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Numero do processo: 11060.001468/2007-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
DESPESAS MÉDICAS-ODONTOLÓGICAS. RESTABELECIMENTO.
Devem ser restabelecidas as despesas a título de tratamento médico ou odontológico, quando encontram-se elementos suficientes para se formar a convicção que os serviços foram efetivamente prestados com ônus do contribuinte.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-002.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos Presidente na data da formalização.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho - Relator.
EDITADO EM: 02/02/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário Da Silva, Rubens Mauricio Carvalho, Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 DESPESAS MÉDICAS-ODONTOLÓGICAS. RESTABELECIMENTO. Devem ser restabelecidas as despesas a título de tratamento médico ou odontológico, quando encontram-se elementos suficientes para se formar a convicção que os serviços foram efetivamente prestados com ônus do contribuinte. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente na data da formalização. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho - Relator. EDITADO EM: 02/02/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário Da Silva, Rubens Mauricio Carvalho, Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
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RESTABELECIMENTO. Devem ser restabelecidas as despesas a título de tratamento médico ou odontológico, quando encontramse elementos suficientes para se formar a convicção que os serviços foram efetivamente prestados com ônus do contribuinte. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos – Presidente na data da formalização. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 02/02/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário Da Silva, Rubens Mauricio Carvalho, Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 14 68 /2 00 7- 16 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/02/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11060.001468/200716 Acórdão n.º 2102002.295 S2C1T2 Fl. 11 2 Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 27 a 30: A interessada acima qualificada foi autuada, tendo sido lhe exigido imposto suplementar de 6.291,36, mais multa de oficio e juros de mora, relativo ao anocalendário 2003, em decorrência da apuração de dedução indevida de dependente, dedução indevida de despesas médicas, dedução indevida de despesas com instrução e omissão de rendimentos do trabalho com ou sem vínculo empregatício, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal. A contribuinte, às fls. 01 a 03, impugna parcial e tempestivamente o auto de infração, juntando os documentos de fls. 04 a 21, e fazendo, em síntese, as alegações a seguir descritas. 1. O valor deduzido no imposto de renda relativo às despesas efetuadas com a Dra Alba Tereza do Prado Veppo Prolla foi menor que o devidamente comprovado, tendo em vista que foi deduzido R$ 1.700,00 quando, na verdade o valor pago foi R$ 2.000,00, que está devidamente comprovado nos autos. O valor de R$ 500,00, glosado por falta de comprovação, está devidamente comprovado. 2. O valor glosado de R$ 16.128,69 referese a despesas médicas efetuadas com Vergínia Machado Cassol, na época, dependente da contribuinte, conforme recibos em anexo. Ocorre que, por ocasião do acidente de trânsito ocorrido em 16/02/2003, tanto a contribuinte como Vergínia Machado Cassol, tiveram que ser internadas, estando impossibilitadas de praticar qualquer ato. Tendo em vista o falecimento de Vergínia, bem como o elevado valor das despesas médicas e hospitalares, por um acordo com a Unimed Santa Maria, foi celebrado contrato de plano de saúde em nome de Cleufe Machado Cassol, tendo como beneficiária Vergínia Machado Cassol, para que as despesas hospitalares ficassem mais em conta. Notese que tal procedimento somente foi possível por ser Flávio Cassol, falecido no acidente, médico cooperado da Unimed Santa Maria. O contrato não foi celebrado em nome da contribuinte porque ela se encontrava hospitalizada, expirando cuidados médicos, estando, portanto, impossibilitada de firmar referido contrato. Considerando tal situação, o contrato foi celebrado em nome de Cleufe Machado Cassol, tendo como beneficiária Vergínia Machado Casso!, não significando com isso que a mesma fosse dependente economicamente da contratante. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/02/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11060.001468/200716 Acórdão n.º 2102002.295 S2C1T2 Fl. 12 3 Além disso, os requisitos para que irmão seja dependente de outro, conforme a Receita Federal, não estão presentes no caso. Tanto é assim que o valor das despesas médicas e hospitalares foram pagas por Vera Lucia Machado Cassol, conforme extrato de conta corrente, que comprova que os valores foram retirados da conta da contribuinte para referido pagamento Dessa forma, inferese que Vergínia sempre foi dependehte da contribuinte, devendo, portanto, ser dedutível o valor de R$ 16.128,69 por ser referente a despesas médicas e hospitalares dela, conforme demonstrativo em anexo. Por fim, referese que a fatura foi emitida em nome da contratante, ao invés da beneficiária, no entanto, quem efetivamente utilizou o plano de saúde foi a beneficiária, sendo esta dependente da contribuinte. Em face do exposto, a contribuinte requer: a) que sejam considerados os valores referentes a despesas médicas com a Dra Alba Prolla: R$ 300,00 comprovados mas não declarados e R$ 500,00 glosados por falta de comprovação; b) que seja considerado o valor de R$ 16.128,69, referente a despesas médicas hospitalares de Vergínia Machado Casso!, dependente da contribuinte. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente em parte o lançamento, reduzindo em R$ 3.766,57 o imposto de renda consignado no auto de infração, considerando que as provas apresentadas sustentaram o pedido do contribuinte, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 DESPESAS MÉDICAS. São dedutíveis os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao tratamento do contribuinte e ao de seus dependentes. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 34/35, requerendo : Ao prolatar a decisão que julgou procedente em parte o recurso interposto pela contribuinte, para fins de analisar as deduções realizadas na declaração do imposto de renda, anocalendário 2003, deixou de considerar a importância de R$ 3.232,07, despendidas em favor da UNIMED/SM. Assim, a fim de que seja a r. decisão reconsiderada, a contribuinte junta aos autos o comprovante de pagamento das despesas médicas e hospitalares, emitida pela UNIMED/SM, despendidas para o tratamento de Vergínia Machado Cassol, considerada dependente da contribuinte, no valor de R$ 3.232,07, para que produza seus jurídicos e legais efeitos. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/02/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11060.001468/200716 Acórdão n.º 2102002.295 S2C1T2 Fl. 13 4 Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. DESPESAS MÉDICAS. O objeto do recurso trata simplesmente de um complemento do valor já concedido no acórdão recorrido, qual seja, valor decorrente de despesas médicas e hospitalares, pela UNIMED/SM, despendidas para o tratamento de Vergínia Machado Cassol, no valor de R$ 3.232,07. Da análise da Declaração de fl. 35 e Extrato de fls. 36 a 39, apensada com o recurso Voluntário, resta inconteste o direito pleiteado. Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO DO RECURSO, para que seja aceita a dedução de R$ 3.232,07 como despesas médicas. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/02/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000204/2010-59
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LEI 9.430/1996. CABIMENTO.
Para fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro e 1997, o art. 42 da Lei 9.430, de 1996 autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária, mantida no país ou no exterior, em relação aos quais os co-titulares, regularmente intimados, não comprovem, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas respectivas operações.
PROCESSO ADMINISTRATIVO-FISCAL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA EXPRESSAMENTE. ALEGAÇÕES DA IMPUGNAÇÃO REJEITADAS EM PRIMEIRA INSTÂNCIA E NÃO REITERADAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO.
Considera-se preclusa a matéria não contestada expressamente, bem como as alegações rejeitadas em primeira instância de julgamento e não reiteradas em sede recursal. Desta forma, não são conhecidas no julgamento de segunda instância.
IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. LEGITIMIDADE DO LANÇAMENTO POR FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Para elidir a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a demonstração da origem dos depósitos deve ser feita documentalmente e de forma inequívoca, correlacionando, de forma individualizada, as apontadas origens a cada um dos depósitos. No caso, o recorrente não comprovou a origem dos recursos o que legitima o lançamento.
MULTA. CONFISCO. SUMULA CARF Nº 2.
A multa de ofício é prevista em lei. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2.
Recurso negado
Numero da decisão: 2802-002.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Vencido, em preliminar, o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández que suscitou nulidade por falta de autorização judicial para obtenção de dados bancários da contribuinte.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 24/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LEI 9.430/1996. CABIMENTO. Para fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro e 1997, o art. 42 da Lei 9.430, de 1996 autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária, mantida no país ou no exterior, em relação aos quais os co-titulares, regularmente intimados, não comprovem, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas respectivas operações. PROCESSO ADMINISTRATIVO-FISCAL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA EXPRESSAMENTE. ALEGAÇÕES DA IMPUGNAÇÃO REJEITADAS EM PRIMEIRA INSTÂNCIA E NÃO REITERADAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. Considera-se preclusa a matéria não contestada expressamente, bem como as alegações rejeitadas em primeira instância de julgamento e não reiteradas em sede recursal. Desta forma, não são conhecidas no julgamento de segunda instância. IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. LEGITIMIDADE DO LANÇAMENTO POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para elidir a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a demonstração da origem dos depósitos deve ser feita documentalmente e de forma inequívoca, correlacionando, de forma individualizada, as apontadas origens a cada um dos depósitos. No caso, o recorrente não comprovou a origem dos recursos o que legitima o lançamento. MULTA. CONFISCO. SUMULA CARF Nº 2. A multa de ofício é prevista em lei. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Vencido, em preliminar, o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández que suscitou nulidade por falta de autorização judicial para obtenção de dados bancários da contribuinte. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LEI 9.430/1996. CABIMENTO. Para fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro e 1997, o art. 42 da Lei 9.430, de 1996 autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária, mantida no país ou no exterior, em relação aos quais os cotitulares, regularmente intimados, não comprovem, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas respectivas operações. PROCESSO ADMINISTRATIVOFISCAL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA EXPRESSAMENTE. ALEGAÇÕES DA IMPUGNAÇÃO REJEITADAS EM PRIMEIRA INSTÂNCIA E NÃO REITERADAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. Considerase preclusa a matéria não contestada expressamente, bem como as alegações rejeitadas em primeira instância de julgamento e não reiteradas em sede recursal. Desta forma, não são conhecidas no julgamento de segunda instância. IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. LEGITIMIDADE DO LANÇAMENTO POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para elidir a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a demonstração da origem dos depósitos deve ser feita documentalmente e de forma inequívoca, correlacionando, de forma individualizada, as apontadas origens a cada um dos depósitos. No caso, o recorrente não comprovou a origem dos recursos o que legitima o lançamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 02 04 /2 01 0- 59 Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 MULTA. CONFISCO. SUMULA CARF Nº 2. A multa de ofício é prevista em lei. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Vencido, em preliminar, o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández que suscitou nulidade por falta de autorização judicial para obtenção de dados bancários da contribuinte. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2007, anocalendário 2006, fundado em omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, cujo enquadramento legal é o art. 42 da Lei 9.430/1996 e multa isolada pelo não recolhimento do carnêleão, além da multa de ofício de 75% e dos juros de mora. Na impugnação, alegouse: a) duplicidade de cobrança em relação aos valores cobrados como omissão de rendimentos sujeitos ao carnêleão, que estariam inseridos (R$127.856,69) dentre os valores tributados como depósitos de origem não comprovada; b) não deve prosperar a presunção de obtenção de renda, pois os rendimentos imputados como omitidos não integraram seu patrimônio; c) parte dos depósitos foram justificados por empréstimos obtidos com familiares, junta comprovantes dos empréstimos feitos em maio de 2006 por sua mãe e Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19515.000204/201059 Acórdão n.º 2802002.758 S2TE02 Fl. 1.266 3 irmão, nos valores de R$30.000,00 e R$14.830,00, respectivamente; e d) multa confiscatória. A impugnação foi indeferida, em síntese, pelos fundamentos abaixo: a) a discriminação feita nos Anexos I (fls. 478/521), II (fls. 522/530), III (fls. 531/536), A (fls. 537/545) e B (fls. 546/549) demonstra que o contribuinte cometeu duas infrações distintas e que as alegações de duplicidade não se sustentam pois os Anexos acima mencionados provam que o valor de R$127.856,69 não se vincula aos recibos e Demonstrativos Caixa – Movimento – Diário apresentados para comprovar os pagamentos efetuados por pessoas físicas; b) o art. 42 da lei 9.430/1996 autoriza a presunção legal da forma como promovida pelo Fisco; c) a não apresentação de documento formal dos empréstimos na fase de fiscalização (fls. 552), a inexistência de declaração desses fatos e valores nas Declaração de Ajuste Anual e a falta de registro público da transação a impedir a força perante terceiros dos recibos e notas promissória, impede considerar os alegados empréstimos como origem dos depósitos; e d) a multa possui previsão legal e a proibição de confisco é dirigida aos tributos e não às multas. No dia 04/04/2013 deuse a ciência da referida decisão e o recurso voluntário foi interposto postado em 06/05/2013 (segundafeira) constituído pelas alegações adiante resumidas: 1. o lançamento decorreu de errônea interpretação feita pelo AuditorFiscal, pois embora tenha reconhecido e registrado no Termo de Verificação Fiscal que uma parcela do “volume depositado” teve caráter transitório, uma vez que foi, em seguida, transferida a título de repasse para terceiros da mesma formação profissional; 2. a presunção da Lei 9.430/1996 é apenas relativa, conforme Súmula CARF nº 28 e precedente deste Conselho e judicial que repelem a utilização dos depósitos bancários sem a demonstração de aumento patrimonial, posto que estes não constituem renda; a jurisprudência e a doutrina que operam nesse sentido não foram superadas com o advento da Lei 9.430/1996, pois esta não pode se sobrepor ao CTN (art. 43) e à Constituição (art. 146); destaca a Súmula 182 do TFR; e 3. a multa de ofício é confiscatória, como reconhecido em precedente judicial e cabe ao servidor público cumprir a Constituição. É o relatório do essencial. Fl. 1267DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 1108) constatase que algumas das contas correntes eram conjuntas; que houve intimação de ambos os cotitulares; que apenas o ora recorrente atendeu às intimações e que a omissão de rendimentos referente aos depósitos bancários das contas conjuntas foi imputada na razão de 50% para cada um dos cotitulares. A interpretação sistemática do Regimento Interno do CARF é no sentido de que a possibilidade de o CARF afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou Decreto sob fundamento de inconstitucionalidade é medida excepcional e que, na matéria sob apreciação, não se pode tomar como declaração de inconstitucionalidade por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal (inciso I do parágrafo único do art. 62 do RICARF) a decisão dada no RE389.808/PR, uma vez que o Recurso Extraordinário designado como paradigma e ainda pendente de julgamento é o de nº 601314, este sim, uma vez julgado e com trânsito em julgado, será de reprodução obrigatória. Por estas razões, rejeitase a preliminar suscitada, em sessão de julgamento, pelo Conselheiro German Alejandro San Martin Fernandez, que foi vencido, decorrente da decisão no RE389.808/PR, quanto à nulidade do lançamento por falta de autorização judicial para obtenção de dados bancários do contribuinte. Apreciar as alegações de que o art. 42 da lei 9.430/1996 contraria a constituição ou o CTN seria exorbitar as competências do CARF, pois a este Conselho não compete aferir constitucionalidade das lei tributárias, nem o controle de legalidade dessas leis perante o CTN, mas tão só zelar pelo seu fiel cumprimento. Sobre a tributação de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, na vigência da Lei 9.430/1996, aplicase a Súmula CARF nº 26, de obrigatória adoção pelos membros deste Conselho. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. A Súmula TFR nº 182 tem aplicação exclusivamente aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da referida lei. Os precedentes administrativos, que não admitiam o uso dos depósitos bancários como prova da ocorrência do fato gerador, ou se referiam ao regime jurídico anterior ou foram superados pela jurisprudência consolidada e sumulada neste Conselho. No regime jurídico do art. 42 da Lei 9.430/1996 há uma presunção legal relativa – somente até aqui está correto o recorrente porém uma vez intimado para comprovar a origem dos depósitos, o contribuinte tem o ônus de comprovar cada crédito de forma individualizada, conforme assentado na jurisprudência desse conselho e disposto no §3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Fl. 1268DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19515.000204/201059 Acórdão n.º 2802002.758 S2TE02 Fl. 1.267 5 Vejamos: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1998 (...)IRPF LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS Para elidir a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a demonstração da origem dos depósitos deve ser feita de forma inequívoca, correlacionando, de forma individualizada, as apontadas origens a cada um dos depósitos. A alegação de que as origens dos depósitos foram cheques omitidos por uma empresa deve ser comprovada com a demonstração de que os depósitos se referem aos referidos cheques, não bastando para tanto a mera existência de proximidade de datas entre as emissões dos cheques e os depósitos. Embargos acolhidos.Recurso parcialmente provido.(acórdão nº 10423276, de 2562008, da 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Pedro Paulo Pereira Barbosa) Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 (...) Ementa: IMPOSTO DE RENDA TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS POSSIBILIDADE A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. O contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que esses são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva.(...)COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS – IMPOSSIBILIDADE DE O DEPÓSITO DE UM MÊS SERVIR COMO COMPROVAÇÃO PARA O DEPÓSITO DO MÊS SEGUINTE Na tributação dos depósitos bancários de origem não comprovada não se individualiza os saldos em fins de período, mas os próprios depósitos, considerados rendimentos omitidos na hipótese especificada em lei. Permitir que os depósitos de um mês pudessem funcionar como origens para os depósitos do mês seguinte, somente seria possível se houvesse a comprovação de que o valor sacado foi, posteriormente, depositado. Acatar a possibilidade, em tese, dos depósitos antecedentes servirem como comprovação e origem dos depósitos subseqüentes, no extremo, permitiria que o depósito de um dia servisse para justificar o depósito do dia seguinte.(...)Recurso voluntário parcialmente provido.(acórdão nº 10616977, de 2662008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Giovanni Christian Nunes Campos) Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: (...)IMPOSTO DE RENDA TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS POSSIBILIDADE A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva.(...)OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA PRESUNÇÃO LEGAL CONSTRUÍDA PELO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96 IMPOSSIBILIDADE DA DESCONSTRUÇÃO DA PRESUNÇÃO A PARTIR DA VARIAÇÃO DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE COTITULARIDADE NO ANO AUTUADO NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE CADA DEPÓSITO, INDIVIDUALIZADAMENTE Não se deve confundir a tributação prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96 com a referente ao acréscimo patrimonial a descoberto, na forma do art. 3º, § 1º (parte final), da Lei nº 7.713/88. Nesta, utilizamse os saldos das contas correntes e de aplicações financeiras, como origem e aplicação de recursos, apontandose, se for o caso, o acréscimo patrimonial a descoberto. No tocante à presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, devese comprovar a origem dos depósitos bancários individualizadamente, não sendo possível efetuar a comprovação a partir da variação dos saldos de aplicações financeiras. Sendo comprovada a origem do depósito, este deve ser excluído da base de cálculo da omissão dos rendimentos. Ausente a comprovação de cotitularidade na conta de depósito, afastase as conseqüências dessa realidade. Recurso voluntário provido parcialmente.(acórdão nº 106 17092, de 8102008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Giovanni Christian Nunes Campos) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 1999 Ementa: (...) IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS. Para elidir a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a demonstração da origem dos depósitos deve ser feita documentalmente e de forma inequívoca, correlacionando, de forma individualizada, as apontadas origens a cada um dos depósitos. Recurso negado (Acórdão 2802002.004, 2ª Turma Especial, de 20/11/2012.Relator Conselheiro Jorge Cláudio Duarte Cardoso) Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19515.000204/201059 Acórdão n.º 2802002.758 S2TE02 Fl. 1.268 7 Passase a analisar a alegação de que o lançamento decorreu de errônea interpretação feita pelo AuditorFiscal, pois teria reconhecido e registrado no Termo de Verificação Fiscal que uma parcela do “volume depositado” teve caráter transitório. Não obstante o AuditorFiscal tenha registrado que “uma parcela desse volume depositado teve apenas caráter transitório” (fls. 1116), foi adequadamente demonstrado nos parágrafos seguintes e detalhado em tabela própria quais eram os valores transferidos a terceiros, os quais compuseram um item específico (anexo III) e na tabela foram inseridos na coluna identificada com a letra “d” (fls. 558) subtraído dos valores identificados como recebidos no período. Constatase que a tributação se deu sobre a diferença que não foi repassada a terceiros, ou – ao menos – que não foi objeto de comprovação de repasse. As alegações da impugnação rebatidas pela DRJ e sem contraposição expressa do recorrente consideramse preclusas. O recorrente insurgese contra a multa de ofício de 75% sob argumento de que é confiscatória. Neste ponto, cabe consignar que o precedente judicial mencionado não tem efeito vinculante neste processo e que a matéria encontra solução na aplicação da Súmula CARF nº 2. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Não obstante o valor da Defesa à Constituição pregado pelo recorrente, a multa de ofício (75%) foi exigida por estar prevista em lei, afastar sua aplicação sob o fundamento de efeito confiscatório implicaria negarlhe aplicação, o que não é permitido ao CARF, nem mesmo sob premissa de que violaria a Constituição. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 11080.934369/2009-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001
Ementa:
BASE DE CÁLCULO.
Considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, condição resolutória para a sua eficácia, e que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória nº 1.991-18, de 9 de junho de 2000, e que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para a COFINS, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica.
Numero da decisão: 3402-002.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Luiz Carlos Shimoyama, Raquel Motta Brandão Minatel e Fernando Luiz da Gama Lobo DEça.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001 Ementa: BASE DE CÁLCULO. Considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, condição resolutória para a sua eficácia, e que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória nº 1.991-18, de 9 de junho de 2000, e que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para a COFINS, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica.
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Considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, condição resolutória para a sua eficácia, e que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória nº 1.99118, de 9 de junho de 2000, e que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para a COFINS, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Luiz Carlos Shimoyama, Raquel Motta Brandão Minatel e Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 43 69 /2 00 9- 38 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 9/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11080.934369/200938 Acórdão n.º 3402002.296 S3C4T2 Fl. 119 2 Relatório Para elucidar os fatos ocorridos até a interposição do Recurso Voluntário, transcrevo o relatório da DRJ, in verbis: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF em Porto Alegre, que não homologou a compensação declarada por ausência de direito creditório oponível contra o Fisco. A interessada, preliminarmente, defende o direito à apresentação da presente manifestação de inconformidade, a qual teria o condão de suspender a exigibilidade dos débitos em aberto. No mérito, contesta o Despacho alegando que constatou a existência de valores pagos a maior a título das contribuições para o PIS e para a Cofins. Afirma que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável da contribuição com base no disposto no art. 3º, §2°, inciso III da Lei n° 9.718/1998, o que teria gerado indébitos compensáveis. Transcreve decisões judiciais que iriam ao encontro de suas alegações. Não traz ao processo qualquer comprovação da existência do DARF indicado na Dcomp. A Delegacia de Julgamento de Porto Alegre (RS) considerou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento a Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO INEXISTÊNCIA Não havendo comprovação de pagamento indevido, não há como homologar a compensação declarada. Descontente com a decisão de primeira instância, o sujeito passivo protocolou o recurso voluntário no qual argumenta, em síntese, que: a) A controvérsia que origina a presente demanda decorre do fato da Recorrente pretender cobrar o tributo com base na totalidade das receitas, sem permitir as deduções previstas na Lei. Afirmam os Agentes do fisco que a aplicação do inciso III é impossível, visto que não foram editadas as normas regulamentadoras previstas no texto legal; b) Nenhuma norma regulamentadora pode dispor sobre a base de cálculo das contribuições, visto que esta matéria é reservada à lei, não podendo ser tratada por regulamentos; Fl. 66DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 9/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11080.934369/200938 Acórdão n.º 3402002.296 S3C4T2 Fl. 120 3 c) O artigo 3º da Lei 9.718/98 foi construído de forma lógica e coerente, sendo que somente a leitura integrada de todo o seu teor é que permite delimitar com precisão o seu conteúdo e alcance. Seguindo passo a passo a norma legal, veremos que para a apuração da base de cálculo das contribuições, o sujeito passivo deve, em um primeiro momento, obter a receita bruta da empresa no período. Para tanto, deve proceder o somatório das grandezas previstas no parágrafo primeiro. Concluída esta parte, o resultado não corresponde a base de cálculo das exações, como pretende a Recorrente, visto que se faz necessário proceder as exclusões previstas no parágrafo segundo, inclusive aquela estatuída no inciso III, ou seja, as receitas transferidas para outras pessoas jurídicas; d) Conforme referido anteriormente, o direito líquido e certo da Impetrante violado pela Recorrente, decorre da letra do inciso III, do parágrafo 2º , do artigo 3º da Lei 9.718/98. Este dispositivo legal entrou em vigor em fevereiro de 1999 e foi revogado pela Medida Provisória n° 1.99118, publicada no Diário Oficial da União do dia 10 de junho de 2000. Considerando que a revogação da norma que previa a exclusão das receitas transferidas para outras pessoas jurídicas, implicou em majoração das referidas contribuições, sua aplicação deve respeitar o princípio da anterioridade nonagésimal, previsto no parágrafo 6º do art. 195 da Constituição Federal e artigo 150, III, " c " da mesma Carta; e e) Demonstrado o conteúdo e o alcance dos termos do art. 3º , § 2°, III da Lei 9718/98, bem como a total improcedência dos argumentos que pretendem condicionar a sua eficácia ao advento de normas regulamentares, cumpre ressaltar que a Impetrante tem o direito de efetuar a compensação do montante que lhe foi indevidamente exigido pela Autoridade Fazendária, com parcelas vincendas das próprias contribuições. Termina sua petição recursal requerendo que seja dado provimento ao recurso com a conseqüente reforma da decisão, sendo concedido e reconhecido o direito liquido e certo da contribuinte compensar a importância recolhida indevidamente. É o Relatório. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 9/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11080.934369/200938 Acórdão n.º 3402002.296 S3C4T2 Fl. 121 4 Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator A impugnação foi apresentada com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dela tomo conhecimento e passo a apreciar. Compulsando os autos, verificase que a pedra angular do litígio posto nos autos restringese em analisar a aplicação do parágrafo 2, III, da Lei nº 9.718/98. Ressalto que o inciso III do parágrafo 2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 determinava que fossem observadas as normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo, as quais nunca foram editadas. Avulta de importância uma breve passeada pela legislação que regulou e regula a incidência e a base de cálculo da COFINS. Vigoram a Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, as Leis nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e a nº 10.833, de 29, de dezembro de 2003, estas duas últimas as que instituíram o regime da nãocumulatividade da Contribuição para a COFINS. Colaciono os dispositivos de interesse: LEI COMPLEMENTAR Nº 70, DE 1991. Art. 1º Sem prejuízo das contribuições para o Programa de Integração Social PIS e para o Programa do Patrimônio do Servidor Público PASEP, fica instituída contribuição social para financiamento da Seguridade Social, nos termos do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, devida pelas pessoas jurídicas, inclusive a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, destinadas exclusivamente às despesas com atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social. Art. 2º A contribuição de que trata o artigo anterior será de 2% (dois por cento) e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. (...) LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 9/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11080.934369/200938 Acórdão n.º 3402002.296 S3C4T2 Fl. 122 5 base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; III – revogado pela Medida Provisória nº 2.15, de 2004; IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. § 3º revogado pela Lei nº 11.051, de 2004; § 4º Nas operações de câmbio, realizadas por instituição autorizada pelo Banco Central do Brasil, considerase receita bruta a diferença positiva entre o preço de venda e o preço de compra da moeda estrangeira. § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. § 6º Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5o, poderão excluir ou deduzir: I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 9/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11080.934369/200938 Acórdão n.º 3402002.296 S3C4T2 Fl. 123 6 II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos; III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. § 7º As exclusões previstas nos incisos III e IV do § 6o restringemse aos rendimentos de aplicações financeiras proporcionados pelos ativos garantidores das provisões técnicas, limitados esses ativos ao montante das referidas provisões. § 8º Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, poderão ser deduzidas as despesas de captação de recursos incorridas pelas pessoas jurídicas que tenham por objeto a securitização de créditos: I imobiliários, nos termos da Lei no 9.514, de 20 de novembro de 1997; II financeiros, observada regulamentação editada pelo Conselho Monetário Nacional. III agrícolas, conforme ato do Conselho Monetário Nacional. § 9º Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: I coresponsabilidades cedidas; II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (...) LEI Nº 10.637, DE 30 DE DEZEMBRO DE 2002. Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; II (VETADO) Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 9/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11080.934369/200938 Acórdão n.º 3402002.296 S3C4T2 Fl. 124 7 III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda de álcool para fins carburantes; V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. VI – não operacionais, decorrentes da venda de ativo imobilizado. (...) LEI No 10.833, DE 29 DE DEZEMBRO DE 2003. Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda de álcool para fins carburantes; V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. (...) Resta claro pela evolução legislativa que o inciso III do § 2º do art. 3º da Lei no 9.718, de 1998, encontrase revogado expressamente pelo disposto na alínea “b” do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória no 1.99118, de 2000, publicada no Diário Oficial da União do dia 10 seguinte, atual art. 93, V, da Medida Provisória no 2.15835, de 2001, e, como se Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 9/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11080.934369/200938 Acórdão n.º 3402002.296 S3C4T2 Fl. 125 8 constata, a legislação tributária superveniente não contempla entre as hipóteses deduções e exclusões permitidas da base de cálculo das mencionadas contribuições, valores que computados como receita bruta tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica. Após a citada revogação, a antiga Secretaria da Receita Federal editou o Ato Declaratório SRF no 56, de 20 de julho de 2000, a respeito da matéria, assim dispondo: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do § 2o do art. 3o da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.991 18, de 9 de junho de 2000; considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, declara: não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins, no período de 1° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica. Neste sentido devese dizer que os valores a que se referia o inciso III do § 2º do art. 3º da Lei no 9.718, de 1998, efetivamente eram receitas das empresas. Não se tratavam de reversões de provisões, descontos ou vendas canceladas, em relação às quais não ocorria o ingresso de numerário na empresa, e sim de efetivas receitas das pessoas jurídicas. O referido dispositivo legal condicionou a exclusão de valores da base de cálculo da COFINS a três fatores, a saber: a) Que tenham sido computados como receitas; b) Que tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica; e c) Que atendessem às normas regulamentadoras a serem expedidas pelo Poder Executivo. Não é preciso despender muita energia mental para concluir que a regra que previa a exclusão dos valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, não era autoaplicável, tendo em vista que sua utilização estava condicionada à observância de regulamento a ser baixado pelo Poder Executivo. A delegação de competência para o Poder Executivo regulamentar dispositivos de lei é corrente na legislação pátria. A título de comentário, basta lembrar o caso da compensação tributária. Apesar de ter sido prevista no Código Tributário Nacional (CTN), Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, em seu art. 170, somente passou a ser aplicável com o advento da Lei nº 8.383, de 1991, portanto, 25 anos após. Inserese dentro do poder discricionário do Poder Executivo, delegado pelo legislador infraconstitucional, a indigitada regulamentação. Consoante tal poder, o Executivo Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 9/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11080.934369/200938 Acórdão n.º 3402002.296 S3C4T2 Fl. 126 9 não regulamentou o dispositivo. E antes que regulamentação alguma fosse feita, o mesmo Poder Legislativo, que a delegara ao Executivo, revogou o dispositivo. Os fatos ou atos jurídicos sujeitamse a três planos: o da existência, o da validade e o da eficácia. Dirseá que a norma encartada no inciso III, do § 2º, do art. 3º Lei no 9.718, de 1998, enquanto vigeu, passou pelo plano da existência, da validade, mas não atingiu o da eficácia, pois esta não se concretizou pela inexistência da regulamentação indispensável. A conclusão a ser tirada é que o legislador ordinário preferiu deixar a definição dos parâmetros a serem respeitados na efetivação da citada exclusão para o Poder Executivo. Até porque, se tinham os tais valores a natureza de receitas, ordinariamente integravam a base de cálculo das aludidas contribuições, já que incidentes sobre o faturamento. Quisesse o legislador ordinário permitir a autoaplicabilidade do referido comando legal, não teria ele imposto a condição determinando que fossem “observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo”. Na linha do entendimento fixado, resta apoditico que a regra prevista no inciso III, do § 2º, do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 carecia de uma condição resolutória para sua eficácia, qual seja, a regulamentação pelo Poder Executivo. Como o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, muito pelo contrário, foi revogado, é possível asseverar que ele não produziu eficácia para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para a COFINS. Como todos os créditos envolvidos nas compensações deste processo são oriundos da aplicação do citado dispositivo, entendo que não há indébito a ser restituído ao recorrente. Nos casos de pagamento indevido ou a maior, fatos que justificam uma eventual repetição do indébito, a idéia de restituir é para que ocorra um reequilíbrio patrimonial. O direito de repetir o que foi pago emerge do fato de não existir débito correspondente ao pagamento. Portanto, a restituição é a devolução de um bem que foi transladado de um sujeito a outro equivocadamente. Deve ficar entre dois parâmetros, não podendo ultrapassar o enriquecimento efetivo recebido pelo agente em detrimento do devedor, tampouco ultrapassar o empobrecimento do outro agente, isto é, o montante em que o patrimônio sofreu diminuição. O ordenamento jurídico estabelece a obrigação de restituir a “todo aquele que recebeu o que lhe não era devido”, e essa obrigação se extingue com a restituição do indevido ou com a decadência do direito. A restituição do indevido pode ser feita por meio da compensação, que é uma forma indireta de extinção da obrigação, feita por uma via oblíqua. Doutrinariamente, a compensação é dividida em duas categorias: a legal e a convencional. A adotada pelo direito tributário é a legal, ou seja, presentes os pressupostos legais, ela se opera independentemente da vontade dos interessados. O conteúdo semântico do termo compensação, adotado pelo Código Tributário Nacional, tem os mesmos contornos do conceito consolidado no direito civil. Não se pode olvidar que os termos e conceitos jurídicos consolidados no direito privado não podem ser modificados pela lei tributária, conforme reza o art. 110 do CTN. É pressuposto da compensação que os sujeitos possuam uma condição recíproca de credor e devedor. Existe uma contraposição de direitos e obrigações que, colocados na balança e equilibrados, se extinguem. Tal extinção assemelhase ao pagamento, contudo um pagamento indireto pela exclusão de um débito em face do direito a um crédito. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 9/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11080.934369/200938 Acórdão n.º 3402002.296 S3C4T2 Fl. 127 10 Nesta linha, podese inferir que compensar significa fazer um acerto no equilíbrio entre os débitos e os créditos que duas pessoas têm, ao mesmo tempo. Portanto, temos como pressupostos de admissibilidade da compensação legal a reciprocidade dos créditos (obrigações), a liquidez das dívidas, a exigibilidade atual das prestações e a homogeneidade das prestações (fungibilidade dos débitos). Cumpre observar que o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no art. 170 da Lei nº 5.172, de 26 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), que diz: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento.” No direito tributário nacional, a compensação está prevista na espécie denominada de “compensação legal”, e assim sendo constitui um direito subjetivo que pode ser exercitado por quem se encontre em situação hábil a pleiteála exigindo que sua obrigação tributária seja extinta em procedimento de compensação, conquanto que sejam preenchidos os seguintes requisitos legais: · Especificidade, isto é, a existência de lei autorizativa específica; · A estipulação de condições e garantias na lei autorizativa específica; · Reciprocidade, ou seja, o sujeito passivo deve ser portador de créditos próprios oponíveis a outros créditos da Fazenda Pública; · Liquidez, que se caracteriza pelos créditos devidamente quantificados e expressos em unidades monetárias; · Certeza, diz respeito a sua constituição fundada na existência de uma relação jurídico tributária completamente definida; · Exigibilidade irrestrita relativamente aos créditos vencidos e também vincendos de compensação. Diante dessa breve explanação, fica evidente que é conditio sine qua non a existência de um pagamento indevido ou a maior que o devido para que o contribuinte faça jus à repetição do indébito, a qual só pode ocorrer dentro do prazo decadencial previsto na legislação. Caso contrário, estaríamos diante de um enriquecimento sem causa de uma das partes. Não ocorrendo tais condições, não há direito a crédito. Por sua vez, sem crédito, a compensação fica prejudicada, pela falta do principal pressuposto legal, qual seja: a reciprocidade de credor e devedor entre as pessoas envolvidas. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 9/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11080.934369/200938 Acórdão n.º 3402002.296 S3C4T2 Fl. 128 11 No caso em epígrafe, resta amesquinhada e desprovida de força a possibilidade de compensação, haja vista que o recorrente não é credor da Fazenda Pública conforme ficou comprovado ao longo da exposição. Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 29/01/2014 GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Fl. 75DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 9/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10580.721297/2009-67
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006
EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO PAGAMENTO. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE.
O pagamento do valor do tributo no prazo de vencimento extingue o crédito tributário, razão pela qual o lançamento é improcedente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-003.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006 EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO PAGAMENTO. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. O pagamento do valor do tributo no prazo de vencimento extingue o crédito tributário, razão pela qual o lançamento é improcedente. Recurso Voluntário Provido.
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LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. O pagamento do valor do tributo no prazo de vencimento extingue o crédito tributário, razão pela qual o lançamento é improcedente. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 12 97 /2 00 9- 67 Fl. 207DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10580.721297/200967 Acórdão n.º 3801003.136 S3TE01 Fl. 11 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o processo em questão de Autos de Infração referentes: ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, às fls. 03 a 09, no valor de R$683,17 (seiscentos e oitenta e três reais e dezessete centavos); à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, às fls. 10 a 14, no valor de R$2.792,20 (dois mil, setecentos e noventa e dois reais e vinte centavos); e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, às fls. 15 a 19, no valor de R$12.887,08 (doze mil, oitocentos e oitenta e sete reais e oito centavos), acrescidos da multa de ofício e dos juros de mora. O Auto de Infração relativo ao IRPJ foi proveniente de insuficiência de valores declarados em DCTF e recolhidos, correspondentes aos 1º e 2º trimestres do anocalendário de 2006, quando comparados aos valores apurados com base nos dados escriturados no Livro Diário, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, em anexo. O enquadramento legal aponta os arts. 224 e 518 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999). Os Autos de Infração relativos ao PIS e à COFINS decorreram da falta de declaração e recolhimento dessas contribuições, referentes ao mês de outubro de 2006, conforme Termo de Verificação Fiscal, em anexo. Quanto ao PIS, o enquadramento legal aponta infração aos arts. 1º e 3º da Lei Complementar nº 07, de 1970; e arts. 2º, inciso I, alínea “a”, e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524, de 2002. No caso da COFINS, o enquadramento legal aponta infração aos arts. 2º, inciso II, e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524, de 2002. No Termo de Verificação Fiscal, às fls. 21 e 22, a Autuante declara, em síntese, que: – o contribuinte foi selecionado para fiscalização, referente ao período compreendido entre 01/2006 e 12/2006, a partir do cruzamento de informações com outros fiscos e órgão congêneres. A ação fiscal teve início com a ciência do Termo de Início de Ação Fiscal e Mandado de Procedimento Fiscal em 30/12/2008; – do exame dos livros e documentos apresentados, observouse que os valores do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS relativos aos períodos de apuração contidos no 2º semestre de 2006 foram recolhidos, mas não foram corretamente declarados em DCTF. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10580.721297/200967 Acórdão n.º 3801003.136 S3TE01 Fl. 12 3 O contribuinte foi intimado para regularizar essa situação e apresentou DCTF retificadoras; – foram observadas, ademais, divergências entre os valores do IRPJ apurado nos 1º e 2º trimestres de 2006, declarados em DCTF e recolhidos, conforme sistema SINAL, e aqueles calculados com base nas receitas de vendas constantes no Livro Diário; – detectouse também que o PIS e a COFINS apurados com base nas receitas de vendas do mês de outubro de 2006, nos valores de R$2.792,20 e R$12.887,08, respectivamente, não foram recolhidos nem declarados na DCTF original, mas apenas na DCTF retificadora, nos valores respectivos de R$2.801,10 e R$12.928,14, apresentada após o início do procedimento fiscal e, portanto, quando não mais espontaneamente; – procedemos então ao lançamento das diferenças do IRPJ no 1º trimestre de 2006, no valor de R$191,90; do IRPJ no 2º trimestre de 2006, no valor de R$491,27; do PIS e da COFINS de outubro de 2006, nos valores de R$2.792,20 e R$12.887,08, respectivamente, apurados conforme planilha anexa, e formalizados em autos de infração. Às fls. 53 a 100, a pessoa jurídica apresentou impugnação ao feito fiscal, alegando, em resumo, que: analisando a documentação e os registros contábeis da empresa, constatase que o Fisco deixou de considerar as receitas financeiras e as compensações do imposto de renda retido na fonte incidentes sobre as aplicações financeiras referentes ao período objeto da autuação (vide razão contábil – docs. 09A e 09B). Conforme esclarece a planilha anexa (doc. 10), a fiscalização não considerou tais fatos; primeiramente, aplicase sobre a receita bruta o percentual de 8%, para determinar a base de cálculo do IRPJ sobre o lucro presumido. Ao sobredito valor, somase o montante referente às receitas financeiras apuradas pelo contribuinte. Sobre o total alcançado, aplicase a alíquota de 15%. Considerase ainda que a parcela do lucro presumido que excede ao valor resultante da multiplicação de R$20.000,00 pelo número de meses do período de apuração se sujeita ao adicional de imposto à alíquota de 10%. Somandose os valores alcançados (IRPJ a 15% e adicional a 10%), temse o valor do imposto a pagar; ocorre que no presente caso a Impugnante realizou a compensação do IRRF incidente sobre as aplicações financeiras referentes ao período, chegando assim ao valor declarado através de DCTF e recolhido mediante DARF. É sabido que os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, renda variável ou juros sobre o capital próprio serão incluídos na base de cálculo do imposto e que o imposto pago ou retido poderá ser compensado com o devido trimestralmente; Fl. 209DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10580.721297/200967 Acórdão n.º 3801003.136 S3TE01 Fl. 13 4 foi o que fez a Impugnante em relação ao imposto devido pelos rendimentos das aplicações no Fundo de Investimentos Topázio, administrado pelo Banco Bradesco (doc. 11). O mesmo procedimento foi empregado em relação ao Fundo Macro Fix, cuja retenção, somada àquela referente ao Fundo Topázio, perfaz o valor total indicado como retido, na declaração do IRPJ. Com base em tais fatos e direitos, insurgese a Impugnante contra a cobrança em comento, a fim de que seja cancelada; ante o exposto, requer seja o lançamento do IRPJ julgado improcedente, com sua consequente anulação. Protesta ainda pela posterior juntada do extrato referente ao Fundo Macro Fix, indicativo das retenções declaradas, vez que a disponibilização do documento (extrato) é realizada apenas pelo Banco Bradesco, na condição de gestor do referido fundo, o qual, até a presente data, ainda não o fez; com relação ao PIS, constatase o pagamento do crédito tributário exigido, bem como a ocorrência de um equívoco no preenchimento do respectivo DARF (doc. 08). Mais especificamente no campo reservado à indicação do CNPJ do contribuinte, sendo informado, por engano, o CNPJ de “Fernando Carlos Uzeda da Silva Junior”, de nº 02.137.870/000132 (doc. 09). O restante do DARF foi preenchido corretamente e o valor apurado, frisese, excede o valor principal indicado no Auto de Infração impugnado. O pagamento foi realizado, conforme cópia do cheque (docs. 10 e 10A), que totaliza o valor do PIS (R$2.801,10) somado ao da COFINS (R$12.928,14), com vencimentos na mesma data; de posse da documentação necessária, preposto da empresa dirigiuse à RFB, para elucidar o mal entendido, e um pedido de retificação do DARF esteve para ser apresentado, sendo obstaculizado pela exigência do Fisco de consentimento do representante legal da empresa titular do CNPJ indicado no DARF. Os esforços da Impugnante foram em vão diante da recusa do sobredito representante legal em assinar o termo que autorizaria a retificação do mencionado DARF; como dito, simplesmente, inexiste dívida, já que o pagamento foi realizado, porém associado a CNPJ diverso, o que justifica a anulação do Auto de Infração. Seria um contrasenso permitir que seja a Contribuinte submetida a uma Execução Fiscal e às devastadoras conseqüências de uma execução forçada. Impossível não se indignar diante da penosa situação imposta à Impugnante, razão pela qual contase com a sensibilidade desses Julgadores. Corroborar com essa esdrúxula “procedimentalidade”, agravada por ato de um particular, sem que seja avaliada a sua legalidade e legitimidade, é destituir, por completo, o princípio do estado democrático de direito e mais: já foi exaustivamente comprovado o pagamento, tanto documentalmente, como verbalmente, por meio das incansáveis diligências realizadas a essa repartição fazendária. Observese que a ausência de conseqüências negativas para essa Administração é a prova cabal da inexistência de má fé por Fl. 210DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10580.721297/200967 Acórdão n.º 3801003.136 S3TE01 Fl. 14 5 parte da Impugnante. O fato é que até o presente momento, as justificativas da Impugnante não foram adequadamente examinadas por qualquer servidor dessa instituição, já que a formalização de seu pedido restou entravada pela recusa do representante legal da empresa “Fernando Carlos Uzeda da Silva Junior”; como se sabe, o ato vinculado é aquele em que administrador não possui margem de liberdade no agir, devendo cumprir a lei nos seus exatos termos. Resta claro que o ato estará inquinado de inconstitucionalidade quando afrontar os princípios administrativos constitucionais. O ato vinculado pode ser limitado quanto ao seu alcance ou objeto, desde que não se configure como o mais razoável ou proporcional. No caso presente, a Impugnante fora intimada para pagamento de valor constante em DARF emitido e pago por ela, decorrente de um erro material cometido na sua emissão. Lembrese que o valor fora devidamente recolhido aos cofres públicos. A atuação fiscal in casu repugna a legitimidade; a atuação do administrador deve estar sempre norteada pela legalidade e pela legitimidade, e nesse caminhar anda a teoria da razoabilidade, da obrigação constitucional de não só atender a lei (legalidade), mas também ao interesse coletivo (legitimidade). Não seria plausível “premiar” um contribuinte zeloso a partir de um propósito cego de cumprir uma lei que, como qualquer outra, jamais seria capaz de prever as adversidades presentes nos casos concretos. A razoabilidade aqui é o grande escudo que aponta a direção a ser seguida pela Administração e, em última análise pelo hermeneuta; ante o exposto, requer a improcedência do lançamento do PIS e protesta ainda pela juntada da microfilmagem do cheque anexado ao presente petitório (docs. 10 e 10A), no prazo de 15 dias, já que o Banco Bradesco, embora solicitado com a devida antecedência (docs. 12 a 14), ainda não o fizera; no caso do Lançamento relativo à COFINS, a Impugnante repete os mesmos argumentos apresentados para refutar o lançamento do PIS, requerendo também a sua improcedência; sobre a multa aplicada, a qual entendese indevida, pois não houve o descumprimento de qualquer obrigação, ressaltase ainda seu caráter confiscatório, devendo ser minorado o percentual de 75%, tal como vem entendendo o STF, por violar os princípios do nãoconfisco, da proporcionalidade e da capacidade contributiva (faz transcrições de trechos de julgados do STF). Assim, ainda que ultrapassadas as questões anteriormente suscitadas, espera a redução da multa para 20% do valor do tributo e das contribuições supostamente devidos; Juntamente com a impugnação a Interessada trouxe aos autos os documentos de fls. 101 a 132. Posteriormente, foram anexados os documentos de fls. 135 a 146 e 149 a 152. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10580.721297/200967 Acórdão n.º 3801003.136 S3TE01 Fl. 15 6 A DRJ em Salvador (BA) julgou procedente em parte o lançamento nos termos da ementa abaixo transcrita: INSUFICIÊNCIA DE DECLARAÇÃO/RECOLHIMENTO. LUCRO PRESUMIDO. RECEITAS FINANCEIRAS. IRRF. É legítimo o lançamento de ofício do imposto de renda devido, apurado com base na escrituração da pessoa jurídica, quando esta deixar de registrálo na respectiva DCTF e de recolhêlo, ressaltandose que as receitas provenientes de aplicações financeiras devem compor a base de cálculo do imposto, cabendo a dedução do valor do imposto retido pelas fontes pagadoras dos rendimentos, desde que devidamente comprovado pela pessoa jurídica. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2006 FALTA DE DECLARAÇÃO E DE RECOLHIMENTO. Cabe o lançamento dessa contribuição no caso de falta de sua declaração em DCTF e quando se constata que o alegado recolhimento teria sido efetuado por meio de documento de arrecadação vinculado ao CNPJ de pessoa jurídica diversa da Autuada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2006 FALTA DE DECLARAÇÃO E DE RECOLHIMENTO. Cabe o lançamento dessa contribuição no caso de falta de sua declaração em DCTF e quando se constata que o alegado recolhimento teria sido efetuado por meio de documento de arrecadação vinculado ao CNPJ de pessoa jurídica diversa da Autuada. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário contra os lançamentos de ofício das contribuições PIS e Cofins. Após descrever os fatos, em síntese, apresentou as seguintes alegações. Alega que efetuou os pagamentos do crédito tributário, bem como ocorreu um equívoco no preenchimento dos DARF’s, mais especificamente no campo reservado à indicação do CNPJ do contribuinte. Esclarece que tentou retificar os DARF’S, todavia seus esforços foram em vão. Insiste que inexiste dívida e que seu pleito é absolutamente legítimo e olvidado de qualquer máfé. Pontua que o único “pecado” da recorrente teria sido o cumprimento de uma obrigação acessória (DCTF retificadora), já que realizados os recolhimentos dentro do vencimento. Aduz que não é esta atuação supostamente extemporânea capaz de transmudar a Fl. 212DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10580.721297/200967 Acórdão n.º 3801003.136 S3TE01 Fl. 16 7 realidade fática de que os recolhimentos foram realizados e que estes foram realizados dentro dos respectivos vencimentos; o erro in procedendo, não possui este condão. Sustenta que é vítima de erro material cometido desinteressadamente, fruto de uma simples falha humana, e por esta razão, plenamente escusável. Reitera os argumentos da impugnação em relação ao caráter confiscatório da multa aplicada. Por fim, requereu que os lançamentos fossem julgados improcedentes em razão da extinção do crédito tributário. Em face do bom direito da recorrente, o processo, em julgamento unânime, foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem informasse a situação dos pagamentos por meio dos DARFs anexados aos autos. Em cumprimento à diligência, a Delegacia de origem, por meio de despacho, esclareceu que os Darfs de fls. 119 foram retificados para o CNPJ 01.412.560/000116, conforme Pedido de Redarf contido no processo 10580.726088/201043, fls. 816/841 e extrato sinal, fls. 194/197 do processo em epígrafe. Foi observado que os pagamentos foram alocados no Fiscel, fls. 198/201, aos créditos tributários declarados em DCTF retificadora (termo de verificação fiscal, fls.22). Assim, os autos administrativos retornaram a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10580.721297/200967 Acórdão n.º 3801003.136 S3TE01 Fl. 17 8 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. Como relatado, foi constituído de ofício o crédito referente à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS no valor de R$ 2.792,20 (dois mil, setecentos e noventa e dois reais e vinte centavos); e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, no valor de R$ 12.887,08 (doze mil, oitocentos e oitenta e sete reais e oito centavos), acrescidos da multa de ofício e dos juros de mora. A recorrente desde a impugnação insiste que efetuou os pagamentos do crédito tributário, bem como ocorreu um equívoco no preenchimento dos DARF’s, mais especificamente no campo reservado à indicação do CNPJ do contribuinte. De fato assiste razão à interessada. Neste sentido a autoridade fiscal informou que os Darfs de fls. 119 foram retificados para o CNPJ 01.412.560/000116, que é da recorrente, conforme Pedido de Redarf contido no processo 10580.726088/201043, fls. 816/841 e extrato sinal, fls. 194/197 do processo em epígrafe. Esclareceu, ainda, que os pagamentos foram alocados no Fiscel, fls. 198/201, aos créditos tributários declarados em DCTF retificadora (termo de verificação fiscal, fls.22). Do exame dos pagamentos retificados, constatase que eles foram efetuados dentro de prazo de vencimentos das respectivas contribuições, portanto é improcedente a constituição de crédito tributário que já estava extinto pelo pagamento. Nos termos do disposto no art. 156, I, do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito, o pagamento extingue o crédito tributário. “Art. 156. Extinguem o crédito tributário I – o pagamento; (...)” Desta forma, a recorrente comprovou que efetuou os pagamentos das contribuições nos respectivos prazos legais, portanto os lançamentos são improcedentes. Outrossim, ficam prejudicadas as alegações em relação à multa de ofício em razão da perda de objeto. Ante ao exposto, voto no sentido de julgar procedente o recurso voluntário e determinar o cancelamento dos autos de infração. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 214DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10580.721297/200967 Acórdão n.º 3801003.136 S3TE01 Fl. 18 9 Fl. 215DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10865.720402/2012-50
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 30/04/2008
NULIDADE. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL
Afasta-se a nulidade quando devidamente apresentada a fundamentação legal do lançamento e adequadamente descritos os fatos que ensejaram o lançamento.
SOLICITAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
Não cabe solicitar compensação em fase de contencioso administrativo de crédito em discussão noutro processo.
INCLUSÃO DE DÉBITO EM PARCELAMENTO.
A solicitação de inclusão de débito em parcelamento não é própria da fase do contencioso administrativo.
Numero da decisão: 2403-002.302
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas De Souza Costa, Ivacir Julio De Souza, Maria Anselma Coscrato Dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 30/04/2008 NULIDADE. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL Afasta-se a nulidade quando devidamente apresentada a fundamentação legal do lançamento e adequadamente descritos os fatos que ensejaram o lançamento. SOLICITAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Não cabe solicitar compensação em fase de contencioso administrativo de crédito em discussão noutro processo. INCLUSÃO DE DÉBITO EM PARCELAMENTO. A solicitação de inclusão de débito em parcelamento não é própria da fase do contencioso administrativo.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas De Souza Costa, Ivacir Julio De Souza, Maria Anselma Coscrato Dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
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FUNDAMENTAÇÃO LEGAL Afastase a nulidade quando devidamente apresentada a fundamentação legal do lançamento e adequadamente descritos os fatos que ensejaram o lançamento. SOLICITAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Não cabe solicitar compensação em fase de contencioso administrativo de crédito em discussão noutro processo. INCLUSÃO DE DÉBITO EM PARCELAMENTO. A solicitação de inclusão de débito em parcelamento não é própria da fase do contencioso administrativo. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 04 02 /2 01 2- 50 Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/04/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas De Souza Costa, Ivacir Julio De Souza, Maria Anselma Coscrato Dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/04/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.720402/201250 Acórdão n.º 2403002.302 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, Acórdão 1440.491 da 7ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório do acórdão recorrido: Compõem o presente processo os Autos de Infração de Obrigações Principais – AIOP nº 37.344.4338, nº 37.344.4346 e nº 37.344.4354. A fiscalização registra no Relatório Fiscal – RF que tratase de lançamentos incidentes sobre a mão de obra utilizada em obra de construção civil executada pela impugnante, apurada por aferição indireta em decorrência da falta de sua comprovação na documentação apresentada ela empresa. Aduz que o sujeito passivo escriturou em conta do seu ativo imobilizado intitulada “CONSTRUÇÕES EM ANDAMENTO DISTRITO INDUSTRIAL”, pagamentos identificados relativos à construção de 4 barracões de 5m x 12m e com 5 m de altura, totalizando 240 m², sem alvará da municipalidade e projetos arquitetônicos, e que, segundo declaração do contribuinte cuja cópia é parte integrante do presente processo, foi vendido o terreno em maio de 2010, e a edificação seria objeto de demolição pelo adquirente. Informa sobre documentação analisada e pagamentos efetuados a prestador de serviços, sem o destaque da retenção de 11%. Dispõe ainda acerca da emissão de ofício da matrícula CEI da obra e relaciona valores de pagamentos encontrados na contabilidade. Pela ausência de comprovação dos gastos com a edificação, em especial a mão de obra dispendida, foi utilizado o parâmetro da aferição indireta para determinála, apresenta legislação que embasa tal procedimento. Traz os critérios de apuração da mão de obra, em conformidade com o disposto na Instrução Normativa – IN RFB nº 971/2009, apresentando quadro demonstrativo dos valores apurados e demonstrando a base de cálculo das contribuições previdenciárias aqui lançadas nas competências 01/2008 a 04/2008, conforme RF e anexo Discriminativo do Débito DD. Aduz ainda no item 12 do RF sobre o enquadramento do contribuinte como construção civil para determinação da alíquota do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – RAT no código CNAE específico, que determinou a alíquota 3%. Registra Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/04/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 também a alíquota destinada as entidades terceiras pelo valor de 5,8%, beneficiando FNDE (2,5%), INCRA (0,2%), SESI (1,5%), SENAI (1%) e SEBRAE (0,6%). Os Autos lavrados referemse à: Auto de Infração de Obrigações Principais – AIOP nº 37.344.4338, de 05/03/2012, de contribuições referentes à parte da empresa e ao RAT, incidentes sobre os valores de mão de obra apurada por aferição indireta, utilizada em obra de construção civil conforme acima, e que não foram declarados em GFIP. O crédito tributário assim constituído, relativo às competências 01 a 04/2008, importa em R$ 5.351,84 (cinco mil, trezentos e cinquenta e um reais oitenta e quatro centavos), valor consolidado em 05/03/2012. Auto de Infração de Obrigações Principais AIOP nº 37.344.4346, de 05/03/2012, no valor de R$ 1.861,52 ( um mil, oitocentos e sessenta e um reais e cinqüenta e dois centavos), referente às contribuições dos segurados empregados, incidentes sobre os valores de mão de obra apurada por aferição indireta, utilizada em obra de construção civil conforme acima, e que não foram declarados em GFIP. O lançamento referese às competências 01 a 04/2008 e foi consolidado em 05/03/2012. Auto de Infração de Obrigações Principais – AIOP nº 37.344.4354, de 05/03/2012, de contribuições destinadas às entidades terceiras, quais sejam, FNDE – Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE, incidentes sobre os valores de mão de obra apurada por aferição indireta, utilizada em obra de construção civil conforme acima, e que não foram declarados em GFIP. O crédito tributário assim constituído, relativo às competências 01 a 04/2008, importa em R$ 1.262,04 ( um mil, duzentos e sessenta e dois reais e quatro centavos), valor consolidado em 05/03/2012. Registra que em decorrência da declaração incorreta em GFIP, conforme legislação vigente à época dos fatos geradores, impõe se a lavratura do respectivo auto de infração, com base na legislação prevista na folha de rosto do Auto de Infração de Obrigações Acessórias – AIOA – CFL 68 nº 37.344.4265, parte integrante do processo 10865.720398/201220, oriundo da mesma ação fiscal e que foi julgado por esta mesma turma na sessão de julgamento de 30/01/2013, Acórdão 1440.094. Com a edição da MP 449/2008, transformada na Lei nº 11.941/2009, que determinou nova sistemática a ser aplicada no cálculo da multa e em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, procedeu a fiscalização à comparação de qual multa é menos onerosa ao contribuinte, para as competências até 11/2008, determinando que para as competências objeto daquele AIOA CFL 68, quais sejam, 04 a 06/2007, 10/2007, 01 a 03/2008 Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/04/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.720402/201250 Acórdão n.º 2403002.302 S2C4T3 Fl. 4 5 e 08 a 11/2008, a multa trazida pela legislação vigente até a publicação da MP 449/2008 é mais benéfica à impugnante e lavrouse o citado AIOA CFL 68, além de aplicar nessas competências a multa de mora de 24% nos AIOP conexos. Já nas demais competências, incluindo 04/2008, a multa de ofício prevista na legislação introduzida pela MP é mais benéfica e aplicouse nos AIOP lançados na mesma ação fiscal a multa de 75%. Para o AIOP relativo à entidades terceiras, aplicase a multa de 24% em todas as competências. Traz a legislação que embasa toda a comparação e as respectivas multas aplicáveis, além de planilha demonstrativa. Tudo conforme descrito no Relatório Fiscal RF do presente processo. Relaciona ainda os documentos examinados durante o procedimento de fiscalização, os anexos que compõem o presente processo e os débitos lançados nesta a ação fiscal. A autuada, cientificada do lançamento, apresenta impugnação tempestiva, alegando, em síntese, que: Entende ser indevida a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito –NFLD da forma como fora lavrada, bem como serem inconstitucionais e ilegais as exações levantadas. Nulidade do lançamento por imprecisão da capitulação legal –Cerceamento de defesa. A fiscalização omitiu a fundamentação legal em que baseou a imposição tributária, bem como omitiu a descrição da matéria tributável, resultando totalmente nula tal exigência. Limitouse tão somente a anexar relação confusa, genérica e imprecisa da legislação que rege as contribuições ao INSS, não correlacionando os dispositivos com a matéria glosada. Violou com isso o contido no art. 10, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972, transcreveo. Cita doutrinadores, inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, discorre fartamente sobre o tema. Traz jurisprudência administrativa. Requer o cancelamento da NFLD, em decorrência do comprometimento ao contraditório. Prejudicial de mérito – Decadência/Prescrição: A NFLD foi lavrada em 05/03/2012, invoca que todos os lançamentos anteriores aos 5 anos sejam considerados prescritos. Cita art. 173 inciso I, do CTN, transcreveo. Dispõe robustamente sobre o tema, como a decadência já está tratada em lei complementar tributária – CTN, art. 173 e é de cinco anos, não há que se falar no prazo do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Pleiteia que se reconheça a caducidade dos créditos levantados pela fiscalização, extinguindoos. Abuso do Poder Discricionário. A autuação, se lavrada sobre uma contribuição caducada há mais de 5 anos, resulta num verdadeiro abuso por parte da fiscalização. Discorre fartamente sobre a teoria do abuso do direito. Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/04/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Afronta da Lei nº 8.212/91 aos princípios da legalidade genérica e estrita legalidade. Trata na seqüência da condição de segurado obrigatório da Previdência Social do transportador autônomo e de sua contribuição, traz artigo desta Lei, do Decreto nº 3.048/99, da Portaria nº 1.135/2001 do MPAS, conclui que só lei pode fixar aspectos essenciais da hipótese de incidência, cita doutrinadores. Dispõe ainda que a referida Portaria não respeitou o princípio da anterioridade de 90 dias para as contribuições de seguridade. Das compensações realizadas pela impugnante – lisura e correção dos procedimentos. Dispõe acerca da contribuição previdenciária incidente sobre prólabore e autônomos, de que a impugnante já possui judicialmente o reconhecimento da inconstitucionalidade das contribuições referidas, bem como o direito de compensar, desde que o faça com contribuições devidas pelo mesmo contribuinte. Cita Lei 8.383/91, trata da correção monetária e Ordem de Serviços emitidas pelo INSS que estipulou regras para se proceder a compensação em questão. Requer que se refaçam os cálculos, homologando as compensações realizadas. Das verbas relativas a terceiros: * Das contribuições ao SAT – Seguro Acidente de Trabalho – Afronta aos princípios da legalidade genérica e estrita legalidade. Cita e transcreve artigo da Lei nº 8.212/91, aduz que a lei não estabeleceu o conceito de atividade preponderante, nem de risco leve, médio ou grave, elementos essenciais e necessários à cobrança desta contribuição, tendo dessa forma sido afrontado o princípio da legalidade. Há necessidade de edição de lei tornando o tipo em tela fechado. Impossibilidade do Poder Executivo suprir lacunas de lei por meio de Decreto. Foi editado o Decreto 612/92 indicando o alcance do termo atividade preponderante. A lei sendo omissa, não cabe ao Poder Executivo suprir a lacuna legal existente. Cita doutrinadores. As alterações pretendidas pelo Decreto 2.173/97 e pela Orientação Normativa 2/97. Discorre fartamente acerca destes atos normativos, concluindo pela sua inconstitucionalidade. Reconhecimento jurisprudencial. Remansosa é a jurisprudência dos Tribunais no sentido de que o grau de risco afeto às atividades desenvolvidas por funcionários de empresa deve compatibilizar com as funções e os locais onde são desenvolvidas as atividades. Cita jurisprudências. * Da contribuição a título do INCRA – Ilegalidade. Aborda de forma ampla o tema e conclui que a exigência em questão é ilegal porque não há qualquer respaldo jurídico para a sua cobrança, seja pela atual Constituição, seja pela legislação inferior, e ainda, por inexistir relação jurídico tributária a permitir sua manutenção, tendo em vista que o destinatário da contribuição não tem qualquer vínculo com a previdência ou assistência social. Trata ainda da duplicidade do fato gerador, da não cumulatividade, da quebra da equidade pela ofensa ao art. 194, Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/04/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.720402/201250 Acórdão n.º 2403002.302 S2C4T3 Fl. 5 7 parágrafo único, IV, da CF e do adicional como verdadeiro imposto. * Da contribuição ao SEBRAE – Inconstitucionalidade/Ilegalidade. Discorre sobre o tema, concluindo que não há justificativa à exigência da contribuição ao SEBRAE, posto que criada sem autorização constitucional e incidente sobre folha de salários, mesmo não sendo destinada ao custeio da seguridade social. Discorre ainda sobre a necessidade de Lei Complementar para sua instituição, sobre a ausência de contraprestação pelo recolhimento do SEBRAE, sobre a natureza das atividades da impugnante, já que o SEBRAE é um adicional, uma simples majoração das alíquotas previstas no DL nº 2.318/86 (SESI, SENAI, SESC e SENAC), que foi instituída a cobrança do SEST e SENAT, desvinculando as empresa transportadoras do SESI e SENAI. * Das contribuições ao SEST e SENAT – inconstitucionalidade / ilegalidade. Não foi instituída por lei complementar e não se encontra prevista no art. 149 da CF uma nova contribuição parafiscal. Do efeito confiscatório da multa cominada. Na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito a fiscalização lançou uma pesada multa pelo pretenso descumprimento de obrigações tributárias. Não havendo conduta ilícita, não há razão para imposição de multas. Traz jurisprudências sobre caráter confiscatório da multa aplicada em outros processos. Ainda que a multa aplicada esteja prevista em legislação específica, tal como no presente caso, assume caráter nitidamente confiscatório desrespeitando ao Princípio do NãoConfisco, previsto na Constituição Federal. Inaplicabilidade da Taxa Selic como índices de juros sobre o débito de tributos e contribuições sociais federais. Discorre fartamente sobre o tema, sobre características da Taxa Selic, traz jurisprudência, aduz que a Selic padece dos mesmos vícios da TR, transcreve parecer da Procuradoria Geral da República sobre a TR, que a fixação de tais valores feita pela União resulta em confisco do patrimônio do devedor e fere os princípios constitucionais da moralidade e vedação ao enriquecimento sem causa, da propriedade e do não confisco de tributos. Fica claro pelo exposto a inconstitucionalidade da aplicação da taxa Selic como juros de mora, por se tratar de taxa de remuneração de aplicação no mercado financeiro. Do crédito de restituição de contribuições previdenciárias retidas. Tramita na Receita Federal do Brasil RFB o processo nº 35408.000716/200360, referente à restituição de retenção (Lei nº 9.711/98) no valor original de R$ 146.713,64. A auditoria fiscal da Previdência Social em 28/08/2003, reconheceu a Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/04/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 procedência parcial pelo montante de R$ 141.777,94, relaciona os valores por competência, de 08/2002 a 12/2002. Caso o temerário expediente traga qualquer sanção, cabem ser compensados os créditos já reconhecidos. Relata histórico da empresa. Do REFIS 2009 aderido, o qual permitia a inclusão das retenções dos funcionários. A impugnante optou pelo parcelamento da Lei nº 11.941/2009, no âmbito da PGFN, apenas não informou a totalidade dos débitos porque se utilizou dos próprios lançamentos abrangidos pela opção de parcelamento emitido pelo relatório da Fazenda. Assim, diante do equívoco verificado na época, pela não consolidação dos lançamentos, requer a inclusão de todos os débitos não incluídos no relatório, exigindose a suspensão dos mesmos com a homologação da inclusão dos mesmos no parcelamento. Das GFIP entregues com supressão de informações. A impugnante não reconhece o reenvio de informações na entrega de GFIP, com redução de contribuições previdenciárias, conforme descrito nos processos 10865.720398/201220 e 10865.720399/201274. Tendo enviado GFIP com informações corretas, dispõe que não partiu da empresa auditada o noticiado reenvio, requerendo por tais razões, a conversão em diligência (prova pericial) para que se verifique o ID do computador que reenviou tais informações. A impugnante ficou surpresa com o resultado levantado pela Auditoria, e que esse procedimento teria o propósito da obtenção de CND. Para obtenção de uma CND bastaria parcelar o débito, e se não houvesse sufrágio financeiro, após a obtenção de CND positiva com efeitos negativos, poderia deixar de pagar, obtendo o mesmo resultado, sem cometimento de ilícitos, caso fosse o impugnante portador de más intenções. Reforça a necessidade de se verificar a origem dos envios de novas GFIP, discorre a respeito, trata do crime de sonegação fiscal, concluindo que necessário se faz atender ao requerimento de perícia nos computadores da impugnante, onde poderá facilmente ser averiguado que não foram os sócios ou o contador da impugnante que efetuou as alterações em GFIP, bem como uma auditoria interna na Autarquia para verificar como e de que forma foram supostamente adulteradas as informações fiscais do contribuinte. Requer a nulidade do AI em comento, pela ausência da correta capitulação legal, o que implica em cerceamento de defesa. Acaso seja ultrapassada a preliminar argüida, o que se admite apenas em atenção ao princípio da eventualidade, requer a total desconstituição da exigência impugnada, reconhecendose a inexigibilidade da multa hostilizada em atendimento às razões anteriormente expostas e a não aplicação da taxa Selic. Não se reconhecendo os pedidos anteriores, que sejam reconhecidos os créditos existentes compensandoos com eventuais débitos consolidados. Requer ainda a inclusão da totalidade dos débitos no parcelamento da Lei nº 11.941/2009, no âmbito da PGFN, porque não foram incluídos por razões alheias ao impugnante. Requer ainda, a produção de todos os meios de prova em direito admitidos, notadamente a prova pericial, requerendo posterior formulação de quesitos e Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/04/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.720402/201250 Acórdão n.º 2403002.302 S2C4T3 Fl. 6 9 indicação de assistente técnico. Em especial, no tocante a prova pericial, requer seja periciado o equipamento que emitiu o reenvio de GFIP, logrando verificar a origem e autoria do mencionado reenvio, através de pesquisa do IP do equipamento, requerendo prazo para apresentação dos quesitos a ser apresentado ao ilustre “expert”. É a síntese dos autos. O voto condutor da decisão da DRJ observa que alguns pontos abordados na impugnação não se aplicam a este processo, tais como: transportador autônomo; SEST e SENAT; contribuição incidente sobre autônomos e prólabore declaradas inconstitucionais e sua compensação e decadência. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega/questiona, em síntese: · Nulidade. Imprecisão na capitulação legal. · Crédito de restituição de contribuições retidas, processo 35408.000716/200360, indeferido, porém co recurso. Solicita suspensão do presente processo até decisão definitiva daquele, pra então se efetuar a compensação. · Aderiu ao REFIS 2009 (Lei 11.941), que permitia a inclusão de retenções. Requer inclusão no parcelamento. É o relatório Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/04/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. NULIDADE CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO. A recorrente alega cerceamento de defesa por entender imprecisa a capitulação legal e a descrição da matéria tributada. Não concordo com a recorrente. Entendo que os fatos estão bem descritos no Relatório Fiscal. Pra a questão da fundamentação legal, cada Auto de Infração de obrigação principal contém seu relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD e o auto de infração de obrigação acessória contém especificação do dispositivo legal infringido, da multa aplicada e da gradação da multa. Não percebi imprecisão. CRÉDITO DE RESTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES RETIDAS. A recorrente alega possuir crédito de restituição de contribuições retidas, processo 35408.000716/200360. Informa adicionalmente que a restituição foi indeferida, porém foi apresentado recurso. Solicita suspensão do presente processo até decisão definitiva daquele, pra então se efetuar a compensação. Conforme colocado pela própria recorrente, tratase de outro assunto, discutido noutro processo. Não cabe misturar as coisas. O que se discutirá neste processo são ao autos de infração aqui presentes. Também não cabe suspender este processo. Para a solicitação de compensação, essa questão deve ser tratada fora deste contencioso administrativo. Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/04/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.720402/201250 Acórdão n.º 2403002.302 S2C4T3 Fl. 7 11 REFIS – LEI 11.941/2009 Alega a autuada que optou pelo parcelamento da Lei nº 11.941/2009. no âmbito da PGFN, e que apenas não informou a totalidade dos débitos porque se utilizou dos próprios lançamentos abrangidos pelo relatório da Fazenda, não tendo, portanto, sido incluídos todos os seus débitos no parcelamento. Requer, no recurso, já o tendo requerido na impugnação, a inclusão dos débitos no parcelamento. Não pode ser atendido o pleito da recorrente. A solicitação de inclusão de débito em parcelamento não é processada no contencioso administrativo. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/04/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10935.902250/2012-31
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 18/03/2003
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.328
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 18/03/2003 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado
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DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 22 50 /2 01 2- 31 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/03/201 4 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.902250/201231 Acórdão n.º 3801002.328 S3TE01 Fl. 92 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/03/201 4 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.902250/201231 Acórdão n.º 3801002.328 S3TE01 Fl. 93 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/03/201 4 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.902250/201231 Acórdão n.º 3801002.328 S3TE01 Fl. 94 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/03/201 4 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.902250/201231 Acórdão n.º 3801002.328 S3TE01 Fl. 95 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 101DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/03/201 4 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 11040.720461/2012-94
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/11/2008 a 30/11/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, situação que tornou mais benéfica, determinadas infrações relativamente às obrigações acessórias. A novel legislação acrescentou o art. 32-A a Lei n º 8.212.
Em virtude das mudanças legislativas e de acordo com a previsão contida no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.018
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratar-se de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea "c" do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional - CTN.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/11/2008 a 30/11/2008 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, situação que tornou mais benéfica, determinadas infrações relativamente às obrigações acessórias. A novel legislação acrescentou o art. 32-A a Lei n º 8.212. Em virtude das mudanças legislativas e de acordo com a previsão contida no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratar-se de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea "c" do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional - CTN. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
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CUSTEIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. 1. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, situação que tornou mais benéfica, determinadas infrações relativamente às obrigações acessórias. A novel legislação acrescentou o art. 32A a Lei n º 8.212. 2. Em virtude das mudanças legislativas e de acordo com a previsão contida no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratando se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 3. In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 04 61 /2 01 2- 94 Fl. 649DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11040.720461/201294 Acórdão n.º 2803003.018 S2TE03 Fl. 3 2 Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratarse de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea "c" do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional CTN. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 650DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11040.720461/201294 Acórdão n.º 2803003.018 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativo ao lançamento de multa decorrente da apresentação de GFIP sem os valores correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, especificamente, sem as bases de cálculo correspondentes à totalidade das remunerações pagas a segurados contribuintes individuais (sócios). O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 20 de março de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/11/2008 a 30/11/2008 GFIP. INFORMAÇÃO. A empresa está obrigada a informar, em suas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social – GFIP, a totalidade dos valores que sejam base de cálculo de contribuição previdenciária. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Com sustentáculo nas razões aduzidas neste Recurso Voluntário esse Egrégio Tribunal Administrativo, seguramente, acolherá o pedido de reforma da decisão de primeira instância, naquilo que ainda remanesce do lançamento fiscal diante do julgamento que concedeu parcial procedência à impugnação e manteve em parte o crédito tributário, com o que estará traduzindo o mais nobre espírito de Justiça Fiscal. Constitui escopo da recorrente ver reformada a reticente decisão a quo que ainda manteve parcialmente a pretensão discorrida no relatório fiscal, no tocante a CS incidente sobre o prólabore pago ou creditado unicamente aos sócios administradores que realizaram a efetiva prestação do serviço em prol da autuada, assim sintetizada: “o crédito constituído referese às contribuições sociais incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a segurados contribuintes individuais, previstas no inciso III do art. 22 da Lei nº 8.212/91” (...sic). A recorrente adota estas razões de direito discorridas para rebater o lançamento da obrigação principal como fundamento encetado para hostilizar o lançamento da Fl. 651DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11040.720461/201294 Acórdão n.º 2803003.018 S2TE03 Fl. 5 4 obrigação acessória capitulada no inciso II, art. 284, Decreto nº 3.048/99. A desconstituição da obrigação principal é corolário ao desfazimento da obrigação acessória. É inconstitucional o fundamento adotado no lançamento remanescente. O órgão lançador buscou arrimo nas leis 7.787/89 e 8.212/91 ao imputar a infundada exação. As leis em tela estão maculadas pela ofensa à Magna Carta vigente, ao instituir contribuição previdenciária, patronal, sobre a remuneração atribuída ao sócio quotista administrador sob o título de prólabore. ExPositis, espera o acolhimento integral deste Recurso Voluntário repercutindo na reforma da decisão proferida pela 7ª Turma da DRJ/POA que manteve parte do lançamento objeto da ação fiscal, processo epigrafado, com base nas fontes de direito, lei, doutrina e jurisprudência, arguidas pela recorrente e consubstanciadas na tese retro discorrida. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 652DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11040.720461/201294 Acórdão n.º 2803003.018 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. De acordo com a descrição sumária da infração e dispositivo legal infringido (fl. 2), constatouse que a empresa apresentou GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A falta cometida pelo contribuinte está capitulada no art. 32, IV, § 5º da lei 8.212/91 c/c o art. 225, IV, § 4º do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Analisando os autos, notase que restou claramente evidenciada a falta cometida pelo contribuinte, situação que justifica o enquadramento da empresa nos dispositivos legais referidos no parágrafo anterior. No lançamento, a autoridade administrativa observou as regras de que trata o art. 10 do Decreto nº 70.215/72, bem como aquela prevista no art. 142 do CTN, não havendo, portanto, nenhuma falha que possa macular o lançamento ora em discussão. De outra parte, é sabido que desde janeiro de 1999 tornouse obrigatória a declaração, por intermédio do documento denominado GFIP – Guia de Pagamento do FGTS e Informações à Previdência Social, de todas as bases de cálculo de contribuições previdenciárias. A não apresentação, no prazo estabelecido pela legislação que rege a matéria, bem como a declaração de valores inferiores aos corretos, implica, necessariamente, na autuação da empresa por parte da fiscalização. Assim, não se pode perder de vista que o descumprimento da obrigação tributária com a apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, configurase infração à legislação, conforme a descrição sumária da infração e dispositivo legal infringido (fls. 01). Nada obstante à discussão estabelecida entre o Fisco e o contribuinte, há que se considerar, in casu, que a multa imposta, baseada no art. 32 da Lei nº 8.212/91, sofreu alterações em razão dos comandos emanados da Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na lei nº 11.941, de 2009. Destarte, em relação às multas de que tratava o artigo 32 da Lei de Custeio, o legislador, ao acrescentar o art. 32A ao referido diploma legal estabeleceu que: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 653DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11040.720461/201294 Acórdão n.º 2803003.018 S2TE03 Fl. 7 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449, de 2008, sendo mais benéfica para o infrator, conforme se pode observar da redação do art. 32A da Lei nº 8.212/91. Todavia, com o advento da medida Provisória nº 449 de 2009, convertida na Lei nº 11.941/09, a tipificação passou a ser apresentar GFIP com incorreções ou omissões, com multa de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. A nova redação não faz distinção se os valores foram declarados a maior ou a menor. Conforme previsto no art. 106, inciso II, do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como Fl. 654DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11040.720461/201294 Acórdão n.º 2803003.018 S2TE03 Fl. 8 7 infração; b) quando deixe de tratalo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo, pois, que este caso se enquadra perfeitamente na regra prevista no art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN. In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte. CONCLUSÃO. Pelo exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratar se de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea “c” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional – CTN. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 655DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 10950.900852/2010-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
Ementa:
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INSUMOS ADMITIDOS NO CÁLCULO. AQUISIÇÕES A PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS
O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinando-se aos limites do texto legal.
Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matéria-prima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. RESP 993164, Min. Luiz Fux.
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT.
O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, condiciona-se a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, não estando, por conseguinte, alcançados pelo benefício, os produtos não-tributados (NT).
CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 9.363/96. BASE DE CÁLCULO. COMBUSTÍVEL. SÚMULA CARF Nº 19.
Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. PERCENTUAL DE APURAÇÃO. O alcance das expressões receita de exportação e receita operacional bruta para determinação do percentual a ser aplicado sobre o total das aquisições de modo a apurar a base de cálculo do benefício instituído pela Lei 9.363/96 vem expresso no artigo 3º, § 15, inciso II da Portaria MF nº 38/97 como sendo o produto da venda para o exterior de mercadorias nacionais. Descabe, por isso, dele excluir as de vendas de produtos NT para efeito de IPI ou de mercadorias não submetidas à operação de industrialização no estabelecimento.
INSUMOS. CRÉDITO PRESUMIDO IPI. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO.
O conceito de insumos para o IPI está contido no Parecer Normativo CST nº 65, de 30 de outubro de 1979, diferente do admitido na apuração de créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins que possui uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI e menor que a definida na legislação do Imposto de Renda. Assim sendo, os insumos admitidos, para cálculo do benefício, são tão somente aqueles adquiridos para utilização no processo industrial para exportação.
TAXA SELIC
SÚMULA nº 411-STJ - É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Rel. Min. Luiz Fux, em 25/11/2009.
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo art. 543-C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 3402-002.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar a inclusão dos valores dos insumos adquiridos por não contribuintes do PIS e da Cofins no cálculo do crédito presumido do IPI, determinar a incidência da taxa Selic no valor a ser ressarcimento de crédito presumido do IPI e determinar a homologação das compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. Vencido conselheiro João Carlos Cassuli Junior quanto à exclusão dos insumos utilizados em produtos NT. O conselheiro Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva votou pelas conclusões na matéria referente à exclusão dos insumos utilizados em produtos em produtos NT.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Adriana Oliveira e Ribeiro, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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INSUMOS ADMITIDOS NO CÁLCULO. AQUISIÇÕES A PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. RESP 993164, Min. Luiz Fux. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, não estando, por conseguinte, alcançados pelo benefício, os produtos nãotributados (NT). CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 9.363/96. BASE DE CÁLCULO. COMBUSTÍVEL. SÚMULA CARF Nº 19. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. PERCENTUAL DE APURAÇÃO. O alcance das expressões “receita de exportação” e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 08 52 /2 01 0- 01 Fl. 719DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 6/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10950.900852/201001 Acórdão n.º 3402002.254 S3C4T2 Fl. 205 2 “receita operacional bruta” para determinação do percentual a ser aplicado sobre o total das aquisições de modo a apurar a base de cálculo do benefício instituído pela Lei 9.363/96 vem expresso no artigo 3º, § 15, inciso II da Portaria MF nº 38/97 como sendo o produto da venda para o exterior de mercadorias nacionais. Descabe, por isso, dele excluir as de vendas de produtos “NT” para efeito de IPI ou de mercadorias não submetidas à operação de industrialização no estabelecimento. INSUMOS. CRÉDITO PRESUMIDO IPI. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. O conceito de insumos para o IPI está contido no Parecer Normativo CST nº 65, de 30 de outubro de 1979, diferente do admitido na apuração de créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins que possui uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI e menor que a definida na legislação do Imposto de Renda. Assim sendo, os insumos admitidos, para cálculo do benefício, são tão somente aqueles adquiridos para utilização no processo industrial para exportação. TAXA SELIC SÚMULA nº 411STJ É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Rel. Min. Luiz Fux, em 25/11/2009. 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O conselheiro Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva votou pelas conclusões na matéria referente à exclusão dos insumos utilizados em produtos em produtos NT. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Adriana Oliveira e Ribeiro, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva e Winderley Morais Pereira. Fl. 720DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 6/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10950.900852/201001 Acórdão n.º 3402002.254 S3C4T2 Fl. 206 3 Relatório Para elucidar os fatos ocorridos até interposição do recurso voluntário, transcrevo o relatório do acórdão recorrido, in verbis: Tratase de PER/DCOMPs de fls. 02/328, visando compensação de tributos com saldo credor da escrita fiscal de que trata o art. 11 da Lei nº 9.779/99 e crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363/96 e Lei nº 10.276/2001, no valor total de R$ 10.228.696,63, relativo ao 1º trimestre de 2007. Conforme o Despacho Decisório de fl. 329 e com base no relatório fiscal de fls. 335/407, o pedido foi parcialmente deferido, no valor de R$ 62.922,17, e as compensações foram homologadas até o limite do crédito deferido. Segundo consta no relatório fiscal, foi reconhecido o crédito presumido de R$ 27.372,08, em virtude das seguintes retificações: 1. Recálculo do crédito presumido do 4º trimestre de 2006, obtendose um valor positivo de R$ 102.805,59, enquanto a requerente havia apurado um valor negativo de R$ 8.736.998,78; 2. Exclusão da receita de exportação dos valores relativos a exportação de produtos NT; 3. Exclusão da receita bruta das vendas de produtos NT, e de saídas de canadeaçúcar, por ser um produto agrícola não industrializado; inclusão do valor do álcool carburante produzido pela empresa e utilizado nos veículos próprios e destinados ao consumidor final; 4. Exclusão no valor de insumos das seguintes aquisições: materiais destinados à atividade agrícola; aquisições de pessoas físicas e cooperativas não contribuintes do PIS e COFINS; materiais destinados à manutenção, partes e peças de máquinas, ferramentas, material de reposição; materiais de proteção e segurança; gás; material de obras; outros materiais tais como fita isolante, arame, bateria, cadeado, cera, pilha e vaselina; óleos lubrificantes; materias de manutenção da frota de veículos, produtos de limpeza e demais materiais que não se enquadram no conceito de insumos; 5. Exclusão no valor de insumos das transferências internas de canadeaçúcar; 6. Exclusão no valor de insumos do valor dos insumos aplicados em produtos NT; 7. Exclusão no valor de insumos do valor dos insumos aplicados em quebras da produção; Fl. 721DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 6/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10950.900852/201001 Acórdão n.º 3402002.254 S3C4T2 Fl. 207 4 8. Ajustes nos estoques considerandose a proporção das compras com direito ao crédito sobre as compras totais; 9. Inclusão na apuração, do valor de R$ 381.293,49 excluído da apuração do 4º trimestre de 2006, a título de valor dos insumos constantes nos estoques de produtos não acabados e acabados e não vendidos em 31/12/2006; 10. Exclusão no valor dos insumos dos gastos com combustíveis porque não se constatou a aplicação de combustíveis no processo produtivo; 11. Ajuste no valor dos gastos com energia elétrica, com a exclusão da energia aplicada no setor administrativo e a exclusão da energia aplicada em produto NT e nas quebras de produção. No saldo credor da escrita foram glosados créditos de R$ 170.031,02 de janeiro/2007, R$ 166.518,77 de fevereiro/2007 e R$ 146.484,07 de março/2007, por não se enquadrarem como insumos industriais, com a aplicação dos mesmos conceitos discorridos para o crédito presumido, tais como: materiais aplicados na atividade agrícola; materiais aplicados em produtos NT; combustíveis e lubrificantes; materiais de manutenção e consumo. Regularmente cientificada, a postulante apresentou manifestação de inconformidade de fls. 409/445, alegando, em resumo, o seguinte: 1. O despacho decisório é nulo porque os cálculos apresentados pelo auditor fiscal estão equivocados havendo diferença entre o valor não glosado pela fiscalização e o valor reconhecido pelo despacho decisório; 2. Defende a inclusão na receita de exportação das saídas de produto NT, considerando que o produto, embora NT, é industrializado; 3. Defende a inclusão dos valores relativos às aquisições de insumos e defensivos agrícolas aplicados na produção de cana própria, por se tratar de atividade agroindustrial; 4. Defende a inclusão das aquisições de cana de açúcar de pessoas físicas e cooperativas, pois os atos administrativos não podem limitar o que a lei não limita; 5. As demais exclusões referemse a produtos intermediários aplicados no processo produtivo e que devem ser incluídos no cálculo; 6. A energia elétrica utilizada no processo industrial é um produto intermediário e não pode ser excluído do cálculo, bem como os combustíveis utilizados nas maquinas agrícolas e caminhões; Fl. 722DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 6/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10950.900852/201001 Acórdão n.º 3402002.254 S3C4T2 Fl. 208 5 7. Requer a atualização do valor do ressarcimento pela taxa Selic. Por fim, requereu o cancelamento do despacho decisório, ou o reconhecimento ao crédito objeto do presente processo. A 2ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto (SP) julgou a manifestação improcedente, nos termos do Acórdão nº 1436.601, de 15 de fevereiro de 2010, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria submetida a glosa em revisão de pedido de ressarcimento de IPI, não especificamente contestada na manifestação de inconformidade, é reputada como incontroversa, e é insuscetível de ser trazida à baila em momento processual subseqüente. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. O direito ao crédito presumindo do IPI instituído pela Lei nº 9.363/96 condicionase a que os produtos exportados estejam dentro do campo de incidência do imposto, não sendo, por conseguinte, alcançados pelo benefício os produtos não tributados (NT). CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. PESSOA FÍSICA. COOPERATIVAS. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas, não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ATIVIDADE AGRÍCOLA. A legislação referente ao crédito presumido somente admite a inclusão dos insumos aplicados na produção industrial, não contemplando os materiais aplicados na produção de canade açúcar, por se tratar de atividade agrícola. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. Fl. 723DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 6/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10950.900852/201001 Acórdão n.º 3402002.254 S3C4T2 Fl. 209 6 Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não abrangendo os produtos que não tiveram contato físico direto, nem exerceram diretamente ação no produto industrializado, bem como, não incluem os combustíveis e a energia elétrica não aplicada no processo produtivo. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Inconformado com a decisão de primeiro grau, o recorrente protocolou recurso voluntário que abaixo sintetizo: 1) Que há nulidade no despacho decisório por equívoco nos cálculos apresentado pela fiscalização – Alega o recorrente que a instância a quo se negou a verificar a nulidade suscitada em sede de manifestação de inconformidade sob o fundamento de que a diferença decorrente entre os valores glosados e o que foi deferido não é passível de ressarcimento e compensação. Afirma que tal entendimento acarretou prejuízo à defesa do recorrente 2) Que não merece prosperar o estorno de ofício efetuado pela fiscalização decorrente da apuração de saldo negativo no 4º trimestre do anocalendário de 2006, cujo montante restou consignado no valor de R$ 8.736.998,78; 3) Que os insumos devem ser considerados como os gastos que, ligados inseparavelmente aos elementos produtivos, proporcionam a existência do produto ou serviço, o seu funcionamento, a sua manutenção ou o seu aprimoramento. Sob essa ótica, o insumo pode integrar as etapas que resultem no produto ou serviço, ou até mesmo as posteriores, desde que sejam imprescindíveis ao funcionamento da produção; 4) Que é indevida a exclusão das receitas de exportação o valor resultante das vendas para o exterior de produtos NT e produtos adquiridos de terceiros; 5) Que não procede a exclusão dos valores referentes a insumos utilizados para fabricação de produtos “não tributados” da base de cálculo do crédito presumido de IPI; Fl. 724DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 6/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10950.900852/201001 Acórdão n.º 3402002.254 S3C4T2 Fl. 210 7 6) Discorda quanto à exclusão dos custos com os insumos utilizados nas fases do cultivo e tratos culturais na cana deaçúcar, corte e transporte; 7) Que tem direito aos créditos sobre as aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas; 8) Que tem direito ao crédito sobre as aquisições de materiais intermediários utilizados na fase do processo produtivo da canadeaçúcar, quais sejam: Lubrificantes e Combustíveis na Fase Agrícola / Pneus e Câmaras de uso Agrícola / Peças e Materiais Utilizados no Reparo e Manutenção de Máquinas, Equipamentos e Implementos Agrícolas e Industriais / Veículos e Caminhões de Uso Agrícola / Equipamento de Proteção Individual Utilizado na Fase Agrícola / Materiais Para Manutenção de Máquinas, Equipamentos, Ferramentas e Instalações de uso Industrial / Lubrificantes e Peças para reparo de Máquinas na Fase Industrial / Abrasivos, Ferramentas Manuais e Componentes de Máquinas na Fase Industrial; 9) Que é devido a inclusão dos custos com energia elétrica no cálculo do crédito presumido do IPI por se tratar de produto intermediário; 10) Que há incidência da taxa Selic sobre o crédito concedido ao recorrente; 11) Que o recorrente seguiu todos os procedimentos descritos em lei referente à compensação, e como demonstrado ao longo do recurso, há créditos financeiros a favor do recorrente, portanto, todas as compensações declaradas devem ser homologadas. Termina sua petição recursal requerendo: a) A reforma de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, a fim de reconhecer o direito da Recorrente ao aproveitamento/ressarcimento do Crédito Presumido do IPI originado da TOTALIDADE da aquisição de matériaprima, produtos intermediários e materiais de embalagem, ou seja, tanto nas aquisições de insumos de pessoas físicas não contribuintes do PIS e da COFINS, quanto de pessoas jurídicas; b) A homologação da compensação pleiteada por meio dos PER/DCOMP's protocolizados, haja vista que a glosa dos créditos não prosperam; c) A da incidência de juros compensatórios de 1% e de correção monetária, por meio da Taxa SELIC, sobre o crédito concedido em favor da Recorrente, nos termos do artigo 39, § 4°, da Lei 9.250 de 27.dez.1995 c/c o art. 66, § 3º da Lei n° 8.383 de 31.12.1991 e art. 108 do Código Tributário Nacional. Fl. 725DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 6/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10950.900852/201001 Acórdão n.º 3402002.254 S3C4T2 Fl. 211 8 É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade de sorte que conheço do recurso e passo a análise de mérito. APURAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI RELATIVO AO 4º TRIMESTRE DE 2006. Afirma a recorrente que foi indevido o estorno de ofício efetuado pela fiscalização decorrente da apuração de saldo negativo no 4º trimestre do anocalendário de 2006. A instância a quo consigna que na manifestação de inconformidade não há insurgência sobre o recálculo do crédito presumido do 4º trimestre de 2006. Por sua vez, o recorrente, no recurso voluntário, afiança que pleiteou a nulidade do despacho decisório por equívoco nos cálculos apresentados pela Autoridade Fiscal, o que, por si só, abrange a totalidade da matéria. Discordo da recorrente, pois o art. 16, III, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, determina que a impugnação/manifestação de inconformidade mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões que possuir. Esse ditame legal afasta a possibilidade de o sujeito passivo apresentar recurso de forma genérica (negação geral). No caso em exame, o próprio recorrente afirma que discordou da totalidade dos cálculos apresentados pela Autoridade Fiscal, sem apontar qual foi o erro nos cálculos da apuração do crédito presumido referente ao 4º trimestre de 2006. Após excursão aos autos, é de meridiana obviedade que este assunto trazido pelo recorrente no recurso voluntário não foi suscitado de forma correta na impugnação. Sabemos que o momento apropriado para apresentação das provas que comprovem suas alegações é na propositura da impugnação. Temos conhecimento, também, que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo Legislador Nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 333 do Código de Processo Civil, in verbis: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída Fl. 726DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 6/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10950.900852/201001 Acórdão n.º 3402002.254 S3C4T2 Fl. 212 9 para a autoridade Fiscal quando realiza o lançamento tributário, para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito/ressarcimento. Definida a regra que direciona o onus probandi no âmbito do processo administrativo fiscal, resta estabelecer o conceito de prova, sua finalidade e seu objeto. O conceito de prova retirado dos ensinamentos de Moacir Amaral Santos: No sentido objetivo, como os meios destinados a fornecer ao julgador o conhecimento da verdade dos fatos. Mas a prova no sentido subjetivo é aquela que se forma no espírito do julgador, seu principal destinatário, quanto à verdade desses fatos. A prova, então, consiste na convicção que as provas produzidas no processo geram no espírito do julgador quanto à existência ou inexistência dos fatos. Compreendida como um todo, reunindo seus dois caracteres, objetivo e subjetivo, que se completam e não podem ser tomados separadamente, apreciada como fato e como indução lógica, ou como meio com que se estabelece a existência positiva ou negativa do fato probando e com a própria certeza dessa existência. Para Carnelutti: As provas são fatos presentes sobre os quais se constrói a probabilidade da existência ou inexistência de um fato passado. A certeza resolvese, a rigor, em uma máxima probabilidade. Dinamarco define o objeto da prova: ....conjunto das alegações controvertidas das partes em relação a fatos relevantes para todos os julgamentos a serem feitos no processo. Fazem parte dela as alegações relativas a esses fatos e não os fatos em si mesmos. Sabido que o vocábulo prova vem do adjetivo latino probus, que significa bom, correto, verdadeiro, seguese que provar é demonstrar que uma alegação é boa, correta e, portanto, condizente com a verdade. O fato existe ou inexiste, aconteceu ou não aconteceu, sendo, portanto, insuscetível dessas adjetivações ou qualificações. Não há fatos bons, corretos e verdadeiros nem maus, incorretos mendazes. As legações, sim, é que podes ser verazes ou mentirosas e daí a pertinência de proválas, ou seja, demonstrar que são boas e verazes. Já a finalidade da prova é a formação da convicção do julgador quanto à existência dos fatos. Em outras linhas, um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência. Em virtude dessas considerações, é importante relembrar alguns preceitos que norteiam a busca da verdade real por meio de provas materiais. Dinamarco afirma: Fl. 727DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 6/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10950.900852/201001 Acórdão n.º 3402002.254 S3C4T2 Fl. 213 10 Todo o direito opera em torno de certezas, probabilidades e riscos, sendo que as próprias certezas não passam de probabilidades muito qualificadas e jamais são absolutas porque o espírito humano não é capaz de captar com fidelidade e segurança todos os aspectos das realidades que o circulam. O risco de errar ao presumir dimensionase na razão inversa à do grau de probabilidade de que a relação entre a ocorrência de um fato e a de outro se mantenha sempre. Quanto maior a probabilidade, menor o risco; menor a probabilidade, maior o risco a assumir. Para entender melhor o instituto “probabilidade” mencionado pelo professor Dinamarco, aduzo importante distinção feita por Calamandrei entre verossimilhança e probabilidade: É verossimil algo que se assemelha a uma realidade já conhecida, que tem a aparência de ser verdadeiro. A verossimilhança indica o grau de capacidade representativa de uma descrição acerca da realidade. A verossimilhança não tem nenhuma relação com a veracidade da asserção, não surge como resultante do esforço probatório, mas sim com referência à ordem normal das coisas. A probabilidade está relacionada à existência de elementos que justifiquem a crença na veracidade da asserção. A definição do provável vinculase ao seu grau de fundamentação, de credibilidade e aceitabilidade, com base nos elementos de prova disponíveis em um contexto dado, resulta da consideração dos elementos postos à disposição do julgador para a formação de um juízo sobre a veracidade da asserção. Desse modo, a certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. Quanto ao exame da prova, defende Dinamarco: (...) o exame da prova é atividade intelectual consistente em buscar, nos elementos probatórios resultantes da instrução processual, pontos que permitam tirar conclusões sobre os fatos de interesse para o julgamento. Já Francesco Carnelutti compara a atividade de julgar com a atividade de um historiador: (...) o historiador indaga no passado para saber como as coisas ocorreram. O juízo que pronuncia é reflexo da realidade ou mais Fl. 728DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 6/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10950.900852/201001 Acórdão n.º 3402002.254 S3C4T2 Fl. 214 11 exatamente juízo de existência. Já o julgador encontrase ante uma hipótese e quando decide converte a hipótese em tese, adquirindo a certeza de que tenha ocorrido ou não o fato. Estar certo de um fato quer dizer conhecêlo como se houvesse visto. No mesmo sentido, o professor Moacir Amaral Santos afirma que a prova dos fatos fazse por meios adequados a fixálos em juízo. Por esses meios, ou instrumentos, os fatos deverão ser transportados para o processo, seja pela sua reconstrução histórica, ou sua representação. Assim sendo, a verdade encontrase ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar probabilidade às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador. Regressando aos autos, como já mencionado, o recorrente não apresentou indícios mínimos de seu direito, de sorte que me sinto na obrigação de julgar com os dados constantes nos autos. Neste contexto, não vislumbro razões para reformar a decisão de primeira instância, uma vez que sua decisão foi baseada nos fundamentos jurídicos constantes dos autos e a consequente subsunção aos fundamentos legais que regiam a matéria à época dos fatos geradores. NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ POR OMISSÃO. O recorrente busca a nulidade da decisão da DRJ por ela ter se omitido sobre a nulidade do despacho decisório por equívoco nos cálculos apresentados pela fiscalização. Esse fundamento não resiste à análise dos autos. A primeira instância analisa a preliminar de nulidade suscitada pelo recorrente e toma a decisão que abaixo transcrevo: A manifestante requer a nulidade do despacho decisório por entender que houve equívoco nos cálculos efetuados pelo auditor fiscal. Entretanto, não procede a alegação. As planilhas constantes às fls. 330 demonstram a forma como se obteve o valor de R$ 62.922,17, deferido no Despacho Decisório. A diferença alegada pela contribuinte à fl. 413 entre o valor deferido R$ 62.922,17 e o montante de R$ 83.861,59, ou seja, R$ 20.939,42, é o valor dos créditos não glosados, mas que não são passíveis de ressarcimento, o que está demonstrado na coluna (e) do Demonstrativo de Apuração do Saldo Credor Ressarcível: janeiro/2007 – R$ 9.109,83, fevereiro/2007 – R$ 9.365,52, e março/2007 – 2.464,07 (soma de R$ 20.939,42). Esses créditos não foram objeto de crédito, mas por não serem Fl. 729DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 6/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10950.900852/201001 Acórdão n.º 3402002.254 S3C4T2 Fl. 215 12 passíveis de ressarcimento e compensação, podem ser mantidos na escrita fiscal para a compensação de débitos futuros de IPI, mas não podem ser deferidos para a compensação de outros tributos. Acrescentese ainda, que os mesmos valores de créditos não glosados e não passíveis de ressarcimento estão demonstrados na TABELA 39 do relatório fiscal, à fl. 406. Deste modo, rejeitase a preliminar de nulidade do despacho decisório, em face da inexistência dos equívocos alegados pela recorrente. Não é preciso de muita energia mental para deduzir que a preliminar de nulidade do despacho decisório foi enfrentada pela instância a quo e foi afastada com a devida motivação. Assim sendo, afasto a preliminar de nulidade da decisão da DRJ por omissão. INCLUSÃO DOS VALORES REFERENTES ÀS EXPORTAÇÕES DE PRODUTOS “NT” NA RECEITA DE EXPORTAÇÃO. O recorrente pretende afastar do cálculo do percentual a ser aplicado ao valor dos insumos para obtenção do crédito presumido do IPI, as receitas com a comercialização dos resíduos industriais sob o fundamento de que apenas as receitas operacionais devem compor o a receita operacional bruta. Conforme já identificado pela DRJ, o resíduo industrial está fora do campo de incidência do IPI, pois é classificado na TIPI como “NT”. O § 15 do art. 3º da Portaria MF 38/97 previa o conceito de receita bruta de exportação como sendo o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais; A redação da referida legislação não deixa dúvida que não haveria base legal para a exclusão das receitas referentes às exportações de mercadorias classificadas como “NT” na TIPI. Contudo, com a edição da Portaria MF nº 64, de 24 de março de 2003, o conceito de receita bruta de exportação modificou. Passou a ser o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de produtos industrializados nacionais. Por fim, adveio a Portaria MF nº 93, de 27 de abril de 2004, que aduziu a redação final sobre o conceito de receita bruta, como sendo produto da venda de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora nos mercados interno e externo. Nessa nova redação, a receita proveniente de comercialização de produtos classificados como “NT” na TIPI não poderia fazer parte do cálculo do crédito presumido do IPI, pois o produto não é considerado industrializado nos termos dos artigos 2º, 3º e 4º do RIPI/2004, aprovado pelo Decreto nº 4.544/2002. INCLUSÃO DOS CUSTOS COM AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. Fl. 730DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 6/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10950.900852/201001 Acórdão n.º 3402002.254 S3C4T2 Fl. 216 13 O contribuinte se insurge contra exclusão dos valores referentes às aquisições de insumos de não contribuintes do PIS e da COFINS da base de cálculo do crédito presumido de IPI. O Colegiado já conhece minha opinião sobre o assunto, sempre neguei a possibilidade da inclusão dos insumos adquiridos de pessoa física e de cooperativa. Não obstante, por força regimental, sou obrigado a mudar meu voto, uma vez que essa matéria foi objeto de decisão em sede de recurso representativo de controvérsia no Superior Tribunal de Justiça. A decisão do STJ assim definiu a matéria: O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. RESP 993164, Min. Luiz Fux Desta forma, não vejo alternativa, tenho que aceitar a inclusão dos valores dos insumos adquiridos por não contribuintes do PIS e da Cofins no cálculo do crédito presumido do IPI. ENERGIA ELÉTRICA A outra questão a ser enfrentada diz respeito à possibilidade de inclusão dos custos com energia elétrica, por se tratar de produto intermediário, na base de cálculo do crédito presumido do IPI previsto na Lei nº 9.363/96. Essa matéria também foi pacificada com a aprovação do enunciado de Súmula CARF nº 19, publicada no DOU de 22/12/2009, in verbis: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Impende observar que as súmulas do Carf são de observância obrigatória, sob pena de perda de mandato. Portanto, nego o aproveitamento dos custos com aquisição de óleo diesel para fins de crédito presumido do IPI. Não admito a inclusão dos custos com energia elétrica no cálculo do crédito presumido do IPI. Fl. 731DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 6/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10950.900852/201001 Acórdão n.º 3402002.254 S3C4T2 Fl. 217 14 EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT Visando incentivar as exportações de produtos industrializados, a União criou o crédito presumido de IPI como uma forma de ressarcimento das contribuições sociais do PIS e COFINS, incidentes sobre as aquisições, no mercado interno (nacionais), de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo de bens exportados. O benefício fiscal chamado “Crédito Presumido de IPI Exportações” consiste em um crédito adicional de IPI para sociedades industriais que diretamente ou indiretamente exportam seus produtos industrializados ao mercado internacional. Tem como objetivo principal desonerar a cadeia produtiva dos produtos a serem exportados do custo econômico da COFINS e do PIS, conforme podemos notar pelo texto do art. 1º da Lei 9.363/96: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo Único O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Dessa forma, o crédito presumido de IPI somente poderá ser efetuado pela empresa exportadora ou, no caso de exportação indireta, pelo fornecedor da comercial exportadora, levandose em conta apenas os insumos adquiridos no mercado interno, onerados pelo PIS e COFINS, e utilizados na industrialização de bens destinados à exportação. Para melhor elucidar a questão, aduzo o voto do Ilustríssimo Presidente da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, Doutor Henrique Pinheiro Torres, no Acórdão nº 202.16.066: A questão envolvendo o direito de crédito presumido de IPI no tocante às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens utilizados na confecção de produtos constantes da Tabela de Incidência do IPI com a notação NT (Não Tributado) destinados à exportação, longe de estar apascentada, tem gerado acirrados debates na doutrina e na jurisprudência. No Segundo Conselho de Contribuintes, ora prevalece a posição do Fisco, ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Câmaras. A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 1º da Lei 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, tãosomente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a Fl. 732DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 6/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10950.900852/201001 Acórdão n.º 3402002.254 S3C4T2 Fl. 218 15 duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque, os estabelecimentos processadores de produtos NT, não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. Isso ocorre porque, as empresas que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do artigo 3º da Lei 4.502/1964, considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI com a notação NT (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Ora, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtores exportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal benefício, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à alíquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto crédito prêmio de IPI conferido industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o benefício alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no parágrafo único do artigo 92 do RIPI/1982. Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a mudança trazida pela Medida Provisória nº 1.50816, consistente na inclusão de diversos produtos no campo de incidência do IPI, a exemplo dos frangos abatidos, cortados e embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio justamente para atender aos anseios dos exportadores, que puderam, então, usufruir do crédito presumido de IPI nas exportações desses produtos. Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no Fl. 733DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 6/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10950.900852/201001 Acórdão n.º 3402002.254 S3C4T2 Fl. 219 16 campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI. Por outra parte, é cediço que o produto classificado na TIPI como “NT” não está incluído no campo de incidência do IPI. Logo, quem fabrica tais produtos, mesmo sob uma das operações de industrialização previstas no Regulamento do IPI (no caso, as operações dispostas no art. 3º, caput e incisos, do Regulamento aprovado pelo Decreto nº 87.981, de 23/12/1982 – RIPI/82), não é considerado, à luz da legislação de regência desse imposto, como estabelecimento industrial. Isso porque, de acordo como o art. 8º do RIPI/82 (abaixo transcrito), estabelecimento industrial é o que industrializa produtos sujeitos à incidência do IPI, ou seja, é aquele estabelecimento que executa qualquer das operações definidas na legislação do imposto como “de industrialização”, da qual, cumulativamente, resulte um produto “tributado”, ainda que de alíquota zero ou isento. Ao contrário, não é estabelecimento industrial para fins de IPI aquele que elabora produtos classificados na TIPI como não tributado (NT), bem como quem realiza operação excluída do conceito de industrialização dado pelo RIPI. “Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no artigo 3º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, art. 3º).” Neste diapasão, Raimundo Clóvis do Valle Cabral em “Tudo sobre o IPI”, 4ª edição, São Paulo, Ed. Aduaneiras, págs. 54/55 e 57, assim assevera: Estabelecimento Industrial é o que industrializa produtos sujeitos à incidência do imposto, ou seja, aquele que executa operações definidas na legislação do IPI como de industrialização (transformação, beneficiamento, montagem, acondicionamento/reacondicionamento e renovação/recondicionamento) e da qual resulte um produto tributado, ainda que de alíquota zero, ou isento. Tem por base legal o artigo 3º da Lei nº 4.502, de 1964, alterado pelo artigo 12 do DL nº 34/66, que tem o seguinte texto: ‘Considerase estabelecimento industrial todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto’(art. 8º). As expressões ‘fábrica’ e ‘fabricante’ são equivalentes a ‘estabelecimento industrial’, como definido acima (art. 487II). Se o produto por ele industrializado corresponde uma alíquota positiva (diferente de zero) estará ele obrigado a destacar o imposto na nota fiscal emitida, observando as demais obrigações concernentes à escrituração fiscal e ao recolhimento do imposto, assumindo o real papel de contribuinte – sujeito passivo de obrigação principal, salvo se optante pela inscrição no Simples (art. 20I, 23II e 107). Se o produto industrializado estiver sujeito à alíquota zero, ou for isento, embora não haja imposto a ser destacado nem recolhido, ele estará obrigado a emitir nota fiscal e proceder às demais obrigações relativas à escrituração fiscal prevista no Ripi, pois está definido como sujeito passivo de obrigações acessórias (art. 21). Contrario sensu, chegase à conclusão de não ser estabelecimento industrial, para fins do IPI, aquele que elabora produtos classificados na TIPI como NT (nãotributados), bem Fl. 734DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 6/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10950.900852/201001 Acórdão n.º 3402002.254 S3C4T2 Fl. 220 17 assim os resultantes de operações excluídas do conceito de industrialização pelo artigo 5º do RIPI. O texto reproduzido acima traduz a essência da expressão “NT” aposta na TIPI ao lado dos produtos excluídos do campo de incidência do IPI, qual seja: o estabelecimento que dá saída a produtos nãotributados, não se classifica, nessas operações, para fins de incidência do imposto, como estabelecimento industrial, ou seja, como contribuinte do IPI. E o aproveitamento de créditos do IPI está intimamente ligado ao conceito do que seja estabelecimento industrial para a legislação desse imposto, no sentido de que não ser um estabelecimento de tal espécie implica o nãoreconhecimento da existência de créditos ou débitos de IPI, impossibilitando o aproveitamento dos primeiros (dos créditos) ou o surgimento da obrigação tributária principal decorrente dos segundos (dos débitos). Nessa linha, merece citar, especificamente no tocante ao crédito presumido do IPI objeto de análise no presente processo, o preceito do art. 1º combinado com o do parágrafo único do art. 3º, ambos da Lei nº 9.363/96: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus ao crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (...). Art. 3º (...). Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação (...) do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento (...) dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, (...). Lógico que “produção” conformase na atividade do “produtor". E, nos termos da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, matriz legal de grande parte da legislação do IPI, “estabelecimento produtor” é aquele que industrializa produtos sujeitos ao imposto. Estabelece o art. 3º da aludida lei: Art. 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Considerandose, então, que o art. 1º da Lei nº 9.363/96 autoriza a fruição do crédito presumido do IPI ao “estabelecimento produtor e exportador”, e que o art. 3º da Lei 4.502/64 é a matriz do Regulamento do Imposto de Produtos Industrializados, não resta dúvida quanto à total impossibilidade de existência e, conseqüentemente, de aproveitamento de crédito do IPI para os estabelecimentos cujos produtos fabricados são classificados como “NT” na TIPI. Pelos fundamentos expostos, é possível arrolar as seguintes conclusões: a) O estabelecimento industrial é aquele que industrializa produtos sujeitos à incidência do imposto, ou seja, aquele que executa as operações definidas na legislação do IPI como de industrialização e da qual resulta um produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento. Portanto, os produtos exportados que não se encontram no campo de incidência do Fl. 735DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 6/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10950.900852/201001 Acórdão n.º 3402002.254 S3C4T2 Fl. 221 18 IPI, por constar da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI; b) A legislação que trata do específico benefício do crédito presumido do IPI determina que as “mercadorias” devam decorrer de “estabelecimento produtor”, o qual, à luz da legislação do IPI, é somente o que industrializa produtos tributados por essa exação. Voltando ao caso concreto, a recorrente colima ter reconhecido o ressarcimento do IPI incidente sobre aquisições de materiais empregados na confecção de bens classificados na Tabela de Incidência do IPI – TIPI (Decreto nº 4.542/2002), como Não Tributado NT. Em virtude das considerações feitas sobre a matéria, entendo que esses custos não podem fazer parte da base de cálculo do benefício, de sorte que nego o pleito do recorrente. INSUMOS. CRÉDITO PRESUMIDO IPI. Preliminarmente, devo esclarecer que o recorrente buscar utilizar o conceito de insumo do PIS e da Cofins não cumulativa para fins de cálculo do crédito presumido do IPI. Como é de conhecimentos de todos deste Colegiado, o conceito de insumos para o IPI está contido no Parecer Normativo CST nº 65, de 30 de outubro de 1979, diferente do admitido na apuração de créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins que possui uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI e menor que a definida na legislação do Imposto de Renda. Cravada essa premissa, passo à análise do crédito presumido do IPI, previsto na Lei nº 9.363/96, matéria da lide discutida neste processo administrativo. Como dito alhures, o crédito presumido é uma forma de desoneração fiscal. São créditos que não estão relacionados com a operação direta do contribuinte. É uma ficção jurídica utilizada pelo legislador, cujo intuito é ressarcir o contribuinte do ônus arcado em operações anteriores. Tratase de um crédito correspondente ao ressarcimento das ditas contribuições incidentes na aquisição, no mercado interno, dos principais insumos do contribuinte do IPI, a saber: matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. Observe que os insumos tinham que ser utilizados no processo industrial das empresas relacionadas às atividades de exportação. Foi, então, estabelecido um percentual (que resulta da relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta) a incidir sobre os custos com matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no produto exportado, para a obtenção da base de cálculo do benefício. O crédito fiscal resultará da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo acima descrita. Ressalto que os insumos (matériaprima, produto intermediário e material de embalagem) admitidos no cálculo do crédito presumido são os conceituados pela legislação do IPI. Fl. 736DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 6/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10950.900852/201001 Acórdão n.º 3402002.254 S3C4T2 Fl. 222 19 O Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n.º 2.637, de 25 de junho de 1998 – RIPI/98 (art. 147, I), esclarece que se incluem no conceito de MP e PI os bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos no ativo permanente. Por seu turno, o Parecer Normativo CST nº 65, de 30 de outubro de 1979 (DOU de 6/11/79), norma complementar da legislação tributária, por força do inciso I do artigo 100 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 – CTN, esclarece a expressão: “consumidos no processo de industrialização”, condição para que os bens sejam considerados insumos. (...) ‘Art. 66 Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502/64 arts. 25 a 30 e Decretolei nº 3.466, art. 2º, alt. 8ª): I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente.’ 4 Notese que o dispositivo está subdividido em duas partes, a primeira referindose às matériasprimas, aos produtos intermediários e ao material de embalagem; a segunda relacionada às matériasprimas e aos produtos intermediários que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização. 4.1 Observese, ainda, que enquanto na primeira parte da norma ‘matériasprimas’ e ‘produtos intermediários’ são empregados ‘stricto sensu’, a segunda usa tais expressões em seu sentido lato: quaisquer bens que, embora não se integrando ao produto em fabricação se consumam na operação de industrialização. 4.2 Assim, somente geram direito ao crédito os produtos que se integrem ao novo produto fabricado e os que, embora não se integrando, sejam consumidos no processo de fabricação, ficando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. 5 No que diz respeito à primeira parte da norma, que se refere a matériasprimas e produtos intermediários ‘stricto sensu’, ou seja, bem dos quais, através de quaisquer das operações de industrialização enumeradas no Regulamento, resulta diretamente um novo produto, tais como, exemplificadamente, a madeira com relação a um móvel ou o papel com referência a um livro, nada há que se comentar de vez que o direito ao crédito, diferentemente do que ocorre com os referidos na segunda parte, além de não se vincular a qualquer requisito, não sofreu alteração com relação aos dispositivos constantes dos regulamentos anteriores. Fl. 737DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 6/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10950.900852/201001 Acórdão n.º 3402002.254 S3C4T2 Fl. 223 20 6 Todavia, relativamente aos produtos referidos na segunda parte, matériasprimas e produtos intermediários entendidos em sentido amplo, ou seja, aqueles que embora não sofram as referidas operações são nelas utilizados, se consumindo em virtude do contato físico com o produto em fabricação, tais como lixas, lâminas de serra e catalisadores, além da ressalva de não gerarem o direito se compreendidos no ativo permanente, exige se uma série de considerações. 6.1 Há quem entenda, tendo em vista tal ressalva (não gerarem direito ao crédito os produtos compreendidos entre os bens do ativo permanente), que automaticamente gerariam o direito ao crédito os produtos não inseridos naquele grupo de contas, ou seja, que a norma em questão teria adotado como critério distintivo, para efeito de admitir ou não o crédito, o tratamento contábil emprestado ao bem. 6.2 Entretanto, uma simples exegese lógica do dispositivo já demonstra a improcedência do argumento, uma vez que, consoante regra fundamental de lógica formal, de uma premissa negativa (os produtos ativados permanentemente não geram o direito) somente concluise por uma negativa, não podendo, portanto, em função de tal premissa, ser afirmativa a conclusão, ou seja, no caso, a de que os bens não ativados permanentemente geram o direito de crédito. 7 Outrossim, aceita, em que pese a contradição lógicoformal, a tese de que para os produtos que não sejam matérias nem produtos intermediários ‘stricto sensu’, vigente o RIPI/79, o direito ou não ao crédito deve ser deduzido exclusivamente em função do critério contábil ali estatuído, estarseia considerando inócuas diversas palavras constantes do texto legal, de vez que bastaria que o referido comando, em sua segunda parte, rezasse “...e os demais produtos que forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens ao ativo permanente”, para o mesmo resultado. 7.1 Tal opção, todavia, equivaleria a por de lado o princípio geral de direito consoante o qual ‘a lei não deve conter palavras inúteis’, o que só é lícito fazer na hipótese de não se encontrar explicação para as expressões inúteis. 8 No caso, entretanto, a própria exegese histórica da norma desmente esta acepção, de vez que a expressão ‘incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando no novo produto forem consumidos no processo de industrialização’ é justamente a única que consta de todos os dispositivos anteriores (inciso I do artigo 27 de Decreto 56.791/65, inciso I do artigo 30 do Decreto nº 61.514/67 e inciso I do artigo 32 do Decreto nº 70.162/72), o que equivale a dizer que foi sempre em função dela que se fez a distinção entre os bens que, não sendo matériasprimas nem produtos intermediários ‘stricto sensu ’, geram ou não direito ao crédito, isto é, segundo todos estes dispositivos, geravam o Fl. 738DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 6/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10950.900852/201001 Acórdão n.º 3402002.254 S3C4T2 Fl. 224 21 direito os produtos que embora não se integrando no novo produto, fossem consumidos no processo de industrialização. 8.1 A norma constante do direito anterior (inciso I do artigo 32 do Decreto nº 70.162/72), todavia restringia o alcance do dispositivo, dispondo que o consumo do produto, para que se aperfeiçoasse o direito do crédito, deveria se dar imediata e integralmente. 8.2 O dispositivo vigente inciso I do artigo 66 do RIPI/79 por sua vez, deixou de registrar tal restrição, acrescentando, a título de inovação, a parte final referente à contabilização no ativo permanente. 9 Como se vê, o que mudou não foi o critério, que continua sendo o do consumo do bem no processo industrial, mas a restrição a este. 10 Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deve entender como produtos ‘que embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização’, para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1 Como o texto fala em ‘incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários’, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários ‘stricto sensu ’, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2 A expressão ‘consumidos’ sobretudo levandose em conta que as restrições ‘imediata e integralmente’, constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. O aludido Parecer orienta no sentido de que se deve considerar no conceito de MP e PI, em sentido lato, os bens que se consumirem em decorrência de um contato físico, ou de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por esse diretamente sofrida. Após essa breve digressão, retornando aos autos, o recorrente colima aproveitar os custos com diversos materiais que entende como produtos intermediários para cálculo do crédito presumido do IPI instituído pela Lei nº 9.363/96, quais sejam: Lubrificantes e Combustíveis na Fase Agrícola / Pneus e Câmaras de uso Agrícola / Peças e Materiais Utilizados no Reparo e Manutenção de Máquinas, Equipamentos e Implementos Agrícolas e Industriais / Veículos e Caminhões de Uso Agrícola / Equipamento de Proteção Individual Utilizado na Fase Agrícola / Materiais Para Manutenção de Máquinas, Equipamentos, Fl. 739DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 6/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10950.900852/201001 Acórdão n.º 3402002.254 S3C4T2 Fl. 225 22 Ferramentas e Instalações de uso Industrial / Lubrificantes e Peças Para Reparo de Máquinas na Fase Industrial / Abrasivos, Ferramentas Manuais e Componentes de Máquinas na Fase Industrial. Entendo que nenhum desses materiais subsumem ao conceito de insumo proposto pelo Parecer Normativo CST nº 65, de 30 de outubro de 1979. Em outra linhas, os gastos com os serviços e produtos acima citados não podem ser computados no cálculo desse benefício fiscal porque não revestem a condição de matériaprima ou produto intermediário (MP e PI), conceituados pela legislação do IPI, como explicado no item anterior, sendo equivocada, portanto, a interpretação de que, todos os insumos sujeitos à incidência das contribuições para o PIS e a Cofins poderiam ser considerados no cálculo do crédito em referência, como forma de desoneração da produção. Com efeito, o valor correspondente a esses custos devem ser considerados como gastos gerais de fabricação, ou custos indiretos incorridos na produção. Desse modo, tais custos devem ser observados quando da apuração dos valores dos estoques finais dos produtos industrializados, mas não como sendo matériaprima ou produto intermediário empregado nestes. Pelas assertivas feitas, não admito a inclusão dos custos com lubrificantes e combustíveis utilizados na fase agrícola, pneus e câmaras de uso agrícola, peças e materiais utilizados no reparo e manutenção de máquinas, equipamentos e implementos agrícolas e industriais, veículos e caminhões de uso agrícola, equipamento de proteção individual utilizado na fase agrícola, materiais para manutenção de máquinas, equipamentos, ferramentas e instalações de uso Industrial, lubrificantes e peças para reparo de máquinas na fase industrial, abrasivos, ferramentas manuais e componentes de máquinas na fase industrial. TAXA SELIC Essa matéria já foi objeto de vários acórdãos de minha lavra. Em todos eles, negava aplicação da referida taxa nos valores ressarcidos. Contudo, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, sou obrigado a rever minha posição e decidir em sentido contrário. Em recente decisão, a 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso representativo de controvérsia, confirmou a invalidade da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 23/97, e reconheceu o direito à correção dos créditos do IPI, no acórdão proferido no Recurso Especial nº 993.164MG, de 13/12/2010. O voto condutor do acórdão assim se refere à matéria: Com efeito, a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural, (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 10358471RS, ReI. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). Fl. 740DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 6/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10950.900852/201001 Acórdão n.º 3402002.254 S3C4T2 Fl. 226 23 A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELlC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 11501881SP, Rei. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). Com base nestes fatos, admito a incidência da taxa Selic no valor a ser ressarcimento de crédito presumido do IPI. Ex positis, dou provimento parcial ao recurso para: a) Determinar a inclusão dos valores dos insumos adquiridos por não contribuintes do PIS e da Cofins no cálculo do crédito presumido do IPI; b) Determinar a incidência da taxa Selic no valor a ser ressarcimento de crédito presumido do IPI; e c) Determinar a homologação das compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. É como voto. Sala das Sessões, em 27/11/2013. Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 741DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 6/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 11052.001299/2010-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Demonstrado nos autos que parte dos valores não representam receita, tais valores devem ser expurgados.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. SIMPLES.
Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula.
Recurso voluntário desprovido.
Numero da decisão: 1402-001.579
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 12.393,18 referente ao IRF sobre serviços prestados ao Fundo Nacional de Saúde, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá.
Nome do relator: CARLOS PELA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Demonstrado nos autos que parte dos valores não representam receita, tais valores devem ser expurgados. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. SIMPLES. Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. Recurso voluntário desprovido.
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Recorrida 1ª Turma da DRJ/RJ1 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 FISCALIZAÇÃO. ACESSO A INFORMAÇÕES FINANCEIRAS NA POSSE DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI COMPLEMENTAR 105, DE 2001. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. A Autoridade Tributária pode, com base na LC nº 105, de 2001, à vista de procedimento fiscal instaurado e presente a indispensabilidade do exame de informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, solicitar destas referidas informações, prescindindose da intervenção do Poder Judiciário. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. REQUISIÇÃO DE EXTRATOS E DADOS BANCÁRIOS DIRETO PELA RFB. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA 2. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão integrante da estrutura administrativa da União, não é competente para enfrentar argüições acerca de inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 12 99 /2 01 0- 19 Fl. 697DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.001299/201019 Acórdão n.º 1402001.579 S1C4T2 Fl. 3 2 operações. Demonstrado nos autos que parte dos valores não representam receita, tais valores devem ser expurgados. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. SIMPLES. Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. Recurso voluntário desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 12.393,18 referente ao IRF sobre serviços prestados ao Fundo Nacional de Saúde, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá. Relatório Trata o presente processo de Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS, lavrados pela sistemática do SIMPLES, cumulados com juros e multa de ofício estipulada em 75%, referentes ao anocalendário de 2006, lavrados em razão da suposta omissão de receitas apurada com base em extratos bancários cujos recursos a origem não restou comprovada (fls. 415/487). Contanos o Termo de Verificação Fiscal (fls. 392/414), que a ação fiscal teve início em razão de ter sido verificada acentuada discrepância entre os valores relativos à base de cálculo da CMPF e os informados na Declaração Anual Simplificada (DAS) da Contribuinte. Esclarece, ainda, que, no curso da ação fiscal, a Contribuinte foi intimada reiteradas vezes a apresentar seus livros fiscais, contábeis e extratos bancários que Fl. 698DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.001299/201019 Acórdão n.º 1402001.579 S1C4T2 Fl. 4 3 contemplassem o movimento financeiro de 2006. No entanto, apresentou tão somente um instrumento de mandado e aquilo que se constituiria no livro caixa, considerado imprestável pela fiscalização. Em virtude disso, a autoridade fiscal autuante encaminhou circularizações ao Instituto de Assistência dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro (IASERJ) e ao Fundo Estadual de Saúde, subordinada à Secretaria de Saúde e Defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro, conforme solicitações constantes dos ofícios ns 163/2010/DRF/RJO I/Difis, e ns 597/2010/DRF/RJO I/Difis, respectivamente. Ambas as instituições enviaram resposta à Fiscalização. Além disso, encaminhou ofício à Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro solicitando cópia do contrato social e alterações vigentes a partir de 2005, bem assim como encaminhou ofício ao Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Unibanco, Itaú, Bradesco, Santander, solicitando o extrato das contas bancárias no CNPJ da fiscalizada. De posse dos extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras, a autoridade fiscal relacionou os valores creditados nas contas bancárias e intimou a Contribuinte, por mais de uma vez, a comprovar, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Nenhuma justificativa foi apresentada pela Contribuinte, razão peça qual a fiscalização concluiu que: (i) Uma parte dos ingressos caracterizou receita omitida com base em depósitos bancários de origem não comprovada, presumida na forma do artigo 42 da Lei n° 9.430/96; (ii) A outra parte deles, para a qual o histórico dos lançamentos bancários permitia identificar o tipo de informação (liquidação de cobrança, por exemplo) ou o remetente e do recurso, caracterizou receita omitida da atividade; e (iii) Em razão do aumento da receita acumulada mensal, decorrente das infrações acima, e da consequente mudança dos percentuais de apuração do Simples, caracterizouse, ainda, insuficiência de recolhimento do Simples sobre a receita declarada. Os percentuais de apuração do Simples devido, previstos no artigo 5º da Lei nº 9.317/96, foram majorados em 50%, com base no artigo 2° da Lei n° 10.034/2000, porque, segundo a fiscalização, a Contribuinte auferiu receita de prestação de serviço em montante superior a 30% da receita total . Cientificada das autuações em 08/12/2010, a Contribuinte apresentou impugnação (fls. 498/511), alegando, em resumo, que: (i) Os extratos bancários que sugerem omissão de rendimentos a partir dos depósitos de suposta origem não comprovada foram obtidos sem que houvesse enquadramento em quaisquer das hipóteses de indispensabilidade previstas no artigo 3º do Decreto n° 3.724/01; Fl. 699DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.001299/201019 Acórdão n.º 1402001.579 S1C4T2 Fl. 5 4 (ii) Os “depósitos não comprovados” não podem servir, por si só, como prova de omissão de renda, mormente quando se demonstra nos autos que parcela significativa deles não se refere à renda ou referese a rendimentos não tributáveis ou já tributados; (iii) O depósito de R$ 3.972,73, de 13/02/2006, foi efetuado pela própria Contribuinte e, portanto, não constitui renda; (iv) Os depósitos de R$ 98.751,62 e R$ 29.524,98, de 31/05/2006 e 06/06/2006, com histórico “desconto escritural”, referemse a “cobranças” e, no entanto, também foram considerados tributáveis pela fiscalização; (v) Existem valores creditados nas contas correntes que, a despeito de terem sido assinalados como de origem não comprovada, têm os depositantes identificados, tais como os de R$ 21.650,00, R$ 40.000,00, R$ 6.685,90 e R$ 28.880,00 (datas informadas); (vi) A fiscalização computou na base tributável a TED devolvida em 31/08/2006, no valor de R$ 13.000,00; (vii) Os valores de R$ 110.506,37, recebidos do IASERJ e o valor de R$ 1.239.318,38, recebido do Fundo Estadual de Saúde, totalizam R$ 1.349.982,75, que supera a receita declarada (R$ 1.126.447,08) em montante muito inferior ao que foi apontado pela fiscalização; (viii) A alíquota aplicável ao caso é aquela prevista nos incisos do artigo 5º da Lei n°. 9.317/96, sem qualquer acréscimo, uma vez que não foi comprovado, mês a mês, se a Contribuinte aufere receita decorrente da prestação de serviços em percentual igual ou superior a 30% da receita bruta total; (ix) Devem ser abatidos do lançamento os tributos já recolhidos e a contribuição retida na fonte pelo Fundo Estadual de Saúde. A 1ª Turma da DRJ/RJ1 considerou o lançamento procedente em parte (fls. 621/631), nos termos da ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A falta de comprovação da origem de quantias creditadas em conta corrente consubstancia receita omitida, porém deve ser expurgada aquela que não corresponde a receita, apontada na impugnação. MAJORAÇÃO DE ALÍQUOTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Os percentuais de apuração do Simples a pagar não podem ser acrescidos de 50%, se a fiscalização não demonstrou que a receita de prestação de serviços ultrapassou 30% da total. Impugnação Procedente em Parte Fl. 700DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.001299/201019 Acórdão n.º 1402001.579 S1C4T2 Fl. 6 5 Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada, a Contribuinte apresenta recurso voluntário (fls. 646/678) repisando os argumentos de sua peça impugnatória e acrescentando que a DRJ concedeu apenas o abatimento das retenções efetuadas concernentes ao INSS, sem se atentar para o fato de existirem retenções relacionadas aos demais tributos. Nesse contexto, afirma que a nota fiscal emitida para o Fundo Estadual de Saúde foi de R$ 1.239.318,38 (fls. 376 e 378), ao passo que o depósito se deu no montante de R$ 1.156.080,10, sendo a diferença referente aos tributos retidos na fonte que devem ser abatidos do lançamento (fls. 362). É o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator O recurso atende a todos os pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. Antes de mais, é preciso esclarecer que as instâncias administrativas de julgamento estão impedidas de afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob o fundamento de inconstitucionalidade, a teor do disposto no artigo 62 da Portaria MF nº. 256/09, que aprova o Regimento Interno do CARF, conforme abaixo: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. A aplicação de normas constitucionais somente é possível nos casos de decisões definitivas do STF e do STJ na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº. 5.869/73 (Código de Processo Civil), conforme art. 62A do RICARF, a saber: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil (g.n.), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) Sobre o tema, aplicase, ainda, o enunciado da Súmula nº. 2 deste Conselho: Súmula CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 701DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.001299/201019 Acórdão n.º 1402001.579 S1C4T2 Fl. 7 6 Nesse passo, como a matéria não foi definitivamente julgada pelo STF, considerase legítima a requisição de dados e extratos bancários pela Receita Federal do Brasil diretamente às instituições financeiras. No caso concreto, reiteradamente intimada a Contribuinte não apresentou seus livros contábeis e fiscais, tampouco os extratos bancários solicitados pela fiscalização. Em vista disso, considerando, ainda, a discrepância entre a movimentação financeira apontada pela CPMF e os valores declarados pela Contribuinte ao Fisco, a autoridade fiscal não teve alternativa senão emitir a requisição de movimentação financeira diretamente às instituições financeiras. Diante do contexto que se apresentava, a autoridade fiscal julgou ser indispensável o exame da movimentação financeira da Recorrente para a apuração da prática de infração à legislação tributária, entendimento que reputo correto. Logo, não merece reparo o procedimento em comento. No mérito, a decisão recorrida merece ser mantida, na maior parte, por seus próprios fundamentos. Assim, passo a transcrevelos: (...). O valor de R$ 3.972,73 (13.02.2006) não pode ser afastado pois a expressão "o mesmo", contida em seu histórico (extrato bancário à fl. 139), não é suficiente para demonstrar que os recursos fossem do próprio autuado. Também pode se tratar de cheque de terceiro, depositado pelo próprio autuado. Como o ônus de provar a origem é do contribuinte, persiste a presunção de receita omitida. O ingresso de R$ 13.000,00 (31.08.2006), ao contrário, não devia ter sido computado, por se tratar de devolução de TED (extrato bancário à f l. 78, verso) . Os demais depósitos questionados também não merecem ser expurgados. Tem razão o autuado, quando afirma que os ingressos de R$ 98.751,62 e R$ 29.524,98, por terem histórico "desconto escritural", referemse a "cobranças", no entanto, ao contrário de sua alegação, tais valores não foram computados uma segunda vez na base tributável. É o que vê no anexo II ao Termo n° 11, na parte referente aos meses de maio e junho (fls. 402/404). A respeito dos depósitos de R$ 21.650,00, R$ 40.000,00, R$ 6.685,90 e R$ 28.880,00, a citação do nome do remetente no histórico do extrato bancário não é suficiente para identificar a operação comercial que os originou . Só se o autuado demonstrasse que os valores provinham de operações com natureza diferente de receita, seria correto afastálos da base de cálculo. Considerando que o Termo n°. 11, que acompanhou o lançamento, esclareceu que os valores cujos históricos permitiam concluir que eles não tinham natureza de receitas Fl. 702DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.001299/201019 Acórdão n.º 1402001.579 S1C4T2 Fl. 8 7 tributáveis (empréstimos e financiamentos) não compuseram a base de cálculo, e levando em conta que o autuado recebeu a relação de todos os depósitos tributados, durante a ação fiscal e junto com o auto de infração, cabia a ele apontar eventuais valores incluídos equivocadamente. Como a defesa limitouse a questionar as quantias acima discutidas, concluo que só deve ser deduzido do montante tributável o valor de R$ 13.000,00, em agosto. Não vejo sentido na reclamação feita na impugnação, sobre a diferença entre soma do que recebeu do IASERJ e do Fundo Estadual de Saúde (R$ 1.349.982,75) e a receita declarada (R$ 1.126.447,08), que seriam bem inferior à diferença apontada pela fiscalização. A "receita bruta da atividade", apurada pela fiscalização, totaliza R$ 4.422.563,58 e abrange diversos valores além dos provenientes do IASERJ e do Fundo de Saúde, conforme anexos II e III ao Termo n° 11 (fls. 396/410). Por isso, a diferença entre ela e a receita declarada, que constitui a infração 2, é bem superior à esperada pelo autuado. Também é infundada a queixa relativa ao abatimento dos tributos já recolhidos. Nos demonstrativos dos autos de infração, já foram abatidos os valores de cada tributo embutido no valor do Simples apurado pelo autuado na PJSI (declaração simplificada da pessoa jurídica) fls . 02/15 e 415/422. Por outro lado, a retenção de INSS de R$ 70.845,01 efetuada pela fonte pagadora, Secretaria de Estado de Saúde do RJ (nota fiscal à fl. 377), como não foi considerada no auto de infração, deve ser abatida do INSS exigido, por força dos artigos 140 a 142 e 203 da Instrução Normativa SRP n° 3/2005, ainda que se trate de empresa optante pelo Simples. Somese a isso, que caracteriza omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, consoante disposição do art. 42 da Lei nº. 9430/96. A presunção de omissão de receita é uma presunção relativa, cuja propriedade é a de inverter o ônus da prova contra o sujeito passivo, autorizando o fisco a presumir a ocorrência do fato gerador pela verificação da situação tipificada em lei. Portanto, regularmente intimada, cabia à Recorrente o ônus de comprovar, através de documentos hábeis e idôneos, que os créditos efetuados em suas contas bancárias não representavam receitas tributáveis ou que já haviam sido tributados. In casu, a Recorrente não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem da totalidade dos recursos, comprovando apenas que parte dos valores não representavam receita tributável, como foi o caso da retenção de INSS expurgada da base de cálculo dos tributos lançados pela DRJ. Fl. 703DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11052.001299/201019 Acórdão n.º 1402001.579 S1C4T2 Fl. 9 8 Finalmente, impende acrescer que merece razão a Recorrente quando afirma, em seu recurso voluntário, que além do INSS haviam outros tributos retidos que não foram abatidos do lançamento e levados em conta pela DRJ. Conforme se verifica dos documentos às fls. 362/377, a nota fiscal emitida para o Fundo Estadual de Saúde indicava o valor total de R$ 1.239.318,38 (fls. 376 e 378). No entanto, apenas R$ 1.156.080,10 foi depositado para a Recorrente, uma vez que a diferença era referente a tributos retidos na fonte, a saber: R$ 70.845,01 de INSS (valor já abatido pela DRJ) e R$ 12.393,18 de IRF. O valor do imposto de renda na fonte, embora não esteja destacado na nota fiscal, está devidamente identificado no demonstrativo de fl. 362 apresentado pelo Fundo Estadual de Saúde. Com efeito, o valor de R$ 12.393,18 também deve ser deduzido do montante tributável. Posto isso, dou parcial provimento ao recurso voluntário, para reduzir a base de cálculo dos tributos lançados no montante de R$ 12.393,18. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 704DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10930.904574/2012-53
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/08/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/08/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 45 74 /2 01 2- 53 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904574/201253 Acórdão n.º 3803004.923 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904574/201253 Acórdão n.º 3803004.923 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904574/201253 Acórdão n.º 3803004.923 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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