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Numero do processo: 10830.012700/2010-16
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
ALIMENTO FORNECIDO IN NATURA. NÃO INSCRITO NO PAT.
Não deve incidir a contribuição previdenciária quando a empresa fornece a alimentação in natura, mesmo que por meio de terceiros e que não esteja inscrita no PAT.
PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Compete ao contribuinte a apresentação do conjunto probatório apto à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado.
MULTA. RECÁLCULO.
Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, c do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.938
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da autuação os valores cobrados a título de contribuições incidentes sobre o fornecimento de alimentação in natura por não estar a empresa inscrita no PAT, assim como para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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NÃO INSCRITO NO PAT. Não deve incidir a contribuição previdenciária quando a empresa fornece a alimentação in natura, mesmo que por meio de terceiros e que não esteja inscrita no PAT. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte a apresentação do conjunto probatório apto à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado. MULTA. RECÁLCULO. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 27 00 /2 01 0- 16 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da autuação os valores cobrados a título de contribuições incidentes sobre o fornecimento de alimentação in natura por não estar a empresa inscrita no PAT, assim como para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10830.012700/201016 Acórdão n.º 2403001.938 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão n° 05 33.492, fls.289/301, que julgou totalmente improcedente a Impugnação apresentada para manter a integralidade das imputações dispostas na autuação fiscal, consolidada em 16/09/2010 e cientificada em 29/09/2010, oriunda da auditoria realizada na M CAMP VEÍCULOS LTDA., incorporada pela M CAMP CONCESSIONÁRIA DE VEÍCULOS LTDA., referente ao período de 01/2006 a 12/2007, resultando no montante correspondente à R$ 25.346,43 (vinte e cinco mil, trezentos e quarenta e seis reais e quarenta e três centavos). A lavratura da autuação em epígrafe se deu em virtude da constatação da ausência de recolhimento de contribuições sociais previstas no art. 3º da Lei nº. 11.457/2007, destinadas ao FNDE, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE, incidentes sobre importâncias correspondentes a remunerações pagas ou creditadas pela empresa contribuinte a segurados empregados a seu serviço durante o período de janeiro/2006 a junho/2007. Nos termos do Relatório Fiscal de fls. 17/20 do processo principal, in verbis: “REMUNERAÇÃO PAGA POR INTERMÉDIO DA EMPRESA DE INCENTIVO AOS BENEFICIÁRIOS. 11 O levantamento PA – “BASE DE CALC AFERIDA SALLES ADAN” referese a contribuições incidentes sobre remuneração paga a segurados empregados por meio da empresa de incentivo SALLES ADAN & ASSOCIADOS MARKETING DE INCENTIVOS LTDA., CNPJ nº. 66.844.754/000136, não declarada em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. 12 O levantamento foi apurado com base nos lançamentos contábeis da empresa na conta 3.1.6.01.013 – Propaganda e Publicidade na competência 01/2006, sendo intimada a apresentar o contrato de prestação de serviços firmado com a empresa de incentivo, as notas fiscais de serviços e informar os destinatários/beneficiários dos recursos repassados, nada foi apresentado, motivo pelo qual foi lavrado os autos de infração nº. 37.273.1139, Código de Fundamentação Legal – CFL 38 e nº. 37.286.5534 – Código de Fundamentação Legal – CFL 35. (...) 14 A alimentação fornecida pela empresa a seus empregados é um benefício normalmente previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho. Entretanto, para que essa parcela “in natura” não integre o saláriodecontribuição, esta deve ser Fl. 60DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 fornecida de acordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, sendo irrelevante se o benefício é concedido a título gratuito ou a preço subsidiado. (...) 17 Nesse contexto, as parcelas contabilizadas às contas de código 3.1.6.01.028, intitulada Lanches e Refeições no período 01/2006 a 06/2006, código 61611400, também intitulada LANCHES E REFEIÇÕES e conta código 61611460, intitulada VALE REFEIÇÃO (PARTE DA EMPRESA), no período 07/2006 a 08/2006 e 10/2006 a 12/2007, foram consideradas base de incidência de contribuições previdenciárias. Importa asseverar que inobstante os termos de apensação e desapensação verificados no processo nº. 10830.012699/201011, a autuação fiscal em epígrafe e a nº. 10830.012700/201016 permaneceram apensados, porém tramitando distintamente, eis que foram apresentadas Impugnações para cada Auto de Infração, o que ensejou a prolação de 3 (três) acórdãos e a interposição dos correlatos Recursos Voluntários. Deste modo, tendo em vista se tratarem de três autuações cujos trâmites foram processados apartadamente, apesar de estarem apensos, a metodologia a ser adotada é o julgamento de cada um dos recursos separadamente. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa apresentou Impugnação ao Auto de Infração em epígrafe, por meio do instrumento de fls. 215/243. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a 6ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Campinas/SP, DRJ/CPS, prolatou o Acórdão n° 0533.492, fls. 289/301, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. TERCEIROS. PRÊMIOS. BASE DE CÁLCULO. INTEGRAÇÃO. Os valores despendidos pela empresa, ainda que por meio de pessoa jurídica interposta, a título de pagamento de prêmios aos trabalhadores a seu serviço integram a base de cálculo das contribuições sociais destinadas a terceiros, a cargo do empregador. ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. VALORES DESPENDIDOS POR EMPRESA NÃO INSCRITA NO “PAT”. Os valores despendidos por empresa não inscrita no “PAT”, a título de despesas com a alimentação dos trabalhadores a seu serviço, integram a base de cálculo das contribuições sociais destinadas a terceiros, a cargo da pessoa jurídica. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10830.012700/201016 Acórdão n.º 2403001.938 S2C4T3 Fl. 4 5 CONTRIBUIÇÕES EM ATRASO. MULTA DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. Quando feito em atraso, o recolhimento de contribuições sociais destinadas a terceiros sujeitase à incidência de multa de mora ou de ofício – prevalecendo a mais benéfica para o sujeito passivo , ambas de caráter irrelevável. CERCEAMENTO DE DEFESA. FASE INQUISITÓRIA DO PROCEDIMENTO FISCAL. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não caracteriza cerceamento de defesa eventual deficiência ocorrida na fase inquisitória do procedimento fiscal, quando não se tinha ainda processo, mas mero procedimento de verificação da situação do contribuinte no tocante às suas obrigações para com a previdência social, culminado com o lançamento do crédito tributário. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. RECONHECIMENTO DE INSTITUCIONALIDADE DE LEI FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE. Descabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal regularmente posto e em vigor, vez que tal mister incumbe tão somente aos órgãos do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente.” DO RECURSO Irresignada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, indicado nas fls. 341/357 do processo principal (10830.012699/201011), requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: Ausência de descrição com clareza e precisão das infrações, inobservando, deste modo, o disposto no art. 10, III e IV, do Decreto nº. 70.235/72, o que acarreta a violação do princípio da ampla defesa; Impossibilidade da tributação sobre o reembolso de despesas, uma vez que os valores apurados pela fiscalização sob a denominação de “premiação” não possuem qualquer natureza salarial e sim decorrentes do reembolso de quilometragem em razão das despesas de locomoção dos funcionários no transporte de clientes para o trabalho e/ou casa; Caráter confiscatório da multa aplicada. Requer, diante dos argumentos elencados, seja (i) determinada a nulidade do Auto de Infração em epígrafe, tendo em vista a ausência de elementos fundamentais da autuação, tais como descrição clara e precisa da infração, bem como (ii) reformado o acórdão, cancelando o respectivo lançamento diante dos valores que representam reembolso de quilometragem, cuja natureza é indenizatória e o caráter confiscatório da multa. É o relatório. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme documento de fls. 358, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO DA FALTA DE CLAREZA DO AUTO DE INFRAÇÃO E DA NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS PELO SUJEITO PASSIVO Alega o recorrente que o auto não é claro o suficiente para individualizar e determinar o fato gerador, o que ensejaria o cerceamento do direito de defesa, inquinando de nulidade o auto de infração. No entanto, não merece prosperar a alegação, uma vez que as alegações não condizem com a realidade. Ora, conforme se percebe do relatório fiscal, é clara a individualização dos fatos, assim como dos instrumentos e documentos utilizados como meio para aferição da base de cálculo. Os documentos utilizados foram os arquivos magnéticos de folhas de pagamento/contábil no formato MANAD, e livro razão, ou seja, com base nos lançamentos contábeis da empresa nas contas 3.1.6.01.013, 3.1.6.01.028, 61611460, 13401013, 132110036, 61611590, 61611300. Cumpre destacar que a recorrente, quando do início do procedimento fiscal, foi intimada, por reiteradas vezes, para apresentar notas fiscais dos serviços prestados, contratos assinados, não o tento feito por suposta dificuldade na busca da documentação. Conforme narrado no relatório fiscal, a empresa deixou de apresentar: a) Notas fiscais de prestação de serviços da empresa/documentos que serviram de base para o lançamento contábil das empresas INFINITI MARK, IN, e K3 EMPREENDIMENTOS E CONSTRUÇÕES LTDA, constante na “RELAÇÃO ANEXA AO TIF DE 22/06/2010” – Termo de Intimação Fiscal 01 e notas fiscais de prestação de serviços da empresa SALLES ADAN & ASSOCIADOS MARKETING DE INCENTIVOS LTDA solicitados no TIF 02, de 24/08/2010; b) Contratos de prestação de serviços com as empresas INFINITI MARK, IN e SALLES ADAN & ASSOCIADOS MARKETING DE INCENTIVOS LTDA, bem relação de beneficiários das duas empresas ora citadas. Tais solicitações foram feitas através do TIF 01, de 22/06/2010 e no TIF 02, de 24/08/2010. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10830.012700/201016 Acórdão n.º 2403001.938 S2C4T3 Fl. 5 7 Apesar das informações acima reproduzidas, o recorrente, em momento processual algum, os apresentou para tentar infirmar as imputações fiscais, não podendo beneficiarse de sua própria torpeza ao não fornecer a referida documentação, o que, indubitavelmente causou a sucinta, porém suficiente, narração dos fatos. Logo não há que se falar em nulidade do auto de infração, estando o auto em adequação ao disposto no art. 10 do Decreto n. 70.235/72. DA IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO DE REEMBOLSO DE DESPESAS – DA AUSÊNCIA DE PROVAS Nesse ponto, alega o recorrente que os valores pagos pela empresa Salles Adan & Associados Marketing de Incentivos Ltda., referese à despesas de reembolso de quilometragem, o que seria mera recomposição econômica do patrimônio do funcionário. Alega também que os únicos documentos que comprovariam o reembolso seriam as notas ficais fornecidas pela empresa SALLES ADAN e as planilhas preparadas pelos próprios funcionários da recorrente. Por isso, não poderia a empresa fornecer os documentos comprobatórios das despesas. Apesar do esforço do recorrente, percebese que a alegação é frágil, por não encontrar respaldo em qualquer prova. Ora, afirmar que se trata de reembolso de quilometragem, sem haver qualquer prova destes fatos é impossível. Repitase que, conforme exposto acima, a empresa foi intimada a apresentar o contrato firmado entre ambas as empresas, o que não ocorreu. Ademais, cumpre esclarecer que poderia até ter o fiscal lançado por aferição indireta as importâncias que entendesse devidas, em razão do art. 33, parágrafo 6º. No entanto, foi diligente e não o fez, apurando os fatos conforme a contabilidade do contribuinte. Apesar de ser do conhecimento de todos esta é a jurisprudência desta Seção, conforme se percebe do aresto abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2001 a 31/01/2003 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ATRASO NO RECOLHIMENTO Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições destinadas à Seguridade Social, a Fl. 64DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 fiscalização lavrará Notificação de débito com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas. BASE DE CÁLCULO De acordo com o art. 33, § 3° da Lei 8.212/91, A recusa, a sonegação ou a apresentação deficiente de documentos solicitados pela fiscalização previdenciária possibilita a inscrição de oficio, por arbitramento, de importância que reputar devida, sem prejuízo da penalidade cabível, cabendo à empresa o ônus da prova em contrario. COMPENSAÇÃO DE VALORES IMPOSSIBILIDADE DEDUÇÃO JÁ EFETUADA NO LANÇAMENTO Os valores relativos a retenções efetivamente recolhidos pelas empresas contratantes ou apenas destacados nas notas fiscais foram considerados no lançamento, não havendo novos créditos sujeitos a compensação. Recurso parcialmente provido. (CARF. 2ª Seção/1ª Turma da 4ª Câmara, ACÓRDÃO 240101.805 em 15/04/2011). Por tal razão, deve a exigência ser mantida. NÃO INCIDÊNCIA SOBRE O FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO IN NATURA SEM A COMPROVAÇÃO DE INSCRIÇÃO NO PAT A Recorrente foi autuada por não incluir na base de cálculo da contribuição previdenciária os valores referentes ao alimento in natura constantes nas contas intituladas de Lanches e Refeições e Vale Refeição, sem estar inscrita no PAT, nos termos da Lei n. 6.321/76. A DRJ, no seu r. acórdão, julgou como procedente o lançamento no que se refere a essa autuação, por entender que a inscrição no PAT é condição essencial para que tais verbas possam ser excluídas do conceito de remuneração. Para melhor análise do caso concreto analisese trecho do Relatório Fiscal, fl. 33: 14 – A alimentação fornecida pela empresa a seus empregados é um benefício normalmente previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho. Entretanto, para que essa parcela “in natura” não integre o saláriodecontribuição, esta deve ser fornecida de acordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, sendo irrelevante se o benefício é concedido a título gratuito ou a preço subsidiado. (...) 18 – A composição das respectivas bases de contribuições lançadas pode ser visualizada nos Anexos III e V e foram lançados com código de levantamento “AL” e “ALI”. Da análise dos referidos anexos (AL e ALI), percebese que os alimentos prestados foram prestados in natura, ora são adquiridos via a Ticket Serviços, ora por meio de outras empresas que demonstram serem os alimentos fornecidos diretamente pela empresa. Podese perceber notas fiscais para ESPETINHOS COM C, LCA PANIFICADORA, COMERCIAL TROYS, AFONSO RIBEITO, CIA BRASILEIRA. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10830.012700/201016 Acórdão n.º 2403001.938 S2C4T3 Fl. 6 9 É pacífica a jurisprudência do Colendo STJ, no sentido de que o fornecimento do alimento in natura, mesmo sem a inscrição no PAT, não deve integrar a base de cálculo da Contribuição Previdenciária, verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. Caso em que se discute a incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas recebidas a título de auxílio alimentação in natura, quando a empresa não está inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 2. A jurisprudência desta Corte pacificouse no sentido de que o auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Precedentes: EREsp 603.509/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, DJ 8/11/2004; REsp 1.196.748/RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/9/2010; AgRg no REsp 1.119.787/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 29/6/2010. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 5.810/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/06/2011, DJe 10/06/2011) (grifo nosso) Também é da jurisprudência daquele Superior Tribunal que a alimentação através de Tickets ou vales, não guardam qualquer diferença para com outra espécie, até mesmo, se pago o benefício em dinheiro. Abaixo segue o precedente: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ART. 105, III, A, DA CF/88. TRIBUTÁRIO E ADMINISTRATIVO. VALE ALIMENTAÇÃO. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. 1. O valor concedido pelo empregador a título de vale alimentação não se sujeita à contribuição previdenciária, mesmo nas hipóteses em que o referido benefício é pago em dinheiro. 2. A exegese hodierna, consoante a jurisprudência desta Corte e da Excelsa Corte, assenta que o contribuinte é sujeito de direito, e não mais objeto de tributação. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 3. O Supremo Tribunal Federal, em situação análoga, concluiu pela inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre o valor pago em espécie sobre o vale transporte do trabalhador, mercê de o benefício ostentar nítido caráter indenizatório. (STF RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau, Tribunal Pleno, julgado em 10.03.2010, DJe 14.05.2010) 4. Mutatis mutandis, a empresa oferece o ticket refeição antecipadamente para que o trabalhador se alimente antes e ir ao trabalho, e não como uma base integrativa do salário, porquanto este é decorrente do vínculo laboral do trabalhador com o seu empregador, e é pago como contraprestação pelo trabalho efetivado. 5. É que: (a) "o pagamento in natura do auxílioalimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito, ou não, no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho" (REsp 1.180.562/RJ, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 17/08/2010, DJe 26/08/2010); (b) o entendimento do Supremo Tribunal Federal é no sentido de que pago o benefício de que se cuida em moeda, não afeta o seu caráter não salarial; (c) 'o Supremo Tribunal Federal, na assentada de 10.03.2003, em caso análogo (...), concluiu que é inconstitucional a incidência da contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, já que, qualquer que seja a forma de pagamento, detém o benefício natureza indenizatória'; (d) "a remuneração para o trabalho não se confunde com o conceito de salário, seja direto (em moeda), seja indireto (in natura). Suas causas não são remuneratórias, ou seja, não representam contraprestações, ainda que em bens ou serviços, do trabalho, por mútuo consenso das partes. As vantagens atribuídas aos beneficiários, longe de tipificarem compensações pelo trabalho realizado, são concedidas no interesse e de acordo com as conveniências do empregador. (...) Os benefícios do trabalhador, que não correspondem a contraprestações sinalagmáticas da relação existente entre ele e a empresa não representam remuneração do trabalho, circunstância que nos reconduz à proposição, acima formulada, de que não integram a base de cálculo in concreto das contribuições previdenciárias". (CARRAZZA, Roque Antônio. fls. 2583/2585, eSTJ). 6. Recurso especial provido. (REsp 1185685/SP, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/12/2010, DJe 10/05/2011) Nesse diapasão, em 20 de dezembro de 2011, a própria ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional editou o Ato Declaratório n. 03/2011 autorizando “a dispensa de apresentação de contestação de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: ‘nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária.’” Fl. 67DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10830.012700/201016 Acórdão n.º 2403001.938 S2C4T3 Fl. 7 11 Razão pela qual, não deve incidir contribuição previdenciária em relação ao fornecimento de alimento in natura. DA MULTA APLICADA Em suas razões finais, o fiscal informa que em razão das inovações trazidas pela Lei n. 11.941, de 27 de maio de 2009, ele aplicou a penalidade de forma menos severa, de acordo com o contido no inciso II do art. 106 do CTN. No entanto, a comparação fora feita de maneira equivocada uma vez que ele utilizou a legislação atual com base na multa prevista no art. 44, da Lei n. 9.430/96, devendo a penalidade ser revista, nos seguintes termos. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Fl. 68DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10830.012700/201016 Acórdão n.º 2403001.938 S2C4T3 Fl. 8 13 CONCLUSÃO Do exposto, conheço do recurso para dar parcial provimento a fim de que se exclua da autuação os valores cobrados a título de alimentação in natura por não estar a empresa inscrita no PAT, assim como para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 70DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10880.010265/00-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1989 a 30/09/1995
PIS. Tributo sujeito a lançamento por homologação. Decadência. Restituição/Compensação. 5 (cinco) anos para homologar (artigo 150, §4º do CTN) mais 5 (cinco) anos para protocolar o pedido de restituição (artigo 168, I do CTN). Artigo 65-A do Regimento Interno do CARF. O CARF está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932. Nesse sentido, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso da contribuição para o PIS, será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005, o de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I desse mesmo código. Assim, tendo o contribuinte protocolado o seu pedido de restituição/compensação em 05/07/2000 visando a restituição dos valores de PIS relativos ao período compreendido entre julho de 1989 e setembro de 1995, deve-se reconhecer a prescrição parcial do seu pedido no que se refere ao período de julho de 1989 a junho de 1990, cabendo manter afastada a prescrição para os períodos compreendidos entre julho de 1990 e setembro de 1995.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-002.197
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, nos termos do voto da Relatora.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Nanci Gama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: NANCI GAMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, nos termos do voto da Relatora. Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto Nanci Gama - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2410; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 613 1 612 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10880.010265/0076 Recurso nº 234.723 Especial do Procurador Acórdão nº 9303002.197 – 3ª Turma Sessão de 07 de fevereiro de 2013 Matéria PIS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado OLIMPUS INDUSTRIAL E COMERCIAL LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1989 a 30/09/1995 PIS. Tributo sujeito a lançamento por homologação. Decadência. Restituição/Compensação. 5 (cinco) anos para homologar (artigo 150, §4º do CTN) mais 5 (cinco) anos para protocolar o pedido de restituição (artigo 168, I do CTN). Artigo 65A do Regimento Interno do CARF. O CARF está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932. Nesse sentido, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso da contribuição para o PIS, será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005, o de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I desse mesmo código. Assim, tendo o contribuinte protocolado o seu pedido de restituição/compensação em 05/07/2000 visando a restituição dos valores de PIS relativos ao período compreendido entre julho de 1989 e setembro de 1995, devese reconhecer a prescrição parcial do seu pedido no que se refere ao período de julho de 1989 a junho de 1990, cabendo manter afastada a prescrição para os períodos compreendidos entre julho de 1990 e setembro de 1995. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 01 02 65 /0 0- 76 Fl. 646DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por NANCI GAMA 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, nos termos do voto da Relatora. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Nanci Gama Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em face ao acórdão de número 20401.543, proferido pela Quarta Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito do contribuinte pleitear, em 05/07/2000, a restituição/compensação dos valores de PIS relativos ao período compreendido entre julho de 1989 e setembro de 1995, bem como, paralelamente, reconheceu a semestralidade da base do cálculo do PIS, conforme ementa a seguir: “PIS. DECRETOSLEIS NºS 2.445/88 E 2.449/88. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DA SISTEMÁTICA INSTITUÍDA PELA LEI COMPLEMENTAR N° 07/70. A declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis n's 2.445/88 e 2.449/88, pelo STF, objeto de Resolução do Senado n° 49/95, importa na aplicação da sistemática prevista na Lei Complementar n° 07/70. SEMESTRALIDADE. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. RESOLUÇÃO N° 49 DO SENADO FEDERAL. O prazo para o sujeito passivo formular pedidos de restituição e de compensação de créditos de PIS decorrentes da aplicação da base de cálculo prevista no art. 6°, parágrafo único da LC n° 7/70 é de 5 (cinco) anos, contados da Resolução n° 49 do Senado Federal, publicada no Diário Oficial, em 10/10/95. Inaplicabilidade do art. 3° da Lei Complementar n° 118/05. Recurso provido em parte.” Para tanto, a Segunda Turma considerou que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de valores de PIS nos presentes autos seria de 5 (cinco) anos contados a partir da Resolução do Senado Federal de nº 49, a qual suspendeu a execução dos inconstitucionais Decretos Leis 2.445 e 2.449, ambos de 1988. Fl. 647DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10880.010265/0076 Acórdão n.º 9303002.197 CSRFT3 Fl. 614 3 Inconformada, a Fazenda Nacional, com fulcro no artigo 32, inciso I do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes aprovado pela Portaria nº 55/98, interpôs recurso especial por contrariedade à legislação tributária, para aduzir que o prazo para pleitear restituição/compensação é de 5 (cinco) anos contados a partir da data de extinção do crédito tributário conforme previsão dos artigos 165 e 168, I do CTN. A Recorrente complementa, ainda, que o advento da Lei Complementar 118/2005 teria encerrado definitivamente a controvérsia sobre o tema, tendo em vista que o seu artigo 3º prevê que “para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei”. E, entendendo que aludido dispositivo deteria caráter interpretativo, a Fazenda Nacional alega que caberia a sua aplicação retroativa nos presentes autos, conforme previsão do artigo 106, I do CTN. Por meio do despacho nº 204.00043, o i. Presidente da Quarta Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes deu seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Regularmente intimado tanto do acórdão recorrido como da interposição do recurso especial pela Fazenda Nacional, o contribuinte tanto opôs embargos de declaração às fls. 554/563, bem como apresentou suas contrarrazões às fls. 589/599, por meio das quais requereu fosse negado provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Em sede de embargos de declaração o contribuinte aduziu a omissão do acórdão recorrido quanto (i) à necessidade de o mesmo mencionar expressamente que a base de cálculo do PIS, prevista na LC 7/70, corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao do período, sem correção monetária; e, também, (ii) à suposta falta de apreciação do valor a ser restituído e a homologação das compensações efetuadas. Suscitou, também, a obscuridade do acórdão, o qual teria dado provimento parcial ao recurso, sem que, entretanto, existisse, em nenhum ponto do acórdão, assertiva expressa quanto à negação de alguma matéria suscitada no recurso voluntário. Por meio do acórdão de nº 340200.507, a Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF acolheu em parte os embargos de declaração opostos pelo contribuinte para suprir a omissão constante do item (i) acima citado, conforme ementa a seguir: “EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Verificada a ocorrência de omissão acerca da manifestação quanto a correção monetária da semestralidade, há que ser retificada a decisão proferida para incluir no acórdão a informação sobre tal ponto. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA. Tendo a decisão embargada julgado parcialmente procedente o recurso em conformidade com o explicitado nas razões do voto, não há que se falar em obscuridade na parte dispositiva do acórdão. Embargos Acolhidos em Parte.” Fl. 648DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por NANCI GAMA 4 Regularmente intimada do acórdão proferido em sede de embargos de declaração, a Fazenda Nacional apenas manifestou a sua ciência, tendo requerido o regular encaminhamento do seu recurso especial. O contribuinte também não mais se manifestou nos autos. É o relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora O recurso especial é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Regimento, razão pela qual dele conheço. A controvérsia aduzida nos presentes autos cingese, basicamente, em determinar o prazo para o contribuinte pleitear restituição dos valores de PIS recolhidos com base nas sistemáticas instituídas pelos DecretosLeis nos 2.445/88 e 2.448/88, os quais tiveram suas execuções suspensas por força da Resolução do Senado Federal de nº 49/95, publicada com base em decisão do STF que reconheceu as suas inconstitucionalidades. Conforme se infere do relatório, o acórdão recorrido entendeu que o prazo para pleitear restituição deve ser de 5 (cinco) anos contados a partir da data da publicação de aludida Resolução do Senado Federal. Em contrapartida, a Fazenda Nacional entende que o prazo para pleitear restituição é de 5 (cinco) anos contados a partir das datas de extinção do crédito tributário, ocorridas no que se refere ao período compreendido entre julho de 1989 e setembro de 1995, e que, portanto, o pedido de restituição, protocolado em 05/07/2000, já estaria prescrito. Considerando que o artigo 62A1 do atual Regimento Interno do CARF, qual seja, o aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, vincula os Conselheiros do CARF às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em sede de recurso especial repetitivo, cabe a esta Relatora aplicar ao presente caso o entendimento do STF consubstanciado no julgamento do RE nº 566.621, bem como o entendimento do STJ objeto do julgamento do REsp nº 1.002.932. De acordo com referida jurisprudência, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118 ocorrida em 09/06/2005, o de 10 (dez) anos, ou seja, 5 (cinco) anos para homologar (artigo 150, §4º do CTN) mais 5 (cinco) anos, a partir dessa homologação, para pleitear restituição (artigo 168, I do CTN). E, em se tratando a contribuição para o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado antes do dia 09/06/2005 (vigência da LC 118/05), plenamente aplicável ao presente caso a tese dos 5 (cinco) anos mais 5 (cinco) anos objeto do REsp nº 1.002.932, por força da decisão do STF objeto do RE nº 566.621. 1 “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Fl. 649DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10880.010265/0076 Acórdão n.º 9303002.197 CSRFT3 Fl. 615 5 O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Fl. 650DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por NANCI GAMA 6 Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Em face do exposto, conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, voto no sentido de lhe dar parcial provimento para reconhecer a prescrição do pedido de restituição/compensação protocolado pelo contribuinte em 05/07/2000 apenas no que se refere aos valores de PIS relativos ao período compreendido entre julho de 1989 e junho de 1990. Nanci Gama Fl. 651DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por NANCI GAMA
score : 1.0
Numero do processo: 13816.000703/2003-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Anocalendário:
1998
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INOCORRÊNCIA DOS FATOS
IMPUTADOS AO CONTRIBUINTE.
Provado que não ocorreram os fatos imputados ao contribuinte no auto de
infração, relativamente a glosas efetuadas em DCTF, cancelase
lançamento.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3302-001.243
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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INOCORRÊNCIA DOS FATOS IMPUTADOS AO CONTRIBUINTE. Provado que não ocorreram os fatos imputados ao contribuinte no auto de infração, relativamente a glosas efetuadas em DCTF, cancelase lançamento. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 11/10/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório Contra a empresa UNIVERSO TINTAS E VERNIZES LTDA. foi lavrado auto de infração eletrônico para exigir o pagamento de PIS, relativo aos meses de janeiro a dezembro de 1998, tendo em vista que o processo judicial informado na DCTF não foi comprovado. Inconformada com a autuação, a empresa interessada impugnou o lançamento, cujas alegações estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 5ª Turma de Julgamento da DRJ em Campinas SP julgou procedente, em parte, o lançamento para cancelar a multa de ofício, nos termos do Acórdão nº 0521.412, de 07/03/2008, cuja ementa abaixo transcrevo: DCTF. REVISÃO INTERNA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Incabível discutir aspectos que poderiam ensejar a nulidade do lançamento se o crédito tributário subsistiria constituído pelo contribuinte, mediante formalização em declaração. PROCESSO JUDICIAL CONFIRMADO. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A propositura de ação judicial antes da lavratura do auto de infração, com o mesmo objeto, não obstaculiza a formalização do lançamento, mas impede a apreciação, pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento, das razões de mérito submetidas ao Poder Judiciário. LIMINAR CONFIRMADA EM SENTENÇA E ACÓRDÃO. MULTA DE OFÍCIO. Não cabe a aplicação de multa de oficio na constituição do crédito tributário de períodos para os quais há amparo judicial às compensações promovidas. Ciente desta decisão em 09/06/2008, a interessada ingressou, no dia 02/07/2008, com o recurso voluntário de fls. 244/253, no qual alega, em apertada síntese, que: 1 não há concomitância com ação judicial posto que esta já transitou em julgado; 2 impetrou o Mandado de Segurança nº 92.00234755 visando o reconhecimento da inconstitucionalidade da exigência da contribuição ao PIS nos moldes instituídos pelos Decretosleis n's 2.445/88 e 2.449/88, obtido sentença favorável transitada em julgado e os autos arquivados em 24/04/2000, passando a compensar os valores pagos a maior com dívidas do PIS, incluídas as dos meses de abril a junho de 1997, objeto deste processo. 3 também impetrou o Mandado de Segurança nº 98.15005375 para assegurar a compensação dos valores de PIS recolhidos indevidamente. Foi deferido a liminar e concedido a segurança, tendo a decisão transitado em julgado no dia 09/09/2003. 4 defende a suspensão da exigibilidade dos créditos lançados em face das decisões judiciais; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13816.000703/200346 Acórdão n.º 330201.243 S3C3T2 Fl. 399 3 5 foi informado corretamente nas DCTFs o Processo nº 98.15005375, que autorizou as compensações. 6 conforme atesta a RFB em diligência realizada, o crédito da recorrente é suficiente para homologar as compensações realizadas, objeto deste processo. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído a este Conselheiro Relator. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele conheço. Como relatado, tratase de auto de infração eletrônico lavrado em razão da não comprovação do processo judicial informado na DCTF pela recorrente. Auto de Infração semelhante foi lavrado contra a recorrente no qual foi lançado os débitos relativos aos meses de janeiro, fevereiro e março de 1997, pelas mesmas razões que levaram à lavratura do presente auto de infração. Também naquele lançamento (Processo nº 13816.000023/200241) a empresa recorrente apresentou recurso voluntário que foi julgado pela 3ª Turma Especial desta Terceira Câmara, consubstanciado no Acórdão nº 380300.482, cujo voto vencedor, da lavra do Ilustre Conselheiro Belchior Melo de Sousa, tomo a liberdade de adotar e abaixo transcrever. Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Redator Designado Razão deve ser dada à recorrente. Esta Turma tem decidido reiteradamente, por unanimidade de votos, pelo provimento do recurso nas situações que envolvem auto de infração emitido em procedimento interno de auditoria de procedimentos cujo substrato fático seja "declaração inexata", consubstanciada na ocorrência "proc. jud não comprovad", prestada pelo contribuinte na feitura da DCTF transmitida, ante a constatação posterior da existência do processo indicado. O fundamento da decisão nessa linha é a falsidade do suporte fático que respalda o procedimento, com fulcro no art. 50, II, da Lei n° 9.784/99, que reza deverem "os atos administrativos [..] ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentas jurídicas, quando: [...] II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; No caso, a contribuinte efetivamente manejara a AMS indicada na DCTF. A ação era de matéria tributária, envolvendo a mesma Fl. 3DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 contribuição. Só isso já é o bastante pata tornar falso o motivo determinante do auto de infração e decidir pelo seu cancelamento.. A delegacia de origem emite o auto de infração ancorada no fato de nãocomprovação (não existência) de processo judicial. No demais, à guisa de argumentação suplementar, registrese que somente após a apresentação da manifestação de inconformidade é que o Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário (SECAT) toma conhecimento da ação judicial, do seu provimento e efetua o cálculo do crédito sob o prisma da decisão prolatada e atesta a sua suficiência para cobertura das compensações procedidas pela contribuinte. Não consta que a diligência efetuada tenha se estendido à escrituração contábil da pessoa jurídica para afirmar acerca da compensação provida internamente por esta, para que, por outra via, se inquinasse de declaração inexata a informação de compensação, na DCTF, sem respaldo na contabilidade fiscal. O provimento parcial dado pela decisão de primeira instância apenas concede a exclusão da multa de oficio sobre o principal e no que mantém considera a inexistência de ação judicial ao tempo das compensações informadas na DCTF a autorizar a impetrante efetuálas. Isso já denota a manutenção do lançamento por outro fundamento, distinto do que originariamente fora tomado pela fiscalização. No voto vencido o nobre relator considera, para a manutenção do lançamento a verdade do suporte fálico, e ter como inexistente o processo, ao consignar que ao tempo da transmissão da DCTF o processo encontravase extinto por decisão do TRF3 a Região. Registrese, entanto, que não é essa a circunstância do processo, mas que apenas teve a decisão de primeira instância anulada pelo .TRF, para que uma nova fosse proferida, o que ocorreu em agosto de 1999. Assim, por falta de motivo a que deve estar jungido todo ato administrativo, voto por dar provimento ao recurso para cancelar o auto de infração. Comprovado a existência do processo judicial informado na DCTF e que o mesmo reconhece crédito a favor da recorrente, não há como negar a improcedência dos fatos imputados à recorrente, razão pela qual o auto de infração é improcedente. Devo esclarecer que a decisão deste Colegiado não impede o fiel cumprimento da decisão judicial transitada em julgado. Isto posto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o lançamento. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 4DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13816.000703/200346 Acórdão n.º 330201.243 S3C3T2 Fl. 400 5 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 12898.000809/2009-18
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2004, 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. EXTINÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. RESPONSABILIDADE DA INCORPORADORA. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE.
Sendo a sociedade incorporadora a responsável pelos tributos devidos pela incorporada até a data da sucessão, declara-se, por erro na identificação do sujeito passivo, a nulidade dos autos de infração formalizados em face da pessoa jurídica incorporada, já extinta quando da lavratura, tendo a fiscalização conhecimento de tal fato no curso do procedimento fiscal. Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 1103-000.830
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício, vencido o Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva.
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício, vencido o Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva - Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Aloysio José Percínio da Silva.
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INCORPORAÇÃO. EXTINÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. RESPONSABILIDADE DA INCORPORADORA. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. Sendo a sociedade incorporadora a responsável pelos tributos devidos pela incorporada até a data da sucessão, declarase, por erro na identificação do sujeito passivo, a nulidade dos autos de infração formalizados em face da pessoa jurídica incorporada, já extinta quando da lavratura, tendo a fiscalização conhecimento de tal fato no curso do procedimento fiscal. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício, vencido o Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 08 09 /2 00 9- 18 Fl. 967DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1103000.830 S1C1T3 Fl. 962 2 Relatório Tratase de autos de infração de IRPJ e CSLL (fls.382/394), fatos geradores 31/12/04 e 31/12/05, no valor total (principal) de R$ 3.948.077,67 (três milhões, novecentos e quarenta e oito mil, setenta e sete reais e sessenta e sete centavos), cientificados ao contribuinte em 13/07/09 (fls.383 e 389). As autuações decorreram da constatação de glosa de “...Despesas financeiras não necessárias, decorrentes de empréstimos contraídos e repassados a empresa interligada, sem qualquer encargo financeiro”. No “Termo de Constatação Fiscal” (fls.380/381), após discorrer sobre as providências adotadas no curso do procedimento fiscal, a fiscalização assim concluiu: “[...] Dentro do exposto e da documentação apresentada, observase que o contrato de compra e venda de ações de emissão de Brasil Telecom Participações S.A. foi complemento do contrato 98.2.345.3.2 de adiantamento para futura subscrição de debêntures de emissão de Techold, tendo em vista que o contribuinte fiscalizado não possuía na época do término do contrato 98.2.345.3.2 recursos suficientes para liquidálo. Desta forma o contribuinte fiscalizado utilizouse dos financiamentos obtidos, com o único objetivo de favorecimento a empresa interligada, conforme constatado através deste relatório e da documentação anexa, sendo portanto desnecessárias suas despesas financeiras relativas ao período fiscalizado.” A Primeira Turma da DRJ – Rio de Janeiro (RJ) considerou ter havido erro na identificação do sujeito passivo, tendo declarado a nulidade dos lançamentos, conforme acórdão que recebeu a seguinte ementa (fls.941/945): LANÇAMENTO. IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. É nulo o auto de infração lavrado contra empresa já extinta por incorporação, em virtude de erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária. Em razão do valor exonerado, interpôsse Recurso de Ofício. Devidamente cientificado do acórdão em 28/05/12 (fl.952), o contribuinte não apresentou Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 968DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1103000.830 S1C1T3 Fl. 963 3 Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Considerando o valor exonerado em primeira instância, conhecese do recurso de ofício (remessa necessária). Os autos de infração foram lavrados em face de Argolis Holding S.A, pessoa identificada em tais atos como sujeito passivo. Sem analisar o mérito da questão, a Primeira Turma da DRJ – Rio de Janeiro I (RJ) declarou a nulidade dos lançamentos, valendose dos seguintes fundamentos: “[...] Analisando os autos do processo, constatei, antes de verificar detidamente os fatos que motivaram o lançamento de ofício, que os autos de infração foram lavrados quando a pessoa jurídica já havia sido extinta, por incorporação. De acordo com as atas de assembléia de fls. 401/404 e 600/603, registradas na junta comercial, a empresa autuada, ARGOLIS HOLDING S/A, foi incorporada pela empresa TELEMAR PARTICIPAÇÕES S.A., em 30 de junho de 2008. A extinção por incorporação também constava do cadastro do CNPJ e da DIPJ (DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICO FISCAIS DA PESSOA JURÍDICA) relativa ao período 18.04.2008 a 30.06.2008, entregue em 31.07.2008 (fls.934/938). Contudo, os autos de infração foram lavrados em face da pessoa jurídica incorporada, com ciência em 13.07.2009. Sobre responsabilidade dos sucessores, assim dispõem o art.132 do Código Tributário Nacional – CTN, e os artigos 207 e 209 do Regulamento do Imposto de Renda – Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES Art. 207. Respondem pelo imposto devido pelas pessoas jurídicas transformadas, extintas ou cindidas (Lei nº 5.172, de 1966, art. 132, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 5º): III a pessoa jurídica que incorporar outra ou parcela do patrimônio de sociedade cindida; Art. 209. O disposto neste Capítulo aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nele referidos, e aos Fl. 969DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1103000.830 S1C1T3 Fl. 964 4 constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data (Lei nº 5.172, de 1966, art. 129). Já o artigo 142 do CTN, abaixo transcrito, determina que a qualificação do autuado é requisito obrigatório, pois o lançamento deve identificar corretamente o sujeito passivo da obrigação tributária. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Deste modo, estando a pessoa jurídica, em nome da qual foram lavrados os autos de infração, já extinta no momento em que se deu a ciência –13.07.2009, são nulos os lançamentos tributários, por erro material na identificação do sujeito passivo, uma vez que a empresa colocada no pólo passivo não mais existia no mundo jurídico.” Em tal decisão, portanto, considerouse que diante da extinção da sociedade incorporada, existente quando da ocorrência dos fatos geradores, a fiscalização deveria ter lavrado os autos de infração contra a incorporadora, responsável tributária, sob pena de nulidade por erro material na identificação do sujeito passivo. Consta dos autos correspondência datada de 04/09/08, supostamente encaminhada por Telemar Participações S.A (TPART) à Secretaria da Receita Federal do Brasil em resposta a Termo de Intimação Fiscal, em que esclarece “...que em Assembléia Geral Extraordinária realizada em 30 de junho de 2008 (cópia anexa), foi aprovada a incorporação, pela TPART, da Argolis Holdings S.A” (fls.395/396). Esta Ata (fls.398/403), protocolizada na Junta Comercial, registra que os acionistas da Telemar Participações S.A aprovaram em 30/06/08 o “Protocolo e Justificação de Incorporação de Argolis Holding S.A”, ratificaram a contratação de empresa especializada que procedeu à avaliação patrimonial da Argolis Holding S.A, aprovaram os respectivos laudos e a incorporação, bem como autorizaram a Diretoria da Companhia a adotar as providências para a efetivála. Também se verifica resposta ao Termo de Intimação Fiscal de fl.136, por meio da qual a Telemar Participações S.A, em 08/12/08, informou à fiscalização que era a sucessora por incorporação de Argolis Holding S.A (fls.137/139). Na impugnação, buscouse demonstrar a extinção da Argolis Holding S.A. com base na seguinte documentação: Comprovante de Inscrição no CNPJ, com a informação de situação cadastral “Baixada”, em “30/06/08”, por motivo de “Incorporação” (fls.467 e 761); Ata da Assembléia Geral Extraordinária de Acionistas da Techold Participações S.A, realizada em 18/04/08 (fls.483/490), protocolizada em 14/05/08 na Junta Comercial do Estado Fl. 970DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1103000.830 S1C1T3 Fl. 965 5 do Rio de Janeiro e registro deferido em 15/05/08, em que se aprovou a incorporação da Argolis Participações S.A, a modificação da denominação da companhia para Argolis Holdings S.A, e a autorização para que os diretores implementassem tal alteração societária; Protocolo de Justificação e Incorporação de Argolis Participações S.A por Techold Participações S.A (fls. 491/522); Ata da Reunião Extraordinária do Conselho de Administração de Argolis Holdings S.A realizada em 30/06/08 (fl.523), protocolizada na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro em 01/07/08 e registro deferido em 07/07/08, em que se aprovou a assinatura do “Protocolo e Justificação de Incorporação de Argolis Holdings S.A e de Lexpart Participações S.A por Telemar Participações S.A”; Ata da Reunião Extraordinária do Conselho de Administração de Telemar Participações S.A realizada em 30/06/08 (fl.524), protocolizada na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro em 01/07/08 e registro deferido em 07/07/08, em que se aprovou a assinatura, pela Diretoria da Companhia, do “Protocolo e Justificação de Incorporação de Argolis Holdings S.A e de Lexpart Participações S.A por Telemar Participações S.A”; a proposta de incorporação com submissão à Assembleia Geral; e a delegação de poderes à Diretoria para fielmente implementar a execução do referido Protocolo; Ata da Assembleia Geral Extraordinária da Argolis Holdings S.A (fls.525/565), realizada em 30/06/08, protocolizada na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro em 01/07/08 e registro deferido em 07/07/08, com as seguintes deliberações: aprovação do Protocolo e Justificação de Incorporação relativamente à incorporação da companhia por Telemar Participações S.A; ratificação da contratação de sociedade de consultoria empresarial para proceder à avaliação do patrimônio líquido da companhia; aprovação do laudo de avaliação; aprovação da incorporação da companhia por Telemar Participações S.A; declaração da extinção da companhia e autorização aos administradores para a prática de todos os atos necessários à efetivação da incorporação; Ata da Assembleia Geral Extraordinária da Telemar Participações S.A (fls.566/609), realizada em 30/06/08, protocolizada na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro em 01/07/08 e registro deferido em 07/07/08, com as seguintes deliberações: aprovação do Protocolo e Justificação de Incorporação de Argolis Holdings S.A; ratificação da contratação de sociedade de consultoria empresarial para proceder à avaliação do patrimônio líquido da Argolis Holdings S.A; aprovação do laudo de avaliação; aprovação da incorporação da Argolis Holdings S.A e autorização à Diretoria para adotar todas as providências para a efetivação da incorporação; Certidão de Baixa de Inscrição no CNPJ da Argolis Holding S.A, efetivada em 30/06/08, por motivo de incorporação (fl.760). Assim, a Argolis Holding S.A deixou de ter inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica a partir de 30/06/08, por razões de incorporação, conforme cartão de inscrição no CNPJ e Certidão de Baixa. À luz da legislação vigente, abaixo reproduzida, considerase a incorporação realmente efetivada naquela data (30/06/08): Código Civil Fl. 971DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1103000.830 S1C1T3 Fl. 966 6 Art.1.089. A sociedade anônima regese por lei especial, aplicandoselhe, nos casos omissos, as disposições deste Código. ..... Art. 1.116. Na incorporação, uma ou várias sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações, devendo todas aprovála, na forma estabelecida para os respectivos tipos. Art. 1.117. A deliberação dos sócios da sociedade incorporada deverá aprovar as bases da operação e o projeto de reforma do ato constitutivo. § 1o A sociedade que houver de ser incorporada tomará conhecimento desse ato, e, se o aprovar, autorizará os administradores a praticar o necessário à incorporação, inclusive a subscrição em bens pelo valor da diferença que se verificar entre o ativo e o passivo. § 2o A deliberação dos sócios da sociedade incorporadora compreenderá a nomeação dos peritos para a avaliação do patrimônio líquido da sociedade, que tenha de ser incorporada. Art. 1.118. Aprovados os atos da incorporação, a incorporadora declarará extinta a incorporada, e promoverá a respectiva averbação no registro próprio. ..... Lei nº 6.404/76 (Lei das S.A) Art. 94. Nenhuma companhia poderá funcionar sem que sejam arquivados e publicados seus atos constitutivos. ..... Art. 224. As condições da incorporação, fusão ou cisão com incorporação em sociedade existente constarão de protocolo firmado pelos órgãos de administração ou sócios das sociedades interessadas, que incluirá: ..... Art. 225. As operações de incorporação, fusão e cisão serão submetidas à deliberação da assembléiageral das companhias interessadas mediante justificação, na qual serão expostos: ..... Art. 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. § 1º A assembléiageral da companhia incorporadora, se aprovar o protocolo da operação, deverá autorizar o aumento de capital a ser subscrito e realizado pela incorporada mediante versão do seu patrimônio líquido, e nomear os peritos que o avaliarão. Fl. 972DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1103000.830 S1C1T3 Fl. 967 7 § 2º A sociedade que houver de ser incorporada, se aprovar o protocolo da operação, autorizará seus administradores a praticarem os atos necessários à incorporação, inclusive a subscrição do aumento de capital da incorporadora. § 3º Aprovados pela assembléiageral da incorporadora o laudo de avaliação e a incorporação, extinguese a incorporada, competindo à primeira promover o arquivamento e a publicação dos atos da incorporação. ..... Art. 234. A certidão, passada pelo registro do comércio, da incorporação, fusão ou cisão, é documento hábil para a averbação, nos registros públicos competentes, da sucessão, decorrente da operação, em bens, direitos e obrigações. ..... Art. 289. As publicações ordenadas pela presente Lei serão feitas no órgão oficial da União ou do Estado ou do Distrito Federal, conforme o lugar em que esteja situada a sede da companhia, e em outro jornal de grande circulação editado na localidade em que está situada a sede da companhia. (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) ..... § 5º Todas as publicações ordenadas nesta Lei deverão ser arquivadas no registro do comércio. Regulamento de Imposto de Renda – RIR/99 Art.235. A pessoa jurídica que tiver parte ou todo o seu patrimônio absorvido em virtude de incorporação, fusão ou cisão deverá levantar balanço específico na data desse evento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 21, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º, §1º). §1º Considerase data do evento a data da deliberação que aprovar a incorporação, fusão ou cisão. (destaquei) Confirmada a incorporação, importa à resolução da questão saber se a autuação poderia, após tal evento, ter sido realizada em face da sociedade incorporada, considerada como sujeito passivo pela fiscalização. Como visto, dispõem o Código Civil (art.1.116) e a Lei nº 6.404/76 (art.227) que com a incorporação uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhe(s) sucede em todos os direitos e obrigações. Por inexistir regra exceptiva, a obrigação tributária, a exemplo das demais contraídas pela incorporada, passa para o patrimônio jurídico da incorporadora. Outro não é o comando do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é Fl. 973DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1103000.830 S1C1T3 Fl. 968 8 responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual. Igualmente reza o Decretolei nº 1.598, de 26/12/77: Art 5º Respondem pelos tributos das pessoas jurídicas transformadas, extintas ou cindidas: I a pessoa jurídica resultante da transformação de outra; II a pessoa jurídica constituída pela fusão de outras, ou em decorrência de cisão de sociedade; III a pessoa jurídica que incorporar outra ou parcela do patrimônio de sociedade cindida; (destaquei) Tais dispositivos são apontados como fundamentos do art.207, III, do Regulamento do Imposto de Renda – RIR 99, que dispõe em igual sentido. Considerando tais normas tributárias, não há qualquer irregularidade na lavratura de auto de infração em que a sociedade incorporadora ocupe o polo passivo da relação jurídica como sujeito passivo (indireto), constando necessariamente da fundamentação a exposição de que a obrigação tributária referese a fatos ocorridos antes da incorporação. Com isso, perfeita estará a identificação do sujeito passivo, diante da extinção regular da incorporada antes da lavratura do auto de infração. Em outra situação, como a dos autos, em que a relação jurídica foi formada originariamente com o contribuinte (sujeito passivo direto), após sua regular extinção, há quem sustente que tal fato não conduziria necessariamente à nulidade do lançamento, como se verá em seguida. À luz dos dispositivos normativos acima, a responsabilidade tributária da incorporadora deslocarseia para o momento da exigência do cumprimento da obrigação tributária, precisamente quando da cobrança. Tal complexidade ficaria a cargo da Secretaria da Receita Federal do Brasil ou da Procuradoria da Fazenda Nacional, em etapa posterior à estabilização da relação jurídicotributária no âmbito administrativo. Apesar de na impugnação terem sido mencionadas várias decisões administrativas proferidas pelo extinto Primeiro Conselho de Contribuinte, a questão parece não estar pacificada. Os acórdãos, abaixo, por exemplo, confirmaram autuações realizadas em face da incorporada: NORMAS PROCESSUAIS — NULIDADE FORMAL — ERRO NA QUALIFICAÇÃO DO AUTUADO. Não configura erro na identificação do sujeito passivo quando, embora o lançamento tenha sido formalizado em nome da empresa incorporada, não se evidencie qualquer prejuízo ao exercício do direito de defesa da recorrente, representada pelo mesmo funcionário em todas as fases do processo, desde a fiscalização até o julgamento de segunda instância. A irregularidade no preenchimento dos Fl. 974DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1103000.830 S1C1T3 Fl. 969 9 requisitos estabelecidos no art. 10 do Decreto n° 70.235/72 só deve conduzir ao reconhecimento da invalidade do lançamento quando a própria finalidade pela qual a forma foi instituída estiver comprometida. (CSRF, 1ª Turma, Acórdão nº CSRF/01 05.113, de 19/10/04, Redator Designado Cons. Marcos Vinicius Neder de Lima) “(...) ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INCORPORAÇÃO, RESPONSABILIDADE NA SUCESSÃO, NULIDADE. Não vicia de nulidade o lançamento por configurado erro na eleição do sujeito passivo da obrigação principal na hipótese em que o Auto de Infração tenha sido formalizado em nome da incorporada, se a incorporadora era controladora integral da autuada por ocasião da sucessão, que ocorreu no decorrer do procedimento fiscal (...). (CARF, 1ª SJ, 1ª Câmara, 3ª Turma Ordinária, Acórdão nº 110300.366, de 14/12/10, Rel. Cons. Gervásio Nicolau Recktenvald) “(...) ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO — Apesar de o lançamento tributário corresponder a uma atividade administrativa que guarda elevados rigores formais, não se pode perder de vista seu caráter instrumental. Os rigores formais devem ser analisados sob prisma teleológico, vale dizer, em razão da sua finalidade. São prescritos com o fito de garantir o amplo direito de defesa e o contraditório. Desse modo, se tais garantias não foram violadas por eventuais erros ou omissões, não há que se declarar nulidade do ato. É o caso do lançamento promovido em face de pessoa jurídica já extinta por incorporação, uma vez cientificada a incorporadora (...)” (CARF, 1ª SJ, 2ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Acórdão nº 1201 00.199, de 10/12/09, Rel. Cons. Guilherme Adolfo dos Santos Mendes) “ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO — INEXISTÊNCIA A indicação da pessoa jurídica constituída à época dos fatos, com a ciência do lançamento para a sua responsável sucessora, é procedimento regular, que não pode provocar nulidade, pois ausente qualquer prejuízo para o contribuinte, haja vista inexistir cerceamento de defesa. Nesses casos, o formalismo não pode prevalecer (...)” (1ºCC, 1ª Câmara, Acórdão nº 10194.717, de 20/10/04, Redator Designado Cons. Mário Junqueira Franco Júnior) “SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DE PESSOA JURÍDICA. IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. A pessoa jurídica incorporadora é responsável, por sucessão, pelo crédito tributário devido pela incorporada. No entanto, é válido o auto de infração lavrado após formal encerramento de atividades da incorporada, que contém sua indicação (incorporada) no pólo passivo da obrigação tributária, desde que assegurados o devido processo legal e a ampla defesa à sucessora (...)”. (1ºCC, 3ª Câmara, Acórdão nº 10322.201, de 07/12/05, Redator Designado Cons. Aloysio José Percínio da Silva) Fl. 975DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1103000.830 S1C1T3 Fl. 970 10 SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DE PESSOA JURÍDICA. INDICAÇÃO DA INCORPORADA COMO SUJEITO PASSIVO. VALIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO APÓS A INCORPORAÇÃO. A pessoa jurídica incorporadora é responsável, por sucessão, pelo crédito tributário devido pela incorporada, devendo aquela (incorporadora) constar do auto de infração na condição de sujeito passivo. No entanto, é válido o auto de infração lavrado após formal encerramento de atividades da incorporada, que contém sua indicação (incorporada) no pólo passivo da obrigação tributária, desde que assegurados o devido processo legal e a ampla defesa à sucessora. (1º CC, 3ª Câmara, Acórdão nº 10323.043, de 24/05/07, Redator Designado Cons. Aloysio José Percínio da Silva) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSO DE OFÍCIO NULIDADE DO LANÇAMENTO POR ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO INCORPORAÇÃO RESPONSABILIDADE NA SUCESSÃO Não configura erro na eleição do sujeito passivo da obrigação principal, suscitado de oficio pelo julgador singular, a hipótese em que, embora formalizado em nome da incorporada, o instrumento de constituição do crédito tributário menciona, expressamente, a pessoa jurídica incorporadora, a qual sucede a primeira, nos termos do artigo 132, do CTN. Recurso de oficio a que se dá provimento. (1ºCC, 5ª Câmara, Acórdão nº 10513.732, de 21/02/02, Rel. Cons. Luis Gonzaga Medeiros Nóbrega) Da leitura de tais ementas, percebese que alguns fatores conferiram validade aos lançamentos: garantia à incorporadora dos direitos à ampla defesa e contraditório; ser a incorporadora a controladora integral da incorporada por ocasião da sucessão; a prevalência do caráter instrumental do lançamento; ciência do lançamento pela sucessora; e menção expressa no auto de infração da incorporadora. Com mais vagar, merecem análise duas decisões, dada a similitude das hipóteses fáticas com as do caso sob exame e os colegiados dos quais emanaram. A primeira, proferida, pela Primeira Turma da antiga Câmara Superior de Recursos Fiscais1, para quem não teria havido “...erro na aplicação da norma de incidência do tributo, mas apenas falha na exteriorização do ato de lançamento”. Na oportunidade, decidiu se que “...a atipicidade do ato não conduz necessariamente ao pronunciamento de sua nulidade”. In verbis: “[...] Se o ato defeituoso alcançou os fins postos pelo sistema, sem que se verifique prejuízo às partes e ao sistema de modo que o torne inaceitável, ele deve permanecer válido. São atos meramente irregulares que não sofreram a sanção de ineficácia. Nessa linha, a nulidade não deve ser declarada em todos os casos em que o julgador se defronta com vício formal no ato de 1 Antes da criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), que em sua estrutura passou a incluir a Câmara Superior de Recursos Fiscais, antes órgão autônomo. Fl. 976DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1103000.830 S1C1T3 Fl. 971 11 lançamento, só nos casos em que está configurado prejuízo às partes ou ao sistema processual.” A exemplo do caso tratado no presente processo, a sociedade incorporadora apresentou impugnação ao lançamento realizado contra a incorporada, pertencente ao mesmo grupos societário, sendo o representante legal a mesma pessoa física que no decorrer do procedimento fiscal tratou com a fiscalização em nome da incorporada. Vejamos o respectivo voto condutor, in verbis: “[...] verificase que não houve qualquer descontinuidade no exercício do direito de defesa da recorrente. O mesmo funcionário graduado da empresa, ocupando cargo de gerência, participou de todas as fases do processo, desde a fiscalização até o julgamento de segunda instância. As duas empresas pertencem ao mesmo grupo societário e, pelas evidências dos autos, têm o mesmo gerente de contadoria. A recorrente, em que pese ter alegado preterição do seu direito de defesa, apresentou a impugnação dentro do prazo legal e defendeuse plenamente. Não vislumbro, portanto, qualquer prejuízo a parte que enseje a declaração de nulidade do lançamento.” Porém, notase que naquele caso, ao contrário do que ocorreu na situação fática sob exame, o agente fazendário mencionou a incorporação do contribuinte ao encerrar a ação fiscal, tendo inclusive identificado a sociedade incorporadora, conforme informa o respectivo relatório do acórdão, na parte em que se reporta às alegações da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional: “[...] Admite que a fiscalização errou, pois estava ciente da incorporação à data da lavratura do auto de infração, como se verifica do Termo de Encerramento, pois deveria ter lançado o tributo contra a sucessora e não contra a sucedida. No referido termo, apesar de apontar como contribuinte a empresa incorporada, o fiscal autuante declara que a General Electric do Nordeste S/A incorreu em obrigações tributárias, mas que foi incorporada pela General Electric do Brasil S/A. No Termo que constitui o auto de infração está identificada a incorporadora. Ela compareceu no processo administrativo, apresentando os recursos cabíveis, não sofrendo prejuízo algum no exercício do seu direito de defesa.” Tal fato sucessório foi levado em consideração para se concluir pela inexistência de cerceamento a direito de defesa. Vejamos: “[...] Primeiro, verificase que referida sucessão está descrita no Termo de Encerramento de Ação Fiscal (fls. 198) que é parte integrante do auto de infração conforme descrito no próprio texto desse ato. Dessa forma, no conjunto de termos e demonstrativos que compõe a autuação, a sucessão estava perfeitamente descrita e o Sr Paulo de Amorim Salgado, Gerente de Contadoria da recorrente, tomou ciência desse fato, tanto que apresentou impugnação dentro do prazo legal. Nessa peça impugnatória, defendese plenamente a recorrente General Eletric do Brasil S/A da exigência de crédito tributário descrita no lançamento. Importante constatar, nesse passo, que o Gerente Fl. 977DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1103000.830 S1C1T3 Fl. 972 12 Sr. Paulo Amorim Salgado aparece representando às fls 77 a empresa controladora General Eletric do Brasil S/A em correspondência enviada a Secretaria da Receita Federal em 10/09/94, data anterior a lavratura do lançamento.” A segunda decisão a merecer especial análise, por ter sido proferida por esta Terceira Turma Ordinária em passado recente, com a participação da maioria dos componentes atuais, informa que a manutenção do lançamento realizado em face da incorporada apoiouse em dois fundamentos, um deles decorrente de fato semelhante constatado neste processo: a incorporadora deter 100% das ações da incorporada quando do evento societário. In verbis: “[...] Quanto ao pedido de nulidade da autuação por ilegitimidade passiva do autuado, apresentado originariamente no recurso voluntário (fl, 249), este também não pode prosperar, por duas razões: (a) pela decisão judicial que confirmou tal débito em favor da União; b) por não ter havido qualquer prejuízo em vista do pretendido erro na identificação do sujeito passivo, pois a empresa indicada no auto de infração como sujeito passivo, isto é, a Campos Eliseos Participações S/A, na época de sua extinção por incorporação era subsidiária integral da incorporadora, a a CCF Brasil Commodities — Participações e Corretora de Mercadorias e Futuros Ltda. No que tange ao primeiro argumento, resta evidente que não cabe, nesta instancia administrativa, decisão de nulidade do lançamento, pois o débito da recorrente foi confirmado judicialmente, tendo a decisão transitada em julgado. Nesse contexto, nos termos do art. 485 do CPC, a decisão judicial em tela somente poderia ser anulada por ação rescisória, proposta perante o Poder Judiciário. No concernente ao segundo argumento, inicialmente, cabe reconhecer que efetivamente a empresa nominada no Auto de Infração teve sua incorporação registrada na Junta Comercial no decorrer do procedimento fiscal, isto é, em 01/08/1995 (fl.181), pois a ação fiscal iniciou em 30.03.1995 e foi encerrada em 08/02/1996 (fl.66). Entretanto, a equivocada indicação da sujeição passiva não trouxe qualquer prejuízo à defesa, pois: (a) o lançamento apenas formalizou o débito que a empresa havia calculado, para evitar a decadência, uma vez que ele estava sendo discutido judicialmente desde muito antes de instaurado o procedimento fiscal, com fundamento em pretensas inconstitucionalidades do tributo; (b) a empresa que incorporou a Campos Eliseos Representações S/A, denominada CCF Brasil Commodities Participações e Corretora de Mercadorias e Futuros .Ltda., era controladora da empresa Campos Eliseos, da qual detinha 100% das ações.” Apesar de tais decisões, sustentase neste voto, com base em fundamentos expostos a seguir, que a análise da regularidade do lançamento quanto ao polo passivo da relação jurídicotributária deve, concessa vênia, ser sopesada quando da sua prática. Com a incorporação, a sociedade incorporada deixa de existir juridicamente, deixa de ter personalidade jurídica, passando suas obrigações, inclusive no plano das relações Fl. 978DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1103000.830 S1C1T3 Fl. 973 13 jurídicas materiais, à incorporadora. Não é outro o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), exposto nas seguintes decisões: “PROCESSUAL CIVIL. PROCEDÊNCIA DE AÇÃO POSSESSÓRIA NA QUAL SE ORDENA A DERRUBADA DE MURO, SOB PENA DE MULTA DIÁRIA. DESNECESSIDADE DE PROCESSO AUTÔNOMO DE EXECUÇÃO DA OBRIGAÇÃO DE FAZER. ÔNUS DA PROVA DO CUMPRIMENTO DE ORDEM JUDICIAL QUE RECAI SOBRE O TURBADOR DA POSSE. VALOR DA MULTA DIÁRIA ("ASTREINTE”) QUE SE MOSTRA RAZOÁVEL. (...) A incorporação extingue a personalidade da pessoa incorporada, mas não seus direitos e obrigações. No plano das relações jurídicas de direito material, a incorporadora passa a figurar como devedora, substituindo a posição que antes era ocupada pela pessoa jurídica incorporada (...)”. (Terceira Turma, RESP nº 1022038, DJE 22/10/09, Rel. Min. Nancy Andrighi) “RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO DE SENTENÇA. EMPRESA INCORPORADORA. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULOS DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS, DAS CONTRIBUIÇÕES DAS EMPRESAS INCORPORADAS. POSSIBILIDADE. PROVIMENTO DO RECURSO. (...)“A incorporação é a operação pela qual uma sociedade absorve outra, que desaparece. A sociedade incorporada deixa de operar, sendo sucedida a direitos e obrigações pela incorporadora” (Direito Societário, Marlon Tomazette). 3. Se a empresa não mais existe, responde por suas obrigações e direitos a empresa incorporadora (...)” (Primeira Turma, RESP nº 645.455, DJ 09/05/05, Rel. Min. José Delgado). PROCESSO CIVIL. REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. SUCESSÃO EM DIREITOS E OBRIGAÇÕES. ART. 227, § 3º, LEI N. 6.404/76. NECESSIDADE DE REGULARIZAÇÃO DA REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. ENUNCIADO SUMULAR N. 115/STJ. PRECEDENTE. RECURSO NÃO CONHECIDO. I A incorporação de uma empresa por outra extingue a incorporada, nos termos do art. 227, § 3º, da Lei das Sociedades Anônimas, tornando irregular a representação processual. II Na linha da jurisprudência desta Corte, não se admite a regularização da representação processual na instância especial. (Quarta Turma, RESP nº 394379, DJ 19/12/03, Rel. Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira). Nos termos dos artigos 121, II, do CTN2, c/c art.132 do mesmo código, a obrigação principal, no caso, de pagar tributos devidos pela incorporada, passa, por força de lei, para a incorporadora. Rubens Gomes de Souza, autor do anteprojeto do CTN, ao tratar da sujeição passiva indireta, afirmava que na modalidade Transferência por Sucessão, “...a 2 Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: (...) II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Fl. 979DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1103000.830 S1C1T3 Fl. 974 14 obrigação se transfere para outro devedor em virtude do desaparecimento do devedor original” 3. Com a incorporação, a sociedade incorporada deixa per si de exercer direitos e de contrair obrigações4. Lembra Luciano Amaro5 que no caso de responsabilidade por sucessão há modificação subjetiva do polo passivo da obrigação: “A presença do responsável como devedor na obrigação tributária traduz uma modificação subjetiva no pólo passivo da obrigação, na posição que, naturalmente, seria ocupada pela figura do contribuinte. Contribuinte é alguém que, naturalmente, seria o personagem a contracenar com o Fisco, se a lei não optasse por colocar outro figurante em seu lugar (ou ao seu lado), desde o momento da ocorrência do fato ou em razão de certos eventos futuros (sucessão do contribuinte, p.ex.). ..... A sucessão dáse no plano da obrigação tributária, por modificação subjetiva passiva. Assim, o sucessor passa a ocupar a posição do antigo devedor, no estado em que a obrigação se encontrava na data do evento que motivou a sucessão. Se se trata de obrigação cujo cumprimento independe de providência do sujeito ativo, cabe ao sucessor adimplila, nos termos da lei. Se depende de providência do sujeito ativo (lançamento), já tomada, competelhe também satisfazer o direito do credor. Se falta essa providência, cabelhe aguardála e efetuar o pagamento, do mesmo modo que o faria o sucedido.” (destaquei) A Lei da Sociedades Anônimas, ao tratar da dissolução de sociedade, dispôs que a “A companhia dissolvida conserva a personalidade jurídica, até a extinção, com o fim de proceder à liquidação” (art.207). Nesse contexto, vale lembrar que a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado (art.110 do CTN). A previsão constante da Lei das S.A (art.227) e do Código Civil (art.1.116), no sentido de que a incorporadora sucederá a incorporada em todos os direitos, mas também impondolhe o cumprimento de obrigações, resguarda o interesse dos credores, vez que o patrimônio da incorporada vertese para o da incorporadora. Ainda que esta seja controladora integral daquela, os patrimônios das entidades não se confundem. Ao comentar o art.126 do CTN6, Eurico Marcos Diniz de Santi afirma que para figurar no polo passivo exige tal dispositivo apenas a personalidade jurídica7. 3 Compêndio de legislação tributária. Edição Póstuma. São Paulo: Resenha Tributária, 1975, p.93. 4 Na incorporação, há integração de uma pessoa em outra, desaparecendo a pessoa absorvida (Venosa, Sílvio de Salvo. Direito civil: parte geral. 4ª ed. São Paulo: Atlas, 2004, p.305). 5 Direito tributário brasileiro. 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 1999, pp.285 e 302. 6 Art. 126. A capacidade tributária passiva independe: I da capacidade civil das pessoas naturais; II de acharse a pessoa natural sujeita a medidas que importem privação ou limitação do exercício de atividades civis, comerciais ou profissionais, ou da administração direta de seus bens ou negócios; Fl. 980DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1103000.830 S1C1T3 Fl. 975 15 Em matéria tributária, para que se exija determinada dívida, mister que o lançamento também esteja regular em seu aspecto subjetivo, ou seja, quanto aos atores da relação jurídica. De acordo com o art.142 do CTN, tratase de exigência inerente à sua própria formação, substancial portanto, que diz respeito ao plano da validade do ato, não da eficácia: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Daí a crítica cabível àquela decisão da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, quando entendeu tratarse de um vício formal no ato de lançamento. Em notas ao Decreto nº 70.235/72, a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil8, disponibiliza informação de que a ilegitimidade passiva implicaria em nulidade do lançamento, distinta da nulidade por vício formal: “[...] NULIDADE DE ATOS E TERMOS: Além dos casos de nulidade elencados nos incisos do artigo 59 do Decreto n.º 70.235/1972, há outros que decorrem, entre outros diplomas, do Código Tributário Nacional: a) nulidade do lançamento por vício formal (art. 173 do CTN): haverá vício de forma sempre que, na formação ou na declaração da vontade traduzida no ato administrativo, foi preterida alguma formalidade essencial ou o ato efetivado não o tenha sido na forma legalmente prevista (exemplo: segundo exame, em relação a um mesmo exercício fiscal, sem ordem escrita da autoridade fiscal competente ver Acórdão CSRF/01 0.538, de 23/05/1985); b) nulidade por ilegitimidade passiva (art. 142 do CTN): o erro na identificação do sujeito passivo torna nulo o lançamento ("o equívoco quanto à indicação do sujeito passivo acarreta a extinção do processo em qualquer instância em que venha a ser argüida” Acórdão 1.º CC n.º 10171.342/80) [...]” Ainda que a sociedade incorporada, considerando a data da ocorrência dos fatos geradores, seja o sujeito passivo direto (contribuinte), não mais existia juridicamente quando da formação da relação jurídicotributária. Fatos supervenientes, como o exercício da plena defesa pela incorporadora durante o processo administrativo tributário, ou mesmo o III de estar a pessoa jurídica regularmente constituída, bastando que configure uma unidade econômica ou profissional. 7 Lançamento tributário. 2ª ed. São Paulo: Max Limonad, 2001, p.170. 8 http://www.receita.fazenda.gov.br/Legislacao/Decretos/Ant2001/Ant1999/Decreto70235/Notas/NotasArt59Par.ht m. Consulta em 02/02/2013. Fl. 981DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1103000.830 S1C1T3 Fl. 976 16 controle societário integral da incorporada pela incorporadora, não têm o condão de validála. Como dito alhures, o momento da avaliação é o da formação do ato. Estando o Fisco ciente de que a obrigação tributária, com o evento incorporação, passou a ser de responsabilidade da incorporadora (sujeito passivo indireto), em face desta deveria ter formalizado o lançamento, pessoa dotada de personalidade jurídica, obrigada legalmente ao pagamento do tributo. Deixando de existir a incorporada, não subsiste, por consequência, a sua responsabilidade pelo cumprimento da obrigação tributária. Diferentemente do art.132 do CTN, o artigo 133, por exemplo, ainda situado na Seção II do Capítulo V, reservada à “Responsabilidade dos Sucessores”, previu a manutenção da responsabilidade do sujeito passivo direto em determinadas situações. Vejamos: Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: ..... II subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. Ao tratar da Responsabilidade de Terceiros (Seção III do Capítulo V), o legislador igualmente manteve o contribuinte no polo passivo da relação jurídica e estabeleceu responsabilidades solidárias: Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: I os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores; II os tutores e curadores, pelos tributos devidos por seus tutelados ou curatelados; III os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes; IV o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio; V o síndico e o comissário, pelos tributos devidos pela massa falida ou pelo concordatário; VI os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, pelos tributos devidos sobre os atos praticados por eles, ou perante eles, em razão do seu ofício; VII os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas. Parágrafo único. O disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidades, às de caráter moratório. Fl. 982DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1103000.830 S1C1T3 Fl. 977 17 Recentemente, decidiu o Superior Tribunal de Justiça, em outro contexto, é verdade, que na hipótese de sucessão empresarial o sujeito passivo é a pessoa jurídica que continua total ou parcialmente a existir juridicamente: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS. ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO MERCANTIL. INCLUSÃO DE MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. LC N.º 87/96. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1111156/SP, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. (Precedentes: REsp 1085071/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 08/06/2009; REsp 959.389/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2009, DJe 21/05/2009; AgRg no REsp 1056302/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 13/05/2009; REsp 3.097/RS, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/10/1990, DJ 19/11/1990) 2. "(...) A hipótese de sucessão empresarial (fusão, cisão, incorporação), assim como nos casos de aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento comercial e, principalmente, nas configurações de sucessão por transformação do tipo societário (sociedade anônima transformandose em sociedade por cotas de responsabilidade limitada, v.g.), em verdade, não encarta sucessão real, mas apenas legal. O sujeito passivo é a pessoa jurídica que continua total ou parcialmente a existir juridicamente sob outra "roupagem institucional”. Portanto, a multa fiscal não se transfere, simplesmente continua a integrar o passivo da empresa que é: a) fusionada; b) incorporada; c) dividida pela cisão; d) adquirida; e) transformada. (Sacha Calmon Navarro Coêlho, in Curso de Direito Tributário Brasileiro, Ed. Forense, 9ª ed., p. 701) (...)” (Primeira Seção, RESP nº 923012, DJE 24/06/10, Rel. Min. Luiz Fux) A antiga Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em decisão posterior àquela anteriormente mencionada, apesar de não tratar de sucessão empresarial por incorporação, mas de dissolução, decidiu por unanimidade que ao Fisco era vedado formular lançamento em que constasse como sujeito passivo sociedade já extinta. Assim como no presente caso, constava dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil a baixa no CNPJ. Vejamos a ementa e alguns excertos do acórdão CSRF/0105.352, de 08/12/05, de relatoria do Cons. José Henrique Longo: Ementa LANÇAMENTO — PESSOA JURÍDICA EXTINTA — LIQUIDAÇÃO — O artigo 121 estabelece que o sujeito passivo é Fl. 983DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1103000.830 S1C1T3 Fl. 978 18 quem estiver obrigado ao pagamento do tributo, que pode ser o contribuinte ou o responsável indicado na lei. A pessoa jurídica subsiste até o final de sua liquidação, de modo que não é possível promover lançamento (formalização da relação jurídico tributária) contra uma pessoa extinta pois ela é inexistente no mundo jurídico. ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DE SUJEITO PASSIVO — PESSOA JURÍDICA EXTINTA — É inadmissível a lavratura de auto de infração contra pessoa jurídica extinta, bem como a transferência do pólo passivo da relação jurídica tributária no curso do processo administrativo a um dos sócios da empresa sem o devido processo legal para identificar o responsável conforme previsto no Código Civil e no Código Tributário Nacional (arts. 128 a 135), abrindo a possibilidade do direito à ampla defesa e ao contraditório. (destaquei) Voto ..... Assim, do ponto de vista civil, a pessoa jurídica existe apenas até sua liquidação, sendo que a partir de então respondem por suas dívidas o sócio até o montante recebido na partilha, e o liquidante por perdas e danos em face da liquidação irregular. Fica evidente que, se é o sócio ou o liquidante que respondem por dívida da pessoa jurídica extinta, não é contra esta que as medidas de credores —inclusive a Fazenda Nacional — serão impetradas. No tocante às normas previstas no Código Tributário Nacional, o art.121 prevê genericamente que poderão constar do pólo passivo da relação jurídico tributária tanto o contribuinte quanto o responsável; e especificamente: que o ‘sujeito passivo da obrigação é quem estiver obrigado ao pagamento do tributo’. Isso, desde logo, oferece suporte para afirmar que não é obrigatório constar na relação jurídica aquela pessoa que praticou o ato descrito como hipótese legal de incidência (fato gerador), e que deve ser identificado como sujeito passivo quem estiver obrigado ao pagamento. Por outras palavras, somente deve constar da relação para exigência do tributo a pessoa que estiver obrigada ao pagamento, que pode ser o contribuinte ou o responsável. ..... Isto é, se a empresa que foi liquidada era uma sociedade de pessoas (e isto deve estar devidamente demonstrado como pressuposto do lançamento), os responsáveis são os sócios, e, com base no art. 121, II, eles — e somente eles — devem constar na relação jurídica da exigência tributária. De qualquer modo, não podia a autoridade administrativa formular o lançamento, nos termos do art. 142 do CTN, fazendo constar como sujeito passivo uma empresa extinta, já que a mesma subsistiu somente até o final da liquidação, data anterior ao lançamento. A partir de então, não possuía Fl. 984DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1103000.830 S1C1T3 Fl. 979 19 personalidade jurídica e não poderia figurar como sujeito passivo de relação jurídicotributária. Mesmo que o disposto no art. 1110 [Código Civil] estabeleça acerca da exigência — o que poderia levar à suposição de que apenas a execução seria em nome dos sócios — devese indicar desde logo quem ocupa o posto de sujeito passivo da obrigação tributária, assim como o sujeito ativo e o objeto da obrigação. Veja o que diz Paulo de Barros Carvalho [Curso de Direito Tributário, capit XII6.d]: ‘Para externar a pretensão do sujeito ativo e a necessidade de satisfação da dívida, por parte do sujeito passivo, é que adquire sentido a lavratura do ato de lançamento tributário. Nesse mister, não bastaria consignar o motivo da prática do ato, mas expressar, com decisão e segurança, o conteúdo da exigência que, especificamente, o devedor haverá de cumprir. Ora, a esta última indicação se prende o requisito fundamental que consiste em identificar o sujeito passivo da relação jurídico tributária, com o propósito de tornar possível a pretensão do crédito devidamente formalizado.’ ..... Desse modo, vejo como nulo o lançamento formalizado contra uma pessoa jurídica extinta por dissolução total com distrato devidamente registrado e seu CNPJ encerrado antes do lançamento, pois com isso se afronta o disposto no art. 121 do CTN, principalmente em situação em que não há sucessão automática por terceiro (sócio, administrador, liquidante, etc.).” (destaquei) Apesar de distinta a causa da extinção da pessoa jurídica contra qual foi realizado o lançamento, a conclusão da Primeira Turma da CSRF naquele caso pode ser aproveitada, especificamente quanto à impossibilidade de figurar no polo passivo da relação jurídicotributária pessoa desprovida de personalidade jurídica, lastreada em respeitável doutrina. Mais recentemente, ao se debruçar também sobre um caso distinto de incorporação, a Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais definiu por unanimidade: ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. PESSOA JURÍDICA JÁ EXTINTA QUANDO DA AUTUAÇÃO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Conforme a jurisprudência majoritária, é nulo o lançamento feito contra pessoa jurídica extinta quando a autuação. (Acórdão nº 9101001.188, de 14/09/2012, Rel. Cons. Susy Gomes Hoffmann) Dispôs o respectivo voto condutor: “[...] Com efeito, a jurisprudência administrativa tem decidido, em sua ampla maioria, no sentido de que a lavratura do auto de infração contra pessoa jurídica que já se encontrava extinta maculao de nulidade, sobretudo tendo em vista que o Fl. 985DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1103000.830 S1C1T3 Fl. 980 20 lançamento que fosse perpetrado contra os sócios responsáveis demandaria pontos outros de abordagem que não foram tratados no auto de infração em análise. ..... Com efeito, configura erro insanável do lançamento colocarse no seu pólo passivo pessoa jurídica que já se encontrava extinta quando da autuação” No mesmo sentido das decisões administrativas mencionadas na impugnação (acórdãos nºs 20309.965, 10705.687, 10321.223, 10706.655 e 10193.587), a Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção também decidiu por unanimidade pela necessidade de a fiscalização identificar a sociedade incorporadora como sujeito passivo, na condição de responsável tributário, na hipótese de lançamento realizado após a incorporação: NULIDADE CONFIGURADA POR ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. PESSOA JURÍDICA EXTINTA POR INCORPORAÇÃO. SUCESSÃO TRIBUTÁRIA PELA INCORPORADORA. Extinguindose a incorporada, responde a incorporadora, na qualidade de sucessora, pelos tributos devidos pela sucedida, fato que impõe seja aquela identificada como sujeito passivo na condição de responsável tributário. Portanto, é inadmissível a lavratura de auto de infração contra pessoa jurídica regularmente extinta por incorporação à data da ciência do lançamento. (Acórdão nº 140100.359, de 11/11/10, Rel. Cons. Alexandre Antônio Alkmim Teixeira) Como na hipótese dos autos, a sociedade incorporadora já havia sido extinta quando do lançamento, inclusive com a formalização da baixa da inscrição no CNPJ, como restou consignado no acórdão: “[...] Também é possível constatar elementos que evidenciam tal operação (a incorporação) a partir da leitura dos extratos juntados às fls. 396/399, que registram a baixa da inscrição no CNPJ da pessoa jurídica autuada, em 24/11/2006, como decorrência da sua sucessão pela incorporadora (IMBP Indústria e Comércio Ltda CNPJ 04.847.613/000110). Firmadas as premissas acima, temse que, no momento em que a empresa autuada foi supostamente cientificada dos lançamentos (em 29/10/2008), ela não mais existia no mundo jurídico em face da noticiada incorporação ocorrida antes do lançamento de ofício. Em outras palavras, a incorporação determinou a extinção da pessoa jurídica autuada, e, por tal razão, equivocouse a autoridade lançadora ao materializar o crédito tributário contra empresa não mais existente. Desta feita, comprovado nos autos que a autuada fora extinta (por incorporação) em data anterior à lavratura dos autos de infração, temse por inarredável a conclusão de que são nulos os lançamentos efetuados, por erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária.” Fl. 986DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1103000.830 S1C1T3 Fl. 981 21 Maria Teresa Martinez López9, apesar de reconhecer haver decisões administrativas em que, a depender da situação, tentase aproveitar o ato administrativo, sustenta que deve ser cancelado o lançamento realizado contra a sociedade incorporada já extinta, cabendo à fiscalização apurar “...desde o início, a ocorrência de alteração da pessoa jurídica, fusão ou incorporação, fato este que poderá ser comprovado por meio de intimação do contribuinte ou pela juntada de todos os últimos documentos societários”. A crítica a este entendimento repousa em se impor tal ônus à fiscalização em todas as auditorias. Assim, não há como concordar com a autora, caso a autoridade fiscal seja induzida a erro no curso do procedimento fiscal por contribuinte que, por exemplo, tenha respondido a todas as intimações fiscais sem comunicar a incorporação, não constando dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil a baixa da inscrição do CNPJ (providência a cargo do contribuinte). Em tal hipótese o lançamento deve prevalecer em face da caracterizada falta de boafé do fiscalizado, mormente se a pessoa física que tenha dialogado com a fiscalização durante o procedimento fiscal tiver ligação com a incorporadora. Ao tratar detalhadamente da responsabilidade tributária no caso de cisão, a hoje Conselheira da Primeira Turma Ordinária desta Primeira Câmara, Edeli Pereira Bessa10, afirmou que o lançamento decorrente de fatos geradores anteriores à cisão deve ser formalizado contra todos as pessoas jurídicas beneficiadas com o patrimônio vertido, inclusive em face da cindida, se não houver sido extinta em razão do evento: “Por todo o exposto, é possível concluir que, ao menos no âmbito federal, há lei tributária atribuindo responsabilidade às sociedades beneficiadas com patrimônio vertido em razão da cisão, nos seguintes termos [art.5º do Decreto nº 1.598/77]: ..... Observese que o legislador foi pragmático, nada especificando quanto à sucessão no pólo passivo das obrigações tributárias, na medida em que estabeleceu a solidariedade entre a cindida e/ou as sociedades beneficiadas com o patrimônio vertido. Assim, eventual lançamento de tributo não recolhido e não declarado, cujo fato gerador ocorreu antes da cisão, é formalizado conjuntamente em face de todas as pessoas jurídicas beneficiadas com o patrimônio vertido, bem como da cindida, caso ela não tenha sido extinta em razão do evento.” Reiterese que apesar de a defesa administrativa ter sido realizada pela incorporadora, que à época da incorporação detinha 100% das ações da incorporada, as personalidades jurídicas das sociedades não se confundem. Ademais, a verificação da sujeição passiva precede à apresentação de defesa administrativa. 9 A responsabilidade tributária da pessoa jurídica alterada: fusão incorporação e transformação art.132 do CTN casos de nãosucessão das multas créditos declarados ilegitimidade passiva. In Responsabilidade tributária. coord. Maria Rita Ferragut, Marcos Vinicius Neder. São Paulo: Dialética, 2007, p.76. 10 Sucessão e responsabilidade tributária na cisão. In Responsabilidade tributária. coord. Maria Rita Ferragut, Marcos Vinicius Neder. São Paulo: Dialética, 2007, p.95. Fl. 987DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1103000.830 S1C1T3 Fl. 982 22 Fixandose a premissa de que não se trata de mero erro formal, como visto em momento anterior, a apresentação de defesa de mérito, que também tenha veiculado em preliminar impugnação contra a sujeição passiva, não é passível de convalidação11: “[...] A Administração não pode convalidar um ato viciado se este já foi impugnado, administrativa ou judicialmente. Se pudesse fazêlo, seria inútil a arguição do vício, pois a extinção dos efeitos ilegítimos dependeria da vontade da Administração e não do dever de obediência à ordem jurídica. Há, entretanto, uma exceção. É o caso da ‘motivação’ de ato vinculado expendida tardiamente, após a impugnação do ato. A demonstração, conquanto serôdia, de que os motivos preexistiam e a lei exigia que, perante eles, o ato fosse praticado com o exato conteúdo com o foi é razão bastante para sua convalidação. Deveras, em tal caso, a providência tomada ex vi legis não poderia ser outra”. O reconhecimento da higidez dos lançamentos, pelo simples fato de a defesa ter sido realizada pela incorporadora, significaria por vias transversas retificar, aperfeiçoar o lançamento, o que é vedado em sede de julgamento. Situação distinta põese quando a incorporação é posterior à lavratura do auto de infração, sendo a cobrança legitimamente direcionada para a sociedade incorporadora. Acrescentese que não haveria problema se a fiscalização houvesse no encerramento da ação fiscal fixado a responsabilidade da incorporadora, mesmo indicando como sujeito passivo a incorporada. Tal acusação estaria devidamente formalizada, contra a qual poderia o sujeito passivo indireto apresentar contrarrazões. Sendo a correta identificação do sujeito passivo uma exigência substancial do art.142 do CTN, constituindose em pressuposto essencial de validade de formação da relação jurídicotributária, não se sustentam os lançamentos, impondose a declaração de nulidade, conforme reconhecido em primeira instância: “[...] estando a pessoa jurídica, em nome da qual foram lavrados os autos de infração, já extinta no momento em que se deu a ciência –13.07.2009, são nulos os lançamentos tributários, por erro material na identificação do sujeito passivo, uma vez que a empresa colocada no pólo passivo não mais existia no mundo jurídico.” Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro 11 MELLO, Celso Antonio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 17ª ed. São Paulo: Malheiros, 2004, pp. 453454. Fl. 988DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.000809/200918 Acórdão n.º 1103000.830 S1C1T3 Fl. 983 23 Fl. 989DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 11065.900822/2007-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS INDEVIDOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
A aquisição de mercadoria para revenda, conforme código (CFOP 3.12) informado em nota fiscal, não dá direito a crédito básico do IPI.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.730
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS INDEVIDOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A aquisição de mercadoria para revenda, conforme código (CFOP 3.12) informado em nota fiscal, não dá direito a crédito básico do IPI. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 08 22 /2 00 7- 39 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 2 Relatório O presente litígio decorre de Pedido de Ressarcimento de saldo credor do IPI, apurado no 3º trimestre de 2001, no valor de R$ 4.368,17, combinado com Declarações de Compensação – PER/DCOMP. A DRF Novo Hamburgo/RS, através do Despacho Decisório Eletrônico da fl. 01, emitido em 18/07/2008, indeferiu parcialmente o pedido de ressarcimento, reconhecendo o direito creditório no valor de R$ 228,10, e homologou as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido, em razão de ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos e constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Para elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório O contribuinte acima identificado transmitiu, em 15/12/2004, pedido de ressarcimento do saldo credor do IPI, no valor de R$ 4.368,17, apurado no 3º trimestre de 2001, cumulado com declaração de compensação no valor de R$ 225,51. O referido pedido de ressarcimento/compensação (PER/DCOMP) recebeu o n° 18942.29358.130803.1.3.016863. Vinculado a esse crédito, transmitiu os PER/DCOMPs n°s. 28826.05461.140803.1.3.0169603, 35359.04391.150903.1.3.01 9094, 24611.67510.151003.1.3.019037 e 26765.92449.141103.1.3.011831. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo/RS, pelo Despacho Decisório Eletrônico da fl. 01, emitido em 18/07/2008, indeferiu parcialmente o pedido de ressarcimento, reconhecendo o direito creditório no valor de R$ 228,10 (duzentos e vinte e oito reais e dez centavos), e homologando as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido, em razão de ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos e constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Inconformado, o interessado apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade, fls. 02, contra a decisão acima referida, na qual alega que atua no ramo de indústria de pré moldados de concreto, na sequência descreve em detalhes o funcionamento de sua produção industrial, para que se reconheça o direito ao crédito do IPI no valor de R$ 4.874,45 relativo à nota fiscal de importação n° 000001, emitida em 31/08/2001. É o relatório. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre proferiu o Acórdão nº 1027.390 de 16 de setembro de 2010 (efolhas 43/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.900822/200739 Acórdão n.º 3202000.730 S3C2T2 Fl. 78 3 SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS INDEVIDOS. Aquisição de mercadoria relativa ao CFOP 3.12 não gera direito a crédito ressarcível de IPI na entrada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A interessada regularmente cientificada do Acórdão, em 10/10/2011 (efolha 55), interpôs Recurso Voluntário em 08/11/2011 (efls. 59/ss), onde repisa os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O Pedido de Ressarcimento de saldo credor do IPI formulado pela Recorrente não foi reconhecido integralmente pela unidade de origem, em decorrência da glosa de créditos considerados indevidos. Com efeito, os supostos créditos que a empresa pretende ressarcir referemse à aquisição, via importação, de 379 moldes prémoldados para piscinas, objeto da nota fiscal nº001, onde foi informado o CFOP 3.12, conforme demonstrativo de créditos e débitos para de IPI (e34) e cópia da citada nota fiscal (fl. e10). Como bem destacou o voto condutor da decisão recorrida, na nota fiscal nº 001, que registou a entrada da mercadoria importada no estabelecimento da empresa, foi informado para a operação o CFOP 3.12, ou seja, compra para comercialização. Portanto, a importação de mercadoria destinada à revenda não dá direito ao crédito básico do IPI, uma vez que não são insumos aplicados no processo produtivo da empresa. A natureza da operação não é a industrialização, mas sim, como dito, comercialização. Nos termos do que dispõe o artigo 147, inciso I, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto nº 2.637, de 25 de junho de 1998 RIPI/1998, vigente à época dos fatos, os estabelecimentos industriais poderão creditarse do imposto relativo às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos para o emprego ou consumo na industrialização de produtos tributados. Muito embora a Recorrente alegue em seu recurso que “houve um equívoco do despachante aduaneiro no código CFOP, ao invés do código 3.11 a colocação do código 3.12” e que “as mercadorias fazem parte da produção”, não foram apresentas provas que corroborem estas afirmações. A Recorrente não se desincumbiu a contento de provar suas alegações. As supostas irregularidades apontadas pelo Fisco no Despacho Decisório, ao serem rebatidas pelo Fl. 79DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 4 contribuinte, deveriam vir acompanhadas das respectivas provas, no momento próprio previsto na norma (artigo 15 do Decreto 70.235/72). O interessado deveria comprovar seu direito, nos termos do que prescreve o artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo tributário, demonstrando de forma plena, por meio dos competentes registros contábeis e fiscais, que as mercadorias importadas seriam destinadas ao seu processo produtivo. Não o fez! Correta, portanto, a glosa efetuada pela fiscalização em relação aos créditos lastreados em notas fiscais decorrentes de aquisições de insumos informados como destinados à revenda. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 80DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10580.733233/2010-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL.
É cabível o lançamento fiscal para constituir crédito tributário decorrente de omissão de ganho de capital na alienação de bens e direitos.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada pelo recorrente e, no mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Fábio Brun Goldschmidt e Pedro Anan Junior, que proviam o recurso. A Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga acompanha o voto do Relator pelas conclusões. Fez sustentação oral, o representante legal do contribuinte, Dr. Diego Marcel Costa Bonfim, inscrito na OAB/BA sob o nº 30081.
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins, Fábio Brun Goldschmidt e Pedro Anan Júnior.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL. É cabível o lançamento fiscal para constituir crédito tributário decorrente de omissão de ganho de capital na alienação de bens e direitos. Recurso negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada pelo recorrente e, no mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Fábio Brun Goldschmidt e Pedro Anan Junior, que proviam o recurso. A Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga acompanha o voto do Relator pelas conclusões. Fez sustentação oral, o representante legal do contribuinte, Dr. Diego Marcel Costa Bonfim, inscrito na OAB/BA sob o nº 30081. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins, Fábio Brun Goldschmidt e Pedro Anan Júnior.
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É cabível o lançamento fiscal para constituir crédito tributário decorrente de omissão de ganho de capital na alienação de bens e direitos. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada pelo recorrente e, no mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Fábio Brun Goldschmidt e Pedro Anan Junior, que proviam o recurso. A Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga acompanha o voto do Relator pelas conclusões. Fez sustentação oral, o representante legal do contribuinte, Dr. Diego Marcel Costa Bonfim, inscrito na OAB/BA sob o nº 30081. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins, Fábio Brun Goldschmidt e Pedro Anan Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 32 33 /2 01 0- 42 Fl. 810DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/06/201 3 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Em desfavor da contribuinte, ANIA BILLIAN, foi lavrado auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente a períodos de apuração compreendidos nos anos calendários de 2006, 2007 e 2008, para exigência de imposto, no valor de R$ 2.937.670,56, juntamente com multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada omissão de ganhos de capital decorrentes da cessão de direitos de créditos (precatórios), havidos por herança do espólio da mãe da contribuinte, Sra. Lúcia Margarida Neeser Billian, oriundos de ação indenizatória por desapropriação de imóvel, ajuizada contra a Prefeitura Municipal de Salvador. Nos demonstrativos de apuração do ganho de capital apresentados pela contribuinte, relativos às diversas cessões de direitos de crédito, teriam sido considerados como custos de aquisição os valores dos direitos cedidos, portanto, sem imposto a pagar. Entretanto, verificouse que os direitos cedido foram havidos por herança sem valor definido, conforme partilha amigável homologada judicialmente, assim, os custos de aquisição de tais direitos seriam nulos, nos termos do § 4º do art. 16 da Lei nº 7.713, de 1988, o que resultaria na apuração de ganho de capital positivo, e imposto devido não pago. A contribuinte foi cientificada do lançamento fiscal e apresentou impugnação, às fls. 187/206, na qual alegou, em síntese, que: a) o lançamento seria nulo por ausência de motivação que desse suporte à fiscalização considerar nulo o custo de aquisição dos direitos cedidos. Teria sido desconsiderada sem justificativa a documentação apresentada que comprovava o valor da condenação judicial relativa à ação indenizatória, em 31 de agosto de 1997, no montante de R$ 115.290.484,57, que em 2006 já superava a monta de R$ 328.738.706,48; o valor do acordo com o Município, neste mesmo ano, reduzindo o montante para R$ 65.747.740,00; e o valor das cessões realizadas com deságio, que totalizaram R$ 19.584.470,53; b) o custo de aquisição do crédito herdado foi o prescrito na decisão judicial transitada em julgado, não cabendo à esfera administrativa discutir os parâmetros de definição desta indenização, sob pena de ofensa à res judicata, nem muito menos considerálo nulo, sob pena de transmutar se o imposto exigido em um tributo sobre o patrimônio; c) aberta a sucessão, em 26 de junho de 1998, a impugnante passou a ser desde aquela data detentora de parte do direito ao crédito indenizatório, conforme previsto nos artigos 1.784 e 1.804 do Código Civil e art. 21 da Instrução Normativa SRF nº 84, de 2001; d) o custo de aquisição a ser considerado na apuração do ganho de capital seria o seu valor corrente, na data de aquisição, nos termos do art. 16, inciso V, da Lei nº 7.713, de 1988, ou mais propriamente, o valor pelo qual houver sido transferido quando da sucessão, conforme previsto no art. 23, § 4º, da Lei nº 9.532, de 1997; Fl. 811DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/06/201 3 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.733233/201042 Acórdão n.º 2202002.245 S2C2T2 Fl. 3 3 e) os direitos creditórios em questão não poderiam ser considerados como receita para fins de tributação, pois têm natureza indenizatória, apta a recompor parcialmente o patrimônio desapropriado. Também, não poderia se tributar o ganho de capital na cessão destes direitos, na medida em que o que se verificou foi o decréscimo patrimonial. E mais ainda, por se tratar de direito advindo de herança, gozaria da isenção prevista no art. 39, inciso XV, do RIR/1999. A DRJ Salvador julga a impugnação improcedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2006, 2007, 2008 OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL. É cabível o lançamento fiscal para constituir crédito tributário decorrente de omissão de ganho de capital na alienação de bens e direitos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeito, a contribuinte apresenta o recurso voluntário, onde reitera os argumentos da impugnação. Destacando os seguintes pontos: Da nulidade do lançamento por falta de informações necessárias a constituição do credito tributário; Notase que a fiscalização alegou que a recorrente apurou ganho de capital, sem contudo, indicar o porquê de o direito creditório em comento ter custo de aquisição zero, ou mesmo sem enfrentar a origem do direito creditorio; Do fato concreto que a recorrente apurou na verdade perda de capital.; Do custo de aquisição dos créditos cedidos pela recorrente, cuja origem foram liquidados em decisão judicial; Do direito creditório indenizatório que foi transferido ao patrimônio do recorrente em 26/06/98, pelo valor liquidado em decisão judicial; Da tributação das indenizações por desapropriação, que não configuram acréscimo patrimonial, mas tão somente recomposição do patrimônio espoliado; A recorrente recebeu por herança o direito de receber crédito decorrente de indenização. Destacandose que apesar de tratarse de direito à indenização, não deixa de ser direito advindo de herança. Para deixar inequívoca a inexistência de imposto de renda a se recolher, apresentase o acordo realizado com a Prefeitura do Município de Salvador Em sessão de 18/09/2012, após análise dos autos, para que não reste qualquer dúvida no julgamento, o processo foi convertido em diligência para que intime a recorrente a apresentar a Declaração Final de Espólio da Sra. Lucia Margarida Neeser Billian. Em resposta a intimação é apresentado os documentos de fls 803 a 807, onde no que toca a declaração de bens e direitos do ano calendário 2005, figura as seguintes informações. Fl. 812DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/06/201 3 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 É o relatório. Fl. 813DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/06/201 3 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.733233/201042 Acórdão n.º 2202002.245 S2C2T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. A fiscalização apurou ganho de capital nas cessões de direitos creditórios nas quais o contribuinte figurou como cedente, tomando por base os diversos Contratos Particulares de Cessão de Direitos Creditórios. No que toca a preliminar de nulidade é de se rejeitar tendo em vista que o processo descreve em detalhes as circunstâncias sobre as quais foi realizado o lançamento, não tendo qualquer sustentação esse argumento. Desta forma, é necessário verificar o que dispõe a legislação no que tange à apuração de ganho de capital, no caso de cessão de direitos: Lei nº 8981/1995 Art. 21. O ganho de capital percebido por pessoa física em decorrência da alienação de bens e direitos de qualquer natureza sujeita se à incidência do Imposto de Renda, à alíquota de quinze por cento. Decreto nº 3000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99) Art. 117. [...] § 4º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins (Lei nº 7.713 , de 1988, art. 3º , § 3º ). Portanto, resta claro que a cessão de direitos se sujeita à apuração de ganho de capital, independentemente da natureza dos direitos creditórios negociados, eis que o valor recebido não possui a mesma natureza do crédito cedido, sujeitando se à tributação Pois bem, isto posto, convém verificar a legislação tributária no que se refere a apuração do ganho de capital. Como bem colocado pelo contribuinte, assim dispõe a Instrução Normativa SRF nº 84/2001: Art. 2º Considera se ganho de capital a diferença positiva entre o valor de alienação de bens ou direitos e o respectivo custo de aquisição. É justamente esse o entendimento aplicado no lançamento impugnado, sendo a questão controversa a quantificação do custo de aquisição para o cálculo do ganho de capital que foi considerado igual a zero pela fiscalização, ou seja, para a fiscalização houve diferença positiva tributável e o contribuinte, por sua vez, alega prejuízo na operação e ganho de capital nulo, uma vez que vendeu os direitos com prejuízo. Fl. 814DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/06/201 3 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 A respeito do custo de aquisição, assim estabelece a legislação: Lei nº 7.713/1988 Art. 16. O custo de aquisição dos bens e direitos será o preço ou valor pago, e,na ausência deste, conforme o caso: I o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão; II o valor que tenha servido de base para o cálculo do Imposto de Importação acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; III o valor da avaliação do inventário ou arrolamento; IV o valor de transmissão, utilizado na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante; V seu valor corrente, na data da aquisição. [...] § 4º O custo é considerado igual a zero no caso das participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente, assim como de qualquer bem cujo valor não possa ser determinado nos termos previsto neste artigo. Registrese que no caso corrente, a recorrente usou no inventário o valor zero, não havendo qualquer prova de pagamento de qualquer preço em relação aos direitos negociados. Cabe também recapitular os argumentos usados pela autoridade recorrida para manter o lançamento: A impugnante relatou que o valor da condenação judicial relativa à ação indenizatória, em 1997, chegou ao montante de R$ 115.290.484,57, que em 2006 já superava o valor de R$ 328.738.706,48, tendo sido firmado acordo com o Município, neste mesmo ano, reduzindo o montante para R$ 65.747.740,00, crédito este que foi cedido com deságio pelo valor total de 19.584.470,53. Contudo, tais valores não representam o custo de aquisição destes direitos, mas sim o valor histórico obtido com a condenação, o efetivamente acordado, e total das cessões realizadas. A impugnante ao inventariar tais direitos optou por atribuir lhes valor nulo, beneficiandose inclusive como a redução do imposto de transmissão causa mortis, cuja alíquota é 8% do valor transmitido. Conforme, partilha amigável, às fls. 57/62, o valor total inventariado foi de R$ 1.310.889,60, sendo atribuído valor nulo ao item “g” relativo aos direitos decorrentes da ação de desapropriação em questão. Em decorrência do exposto, o valor de aquisição dos direitos cedidos a ser considerado na apuração do ganho de capital é o valor atribuído a estes no inventário, ou seja, zero, conforme dispõe o art. 16, inciso III, da Lei nº 7.713, de 1988; ou melhor, o valor da transmissão (zero) quando da sucessão, nos termos do art. 23, § 4º, da Lei nº 9.532, de 1997, conforme ressalta a própria impugnante, equivocando se ao entender que o valor da transmissão para efeitos fiscais seria o da condenação judicial e não o por ela atribuído no inventário. Fl. 815DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/06/201 3 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.733233/201042 Acórdão n.º 2202002.245 S2C2T2 Fl. 5 7 Acrescentese ainda o que prescreve o art. 23 da Lei 9.532/1997, que define a necessidade de utilização do valor de transferência. Art. 23. Na transferência de direito de propriedade por sucessão, nos casos de herança, legado ou por doação em adiantamento da legítima, os bens e direitos poderão ser avaliados a valor de mercado ou pelo valor constante da declaração de bens do de cujus ou do doador. § 1º Se a transferência for efetuada a valor de mercado, a diferença a maior entre esse e o valor pelo qual constavam da declaração de bens do de cujus ou do doador sujeitarseá à incidência de imposto de renda à alíquota de quinze por cento. § 2º O imposto a que se refere o parágrafo anterior deverá ser pago pelo inventariante, no caso de espólio, ou pelo doador, no caso de doação, na data da homologação da partilha ou do recebimento da doação. § 2o O imposto a que se referem os §§ 1o e 5o deverá ser pago: (Redação dada pela Lei nº 9.779 , de 1999) I pelo inventariante, até a data prevista para entrega da declaração final de espólio, nas transmissões mortis causa, observado o disposto no art. 7o , § 4o da Lei no 9.250 , de 26 de dezembro de 1995; (Incluído pela Lei nº 9.779 , de 1999) II pelo doador, até o último dia útil do mêscalendário subseqüente ao da doação, no caso de doação em adiantamento da legítima; (Incluído pela Lei nº 9.779 , de 1999) III pelo excônjuge a quem for atribuído o bem ou direito, até o último dia útil do mês subseqüente à data da sentença homologatória do formal de partilha, no caso de dissolução da sociedade conjugal ou da unidade familiar. (Incluído pela Lei nº 9.779 , de 1999) § 3º O herdeiro, o legatário ou o donatário deverá incluir os bens ou direitos, na sua declaração de bens correspondente à declaração de rendimentos do anocalendário da homologação da partilha ou do recebimento da doação, pelo valor pelo qual houver sido efetuada a transferência. § 4º Para efeito de apuração de ganho de capital relativo aos bens e direitos de que trata este artigo, será considerado como custo de aquisição o valor pelo qual houverem sido transferidos. § 5º As disposições deste artigo aplicamse, também, aos bens ou direitos atribuídos a cada cônjuge, na hipótese de dissolução da sociedade conjugal ou da unidade familiar.. No caso concreto, inobstante respeitável entendimento da recorrente, entendo que o lançamento está correto. Uma vez que em face dos elementos presentes nos autos, é essa a construção lógica que se aplica da interpretação da norma jurídica tributária. Entretanto, ademais, julgo importante acrescentar que a Receita Federal do Brasil publicou o Parecer nº 26/2000 (DOU 30/06/2000) firmando o seguinte posicionamento: Assunto: Imposto sobre a Renda Pessoa Física 1RPF Fl. 816DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/06/201 3 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Ementa: A cessão de direitos representados por créditos líquidos e certos contra a Fazenda Pública está sujeita à apuração de ganho de capital, sobre o qual incidirá imposto de renda na forma da legislação pertinente a matéria. Salvo melhor juízo, entendo que a recorrente negociou precatórios de ações judiciais contra a Prefeitura de Salvador, e sobre a quais em situação similar ao caso da recorrente existe solução de consulta: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 22, DE 18 DE JANEIRO DE 2010 DOU de 4/2/2010 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF PRECATÓRIOS. PARCELAS. CESSÃO DE CRÉDITO. PARCIAL. DESÁGIO. GANHO DE CAPITAL. DESAPROPRIAÇÃO.IMÓVEL. A cessão de crédito é negócio jurídico abstrato e distinto da relação jurídica obrigacional da qual emerge o crédito cedido. Não há confundir a apuração do ganho de capital decorrente do negócio jurídico de cessão de crédito (ganho de capital = valor recebido relativo à cessão do crédito valor do custo da cessão em si), que tem por objeto a transferência do pólo exequente de parcelas de precatório a receber, e o ganho de capital em relação ao crédito cedido (materializado pelas parcelas de precatório cedidas, a receber), a ser recebido futuramente pelo cessionário (ganho de capital = valor dos precatórios efetivamente recebidos valor do custo de aquisição do bem desapropriado do cedente). Assim, ainda que o crédito se refira a indenização recebida a título de desapropriação, há a tributação pelo IR quando da cessão dos créditos, de acordo com o art. 117, § 4º, do RIR/99. O regime de apuração de ganho de capital no caso de cessão de crédito (diferença positiva entre o valor recebido em contrapartida da cessão do crédito e o custo da cessão em si) é previsto nos arts. 1º a 3º e 16 da Lei nº 7.713, de 22.12.88 (com as disposições dadas pelos arts. 2º e 18 da Lei n. 8.134, 27.12.90, 52 da Lei n. 8.383, de 30.12.91, e 21 da Lei n. 8.981, de 20.01.95). O ganho de capital relativo à cessão de crédito, a ser apurado pelo cedente, será a diferença entre o valor recebido do cessionário e o custo (= valor pago pelo cedente) da cessão (em si) do crédito, que será, em regra, igual a zero, uma vez que, em geral, não há valor pago (pelo cedente) pela cessão em si, bem como não há possibilidade de aplicação das modalidades de atribuição de custo de aquisição de que tratam os incisos I a V do § 4º, do art. 16 da Lei nº 7.713/88. O ganho de capital será apurado no mês em que for auferido, e tributado em separado (tributação definitiva, independente das demais receitas e deduções), à alíquota de 15% (quinze por cento), e, uma vez que se trata de rendimentos sujeitos à tributação definitiva, não integrará a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos. De igual modo, havendo valor de IR a ser pago em virtude da apuração do ganho de capital, este não poderá ser deduzido (ou deduzir o) do devido na declaração de ajuste anual (Lei nº 8.981/95, art. 21, § 2º. A cessão de créditos parcial implica a apuração do ganho de capital em relação à(s) parcela(s) não cedida(s). É posicionamento desta RFB que, exceto na hipótese de desapropriação para fins de reforma agrária, há de se apurar o ganho de capital quando há alienação a qualquer título de imóvel, ainda que seja em virtude de desapropriação, não se caracterizando verba indenizatória. Em relação à(s) parcela(s) não cedida(s), para a apuração do ganho de capital podem ser Fl. 817DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/06/201 3 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.733233/201042 Acórdão n.º 2202002.245 S2C2T2 Fl. 6 9 considerados os benefícios relativos à época de aquisição dos imóveis. O custo de aquisição a ser apropriado pelo cedente será proporcional em relação à(s) parcela(s) não cedida(s), podendo o cedente usufruir dos benefícios relativos à aquisição e correção (IN SRF n. 84/01, arts. 5º a 9º, 26). Em consequência, o restante do custo de aquisição do imóvel será aproveitado por quem receber o valor do precatório (cessionário da cessão de crédito), uma vez que este é quem assumiu o pólo credor da relação jurídicoprocessual relativa valores a serem recebidos decorrentes de desapropriação. Decerto, o cessionário poderá utilizar na apuração do ganho de capital a proporção restante do custo dos imóveis desapropriados, pois esta é a proporção de parcelas cedidas, a serem futuramente recebidas por ele. Há tratamento específico para a apuração do ganho de capital decorrente de desapropriação. Consoante o art. 24, parágrafo único, da IN SRF n. 84/01, considerase realizada a alienação na data em que se completar o pagamento integral da indenização, fixada em acordo ou sentença judicial. O adiantamento da indenização integra o valor de alienação.Os juros (sejam moratórios ou compensatórios) e a correção monetária, por serem acessórios (frutos civis), seguem a natureza jurídicotributária do principal. Inteligência dos arts. 92, 184 (2a parte), 1.215, 1.232, 1.390 e 1.392, caput, do código civil (Lei n. 10.406/02). Dispositivos Legais: Lei 7.713/88, arts. 1o a 3o e 16; Lei 8.134/90, arts. 2o e 18; Lei 8.383/91, art. 52; Lei 8.981/95, art. 21; RIR/99, art. 117; Lei 10.406/02 (Código Civil), arts. 92, 184 (2a parte), 286 a 298, 1.215, 1.232, 1.390 e 1.392, caput; IN SRF 84/01, arts. 5º ao 9º, 24 e 26; Ante ao exposto, voto por dar provimento ao recurso. Acrescentese por pertinente que essa matéria também é objeto de discussão em prévias decisões da CSRF, sempre mantendo o lançamento. Acórdãos CSRF/0401.021/ CSRF 0400.265 / CSRF 0400.431 Ementa: IRPF – GANHOS DE CAPITAL – CESSÃO DE DIREITOS PRECATÓRIO JUDICIAL – O contribuinte que cede a terceiros o direito de crédito previsto em precatório judicial sujeitase à tributação do imposto de renda sobre o ganho de capital, cujo custo é zero, nos termos do artigo 16, § 4º, da Lei nº 7.713, de 1988. Diante da farta jurisprudência, não há como acompanhar a demanda da recorrente. Reconheço que no que toca a este último ponto, essa não é a posição que tem sido mantida nesta turma de julgamento, mas por expressar a minha razão de votar, reitero a mesma. Acrescento, que para aqueles que entendam que o valor transferido pela declaração de final de espólio seja relevante para esclarecer a questão, no que se toca a declaração final de espólio, o valor ali consignado em 31/12/2004 é de R$ 4.881.538,81. Tendo em vista que conforme indicado na proposta amigável de partilha, caberia a recorrente o equivalente a 59 % dos Créditos indicados, o que totalizaria R$ 2.928.923,29. Nessa linha de argumentação esse poderia ser o custo de aquisição a ser distribuído prorata ao longo do período de cessão dos créditos conforme registrado na fls. 24. Fl. 818DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/06/201 3 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Ante ao exposto, voto por rejeitar a preliminar e no mérito, provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 819DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/06/201 3 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10384.004227/2009-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. CIÊNCIA POR EDITAL.
Não sendo localizado o contribuinte pelos Correios, no endereço constante dos cadastros da Secretaria da Receita Federal, é de ser considerada válida a notificação por edital.
Numero da decisão: 2201-002.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
EDITADO EM: 11/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Marcio de Lacerda Martins, Odmir Fernandes, Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Ricardo Anderle (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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INTIMAÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. CIÊNCIA POR EDITAL. Não sendo localizado o contribuinte pelos Correios, no endereço constante dos cadastros da Secretaria da Receita Federal, é de ser considerada válida a notificação por edital. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. EDITADO EM: 11/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Marcio de Lacerda Martins, Odmir Fernandes, Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Ricardo Anderle (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 42 27 /2 00 9- 67 Fl. 692DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2008, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 02/08, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 1.341.327,79. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai da leitura de parte do relatório de primeira instância, verbis: 02) PRELIMINARMENTE: DA TEMPESTIVIDADE. Mudança de Endereço no Decorrer do Ano de 2009. Da Faculdade do Contribuinte de Comunicála Por Ocasião da Entrega da Declaração de Rendimentos (Art. 30, par. un. do RIR/99). Da Irregularidade da Notificação por Edital e da Insubsistência do "Termo de Revelia" 01. Preliminarmente, em face do "Termo de Revelia" que repousa as fls. 164 dos autos, impõese, antes de se avançar sobre os vícios da exigência fiscal, demonstrar a tempestividade da presente impugnação, elidindo, portanto, o conteúdo daquele termo. 2. Registrese, desde logo, que a competência para a apreciação da presente preliminar e privativa da autoridade administrativa julgadora, que, a teor do art. 25, I do Dec. n. 70.235/72, e a Delegacia da Receita Federal de Julgamento com jurisdição sobre a área em que se localiza o domicilio fiscal do contribuinte. 3. Com efeito, tendo sido suscitada aquela questão que, sublinhese, não e deduzida de forma gratuita ou vazia, mas, ao contrário, é levantada, bem ou mal, de forma fundamentada pelo impugnante , é irrecusável que ela deverá ser apreciada, quer para considerála procedente, quer para reputála improcedente, pela autoridade competente para o julgamento da defesa. Assim, ainda que aquela preliminar, eventualmente, se mostre improcedente, ela devera ser fundamentadamente rejeitada, e esta providência, a toda evidencia, e privativa da autoridade julgador. 4. O que é absolutamente inaceitável, por aviltar a garantia do art. 5°, LVI da Carta da República, e que esta questão vital por ser prejudicial a própria analise da sua defesa seja solenemente ignorada, quer pela omissão da autoridade julgadora em apreciála, quer, com muito mais razão, pela recusa da autoridade (meramente) preparadora em encaminhar a defesa pertinente ao Órgão competente, para os devidos fins. 5. Assim, tendo sido, bem ou mal, suscitada a tempestividade da presente impugnação descabe a autoridade meramente preparadora recusarse a dar processamento a presente Fl. 693DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10384.004227/200967 Acórdão n.º 2201002.127 S2C2T1 Fl. 3 3 impugnação, remetendoa a quem de direito, sob pena de estar se imiscuindo em questão afeta exclusivamente ao plexo de atribuições da autoridade julgadora, usurpandolhe a competência privativa. 6. E esta diretriz tem sido acolhida pelos Órgãos administrativos julgadores do Ministério da Fazenda. 7. Com efeito, o Conselho de Contribuintes já teve a oportunidade de pontificar, a contrario sensu, com fundamento no Ato Declaratório Normativo n. 15/1996 e no Parecer COSIT n. 8/1999, que mesmo a impugnação em este intempestiva e conducente a instaurar a fase litigiosa do processo administrativo fiscal caso suscitada, em preliminar, a sua tempestividade, sendo vejase: 20. A despeito disso, a autoridade lançadora, não satisfeita nem convencida com a (da) informação dada pelos Correios, resolveu checar in loco a sua veracidade, e lavrou o "Termo de Constatação Fiscal n. 0001" (fl. 161), do qual se pinça, no que interessa, o seguinte: "No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no curso da ação fiscal no contribuinte acima identificado e de acordo com o disposto nos arts. 904, 905, 910, 911 c 929 do Decreto n. 3.000, de 26 de marco de 1999 (RIR/99), CONSTATAMOS os fatos abaixo discriminados: 1 a alteração de endereço do fiscalizado no cadastro do CPF, por isso remetemos o auto de infração e o termo de encerramento ao novo endereço; 2 — a correspondência enviada retornou pelo motivo apontado ‘mudouse'; 3 — comparecemos nessa data (02/09/2009) ao endereço do destinatário e, de acordo com as informações colhidas junto a portaria do prédio, fomos informados que o contribuinte efetivamente reside no endereço indicado, mas que havia orientado a portaria do edifício a devolver todas as correspondências a ele encaminhadas. A vista do exposto, optamos por efetuar a ciência do fiscalizado via edital.” 21. Ora, é no mínimo temerário que a adoção de medida tão grave e drástica seja justificada de forma tão lacônica e sumaria. 28. Com efeito, como poderia o Impugnante confrontar o suposto declarante, protestando, inclusive, por uma possível "acareação", sem sequer conhecer a sua identidade? A falta de identificação do suposto informante, alias, préelimina a possibilidade de ser ele ouvido judicialmente, para reiterar ou não o que, alegadamente, dissera autoridade fiscal. Fl. 694DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 29. Sublinhese que, por não ter o auditorfiscal se dignado a sequer indicar o horário e as circunstancias em que se deu a diligencia, não poderia o Defendente nem mesmo se informar sobre quem seria o porteiro se é que foi, de fato, um porteiro a fonte anônima daquela autoridade que estaria trabalhando naquele momento. 30. Analogamente, a prova da improcedência de uma informação logicamente pressupõe, no mínimo, que se saiba o seu teor. 31. E justamente em razão da gravidade das conseqüências decorrentes da afirmação de ocorrência de circunstâncias que autorizem a dispensa da cientificarão do destinatário do ato tendo sido, no caso em pauta, a suposta informação passada pelo informante anônimo o motivo determinante para que se lançasse mão da via do edital que a mais esclarecida jurisprudência tem se mostrado particularmente rigorosa na aferição do seu preenchimento in concreto, como evidenciam, ilustrativamente, os seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: “(ver fls. 175)” 32. Mutatis mutandis, em face da semelhança das conseqüências emergentes da certidão que atesta a tentativa do jurisdicionado de se evadir a comunicação de um ato processual, o mesmo critério também deve, por paridade de razões, orientar o excepcional recurso a via da notificação "ficta" (por edital) em sede de processo administrativo fiscal. 33. In casu, a autoridade lançadora não se pautou pelo cuidado e pela cautela sugeridos por aquela orientação, tendo atuado com açodamento e precipitação, lavrando um termo excessivamente enxuto, e, ato continuo, publicando, já no dia seguinte, o famigerado edital. (...) 43. Assim, ainda que as declarações vindas da autoridadefiscal sejam dotadas de presunção de legitimidade, é primário que esta presunção agasalha, exclusivamente, as suas próprias declarações, referentes aquilo que ele viu ou presenciou. Mas, absolutamente, não torna presumidamente verídico aquilo que terceiros, que não gozem da mesma prerrogativa, porventura lhe reportem, como se a pena do agente publico tivesse o dom "alquimista" de, ao leve toque, transformar em certo o que era duvidoso ou em verdadeiro o que era inverídico. (...) 47. Já o conteúdo destas declarações que lhe foram feitas, seguramente, não podem ser, nem mesmo em tese, revestidas daquela presunção, pela singela razão de que não partiram do próprio agente mas de fonte anônima, que, ainda que tivesse sido formalmente identificada o que não ocorreu continuaria sendo um mero particular, e, como tal, não teria aquela prerrogativa ínsita aos agentes públicos. Diferente seria caso o próprio agente fiscal afirmasse que teria presenciado o Impugnante Fl. 695DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10384.004227/200967 Acórdão n.º 2201002.127 S2C2T1 Fl. 4 5 entrando ou saindo do edifício, ou, ainda, ouvidolhe passando a suposta orientação para que os porteiros devolvessem as suas correspondências. 48. Tudo se passaria, modus in rebus, como com as declarações prestadas em sede de processo judicial, que, no máximo, prestamse a provar a própria declaração, jamais o fato declarado, conforme enuncia abertamente o Código de Processo Civil, verbis: “(ver fls. 179)” 49. Em uma palavra: no máximo, devese ter como provada a só prestação de informação pela pessoa (desconhecida) da portaria do prédio, jamais aquilo que ela informou. 50. Noutro giro, aquele "termo de constatação” não se presta a provar, em absoluto, que o Defendente continuaria a residir no imóvel nem, muito menos, que ele estaria tentando se ocultar as comunicações da acão fiscal. 51. A imprestabilidade daquele "termo de constatação" decorre, ainda, da preterição das exigências legais pertinentes. 52. Com efeito. 53. Nada impede que a autoridade fiscal valhase de informações colhidas junto a terceiros para formar sua convicção acerca de elementos relevantes para a ação fiscal. Alias, é até recomendável que isso ocorra com freqüência, em obséquio ao principio da verdade real, que conduz o processo administrativo fiscal. 54. Todavia, estas informações não poderão ser obtidas a la diable ou acriteriosamente. 55. Justamente em razão da gravidade das conseqüências que qualquer ação fiscal e capaz de trazer para a esfera jurídica do contribuinte, o legislador houve por bem disciplinar a iniciativa instrutora dos agentes fiscais, cercandoa de exigências mínimas para garantir a fidedignidade das informações e, principalmente, a possibilidade a possibilidade de aquele contra quem a prova e produzida elidila, essencial para o exercício a contento do seu direito de defesa. (...) 59. Ubi cômodo, ibi incomodo: se o Fisco pretende se beneficiar das conseqüências virtualmente decorrentes dos fatos atestados pela declaração colhida, deve, imperiosamente, observar a disciplina gizada para a sua coleta. 60. In casu, é manifesta a inobservancia daquelas exigencias, porquanto as supostas declaracoes nao foram tomadas por termo, nem, muito menos, assinadas pelo declarante. Alias, repisese exaustao, nem mesmo se sabe quem é o suposto declarante. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 61. Assim, sendo inegável a preterição das formalidades legais pertinentes, resulta flagrante a ilegalidade do "termo de constatação lavrado pela autoridade fiscal, e, portanto, a sua 'Imprestabilidade para os fins com base nele pretendidos, qual seja, legitimar o recurso excepcional via do edital. (...) 65. In casu, o Fisco se desincumbiu, neste particular, do seu ônus probandi? 66. A toda evidencia que NÃO. Com efeito, o motivo determinante do recurso à via elitalícia, como visto, residiu na suposta tentativa do Defendente de se ocultar para obviar a comunicação dos atos relativos ação fiscal. 67. Ora, como esta afirmação está comprovada nos autos? 68. Através de: (i) supostas declarações prestadas com preterição ao art. 927 do RIR/99, em relação as quais sequer houve identificação do declarante, (ii) declarações que, no máximo, provariam a só prestação da declaração, jamais o fato declarado, de acordo com o ratio do art. 368, par. Un., do CPC, aplicável, por analogia, a espécie, máxime porque o declarante (anônimo), por ser mero particular, não teria sua declarações guarnecidas com presunção o de veracidade; e, finalmente, (iii) declarações cujo fonte e desconhecida e cujo contendo, além de lacônico, e mesmo inconclusivo, impondose ao sujeito passivo uma contraprova impossível. 69. Por tudo isso, não se desincumbiu o Fisco, do ônus de comprovar as razoes invocadas para justificar a utilização do edital, o que conduz, irrecusavelmente, a insubsistência daquele motivos determinantes e, a fortiori, a nulidade daquela intimação ficta. (...) 72. E o impugnante, conquanto a princípio isso fosse mesmo dispensável, porquanto a só preterição as exigências pertinentes já seria conducente a descortinar a irregularidade da intimação ficta, não se escusou de se esforçar para elidir a afirmação fiscal (rectius, da fonte anonima ouvida pelo Fisco). 73. Com efeito, como antecipado, na data da diligencia levada a efeito pela autoridade fiscal no Edf. "Palazzo Magiore", antigo endereço do Defendente, ele não mais residia no local. 74. Como evidencia a declaração em anexo, fornecida pelo sindico daquele condomínio, o Defendente deixou de ocupar o seu antigo apartamento Lá localizado em 05/08/2009, tendo passado a residir no Edf. "Hibisco", localizado Rua Visconde da Parnaíba, 2340, apt. 301, bairro Horto Florestal, Teresina. 75. Isso é corroborado pelo fato de que o seu antigo apartamento no Edf. "Palazzo Magiore", para o qual foi remetida, na segunda oportunidade, a notificação de lançamento, já havia sido colocado venda bem antes do seu envio, precisamente em 10/08/2009, tendo o Defendente, Fl. 697DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10384.004227/200967 Acórdão n.º 2201002.127 S2C2T1 Fl. 5 7 inclusive, contratado os serviços de imobiliária para que ela agenciasse possíveis interessados, intermediando o contato com potenciais compradores, conforme atestado pelo contrato em anexo, celebrado com aquela empresa. (...) 78. E os serviços da imobiliária contratada tiveram êxito, tendo o Defendente celebrado em 10/09/2009 contrato de "Promessa de Compra e Venda" tendo por objeto o seu antigo apartamento no Edf. "Palazzo Magiore". 79. Certo, este contrato e posterior a data do envio da notificação de lançamento (26/08/2009, fl. 159) e a da "diligencia" empreendida pelo auditorfiscal naquele endereço (02/09/2009, fl. 161). 80. Isso, todavia, não se presta a evidenciar que somente a partir dai o Impugnante teria se movimentado para vender o seu apartamento. 81. De fato, alem de ser, quando pouco, um flagrante despautério sugerirse que o Defendente teria se apressado em se desfazer de sua moradia apenas e tãosomente para frustrar a sua notificação acerca da exigência fiscal contra ele lançada o que, no máximo, levaria a que ele "ganhasse tempo", já que, certamente, esta medida evasiva não teria o condão de elidir a própria pretensão fiscal não seria crivei para dizer o mínimo que ele tivesse conseguido, em meros 8 (oito) dias, encontrar um comprador que, destaquese, sequer integrava o seu circulo de amizades, sendo, até então um completo estranho exibirlhe o apartamento, chegar a um consenso em relação o preço e, finalmente, formalizar um contrato. 82. Com efeito, constitui inequívoca máxima de experiência (CPC, art. 335) que nenhum imóvel, por mais singelo e de pretensioso que seja, vendido da noite para o dia. Muito pelo contrario: pouquíssimos negócios jurídicos inspiram tanto cuidado e cautela quanto uma operação imobiliária, que passa, necessariamente, por um minucioso estudo prévio da situação do imóvel, através da obtericao de inúmeras certidões imobiliárias que também não são fornecidas "num passe de mágica" e do levantamento de possíveis ônus reais eventualmente pendentes sobre a coisa, principalmente quando o seu valor aproximase da barreira do meio milhão de reais, como se deu na espécie em pauta 83. A concretização deste negocio envolvendo o apartamento do Defendente no Edf. "Palazzo Magiore" poucos dias apos a "visita" do auditorfiscal, ao contrario do que se poderia supor sob um vies mais tendencioso, prestase a comprovar que, no mínimo, aquele imóvel já se achava a venda bem antes daquela data, como, de resto, atestado pela declaração passada pela imobiliária incumbida da respectiva intermediação. Fl. 698DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 84. Alias, a "prova dos noves" de que a intenção do Defendente de se mudar para o Edf. "Hibisco" é antiga e não surgiu abruta e convenientemente em razão da aedo fiscal contra ele empreendida é que já na "Declaração de Ajuste Anual" relativa ao anobase 2007 (exercício 2008) ele informou a aquisição dos direitos de credito relativos aquele apartamento, que, a época, ainda se achava em construção, conforme se vê fl. 40. 85. Todos os elementos ora colocados em destaque (i) contratação dos serviços de imobiliária tendo por objeto a venda do apartamento do Edf. "Palazzo Magiore" em 10/08/2009, achandose em posse dos corretores daquela empresa as respectivas chaves; (ii) declaração do sindico daquele condomínio reconhecendo que o Impugnante havia se mudado de la em 05/05/2009, (iii) contrato de compra e venda do apartamento no Edf. "Palazzo Magiore" formalizado poucos dias após o encaminhamento da notificação de lançamento. e (iv) aquisição dos direitos relativos ao apartamento no Edf. "Hibisco" muito antes da ação fiscal subjacente convergem no mesmo sentido, qual seja: o Defendente já estava morando no Edf. "Hibisco" no momento da notificação do lançamento e que, portanto, não mais residia Edf. "Palazzo Magiore". (...) 88. Como se trata do máximo que se poderia exigir do Defendente, já que ad impossibilia nemo tenetur, é irrecusável a sua aptidão para debelar a "presunção" do que restou "constatado" pela autoridade fiscal. 89. Assim, temse por satisfatoriamente comprovado que o Impugnante não mais residia no Edf. "Palazzo Magiore" por ocasião do envio da notificação de lançamento embora, tecnicamente, fosse do Fisco o ônus probandi de que ele lá residia. 90. Por mais essa razão, resulta caracterizada a ilegalidade da utilização, per saltum, da via editalícia e, portanto, a nulidade da intimação ficta do Defendente. 91. Nem se alegue, no afã de salvar a qualquer custo da exigência fiscal combatida, que o fato de não ter o Fisco sido, ao tempo da notificação sob comento, comunicado pelo sujeito passivo da mudança de endereço viabilizaria o recurso a via rarefeita do edital. 92. Em primeiro lugar, porque o motivo determinante da utilização pelo Fisco daquela forma excepcional de intimação, como visto, não foi o fato de ele ter se mudado, mas sim a (improcedente e inverídica) suposição de que ele estaria tentando se ocultar para fugir a intimação. 93. Ao depois, porque o contribuinte não se acha obrigado a comunicar incontinenti ao Fisco a mudança do seu domicilio fiscal. 94. Com efeito, o fundamento legal desta obrigação acessória (RIR/99, art. 30) dispõe o seguinte: Fl. 699DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10384.004227/200967 Acórdão n.º 2201002.127 S2C2T1 Fl. 6 9 "Art. 30. O contribuinte que transferir sua residência de um município para outro ou de um para outro ponto do mesmo município fica obrigado a comunicar essa mudança as repartições competentes dentro do prazo de trinta dias (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 195). Parágrafo único. A comunicação será feita nas unidades da Secretaria da Receita Federal, podendo ser também efetuada quando da entrega da declaração de rendimentos das pessoas físicas". 95. A regra do caput, segundo a qual a mudança de domicilio fiscal deve ser comunicada ao Fisco em ate 30 (trinta) dias, abre o parágrafo Único uma exceção, destinada basicamente as pessoas físicas, as quais se franqueia que a referida alteração seja comunicada por ocasião da declaração de rendimentos ( declaração anual de ajuste). (...) 106. In casu, tendo o Defendente comprovadamente mudado de endereço no curso do ano em que levada a efeito a ação fiscal e, dispondo ainda de prazo para, tempestiva e regularmente, comunicar essa mudança ao Fisco, não se pode ter como valida a notificação dirigida ao seu antigo endereço, nem, muito menos, a utilização, per saltum, da via editalicia, não pode ser reputada extemporânea a presente impugnação, porquanto deve ser considerada intimada na data do seu comparecimento espontâneo aos presentes autos. 107. Por tudo isso, e manifesta e irrecusável a tempestividade da presente defesa, que, portanto, deve ser processada e julgada, através da apreciação dos argumentos a seguir esgrimidos. “(ver fls. 190/248)” 12)DO PEDIDO Do exposto, vem o Defendente REQUERER: A) que seja ANULADO o lançamento combatido, em razão da: (a.1) irregularidade da sua intimação para comprovar a origem dos valores depositados em suas contascorrentes, providência exigida pelo art. 42 da Lei n, 9.430/96; (a.2) erro na identificação do sujeito passivo, já que grande parte dos cheques depositados decorriam das atividades da NACIONAL FACTORING, sociedade de fato da qual ele é sócio; (a.3) equívoco no regime de tributação aplicável, por ser o Impugnante, no tocante as operações de factoring, equiparado a pessoa jurídica, na forma do art. 150 do RIR/99; e (a.4) erro na definição da matéria tributável, já que a receita das atividades de factoring corresponde apenas ao deságio equivalente à diferença entre o valor de face dos cheques prédatados adquiridos e o montante pago ao faturizado/cessionário; Fl. 700DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 B) sucessivamente, que seja julgado IMPROCEDENTE o auto de infração impugnado, em razão da: (b.1) impossibilidade de a exigência de imposto de renda lastrearse apenas em depósitos bancários, (b.2) inaplicabilidade do art. 42 d.a Lei 9.430/96 aos créditos lançados em contacorrente, (b.3) 'impossibilidade de procedimentos fiscais iniciados a partir de 31/12/2007 serem instaurados a partir de dados relativos as movimentações bancarias decorrentes das informações concernentes arrecadação da CPMF, mercê da ineficácia do art. 11, §3º da Lei 9.311/96, (b.4) revogação do art. 42 da Lei 9.430/96 pela LC n. 105/2001, reconhecendose, em conseqüência, a insubsistência do lançamento; C) sucessivamente, que seja julgado PARCIALMENTE PROCEDENTE o auto de infração impugnado, de forma a: (c.1) adequar a pretensão fiscal ao regime tributário das pessoas jurídicas e, principalmente, limitar a base tributável receita das atividades de factoring, na forma da IN/SRF n. 247/2002; (c.2) deduzir da base de calculo remanescente do imposto a importar cia correspondente a R$80.000,00 (Lei 9.430/96, art. 42, §3°., "II"), (c.3) deduzir da base de calculo remanescente do imposto os valores correspondentes aos rendimentos isentos e já tributados do contribuinte, notadamente do valor relativo à indenização por dano moral por ele recebida, e daqueles originários de contascorrentes da sua titularidade ou da empresa da qual ele é sócio; (c.4) reduzir o percentual da multa aplicada para 50%, em razão da retroatividade da Lei 11.488/2007 (CTN, art. 106, II, "c"). A 1ª Turma da DRJ em Fortaleza/CE não conheceu da Impugnação por intempestividade, conforme se constata das ementas abaixo transcritas: DADOS CADASTRAIS ALTERAÇÃO DE ENDEREÇO OBRIGATORIEDADE. O contribuinte que transferir sua residência fica obrigado a comunicar essa mudança às repartições competentes dentro do prazo de trinta dias. Não o fazendo, assume o ônus desta inobservância, qual seja, a de serem consideradas válidas as intimações realizadas por meio de edital, inclusive para fins de ciência de exigência tributária. INTIMAÇÃO EDITAL AFIXADO NA REPARTIÇÃO. É válida a ciência da exigência tributária por meio de Edital afixado na repartição de origem quando restar improfícua a ciência por via postal. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA NÃO CONHECIMENTO. Expirado o prazo para impugnação da exigência, a petição apresentada fora do prazo não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. Fl. 701DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10384.004227/200967 Acórdão n.º 2201002.127 S2C2T1 Fl. 7 11 As decisões administrativas e as judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. EXAME DA LEGALIDADE E DA CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS. Não compete à autoridade administrativa o exame da legalidade/constitucionalidade das leis, porque prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância em 04/01/2012 (fl. 642), Jose Antão de Sousa Filho apresenta Recurso Voluntário, sustentando, exatamente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, relativamente a fatos ocorridos no ano calendário 2007. As razões de defesa apresentadas contra a exigência não foram conhecidas pela 1ª Turma da DRJ em Fortaleza/CE, uma vez que o contribuinte foi considerado revel por ter apresentado sua Impugnação apenas em 23/12/2009, fls. 167/249, fora, portanto, do prazo legal de trinta dias, contados da ciência do lançamento, que teria ocorrido em 20/10/2009, por meio do Edital, fls. 162/163, o qual foi afixado na Delegacia da Receita Federal do Brasil em TeresinaPI no período de 03/09/2009 a 18/09/2009. Em seu Recurso Voluntário, o interessado repisa, em preliminar, todos os argumentos lançados em sua Impugnação, ou seja, que não havia sido regularmente notificado, pois, na data da diligência levada a efeito pela autoridade fiscal no Edf. "Palazzo Magiore", não mais residia no local. Portanto, no momento da notificação do lançamento já estava morando no Edf. "Hibisco", conforme se verifica dos inúmeros documentos carreados aos autos. Por fim, alega que alterou seu endereço no cadastro da Secretaria da Receita Federal do Brasil por meio da Declaração de Rendimentos apresentada imediatamente após o fato. Fl. 702DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 Pois bem, os requisitos de validade exigidos pela lei, para que a intimação seja considerar regular, estão detalhadamente identificados no art. 23 do Decreto nº 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF): Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 1.º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005 (grifei) Fl. 703DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10384.004227/200967 Acórdão n.º 2201002.127 S2C2T1 Fl. 8 13 Da leitura dos dispositivos acima transcritos, depreendese que a lei admite diversos meios pelos quais o sujeito passivo pode ser cientificado da intimação feita no âmbito do Processo Administrativo Fiscal. Dentre eles, a intimação por edital afixado em dependência franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação, nas hipóteses em que um dos meios previstos no caput do artigo tenha resultado improfícuo. Além do mais, a lei considera válida apenas a intimação enviada ao domicílio tributário fornecido pelo sujeito passivo à administração tributária (art. 23, § 4º, inciso I). Feitas as considerações legais, reproduzo a cronologia dos fatos que levaram a cientificação do recorrente pela via editalícia e a consequente intempestividade da Impugnação apresentada: 1. Em 26/08/2009 a autoridade remeteu o auto de infração e o termo de encerramento no endereço do fiscalizado no cadastro do CPF, qual seja, Rua Senador Candido Ferraz n° 1770 apto. 103, bairro Jóquei Clube Teresina PI (fls. 159/160); 2. Em 27/08/2009 correspondência enviada retornou pelo motivo apontado “mudouse” (fl.160); 3. Em 02/09/2009 a fiscalização lavrou o Termo de Constatação Fiscal n° 0001, informando que compareceu ao endereço do destinatário e, de acordo com as informações colhidas junto à portaria do prédio, foi informado que o contribuinte efetivamente reside no endereço indicado, mas que havia orientado a portaria do edifício a devolver todas as correspondências a ele encaminhadas (fl. 161). 4. Em 03/09/2009 procedeuse a regular intimação do autuado por edital (Edital n° 42/2009), o qual foi afixado na Delegacia da Receita Federal do Brasil em TeresinaPI, iniciandose o prazo para apresentação da Impugnação em 18/09/2009. Portanto, a data limite para apresentação da Impugnação foi o dia 20/10/2009 (fls. 162/163). 5. Em 23/10/2009 foi lavrado o Termo de Revelia (fl. 164) 6. Em 23/12/2009 o recorrente protocolou a Impugnação (fls. 167/249). Do exposto, verificase que a tentativa de intimação ao recorrente no endereço postal por ele fornecido ao cadastro da Secretaria da Receita Federal do Brasil não obteve êxito. Ato continuo, compareceu a fiscalização ao domicílio tributário escolhido e, de acordo com as informações colhidas junto à portaria do prédio, foi informado que o contribuinte de fato residia no endereço indicado, mas que havia orientado a portaria do edifício a devolver todas as correspondências a ele encaminhadas (Termo de Constatação Fiscal n° 0001 fl. 160). Diante dessas ocorrências, a intimação foi feita por meio de Edital (Edital n° 42/2009 fls. 162/163), nos termos do § 1.º do artigo 23 do Decreto n.º 70.235, de 1972, e o interessado foi considerado cientificado do lançamento quinze dias após a publicação (artigo 23, § 2.º, inciso IV). Neste caso, a data limite para apresentação da Impugnação foi o dia 20/10/2009. Contudo, o recorrente protocolou sua Impugnação em 23/12/2009, portanto, intempestivamente. Com efeito, apesar de todo o apelo do contribuinte está baseado na ilegitimidade do edital, quer pela insubsistência dos motivos consignados no Termo de Fl. 704DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 14 Constatação e/ou pelo fato de a autoridade fiscal proceder a intimação no endereço que não era mais o local de sua residência, infelizmente todo o argumento lançado esbarra no comando legal expedido pelo artigo 30 do Decreto 3.000/1999: Art.30. O contribuinte que transferir sua residência de um município para outro ou de um para outro ponto do mesmo município fica obrigado a comunicar essa mudança às repartições competentes dentro do prazo de trinta dias (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 195). Parágrafo único. A comunicação será feita nas unidades da Secretaria da Receita Federal, podendo ser também efetuada quando da entrega da declaração de rendimentos das pessoas físicas. (grifei) A regra do caput do artigo 30 do Decreto 3.000/1999 é taxativa no sentido da obrigatoriedade de comunicação em até 30 (trinta) dias da mudança do endereço. A ressalva contida no parágrafo único se refere, basicamente, a um procedimento comum observado quando da entrega da Declaração de Ajuste pelas pessoas físicas em geral, contudo, esta modalidade de alteração ocorre uma vez a cada ano e, se a forma eleita pelo contribuinte for esta, em determinado período do ano seus dados cadastrais não estarão atualizados e, consequentemente, estará descumprindo uma norma insculpida no caput do artigo 30 do Decreto 3.000/1999. Assim, os documentos carreados aos autos pelo suplicante comprovando efetivamente que não residia no local, tais como, (i) contratação dos serviços de imobiliária tendo por objeto a venda do apartamento do Edf. "Palazzo Magiore" em 10/08/2009, achando se em posse dos corretores daquela empresa as respectivas chaves; (ii) declaração do sindico daquele condomínio reconhecendo que o contribuinte havia se mudado de em 05/05/2009, (iii) contrato de compra e venda do apartamento no Edf. "Palazzo Magiore" formalizado poucos dias após o encaminhamento da notificação de lançamento; (iv) aquisição dos direitos relativos ao apartamento no Edf. "Hibisco" muito antes da ação fiscal subjacente, são absolutamente insignificantes ante a exigência da obrigação contida no artigo 30 do Decreto 3.000/1999 supracitado. No processo administrativo fiscal, decorrido o lapso temporal previsto em lei, sem que ocorra a apresentação da Impugnação, não se instaura o litígio, tal como estipulado no artigo 14 do já mencionado Decreto n.º 70.235, de 1972. É na Impugnação que ficam estabelecidos os limites da controvérsia e, não apresentada esta no prazo legal, o contencioso não se inicia. Destarte, do exame dos autos, não se verificou qualquer irregularidade que pudesse dar causa a uma declaração de nulidade do lançamento, razão pela qual não procede tal alegação. Assim, não há, portanto, qualquer reparo a ser feito na decisão a quo. Ante todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 705DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10384.004227/200967 Acórdão n.º 2201002.127 S2C2T1 Fl. 9 15 Fl. 706DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 12/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 16682.721027/2011-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
OMISSÃO DE RECEITAS. AUMENTO DE CAPITAL.
É frágil a conclusão da autoridade fiscal de que não foi comprovado o aumento de capital, pelo simples fato de o contribuinte não ter apresentado o contrato de câmbio, quando os demais elementos de provas convergem em favor da tese da recorrente.
GLOSA DE DESPESA. FATURAS INIDÔNEA.
A fatura (invoice) ou nota fiscal inidônea não têm o condão de provar a legitimidade da despesa, salvo quando o contribuinte demonstra, por meio de outros documentos, que o serviço foi realmente prestado e que houve o efetivo pagamento.
MULTA ISOLADA
A multa isolada pune o contribuinte que não observa a obrigação legal de antecipar o tributo sobre a base estimada ou levantar o balanço de suspensão, logo, conduta diferente daquela punível com a multa de ofício proporcional, a qual é devida pela ofensa ao direito subjetivo de crédito da Fazenda Nacional.
O legislador dispôs expressamente, já na redação original do inciso IV do § 1º do art. 44, que é devida a multa isolada ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa ao final do ano, deixando claro, assim, que estava se referindo ao imposto ou contribuição calculado sobre a base estimada, já que em caso de prejuízo fiscal e base negativa, não há falar em tributo devido no ajuste; que o valor apurado como base de cálculo do tributo ao final do ano é irrelevante para se saber devida ou não a multa isolada; e que a multa isolada é devida ainda que lançada após o encerramento do ano-calendário.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamentos da CSLL, PIS e COFINS.
Numero da decisão: 1302-001.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: a) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício; b) por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para manter apenas os lançamentos do IRPJ, da CSLL e da Multa isolada sobre as seguintes bases tributáveis: a) da glosa de despesa relativa ao contrato com Hatch Corporate Finance, o valor total no montante de R$ 289.807,55, referentes as seguintes notas fiscais: a.1) Invoice 0005, de 11/05/07, no valor de R$ 132.946,66 (fls. 646/647); a.2) Invoice 0007, de 06/06/07, no valor de R$ 39.083,00 (fls. 648/649); a.3) Invoices 0009 e 0010, de 29/09/07, no valor de R$ 81.077,89 (fls. 650/654); a.2) Invoice 0008, de 25/10/07, no valor de R$ 60.314,58 (fls. 655/656); b) da glosa de despesa relativa ao contrato com a Dauster Consultoria Ltda, apenas o montante de R$ 17.640,00, referentes as seguintes notas fiscais: b.1) Nota Fiscal nº 158, de 01/11/07, no valor de R$ 8.760,00 (fls. 680); b.2) Nota Fiscal nº 160, de 09/12/07, no valor de R$ 8.880,00 (fls. 681). Vencido o conselheiro Frizzo, que dava provimento em maior extensão para afastar totalmente a multa isolada
EDUARDO DE ANDRADE - Presidente.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Márcio Frizzo, Luiz Tadeu Matosinho, Guilherme Pollastri e Alberto Pinto.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Recorrentes Vale S/A Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. AUMENTO DE CAPITAL. É frágil a conclusão da autoridade fiscal de que não foi comprovado o aumento de capital, pelo simples fato de o contribuinte não ter apresentado o contrato de câmbio, quando os demais elementos de provas convergem em favor da tese da recorrente. GLOSA DE DESPESA. FATURAS INIDÔNEA. A fatura (invoice) ou nota fiscal inidônea não têm o condão de provar a legitimidade da despesa, salvo quando o contribuinte demonstra, por meio de outros documentos, que o serviço foi realmente prestado e que houve o efetivo pagamento. MULTA ISOLADA A multa isolada pune o contribuinte que não observa a obrigação legal de antecipar o tributo sobre a base estimada ou levantar o balanço de suspensão, logo, conduta diferente daquela punível com a multa de ofício proporcional, a qual é devida pela ofensa ao direito subjetivo de crédito da Fazenda Nacional. O legislador dispôs expressamente, já na redação original do inciso IV do § 1º do art. 44, que é devida a multa isolada ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa ao final do ano, deixando claro, assim, que estava se referindo ao imposto ou contribuição calculado sobre a base estimada, já que em caso de prejuízo fiscal e base negativa, não há falar em tributo devido no ajuste; que o valor apurado como base de cálculo do tributo ao final do ano é irrelevante para se saber devida ou não a multa isolada; e que a multa isolada é devida ainda que lançada após o encerramento do anocalendário. LANÇAMENTOS DECORRENTES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 10 27 /2 01 1- 17 Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamentos da CSLL, PIS e COFINS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: a) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício; b) por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para manter apenas os lançamentos do IRPJ, da CSLL e da Multa isolada sobre as seguintes bases tributáveis: a) da glosa de despesa relativa ao contrato com Hatch Corporate Finance, o valor total no montante de R$ 289.807,55, referentes as seguintes notas fiscais: a.1) Invoice 0005, de 11/05/07, no valor de R$ 132.946,66 (fls. 646/647); a.2) Invoice 0007, de 06/06/07, no valor de R$ 39.083,00 (fls. 648/649); a.3) Invoices 0009 e 0010, de 29/09/07, no valor de R$ 81.077,89 (fls. 650/654); a.2) Invoice 0008, de 25/10/07, no valor de R$ 60.314,58 (fls. 655/656); b) da glosa de despesa relativa ao contrato com a Dauster Consultoria Ltda, apenas o montante de R$ 17.640,00, referentes as seguintes notas fiscais: b.1) Nota Fiscal nº 158, de 01/11/07, no valor de R$ 8.760,00 (fls. 680); b.2) Nota Fiscal nº 160, de 09/12/07, no valor de R$ 8.880,00 (fls. 681). Vencido o conselheiro Frizzo, que dava provimento em maior extensão para afastar totalmente a multa isolada EDUARDO DE ANDRADE Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Márcio Frizzo, Luiz Tadeu Matosinho, Guilherme Pollastri e Alberto Pinto. Relatório Versa o presente processo sobre recursos de ofício e voluntário em face do Acórdão n˚ 1248.445 da 5ª Turma da DRJ/RJO1, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA GLOSA DE DESPESAS Considerase definitivamente constituído o crédito tributário de matéria não contestada, e já paga pela autuada. GLOSA DE DESPESAS FALTA DE COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE À ATIVIDADE DA EMPRESA deve ser mantida a glosa das despesas se não comprovado que as mesmas eram necessárias à atividade da empresa ou da manutenção da fonte produtora, como condição de serem aceitas como despesas dedutíveis. GLOSA DE DESPESAS COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE À ATIVIDADE DA EMPRESA comprovada a necessidade da despesa, já que o serviço contratado é pertinente ao objeto social da autuada, consideramse Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16682.721027/201117 Acórdão n.º 1302001.129 S1C3T2 Fl. 1.362 3 atendidos os requisitos previstos no artigo 299 do RIR/99, sendo, portanto, dedutíveis. OMISSÃO DE RECEITAS SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO AUMENTO DE CAPITAL FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA ENTREGA DOS RECURSOS Os suprimentos de numerários atribuídos a sócios da pessoa jurídica, cujos requisitos cumulativos e indissociáveis da efetividade da entrega e origem dos recursos, não for devidamente comprovada, com documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, devem ser tributadas como receitas omitidas. No caso de remessas do estrangeiro pelas sócias situadas no exterior, a efetividade da entrega se comprova com o contrato de câmbio. OMISSÃO DE RECEITAS SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO AUMENTO DE CAPITAL COMPROVAÇÃO A apresentação do contrato social registrando o aumento de capital, devidamente arquivado na Junta Comercial, bem como a comprovação da efetiva entrega dos recursos pelos sócios situados no exterior, por meio dos contratos de câmbio, afastam a presunção de omissão de receita prevista no artigo 282 do RIR/99. DECORRÊNCIA CSLL – PIS – COFINS – Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. MULTA ISOLADA IRPJ E CSLL Após o encerramento do anocalendário, é cabível a cobrança da multa isolada sobre os valores devidos por estimativa de IRPJ e CSLL e não recolhidos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A PresidentaSubstituta da 5ª Turma de Julgamento da DRJ/RJO1 recorreu de ofício, pois a decisão recorrida excluiu das bases tributáveis os valores relativos às despesas com a Patri Relações Governamentais & Políticas Públicas Ltda, no total de R$ 352.200,00, e dos aumentos d e capital, de R$ 43.104.795,70. Vale a transcrição dos seguintes excertos, nos quais o relator da decisão recorrida se pronuncia sobre tais exclusões: III) DA INFRAÇÃO GLOSA DAS DESPESAS OPERACIONAIS – Valor de R$ 1.613.447,33 Com relação a esta infração, como já explanado anteriormente, a lide se limita as seguintes glosas, todas relativas à Conta 4.1.1.1.14.03 – Consultoria: v. Patri Relações Governamentais & Políticas Públicas Ltda – R$ 352.200,00 vi. Hatch Corporate Finance – R$ 289.807,55 vii. Dauster Consultoria Ltda – R$ 117.625,00 viii. Proudfoot Consulting Serviços de Consultoria Ltda – R$ 853.815,38 1) Patri Relações Governamentais & Políticas Públicas Ltda – R$ 352.200,00 Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Durante a ação fiscal, a autuada apresentou 12 (doze) Notas Fiscais, fls. 632/644, emitidas mensalmente, cada uma no valor de R$ 29.350,00, totalizando R$ 352.200,00. Como a descrição das Notas Fiscais apenas mencionava “consultoria e assessoria”, concluiuse que não eram documentos hábeis para justificar a dedutibilidade destas despesas. Já em sua impugnação, a autuada alega que o contrato com Patri Relações Governamentais & Políticas Públicas Ltda era destinado à “coleta e análise de informações, avaliação de políticas públicas e formulação de estratégias de relações governamentais e institucionais”, com vistas a acompanhar projetos de lei, petitórios e requisições de órgãos públicos, indispensáveis para o exercício da mineração em faixa de fronteira. Juntamente com a impugnação, traz cartaproposta, firmada com a empresa Patri Relações Governamentais & Políticas Públicas Ltda, assinada em 27 de outubro de 2003, fls. 990/993, cujo objeto trata de “acompanhamento da discussão, no âmbito dos Poderes Públicos, sobre a recepção do artigo 3º da Lei nº 6.634/79, que dispõe sobre as condições que as empresas devem satisfazer para exercer a mineração em faixa de fronteira, após o advento da EC 6/95 que alterou o conceito de empresa brasileira”. No itens 3 e 4 deste contrato estão estabelecidas as competências da contratada, assim como os produtos e serviços oferecidos. De acordo com o item 8, a contratada adota como Política Comercial uma forma de remuneração (retainer fee) em bases fixas mensais, com prazo indeterminado de duração, com carência para rescisão de 30 dias. Consta, ainda, no item 11, que a remuneração será mensal, no valor de R$ 25.000,00. Às fls. 994, está acostada correspondência enviada pela contratada que comprova que o contrato ainda estava vigente, com o reajuste do pagamento mensal para R$ 29.350,00 a partir de dezembro/2006, o que justifica o valor das Notas Fiscais apresentadas durante a ação fiscal. Consta ainda documento de fls. 995, onde há novo acerto da remuneração mensal a partir de 1º maio de 2009, fazendo referência ao acordo firmado em 27 de outubro de 2003, ratificando, portanto, que o contrato estava vigente e justificava as despesas, objeto de glosa, durante o anocalendário de 2007. Pelo exposto, concluo que restou comprovada a despesa no que tange a sua necessidade, já que o serviço contratado é pertinente ao objeto social da autuada, atendendo aos requisitos previstos no artigo 299 do RIR/99, sendo, portanto, dedutíveis no valor de R$ 352.200,00. ............................................................................................................................. IV) DA INFRAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA – AUMENTO DE CAPITAL NÃO COMPROVADO Durante a ação fiscal, foi constatado que as alterações contratuais apresentadas e registradas na JUCERJA não contemplavam o aumento de capital registrado na DIPJ/2008 e no balanço patrimonial, de R$ 99.088.048,30 para R$ 156.233.994,00, representando, portanto, acréscimo de R$ 57.145.945,70 no anocalendário de 2007. ............................................................................................................................. Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16682.721027/201117 Acórdão n.º 1302001.129 S1C3T2 Fl. 1.363 5 O artigo 282 do RIR/99, que tem como base legal o artigo 1º, §3º do DecretoLei nº 1.598/77, trata de presunção legal de omissão de receitas quando constatada a falta de comprovação da origem e da efetiva entrega de recursos ao caixa da empresa. ............................................................................................................................. Da análise da documentação que consta nos autos, verifico que a 79ª Alteração Contratual acostada aos autos pelo auditor fiscal, fls. 459/460, não é a mesma daquela apresentada pela autuada, fls. 892/904. A primeira foi assinada em 28 de março de 2006, e não há qualquer deliberação quanto ao aumento de capital. Já a alteração contratual apresentada na impugnação, foi assinada em 30 de maio de 2009, onde consta a ratificação dos aumentos de capital ocorridos nos anoscalendário de 2005 a 2009. Resta saber, portanto, qual é a alteração contratual a válida e devidamente registrada na JUCERJA. Em pesquisas aos sistemas, verifiquei que está devidamente registrada na Junta Comercial a 79ª Alteração Contratual apresentada pela autuada, conforme documento que acostei aos autos às fls. 1199/1211. Destaco que consta o carimbo de recebimento da JUCERJA, assim como o deferimento em 03/07/2009, que ocorreu antes do início da ação fiscal, que se deu em 17/12/2009 (Termo de Início da Ação Fiscal, fls. 39/40). Constatei, ainda, que considerando o disposto na Lei nº 6.634, de 02 de maio de 1979, tem razão à autuada quando alega que o aumento de capital necessita da aprovação do Conselho de Defesa Nacional, justificando o registro da alteração contratual somente em julho de 2009, conforme os dispositivos abaixo: ............................................................................................................................. Logo, restou comprovado que houve, de fato, a operação de aumento de capital devidamente registrado na Junta Comercial. No entanto, cumpre verificar quanto ao efetivo ingresso dos recursos, que se dá com a apresentação dos contratos de câmbio, comprovando a internalização dos valores aportados pelos sócios estrangeiros. Em sua defesa, a própria autuada apresenta planilha discriminando os contratos de câmbio apresentados, que comprovariam a efetiva entrega no total de R$ 35.384.342,00. Ratifica o pedido de diligência para a obtenção dos demais contratos de câmbio frente às instituições financeiras. Esta diligência já foi devidamente afastada anteriormente. Da análise dos documentos apresentados, verifico que assiste razão à autuada, restando comprovado o efetivo ingresso dos seguintes aumentos de capital, totalizando R$ 43.104.795,70:...” A recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 11/09/2012 (Termo de Ciência por Decurso de Prazo AR a fls. 1288) e interpôs recurso voluntário (doc. a fls. 1292 e segs) em 11/10/2012 (recibo a fls. 1290), no qual alega as seguintes razões de defesa: Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 a) Vale S/A é suscessora, por incorporação, da Mineração Vale Corumbá S/A, a qual tinha por objeto a pesquisa, exploração e aproveitamento de minas e jazidas, além do descrito em seus respectivos Estatutos Sociais; b) que entre os anos calendários de 2005 e 2009, a empresa incorporada promoveu sucessivos atos de aumento de capital da sociedade, substancialmente por parte da sociedade estrangeira majoritária – Rio Tinto Brazilian Holdings, até este atingir o total de R$ 327.603.679,00, quando se sucedeu a incoporação da Mineração Vale Corumbá S/A pela recorrente, em janeiro de 2010; c) que o auto de infração foi lavrado para exigir as seguintes supostas irregularidades: i) glosa de despesas não comprovadas; e ii) omissão de receitas caracterizadas pela não comprovação da origem, pela não apresentação dos contratos de câmbio, relativos às operações de venda de moeda estrangeira, referentes às remessas de numerário para subscrição de capital, por parte da sociedade estrangeira, Rio Tinto Brazilian Holdings; d) quanto ao IRPJ e CSLL foram aplicadas multas isoladas; e) que realizado o pagamento de parcela incontroversa da autuação e apresentada impugnação com relação aos demais pontos, foi proferida a decisão ora recorrida, a qual, pela maioria de votos, entendeu por (i) considerar definítivamente constituído o IRPJ no valor de R$ 466.603,03, e a CSLL no valor de R$ 167.977,09 que fora devidamente quitados pela Recorrente e (ii) dar parcial provimento à defesa para que, a partir do reconhecimento da documentação carreada aos autos, fosse reconhecida a legitimidade de parte das despesas glosadas, bem como dos lançamentos, a princípio, tratados como receitas omitidas, reduzindo substancialmente a autuação. f) que, no que toca à aplicação das multas isoladas, entendeu a decisão por manter a autuação nos exatos termos em que lavrada; g) que, no que toca a infração capitulada como “omissão de receitas” por “aumento de capital não comprovado”, sustenta: g.1) que teria resultado a cobrança de valores a título da contribuição ao PIS, COFINS, IRPJ, CSLL e consectários, além do montante que representa na multa isolada também lançada, considerandose R$ 57.145.945,70 (cinquenta e sete milhões, cento e quarenta e cinco mil, novecentos e quarenta e cinco reais e setenta reais) como valor tributável para tais créditos; g.2) que ditas receitas, supostamente “omitidas”, tal como já adiantado, decorreram de sucessivos atos de aumento e subscrição de capital da empresa Mineração Vale Corumbá Ltda. (denominada Rio Tinto Brasil Ltda.) realizados entre os anos de 2005 e 2009 substancialmente por intermédio do aporte de capital promovido pela sua sócia majoritária, a saber, a Sociedade estrangeira Rio Tinto Brazilian Holdings; g.3) que, segundo o que apurado pela Fiscalização, tais operações societárias não foram devidamente comprovadas, seja porque (i) as alterações societárias da empresa Mineração Vale Corumbá Ltda. registradas na JUCERJA não contemplavam tais operações, (ii) seja porque não teria sido apresentado “nenhum contrato de câmbio, relativo às remessas efetuadas, não restou comprovado, desta forma, a origem do aporte, ou seja, a internação legal do numerário, no País ”; Fl. 1366DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16682.721027/201117 Acórdão n.º 1302001.129 S1C3T2 Fl. 1.364 7 g.4) que em sua Impugnação a ora Recorrente trouxe aos autos a cópia da 79ª Alteração do Contrato Social da RIO TINTO BRASIL LTDA., apresentada na JUCERJA em 07/2009 (doc. 03 da Impugnação), a qual consolidou todos os aumentos de capital sucessivamente realizados, inclusive aqueles no decorrer do exercício de 2008 (ano calendário de 2007) registrados em sua escrita contábil, a crédito na conta do capital social, concretizando no aumento do patrimônio líquido de forma escalonada para cada um dos meses do ano de 2007 (balancetes), o que resultou exatamente nos R$ 57.145.945,70 apontados pela Fiscalização, consoante se extrai do item 3 do instrumento e da ratificação do Contrato Social, que se seguiu, à Cláusula quinta; g.5) que, no que toca à alegada ausência de comprovação da origem dos recursos pela ausência de apresentação dos contratos de câmbio firmados pela sócia responsável pelos aportes Rio Tinto Brazilian Holdings, a Recorrente demonstrou nos autos, inicialmente, que todos os respectivos contratos encontravamse registrados perante o SISBACEN2; g.6) que, valendose do disposto no artigo 282 do RIR/99, bem como o artigo 1°, §3° do Decretolei n° 1.598/77 que trata da presunção de omissão de receita, partiu o Relator da decisão recorrida do entendimento de que tal presunção seria afastada apenas a partir da demonstração de dois elementos básicos, a saber, (a) a efetiva transferência para a pessoa jurídica dos recursos lançados em sua escrita, in casu, os sucessivos atos de aumento de subscrição de capital e, ainda, (b) a origem dos valores transferidos; g.7) que, partindo destas premissas, com relação à comprovação do efetivo aumento e subscrição de capital da empresa Mineração Vale Corumbá, reconheceu a decisão que “Em pesquisas aos sistemas, verfiiquei que está devidamente registrada na Junta Comercial a 79“Alteração Contratual apresentada pela autuada, conforme documento que acostei aos autos às fls. 1199/1211. Destaca que consta o carimbo da JUCERJA, assim como o deferimento em 03/07/2009, que ocorreu antes do início de ação fiscal, que se deu em 12/12/2009 (Termo da Ação F iscal, fls. 39/40)”; g.8) que atestou ainda o i. Relator que o lapso entre a lavratura da Alteração Contratual e o seu registro decorreu da necessidade de prévia autorização do Conselho de Defesa Nacional, afirmando que, “(..) considerando o disposto na Lei n° 6.634, de 02 de maio de 1979, tem razão a autuada quando alega que o aumento de capital necessita de aprovação do Conselho de Defesa Nacional, justificando 0 registro da alteração contratual somente em julho de 2009 (...)”; g.9) que, neste ponto é possível inferir, desde já, que a presunção de absoluta falta de origem dos recursos internados é inverídica e ilegítima, pois derivou de operação formalizado, a tempo e modo; g.10) que, igualmente, no que tange à comprovação da origem dos recursos também foi acolhida e considerada hábil a maior parte dos documentos acostados aos autos e comprovado o efetivo ingresso dos seguintes aumentos de capital, totalizando R$ 43.104.795, 70. g.11) que, não obstante todo o acervo documental juntado a este feito e o esforço da recorrente para comprovar a origem dos recursos e sua efetiva internação, para fins de aumento de capital, a r. decisão recorrida manteve parcialmente a omissão de receitas ao argumento de que, para alguns aumentos de capital, não teria sido apresentados os contratos de Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 câmbio respectivos, sendo que, neste ponto, porém, o r. acórdão não pode prevalecer o decisum; g.12) que o simples fato da ausência da apresentação dos contratos de câmbio (o que não foi possível, insistase, somente em razão do grande lapso de tempo transcorrido), não representa circunstância apta à configuração de “omissão de receitas” por si só, especialmente pelo fato de que os registros dos contratos de câmbio perante o sistema de informações mantido pelo Banco Central do Brasil – SISBACEN foram devidamente informados na impugnação, assim como o respectivo Registro Declaratório Eletrônico de capitais estrangeiros no país – RDE, logo, fica evidente que, ante a formalização das operações de câmbio perante o BACEN, o que, como é notório, depende tanto da prévia identificação das partes envolvidas (Cadastro de Pessoas Físicas e Jurídicas Capitais Internacionais, sigla CADEMP) quanto da elaboração do instrumento próprio (o Contrato de Câmbio), bastaria à Receita Federal do Brasil, de ofício, como determina expressamente o artigo 37 da Lei 9.784, solicitálos à referida Autarquia; g.13) que não é lícito à Delegacia de Julgamento deixar de acolher a alegada comprovação de origem e materialidade do aumento de capital sem que tenha adotado a providência assinalada no precitado artigo 37; g.14) que o simples fato de terem sido emitidos os RDEs, nos módulos próprios, e não terem sido infirmadas pelo Banco Central – BACEN corroboram sua veracidade, quanto a origem, destino, valores, dentre outros, já que em operações que envolvem a remessa de numerário do exterior para ingresso no território brasileiro, esses dados utilizados para confecção de um dado RDE sujeitamse conferência por este órgão; g.15) que, de modo que os elementos que sustentam a omissão de receita detectada não são aptos para tanto, diante da comprovação dos depósitos bancários efetuados em contas de titularidade da empresa incorporada pela recorrente, devidamente contabilizados, e dos demais elementos, acima citados, que evidenciam a origem de tais recursos (especialmente diante da circunstância de que a RFB não se desincumbiu de ônus que lhe competia); g.16) que, ademais, a própria decisão recorrida reconheceu que outros indícios presentes nos autos poderiam ser utilizados para se comprovar a origem dos recursos, não somente os contratos de câmbio; g.17) que não há como prosperar a decisão que mantem parcialmente a autuação com base, apenas, na falta de cópia de alguns Contratos de Câmbio, à vista dos demais elementos carreados aos autos, ou seja, além do fato de que os mencionados contratos de câmbio foram registrados perante o SISBACEN, a capacidade econômica da sócia majoritária da Mineração Vale Corumbá LTDA induz à conclusão de que a operação é material e formalmente – existente; g.18) que, para espancar qualquer dúvida quanto ao tema, a ora Recorrente traz ao conhecimento dessa Corte, cum fulcro no artigo 38 da Lei n.° 9.784, declaração emitida pelo BANCO BRADESCO S/A, responsável pela emissão dos Contratos de Câmbio envolvidos no aumento de capital, atestando a sua emissão e a veracidade das informações registradas no SISBACEN; g.19) que a instituição financeira afirma, ainda, que há registros também em seu sistema demonstrando a existência dos contratos de câmbio em tela, destinados à viabilizar Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16682.721027/201117 Acórdão n.º 1302001.129 S1C3T2 Fl. 1.365 9 a entrada das quantias utilizadas para subscrição do capital social da empresa Rio Tinto Brasil LTDA; g.20) que, a despeito da ausência dos Contratos, em si, sobredita declaração representa documento hábil a suprir a falta daqueles, sobretudo ante todos os demais elementos de prova carreados aos autos; g.21) que importante observar que as quantias objeto dos contratos acima mencionados equivalem a R$ 14.04l.150,00, montante este que, acrescido aos R$ 43.104.795,70 já reconhecidos como comprovados pela decisão recorrida, totalizam R$ 57.145.945,70, que constitui o volume de recursos informados como aumento capital, na escrita da Recorrente; h) que, no que tange à desconsideração de despesas operacionais, sustenta que: h.1) que, neste ponto da discussão, a controvérsia cingiuse à verificação, também com base nos elementos probatórios produzidos, da possibilidade de classificação das despesas com determinados serviços contratados pela empresa incorporada pela Recorrente e que deixaram de ser classificadas pela fiscalização como operacionais por, segundo o apurado, não se relacionarem à manutenção de seu objeto social; h.2) que, todavia, o entendimento de que os documentos apresentados para demonstrar o contrário não resiste a uma análise mais acurada da natureza das despesas que originaram a discussão em questão, as quais estão devidamente atreladas à operação e realização do objeto social da incorporada da Recorrente, sendo devido, pois, a sua dedução com amparo da legislação h.3) que este é o caso do valor de R$ 81.800,00 (oitenta e um mil e oitocentos reais) pago a “HB Advirsers”, contabilizado em 21.03.2007, e da soma de R$ 289.807,55 (duzentos e oitenta e nove mil, oitocentos e sete reais e cinquenta e cinco centavos), de invoices lançadas entre 05 e 10.2007, emitidas em nome de “Hatch Corporate Finance” (nova denominação da “HB Advisers”), glosados pela Fiscalização a teor do explicitado no item II d, à fl. 10, e Il e, à fl. 11, do Termo de Constatação Fiscal, respectivamente; h.4) que, consoante demonstrado na defesa e analisado pela própria decisão recorrida, a empresa acima foi contratada para que atuasse na prospecção mercadológica tendente a alcançar parceiros necessários para implantação do projeto de um polo minero siderúrgico em Corumbá/MS; h.5) que o contratado, conforme previsto, estava sendo remunerado para atuação em todas as fases prévias e indispensáveis à implantação da planta, tais como (i) procura e seleção de parceiros, (ii) análise inicial de viabilidade, (iii) fase de viabilidade econômica/financeira e definitivo e (iv) também na fase de engenharia e construção. h.6) que a contratação se deu em razão do cumprimento do anexo ao Memorando de Entendimentos firmado entre a empresa incorporada e o Ministério de Minas e Energia trazido aos autos com a “a finalidade de confirmar a intenção dos particulares em trabalhar conjuntamente para criar, com a brevidade possível, as condições necessárias para incrementar a atividade mineral do Estado do Mato Grosso do Sul atrair investidores para o setor siderúrgica e implantar o Pólo Minero Siderúrgico de Corumbá, objetivando também Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 reafirmar a intenção dos partícipes em estudar e apoiar medidas visando ao desenvolvimento sustentável da indústria de ferro gusa no Estado, particularmente os projetos relacionados à utilização de carvão vegetal no processo siderúrgica”; h.7) que, nessa toada, comprometeuse a RIO TINTO BRASIL LTDA., dentre outros, a realizar e apresentar “estudos técnicos e econômicos para determinar a viabilidade da operação do Pólo Minero Siderúrgico ” (Cláusula Segunda do doc. 08), denominado “Projeto Blackhawk”, razão pela qual a contratação de sociedade especializada e com knowhow para o cumprimento das obrigações firmadas com o Poder Público foi necessária, exatamente para esse escopo, compreendido no âmbito de incremento e desenvolvimento das operações da empresa; h.8) que da simples leitura dos documentos acima, em especial do memorando de entendimentos firmado como o Ministério de Minas e Energia, espanca qualquer dúvida no que toca à sua essencialidade para o desempenho das atividades desenvolvidas pela empresa Mineração Vale Corumbá LTDA (Rio Tinto Brasil LTDA); h.9) que os estudos de viabilidade contratados perante a empresa HB Advirsers constituem premissa básica para início das atividades minerarias no Mato Grosso do Sul, sendo que, como é de conhecimento, o objeto da empresa incorporada destinase exatamente à atividade de extração mineral; h.10) que é incompreensível entender que referida despesa refoge do âmbito de “operacional”, mesmo porque o próprio decisum atestou claramente que: “PODE ser que o contrato apresentado com a HB Advisers e sucedida Hatch Corporate Finance, em que pese a falta de reconhecimento de firma e de sua tradução, se preste para comprovação de outras despesas”. h.11) que, não obstante admitir que os documentos que lastrearam a operação relativa à contratação do projeto “Blackhawk” poderiam, a princípio, comprovar as despesas lançadas na escrita da empresa incorporada pela Recorrente, as glosas neste ponto foram mantidas ao argumento de que as faturas (invoices) geradas não faziam menção expressa ao citado projeto; h.12) que, este fato, por si só, não informa natureza e dedutibilidade da despesa, até porque, a despeito da falta de menção ao Projeto Blackhawk, uma série de outros elementos evidenciam a vinculação do pagamento ao Contrato, como, por exemplo, o valor envolvido e o beneficiário do mesmo; h.13) que a mesma conclusão pode ser extraída em relação às despesas derivadas do Contrato com a “Proudfoot Consulting”, pois, neste caso, conforme também admitido pela decisão recorrida, levando se em conta a documentação anexada ao processo “pode ser que o contrato apresentado com a Proudfoot Consulting Serviços de Consultoria LTDA, em que pese a falta de reconhecimento de firma e de sua tradução, se preste para comprovação de outras despesas”, decidindo pela manutenção da glosa, insistase, com base em conjecturas, o que não pode prevalecer; h.14) que, por tim, também não é de prosperar a glosa das despesas pertinentes aos contratos firmados com a empresa Dauster Consultoria LTDA; h.15) que, neste ponto, o único argumento da r. decisão recorrida foi o de que a Recorrente não conseguiu demonstrar com base na documentação juntada aos autos, que o Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16682.721027/201117 Acórdão n.º 1302001.129 S1C3T2 Fl. 1.366 11 contrato firmado com a empresa contratada permanecia vigente à época dos pagamentos que ensejaram as despesas glosadas pelas fiscalização ano calendário 2007; h.16) que, não obstante a previsão inicial para encerramento do acordo dois anos da sua assinatura, ou seja, em 2005 posteriormente as partes decidiram prorrogar este prazo originário por mais dois anos além do marco inicial, ou seja, para o ano de 2007, sendo o que se infere do item 1 (um) do Adendo ao Contrato originário, cuja cópia da tradução juramentada e devidamente registrada na JUCERJA CIC n° 021966117400, DOC. n° LT 094.995 (001) ora se anexa p. 22 (f. 129), cuja análise e apreciação se requer com fulcro no já mencionado artigo 38 da Lei n.° 9.784 e no princípio da verdade material; h.17) que, uma vez afastada esta única razão para a desconsideração da despesa especificada, deve este E. CONSELHO reformar o r. aresto recorrido para reconhecer a legitimidade de sua dedução para apuração do IRPJ e da CSLL; e i) que é incabível a cobrança da multa isolada após findo o ano calendário. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior O recurso de ofício atende o disposto no art. 34, I, do Decreto nº 70.235/72 c/c a Portaria MF nº 03/2008, razão pela qual dele conheço. No mérito, negolhe provimento, pois correto o entendimento da autoridade julgadora de primeira instância ao reconhecer a veracidade e dedutibilidade da despesa com a Patri Relações Governamentais & Políticas Públicas Ltda, uma vez que a discriminação genérica dos serviços prestados nas 12 (doze) Notas Fiscais, fls. 632/644, foi suprida pela carta proposta (a fls. 990/993) e pela correspondência da contratada (a fls. 994), nas quais são confirmadas as condições, objeto e preço da prestação de serviços. Da mesma forma, correta a decisão recorrida ao concluir que está comprovado o efetivo ingresso dos aumentos de capital no valor de R$ 43.104.795,70, pela 79ª Alteração Contratual (a fls. 1199) e pelos contratos de câmbio a fls. 1047 a 1172. Por essas razões, nego provimento ao recurso de ofício. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por advogado com poderes para tal, conforme doc. a fls. 1313/1315, razão pela qual dele conheço. Da Omissão de Receitas por Aumento de Capital Não Comprovado Após a exoneração de R$ R$ 43.104.795,70 das bases tributáveis, a decisão recorrida manteve a tributação sobre R$ 14.041.150, 00, por não ter a recorrente apresentado os Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 contratos de câmbios relativos a tais valores, não obstante o item 3 da 79ª Alteração Contratual (a fls. 1199/1211) a qual fora depositada na JUCERJA antes do início do procedimento fiscal declare que houve a subscrição e integralização de capital pela remessa de fundos pela Rio Tinto Brazilian Holdings Limited, inclusive com a indicação do registro no BACEN. Ao se analisar a referida alteração contratual e a contabilidade da contribuinte, verificase que: a) consta da alteração contratual que, em 21/05/2007, a sócia Rio Tinto Brazilian Holdings Limited subscreveu e integralizou 8.698.224 quotas (a R$ 1,00 cada uma) mediante remessa de fundos registrada no BACEN sob o RDE n° IA042516, sendo que a decisão recorrida só considerou a parte cujo contrato de câmbio foi apresentado no valor de R$ 6.742.223,89, mantendo na base tributável o valor de R$ 1.956.000,00, embora a própria contabilidade aponte (doc. a fls. 701) que a remessa teria sido efetuada nessas duas parcelasfoi recebida em duas parcelas; b) consta da alteração contratual que, em 06/07/2007, a sócia Rio Tinto Brazilian Holdings Limited subscreveu e integralizou 6.678.000 quotas (a R$ 1,00 cada uma) mediante remessa de fundos registrada no BACEN sob o RDE n° IA042516, sendo que, por não ter sido apresentado o contrato de câmbio, foi mantido na base tributável o valor de R$ 6.678.000,00, remessa essa que consta da própria contabilidade da recorrente a fls. 701; c) consta da alteração contratual que, em 05/11/2007, a sócia Rio Tinto Brazilian Holdings Limited subscreveu e integralizou 868.250 quotas (a R$ 1,00 cada uma) mediante remessa de fundos registrada no BACEN sob o RDE n° IA042516, sendo que, por não ter sido apresentado o contrato de câmbio, foi mantido na base tributável o valor de R$ 868.250,00, remessa essa que consta da própria contabilidade da recorrente a fls. 701; d) consta da alteração contratual que, em 12/11/2007, a sócia Rio Tinto Brazilian Holdings Limited subscreveu e integralizou 3.470.000 quotas (a R$ 1,00 cada uma) mediante remessa de fundos registrada no BACEN sob o RDE n° IA042516, sendo que, por não ter sido apresentado o contrato de câmbio, foi mantido na base tributável o valor de R$ 3.470.000,00, remessa essa que consta da própria contabilidade da recorrente a fls. 701; e) consta da alteração contratual que, em 03/12/2007, a sócia Rio Tinto Brazilian Holdings Limited subscreveu e integralizou 2.047.130 quotas (a R$ 1,00 cada uma) mediante remessa de fundos registrada no BACEN sob o RDE n° IA042516, sendo que a decisão recorrida só considerou a parte cujo contrato de câmbio foi apresentado no valor de R$ 978.230,00, mantendo na base tributável o valor de R$ 1.068.900,00, embora a própria contabilidade aponte (doc. a fls. 701) que a remessa teria sido efetuada nessas duas parcelas. Esses valores totalizam R$ 14.041.150,00, os quais foram mantidos na base tributáveis por não ter a recorrente apresentado os contratos de câmbio relativos aos dólares que lhe foram remetidos pela Rio Tinto Brazilian Holdings Limited. Ora, estamos diante de uma situação em que os elementos de provas convergem em favor da tese da recorrente. A 79ª Alteração Contratual (doc. a fls. 1199 e segs.), cujo carimbo de deferimento da JUCERJA (a fls. 1211) está datado de 03/07/2009 (bem antes do início do procedimento fiscal – 17/12/2009), discrimina com detalhes como se deu as remessas, inclusive informando o registro no BACEN, algo que a autoridade lançadora sequer tomou conhecimento já que partiu da premissa de que esta alteração contratual não contemplava aumento de capital, tanto que no Termo de Constatação Fiscal (a fls. 827), ao comentar sobre esta alteração, deixa claro que não observou o item 3 o aumento de capital em R$ 139.531.471,00 (no qual se inclui a parcela ora em exame). Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16682.721027/201117 Acórdão n.º 1302001.129 S1C3T2 Fl. 1.367 13 Somese a isso o fato de que a contabilidade da recorrente traz os referidos lançamentos e que há várias correspondências da recorrente à instituição financeira (a fls. 710/738) que reforçam a veracidade da tese de defesa. Notese que isso é confirmado pela própria instituição financeira, responsável pela emissão dos Contratos de Câmbio, a qual atesta a sua emissão e a veracidade das informações registradas no SISBACEN (doc. a fls. 1329/1330). Além disso, a grande maioria dos contratos de câmbio foram apresentados pela recorrente, razão pela qual, diante desse conjunto probatório, é razoável concluir que a não apresentação desses poucos contratos, ora sub examine, se deve à desorganização da empresa recorrente. Ademais, seria absurdo imaginar que os contratos de câmbios fossem as únicas provas admitidas, pelo ordenamento jurídico, para comprovar o efetivo ingresso e origem dos recursos. Ao contrário, penso que todos elementos de prova acima descritos são harmônicos e suficientes para concluir que efetivamente houve as remessas de dólares pela Rio Tinto Brazilian Holdings Limited e a efetiva venda desses dólares pela recorrente. Por essas razões, voto por excluir das bases tributáveis do IRPJ, CSLL, Contribuição para o PIS e Cofins o valor de R$ 14.041.150,00 Da Glosa de Despesas Operacionais Versa o presente item sobre as glosas de despesas com os seguintes prestadores de serviços e valores: a) Hatch Corporate Finance – R$ 289.807,55 Sustentou a Fiscalização que: “Todos os documentos são genéricos, não detalham os serviços realizados e, portanto, sem a apresentação solicitada das justificativas e outros documentos de base, não se revestem da natureza de necessidade à atividade da empresa e nem da manutenção da fonte produtora, como condição de serem aceitas como despesas dedutíveis”. A decisão recorrida manteve a glosa (doc. a fls. 1252), pois entendeu que: a) que o contrato apresentado com a HB Advisers, e sucedida pela Hatch Corporate Finance, em que pese a falta de reconhecimento de firma e de sua tradução, se preste para comprovação de outras despesas, mas, no entanto, a documentação apresentada não dá suporte aos invoices apresentados, e que seriam relativos ao Projeto Blackhawk, do qual não há qualquer esclarecimento de seu objetivo, e sequer a demonstração de sua necessidade para as atividades da autuada; b) que o Memorando de Entendimentos, na CLÁUSULA SEGUNDA – DAS OBRIGAÇÕES, itens V e VI, consta que a autuada teria se comprometido a concluir o acordado até o final de 2005, não alcançando, portanto, o anocalendário de 2007; e c) que ainda consta na CLÁUSULA TERCEIRA – DA VIGÊNCIA, que o Memorando de Entendimentos entrou em vigor na data da assinatura, em 22 de fevereiro de 2005, com validade no prazo de um ano, podendo ser renovado, mas, no entanto, não consta a Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 14 comprovação de que este Memorando de Entendimentos foi renovado, dando suporte para os fatos ocorridos no anocalendário objeto da autuação. A recorrente refuta tais conclusões, pois entende que o fato de as faturas (invoices) não fazerem menção ao Projeto Blackhawk, por si só, não suficiente para definir a natureza e a dedutibilidade da despesa, até porque, uma série de outros elementos evidenciam a vinculação do pagamento ao Contrato, como, por exemplo, o valor envolvido e o beneficiário do mesmo. Aponto que o objeto do contrato com a HB Advisers (item 1.2 a fls. 972) está dentro do escopo das atividades da recorrente, razão pela qual, inicialmente, não parece razoável negar dedutibilidade as despesas que estejam escoradas em tal contrato. Posteriormente, consta a fls. 982, cartacontrato intitulada “Corumbá Iron/Steel/Project – Engagement Extension”, na qual a Hatch CF, sucessora da HB Advisers, e a recorrente estendem o prazo de validade do contrato celebrado em junho/2006, em períodos trimestrais a partir de 01 de junho de 2007. Por outro lado, para fins de verificação da dedutibilidade da despesa, se o objeto do contrato é pertinente à atividade exercida pela recorrente, é irrelevante a vinculação ou não dele com Memorando de Entendimentos assinado pela recorrente com o Estado do Mato Grosso do Sul (doc. a fls. 984 e segs.). Todavia, foi a própria recorrente quem afirmou que a aludida despesa decorreu das obrigações, por ela, assumidas no referido memorando de entendimentos, razão pela qual a sua veracidade passou a depender do vínculo que se possa estabelecer entre os dois atos. Ao se cotejar os dois atos (Memorando de Entendimentos e contrato com a HB Advisers), verificase uma inconsistência no argumento de defesa, qual seja, os itens V e VI da Cláusula Segunda do Memorando de Entendimentos dispõe que a recorrente teria até junho de 2005 para concluir os estudos tecnológicos e econômicos (inclusive de viabilidade), data assim muito anterior àquela em que celebrou o contrato com a HB Advisers (01/06/2006), conforme doc. a fls. 972. Observo que não encontrei, nos autos, qualquer prorrogação dos prazos fixados no referido Memorando de Entendimentos. Assim, notese que todos esses elementos apenas serviriam para comprovar formalmente a despesa, pois apenas a prova do produto final do serviço prestado (Estudos, Pareceres, etc.), poderia efetivamente demonstrar a sua realização, quando inidônea a fatura (invoice), por especificar genericamente os serviços prestados. No entanto, tal ponto seria superável, se a tese de defesa não se revelasse inconsistente com os documentos coligido aos autos. Dessa forma, vale ressaltar que a recorrente não apresentou qualquer estudo ou trabalho técnico, ainda que parcial, desenvolvido pela Hatch CF, razão pela qual entendo perfeita a decisão recorrida e mantenho a glosa de despesas no montante de R$ 289.807,55, referentes as faturas (invoices) lançadas entre 05 e 10/2007, emitidas em nome de Hatch Corporate Finance. Por último, ressaltese que, no seu recurso, a contribuinte não apresenta qualquer argumento ou prova que possa desconstituir a inconsitência acima apontada. b) Dauster Consultoria Ltda – R$ 117.625,00 A decisão recorrida sustentou que: “De sua análise, verifico que o acordo contém assinaturas sem qualquer identificação ou reconhecimento de firma, Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16682.721027/201117 Acórdão n.º 1302001.129 S1C3T2 Fl. 1.368 15 prejudicando a comprovação de que aqueles que o firmaram tinham competência para tal ato. Além disso, consta no item 6 – Duration, que o acordo estaria em vigor até a satisfação completa da prestação de serviços, ou quando completasse dois anos, o que ocorresse primeiro. Ou seja, em nenhuma das hipóteses aventadas, o Acordo apresentado poderia passar de dois anos. Logo, não abrange os fatos ocorridos para o anocalendário de 2007, devendo ser mantida a glosa das despesas no valor de R$ 117.625,00.”. A recorrente refuta tal alegação ao afirmar que o contrato estava em vigor, conforme prova o item 1 do Adendo ao Contrato originário, cuja cópia da tradução juramentada e devidamente registrada na JUCERJA anexa aos autos (doc. a fls. 1348). Realmente, a fls. 1348, consta adendo ao contrato, vertido para o vernáculo por tradutor juramentado, no qual ficou estabelecido a prorrogação do contrato até acabar os trabalhos ou 31/10/2007, o que ocorrer primeiro. Entendo, assim, que deva ser afastada a glosa das despesas relativas as notas fiscais das fls. 670 a 679. Mantenho, porém, a glosa relativa às despesas consubstanciadas nas notas fiscais nº 158 e 160, emitidas após 31/10/2007, no valor, respectivamente de R$ 8.760,00 e R$ 8.880,00. c) Proudfoot Consulting Serviços de Consultoria Ltda – R$ 853.815,38 A decisão recorrida sustenta que: a) que as Notas Fiscais apresentadas, fls. 683/689, apenas mencionam que o serviço teria sido executado conforme com os termos contratados, mas não há qualquer vínculo com a proposta firmada em 15 de outubro de 2007; b) que o fato de que as Notas Fiscais apresentadas foram emitidas a cada semana não comprova que os pagamentos estão vinculados ao contrato apresentado; c) que não consta o cálculo dos valores devidos, no que diz respeito à cotação do dólar, e os tributos a cargo da autuada, de modo a comprovar que, a título de exemplo, o pagamento referente à Nota Fiscal nº 167, no valor de R$ 107.081,31, seria concernente à parcela no valor de U$ 51.725,00; d) que pode ser que o contrato apresentado com a Proudfoot Consulting Serviços de Consultoria Ltda, em que pese a falta de reconhecimento de firma e de sua tradução, se preste para comprovação de outras despesas, mas a documentação apresentada não dá suporte aos pagamentos relativos às Notas Fiscais apresentadas, pela inexistência de vínculo entre os documentos. Por sua vez, a recorrente alega que uma série de outros elementos evidenciam a vinculação do pagamento ao Contrato, como, por exemplo, o valor envolvido e o beneficiário do mesmo, pois, neste caso, conforme também admitido pela decisão recorrida, levando se em conta a documentação anexada ao processo “pode ser que o contrato apresentado com a Proudfoot Consulting Serviços de Consultoria LTDA, em que pese a falta de reconhecimento Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 16 de firma e de sua tradução, se preste para comprovação de outras despesas”, decidindo pela manutenção da glosa, insistase, com base em conjecturas, o que não pode prevalecer. Ao se compulsar os autos, especialmente, o contrato a fls. 1007 (e segs.) e o Services Agreemente a fls. 1022 (e segs.), verificase que a despesa foi realizada com serviços plenamente compatíveis com a atividade da recorrente. Assim, não vejo como recusar as notas fiscais a fls. 683/689, razão pela qual excluo das bases tributáveis o valor de R$ 853.815,38. Da Multa Isolada Inicialmente, esclareço que o item relativo a multa isolada não ficou prejudicado com o cancelamento de toda a autuação com base na omissão de receita, pois que o recorrente recolheu a antecipação do imposto de renda com base em balancete de suspensão/redução durante todo o ano de 2007 (vide DIPJ a fls. 17 a 20), logo, o valor apurado foi alterado pelas despesas que ora mantenho a glosa, razão pela qual deve ser mantido o lançamento da multa isolada sobre essas mesmas bases. Com relação ao mérito, friso que este Colegiado tem firmado diferentes posições sobre o tema, se não vejamos: a) há quem sustente que não se aplica a multa isolada após o encerramento do anocalendário, pois, a partir desse momento, só caberia a multa de ofício sobre o imposto de renda devido sobre o lucro real, já que não se pode penalizar duas vezes pela mesma infração; b) há quem sustente que só se aplica a multa isolada sobre o valor que o montante do imposto sobre as bases estimadas superarem o imposto de renda sobre o lucro real devido ao final do ano; c) há quem sustente que, até a entrada em vigor da redação dada pela Lei 11.488/07, a literalidade da redação original do art. 44, § 1o , IV, da Lei 9.430/96 impunha que a multa isolada só fosse devida quando a pessoa jurídica deixasse de pagar o IRPJ e a CSLL e que os valores calculados sobre a base estimada são meras antecipações, logo não se confundem com tais tributos; d) há quem sustente que a multa isolada não é devida juntamente com a multa de ofício por ser aplicável o instuto do Direito Penal da “consunção”. Tratase assim de questão de amplo conhecimento deste Colegiado, razão pela qual, peço vênia aos meus pares para reproduzir voto proferido em outras assentadas, no qual enfrentei cada uma dessas posições. Da inviabilidade de aplicação do princípio da consunção O princípio da consunção é princípio específico do Direito Penal, aplicável para solução de conflitos aparentes de normas penais, ou seja, situações em que duas ou mais normas penais podem aparentemente incidir sobre um mesmo fato. Primeiramente, há que se ressaltar que a norma sancionatória tributária não é norma penal stricto sensu. Vale aqui a lembrança que o parágrafo único do art. 273 do anteprojeto do CTN (hoje, art. 112 do CTN), elaborado por Rubens Gomes de Sousa, previa que os princípios gerais do Direito Penal se aplicassem como métodos ou processos supletivos de interpretação da lei tributária, especialmente da lei tributária que definia infrações. Esse dispositivo foi rechaçado pela Comissão Especial de 1954 que elaborou o texto final do anteprojeto, sendo que tal dispositivo não retornou ao texto do CTN que veio a ser aprovado Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16682.721027/201117 Acórdão n.º 1302001.129 S1C3T2 Fl. 1.369 17 pelo Congresso Nacional. À época, a Comissão Especial do CTN acolheu os fundamentos de que o direito penal tributário não tem semelhança absoluta com o direito penal (sugestão 789, p. 513 dos Trabalhos da Comissão Especial do CTN) e que o direito penal tributário não é autônomo ao direito tributário, pois a pena fiscal mais se assemelha a pena cível do que a criminal (sugestão 787, p.512, idem). Não é difícil, assim, verificar que, na sua gênese, o CTN afastou a possibilidade de aplicação supletiva dos princípios do direito penal na interpretação da norma tributária, logicamente, salvo aqueles expressamente previstos no seu texto, como por exemplo, a retroatividade benigna do art. 106 ou o in dubio pro reo do art. 112. Das condutas infracionais diferentes Ainda que aplicável fosse o princípio da consunção para solucionar conflitos aparentes de norma tributárias, não há no caso em tela qualquer conflito que justificasse a sua aplicação. Conforme já asseverado, o conflito aparente de normas ocorre quando duas ou mais normas podem aparentemente incidir sobre um mesmo fato, o que não ocorre in casu, já que temos duas situações fáticas diferentes: a primeira, o não recolhimento do tributo devido; a segunda, a não observância das normas do regime de recolhimento sobre bases estimadas. Ressaltese que o simples fato de alguém, optante pelo lucro real anual, deixar de recolher o IRPJ mensal sobre a base estimada não enseja per se a aplicação da multa isolada, pois esta multa só é aplicável quando, além de não recolher o IRPJ mensal sobre a base estimada, o contribuinte deixar de levantar balanço de suspensão, conforme dispõe o art. 35 da Lei no 8.981/95. Assim, a multa isolada não decorre unicamente da falta de recolhimento do IRPJ mensal, mas da inobservância das normas que regem o recolhimento sobre bases estimadas, ou seja, do regime. Temos, então, duas situações fáticas diferentes, sob as quais incidem normas também diferentes. O art. 44 da Lei no 9.430/96 (na sua redação vigente à época do lançamento) já albergava várias normas, das quais vale pinçar as duas sub examine: a decorrente da combinação do inciso I do caput com o inciso I do § 1o aplicável por falta de pagamento do tributo; e a decorrente da combinação do inciso I do caput com o inciso IV do § 1o – aplicável pela não observância das normas do regime de recolhimento por estimativa. Ora, a norma prevista da combinação do inciso I do caput com o inciso I do § 1o do art. 44 jamais poderia ser aplicada pela falta de recolhimento do IRPJ sobre a base estimada, então, como se falar em consunção, para que esta absorva a norma prevista da combinação do inciso I do caput com o inciso IV do mesmo § 1o . Assim, demonstrado que temos duas situações fáticas diferentes, sob as quais incidem normas diferentes, resta irrefutável que não há unidade de conduta, logo não existe qualquer conflito aparente entre as normas dos incisos I e IV do § 1º do art. 44 e, consequentemente, indevida a aplicação do princípio da consunção no caso em tela. Noutro ponto, refuto os argumentos expendidos no acórdão recorrido, os quais concluem que a falta de recolhimento da estimativa mensal seria uma conduta menos grave, por atingir um bem jurídico secundário – que seria a antecipação do fluxo de caixa do governo. Conforme já demonstrado, a multa isolada é aplicável pela não observância do regime de recolhimento pela estimativa e a conduta que ofende tal regime jamais poderia ser tida como menos grave, já que põe em risco todo o sistema de recolhimento do IRPJ sobre o lucro real anual – pelo menos no formato desenhado pelo legislador. Em verdade, a sistemática de antecipação dos impostos ocorre por diversos meios previstos na legislação tributária, sendo exemplos disto, alem dos recolhimentos por Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 18 estimativa, as retenções feitas pelas fontes pagadoras e o recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), feitos pelos contribuintes pessoas físicas. O que se tem, na verdade são diferentes formas e momentos de exigência da obrigação tributária. Todos esses instrumentos visam ao mesmo tempo assegurar a efetividade da arrecadação tributária e o fluxo de caixa para a execução do orçamento fiscal pelo governo, impondose igualmente a sua proteção (como bens jurídicos). Portanto, não há um bem menor, nem uma conduta menos grave que possa ser englobada pela outra, neste caso. Ademais, é um equívoco dizer que o não recolhimento do IRPJestimada é uma ação preparatória para a realização da “conduta mais grave” – não recolhimento do tributo efetivamente devido no ajuste. O não pagamento de todo o tributo devido ao final do exercício pode ocorrer independente do fato de terem sido recolhidas as estimativas, pois o resultado final apurado não guarda necessariamente proporção com os valores devidos por estimativa. Ainda que o contribuinte recolha as antecipações, ao final pode ser apurado um saldo de tributo a pagar, com base no resultado do exercício. As infrações tributárias que ensejam a multa isolada e a multa de ofício nos casos em tela são autônomas. A ocorrência de uma delas não pressupõe necessariamente a existência da outra, logo inaplicável o princípio da consunção, já que não existe conflito aparente de normas. Das diferentes bases para cálculos das multas A tese de que as multas isolada e de ofício, no presente caso, estariam incidindo sobre a mesma base, também, não deve prosperar, seja porque as bases não são idênticas, seja porque, ainda que idênticas, o bis in idem só ocorreria se as duas sanções fossem aplicadas pela ocorrência da mesma conduta, o que já ficou demonstrado que não ocorre, se não vejamos. A multa isolada corresponde a um percentual do IRPJ calculado sobre a base estimada, na qual o valor das despesas e custos decorrem de uma estimativa legal, ou seja, o legislador quando determina a aplicação de um percentual sobre a receita bruta, para o cálculo da base estimada, está, em verdade, estimando custos e despesas. A multa de ofício, in casu, corresponde a um percentual sobre o IRPJ calculado sobre o lucro real, na qual se leva em conta as despesas e custos efetivamente incorridos. Em suma, se a base estimada difere do lucro real, se são valores distintos, inclusive com previsões legais distintas, os impostos delas resultantes são também valores distintos e, consequentemente, as multas ad valorem que incidem sobre elas, também, são valores que não se confundem. Todavia, ainda que as multas isolada e de ofício fossem calculadas sobre o IRPJ incidente sobre a mesma base de cálculo, isso não significaria um bis in idem, pois, como já asseverado acima, a ocorrência de uma infração não importa necessariamente na ocorrência da outra, o que torna irrefutável que as infrações decorrem de condutas diversas. O contribuinte pode ter recolhido todo o IRPJ devido sobre a base estimada em cada mês do anocalendário e não recolher a diferença calculada ao final do período, ficando sujeito assim a multa de ofíco, mas não a multa isolada. Ao contrário, pode deixar de recolher o IRPJ sobre a base estimada, mas pagar, ao final do ano, todo o IRPJ sobre o lucro real, hipótese na qual só ficará sujeito à multa isolada. A definição da infração, da base de cálculo e do percentual da multa aplicável é matéria exclusiva de lei, nos termos do art. 97, V do CTN, não cabendo ao intérprete questionar se a dosimetria aplicada em tal e qual caso é adequada ou excessiva, a não ser que adentre a seara da sua constitucionalidade, o que está expressamente vedado pela Súmula CARF no 2. Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16682.721027/201117 Acórdão n.º 1302001.129 S1C3T2 Fl. 1.370 19 Da redação original do art. 44, § 1o, IV, da Lei 9430/96 Aditese ainda, que o legislador dispôs expressamente, já na redação original do inciso IV do § 1o do art. 44, que é devida a multa isolada ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa ao final do ano, deixando claro, assim, que: a) primeiro, que estava se referindo ao imposto ou contribuição calculado sobre a base estimada, já que em caso de prejuízo fiscal e base negativa, não há falar em tributo devido no ajuste; e b) segundo, que o valor apurado como base de cálculo do tributo ao final do ano é irrelevante para se saber devida ou não a multa isolada; e c) terceiro, que a multa isolada é devida ainda que lançada após o encerramento do anocalendário, já que pode ser lançada mesmo após apurado prejuízo fiscal ou base negativa. Da negativa de vigência de lei federal Peço vênia aos meus pares, para expressar minha profunda discordância com as referidas posições adotadas por este Colegiado: Entendo que tais posicionamentos têm, em verdade, por via oblíqua, negado vigência a uma lei federal, pois afrontam literalmente o disposto nos art. 2o e 44, § 1o , IV, da Lei no 9.430/96 (vigente à época do lançamento) e no art. 35 da Lei 8.981/95. É demais imaginar que se coaduna com os mais comezinhos princípios do direito a permissão dada ao contribuinte, por tais decisões, para, em janeiro de um determinado ano calendário, decidir se obedece ou não o art. 2o e segs. da Lei no 9.430/96. Em outras palavras, os referidos posicionamentos deste Colegiado desnaturam a norma tributária tornandoa uma norma facultativa, já que a sua não observância não traz, à luz de tais posicioamentos, qualquer consequência jurídica. Alfim, ressalto que a autoridade lançadora aplicou a multa no percentual de 50%, conforme previsto no art. 44 da Lei 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007,à época, MP 351/07. Em face do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, para manter apenas os lançamentos do IRPJ, da CSLL e da Multa isolada sobre as seguintes bases tributáveis: a) da glosa de despesa relativa ao contrato com Hatch Corporate Finance, o valor total no montante de R$ 289.807,55, referentes as seguintes notas fiscais: a.1) Invoice 0005, de 11/05/07, no valor de R$ 132.946,66 (fls. 646/647); a.2) Invoice 0007, de 06/06/07, no valor de R$ 39.083,00 (fls. 648/649); a.3) Invoices 0009 e 0010, de 29/09/07, no valor de R$ 81.077,89 (fls. 650/654); a.2) Invoice 0008, de 25/10/07, no valor de R$ 60.314,58 (fls. 655/656); Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 20 b) da glosa de despesa relativa ao contrato com a Dauster Consultoria Ltda, apenas o montante de R$ 17.640,00, referentes as seguintes notas fiscais: b.1) Nota Fiscal nº 158, de 01/11/07, no valor de R$ 8.760,00 (fls. 680); b.2) Nota Fiscal nº 160, de 09/12/07, no valor de R$ 8.880,00 (fls. 681). Em razão do cancelamento da autuação sobre receitas omitidas, resultam totalmente cancelados os autos de infração da Cofins e Contribuição para o PIS. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 1380DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13888.003240/2010-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2009
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. DEIXAR DE APRESENTAR OS LIVROS SOLICITADOS SEM AS FORMALIDADES LEGAIS EXIGIDAS. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL.
A inexistência de fundamentação quanto aos requisitos legais que o contribuinte deve cumprir importa em cancelamento do lançamento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-003.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente.
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões. Ausente justificadamente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2009 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. DEIXAR DE APRESENTAR OS LIVROS SOLICITADOS SEM AS FORMALIDADES LEGAIS EXIGIDAS. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. A inexistência de fundamentação quanto aos requisitos legais que o contribuinte deve cumprir importa em cancelamento do lançamento. Recurso Voluntário Provido.
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MULTA. DEIXAR DE APRESENTAR OS LIVROS SOLICITADOS SEM AS FORMALIDADES LEGAIS EXIGIDAS. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. A inexistência de fundamentação quanto aos requisitos legais que o contribuinte deve cumprir importa em cancelamento do lançamento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões. Ausente justificadamente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 32 40 /2 01 0- 50 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado em 24/05/2010 (fl. 02) para exigir multa em razão da Recorrente ter apresentado o seu Livro Diário nº 02 do período de 01/09/2009 a 31/12/2009 sem a formalidade extrínseca de registro na Junta Comercial ou cartório. A Recorrente interpôs impugnação (fls. 40/70) requerendo a total improcedência do lançamento. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto – SP, ao analisar o presente caso (fls. 73/76), julgou o lançamento procedente, entendendo que (i) constitui infração à legislação previdenciária apresentar Livro Diário sem o registro na Junta Comercial; (ii) o fato do Livro Diário ter sido registrado em 20/05/2010 não serve como atenuante, haja vista que isso deveria ter sido feito até 13/01/2009; e (iii) equivocase a Recorrente ao alegar que deveria ter sido aplicada a multa prevista em 2009, pois a infração ocorreu quando expirou o prazo dado pela Autoridade Tributária para a apresentação do Livro Diário. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 80/105) argumentando que: (i) a Recorrente sempre foi diligente com a sua escrituração, tendo regularizado a suposta infração tão logo tenha tomado conhecimento; (ii) não praticou qualquer outra conduta ilícita que ensejasse a lavratura de outras autuações; e (iii) a multa aplicada violou os princípios constitucionais da isonomia, da razoabilidade, da proporcionalidade e do nãoconfisco. É o relatório. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 13888.003240/201050 Acórdão n.º 2402003.359 S2C4T2 Fl. 15 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente argumenta que sempre foi diligente com a sua escrituração, tendo regularizado a infração assim que teve conhecimento dela. Neste ponto, como ficou demonstrado na decisão da DRJ (fl. 76), e no Livro Diário (fl. 69), a Recorrente efetuou o registro do seu Livro Diário perante a Junta Comercial em 20/05/2010. Apesar disso, em 24/05/2010 a empresa foi surpreendida pelo presente auto de infração (lavrado em 18/05/2010) exigindo multa em face da ausência de registro tempestivo de seu Livro Diário no órgão competente. Como é possível observar tanto no auto de infração (fl. 02) quanto no relatório fiscal (fl. 07), não ficou demonstrado qual dispositivo legal estava sendo violado. Neste ponto, a autoridade fiscal destaca que a Recorrente teria violado os arts. 33, §§ 2º e 3º, da Lei nº 8.212/91, 232 e 233, parágrafo único, do Decreto nº 3.048/99 (cfe. Item 2 do RF de fl. 07). Ocorre que, pelo que consta no processo, o contribuinte não violou o art. 33, §§ 2º e 3º da Lei nº 8.212/91, especialmente porque não deixou de “prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados” e “exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei”. Também não ficou demonstrada a violação aos arts. 232 e 233, parágrafo único do Decreto nº 3.048/99, posto que em nenhum deles consta previsão expressa que fixe o prazo de registro do Livro Diário perante a Junta Comercial, havendo apenas determinações de que os documentos e informações deverão cumprir com as formalidades legais. É de se destacar que essa ausência de apresentação do dispositivo legal que comprova a apresentação do Livro Diário sem a formalidade extrínseca de registro na Junta Comercial devese a um único fato: as previsões legais existentes não estabelecem “prazo” para a efetivação desse registro. Inclusive, consta do sítio da Secretaria da Receita Federal em http://www.receita.fazenda.gov.br/pessoajuridica/dipj/2002/pergresp2002/pr245a254.htm, pergunta e resposta no seguinte sentido: “248. As empresas obrigadas a manter escrituração contábil poderão efetuar lançamentos, no livro Diário, com data anterior ao seu registro e autenticação? Sim. Admitese a autenticação do livro Diário em data posterior ao movimento das operações nele lançadas, desde que o registro e a autenticação tenham sido promovidos até a data da entrega tempestiva da declaração, correspondente ao respectivo período (IN SRF 16/84).” Fl. 115DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 No presente processo, verificase que a empresa registrou o seu Livro Diário relativo ao exercício financeiro de 2009 na data 20/05/2010 (fls. 69 e 76), portanto, antes do prazo de entrega tempestiva da declaração de rendimentos correspondente ao exercício financeiro de 2009 que foi 30/06/2010. No âmbito previdenciário, embora relacionado à obrigação acessória que não constou do relatório fiscal, é de se mencionar que o artigo 225, § 13º do RPS estabelece que “os lançamentos de que trata o inciso II do caput , devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições”. Ou seja: não traz qualquer exigência de livro diário previamente registrado na Junta Comercial, limitase a estabelecer a obrigação de registro dos fatos no Livro Diário e no prazo máximo de 90 dias. É de se destacar também o conteúdo do Relatório da Câmara Técnica nº 126/06, expedido pelo Conselho Federal de Contabilidade: “é notório que não está explicitado em nenhum dos atos normativos editados Código Comercial, Código Civil, Instruções Normativas do DNRC e NBCT regras e definição de competência para a efetivação do registro do Livro Diário nos órgãos competentes”. Em vista disso, temse que o lançamento incorreu em erro, pois o Livro Diário foi escriturado em conformidade com os dispositivos legais existentes e o seu registro – embora efetuado no curso da fiscalização – não incorreu em inobservância de previsão legal. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para DAR LHE PROVIMENTO. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 116DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10925.001963/2006-56
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004
LANÇAMENTO DE OFÍCIO - MULTA QUALIFICADA - JUSTIFICATIVA.
Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser justificada e comprovada nos autos, não se prestando para tanto a alegação de reiteração de conduta, desacompanhada da demonstração de outros elementos dolosos em postura ativa do agente (facere), notadamente quando se trata de exigência alicerçada em presunção legal.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.697
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad - Relator
EDITADO EM: 19/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 LANÇAMENTO DE OFÍCIO - MULTA QUALIFICADA - JUSTIFICATIVA. Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser justificada e comprovada nos autos, não se prestando para tanto a alegação de reiteração de conduta, desacompanhada da demonstração de outros elementos dolosos em postura ativa do agente (facere), notadamente quando se trata de exigência alicerçada em presunção legal. Recurso especial negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad - Relator EDITADO EM: 19/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
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Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser justificada e comprovada nos autos, não se prestando para tanto a alegação de reiteração de conduta, desacompanhada da demonstração de outros elementos dolosos em postura ativa do agente (facere), notadamente quando se trata de exigência alicerçada em presunção legal. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 19 63 /2 00 6- 56 Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 19/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Gilberto Afonso Nora foi lavrado o auto de infração de fls. 3/13, objetivando a exigência de imposto de renda pessoa física dos exercícios de 2000, 2001, 2002 e 2003, por omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. A Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 10617.202, que se encontra às fls. 650/655 vº, cuja ementa é a seguinte: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercícios: 2001, 2002, 2003, 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430/1996. Caracterizada omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SANÇÃO TRIBUTÁRIA. MULTA QUALIFICADA. JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exigese que o Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10925.001963/200656 Acórdão n.º 9202002.697 CSRFT2 Fl. 9 3 contribuinte tenha procedida com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. A apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte cuja origem não foi justificada,, independentemente da forma reiterada e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei nº 9.430, de 1996. PRAZO DECADENCIAL AUSÊNCIA DE FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º DO CTN. O lançamento do imposto de renda da pessoa física é por homologação, com fato gerador complexivo, que se aperfeiçoa em 31 de dezembro de cada anocalendário. Para esse tipo de lançamento, em autuação de omissão de rendimentos por depósito bancário de origem não comprovada, ausente as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o quinquênio do prazo decadencial tem seu início em 31 de dezembro, aplicandose o Art. 150, § 4º, do CTN. Recurso Voluntário Parcialmente Provido.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares de erro na identificação do sujeito passivo e nulidade do lançamento e, no mérito, por maioria de votos, desqualificou a multa de ofício e reconheceu a decadência do lançamento relativamente ao anocalendário de 2000. Intimada pessoalmente do acórdão em 14/01/2011 (fls. 656), a Procuradoria da Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração em razão do v. acórdão ter mencionado a existência de “fortes indício de interposição de pessoa (laranja)”. Referidos aclaratórios foram rejeitados às fls. 663/664 pela Presidência da Câmara, após manifestação do Conselheiro Relator (Pedro Paulo Pereira Barbosa), sob o fundamento de que em momento algum a autuação usou como fundamento para a qualificação da multa a utilização de interpostas pessoas, não havendo assim omissão ou contradição a ser sanada, eis que isto caracterizaria inovação do lançamento. Ato seguinte, a Fazenda Nacional interpôs o recurso especial de divergência de fls. 667/702, em que sustenta divergência jurisprudencial no tocante à qualificação da multa pela presença de (i) interposta pessoa para movimentação de contas bancárias (10323.507 ) e (ii) conduta reiterada de omissão de rendimentos (10809.612). Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2200 00.439, de 13 de julho de 2011 (fls. 703/709). Intimada sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional o contribuinte apresentou as contrarazões de fls. 722/733. É o Relatório. Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Inicialmente analiso a admissibilidade do recurso especial interposto. A Procuradoria da Fazenda Nacional insurgese contra a desqualificação da penalidade determinada pelo acórdão recorrido, indicando divergência entra tal decisão e os acórdãos nºs 10323.507 e 10809.612, que se encontram assim ementados: Acórdão 10323.507 “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Exercício de 1999 Ementa: MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. FRAUDE. DEPÓSITOS EM CONTA CORRENTE DO CONTRIBUINTE DE VALORES NÃO IDENTIFICADOS E NÃO CONTABILIZADOS. UTILIZAÇÃO DE INTERPSOTA PESSOA. A utilização de conta corrente de interposta pessoa na movimentação de recursos financeiros pertencentes ao contribuinte caracteriza o intuito de fraude indispensável à qualificação da multa de ofício, nos termos do inciso II, do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Recurso voluntário a que se nega provimento". Acórdão 10809.612 “Assunto: Imposto sobre a renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Exercício de 2002, 2003, 2004 MULTA QUALIFICADA – DIFERENÇAS RELEVANTES ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS E DECLARADOS – REPETIÇÃO NA CONDUTA – A conduta repetida do contribuinte ao declarar ao fisco federal valores de receita muito inferiores àqueles escriturados em livro fiscal estadual demonstra o evidente intuito de fraude do contribuinte na prática da infração detectada. O descumprimento consciente da quase totalidade da obrigação tributária do contribuinte justifica o cabimento da aplicação da multa qualificada de 150%. Recurso Voluntário Negado..” Quanto ao primeiro acórdão paradigma invocado não há divergência comprovada. Explicome: Consta do termo de verificação fiscal a seguinte justificativa para a qualificação da multa (fls. 103): Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10925.001963/200656 Acórdão n.º 9202002.697 CSRFT2 Fl. 10 5 “O conceito de dolo encontrase no inciso I do art. 18 do DecretoLei n°2.848, de 07 de dezembro de 1940 Código Penal: crime doloso é aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. Adotou a lei penal brasileira, para a conceituação do dolo, a teoria da vontade. Isto significa que o agente do crime deve conhecer os atos que realiza e a sua significação, além de estar disposto a produzir o resultado deles decorrente. Há a consciência da conduta (ação ou omissão) e o consequente resultado, propiciado por esta ação ou omissão. O fiscalizado ocultou a ocorrência do fato gerador do imposto de renda pessoa física, e deixou de oferecer os rendimentos auferidos em suas declarações do imposto de renda dos anos calendários 2000 a 2003, através de vultosa movimentação de recursos financeiros em suas contas correntes bancárias. A conduta dolosa do contribuinte está evidente e materializada, face a total incompatibilidade dos rendimentos declarados ao longo dos anos e a infração aqui demonstrada. O contribuinte declara o valor de R$ 10.800,00 em 2000, R$ 14.040,00 em 2001, R$ 14.320,00 em 2002 e R$ 20.946,94 em 2003 enquanto movimenta em suas contas bancárias os valores de R$ 889.566,16, R$ 708.420,94, R$ 601.024,01 e R$ 600.789,57, respectivamente (fls. 62/74 e 51/54). Sendo assim, face ao exposto acima, aplicamos a multa de ofício de 150%, de acordo com inciso II do artigo 44 da Lei n°.9.430/96.” (grifamos) A utilização de interposta pessoa não foi invocada como fundamento para qualificação da penalidade, razão inclusive para não terem sido admitidos os embargos de declarados opostos pela Fazenda em face da decisão recorrida. Assim, não se presta a provar divergência com ela acórdão que considerou tal fato como relevante para a qualificação. Por outro lado, o segundo acórdão paradigma reconheceu que a conduta reiterada de omitir rendimentos em valores significativos é elemento que demonstraria o intuito de fraude, passível de aplicação da multa qualificada, diversamente da conclusão veiculada pelo v. acórdão recorrido. Entendo, portanto, caracterizada a divergência de interpretação relativamente à qualificação da multa, e CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional quanto ao fundamento de reiteração de omissão de valores significativos como fundamento para qualificação de penalidade. Passo a seguir ao exame do mérito da matéria conhecida. A penalidade em questão foi aplicada com base no art. 44, inciso II da Lei n. 9.430, de 1996, incorporado ao art. 957, II, do RIR/99, assim redigido (conforme redação em vigor à época dos fatos geradores): Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 “Art. 957 – Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de imposto (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 44) (...) II de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Os dispositivos referidos, vale dizer, os artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502, de 1964, cuidam das figuras do dolo, fraude e sonegação, nos seguintes termos: “Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” Já me manifestei em outras oportunidades que a teor da previsão legal acima, para que a multa de lançamento de ofício de 75% seja qualificada e elevada para 150% é imprescindível que se configure o evidente intuito de fraude, demonstrado inequivocadamente nos autos a partir de elementos probatórios colacionados pela fiscalização. Essa posição é amplamente reconhecida pela jurisprudência deste E. Colegiado, restando incontroverso que a fraude não se presume, sendo necessário que sejam produzidas provas do evidente intuito a que se refere a norma legal, não bastando suspeitas. A experiência indica que o evidente intuito de fraude se configura nas situações em que demonstrado o emprego de meios ardis, como notas fiscais calçadas, recibos falsificados, etc. Ao contrário da responsabilidade pela obrigação tributária principal, que a teor do art. 136 do CTN não requer dolo ou culpa para sua configuração, bastando a prática da infração por qualquer meio, a aplicação da multa dita qualificada pressupõe dolo específico, no sentido de subtrair o imposto que se sabe devido pela utilização de meios fraudulentos. No caso presente, o recurso especial apresentado pela Procuradoria da Fazenda Nacional, na parte conhecida pelo esta instância recursal (vide acima) pleiteia o restabelecimento da multa qualificada de 150% tendo em vista a conduta reiterada e sistemática do contribuinte que omitiu rendimentos nos exercícios de 2001 a 2004. Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10925.001963/200656 Acórdão n.º 9202002.697 CSRFT2 Fl. 11 7 Entendo que a simples omissão de rendimentos, ainda que reiterada em vários exercícios, desacompanhada de outros elementos probatórios do evidente intuito de fraude, não dá causa para a qualificação da multa. Dentre outras razões, tal conclusão decorre do fato de que, se assim não fosse, não haveria hipótese para a aplicação da multa de ofício “não qualificada” de 75%. Com efeito, considero que para a correta aplicação da multa qualificada a inobservância da legislação tributária tem que estar acompanhada de prova que o contribuinte, por ato fraudulento, levou a autoridade administrativa a erro, por meio por exemplo da utilização de documentos falsos, notas frias, etc. Em se tratando de omissão de rendimentos decorrente de depósitos de origem não comprovada, cuja caracterizada é objeto de presunção legal relativa, não bastam as alegações de relevância econômica dos valores envolvidos e reiteração de conduta para a demonstração do evidente intuito de fraude. Como bem apontou com o usual brilhantismo o ilustre Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos em acórdão sobre o tema, se o entendimento sumular antes transcrito não permite a qualificação da multa de ofício quando presente uma simples omissão de rendimentos, como justificar a qualificação desse multa em uma presunção de omissão de rendimentos, em que não ficou demonstrada nenhuma fraude, e que a própria omissão de rendimentos é presumida? O evidente intuito de fraude não pode ser presumido, como ocorre com a presunção legal de omissão de rendimentos, mas minudentemente demonstrado. Entender diferente seria presumir a fraude em situação em que a própria hipótese de incidência – omissão de rendimentos por depósitos de origem não comprovada é presumida pela lei, situação que merece repúdio. Em resumo, entendo não ter a fiscalização logrado êxito em demonstrar evidente intuito de fraude na conduta do Recorrente a justificar a qualificação da penalidade, razão pela qual voto no sentido de negar provimento ao recurso especial. Destarte, conheço parcialmente do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 8 Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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