Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,808)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,881)
- Primeira Turma Ordinária (16,417)
- Primeira Turma Ordinária (16,224)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,171)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,198)
- Terceira Câmara (67,866)
- Segunda Câmara (56,637)
- Primeira Câmara (20,749)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,702)
- Segunda Seção de Julgamen (115,207)
- Primeira Seção de Julgame (77,078)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,966)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,573)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,612)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,680)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 19515.001161/2010-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 05/05/2010
AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 32, INCISO III, LEI Nº 8.212/91.
Constitui fato gerador de multa deixar o contribuinte de prestar ao Fisco todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários ao regular desenvolvimento da fiscalização.
LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201307
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 05/05/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 32, INCISO III, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa deixar o contribuinte de prestar ao Fisco todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários ao regular desenvolvimento da fiscalização. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 19515.001161/2010-29
anomes_publicacao_s : 201308
conteudo_id_s : 5285085
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2401-003.124
nome_arquivo_s : Decisao_19515001161201029.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 19515001161201029_5285085.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
id : 5019838
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:12:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046172036235264
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2278; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 401 1 400 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001161/201029 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.124 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de julho de 2013 Matéria DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente COOPERATIVA DE TRABALHO EM GESTÃO INTEGRADA DE NEGÓCIOS E SERVIÇOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 05/05/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 32, INCISO III, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa deixar o contribuinte de prestar ao Fisco todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários ao regular desenvolvimento da fiscalização. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 11 61 /2 01 0- 29 Fl. 402DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.001161/201029 Acórdão n.º 2401003.124 S2C4T1 Fl. 402 3 Relatório COOPERATIVA DE TRABALHO EM GESTÃO INTEGRADA DE NEGÓCIOS E SERVIÇOS, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 14a Turma da DRJ em São Paulo/SP I, Acórdão nº 1630.378/2011, às fls. 218/236 que julgou procedente a autuação fiscal lavrada contra a contribuinte, com fulcro no artigo 32, inciso III e parágrafo 11o, da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela MP n° 449/2008), c/c artigo 225, inciso III, do RPS, por ter deixado de apresentar os documentos e informações solicitadas pelo fisco durante a ação fiscal, muito embora devidamente intimada para tanto mediante TIAD’s constantes dos autos, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 06/07, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração (Descumprimento de Obrigação Acessória), lavrado em 07/05/2010, nos termos do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor de R$ 14.107,77 (Quatorze mil, cento e sete reais e setenta e sete centavos), com base nos artigos 283, inciso II, alínea “b”, c/c 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. De conformidade com o Relatório Fiscal, apesar de intimada e reintimada, a contribuinte deixou de apresentar os documentos/recibos, lançados em seus Livros Diários referente pagamentos a contribuintes individuais (cooperados), bem como a relação individualizada dos segurados (Nome, CPF, PIS, Valor pago, Valor retido INSS). Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 239/352, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pugna pela decretação da nulidade do feito, sob o argumento de que a autoridade lançadora, ao constituir o presente crédito previdenciário, não logrou motivar/comprovar os fatos alegados de forma clara e precisa na legislação de regência, contrariando o princípio da verdade material, bem como o disposto no artigo 142 do CTN, em total preterição do direito de defesa e do contraditório da notificada, baseando a notificação em meras presunções. Explicita que em 08 de setembro de 2008, às 11:40 horas teve todas suas instalações alagadas em decorrência de um grande vazamento no andar superior do prédio onde se encontrava sediada, o que acarretou o perdimento de todos os seus computadores, softwares e hardwares, bem como grande parte de documentos contábeis, fiscais, comerciais e societários, conforme se constata da Certidão de Sinistro n° 208/2008, do Corpo de Bombeiros Metropolitano – PM do Estado de São Paulo, de 23/09/2008, e Boletim de Ocorrência n° 7284/2008, lavrado pela 96a Delegacia Policial – Monções, associados às fotos demonstrando a destruição das instalações, razão pela qual restou impossibilitada de apresentar à fiscalização a documentação solicitada, não podendo se cogitar, portanto, no arbitramento procedido pelo Fisco. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Contrapõese ao arbitramento levado a efeito pelo fiscal autuante, alegando que referido procedimento só pode ser adotado em casos excepcionais de escrita imprestável ou ausência de apresentação de documentos, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, onde a contribuinte somente não colocou a disposição a contabilidade em razão do sinistro ocorrido em sua sede, constituindose como fato involuntário (caso fortuito). Em defesa de sua pretensão traz à colação doutrina e jurisprudência a propósito da matéria, corroborando seu entendimento. Após breve relato das fases e fatos ocorridos no decorrer do processo administrativo fiscal, transcrevendo, inclusive, a íntegra das decisões de primeira instância, insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, notadamente em relação ao arbitramento utilizado na constituição do crédito previdenciário, alegando ser totalmente arbitrário, injustificado e imotivado, sobretudo quando desconsiderou o Livro Diário, as GFIP’s e DIPJ’s apresentadas pela contribuinte. Assevera que a contribuinte nunca se recusou a prestar os esclarecimentos e documentos solicitados pela fiscalização no decorrer da ação fiscal, não se justificando a constituição do crédito previdenciário a partir de presunções (arbitramento) em detrimento da documentação ofertada pela notificada, sendo dever do fisco comprovar a efetiva ocorrência do fato gerador do tributo ora lançado. Sustenta que as contribuições previdenciárias ora lançadas admitiram como base valores concernentes às “sobras”, que se caracterizam como direitos dos cooperados proporcionalmente às operações que realizam com a Cooperativa. A fazer prevalecer sua pretensão, traz à colação legislação, doutrina e jurisprudência no sentido de que referidas “sobras” não são tributadas. Aduz que apurandose saldo positivo, resultante da liquidação dos valores obtidos pelos serviços prestados por atos cooperados, a sobra correspondente poderá ser distribuída aos cooperados, na proporcionalidade de sua produção. A sociedade poderá ainda, por decisão de seus associados capitalizar o valor das sobras, de acordo com o que deliberado em Assembléia Geral. A distribuição de sobras equivale à devolução aos cooperados dos recursos não utilizados pela sociedade cooperativa. Arremata, argumentando que os serviços caracterizadores do ato cooperativo trazem proveio aos associados e sobre os mesmos não há incidência tributária, por serem serviços prestados diretamente pelos próprios cooperados, em decorrência de típico ato cooperativo. Explicita a sua natureza jurídica, as atividades desenvolvidas, atos constitutivos, objeto social, bem como o seu histórico, esclarecendo, ainda, que as cooperativas regemse pela Lei n° 5.764/71, para concluir a recorrente é uma cooperativa de profissionais liberais e autônomos e seus cooperados são consultores nas áreas de Tecnologia, Informática, Telemarketing, Telecomunicações e Gestão Integrada. Opõese ao vínculo empregatício atribuído pela fiscalização entre a recorrente e seus cooperados, os quais não podem ser considerados como empregados da cooperativa, uma vez que não percebem salário e, por conseguinte, não recebem décimo terceiro salário. Alega que os cooperados, na condição de autônomos, recebem adiantamento mensal variável das sobras resultantes do seu trabalho, enquanto que o empregado recebe um salário e é um subordinado à empresa e a um empregador. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.001161/201029 Acórdão n.º 2401003.124 S2C4T1 Fl. 403 5 Defende ser lícito à cooperativa oferecer aos cooperados benefícios, tais como alimentação, saúde, cultura, educação, desenvolvimento profissional, lazer, auxílio creche, etc, sem que se incluam em suas remunerações, mormente quando serão deduzidos dos créditos ou sobras a serem pagas ao cooperado que deles se beneficiou. Relativamente aos Autos de Infração n°s 37.259.9478, 37.259.9486, 37.259.9494 e 37.259.9508, pretende sejam afastadas a penalidades aplicadas, fundadas falta de apresentação, dentro do prazo legal, dos documentos solicitados e informações cadastrais, tendo em vista ter comprovado a impossibilidade absoluta de cumprimento da intimação fiscal por conta do sinistro ocorrido na sede da empresa. Quanto ao Auto de Infração n° 37.259.9516 (AI 68), contemplando a ausência de informação em GFIP dos fatos geradores das contribuições previdenciárias ora lançadas, alegar ser totalmente improcedente uma vez que o Auditor Fiscal quer equiparar os valores recebidos por cooperados a salários pagos a colaboradores com vínculo empregatício (empregados). Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar os Autos de Infração, tornandoos sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. PRELIMINAR DE NULIDADE Preliminarmente, pugna a contribuinte pela decretação da nulidade do feito, sob o argumento de que a autoridade lançadora não logrou motivar/fundamentar o ato administrativo do lançamento, de forma a explicitar clara e precisamente os motivos e dispositivos legais que embasaram as autuações, contrariando a legislação de regência, notadamente o artigo 142 do CTN e, bem assim, os princípios da ampla defesa e do contraditório. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o lançamento não apresenta qualquer vício de motivação capaz de ensejar a sua nulidade, seja de natureza material ou formal, ao contrário do que sustenta a recorrente. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que ocorrera com o presente lançamento. A simples leitura dos anexos da autuação, especialmente o “Relatório da Infração”, às fls. 06, e “Relatório Fiscal da Aplicação da Multa”, às fls. 07, não deixa margem de dúvida, recomendando o não acolhimento da nulidade suscitada, uma vez informarem que a contribuinte deixou de apresentar a documentação solicitada pela fiscalização, mais precisamente os documentos/recibos, lançados em seus Livros Diários referente pagamentos a contribuintes individuais (cooperados), bem como a relação individualizada dos segurados (Nome, CPF, PIS, Valor pago, Valor retido INSS, infringindo o disposto no artigo 32, inciso III, parágrafo 11o, da Lei nº 8.212/91, constituindose crédito previdenciário decorrente de multa aplicada nos termos do artigo 283, inciso II, alínea “b”, do RPS, que assim prescrevem: “ Lei nº 8.212/91 “Art. 32. A empresa também é obrigada a: [...] III – prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009); [...] Fl. 407DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.001161/201029 Acórdão n.º 2401003.124 S2C4T1 Fl. 404 7 § 11 Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) “Regulamento da Previdência Social – Aprovado pelo Decreto 3.048/99. “Art. 225. A empresa é também obrigada a: [...] III prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização;” “Art. 283. Por infração a qualquer dispositivos das Leis 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 08 de mais de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável [...], conforme gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: [...] II – a partir de R$ 6.361,73 nas seguintes infrações: [...] b) deixar a empresa de apresentar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal os documentos que contenham as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, ou os esclarecimentos necessários à fiscalização;” Verificase, que a recorrente não apresentou a documentação exigida pela Fiscalização na forma e prazo que determina a legislação previdenciária, incorrendo na infração prevista nos dispositivos legais supratranscritos, o que ensejou a aplicação da multa, nos termos do Regulamento da Previdência Social, como procedeu, corretamente, o fiscal autuante, não se cogitando na improcedência do lançamento. Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover o lançamento demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhe suportaram, ou melhor, o fato gerador da penalidade imposta, não havendo se falar em nulidade do procedimento. Melhor elucidando, os cálculos dos valores objetos do lançamento e a conclusão fiscal foram extraídos das informações constantes dos sistemas previdenciários e fazendários, bem como dos documentos contábeis e demais esclarecimentos fornecidos pela própria recorrente, rechaçando qualquer dúvida quanto à regularidade do procedimento adotado pelo fiscal autuante, como procura demonstrar à autuada, uma vez que agiu da melhor forma, com estrita observância à legislação de regência. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 No que concerne ao argumento da contribuinte que a multa não se justificaria em razão da simples não apresentação dos documentos solicitados, igualmente, não merece acolhimento, eis que é exatamente essa a obrigação legal que não fora observada pela empresa, consoante se extrai dos dispositivos legais encimados. MÉRITO No mérito, pugna a recorrente pela reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, suscitando, sinteticamente, questões relativas à autuação fiscal por descumprimento de obrigações principais (AI n° 37.259.9460), sobretudo insurgindose contra o arbitramento levado a efeito naqueles autos de maneira injustificada, em razão de a contribuinte somente não ter apresentado os documentos solicitados em virtude de vazamento/inundação de sua sede, além de oporse à incidência de contribuições previdenciárias sobre as sobras admitidas como base de cálculo dos tributos lançados. Destarte, ao revés da argumentação da contribuinte, a presente autuação não contempla a exigência de contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações dos segurados contribuintes individuaiscooperados, apuradas por arbitramento. Constatase, assim, que muito embora se tratar de autuação face à inobservância de obrigações acessórias, os argumentos da recorrente dizem respeito basicamente a obrigações principais, bem como a propósito de matérias totalmente impertinentes em relação ao presente lançamento, o que por si só seria capaz de ensejar o não conhecimento do recurso voluntário, por trazer em seu bojo questões estranhas ao auto de infração sob análise. Com efeito, a contribuinte faz uma verdadeira confusão ao tratar da questão, trazendo à colação argumentos relativos à constituição de créditos previdenciários decorrentes do descumprimento de obrigações principais. Consoante se positiva do artigo 113 do Código Tributário Nacional, as obrigações tributárias são divididas em duas espécies, principal e acessória. A primeira diz respeito à ocorrência do fato gerador do tributo em si, por exemplo, recolher ou não o tributo propriamente dito, extinguindo juntamente com o crédito decorrente. Por outro lado, a obrigação acessória, relacionase às prestações positivas ou negativas, constantes da legislação de regência de interesse da arrecadação ou fiscalização tributária, sendo exemplo de seu descumprimento a infração apurada no Auto de Infração em comento, devidamente explicitado no Relatório Fiscal da Infração. Nesse sentido, inobstante as razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte ao longo do seu arrazoado, sua pretensão não merece ser acolhida. A uma porque se vinculam com descumprimento de obrigações tributárias principais, estranhas ao presente caso. A duas, porque, em sua maioria, dizem respeito a matérias impertinentes, não contempladas na presente autuação. Entrementes, como o auto de infração fora lavrado em razão de a contribuinte ter deixado de apresentar documentos solicitados pela fiscalização, analisaremos nesta oportunidade a argumentação da recorrente procurando justificar a não apresentação de referida documentação ao Fisco por conta de inundação/vazamento ocorrido em sua sede. Em defesa de sua pretensão, explicita que em 08 de setembro de 2008, às 11:40 horas teve todas suas instalações alagadas em decorrência de um grande vazamento no andar superior do prédio onde se encontrava sediada, o que acarretou o perdimento de todos Fl. 409DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.001161/201029 Acórdão n.º 2401003.124 S2C4T1 Fl. 405 9 os seus computadores, softwares e hardwares, bem como grande parte de documentos contábeis, fiscais, comerciais e societários, conforme se constata da Certidão de Sinistro n° 208/2008, do Corpo de Bombeiros Metropolitano – PM do Estado de São Paulo, de 23/09/2008, e Boletim de Ocorrência n° 7284/2008, lavrado pela 96a Delegacia Policial – Monções, associados às fotos demonstrando a destruição das instalações, razão pela qual restou impossibilitada de apresentar à fiscalização a documentação solicitada, não podendo se cogitar, portanto, na penalidade imposta. Inobstante o esforço da contribuinte, suas alegações não são capazes de macular a exigência fiscal consagrada pelo lançamento, impondo seja mantida incólume a exigência fiscal consagrada pelo lançamento, conforme passaremos a demonstrar. Com efeito, restou devidamente demonstrado pela fiscalização que a contribuinte, muito embora devidamente intimada, não apresentou a totalidade dos documentos solicitados pelo fiscal autuante, que objetivava verificar a regularidade fiscal da empresa. In casu, o que torna digno de realce e acaba por ser a questão nuclear da presente demanda, é que o contribuinte alega ter deixado de apresentar a documentação solicitada pela fiscalização, em razão de sinistro (inundação) ocorrido em sua sede, o que acarretou o perdimento de todos os seus computadores, softwares e hardwares, bem como grande parte de documentos contábeis, fiscais, comerciais e societários, conforme se constata da Certidão de Sinistro n° 208/2008, do Corpo de Bombeiros Metropolitano – PM do Estado de São Paulo, de 23/09/2008, e Boletim de Ocorrência n° 7284/2008, lavrado pela 96a Delegacia Policial – Monções, às fls. 177/181. Diante desses fatos, incumbe a este Colegiado analisar se as razões da contribuinte no sentido de que se via impossibilitada de apresentar os documentos solicitados é capaz de rechaçar a pretensão fiscal, o que em nosso entendimento não merece prevalecer. Aliás, vários são os motivos que nos levam a tal conclusão, senão vejamos. Não há dúvidas que, de fato, ocorrera vazamento/inundação na sede da empresa. Entrementes, existem algumas alegações da contribuinte que conflitam com os documentos oficiais constantes dos autos. A uma, a Certidão de Sinistro n° 208/2008 simplesmente confirma que houve inundação nos 5o e 6o andares do Condomínio Edifício Máximo, “possivelmente ocorrido por torneira aberta”, com danos materiais na cobertura de gesso dos respectivos andares e nos pisos de carpete encharcado. Registra, ainda, que muito embora os proprietários tenham informado ter havido dano a móveis e equipamentos eletrônicos, não se pode confirmar tal fato, eis que os mesmos foram retirados do local antes da vistoria do Corpo de Bombeiros. De outro lado, a contribuinte aduz que a inundação/vazamento ocorreu, possivelmente, em razão de rompimento de tubulação de água, tendo danificado todos os móveis, documentos e equipamentos que se encontravam ali situados, tendo, inclusive, registrado sua versão no Boletim de Ocorrência. A partir desses fatos, percebese que os documentos trazidos à colação pela contribuinte são pouco conclusivos, uma vez que comprovam exclusivamente ter havido inundação/vazamento nos 5o e 6o andares do edifício sede, provocando danos no teto de gesso e piso de carpete. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 Não há qualquer comprovação de ter ocorrido, realmente, perdimento de todos os seus computadores, softwares e hardwares, bem como grande parte de documentos contábeis, fiscais, comerciais e societários, tendo em vista que a Certidão do Corpo de Bombeiros a bastante clara ao afirmar que não se encontrava no local nenhum desses equipamentos quando da vistoria técnica procedida. Neste sentido, parte da argumentação da contribuinte já cai por terra, porquanto, repitase, inexiste qualquer prova de que todos os seus documentos fiscais, contábeis, folhas de pagamento, computadores, etc sofreram danos irreversíveis por ocasião do vazamento ocorrido em sua sede. Não bastasse isso, cumpre observar que referido vazamento ocorrera em 08 de setembro de 2008, tendo a ação fiscal sendo iniciada somente em 05/02/2009, com termos de intimação fiscal para apresentação de documentos emitidos até 13/04/2010. Ou seja, admitindose que toda documentação e equipamentos da contribuinte foram danificados com o sinistro em comento, a empresa teve tempo bastante razoável para restabelecêlos, antes e no decorrer da própria ação fiscal. Aliás, como restou muito bem delineado pelo julgador de primeira instância, a legislação de regência contempla os prazos para guarda da documentação contábil, bem como procedimento específico a ser adotado nos casos de extravio, deterioração ou destruição dos documentos das pessoas jurídicas, a começar pelo artigo 1.194 do Código Civil, que assim preceitua: “Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados.” Por sua vez, o DecretoLei n° 486/1969, prescreve em seu artigo 10, o procedimento a ser seguido nestes casos, como segue: “Art 10. Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros fichas documentos ou papéis de interesse da escrituração o comerciante fará publicar em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas ao órgão competente do Registro do Comércio. Parágrafo único. A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observado o disposto neste artigo.” Na mesma linha de determinação, corroborando a disposição nos dispositivos legais encimados, o artigo 210 do Regulamento de Imposto de Renda – RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99, assim estabelece: “Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). § 1º Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a Fl. 411DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.001161/201029 Acórdão n.º 2401003.124 S2C4T1 Fl. 406 11 pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10). § 2º A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observado o disposto no parágrafo anterior (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10, parágrafo único). § 3º Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios (Lei nº 9.430, de 1996, art. 37).” Extraise das normas legais supratranscritas o procedimento que deveria a contribuinte ter adotado por ocasião do sinistro ocorrido em sua sede, de maneira a reforçar a sua tese de que toda sua escrituração contábil, equipamentos, etc, fora acometidos pelo vazamento em questão. Mas não é isso que se vislumbra na hipótese vertente, onde a contribuinte apresenta provas de comprovam simplesmente a ocorrência de vazamento em dois andares de sua sede, sem qualquer demonstração dos documentos e/ou equipamentos que teriam sido danificados permanentemente, o que reforça a pretensão fiscal. Observese, que a contribuinte em seu Recurso Voluntário, a exemplo das fases anteriores do processo administrativo, não apresentou nenhuma documentação capaz de comprovar que os valores lançados não condizem com a verdade. Mais a mais, tratandose de matéria de fato, caberia a contribuinte ao ofertar a sua defesa produzir a prova em contrário através de documentação hábil e idônea. Não o tendo feito, é de se manter o lançamento. DA APRECIAÇÃO DE QUESTÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES/ILEGALIDADES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Relativamente às questões de inconstitucionalidades arguidas pela contribuinte, além dos procedimentos adotados pela fiscalização, bem como a multa ora exigida encontrarem respaldo na legislação previdenciária, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 12 A própria Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Observese, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo regimental encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. A corroborar esse entendimento, a Súmula CARF nº 02, assim estabelece: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” E, segundo o artigo 72, e parágrafos, do Regimento Interno do CARF, as Súmulas, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação obrigatória por este Conselho. Finalmente, o artigo 102, I, “a” da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; [...]” Fl. 413DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19515.001161/201029 Acórdão n.º 2401003.124 S2C4T1 Fl. 407 13 Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, também em relação à ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expresso sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância, o que se presta, igualmente, para afastar os insurgimentos relativos aos demais autos de infração por descumprimento de obrigação acessória, os quais analisaremos nos autos pertinentes. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento na forma ali decidida, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo para si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 414DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10283.900174/2008-64
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório.
Recurso provido
Numero da decisão: 1803-001.881
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito dar provimento ao recurso voluntário e reconhecer o direito creditório, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado.
Walter Adolfo Maresch
Presidente
(Assinado Digitalmente)
Sérgio Luiz Bezerra Presta
Relator
(Assinado Digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues, Marcos Antonio Pires.
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201309
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório. Recurso provido
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10283.900174/2008-64
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5299895
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1803-001.881
nome_arquivo_s : Decisao_10283900174200864.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
nome_arquivo_pdf_s : 10283900174200864_5299895.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito dar provimento ao recurso voluntário e reconhecer o direito creditório, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Walter Adolfo Maresch Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (Assinado Digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues, Marcos Antonio Pires.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
id : 5119719
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:14:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046172054061056
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1951; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 241 1 240 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.900174/200864 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 1803001.881 – 3ª Turma Especial Sessão de 12 de setembro de 2013 Matéria IRPJ Recorrente BRAGA VEÍCULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório. Recurso provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito dar provimento ao recurso voluntário e reconhecer o direito creditório, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Walter Adolfo Maresch Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (Assinado Digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues, Marcos Antonio Pires. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 01 74 /2 00 8- 64 Fl. 241DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 16/1 0/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10283.900174/200864 Acórdão n.º 1803001.881 S1TE03 Fl. 242 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, adoto parte do relato do contido no Acórdão nº 0123.310 proferido pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA, constante das fls. 188 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: “Versa o presente processo sobre PER/DCOMP nº 14163.44268.210905.1.7.021956 (fls.1/8), o qual retificou o PER/DCOMP 17882.45305.210905.1.3.024365, em que o contribuinte indica crédito de saldo negativo IRPJ ano calendário 2003 no valor de R$ 195.765,49 para compensar débito de IRRF, 5706, 1ª sem. Jan/2005, vencimento 05/01/2005, R$ 163.500,00. Ainda segundo consta do PER/DCOMP, o crédito em questão seria constituído por pagamentos de estimativa IRPJ referentes aos meses de janeiro a agosto e outubro/novembro/2003. Por intermédio do Despacho Decisório nº 749299995 e anexos de 07/03/2008 (fls.9/11), o direito creditório não foi reconhecido. Em decorrência, as compensações resultaram não homologadas. Como fundamento para o não reconhecimento do direito creditório, a unidade de origem afirma que “não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo do crédito: R$ 195.765,49. Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$ 197.063,78”. Além do PER/DCOMP 14163.44268.210905.1.7.021956, também foram consideradas não homologadas as compensações efetuadas via PER/DCOMP 12850.29881.210905.1.7.028915. Tendo tomado ciência do Despacho Decisório em 14/03/2008 (fl.12), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 11/04/2008 (fls.13/18), via representante legal (fls.20/26), alegando em síntese que: 1) A Fazenda Pública fundamentou a não homologação do crédito total da requerente sob a afirmação de que não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na DIPJ não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP; 2) Tal afirmativa, a despeito de corresponder à realidade dos fatos, expressa desconsideração pela legitimidade das receitas auferidas pela União, que é fator igualmente relevante para o agente prolator do parecer, ora contrário à peticionaria; 3) O erro cometido pela requerente foi a favor do Erário e contra si mesma, visto que não reconheceu a totalidade do crédito a que tinha direito. Entende que a compensação deveria ser homologada até o limite informado na DCOMP; 4) Se houve a percepção por parte da própria Fazenda Pública quanto ao equívoco cometido, a fim de prestigiar o princípio da economia processual, ela poderia ter procedido de ofício a correção com o objetivo precípuo de se buscar a verdade Fl. 242DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 16/1 0/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10283.900174/200864 Acórdão n.º 1803001.881 S1TE03 Fl. 243 3 material dos fatos, ou seja, a quantificação precisa e inequívoca do crédito da requerente; 5) A Administração pode rever seus atos; (transcreve jurisprudência judicial e administrativa sobre o assunto) 6) Independentemente do equívoco, não se pode olvidar a subsistência da obrigação da Fazenda Pública em restituir ou compensar pagamentos indevidos feitos a título de tributo, pois esta obrigação decorre do fato de haver recebido valor sem fundamento na lei; 7) Esta obrigação decorre dos próprios princípios da legalidade e da tipicidade; 8) Em essência, tal obrigação está devidamente contemplada no art.165, caput e inciso I do CTN; 9) O fundamento maior e cerne de toda esta questão deriva do princípio geral do Direito, no qual, “quem recebeu o que não lhe era devido, fica obrigado a devolver; 10) O direito à restituição e compensação está albergado na lei e consagrado pela Jurisprudência dominante; (transcreve jurisprudência a respeito) 11) Ao tomar ciência das razões da não homologação, a requerente elaborou PER/DCOMP`s retificadores, que ora anexa a este pedido de reconsideração; 12) Pede que os autos sejam retornados em diligência ao SEORT/DRFB/MNS para que se confirme a liquidez e certeza do direito à compensação; 13) Requer a homologação das compensações. Constam ainda dos autos os seguintes documentos que merecem destaque: PER/DCOMP`s retificadores (fls.27/38), DIPJ/2004 ano calendário 2003 retificadora (fls.39/103), despacho (fl.105), Termo de Juntada (fl.122), comprovantes pagamentos estimativas IRPJ (fls.123/125), telas DCTF`s – estimativas IRPJ (fls.126/135), telas sistemas RFB (fls.136/138) e DIRF`s 2003 (fls.139/173)”. A 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA, na sessão de 21/10/2011, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão nº 0123.310 entendendo por unanimidade de votos, “reconhecer o direito creditório referente a Saldo Negativo IRPJ ano calendário 2003 no valor de R$ 183.326,33 e declaro parcialmente homologadas as compensações”, em decisão assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2003 SALDO NEGATIVO IRPJ. PAGAMENTOS. DEDUÇÃO IRRF. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. Os pagamentos confirmados nos sistemas da RFB devem ser levados ao ajuste anual. As estimativas compensadas devem ser levadas ao ajuste anual mesmo quando as compensações sejam não homologadas. As deduções de IRPJ devido com IRRF não ratificados em DIRF devem ser glosadas, mantendose os valores confirmados. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte” Fl. 243DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 16/1 0/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10283.900174/200864 Acórdão n.º 1803001.881 S1TE03 Fl. 244 4 Cientificado da decisão de primeira instância em 18/11/2011 (sextafeira) (AR constante das fls. 196), a BRAGA VEÍCULOS LTDA, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 0123.310, recorre em 20/12/2011 (fls. 197 e segs dos autos) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado, atacando os argumentos do acórdão recorrido, com os seguintes pedidos: Na referência às folhas dos autos considerei a numeração do processo eletrônico (eprocesso). É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Antes de adentra ao mérito da questão, passo a analisar a preliminar de nulidade levantada pela Recorrente no pedido do recurso voluntário, fls. 197 e segs, constante das fls. 145 e segs dos autos. Procurei as razões que embasariam a suposta nulidade do Acórdão nº 01 23.310 proferido pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém – PA e simplesmente não encontrei. Na verdade o recurso voluntário trata: a) da tempestividade (fls. 198); b) dos fatos (fls. 198); c) da existência e suficiência do direito creditório (fls. 200); c) da retenção na fonte (fls. 201); e d) dos pedidos (fls. 202). Fl. 244DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 16/1 0/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10283.900174/200864 Acórdão n.º 1803001.881 S1TE03 Fl. 245 5 Ou seja, nas 5 paginas do recurso voluntário, a Recorrente não apresenta nenhuma razão, fato ou indicio que fundamente a suposta nulidade do Acórdão nº 0123.310 proferido pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém – PA. Assim, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade. Ultrapassado esse ponto, passo agora à questão de mérito, que foi bem sintetizada pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém – PA, quando afirmou às fls. 191 dos autos: “O direito creditório não foi reconhecido em razão de divergência entre o saldo negativo IRPJ ano calendário 2003 apurado na DIPJ e informado no PER/DCOMP. O contribuinte, por sua vez, reconhece a existência de divergência e afirma que o direito creditório correto é o apurado na DIPJ (R$ 197.063,78). Visando corrigir o equívoco cometido, foram elaborados os PER/DCOMP`s retificadores (fls.27/38)”. Diante do que consta dos autos, vejo que a 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém – PA não aceitou, como componentes do saldo negativo, os valores de estimativa pagos a maior, o que é, incontestavelmente, um equívoco, conforme pode ser visto abaixo: No que concerne à Tabela 2, coluna “Estimativa IRPJ (Pagamento) Até o Limite Declarado”, temos que os pagamentos das estimativas declaradas em DCTF estão ratificados pelos comprovantes de fls.123/125 dos autos, bem como pelas telas constantes das fls.136 a 138. Quando o pagamento efetuado é superior ao débito IRPJ declarado, o valor considerado como estimativa IRPJ efetivamente paga é o pagamento limitado ao montante declarado. Isto porque os sistemas da Receita Federal do Brasil – RFB são alimentados pelos débitos declarados em DCTF, bem como pelo fato do próprio contribuinte ter feito expressamente distinção entre o pagamento e o valor pago do débito. Explicando melhor: se o contribuinte declarou em DCTF débito de estimativa IRPJ no valor de R$ 10.000,00 e pagou R$ 12.000,00, a estimativa efetivamente paga em relação ao mês indicado do anocalendário em questão é de R$ 10.000,00. A diferença (R$ 2.000,00) é crédito do contribuinte, conforme pode ser observado da planilha a seguir transcrita: Fl. 245DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 16/1 0/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10283.900174/200864 Acórdão n.º 1803001.881 S1TE03 Fl. 246 6 Ou seja, ficou devidamente comprovado o direito da Recorrente, não podendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, tendo em vista que uma breve análise nas informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação) no momento da prolação do despacho decisório seria suficiente para validar a compensação realizada. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. E foi isso que efetivamente aconteceu. Diante do exposto, voto para rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito dar provimento ao recurso voluntário e reconhecer o direito creditório, reformando, desta feita, a decisão proferida pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém – PA. Sergio Luiz Bezerra Presta – Relator (Assinado digitalmente) Fl. 246DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 16/1 0/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 10283.900174/200864 Acórdão n.º 1803001.881 S1TE03 Fl. 247 7 Fl. 247DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 16/1 0/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
score : 1.0
Numero do processo: 16004.720427/2011-99
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA - APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - COMPENSAÇÃO INDEVIDA - GLOSA.
As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei 8.212/1991, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB. Serão glosados pela RFB os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MULTA ISOLADA
As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-002.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, para (i) não conhecer do recurso voluntário na matéria de mesmo objeto dos mandados de segurança impetrados: (ii) conhecer do recurso voluntário nas questões da compensação indevida e da multa isolada . No mérito por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Jhonatas Ribeiro da Silva, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Freitas. Souza Costa. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201305
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA - APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - COMPENSAÇÃO INDEVIDA - GLOSA. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei 8.212/1991, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB. Serão glosados pela RFB os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MULTA ISOLADA As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 16004.720427/2011-99
anomes_publicacao_s : 201309
conteudo_id_s : 5293375
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2403-002.068
nome_arquivo_s : Decisao_16004720427201199.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 16004720427201199_5293375.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, para (i) não conhecer do recurso voluntário na matéria de mesmo objeto dos mandados de segurança impetrados: (ii) conhecer do recurso voluntário nas questões da compensação indevida e da multa isolada . No mérito por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Jhonatas Ribeiro da Silva, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Freitas. Souza Costa. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto.
dt_sessao_tdt : Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
id : 5074775
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:13:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046172165210112
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2410; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 1.844 1 1.843 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16004.720427/201199 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2403002.068 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 15 de maio de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente PREFEITURA MUNICIPAL DE JOSÉ BONIFÁCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 04 27 /2 01 1- 99 Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO COMPENSAÇÃO INDEVIDA GLOSA. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei 8.212/1991, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. Serão glosados pela RFB os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MULTA ISOLADA As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, para (i) não conhecer do recurso voluntário na matéria de mesmo objeto dos mandados de segurança impetrados: (ii) conhecer do recurso voluntário nas questões da compensação indevida e da multa isolada . No mérito por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Jhonatas Ribeiro da Silva, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Freitas. Souza Costa. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16004.720427/201199 Acórdão n.º 2403002.068 S2C4T3 Fl. 1.845 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – PREFEITURA MUNICIPAL DE JOSÉ BONIFÁCIO contra Acórdão nº 1436.842 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto SP que julgou procedente o Auto de Infração – AIOP nº 50.010.0560, no valor de R$ 8.139.195,54, referente à: multa isolada no percentual de 150%, devida em razão da falsidade na GFIP apresentada e; glosa de compensações efetuadas pelo sujeito passivo nas GFIP, das competências 05/2010 a 12/2010. O Relatório Fiscal informa que as compensações efetuadas referemse a ações judiciais nas quais a Prefeitura pleiteia a compensação de contribuições incidentes sobre valores recebidos por segurados empregados constantes da folha de pagamento a título de férias, 1/3 férias, horas extras, adicionais de insalubridade, periculosidade, noturno, férias indenizadas etc., nos termos dos mandados de segurança impetrados. Conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Intimada a esclarecer o motivo das compensações efetuadas, ela apresentou documentos a demonstrar a existência de dois Mandados de Segurança, nos quais ela pleiteia a não incidência de contribuição previdenciária sobre verbas pagas aos segurados empregados. No processo judicial nº 004353.30.2010.403.6106, a impetrante requer a declaração de inexistência de relação jurídica entre o Município e a União/Receita Federal do Brasil, referente à contribuição previdenciária patronal incidente sobre as importâncias pagas aos segurados empregados a título de horas extras e terço constitucional de férias. Nesse processo foi proferida sentença denegando a segurança pleiteada e declarando extinto o feito, com resolução do mérito, tendo o Município interposto recurso de apelação. No processo judicial nº 002026.78.2011.403.6106, a impetrante requer a mesma segurança, porém, em relação às importâncias pagas aos segurados empregados a título de avisoprévio indenizado, férias indenizadas e férias em pecúnia, salário educação, auxílios creche, doença e acidente (15 dias do afastamento), abono assiduidade, abono único anual, vale transporte, adicional de periculosidade, adicional de insalubridade e adicional noturno. Nesse processo foi proferida decisão indeferindo a medida liminar, tendo o Município impetrando agravo de instrumento. Por considerar que as contribuições eram devidas, por não constarem do rol das parcelas que não integram o salário de contribuição (artigo 28, 9º da Lei nº 8.212/91), e que o Município não possui crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, tampouco decisão judicial que o autorize a efetuar as compensações de forma antecipada, a autoridade Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 lançadora procedeu a glosa das compensações efetuadas e procedeu ao lançamento de seus valores. Ainda, por considerar que o sujeito passivo apresentou declaração com falsidade, ao informar em GFIP compensação que sabidamente não teria direito, reduzindo assim o valor devido de contribuições em detrimento do Erário Público, a autoridade lançadora aplicou a multa isolada de 150%, com fundamento no artigo 89, §10º da Lei nº 8.212/91 e no artigo 46 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. Em relação ainda à aplicação da multa isolada de 150%, esclarece o Relatório Fiscal, além de todo o amparo legal citado, que: “6. Pelo acima exposto, temos uma situação em que o sujeito passivo, ao fazer inserir em GFIP informação de compensação que sabidamente não teria direito, reduziu, deliberadamente, o valor devido e o subseqüente recolhimento de sua obrigação tributária para com a Seguridade Social, o que configura a conduta ilegal do mesmo; postura esta prevista no art. 72. Lei 4502/1964 (art. 72 – Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar ...). A todas as luzes, portanto, o Município prestou uma informação em sua GFIP que não era verdadeira, e por conseqüência, falsa. E o mesmo não pode sequer alegar que desconhece, ou desconhecia a vedação de utilização de supostos créditos sem o devido respaldo judicial – pois que tratase de matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário , posto que a ninguém é dado alegar desconhecer a Lei para eximirse do cumprimento da respectiva obrigação. Tal hipótese harmonizase perfeitamente com a parte final do art. 72, Lei 4502/1964, já destacada, uma vez que, deveras, o sujeito passivo não só pretendeu reduzir o pagamento do tributo, inserindo na GFIP uma informação que impedia sua cobrança pela RFB, como de fato o conseguiu; até que a Fiscalização, antes de esgotado o prazo homologatório de que trata o art. 150, § 4º, CTN constatou a irregularidade e adotou as providências necessárias. Assim, a partir da análise do acima exposto e tendo em vista que o contribuinte efetuou compensação de créditos inexistentes, uma vez que não estava legal e judicialmente amparado para tal procedimento, e que, consequentemente, inseriu informações falsa e/ou inexatas nas GFIPs do período citado; informações essas que culminaram por reduzir o valor devido das contribuições previdenciárias em detrimento do erário público, concluímos pela aplicação da multa estabelecida no art. 89, § 10, Lei 8212/1991 em consonância com o art. 46, IN RFB 900, ou seja, multa isolada de 150% sobre o valor da compensação indevida. A Recorrente teve ciência do AIOP em 09.2011, conforme informação nos autos. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Fiscal, é de 05/2010 a 12/2010. Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16004.720427/201199 Acórdão n.º 2403002.068 S2C4T3 Fl. 1.846 5 A Recorrente apresentou Impugnação, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: O sujeito passivo apresentou impugnação, na qual requer o cancelamento dos créditos tributários contidos no Auto de Infração, o cancelamento da Representação Fiscal para Fins Penais e o reconhecimento do direito a suspensão da exigibilidade da contribuição previdenciária patronal e a homologação das compensações efetuadas nas competências 05/2010 a 13/2010. Informa que os motivos e fundamentos de seus pedidos constam dos documentos anexos à impugnação. No Anexo “Pasta I – Da Suspensão da Exigibilidade da Contribuição Previdenciária Patronal”, aduz, em síntese, que não integram o salário as verbas com natureza jurídica indenizatória ou compensatória, pagas a título de adicional de férias, horasextras, adicional noturno, adicional de insalubridade, saláriomaternidade, terço constitucional de férias, férias indenizadas, adicional de periculosidade, salário família, avisoprévio, salárioeducação, auxíliodoença, auxílio creche, valetransporte, abono assiduidade e abono único. Aduz que somente as parcelas que podem ser incorporadas à remuneração do servidor para fins de aposentadoria podem sofrer a incidência de contribuição previdenciária. Transcreve várias ementas de decisões dos tribunais. No Anexo “Pasta II – Do Direito à Compensação Administrativa sem Anuência do Judiciário ou RFB”, aduz, em síntese, que a compensação realizada de acordo com o artigo 66 da Lei nº 8.383/91 e artigo 44 da IN RFB nº 900/2008, não depende de autorização ou permissão da Administração Tributária para se concretizar. No Anexo “Pasta IV – Da Inaplicabilidade da Multa Isolada de 150%”, aduz, em síntese, que a autoridade fiscal não comprovou a ocorrência da falsidade da declaração apresentada; que o dolo não se presume; e que inexistiu sonegação, fraude ou conluio. No Anexo “Pasta VI – Da Prescrição”, aduz, em síntese, que o prazo para a repetição do indébito tributário ocorrido antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, mediante compensação, é de 10 anos da ocorrência do fato gerador. No Anexo “Pasta VII – Da Inaplicabilidade da Representação Fiscal” aduz, em síntese, que a Representação Fiscal para Fins Penais deve ser cancelada, ante a inexistência de sonegação, fraude ou conluio, ou falsidade na declaração apresentada. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 1436.842 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto SP, conforme Ementa a seguir: Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2010 a 31/12/2010 COMPENSAÇÃO. CABIMENTO. PRESSUPOSTOS. As contribuições sociais previdenciárias somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido. COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE. MULTA ISOLADA. A compensação indevida, com falsidade na declaração, sujeita o contribuinte à multa isolada de 150%. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS (RFFP) . DEVER FUNCIONAL. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. A emissão de RFFP constitui dever funcional das autoridades fiscais lançadoras, não cabendo, no julgamento administrativo, a apreciação do conteúdo dessa peça enviada às autoridades judiciais competentes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acordam os membros da 9ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Intimese. Sala de Sessões, em 29 de fevereiro de 2012. Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, combatendo e reiterando os argumentos utilizados em sede de Impugnação, em apertada síntese: (i) Do direito à suspensão da exigibilidade das exações A Recorrente elenca posicionamentos jurisprudenciais do STF e do STJ a respeito da não incidência de contribuição previdenciária sobre as diversas parcelas recebidas pelos empregados, devido à natureza indenizatória das mesmas. Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16004.720427/201199 Acórdão n.º 2403002.068 S2C4T3 Fl. 1.847 7 (ii) Fundamentação do direito à compensação Argumento central no sentido de se reconhecer o direito á compensação sem a limitação imposta pelo art. 170A, CTN. Aduz que as Delegacias de Julgamento da RFB e o CARF pacificaram entendimento de que a compensação na legislação previdenciária é um procedimento facultativo que não necessita de autorização judicial ou administrativa. (iii) Da inaplicabilidade da multa isolada Aduz, em síntese, que a autoridade fiscal não comprovou a ocorrência da falsidade da declaração apresentada; que o dolo não se presume; e que inexistiu sonegação, fraude ou conluio. Para a aplicação da multa qualificada de 150% há necessidade de prova robusta a demonstrar a máfé do contribuinte, o que não foi feito na hipótese do auto de infração. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Da regularidade do lançamento. Analisemos. Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – PREFEITURA MUNICIPAL DE JOSÉ BONIFÁCIO contra Acórdão nº 1436.842 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto SP que julgou procedente o Auto de Infração – AIOP nº 50.010.0560, no valor de R$ 8.139.195,54, referente à: multa isolada no percentual de 150%, devida em razão da falsidade na GFIP apresentada e; glosa de compensações efetuadas pelo sujeito passivo nas GFIP, das competências 05/2010 a 12/2010. O Relatório Fiscal informa que as compensações efetuadas referemse a ações judiciais nas quais a Prefeitura pleiteia a compensação de contribuições incidentes sobre valores recebidos por segurados empregados constantes da folha de pagamento a título de férias, 1/3 férias, horas extras, adicionais de insalubridade, periculosidade, noturno, férias indenizadas etc., nos termos dos mandados de segurança impetrados. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOP que, conforme definido no inciso III do artigo 460 da IN RFB n° 971/2009, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura do AIOP) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN RFB n° 971/2009 Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16004.720427/201199 Acórdão n.º 2403002.068 S2C4T3 Fl. 1.848 9 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; IV – Notificação de Lançamento (NL), é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária; V Débito Confessado em GFIP (DCG), é o documento que registra o débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos em documento de arrecadação previdenciária e os declarados em GFIP; e Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DD Discriminativo Analítico do Débito (Este relatório lista, em suas páginas iniciais, todas as características que compõem o levantamento, que é um agrupamento de informações que servirão para apurar o débito de contribuição previdenciária Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 existente. Na seqüência, discrimina, por estabelecimento, competência e levantamento, as bases de cálculo, as rubricas, as alíquotas, os valores já recolhidos, confessados, autuados ou retidos, as deduções permitidas (saláriofamília, salário maternidade e compensações), as diferenças existentes e o valor dos juros SELIC, da multa e do total cobrado); c. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); d. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); lk. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose o AIOP, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. (B) Alegações diversas de inconstitucionalidade. Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16004.720427/201199 Acórdão n.º 2403002.068 S2C4T3 Fl. 1.849 11 Dessa forma, julgar inconstitucional o pagamento e tornar inviável a correção plena da irregularidade fere frontalmente o princípio da legalidade e da isonomia do direito tributário. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (i) Do direito à suspensão da exigibilidade das exações A Recorrente elenca posicionamentos jurisprudenciais do STF e do STJ a respeito da não incidência de contribuição previdenciária sobre as diversas parcelas recebidas pelos empregados, devido à natureza indenizatória das mesmas. (ii) Fundamentação do direito à compensação Argumento central no sentido de se reconhecer o direito á compensação sem a limitação imposta pelo art. 170A, CTN. Aduz que as Delegacias de Julgamento da RFB e o CARF pacificaram entendimento de que a compensação na legislação previdenciária é um procedimento facultativo que não necessita de autorização judicial ou administrativa. Analisemos conjuntamente os itens (i) e (ii). A compensação como modalidade de extinção do crédito tributário está prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional. O mesmo diploma legal, artigos 170 e 170A, prevê regras gerais sobre a matéria; as regras específicas são objeto de lei ordinária. Transcrevemos abaixo os artigos do CTN que tratam da compensação: “Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II a compensação;” “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento.” “Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.” (Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) O Plano de Custeio da Seguridade Social, Lei n. 8.212/91, art. 89, que ora transcrevemos, traz comando no sentido de que somente serão compensados os valores pagos ou recolhidos indevidamente a título de contribuição para a Seguridade Social. Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16004.720427/201199 Acórdão n.º 2403002.068 S2C4T3 Fl. 1.850 13 Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 4o O valor a ser restituído ou compensado será acrescido de juros obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do mês subseqüente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% (um por cento) relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 5o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 6o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 7o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 8o Verificada a existência de débito em nome do sujeito passivo, o valor da restituição será utilizado para extinguilo, total ou parcialmente, mediante compensação. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005). § 9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 11. Aplicase aos processos de restituição das contribuições de que trata este artigo e de reembolso de saláriofamília e saláriomaternidade o rito previsto no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Os valores indevidamente compensados devem ser recolhidos pelo contribuinte, sobre os quais incidirão juros e multa de mora, conforme o art. 89, § 4º, Lei 8.212/1991, o qual remete ao art. 35, Lei 8212/1991 e ao art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 Lei 8.212/1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei nº 9.430/1996 Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Ademais, o Código Tributário Nacional, no art. 170A, expressamente veda a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.(Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) No entanto, temse nos autos a informação de que o sujeito passivo impetrou dois mandados de segurança cujo objeto é a discussão da incidência de contribuições previdenciárias em verbas pagas pela Recorrente aos segurados empregados: Intimada a esclarecer o motivo das compensações efetuadas, ela apresentou documentos a demonstrar a existência de dois Mandados de Segurança, nos quais ela pleiteia a não incidência de contribuição previdenciária sobre verbas pagas aos segurados empregados. No processo judicial nº 004353.30.2010.403.6106, a impetrante requer a declaração de inexistência de relação jurídica entre o Município e a União/Receita Federal do Brasil, referente à contribuição previdenciária patronal incidente sobre as importâncias pagas aos segurados empregados a título de horas extras e terço constitucional de férias. Nesse processo foi proferida sentença denegando a segurança pleiteada e Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16004.720427/201199 Acórdão n.º 2403002.068 S2C4T3 Fl. 1.851 15 declarando extinto o feito, com resolução do mérito, tendo o Município interposto recurso de apelação. No processo judicial nº 002026.78.2011.403.6106, a impetrante requer a mesma segurança, porém, em relação às importâncias pagas aos segurados empregados a título de avisoprévio indenizado, férias indenizadas e férias em pecúnia, salário educação, auxílios creche, doença e acidente (15 dias do afastamento), abono assiduidade, abono único anual, vale transporte, adicional de periculosidade, adicional de insalubridade e adicional noturno. Nesse processo foi proferida decisão indeferindo a medida liminar, tendo o Município impetrando agravo de instrumento. Além do que a Fiscalização comprovou nos autos, vide o Relatório Fiscal, que o sujeito passivo realizou as compensações sem o trânsito em julgado dos mandados de segurança impetrados, em violação a dispositivo expresso do Código Tributário Nacional, art. 170A, CTN. Diante do exposto, deve ser mantida a glosa de compensação em função da violação ao disposto expresso no art. 170A, CTN. No mesmo sentido, em relação às questões no Recurso Voluntário de que se os valores pagos pela Recorrente aos segurados empregados integram ou não o salário de contribuição, estas não serão conhecidas pois possuem o mesmo objeto dos mandados de segurança impetrados pela Recorrente, exsurgindo a aplicação da Súmula nº 1 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante do exposto, não prospera a argumentação do Recorrente. (iii) Da inaplicabilidade da multa isolada de 150% Aduz, em síntese, que a autoridade fiscal não comprovou a ocorrência da falsidade da declaração apresentada; que o dolo não se presume; e que inexistiu sonegação, fraude ou conluio. Para a aplicação da multa qualificada de 150% há necessidade de prova robusta a demonstrar a máfé do contribuinte, o que não foi feito na hipótese do auto de infração. Analisemos. Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 Surge a controvérsia em função da aplicação da multa isolada com base na compensação indevida sendo comprovada a falsidade, nos termos do art. 89, § 10, Lei 8.212/1991. Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Em relação à aplicação da multa isolada de 150%, esclarece o Relatório Fiscal, além de todo o amparo legal citado, que: “6. Pelo acima exposto, temos uma situação em que o sujeito passivo, ao fazer inserir em GFIP informação de compensação que sabidamente não teria direito, reduziu, deliberadamente, o valor devido e o subseqüente recolhimento de sua obrigação tributária para com a Seguridade Social, o que configura a conduta ilegal do mesmo; postura esta prevista no art. 72. Lei 4502/1964 (art. 72 – Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar ...). A todas as luzes, portanto, o Município prestou uma informação em sua GFIP que não era verdadeira, e por conseqüência, falsa. E o mesmo não pode sequer alegar que desconhece, ou desconhecia a vedação de utilização de supostos créditos sem o devido respaldo judicial – pois que tratase de matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário , posto que a ninguém é dado alegar desconhecer a Lei para eximirse do cumprimento da respectiva obrigação. Tal hipótese harmonizase perfeitamente com a parte final do art. 72, Lei 4502/1964, já destacada, uma vez que, deveras, o sujeito passivo não só pretendeu reduzir o pagamento do tributo, inserindo na GFIP uma informação que impedia sua cobrança pela RFB, como de fato o conseguiu; até que a Fiscalização, antes de esgotado o prazo homologatório de que trata o art. 150, § 4º, CTN constatou a irregularidade e adotou as providências necessárias. Assim, a partir da análise do acima exposto e tendo em vista que o contribuinte efetuou compensação de créditos inexistentes, uma vez que não estava legal e judicialmente amparado para tal procedimento, e que, consequentemente, inseriu informações falsa e/ou inexatas nas GFIPs do período citado; informações essas que culminaram por reduzir o valor devido das contribuições previdenciárias em detrimento do erário público, concluímos pela aplicação da multa estabelecida no art. 89, § 10, Lei 8212/1991 em consonância com o art. 46, IN RFB 900, Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16004.720427/201199 Acórdão n.º 2403002.068 S2C4T3 Fl. 1.852 17 ou seja, multa isolada de 150% sobre o valor da compensação indevida. Ou seja, o Relatório Fiscal aponta que a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, uma vez que não estava legal e judicialmente amparado para tal procedimento, ocorreu em função da inserção de informações falsa e/ou inexatas nas GFIPs do período citado. Ainda, aponta que essas informações culminaram por reduzir o valor devido das contribuições previdenciárias em detrimento do erário público, concluímos pela aplicação da multa estabelecida no art. 89, § 10, Lei 8212/1991 em consonância com o art. 46, IN RFB 900/2008, ou seja, multa isolada de 150% sobre o valor da compensação indevida. Então, restou evidenciado nos autos que a conduta da Recorrente foi a de apresentar GFIP com informação de valores a compensar mesmo ciente de que as ações judiciais por ele propostas não haviam ainda transitado em julgado, em afronta clara ao disposto expressamente no art. 170A, CTN. Em outras palavras, na presente hipótese de compensação indevida, em função da conduta da Recorrente em afronta ao disposto no art. 170A, CTN, ficou materializada a falsidade da GFIP apresentada, ensejando a aplicação da multa isolada insculpida no art. 89, § 10, Lei 8212/1991. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. CONCLUSÃO Voto no sentido de: (i) NÃO CONHECER do Recurso Voluntário na matéria de mesmo objeto dos mandados de segurança impetrados; (ii) CONHECER do Recurso Voluntário nas questões da compensação indevida e da multa isolada para, no MÉRITO, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13864.000492/2010-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2007
REMUNERAÇÃO - CONCEITO
Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho.
PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS
A Participação nos Resultados (PPR) é extensiva aos ocupantes de cargo de liderança, pois estes contribuem diretamente para o resultado da empresa, não havendo razão para distinção entes eles e os empregados subordinados.
Os acordos coletivos demonstram que os pagamentos efetuados respeitaram a periodicidade de 02 (duas) parcelas ao ano, dentro de limite de um semestre civil. Inexistência de incidência de contribuições previdenciárias.
ABONO ÚNICO - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os abonos únicos, previstos em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 16/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional - PGFN.
ABONO ESPECIAL DE FÉRIAS
A rubrica intitulada Abono Especial de Férias paga em desacordo com a legislação previdenciária integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial.
LISTA DE CO-RESPONSÁVEIS
Os diretores ou sócios somente poderão constar na lista de co-responsáveis do lançamento fiscal como mera indicação nominal de representação legal, mas não para os efeitos de atribuição imediata de responsabilidade solidária, visto que deverão ser observadas as condições previstas no artigo 135, do CTN.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%.
APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP.
Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-003.386
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de manter no lançamento somente os valores pagos a ocupantes de cargo de liderança, nas rubricas PPR, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em dar provimento ao recurso, no argumento do pagamento em período inferior a um semestre civil ou duas vezes ao não, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; d) em negar provimento ao recurso, na questão do abono especial de férias, nos termos do voto da Relatora, vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso nesta questão; d) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, no argumento do pagamento com base em aferição de lucros, nos termos do voto da Relatora; b) em excluir do lançamento os valores referentes a abono único, nos termos do voto da Relatora; c) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de decidir que a Relação de Co-Responsáveis - CORESP", o "Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos VÍNCULOS¿, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa; d) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); d) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); e) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP - deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; Redator: Mauro José Silva (Multa) e Damião Cordeiro de Moraes (PPR). Declaração: Damião Cordeiro de Moraes.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bernadete De Oliveira Barros - Relator.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Redator designado.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes Redator e Declaração de Voto
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Mauro Jose Silva, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201303
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2007 REMUNERAÇÃO - CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho. PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS A Participação nos Resultados (PPR) é extensiva aos ocupantes de cargo de liderança, pois estes contribuem diretamente para o resultado da empresa, não havendo razão para distinção entes eles e os empregados subordinados. Os acordos coletivos demonstram que os pagamentos efetuados respeitaram a periodicidade de 02 (duas) parcelas ao ano, dentro de limite de um semestre civil. Inexistência de incidência de contribuições previdenciárias. ABONO ÚNICO - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os abonos únicos, previstos em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 16/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional - PGFN. ABONO ESPECIAL DE FÉRIAS A rubrica intitulada Abono Especial de Férias paga em desacordo com a legislação previdenciária integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial. LISTA DE CO-RESPONSÁVEIS Os diretores ou sócios somente poderão constar na lista de co-responsáveis do lançamento fiscal como mera indicação nominal de representação legal, mas não para os efeitos de atribuição imediata de responsabilidade solidária, visto que deverão ser observadas as condições previstas no artigo 135, do CTN. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13864.000492/2010-03
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5303413
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2301-003.386
nome_arquivo_s : Decisao_13864000492201003.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
nome_arquivo_pdf_s : 13864000492201003_5303413.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de manter no lançamento somente os valores pagos a ocupantes de cargo de liderança, nas rubricas PPR, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em dar provimento ao recurso, no argumento do pagamento em período inferior a um semestre civil ou duas vezes ao não, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; d) em negar provimento ao recurso, na questão do abono especial de férias, nos termos do voto da Relatora, vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso nesta questão; d) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, no argumento do pagamento com base em aferição de lucros, nos termos do voto da Relatora; b) em excluir do lançamento os valores referentes a abono único, nos termos do voto da Relatora; c) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de decidir que a Relação de Co-Responsáveis - CORESP", o "Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos VÍNCULOS¿, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa; d) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); d) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); e) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP - deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; Redator: Mauro José Silva (Multa) e Damião Cordeiro de Moraes (PPR). Declaração: Damião Cordeiro de Moraes. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Bernadete De Oliveira Barros - Relator. (assinado digitalmente) Mauro José Silva - Redator designado. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Redator e Declaração de Voto Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Mauro Jose Silva, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
id : 5142212
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046172184084480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 29; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2461; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 1.280 1 1.279 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13864.000492/201003 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301003.386 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de março de 2013 Matéria SALÁRIO INDIRETO: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS Recorrente TOWER AUTOMOMOTIVA DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2007 REMUNERAÇÃO CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho. PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS A Participação nos Resultados (PPR) é extensiva aos ocupantes de cargo de liderança, pois estes contribuem diretamente para o resultado da empresa, não havendo razão para distinção entes eles e os empregados subordinados. Os acordos coletivos demonstram que os pagamentos efetuados respeitaram a periodicidade de 02 (duas) parcelas ao ano, dentro de limite de um semestre civil. Inexistência de incidência de contribuições previdenciárias. ABONO ÚNICO NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os abonos únicos, previstos em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 16/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN. ABONO ESPECIAL DE FÉRIAS A rubrica intitulada “Abono Especial de Férias” paga em desacordo com a legislação previdenciária integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial. LISTA DE CORESPONSÁVEIS Os diretores ou sócios somente poderão constar na lista de coresponsáveis do lançamento fiscal como mera indicação nominal de representação legal, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 04 92 /2 01 0- 03 Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMI AO CORDEIRO DE MORAES 2 mas não para os efeitos de atribuição imediata de responsabilidade solidária, visto que deverão ser observadas as condições previstas no artigo 135, do CTN. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de manter no lançamento somente os valores pagos a ocupantes de cargo de liderança, nas rubricas PPR, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em dar provimento ao recurso, no argumento do pagamento em período inferior a um semestre civil ou duas vezes ao não, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; d) em negar provimento ao recurso, na questão do abono especial de férias, nos termos do voto da Relatora, vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso nesta questão; d) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, no argumento do pagamento com base em aferição de lucros, nos termos do voto da Relatora; b) em excluir do lançamento os valores referentes a abono único, nos termos do voto da Relatora; c) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de decidir que a Relação de CoResponsáveis CORESP", o "Relatório de Representantes Legais RepLeg e a Relação de Vínculos VÍNCULOS¿, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMI AO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13864.000492/201003 Acórdão n.º 2301003.386 S2C3T1 Fl. 1.281 3 contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa; d) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); d) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); e) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; Redator: Mauro José Silva (Multa) e Damião Cordeiro de Moraes (PPR). Declaração: Damião Cordeiro de Moraes. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Bernadete De Oliveira Barros Relator. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Redator designado. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes – Redator e Declaração de Voto Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Mauro Jose Silva, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMI AO CORDEIRO DE MORAES 4 contribuição da empresa e à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Conforme Relatório Fiscal (fls. 105), o fato gerador das contribuições lançadas é o pagamento, pela empresa a seus empregados, de verbas intituladas “Abono Especial de Férias” (apenas para os empregados da filial de Betim), “Abono Salarial”, ambos constantes de Acordo Coletivo de Trabalho, e “Participação nos Resultados em desacordo com a legislação específica, verbas estas consideradas pela fiscalização como remuneração indireta e sobre a quais a empresa não fez incidir contribuição previdenciária. Integram ainda o AI as contribuições incidentes sobre a diferença constatada entre as remunerações constantes em Folhas de Pagamento apresentadas e as declaradas em GFIP, bem como as incidentes sobre pagamentos de contribuintes individuais não declarados em GFIP, e acréscimos legais. O agente autuante informa que a empresa pagou valores a título de PPR sem, contudo, ter obtido lucro a ser distribuído, mas sim prejuízo, conforme Demonstrações de Resultados de Exercício. Esclarece, ainda, que nos Acordos Coletivos que tratam da Participação nos lucros, não constam os requisitos previstos no § 1o, do art. 2o, da Lei 10.101/2000, para os empregados ocupantes de cargos de confiança, quais sejam, diretores, gerentes e coordenadores. Segundo ainda relato fiscal, para o estabelecimento Betim foram pagos PPR nas competências 02/2006 e 07/2006, 02/2007 e 07/2007, ou seja, em periodicidade inferior a um semestre civil, contrariando o disposto no art. 3o, § 2o, do mesmo diploma legal. A autoridade autuante explica que, em respeito ao art 106, inciso II, alina"c" do CTN, da confrontação da aplicação da legislação da época dos fatos geradores (04/2006 a 12/2007) com as alterações sofridas através da MP 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, verificouse que a legislação atual é mais benéfica à empresa nos meses de 01/2006, 03/2006 a 01/2067, 03/2007 a 07/2007, 09/2007 a 11/2007 e 13/2007, nos quais foram aplicadas a multa de oficio de 75%, conforme art. 44 da Lei nº 9.430/96, e demonstrado em planilha anexa. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0536.107, da 6a Turma da DRJ/CPS (fls. 907), julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 1.056), repetindo as alegações trazidas na impugnação. Preliminarmente, insiste na nulidade do AI por não ter sido indicada, no relatório FLD, a Lei 10.101/00, o que, segundo entende, afronta o art. 142, do CTN, e art. 37, da CF, pois retira da recorrente a certeza dos efetivos fundamentos da autuação, já que o relatório fiscal não está em consonância com o relatório de fundamentos legais. No mérito, discorre sobre a natureza da PR ou PLR, trazendo a posição dos tribunais superiores sobre a matéria, na tentativa de demonstrar que somente o pagamento denominado PLR, em comprovada fraude da lei, é que deve ser descaracterizado, o que não ocorreu no presente caso, já que a fiscalização não apontou a fraude no pagamento da PLR feita pela recorrente aos seus empregados. Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMI AO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13864.000492/201003 Acórdão n.º 2301003.386 S2C3T1 Fl. 1.282 5 Qualifica de absurda a afirmação da fiscalização no sentido de que a PR só poderia ser paga caso a empresa demonstrasse lucro e/ou superávit no final do exercício, pois isto significaria restringir o conceito de resultado, algo que não foi feito pelo constituinte e pelo legislador ordinário. Esclarece que, tanto para os trabalhadores da unidade de Arujá, quanto para os de Betim, os documentos anexos demonstram claramente que se trata de um Programa de Participação nos Resultados, estando o pagamento da participação atrelado a metas globais e individuais, claramente especificadas no referido documento, deixando claro que, em nenhum momento, há menção de necessidade de alcance de lucro ou de resultado financeiro. Quanto à alegação de inexistência de regras claras e objetivas para cargos de confiança, alega que a fiscalização se intrometeu com opiniões subjetivas no conteúdo das metas eleitas pelas partes, e reafirma a intenção que a recorrente possuía de criar um programa para diferenciar o pagamento da participação para os chamados “cargo de confiança” e que, como tal programa não foi criado, toda essa categoria de empregados recebeu seus valores relativos ao PPR de acordo com as metas globais e individuais aplicáveis aos demais empregados. Entende que, nada obstante não ter sido criada a nova forma de apuração estabelecida na “cláusula 6.1” dos programas de 2006 e 2007, não pode a fiscalização simplesmente retirar a natureza jurídica do pagamento da PR aos ocupantes de cargos de confiança, sob pena de descaracterizar o PPR da empresa, o que seria absurdo. Relativamente à alegação de existência de pagamentos em período inferior a um semestre civil, explica que os pagamentos relativos aos programas de participação de Betim, para os anos de 2006 e 2007, possuem previsão de pagamentos em 02/2007 e 02/2008 respectivamente, ou seja, os valores relativos ao PR possuem data de pagamento sempre para o mês de fevereiro do ano seguinte, mas o programa também prevê um adiantamento a ser pago sempre em julho do ano vigente, razão pela qual, em relação ao plano de 2006, houve um adiantamento em 07/2006 e o pagamento da efetiva PR em 02/2007, o que ocorreu também para a PPR de 2007. Conclui que não há que se falar em pagamento de PR em período inferior a um semestre civil, haja vista que a recorrente efetua pagamento de uma parcela em julho e a outra somente em fevereiro do outro ano, ou seja, 07 meses após o pagamento do adiantamento, restando claro que os valores relativos à 02/2006 referemse à PR de 2005, e os valores de 07/2006 e 02/2007, referemse à PR de 2006, assim por diante. Assevera que em nenhum dos anos objeto do AI houve violação da regra de pagamento da PLR e, mesmo que assim não se entenda, o fato de a recorrente haver pago em 02/2006 e 07/2006 não teria o condão de transformar a PR em parcela salarial, pois mesmo que os pagamentos da PR não obedecessem a periodicidade prevista no art. 3o, § 2o, da Lei 10.101/00, tal fato não transmudaria a natureza jurídica da verba participativa em verba de caráter salarial, uma vez que, consoante o disposto no art. 7o, inc. XI, da CF, a PR está desvinculada da remuneração, não havendo que se falar em incidência de contribuição previdenciária. Ressalta que, se o executivo, por decreto, pode alterar essa condição contida no art. 3o, § 4o, da Lei 10.101/00, quanto mais um acordo coletivo, que tem força de lei, e Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMI AO CORDEIRO DE MORAES 6 muito mais ainda quando se fala de situações excepcionais e justificadas, e traz julgado do CRPS nesse sentido Em relação aos Abonos, salienta que a PGFN expediu Ato Declaratório nº 16/2011, autorizando a dispensa de apresentação de contestação e interposição de recursos, e a desistência dos já interpostos, quando o objeto for a incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de abono único previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, como no caso dos presentes autos. Quanto ao Abono de Férias, salienta que foi pago em razão das Convenções Coletivas e não substitui o abono de férias constitucional, tratandose de um abono pago pela recorrente ao empregado que, durante o período aquisitivo das férias, não possuir mais de 7 faltas justificadas ou não. Transcreve o art. 144 da CLT, com a redação vigente antes da Lei 9.528/97, para demonstrar que a natureza jurídica de tal verba sempre foi desvinculada do salário, para todos os efeitos legais, especialmente trabalhistas e previdenciários. Traz o entendimento de que, por não ser uma verba paga decorrente do trabalho realizado, mas sim do empenho e dedicação do empregado em cumprir seu horário, os valores pagos a título de “Premio Assiduidade”, equiparado ao presente “Abono de Férias”, não deve integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Espera, caso as razões expostas não sejam acatadas, que os abonos pagos em valores iguais ou correspondentes a 10 dias de salário de cada trabalhador sejam excluídos das bases de cálculo, remanescendo apenas os valores excedentes a esse parâmetro, nos termos do art. 144, da CLT, e art. 28, § 9o, alínea d, da Lei 8.212/91. Sobre o Abono Especial, observa que a Magna Carta restringiu a incidência de contribuições aos rendimentos do trabalho, de modo que não integram a base de cálculo das aludidas contribuições quaisquer pagamentos cuja natureza não seja de contraprestação de serviço/trabalho realizado por pessoa física, sendo que tal verba não corresponde a qualquer hora trabalhada, sendo apenas um estímulo para o cumprimento do ofício a ser realizado pelo empregado, de modo que não deveria integrar os respectivos salários de contribuição.. No que se refere às divergências citadas no relatório fiscal entre valores declarado em GFIP e efetivamente recolhidos em GPS, afirma que os resumos das folhas de pagamento, as GFIPs e a GPS anexadas ao processo demonstram que tais divergências não existem e, por esse motivo, devem ser excluídas da autuação. Quanto aos contribuintes individuais não informados em GFIP, a recorrente confessa que, por um lapso, realmente não declarou os referidos trabalhadores em GFIP, mas que, conforme comprova a GPS anexa à impugnação, o valor das contribuições foi efetivamente recolhido, razão pela qual esse levantamento deve ser excluído da autuação. Relativamente ao valor do débito, impugna especialmente o valor da multa aplicada, entendendo que a fiscalização confundiu multa de mora e multa de ofício, deixando de aplicar a legislação mais benéfica ao contribuinte em todo o período da autuação. Tenta demonstrar que a multa de mora de 75% somente pode ser comparada com a multa de mesma natureza que, antes era de 24%, prevista no art. 8.212/91, que é a que deveria ser aplicada para todo o período, pois essa é a penalidade mais benéfica ao contribuinte, independentemente da multa por eventual obrigação acessória. Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMI AO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13864.000492/201003 Acórdão n.º 2301003.386 S2C3T1 Fl. 1.283 7 Requer, por fim, que sejam excluídos, da autuação, o presidente e os diretores listados no relatório de vínculos, a fim de se evitar futuros prejuízos, uma vez que o art. 13, da Lei8.620/93 foi expressamente revogado com a publicação da Lei 11.941/2009. É o relatório. Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMI AO CORDEIRO DE MORAES 8 Voto Vencido Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a autuada alega nulidade do AI por não ter sido indicada, no relatório FLD, a Lei 10.101/00, o que, segundo entende, afronta o art. 142, do CTN, e art. 37, da CF. Contudo, o Decreto 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, estabelece, em seu art. 59, que são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso presente, não houve a ocorrência de nenhuma das hipóteses de nulidade elencadas acima já que o AI foi lavrado por autoridade competente e não ficou configurada a preterição do direito de defesa, pois foi dada ciência ao contribuinte do Auto de Infração, juntamente com todos os relatórios que a compõem, inclusive o Relatório Fiscal que, juntamente com o Relatório de Fundamentos Legais do Débito, encerram toda a fundamentação legal necessária para proporcionar a empresa, ampla defesa. Conforme afirmado pela própria recorrente, a fiscalização mencionou diversas vezes, no Relatório Fiscal, que houve descumprimento da Lei 10.101/00. E sendo o Relatório Fiscal parte integrante do AI, conforme expresso na própria folha de rosto do AI, o presente lançamento, ao contrário do que entende a autuada, se encontra revestido de todas as formalidades legais, vez que não houve omissão dos fundamentos legais que amparam o procedimento adotado pela fiscalização. Assim, todos os elementos necessários ao exercício da ampla defesa pela recorrente se encontram no presente documento de constituição do crédito previdenciário, AI. Nesse sentido, rejeito a preliminar de nulidade do AI. No mérito, a recorrente tenta demonstrar que as verbas pagas a título de PPR, “Abono Especial de Férias” e “Abono Salarial” não possuem natureza salarial e, portanto, não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. Todavia, a condição de se tratar ou não de salário não está vinculada ao interesse da fonte pagadora em, com aquele pagamento, assalariar ou não seu empregado. Ou seja, não é o nome do pagamento ou a vontade da empresa em si que vai determinar sua natureza jurídica. O que irá afastar as verbas pagas da incidência tributária é a estreita observância à legislação específica que trata da matéria. Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMI AO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13864.000492/201003 Acórdão n.º 2301003.386 S2C3T1 Fl. 1.284 9 Portanto, no caso presente, impõe verificar se no pagamento das parcelas pagas pela empresa autuada foram observados os critérios e regras estabelecidos pela Lei 8.212/91 e Lei 10.101/00. PLANO DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PPR A fiscalização entendeu que os valores pagos pela empresa a título de PPR se enquadram no conceito legal de remuneração, pois não houve observância do disposto na lei 10.101/00. Constatou, inicialmente, que a empresa efetuou pagamento a esse título sendo que houve prejuízo no exercício. Já a recorrente alega que a empresa pode distribuir resultados mesmo não havendo lucro. De fato, analisando a legislação que trata da matéria, não se verifica a exigência de “lucro” no exercício ou “resultado contábil positivo” para que se possa realizar o pagamento a título de participação nos resultados. O art. 2o, § 1o, da Lei 10.101/00 determina que podem ser considerados, para fins de pagamento do PPR, os critérios de produtividade, qualidade, programas de metas, resultados pactuados previamente, entre outros. Ou seja, a meta pactuada pode não ser o alcance de lucro, e sim, por exemplo, o aumento de produtividade de cada trabalhador ou de um determinado setor da empresa. E como, no caso presente, os acordos coletivos trazidos aos autos demonstram que a PPR da empresa estava condicionada ao atingimento de resultados, e não de lucro, e como não há, nos autos, informações de que não tenham sido implementadas as condições pactuadas no acordo coletivo, entendo que a existência de prejuízo não configura descumprimento da Lei 10.101/00, conforme afirmou a autoridade lançadora. Contudo, entendo que o crédito deva ser mantido, em razão das demais irregularidades apontadas pela fiscalização. Constatase, dos documentos juntados aos autos, que as metas ali definidas não são aplicáveis aos trabalhadores ocupantes de cargos de liderança, que, de acordo com o item 6.1 dos acordos anexados, tais empregados teriam sua participação nos resultados, prevista em programa de avaliação especifica. Ocorre que tal programa não foi implementada, o que foi confirmado pela própria recorrente em sua peça recursal. Portanto, tal categoria de trabalhadores recebeu PPR sem que houvesse um acordo com a participação do sindicato, contendo “regras claras e objetivas quanto afixação dos direitos substantivos da participação”, ou mecanismos de aferição para o cumprimento do acordado, uma vez que eles foram expressamente excluídos dos acordos firmados entre empresa e sindicato representante dos trabalhadores para os exercícios de 2006 e 2007. Fl. 1288DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMI AO CORDEIRO DE MORAES 10 Assim, quanto aos ocupantes de cargos de liderança, houve o descumprimento do art. 2o, § 1o, da Lei 10.101/00, devendo o crédito lançado a esse título ser mantido em sua integralidade. Da mesma forma, a fiscalização constatou o descumprimento do § 2°, do art. 3°, da Lei n° 10.101/2000, já que houve pagamentos de PPR nos meses de fevereiro e julho dos anos de 2006 e 2007, ou seja, em periodicidade inferior a um semestre civil. A recorrente não nega tal fato, mas apenas esclarece que a empresa efetua pagamento de uma parcela em julho e a outra somente em fevereiro do outro ano, ou seja, 07 meses após o pagamento do adiantamento, restando claro que os valores relativos à 02/2006 referemse à PR de 2005, e os valores de 07/2006 e 02/2007, referemse à PR de 2006, assim por diante. Todavia, a Lei no 10.101/2000 é clara ao vedar o pagamento ou antecipação da PPR em “periodicidade inferior a um semestre civil", não fazendo qualquer ressalva quanto ao período de apuração. Dessa forma, entendo que houve descumprimento do art. 3o, da Lei 10.101/00, devendo os valores pagos a esse título integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária. A recorrente alega, ainda, que, mesmo que se entenda que houve violação ao disposto na Lei 10.101/00, tal fato não teria o condão de transformar a PR em parcela salarial, já que não transmudaria a natureza jurídica da verba participativa em verba de caráter salarial, uma vez que, consoante o disposto no art. 7o, inc. XI, da CF, a PR está desvinculada da remuneração, não havendo que se falar em incidência de contribuição previdenciária. Entretanto, para que não incida a contribuição social, a empresa deve, sim, observar o disposto na Lei 10.101/00. Esse também é o entendimento da ministra Eliana Calmon, do STJ, que se manifestou no sentido de que, para ocorrer a isenção fiscal sobre os valores pagos aos trabalhadores a título de participação nos lucros ou resultados, a empresa deverá observar a legislação específica sobre a questão. Para a ministra, ao ocorrer o descumprimento da Lei 10.101/2000, as quantias creditadas pela empresa aos empregados passa a ter natureza de remuneração, sujeitas, portanto, à incidência da contribuição previdenciária. Cumpre observar que a não vinculação da participação nos lucros à remuneração não é auto aplicável, já que a Constituição Federal remeteu à lei a função de estabelecer critérios e regras para desvincular a participação nos lucros da remuneração, o que, entendo, foi feito com muita propriedade pelo legislador, ao editar a Lei 10.101/00. Assim, reiterase, não é a simples previsão em acordo coletivo ou o pagamento de parcelas intituladas pelo empregador de PPR é que vai retirar a natureza salarial da verba em comento. O que irá afastar a verba paga a título de Participação nos Lucros e Resultados da incidência tributária é a estreita observância à legislação específica que trata da matéria. Fl. 1289DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMI AO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13864.000492/201003 Acórdão n.º 2301003.386 S2C3T1 Fl. 1.285 11 A Lei 10.101/00 estabelece os critérios para o pagamento do PRL e a Lei 8.212/91 determina que apenas não integra o salário de contribuição a participação nos lucros paga de acordo com o estabelecido na lei específica. Quanto ao argumento de que um acordo coletivo tem força de lei, e muito mais ainda quando se fala de situações excepcionais e justificadas, cumpre assinalar que, conforme consignado no artigo 611 da CLT, a convenção coletiva de trabalho é um instrumento normativo em nível de categoria, aplicável, no âmbito das respectivas representações, às relações individuais de trabalho; ou seja, essa normatização da relação de trabalho, pactuada entre o sindicato da categoria profissional e o sindicato da categoria econômica, como é própria da relação contratual, só pode ser aplicada às partes. Nesse sentido, ORLANDO GOMES e GOTTSCHALK, sobre o limite subjetivo das negociações coletivas e sentenças normativas, assinalam, in verbis: (...) Tal regência não é uma norma jurídica, no sentido estrito da expressão, mas,simplesmente, disposição negocial, destinada a regular relações concretas das partes que se submeterem, ou venham a submeterse, às condições estipuladas.(...)(Curso de Direito do Trabalho, Rio de Janeiro, Editora Forense, 2001, pp.635/636) Destaquese ainda que o artigo 100 do Código Tributário Nacional – CTN estabelece quais são as normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos, in verbis: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa,a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Desse modo, a convenção coletiva de trabalho, por ser relação contratual estabelecida entre partes (sindicato da categoria profissional e o sindicato da categoria econômica), não está arrolada, nem poderia, pelo CTN, no conceito de legislação tributária, não podendo as cláusulas nela celebradas serem estendidas a terceiros. Existe, neste sentido, inclusive, disposição expressa no Código Tributário Nacional: Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMI AO CORDEIRO DE MORAES 12 Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Dessa forma, concluo que os efeitos indenizatórios pactuados em acordos coletivos somente repercutem na esfera da relação de emprego, não atingindo terceiros estranhos à relação laboral, entre os quais, a Previdência Social. Nesse sentido, nos ensina Adriana Hilgenberg de Araújo (Direito do trabalho e direito processual do trabalho: temas atuais, Editoria Juruá, p 55 e 56) : “ Como visto, as convenções e acordos coletivos são fontes do Direito do Trabalho, cujas cláusulas serão aplicadas a todos os pertencentes a uma determinada categoria ou empresa (no caso dos acordos). As cláusulas, tanto as obrigatórias (CLT artigo 616), facultativas, obrigatórias ou normativas, devem respeitar o ordenamento legal, não podendo ferir preceitos, sejam eles constitucionais ou infraconstitucionais, salvo expressa autorização .” (grifei). Assim, a observância ao ordenamento jurídico infraconstitucional não agride a garantia constitucional do reconhecimento das convenções e acordos coletivos, prevista no inciso XXVI, art. 7º, da Constituição Federal, vez que se encontra insculpida, em toda a Constituição, o respeito ao princípio da legalidade. Em conseqüência, os acordos coletivos não têm a força de alterar disposições legais, em especial, as inseridas na Lei 8.212/91 e Lei 10.101/00. E, sendo o lançamento um ato vinculado, a fiscalização, ao constatar o pagamento da PPR em desacordo com o disposto na Lei 10.101/00, lavrou o competente AI, em estrita observância aos ditames legais, lançando as contribuições incidentes sobre esses valores pagos. Nesse sentido, concluo que o levantamento relativo ao PPR deve ser mantido no débito lançado. ABONO SALARIAL Tratase de levantamento referente ao pagamento de abono único, para os empregados da filial 0001/89, previsto em acordo coletivo de trabalho. Conforme observado pela recorrente, a ProcuradoriaGeral da Fazenda NacionalPGFN emitiu o Ato Declaratório nº 16/2011, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114 /2011 pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 09/12/2011, autorizando a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária”, Diante do citado Ato, e considerando que o Decreto 70.235/72 estabelece que o disposto no caput do art. 26A não se aplica aos casos de lei ou ato normativo que fundamente crédito tributário objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, e que a Lei 10.522/2002, citada no art. 26A, determina que os créditos tributários já constituídos relativos à matéria de que trata o seu artigo 19 devem ser revistos de ofício pela autoridade lançadora, entendo que devam ser excluídos do débito, por provimento, a contribuição lançada Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMI AO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13864.000492/201003 Acórdão n.º 2301003.386 S2C3T1 Fl. 1.286 13 incidente sobre o pagamento da verba intitulada Abono Salarial, por não integrar o salário de contribuição, uma vez que foi objeto de acordo coletivo e pago sem habitualidade. ABONO ESPECIAL DE FÉRIAS. A fiscalização constatou o pagamento de verba intitulada “abono especial de férias”, para os empregados da filial /000693 (Betim), quando em gozo de férias, a titulo de prêmio por assiduidade, baseado em Acordo Coletivo de Trabalho. A recorrente não nega tal pagamento ou que ele se equipara a “Premio Assiduidade”, pago ao empregado que, durante o período aquisitivo das férias, não possuir mais de 7 faltas justificadas ou não. Ela apenas alega que a natureza jurídica de tal verba sempre foi desvinculada do salário, e que a Magna Carta restringiu a incidência de contribuições aos rendimentos do trabalho, de modo que não integram a base de cálculo das aludidas contribuições quaisquer pagamentos cuja natureza não seja de contraprestação de serviço/trabalho realizado por pessoa física, sendo que tal verba não corresponde a qualquer hora trabalhada, sendo apenas um estímulo para o cumprimento do ofício a ser realizado pelo empregado, de modo que não deveria integrar os respectivos salários de contribuição.. Contudo, a Constituição Federal, preceitua, no § 4º do art. 201, renumerado para o § 11, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98, o seguinte: § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüentemente repercussão em benefícios, nos casos e na \forma da lei. (grifei) A Lei 8.212/91 consubstanciou o disposto na Constituição Federal, ao estabelecer, no inciso I, do art. 28 da Lei 8.212/91, que salário de contribuição é“...a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma,...” (grifei). Restou claro, nos autos, tais verbas possuem a natureza de prêmio. E, segundo Amauri Mascaro Nascimento: "A natureza jurídica do prêmio não sofre, praticamente, contestações. É uma forma de salário vinculado a um fator de ordem pessoal do empregado ou geral de muitos empregados, via de regra a sua produção. Daí falar se, também, em salário por rendimento ou salário por produção. Caracterizase, também, pelo seu aspecto condicional. Uma vez verificada a condição de que resultam, devem ser pagos". (In “Teoria Jurídica do Salário”, Editora LTR, 1994, pg. 256). Assim, prêmio é remuneração. Esse também é o entendimento do TST: “Prêmio é gratificação, e gratificação é salário, se ajustada expressa ou tacitamente, porque a CLT não exige o ajuste expresso" TST pleno ERR 1943/82 DJU 06/12/85 pág. 22644” . E a CLT discrimina as parcelas que compõem a remuneração do empregado, conforme seu art. 457: Fl. 1292DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMI AO CORDEIRO DE MORAES 14 Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1º Integram o salário, não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagem e abonos pagos pelo empregador.(grifei) Assim as gratificações, que podem ser eventuais, integram a remuneração do empregado por expressa previsão legal. A fiscalização constatou, o que foi confirmado pela recorrente em sua peça recursal, que tais valores são pagos para premiar alguns de seus empregados, pela sua assiduidade. Conforme art. 176 do CTN, “a isenção, ainda que prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão...”. No presente caso, não resta dúvida que o Abono Especial de Férias não está incluído nas hipóteses legais de isenção previdenciária, previstas no § 9º, art. 28, da Lei 8.212/91. Resta claro que o pagamento feito pela recorrente a esse título em favor dos empregados da filial de Betim, nas competências 02/2006, 02/2007, 08/2007 e 12/2007, não se trata de fornecimento de meio para que esses trabalhadores possam exercer suas funções, e sim uma vantagem que representa um acréscimo indireto à sua remuneração, devendo, portanto, sofrer incidência de contribuição previdenciária. É inegável, no caso presente, o acréscimo patrimonial do empregado ao receber as quantias correspondentes a tais “prêmios assiduidade”. Em que pese o esforço argumentativo da recorrente, verificase que os pagamentos em tela realmente se a amoldam ao figurino legal que delimita a basedecálculo da contribuição previdenciária, como bem entendeu a fiscalização e os julgadores de primeira instância. Dessa forma, os valores recebidos pelos empregados da recorrente a título de Abono Especial de Férias integram o salário de contribuição, conforme inciso I, art 28, da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Medida Provisória nº 1.59614/1997, convertida na Lei 9.528/97. A recorrente sustenta a não incidência de contribuição previdenciária sobre o pagamento essas verbas denominadas “Abono Especial de Férias”, argumentando que os valores foram pagos conforme previsto no art. 144 da CLT, e espera, caso as razões expostas não sejam acatadas, que os abonos pagos em valores iguais ou correspondentes a 10 dias de salário de cada trabalhador sejam excluídos das bases de cálculo, remanescendo apenas os valores excedentes a esse parâmetro, nos termos do art. 144, da CLT, e art. 28, § 9o, alínea d, da Lei 8.212/91. Contudo, conforme constatase, a verba paga pela empresa autuada não é aquele abono de que trata o art. 144, da CLT, pois a própria recorrente admite que, em alguns Fl. 1293DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMI AO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13864.000492/201003 Acórdão n.º 2301003.386 S2C3T1 Fl. 1.287 15 casos, houve o pagamento de um valor superior ao equivalente a 10 dias de salário do trabalhador. Portanto, a rubrica “Abono Especial de Férias” não se encontra nas hipóteses de isenção do art. 28, § 9o, da Lei 8.212/91, e deve integrar o salário de contribuição do empregado. DIVERGÊNCIAS FOLHA X GFIP A fiscalização verificou, ainda, algumas divergências entre as remunerações constantes das folhas de pagamentos e as declaradas em GFIP. A recorrente afirma que, quanto às divergências citadas no relatório fiscal entre valores declarado em GFIP e efetivamente recolhidos em GPS, afirma que os resumos das folhas de pagamento, as GFIPs e a GPS anexadas ao processo demonstram que tais divergências não existem e, por esse motivo, devem ser excluídas da autuação. Contudo, conforme restou claro no REFISC e no Acórdão recorrido, a divergência apurada não foi entre GFIP x GPS, mas sim entre remuneração constante da folha e remuneração declarada em GFIP. Conforme bem esclarecido pelo relator do acórdão recorrido, os resumos das folhas trazidos aos autos na impugnação não comprovam a inexistência das divergências, que estão discriminadas, por competência e por empregados, no anexo III, às fls. 133. Assim, conforme esclarecido no acórdão combatido, a recorrente poderia ter trazido, nem que fosse por amostragem, a folha analítica para comprovar que os valores apurados e discriminados no anexo III estão equivocados. Contudo não o fez, se limitando a afirmar que não há divergências entre GFIP e GPS, e juntando o resumo das folhas, as GFIPs e as GPS que, segundo se observa do RDA, já foram aproveitadas para a apuração da contribuição devida. Portanto, não há como acatar a pretensão da recorrente, devendo tais valores serem mantidos no lançamento. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS A autoridade fiscal informa que apresentadas folhas de pagamento relativo a contribuintes individuais não declarados em GFIP. A recorrente reconhece o fato, confessando tratarse de um lapso, mas esclarece que a contribuição incidente sobre a remuneração de tais segurados foi recolhida, conforme comprova a GPS anexada à impugnação. Ocorre que, conforme esclarecido com muita propriedade no acórdão de primeira instancia, as GPS juntadas aos autos já foram devidamente apropriadas no lançamento, e constam do relatório RDA. Portanto, mais uma vez a recorrente alega, mas não comprova o alegado. Fl. 1294DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMI AO CORDEIRO DE MORAES 16 Nesse sentido, não há como acatar o pedido da recorrente para a exclusão desses valores, uma vez que, conforme consta dos autos, eles são devidos. VALOR DO DÉBITO A recorrente insurgese, ainda, contra a aplicação da multa de mora de 75%, entendendo que a penalidade mais benéfica ao contribuinte, é a de 24%, prevista no art. 8.212/91, independentemente da multa por eventual obrigação acessória. Contudo, a fiscalização procedeu conforme orientação da PGFN, contida no Parecer PGFN/CAT 433/2009, e Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/09. É oportuno esclarecer que, pela legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador, quando o não recolhimento das contribuições não declaradas era concomitante com a falta cometida pelo contribuinte pela não declaração em GFIP, existiam dois procedimentos que eram adotados pela fiscalização: a) a aplicação de uma multa pela não declaração, consubstanciada em auto de infração por descumprimento de obrigação acessória com fundamento no artigo 32, IV e § 5º, da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 9.528/1997, e b) a cobrança de multa pelo descumprimento da obrigação principal no tempo oportuno, com fundamento no artigo 35 da Lei nº 8.212/1991 com a redação da Lei nº 9.876/1999, além do recolhimento do valor referente à própria obrigação principal. Conforme estabelecido pela na Lei nº 11.941/09, esta mesma infração ficou sujeita à multa de ofício prevista no artigo 44, da Lei nº 9.430/1996, na redação dada pela Lei nº 11.488/2007. Ou seja, a situação descrita, que antes levava à lavratura de, no mínimo, dois autos de infração, um por descumprimento de obrigação acessória e outro levantando a contribuição não recolhida com a devida multa correspondente, passou a ser abordada por meio de um único dispositivo, que remete à aplicação da multa de ofício. Nestas condições, a multa prevista no art. 44, I, da referida Lei nº 9.430/96, é única, no importe de 75% e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem mensurar o que foi aplicado para punir apenas a obrigação acessória. Pela nova sistemática legal, as duas infrações, a saber, relativamente à obrigação principal e à obrigação acessória, são verificadas simultaneamente e, portanto, haverá a aplicação de apenas uma multa (de ofício). Cumpre ressaltar que, no intuito de regular a aplicação das inovações trazidas pela citada Lei nº 11.941/09, mormente quanto ao entendimento e comparação para fins da mencionada retroação benéfica desta, foi editada a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/09, que em seu artigo 3º dispõe: Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212,de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 1295DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMI AO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13864.000492/201003 Acórdão n.º 2301003.386 S2C3T1 Fl. 1.288 17 Assim, no caso em análise, as multas mensais referente a obrigações tributárias acessórias, deverão ser somadas às multas referentes às contribuições previdenciárias não declaradas em GFIP, que foram incluídas no presente Auto de Infração, referente a obrigações tributárias principais – quota patronal e GIILRAT, para o confronto com a multa que seria aplicada em observância ao acima transcrito. Assim, entendo que, no que se refere à multa, o procedimento fiscal não merece reparos. CORESPONSÁVEIS A autuada requer, por fim, que sejam excluídos, da autuação, o presidente e os diretores listados no relatório de vínculos, a fim de se evitar futuros prejuízos, uma vez que o art. 13, da Lei8.620/93 foi expressamente revogado com a publicação da Lei 11.941/2009. Todavia, cumpre esclarecer que a inclusão do nome dos coresponsáveis é um dos requisitos necessários para a constituição do crédito. O sujeito passivo que deve suporta o ônus contido no AI em tela é a própria empresa, sendo ela, em primeira análise, a responsável pelo crédito ora discutido, não podendo se afirmar que sejam as pessoas arroladas no relatório de coresponsáveis, neste momento, o sujeito passivo da obrigação inadimplida. Desse modo, a indicação dos sócios e administradores no anexo denominado de CORESP nada mais representa do que documento instrutório do AI, previsto na legislação previdenciária. Como o art. 79, inciso VII, da Lei n.º 11.941/2009, revogou o art. 13 da Lei n.º 8.620/93, a simples indicação dos representantes legais da empresa por meio do CORESP não implica a sua inscrição de imediato em dívida ativa. Registrese que a lista nominal serve apenas como uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo fisco, já que posteriormente servirá de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional. Porém, para deixar claro que o fisco não pode incluir as pessoas físicas relacionadas no CORESP de pronto na certidão da dívida ativa, este colegiado vem decidindo reiteradamente deixar consignado o provimento parcial do recurso, eis que necessário para o dispositivo final do julgado. Ademais, cumpre informar que tal matéria é objeto da Súmula nº 88, do Conselho Pleno do CSRF, transcrita a seguir: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Fl. 1296DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMI AO CORDEIRO DE MORAES 18 Nesse sentido, acato o requerimento formulado pela recorrente, para aplicar a súmula 88 do CSRF. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; VOTO por CONHECER DO RECURSO, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do débito, por improcedência, os valores relativos ao ABONO SALARIAL e para deixar claro que o rol de coresponsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo fisco, podendo servir, posteriormente, de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional É como voto. Bernadete De Oliveira Barros – Relatora Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Apresentamos nossas considerações em sintonia com os aspectos do Acórdão para os quais fomos designados como Redator do voto vencedor. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual Fl. 1297DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMI AO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13864.000492/201003 Acórdão n.º 2301003.386 S2C3T1 Fl. 1.289 19 temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% Fl. 1298DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMI AO CORDEIRO DE MORAES 20 (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença Fl. 1299DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMI AO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13864.000492/201003 Acórdão n.º 2301003.386 S2C3T1 Fl. 1.290 21 das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Fl. 1300DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMI AO CORDEIRO DE MORAES 22 Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMI AO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13864.000492/201003 Acórdão n.º 2301003.386 S2C3T1 Fl. 1.291 23 Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008: · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte; Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMI AO CORDEIRO DE MORAES 24 · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Voto Vencedor e Declaração de Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, Redator e Declaração de Voto ADMISSIBILIDADE 1. O recurso é tempestivo e presentes se encontram os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual CONHEÇO do recurso voluntário. 2. Peço vênia à nobre Conselheira Relatora para divergir de seu posicionamento, trazendo minhas ponderações para elevar o debate. DA NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDÊNCIÁRIA SOBRE “PPR” 3. No tocante à não incidência das contribuições previdenciárias sobre os pagamentos efetuados pela empresa recorrente aos ocupantes de cargo de liderança, sob a rubrica de Participação nos Resultados (PPR), pareceme que razão assiste ao contribuinte. 4. Entendo que a aplicação da previsão constitucional de participação nos resultados da empresa pelos seus empregados é perfeitamente extensiva àqueles que ocupam cargos de liderança dentro da incorporação, visto que a legislação de regência da matéria não colocou qualquer amarra (art. 7º, XI da CF; Lei 10.101/2000). 5. Salientase, outrossim, que não se sustenta a posição do fisco de que não haveria lei específica desonerando a PPR para os diretores, pois a previsão da participação destes na empresa já vem sufragada na legislação societária antes mesmo da entrada em vigor da Carta Cidadã. A Lei das S.A. (Lei n. 6.404/76) sempre desvinculou do conceito de remuneração dos administradores as eventuais participações nos resultados por eles recebidas, demonstrando a existência de caráter não retributivo. Eis o dispositivo citado: Art. 152. A assembléiageral fixará o montante global ou individual da remuneração dos administradores, inclusive benefícios de qualquer natureza e verbas de representação, tendo em conta suas responsabilidades, o tempo Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMI AO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13864.000492/201003 Acórdão n.º 2301003.386 S2C3T1 Fl. 1.292 25 dedicado às suas funções, sua competência e reputação profissional e o valor dos seus serviços no mercado. (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) § 1º O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% (vinte e cinco por cento) ou mais do lucro líquido, pode atribuir aos administradores participação no lucro da companhia, desde que o seu total não ultrapasse a remuneração anual dos administradores nem 0,1 (um décimo) dos lucros (artigo 190), prevalecendo o limite que for menor. § 2º Os administradores somente farão jus à participação nos lucros do exercício social em relação ao qual for atribuído aos acionistas o dividendo obrigatório, de que trata o artigo 202 (...) Art. 190. As participações estatutárias de empregados, administradores e partes beneficiárias serão determinadas, sucessivamente e nessa ordem, com base nos lucros que remanescerem depois de deduzida a participação anteriormente calculada. Parágrafo único. Aplicase ao pagamento das participações dos administradores e das partes beneficiárias o disposto nos parágrafos do artigo 201. 6. Forçoso é concluir que o fisco promoveu o lançamento da contribuição no equivocado entendimento de que a PPR deve ser paga exclusivamente aos trabalhadores empregados. Em nenhum momento considerou que os resultados auferidos pela empresa para distribuição foram decorrentes do esforço mútuo de todos, seja empregado ou diretor estatutário, não devendo existir qualquer distinção pelo vínculo dos trabalhadores. 7. Ademais, o benefício é notadamente conhecido como um plano de incentivo coletivo, em que o desempenho de cada trabalhador, seja celetista ou estatutário, afeta o rendimento de todos, criase um incentivo à cooperação de modo a maximizar o desempenho do grupo como um todo, não soando lógico, ao menos ao meu ver, que somente os trabalhadores com vínculo empregatícios sejam por ela agraciados. 8. No tocante à periodicidade do pagamento, observo que os instrumentos coletivos colacionados demonstram que os pagamentos relativos ao PPR foram previstos para fevereiro de 2007 e fevereiro de 2008, respeitando sempre o período inferior ao semestre civil. Ademais, por acordo com os sindicatos o contribuinte efetuou a antecipação de parte desse pagamento, mas, mesmo assim, limitouse a fazer a totalidade do pagamento em 02 (duas) parcelas, e dentro do período legalmente exigido. 9. Diante desses elementos, entendo que, neste tópico, o recurso voluntário do Contribuinte deve ser provido, com a exoneração do crédito tributário aqui imputado. DO ABONO ESPECIAL DE FÉRIAS Fl. 1304DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMI AO CORDEIRO DE MORAES 26 10. No tocante aos valores pagos a título de abono especial de férias, também não compartilho o entendimento da Relatora, pois entendo que não integram o salário, ante sua natureza indenizatória. 11. Antes de discorrer sobre o caso concreto, lembro os doutos conselheiros que o gênero abono de férias abarca as possibilidades que o empregado tem um valor pago pela empresa sem, contudo, integrar a remuneração. São as seguintes espécies: abono pecuniário e o chamado abono especial de férias ou abono celetista de férias. 12. A Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), no art. 143, previu a conversão de até um terço do seu período de férias em abono pecuniário. No art. 144, permitiu a concessão do abono de férias, caso haja essa previsão expressa em documento que reflita o intuito das partes: Art. 143 É facultado ao empregado converter 1/3 (um terço) do período de férias a que tiver direito em abono pecuniário, no valor da remuneração que lhe seria devida nos dias correspondentes. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.535, de 13.4.1977 § 1º O abono de férias deverá ser requerido até 15 (quinze) dias antes do término do período aquisitivo. (Incluído pelo Decretolei nº 1.535, de 13.4.1977 Art. 144. O abono de férias de que trata o artigo anterior, bem como o concedido em virtude de cláusula do contrato de trabalho, do regulamento da empresa, de convenção ou acordo coletivo, desde que não excedente de vinte dias do salário, não integrarão a remuneração do empregado para os efeitos da legislação do trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1998) 13. Não se confunde, portanto, o abono pecuniário, quando o empregado converte até 10 (dez) dias de suas férias em pecúnia, com o abono especial de férias, quando o empregador paga, em razão das férias, parcela suplementar, em valor não excedente a 20 (vinte) dias do salário, concedido em razão de previsão expressa que pode constar no contrato de trabalho, no regulamento da empresa, em negociação coletiva de trabalho. 14. Inclusive, essa distinção foi destacada pelo doutrinador Arnaldo Süsseking (em Instituições do Direito do Trabalho, vol. 2, pp. 827 e 828), cujo trecho ora colaciono: O abono de férias instituído pelo art. 143 não tem natureza salarial, não integrando, assim, a remuneração do empregado para efeitos da legislação do trabalho e da previdência social. E o mesmo ocorre com a gratificação de férias resultante seja de ajuste contratual inclusive de norma ou regulamento da empresa em convenção ou acordo coletivo, desde que não excedente de 20 dias de salários. Neste sentido é expresso o art. 144. 15. Ressalto que esses abonos não possuem natureza salarial, não sendo exigível o recolhimento previdenciário sobre tais valores, tanto que a Lei 8.212, em seu artigo 28, parágrafo 9 º, alínea e, item 6, determinou que as importâncias pagas sob título de abono de férias na forma descrita nos artigos 143 e 144 da CLT não compõem o saláriodecontribuição para fins de incidência de contribuição social previdenciária: Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMI AO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13864.000492/201003 Acórdão n.º 2301003.386 S2C3T1 Fl. 1.293 27 Art. 28. (...): § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 16. No caso deste processo administrativo fiscal, verifico que o abono especial de férias concedido estava descrito nas Cláusulas 13ª (Convenção Coletiva de 2004/2005 e de 2005/2006) e 14ª (Convenção Coletiva de 2007/2008), previsões essas que se adequam ao disposto no art. 144 da CLT, o que certamente assegura ao contribuinte o afastamento da contribuição social previdenciária sobre esses valores:. ABONO DE FÉRIAS (...) Ao empregado que durante o período aquisitivo de férias, não tiver mais de 7 (sete) faltas ao serviço, justificadas ou não, quando sair em gozo de férias, será pago um abono nos seguintes valores e condições: (...) § 8º O abono previsto nesta cláusula não se incorporará ao salário par quaisquer efeitos e não sofrerá incidências trabalhistas e previdenciárias, conforme expressamente previsto no art. 144 da CLT e no art. 28,§ 9º, “e”, da Lei 8.212, de 24/07/1991, respectivamente. 17. Essa não incidência tributária também foi reconhecida pela Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil 5 a Região Fiscal, por meio da Solução de Consulta 61, de 12 de dezembro de 2012: EMENTA: Por força do § 2º, do art. 22, c/c o § 9º, 'e', item 6, do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991, o abono de férias, quando estabelecido na forma do art. 144 da CLT, não integra o salário de contribuição do empregado. O prazo para repetição de indébito é de cinco anos contados do pagamento antecipado do tributo, de acordo com o CTN, art. 168, I, c/c a Lei Complementar nº118, de 2005, art. 3º. DISPOSITIVOS LEGAIS: Arts. 22, § 2º, e 28, § 9º, 'e', item 6, da Lei nº 8.212, de 1991; art. 144 da Consolidação das Leis do Trabalho; art. 168, I, do Código Tributário Nacional; art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 2005. 18. A seu turno, entendo presente o caráter indenizatório do abono, visto que está diretamente vinculado à concessão de férias do empregado, momento em que entendese que ele gozará de descanso em virtude do trabalho prestado à empresa durante todo o ano. Fl. 1306DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMI AO CORDEIRO DE MORAES 28 19. Ademais, não há de se falar em habitualidade dessas parcelas, pois o abono especial de férias é pago apenas uma única vez, no momento em que o empregado irá usufruir desse período, não sendo o caso previsto no parágrafo 11, do art. 201 da Constituição Federal, que fala que "os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão nos benefícios, nos casos e na forma da lei" 20. Assim, dou provimento ao recurso voluntário nesta parte por entender que a legislação trabalhista combinada com a previdenciária é precisa quanto à impossibilidade de incidência de contribuição social previdenciária sobre o abono especial de férias pago aos empregados da empresa recorrente por não integrar a remuneração para tal finalidade e, destaco oportunamente, por ser pago em caráter eventual, dizimando de vez qualquer possibilidade de incidência desse tributo. DA MULTA APLICADA 21. Sobre a multa aplicada, dou provimento ao recurso também nesta parte. Em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. 22. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei 8.212/1991 que assim dispõe: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 23. E o supracitado art. 61, da Lei 9.430/96, por sua vez, assevera que: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. 24. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMI AO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13864.000492/201003 Acórdão n.º 2301003.386 S2C3T1 Fl. 1.294 29 a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 25. Assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/1996, com a redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/1991, até 11/2008, se for mais benéfica para o contribuinte. CONCLUSÃO 26. Diante do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário do contribuinte, para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, nos termos supra alinhavados. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes – Redator e Declaração de Voto Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DAMI AO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10730.001391/2008-54
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. COMPROVAÇÃO.
A apresentação de documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica no restabelecimento das despesas glosadas e posteriormente comprovadas.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2801-003.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 10.000,00, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201309
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. COMPROVAÇÃO. A apresentação de documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica no restabelecimento das despesas glosadas e posteriormente comprovadas. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10730.001391/2008-54
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5303659
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 31 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2801-003.214
nome_arquivo_s : Decisao_10730001391200854.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
nome_arquivo_pdf_s : 10730001391200854_5303659.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 10.000,00, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
id : 5147197
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046172228124672
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1723; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 48 1 47 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10730.001391/200854 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801003.214 – 1ª Turma Especial Sessão de 19 de setembro de 2013 Matéria IRPF Recorrente MÁRCIA MATHEUS GUIMARÃES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. COMPROVAÇÃO. A apresentação de documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica no restabelecimento das despesas glosadas e posteriormente comprovadas. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 10.000,00, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 13 91 /2 00 8- 54 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10730.001391/200854 Acórdão n.º 2801003.214 S2TE01 Fl. 49 2 Por bem descrever os fatos, adotase o “Relatório” da decisão de 1ª instância (fl. 32 deste processo digital), reproduzido a seguir: O presente processo trata de exigência constante de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física Exercício 2005, ano calendário 2004, na qual se apurou crédito tributário no valor total de R$ 16.031,59. De acordo com demonstrativo, foi glosado o valor de R$ 27.426,01, declarado a título de despesas médicas. Consoante descrição dos fatos e enquadramento legal, (1) despesas com os profissionais Márcia de Praga Araújo Ramalho, no valor de R$ 15.000,00, e Ana Cláudia Lessa de Almeida, no valor de R$ 10.000,00: documentos não preenchem os requisitos formais previstos no art. 80, § 1º, item III do RIR/99, além de não condizentes com os rendimentos declarados dos emitentes; (2) despesas com plano de saúde UNIMED: pessoa não dependente. Cientificada do lançamento em 15/01/2008 (fl. 12), ingressou a contribuinte, em 11/02/2008, com a impugnação de fl. 02, instruída com documentos de fls. 06/08, na qual informa que: o tratamento com Márcia Ramalho foi realizado em sua residência, daí a ausência de endereço do consultório nos comprovantes; o atendimento fonoaudiológico com a profissional Ana Cláudia Lessa foi realizado no endereço Estrada Francisco da Cruz Nunes 5982, sala 204, Itaipu, Niterói; foi orientada que poderia declarar as despesas com sua irmã que estava desempregada e precisando de cuidados médicos e, por isso, provisoriamente a sustentava. Após a leitura das instruções, verificou que as informações não eram verdadeiras e não condizentes com a legislação tributária. A impugnação apresentada foi julgada improcedente, por intermédio do acórdão de fls. 31/34, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Deve ser mantida a glosa das deduções efetuadas na Declaração de Ajuste Anual a título de despesas médicas, quando os documentos de prova constantes dos autos não preenchem os requisitos estabelecidos em lei, não restando devidamente suprida a irregularidade detectada pela fiscalização. DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. AUSÊNCIA DO ENDEREÇO. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10730.001391/200854 Acórdão n.º 2801003.214 S2TE01 Fl. 50 3 A indicação do endereço do emitente do recibo médico representa requisito para a dedução da despesa por expressa determinação legal. Cientificada da decisão de primeira instância em 18/07/2011 (fl. 37), a Interessada interpôs, em 16/08/2011, o recurso de fls. 39/40, acompanhado dos documentos de fls. 41/43. Na peça recursal concorda com as glosas de despesas efetuadas com a UNIMED e com a profissional Márcia de Praga Araújo Ramalho. Junta aos autos declaração da fonoaudióloga Ana Cláudia Lessa de Mendonça e certidão da filha Cecília Matheus Guimarães, sua dependente no anocalendário de 2004. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presente os requisitos de admissibilidade. A controvérsia se restringe às despesas médicas efetuadas com a profissional de saúde Ana Cláudia Lessa de Mendonça, porquanto houve a concordância expressa da Recorrente em relação às glosas de despesas com a UNIMED e com a profissional Márcia de Praga Araújo Ramalho. O motivo da glosa foi a comprovação de despesas com documentos que não preenchem os requisitos formais previstos no art. 80, § 1º, item III, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 RIR/99. A decisão de piso manteve a glosa de despesas com a fonoaudióloga Ana Cláudia Lessa de Mendonça com base no seguinte entendimento: O endereço do emitente é requisito legal, previsto expressamente pelo art. 8º, § 2º, III, da Lei nº 9.250/95, que condiciona a dedutibilidade das despesas médicas. A responsabilidade pela apresentação dos documentos de acordo com as formalidades legais é do contribuinte que pretende se beneficiar da dedução. Não se trata de simplesmente indicar onde os serviços foram prestados, como fez a contribuinte na impugnação relativamente às despesas com a profissional Ana Cláudia Lessa, nem tampouco de se considerar que por ter sido o serviço prestado no domicílio do paciente, o profissional esteja dispensado de emitir recibo em que conste o seu endereço, como justificou para o tratamento realizado com Márcia de Praga Araújo Ramalho. E arrematou: Caberia a interessada providenciar junto às profissionais a retificação dos recibos emitidos ou uma declaração firmada pelas profissionais. Considerando que não trouxe aos autos quaisquer documentos que suprissem o defeito apontado na Notificação de Lançamento, devem ser mantidas, por falta de Fl. 50DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10730.001391/200854 Acórdão n.º 2801003.214 S2TE01 Fl. 51 4 indicação do endereço nos comprovantes, as glosas dos pagamentos a Ana Cláudia Lessa e Márcia de Praga Araújo Ramalho. À peça recursal a Interessada anexou declaração da fonoaudióloga Ana Cláudia Lessa de Mendonça na qual esta informa o endereço de seu consultório à época dos fatos e esclarece que recebeu da Recorrente a importância de R$ 10.000,00, referente a atendimentos fonoaudiológicos da contribuinte e de sua dependente Cecília Matheus Guimarães. Na declaração consta, também, o CPF da emitente e o número de seu registro no Conselho Regional de Fonoaudiologia do Rio de Janeiro. Presente, portanto, os requisitos formais exigidos pela legislação do imposto de renda. Face ao exposto, voto por dar provimento ao recurso para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 10.000,00. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos Almeida Fl. 51DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 15758.000520/2010-17
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 31 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008, 2009
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do recurso voluntário interposto após o prazo de trinta dias, contado da ciência da decisão de primeira instância.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2801-003.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tania Mara Paschoalin Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007, 2008, 2009 RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso voluntário interposto após o prazo de trinta dias, contado da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido.
turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 31 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 15758.000520/2010-17
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5303696
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 31 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2801-003.159
nome_arquivo_s : Decisao_15758000520201017.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
nome_arquivo_pdf_s : 15758000520201017_5303696.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tania Mara Paschoalin Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
id : 5147234
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046172235464704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1585; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 149 1 148 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15758.000520/201017 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801003.159 – 1ª Turma Especial Sessão de 14 de agosto de 2013 Matéria IRPF Recorrente ANTONIO NICOLAU Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007, 2008, 2009 RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso voluntário interposto após o prazo de trinta dias, contado da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tania Mara Paschoalin – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 75 8. 00 05 20 /2 01 0- 17 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22/09/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 15758.000520/201017 Acórdão n.º 2801003.159 S2TE01 Fl. 150 2 Por bem descrever os fatos, que não sofreram alteração, adoto como relatório as seguintes considerações efetuadas pela Autoridade julgadora de 1ª instância: “O processo referese à auto de infração, fls. 79/86, lavrado em face do contribuinte acima identificado, relativo ao imposto de renda pessoa física dos exercícios 2007, 2008 e 2009, por meio do qual foi exigido crédito tributário apurado no valor de R$ 55.729,83, sendo imposto devido no valor de R$ 20.327,06, juros de mora (calculados até 29/10/2010) no valor de R$ 4.912,27 e multa proporcional no valor de R$ 30.490,50. De acordo com informações contidas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 71/78, o autuado foi intimado a apresentar toda a documentação hábil relativa às despesas médicas efetuadas, e demais documentos comprobatórios dos abatimentos efetuados em suas DIRPF's dos exercícios de 2007 a 2009 (recibos, comprovantes de pagamentos, cópias de cheques) que serviram de base e/ou foram utilizadas em suas Declarações de Ajuste Anual nos anos calendários de 2006 a 2008. Em resposta à intimação o contribuinte compareceu à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santo André, conforme Termo de Comparecimento e Esclarecimentos anexado às fls.60/61, apresentando alguns documentos e esclarecimentos ali relacionados. Perguntado ao contribuinte à razão de não haverem sido comprovadas todas as despesas relacionadas nas Declarações de Ajustes, o mesmo respondeu, em síntese, que desconhece as demais despesas relacionadas, não possuindo referidas comprovações, porque não recebeu ele mesmo ou os dependentes, os serviços representativos de tais despesas e nem foram referidos valores desembolsados por ele ou quaisquer de seus dependentes, desconhecendo as razões pelas quais as mesmas foram transcritas nas referidas declarações de ajuste anual, com valores fictícios e/ou majorados. Tendo em vista que o contribuinte não trouxe todos os documentos que comprovassem adequadamente a totalidade das deduções informadas em suas declarações de ajuste, a Fiscalização da RFB procedeu à glosa dos valores não comprovados, fls.68/70. Constou do Termo de Verificação Fiscal, fls.74, que a dedução de despesas na declaração de ajuste, sem comprovação dos serviços, nem apresentação de documentação hábil, tem sido efetuada de forma continuada pelo Fiscalizado, tal conduta tipificase nos artigos I o incisos I e II e 2°da Lei n.° 8.137/90, fato que enseja a qualificação da multa de ofício e conseqüente elaboração de Representação Fiscal para Fins Penais.” O contribuinte apresentou Impugnação reputada tempestiva, tendo em seu Voto esclarecido a julgadora a quo que: “À vista do Termo de Transferência, fls. 89/90, resta em discussão no presente processo, 75% (setenta e cinco por cento) de multa, tendo em vista que os outros 75% foram transferidos Fl. 150DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22/09/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 15758.000520/201017 Acórdão n.º 2801003.159 S2TE01 Fl. 151 3 juntamente com o valor do principal, para o processo n° 13817.000731/201082.” Isso porque o contribuinte, em sua Impugnação, manifestou expressamente inconformidade apenas em relação à multa agravada no percentual de 150%. Após tecer suas considerações e juízos, o julgamento de primeira instância deuse para “por unanimidade de votos, considerar Improcedente a Impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” Inconformado com o resultado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. PRELIMINAR. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Na folha 135 consta que a Intimação nº 222/11 foi emitida pela Agência da Receita Federal do Brasil em Mauá – SP, com a finalidade de dar ciência ao interessado do Acórdão 1748.849 e, considerando a decisão da Turma de Julgamento, intimálo a recolher, no prazo de 30 (trinta dias), contados a partir da data do recebimento (assinatura do AR) os débitos que discriminou em anexo. Foramlhe facultados vista do processo e a possibilidade de recurso administrativo, no mesmo prazo. Na folha 137 consta a cópia do Aviso de Recebimento, entregue no endereço Avenida Assis Brasil, 412 Vila Assis MauaSP, CEP: 09370730, firmado por Ivanésio Francisco Silva, em 31/03/2011, que, observamos, tratouse de um dia de quintafeira, onde não consta feriado. Observamos que o endereço supracitado é o mesmo que aparece na ‘tela’ de cadastro do CPF, anexada à fl. 3, que consta do Auto de Infração recebido pessoalmente pelo contribuinte (fl. 87), da Impugnação (fl. 93) e do Recurso apresentados (fl.141). Vale, assim, transcrever a Súmula CARF Nº 9 – “É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.” Na folha 145, percebese que o Recurso foi postado, conforme carimbo da ECT aposto no envelope, em 21/06/2011, em São Bernardo do Campo/SP, onde possui endereço comercial a procuradora constituída Cátia Rodrigues de S. Prometi, que subscreve a peça juntamente com o Recorrente. (v. fl 144). Verificase ainda que o Recurso foi assinado Fl. 151DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22/09/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 15758.000520/201017 Acórdão n.º 2801003.159 S2TE01 Fl. 152 4 pelo contribuinte e sua procuradora em 13 de junho de 2011, e, portanto, só poderia mesmo ser apresentado ou enviado em data posterior. O art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, que trata do prazo da interposição de recurso contra decisão de primeira instância, assim dispõe: “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão” Por sua vez, o art. 5º do mesmo Decreto disciplina como deve ser feita a contagem dos prazos. “Art. 5o. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindo se o do vencimento Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato”. Desta feita, considerando a ciência no dia 31 de março (quinta feira) e o início da contagem no dia 01 de abril de 2011 (sexta feira), o trigésimo dia posterior deuse em 30 de abril (sábado), encerrandose legalmente o prazo em 02 de maio de 2011(segunda feira) e tendo sido o recurso postado em 21 de junho de 2011. Cumpre informar que o Recorrente não se manifestou sobre a (in)tempestividade de sua peça recursal. Face ao exposto, voto por não conhecer do presente Recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 152DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22/09/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN
score : 1.0
Numero do processo: 23034.042586/2006-91
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2403-000.147
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Carlos Alberto Mees Stringari-Presidente
Ivacir Júlio de Souza-Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim.
Relatório.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201304
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 23034.042586/2006-91
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5298753
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2403-000.147
nome_arquivo_s : Decisao_23034042586200691.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : IVACIR JULIO DE SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 23034042586200691_5298753.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Carlos Alberto Mees Stringari-Presidente Ivacir Júlio de Souza-Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim. Relatório.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
id : 5114908
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:14:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046172300476416
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1250; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 23034.042586/200691 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2403000.147 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 16 de abril de 2013 Assunto DILIGÊNCIA Recorrente EMPRESA DE DES AGROPEC DE SER ENDAGRO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Carlos Alberto Mees StringariPresidente Ivacir Júlio de SouzaRelator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 2 30 34 .0 42 58 6/ 20 06 -9 1 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 23034.042586/200691 Resolução nº 2403000.147 S2C4T3 Fl. 3 2 Relatório. Tratase de Notificação para recolhimento de Débito, NDR, instrumento utilizado pelo Fundo Nacional para Desenvolvimento da Educação – FNDE, que em ação fiscal em procedimento denominado Apuração Especial das DEDUÇÕES de valores devidos a contribuição social do Salário Educação, apurou que teriam havido irregulares deduções praticadas pela Recorrente no período jul/96 a dez/2003. Desse modo, a Empresa foi autuada não por falta de pagamento mas, segundo a Autoridade autuante, por efetuar deduções irregulares . Na forma do interposto Recurso, a Recorrente alegou improcedente a autuação e requereu que seja cancelado o lançamento. Por ocasião do julgamento neste Colegiado, conforme a Resolução n° 2403 000.056 de fls. 135, de 09 de fevereiro de 2012, me manifestei pela diligência pelas razões abaixo: “ Entendo que a identidade de valores destacada pelo Relator a quo, não esgota hipótese de equívoco uma vez que a ação que resultou no lançamento, ao que parece, não foi presencial. Assim, os documentos trazidos à colação pelo Recorrente devem ser oferecidos ao órgão autuante para que se manifeste sobre a procedência dos argumentos. Desse modo, voto pela conversão do Recurso em diligência para que o órgão autuante se manifeste conclusiva e efetivamente sobre a procedência dos argumentos uma vez que não constam nos autos se tais documentos já teriam sido apreciados, desta forma, em primeira instância.” Portanto, a questão nuclear para a conversão do julgamento em diligência foi obter conclusiva manifestação da Autoridade autuante sobre a procedência dos argumentos da Recorrente à luz dos documentos colacionados em sede recursal. Secundário, porém não menos importante, é a confirmação se os documentos trazidos à colação teriam sido apreciados na ação fiscal . DA RESPOSTA DA DILIGÊNCIA No item 10 da Informação Fiscal às fls. 143, a Autoridade Autuante, muito embora ressalte que a diligência fora requerida para que o órgão autuante se manifestasse sobre a procedência dos argumentos não o fez. Na oportunidade, após complexa explanação constituída de 9 parágrafos anteriores, concluiu tal qual o abaixo transcrito : “ (...) informamos que apenas as informações constantes das CDAS relativas às deduções foram consideradas no momento do levantamento do débito, as informações relativas as RAIs enviadas ao FNDE pela empresa não puderam ser consideradas pois Fl. 191DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 23034.042586/200691 Resolução nº 2403000.147 S2C4T3 Fl. 4 3 foram rejeitadas em função de erros nas mesmas, e os documentos às fls. 67 a 123 relativos ao salário de educação pagos aos empregados, apresentados junto ao recurso voluntário e que complementam os documentos relacionados no parágrafo 2 acima, não fizeram parte da análise para levantamento do débito, pois conforme relatório fiscal, foi analisado apenas se os valores deduzidos relativo ao salário educação era equivalente ao número de alunos informados pela empresa na Relação de Alunos Indenizados – RAÍ .” Alfim, a autoridade autuante não ratificou o lançamento, e tampouco o retificou. CONCLUSÃO Desse modo, voto pela conversão do Recurso em diligência para que o órgão autuante, se manifeste conclusivamente sobre a procedência da autuação e, se for o caso, retificar o que for insustentável dando ciência ao contribuinte do inteiro teor da Resolução e o da Informação Fiscal para , se quiser, interpor Recurso. É como voto Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 192DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10830.917633/2009-86
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Numero da decisão: 3801-002.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10830.917633/2009-86
anomes_publicacao_s : 201309
conteudo_id_s : 5289237
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3801-002.017
nome_arquivo_s : Decisao_10830917633200986.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MARCOS ANTONIO BORGES
nome_arquivo_pdf_s : 10830917633200986_5289237.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
id : 5051607
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:13:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046172459859968
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1727; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 113 1 112 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.917633/200986 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801002.017 – 1ª Turma Especial Sessão de 20 de agosto de 2013 Matéria COMPENSAÇÃO COFINS Recorrente SOTREQ S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 76 33 /2 00 9- 86 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 06/09/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.917633/200986 Acórdão n.º 3801002.017 S3TE01 Fl. 114 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Tratase de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (..) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, o seguinte: Conforme apuração e informações declaradas pela manifestante em DCTF, juntada aos autos, há saldo de crédito disponível para a compensação feita, tendo em vista que a COFINS apurada e o recolhimento feito via DARF, também anexado aos autos, referemse a pagamento indevido. Desta forma, não prospera a não homologação da compensação declarada no PER/DCOMP com a fundamentação de inexistência de saldo disponível para compensação. Como a manifestante somente tardiamente constatou que efetuou o pagamento da COFINS indevido, a DCTF foi posteriormente retificada e transmitida, informando à autoridade fazendária o seu montante apurado. Assim sendo houve recolhimento a maior, restando claro o saldo de crédito disponível para a utilização em compensações. Diante do exposto requer que a compensação declarada seja integralmente homologada, e que os efeitos do Despacho Decisório sejam suspensos até julgamento final desta Manifestação de Inconformidade.. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP), às fls. 47/50, julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 114DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 06/09/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.917633/200986 Acórdão n.º 3801002.017 S3TE01 Fl. 115 3 Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS (DCTF). NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. Consideramse confissões de divida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento, cuja correção resulte em crédito ao Sujeito Passivo, precisa ser comprovada mediante documentos contábeis e fiscais que justifiquem as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 54 a 59, no qual, reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação, tecendo ainda considerações sobre o princípio da verdade material e colacionando precedentes. É o Relatório. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 06/09/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.917633/200986 Acórdão n.º 3801002.017 S3TE01 Fl. 116 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da Contribuição para a COFINS, referente ao mês de agosto/2003, que teria sido paga a maior. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da DCTF do 3° trimestre/2003, conforme cópia às fls. 23/27. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, devendo ser considerada como elemento de prova a DCTF retificadora mesmo apresentada a destempo, aliada aos demais documentos comprobatórios. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Conforme já salientado, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 06/09/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.917633/200986 Acórdão n.º 3801002.017 S3TE01 Fl. 117 5 Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 117DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 06/09/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES
score : 1.0
Numero do processo: 10930.005851/2003-52
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
CONCOMITÂNCIA.
A propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual é suficiente para caracterizar a renúncia as instâncias administrativas. A extinção do processo judicial sem julgamento do mérito não descaracteriza a renúncia às instâncias administrativas, decorrente, apenas, da propositura da ação judicial. Interpretação da Súmula CARF nº 1.
Numero da decisão: 1101-000.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelo Conselheiro José Ricardo da Silva, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Maria Elisa Bruzzi Boechat e Nara Cristina Takeda Taga.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 CONCOMITÂNCIA. A propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual é suficiente para caracterizar a renúncia as instâncias administrativas. A extinção do processo judicial sem julgamento do mérito não descaracteriza a renúncia às instâncias administrativas, decorrente, apenas, da propositura da ação judicial. Interpretação da Súmula CARF nº 1.
turma_s : Primeira Câmara
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 08 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10930.005851/2003-52
anomes_publicacao_s : 201311
conteudo_id_s : 5305745
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 08 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1101-000.934
nome_arquivo_s : Decisao_10930005851200352.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10930005851200352_5305745.pdf
secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelo Conselheiro José Ricardo da Silva, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Maria Elisa Bruzzi Boechat e Nara Cristina Takeda Taga.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
id : 5159673
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046172550037504
conteudo_txt : Metadados => date: 2013-11-01T20:25:12Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2013-11-01T20:25:12Z; Last-Modified: 2013-11-01T20:25:12Z; dcterms:modified: 2013-11-01T20:25:12Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:c0ec9718-3805-4e6d-8fbf-a49875b9d54f; Last-Save-Date: 2013-11-01T20:25:12Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2013-11-01T20:25:12Z; meta:save-date: 2013-11-01T20:25:12Z; pdf:encrypted: true; modified: 2013-11-01T20:25:12Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2013-11-01T20:25:12Z; created: 2013-11-01T20:25:12Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; Creation-Date: 2013-11-01T20:25:12Z; pdf:charsPerPage: 1888; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2013-11-01T20:25:12Z | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 2 1 1 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.005851/200352 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1101000.920 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de agosto de 2013 Matéria IRRF Recorrente ALFONS GARDEMANN Responsável Autuada: ALGITUR TURISMO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 CONCOMITÂNCIA. A propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual é suficiente para caracterizar a renúncia as instâncias administrativas. A extinção do processo judicial sem julgamento do mérito não descaracteriza a renúncia às instâncias administrativas, decorrente, apenas, da propositura da ação judicial. Interpretação da Súmula CARF nº 1. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelo Conselheiro José Ricardo da Silva, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 58 51 /2 00 3- 52 Fl. 1957DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Maria Elisa Bruzzi Boechat e Nara Cristina Takeda Taga. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em desfavor de ALGITUR TURISMO LTDA para a cobrança de Imposto de Renda Retido na Fonte relativo ao anocalendário de 1998. A presente autuação também apontou como sujeito passivo, na qualidade de Responsável Solidário (art. 124, I do CTN) o Sr. Alfons Gardemann, ora Recorrente, que foi considerado pela fiscalização como um sócio de fato da pessoa jurídica autuada. O vertente lançamento originase de fiscalização que culminou com a lavratura do Auto de Infração discutido nos autos do Processo Administrativo n. 10930.005846/200340 (processo principal) que encerra exações de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, penalidades e consectários contra os mesmos sujeitos passivos deste feito. De acordo com o extenso Termo de Verificação Fiscal (fls. 13911523), a fiscalização teve início com ação nas empresas COBRANÇAS TIBAGI S/C LTDA, TIBAGI COBRANÇAS S/C LTDA, EXECUTIVA COBRANÇAS LTDA e MICHIGAN ADITIVOS E LUBRIFICANTES LTDA, cujos sócios foram intimados a prestar esclarecimentos acerca das expressivas movimentações financeiras havidas em contas bancárias de sua titularidade. A partir desse contato com os integrantes do quadro societário dessas empresas, chegou a fiscalização ao entendimento de que tais empresas não existiriam de fato: seus sócios eram pessoas reconhecidamente simples, que não dispunham de capacidade econômica a lastrear movimentações financeiras expressivas e que declararam que ingressaram no quadro societário das sociedades a pedido de terceiros, sendo que jamais tiveram qualquer participação na gestão dos negócios das sociedades. A fiscalização expediu Requisições de Movimentação Financeira – RMFs às instituições financeiras nas quais as mencionadas quatro empresas tinham contas bancárias. A resposta a tais RMFs revelou que as contas eram movimentadas, basicamente, por pessoas ligadas à ALGITUR TURISMO LTDA., que tinham procurações para efetuar tais movimentos. O TVF narra alguns depoimentos de funcionários da ALGITUR TURISMO LTDA e da AG CÂMBIO LTDA, de sócios das 4 (quatro) empresas que supostamente seriam de fachada e de beneficiários de pagamentos efetuados pelas citadas 4 (quatro) empresas. É importante trazer à baila alguns desses depoimentos, que foram cruciais para que a fiscalização chegasse às conclusões plasmadas no TVF aqui debatido, verbis: Fl. 1958DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10930.005851/200352 Acórdão n.º 1101000.920 S1C1T1 Fl. 3 3 ZILDA RODRIGUES GANANCIN (MPF no 0910200.2003.003311) – fls. 10.452/10.453 e 10.457/10.463: intimada a comparecer nesta Delegacia para prestar esclarecimentos de interesse da Fazenda Nacional, pronunciou se como a seguir: de acordo com a averbação de seu divórcio, datado de 21/03/1991, seu nome voltou a ser ZILDA RODRIGUES DOS SANTOS; trabalhou, no período de 1989 a 1999, na empresa AG CÂMBIO E TURISMO LTDA, localizada nesta cidade na Rua Pio XII no 230, esquina com Rua Pref. Hugo Cabral, na qual ingressou a convite de ALFONS GARDEMANN, seu conhecido da época em que a depoente trabalhava como telefonista no Banco Bradesco; no período em que trabalhou em referida casa de câmbio, quem exercia sua administração, tomando todas as decisões, era ALFONS GARDEMANN e TÂNIA REGINA NASCIMENTO; recordase de algumas pessoas que lá também trabalharam, tais como MARCELO LUCILO e ROGÉRIO (officeboys), DANIEL, JOEL, (filial de Maringá), UDO, HERNANI e EDIVALDO DOMINGUES RODRIGUES (“Pituka”), este último, provavelmente, o motorista da empresa. Prossegue relatando a mudança de razão social que a empresa sofreu, passando a se denominar ALGITUR TURISMO, fato esse que não implicou outras mudanças na empresa, que permaneceu sob a mesma gestão, com os mesmos quadro funcional e endereço de instalação; supõe que o número telefônico 33217600, que seria de sua propriedade no período de julho/94 a novembro/99, possa se tratar do telefone que, a pedido de ALFONS GARDEMANN e TÂNIA REGINA NASCIMENTO, anuiu em alugar/adquirir em seu próprio nome, para fins de utilização da empresa AG CÂMBIO/ALGITUR; recordase de que, tão logo cessaram as atividades da empresa no endereço da rua Pio XII no 230, alguns funcionários foram transferidos para uma sala localizada nesta cidade, na Rua Souza Naves no 182, sala 1003; com referência ao pagamento de títulos bancários sacados contra a depoente, lhe exibidos na oportunidade, esclareceu que, em algumas oportunidades, quando pretendia efetuar um vale na empresa AG CÂMBIO/ALGITUR, e não houvesse recursos em espécie disponíveis, algumas de suas despesas foram pagas pela empresa, o que pode ter se dado com os títulos em questão. (fls. 14901491) Em síntese, concluiu a fiscalização: i) que a empresa ALGITUR TURISMO LTDA, autuada, seria sucessora de fato da empresa AG CÂMBIO LTDA, fundada pelo Sr. ALFONS GARDEMANN e por sua esposa, TÂNIA REGINA NASCIMENTO, pessoas essas que não mais compõem o quadro social desta empresa; ii) que as citadas 4 (quatro) empresas não teriam realidade fática, sendo meras “laranjas” do grupo AG CÂMBIO/ALGITUR, de modo que a sua personalidade jurídica foi desconsiderada, com a tributação dos valores movimentados em suas contas bancárias recaindo sobre a ALGITUR TURISMO, sucessora da AG CÂMBIO; iii) que os recursos movimentados nas contas bancárias dessas empresas jamais foram declarados ao Fisco e eram oriundos da atividade de câmbio; Fl. 1959DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 iv) que os sócios das empresas AG CÂMBIO/ALGITUR eram, em verdade, funcionários e/ou parentes de funcionários dessas mesmas sociedades, não exercendo qualquer poder de comando e não sendo os beneficiários dos resultados auferidos por tais sociedades; e v) que o Sr. ALFONS GARDEMANN seria o grande administrador desse conglomerado de empresas existentes (AG CÂMBIO/ALGITUR) e de fachada (COBRANÇAS TIBAGI, TIBAGI COBRANÇAS, MICHIGAN e EXECUTIVA), de modo que foi tido como Sócio de Fato da autuada e, com fulcro no inciso I do art. 124 do CTN, deveria figurar como responsável tributário nas autuações que dimanaram da fiscalização, ante o seu notório interesse comum nas situações que consubstanciaram os fatos geradores de tributos.. No auto de infração aqui discutido, são exigidos da autuada valores de Imposto de Renda Retido da Fonte sobre pagamentos efetuados pelas 4 (quatro) empresas de fachada ao Sr. Alfons Gardemann, responsável solidário. Importante salientar que o Sr. Alfons Gardemann, após ter tomado ciência dos autos de infração lavrados após a fiscalização de que aqui se cuida, impetrou o Mandado de Segurança n. 2003.70.01.0185530, distribuído em 18 de dezembro de 2003, no qual buscava a suspensão da exigibilidade de créditos tributários constantes do Processo Administrativo n. 10930.005846/200340 e dos processos decorrentes – dentre eles o feito administrativo vertente –, a suspensão dos processos administrativos fiscais preparatórios da Representação Fiscal para Fins Penais e da Medida Cautelar Fiscal; a apreensão dos documentos bancários constantes dos processos, a decretação da nulidade dos lançamentos fiscais e, em caráter sucessivo, a exclusão da sua responsabilidade nos termos do art. 124, I do Código Tributário Nacional. Os pedidos de tal mandamus foram assim deduzidos, verbis: À vista de todo o exposto, requer a Vossa Excelência que defira a liminar determinando: a) a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários constantes nos processos administrativos fiscais n° 10930.005846/200340, bem como dos relativos aos demais processos de lançamentos fiscais reflexos e dele decorrentes; b) a imediata suspensão dos processos administrativos fiscais preparatórios da Representação" Fiscal Para Fins Penais e da Medida Cautelar Fiscal; c) a imediata apreensão de todos os documentos bancários constantes em todos os processos fiscais referidos, .com o seu desentranhamento, acondicionamento e lacre, devendo ser imediatamente remetidos a essas dependências da Justiça Federal e depositados no Cartório dessa Vara Federal, sob pena de responsabilidade criminal da autoridade coatora. Após, seja a autoridade impetrada notificada.para prestar suas informações no prazo de 10 (dez) dias. Pedese também que seja intimado o ilustre membro do Ministério Público para, querendo, manifestarse nos autos no prazo de 5 (cinco) dias. Ao final, seja concedida a segurança confirmando a liminar, decretando a nulidade do lançamento fiscal, consubstanciado no processo administrativo fiscal 10930.005847/200354 e em todos os lançamentos reflexos e dele • Fl. 1960DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10930.005851/200352 Acórdão n.º 1101000.920 S1C1T1 Fl. 4 5 decorrentes, com a conseqüente extinção dos procedimentos administrativos preparatórios para a instauração de Medida Cautelar Fiscal e Representação Fiscal para Fins Penais. Alternativamente, mas de forma sucessiva, pedese a exclusão da responsabilidade do impetrante sobre os créditos tributários constituídos, bem como a exclusão de seu nome do procedimento preparatório da Medida Cautelar. Fiscal e da Representação Fiscal para fins penais. (fls. 16111618; sem grifos no original) Também foi acostada aos autos cópia da sentença que extinguiu esse Mandado de Segurança sem julgamento de mérito (art. 267, VI do CPC), por inadequação da via eleita, decisão essa prolatada em 3 de fevereiro de 2004 e de que se extraem os seguintes excertos, litteris: A via escolhida para a proteção do direito, supostamente violado, não é adequada, devendo ser extinto o presente mandado de segurança. Como bem anotado pela autoridade subscritora das informações, a ação fiscal que culminou com o lançamento de créditos tributários data do ano 2001, havendo cerca de 10 mil páginas encartados (sic) no processo administrativo, as quais, não pelo número, mas pela qualidade da lide, não encontra possibilidade de ampla discussão, mormente quando a questão gravita em torno de matéria que ultrapassa a órbita singela do direito, requerendo aprofundado exame de fatos, como também observado pelo Ministério Público. (...) Portanto, a extinção do feito é medida a ser declarada, pois, imprescindível, para manejo de mandado de segurança, prova préconstituída o (sic) direito tido como violado. DISPOSITIVO À vista do exposto, JULGO EXTINTO o presente feito, sem exame de mérito, conforme artigo 267, inciso VI, do Código de Processo Civil. (fls. 1689 1690; sem grifos no original) De acordo com o portal eletrônico da Justiça Federal do Paraná, essa sentença foi atacada por Apelação, que, contudo, sequer foi remetida ao Tribunal Regional Federal da 4a Região, eis que o recurso foi tido por deserto, com a certificação do trânsito em julgado tendo lugar em 30 de março de 2004. Em 8 de dezembro de 2006, este processo foi analisado pela 1a Câmara do antigo 1o Conselho de Contribuintes, que julgou os Recursos Voluntários apresentados pelos sujeitos passivos contra a decisão proferida pela primeira instância administrativa em acórdão assim ementado (fls. 1837 e ss.), verbis: IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE IRRF AC. 1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVIDADE O recurso voluntário deve ser protocolado no prazo de 30 dias a contar da data da ciência do sujeito passivo do acórdão que Fl. 1961DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 julgou o processo em primeira instância, sob pena de não ser o mesmo conhecido. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – RECURSO VOLUNTÁRIO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO POSSIBILIDADE é possível a apresentação de recurso voluntário por pessoa incluída no rol dos responsáveis solidários com vista à discussão do crédito tributário. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE PAGAMENTOS SEM CAUSA é procedente o lançamento do IRRF sobre pagamentos efetuados ou quando da entrega de recursos a terceiros ou sócios, e das quais não tenha sido comprovada a operação ou a causa que deu origem ao pagamento, na forma de expressa disposição legal. LANÇAMENTO REFLEXO O decidido em relação ao tributo principal no processo administrativo fiscal n° 10930.005846/200340 aplicase à exigência reflexa em virtude da relação de causa, e efeitos entre eles existentes. Recurso Voluntário Provido em Parte. É importantíssimo asseverar que consta da decisão supratranscrita, que unicamente apreciou o Recurso Voluntário do responsável solidário – eis que não conheceu a intempestiva irresignação da autuada –, o seguinte excerto, litteris: Pelo exposto, não conheço do recurso voluntário interposto pela contribuinte e assinado por Sidnei Feijolli Bispo, por ser intempestivo, outrossim, tomo conhecimento do recurso voluntário interposto, subscrito por Alfons Gardemann, por ter ele interesse na discussão do crédito tributário constituído, tendo em vista que foi incluído no rol dos responsáveis solidários pelo crédito tributário, sem, no entanto, analisar as questões relativas à dita inclusão, por ser esta de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional, órgão administrativo com competência para a execução judicial dos referidos créditos. (fl. 1844; sem grifos no original) Contra o acórdão acima, o Sr. Alfons Gardemann apresentou Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, irresignação essa de que se extraem os seguintes trechos, verbis: Inconformado com a decisão acima apontada, apresenta o recorrente, em tempo hábil, o presente Recurso Especial fundado em divergência, notadamente no que atina à possibilidade da Câmara recorrida analisar a questão atrelada à inclusão do recorrente no pólo passivo da autuação como responsável solidário pelo crédito tributário. (fl. 1859) Visando facilitar a análise e julgamento do feito, mister explicitar que o presente processo trata de Auto de Infração de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF (fls1.190/1.194), relativo ao anocalendário de 1998, em que ALGITUR TURISMO LTDA foi autuada como contribuinte e como responsável solidário foi autuado, entre outros, o recorrente. Referido AIIM é reflexo da autuação principal que tramitou nos autos do processo administrativo n° 10930.005846/200340, que, conforme relatado às fls. 1.478 destes autos, foi julgada parcialmente procedente na sessão de julgamento de novembro de 2006. Fl. 1962DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10930.005851/200352 Acórdão n.º 1101000.920 S1C1T1 Fl. 5 7 Outrossim, poupando V.Sas, de uma enfadonha narração de todos os trâmites dispensados à autuação guerreada e à autuação principal, mister salientar que o que se coloca em xeque no caso presente é a alegada incompetência da Câmara a quo de analisar o mérito da inclusão do recorrente no pólo passivo da autuação como responsável solidário pelo crédito tributário. (fl. 1862; sem grifos no original) 4 DO PEDIDO Por todo o exposto, considerandose as razões de direito expostas acima e a patente divergência entre Câmaras dos Conselhos de Contribuintes, requer seja dado integral provimento ao presente Recurso Especial, de modo que o Recurso Voluntário do recorrente seja levado novamente a julgamento pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes para que seja apreciado o mérito da questão que nele se discute, dandolhe provimento. (fl. 1869; sem grifos no original) A Egrégia 1a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão havida em 14 de dezembro de 2010, deu provimento ao Recurso Especial do responsável tributário, fazendoo em acórdão assim ementado, verbis: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Exercício: 1999 Ementa: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO PESSOA FÍSICA. LEGITIMIDADE. A competência desta Corte para exame da legalidade do crédito tributário lançado não se restringe à verificação da ocorrência do fato gerador ou da correção da base de incidência ou alíquotas aplicadas. Esta Corte possui competência para exame de todas as questões que envolvam a relação jurídicotributária consubstanciada no lançamento, inclusive, mas sem se limitar, a regularidade do pólo passivo da obrigação tributária. Ora, se é atribuída a determinada pessoa o dever de pagar tributo, nada mais justo que a ela seja concedido o direito de defenderse administrativamente da acusação fiscal, sob pena de afronta aos princípios da ampla defesa, contraditório e do devido processo legal. Após essa decisão da Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais, retornaram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para a análise da questão que não foi discutida pela vetusta 1a Câmara do antigo 1o Conselho de Contribuintes. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Fl. 1963DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 Delimitação da controvérsia submetida a este Colegiado Consoante narrado acima, esta é a segunda ocasião em que este feito é apreciado pela segunda instância administrativa. Após a primeira manifestação deste Conselho, o ora Recorrente, apontado como responsável solidário na autuação aqui discutida, recorreu à Câmara Superior de Recursos Fiscais, irresignandose exclusivamente contra a não apreciação dos argumentos que deduzira em Recurso Voluntário no que tange à sua responsabilidade solidária. Percebese, portanto, que o Sr. Alfons Gardemann, ao não impugnar as demais matérias discutidas na decisão da 1a Câmara do 1o Conselho de Contribuintes quando do seu Recurso Especial, conformouse com o que a respeito delas (das demais matérias discutidas) restou decidido, de modo que o objeto litigioso foi reduzido à exclusiva questão da sua responsabilidade tributária. A Câmara Superior de Recursos Fiscais deu provimento ao Recurso Especial do ora Recorrente, sendo que o dispositivo da decisão foi assim lavrado, verbis: Por tais fundamentos, voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pela Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento para determinar o retorno dos autos ao Colegiado a quo para exame das razões de mérito relativas à responsabilidade tributária. (fls. 1911) A este Colegiado cabe, portanto, unicamente a análise dos argumentos que o sujeito passivo de que se cuida deduziu em sede de Recurso Voluntário acerca da sua (não) responsabilidade solidária (art. 124, I do CTN), não havendo que se falar, pois, de apreciação de outros temas que foram submetidos ao crivo da Colenda DRJ de origem e da 1a Câmara do 1o Conselho de Contribuintes, vez que já foram decididos em caráter definitivo no âmbito administrativo. Tais considerações mostramse relevantes pelo fato de que o ora Recorrente submeteu a essa relatoria extenso memorial, datado de 19 de abril de 2013, no qual discorre longamente acerca de questões sobre as quais este Colegiado não mais deve se debruçar, quais sejam, (i) a decadência de períodos de apuração aqui discutidos, (ii) a quebra de sigilo fiscal que teve lugar no vertente procedimento de fiscalização – a impor o sobrestamento do feito até o deslinde do Recurso Extraordinário n. 601.314, cuja repercussão geral foi reconhecida –, (iii) a inaplicabilidade do art. 674 do RIR/99 e (iv) inaplicabilidade da multa qualificada, por ausência de prova de dolo ou fraude. Por óbvio, tais matérias não serão objeto de análise. Diante de uma decisão desfavorável, a parte que tem interesse em recorrer pode selecionar, a seu critério, quais os capítulos da decisão contrária serão objeto de irresignação e quais não, sendo imperioso o reconhecimento de que a não impugnação de um tópico consubstancia tácita conformação com a cogência das razões não contestadas do decisum. Ao manejar o seu recurso, portanto, o contribuinte define se o objeto litigioso terá a mesma extensão do objeto que foi submetido à análise do órgão julgador recorrido ou se tal objeto será restringido, com a impugnação de frações da decisão. Em tais casos de impugnação meramente parcial de uma decisão qualquer, a preclusão lógica impede a ulterior reampliação do objeto do litígio, eis que a ausência de Fl. 1964DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10930.005851/200352 Acórdão n.º 1101000.920 S1C1T1 Fl. 6 9 ataque, a tempo e modo, a tópicos da decisão combatida representa atitude de resignação para com esses tópicos, não sendo dado ao recorrente a possibilidade de portarse como se tal concordância tácita não tivesse tido lugar. Nessa senda, a única questão processual a ser discutida neste julgamento é aquela que tem que ver com a responsabilidade solidária do ora Recorrente, tema esse que a 1a Câmara do vetusto 1o Conselho de Contribuintes indevidamente se furtou de analisar, omissão essa condenada pela instância superior. Preliminarmente – Da inexistência de renúncia à via administrativa – Mandado de Segurança extinto sem julgamento de mérito A decisão da Colenda DRJ/Londrina prolatada nestes autos versou apenas sobre o argumento do ora Recorrente de que os valores distribuídos aos sócios não são passíveis de tributação, sendo que, acerca de todas as outras matérias – dentre as quais a questão da responsabilidade solidária do Sr. Alfons Gardemann –, adotou as razões de decidir do aresto prolatado nos autos do processo principal (Processo n. 10930.005846/2003 40), o que se depreende da leitura dos seguintes excertos do decisum, verbis: De plano convém esclarecer que, no que concerne aos pontos trazidos pela impugnante e que não sejam específicos ao IRRF, ou seja, quanto as nulidades levantadas de quebra de sigilo bancário, ilegitimidade passiva, princípio do contraditório, etc, bem como dos juros de mora com base na taxa Selic, da indevida aplicação da multa qualificada e da responsabilidade pessoal do agente, são idênticos aos apresentados por ocasião da defesa do processo principal, já analisado e decidido conforme exposto. Assim, dada a relação entre a exigência principal e os seus reflexos, são adotadas as mesmas razões de decidir expendidas no processo principal acima mencionado, em que a autuação foi julgada procedente por unanimidade de votos. Especificamente em relação ao IRRF, não procede o argumento da autuada de que foi tributada por distribuição de lucros aos sócios, os quais a partir da Lei n° 9.259/1995 estão isentos. O auto de infração foi lavrado ao amparo do disposto no art. 61, § Io , da Lei n° 8.981/1995, que prevê, in verbis: "Art. 61. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. §1o A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o §2", do art. 74 da Lei n" 8.383, de 1991. (grifos acrescidos) Fl. 1965DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 10 (...) Como se verifica, não se trata de tributação sobre pagamento a beneficiário não identificado, como alega a interessada, mas pelos pagamentos efetuados a sócios cuja comprovação da operação ou da sua causa não restou justificada. (fls. 17401741; sem grifos no original) Nessa senda, revelase inevitável o exame do quê foi decidido em relação à responsabilidade solidária pela DRJ/Londrina nos autos do Processo Administrativo n. 10930.005846/200340, sendo que esta decisão repousa às fls. 17011736 desses autos. É dessa decisão que são extraídos os seguintes relevatíssimos trechos, litteris: Na impugnação complementar, em longo arrazoado, alega da impossibilidade fática e legal de se constituir Alfons Gardemann como responsável tributário. Às fls. 10918/10971 foi juntada cópia da petição inicial de Mandado de Segurança impetrado por Alfons Gardemann, objetivando: a suspensão da exigibilidade de créditos tributários constantes do processo administrativo 10930.005846/200340 e dos demais créditos dele decorrentes; a suspensão dos processos administrativos fiscais preparatórios da representação fiscal para fins penais e da medida cautelar fiscal; apreensão de documentos bancários constantes dos processos; a decretação da nulidade dos lançamentos fiscais; alternativa, mas sucessivamente, pede a exclusão de sua responsabilidade, e às fls. 11275/11283 cópia da sentença. (fl. 1709; sem grifos no original) (...) Nas impugnações apresentadas constam questionamentos sobre a indicação de Alfons Gardemann como responsável pelas operações efetuadas pela autuada com base no art. 124 do CTN. No confronto entre as razões de defesa e os questionamentos contidos na petição inicial do Mandado de Segurança no 2003.70.01.0185530 impetrado por Alfons Gardemann junto a Justiça Federal – Seção Judiciária do Paraná – Circunscrição Judiciária de Londrina, fls. 10918/10971, e cópia da Sentença às fls. 11275/11283, verificase que há identidade de matérias, descabendo portanto sua apreciação administrativa pela prevalência da esfera judicial e princípio constitucional de unidade de jurisdição insculpido no art. 5o, XXXV da CF/88. Ainda que não fosse o caso, deve verificar o que dispõe o art. 203 da Portaria MF no 259/2001, que aprovou o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal: (...) Conforme destacado no item I acima, às Delegacias de Julgamento compete julgar os processos administrativos fiscais de determinação e exigência de créditos tributários. Desta forma, este órgão de julgamento não é apto a se manifestar quanto à matéria atinentes à responsabilidade solidária, que são afetas ao órgão responsável por uma possível execução posterior dos valores discutidos nos autos. (fl. 1735; sem grifos no original) Assim, percebese que é imprescindível que esse Colegiado se debruce sobre a questão relacionada à eventual renúncia à via administrativa em decorrência da impetração Fl. 1966DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10930.005851/200352 Acórdão n.º 1101000.920 S1C1T1 Fl. 7 11 do Mandado de Segurança n. 2003.70.01.0.0185530, através do qual o Sr. Alfons Gardemann buscou, não há dúvidas quanto a isso, eximirse da responsabilidade solidária, única questão submetida à apreciação desta Turma. Frisese que essa questão não restou superada pela decisão da Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, eis que esse decisum julgou Recurso Especial manejado contra acórdão da 1a Câmara do 1o Conselho de Contribuintes que deixou de examinar os argumentos do ora Recorrente no que tange à responsabilidade não em função do reconhecimento da concomitância de discussões judicial e administrativa, mas pelo fato de entender esse extinto Colegiado que as questões atinentes à responsabilidade solidária deveriam ter lugar em sede de defesa contra eventual Execução Fiscal, não sendo o processo administrativo fiscal o locus próprio para discussões dessa ordem. Ou seja: ao passo que a DRJ/Londrina não apreciou os argumentos acerca da responsabilidade solidária com base em dois fundamentos distintos – a saber, (i) a renúncia à via administrativa e (ii) o entendimento de que essa discussão não é ínsita ao processo administrativo fiscal –, a 1a Câmara do 1o Conselho de Contribuintes negouse a apreciar esses argumentos exclusivamente com lastro neste segundo sustentáculo, que foi expressamente rechaçado pela instância superior. Assim, permanece intocado, pois, o fundamento da decisão de primeira instância relacionado à concomitância entre as esferas judicial e administrativa, sendo que o seu eventual não afastamento impossibilitaria a análise do mérito do Recurso Voluntário (mérito esse restringido à responsabilidade solidária, pelas razões declinadas) a despeito da decisão da supratranscrita decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais. In casu, entendo que, apesar da inconteste similitude entre os objetos do Mandado de Segurança mencionado e da impugnação administrativa apresentada – e, por objeto, se deve entender o pedido deduzido –, não deve prevalecer o entendimento de que o sujeito passivo de que aqui se cuida renunciou à esfera administrativa. Na regularidade dos casos, é estreme de dúvidas que a instalação concomitante de contenciosos administrativo e judicial – com pleitos similares em ambas as esferas – importa na renúncia à discussão administrativa. De fato, tendo em vista que as decisões do Poder Judiciário prevalecem sobre as decisões administrativas – constatação essa que deriva dos Princípios da Unidade da Jurisdição e até mesmo do Princípio da Inafastabilidade do Poder Judiciário –, temse que a discussão administrativa, no cenário de questionamento similar e concomitante no seio do Judiciário, encerrarseia com uma decisão que seria ou redundante – no caso de consonância com a decisão judicial – ou imprestável, na hipótese de ser contrária ao decisum prolatado pelo Poder Judiciário, que às decisões administrativas sempre prefere. Destarte, até mesmo os vetores da economia processual e da eficiência administrativa conduzem ao entendimento de que a judicialização de controvérsia por parte do contribuinte deve engendrar a impossibilidade de instalação da mesma contenda no âmbito administrativo. Portanto, a ratio que preside esse entendimento é a seguinte: se os pedidos do contribuinte serão apreciados por autoridade cujas decisões sempre prevalecerão no confronto com as decisões administrativas, não devem essas últimas ser Fl. 1967DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 12 prolatadas, eis que o ordenamento jurídico pátrio sempre enaltece as decisões judiciais em detrimento das administrativas. Dito isso, percebese claramente que o caso submetido ao crivo deste Colegiado é eivado de nuanças tais que o distinguem gravemente da regularidade dos casos, de modo que dispensar a ele idêntico tratamento consubstanciaria postura a um tempo errônea – pela má apreensão da ratio por traz das normas de regência – e injusta, consoante se verá adiante. De fato, o Sr. Alfons Gardemann jamais teve seus pedidos apreciados pelo Poder Judiciário, que extinguiu o seu Mandado de Segurança por inadequação da via eleita com fulcro no art. 267,VI do Código de Processo Civil, ou seja, extinção sem análise meritória, que transitou em julgado – apesar de, por óbvio, não se ter formado coisa julgada material. Salientese que a supramencionada extinção do mandamus teve lugar antes da decisão da Colenda DRJ/Londrina, que inquestionavelmente tinha ciência da não apreciação dos pedidos deduzidos no referido Mandado de Segurança, sendo que se faz expressa menção a esse decisum judicial no relatório da decisão de primeira instância administrativa (fl. 1709). Não se vai empreender, aqui, o exame do que deveria suceder na hipótese de eventual decisão que ponha fim a Mandado de Segurança sem análise meritória após a prolação de decisão administrativa que reconheça renúncia à esfera administrativa, visto que não é essa a situação submetida ao exame deste Colegiado. No caso, contudo, temse que o eventual reconhecimento da renúncia à esfera administrativa implica que o sujeito passivo, que efetivamente instalou a mesma discussão em dois frontes, restaria ao fim e ao cabo sem resposta alguma acerca dos pleitos que deduzira judicial e administrativamente, o que é absurdo. Ora, a renúncia à via administrativa, consoante demonstrado acima, tem lugar exclusivamente pelo fato de que sobrevirá decisão que lhe é superior, judicial, que conferirá ou não o bem da vida vindicado ao peticionário. Em um cenário em que essa decisão judicial – que acolheria ou rechaçaria o pedido deduzido – inquestionavelmente não será prolatada, ante a extinção do processo por sentença meramente processual (art. 267, VI do Código de Processo Civil), não há que se falar em renúncia à esfera administrativa, que logicamente pressupõe que o objeto do pleito administrativo será examinado pelo Poder Judiciário. O Colendo Superior Tribunal de Justiça, em obter dictum, já se pronunciou exatamente nesse sentido, consoante se depreende da leitura da seguinte ementa, litteris: TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA DE RECORRER NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IDENTIDADE DO OBJETO. ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI Nº 6.830/80. 1. Incide o parágrafo único do art. 38, da Lei nº 6.830/80, quando a demanda administrativa versar sobre objeto menor ou idêntico ao da ação judicial. 2. A exegese dada ao dispositivo revela que: "O parágrafo em questão tem como pressuposto o princípio da jurisdição una, ou seja, que o ato administrativo pode ser controlado pelo Judiciário e que apenas a decisão Fl. 1968DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10930.005851/200352 Acórdão n.º 1101000.920 S1C1T1 Fl. 8 13 deste é que se torna definitiva, com o trânsito em julgado, prevalecendo sobre eventual decisão administrativa que tenha sido tomada ou pudesse vir a ser tomada. (...) Entretanto, tal pressupõe a identidade de objeto nas discussões administrativa e judicial". (Leandro Paulsen e René Bergmann Ávila. Direito Processual Tributário. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2003, p. 349). 3. In casu, os mandados de segurança preventivos, impetrados com a finalidade de recolher o imposto a menor, e evitar que o fisco efetue o lançamento a maior, comporta o objeto da ação anulatória do lançamento na via administrativa, guardando relação de excludência. 4. Destarte, há nítido reflexo entre o objeto do mandamus tutelar o direito da contribuinte de recolher o tributo a menor (pedido imediato) e evitar que o fisco efetue o lançamento sem o devido desconto (pedido mediato) com aquele apresentado na esfera administrativa, qual seja, anular o lançamento efetuado a maior (pedido imediato) e reconhecer o direito da contribuinte em recolher o tributo a menor (pedido mediato). 5. Originárias de uma mesma relação jurídica de direito material, despicienda a defesa na via administrativa quando seu objeto subjugase ao versado na via judicial, face a preponderância do mérito pronunciado na instância jurisdicional. 6. Mutatis mutandis , mencionada exclusão não pode ser tomada com foros absolutos, porquanto, a contrario sensu, tornase possível demandas paralelas quando o objeto da instância administrativa for mais amplo que a judicial. 7. Outrossim, nada impede o reingresso da contribuinte na via administrativa, caso a demanda judicial seja extinto sem julgamento de mérito (CPC, art. 267), pelo que não estará solucionado a relação do direito material. 8. Recurso Especial provido, divergindo do ministro relator. (RESP n. 840.556; Min. Rel. Francisco Falcão; Ministro designado para confeccionar o Voto Vencedor Luiz Fux; DJ 20.11.2006) De rigor, portanto, o exame das razões recursais do responsável solidário, no que tange à exclusiva questão sobre a qual deve se pronunciar esse Colegiado. Da Responsabilidade Solidária do ora Recorrente. Art. 124,I do Código Tributário Nacional Dirimidas essas questões iniciais, que se passe, pois, ao exame do mérito do Recurso Voluntário do Sr. Alfons Gardemann. Consoante narrado acima, a fiscalização que culminou com a lavratura deste Auto de Infração teve início com ação fiscal em quatro empresas, com a intimação de seus sócios e a análise da movimentação financeira havida em contas bancárias de titularidade Fl. 1969DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 14 dessas sociedades empresárias – movimentações essas obtidas pelos agentes da Receita Federal a partir da emissão de Requisições de Movimentação Financeira – RMFs. A fiscalização concluiu, a partir de suas diligências, que essas 4 (quatro) empresas inexistiriam na prática, sendo meras “laranjas” da empresa ALGITUR, que seria sucessora da empresa AG CÂMBIO LTDA; concluiu ainda que todo esse conglomerado seria gerido pelo Sr. Alfons Gardemann. Nessa senda, os autos de infração decorrentes dessa fiscalização foram todos eles lavrados em desfavor da sociedade ALGITUR TURISMO LTDA, sendo que o suposto orquestrador do grupo econômico de que se cuida, o Sr. Alfons Gardemann, foi tido como sócio de fato dessa sociedade e, em virtude de seu alegado interesse comum nas situações que constituiriam os fatos geradores que alegadamente foram materializados, foi incluído como sujeito passivo dos créditos tributários lançados na qualidade de responsável solidário, inclusão essa que teve esteio no inciso I do art. 124 do Código Tributário Nacional, que reza, litteris: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Consoante se viu, o Sr. Alfons Gardemann apresentou impugnação que, no ponto em destaque, não foi apreciada pela DRJ, que entendeu que o Mandado de Segurança que impetrara teria ensejado a renúncia à discussão administrativa e que as questões atinentes à responsabilidade solidária deveriam ser discutidas em sede de eventual Execução Fiscal. No Recurso Voluntário ora discutido (fls. 17471765), em relação à fração dessa irresignação que deve ser apreciada por essa Colenda Turma, o Sr. Alfons Gardemann deduz os seguintes pedidos, verbis: 4 – DO PEDIDO Vêse que a inconsistência fática e jurídica do lançamento é gritante, não merecendo, sequer, maiores debates. Por isso, requer o conhecimento do presente recurso voluntário e seu provimento, para o fim de reformar a decisão recorrida e determinar a anulação total do lançamento fiscal impugnado. Para fim de cumprimento ao art. 5o, §5o da Portaria n.o 55/1998 – Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, remetese aos prequestionamentos indicados em Processo Administrativo Principal, de n.o 10930.005846/200340, especialmente, mas não se limitando, a: (...) Nulidade do lançamento tributário pela ilegitimidade do sujeito passivo autuado, em afronta, mas não se limitando, aos arts. 42, 121, 135 e 137 do CTN; (...) Nulidade da indicação de Alfons Gardemann como responsável solidário, por afronta ao, mas não se limitando, ao (sic) art. 124 do CTN. (fls. 1764 1765) Fl. 1970DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10930.005851/200352 Acórdão n.º 1101000.920 S1C1T1 Fl. 9 15 A questão da ilegalidade da aplicação do art. 124,I do Código Tributário Nacional também é ventilada no mencionado memorial de 19 de abril de 2013, além de outras questões que, consoante discutido, não serão objeto de análise. Entendo que a atribuição de solidariedade ao Sr. Alfons Gardemann, fundada no inciso I do art. 124 do CTN, não pode prosperar. De fato, mesmo partindo da premissa que o ora Recorrente seria efetivo sócio de fato da sociedade empresária autuada, ainda assim não poderia ser mantida a vertente autuação, por inequívoco erro na sua fundamentação legal, questão essa que, por ser de inequívoca ordem pública, poderia ser apreciada até mesmo de ofício. Deveras, o inciso I do art. 124 do CTN não versa sobre a responsabilização solidária de sócio por créditos tributários da sociedade empresária em que detém (o sócio) participação societária, eis que não se pode dizer que sócio e sociedade tenham interesse comum na situação que constitui fato gerador de obrigação tributária, interesse comum esse que é pressuposto para a aplicação do dispositivo em causa. A respeito do mencionado interesse comum, o Prof. Luís Eduardo Schoueri, remetendo ao escólio de Marcos Vinícius Neder, com propriedade assevera, litteris: Não constituem “interesse comum”, por outro lado, as posições antagônicas em um contrato, mesmo quando em virtude deste surja um fato jurídico tributário. Assim, comprador e vendedor não têm “interesse comum” na compra e venda: se o vendedor é contribuinte do ICMS devido na saída da mercadoria objeto da compra e venda, o comprador não será solidário com tal obrigação. Daí a distinção entre interesses contrapostos, coincidentes e comuns, assim resumida: Interesses contrapostos, coincidentes e comuns podem ser também evidenciados nos negócios jurídicos privados de compra e venda mercantil com pluralidade de pessoas. Afinal, vendedores e compradores têm interesse coincidente na realização do negócio (tarefa), mas interesses contrapostos na execução do contrato (necessidades opostas). Já os interesses comuns situam se apenas em cada um dos polos da relação: entre o conjunto de vendedores e, de outro lado, entre os compradores. (NEDER, Marcos Vinícius. “Responsabilidade solidária e o lançamento fiscal”. In: ROCHA, Valdir de Oliveira. Grandes questões atuais do direito tributário. São Paulo: Dialética, 2011, vol. 15, p. 271291) Mesmo que duas partes em um contrato fruam vantagens por conta do não recolhimento de um tributo, isso não será, por si, suficiente para que se aponte um “interesse comum”. Eles podem ter “interesses comum” em lesar o Fisco. Pode o comprador, até mesmo, ser conivente com o fato de o vendedor não ter recolhido o imposto que devia. Pode, ainda, ter tido um ganho financeiro por isso, já que a inadimplência do vendedor poderá ter sido refletida no preço. Ainda assim, comprador e vendedor não têm “interesse comum” no fato jurídico tributário. (Direito Tributário. 3a Edição. São Paulo: Saraiva, 2013; fls. 525526) Fl. 1971DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 16 Trazendo tais considerações para o caso vertente, temse que é inequívoco que o ora Recorrente e a sociedade em que aquele supostamente seria sócio de fato não têm interesse comum, eles não atuam lado a lado – é dizer, no mesmo polo – nas situações que constituem os fatos geradores aqui discutidos. O interesse precípuo de um sócio, no que tange à respectiva participação societária, é auferir dividendos, ao passo que o interesse precípuo de uma sociedade, na condução das atividades que compõem o seu objeto social, é auferir lucros. Por mais que sócio e sociedade tenham interesse coincidente no aumento dos resultados sociais – eis que os dividendos que podem ser distribuídos aos sócios é intrinsecamente relacionado aos lucros – é facilmente concebível a hipótese de, em certos aspectos, terem sócio e sociedade interesses rigorosamente contrapostos: essa situação se verifica quando, verbi gratia, são capitalizados lucros que o sócio, vencido em assembleia, gostaria de ver distribuídos. Ademais, temse que o próprio Código Tributário Nacional encerra disciplina expressa em relação à responsabilidade de sócios e de administradores de pessoas jurídicas pelos créditos tributários devidos por estas. Tratase do art. 135 do Código Tributário Nacional, que, contudo, condiciona a responsabilidade do sócio aos casos em que este age inapropriadamente, verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Portanto, para ser pessoalmente responsabilizado por créditos tributários cujo contribuinte é sociedade empresária, deve o Fisco desincumbirse do ônus probatório relacionado à demonstração de que o respectivo diretor, sócio ou representante da empresa agiu com excesso de poder ou em contrariedade à lei, ao contrato social ou estatuto Não foi esse, contudo, o fundamento legal do auto de infração aqui discutido, que em momento algum alude ao supratranscrito art. 135 do CTN, fazendo repousar a solidariedade atribuída ao ora Recorrente exclusivamente com fulcro no inapropriado inciso I do art. 124 do mesmo diploma legal. Frisese, e aqui se está diante de obiter dictum – já que o argumento aqui desenvolvido só seria imprescindível caso a autuação tivesse apontado o fundamento legal apropriado (art. 135 do CTN) –, que as contas bancárias das 4 (quatro) empresas cujas personalidades jurídicas foram desconsideradas movimentaram dezenas de milhões de reais, ao passo que apenas cerca de trinta mil reais destinaramse ao ora Recorrente. E, nesse cenário, a caracterização mesma do ora Recorrente como o orquestrador do conglomerado de sociedades alegadamente envolvidas nesse esquema de sonegação deuse por prova indiciária, parecendo a essa relatoria que essa disparidade entre os montantes movimentados e inequivocamente direcionados ao Sr. Alfons Gardemann consubstancia um fato contrário ao fato que se pretendeu demonstrar – a saber, a qualidade de sócio de fato do ora Recorrente – a partir de outros. Fl. 1972DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10930.005851/200352 Acórdão n.º 1101000.920 S1C1T1 Fl. 10 17 Acerca da impropriedade da responsabilização de sócios por créditos tributários devidos por pessoas jurídicas com esteio no inciso I do art. 124 do CTN, já decidiu esse Colendo CARF – e em caso muito similar ao vertente –, litteris: Fica evidenciado, então, que a fiscalização desconsiderou a retirada dos sócios, posto que identificasse que os pretensos sócios ingressantes não existiam. Logo, a fiscalização entende que, na verdade, o recorrente Antonio Eduardo de Souza Albertini jamais deixou de ser o verdadeiro sócio da fiscalizada. Adicionalmente, a fiscalização argüiu que no período da ocorrência dos fatos geradores objeto da fiscalização (2002 e 2003), os sócios retirantes ainda não haviam se retirado da sociedade, posto que a assembléia na qual deuse a retirada deles ocorreu somente em 31.12.2003 (e depois foi levada a registro em 24.03.2004). Ou seja, os fatos geradores dos tributos omitidos ocorreram durante o período em que eles ainda figuravam como sócios. Apesar de tudo isso, está bastante claro que a fiscalização declarou a solidariedade do sóciorecorrente, no fato de ele ter interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. Não o fez, como se vê, fundada na eventual prática de ato ilegal ou com excesso de poder, situações capituladas no art. 135 do CTN, que sequer foi mencionado no termo de responsabilidade solidária. Também é de notarse inexistir qualquer referência à extinção irregular da sociedade devedora. (...) Esta é, para a doutrina e a jurisprudência, a única regra de responsabilidade solidária tributária de sócios em relação aos débitos tributários da sociedade, fixada que foi por lei complementar conforme exige o art. 146, inciso III, alínea “b”, da Constituição Federal. Sobre o tema já decidiu o Col. STJ: “(...) 5. O CTN, art. 135, III, estabelece que os sócios só respondem por dívidas tributárias quando exercerem gerência da sociedade ou qualquer outro ato de gestão vinculado ao fato gerador. O art. 13 da Lei no 8.620/93, portanto, só pode ser aplicado quando presentes as condições do art. 135, III, do CTN, não podendo ser interpretado, exclusivamente, em combinação com o art. 124, II, do CTN. 6. O teor do art. 1.016 do Código Civil de 2002 é extensivo às Sociedades Limitadas por força do prescrito no art. 1.053, expressando hipótese em que os administradores respondem solidariamente somente por culpa quando no desempenho de suas funções, o que reforço o consignado no art. 135, III, do CTN. (...)” Ocorre que a fiscalização não se desenvolveu nesse sentido e não fixou a responsabilidade com espeque nas regras dos arts. 135 e 137 do CTN, preferindo estabelecêla no suposto interesse que o sócio teria no lucro da sociedade, o que, como vimos não sustenta a solidariedade. Fl. 1973DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 18 Também não se vê em momento algum referência à dissolução irregular da sociedade, de maneira que esse fundamento também não foi invocado pela fiscalização. (Processo Administrativo n. 10980.007898/200527; Acórdão n. 120100.217; 1a Turma da 2a Câmara da 1a Seção; Cons. Régis Magalhães Soares Queiroz; j. 28 de janeiro de 2010; sem grifos no original) Por fim, uma última consideração. A própria União já reconheceu, em circunstâncias diversas, que a responsabilização de sócios não poderia se dar com fulcro no inciso I do art. 124 do Código Tributário Nacional. Com efeito, esse expediente teve lugar quando a União fez editar, nos idos de 1993, a Lei n. 8.620/93, cujo art. 13 – revogado pela Medida Provisória n. 449, de dezembro de 2008 – tinha a seguinte redação, litteris: Art. 13. O titular da firma individual e os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada respondem solidariamente, com seus bens pessoais, pelos débitos junto à Seguridade Social. Parágrafo único. Os acionistas controladores, os administradores, os gerentes e os diretores respondem solidariamente e subsidiariamente, com seus bens pessoais, quanto ao inadimplemento das obrigações para com a Seguridade Social, por dolo ou culpa. Esse preceito é uma evidência da inaplicabilidade do inciso I do art. 124 do Código Tributário Nacional para fins de responsabilização de sócios: deveras, se este dispositivo regesse a responsabilização de que se cuida, seria completamente desnecessária a edição do art. 13 da Lei n. 8.620/93, que necessariamente encerraria preceito constante de norma já existente no ordenamento jurídico, norma essa de superior hierarquia. Esse art. 13 foi declarado inconstitucional pelo Colendo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário n. 562.276/PR, irresignação essa cuja Repercussão Geral (rectius: irresignação essa que versava sobre questão com repercussão geral) foi reconhecida. Os seguintes trechos são extraídos desse aresto, verbis: O art. 13 da Lei 8.620/93, pois, ao vincular à simples condição de sócio a obrigação de responder solidariamente pelos débitos da sociedade limitada perante a Seguridade Social, estabeleceu exceção desautorizada à norma geral de direito tributário consubstanciada no art. 135, III, do CTN, o que evidencia a invasão da esfera reservada à lei complementar pelo art. 146, III, da CF. O argumento da União, de que o art. 13 da Lei 8.620/93 estaria no espaço aberto pelo art. 124, II, do CTN, não resiste a uma interpretação mais rigorosa. O preceito do art. 124, II, no sentido de que são solidariamente obrigadas “as pessoas expressamente designadas por lei”, não autoriza o legislador a criar novos casos de responsabilidade tributária sem a observância dos Fl. 1974DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10930.005851/200352 Acórdão n.º 1101000.920 S1C1T1 Fl. 11 19 requisitos exigidos pelo art. 128 do CTN, tampouco a desconsiderar as regras matrizes de responsabilidade de terceiros estabelecidas em caráter geral pelos arts. 124 e 125 do mesmo diploma. (RE 562.276; Min. Rel. Ellen Gracie; DJ 10.2.2011; sem grifos no original) Inquestionável, portanto, que deve ser afastada a solidariedade tributária atribuída ao Recorrente, tendo em vista que a autuação, para fazêlo, baseouse exclusivamente no inciso I do art. 124 do Código Tributário Nacional, de modo que patente o erro na fundamentação legal que o lançamento carreia quanto ao ponto. BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Voto Vencedor Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Como bem delimitado pelo I. Relator, o litígio submetido à apreciação deste colegiado cingese à imputação de responsabilidade solidária do recorrente Alfons Gardemann. Entende o I. Relator que o fato de o recorrente ter levado ao Poder Judiciário o tema aqui em litígio, por meio de Mandado de Segurança nº 2003.70.01.0.0185530, o qual foi extinto sem julgamento do mérito, não importaria renúncia à via administrativa. Já me manifestei contrariamente a este entendimento no Acórdão nº 1101 000.818, proferido na sessão de 04 de outubro de 2012, no qual restei vencida, acompanhada apenas pelo Presidente Valmar Fonseca de Menezes. Naquele caso, a ação judicial não chegou a ser sentenciada porque o sujeito passivo, depois de ter indeferido seu pedido de antecipação de tutela, formalizou sua desistência antes da citação da Fazenda Nacional. Argumentei que: Diz o Ato Declaratório COSIT nº 3/96: a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto; b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona et matéria diferenciada (...); Fl. 1975DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 20 c) no caso da letra 'a', a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. 149 do CTN; d) na hipótese da alínea anterior, não se verificando a ressalva ali contida, procederseá à inscrição em divida ativa, deixandose de fazêlo, para aguardar o pronunciamento judicial, somente quando demonstrada a ocorrência do disposto nos incisos II (depósito do montante integral do débito) ou IV (concessão de medida liminar em mandado de segurança),do art.151, do CTN; e) é irrelevante, na espécie, que o processo tenha sido extinto, no Judiciário, sem julgamento do mérito (art. 267 do CPC) Como bem reconhece a recorrente, o conteúdo dos itens “a” e “b” do referido Ato Declaratório está também expresso em Súmula deste Conselho: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Contudo, ambos os atos apontam a propositura de ação judicial como ato suficiente para impedir a apreciação, no contencioso administrativo, de matéria levada à apreciação do Poder Judiciário. Não se exige, portanto, a coexistência dos processos administrativo e judicial para se concluir pela renúncia às instâncias administrativas, mas apenas o ato de propor ação judicial por qualquer modalidade processual. Diz o Código de Processo Civil: Art.263. Considerase proposta a ação, tanto que a petição inicial seja despachada pelo juiz, ou simplesmente distribuída, onde houver mais de uma vara. A propositura da ação, todavia, só produz, quanto ao réu, os efeitos mencionados no art. 219 depois que for validamente citado. [...] Art.284. Verificando o juiz que a petição inicial não preenche os requisitos exigidos nos arts. 282 e 283, ou que apresenta defeitos e irregularidades capazes de dificultar o julgamento de mérito, determinará que o autor a emende, ou a complete, no prazo de 10 (dez) dias. Parágrafo único. Se o autor não cumprir a diligência, o juiz indeferirá a petição inicial. Nestes termos, poderseia afirmar que não houve propositura de ação, apenas, se a petição inicial fosse declarada inepta, possibilidade esta excluída no presente caso, na medida em que o pedido de antecipação de tutela nela contido foi apreciado e negado pela autoridade judicial. Em que pese a interpretação em sentido contrário, colacionada sem conteúdo vinculante nas decisões judiciais antes reproduzidas, adotase aqui o entendimento de que a contribuinte declinou de seu direito à discussão administrativa quando optou por submeter a matéria ao Poder Judiciário. Para que a desistência pudesse ser eficaz, necessário seria que ela se verificasse antes de transcorrido o prazo para impugnação ao lançamento. Contudo, como visto, ela somente foi requerida em 05/03/2009, depois de negada a antecipação de tutela em 27/02/2009, mesma data em que se encerrou o prazo para impugnação ao lançamento. Portanto, no período em que lhe era possível impugnar o lançamento, a contribuinte praticou ato incompatível com sua conduta na esfera judicial. Na medida em que optara por lá debater a utilização de alíquota majorada incidente sobre a prestação Fl. 1976DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10930.005851/200352 Acórdão n.º 1101000.920 S1C1T1 Fl. 12 21 de serviços, sem a cautela desta prestação ser por empreitada com utilização de materiais próprios, deixou de ter o direito de questionar a mesma matéria na esfera administrativa. Assim, não vislumbro a questão a partir da ótica da prevalência das decisões do Poder Judiciário, mas sim da escolha feita pelo sujeito passivo para discutir seus direitos. Presente a concomitância em razão da propositura da ação judicial, o processo administrativo não pode ter continuidade. Acrescento que embora o entendimento sustentado pelo I. Relator integre a ementa do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça em face do Recurso Especial nº 840.556, não se trata de decisão vinculante deste Colegiado. Ademais, não identifiquei no referido acórdão maior aprofundamento acerca da questão, para além do parágrafo que foi conduzido para a ementa do julgado. O debate ali, à semelhança de outros casos apreciados pelo Superior Tribunal de Justiça, cingiase à possibilidade de aplicação do art. 38, parágrafo único da Lei nº 6.830/80 fora do âmbito de execuções fiscais. Por fim, consigno que deixar de conhecer do presente recurso voluntário não importa ofensa à determinação da Câmara Superior de Recursos Fiscais nestes autos, como alegou o recorrente em memoriais. Isto porque o Acórdão no 910100.786 apenas declarou a competência deste órgão julgador para examinar todas as questões que envolvam a relação jurídicotributária consubstanciada no lançamento, inclusive, mas sem se limitar, a regularidade do pólo passivo da obrigação tributária, de modo a conceder àquele obrigado a pagar o crédito tributário o direito de defenderse administrativamente da acusação fiscal, mas sem enfrentar a possibilidade desta apreciação ante a ação judicial proposta por este acusado. De outro lado, a petição inicial de fls. 1213/1263 é clara quanto à pretensão do recorrente de não só suspender a exigibilidade dos créditos tributários constante do processo administrativo no 10930.005846/200340 e daqueles dele decorrente e reflexos (dentre os quais o presente), como também declarar a nulidade do procedimento fiscal ou, ao menos, a exclusão de sua responsabilidade. Patente, assim, sua renúncia à discussão administrativa destas matérias, ainda que ao final o Mandado de Segurança em referência tenha sido extinto sem julgamento do mérito. Por tais razões, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário que resta a ser apreciado, em razão da concomitância com a ação judicial proposta pelo recorrente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Redatora designada Fl. 1977DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10510.903744/2009-28
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel.
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10510.903744/2009-28
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5301505
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1802-000.339
nome_arquivo_s : Decisao_10510903744200928.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
nome_arquivo_pdf_s : 10510903744200928_5301505.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. Relatório
dt_sessao_tdt : Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
id : 5126975
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046172587786240
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1312; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10510.903744/200928 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1802000.339 – 2ª Turma Especial Data 08 de outubro de 2013 Assunto Diligência Recorrente RÁDIO LIBERDADE DE SERGIPE FM LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 10 .9 03 74 4/ 20 09 -2 8 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903744/200928 Resolução nº 1802000.339 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA), que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte. Inicialmente a interessada transmitiu em 17/11/2006 o PER/DCOMP eletrônico n° 41906.93455.171106.1.3.043501, visando utilizar direito creditório fundado em indébito de Simples, código 6106, onde consta: a) débito compensado Simples (código de receita 6106) Período de apuração: outubro/2006; vencimento: 20/11/2006 principal: R$ 1.738,35; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total: R$ 1.738,35. b) crédito utilizado: Nº do PER/DCOMP Inicial: 38667.27943.201006.1.3.046290 Valor Original do Crédito Inicial: R$ 3.744,40 Crédito Original na Data da Transmissão: R$ 1.041,05 Crédito Atualizado: R$ 1.738,35 Total dos débitos desta DCOMP: R$ 1.738,35 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 1.041,05 Saldo do Crédito Original: R$ 0,00 A DRF/Aracajú emitiu Despacho Decisório (fl. 10), onde não homologou a compensação, sob o argumento de que o pagamento fora integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando assim crédito disponível para a compensação conforme se observa: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão Informado no PER/DCOMP: 1.041,05. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903744/200928 Resolução nº 1802000.339 S1TE02 Fl. 4 3 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Inconformada com essa decisão, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que foi excluída do Simples no anocalendário 2002, ficando obrigada a apurar os impostos pelo lucro presumido, conforme Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica DIPJ entregue em 16/09/2003. Porém, como apresentara em 03/04/2003 a Declaração Simplificada DSPJ, cancelada em virtude da apresentação da DIPJ, houve erro nos sistemas da RFB ao continuar vinculando o DARF do crédito à declaração anterior. A DRJ de Salvador (BA) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 17/11/2006 COMPENSAÇÃO. Não cabe reparo a despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débito confessado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 16/06/2011, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 14/07/2011 onde traz suas argumentações e ao fim requer que o acórdão seja reformado de tal forma a ser homologada a totalidade dos pedidos de restituição/compensação efetuados pela recorrente. Em 07/05/2013, por unanimidade de votos, esta Turma através da Resolução nº 1802000.211, beixou o processo em diligência para que a DRF Aracajú: “a) preste esclarecimentos sobre o ato declaratório executivo que contém o despacho decisório que excluiu a contribuinte do Simples, juntando cópia do mesmo; b) informe se porventura o crédito em questão foi alocado de ofício nos tributos englobados no Simples por ocasião do recálculo na sistemática do lucro presumido. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903744/200928 Resolução nº 1802000.339 S1TE02 Fl. 5 4 c) informe se esses créditos foram vinculados ao pagamento de qualquer outro tributo administrado pela RFB; d) junte cópia da DIPJ do anocalendário de 2002 e da DCTF referente a novembro de 2002; e) dê ciência ao contribuinte do resultado da diligência para que ele querendo possa se manifestar.” Em 23/07/2013, antes de concluída a diligência acima, às fls. 75 foi encaminhado a DRF em Aracaju, e juntado ao presente processo, requerimento de desistência de recurso administrativo assinado pelo representante legal da empresa com o seguinte teor: “A empresa RÁDIO LIBERDADE DE SERGIPE FM LTDA, inscrita no CNPJ sob o nº 13.382.338/000105, vem perante V.Sa., por meio de seu representante legal ao final firmado, requerer a desistência de ação administrativa constante nos processos administrativos abaixo relacionados. Processos : 10510.903.786/200969; 10510.903.872/200971; 10510.903.873/200916;” Em seguida a DRF de Aracajú mediante profere o seguinte Despacho de Encaminhamento: O contribuinte acima apresentou Pedido de Desistência de Recurso Voluntário apresentado em processos de compensação abaixo listados. Na petição, o mesmo informa os processos de débitos relativos às compensações não homologadas, no entanto o que se encontra em julgamento de Recurso Voluntário são os respectivos processos de Crédito, conforme tabela abaixo. Estes recursos voluntários foram convertidos em diligência pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme Resolução acima. Proponho, então, que o processo retorne àquele conselho para o mesmo se manifeste sobre o pedido de desistência e demais providências. PROCESSO DE COBRANÇA PROCESSO DE CRÉDITO EM JULGAMENTO 10510903.786/200969 10510903. 633/200911 10510903.872/200971 10510903.743/200983 10510903.873/200916 10510903.744/200928” É o relatório. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903744/200928 Resolução nº 1802000.339 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O presente recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. Conforme relatado o contribuinte apresentou Pedido de Desistência de Recurso Voluntário em relação ao processo de cobrança eletrônico nº 10510903.873/200916 e não do processo nº 10510903.744/200928 em que se analisa o crédito vinculado no PER/DCOMP de que tratam os presentes autos. Como cediço, o processo administrativo cuja essência é exclusivamente a cobrança do débito decorrente de crédito julgado insuficiente para sua compensação e extinção, inexiste mérito a ser analisado, eis que a matéria (Pedido de Restituição e Declaração de Compensação PER/DCOMP) é o objeto do processo em que se analisa o direito creditório e a declaração de compensação nãohomologada ou homologada parcialmente. Com efeito, a persistir a contenda tratada nos presentes autos, os mesmos devem retornar a DRF de Aracaju para, cumprindo a diligência requerida por este colegiado, verificar e informar: a) sobre a exclusão do SIMPLES relativa ao ano calendário de 2002, afirmada pela Recorrente; b) sobre a forma de tributação da recorrente, em relação ao ano calendário de 2002; c) sobre os débitos e pagamentos efetuados pelo contribuinte em relação ao ano calendário de 2002. d) preste esclarecimentos sobre o ato declaratório executivo que contém o despacho decisório que excluiu a contribuinte do Simples, juntando cópia do mesmo; e) informe se porventura o crédito em questão foi alocado de ofício nos tributos englobados no Simples por ocasião do recálculo na sistemática do lucro presumido; f) informe se esses créditos foram vinculados ao pagamento de qualquer outro tributo administrado pela RFB; g) junte cópia da DIPJ do anocalendário de 2002 e da DCTF referente a maio de 2002. Diante do exposto, voto no sentido de que os presentes autos sejam encaminhados à DRF de origem – Aracaju/SE, para diligenciar e informar as questões acima, bem como outras que entender necessárias à luz da escrituração contábil e fiscal a evidenciar o valor do crédito pleiteado, para que se possa homologar ou não a compensação declarada pelo contribuinte e extinção do débito de que tratam os presentes autos. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903744/200928 Resolução nº 1802000.339 S1TE02 Fl. 7 6 Concluída a diligência, deve ser elaborado relatório circunstanciado, do qual deve ser dada ciência ao Contribuinte para sua manifestação, se do seu interesse, no prazo de 30 (trinta dias). Apresentada a manifestação ou transcorrido o prazo, devem os autos retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 90DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
score : 1.0
