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Numero do processo: 11080.918887/2012-18
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2009
MULTA DE MORA. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. SÚMULA CARF Nº 02.
De acordo com a Súmula CARF nº 02, o Conselho não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno.
PRELIMINAR. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Não é nulo o despacho decisório que, embora conciso, contém a exposição das razões de fato e de direito que fundamentaram a não-homologação da compensação. Não há, ademais, qualquer violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, porque o interessado foi devidamente intimado do despacho decisório e da decisão recorrida, apresentando manifestação de inconformidade e interpondo recurso voluntário, na forma prevista na legislação. Preliminar de nulidade afastada.
DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO.
No processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferi-las, quando prescindíveis ou impraticáveis.
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Na falta de provas, deve ser mantida a não-homologação da compensação.
MULTA DE MORA. LEGALIDADE. ART. 61 DA LEI Nº 9.430/1996.
A incidência de multa de mora encontra-se expressamente prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Alegação de ilegalidade afastada.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.418
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 MULTA DE MORA. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. SÚMULA CARF Nº 02. De acordo com a Súmula CARF nº 02, o Conselho não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. PRELIMINAR. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não é nulo o despacho decisório que, embora conciso, contém a exposição das razões de fato e de direito que fundamentaram a nãohomologação da compensação. Não há, ademais, qualquer violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, porque o interessado foi devidamente intimado do despacho decisório e da decisão recorrida, apresentando manifestação de inconformidade e interpondo recurso voluntário, na forma prevista na legislação. Preliminar de nulidade afastada. DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. No processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferilas, quando prescindíveis ou impraticáveis. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 88 87 /2 01 2- 18 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Na falta de provas, deve ser mantida a nãohomologação da compensação. MULTA DE MORA. LEGALIDADE. ART. 61 DA LEI Nº 9.430/1996. A incidência de multa de mora encontrase expressamente prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Alegação de ilegalidade afastada. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 129DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.918887/201218 Acórdão n.º 3802002.418 S3TE02 Fl. 128 3 O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. O Recorrente, nas razões recursais de fls. 77 e ss., alega preliminarmente a nulidade do despacho decisório, por ausência de fundamentação e violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. No mérito, sustenta que o ônus da prova do direito de crédito não seria do sujeito passivo. Ao contrário, caberia à decisão recorrida demonstrar a ausência de liquidez e de certeza do crédito, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. Aduz que deve ser possibilitado ao contribuinte, inclusive por meio de diligência, a juntada posterior de provas do direito de crédito. Por fim, sustenta a ilegalidade e a inconstitucionalidade da incidência de multa de mora sobre o débito confessado, por incompatibilidade com os princípios constitucionais do nãoconfisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. Requer o provimento do recurso voluntário e a consequente reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O Recorrente teve ciência da decisão no dia 17/09/2013 (fls. 75), interpondo recurso tempestivo em 08/10/2013 (fls. 78). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido, ressalvado no que se refere às alegações de inconstitucionalidade da multa de mora. Isso porque, consoante entendimento consolidado na Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não tem competência para a declaração de inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses do art. 62 do Regimento Interno: Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 130DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Por outro lado, em que pese os argumentos apresentados pelo Recorrente, não há como se acolher a preliminar de nulidade. Isso porque, ainda que conciso, o despacho decisório encontrase suficientemente fundamentação, contendo a exposição das razões de fato e de direito da nãohomologação da compensação. Não há, ademais, qualquer violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. O interessado, afinal, foi devidamente intimado do despacho decisório e da decisão recorrida, apresentando manifestação de inconformidade e interpondo recurso voluntário, na forma prevista na legislação federal que disciplina o procedimento administrativo fiscal. No tocante à diligência, devese ter presente que, no processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos termos dos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferindoas, quando prescindíveis ou impraticáveis: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” No presente caso, por sua vez, é prescindível a realização da diligência, porquanto o feito pode ser decidido à luz das regras de distribuição do ônus da prova. Com efeito, o contribuinte, ao transmitir o PER/Dcomp, deixou de retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) do período correspondente, o que fez com que a mesma continuasse atrelada à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Em casos dessa natureza, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados: “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz Fl. 131DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.918887/201218 Acórdão n.º 3802002.418 S3TE02 Fl. 129 5 efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). “COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” Fl. 132DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a Fl. 133DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.918887/201218 Acórdão n.º 3802002.418 S3TE02 Fl. 130 7 compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, o contribuinte não apresentou qualquer prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque, ao contrário do sustentado pelo Recorrente, cabe ao sujeito passivo o ônus da prova nos pedidos de compensação. Por fim, melhor sorte não socorre ao Recorrente na pretensão de afastamento da multa de mora. Esta foi exigida validamente, na forma do art. 61 da Lei nº 9.430/1996, o que torna manifestamente improcedente a alegação de ilegalidade. Votase, assim, pelo conhecimento parcial e desprovimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 134DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 15586.000077/2010-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26).
Rejeitar a preliminar
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.763
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT e PEDRO ANAN JUNIOR, que acolhem a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior e Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26). Rejeitar a preliminar Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 00 77 /2 01 0- 01 Fl. 371DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT e PEDRO ANAN JUNIOR, que acolhem a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior e Fabio Brun Goldschmidt. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15586.000077/201001 Acórdão n.º 2202002.763 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor da contribuinte, ADRIANO MARIANO SCOPEL, foi lavrado por auditor fiscal da Delegacia da Receita Federal em Vitória/ES, auto de infração (fls. 262/274) referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2006 e 2007, anos calendário 2005 e 2006, sendo cientificado em 01/03/2010, conforme Aviso de Recebimento (fls. 275). O valor do crédito tributário apurado está assim constituído, conforme Demonstrativo do Crédito Tributário no montante total de R$.1.194.740,03. O lançamento, consubstanciado em Auto de Infração, originou se na constatação das seguintes infrações: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS Omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, conforme descrito no item 3.2 do Termo de Constatação e Encerramento da Ação Fiscal, parte integrante e indissociável do Auto de Infração. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Constatação e Encerramento da Ação Fiscal que é parte integrante e indissociável do Auto de Infração. MULTA ISOLADA – FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPF A TÍTULO DE CARNÊ LEÃO Falta de recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Física devido a título de carnê leão, apurada, conforme descrito no item 4 do Termo de Constatação e Encerramento da Ação Fiscal, parte integrante e indissociável do Auto de Infração. Em 29/03/2010, no pedido de impugnação (fls. 277/301), o contribuinte alega que: A autuação foi feita única e exclusivamente com base na análise de depósitos bancários em conta de titularidade do impugnante, o que é flagrantemente inconstitucional e ilegal; PRELIMINAR: é o sigilo bancário, direito subjetivo constitucional do contribuinte, conforme art. 5º, inciso X, da Constituição Federal; o Fisco baseia se no parágrafo único do art. 145, da Constituição Federal; a doutrina e a jurisprudência afirmam que o poder público não está desobrigado a respeitar os direitos individuais, dentre estes, o sigilo bancário; Fl. 373DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 se prevalecer a interpretação do Fisco, serão desrespeitados os direitos constitucionais fundamentais; para a quebra do sigilo, são necessárias a demonstração das circunstâncias fundamentadas e concretas do interesse público e a apreciação pelo Poder Judiciário; o acesso a dados bancários, de forma indiscriminada e incondicionada, poderia levar a serem plantados dados bancários falsos, com respectiva divulgação, sem questionamento da forma como foram obtidos; a quebra do sigilo deuse pela falta de informações por parte do impugnante, resultando em embaraço a fiscalização, conforme art. 33 da Lei nº 9.430/96; a interpretação à luz da Constituição Federal é que o contribuinte somente é obrigado a fornecer os dados bancários quando o Fisco tiver direito subjetivo de acesso a esses dados; o contribuinte tem direito individual ao sigilo bancário, conforme art. 6º da Lei Complementar nº 105/2002, posterior à Lei nº 9.430/96; contrariase o inciso X e o inciso XII do art. 5º da Constituição Federal; de acordo com a jurisprudência e a doutrina, o sigilo bancário somente deve ser quebrado diante de circunstâncias graves, fundadas, concretas e contemporâneas à quebra; segundo o art. 6º da Lei Complementar nº 105/2002, somente quando houver procedimento fiscal em curso e os documentos sejam considerados indispensáveis, podem os auditores fiscais terem acesso às contas de depósitos; quando os auditores fiscais solicitaram, ao contribuinte, informações acerca de sua movimentação financeira ainda não tinha esse direito, pois sua solicitação não foi validamente fundamentada; a recusa do impugnante foi lícita e plenamente justificada e não pode ser classificada como embaraço à fiscalização; as informações prestadas pelas instituições financeiras não servem para quebra do sigilo do impugnante; não está incluído em nenhuma das hipóteses previstas nos arts. 2º e 3º do Decreto nº 3.724/2001; a quebra de sigilo é hipótese excepcionalíssima e somente pode ser deferida fundamentadamente e depois de esgotados todos os meios probatórios convencionais; não cabe responder qualquer coisa acerca de dados financeiros apurados pela Receita Federal; foram desconsiderados o art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e os artigos 2º, 3º e 4º do Decreto nº 3.724/2001; prevalecem, quando houver incompatibilidade, a Lei Complementar nº 105/2001 e o Decreto nº 3.724/01 em relação à Lei nº 10.174/2001 por serem posteriores, conforme art. 2º, parágrafo 1º da Lei de Introdução ao Código Civil; Fl. 374DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15586.000077/201001 Acórdão n.º 2202002.763 S2C2T2 Fl. 4 5 ainda que se entendesse a Lei nº 10.174/2001 constitucional, não haveria como aplicála desconsiderando o art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001. Requer seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. A DRJ julgou o impugnação improcedente, nos termo da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007 REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA RMF Não é considerada irregular a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF expedida dentro dos pressupostos exigidos pela legislação em vigor. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. Mantêm se os valores dos Rendimentos Tributáveis lançados, conforme informações constantes dos autos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO CARNÊ LEÃO. Relativamente aos rendimentos recebidos a partir de 1º de janeiro de 1997, é cabível a exigência da multa isolada no percentual de 50%, incidente sobre o valor do imposto mensal devido a título de carnê leão e não recolhido. Cancelase a exigência no tocante aos rendimentos excluídos de tributação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado, o contribuinte, se mostrando irresignado, apresentou o Recurso Voluntário, reiterando os argumentos da impugnação: Que não se logrou demonstrar a indispensabilidade da quebra do sigilo bancário. Da ilegalidade do lançamento baseado em depósitos bancários. É o relatório. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os recursos estão dotados dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Preliminar de Nulidade por Quebra do Sigilo Bancário O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; Fl. 376DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15586.000077/201001 Acórdão n.º 2202002.763 S2C2T2 Fl. 5 7 V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas Fl. 377DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. No caso concreto, diante da ausência de resposta do fiscalizado à solicitação de informações e documentos referentes à sua movimentação bancária, a Sra. Delegada da Receita Federal do Brasil em Vitória, com base no art. 33 da Lei n° 9.430, de 1996, que corresponde ao inciso VII, do art. 3° do Decreto n° 3.724, de 2001, enviou às instituições financeiras HSBC Bank Brasil S.A e Banco do Estado do Espirito Santo S.A. as Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira RMF n°s 07.2.01.002008002274 — 07.2.01.002008002657 e 07.2.01.002008002282 — 07.2.01.002008002665 respectivamente, nos termos do art. 6° da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentado pelo Decreto n° 3.724, de 10 de janeiro de 2001, para solicitar documentos e informações da conta do contribuinte, extratos bancários e cópias de documentos de créditos dos anos de 2005 e 2006. Em atendimento, os citados bancos enviaram documentos de fls. 127 172, 176210, 213229 e 232239. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova por quebra do sigilo bancário. Da presunção de omissão baseada em depósitos bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15586.000077/201001 Acórdão n.º 2202002.763 S2C2T2 Fl. 6 9 Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Incabível a alegação de ilegitimidade passiva, uma vez que está comprovado nos autos o uso de conta bancária em nome próprio, para efetuar a movimentação de valores tributáveis, situação que torna lícito o lançamento sobre o próprio titular da conta. Sobre esse ponto o CARF já consolidou entendimento: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF No.32) Fl. 379DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Ante ao exposto, voto por rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 380DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10880.955967/2008-81
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
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Numero da decisão: 3802-003.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do presente recurso e negar-lhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do presente recurso e negarlhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 59 67 /2 00 8- 81 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 13a Turma da DRJ/SPO I, a qual, por unanimidade de votos julgou pelo não conhecimento da manifestação de inconformidade apresentada, tendo em vista que sua protocolização fora feita fora do prazo legal. Em ato contínuo, o processo de Declaração de Compensação fora realizado pelo contribuinte por meio eletrônico (PER/DCOMP nº 40400.31481.220904.1.3.04 1570), na data de 22/09/2004, no qual pretendia quitar os débitos declarados no referido documento, com créditos decorrentes de recolhimento indevido realizado, por meio de DARF, na data de 01/01/2000, no valor de R$ 894,98, no código de recita: 8109, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 01/01/2000 Manifestação de Inconformidade Intempestiva Efeitos A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa dôo procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito, porque dela não se conhece. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à: (i) comprovação da existência do crédito para fins de compensação, (ii) existência do direito constitucional do direito de petição, (iii) não existência de natureza litigiosa no processo administrativo de compensação, e (iv) prevalência do princípio da verdade material no processo administrativo. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Admito o presente Recurso Voluntário em virtude do preenchimento dos requisitos regulares para o seu desenvolvimento positivo. MÉRITO O recorrente, inconformado com a decisão de primeira instância, interpôs o presente Recurso Ordinário para que este Órgão analisasse novamente suas pretensões. Porém, razão alguma assiste a ele, porquanto o processo administrativo está morto desde sua fase inaugural de apresentação da manifestação de inconformidade. Explico! Para minhas convicções como Julgador administrativo, o fato que determinou sua não admissão está centrado na ocorrência da preclusão temporal, quando da apresentação intempestiva da impugnação administrativa, alcunhada de manifestação de inconformidade. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.955967/200881 Acórdão n.º 3802003.056 S3TE02 Fl. 112 3 Veja, a Lei nº 10.822/2003 incluiu o § 9º ao artigo 74 da Lei nº 9.430 de 27/12/1996 e, assim, facultou ao sujeito passivo, no prazo de 30 dias, o exercício do direito subjetivo de apresentar a manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação requerida. Além disso, o § 7º da referida legislação determinou também que, em casos de não homologação da compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de trinta dias, contado da ciência do ato que não a homologou, ao pagamento dos débitos indevidamente compensados. Portanto, cruzando as normas extraídas do instrumento legal de regência, o contribuinte deveria apresentar sua manifestação de inconformidade no prazo de 30 (trinta) dias, contado da intimação do ato que não homologou seu pedido de compensação, caso quisesse discutir a decisão contrária aos seus interesses. De modo que, em termos de prova concreta existente nos autos, se verifica que o contribuinte foi notificado dos Despachos Decisórios em 02/12/2008, e vindo somente a apresentar sua manifestação de inconformidade no dia 07/10/2009. Ou seja, quase um ano depois. Portanto, para fundamentar e noticiar os termos que me levaram a concluir pelo não conhecimento do presente recurso, trago aqui o que dispõe o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 15, de 12 de julho de 1996: “a impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo caracterizada ou suscitada tempestividade, como preliminar”. Nesse sentido, tendo em vista o que dos autos consta e pelas razões por mim aqui expostas, CONHEÇO do recurso ora interposto e NEGOLHE PROVIMENTO, mantendo, assim, em sua integralidade, a decisão a quo que reconheceu a intempestividade da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte e, portanto, não foi instaurada a fase litigiosa do processo administrativo. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 146DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10183.722424/2011-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE JURÍDICO COMUM.
As pessoas que tenham interesse comum na situação jurídica que constitua o fato gerador da obrigação principal respondem solidariamente pelo adimplemento dos tributos lançados, a teor do inciso I do art. 124 do CTN.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ISENÇÃO.VANTAGENSOUBENEFÍCIOS RECEBIDOS POR DIRETORES, CONSELHEIROS, SÓCIOS, INSTITUIDORES OU BENFEITORES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Ficaisentadascontribuiçõesdequetratamosarts.22e23daLei8.212/1991 a entidade beneficente de assistência social que não conceda a diretores,conselheiros,sócios,instituidoresoubenfeitores,remuneraçãoouusufrutovantagensoubenefíciosaqualquertítulo.Vantagensebenefíciossãocaracterísticasdealgoprivilegiado.No presente caso, não houve a demonstração de privilégio concedido aos sócios/diretores/conselheiros razão pela qual torna indevido ocancelamentodaisenção.
Recurso Voluntário PROVIDO.
Crédito Tributário EXONERADO.
Numero da decisão: 2302-003.213
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto divergente vencedor, vencidos o Conselheiro Relator e a Conselheira Liege Lacroix Thomasi. A Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz fará o voto divergente vencedor.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Juliana Campos de Carvalho Cruz Redatora Designada.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE JURÍDICO COMUM. As pessoas que tenham interesse comum na situação jurídica que constitua o fato gerador da obrigação principal respondem solidariamente pelo adimplemento dos tributos lançados, a teor do inciso I do art. 124 do CTN. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ISENÇÃO.VANTAGENSOUBENEFÍCIOS RECEBIDOS POR DIRETORES, CONSELHEIROS, SÓCIOS, INSTITUIDORES OU BENFEITORES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Ficaisentadascontribuiçõesdequetratamosarts.22e23daLei8.212/1991 a entidade beneficente de assistência social que não conceda a diretores,conselheiros,sócios,instituidoresoubenfeitores,remuneraçãoouusufrutovantagensoubenefíciosaqualquertítulo.Vantagensebenefíciossãocaracterísticasdealgoprivilegiado.No presente caso, não houve a demonstração de privilégio concedido aos sócios/diretores/conselheiros razão pela qual torna indevido ocancelamentodaisenção. Recurso Voluntário PROVIDO. Crédito Tributário EXONERADO.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto divergente vencedor, vencidos o Conselheiro Relator e a Conselheira Liege Lacroix Thomasi. A Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz fará o voto divergente vencedor. Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Juliana Campos de Carvalho Cruz Redatora Designada. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 40; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2375; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 1.695 1 1.694 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.722424/201142 Recurso nº 003.213 Voluntário Acórdão nº 2302003.213 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de julho de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS AIOP + AIOA Recorrente ASSOCIAÇÃO DE PROTEÇÃO A MATERNIDADE E A INFÂNCIA DE CUIABÁ E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE JURÍDICO COMUM. As pessoas que tenham interesse comum na situação jurídica que constitua o fato gerador da obrigação principal respondem solidariamente pelo adimplemento dos tributos lançados, a teor do inciso I do art. 124 do CTN. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ISENÇÃO.VANTAGENSOUBENEFÍCIOS RECEBIDOS POR DIRETORES, CONSELHEIROS, SÓCIOS, INSTITUIDORES OU BENFEITORES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Ficaisentadascontribuiçõesdequetratamosarts.22e23daLei8.212/1991 a entidade beneficente de assistência social que não conceda a diretores,conselheiros,sócios,instituidoresoubenfeitores,remuneraçãoouusufru tovantagensoubenefíciosaqualquertítulo.Vantagensebenefíciossãocaracterístic asdealgoprivilegiado.No presente caso, não houve a demonstração de privilégio concedido aos sócios/diretores/conselheiros razão pela qual torna indevido ocancelamentodaisenção. Recurso Voluntário PROVIDO. Crédito Tributário EXONERADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto divergente vencedor, vencidos o Conselheiro Relator e a Conselheira Liege Lacroix Thomasi. A Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz fará o voto divergente vencedor. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 24 24 /2 01 1- 42 Fl. 1765DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 2 Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Juliana Campos de Carvalho Cruz – Redatora Designada. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 1766DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 10183.722424/201142 Acórdão n.º 2302003.213 S2C3T2 Fl. 1.696 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2006. Data de lavratura dos Auto de Infração: 08/08//2011. Data da Ciência dos Autos de Infração: 15/08/2011. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Campo Grande/MS que julgou procedente o crédito tributário lançado mediante os Autos de Infração de Obrigação Principal nº 37.333.7272 e 37.333.7280 e manteve a sujeição passiva solidária contida nos autos. De acordo com o Relatório Fiscal a fls. 28/47, o vertente Processo Administrativo Fiscal é constituído pelos seguintes Autos de Infração: · DEBCAD nº 37.333.7272 – Crédito tributário correspondente a contribuições previdenciárias patronais, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, e as relativas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, inclusive aos adicionais para aposentadoria especial de 15 e 25 anos, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, as quais não se houveram por declaradas nas GFIP correspondentes, e não recolhidas aos cofres públicos; · DEBCAD nº 37.333.7280 – Crédito tributário correspondente a contribuições sociais destinadas a Outras Entidades e Fundos, a saber, FNDE (2,5%), Incra (0,2%), Senac (1,0%) e Sesc (1,5%), Sebrae (0,6%), não declaradas em GFIP e não recolhidas aos cofres públicos; Segundo a Resenha Fiscal, houvese por “constatada a utilização da infraestrutura da entidade pelos seus sócios, diretores, conselheiros, instituidores e benfeitores ou por seus familiares; para o exercício de outras atividades de interesses particulares, em desacordo com o disposto no inciso IV do art. 55 da Lei nº 8.212/1991”. Por tal razão, na sequência, por força do comando inscrito no art. 32, §§ 1º e 2º, da Lei nº 12.101/2009, “foram considerados suspensos os direitos à isenção das contribuições previdenciárias, em relação aos períodos em que ocorreram pagamentos para empresas cujos sócios também eram sócios da Associação, com ou sem cargo de direção, tendo em vista que, para manutenção das isenções das contribuições sociais, o sujeito passivo não pode contratar serviços ou adquirir mercadorias de empresas que constem em seus quadros societários dirigentes, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores da entidade autuada”. Fl. 1767DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 4 A Associação de Proteção à Maternidade e à Infância de Cuiabá houvese por cientificada da suspensão da isenção das contribuições previdenciárias em quentão, mediante a Notificação Fiscal – Procedimento 355/2009, a fls. 461/468, em 20 de maio de 2011, conforme Aviso de Recebimento a fl. 469. Em virtude da suspensão dos direitos à isenção, além de outros fatos geradores apurados, foram constituídos os créditos tributários que, em razão da isenção de que gozava a empresa, deixaram de ser recolhidos aos cofres previdenciários. Consta ainda do Relatório Fiscal que “em razão do interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, foi incluída como devedora solidária nos Autos de Infração – DEBCAD n° 37.333.7272 e 37.333.7280, a entidade IUNI EDUCACIONAL S/A, CNPJ n° 33.005.265/000131”, conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária a fls. 218/219. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Autuado apresentou impugnação a fls. 759/827. Nessa esteira, o responsável solidário apresentou impugnação a fls. 1263/1310. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0429106 – 4ª Turma da DRJ/CGE, a fls. 1426/1447, julgando improcedentes as impugnações, e mantendo o crédito tributário em sua integralidade, bem como a sujeição passiva solidária contida nos autos. O Contribuinte e o Devedor Passivo Solidário foram devidamente cientificados da decisão de 1ª Instância nos dias 12 e 13 de julho de 2012, respectivamente, conforme Avisos de Recebimento a fl. 1452. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o Devedor Principal interpôs recurso voluntário, a fls. 1454/1527, deduzindo seu inconformismo em face da decisão guerreada em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Que a Recorrente atua em diversas áreas de atendimento; · Que a pessoa física do sócio é diferente de pessoa jurídica; · Que, em nenhum momento, os associados usufruíram de vantagens ou benefícios a qualquer título; · Que não houve qualquer afronta ao inciso IV do art. 55 da Lei nº 8.212/91, face á inexistência de qualquer espécie de distribuição de lucros, remuneração, vantagens ou benefícios aos diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores; · Que a administração da autuada ocorre de forma autônoma, por meio de uma direção colegiada composta por órgãos deliberativos (Conselho Deliberativo e Conselho de Hospitalar de Administração Superior COHAS) e executivos (Diretoria Geral e Superintendência Administrativa); Fl. 1768DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 10183.722424/201142 Acórdão n.º 2302003.213 S2C3T2 Fl. 1.697 5 · Que é impertinente a sujeição passiva solidária entre as empresas Associação de Proteção à Maternidade e à Infância de Cuiabá e a IUNI Educacional, tendo em vista a inexistência de interesse comum no fato gerador da obrigação relacionada no auto de infração; · Que a única relação que existe entre a GHU e a IUNI é um contrato de cessão de uso por conta da academia dos cursos da área de saúde; · Que quem prestou serviços para a Autuada foi a pessoa jurídica e não a pessoa física do associado e, mesmo que fosse o associado, no caso concreto, os associados exerceram atividades enquanto médicos, tendo recebido honorários por atendimento ou cirurgias realizadas, jamais tendo usufruído de vantagem ou benefício a qualquer título; · Que os pagamentos feitos às pessoas jurídicas relacionadas no auto de infração não configuram descumprimento dos requisitos indicados no art. 55, IV, da Lei 8.212/91, pois em nenhum momento remunerou diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores da instituição, o que deveras ocorreu foi pagamento pelos serviços efetivamente prestados, necessários a manutenção e a consecução da atividade da instituição, Ao fim, requer a declaração de insubsistência do lançamento e manutenção da isenção tributária. Na mesma toada, o Devedor Solidário interpôs recurso voluntário, a fls. 1650/1690, concentrando sua inconformidade, resumidamente, nas seguintes alegações: · Que pelo contrato de cessão de uso, cabe à Cedente a gestão administrativa, financeira e operacional das atividades do hospital e do seu patrimônio; · Que a cessão em comodato das instalações do HGU à IUNI trouxe para a Solidária inúmeras vantagens, pois passou a ter acesso a um hospital completamente estruturado e em pleno funcionamento, possibilitando a implementação de cursos universitários na área de saúde, que exigem como complemento à formação acadêmica a formação prática em hospitais escola; · Que não há não há qualquer norma vigente no ordenamento que proíba membros de uma mesma família serem associados, nem mesmo que esta associação firme contratos de qualquer natureza com outras empresas dos mesmos membros familiares; · Que caso tenha havido alguma distribuição de vantagens e benefícios aos diretores da Autuada, esta se deu de maneira totalmente alheia à Solidária, pessoa jurídica autônoma, que não possui poder de gerência sobre a Cedente; · Que são duas pessoas jurídicas independentes e autônomas, cujos direitos e obrigações não se confundem. O fato de haver alguma similaridade no Fl. 1769DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 6 quadro de associados não produz qualquer efeito jurídico, nem anula o principio da autonomia patrimonial; · Que para ser imputada a solidariedade passiva é preciso demonstrar que houve interesse comum na realização do fato gerador da obrigação tributária, fato este que não ficou demonstrado nos autos, pois são duas instituições distintas e totalmente autônomas e independentes; · Que a folha de pagamento dos funcionários da HGU é custeada pelo Poder Público que, por meio de convênios, os repassa mensalmente. Ao fim, requer a declaração de nulidade da Sujeição Passiva Solidária. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 1770DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 10183.722424/201142 Acórdão n.º 2302003.213 S2C3T2 Fl. 1.698 7 Voto Vencido Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE Os Devedores Principal e Solidário foram foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida nos dias 12 e 13 de julho de 2012. Havendo sido os recursos voluntários protocolizados nos dias 08 e 09 de agosto do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. DA ISENÇÃO. O art. 195, I da Constituição Federal determina que a Seguridade Social seja custeada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, mediante recursos oriundos, dentre outras fontes, das contribuições sociais a cargo da empresa incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Fl. 1771DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 8 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98) No plano infraconstitucional, a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual instituiu o Plano de Custeio da Seguridade Social, consubstanciado nas contribuições sociais a cargo da empresa e dos segurados obrigatórios do RGPS, nos limites traçados pela CF/88. Anotese que o Constituinte Originário não restringiu o alcance do conceito de empregador às pessoas jurídicas de direito privado. Por outro lado, a CF/88 outorgou ao legislador ordinário a competência legislativa para dispor sobre o financiamento da Seguridade Social, cuja fonte de custeio seria suportada por toda a sociedade, de forma direta ou indireta, sem lhe assentar muros. Nos lídimos limites desenhados pelo Constituinte, por opção política legítima assegurada pelo citado art. 195, I, pautouse o legislador ordinário em estabelecer como financiador direto da Seguridade Social, dentre outros, todas as pessoas jurídicas que ostentassem a condição fática de empregador, fossem elas entidades públicas ou privadas. Por questões de estilo redacional, optou o legislador por atribuir ao sujeito passivo ora em destaque não a denominação de “empregador”, mas, sim, a de ”empresa”, assim entendida a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não. Tendo em vista que tal conceito não abraçaria as pessoas jurídicas de direito público e que estas, nas condições assinaladas no parágrafo penúltimo próximo, também estariam abraçadas pela qualificação de empregador fixada no inciso I do art. 195 da CF/88, viuse obrigado o legislador infraconstitucional a incluílas no polo passivo da obrigação tributária previdenciária, o que foi levado a efeito pelo ádito ao inciso I, in fine, do art. 15 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou Fl. 1772DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 10183.722424/201142 Acórdão n.º 2302003.213 S2C3T2 Fl. 1.699 9 não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Considerase empresa, para os efeitos desta lei, o autônomo e equiparado em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. Não diverge o conceito de empresa aviado no art. 12 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Regulamento da Previdência Social Art. 12. Consideramse: I empresa a firma individual ou a sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e as entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; e II empregador doméstico aquele que admite a seu serviço, mediante remuneração, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparamse a empresa, para os efeitos deste Regulamento: (Redação dada pelo Decreto nº 3.265/999) I o contribuinte individual, em relação a segurado que lhe presta serviço; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265/99) II a cooperativa, a associação ou a entidade de qualquer natureza ou finalidade, inclusive a missão diplomática e a repartição consular de carreiras estrangeiras; III o operador portuário e o órgão gestor de mãodeobra de que trata a Lei nº 8.630, de 1993; e IV o proprietário ou dono de obra de construção civil, quando pessoa física, em relação a segurado que lhe presta serviço. Consoante tal delimitação legislativa, passaram a figurar como sujeitos passivos das obrigações previdenciárias assinaladas na Lei de Custeio da Seguridade Social não somente as empresas unidades econômicosociais integradas por elementos humanos, materiais e técnicos, com objetivo de obter utilidades através da sua participação no mercado de bens e serviços , como também, os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional que se enquadrassem na condição de empregador. Tudo de acordo com o art. 195, I da lex Excelsior. Diante dos aludidos dispositivos, avulta, por decorrência lógica, que o encargo de custear a seguridade social deve ser repartido, indistintamente, por todas as empresas em geral, inclusive as entidades sem fins lucrativos, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional, que contratem e remunerem mão de obra de pessoa física segurado obrigatório do RGPS. Essa é a regra geral ! Fl. 1773DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 10 Ocorre, todavia, que por uma questão de política social, o Constituinte Originário honrou estatuir no §7º do já citado art. 195 hipótese excepcional de isenção das contribuições sociais tratadas em seu inciso I, beneficiando entidades beneficentes de assistência social que atendessem às exigências estabelecidas em lei. Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) §7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Cabe inicialmente trazer à tona que a matéria relativa ao estabelecimento de parâmetros e condições para concessão de isenção de contribuições previdenciárias às entidades beneficentes de assistência social não foi incluída, pela CF/88, nas hipóteses de reserva de Lei Complementar, de forma que o documento legislativo com vocação para o atendimento de tais afazeres é a lei ordinária federal. A questão ora em debate já foi bater às portas da Suprema Corte Constitucional, no julgamento da Ação Direta de Constitucionalidade nº 1/DF, da Relatoria do Min. Moreira Alves, que assentou “A jurisprudência desta Corte, sob o império da Emenda Constitucional nº 1/69 – e a Constituição atual não alterou este sistema – se firmou no sentido de que só se exige lei complementar para as matérias cuja disciplina a Constituição expressamente faz tal exigência e, se porventura a matéria, disciplinada por lei cujo processo legislativo observado tenha sido o da lei complementar, não seja daquelas para que a Carta Magna exige essa modalidade legislativa, os dispositivos que tratam dela se têm como dispositivos de lei ordinária”. (grifos nossos) Sintonizado na mesma frequência da Suprema Corte, o Senado Federal entrou com cerol fino na questão em apreço, fazendo expedir o Comunicado do Senado Federal SM/N° 805/91, de 12 de agosto de 1991, o qual cortou na mão qualquer dúvida ainda renitente a respeito do Instrumento Normativo com aptidão para a delimitação das condições de contorno da hipótese de não incidência em debate, ad litteris et verbis: SENADO FEDERAL – SM nº 805/91 Em 12 de agosto de 1991. Senhor Ministro. Com referência ao oficio n° 543/P, de 7 de agosto corrente, desse Tribunal, cumpreme comunicar a Vossa Excelência que o §7° do art. 195 da Constituição Federal foi regulamentado pelo art. 55 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, publicada no Diário Oficial da União do dia seguinte. Aproveito a oportunidade para apresentar a Vossa Excelência protestos de estima e consideração. Fl. 1774DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 10183.722424/201142 Acórdão n.º 2302003.213 S2C3T2 Fl. 1.700 11 Senador MAURO BENEVIDES Presidente Diante desse cenário, não restam mais dúvidas de que a matéria atinente à isenção ora em abordagem houve por confiada à Lei nº 8.212/91, cujo art. 55 estabeleceu, expressamente, serem isentas de contribuições previdenciárias a entidade beneficente de assistência social que atendesse, cumulativamente, aos seguintes requisitos: a) Ser reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; b) Ser portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, o qual deve ser renovado a cada três anos; c) Promover gratuitamente e em caráter exclusivo a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; d) Não perceber seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; e) Aplicar integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Redação dada pela Lei nº 9.732/98). IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). Fl. 1775DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 12 §1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. §2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. §3º Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Incluído pela Lei nº 9.732/98). §4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.732/98) §5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Incluído pela Lei nº 9.732/98). §6o A inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no §3o do art. 195 da Constituição. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). Além disso, dispõe o §4º do dispositivo legal ora em trato, ad litteram, que o Instituto Nacional do Seguro Social INSS (hoje RFB) cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto nesse artigo de lei. Diante de tal quadro normativo legal e constitucional, para que uma entidade seja sujeito de direito à isenção em realce, é indispensável que comprove ser entidade beneficente e de assistência social e que seja reconhecida formalmente como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal, além de atender, cumulativamente, aos demais requisitos fixados no art. 55 da Lei nº 8.212/91. Posteriormente, a Lei nº 12.101/2009 fez introduzir no Ordenamento Jurídico Brasileiro norma de caráter procedimental, instituindo novos critérios de apuração e processo de Fiscalização, ampliando os poderes de investigação da autoridade administrativa na medida em que determinou às autoridades fiscais da Secretaria da Receita Federal do Brasil que, constatado o descumprimento pela entidade beneficente dos requisitos indispensáveis à fruição de contribuições previdenciárias, fosse lavrado o auto de infração relativo ao período correspondente ao descumprimento verificado e fossem relatados os fatos que demonstrassem o não atendimento aos requisitos para o gozo da isenção, sendo considerado como suspenso, automaticamente, o direito à isenção das contribuições previdenciárias durante o período em que se constatar o descumprimento da lei. Não se deve olvidar que, sendo a isenção tributária uma norma legal de exceção, de interpretação restritiva e em benefício do Contribuinte, sendo a regra geral a da obrigatoriedade do recolhimento das contribuições sociais, o adimplemento cumulativo de todas as condições e requisitos previstos na lei para a sua concessão não se presume, se comprova mediante documentos idôneos. Fl. 1776DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 10183.722424/201142 Acórdão n.º 2302003.213 S2C3T2 Fl. 1.701 13 Dessarte, ao beneficiário da isenção recai o ônus de demonstrar e comprovar rigorosamente o cumprimento cumulativo de todos os requisitos legais para a fruição da isenção pretendida, sob pena de manutenção da regra geral, isto é, a tributação. Nessa perspectiva, na hipótese de descumprimento intercorrente dos requisitos legais fixados para a fruição do benefício fiscal em tela, compete à Fiscalização, mediante os procedimentos previstos taxativamente na lei para tais episódios, adotar as providências necessárias à constituição do crédito tributário referente às contribuições sociais que deixaram de ser recolhidas, em atenção à natureza plenamente vinculada de seu dever de ofício assentado no art. 142 do CTN, sob pena de responsabilidade funcional. No caso em apreço, a Autoridade Lançadora afirma ter havido a utilização da infraestrutura da Associação de Proteção à Maternidade e à Infância de Cuiabá, pelos seus sócios, diretores, conselheiros, instituidores e benfeitores ou por seus familiares, para o exercício de outras atividades de interesses particulares, beneficiando, por meio da terceirização de serviços, empresas em que estes mesmos dirigentes, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores eram sócios, em desacordo com o disposto no inciso IV do art. 55 da Lei nº 8.212/1991. Segundo a autoridade fiscal, os sócios da Associação Autuada foram identificados nas atas de assembleia apresentadas e nas contas contábeis individuais no grupo 10010303 – Créditos c/ Colaboradores, consoante se vos segue: · Alguns desses sócios prestaram serviços como autônomos, com as respectivas despesas escrituradas na conta 4001010200001 – Honorários Médicos e, · Concomitantemente, alguns sócios receberam remunerações como autônomos e por meio das pessoas jurídicas Preplan Construtora e Incorporadora Ltda, Universo Empreendimentos Ltda, Universo Comércio de Combustíveis Ltda, Sermed Serviços Médicos Ltda, Instituto de Tumores e Cuidados Paliativos de Cuiabá S/C Ltda, Clínica de Tratamento Renal Ltda, Instituto de Reumatologia e Endocrinologia S/C Ltda, Fercaires Ltda, Stabile, Passare e De Simone – Advocacia e Assessoria Empresarial S/S, Kopec Contabilidade Ltda e Amareto Fomento Mercantil Ltda. A Fiscalização detalhou no item 5.1 do Relatório Fiscal, a fls. 32/39, alguns aspectos relevantes das contratações realizadas pela Autuada. 1) Preplan Construtora e Incorporadora Ltda: · Os sócios da empresa Wlademir Lovato Fragão e Altamiro Belo Galindo exerciam as funções de conselheiro e sócio, respectivamente, da Associação; Fl. 1777DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 14 · Os pagamentos na ordem R$ 310.000,00 efetuados à Perplan representam vantagem indireta, acentuadas por empréstimos que a empresa efetuou ao sócio Altamiro. A vantagem também se revela na medida em que a contratada paga pro labore e de distribuição de lucros aos seus sócios. · Os outros membros da família Abrão Antonio Sebe e Mario Cesar Fernandes (genros de Altamiro) Rodrigo Calvo Galindo e Marcelo Calvo Galindo (filhos de Altamiro) também já haviam integrado o quadro societário da Perplan, além de terem participado da Administração da IUNI (Solidária), a qual utiliza as instalações da Associação como Hospital de Ensino nos cursos de graduação da área de saúde humana. · Segundo o CNPJ, o endereço da empresa, no período, era Av. Principal, nº 02, CEP 78.070710 – Cuiabá/MT. Todavia, as notas fiscais emitidas revelam que no aludido período o endereço era o mesmo da IUNI EDUCACIONAL S/A, na sala 14, indicando que a empresa operava no estrito interesse da Instituição de Ensino Superior e de seus Dirigentes, revelando estreita relação entre a contratada e a instituição de ensino que, por força do contrato de comodato das instalações do Hospital Universitário, detinha o poder de gestão da Associação; · A Preplan também recebeu pagamentos da IUNI, que durante o período sob procedimento fiscal era dirigida por Altamiro Belo Galindo, seus familiares e sócios, os quais, de forma indireta, também administravam a Associação. · Não há comprovação de que o preço cobrado pela Preplan para a execução dos serviços que foram contratados era o menor preço do mercado. 2) Universo Empreendimentos Ltda: · Os sócios da empresa Francisco Belo Galindo Filho (irmão de Altamiro), Abrão Antonio Sebe (genro de Altamiro) e Wlademír Lovato Fragão (Preplan) participavam concomitantemente da administração da Associação; · A empresa já teve como sócio Regina Célia Calvo Galindo (filha de Altamiro), cônjuge de Mário César Fernandes, ambos sócios da autuada; · Pagamentos de R$ 327.006,88 nos meses de janeiro a outubro/2006 e de R$ 48.198,49 em janeiro e julho/2007. A vantagem indireta é reforçada pela distribuição de lucros efetuada pela Universo aos seus sócios, sendo o saldo absorvido nas suas operações, para que se alcançasse resultado positivo ou minimizasse eventuais prejuízos. · Teve endereço conflitante entre o expresso em notas fiscais (n° 3.227, vizinho da IUNI) e no cadastro CNPJ (n° 2.327, numeração inexistente que acabou dando causa à inaptidão) tendo, por fim, alterado seu domicílio fiscal para Rua Sinjão Curvo nº 100, Bairro Santa Rosa, Cuiabá/MT, no mesmo endereço atual da Preplan; Fl. 1778DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 10183.722424/201142 Acórdão n.º 2302003.213 S2C3T2 Fl. 1.702 15 · Tomando em conjunto os percentuais da receita bruta da Universo Empreendimentos em relação à IUNI e à ASSOCIAÇÃO, em 2006 a relação foi de 92,64%, e em 2007 foi de 99,21%, ou seja, a empresa existiu em função das duas entidades; · Não há comprovação de que o preço cobrado pela Universo para a execução dos serviços que foram contratados era o menor preço do mercado. 3) Universo Comércio de Combustíveis Ltda: · Dois dos sócios da empresa em referência, Abrão Antônio Sebe (genro de Altamiro) e Wlademir Lovato Fragão (da Preplan) participaram, concomitantemente, da administração da Associação durante todo o período, e o terceiro sócio, Francisco Bello Galindo Filho, em parte do período; · Teve como sócio Francisco Bello Galindo, quando este era também dirigente da autuada, e tem atualmente como sócio Célia Marilena Calvo Galindo, esposa de Altamiro; · Segundo consta do cadastro CNPJ seu endereço situase no estacionamento da própria IUNI, revelando, mais uma vez, estreita relação entre as empresas contratadas e os dirigentes da instituição de ensino; · Pagamentos de R$ 31.426,07 nos meses de janeiro a dezembro/2006 (exceto março e abril) e de R$ 13.166,12 em janeiro, fevereiro, março, maio, junho, julho e dezembro/2007 e de R$ 6.728,09 em fevereiro e março/2008. A vantagem indireta é reforçada pela distribuição de lucros e pagamento de pro labore efetuada pela Empresa aos seus sócios, sendo o saldo absorvido nas suas operações. 4) Sermed Serviços Médicos Ltda: · Três dos sócios da empresa em referência, Afrânio Batista da Costa, Elibene de Almeida Orro Junqueira e Maria de Lourdes dos Santos Carneiro, participaram como sócios da Associação durante todo o período, ao passo que Afrânio passou a integrar o conselho deliberativo desta a partir de dezembro de 2003; · Pagamentos de R$ 394.593,71 em todos os meses de 2006, R$ 434.435,91 em todos os meses de 2007 e R$ 99.657,49 em todos os meses do 1º trimestre de 2008. A vantagem indireta é reforçada pela distribuição de lucros e pagamento de pro labore efetuada pela Empresa aos seus sócios, no ano de 2007. Fl. 1779DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 16 · Tem 100% de seu faturamento baseado em serviços prestados para a Associação, sendo que a justificativa apresentada junto à impugnação, de que se tratam de serviços médicos prestados no CTI da UTI Neonatal nas dependências da autuada, caracterizam tal empresa na condição de um “departamento” desta última, não justificando sua contratação, visto que tais serviços poderiam ser prestados por funcionários da própria Associação; 5) Instituto de Tumores e Cuidados Paliativos de Cuiabá S/C Ltda: · Pagamentos de R$ 4.326,963,51 nos meses de janeiro a novembro de 2006, R$ 5.747.032,75 em todos os meses de 2007 e R$ 1.383.649,41 em todos os meses do 1º trimestre de 2008. A vantagem indireta é reforçada pela distribuição de lucros e pagamento de pro labore efetuada pela Empresa aos seus sócios, nos anos de 2006, 2007 e 2008, sendo eventual saldo absorvido pelas operações da empresa. · Os sócios da empresa Mara Vânia Vieira da Silva, Francisco Aurélio da Silva Campos Filho, Cristina Guimarães Inocêncio, Aray Carlos da Fonseca Filho e Gilmar Ferreira do Espírito Santo participaram como sócios da Associação durante todo o período, ao passo que Francisco Aurélio passou a integrar o conselho deliberativo a partir de dezembro de 2003; · Tem 100% de seu faturamento baseado em serviços prestados para a autuada, sendo que a justificativa apresentada junto à impugnação foi de que, em razão do convênio com o SUS, a Associação detém o direito de realizar procedimentos de alta complexidade em Câncer (SIPAC Câncer) e, em razão disto, fora firmado contrato de exclusividade com o ITC para a prestação de serviços médicos na especialidade de Oncologia Geral. · Ora, se o Convênio com o SUS prevê exclusividade da Associação, deveria ser criado um “departamento” nesta última, para a realização do serviço, não justificando a terceirização, visto que tais serviços poderiam ser prestados por funcionários da própria Associação; · Ao revés, quando a autuada recebe do SUS o pagamento por estes serviços, efetua o repasse para o ITC, retendo os encargos devidos e descontando o percentual referente a contrapartida financeira estabelecida entre as partes por meio contratual, ou seja, apesar da autuada ser a entidade credenciada junto ao SUS, quem presta o serviço é uma outra empresa, cabendo à autuada apenas uma “comissão”, caracterizando favorecimento da empresa contratada, visto que nitidamente esta não tem credenciamento junto ao SUS para a prestação de tais serviços; 6) Clínica de Tratamento Renal Ltda: · Um dos sócios da empresa, Luiz Gonzaga de Figueiredo, era, concomitantemente, sócio da Associação; Fl. 1780DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 10183.722424/201142 Acórdão n.º 2302003.213 S2C3T2 Fl. 1.703 17 · Pagamentos de R$ 1.276.186,44 nos meses de janeiro a novembro/2006, R$ 1.955.984,24 em todos os meses de 2007 e R$ 447.058,18 em todos os meses fevereiro e março/2008. A vantagem indireta é reforçada pela distribuição de lucros e pagamento de pro labore efetuada pela Empresa aos seus sócios, no ano de 2007. · A relação percentual entre os pagamentos recebidos/faturamento desta para a autuada, nos períodos verificados, ficou entre 72% e 83%, caracterizando nítida dependência da empresa em relação à Associação; · A justificativa apresentada junto à impugnação foi de que em razão do convênio com o SUS a autuada necessitava de uma unidade de prestação de serviços médicos de terapia renal e, em razão disto, fora firmado contrato de exclusividade com a CTR para a prestação de tais serviços; · Porque não, então, criar um “departamento” na Associação para a realização do serviço de terapia renal ? Tais serviços deveriam ser prestados por funcionários da própria Associação, não justificando a terceirização; · Quando a autuada recebe do SUS o pagamento por estes serviços, efetua o repasse para a CTR, retendo os encargos devidos e descontando o percentual referente a contrapartida financeira estabelecida entre as partes por meio contratual, ou seja, apesar da autuada ser a entidade credenciada junto ao SUS, quem presta o serviço é uma outra empresa, cabendo à autuada apenas uma “comissão”, caracterizando favorecimento da empresa contratada, visto que nitidamente esta não tem credenciamento junto ao SUS para a prestação de tais serviços; 7) Instituto de Reumatologia e Endocrinologia S/C Ltda: · Um dos sócios da empresa em referência, Vander Fernandes, participava concomitantemente como sócio da Associação durante o referido período, ocupando cargo de diretor; · A relação percentual entre os pagamentos recebidos/faturamento desta para a autuada, no período verificado, ficou em 51,37%, caracterizando nítida dependência da empresa em referência junto à autuada; · A justificativa apresentada junto à impugnação foi de que em razão do convênio com o SUS a autuada necessitava da formação de uma unidade de atendimento nas áreas de terapias reumatológicas e imunológicas avançadas e, em razão disto, fora firmado contrato de exclusividade com o IREMT para a prestação de tais serviços; · Quando a autuada recebe do SUS o pagamento por estes serviços, efetua o repasse para o IREMT, retendo os encargos devidos, ou seja, apesar da autuada ser a entidade credenciada junto ao SUS, quem presta o serviço é outra empresa; Fl. 1781DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 18 · Não há comprovação no processo de quais foram os critérios e procedimentos de seleção de empresa para prestação deste tipo de serviço, sugerindo um favorecimento à empresa de propriedade de associado da autuada. 8) Fercaires Ltda: · Dois sócios da empresa, Alex Sandro Sarmento Ferreira e Norma Sueli de Caires Galindo, participavam concomitantemente como sócios da autuada. · A remuneração indireta é reforçada pela distribuição de lucros aos seus sócios, nos anos de 2006, 2007 e 2008, sendo eventual saldo absorvido pelas operações da empresa. 9) Stabile, Passare e De Simone – Advocacia e Assess. Empresarial S/S: · Quatro sócios da empresa, Pedro Marcelo De Simone, Maria Cláudia de Castro Borges Stabile, Cláudio Stabile Ribeiro e Dauto Barbosa Castro Passare, participavam concomitantemente como sócios da autuada. 10) Kopec Contabilidade Ltda: · Dois dos sócios da empresa, Kojiro Tomiyoshi e Antonio Rodas Junior, participavam concomitantemente como sócios da autuada. 10) Amareto Fomento Mercantil Ltda: · um dos sócios da empresa, José de Neves Gontijo, participava concomitantemente como sócio da autuada. Com relação a estas quatro últimas contratações não há comprovação no processo de quais foram os critérios e procedimentos de seleção de empresa para prestação deste tipo de serviço, sugerindo um favorecimento à empresa de propriedade de associado da autuada. Não se deve perder de vista que o Ordenamento Jurídico veda a contratação de trabalhadores via terceirização por empresa interposta. Tal vedação encontrase plasmada no Enunciado nº 331 do TST, o qual impõe, na contratação de trabalhadores por interposta pessoa, o estabelecimento de vínculo empregatício do trabalhador diretamente com o tomador dos serviços, eis que o verdadeiro empregador. Enunciado nº 331 do TST Contrato de Prestação de Serviços Legalidade I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos Fl. 1782DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 10183.722424/201142 Acórdão n.º 2302003.213 S2C3T2 Fl. 1.704 19 serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). (grifos nossos) II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da administração pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). (Revisão do Enunciado nº 256 TST) III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 2006 1983), de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. IV O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços, quanto àquelas obrigações, inclusive quanto aos órgãos da administração direta, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista, desde que hajam participado da relação processual e constem também do título executivo judicial (art. 71 da Lei nº 8.666, de 21.06.1993). (Alterado pela Res. 96/2000, DJ 18.09.2000) De acordo com o Enunciado nº 331 do TST, na contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, o vínculo jurídico se estabelece diretamente com o tomador dos serviços, ou seja, todas as relações jurídicas formalmente celebradas com a interposta pessoa passam a ser interpretadas, na realidade nua dos fatos, como estabelecidas diretamente entre o prestador de serviço pessoa física e a empresa contratante, a que promoveu a terceirização. Nessa prumada, todas a remuneração e as vantagens e benefícios auferidos a qualquer título pelos diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores da Autuada, na realidade dos fatos são tidos como obtidos diretamente da Contratante, in casu, a Associação de Proteção à Maternidade e à Infância de Cuiabá. Tal circunstância se mostra ainda mais flagrante nas situações em que a contratada terceirizada depende integralmente da Associação Autuada, como sói ocorrer com as empresas Universo Empreendimentos Ltda (100%), Sermed Serviços Médicos Ltda (1000%), Instituto de Tumores e Cuidados Paliativos de Cuiabá S/C Ltda (100%), Clínica de Tratamento Renal Ltda (72 a 83%) e Instituto de Reumatologia e Endocrinologia S/C Ltda (51%). Como visto, diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores da Associação de Proteção à Maternidade e à Infância de Cuiabá usufruíram vantagens e benefícios indiretos, mediante a terceirização de serviços (que, em alguns casos, eram de exclusividade da Associação) a empresas constituídas em nome de pessoas que, concomitantemente, exerciam as funções de sócio, administrador, conselheiro, diretor da associação. Tais constatações revelam de maneira insofismável o modus operandi do esquema de distribuição de vantagem. Diversos serviços de competência da Associação, alguns desses a ela outorgados com exclusividade mediante convênios, eram repassados a empresas terceirizadas, constituídas em nome de sócios, administradores, conselheiros, diretores da Fl. 1783DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 20 Associação ou a familiares, por valores que não se logrou demonstrar haverem sido os de mercado, de sorte que as vantagens auferidas por estes sócios, administradores, conselheiros, diretores, advinham de maneira indireta na forma de pro labore ou de distribuição de lucros nas empresas terceirizadas. Para corroborar tal entendimento, a autoridade fiscal juntou demonstrativos de distribuição de lucros e pagamentos de pro labore, relação de dirigentes com participação nas pessoas jurídicas contratadas, relação de sócios colaboradores e indicação de participação societária e se consta como prestador de serviços à autuada; relação de sócios que recebem remuneração como autônomos e relação de pagamentos efetuados a empresas de sócios. O demonstrativo aviado no Anexo A2 a fls. 212/213 ilustra o montante auferido por cada sócio/administrador/conselheiro/diretor a título de pro labore e distribuição de lucros por meios das empresas terceirizadas, apresentando ainda o grau de dependência dessas empresas com a Associação. O Órgão Julgador de 1ª Instância enfrentou a questão de maneira exemplar, conforme se vos segue: “É bom lembrar que o princípio da entidade (Art. 4º da Resolução CFC n° 750/1993 com as alterações introduzidas pela Resolução CFC n° 1282/2010) dispõe que não pode existir confusão entre a pessoa física do sócio com a pessoa jurídica da empresa, mas, em nenhum momento, salvaguarda a entidade para contratar livremente (seja qual for o caso). Sendo assim, a sua invocação para albergar as contratações e pagamentos efetuados pela entidade às empresas que detenham em seus quadros societários as mesmas pessoas que ela, é uma grave ofensa à inteligência do inciso IV do art. 55 da Lei n° 8.212/1991, bem como a inteligência do próprio princípio em comento. O inciso IV do artigo 55 da Lei nº 8.212/1991 estabelece a seguinte condição: “não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título”. Pois bem, no presente caso, entendo que há duas situações que acabam por resultar em vantagens e benefícios a alguns dirigentes e sócios da autuada, a saber: 1ª as pessoas jurídicas de natureza privada são constituídas, em sua grande maioria, com a finalidade de produzir resultados que remunerem o trabalho de seus integrantes (salário/ prólabore) ou o capital investido (lucros). Portanto, é inegável que quando a autuada contrata uma pessoa jurídica para lhe prestar serviços, serviços estes que serão remunerados, esta relação negocial irá proporcionar benefícios aos integrantes e/ou sócios da empresa contratada; 2ª atualmente o mercado de trabalho brasileiro encontrase muito competitivo e extremamente seletivo na contratação de profissionais, exigindo elevados níveis de capacitação e conhecimento dos candidatos. Sob este aspecto, quando a autuada contrata seus dirigentes e/ou associados para lhe prestarem serviços na condição de profissionais liberais, certamente está a lhes proporcionar uma certa vantagem em relação à outros profissionais que também estariam em condições de prestar os mesmos serviços. Fl. 1784DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 10183.722424/201142 Acórdão n.º 2302003.213 S2C3T2 Fl. 1.705 21 A autuada alega em sua defesa que tais contratações foram realizadas a valores e preços compatíveis com o mercado, mas não logra comprovar, efetivamente, tal situação, até porque esta “compatibilidade com o mercado” apresenta elevados níveis de subjetividade. O fato da Autuada estar dispensada de adotar procedimentos, condições e critérios mais rígidos nos processos de contratações, ao contrário do que se observa nas entidades e órgãos públicos (procedimentos licitatórios), materializa ainda mais a subjetividade da seleção. É exatamente em razão da elevada subjetividade nos critérios de seleção e da impossibilidade de controle efetivo dos processos de contratação, que a lei impõe restrições à concessão de quaisquer benefícios e/ou vantagens àqueles que detêm o poder de gestão das entidades de assistência social”. Não deve ser esquecido que o inciso IV do art. 55 da Lei nº 8.212/91 estatui como condição sine qua non para a manutenção da fruição da isenção de contribuições previdenciárias que os diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores da EBAS não percebam remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título. Atentese que a Autuada alegou em seu instrumento de impugnação ao lançamento que as contratações de tais empresas foram realizadas a valores e preços compatíveis com o mercado. O Órgão Julgador de 1ª Instância, de forma fundamentada e devidamente consignada em seu acórdão, apreciando as alegações de defesa e os elementos de prova contidos nos autos, refutou as razões de impugnação e rechaçou a pretensão do Autuado ao fundamento de que este não houvera logrado comprovar, efetivamente, tal situação, ratificando a procedência do lançamento. Nada obstante, retorna à carga o Recorrente, agora em grau de Recurso Voluntário, formulando exatamente os mesmos argumentos de defesa, como que não acreditando nos fundamentos deduzidos pela DRJ, sem acostar aos autos qualquer elemento de convicção, tão menos indícios de prova material, com aptidão a demonstrar que as contratações de tais empresas se deram a preço de mercado, ou que os diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores da Autuada não houveram auferido remuneração nem usufruído vantagens ou benefícios a qualquer título. Assim, havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. Nesse contexto, entendo restar configurada violação à vedação veiculada no inciso IV do art. 55 da Lei nº 8.212/91, circunstância que implica a suspensão da isenção de que trata o §7º do art. 195 da CF/88, e a procedência do lançamento levado a efeito pela Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Fl. 1785DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 22 2.2. DA SOLIDARIEDADE Cumpre trazer à balha que, no capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, a Carta Constitucional outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre as obrigações tributárias, dentre outras. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Nessa vertente, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, ao tratar da responsabilidade tributária, o CTN honrou prescrever, com propriedade, que a lei pode atribuir a terceira pessoa vinculada ao fato gerador a responsabilidade pelo crédito tributário, ad litteris et verbis: Código Tributário Nacional CTN Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. No ramo do Direito Tributário, o instituto da solidariedade alicerçou suas escoras no art. 124 do CTN, o qual reconheceu a existências de duas modalidades de solidariedade aplicáveis ao direito tributário, a saber, a solidariedade de fato, verificada entre as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e a solidariedade legal, a qual se avulta nas hipóteses taxativamente previstas na lei. Código Tributário Nacional CTN Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Em ambos os casos acima ponteados, o CTN honrou estatuir que o instituto da solidariedade tributária não se confunde com o da subsidiariedade, eis que excluiu expressamente, de maneira peremptória, o beneficio de ordem. Como é cediço, a solidariedade não se presume. Ela decorre da vontade das partes, ou diretamente de disposição legal, como é o presente caso. Fl. 1786DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 10183.722424/201142 Acórdão n.º 2302003.213 S2C3T2 Fl. 1.706 23 No caso da responsabilidade solidária de fato prevista no inciso I do art. 124 do CTN, assentado que a expressão interesse comum utilizada pelo legislador acomoda um conceito jurídico indeterminado, mostrase alvissareiro procedermos a uma exegese mais atenta do texto legal de molde a se determinar o real conteúdo e o alcance da norma in abstrato. Autores de nomeada de há muito prelecionam que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam os “sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível”. A respeito do tema, o eminente Paulo de Barros Carvalho (in Curso de Direito Tributário, Ed. Saraiva, 8ª ed., 1996, p. 220) fez verter sucintas palavras, não obstante profícuas, conforme se vos seguem: “... o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art. 124 do Código. Vale sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratandose, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalarse entre sujeitos que estiveram no mesmo polo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. É o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador”. Na mesma linha de raciocínio segue o escólio de Rubens Gomes de Sousa sobre a matéria, em sua renomada obra Compêndio de Legislação Tributária, Edições Financeiras, 3ª ed., pag. 67, in verbis: “São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN. O interesse comum das pessoas não é revelado pelo interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador. É solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui o fato gerador, ou que, em comum com outras pessoas, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem a tributação". O entendimento acima esposado não se atrita com o magistério do mestre Hugo de Brito Machado (in Curso de Direito Tributário, Ed. Melhoramentos, 27ª edição, 2006, p.165), que preleciona: “... o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação, cuja presença cria a solidariedade, não é um interesse meramente de fato, e sim um interesse jurídico. Interesse que decorre de uma situação jurídica” No caso vertente, os fatos concretos e documentos que caracterizam o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal em debate encontramse descritos, de maneira bem detalhada, nos relatórios fiscais e demais documentos que integram os presentes Autos de Infração. Extraímos do item 6.4.1 do Relatório Fiscal a fls. 40/41: Fl. 1787DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 24 “De fato, em 19/01/2000, foi celebrado entre a Sociedade de Proteção à Maternidade e à Infância de Cuiabá (mantenedora do Hospital Geral) e a UNIC Universidade de Cuiabá, pessoa jurídica de direito privado, um contrato de comodato, com registro no Cartório do 1º Ofício de Cuiabá, sob n° 233209, através do qual ficou decidido a cessão, por 30 (trinta) anos, à comodatária (UNIC) do imóvel, prédio, instalações e equipamentos do hospital, cabendo a esta toda a gestão administrativa, financeira, clinica e de recursos humanos, assumindo inclusive a responsabilidade pelo ativo e passivo da COMODANTE, tudo com a finalidade de transformação do Hospital Geral em Hospital Escola. É interessante ressaltar que, de acordo com as alterações estatutárias, de 17/02/2000, e na vigência do contrato de comodato, acima referido, a comodatária passou a ter o direito de indicar 4 dos 7 membros efetivos, bem como 4 dos 7 membros suplentes do Conselho Deliberativo, indicando, também, 2 dos 3 membros efetivos e 2 dos 3 membros suplentes para o Conselho Fiscal. Sendo que, após empossado, o Conselho Deliberativo passou a ter o prazo de 30 dias para eleger o seu Presidente, dentre os membros indicados pela comodatária. Lembrando que indiretamente a COMODATÁRIA também passou a indicar as pessoas para os cargos de Diretor Geral e Administrativo da Diretoria Executiva, por ser esta uma atribuição do Conselho Deliberativo, cuja maioria dos membros eram indicados por ela. Indiretamente, coube a esta decidir também, a qualquer tempo, pela substituição do Diretor Geral e do Diretor Administrativo. Como prova disso, o Relatório de Atividades de 2002, apresentado pela entidade em obediência ao Art. 55, inciso V, da Lei 8.212/91, traz como Diretor Geral o Sr. Francisco Bello Galindo Filho (irmão de Altamiro Bello Galindo Presidente da União das Escolas Superiores de Cuiabá e Reitor da UNIC) e como Presidente do Conselho Deliberativo Abrão Antonio Sebe (genro de Altamiro Bello Galindo e Célia Marilena Calvo Galindo Presidente da União das Escolas Superiores de Cuiabá e Reitor da UNIC e Vice Presidente da União das Escolas Superiores de Cuiabá e Vice Reitora da UNIC, respectivamente), e ainda como membros do Conselho Deliberativo as Senhoras Alba Regina Galindo Placheski, Ângela Maria Galindo Vanalli e Adalva Maria Galindo (irmãs de Altamiro Bello Galindo). Como membros do Conselho Fiscal os Senhores Mário César Fernandes e Wlademir Lovato Fragão (genros de Altamiro Bello Galindo). Consta do referido relatório de atividades que no ano de 2000 a UNIC assumiu o Hospital Geral Universitário e realizou o cadastramento de todos os seus sócios sendo constatado 73 sócios e que no mesmo ano foram inscritos mais 25 sócios, somando 98 sócios aptos a exercerem suas funções. Ocorre que os novos sócios são pessoas da família Galindo (proprietários da UNIC) ou a eles ligadas, conforme se verifica também no demonstrativo denominado Anexo A, bem como no Livro de Registro de Sócios da entidade. (...) Fl. 1788DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 10183.722424/201142 Acórdão n.º 2302003.213 S2C3T2 Fl. 1.707 25 Diante disso, os sócios beneméritos e efetivos passaram a poder votar e ser votados somente para os cargos eletivos que não estavam entre os privativos da Comodatária na vigência do Contrato de Comodato firmado pela Sociedade. A partir das alterações estatutárias de 07/06/2005, com registro sob o nº 6132, de 24/06/2005, sob a presidência de Abrão Antonio Sebe, representante da Cessionária, a Sociedade passou a ter as seguintes finalidade: a) Prestar assistência hospitalar e social, diretamente ou através de contratos ou convênios firmados com instituição de ensino; prestar assistência educacional e de saúde, diretamente ou através de contratos ou convênios firmados com instituições de ensino, podendo celebrar contratos, cessão de uso, e convênios para a sessão de suas instalações para funcionamento de escolas, cursos, aulas, estágios de nível superior e programas de treinamento de cursos de graduação e pósgraduação, inclusive fundar e manter creches, manter e ampliar, dentre de suas condições técnicas, o Hospital Universitário de Cuiabá, de sua propriedade, com estrutura médica, assistencial e científica, o qual terá regimento próprio aprovado pelo Conselho Deliberativo”. Deflui das constatações da Autoridade Fiscal que a Comodatária também passou a indicar as pessoas para os cargos de Diretor Geral e Administrativo da Diretoria Executiva, por ser esta uma atribuição do Conselho Deliberativo, cuja maioria dos membros eram indicados por ela. Indiretamente, coube a esta decidir também, a qualquer tempo, pela substituição do Diretor Geral e do Diretor Administrativo. A Recorrente alega que “a administração da autuada ocorre de forma autônoma, por meio de uma direção colegiada composta por órgãos deliberativos (Conselho Deliberativo e Conselho de Hospitalar de Administração Superior COHAS) e executivos (Diretoria Geral e Superintendência Administrativa)”. De fato, em tese, a estrutura administrativa da Recorrente é formada por órgãos deliberativos e executivos, com atribuições e responsabilidades definidas em estatuto. Todavia, os cargos que compõe tais órgãos foram ocupados por pessoas indicadas e/ou vinculadas à Comodatária, podendose concluir, dessa forma, que esta detém, mesmo que indiretamente, o controle administrativo da Associação. A Devedora Solidária alega que o instrumento de Comodato vigorou até, somente, 31/12/2003, quando foi anulado, conforme ata de assembleia de 19/12/2003. Posteriormente, foi celebrado entre a Associação de Proteção à Maternidade e à Infância de Cuiabá e a União das Escolas Superiores de Cuiabá um contrato de cessão de uso, com vigência de 01/01/2004 a 31/12/2033, cuja cláusula quinta estatui: “Durante a vigência deste contrato caberá à CEDENTE a gestão administrativa, financeira e operacional de suas atividades e de seu patrimônio”. Ora, como pode um contrato de Comodato, firmado em caráter irrevogável e irretratável, com as partes vinculadas a manter a texto do Estatuto de forma a respeitar as Cláusulas e o prazo de vigência, pode ser objeto de um mero distrato acordado em assembleia Fl. 1789DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 26 geral extraordinária, cuja prova de sua existência vem aos autos em cópias não autênticas e sem qualquer registro no órgão competente, como assim determina o §2º do art. 1075 do Código Civil. “CLÁUSULA DÉCIMA PRIMEIRA – O presente contrato é firmado em caráter irrevogável e irretratável, com suas cláusulas e condições aprovadas pela Assembleia Geral Extraordinária da COMODANTE, ficando as partes vinculadas a manter a texto do Estatuto de forma a respeitar as Cláusulas e o prazo de vigência deste contrato, que terá início em 19/01/2000 e término em 18/01/2030, nos termos do disposto no art. 1250 do Código Civil”, Na mesma tacada, de acordo com o Devedor Solidário, o contrato de comodato anteriormente citado houvese por substituído por um contrato de cessão de uso, também datado de 19/12/2003, cuja existência se tenta provar com cópias não autênticas a 2203/2206, com assinaturas que, se existentes, se revelam praticamente invisíveis. É interessante notar que o próprio Recorrente sequer menciona a existência de tal distrato e subsequente substituição por contrato de cessão de uso. Mas o mero fato de no acordo de cessão de uso constar cláusula atribuindo à cedente a gestão administrativa, financeira e operacional de suas atividades e de seu patrimônio não é suficiente para se afirmar que a Comodatária não participava da gestão empresarial. A uma, porque, conforme já demonstrado, as cláusulas contratuais firmadas pelas partes ora tela não são respeitadas mesmo. A duas, porque, tal qual no ramo do Direito do Trabalho, aplicase igualmente no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade dos fatos sobre a Forma Jurídica dos atos, o qual propugna que, havendo divergência entre a realidade das condições efetivamente levadas a efeito numa determinada relação jurídica e as forma dos atos jurídicos hipoteticamente concebidos em seus registros e idealizados para a sua execução, prevalecerá a realidade dos fatos em detrimento da formalidade dos atos. Havendo discordância entre o que ocorre na prática e o que está expresso em assentamentos públicos, documentos ou acordos, prevalecerá a realidade dos fatos. O que conta não é a qualificação contratual ou a concepção idealizada dos atos, mas a natureza das funções exercidas em concreto. No dizer de Américo Plá Rodrigues: “em matéria de trabalho importa o que ocorre na prática, mais do que aquilo que as partes hajam pactuado de forma mais ou menos solene, ou expressa, ou aquilo que conste em documentos, formulários e instrumentos de controle. Ou seja, o princípio da primazia da realidade significa que, em caso de discordância entre o que ocorre na prática e o que emerge de documentos ou acordos, devese dar preferência ao primeiro, isto é, ao que sucede no terreno dos fatos”. Em trabalho primoroso, Mauricio Godinho Delgado leciona que “No Direito do Trabalho devese pesquisar, preferentemente, a prática concreta efetivada ao longo da prestação de serviços, independentemente da vontade eventualmente manifestada pelas partes na respectiva relação jurídica. A prática habitual – na qualidade de uso altera o contrato pactuado, gerando direitos e obrigações novos às partes contratantes, respeitada a fronteira da inalterabilidade contratual lesiva” (DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de Direito do Trabalho, 2ª ed. São Paulo: LTr, 2003, p.207) . Fl. 1790DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 10183.722424/201142 Acórdão n.º 2302003.213 S2C3T2 Fl. 1.708 27 No caso sub examine, a Fiscalização constatou que a administração da Associação passou a ser exercida direta e indiretamente por pessoas indicadas e/ou vinculadas à Comodatária, tanto assim que as alterações estatutárias de 07/06/2005, com registro sob o nº 6132, de 24/06/2005, deramse sob a presidência de Abrão Antonio Sebe, representante da Cessionária. Por outro lado, participar ou não, na formalidade dos atos jurídicos, da administração da Associação não exclui o interesse comum do Devedor Solidário na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Atentese que o fato gerador das contribuições previdenciárias ora em tela consubstanciase na prestação remunerada de serviços à Empresa por pessoa física segurada obrigatória do RGPS. A efetiva ocorrência de tal fato gerador desencadeia uma série de obrigações tributárias principais e acessórias, dentre as quais avulta, a título meramente exemplificativo, aquelas previstas nos artigos 20, 21, 22, 30, 31, 32 e 33 todos da Lei nº 8.212/91, dentre outras. No caso em apreciação, em 19/01/2000, foi celebrado entre a Sociedade de Proteção à Maternidade e à Infância de Cuiabá (mantenedora do Hospital Geral) e a UNIC Universidade de Cuiabá, um contrato de comodato, tendo por objeto a cessão, por 30 (trinta) anos, à comodatária (UNIC) do imóvel, prédio, instalações e equipamentos do hospital, cabendo a UNIC toda a gestão administrativa, financeira, clínica e de recursos humanos, assumindo inclusive a responsabilidade pelo ativo e passivo da COMODANTE, tudo com a finalidade de transformação do Hospital Geral em Hospital Escola. De acordo com as alterações estatutárias acima referidas, na vigência do contrato de comodato, a comodatária passou a ter o direito de indicar 4 dos 7 membros efetivos, bem como 4 dos 7 membros suplentes do Conselho Deliberativo, indicando, também, 2 dos 3 membros efetivos e 2 dos 3 membros suplentes para o Conselho Fiscal, sendo que, após empossado, o Conselho Deliberativo passou a ter o prazo de 30 dias para eleger o seu Presidente, dentre os membros indicados pela comodatária. Assim, indiretamente, o Devedor Solidário passou também a indicar as pessoas para os cargos de Diretor Geral e Administrativo da Diretoria Executiva, por ser esta uma atribuição do Conselho Deliberativo, cuja maioria dos membros eram indicados por ela. Indiretamente, coube a esta decidir também, a qualquer tempo, pela substituição do Diretor Geral e do Diretor Administrativo. O Relatório de Atividades de 2002 aponta, como Diretor Geral o Sr. Francisco Bello Galindo Filho (irmão de Altamiro Bello Galindo Presidente da União das Escolas Superiores de Cuiabá e Reitor da UNIC) e como Presidente do Conselho Deliberativo Abrão Antonio Sebe (genro de Altamiro Bello Galindo e Célia Marilena Calvo Galindo Presidente da União das Escolas Superiores de Cuiabá e Reitor da UNIC e Vice Presidente da União das Escolas Superiores de Cuiabá e ViceReitora da UNIC, respectivamente). Como membros do Conselho Deliberativo as Senhoras Alba Regina Galindo Placheski, Ângela Maria Galindo Vanalli e Adalva Maria Galindo (irmãs de Altamiro Bello Galindo). Como membros do Conselho Fiscal os Senhores Mário César Fernandes e Wlademir Lovato Fragão (genros de Altamiro Bello Galindo). Fl. 1791DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 28 Consta no referido Relatório de Atividades de 2002 que no ano de 2000 a UNIC assumiu o Hospital Geral Universitário e realizou o cadastramento de todos os seus sócios (73), aos quais se uniram 25 novos sócios inscritos, somando 98 sócios aptos a exercerem suas funções. A Fiscalização apurou que esses novos ou são da família Galindo (proprietários da UNIC) ou pessoas a eles ligadas, conforme consta no Livro de Registro de Sócios da Entidade. A partir das alterações estatutárias de 07/06/2005, sob a presidência de Abrão Antonio Sebe, representante da Cessionária, a Sociedade passou a ter as seguintes finalidade: · Prestar assistência hospitalar e social, diretamente ou através de contratos ou convênios firmados com instituição de ensino; · Prestar assistência educacional e de saúde, diretamente ou através de contratos ou convênios firmados com instituições de ensino, podendo celebrar contratos, cessão de uso, e convênios para a sessão de suas instalações para funcionamento de escolas, cursos, aulas, estágios de nível superior e programas de treinamento de cursos de graduação e pós graduação, inclusive fundar e manter creches, · Manter e ampliar, dentre de suas condições técnicas, o Hospital Universitário de Cuiabá, de sua propriedade, com estrutura médica, assistencial e científica, o qual terá regimento próprio aprovado pelo Conselho Deliberativo”. De acordo com o Contrato de Cessão de Uso, a fls. 648/652, caberia à cessionária a utilização do terreno, prédio, instalações e equipamentos do Hospital Geral Universitário, de propriedade da Cedente, por 30 anos, para fins de formação e estágio de seus alunos. A Cedente passa a contar com o apoio de professores e alunos da Cessionária, além de recebimento de valor mensal de R$ 200.000,00 para fazer face a parte de suas despesas gerais e de custeio do hospital, manutenção, reforma e ampliação do prédio e instalações, bem como para a manutenção e aquisição de equipamentos. Do item 6 colhemos que a “Cedente e Cessionária reafirma a preocupação com os problemas sociais na área de saúde e educação e se propõem a unir esforços na solução desses problemas, comprometendose a trabalhar em conjunto em prol da população carente”. Do item 7 – “Para que os objetivos convergentes da Cedente e da Cessionária sejam alcançados é necessário que a cessão de uso fique disponível por longo prazo, sem risco da Cessionária ser obrigada a desocupar o imóvel antes de esgotado o prazo contratual, uma vez que investirá mensalmente na manutenção do Hospital, além de fazer investimentos que melhorem as condições do imóvel ora cedido, assim como ampliação de suas instalações e equipamentos”. Cláusula Terceira – “Durante o prazo de vigência do presente contrato, a Cessionária utilizara a estrutura física do Hospital Geral Universitário, comprometendose a cumprir e respeitar os fins e objetivos constantes no Estatuto Social da Cedente”. Fl. 1792DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 10183.722424/201142 Acórdão n.º 2302003.213 S2C3T2 Fl. 1.709 29 Cláusula Quarta – “A Cessionária utilizará o Hospital Geral Universitário como Hospital de Ensino, nos termos das normas do Ministério da Educação e legislação em vigor, competindolhe definir as normas acadêmicas de funcionamento e de conduta nos termos de seu regimento interno”. Avulta de tal cláusulas emanações típicas de poder hierárquico. Cláusula Sexta – “A Cessionária, para atingir os objetivos estabelecidos nesse contrato, poderá celebrar contratos, parcerias, acordos, convênios e todas as espécies de ato jurídico com terceiros, mediante a anuência da Cedente”. Deflui daqui as nuances da cogestão administrativa exercida pela Cedente e pela Cessionária. Cláusula Sétima – “O terreno, o prédio, as instalações e os equipamentos do Hospital Geral Universitário serão utilizados pela Cessionária, e restituídos para uso exclusivo do cedente ao final do período de vigência deste Contrato”. Ou seja: quem detém todo o prédio, as instalações e os equipamentos é a Cessionária. Cláusula Oitava – “Se a Cessionária realizar benfeitorias, reformas e edificações no Hospital Geral Universitário, estas serão incorporadas ao patrimônio da Cedente no final do prazo de vigência do presente contrato”. Dessai das cláusulas contratuais que o Devedor Solidário não é mero “inquilino esporádico” no Hospital Geral Universitário, senão, o próprio detentor do imóvel, prédio e instalações, exercendo forte poder de administração e gestão. A força de trabalho empregada pelo hospital (corpo clínico, administrativo e operacional), cujas remunerações encontravamse agraciadas pelo favor legal da isenção, ou seja, isentas de contribuições previdenciárias patronais, continuou sendo utilizada pela cessionária. Apurou a Fiscalização que também os profissionais da área de ensino passaram a integrar a referida força de trabalho. Intimada a prestar esclarecimentos a respeito de pagamentos a tais profissionais (professores de ciências biológicas e da saúde do ensino superior), sob as rubricas "gratificação horas aulas", "horas aulas HGU", "DSR horas aulas", "especialista horas aulas", "adicional por titulação", "mestre horas aulas', "doutor horas aulas", "graduação horas aulas", a Autuada informou que tais pagamentos ocorrem em virtude de o seu estatuto atender também a esta finalidade (assistência educacional), tendo adequado o seu estatuto e o seu regimento interno com o objetivo de transformarse em hospital de ensino, surgindo daí a necessidade de ter professores no seu quadro de pessoal. “Pela Portaria do Ministro de Estado da Saúde n° 21/GM, de 06/01/2006, o HGU Hospital Geral Universitário foi reconhecido como Hospital de Ensino, viabilizando, então, o repasse de recursos do Ministério da Saúde para a Prefeitura de Cuiabá, para aplicação naquela unidade hospitalar”. Resumindo os fatos apontados acima, podemos relacionar as situações que comprovam o pleno interesse comum entre a autuada e a IUNI Educacional: Fl. 1793DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 30 · A autuada viabilizou todas as alterações estatutárias, regimentais e estruturais de forma a possibilitar a transformação do Hospital Geral em Hospital Universitário; · A transformação referida acima favoreceu em muito à IUNI Educacional, pois possibilitou a esta a implantação dos cursos universitários da área de saúde, que exigem, como complemento à formação acadêmica, a formação prática em hospital escola; · Com a cessão em comodato das instalações do hospital à IUNI a autuada passou a perceber uma receita mensal de R$ 200.000,00, viabilizando o desenvolvimento de suas atividades; · Para a IUNI a formalização do contrato de comodato trouxe inúmeras vantagens, pois passou a ter acesso a um hospital completamente estruturado e em pleno funcionamento, sem a necessidade de realização de grandes investimentos, ao contrário do que seria a construção e instalação de um Hospital Escola novo; · Um hospital Escola não opera, unicamente, com professores, havendo a necessidade de todo um corpo administrativo, operando nos mais variados ramos da atividade empresarial, tais como, atendentes, porteiros, vigilância, refeitório, administração propriamente dita, setor jurídico, contábil, de compras, Limpeza e conservação, enfermagem, etc. etc. Todos esses setores atendiam, indistintamente, ao Autuado e ao Devedor Solidário, de modo que ambos se favoreciam diretamente s benesses fiscais; · Cedente e Cessionária se utilizavam dos mesmos fatores de produção, instalações, mobiliário, prédios, equipamentos e pessoal, sendo ambos responsáveis pela sua manutenção, conservação, melhorias e ampliação; · A fruição da isenção das contribuições previdenciárias propicia grande vantagem à Autuada, pois representa significativa redução de custos de pessoal (encargos), bem como à IUNI, pois esta, como bem destacado no relatório fiscal, tem se utilizado do corpo funcional do hospital universitário, tanto que foram agregados a este corpo funcional diversos profissionais da área de educação (professores), conforme contratos de trabalho a fls. 679/693. No caso vertente, avulta existir entre o Autuado e o devedor solidário mais do que um mero interesse econômico, mas um real interesse jurídico, eis que os atores em foco realizam, de forma conjunta, a situação jurídica que constitui o fato gerador da obrigação principal. Todo o fator produtivo humano põe a sua força de trabalho à disposição da realização das atividades fins do Contribuinte Autuado e do Devedor Solidário, estando incluídos nas folhas de pagamento não somente o pessoal contratado como atendentes, porteiros, vigilância, refeitório, administração propriamente dita, setor jurídico, contábil, de compras, Limpeza e conservação, enfermagem, etc. como também professores de ciências biológicas e da saúde do ensino superior e assistentes de educação, sendo apurado na folha de Fl. 1794DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 10183.722424/201142 Acórdão n.º 2302003.213 S2C3T2 Fl. 1.710 31 pagamento rubricas com as seguintes denominações "gratificação horas aulas", "horas aulas HGU", "DSR horas aulas", "especialista horas aulas", "adicional por titulação", "mestre horas aulas', "doutor horas aulas", "graduação horas aulas". Nessas circunstâncias, é solidária a pessoa jurídica que realiza conjuntamente com outra a situação que constitui o fato gerador, ou que, em comum com outras pessoas, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem a tributação, a teor do inciso I do art. 124 do CTN. Em suma, o interesse comum entre a autuada e a IUNI Educacional está plenamente caracterizado, principalmente, pelo aspecto de que a isenção das contribuições previdenciárias estava favorecendo ao desenvolvimento das atividades de ambas as empresas. Nesse panorama, verificando o auditor fiscal a existência de ostensivo interesse comum na situação jurídica que constitui o fato gerador da obrigação principal, nos termos abrigados no art. 124 do CTN, estabeleceuse definitivamente a solidariedade em estudo entre as empresas ora em realce, podendo o Fisco, ante a inexistência do beneficio de ordem, efetuar o lançamento do crédito tributário em face de qualquer uma dessas empresas ou em desfavor de ambas, sendo certo que o pagamento efetuado por uma aproveitam as demais. Diante dos aludidos dispositivos, avulta que a eleição do sujeito passivo a figurar no polo passivo da obrigação tributária, na ocasião do lançamento, é prerrogativa privativa da autoridade fiscal, consoante dessai das letras que conformam o art. 142 do codex: Código Tributário Nacional CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Tal compreensão não se atrita com as orientações pautadas no Parecer CJ/MPAS n° 2.376/2000, de cuja redação deflui não haver impedimentos legais para se constituir o crédito tributário tanto em face do contribuinte, como em desfavor do responsável tributário, conforme se depreende dos excertos transcritos a seguir, para uma perfeita compreensão de seus fundamentos. Parecer CJ/MPAS n° 2.376/2000 (...) 10. No caso em tela, com a ocorrência do fato gerador, fica o Fisco autorizado a proceder o lançamento, constituindo o devido crédito tributário. Este crédito tributário, obviamente, pode ser constituído tanto em face do contribuinte, como do responsável tributário. Pode ser feito em relação ao contribuinte e depois em relação ao responsável, ou ainda, somente em função do responsável tributário. Fl. 1795DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 32 11. Isto porque o contribuinte e o responsável tributário são solidários em relação à obrigação tributária, não cabendo, nos termos do parágrafo único do artigo 124 do CTN, benefício de ordem. Cabe, portanto, ao credor escolher de quem irá cobrar, dentre os sujeitos passivos, a satisfação da obrigação tributária. E obviamente poderá fazêlo em relação a todos os coobrigados, ou em relação a apenas um deles. (grifos nossos) 12. Havendo responsabilidade solidária, o INSS deve cobrar o seu crédito tanto do contribuinte, quanto do responsável tributário. Deve negar a expedição de CND para os dois e deve inscrever o nome de um e do outro no cadastro de inadimplentes, pois ambos são responsáveis solidários pelo valor total da obrigação. 13. Por outro lado, a lei não veda a existência de mais de um crédito tributário em relação à mesma obrigação tributária. Pode o fisco lançar o tributo (constituir o crédito tributário) e depois anular o lançamento, seja de ofício, seja por ordem judicial, e constituir outro crédito. Por outro lado, pode ainda ser constituído um crédito parcial e depois, verificando tal situação, lançar o crédito restante, tudo incidente sobre a mesma obrigação. Pode ainda constituir um crédito contra o responsável e um outro contra o contribuinte, pois o crédito tributário não se confunde com a obrigação tributária que, neste caso, será sempre a mesma. 14. O que não pode haver é a cobrança de uma obrigação já paga ou negociada, ou seja, se um dos sujeitos passivos do tributo extinguir a obrigação pelo pagamento ou se ocorrer uma das hipóteses previstas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não poderá o INSS cobrar, ou continuar cobrando, a obrigação do outro sujeito passivo. 15. Vejase, portanto, que sobre uma mesma obrigação tributária podem existir diversos créditos tributários, sem que com isso se possa afirmar que esteja havendo bis in idem. Este só ocorreria se houvesse duplicidade de pagamento. Até a ocorrência deste, ou a negociação da dívida, através de um contrato de parcelamento, por exemplo, não há que se falar em bis in idem. 16. Desta forma, temos que o ordenamento jurídico não veda a possibilidade de existência de mais de um crédito sobre a mesma obrigação tributária. O que não pode ser admitido é a cobrança de um débito já pago. 17. Nos casos de responsabilidade solidária, o credor pode escolher, dentre os corresponsáveis solidários, contra quem irá exigir a satisfação da obrigação. A escolha de um deles não exclui a responsabilidade dos demais até mesmo quando a Certidão de Dívida Ativa não contempla o nome do responsável tributário. Nestes casos, a Jurisprudência vem admitindo que a execução fiscal seja direcionada ao responsável, mesmo quando o nome deste não esteja na CDA. 18. Vejamos a propósito o seguinte precedente do Eg. Superior Tribunal de Justiça: Fl. 1796DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 10183.722424/201142 Acórdão n.º 2302003.213 S2C3T2 Fl. 1.711 33 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL EXECUÇÃO FISCAL RESPONSABILIDADE DO SÓCIOGERENTE DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA SOCIEDADE FRAUDE À EXECUÇÃO CARACTERIZAÇÃO. Sóciogerente que dissolve irregularmente a sociedade, deixando de recolher os tributos devidos, infringe a lei e se torna responsável pela dívida da empresa. Mesmo não constando da CDA o nome dos diretores, gerentes ou representantes das pessoas jurídicas de direito privado, podem ser citados, e ter seus bens penhorados para o pagamento de dívidas da sociedade da qual eram sócios. Para a caracterização da fraude à execução basta que a alienação seja posterior à existência de pedido de executivo despachado pelo juiz, não sendo necessária e efetivação da citação. (STJ, 1ª Turma, REsp 193226/SP, Relator Min. GARCIA VIEIRA, julgado em 14.12.1998, publicado no DJ de 08.03.1999). 19. Portanto, não há "bis in idem". O que há é a possibilidade, para o credor, de escolher, dentre os devedores solidários, contra qual deles irá forçar o cumprimento da obrigação tributária. Esta cobrança, portanto, pode se dar em relação a um dos coobrigados, em relação a todos ou em relação apenas ao responsável. Não há, portanto, nenhuma vedação legal a isso e nem haverá cobrança em duplicidade. A solidariedade tributária não constitui simples forma de eleição de responsável tributário, mas hipótese de garantia que colima, como objetivo precípuo, assegurar a arrecadação e a auxiliar a administração tributária na satisfação de seus interesses. Conferese dessarte, poder ao Fisco de exercer sua ação fiscalizatória diretamente sobre aquele que melhor lhe aprouver, pautandose, por óbvio, nos princípios da legalidade, eficiência, entre outros, inafastáveis da atuação estatal. O Instituto da solidariedade justificase, portanto, pelo propósito de resguardar o adimplemento do crédito tributário, criando mecanismos para que o Estado Arrecadador possa indicar, com exclusividade, em face de quem promoverá o lançamento tributário, não havendo que se falar em benefício de ordem e nem em condições para o exercício desse direito que não estejam previstas em lei. Com efeito, sob a ótica da garantia, da eficiência e da agilidade da atuação da Administração Tributária na recuperação de créditos previdenciários, exigirse o lançamento primeiramente em face do Devedor Principal e, subsidiariamente, em face do Devedor Solidário configurarseia como um contrassenso, esvaziando por completo o sentido teleológico do instituto em análise, tornandoo inócuo. De outro eito, sob a ótica legal, tal procedimento representaria negativa de vigência aos preceitos inscritos no art. 30, IX da Lei nº 8.212/91 c.c. art., 124, Parágrafo Único do CTN, ferindo os mais comezinhos princípios de Direito. O Devedor Solidário alega não haver qualquer norma vigente no ordenamento que proíba membros de uma mesma família serem associados, nem mesmo que esta associação firme contratos de qualquer natureza com outras empresas dos mesmos membros familiares. Fl. 1797DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 34 O brilhantismo de tal alegação é ofuscante. De fato, tais operações de per se consideradas não são vedadas no Ordenamento Pátrio, assim como não é vedado que os diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores de pessoas jurídicas recebam remuneração pelos seus serviços ou usufruam algumas vantagens ou benefícios lícitos. Ocorre que o §7º do art. 195 da CF/88 ao prever a hipótese de renúncia fiscal em debate, condicionou o direito à sua fruição ao atendimento das exigências estabelecidas na lei. Na mesma linhada, o art. 176 do CTN estatui que a isenção decorre de Lei, a qual especificará as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e o prazo de sua duração, quando for o caso. Cumprindo o mandamento constitucional, o inciso IV do art. 55 da Lei nº 8.212/91 estabeleceu como requisito essencial para a concessão e manutenção da isenção de que trata o §7º do art. 195 da CF/88 que os seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, não recebam remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título. Com efeito, conforme muito bem observado pelo Devedor Solidário, não há qualquer norma vigente no ordenamento que proíba membros de uma mesma família serem associados, nem mesmo que esta associação firme contratos de qualquer natureza com outras empresas dos mesmos membros familiares. Todavia, mesmo os atos lícitos produzem efeitos jurídicos vedados pelo ordenamento. Assim, se dos fatos acima elencados resultar vantagens ou benefícios a qualquer título a diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores de pessoas jurídicas agraciadas com a isenção de contribuições previdenciárias ora em tela, o ordenamento determina a suspensão imediata da isenção e a apuração das contribuições devidas relativas ao período em que se constatar o descumprimento do requisito essencial em debate. Como visto, o que é vedado não é a associação de membros de membros de uma mesma família, nem mesmo que tal Associação firme contratos de qualquer natureza com outras empresas dos mesmos membros familiares. O que é vedada é a fruição de isenção de contribuições previdenciárias por Associações cujos diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores recebam remuneração e que usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; Não procede igualmente a alegação de que a folha de pagamento dos funcionários da HGU é custeada pelo Poder Público que, por meio de convênios, os repassa mensalmente. Ora, os repasses do Poder Público ingressam no patrimônio da Associação. A relação jurídica de segurado empregado se estabelece entre os trabalhadores e a Associação, não com o Poder Público. É a associação quem avalia e contrata servidores, detém o poder de subordinação em todos os seus aspectos sobre os obreiros, assim Fl. 1798DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 10183.722424/201142 Acórdão n.º 2302003.213 S2C3T2 Fl. 1.712 35 como o poder de demissão, é quem assalaria e determina as normas procedimentais e de conduta, é quem assume o risco da atividade econômica, etc. Assim, a relação jurídica tributária se estabelece diretamente com a pessoa jurídica que figura como empregador na relação com o segurado empregado, sendo irrelevante para o caso a origem real do numerário utilizado para o pagamento das remunerações dos segurados. A julgar pela tese esposada pelo Devedor Solidário, quando uma empresa obtém empréstimo bancário para realizar o pagamento dos salários de seus empregados, as contribuições previdenciárias seriam devidas pelo Banco. Da análise de tudo o quanto se considerou no presente julgado, podese asselar categoricamente que a decisão de primeira instância não demanda, alfim, qualquer reparo. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO dos Recursos Voluntários para, no mérito, NEGARLHES PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Voto Vencedor Ouso discordar, data venia, do entendimento esposado pelo ilustre Conselheiro Relator, vejamos as razões. Tratase de lançamento lavrado em face da Associação de Proteção à Maternidade e à Infância de Cuiabá para a cobrança das contribuições previdenciárias da cota patronal incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, e as relativas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, inclusive aos adicionais para aposentadoria especial de 15 e 25 anos, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, as quais não se houveram por declaradas nas GFIP e as correspondentes a Terceiros em decorrência da suspensão da isenção das contribuições previdenciárias. De acordo com o auditor foi constatada a utilização da infraestrutura da entidade pelos seus sócios, diretores, conselheiros, instituidores e benfeitores ou por seus Fl. 1799DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 36 familiares, para o exercício de outras atividades de interesses particulares, em desacordo com o disposto no inciso IV do art. 55 da Lei nº 8.212/1991. Mais adiante, relatou que alguns sócios prestaram serviços como autônomos, com as respectivas despesas escrituradas na conta 4001010200001 – Honorários Médicos e, concomitantemente, receberam remunerações como autônomos por meio das pessoas jurídicas Preplan Construtora e Incorporadora Ltda, Universo Empreendimentos Ltda, Universo Comércio de Combustíveis Ltda, Sermed Serviços Médicos Ltda, Instituto de Tumores e Cuidados Paliativos de Cuiabá S/C Ltda, Clínica de Tratamento Renal Ltda, Instituto de Reumatologia e Endocrinologia S/C Ltda, Fercaires Ltda, Stabile, Passare e De Simone – Advocacia e Assessoria Empresarial S/S, Kopec Contabilidade Ltda e Amareto Fomento Mercantil Ltda. Destacou, ainda, alguns aspectos relevantes das contratações realizadas pela Autuada, concluindo, ao final, pela existência de vantagem indireta recebida pelos sócios das empresas contratadas os quais eram, por sua vez, sócios da Associação: a) Preplan Construtora e Incorporadora Ltda os sócios da empresa Wlademir Lovato Fragão e Altamiro Belo Galindo exerciam as funções de conselheiro e sócio, respectivamente, da Associação. Haviam pagamentos na ordem R$ 310.000,00 efetuados à Perplan o que representam vantagem indireta. b) Universo Empreendimentos Ltda os sócios da empresa Francisco Belo Galindo Filho (irmão de Altamiro), Abrão Antonio Sebe (genro de Altamiro) e Wlademír Lovato Fragão (Preplan) participavam concomitantemente da administração da Associação. Na época, foi constatada a realização de pagamentos pela Associação à Universo no montante de R$ 327.006,88 nos meses de janeiro a outubro/2006 e de R$ 48.198,49 em janeiro e julho/2007. A vantagem indireta é reforçada pela distribuição de lucros efetuada pela Universo aos seus sócios, sendo o saldo absorvido nas suas operações, para que se alcançasse resultado positivo ou minimizasse eventuais prejuízos. c) Universo Comércio de Combustíveis Ltda dois dos sócios desta empresa, Abrão Antônio Sebe (genro de Altamiro) e Wlademir Lovato Fragão (da Preplan) participaram, concomitantemente, da administração da Associação durante todo o período, e o terceiro sócio, Francisco Bello Galindo Filho, em parte do período. Neste período, foi constatada a realização de pagamentos pela Associação à Universo no montante de R$ 31.426,07 nos meses de janeiro a dezembro/2006 (exceto março e abril) e de R$ 13.166,12 em janeiro, fevereiro, março, maio, junho, julho e dezembro/2007 e de R$ 6.728,09 em fevereiro e março/2008. A vantagem indireta é reforçada pela distribuição de lucros e pagamento de pro labore efetuada pela Empresa aos seus sócios, sendo o saldo absorvido nas suas operações. d) Sermed Serviços Médicos Ltda três dos sócios da empresa em referência, Afrânio Batista da Costa, Elibene de Almeida Orro Junqueira e Maria de Lourdes dos Santos Carneiro, participaram como sócios da Associação durante todo o período, ao passo que Afrânio passou a integrar o conselho deliberativo desta a partir de dezembro de 2003. Neste período, foi constatada a realização de pagamentos pela Associação à Sermed no Fl. 1800DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 10183.722424/201142 Acórdão n.º 2302003.213 S2C3T2 Fl. 1.713 37 montante de R$ 394.593,71 em todos os meses de 2006, R$ 434.435,91 em todos os meses de 2007 e R$ 99.657,49 em todos os meses do 1º trimestre de 2008. A vantagem indireta é reforçada pela distribuição de lucros e pagamento de pro labore efetuada pela Empresa aos seus sócios, no ano de 2007. e) Instituto de Tumores e Cuidados Paliativos de Cuiabá S/C Ltda os sócios da empresa Mara Vânia Vieira da Silva, Francisco Aurélio da Silva Campos Filho, Cristina Guimarães Inocêncio, Aray Carlos da Fonseca Filho e Gilmar Ferreira do Espírito Santo participaram como sócios da Associação durante todo o período, ao passo que Francisco Aurélio passou a integrar o conselho deliberativo a partir de dezembro de 2003. No período, foi constatada a realização de pagamentos pela Associação ao Instituto no montante de R$ 4.326,963,51 nos meses de janeiro a novembro de 2006, R$ 5.747.032,75 em todos os meses de 2007 e R$ 1.383.649,41 em todos os meses do 1º trimestre de 2008. A vantagem indireta é reforçada pela distribuição de lucros e pagamento de pro labore efetuada pela Empresa aos seus sócios, nos anos de 2006, 2007 e 2008, sendo eventual saldo absorvido pelas operações da empresa. f) Clínica de Tratamento Renal Ltda. um dos sócios da empresa, Luiz Gonzaga de Figueiredo, era, concomitantemente, sócio da Associação. Nesta época, foi constatada a realização de pagamentos pela Associação à Clínica no montante de R$ 1.276.186,44 nos meses de janeiro a novembro/2006, R$ 1.955.984,24 em todos os meses de 2007 e R$ 447.058,18 em todos os meses fevereiro e março/2008. A vantagem indireta é reforçada pela distribuição de lucros e pagamento de pro labore efetuada pela Empresa aos seus sócios, no ano de 2007. h) Instituto de Reumatologia e Endocrinologia S/C Ltda um dos sócios da empresa em referência, Vander Fernandes, participava concomitantemente como sócio da Associação durante o referido período, ocupando cargo de diretor. A relação percentual entre os pagamentos recebidos/faturamento desta para a autuada, no período verificado, ficou em 51,37%, caracterizando nítida dependência da empresa em referência junto à autuada. i) Fercaires Ltda. – dois sócios da empresa, Alex Sandro Sarmento Ferreira e Norma Sueli de Caires Galindo, participavam concomitantemente como sócios da autuada. A remuneração indireta é reforçada pela distribuição de lucros aos seus sócios, nos anos de 2006, 2007 e 2008, sendo eventual saldo absorvido pelas operações da empresa. Não há comprovação no processo de quais foram os critérios e procedimentos de seleção de empresa para prestação deste tipo de serviço, sugerindo um favorecimento à empresa de propriedade de associado da autuada. j) Stabile, Passare e De Simone – Advocacia e Assess. Empresarial S/S quatro sócios da empresa, Pedro Marcelo De Simone, Maria Cláudia de Castro Borges Stabile, Cláudio Stabile Ribeiro e Dauto Barbosa Castro Passare, participavam concomitantemente como sócios da autuada. Não há Fl. 1801DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 38 comprovação no processo de quais foram os critérios e procedimentos de seleção de empresa para prestação deste tipo de serviço, sugerindo um favorecimento à empresa de propriedade de associado da autuada. k) Kopec Contabilidade Ltda. dois dos sócios da empresa, Kojiro Tomiyoshi e Antonio Rodas Junior, participavam concomitantemente como sócios da autuada. Não há comprovação no processo de quais foram os critérios e procedimentos de seleção de empresa para prestação deste tipo de serviço, sugerindo um favorecimento à empresa de propriedade de associado da autuada. l) Amareto Fomento Mercantil Ltda. – um dos sócios da empresa, José de Neves Gontijo, participava concomitantemente como sócio da autuada. Não há comprovação no processo de quais foram os critérios e procedimentos de seleção de empresa para prestação deste tipo de serviço, sugerindo um favorecimento à empresa de propriedade de associado da autuada. Tal como exposto, de forma resumida, posso afirmar que o principal motivo da autuação foram os pagamentos efetuados pela Associação às empresas que possuíam em seu quadro societário os mesmos sócios da entidade. No entender do auditor, tais pagamentos configuraram vantagem indireta uma vez, após a distribuição de lucros, recebiam os sócios parte daquele valor. Nos termos do art. 55, inciso IV da Lei nº 8.212/91, é concedida à entidade beneficente isenção das contribuições previdenciárias da cota patronal desde que, dentre outros requisitos dispostos no mencionado artigo, seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores não percebam remuneração e não usufruam vantagem ou benefícios a qualquer título: “Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: ... IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título;...” Para entender a norma e, a partir daí, aplicála corretamente, é crucial destrinchar o significado do vocábulo 'vantagem'. No dicionário Houaiss, o significado da expressão vem contido na frase "fator ou circunstância que beneficia ou privilegia seu possuidor; ganho, privilégio" (http://houaiss.uol.com.br/busca?palavra=vantagem). Considerando esta definição, ao meu ver, a designação do termo "Vantagem" traduz a idéia de proveito, de algo a mais, de condição de superioridade, êxito a maior, lucro privilegiado. Neste contexto, ressalto que a situação definida pela fiscalização não induz à conclusão de que os sócios da Associação recebiam vantagens indiretas. Isto porque em nenhum momento o auditor demonstrou haver superfaturamento nos contratos, ou tratarse de serviços que, embora previstos, não foram executados ou qualquer outra situação que comprove um privilégio recebido pelos sócios. Fl. 1802DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 10183.722424/201142 Acórdão n.º 2302003.213 S2C3T2 Fl. 1.714 39 Os pagamentos efetuados às clínicas contratadas são devidos como contraprestação dos serviços fornecidos à Autuada, em consonância com o Convênio firmado com a Secretaria de Saúde do Estado do Mato Grosso, regulado pelas diretrizes e parâmetros do Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, a distribuição de lucros decorre de resultados positivos alcançados a partir da equação ‘receita x despesa’ formulada exclusivamente por cada empresa (contratada) sem qualquer ingerência da Associação. A individualidade administrativa destas pessoas jurídicas não pode gerar conseqüências negativas para a entidade beneficente que com elas possui vínculo meramente contratual. Desse modo, não considero vantagem o recebimento das verbas pagas, a título de distribuição de lucro, pelas empresas contratadas às pessoas que integram a Associação também na qualidade de ‘sócio’. Em relação à segunda problemática identificada pela fiscalização (ausência de comprovação no processo de quais os critérios e procedimentos de seleção de empresa foram utilizados para prestação deste tipo de serviço), assim como dito anteriormente, tendo em vista que as contratações ocorreram nos moldes traçados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), não havendo controvérsia sobre este ponto, qualquer que fosse a clínica contratada, estaria submetida às mesmas normas. Portanto, não vejo razão para prosperar as alegações do Fisco. Como já dito, as provas capazes de demonstrar a existência concreta de vantagens porventura recebidas pelos sócios não foram trazidas aos autos pela fiscalização a quem, por lei, cabia verificar. Assim dispõe o art. 142 do CTN: Art. 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Por todos os motivos expostos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, excluindo integralmente o crédito previdenciário. É como voto. Juliana Campos de Carvalho Cruz – Redatora Designada. Fl. 1803DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 40 Fl. 1804DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ
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Numero do processo: 10325.000193/2007-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por FRANCISCO VALBERT FERREIRA DE QUEIROZ.
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: Não se aplica
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RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 25 .0 00 19 3/ 20 07 -7 4 Fl. 270DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ RELATÓRIO Contra o contribuinte, FRANCISCO VALBERT FERREIRA DE QUEIROZ identificado nos autos, foi lavrado Auto de Infração, fls. 176/183, para formalização e cobrança do crédito tributário, referente aos anoscalendário 2004 e 2005, no valor de R$ 2.686.169,28, incluídos multa de oficio agravada e juros de mora. A infração apurada pela Fiscalização e relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is), fls. 177/179, foi a omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicável encontramse discriminados às fls. 179 e 182. Notase, da análise cuidadosa do processo, que RMF foi encaminhada a instituição financeira, tal como se constata de fls. 23 e 24. É isto que interessa relatar até o momento. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10325.000193/200774 Resolução nº 2202000.370 S2C2T2 Fl. 4 3 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Ante de apreciar o recurso cabe discutir se o referido processo estaria sujeito a sobrestamento. Após análise pormenorizada dos autos entendo que cabe aqui sobrestamento de julgado feito de ofício pelo relator, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que está em Repercussão Geral o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 (RE 601314) Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 5º, X, XII, XXXVI, LIV, LV; 145, § 1º; e 150, III, a, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial, bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais utilização de dados da CPMF e obtenção de informações junto às instituições através da RMF está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Fl. 272DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10325.000193/200774 Resolução nº 2202000.370 S2C2T2 Fl. 5 4 Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: D ESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura ? Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA ? PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA ? SIGILO DADOS BANCÁRIOS ? FISCO ? AFASTAMENTO ? ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 ? SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, Fl. 273DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10325.000193/200774 Resolução nº 2202000.370 S2C2T2 Fl. 6 5 concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): "ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO ? UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS ? IMPOSTO DE RENDA ? QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO ? PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 ? APLICAÇÃO IMEDIATA ? RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN ? PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO ? RECURSO ESPECIAL PROVIDO." Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus Fl. 274DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10325.000193/200774 Resolução nº 2202000.370 S2C2T2 Fl. 7 6 parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal ?discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09, ratificado pelas decisões acima transcritas, que retratam o quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses termos, voto para que seja sobrestado o presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. Diante de todo o exposto, proponho o SOBRESTAMENTO do julgamento do presente Recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. Observandose que após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 275DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 16004.000626/2007-09
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/08/2007 a 30/08/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO ELABORAÇÃO DE GFIP ESPECÍFICA PARA CADA EMPRESA TOMADORA DE SERVIÇOS. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA.
O cedente de mão de obra deve elaborar GFIP específica para cada empresa tomadora de serviço.
Em relação à aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, o seu cálculo final deve observar o disposto no artigo 32-A, da Lei nº 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei nº 11.941/09, caso seja mais benéfica ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.657
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para aplicar a multa do art. 32-A, I, da Lei nº 8.212/91, caso seja mais benéfica a recorrente.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia De Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira Dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO ELABORAÇÃO DE GFIP ESPECÍFICA PARA CADA EMPRESA TOMADORA DE SERVIÇOS. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. O cedente de mão de obra deve elaborar GFIP específica para cada empresa tomadora de serviço. Em relação à aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, o seu cálculo final deve observar o disposto no artigo 32A, da Lei nº 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei nº 11.941/09, caso seja mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para aplicar a multa do art. 32A, I, da Lei nº 8.212/91, caso seja mais benéfica a recorrente. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia De Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira Dos Santos Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 06 26 /2 00 7- 09 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 16004.000626/200709 Acórdão n.º 2803003.657 S2TE03 Fl. 182 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 16004.000626/200709 Acórdão n.º 2803003.657 S2TE03 Fl. 183 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa COOPERATIVA AGRÍCOLA DE MONTE APRAZÍVEL – COPAMA, em face de acórdão proferido pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. 2. De acordo com o Relatório Fiscal (fl. 5), a contribuinte é cedente de mão de obra e elaborou GFIP’s sem distinção de cada estabelecimento da empresa contratante do serviço, em inobservância ao previsto no artigo 32, IV e §10, da Lei n° 8.212/91, com a redação vigente na data da lavratura da autuação. 3. A fiscalização aplicou a multa prevista no artigo 283, §3º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, considerando que não foram configuradas as agravantes, nem as atenuantes previstas nos artigos 290 e 29 do Regulamento da Previdência social. 4. A empresa, após ter sido devidamente intimada, impugnou o lançamento tempestivamente. Ao analisar os argumentos constantes na peça impugnatória, a primeira instância administrativa decidiu considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido (fls. 114/120), nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 30/08/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP DISTINTA POR TOMADOR. Constitui infração à legislação previdenciária elaborar, a empresa cedente de mãodeobra, GFIP sem distinção de cada estabelecimento ou obra de construção civil da empresa contratante de serviços. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÃO. PF. REQUISITOS LEGAIS. VALIDADE. A prorrogação de Mandado de Procedimento Fiscal pode ser feita por intermédio de registro eletrônico, devendo o auditor fiscal fornecer ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de oficio praticado junto ao mesmo, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Fl. 183DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 16004.000626/200709 Acórdão n.º 2803003.657 S2TE03 Fl. 184 4 5. Inconformada com a decisão proferida, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 125/170), no qual aduz em síntese que: a) o auto de infração está eivado de nulidade, uma vez que a autoridade fiscal, desde 25/06/07, já não estava com os poderes para a fiscalização tendo em vista que não houve prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal, conforme determina a Portaria MPS/SRP n° 3031 de 16/12/2005; b) a recorrente executa o ato cooperativo de acordo com a vontade e necessidade de seus associados e o faz pela prestação de serviços diretos a produção do Cooperado que é na área de cana de açúcar, seu plantio e sua colheita, promovendo também a intermediação de seus cooperados na aquisição de insumos, bem como, pesquisa de valores, negociação e transporte e, em razão de suas atividades, contrata colaboradores que executam os serviços de plantio e colheita de canadeaçúcar dos cooperados; c) a elaboração de folhas de pagamentos distintas para cada estabelecimento é impossível, tendo em vista que o mesmo funcionário pode estar prestando serviços no período da manhã para um produtor rural e no período da tarde para outro produtor; d) não violou sua obrigação de repassar aos cofres públicos, em especial ao INSS, as contribuições sociais devidas, o tendo feito com valores e alíquotas corretos, enganandose apenas com relação ao seu respectivo código de recolhimento, o que, em hipótese alguma, poderia ensejar na aplicação da multa; e) para lavrar a multa, não houve qualquer distinção entre os funcionários que prestam serviços aos cooperados e não cooperados, sendo necessária à realização de prova pericial para a adequada diferenciação desta prestação de serviço na folha de pagamento; f) está devidamente enquadrada no ramo de atividade de cooperativa agrícola, não havendo o que se falar em apenas uma prestadora de serviços, o que se adequa ao artigo 283 da Instrução Normativa MPS/SRP n° 3, de 14 de julho de 2005. 6. O fisco não apresentou contrarrazões e o processo foi encaminhado para análise e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 16004.000626/200709 Acórdão n.º 2803003.657 S2TE03 Fl. 185 5 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos. Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO MPF 2. A recorrente requer a nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) pois entende que “a contribuinte ora impugnante somente tomou conhecimento das prorrogações com validade até 30/03/07, 28/05/07 e do último datado com validade até 25/07” e acrescenta que as “demais prorrogações de MPF com validade após 25/06/07, quais sejam – as de validade 24/08 e 30/08/07 – alegados no demonstrativos pela auditora, a impugnante não teve ciência”. 3. Alega a recorrente que os dois MPF’s que supostamente não teve ciência, não constam no processo. De fato, não consta nos autos os documentos que denotem a prorrogação. No entanto, como bem ressaltou o julgador de primeira instância o art. 13 da Portaria RFB nº 4.066 de 2 de maio de 2007, passou a disciplinar os MPF’s da seguinte forma: “Art. 12. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. §1º A prorrogação de que trata o caput poderá ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos do art. 7º, inciso VIII. §2º Na hipótese do §1º, o AFRFB responsável pelo procedimento fiscal fornecerá ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de ofício praticado junto ao mesmo após cada prorrogação, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet, conforme modelo constante do Anexo VI.” Fl. 185DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 16004.000626/200709 Acórdão n.º 2803003.657 S2TE03 Fl. 186 6 4. Vêse que a autoridade fiscalizatória, à época, não estava obrigada a emitir MPF em formato impresso ao contribuinte, bastando para fins de prorrogação do mandado o registro eletrônico efetuado pela autoridade outorgante, o qual ficaria disponível para consulta na internet. 5. Assim, procedeu AFRFB no presente caso, fornecendo, conforme mandamento do §2º do art. 13 apenas o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, o qual consta na fl. 16. 6. Dessa forma, correta a decisão a quo quanto a esse ponto. 7. Num segundo momento, a recorrente, questiona o procedimento adotado pela autoridade fiscal quando, se recusando o representante da recorrente a assinar o MPF, fez constar no documento a recusa e considerouo intimado. 8. Segundo a tese da recorrente tal procedimento, somente teria validade jurídica caso constasse, juntamente com a declaração de recusa, a assinatura de duas testemunhas. 9. Ocorre que razão não assiste à recorrente uma vez que sua tese não tem embasamento legal, até porque o Decreto nº 70.235/72 que rege o processo administrativo fiscal, prevê claramente em seu art. 23 que a intimação poderá ser feita de forma “pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar”. 10. Dessa forma, correta a conduta da autoridade fiscal, uma vez que não se pode admitir que a recusa do contribuinte em assinar a intimação, possa obstar a execução das atividades do auditor fiscal previstas em lei. 11. Dessa forma, não vejo qualquer nulidade no que se refere à emissão dos MPF’s em face da empresa, uma vez que todos foram lavrados dentro dos ditames da legislação correlata. DA AUTUAÇÃO FISCAL 12. A empresa cedente de mãodeobra foi autuada por elaborar o documento a que se refere à Lei nº. 8.212/91, art. 32, inciso IV, na redação dada pela Lei nº. 9.528/97, sem distinção de cada estabelecimento ou obra de construção civil da empresa contratante do serviço, a partir de 06.05.99, conforme previsto na Lei nº. 8.212/91, art. 32, inciso IV, parágrafo 1º, combinado com o art. 219, parágrafo 5º, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº. 3.048/99. 13. Em seus argumentos recursais, a empresa limitase a discorrer sobre a natureza jurídica das cooperativas e da própria recorrente, sem sequer apresentar qualquer argumento que dê azo a afastar a ocorrência do fato gerador do auto de infração, qual seja, ter elaborado GFIP’s sem distinção de cada estabelecimento da empresa contratante de serviço em afronta ao que prevê o art. 32, IV, §1º da Lei nº 8.212/91. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 16004.000626/200709 Acórdão n.º 2803003.657 S2TE03 Fl. 187 7 14. Dessa forma, por entender que a recorrente não trouxe qualquer argumento hábil a afastar a aplicação da penalidade, mantenho a decisão de primeira instância no que se refere a esse ponto. DA MULTA APLICADA 15. No que tange à regra aplicável ao caso em análise, tendo em vista a superveniência de legislação mais benéfica no que se refere à penalidade por descumprimento de obrigação acessória passo a análise da matéria. 16. Ocorre que a Lei nº. 11.941, de 2009, alterou a Lei nº. 8.212/91 para abrandar os valores da multa aplicada: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e. II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou . II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e. II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” 17. Diante da regulamentação acima exposta, é possível identificar as regras do artigo 32A: Fl. 187DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 16004.000626/200709 Acórdão n.º 2803003.657 S2TE03 Fl. 188 8 a) é regra aplicável a uma única espécie, dentre tantas outras existentes, de declaração: a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. 18. Nesse momento, passo a examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. 19. O inciso II do artigo 32A manteve a desvinculação entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. 20. Dessa forma, depreendese da leitura do inciso que o sujeito passivo estará sujeito à multa prevista no artigo, mesmo nos casos em que efetuar o pagamento em sua integralidade, ou seja, cem por cento das contribuições previdenciárias. 21. E fazendo uma comparação do referido dispositivo com o artigo 44 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996 (que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais) percebese que as regras diferem entre si, pois as multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito à declaração, pela falta ou inexatidão da declaração: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Fl. 188DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 16004.000626/200709 Acórdão n.º 2803003.657 S2TE03 Fl. 189 9 Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. 22. Outra diferença é que as multas elencadas no artigo 44 justificamse pela necessidade de realização de lançamento pelo fisco, já que o sujeito passivo não efetuou o pagamento, sendo calculadas independentemente do decurso do tempo, eis que a multa de ofício não se cumula com a multa de mora. A finalidade é exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, dados esses que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. 23. Feitas essas considerações, tenho por certo que as regras postas no artigo 44 aplicamse aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. No que se refere à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, devese observar o preceito por meio do qual a norma especial prevalece sobre a geral, uma vez que o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente a uma espécie de declaração que é a GFIP, devendo assim prevalecer sobre as regras do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 o qual se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não pode ser aplicado o artigo 43 da mesma lei: “Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Fl. 189DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 16004.000626/200709 Acórdão n.º 2803003.657 S2TE03 Fl. 190 10 24. Resumindo, é possível concluir que para a aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria, sendo irrelevante a existência ou não pagamento/recolhimento e qual tenha sido a multa aplicada no documento de constituição do crédito relativo ao tributo devido. 25. Quanto à cobrança de multa nesses lançamentos, realizados no período anterior à MP n° 449/2008, entendo que não há como aplicar o artigo 35A, pois poderia haver retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. 26. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da MP n° 449/1996 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à MP n° 449/1996 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: “Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 16004.000626/200709 Acórdão n.º 2803003.657 S2TE03 Fl. 191 11 §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Redação anterior do artigo 35: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa;” 27. No que tange aos autos de infração referentes à GFIP, que foram lavrados antes da MP n° 449/1996, importa que seja feita a análise quanto à aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...). II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Fl. 191DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 16004.000626/200709 Acórdão n.º 2803003.657 S2TE03 Fl. 192 12 28. E como pode ser notado, as novas regras trazidas pelo artigo 32A são, a priori, mais benéficas que as anteriores, posto que nelas há limites inferiores, senão vejamos: no caso da falta de entrega da GFIP e omissão de fatos geradores, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária, no primeiro caso; e será de R$ 20,00 por grupo de 10 informações omitidas ou incorretas, no segundo caso. 29. Portanto, nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequála ao artigo 32A. Porém, nos casos em que a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras, não há como se falar em retroatividade. 30. Assim, no presente caso, entendo que os valores impostos pelo fisco devem ser retificados, conforme o novo regramento do citado artigo 32A, I, se mais benéfico para o contribuinte. CONCLUSÃO 31. Por todo exposto, conheço do recurso, para, no mérito, darlhe provimento parcial para aplicar a multa do art. 32A, I, da Lei nº 8.212/91, caso seja mais benéfica a recorrente. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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Numero do processo: 10935.902365/2012-25
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 13/12/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.521
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 13/12/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de PIS/PASEP que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 13/12/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 23 65 /2 01 2- 25 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.671, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 01/08/2012, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 03510.12000.260207.1.2.044280, rastreamento nº 029224101, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 1.604,59, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 8109), do período de 30/11/2002, efetuado em 13/12/2002, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 13/08/2012, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/12/2002 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902365/201225 Acórdão n.º 3802002.521 S3TE02 Fl. 122 3 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: Fl. 64DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902365/201225 Acórdão n.º 3802002.521 S3TE02 Fl. 123 5 VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902365/201225 Acórdão n.º 3802002.521 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 68DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 23034.000118/2004-88
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1999 a 30/06/2000
A PEÇA APRESENTADA NÃO SE CONFIGURA COMO RECURSO, SENDO DIRIGIDA A ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2803-003.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Oseas Coimbra Júnior - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1999 a 30/06/2000 A PEÇA APRESENTADA NÃO SE CONFIGURA COMO RECURSO, SENDO DIRIGIDA A ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente (Assinado digitalmente). Oseas Coimbra Júnior - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1999 a 30/06/2000 A PEÇA APRESENTADA NÃO SE CONFIGURA COMO RECURSO, SENDO DIRIGIDA A ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Oseas Coimbra Júnior Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 00 01 18 /2 00 4- 88 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 23034.000118/200488 Acórdão n.º 2803003.664 S2TE03 Fl. 3 2 Relatório Os autos subiram à apreciação deste Conselho em razão da peça apresentada às fls 159. É o Relatório. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 23034.000118/200488 Acórdão n.º 2803003.664 S2TE03 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Oséas Coimbra. Às fls 159 o contribuinte apresenta manifestação dirigida à Coordenação Geral de Arrecadação do Ministério da Educação, reproduzo sua totalidade. SISTEMA PITÁGORAS DE ENSINO SOC. LTDA. sociedade estabelecida na Av. Raja Gabaglia, n. 3.125, Bairro São Bento, Belo Horizonte, MG, CEP: 30.350540, CNPJ/MF 25.578.337/000101, neste ato devidamente representada por seu bastante procurador Leonardo Augusto Leão Lara, vem, respeitosamente, perante, V.Exa, expor e requerer o que se segue: Em atenção à notificação enviada por V.S.a, informandonos do deferimento parcial do recurso administrativo interposto em face da autuação acima especificada, temos esclarecer o que se segue: 1. Diligenciando junto ao INSS, foinos informado que todos os pagamentos efetuados pela empresa Requerente encontramse apropriados no sistema da Autarquia Previdenciária Federal, não tendo ocorrido, todavia, o repasse de tais valores ao FNED. 2. Segundo o agente do INSS, a Requerente deverá retificar as SEFIP's de todo o período e de todos os CNPJ's informados nas notificações. A partir de então o FNDE receberá, automaticamente, os respectivos repasses do INSS. 3. Informamos a V.S.as que as providências acima estão sendo diligenciada pela Requerente, quando serão apresentadas na menor brevidade possível. Do que posto, resta evidente que não se trata de irresignação em razão da decisão de fls 152 e 153, tratandose de mera comunicação ao setor de arrecadação de que a empresa procura se regularizar junto ao INSS. Ante a ausência de conteúdo recursal a ser analisado, não conheço da peça apresentada. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 23034.000118/200488 Acórdão n.º 2803003.664 S2TE03 Fl. 5 4 CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo não conhecimento do recurso. (Assinado digitalmente). Oseas Coimbra. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Numero do processo: 10850.904571/2011-29
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
COMBUSTÍVEIS. DERIVADOS DE PETRÓLEO. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Os distribuidores e varejistas de combustíveis, tributados à alíquota zero em razão do regime monofásico, não podem se creditar das aquisições de produtos destinados à revenda em face de vedação expressa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.658
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
:
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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DERIVADOS DE PETRÓLEO. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Os distribuidores e varejistas de combustíveis, tributados à alíquota zero em razão do regime monofásico, não podem se creditar das aquisições de produtos destinados à revenda em face de vedação expressa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. : (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 45 71 /2 01 1- 29 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904571/201129 Acórdão n.º 3801003.658 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Adotase o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciado Pedido de Ressarcimento (PER/DCOMP) de nº 41794.78669.201008.1.1.100173, por intermédio da qual o contribuinte pretende ver ressarcido crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo, no valor de R$ 6.486,34, concernente a PIS/PASEP (PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO MERCADO INTERNO), período de apuração: 2º trimestre de 2006. Por meio de despacho decisório de fl. 7, com fundamento na informação fiscal de fls. 55/57, constatouse que o interessado apurou créditos relativos às aquisições de gasolina e óleo diesel para pleitear ressarcimento junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), considerando as suas saídas com alíquota zero. O pedido do contribuinte foi indeferido, pois apesar de sair produtos com alíquota zero, as tributações do PIS/PASEP, referentes ao óleo diesel e à gasolina, ocorrem de forma concentrada (incidência monofásica) no produtor ou importador, não havendo previsão legal da possibilidade de manutenção de créditos na aquisição pelo distribuidor ou revendedor atacadista ou revendedor varejista. Diante disso, como não foi constatado o auferimento de receitas não tributadas no mercado interno, passíveis de ressarcimento, o despacho decisório concluiu que o interessado não tem direito ao ressarcimento pleiteado. Regularmente cientificado do Despacho Decisório em 17/01/2012 (fl. 8), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 09/47, insurgindose contra o teor do despacho decisório de fl. 7, acompanhado de Informação Fiscal, na qual alega, em síntese, que: a) por entender ter direito ao crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, em relação aos produtos que adquiriu, pleiteou o seu ressarcimento; b) não pleiteou direito ao creditamento sobre álcool, gás liquefeito ou natural ou biodiesel, mas apenas ao creditamento na aquisição de gasolina A e óleo diesel, doravante englobados pelo termo combustível; c) as normas devem ser interpretadas sistematicamente sob pena de desvirtuamento da ordem jurídica, sendo desejo expresso do legislador que não existisse mais qualquer vedação ao creditamento pretendido como forma de dar efetividade à não cumulatividade; d) a contribuinte está obrigatoriamente sob a incidência das leis da nãocumulatividade, nos termos da Lei nº 10.637/2002 (PIS não cumulativo) e da Lei nº 10.833/2003 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904571/201129 Acórdão n.º 3801003.658 S3TE01 Fl. 4 3 (Cofins nãocumulativa), já que não se enquadra nas exceções; e) é de se consignar que os distribuidores já constaram expressamente como jungidos à cumulatividade, mas houve uma mutação na redação original que instituiu como substituto a refinaria e substituídos os distribuidores; f) a Lei nº 9.990/00 retirou a distribuidora da incidência; g) há ainda uma menção residual aos distribuidores de combustíveis, mas totalmente esvaziada, pois já não existe mais a substituição tributária aventada; h) há norma latente para os distribuidores enquanto substitutos, mas não há como contribuintes diretos, pois não estão mais na cumulatividade; i) quem se encontra em limbo tributário são os produtores não os distribuidores, já que passaram a ser submetidos às chamadas alíquotas diferenciadas; j) essa mixórdia se refere a “produtor” e “importador”, não arrastando para a balbúrdia os “distribuidores”; k) a legislação da cumulatividade não se destina à contribuinte já que os distribuidores, que apuram resultados para o imposto sobre a renda pelo lucro real, foram postos compulsoriamente na nãocumulatividade; l) cita os artigos que foram apresentados como fundamento para vedação definitiva dos créditos aqui discutidos; m) na cadeia produtiva de combustíveis, as distribuidoras estão em uma etapa que está sob a incidência da legislação do PIS/Cofins nãocumulativos e, para completar os critérios da regramatriz de incidência, já tinha ficado estabelecido que os distribuidores operariam com alíquota zero, conforme MP nº 2.15835/01; n) é descabido confundir alíquota zero com não incidência, pois são fenômenos distintos; o) quando a lei estabelece a tributação dita monofásica, ela expressamente coloca a incidência em uma única fase que não se confunde com a nãocumulatividade que pressupõe a tributação em várias fases mesmo que em uma ou alguma delas a incidência se dê à alíquota zero; p) nesse caso, não há direito a creditamento para outras fases, porque o resto da cadeia está fora do campo de incidência do tributo, uma vez que a tributação ficou inteiramente concentrada em um único contribuinte, independente da sistemática dos demais elos da cadeia produtiva. Nestes específicos casos, descabe falar em cumulatividade ou nãocumulatividade. Todavia, se incidir, ainda que com alíquota zero, não é o caso de tributação monofásica, o que não ocorreu com os combustíveis aqui discutidos: gasolina A e Diesel; q) é constrangedora a freqüência com que se repete, até em atos regulamentares inferiores, que os combustíveis estão sob o sistema de monofasia, porém não há tributação monofásica justamente porque todos estão submetidos à incidência da tributação das citadas contribuições (alíquota zero); r) por meio da MP nº 206, publicada e vigente em 09/08/2004, surgiu o artigo 16, que virou o artigo 17, quando convertida na Lei nº 11.033/2004, criando condições para a plena nãocumulatividade no que tange ao PIS/Cofins, como expresso na Exposição de Motivos da referida MP; s) a MP que introduziu o artigo 17 é norma politemática; t) a Lei nº 11.116/2005 veio para dar maior efetividade ao creditamento como instrumento da nãocumulatividade; u) a autoridade administrativa usou o argumento equivocado para Fl. 138DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904571/201129 Acórdão n.º 3801003.658 S3TE01 Fl. 5 4 negar o direito da empresa, citando as disposições da IN SRF nº 594/2005, que teria expressamente introduzido a vedação, e mais, com efeito retroativo. No Estado Democrático de Direito, as limitações e restrições ao agir dos contribuintes somente podem estar previstas em lei; v) pela normatização do PIS/Cofins nãocumulativos, o método escolhido pelo legislador foi o indireto subtrativo, ou seja, independe de quanto foi, ou sequer se houve, tributação na cadeia anterior, ou se o elo anterior estava no regime da nãocumulatividade, pois se baseia somente em incidência da alíquota base sobre as aquisições, independente se a aquisição seja decorrente de creditamento sobre etapas não tributadas, ou tributadas com alíquota diferente; x) em 03/01/2008, foi editada a MP nº 413, que alterou o permissivo de creditamento das leis da nãocumulatividade, porém tal dispositivo não foi aprovado; y) após toda a exposição, transcreve as seguintes premissas: 1) se a contribuinte é distribuidora de combustíveis; 2) se a contribuinte é tributada pelo Lucro Real (regime nãocumulativo para o PIS/Cofins); 3) o único instrumento com poderes para criar restrições é a lei; 4) existe norma que previu expressamente que a contribuinte deveria tributar o PIS/Cofins com alíquota zero sobre seu faturamento, e não em monofasia ou não incidência; 5) o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 prevê expressamente que todos os contribuintes da nãocumulatividade, mesmo que faturem com alíquota zero, podem creditarse de PIS/Cofins; 6) a Lei nº 11.033/2004 é politemática; 7) o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 fez foi dotar de mais garantias a previsão do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 8) sempre se ressalva, nas novas normas, o que fica ainda regulado em outra norma anterior, o que não aconteceu com a possibilidade de creditamento para a contribuinte, sendo certo que normas infralegais não tem tal condão; 9) o creditamento é coerente com a técnica de não cumulatividade empregada no PIS/Cofins, em consonância com a prescrição constitucional; 10) o Poder Executivo, via medida provisória, tentou restaurar a vedação ao creditamento, mas por intuitiva inconstitucionalidade, não foi mantida no ordenamento jurídico; z) repisese, creditamento sobre a aquisição de Gasolina A e óleo Diesel, como consta de seu pedido. Ao final, requer a procedência da Manifestação de Inconformidade para o fim de se deferir o creditamento pretendido e homologada a compensação efetuada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DERIVADOS DE PETRÓLEO. COMBUSTÍVEIS. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. REVENDA VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. SISTEMÁTICA DA NÃOCUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há direito a creditamento de PIS/PASEP relativo às operações de distribuição e varejo de combustíveis, realizadas à alíquota zero, com base na sistemática da nãocumulatividade. É Fl. 139DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904571/201129 Acórdão n.º 3801003.658 S3TE01 Fl. 6 5 incontroverso que a Lei nº 9.990/2000 fixou a incidência monofásica do PIS/PASEP e da Cofins sobre combustíveis derivados de petróleo, permanecendo concentrada na produção e importação a incidência do tributo, inviabilizando, por esse motivo, o creditamento pretendido. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, cujo teor é sintetizado a seguir. Reforça as teses suscitadas na manifestação de inconformidade e insiste que com o art. 17 da Lei n° 11.033/04 reaparece permissão para a mantença dos créditos discutidos e que o art. 16 da Lei nº 11.116/05 permitiu a utilização dos referidos créditos. Questiona o mérito das decisões judiciais colacionadas no acórdão. Argumenta que no caso da recorrente há: a) uma incidência tributária no início da cadeia, com alíquota diferenciada e ocasionalmente mais alta que a regra geral; b) e também uma incidência tributária nos demais elos da cadeia, igualmente com alíquota diferenciada e ocasionalmente mais baixa que a da regra geral. Pontua que monofásico seria, como a própria nomenclatura já adianta, só incidir em uma fase, ficando as demais como NT; que não é, como visto, o que ocorre, afinal a contribuinte está também ao alcance das contribuições sociais, apenas com uma alíquota diferenciada. Reitera que monofasia não é alíquota zero citando artigos das Leis 10.865/04 e 10.560/2002. Alega que o acórdão recorrido passou sem maiores análises sobre o fundamental art. 17 da Lei nº 11.033/04, que, por ser norma específica e posterior, revoga qualquer obstáculo que houvesse ao creditamento pretendido. Discorda da tese de que o art. 17 da Lei n° 11.033/04 não pode prevalecer sobre a vedação. Aduz que o art. 17 só pode se destinar exatamente para os casos que tinham vedação expressa. Os demais não precisavam, justamente porque não estavam vedados. De outro giro, apresenta os contornos das edições da Medidas Provisórias 413 e 451 de 2008, que não foram convertidas em Lei. Por fim, colaciona novamente as premissas legais apresentadas na manifestação de inconformidade e requer a reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904571/201129 Acórdão n.º 3801003.658 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. Para a solução da lide é importante um breve histórico da evolução legislativa em face da tributação das contribuições PIS e Cofins sobre os combustíveis. De imediato, registrese que não há controvérsia em relação ao fim do instituto da substituição tributária nas operações com combustíveis (gasolina e óleo diesel) a partir da edição da MP 199115, de 10 de março de 2000, e Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, que alteraram a redação original da Lei 9.718/98: Art. 4º As refinarias de petróleo, relativamente às vendas que fizerem, ficam obrigadas a cobrar e a recolher, na condição de contribuintes substitutos, as contribuições a que se refere o art. 2º, devidas pelos distribuidores e comerciantes varejistas de combustíveis derivados de petróleo, inclusive gás. (Vide arts. 4º e art. 92, da Medida Provisória nº 215835, de 2001) Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, a contribuição será calculada sobre o preço de venda da refinaria, multiplicado por quatro.(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Art. 4o As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, devidas pelas refinarias de petróleo serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) I – dois inteiros e sete décimos por cento e doze inteiros e quarenta e cinco centésimos por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas, exceto gasolina de aviação; (Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000) II – dois inteiros e vinte e três centésimos por cento e dez inteiros e vinte e nove centésimos por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel; (Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000) III – dois inteiros e cinqüenta e seis centésimos por cento e onze inteiros e oitenta e quatro centésimos por cento incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás liqüefeito de petróleo – GLP; (Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000) Art. 4o As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – Fl. 141DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904571/201129 Acórdão n.º 3801003.658 S3TE01 Fl. 8 7 PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS devidas pelos produtores e importadores de derivados de petróleo serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I – 5,08% (cinco inteiros e oito centésimos por cento) e 23,44% (vinte inteiros e quarenta e quatro centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.051, de 2004) II – 4,21% (quatro inteiros e vinte e um centésimos por cento) e 19,42% (dezenove inteiros e quarenta e dois centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel e suas correntes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.051, de 2004) III – 10,2% (dez inteiros e dois décimos por cento) e 47,4% (quarenta e sete inteiros e quatro décimos por cento) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás liquefeito de petróleo (GLP) dos derivados de petróleo e gás natural; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III 10,2% (dez inteiros e dois décimos por cento) e 47,4% (quarenta e sete inteiros e quatro décimos por cento) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vide Lei nº 11.051, de 2004) IV – sessenta e cinco centésimos por cento e três por cento incidentes sobre a receita bruta decorrente das demais atividades.(Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000) Parágrafo único. Revogado.(Redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000)" Anotese, por pertinente, que a MP 199115, de 10 de março de 2000 (atual e em vigor MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001) em seu art. 43 reduziu a zero as alíquotas das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre os combustíveis vendidos pelos distribuidores e comerciantes, uma vez que se adotou o regime concentrado com alíquotas diferenciadas: Art. 43 Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: I gasolina automotiva, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas;(...) Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica às hipóteses de venda de produtos importados, que se sujeita ao disposto no art. 6º da Lei no 9.718, de 1998, com a redação atribuída pelo art. 2º desta Medida Provisória. (...) Fl. 142DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904571/201129 Acórdão n.º 3801003.658 S3TE01 Fl. 9 8 Art. 46. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: (...) II no que se refere à nova redação dos arts. 4o a 6o da Lei no 9.718, de 1998, e ao art. 43 desta Medida Provisória, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de julho de 2000, data em que cessam os efeitos das normas constantes dos arts. 4o a 6o da Lei no 9.718, de 1998, em sua redação original, e dos arts. 4º e 5º desta Medida Provisória. . Como visto, o regime de substituição tributária nas operações com combustíveis foi extinto a partir da edição da MP 199115/2000 e de suas reedições. Desta forma, o regime em relação à incidência das contribuições PIS e Cofins passou a ser concentrado, em uma única fase, incidindo apenas sobre a receita de venda das refinarias. Com a instituição da sistemática de incidência nãocumulativa para as contribuições PIS e Cofins, as receitas de venda de combustíveis, inicialmente, não integravam a base de cálculo da contribuição em face de vedação legal, PIS/Pasep: art. 1°, § 3°, inciso IV, da MP nº 66/2002 e da Lei n° 10.637/2002 e Cofins: art. 1°, § 3°, inciso IV, da MP nº 135/2003 e da Lei n° 10.833/2003. Este status foi alterado pela Lei n° 10.865/2004 (DOU 30/4) que permitiu por força do disposto nos artigos 21 e 37, a utilização da sistemática nãocumulativa em relação às receitas da venda de gasolinas (exceto gasolina de aviação), óleo diesel e gás liquefeito de petróleo (GLP) e autorizou o aproveitamento dos créditos relativos a tais produtos. Destacase a vedação da utilização de créditos por parte dos revendedores em relação aos produtos adquiridos para revenda, nos termos do art. 3°, inciso I, da Lei n° 10.637/2002 e art. 3°, inciso I, da Lei n° 10.833/2003. Art. 2o Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I nos incisos I a III do art. 4o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e gás liquefeito de petróleo (GLP) derivado de petróleo e gás natural; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I nos incisos I a III do art. 4o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP Fl. 143DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904571/201129 Acórdão n.º 3801003.658 S3TE01 Fl. 10 9 derivado de petróleo e de gás natural; (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008)(grifouse) A recorrente insiste que o art. 17 da Lei nº 11.033/04 alterou esse cenário e por ser norma específica e posterior, revoga qualquer obstáculo ao pretenso crédito. Não assiste razão à recorrente. Este dispositivo legal, abaixo transcrito, não alcança os produtos sujeitos ao regime monofásico. Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Por força de expresso dispositivo legal (art. 3°, inciso I, da Lei n° 10.637/2002 e art. 3°, inciso I, da Lei n° 10.833/2003), o regime monofásico não possibilita o creditamento referentes as aquisições de mercadorias para revenda. Tenhase presente que a tributação concentrada nos produtores, importadores e refinarias de petróleo foi uma opção do legislador e não foi modificada pelo citado art. 17. Não se pode perder de vista que o referido artigo 17 foi antes da conversão da Lei expresso no artigo16 da MP 206/2004. A exposição de motivos reafirma o caráter meramente interpretativo deste diploma legal: “as disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS” Deste modo, o artigo 17 da Lei nº 11.033/04 não gerou novas hipóteses de creditamento como quer fazer crer a recorrente. Reiterase que a vedação expressa não foi revogada tacitamente. Interpretação equivocada a da recorrente e que não tem guarita neste Conselho e no Poder Judiciário. Por pertinente, transcrevese a expressão do § 8º da exposição de motivos da MP 66/2002, convertida na Lei n.º 10.637/2002: 8. Sem prejuízo de convivência harmoniosa com a incidência não cumulativa do PIS/Pasep, foram excluídos do modelo, em vista de suas especificidades, as cooperativas, as empresas optantes pelo Simples ou pelo regime de tributação do lucro presumido, Fl. 144DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904571/201129 Acórdão n.º 3801003.658 S3TE01 Fl. 11 10 as instituições financeiras e os contribuintes tributados em regime monofásico ou de substituição tributária.(grifouse). Nesse sentido, recentemente, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Agravo Regimental no Recurso Especial 1.259.770 PR, assim se pronunciou: COFINS. CREDITAMENTO. ART. 17 DA LEI 11.033/2004, C/C ART. 16, DA LEI N. 11.116/2005. REVENDA DE VEÍCULOS AUTOMOTORES E AUTOPEÇAS. REGIME DE INCIDÊNCIA MONOFÁSICA DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS. REGIME ESPECIAL EM RELAÇÃO AO REGIME DE INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. 1. Consoante os precedentes desta Segunda Turma de Direito Tributário do Superior Tribunal de Justiça, as receitas provenientes das atividades de venda e revenda sujeitas ao pagamento das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS em Regime Especial de Tributação Monofásica não permitem o creditamento pelo revendedor das referidas contribuições incidentes sobre as receitas do vendedor por estarem fora do Regime de Incidência NãoCumulativo, a teor dos artigos 2º, §1º, e incisos; e 3º, I, "b" da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003. Desse modo, não se lhes aplicam, por incompatibilidade de regimes e por especialidade de suas normas, o disposto nos artigos 17, da Lei n. 11.033/2004, e 16, da Lei n. 11.116/2005, cujo âmbito de incidência se restringe ao Regime NãoCumulativo, salvo determinação legal expressa. Precedentes: REsp. Nº 1.267.003 RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 17.09.2013; AgRg no REsp. Nº 1.239.794 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 17.09.2013. 2. Indiferentes se tornam as alterações efetuadas no art. 8º VII "a" da Lei n.º 10.637/2002 e art. 10, VII "a" da Lei n.º 10.833/2003 pelo art. 42, III, "c" e "d", da Lei n. 11.727/2008, e pelo art. 21, da Lei n. 10.865/2004 no art. 1º, §3º, IV, da Lei n. 10.833/2003 e pelo art. 37 da Lei n. 10.865/2004 no art. 1º, §3º, IV, da Lei n. 10.637/2002, pois a incompatibilidade é dos próprios regimes de tributação. 3. Incompatibilidade que se restringe às mercadorias e produtos sujeitos à tributação monofásica, não alcançando as atividades empresariais como um todo. 4. Agravo regimental não provido.(grifouse) Assinalese, também, que este entendimento está em consonância com os princípios constitucionais da capacidade contributiva, que se aplica as diversas espécies tributárias, e universalidade do custeio da seguridade social. Uma interpretação equivocada de um dispositivo legal, art. 17 da Lei nº 11.033/04, não pode enriquecer ilicitamente parcela dos contribuintes. De outro giro, o financiamento da seguridade social por toda a sociedade, esteado no princípio da solidariedade, não autoriza o creditamento dos produtos adquiridos para revenda sujeitos à tributação concentrada. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904571/201129 Acórdão n.º 3801003.658 S3TE01 Fl. 12 11 De modo que, ao contrário do alegado, não há que se falar em direito à restituição dos valores de PIS e Cofins, visto que há vedação expressa ao creditamento referente às aquisições de produtos monofásicos destinados à revenda. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto, não reconhecendo o direito creditório e não homologando as compensações pleiteadas. Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 146DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10830.917846/2011-22
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 22 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3802-000.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem certifique se as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Designado para redigir a resolução o Conselheiro Solon Sehn.
Vencido o Conselheiro Waldir Navarro, que negava provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Fez sustentação oral Dr. Maurício Bellucci, OAB/SP 161.851.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem certifique se as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Designado para redigir a resolução o Conselheiro Solon Sehn. Vencido o Conselheiro Waldir Navarro, que negava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral Dr. Maurício Bellucci, OAB/SP 161.851. Relatório e Voto RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 17 84 6/ 20 11 -2 2 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.917846/201122 Resolução nº 3802000.186 S3TE02 Fl. 137 2 Tratase de recurso voluntário interposto em face de acórdão da 2ª Turma da DRJ de Juiz de Fora/MG, que, por unanimidade, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada em face da nãohomologação de compensação. Aduziu a Recorrente que a origem do crédito seria decorre da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, declarada pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Informa que a contribuição em tela foi apurada sobre a “receita bruta”, com base no dispositivo referenciado ainda em vigor. Com a declaração de inconstitucionalidade do parágrafo acima, que promoveu o alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS, houve por bem a recorrente efetuar uma revisão contábil interna, ocasião em que se constatou recolhimento a maior da contribuição no período mencionado. Sustenta ainda que a decisão do STF deve ser reproduzida pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62A, Regimento Interno (Portaria MF nº 256/09). Aduz a prescindibilidade da retificação da DCTF, apresentando, ao final, documentação contábil e fiscal, bem como demonstrativo do débito. Ao final, requer que seu recurso seja conhecido e provido, reformandose o acórdão recorrido e subsidiariamente, caso não seja esse o entendimento deste colegiado, o retorno do autos a DRJ de origem para que, em instancia inicial, proceda a análise de toda documentação apresentada, pugnando pela juntada posterior de documentos, bem como, sendo necessária, a conversão do julgamento em diligência. É o Relatório. Por conter matéria de competência deste Colegiado, estando o crédito pleiteado dentro do seu limite de alçada e presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Como se sabe, o §1º do art. 3o da Lei no 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE no 346.084/PR: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da Fl. 137DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.917846/201122 Resolução nº 3802000.186 S3TE02 Fl. 138 3 classificação contábil adotada. (STF. T. Pleno. RE 346.084/PR. Rel. Min. ILMAR GALVÃO. Rel. p/ Acórdão Min. MARCO AURÉLIO. DJ 01/09/2006). Esse entendimento foi reafirmado pela jurisprudência do STF no julgamento de questão de ordem no RE no 585.235/RG, decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B), no qual também foi deliberada a edição de súmula vinculante sobre a matéria: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (STF. RE 585235 RGQO. Rel. Min. CEZAR PELUSO. DJ 28/11/2008). Assim, apesar de ainda não editada a súmula vinculante, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998. Não é possível, entretanto, o exame das demais questões de mérito sem que as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins. Entendese, assim, que o julgamento deve ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 138DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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