da Delegacia Especial de Assuntos Internacionais — DEAIN para fiscalizar e autuar o impugnante, é imperioso que o auto de infração seja declarado nulo de pleno direito. 18) Em 22/09/2008, através da petição de fls. 12/15, o impugnante argüiu que a exigência relativa à apresentação de esclarecimentos e documentos era arbitrária, uma vez que o período compreendido entre 01/01/2002 a 31/12/2003 já havia sido atingido pela decadência. 19) Foi ressalvado que, na hipótese da Auditora Fiscal ter entendimento contrário acerca da extinção do crédito tributário, o contribuinte deveria ser intimado de tal posicionamento, para que o impugnante fosse buscar esclarecimentos necessários com a Sra. Vilma Kress Moreira, cotitular da conta bancária n° 506924, uma vez que o impugnante não possuía qualquer conhecimento acerca da movimentação financeira da mencionada conta. 20) Apesar do nítido empenho do impugnante em colaborar com a fiscalização, a Auditora Fiscal ignorou o requerido às fls. 12/15 e lavrou o Auto de Infração sem possibilitar que o impugnante obtivesse com a Sra. Vilma Kress Moreira, cotitular da conta bancária n° 506924, alguma informação que pudesse auxiliar nos esclarecimentos a serem prestados, tendo em vista que o impugnante jamais fez qualquer movimentação na referida conta, cerceando seu direito de defesa. 21) Era um direito do; impugnante ser intimado do entendimento contrário da Auditora Fiscal quanto aos argumentos expostos na petição de fls. 12/15 e de lhe ser concedido o prazo suplementar requerido para que pudesse colher com a Sra. Vilma Kress Moreira as informações necessárias para que pudesse prestar os devidos esclarecimentos. 22) Caso o prazo requerido tivesse sido concedido, o impugnante teria condições de comprovar que jamais realizou qualquer movimentação na conta bancária n° 506924 do Delta National Bank anda Trust Company, em Nova York, EUA, denominada Giulia, conforme atesta a declaração ora juntada, prestada pela cotitular da citada conta, Sra. Vilma Kress Moreira, em 16 de outubro de 2008. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 07/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 23) Ante ao flagrante desrespeito ao principio constitucional da ampla defesa, deve o auto de infração ser declarado nulo. 24) O auto de infração é fruto de mera presunção da Auditora Fiscal, tendo em vista que os documentos de fls. 24/104 não possuem qualquer validade. 25)Toda descrição do fato imponível é mera conjectura, suposição da auditora. As alegações não são baseadas em prova real e objetiva. A autuação é totalmente descabida, pura arbitrariedade. 26) Cita entendimento do saudoso mestre Hely Lopes Meirelles que explica que: "Nos Estados de Direito, como o nosso, não há lugar para o arbítrio e prepotência dos agentes da autoridade. (.) Todo o ato contrário ou extravagante da lei é nulo, e como tal, deve ser declarado, quando ofensivo de direito individual." 27) 0 Auto de Infração fruto de mera presunção é integralmente ilegítimo e insubsistente, pois não observou as prescrições previstas em lei, desatendeu várias exigências dispostas no CTN e no Decreto n° 70.235/1972. Nesse sentido, cita lições do jurista Gilberto de Ulhoa Canto. 28) O agente público tem o dever de ofício de averiguar a *verdade material, na hipótese de desatendimento às exigências tributárias, deve cumprir diligências para comprovar a existência ou não de irregularidades. Cita entendimento nesse sentido do professor José Eduardo Soares de Melo. 29) A Auditora Fiscal deveria analisar as declarações de patrimônio do impugnante, verificar se havia alguma incompatibilidade na evolução patrimonial, enfim, ter dados concretos e provas que possibilitassem um concreto juízo de convencimento acerca da materialidade do fato investigado. 30) Transcreve pensamento do jurista Ricardo Mariz de Oliveira: ".... nenhum lançamento pode ser feito sem a segurança comprovação da ocorrência do fato gerador... nenhum lançamento é válido se não for baseado em fatos efetivamente comprovados, sendo defeso ao agente fiscal meramente supor que o fato gerador tenha ocorrido.." 31) A Auditora Fiscal optou por presumir os fatos, impondo exigência fiscal ao impugnante completamente descabida, tornando o auto de infração totalmente nulo e insubsistente, conforme confirmam julgados de Tribunais Judiciais e administrativos. 32) O lançamento não encontra suporte na linguagem das provas, o que macula irremediavelmente a motivação. 33) Todo o trabalho fiscal realizado nos autos do processo administrativo é enfocado nos documentos de fls. 24/80, 93/94 e 103/104, que foram obtidos através de investigações realizadas pela Força Tarefa CC5 do Departamento de Polícia Federal na cidade de Curitiba/PR, que não guardam qualquer tipo de relação ou vínculo com o impugnante. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 07/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16561.000126/200824 Acórdão n.º 220201.362 S2C2T2 Fl. 4 7 34)0s documentos de fls. 24/80, 93/94 e 103/104 estão redigidos em língua estrangeira (inglês). 35) 0 art. 13 da Constituição Federal dispõe que a língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil e o art. 224, do Código Civil, que: "Os documentos redigidos em língua estrangeira serão traduzidos para o português para efeitos legais no País". 36) Idêntico sentido;dispõem os artigos 156 e 157 do Código de Processo Civil e os artigos 129 e 148 da Lei n° 6.015/1973. 37) Acerca do assunto, o interessado cita ensinamentos da mestra Fabiana Del Padre Tomé, artigo de Edmar Oliveira Andrade Neto e ementa e voto do Conselheiro Relator Luiz Antonio de Paula do Primeiro Conselho de Contribuinte. 38) 0 impugnante por não dominar o idioma inglês, não tem condições de compreender as informações constantes dos documentos de fls. 24/80, 93/94 e 103/104 nem de atestar a veracidade dos mesmos, o que cerceia o exercício de uma ampla defesa. 39) É imprescindível que os documentos de fls. 24/80, 93/94 e 103/104 não sejam conhecidos, uma vez que estão redigidos em língua inglesa e não foram vertidos em vernáculo por meio de tradutor juramentado. 40) Os documentos de fls. 24/80 e 87/104 também não possuem qualquer valor probante, uma vez que são cópias simples. Esses documentos necessitariam ser consularizados, ou seja, legalizados pelo ConsuladoGeral do Brasil em Nova York. São verdadeiros documentos apócrifos, uma vez que não contêm qualquer elemento que possam identificar quem apresentou os supostos documentos originais e em quais circunstâncias. 41) Conforme art. 265 do Código de Processo Civil, para ter validade, as reproduções de documentos públicos devem ser autenticadas por oficial público. Dessa forma, os documentos de fls. 24/80 e 87/104 não têm qualquer eficácia, não podendo, portanto, ser conhecidos. 42) Inexiste nexo de causalidade entre investigações realizadas pela ForçaTarefa CC5 do Departamento de Polícia Federal na cidade de Curitiba/PR, a quebra de sigilo bancário decretada pelo Juízo da 2' Vara Criminal Federal de Curitiba, nos autos do Processo n° 2003.70000303334 (Inquérito n° 207/98), as cópias dos ofícios, documentos de natureza financeira e outros elementos anexados ao processo administrativo e o impugnante. 43) O impugnante nunca soube da investigação, quebra de sigilo, etc. que os documentos de fls. 24/80 e 87/104 fazem referência, bem como nunca foi parte de qualquer processo relativo às operações constantes dos documentos acima mencionados ou de qualquer outro processo ou procedimento fiscal, cível ou criminal. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 07/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 44) Da leitura atenta de todo o processo administrativo, excluindo os documentos de fls. 24/80 e 87/104, que não podem ser considerados por serem cópias simples, além de redigidos em língua estrangeira sem tradução juramentada, o nome do impugnante só aparece nas informações internas trocadas entre os diversos setores que compõem a Secretaria da Receita Federal do Brasil. 45)Não há no Auto de Infração a identificação de onde e como foram produzidos os documentos de fls. 24/80 e 87/104, o que acarreta a total nulidade do Auto de Infração, diante da dificuldade do sujeito passivo de elaborar sua defesa. 46) Caso os documentos de fls. 24/80 e 87/104 sejam conhecidos, apesar de serem cópias simples e redigidas em língua estrangeira, é de rigor que eles sejam afastados em razão de terem sido obtidos através de provas obtidas ilicitamente. 47) As informações constantes dos documentos de fls. 24/80 e 87/104 foram obtidas através das investigações realizadas pela ForçaTarefa CC5 do Departamento de Polícia Federal, que conseguiram obter autorização judicial para quebrar o sigilo bancário de contas numeradas abertas em Instituições Financeiras sediadas nos Estados Unidos. 48) Apesar do impugnante nunca ter sido alvo de qualquer investigação ou processo criminal, aparentemente, teve seu nome envolvido, indevidamente, numa quebra de sigilo bancário. 49) Deveria ter sido oferecido ao impugnante a possibilidade de ciência do que estava ocorrendo, bem como a possibilidade de se utilizar da ampla defesa e do contraditório. 50)Não há nos autos do processo administrativo indício que os documentos de fls.24/80 e 103/104 tenham sido obtidos mediante a observação do Acordo de Assistência Judiciária em Matéria Penal entre o governo da República Federativa do Brasil e o Governo dos Estados Unidos, aprovado pelo Decreto n°3.810, de 02/05/2001. 51) Os documentos de fls. 24/80 e 87/104 não têm qualquer validade, não podendo servir de prova contra o impugnante. 52)A autuação fiscal, para revestirse de legitimidade, não pode ampararse em provas obtidas de forma ilícita, conforme assegura o inciso LVI, do art. 5° da CF. 53) Se os documentos de fls. 24/80 e 87/104 não podem ser considerados, não há dúvida que o lançamento fiscal não pode subsistir, não resta sequer um elemento que possa ser um indício de que o impugnante tenha cometido alguma violação ao ordenamento que regula questões tributárias. 54) Diante da total ausência de provas, não há que se falar em presunção relativa, uma vez que o art. 42, da Lei n° 9.430/1996, não pode ser aplicado ao caso. Inexiste nos autos qualquer documento que convalide que o impugnante teria omitido receita de rendimentos ou valores creditados em conta de depósito mantido junto a instituição financeira sediada no exterior. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 07/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16561.000126/200824 Acórdão n.º 220201.362 S2C2T2 Fl. 5 9 55) Conforme art. 9°, do Decreto n° 70.235/1972, depreendese que o lançamento do crédito fiscal deverá ser instruído com todos os elementos de provas do ilícito. 56) Acerca do tema, cita entendimentos da professora Fabiana Dei Padre Tomé, da professora Maria Rita Ferragut e do tributarista Eurico Marcos Diniz de Santi e ementa do Conselho de Contribuintes. 57) Apesar dos documentos de fls. 24/80 e 87/104 serem imprestáveis, o impugnante sente se no dever de esclarecer que desconhece completamente as movimentações financeiras ocorridas na conta n° 506924, denominada "Giulia". 58) Eventuais valores transitados são de responsabilidade exclusiva da Sra. Vilma Kress Moreira, cotitular da referida conta, e da Instituição Bancária onde a citada conta era mantida (Delta National Bank and Trust Company", em Nova York, conforme declaração prestada pela Sra. Vilma Kress Moreira (fl. 183)), onde a mesma atesta que o impugnante jamais realizou qualquer movimentação na conta n°506924. 59) Comprovado que o impugnante jamais movimentou a conta n° 506924, é de rigor que se reconheça a insubsistência do lançamento do crédito tributário e cancele o Auto de Infração. 60)Na hipótese de ser considerado legítimo o lançainento fiscal, é de rigor que sejam excluídos do lançamento os créditos decorrentes dos fatos geradores ocorridos no período entre 01/01/2002 a 31/12/2002, uma vez que os mesmos já estavam extintos quando da lavratura do Auto de Infração". 61) Considerando que o Imposto de Renda Pessoa Física — IRPF — é um tributo que atribui ao contribuinte o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame do Fisco, ele se enquadra na modalidade de lançamento por homologação, que se extingue no prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, conforme determina o artigo 150, § 4°, do CTN. • 62) Assim, com referência ao período entre 01/01/2002 a 31/12/2002, mesmo na hipótese de considerar a data mais recente (31/12/2002), concluise que o crédito tributário se extinguiu em 31/12/2007. 63)Nesse sentido, existe ementa da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. 64) Caso seja aplicado o inciso I do art. 173, do CTN, o eventual crédito tributário estaria extinto em 01/01/2008, portanto da lavratura do Auto de Infração o direito da Secretaria da Receita Federal do Brasil constituir o crédito tributário já havia decaído há mais de dez meses. 65)Todas as supostas hipóteses de incidência ocorridas entre 01/01/2002 a 31/12/2002 estariam sujeitas ao lançamento fiscal Fl. 9DF CARF MF Emitido em 07/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 a partir de 01/01/2003, portanto, o crédito tributário se extinguiu definitivamente em 01/01/2008. 66) Sobre o tema, é interessante observar decisões do Superior Tribunal Federal e do Conselho de Contribuintes, conforme ementas reproduzidas. 67)Nem se alegue que o início do prazo decadencial apenas ocorreria em 01/01/2004, conforme argumentado pela auditora fiscal, uma vez que a Declaração de Ajuste Anual das Pessoas Físicas constituise em simples instrumento de acerto de contas a fim de apurar eventuais saldos de imposto a pagar ou valores a restituir e não pode ser utilizada como base para o lançamento e constituição do crédito tributário. 68)Vale destacar ementas do Conselho de Contribuintes, sobre o tema. 69)Da leitura das folhas que compõem o presente processo administrativo, verificase que a conta n° 506.924, intitulada "Giulia", foi encerrada em 25/02/2003. Dessa forma, mesmo que se admita a responsabilidade do impugnante pela conta, resta claro que o mesmo não tinha qualquer obrigação de informála em sua Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física — IRPF — Exercício 2004 — Anocalendário 2003, sendo seu saldo em 31/12/2003 igual a zero. 70)A autoridade fiscal lançadora se equivocou, pois o inciso III, do art. 798, do RIR, disciplina que devem ser declarados os saldos de aplicações financeiras e de conta bancária, cujo valor individual, em 31/12 do anocalendário, exceda a cento e quarenta reais. 71)Verificase, também, que os eventuais fatos ocorridos entre 01/01/2003 a 25/02/2003 já estavam extintos quando da lavratura do indigitado Auto de Infração, tendo em vista que o crédito tributário relativo ao IRPF se extingue no prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, conforme determina o artigo 150, § 4 0, do CIN. . 72)Assim, com referência ao período compreendido entre 01/01/2003 a 25/02/2003, mesmo na hipótese de considerarmos a data mais recente (25/02/2003), concluiremos que o crédito tributário se extinguiu em 26/02/2008. 73) É preciso rechaçar com veemência o entendimento da Auditora Fiscal quanto ao suposto ato fraudulento ou doloso do impugnante. O impugnante jamais movimentou a conta n° 506924. A Auditora Fiscal afirma, mas não comprova, qualquer remessa de recursos que o impugnante tenha feito para o exterior. 74) Bastaria analisar as declarações de Imposto de Renda do impugnante para perceber a evolução patrimonial das mesmas, claro sinal de que todos os bens e direitos são devidamente declarados. 75) Dessa tbrma, com relação ao período compreendido entre 01/01/2003 a 25/02/2003 não há que se falar na aplicação do Fl. 10DF CARF MF Emitido em 07/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16561.000126/200824 Acórdão n.º 220201.362 S2C2T2 Fl. 6 11 artigo 150, § 4 0, do C'IN, uma vez que o impugnante não agiu com dolo, fraude ou simulação. 76)Na hipótese dos documentos de fls. 24/80 e 87/104 serem conhecidos, é de rigor que seja afastada a presunção de que as movimentações bancárias constantes dos mencionados documentos sejam rendimentos auferidos pelo impugnante. 77) Os depósitos bancários, se não acompanhados de outros indícios, não podem ensejar a presunção válida de omissão de rendimentos. 78) Diante da declaração prestada pela Sra. Vilma Kress Moreira, cotitular da referida conta n° 506924, onde a mesma atesta que o impugnante jamais realizou qualquer movimentação na mencionada conta, fica afastada a presunção de que os importes transacionados naquela conta seriam rendimentos auferidos pelo impugnante. 79)Na hipótese de serem superadas todas as matérias ventiladas até aqui, é de ser afastada a duplicidade de tributação de um mesmo rendimento. 80)Apesar da extrema dificuldade em analisar os ,documentos de fls. 24/80 e 87/104, em razão dos mesmos estarem redigidos em língua estrangeira, o impugnante pode detectar que a Auditora Fiscal considerou como créditos a simples transferência de valores da conta corrente para conta corrente remuneratória. 81) Dos extratos bancários de fls.56/76, depreendese que grande parte da movimentação bancária é oriunda de transferências internas de uma conta corrente para uma "conta remuneratória", dentro do próprio "Delta National Bank and Trust Company". 82)Tratase de contas agregadas à conta n° 506924, que podem ser de natureza remuneratória ou de investimento, sendo que o mesmo valor, de forma automática, passa de uma conta para outra, criando a falsa impressão de movimentação intensa. 83) Os extratos bancários de fls. 56/76 utilizam os seguintes termos: "CR Money Trnsfer"; "Auto Transfer Debit"; Auto Transfer Credit"; "Transfer from MM"; "DR Trust Transfer"; "CR Trust Transfer"; "Bank Charges/Fees" e "Credit Balance". 84) Caso os extratos tivessem sido acompanhados de tradução juramentada, o impugnante teria maior facilidade para decifrar e explicar cada termo, contudo, apenas para demonstrar a total improcedência do combalido Auto de Infração, vale um esforço de interpretação. 85) Sob a ótica do impugnante, têmse os seguintes significados: a) "CR MONEY TRANSFER" — tratase de crédito originário de outra instituição financeira ou depósito bancário. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 07/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 b) "CR TRUST TRANSFER" — referese à transferência interna de contas do "Delta National Bank and Trust Company", ou seja, o dinheiro é movimentado entre conta de investimento e a conta corrente. Aparentemente essa nomenclatura sempre utiliza números de contas similares uns com outros, por exemplo, conta investimento n° 406924 e conta corrente n° 506924. Nesse caso, a conta investimento. Nesse caso, a conta investimento, provavelmente, deva ser uma subconta da conta corrente. c) "AUTO TRANSFER CREDIT" — aparentemente se refere às transferências automáticas de uma conta corrente para uma conta remuneratória. Também utiliza números similares, ou seja, a conta principal e outra subconta. 86) Considerando o desconhecimento do impugnante quanto à língua inglesa, bem como aos significados dos termos utilizados, é requerido que seja efetuada diligência junto ao "Delta National Bank and Trust Company", sediado em Nova York, para que o mesmo • responda aos quesitos: a) Qual o significado dos seguintes termos: "CR Money Trnsfer"; "Auto Transfer Debit"; Auto Transfer Credit"; "Transfer from MM"; "DR Trust Transfer"; "CR Trust Transfer"; "Bank Charges/Fees" e "Credit Balance". b) A conta n° 506924 possuía subcontas de investimento/remuneratória? c) Explicitar como era feita transferência de valores entre a conta corrente e as subcontas de investimento/remuneratória? 87) O impugnante protesta pela produção de quesitos suplementares caso sejam necessários. 88)Analisando a coluna "CREDIT" das movimentações ocorridas no ano de 2002 (fls. 56/73), conforme demonstrado na planilha (fl. 184/186), é possível se concluir que do montante de US$ 8.372.736,16, US$ 5.504.289,90 referese à movimentação interna, decorrente de resgate de aplicações financeiras ou de conta remunerada — "CR TRUST TRANSFER" e "AUTO TRANSFER CREDIT". A conta n° 506924 recebeu como créditos oriundos de depósitos realizados por outras instituições financeiras — "CR MONEY TRANSFER", o importe de US$ 2.868.446,26, sendo que apenas esse valor pode ser considerado para fins de tributação. 89)A movimentação do ano de 2003 (fls. 74/76) demonstra que o valor de US$ 519.383,04 corresponde ao total da coluna "CREDIT", sendo que desse importe a quantia de US$ 233.209,04 é relativa a créditos decorrentes de movimentação interna e o valor de US$ 286.174,00 referese à somatória de créditos decorrentes de depósitos bancários, conforme se verifica na planilha de fl. 187. 90) Com as alterações realizadas pelo impugnante, têmse os seguintes valores ilustrados por meio de Tabelas. 92) Desconsiderando as movimentações ocorridas entre a conta corrente n° 506924 e suas subcontas, alteramse Fl. 12DF CARF MF Emitido em 07/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16561.000126/200824 Acórdão n.º 220201.362 S2C2T2 Fl. 7 13 significativamente os valores lançados no Auto. A base de cálculo lançado pela Auditora Fiscal correspondente a R$ 13.167.318,60 (R$ 12.276.004,66 + R$ 891.313,94) deveria ser R$ 4.438.522,30 (R$ 3.960.339,01 + R$ 478.183,29). 93) Outro ponto a ser contestado é a imposição da exorbitante e confiscatória muita de 150% sobre os débitos apurados. 94) Tal percentual só poderia ser aplicado na hipótese de ficar caracterizado que o impugnante houvesse agido com dolo, fraude ou simulação, o que não é o caso dos autos. 95) A Constituição Federal, em seu artigo 150, III, IV, proíbe cobrar tributos que tenha o efeito de confisco. 96) A utilização da taxa SELIC como taxa de juros moratórios deve ser afastada, pois a mesma possui natureza remuneratória e seu emprego como juros de mora desobedece as regras contidas nos artigos 161, § 1°, do CTN e art. 192, § 3° da Constituição Federal. 97) A forma de cálculo da taxa SELIC está regulamentada nas Circulares do Banco Central — BACEN n° 1.594/90, 2.311/93 e 2.671/96, que conferiram à citada taxa de juros natureza remuneratória, caracterizando como autêntico meio de remuneração do capital. A taxa SELIC é resultado das negociações dos títulos públicos e da variação dos seus valores de mercado, ela reflete um verdadeiro pagamento pelo uso de dinheiro alheio, em outras palavras é um meio de remunerar o capital, característica que lhe confere a natureza remuneratória. 98) Os juros de mora, em matéria tributária, são devidos quando do retardamento do pagamento de obrigação tributária, tendo como objetivo o de recompor o patrimônio do Estado, lesado pela demora do devedor em adimplir a obrigação, portanto eles agem como complemento da obrigação principal. 99) Levandose em conta os elementos que integram a fórmula de apuração da taxa SELIC, não há nada que lhe confira caráter moratório, mas fica evidente que essa taxa traduz com fidelidade o custo do dinheiro no mercado interno. 100)É nítida a impossibilidade de se utilizar a taxa SELIC como taxa de juros moratórios para os débitos fiscais, já que a mesma não possui característica de indenização, própria dos juros moratórios, como bem demonstrado pelo Ministro Octávio Galloti, do Supremo Tribunal Federal. 101)O caráter estritamente remuneratório da taxa SELIC não permite sua utilização para qualquer outra finalidade que não seja remunerar capital alheio, não se prestando a indenização objetiva nos juros moratórios. 102)A adoção da taxa SELIC como supostos juros moratórios é ilegal e inconstitucional, pois desfigura por inteiro o pressuposto Fl. 13DF CARF MF Emitido em 07/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 e o objetivo desta espécie de juros, a mesma não guarda qualquer correlação lógica com a recomposição do patrimônio lesado, pela falta do tributo não pago, como se busca nos juros moratórios. 103)0 art. 110, do CTN, proíbe que a lei tributária altere a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. 104)O uso da taxa Selic desrespeita o art. 110 do CTN, na medida em que desconfigura a cobrança dos juros incidentes sobre os débitos tributários em atraso, transmudando lhes o caráter, de moratório para remuneratório. 105)A taxa Selic não encontra guarida no artigo 161, § 1°, do CTN, porque este dispositivo complementar autoriza a definição de outra taxa de juros, desde que contenha e reflita a natureza moratória e não remuneratória. 106)De acordo com o art. 192, § 3 0, da Constituição Federal, ao impor o pagamento de juros de mora a taxas superiores a 12% ao ano, a União estará cometendo crime de usura. 107)Demonstrada a impossibilidade de utilização da taxa SELIC como juros moratórios, concluise ser incontestável o direito ' do impugnante de que seus supostos débitos tributários sejam atualizados com o emprego de juros de mora à taxa de 1% ao mês. 108)Para comprovar o alegado, o impugnante pretende produzir todas as provas em direito admitidas, em especial a realização da diligência requerida acima, bem como ajuntada de novos documentos e tudo mais que for pertinente para demonstrar a veracidade das suas informações. Requer, ainda, que lhe seja dada ciência, através de intimação pessoal, de todos os atos e despachos proferidos no presente processo administrativo, sob pena de nulidade. Em 31/03/2009, o contribuinte apresenta razões adicionais à impugnação com jurisprudência administrativa. Contesta a qualificação da penalidade e alega, em síntese: 1) Decadência. 2) Cerceamento de defesa. 3) Que eventual omissão de rendimentos somente poderia se dar através de "Fluxo de Caixa", conhecido Acréscimo Patrimonial à descoberto, inexistente nos autos. 4) Que existem depósitos inferiores à R$ 12.000,00 que não atingem, no ano, o montante de R$ 80.000,00. Em 19 de junho de 2009, os membros da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo II, proferiram Acórdão que, por unanimidade de votos, Fl. 14DF CARF MF Emitido em 07/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16561.000126/200824 Acórdão n.º 220201.362 S2C2T2 Fl. 8 15 rejeitou as preliminares, e considerou procedente em parte o lançamento, nos termos da Ementa a seguir transcrita. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado , que o procedimento fiscal foi feito regularmente em consonância com os dispositivos legais que cuidam de nulidade, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. DECADÊNCIA. Tratandose de lançamento ex officio, a regra aplicável na contagem do prazo decadencial é a estatuída pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional, iniciandose o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de oficio, os valores creditados em contas de depósito mantidas junto às instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Invocando uma presunção legal de omissão de rendimentos, fica a autoridade lançadora dispensada de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo ao contribuinte o ônus da prova. MULTA QUALIFICADA. Configurado o dolo, impõese ao infrator a aplicação da multa qualificada prevista na legislação de regência. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Devidos os juros de mora calculados com base na taxa SELIC na forma da legislação vigente. Eventual inconstitucionalidade e/ou ilegalidade da norma legal deve ser apreciada pelo Poder Judiciário. Lançamento Procedente Cientificado em 31/07/2009, o contribuinte, se mostrando irresignado, apresentou, em 21/08/2009, o Recurso Voluntário, de fls. 247/259, reiterando as razões da sua impugnação, às quais já foram devidamente explicitadas, que aditando os seguintes pontos: Da nulidade da decisão de primeira instância por não ter apreciado as razões adicionais apresentadas antes do julgamento., seja: i) que teria havido a decadência, ii) a multa não seria qualificada, iii) que o procedimento correto de apuração seria acréscimo patrimonial e iy) os limites de depósitos bancários no valor inferior ao limite; Fl. 15DF CARF MF Emitido em 07/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 Da decadência do lançamento. Da incompetência da DEAIN para fiscalizar o contribuinte; Do cerceamento do direito de defesa dos documentos de língua estrangeira obtidos ilicitamente; Da ausência de responsabilidade do autuado em razão da declaração prestada pela cotitular da conta; Da qualificação indevida, sem justificativa; Da inaplicabilidade da taxa selic. É o relatório. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 07/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16561.000126/200824 Acórdão n.º 220201.362 S2C2T2 Fl. 9 17 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Antes de analisar o mérito, cabe apreciar a questão prejudicial da decadência, e para isso é crucial apreciar a pertinência da multa qualificada. No que toca a qualificação da multa, embora reconheça a desproporcionalidade entre os valores declarados e a movimentação bancária. Devese reconhecer que no caso concreto, o que se verificou foi uma omissão de rendimentos presumida fundamentalmente a partir de depósitos bancários. Desse modo esses fatos, por si só, não são suficientes a caracterizar evidente intuito de fraude, a que se refere o artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96. Para tanto, seria necessária a comprovação, por parte da autoridade lançadora, de procedimentos adotados pelo Contribuinte com inquestionável intuito fraudulento, o que, porém, não se vislumbrou. Em situações como a presente, aplicável a Súmula nº 14, deste Primeiro Conselho de Contribuintes: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” Por isso, dou provimento nesse item, a fim de desqualificar a multa de 150%, reduzindoa para a multa de ofício de 75%. Isto posto, urge registrar que com a qualificação da multa não é devida, aplicarseá para apreciar a decadência do lançamento, o art. 150 do CTN e dentro desse contexto, é de se considerar o lançamento decadente, tal como explicado anteriormente, quando da apreciação da preliminar. Acolhese, portanto a preliminar de decadência suscitada pelo contribuinte no que toca ao ano calendário de 2002. Nessa senda, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial para os, deduções indevidas e infrações tributárias que ocorreram ao longo do ano de 2002, considerando a existência de pagamento, está previsto no art. 150, parágrafo 4º, do CTN é de 1º de janeiro de 2003, posto que é o 1º dia após a ocorrência do fato gerador. Desta forma, o lançamento poderia ser realizado até a data de 31/12/2007, para que pudesse alcançar os valores percebidos no anocalendário de 2002. Como o auto de infração foi encaminhado ao contribuinte e este teve ciência do auto de infração apenas em 13/10/2008, entendo que nessa data já havia decaído o direito da fazenda constituir o referido crédito tributário. Fl. 17DF CARF MF Emitido em 07/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 18 Como é sabido, o lançamento é o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, identificar o seu sujeito passivo, determinar a matéria tributável e calcular ou por outra forma definir o montante do crédito tributário, aplicando, se for o caso, a penalidade cabível. Com o lançamento constituise o crédito tributário, de modo que antes do lançamento, tendo ocorrido o fato imponível, ou seja, aquela circunstância descrita na lei como hipótese em que há incidência de tributo, verificase, tão somente, obrigação tributária, que não deixa de caracterizar relação jurídica tributária. É sabido, que são utilizados, na cobrança de impostos e/ou contribuições, tanto o lançamento por declaração quanto o lançamento por homologação. Aplicase o lançamento por declaração (artigo 147 do Código Tributário Nacional) quando há participação da administração tributária com base em informações prestadas pelo sujeito passivo, ou quando, tendo havido recolhimentos antecipados, é apresentada a declaração respectiva, para o juste final do tributo efetivamente devido, cobrandose as insuficiências ou apurandose os excessos, com posterior restituição. Por outro lado, nos precisos termos do artigo 150 do CTN, ocorre o lançamento por homologação quando a legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, a qual, tomando conhecimento da atividade assim exercida, expressamente a homologa. Inexistindo essa homologação expressa, ocorrerá ela no prazo de 05 (cinco) anos, a contar do fato gerador do tributo. Com outras palavras, no lançamento por homologação, o contribuinte apura o montante e efetua o recolhimento do tributo de forma definitiva, independentemente de ajustes posteriores. Neste ponto está a distinção fundamental entre uma sistemática e outra, ou seja, para se saber o regime de lançamento de um tributo, basta compulsar a sua legislação e verificar quando nasce o dever de cumprimento da obrigação tributária pelo sujeito passivo: se dependente de atividade da administração tributária, com base em informações prestadas pelos sujeitos passivos (lançamento por declaração), hipótese em que, antes de notificado do lançamento, nada deve o sujeito passivo; se, independente do pronunciamento da administração tributária, deve o sujeito passivo ir calculando e pagando o tributo, na forma estipulada pela legislação, sem exame do sujeito ativo lançamento por homologação, que, a rigor técnico, não é lançamento, porquanto quando se homologa nada se constitui, pelo contrário, declarase à existência de um crédito que já está extinto pelo pagamento. Importante frisar que o recorrente apresentou declaração de ajuste anual, conforme documentos de fls.16, tendo pago imposto no ano de 2002. Devese registrar que em 21/12/2010, houve a edição da Portaria MF nº 586, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Diante disso, a redação do art.62 do RICARF dispôs: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 18DF CARF MF Emitido em 07/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16561.000126/200824 Acórdão n.º 220201.362 S2C2T2 Fl. 10 19 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Diante disso, resta claro que os julgados proferidos pelas turmas integrantes do CARF devem se adaptar, nos casos de decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, a estes julgados. Assim sendo, a contagem do prazo decadencial é um destes temas. No que toca a decadência, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça decidiu, por ocasião do julgamento do Recurso Especial nº 973.733 – SC (2007/01769940), que a contagem do prazo decadencial dos tributos ou contribuições, cujo lançamento é por homologação, deveria seguir o rito do julgamento do recurso especial representativo de controvérsia, cuja ementa é a seguinte: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 19DF CARF MF Emitido em 07/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 20 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose Documento: 6162167 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 18/09/2009 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. Fl. 20DF CARF MF Emitido em 07/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16561.000126/200824 Acórdão n.º 220201.362 S2C2T2 Fl. 11 21 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Nos julgados posteriores, sobre o mesmo assunto (contagem do prazo decadencial), o Superior Tribunal de Justiça aplicou a mesma decisão acima transcrita, conforme se constata no julgado do AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.203.986 MG (2010/01395597), verbis: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. MATÉRIA DECIDIDA NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA N° 973.733/SC. ARTIGO 543C, DO CPC. PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE COBRANÇA JUDICIAL PELO FISCO. PRAZO QÜINQÜENAL. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA. 1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados:I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado,por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 2. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Fl. 21DF CARF MF Emitido em 07/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 22 Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). Documento: 12878841 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 24/11/2010 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, sujeito ao regime dos recursos repetitivos, reafirmou o entendimento de que " o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em FALTA O JULGAMENTO AGUARDAR) 4. À luz da novel metodologia legal, publicado o acórdão do julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no artigo 534C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do artigo 557, CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 5. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado de contribuição social foi omitida pelo contribuinte concernente ao fato gerador compreendido a partir de 1995, consoante consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar iniciou a partir de 01.01.1996 com término em 01.01.2001; (d) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 15.07.2004, data da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que formalizou os créditos tributários em questão, sendo a execução ajuizada tão somente em 21.03.2005. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Agravo regimental desprovido. É de se ressaltar, que os julgados do Superior Tribunal de Justiça firmaram posição no sentido de que “o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal”. Fl. 22DF CARF MF Emitido em 07/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16561.000126/200824 Acórdão n.º 220201.362 S2C2T2 Fl. 12 23 Sob o meu ponto de vista o maior obstáculo neste tipo de interpretação dada pelo Superior Tribunal de justiça está em definir o que seria considerado “pagamento antecipado” nos futuros julgados por este tribunal Administrativo. Ora, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o escoamento do prazo do art. 150, § 4º, sem manifestação do Fisco, significa a aquiescência implícita aos valores declarados pelo contribuinte, porque o silêncio, neste caso, é qualificado pela lei, trazendo efeitos. A única diferença de regime está consubstanciada na hipótese em que não há pagamento antecipado, que de acordo com Superior Tribunal de Justiça, se aplicaria, para efeitos de março inicial do prazo decadencial, o art. 173, I, do Código Tributário Nacional (regra geral, que deverá ser seguido conforme a interpretação dada pelo STJ), por força do que dispõe o parágrafo único deste mesmo preceptivo. Exaurido o prazo, o Fisco não poderá manifestar qualquer intenção de cobrar os valores. Há, pois, falarse em decadência nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Uma vez que ao presente caso houve o pagamento de imposto antecipado, tal como se depreende da fls. 16, entendo ser irrelevante continuar a discussão. Em suma, no meu entendimento cabe considerar o lançamento do ano de 2002 como decadente. Caso o auto de infração tivesse sido cientificado ao recorrente ainda no ano de 2007, estaria afastada essa hipótese. No que toca ao ano calendário de 2003, não se verifica a decadência, portanto cabe analisar os argumentos suscitados pelo recorrente. Da preliminar de nulidade da decisão de primeira instância por não apreciar as razões de direito. Primeiramente devese registrar que a DRJ, registrou no seu relatório a existência das referidas razões adicionais, indicando que não apreciaria as mesmas pelo fato de ter precluido a apreciação de provas. Ainda que não se concorde com o argumento da DRJ, não há por que acolher o pleito do recorrente, pois o pontos retratados foram apreciados. A decadência, o cerceamento do direito de defesa, bem como a multa qualificada foram discutidas durante o recurso. Sobre a sugestão de que deveria ser acrescimento patrimonial, não parece uma razão plausível de discussão, o lançamento foi baseado em depósitos bancários, pois ficou evidenciado depósitos em conta no exterior sem comprovação. Finalmente, o argumento do limite não tem o menor sentido, pois o Termos de Verificação fiscal de fls 111 a 112 é claro ao mencionar que os depósitos menores de R$ 12.000,00 reais foram excluídos, fato esse que se verifica no caso concreto. Da Preliminar de nulidade por Incompetência da DEAIN Rejeito com base na Súmula CARF nº 27: É valido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. Do Cerceamento do Direito de Defesa O Contribuinte alega que teria dificuldade em se defender por não identificar o significado de expressões em inglês. Entretanto com a devida vênia, e justamente essa a função do contribuinte, identificar a origem dos créditos, de valores depositados em suas contas. Ainda que este não tenha conhecimento é sua obrigação diligenciar para identificar a Fl. 23DF CARF MF Emitido em 07/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 24 razão dos mesmo. Especialmente tendo em vista que conforme documentação clara e inconteste presente nos autos o mesmo é um dos titulares da conta. Da Declaração da Cotitular da Conta. A declaração da cotitular da conta, que segundo documento apresentados, seria a própria genitora do recorrente, efetivamente não tem valor no contexto do lançamentos. Essa declaração seria relevante se a mesma indicase claramente a origem dos depósitos, tal como prescrito na norma como capaz de elidir o lançamento. Apenas comprovando que os rendimento tinham origem vinculada a mesma, seria possível afastar o lançamento do mesmo. Na ausência de provas devese aplicar o disposto na legislação, ou seja, 50%. Da Presunção baseada em Depósitos Bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário Fl. 24DF CARF MF Emitido em 07/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16561.000126/200824 Acórdão n.º 220201.362 S2C2T2 Fl. 13 25 (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). Da Taxa Selic No que toca a taxa selic aplico a Súmula CARF nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante o exposto, desqualificando a multa de lançamento de ofício, voto por acolher a argüição de decadência suscitada pelo Recorrente, para declarar extinto o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo ao anocalendário de 2002 e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 25DF CARF MF Emitido em 07/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/10/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 13652.720280/2016-19
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2010
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. MULTA POR ATRASO.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. SÚMULA CARF Nº 46.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49.
A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2002-002.923
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13811.726461/2015-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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GFIP. MULTA POR ATRASO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. SÚMULA CARF Nº 46. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13811.726461/2015-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 2. 72 02 80 /2 01 6- 19 Fl. 73DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-002.923 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13652.720280/2016-19 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório o relatado no Acórdão nº 2002-002.426, de 29 de janeiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata-se de Auto de Infração lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, onde se apurou a Multa por Atraso na Entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. O contribuinte apresentou Impugnação, a qual foi julgada improcedente pelo Colegiado a quo. Cientificado do acórdão de primeira instância, o interessado ingressou com Recurso Voluntário com os argumentos a seguir sintetizados. - Alega a ocorrência de denúncia espontânea, conforme entendimento da Receita Federal constante da IN 971/09 e do Manual da GFIP/SEFIP. - Aduz que a multa em exame deveria observar os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. - Sustenta que não houve intimação do contribuinte omisso, como determina expressamente o art. 32-A da Lei 8.212/91, nem tampouco a imposição da multa no momento do recebimento da GFIP em atraso ou nos anos seguintes, tendo o fisco efetuado o lançamento nos estertores da decadência tributária. - Entende que a suposta infração de natureza acessória alcançou seu objetivo de forma plena e eficaz ante o pagamento integral do tributo consignado na GFIP antes de qualquer iniciativa fiscal. - Expõe que, ainda que tenha obedecido à regra da competência legislativa e tenha respeitado o processo legislativo, a lei será inconstitucional se atentar contra o princípio da razoabilidade. - Suscita o caráter confiscatório da multa aplicada. - Afirma que houve violação ao art. 146 do CTN. - Ressalta que não houve prejuízo ao erário, considerando que os encargos foram devidamente recolhidos. - Assevera que as multas aplicadas contrariam a jurisprudência administrativa e judicial. Fl. 74DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-002.923 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13652.720280/2016-19 Voto Conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Relatora Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2002-002.426, de 29 de janeiro de 2020, paradigma desta decisão. O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. No que concerne à ausência de intimação prévia ao lançamento, aplica-se o disposto na Súmula CARF nº 46, com efeito vinculante em relação à Administração Tributária Federal: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). O previsto no art. 32-A da Lei nº 8.212/91 não contraria este entendimento. A intimação prévia somente será realizada quando for necessária, ou seja, quando a autoridade fiscal não dispuser de elementos suficientes para efetuar o lançamento, o que não se verifica no caso em tela, uma vez que se trata de multa pelo atraso na entrega de GFIP sem apuração de incorreções em seu conteúdo. Relativamente à alegação de denúncia espontânea, deixo de tecer maiores considerações haja vista o entendimento consolidado na Súmula CARF n° 49, também vinculante em relação à Administração Tributária Federal: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Quanto à infração apurada, equivoca-se o recorrente ao entender que a mesma poderia ser afastada em razão do pagamento integral do tributo consignado na GFIP. De acordo com o art. 32-A, II, da Lei 8.212/91, a multa incide sobre o montante das contribuições previdenciárias informadas no documento ainda que tenham sido integralmente pagas pelo contribuinte. A exigência da penalidade independe de sua capacidade financeira ou da existência de danos causados à Fazenda Pública. Também não há que se falar em alteração nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa e violação do art. 146 do Código Tributário Nacional - CTN. A alteração na sistemática de aplicação de multas vinculadas à GFIP ocorreu com a inclusão do art.32-A da Lei Fl. 75DF CARF MF Documento nato-digital https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-002.923 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13652.720280/2016-19 8.212/91 pela Lei 11.941/09, ou seja, anteriormente ao ano calendário que aqui se examina. Vale lembrar que, segundo o art. 142 do CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, não cabendo discussão sobre a aplicação das determinações legais vigentes por parte das autoridades fiscais. Quanto aos questionamentos acerca da violação aos princípios constitucionais e do caráter confiscatório da multa, importa reproduzir o disposto na Súmula CARF n° 2, de observância obrigatória por seus Conselheiros no julgamento dos Recursos: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cabe mencionar, por fim, que as decisões trazidas pelo recorrente somente vinculam as partes envolvidas naqueles litígios, não podendo ser estendidas genericamente a outros casos. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 76DF CARF MF Documento nato-digital
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