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Numero do processo: 16561.000008/2008-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO PARA SANAR CONTRADIÇÃO PRESENTE.
Constatada a existência de contradição ou dúvida quanto aos fundamentos do voto condutor do aresto, acolhem-se os embargos para fins sanar e esclarecer a decisão.
LUCRO DE SUCURSAL NO EXTERIOR.
O lucro auferido por sucursal no exterior de pessoa jurídica domiciliada no Brasil deve ser computado na determinação do lucro real dessa pessoa jurídica em 31 de dezembro de cada ano.
COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA RECOLHIDO POR SUCURSAL NO EXTERIOR COM IRPJ E CSLL DEVIDOS NO BRASIL.
O imposto de renda pago no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada e o pago relativamente a rendimentos e ganhos de capital, poderão ser compensados com o que for devido no Brasil sem a limitação temporal prevista no § 4º do art. 1º da Lei nº 9.532, de 1997. Inteligência dos arts. 14 e 15 da Instrução Normativa SRF nº 213, de 2002.
LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL. COMPENSAÇÃO COM IMPOSTO RECOLHIDO NO EXTERIOR.
A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa.
O saldo do tributo pago no exterior, que exceder o valor compensável com o imposto de renda e adicional devidos no Brasil, poderá ser compensado com a CSLL devida em virtude da adição, à sua base de cálculo, dos lucros, rendimentos e ganhos de capital oriundos do exterior, até o valor devido em decorrência dessa adição. Inteligência do art. 15 da Instrução Normativa SRF nº 213, de 2002.
Numero da decisão: 1402-001.730
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes e retificar o Acórdão nº 1402-001.569 para dar provimento parcial ao recurso voluntário, excluindo-se a exigência de IRPJ e CSLL sobre os resultados de equivalência patrimonial, bem como determinando a compensação do imposto de renda pago pela sucursal no exterior (Colômbia) com o imposto de renda (e adicional devidos) e CSLL devidos no Brasil, nos seguintes termos: R$ 521.659,53, R$ 717.397,09 e R$ 749.689,82, respectivamente para os anos-calendário de 2003, 2004 e 2005, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO PARA SANAR CONTRADIÇÃO PRESENTE. Constatada a existência de contradição ou dúvida quanto aos fundamentos do voto condutor do aresto, acolhem-se os embargos para fins sanar e esclarecer a decisão. LUCRO DE SUCURSAL NO EXTERIOR. O lucro auferido por sucursal no exterior de pessoa jurídica domiciliada no Brasil deve ser computado na determinação do lucro real dessa pessoa jurídica em 31 de dezembro de cada ano. COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA RECOLHIDO POR SUCURSAL NO EXTERIOR COM IRPJ E CSLL DEVIDOS NO BRASIL. O imposto de renda pago no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada e o pago relativamente a rendimentos e ganhos de capital, poderão ser compensados com o que for devido no Brasil sem a limitação temporal prevista no § 4º do art. 1º da Lei nº 9.532, de 1997. Inteligência dos arts. 14 e 15 da Instrução Normativa SRF nº 213, de 2002. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL. COMPENSAÇÃO COM IMPOSTO RECOLHIDO NO EXTERIOR. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. O saldo do tributo pago no exterior, que exceder o valor compensável com o imposto de renda e adicional devidos no Brasil, poderá ser compensado com a CSLL devida em virtude da adição, à sua base de cálculo, dos lucros, rendimentos e ganhos de capital oriundos do exterior, até o valor devido em decorrência dessa adição. Inteligência do art. 15 da Instrução Normativa SRF nº 213, de 2002.
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ACOLHIMENTO PARA SANAR CONTRADIÇÃO PRESENTE. Constatada a existência de contradição ou dúvida quanto aos fundamentos do voto condutor do aresto, acolhemse os embargos para fins sanar e esclarecer a decisão. LUCRO DE SUCURSAL NO EXTERIOR. O lucro auferido por sucursal no exterior de pessoa jurídica domiciliada no Brasil deve ser computado na determinação do lucro real dessa pessoa jurídica em 31 de dezembro de cada ano. COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA RECOLHIDO POR SUCURSAL NO EXTERIOR COM IRPJ E CSLL DEVIDOS NO BRASIL. O imposto de renda pago no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada e o pago relativamente a rendimentos e ganhos de capital, poderão ser compensados com o que for devido no Brasil sem a limitação temporal prevista no § 4º do art. 1º da Lei nº 9.532, de 1997. Inteligência dos arts. 14 e 15 da Instrução Normativa SRF nº 213, de 2002. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL. COMPENSAÇÃO COM IMPOSTO RECOLHIDO NO EXTERIOR. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. O saldo do tributo pago no exterior, que exceder o valor compensável com o imposto de renda e adicional devidos no Brasil, poderá ser compensado com a CSLL devida em virtude da adição, à sua base de cálculo, dos lucros, rendimentos e ganhos de capital oriundos do exterior, até o valor devido em decorrência dessa adição. Inteligência do art. 15 da Instrução Normativa SRF nº 213, de 2002. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 00 08 /2 00 8- 16 Fl. 969DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000008/200816 Acórdão n.º 1402001.730 S1C4T2 Fl. 970 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes e retificar o Acórdão nº 1402001.569 para dar provimento parcial ao recurso voluntário, excluindose a exigência de IRPJ e CSLL sobre os resultados de equivalência patrimonial, bem como determinando a compensação do imposto de renda pago pela sucursal no exterior (Colômbia) com o imposto de renda (e adicional devidos) e CSLL devidos no Brasil, nos seguintes termos: R$ 521.659,53, R$ 717.397,09 e R$ 749.689,82, respectivamente para os anoscalendário de 2003, 2004 e 2005, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez. Fl. 970DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000008/200816 Acórdão n.º 1402001.730 S1C4T2 Fl. 971 3 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional (fls. 947 948) em face do acórdão nº 1402001.569, julgado na sessão de 12 de fevereiro de 2014. A então Recorrente, Nera América Latina Ltda também apresentou embargos de declaração (fls. 953962). DOS EMBARGOS DA FAZENDA NACIONAL Alega a embargante que o acórdão contém omissão, contradição e obscuridade que necessitam ser supridos pelo colegiado. A autuação diz respeito à exigência de IRPJ e CSLL sobre parcela de lucros de sucursais e controladas obtidos no exterior. Discutese ainda o direito à compensação de imposto de renda recolhido por sucursal no exterior. No julgamento do recurso voluntário, o dispositivo do julgado recebeu a seguinte redação: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, excluindose a exigência de IRPJ e CSLL sobre os resultados de equivalência patrimonial e determinar a compensação do imposto de renda pago pela sucursal no exterior (Colômbia), nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Segundo a embargante, há contradição entre: (i) o dispositivo do julgado e a ementa: enquanto o dispositivo evidencia a possibilidade de compensação do imposto de renda pago pela sucursal no exterior, a ementa retrataria o contrário, negandose tal possibilidade de compensação; (ii) nos fundamentos do voto condutor do aresto parte da exigência teria sido mantida, mas no dispositivo do julgado consignouse que o provimento ao recurso teria sido integral. DOS EMBARGOS DE NERA AMÉRICA LATINA LTDA Alega Nera América Latina Ltda os seguintes pontos: erro material na ementa: embora a redação da ementa reproduza entendimento de que o imposto de renda pago pela sucursal no exterior não poderia ter sido compensado, tanto o dispositivo do julgado, quanto os fundamentos do voto condutor do aresto, demonstram o contrário; haveria obscuridade no julgado em relação ao direito de a Recorrente compensar a CSLL com o imposto de renda pago na Colômbia. DOS PRESSUPOSTOS PARA ADMISSIBILIDADE DOS EMBARGOS Fl. 971DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000008/200816 Acórdão n.º 1402001.730 S1C4T2 Fl. 972 4 Nos termos do art. 65, § 2º, do Regimento Interno do CARF RICARF fui designado para me pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos opostos. Pois bem, dispõe o art. 65 do RICARF que “Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma.” Ambos os embargos opostos mostramse tempestivos. Analisando aos pontos levantados pelas embargantes, entendo assistirlhes razão, conforme discorrese a seguir. No que tange à contradição entre a ementa e o dispositivo, tratase de erro material que poderia ser alvo de correção independentemente dos embargos, uma vez que, de fato, houve mero erro material, pois a fundamentação do voto condutor do aresto é clara ao admitir a compensação do imposto de renda pago pela sucursal no exterior. Relativamente ao resultado proclamado no dispositivo – provimento integral ao recurso , de fato há evidente contradição com os fundamentos do voto, uma vez que em seu item 1.2 mantevese a exigência em relação aos lucros da sucursal NERA COLÔMBIA. Por fim, no que atine à compensação do IRPJ pago pela sucursal no exterior não só com o IRPJ lançado, mas também com a CSLL exigida de ofício, de fato, o voto condutor do aresto limitase a afirmar que, em princípio, aplicase à CSLL a mesma limitação temporal para compensação do imposto, pois o art. 19 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, dispõe que “Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior sujeitamse à incidência da CSLL, observadas as normas de tributação universal de que tratam os arts. 25 a 27 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os arts. 15 a 17 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e o art. 1º da Lei nº 9.532, de 1997”. Contudo, não se chegou a analisar se, uma vez deferida a compensação de IRPJ pago no exterior, e, sendo esse superior ao IRPJ devido no Brasil, seria possível compensar tal saldo com a CSLL devida. Propôsse, então, a admissibilidade dos embargos ao Presidente deste colegiado, que, ato contínuo, concordou com admissibilidade do recurso, devolvendome os autos para relato. É o relatório. Fl. 972DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000008/200816 Acórdão n.º 1402001.730 S1C4T2 Fl. 973 5 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. Com exceção da questão atinente à compensação da CSLL com o IRPJ recolhido no exterior (objeto de embargos de Nera América Latina Ltda), os demais pontos indicados em ambos os embargos tratam de erros materiais nas ementas e dispositivo do julgado. Conforme relatado, embora no dispositivo conste provimento integral ao recurso, o item 1.2 do voto condutor do aresto embargos é claro ao manter a exigência em relação aos lucros da sucursal NERA COLÔMBIA. Por oportuno, transcrevemse tais fundamentos: 1.2 LUCROS DE SUCURSAL NO EXTERIOR. Argumenta a Recorrente que os lucros apurados pela sucursal NERA COLÔMBIA nos anoscalendário de 2003, 2004 e 2005 não são tributáveis no Brasil, uma vez que pertencentes exclusivamente à sucursal, e jamais disponibilizados à Recorrente. A matéria é regida pelos seguintes dispositivos legais: art. 25, § 2°, da Lei n° 9.249/95, art. 16 da Lei n° 9.430/96, art. 1º, § 1º, alínea "a", da Lei n° 9.532/97 e arts. 249, inciso II, e 394, ambos do RIR/99. Assim dispõe a Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995: Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] § 2º Os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I as filiais, sucursais e controladas deverão demonstrar a apuração dos lucros que auferirem em cada um de seus exercícios fiscais, segundo as normas da legislação brasileira; [...] IV as demonstrações financeiras das filiais, sucursais e controladas que embasarem as demonstrações em Reais deverão ser mantidas no Brasil pelo prazo previsto no art. 173 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Fl. 973DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000008/200816 Acórdão n.º 1402001.730 S1C4T2 Fl. 974 6 [...] (grifouse) Já a Lei nº 9.532, de 10.12.1997, dispõe que: Art. 1º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, os lucros serão considerados disponibilizados para a empresa no Brasil: a) no caso de filial ou sucursal, na data do balanço no qual tiverem sido apurados; [...]” (grifouse) Com efeito, a exigência realizada pelo Fisco resumese à mera aplicação da norma legal, pois há expressa previsão legal para tributar no Brasil o lucro auferido por sucursal no exterior de pessoa jurídica sediada no Brasil, sendo considerado disponibilizado em 31 de dezembro de cada ano, consoante dispõe o caput do art. 25 da Lei nº 9.249/95, disponibilizados nos termos do art. 1º, § 1º, “a”, da Lei nº 9.532/97. Desse modo, mostrase irrelevante a análise de se os valores dos lucros apurados pela NERA COLÔMBIA foram ou não remetidos à Recorrente, devendo ser mantida a exigência. Assim sendo, impõese a retificação do resultado do julgado, haja vista o provimento parcial ao recurso, e não em sua totalidade, conforme inserto no acórdão embargado. Relativamente à dedução do IRPJ recolhido no exterior, de fato, enquanto a ementa retrata a impossibilidade de tal dedução, o voto condutor do julgado é cristalino ao admitir a compensação do imposto de renda pago pela sucursal no exterior. A esse respeito, transcrevese o item 1.3 do voto: 1.3 COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA PAGO NA COLÔMBIA O que é preciso, todavia, examinar com cuidado é a questão do direito ao aproveitamento do imposto pago no exterior. A Lei nº 9.249, de 1995, que instituiu o regime de tributação em bases universais, em matéria de imposto de renda das pessoas jurídicas, previu o direito à compensação sem qualquer limitação de prazo (art. 26): LEI Nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. [...] Fl. 974DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000008/200816 Acórdão n.º 1402001.730 S1C4T2 Fl. 975 7 § 2º Os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I – as filiais, sucursais e controladas deverão demonstrar a apuração dos lucros que auferirem em cada um de seus exercícios fiscais, segundo as normas da legislação brasileira; II – os lucros a que se refere o inciso I serão adicionados ao lucro líquido da matriz ou controladora, na proporção de sua participação acionária, para apuração do lucro real; III – se a pessoa jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao seu lucro líquido os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, até a data do balanço de encerramento; IV – as demonstrações financeiras das filiais, sucursais e controladas que embasarem as demonstrações em Reais deverão ser mantidas no Brasil pelo prazo previsto no art. 173 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. [...] § 4º Os lucros a que se referem os §§ 2º e 3º serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da filial, sucursal, controlada ou coligada. § 5º Os prejuízos e perdas decorrentes das operações referidas neste artigo não serão compensados com lucros auferidos no Brasil. § 6º Os resultados da avaliação dos investimentos no exterior, pelo método da equivalência patrimonial, continuarão a ter o tratamento previsto na legislação vigente, sem prejuízo do disposto nos §§ 1º, 2º e 3º. Art. 26. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. § 1º Para efeito de determinação do limite fixado no caput, o imposto incidente, no Brasil, correspondente aos lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos no exterior, será proporcional ao total do imposto e adicional devidos pela pessoa jurídica no Brasil. § 2º Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. § 3º O imposto de renda a ser compensado será convertido em quantidade de Reais, de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que o imposto foi pago; caso a moeda em que o imposto foi Fl. 975DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000008/200816 Acórdão n.º 1402001.730 S1C4T2 Fl. 976 8 pago não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norte americanos e, em seguida, em Reais. Art. 27. As pessoas jurídicas que tiverem lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior estão obrigadas ao regime de tributação com base no lucro real. Posteriormente, a Lei nº 9.532, de 1997, definiu que os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, coligadas e controladas só seriam tributados no Brasil no período em que viessem a ser disponibilizados para o sócio aqui residente. Para evitar que a distribuição do lucro fosse postergada indefinidamente, o legislador estabeleceu um prazo máximo de dois anos para o aproveitamento dos créditos referentes ao imposto de renda pago no exterior: LEI Nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997 Art. 1º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, os lucros serão considerados disponibilizados para a empresa no Brasil: a) no caso de filial ou sucursal, na data do balanço no qual tiverem sido apurados; b) no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior. [...] § 4º Os créditos de imposto de renda de que trata o art. 26 da Lei nº 9.249, de 1995, relativos a lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, somente serão compensados com o imposto de renda devido no Brasil se referidos lucros, rendimentos e ganhos de capital forem computados na base de cálculo do imposto, no Brasil, até o final do segundo anocalendário subseqüente ao de sua apuração. [...] As mesmas regras que disciplinavam a tributação em bases universais para o imposto de renda da pessoa jurídica foram estendidas, depois, à contribuição social sobre o lucro, por força do art. 19 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999 (atualmente, art. 21 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001): MEDIDA PROVISÓRIA nº 1.8586, de 29 de junho de 1999 Art. 19. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior sujeitamse à incidência da CSLL, observadas as normas de tributação universal de que tratam os arts. 25 a 27 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os arts. 15 a 17 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e o art. 1º da Lei no 9.532, de 1997. Fl. 976DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000008/200816 Acórdão n.º 1402001.730 S1C4T2 Fl. 977 9 Parágrafo único. O saldo do imposto de renda pago no exterior, que exceder o valor compensável com o imposto de renda devido no Brasil, poderá ser compensado com a CSLL devida em virtude da adição, à sua base de cálculo, dos lucros oriundos do exterior, até o limite acrescido em decorrência dessa adição. Em relação às coligadas e às controladas, tal sistemática, todavia, foi radicalmente modificada pelo art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, que estabeleceu que os lucros passariam ser considerados disponibilizados, para o sócio brasileiro, já na data do balanço em que fossem apurados: MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 Art. 74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei nº 9.249, de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. Parágrafo único. Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor. Vejase que a norma não foi alterada em relação às filiais e às sucursais, que desde o advento da Lei nº 9.532, de 1997, já se consideravam disponibilizados os lucros na data do balanço em que tiverem sido apurados (art. 1º, § 1º, “a”). Contudo, o entendimento firmado taxativamente pelo Fisco a respeito dos efeitos da alteração imposta pelo art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835 sobre a compensação do imposto de renda recolhido no exterior pode ser retirado do denominado “Perguntas e Respostas” relativo ao anocalendário de 2013, em que a Receita Federal do Brasil assim se manifesta (Nota nº 4 da resposta à Pergunta nº 007 do Capítulo IX – Resultados não operacionais 2013): De fato, os arts. 14 e 15 da Instrução Normativa SRF nº 213, de 2002, não replicaram a limitação temporal para compensação do imposto de renda recolhido no exterior. Fl. 977DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000008/200816 Acórdão n.º 1402001.730 S1C4T2 Fl. 978 10 Desse modo, podese dizer que a limitação temporal para compensação do imposto de renda pago no exterior limitavase às hipóteses em que o contribuinte poderia antecipar o oferecimento à tributação, no Brasil, dos lucros auferidos no exterior por controladas e coligadas. Com isso, a legislação possibilitava aos contribuintes que, antecipando a tributação dos lucros auferidos no exterior, antes mesmo de sua disponibilização, pudesse compensar o imposto de renda pago no exterior, desde que a inclusão de tais rendimentos nas bases de cálculo de IRPJ e CSLL se dessem no máximo após dois anos de sua auferição. Tal limitação passou a inexistir após os lucros auferidos por coligadas e controladas serem considerados automaticamente disponibilizados na data em que o respectivo balanço for apurado. Assim, é imperioso concluir que, se o fato de a legislação passar a prever que a disponibilização do lucro das controladas e coligadas se dá automaticamente na data do balanço em que tiver sido apurado tem o condão de afastar a aplicação da limitação temporal para compensação do imposto pago no exterior, tal exegese, por decorrência, aplicase automaticamente ao imposto pago no exterior por filiais e sucursais, uma vez que, desde o advento da Lei nº 9.532, de 1997, os lucros de filiais e sucursais já eram considerados disponibilizados na data do balanço em que foram apurados. Não há dúvidas de que a decisão do colegiado pautouse pelos fundamentos do voto condutor do aresto. Desse modo, constatada a contradição entre a ementa e o dispositivo, impõese a correção do erro material na redação da ementa, passando a refletir o julgado no sentido de permitir a compensação do IRPJ recolhido no exterior. DA COMPENSAÇÃO DO IRPJ PAGO NO EXTERIOR COM A CSLL DEVIDA NO BRASIL Em relação ao tema, assim me manifestei em meu voto: 1.1 LANÇAMENTO DECORRENTE – CSLL O lançamento de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL foi lavrado em decorrência da mesma infração que ensejou a exigência de IRPJ. Assim, considerandose que o lançamento de IRPJ foi mantido, e não tendo fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa, há de se manter também a exigência correspondente de CSLL, ante a íntima relação e causa e efeito. Em relação ao pleito da Recorrente de compensarse o imposto pago no exterior em razão das normas específicas de compensação com CSLL, uma vez que a esta contribuição não se aplicaria o disposto no § 4º do art. 1º da Lei nº 9.532, de 1997, também não merece prosperar sua irresignação, pois o art. 19 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, dispõe que “Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior sujeitamse à incidência da CSLL, observadas as normas de tributação universal de que tratam os arts. 25 a 27 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os arts. 15 Fl. 978DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000008/200816 Acórdão n.º 1402001.730 S1C4T2 Fl. 979 11 a 17 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e o art. 1º da Lei nº 9.532, de 1997.”. Diante do exposto, o lançamento de CSLL deve ser mantido, exceto em relação à exigência sobre o resultado positivo de equivalência patrimonial. Ocorre que, em razão do decidido no item 1.3 daquele voto – já reproduzido alhures , permitindo a compensação do IRPJ pago no exterior sem a limitação temporal a que se refere o § 4º do art. 1º da Lei nº 9.532, de 1997, tal entendimento deve ser entendido também à CSLL, como bem prevê o art. 15 da Instrução Normativa SRF nº 213, de 2002, verbis: Art. 15. O saldo do tributo pago no exterior, que exceder o valor compensável com o imposto de renda e adicional devidos no Brasil, poderá ser compensado com a CSLL devida em virtude da adição, à sua base de cálculo, dos lucros, rendimentos e ganhos de capital oriundos do exterior, até o valor devido em decorrência dessa adição. Logo, devese dar provimento ao recurso também em relação à possibilidade de compensação do saldo de IRPJ pago no exterior, que exceder o valor compensável com o imposto de renda e adicional devidos no Brasil, com a CSLL devida no Brasil, em virtude da adição, à sua base de cálculo, dos lucros, rendimentos e ganhos de capital oriundos do exterior, até o valor devido em decorrência dessa adição. CONCLUSÃO Isso posto, voto por acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes e retificar o Acórdão nº 1402001.569 para dar provimento parcial ao recurso voluntário, excluindose a exigência de IRPJ e CSLL sobre os resultados de equivalência patrimonial, bem como determinando a compensação do imposto de renda pago pela sucursal no exterior (Colômbia) com o imposto de renda (e adicional devidos) e CSLL devidos no Brasil, nos seguintes termos: R$ 521.659,53, R$ 717.397,09 e R$ 749.689,82, respectivamente para os anoscalendário de 2003, 2004 e 2005. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Fl. 979DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000008/200816 Acórdão n.º 1402001.730 S1C4T2 Fl. 980 12 Fl. 980DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 13804.001620/2003-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (presidente da turma), Charles Mayer de Castro Souza, Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: Não se aplica
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FILIAL. COMPETÊNCIA. Recorrente ELDORADO EXPORTAÇÃO E SERVIÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (presidente da turma), Charles Mayer de Castro Souza, Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Tratase de processo de Declaração de Compensação (DCOMP), apresentada por Eldorado Exportação e Serviços Ltda, CNPJ 05.350.608/000160, em 31/03/2003, para compensar débitos de IRPJ e CSLL, no montante de R$ 438.637,42 , com crédito de ressarcimento de IPI. Na declaração (fl. 5), consta o 4º trimestre de 2002 como o da origem do crédito e que este foi detalhado em processo administrativo anterior, embora não tenha havido a sua devida identificação. O valor apontado do crédito do período foi de R$ 2.556.426,38 (dois milhões, quinhentos e cinquenta e seis mil, quatrocentos e vinte e seis reais, trinta e oito centavos). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 04 .0 01 62 0/ 20 03 -1 1 Fl. 725DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13804.001620/200311 Resolução nº 3202000.259 S3C2T2 Fl. 726 2 Em 28/04/2003, apresentou outra DCOMP (fls. 639/667) para compensar novos débitos de IRPJ e CSLL, no montante de R$ 674.784,81 , com crédito de ressarcimento de IPI relativo ao 1º trimestre de 2003. Esta declaração formalizou o processo nº 13804.002132/2003 13. Posteriormente, a interessada esclareceu (fl. 50) que ambas as declarações pretendiam utilizar o crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, referente ao período de janeiro de 1999 a dezembro de 2002. Assim, atendendo ao disposto na Portaria SRF nº 6.129, de 2005, o processo nº 13804.002132/200313 foi anexado ao presente, tornando as duas DCOMP objetos de um único procedimento. Encaminhado para as providências fiscais cabíveis, teve início a fiscalização em 04/03/2008, com a lavratura do Termo de Início de Ação Fiscal (fls. 39/41), por meio do qual solicitouse os documentos nele relacionados, no prazo de cinco dias. Em petição datada de 07/03/2008, a empresa atendeu ao requisitado, fazendo constar a ressalva de que precisava de mais tempo para separar toda a documentação (fl. 51). Sem que fosse apreciado tal solicitação de prorrogação, a autoridade fiscal encerrou a fiscalização, emitindo Termo de Informação Fiscal no qual não homologa as compensações realizadas pela empresa, o que foi referendado pelo Despacho Decisório. Eis em resumo as razões do indeferimento, conforme relatado pelo acórdão recorrido: a) precariedade das informações constantes dos autos; b) atendimento apenas parcial à intimação por parte do contribuinte; c) concomitância de operações de comercialização com supostas operações de industrialização por parte do contribuinte; d) inexistência de controle de custos integrado e coordenado com a contabilidade capaz de identificar os insumos efetivamente aplicados na produção industrial; e) predominância (quase 100%) de aquisição de mercadorias destinadas a revenda registradas nas folhas de entradas do RAIPI no período, que não se sujeitam ao beneficio do crédito presumido de IPI; f) falta de comprovação do estorno do crédito pleiteado pelo contribuinte no Livro Registro de Apuração de IPI. Contra o Despacho decisório, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, pedindo que este fosse julgado nulo ou improcedente. No entanto, a DRJ não acolheu as razões da contribuinte, conforme resume sua ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002 NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. VÍCIO DE MOTIVAÇÃO. Afastase a nulidade argüida se não estiver caracterizado o vício no ato administrativo. O fato da fiscalização ter sido concluída em curto prazo não caracteriza vício de motivação. Fl. 726DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13804.001620/200311 Resolução nº 3202000.259 S3C2T2 Fl. 727 3 PROVA DOS FATOS. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. A apresentação de prova documental deve ser feita no momento da impugnação. Considerase não formulado o pedido de diligência ou perícia quando não atendidos os requisitos exigidos pela Lei. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002 DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A DCOMP passou a constituirse em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados a partir de 31/10/2003, quando da publicação da MP nº 135, de 2003. Encontrase devidamente sedimentado pela jurisprudência judicial e administrativa o entendimento que a DCTF é suficiente para a exigência dos débitos tributários. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DOS DÉBITOS. Após a Lei nº 10.833, de 2003, a apresentação da manifestação de inconformidade tem, entre seus efeitos, a suspensão da exigibilidade dos débitos não compensados, impedindo a inscrição em Dívida Ativa da União. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Não resignada com o acórdão recorrido acima transcrito, a empresa interpôs recurso voluntário, pedindo, inicialmente, fosse julgado nulo o Despacho Decisório por cerceamento de defesa, dado o prazo exíguo para apresentar documentos no curso da fiscalização, ou por incompetência da DRF/SP, uma vez que o crédito presumido de IPI se originou da sua filial situada em Belém, sendo, dessa forma, competente a DRF/BEL para fiscalizar os créditos, nos termos do art. 32 da IN 210/2002. No mérito, a recorrente pede seja julgado improcedente a cobrança do tributo compensado, considerando que seria necessário efetuarse o lançamento de ofício do débito compensado, porque ainda não estava em vigor a MP nº 135/2003, que deu nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430/1996. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e, por isso, merece ser apreciado. Fl. 727DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13804.001620/200311 Resolução nº 3202000.259 S3C2T2 Fl. 728 4 Entre outros argumentos, a recorrente suscita preliminar de nulidade do Despacho Decisório proferido pela DRF de São Paulo, uma vez que, nos termos do art. 32 da IN SRF nº 210/2002, esta não seria autoridade competente para julgar o crédito presumido de IPI, utilizado na compensação, gerado por filial situada em outra jurisdição (Belém). In verbis: IN SRF nº 210/2002 Art. 32.A decisão sobre o pedido de ressarcimento de créditos do IPI caberá ao titular da DRF, Derat ou IRFClasse Especial que, à data do reconhecimento do direito creditório, tenha jurisdição sobre o domicílio fiscal do estabelecimento da pessoa jurídica que apurou referidos créditos. Parágrafo único. O ressarcimento ou a compensação de ofício de créditos do IPI com débitos da pessoa jurídica para com a Fazenda Nacional caberá ao titular da unidade da SRF de que trata o caput que, à data do ressarcimento ou da compensação, tenha jurisdição sobre o domicílio fiscal do estabelecimento da pessoa jurídica que apurou referidos créditos. Sobre esse tema da incompetência, o acórdão reocrrido se pronunciou nos seguintes termos: Não se vislumbra a ocorrência de nenhuma das hipóteses elencadas pelo art. 59 acima. Não se localiza, nos autos, nenhum ato ou termo lavrado por agente incompetente. Quanto ao despacho decisório, este também não foi lavrado por autoridade incompetente e nem houve preterição do direito de defesa, eis que foi plenamente exercido pelo sujeito passivo por meio da manifestação de inconformidade que ora se aprecia. O despacho decisório não deixa dúvidas a respeito dos fundamentos que motivaram a decisão denegatória, aos quais a manifestante teve toda a liberdade de contraporse, nos termos do inciso LV do art. 5º da Constituição Federal e, obviamente, dos dispositivos legais aplicáveis (artigos 14 a 17 do PAF), tendo, inclusive, acrescentado alegações de suposta máfé por parte dos agentes fiscais. Considerando que a preliminar é relevante, pois pode redundar em nulidade do processo (art. 59 do PAF), e não há elementos fáticos, nos autos, suficientes para o deslinde dessa matéria, voto para CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que: a) a autoridade preparadora informe se os créditos presumidos de IPI, utilizados nas compensações, foram apurados ou não pelo estabelecimento filial da recorrente situada em Belém; b) se for afirmativa a resposta ao item anterior, a autoridade preparadora informe qual o fundamento da prorrogação de competência da DRF/BEL para DRF/SP. Após cumprimento das determinações dos itens “a” e “b” acima, intimese a recorrente para, em 30 dias, se pronunciar sobre o resultado da diligência. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 728DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13804.001620/200311 Resolução nº 3202000.259 S3C2T2 Fl. 729 5 Fl. 729DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10580.007532/2002-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 19 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3302-000.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente.
(assinado digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO Relator.
EDITADO EM: 02/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Mônica Elisa de Lima, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. EDITADO EM: 02/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Mônica Elisa de Lima, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Déroulède.
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO – Relator. EDITADO EM: 02/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Mônica Elisa de Lima, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Déroulède. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .0 07 53 2/ 20 02 -1 8 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.007532/200218 Resolução nº 3302000.419 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem refletir a contenda. . Tratase de Auto de Infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins relativa aos períodos de apuração de outubro, novembro e dezembro de 1997. A exigência fiscal originouse de procedimento de Auditoria Interna realizada na DCTF apresentada pela contribuinte, tendo sido considerado inexistente no sistema Profisc da Receita Federal o número do processo administrativo informado na referida declaração (10580.007481/9704). Cientificada da exigência fiscal, a autuada apresentou impugnação alegando que compensou os débitos da Cofins lançados de ofício com crédito decorrente de recolhimentos a maior do FINSOCIAL, em face da inconstitucionalidade da majoração das alíquotas acima de 0,5%, objeto de Ação Declaratória de Inconstitucionalidade, processo nº 92/15948, em cujos autos obteve sentença favorável (fls. 16/28). Vistos relatados e discutidos os autos acordaram os membros da 4ª Turma de Julgamento , por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação e manter parcialmente o crédito tributário lançado de ofício. Intimada do acórdão supra em 09.05.2012, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 30.05.2012. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Conforme exposto, o presente Auto de Infração foi lavrado em face de suposta falta de recolhimento de COFINS, tendo em vista que no entendimento da fiscalização, o processo administrativo nº 10580.007481/97/04 no qual tratase dos pedidos de compensação realizados pela Recorrente decorrentes do trânsito em julgado da ação judicial nº 92.0001594 8, que reconheceu o direito aos crédito dos valores pagos a maior a título de FINSOCIAL, havia sido concluído. Entretanto, verifico que o processo administrativo mencionado ainda não se encerrou. Mais, que nesse processo discutese a decadência, que embora tenha sido objeto de decisão desfavorável ao contribuinte pela instância a quo, é passível de revisão por parte da Fl. 235DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.007532/200218 Resolução nº 3302000.419 S3C3T2 Fl. 4 3 CSRF considerando o recente decisum do STJ no sentido de alargar o prazo decadencial para processos anteriores a 2005. Isso posto, entendo que devemos converter o presente recurso em diligência, para que a Delegacia de origem aguarde a conclusão do retromencionado processo, apense seu resultado final após o trânsito em julgado, e então devolvao a esse Colegiado para apreciação. É como voto. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Fl. 236DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10380.723002/2009-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por VAGNER FERNANDES.
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por VAGNER FERNANDES. RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Relator Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo.
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RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .7 23 00 2/ 20 09 -4 3 Fl. 550DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723002/200943 Resolução nº 2202000.303 S2C2T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Em desfavor da contribuinte, VAGNER FERNANDES, acima identificado, foi lavrado auto de infração de imposto de renda pessoa física, f. 02 a 16, resultante de procedimento de fiscalização por meio do qual se exige o crédito tributário de R$ 4.662.852,54 O lançamento, consubstanciado em Auto de Infração, originou se na constatação das seguintes infrações: 001 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Notase, da análise cuidadosa do processo, que RMF foi realizada a instituições financeiras, tal como se constata de fls. 148 a 150. É isto que interessa relatar até o momento. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723002/200943 Resolução nº 2202000.303 S2C2T2 Fl. 4 3 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Ante de apreciar o recurso cabe discutir se o referido processo estaria sujeito a sobrestamento. Após análise pormenorizada dos autos entendo que cabe aqui sobrestamento de julgado feito de ofício pelo relator, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que está em Repercussão Geral o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 (RE 601314) Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 5º, X, XII, XXXVI, LIV, LV; 145, § 1º; e 150, III, a, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial, bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais utilização de dados da CPMF e obtenção de informações junto às instituições através da RMF está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Fl. 552DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723002/200943 Resolução nº 2202000.303 S2C2T2 Fl. 5 4 Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: D ESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura ? Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA ? PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA ? SIGILO DADOS BANCÁRIOS ? FISCO ? AFASTAMENTO ? ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 ? SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, Fl. 553DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723002/200943 Resolução nº 2202000.303 S2C2T2 Fl. 6 5 concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): "ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO ? UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS ? IMPOSTO DE RENDA ? QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO ? PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 ? APLICAÇÃO IMEDIATA ? RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN ? PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO ? RECURSO ESPECIAL PROVIDO." Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus Fl. 554DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723002/200943 Resolução nº 2202000.303 S2C2T2 Fl. 7 6 parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal ?discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09, ratificado pelas decisões acima transcritas, que retratam o quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses termos, voto para que seja sobrestado o presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. Diante de todo o exposto, proponho o SOBRESTAMENTO do julgamento do presente Recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. Observandose que após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 555DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 13971.720069/2008-83
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não-cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes.
Combustíveis e lubrificantes, no contexto do processo produtivo da fabricação de móveis e artefatos de madeira, são insumos que ensejam a tomada de créditos sobre o valor dos respectivos gastos.
NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO
Não há direito à tomada de crédito na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.
NÃO CUMULATIVIDADE. FRETE E DESPESAS DE ARMAZENAGEM NAS OPERAÇÕES DE VENDA. EXTENSÃO.
As operações de movimentação de contêiner cheio; serviço de fumigação de pallets; despesas com capatazia e reembolso de CPMF; movimentação de embarcação; transporte de contêineres vazios e devolução dos mesmo para o exportador; descarga de contêineres; vistoria de contêineres; handling de contêineres; unitização e desunitização de contêineres e uso de pátio não estão abrangidos no conceito de armazenagem e tampouco podem ser concebidas como etapa do frete nas operações de venda, razão pela qual os respectivos gastos não ensejam o creditamento da contribuição.
NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ABONO DE JUROS.
O ressarcimento de saldos credores da contribuição social não cumulativa não enseja atualização monetária nem juros sobre os respectivos valores.
Embargos Acolhidos
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3403-003.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para retificar o resultado do julgamento no acórdão embargado, que passa a ser o seguinte: Por unanimidade de votos, deu-se provimento parcial ao recurso para o efeito de reverter glosa das aquisições amparadas pelas NFs 119.302, 119.419, 120.812 e 121.977, quanto aos itens referentes a lubrificantes, bem assim as que documentaram entradas escrituradas com o CFOP 1.653., nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: Alexandre Kern
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não-cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Combustíveis e lubrificantes, no contexto do processo produtivo da fabricação de móveis e artefatos de madeira, são insumos que ensejam a tomada de créditos sobre o valor dos respectivos gastos. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO Não há direito à tomada de crédito na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETE E DESPESAS DE ARMAZENAGEM NAS OPERAÇÕES DE VENDA. EXTENSÃO. As operações de movimentação de contêiner cheio; serviço de fumigação de pallets; despesas com capatazia e reembolso de CPMF; movimentação de embarcação; transporte de contêineres vazios e devolução dos mesmo para o exportador; descarga de contêineres; vistoria de contêineres; handling de contêineres; unitização e desunitização de contêineres e uso de pátio não estão abrangidos no conceito de armazenagem e tampouco podem ser concebidas como etapa do frete nas operações de venda, razão pela qual os respectivos gastos não ensejam o creditamento da contribuição. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ABONO DE JUROS. O ressarcimento de saldos credores da contribuição social não cumulativa não enseja atualização monetária nem juros sobre os respectivos valores. Embargos Acolhidos Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte
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COMPROVAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO. A escrituração de créditos pelo contribuinte deve ser feita à luz de documentação hábil e idônea, contendo informações mínimas que assegurem sua liquidez e certeza. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social nãocumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Combustíveis e lubrificantes, no contexto do processo produtivo da fabricação de móveis e artefatos de madeira, são insumos que ensejam a tomada de créditos sobre o valor dos respectivos gastos. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO Não há direito à tomada de crédito na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETE E DESPESAS DE ARMAZENAGEM NAS OPERAÇÕES DE VENDA. EXTENSÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 00 69 /2 00 8- 83 Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN 2 As operações de movimentação de contêiner cheio; serviço de fumigação de pallets; despesas com capatazia e reembolso de CPMF; movimentação de embarcação; transporte de contêineres vazios e devolução dos mesmo para o exportador; descarga de contêineres; vistoria de contêineres; handling de contêineres; unitização e desunitização de contêineres e uso de pátio não estão abrangidos no conceito de armazenagem e tampouco podem ser concebidas como etapa do frete nas operações de venda, razão pela qual os respectivos gastos não ensejam o creditamento da contribuição. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ABONO DE JUROS. O ressarcimento de saldos credores da contribuição social não cumulativa não enseja atualização monetária nem juros sobre os respectivos valores. Embargos Acolhidos Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para retificar o resultado do julgamento no acórdão embargado, que passa a ser o seguinte: “Por unanimidade de votos, deuse provimento parcial ao recurso para o efeito de reverter glosa das aquisições amparadas pelas NFs 119.302, 119.419, 120.812 e 121.977, quanto aos itens referentes a lubrificantes, bem assim as que documentaram entradas escrituradas com o CFOP 1.653.”, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório SCHMITZ AGROINDUSTRIAL LTDA. transmitiu, em 30/05/2007, o Pedido Eletrônico de Restituição/Ressarcimento PER nº 32669.47732.300507.1.1.093994, de créditos de COFINS, relativo ao primeiro trimestre de 2007, no valor de R$ 174.615,93. Com base no Parecer SAORT/DRF/Blumenau nº 233/08 (fls. 926 a 978), emitiuse o Despacho Decisório de fls. 979, deferindo parcialmente o direito creditório no valor de R$ 142.374,13, a título de mercado externo, correspondente ao saldo remanescente após as deduções apuradas em cada mês do trimestre e das glosas realizadas no curso da análise do processo. A glosa, no valor de R$ 32.241,80, deveuse ao creditamento indevido do valor de: divergências DACON x Memória de Cálculo apresentada pelo requerente, em que se constatou que não foram deduzidas da base de cálculo informada na Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720069/200883 Acórdão n.º 3403003.199 S3C4T3 Fl. 1.192 3 memória de cálculo da as devoluções de compras e o IPI de notas de aquisições que anteriormente compuseram a base de créditos pleiteados; aquisições efetuadas com suspensão da contribuição, visto que a respectiva planilha dos produtos adquiridos, no cotejo com o arquivo digital contendo os registros das notas fiscais de entradas, se constatou que 7 (sete) das notas fiscais não tributadas em função do regime suspensivo foram incluídas no arquivo LRE — Livro de Registro de Entradas com a indicação de crédito da contribuição; aquisições não reconhecidas como matérias primas, produtos intermediários, materiais de embalagem ou insumos, conforme análise das notas fiscais (CFOP 1.556 e 2.556), em que se verificou a inclusão de diversos itens não enquadráveis para fins de desconto de créditos, tais como partes e peças de manutenção utilizadas em veículos automotores não inseridos no processo produtivo, lâmpadas, caixa de ar condicionado, portas, impressos, sensores, bobinas, chapas de aço, filtros, alicate, estantes, materiais elétricos (caixas plásticas, disjuntores, fusíveis, reatores e chaves comutadoras), guardachuva, arquivos de aço, produtos para tratamento de água, sementes, formicidas e produtos para reflorestamento e plantação de pepinos, dentre outros; notas não enquadradas como aquisições que se referem à entrada de madeira de desbaste, oriundas de produção própria e escrituradas com o CFOP 1.101 — compra para industrialização, com o computo de crédito; aquisições de óleos lubrificantes e hidráulicos, óleo diesel, gasolina e outros materiais, não enquadradas no conceito de insumo, por não restar comprovada a sua vinculação direta ao processo produtivo; mesmo em relação ao óleo diesel, que eventualmente poderia ser utilizado para alimentação de geradores (os quais fazem parte do processo produtivo), faltaram controles que identificassem o quanto desta aquisição foi utilizado especificamente no processo produtivo; serviços utilizados como insumos: no valor de R$ 1.017,96, relativos a aluguel de copiadora, que não se enquadra no conceito de insumo em relação à atividade da empresa; despesas declaradas com energia elétrica, que, em realidade, se tratavam de valores relativos a "COSIP" e "TX Serviço de Iluminação Pública", que não são contemplados como créditos de energia elétrica consumidos nos estabelecimentos da pessoa jurídica; despesas descritas como armazenagem e frete na operação de venda com a inclusão de "outras despesas", que, em síntese, se referem a serviços portuários relacionados a contêineres, tais como unitização, desunitização, posicionamento, fumigação, remoção, movimentação e agenciamento, despesas estas glosadas por não se tratarem de armazenagem ou frete, não tendo amparo legal que possibilite o desconto dos créditos; despesas de depreciação de gerador arrendado que foi indevidamente incluído na base de cálculo; conhecimentos de transporte rodoviário de cargas — CTRC's emitidos sem as formalidades legais: sem informações básicas à identificação do serviço contratado, entre elas a quantidade, espécie, peso, número de notas fiscais e valores relativos aos produtos Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN 4 transportados e até mesmo quanto ao custeio do frete, se pago pelo fornecedor (frete pago) ou adquirente (frete a pagar), inobservadas as normas insculpidas no Regulamento do ICMS/SC; serviços de transporte de funcionários: por não existir previsão legal que ampare a apropriação de créditos relativos a estas despesas; encargos de depreciação de bens do ativo permanente imobilizado não enquadrados no conceito de bens "para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços", adquiridos para utilização na atividade agrícola — reflorestamento, encargos de depreciação sobre bens usados e adquiridos de pessoa física, que não geram créditos da contribuição; encargos de depreciação de bem em processo de aquisição por meio de arrendamento mercantil, incluído indevidamente na base de cálculo de crédito da contribuição. Em Manifestação de Inconformidade de fls. 1.001 a 1.015, o interessado contesta as glosas com os seguintes argumentos: glosas com aquisições não reconhecidas como matériasprimas, materiais de embalagem e não enquadradas no conceito de insumo: quanto às glosas de insumos escriturados com CFOP 1.556 e 2.556, alega ter verificado que foram realizadas glosas sobre custos e bens de pequeno valor e de manutenção de máquinas e equipamentos que são utilizados na produção e que estão em conformidade com as soluções de consulta apresentadas no despacho decisório; relaciona os vários fornecedores, as respectivas notas fiscais de aquisições, os materiais e/ou equipamentos a que se referem e a sua utilização. Glosas com aquisições de óleos lubrificantes e hidráulicos, óleo diesel, gasolina e outros materiais , não enquadradas no conceito de insumo: alega que não lhe foi solicitado qualquer tipo de controle de consumo de combustíveis nem de qualquer outro insumo e que as glosas realizadas foram baseadas em meras suposições; explica que: i. o óleo diesel é utilizado para manter os geradores, na frota de caminhões de carga e, principalmente, nos tratores, utilizados dentro do parque fabril para transporte e movimentação de madeiras e de contêineres; ii. o gás é utilizado em carregadeiras e empilhadeiras utilizadas no deslocamento dentro do parque fabril de produtos/madeiras e na carga e descarga destes, bem como em máquinas termo encolhíveis utilizadas para embalar produtos; iii. a gasolina é utilizada em carregadeiras e empilhadeiras utilizadas no deslocamento dentro do parque fabril de produtos/materiais e na carga e descarga destes; em veículos de pequeno porte utilizados para o deslocamento interno de produtos dentro da empresa e para o transporte na aquisição de diversos insumos, tais como etiquetas, embalagens, parafusos, peças de manutenção; em motosserras utilizadas para corte das ponteiras de toras, a fim de auxiliar o processo de serragem destas em tábuas e sarrafos; em roçadeiras e motosserras utilizadas para limpeza e desbaste de florestas de pinus, Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720069/200883 Acórdão n.º 3403003.199 S3C4T3 Fl. 1.193 5 iv. os óleos lubrificantes e hidráulicos são utilizados nos geradores elétricos, sendo que destaca que os motores são os mesmos utilizados em caminhões de transporte pesado; em motores e dispositivos hidráulicos de máquinas e equipamentos; em motores, câmbio e freios. v. especificamente em relação à glosa da Nota Fiscal 7415, registrada com CFOP 2.101, no valor de R$ 4.492,00, do fornecedor "Chesiquimica", referente a. aquisição do produto denominado "Chesy 3007", diz tratarse de um aditivo dispersante utilizado na mistura para composição de vernizes/tintas aplicados para acabamento e pintura dos produtos finais. Glosas com aquisições de serviços portuários não enquadrados como despesas de armazenagem e fretes na operação de venda: alega que a restrição contida no despacho decisório com serviços portuários relacionados a contêineres, tais como unitização, desunitização, posicionamento, fumigação, remoção, movimentação e agenciamento: a) Dos serviços de fumigação: alega, em síntese, que é o tratamento químico que se dá à madeira para evitar a proliferação de pragas ou a formação de bolor ou mofo; e que tal processo é necessário, visto os produtos serem em madeira, com paletização em madeira de eucalipto. Alega, ainda, que a equivocada informação deste processo como despesas de armazenagem se deu pelo fato de que este serviço é terceirizado, realizado pela Empresa Austrasul, diretamente nos produtos já dentro dos contêineres. Reitera serem serviços/insumos aplicados diretamente nos produtos. b) Das despesas de capatazia: alega que as despesas de transporte de contêiner, tais como unitização/desunitização e respectivo uso de pátio, movimentação e posicionamento de contêiner, remoção para mudança de navio, não consideradas no despacho decisório, são despesas necessárias para o efetivo embarque das mercadorias; que são suportadas pelo requerente; que são uma continuidade do frete nas unidades industriais da requerente até o seu destino final; e que são pagas a empresas domiciliadas no país, cujas atividades são de serviços de transporte rodoviário, armazéns gerais e depósitos de mercadoria para terceiros. Glosas de Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas — CTRC'S emitidos sem as formalidades legais: alega que as glosas basearamse em meras suposições com base em amostragem de conhecimentos de transporte, descaracterizando todos CTRC cujos CNPJ eram coincidentes com os da amostra, dizendo anexar CTRCs que apresentam as informações necessárias para vinculação dos serviços prestados.Requer a aplicação dos índices de correção monetária sobre os créditos requeridos administrativamente, com base na Taxa Selic, da data do protocolo do pedido até a data do efetivo ressarcimento e/ou compensação. A 4ª Turma da DRJ/FNS julgou a Manifestação de Inconformidade parcialmente procedente, para reverter glosa no valor de R$4.492,00, referente à aquisição de Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN 6 item que considerou como insumo. O Acórdão nº 07020.203, de 11 de junho de 2010, fls. 1.138 a 1.152, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2007 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. Para efeito da nãocumulatividade das contribuições, há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelando o à necessidade na fabricação do produto e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto fabricado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO, COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos. de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESA DE TRANSPORTE. Há previsão de desconto de créditos sobre os valores das despesas e custos incorridos no mês relativos a frete apenas na operação de venda e quando o ônus for suportado pelo vendedor. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA. Os dispositivos legais em vigor relativos aos créditos de não cumulatividade afastam expressamente a aplicação de juros compensatórios no ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Sobreveio recurso voluntário contra a decisão da 4ª Turma da DRJ/FNS. O arrazoado de fls. 1.164 a 1.183, após síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma a contestação das glosas. Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720069/200883 Acórdão n.º 3403003.199 S3C4T3 Fl. 1.194 7 a. Das aquisições não reconhecidas como matériasprimas, produtos intermediários, matérias de embalagens e insumos, insistindo no caráter de insumo dos itens glosados: • Aquisições ao fornecedor "Matelétrica" ref. NF's 88.788, 88.574 e 89.667, que se referem a materiais elétricos utilizados para manutenção de máquinas e das instalações elétricas; • Aquisições ao fornecedor "Sanrello" ref. NF's 4.791, 4.814, 4.835, 4.911, 4.972 e 5.408, que se referem a matérias utilizadas na manutenção de máquinas utilizadas no processo produtivo, mais precisamente sensores utilizados na automação de máquinas; • Aquisição ao fornecedor "R.N. Automação Industrial" ref. NF 31.149, que se refere a material utilizado na manutenção de máquinas utilizados no setor de usinagem (corte e desdobramento de madeira); • Aquisições ao fornecedor "Schrader" ref. NF's 118.218, 119.419, 119.302, 120.653, 120.812, 121.977, que se referem a lubrificantes e filtros utilizados por máquinas e equipamentos na produção, os quais conforme o uso e desgaste necessitam de substituição, no caso dos filtros, e complementos no caso dos lubrificantes; • Aquisição ao fornecedor "Walter Schmidt" ref. NF 352, que se refere a aquisição de fusível utilizado no sistema elétrico das máquinas utilizadas na produção; • Aquisição ao fornecedor "Metalúrgica Turbina" ref. NF 11.059, que se refere a peça de substituição/manutenção utilizada na máquina de serrar toras; • Aquisição ao fornecedor "Penta Labor. Eletrônicos" ref. NF 99, que refere a válvula eletrônica, utilizado nas máquinas de corte e desdobramento de madeiras; • Aquisição ao fornecedor "Composur ref. NF 22.398, que se refere a material de manutenção/reposição utilizado em máquinas de corte de madeira, para definição do final de curso das serras de corte; • Aquisição ao fornecedor "Fiedler" ref. NF 123.363, que se refere a filtros utilizados em compressores de ar, os quais são utilizados no processo produtivo, a fim de gerar "arcomprimido" para limpeza dos produtos, mais precisamente do pó de serra, cepilho e outros resíduos da madeira; • Aquisição ao fornecedor "Chesiquimica" ref NF 7.282, que se refere a aquisição de aditivos dispersantes, utilizados na composição de vernizes/tintas aplicados para acabamento e pintura dos produtos finais, e que por se tratar de material intermediário, a classificação fiscal correta é 2.101 ao invés de 2.556; Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN 8 • Aquisições ao fornecedor "Quimatra" ref. NF's 12.230 e 12.410, que se referem à aquisição de agentes para tingimento, utilizados na composição de vernizes/tintas aplicados para acabamento e pintura dos produtos finais, e que por se tratar de material intermediário, a classificação fiscal correta é 1.101 ao invés de 1.556. b. Glosas com aquisições de óleos lubrificantes e hidráulicos, óleo diesel, gasolina e outros materiais, não enquadradas no conceito de insumo: alega que não lhe foi solicitado qualquer tipo de controle de consumo de combustíveis nem de qualquer outro insumo e que as glosas realizadas foram baseadas em meras suposições; explica que: • o óleo diesel é utilizado para manter os geradores, na frota de caminhões de carga e, principalmente, nos tratores, utilizados dentro do parque fabril para transporte e movimentação de madeiras e de contêineres; • o gás é utilizado em carregadeiras e empilhadeiras utilizadas no deslocamento dentro do parque fabril de produtos/madeiras e na carga e descarga destes, bem como em máquinas termo encolhíveis utilizadas para embalar produtos; • a gasolina é utilizada em carregadeiras e empilhadeiras utilizadas no deslocamento dentro do parque fabril de produtos/materiais e na carga e descarga destes; em veículos de pequeno porte utilizados para o deslocamento interno de produtos dentro da empresa e para o transporte na aquisição de diversos insumos, tais como etiquetas, embalagens, parafusos, peças de manutenção; em motosserras utilizadas para corte das ponteiras de toras, a fim de auxiliar o processo de serragem destas em tábuas e sarrafos; em roçadeiras e motosserras utilizadas para limpeza e desbaste de florestas de pinus, • os óleos lubrificantes e hidráulicos são utilizados nos geradores elétricos, sendo que destaca que os motores são os mesmos utilizados em caminhões de transporte pesado; em motores e dispositivos hidráulicos de máquinas e equipamentos; em motores, câmbio e freios. c) Das despesas de serviços de fumigação em contêiner, capatazia e armazenagem: i. Fumigação: insiste no caráter de insumo do serviço, enquanto tratamento químico que se dá a madeira, a fim de evitar a proliferação de pragas como brocas e cupins, e para evitar a formação de bolor ou mofo nos produtos, e que o fato de não ser realizado dentro das dependências da recorrente não retira o serviço da cadeia produtiva. ii. Despesas de capatazia, transporte de contêiner, tais como unitização/desunitização e respectivo uso de pátio, movimentação e posicionamento de contêiner, remoção para mudança de navio, ocorrem devido a estadia dos contêineres Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720069/200883 Acórdão n.º 3403003.199 S3C4T3 Fl. 1.195 9 entre o dia em que estes chegam ao porto e o dia de embarque no navio, constituindose, em verdade, na movimentação da armazenagem temporária dos contêineres em local seguro e apropriado. Pugna por que seja consideradas como continuidade do frete das unidades industriais da recorrente até o seu destino final. d) Dos conhecimentos de transporte rodoviário de cargas CTRVS emitidos sem as formalidades legais: alega que as glosas basearamse em meras suposições com base em amostragem de conhecimentos de transporte, descaracterizando todos CTRC cujos CNPJ eram coincidentes com os da amostra, dizendo anexar CTRCs que apresentam as informações necessárias para vinculação dos serviços prestados. Rechaça a utilização da regulamentação do ICMS do Estado de Santa Catarina como suporte para a glosa. Requer sejam reconhecidos os valores pertinentes aos CTRC's, cujas cópias das notas fiscais foram apresentadas na Manifestação de Inconformidade, já que as mesmas possuem os elementos capazes de identificar perfeitamente as operações, contendo as informações que foram grifadas pelo julgador singular em sua decisão, quando da utilização do art. 64, do Regulamento de ICMS de Santa Catarina. Pede ainda a atualização dos créditos pela taxa Selic ou outro índice a ser determinado, entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento e data das compensações promovidas pela Recorrente, às compensações de ofício, e a data do ressarcimento em espécie. Pede provimento. O presente processo foi distribuído ao relator, em 07/03/2014, para que fosse julgado em conjunto com o processo nº 13971.720064/200851, na forma prevista no § 7º do art. 49 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010. O recurso foi julgado pela 3º TO da 4ª Câmara na sessão de 22 de julho de 2014 e o Colegiado, por unanimidade de votos, deulhe provimento parcial. O resultado do julgamento consignado na Ata respectiva foi: Por unanimidade de votos, deuse provimento parcial ao recurso para o efeito de reverter as glosas das aquisições representadas pelas notas fiscais de entrada escrituradas com o CFOP 1.653. Ausente momentaneamente o Conselheiro Ivan Allegretti. Todavia, compulsando o dispositivo do voto condutor do Acórdão, abaixo reproduzido, constatei que o mesmo discrepava do resultado do julgamento assentado na Ata: À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para o efeito de reverter glosa das aquisições amparadas pelas NFs 119.302, 119.419, 120.812 e 121.977, quanto aos itens referentes a lubrificantes, bem assim as que documentaram entradas escrituradas com o CFOP 1.653. Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN 10 Em face dessa obscuridade, invocase o art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010, para que o Colegiado aprecie e saneie o vício. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração digitalmente estabelecida. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator ADMISSIBILIDADE A discrepância entre o dispositivo do voto condutor do Acórdão embargado e o resultado do julgamento constante da Ata (e, portanto, do próprio acórdão da decisão recorrida) é vício que reclama saneamento pela via dos aclaratórios previstos no art. 65 do RI CARF. MÉRITO Com efeito, o voto condutor da decisão embargada assim dispôs: Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 1.164 a 1.183 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJFNS4ª Turma nº 07 020.203, de 11 de junho de 2010. Matérias controvertidas Devolveuse a esta instância recursal o mérito das glosas da base de cálculo dos créditos da contribuição do valor (i) das aquisições de itens que escapam do conceito de insumo e (ii) de óleos lubrificantes e hidráulicos, óleo diesel, gasolina e outros materiais, não enquadradas no conceito de insumo; (iii) dos serviços portuários; (iv) dos conhecimentos de transporte rodoviário de cargas emitidos sem as formalidades legais e; (v) e do acréscimo de juros Selic ao valor do ressarcimento. Afastese do litígio a glosa referente à aquisição ao fornecedor "Chesiquimica" amparada pela NF nº 7.282, que foi revertida pelo colegiado a quo. Conceito de insumo adotado neste voto Já está pacificado nesta 3ª Turma Ordinária o entendimento de que o conceito de insumo para o fim de creditamento das contribuições sociais não cumulativas é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. Particularmente, entendo ainda mais apropriado a especificidade do conceito deduzido na jurisprudência do STJ, plasmado no REsp 1.246.317MG, Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 16.06.2011, segundo o qual (sublinhado no original): Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720069/200883 Acórdão n.º 3403003.199 S3C4T3 Fl. 1.196 11 Insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003 são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. O Min. Campbell Marques extraiu o que há de nuclear na definição de insumo para tal fim: 1º O bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos (pertinência ao processo produtivo); 2º A produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição (essencialidade ao processo produtivo); e 3º Não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto (possibilidade de emprego indireto no processo produtivo). Com esse conceito em vista, passemos à análise do caso concreto. Compulsando os autos, não logrei encontrar descrição do processo produtivo da ora recorrente. Todavia, de acordo com a Cláusula Segunda do Contrato Social Consolidado (cópia na fl. 861), constato que constituemse objetos da sociedade a fabricação de móveis e artefatos de madeira; a produção e comercialização de conservas de legumes, tubérculos, vagens, frutas , hortaliças folhosas, palmitos e outros vegetais; atividade agroindustrial de plantio de hortaliças, especiarias hortícolas condimentares e frutas; produção e comercialização do xaropes e sucos naturais de frutas; produção e comercialização de briquetes de madeira e compostagem orgânica de resíduos e cascas de pinus, eucalipto e outras madeiras; atividade agroindustrial de plantio, reflorestamento e extração de toras para posterior industrialização; transporte rodoviário de cargas e a participação em outras sociedades. Ao mérito das glosas. Glosa das aquisições não reconhecidas como matériasprimas, produtos intermediários, matérias de embalagens e insumos A maioria das glosas relacionadas referese a partes e peças e material para manutenção de tratores, empilhadeiras, máquinas e equipamentos, itens de ativação obrigatória, já beneficiados com a possibilidade de creditamento com base nas despesas de depreciação. Melhor sorte teria a reclamação contra a glosa das aquisições amparadas pelas NF 12.230 e 12.410 caso, efetivamente correspondessem aos agentes para tingimento a que alude o recurso voluntário, pois subsumirseíam no conceito de insumo que aqui se defende. Todavia, em pesquisa na Internet1, constatei que o item Quimalub Speed, em vez de agente de tingimento, é cera desmoldante e protetor para prensas alta freqüência e finger joint. Assim sendo, pela mesma razão, a glosa das aquisições desse item também merece ser mantida. 1 http://www.quimatra.com.br/produtos/2/6 Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN 12 A insurgência contra a glosa das aquisições amparadas pelas abaixo listadas, todavia, é procedente quanto aos itens referentes a lubrificantes. Tratase de item cuja aquisição enseja a tomada de crédito, cfe. o inc. II do art. 3° da Lei de Regência. Nº DA NF FORNECEDOR ITEM FOLHA DO PROCESSO 119.302 MOBIL FLUID 499 1.048 MOBIL SUPER HP MOBIL DELVAC 119.419 HIDRÁULICO 68 1.049 120.812 HIDRÁULICO 68 1.054 MOBIL DELVAC 121.977 Schrader MOBIL SUPER 1.058 Revertamse as glosas respectivas. Glosa das aquisições de óleos lubrificantes e hidráulicos, óleo diesel, gasolina e gás Os gastos com os referidos itens, escriturados com o CFOP 1.101 (Compra Para Industrializaçâo) e 1.653 (Compra de combustível ou lubrificante por consumidor ou usuário final), foram glosados porque não quedou efetivamente comprovada sua efetiva utilização no processo produtivo. Especificamente em relação ao óleo diesel, a Fiscalização entendeu necessário a apresentação de um controle auxiliar, que atestasse o uso no processo produtivo. Na Manifestação de Inconformidade, há descrição de como os referidos itens são utilizados no processo produtivo, argumento repetido no recurso voluntário. Por tal descrição, infiro que, de fato, se cuida de itens de aplicação típica na atividade do recorrente segundo seu objeto social, seja na alimentação de geradores de energia elétrica, ou na movimentação de tratores, caminhões, motosserras e em veículos em geral, mesmo que na atividade de extração de madeiras próprias, atividades objetadas na decisão recorrida Assim, por entender que os gastos com combustíveis e lubrificantes (Diesel Aditivado, Gasolina Comum, óleo Mobil Super HP e hidráulico), no contexto do processo produtivo da recorrente, subsumemse no conceito de insumo esposado neste voto, acolho os argumentos recursais para o efeito de reverter as glosas das aquisições representadas pelas notas fiscais de entrada escrituradas com o CFOP 1.653 (Compra de combustível ou lubrificante por consumidor ou usuário final). Das glosas de conhecimentos de transporte rodoviário de cargas inábeis para ensejar a tomada de crédito Conforme relatado, a Fiscalização glosou tomada de crédito sobre fretes pagos ao amparo de conhecimentos de transporte que não permitiram a certificação completa da operação por não conterem informações tais como quantidade, espécie, peso, número de notas fiscais, valores, relativos aos produtos transportados, e informação quanto ao custeio do frete, se pago pelo fornecedor "frete pago" ou adquirente "frete a pagar". A Fiscalização fez referência a norma constante do regramento do ICMS do Estado de Santa Catarina. As glosas referemse a documentos emitidos por transportadores com CNPJ 08.401.033/000153 (1 CTRC), 02.843.765/000119 (11 CTRCs) e 03.958.580/000112 (3 CTRCs). A recorrente reclama do procedimento baseado em amostragem, do emprego de legislação estranha à contribuição de que se trata e pugna pelo crédito referente aos CTRCs Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720069/200883 Acórdão n.º 3403003.199 S3C4T3 Fl. 1.197 13 que juntou à MI, que conteriam as informações tidas como necessárias para a perfeita identificação da operação. A reclamação é improcedente. A Fiscalização analisou todos os CTRCs, infirmando tão somente 15 (quinze) deles. Os demais, portanto, foram admitidos. Embora, efetivamente, a legislação referida seja impertinente, a glosa foi oportuna e correta: os créditos só podem ser apropriados am amparo de documentação fiscal que assegure sua liquidez e certeza, não garantidos por conhecimentos de transporte que não referem quantidade, espécie, peso, número de notas fiscais, valores, relativos aos produtos transportados, e informação sobre quem suporta o encargo. A tomada de crédito das contribuições sociais não cumulativas há de ser feita à vista de documentação idônea e hábil para esse fim, contendo informações mínimas que certifiquem sua liquidez e certeza. Mantenhase a glosa. Glosa dos gastos referentes à aquisição de serviços portuários não enquadrados como despesas de armazenagem e fretes na operação de venda A glosa em questão referese à aquisição de serviços portuários relacionados a contêineres tais como unitização, desunitização, posicionamento, fumigação, remoção, movimentação; diária, liberação, capatazia e serviços de agenciamento, não enquadrados como despesas de armazenagem e fretes na operação de vendas. Compulsando os autos, constatei que as notas fiscais referidas na planilha de cálculo apresentada pelo contribuinte referemse a despesas com movimentação de contêiner cheio; serviço de fumigação de pallets; despesas com capatazia e reembolso de CPMF; movimentação de embarcação; transporte de contêineres vazios e devolução dos mesmo para o exportador; descarga de contêineres; vistoria de contêineres; handling de contêineres; unitização e desunitização de contêineres e uso de pátio. Segundo minha convicção, essas operações não estão abrangidos no conceito de armazenagem e tampouco podem ser concebidas como etapa do frete nas operações de venda, como pretende a recorrente, razão pela qual entendo que as glosas devem ser mantidas. Correção do valor do ressarcimento O pleito de atualização monetária do valor do ressarcimento encontra óbice instransponível no art. 13 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, aplicável ao PIS, a partir de 01/02/2004, pela norma de extensão do art. 15. Nego. Conclusão À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para o efeito de reverter glosa das aquisições amparadas pelas NFs 119.302, 119.419, 120.812 e 121.977, quanto aos itens referentes a lubrificantes, bem assim as que documentaram entradas escrituradas com o CFOP 1.653. Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN 14 Sala de sessões, em 22 de julho de 2014 Alexandre Kern CONCLUSÃO À vista do exposto, voto por que se acolham os embargos de declaração, para retificar o resultado do julgamento do acórdão embargado, que passa a ser o seguinte: Por unanimidade de votos, deuse provimento parcial ao recurso para o efeito de reverter glosa das aquisições amparadas pelas NFs 119.302, 119.419, 120.812 e 121.977, quanto aos itens referentes a lubrificantes, bem assim as que documentaram entradas escrituradas com o CFOP 1.653. Sala de sessões, em 21 de agosto de 2014 Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10665.720784/2011-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
APURAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA EM OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL COM BASE EM AFERIÇÃO INDIRETA.
Não estando o contribuinte obrigado a manter livros Diários, em razão do seu enquadramento no SIMPLES, correta a apuração das remunerações dos trabalhadores que laboraram na construção por aferição indireta, nos termos do §4º do art. 33, da Lei n. 8.212/1991.
OBRA INACABADA. CARACTERIZAÇÃO.
Embora o imóvel esteja sendo utilizado pelo contribuinte há mais de cinco anos, seja para consecução da sua atividade fim, seja como residência de um de seus sócios, não se pode presumir que este esteja em condições de uso e habitabilidade, se não foram atendidas as condições para emissão do habite-se.
Se não foram realizados os acabamentos necessários à emissão do habite-se, não é correta a cobrança da contribuição previdenciária sobre as remunerações que serão necessárias à conclusão e regularização total da obra perante o Poder Público.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.577
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para limitar a exigência das contribuições autuadas considerando-se o percentual de obra acabada de 53%.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Kleber Ferreira de Araújo.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 APURAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA EM OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL COM BASE EM AFERIÇÃO INDIRETA. Não estando o contribuinte obrigado a manter livros Diários, em razão do seu enquadramento no SIMPLES, correta a apuração das remunerações dos trabalhadores que laboraram na construção por aferição indireta, nos termos do §4º do art. 33, da Lei n. 8.212/1991. OBRA INACABADA. CARACTERIZAÇÃO. Embora o imóvel esteja sendo utilizado pelo contribuinte há mais de cinco anos, seja para consecução da sua atividade fim, seja como residência de um de seus sócios, não se pode presumir que este esteja em condições de uso e habitabilidade, se não foram atendidas as condições para emissão do habite se. Se não foram realizados os acabamentos necessários à emissão do habitese, não é correta a cobrança da contribuição previdenciária sobre as remunerações que serão necessárias à conclusão e regularização total da obra perante o Poder Público. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 07 84 /2 01 1- 97 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para limitar a exigência das contribuições autuadas considerandose o percentual de obra acabada de 53%. Elias Sampaio Freire Presidente Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10665.720784/201197 Acórdão n.º 2401003.577 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Autos de Infração – DEBCAD’s nºs 37.023.1090, 37.322.1096 e 37.322.1100, consubstancializados no PAF nº 10665.720784/201197, por meio dos quais estão sendo exigidas contribuições previdenciárias referentes ao período de 01/2006 a 12/2007, cuja ciência foi obtida pela ora Recorrente em 04.04.2011 (fl. 35). Da análise dos Autos de Infração nºs 37.023.1090, 37.322.1096 e 37.322.1100, e do respectivo Relatório Fiscal de fls. 20/22, inferese que o crédito exigido por meio do PAF 10665.720784/201197 tem por objeto a cobrança de valores discriminados da seguinte forma: 1. DEBCAD nº 37.023.1090 – correspondente às contribuições patronais (alíquota 20%) para a seguridade social e para financiamento do Seguro Acidente de Trabalho – SAT (alíquota 3%), incidentes sobre o valor da mão de obra aferida; 2. DEBCAD nº 37.322.1096 – correspondente às contribuições dos segurados (alíquota 8%), incidentes sobre o valor da mão de obra aferida; 3. DEBCAD nº 37.322.1100 – correspondente às contribuições destinadas a Outras Entidades (Terceiros, alíquota de 5,8%), incidentes sobre o valor da mão de obra aferida. Ainda segundo o relatório fiscal, tais exigências se originaram do procedimento fiscal que teve por finalidade regularizar a obra de construção civil de propriedade da empresa, identificada pelo CEI nº 50.024.35819/74, a qual foi cadastrada em nome de sua antecessora “Adilson Camilo – EPP”, tendo a obra sido executada no período de 10/2005 a 02/2007, e que se apresenta na descrição de seu projeto da seguinte forma: Descrição Natureza Quantificação Área do subsolo Andar livre (indústria) 322,75 m² Área do térreo Andar livre (indústria) 532,95 m² Área do apartamento Residência 413,45 m² Área total construída 1.269,15 m² Consta ainda do relatório que: ü A empresa, por se enquadrar no SIMPLES, não estava obrigada a manter livro Diário, não havendo registro contábil dos gastos relativos à obra. Assim, aduz que se baseou nos seguintes documentos para lastrear o lançamento: Ficha de Cadastro da Obra (fl. 30), Projeto da Obra (fl. 32), Declaração de Lançamento de IPTU (fl. 31) e relatório simulado de Aviso de Regularização de Obra – ARO (fl. 33/34). Fl. 152DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 ü A remuneração da mão de obra e as contribuições previdenciárias correspondentes foram apuradas por aferição indireta com base na área construída e no padrão da obra, utilizandose as tabelas do Custo Unitário Básico – CUB, divulgadas mensalmente pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil – SINDUSCON/MG, tendo como referência a competência de 02/2011. ü Considerandose que a data de início da obra se deu em 20/10/2005, apurouse no relatório simulado de ARO uma área decadente de 223,97 m², referente ao período de 10/2005 a 12/2005. Para a área executada em período não decadente de 1.045,18 m², referente ao período de 01/2006 a 02/2007, apurou se uma remuneração de mão de obra a regularizar correspondente a R$ 157.698,54. ü Parte da área do apartamento, equivalente a 250,06 m² foi reduzia em 50% por corresponder a áreas de livres de garagem e varanda, conforme o relatório simulado de ARO. ü As contribuições recolhidas na matrícula da obra foram devidamente apropriadas na apuração do valor da mão de obra a regularizar conforme o mencionado relatório. Cientificado da presente autuação (fl. 35), o contribuinte apresentou impugnação (fls. 37/53), arguindo: I. que o auditor considerou que o imóvel, na data da autuação, estava pronto e acabado, o que seria inverídico, tendo em vista que a obra, à época, se encontrava em andamento, não possuindo termo de habitese ou certidão de conclusão de obra – CCO, havendo, inclusive, laudo técnico (fls. 63/65, e fotografias de fls. 66/79) assinado por engenheiro comprovando que se trata de obra inacabada; II. que as etapas a serem concluídas constitui o básico da construção, não tendo sido aplicada grande parte da mão de obra que deverá ser utilizada até a conclusão, não havendo razão para exigência da contribuição previdenciária; III. que o valor da mão de obra até poderia ser estimado, contudo não poderia ter sido presumido o valor da folha de pagamento enquanto a etapa da obra não tivesse sido executada; IV. que a lei não fixa obrigação de pagar contribuição previdenciária antecipadamente e, tampouco, permite que obreiros atuem na construção civil sem contratação e cumprimento das obrigações trabalhistas, fato este que poderia arcar em nova incidência por ocasião da conclusão da obra; V. que autuação não se encontra lastreada em fatos geradores devidamente comprovados, razão pela qual seria uma ofensa às disposições do art. 116 e 142 do CTN, que também se aplicaria à adoção do método de aferição por estimativa (CUB) da mão de obra utilizada, já que não houve comprovação por parte do fisco da contratação de mão de obra; VI. requereu a realização de perícia técnica para elucidar as divergências entre os laudos apresentados pelo contribuinte e pelo fisco; VII. pugnou pela improcedência da autuação. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10665.720784/201197 Acórdão n.º 2401003.577 S2C4T1 Fl. 4 5 Às fls. 84/87, após a apresentação da impugnação, por meio de despacho foi solicitado o encaminhamento dos autos para a Delegacia Fiscal de origem para que a Fiscalização procedesse com as seguintes diligências: “a) Intime o contribuinte a apresentar o laudo de avaliação técnica de profissional habilitado pelo Crea, acompanhado da respectiva ART, no qual seja informado o percentual da construção já realizada, em relação à obra total; b) Promova a retificação dos valores lançados, aplicandose o disposto na IN RFB nº 971, de 13/11/2009, relativamente a regularização de obra inacabada, caso o impugnante apresente o documento na forma indicada na alínea anterior; c) Caso o impugnante não atenda a intimação mencionada na alínea “a” deste item, após analisar os documentos de fls. 63/79, aponte se existem ou não elementos suficientes para que se promova a revisão da remuneração (base de cálculo) arbitrada; e, d) Elabore demonstrativo ou ARO apurando os valores das contribuições que devem ser mantidas, apenas no caso de eventuais retificações”. Após a realização da diligência solicitada, foi elaborada Informação Fiscal de fls. 89/91, a qual transcrevemos em partes: 2. O Contribuinte, em atendimento à intimação, apresentou no prazo determinado no TIPF o Laudo de Avaliação Técnica emitido pelo Engenheiro João Paulo Ferreira, inscrito no CREA/MG sob o nº 05002172, e a ART expedido pelo CREA. Neste Laudo o Engenheiro atesta que a conclusão de parte da obra ocorreu em 28/02/2007 e que esta parte corresponde a 53,41%da área total de 1.269,15 m2 (laudo anexo). 3. Na mesma data da intimação, ou seja, em 02/07/2012, efetuamos uma vistoria no imóvel, devidamente acompanhada pelo representante legal da empresa (...) 4. A habitabilidade da unidade residencial (apartamento) e o funcionamento pleno da fábrica de calçados exclui o imóvel do conceito de obra inacabada definido no item VII do artigo 322 da IN RFB nº 971/2009: “obra inacabada corresponde à parte executada de um projeto que resulte em edificação sem condições de habitabilidade, ou de uso, para a qual não é emitido habitese, certidão de conclusão da obra emitida pela prefeitura municipal ou termo de recebimento de obra, quando contratada com a Administração Pública”. 5. A comprovação de término da obra para fins decadencial está definida no item III do § 3° do artigo 390 da IN RFB n° 971/2009: “A comprovação do término da obra em período decadencial darseá com apresentação de um ou mais dos seguintes documentos: ......... III – certidão de lançamento tributário contendo o histórico do respectivo IPTU”. A Prefeitura Municipal de Nova Serrana declara o lançamento do IPTU relativo à obra desde o exercício de 2007 (declaração anexa). 6. Com base nas considerações acima, concluímos que o percentual de conclusão da obra, correspondente a 53,41%, declarado no Laudo de Avaliação Técnica apresentado pelo Contribuinte, não correspondente à realidade dos fatos. O resultado da nossa vistoria demonstra que o percentual de conclusão da obra se situa em percentual muito superior ao declarado no Laudo. Os itens inacabados da construção, citados pelo Contribuinte em sua defesa e comprovados pela nossa vistoria, são irrelevantes frente aos fins a que se destina o imóvel. A ocupação e uso da área residencial, o funcionamento pleno da Fábrica e o lançamento do IPTU pela Prefeitura reforça a tese de que o imóvel encontrase apto ao cumprimento integral de suas finalidades básicas desde o exercício de 2007. Para tanto, Fl. 154DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 sugerimos a manutenção dos cálculos demonstrados no ARO e do valor do débito lançado. O Laudo apresentado pelo contribuinte está juntado às fls. 95/98. O contribuinte foi intimado acerca das conclusões da diligência e se manifestou às fls. 102/105, alegando, em síntese, que: 1. o SINDUSCON divulga tabela de custos levando em conta o padrão da obra, assim como etapas de construção, e que no presente caso dependeria de uma avaliação técnica do estágio da obra para se chegar a contribuição devida, e não de uma narrativa fiscal com base em visita ao local. Não fosse assim, pouco ou nada valeria o cumprimento da intimação pela empresa para apresentar um laudo técnico certificando o estágio da obra; 2. Segundo o art. 322, VII da IN RFB nº 971/2009, obra inacabada se define pelas condições de uso e não pela ocupação do imóvel, e que não há nenhuma certificação de condições de uso para o imóvel, sendo inegável o estágio da obra inacabada; 3. Assevera que as considerações do fisco em razão da aparência e da ocupação do imóvel não encontram amparo na lei a ponto de ser o bastante para contraditar o relatório técnico apresentado; 4. Reiterou todos os termos da impugnação, e pugnou pela improcedência da autuação. Instada a se manifestar sobre a Impugnação apresentada, a 8ª Turma DRJ/BHE proferiu o acórdão 0241.562, fls. 115/127, abaixo ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições, a seu cargo. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados contribuintes individuais a seu serviço e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições previdenciárias a seu cargo. CONTRIBUIÇÕES OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições para Outras Entidades e Fundos a seu cargo. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. ARBITRAMENTO. As bases de cálculo das contribuições previdenciárias devidas pela empresa e pelos segurados, relativas à obra de construção civil, serão arbitradas pela fiscalização caso o sujeito passivo não disponibilize, após intimação, documentos suficientes para verificação da existência e regularidade dos recolhimentos. Irresignado com a decisão proferida pela primeira instância administrativa, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 132/138), reiterando o quanto aduzido na Fl. 155DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10665.720784/201197 Acórdão n.º 2401003.577 S2C4T1 Fl. 5 7 Impugnação e na sua Manifestação acerca da diligência fiscal, pugnando pela improcedência da autuação. À fl. 147, foi realizado o encaminhamento dos autos para julgamento por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim, Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Como visto no relatório, os presentes autos versam sobre obrigações principais de contribuições sociais previdenciárias parte empresa, parte segurados, e parte de terceiros, respectivamente consubstancializadas nos DEBCADS nºs 37.023.1090, 37.322.109 6 e 37.322.1100. Observase, também, que o recorrente apresentou suas razões recursais de forma a abranger todo o lançamento efetuado pelo fiscal, não segregando “por matéria pertinente a cada auto de infração”. Ao combater a autuação, o Recorrente alega que nos termos do art. 116 do CTN, o fato gerador reputase ocorrido quando ocorrer o fato típico definido em lei, ou quando restarem provados os efeitos jurídicos que lhe são próprios, sendo que, no caso, não se pode falar em aplicação de mãodeobra sem que a obra esteja concluída, como é o caso. Prossegue afirmando que a lei não fixa a obrigação de pagar contribuição previdenciária antecipadamente, o que poderia resultar na exigência, contra o proprietário, destas contribuições em duplicidade – antecipadamente e ao término da obra, e que para a exigência das contribuições teria que se provar o pagamento de mãodeobra contratada e aplicada na obra, não sendo suficiente presumir a existência de fato típico, apurandose o tributo devido com base em estimativas e, desta forma, afrontando a estrita legalidade. Inicialmente, cumpre firmar que é indubitável a execução de obra de construção civil e, consequentemente, a utilização de mão de obra para este fim. Diante de tal fato, e considerando que a empresa antecessora, ADILSON CAMILO – EPP (a qual cadastrou a obra e efetuou entre o período de 10/2005 a 02/2007) não estar, à época, obrigado a realizar escrituração contábil em livro Diário e Razão e, desta forma, não ter formalizado dos gastos relativos à obra, o método de aferição indireta utilizada tem lastro no § 4º do art. 33 da Lei n. 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. § 4º Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da Fl. 157DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10665.720784/201197 Acórdão n.º 2401003.577 S2C4T1 Fl. 6 9 unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. Tal método está previsto nos arts. 344 a 363 da IN RFB nº 971/2009. Portanto, não há que se falar em ofensa à estrita legalidade ou presunção da ocorrência do fato gerador, estando correto o procedimento adotado pelo auditor fiscal ao apurar o valor das remunerações com base no Relatório Simulado de Aviso de Regularização de Obra – ARO, formalizado com base na IN/RFB n. 971/2009. Isto posto, cumprenos verificar se a obra objeto da fiscalização, para fins de incidência de contribuição previdenciária, encontrase inacabada (como aduz o Recorrente), ou não (como considerou a autoridade fiscal autuante e a decisão de primeira instância). Em sua impugnação e recurso, o Recorrente afirma que a obra não está concluída, tendo sido aplicada menos de 50% da mão de obra que será empregada até a conclusão, requerendo a realização de perícia técnica para provar tal alegação. O Recorrente junta aos autos Laudo Técnico feito por Engenheiro Civil (fls. 6365), o qual atesta que: A obra encontrase com a fundação, estrutura, alvenaria e laje concluídas com acompanhamento de técnico habilitado, enquanto o reboco, esboço e contrapiso foram concluídos sem o devido acompanhamento técnico de profissional habilitado. Insta mencionar que, os acabamentos estão incompletos, conforme citados abaixo: hall de escada sem corrimão; casa de máquina: buracos nas paredes, tubulações e fiações expostas, tijolos sem reboco, portão de acesso à casa de máquinas sem acabamento e falta alçapão de acesso; tubulações expostas na sala de recepção; todo o teto da loja sem acabamento de PVC ou gesso, tubulações de rede de esgoto e rede pluviais expostas e buracos nas paredes; banheiros do porão sem acabamento, alvenaria incompleta, teto com tubulações da rede de água e rede pluviais expostas. corredor externo sem acabamentos, o piso está no contrato e as paredes sem pintura; todas as partes externas dos muros estão sem acabamento, tijolos e buracos aparentes; portão de acesso externo sem pintura. A partir das alegações feitas pelo contribuinte em sua impugnação de que a obra em questão tratavase de “obra inacabada”, a Ilma. 8ª Turma da DRJ/BHE solicitou Fl. 158DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 diligência a ser cumprida pelo fiscal autuante e pelo contribuinte, com vistas a esclarecer a aplicação ou não da Regularização de Obra Inacabada (como requerido pelo ora Recorente). Em cumprimento à diligência, o Recorrente anexou aos autos o Laudo de Avaliação emitido pelo Eng. João Paulo Ferreira (fls. 9597) atestando a falta dos seguintes acabamentos em parte da obra: chapisco reboco e pintura na estrutura; guarda corpo na escadaria; chapisco, reboco, acabamento e pintura no muro externo; pintura e acabamento no subsolo; cimentação final e acabamento do piso do subsolo; sanitários do subsolo sem acabamento nas paredes e com alvenaria exposta; teto do subsolo sem chapicos, reboco e sem acabamento em gesso; instalações elétricas precárias no subsolo; instalação hidráulica exposta no subsolo; falta de acabamento final do piso do pavimento térreo; falta de gesso no teto do pavimento térreo; instalações hidráulicas aparentes no piso térreo e, por fim, falta de corrimão da escada do apartamento e fiação exposta na casa de máquinas. No mesmo Laudo de Avaliação, o engenheiro conclui que a obra do prédio está paralisada desde fevereiro/2007, estando parcialmente concluída, alvenaria faltando grande parte do chapisco externo e interno reboco externo e interno, acabamento e pintura. Na mesma data da intimação, ou seja, em 02.07.2012, o auditor fiscal autuante vistoriou o imóvel, acompanhado de representando legal do Recorrente, tendo constatado a falta de alguns acabamentos, como apontado no laudo de avaliação, a exemplo da ausência de pintura do portão de acesso, ausência de reboco nos muros externos, fiação exposta na casa de máquinas, mas constatando que: · A fachada externa está totalmente concluída; · A parte residencial está totalmente concluída e em uso desde 2007; · O hall de escada e recepção estão em uso, não obstante a ausência de corrimão e tampas provisórias em algumas caixas de luz; · Não obstante o teto em concreto aparente e acabamento básico do piso, a fábrica funciona no imóvel há mais de cinco anos; Ao se manifestar, o Recorrente afirma ser inegável que apenas 53% da obra foi concluída (como apontado no laudo elaborado pelo engenheiro) e que a habitabilidade da obra se define pelas condições de uso e não por sua efetiva ocupação. Reitera, portanto, a alegação de que a obra se encarta no conceito de obra inacabada. Registrese ainda que, conforme pontuado na decisão de primeira instância, a edificação objeto da fiscalização é exatamente a mesma onde se desenvolve a atividade empresarial da recorrente, qual seja, a fabricação, importação e comercialização de calçados, injeção e comercialização de solados, conforme cláusulas quarta e quinta do seu Contrato Social (fls. 57/58); que um dos sócios reside no mesmo endereço objeto de autuação (qualificação do segundo sócio no Contrato Social, contida na fl. 57), e; que desde 2007, a Prefeitura de Nova Serrana efetua o lançamento do IPTU sobre o imóvel em questão (fl. 99). Diante dos fatos acima narrados, é incontestável que um dos sócios da Recorrente reside no imóvel, bem como que as atividades da Recorrente são lá desenvolvidas há mais de cinco anos, tendo a obra sido paralisada desde 2007. Isto posto, passemos a verificar se a obra pode ser conceituada como obra inacabada. O conceito de obra inacabada está previsto no inciso VII do art. 322 da IN/RFB no 971/2009, nos seguintes termos: Fl. 159DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10665.720784/201197 Acórdão n.º 2401003.577 S2C4T1 Fl. 7 11 IN RFB nº 971/2009 Art. 322. Considerase: (...) VII obra inacabada, a parte executada de um projeto que resulte em edificação sem condições de habitabilidade, ou de uso, para a qual não é emitido habitese, certidão de conclusão da obra emitida pela prefeitura municipal ou termo de recebimento de obra, quando contratada com a Administração Pública; Ou seja, para que construção seja considerada obra inacabada, ensejando o tratamento previsto no art. 373 da IN RFB nº 971/2009 acerca da “Regularização de Obra Inacabada”, é necessário que esta não tenha condições de habitabilidade ou uso. No caso, é incontestável que o imóvel está sendo utilizado pelo contribuinte Recorrente, tanto na consecução das suas atividades, como para fins residenciais de um de seus sócios. Entretanto, o fato de estar sendo habitada e utilizada, não significa que estejam sendo atendidas as condições de uso e habitabilidade. Ora, se não há corrimão de escadas, se há fios aparentes e descobertos na casa de máquinas, presumese que a obra, embora esteja sendo habitada, não está “em condições de habitabilidade e uso”. Certamente, uma obra que não apresenta condições de segurança adequadas, que não apresenta correta funcionalidade das instalações hidráulicas, sanitárias, elétricas e de combate a incêndio não receberá o habitese pelo Poder Público municipal, justamente por faltarlhe as condições de uso e habitabilidade assim consideradas pelo Poder Público. E tal aspecto é relevante na aferição indireta da remuneração dos trabalhadores que laboraram na obra. Isto porque, os critérios previstos nos arts. 345 e ss. da Instrução Normativa n. 971/2009 consideram o padrão de construção e o tipo de construção, levando em considerações obras acabadas, ou seja, obras em plenas condições de uso e habitabilidade, hábeis à obtenção de habitese pelo Pode Público, em razão do atendimento a todas as condições de segurança necessárias à concessão deste documento. Por outro lado, se os acabamentos necessários à concessão do habitese não foram ainda realizados, não é admissível a cobrança das contribuições autuadas sobre a parcela da remuneração que deverá ser futuramente paga para conclusão da obra, para colocar a construção em condições de uso e habitabilidade, para obtenção do habitese pela Recorrente. Seguindo esta linha, entendo que deve ser acatado o argumento do Recorrente, consubstanciado em laudo elaborado por profissional habilitado no CREA, atestando que apenas 53% da obra está concluída e, consequentemente, sendo mantida a cobrança apenas no que tange a esta parcela da obra, devendo, portanto, as contribuições serem Fl. 160DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 cobradas nos termos do art. 373 da IN/RFB 971/2009, levandose em conta o percentual de conclusão da obra indicado no laudo acostado aos autos. Diante do exposto, dou parcial provimento ao recurso, determinando o cálculo das contribuições autuadas, nos termos do art. 373 e ss. da IN/RFB n. 971/2009, considerandose, para tanto, o percentual de conclusão da obra indicado em laudo técnico, qual seja, 53%. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, para limitar o recolhimento de contribuições sobre o percentual de obra acabada de 53%. É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10935.906259/2012-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 20/03/2007
Recurso Voluntário não conhecido
A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
Numero da decisão: 3802-003.226
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 62 59 /2 01 2- 11 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ/CTA, a qual, por unanimidade de votos julgou pelo não acolhimento da manifestação de inconformidade apresentada. Em ato contínuo, o despacho decisório pela DRF de Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do PER/DCOMP, devido à inexistência de crédito pleiteado, já que o pagamento de PIS/PASEP, do período acima indicado, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte o mesmo fato gerador, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/03/2007 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PERD/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE NORMAS VIGENTES JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da COFINS, sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, já que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998 não pode ser alargado ao ponto de abranger o conceito de ingresso. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que a matéria posta para análise – inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, não está afeta à competência desse Fl. 56DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906259/201211 Acórdão n.º 1802003.226 S1TE02 Fl. 12 3 colegiado, já que não é permitido aos Conselheiros do CARF se pronunciarem sobre os aspectos constitucionais de lei tributária. É de rigor a aplicação da Súmula CARF nº 02 que determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Precedentes: Acórdão nº 10194876, de 25/02/2005 Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201 77691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005. Portanto, pelas razões por mim aqui expostas, NÃO CONHEÇO do recurso ora interposto (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 11516.721884/2011-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3101-000.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral o Dr. João Henrique Gonçalves Domingos, OAB/SP 189.262, advogado do sujeito passivo
Rodrigo Mineiro Fernandes Presidente substituto e relator.
EDITADO EM: 20/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Glauco Antonio de Azevedo Morais, José Mauricio Carvalho Abreu (Suplente) e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral o Dr. João Henrique Gonçalves Domingos, OAB/SP 189.262, advogado do sujeito passivo Rodrigo Mineiro Fernandes – Presidente substituto e relator. EDITADO EM: 20/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Glauco Antonio de Azevedo Morais, José Mauricio Carvalho Abreu (Suplente) e Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório O processo trata de Recurso Voluntário contra o Acórdão DRJ/FNS, de 12 de abril de 2013, exarado pela 4ªTurma da DRJ de Florianópolis, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, mantendo o r. Despacho Decisório da DRF Florianópolis, que indeferiu o Pedido Eletrônico de Ressarcimento, e as Dcomps a ele vinculadas. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .7 21 88 4/ 20 11 -1 5 Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 11516.721884/201115 Resolução nº 3101000.369 S3C1T1 Fl. 4 2 O referido acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ANOCALENDÁRIO: 2008 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANOCALENDÁRIO: 2008 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Respeitados pela autoridade administrativa os princípios da motivação e do devido processo legal, improcedente é a alegação de cerceamento de defesa e nulidade do feito fiscal. DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento e compensação. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessário e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindíveis são as diligências e perícias requeridas pelo contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferilas. DIREITO DE CRÉDITO. ALEGAÇÕES CONTRA O FEITO FISCAL. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Nos processos administrativos referentes reconhecimento de direito creditório, deve o contribuinte, em sede de contestação ao feito fiscal, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela autoridade fiscal para não reconhecer, ou reconhecer apenas parcialmente o direito pretendido. COFINS. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DO CRÉDITO. DACON No âmbito do regime não cumulativo das Contribuições para o PIS e da Cofins, a apuração dos créditos é realizada pelo contribuinte por meio do Dacon, não cabendo a autoridade tributária, em sede do contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses créditos, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados neste demonstrativo. COFINS. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. VENDAS A EMPRESAS EXPORTADORAS. ISENÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. No âmbito do regime não cumulativo das Contribuições para o PIS e da Cofins, a responsabilidade tributária pelo pagamento das contribuições devidas e seus consectários legais, no caso de venda a empresa exportadora sem o preenchimento dos requisitos legais da isenção no momento da venda, é do contribuinte vendedor das mercadorias. Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 11516.721884/201115 Resolução nº 3101000.369 S3C1T1 Fl. 5 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS ANOCALENDÁRIO: 2008 COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da COFINS são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo da COFINS, somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. No âmbito do regime não cumulativo da COFINS, a natureza do bem produzido pela empresa que desenvolva atividade agroindustrial é considerada para fins de aferir seu direito ao aproveitamento do crédito presumido, já no cálculo do crédito deve ser observada a alíquota conforme a natureza do insumo adquirido. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. REQUISITOS ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a suspensão estabelecida pelo art. 9º da Lei nº 10.925/2004 na operação de venda dos produtos a que este se refere, quando o adquirente seja pessoa jurídica tributada com base no lucro real, exerça atividade agroindustrial e utilize o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º da IN SRF nº 660/2006. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. ISENÇÃO. VENDA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Para que a operação de venda se enquadre na definição de fim específico de exportação e faça jus à isenção da contribuição o produtorvendedor deve remeter os produtos vendidos a empresa exportadora diretamente para embarque de exportação, por conta e ordem do exportador, ou para recinto alfandegado. Os procedimentos levados a efeito junto à contribuinte fizeram parte da verificação de ofício dos PER/Dcomp, bem como das bases de cálculo da contribuição para o PIS e da COFINS apuradas pela Perdigão Agroindustrial Mato Grosso Ltda, no período entre 2006 e 2008. Como conseqüência dos procedimentos de ofício foi recomposta a apuração das Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 11516.721884/201115 Resolução nº 3101000.369 S3C1T1 Fl. 6 4 bases de cálculo (débitos e créditos) de PIS e COFINS dos períodos fiscalizados em dois atos distintos: (1) os despachos decisórios, nos quais foram analisados os créditos de PIS e COFINS apurados pela contribuinte; e (2) os autos de infração, por meio dos quais foram constituídos de ofício os créditos tributários relativos aos débitos que não foram declarados ou foram omitidos pela contribuinte. Devido às normas procedimentais, esses atos, embora tratem da mesma matéria fática e sejam suportados pelos mesmos elementos de prova, foram acostados em processos administrativos apartados: Processo relativo aos Autos de Infração: 11516.721009/201214 Processos relativos aos créditos: TRIMESTRE PROCESSO PIS PROCESSO COFINS 1ºTRIM/2008 10183.905478/201141 11516.721881/201173 2ºTRIM/2008 11516.721876/201161 11516.721884/201115 3ºTRIM/2008 11516.721875/201116 11516.721882/201118 4ºTRIM/2008 11516.721877/201113 11516.721883/201162 Conforme consta da Informação Fiscal, todas as informações relativas às glosas estão disponíveis na listagem “Relação de Notas Fiscais Glosadas”, presente nos autos deste processo, de onde constam, item por item, nota por nota, todas as glosas efetuadas com o motivo individualizado. A partir das memórias de cálculo fornecidas pela contribuinte, a autoridade fiscal efetuou a seguinte glosa de valores informados nas linhas do Dacon indicadas: 1. Ficha 16A – Linha 02 – Bens Utilizados como Insumos a) Aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo, conforme o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “a” da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004; b) Aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero de COFINS, de acordo com o art. 3º, §2º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003; c) Notas fiscais cujo Código Fiscal de Operação não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito; d) Notas fiscais que representam aquisições de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de PIS/Pasep e Cofins. 2. Ficha 16A – Linha 03 – Serviços Utilizados como Insumos Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 11516.721884/201115 Resolução nº 3101000.369 S3C1T1 Fl. 7 5 a) Aquisições de serviços que não se enquadram no conceito de insumo, nos termos do o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “b” da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004; b) Notas fiscais cujo Código Fiscal de Operação não representa aquisição de serviços e nem outra operação com direito a crédito. 3. Ficha 16A – Linha 04 – Despesas de Energia Elétrica e Energia Térmica, Inclusive sob a forma de Vapor Itens que deveriam ter sido incluídos na linha 02 (os valores que poderiam lá figurar foram considerados corretos pela autoridade fiscal). 4. Ficha 16A – Linha 07 – Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda Pagamentos relativos a SERVIÇO CARGA E DESCARGA (TRANSBORDO) e outros, que não se enquadram no prescrito pelo art. 3°, inciso IX, da Lei n° 10.833/2003. 5. Ficha 16A – Créditos Presumidos – Atividades Agroindustriais A empresa apropriou créditos à alíquota de 4,56% (60% de 7,6%) para insumos que não se enquadrariam nas condições da legislação. Tal alíquota era prevista no inciso I do §3º do art. 8º e apenas para aquisições de insumos de origem animal e que sejam classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. As aquisições de insumos que não são classificadas nos capítulos e posições citados no inciso I recaem no inciso II (soja e derivados) ou no inciso III (demais) e devem ser apropriados créditos presumidos de 3,8% (50% de 7,6%) e 2,66% (35% de 7,6%), respectivamente. Além das glosas efetuadas, a autoridade fiscal recalculou os valores dos créditos a descontar da Cofins do período, com o ajuste na base de cálculo da contribuição. A autoridade fiscal relata que, como não houve qualquer exportação direta registrada no SISCOMEX e as vendas com fim específico de exportação não cumpriram a legislação de regência, não houve vendas para o mercado externo no período que pudessem ser afastadas da tributação do PIS/Pasep e da COFINS e que pudessem gerar créditos passíveis de ressarcimento dessas contribuições. Assim, foram consideradas como receitas auferidas no mercado interno as receitas registradas pela interessada como decorrentes de vendas de mercadorias com fim específico de exportação, notas fiscais com CFOP 5501/6501. Por conta disso, depois das glosas de valores efetuadas na base de cálculo dos créditos, estes foram recalculados tendo em conta os novos percentuais entre as receitas (auferidas no mercado interno e no externo) e a receita bruta da empresa a serem considerados na apropriação dos custos comuns geradores de crédito (para desconto ou ressarcimento/compensação). Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 11516.721884/201115 Resolução nº 3101000.369 S3C1T1 Fl. 8 6 Diante do novo cálculo efetuado pela autoridade fiscal, restou que os saldos mensais de créditos decorrentes das receitas de mercado interno foram inteiramente descontados das contribuições devidas no próprio período de apuração, não remanescendo créditos passíveis de utilização em períodos posteriores. O crédito tributário referente aos valores indevidamente excluídos da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins foi lançado por meio do auto de infração nº 11516.721009/201214. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. O presente processo não se encontra em condições de ser julgado por esse colegiado, tendo em vista a insuficiência de seu conjunto probatório, especialmente pela inexistência de demonstrativo claro do processo produtivo da recorrente, e da participação de determinado item nesse processo produtivo. O julgamento de processo administrativo que trate de créditos de PIS e Cofins deve ser acompanhado de todos os elementos de prova de forma a possibilitar a análise de cada item relacionado como insumo e sua participação no processo produtivo da requerente, permitindo a completa apreciação dos fatos à legislação de regência do direito creditório. As glosas efetuadas pela fiscalização, relativas a aquisições de bens e serviços que, no entendimento fiscal, não se enquadravam no conceito de insumo, além das notas fiscais cujo Código Fiscal de Operação não representaria a aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito, também no entendimento fiscal, exigem sua confrontação com o processo produtivo da recorrente, e o conhecimento, por parte desse órgão julgador, das diversas etapas da produção. Diante disso, converto o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora, intime o contribuinte para que apresente, no prazo de 60 dias: (a) Laudo técnico descritivo de todo o processo produtivo da empresa, subscrito por profissional habilitado e com anotação de responsabilidade técnica do órgão regulador profissional, com a indicação individualizada da fase da produção cujos insumos adquiridos, objeto do litígio, foram utilizados, incluindo sua completa identificação e descrição funcional dentro do processo; (b) Identifique cada insumo à respectiva exigência de órgão público, se assim for, descrevendo o tipo de controle ou exigência, e qual o órgão que exigiu, apresentando o respectivo ato (Portaria, Resolução, Decisão, etc) do órgão público ou agência reguladora. Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 11516.721884/201115 Resolução nº 3101000.369 S3C1T1 Fl. 9 7 Concluída a diligência, retornem os autos para julgamento. Sala das sessões, em 22 de julho de 2014. [Assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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Numero do processo: 13854.000370/2004-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RESPONSABILIDADE DO BENEFICIÁRIO DOS RENDIMENTOS E DA FONTE PAGADORA.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12 - Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010)
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO.
A isenção do imposto de renda, prevista no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, somente alcança os proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave.
AUXÍLIO-DOENÇA. COMPLEMENTAÇÃO PAGA PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA.
Os rendimentos decorrentes de complementação de auxílio-doença pagos pelo empregador estão sujeitos à incidência do imposto de renda, tanto na fonte como na declaração anual de ajuste. A isenção prevista no artigo 48 da Lei nº 8.541, de 1992, abrange apenas o auxílio-doença pago pela previdência oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e pelas entidades de previdência privada.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE ANTES DA VIGÊNCIA DA LEI Nº 12.350, DE 2010.
No caso de rendimentos recebidos acumuladamente antes de 01/01/2010, o imposto incidirá, no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, incluindo-se juros e atualização monetária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-003.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 25/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RESPONSABILIDADE DO BENEFICIÁRIO DOS RENDIMENTOS E DA FONTE PAGADORA. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12 - Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010) MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. A isenção do imposto de renda, prevista no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, somente alcança os proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave. AUXÍLIO-DOENÇA. COMPLEMENTAÇÃO PAGA PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA. Os rendimentos decorrentes de complementação de auxílio-doença pagos pelo empregador estão sujeitos à incidência do imposto de renda, tanto na fonte como na declaração anual de ajuste. A isenção prevista no artigo 48 da Lei nº 8.541, de 1992, abrange apenas o auxílio-doença pago pela previdência oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e pelas entidades de previdência privada. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE ANTES DA VIGÊNCIA DA LEI Nº 12.350, DE 2010. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente antes de 01/01/2010, o imposto incidirá, no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, incluindo-se juros e atualização monetária. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA Relatora. EDITADO EM: 25/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
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RESPONSABILIDADE DO BENEFICIÁRIO DOS RENDIMENTOS E DA FONTE PAGADORA. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12 Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010) MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. A isenção do imposto de renda, prevista no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, somente alcança os proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave. AUXÍLIODOENÇA. COMPLEMENTAÇÃO PAGA PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA. Os rendimentos decorrentes de complementação de auxíliodoença pagos pelo empregador estão sujeitos à incidência do imposto de renda, tanto na fonte como na declaração anual de ajuste. A isenção prevista no artigo 48 da Lei n 8.541, de 1992, abrange apenas o auxíliodoença pago pela previdência oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e pelas entidades de previdência privada. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE ANTES DA VIGÊNCIA DA LEI Nº 12.350, DE 2010. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente antes de 01/01/2010, o imposto incidirá, no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, incluindose juros e atualização monetária. Recurso Voluntário Negado AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 00 03 70 /2 00 4- 80 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13854.000370/200480 Acórdão n.º 2102003.085 S2C1T2 Fl. 271 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 25/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Contra ANGELO APARECIDO SALVADOR foi lavrado Auto de Infração, fls. 164/170, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 1999, exercício 2000, no valor total de R$ 218.463,38, incluindo restituição indevida a devolver corrigida, multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até outubro de 2004. As infrações apuradas pela autoridade fiscal, detalhadas no Auto de Infração e no Termo de Verificação e Intimação Fiscal, fls. 158/159, foram omissão de rendimentos, recebidos do Banespa, em decorrência de ação judicial trabalhista, no valor de R$ 554.610,98 e dedução indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 18.313,88. Inconformada com a exigência, a representante do contribuinte apresentou impugnação, fls. 01/14, e a autoridade julgadora de primeira instância considerou o lançamento procedente em parte, para excluir da base de cálculo do imposto devido, a quantia de R$ 1.578,90, que corresponde a reembolso de despesas médicas, conforme Acórdão DRJ/SPOII nº 1729.250, de 16/12/2008, fls. 211/221. Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 15/01/2009, Aviso de Recebimento (AR), fls. 224, a curadora do contribuinte apresentou, em 13/02/2009, recurso voluntário, fls. 230/242, no qual traz as alegações a seguir resumidas: Fl. 270DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13854.000370/200480 Acórdão n.º 2102003.085 S2C1T2 Fl. 272 3 que o contribuinte é portador de moléstia grave, conforme laudo médico pericial anexo, obteve sua aposentadoria por invalidez em 01/12/1991, conforme certidão do INSS, sendo concedida a interdição judicial do mesmo, considerandoo absolutamente incapaz, conforme certidão do Cartório do Registro Civil da comarca de Bebedouro; que tendo sido demitido por justa causa em 16/10/1989, quando já estava afastado em gozo de licença médica e sob tratamento psiquiátrico, impetrou ação trabalhista, processo nº 034/90, visando reverter a rescisão contratual e a reintegração ao quadro de trabalho, para que pudesse receber o complemento do auxílio doença que por direito lhe era devido, de acordo com o Regulamento de Pessoal do Banco, que garante este beneficio aos funcionários com mais de dez anos de serviço; que a decisão foi favorável à reintegração ao quadro e que em 29/07/1998 foi homologado o cálculo da quantia de R$ 720.135,27 atualizada até 01/03/1998, relativas à complementação do auxíliodoença e reembolso de despesas médicas; que sob qualquer ângulo, temse que o caso em concreto refere se a funcionário, portador de doença grave, recebendo indenizações ou proventos decorrentes única e exclusivamente de sua moléstia, cuja isenção está garantida em lei. que se algum valor for devido, por mora do empregador, o seja de responsabilidade deste e não do empregado, conforme determinado no processo trabalhista; que a complementação de auxíliodoença, pago pela previdência oficial, que é o caso, entidade estatal de economia mista, são isentos; que a Justiça do Trabalho determinou que o imposto de renda seria calculado mês a mês e que o Banespa deve ser intimado para que deposite eventuais diferenças devidas a título de imposto de renda, conforme determinado na decisão da Justiça do Trabalho; e que ganhos dos empregados não devem ser reduzidos em razão do recebimento dos rendimentos de forma acumulada (valor histórico acrescido de atualização e de juros). A tributação dos rendimentos deve considerar o valor que lhes era devido em cada época própria, oi seja, o cálculo do imposto de renda dever ser feito mês a mês. Conforme Despacho, fls. 268, de 16/03/2012, o julgamento do recurso voluntário apresentado pelo contribuinte foi sobrestado em razão do disposto no art. 62A, caput e parágrafo 1 , do Anexo II, do RICARF. Todavia, o referido parágrafo 1º foi revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, de sorte que retomase o julgamento do recurso voluntário. É o Relatório. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13854.000370/200480 Acórdão n.º 2102003.085 S2C1T2 Fl. 273 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A defesa se insurge contra o lançamento, em suma, pelas seguintes razões: (i) os rendimentos recebidos do Banespa, em decorrência de ação judicial trabalhista, são isentos, não só por se tratar de rendimentos de aposentadoria de portador de moléstia grave, mas também por cuidarse exclusivamente de complementação de auxíliodoença; (ii) o cálculo do imposto de renda devido deve ser apurado mês a mês, pelo regime de competência e (iii) o Banespa foi condenado na ação judicial trabalhista a recolher eventuais despesas acrescidas com tributos e nesse sentido entende que a exigência deveria recair sobre o Banespa. De imediato, no que se refere à responsabilidade do imposto exigido no lançamento, devese observar que, da dicção da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), depreendese do artigo 45 que o contribuinte do imposto de renda é o titular da disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza, tal como definido no artigo 43, sendo o mesmo, no dizer do artigo 121, parágrafo único, inciso I do CTN, aquele que tem relação pessoal e direta com a situação que constitui o respectivo fato gerador. Ademais, à luz dos dispositivos supracitados, a fonte pagadora tem apenas o dever de reter e recolher o imposto, entretanto, não tem relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, sendo certo, inclusive, que a eventual conduta incorreta da fonte pagadora não exime o contribuinte da obrigação de tributar, na Declaração de Ajuste Anual, rendimentos para os quais não há expressa previsão legal de isenção. Nesse ponto, importante dizer que quando do pagamento das quantias devidas em decorrência da ação judicial trabalhista houve a retenção e o recolhimento do imposto de renda, que foi devidamente compensado quando do ajuste anual. Além disso, a ausência de retenção do imposto de renda na fonte sobre rendimentos tributáveis não exclui a sua natureza tributável, nem exonera o beneficiário do rendimento da obrigação de incluílo, para tributação, na Declaração de Ajuste Anual, porquanto o contribuinte do imposto de renda é o adquirente da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, conforme aduz o art. 45 do CTN. Aliás, este é o entendimento já pacifico neste colegiado, conforme se infere da Súmula CARF nº 12, a seguir reproduzida: Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010) Fl. 272DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13854.000370/200480 Acórdão n.º 2102003.085 S2C1T2 Fl. 274 5 Digase, ainda, que a decisão da Justiça do Trabalho não implica em alteração dos ditames da legislação tributária, sendo certo que, caso a reclamada tenha sido, por ventura, condenada em arcar com eventuais despesas de tributos, conforme afirma a defesa, temse que essa condenação deve ser exigida no âmbito do processo trabalhista. Prosseguindose, devese examinar a alegação da defesa de que os rendimentos recebidos em decorrência da ação judicial trabalhista são isentos. Conforme afirmado pela defesa, temse que o Banespa, que era o empregador do contribuinte, foi condenado a reintegrálo ao quadro de empregados e, via de conseqüência, a pagar a quantia total de R$ 720.135,27 relativa à complementação do auxíliodoença e reembolso de despesas médicas. Veja que o contribuinte somente logrou êxito em sua demanda trabalhista justamente por ter sido reintegrado ao quadro de empregados, posto que a complementação do auxíliodoença somente é devida ao empregado. Caso a demissão houvesse sido mantida não haveria que se falar em recebimento de complementação de auxíliodoença. Logo, os rendimentos recebidos pelo contribuinte são decorrentes do trabalho com vínculo empregatício e não proventos de aposentadoria. Nesse ponto, importante observar que conforme disposto no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, são isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores das moléstias nele enumeradas. Ou seja, para a referida isenção são necessárias duas condições: que os rendimentos correspondam a proventos de aposentadoria e que o beneficiário seja portador de moléstia grave. No presente caso, apenas se confirmou uma das condições, qual seja, o contribuinte é portador de moléstia grave, contudo, os rendimentos não são, como já visto, proventos de aposentadoria. A defesa traz, ainda, a alegação de isenção, sob o fundamento do disposto no art. 48 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992: Art. 48. Ficam isentos do imposto de renda os rendimentos percebidos pelas pessoas físicas decorrentes de seguro desemprego, auxílionatalidade, auxíliodoença, auxíliofuneral e auxílioacidente, pagos pela previdência oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e pelas entidades de previdência privada.(Redação dada pela lei nº 9.250, de 1995) Como se vê, somente é isento do imposto de renda o auxíliodoença pago pela previdência oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e pelas entidades de previdência privada. No presente caso, o contribuinte recebeu complementação do auxíliodoença de seu empregador, Banespa. Logo, não se trata de auxíliodoença e também não foi pago pela previdência oficial, tampouco, por entidade de previdência privada. Nessa conformidade, tem se que os rendimentos recebidos pelo contribuinte não se enquadram nas condições de isenção previstas no artigo acima transcrito. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13854.000370/200480 Acórdão n.º 2102003.085 S2C1T2 Fl. 275 6 Digase, ainda, que tal matéria, complementação de auxíliodoença, já foi examinada neste CARF, conforme Acórdão 2202002.196, de 20/02/2013, da relatoria do Conselheiro Nelson Mallmann, cuja ementa a seguir se reproduz: AUXÍLIODOENÇA. COMPLEMENTAÇÃO PAGA PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA. Os rendimentos decorrentes de complementação de auxílio doença pagos pelo empregador estão sujeitos à incidência do imposto de renda, tanto na fonte como na declaração anual de ajuste. A isenção prevista no artigo 48 da Lei nº 8.541, de 1992, abrange apenas o auxíliodoença pago pela previdência oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e pelas entidades de previdência privada. Nestes termos, afastamse as alegações da defesa de que os rendimentos considerados omitidos no lançamento sejam isentos. Por fim, devese examinar a tese defendida no recurso pela defesa de que os rendimentos deveriam sofrer a incidência do imposto de renda pelo regime de competência. De pronto, devese dizer que o disposto no art. 44 da Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 12A, na Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, somente vigora para os rendimentos recebidos a partir de 1º de janeiro de 2010, in verbis: Art. 44.A Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 12A: " Art. 12A. Os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando correspondentes a anoscalendários anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. § 1º O imposto será retido pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento ou pela instituição financeira depositária do crédito e calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. § 2º Poderão ser excluídas as despesas, relativas ao montante dos rendimentos tributáveis, com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. § 3º A base de cálculo será determinada mediante a dedução das seguintes despesas relativas ao montante dos rendimentos tributáveis: Fl. 274DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13854.000370/200480 Acórdão n.º 2102003.085 S2C1T2 Fl. 276 7 I importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de separação ou divórcio consensual realizado por escritura pública; e II contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 4º Não se aplica ao disposto neste artigo o constante no art. 27 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, salvo o previsto nos seus §§ 1º e 3º. § 5º O total dos rendimentos de que trata o caput, observado o disposto no § 2º, poderá integrar a base de cálculo do Imposto sobre a Renda na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário do recebimento, à opção irretratável do contribuinte. § 6ºº Na hipótese do § 5º, o Imposto sobre a Renda Retido na Fonte será considerado antecipação do imposto devido apurado na Declaração de Ajuste Anual. § 7º Os rendimentos de que trata o caput, recebidos entre 1º de janeiro de 2010 e o dia anterior ao de publicação da Lei resultante da conversão da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, poderão ser tributados na forma deste artigo, devendo ser informados na Declaração de Ajuste Anual referente ao anocalendário de 2010. § 8º (VETADO) § 9º A Secretaria da Receita Federal do Brasil disciplinará o disposto neste artigo." Assim, temse que os rendimentos recebidos de forma acumulada, no ano calendário 1999, sujeitamse à tributação, nos termos em que disposto no art. 56 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), que reproduz o art. 12. da Lei nº 7.713, de 1998: Art. 56. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei n° 7.713, de 1988, art. 12). Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, poderá ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização (Lei n° 7.713, de 1988, art. 12). Vêse, portanto, que a legislação acima transcrita determina que se aplique, para fins de cálculo do imposto devido, a tabela de retenção relativa ao mês do recebimento dos rendimentos, independentemente do período a que se refiram. Logo, a despeito da jurisprudência judicial sobre o tema, não há que se falar no presente caso em tributação pelo regime de competência, conforme suscitado pela defesa. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13854.000370/200480 Acórdão n.º 2102003.085 S2C1T2 Fl. 277 8 Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 276DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10825.902164/2012-75
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009
COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS.
A partir do advento do art. 23, I e II, a, da Medida Provisória nº 1.858-6, de 26/06/1999 e reedições até a MP nº 2.158-35/2001, as receitas das cooperativas passaram a sofrer a incidência da contribuição ao PIS.
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-005.836
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negou-se provimento ao recurso. Os conselheiros Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões.
(Assinado Digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negou-se provimento ao recurso. Os conselheiros Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões. (Assinado Digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (Assinado Digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente).
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INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS. A partir do advento do art. 23, I e II, “a”, da Medida Provisória nº 1.8586, de 26/06/1999 e reedições até a MP nº 2.15835/2001, as receitas das cooperativas passaram a sofrer a incidência da contribuição ao PIS. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negouse provimento ao recurso. Os conselheiros Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões. (Assinado Digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 21 64 /2 01 2- 75 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado Digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente). Relatório Sob a alegação de realização de pagamento a maior ou indevido de PIS/PASEP a contribuinte transmitiu Per/DComp em 30/11/2009, entretanto a compensação realizada restou não homologada, eis que por meio de despacho decisório eletrônico a autoridade administrativa declarou haver outros débitos e que o crédito informado foi integralmente utilizado para a quitação dos mesmos, não havendo saldo credor o suficiente para solver os débitos declarados na DComp aviada. Sobreveio a manifestação do inconformismo e com ela os argumentos de que: (i) a exigência da contribuição ao PIS foi restabelecida sob a égide da CF/88, notadamente nos termos do art. 2o, II, da Lei 9.715/98, sendo um ano após expressamente revogada em relação às entidades sem fins lucrativos, por meio da MP 1.85810/99, com a atual redação conferida pelo art. 93 da MP nº 2.15835/01, ainda assim algumas cooperativas permaneceram obrigadas ao recolhimento da contribuição ao PIS sobre a folha de salário, em vista de regra específica prevista no § 1º, do art. 2º, da Lei nº 9.715/98; (ii) a MP 2.15835/01 ao mesmo tempo em que revogou a exigência da contribuição ao PIS para as entidades sem fins lucrativos. Explicitou que as sociedades cooperativas de produção rural, contribuintes do PIS com base no faturamento, porém sujeitas às exclusões e deduções no art. 15 da referida MP, continuavam sujeitas à contribuição ao PIS com base na folha de salário, nos termos do seu art. 13; (iii) ratificando esse entendimento encontrase o art. 28 da IN SRF nº 635/06, que explicita quais as sociedades que continuam sujeitas a incidência da contribuição ao PIS com base na folha de salário, conforme se depreende da solução no processo de consulta nº 290/07; (iv) ainda que a redação do art. 15 da MP2.15835 seja genérica em relação às sociedades cooperativas e, portanto, não excetue as cooperativas de trabalho médico, isso não permite a conclusão de que essas cooperativas estariam entre as compreendias no alcance desse dispositivo, como também concluiu as autoridades fiscais, nos termos do art. 28 da IN SRF nº 635/06; (v) conclui aduzindo que se as sociedades cooperativas médicas não se sujeitam às exigências da contribuição ao PIS com base na folha de salários de seus empregados e, portanto, todo o recolhimento realizado a esse título deve ser entendido comore colhimento a Fl. 160DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10825.902164/201275 Acórdão n.º 3803005.836 S3TE03 Fl. 12 3 maior ou indevido e, logo, passível de ser recuperado. Requereu, ainda, a reforma do julgado de primeira instância, a procedência integral da declaração de compensação, com vista a legitimidade do crédito tributário e o reconhecimento da extinção dos débitos compensados no PER/DECOMP. A decisão prolatada pela 14ª Turma da DRJ/RPO, de 11/09/13 (fls. /) por meio do Acórdão nº 1444.654, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, para manter o crédito tributário exigível, nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 FATURAMENTO E FOLHA DE SALÁRIOS. LEGALIDADE. Quando a sociedade cooperativa realiza as exclusões legais da base de cálculo do PIS Faturamento, é devido o PIS Folha concomitantemente, nos termos do art. 15, § 2º, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, e do art. 32, § 4º, do Decreto nº 4.524, de 2002. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O voto condutor do acórdão adotou o pressuposto de que : (a) “Nos termos da regra consolidada na atual MP nº 2.15835, de 2001, a tributação das sociedades cooperativas segue a tributação das demais pessoas jurídicas em geral, calculando o PIS de acordo com o faturamento. No entanto, caso a cooperativa realize determinadas operações que não sofrem a incidência do PIS com base no faturamento, deverá, conforme disposição inscrita no art. 15, §2º, I da MP nº 2.15835, de 2001, apurar o PIS com base na folha de salários. Nesse caso, portanto, a cooperativa sujeitase cumulativamente à tributação com base no faturamento e com base na folha de pagamentos”. Consubstanciouse ainda no art. 13 da referida MP, e nos arts. 36 da MP 66/02; no art. 1º da MP nº 101/02, convertida na Lei nº 10.767/03; no art. 32 do Dec. 4.524/02 e nos arts. 9º e 33 da IN SRF nº 247/02. De acordo com os dispositivos mencionados não prevalece a tese de que as sociedades cooperativas outras que não de produção agropecuária, eletrificação rural, de Fl. 161DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 crédito e de transporte rodoviário, estariam fora do alcance do PIS sobre a folha de salários. E assim, nos períodos em que tenha procedido à exclusão das sobras líquidas da base de cálculo da contribuição, o PIS sobre a folha de pagamentos deve ser recolhido. Situação essa em que o sucesso da contribuinte em ver homologada a compensação declarada na primeira instância administrativa, condicionase à comprovação da liquidez e certeza do direito creditório, no caso, a de que não efetuou a exclusão em foco. No que se relaciona ao aspecto do elemento material de prova extraise excertos que sintetizam o posicionamento adotado pela decisão em questão, adiante: “Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte na DCOMP foi realizada também de forma eletrônica, cotejando os com os demais por ela informados à Receita Federal em outras declarações (DCTFs, DIPJ, etc), bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc), tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito confessado pela interessada. Assim o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia.” De acordo com o Termo de Ciência por decurso de prazo, a data de disponibilização na caixa postal da contribuinte da decisão contida no Acórdão nº 1444.654, foi em 20/09/2013. Com isso a data da ciência se deu em 05/10/2013. O Termo de Solicitação de Juntada de recurso voluntário foi registrada pela repartição preparadora em 01/11/13. Ciente da decisão contida no acórdão retromencionado a contribuinte irresignada, em sede de recurso voluntário, reiterou de forma minudente acerca das razões de defesa apresentadas na exordial. Ressaltou que a MP 2.15835/01, em seu artigo 13, explicitou quais os tipos de entidades que se sujeitavam à contribuição ao PIS, calculada sobre a folha de salários, bem assim que as sociedades cooperativas não foram contempladas, de acordo com o elenco formulado nesse artigo, como o foram às Organizações das Cooperativas – OCB e as Organizações estaduais de Cooperativas, nos termos do inciso I, do art. 13, da MP nº 2.158 35/01, que não se identifica com as sociedades cooperativas propriamente ditas. Mencionou que na mesma senda segue o § 2º e incisos I a IV, do art. 15 dessa MP, eis que as cooperativas de trabalho médico não praticam as operações descritas nesses incisos do confuso enunciado do referido artigo da MP correspondente. Aduziu ademais disso que o art. 28 da IN SRF 635/06 identifica quais sociedades cooperativas se sujeitam à incidência da contribuição ao PIS com base na folha de Fl. 162DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10825.902164/201275 Acórdão n.º 3803005.836 S3TE03 Fl. 13 5 salário, ou seja, as sociedades sujeitas às exclusões previstas no art. 15 da MP 2.15835/01,bem assim que a resposta à Consulta 290/07 ratifica este entendimento. Requer ao final o integral provimento do recurso, protestando pela apresentação de memoriais e sustentação oral das razões aduzidas. É relatório. Voto Conselheiro Relator Conselheiro Jorge Victor Rodrigues Relator O recurso é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Duas foram às questões devolvidas para apreciação pelo Tribunal ad quem, a saber: (i) a verificação da certeza e liquidez do direito creditório alegado pela Recorrente; e (ii) a tributação das sociedades cooperadas de trabalho médico pelo PIS. O exame acerca da primeira questão resta prejudicado, eis que nenhum documento contábil ou fiscal hábil e idôneo foi colacionado aos autos, com o fim de corroborar as assertivas formuladas na exordial, ou mesmo no apelo sob exame, o que se faz em respeito aos dispositivos contidos no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, caput e § 4º. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Resta, então, o enfrentamento da questão relacionada à tributação das sociedades cooperadas pelo PIS. O hodierno ordenamento jurídico tem a sua gênese na Constituição Cidadã de 1988. O seu artigo 146, III, ‘C’, dispõe que cabe à lei complementar estabelecer normas gerais me matéria de legislação tributária, especialmente sobre: adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 A Lei nº 5.764/71, que definiu a Política Nacional de Cooperativismo e instituiu o regime jurídico das cooperativas, por meio do seu artigo 4º, já havia atribuído à definição legal de “cooperativas”, como sendo: Art. 4º. As cooperativas são sociedades de pessoas, como forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas à falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características: (...); VII – retorno das sobras líquidas do exercício, proporcionalmente às operações realizadas pelo associado, salvo deliberação em contrário da Assembléia Geral. Adiante, no caput e no parágrafo único do artigo 79 do mesmo mandamus, adveio a definição e a funcionalidade de “atos cooperativos”. Em outras palavras são tais atos jurídicos que criam, mantém ou extinguem relações cooperativas, não implicando, necessariamente, em atos de mercado. Acerca da tributação do PIS e da COFINS, inicialmente, foi a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, considerada isenta por força do disposto no caput e inciso I do art. 6º, da LC nº 70/91, instituidora da Cofins. Entretanto, com o advento da MP nº 1.8586/99, por meio de seu artigo 23, foram os incisos I e III do artigo 6º da LC nº 70/91, revogados. Ocorre que essa revogação se manteve por meio da MP nº 66/02 e também pela Lei nº 10.637/02, por meio dos seus artigos 1º e 2º, que atualmente regula esta matéria (cobrança do PIS/PASEP, cuja base de cálculo é o valor do faturamento). Do mesmo modo ocorreu com o PIS, cujas cooperativas estão sujeitas ao pagamento desse tributo, seja sobre a folha de salários, mediante a aplicação de alíquota de 1% sobre a folha de pagamento mensal de seus empregados. A outra forma de tributação incide sobre a receita bruta, mediante a alíquota de 0,65% (a partir de 01/11/1999, data fixada pelo Ato Declaratório SRF nº 88/99), com exclusões da base de cálculo prevista pela MP 2.11327/01, ou mesmo de acordo com a MP 107, com as exclusões da base de cálculo, de acordo com o disposto também no artigo 15 da MP 2.113 27/01. Por força do contido na Lei nº 10.637/02, a partir de 01/12/02, a alíquota do PIS foi majorada para 1,65%. Destarte, por meio da MP 107/03, de 10/022003, a alíquota do PIS que houvera sido majorada, retorna ao seu valor original de 0,65%, inclusive para as sociedades cooperativas. Foi a partir da MP nº 2.11329, de 27/03/01, DOU de 28/03/01, de suas reedições e alterações posteriores, até a MP 2.15835/01, através de suas disposições que se Fl. 164DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10825.902164/201275 Acórdão n.º 3803005.836 S3TE03 Fl. 14 7 tornou possível para as sociedades cooperativas a exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins, de valores mencionados no artigo 15 desta MP, isto uma vez observado o disposto nos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98. Portanto, a base de cálculo para as contribuições para o PIS e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, é o faturamento, correspondente à receita bruta. A respeito da exclusão de valores da base de cálculo do PIS e da Cofins das cooperativas vale mencionar as disposições da MP nº 101/02, litteris: Art. 1º. As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração de Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971. § 1º. Omissis. § 3º O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória nº 1.85810, de 26 de outubro de 1999. Portanto, seja sob a ótica da MP nº 2.15835/01, ou segundo os dispositivos contidos na MP nº 101/02, posteriormente convertida na Lei 10.767/02 e, observados o disposto nos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98, o que se percebe nitidamente, é a possibilidade de exclusão de elementos da base de cálculo do PIS e da Cofins, para as sociedades cooperativas. Confirase: Art. 1° Esta Lei aplicase no âmbito da legislação tributária federal, relativamente às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, de que tratam o art. 239 da Constituição e a Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991, ao Imposto sobre a Renda e ao Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativos a Títulos ou Valores Mobiliários IOF. Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001). Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 165DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 (...); § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001). (Grifei). De outra parte assim se pronunciou a Solução de Consulta COSIT nº 06, de 8 de novembro de 2010 (ação judicial): EMENTA: O disposto no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, não permite que as operadoras de planos de assistência à saúde deduzam da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep as despesas e custos operacionais relacionados com os atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários (clientes), por meio de estabelecimento próprio ou pela rede conveniada/credenciada de profissionais e empresas da área de saúde, visto que tais contribuições incidem sobre o faturamento (receita bruta) mensal e não sobre o resultado. O inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, somente autoriza as operadoras de planos de assistência à saúde a deduzirem da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep o valor correspondente às indenizações efetivamente pagas por uma operadora, referente aos atendimentos médicos efetuados em beneficiários (clientes) pertencentes à outra operadora de plano de assistência à saúde, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade. O Poder Judiciário, aqui representado pelos Tribunais Superiores, também não se omitiu quando provocado a se pronunciar a respeito da tributação do PIS/PASEP e da Cofins, senão vejamos: O Julgamento da Questão no STJ – Sistemática do Recurso Repetitivo: RECURSO ESPECIAL Nº 1.164.716 MG (2009/02107185) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO : COOPERATIVA DOS INSTRUTORES DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL E PROMOÇÃO SOCIAL RURAL LTDA COOPIFOR Fl. 166DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10825.902164/201275 Acórdão n.º 3803005.836 S3TE03 Fl. 15 9 ADVOGADO : CAMILA COLARES SANTANA E OUTRO(S) DECISÃO (...) impõese, da mesma forma, a submissão do presente apelo extremo como representativo da controvérsia atinente à incidência da contribuição destinada ao PIS e da COFINS sobre a receita oriunda de atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas, à luz do disposto no artigo 79, parágrafo único, da Lei 5.764/71, a fim de se prevenir eventual óbice de conhecimento. (...) Brasília (DF), 24 de fevereiro de 2010. A discussão realizada pelo Supremo Tribunal Federal ainda não chegou a termo, entretanto o reconhecimento da repercussão geral a respeito do tema ora sob exame, já ocorreu. Confirase: REPERCUSSÃO GERAL EM RE N.672.215CE RELATOR: MIN. JOAQUIM BARBOSA EMENTA: TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DA COFINS, DA CONTRIBUIÇÃO AO PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL E DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE O LUCRO LÍQUIDO SOBRE O PRODUTO DE ATO COOPERADO OU COOPERATIVO. DISTINÇÃO ENTRE “ATO COOPERADO TÍPICO” E “ATO COOPERADO ATÍPICO”. CONCEITOS CONSTITUCIONAIS DE “ATO COOPERATIVO”, “RECEITA DE ATIVIDADE COOPERATIVA” E “COOPERADO”. COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. VALORES PAGOS POR TERCEIROS À COOPERATIVA POR SERVIÇOS PRESTADOS PELOS COOPERADOS. LEIS 5.764/1971, 7.689/1988, 9.718/1998 E 10.833/2003. ARTS. 146, III, c, 194, par. ún., V, 195, caput, e I, a, b e c e § 7º e 239 DA CONSTITUIÇÃO. Tem repercussão geral a discussão sobre a incidência da Cofins, do PIS e da CSLL sobre o produto de ato cooperativo, por violação dos conceitos constitucionais de “ato cooperado”, “receita da atividade cooperativa” e “cooperado”. Discussão que se dá sem prejuízo do exame da constitucionalidade da revogação, por lei ordinária ou medida provisória, de isenção, concedida por lei complementar (RE 598.085RG), bem como da “possibilidade da incidência da contribuição para o PIS sobre os atos cooperativos, tendo em vista o disposto na Medida Provisória nº 2.158 33, originariamente editada sob o nº 1.8586, e nas Leis nºs 9.715 e 9.718, ambas de1998” (RE 599.362 RG, Rel. Min. Dias Toffoli). Como visto ainda não se vislumbra nos textos normativos, nem jurisprudenciais, a hipótese de isenção ou de não incidência tributária para as cooperativas. Tampouco de distinção entre cooperativas de trabalho médico, de crédito, enfim, entre as demais modalidades de sociedades cooperativas. Concluise, por conseguinte que, do texto legal, onde o legislador não faz distinção, não cabe ao operador do direito fazêlo, tampouco ao intérprete da lei. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 O PIS sobre a folha de pagamento constitui uma obrigação tributária principal devida por todas as entidades sem fins lucrativos, classificadas como Isentas, Imunes ou Dispensadas, e calculado sobre a folha de pagamento de salários, à alíquota de 1%. Quanto ao requerido pela Recorrente, no sentido de que o PIS/folha de pagamento não é cabível, portanto poderia ser compensado com tais débitos, considero inadequado o seu pedido. Isto porque ao manifestar o seu inconformismo a ora Recorrente destacou que a MP 2.15835/01 ao mesmo tempo em que revogou a exigência da contribuição ao PIS para as entidades sem fins lucrativos, explicitou que as sociedades cooperativas de produção rural, contribuintes do PIS com base no faturamento, porém sujeitas às exclusões e deduções no art. 15 da referida MP, continuavam sujeitas à contribuição ao PIS com base na folha de salário, nos termos do seu art. 13. Tema este reiterado no recurso voluntário. Há um equívoco nas assertivas formuladas pela Recorrente quanto à revogação da exigência da contribuição ao PIS para as entidades sem fins lucrativos, pela MP nº 2.158 35/01. Diversamente, com o advento dessa medida provisória tornouse concreta a possibilidade de exclusão de elementos previstos na legislação de regência, da base de cálculo do PIS e da Cofins, isto em conformidade com o disposto nos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98. E mais, a Recorrente foi além ao mencionar que ratificando esse entendimento encontrase o art. 28 da IN SRF nº 635/06, que explicita quais as sociedades que continuam sujeitas a incidência da contribuição ao PIS com base na folha de salário, conforme se depreende da solução no processo de consulta nº 290/07; O fato de o art. 28 não relacionar expressamente a sociedade cooperativa de trabalho médico dentre aquelas cujo fato gerador para o PIS/PASEP incide sobre a folha de salários no percentual de 1%, não autoriza o contribuinte a dela se eximir, como se imune ou isenta fosse, o que não corresponde ao disposto nos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98, posto que as deduções permitidas em lei, se faz em observância desses dois artigos suso citados. O rol das exclusões mencionados no art. 15 da MP 2.15835/01, aplicável ao caso em comento, não é exaustivo, ou mesmo conclusivo, como também não o é aquele constante do artigo 28 da IN SRF nº 635/06, DOU de 17/04/2006, e ambos ensejam a incidência do PIS/Folha. Isto posto oriento o meu voto pelo não provimento do recurso voluntário. É como voto. Sala de sessões em 25 de março de 2014. Jorge Victor Rodrigues Relator Relator Relator Fl. 168DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10825.902164/201275 Acórdão n.º 3803005.836 S3TE03 Fl. 16 11 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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