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Numero do processo: 10820.000826/00-61
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/1988 a 31/10/1995
PEDIDO DE HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos cinco mais cinco (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009).
DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACATIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL PELO STF.
O Supremo Tribunal Federal, ao seu turno, declarou a inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos para restituição tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (RE 566621, Rel. Ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe-195 DIVULG 10/10/2011).
Recurso Extraordinário Negado.
Numero da decisão: 9900-000.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso extraordinário.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mércia Helena Trajano DAmorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1988 a 31/10/1995 PEDIDO DE HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos “cinco mais cinco” (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009). DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACATIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL PELO STF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 08 26 /0 0- 61 Fl. 361DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 O Supremo Tribunal Federal, ao seu turno, declarou a inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos para restituição tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (RE 566621, Rel. Ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULG 10/10/2011). Recurso Extraordinário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso extraordinário. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mércia Helena Trajano D’Amorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Cuidase de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, ora Recorrente (fls. 331 a 344), contra o v. acórdão proferido pela Colenda Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 320 a 327) que, por maioria, negou provimento ao recurso especial, considerando devida a contagem do prazo decadencial para pleitear a repetição de indébito a partir da data da norma que foi declarada inconstitucional, no caso, a Resolução do Senado Federal nº 49, de 9 de outubro de 1995. Verificase que os pagamentos objeto do pedido de compensação ocorreram entre julho de 1990 e outubro de 1995 (fls. 3 a 46). Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório do acórdão a quo, cujo teor, no que interessa às questões ora trazidas ao extraordinário, é o seguinte, verbis: Fl. 362DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10820.000826/0061 Acórdão n.º 9900000.617 CSRFPL Fl. 352 3 “Tratase de recurso manejado pela FAZENDA NACIONAL contra acórdão da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. Referido acórdão consubstancia decisão afastando a aplicabilidade do artigo 3° da Lei Complementar n° 118/05, para determinar que o prazo para o sujeito passivo formular pedidos de restituição e de compensação de créditos de PIS oriundos dos indigitados Decretos Leis n°s 2.445 e 2.449, ambos de 1988, devem ser o de 05 (cinco) anos contados da edição da Resolução nº 49 do Senado Federal. Recebido referido apelo por decisão presidencial daquela Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, foram os autos devidamente distribuídos para minha análise: É o relatório.” A ementa do julgado ora recorrido, que bem resume os seus fundamentos, é a seguinte: “PIS – PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO – DECADÊNCIA. Cabível o pleito de restituição/compensação de valores recolhidos a maior a título de Contribuição para o PIS, nos moldes dos inconstitucionais Decretosleis n°s 2.445 e 2.449, de 1998, sendo que o prazo de decadência/prescrição de cinco anos deve ser contado a partir da edição da Resolução n° 49/Senado Federal. Recurso especial negado.” Irresignada, insurgese a Fazenda contra o acórdão a quo pela via extraordinário. Junta a Recorrente julgados deste Colegiado satisfazendo, assim, os requisitos para viabilizar seu apelo. Aponta em síntese a Recorrente, que ao presente caso deve ser aplicado o disposto nos artigos 3° e 4° da Lei Complementar n° 118/2005, e artigos 168, caput e inciso I e 156, I, do CTN, os quais determinam que o prazo decadencial para a repetição de indébito, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, é de apenas 5 (cinco) anos, contando se o referido prazo a partir da data do pagamento indevido. A Recorrida não apresentou contrarrazões, conforme noticiado às fls. 350. Verificase, assim, que a matéria trazida a debate diz respeito apenas ao prazo decadencial para a repetição de indébito tributário, se de 5 (cinco) (artigo 168, I do CTN) ou 10 (dez) anos (tese dos 5 mais cinco, soma dos prazos decadenciais dos artigos 150, §4º e 168, I do CTN). O recurso foi admitido através do r. despacho de fls. 346/347. É o relatório. Voto Fl. 363DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. No tocante ao prazo para restituição de indébito, é de se destacar, inicialmente, que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas. (nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio Fl. 364DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10820.000826/0061 Acórdão n.º 9900000.617 CSRFPL Fl. 353 5 legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei) caráter interpretativo. Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol. 22, System des deutschen bürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita, nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili, in Giurisprudenza italiana, 1904, I, I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT, para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo "os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente" (Traité de droit constitutionnel, 3a ed., vol. 2o, 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inserida no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezála se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração. (...) ... SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando: "tratase unicamente de saber se o legislador fez, ou quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System des heutigen romischen Rechts, vol. 8o, 1849, pág. 513). Mas, não é possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue conciliar o que é inconciliável. E, desde que a chamada interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., supra, a nota 55 ao n° 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitandose lhes os perigos. Compreendese, pois, que muitos autores não aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA (Teoria delta retroattività delle leggi, 3a ed., vol. 1o, 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT (Traité de la rétroactivité des lois, vol. 1o, 1845, págs. 131 e 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storicoteorico pratico di diritto civile francese ed italiano, versione ampliata del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachariæ, di Aubry e Rau, vol. 1o e único, 1900, pág. 675) e DEGNI (L'interpretazione della legge, 2a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzido novidade, ou modificando dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA (loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas somente quando ela própria afirme que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) é de Fl. 365DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, devese, certo, negar tal caráter somente em casos extremos, quando seja absurdo ligála com a lei interpretada, quando nem mesmo se possa considerar a mais errada interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa." Ademais, a doutrina do tema é pacífica no sentido de que: "Pouco importa que o legislador, para cobrir o atentado ao direito, que comete, dê à sua lei o caráter interpretativo. É um ato de hipocrisia, que não pode cobrir uma violação flagrante do direito" (Traité de droit constitutionnel, 3ª ed., vol. 2º, 1928, págs. 274275)." (Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho, in A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol. I, 3a ed., págs. 294 a 296). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada."). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10820.000826/0061 Acórdão n.º 9900000.617 CSRFPL Fl. 354 7 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal de Justiça a chamada tese dos “cinco mais cinco”. Importante destacar, por outro lado, quanto a eventual alegação de aplicação retroativa da Lei Complementar nº 118/2005, que o Excelso Supremo Tribunal Federal entendeu recentemente que referida norma é aplicável apenas a partir de 09 de junho de 2005, conforme decidido em sede recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida. Referido julgado tem a seguinte ementa: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias Fl. 367DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.(RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) (grifos e destaques nossos) O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} Fl. 368DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10820.000826/0061 Acórdão n.º 9900000.617 CSRFPL Fl. 355 9 § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, assim, que referidas decisões proferidas respectivamente pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça e pelo Excelso Supremo Tribunal Federal deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Conforme relatado acima, a presente hipótese trata de pedido de restituição cumulado com o pedido de compensação formulado em 31/05/2000 (fls. 1/51), de PIS (DLs nºs 2.445/88 e 2.449/88) indevidamente pago entre julho de 1990 e dezembro de 1992 (fls.3 a 26). Aplicandose a tese dos “cinco mais cinco”, depreendese que o termo final para a formulação do pedido de restituição/compensação seria em julho de 2000 e outubro de 1995, respectivamente. Como o pedido de restituição/compensação em apreço foi apresentado em 31/05/2000 considerando a tese dos “cinco mais cinco”, ele afigurase tempestivo. Por conseguinte, em face de todo o exposto e com arrimo no artigo 62A do RICARF, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional para considerar o pedido de restituição/compensação tempestivo. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 369DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 11080.722474/2010-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.
No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL.
O proprietário, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE.
Nas hipóteses em que o cálculo do tributo tiver por base, ou tomar em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, poderá arbitrar o valor da base de cálculo ou os aludidos preços, sempre que forem omissos ou não merecerem fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado. Em caso de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o fisco federal pode inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
A utilização de percentual definido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade.
CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO. ELISÃO DA SOLIDARIEDADE. IMPOSSIBILIDADE.
A CND apenas certifica que, no momento de sua emissão, não havia crédito tributário formalmente constituído em desfavor da empresa signatária da certidão, circunstância que não afasta o direito da Fazenda Pública de constituir e cobrar qualquer débito eventualmente apurado após a sua emissão, conforme ressalvado na própria CND.
A apresentação de CND emitida em nome de empresa prestadora de serviços não é suficiente para elidir a responsabilidade solidária na construção civil. A elisão somente é possível com a comprovação do recolhimento da contribuição devida, pela apresentação dos documentos exigidos pela legislação de regência.
CONTABILIDADE. COMPROVANTES DOS REGISTROS CONTÁBEIS. GUARDA.
Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados, assim como os documentos que fundamentaram a apuração dos impostos e contribuições devidos e o cumprimento das obrigações tributárias acessórias devem ser conservados em boa ordem e guarda enquanto não decorrido o prazo decadencial das obrigações tributárias decorrentes das operações a que se refiram, e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.433
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. O proprietário, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. Nas hipóteses em que o cálculo do tributo tiver por base, ou tomar em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, poderá arbitrar o valor da base de cálculo ou os aludidos preços, sempre que forem omissos ou não merecerem fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado. Em caso de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o fisco federal pode inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. A utilização de percentual definido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO. ELISÃO DA SOLIDARIEDADE. IMPOSSIBILIDADE. A CND apenas certifica que, no momento de sua emissão, não havia crédito tributário formalmente constituído em desfavor da empresa signatária da certidão, circunstância que não afasta o direito da Fazenda Pública de constituir e cobrar qualquer débito eventualmente apurado após a sua emissão, conforme ressalvado na própria CND. A apresentação de CND emitida em nome de empresa prestadora de serviços não é suficiente para elidir a responsabilidade solidária na construção civil. A elisão somente é possível com a comprovação do recolhimento da contribuição devida, pela apresentação dos documentos exigidos pela legislação de regência. CONTABILIDADE. COMPROVANTES DOS REGISTROS CONTÁBEIS. GUARDA. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados, assim como os documentos que fundamentaram a apuração dos impostos e contribuições devidos e o cumprimento das obrigações tributárias acessórias devem ser conservados em boa ordem e guarda enquanto não decorrido o prazo decadencial das obrigações tributárias decorrentes das operações a que se refiram, e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes. Recurso Voluntário Negado
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RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. O proprietário, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. Nas hipóteses em que o cálculo do tributo tiver por base, ou tomar em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, poderá arbitrar o valor da base de cálculo ou os aludidos preços, sempre que forem omissos ou não merecerem fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado. Em caso de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o fisco federal pode inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 24 74 /2 01 0- 60 Fl. 459DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 A utilização de percentual definido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO. ELISÃO DA SOLIDARIEDADE. IMPOSSIBILIDADE. A CND apenas certifica que, no momento de sua emissão, não havia crédito tributário formalmente constituído em desfavor da empresa signatária da certidão, circunstância que não afasta o direito da Fazenda Pública de constituir e cobrar qualquer débito eventualmente apurado após a sua emissão, conforme ressalvado na própria CND. A apresentação de CND emitida em nome de empresa prestadora de serviços não é suficiente para elidir a responsabilidade solidária na construção civil. A elisão somente é possível com a comprovação do recolhimento da contribuição devida, pela apresentação dos documentos exigidos pela legislação de regência. CONTABILIDADE. COMPROVANTES DOS REGISTROS CONTÁBEIS. GUARDA. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados, assim como os documentos que fundamentaram a apuração dos impostos e contribuições devidos e o cumprimento das obrigações tributárias acessórias devem ser conservados em boa ordem e guarda enquanto não decorrido o prazo decadencial das obrigações tributárias decorrentes das operações a que se refiram, e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Fl. 460DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722474/201060 Acórdão n.º 2302002.433 S2C3T2 Fl. 460 3 Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1999 Data de lavratura do AIOP: 20/08/2010. Data da Ciência do AIOP: 23/08/2010. O presente processo tem por objeto o restabelecimento da exigência fiscal constituída pelas NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n° 35.067.6682 e 35.067.6690, declaradas nulas por vício formal pela 4ª CAJ – Câmara de Julgamento do CRPS: “NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO LAVRADA COM FALTA DO TIPO DE DÉBITO, ACARRETANDO AUSÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO RELATÓRIO FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO, ENSEJA A SUA NULIDADE, PELA IMPOSSIBILIDADE TÉCNICA DE SE EFETUAR A CORREÇÃO NO SISTEMA DE CADASTRAMENTO DE DÉBITO, CARACTERIZANDO SE VÍCIO FORMAL INSANÁVEL – LANÇAMENTO NULO.” Tratase de lançamento fiscal para constituição de crédito tributário correspondente a contribuições previdenciárias a cargo dos segurados, incidentes sobre os seus respectivos Salários de Contribuição, calculada por aferição indireta mediante a aplicação da alíquota da alíquota mínima prevista no art. 20 da Lei nº 8.212/91 sobre o montante de mão de obra contida nas notas fiscais /faturas, na forma da legislação previdenciária, devidas pelo Autuado em referência em razão da responsabilidade solidária da empresa contratante com o executor de obra/serviço de construção civil, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 14/26. Compete destacar que as NFLD nº 35.067.6682, referente aos fatos geradores ocorridos antes de janeiro de 1999, e nº 35.067.6690, referente aos fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1999, foram substituídas por 134 Autos de Infração, sendo 67 Autos de Infração relativos a Contribuição Previdenciária – Parte patronal , sendo um Auto de Infração para cada empresa com a qual o Banco do Brasil é solidário, e outros 67 Autos de Infração relativos a Contribuição Previdenciária – Parte segurados , sendo, igualmente, um Auto de Infração para cada empresa com a qual o Banco do Brasil é solidário. Deve ser enaltecido igualmente que, após a aplicação da regra estabelecida para o prazo decadencial na forma do art. 173, II do CTN, em combinação com os efeitos da Súmula Vinculante nº 8 do STF, e pela adoção do mecanismo inscrito no art. 150, §4º do CTN, foram alcançados pelos Autos de Infração substitutos, tão somente, as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos a contar da competência novembro/96 até fevereiro/2001. Por outro lado, informa a Autoridade Lançadora que foram excluídas do lançamento original as empresas que vieram a sofrer procedimento fiscal previdenciário (Auditoria Fiscal Total com contabilidade ou Auditoria específica na obra identificada no levantamento), sendo mantidas as competências não alcançadas por Auditoria Fiscal Previdenciária. Foram excluídas, também, as empresas do levantamento original cujo CNPJ ou Razão Social não foram identificados. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o responsável solidário apresentou impugnação a fls. 83/97. Devidamente intimada a respeito do lançamento, nos termos assinalados no Aviso de Recebimento a fl. 81, o devedor principal apresentou defesa administrativa a fls. 151/171. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão a fls. 356/371, julgando procedente o lançamento, e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo – devedor solidário foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 03/05/2012, conforme Avisos de Recebimento a fl. 373. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o responsável solidário interpôs recurso voluntário, a fls. 375/391, deduzindo seu inconformismo em face da decisão guerreada em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Que a matrícula da obra e as contribuições devidas eram obrigação da empresa contratada, devendo esta ser chamada a integrar o processo; · Que a sociedade de economia mista somente pode contratar mediante licitação pública, não devendo o Recorrente responder de forma solidária pelas obrigações do responsável pela execução; · Que deve ser aplicado o benefício de ordem para afastar a corresponsabilidade solidária atribuída ao Recorrente; · Que as CND expedidas à época das autuações originais certificam que a inexistência de débito pendente em nome da empresa contratada perante o INSS; · Que os serviços de construção estão sujeitos ao regime da retenção e não à responsabilidade solidária; Ao fim, requer a declaração de nulidade da autuação e insubsistência do lançamento. O julgamento em segunda Instância Ordinária houvese por convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 230200.179, proferido pela 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF em 15 de agosto de 2012, para que fosse dada ciência da decisão de 1ªInstancia ao devedor principal e abertura de prazo para o oferecimento de Recurso Voluntário em face da decisão de 1ª Instância, caso assim entendesse procedente. Recurso Voluntário pelo devedor principal a fls. 435/449, expressando sua contrariedade nas seguintes argumentações: · Que o contribuinte s foi notificado do lançamento em 2010, razão pela qual se faz o reconhecimento da decadência em relação ao novo sujeito passivo no auto de lançamento; Fl. 462DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722474/201060 Acórdão n.º 2302002.433 S2C3T2 Fl. 461 5 · Que a exigência de apresentação de documentos que legalmente não precisa mais manter arquivados para o fim de demonstrar a lisura de seus procedimentos constituise cerceamento de defesa; · Que a Lei nº 8.212/91 não autoriza o lançamento por aferição indireta, sem que haja a verificação da efetiva base de cálculo do tributo. Alfim, requer a anulação do lançamento ou, subsidiariamente, em razão dos pagamentos prévios ao INSS incidentes sobre cada uma das obras. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 03/05/2012. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 08 do mesmo mês e ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO. Afirma o Banco do Brasil S/A. que os serviços de construção estão sujeitos ao regime da retenção e não à responsabilidade solidária. Tal alegação, todavia, não poderá ser objeto de deliberação por esta Corte Administrativa eis que a matéria nela aventada não foi oferecida à apreciação da Corte de 1ª Instância, não integrando, por tal motivo, a decisão ora guerreada. Com efeito, compulsando a Peça de Defesa ao Auto de Infração em julgamento, verificamos que a alegação acima postada inova o Processo Administrativo Fiscal ora em apreciação. Tal matéria não foi, nem mesmo indiretamente, aventada pelo impugnante em sede de impugnação administrativa em face do lançamento tributário que ora se discute. Os alicerces do Processo Administrativo Fiscal encontramse fincados no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, cujo art. 16, III estipula que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de Fl. 463DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 discordância e as razões e provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o art. 17 dispõe de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante será considerada legalmente como não impugnada. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) As disposições inscritas no art. 17 do Dec. nº 70.235/72 espelham, no Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido: Código de Processo Civil Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Deflui da normatividade jurídica inserida pelos comandos insculpidos no Decreto nº 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo art. 108 do CTN, que o impugnante carrega como fardo processual o ônus da impugnação específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa assinalado expressamente no Auto de Infração, observadas as condições de contorno assentadas no relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722474/201060 Acórdão n.º 2302002.433 S2C3T2 Fl. 462 7 Nessa perspectiva, a matéria específica não expressamente impugnada em sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a oportunidade de impugnação ulterior, não podendo ser alegada em grau de recurso. Salientese que as diretivas ora enunciadas não conflitam com as normas perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito já se operou a preclusão. De outro eito, cumpre esclarecer, eis que pertinente, que o Recurso Voluntário consubstanciase num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso do processo, a inconformidade do sucumbente em face de decisão proferida pelo órgão julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformála. Não exige o dispêndio de energias intelectuais no exame da legislação em abstrato a conclusão de que o recurso pressupõe a existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão julgador postado em posição processual hierarquicamente inferior. Não se mostra despiciendo frisar, eis que pertinente, que o efeito devolutivo do recurso não implica a revisão integral do lançamento à instância revisora, mas, tão somente, a devolução da decisão proferida pelo órgão a quo, a qual será revisada pelo Colegiado ad quem. Assim, não havendo a decisão vergastada se manifestado sob determinada questão do lançamento, eis que não expressamente impugnada pelo sujeito passivo, não há que se falar em reforma do julgado em relação a tal questão, eis que a respeito dela nada consta no acórdão hostilizado. É gravitar em torno do nada. Nesse contexto, à luz do que emana, com extrema clareza, do Direito Positivo, permeado pelos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, que todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Além disso, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, as matérias não expressamente contestadas pelo impugnante em sede de defesa ao lançamento tributário são juridicamente consideradas como não impugnadas, não se instaurando qualquer litígio em relação a elas, sendo processualmente inaceitável que o Recorrente as resgate das cinzas para inaugurar, em segunda instância, um novo front de inconformismo em face do lançamento que se opera. O conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao conhecimento do Órgão Julgador Primário, representaria, por parte desta Corte, negativa de vigência ao preceito insculpido no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, provimento este que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Por tais razões, a matéria abordada no primeiro parágrafo deste tópico, não poderá ser conhecida por este Colegiado. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA DECADÊNCIA O devedor principal pondera que somente foi notificado do lançamento em 2010, razão pela qual se faz o reconhecimento da decadência em relação ao novo sujeito passivo no auto de lançamento. Razão não lhe assiste. Em primeiro lugar, há que se ter em mente que a decadência tributária é um instituto de Direito Tributário que exclui do Fisco o seu direito potestativo de proceder à constituição do crédito tributário, mediante o lançamento, independentemente de que quer que seja o sujeito passivo – contribuinte ou responsável tributário – da relação jurídica tributária. Repisese que a decadência está associada com o lançamento de per se considerado, ou seja, com o direito de realizar a constituição do crédito tributário, tendo como parâmetros de investigação a data de ocorrência dos fatos geradores e as circunstâncias materiais em que o lançamento houvese por realizado. Nesse viés, inexiste hipótese de não exaurimento do prazo decadencial em relação a um devedor solidário e, simultaneamente, de exaurimento em relação a outro. Ou transcorreu integralmente o prazo decadencial ou não. Não há meio termo, tampouco subjetividade. A questão é objetiva. No caso vertente, as circunstâncias materiais em que o vertente lançamento houvese por operado subjugase à hipótese elencada no inciso II do art. 173 do CTN, uma vez que o lançamento originário houvese por declarado nulo por vício formal. Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Conforme já salientado anteriormente, a Decisão de Primeira Instância Administrativa nos presentes autos, após a aplicação da regra inscrita no art. 150, §4º do CTN, em combinação com os efeitos da Súmula Vinculante nº 8 do STF, já havia excluído todas as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores alcançados pela decadência, restando no lançamento ora em apreciação, tão somente, as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos a contar da competência novembro/96 até fevereiro/2001. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722474/201060 Acórdão n.º 2302002.433 S2C3T2 Fl. 463 9 Por tais razões, rejeitamos a preliminar de decadência. 2.2. DO CERCEAMENTO DE DEFESA Argumenta o Devedor Principal que a exigência de apresentação de documentos que legalmente não precisa mais manter arquivados para o fim de demonstrar a lisura de seus procedimentos constituise cerceamento de defesa. Está corretíssima a visão jurídica do Recorrente. Com efeito, determina o §2º do art. 32 da Lei nº 8.212/91 que a empresa é obrigada a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesse mesmo diploma normativo. Tal obrigação, todavia, somente pode ser reclamada enquanto for exigível a guarda de tais documentos, como assim dispõe o parágrafo único do art. 195 do CTN. Código Tributário Nacional Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Da regra matriz acima revisitada defluem as normas assentadas no art. 37 da Lei nº 9.430/96 e no §11 do art. 32 da Lei nº 8.212/91, devendo, neste último caso, ser relembrado que o art. 45 da lei de custeio da seguridade social previa prazo decadencial de 10 anos para a seguridade social apurar e constituir seus créditos. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Guarda de Documentos Art. 37. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) §11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528/97). Fl. 467DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Outra não é a determinação contida no art. 4º do DecretoLei nº 486/69, que dispõe sobre a escrituração e livros mercantis, ad litteris et verbis: DecretoLei nº 486, de 3 de março de 1969. Art. 4º O comerciante é ainda obrigado a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. No mesmo norte também apontam as diretrizes fixadas no art. 126, II da Lei Complementar nº 123/2006, que Instituiu o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte. Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 Art. 26. As microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional ficam obrigadas a: (...) II manter em boa ordem e guarda os documentos que fundamentaram a apuração dos impostos e contribuições devidos e o cumprimento das obrigações acessórias a que se refere o art. 25 desta Lei Complementar enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes. Os preceptivos acima destacados não se atritam com as disposições encartadas no art. 264 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Dec. 3000/99. Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Conservação de Livros e Comprovantes Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial §1º Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua §2º A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observado o disposto no parágrafo anterior §3º Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722474/201060 Acórdão n.º 2302002.433 S2C3T2 Fl. 464 11 Nesse contexto, deflui dos dispositivos legais ora selecionados que a obrigação da empresa de exibir documentos e livros fiscais somente lhe será exigível enquanto não se houver exaurido o lustro legal das obrigações principais associadas, nos termos assinalados no art. 173 do CTN. Assim se apresenta o entendimento adotado por esta Corte Administrativa. Conforme demonstrado anteriormente, ainda não se deu por operada a decadência das obrigações tributárias relativas aos fatos geradores contidos no presente lançamento. Portanto, a empresa deveria ter mantido, por força de lei, todos os documentos os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. Rejeitada, igualmente, a alegação de cerceamento de defesa. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que, em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho. 3.1. DO CHAMAMENTO AO PROCESSO Argumenta o Devedor Solidário que a matrícula da obra e as contribuições previdenciárias devidas eram obrigação da empresa contratada, razão pela qual deve esta ser chamada a integrar o processo. Razão não lhe assiste. O chamamento ao processo é uma modalidade de intervenção de terceiros prevista nos artigos 77 a 80 do CPC, configurandose como um incidente processual por intermédio do qual o devedor demandado chama para integrar o mesmo processo os coobrigados pela dívida, de modo a fazêlos também responsáveis pelo resultado da demanda. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 No processo civil, o chamamento ao processo figura como uma faculdade legal outorgada exclusivamente ao réu da demando. Ocorre, todavia, que no Processo Administrativo Fiscal não há assento reservado para tal modalidade de intervenção de terceiros, uma vez que a relação jurídica tributária se estabelece diretamente entre a Fazenda Pública e os responsáveis tributários pelo adimplemento da obrigação, os quais são formalmente cientificados do lançamento, quando então se lhes abre a oportunidade de impugnar a exigência fiscal. Cabe enfatizar que, tratandose de lançamento por responsabilidade solidária do contratante pelas obrigações tributárias da contratada pela execução de obra de construção civil, inexiste benefício de ordem podendo o crédito tributário ser constituído em face do devedor principal ou em face do devedor solidário ou, ainda, em desfavor de ambos, simultaneamente, como sói ocorrer no presente caso, a teor do Parágrafo Único do art. 124 do CTN. No caso em apreciação, o devedor principal houvese por devidamente cientificado do lançamento em debate em 06/09/2010, conforme assim denuncia o Aviso de Recebimento a fl. 81, e Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 1, a fls. 79/80, deixando transcorrer in albis o prazo assinalado na lei, sem oferecer impugnação, anuindo, implicitamente, com os termos do lançamento, em atenção ao disposto no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532/1997) Teve, portanto, a contratada – devedor principal, a mesma oportunidade concedida à solidária de se manifestar nos autos do processo, favorecendo, dessarte o contraditório e a ampla defesa. Não fêlo, porém. Nada obstante, tendo sido formalmente convidado o executor da obra a contestar a exação, independentemente de manifestação da contratada no Processo Administrativo Fiscal, a lei faculta ao devedor solidário o direito regressivo para reaver os valores por ele diretamente recolhidos, conforme expressamente previsto o art. 30, VI da lei 8.212/91. 3.2. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Alega o Devedor Solidário que a sociedade de economia mista somente pode contratar mediante licitação pública, não devendo o Banco do Brasil S/A responder de forma solidária pelas obrigações do responsável pela execução. Aduz, em ádito, que deve ser aplicado o benefício de ordem para afastar a corresponsabilidade solidária atribuída ao Recorrente. A razão não lhe sorri, porém. A sociedade de economia mista é uma instituição de Direito Administrativo, criada com o propósito de implementar um processo de descentralização administrativa que consiste em delegar a uma entidade criada por lei a realização, mediante adoção de métodos de Fl. 470DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722474/201060 Acórdão n.º 2302002.433 S2C3T2 Fl. 465 13 ação privada, de atividade estatal específica. Por isso lhe é atribuída personalidade jurídica de direito privado, para que, em suas operações e relações interna corporis, se submeta ao regime de direito privado. Como entidade administrativa que realiza atividade estatal fica, porém, a sociedade de economia mista sujeita ao influxo de normas de direito público compatíveis com o regime de direito privado. As relações interna corporis das sociedades de economia mista são regidas, em regra, por normas típicas de direito privado (arts. 235 e seguintes da Lei nº 6.404/76), mas algumas dessas relações recebem o influxo de normas de direito público, dado que a sociedade é um ente administrativo, dentre as quais sobressaem aquelas enunciadas no Dec. Lei nº 200/67 e na Lei das Licitações, além daquelas com ressalva constitucional, como é o caso da contratação de servidores mediante concurso público, dentre tantas outras. Nesse panorama, nem todos os aspectos da atuação de uma sociedade de economia mista, que cabem licitamente ao acionista controlador decidir no regime comum, ficam sujeitos às regras inerentes à administração pública, mas tão somente os aspectos que podem, por força de lei, receber o influxo de normas de direito público. Assim, ao Estado, que é o acionista controlador, não cabe impor às sociedades de economia mista todas as regras inerentes à administração pública, mas tão somente àquelas que se coadunam com o poder de supervisão do Poder Executivo ou que se harmonizam com os programas governamentais relacionados com a atividade da sociedade de economia mista. Todos os demais aspectos que contrariam o regime de direito privado a que se submetem as sociedades de economia mista, mesmo que, em princípio, sejam da competência do acionista controlador, são a este vedados por força do art. 27 e seu parágrafo único do Dec. Lei nº 200/67. No que pertine ao custeio da seguridade social, tanto as sociedades de economia mista como as empresas públicas, além dos órgãos federais, estaduais, distritais e municipais que não possuam Regime Próprio de Previdência Social, encontramse sujeitos aos rigores fixados na Lei de Custeio da Seguridade Social, conforme assim estatui o art. 15 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; (grifos nossos) II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Mostrase virtuoso também enveredar sobre algumas digressões acerca do instituto da solidariedade no ramo do Direito Previdenciário. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 A pedra fundamental sobre a qual se edifica a doutrina atinente à responsabilidade solidária encontrase assentada na Constituição Federal de 1988, cujo art. 146, topograficamente inserido no capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, fixou a competência da lei complementar para o estabelecimento de normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente, dentre outros, sobre fatos geradores, obrigação e crédito tributários, e contribuintes, conforme se vos segue: Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Bailando em sintonia com os tons alvissareiros orquestrados pelo Constituinte Originário, sob a batuta do seu regente Ulisses Guimarães, o art. 121 do CTN, em performance pa de deux normativa harmônica com o regramento acima ponteado, ao escolher os atores da obrigação tributária principal, reservou o papel do sujeito passivo à figura do contribuinte ou, a critério da lei, do responsável tributário. Código Tributário Nacional Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Imerso em tal contexto constitucional, o instituto da solidariedade alicerçou suas sapatas de escoramento no art. 124 do CTN, o qual reconheceu a existências de duas modalidades de solidariedade aplicáveis ao direito tributário, a saber, a solidariedade de fato, verificada entre as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e a solidariedade legal, a qual se avulta nas hipóteses taxativamente previstas na lei. Código Tributário Nacional CTN Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722474/201060 Acórdão n.º 2302002.433 S2C3T2 Fl. 466 15 Art. 125. Salvo disposição de lei em contrário, são os seguintes os efeitos da solidariedade: I o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais; II a isenção ou remissão de crédito exonera todos os obrigados, salvo se outorgada pessoalmente a um deles, subsistindo, nesse caso, a solidariedade quanto aos demais pelo saldo; III a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, favorece ou prejudica aos demais. Em ambos os casos acima ponteados, o CTN honrou estatuir que o instituto da solidariedade tributária não se confunde com o da subsidiariedade, eis que excluiu expressamente, de maneira peremptória, o beneficio de ordem. No plano infraconstitucional, no ramo do direito previdenciário, a matéria sob foco foi confiada à Lei nº 8.212/91, cujo inciso VI do art. 30, na redação que lhe fora outorgada pelas Leis nº 8.620/93 e 9.528/97, fixou de forma taxativa a responsabilidade solidária do proprietário, do incorporador, do dono da obra ou do condômino de unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Sem ultrapassar os umbrais que lhe foram erguidos pelo CTN e pela Lei nº 8.212/91, o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 2.173/1997, estatuiu, sem vias laterais de escape, que a responsabilidade solidária em realce somente seria elidida na exclusiva hipótese em que o executor da obra comprovasse o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, quando não comprovadas contabilmente. Regulamento da Previdência Social Art. 43. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono de obra ou o condômino de unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor nas obrigações Fl. 473DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante de obra, admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações. §1º A responsabilidade solidária somente será elidida se for comprovado pelo executor da obra o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, quando não comprovadas contabilmente. (grifos nossos) §2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, o executor da obra deverá elaborar folhas de pagamento e guias de recolhimento distintas para cada empresa contratante, devendo esta exigir do executor da obra, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. (grifos nossos) §3º Considerase construtor, para os efeitos deste Regulamento, a pessoa física ou jurídica que executa obra sob sua responsabilidade, no todo ou em parte. Mas não parou por aí. Disse mais. Sem deixar margens a dúvidas, o Regulamento da Previdência Social pavimentou o caminho a ser seguido pelos contratante e contratado na persecução da elisão em tela, ao impor ao executor da obra o dever jurídico tributário de elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas e individualizadas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. Inúteis se revelam, portanto, qualquer outro meio diverso, eventualmente engendrado pelos atores em foco, contribuinte e responsável solidário, para se elidir do instituto da solidariedade ora em apreciação, eis que a lei define, de maneira cristalina, ser aquela a única hipótese aceitável para que se proceda à elisão tributária em realce. Nesse panorama, havendo verificado o auditor fiscal a execução de obra de construção civil e não restando elidida a responsabilidade solidária pela via estreita fixada pela legislação previdenciária, estabelecese definitivamente a solidariedade em estudo entre o dono da obra e o executor, podendo o fisco, ante a inexistência do beneficio de ordem, efetuar o lançamento do crédito tributário em face do contribuinte (o executor), ou diretamente em desfavor do responsável solidário (o contratante), ou contra ambos, sendo certo que o pagamento efetuado por um aproveita o outro. Diante dos aludidos dispositivos, avulta, por decorrência lógica, que a eleição do sujeito passivo a figurar no polo passivo da obrigação tributária, na ocasião do lançamento, é prerrogativa privativa da autoridade fiscal, consoante dessai das letras que conformam o art. 142 do codex tributário: Código Tributário Nacional CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722474/201060 Acórdão n.º 2302002.433 S2C3T2 Fl. 467 17 A solidariedade tributária não constitui simples forma de eleição de responsável tributário, mas hipótese de garantia que colima, como objetivo precípuo, assegurar a arrecadação e a auxiliar a administração tributária na satisfação de seus interesses. Conferese dessarte, poder ao Fisco de exercer sua ação fiscalizatória diretamente sobre aquele que melhor lhe aprouver, pautandose, por óbvio, nos princípios da legalidade, eficiência, entre outros, inafastáveis da atuação estatal. O Instituto da solidariedade justificase, portanto, pelo propósito de resguardar o adimplemento do crédito tributário, criando mecanismos para que o Estado Arrecadador possa indicar, com exclusividade, em face de quem promoverá o lançamento tributário, não havendo que se falar em benefício de ordem e nem em condições para o exercício desse direito que não estejam previstas em lei. A Lei de Custeio da Seguridade Social, ao estabelecer a hipótese de solidariedade em seu art. 30, VI , culminou por atribuir ao contratante de obra de construção civil a obrigação acessória de auxiliar o Fisco na fiscalização das empresas construtoras, fazendo com que aquele exija destas cópias autenticadas das individualizadas guias de recolhimento e respectivas folhas de pagamento, acenando, inclusive, com a possibilidade de retenção das importâncias devidas pelo executor para a garantia do cumprimento das obrigações previdenciárias. Não se mostra despiciendo salientar que as obrigações acessórias têm por objeto prestações, positivas ou negativas, estabelecidas pela legislação tributária no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, a teor do art. 113, §2º do CTN. Nessa perspectiva, da fiel observância das obrigações assim impostas pela solidariedade resulta que tanto a empresa construtora quanto o dono da obra passam a ter, à sua disposição, toda a documentação indispensável e necessária para fiscalização sindicar, pelos meios ordinários, o efetivo recolhimento das contribuições previdenciárias referentes aos serviços assim contratados. Com efeito, o arcabouço normativo dos tributos em geral aponta no sentido de que a sua base de cálculo, em princípio, deve ser apurada com base em documentos do Sujeito Passivo que registrem, de forma precisa, os montantes pecuniários correspondentes a cada hipótese de incidência prevista nas leis de regência correspondentes. Nesse particular, como fruto do mecanismo fiscalizatório da solidariedade, a empresa tomadora passa a dispor da folha de pagamento dos trabalhadores cedidos e as GPS correspondentes, situação que somente não ocorrerá caso a contratante se descuide da obrigação acessória em realce, explicitamente imposta pela lei. Tal inobservância frustra os objetivos da lei, prejudicando a atuação ágil e eficiente dos agentes do fisco, obrigandoos a despender uma energia investigatória suplementar na apuração dos fatos geradores em realce, não somente nos documentos destacados no parágrafo precedente, mas, igualmente, em outras fontes de informação, tais como notas fiscais de prestação de serviços, contratos, títulos diversos da contabilidade, Custo Unitário Básico da obra, etc. Como consequência, nas ocasiões em que o conhecimento fiel da ocorrência de fatos jurígenos tributários e/ou do montante tributável a eles associado não for viável pelo Fl. 475DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 exame direto dos documentos específicos indicados adrede pela lei, o ordenamento jurídico admite e legitima o emprego excepcional da aferição indireta da base de cálculo, transferindo se para os ombros do sujeito passivo o ônus da prova em contrário, conforme previsão taxativa expressa nos §§ 3º e 4º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. (...) §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) §4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. (...) §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) Salientese que o próprio CTN prevê a prerrogativa do agente fiscal de arbitrar, mediante processo regular de aferição indireta, o valor ou preço de bens, direitos, serviços e atos jurídicos, sempre que estes sejam tomados por base para o cálculo do tributo, e sejam omissas, ou não mereçam fé, as declarações ou esclarecimentos prestados ou documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado. Código Tributário Nacional CTN Fl. 476DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722474/201060 Acórdão n.º 2302002.433 S2C3T2 Fl. 468 19 Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Registrese que o poder conferido pela lei ao dono da obra de exigir do executor cópias autenticadas das folhas de pagamento e das guias de recolhimento acima pontuadas não se consubstancia numa mera faculdade do tomador, mas, sim, num ônus que lhe é avesso, o qual lhe assegurará a elisão da comentada responsabilidade solidária. Em reforço às diretivas ora enunciadas, o item 27 da Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165/1997 dispõe expressamente que a responsabilidade solidária do contratante será imediatamente apurada pela fiscalização na forma do disposto no seu Título V, quando este não apresentar as cópias de GRPS correspondentes às notas fiscais de serviço/fatura de empresas de construção civil a seu serviço. Diante de tal cenário jurídico, revelamse órfãs de embasamento jurídico as alegações de que a sociedade de economia mista, por somente poderem contratar mediante licitação pública, não devem responder de forma solidária pelas obrigações do responsável pela execução da obra, e a de que deve ser aplicado o benefício de ordem para afastar a corresponsabilidade solidária atribuída ao Recorrente. Isso porque as sociedades de economia mista sujeitamse a todas as normas tributárias inscritas na Lei nº 8.212/91, por força de seu art. 15, além de tanto a Lei de Custeio da Seguridade Social quanto o próprio CTN estatuírem, com clareza solar, que a solidariedade tributária não comporta o benefício de ordem. Encontrase também à calva de razoabilidade e de esteio jurídico a alegação ofertada pelo Devedor Principal de que a Lei nº 8.212/91 não autoriza o lançamento por aferição indireta, sem que haja a verificação da efetiva base de cálculo do tributo. Consoante abordagem jurídica levada a lume em parágrafos precedentes, a responsabilidade solidária do contratante de obra de construção civil somente pode ser elidida se for comprovado pelo executor da obra o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, quando não comprovadas contabilmente. Para efeito de tal comprovação, o executor da obra tem que elaborar folhas de pagamento e guias de recolhimento distintas para cada empresa contratante, devendo esta exigir do executor da obra, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e da respectiva folha de pagamento. A Contratante foi intimada, mediante termo próprio, a exibir tais documentos e não os apresentou. A não apresentação objetiva de documentos ou mesmo a sua apresentação deficiente constituemse motivos justos, bastantes, suficientes e determinantes para que a Fiscalização inscreva de ofício o montante de tributo reputado como devido, ainda que Fl. 477DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 mediante aferição indireta de sua base de cálculo, revertendo em desfavor da empresa o ônus da prova em contrário, a teor dos permissivos encartados nos §§ 3º e 6º da Lei nº 8.212/91. Com efeito, sob a ótica da garantia, da eficiência e da agilidade da atuação da Administração Tributária na recuperação de créditos previdenciários, exigirse a fiscalização conjunta do dono da obra e do construtor ou o lançamento primeiramente em face deste e, subsidiariamente, em face daquele, configurarseia um verdadeiro contrassenso, esvaziando por completo o sentido teleológico do instituto em análise, tornandoo inócuo. De outro eito, sob a ótica legal, tal procedimento representaria negativa de vigência aos preceitos inscritos no art. 30, VI da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.528/97, ferindo os mais comezinhos princípios de Direito. Tal compreensão não se atrita com as orientações pautadas no Parecer CJ/MPAS n° 2.376/2000, de cuja redação deflui não haver impedimentos legais para se constituir o crédito tributário tanto em face do contribuinte, como em desfavor do responsável tributário, conforme se depreende dos excertos transcritos a seguir, para uma perfeita compreensão de seus fundamentos. Parecer CJ/MPAS n° 2.376/2000 (...) 10. No caso em tela, com a ocorrência do fato gerador, fica o Fisco autorizado a proceder o lançamento, constituindo o devido crédito tributário. Este crédito tributário, obviamente, pode ser constituído tanto em face do contribuinte, como do responsável tributário. Pode ser feito em relação ao contribuinte e depois em relação ao responsável, ou ainda, somente em função do responsável tributário. 11. Isto porque o contribuinte e o responsável tributário são solidários em relação à obrigação tributária, não cabendo, nos termos do parágrafo único do artigo 124 do CTN, benefício de ordem. Cabe, portanto, ao credor escolher de quem irá cobrar, dentre os sujeitos passivos, a satisfação da obrigação tributária. E obviamente poderá fazêlo em relação a todos os coobrigados, ou em relação a apenas um deles. (grifos nossos) 12. Havendo responsabilidade solidária, o INSS deve cobrar o seu crédito tanto do contribuinte, quanto do responsável tributário. Deve negar a expedição de CND para os dois e deve inscrever o nome de um e do outro no cadastro de inadimplentes, pois ambos são responsáveis solidários pelo valor total da obrigação. 13. Por outro lado, a lei não veda a existência de mais de um crédito tributário em relação à mesma obrigação tributária. Pode o fisco lançar o tributo (constituir o crédito tributário) e depois anular o lançamento, seja de ofício, seja por ordem judicial, e constituir outro crédito. Por outro lado, pode ainda ser constituído um crédito parcial e depois, verificando tal situação, lançar o crédito restante, tudo incidente sobre a mesma obrigação. Pode ainda constituir um crédito contra o responsável e um outro contra o contribuinte, pois o crédito tributário não se confunde com a obrigação tributária que, neste caso, será sempre a mesma. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722474/201060 Acórdão n.º 2302002.433 S2C3T2 Fl. 469 21 14. O que não pode haver é a cobrança de uma obrigação já paga ou negociada, ou seja, se um dos sujeitos passivos do tributo extinguir a obrigação pelo pagamento ou se ocorrer uma das hipóteses previstas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não poderá o INSS cobrar, ou continuar cobrando, a obrigação do outro sujeito passivo. 15. Vejase, portanto, que sobre uma mesma obrigação tributária podem existir diversos créditos tributários, sem que com isso se possa afirmar que esteja havendo bis in idem. Este só ocorreria se houvesse duplicidade de pagamento. Até a ocorrência deste, ou a negociação da dívida, através de um contrato de parcelamento, por exemplo, não há que se falar em bis in idem. 16. Desta forma, temos que o ordenamento jurídico não veda a possibilidade de existência de mais de um crédito sobre a mesma obrigação tributária. O que não pode ser admitido é a cobrança de um débito já pago. 17. Nos casos de responsabilidade solidária, o credor pode escolher, dentre os coresponsáveis solidários, contra quem irá exigir a satisfação da obrigação. A escolha de um deles não exclui a responsabilidade dos demais até mesmo quando a Certidão de Dívida Ativa não contempla o nome do responsável tributário. Nestes casos, a Jurisprudência vem admitindo que a execução fiscal seja direcionada ao responsável, mesmo quando o nome deste não esteja na CDA. 18. Vejamos a propósito o seguinte precedente do Eg. Superior Tribunal de Justiça: EMENTA: PROCESSUAL CIVIL EXECUÇÃO FISCAL RESPONSABILIDADE DO SÓCIOGERENTE DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA SOCIEDADE FRAUDE À EXECUÇÃO CARACTERIZAÇÃO. Sóciogerente que dissolve irregularmente a sociedade, deixando de recolher os tributos devidos, infringe a lei e se torna responsável pela dívida da empresa. Mesmo não constando da CDA o nome dos diretores, gerentes ou representantes das pessoas jurídicas de direito privado, podem ser citados, e ter seus bens penhorados para o pagamento de dívidas da sociedade da qual eram sócios. Para a caracterização da fraude à execução basta que a alienação seja posterior à existência de pedido de executivo despachado pelo juiz, não sendo necessária e efetivação da citação. (STJ, 1ª Turma, REsp 193226/SP, Relator Min. GARCIA VIEIRA, julgado em 14.12.1998, publicado no DJ de 08.03.1999). 19. Portanto, não há "bis in idem". O que há é a possibilidade, para o credor, de escolher, dentre os devedores solidários, contra qual deles irá forçar o cumprimento da obrigação tributária. Esta cobrança, portanto, pode se dar em relação a um dos coobrigados, em relação a todos ou em relação apenas ao responsável. Não há, portanto, nenhuma vedação legal a isso e nem haverá cobrança em duplicidade. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 O Egrégio STJ já irradiou em seus arestos a interpretação que deve prevalecer na pacificação do debate em torno do assunto, lançando definitivamente uma pá de cal nessa infrutífera discussão, consoante se depreende do Agravo Regimental no Agravo de Instrumento 2002/00892216, da Relatoria do Min. Luiz Fux, assim ementado: Processo AgRg no Ag 463744 / SC ; AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO 2002/00892216 Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador TI PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 20/05/2003 Data da Publicação/Fonte DJ 02.06.2003 p. 192 Ementa: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO TOMADOR DE SERVIÇOS PELO RECOLHIMENTO DOS VALORES DEVIDOS PELO PRESTADOR DE SERVIÇOS. AGRAVO REGIMENTAL. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTOS PARA INFIRMAR A DECISÃO AGRAVADA. DESPROVIMENTO. I. O artigo 31 da Lei 8.212/91 impõe ao contratante de mãode obra a solidariedade com o executor em relação às obrigações de recolhimento das contribuições previdenciárias, bem como outorga o direito de regresso contra o executor, permitindo, inclusive, ao tomador a retenção dos valores devidos ao executor para imporlhe o cumprimento de suas obrigações. 2. Para a empresa tomadora de serviços isentarse da responsabilidade pelo não pagamento das contribuições previdenciárias devidas pela prestadora de serviço, é necessário que demonstre o efetivo recolhimento destas contribuições. 3. O Agravante não trouxe argumento capaz de infirmar o decisório agravado, apenas se limitando a corroborar o disposto nas razões do Recurso Especial e no Agravo de Instrumento interpostos, de modo a comprovar o desacerto da decisão agravada. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. Quanto à alegação de que a matrícula era de responsabilidade da contratada e que o conceito de obra de construção civil se refere, exclusivamente, a obra de grande vulto, também não confiro razão ao Devedor Solidário. A legislação previdenciária estabelece os casos em que é necessária a abertura de matrícula para as obras de construção civil, sejam elas de grande ou de pequeno vulto. Por outro viés, o debate acerca de matrícula de obra é impertinente ao processo em debate, haja vista que a obrigação principal e a responsabilidade solidária aqui tratadas independem do vulto da obra, da responsabilidade pela formalização da matrícula, até mesmo da condição da obra possuir ou não matrícula. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722474/201060 Acórdão n.º 2302002.433 S2C3T2 Fl. 470 23 Da análise de tudo o quanto se considerou no presente tópico, podese asselar categoricamente que o procedimento adotado pela fiscalização, consistente no lançamento direto em face do devedor solidário, não se encontra eivado de qualquer vício de legalidade. 3.3. DAS CND EXPEDIDAS Pondera o Recorrente que as CND expedidas à época das autuações originais certificam que a inexistência de débito pendente em nome da empresa contratada perante o INSS. A cantilena ora esposada não merece o abrigo pretendido. Conforme demonstrado no tópico anterior, por disposição expressa dos §§ 3º e 4º do art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação atribuída pela Lei nº 9.032/95, a responsabilidade solidária em apreço somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, devendo para tanto o cedente da mãodeobra elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópias autenticadas de tais documentos. Outro não é o Direito legislado na Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165/1997, in verbis: Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165, de 11 de julho de 1997 20 O proprietário, o incorporador, o dono da obra, o condômino de unidade imobiliária e a empresa construtora que contratarem obra de construção civil elidirseão da responsabilidade solidária, desde que comprovem ter a contratada efetuado o recolhimento prévio das contribuições sociais relativas à nota fiscal ou fatura, devendo o salário de contribuição corresponder aos percentuais previstos no Título V, observado o item 27. 20.1 Para comprovação do recolhimento prévio, a contratada anexará à nota fiscal de serviço cópia da GRPS quitada, autenticada pelo Posto de Arrecadação e Fiscalização ou por cartório, preenchida segundo o disposto no item 16, alínea "b", além de folha de pagamento. No caso em estudo, compulsando os autos, não nos deparamos com as guias de recolhimento capazes de elidir a responsabilidade do contratante, nas condições de contorno determinadas pela lei, digase, cortejadas pelas respectivas folhas de pagamento individualizadas por tomador, condição sine qua non para a elisão da responsabilidade solidária ora em debate. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 Da mesma forma, não há qualquer evidência nos autos, quanto mais comprovação, de que a prestadora em relevo tenha recebido CND referente ao período fiscalizado. Por outro lado, mas ária de outra ópera, cumpre trazer à balha que a expedição de CND não representa reconhecimento de inexistência de obrigações tributárias passíveis de lançamento, tampouco se constitui em modalidade de extinção do crédito tributário, eis que não prevista nas hipóteses assentadas numerus clausus no art. 156 do Código Tributário Nacional que rege a matéria. O que se deseja encarecer é que a CND apenas atesta que, no momento de sua emissão, não havia crédito constituído exigível em desfavor da empresa signatária da certidão, tanto assim que no instrumento de certidão encontrase consignada a ressalva que alerta o beneficiário do direito da Previdência Social de cobrar qualquer débito eventualmente apurado após a sua emissão, nos termos do §1º do art. 47 da Lei nº 8.212/91: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art.47. É exigida Certidão Negativa de Débito CND, fornecida pelo órgão competente, nos seguintes casos: (Redação dada pela Lei nº 9.032/95). (...) §1º A prova de inexistência de débito deve ser exigida da empresa em relação a todas as suas dependências, estabelecimentos e obras de construção civil, independentemente do local onde se encontrem, ressalvado aos órgãos competentes o direito de cobrança de qualquer débito apurado posteriormente. De acordo com os princípios basilares do direito processual, incumbe ao autor o ônus de comprovar os fatos constitutivos do Direito por si alegado, e à parte adversa, a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O fisco federal, com fundamento no instituto da responsabilidade solidária já tanto depurado nos tópicos precedentes, demonstrou as circunstâncias constitutivas do seu crédito, eis que demonstrada a prestação de serviços de construção civil sem a devida comprovação do recolhimento prévio das contribuições previdenciárias respectivas, não logrando o Recorrente produzir os meios de prova hábeis a desconstituir o lançamento que ora se opera. Diante do que se coligiu até o momento, restou visível a procedência do procedimento levado a cabo pela Autoridade Fiscal. 3.4. DA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO O art. 146 da CF/88 outorgou à Lei Complementar a competência para ditar normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre fatos geradores, obrigação e crédito tributários e contribuintes, dentre outras. No exercício de tal competência, louvou o art. 148 do CTN prescrever que, nas hipóteses em que o cálculo do tributo tiver por base, ou tomar em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo Fl. 482DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722474/201060 Acórdão n.º 2302002.433 S2C3T2 Fl. 471 25 regular, poderá arbitrar o valor da base de cálculo ou os aludidos preços, sempre que forem omissos ou não merecerem fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado. Inserido no escopo iluminado no parágrafo precedente, o art. 33 da Lei nº 8.212/91 honrou estabelecer, de forma hialina, imune a qualquer questionamento, que nas hipóteses de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o fisco federal pode inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Com efeito, a estrutura normativa dos tributos em geral aponta no sentido de que a sua base de cálculo, em princípio, deve ser apurada com base em documentos do Sujeito Passivo que registrem, de forma precisa, os montantes pecuniários correspondentes a cada hipótese de incidência prevista nas leis de regência correspondentes. Excepcionalmente, nas ocasiões em que o conhecimento fiel dos montantes acima referidos não for viável, o ordenamento jurídico admite o emprego da aferição indireta. No procedimento de apuração da matéria tributável por arbitramento, valese a Autoridade Fiscal de outros elementos de sindicância que não aqueles documentos assinalados pela lei como adequados ao registro lapidado dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, tais como as folhas de pagamento, GFIP e os Livros Fiscais. Tais elementos podem ser os mais diversos, como, a título meramente ilustrativo, RPA, notas fiscais, Custo Unitário Básico da construção civil, valor de mercado de utilidades recebidas por segurados, valor presumido de mão de obra empregada em serviços executados mediante cessão de mão de obra, dentre outros. Alguns desses critérios de aferição indireta, a serem empregados pela fiscalização nas hipóteses autorizadas pela lei, como é o presente caso, encontramse positivados na legislação previdenciária, ostentando natureza meramente procedimental interna, não interferindo, de maneira alguma, extra muros, eis que não vinculam nem impõem obrigações, de qualquer espécie, aos contribuintes. A abrangência de seus comandos, advirta se, restringese, tão somente, ao critério de apuração indireta das bases de cálculo de contribuições previdenciárias, nada mais. Nessa perspectiva, conforme expressamente estatuído na lei, não concordando o sujeito passivo com o valor aferido pela Autoridade Lançadora, competelhe, ante a refigurada distribuição do ônus da prova, que em princípio lhe é avesso, demonstrar por meios idôneos que tal montante não condiz com a realidade. No caso ora em apreciação, o Recorrente não logrou elidir a responsabilidade solidária que lhe fora imputada pela lei, decorrente da contratação de serviços de construção civil. A fiscalização intimou a empresa, mediante termo próprio, a apresentar a relação de contratos de obras de construção civil realizadas pelo Banco do Brasil a partir de maio/95, assim como os respectivos processos físicos. Em resposta ao pedido, a Instituição Financeira informou que os dados referentes aos contratos de construção/reforma/acréscimo, bem como as respectivas parcelas de pagamento, notas fiscais/faturas/recibos, encontravamse cadastrados no sistema informatizado SISPAG, fato comprovado pela Auditoria Fiscal. Nesse contexto, utilizaramse as informações contidas no sistema informatizado acima citado Fl. 483DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 26 subsidiariamente nos casos de apresentação deficiente dos documentos solicitados, conforme determina o §3º do art. 33, da Lei nº 8.212/91. Com base em tais informações, elaborouse planilha eletrônica com vistas à utilização na Auditoria Fiscal. Na sequência, do exame da documentação física apresentada pelo Recorrente para o fim de comprovação de elisão da responsabilidade solidária, procedeu se aos ajustes necessários na referida planilha através de retificações e exclusões dos valores lançados. Como resultado final, foram apuradas as diferenças de base de cálculo, conforme Demonstrativo a fls. 27/28, em relação às quais não houve a devida comprovação do recolhimento prévio, não se consumando, em consequência, em relação a estas, a elisão da responsabilidade solidária. Não tendo o Recorrente comprovado o recolhimento prévio das contribuições devidas, mediante a anexação, pela contratada, à nota fiscal de serviço de cópia da GRPS quitada, autenticada pelo Posto de Arrecadação e Fiscalização ou por cartório, além de folha de pagamento, valeuse a autoridade lançadora, escudada pelo permissivo legal há pouco revisitado, do critério de apuração das contribuições previdenciárias devidas via aferição indireta da base de cálculo, conforme os procedimentos estabelecidos para esse fim na Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165/1997, aplicandose para a apuração da remuneração, os percentuais estabelecidos de acordo com a atividade desenvolvida pela empresa prestadora de serviço constantes em seu subitem 31. No caso presente, em conformidade com a legislação acima citada, foi adotado como salário de contribuição, o produto da incidência do percentual mínimo de 40% sobre os valores das diferenças contidas nas notas fiscais de serviços, calculadas na forma descrita nos parágrafos precedentes, como assim determina o item 31 da OS INSS/DAF nº 165/1997. A matéria em relevo já foi bater às portas da Suprema Corte, em precedente específico sobre o tema, proferido quando do julgamento do RE nº 579.281/PR, da lavra do eminente Ministro Cezar Peluso, DJe de 14/3/08, assim ementado: TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA ANULATÓRIA. AFERIÇÃO INDIRETA. ORDEM DE SERVIÇO. LEGALIDADE. Não padece de vício de legalidade a Ordem de Serviço nº 083/93, que estabelece percentuais a incidirem sobre o valor bruto de nota fiscal de serviço ou fatura, na hipótese de aferição indireta do salário de contribuição. Tratase de regulamentação do procedimento de arbitramento, a estabelecer critérios para tanto. Do contrário, não existiriam parâmetros objetivos para o Fisco proceder ao levantamento do débito nos casos em que não dispusesse de elementos concretos para fazêlo, ante a imprestabilidade ou inexistência de escrita contábil relativa a mãodeobra empregada pelo contribuinte’ (fl. 308). A recorrente, com fundamento no art. 102, III, a, alega violação ao disposto nos arts. 5º, II; 37; 146, III, a; e 150, I, da Constituição Federal. Inadmissível o recurso. E não se menospreze o poder normativo das Ordens de Serviço acima revisitadas. Atentese que os Incisos II, IV e VI, ‘a’ do art. 84 da Constituição da República Fl. 484DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722474/201060 Acórdão n.º 2302002.433 S2C3T2 Fl. 472 27 afloram como fontes jurídicas de onde dimana a competência do Presidente da República para o exercício da direção superior da Administração Pública Federal, com o auxílio dos Ministros de Estado, e o poder presidencial para sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução, bem assim como dispor sobre a organização e o funcionamento da máquina do Executivo Federal. Constituição Federal de 1988 Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: II exercer, com o auxílio dos Ministros de Estado, a direção superior da administração federal; (...) IV sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; (...) VI dispor, mediante decreto, sobre:(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) a) organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos; Sintonizado nessa mesma frequência, a Suprema Lei reservou aos Ministros de Estado a competência para expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos. Constituição Federal de 1988 Art. 87. Os Ministros de Estado serão escolhidos dentre brasileiros maiores de vinte e um anos e no exercício dos direitos políticos. Parágrafo único. Compete ao Ministro de Estado, além de outras atribuições estabelecidas nesta Constituição e na lei: I exercer a orientação, coordenação e supervisão dos órgãos e entidades da administração federal na área de sua competência e referendar os atos e decretos assinados pelo Presidente da República; II expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos; (grifos nossos) III apresentar ao Presidente da República relatório anual de sua gestão no Ministério; IV praticar os atos pertinentes às atribuições que lhe forem outorgadas ou delegadas pelo Presidente da República. Assim, sob o Manto Constitucional desfraldado nos parágrafos precedentes, foram editadas as Ordens de Serviço acima transcritas, condição que revela serem improcedentes as alegações deduzidas pela empresa de ausência de normativo legal para a fixação da base de cálculo no percentual de 40% do valor bruto das notas fiscais/faturas. Depreendese do exposto que as Ordens de Serviço e Instruções Normativas expedidas pelos órgãos da administração direta defluem da competência constitucional do Fl. 485DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 28 Presidente da República e dos Ministros de Estado, estes últimos, para complementar e concretizar a vocação presidencialista, constitucionalmente afigurada. Por via de consequência, os instrumentos normativos expedidos pelos órgãos da administração direta fulguram como emanações de agentes políticos de elevada estatura – Presidente da República e Ministros de Estado – ocupantes do arquétipo fundamental de Poder, os quais, nestas circunstâncias, aliam se para formar a vontade superior do Estado, na ordenação estrutural do Poder Executivo Federal. Assentado que os instrumentos normativos suso citadas são dotados de normatividade em grau necessário e suficiente à partilha interna corporis das atribuições do Ministério da Previdência e Assistência Social e do Ministério da Fazenda, deflui daí que, na apuração por aferição indireta da mão de obra empregada em obra ou serviço de construção civil, o Salário de Contribuição será fixado em 40%, no mínimo, do valor bruto consignado nas notas fiscais de serviço/faturas correspondentes. Por derradeiro, o Recorrente pondera que a Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. No caso sobre o qual nos debruçamos, ante a inexistência de vícios a macular o processo, motivos não se avultaram para a anulação do lançamento, uma vez que, conforme demonstrado, o procedimento houvese por conduzido de acordo com a estreita parametrização fixada na lei. Também não vislumbramos razão para rever de ofício o lançamento eis que não restou demonstrada qualquer das ocorrências autorizadoras do revisional fixadas no art. 149 do CTN. Conforme evidenciado, restam improcedentes as alegações desfiladas pelos Devedores Principal e Solidário, não carecendo a decisão de Primeira Instância, alfim, qualquer reparo. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 486DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722474/201060 Acórdão n.º 2302002.433 S2C3T2 Fl. 473 29 Fl. 487DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000913/2006-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2002
PROVA. JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS IMPUGNAÇÃO.
A apreciação de documentos juntados após a impugnação é condicionada ao atendimento das condições prescritas no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Alegações de direito não expressamente impugnadas devem ser rechaçadas com base nos art. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72.
OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO.
Caracteriza omissão de receita o suprimento de numerário por sócio, se não comprovada a efetividade da entrega dos recursos.
DESPESA.GLOSA.
É correta a glosa da despesa cuja dedutibilidade não restou demonstrada pelo sujeito passivo.
ESTORNO DE RECEITA. GLOSA. MOMENTO DO REGISTRO. EFEITOS FISCAIS. IRRELEVÂNCIA.
O registro de estorno de receita em período de apuração posterior ao da ocorrência do fato autorizador, por si só, não constitui fundamento para lançamento de tributo, eis que, isoladamente, não revela postergação do pagamento do imposto ou redução indevida do lucro real.
Numero da decisão: 1302-000.683
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, vencido o Conselheiro Relator Eduardo de Andrade, que negava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS IMPUGNAÇÃO. A apreciação de documentos juntados após a impugnação é condicionada ao atendimento das condições prescritas no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Alegações de direito não expressamente impugnadas devem ser rechaçadas com base nos art. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72. OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. Caracteriza omissão de receita o suprimento de numerário por sócio, se não comprovada a efetividade da entrega dos recursos. DESPESA.GLOSA. É correta a glosa da despesa cuja dedutibilidade não restou demonstrada pelo sujeito passivo. ESTORNO DE RECEITA. GLOSA. MOMENTO DO REGISTRO. EFEITOS FISCAIS. IRRELEVÂNCIA. O registro de estorno de receita em período de apuração posterior ao da ocorrência do fato autorizador, por si só, não constitui fundamento para lançamento de tributo, eis que, isoladamente, não revela postergação do pagamento do imposto ou redução indevida do lucro real. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, vencido o Conselheiro Relator Eduardo de Andrade, que negava Fl. 1DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2012 p or MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado d igitalmente em 11/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.000913/200649 Acórdão n.º 130200.683 S1C3T2 Fl. 343 2 provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. (assinado digitalmente) WILSON FERNANDES GUIMARÃES Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Irineu Bianchi (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Eduardo de Andrade e Daniel Salgueiro da Silva. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2012 p or MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado d igitalmente em 11/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.000913/200649 Acórdão n.º 130200.683 S1C3T2 Fl. 344 3 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 3ª Turma da DRJ/RJOI, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, julgar procedente em parte o lançamento, mantendo os créditos tributários de IRPJ, no valor de R$333.334,91, de PIS, no valor R$7.896,85, de CSLL, no valor de R$88.984,95, e de Cofins, no valor de R$36.447,00, com multa de 75% e juros de mora., conforme ementa que abaixo reproduzo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. Mantémse o lançamento, se não comprovada a efetiva entrega do numerário. DESPESAS INDEDUTÍVEIS. Mantémse o lançamento, se não comprovada a dedutibilidade das despesas. PIS. CSLL. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO E DE BASE NEGATIVA. O contribuinte tem direito à compensação de prejuízo e de base negativa. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Versa este processo sobre os Autos de Infração de fls. 159/179 (que têm como parte integrante o Termo de Verificação Fiscal), lavrados pela DEFIC/RJO, com ciência do interessado em 12/09/2006, para a exigência de créditos tributários de IRPJ, no valor de R$387.510,16, de PIS, no valor R$7.896,85, de CSLL, no valor de R$142.685,69, e de Cofins, no valor de R$36.447,00, com multa de 75% e juros de mora. O crédito tributário total lançado monta a R$1.360.854,69 (fl. 2). O lançamento foi efetuado por ter a fiscalização apurado: 1. OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO NÃO COMPROVADA A ORIGEM E/OU EFETIVIDADE DA ENTREGA. Valor apurado conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal. No Termo, a fiscalização aponta que o sócio Luiz Alberto teria realizado suprimentos para futuro aumento de capital ao longo do anocalendário de 2002 (fls. 85/88); que, intimado a Fl. 3DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2012 p or MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado d igitalmente em 11/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.000913/200649 Acórdão n.º 130200.683 S1C3T2 Fl. 345 4 comprovar a efetividade da entrega, o sócio informou ter disposto de seu patrimônio pessoal. A fiscalização concluiu que, não comprovada a efetividade da entrega e “tendo o numerário sido integralizado na sua maior parte em dinheiro, ficou caracterizada omissão de receita”, no valor de R$1.214.900,00. Em decorrência, foram efetuados lançamentos de PIS, CSLL e COFINS. 2. CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS. GLOSA DE DESPESAS. Valor apurado conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal. Nos itens 3 e 5 do Termo, a fiscalização aponta que os valores lançados, R$66.451,48 e R$R$1.985,74, respectivamente, foram glosados por falta de comprovação. 3. CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS NÃO NECESSÁRIOS. Valor apurado conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal. No item 2 do Termo, a fiscalização aponta que o lucro distribuído ao sócio Luiz Alberto, no valor de R$40.500,00, foi glosado, por se tratar de despesa não necessária. 4. DESPESAS INDEDUTÍVEIS. Valor apurado conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal. No item 4 do Termo, a fiscalização aponta que a despesa com “Ajuste conf. Inspeção Bco. Central”, no valor de R$64.000,00, foi glosada por ser indedutível. No item 1 do Termo, a fiscalização aponta que foi glosado o montante de R$253.522,34, correspondente a reversão de taxa de administração (R$178.507,50) e de INSS a compensar (R$75.014,84), por se referir a despesas indedutíveis. O enquadramento legal consta dos Autos de Infração. O interessado apresentou, em 13/10/2006, a impugnação parcial de fls. 192/211. Em sua defesa, alega, em síntese, que: em relação à glosa de outras despesas, no valor total de R$172.937,12, como não conseguiu localizar os documentos, efetuou parcelamento; os procedimentos de reversão das receitas (relacionadas aos consorciados excluídos ou desistentes), dos valores de R$109.507,50 e R$69.000,00, foram feitos por determinação do Banco Central; o lançamento de ajuste na conta “INSS a compensar” (relacionado a créditos de INSS reconhecidos por decisão judicial em seu favor), no valor de R$75.014,84, como no item anterior, foi feito por determinação do Banco Central; conforme doutrina e jurisprudência, o lançamento de omissão de receita não pode prevalecer, pois o aporte de capital feito pelo sócio Luiz Alberto decorreu de imposição do Banco Central, foi efetuado com parte do seu patrimônio, foi informado na DIPF, foi contabilizado e foi comprovado; caso mantido o lançamento, deve haver, ao menos, a compensação de prejuízo fiscal e de base negativa. Conforme Extrato do Processo, às fls. 249/258, a matéria não impugnada foi transferida para o processo nº 10768.004921/200627. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, repisa os argumentos expendidos na impugnação, adicionando as seguintes razões: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2012 p or MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado d igitalmente em 11/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.000913/200649 Acórdão n.º 130200.683 S1C3T2 Fl. 346 5 (a) traz à colação documentos obtidos junto ao Unibanco, que demonstram a efetividade da entrega do numerário do sócio Luiz Alberto à Libra. Aduz que somente agora faz a juntada por negligência da própria agência bancária do Unibanco. Tais comprovantes demonstram que o valor de R$1.214.900,00 deve ser excluído do lançamento; (b) impugna a multa e os juros lançados. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2012 p or MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado d igitalmente em 11/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.000913/200649 Acórdão n.º 130200.683 S1C3T2 Fl. 347 6 Voto Vencido Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. (a) Juntada posterior de documentos Apurou a autoridade fiscal omissão de receitas, por suprimento de numerário, não tendo sido provada a efetividade da entrega. Isto porque o sócio Luiz Alberto teria realizado suprimentos para futuro aumento de capital ao longo do anocalendário de 2002 (fls. 85/88) e que, intimado a comprovar a efetividade da entrega, informou ter disposto de seu patrimônio pessoal. A fiscalização concluiu, contudo, que não ficou comprovada a efetividade da entrega, e tendo o numerário sido integralizado na sua maior parte em dinheiro, ficou caracterizada omissão de receita, no valor de R$1.214.900,00. Em decorrência, foram efetuados lançamentos de PIS, CSLL e COFINS. A recorrente se defendeu, alegando que o lançamento não pode prevalecer, pois o aporte de capital feito pelo sócio Luiz Alberto decorreu de imposição do Banco Central, foi efetuado com parte do seu patrimônio, foi informado em sua DIPF, foi contabilizado e foi comprovado. Em sede de Recurso Voluntário, finalmente trouxe à colação documentos obtidos junto ao Unibanco, que alega demonstrarem a efetividade da entrega do numerário do sócio Luiz Alberto à Libra. Aduz que somente agora faz a juntada por negligência da própria agência bancária do Unibanco. O §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 admite a juntada posterior de documentos, desde que na presença de força maior, fato ou direito superveniente ou para contraposição de fatos ou argumentos trazidos posteriormente aos autos, senão vejamos: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 6DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2012 p or MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado d igitalmente em 11/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.000913/200649 Acórdão n.º 130200.683 S1C3T2 Fl. 348 7 § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) grifos meus Verifico, inicialmente, que não há fato ou direito superveniente, nem fatos ou argumentos trazidos posteriormente aos autos. A questão foi fartamente repisada desde a fiscalização, tendo a autoridade lavrado os Termos de Intimação Fiscal de 06/03/06 e 03/07/06 (fl.161), nos quais exigia a apresentação das provas para a questão do suprimento de caixa, e finalmente foi formalizada no auto de infração. Quanto à questão da força maior, vez que alegada a negligência da agência do Unibanco na prestação das informações bancárias, vejo que às fl.152 consta solicitação ao Unibanco para pedir unicamente cópias dos cheques depositados na conta corrente, totalizando R$198.230,37, o qual foi protocolizado na referida Instituição Financeira em 14/08/2006. Tal documento foi reapresentado na fl.213, já em sede de impugnação (valores relacionados na coluna da direita, em tabela abaixo). Somente em 06/07/2009 (fl.320) foi protocolizado pedido à Agência 0372 do Unibanco S/A para solicitação de cópia dos depósitos efetuados na conta corrente abaixo relacionados (coluna da esquerda), que ora cotejo com aqueles pedidos inicialmente (depósitos em cheques): Cópia dos depósitos (protocolo 06/07/09) Cópias dos cheques depositados (protocolo 14/08/06) Data Valor Data Valor 19/03/02 200.000,00 30/04/02 158.000,00 30/04/02 29.500,00 29/05/02 4.814,62 28/06/02 58.000,00 19/07/02 80.000,00 19/07/02 60.000,00 31/07/02 78.000,00 31/07/02 75.025,65 30/08/02 80.000,00 30/08/02 500,00 03/09/02 78.000,00 03/09/02 1.195,00 02/10/02 67.000,00 02/10/02 5.770,10 28/11/02 78.000,00 28/11/02 1.425,00 17/12/02 20.000,00 Subtotal 1 877.000,00 Total 198.230,37 Demais depósitos cujos comprovantes não foram solicitados no protocolo de 06/07/09 Valor considerado pela fiscalização para o lançamento 29/05/02 158.000,00 Fato Gerador Valor 04/07/02 100.000,00 31/12/02 1.214.900,00 29/10/02 40.000,00 17/12/02 39.900,00 Subtotal 2 337.900,00 Fl. 7DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2012 p or MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado d igitalmente em 11/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.000913/200649 Acórdão n.º 130200.683 S1C3T2 Fl. 349 8 Total (S1+S2) = 1.214.900,00 Embora no Recurso Voluntário (protocolo em 13/07/2009 – fl. 298) alegue a recorrente a negligência do Unibanco, ressalto que a petição de requerimento de juntada de tais comprovantes (datada de 28/07/2009 – fl.322) é posterior ao protocolo do Recurso Voluntário (cuja alegação naquele petitório, portanto, veio desacompanhada das provas aludidas) e, conseqüentemente, à ciência da decisão prolatada pela DRJ (ciência em 10/06/2009 – fl.292v) e vem desacompanhada de qualquer alegação que explicasse a juntada extemporânea. Verifico, ainda, do cotejo acima, que os valores lançados pela autoridade fiscal não se confundem com aqueles constantes dos depósitos em cheques, objeto do protocolo de 14/08/2006, mas são aqueles constantes do protocolo extemporâneo de 06/07/2009, bem como aqueles que nem mesmo constaram deste pedido feito ao Unibanco. Assim, não fica caracterizada a negligência da agência do Unibanco, conforme suscitado, nem, assim, eventual força maior. Não me esqueço da importância do Princípio da Verdade Material, cujos valores por ele expressos hão de se fazer irradiar na interpretação do direito processual administrativo; todavia, dada sua iliquidez semântica, tal princípio há de ser devidamente delimitado pelos limites objetivos estabelecidos pela norma positivada, sob pena de vermos mitigada a necessária segurança jurídica que deve nortear o julgamento, fazendoo restrito aos marcos fixados pela lei. Demais disso, ressaltese que tal princípio em nosso direito, embora muito festejado, segue com aplicação bastante restrita em face da impossibilidade de instrução pelo órgão de julgamento, que não pode determinar a produção de provas, e pela quantidade de preclusões positivadas, as quais – frisese foram objeto de análise quanto à sua fricção com aquele princípio, e restaram, ainda assim, positivadas. O §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (acima transcrito) é claro ao fixar as condições objetivas que devem nortear o julgador na admissão de novos documentos, sendo uma delas (com pertinência no caso presente) a exigência da demonstração da força maior. Assim, ainda que se pudesse relevar a falha contida na petição de juntada, por não fazer referência aos motivos de direito que justificassem o ingresso ulterior dos documentos aos autos, não ficou demonstrada, também a força maior, sendo esta situação impeditiva do conhecimento da matéria. Neste mesmo diapasão segue, abaixo, jurisprudência da E. Câmara Superior de Recursos Fiscais. Processo n° 13819.000863/9828 Recurso n° 105144.999 Especial do Contribuinte Matéria PRECLUSÃO Acórdão n° CSRF/0105.778 Sessão de 04 de dezembro de 2007 Fl. 8DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2012 p or MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado d igitalmente em 11/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.000913/200649 Acórdão n.º 130200.683 S1C3T2 Fl. 350 9 Decisão: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial PROVAS A prova documental será apresentada na impugnação (manifestação de inconformidade), precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo se demonstrada impossibilidade por motivo de força maior, refira se a fato ou direito superveniente, ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Vejase o trecho do voto do ilustre Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, em que o tema é tratado: O parágrafo 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, tratando de prova documental, afirma que sua apresentação deve ser feita por ocasião da interposição da peça impugnatória, precluindo o direito de a interessada fazêlo em outro momento processual. O referido decreto, admite que novas provas documentais possam ser trazidas ao processo após a apresentação da impugnação, desde que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refirase a fato ou direito superveniente ou destinase a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas ao processo. Observamos que não se concretizou nenhuma das hipóteses previstas, assim, mesmo que se a matéria não fosse preclusa, as provas dirigidas a este Conselho não poderiam ser analisadas. Quanto ao principio da verdade material, entendo que como qualquer princípio ele é um norte, um rumo a seguir, contudo, ele não pode e nem tem o objetivo de afastar o ordenamento jurídico pátrio. Por fim, ressalto que o dispositivo aludido (§4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72) é vigente, e neste sentido, não pode ser afastado pelo órgão de julgamento administrativo, uma vez que não foi declarada sua inconstitucionalidade por decisão plenária definitiva do E. Supremo Tribunal Federal (art.26A do Decreto nº 70.235/72 e art.62 do Regimento Interno do Carf). Desta forma, meu voto segue no sentido de indeferir a preliminar, e, assim, não apreciar os documentos ulteriormente acostados. (b) Suprimento de Numerário. Efetividade da entrega não comprovada A autoridade fiscal autuou a recorrente por, conforme supracitado, ter o sócio Luiz Alberto realizado suprimentos para futuro aumento de capital ao longo do anocalendário de 2002 (fls. 85/88) e que, intimado a comprovar a efetividade da entrega, informou ter disposto de seu patrimônio pessoal. A fiscalização concluiu, contudo, que não ficou comprovada a efetividade da entrega, e tendo o numerário sido integralizado na sua maior Fl. 9DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2012 p or MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado d igitalmente em 11/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.000913/200649 Acórdão n.º 130200.683 S1C3T2 Fl. 351 10 parte em dinheiro, ficou caracterizada omissão de receita, no valor de R$1.214.900,00. Em decorrência, foram efetuados lançamentos de PIS, CSLL e COFINS. A recorrente alegou que o lançamento não poderia prevalecer, porque o aporte de capital feito pelo sócio Luiz Alberto decorreu de imposição do Banco Central, foi efetuado com parte do seu patrimônio, foi informado em sua DIPF, foi contabilizado e foi comprovado. Não consta dos autos prova da efetividade da entrega, exceto por alegações da defesa quanto aos documentos ulteriormente juntados ao processo após o protocolo do Recurso Voluntário, mencionados no tópico acima, que não foram objeto de análise, por estar preclusa a sua juntada desacompanhada de justificação hábil. O art. 282 do RIR autoriza a presunção de omissão de receita caso não sejam comprovadamente demonstradas a efetividade da entrega e a origem dos recursos. No caso vertente, a autuação se vincula à não comprovação da efetividade da entrega, porquanto os recebimentos foram obtidos em depósitos em dinheiro não comprovados. A jurisprudência do CARF é pacífica quanto à necessidade da prova da efetividade da entrega, para afastar a presunção legal de omissão de receita, no caso de suprimento de caixa, senão se veja: Acórdão nº 10514861 – 5ª Câmara do 1º CC – Relator: Conselheiro Eduardo da Rocha Schimdt OMISSÃO DE RECEITA SUPRIMENTO DE CAIXA PELOS SÓCIOS AUSÊNCIA DE PROVA DA EFETIVIDADE DA ENTREGA DOS RECURSOS E DE SUA ORIGEM Para afastar a presunção legal de omissão de receita é necessária a prova, concomitante, da efetiva entrega dos recursos pelo sócio à sociedade e, também, que a origem dos recursos entregues foi estranha aos negócios da sociedade. Acórdão nº 10320168 – 3ª Câmara do 1º CC – Relator: Mary Elbe Gomes Queiroz Maia IRPJ SUPRIMENTO DE NUMERÁRIOS OMISSÃO DE RECEITAS O suprimento de valores pelos sócios da pessoa jurídica sujeitase à comprovação de requisitos essenciais, cumulativos e indissociáveis, no tocante à origem e à efetividade da entrega dos recursos, que deverão ser coincidentes em datas e valores. Não satisfaz como prova hábil, a fim de elidir a imputação, a simples apresentação de documentos emitidos pelos próprios sócios da empresa e os respectivos registros contábeis. Acórdão nº 10192967– 1ª Câmara do 1º CC – Relator: Sandra Maria Faroni OMISSÃO DE RECEITASUPRIMENTO DE NUMERÁRIO Caracteriza omissão de receita o suprimento de numerário por sócio, se não comprovada a efetividade da entrega dos recursos Fl. 10DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2012 p or MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado d igitalmente em 11/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.000913/200649 Acórdão n.º 130200.683 S1C3T2 Fl. 352 11 ou, ainda que comprovada a entrega, se não comprovada sua origem como estranha à empresa. Acórdão nº 10323541 – 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara do 1º CC – Relator: Alexandre Barbosa Jaguaribe SUPRIMENTO DE NUMERÁRIOS O suprimento de valores pelos sócios da pessoa jurídica se sujeita à comprovação de requisitos essenciais, cumulativos e indissociáveis, no tocante à origem e à efetividade da entrega dos recursos, que deverão ser coincidentes em datas e valores. Acórdão nº 10517160–5ª Câmara do 1º CC – Relator: Paulo Jacinto do Nascimento OMISSÃO DE RECEITAS SUPRIMENTOS DE CAIXA A presunção de omissão de receitas caracterizada pelo fornecimento de recursos de caixa à sociedade por administradores, sócios de sociedades de pessoas, ou pelo administrador da companhia, somente é elidida com a demonstração cumulativa da origem e da efetividade da entrega dos recursos. Acórdão nº 10516307–5ª Câmara do 1º CC – Relator: Wilson Fernandes Guimarães SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO COMPROVAÇÃO A simples apresentação de contrato de mútuo não pode servir de elemento de comprovação dos alegados suprimentos de numerário feitos pelos sócios, eis que, no caso, a legislação de regência exige que sejam comprovadamente demonstradas a efetividade da entrega e a origem dos recursos, e o contrato, em si considerado, não demonstra nem uma nem outra situação. Desta forma, os recursos, cuja efetividade da entrega não está comprovada presumemse obtidos através de receita omitida, autorizando o lançamento tributário. Não se socorre, como se vê, a recorrente do fato de que os recursos aportados estejam declarados na DIPF do sócio, porquanto é imprescindível a prova da efetividade da entrega. Nem mesmo o fato de que o aporte tenha sido exigência do Banco Central. Afinal, embora a autoridade monetária tenha exigido o aporte para garantir a saúde financeira do negócio, certamente não determinou, também, que fossem feitos à margem da lei tributária. Isto é obra do contribuinte, ora recorrente, que não pode se escudar em uma exigência feita por outro órgão de controle, que foi cumprida ao arrepio da lei tributária, mas que poderia ter sido cumprida de forma correta, para escapar à penalidade pelo erro no seu cumprimento. Desta forma, mantenho o lançamento no tocante ao suprimento de caixa. (c) Despesas Indedutíveis No item 1 do Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização faz a glosa do valor de R$253.522,34, correspondente a reversão de taxa de administração (R$178.507,50) e de INSS a compensar (R$75.014,84), por se referir a despesas indedutíveis. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2012 p or MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado d igitalmente em 11/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.000913/200649 Acórdão n.º 130200.683 S1C3T2 Fl. 353 12 (c.1) Taxa de Administração Defendese a recorrente, alegando já na etapa de fiscalização, que as despesas lançadas a título de taxa de administração se referiam a taxa futura de consorciados desistentes e excluídos que haviam sido lançadas erroneamente como receita operacional em anos anteriores. Acostou cópia do razão das contas taxa de administração (7.1.7.35.01) e taxa de administração (1.8.3.70.01) do anocalendário de 1999 (fls.71/73) e carta do Banco Central, na qual a autoridade monetária faz referência à apropriação indevida de taxa de administração futura sobre parcelas não pagas por desistentes e excluídos (fls.89/90). Todavia, a determinação do Banco Central, segundo aponta a fiscalização, impunha que as taxas sobre parcelas não pagas por desistentes e excluídos lançadas indevidamente como receitas em 1999 fossem estornadas no anocalendário de 2001. Como não foi comprovada a efetividade desta despesa no ano fiscalizado (2002) o valor de R$188.507,50 lançado como taxa de administração foi glosado. Na defesa, a recorrente alega que a carta do Banco Central é datada de 2002, e portanto, não poderia ter efeitos em 2001. Todavia, lendo seu teor, vêse que a determinação do Banco Central prescreve alterações para o anocalendário de 2001, senão se veja, do texto de fl.90: Desta forma, a Situação Líquida Ajustada em 3.07.2001, após os ajustes efetuados, passa a ser de: ... () Ajuste relativo a estorno de Taxa de Adm. Futura já efetuado em 08/01 (item b) (154) () Ajuste na taxa administração s/desistentes e excluídos (item b) (68) Estando a despesa lastreada em fatos externos ao anocalendário em questão (1999) a reversão da provisão no anocalendário de 2002 estaria, ainda assim, respaldada, dada a execução forçada por determinação de outro órgão de controle de sua atividade (Banco Central). Com efeito, é ilógico admitirse que alguém se veja proibido de fazer aquilo a que está obrigado. Todavia, se a exigência feita pela autoridade monetária que autorizaria sua regularidade quanto ao aspecto tributário não foi devidamente cumprida, ela não respalda a contabilização, que passa a ser promovida por ato de vontade do contribuinte, devendo, assim, serem apresentadas as provas bastantes para legitimar sua dedutibilidade, o que não logrou provar, conforme atestou a autoridade fiscal (fl.160). O argumento de que o anocalendário de 2001 já estava encerrado não subsiste. De fato, o contribuinte, nos termos da legislação, pode retificar sua contabilidade passada e suas declarações já prestadas para adequálos à legislação e às determinações administrativas. Desta forma, mantenho o lançamento neste tópico. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2012 p or MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado d igitalmente em 11/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.000913/200649 Acórdão n.º 130200.683 S1C3T2 Fl. 354 13 (c.2) INSS a compensar A autoridade fiscal afirma que a contribuinte informou que no anocalendário de 1999, amparada por medida liminar, compensou parte dos valores a pagar do INSS com o direito de compensação do salárioeducação (fls.73/75). Por se tratar de um direito obtido mediante liminar, o contribuinte, no anocalendário de 1999, lançou como despesa e receita os valores compensados. Informou, ainda, que em decorrência de fiscalização do Banco Central no anocalendário de 2002, estornou do ativo e passivo as contas vinculadas ao processo de compensação que já havia transitado em julgado com decisão desfavorável à empresa. Assim, permaneceu a conta do ativo com saldo no valor de R$75.014,84, e, no ano de 2002 a empresa lançou como contrapartida o mesmo valor em conta de despesa, a qual foi considerada indedutível. Alega a recorrente que o lançamento de ajuste na conta “INSS a compensar” (relacionado a créditos de INSS reconhecidos por decisão judicial em seu favor), no valor de R$75.014,84 foi feito por determinação do Banco Central. Segundo afirma, o saldo da conta de ativo relacionada a créditos de INSS reconhecidos por decisão judicial gerou receitas tributadas em exercícios anteriores. Assim, o ajuste feito nesta receita provisionada e não realizada foi abatido do cálculo do lucro real em 2002. Na carta endereçada à fiscalização, aduz a recorrente que após os lançamentos efetuados em obediência às determinações do Banco Central (para estorno da conta de Passivo INSS (analítica – 4.9.4.20.01) e de Ativo INSS a compensar (analítica – 1.8.8.80.05) restou o saldo de R$75.014,84 na conta de ativo, indicando que ocorreram lançamentos na receita superiores à despesa, cujo lançamento para regularização foi efetuado a débito de despesa (conta Reversão de provisões operacionais (analítica – 8.1.8.30.99.001). A legislação de regência (art. 41, parágrafo único da Lei nº 8.981/95) veda a dedutibilidade do tributo ou contribuição se não estiver sendo recolhido com amparo em medida liminar obtida em mandado de segurança , senão se veja: Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial. A recorrente levou a débito do resultado a despesa mensal com INSS, conforme se depreende de sua explicação dos lançamentos na carta endereçada à fiscalização. É bem verdade que também levou a crédito o valor compensado (segundo suas explicações de fl.75), com base no direito que obteve liminarmente (e que depois lhe foi cassado, no trânsito em julgado). Com isso deveria, em tese, anular matematicamente o débito indevidamente lançado. Todavia, o valor creditado não coincide com o valor debitado (e por isso, teve saldo de R$75.014,84 na conta de ativo que contabilizava os valores compensados superior à conta de passivo que contabilizava o INSS a pagar). Esta situação contábil é estranha, porque se o valor era creditado com base na GPS (INSS a pagar), então não há razão para o valor compensado ser superior ao débito do INSS já que está limitado ao valor devido. E assim, as Fl. 13DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2012 p or MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado d igitalmente em 11/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.000913/200649 Acórdão n.º 130200.683 S1C3T2 Fl. 355 14 razões para as quais o valor do ativo supera o passivo em R$75.014,84 não restaram devidamente explicadas pela recorrente. Além disso, com a perda lograda na ação judicial teria a recorrente o direito de levar a débito o valor do INSS que perdera a suspensão da exigibilidade. Porém, a contabilização de tal fato deveria estar lastreada no ato judicial que pôs termo ao processo e lhe ser contemporânea, especialmente pelo fato de terse verificado antes da fiscalização do Banco Central que determinou o ajuste. As despesas, no regime de apuração do lucro real, devem ser necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, nos termos do art. 47 da Lei nº 4.506/64, reproduzido no art. 299 do RIR/99, devendo, ainda ser usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Dada a natureza contábil e jurídica exótica da despesa lançada (bem como do nascimento do saldo de ativo relativo a INSS a compensar superior ao débito do passivo de INSS a recolher), sem correlação com a atividade da empresa, e tendo em vista que não foi devidamente esclarecida devidamente em nenhuma fase do contencioso administrativo, entendo acertado o lançamento. (d) Impugnação de multa e juros de mora. Razões não ventiladas na impugnação A alegação de que é indevida a cobrança de multa e juros de mora foi apresentada somente no Recurso Voluntário, não tendo sido ventilada na impugnação. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, a matéria não expressamente contestada na impugnação é considerada não impugnada, não podendo dela conhecer o colegiado de segunda instância. Desta forma, deixo de apreciála. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, 03 de agosto de 2011. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 14DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2012 p or MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado d igitalmente em 11/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.000913/200649 Acórdão n.º 130200.683 S1C3T2 Fl. 356 15 Voto Vencedor O Colegiado, respeitando os argumentos expendidos pelo Ilustre Conselheiro Relator, decidiu, relativamente à glosa de despesa com TAXA DE ADMINISTRAÇÃO promovida pela Fiscalização, de modo diverso. Diante dos elementos carreados aos autos, o entendimento é de que a referida glosa se deu, única e exclusivamente, pelo fato de o elemento autorizador do estorno promovido pela contribuinte (CARTA BACEN DESUP/GTRJA – 2002/169) ter feito referência ao ano de 2001, o que, para a autoridade autuante, inviabilizaria o seu aproveitamento no ano de 2002, eis que ausente a comprovação da efetividade do dispêndio no referido ano. Tal circunstância, qual seja, registro de despesa em período diverso do correspondente ao momento em que ela foi incorrida (ou àquele em que se tornaram presentes os motivos autorizadores da anulação da receita), não traduziu, na visão do Colegiado, qualquer prejuízo ao erário, cabendo destacar que, se assim fosse, tal fato deveria ter sido descrito na peça acusatória. Tratase, à luz da descrição da infração feita pela autoridade autuante e dos elementos colacionados ao processo, de postecipação no registro de despesa, em que não restou configurada postergação do pagamento do imposto ou redução indevida do lucro real. Noutra linha, considerando que a glosa está relacionada a estorno de receita, fezse paralelo com as normas aplicáveis às perdas no recebimento de créditos, em que não se revela razoável considerar indedutível a perda que tenha sido computada em período de apuração posterior àquele em que foram verificadas as condições legais determinadoras da sua definitividade. Por todo o exposto, decidiu a Turma Julgadora, por maioria, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para o excluir de tributação o montante de R$ 178.507,50, relativo à glosa de despesa – TAXA DE ADMINISTRAÇÃO. Wilson Fernandes Guimarães Fl. 15DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/06/2012 p or MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado d igitalmente em 11/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 15224.000470/2006-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO Data do fato gerador: 29/03/2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. PEREMPÇÃO. Não se toma conhecimento do recurso voluntário interposto após o prazo de trinta dias da ciência da decisão da DRJ. Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3102-001.528
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não se tomar conhecimento do recurso voluntário, face a sua intempestividade. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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VIAÇÃO AÉREA RIO GRANDENSE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO Data do fato gerador: 29/03/2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. PEREMPÇÃO. Não se toma conhecimento do recurso voluntário interposto após o prazo de trinta dias da ciência da decisão da DRJ. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não se tomar conhecimento do recurso voluntário, face a sua intempestividade. A Conselheira Nanci Gama declarouse impedida. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Fabia Regina Freitas, Winderley Morais Pereira, Helder Massaaki Kanamaru e Nanci Gama. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório da primeira instância, que passo a transcrever. “O presente processo trata de Auto de Infração (AI) referente à cobrança do Imposto de Importação (II) e das contribuições para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e para o PIS/PASEP vinculadas à importação, acrescida da respectiva multa de ofício, totalizando, quando de sua lavratura, um crédito tributário no valor de R$ 633,93. DO LANÇAMENTO A descrição detalhada dos fatos que levaram à lavratura dos Autos de Infração em apreço consta no campo Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is). Nesse, a Autoridade Fiscal consignou que, em ato de conferência final de manifesto, detectouse a falta de mercadoria em relação à carga manifestada pelo transportador para o voo VRG8989, termo de entrada n° 05/0009451. Constatada a falta em questão e, com base no ordenamento vigente, caracterizado o transportador como o responsável pelo extravio da mercadoria, cobramse os tributos e acréscimos legalmente previstos. DA IMPUGNAÇÃO Em 30 de maio de 2006 o sujeito passivo foi cientificado deste lançamento, vindo a apresentar impugnação em 02 de junho do mesmo ano (fls. 34/54), na qual alega estar sendo penalizado por a Administração Aduaneira considerar extraviados os volumes manifestados e não constantes quando da descarga, sendo que, em se tratando de mercadorias recebidas em "container", em regime de consolidação, cabe ao agente de carga e ao exportador a verificação das unidades; não podendo os frequentes enganos e incorreções escriturais serem interpretados como transgressão fiscal. Consta ainda na peça defensória que, por a mercadoria haver sido importada em regime de isenção tributária (transportada do exterior para a Zona Franca de Manaus), não gera expectativa de receita para a Fazenda Nacional, motivo pelo qual inexiste justificativa jurídica para o presente Auto de Infração. A Impugnante, dizendose sustentada no princípio que norteia o direito tributário de que a obrigação da exação somente se Fl. 148DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 15224.000470/200610 Acórdão n.º 310201.528 S3C1T2 Fl. 2 3 justifica se determinada por lei, apresenta farta jurisprudência, de diversas comarcas e tribunais, no sentido de que o transportador não pode ser responsabilizado por tributo, em caso de falta ou avaria de mercadorias, se esta foi importada ao amparo de regime de isenção. Argumenta ainda a Impugnante que não pode um mero decreto regulamentador extrapolar a norma regulamentada, prevalecendo contra a disposição legal que estabelece que somente poderão ser indenizados à Fazenda Nacional os tributos que em consequência de avaria ou extravio, deixarem de ser recolhidos, pois, aceitandose isso, estarseá indo de encontro à lei. aos princípios gerais de direito, do direito tributário nacional e, principalmente, às garantias constitucionais. Alega também ser inaceitável o raciocínio de que o gozo da isenção estaria condicionado à destinação final da mercadoria, posto que a lei assim não dispõe, pois o DecretoLei n° 288/67, apesar de estabelecer que a entrada de mercadoria na ZFM é isenta de imposto quando as mesmas são destinadas ao consumo interno, industrialização, agropecuária, pesca, instalação e operação de indústrias e serviços e a estocagem para exportação; não condiciona que a isenção somente venha a ser concedida após o consumo ou emprego desses bens. A simples entrada da mercadoria na ZFM é suficiente para a concessão da isenção. Por fim, em razão do exposto, requereu seja tornado sem efeito e insubsistente o Auto de Infração em comento.” A Delegacia da Receita Federal de Julgamento manteve integralmente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 29/03/2006 ATO NORMATIVO VIGENTE. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE/LEGALIDADE. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DO PODER JUDICIÁRIO. Compete privativamente ao Poder Judiciário proceder à análise da constitucionalidade ou legalidade de ato normativo vigente no ordenamento pátrio. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 29/03/2006 CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. MERCADORIA EXTRAVIADA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO TRANSPORTADOR. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 Conforme os preceitos normativos, o transportador é o responsável tributário quando da constatação de extravio de mercadoria que encontravase sob sua responsabilidade. MERCADORIA EXTRAVIADA. CÁLCULO DOS TRIBUTOS. DESCONSIDERAÇÃO DE EVENTUAL ISENÇÃO. No cálculo dos tributos incidentes sobre mercadoria extraviada não será considerada eventual isenção a ela aplicável. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Cientificada da decisão da DRJ, a empresa apresentou recurso voluntário, repisando as alegações já apresentadas na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Preliminarmente há de se verificar a tempestividade do recurso voluntário apresentado. Conforme consta dos autos, a comprovação da ciência da decisão da DRJ foi realizada por meio do Aviso de Recebimento – AR (fls. 85), com data de recebimento no dia 19/04/2011, uma terçafeira. Cientificada da decisão de primeira instância. O Recurso Voluntário deverá ocorrer no prazo de 30 (trinta) dias, conforme previsto no parágrafo 2°, do artigo 33, do Decreto n° 70.235/1972, verbis: “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão”. A forma de contagem do prazo estabelecido pelo art. 33 foi previsto no art. 5º do mesmo decreto. “Art. 5°. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o do vencimento. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 15224.000470/200610 Acórdão n.º 310201.528 S3C1T2 Fl. 3 5 Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” A fruição do prazo, tendo em vista que a ciência ocorreu em uma terçafeira, teve seu termo de início sobrestado para o próximo dia de expediente normal da repartição que seria dia 20/04/2011 uma quartafeira, extinguindose o prazo para interposição do recurso em 19/05/2011. O Recurso Voluntário (fls. 87 a 104) foi apresentado em 01/06/2011, após a data limite para interposição de recurso, sendo desta forma, intempestivo, não atendendo os pressupostos de admissibilidade. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso por apresentarse intempestivo. Winderley Morais Pereira Fl. 151DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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Numero do processo: 14751.001762/2009-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 15/06/2009
CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 33, § 2.º DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 283, II, “j” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Inobservância do artigo 33, § 2.º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 01/11/2007
AUTO DE INFRAÇÃO OSCIP EQUIPARADA A EMPRESA MANUTENÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS LIVRO DIÁRIO OBRIGATORIEDADE PARA ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVAS
As organizações da Sociedade Civil de Interesse Público, assim, como as associações ou a entidade de qualquer natureza ou finalidade, inclusive a missão diplomática e a repartição consular de carreiras estrangeiras são equiparadas a empresa para cumprimento da legislação tributária As OSCIP nos termos dos art. 4 e 5 da Lei 9790 deverão ter observância dos princípios fundamentais de contabilidade e das Normas Brasileiras de
Contabilidade;
Quanto ao valor da multa aplicável, conforme descrito no art. 373 os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Portanto, conforme dispôs a Lei n° 8.212/91, artigos 92 e 102 e seu decreto regulamentador acima descrito, a
Portaria MPS/MF n. 43/2009 reajustou os valores da multa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.382
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Inobservância do artigo 33, § 2.º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 01/11/2007 AUTO DE INFRAÇÃO OSCIP EQUIPARADA A EMPRESA MANUTENÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS LIVRO DIÁRIO OBRIGATORIEDADE PARA ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVAS As organizações da Sociedade Civil de Interesse Público, assim, como as associações ou a entidade de qualquer natureza ou finalidade, inclusive a missão diplomática e a repartição consular de carreiras estrangeiras são equiparadas a empresa para cumprimento da legislação tributária As OSCIP nos termos dos art. 4 e 5 da Lei 9790 deverão ter observância dos princípios fundamentais de contabilidade e das Normas Brasileiras de Contabilidade; Quanto ao valor da multa aplicável, conforme descrito no art. 373 os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação Fl. 109DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 2 continuada da previdência social. Portanto, conforme dispôs a Lei n° 8.212/91, artigos 92 e 102 e seu decreto regulamentador acima descrito, a Portaria MPS/MF n. 43/2009 reajustou os valores da multa. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 14751.001762/200991 Acórdão n.º 240102.382 S2C4T1 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado sob o n. 37.269.5248, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 33, §2º da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, em seu relatório, fls. 06, a empresa está sendo autuada com fundamento no artigo 33, §§ 2° e 3°, da Lei n0 8.212, de 24/07/1991 (acrescentado pela Lei n0 9.528, de 10/12/1997), combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n 0 3.048, de 06/05/1999. Notadamente, por não apresentar os seguintes documentos relacionados com Contribuições Previdenciárias: Folhas de Pagamentos de pagamento, Livro Razão e o Livro Diário. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 15/06/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 17/07/2009. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 19 a 24. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 91 a 96. Vejamos ementa da referida decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAR DOCUMENTOS. DESCUMPRIIVIENTO. MULTA. Comete infração a empresa que deixa de apresentar ao Fisco documentos relacionados com as contribuições previdencidrias ou que apresenta documento ou livro que não atenda as formalidades legais, que contenha informação diversa da realidade ou que omita informação verdadeira. ORGANIZAÇÃO SOCIAL DE INTERESSE PÚBLICO. OSICP. ESCRITURAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. As pessoas qualificadas como Organização Social de Interesse Público, nos termos da Lei n°. 9.790/99, são obrigadas a manter escrituração completa de suas receitas e despesas, com observância dos princípios fundamentais de contabilidade e das Normas Brasileiras de Contabilidade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 111DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 4 Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 100 a 103. Em síntese, a recorrente em seu recurso traz as mesmas alegações da impugnação, quais sejam: 1. Não se explicou como chegou ao cálculo exato do valor da multa de R$13.291,66, cerceando o direito de defesa do contribuinte; 2. Desde o inicio das suas atividades, a Entidade defendente atuou com recursos exclusivamente públicos, assim não se deveria exigir livros contábeis de natureza privada, mas sim nos termos da Lei d. 4.320/64, como procedido pela instituição, inclusive pautada em determinação do Tribunal de Contas do Estado da Paraiba; 3. Ademais, o autuante vem de forma vexatória lavrar novamente auto de infração sob o mesmo argumento e nos mesmos termos do AI n°. 37.215.6363, agindo em desconformidade com a legislação vigente excedendo o valor a ser cobrado, comando dupla infração sobre o mesmo fato, o que é vedado por lei. 4. Ao final, requer a improcedência da autuação, protestando provar o alegado pela juntada de novos documentos e a realização de perícia técnicocontábil. A DRFB encaminhou o recurso a este conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 14751.001762/200991 Acórdão n.º 240102.382 S2C4T1 Fl. 3 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 105. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO Em primeiro lugar o procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente autodeinfração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. Importante destacar que as associações em relação aos segurados que contrata, ou mesmo no caso de contratação de cooperativas, possui as mesmas obrigações que as empresas em geral, tendo em vista sua equiparação. Art. 12. Consideramse: I empresa a firma individual ou a sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e as entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; e II empregador doméstico aquele que admite a seu serviço, mediante remuneração, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparamse a empresa, para os efeitos deste Regulamento: (Redação alterada pelo Decreto nº 3.265/99) I o contribuinte individual, em relação a segurado que lhe presta serviço; (Redação alterada pelo Decreto nº 3.265/99) II a cooperativa, a associação ou a entidade de qualquer natureza ou finalidade, inclusive a missão diplomática e a repartição consular de carreiras estrangeiras; III o operador portuário e o órgão gestor de mãodeobra de que trata a Lei nº 8.630, de 1993; e IV o proprietário ou dono de obra de construção civil, quando pessoa física, em relação a segurado que lhe presta serviço. Assim, independente da missão de contribuir para a formação da cidadania ambiental e promover o desenvolvimento sócio econômico, cultural, ampliando o mercado de trabalho e a qualidade de vida das pessoas, possuía empresa obrigações trabalhistas e previdenciárias em relação aos segurados que mantém com ela relações de trabalho. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 6 Conforme prevê o art. 33, § 2º da Lei n ° 8.212/1991, o contribuinte é obrigado a exibir os livros e documentos relacionados com as contribuições previdenciárias, nestas palavras: Art.33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9/07/2001) (...) § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. Assim, a exigência da fiscalização não foi desmedida, pois a solicitação foi realizada no prazo estabelecido na legislação, ou seja exigência de livros e documentos com vista a comprovar o fiel cumprimento da legislação previdenciária. A AuditoraFiscal agiu de acordo com a norma aplicável, e não poderia deixar de fazêlo, uma vez que sua atividade é vinculada. A base da argumentação do recorrente diz respeito ao fato que atuou com recursos exclusivamente público, razão porque não se deveria exigir livros contábeis de natureza privada, mas sim, nos termos da lei 4320/64. As Organ iz açõe s da Soc i edade C iv i l d e In t e r e s s e Púb l i co (OSCIP ) s ãoentidades formalizadas através de um título fornecido pelo Ministério da Justiça, cuja finalidade é facilitar parcerias tanto com o setor público, através da formação de convênios e parcerias, tanto com o setor privado. Assim, os art. 4 e 5 da lei 9790 definem obrigações acerca da gestão contábil e financeira: Art. 4o Atendido o disposto no art. 3o, exigese ainda, para qualificaremse como Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público, que as pessoas jurídicas interessadas sejam regidas por estatutos cujas normas expressamente disponham sobre: I a observância dos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, economicidade e da eficiência; II a adoção de práticas de gestão administrativa, necessárias e suficientes a coibir a obtenção, de forma individual ou coletiva, de benefícios ou vantagens pessoais, em decorrência da participação no respectivo processo decisório; Fl. 114DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 14751.001762/200991 Acórdão n.º 240102.382 S2C4T1 Fl. 4 7 III a constituição de conselho fiscal ou órgão equivalente, dotado de competência para opinar sobre os relatórios de desempenho financeiro e contábil, e sobre as operações patrimoniais realizadas, emitindo pareceres para os organismos superiores da entidade; IV a previsão de que, em caso de dissolução da entidade, o respectivo patrimônio líquido será transferido a outra pessoa jurídica qualificada nos termos desta Lei, preferencialmente que tenha o mesmo objeto social da extinta; V a previsão de que, na hipótese de a pessoa jurídica perder a qualificação instituída por esta Lei, o respectivo acervo patrimonial disponível, adquirido com recursos públicos durante o período em que perdurou aquela qualificação, será transferido a outra pessoa jurídica qualificada nos termos desta Lei, preferencialmente que tenha o mesmo objeto social; VI a possibilidade de se instituir remuneração para os dirigentes da entidade que atuem efetivamente na gestão executiva e para aqueles que a ela prestam serviços específicos, respeitados, em ambos os casos, os valores praticados pelo mercado, na região correspondente a sua área de atuação; VII as normas de prestação de contas a serem observadas pela entidade, que determinarão, no mínimo: a) a observância dos princípios fundamentais de contabilidade e das Normas Brasileiras de Contabilidade; b) que se dê publicidade por qualquer meio eficaz, no encerramento do exercício fiscal, ao relatório de atividades e das demonstrações financeiras da entidade, incluindose as certidões negativas de débitos junto ao INSS e ao FGTS, colocandoos à disposição para exame de qualquer cidadão; c) a realização de auditoria, inclusive por auditores externos independentes se for o caso, da aplicação dos eventuais recursos objeto do termo de parceria conforme previsto em regulamento; d) a prestação de contas de todos os recursos e bens de origem pública recebidos pelas Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público será feita conforme determina o parágrafo único do art. 70 da Constituição Federal. Parágrafo único. É permitida a participação de servidores públicos na composição de conselho de Organização da Sociedade Civil de Interesse Público, vedada a percepção de remuneração ou subsídio, a qualquer título.(Incluído pela Lei nº 10.539, de 2002) Art. 5o Cumpridos os requisitos dos arts. 3o e 4o desta Lei, a pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos, interessada em obter a qualificação instituída por esta Lei, deverá formular requerimento escrito ao Ministério da Justiça, instruído com cópias autenticadas dos seguintes documentos: Fl. 115DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 8 I estatuto registrado em cartório; II ata de eleição de sua atual diretoria; III balanço patrimonial e demonstração do resultado do exercício; IV declaração de isenção do imposto de renda; V inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes. Quanto ao argumento de que inexigível o livro Diário em se tratando de entidade beneficente, entendo que razão novamente não assiste ao recorrente. À fls. 208 a autoridade julgadora demonstra de forma cabal a possibilidade de exigência do Livro Diário, conforme descrito abaixo. Quanto a alegação de que 0 Fiscal utilizouse de dispositivos do Código Comercial para sustentar a pratica de violação de obrigações acessórias contábeis, quando tais embasamentos legais não se aplicam a impugnante, pois não ha como confundir a representada com uma empresa comercial, pois tratase de uma entidade sem fins econômicos, verificamos que a partir da competência 11/91, o Livro Diário e exigível para toda entidade mesmo sem fins lucrativos. Uma vez obrigadas a apresentar os Livros Diário, tais documentos devem obedecer as formalidades extrínsecas de sua apresentação. Assim, as pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos necessitam atender exigências relativas a sua escrituração contábil, estabelecidas na legislação ordinária, bem como respeitar os princípios e as normas aprovados pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC). Dessa forma, a Norma Brasileira de Contabilidade, NBC T 10.19 Entidades Sem Finalidade de Lucrativos, aprovada pela Resolução CFC n.] 877, de 2000, com alterac6es da Resolução CFC n. ° 926, 19 de dezembro de 2001, abaixo reproduzida, estabelece a forma do registro e das demonstrac6es contabéis das EBAS, conforme se verifica: "NBC T 10.19 ENTIDADES SEM FINALIDADE DE LUCROS 10.19.1 DAS DISPOSIÇÕES GERAIS 10.19.1.1 Esta norma estabelece critérios e procedimentos específicos de avaliação, de registros dos componentes e variações patrimoniais e de estruturação das demonstrações contábeis, e as informações mínimas a serem divulgadas em nota explicativa das entidades sem finalidades de lucros 10.19.1.7 Por se tratar de entidades sujeitas aos mesmos procedimentos contábeis, devem ser aplicadas, no que couber, as diretrizes da NBC T 10.4 Fundações e NBC T 10.18 Entidades Sindicais e Associações de Classe. 10.19.2.1 As receitas e despesas devem ser reconhecidas, mensalmente, respeitando os Princípios Fundamentais de Contabilidade, em especial os Princípios da Oportunidade e da Competência Fl. 116DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 14751.001762/200991 Acórdão n.º 240102.382 S2C4T1 Fl. 5 9 10.19.1.2 Destinase, também, a orienta o atendimento as exigências legais sobre procedimentos contábeis a serem cumpridos pelas pessoas jurídicas de direito privado sem finalidade de lucros, especialmente entidades beneficentes de assistência social (Lei Orgânica da Seguridade Social), para emissão do Certificado de Entidade de Fins Filantr6picos, da competência do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS). [ ... j 10.19.1.6 Aplicamse as entidades sem finalidade de lucros os Princípios Fundamentais de Contabilidade, bem como as Normas Brasileiras de Contabilidade e suas Interpretações Técnicas e Comunicados Técnicos, editados pelo Conselho Federal de Contabilidade. Portanto, ao contrário do que argumenta o recorrente entendo cabível a exigência quanto a apresentação do livro Diário, independente da condição de entidade sem fins lucrativos. Os esclarecimentos prestados pela autoridade julgadora deixam clara a previsão legal para tanto. VALOR DA MULTA Quanto à argumentação da recorrente de que a multa aplicada possui valor exacerbado, tendo a autoridade fiscal aplicado penalidade de forma mais gravosa, também não lhe confiro razão. O Auto de Infração ao ser aplicado no presente caso, não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Pelo contrário, na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a natureza meramente arrecadatória, o que se demonstra pela possibilidade de atenuação ou até mesmo de relevação da multa. Dispõe o art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. § 1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. § 2º O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. § 3º A autoridade que atenuar ou relevar multa recorrerá de ofício para a autoridade hierarquicamente superior, de acordo com o disposto no art. 366. Os valores aplicados em auto de infração pela omissão justificamse pelo fato da importância dos esclarecimentos para administração previdenciária. As informações prestadas auxiliarão na fiscalização das contribuições arrecadadas em prol da Previdência Social. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 10 Quanto aos valores da multa aplicada, onde questiona o recorrente serem indevidos, ressaltese: Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Portanto, conforme dispôs a Lei n° 8.212/91, artigos 92 e 102 e seu decreto regulamentador acima descrito, a Portaria MPS/MF n. 43/2009 reajustou os valores da multa: Notese que mesmo depois de ter suas alegações de impugnação sido afastadas, não fez o recorrente, qualquer prova do alegado, trazendo qualquer novo documento para demonstrar as ditas inconsistências. Ademais, a alegação de que não tinha a intenção de praticar qualquer falta, também não afeta o lançamento, uma vez que a intenção do agente não interfere, ou seja o fato de ter agido com dolo ou culpa não interfere no lançamento. Assim, o valor da multa aplicada obedece estritamente os ditames legais, tendo o auditor no próprio relatório descrito os fundamentos para aplicação e gradação da multa aplicada, não havendo em se falar desobediência aos princípios constitucionais.. Vale destacar, ainda, que a responsabilidade pela infração tributária é em regra objetiva, isto é independe de culpa ou dolo. Assim, entendo que a fiscalização seguiu o trâmite correto, sendo que as alegações da recorrente em sua totalidade foram incapazes de desconstituir o lançamento. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 118DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 10/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10410.006346/2010-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/12/2005
DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 - INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - DECADÊNCIA - TERMO A QUO
Na aplicação do § 4º do art. 150 do CTN, o termo "a quo" para o cálculo da decadência é a ocorrência do fato gerador. Assim, se o fato gerador ocorrer em 12/2005, o fisco tem prazo até 12/2010, inclusive, para efetuar o lançamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.355
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Ana Maria Bandeira- Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente justificadamente o Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 30/12/2005 DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 - INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - DECADÊNCIA - TERMO A QUO Na aplicação do § 4º do art. 150 do CTN, o termo "a quo" para o cálculo da decadência é a ocorrência do fato gerador. Assim, se o fato gerador ocorrer em 12/2005, o fisco tem prazo até 12/2010, inclusive, para efetuar o lançamento. Recurso Voluntário Negado.
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECADÊNCIA TERMO A QUO Na aplicação do § 4º do art. 150 do CTN, o termo "a quo" para o cálculo da decadência é a ocorrência do fato gerador. Assim, se o fato gerador ocorrer em 12/2005, o fisco tem prazo até 12/2010, inclusive, para efetuar o lançamento. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 63 46 /2 01 0- 23 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente justificadamente o Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10410.006346/201023 Acórdão n.º 2402003.355 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento de contribuições destinadas ao SEST e ao SENAT, incidentes sobre os valores pagos a contribuintes individuais autônomos, cuja obrigação de arrecadar e recolher é do contratante. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 20/22), as bases de calculo das contribuições lançadas no período de 01/2005 a 12/2005 foram apuradas nos processos de empenhos das despesas com seus respectivos recibos de pagamentos, os quais são anexados por amostragem. A autuada teve ciência do lançamento em 22/12/2010 e apresentou defesa (fls. 232/234), onde alega que os créditos estariam extintos pela decadência. Pelo Acórdão nº Acórdão 1134.386 (fls.241/243) a 7ª Turma da DRJ/Recife considerou a autuação procedente em parte e reconheceu a decadência das competências de 01 a 11/2005, mantendo a competência 12/2005. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso onde alega a prestação de serviços referente à competência 12/2005 já tinha se realizado em 22/12/2005, razão pela qual esta competência também estaria decaída no momento da lavratura do auto de infração. É o relatório. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente questiona tão somente a decadência que embora tenha sido reconhecida e parte pela primeira instância, não atendeu ao pleiteado pela recorrente que entendia estar o lançamento integralmente fulminado pela decadência. O lançamento se deu em 22/12/2010, relativamente ao período de 01 a 12/2005. A primeira instância reconheceu que estariam decadentes as competências de 01 a 11/2005, pela aplicação do art. 150 § 4º do Código Tributário Nacional. Entendo que a recorrente está equivocada quanto ao início da contagem do prazo decadencial. Na aplicação do § 4º do art. 150 do CTN, o termo "a quo" para o cálculo da decadência é a ocorrência do fato gerador. Assim, para os fatos geradores ocorridos na competência questionada, ou seja, 12/2005, o fisco terá até 12/2010 para efetuar o lançamento. Como o lançamento se deu em 22/12/2010, a competência 12/2005 não se encontrava decadente. Portanto, sem razão a recorrente quando pretende desconstituir o restante do lançamento. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. Ana Maria Bandeira Fl. 263DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10140.720525/2008-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2004
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA EXTEMPORÂNEO. LAUDO TÉCNICO COMPROVANDO A EXISTÊNCIA DA ÁREA DE INTERESSE AMBIENTAL. DEFERIMENTO DA ISENÇÃO.
Havendo Laudo Técnico a comprovar a existência da área de preservação permanente, o ADA extemporâneo, por si só, não é condição suficiente para arrostar a isenção tributária da área de preservação permanente.
ITR. REQUISITOS DE ISENÇÃO DA ÁREA TRIBUTÁVEL. ADA EXTEMPORÂNEO.
A apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal de isenção de áreas no cálculo do Imposto Territorial Rural (ITR).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.883
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para restabelecer as áreas de preservação permanente e reserva legal, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2004 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA EXTEMPORÂNEO. LAUDO TÉCNICO COMPROVANDO A EXISTÊNCIA DA ÁREA DE INTERESSE AMBIENTAL. DEFERIMENTO DA ISENÇÃO. Havendo Laudo Técnico a comprovar a existência da área de preservação permanente, o ADA extemporâneo, por si só, não é condição suficiente para arrostar a isenção tributária da área de preservação permanente. ITR. REQUISITOS DE ISENÇÃO DA ÁREA TRIBUTÁVEL. ADA EXTEMPORÂNEO. A apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal de isenção de áreas no cálculo do Imposto Territorial Rural (ITR). Recurso Voluntário Provido.
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ADA EXTEMPORÂNEO. LAUDO TÉCNICO COMPROVANDO A EXISTÊNCIA DA ÁREA DE INTERESSE AMBIENTAL. DEFERIMENTO DA ISENÇÃO. Havendo Laudo Técnico a comprovar a existência da área de preservação permanente, o ADA extemporâneo, por si só, não é condição suficiente para arrostar a isenção tributária da área de preservação permanente. ITR. REQUISITOS DE ISENÇÃO DA ÁREA TRIBUTÁVEL. ADA EXTEMPORÂNEO. A apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal de isenção de áreas no cálculo do Imposto Territorial Rural (ITR). Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para restabelecer as áreas de preservação permanente e reserva legal, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10140.720525/200880 Acórdão n.º 2102001.883 S2C1T2 Fl. 122 2 EDITADO EM: 10/05/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 81 a 92: Exigese da interessada o pagamento do crédito tributário lançado em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, relativamente ao ITR, aos juros de mora e à multa por informação inexata nas Declarações do ITR – DITR/2004, no valor total de R$ 308.697,83, referente ao imóvel rural denominado: Fazenda São José, com Número na Receita Federal – NIRF 2.270.7450, com área total de 9.950,0 ha, localizado no município de Corumbá MS, conforme Notificação de Lançamento NL, fls. 01 a 06, cuja descrição dos fatos e enquadramentos legais constam das fls. 02 a 04 e 06. 2. Inicialmente, com a finalidade de viabilizar a análise dos dados declarados nos exercícios de 2003 a 2006, especialmente a Área de Preservação Permanente – APP, Área de Utilização Limitada – AUL/Reserva Legal – ARL e o Valor da Terra Nua – VTN, a declarante foi intimada a apresentar diversos documentos comprobatórios, os quais, com base na legislação pertinente, foram listados, detalhadamente, no Termo de Intimação de fls. 08 a 10. Entre os mesmos constam: cópia do Ato Declaratório Ambiental – ADA, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA; Laudo Técnico emitido por profissional habilitado, relativamente à demonstração de existência da APP conforme enquadramento legal (art. 2o, da lei nº 4.771/1965 – Código Florestal), acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART; Certidão do Órgão Público competente, caso o imóvel, ou parte dele, esteja inserido em área declarada como de Preservação Permanente nos termos do art. 3o, do Código Florestal, acompanhado do Ato do Poder Público que assim a declarou; cópia da matrícula do registro imobiliário, com a averbação da ARL, de Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN, ou outros tipos de AUL; cópia do Termo de Responsabilidade/Compromisso de averbação da ARL ou Termo de Ajustamento de Conduta; Ato específico do órgão competente federal ou estadual, caos o imóvel ou parte dele tenha sido declarado como Área de Interesse Ecológico – AIE e comprovadamente imprestável para a atividade rural e; Laudo Técnico de Avaliação, elaborado por profissional habilitado, acompanhado de ART, com atenção aos requisitos das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, demonstrando os métodos de avaliação e fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel, com Grau 2 de fundamentação mínima. 3. Foi informado, inclusive, que, na falta de atendimento à intimação, poderia ser efetuado o lançamento de ofício com o arbitramento do VTN com base nas informações do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal – SIPT, conforme a legislação, sendo demonstrados os valores específicos para cada exercício. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10140.720525/200880 Acórdão n.º 2102001.883 S2C1T2 Fl. 123 3 4. Após pedido de prorrogação de prazo deferido, com a carta de fl. 17 foi encaminhada a documentação de fls. 18 a 57, composta por: cópia do Termo de Intimação; dos documentos de identificação da interessada; da matrícula do imóvel; do Certificado de Cadastro de Imóvel Rural – CCIR; Laudo Técnico de APP, ARL, de avaliação e seus anexos e; cópia do ADA, protocolado no IBAMA em 31/03/2005. 5. Da Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais, a Autoridade Fiscal explicou, em longa explanação, da intimação, dos documentos encaminhados e da análise dos mesmos. Mencionou da legislação relativa aos requisitos legais para a isenção das áreas preservadas, tais como comprovação de existência das áreas preservadas, ADA protocolado no IBAMA no prazo legal informando essas áreas, entre outros. 6. Com relação à APP o Fiscal observou que o laudo apresentado não discrimina, caso a caso, cada área, conforme previsto no Código Florestal, sendo informado de modo genérico, o que impossibilita chegar a alguma conclusão, pois, consta que essa área, correspondente a 3.000,0 ha, é de difícil quantificação e com a demarcação em mapa se demonstra a enorme área coberta por água, devido ao arrombamento do Rio Taquari, e que nunca mais secou. Foi esclarecido que as APP são áreas ocupadas com florestas e demais formas de vegetação naturais em torno dos rios, lagoas e nascentes, e não estas áreas ocupadas por águas. Além disso, o ADA apresentado foi protocolado no IBAMA em 31/03/2005, sendo intempestivo para o exercício em pauta. 7. A respeito da ARL, foi verificado que, embora conste de averbação na matrícula, o ADA estaria intempestivo. 8. Com base nessas verificações e esclarecimentos, as áreas isentas foram glosadas. 9. A respeito do VTN, foi alterado conforme o valor apurado no laudo de avaliação. 10. Procedidas as mencionadas modificações, bem como dos demais dados conseqüentes, foi lavrada a NL, cuja ciência foi dada à interessada em 27/11/2008, fl. 07. 11. Na impugnação, protocolada em 24/12/2008, fls. 58 a 69, após tratar Dos fatos, explicando da intimação, do atendimento e das razões do Fisco para o lançamento, entre outros, a interessada apresentou seus argumentos de discordância que, em resumo, é o que segue: 11.1. Do direito 11.1.1. A APP estaria devidamente comprovada no laudo técnico e são as áreas que margeiam as diversas redes hidrológicas naturais do imóvel. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10140.720525/200880 Acórdão n.º 2102001.883 S2C1T2 Fl. 124 4 11.1.2. Ocorrem, também, áreas inundadas e brejos que se originam pelo arrombamento do Rio Taquari, que permanecem encharcados o ano todo, mesmo no período que o Pantanal Sulmatogrossense está seco. 11.1.3. Reproduziu a parte dos fundamentos do Fisco que diz respeito à informação constante do laudo relativamente à dificuldade de quantificar a APP e disse que isso não seria verdade, pois, pode ser comprovado no mapa da fazenda, com imagem de satélite, que mais de 30,0% da fazenda está alagada. 11.1.4. Tratou da Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA, relativamente às definições de terminologia ambiental, para dizer que o laudo foi elaborado de acordo com o entendimento desse Conselho. 11.1.5. Citou matéria jornalística sob o título: Fazendas submersas, a qual trata da preocupação dos fazendeiros da região em torno do Rio Taquari, onde as fazendas que estão ficando submersas. 11.1.6. Aprofundouse no tema e reproduziu jurisprudência do Conselho de Contribuinte que trata da APP informada em laudo técnico. 11.1.7. Mencionou, também, o § 7o, do artigo 10, da Lei nº 9.393/1996, que se refere à não necessidade da prévia comprovação das áreas em pauta. 11.1.8. Quanto ao ADA disse que era opcional e que, posteriormente, passou a ser obrigatório, porém, não há previsão legal de multa ou qualquer tipo de punição ao contribuinte pelo atraso ou falta de entrega. 11.1.9. Após outras argumentações, como a observação de constar de averbação na matrícula a ARL, reproduziu o dispositivo legal que trata da exclusão da tributação as áreas em foco, jurisprudência do Conselho de Contribuintes que consideram isentas essas áreas pela simples declaração do contribuinte e pela comprovação por meio de laudo técnico, independentemente de ADA tempestivo, e elaborou quadro demonstrativo com apuração de nova diferença de imposto. 11.2. Da conclusão 11.2.1. Por todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência parcial da ação fiscal, respeitosamente, requereu que a NL seja revista, para aceitar as APP e ARL como isentas, por medida de interia justiça. 12. Instruiu sua impugnação com a documentação de fls. 70 a 77, composta por: cópia da matéria jornalística Fazenda submersas, de procuração, de documentos de identificação da interessada e do procurador e, de mapas do imóvel. 13. Na referida matéria jornalística se evidencia os alagamentos das propriedades rurais provocados pelo transborde, de forma perene, do Rio Taquari 14. É o relatório. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10140.720525/200880 Acórdão n.º 2102001.883 S2C1T2 Fl. 125 5 Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que as provas apresentadas foram insuficientes para atestar a existência da APP e ARL, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2004 Terra alagada Ausência de lei para exclusão da tributação Para efeitos do ITR, afora as áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público, com previsão legislativa desde 2008, não há base legal para excluir da tributação terra submersa, seja pelo transborde do leito de rio, seja lago, ou outros tipos de reservatório de água. Áreas de Florestas Preservadas Requisitos de Isenção A concessão de isenção de ITR para as Áreas de Preservação Permanente APP ou de Utilização Limitada AUL, como Área de Reserva Legal ARL, está vinculada à comprovação de sua existência, como laudo técnico específico e averbação na matrícula até a data do fato gerador, respectivamente, e de sua regularização através do Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA em até seis meses após o prazo final para entrega da Declaração do ITR. A prova de uma não exclui a da outra. Isenção Hermenêutica A legislação tributária para concessão de benefício fiscal deve ser interpretada literalmente, assim, se não atendidos os requisitos legais para a isenção, a mesma não deve ser concedida. Áreas Isentas Comprovação Parcial Quanto comprovada a existência e regularização de parte da área de floresta isenta declarada é possível reverter parcialmente sua glosa. A legislação tributária para concessão de benefício fiscal deve ser interpretada literalmente, assim, se não atendidos os requisitos legais para a isenção, a mesma não deve ser Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 98 a 116, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação, requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, insistindo que há provas suficientes para o deferimento do seu pedido. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10140.720525/200880 Acórdão n.º 2102001.883 S2C1T2 Fl. 126 6 Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. OBJETO DO RECURSO Este Recurso discute a isenção de uma área de preservação permanente de 3.000,0 ha. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Controverso a existência da Área de Preservação Permanente, contudo, diferentemente do que entendeu a fiscalização acerca da interpretação das áreas alagadas, vejo que o Laudo Técnico à fl. 36, apresentado pelo contribuinte em seu item 5 – Distribuição da Área do Imóvel – letra b) deixa claro a existência dessa área no valor de 3.000,0 ha. Importante ressalta que esse Laudo Técnico veio acompanhado da ART à fl. 36. Em relação a tempestividade apresentação do ADA, essa questão já foi objeto de julgamento recente nessa Turma, v.g., o Acórdão n° 210200.528, de 14 de abril de 2010, tendo como relator do voto o Conselheiro Presidente Giovanni Christian Nunes Campos , cujo julgado se amoldando com perfeição ao caso em debate, utilizamos sua conclusão como fundamento para nossa decisão, nos seguintes termos: (...) Mais uma vez, entretanto, como a Lei nº 6.938/81 não fixou prazo para apresentação do ADA, parece descabida a exigência feita pelo fisco federal de apresentação do ADA contemporâneo à entrega da DITR, sendo certo apenas que o sujeito passivo deve apresentar o ADA, mesmo extemporâneo, desde que haja provas outras da existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada. Destaco que à fl. 56 dos autos, consta ADA entregue em 22/03/2005, indicando o valor de APP de 3.000,0ha. Assim sendo, atendidos os requisitos para a isenção da Área de Preservação Permanente, concluo que a glosa seja revista e restabelecida a Área de Preservação Permanente no valor de 3.000,00ha. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL Já em relação a área de Reserva Legal, a glosa se deu exclusivamente pela intempestividade na apresentação do ADA. Superada essa questão no item acima, firmo que essa glosa também seja revista e restabelecida no valor de 1.990,0ha. CONCLUSÃO Fl. 134DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10140.720525/200880 Acórdão n.º 2102001.883 S2C1T2 Fl. 127 7 Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO DO RECURSO, para que seja aceita a Área de Preservação Permanente e Área de Reserva Legal declaradas. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 10/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 16327.001172/2006-51
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CSLL
Exercício: 2003.
Ementa: RECURSO ESPECIAL DIVERGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA.
Não deve ser conhecido o recurso especial, quando não há divergência entre os acórdãos paradigma e recorrido. A única divergência jurisprudencial que desafia recurso especial é aquela cuja solução tenha potencial para reformar o acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9101-001.314
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Ementa: RECURSO ESPECIAL DIVERGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA. Não deve ser conhecido o recurso especial, quando não há divergência entre os acórdãos paradigma e recorrido. A única divergência jurisprudencial que desafia recurso especial é aquela cuja solução tenha potencial para reformar o acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional. (documento assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Júnior – Relator Participaram ainda do presente julgamento: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz.. Fl. 0DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 7/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUN IOR 2 Relatório Tratase de Recurso Especial do Procurador da Fazenda Nacional interposto em face do acórdão nº 130100.131, fls. 276/278, no ponto que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, para exonerar a tributação da CSLL referente aos anos calendários de 1997 e 1998, se não vejamos como dispõe a sua ementa: “CSLL LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR – IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. O artigo 19 da Medida Provisória n° 18586, de 29 de junho de 1999, não incide sobre os lucros que tenham sido gerados antes do período de 90 dias, contados a partir da publicação do ato normativo em referência, ainda que disponibilizados após aquela data.” Com fulcro no art. 67, da Portaria MF n˚ 256, de 2009, a recorrente interpôs recurso especial de divergência, no qual aduz as seguintes razões para a reforma do acórdão recorrido: a) que o Ato Declaratório SRF n˚ 75/1999 é claro ao determinar que os lucros da coligada consideramse auferidos pela empresa no Brasil, para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, no momento da disponibilização; b) que o referido ato administrativo não conteve qualquer inovação relativamente ao disposto no art. 21 da MP n˚ 1.99114/2000 (atual MP n˚ 2.15835/2001) e no art. 1˚ da Lei n˚ 9.532/97; c) que o art. 21 da MP 1.99114/2000 prescreveu que os lucros auferidos no exterior submetemse à tributação pela CSLL em bases universais, consoante o disposto nos artigos 25 a 27 da Lei n˚ 9.430/96 e no art. 1˚ da Lei n˚ 9.532/97; d) que, em outras palavras, a disponibilização é considerada no momento do auferimento dos lucros desde a publicação da Medida Provisória n˚ 1.8586/99, que instituiu a tributação pela CSLL em bases universais; e) que a alteração do momento da disponibilização pelo art. 74 da MP n˚ 2.15835/2001 em nada altera o conteúdo do Ato Declaratório 75/99, já que o momento do auferimento dos lucros permaneceu sendo o da disponibilização; f) que a CSLL em bases universais não incide sobre os lucros apurados pelas coligaddas no exterior, mas sobre os lucros disponibilizados por esta ao contribuinte domiciliado no Brasil, portanto, não há que se falar em retroatividade. O presidente da 3ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, em despacho proferido a fls. 342, admitiu o recurso especial. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 7/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUN IOR Processo nº 16327.001172/200651 Acórdão n.º 9101001.314 CSRFT1 Fl. 432 3 A recorrida, uma vez cientificada, em 07/07/2010, do acórdão e do despacho de admissibilidade do recurso especial, conforme AR a fls. 345, apresentou, em 22/7/2010, contrarrazões (a fls. 346/352), as quais em apertada síntese, sustenta que: a) o acórdão selecionado como paradigma não cogita do período nonagesimal, como dito, mas tal ponto, como igualmente dito, não é relevante como razão de decidir, desde que os lucros que se pretende tributar não foram auferidos, nem disponibilizados, em tal interregno; b) que o acórdão paradigma não se opõe ao acórdão recorrido, muito pelo contrário, ele o prestigia; c) que o entendimento perseguido pela recorrente não se identifica com a jurisprudência da Casa. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior: O Acórdão paradigma (n˚ 10322.638) apresentado pela recorrente a fls. 321 a 340, conclui que devese excluir da base de cálculo da CSLL os lucros relativos aos anoscalendários de 1996 a 1998, pois segundo o seu Relator, Conselheiro Aloísio Percínio da Silva: “Quanto à tributação reflexa (CSLL), devem ser excluídos da base de cálculo os lucros relativos aos anos de 1996 a 1998, haja vista que os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior só passaram a sofrer incidência da CSLL com o advento do art. 19 da MP 1.8586/99, publicada no DOU de 30/06/99. No mais, a decisão relativa ao auto de infração matriz deve ser igualmente aplicada no julgamento do auto de infração decorrente ou reflexo, conforme entendimento amplamente consolidado na jurisprudência deste colegiado, uma vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção.” Ora, o acórdão recorrido, em nada diverge, neste ponto, do acórdão paradigma, pois ambos os acórdãos sustentam que somente os lucros auferidos após a entrada em vigor da MP 1.858 6/99 sofrem incidência da CSLL. Aliás, vale salientar que o Relator do acórdão recorrido, Conselheiro Waldir Rocha, valeuse dos fundamentos do voto vencedor do próprio Conselheiro Relator do acórdão paradigma, Conselheiro Aloísio Percínio da Silva no acórdão n˚ 10322.718. Por sua vez, há que se refutar os fundamentos adotados pelo Presidente da 3ª Câmara da 1ª Sejul para dar seguimento ao recurso da Fazenda Nacional. Conforme despacho a fls. 342, o recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido sob o o fundamento de, no acórdão recorrido, ter sido feita a ressalva do prazo nonagesimal para a entrada em vigor da MP n˚ 1.8586/99; já, no acórdão paradigma, nada ter sido dito acerca do prazo nonagesimal Primeiramente, não há divergência, pois o acórdão paradigma não sustenta tese oposta, ou seja, quando sua ementa diz que “Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior passaram a sofrer incidência da CSLL com o advento do art. 19 da MP 1.8586/99, publicada no DOU de 30/06/99”, ele não sustenta que se deva desconsiderar o prazo nonagesimal. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 7/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUN IOR 4 Em segundo, a solução de tal divergência seria totalmente despicienda, pois em nada alteraria o que fora decidido no acórdão recorrido. Ocorre que, para o que fora decidido no acórdão recorrido, tanto faz considerar a entrada em vigor da MP 1.8586/99 no dia 30/06/1999 (data da sua publicação no DOU) ou no dia 28/09/1999 (noventa dias após a sua publicação), pois a CSLL só incidiria sobre os lucros apurados a partir de 31/12/1999 (por força da própria legislação de regência da matéria, tais receitas de participação nos lucros da investida no exterior sempre compõe o lucro da investidora brasileira apurado em 31/12). Ora, a Câmara Superior não pode se transformar em órgão consultivo a resolver questões em tese, razão pela qual, a única divergência jurisprudencial que desafia recurso especial é aquela cuja solução tenha potencial para reformar o acórdão recorrido. Em face do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 3DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 7/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUN IOR
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Numero do processo: 10950.002203/2010-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2401-000.215
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 10950.002203/201035 Resolução n.º 2401000.215 S2C4T1 Fl. 2 2 RELATÓRIO O presente Auto de infração de Obrigação Principal, lavrada sob o n. 37.260.5214, em desfavor do recorrente e tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa destinada a terceiros, sobre a remuneração paga aos segurados empregados que lhe prestaram serviços na competências 02/2007 a 03/2007, bem como 13/2008 e 13/2009, sobre a folha de pagamento não informados em GFIP. Foram apuradas ainda contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela pelo produtor rural, pessoa física, e segurado especial, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, bem como da contribuição destinada ao SENAR no período de 05/2006 a 12/2009. Segundo Relatório Fiscal (fls. 37 a 44), o lançamento corresponde ao valor da comercialização na aquisição de produtos rurais de Produtor Rural Pessoa Física – não declarado em GFIP, bem como pagamentos efetuados a segurados empregados e contribuintes individuais relacionados em Folhas de Pagamento e não incluídas em GFIP, GFIP enquadradas no código FPAS incorreto O fato gerador das contribuições apuradas correspondem: valore pagos em FOPAG no estabelecimento de Londrina, não declarados em GFIP; diferença de contribuição em função de incorreto enquadramento do FPAS (informação do 531 enquanto o correto eria 507); e sobre a comercialização de produto rural de pessoa física foram apuradas conforme o art. 30, III e IV da lei 8.212/91, a aquisição de produção rural Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 10/05/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia 11/05/2010. Não conformada com a autuação, foi apresentada impugnação, fls. 47 a 80. Foi proferida Decisão de 1 instância às fl. 102 a 111 que confirmou a procedência do lançamento, por entender a autoridade de primeira instância que a matéria objeto do lançamento e do Mandado de Segurança são distintas. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 115 a 149. Em síntese, o recorrente em seu recurso traz exatamente as smas alegações da impugnação, quais sejam: 1. Inexigibilidade do salário educação. O Decreto 1422/75 não foi recepcionado perante a CF/88, sendo que a matéria exigiria lei complementar. 2. Inexigível o SAT, posto que a lei 8212 ao instituir a contribuição previdenciária do SAT incorre em incoerência fatal, dado que tanto em relação ao contribuinte quanto ao próprio INSS, essa norma gera relações de enriquecimento sem causa. 3. Inconstitucionalidade da utilização de mesma base de cálculo de outra contribuição previdenciária. 4. Violação ao princípio constitucional da igualdade. 5. Inexigibilidade das contribuições ao SENAI e ao SESI. 6. Inconstitucionalidade da utilização da taxa SELIC como fatos de atualização monetária sobre contribuições previdenciárias. Ilegalidade da cobrança de juro sobre juros. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 10950.002203/201035 Resolução n.º 2401000.215 S2C4T1 Fl. 3 3 7. Exacerbada a multa cobrada no presente lançamento. 8. As GFIP foram devidamente entregues e corrigidas. 9. Considerando que a previdência busca a notificação de valores que não são de sua competência e que o valor fica prejudicado pelas cobranças indevidas, requer seja reconhecida a ilegalidade do lançamento. Foi realizado o desmembramento do débito, considerando que parte da matéria contida no auto de infração não foi objeto de impugnação, qual seja levantamento obre folha de pagamento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 10950.002203/201035 Resolução n.º 2401000.215 S2C4T1 Fl. 4 4 VOTO Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 151. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Apesar de terem sido apresentados e rebatidos diversos argumentos em sede de recurso, entendo haver uma questão prejudicial a continuidade do presente julgamento. Durante o procedimento foram lavrados outros dois autos de infração, onde um deles, coincide com um dos fatos geradores, qual seja o valor da comercialização na aquisição de produtos rurais de Produtor Rural Pessoa Física – não declarado em GFIP Antes mesmo de identificar os argumentos trazidos pelo recorrente, entendo que existe um ponto a ser esclarecido, conforme se vislumbrou no processo 10950002203201091. Naquele processo entendeu a autoridade julgadora de primeira instância que não existiria conflito entre a ação judicial proposta em que o recorrente ingressou com Mandado de Segurança para terlhe assegurado o direito de não subsumirse ao recolhimento prevista nos art. 25 e 30 da lei 8212/91, por entender tratarse de norma vertentemente inconstitucional. Descreveu dita autoridade que o lançamento em questão somente abarca as contribuições pela compra de produção rural dos segurados especiais, e não do produtor rural pessoa física. Contudo, ao apreciar os documentos e relatórios constantes dos autos não enxerguei tal fato com tanta clareza. Até imaginei que esse fato seria melhor esclarecido, ao apreciar os argumentos do recorrente no referido recurso, porém o mesmo resumese a repetir os mesmos argumentos da impugnação, ou seja, ainda “paira no ar”, qual o verdadeiro objeto deste AIOP. Assim, entendo pertinente converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal, nos esclareça se os fatos geradores descritos nesse lançamento dizem respeito exclusivamente a aquisição de produtores rurais pessoas físicas ou segurados especiais. Tal fato, tornase pertinente, na medida que na petição inicial em que o recorrente questiona a constitucionalidade da contribuição o mesmo deixa clara que questiona apenas a aquisição do produtor rural pessoa física, descrevendo que entende devida a contribuição quando a aquisição dáse com segurado especial. Claro é o posicionamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 1 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA NO 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 10950.002203/201035 Resolução n.º 2401000.215 S2C4T1 Fl. 5 5 Ou seja, no caso de ingresso em juízo, não será conhecida matéria que possua o “mesmo objeto”, assim, entendo deva ser esclarecido pela autoridade fiscal, se o lançamento envolve apenas a aquisição de segurado especial, pessoa física empregador, ou se o lançamento envolve sem discriminação as duas situações. CONCLUSÃO: Voto pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA, devendo ser prestadas as informações nos termos acima descritos. Do resultado da diligência, antes de os autos retornarem a este Colegiado deve ser conferida vistas ao recorrente, abrindose prazo normativo para manifestação. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 168DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE
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Numero do processo: 10680.906848/2009-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS – IRPJ.
Ano-calendário: 2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DOS DADOS. PRECLUSÃO PARA RETIFICAÇÃO. ELEMENTOS QUE PERMITEM AO FISCO AFERIR A MATERIALIDADE DO CRÉDITO INDICADO.
Em sede de processo administrativo fiscal que vise a homologação de compensação declarada, na qual o direito creditório se possa aferir pelos demais elementos e documentos fiscais apresentados, seria desarrazoado pensar que a preclusão para retificação do PERD/COMP, imponha consequências tais que acabem por negar ao contribuinte o direito de reaver o que pagou indevidamente.
Numero da decisão: 1301-000.984
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS – IRPJ. Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DOS DADOS. PRECLUSÃO PARA RETIFICAÇÃO. ELEMENTOS QUE PERMITEM AO FISCO AFERIR A MATERIALIDADE DO CRÉDITO INDICADO. Em sede de processo administrativo fiscal que vise a homologação de compensação declarada, na qual o direito creditório se possa aferir pelos demais elementos e documentos fiscais apresentados, seria desarrazoado pensar que a preclusão para retificação do PERD/COMP, imponha consequências tais que acabem por negar ao contribuinte o direito de reaver o que pagou indevidamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 2 Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG. Verificase que o presente processo administrativo se relaciona à declaração de compensação apresentada pela recorrente nos termos dos PER/DCOMPs nº 39683.92919.070605.1.7.023950 (fls. 22 27), 06383.34103.070605.1.7.028848 (fls. 35 39), 22679.28153.070605.1.7.028763 (fls. 45 49) e n° 37528.87543.070605.1.3.027420 (fls. 56 60). Segundo observase dos autos em preço, as Declarações de Compensação foram geradas pelo programa PER/DCOMP transmitidas com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente ao saldo negativo de imposto de renda apurado no ano calendário 2003 e de compensar débitos de IRPJ código receita: 236201 IRPJ — Demais PJ obrigadas a lucro real/Estimativa mensal, referente aos meses de dezembro de 2004 e de janeiro a março de 2005. Segundo assentouse, foi confirmada parcela de composição do crédito informada no PER/DCOMP no valor de R$ 15.062.540,80 (doc. 09 de fls. 136 138), um saldo negativo disponível igual a ZERO, e consequentemente a NÃO HOMOLOGAÇÃO das compensações declaradas nos já citados PER/DCOMPs e o valor correspondente aos débitos indevidamente compensados foi consolidado para pagamento em 31/03/2009 (Despacho Decisório de fl. 13). Como enquadramento legal citouse o disposto no artigo 168 do Código Tributário Nacional CTN, inciso II do § 1º do artigo 6º e artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e artigo 5º da Instrução Normativa nº 600, de 28 dezembro de 2005. Devidamente notificada do Despacho Decisório (fl. 139), a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 01 09 e 146 154), juntando os documentos de folhas 10 a 139 e 146 a 234, alegando em síntese que o erro no preenchimento do PER/DCOMP não afeta o direito material de crédito do contribuinte, e não é motivo para se concluir pela inexistência do crédito, argumentando que o Fisco tinha pleno conhecimento de que o crédito utilizado na compensação não se resumia ao equivocado valor de R$ 15.062.540,80, aduzindo que o próprio Despacho Decisório informa que a DIPJ entregue pela requerente aponta como somatório das parcelas de composição do crédito o valor de R$ 128.047.985,25. Seguiu arrazoando que ao se deparar com o equívoco no preenchimento do PER/DCOMP, o Fisco poderia retificar de ofício a declaração de compensação para fazer constar corretamente todas as parcelas que formaram o crédito tributário, de acordo com o que determina o artigo 147, § 2º, do Código Tributário Nacional, ou intimála para informar sobre a discrepância entre o preenchimento da PER/DCOMP e as informações da DIPJ/2004, Fl. 524DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.906848/200932 Acórdão n.º 1301000.984 S1C3T1 Fl. 2 3 reputando inválida a exigência dos débitos informados nos PER/DCOMPs aqui analisados, sem que o Fisco tenha verificado se realmente não existia o direito de crédito da requerente apto a extinguir esses débitos pela compensação. Referiu que o Despacho Decisório apresentavase como ato administrativo desprovido de objeto, porquanto seu efeito é justamente a formalização da exigência tributária das estimativas compensadas, ocorrendo que com o final do exercício, não há mais que se falar em relação jurídica tributária que obrigue ao pagamento das estimativas mensais, uma vez que findo o exercício fiscal o IRPJ passa a ser devido unicamente em função de sua apuração anual e, portanto, a relação jurídica que decorre do despacho decisório não mais existe, faltandolhe assim elemento essencial de validade e eficácia. No mais, refutou a exigência de juros e multa e requereu a homologação das compensações declaradas. Consta do presente processo, que em 17 de agosto de 2009 foi lavrado Termo de Vista Processual (fl. 141), com posterior anexação de documentos (fls. 146 154), na qual alegou a recorrente que ao longo de sua manifestação de inconformidade, informou que o crédito utilizado nos PER/DCOMP referiase ao saldo negativo de IRPJ do exercício de 2004 (anocalendário 2003), no valor de R$ 15.062.540,80, aduzindo ter havido erro no momento do envio do PER/DCOMP retificador 22679.28153.070605.1.7.028763, quando se registrou naquele documento a informação inexata relativa ao crédito utilizado na compensação do débito de estimativa de IRPJ de maio de 2005. Evidenciado o erro no preenchimento da declaração de compensação, afirmou a recorrente que na verdade, o referido PER/DCOMP (22679.28153.070605.1.7.02 8763), foi extinta com créditos acumulados de PIS/COFINS exportação — e não com o saldo negativo de IRPJ do anocalendário, informado indevidamente no PERDCOMP retificador 22679.28153.070605.1.7.028763, consoante se infere do processo administrativo n° 10070.000620/200591. Salientou ainda, na mesma Petição (fls 146 – 154), que reiterava as alegações aduzidas na manifestação de inconformidade no que tange à extinção dos demais débitos do presente processo, comprovando com documentos adicionais, tais como DARF e DCTF, a certeza e liquidez do seu crédito, a título de saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2003. Esclareceuse ainda, em relação ao equívoco cometido na declaração retificadora, que em 07/06/2005, enviou uma série de declarações de compensação retificadoras, informando em todas elas crédito de saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2003, ocorrendo, que dentre as compensações declaradas, vinculou equivocadamente ao crédito de saldo negativo de IRPJ, anocalendário 2003, no PERD/COMP 22679.28153.070605.1.7.02 8763 (retificador do PER/DCOMP 34390.15790.230404.1.3.02 0652, no qual iá constava o referido crédito de saldo negativo), o débito de estimativa de IRPJ, PA março de 2005 (03/2005), alterando, assim, o débito informado originariamente, a título de estimativa de IRPJ de março de 2004, ou seja, foi alterado, por erro da Requerente, o período de apuração do débito compensado de março de 2004 para março de 2005, mantendose como crédito o saldo negativo em comento. Reputou, portanto, que o crédito informado na declaração de compensação retificadora (saldo negativo de IRPJ) não foi utilizado para extinguir débito de estimativa de Fl. 525DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 4 IRPJ de março de 2005 como ali consignado, mas, sim, o débito de estimativa de IRPJ de março de 2004, conforme já estava informado na declaração retificada, concluindo que não deveria ter havido a retificação do período de apuração do débito de março de 2004 para março de 2005, pois, em verdade, o débito de estimativa de IPRJ de março de 2005 foi extinto com créditos distintos daquele constante na DCOMP retificadora de n° 22679.28153.070605.1.7.02 8763. Sustentou que a DCTF relativa ao IRPJ de março de 2005 demonstra que os créditos utilizados na compensação do débito de estimativa de IRPJ, período de apuração 03/2005, não advieram do saldo negativo de IRPJ, exercício 2004, anocalendário 2003, como registrado na equivocada DCOMP retificadora, mas, sim, de créditos acumulados de PIS/COFINS exportação, calculados sob o regime nãocumulativo das contribuições, objeto do processo administrativo n° 10070.000620/200591, apresentando planilha que sintetiza a forma de extinção da estimativa de IRPJ, período de apuração 03/05, em consonância com a DCTF, DARF e cópias extraídas do PTA n° 10070.000620/200591 que indicam a compensação com créditos diversos com os discutidos nos presentes autos. Por fim, postulou pela procedência da documentação complementar apresentada, a fim de que seja reconhecida a invalidade do Despacho Decisório, com a consequente homologação integral das compensações declaradas e extinção dos débitos por elas compensados, dada a demonstração cabal da existência do crédito utilizado, requerendo fosse cancelada a exigência do débito relativo estimativa de IRPJ, PA 03/05, uma vez que a compensação de tal débito já é objeto de outro processo administrativo em curso. O processo retornou à Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem do contribuinte conforme documentos de folhas de 236 – 241, foram anexados aos autos, nesta instância de julgamento, cópia dos Termos de Intimação recebidos pelo contribuinte em 05/09/2006 e 10/09/2007 (documentos de folhas 242 246). A 2ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG, nos termos do acórdão e voto de folhas 249 a 258, indeferiu a solicitação assentando para tanto que sua competência se limitava à apreciação da Manifestação de Inconformidade do contribuinte, em face da não homologação das Declarações de Compensação relacionadas no Despacho Decisório, por inexistência de crédito para compensação dos débitos declarados nos PER/DCOMPs. Marcados os limites objetivos da apreciação, assentou a decisão recorrida que em relação às questões atreladas à cobrança de estimativas após o término do exercício (débitos declarados e não compensados), tratase de exigência legal, prevista no § 6° do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996 e alterações posteriores e que o mesmo artigo em seus parágrafos disciplina que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente Compensados. Destacou ainda que a exigência de multa e juros decorre do atraso do cumprimento da obrigação tributária, de acordo com a legislação pertinente, esclarecendo que a autoridade fiscal (lançadora e julgadora) não pode se furtar ao cumprimento das determinações da legislação tributária, pois sua atividade é plenamente vinculada. No que tange ao crédito indicado, assentou a decisão recorrida que na análise eletrônica de créditos informados em PER/DCOMP, considerase Saldo Negativo o valor informado pelo sujeito passivo na DIPJ, no campo imposto ou contribuição a pagar, quando o somatório das antecipações efetuadas e retenções sofridas no período (parcelas de composição do crédito) superar o valor do imposto ou da contribuição devidos e que a validação do saldo negativo informado pelo sujeito passivo na DIPJ e pleiteado em restituição ou utilizado em Fl. 526DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.906848/200932 Acórdão n.º 1301000.984 S1C3T1 Fl. 3 5 declaração de compensação é realizada pela análise das parcelas que compõem o crédito informadas no PER/DCOMP. Destacou a decisão recorrida que uma vez que não foi indicada corretamente a origem do crédito tributário, no caso saldo negativo de IRPJ do Exercício 2004, não houve a validação e a verificação da exatidão do referido saldo e consequentemente não houve o reconhecimento do direito creditório, competência do Delegado da Receita Federal do Brasil de origem do contribuinte. No mais, assentouse que se aplicaria ao caso o disposto no artigo 74 da Lei n° 9.430/96, segundo o qual seria possível aferir que o procedimento de compensação é efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal, quanto do contribuinte, de sorte que, se por um lado corre contra a administração o prazo de homologação, que urna vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, de outro lado pesa sobre o contribuinte a exatidão dos valores informados, visto que analisada a DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo, destacando que em sede de exame de declaração de compensação, cabe à interessada prestar todos os esclarecimentos e as comprovações de seu pleito, porquanto o artigo 170 do CTN fixa pressuposto nuclear a ser atendido pelo contribuinte a fim de que possa ser efetivada a restituição pela Fazenda Nacional, consistente no revestimento dos créditos dos atributos de liquidez e certeza. Quanto ao suscitado erro no preenchimento do PER/DCOMP e da Retificação da DCOMP, assentou a decisão recorrida que a contribuinte alega que o dito erro não afeta o direito material de crédito, não sendo motivo para se concluir pela inexistência de crédito uma vez que o fisco tinha pleno conhecimento de que o crédito utilizado não se resumia ao equivocado valor informado podendo retificar de ofício a Declaração de Compensação para poder constar corretamente todas as parcelas que formaram o crédito tributário, passando então a dispor a comentada decisão, que em relação ao PER/DCOMP n°39683.92919.070605.1.7.02 3950 (fls. 22 27) de acordo com os documentos de folhas 242 a 246, o contribuinte fora intimado duas vezes para demonstrar corretamente as parcelas do crédito que compunham o saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ/2004, tendo sido orientado a apresentar PER/DCOMP retificador, sendo que a primeira intimação foi entregue em 05/09/2006 e a segunda em 10/09/2007, salientando a partir daí, que em ambas as oportunidades o contribuinte foi alertado de que: "Não sanada(s) a(s) irregularidade(s) apontada(s) no prazo estipulado, o PER/DCOMP em análise poderá ser indeferido/, nãohomologado". Destacou, portanto, que o Despacho Decisório objeto do presente processo foi emitido eletronicamente em 25/03/2009 sem que o contribuinte tivesse demonstrado corretamente por meio de declaração de compensação retificadora o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003, de sorte que para deslindar a questão, citou o disposto nos artigos 56, 57, 58, 59 e 73 da IN SRF n° 600, de 2005, relativamente à parte que trata da Retificação de Pedido de Restituição, de Pedido de Ressarcimento e de Declaração de Compensação e das Disposições Finais (art. 73), para então concluir que a possibilidade de se retificar o PER/DCOMP em questão precluiu com a ciência do Despacho Decisório de folha 19 que ocorreu em 02 de abril de 2009 (fl. 139), sendo que a alegação de erro de preenchimento da DCOMP não poderia ser admitida, eis que, a retificação da origem do crédito teria a mesma natureza de uma Declaração de Compensação de débitos não homologados o que não é permitido pela legislação (art. 57 da IN SRF nº 600 de 28/12/2005), que admite a retificação da DCOMP apenas quando ainda se encontrar pendente de decisão administrativa. Fl. 527DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 6 Fundamentouse, portanto, que o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da RFB, desde que respeitadas as normas vigentes para a sua utilização, destacando que a Manifestação de Inconformidade complementar de folhas 146 a 155 consistiuse em tentativa de retificar diversos erros cometidos no preenchimento dos PER/DCOMPs, e deveriam, destarte, ser apresentados antes do Despacho Decisório PER/DCOMP retificador, não havendo previsão legal para que este procedimento seja consumado em sede de manifestação de inconformidade. No que toca ao pedido de revisão de ofício, prevista no CTN, artigo 147 e mencionada na defesa, destacou a decisão recorrida que tal procedimento caberia à autoridade administrativa preparadora, e não ao órgão julgador. Destacouse ainda, que entre a ciência da lª intimação (05/09/2006) e a emissão do Despacho Decisório em 25/03/2009, ou seja, no período aproximado de 02 (dois) anos e meio, o contribuinte não apresentou PER/DCOMP retificador demonstrando todas as parcelas que formavam o saldo negativo do anocalendário de 2003, apurado na DIPJ/2004 e, portanto, ao contribuinte foi dada mais de urna oportunidade para detalhar as parcelas do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003 com a apresentação de PER/DCOMP retificador o que possibilitaria a regular análise eletrônica do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003, para o reconhecimento do crédito tributário e a consequente efetivação da compensação pleiteada nos termos do artigo 74 Lei nº 9.430/96. Devidamente notificada da decisão desfavorável (fl. 268), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 270 – 283), reiterando a existência do crédito e a necessidade de relevarse o mero equívoco de preenchimento do PERDCOMP, tecendo nesse sentido, substanciosos argumentos, aduzindo no mérito a existência do direito creditório e pugnando por provimento. É o relatório. Fl. 528DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.906848/200932 Acórdão n.º 1301000.984 S1C3T1 Fl. 4 7 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Cuidase na espécie de declaração de compensação formulada pela recorrente (fls. 22 – 27), com a indicação de crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário 2003. Pelo que se pode extrair dos autos as compensações não foram homologadas por se constatar divergências no preenchimento dos PER/DCOMP, resultando no Despacho Decisório emitido eletronicamente (fl. 19). A recorrente, por seu turno, apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 01 09 e 146 154), na qual sustentou ter havido erro no preenchimento do PER/DCOMP, situação que não afetaria o direito material ao crédito, tendo a decisão recorrida afastado a homologação das compensações ao fundamento, sintético, de que se havia transposto o prazo regulamentar para retificação das declarações de compensação e que estas, deveriam, na data do despacho decisório, refletir os requisitos de certeza e liquidez do crédito indicado. O panorama que se põe para enfrentamento, presente o incontestado fato de se ter apresentado a declaração de compensação com indicação incorreta da composição do crédito, é saber se procede a não homologação das compensações a despeito de o sujeito ativo da obrigação tributária, a quem se opõe o dito creditório, dispor de outros meio para aferir a certeza e liquidez. Para tanto, devese dividir o enfrentamento a ser realizado nesta sede, para segregar a manifestação em relação ao PER/DCOMP retificador 22679.28153.070605.1.7.02 8763 que teria versado a extinção com crédito reconhecidamente equivocado, registrando que em relação, porquanto não se trata, no caso específico desta declaração, de mero erro material no preenchimento já que espécie do crédito se relaciona à sua própria existência material. Feita essa segregação quanto ao enfrentamento, vale registrar que em relação aos demais PER/DCOMP, subsiste a indicação para extinção dos débitos ali indicados com créditos atrelados ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003. (PER/DCOMP's 39683.92919.070605.1.7.023950; 0683.34103.070605.1.7.0248;37528.87543.070605.1.3.02 7420). Sendo assim, devese perquirir se em relação estas declarações de compensação, subsiste a conclusão de que havendo apenas equívocos formais no preenchimento, de fato se imporia a não homologação. Tenho sustentado, reiteradamente, que os requisitos de certeza e liquidez a que alude o artigo 170 do Código Tributário Nacional devem ser aferíveis no momento da apresentação das declarações de compensação, ou melhor dizendo, no momento da primitiva apreciação pela autoridade administrativa, justificandose tal exigência pelo fato de tais declarações (de compensação) suspenderem por si só a exigência dos débitos indicados. Fl. 529DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 8 Esta circunstância, de imediata aferição dos requisitos autorizadores da compensação, no entanto, não se confunde, data maxima venia com o que afirmou a decisão objetada, em viabilização dos cruzamentos eletrônicos dos dados. Os requisitos são de certeza e liquidez, não contemplando, ao meu juízo, outras hipóteses de sujeição da homologação. Lanço tais considerações de forma abstrata, e apenas para firmar o posicionamento de que se ao Fisco é dado conhecer o alegado direito creditório do contribuinte, por meio de sua escrituração fiscal, ou seja, dos documentos previamente apresentados ao próprio Fisco, não me parece legítimo não enfrentar a materialidade da formulação do pretenso crédito ao mero fundamento de que na declaração de compensação não se informou, com rigor e exatidão numérica, a formulação do alegado crédito. Ora, desenganadamente os requisitos de certeza e liquidez devem ser aferidos quanto aos aspectos materiais, não que as formalidades de preenchimento e confecção da declaração não sejam importantes ou devam ser relevadas em absoluto, é que o direito de encontro de contas entre Fisco e contribuintes o transcende, porquanto reside em pagamento prévio realizado indevidamente ou em montante superior ao devido. Falamos, portanto, num direito, o de compensação, que impede o enriquecimento sem causa do sujeito ativo da obrigação tributária. Por tais razões, entendo que em sede de processo administrativo fiscal que vise a homologação de compensação declarada, na qual o direito creditório se possa aferir pelos demais elementos e documentos fiscais apresentados, seria desarrazoado pensar que a preclusão para retificação do PERD/COMP, imponha consequências tais que acabem por negar ao contribuinte o direito de reaver o que pagou indevidamente. Entendo, portanto, que estando presentes outros elementos que possibilitem a investigação dos requisitos de certeza e liquidez, compete à Autoridade Administrativa aferir a materialidade do crédito, para, a partir daí, decidir pela homologação, ou não, das compensações declaradas. Feitas estas considerações, registrando novamente que este posicionamento não abarca a compensação relativa ao PER/DCOMP retificador 22679.28153.070605.1.7.02 8763, pois ali se indicou crédito diverso e não apenas equívoco numérico ou se total ou residual do crédito negativo, verifico que no caso concreto a decisão recorrida reafirmou o conteúdo do Despacho Decisório ao fundamento de mera preclusão ao direito de retificarse a declaração de compensação, ignorando, malgrado o preenchimento equivocado dos PERD/COMP, que a recorrente sempre indicou em sua DIPJ, referente ao anocalendário 2003 (vide DIPJ, Ficha 12A fl. 73), que o imposto de renda pago por estimativa ao final do referido ano foi de R$ 128.009.007,00, e considerando que imposto de renda retido na fonte foi no valor de R$ 38.978,25, chegouse a um total de R$ 128.047.985,25. Em sendo assim, de rigor reconhecerse que tendo sido apurado como devido no referido anocalendário o valor de R$ 112.985.444,43, a recorrente apurou um crédito de R$ 15.062.540,80 a título de saldo negativo de IRPJ. Por tais fundamentos, extraídos da DIPJ apresentada ao Fisco antes da elaboração das declarações de compensação e demais comprovantes de pagamento, é que se pode concluir que o Fisco dispunha de elementos suficientes para aferir a existência material do crédito cuja extinção era pretendida por saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003, porquanto o referido saldo negativo, sempre constou na DIPJ da Recorrente. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.906848/200932 Acórdão n.º 1301000.984 S1C3T1 Fl. 5 9 Assim sendo, entendo que a decisão recorrida deve ser reformada neste tópico em particular, para assegurar que o contribuinte, a despeito de não haver retificado as declarações de compensação cuja extinção pretendeu por meio de saldo negativo de IRPJ do AC 2003 PER/DCOMPs nº 39683.92919.070605.1.7.023950, 06383.34103.070605.1.7.02 8848, e n° 37528.87543.070605.1.3.027420 , obtenha um enfretamento de mérito quanto ao seu direito creditório e, para tanto, visando conferir ao feito isonomia e evitar supressão de instâncias, encaminho meu voto no sentido de prover em parte o Recurso Voluntário, para determinar que a Autoridade Administrativa de origem se manifeste quantos aos aspectos materiais da formulação do direito creditório. Situação diversa, contudo, é do PER/DCOMP retificador 22679.28153.070605.1.7.028763¸ porquanto neste, tal como descrito no relatório, a recorrente pretendeu modificações materiais em sua declaração de compensação, tendo em vista o expediente constante na petição de folhas 146 a 154, sendo esta situação, ao meu sentir, o que se pretende evitar com a chamada “preclusão para retificação da DCOMP”. Observase que após obter vistas do presente processo, a recorrente apresentou a citada manifestação de folhas 146 a 154, segundo a qual, malgrado tenha informado que o crédito utilizado na totalidade dos PER/DCOMP aqui discutidos se apoiavam em saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003, o PER/DCOMP retificador 22679.28153.070605.1.7.028763 conteve erro no tocante à informação inexata relativa ao crédito utilizado na compensação do débito de estimativa de IRPJ de maio de 2005. Pretendeu a recorrente, portanto, demonstrar que o referido PER/DCOMP (22679.28153.070605.1.7.028763), foi extinto com créditos acumulados de PIS/COFINS exportação — e não com o saldo negativo de IRPJ do anocalendário, informado indevidamente no PERDCOMP retificador 22679.28153.070605.1.7.028763, consoante se poderia depreender do processo administrativo n° 10070.000620/200591. Vêse, sem sombra de dúvida que neste ponto em particular não se trata de mero equívoco procedimental de preenchimento, a recorrente pretende que a Fiscalização analise pretenso direito creditório absolutamente estranho a este processo administrativo, situação que indica, ao meu sentir, falta de certeza e liquidez. Não se pode perder de vista também, que diante do dito “equívoco” cometido na indicação do crédito, a própria recorrente esclareceu que o crédito informado na declaração de compensação retificadora (saldo negativo de IRPJ) não foi utilizado para extinguir débito de estimativa de IRPJ de março de 2005 como ali consignado, mas, sim, o débito de estimativa de IRPJ de março de 2004, conforme já estava informado na declaração retificada, concluindo que não deveria ter havido a retificação do período de apuração do débito de março de 2004 para março de 2005, pois, em verdade, o débito de estimativa de IPRJ de março de 2005 foi extinto com créditos distintos daquele constante na DCOMP retificadora de n° 22679.28153.070605.1.7.028763. Ora, o fato de a retificação levada a efeito ter alterado, sem necessidade, o período de apuração que se pretendeu compensar, não muda o fato de que o próprio crédito não era aquele indicado, implicando na falta de certeza e liquidez. Por tais razões, encaminho meu voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para assegurar que o contribuinte, a despeito de não haver retificado as declarações de compensação 39683.92919.070605.1.7.023950, Fl. 531DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 10 06383.34103.070605.1.7.028 48, e n° 37528.87543.070605.1.3.027420 cuja extinção pretendeu por meio de saldo negativo de IRPJ do AC 2003, obtenha um enfretamento de mérito quanto ao seu direito creditório e, para tanto, visando conferir ao feito isonomia e evitar supressão de instâncias determina que a Autoridade Administrativa DRF de origem se manifeste quantos aos aspectos materiais da formulação do direto creditório. Sala das Sessões, em 03 de julho de 2012 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 31/07/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR
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