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Numero do processo: 19740.000271/2006-23
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
APELAÇÃO DE SENTENÇA DENEGATÓRIA. CONSEQUÊNCIAS DO RECEBIMENTO NO EFEITO SUSPENSIVO. PROVIMENTO LIMINAR PREJUDICADO.
O recebimento de apelação de sentença denegatória de mandado de segurança no efeito suspensivo não gera para o impetrante a antecipação da pretensão formulada com o ingresso da ação nem implica a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, que pode ser constituído e exigido integralmente, inclusive com multa de ofício. Quando a sentença de mérito, proferida em cognição exauriente, é improcedente, resta cassado o provimento liminar.
POSTERGAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Somente se cogita de postergação de tributo relativo a determinado ano-calendário quando o contribuinte efetivamente promove, em situação de espontaneidade, o pagamento devido em exercício posterior.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. DECORRÊNCIA.
Tratando-se de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do IRPJ, constantes do mesmo processo, aplicam-se à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário.
Numero da decisão: 9101-003.947
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento (i) por voto de qualidade, em relação à postergação do pagamento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), que negaram provimento neste tema; e (ii) por unanimidade de votos, em relação à inexistência de suspensão da exigibilidade do crédito. Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, substituído pela conselheira Letícia Domingues Costa Braga. Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Viviane Vidal Wagner, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 APELAÇÃO DE SENTENÇA DENEGATÓRIA. CONSEQUÊNCIAS DO RECEBIMENTO NO EFEITO SUSPENSIVO. PROVIMENTO LIMINAR PREJUDICADO. O recebimento de apelação de sentença denegatória de mandado de segurança no efeito suspensivo não gera para o impetrante a antecipação da pretensão formulada com o ingresso da ação nem implica a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, que pode ser constituído e exigido integralmente, inclusive com multa de ofício. Quando a sentença de mérito, proferida em cognição exauriente, é improcedente, resta cassado o provimento liminar. POSTERGAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Somente se cogita de postergação de tributo relativo a determinado ano-calendário quando o contribuinte efetivamente promove, em situação de espontaneidade, o pagamento devido em exercício posterior. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. DECORRÊNCIA. Tratando-se de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do IRPJ, constantes do mesmo processo, aplicam-se à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário.
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CONSEQUÊNCIAS DO RECEBIMENTO NO EFEITO SUSPENSIVO. PROVIMENTO LIMINAR PREJUDICADO. O recebimento de apelação de sentença denegatória de mandado de segurança no efeito suspensivo não gera para o impetrante a antecipação da pretensão formulada com o ingresso da ação nem implica a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, que pode ser constituído e exigido integralmente, inclusive com multa de ofício. Quando a sentença de mérito, proferida em cognição exauriente, é improcedente, resta cassado o provimento liminar. POSTERGAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Somente se cogita de postergação de tributo relativo a determinado ano calendário quando o contribuinte efetivamente promove, em situação de espontaneidade, o pagamento devido em exercício posterior. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. DECORRÊNCIA. Tratandose de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do IRPJ, constantes do mesmo processo, aplicamse à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento (i) por voto de qualidade, em relação à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 02 71 /2 00 6- 23 Fl. 5373DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.374 2 postergação do pagamento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), que negaram provimento neste tema; e (ii) por unanimidade de votos, em relação à inexistência de suspensão da exigibilidade do crédito. Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, substituído pela conselheira Letícia Domingues Costa Braga. Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Viviane Vidal Wagner, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face da decisão proferida no Acórdão nº 1201000.762 (fls. 1.342 e segs.), pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Primeira Seção, pelo qual o Colegiado decidiu, por maioria de votos, acolher a decadência, levantada de ofício por um dos conselheiros, relativa aos fatos geradores ocorridos em 1996 e 1997 e, também por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário do contribuinte para afastar a multa de ofício e para considerar os efeitos da postergação dos tributos devidos sobre os fatos geradores ocorridos no períodobase encerrado em 31/12/2002 e pagos no ano de 2005, nos termos do voto do relator. A matéria em debate nos autos diz respeito à não adição ao lucro líquido, para apuração do lucro real dos anoscalendário entre 1996 e 2002, dos lucros auferidos no exterior, por filiais, sucursais, controladas, ou coligadas do contribuinte, conforme apuração demonstrada no Termo de Verificação Fiscal. No momento da autuação não foi exigida multa de ofício, pois o contribuinte possuía tutela recursal impeditiva, concedida em sede de Agravo de Instrumento, nos autos do Mandado de Segurança n° 2002.51.01.0244287, que tramitou perante a Justiça Federal do Rio de Janeiro. Neste Mandado de Segurança o contribuinte insurgiuse contra o art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835/2001 e solicitou a possibilidade de recolher o IRPJ e a CSLL, incidentes sobre os lucros apurados pelas controladas no exterior, somente quando de sua efetiva disponibilidade jurídica e econômica. Fl. 5374DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.375 3 A partir de diligência solicitada pela DRJ houve revisão do lançamento com lançamento complementar da multa de ofício de 75% (fls.982993), pelas seguintes razões, em síntese: a liminar pleiteada foi indeferida, o contribuinte interpôs agravo de instrumento e a desembargadora federal competente concedeu parcialmente o efeito suspensivo ativo à decisão agravada, para sustar a exigibilidade do crédito tributário até o julgamento final da ADIN nº 2.588, que apreciava a constitucionalidade do art. 74 da MP 2.15835. posteriormente, a sentença de primeira instância denegou a segurança o que levou o contribuinte a apresentar apelação, que foi recebida no duplo efeito , mas não se pronunciou acerca do pedido de manutenção do efeito suspensivo ativo outrora concedido em sede de agravo. Ao julgar a impugnação, considerando aos autos de infração originais e complementares, a DRJ decidiu em sentido contrário à pretensão do contribuinte, por entender que houve concomitância entre as esferas judicial e administrativa e que a postergação de tributo só se concretiza quando do efetivo reconhecimento e espontâneo pagamento em período posterior. Nesse contexto, decidiu, ainda, pela procedência da multa de ofício. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário a este Conselho. A Turma a quo, num primeiro momento, entendeu por bem converter o julgamento em diligência, para que a fiscalização verificasse se houve pagamento ou compensação em relação aos valores que o sujeito passivo alegou ter postergado, do ano calendário de 2002 para 2005. No retorno da diligência, a 1a Turma da 2a Câmara deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1996, 1997 DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO. PAGAMENTO A MENOR DE TRIBUTOS. FATOS GERADORES DE 1996 E 1997. Aplicase o disposto no artigo 150, parágrafo 4°, do CTN, aos fatos geradores de 1996 e 1997, visto que o lançamento ultrapassou o prazo de 5 anos. COISA JULGADA. APLICAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO DE FORMA DESFAVORÁVEL À CONTRIBUINTE. O Banco Rural ingressou com Mandado de Segurança, processo n° 2002.51010244287/ RJ, insurgindose contra o disposto no art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, pedindo a concessão de medida liminar e concessão da segurança de modos que ficasse o banco autorizado a recolher o Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro, relativamente aos lucros apurados pelas controladas no exterior, somente quando ocorrida efetivamente a disponibilidade jurídica e econômica do Fl. 5375DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.376 4 lucro, seja pela distribuição de lucros ou pelo pagamento de dividendos. Em razão da ação judicial ter transitado em julgado de forma desfavorável à empresa, o fato gerador quanto ao IRPJ e a CSLL quanto aos lucros do exterior se deram em 2002. Com isso, resta necessária a aplicação da coisa julgada. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO ADMINISTRATIVO. Não existe concomitância de ação judicial e processo administrativo. Na verdade o caso é de aplicação da coisa julgada, visto que a ação judicial já terminou de forma desfavorável à empresa. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO DE IMPOSTO. SÚMULA 36 DO CARF. Há de reconhecer a questão da postergação quanto ao pagamento do tributo, devendo ser aplicada a Súmula n° 36 do CARF aos recolhimentos e compensações feitos a partir de 2002 até a data da lavratura do Auto de Infração. MULTA DE OFÍCIO. IMPROCEDÊNCIA. Na hipótese de recebimento do Recurso em ambos os efeitos, possuindo a empresa liminar anterior deferindo a suspensão da exigibilidade, os efeitos do duplo efeito suspende os efeitos da sentença denegatória, fazendo com que o contribuinte não se submeta à imposição de penalidade. ESPONTANEIDADE. RECONHECIMENTO NO MOMENTO DOS PAGAMENTOS POSTERGADOS. O fato do contribuinte ter apresentado petição complementar durante o tempo que ficou sem prorrogação do MPF não convalida o ato específico e privativo da fiscalização, muito menos é aceitável que uma prorrogação de fiscalização de um outro processo que investigava omissão de receita com base em informações de CPMF possa fazer as vezes do MPF que deixou de ser prorrogado. Aplicação do artigo 47 da Lei n° 9.430/96. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. CSSL. Devese se dar o mesmo tratamento à CSLL quanto aos fundamentos do julgado colacionados quanto ao IRPJ. Ainda sobre o trâmite na esfera judicial, o relator do acórdão recorrido informou que: Em complemento ao narrado no relatório fiscal acima mencionado, consultando o sítio do TRF da 2ª Região, informo que a sentença denegatória permaneceu suspensa (quanto aos seus efeitos) até o julgamento do Recurso de Apelação da Fl. 5376DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.377 5 contribuinte, com a publicação do acórdão que negou provimento ao recurso em 10/06/2010. Em face do acórdão denegatório, a contribuinte interpôs Recurso Especial e Recurso Extraordinário, porém desistiu dos mesmos, sendo homologada as desistências em 08/03/2012, ocorrendo, com isso o trânsito em julgado da decisão que não reconheceu o direito da contribuinte quanto à matéria em debate. Com a ciência da decisão, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial (fls. 1.369), em que questiona basicamente dois pontos: a) A ausência de suspensão do crédito tributário e consequente manutenção da multa de ofício; b) A ausência de postergação. A Fazenda Nacional indicou como paradigma o acórdão nº 110200.029, julgado em 27/08/2009, nos autos de nº 10680.019891/200702, proferido em relação ao mesmo contribuinte e em situação análoga à do presente processo, com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 APELAÇÃO DE SENTENÇA DENEGATÓRIA CONSEQUÊNCIAS DO RECEBIMENTO NO EFEITO SUSPENSIVO O recebimento de apelação de sentença denegatória de mandado de segurança no efeito suspensivo não gera para o impetrante a antecipação da pretensão formulada com o ingresso da ação nem implica a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, que pode ser constituído e exigido integralmente, inclusive com a multa cominada para o caso de lançamento de oficio. POSTERGAÇÃO NO PAGAMENTO DE TRIBUTO CIRCUNSTÂNCIAS CARACTERIZADORAS A incorreção quanto ao período de escrituração de receita ou despesa de acordo com o regime de competência somente pode ser tratada como postergação no pagamento de tributo se dela resultar, cumulativamente, aumento do resultado positivo tributável (e não apenas diminuição do resultado negativo) e pagamento efetivo a maior de tributo. TRIBUTAÇÃO DE. LUCRO AUFERIDO NO EXTERIOR ABATIMENTO DE IRRF Do imposto incidente sobre o lucro gerado no exterior por filiais, sucursais, coligadas ou controladas, somente se permite deduzir o IRRF que tiver sido cobrado, no Brasil, nas remessas destinadas a pessoas jurídicas domiciliadas em países enquadrados entre aqueles de tributação favorecida, contanto que satisfeitas as demais exigências legais, Fl. 5377DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.378 6 LANÇAMENTO DECORRENTE CSLL O decidido para o lançamento de IRRJ estendese ao lançamento que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso, Em síntese, os argumentos do recurso especial são os seguintes: a) DA AUSÊNCIA DE SUSPENSÃO DO CRÉD1TO TRIBUTÁRIO E CONSEQUENTE MANUTENÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO O Contribuinte alega que estava amparado por decisão judicial suspensiva do credito tributário à data do lançamento. O Contribuinte se vale do fato de que sua apelação em Mandado de Segurança foi recebida nos efeitos suspensivo e devolutivo. Ocorre que a sentença que indeferiu o Mandado de Segurança revogou a liminar que, precariamente, havia sido deferida pelo TRF 2a Regido em sede de Agravo de Instrumento e que suspendia o crédito tributário. Neste mesmo sentido, ou seja, de que a sentença superveniente prevalece em face de liminar anteriormente concedida se manifestou o próprio TRF 2a Regido. Esta é a conclusão que se tira das decisões proferidas na Ação Cautelar Inominada ajuizada pelo Contribuinte visando à suspensão da cobrança de IRPJ e CSLL. Ressaltese: o próprio Contribuinte sabia que não estava amparado por decisão judicial (apelação recebida com duplo efeito), vez que buscou, por meio de Cautelar, obstar a cobrança dos citados tributos. A referida manobra, todavia, não surtiu efeitos. O TRF 2a Regido extinguiu a medida cautelar manejada sob a seguinte fundamentação, verbis: (...) Melhor sorte não mereceu os embargos de declaração e o agravo interno apresentados pelo Contribuinte contra a decisão acima. A íntegra destas decisões segue anexa ao presente Recurso (Doc. 02). A conclusão não pode ser outra sendo a de que o Contribuinte não estava amparado por qualquer decisão judicial que suspendesse o Crédito Tributário. Logo, o lançamento da multa de ofício se mostrou perfeitamente cabível. b) DA AUSÊNCIA DA POSTERGAÇÃO ALEGADA A respeito da postergação, cumpre analisar o teor do art. 6.° do DecretoLei n.°1.598, de 26/12/1977: (...) Fl. 5378DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.379 7 Em sintonia com essa regra, o Parecer Normativo Cosit n.° 02, de 28 de agosto de 1996, firmou no seu item 6.1 que: "Considerase postergada a parcela de imposto ou de contribuição social relativa a determinado períodobase, quando efetiva e espontaneamente paga em períodobase posterior". E no item 6.3 do citado Parecer consta o seguinte: "A redução indevida do lucro líquido de um período base, sem qualquer ajuste pelo pagamento espontâneo do imposto ou da contribuição social em períodobase posterior, nada tem a ver com a postergação, cabendo a exigência do imposto e da contribuição social correspondentes, com os devidos acréscimos legais." Depreendese dos atos normativos em evidência que a postergação exige dois requisitos indispensáveis a sua caracterização: 1) pagamento espontâneo e 2) pagamento comprovado, ambos ocorridos no período base posterior. Como já exposto, o acórdão recorrido à fl. 1.259 reconheceu que não houve pagamento de tributo no caso dos autos. Desse modo, não havendo resultado positivo no anocalendário de 2005, deve ser adotada a tese adotada no acórdão paradigma no sentido de que falta de pagamento efetivo do tributo impede o reconhecimento da postergação do pagamento. Não há respaldo, portanto, para o reconhecimento da postergação do pagamento do imposto. O recurso fazendário foi admitido quanto à manutenção da multa de ofício por meio do despacho de fls. 5.288. Posteriormente, foi proferido despacho complementar para analisar o seguimento em relação à matéria "ausência de postergação em face da inexistência de pagamento do tributo". Este segundo despacho, de fls. 5.346 também decidiu pelo seguimento, de sorte que o recurso especial foi admitido integralmente. Por seu turno, o contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 5.297) e contrarrazões complementares (fls. 5.358), nas quais defende o não conhecimento do recurso fazendário e, de modo subsidiário, seu não provimento em relação às duas matérias admitidas. É o relatório. Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despachos de fls. 5.288 e 5.346, e o contribuinte, em contrarrazões, defendeu que este não deve ser conhecido, por não atender aos preceitos regimentais. Passo a aanlisar. Fl. 5379DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.380 8 Como se sabe, a admissibilidade do recurso especial está condicionada ao atendimento das condições previstas no art. 67 do RICARF: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (...) § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. Como relatado, as duas matérias em debate tratam da manutenção da multa de ofício e da possibilidade de postergação dos tributos devidos em 2002 para o anocalendário de 2005. A Fazenda Nacional indicou no recurso especial um paradigma (acórdão nº 110200.029), que comprovaria o dissídio jurisprudencial nos dois casos, posto tratarse de acórdão proferido pela 2a Turma da 1a Câmara que analisou autuação do mesmo contribuinte sobre os mesmos fatos, só que relativa a exercícios posteriores (2003 e 2004), enquanto que no presente processo cuidase dos anoscalendário entre 1996 e 2002. No que tange à possibilidade de exigência da multa de ofício, ante a suposta suspensão da exigibilidade do crédito tributário, o acórdão recorrido entendeu que: Já quanto à multa de ofício, entendo que o lançamento, quando fora realizado, encontravase com a suspensão da exigibilidade, por força de liminar que se sustentou diante da suspensão dos efeitos da sentença denegatória. Portanto, o lançamento fiscal fere flagrantemente o referido dispositivo ora mencionado, o que o macula de vício material em razão de ilegalidade, pois feriu o artigo 63 da Lei n° 9430/96, que dispõe: (...) Mesmo que em momento seguinte tenha sido julgado o Recurso de Apelação da contribuinte para manter os efeitos denegatórios da sentença, fato é que no momento do lançamento havia a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em razão de liminar que se sustentou com a suspensão dos efeitos da sentença, não se convalidando o ato de ilegalidade com a publicação do acórdão do TRF. Em sentido diverso, o acórdão paradigma (não reformado na data da interposição do recurso) entendeu ser cabível a manutenção da multa de ofício, pois não havia medida que determinasse a suspensão da exigibilidade do crédito tributário: Fl. 5380DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.381 9 No caso sob estudo, Banco Rural insurgiuse contra a tributação em relação aos lucros auferidos no exterior, na forma do art. 74 da MP 2.15835, pleiteando que a tributação se desse por ocasião da disponibilização, na forma da legislação precedente. Ao acorrer ao Poder Judiciário, o Banco buscou alterar uma situação jurídica que o obrigava oferecer à tributação o lucro referente às controladas/coligadas no exterior tão logo apurados. Uma decisão denegatória não altera a situação em que se encontrava o impetrante antes de acorrer ao Judiciário. O efeito suspensivo da apelação, por conseguinte, em nada o favorece, pois não tem o condão de alterar, ainda que provisoriamente, a decisão recorrida. O efeito suspensivo adia a execução do comando emergente da decisão impugnada. Como da decisão denegatória em MS não emerge nenhum comando, o efeito suspensivo não traz nenhum benefício ao impetrante. Portanto, não havendo manifestação do Poder Judiciário suspendendo a exigibilidade do crédito, não merece acolhida o pleito do Recorrente, no sentido de afastar a multa de ofício. Além disso, não constando qualquer informação sobre eventual concessão de tutela antecipada, em sede de recurso, para impedir a imediata exigência do crédito, não há, também, como acolher o pleito de "manter" a suspensão da exigibilidade do crédito. A leitura dos fundamentos e conclusões adotados pelas duas decisões colidentes, em relação ao mesmo contribuinte e aos mesmos fatos, evidencia a divergência jurisprudencial, razão pela qual o recurso fazendário deve ser admitido quanto a este ponto. A segunda matéria em discussão diz respeito à possibilidade de se considerar a não disponibilização dos lucros auferidos no exterior até 2002, como postergação dos tributos que compuseram o resultado de 2005. O acórdão recorrido entendeu que se tratava de efetiva postergação, com os seguintes fundamentos: Inicialmente, diante da coisa julgada nos autos do Mandado de Segurança ajuizado, que reconheceu a constitucionalidade do artigo 74 da MP n° 2.15835/2001, caberia a esse julgador considerar que os lucros auferidos do exterior devem ser tributados em 2002. Contudo, houve um incidente no presente processo, qual seja a contribuinte acabou adicionando os lucros auferidos do exterior relativos a controladas em 2005, quando possuía grande valor de saldo negativo de tributos, utilizandose de tais saldos para pagar o IRPJ e a CSLL incidentes sobre esses lucros. Diante disso, os autos baixaram em diligência e houve a confirmação das compensações, seja em razão de crédito decorrente de IRFonte em operações de remessa ao exterior, seja em relação a dedutibilidade de valores do PAT etc. Fl. 5381DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.382 10 Como já dito nessa decisão, se a Fazenda discorda das compensações, deveria ter lançado os valores utilizados na compensação relativos ao ano de 2005. No caso em julgamento o que devemos avaliar é se os lucros relativos a 1996 a 2002 foram ou não tributados, ou seja, adicionados como lucro para fins de incidência do IRPJ e da CSLL. Segundo o relatório de fiscalização/diligência os lucros do exterior não foram tributados, a despeito de buscar impor outros questionamentos, que deveriam ser feitos pela via própria atendendo o artigo 142 do CTN. Assim, entendo que cabe aqui exigir do contribuinte os débitos fiscais cobrados no lançamento em análise, mas considerar a questão da postergação do pagamento do tributo até a data do encerramento da fiscalização, quando na verdade em 31 de dezembro de 2005 o contribuinte adicionou o seu lucro relativo a anos anteriores para pagamento de prejuízos apurados no exercício de 2005, devendo ser aplicado o disposto na Súmula n° 36 do CARF: Súmula CARF nº 36: A inobservância do limite legal de trinta por cento para compensação de prejuízos fiscais ou bases negativas da CSLL, quando comprovado pelo sujeito passivo que o tributo que deixou de ser pago em razão dessas compensações o foi em período posterior, caracteriza postergação do pagamento do IRPJ ou da CSLL, o que implica em excluir da exigência a parcela paga posteriormente. Já o referido acórdão paradigma, ao analisar a questão da postergação em relação aos mesmos fatos com expressa menção, inclusive aos presentes autos , só que para exercícios posteriores (objeto da autuação naquele processo), entendeu que: Assim, qualquer que seja o resultado do julgamento do processo administrativo relativo ao anocalendário de 2002, a autoridade fiscal comprovou nos autos que os tributos que deixaram de ser pagos para os anoscalendário de 2003 e 2004 não se encontravam efetivamente pagos juntamente com os tributos relativos ao anocalendário de 2005, descabendo o tratamento de simples postergação. Demonstração análoga, feita a seguir em relação à CSLL, evidencia que também para essa exação, mesmo desconsiderando o ajuste relativo aos anos calendário até 2002, a situação de não pagamento não se altera. Refazendo a demonstração da base de cálculo da CSLL contida às fls. 63 do processo, para excluir apenas os lucros do exterior referentes aos anoscalendário de 2003 e 2004 (R$ 69.902,453,13), constatase que, em lugar de base positiva de R$ 57.004.527,00 declarado pelo contribuinte seria apurada base negativa de (R$ 12.897.926,10) Essa alteração de resultado positivo para negativo poderia levar à caracterização de uma postergação, pois significaria que a inclusão dos lucros referentes a 2003 e 2004 efetivamente contribuiu para o resultado positivo apresentado pela autuada Fl. 5382DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.383 11 em 2005. Todavia, para concluir pela efetividade da postergação, é necessário averiguar se houve efetivo pagamento a maior do tributo. Na sequência, o acórdão paradigma refaz os cálculos do anocalendário de 2005 para concluir que não houve pagamento e que, em verdade, foram efetuadas compensações com outros tributos. A similitude fática e a presença de conclusões divergentes nas decisões também restam evidenciadas quanto a este ponto. O contribuinte, em contrarrazões, pugnou pelo não conhecimento do recurso fazendário em relação à postergação, por defender que a decisão recorrida aplicou o entendimento da Súmula CARF nº 36 (que trata de compensação de IRPJ e CSLL acima do limite de 30%), o que inviabilizaria a utilização do paradigma indicado. Contudo, conforme excertos acima transcritos, verificase que o voto condutor da decisão recorrida empregou a inteligência da parte final da Súmula CARF nº 36 para lastrear a tese de postergação. Ocorre que não se discute nos autos a questão da trava (ou excesso de compensação) dos 30%, visto que nem o Termo de Verificação Fiscal nem os autos de infração (fls. 558 e seguintes) abordam este ponto. Assim, sem prejuízo do julgamento de mérito, entendo que o recurso fazendário deva ser integralmente conhecido, nos moldes do que decidiram os respectivos despachos de admissibilidade. Quanto ao mérito, no que tange à postergação, aduz a recorrente que o acórdão recorrido reconheceu que não houve pagamento de tributo nem resultado positivo no anocalendário de 2005, razão pela qual não foram preenchidos os requisitos indispensáveis à figura: a) pagamento espontâneo e b) efetiva comprovação deste pagamento. A matéria encontrase regulada pelo art. 6o, do DecretoLei nº 1.598/77: Art 6º Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. § 1º O lucro líquido do exercício é a soma algébrica de lucro operacional (art. 11), dos resultados não operacionais, do saldo da conta de correção monetária (art. 51) e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial. § 2º Na determinação do lucro real serão adicionados ao lucro líquido do exercício: a) os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; b) os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de Fl. 5383DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.384 12 acordo com a legislação tributária, devam ser computados na determinação do lucro real. § 3º Na determinação do lucro real poderão ser excluídos do lucro líquido do exercício: a) os valores cuja dedução seja autorizada pela legislação tributária e que não tenham sido computados na apuração do lucro líquido do exercício; b) os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, não sejam computados no lucro real; c) os prejuízos de exercícios anteriores, observado o disposto no artigo 64. § 4º Os valores que, por competirem a outro períodobase, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do exercício, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente. § 5º A inexatidão quanto ao períodobase de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, correção monetária ou multa, se dela resultar: a) a postergação do pagamento do imposto para exercício posterior ao em que seria devido; ou b) a redução indevida do lucro real em qualquer períodobase. § 6º O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao períodobase de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período base a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 4º. § 7º O disposto nos §§ 4º e 6º não exclui a cobrança de correção monetária e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência. (grifouse) Na esteira do citado dispositivo, o Parecer Normativo Cosit n° 02/96 estabelece que: Item 6.1 Considerase postergada a parcela de imposto ou de contribuição social relativa a determinado períodobase, quando efetiva e espontaneamente paga em períodobase posterior. (...) Fl. 5384DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.385 13 Item 6.3 A redução indevida do lucro líquido de um período base, sem qualquer ajuste pelo pagamento espontâneo do imposto ou da contribuição social em períodobase posterior, nada tem a ver com a postergação, cabendo a exigência do imposto e da contribuição social correspondentes, com os devidos acréscimos legais. Notese que o acórdão recorrido decidiu em sentido diverso da conclusão da autoridade fiscal diligenciada (distinta daquela que efetuou os lançamentos, por conta de mudança de domicílio), que foi chamada a prestar informações acerca dos procedimentos do contribuinte. A diligência tinha como objetivo, conforme deliberação do CARF: Que a Fiscalização verifique se houve o pagamento ou a compensação em relação aos valores que o sujeito passivo alega ter postergado do anocalendário de 2002 para 2005. Inerente à verificação do pagamento há a questão da espontaneidade do contribuinte ao promover as adições no anocalendário de 2005. Nesse contexto, a diligência concluiu que (fls. 1.273 e ss.): II DA ESPONTANEIDADE DO CONTRIBUINTE O Mandado de Procedimento Fiscal emitido pela DeinfRJ que determinou a fiscalização do Banco Rural abarcava as fiscalizações do Imposto de Renda e da Contribuição, Social sobre o Lucro Líquido (fls. 01). Posteriormente, foram os procedimentos fiscais ampliados para a fiscalização da CPMF dos anos de 1998 e 2001, fls. 1.131 a 1.133. Em seu recurso ao CARF, o contribuinte alegou que se encontrava espontâneo quando ofereceu à tributação, em 31/12/2005, os lucros auferidos no exterior por suas controladas no período de 1996 a 2005. Afirmou, ainda, que recebeu intimação em 10/10/2005 (fls. 359), tendo sido novamente intimado somente em 23/01/2006 (fls. 373). Concluiu, com base nestas afirmativas, que havia um lapso temporal maior que 60 dias entre as intimações lavradas pela autoridade fiscal, e que, nos termos do artigo 7o do parágrafo 2o do Decreto 70.235/72, readquiriu a espontaneidade para efetivar a tributação dos lucros auferidos no exterior. Nesta linha de pensamento, continuou afirmando que em face de sua espontaneidade; de ter oferecido à tributação os lucros auferidos no exterior por suas controladas; e de ter efetivamente pago o IRPJ e a CSLL devidos pela inclusão de tais lucros, que era nulo o auto de infração, visto que não haveria falta de recolhimento de tributo, mas sim sua postergação, sendo devido apenas os juros e encargos moratórios pela postergação. A afirmativa acerca do pagamento é o objeto específico do questionamento da autoridade julgadora. Quanto à primeira afirmativa, de que se encontrava espontâneo pela ausência de intimação por prazo superior a 60 dias é pertinente prestar Fl. 5385DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.386 14 alguns esclarecimentos, visto que o Processo Administrativo Fiscal é informado pelo princípio da verdade material e que as Autoridades Julgadoras poderiam julgar este processo sem todas as informações necessárias para o julgamento da lide. Verificamos no processo e constatamos que realmente existia um lapso temporal que poderia induzir a conclusão de que o contribuinte havia readquirido a espontaneidade, transcorridos 60 dias da intimação lavrada em 10/10/2005. Mas, sabedores do cuidado com que a fiscalização foi realizada, achamos estranho tal lapso e então com vista a esclarecer essa alegação do contribuinte, contatamos o auditor fiscal responsável pela fiscalização, hoje lotado na DEMAC/RIO, para que fosse confirmado ou não as afirmações do contribuinte. Em resposta a chefia da Divisão de Fiscalização da DEMAC/RIO enviou memorando n° 019/2010/DEMAC /RJO/ DIFIS (fls. 1.095 a 1.108), através do qual nos foram encaminhados 3 (três) Termos de Intimação datados de 07/11/2005, 13/12/2005 e 03/05/2006 que não constaram no presente processo, por uma confusão do AFRFB responsável pela lavratura do auto de infração que os incluiu somente no processo referente ao auto de infração da CPMF. Como pode ser comprovado, o Termo de Intimação de 07/11/2005 trata de questionamentos acerca da CPMF, que não é a matéria tratada no presente processo. Assim sendo, existindo Termo de Intimação lavrados em 07/11/2005 e 13/12/2005, e como o contribuinte foi novamente intimado em 27/01/2006, concluise que não é verdadeira a afirmação do contribuinte de que se encontrava espontâneo no momento em que ofereceu à tributação os lucros auferidos no exterior dos anoscalendário de 1996 a 2005, visto que não ocorreu o lapso de 60 dias entre atos de ofício que indiquem a continuidade da fiscalização, como previsto no art. 7o, § 2o do decreto n° 70.235/1972. (g.n) Como o pagamento espontâneo do contribuinte é um dos requisitos para a postergação, convém reproduzir a imagem do memorando citado pela diligência: Fl. 5386DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.387 15 Assim, como a intimação de 07/11/2005, que tratava de procedimento adicional no mesmo MPF, relativo à CPMF, resta evidente que as intimações com ciência em 13/12/2005 e 23/01/2006 impedem que seja reconhecida a espontaneidade do contribuinte no momento em que este procedeu aos ajustes de lucros no exterior (31/12/2005). Segue a reprodução das duas intimações (fls. 1.119 e 1.209): Fl. 5387DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.388 16 Fl. 5388DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.389 17 Como as intimações ocorreram no escopo do mesmo MPF, sem qualquer solução de continuidade, é forçoso concluir que não houve a interrupção de 60 dias reclamada pelo contribuinte e aceita pelo acórdão recorrido. Destaquese, ainda, que a ciência em 07/11/2005 foi dada ao superintendente da empresa, Sr. Glaydson Cardoso, que é o signatário do recurso voluntário e das contrarrazões apresentadas, o que indica que o contribuinte tinha pleno conhecimento do normal andamento da fiscalização e da impossibilidade de exercer direitos decorrentes da espontaneidade. Embora as conclusões acima apresentadas já sejam suficientes para o deslinde da questão, convém, ainda, reproduzir a manifestação da autoridade diligenciante em relação às compensações promovidas pelo contribuinte: IRPJ DOS PAGAMENTOS E COMPENSAÇÕES EFETUADOS PELO CONTRIBUINTE Analisando a DIPJ do anocalendário de 2005, número da declaração 1254763, entregue pelo contribuinte em 30/06/2006, portanto, anterior à lavratura, em 15/08/2006, do Auto de Infração, podemos constatar o que se segue. Fl. 5389DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.390 18 O contribuinte apura seus resultados pelo lucro real, levantando balanços de suspensão e redução para o cálculo das estimativas mensais. Para o anocalendário de 2005 o contribuinte informou na ficha 9B (Demonstração do Lucro Real) um lucro real de R$ 66.183.047,63. Chegou a este valor ao adicionar R$ 184.244.779,62 a título de "lucros disponibilizados no exterior". Desse total, R$ 90.416.435,32 referese aos lucros do período de 1996 a 2002 e R$ 93.828.344,10 aos lucros do período de 2003 a 2005. Portanto, se excluirmos estes lucros auferidos no exterior, referentes aos períodos de apuração de 1996 a 2005, o resultado fiscal do IRPJ no anocalendário de 2005 seria um prejuízo de RS 118.061.731,99. Os registros das fichas 11/dezembro (Cálculo do Imposto de Renda Mensal Por Estimativa) e 12B (Cálculo do Imposto de Renda anual) foram preenchidos pelo contribuinte como demonstrado abaixo: DISCRIMINAÇÃO DEZEMBROR$ 1 Base de Cálculo do Imposto de Renda 66.183.047,63 2 Imposto à alíquota de 15% 9.927.457,14 3 Adicional 6.594.304,76 5 Deduções de incentivos fiscais 537.296,80 6 Imp. de renda devido em meses anteriores 2.512.121,42 8 Imposto pago no exterior s/lucros, rend. e ganhos de capital 15.984.465,10 11 Imposto de Renda a Pagar 2.512.121,41 FICHA 12B CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA DISCRIMINAÇÃO VALOR 1 IMPOSTO DE RENDA 9.927.457,14 2 ADICIONAL 6.594.304,76 3 Operações de Caráter Cultural e Artístico 391.016,87 4 Programa de Alimentação do Trabalhador 146.279,93 5 Fundos dos Direitos da Criança e do Adolencente 6 Imposto s/ Lucros, Rend. e Ganhos de Capital de ligadas no exterior 13.757.153,02 8 Imposto de Renda Retido na Fonte 2.658.069,26 9 Imposto de Renda Retido por Órgão Públ. Fundações 43.146,68 12 Imposto de Renda Mensal Pago Estimativa 18.496.586,52 14 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 18.970.490,37 O valor registrado na linha 05 da ficha 11, no montante de R$ 537.296,80, corresponde aos incentivos fiscais decorrentes do Programa de alimentação do Trabalhador PAT e operações de caráter cultural e artístico. O valor registrado na linha 06 da ficha 11, no montante de RS 2.512.121,42, é decorrente da estimativa do mês de janeiro de 2005. Tal débito foi informado em DCTF e sua liquidação vinculada a dois pedidos de compensação feitos através de PER Fl. 5390DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.391 19 DCOMP e que, após diversas retificações, encontramse, atualmente, aguardando análise para homologação dos pedidos. Acerca do valor registrado na linha 08 da ficha 11, no montante de R$ 15.984.465,10, decorrente do imposto de renda pago no Brasil sobre remessas de juros feitas pelo Banco Rural em favor de suas controladas situadas no exterior, a fiscalizada apresentou planilhas de fls. 335 a 343 demonstrando o valor pleiteado. As controladas beneficiárias de tais remessas são Rural International Bank Ltd, situado nas Brahamas, IFE Banco Rural Uruguay S.A., situado no Uruguai e Banco Rural Europa S.A., situado na Ilha da Madeira. As disposições legais acerca do aproveitamento do imposto de renda sobre os rendimentos auferidos por coligadas e controladas no exterior foram tratadas inicialmente pela Lei n° 9.249/95 que, em seu artigo 26, previu o aproveitamento do imposto, INCIDENTE NO EXTERIOR. Os parágrafos do referido artigo impuseram algumas regras para a utilização deste imposto, sendo a principal o limite estabelecido no §1°, conforme transcrito abaixo: (...) Seguindo as determinações do artigo 9o da MP 2.158/01 e da IN SRF 213/2002 elaboramos o quadro abaixo, onde fica demonstrado o limite do Imposto de Renda compensável englobando o período de 1996 a 2005, caso o entendimento seja de que o contribuinte estava espontâneo para oferecer à tributação em 31/12/2005 de todos os lucros auferidos no período de 1996 a 2005. Ressaltamos que os limites foram calculados INDIVIDUALIZADAMENTE, em atendimento aos dispositivos legais já acima mencionados: APURAÇÃO DO LIMITE DE IRPJ COMPENSÁVEL NO ANO CALENDÁRIO DE 2005 Fl. 5391DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.392 20 No quadro anterior o valor do lucro real sem os resultados do exterior foi obtido subtraindo o somatório dos lucros auferidos no exterior do período de 1996 a 2005, no montante de R$ 184.244.779,42 do valor declarado de lucro real R$ 66.183.047,63. Analisando tal quadro, concluise que ao adicionar, separadamente, os lucros auferidos no exterior pelas controladas do Banco Rural, não foi apurado qualquer imposto de renda passível de compensação e por conseqüência, também não há qualquer valor excedente de imposto de renda que possa ser compensado com a CSLL apurada com a adição dos lucros auferidos no exterior pela controladas do Banco Rural. Assim sendo, o valor de R$ 15.984.465,10, registrado pelo contribuinte na linha 08 da ficha 11 da DIPJ do ano calendário de 2005 está incorreto, visto que o limite de compensação do imposto de renda sobre o envio de remessas de lucros para suas controladas é zero, como anteriormente demonstrado. Na ficha 12B, as linhas 03 e 04 referemse aos incentivos fiscais admitidos, PAT e Operações de Caráter Cultural e Artístico. O valor registrado na linha 08 "Imposto de Renda Retido na Fonte", no montante de R$ 2.658.069,26 é decorrente de Fl. 5392DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.393 21 retenções sofridas pelo Banco Rural e cujas origens estão abaixo relacionadas. Tais valores estão comprovados pelas telas do sistema DIRF que anexamos às folhas 1.121 a 1130. O valor registrado na linha 9 "Imposto de Renda Retido por Órgão Público e Fundações", no montante de R$ 43.146,68, referese as retenções efetuadas pela Secretaria da Receita Federal e INSS por serviços prestados pelo contribuinte. O valor informado na linha 12 como "Imposto de Renda Mensal Pago Estimativa" no montante de R$ 18.496.586,52, é a somatória das linhas 06 e 08 da Ficha 11. Conforme já anteriormente citado, o valor de R$ 15.984.465,10 informado pelo contribuinte é insubsistente em face da legislação aplicável, permanecendo tão somente a estimativa de janeiro informada na DCTF no valor de R$ 2.512.121,42. Quanto ao valor informado na linha 06 da ficha 12B, "Imposto s/ Lucros, Rend. e Ganhos de Capital de ligadas no exterior" no montante de RS 13.757.153,02, vale o mesmo raciocínio utilizado no cálculo da estimativa de dezembro. O limite para compensação é zero, portanto, não há imposto passível de compensação proveniente de retenções efetuadas quando das remessas de juros para as controladas do Banco Rural situadas no exterior. Assim sendo, estamos reconstituímos abaixo as fichas 11 e 12B com as alterações necessárias. Ressalvamos novamente que esta análise aplicase para o caso de se considerar que o Banco Rural encontravase espontâneo em 31/12/2005 para oferecer à tributação a totalidade dos lucros auferidos no exterior no período de 1996 a 2005. Fl. 5393DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.394 22 Da análise do quadro acima, concluise que o contribuinte ao adicionar os lucros auferidos pelas controladas situadas no exterior dos anos de 1996 a 2005, deixou de efetuar a liquidação do imposto de renda devido. Esta não liquidação do IRPJ devido é resultante do descumprimento da legislação de regência. Basicamente, o contribuinte ignorou completamente as regras sobre o aproveitamento do imposto de renda retido no Brasil sobre as remessas para as controladas no exterior, como anteriormente citado. Assim sendo, no entender desta fiscalização, não há que se falar em postergação de imposto de renda como alegado pelo contribuinte, seja porque ele não se encontrava espontâneo para oferecer à tributação os lucros auferidos no exterior por suas controladas no período de 1996 a 2002, seja porque não houve o efetivo pagamento do IRPJ devido no país quando do oferecimento à tributação de tais lucros. Caso, da análise dos elementos anexados ao presente processo, a decisão seja por considerar que de fato o Banco Rural não se encontrava espontâneo para oferecer à tributação, em 31/12/2005, os lucros auferidos no exterior por suas controladas, permanece sem alterações os valores lançados pela DEINF/RJO referentes aos lucros de 1996 a 2002, consubstanciada nos Autos de Infração constante deste processo, e os valores lançados através dos Autos de infração constantes do processo n° 10680.019891/200702, referentes ao período de 2003 a 2005. Em relação à CSLL a autoridade diligenciante adotou o mesmo procedimento (conforme relatório às fls. 1.247 a 1.250) para concluir que: Da análise do quadro acima, concluise que o contribuinte ao adicionar os lucros auferidos pelas controladas situadas no Fl. 5394DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.395 23 exterior dos anos de 1996 a 2005 na base de cálculo da CSLL deixou de efetuar a liquidação da contribuição devida. Esta não liquidação da CSLL devida é resultante do descumprimento da legislação de regência. Basicamente, o contribuinte ignorou as regras sobre o aproveitamento do saldo de imposto de renda retido no Brasil sobre as remessas para as controladas no exterior, como anteriormente citado. Assim sendo, no entender desta fiscalização, não há que se falar em postergação de CSLL como alegado pelo contribuinte, seja porque ele não se encontrava espontâneo para oferecer à tributação os lucros auferidos no exterior por suas controladas no período de 1996 a 2002, seja porque não houve o efetivo pagamento da CSLL devida no país quando do oferecimento à tributação de tais lucros. Nesse contexto, diante dos fatos e do raciocínio desenvolvido pela autoridade diligenciante, cuja conclusões não foram contestadas pelo voto condutor (que apenas entendeu que a resposta da fiscalização corroborava a posição da postergação, quando, data maxima venia, pareceme exatamente o contrário), fazse necessário acolher, quanto a este ponto, o recurso formulado pela Fazenda Nacional, ante a constatação de que a hipótese dos autos não se enquadra na figura da postergação, tanto pela falta de espontaneidade dos procedimentos adotados pelo contribuinte como pela não comprovação de que houve efetivo pagamento ou compensação em relação aos lucros auferidos por controladas no exterior para o período autuado, descontandose, obviamente, os exercícios de 1996 e 1997, já fulminados pela decadência, como reconhecido pela decisão recorrida, matéria que já transitou em julgado na esfera administrativa. Em relação ao segundo ponto do recurso fazendário, que diz respeito à inexistência de suspensão da exigibilidade do crédito, decorrente do mandado de segurança apreciado pelo Poder Judiciário, cabem algumas considerações. Inexiste controvérsia quanto ao trâmite do processo, mas apenas discussão teórica acerca do efeito suspensivo em relação aos tributos em debate. Assim, convém reproduzir, sucintamente, a sequência das decisões proferidas. O contribuinte ingressou com Mandado de Segurança em dezembro de 2002, processo n° 2002.51010244287/RJ, contra o disposto no art. 74 da Medida Provisória n° 2.158 35/2001. Pediu a concessão de medida liminar e segurança para que o banco fosse autorizado a recolher o IRPJ e a CSLL, relativamente aos lucros apurados pelas controladas no exterior, somente quando efetivamente ocorrida a disponibilidade jurídica e econômica dos lucros. O pedido liminar foi indeferido e, posteriormente, em sede de agravo, o TRF da 2a Região concedeu efeito suspensivo ativo à decisão agravada, sustando "a exigibilidade do crédito tributário até o julgamento da ADIN 2.558". A sentença de primeira instância denegou a segurança e, contra esta decisão, o contribuinte interpôs Recurso de Apelação, que foi recebido no duplo efeito. A Fazenda Nacional peticionou junto a Desembargadora Federal Tânia Heine para requerer: "a fim de evitar eventuais dúvidas ou questionamentos futuros, requer a Fl. 5395DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.396 24 Fazenda Nacional que V. Exa. reconheça, expressamente, a insubsistência da decisão de fls. 268, que concedeu parcialmente efeito suspensivo ativo ao agravo de instrumento, por ter a mesma restado absorvida pela aludida sentença monocrática, repitase denegatória da segurança". Em resposta à petição da Fazenda Nacional a Desembargadora Federal Tania Heine assim se manifestou: "Diante da decisão de fls. 305, resta prejudicada a de fls. 268". Diante desse cenário, pareceme óbvio que os efeitos da decisão liminar no agravo não podem subsistir depois de prolatada a sentença de primeira instância, como expressamente reconheceu a desembargadora que apreciou a questão. Sabese que a decisão de primeiro grau prejudica o agravo, por perda de objeto, o que significa dizer, no caso dos autos, que a decisão liminar e precária proferida em sede de agravo foi considerada prejudicada em face da decisão de mérito. Assim, o conhecimento (ainda que extraordinário) da apelação em seu duplo efeito em nada aproveita ao contribuinte, posto que naquele momento inexistia qualquer decisão em prol da suspensão da exigibilidade do crédito. Afinal, uma decisão denegatória não produz efeitos favoráveis à parte. Esse é o entendimento do STJ, no sentido de que, como o deferimento de pedido liminar é decisão proferida em sede de cognição sumária, podendo ter natureza cautelar ou antecipatória, a sua posterior cassação sujeita o requerente à eficácia retroativa da decisão contrária: PROCESSUAL CIVIL. INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. SUPERVENIÊNCIA DE SENTENÇA NA AÇÃO. PERDA DE OBJETO. 1. A sentença de improcedência na demanda acarreta, por si só, independentemente de menção expressa a respeito, a revogação da medida antecipatória com eficácia imediata e ex tunc. Aplicação analógica da Súmula 405/STF (denegado o mandado de segurança pela sentença, ou no julgamento do agravo, dela interposto, fica sem efeito a liminar concedida, retroagindo os efeitos da decisão contrária). 2. Nessa hipótese, restam prejudicados os recursos interpostos contra a decisão que indeferira a liminar. 3. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no Ag 586.202/SP, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 02.08.2005, DJ 22.08.2005 p. 129) e PROCESSUAL CIVIL AGRAVO REGIMENTAL RECURSO ESPECIAL E MEDIDA CAUTELAR AGRAVO DE INSTRUMENTO DECISÃO QUE DEFERE OU INDEFERE LIMINAR OU ANTECIPAÇÃO DE TUTELA PROLAÇÃO DE SENTENÇA PERDA DE OBJETO. Fl. 5396DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.397 25 1. Sentenciado o feito, perdem objeto, restando prejudicados, o recurso especial interposto de acórdão que examinou agravo de instrumento de decisão que defere ou indefere liminar ou antecipação de tutela e a medida cautelar ajuizada perante o STJ para emprestarlhe efeito suspensivo. 2. A sentença de mérito que confirma o provimento antecipatório absorve seus efeitos, por se tratar de decisão proferida em cognição exauriente; se de improcedência a sentença, resta cassado o provimento liminar. 3. Precedentes do STJ. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg na MC 9565/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 25.09.2007, DJ 08.10.2007 p. 245) Em igual sentido já dispõe há muito tempo a Súmula 405 do STF: Denegado o mandado de segurança pela sentença, ou no julgamento do agravo, dela interposto, fica sem efeito a liminar concedida, retroagindo os efeitos da decisão contrária. Ademais, é inequívoco que o próprio contribuinte sabia que a exigibilidade dos créditos não estava suspensa, tanto assim que ingressou posteriormente com ação cautelar inominada visando à suspensão da cobrança do IRPJ e da CSLL. Quando do julgamento da cautelar, a mesma desembargadora que já havia apreciado o caso em sede de agravo de instrumento, informa que os efeitos ali concedidos restaram prejudicados, com a perda de objeto decorrente da sentença em primeira instância (fls. 1.393): DECISÃO Tratase de medida cautelar, com pedido de deferimento de medida liminar, para que se suspenda a cobrança do imposto de renda e de contribuição social sobre o lucro, relativamente às controladas no exterior da Requerente, como prevê o art. 74 da MP n° 2158/35 até que o E. STF termine o julgamento da ADIN onde se discute a constitucionalidade da Medida Provisória. Relata em suas razões que impetrou mandado de segurança pleiteando a suspensão da cobrança do imposto de renda e de contribuição social sobre o lucro, relativamente às controladas no exterior, argüindo a inconstitucionalidade da MP no 2158/2001, sendo que a liminar fora indeferida. Dessa decisão foi interposto agravo de instrumento, que concedeu efeito suspensivo ao recurso, decretando a suspensão da exigibilidade do crédito tributário até o julgamento final da ADIN 2588. Ocorre que posteriormente foi proferida sentença denegatória, o que levou à perda superveniente de objeto do agravo de instrumento. Em face da sentença foi interposta apelação que foi recebida em seu duplo efeito. Ocorre que a Fazenda, em Fl. 5397DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.398 26 diligência no domicílio da Requerente, lavrou autos de infração vez que entendeu que não possuía a Autora qualquer decisão que suspendesse a exigibilidade do crédito. Alega existir doutrina defendendo a perpetuação de liminares proferidas mesmo após o julgamento por sentença do mérito. Por último, traz à colação jurisprudência que entende aplicável ao caso. A medida proposta não merece prosperar. Em breve síntese, foi indeferida liminar em mandado de segurança, havendose agravado de tal decisão, tendose concedido efeito suspensivo ao recurso. Posteriormente foi proferida sentença denegatória, tendose julgado, assim, prejudicado o agravo de instrumento. Pleiteiase agora, vez que o recurso de apelação contra a sentença proferida no mandamus foi recebido no duplo efeito, o restabelecimento do agravo de instrumento, de forma que se suspenda a cobrança das exações que se discutem no mandado de segurança. O que pleiteia o Recorrente não merece prosperar. O que se pleiteia, em realidade, a superveniência de decisão interlocutória proferida de forma precária e provisória em detrimento da proferida em sentença de mérito, ainda mais no caso concreto, onde o mandamus foi indeferido. (...) É assente na doutrina a impossibilidade de que prevaleça a liminar em desfavor de sentença. (...) Ante o exposto, com fundamento no art. 267, inc. I e VI do CPC, julgo extinta a presente medida cautelar. (g.n.) Impossível ser mais claro do que a decisão acima proferida. Ressaltese, ainda, que a decisão foi mantida em sede de embargos de declaração (fls. 1.397) e também de agravo (fls. 1.401), razão pela qual resta evidente que inexistia, ao tempo dos lançamentos, qualquer efeito suspensivo contra a exigibilidade dos créditos e, em decorrência, que é legítima a incidência da multa de ofício lavrada pela autoridade autuante. Ante o exposto, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, voto por darlhe provimento. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 5398DF CARF MF Processo nº 19740.000271/200623 Acórdão n.º 9101003.947 CSRFT1 Fl. 5.399 27 Fl. 5399DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17734.721317/2016-77
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DECLARAÇÃO RETIFICADORA
Há que se aceitar declaração retificadora entregue antes do início do procedimento fiscal, não podendo, portanto, serem caracterizados como os omissos os rendimentos nela lançados. Restando comprovado que o contribuinte deixou de lançar rendimentos em sua declaração de ajuste retificadora, há que se manter a omissão apontada pela fiscalização
Numero da decisão: 2002-000.526
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DECLARAÇÃO RETIFICADORA Há que se aceitar declaração retificadora entregue antes do início do procedimento fiscal, não podendo, portanto, serem caracterizados como os omissos os rendimentos nela lançados. Restando comprovado que o contribuinte deixou de lançar rendimentos em sua declaração de ajuste retificadora, há que se manter a omissão apontada pela fiscalização Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 73 4. 72 13 17 /2 01 6- 77 Fl. 50DF CARF MF 2 Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 22 a 27), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação por suposta omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação na Justiça Federal e omissão de rendimentos recebidos de pessoa física alugueis e outros. Tal infrações geraram lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 19.535,46, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efl. 03 a 12 dos autos, e de acordo com a decisão de DRJ: A interessada impugna lançamento do anocalendário 2014, onde foram incluídos rendimentos omitidos de R$ 8.882,53, recebidos acumuladamente em ação judicial, e aluguéis omitidos de R$ 19.535,46, pagos por pessoas físicas, resultando em imposto suplementar de R$ 4.643,54. Argumenta, em síntese, que pagara previamente ao lançamento o imposto em questão em oito cotas de R$ 580,00 em 2015, sob o código 0211. Não contesta os rendimentos omitidos. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/SDR que, por unanimidade, em 22/02/2017, no acórdão 1541.721, às efls. 40 a 41, julgou improcedente impugnação, mantendo o crédito tributário. Recurso voluntário Ainda inconformada, a contribuinte, em 11/04/2017, apresentou recurso voluntário, às efls. 47, no qual solicita a este CARF que aceite sua declaração retificadora de IRPF, já que não era de sua ciência que não podia assim proceder após o início da fiscalização. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 16/03/2017, efls. 44, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 11/04/2017, efls. 47, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Conforme os autos, o lançamento tributário foi baseado ba omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação na Justiça Federal e omissão de rendimentos recebidos de pessoa física alugueis e outros. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 17734.721317/201677 Acórdão n.º 2002000.526 S2C0T2 Fl. 51 3 A contribuinte alega que errou quando do preenchimento da Declaração de Ajuste Anual (DAA) e que a autuação deve ser afastada. Contudo, não há qualquer impugnação quanto as omissões acima descritas. A recorrente limitase a alegar que pagou o tributo devido, às efls. 5 a 12. Ressaltase que a obrigação acessória de apresentar a declaração correta é um ônus do contribuinte, que, quando preenchida erroneamente, pode ser alterada pela declaração retificadora, que substitui para todos os efeitos a primeira declaração disponibilizada a RFB. DITR. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. EFEITOS. A declaração retificadora entregue antes do início do procedimento fiscal, substitui a declaração retificada para todos os efeitos, inclusive para fins de lançamento de oficio. Portanto, qualquer procedimento de revisão de oficio e consequente lançamento deve tomar por base a última declaração retificadora apresentada. (Acórdão n°: 2201001.747 14/08/2012) A alegação de cometimento de erro pelo contribuinte não pode prosperar para fins de fiscalização, já que tem prazo bastante razoável para preenchimento da obrigação acessória, bem como para retificála. Além disso, a apresentação da retificadora é de obrigação do contribuinte e o momento de fazêlo é antes do início de qualquer procedimento fiscal, e não no curso do processo administrativo tributário. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DECLARAÇÃO RETIFICADORA Há que se aceitar declaração retificadora entregue antes do início do procedimento fiscal, não podendo, portanto, serem caracterizados como os omissos os rendimentos nela lançados. Restando comprovado que o contribuinte deixou de lançar rendimentos em sua declaração de ajuste retificadora, há que se manter a omissão apontada pela fiscalização. (Acórdão nº: 10615.643 22/06/2006) Assim, mantenho a decisão de piso, nos seguintes termos: Apesar de haver pago o imposto anteriormente ao lançamento, a contribuinte não apresentara declaração oferecendo à tributação os rendimentos omitidos. Não se formaliza assim a denúncia espontânea que afastaria a aplicação da multa de ofício. De acordo com o art. 138 do Código Tributário Nacional, é a denúncia espontânea, acompanhada do pagamento, que tem o condão de afastar a aplicação de penalidades, e não o pagamento isoladamente, desacompanhado da denúncia. Voto, assim, por manter a exigência do crédito tributário com o acréscimo de multa de ofício e juros de mora, cabendo a imputação Fl. 52DF CARF MF 4 proporcional dos pagamentos realizados pela contribuinte, conforme extrato às fls. 32/33, se disponíveis, e cobrança do saldo remanescente. Desta forma, conheço do presente Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 53DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.722573/2016-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012
REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. CISÃO PARCIAL. TRANSFERÊNCIAS DE ATIVOS MOBILIÁRIOS. PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQÜÊNCIA E SEM PROPÓSITO NEGOCIAL. EMPRESA VEÍCULO. ÁGIO DE SI MESMO GERADO INTRAGRUPO.
A outorga da dedutibilidade da amortização do ágio de cisão parcial inserida em um contexto de operações estruturadas e coordenadas em sequência no âmbito de reestruturação societária demanda que as transações estejam regularmente amparadas em atos empresariais não atingidos por manobras artificiais ou vícios sociais albergados por práticas abusivas entre companhias participantes do mesmo grupo societário.
Demonstrada a irregularidade do arranjo societário ante a ausência de propósito negocial e da artificialidade de transações engendradas intragrupo, torna imperativo a manutenção dos efeitos da glosa promovida em decorrência da configuração de ágio de si mesmo gerado derivado de operações de cisão parcial entre partes relacionadas.
DA AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO PROVENIENTE DE CISÃO PARCIAL. LAUDO DE AVALIAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO INEFICAZ DA ORIGEM E FUNDAMENTO ECONÔMICO DO ÁGIO. FLUXO FINANCEIRO INEXISTENTE. INTERMEDIAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO ENTRE PARTES RELACIONADAS. ÁGIO ARTIFICIAL. MOTIVAÇÃO IMPRÓPRIA PARA A GERAÇÃO DO SOBREPREÇO. INDEDUTIBILIDADE.
De acordo com os termos da legislação de regência, a dedutibilidade da amortização de ágio proveniente de aquisição de negócio empresarial mediante cisão parcial de pessoa jurídica demanda a plena observância dos seguintes requisitos essenciais: (i) a realização da transação societária entre partes não relacionadas e independentes; (ii) o efetiva demonstração do fluxo financeiro que evidencie o pagamento do custo aquisição celebrado entre as partes, incluindo-se o montante do ágio; (iii) demonstração do respectivo fundamento econômico do ágio gerado na operação societária que norteou a deliberação em assembleia do corpo diretivo do conglomerado, respeitada as hipóteses prescritas na legislação de regência.
Outrossim, a interpretação sistemática das normas aplicáveis mostra ser compulsório que a prova de demonstração do fundamento do ágio designe a representação fidedigna da negociação empresarial e seja contemporânea às efetivas razões da tomada de decisão pelo adquirente para celebração da relação contratual pelo preço estabelecido.
Evidenciado que o bojo das transações das companhias advém de centralização decisória da cúpula diretiva do conglomerado, não viabiliza reconhecer a pertinência da mais valia aferida no investimento societário, porquanto resultante de processo imparcial de precificação, pois desprovido negociação em ambiente de livre mercado e independência entre as partes contratantes.
As operações de arranjo societário entre companhias integrantes do mesmo grupo econômico cuja indução das transações revela-se tendente à criação de um ágio artificial destinado à redução imprópria da base imponível do imposto de renda, bem assim a obtenção vantagem tributária indevida desamparada de propósito negocial, são circunstâncias bastantes para determinar a perda da eficácia do sobrepreço avaliado e ratificar a negativa de dedutibilidade das parcelas de amortização de ágio computadas no resultado fiscal do impugnante.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2011, 2012
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. VINCULAÇÃO AO LANÇAMENTO PRINCIPAL.
Aplicam-se aos lançamentos tidos como reflexos as mesmas razões de decidir do lançamento principal (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ), em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos jurídicos ou elementos probatórios a ensejar conclusões com atributos distintos.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011, 2012
ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL NÃO RECOLHIDAS. MULTA ISOLADA. CABIMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO PERÍODO. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO INCIDENTE SOBRE O TRIBUTO APURADO COM BASE NO LUCRO REAL ANUAL.
Nos casos de lançamento de ofício, é aplicável a multa de 50%, isoladamente, sobre o valor de estimativa mensal que deixou de ser recolhido, mesmo após o encerramento do exercício, e ainda que seja apurado prejuízo fiscal e base de cálculo negativa para a CSLL no ano-calendário correspondente.
A hipótese normativa de imputação da multa isolada não se confunde com a motivação determinante de aplicação da multa de ofício, pois aquela é cabível defronte a constatação da falta de pagamento da importância devida da estimativa mensal de IRPJ e da CSLL aferida com base nos ditames do regime de apuração do lucro real anual. Tratam-se de infrações distintas e autônomas, razão pela qual ambas as sanções são passiveis atribuição concomitante em face do sujeito passivo.
Numero da decisão: 1302-003.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer da alegação, suscitada na tribuna pela recorrente, quanto à aplicação, ao caso concreto, do art. 24 da LINDB na redação dada pela Lei 13.655/2018, vencidos os conselheiros Maria Lúcia Miceli e Flávio Machado Vilhena Dias, que votaram por conhecer e rejeitar a alegação; por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade da decisão de primeiro grau, de decadência, e de nulidade da autuação por ausência de motivação; e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (relator), Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer da alegação, suscitada na tribuna pela recorrente, quanto à aplicação, ao caso concreto, do art. 24 da LINDB na redação dada pela Lei 13.655/2018, vencidos os conselheiros Maria Lúcia Miceli e Flávio Machado Vilhena Dias, que votaram por conhecer e rejeitar a alegação; por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade da decisão de primeiro grau, de decadência, e de nulidade da autuação por ausência de motivação; e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (relator), Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011, 2012 REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. CISÃO PARCIAL. TRANSFERÊNCIAS DE ATIVOS MOBILIÁRIOS. PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQÜÊNCIA E SEM PROPÓSITO NEGOCIAL. EMPRESA VEÍCULO. ÁGIO DE SI MESMO GERADO INTRAGRUPO. A outorga da dedutibilidade da amortização do ágio de cisão parcial inserida em um contexto de operações estruturadas e coordenadas em sequência no âmbito de reestruturação societária demanda que as transações estejam regularmente amparadas em atos empresariais não atingidos por manobras artificiais ou vícios sociais albergados por práticas abusivas entre companhias participantes do mesmo grupo societário. Demonstrada a irregularidade do arranjo societário ante a ausência de propósito negocial e da artificialidade de transações engendradas intragrupo, torna imperativo a manutenção dos efeitos da glosa promovida em decorrência da configuração de ágio de si mesmo gerado derivado de operações de cisão parcial entre partes relacionadas. DA AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO PROVENIENTE DE CISÃO PARCIAL. LAUDO DE AVALIAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO INEFICAZ DA ORIGEM E FUNDAMENTO ECONÔMICO DO ÁGIO. FLUXO FINANCEIRO INEXISTENTE. INTERMEDIAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO ENTRE PARTES RELACIONADAS. ÁGIO ARTIFICIAL. MOTIVAÇÃO IMPRÓPRIA PARA A GERAÇÃO DO SOBREPREÇO. INDEDUTIBILIDADE. De acordo com os termos da legislação de regência, a dedutibilidade da amortização de ágio proveniente de aquisição de negócio empresarial mediante cisão parcial de pessoa jurídica demanda a plena observância dos seguintes requisitos essenciais: (i) a realização da transação societária entre partes não relacionadas e independentes; (ii) o efetiva demonstração do fluxo financeiro que evidencie o pagamento do custo aquisição celebrado entre as partes, incluindo-se o montante do ágio; (iii) demonstração do respectivo fundamento econômico do ágio gerado na operação societária que norteou a deliberação em assembleia do corpo diretivo do conglomerado, respeitada as hipóteses prescritas na legislação de regência. Outrossim, a interpretação sistemática das normas aplicáveis mostra ser compulsório que a prova de demonstração do fundamento do ágio designe a representação fidedigna da negociação empresarial e seja contemporânea às efetivas razões da tomada de decisão pelo adquirente para celebração da relação contratual pelo preço estabelecido. Evidenciado que o bojo das transações das companhias advém de centralização decisória da cúpula diretiva do conglomerado, não viabiliza reconhecer a pertinência da mais valia aferida no investimento societário, porquanto resultante de processo imparcial de precificação, pois desprovido negociação em ambiente de livre mercado e independência entre as partes contratantes. As operações de arranjo societário entre companhias integrantes do mesmo grupo econômico cuja indução das transações revela-se tendente à criação de um ágio artificial destinado à redução imprópria da base imponível do imposto de renda, bem assim a obtenção vantagem tributária indevida desamparada de propósito negocial, são circunstâncias bastantes para determinar a perda da eficácia do sobrepreço avaliado e ratificar a negativa de dedutibilidade das parcelas de amortização de ágio computadas no resultado fiscal do impugnante. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2011, 2012 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. VINCULAÇÃO AO LANÇAMENTO PRINCIPAL. Aplicam-se aos lançamentos tidos como reflexos as mesmas razões de decidir do lançamento principal (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ), em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos jurídicos ou elementos probatórios a ensejar conclusões com atributos distintos. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011, 2012 ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL NÃO RECOLHIDAS. MULTA ISOLADA. CABIMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO PERÍODO. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO INCIDENTE SOBRE O TRIBUTO APURADO COM BASE NO LUCRO REAL ANUAL. Nos casos de lançamento de ofício, é aplicável a multa de 50%, isoladamente, sobre o valor de estimativa mensal que deixou de ser recolhido, mesmo após o encerramento do exercício, e ainda que seja apurado prejuízo fiscal e base de cálculo negativa para a CSLL no ano-calendário correspondente. A hipótese normativa de imputação da multa isolada não se confunde com a motivação determinante de aplicação da multa de ofício, pois aquela é cabível defronte a constatação da falta de pagamento da importância devida da estimativa mensal de IRPJ e da CSLL aferida com base nos ditames do regime de apuração do lucro real anual. Tratam-se de infrações distintas e autônomas, razão pela qual ambas as sanções são passiveis atribuição concomitante em face do sujeito passivo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. CISÃO PARCIAL. TRANSFERÊNCIAS DE ATIVOS MOBILIÁRIOS. PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQÜÊNCIA E SEM PROPÓSITO NEGOCIAL. EMPRESA VEÍCULO. ÁGIO DE SI MESMO GERADO INTRAGRUPO. A outorga da dedutibilidade da amortização do ágio de cisão parcial inserida em um contexto de operações estruturadas e coordenadas em sequência no âmbito de reestruturação societária demanda que as transações estejam regularmente amparadas em atos empresariais não atingidos por manobras artificiais ou vícios sociais albergados por práticas abusivas entre companhias participantes do mesmo grupo societário. Demonstrada a irregularidade do arranjo societário ante a ausência de propósito negocial e da artificialidade de transações engendradas intragrupo, torna imperativo a manutenção dos efeitos da glosa promovida em decorrência da configuração de ágio de si mesmo gerado derivado de operações de cisão parcial entre partes relacionadas. DA AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO PROVENIENTE DE CISÃO PARCIAL. LAUDO DE AVALIAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO INEFICAZ DA ORIGEM E FUNDAMENTO ECONÔMICO DO ÁGIO. FLUXO FINANCEIRO INEXISTENTE. INTERMEDIAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO ENTRE PARTES RELACIONADAS. ÁGIO ARTIFICIAL. MOTIVAÇÃO IMPRÓPRIA PARA A GERAÇÃO DO SOBREPREÇO. INDEDUTIBILIDADE. De acordo com os termos da legislação de regência, a dedutibilidade da amortização de ágio proveniente de aquisição de negócio empresarial mediante cisão parcial de pessoa jurídica demanda a plena observância dos seguintes requisitos essenciais: (i) a realização da transação societária entre AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 25 73 /2 01 6- 71 Fl. 9278DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.279 2 partes não relacionadas e independentes; (ii) o efetiva demonstração do fluxo financeiro que evidencie o pagamento do custo aquisição celebrado entre as partes, incluindose o montante do ágio; (iii) demonstração do respectivo fundamento econômico do ágio gerado na operação societária que norteou a deliberação em assembleia do corpo diretivo do conglomerado, respeitada as hipóteses prescritas na legislação de regência. Outrossim, a interpretação sistemática das normas aplicáveis mostra ser compulsório que a prova de demonstração do fundamento do ágio designe a representação fidedigna da negociação empresarial e seja contemporânea às efetivas razões da tomada de decisão pelo adquirente para celebração da relação contratual pelo preço estabelecido. Evidenciado que o bojo das transações das companhias advém de centralização decisória da cúpula diretiva do conglomerado, não viabiliza reconhecer a pertinência da mais valia aferida no investimento societário, porquanto resultante de processo imparcial de precificação, pois desprovido negociação em ambiente de livre mercado e independência entre as partes contratantes. As operações de arranjo societário entre companhias integrantes do mesmo grupo econômico cuja indução das transações revelase tendente à criação de um ágio artificial destinado à redução imprópria da base imponível do imposto de renda, bem assim a obtenção vantagem tributária indevida desamparada de propósito negocial, são circunstâncias bastantes para determinar a perda da eficácia do sobrepreço avaliado e ratificar a negativa de dedutibilidade das parcelas de amortização de ágio computadas no resultado fiscal do impugnante. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011, 2012 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. VINCULAÇÃO AO LANÇAMENTO PRINCIPAL. Aplicamse aos lançamentos tidos como reflexos as mesmas razões de decidir do lançamento principal (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ), em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos jurídicos ou elementos probatórios a ensejar conclusões com atributos distintos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011, 2012 ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL NÃO RECOLHIDAS. MULTA ISOLADA. CABIMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO PERÍODO. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO INCIDENTE SOBRE O TRIBUTO APURADO COM BASE NO LUCRO REAL ANUAL. Nos casos de lançamento de ofício, é aplicável a multa de 50%, isoladamente, sobre o valor de estimativa mensal que deixou de ser recolhido, mesmo após o encerramento do exercício, e ainda que seja apurado prejuízo fiscal e base de cálculo negativa para a CSLL no anocalendário correspondente. A hipótese normativa de imputação da multa isolada não se confunde com a motivação determinante de aplicação da multa de ofício, pois aquela é cabível Fl. 9279DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.280 3 defronte a constatação da falta de pagamento da importância devida da estimativa mensal de IRPJ e da CSLL aferida com base nos ditames do regime de apuração do lucro real anual. Tratamse de infrações distintas e autônomas, razão pela qual ambas as sanções são passiveis atribuição concomitante em face do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer da alegação, suscitada na tribuna pela recorrente, quanto à aplicação, ao caso concreto, do art. 24 da LINDB na redação dada pela Lei 13.655/2018, vencidos os conselheiros Maria Lúcia Miceli e Flávio Machado Vilhena Dias, que votaram por conhecer e rejeitar a alegação; por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade da decisão de primeiro grau, de decadência, e de nulidade da autuação por ausência de motivação; e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (relator), Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Fl. 9280DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.281 4 Para a devida síntese do processo em exame, transcrevo o relatório da DRJ/SPO, complementandoo ao final: O processo versa acerca de autos de infração formulados em 12/12/2016, atinentes ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) apurados no encerramento do períodobase de 2011 e do 1º ao 4º trimestres do anocalendário de 2012, com crédito tributário total de R$ 142.391.609,26 (cento e quarenta e dois milhões, trezentos e noventa e um mil, seiscentos e nove reais e vinte e seis centavos), composto de principal, multa de ofício de 75% e juros de mora vinculados, bem assim a imputação de multa isolada proveniente da falta de pagamento das estimativas mensais de janeiro a dezembro do ano de 2011: As constatações no curso de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo em epígrafe, consoante descrição dos fatos e enquadramentos legais impressos no corpo das autuações e do respectivo Termo de Verificação Fiscal, ambos indissociáveis entre si, motivações estas determinantes para tipificação das seguintes infrações tributárias: Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ: (I) Exclusões Indevidas / Compensações não autorizadas na apuração do Lucro Real. Glosa de valores de despesa com amortização de ágio na aquisição de investimento em participação societária computada na determinação do Lucro Liquido do períodobase e/ou na determinação do Lucro Real; (II) Multa isolada decorrente da falta de pagamento de débitos de estimativas mensais atinente aos meses do ano de 2011. Enquadramentos legais: (I) art. 3º da Lei nº 9.249/95; e arts. 247 e 250 do RIR/99; e (II) arts. 222 e 843 do RIR/99; e art. 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07, respectivamente. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL: (I) Exclusões Indevidas / Compensações não autorizadas na apuração do Lucro Real. Glosa de valores de despesa com amortização de ágio na aquisição de investimento em participação societária computada na determinação do Lucro Liquido do períodobase e/ou na determinação da base imponível da CSLL; Enquadramentos legais: Fatos geradores ocorridos entre 1º/01/2011 e 31/03/2012: arts. 2º e 3º da Lei nº 7.689/88 com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei nº 8.034/90 e pelo art. 17 da Lei nº 11.727/08; art. 57 da Lei nº 8.981/95, com as alterações do art. 1º da Lei nº 9.065/95; art. 2º da Lei nº 9.249/95; art. 1º da Lei nº 9.316/96; e art. 28 da Lei nº 9.430/96. Fl. 9281DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.282 5 Fatos geradores ocorridos entre 1º/04/2012 e 31/12/2012: arts. 2º e 3º da Lei nº 7.689/88 com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei nº 8.034/90 e pelo art. 17 da Lei nº 11.727/08; art. 57 da Lei nº 8.981/95, com as alterações do art. 1º da Lei nº 9.065/95; art. 2º da Lei nº 9.249/95; e art. 1º da Lei nº 9.316/96; e art. 28 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 39 da Medida Provisória nº 563/2012 e pelo art. 49 da Lei nº 12.715/2012. (II) Multa isolada decorrente da falta de pagamento de débitos de estimativas mensais atinente aos meses do ano de 2011. Enquadramentos legais: art. 28 da Lei nº 9.430/96; e art. 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07. Quanto aos trabalhos executados no transcurso da ação fiscal, observase que o Termo de Verificação Fiscal (TVF) noticia que foram conduzidos com respaldo no Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPFF) nº 07.1.85.00 2015000766. A instauração da ação fiscal promoveuse com a expedição do Termo de Início da Fiscalização datado de 09/04/2015, cientificado pessoalmente na mesma data (fls. 3/8), por meio do qual se requisitou a apresentação de acervo documental societário e contábil e outras fontes necessárias ao exame de dados de interesse fiscal relacionados à própria fiscalizada e companhias ligadas a partir do ano ao longo dos anos de 2009 a 2013. Descreveuse também o fluxo de intimações endereçadas ao contribuinte e as suas respectivas respostas conduzidas defronte a abrangência das investigações desenvolvidas no curso do procedimento, particularmente com o escopo de avaliar o conteúdo de informações alusivas às transações de aquisição de participações societárias e o ágio negociado com base em expectativa de resultados futuros, bem assim o montante de despesas de amortização computadas na apuração do lucro líquido na data de encerramento dos respectivos balanços patrimoniais ou excluídas da base imponível na determinação do Lucro Real. Neste contexto, antecipa que o procedimento investigatório certificou, ao final, que o impugnante passou a amortizar a fração inerente das parcelas de ágio decorrente da parcela do patrimônio vertido para si na cisão parcial da GE do Brasil Participações Ltda., CNPJ nº 01.821.234/000162, doravante GE PARTICIPAÇÕES. O ágio, por sua vez, surgiu a partir da integralização de capital da GEP com cotas da GE CELMA (impugnante) detidas por suas antigas controladoras, caracterizandose como um ágio intragrupo, sem desembolso de recursos, gerado por mecanismos artificiais e intuito preponderante de alcance de uma economia tributária. Finalizada este intróito do Termo de Verificação Fiscal, o Auditor Fiscal passa a pormenorizar as circunstâncias que levaram a motivação determinante para tipificação das infrações tributárias contidas nas presentes autuações. Primeiramente, entretanto, antecipa que o procedimento examinou atos societários e as operações de reestruturação empresarial desenvolvidas ao longo Fl. 9282DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.283 6 do período fiscalizado, nas quais incluiu a participação do impugnante e suas companhias ligadas: Sob este aspecto, paralelamente, acentuou os reflexos contábeis e tributários entre as companhias do Grupo GE a partir das transações que determinaram a origem do ágio associado ao investimento societário, bem assim seus efeitos decorrentes da amortização registrada em contas patrimoniais e de resultado. Na sequência, o AuditorFiscal trouxe um breve compêndio que versou sobre a coletânea normativa de natureza tributária, contábil e de mercado de capitais disciplinantes da figura do ágio na aquisição de investimento societários, concluindose, ao final, que o pressuposto do planejamento tributário que motiva a inserção do ágio interno constituise, via de regra, numa estratégia alinhada pelos órgãos decisórios de um grupo econômico (Grupo GE), incluindose, neste contexto, a reavaliação do patrimônio líquido de uma companhia lucrativa e produtora de riqueza (GE CELMA) com vistas a viabilizar d a amortização fiscal do sobrepreço. Particularmente em relação ao caso analisado, o autuante veicula que a infração tipificada demonstrou que: a) PJ objeto da avaliação – companhia lucrativa e produtora de riqueza com um patrimônio líquido defasado em relação ao seu valor de mercado GE CELMA; b) PJ “adquirente” – companhia qualificada como empresaveículo que serve de instrumento para a contabilização e transferência do ágio, confirmando a hipótese de que, via de regra, referese a empresa não operacional ou com atividades inexpressivas ante ínfima produção de riqueza relevante – GE PARTICIPAÇÕES; c) PJ “alienante” – holding controladora de ambas das companhias, no caso a GE Brazil Holding Limited, CNPJ nº nº 11.485.254/000163, doravante GE HOLDING, localizada na Irlanda. Lembra ainda que a eficácia tributária da amortização do ágio condicionase à efetiva existência e validade de sua constituição com observância dos termos da legislação vigente. Adiantase também no intróito da narrativa quanto ao resultado da análise da documentação concluiu que a GE PARTICIPAÇÕES funcionou como empresa veículo destinada à transferência de ágio para a GE CELMA e outras companhias do Grupo GE. De acordo com as constatações, promoveuse a cisão parcial da GE PARTICIPAÇÕES com patrimônio cindido vertido para incorporação pelas próprias investidas participantes do conglomerado, utilizandose de instrumental análogo para a concretização das transações societárias Em suma, a GE PARTICIPAÇÕES serviu de instrumento para a realização de operações em sequência de cisão parcial com versão do respectivo acervo cindido (investimento societário) para o patrimônio das companhias, até então, controladas daquela holding, incorporandose ao patrimônio as importâncias adstritas ao investimento societário mantidos nelas próprias. Fl. 9283DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.284 7 Ao final das sucessivas transferências patrimoniais de ágio para as próprias companhias investidas, cumprindose a finalidade a que destinou a empresa veículo, promoveuse a dissolução da GE PARTICIPAÇÕES por intermédio de Distrato Social formulado em 31 de dezembro de 2012 (doc. 41; doc. 112; e doc. 160). Antes disto, contudo, houve a retificação das conclusões de diversos relatórios de avaliação, aumentandose o montante do respectivo ágio transferido ao patrimônio das companhias, até então, investidas da GE PARTICIPAÇÕES. Finalizada a etapa introdutória, inaugurouse a exposição de motivos dos trabalhos levados a efeito no curso da ação fiscal a partir das constatações obtidas com a análise do acervo documental apresentado no curso da fiscalização em cotejo com as informações fiscais disponíveis nos bancos de dados administrados pela RFB. Neste sentido, descreveuse o elenco de atos societários emitidos em nome da GE PARTICIPAÇÕES, detalhandose os eventos de aumento de capital, dando destaque para os aumentos de capital social via manejo interno de ativos mobiliários ou quotas de capital de propriedade das companhias que exerciam controle sobre a holding. O mecanismo de operacionalização pautouse na subscrição e integralização de quotas da GE PARTICIPAÇÕES em companhias do Grupo GE sediadas no Brasil, incrementandose o capital social da holding com valores reconhecidos a título de ágio gerado com fundamento em expectativa de rentabilidade futura de coligadas ou suas controladas. Neste contexto, descreve as alterações contratuais formuladas em 30 de junho de 2008 que implicaram no aumento capital social da GE PARTICIPAÇÕES saindo de um montante de R$ 4.906,00 para R$ 416.543.308,55 mediante integralização de quotas da GE Holdings Luxembourg & CO, CNPJ nº 08.988.140/000121, doravante GE LUX, sediada em Luxemburgo. Acentuouse que a integralização de capital promoveu mediante conferência de cotas de investimento nas companhias, avaliadas a valor de mercado amparado em relatório de avaliação econômico financeira: Ainda na mesma data, houve um novo aumento de capital registrado em favor do holding estrangeira, integralizandose mais R$ 5.695.000,00, mediante versão de créditos detidos em face da própria GE PARTICIPAÇÕES. Na sequência, passa a evidenciar as fases de incremento do Capital Social da GE PARTICIPAÇÕES com vistas à formação do ágio interno oriundo de avaliações de empresas do Grupo GE a partir da alteração contratual registrada em 24 de novembro de 2009 que versou sobre o aumento de capital da GE Brazil Holding Limited GE BRAZIL HOLDING (CNPJ nº 11.485.254/000163 – sociedade irlandesa), à época controladora de GE PARTICIPAÇÕES, alterandoo do montante de R$ 422.238.307,55 para R$ 3.095.632.161,00 (acréscimo de R$ 2.673.393.854,22) integralizado, igualmente e tão somente, mediante versão de cotas de participações societárias em outras companhias, entre as quais a GE CELMA: Fl. 9284DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.285 8 Sob este prisma, a GE PARTICIPAÇÕES passou a exercer a participação direta na GE CELMA, substituindo a posição da GE Holding dentre do organograma do conglomerado. Ainda no mesmo ano, mais especificamente em 30 de dezembro de 2009 (Doc. 107), houve novo incremento do Capital Social da GE PARTICIPAÇÕES, onde a holding estrangeira agrega novos investimentos societários em contrapartida da integralização do capital. O Capital Social passa a ser de R$ 3.100.387.597,00: Sob este aspecto, acentua que a escrituração contábil dos eventos de aumentos de capital na GE PARTICIPAÇÕES foram especificados no demonstrativo elaborado pelo próprio contribuinte e reproduzido do anexo Doc. 169 e 169A. A análise do conteúdo da informações firmadas na DIPJ Exercício 2010 (AC 2009) da GE PARTICIPAÇÕES (Doc. 506) incluíram um aumento de capital de R$ 422.238.308,55 para R$ 3.100.389.784,57, bem assim uma elevação do saldo de ágio em investimentos de R$ 308.510.335,61 para R$ 2.833.330.500,70, consoante demonstrado na Linha 27 da Ficha 36A (Ativo Balanço Patrimonial). Acrescentou ainda que os demonstrativos apresentados pelo fiscalizado (Doc. 179 e Doc. 189) indicaram o desmembramento das importâncias veiculadas nas linhas 24, 27 e 30 da Ficha 36A (Ativo Balanço Patrimonial) dos anos de 2008 e 2009 da DIPJ da GE PARTICIPAÇÕES. Do teor de tais informações observouse o surgimento da parcela de ágio da investidora da GE PARTICIPAÇÕES na GE CELMA no valor de R$ 749.557.545,11. Fl. 9285DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.286 9 De acordo com a fiscalização, a GE PARTICIPAÇÕES igualmente declarou na Ficha 62 da DIPJ – Exercício 2000 (Participação Permanente em Coligadas ou Controladas) a relação de participações societárias em empresas sediadas no Brasil. Dentre elas detinha um percentual de 43,43% do capital social da GE CELMA, representando um investimento inicial de R$ 46.743.190,67. Neste contexto, ao contrário da GE PARTICIPAÇÕES, a GEB possuía registro de suas participações societárias em coligadas ou controladas na DIPJ – Exercício 2000, muito embora a análise dos organogramas de reestruturação do conglomerado empresarial demonstrou que possuía 56,56% de participação no capital da GE Celma (fl. 10 do Doc. 02 e folha 13 do Doc. 248). Além disto, a Ficha 52 na DIPJ – Exercício 2009 (AC 2008) nada indicou sobre os investimentos societários em suas coligadas ou controladas. Concluiuse, ao final, que todo o ágio registrado em GEP PARTICIPAÇÕES originouse de atribuição deste sobrepreço em face de participações detidas pelos sócios em outras empresas, ou seja, sem qualquer desembolso de recursos. A fiscalização enfatizou que redução do capital social da GEB mediante deliberação societária firmada na 81ª Alteração de seus Contrato Social, oportunidade em que a GE PARTICIPAÇÕES detinha o controle da companhia em praticamente 100%. De acordo com acervo documental apresentado pelo contribuinte, o valor correspondente a essa redução de capital na GE Brasil foi devolvido à própria controladora (GE PARTICIPAÇÕES) mediante a entrega de ativos, quais sejam: (i) 14.066.729 quotas, da participação da GEB na GE Supply do Brasil Ltda; e (ii) 12.841 quotas atinente à participação da GEBl na GE CELMA. Na seqüência, a 9ª Alteração de Contrato Social da GE CELMA, registrada em 26/09/2010 ocorreu a consolidação do poder de controle em nome da GE PARTICIPAÇÕES, passando a estrutura de capital da companhia para a seguinte configuração: Fl. 9286DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.287 10 Advertiuse que, exatamente na mesma data (26/09/2010), a controladora da GE PARTICIPAÇÕES, sociedade irlandesa domiciliada no exterior (GE HOLDING), promoveu a deliberação da cisão parcial do patrimônio da controlada (GE PARTICIPAÇÕES), constituído, esta parcela cindida do seu patrimônio líquido, pelo investimento na GE CELMA acrescido do respectivo ágio interno, com versão deste patrimônio cindido, incorporando o ativo ao patrimônio da própria empresa investida (GE CELMA). (incorporação reversa). Simultaneamente, deliberouse a redução do capital social da GE Participações. Por conseguinte, as sócias de GE PARTICIPAÇÕES (GE HOLDING e Fl. 9287DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.288 11 GE BENELUX) passaram a ser as novas cotistas de GE CELMA (Doc. 201), consoante observado no organograma abaixo: Relata ainda que o resumo do acervo contábil líquido parcial da GE PARTICIPAÇÕES, anexado à alteração contratual registrada na JUCESP em 18/11/2010, que acompanha o laudo de avaliação elaborado pela KPMG Auditores Independentes, especificava um saldo em contas contábeis que traduziam a existência de duas parcelas de ágio de rentabilidade futura da GE CELMA: R$ 749.557.545,11 e R$ 710.407.027,95, totalizando R$ 1.459.964.573,06, coincidindo com os montantes reportados na Linha 27 da Ficha 36A da DIPJ – Exercício 2011 (AC 2010): Fl. 9288DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.289 12 No tocante à parcela do ágio no valor de R$ 710.407.027,95, intitulada de “ajuste de evento societário em processo de aprovação”, tratavase de importância adstrita à redução de capital social ocorrida na GEB, registrada na 81a alteração do Contrato Social da em 22/09/2010 (Doc. 138). Neste contexto, a GE CELMA instaurou o regime de amortização dos valores de ágio a partir de outubro de 2010, montante este que surge a partir da integralização de capital na GE PARTICIPAÇÕES com cotas de GE CELMA, até então, sob o controle de outras companhias do próprio Grupo GE, ou seja, sem a ocorrência de nenhum desembolso financeiro intragrupo. Sob este aspecto em particular, descreveuse as sucessivas operações de idêntica modelagem societária mediante a transferência de ágio artificialmente gerado intragrupo para outras empresas do conglomerando empresarial, transcorrendo ao esvaziamento patrimonial da GE PARTICIPAÇÕES, respaldado em deliberações em Assembléia dirigidas pela GE HOLDING (companhia estrangeira domiciliada na Irlanda), quais sejam: GE Water & Process Technologies do Brasil Ltda (antes GE Betz do Brasil Ltda) – GE WATER, General Eletric Energy do Brasil – Equipamentos e Serviços de Energia Ltda – GE ENERGY, C&I Investimentos e Participações Ltda – C&I, Gevisa S/A GEVISA, GE Transportes Ferroviários S/A – GE TRANSPORTES, GE Oil & Gás do Brasil Ltda – GE OIL, GE Healthcare Life Sciencies do Brasil – Comércio de Produtos e Equipamentos para Pesquisa Científica, Biotecnologia e Medicamentos Ltda – GE LIFESCIENCE, GE Iluminação do Brasil Comércio de Lâmpadas Ltda – GE ILUMINAÇÃO, GE Sistemas de Controles Inteligentes Metroferroviários Ltda – GE SCIM, General Eletric do Brasil Ltda – GE DO BRASIL, GE Healthcare do Brasil Comércio e Serviços para Equipamentos Médico Hospitalares Ltda – GE HEALTHCARE, GE Supply do Brasil Ltda – GE SUPPLY. Destacouse ainda que os termos do Instrumento de Retificação e Distrato Social da GE PARTICIPAÇÕES, datado de 31/12/2012 e registrado em 09/04/2013 (Doc. 41; Doc. 112; Doc. 160) tratam que sua controladora estrangeira (GE HOLDING) decidiu pela aprovação da retificação de diversos Laudos de Avaliação das empresas que incorporaram as parcelas cindidas de sua controlada, alterandose tão somente as parcelas dos ágios por rentabilidade futura transferidos para as próprias empresas (vide tabela abaixo). Em seguida encerrase as atividades da GE PARTICIPAÇÕES. Contextualiza a questão inserindo um demonstrativo que resume a distribuição do ágio interno pelas empresas do Grupo GE, produzido artificialmente, sem dispêndio por parte das empresas envolvidas, não se revestindo do caráter de onerosidade, requisito essencial para a admissibilidade dos efeitos tributários dos Fl. 9289DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.290 13 valores amortizáveis, particularmente em relação à apuração das bases de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Finalizados tais apontamentos relativos ao exame de aspectos globais da reorganização societária promovida nas demais empresas do Grupo GE, passouse ao desenvolvimento dos fatores alusivos à geração do ágio interno na GE CELMA, sua consolidação na GE PARTICIPAÇÕES e, finalmente, sua posterior transferência para a própria GE CELMA com o intuito de seu aproveitamento fiscal. Antes, porém, retomou a estrutura organizacional do conglomerado empresarial pós emissão da 78ª e 79ª alterações contratuais da GEB, respectivamente editadas em 13 e 27 de novembro de 2009, objetivando ilustrar a efêmera modificação da posição de controle sobre a entidade. Fl. 9290DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.291 14 Feito este registro, a autoridade lançadora discorreu sobre o conteúdo intrínseco do Relatório de Avaliação Econômico Financeira da GE CELMA que, segundo o contribuinte, consistiase no instrumento que fundamentou o reconhecimento contábil do ágio com base em expectativa de rentabilidade futura. Neste sentido, narra que em 11/11/2009 a consultoria Ernst & Young Assessoria Empresarial Ltda, doravante E&Y, apresentou o relatório (Doc.30; Doc.156; Doc.172) veiculando a estimativa de valor justo do patrimônio da GE CELMA no montante de R$ 2.089.901.000,00, database de 30 de junho de 2009, para efeito de apoio à GEB para cumprimento da legislação tributária e normas contábeis. Acentuouse que E&Y fez ressalvas no sentido de evidenciar que o propósito da avaliação buscava apenas indicar a existência de um ágio baseado em rentabilidade futura na GE CELMA, eximindose, contudo, da responsabilidade acerca de qualquer veracidade da origem da informações prestadas, porquanto a elaboração da avaliação pautouse em dados fornecidos fornecidas pela estrutura diretiva e de gestão das próprias companhias envolvidas. Fl. 9291DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.292 15 Certificouse que a premissa definida para a avaliação patrimonial equivocouse ao proceder à avaliação do patrimônio da GE CELMA para determinação de um ágio com fundamento em resultados de exercícios futuros, pois este, não derivou de um processo de aquisição ocorrido entre partes independentes, mas tão somente como conseqüência de uma estimativa de seu valor justo. Enfatizouse que a estimativa do valor justo apontado pela E&Y não encontra qualquer relação com o valor total do investimento (R$ 170.649.608,83) e ágio por rentabilidade futura (R$ 1.459.964.573,06) na GE CELMA, visto que, somados, perfaziam o montante de R$ 1.630.614.181,89. Advertiu que, embora intimado a trazer esclarecimentos ao fato, na da apresentou para justificar a divergência de valores, bem assim não soube especificar as suas razões. A autoridade lançadora contextualiza que as mesmas ressalvas da E&Y foram expressas nas avaliações econômicofinanceiras das empresas de outras companhias integrantes do Grupo GE e que foram formatadas justamente para evidenciação de seus valores justos e mensuração do ágio baseado em previsão de resultados em exercícios futuros: Agregouse ainda que a análise das respostas às intimações endereçadas para a fiscalizada e o conteúdo intrínseco das escriturações contábeis do investimento e do ágio pelas controladoras da autuada (GE PARTICIPAÇÕES e GE BRASIL) demonstraram a assimetria dos eventos contábeis registrados na contabilidade e na elaboração das respectivas Declarações de Informações EconômicoFiscais de Pessoa Jurídica (DIPJ). Enfatiza que em relação ao montante do ágio transferido ao patrimônio da GE CELMA no importe de R$ 710.407.027,95 não fora reconhecido contabilmente pela GE BRASIL e nada constava registrado nas DIPJ referentes aos anos de 2009 e 2010. A controladora direta da GE CELMA, à época dos fatos (GE BRASIL), justificou que a criação do ágio originouse a partir da redução do capital social da entidade e correspondente transferência da participação societária para a GE PARTICIPAÇÕES, a saber: quotas (14.066.729) da participação na GE SUPPLY; e quotas (12.841) da participação na autuada, ou seja, passando a deter a totalidade do investimento na GE CELMA: Fl. 9292DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.293 16 A autoridade lançadora acentua suas convicções contextualizando com o teor das alterações contratuais da GE CELMA firmadas a partir de novembro de 2009 até setembro do ano subseqüente, todos ele sob a orientação das diretrizes definidas pela GE HOLDING, bem assim do Protocolo e Instrumento de Justificação acompanhado do laudo de avaliação para levantamento do acervo contábil da cisão parcial da GE PARTICIPAÇÕES com versão da parcela cindida para a autuada composto do valor de aquisição do investimento (R$ 170.649.608,83) e a parcela do respectivo ágio (R$ 1.459.964.573,06) Neste contexto, aponta a divergência do valor justo constante do relatório de avaliação econômicofinanceira da GE CELMA (R$ 2.089.901.000,00) e os valores reconhecidos contabilmente pela transferência patrimonial oriundo da cisão parcial da GE PARTICIPAÇÕES (R$ 1.630.614,181,09). DA análise das respostas das intimações endereçadas ao fiscaliza e do conteúdo intrínseco da escrituração contábil da sociedade, concluiuse pelo Fl. 9293DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.294 17 desatendimento do requisito legal estampado no §3º do art. 385 do RIR/99, porquanto a documentação apresentada no curso da fiscalização não guardou correlação com os valores contábeis do investimento do ágio na GE CELMA. Neste sentido, entendeuse não comprovado o registro contábil do investimento e do respectivo ágio mensurado pelas antigas controladoras da empresa. Advertiuse ainda que a GE PARTICIPAÇÕES, por intermédio da alteração de contrato social datado de 31/12/20012 (Doc. 41; Doc. 112; Doc. 160) deliberouse a dissolução da companhia, bem assim a retificação de diversos Laudos de Avaliação, utilizados nas sucessivas cisões parciais com versões dos patrimônios líquidos cindidos para as próprias empresas investidas (transferências dos ágios intragrupo). Noticiou que, especificamente na GE CELMA, a retificação resultou num aumento do valor do ágio intragrupo no equivalente ao montante de R$ 166.892.884,07, passando do valor original de R$ 1.459.964.573,06 para R$ 1.626.857.457,13 (folhas 11 a 15 do Doc. 41; Doc. 112; Doc. 160), consoante demonstrado na síntese dos lançamentos contábeis e no extrato da retificação do laudo de avaliação: Afora as assertivas inerentes ao montante do ágio transferido para o patrimônio da GE CELMA, elaborou narrativa acerca dos efeitos contábeis e fiscais em cotejo com as informações reportadas em DIPJ. Sob este aspecto, certificouse que a Reversão dos Saldos das Provisões Operacionais (Linha 30 da Ficha 05A) contemplou os valores de "provisão para perdas com ágio", aumentando o resultado do período. Entretanto, a importância é amortizada no Demonstrativo do Resultado, diminuindo o valor do resultado do período na mesma medida. No ano de 2010, a amortização não consta explicitamente na Demonstração de Resultado, mas foi feita via despesa operacional, na Ficha/Linha 05A/21 Encargos de Amortização (R$ 24.095.487,00). Assim sendo, o resultado do período, embora não afetado, repercutiu se no na determinação do resultado tributário de forma a diminuílo, isto porque a Fl. 9294DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.295 18 amortização do ágio é excluída do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL e controlado na parte B do LALUR e da LACS. No ano de 2011, computouse o montante de R$ 103.663.654,14 nas Fichas/Linhas 09A (Demonstração do Lucro Real) / 50; 17A (Cálculo da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido) / 43 Ágio Amortizado Anterior à Alienação ou Baixa de Investimento. No ano de 2012, registrouse a importância de R$ 27.730.035,00 por trimestre, perfazendo um total de R$ 110.920.140,00 nas Fichas/Linhas 09A (Demonstração do Lucro Real) / 54; 17A (Cálculo da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido) / 44 Ágio Amortizado Anterior à Alienação ou Baixa de Investimento. A análise conjuntural da reestruturação societária envolvendo as companhias do Grupo GE, entre as quais a GE CELMA, indicou, na visão da autoridade lançadora, a ocorrência de múltiplas circunstâncias: a) operações estruturadas em sequência; b) negócios jurídicos entre partes relacionadas; c) utilização de empresa veículo; d) operações invertidas (incorporações às avessas); e e) ágio de si mesmo. Certificouse, ao final, que os elementos coletados ao longo da fase investigatória demonstraram que o objetivo preponderante, senão único, alcançado na reorganização societária consistiuse no aproveitamento fiscal do ágio interno na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL a partir do ano de 2010. Reforça que não houve ingresso de novos recursos em todo o processo envolvendo as reorganizações societárias. Ao contrário disto, assevera que a operação resumiuse ao registro contábil de um suposto ágio, derivado de expectativa de rentabilidade futura, mensurado via operações societárias entre pessoas do mesmo grupo econômico, com o intuito preponderante de obtenção de uma redução indevida de seus encargos tributários amparado por mecanismos desprovidos de fundamentação econômica. Em suma, não ocorreu nenhum pagamento efetivo de ágio pelo controlador ou suas controladas ao longo de todas as operações objeto do procedimento de fiscalização. Encerra suas considerações desenvolvendo uma síntese das suas conclusões e do núcleo das motivações determinantes para a elaboração da autuação fiscal e, por conseguinte, a mensuração dos créditos tributários atinentes ao IRPJ e CSLL Apuração Reflexa não , que deixaram de ser apurados e recolhidos em virtude das exclusões das amortizações de ágio das respectivas bases de cálculo em face de seu controle na parte B do LALUR e do LACS. No tocante à compensação adicional de Prejuízo Fiscal e de BC Negativa da CSLL em função das infrações apuradas relata que se determinou sua alteração, visto que as adições de ofício das exclusões indevidas de amortizações de ágio aumentaram os limites do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL compensáveis. Em decorrência de tais inferências, intimouse à retificação de Prejuízos Fiscais e da Base de Cálculo Negativa da CSLL, ajustando os saldos a compensar em conformidade com os demonstrativos de apuração. Configurouse ainda a incidência da multa isolada proveniente da apuração de diferenças das estimativas mensais de IRPJ e da CSLL no anocalendário 2011. Fl. 9295DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.296 19 Houve ainda a imputação de multa de ofício de 75% disciplinada na forma do inc. I do art. 44 da Lei 9.430, de 27/12/1996, com redação dada pela Lei 11.488, de 15/06/2007. A autoridade lançadora promoveu a lavratura do Termo de Ciência de Lançamento e Encerramento do Procedimento Fiscal em 07/12/2016, por meio do qual detalha os valores consolidados das respectivas autuações fiscais (fls. 8.688/8.713): Realizada a ciência pessoal da autuação e de seus termos, por intermédio de seus representantes legais, em 14/12/2016, os advogados regularmente constituídos promoveram o envio eletrônico de impugnação em nome da pessoa jurídica em 12/01/2017 (fls. 8.600/8.687), através da qual submete suas alegações de fato e de direito em contraposição às autuações Primeiramente, desenvolve um breve relato das inferências apontadas pela autoridade autuante, circunstâncias estas que findaram na lavratura da autuação fiscal objeto da defesa. Na seqüência, sintetiza suas razões de defesa que pretendem se opor aos autos de infração em referência:Inaugura a pormenorização de suas argumentações a partir do histórico da companhia autuada (GE CELMA). Esclarece que o impugnante existe desde o início da década de 50 do século passado, inicialmente sob a denominação de Companhia Eletromecânica Celma; passou por sucessivas alterações da denominação social, reestrutura do plano de negócios e incorporação de plantas e operações de outras companhias com a conseqüente reformatação de suas atividades empresariais ao longo de seu ciclo de vida. A partir do ano de 1996, o Grupo GE adquiriu a maioria acionária do impugnante, passandose a ter a sua atual denominação (GE CELMA). Esclarece que a partir do ano de 2008, o Grupo GE passou por extenso processo de reestruturação societária ensejando medidas no Brasil e no Exterior. Reportouse ainda às transações societárias da estrutura organizacional do Grupo GE, basicamente, protagonizados por intermédio da GE PARTICIPAÇÕES, celebrados no curso de 2009 e 2010. Entre outras divisões de negócios corporativos, implicou na mudança do perfil de atuação de mercado do conglomerado. Sob este aspecto, enfatiza que as participações societárias adquiridas pela GE PARTICIPAÇÕES foram submetidas à avaliação econômicofinanceira pela metodologia do fluxo de caixa descontado para aferição do potencial de crescimento e lucratividade das respectivas companhias. Narra ainda que houve a cisão parcial da GEP com versão de parcela de seu patrimônio líquido à GE CELMA em 26 de setembro de 2010. Fl. 9296DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.297 20 Sob este aspecto, assinala que a parcela cindida e absorvida pelo impugnante incluiu as ações de própria emissão GE CELMA, cujo montante contábil estava refletido em contas de investimento e ágio. Desta forma, argumenta que a inserção patrimonial desta parcela cindida da GEP inaugurou a adoção dos procedimentos de amortização do ágio pelo impugnante, gerandose seus efeitos fiscais na forma autorizada pela legislação aplicável à época dos fatos. Além disto, acentua que foram vertidas parcelas cindidas do patrimônio da GEP para outras companhias, quais sejam: (i) General Eletric Energy do Brasil Equipamentos e Serviços de Energia Ltda., (ii) C&I, (iii) GEVISA S/A (iv) GE Transportes Ferroviárias S/A (v) GE Oil and Gas do Brasil Ltda e (vi) GE Healthcare Life Sciences do Brasil Comércio de Produtos e Equipamentos para Pesquisa Científica e Biotecnologia Ltda. Encerrado o processo de reestruturação societário entre as empresas do grupo econômico ao longo dos anos de 2009 e 2010, notadamente se reduziu o contingente de pessoas jurídicas adquiridas de terceiros, promovendose a racionalização do uso dos fatores de produção no âmbito do conglomerado. Concluiu, então, que se obteve, ao final, dentro do plano estratégico do grupo econômico, uma redução de custos operacionais e um incremento na competitividade de suas transações empresariais, razão porque entende pertinente sua caracterização como despesas de natureza usual e comum no contexto das atividades do Grupo GE. Terminada esta etapa inaugural, passou ao desenvolvimento de uma exposição mais detalhada de suas ponderações narradas no intróito da peça impugnatória. Em caráter preliminar, reclama a preclusão do direito da autoridade tributária levar a efeito exames de fatos determinantes ao reconhecimento do ágio na aquisição dos investimentos societários, porquanto derivados fatos jurídicos ocorridos naqueles anoscalendário. Por via de conseqüência, sustenta a prejudicialidade das autuações levadas a efeito sobre tal fundamentação defronte o transcurso do prazo decadencial para constituição dos lançamentos de ofício (art. 150, §4º do CTN). Avigora sua tese citando posicionamento da doutrina tributária e trecho de voto de precedente do CARF que coincide com sua linha interpretativa. Ainda no plano das preliminares, protesta a nulidade da autuação sob a justificação de que as glosa dos efeitos tributários das despesas com amortizações do ágio foi levada a efeito com base em infração tributária desprovida de base normativa e emprego de conceitos inexistentes no ordenamento jurídico. Neste ponto, depreende irrazoável anuir que houve um lapso temporal condizente para atribuir uma substância negocial aos eventos societários. Assevera que a operação fora amparada mediante atos meramente formais e seqüenciais, evidenciandose sua dissociação com a realidade corporativa. Além de refutar as conclusões que ponderaram pela irregularidade das operações societárias, alude a eficácia limitada da aplicação do parágrafo único do art. 116 do CTN por entender perceptível a ausência de base normativa que albergue a desqualificação de atos e negócios jurídicos relacionados à transações desta natureza. Logo, propugna que inexistia óbices aos procedimentos adotados pelo contribuinte. Fl. 9297DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.298 21 Em suma, infere não necessárias grandes construções jurídicas para evidenciar o flagrante erro de direito perpetrado pelo autuante. Reclama que se furtou do dever legal de efetuar a motivação do injusto praticado em desfavor da norma antielisiva introduzida pela ordem tributária, incorrendo em vício que afronta aos princípios norteadores da conduta da administração tributária. Respalda sua tese registrando os termos da redação de dispositivos da norma adstrita aos processos administrativos (art. 2º da Lei nº 9.784/1999) e tributários (art. 10 do Decreto nº 70.235/72), o art. 3º e 142 do CTN e precedentes do CARF e do STJ. Finalmente, protesta a incorreção da aplicação da base legal atribuída como fundamentação jurídica para levar a efeito a glosa dos efeitos fiscais da amortização do ágio. Encerradas as alegações preliminares, renova sua oposição às conclusões que restringem a validade das operações de reorganização societária que integram a participação de companhias do mesmo conglomerado. Todavia, dantes de se aprofundar às especificidades quanto ao mérito da autuação fiscal, contextualiza as transações em análise às operações desenvolvidas dentro do cenário de ambiente de negócios adstritos aos programas de desestatização de empresas públicas ou de economia mista do Governo Fernando Henrique Cardoso, bem assim as adequações normativas instituídas com a edição da Lei nº 9.532, de 10/12/1997 (Lei nº 9.532/97). De acordo com a tese, a realidade dos fatos evidencia o que a utilização de empresas para aquisição de participações societárias traduzse em ato e negócio jurídico válido e fomentado pelo Poder Público. Argumentase que a quantidade de empresas de propósito específico veículo instituídas para a realização de investimentos diretos no país é enorme. Sustenta isto ocorre comumente na participação em processos licitatórios, no âmbito das companhias abertas e negociação de aquisições privadas. Aliás, entende que negar o uso de pessoas jurídicas com este perfil, também chamadas de empresas veículo, bem assim a eficácia de seus atos e negócios jurídicos, representa é uma tese fiscal arrecadatória que possui guarida em parca doutrina nesta área estudo. O uso de empresas veículo na aquisição de investimentos é atributo típico em fusões e aquisições negócios internos por grupo estrangeiros ou nacionais, encontrando autorização na ordem jurídica com a instituição do mecanismo do ágio fundamentado pela Lei 9.532/97. Assevera também que o uso deste instrumento é a única forma de colocar os investidores estrangeiros em situação isonômica aos nacionais ante seus efeitos nas regras de mercado. Eventualmente, caso dispusessem deste mecanismo, os investidores estrangeiros teriam sérias barreiras de entrada na concorrência dos ativos ofertados ao mercado, porquanto os participantes brasileiros levariam vantagem ante a admissibilidade de amortização futura do ágio nas aquisições de investimentos desta natureza. Além disto, a companhia estrangeira não gozaria da mesma capacidade de liquidez, pois não obteria anuência de abatimento de seus custos das reduções tributárias atribuídas aos nacionais. Finalizado este breve intróito, inaugura a pormenorização de suas alegações de mérito demarcandose que o termo "ágio interno", além de ambíguo e Fl. 9298DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.299 22 incerto, não se constitui em motivação passível de amparo pela legislação tributária ou de mercado de capitais. Protesta que as transações societárias associadas ao ágio não derivam de prática desta ordem, tampouco a ele se aproxima, consoante se observou pela análise do teor da escrituração contábil e fiscal da GE PARTICIPAÇÕES. Nesse sentido, propugna que o ágio convencionado entre seus negociadores foi extinto com a entrega de título mobiliário derivado da redução de Capital Social da GE DO BRASIL, consoante narrativa efetuada pelo próprio autuante. Repisa que a participação societária no impugnante, anteriormente detida pela GE HOLDING, sociedade localizada na Irlanda, foi entregue a título de pagamento do aumento de capital na GE PARTICIPAÇÕES, cuja entrega se promoveu com base no valor patrimonial do investimento até então escrituradas nos livros da companhia estrangeira. Assevera que isto é demonstrável por intermédio da Alteração do Contrato Social da GE PARTICIPAÇÕES de 24/11/2009, que atesta o aumento de capital baseado no valor das participações societárias da GE CELMA e outras sociedades do Grupo GE. No tocante à fração da participação societária anteriormente detida pela GEB, deriva de transferência patrimonial em favor da GE PARTICIPAÇÕES por paga em face de redução de capital social na GEB, em 22/09/2010. Defende que a operação constituiuse em aquisição das quotas do impugnante pela GE PARTICIPAÇÕES, igualmente efetuada com base nos valores patrimoniais até então registrados na GEB. Sintetiza que a aquisição realizada pela GE PARTICIPAÇÕES formalizouse pelo custo de aquisição na conta de investimentos em participações societárias das antigas detentoras da parcela do investimento societário. A partir deste contexto, entende que descabida as conclusões que implicaram na determinação de acréscimo patrimonial indevido ou reavaliação ou ganho não realizado no processo de reorganização societária entre as agentes participantes das aludidas transações. Repulsa também as considerações feitas pela fiscalização com base em instruções e pareceres da Comissão de Valores Mobiliários – CVM. De acordo com a defesa, o autuante resgatouos para respaldar a tese de que as normas regulatórias não permitiam a realização de transações societárias com ágio gerado em operações intragrupo, pois, as reservas não geram riquezas defronte sua realização consigo mesmo. Valida suas considerações mediante citação de posicionamentos da doutrina contábil e tributária. Acrescenta que, até edição das alterações introduzidas na Lei das S/A e dos pronunciamentos técnicos positivados pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), as regras contábeis da mensuração do ágio derivado de aquisição de investimentos e da respectiva despesa incorrida eram baseadas na legislação tributária redação original do art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977 (DecretoLei 1.598/77) e nos arts. 7o e 8o da Lei 9.532/97, orientações estas confirmadas pela Resolução CFC nº 732, de 1992. Logo, segundo a defesa, evidenciase que o sobrepreço apurado não provém de uma reavaliação espontânea de ativos, mas sim de efetiva reestruturação societária com aferição de ágio totalmente legítimo e em consonância com as normas fiscais e contábeis. Fl. 9299DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.300 23 Afora isto, adverte que a mensuração de ágio interno derivado de reavaliação de ativos somente é condenável pelas normas contábeis em sede das demonstrações consolidadas e não em apurações individuais que servem de base para a determinação do lucro real. Ainda assim, as demonstrações consolidadas submetem se apenas à depuração dos lucros de transação intercompanhias. De acordo com a pretensão, não há óbice quanto ao controle do ágio controlado no ativo das demonstrações financeiras individuais em decorrência do montante do custo de aquisição da participação societária. Reforça sua tese com a menção de orientações técnicascontábeis emitidas pelo CPC e pelo CVM, assim como excerto de artigo da doutrina contábil. Acrescenta ainda que não há previsão normativa que vede a realização de operações societárias entre partes relacionadas, bem assim qualquer restrição à atribuição dos efeitos tributários em relação às amortizações de ágio delas provenientes. Neste contexto, mostrase que a mera feitura de operação praticada por empresas do mesmo grupo econômico não descaracteriza o ágio negociado, bem assim não cabe sua Renova suas interpretações precedentes, salientando que a distinção da origem do sobrepreço derivado de operação entre partes relacionadas daquela proveniente de operações entre empresas sem vínculo, não é relevante para fins tributários ante flagrante ausência de vedação normativa e inobservância nas regras de hermenêutica. Noutro ponto, ratifica a inexistência de vedação ao registro da aquisição da participação societária pela GE PARTICIPAÇÕES ocorrida nos anos de 2009 e 2010. Segundo a pretensão, houve plena observância dos art. 384 e 385 do RIR/99, desmembrandose o custo de aquisição e o ágio atinente à negociação efetuada com a GE HOLDING E GEB ante a precificação definida com base em relatório de avaliação econômicofinanceira. Associa que a própria legislação tributária valida operações entre partes relacionadas desde que a negociação seja levada a efeito em bases comutativas mediante adoção de valores de mercado ou arm’s lenght. Nesse sentido, a GE PARTICIPAÇÕES não exerceu nenhum ato de discricionariedade, pautando sua negociação a partir do valor contábil das participações societárias na contabilidade da empresa alienante. Logo, a inobservância destes parâmetros norteadores impulsionariam a caracterização da infração relativa a distribuição disfarçada de lucros prevista no art. 464, incs. I e II do RIR/99. Neste cenário, desde que as transações entre partes relacionadas atendam ao princípio arm’s lenght e padrões de mercado não há razão para não reconhecer a pertinência do ágio negociado entre os agentes. Embasa a interpretação com citação de precedente do CARF. No tocante a comprovação de aquisição e pagamento do ágio, diverge frontalmente da tese da autoridade lançadora, defendendo que se trata que reflete interpretação equivocada sob a ótica das transações societárias levadas a efeito entre partes relacionadas. Antes de mais nada, reclama que o art. 385 do RIR/99 não estabelece nenhum tipo de restrição à forma de aquisição da participação societária, muito menos a maneira convencionada entre as partes para quitação da relação obrigacional. Fl. 9300DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.301 24 Propugna que a existência ou não de pagamento em espécie se trata de um elemento irrelevante na análise da questão, mormente que a redução de capital integra um legítimo custo de aquisição referente ao valor das ações transacionadas no negócio celebrado entre pessoas jurídicas do mesmo conglomerado. Compreende que a transferência das ações da GE CELMA de suas alienantes (GE HOLDING e GEB) para a GE PARTICIPAÇÕES (adquirente) como modalidade transacional em contrapartida à redução de capital, nada mais representa que uma forma de aquisição de participação societária pela adquirente que, a seu turno, teria sido quitada mediante transferência de seus valores mobiliários correspondentes. Em linha com essa posição, acentua que nada há nas normas contábeis ou mesmo na legislação em geral que delimitasse a contrapartida à baixa das ações da GE CELMA. Lembra ainda que os acionistas estão submetidos à vontade da companhia, visto que a posição individual de seus gestores é sobreposta nas deliberações em assembleia aprovada pela maioria, coadunandose com o princípio da autonomia de vontades. No caso em tela, defende que a manifestação de vontade da GE HOLDING e da GEB e da GE PARTICIPAÇÕES foram as seguintes: a alienantes, a redução de participações em capital em determinados investimentos societários; a adquirente, na incorporação de ações da GE CELMA, estabelecendose uma situação fática de aquisição do investimento societário. Sob este cenário, a GE PARTICIPAÇÕES passou a exercer o investimento direto na GE CELMA, materializandose a aquisição da participação societária e se esvaziando a interpretação adotada pelo autuante. Neste sentido, conclui que não há como se sustentar a alegação de que não houve pagamento do ágio, porquanto a negociação teria se baseado na entrega de ações com a correspondente redução de capital, primeiramente, da GE HOLDING e, em seguida, da GEB, evidenciando inequívoco pagamento do preço negociado pelas partes. Na seqüência, diverge totalmente da qualificação da transação como atos desprovidos de propósito negocial, substância econômica e lapso temporal razoável para a prática dos atos. Argumenta que as assertivas foram conduzidas de forma arbitrária e sem um embasamento de direito, induzindose as razões de maneira tendenciosa e distante da realidade dos fatos, pois desconsiderou o contexto da reestrutura societária idealizada pelo Grupo GE. Sob este aspecto, narra uma síntese de eventos que foram desenvolvidos dentro de um planejamento estratégico do conglomerado para otimização de resultados e centralização de operações e/ou negócios através da simplificação da estrutura organizacional com vistas ao aprimoramento no mercado com melhor eficiência. Sustenta que os estudos e ações projetados dentro do contexto de reestruturação empresarial, desenvolvido ao longo de um triênio, evidenciaram o suporte de suas deliberações em busca de uma eficiência ótima dos negócios. Justifica que a razão dos atos societários envolvendo a GE CELMA, quais sejam a redução de capital da GEB e a cisão da GE PARTICIPAÇÕES, terem ocorrido, respectivamente, entre nos dias 22 e 26 de setembro de 2010, devese ao fato de que o período entre 21 e 26 de setembro representava o último dentro do calendário gerencial para a realização de atos societários. Fl. 9301DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.302 25 Sustenta a veracidade de suas ilações, porquanto a ocorrência de uma nova cisão da GE PARTICIPAÇÕES em dezembro/2010, envolvendo outras sociedades do mesmo conglomerado empresarial. Neste sentido, entende também demonstrada a existência de claros motivos comerciais e econômicas na realização das operações, tanto em relação ao impugnante quanto em relação à antiga controladora Irresignase também em relação às conclusões que enquadraram a GE PARTICIPAÇÕES na condição de empresaveículo. Diverge do posicionamento que insiste na caracterização de que o processo de reestruturação societária reservouse única e exclusivamente ao intuito de realizar a amortização fiscal do ágio vinculado às transações envolvendo companhias integrantes do Grupo GE. Reafirma que a finalidade das operações realizadas pelo Grupo GE era a concentração de segmentos negociais em determinadas empresas integrantes do conglomerado empresarial. Assevera que os atos societários praticados inseriramse, congruentemente, no contexto dessa concentração que teve por resultado o direcionamento e desenvolvimento dos negócios do Grupo GE, bem como a economia dos elevados custos decorrentes da vasta gama de empresas existentes à época das reorganizações. Argumenta o exercício de sua defesa evidencia que não há nenhum fundamento legal que respalde a desqualificação as operações sob o prisma da legalidade, uma vez que todos os atos foram levados a efeito em conformidade com o direito aplicável, inexistindo qualquer razão para questionamentos acerca de sua validade jurídica ou inexistência de propósito negocial. Neste sentido, retoma todo o ciclo de vida da GE PARTICIPAÇÕES desde a sua constituição (1997) com ênfase às mudanças estruturais desenvolvidas a partir de deliberações do conglomerado empresarial em decorrência da reestruturação societária instaurada a partir do ano de 2008. Neste sentido, argumenta que a GE PARTICIPAÇÕES teria exercido importante atividade de organização dos eventos societários que ocorreriam em todas as sociedades do grupo. Segundo a defesa, a partir de outubro de 2009, as sociedades operacionais teriam designado gerentes de projetos dentro de cada segmento de atuação de cada negócio, todavia, integrados aos quadros da GE PARTICIPAÇÕES, tudo destinado à maximização dos resultados oriundos da reestruturação societária. A participação efetiva destes profissionais dentro deste processo seria constatável pelo teor das Atas de Reunião da empresa. Alega que a empresa também dispunha que corpo funcional próprio conforme demonstra por intermédio do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados CAGED do período de 2007 a 2010 (doe. 05), cujas despesas com recursos humanos podem ser evidenciadas em seus registros contábeis e pelas informações contidas em suas respectivas Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica ("DIPJ"). Adverte ainda que a GE PARTICIPAÇÕES desembolsava parcela de sua liquidez para o pagamento de dividendos as suas controladas, bem assim disponha de investimentos bancários que geravam ganhos de receitas ou dispêndios financeiros. Fl. 9302DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.303 26 Além disto, contratava regularmente serviços de terceiros não relacionados e, quando necessário, celebrava operações de crédito com outras empresas do Grupo GE. No ano de 2012, a GE PARTICIPAÇÕES foi dissolvida ante o cumprimento de suas funções dentro deste processo de reestruturação societária. Sob estas perspectivas, compreende que resta demonstrada a perda de eficácia a acusação fiscal que atribui à GE PARTICIPAÇÃO o status de empresa veículo. Acrescenta ainda que a GE PARTICIPAÇÕES se caracteriza como uma típica sociedade com o propósito especifico com atribuição particular nos processos de fusões e aquisições albergados pela instituição do mecanismo do ágio criado pela Lei nº 9.532, de 1997. Diante da natureza de sua atuação no contexto da reestruturação empresarial, depreende que é indubitável que a decisão negocial atinente à incorporação do investimento e do montante do ágio mensurado nas operações. Avigora a pertinência de sua tese mediante a citação de precedentes emitidos no âmbito do CARF. Protesta ainda que o autuante nada ponderou sobre as razões da pretensa irregularidade e descabimento da incorporação reversa para determinar a perda da eficácia do ágio negociado, bem assim a invalidade dos efeitos fiscais das amortizações contabilizadas pelo impugnante. Renova que a legislação tributária não definiu nenhuma barreira normativa que impusesse ao procedimento de fiscalização a recusa do tratamento fiscal desencadeado a partir da incorporação do patrimônio da investidora (GE PARTICIPAÇÕES) por sua investida (GE CELMA). Sob esta perspectiva, reforça que os termos do art. 8º da Lei nº 9.532/97 não introduziram nenhuma vedação neste sentido. Avigora a tese com a citação de ementas de precedentes do CARF. Diverge também das assertivas que colocam em xeque a validade do conteúdo das avaliações elaboradas para respaldo da mensuração do ágio associado à transação societária referenciada na defesa. Neste sentido, contrapõese de forma veemente em relação às motivações elencadas para configuração de sua ineficácia para cumprimento dos requisitos formais de validade do documento específico exigido pela legislação do imposto de renda. Interpreta que o disposto no §3º do art. 20 do Decretolei nº 1.598/77 demanda tão somente que o contribuinte respalde sua escrituração contábil com base em demonstração que deverá ser arquivada para prova do fundamento econômico do ágio. Declara que uma análise sistemática da matéria revela que o órgão legiferante foi suficientemente expresso quanto às formalidades na "demonstração" que reflete os lançamentos contábeis da pessoa jurídica. No caso de constituição de uma companhia ou aumento de seu capital social mediante conferência de ativos, por exemplo, o art. 8o da Lei das S/A demanda que seja elaborado laudo exclusivamente para fins de avaliação dos bens entregues à sociedade, determinandose, até mesmo, que tal demonstrativo seja elaborado por três peritos ou por empresa especializada. Assim sendo, entende que não há grande rigor quanto ao documento formulado para apoio da escrita contábil do ágio na aquisição do investimento societário, razão pela qual deveria ser aceito pela autoridade tributária, Fl. 9303DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.304 27 independentemente da metodologia utilizada ou da concretização efetiva de rentabilidade futura indicada no estudo. Acrescenta ainda que o dispositivo legal não estabelece nenhum requisito temporal quanto à comprovação de rentabilidade futura, prevendo tão somente a obrigação da elaboração da demonstração e a manutenção do acervo documental correspondente. Logo, não haveria restrição normativa ao preparo em momento anterior e não exatamente contemporâneo ao registro contábil do ágio. Assinala ainda que não há previsão legal expressa que exija a elaboração de um laudo de avaliação com as mesmas datas dos atos societários, mostrando que o autuante não pode agir de forma distinta, sob o risco de desrespeito do princípio da legalidade tributária prevista nos artigos 150, I, da CF/88 e do art. 97 do CTN. Descaberia à autoridade lançadora impor qualquer restrição à forma ou à metodologia utilizadas para a fundamentação do ágio em rentabilidade futura, inserindo requisitos adicionais ou questionamentos em relação aos parâmetros técnicos das informações prestadas. Na posição defendida pelo impugnante, a exigência de forma especial apenas foi introduzida com a alteração legislativa trazida com a edição da Lei nº 12.973, de 2014, logo, corroborandose que a redação do art. 20, §3° do Decretolei 1.598/77 não impunha formalidade essencial à "demonstração" a ser arquivada para fins de comprovação da escrituração contábil. Repisa que o suporte da operação societária e o desdobramento do custo de aquisição pela GE PARTICIPAÇÕES, respaldouse pelo Relatório de Avaliação EconômicoFinanceira da GE CELMA, datado de 11 de novembro de 2009, com database de 31 de junho daquele mesmo ano, no qual a expectativa de valor justo para 100% do patrimônio líquido da impugnante foi avaliada em aproximadamente R$ 2,089 bilhões. Assevera que tais instrumentos resguardam o ágio da operação de reestruturação societária envolvendo a GE CELMA, fazendo cair por terra a acusação afeta a suposta carência de demonstração do fundamento do ágio ou mesmo a precariedade de sua quantificação, inclusive em relação às projeções de resultado baseado em rentabilidade futura. Afora isto, propugna que a autoridade lançadora incorreu em equívoco ao confundir as atividades de auditoria (KPMG) com a prestação de serviços de consultoria econômica contratada para estudo e emissão de laudo com base em fluxo de caixa descontado (Ernest Young – EY). Em atenção à normatização específica da CVM, a empresa responsável pela elaboração dos laudos de avaliação não foi a mesma que desempenhava a função de auditoria perante o impugnante, pois, caso contrário, implicaria em prejuízos ao exercício de suas atribuições com o grau de independência e nível de confiança e idoneidade do parecer conclusivo. Reclama que não foram apresentados quaisquer argumentos capazes de invalidar as informações históricas utilizadas durante a elaboração dos relatórios de avaliação. Salienta que o autuante esvaziou a eficácia de tais instrumentos, contudo, sem argumentação contundente da respectiva motivação jurídica da perda de seus efeitos; assim sendo, compreende que não há razões para tornar inválida a metodologia adotada pela empresa de assessoria empresarial. Fl. 9304DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.305 28 Protesta que o impugnante adotou uma posição conservadora ao contratar a atualização do laudo de avaliação da GE CELMA em momento anterior ao desdobramento do investimento na GE PARTICIPAÇÕES, igualmente elaborado por terceiros independentes. Adverte ainda totalmente descabida a acusação que afasta a legitimidade dos efeitos fiscais das amortizações do ágio em decorrência de inobservância de requisitos legais associados ao Laudo de Avaliação apresentada para justificação do fundamento econômico do intangível transferido ao patrimônio da autuada em decorrência operacionalização da cisão parcial da GE PARTICIPAÇÕES. Protesta que inexiste fundamento legal que obrigue o pagamento do preço do investimento no exato montante fixado pelo Laudo de Avaliação. O valor pago pela aquisição do investimento acrescido de ágio integra a importância total suportado pelo relatório de avaliação em comento, portanto, indubitável sua validade para fins de apoio da transação societária. Finaliza que todas as ressalvas levantadas pela autoridade lançadora não têm amparo para prevalecer como motivação fática para lavratura da autuação. Sob outra ótica, reclama a inadmissibilidade de adição à base imponível da CSLL de valores de despesas com a amortização de ágio, pois ausente fundamentação normativa que respalde a providência. Respalda sua tese com precedentes do CARF. Além disto, reclama a existência de lapso manifesto nos cálculos elaborados pelo autuante para o ano de 2011. Argumenta que não se considerou os pagamentos de suas antecipações mensais. Aponta que as apurações devem ser refeitas dado que não houve observância dos recolhimentos das estimativas mensuradas com base em Balanço de Suspensão e Redução em janeiro (R$ 37.805,20 e R$ 100.494,09), março (R$ 110.382,92 e R$ 295.260,36) e junho (R$ 396.046,07 e R$ 1.116.007,18) da CSLL e do IRPJ, respectivamente. Afora isto, houve um erro específico associado ao aproveitamento dos saldos de prejuízos fiscais e base negativa da CSLL no anocalendário de 2012. Especificamente no 2o trimestre daquele ano, o lançamento de ofício não abateu o total de prejuízos fiscais e base negativa da CSLL, resultando, ao final, em uma cobrança a maior do imposto e da contribuição social. Protesta também a ilegitimidade da incidência da multa isolada decorrente da falta de recolhimento das estimativas ante a não pertinência de imputação da referida penalidade, cumulativamente, com a multa de ofício vinculada de 75% (setenta e cinco por cento). Acrescenta também que a inaplicabilidade ao caso concreto que versa sobre a permissibilidade de sua incidência com fundamento na redação expressa na Lei nº 11.488/2007. Finaliza alegando a impertinência de incidência de juros de mora sobre a multa punitiva imputada sobre os valores autuados. De todo o exposto, requer que seja dado provimento as razões pormenorizadas na peça impugnatória, reconhecendose a validade do ágio apurado na aquisição de participação societária, bem como a declaração de improcedência da glosa das despesas com amortizações de ágio ajustadas nas bases imponíveis de IRPJ e da CSLL. Subsidiariamente, caso não acolhido o cancelamento da autuação, que afaste, ao menos, a multa isolada sobre a insuficiência no recolhimento de Fl. 9305DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.306 29 estimativas mensais de IRPJ e da CSLL e a incidência de juros SELIC sobre a multa de ofício. Por cautela, protesta ainda a juntada posterior de documentos adicionais que possam comprovar de tudo o quanto integra o conjunto de suas alegações. Ato contínuo, a autoridade preparadora encaminha os autos do processo à DRJ/SPO para julgamento da impugnação.” Após análise das razões expostas pela contribuinte em sua peça impugnatória, a 7ª Turma de Julgamento da DRJ/SPO julgouas improcedente, mantendo o crédito tributário exigido, como indica a ementa do Acórdão n.º 1680.320, a seguir transcrito: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 PRELIMINAR. INAPLICABILIDADE DO INSTITUTO DA DECADÊNCIA. FATOS PASSADOS COM REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS. INEXISTÊNCIA DE PRECLUSÃO NO EXAME DE SEUS EFEITOS TRIBUTÁRIOS. O sujeito passivo da obrigação tributária está subordinado à fiscalização de fatos ocorridos em períodos passados quando eles repercutirem em lançamentos contábeis de exercícios futuros, devendo conservar os documentos de sua escrituração, até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Inexiste preclusão administrativa na realização da análise dos dados associados aos efeitos tributários incidentes sobre o período fiscalizado em decorrência de fatos pretéritos, operandose a decadência no decurso de prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4°, do CTN), desde que observada a existência de pagamento antecipado do tributo correspondente, bem como a inocorrência de dolo, fraude ou simulação praticado pelo sujeito passivo (art. 173 do CTN). DA NULIDADE. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. ERRO DE DIREITO DA TIPIFICAÇÃO DO FUNDAMENTO LEGAL DA INFRAÇÃO. PREJUÍZO AO EXERCÍCIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. AUTUAÇÃO FISCAL FORMULADA EM CUMPRIMENTO ESTRITO DOS REQUISITOS NORMATIVOS. Fl. 9306DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.307 30 A admissibilidade de nulidade da autuação fiscal promove se apenas em relação aos atos e termos lavrados por agente incompetente, bem assim aqueles que repercutam na tramitação processual defronte circunstâncias que denotem a ocorrência de prejuízo ao exercício do contraditório e da ampla defesa do contribuinte. Inexiste a preterição do direito de defesa na hipótese em que o montante dos créditos tributários, a descrição dos fatos e a capitulação legal firmadas na autuação fiscal e em seus termos permitemlhe a ampla e irrestrita cognição das motivações determinantes do lançamento de ofício e viabilizem a condução de peça impugnatória que demonstra perfeita interpretação do teor das infrações tipificadas. A motivação em espécie consistese no dever imposto pela ordem pública para que a autoridade tributária promova a justificativa escrita sobre as razões e as evidências concludentes que determinaram a constituição do lançamento tributário mediante indicação dos pressupostos de fato e de direito que implicaram na lavratura do auto de infração. Observandose a infração tipificada na conclusão do procedimento de fiscalização se encontra minuciosamente descrita no termo de verificação fiscal e acompanhada da respectiva fundamentação legal alusiva ao ato infracional praticado pelo sujeito passivo, não há de reconhecer nulidade no lançamento. No caso concreto, as posições divergentes às conclusões firmadas no encerramento da ação fiscal, bem assim a aplicação da norma materializada com a tipificação da base legal vinculada à infração tributária descrita na autuação consistemse em matéria de mérito. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. CISÃO PARCIAL. TRANSFERÊNCIAS DE ATIVOS MOBILIÁRIOS. PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQÜÊNCIA E SEM PROPÓSITO NEGOCIAL. EMPRESA VEÍCULO. ÁGIO DE SI MESMO GERADO INTRAGRUPO. A outorga da dedutibilidade da amortização do ágio de cisão parcial inserida em um contexto de operações estruturadas e coordenadas em sequência no âmbito de reestruturação societária demanda que as transações estejam regularmente amparadas em atos empresariais não atingidos por manobras artificiais ou vícios sociais albergados por práticas abusivas entre companhias participantes do mesmo grupo societário. Fl. 9307DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.308 31 Demonstrada a irregularidade do arranjo societário ante a ausência de propósito negocial e da artificialidade de transações engendradas intragrupo, torna imperativo a manutenção dos efeitos da glosa promovida em decorrência da configuração de ágio de si mesmo gerado derivado de operações de cisão parcial entre partes relacionadas. DA AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO PROVENIENTE DE CISÃO PARCIAL. LAUDO DE AVALIAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO INEFICAZ DA ORIGEM E FUNDAMENTO ECONÔMICO DO ÁGIO. FLUXO FINANCEIRO INEXISTENTE. INTERMEDIAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO ENTRE PARTES RELACIONADAS. ÁGIO ARTIFICIAL. MOTIVAÇÃO IMPRÓPRIA PARA A GERAÇÃO DO SOBREPREÇO. INDEDUTIBILIDADE. De acordo com os termos da legislação de regência, a dedutibilidade da amortização de ágio proveniente de aquisição de negócio empresarial mediante cisão parcial de pessoa jurídica demanda a plena observância dos seguintes requisitos essenciais: (i) a realização da transação societária entre partes não relacionadas e independentes; (ii) o efetiva demonstração do fluxo financeiro que evidencie o pagamento do custo aquisição celebrado entre as partes, incluindose o montante do ágio; (iii) demonstração do respectivo fundamento econômico do ágio gerado na operação societária que norteou a deliberação em assembleia do corpo diretivo do conglomerado, respeitada as hipóteses prescritas na legislação de regência. Outrossim, a interpretação sistemática das normas aplicáveis mostra ser compulsório que a prova de demonstração do fundamento do ágio designe a representação fidedigna da negociação empresarial e seja contemporânea às efetivas razões da tomada de decisão pelo adquirente para celebração da relação contratual pelo preço estabelecido. Evidenciado que o bojo das transações das companhias advém de centralização decisória da cúpula diretiva do conglomerado, não viabiliza reconhecer a pertinência da mais valia aferida no investimento societário, porquanto resultante de processo imparcial de precificação, pois desprovido negociação em ambiente de livre mercado e independência entre as partes contratantes. As operações de arranjo societário entre companhias integrantes do mesmo grupo econômico cuja indução das Fl. 9308DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.309 32 transações revelase tendente à criação de um ágio artificial destinado à redução imprópria da base imponível do imposto de renda, bem assim a obtenção vantagem tributária indevida desamparada de propósito negocial, são circunstâncias bastantes para determinar a perda da eficácia do sobrepreço avaliado e ratificar a negativa de dedutibilidade das parcelas de amortização de ágio computadas no resultado fiscal do impugnante. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011, 2012 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. VINCULAÇÃO AO LANÇAMENTO PRINCIPAL. Aplicamse aos lançamentos tidos como reflexos as mesmas razões de decidir do lançamento principal (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ), em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos jurídicos ou elementos probatórios a ensejar conclusões com atributos distintos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011, 2012 ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL NÃO RECOLHIDAS. MULTA ISOLADA. CABIMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO PERÍODO. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO INCIDENTE SOBRE O TRIBUTO APURADO COM BASE NO LUCRO REAL ANUAL. Nos casos de lançamento de ofício, é aplicável a multa de 50%, isoladamente, sobre o valor de estimativa mensal que deixou de ser recolhido, mesmo após o encerramento do exercício, e ainda que seja apurado prejuízo fiscal e base de cálculo negativa para a CSLL no anocalendário correspondente. A hipótese normativa de imputação da multa isolada não se confunde com a motivação determinante de aplicação da multa de ofício, pois aquela é cabível defronte a constatação da falta de pagamento da importância devida da estimativa mensal de IRPJ e da CSLL aferida com base nos ditames do regime de apuração do lucro real anual. Tratamse de infrações distintas e autônomas, razão pela qual ambas as sanções são passiveis atribuição concomitante em face do sujeito passivo. Fl. 9309DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.310 33 INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. ADMISSIBILIDADE. A importância alusiva à multa de ofício representa um crédito tributário para com a União decorrente de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Configurase pertinente a incidência de juros de mora sobre seu montante a partir do vencimento qualificado na autuação fiscal levada a efeito em face do sujeito passivo, porquanto regularmente amparado pela legislação tributária de regência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com a decisão retro, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário submetendo o presente processo à apreciação deste Conselho, aduzindo, em síntese, as mesmas razões apresentadas em 1º grau, inovando apenas em sede de preliminares, quanto ao seguinte: i) Nulidade da decisão recorrida em razão da inovação no critério jurídico do lançamento; e ii) Ausência de conexão das considerações acerca da prova indiciária. Registrase que, conforme Despacho de Encaminhamento de fl. 9263, não houve requisição dos autos para apresentação de contrarrazões pela PGFN. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. Da admissibilidade Presentes os requisitos de admissibilidade recursal, tomo conhecimento do presente Recurso Voluntário. Deixo de conhecer, porém, da alegação trazida na petição de fls. 9.266 a 9.274, por haver sido apresentada em desobediência à legislação de regência do processo administrativo fiscal. Fl. 9310DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.311 34 É que, consoante a norma vigente, a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento, devendo dela constar todos os motivos de fato e de direito em que se fundamentam os pontos de discordância e as razões e provas das alegações (arts. 14 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972). Ou seja, é nesse instante em que se delimita a matéria objeto do contencioso administrativo, não sendo admitido ao contribuinte e à autoridade ad quem tratar de matéria não questionada por ocasião da impugnação, sob pena de supressão de instância e violação ao princípio do devido processo legal. Admitemse, contudo, algumas exceções à essa regra de preclusão consumativa. Em primeiro lugar, são admitidas as provas apresentadas em momento posterior, desde que presente alguma das hipóteses trazidas pelo §4º do referido art. 16 do Decreto nº 770.235, de 1972 (impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior; fato ou direito superveniente; contraposição de fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos). A par disso, também são excepcionadas as matérias que possam ser conhecidas de ofício pelo julgador, a exemplo das matérias de ordem pública. A nova alegação trazida pela Recorrente não constitui matéria de ordem pública, portanto, somente poderia ser apreciadas pelo CARF, se já houvesse sido invocada desde a Impugnação. Além disso, a inovação legislativa que poderia justificar a juntada do argumento posteriormente à Impugnação, com base em "direito superveniente", deuse em 25 de abril de 2018, data da publicação da Lei nº 13.655. O processo foi distribuído para este Relator em maio de 2018. Inexiste, portanto, qualquer justificativa para que a Recorrente tenha deixado para juntar a alegação às 17:23 da antevéspera do julgamento do processo. Por esta razão, deixo de tomar conhecimento da referida alegação. I. Das Preliminares de Nulidade I.1. Da Ausência de Inovação nos Critérios Jurídicos pela Decisão Recorrida A Recorrente inicia o tópico relativo às preliminares de nulidade alegando que a decisão recorrida teria inovado nos critérios jurídicos no que se refere ao motivo porque se teria reputado não preenchidos os requisitos constantes no § 3º, do art. 385, do RIR/99. De acordo com a Recorrente, a autoridade fiscal não aceitou o Laudo de Avaliação porque a Recorrente não esclareceu o motivo das divergências entre o valor estimado para a GE Celma (R$ 2.089.901.000,00), apontado pela EY, e o valor do investimento/ágio na GE Celma registrado no Laudo de Avaliação do acervo líquido cindido da GE Participações para GE Celma (R$ 1.630.614.181,89). Diversamente, a decisão recorrida teria justificado a invalidade do r. Laudo porque a Recorrente não teria apresentado acervo documental que pudesse demonstrar a origem e fundamentação do ágio em discussão. Desse modo, requer a declaração de nulidade da decisão recorrida, com o retorno dos autos determinando a correção dos vícios incorridos pela Turma a quo; ou, Fl. 9311DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.312 35 alternativamente, caso se entenda pelo cancelamento do Auto de Infração combatido, que este Conselho o faça, conforme § 3º, art. 59, Decreto n.º 70.235/72. No entanto, não houve qualquer mudança nos critérios jurídicos aptos a justificar a aplicabilidade do art. 146, CTN, ou do art. 59, do Decreto nº 70.235/72, visto que a DRJ ratifica a invalidade do Laudo na medida em que a estimativa do valor justo apontado pela E&Y não encontra qualquer relação com o valor total do investimento e ágio por rentabilidade futura na GE CELMA. A decisão recorrida, então, aponta que o relatório apresentado pela Recorrente não seria demonstrativo suficiente a justificar o valor escriturado como ágio no evento de cisão parcial da GE Participações, posto que, à vista da diferença de valores, o relatório, o demonstrativo ou o estudo que tenha servido como comprovante de escrituração poderia ser outro, mas não aqueles trazidos aos autos, conforme se denota do trecho abaixo transcrito: “O relatório propugnado pela defesa técnica revela flagrante divergência com as situações fáticas retratadas pelo confronto do acervo documental analisado de forma ordenada e compatibilizada com as avaliações que o impugnante dispunha à época formatação da reestruturação societária. Incluise ainda, a despeito da justificativa vazia do impugnante, que nada de concreto elucida quanto à patente dissonância entre o ágio reconhecido para fins de amortização e o montante apontado no Relatório de Avaliação elaborado pela E&Y, muito menos em relação às alterações desarraigadas de um mínimo acervo documental de suporte que amparasse a majoração dos valores dos ágios anteriormente transferidos por ocasião da formatação das transações de cisão parcial (entre as quais a própria GE CELMA), acréscimos estes feitos na expedição do ato de dissolução da GP PARTICIPAÇÕES (dezembro/2012). Notadamente, a tomada de decisão acerca da cisão parcial (reestruturações precedentes) e as informações necessárias à identificação do fundamento econômico do ágio não foram pautadas no trabalho desenvolvido nestes relatórios de avaliação, mas sim com base de acervo documental não conduzido à cognição da autoridade lançadora e, agora, igualmente, perante o órgão julgador de primeira instância.” (fls. 9.075/9.076) Conforme o exposto, não se há que falar em preterição do direito de defesa pois a decisão recorrida ratificou as razões que culminaram com a reputação de invalidade do Laudo de Avaliação pela decisão recorrida, notadamente, a divergência entre o valor apontado no Laudo de Avaliação e aquele valor pago na aquisição. Fl. 9312DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.313 36 I.2. Da Inexistência de Decadência. Súmula CARF nº 116 Em seguida, a Recorrente alega que o ágio atinente as respectivas operações de reestruturação societária dentro do GRUPO GE não devem se submeter ao crivo do procedimento de fiscalização por se tratarem de fatos contábeis e societários correspondentes a eventos alusivos aos anos de 2009 e 2010. Propugna que, embora os efeitos tributários foram executados a partir do ano calendário 2011, a ciência da autuação ocorreu apenas no curso do ano de 2016, ou seja, transcorrido mais de cinco anos do marco societário de aprovação do sobrepreço derivado da sucessão de transações societárias vertente ao objeto do auto de infração, culminando com a decadência do direito da fiscalização de questionar as operações societárias realizadas pela recorrente. Não merecem provimento as alegações da Recorrente pois, conforme bem pontuou a decisão recorrida, o marco da contagem do prazo decadencial apenas se perfaz na oportunidade em que efetuada a respectiva dedução do resultado tributável do imposto de renda e da contribuição social. Logo, tendo o contribuinte sido cientificado acerca as infrações em 14/12/2016, cumpre asseverar que a constituição dos lançamentos de ofício pode/deve alcançar os fatos geradores de IRPJ e da CSLL ocorridos em e 31/12/2011 e 31/03/2012, 30/06/2012, 30/09/2012, 31/12/2012. Relativamente a esta matéria, inclusive, o CARF já dispõe de entendimento pacificado por súmula. Vejamos: Súmula CARF nº 116: Para fins de contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a glosa de amortização de ágio na forma dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, devese levar em conta o período de sua repercussão na apuração do tributo em cobrança. Acórdãos Precedentes: 1101000.961, de 08/10/2013; 1102001.104, de 07/05/2014; 1301 000.999, de 07/08/2012; 1402001.337, de 06/03/2013; 1402001.460, de 08/10/2013; 9101002.804, de 10/05/2017; 9101003.131, de 03/10/2017. I.3. Da Ausência de Motivação Com relação à preliminar de nulidade por ausência de motivação, a Recorrente volta a alegar a insuficiência da tipificação da infração tributária consignada no auto de infração, implicando em prejuízos no exercício do direito de defesa do contribuinte e gerando razões bastantes para a declaração de nulidade da autuação. Ademais, a Recorrente assevera que a decisão recorrida tenta encontrar um embasamento legal para o TVF; sem sucesso, todavia, em decorrência de estarem tanto o Auto de Infração quanto a decisão a quo consubstanciados em interpretações genéricas e posições de doutrinadores minoritários. Fl. 9313DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.314 37 O Recurso imputa, ainda, que a decisão recorrida defende a adoção da teoria da essência sobre a forma numa tentativa desesperada de salvar a autuação claramente nula por ausência de suporte legal. No entanto, fato é que a Recorrente não justifica de forma satisfatória a razão porque os fatos que descreveu estariam albergados pela hipótese descrita no art. 59, do Decreto nº 70.235/72. Ou seja, a Recorrente não faz contraponto suficiente às conclusões alcançadas pela autoridade fiscal e ratificadas pela DRJ, no sentido de que: (I) a formalização da presente exigência decorreu de ação fiscal perfeitamente regular, com as respectivas peças impositivas, tendo sido lavradas rigorosamente nos termos da lei, no caso, o art. 142 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), observandose os requisitos essenciais do artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 1972; e (II) não se configurou nenhuma das hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, mostrandose válido, para todos os efeitos legais, os aludidos autos de infração, uma vez que não evidenciado cabalmente pelo impugnante quaisquer imperfeições técnicas capazes viciar os atos integrantes dos lançamentos de ofício. Outrossim, o próprio posicionamento contrário às conclusões registradas no TVF, ou na decisão recorrida (como é a oposição à aplicabilidade da teoria da essência sobre a forma no caso em tela), revela uma incursão na discussão quanto ao mérito da infração, o que denota que a Recorrente compreendeu os termos da autuação, inexistindo a hipótese de preterição do direito de defesa. Também com relação à falta de pertinência lógica entre as considerações feitas pela DRJ no tópico que trata da “prova indiciária no direito tributário”, não se verifica a necessária subsunção dos fatos descritos a qualquer das hipóteses de nulidade constantes do art. 59, do Decreto nº 70.235; mas sim, um inconformismo em relação ao posicionamento adotado pela Turma Julgadora quanto ao mérito da autuação. Para que não restem dúvidas quanto à existência, segue a fundamentação legal do Auto de Infração, destacada do TVF, à folha 8.683. Vejamos: “8.14 O enquadramento legal, além dos já citados no presente TVF e nos Autos de Infração de IRPJ e CSLL são os seguintes: • IRPJ – norma prevista no art. 149 do CTN c/c os artigos 247, parágrafo 1º, 249, 250 e 299, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999; Art. 385 (Art. 20 do DecretoLei nº 1.598/77) e art. 386 (Art. 7º, inciso IV e art. 8º da Lei nº 9.532/97 e art. 10 da Lei nº 9.718/98) do RIR/99. • CSLL – Lei nº 7.689, art. 2º, parágrafo 1º, alínea “c”, com a redação dada pela Lei nº 8.034/90, Lei nº 7.689, art. 6º, parágrafo único.” Destarte, conforme o acima exposto, rejeito as preliminares de nulidade. Fl. 9314DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.315 38 II. Do Mérito II.1. Breve Síntese da Autuação Em relação ao mérito da autuação, a autoridade fiscal reputou indevida a redução da base de cálculo em decorrência da amortização do ágio contabilizado pelas seguintes razões: 1) Não seria concebível econômica e contabilmente o reconhecimento unilateral de acréscimo de riqueza (ágio) em decorrência de uma operação dos sócios com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável, do ponto de vista econômico, tais operações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes para merecer registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade e, consequentemente, o ágio delas decorrentes não se enquadra na hipótese de dedutibilidade prevista no art. 386 do Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999 ("RIR/99"), conforme item 8.4 do TVF; 2) Em análise do processo de reorganização societária levado a cabo pelo Grupo GE, observamse figuras clássicas de planejamento tributário conforme transcrito na obra Planejamento Tributário de Marco Aurélio Greco, a saber (item 8.7 do TVF): a) Operações estruturadas em sequência a Fiscalização critica a proximidade das datas dos eventos, de forma que as pessoas jurídicas GE Brazil Holding Limited ("GEBHL") e GE Participações foram os atores principais da reorganização societária das empresas do Grupo GE, sediadas no Brasil (item 8.8 do TVF); b) Negócios jurídicos celebrados entre partes relacionadas dentro de um mesmo grupo econômico (Grupo GE), o que acabou por gerar um ágio artificial que não é admitido na contabilidade (item 8.9 do TVF); c) Utilização de empresa veículo em toda a operação de reorganização societária foi utilizada a empresa veículo GE Participações, a qual teria viabilizado a dedutibilidade da amortização do ágio (item 8.9 do TVF); d) Operações invertidas (incorporações às avessas) incorporação de quotas cindidas da GE Participações, controladora, pela GE Celma ("GE Celma"), controlada (item 8.11 do TVF); e e) Ágio de si mesmo ágio teve como base a expectativa de rentabilidade futura da própria GE Celma, empresa que se beneficiou pela exclusão do mesmo nas bases de cálculo do IRP3 e da CSLL (item 8.12 do TVF). 3) Ademais, a Recorrente não teria atendido ao disposto no parágrafo 3º do art. 385 do RIR/99 que determina que o lançamento contábil do ágio com fundamento de rentabilidade com base em previsão de resultados nos Fl. 9315DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.316 39 exercícios futuros deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da referida escrituração. Isto porque, muito embora a Recorrente tenha apresentado relatório de Avaliação EconômicoFinanceira da GE Celma ("Laudo de Avaliação"), elaborado pela Ernst&Young ("EY") em 11/11/2009, como demonstração da expectativa de rentabilidade futura da GE Celma, segundo a Fiscalização a Recorrente não prestou esclarecimentos que elucidassem as divergências entre o valor justo estimado para a GE Celma, apontado pela EY, e o valor do investimento/ágio da GE Celma registrado no Laudo de Avaliação do acervo líquido cindido da GE Participações vertido pela própria GE Celma. Como se vê, a lide versa sobre a possibilidade de registro e amortização de ágio, e trata de temas controvertidos em matéria tributária que, embora se verifiquem de maneira distinta em cada caso, têm base em uma comum interpretação procedida pelos intérpretes/aplicadores, a partir de inteligência da teoria/conceito contábil de ágio que, à época dos fatos, era distinta do conceito definido pela legislação tributária para o ágio. In casu, temos as assíduas figuras das: (i) operações estruturadas em sequência; (ii) negócios jurídicos entre partes relacionadas; (iii) utilização de empresa veículo; (iv) operações invertidas (incorporações às avessas); e (v) ágio de si mesmo. Como de costume, nos votos em que trato da amortização de ágio originado em operações anteriores à vigência da Lei 12.973/2014, procedo, inicialmente, à análise da legislação em vigor à época dos fatos, para então verificar a correção da subsunção dos fatos apurados às hipóteses previstas em Lei. II.2. Considerações Iniciais quanto ao Mérito O ponto de partida para as discussões sobre reconhecimento do ágio, deve ser a análise dos dispositivos legais aplicáveis. De outra forma não poderia ser, haja vista estarmos frente ao Direito Tributário Brasileiro que, por sua estrita vinculação à lei, fez supor que mais do que atinência ao princípio da legalidade, o Direito Tributário deve observância ao princípio da tipicidade cerrada. Pois bem, à época dos fatos apurados nos Autos de Infração, não havia nenhuma restrição ao aproveitamento do ágio em relação a operações efetuadas com partes relacionadas, até o advento da Lei nº 12.973/2014, o que admitia o ágio gerado no mesmo grupo econômico. Nesse aspecto, é importante ressaltar que a oposição ao ágio interno possui raízes vincadas na contabilidade. Isto porque, o ágio, como o mais intangível dos intangíveis, por implicar uma grande dificuldade de mensuração, fez com que a teoria contábil apenas admitisse seu reconhecimento quando decorrente de uma negociação de mercado (“at arm’s lenght”), e não conhecesse daquele ágio avaliado no interior de um grupo econômico. Outrossim, diferentemente do que consta na decisão recorrida, entendo que, o fato de a Lei nº 12.973/2014 proibir, expressamente, a dedutibilidade do goodwill surgido em operações societárias realizadas entre partes dependentes, confirma que, sob a égide da Fl. 9316DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.317 40 legislação tributária anterior, não era proibida a amortização do ágio gerado entre partes dependentes. Isto porque, além da inexistência de restrição pela lei vigente à época, a lógica, permite o seguinte raciocínio: se lei nova vem impor uma restrição a um evento já regulado por lei anterior, então é legítimo concluir que a lei anterior permitia a conduta, dado que a hermenêutica impõe que a lei não possui palavras inúteis – verba cum effectu sunt accipienda. Ressaltase que, como afirmam Sacha Calmon e Eduardo Junqueira (O Ágio no Direito Tributário e Societário: Questões atuais. São Paulo: Quartier Latin. 2015. p. 91), “a finalidade da contabilidade é expressar de forma fidedigna a realidade patrimonial da entidade ou de um grupo de empresas (por meio de balanços consolidados ou de outra técnica de consolidação), enquanto o Direito Tributário se presta a outros fins, não havendo sentido em se igualar o tratamento contábil do ágio ao tributário, se a lei tributária criou um conceito autônomo, com efeitos próprios”. Desta feita, aqui devese reconhecer o distanciamento entre a teoria contábil e a tributária pois, embora contabilmente o ágio exija uma participação de terceiros, a legislação tributária jamais trouxe semelhante ressalva. Do ponto de vista tributário, o investidor deve, sempre, registrar um ágio que corresponderá, sempre, à diferença positiva entre o valor patrimonial e o preço pago pela participação societária, como exige o art. 20 do DecretoLei 1.598/77, não cabendo ao intérprete distinguir onde a lei não distingue. A determinação do ágio, contida no dispositivo de lei mencionado no parágrafo anterior, bem como a possibilidade de sua amortização são reproduzidos no Regulamento do Imposto de Renda, nos artigos 385 e 386 do RIR/99, in verbis: “Desdobramento do Custo de Aquisição Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; Fl. 9317DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.318 41 II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). Tratamento Tributário do Ágio ou Deságio nos Casos de Incorporação, Fusão ou Cisão Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do § 2º do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do § 2º do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (...) Amortização do Ágio ou Deságio Art. 391. As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 25, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso III). Parágrafo único. Concomitantemente com a amortização, na escrituração comercial, do ágio ou deságio a que se refere este artigo, será mantido controle, no LALUR, para efeito de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento (art. 426). (grifei)” Fl. 9318DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.319 42 Portanto, na legislação tributária aplicável vigente à época, denotase não haver qualquer distinção entre o ágio gerado entre partes independentes e aquele ocorrido dentro de um mesmo grupo econômico, o que autoriza a apuração de ágio nos casos de incorporações ocorridas antes da entrada em vigor da Lei 12.973/2014. Destarte, devem ser afastadas as imputações feitas pela autoridade fiscal no sentido de invalidar as operações que tenham decorrido de ajuste entre partes de um mesmo grupo econômico (ágio interno) ou, nas palavras da autoridade fiscal, as operações que tenham corrido à revelia da indispensável independência entre as partes para merecer registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade; pois, conforme exposto acima, à época dos fatos apurados, não havia qualquer vedação legal a que o ágio fosse gerado e amortizado nas operações intragrupo. A única exigência para tal era o respeito à lógica formalista adotada pelos arts. 385, 386 e 391, do RIR/99. As operações estruturadas em sequência, de igual modo, não são razões aptas a justificar a glosa procedida, tendo em vista que o imperativo da norma fica situado no consequente, e não no antecedente, da relação jurídicotributária; isto é, a norma tributária é imperativa apenas no ponto que determina ao sujeito passivo a obrigação de pagar ao sujeito ativo um certo quantum decorrente de alguma hipótese prevista em lei. Desse modo, o legislador não pode impor ao contribuinte que incorra em uma conduta prevista no antecedente da regramatriz de incidência tributária, ou seja, não pode normatizar a forma pela qual as empresas devem gerir seus negócios no tempo e espaço, sob pena de afronta a liberdade de iniciativa dos mesmos. Outrossim, constatase não ter havido imputação pela autoridade fiscal de conduta simulada ou fraudulenta que correlacionasse as operações estruturadas com algum fato típico. Igualmente, a repugnância da autoridade fiscal quanto ao uso de empresa veículo para a geração do ágio em questão não tem respaldo em lei, e, por via de consequência, não pode ser levado a efeito pela Administração. Isto porque, nas palavras de Hely Lopes Meirelles (Direito Administrativo Brasileiro. 35ª ed. São Paulo: Malheiros, 2009, p. 41.) expressa: “A legalidade, como princípio de administração (CF, art. 37, caput), significa que o administrador público está, em toda a sua atividade funcional, sujeito aos mandamentos da lei e às exigências do bem comum, e deles não se pode afastar ou desviar, sob pena de praticar ato inválido e exporse a responsabilidade disciplinar, civil e criminal, conforme o caso. A eficácia de toda a atividade administrativa está condicionada ao atendimento da Lei e do Direito. É o que diz o inc. I do parágrafo único do art. 2º da Lei n. 9.784/99. Com isso, fica evidente que, além da atuação conforme à lei, a legalidade significa, igualmente, a observância dos princípios administrativos.” Nesse sentido, colaciono os seguintes precedentes deste Conselho: Fl. 9319DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.320 43 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. PROPÓSITO NEGOCIAL. EMPRESA VEÍCULO. Os dispositivos legais concernentes ao registro e amortização do ágio fiscal não vedam que as operações societárias sejam realizadas, única e exclusivamente, com fins ao aproveitamento do ágio. Bem como, notase que tal regra não está presente em nenhum outro dispositivo legal de nosso sistema jurídico, seja nacional ou federal. Neste tom, registrase, nenhuma norma pátria veda que a realização de negócios tenha por finalidade a redução da carga tributária de forma lícita. É o que se observa no §3º, art. 2 o da Lei das SA, o qual dispõe que a companhia pode ter por objeto participar de outras sociedades (empresa veículo), também, como forma de beneficiarse de incentivos fiscais. Somese a tal assertiva o fato de que a contribuinte possuía motivação negocial, clara, posto que encontravase impedida, por regras da ANEEL, de realizar a incorporação diretamente. Motivo pelo qual se valeu de uma empresa veículo. (Acórdão nº 1302001.978; Relatora: Talita Pimenta Felix; Data da Sessão: 14/09/2016) REQUISITOS PARA DEDUTIBILIDADE DO ÁGIO. EXISTÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. Ausente conduta tida como simulada, fraudulenta ou dolosa, a busca de eficiência fiscal em si não configura hipótese de perda do direito de dedução do ágio, ainda que tenha sido a única razão aparente da operação. A existência de outras razões de negócio que vão além do benefício fiscal, apenas ratifica a validade e eficácia da operação. UTILIZAÇÃO DE EMPRESAVEÍCULO. LEGALIDADE. MANUTENÇÃO DA DEDUTIBILIDADE DO ÁGIO. A utilização de empresaveículo que viabilize o aproveitamento do ágio, por si só, não desfigura a operação e invalida a dedução do ágio, se ausentes a simulação, dolo ou fraude. (Acórdão nº 1201001.507; Relator: Luis Fabiano Alves Penteado; Data da Sessão: 14/09/2016). Para encerrar estas considerações iniciais, me reporto ao item 8.11, do TVF, em que a autoridade fiscal cita que a operação invertida fica caracterizada pela incorporação das quotas cindidas da GE Participações (controladora) pela GE Celma (controlada), mas sem estabelecer o nexo deste fato com uma suposta infração à lei. Fl. 9320DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.321 44 A despeito da falta de estabelecimento do nexo causal pela autoridade fiscal, destacase que a denominada “incorporação às avessas” é possível, conforme disposto no art. 8º, Lei 9.532/97. II.3. Dos Requisitos para Registro e Amortização do Ágio Feitos esses esclarecimentos iniciais, passo à análise daqueles pontos que reputo importantes para a decisão desta lide, são estes: (i) a efetividade do custo assumido na aquisição do investimento que originou o ágio; e (ii) a atenção ao disposto no § 3º do art. 385 do RIR/99. II.3.1. Da Efetividade do Custo Assumido Nas conclusões do TVF, a autoridade autuante esclarece o seguinte quanto as operações de reestruturação que deram origem ao ágio em comento: “8.10 Conforme demonstrado nas alterações de contrato social datadas de 24/11/2009 e 30/12/2009, a GE Participações teve seu capital social aumentado de R$ 422.238.308,55 para R$ 3.100.387.597,00, com emissão de novas quotas, subscritas e integralizadas pela sua sócia GE Holding, mediante a contribuição da totalidade das quotas detidas por GE Holding em diversas empresas do Grupo GE, dentre elas, a GE Celma. Grande parcela deste aumento de capital social corresponde à diversos ágios fundamentados por expectativas de resultados futuros, oriundos de avaliações econômicofinanceiras às quais as empresas da GE Holding foram submetidas. Para a GE Celma, esta parcela correspondeu ao valor de ágio no montante de R$ 1.459.964.573,06.” (fl. 8682) Regredindo um pouco neste relatório fiscal, reproduzimos as razões que deram azo à conclusão acima. Vejamos: “(...) FASE DE INCREMENTO DO CAPITAL SOCIAL DA EMPRESA VEÍCULO COM FORMAÇÃO DE ÁGIOS INTERNOS ORIUNDOS DE AVALIAÇÕES DE EMPRESAS DO GRUPO GE 6.3.5 GEP ACS 24/11/2009 (Doc46; Doc04; Doc106; Doc168) Aumento de Capital Social 3ª etapa – GE Brazil Holding Limited GE Holding (CNPJ/MF nº 11.485.254/000163 – sociedade irlandesa), então controladora de GE do Brasil Participações Ltda, aumentou o capital de GE Participações de R$ 422.238.307,55 para R$ 3.095.632.161,00, representando um aumento de R$ 2.673.393.854,22, integralizados mediante contribuição de todas as cotas detidas nas seguintes empresas. Fl. 9321DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.322 45 6.3.6 De acordo com a alteração contratual, o capital social da GE Participações passou de R$ 422.238.308,00 para R$ 3.095.632.162,00. 6.3.7 Com isso, GE Participações passou a ser a nova sócia de GE Celma no lugar de GE Holding. 6.3.8 GEP ACS 30/12/2009 (Doc107) Aumento de Capital Social 4ª etapa – GE Holding faz novo aumento de capital em GE Participações, para R$ 3.100.387.597,00, integralizado com cotas detidas nas seguintes empresas. (...) 6.3.9 Registro contábil na GEP dos aumentos de capital social 3ª e 4ª etapas – Os registros contábeis dos aumentos de capital social nestas 3ª e 4ª etapas, descritos nos itens acima, estão contidos no demonstrativo elaborado pelo Contribuinte e reproduzido no anexo Doc169 GEP – Contabilização Aumento CS – 3ª etapa. Já os lançamentos contábeis deste aumento de capital social foram extraídos por esta Fiscalização e estão contidos na planilha contida no anexo Doc169A – Contabilização Aumento CS 3ª etapa. 6.3.10 Na DIPJ 2010 AC 2009 da GE Participações (Doc506 GEP DIPJ 2010 AC 2009 ND nº 1489054), além do aumento de capital de R$ 422.238.308,55 para R$ 3.100.389.784,57, consta um aumento de ágio em investimentos de R$ 308.510.335,61 para R$ 2.833.330.500,70, conforme Linha 27 Ágios em Investimentos da Ficha 36A Ativo – Balanço Patrimonial. 6.3.11 Em demonstrativos apresentados pelo Contribuinte (Doc179; Doc189), as seguintes linhas da Ficha 36A – Ativo – Balanço Patrimonial dos anoscalendário 2008 e 2009 da DIPJ da GE Participações, desmembram os valores declarados nas linhas 24, 27 e 30, em suas respectivas parcelas, onde verificamos então o surgimento da parcela de ágio da investidora GE Participações na GE Celma no valor de R$ 749.557.545,11. Fl. 9322DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.323 46 6.3.12 A empresa GE Participações também declarou em sua Ficha 62 – Participação Permanente em Coligadas ou Controladas os seguintes investimentos em empresas sediadas no Brasil. Destacamos a GE Celma, onde GE Participações detinha o percentual de 43,43% do capital social e um investimento inicial de R$ 46.743.190,67. 6.3.13 Oportuno registrar que, apesar da DIPJ 2010 AC 2009 (ND nº 1503856) da General Eletric do Brasil Ltda. – GE Brasil – GEB (CNPJ/MF nº 33.482.241/000173) não registrar as suas participações permanentes em coligadas ou controladas, constatamos, pelos organogramas da reestruturação das empresas do Grupo GE, apresentados pelo Contribuinte, tendo por foco a GE Celma (folha 10 do Doc02) e a GE Participações (folha 13 do Doc248), que a empresa GE Brasil detinha o percentual de 56,56% de participação no capital da GE Celma. Constatamos também a ausência da investida GE Celma e de outras empresas na DIPJ 2009 AC 2008 (ND 1814611) da GE Brasil na relação de participações permanentes em coligadas ou controladas (Ficha 52), conforme constatação passada para o Contribuinte (TIF 26). 6.3.14 Conclusão Ou seja, todo o ágio registrado em GE Participações decorreu da atribuição ao capital social de participações detidas pelos sócios em outras empresas (30/06/2008, 24/11/2009 e 30/12/2009), sem desembolso de recursos.” (fls. 8627/8630) Fl. 9323DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.324 47 Como se pode denotar do trecho acima transcrito, bem como da integralidade do TVF, a autoridade fiscal entende que o ágio originado das operações de reestruturação societária do Grupo GE terseiam originado de uma reavaliação espontânea, sem substância econômica (desembolso de recursos). Já o Parecer Técnico Contábil sobre Existência de Ágio em Aumento de Capital com Participação Societária (Doc. 01 do Recurso Voluntário, fls. 9220/9241), elaborado pelos Professores Eliseu Martins e Vinícius Aversari Martins, afirma que a contabilização do ágio em discussão não se teria dado a partir de uma reavaliação espontânea, mas sim, em função do desdobramento do custo de aquisição, tendo em vista que as participações societárias foram transferidas para as sociedades holdings a valor de custo, isto é, com base nos mesmos valores dessas participações então registradas nos livros das sociedades estrangeiras. Senão, vejamos: “(...) Assim, a transferência das participações societárias detidas pelas sociedades estrangeiras ocorreu por meio de aumentos de capital nas sociedades holding brasileiras, subscritos e integralizados por meio dessas participações societárias nas sociedades brasileiras. Tais aumentos de capital ocorreram nos anos 2008, 2009 e 2010. As participações societárias foram transferidas para as sociedades holdings a valor de custo, isto é, com base nos mesmos valores dessas participações então registradas nos livros das sociedades estrangeiras. Dessa forma, diante da legislação brasileira vigente à época da reestruturação societária, as sociedades holding brasileiras realizaram o obrigatório e necessário desdobramento do custo de aquisição das participações societárias que receberam entre contas de investimento e ágio. Este ágio foi fundamentado em expectativa de rentabilidade futura e suportado por laudos emitidos por empresa de auditoria de renome internacional. Importante ressaltar que os valores contabilizados a título de ágio foram, exclusivamente, baseados no fato de que as participações societárias estavam registradas nos livros das sociedades estrangeiras por valores superiores aos valores patrimoniais. Foi esse fato, e não uma reavaliação espontânea, que deu origem aos ágios porventura registrados na contabilidade das sociedades holding brasileiras." (fl. 9223) (grifos aditados) Voltando ao TVF, é possível verificar que o aumento de capital de GE Participações efetuado pela GE Holding é, de fato, integralizado mediante a contribuição de todas as cotas detidas nas seguintes empresas; dentre elas, as cotas detidas na GE Celma. Vejamos (fls. 8627/8628): FASE DE INCREMENTO DO CAPITAL SOCIAL DA EMPRESA VEÍCULO COM FORMAÇÃO DE ÁGIOS INTERNOS ORIUNDOS DE AVALIAÇÕES DE EMPRESAS DO GRUPO GE Fl. 9324DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.325 48 6.3.5 GEP ACS 24/11/2009 (Doc46; Doc04; Doc106; Doc168) Aumento de Capital Social 3ª etapa – GE Brazil Holding Limited GE Holding (CNPJ/MF nº 11.485.254/000163 – sociedade irlandesa), então controladora de GE do Brasil Participações Ltda, aumentou o capital de GE Participações de R$ 422.238.307,55 para R$ 3.095.632.161,00, representando um aumento de R$ 2.673.393.854,22, integralizados mediante contribuição de todas as cotas detidas nas seguintes empresas. (grifos aditados) Como visto, as quotas foram subscritas pelo valor que já se encontravam escrituradas nos livros das sociedades subscritoras, portanto, a Recorrente não procedeu a nenhuma reavaliação espontânea de ativos que desse azo à caracterização do ágio como artificial. A Recorrente, então, internalizou as ações que estavam avaliadas em valor superior ao patrimônio líquido da sociedade, e desdobrou o custo de aquisição em valor do patrimônio líquido e ágio por expectativa de rentabilidade futura, nos conformes da legislação vigente. Sendo assim, constatase ter havido clara manifestação de vontade entre GE Brazil Holding e GE Participações. Ou seja, enquanto GEBHL deseja adquirir mais quotas da GE Participações, esta última deseja adquirir quotas da Recorrente (GE Celma). A Recorrente tem razão quando afirma que o fato de a GEBHL aumentar o capital da GE Participações com as quotas da CE Celma nada mais é do que uma aquisição de participação societária com recebimento do pagamento em bens e direitos (i.e. participação societária na Recorrente). O mesmo se aplica para a redução de capital da GEB, a GE Participações adquiriu nova parcela de participação societária na Recorrente. Entendo que a aquisição/pagamento descrita no art. 385, II, do RIR/99 é gênero, do qual a compra ou a troca, por exemplo, são espécies. No caso, a subscrição de ações de uma empresa em outra é uma outra espécie, isto é, um meio pelo qual se pode pagar pela aquisição de uma empresa, seja por incorporação, cisão ou fusão. Nesse sentido já me manifestei no Acórdão nº 1302002.060, de 21/03/2017. De maneira semelhante a CSRF, conforme ementa abaixo: ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES. A operação societária de subscrição de ações equiparase a uma aquisição. A subscrição de ações é uma forma de aquisição e o tratamento do ágio apurado nessa Fl. 9325DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.326 49 circunstância é o previsto na legislação em vigor (artigos 70.e 80. da Lei 9.532/1997). Subscrição de ações e alienação de ações são duas operações que permitem a aquisição de participação societária. (Acórdão no 9101 001.657, de 15 de maio de 2013) A desqualificação da operação de reestruturação societária em razão da ausência da ausência de desembolso de recursos, feita pela autoridade autuante deve ser afastada, pois a aquisição prevista no art. 385, II, RIR/99 é gênero que compreende tanto o desembolso financeiro, quanto a manifestação de vontade pela assunção de ônus, como é o caso da subscrição de ações. Outrossim, resta claro que a discriminação do custo de aquisição nas sociedades holdings à época da reestruturação societária era obrigatório, sendo correto o procedimento da Recorrente em desdobrar o custo de aquisição em conta de investimento avaliado com base no método de equivalência patrimonial e ágio com base em rentabilidade futura. Resta saber, portanto, se o ágio escriturado era real, ou fictício. Nesse sentido, destaco que apesar de haverem algumas considerações sobre o Laudo de Avaliação elaborado pela Ernst & Young (que serão analisadas com mais vagar no tópico seguinte), o TVF não aponta qualquer evidência clara de que a metodologia utilizada estivesse errada, ou de que estivessem equivocadas as informações prestadas pelo Grupo GE para elaboração do relatório de avaliação patrimonial das ações de GE Celma. Destaco trecho do relatório de avaliação, destacado no TVF (fl. 8652), onde se esclarece o propósito da avaliação. Vejamos (grifos aditados): A empresa de auditoria responsável pelo Laudo afirma que o propósito desta avaliação é estimar o valor justo da GE Celma em 30 de junho de 2009. Portanto, caso a autoridade fiscal não conseguisse provar que o valor justo da GE Celma era distinto (o que não consta no TVF), o demonstrativo apresentado deve ser aceito como retrato do valor justo da empresa avaliada. Portanto, o ágio em questão é real, pois decorre de uma aquisição de ações através de pagamento (subscrição de ações) do valor do patrimônio líquido na época da aquisição, acrescido de sobre preço, isto é, ágio fundamentado na expectativa de rentabilidade futura. Fl. 9326DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.327 50 II.3.2. Do Requisito Constante no § 3º do art. 385 do RIR/99 A autuação entendeu que a Recorrente não teria atendido ao disposto no § 3º, do art. 385, do RIR/99, pelo seguinte motivo (fl. 8683): “8.13 Além dos comentários anteriores, o Contribuinte não atendeu ao disposto no parágrafo 3º do art. 385 do RIR (Decreto nº 3.000/99) que determina que o lançamento contábil do ágio com fundamento de rentabilidade com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros deverá ser baseado em demonstração que o Contribuinte arquivará como comprovante da referida escrituração. Uma vez que o Contribuinte apresentou o relatório de Avaliação Econômico Financeira da GE Celma (Doc30; Doc 156; Doc172), elaborado pela Ernst & Young em 11/11/2009, como comprovante do lançamento do ágio por rentabilidade futura na GE Celma, e não prestou esclarecimentos que elucidassem as divergências entre o valor justo estimado para a GE Celma (R$ 2.089.901.000,00), apontado pela Ernest & Young, e o valor do investimento/ágio na GE Celma registrado no Laudo de Avaliação do acervo líquido cindido da GE Participações vertido para a própria GE Celma (R$ 1.630.614.181,89 com parcela de ágio de R$ 1.459.964.573,06, e de investimento, R$ 170.649.614.181,89). Solicitamos ainda a informação do prazo de amortização que deveria estar na referida Avaliação EconômicoFinanceira. Limitouse o Contribuinte a informar que o montante incialmente contabilizado foi de R$ 1.630.614.181,89, inferior, portanto ao montante do negócio apurado por ocasião da Avaliação EconômicoFinanceira, conforme já visto acima. É entendimento, portanto, desta Fiscalização que o documento apresentado não comprova o ágio por rentabilidade futura registrado na GE Celma”. (grifos originais) Como visto, o documento entregue pela Recorrente como prova do cumprimento ao requisito disposto no §3º, do art. 385, RIR/99, não foi aceito pela Fiscalização porque os valores contidos neste documento, não guardam correlação com os valores escriturados no investimento/ágio na GE Celma. Isto é, enquanto o Laudo de Avaliação EconômicoFinanceiro da GE Celma, elaborado pela Ernst & Young, apontava que o valor justo para investimento na GE Celma era de R$ 2.089.901.000,00; o Laudo de Avaliação do acervo líquido cindido da GE Participações vertido para a GE Celma discriminava uma parcela de ágio e valor de investimento que, juntos, somavam R$ 1.630.614.181,89. Intimada a prestar esclarecimento sobre a diferença de valores acima mencionada, a Recorrente admite à Fiscalização que o Laudo de Avaliação carreado como comprovante da escrituração não espelhava o valor efetivamente pago na aquisição da participação. Intimado, o contribuinte, também não justificou a razão da divergência de valores à Fiscalização. Já no processo administrativo fiscal, a Recorrente alega o seguinte em seu Recurso Voluntário (fl. 9193): “413. No entanto, conforme exposto acima, em linha com o disposto na legislação vigente à época dos fatos, em se tratando de ágio mais Fl. 9327DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.328 51 ou menos valia de ativos e ágio por expectativa de rentabilidade futura, o §3º do artigo 20 do Decretolei 1.598/77 previa apenas que o contribuinte deveria arquivar demonstrativo do comprovante da escrituração. 414. Não há fundamento legal que obrigue e vincule o contribuinte ao pagamento do valor exato fixado pelo Laudo de Avaliação. Ainda que se houvesse pago valor superior, poderia argumentar a Autoridade Lançadora que o valor pago a maior não encontraria respaldo no laudo suporte do ágio. No entanto, não é este o caso da Recorrente. 415. O valor pago pela Recorrente pelo investimento e pelo ágio estava dentro do valor fixado pelo Laudo de Avaliação elaborado pela EY. É incontestável, portanto, que o valor pago e registrado contabilmente está suportado pela Laudo de Avaliação que deu suporte ao pagamento do ágio aqui discutido 416. Nesse contexto, inexistindo na legislação aplicável qualquer dispositivo que obrigue e vincule o contribuinte ao pagamento do valor exato fixado por laudo de avaliação, resta evidente a validade do Laudo de Avaliação apresentado pela Recorrente”. (grifos aditados) O argumento da recorrente permite o seguinte raciocínio: · se o demonstrativo que fixava o valor da rentabilidade futura das aquisições previa um valor maior do que aquele efetivamente pago pelo investimento (PL + ágio); · então, o valor efetivamente pago seria uma parcela do valor da rentabilidade futura e, por este motivo, o sobrepreço estaria devidamente fundamentado. Este entendimento é razoável, haja vista que o Laudo de Avaliação que a Recorrente arquivou como comprovante da escrituração retratava a realidade dos fatos à época das operações societárias que originaram o ágio, como o valor do patrimônio líquido da GE Celma. Destarte, ainda que o sobrevalor advindo das perspectivas de rentabilidade futura seja maior do que o sobrepreço pago na aquisição da participação societária, o ágio por expectativa de rentabilidade futura dedutível encontraria limite no sobrepreço efetivamente pago. Este entendimento foi assentado no Acórdão nº 9101003.008 da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme trecho transcrito abaixo: “Nesse quadrante, em primeiro lugar, deve o documento demonstrar o valor econômicofinanceiro que alcança a participação societária que se está adquirido, quando se considera as perspectivas de rentabilidade futura da empresa em que se está fazendo o investimento. Fl. 9328DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.329 52 É precisamente a diferença entre esse valor e o valor de patrimônio líquido da participação societária em aquisição, diferença que aqui vamos chamar de sobrevalor, advindo das perspectivas de rentabilidade futura da investida, que vai caracterizar o sobrepreço pago na aquisição da participação societária como ágio por expectativa de rentabilidade futura, e, assim, possibilitar a dedução de sua amortização na apuração do IRPJ e da CSLL. É claro que o sobrepreço pago na aquisição da participação societária pode vir a ser maior do que o sobrevalor advindo das perspectivas de rentabilidade futura da investida. Nesse caso, o ágio por expectativa de rentabilidade futura dedutível encontra limite no sobrevalor advindo das perspectivas de rentabilidade futura. É dizer, não se pode deduzir amortização correspondente à parte do sobrepreço que não decorre de expectativa de rentabilidade futura, simplesmente porque essa parcela não constitui ágio por expectativa de rentabilidade futura. Se, por outro lado, ocorrer o contrário, isto é, caso o sobrepreço pago na aquisição da participação societária venha a ser menor do que o sobrevalor advindo das perspectivas de rentabilidade futura, o ágio por expectativa de rentabilidade futura dedutível encontra limite no sobrepreço efetivamente pago. Em outras palavras, não se pode deduzir amortização da parte do sobrevalor que, por algum motivo, não se traduziu em ágio pago.” (fls. 22/23, Acórdão nº 9101003.008 – CSRF) Deste modo, entendo que a Recorrente se desincumbiu do ônus de comprovação do fundamento do valor do investimento/ágio na GE Celma registrado no Laudo de Avaliação do acervo líquido cindido da GE Participações vertido para a própria GE Celma (R$ 1.630.614.181,89, com parcela de ágio de R$ 1.459.964.573,06, e de investimento, R$ 170.649.614.181,89), devendo, no entanto, a dedução limitarse a este montante efetivamente incorrido. Do reflexo do julgamento quanto a CSLL Por fim, quanto ao auto de infração de CSLL decorrente da exigência principal, o decidido quanto ao IRPJ, deve ser aplicado à exigência reflexa. III. Conclusão Mediante as razões acima expostas, rejeito as preliminares suscitadas, para, no mérito, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, determinando o cancelamento dos Autos de Infração analisados. É como voto. Fl. 9329DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.330 53 Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 9330DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.331 54 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Redator Designado Destacado o brilhantismo do voto proferido pelo ilustre Relator, discordo de suas convicções em relação ao mérito, adotando os mesmos fundamentos do acórdão recorrido, que passo a transcrever: REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. CISÃO PARCIAL. TRANSFERÊNCIA DE ATIVOS. LAUDO DE AVALIAÇÃO. EMPRESA VEÍCULO. ÁGIO ARTIFICIAL. FLUXO FINANCEIRO INEXISTENTE. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. EMPRESA VEÍCULO. INTERMEDIAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO ENTRE PARTES RELACIONADOS E SEM A DEVIDA DEMONSTRAÇÃO DA ORIGEM E DO FUNDAMENTO DO SOBREPREÇO. Passese ao exame dos argumentos de mérito que se opõem as conclusões firmadas em relação à amortização de ágio levada a efeito na escrituração fiscal da autuada e que configuraram infrações à legislação tributária ensejadoras da constituição de lançamento de parcela do IRPJ e da CSLL objetos das autuações. Relevante, contudo, introduzir o tema com uma sucinta contextualização dos preceitos normativos societários e tributários que se mostram intimamente vinculados à controvérsia em exame. A exposição a seguir se restringirá ao exame circunstanciais da amortização do ágio derivado da operação de cisão parcial da GE PARTICIPAÇÕES, bem assim das transações antecedentes e correlatas intragrupo, que implicaram na geração do sobrepreço e incorporação do ativo no patrimônio da autuada. O cenário ilustrado nos autos enuncia o teor das transações societárias destinadas ao reconhecimento do ágio a partir da transferência de investimento societário envolvendo ações da própria autuada após uma seqüência de operações engendradas entre partes relacionadas1 do Grupo GE, encerrandose na reintegração de ações de emissão do impugnante (GE CELMA) ante a cisão parcial de fração do patrimônio da GE PARTICIPAÇÕES, até então, controladora da autuada. Sob este cenário, cumpre instar que a operação de cisão societária encontrase regulada nos art. 229 da Lei das Sociedades Anônimas (Lei nº 6.404, de 15/12/1976), aplicáveis supletivamente às sociedades reguladas pelo Código Civil, obedecendo aos aspectos gerais disciplinados nos art. 1.113 a 1.122 do aludido diploma legal. De acordo com o ordenamento pátrio, a cisão é a operação pela qual a companhia transfere parcelas do seu patrimônio para uma ou mais sociedades, constituídas para esse fim ou já existentes, extinguindose a companhia cindida, se houver versão de todo o seu patrimônio, ou dividindose em duas ou mais parcelas. Fl. 9331DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.332 55 No contexto da ordem jurídica, a cisão que define a transferência de patrimônio para companhias existentes inaugurase com a elaboração de um protocolo contendo as condições do negócio que deve ser firmado entre os órgãos da administração (nas companhias) ou deliberados pelos sócios (nas demais sociedades). A assembleia geral da companhia que se vai cindir deverá receber dos administradores informações detalhadas sobre a operação. Defronte a anuência da cisão, os órgãos de Administração passam à indicação dos peritos ou empresa especializada que instaurará o procedimento de avaliação do patrimônio a ser transferido, cabendo à nova assembleia que for convocada para apreciação do laudo pericial, se o aprovar, seguindo as formalidades previstas na operação de incorporação (art. 227 e §3º do art. 229). O ato deliberativo da cisão demanda que sejam especificadas as condições da operação, principalmente quanto as suas bases, os critérios para a avaliação do patrimônio líquido das sociedades envolvidas e os projetos de alterações estatutárias ou de reforma dos atos constitutivos das sociedades que participem da reestruturação societária. Neste cenário, a legitimidade da operação demanda que os acionistas ou sócios das pessoas jurídicas envolvidas deliberem a aprovação do protocolo ou justificação, ensejando o direito de retirada, consoante estabelecido pelo art. 137 combinado com o inciso IV do art. 136 da Lei Societária. De acordo com o disposto no art. 226, a Lei das S/A obriga que importância representativa do patrimônio líquido a ser vertido para a formação do capital social seja, ao menos, igual ao montante do capital a realizar; por seu turno, analogamente ao disposto no art. 264, novamente por força do §3º do art. 229, impõe o cálculo dos patrimônios líquidos da cindida e da cindenda a preços de mercado. Segundo este último dispositivo normativo, a finalidade dessa avaliação é tão somente permitir a comparação entre a relação de troca que tiver sido escolhida pela controladora comum das sociedades envolvidas e aquela que resultaria da avaliação dos dois patrimônios pelo preço de mercado, abrindo margem para que os acionistas (ou sócios) dissidentes da sociedade cindida possam exercer seu direito de retirada, sobretudo se a relação de troca eleita pelo controlador se revelar menos vantajosa. Os atos de cisão deverão ser arquivados no registro de comércio e publicados, obedecidas às formalidades do art. 289 da Lei das S/A. Notadamente, por sinal, transações desta envergadura podem incidir a figura do ágio cobrado pela sociedade alienante do negócio corporativo objeto da avença societária firmada entre as partes interessadas. Sob esta ótica tradicional, antes do processo de convergência às normas internacionais de contabilidade e, mais recentemente, das alterações trazidas com o advento da Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014, comumente designavase o ágio tal qual a diferença apurada entre o valor pago pelo adquirente em uma transação empresarial de aquisição do investimento permanente (valor de aquisição) e o respectivo valor patrimonial da entidade adquirida (valor contábil). Nesse sentido, oportuno trazer as lições do tributarista Marco Aurélio Greco em artigo publicado em obra coordenada pelo jurisconsulto em Direito Societário e Fl. 9332DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.333 56 Empresarial, Walfrido Jorge Warde Jr., por meio do qual ilustra as circunstâncias que permeiam a mensuração do ágio em negócios desta natureza: “A figura do ágio na aquisição de participações societárias tem sido objeto de reiterada atenção dos que atuam no campo do Direito Tributário brasileiro. É figura que surge sempre que seu custo de aquisição superar o valor de patrimônio líquido da controlada ou coligada. Merece particular atenção quando se apresenta no âmbito da aquisição de empresas ou eventual reorganização societária. (...) Vale dizer, é fruto da comparação entre dois valores: de um lado, (i) o custo de aquisição (que vou aqui denominar de “preço”) e, de outro lado, (ii) o valor do patrimônio líquido. (...) Para realizarse a operação, o “preço” precisa ser definido. Para tanto, podem ser utilizado os mais diversos critérios. (...) Em suma, uma infinidade de variáveis e critérios podem levar a um determinado “preço”. Neste passo, estamos no plano da definição do “preço” da “compra” que, como regra, envolve negociação; vale dizer, proposta, contraproposta, ajustes, condicionamentos, contingências, etc. Neste momento, um dos critérios que pode ser utilizado para fins de determinação do “preço” da “compra” é a estimativa, em certo horizonte de tempo, da possibilidade de geração de receita e resultados do empreendimento desenvolvido pela pessoa jurídica à qual a participação societária se refere. (...) Caso o preço de “compra” da participação societária seja maior do que o seu valor de patrimônio líquido na época da aquisição, surgirá a figura do ágio, equivalente à diferença entre o custo de aquisição (...) e o valor de patrimônio líquido. Neste momento, o preço corresponde a um divisor de águas; operase um corte entre os elementos que levaram à determinação de sua dimensão e o que virá a ser feito na etapa subseqüente. [...]” (Greco, Marco Aurélio. Ágio por Expectativa de Rentabilidade Futura: Algumas observações; in Fusão, Cisão, Incorporação e Temas Correlatos. Walfrido Jorge Warde Jr. (Coord.). São Paulo. Quartier Latin, 2009, p. 276, 278/279 e 281/282). Neste panorama, a legislação tributária impõe regras gerais e específicas de desdobramento e controle do montante do custo de aquisição do investimento permanente, definindose os critérios e requisitos a serem observados para alocação do ágio a partir do dimensionamento de parâmetros de limitação que viabilizam a dedutibilidade de importe vinculado ao fundamento econômico norteador da amortização do ágio defronte a natureza da operação de aquisição societária praticada pelo sujeito passivo. São elas: Fl. 9333DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.334 57 (I) Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 (Regras gerais): “(...) Art 1º O imposto sobre o lucro das pessoas jurídicas domiciliadas no País, inclusive firmas ou empresas individuais equiparadas a pessoas jurídicas, será cobrado nos termos da legislação em vigor, com as alterações deste Decretolei. (...) “Investimento em Sociedades Coligadas ou Controladas Avaliado pelo Valor de Patrimônio Líquido Desdobramento do Custo de Aquisição Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. (destacouse) § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: (destacouse) a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; (destacouse) b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; (destacouse) c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. (destacouse) § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. (destacouse) (...) Amortização do Ágio ou Deságio Art. 25 As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o artigo 20 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no artigo 33. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) (...)” Fl. 9334DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.335 58 (II) Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997, com a alteração dada pelo art. 10 da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998 (Regras específicas Ágio na Incorporação, Fusão ou Cisão): “Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (destacouse) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. (destacouse) (...) § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária.” Fl. 9335DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.336 59 (III) Instrução Normativa SRF nº 11, de 10 de fevereiro de 1999 (Regras específicas Ágio na Incorporação, Fusão ou Cisão): Dispõe sobre o registro e amortização de ágio ou deságio nas hipóteses de incorporação, fusão ou cisão. (...) Art. 1º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento econômico seja: I – valor de mercado de bens ou direitos do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II – valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros, em contrapartida a conta do ativo diferido, se ágio, ou do passivo, como receita diferida, se deságio; III – fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas, em contrapartida a conta do ativo diferido, se ágio, ou do passivo, como receita diferida, se deságio. § 1o Alternativamente, a pessoa jurídica poderá registrar o ágio ou deságio a que se referem os incisos II e III em conta do patrimônio líquido. (...) § 3o O valor registrado com base no fundamento de que trata: I – o inciso I, integrará o custo do respectivo bem ou direito, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital, bem assim para determinação das quotas de depreciação, amortização ou exaustão;(destacouse) II – o inciso II: a) poderá ser amortizado nos balanços correspondentes à apuração do lucro real levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período a que corresponder o balanço, no caso de ágio; b) deverá ser amortizado nos balanços correspondentes à apuração do lucro real levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período a que corresponder o balanço, no caso de deságio; (...) Fl. 9336DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.337 60 § 4o As quotas de depreciação, amortização ou exaustão de que trata o inciso I do parágrafo anterior serão determinadas em função do prazo restante de vida útil do bem ou de utilização do direito, ou do saldo da possança, na data em que o bem ou direito houver sido incorporado ao patrimônio da empresa sucessora. (destacouse) § 5o A amortização a que se refere a alínea "a" do inciso II do § 3o, observado o máximo de 1/60 (um sessenta avos) por mês, poderá ser efetuada em período maior que sessenta meses, inclusive pelo prazo de duração da empresa, se determinado, ou da permissão ou concessão, no caso de empresa permissionária ou concessionária de serviço público. (...) Art. 2º O controle e as baixas, por qualquer motivo, dos valores de ágio ou deságio, na hipótese de que trata esta Instrução Normativa, serão efetuados exclusivamente na escrituração contábil da pessoa jurídica, não se lhes aplicando a norma do parágrafo único do art. 334 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto No 1.041, de 11 de janeiro de 1994 RIR/94. Art. 3º O disposto nesta Instrução Normativa aplicase, inclusive, quando: I – o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; II – a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária.” A análise comparada das normas revela que até a entrada em vigor da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997, regulamentada pela Instrução Normativa SRF nº 11, de 10 de fevereiro de 1999, a legislação tributação impunha que o ágio derivado da aquisição de participações societárias deveria ser contabilizado de forma segregada do valor proporcional do patrimônio líquido da entidade investida, segundo definido no art. 20 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. Além disso, determinava que os efeitos econômicos da amortização contábil do ágio deveriam ser adicionados ao Lucro Líquido no procedimento de apuração do Lucro Real, em observância dos termos do art. 25 do mesmo decretolei. Naquele panorama, não obstante o ágio constituirse em parte do custo de aquisição do investimento permanente, para fins fiscais, compulsória a sua neutralidade tributária até alienação ou da baixa do investimento correspondente ao ágio para efeito de apuração do ganho ou perda de capital. Neste momento, os valores amortizados contabilmente e controlados na parte B do LALUR poderiam ser excluídos do Lucro Líquido para determinação da base imponível do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, restabelecendose a simetria do procedimento tributário com o princípio contábil da competência. O advento da regulação fiscal pela Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997, com a redação dada pelo art. 10 da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, autorizou hipóteses adicionais de dedutibilidade do ágio na aquisição de participação societária via processo de incorporação, fusão ou cisão, contudo, estritamente limitadas às condições nela especificadas. Fl. 9337DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.338 61 Por derradeiro, ainda em relação à ordem jurídica adstrita ao tema, apenas a título de registro, a dicção do art. 36 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, introduziu condição específica de diferimento da tributação na hipótese da parcela correspondente à diferença entre o valor de integralização de capital, resultante da incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica que efetuar a subscrição e integralização, e o valor dessa participação societária registrado na escrituração contábil desta mesma pessoa jurídica. Entretanto, tornou expresso que não seria considerada realização a eventual transferência da participação societária incorporada ao patrimônio de outra pessoa jurídica, em decorrência de fusão, cisão ou incorporação, logo, em harmonia com a normatização veiculada na Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997, com a redação dada pelo art. 10 da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998. A norma destacada foi revogada pela Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005. Encerrada a digressão atinente a tais aspectos norteadores, passase a analisar a controvérsia em específico. De plano, cumpre instar que a demonstração da origem e fundamentos do ágio em operações desta natureza deve ser evidenciado por intermédio de laudo de avaliação formalizado em consonância com o disposto pelos arts. 8º, 229 e 251 da Lei das S/A, acervo documental que, muito embora empenhado compromisso de sua apresentação após sucessivas intimações endereçadas no curso da fiscalização, novamente não se efetivou sequer na fase contenciosa do procedimento. Por sinal, ao contrário disto, insiste numa liberalidade moderada quanto à forma de cumprimento do preceito contido nos §§2º e 3º do art. 20 do Decreto lei nº 1.598, de 26/12/1977, calcando as razões de validade das demonstrações que serviram de apoio para a escrituração contábil do ágio reconhecido no patrimônio do impugnante e, na seqüência, amortizado em contas de despesas operacionais da companhia autuada. Cumpre sopesar que o acervo documental apreciado no procedimento de fiscalização deve revelar de forma transparente os parâmetros conjunturais verossímeis colocados à disposição do corpo diretivo e da mais alta gestão da companhia adquirente para amparo do processo de negociação e de tomada de decisão tendente à deliberação em assembleia sobre a pertinência da transferência dos ativos por um custo de aquisição acrescido de ágio. No plano tributário, compulsório ao sujeito passivo que o enquadramento da demonstração do fundamento econômico do ágio se instrumentalize por documentação de identidade da tempestividade e representação fidedigna da motivação determinante da tomada de decisão e das razões subjetivas para a feitura do negócio pelo preço avençado, circunstância última que deve ser provada com a demonstração do fluxo financeiro ocorrido na respectiva transação societária. O instrumento elaborado para tanto deve ser um retrato fiel da vontade do adquirente da participação societária para ter legitimada sua função orientadora do fundamento econômico vinculado às circunstâncias contemporâneas da efetiva motivação determinante do ágio negociado com base nos critérios substanciados no demonstrativo. Fl. 9338DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.339 62 Importa dizer, em síntese, que não se pode conferir ênfase à forma em detrimento da substância fática das circunstâncias de relevância que se mostraram presentes no fechamento do negócio jurídico e pactuação da relação obrigacional correspondente. Sob este panorama, oportuno ilustrar a questão com as lições do emitidas pelo tributarista Luís Eduardo Schoueri vertentes à demonstração do fundamento do ágio em estudo que tratou sobre a questão dos aspectos tributários deste elemento em reorganizações societárias: “A exigência legal de uma fundamentação, quando da própria formação do ágio, impõe que se identifique um instrumento para a documentação daquela motivação. Não cuidou o legislador de disciplinar a forma como a fundamentação deveria ser comprovada. O texto do parágrafo 2º do art. 20 do Decretolei nº 1.598/1977 é singelo, determinando a indicação do fundamento do ágio por ocasião de sua contabilização. O parágrafo 3º complementao, ao deixar a cargo do contribuinte o ônus da prova (...) (...) O legislador impõe que se indique o fundamento por que houve o pagamento do preço, sendo rigoroso quanto ao seu aspecto temporal (no momento da aquisição, já se deve fazer o desdobramento, indicando o fundamento do ágio), mas silenciando quanto à forma. Também exige arquivo da “demonstração”. Mas não diz como devem ser feita. Ingressase no delicado tema da prova. Se é verdadeiro que o contribuinte pode valerse de qualquer meio de prova em direito admitido, não pode deixar de observar se está diante da prova de uma motivação, i.e., do motivo determinante da aquisição. (...) Daí que o laudo de avaliação, normalmente exigido pelas autoridades tributárias e examinado nos julgamento administrativos, nada mais é que um dos elementos de que se pode valer o sujeito passivo comprovar o motivo determinante do pagamento do ágio. Em outras ocasiões, o legislador foi expresso quanto à exigência de um laudo, dispondo inclusive sobre quem o dever de fazer. Tal é o caso do art,.8º da Lei nº 6.404/1976, quando trata da avaliação de bens no caso de constituição de companhia ou aumento de capital mediante conferência de ativos. (...) Os mesmos requisitos são exigidos para a avaliação de ações em caso de reembolso (art. 45, parágrafo 3º). A Lei das Sociedades Anônimas fala ainda em laudo no caso de avaliação no caso de incorporação (art. 227, parágrafo 3º), fusão (art. 228, parágrafo 2º) e cisão (art. 251, parágrafo 1º). Aparece ainda, o laudo no caso de incorporação de ações (art. 252, parágrafo 3º) e aquisição de controle (art. 256, parágrafo 1º). Fl. 9339DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.340 63 (...) É prática comum, em operações societárias de maior porte, que compradores e vendedores se façam valer da assessoria de especialistas, no mercado que se denomina mergers and acquisitions. Em circunstâncias normais, os assessores avaliarão a empresa a ser adquirida (target company), propondo ao comprador uma certa margem (range) para fixação do preço. Ocorrendo tais circunstâncias, a apresentação à fiscalização, pelo contribuinte, do relatório que levou à tomada de decisão parece ser elemento importantíssimo para a prova da fundamentação do ágio pago. (...) A “demonstração” se faz com os documentos que de fato serviram para a tomada de decisão. (...) Não é incomum que, depois da conclusão do negócio, produzam se laudos de avaliação com finalidade exclusiva de atender a fiscalização. Não se pode condenar essa cautela e o laudo assim elaborado, desde que fiel às circunstâncias do negócio, pode complementar os elementos de prova, de modo a permitir que se alcance o elemento subjetivo – motivo determinante do pagamento do ágio. (sublinhouse) (...) Importa apenas saber se o laudo embasou a decisão do comprador, i.e., se o comprador, no momento do pagamento do ágio, considerou o laudo e suas conclusões. (...) Vale a seguinte regra: qualquer que seja o fato posterior ao pagamento do ágio, não há que ele ter influído na decisão do comprador, tomada anteriormente. (...)” (Schoueri, Luis Eduardo. Ágio em reorganizações societárias (aspectos tributários). São Paulo. Dialética, 2012, p. 33/40). Diante de uma análise ampla e sistematizada do contexto da operação societária, compreendese as razões pelas quais a autoridade lançadora não atestou a validade do relatório formalizado com a avaliação de que o fundamento econômico do ágio determinou o valor justo dos ativos a serem transferidos baseado em metodologia de fluxo de caixa descontado. De acordo com o ilustrado no introito, razoável inferir que uma negociação desta envergadura teve seu desenlace após sucessivas reuniões entre os administradores e órgãos de assessoramento das sociedades participantes da relação contratual em momento antecedente à deliberação em assembleia. Evidentemente esta sucessão de intercorrências não se perfaz com um acervo documental trazido apenas para traduzir a coincidência com atos societários em fase posterior ao planejamento estratégico engendrado dentro do conglomerado. Importante relembrar que as datas de formalização de vários atos societários alterando a estrutura de capital e da composição societária promoveramse antes mesmo do resultado apresentado nos relatórios de avaliação e já se demonstravam concretizados com a anuência da alta cúpula decisória do conglomerado, inaugurado a partir de um planejamento estratégico na estrutura do Grupo GE envolvendo, primeiramente, a GE BRAZIL HOLDING (controladora direta dos controladores do Fl. 9340DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.341 64 impugnante) – principal agente econômico que exerceu sua influência significativa3 nas deliberações das companhias envolvidas na reestruturação societária , a GE PARTICIPAÇÕES e a GE DO BRASIL (controladoras direta do impugnante), percorrendo uma sucessão de transferências intragrupo que teve desfecho com a incorporação no patrimônio do autuado (GE CELMA) do suposto ágio avaliado sobre participação societária, até então, sob o controle de suas controladoras (direta e/ou indireta). O relatório propugnado pela defesa técnica revela flagrante divergência com as situações fáticas retratadas pelo confronto do acervo documental analisado de forma ordenada e compatibilizada com as avaliações que o impugnante dispunha à época formatação da reestruturação societária. Incluise ainda, a despeito da justificativa vazia do impugnante, que nada de concreto elucida quanto à patente dissonância entre o ágio reconhecido para fins de amortização e o montante apontado no Relatório de Avaliação elaborado pela E&Y, muito menos em relação às alterações desarraigadas de um mínimo acervo documental de suporte que amparasse a majoração dos valores dos ágios anteriormente transferidos por ocasião da formatação das transações de cisão parcial (entre as quais a própria GE CELMA), acréscimos estes feitos na expedição do ato de dissolução da GP PARTICIPAÇÕES (dezembro/2012). Notadamente, a tomada de decisão acerca da cisão parcial (reestruturações precedentes) e as informações necessárias à identificação do fundamento econômico do ágio não foram pautadas no trabalho desenvolvido nestes relatórios de avaliação, mas sim com base de acervo documental não conduzido à cognição da autoridade lançadora e, agora, igualmente, perante o órgão julgador de primeira instância. Conquanto a montagem do trabalho revele uma estrutura técnica de preparação do resultado da avaliação baseado em projeções de conjuntura macroeconômica e setorial relacionada ao mercado de atuação do impugnante, a mera assertiva da empresa de consultoria quanto ao objetivo e utilidade do relatório não se demonstra plausível e apto a refutar as inferências assentadas no encerramento do procedimento de fiscalização. Isto porque não desempenha papel de evidência concreta dos atos formulados para a tomada de decisão ligada ao planejamento estratégico, muito menos para respaldo do ágio gerado em relação à participação societária objeto da cisão parcial. Particularmente neste caso, a falta de conexão com as circunstâncias vinculadas às bases do negócio jurídico firmado entre as partes contratantes e o distanciamento lógicocoerente da exposição adstrita à situação fática que denotou a motivação para determinação do preço negociado na aquisição do ágio embutido no custo de aquisição do investimento societário. Importante acentuar que a validade e eficácia da demonstração que veicula pretenso fundamento econômico do ágio, consoante determina a norma específica, não se resume ao mero cumprimento da forma, mas, sobretudo, que se revele como o suporte da representação fidedigna e contemporânea dos fatos concretos que motivaram a decisão de celebração de compromisso de pagamento do sobrepreço pela adquirente da participação societária. Neste cenário, evidente que não há elementos suficientes para caracterização da pertinência do ágio inserto ao montante do investimento societário, porquanto a carência de prova da demonstração da origem e fundamento econômico para a apuração do ágio protestado na defesa do impugnante. Fl. 9341DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.342 65 Acrescentese ainda que não houve comprovação da existência de fluxo financeiro na concretização da operação societária; apenas a versão de ações de titularidade de suas controladas em contrapartida da redução de capital da GEB, acarretando na transferência da participação societária na GE CELMA, primeiramente, para a GE PARTICIPAÇÕES e, finalmente, para o patrimônio do autuado acrescido de um ágio gerado de si mesmo. Sob este aspecto, oportuno trazer a colação as considerações do tributarista Marco Aurélio Greco ao se reportar sobre a questão do ágio de si mesmo: “Por vezes, quando uma pessoa adquire determinada participação societária o faz com ágio, pois o valor da aquisição é superior ao respectivo valor de patrimônio líquido. Ocorre que, num momento posterior à aquisição, por vezes sucede de ser feita uma incorporação às avessas que gera uma situação curiosa em relação ao ágio na aquisição da participação societária. Com efeito, o ágio tem por objeto uma participação societária de titularidade da controladora, que representa uma fração do capital da pessoa jurídica controlada à qual se reporta. Na medida em que a controlada incorpora a controladora, desaparece o sujeito jurídico titular da participação societária. Assim, caso preservado, o montante do ágio passaria a estar dentro da incorporadora (antiga controladora), possuindo como origem um elemento que agora integra a própria incorporadora. Seria um “ágio de si mesmo”, o que sugere uma preocupação quando se analisa caso concreto que apresente este feito. Também aqui é preciso fazer uma distinção entre o surgimento do ágio (motivos e finalidades da operação) e o seu aproveitamento, pois a lei tributária pode admitir essa hipótese (“ágio de si mesmo”) e prever algum tipo de dedução, seja como elemento integrante da apuração da renda como tal, seja a título de incentivo ou benefício fiscal. O cerne da questão não será o aproveitamento, mas o meio utilizado e o modo de agir adotado para, eventualmente, “construir” ou “materializar” a hipótese de incidência da regra de aproveitamento.” (Greco, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. 3ª edição. São Paulo, Dialética, 2011, p. 478/479). O ágio de si mesmo é um ativo intangível originalmente reconhecido em relação a determinado investimento societário numa companhia investidora, veículo ou não, intragrupo ou não, com o sobrepreço em relação ao seu valor patrimonial, uma vez que esta investidora é incorporada pela investida, temse na contabilidade da investida um valor trazido da incorporada que corresponde ao ágio pago pela participação nela mesma. Por conseguinte, ágio de si mesmo é aquele contabilizado e amortizado pela própria investida, após a incorporação da empresa investidora pela investida. Em suma, exatamente nos mesmos moldes da operacionalização dos ativos mobiliários de todas as pessoas jurídicas que receberam por transferência, via cisão parcial da GP PARTICIPAÇÕES, a fração patrimonial advinda de sua controladora, entre a quais a própria autuada. Importa acentuar que somente pode ser admitida a validade do ágio quando decorrente de transações envolvendo partes independentes, condição necessária à formação de um preço justo para os ativos mobiliários envolvidos na transação. Fl. 9342DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.343 66 Na situação em exame, resta evidente que seu aparecimento acontece no bojo de transações entre companhias sob o mesmo controle societário. Nesta perspectiva, não se revela minimamente razoável atribuir legitimidade de uma mais valia no investimento societário, visto que não resulta de uma transação de precificação de natureza imparcial, avalizado por um ambiente condizente com a livre negociação de mercado e de independência entre as partes envolvidas na negociação. O ágio gerado internamente mostrase plenamente desprovido de consistência econômica ou contábil, configurandose uma seqüência de operações estruturadas em seqüência, em curto lapso temporal na concretude dos atos societários vinculados, desenvolvidos com a finalidade de geração artificial na demonstração do resultado do exercício a partir do reconhecimento contábil da amortização deste sobrepreço. Em suma, afora os aspectos formais norteadores para a determinação da perda da legitimidade dos relatórios de avaliação defendidos na peça impugnatória, notadamente, o conteúdo destas informações servem para avigorar a ineficácia probatória da demonstração que respaldou a mensuração do ágio sobre o investimento societário. Neste panorama, importa ressaltar que o reconhecimento da operação com esta formatação evidencia a ocorrência de uma motivação convergente à obtenção de uma vantagem fiscal imprópria advinda de prática empresarial lesiva ao erário público, ratificando a carência de propósito negocial nãotributário no engendramento dos métodos aplicados no curso da reorganização societária. Notadamente, as deliberações realizadas unicamente entre companhias integrantes do Grupo GE e exercidos sem autonomia entre as partes envolvidas, mostra que a sucessão de atos societários e contábeis formulados a partir do ano de 2009, inflandose artificialmente mediante avaliações patrimoniais do acervo de investimentos societários no âmbito da GE PARTICIPAÇÕES e da GE DO BRASIL, operações que serviram apenas aos propósitos da cúpula dos órgãos de administração e diretivo do conglomerado (incluindose a GE BRAZIL HOLDING – PJ irlandesa) para obtenção de uma vantagem tributária. Além disto, resta claro que a GE PARTICIPAÇÕES, igualmente, teve sua atividade principal aquecida para atuação como empresa veiculo corroborativa neste processo de transações estruturadas em sequência (conduit companies e step transations): recebendose, primeiramente, em transferência, todo um conjunto de investimentos societários em coligadas ou controladas para um posterior esvaziamento patrimonial que se concluiu ao final do ano de 2012 (momento da dissolução da holding), após um ciclo sucessivo de operações de cisão parcial instauradas para a devolução de participações societárias, dilatadas com a respectiva porção de ágio artificial (oriundo da GE DO BRASIL [precedendo o ato de redução de capital] ou gerada dentro da GE PARTICIPAÇÕES), internalizandoo no patrimônio das próprias investidas, seguindo a dinâmica orientada por suas controladoras internacionais. Por sinal, analisando a situação fática restritamente associado ao campo do Direito Privado, exatamente onde se encaixa as reorganizações societárias do GRUPO GE, não há que se admitir a argumentação que propugna a admissibilidade da criação de uma empresaveículo para estruturação das operações, mormente evidente a intenção de utilização deste instrumento como o Fl. 9343DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.344 67 exercícios de manobras internas tendentes à inobservância das normas jurídicas de direito público. De acordo com aquilo que foi demonstrado ao longo do procedimento de fiscalização, a partir do início das operações societárias transitadas pela GEB e na GE PARTICIPAÇÕES patente que os líderes estrangeiros do conglomerado empresarial ignorou totalmente a noção de affectio societatis, atributo este que, em nosso sistema jurídico, ainda se constitui como elemento primordial na constituição dos atos societários das pessoas jurídicas. Na verdade, o Grupo GE instaurou uma série de artifícios que objetivaram ocultar as violações às normas jurídicas brasileiras, empregando meios alternativos para alçar à cena uma aparência irreal dos fatos tendente, não apenas, à ocultação da efetiva origem de eventual ágio negociado entre partes independentes, mas, também do esmerado propósito do conglomerado empresarial. Não se pode deixar de salientar que o nosso sistema jurídico não admite a existência de sociedades eivadas com práticas dissimulatórias, circunstância que perfaz assegurar que os métodos empregados no processo de reestruturação societária gravou, reincidentemente, seus negócios jurídicos com defeito que causa a nulidade de todos os atos praticados neste contexto, porquanto elaborados com o intuito de fraude à lei (art. 167 do Código Civil), sem prejuízos da qualificação daquilo que a doutrina intitula de vício social. No que concerne a existência de vício social na simulação civil e empresarial, compete ilustrar o tema com as lições do jurista José Inácio Ferraz de Almeida Prado Filho em obra coordenada pelo comercialista Erasmo Valladão Azevedo e Novaes França, in verbis: “Simulação é a declaração enganosa de vontade, onde se promove uma desconformidade consciente e deliberada entre a declaração emitida e a vontade real das partes. Como Pontes de Miranda explica, “ostentase o que não se quis; deixase inostensivo aquilo que se quis”. Para configuração da fattispecie exigese (i) o acordo entre os contratantes, (ii) a intencionalidade na discrepância entre vontade e declaração e (iii) o propósito de enganar, que não se confunde com a ocorrência de fraude ou prejuízos a terceiros. Para existir a simulação pressupõe consenso entre as partes envolvidas, sendo por esta razão, denominado vício social, em oposição aos vícios de consentimento (erro, dolo e coação). Como bem apontado por Roppo, a discrepância entre a vontade das partes e a declaração emitida é “conscientemente querida e deliberadamente procurada pelos contratantes”, sendo que, por meio dessa discrepância, as partes perseguem seus planos e interesses pessoais, Vislumbrase, assim, uma situação aparente destinada a enganar a terceiros, e subjacente a ela, a situação real, que corresponde aos efeitos e ao quanto efetivamente objetivado pelas partes. A intenção das partes pode ser a ausência de qualquer efeito, hipótese em que a doutrina denominou a simulação absoluta ou a ser a produção de efeitos diversos daqueles declarados, situação denominada simulação relativa.” (França. Erasmo Valladão Azevedo e Novaes (coord.). Fl. 9344DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.345 68 Direito Societário Contemporâneo I. São Paulo : Quartier Latin 2009. P. 119/120). (destacouse) No caso da GE PARTICIPAÇÕES, estruturada sob a forma de holding pura, sobretudo a partir de 2008, protagonizouse exclusivamente para servir de veículo condutor para a concentração de todos os investimentos elencados no quadro demonstrativo de fl. 14 desta minuta (fl. 50 do Termo de Verificação Fiscal), dilatados interna e artificialmente sem a instauração de nenhum processo negocial, mas sim sob uma orientação rigorosa exercida pela influência significativa de seus gestores estrangeiros fomentandose a feitura de uma sequência de atos empresariais vinculados à reorganização societária, contudo, notadamente ineficazes para produção dos efeitos fiscais pretendidos pelo grupo econômico. Sob este prisma, razoável a interpretação levada a efeito no encerramento do procedimento de fiscalização, afastandose os efeitos tributários dos atos societários produzidos desde o início da reestruturação empresarial, haja vista a caracterização de confusão patrimonial e assimetria informacional em decorrência de atuações reservadas à cúpula dos dirigentes do Grupo GE, particularmente, neste caso, os controladores da GE HOLDING (PJ estrangeira domiciliada na Irlanda), da GEB e da GE PARTICIPAÇÕES. Salientese que o emprego de atos revestidos de mera observância de sua estrutura formal não convalida sua eficácia do ponto de vista tributário, porquanto operações desenvolvidas com a inserção de artifícios tendentes ao alcance do benefício fiscal disciplinado pelos arts. 7° e 8° da Lei 9.532/97, caracteriza a prática de abuso de direito no âmbito corporativo resultante de evasão tributária. Nesse sentido, importa acentuar, por mais esta oportunidade, as lições emitidas pelo jurisconsulto Marco Aurélio Greco em obra que analisou a questão do abuso de direito de autoorganização no âmbito tributário e as circunstâncias que tornam admissível a desqualificação de atos corporativos desta natureza, pois, vedado que sejam oponíveis ao Fisco: “Inoponibilidade do Ato Abusivo [...] a possibilidade de serem identificadas situações concretas em que os atos realizados pelos particulares, embora juridicamente válidos, não serão oponíveis ao Fisco quando forem fruto de um uso abusivo do direito de autoorganização que, por isso, compromete a eficácia do princípio da capacidade contributiva e da isonomia fiscal. [...] Sublinhese que, depois do Código Civil de 2002, não é apenas inoponibilidade perante o Fisco, é hipótese de ato ilícito que destrói um dos requisitos indispensáveis para haver efetivo planejamento tributário: Cumpre, portanto, distinguir três hipóteses de abuso: a) o abuso de direito assim qualificado no âmbito civil, a teor do artigo 187 do Código Civil. Nesse caso configurase um ato ilícito no pressuposto na incidência da norma; b) abuso de exercício de condutas fiscalmente reguladas; e Fl. 9345DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.346 69 c) abuso da perspectiva de legislações específicas, por exemplo, abuso de poder de controle regulado pela Lei das Sociedades Anônimas. As três hipóteses contaminam o planejamento, pois sempre levarão à ilicitude que, por si, prejudica a proteção jurídica do planejamento. [...] sempre que o exercício da autoorganização se apoiar em causas reais e não unicamente fiscais, a atividade do contribuinte será irrepreensível e contra ela o Fisco nada poderá objetar, devendo aceitar os efeitos jurídicos dos negócios realizados. [...] No entanto, os negócios jurídicos que não tiverem nenhuma causa real e predominante, a não ser conduzir a um menor imposto, terão sido realizados em desacordo com o perfil objetivo do negócio e, como tal, assumem um caráter abusivo; neste caso, o Fisco a eles pode se opor, desqualificandoos fiscalmente para requalificálos segundo a descrição normativotributária pertinente à situação que foi encoberta pelo desnaturamento da função objetiva do ato. Ou seja, se o objetivo predominante for a redução da carga tributária, terseá um uso abusivo do direito.” (Greco, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. 3ª edição. São Paulo, Dialética, 2011, p. 210/212). Sob este prisma, evidente que a ordem jurídica não autoriza a livre de gestão de negócios empresariais com a inserção de operações não usuais e anormais, praticados por mera liberalidade e alheios de propósito negocial que contribuam ao fomento da atividade econômica, sobretudo abrigadas à geração de despesas não necessárias com a única serventia de afetação ilídima da base imponível do imposto sobre a renda e da contribuição social sobre o lucro, reduzindose artificial e impropriamente a carga tributária da entidade. Não se trata de impor um questionamento ao planejamento estratégico empresarial derivado da reestruturação societária para a otimização da sinergia de seus segmentos de negócios, o aprimoramento da eficiência da gestão organizacional por intermédio de melhores práticas de governança corporativa ou outras atuações societárias derivadas do legítimo exercício da iniciativa privada, mas, sim, censurar a prática lastreada em mecanismos artificiais tendentes à adequação meramente formal de atos dentro dos parâmetros normativos, procurando atribuir uma roupagem de fidedignidade do montante do ágio; mais ainda: dirimir práticas veladas que criam subterfúgios forçados de amortização do sobrepreço, pautado tão somente em aspectos indutores de redução injusta da tributação no âmbito do conglomerado econômico. A dedutibilidade da amortização do ágio deverá envolver a situação literalmente prevista no art. 386 do RIR/99, bem assim a observância estrita das condições nele estipuladas, sob pena de qualificação de sua natureza indevida. Evidenciado que a transferência do ágio registrado na investidora originária para outra companhia pertencente ao mesmo grupo econômico, por meio de operações meramente contábeis e sem circulação de riqueza, desautoriza a admissibilidade de aproveitamento tributário do ágio. A conduta imprópria do conglomerado por intermédio de arranjos societários desenvolvidos entre partes relacionadas, valendose de manobras irregulares de Fl. 9346DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.347 70 evidenciação de artificioso propósito negocial e da presença de motivação extra tributária, prestaramse tão somente à obtenção de êxito do planejamento tributário abusivo. A resultante desta pratica determinou a aceleração indevida da realização do ágio correlato à operação, encurtandose forçosamente o lapso temporal de amortização do ágio artificial, acarretando no desvirtuamento da aferição da base imponível da tributação do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido do períodobase. A propósito, prevalece na estrutura de princípios fundamentais de Contabilidade o princípio da primazia da essência sobre a forma, razão pela qual irrelevante a condução aos autos de laudo de avaliação que se revele dissonante da concreta motivação que legitimaria a aquisição societária nos moldes da relação jurídica instituída. Nesse sentido, importa trazer a lume as considerações do professor Edison Carlos Fernandes em artigo que versa sobre a influência deste pressuposto subjacente na aplicação dos princípios fundamentais de Contabilidade: “(...) de acordo com o princípio contábil da primazia da substância sobre a forma, as demonstrações financeiras (especialmente, o balanço patrimonial e a demonstração do resultado do exercício) deverão trazer a informação da operação econômica pretendida pelo empresário. (...) ganha concretude o disposto nos artigos 167 e 170 do Código Civil Brasileiro – CCB que estabelecem, por um lado, que “é nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá este quando o fim a que visavam, as partes permitir supor o que teriam querido”. Em conclusão, havendo eventualmente, conflito sobre a interpretação de um negócio econômico, juridicamente configurado, a contabilidade poderá servir de prova para a definição da sua natureza jurídica e das responsabilidades de cada contratante daí decorrentes.” (Fernandes, Edison Carlos. Primazia da substância sobre a forma. Novas Tendências da Contabilidade e (Potenciais) Reflexos Tributários. in Reorganizações Empresariais: Aspectos Societários e Tributários. Roberta Nioac Prado e Daniel Monteiro Peixoto (coord.). São Paulo. Série GV Law. Saraiva, 2011, p. 152). A regra da primazia da essência sobre a forma encontrase consolidada no §2º do art. 177 da Lei nº 6.404/76 (Lei das S/A), ante a positivação deste princípio, impondoo como norma procedimental de observância compulsória na feitura da escrituração contábil. De acordo com seus termos, a companhia observará exclusivamente em livros ou registros auxiliares, sem qualquer modificação da escrituração mercantil e das demonstrações reguladas nesta Lei, as disposições da lei tributária, ou de legislação especial sobre a atividade que constitui seu objeto, que prescrevam, conduzam ou incentivem a utilização de métodos ou critérios contábeis diferentes ou determinem registros, lançamentos ou ajustes ou, ainda, a elaboração de outras demonstrações contábeis. Daí a pertinência da glosa dos valores de amortização do ágio em consonância com o disposto com o Art. 7º inciso I e seu parágrafo primeiro da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997, com a redação dada pelo art. 10 da Lei no 9.718, de 27 de Fl. 9347DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.348 71 novembro de 1998, combinado com o art. 1º inciso I, §3º inciso I e §4º da Instrução Normativa SRF nº 11, de 10 de fevereiro de 1999. Sob esta perspectiva, oportuno ressaltar alguns precedentes emitidos pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) diante do exame de recursos que incluíram controvérsias de mesma natureza: “INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negocial ou societária. Nestes casos, resta caracterizada a utilização da incorporada como mera empresa veículo para transferência do ágio à incorporadora.” (CARF, 2ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, 1ª Seção. Acórdão nº 1201 001.474. Sessão de 11/08/2016. Rel. Roberto Caparroz de Almeida) “DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESAS DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE. Incabível a dedução de amortização de ágio decorrente de operação societária realizada entre empresas de mesmo grupo econômico, pela inexistência da contrapartida do terceiro que gere o efetivo dispêndio. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO. NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL. Inadmissível a formação de ágio por meio de operações internas, sem a intervenção de partes independentes e sem o pagamento de preço a terceiros. Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a sucessão de operações societárias sem qualquer finalidade negocial que resulte em incorporação de pessoa jurídica de mesmo grupo, com utilização de empresa veículo, unicamente para criar de modo artificial as condições para aproveitamento da amortização do ágio como dedução na apuração do lucro real e da contribuição social. DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESA VEÍCULO. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL Não há como aceitar a dedução do ágio com utilização de empresa veículo, quando o procedimento do sujeito passivo não se reveste de propósito negocial mas revela objetivo exclusivamente tributário.” (CARF, 2ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, 1ª Seção. Acórdão nº 1201001.470. Sessão de 10/08/2016. Red. Designada Eva Maria Los) “INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO. NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL. Inadmissível a formação de ágio por meio de operações internas, sem a intervenção de partes independentes e sem o pagamento de preço a terceiros. Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a sucessão de operações societárias sem qualquer finalidade negocial que resulte em incorporação de pessoa jurídica de mesmo grupo, com utilização de empresa veículo, unicamente para criar de modo artificial as condições para aproveitamento da amortização do ágio como dedução na apuração do lucro real e da contribuição social.” (CARF, 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, 1ª Seção. Acórdão nº 1301002.019. Sessão de 04/05/2016. Rel. Paulo Jakson da Silva Lucas) Fl. 9348DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.349 72 “ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. GLOSA. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Correta a glosa de despesas de amortização de ágio, na situação em que referido ágio decorre de reorganizações societárias levadas a efeito dentro de um mesmo grupo empresarial, em curto espaço de tempo, constatandose ainda que o alegado “pagamento” pela suposta aquisição de mais valia na verdade se tratou de mera transferência de recursos internamente ao grupo econômico. Não se pode admitir que o cumprimento de um alegado objetivo empresarial interno tenha o condão de produzir um fato capaz de reduzir as bases tributáveis, sem que qualquer nova riqueza tenha sido criada ou algum custo de fato assumido para a aquisição de riqueza externa.” (CARF, 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, 1ª Seção. Acórdão nº 1301002.008. Sessão de 04/05/2016. Rel. Waldir Veiga Rocha) “IRPJ/CSLL. UTILIZAÇÃO DE SOCIEDADE VEÍCULO. REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA. ÁGIO TRANSFERIDO. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO INDEVIDA. 1. O direito à contabilização do ágio não pode ser confundido com o direito à sua amortização. 2. Em regra, o ágio efetivamente pago em operação entre empresas não ligadas e calcadas em laudo que comprove a expectativa de rentabilidade futura deve compor o custo do investimento, sendo dedutível somente no momento da alienação de tal investimento (inteligência do art. 426 do RIR/99). 3. A exceção trazida pelo caput do art. 386, e seu inciso III, pressupõe uma efetiva reestruturação societária na qual a investidora absorve parcela do patrimônio da investida, ou viceversa (§6º, II). A operacionalização de tal reestruturação de forma artificial, calcada em operações meramente formais e com fins unicamente tributários mediante utilização de “empresas veículo”, não possui o condão de alterar a verdade dos fatos, de modo a transformar o que deveria ser contabilizado como custo do investimento em amortização de ágio. 3. A amortização do ágio oriundo de operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificiais e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. 4. Nesse cenário, o ágio artificialmente transferido não pode ser utilizado para redução da base de cálculo de tributos. 5. A utilização de sociedade veículo, de curta duração, constitui prova da artificialidade daquela sociedade e das operações nas quais ela tomou parte, notadamente, no caso concreto, a transferência do ágio ao real investidor para fins de amortização. IRPJ/CSLL. AQUISIÇÃO DAS PRÓPRIAS AÇÕES. PAGAMENTO DE MAIS VALIA. CONTABILIZAÇÃO EM CONTAS PATRIMONAIS. RESULTADO DO EXERCÍCIO INALTERADO. UTILIZAÇÃO DE SOCIEDADE VEÍCULO. GERAÇÃO ARTIFICIAL DE ÁGIO. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO ARTIFICIAL. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 9349DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.350 73 1. A Lei das S/A LSA veda, em regra, a negociação com as próprias ações. Comprovada que operações formalizadas como aquisição de investimento, com posterior cisão parcial e incorporação, na verdade dissimulavam aquisição das próprias ações, deve o Fisco apurar os tributos devidos de acordo com os fatos efetivamente ocorridos. 2. O pagamento de mais valia em aquisição das próprias ações não pode alterar o resultado do período, devendo ser contabilizado diretamente em contas patrimoniais, ou seja, sem transitar pelo resultado. 3. O ágio gerado em operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificiais e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. 4. Nesse cenário, o ágio artificialmente gerado não pode ser utilizado para redução da base de cálculo de tributos. 5. A utilização de sociedade veículo, de curta duração, constitui prova da artificialidade daquela sociedade e das operações nas quais ela tomou parte, notadamente a geração e a transferência do ágio. LUCRO REAL. ÁGIO INTERNO. GLOSA DE AMORTIZAÇÃO. INCORPORAÇÃO REVERSA. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. A circunstância de a operação ser praticada por empresas do mesmo grupo econômico somada a falta de propósito negocial ou societário da operação dentro do seu contexto, analisado o caso específico, impedem os efeitos tributários da operação desejados pelo contribuinte.” (CARF, 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, 1ª Seção. Acórdão nº 1402001.460. Sessão de 08/10/2013. Red. Fernando Brasil de Oliveira Pinto) Sem embargos das inferências anteriores, impende registrar que o contribuinte também não merece razão em relação à argumentação que tenciona suposta não compensação de saldo de prejuízo fiscal e base negativa da CSLL, porquanto totalmente evidente no texto do Termo de Verificação Fiscal (item 9.2 – fl. 8.684) e no conteúdo do Demonstrativo FAPLI e FACS (fls. 8.469/8.472) que os saldos apurados do LALUR e LACS do impugnante foram totalmente modificados, retirandose integralmente a eficácia das apurações anteriormente consignadas em suas Declarações de Informações EconômicoFiscais de Pessoa Jurídica (DIPJ) em razão da alteração de ofício dos controles na Parte B e a adequação do limite de fruição dos saldos correspondentes sob a ótica dos novos valores possíveis de serem lançados na PARTE A do Livro de Apuração do Lucro Real. Dentro deste novel contexto, restou limitado a utilização de valores desta natureza aos exatos termos circunstanciados nas autuações fiscais. À vista do exposto, imperativo corroborar com as glosas de amortização de ágio proveniente da aquisição da participação societária, mantendose a eficácia da autuação levada a efeito sob esta perspectiva. Do lançamento relativo à adição da despesa com amortização indevida de ágio na base de cálculo da CSLL Fl. 9350DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.351 74 O impugnante protesta o cancelamento da autuação na CSLL por falta de previsão legal para a adição ao lucro líquido do valor correspondente à amortização do ágio na aquisição de investimentos avaliados pelo método da equivalência patrimonial. Cumpre instar que a decisão pertinente ao lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ deve nortear as inferências correlatas aos autos de infração decorrentes, os quais, no presente caso, foram lavrados para fins de constituição da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) tendo em vista que deriva de elementos de prova idênticos e mantêm íntima relação de causa e efeito. Além disto, especificamente à amortização de ágio, a Instrução Normativa SRF nº 390, de 2004, exercendo seu papel de norma cogente, consolidando sobre as regras pertinentes à apuração e pagamento da CSLL, dispôs em seus arts. 38, 44 e 75: “Art. 38. Na determinação do resultado ajustado, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração antes da provisão para o IRPJ: I –os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação da CSLL, não sejam dedutíveis na determinação do resultado ajustado; (...) Art. 44. Aplicamse à CSLL as normas relativas à depreciação, amortização e exaustão previstas na legislação do IRPJ, exceto as referentes a depreciação acelerada incentivada, observado o disposto nos art. 104 a 106. (...) Art. 75. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do Decretolei nº 1.598, de 1977, deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento econômico seja: I – valor de mercado de bens ou direitos do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II – valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos períodos de apuração futuros, em contrapartida a conta do ativo diferido, se ágio, ou do passivo, como receita diferida, se deságio; III – fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas, em contrapartida a conta do ativo diferido, se ágio, ou do passivo, como receita diferida, se deságio. § 1º Alternativamente, a pessoa jurídica poderá registrar o ágio ou deságio a que se referem os incisos II e III do caput em conta do patrimônio líquido. Fl. 9351DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.352 75 § 2º A opção a que se refere o § 1º aplicase, também, à pessoa jurídica que tiver absorvido patrimônio de empresa cindida, na qual tinha participação societária adquirida com ágio ou deságio, com o fundamento de que trata o inciso I do caput, quando não tiver adquirido o bem a que corresponder o referido ágio ou deságio. § 3º O valor registrado com base no fundamento de que trata: I – o inciso I do caput integrará o custo do respectivo bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e para determinação das quotas de depreciação, amortização ou exaustão; II – o inciso II do caput: a) poderá ser amortizado nos balanços correspondentes à apuração do resultado ajustado levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período a que corresponder o balanço, no caso de ágio; b) deverá ser amortizado nos balanços correspondentes à apuração do resultado ajustado levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período a que corresponder o balanço, no caso de deságio; III – o inciso III do caput não será amortizado, devendo, no entanto, ser: a) computado na determinação do custo de aquisição na apuração de ganho ou perda de capital, no caso de alienação do direito que lhe deu causa ou de sua transferência para sócio ou acionista na hipótese de devolução de capital; b) deduzido como perda, se ágio, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa; c) computado como receita, se deságio, no encerramento das atividades da empresa. § 4º As quotas de depreciação, amortização ou exaustão de que trata o inciso I do § 3º serão determinadas em função do prazo restante de vida útil do bem ou de utilização do direito, ou do saldo da possança, na data em que o bem ou direito tiver sido incorporado ao patrimônio da empresa sucessora. § 5º A amortização a que se refere a alínea “a” do inciso II do § 3º, observado o máximo de 1/60 (um sessenta avos) por mês, poderá ser efetuada em período maior do que sessenta meses, inclusive pelo prazo de duração da empresa, se determinado, ou da permissão ou concessão, no caso de empresa permissionária ou concessionária de serviço público. § 6º Na hipótese da alínea “b” do inciso III do § 3º, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa jurídica usuária ao pagamento da CSLL que deixou de ser Fl. 9352DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.353 76 recolhida, acrescida de juros de mora e multa, de mora ou de ofício, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 7º O valor que servir de base de cálculo da CSLL a que se refere o § 6º poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. § 8º O disposto neste artigo aplicase, também, quando: I – o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; II – a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. § 9º O controle e as baixas, por qualquer motivo, dos valores de ágio ou deságio, na hipótese deste artigo, serão efetuados exclusivamente na escrituração contábil da pessoa jurídica.” Neste compasso, denotase irrepreensível a admissibilidade de incidência da metodologia aplicada ao IRPJ à luz da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997, com a alteração dada pelo art. 10 da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, porquanto evidenciado que a normatização atinente à CSLL adotou a mesma providência inerente ao registro e ao tratamento a ser dispensado ao ágio na aquisição de investimentos, inclusive no que concerne à sua amortização. Assim sendo, impõese manter a eficácia da autuação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do IRPJ e aplicáveis extensivamente à CSLL, por sua aderência à matéria fática inserta aos fundamentos do lançamento primário. ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL NÃO RECOLHIDAS. MULTA ISOLADA. CABIMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO PERÍODO. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO INCIDENTE SOBRE O TRIBUTO APURADO COM BASE NO LUCRO REAL ANUAL. No que concerne à sanção imputada em decorrência das evidências de falta de pagamento dos débitos de estimativas mensais mensuradas no anobase de 2011 , ressaltese que há dispositivo legal expresso, o artigo 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, reproduzido a seguir, estipulando a aplicação da multa isolada de 50% sobre estimativas mensais de IRPJ e CSLL não recolhidas: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo Fl. 9353DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.354 77 negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (destacouse) Também o art.16 da IN SRF nº 93/97, a seguir, é expresso ao determinar o lançamento, após o anocalendário, da multa sobre os valores de estimativa não recolhidos: Art. 16. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento de ofício abrangerá: I a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; II o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto.(destacouse) Concluise que a aplicação da multa isolada após o encerramento do período de apuração do IRPJ e da CSLL é expressamente prevista na legislação vigente. Frisese que o inciso I do artigo 44 acima transcrito prevê a multa de ofício (multa proporcional) de 75% para o caso de falta de pagamento do IRPJ ou CSLL. Não se trata de uma segunda punição para o mesmo fato infracional. Por sinal, a aplicação de mais de uma penalidade em uma mesma ação fiscal é perfeitamente possível, desde que se trate de infrações distintas, conforme disposto no art. 74 da Lei nº 4.502/1964, a seguir: Art. 74. Apurandose, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicamse cumulativamente, no grau correspondente, as penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas (...) (destacouse) Pois bem, no caso presente, a multa de 75% é aplicável pelo não recolhimento de IRPJ e CSLL devidos, conforme apuração realizada no final do anocalendário, enquanto a multa isolada aplicase sobre as estimativas mensais não recolhidas. São duas modalidades punitivas que incidem sobre fatos infracionais distintos: uma penalidade sobre o não recolhimento da estimativa do mês; e outra penalidade sobre o valor do imposto ou contribuição devido do ano e não recolhido, conforme apurado no final do anocalendário. Portanto, não merece acolhida a alegação de dupla penalidade/incidência formulada pela impugnante. Acrescentese que o art.16 da mencionada IN SRF nº 93/1997 esclareceu que o lançamento de ofício, quando verificada a falta/insuficiência do pagamento das estimativas após término do anocalendário, abrangerá tanto a multa isolada sobre a estimativa não recolhida como o tributo devido acrescido da multa de ofício e dos juros de mora. Nesse mesmo sentido tem sido as recentes decisões proferidas no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), inclusive na esfera da Câmara Superior: “MULTA ISOLADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. FATOS GERADORES POSTERIORES À LEI 11.488/2007. PROCEDÊNCIA. Fl. 9354DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.355 78 Ao optar pela apuração anual do IRPJ e da CSLL, o contribuinte deve se sujeitar às regras estabelecidas para essa forma alternativa de apuração, particularmente a obrigatoriedade dos recolhimentos por estimativa. No caso concreto, ao serem glosadas despesas tidas por indedutíveis, as bases de cálculo mensais foram recalculadas pelo Fisco, evidenciandose a insuficiência de recolhimento das estimativas mensais. A sanção é aplicável pelo descumprimento do dever legal de antecipar o tributo. Procedente a multa exigida isoladamente, lançada com fundamento no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007.” (Acórdão nº 1301 002.020 – 1ªTurma Ordinária da 3ª Câmara. Sessão de 04/05/2016. Paulo Jakson da Silva Lucas) “MULTA ISOLADA. FALTA DE ESTIMATIVA DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DO IRPJ E DA CSLL. CABIMENTO. A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício cominada pela falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do anocalendário.” (Acórdão nº 9101002.300 – 1ª Turma – Câmara Superior de Recursos Fiscais. Sessão de 07/04/2016. Relator: Rafael Vidal de Araújo.) Sem embargos das conclusões precedentes, cumpre instar que o impugnante também não merece razão em relação quanto aos valores autuados, porquanto totalmente evidente no texto do Termo de Verificação Fiscal (item 9.3 – fl. 8.684/8.686) e no conteúdo do Demonstrativo de Cálculo das Multas Isoladas (Doc. 537 fl. 8.468) que as bases imponíveis para determinação da penalidade específica, reservouse, exclusivamente, sobre as importâncias mensais não pagas em decorrência dos reflexos gerados nos Balanços de Suspensão ou Redução levantados pela companhia para mensuração das estimativas mensais no meses correspondentes. Por todo o exposto, concluiuse pela validade e manutenção da exigibilidade das multas isoladas aplicadas no lançamento contestado. No que toca ao lançamento da multa isolada e da multa de ofício, temos que reconhecer a existência da súmula CARF 105, abaixo transcrita: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Todavia prevalece nesta Turma Ordinária, se não também nas demais, o entendimento que a alteração da norma operada pela Medida Provisória nº 351, de 2007, convertida na Lei nº 1.488, de 2007, afasta a obrigatoriedade de aplicação da referida súmula, pelo que faço meus os fundamentos apontados pelo I. Conselheiro Flávio Franco Correa, Relator do Acórdão 9101003.519, ad litteram: Fl. 9355DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.356 79 De início, é preciso assinalar que o pagamento do imposto por estimativa, instituído pela Lei nº 9.430/1996, é uma alternativa à apuração trimestral, prevista na mesma lei. Feita a opção pelo recolhimento do tributo por estimativa, o Estado aguarda a entrada desses recursos. O contribuinte, por outro lado, pode ser autuado com a imposição de uma multa isolada, caso deixe de efetuar o recolhimento das estimativa sem o amparo de balanço de suspensão ou redução previsto no artigo 35 da Lei nº 8.981/1995. Entretanto, para o julgamento da questão aqui articulada, mostrase indispensável retornar à redação original da Lei nº 9.430/1996 para confronto com o texto atual, daí entrecortando com a jurisprudência antiga até a exegese que ressai da disposição normativa hoje em vigor. Reparese a redação original do inciso IV, § 1º, do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, verbis: "Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; Uma posição majoritária defendia que tal disposição prescritiva era compatível com a interpretação de que, sendo o recolhimento por estimativas antecipação do tributo apurado na declaração de ajustes, não poderia ser aplicada a multa isolada em exame depois de encerrado o períodobase de apuração, porque, desde então, já teria ocorrido o fato gerador do IRPJ e da CSLL, sendo conhecido o tributo definitivo a ser recolhido. Para essa corrente, o disposto no inciso IV, § 1º, do artigo 44, da Lei 9.430/1996 tinha como propósito obrigar o sujeito passivo da obrigação tributária ao DF CARF MF Fl. 1443 Processo nº 10120.730284/201382 Acórdão n.º 9101003.519 CSRFT1 Fl. 1.444 5 recolhimento mensal de antecipações de um provável Fl. 9356DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.357 80 IRPJ e CSLL devidos ao final do anocalendário, a denotar o inerente dever de antecipar o cumprimento de uma obrigação futura. De acordo com essa linha, a partir do encerramento do anocalendário, desaparecia o dever de efetuar a antecipação e, com isso, a penalidade perdia sua razão de ser, pela ausência da necessária ofensa a um bem juridicamente tutelado. A posição então dominante consagrouse neste Conselho, nos termos da Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. A posição doutrinária e jurisprudencial então prevalecente desprezava que o inciso IV, § 1º, do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 estabelecia, em sua redação original, que a multa isolada decorrente da falta ou insuficiência do recolhimento de estimativas também deveria ser aplicada, ainda que a pessoa jurídica viesse a apurar prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL. Isso, por si só, já revelava que a multa isolada em apreço poderia ser aplicada mesmo depois de levantado o balanço de encerramento do anocalendário, pois sua incidência não dependia do resultado fiscal apurado nesse mesmo balanço. Acontece que, em 2007, foi editada a Lei nº 11.488 (MP nº 351/2007), que alterou o texto do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, que passou a ter a seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Fl. 9357DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.358 81 Já em primeiro plano se verifica que a multa isolada, antes incidente sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição estimada, conforme a prescrição original do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, passou a incidir sobre o valor do pagamento mensal que, na forma do artigo 2º da mesma lei, deixar de ser efetuado, caso a falta de pagamento não esteja justificada em balanços de suspensão ou redução, estabelecidos pelo artigo 35 da Lei nº 8.981/95. Tal entendimento está alinhado ao pensamento do Conselheiro Alberto Pinto Silva Júnior, conforme Acórdão nº 1302001.8263, sessão de 06/04/2016, assim anunciado: Ressaltese que o simples fato de alguém, optante pelo lucro real anual, deixar de recolher o IRPJ mensal sobre a base estimada não enseja per se a aplicação da multa isolada, pois esta multa só é aplicável quando, além de não recolher o IRPJ mensal sobre a base estimada, o contribuinte deixar de levantar balanço de suspensão, conforme dispõe o art 35 da Lei nº 8.981/95. Assim, a multa isolada não decorre unicamente da falta de recolhimento do IRPJ mensal, mas da inobservância das normas que regem o recolhimento sobre bases estimadas, ou seja, do regime. A alteração legislativa decorreu do claro propósito de contornar a jurisprudência dominante, ao trazer ao mundo jurídico que a multa isolada não mais incidirá sobre um tributo antecipado, como o próprio caput do artigo 44 sugeria, em sua redação original, ao estabelecer que, “nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição”. Com a Lei nº 11.488/2007, a multa isolada é aplicada sempre que o contribuinte não efetuar o pagamento integral da estimativa que compõe o esperado fluxo de caixa da União, embora não mais incidente sobre a totalidade ou diferença da antecipação de tributo não recolhida, mas incidente sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser efetuado, ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL, ao final do anocalendário, caso lhe falte o devido suporte em balanço de suspensão ou redução. A nova disposição do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, não deixa dúvida a respeito de duas multas distintas: a primeira, no inciso I, de 75%, sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição (multa de ofício), aplicável nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração e declaração inexata; a segunda, no inciso II, de 50% (multa isolada), calculada sobre o valor do pagamento de estimativa que deixar de ser efetuado, devida sempre que o contribuinte não efetuar o pagamento da totalidade da estimativa apurada na forma do artigo 2º, sem o apoio de balanço de suspensão ou redução. A ressalva constante da redação atual do inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, no sentido de que a multa é exigida isoladamente do tributo devido ao final do anocalendário, já Fl. 9358DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.359 82 traduz, por outro lado, que a multa do inciso I sempre é exigida em conjunto com o tributo devido. Tanto é assim que a multa do inciso I não é aplicada em caso de apuração, no balanço do encerramento do anocalendário, de prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL, ao passo que a multa do inciso II independe da apuração de lucro ou prejuízo fiscal, ou de base de cálculo positiva ou negativa de CSLL. Esta última deve ser exigida se o contribuinte deixar de efetuar o pagamento integral da estimativa sem a cobertura de um balanço de suspensão ou redução, ainda que, ao final do anocalendário, seja apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL. Podese ver que os fatos geradores dessas multas são distintos: para o inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, falta de pagamento ou recolhimento do tributo apurado em declaração de ajuste, falta de declaração e declaração inexata; para o inciso II, falta de pagamento, ou pagamento insuficiente, das estimativas apuradas, desprovida de lastro em balanço de suspensão ou redução. Portanto, são infrações distintas, com graduações distintas e decorrentes de fatos geradores distintos. Não há, por conseguinte, bis in idem. Se o contribuinte opta pela apuração anual, o que implica submissão às normas determinantes do recolhimento por estimativa, não poderá alegar que, sem o amparo de balanço de suspensão ou redução, não estará sujeito à multa isolada após o encerramento do anocalendário, tendo em conta que dessa proposição resultaria inegável desestímulo à realização de recolhimentos mensais apurados sobre bases de cálculo estimadas ou mesmo sobre bases de cálculo efetivas apuradas trimestralmente, colocando em risco o fluxo de caixa da União, que é dependente tanto da efetivação da antecipação de tributos como da efetivação de recolhimentos definitivos de tributos federais. Complementese o exposto com a orientação extraída do acórdão nº 9101002.438 da CSRF, 1ª Turma, relatora Conselheira Adriana Gomes Rego, sessão de 20/09/2016, no sentido de que,“sob essa ótica, o recolhimento de estimativas melhor se alinha ao conceito de obrigação acessória que à definição de obrigação principal, até porque a antecipação do recolhimento é, em verdade, um ônus imposto aos que voluntariamente optam pela apuração anual do lucro tributável, e a obrigação acessória, nos termos do art. 113, § 2º do CTN, é medida prevista não só no interesse da fiscalização, mas também da arrecadação dos tributos.” A tese de que a infração que motiva a multa isolada é absorvida, por consunção, pela infração que dá causa à multa de ofício, não pode prosperar, por sua própria fraqueza. Consoante o magistério de Luiz Regis Prado, na consunção, “determinado crime (norma consumida) é fase de realização de outro (norma consuntiva) ou em uma forma regular de transição para o último Fl. 9359DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.360 83 – delito progressivo”. Destaquemse, pois, as infrações do caput do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 que dizem respeito à lide, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, para a devida análise: a) no inciso I, falta de pagamento do tributo, falta de recolhimento do tributo, falta de declaração ou apresentação de declaração inexata; b) no inciso II, alínea “b”, deixar de efetuar o pagamento de estimativas. De modo algum é possível asselar que, deixar de efetuar o pagamento de estimativa constitui fase de realização da falta de pagamento de tributo apurado na declaração de ajuste. Em outras palavras, não se pode dizer que, aquele não pagou o tributo apurado na declaração de ajuste, anteriormente deixou de efetuar o pagamento de estimativas. Em outro sentido, deixar de efetuar o pagamento de estimativas também não constitui regular transição para a falta de pagamento do tributo apurado na declaração de ajuste. Deixar de efetuar o pagamento de estimativa não é uma etapa antecedente necessária pela qual o agente antes atravessa para deixar de realizar o pagamento do tributo apurado na declaração. De igual modo, é impossível afirmar que deixar de efetuar o pagamento de estimativas é fase de realização da entrega de declaração inexata ou da omissão da entrega da declaração de ajuste, tanto quanto é impossível sustentar que deixar de efetuar o pagamento de estimativas é uma forma regular de transição para a apresentação de declaração inexata ou para a omissão de declaração de ajuste. Inequivocamente, não há interligação por necessariedade entre quaisquer das modalidades de infração do inciso I do caput do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, na redação atual, e a infração do inciso II, alínea “b”, do mesmo artigo. A pessoa jurídica pode ser omissa em relação à entrega de declaração de ajuste, ou pode ter apresentado declaração de ajuste inexata, e ter efetuado corretamente os pagamentos de estimativas. Também não há necessariedade entre deixar de pagar o tributo apurado na declaração de ajuste e deixar de pagar a estimativa, ou seja, uma pessoa jurídica pode ser omissa em relação ao pagamento do tributo apurado na declaração de ajuste sem ter deixado de efetuar os pagamentos devidos de estimativa. À vista do exposto, repelese o argumento que pretende escorarse na tese da consunção para afastar a aplicação simultânea das multas comentadas. Não há como se reduzir o campo de aplicação da multa isolada com lastro no suposto concurso de normas sobre o mesmo fato, seja porque os fatos ora descritos não são os mesmos, seja porque quaisquer dos fatos relacionados no inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 não absorvem o fato relacionado no inciso II do mesmo artigo. Em Fl. 9360DF CARF MF Processo nº 16682.722573/201671 Acórdão n.º 1302003.160 S1C3T2 Fl. 9.361 84 suma, é impossível socorrer a recorrente, em razão da existência de regra legal vigente e válida que determina a incidência da multa isolada ao caso concreto, que pode e deve ser exigida cumulativamente com a multa de ofício. Em face do exposto, afastando a aplicação da Súmula CARF nº 105, conheço do Recurso Especial fazendário para, no mérito, darlhe provimento.(grifos do original) O lançamento é dos períodos de 2011 e 2012, posteriores à edição da referida norma. Portanto, há que se afastar a aplicação da súmula, por superveniência normativa, sendo legal o lançamento da multa isolada e da multa de ofício. No que concerne aos juros sobre a multa há que se destacar a súmula CARF nº 108, cujo teor define a questão e é vinculante aos conselheiros deste Conselho: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Assim, no mérito, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Redator Designado Fl. 9361DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.903827/2009-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB tome as seguintes providências: (i) manifeste-se, conclusiva e detalhadamente, sobre a existência e disponibilidade do crédito alegadamente destinado à compensação, elaborando Relatório Fiscal sobre a apuração, a partir dos documentos apresentados pela empresa (informações prestadas em DCTF, DCP, e retificações, memória de cálculo, Livro de Apuração do IPI, e planilha de compras e de exportações); (ii) verifique, ao final da apuração, e eventual reconstituição da escrita, qual o crédito remanescente, detalhando-o; e (iii) cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendo-lhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, após o qual devem ser os autos remetidos ao CARF, para julgamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Redator Ad Hoc.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB tome as seguintes providências: (i) manifestese, conclusiva e detalhadamente, sobre a existência e disponibilidade do crédito alegadamente destinado à compensação, elaborando Relatório Fiscal sobre a apuração, a partir dos documentos apresentados pela empresa (informações prestadas em DCTF, DCP, e retificações, memória de cálculo, Livro de Apuração do IPI, e planilha de compras e de exportações); (ii) verifique, ao final da apuração, e eventual reconstituição da escrita, qual o crédito remanescente, detalhandoo; e (iii) cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, após o qual devem ser os autos remetidos ao CARF, para julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 03 82 7/ 20 09 -9 7 Fl. 1315DF CARF MF Processo nº 11080.903827/200997 Resolução nº 3401001.557 S3C4T1 Fl. 1.316 2 Relatório (cf. relatório constante na pasta da sessão de julgamento, repositório oficial do CARF, onde foi disponibilizado pelo relator original aos demais conselheiros) Adotase o relatório do Acórdão 1039.462 3ª Turma da DRJ/POA, de piso (efl. 211 e ss.) por bem retratar a situação dos autos: O contribuinte acima identificado transmitiu, em 14/09/2005, o PER/DCOMP nº 23346.29079.140905.1.3.042603, no qual declarou a compensação de crédito decorrente de pagamento de IPI considerado indevido ou a maior com débito do mesmo tributo, no valor original de R$ 104.429,30 (corrigido para R$ 189.612,28). A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre, pelo Despacho Decisório Eletrônico – DDE da fl. 04, emitido em 11/03/2009, indeferiu o pedido, não reconhecendo o direito ao crédito e, por consequência, não homologando a compensação declarada. O motivo para o indeferimento foi a constatação de que o DARF relativo ao pagamento em questão teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação do débito informado no PER/DCOMP. Irresignado, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade tempestiva de fls. 02 e 03, acompanhada de documentos, na qual alega que teria ocorrido, tão somente, um erro material de sua parte, ao deixar de retificar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF relativa ao 1º trimestre de 2001, para informar o ajuste no valor do crédito presumido do ano calendário de 2000, que seria de R$ 53.417,19 e não os R$ 157.846,49 lançados no livro Livro Registro de Apuração do IPI – RAIPI. Tal ajuste originaria o crédito tributário pleiteado no PER/DCOMP em análise. (Negritos do Relator). A DRJ/POA julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do acórdão a seguir: CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO. NÃO COMPROVAÇÃO. Não é cabível a homologação da compensação declarada quando não demonstrada a efetiva existência de pagamento a maior ou indevido. Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário em 13/08/2012, após ser cientificada em 12/07/2012, no qual basicamente reitera os argumentos constantes na manifestação de inconformidade e junta memória de cálculo, livros de apuração de IPI, planilhas de compras, retificações de DCPs, DCTF que foi retificada e planilhas de exportações. Ao final pugna pela reforma integral do acórdão recorrido. Fl. 1316DF CARF MF Processo nº 11080.903827/200997 Resolução nº 3401001.557 S3C4T1 Fl. 1.317 3 É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Redator Ad Hoc O voto a seguir reproduzido entre aspas é de lavra do Conselheiro André Henrique Lemos, relator original do processo, que, conforme Portaria CARF no 143, de 30/11/2018, teve o mandato extinto antes da formalização do resultado do presente julgamento. O texto do voto, in verbis, foi retirado da pasta da sessão de julgamento, repositório oficial do CARF, onde foi disponibilizado pelo relator original aos demais conselheiros. “O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Inicialmente, esclarecese que quando se trata de PER/DCOMP, cabe ao contribuinte comprovar a existência do crédito que pretende utilizar para compensar com o débito, e à Administração Tributária verificar e validar o referido crédito. Por conseguinte, confirmado o direito creditório, sobrevém a homologação, a qual extingue os débitos objeto da compensação. In casu, a recorrente sustenta que apurava o crédito presumido de IPI por meio do critério de “custo integrado” e que em 2005 mudou para o “sem custo integrado”. Também arguiu que os valores da composição da receita de exportação e da receita operacional bruta também foram retificados. Com base em tais revisões a recorrente alega que o crédito presumido de IPI até dezembro do ano de 2000, passou de R$ 256.222,82 para R$ 363.540,67, fato que lhe gerou um crédito de R$ 104.429,30. E que para corrigir o erro material, retificou a DCTF do 1º trimestre de 2001. Extraise do acórdão recorrido: A cópia do RAIPI acostada aos autos demonstra a apuração do saldo devedor de R$ 237.378,68 no referido decêndio, o qual coincide com o valor recolhido no 19/01/2001, e apropriado a esse período. Tal saldo devedor representa a diferença entre os créditos totais do período (R$ 36.111,48) e o montante dos débitos, este composto por R$ 52.399,92 a título de débitos por saídas e R$ 157.846,49 relativos a estorno de crédito presumido. No Demonstrativo do Crédito Presumido – DCP, integrante da DCTF original do 4º trimestre de 2000, que anexei a fl. 210, consta que o crédito presumido apurado até o mês de dezembro corresponde a R$ 256.222,82 (linha 18), enquanto os valores utilizados do crédito presumido acumulados até o mês de dezembro (linha 28) totalizaram Fl. 1317DF CARF MF Processo nº 11080.903827/200997 Resolução nº 3401001.557 S3C4T1 Fl. 1.318 4 R$ 414.069,31, o que resultou na apuração do saldo negativo de R$ 157.846,49 no mês (linha 33), o qual foi corretamente estornado em janeiro de 2001, conforme antes referido. O valor de R$ 414.069,31 foi utilizado para compensação com o IPI devido pela matriz durante o anocalendário de 2000, motivo pelo qual o contribuinte somente efetuou recolhimentos desse imposto a partir de novembro do mesmo ano, não tendo informado débitos e correspondentes pagamentos na DCTF para os períodos anteriores, enquanto na Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica do anobase 2000 foram informados débitos de IPI em todos os decêndios. [...] Além disso, a informação do valor das compensações do crédito presumido com débitos de IPI efetuadas em cada mês foi alterada para menos, resultando no montante acumulado de R$ 365.764,87 em dezembro de 2000. Ocorre que o contribuinte não trouxe elementos hábeis para comprovar a correção e legitimidade do ajuste pretendido no valor do crédito presumido e a efetiva ocorrência do pagamento indevido ou a maior. A par disso, tendo em vista que o RAIPI é escriturado em ordem cronológica, os ajustes – se legítimos – deveriam ter sido feitos em período posterior. Somente a partir daí o eventual saldo credor, se não utilizado para compensação de débitos do próprio IPI, poderia ser objeto de pedido de ressarcimento/compensação. Nesse sentido, as instruções de preenchimento integrantes do programa gerador de PER/DCOMPs, estabelecem que as informações prestadas nesse documento devem espelhar a escrituração feita pelo contribuinte no RAIPI, escrituração que, por sua vez, deve observar fielmente a legislação do citado imposto. Pois bem. Conforme inicialmente esclarecido, o ônus probatório compete ao contribuinte, art. 373, I, do CPC. Assim, para que seja possível a homologação da DCTF é necessário haver nos autos documentos idôneos e capazes de justificar as alterações dos valores registrados em DCTF. Registrese que, nos termos do art. 170 do CTN, a compensação de débitos somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos da interessada perante a Fazenda Pública. Nesse sentido, a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme legislação de regência (art. 5º do Decreto Lei nº 2.124/84, e Instruções da RFB que dispõem sobre a DCTF). Consequentemente, a conclusão exarada pela Autoridade Fiscal teve como pressuposto os dados constantes dos sistemas da Receita Federal do Brasil, que decorrem das informações prestadas pelos contribuintes por meio de declarações fiscais próprias (DIPJ, DCTF, DIRF, etc.), válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório. Em sede de recurso voluntário a Recorrente, com o viés de demonstrar a veracidade da revisão do crédito presumido do anocalendário de 2000, “em nome da verdade material”, juntou extenso rol de provas, quais sejam, memória de cálculo, cujas aquisições Fl. 1318DF CARF MF Processo nº 11080.903827/200997 Resolução nº 3401001.557 S3C4T1 Fl. 1.319 5 podem ser conferidas nos livros de apuração de IPI, cuja confrontação pode ser visualizada na planilha referente as compras, de planilha de exportações e DCPs retificadoras. O artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que a impugnação deverá mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em complemento, o § 4º do referido artigo determina que a prova documental deverá ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de a Contribuinte fazêlo em outro momento processual, ressalvados os casos específicos, abaixo citados. a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. A jurisprudência deste E. Tribunal até flexibilizou o texto seco da norma acima, permitindo, como se disse, sobrevenham documentos que comprovem a existência do crédito. Esta flexibilização tem a ver com a verdade real, porém, não bastando apenas a DCTF retificadora, mas sim, para que o elo informativo do crédito se feche, imprescindíveis que documentos hábeis e idôneos o lastreem. Diante da decisão da DRJ, no primeiro momento oportuno, a Recorrente, em sede de seu voluntário, juntou tais documentos, restando agora, saber se fecham o dito elo informativo do crédito. A fim de se perseguir a justiça tributária, fazendo com que, de um lado, a Administração arrecade exatamente o que lhe é devido, e de outro, o contribuinte pague estritamente o que lhe é imposto, bem como se busque a verdade real, e ainda, evitandose o enriquecimento sem causa, prudente que o julgamento seja convertido em diligência, para que a unidade preparadora da RFB tome as seguintes providências: (i) manifestese, conclusiva e detalhadamente, sobre a existência e disponibilidade do crédito alegadamente destinado à compensação, elaborando Relatório Fiscal sobre a apuração, a partir dos documentos apresentados pela empresa (informações prestadas em DCTF, DCP, e retificações, memória de cálculo, Livro de Apuração do IPI, e planilha de compras e de exportações); (ii) verifique, ao final da apuração, e eventual reconstituição da escrita, qual o crédito remanescente, detalhandoo; e (iii) cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, após o qual devem ser os autos remetidos ao CARF, para julgamento.” (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 1319DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11330.001126/2007-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998
DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGO 45 DA LEI N 8.212/91. SUMULA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
Consideram-se decaídos os créditos tributários lançados com base no artigo 45 da Lei n° 8.212/9l, que determinava o prazo decadencial de 10 anos para as contribuições previdenciárias, por ter sido este artigo considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos ` da Súmula Vinculante n° 8, publicada no DOU em 20/06/2008.
AUTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. REGIME DO ART. 173, I, DO CTN.
A multa por descumprimento da obrigação acessória submete-se a lançamento de ofício, sendo-lhe aplicável o regime decadencial do art. 173, I do CTN.
Numero da decisão: 2401-005.973
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a decadência.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a decadência. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
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INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGO 45 DA LEI N” 8.212/91. SUMULA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Consideramse decaídos os créditos tributários lançados com base no artigo 45 da Lei n° 8.212/9l, que determinava o prazo decadencial de 10 anos para as contribuições previdenciárias, por ter sido este artigo considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos ` da Súmula Vinculante n° 8, publicada no DOU em 20/06/2008. AUTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. REGIME DO ART. 173, I, DO CTN. A multa por descumprimento da obrigação acessória submetese a lançamento de ofício, sendolhe aplicável o regime decadencial do art. 173, I do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a decadência. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 11 26 /2 00 7- 61 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11330.001126/200761 Acórdão n.º 2401005.973 S2C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório MERIDIONAL CARGAS LTDA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 13a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, Acórdão nº 1216.494/2007, às efls. 59/66, que julgou procedente o lançamento fiscal, decorrente do descumprimento da obrigação acessória por ter distribuído lucros aos seus sócios em período que estava em débito com a Seguridade Social, infringindo o disposto no art. 52, inc. II da Lei 8.212, de 24.07.91, em relação ao período de 01/1997 a 31/1998, conforme Relatório Fiscal, à fl. 14 e demais documentos que instruem o processo. Conforme Relatório Fiscal, a ora autuada distribuiu lucros aos sócios, Mário Valadares de Resende Costa e Cristina Rocha de Resende Costa, no periodo de 01/1997 a 12/1998, conforme lançamentos nos Diários n° 21 a 34, contas 24501003, 21702001 e 21702003, mesmo estando em débito com a Seguridade Social, sendo que a existência do débito foi apurada a partir dos registros contábeis realizados na conta 21301001, INSS a recolher. A penalidade imposta foi calculada de acordo como disposto no art.\52, parágrafo único da Lei n° 8.2112/91 c/c art. 285 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 31048/99, correspondente a 50% do montante dos lucros distribuídos indevidamente, no valor de R$ 240.478,08. Não foram constatadas circunstâncias atenuantes. Embora caracterizada reincidência, a sua ocorrência não produz efeitos na gradação da multa, conforme preconizado; no art. 655, §4° da Instrução Normativa. SRP n° 03/2005. A contribuinte, regularmente intimada, apresentou impugnação, requerendo a decretação da improcedência do feito. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11330.001126/200761 Acórdão n.º 2401005.973 S2C4T1 Fl. 4 3 Por sua vez, a Delegacia Regional de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ entendeu por bem julgar procedente o lançamento, conforme relato acima. Regularmente intimada e inconformada com a Decisão recorrida, a autuada, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 73/81, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as razões da impugnação, preliminarmente pugnando pela decretação da decadência (prescrição como narra a recorrente) nos termos do artigo 173 do CTN. No mérito, afirma que não houve violação alguma, sendo prestadas todas os esclarecimentos e explicitações a autoridade fazendária. Contesta o fato de que é incabível a autuação pela distribuição de lucros, realizada no periodo de 01/1997 a 12/1998, por conta de dívidas lançadas e constituídas somente em 21/12/2006, conforme informação prestada pelo autor do lançamento sobre a relação de autos de infração lavrados contra a empresa em ações fiscais anteriores; Sustenta ainda que não havia débito constituído à época da distribuição de lucros. Alfim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. DA DECADÊNCIA A recorrente pugna pela decretação da decadência (prescrição como narra a recorrente) nos termos do artigo 173 do CTN. Primeiramente cabe esclarecer que pretende o sujeito passivo discutir a decadência do direito de constituir o crédito tributário, e não propriamente a prescrição, que sequer teve início. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações, senão vejamos. O artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, como segue: Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11330.001126/200761 Acórdão n.º 2401005.973 S2C4T1 Fl. 5 4 Art. 45 – O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; [...] Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...] Com mais especificidade, o artigo 150, § 4º, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ocorre que, após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, oportunidade em que Fl. 117DF CARF MF Processo nº 11330.001126/200761 Acórdão n.º 2401005.973 S2C4T1 Fl. 6 5 aprovou a Súmula Vinculante nº 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco: Súmula nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Registrese, ainda, que na mesma Sessão Plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante nº 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando às contribuições previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida Fl. 118DF CARF MF Processo nº 11330.001126/200761 Acórdão n.º 2401005.973 S2C4T1 Fl. 7 6 por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que imputar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que as contribuições previdenciárias devem observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4°, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo o entendimento que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo Fl. 119DF CARF MF Processo nº 11330.001126/200761 Acórdão n.º 2401005.973 S2C4T1 Fl. 8 7 no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Fl. 120DF CARF MF Processo nº 11330.001126/200761 Acórdão n.º 2401005.973 S2C4T1 Fl. 9 8 Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento no Imposto de Renda Pessoa Física, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. Na hipótese dos autos, o que torna digno de realce é que a presente autuação decorre do descumprimento de obrigações acessórias, caracterizando, portanto, lançamento de ofício, não se cogitando em antecipação de pagamentos, o que faz florescer, via de regra, a adoção do prazo decadencial inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN, na linha inclusive que a jurisprudência dominante no Judiciário e neste Colegiado vem firmando entendimento. Ou seja, o simples fato de se tratar de auto de infração por descumprimento de obrigações acessórias, na maioria absoluta dos casos, impede a aplicação do prazo decadencial contemplado no artigo 150, § 4°, do Códex Tributário, uma vez não haver se falar em lançamento por homologação, inexistindo, em verdade, qualquer atividade do contribuinte a ser homologada, razão do próprio lançamento. Corroborando o acima exposto, a Nota Técnica da PGFN/CAT n° 856/2008, que, no tocante às obrigações acessórias, complementa o disposto no Parecer PGFN/CAT n° 1.617/2008, entende: 1) o prazo de decadência para constituir os créditos referentes às obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cinco anos; e 2) o prazo deve ser contado nos termos do art. 173, I, dado que o descumprimento de obrigação acessória não é instância procedimental que se equipare à antecipação do pagamento. Assim, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 03/07/2007 com a devida ciência da contribuinte, verificase que as multas relativas às Fl. 121DF CARF MF Processo nº 11330.001126/200761 Acórdão n.º 2401005.973 S2C4T1 Fl. 10 9 competências 01/1997 a 12/1998 encontramse extintas pela decadência, pois poderiam ter sido lançadas até 31/11/2001, nos termos do art. 173, I, do CTN. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine dissonância com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.721269/2016-05
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Data do fato gerador: 10/12/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. AUSÊNCIA DE INTERESSE. CONCOMITANCIA.
A propositura de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo impede a continuidade do feito, importando no não conhecimento do recurso por falta de interesse. Aplicação da Súmula nº 1 do CARF.
Numero da decisão: 2002-000.751
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Data do fato gerador: 10/12/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. AUSÊNCIA DE INTERESSE. CONCOMITANCIA. A propositura de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo impede a continuidade do feito, importando no não conhecimento do recurso por falta de interesse. Aplicação da Súmula nº 1 do CARF.
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MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. AUSÊNCIA DE INTERESSE. CONCOMITANCIA. A propositura de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo impede a continuidade do feito, importando no não conhecimento do recurso por falta de interesse. Aplicação da Súmula nº 1 do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 12 69 /2 01 6- 05 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10480.721269/201605 Acórdão n.º 2002000.751 S2C0T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 48/55) contra decisão de primeira instância (fls. 37/43), que NÃO CONHECEU a impugnação do sujeito passivo por falta de interesse processual e pela configuração da renúncia ao contencioso administrativo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: 1. O presente processo tem por objeto manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório, fls. 21/22, que indeferiu restituição de contribuição descontada de valor recebido por meio do precatório n° 69077PE, relativo ao processo n° 0000872 20.1990.4.05.8300, pleiteada em Pedido protocolado em 19/02/2016, fls. 02/08, em razão da ocorrência de prescrição e do princípio da unicidade de jurisdição, este em face da ação de repetição de indébito nº 0519262 04.2015.4.05.8300 do Juizado Especial Federal em Pernambuco. 2. Cientificado em 13/04/2016 (fls. 24/25), o segurado em 11/05/2016 (fls. 27) apresentou manifestação de inconformidade (fls. 27/28), acompanhada dos documentos de fls. 29, da qual se extraem, em síntese, os seguintes argumentos: a) A contribuição para o Plano de Seguridade Social do Servidor Público foi retida do servidor em 10/12/2010, no processo 000087220.1990.4.05.8300 da 5ª Vara Federal/PE, e recolhida em 01/09/2011, tendo protocolado o requerimento em 19/02/2016. O plenário do Supremo Tribunal Federal, em julgamento do Recurso Extraordinário n° 566.621, no termos do voto da Ministra Relator Ellen Gracie, negou provimento ao recurso interposto pela União, reconhecendo a Inconstitucionalidade do art.4°, segunda parte da LC 118, de 09 de fevereiro de 2005. Assentou o STF que a referida lei complementar, ao reduzir o prazo prescricional para pretensões de repetição/compensação de indébito tributário, de 10 anos contados do fato gerador, para 5 anos contado do pagamento indevido, é lei nova, e não meramente interpretativa, impondose a sua aplicação para as ações ajuizadas a partir de 09/06/2005. Ou seja, após a vacatio legis de 120 dias prevista no art.4°, primeira parte, da LC n° 118/2005. Nesse contexto, dispensáveis maiores digressões, uma vez que o princípio da segurança jurídica, recomenda a observância do entendimento da Corte Suprema, a quem compete a última palavra em matéria de interpretação da Constituição Federal. b) Quanto à unicidade, pelo princípio da independência das esferas administrativa e judicial o pedido administrativo do requerente deve permanecer não obstante existência de processo judicial já conhecido. Além disso, cuidase de uma ação especial movida em face da UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), COM O FITO DE OBTER PROVIMENTO JUDICIAL, RELATIVO AO PROCESSO N°000087220.1990.4.05.8300, Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10480.721269/201605 Acórdão n.º 2002000.751 S2C0T2 Fl. 4 3 onde houve um desconto indevido, relativo ao PSS, em 10/12/2010, conforme informado no Requerimento. PORTANTO, A AÇÃO, FOI MOVIDA EM 1990, ENTÃO, MUITO ANTERIOR A LC 118, de 09.02.2005, CONSEQUENTEMENTE, O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, NÃO FOI FULMINADO, POIS NÃO HOUVE A PRESCRIÇÃO, ALEGADA PELO FISCO. c) Diante do exposto, reitera o pedido de restituição, conforme Requerimento de Restituição, protocolado, em 19/02/2016. 3. Em 02/09/2016, nos termos da petição de fls. 33, requer prioridade no julgamento por ter 63 anos de idade, conforme documento de fls. 34. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTERESSE. AUSÊNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO. CONSEQUÊNCIA. Não se conhece de manifestação de inconformidade diante da falta de interesse processual e de renúncia ao contencioso administrativo. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, combatendo a decisão da DRJ e juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 18/05//2017 (fl. 45); Recurso Voluntário protocolado em 19/06/2017 (fl. 47), assinado pelo próprio contribuinte. Não merece conhecimento o apelo. O recorrente declara desde o seu pedido inicial de restituição que intentou ação judicial com o mesmo objeto do presente feito. Mais que isso, a decisão da DRJ (fls. 37/43) contém trechos das decisões judiciais do processo intentado pelo contribuinte, de sorte que a decisão primeira sequer conheceu da manifestação de inconformidade em face da falta de interesse processual e pela configuração da renúncia ao contencioso administrativo. Há muito, o CARF já pacificou o entendimento, através da Súmula 1, que “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10480.721269/201605 Acórdão n.º 2002000.751 S2C0T2 Fl. 5 4 julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.”. A hipótese dos autos é hipótese de aplicação do entendimento sumulado do qual perfilho. Apesar de matéria diferenciada, estéril a discussão sobre prescrição, pois por se tratar de matéria preliminar, caso reconhecida a sua não ocorrência, o objeto de mérito estaria prejudicado, graças à concomitância. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, não conheço do Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 72DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.917936/2009-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/02/2003
DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua certeza e liquidez, sem o que não pode ser restituído, ressarcido ou utilizado em compensação. Faltando aos autos o conjunto probatório que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido.
Segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal, Processo Administrativo Fiscal e o Código de Processo Civil, cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material e os pedidos de diligência não se prestam a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
DILIGÊNCIA. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Inexiste cerceamento do direito de defesa no indeferimento da diligência para coleta de provas acerca do direito creditório alegado cujo ônus é do interessado.
DESPACHO DECISÓRIO. DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO
No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa a decisão de Delegacia de Julgamento que enfrenta todas as matérias suscitadas em impugnação, mormente, quando apresenta fundamentação adequada e suficiente para declarar a improcedência do pleito formulado pela contribuinte.
Não há que se falar em nulidade de despacho decisório ou de decisão de DRJ quando as razões para o indeferimento do pedido encontram-se descritas e fundamentadas nos atos processuais.
Não caracteriza alteração de critério jurídico a decisão de 1ª instância que não reconhece o direito creditório sob o fundamento de ausência de comprovação de pagamento indevido ou a maior, no tocante ao inconformismo do contribuinte em face de despacho decisório eletrônico que não localizou crédito disponível para extinguir debito por compensação. Ambos despachos assentam-se no mesmo fundamento: a não comprovação de existência de crédito.
Numero da decisão: 3201-004.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua certeza e liquidez, sem o que não pode ser restituído, ressarcido ou utilizado em compensação. Faltando aos autos o conjunto probatório que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal, Processo Administrativo Fiscal e o Código de Processo Civil, cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material e os pedidos de diligência não se prestam a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. DILIGÊNCIA. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Inexiste cerceamento do direito de defesa no indeferimento da diligência para coleta de provas acerca do direito creditório alegado cujo ônus é do interessado. DESPACHO DECISÓRIO. DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa a decisão de Delegacia de Julgamento que enfrenta todas as AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 79 36 /2 00 9- 47 Fl. 195DF CARF MF Processo nº 15374.917936/200947 Acórdão n.º 3201004.685 S3C2T1 Fl. 196 2 matérias suscitadas em impugnação, mormente, quando apresenta fundamentação adequada e suficiente para declarar a improcedência do pleito formulado pela contribuinte. Não há que se falar em nulidade de despacho decisório ou de decisão de DRJ quando as razões para o indeferimento do pedido encontramse descritas e fundamentadas nos atos processuais. 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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento Rio de Janeiro I. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada no PER/DCOMP nº [...], de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior, [...], a título de Cofins, com débito de Cofins relativo a setembro de 2005, [...]. A Derat/RJO, por meio do despacho decisório [...] não reconheceu o direito creditório pleiteado, sob a alegação de que o pagamento foi integralmente utilizado para quitar o débito de Cofins [...]. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 15374.917936/200947 Acórdão n.º 3201004.685 S3C2T1 Fl. 197 3 Cientificada do despacho e da cobrança do débito declarado no PER/DComp, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade [...], na qual alega que: O sistema eletrônico para transmissão do PER/DCOMP apresenta inúmeras limitações probatórias, que inviabilizam a prestação imediata de quaisquer informações úteis ou necessárias à comprovação de plano do direito creditório, não se podendo sustentar que a Requerente teria "faltado" com o dever de apresentar todas as provas do seu crédito (uma vez impossibilitada de fazêlo). Além disso, a prolação do Despacho Decisório sem o detido exame do direito creditório alegado deixou de observar o disposto no artigo 65 da IN RFB n° 900/2008, o qual estabelece o poderdever de a autoridade administrativa determinar a realização de diligências necessárias ao esclarecimento do direito creditório. Mostrouse prematura a prolação do Despacho Decisório independentemente de se abrir à Requerente o direito de comprovar o seu direito creditório, o que se faz nesta oportunidade. O crédito objeto do PER/DCOMP que originou este Processo Administrativo decorre do pagamento indevido de COFINS sobre receitas advindas de venda (remessa) de mercadorias à Zona Franca de Manaus ("ZFM"), relativo à competência de janeiro/2003. A Requerente apurou e recolheu em janeiro de 2003, com base na totalidade de suas receitas, débito de COFINS no montante de R$ 306.915,91, tendo informado tal procedimento na DCTF do período. Posteriormente, após elaborar revisão dos valores recolhidos a título de COFINS, a Requerente verificou que do montante de R$ 306.915,91 inicialmente informado em sua DCTF, apenas R$ 299.901,59 correspondia à COFINS efetivamente devida naquele período, apurando, assim, crédito no valor original de R$ 7.014,32 (período de apuração de janeiro/2003), decorrente de venda de mercadorias à ZFM. A apuração do referido crédito decorre originalmente das disposições contidas no DecretoLei n° 288/67 (recepcionado pela Constituição Federal de 1988), que regulamentou a Zona Franca de Manaus ("ZFM"). O art. 4º do referido diploma dispôs que "A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro". Fl. 197DF CARF MF Processo nº 15374.917936/200947 Acórdão n.º 3201004.685 S3C2T1 Fl. 198 4 Da leitura do supracitado dispositivo depreendese que as operações de remessa de mercadorias de origem nacional para consumo, industrialização ou reexportação para a Zona Franca de Manaus foram equiparadas as operações de exportação brasileira para o exterior. Dessa forma, por força daquele dispositivo legal as remessas de mercadorias de origem nacional para consumo, industrialização ou reexportação à Zona Franca de Manaus são contempladas por todos os benefícios existentes na legislação fiscal em favor das operações de exportação para o exterior. Posteriormente, foi editada a Lei Complementar n° 70/91, que, num primeiro momento, em seu artigo 7° estabeleceu isenção para a COFINS incidente sobre as vendas para o exterior, o que implicou a isenção desta contribuição para vendas de mercadorias à ZFM, pois equiparadas as operações de exportação, nos termos do citado art. 4° do DecretoLei n° 288/67. Após sucessão de atos disciplinando os benefícios para as exportações de mercadorias, foi editada a Medida Provisória n° 1.8586, na qual restou consignada a isenção sobre as receitas de exportação do PIS e da COFINS, excluindo, no entanto, do alcance desse benefício as receitas de vendas para a ZFM a partir de 1° de fevereiro de 1999. Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1' de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: () II da exportação de mercadorias para o exterior; §2° As isenções previstas no caput e no § 1° não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; Diante da reedição sucessiva da referida MP, bem como do dispositivo legal supracitado, foi ajuizada, pelo Governador do Estado do Amazonas, em novembro de 2000, a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) n° 2.348/DF no Supremo Tribunal Federal, para contestar a constitucionalidade da norma que restringia o benefício isentivo do PIS e da COFINS às vendas de mercadorias à "ZFM". Do julgamento da ADIN n° 2.348/DF restou consignada a suspensão de eficácia à restrição imposta às receitas de vendas de mercadorias destinadas à "ZFM" com efeitos retroativos à data da criação das restrições impostas pela MP n° 1.8586/ 99. Devese mencionar que possuindo efeitos erga omnes, a citada decisão aplicase a todos os contribuintes. Após a decisão do Supremo Tribunal Federal, foi editada a Medida Provisória n° 2.03725 de 21/12/2000, que alterou o texto Fl. 198DF CARF MF Processo nº 15374.917936/200947 Acórdão n.º 3201004.685 S3C2T1 Fl. 199 5 legal constante do inciso I, do §2°, do art. 14 da MP n° 1.8586/ 99. Confirase: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999; são isentas da COFINS as receitas: (...) II da exportação de mercadorias para o exterior; (...) §2° As isenções previstas no caput e no § 1° não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; Conforme depreendese, a alteração supracitada retirou do texto legal o vocábulo "na Zona Franca de Manaus", restando claro que a partir dai não existia mais qualquer restrição à isenção da COFINS para as receitas referentes as vendas para a ZFM. Tal determinação legal foi ratificada pela Medida Provisória nº 2.15835/ 01 e permanece vigente no nosso ordenamento. Todavia, mesmo após a decisão do Supremo Tribunal Federal, a Coordenadoria Geral de Tributação da antiga Secretaria da Receita Federal do Brasil editou, dentre outras, a Solução de Divergência COSIT n° 06, de 13 de junho de 2002, na qual pretendeu, novamente, restringir a isenção de PIS/COFINS às vendas de mercadorias à ZFM. Diante desse novo óbice, o Governo do Estado do Amazonas ajuizou, no Supremo Tribunal Federal, a Reclamação n° 2.2161/ MC, com a qual afastou a eficácia da Solução de Divergência citada. Diante do cenário, a CoordenadoriaGeral de Tributação da antiga Secretaria da Receita Federal publicou o Ato Declaratório Executivo n° 42, de 18 de dezembro de 2002, que afastou quaisquer restrições à isenção do PIS/COFINS sobre as receitas de vendas de produtos nacionais à ZFM: "COORDENADORAGERAL DE TRIBUTAÇÃO, no uso da atribuição que lhe confere o inciso IV do art. 213 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em vista o deferimento de medida liminar, em 13 de dezembro de 2002, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos da Reclamação nº 2.216, ajuizada pelo Governador do Estado do Amazonas, com base na medida liminar deferida na Ação Declaratória de Inconstitucionalidade nº 2.3489, declara: Artigo único. Ficam suspensos os efeitos da Solução de Consulta Cosit nº 8, de 4 de junho de 2002, e das Soluções de Divergências Cosit nº 6 e nº 7, de 13 de junho de 2002, e nº 9, de 28 de junho de 2002." Fl. 199DF CARF MF Processo nº 15374.917936/200947 Acórdão n.º 3201004.685 S3C2T1 Fl. 200 6 Diante do relatado, ao Fisco restou impossibilitada a imposição de restrição à isenção do PIS/COFINS sobre receitas destinadas à "ZFM", pois: (a) a decisão do Supremo Tribunal Federal na ADIN n° 2.348/MC vincula a Administração Pública, que não poderá negar a aplicabilidade da isenção às receitas de venda de mercadorias destinadas ao consumo ou posterior industrialização na "ZFM"; (b) no texto definitivo da MP n° 2.158/35/01 (última edição da MP no 1.8586), atualmente em trâmite legislativo, restou ratificada a isenção do PIS/COFINS para as exportações de forma retroativa a 1° de fevereiro de 1999, sem quaisquer restrições às vendas à "ZFM"; Neste contexto, considerando que no período de janeiro de 2003, as vendas efetuadas pela Requerente à ZFM estavam albergadas pela isenção concedida pela MP n° 2.15835/ 01 c/c DecretoLei n° 288/67, o recolhimento de COFINS sobre estas operações configurouse indevido, tornandose, portanto, passível de restituição/compensação nos termos do art. 165 do CTN e do art. 74 da Lei n° 9.430/96. Desta maneira, tivesse a Autoridade Fiscal procedido assim como determinado na IN n° 900/2008 (art. 65), intimando a Requerente para apresentação de esclarecimentos e documentos relativos ao seu direito creditório, teria facilmente confirmado sua existência e homologada a compensação declarada. Não poderia, como o fez, rejeitar a compensação pelo fato de a Requerente, por um lapso, ter deixado de retificar sua DCTF relativa ao período de janeiro de 2003. Portanto, diante do esclarecimento apresentado, é de rigor o reconhecimento do direito creditório da Requerente, uma vez que fazia jus à isenção da COFINS no período em questão. Ressaltese que deve ser observado no presente caso o principio da verdade material, buscandose a essência (conteúdo) dos fatos postos em discussão, em detrimento dos aspectos estritamente formais, conforme tem ressaltado a doutrina especializada: "As faculdades fiscalizatórias da administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do processo administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. (..)." (James Marins, Direito processual tributário brasileiro administrativo e judicial, São Paulo, Dialética, 2001, p. 176). "No processo administrativo predomina o principio da verdade material, no sentido de que ai se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador. Por isso, no processo fiscal o Fl. 200DF CARF MF Processo nº 15374.917936/200947 Acórdão n.º 3201004.685 S3C2T1 Fl. 201 7 julgador tem mais liberdade do que o juiz. Para formar sua convicção, pode o julgador mandar realizar diligências e, se for o caso, perícia. O Conselho de Contribuintes, por exemplo, possui o hábito de converter o julgamento em diligência, mediante o uso de uma resolução, quando não se sente em condições de se pronunciar sobre o feito." (Antonio Cabral, Processo Administrativo Fiscal, São Paulo, Saraiva, 1993, p. 75) E, completamente alinhada aos fundamentos acima, é a maciça jurisprudência dos antigos E. CONSELHOS DE CONTRIBUINTES, muitos dos quais tratam incisivamente os erros cometidos no preenchimento de declarações dos contribuintes: "COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO — Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido." (1° CC, 5ª Câmara, PA n° 10768.100409/200368, Rel. Valmir Sandri, j. em 27/06/2008) "IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ (..) REPETIÇÃO DE INDÉBITO E COMPENSAÇÃO ORIGEM DO CRÉDITO PLEITEADO Restando claro que a dúvida acerca da origem do crédito pleiteado pelo contribuinte foi dissipada pelos elementos carreados aos autos, a autoridade julgadora deve, em homenagem aos princípios da verdade material e do informalismo, proceder a análise do pedido formulado." (1° CC, 5ª Camara, PA no 10283.009117/9951, Rel. Wilson Fernandes Guimarães, j. em 14/09/2007) Assim, em homenagem ao principio da verdade material, deve ser superada a ausência de retificação da DCTF, reconhecendo se o direito creditório e homologandose a compensação declarada. Ante o exposto, é a presente para requerer o acolhimento desta Manifestação de Inconformidade, para que seja reconhecido o direito creditório pleiteado, bem como homologada a compensação declarada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não homologou sua compensação. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/02/2003 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os Fl. 201DF CARF MF Processo nº 15374.917936/200947 Acórdão n.º 3201004.685 S3C2T1 Fl. 202 8 dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário que visa a reforma da decisão recorrida para que lhe seja reconhecido o direito creditório e a homologação de sua compensação. Foram suscitadas nulidades do despacho decisório e da decisão recorrida pois as respectivas autoridades não solicitaram em intimação a apresentação de documentos necessários ao esclarecimento do direito creditório. Entende igualmente que é nula a decisão da DRJ por inovação quanto ao critério jurídico para manter o indeferimento do direito pleiteado, qual seja, a falta de apresentação de documentos comprobatórios do alegado crédito decorrente de pagamento a maior da Contribuição. Junta aos autos (i) Guia de Apuração de Recolhimento do ICMS do no período de apuração; (ii) Folhas do Registro de Saída com apuração do IPI e do ICMS; e (iii) folha do Livro Razão, conta de Apuração de PIS e Cofins, no período de apuração do débito compensado (dezembro/2005) e afirma esses documentos são suficientes para comprovar a certeza e liquidez do crédito. Requer que seja determinada diligência, sob pena de cerceamento do direito de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para definilo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 15374.917936/200947 Acórdão n.º 3201004.685 S3C2T1 Fl. 203 9 § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro o relatório e voto apenas deste processo, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo. Introdução e Preliminares de Nulidade Enfrentamse as nulidades arguidas: do despacho decisório e da decisão por ausência de intimação para apresentação de documentos necessáiros ao esclarecimento do direito creditório e de inovação jurídica no fundamento da decisão recorrida para negar o direito pleiteado. A contribuinte desenvolve argumentação de que em procedimento eletrônico de análise de Perdcomp não se faz necessária a comprovação de certeza e liquidez do crédito. Raciocínio equivocado e desprovido de base jurídica, pois conquanto a análise de um Perdcomp seja eletrônica e sem intervenção da autoridade, o procedimento tem amparo no art. 170 do CTN1e no art. 74 da Lei nº 9.430/962 que em uma leitura sistêmica depreendese que o direito creditório deve ser apurado e comprovado pelo contribuinte interessado. Cabe explicitar que em verdade tal procedimento é destituído de qualquer complexidade por se resumir no batimento entre pagamento indevido/a maior caracterizado por Darf disponível (crédito) com débito declarado/confessado, de forma que o sistema eletrônico reconhece o crédito e homologa a compensação na hipótese de haver correspondência: crédito disponível para liquidação do débito. Observase que a realização desse batimento não dispensa a comprovação da certeza e liquidez, vez que é verificada na análise eletrônica da DCTF e do sistema em que se encontra alocado o respectivo DARF. Ressaltase que o contencioso se instaura exatamente no inconformismo do interessado ao ter seu pleito não deferido (não reconhecimento do crédito e não homologação da compensação) e apresenta sua manifestação de inconformidade que deve ser instruída com as provas que irão contrapor o que restou assentado no despacho decisório e está adstritos às prescrições legais dos arts. 14 a 17 do PAF e art. 373 da Lei nº 13.105/2015 Novo CPC, no 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. 2 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 15374.917936/200947 Acórdão n.º 3201004.685 S3C2T1 Fl. 204 10 tocante ao momento, qualidade e efeitos da ausência de apresentação ou a destempo do conjunto probatório: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Lei nº 13.105/2015 CPC: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Dessa forma, a decisão da DRJ que fundamenta a improcedência da manifestação de inconformidade e o não reconhecimento do direito creditório não inova em seus fundamentos em relação àquele que constou no despacho decisório. Apenas assenta sua decisão na ausência de elementos comprobatórios (documentos fiscais e Livros contábeis fiscais) da certeza e liquidez do direito creditório que uma vez não reconhecido "eletronicamente", é ônus do contribuinte, naquela instância, demonstrar e provar seu direito. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 15374.917936/200947 Acórdão n.º 3201004.685 S3C2T1 Fl. 205 11 Assim, afastase a arguição de nulidade da decisão por inovação nos fundamentos para o indeferimento do pedido da contribuinte. Ademais, não há situações elencadas nos arts. 10 e 59 do PAF que caracterizariam incompetência de autoridade e, mormente, cerceamento do direito de defesa. Ainda no tocante à análise da pretensão manifestada em Perdcomp, entende a recorrente que autoridade fiscal e julgadora deveria intimála a apresentar esclarecimentos e documentos e não rejeitar a compensação pelo simples fato de não retificação de DCTF do período, que consignaria o novo valor do débito da Contribuição que alega ter caracterizado o pagamento a maior. De se apontar que em nenhum momento o indeferimento teve fundamento na ausência de retificação de DCTF. Não obstante, sabendo a contribuinte que esse fato teria contribuído (e fora determinante) para o reconhecimento do pagamento a maior (o crédito) deveria por força dos mencionados artigos do PAF não apenas esclarecer os fatos mas, sobretudo, trazer elementos de sua comprovação em sede de manifestação de inconformidade, ainda que não exaustivos. Na manifestação de inconformidade a contribuinte não trouxe sequer demonstrativo da apuração da Cofins em que evidenciasse o pagamento a maior e apontasse indubitavelmente para o direito creditório. Optou por discorrer acerca da legislação que trata das receitas brutas de PIS e Cofins nas vendas a pessoas jurídicas situadas na Zona Franca de Manaus e posicionamentos dos Tribunais Superiores. Na decisão recorrida consignou a autoridade julgadora que a razão para não reconhecer o crédito é a ausência de elementos probatórios, assim assentado: No caso em tela, o contribuinte deveria apresentar ao Fisco os comprovantes fiscais e contábeis – documentos de arrecadação e livros fiscais e contábeis –relativos ao crédito pleiteado, sob pena de seu suposto direito não poder ser exercido por falta de requisito fático, que é a liquidez e certeza deste. Em vez de comprovar como apurou o novo valor devido da Cofins em janeiro de 2003, o interessado limitouse a afirmar que efetuou pagamento indevido, sem demonstrar contabilmente como teria sido apurado este novo valor, o que deveria ter feito. É evidente que a apresentação de documentos ao Fisco referese à fase posterior ao despacho decisório eletrônico, ou seja, a manifestação de inconformidade em que as alegações de pagamento a maior deveriam estar acompanhadas de suporte probatório, ou ao menos apresentação de elementos indiciários que apontassem para o indébito. Destarte, não vislumbro qualquer vício que macule de nulidade o despacho decisório ou a decisão recorrida, concernente à preterição ao amplo direito de defesa. Mérito O mérito do litígio acaba por se confundir com as preliminares pois o inconformismo da contribuinte cingese à decisão de manter o despacho decisório que não Fl. 205DF CARF MF Processo nº 15374.917936/200947 Acórdão n.º 3201004.685 S3C2T1 Fl. 206 12 reconheceu o direito pois que não há crédito disponível para liquidar o débito por intermédio da compensação. A prova da existência de créditos somente poderia exsurgir nos autos com a demonstração de que haveria receitas brutas de vendas de mercadorias sobre as quais não incidiriam as contribuições. Não se discute o direito suscitado pela contribuinte, diante da legislação que prescreve isenções/não tributações das Contribuições nas vendas efetuadas para pessoas jurídicas da ZFM; contudo, o direito advindo do pagamento indevido/a maior deve ser demonstrado, e tal mister a contribuinte não se desincumbiu. Nenhum demonstrativo do direito fora apresentado à DRJ, que apontou para o conjunto probatório que se fazia necessário ( "comprovantes fiscais e contábeis – documentos de arrecadação e livros fiscais e contábeis") No Recurso Voluntário foram juntados: Guia de apuração e arrecadação do ICMS; Registro de Saída com a apuração do ICMS e IPI; Planilha de apuração de PIS e Cofins; e folha única do razão com a indicação do PIS e Cofins a recolher em dezembro de 2005 (período de apuração da Contribuição a ser compensada com o crédito de janeiro de 2003). Esses documentos não são hábeis a demonstrar a existência de apuração incorreta da Contribuição no período em que se pleiteia o crédito. A GIA é documento de apuração do ICMS; no Registro de Saída apenas indica os totais de saída com fins à apuração do ICMS e IPI; a planilha desacompanhada de documentos (notas fiscais e livros contábeis e fiscais) é mera informação desprovida de respaldo documental; e a única folha do razão aponta para o valor apurado do tributo a ser compensado. Cabe repisar que à luz do art. 170 do CTN o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo. O direito creditório que possui atributos de certeza e liquidez é aquele em que se revela inconteste em face da legislação e o interessado demonstre a materialidade e a exatidão de sua apuração mediante livros e documentos fiscais, além de outros elementos auxiliares (a exemplo de planilhas de cálculo). Somente diante da apresentação desses documentos o Fisco poderá exercer seu mister de verificação da exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido, comparálo ao pagamento efetuado e constatar a existência do indébito. Em relação à incumbência da demonstração da certeza e liquidez de um direito, cabe lembrar que nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, no que se refere a desconto, restituição, compensação ou ressarcimento de créditos, é sua atribuição a demonstração da efetiva existência deste. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 15374.917936/200947 Acórdão n.º 3201004.685 S3C2T1 Fl. 207 13 O ônus processual probatório é regido por dispositivos legais e se trata de um requisito de admissibilidade dos pleitos de natureza creditório, exigindo sua evidência desde a instauração do contencioso. Depreendese dos textos transcritos no tópico introdutório não ser aceitável que um pleito, onde se objetiva o ressarcimento de um alegado crédito, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. As situações em que se permitem a apresentação extemporânea de elementos probatórios encontramse bem delineados nas letras "a" a "c" do § 4º do art. 16 do PAF e não há demonstração nos autos de qualquer situação fática ou jurídica para superação da preclusão processual. Assim, é ônus da interessada comprovar a existência e o quantum de seu crédito, não cabendo imputar à autoridade administrativa o dever de pesquisar e encontrar créditos disponíveis para extinguir seus débitos declarados. Tal situação caracterizaria a inversão do ônus da prova, o que não se admite no presente caso. As diligências não se prestam a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. De se ressaltar que não há dúvida envolvida no litígio a ser resolvida com diligência fiscal; ao contrário, é situação de completa ausência de prova material do direito pleiteado, em que a contribuinte apegase a supostas dificuldades na juntada, apresentação e análise de provas. Quanto à afirmação de que o princípio da verdade material impende a realização de diligência, é de se esclarecer que tal princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi, o que não se configura nos autos. A busca pela verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. O processo administrativo fiscal, conquanto admita flexibilização na apresentação de provas, não se coaduna com a supressão de instância e a inversão do ônus probatório Desse modo, a contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório do seu direito creditório, que restou incerto e ilíquido. Assim, não vislumbro espaço para reanálise do despacho decisório, tampouco qualquer reforma na decisão recorrida, mantendose não reconhecido o direito creditório e não homologada a compensação declarada. Conclusão Fl. 207DF CARF MF Processo nº 15374.917936/200947 Acórdão n.º 3201004.685 S3C2T1 Fl. 208 14 Diante de todo o exposto, rejeito as preliminares de nulidade e, no mérito, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 208DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13864.720117/2012-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103.
A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício.
Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadrava-se na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa.
Numero da decisão: 1402-003.519
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 15521.000284/2009-79, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 15521.000284/200979, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 72 01 17 /2 01 2- 37 Fl. 745DF CARF MF Processo nº 13864.720117/201237 Acórdão n.º 1402003.519 S1C4T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Trata de Recurso de Ofício oposto em face do cancelamento de exações sofridas pela Contribuinte, promovido pela DRJ a quo, dando provimento às razões de Impugnação opostas contra o lançamento de ofício procedido. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.484, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 15521.000284/2009 79, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.484): "Inicialmente, analisando os requisitos de admissibilidade do Recurso de Ofício, constatase que tal apelo foi tirado de v. Acórdão que exonerou débito tributário (considerando, aqui, principal e multas) em monta inferior ao atual valor de alçada que propiciaria seu manejo e consequente conhecimento por este E. CARF. Posto isso, tal montante está abaixo do mínimo de R$ 2.500.000,00 fixados pela Portaria MF nº 63/2017, acarretando no seu não conhecimento, considerandose definitivamente exonerado tal crédito fiscal, nos precisos termos e limites da r. decisão da DRJ a quo. Fl. 746DF CARF MF Processo nº 13864.720117/201237 Acórdão n.º 1402003.519 S1C4T2 Fl. 4 3 Tais circunstâncias e ocorrência também atraem a incidência da Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Como se extrai de tal entendimento sumular plenamente vigente deste E. Conselho, ainda que quando da prolatação do v. Acórdão recorrido a monta do débito cancelado enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador de 2ª Instância administrativa. In casu, como mencionado, tal evento ocorre após a vigência Portaria MF nº 63/2017, não havendo mais justificativa e motivação para o conhecimento recursal. Diante de todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso de Ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103, conforme voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 747DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.722922/2017-84
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS DA LEI Nº 7.713/88.
O contribuinte aposentado e portador de moléstia grave reconhecida em laudo médico pericial de órgão oficial terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle.
Numero da decisão: 2002-000.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS DA LEI Nº 7.713/88. O contribuinte aposentado e portador de moléstia grave reconhecida em laudo médico pericial de órgão oficial terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS DA LEI Nº 7.713/88. O contribuinte aposentado e portador de moléstia grave reconhecida em laudo médico pericial de órgão oficial terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 29 22 /2 01 7- 84 Fl. 69DF CARF MF 2 Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 29 a 35), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação pela omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, bem como a dedução indevida de Previdência Oficial. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, as efls. 02 a 28 dos autos, que, conforme a decisão da DRJ: 2. Cientificada do lançamento em 05/07/2017 (fl. 42), a interessada apresentou, em 12/07/2017 (fl. 2), a impugnação de folhas 3 e 4, à qual juntou os documentos de folhas 5 a 27, manifestando sua concordância com o lançamento, na parte relativa à omissão de rendimentos no valor de R$ 433,56, da dedução indevida de Previdência Oficial e da dedução indevida de incentivo, mas contestando o lançamento no que se referia à omissão de rendimentos no valor de R$ 85.925,65, com a seguinte argumentação: Declaro que parte dos proventos recebidos pela fonte pagadora 08.241.788/000130 no valor de 22.864,63 foram declarados em rendimentos tributáveis e correspondem aos proventos dos meses de janeiro e fevereiro quando ainda não estava aposentada e não tinha direito à isenção de imposto por moléstia grave. Os proventos de março a dezembro no valor de 132.915,81 reais (conforme a primeira declaração de rendimentos e a somas dos contra cheques) foram declarados em rendimentos isentos conforme orientação recebida no plantão fiscal na época, pelo motivo de que em março fui aposentada por essa instituição e por ser portadora de moléstia grave. Declaro ainda que o processo aberto na instituição referida para fazer jus a isenção de imposto de renda foi aberto em junho do mesmo ano, porém concluído em outubro do mesmo ano. Portanto, a instituição considerou rendimentos isentos apenas os referentes aos dois últimos meses. No entanto, pela demora do deferimento do processo houve o desconto do imposto retido na fonte e da previdência estadual. Sendo que no mês de novembro do mesmo ano houve a restituição do desconto previdenciário. Declaro ainda que a doença teve início no ano de 2013. A instituição acima referida emitiu um comprovante de rendimentos primeiro, pelo qual me baseei para fazer minha declaração e somente após ver no site da receita a divergência de valores, fui falar com o chefe de Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10469.722922/201784 Acórdão n.º 2002000.616 S2C0T2 Fl. 70 3 recurso humanos da instituição que fez a correção do comprovante de rendimentos. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/CTA que, por unanimidade, em 14/12/2017, no acórdão 0661.300, às efls. 48 a 52, julgou a impugnação improcedente. Recurso voluntário Ainda inconformada, a contribuinte, em 02/03/2018, apresentou recurso voluntário, às efls. 57 a 64, no qual alega, em resumo, que é portadora de neoplasia maligna, tendo realizado cirurgia, além de sessões de radioterapia. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que a contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 20/02/2018, efls. 65, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 02/03/2018, eflls. 57, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. O presente processo assentase na omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, bem como a dedução indevida de Previdência Oficial. A contribuinte não apresenta impugnação em relação a autuação pela dedução indevida de Previdência Oficial, conforme decisão da DRJ já transcrita no relatório deste voto E NÃO HÁ IMPUGNAÇÃO DA OUTRA FONTE Logo, o objeto da lide limitase a omissão de rendimentos. Em sua peça de defesa, o contribuinte alega inexistir omissão, já que os rendimentos são isentos e não tributáveis, pois portadora de moléstia grave. A decisão da DRJ manteve a autuação, como se vê: 8. Portanto, a isenção de rendimentos relativos a proventos de aposentadoria ou reforma ou pensão recebidos por portadores de moléstia grave está condicionada à comprovação dessa condição pelo contribuinte, mediante laudo pericial, emitido nos termos da legislação transcrita. 9. No caso presente, todavia, a interessada não apresenta laudo médico para comprovar a alegada condição de portadora de moléstia grave. De se observar, a propósito, que a cópia de despacho administrativo que teria sido proferido pela Secretrária Adjunta de Estado da Administração e dos Recursos Fl. 71DF CARF MF 4 Humanos do Governo do Estado do Rio Grande do Norte juntado pela impugnante à folha 6, no qual se refere a existência de moléstia grave, não tem eficácia probatória, dado que referido documento não tem natureza de laudo médico pericial. Observase que a natureza dos rendimentos sequer é questionada. A autuação baseiase na ausência de laudo oficial. Da exegese da Lei nº 7.713/88 e do Regulamento de Imposto de Renda (RIR Decreto 3.000/99) para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial. Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), comase em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º) XXXIV os rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno, ou por entidade de previdência privada, até o valor de novecentos reais por mês, a partir do mês em que o contribuinte completar sessenta e cinco anos de idade, sem prejuízo da parcela isenta prevista na tabela de incidência mensal do imposto (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XV, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 28); § 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. § 2º As isenções a que se referem os incisos XII e XXXV aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a doença for preexistente; II do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10469.722922/201784 Acórdão n.º 2002000.616 S2C0T2 Fl. 71 5 contraída após a concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial.(grifos nossos) A jurisprudência deste CARF segue a mesma linha: REQUISITO PARA A ISENÇÃO RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO E RECONHECIMENTO DA MOLÉSTIA GRAVE POR LAUDO MÉDICO OFICIAL LAUDO MÉDICO PARTICULAR CONTEMPORÂNEO A PARTE DO PERÍODO DA AUTUAÇÃO LAUDO MÉDICO OFICIAL QUE RECONHECE A MOLÉSTIA GRAVE PARA PERÍODOS POSTERIORES AOS DA AUTUAÇÃO IMPOSSIBILIDADE DO RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO O contribuinte aposentado e portador de moléstia grave reconhecida em laudo médico pericial de órgão oficial terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. O laudo pericial oficial emitido em período posterior aos anoscalendário em debate, sem reconhecimento pretérito da doença grave, não cumpre as exigências da Lei. De outro banda, o laudo médico particular, mesmo que contemporâneo ao período da autuação, também não atende os requisitos legais. Acórdão nº 10616928 29/05/2008) IRPF – ISENÇÃO MOLÉSTIA GRAVE A Lei prescreve especificamente que prova de moléstia grave somente pode ser feita com laudo de órgão oficial. (Acórdão nº. : 10244.418 14/09/2000) Às efls. 58 há laudo oficial emitido pelo Instituto de Previdência dos Servidores do Estado do Rio Grande do Norte constatando que a contribuinte é portadora de câncer de mama desde 05/13. Diante do exposto, conheço do presente Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 73DF CARF MF 6 Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.900755/2008-33
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
É do contribuinte o ônus de demonstrar, com provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR.
Não há direito creditório quando o crédito pleiteado se demonstra inexistente, tendo sido integralmente utilizado para quitação de débitos fiscais, ausente a comprovação de sua procedência na forma indicada na declaração de compensação transmitida.
Numero da decisão: 1002-000.512
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de demonstrar, com provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. Não há direito creditório quando o crédito pleiteado se demonstra inexistente, tendo sido integralmente utilizado para quitação de débitos fiscais, ausente a comprovação de sua procedência na forma indicada na declaração de compensação transmitida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1470; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 73 1 72 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.900755/200833 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.512 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 4 de dezembro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente MEDEIROS E GUIMARÃES INSTALAÇÕES ELÉTRICAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de demonstrar, com provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. Não há direito creditório quando o crédito pleiteado se demonstra inexistente, tendo sido integralmente utilizado para quitação de débitos fiscais, ausente a comprovação de sua procedência na forma indicada na declaração de compensação transmitida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 07 55 /2 00 8- 33 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10840.900755/200833 Acórdão n.º 1002000.512 S1C0T2 Fl. 74 2 Aílton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão proferida pela 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP (DRJ/RPO) mediante o Acórdão n.º 1430.705, de 27/08/10 (efls. 49 a 55). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância sintetiza bem o ocorrido, pelo que peço licença para transcrevêlo, a seguir, complementandoo ao final. [...] Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade (IRPJ, apurados no anocalendário de 2004) com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJlucro presumido, código de arrecadação 2089), concernente ao período de apuração 9/2001. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que tendo optado pela apuração do imposto pela sistemática do lucro presumido, teria cometido erro ao efetuar o recolhimento relativo ao período de 9/2001, ao percentual de 32%, "como se só houvesse emprego de mãodeobra", quando o correto seria aplicar o percentual de 8%, "por ter utilizado materiais em suas notas fiscais", nos termos do ADN Cosit n.º 6, de 1997; que o alegado crédito teria sido compensado corretamente, sem margem para dúvidas quanto à veracidade da compensação. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10840.900755/200833 Acórdão n.º 1002000.512 S1C0T2 Fl. 75 3 Ao final, requer seja provido o recurso, desconsiderando o indeferimento do pedido de compensação e extinto o débito apurado. [...] A DRJ/RPO negou provimento à manifestação de inconformidade, pelo que o contribuinte apresentou recurso voluntário em 18/03/2011 (efls. 60 a 68), no qual contesta a decisão sob os seguintes argumentos, resumidamente: Não tem obrigação de manter contabilidade para provar o crédito, inclusive porque é optante pela apuração via lucro presumido, podendo escriturar somente o livro caixa; Só seria necessário apresentar as notas fiscais cujo percentual relativo ao lucro presumido seria 8 %, pois relativamente às outras o percentual foi aplicado acertadamente em 32 %; O Ato Declaratório Normativo Cosit n.º 6, I, "a", não traz a exigência de que haja correlação entre notas fiscais de entrada e as notas fiscais de saída afetas à apuração do lucro presumido ao percentual de 8 % (referese ao ADN COSIT n.º 6/1997); O motivo real da decisão da DRJ teria sido a diferença entre a receita bruta que demonstravam os DARFs e a receita bruta indicada pelas notas fiscais apresentadas, e isso teria sido causado exclusivamente pela não consideração, em uma das notas fiscais, do valor de INSS retido, R$ 385,00, uma vez que a conclusão do acórdão recorrido menciona os outros processos nos quais foram homologadas as compensação a partir da identidade entre as referidas receitas brutas. É o relatório. Voto Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator. O presente recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passamos à análise dos fundamentos indicados para a reforma da decisão recorrida, conforme constam do recurso voluntário. Mérito. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10840.900755/200833 Acórdão n.º 1002000.512 S1C0T2 Fl. 76 4 Prova da liquidez e certeza do crédito pleiteado. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01/10/2002 a compensação passou a ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. O pedido de compensação de que trata este processo encontrase em efls. 1 a 5. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior1. Assim é a regra imposta pelos Códigos de Processo Civil de 1973 e atual, Leis n.º 5.869/73 e 13.105/2015: Lei n.º 5.869/73: (...) Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Lei n.º 13.105/2015: (...) Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. A legislação prevê que o pagamento de tributos e contribuições efetuado a maior ou indevidamente pode ser objeto de compensação. O pedido de compensação pressupõe que o contribuinte disponha do material que faça prova de seu direito creditório. Não se trata de imposição acusatória do Fisco contra a qual o pleiteante à compensação possa se defender 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º e art. 9º, § 3.º, do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10840.900755/200833 Acórdão n.º 1002000.512 S1C0T2 Fl. 77 5 alegando ausência de provas, pois estas são de produção obrigatória deste, contribuinte pleiteante, indispensáveis para a determinação da certeza e liquidez do crédito alegado. E o que se vê no presente processo é que tais provas não foram apresentadas. Vale reiterar que cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações3. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe ao recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear, expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados nos livros contábeis/fiscais bem como dos documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal, destacadamente os DARFs e extratos bancários, a DCTF retificadora e a fichas de apuração e demonstrativos da DIPJ, dentre outros documentos idôneos e hábeis, além de uma exposição clara e ordenada dos fatos e fundamentos do direito postulado, pelo contribuinte, na forma de demonstrativos, inclusive (se necessários). O recurso voluntário não se faz acompanhar dos elementos de prova suficientes para que a questão fosse associada a um efetivo erro de fato, com verossimilhança capaz de modificar a conclusão a que chegou a Turma recorrida. O recorrente somente se preocupa em justificar sua recusar em produzir as provas que seriam extraídas de sua escrita contábil (no seu caso, livro caixa), apoiandose no argumento de que como optante pelo lucro presumido estaria afastado da exigência de escrituração, e não haveria exigência legal para manutenção de contabilidade para comprovação de crédito. Relata ainda o recorrente que só faz sentido apresentar as notas fiscais cuja receita deveria sofrer a incidência do percentual de 8 % para cálculo do lucro presumido, uma vez que as outras consideraram corretamente o percentual de 32 %. Alega que a correlação exigida pela Turma recorrida entre as notas fiscais de entrada e as notas fiscais de prestação de serviços às quais se pretende considerar alcançadas pelo percentual de 8 % não é exigência contida no Ato Declaratório Normativo Cosit n.º 6/1997, I, "a". Que o motivo do desajuste no encontro de valores entre a receita mostrada pelas notas fiscais e a denotada pelo DARF pago se deve ao INSS retido na nota fiscal n.º 321, de R$ 385,00, e que, sendo esse o motivo real do não provimento da sua manifestação de inconformidade, demonstrada a origem da diferença a decisão de 1.ª instância deve ser reformada. É dizer, nada traz de novo em termos de prova, o que poderia sugerir algum exame sob a ótica da busca da verdade material. Limitase o recurso voluntário a se opor ao caráter essencial que a decisão de piso atribuiu às provas ausentes. Vejamos o teor do conclusão da DRJ/RPO a esse respeito, segundo o trecho a seguir destacado: [...] 3 Fundamentação legal: § 1.º do art. 147 do Código Tributário Nacional e art. 16 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10840.900755/200833 Acórdão n.º 1002000.512 S1C0T2 Fl. 78 6 Tal constatação remete à necessidade já apontada de verificação dos registros contábeis e respectivos documentos fiscais, concernentes ao período de apuração, os quais não foram juntados aos autos pela interessada. A ausência de tais elementos impossibilita exame da apuração da receita bruta e do IRPJ, na contabilidade da interessada, e seu cotejo com o montante efetivamente recolhido, restando assim prejudicada a comprovação do alegado direito creditório. As cópias de declarações prestadas à RFB e cálculos demonstrativos juntados à impugnação, embora relevantes, mostramse insuficientes à adequada instrução probatória dos autos, nos termos acima. [...] (grifei). Percebese na fundamentação que não foi possível estabelecer comparação verossímil entre o IRPJ devido de fato no trimestre e aquele aventado pelo recorrente adstrito ao erro na apuração que aponta ter havido. Essa a razão por que o Acórdão recorrido não encontrou certeza e liquidez no crédito pretendido na DCOMP. Assim, ao contrário do que afirma o recorrente, não se faz suficiente a apresentação exclusiva das notas fiscais cujo percentual de lucro aplicado foi indevidamente 32 %, mas todo o conjunto de notas fiscais que compuseram a receita tributável do trimestre de interesse para apuração do DARF pago: 3.º trimestre de 2001. Também não há contradição com o ADN Cosit n.º 6/1997, pois que este trata da diferenciação dos percentuais relativamente aos serviços de construção por empreitada, em nenhum momento alcançando a discussão sobre os elementos hábeis para fazer prova de uma circunstância ou outra. Da mesma forma, afastase o que diz o recurso voluntário quando sugere que o motivo da decisão recorrida decorre da existência ou não da diferença de R$ 385,00, que foi identificado como referente a INSS retido na nota fiscal n.º 321. Não há exclusividade ligada a este item nas razões de decidir apontadas pela a 5.ª Turma da DRJ/RPO, como quer fazer crer o recorrente, e como acima se viu em contrário. Tampouco o fato de ser optante pelo lucro presumido o desobriga da escrituração do livro caixa, cujas cópias das folhas de interesse para os autos poderiam e deveriam ter sido juntadas. Dado que a apuração do IRPJ devido no trimestre é fator que, substancialmente, orientou a conclusão da Turma recorrida, descabe tratar com proeminência a diferença de R$ 385,00 flagrada na comparação das receitas correspondentes às notas fiscais e ao DARF, já que ainda que compatíveis os valores não seria esse aspecto capaz de suprimir a necessária avaliação do valor de IRPJ devido no período de apuração, 3.º trimestre de 2001. A prova do direito creditório pleiteado em DCOMP compete àquele que o alega possuir, e a compensação tributária, enquanto forma de extinção de crédito tributário prevista em lei, opera pelo encontro de contas entre créditos tributários e créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a fazenda pública. Em sentido contrário à homologação da compensação é de se registrar que o Despacho Decisório de efl. 6 amparouse nos dados constantes dos sistemas da RFB e o cruzamento destes com as informações extraídas das declarações entregues pelo próprio contribuinte recorrente. As cópias do livro registro de entradas, a planilha de cálculo de efl. 19 e o comprovante de arrecadação (DARF), embora pertinentes, revelamse insuficientes por si sós para confirmar o pagamento a maior que não fora reconhecido quando do Despacho Decisório que denegou a homologação da compensação, carecendo o recurso de material probante tal como os documentos já mencionados como exemplo: escrita contábil (livro caixa), extratos bancários, declarações completas etc. A precariedade das provas colacionadas e o relativismo Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10840.900755/200833 Acórdão n.º 1002000.512 S1C0T2 Fl. 79 7 da resumida argumentação do recurso voluntário não constroem um conjunto inequívoco de provas que possa levar o CARF a considerar a possibilidade de busca de uma verdade material. Sequer houve a tempestiva retificação da DCTF relativa ao período de apuração a que corresponde o DARF que representaria pagamento a maior. Assim, resta configurado que o recorrente não comprovou a liquidez e certeza do crédito que entendia possuir, descumprindo a exigência do artigo art. 170 do Código Tributário Nacional CTN4 para o deferimento da compensação, sendo, portanto, correta a não homologação do PERD/COMP n.º 28337.78788.070404.1.3.046520. Neste sentido, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendose in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes. 4 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 79DF CARF MF
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