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Numero do processo: 13362.000559/2005-95
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. AUSÊNCIA DE ADA. COMPROVAÇÃO VIA TERMO DE RESPONSABILIDADE DE AVERBAÇÃO DE RESERVA LEGAL DO IBAMA AVERBADO POSTERIORMENTE AO FATO GERADOR E ANTES AÇÃO FISCAL. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO.
Tratando-se de área de utilização limitada, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente a partir de Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal do IBAMA, averbado posteriormente ao fato gerador do tributo, mas antes da ação fiscal, ainda que não apresentado Ato Declaratório Ambiental - ADA, impõe-se o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo e Henrique Pinheiro Torres.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 14/08/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. AUSÊNCIA DE ADA. COMPROVAÇÃO VIA TERMO DE RESPONSABILIDADE DE AVERBAÇÃO DE RESERVA LEGAL DO IBAMA AVERBADO POSTERIORMENTE AO FATO GERADOR E ANTES AÇÃO FISCAL. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratandose de área de utilização limitada, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente a partir de Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal do IBAMA, averbado posteriormente ao fato gerador do tributo, mas antes da ação fiscal, ainda que não apresentado Ato Declaratório Ambiental ADA, impõese o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo e Henrique Pinheiro Torres. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 36 2. 00 05 59 /2 00 5- 95 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 14/08/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório ARTUR RODOLFO MULLER, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 17/11/2005 (AR fl. 82), exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 2001, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda União II”, localizado no município de Barreiras do Piauí/PI, inscrita na RFB sob nº 61113611, conforme peça inaugural do feito, às fls. 02/09, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à Segunda Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Recife/PE, Acórdão nº 11 22.858/2008, às fls. 100/112, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 1ª Turma Ordinária da 1a Câmara, em 28/07/2010, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 2101 00.594, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2001 Ementa: ITR EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE ATO DECLARATORIO. AMBIENTAL EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001 EXIGENCIA. Para fins. de exclusão da base de cálculo do ITR, após a vigência da Lei n° 10.165, de 27112/2000, se tornou Fl. 2DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13362.000559/200595 Acórdão n.º 9202002.806 CSRFT2 Fl. 194 3 imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL ATO CONSTITUTIVO. A lavratura do Termo de Responsabilidade de Preservação de Reserva Legal, representa a manifestação final do órgão ambiental a respeito da existência e localização dessas áreas no imóvel rural, prestandose a suprir a averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor para suprimi lá da base de cálculo para apuração do ITR. Recurso Parcialmente Provido.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 154/163, com arrimo nos artigos 64, inciso II, e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras dos Conselhos/CARF a respeito da mesma matéria, conforme se extrai do Acórdão nº 30240.049, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, porquanto comprovada a divergência arguida. Sustenta que o entendimento inscrito no Acórdão encimado, ora adotado como paradigma, diverge do decisum guerreado, uma vez impor que a comprovação da existência das áreas de utilização limitada, para fins de não incidência do ITR, depende da requisição atempada do ADA, ao contrário do que restou decidido pela Turma recorrida. Alega, igualmente, que o Acórdão guerreado malferiu os dispositivos legais que regulam a matéria, especialmente os preceitos contidos nas Leis n°s 9.393/1996, 6.938/1981 e 10.165/2000, quanto à requisição tempestiva do ADA. Em defesa de sua pretensão, assevera que a exigência encimada foi expressamente inserida no art. 10, § 4º, inciso I, da IN/SRF/nº 43/1997, (que disciplinou a Lei 9.363/96), com redação do art. 1º, inciso II, da IN/SRF nº 67/1997. Contrapõese ao entendimento da Turma recorrida, aduzindo para tanto que as áreas de utilização limitada/reserva legal e preservação permanente são aquelas definidas pelo Código Florestal em seu artigo 16 e que, para serem consideradas como tal não bastam apenas “existir” no mundo fático, mas devem “existir” também no mundo jurídico quando reconhecidas pelo IBAMA a partir da requisição do ADA, mormente quando referida exigência decorre da legislação de regência, mais precisamente a Lei nº 4.771/65, que deverá ser interpretada literalmente, com arrimo no artigo 111 do Códex Tributário. Defende que para comprovação das referidas áreas, não se pode prescindir do Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado junto ao IBAMA, no prazo estipulado na legislação. Infere que a Receita Federal do Brasil já se manifestou por diversas oportunidades a propósito do assunto, firmando o entendimento de que a não incidência de ITR Fl. 3DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 sobre as áreas de reserva legal/utilização limitada e preservação permanente está condicionada ao reconhecimento como tal por parte do Poder Público, por intermédio do ADA, devendo existir em cada imóvel informação específica da parte reservada, como estabelecem as normatizações internas da SRF, notadamente o artigo 10, § 4º, inciso I, da IN SRF nº 43/1997, que disciplinou a Lei nº 9.393/1996, com redação do artigo 1º, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 67/1997. No presente caso, tratandose do exercício de 2001, com mais razão a exigência do Ato Declaratório Ambiental, ou mesmo a protocolização tempestiva de seu requerimento, se faz presente, sobretudo após a alteração do artigo 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, na redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 10.165/2000. Assim, inexistindo na hipótese dos autos provas de que a contribuinte procedeu tempestivamente à protocolização do requerimento do ADA, impõese à manutenção da glosa realizada pela fiscalização. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes/CARF a propósito da mesma matéria, conforme Despacho n° 2100.00.026/2011, às fls. 179. Instado a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 182/189, corroborando os fundamentos de fato e de direito do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF a divergência suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram a jurisprudência administrativa traduzida no decisum paradigma trazido à colação (Acórdão n° 30240.049), bem como a legislação de regência, uma vez ter afastado a glosa procedida pela fiscalização deixando de considerar a ausência de comprovação do protocolo do requerimento de ato declaratório junto ao IBAMA no prazo legal, capaz de justificar a isenção do ITR na forma inscrita no decisório guerreado. Sustenta, ainda, a PFN que ao desconsiderar a exigência do requerimento tempestivo do ADA para fins da benesse isentiva, a Câmara recorrida malferiu as normas insertas nas Leis n°s 9.393/1996, 6.938/1981 e 10.165/2000, mormente tratandose do exercício de 2001, posteriormente ao advento da alteração do artigo 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, na redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 10.165/2000. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13362.000559/200595 Acórdão n.º 9202002.806 CSRFT2 Fl. 195 5 Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a propósito da necessidade do requerimento do Ato Declaratório Ambiental – ADA dentro do prazo legal, quanto à área de utilização limitada, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural ITR. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Fazenda Nacional não merece acolhimento, por não espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, contrariando a farta e mansa jurisprudência administrativa. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, nos seguintes termos: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)” (grifamos) Fl. 5DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, não é, em si, exclusiva condição eleita pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo às glebas de terra destinadas à preservação permanente e reserva legal/utilização limitada. Somente a título elucidativo, não sendo a requisição atempada do ADA, anteriormente ao exercício 2000, condição legal para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, e na linha do que fora exposto no julgado recorrido, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da parcela de proteção ambiental e assim considerála como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. Contudo, ainda que a legislação estabeleça, para os exercícios posteriores a 2000, em face da ausência do ADA, o reconhecimento da inexistência das áreas de utilização limitada decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, o mero requerimento do ADA, não se perfaz no único meio de se comprovar a existência ou não daquelas áreas. Assim, realizado o lançamento de ITR com base em glosa de áreas de utilização limitada, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pela não requisição tempestiva do ADA, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente a aludidas áreas, como se constata nestes autos. Registrese, que a jurisprudência Judicial que se ocupou do tema, notadamente após a edição da Lei n° 10.165/2000, oferece proteção ao entendimento encimado, ressaltando, inclusive, que a MP n° 2.166/2001, por ser posterior ao primeiro Diploma Legal, o revogou, fazendo prevalecer, assim, a verdade material. Ou seja, ainda que não apresentado e/ou requerido o ADA no prazo legal, conquanto que o contribuinte comprove a existência das áreas declaradas como de utilização limitada, mediante documentação hábil e idônea, quando intimado para tanto ou mesmo autuado, devese admitilas para fins de apuração do ITR, consoante se extrai dos julgados assim ementados: “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR. LEI N. 9.393/96 E CÓDIGO FLORESTAL (LEI N. 4.771/65). ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. MP. 2.16667/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106 DO CTN. 1. "Ilegítima a exigência prevista na Instrução Normativa SRF 73/2000 quanto à apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA comprovando as áreas de preservação permanente e reserva legal na área total como condição para dedução da base de cálculo do Imposto Territorial Rural ITR, tendo em vista que a previsão legal não a exige para todas as áreas em questão, mas, tãosomente, para aquelas relacionadas no art. 3º, do Código Florestal" (AMS 2005.35.000112067/GO, Rel. Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso, DJ de 10.05.2007). 2. A Lei n. 10.165/00 inseriu o art. 17O na Lei n. 6.938/81, exigindo para fins de exclusão das áreas de preservação Fl. 6DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13362.000559/200595 Acórdão n.º 9202002.806 CSRFT2 Fl. 196 7 permanente e de reserva legal da área tributável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). 3. Consoante a jurisprudência do STJ, a MP 2.16667/2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, consoante o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art. 106 do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retrooperância da lex mitior, dispensando a apresentação prévia do Ato Declaratório Ambiental no termos do art. 17O da Lei n. 6.938/81, com a redação dada pela Lei n. 10.165/00. 4. Apelação provida.” (8ª Turma do TRF da 1ª Região AMS 2005.36.00.0087250/MT eDJF1 p.334 de 20/11/2009) “EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL. APRESENTAÇÃO ADA. AVERBAÇÃO MATRÍCULA. DESNECESSIDADE. ÁREAS DE PASTAGENS. DIAT DOCUMENTO DE INFORMAÇÃO E APURAÇÃO. DEMOSTRAÇÃO DE EQUÍVICO. ÔNUS DO FISCO. 1. Não se faz mais necessária a apresentação do ADA para a configuração de áreas de reserva legal e consequente exclusão do ITR incidente sobre tais áreas, a teor do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/96 (redação da MP 2.16667/01). Tal regra, por ter cunho interpretativo (art. 106, I, CTN), retroage para beneficiar os contribuintes. 2. A isenção decorrente do reconhecimento da área não tributável pelo ITR não fica condicionada à averbação, a qual possui tão somente o condão de declarar uma situação jurídica já existente, não possuindo caráter constitutivo. 3. A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita alguns meses após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo art. 16 da Lei nº 4.771/65. 4. Cabe ao Fisco demonstrar que houve equívoco no DIAT Documento de Informação e Apuração do ITR, passível de fundamentar o lançamento do débito de ofício, de conformidade com o art. 14, caput, da Lei nº 9.393/96, o que não restou evidenciado na hipótese dos autos. 5. Apelação e remessa oficial desprovidas.” (2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região APELAÇÃO CÍVEL Nº 2008.70.00.0062742/PR 28 de junho de 2011) Como se observa, em face da legislação posterior (MP n° 2.166/2001) mais benéfica, dispensando o contribuinte de comprovação prévia das áreas declaradas em sua DITR, não se pode exigir a apresentação e/ou requisição do ADA para fins do benefício fiscal em epígrafe, mormente em homenagem ao princípio da retroatividade benigna da referida norma, em detrimento a alteração introduzida anteriormente pela Lei n° 10.165/2000. Mais a mais, com arrimo no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 In casu, o que torna ainda mais digno de realce, e que fora determinante na conclusão do Acórdão recorrido, em vista deste evidente conflito entre as normas que regulamentam a matéria, impõese privilegiar a verdade real, ou seja, a comprovação material da área declarada pelo contribuinte como de utilização limitada, o que se constata na hipótese dos autos, como se verifica da Certidão de fl. 137, comprovando que o Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal do IBAMA fora averbado à margem da escritura do imóvel, posteriormente à ocorrência do fato gerador, mas antes do início da ação fiscal, em 01/05/2001, afastando qualquer dúvida quanto à regularidade do procedimento eleito pelo autuado. Nesse sentido, o certo é que a Averbação da Área de Utilização Limitada apresentada pelo contribuinte, mais precisamente do Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal do IBAMA, se presta a comprovar a existência de aludida área, rechaçando de uma vez por todas a pretensão da Fazenda Nacional, mormente em homenagem ao princípio da verdade material, na linha do que restou assentado no Acórdão recorrido. Partindo dessas premissas, tratandose de área de utilização limitada, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea trazida à colação pela contribuinte, ainda que não apresentado o ADA, impõese o restabelecimento de referida área, glosada pela fiscalização, para efeito da fruição da isenção em comento, sob pena se fazer prevalecer o formalismo em detrimento do princípio da verdade material. Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, na forma decidida pela 1ª Turma Ordinária da 1a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 8DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 10675.902596/2009-41
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
PAGAMENTO A MAIOR. IRPJ OU CSLL DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO DO PERÍODO.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação ou para fins de homologação da compensação pleiteada de saldo negativo apurado no encerramento do período.
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
No caso de o sujeito passivo produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, cabe reconhecer o direito creditório a partir da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
Numero da decisão: 1801-001.604
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Cláudio Otavio Melchiades Xavier.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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IRPJ OU CSLL DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO DO PERÍODO. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação ou para fins de homologação da compensação pleiteada de saldo negativo apurado no encerramento do período. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. No caso de o sujeito passivo produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, cabe reconhecer o direito creditório a partir da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Cláudio Otavio Melchiades Xavier. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 25 96 /2 00 9- 41 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902596/200941 Acórdão n.º 1801001.604 S1TE01 Fl. 108 2 Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 20375.69676.210706.1.3.045002 em 21.07.2006, fls. 0206, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior de R$1.153,98 do valor total R$3.249,53 de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) determinada sobre a base de cálculo estimada, referente ao fato gerador ocorrido em setembro de 2005, código nº 2484, efetuado em 28.10.2005. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 07, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação. Cientificada em 02.04.2009, fl. 08, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 04.05.2009, fls. 0917, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Suscita que a apresentação da peça de defesa tem o efeito de suspender a exigibilidade dos débitos confessados (inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional). Defende que o somatório dos recolhimentos efetuados a título de CSLL determinada a partir da base de cálculo estimada no anocalendário ultrapassa o valor devido de CSLL no seu encerramento. Argui que houve erro de fato no preenchimento da Per/DComp uma vez que informou que se tratava de pagamento indevido ao invés de saldo negativo de CSLL. Indica valores de saldos negativos de CSLL e de IRPJ dos anoscalendário de 2005 e 2006. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Diante do exposto, requer acolhida a presente manifestação de inconformidade com efeito suspensivo, determinando a revisão do procedimento administrativo em função das compensações efetuadas e tendo reconhecido a subsistência e procedência do direito de crédito, requer homologada as declarações de compensação, bem como os pedidos de restituição, extinguindo as cobranças que foram objeto de compensação. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902596/200941 Acórdão n.º 1801001.604 S1TE01 Fl. 109 3 Nos moldes da Lei nº 9.532, artigo 67, protesta a juntada de novas provas a serem obtidas no curso deste processo administrativo. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 0936.330, de 11.08.2011, fls. 5356:“Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO A MAIOR. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de IRPJ ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ou CSLL ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Notificada em 21.09.2011, fl. 58, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 21.10.2011, fls. 5965, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na impugnação. Conclui Diante do exposto, requer acolhida o presente Recurso Voluntário com efeito suspensivo determinando a revisão do procedimento administrativo em função das compensações efetuadas e tendo reconhecido a subsistência e procedência do direito de crédito, requer homologada as declarações de compensação, bem como os pedidos de restituição, extinguindo as cobranças que foram objeto de compensação. Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, a realização da diligência se torna imprescindível para esclarecer a situação fática com o escopo de privilegiar o principio da verdade material. Por esta razão, o julgamento do feito foi convertido na realização de diligência em conformidade com a Resolução da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180100.112, de 10.05.2012, fls. 6871, para que a Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente: analisar a origem e a procedência saldo negativo anual de CSLL, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Também devem ser examinados conjuntamente os Per/DComp que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso1. A Recorrente foi intimada do resultado da diligência em 29.11.2012, fl. 103, e permaneceu silente. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. 1 Fundamentação legal: art. 9º do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902596/200941 Acórdão n.º 1801001.604 S1TE01 Fl. 110 4 É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente suscita que as compensações formalizadas no Per/DComp devem ser homologadas. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902596/200941 Acórdão n.º 1801001.604 S1TE01 Fl. 111 5 documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido 3. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ ou a CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ ou de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do anocalendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza4. O regime de tributação com base no lucro real anual, prevê que a pessoa jurídica que efetuar pagamento de tributo a título de estimativa mensal pode utilizálo ao final do período de apuração na dedução do devido ou para compor o saldo negativo, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza. A partir de 30.11.2009, foi expressamente afastada a vedação de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL, para fins de compensação com débitos tributários, cuja matéria é tratada em sede de norma complementar. Sobre a retroatividade de seus efeitos, vale ressaltar que a legislação tributária abrange as normas complementares que incluem os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas superiores, necessários à perfeita execução das leis. Como têm caráter meramente elucidativo e explicitador, apresentam nítida feição interpretativa, podendo operar efeitos retroativos para atingir fatos anteriores ao seu advento. Assim, em relação à compensação tributária, temse que o permissivo regulamentar de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL alcança o Per/DComp formalizado antes da sua vigência5. O pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor de IRPJ ou de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada, pode ser analisado, uma vez que o “pagamento indevido ou a maior a título de estimativa pode caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”, desde que comprovado erro, em conformidade com a Súmula CARF nº 84. E isso porque, em verdade, há possibilidade de aproveitamento de valores decorrentes de recolhimentos estimados na formação do saldo negativo anual de IRPJ ou de CSLL. Necessária se faz a apreciação pela autoridade administrativa da efetiva existência do crédito decorrente de IRPJ ou de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada para fins de homologação da compensação pleiteada de saldo negativo apurado no encerramento do período6. 3 Fundamentação legal: art. 37 da Constituição Federal, art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 26A e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e inciso i do art. 333 do Código de Processo Civil. 4 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. 5 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Código Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 96, inciso I do art. 100, inciso I do art. 106 do Código Tributário Nacional, Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. 6 Fundamentação legal: art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 e Instrução Normativa RFB 973, de 27 de novembro de 2009. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902596/200941 Acórdão n.º 1801001.604 S1TE01 Fl. 112 6 Tem cabimento a análise da situação fática. Consta na Informação Fiscal DRF/UBL/MG, fls. 99101, a qual deve ser acolhida como correta na sua integralidade nessa segunda instância de julgamento: PROCESSO Nº PER/DCOMP RES. CARF 10675.902588/200903 28737.76627.280306.1.3.044600 180100.104/2012 10675.902589/200940 28866.87613.280306.1.3.040747 180100.105/2012 10675.902591/200919 30176.21042.250406.1.3.048500 180100.107/2012 10675.902593/200916 13781.82468.250506.1.3.045101 180100.109/2012 10675.902590/200974 35267.21125.250406.1.3.048594 180100.106/2012 10675.902594/200952 11171.63226.230606.1.3.043603 180100.110/2012 10675.902596/200941 20375.69676.210706.1.3.045002 180100.112/2012 10675.902595/200905 09118.82525.210706.1.3.045471 180100.111/2012 10675.902597/200996 40908.87659.280806.1.3.040372 180100.113/2012 10675.902599/200985 22341.86147.220906.1.3.046019 180100.096/2012 10675.902598/200931 04232.24444.220906.1.3.043411 180100.095/2012 10675.902600/200971 19981.00959.251006.1.3.043580 180100.097/2012 10675.902601/200916 18527.19549.301106.1.3.044569 180100.098/2012 A presente Informação Fiscal abrange os processos acima identificados, os quais tiveram o julgamento convertido em diligência pela 1ª Turma Especial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, através das Resoluções citadas. A diligência solicitada tem como objeto a análise da origem e procedência do saldo negativo anual de CSLL, do anocalendário 2005, devendo ser examinados em conjunto todos os PER/DCOMP que tiverem por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas. Os processos relacionados referemse a DCOMP não homologadas, relativas a créditos de pagamentos indevidos ou a maiores de estimativas de CSLL (código 2484), do anocalendário 2005, totalizando o valor pleiteado de R$12.920,70, conforme abaixo detalhado. Segundo as alegações do contribuinte o crédito solicitado corresponderia na verdade ao saldo negativo de CSLL do exercício 2006, indevidamente requerido como crédito de pagamento indevido ou a maior de estimativa. CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR PROCESSO Nº PER/DCOMP VALOR(R$) TRIB. COD DATA PGTO PA 10675.902588/200903 28737.76627.280306.1.3.044600 964,68 CSLL 2484 28/09/2005 31/08/2005 10675.902589/200940 28866.87613.280306.1.3.040747 810,29 CSLL 2484 28/09/2005 31/08/2005 10675.902591/200919 30176.21042.250406.1.3.048500 769,20 CSLL 2484 28/09/2005 31/08/2005 10675.902593/200916 13781.82468.250506.1.3.045101 1.361,67 CSLL 2484 28/10/2005 30/09/2005 10675.902590/200974 35267.21125.250406.1.3.048594 229,46 CSLL 2484 28/10/2005 30/09/2005 10675.902594/200952 11171.63226.230606.1.3.043603 382,82 CSLL 2484 28/10/2005 30/09/2005 10675.902596/200941 20375.69676.210706.1.3.045002 1.153,98 CSLL 2484 28/10/2005 30/09/2005 10675.902595/200905 09118.82525.210706.1.3.045471 322,32 CSLL 2484 29/11/2005 31/10/2005 10675.902597/200996 40908.87659.280806.1.3.040372 1.776,54 CSLL 2484 29/11/2005 31/10/2005 10675.902599/200985 22341.86147.220906.1.3.046019 1.528,58 CSLL 2484 29/11/2005 31/10/2005 10675.902598/200931 04232.24444.220906.1.3.043411 769,61 CSLL 2484 29/12/2005 30/11/2005 10675.902600/200971 19981.00959.251006.1.3.043580 2.771,38 CSLL 2484 29/12/2005 30/11/2005 10675.902601/200916 18527.19549.301106.1.3.044569 80,17 CSLL 2484 29/12/2005 30/11/2005 TOTAL DO CRÉDITO CSLL 12.920,70 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902596/200941 Acórdão n.º 1801001.604 S1TE01 Fl. 113 7 Conforme se verifica na DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, nº 059432658, regularmente apresentada pelo contribuinte, relativa ao exercício 2006, anocalendário 2005, a empresa apurou na ficha 17 a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida de R$21.024,11, que deduzida das estimativas pagas no decorrer do período de apuração (no total de R$34.178,15) resultou no saldo negativo anual de CSLL no valor de R$13.154,04. Os débitos de estimativas informados na DIPJ/2006 foram devidamente confessados em DCTF e liquidados pelos pagamentos relacionados a seguir, conforme extrato do Sistema SIEF/Fiscel anexado aos processos. Na última coluna do demonstrativo abaixo estão destacados os valores referentes aos pagamentos de estimativas que foram objeto das declarações de compensação entregues pelo contribuinte, totalizando o crédito pleiteado de R$12.920,70. . Nº PAGAMENTO CÓDIGO DATA ARRECADAÇÃO VALOR(R$) VALOR OBJETO DCOMP 4919701808 2484 28/02/2005 2.373,19 0208825446 2484 28/03/2005 3.002,78 0209761896 2484 29/04/2005 2.868,03 5072607938 2484 31/05/2005 3.555,15 5116278968 2484 28/06/2005 2.854,66 5167127538 2484 26/07/2005 2.605,28 1892652981 2484 26/08/2005 3.032,74 1987428871 2484 28/09/2005 3.228,07 2.544,17 2076652671 2484 28/10/2005 3.249,53 3.127,93 2133582661 2484 14/11/2005 111,74 2133582841 2484 14/11/2005 48,38 2155698461 2484 29/11/2005 3.627,44 3.627,44 2246085561 2484 29/12/2005 3.621,16 3.621,16 [TOTAL DO CRÉDITO CSLL] 34.178,15 12.920,70 Uma vez confirmada a existência do crédito de saldo negativo de CSLL para o período 01/01/2005 a 31/12/2005 no valor declarado na DIPJ/2006 de R$13.154,04 (treze mil cento e cinqüenta e quatro reais e quatro centavos), entendo que o contribuinte faz jus ao crédito de saldo negativo no valor de R$12.920,70 correspondente ao total pleiteado nas DComp em análise. Ademais, tratandose de crédito de saldo negativo, a correção pela taxa Selic aplicarseá a partir do dia seguinte ao do encerramento do período de apuração (01/01/2006). Assim, efetuando por meio do sistema NEOSAPO, aplicativo homologado pela RFB, a simulação do encontro de contas entre o crédito de saldo negativo de CSLL no valor de R$12.920,70 e os débitos compensados nas respectivas DComp em análise, verificase nos demonstrativos de cálculo anexados aos processos que o crédito não foi suficiente para homologação de todas as declarações de compensação transmitidas pelo contribuinte, conforme detalhado no quadro a seguir. DÉBITO PROCESSO Nº PER/DCOMP Cod. PA VENC. Valor SITUAÇÃO DCOMP 10675.902588/200903 28737.76627.280306.1.3.044600 2484 01/2006 24/02/06 943,69 Homologada Total 10675.902589/200940 28866.87613.280306.1.3.040747 2484 02/2006 31/03/06 873,82 Homologada Total Fl. 113DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902596/200941 Acórdão n.º 1801001.604 S1TE01 Fl. 114 8 10675.902591/200919 30176.21042.250406.1.3.048500 2484 03/2006 28/04/06 840,43 Homologada Total 10675.902593/200916 13781.82468.250506.1.3.045101 2484 04/2006 31/05/06 1483,27 Homologada Total 10675.902590/200974 35267.21125.250406.1.3.048594 2484 03/2006 28/04/06 247,47 Homologada Total 10675.902594/200952 11171.63226.230606.1.3.043603 2484 05/2006 30/06/06 421,91 Homologada Total 10675.902596/200941 20375.69676.210706.1.3.045002 2484 06/2006 31/07/06 1285,42 Homologada Total 10675.902595/200905 09118.82525.210706.1.3.045471 2484 06/2006 31/07/06 354,58 Homologada Total 10675.902597/200996 40908.87659.280806.1.3.040372 2484 07/2006 31/08/06 1975,16 Homologada Total 10675.902599/200985 22341.86147.220906.1.3.046019 2484 08/2006 29/09/06 1718,74 Homologada Total 10675.902598/200931 04232.24444.220906.1.3.043411 2484 08/2006 29/09/06 854,04 Homologada Total 10675.902600/200971 19981.00959.251006.1.3.043580 2484 09/2006 31/10/06 3104,78 Homologação Parcial 10675.902601/200916 18527.19549.301106.1.3.044569 2484 10/2006 30/11/06 90,69 Não Homologada Concluindo, remanesceria como saldos devedores os débitos abaixo discriminados, a serem exigidos do sujeito passivo, com os acréscimos legais devidos até a data do pagamento. Cód. P. A Venc. Vr. original do débito (R$) Vr .extinto por compensaçã o (R$) Saldo devedor (R$) Processo nº PER/DCOMP Nº 2484 09/2006 31/10/2006 3.104,78 2.930,27 174,51 10675.902600/200971 19981.00959.251006.1.3.043580 2484 10/2006 30/11/2006 90,69 0,00 90,69 10675.902601/200916 18527.19549.301106.1.3.044569 Estas as informações prestadas em atendimento à diligência solicitada. Examinando todas essas informações comprovase a existência saldo negativo de CSLL no valor de R$1.153,98 do anocalendário de 2005. Por essa razão cabe reconhecer o direito creditório correspondente. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, se comprova Em assim sucedendo, por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer direito creditório correspondente ao saldo negativo de CSLL no valor de R$1.153,98 do anocalendário de 2005 para fins de homologar da compensação dos débitos até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 114DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902596/200941 Acórdão n.º 1801001.604 S1TE01 Fl. 115 9 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10980.914085/2009-19
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO DE IMPOSTO POR ESTIMATIVA MENSAL. ERRO NA BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DO IMPOSTO ANUAL OU PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DO IMPOSTO. ÓBICE AFASTADO. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO À UNIDADE DE ORIGEM PARA ANÁLISE DO MÉRITO DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO NA DCOMP.
Regra geral, os saldos negativos do IRPJ e da CSLL, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a CSLL devidos a partir do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Essa restituição/compensação poderá ser feita no curso do ano-calendário, eis que a apuração do valor pago a maior não depende de evento futuro e incerto.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 1802-001.783
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos à DRF de origem.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO DE IMPOSTO POR ESTIMATIVA MENSAL. ERRO NA BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DO IMPOSTO ANUAL OU PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DO IMPOSTO. ÓBICE AFASTADO. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO À UNIDADE DE ORIGEM PARA ANÁLISE DO MÉRITO DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO NA DCOMP. Regra geral, os saldos negativos do IRPJ e da CSLL, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a CSLL devidos a partir do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Essa restituição/compensação poderá ser feita no curso do ano-calendário, eis que a apuração do valor pago a maior não depende de evento futuro e incerto. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Súmula CARF nº 84).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos à DRF de origem. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
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ERRO NA BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DO IMPOSTO ANUAL OU PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DO IMPOSTO. ÓBICE AFASTADO. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO À UNIDADE DE ORIGEM PARA ANÁLISE DO MÉRITO DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO NA DCOMP. Regra geral, os saldos negativos do IRPJ e da CSLL, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a CSLL devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Essa restituição/compensação poderá ser feita no curso do anocalendário, eis que a apuração do valor pago a maior não depende de evento futuro e incerto. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Súmula CARF nº 84). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 40 85 /2 00 9- 19 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.914085/200919 Acórdão n.º 1802001.783 S1TE02 Fl. 79 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos à DRF de origem. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.914085/200919 Acórdão n.º 1802001.783 S1TE02 Fl. 80 3 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de fls. 41/46 contra decisão da 1ª Turma da DRJ/Curitiba (fls. 31/37) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Quanto aos fatos, consta que em 17/04/2007 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária retificadora nº 16366.37960.170407.1.7.044486 (fls.11/15), onde consta: a) débito informado (confessado): IRPJ estimativa mensal, código de receita 2362, do PA março/2006, data de vencimento 28/04/2006, assim especificado na DCOMP: principal: R$ 81.293,08; multa moratória: R$ 1.877,87; juros de mora: R$ 812,93 ; Total: R$ .83.983,88 b) crédito utilizado: aproveitamento de suposto direito creditório de R$ 81.143,85 (valor original), referente pagamento indevido ou a maior de IRPJ estimativa mensal, código de receita 2362, do PA janeiro/2006, DARF no valor de R$ 137.621,18 (valor original), data do recolhimento 24/02/2006 (fl. 39). O recolhimento a maior seria de R$ 82.337,14 (valor original). O despacho decisório da DRF/Curitiba, de 11/05/2009, não reconheceu o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. A propósito, transcrevo a fundamentação constante do referido Despacho Decisório eletrônico (fl. 02), in verbis: (...) 3FUNDAMENTAÇAO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 82.337,14. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na Fl. 80DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.914085/200919 Acórdão n.º 1802001.783 S1TE02 Fl. 81 4 dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido {CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Inconformada com essa decisão monocrática, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 19/05/2010 (fls. 16/20) e que foi considerada tempestiva conforme Despacho de Encaminhamento de fl. 30. Consta das razões da irresignação apresentada pela interessada na instância a quo, em síntese: que, equivocadamente, informou na DCOMP que o crédito pleiteado seria decorrente de pagamento indevido ou a maior do IRPJ estimativa mensal do PA janeiro/2006, apesar desse pagamento ter caráter de mera anecipação do imposto; que, posteriormente à ciência do Despacho Decisório, percebendo o equívoco na qualificação do crédito pleiteado, tentou a retificação da DCOMP para saldo negativo; que, entretanto, tal tentativa de retificação da DCOMP foi obstada pelos sistemas internos (eletrônicos)da RFB; que, ainda, tentou o cancelamento da DCOMP e apresentação de nova declaração; porém, o cancelamento também restou infrutífero, pois não foi aceito pelos sistemas internos (eletrônicos) da RFB; que, na verdade, o crédito utilizado/pleiteado é decorrente de saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2006. Na sequência, a DRJ/Curitiba, à luz dos fatos e elementos de prova constantes dos autos, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, cuja ementa do Acórdão, de 15/07/2011 (fls. 31/37), transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 PER/DCOMP. NÃOHOMOLOGAÇÃO. PGTO INDEVIDO OU A MAIOR. PARCELA ESTIMATIVA IRPJ. NECESSIDADE DE Fl. 81DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.914085/200919 Acórdão n.º 1802001.783 S1TE02 Fl. 82 5 DEDUÇÃO COM O DEVIDO NO FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO OU COMPOR O SALDO NEGATIVO. VIGÊNCIA INSRF 600/2005. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido, na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ainda, diversamente do alegado pela contribuinte nas razões da impugnação, consta do voto condutor do citado acordão que ela não comprovou o alegado erro ou equívoco quanto à qualificação do crédito utilizado/pleiteado (fls. 34/36), in verbis: (...) 16. Dessarte, ao tempo da realização da compensação, ao contribuinte era defeso utilizar eventuais pagamentos indevidos ou a maior, a título de estimativa mensal, senão para deduzir do imposto ou contribuição devidos ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo. No presente caso, o interessado realizou recolhimento de estimativa mensal, que entendeu ser indevido, mas ao invés de utilizálo como dedução ao final do período ou fazêlo integrar o Saldo Negativo, formulou compensação utilizando a própria parcela mensal de estimativa como Direito Creditório, o que lhe era vedado, razão pela qual lhe sobreveio a nãohomologação da compensação. (...) 18. Por outro lado, o interessado alega equívoco na confecção de seu PER/DCOMP, mas não acostou prova alguma que deixasse inequívoco mero erro de preenchimento, por lapso manifesto, que pudesse provocarlhe julgamento favorável. 19. Apenas a título de comentário, obiter dictum, sem que isso integre as razões de decidir (ratio decidendi) versadas no presente voto, já que não diz respeito ao fato ou fundamento jurídico (MOTIVO) pelo qual o PER/DCOMP não foi homologado, registro que no fundo o que se deseja aqui é a substituição da compensação nãohomologada por outra, em outros termos e com outro Crédito. Ato contínuo pretende o contribuinte que este colegiado profira novo Despacho Decisório, com fulcro na situação que alega ser a correta, o que não pode ser, por falecer competência às DRJ para tanto. 20. A competência das Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil– DRJ estão previstas no Regimento Interno da Fl. 82DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.914085/200919 Acórdão n.º 1802001.783 S1TE02 Fl. 83 6 Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 587, de 21 de dezembro de 2010, conforme abaixo, dispondo expressamente que lhe cabe tãosomente “conhecer e julgar” os Despachos Decisórios das autoridades competentes em processos relativos à compensação, nunca formulálos, (...) 22. Assim, registro que qualquer pleito no sentido de se realizar novas atividades ligadas à compensação, inclusive com proferimento de novo Despacho Decisório, deve ser dirigido à autoridade competente para tanto. (...) Ciente desse decisum em 04/08/2011 (fl. 40), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 01/09/2011 (fls.41/46) e juntou documentos (fls. 46/74), cujas razões, em síntese, são as seguintes: que a decisão recorrida entendeu pela improcedência da manifestação de inconformidade sob o fundamento que o art. 10 da IN SRF 600/2005 veda a utilização de crédito advindo de antecipação de pagamento indevido ou maior de estimativa mensal, antes do encerramento do respectivo período anual, podendo entretanto ser utilizado para dedução do imposto no ajuste anual ou para compor o saldo negativo; que o art. 74 da Lei nº 9.430/96 não prevê tal restrição; que a IN não deve prevalecer, por ser ato normativo infralegal. Por fim, a recorrente pediu a reforma da decisão decisão recorrida, para que seja deferido o direito creditório pleiteado e seja, por conseguinte, homologada a compensação tributária.. É o relatório. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.914085/200919 Acórdão n.º 1802001.783 S1TE02 Fl. 84 7 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de processo de compensação tributária. Vale dizer, em 17/04/2007 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária (retificadora) nº 16366.37960.170407.1.7.044486 (fls.11/15), informando que compensara débito do IRPJ estimativa mensal, código de receita 2362, do PA março/2006, data de vencimento 28/04/2006, utilizando direito creditório – pagamento indevido ou a maior de IRPJ estimativa mensal, código de receita 2362, do PA janeiro/2006, data do recolhimento 24/02/2006. A decisão a quo, na mesma esteira do despacho decisório, não reconheceu o direito creditório pleiteado, pois não seria possível a restituição de IRPJ estimativa mensal, mas sim apenas saldo negativo do anocalendário. Entretanto, nas razões do recurso a contribuinte rebelase contra a decisão a quo, argumentando: que a restrição constante do art. 10 da IN nº 600/2005 seria ilegal, pois tal restrição não consta do art. 74 da Lei nº 9.430/96. que tem direito à restituição e à compensação tributária do que pagara indevidamente, ou a maior. Nesta instância recursal, compulsando os autos, observase que nos anos calendário 2005 e 2006 a contribuinte estava submetida ao regime de apuração do IRPJ e da CSLL com base no Lucro Real anual, com obrigação de antecipação de pagamento dessas exações por estimativa mensal. À luz da legislação tributária federal, sempre que há, comprovadamente, pagamento indevido ou maior, é cabível a repetição do indébito tributário. No caso de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal do IRPJ, cabe observar o seguinte: a) os contribuintes que fizeram opção, para determinado anocalendário, pelo lucro real anual têm obrigação de antecipar pagamento do IRPJ e da CSLL por estimativa mensal com base na receita bruta mensal ou com base em balancete mensal de suspensão/redução, independentemente de eventual apuração de prejuízo no final de ano, na declaração de ajuste; Fl. 84DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.914085/200919 Acórdão n.º 1802001.783 S1TE02 Fl. 85 8 b) não há que se falar ou objetar recolhimentos mensais indevidos (pagamentos por antecipação), quando efetuados em estrita observância da legislação de regência e em estrita observância da base de cálculo (receita bruta mensal ou com base em balancete de suspensão/redução); c) eventual recolhimento a maior do imposto ou contribuição será deduzido do valor apurado no encerramento do anocalendário ou irá compor o saldo negativo; d) entretanto, considerase pagamento indevido o excesso de recolhimento de estimativa mensal quando, de plano, observase que ele não tem relação com a receita bruta mensal ou com o balanço de suspensão/redução mensal. Nessa situação, é cabível a restituição ou devolução/aproveitamento do excesso do pagamento mensal por antecipação do referido período de apuração (não relacionado com a receita bruta ou com balancete de suspensão ou redução) sem necessidade de leválo para o ajuste anual ou para compor o saldo negativo, em face da revogação do art. 10, 2ª parte, da IN SRF 600/2005 pelo art. 11 da IN RFB 900/2008. Esse ato normativo tem efeito ou aplicação retroativa. Nesse sentido, é o entendimento do CARF, conforme Súmula CARF nº 84, in verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Como o despacho decisório e a decisão a quo não adentratam na análise do direito creditório pleiteado pela recorrente na DCOMP, pois se limitaram a consignar que o pagamento por antecipação de estimativa mensal não se devolve em qualquer caso, mas apenas saldo negativo, sem fazer a distinção suscitada pela recorrente, entendo cabível, no caso, afastar o óbice do saldo negativo, pois pagamento em excesso (pagamento indevido) por erro de base de cálculo estimada do imposto ou contribuição, é cabível a restituição ainda no decorrer do próprio anocalendário sem necessidade de leválo para o saldo negativo. Ainda, no caso há falhas na instrução do processo; salta aos olhos a falta de elementos de prova para formação de convicção do julgador quanto ao mérito da lide, pois: Quanto ao pretenso direito creditório do IRPJ do PA janeiro/2006: a) sequer há cópia nos autos da DIPJ 2007, anocalendário 2006 (DIPJ original), e eventual retificadora; b) sequer há cópia da DCTF e eventual retificadora; c) ainda não foi juntada cópia da escrituração contábil, pois, em momento algum, o fisco intimou a contribuinte para compovar o direito creditório. Ou seja, embora a recorrente alegue erro de base de cálculo do imposto (pagamento em excesso, pagamento indevido ou a maior), não consta dos autos cópia da escrituração contábil do anocalendáro 2006 que comprove, de forma cabal, o erro de base estimada do imposto de janeiro/2006 que pudesse justificar a apresentação de DIPJ retificadora e DCTF retiticadora e formação do direito creditório pleiteado; d) em tese, se houver, de fato, erro de base de cálculo estimada de janeiro/2006, a contribuinte não pode ser prejudicada quanto ao seu direito creditório, devendo prevalecer o princípio da verdade material; Fl. 85DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.914085/200919 Acórdão n.º 1802001.783 S1TE02 Fl. 86 9 e) entretanto, como já dito, não há cópia da escrituração contábil e fiscal (livros razão, Diário e Lalur), para comprovação se os pagamentos antecipados mensalmente foram efetuados correntamente com base na receita bruta e acréscimos ou se com base em balancetes de suspensão/redução. Em face disso, e em observância ao princípio da verdade material, afasto a questão prejudicial, ou seja, afasto o óbice constante do despacho decisório e da decisão recorrida de que somente seria possível a restituição de saldo negativo, pois é possível sim a devolução de direito creditório pago em excesso por erro na base de cálculo estimada do imposto sem necessidade de leválo para o saldo negativo na declaração de ajuste, conforme Súmula CARF nº 84. Por conseguinte, devolvemse os autos à unidade de origem da RFB, ou seja, à DRJ/Curitiba para análise, no mérito, do direito creditório pleiteado e da compensação efetuada pela recorrente, com os seguintes cuidados: a) verificar, à luz da escrituração contábil e fiscal, se houve, ou não, erro de base de cálculo estimada do PA janeiro/2006; b) apurar se houve o alegado excesso de recolhimento do referido PA (pagamento indevido ou a maior, por erro de base de cálculo estimada); c) na hipótese de excesso de antecipação de pagamento de imposto do mencionado PA, verificar se o valor do direito creditório pleiteado compôs ou não o saldo negativo do anocalendário 2006; d) ainda, se caracterizado o excesso de recohimento do imposto por antecipação do citado PA, além de apurar o respectivo valor, informar, demonstrar, à luz da escrituração contábil, se decorreu de recolhimento sem relação com a receita bruta mensal, sem relação com o balancete mensal de suspensão/redução (erro de base estimada), ou se decorreu de mera antecipação de pagamento nos termos da legislação de regência. Vale dizer, apurar, verificar, se é hipótese de restituição de excesso de antecipação de pagamento por erro de base de cálculo estimada ou se trata de hipótese de mera devolução de saldo negativo por antecipação de pagamento efetuada na forma da legislação de regência. Diante do exposto, voto para DAR provimento PARCIAL ao recurso, para afastar o óbice suscitado, ou seja, afastar a questão prejudicial constante da fundamentação do despacho decisório e da decisão a quo que implicou na não análise de mérito do direito creditório da recorrente pelas citadas decisões, devendo, então, a unidade de origem da RFB enfrentar o mérito do direito creditório pleiteado. Devolvemse, por conseguinte, os autos do processo à DRF/Curitiba para que prossiga no julgamento, enfrentando o mérito do direito creditório pleiteado e da compensação tributária efetuada pela contribuinte. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 86DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.914085/200919 Acórdão n.º 1802001.783 S1TE02 Fl. 87 10 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL
score : 1.0
Numero do processo: 10280.721935/2009-24
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 27/05/2009
PRODUTO SEM SELO DE CONTROLE. ADQUIRENTE. RESPONSABILIDADE.
O adquirente de produto que se encontre sem selo de controle, se e quando exigível, ficará responsável pelo pagamento do imposto e sujeito às sanções cabíveis.
Numero da decisão: 3803-004.572
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso.
Corintho Oliveira Machado - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 10/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 27/05/2009 PRODUTO SEM SELO DE CONTROLE. ADQUIRENTE. RESPONSABILIDADE. O adquirente de produto que se encontre sem selo de controle, se e quando exigível, ficará responsável pelo pagamento do imposto e sujeito às sanções cabíveis.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. Corintho Oliveira Machado - Presidente e Relator. EDITADO EM: 10/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado.
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ADQUIRENTE. RESPONSABILIDADE. O adquirente de produto que se encontre sem selo de controle, se e quando exigível, ficará responsável pelo pagamento do imposto e sujeito às sanções cabíveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. Corintho Oliveira Machado Presidente e Relator. EDITADO EM: 10/10/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 19 35 /2 00 9- 24 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 10/10 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: Contra a empresa acima identificada foi lavrado auto de infração com crédito total de R$ 6.268,20, incluídos nesse valor o IPI, multa proporcional e multa regulamentar, em decorrência da apreensão no estabelecimento da pessoa jurídica de bebidas sem o selo de controle. Em virtude da irregularidade, foram lavrados autos de infração de perdimento da mercadoria e de lançamento do imposto, com multas, esse último objeto do presente processo. 2. Cientificada em 19.06.2009 (fl. 59), a interessada apresentou, tempestivamente, em 01.07.2009, impugnação (fls. 69/73) na qual alega: “A empresa impugnante adquiriu a mercadoria diretamente da Indústria e, no momento do recebimento da mercadoria, não tinha como aferir se as embalagens ostentavam o selo de controle de IPI, já que os produtos comercializados pela empresa são comercializados em atacado. Portanto, resta mais que evidente que a responsabilidade pela aposição de selos de controle, exigidos pela legislação em vigor, é de responsabilidade da indústria e não do adquirente da mercadoria que a revende no atacado. A empresa autuada não agiu de máfé, eis que recebeu a mercadoria em caixas tendo que tomado conhecimento da inexistência de selos de controle de IPI no momento em que a fiscalização abriu as caixas de aguardente e constatou que o produto estava em desacordo com a legislação do IPI Imposto sobre Produtos Industrializados. Não se pode exigir, por óbvio, que a empresa autuada proceda a abertura de cada caixa ao receber a mercadoria para verificação de selos de controle. Dessa forma, é patente a boafé da empresa autuada, não podendo, dessa maneira, ser responsabilizada por infração que não praticou.” 3. Além disso, requer a conversão da pena de perdimento em multa e a restituição das mercadorias apreendidas. A DRJ em BELÉM/PA julgou a Impugnação Improcedente, ficando a ementa do acórdão com a seguinte dicção: Fl. 103DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 10/10 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.721935/200924 Acórdão n.º 3803004.572 S3TE03 Fl. 3 3 Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Data do fato gerador: 27/05/2009 PRODUTO SEM SELO DE CONTROLE. ADQUIRENTE. RESPONSABILIDADE. Na aquisição de produto que não se encontre selado, quando exigido o selo de controle, não poderá o destinatário recebêlo, sob pena de ficar responsável pelo pagamento do imposto, se exigível, e sujeito às sanções cabíveis. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2009 RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. Segundo o art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável, somente sendo excluída, nos termos do art. 138, pela denúncia espontânea da infração, acompanhada do pagamento do tributo devido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, no qual sustenta basicamente os mesmos argumentos esgrimidos na peça vestibular e aduz que houve cerceamento do direito de defesa na decisão de primeira instância, entretanto não aponta o motivo. Ao final requer a nulidade do procedimento fiscal. Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Relatados, passo a votar. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator Preenchidos os requisitos de admissibilidade, passo à apreciação do apelo. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 10/10 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Preambularmente, cumpre observar que a alegação de cerceamento ao direito de defesa, evocada pela recorrente, é vazia de fundamento, na medida em que não há referência ao suposto motivo do cerceamento. Ato contínuo, verificase que nada de novo veio aos autos desde a decisão recorrida, que mostrouse irretocável em seus fundamentos de fato e de direito, e bem por isso deve ser ratificada nesta segunda instância, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99, 1 notadamente a parte que trata da responsabilidade pelo imposto de produto sujeito a selo de controle. Em verdade, a alegação apresentada a recorrente tomou conhecimento da existência do selo quando a auditoriafiscal abriu as caixas de aguardente mais soa como uma confissão do que propriamente uma defesa contra a penalidade e o imposto cobrados pela falta do selo. Posto isso, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...) Fl. 105DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 10/10 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 18471.001410/2006-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003
DECADÊNCIA. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4O DO CTN.
O art. 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF determina que os conselheiros apliquem o entendimento exarado pelo Superior Tribunal de Justiça em decisão transitada em julgado referente a processo submetido ao regime do art. 543-C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos.
No caso, está sendo discutida a decadência do direito de lançamento de tributo, tema tratado no REsp nº 973.733/SC. Nos autos, verifica-se ter ocorrido pagamento antecipado de tributo, devendo ser aplicado o prazo previsto no art. 150, § 4o e, portanto, ocorrendo decadência em 5 anos contados do fato gerador.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.829
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
EDITADO EM: 11/08/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator EDITADO EM: 11/08/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
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EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4O DO CTN. O art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF determina que os conselheiros apliquem o entendimento exarado pelo Superior Tribunal de Justiça em decisão transitada em julgado referente a processo submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos. No caso, está sendo discutida a decadência do direito de lançamento de tributo, tema tratado no REsp nº 973.733/SC. Nos autos, verificase ter ocorrido pagamento antecipado de tributo, devendo ser aplicado o prazo previsto no art. 150, § 4o e, portanto, ocorrendo decadência em 5 anos contados do fato gerador. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 14 10 /2 00 6- 91 Fl. 487DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 11/08/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório A FAZENDA NACIONAL, com fundamento no artigo 67, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, interpôs RECURSO ESPECIAL (fls. 406 a 425) dentro do prazo regimental, solicitando a reforma do acórdão recorrido (nº. 10423.523 – fls. 373 a 387), proferido em 08 de outubro de 2008, que, por maioria de votos, reconheceu a decadência relativa ao anocalendário de 2000 e, no mérito, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso. Segue abaixo a ementa do acórdão nº. 10423.523: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 DECADÊNCIA Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação (art. 150, § 4.° do CTN), devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro, ausente a comprovação de dolo, fraude ou simulação. ILEGITIMIDADE PASSIVA Não há que se falar em ilegitimidade passiva, se por ocasião dos fatos geradores da obrigação tributária o contribuinte tinha relação pessoal e direta com a situação que constituiu o respectivo fato gerador. A relação obrigacional tributária é decorrente da lei e não da vontade. Assim, os sujeitos passivos de relações obrigacionais tributárias não podem transferir essa condição que a lei lhes atribuiu. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS Processo nº 18471.001410/200691 Acórdão n.º 9202002.829 CSRFT2 Fl. 7 3 MULTA QUALIFICADA Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, dé 1964. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos do enunciado n° 14 da Súmula deste Primeiro Conselho, não há que se falar em qualificação da multa de ofício nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do intuito de fraude. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM COMPROVADA ART. 42 DA LEI N° 9.430/96 PRESUNÇÃO DE RENDIMENTO OMITIDO A presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/96 é relativa, podendo ser afastada pela comprovação da origem do depósito bancário, quando, então, a autoridade autuante submeterá o rendimento outrora omitido às normas específicas de tributação, previstas na legislação vigente à época em que o rendimento foi auferido ou recebido. No caso em questão há comprovação da origem dos depósitos bancários. Argüição de decadência acolhida. Recurso provido.” Na argüição apresentada a PGFN descreve que, a decadência, reconhecida por maioria de votos, no acórdão referente ao recurso voluntário, contraria o inciso I do art. 173 do CTN, que registra o prazo legal que a Fazenda Pública tem para constituir o crédito tributário. Relata que, no julgado, foi considerado o prazo decadencial firmado no § 4º do art. 150 do CTN, que é aplicado nos casos de recolhimento antecipado, constituindose o lançamento por homologação. Entretanto, como supostamente não ocorreu o pagamento do tributo, não havia o que homologar. A Procuradoria expõe que os rendimentos omitidos na declaração de ajuste referente ao exercício de 2001 tratavase de um lançamento de ofício, que tem a contagem do prazo de decadência fixado pelo inciso I do art. 173 do CTN e por conseguinte, não havia decorrido o período de cinco anos, quando da ciência do auto de infração (fls. 267 a 270), em 22 de novembro de 2006. Com relação ao mérito, referente a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, conforme entendimento da PGFN, o acórdão recorrido considerou que ficou comprovada a origem, porém, as provas reunidas nos autos (fls. 70 a 73), de cunho da autoridade judicial, traçam que houve ocultação dos valores em virtude do desconhecimento de suas origens e que a denúncia no processo penal indica a prática de crime. No Exame de Admissibilidade de Recurso Especial (fls. 444 a 446), realizado em 04 de outubro de 2010 — Despacho nº 220200.260 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária —, o então Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF, Francisco Assis de Oliveira Júnior, DEU SEGUIMENTO PARCIAL, para que seja revista a questão da decadência. Quanto ao mérito, descreveu que, não ocorreu divergência jurisprudencial, e sim, livre entendimento do julgador na análise das provas contidas nos autos. No Reexame de Admissibilidade de Recurso Especial (fl. 447), ocorrido em 04 de outubro de 2010 — Despacho nº 920200.260 2ª Turma —, o Presidente do CARF Fl. 489DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS 4 manteve a decisão que DEU SEGUIMENTO PARCIAL ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Em 18 de fevereiro de 2012 o Contribuinte apresentou as Contrarrazões (fls. 467 a 472) ao Recurso Especial interposto pela PGFN. Nele é informado que houve o pagamento antecipado, compensado pela autoridade lançadora no anocalendário de 2000, a quantia de R$ 252,00 (fl. 275). Menciona ainda que, se o prazo decadencial fosse orientado pelo inciso I do art. 173 do CTN e não pelo § 4º do art. 150 do mesmo dispositivo, o parágrafo único do art. 173 seria aplicado em ambos os casos, ao dispor sobre a contagem da data da constituição do crédito tributário pela notificação, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento, o que hipoteticamente ocorreu com a entrega da declaração de ajuste, em 30 de abril de 2001, e poderia caracterizar o lançamento da obrigação tributária. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso, na parte admitida, atende aos requisitos e, portanto, dele conheço. Salientese que a única matéria passível de discussão é a decadência do direito de lançar, por eventual contrariedade ao art. 173, I do Código Tributário Nacional, por inexistência de pagamento antecipado. As demais questões do processo não são passíveis de análise pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, por não ter sido admitido o recurso. Sabese que a discussão da decadência dos tributos lançados por homologação é questão tormentosa, que vem dividindo a jurisprudência administrativa e judicial há tempos. No âmbito dos antigos Conselhos de Contribuintes, e agora no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, praticamente todas as interpretações possíveis já tiveram seu espaço. É notório que as inúmeras teses que versam sobre o assunto surgiram do fato do nosso Código Tributário Nacional CTN possuir duas regras de decadência, uma para o direito de constituir o crédito tributário (art. 173), e outra para o direito de não homologar o pagamento antecipado de certos tributos previstos em lei (art. 150, §4o). Apesar de serem situações distintas, o efeito atingido é o mesmo, pois, uma vez homologado tacitamente o pagamento, o crédito tributário estará definitivamente extinto, não se permitindo novo lançamento, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Na verdade, a celeuma não está no prazo da decadência, que é de cinco anos nas duas situações, mas na data de início de sua contagem. Enquanto o art. 173 fixa essa data no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou no dia em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o art. 150, §4o, determina o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Pacificando essa discussão, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, órgão máximo de interpretação das leis federais, firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e Fl. 490DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS Processo nº 18471.001410/200691 Acórdão n.º 9202002.829 CSRFT2 Fl. 8 5 não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/0176994 0), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Fl. 491DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS 6 Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observese que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Desta forma, este CARF forçosamente deve abraçar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733 – SC, de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Neste processo, verifico que existiu antecipação de pagamento, pois, no auto de infração lavrado pelo AFRF Ernani Dias da S. Filho, há referência expressa (fl. 271) a "Imposto Pago", no valor de R$ 252,00, para o período base de 2000. Assim, aqui resta patente a necessidade de aplicação do Art. 150, § 4o do CTN ao caso. Tratando,se do anocalendário de 2000, a contagem do prazo decadencial inicia em 31/12/2000, terminando em 31/12/2005. Como o lançamento foi cientificado ao sujeito passivo em 22 de novembro de 2006, ele já estava fulminado pela decadência. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, negar provimento ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional para confirmar a decadência do lançamento relativo ao anocalendário de 2000, declarada pelo acórdão recorrido. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 492DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS
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Numero do processo: 10983.905996/2008-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004
PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. ERRO NO PREENCHIMENTO DO PER/DCOMP.
Comprovado o pagamento a maior ou indevido há que se reconhecer o direito creditório. Erros de fato, cometidos no preenchimento do PER/DCOMP, não são suficientes para afastar o direito à restituição de tributo pago a maior indevidamente.
Recurso Voluntário Provido
Direito Creditório Reconhecido
Numero da decisão: 3301-001.884
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Fábia Regina Freitas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ERRO NO PREENCHIMENTO DO PER/DCOMP. Comprovado o pagamento a maior ou indevido há que se reconhecer o direito creditório. Erros de fato, cometidos no preenchimento do PER/DCOMP, não são suficientes para afastar o direito à restituição de tributo pago a maior indevidamente. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Fábia Regina Freitas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Andrada Márcio Canuto Natal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 59 96 /2 00 8- 44 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10983.905996/200844 Acórdão n.º 3301001.884 S3C3T1 Fl. 95 2 Relatório O contribuinte apresentou PER/DCOMP para compensação de crédito no valor original de R$ 15.451,91 referente a pagamento a maior da Cofins do período de apuração de abril/2004 com débitos da Cofins correspondente ao fato gerador de julho/2004. Para tanto transmitiu a Declaração de Compensação original nº 40051.39514.120804.1.3.040593 original (fls. 15/20), que foi retificada no mesmo dia pela de nº 16076.78669.120804.1.7.047828 (fls. 09/14) e por fim retificada em 12/09/2006 pela de nº 37689.04909.120906.1.7.046322 (fls. 03/08). Em 07/11/2008 a DRF/Florianópolis emitiu Despacho Decisório indeferindo o direito creditório constante do segundo PER/DCOMP apresentado em razão da não existência do crédito informado, pois o DARF informado no valor de R$ 15.451,91 não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. O Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, fl. 02, na qual informa que ao saber do preenchimento errado referente ao valor de DARF, providenciou em 12/09/2006, a apresentação do PER/DCOMP nº 37689.04909.120906.1.7.046322, com o valor correto do DARF. A quarta Turma da DRJ/Florianópolis, ao constatar nos sistemas da RFB a existência de diversos recolhimentos vinculados ao pagamento da Cofins do período de apuração de abril/2004, determinou a realização de diligência, fls. 33/34, com o intuito de esclarecer se o contribuinte possui créditos da Cofins conforme informado no PER/DCOMP. O Serviço de Orientação e Análise Tributária da DRF/Florianópolis, fls. 40/42, emitiu despacho em diligência fiscal, esclarecendo os equívocos cometidos pelo contribuinte no preenchimento dos PER/DCOMP e ao final manifestou que o contribuinte possui crédito disponível decorrente do pagamento a maior da Cofins de abril/2004, no valor de R$ 15.604,89 e que este crédito é suficiente para a realização da compensação pleiteada no PER/DCOMP nº 16076.78669.120804.1.7.047828. A 4ª Turma da DRJ/Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base nos seguintes argumentos, em síntese: que o art. 74, § 14 da Lei nº 9.430/96, ao dispor sobre a restituição e compensação de tributos e contribuições, estabeleceu que a SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de restituição, de ressarcimento e de compensação; neste sentido, cita os artigos 57, 58, 59 e 73 da IN SRF nº 600/2006, vigente à época do Despacho Decisório, cuja orientação foi mantida pela IN SRF nº 900/2008, os quais estabelecem limites e condições para apresentação de retificação de Declarações de Compensação; Fl. 95DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10983.905996/200844 Acórdão n.º 3301001.884 S3C3T1 Fl. 96 3 que a DCOMP retificadora apresentada pelo contribuinte antes da ciência do despacho decisório não foi aceita devido a encontrarse em desacordo com as normas que regem a matéria, não sendo apta a produzir efeitos e que o “erro de preenchimento” suscitado pela requerente somente poderia ter sido sanado até a ciência do despacho decisório. Não concordando com a citada decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 56/67, alegando que a RFB tinha obrigação de analisar a compensação informada no 2º PER/DCOMP retificador nº 37689.04909.120906.1.7.046322, pelas seguintes razões: de acordo com a RFB, esta retificadora não foi processada pelo sistema da Receita Federal por apresentar alteração do valor do débito, em comparação com a DCOMP original. Porém esta correção do valor de débito foi objeto de retificação quando da transmissão da primeira retificadora, sendo que esta foi apresentada no mesmo dia da original, situação esta permitida pela regra do Art. 79, § 3º, inc. I da IN RFB nº 900/2008; a primeira retificadora, apresentada no mesmo dia da original tinha como objetivo alterar o valor de débito informado e a 2ª DCOMP retificadora tinha como objetivo corrigir inexatidão material e, portanto, não estava sujeita à regra do § 2º do art. 79 da IN RFB nº 900/2008; que, tendo o sistema aceito a 1ª DCOMP retificadora para alteração do valor do débito, as informações ali contidas é que devem servir de parâmetro para as próximas retificadoras; que a razão pela qual a 2ª DCOMP retificadora, em que consta o valor correto do DARF a ser compensado é absurda e deve ser rechaçada; Alega também que o seu direito creditório está vastamente demonstrado nos autos, conforme atesta o próprio despacho de diligência realizado pelo Seort da DRF/Florianópolis e que o simples erro de preenchimento da DCOMP não poderia afastar este direito. Neste sentido cita e transcreve jurisprudência administrativa do CARF a confirmar este entendimento. Que o seu pedido está embasado no art. 74, § 1º da Lei nº 9.430/96, que concede aos contribuintes o direito à compensação, por meio de declaração, de quaisquer débitos próprios relativos a tributos ou contribuições devidos à Receita Federal, uma vez apurado crédito passível de restituição ou ressarcimento. É o relatório. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10983.905996/200844 Acórdão n.º 3301001.884 S3C3T1 Fl. 97 4 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal – Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomo conhecimento. A diligência realizada pela DRF/Florianópolis explica de maneira didática que houve erro material de preenchimento das DCOMP original e retificadoras pelo contribuinte. Explica também as razões porque a última declaração de compensação apresentada pelo contribuinte, não foi considerada e analisada pelos sistemas eletrônicos da Receita Federal que geraram o despacho decisório de indeferimento da compensação. Esta mesma diligência conclui de maneira inequívoca quanto à existência do crédito decorrente de pagamento a maior ou indevido da Cofins relativa ao fato gerador de abril/2004 e que este crédito é suficiente para compensar o débito apontado nas DCOMP. A DRJ/Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade com o principal argumento de que a retificação de DCOMP somente pode ser efetuada pelo contribuinte com o atendimento de determinadas condições, quais sejam, cabe apenas para as declarações pendentes de decisão administrativa, ou seja, aquela Declaração de Compensação em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pelo titular da DRF, e que não tenha por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado. A decisão da DRJ deixou claro que não considerou a DCOMP retificadora apresentada pelo contribuinte antes da ciência do despacho decisório, pois não foi aceita devido a encontrarse em desacordo com as normas que regem a matéria, sendo que a mesma não é apta a produzir efeitos. Com a devida vênia, não há como concordar com esta decisão. O contribuinte apresentou uma DCOMP original e duas retificadoras. A primeira retificadora, apresentada no mesmo dia da original, com o único objetivo de aumentar o valor do débito a ser compensado. Aumentou o valor do débito a ser compensado de R$ 15.451,91 para R$ 15.986,55. Esta retificadora foi aceita pela Receita Federal, tanto é que ela foi indeferida pelo despacho decisório, fl. 3, não pelo motivo de ter aumentado o débito e sim pelo fato de não localização do DARF. Abaixo a transcrição da fundamentação do despacho decisório: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data da transmissão informado no PER/DCOMP: 15.451,91. Analisadas as informações prestada no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF a seguir, discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Portanto, não tem razão a DRJ ao indeferir a manifestação de inconformidade com o argumento de que não poderia ser apresentada a primeira declaração retificadora, em função da inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito, citando o art. 59 da IN Fl. 97DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10983.905996/200844 Acórdão n.º 3301001.884 S3C3T1 Fl. 98 5 SRF nº 600/2006. Esta retificadora com aumento do valor do débito foi aceita e indeferida por outro motivo: não localização do DARF referente ao valor do crédito. A DRJ não tomou conhecimento da segunda retificadora, apresentada antes da ciência do despacho decisório pelo contribuinte, a qual corrigiu o valor do DARF, por ter sido apresentada em desacordo com as normas que regem a matéria, sem especificar quais seriam estas normas. O relatório da diligência fiscal deixa muito claro que a primeira retificadora, que aumentou o valor do débito, foi acatada por ter sido apresentada no mesmo dia da original e que a segunda retificadora não foi acatada pelo sistema por ter aumentado o valor do débito em razão de uma leitura equivocada do sistema. Ela não aumentou em nada o débito em relação a primeira retificadora – que era a DCOMP ativa no sistema – e sim em relação à DCOMP original que já estava inativa/cancelada. Como o sistema faz uma leitura somente em relação à DCOMP original, daí o equívoco de rejeitar a segunda retificadora. Está comprovado que a segunda DCOMP retificadora, entregue em 12/09/2006, antes portanto da emissão do despacho decisório da DRF/Florianópolis, 07/11/2008, foi apresentada somente com o intuito de corrigir o valor do DARF referente ao crédito, retificação esta admitida pelo arcabouço normativo que regulamenta a entrega das declarações de compensação, no caso a própria IN SRF nº 600/2006 citada na decisão da DRJ e abaixo transcrita: Art. 57. O Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 58 e 59. Art. 58. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 59. Art. 59. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à SRF. (...) Art. 73. Considerase pendente de decisão administrativa, para fins do disposto nos arts. 57, 62 e 64, a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pelo titular da DRF, Derat, Deinf, IRFClasse Especial ou ALF competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. (grifos nossos) Fl. 98DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10983.905996/200844 Acórdão n.º 3301001.884 S3C3T1 Fl. 99 6 No presente caso está demonstrado que a declaração retificadora não analisada foi apresentada para corrigir erro material, no caso o valor correto do DARF referente ao valor do pagamento a maior ou indevido e, ainda, que foi entregue antes da emissão do despacho decisório proferido pelo titular da DRF. Além do que, mesmo que houvesse algum impedimento em receber a DCOMP retificadora, há que se analisar o direito creditório do contribuinte à luz do que dispõe o artigo 165 do Código Tributário Nacional – CTN, verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; (...) O simples erro no preenchimento do PER/DCOMP não é elemento suficiente para afastar o direito à restituição de tributo pago a maior indevidamente, assim como não pode resultar em enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. Desta forma, o direito à repetição do indébito não está vinculado à apresentação ou não de declaração retificadora. De sorte que não há óbice legal para a retificação do PER/DCOMP antes ou após a emissão do despacho decisório, sendo relevante a comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com o art. 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional), como ocorreu nestes autos administrativos. Desta forma voto por dar provimento ao recurso voluntário no sentido de homologar as compensações efetuadas no limite do crédito pleiteado (atualizável pela taxa Selic) relativo ao pagamento indevido. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Relator Fl. 99DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10940.002219/2007-61
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. AUSÊNCIA DE INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
O contribuinte não atacando diretamente os fundamentos que serviram à decisão que considerou intempestiva a impugnação impede o conhecimento do recurso voluntário interposto.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2802-002.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do (a) relator(a).
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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AUSÊNCIA DE INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O contribuinte não atacando diretamente os fundamentos que serviram à decisão que considerou intempestiva a impugnação impede o conhecimento do recurso voluntário interposto. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do (a) relator(a). (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 22 19 /2 00 7- 61 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Por bem relatar a situação examinada nos presentes autos até a data do julgamento de primeira instância, abaixo se transcreve o relatório que integra o Acórdão nº 06 27.199 – 5ª Turma da DRJ/CTA: Trata o presente de Notificação de Lançamento emitida em face do sujeito passivo acima identificado, no valor total de R$ 3.927,18, consolidado em 30/03/2007, decorrente da revisão da Declaração de Ajuste Anual correspondente ao exercício 2005, anocalendário 2004. A Notificação, lavrada em 02/04/2007, decorre de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e de glosa de compensação de imposto complementar, conforme "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" (fls. 07 e 08): Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto Retido na Fonte (Dirf, para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 15.719,79, recebido(s) da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 0,00. Fonte Pagadora CARGILL AGRÍCOLA S/A CNPJ 60.498.706/000157 CPF DO BENEFICIÁRIO 018.350.70965 Rendimento Informado em DIRF: R$ 15.719,79 Rendimento Declarado: 0,00 Rendimento Omitido: R$ 15.719,79 IRRF Informado em DIRE: R$ 127,05 IRRF Declarado: R$ 127,05 – IRRF s/Omissclo: R$ 0,00. Compensação Indevida de Imposto Complementar Glosa do valor de R$ 700,00 pleiteado indevidamente a titulo de Imposto Complementar (mensalão), correspondente a diferença entre o valor declarado de R$ 700,00 e os valores efetivamente recolhidos com o código de receita 0246 R$ 0,00, conforme informações constantes dos Sistemas da Secretaria da Receita Federal. O contribuinte foi intimado do lançamento por meio de edital publicado em 10/05/2007, tendo apresentado defesa em 02/10/2007, onde alega que ao tentar transmitir a retificação da declaração de Imposto de Renda do exercício de 2005 recebeu mensagem de erro informando haver lançamento que impedia a retificação pretendida. Diz que compareceu à Secretaria da Receita Federal em 28/09/2007, onde tomou conhecimento da Notificação de Lançamento em questão e que não recebeu o aludido documento pelo Correio, pois havia mudado de endereço. Cita que houve erro em sua Declaração de Ajuste Anual, onde os rendimentos auferidos da Cargill Agricola S/A foram indevidamente declarados no campo Fl. 57DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10940.002219/200761 Acórdão n.º 2802002.478 S2TE02 Fl. 57 3 destinado aos rendimentos auferidos de pessoas físicas, informação errônea esta que deve ser desconsiderada, pois não recebeu remunerações de pessoas físicas, sendo que no ano de 2004 manteve vinculo apenas com a Cargill Agrícola S/A. Assevera que com a retificação restaria imposto de renda a restituir no valor de R$ 127,05, sendo de total clareza que os valores apurados na Notificação de Lançamento não condizem com os valores reais, devendose o equivoco a erro na distribuição das informações no sistema eletrônico de preenchimento da declaração, cometido por representante do contribuinte. Assegura não ser justo que o equivoco cometido resulte em imposto a pagar no valor de R$ 3.927,18 para um contribuinte que teve R$ 15.719,79 como rendimentos reais no ano de 2004, passíveis de tributação, os quais resultariam numa base de cálculo de R$ 11.650,94, que não geraria imposto a pagar. Anexa cópia do comprovante de rendimentos relativo ao anocalendário 2004, fornecido pela Cargill Agricola S/A, da Declaração de Ajuste Anual apresentada para o exercício 2005 e da declaração retificadora que pretendia transmitir. Solicita seja reconsiderada a declaração por ele apresentada, considerandose a retificação e cancelandose os valores lançados. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) não conheceu a impugnação sob a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Exercício: 2005 CIÊNCIA DO LANÇAMENTO. EDITAL. A ciência a respeito do lançamento pode ser dada por meio de edital, quando restar infrutífera a tentativa de intimação por via postal, no domicilio tributário informado pelo contribuinte. PRAZO DE IMPUGNAÇÃO. PREVISÃO LEGAL EXPRESSA. A impugnação deve ser apresentada no prazo de trinta dias da ciência do lançamento, por expressa previsão legal. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. A defesa apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa, não suspende a exigibilidade do crédito e não comporta julgamento quanto às alegações de mérito. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Cientificado em 27/07/2010, fls. 42, o interessado ingressou recurso voluntário em 16/08/2010, fls. 43/33, alegando, em síntese, que: Houve erro de preenchimento na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, ano base 2004, por falta de conhecimento técnico. Explica que os valores recebidos de Pessoa Jurídica, precisamente da empresa Cargill Agricola S/A, único Fl. 58DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 vinculo que o contribuinte teve durante o exercício de 2004, foram divididos e declarados no quadro de Rendimentos Recebidos de Pessoas Físicas e do Exterior pelo Titular. Solicita que sejam desconsiderados todos os valores declarados e apropriado ao quadro Rendimentos Tributáveis Recebidos de PJ pelo Titular o valor de R$ 15.719,79 recebido da sua única fonte pagadora. Quanto aos demais valores, como 13° Salário, Imposto de Renda Retido na Fonte e Contribuição Previdenciária Oficial foram declarados corretamente. Porém aduz que houve outro equivoco, uma vez que foi declarado R$ 700,00 como imposto complementar, valor este referente a Rendimentos Isentos e Não Tributáveis. Requer o acolhimento do recurso e o cancelamento da Notificação de Lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (DRJ/CTA), por meio do Acórdão 0627.199, não conheceu da impugnação apresentada em face da sua intempestividade e declarou a impossibilidade do julgamento do mérito da Notificação de Lançamento de fls. 06 a 10. Fundamentou a decisão no sentido de que: “(...) Conforme determinação expressa contida na norma acima reproduzida [art. 30 do RIR, de 1999], cabia ao contribuinte comunicar tempestivamente a Secretaria da Receita Federal do Brasil, no prazo de trinta dias, a alteração de seu endereço. Não tendo cumprido tal exigência perante a Administração Tributária, assumiu os ônus decorrentes da inobservância. Em decorrência da tentativa de intimação haver restado infrutífera, em virtude da mudança de endereço por parte do contribuinte, foi procedida a intimação por meio de edital, com base no § 1°, II, do artigo 23 do Decreto 70.235/72: Art. 23(...) (...) § 1° Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei n° 11.196, de 2005). (...) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei n°11.196, de 2005). (...) Fl. 59DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10940.002219/200761 Acórdão n.º 2802002.478 S2TE02 Fl. 58 5 § 2° Considerase feita a intimação: IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei n°11.196, de 2005). Conforme o documento de folhas 29 e 30, anexado pela autoridade preparadora, a intimação do lançamento deuse em 10/05/2007, por meio do Edital 06, publicado na Delegacia da Receita Federal em Ponta Grossa. Tendo em vista o disposto no § 2°, IV, do artigo 23 do Decreto 70.235/72, acima transcrito, considerase que a ciência foi efetuada em 28/05/2007 (quinze dias após a publicação do edital), de modo que o prazo para apresentação de impugnação encerrouse em 27/06/2007, depois de decorrido o prazo de trinta dias, conforme artigo 15 do Decreto 70.235/72. Portanto, a impugnação apresentada em 02/10/2007 é intempestiva.de 1997, e art. 113 da Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005. Diante disso, uma vez que o contribuinte não ataca diretamente os fundamentos que serviram à decisão que considerou intempestiva a impugnação, isso impede o conhecimento do recurso voluntário interposto. A título de observação, vale transcrever o trecho da peça recursal na qual o próprio contribuinte reconhece a intempestividade da impugnação apresentada: “Diante dos fatos é preciso ressaltar que o erro ocorreu por falta de conhecimento técnico do contribuinte, o qual reconhece desde que teve conhecimento do ocorrido, por uma infelicidade o mesmo acabou perdendo o prazo para uma possível defesa.” Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto, eis que não instaurado o respectivo contencioso administrativo pela impugnação tempestiva. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 60DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 13971.004283/2010-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2403-000.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .0 04 28 3/ 20 10 -1 1 Fl. 553DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13971.004283/201011 Resolução nº 2403000.166 S2C4T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis, Acórdão 0729.855 da 5ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório do acórdão recorrido: DO LANÇAMENTO Por meio do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP (DEBCAD nº 37.300.9887), foi exigido da contribuinte acima qualificada o montante de R$ 433.626,06, consolidado em 24 de setembro de 2010, relativamente às contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados empregados, apurada nas competências de 08/2005 a 12/2009. Consta do Auto De Infração e do Relatório De Procedimento Fiscal (fls.02/32 e 36/41), dentre outras informações, que os lançamentos têm por fato gerador a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais a serviço da autuada, dos quais estavam formalmente registrados como empregados da empresa N&C Indústria e Comércio de Calçados Ltda. CNPJ 05.026.694/000150. Da leitura que se faz no Relatório De Procedimento Fiscal colhese algumas informações, a seguir sintetizadas. 1. As empresas N&C Indústria e Comércio de Calçados Ltda. e C&N Calçados Ltda., foram objeto do procedimento de fiscalização relativamente às contribuições previdenciárias. 2. A N&C constituiu a empresa C&N Calçados Ltda., sob o revestimento de empresa distinta e independente e para tanto, em seus contratos sociais fezse constar sócios interpostos. A partir da constituição da C&N, iniciouse um esvaziamento de empregados da N&C, os quais foram sendo demitidos e em seguida admitidos pela C&N. Assim, encoberto por uma aparente regularidade, sua produção foi sendo totalmente "terceirizada" a titulo de uma pretensa “industrialização por encomenda" pela empresa interposta que, por ser optante pelo SIMPLES, tem suas contribuições substituídas, vantajosamente, pelo sistema de pagamento único sobre o faturamento. 3. Diante das evidências, concluise que a C&N Calçados Ltda. foi criada com a única finalidade de formalizar os registros dos empregados, sendo totalmente controlada pela empresa mãe, a Fl. 554DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13971.004283/201011 Resolução nº 2403000.166 S2C4T3 Fl. 4 3 N&C Ind. e Comércio de Calçados Ltda., e assim eximir essa do pagamento de contribuições previdenciárias e outros tributos. 4. Comprovada que a empresa C&N Calçados Ltda. não possui patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto social, foi emitida a Representação Fiscal para Baixa do seu, CNPJ 05.311.103/000196, através do Processo n° 13971.000174/200801. A autoridade lançadora esclarece que os fatos geradores das contribuições lançadas são as remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais registrados na C&N Calçados Ltda., discriminadas em folhas de pagamento, não declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social (GFIP), devido à informação incorreta no campo referente à opção do Simples, no período de 08/2005 a 12/2009. Diz, ainda, que foram considerados como créditos os valores destinados ao INSS, recolhidos em DARF cód. 6106, nesse período. Informa, também, que foi aplicada a multa no seu percentual máximo (150%), porquanto restou caracterizada a prática de fraude prevista no art. 72 da Lei 4.502/64, bem como que será aplicada a partir da competência 12/2008, uma vez que os citados dispositivos passaram a produzir seus efeitos somente a partir da edição da MP nº 449/2008. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada do Auto de Infração, a interessada apresentou impugnação tempestiva que se encontra às fls. 372/431, mediante procurado regularmente constituído às 356/357, fundamentandose nas razões e direitos a seguir sintetizados. 1 – Da Fiscalização No presente tópico a impugnante apenas se ocupa em relatar as conclusões da auditoria fiscal. 2 Da Configuração Da Decadência Defende que, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial se inicia da data do fato gerador, de acordo com a redação do § 4º, do art. 150, do CTN. Portanto, os fatos geradores ocorridos antes de 28/09/2005 estão alcançados pela decadência. 3 Ilegitimidade Passiva — Nulidade Do Lançamento Tendo Em Vista O Erro Na Identificação Do Sujeito Passivo Sustenta que não há fundamento legal para figurar como contribuinte do lançamento proposto, porquanto não existe vinculação com os segurados formalmente vinculados a C&N Calçados Ltda.. Alega que a C&N produz/fornece também para outras empresas e que toda a relação entre as empresas é as claras, não há estratégias ocultas, nem ilegalidades neste procedimento. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13971.004283/201011 Resolução nº 2403000.166 S2C4T3 Fl. 5 4 Prossegue aduzindo que “(...) caso fosse prevalecer o entendimento da fiscalização, de que falta autonomia, independência à C&N Calçados Ltda., ou ainda que não possui patrimônio e capacidade operacional necessários a realização de seu objeto social, o que somente se admite a titulo de argumentação, caberia neste caso a fiscalização excluir a C&N do SIMPLES, nos termos do art. 29, IV da LC n° 123/2006 (nova redação do disposto no inciso IV do art. 14 da Lei n.° 9.317/96). Após a exclusão da C&N CALÇADOS LTDA. do SIMPLES, caberia, ainda a titulo de argumentação, o lançamento de eventuais tributos contra esta, e quando muito, a Impugnante figuraria apenas como responsável solidária, conforme preceitua o CTN em seus artigos 121 a 124”. 4 Nulidade Do Lançamento Pela Ausência De Fundamento Legal Para O Lançamento Tributário Em Face Da Impugnante Novamente, defende a omissão de fundamento legal que alicerce o lançamento. Diz que a Auditora “tenta convencer que a C&N seria uma empresa de "fachada", ou seja, interposta na contratação de mãodeobra da Impugnante”, considerando, por mera presunção, os empregados da N&C Ind. e Com. de Calçados Ltda. segurados vinculados a C&N Calçados Ltda.. Alega que “não consta do relatório fiscal, nem mesmo do anexo intitulado "FLD FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO", nenhuma fundamentação legal que justifique o lançamento fiscal em face da Impugnante”. 5 Da Atividade Lícita E Transparente Da impugnante E Da C&N Calçados Ltda. E Das Provas Que Esta Possui Patrimônio E Capacidade Operacional Necessária À Realização De Seu Objeto Social Alega ausência de provas concretas para os fatos apontados pela Fiscal, haja vista que apresentou apenas presunção da ocorrência do fato gerador. Esclarece que caberia a C&N Calçados apresentar as provas e fundamentos para os fatos apontados pela fiscalização, uma vez que o lançamento foi equivocadamente efetuado em seu nome. Defende que a fiscalização não fez prova de que realmente controlava a C&N, uma vez que não juntou nos autos provas como assinatura de cheques da C&N pelo Sr. Hermínio, procurações para este, etc... Reforça a afirmativa de que a C&N Calçados Ltda. é totalmente independente e autônoma, e que seus sócios são totalmente distintos e desvinculados, possuindo apenas relação comercial com a mesma. Prossegue esclarecendo que a C&N Calçados Ltda. apura e paga regularmente suas contribuições previdenciárias, na forma de tributação pelo Simples. Relata situações, a seguir sintetizadas, a qual entende que a C&N possui autonomia: Fl. 556DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13971.004283/201011 Resolução nº 2403000.166 S2C4T3 Fl. 6 5 a) a C&N Calçados Ltda. apresentou todos os seus livros e registros contábeis e fiscais, os quais registram suas transações. b) possuiu veículos próprios, um Fiat Fiorino e um ônibus que é utilizado para o transporte de seus empregados. c) possui máquinas utilizadas na fabricação de calçados, devidamente registradas. d) possui contas bancárias junto ao Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, nas quais movimentam seus recursos financeiros e realiza diversas operações como de empréstimos. e) contrata e paga apólice de Seguro de Risco de engenharia, conforme se verifica do contrato. f) adquire e paga suas aquisições de ativo imobilizado e quando não são próprios são respaldados por contratos. g) a sua sede localizase em imóvel locado de sua propriedade conforme se verifica do contrato de locação. E que, embora o imóvel localizarse no mesmo terreno, as sedes são distintas: o parque fabril no galpão locado e a parte administrativa em imóvel ao lado do galpão. h) possui conta de energia e contas de telefone individualizadas e devidamente contabilizadas. i) sua atividade é a fabricação de calçados. j) produz e vende seus produtos a terceiros, como a titulo de exemplo, para as seguintes empresas: Calçados Jahn Ltda., Victor Abreu Calçados Ltda., Calçados Bom Passo Ltda., Carioca Calçados Ltda., Abreu Comércio do Vestuário Ltda., Marcos Abreu Comércio de Calçados Ltda, Arnaldo Gabriel, dentre outras, conforme faz prova os documentos. l) contrata e paga apólice de Seguro de Vida Empresarial para seus empregados. m) os empregados registram seu cartão ponto totalmente independente, inclusive possui contrato de prestação de serviços com a empresa Pontual Informática Ltda., que é responsável pela manutenção do sistema de gerenciamento de Ponto da C&N Ltda.. o) contrata e paga os serviços médicos para atendimento de seus funcionários, bem como os serviços de fonoaudióloga e ainda os serviços de assessoramento técnico em medicina do trabalho. n) possui certificação ambiental (Fatma), bem como os devidos alvarás sanitários, de localização e vistoria do corpo de bombeiros, Esclarece que nas operações de empréstimos quem consta como avalistas nos contratos são os sócios da C&N Calcados Ltda, ou seja, Sr. Osmar e Sra. Teresinha. Levanta o seguinte questionamento: “se fosse admitir que a C&N CALÇADOS LTDA fosse interposta pessoa, porque a Impugnante que é Fl. 557DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13971.004283/201011 Resolução nº 2403000.166 S2C4T3 Fl. 7 6 tributada pelo Lucro Real, adquiriria as máquinas através da C&N, que é tributada pela sistemática do SIMPLES?”. Ressalta que não é o fato de ser filho do sócio da C&N Calçados Ltda., que estar impedido de promover parceria comercial com a mesma. E, ainda, que é uma dos principais clientes da C&N Calçados e não cliente exclusivo, como quis parecer o Fiscal. Por fim, assevera que a fiscalização não poderia desconsiderar as provas aqui referidas e disponibilizadas, uma vez que além de demonstrarem a segregação, autonomia e independência da C&N Calçados Ltda. comprovam que possui patrimônio e capacidade operacional necessária a realização de seu objeto social. 6 – Da Contabilidade Regular Da Impugnante, Bem Como Da C&N Calçados Ltda. Dos Livros Como Prova A Favor Da Impugnante Sustenta que possui livros contábeis e fiscais devidamente registrados na JUCESC, os quais registram todas as suas transações, bem como não há nenhum tipo de confusão entre os livros, registros, documentos, movimentação de recursos, etc. com a C&N Calçados Ltda., haja vista que ambas apuram regularmente seus tributos. Defende que se a contabilidade das empresas não foi desconsiderada os livros contábeis possuem eficácia probatória em seu favor, portanto a fiscalização não tem elementos para considerar a C&N Calçados Ltda. como interposta pessoa. 7 – Nulidade Do Lançamento Pela Ausência Nos Autos De Documentos Mencionados Pela Fiscalização Inexistência Nos Autos De Cópia Integral Do Processo N°13971.000174/200801 Nulidade Pelo Cerceamento De Defesa Esclarece que “a Auditora para justificar o lançamento, estaria se valendo de provas constantes do Processo n°. 13971.000174/200801, no qual estaria supostamente comprovado que a empresa C&N Calçados Ltda. não possui patrimônio e capacidade operacional necessária para realização do seu objeto social”. Todavia, alega que não foi anexado ao presente feito, cópia integral do Processo n°. 13971.000174/200801, de forma a poder exercer o seu direito ao contraditório e ampla defesa. Defende que o referido processo trata da Representação Fiscal para baixa do CNPJ da C&N e não do seu. Por conseguinte não tem como responder por fatos que não lhe diz respeito. Novamente aborda a questão de ausência de fundamento e de provas para os fatos que suportaram o lançamento, bem como que o Processo n°. 13971.000174/200801 não consta dos autos. 8 Nulidade Pela Utilização De Prova Emprestada Sustenta que a utilização do processo n° 13971.000174/200801 torna nulo o lançamento, em vista da impossibilidade de utilização de prova emprestada. Fl. 558DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13971.004283/201011 Resolução nº 2403000.166 S2C4T3 Fl. 8 7 Explica que o STJ vem declarando nulo os lançamentos que se valem de forma indiscriminada de prova emprestada, especialmente quando constitui o único elemento de convicção a respaldar o convencimento do julgador. Relata que cabe a fiscalização intimar o Contribuinte e fazer as diligências de forma a buscar a situação fática atual encontrada pela fiscalização. Todavia, a fiscalização utiliza como único elemento de convicção, supostas diligências realizadas em 2007 constante do referido processo n° 13971.000174/200801. 9 Nulidade Do Lançamento Em Vista Das Inconsistências Da Informação Fiscal Anexa Ao Combatido Auto De Infração Informação Fiscal Prestada No Processo N° 13971.000174/2008 Protesta contra às diligências realizadas a partir de 09.05.2010, apontando vários argumentos que entende serem equivocados. Ressalta que, apesar da importância das supostas constatações, a fiscalização não anexa aos autos nenhuma prova de tais argumentos. Diz que não procede a informação de que "tratase de um único parque fabril, e não existe nenhuma construção AO LADO onde pudesse se instalar outra empresa;", haja vista que possui um contrato locando um imóvel à C&N Calçados Ltda.. Também alega que não procede a informação de que a estrutura das empresas resumese apenas a “um prédio principal onde no térreo estão instalados a recepção e o setor produtivo e no piso superior, que se trata de um mezanino, funciona a parte administrativa e a sala de exposição de produtos fabricados pela empresa C&N”, porquanto sua sede é na parte superior do galpão sendo o acesso único pela parte da frente do imóvel. Já, a C&N esta localizada no mesmo terreno, porém com parque fabril no galpão locado e a parte administrativa em imóvel ao lado do galpão. Assevera que não consta do uniforme dos empregados da C&N Calçados “o logotipo C&N CONTRAMAO, que é o nome de fantasia da N&C”. No tocante ao fato de que “apresentou um livro ponto referente aos anos de 2009 e 2010”;explica que isso vem a comprovar que os empregados da C&N Calçados Ltda. registram seu cartão ponto totalmente independente dos seus empregados. Até porque a C&N possui contrato de prestação de serviços com a empresa Pontual Informática Ltda., que é responsável pela manutenção do sistema de gerenciamento de Ponto. Sustenta que a Auditora não documentou as situações relatas, sequer há fotos registrando. Alega que há uma insistência da Fiscal em tentar impor suas presunções desacompanhadas de qualquer meio probatório e que isso fica claro quando afirma que "Foram entrevistados alguns empregados das empresas envolvidas, onde a grande maioria (entrevistas anexas) Fl. 559DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13971.004283/201011 Resolução nº 2403000.166 S2C4T3 Fl. 9 8 afirma que o Sr. Osmar raramente vai até a empresa e outros nem sabem quem ele é”, fato que não concorda. Esclarece que foram entrevistados mais de 30 empregados da C&N, e estes informaram que o dono da C&N era o Sr. Osmar e da N&C o Sr.Hermínio. Portanto, eles não informaram que "o Sr. Osmar raramente vai até a empresa", mas sim que "o Sr. Osmar vai de vez em quando na empresa", o que representa dizer que atualmente o Sr. Osmar comparece com menos freqüência na empresa, o que é diferente de "raramente" como afirma a Fiscal. Quanto à afirmação de "que a empresa não possui equipamentos de informática e nem móveis e utensílios, itens importantes para o funcionamento de suas atividades", alega que não é verdade. Explica que os equipamentos de informática e móveis não são atuais, e que foram cedidos pelo sócio, motivo pelo qual não constam da contabilidade da C&N. Em relação à presunção de que na ‘relação PESSOAL X FATURAMENTO a empresa vem mantendo a mesma situação descrita no item 2.1.9, ou seja, apesar do incremento anual do faturamento da N&C, a sua média de empregados em relação a sua produção continuou diminuindo a cada ano, enquanto a C&N aumentou seu quadro funcional”, diz que não há nada de anormal ou irregular na análise proferida pela fiscalização. Explica que vem mantendo em seus quadros o mesmo número de empregados, proporcional ao faturamento em torno de 5 milhões/ano, e sempre contando de 12 a 14 empregados, pois direciona suas atividades para a parte comercial, não necessitando de um número maior de empregados, enquanto que a C&N tem suas atividades diretamente relacionadas à produção, o número de empregados oscila de acordo com a necessidade. Esclarece, ainda, que seu faturamento se manteve estável desde 2005, não justificando aumento do número de empregados e que a C&N, de 2005 a 2009, também não teve grandes alterações no número de empregados. Da mesma forma defende que não procede a afirmação que "o esvaziamento de pessoal da N&C, continua sendo praticada pela empresa, ou seja, aumenta o número de empregados da C&N e diminui na N&C'. Alega que a Auditora apresenta quadros constando períodos desde 2002, mas que no período objeto do lançamento não houve nenhum esvaziamento. Contesta a afirmação da fiscalização de que "todo o faturamento (receita bruta) da empresa C&N CALÇADOS LTDA (optante do Simples) continua sendo resultante de serviços prestados, EXCLUSIVAMENTE, para a empresa N&C INDUSTRIA E COMÉRCIO DE CALÇADOS LTDA", pois é a principal cliente da N&C Calçados e não o cliente exclusivo. Defende que a Fiscal deveria ter submetido o contrato original à perícia e não ter insinuado que estaria eivado de irregularidade por Fl. 560DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13971.004283/201011 Resolução nº 2403000.166 S2C4T3 Fl. 10 9 supostamente não apresentar “as características de deterioração causadas pelo tempo”. Entende que se a C&N Calçados afrontou a Lei do Simples por exercer atividade vedada prestar serviços com locação de mão de obra o que somente se admite a titulo de argumentação, caberia a fiscalização excluíla do referido regime de tributação especial e lançar contra a mesma os eventuais tributos, e quando muito, a impugnante figuraria como responsável solidária. No tocante ao comprovante de pagamento de títulos da JRS Editora e um termo de audiência trabalhista da C&N, dois elementos de provas utilizado pela Auditora, esclarece que o título foi emitido equivocadamente pelo fornecedor em nome da C&N quando o correto seria em seu nome e que na ata trabalhista houve uma pequena confusão no momento da sua elaboração. Segue refutando alguns pontos da informação fiscal, defendendo alguns respostas do Sr. Osmar aos questionamentos da Fiscal. Diz que não faz sentido exigir que o Sr. Osmar pudesse precisar todos os números questionados. Em relação à resposta de que a C&N Calçados "foi criada com o intuito de ajudar a N&C Indústria e Comércio de Calçados Ltda. (contramão), tanto é que até colocaram nomes parecidos", o que o Sr. Osmar estava tentando esclarecer é que a C&N poderia colaborar com a impugnante, produzindo para essa e também para outras empresas. Não existindo nessa declaração nenhuma conotação no sentido de colaborar para reduzir eventual custo tributário. Defende, ao contrário do afirmado pela Auditora que “estas informações prestadas tinham conotação de que foram decoradas” – que o Sr. Osmar tem conhecimento e uma visão clara do seu negócio. 10 – Da nulidade do lançamento em vista da desconsideração da personalidade jurídica da c&n calçados ltda. Em total inobservância à lei. Sustenta que a Auditora não tem a prerrogativa de determinar a anulação ou desconsideração latu sensu da personalidade jurídica da empresa mencionada. Diz que a desconsideração carece de procedimento especial mediante processo judicial. Ou seja, esta figura jurídica pretendida pela fiscalização reclama ordem judicial a autorizar a adoção do procedimento Faz referência a doutrina no sentido de que não há solução legislada especifica para amparar o entendimento da Auditora. Aduz que se impõe percorrer a via judicial para descaracterizar a personalidade jurídica, após profunda análise das provas carreadas. 11 Da Obrigação Da Fiscalização Em Buscar A Verdade Material Sustenta que a Fiscal desprezou o princípio da verdade material, pois se baseia somente de presunções desprovidas de meio probatório válido e amparo técnico necessários. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13971.004283/201011 Resolução nº 2403000.166 S2C4T3 Fl. 11 10 Esclarece que a busca da verdade material se constitui em verdadeira obrigação da autoridade fiscal, devendo essa averiguar se a situação informada pela empresa corresponde à realidade, e não simplesmente desclassificar processo empresarial legitimo e extremamente difundido no meio empresarial, com base em meras suposições. 12 Da Indevida Representação Fiscal Para Fins Penais (RFFP) —Da Inexistência De Crime Contra Ordem Tributaria Aduz, pela simples leitura do dispositivo que fundamentou a RFFP, que labora em grave erro a Auditora, em vez que para caracterizar a conduta típica do referido dispositivo fazse necessário a supressão ou redução da contribuição social previdenciária associada a omissão (não menção) de receitas ou lucros auferidos, remunerações pagas ou creditadas e outros fatos geradores de contribuições previdenciárias. Diz que não houve omissão de receitas, remunerações pagas ou creditadas e outros fatos geradores de contribuições previdenciárias, pois, assim como a C&N Calçados, declara toda a receita e informa todos os seus empregados. Sustenta que é dever da fiscalização demonstrar minuciosamente os fatos e as provas hábeis e idôneas que denotem o dolo ou o evidente intuito de fraude, ou sonegação praticado pela Impugnante, o que não o fez porque inexistem. Defende que todas as solicitações de documentos e informações foram atendidas, tendo sempre agido às claras. Alega que não há de se falar em ilícito tributário, justificador de representação fiscal para fins penais, quando não comprovada a conduta dolosa caracterizadora da sonegação. E, conforme amplamente exposto na presente impugnação, nenhum valor é devido a titulo de contribuição previdenciária. 13 Da Improcedência Da Aplicação Da Multa, Especialmente Agravada, Haja Vista A Ausência Dos Pressupostos Autorizadores De Sua Imposição Inexistência De Dolo E Da Alegada Fraude Em relação à multa aplicada a autoridade fiscal aplicou a multa qualificada por entender que houve simulação na" (...) contratação de empregados pela N&C IND. E COMÉRCIO DE CALÇADOS LTDA através de interposta pessoa jurídica (C&N CALÇADOS LTDA), constituída em separado para ser optante pelo SIMPLES e com o objetivo de afastar as contribuições patronais destinadas é seguridade social". Todavia, esclarece que o que autoriza o agravamento da penalidade, do ponto de vista fiscal, é o dolo, o qual não está presente na conduta da autuada. Assevera que não há como considerar que tenha cometido alguma conduta dolosa que possa caracterizar fraude, e ainda que se admita que a C&N Calçados Ltda. tenha interpretado erroneamente a legislação adotando como forma de tributação o SIMPLES, o certo é que não se trata de inadimplemento fraudulento. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13971.004283/201011 Resolução nº 2403000.166 S2C4T3 Fl. 12 11 Prossegue colacionando vários julgados no sentido da exigência da multa qualificada somente nos casos de evidente intuito de fraude devidamente comprovada. Saliente que não há de se cogitar da existência de fraude, sonegação, quando foi disponibilizado à fiscalização, e esta teve em seu poder, todos os documentos e elementos necessários para o lançamento. Contesta a aplicação da multa agravada por presunção de conduta fraudulenta, pois somente se justifica a aplicação da multa agravada através da sonegação de informações, falsidade de informações e falsidade ideológica. Conclui, que tendo em vista a falta de produção segura e inequívoca de elementos que comprovem a fraude e sonegação, mediante conduta dolosa, nada mais justo que, se devidos forem os tributos objeto da fiscalização, o que se admite somente a titulo de argumentação, que não se aplique a multa agravada. Por fim, requer a aplicação do principio in dúbio pro réu, nos termos do art. 112 do CTN . 14 Do Pedido Diante de todo o exposto, requer: a) que o procedimento fiscal, pelos vícios que contém, seja considerado nulo, e em conseqüência, seja tornado insubsistente e nulo os Autos de Infração, pelo exame do mérito aqui argüido. b) na improvável hipótese de manutenção do lançamento, o que se admite a titulo de argumentação, requer se alternativamente, seja reconhecida a decadência dos períodos anteriores a 28.09.2005, posto que o lançamento do referido crédito ocorrerá tão somente em 28 de setembro de 2.010. c) que seja afastada a Multa aplicada indevidamente. d) a concessão de produção de todos os meios de prova em direito admitidas, especialmente a documental inclusa, pericial, bem como as demais que se fizerem necessárias, e ainda, a concessão de curto espaço de tempo para juntada de novos documentos que se façam necessários. e) que todas as intimações relativas a presente defesa, sejam encaminhadas aos advogados que a esta subscrevem, com endereço na rua Dr. Amadeu da Luz, n.° 100, salas 901 e 903, Centro, Blumenau — SC, CEP 89010160. É o relatório. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega/questiona, em síntese, que: · Decadência. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13971.004283/201011 Resolução nº 2403000.166 S2C4T3 Fl. 13 12 · Nulidade. Decisão recorrida não enfrentou a questão da contabilidade. · Nulidade. Erro na identificação do sujeito passivo. · Ausência de fundamentação legal. · Regularidade das operações. · Nulidade. Cerceamento de defesa. Ausência de cópia integral do processo 13971.000174/200801. · Desconsideração da personalidade jurídica. · Obrigação da busca da verdade material. · Representação Fiscal para Fins Penais. · Multa. Ausência de dolo e fraude. É o relatório Fl. 564DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13971.004283/201011 Resolução nº 2403000.166 S2C4T3 Fl. 14 13 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator. O Relatório Fiscal e a decisão recorrida fazem menção ao seguinte processo: PROCESSO N°: 13971.000174/200801 INTERESSADA: C & N CALÇADOS LTDA ASSUNTO: REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA INAPTIDÃO DE CNPJ Relatório Fiscal: 2 — Com base em auditorias fiscais desenvolvidas nas empresas N & C INDUSTRIA E COMÉRCIO DE CALÇADOS LTDA e C & N CALÇADOS LTDA, localizadas no mesmo endereço, ou seja, Av. Valério Gomes, 85, Centro em São João Batista, foi emitida a Representação Fiscal para Baixa de CNPJ (cópia anexa) da C & N CALÇADOS LIDA, CNPJ 05.311.103/000196, através do Processo n° 13971.0001741200801, a partir de 20/09/2002. Ficou comprovado que a empresa C & N • CALÇADOS LTDA não possui patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto social. Foi constituída em nome do Sr. OSMAR ATHANAZIO DOS SANTOS e da Sra. TEREZINHA NUNES DOS SANTOS, pais do Sr. Herminio Osmar dos Santos, sócio administrador da N & C IND. E COMÉRCIO DE CALÇADOS LTDA.. Tal processo guarda estreita relação com o lançamento aqui discutido. Para bom seguimento deste julgamento, entendo necessário saber do resultado do Processo n° 13971.000174/200801. CONCLUSÃO Voto por baixar o processo em diligência para que a Delegacia de origem informe acerca do resultado do Processo n° 13971.000174/200801. Fl. 565DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13971.004283/201011 Resolução nº 2403000.166 S2C4T3 Fl. 15 14 Do resultado da diligência devese dar ciência à recorrente oportunizando tempo para manifestação. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 566DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10630.902946/2009-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 19/05/2000
ADMINISTRAÇÃO. CONSTITUCIONALIDADE. LEIS.
Não cabe à autoridade administrativa julgar os atos legais quanto ao aspecto de sua constitucionalidade por transbordar os limites de sua competência. Á ela cabe dar cumprimento ao ordenamento jurídico vigente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.344
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 28/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 19/05/2000 ADMINISTRAÇÃO. CONSTITUCIONALIDADE. LEIS. Não cabe à autoridade administrativa julgar os atos legais quanto ao aspecto de sua constitucionalidade por transbordar os limites de sua competência. Á ela cabe dar cumprimento ao ordenamento jurídico vigente. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 28/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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CONSTITUCIONALIDADE. LEIS. Não cabe à autoridade administrativa julgar os atos legais quanto ao aspecto de sua constitucionalidade por transbordar os limites de sua competência. Á ela cabe dar cumprimento ao ordenamento jurídico vigente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 28/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 90 29 46 /2 00 9- 96 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10630.902946/200996 Acórdão n.º 3302002.344 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório No dia 14/09/2006 a empresa Recorrente transmitiu PER/DCOMP pleiteando a restituição integral da Cofins do período de apuração de 29/02/2000, paga no dia 19/05/2000, e declarando a compensação de débito de IRRF. A DRF de origem indeferiu o pedido de restituição, e não homologou a compensação declarada, alegando que o Darf indicado no Pedido de Restituição fora integralmente aproveitado para liquidar débito regularmente declarado em DCTF, conforme Despacho Decisório de 25/05/2009. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com manifestação de inconformidade, cujas alegações foram resumidas pela decisão recorrida nos seguintes termos: a decisão emanada pela Delegacia de origem é contrária à legislação, em face de inexistência de instância intermediária, concluindose pela nulidade dessa decisão; o art. 6º da Lei Complementar n° 70/91 isentou do pagamento da Cofins as sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos a profissão legalmente regulamentada, não podendo a lei ordinária, qual seja, a Lei n° 9.430/96. revogar tal isenção; sobre o assunto o STJ editou a Súmula n° 276: "As sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas da COFINS, sendo irrelevante o regime tributário adotado"; a isenção de tais sociedades, como a interessada, são reconhecidas tanto judicialmente como administrativamente, não havendo ainda no presente processo julgamento em última instância; segundo a legislação que rege a matéria, a compensação com outros tributos e contribuições administrados pela RFB é direito inarredável, uma vez que legítimo o direito da recorrente de se apropriar do crédito decorrente do pagamento indevido ou a maior; diante do fato de as compensações e os pedidos de restituição que as originou terem sido protocoladas anteriormente à publicação da Lei Complementar n.° 118/2005, não resta dúvida quanto ao direito à restituição da Cofins, recolhida nos últimos 10 anos pela contribuinte, uma vez que o tributo estava sujeito ao lançamento por homologação; o débito levado à compensação é inexigível em face do implemento de condição suspensiva de exigibilidade do crédito tributário, sendo ilegal qualquer atitude do Fisco no sentido de coagir a contribuinte a proceder o recolhimento de tais valores, seja por meio de cobrança, ou impossibilitando a mesma de obter a CND, fundamental para seus negócios; não olvidando que o direito ora pleiteado é líquido e certo, requer, provimento integral da manifestação de inconformidade, para reformar a decisão da Delegacia de origem, conforme demonstradas as decisões favoráveis aos contribuintes, homologando todas as compensações efetuadas. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10630.902946/200996 Acórdão n.º 3302002.344 S3C3T2 Fl. 4 3 A 1a Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora MG indeferiu a solicitação da Recorrente, nos termos do Acórdão no 0934.941, de 12/05/2011, cuja ementa está abaixo reproduzida. CONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. Falece competência à autoridade julgadora de instância administrativa para a apreciação de aspectos relacionados com a constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias, tarefa privativa do Poder Judiciário. ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. REVOGAÇÃO. A isenção da Cofins que beneficiava as sociedades civis de profissão legalmente regulamentada, prevista na Lei Complementar n° 70. de 1991, deixou de vigorar com a publicação da Lei n° 9.430. de 1996. DCOMP. CRÉDITO INEXISTENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovado nos autos que o crédito informado como suporte para a compensação foi integralmente utilizado pela contribuinte na extinção de outros débitos, não se homologam as compensações declaradas. A empresa Recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 31/05/2012, conforme AR, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 25/06/2012, com Recurso Voluntário, no qual discorre sobre princípios constitucionais aplicáveis à administração pública e sobre a inconstitucionalidade da revogação da isenção da Cofins por meio de lei ordinária. Com relação ao débito, cuja compensação não foi homologada, a Recorrente noticia que o mesmo foi incluído no parcelamento regido pela Lei nº 11.941/09. Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende às demais disposições legais. Dele se conhece. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10630.902946/200996 Acórdão n.º 3302002.344 S3C3T2 Fl. 5 4 Como relatado, o presente processo trata de pedido de restituição de Cofins, combinado com declaração de compensação de débito de IRRF. O crédito pleiteado não foi reconhecido porque o pagamento está alocado a débito regularmente declarado em DCTF. Conseqüentemente, a compensação declarada não foi homologada. Na Manifestação de Inconformidade a Recorrente alega inconstitucionalidade da Lei nº 9.430/96, que revogou a isenção da Cofins das sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos a profissão legalmente regulamentada, prevista na Lei Complementar nº 70/91. A decisão recorrida não conheceu dos argumentos de inconstitucionalidade e manteve o Despacho Decisório que não reconheceu o crédito pleiteado e, conseqüentemente, não homologou a compensação declarada. No Recurso Voluntário, a empresa Recorrente discorre sobre princípios constitucionais aplicáveis à administração pública para concluir pelo direito ao crédito pleiteado e, ainda, informa que o débito foi incluído no parcelamento da Lei nº 11.941/09. Quanto aos argumentos de inconstitucionalidade da Lei nº 9.430/96 e da obrigação da Administração Tributária de os apreciar, a decisão recorrida disse bem que o Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (CARF), em sessão realizada no dia 08/12/2009, decidiu que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário (Constituição Federal, art. 102, I, “a” e III, “b”, art. 103, § 2o; Emenda Constitucional no 3/1993). Tal decisão resultou na edição da Súmula no 2, abaixo reproduzida, cuja adoção é obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do § 4º do art. 72 do Regimento Interno do CARF1: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sobre o direito ao crédito propriamente dito, a empresa Recorrente não trouxe outro argumento, além da suposta inconstitucionalidade da Lei nº 9.430/96. Quanto à notícia do parcelamento do débito de IRRF, cuja compensação foi declarada e não foi homologada, diferentemente do entendimento esposado em outros recursos da mesma empresa Recorrente, e com o mesmo objeto, proferido pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, a exemplo do Acórdão nº 3802001.513, de 29/01/2013 (Processo nº 10630.902947/200931), entendo que não ocorreu renúncia ao recurso voluntário, relativamente ao crédito pleiteado. Isto porque a discussão do direito ao crédito pleiteado não depende do débito que foi compensado e declarado à RFB. O pagamento ou o parcelamento deste não afeta o direito ao crédito. 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. [...] § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10630.902946/200996 Acórdão n.º 3302002.344 S3C3T2 Fl. 6 5 No caso dos autos, está provado a inexistência do crédito pleiteado, razão pela qual não há reformas a fazer na decisão recorrida, cujos fundamentos adoto supletivamente (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19992). Isto posto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator 2 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.720582/2011-89
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO A RENDIMENTOS RECEBIDOS ANTERIORMENTE À COMPROVAÇÃO DA DOENÇA POR DOCUMENTO HÁBIL.
A isenção de imposto de renda dos rendimentos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios, aplica-se somente a partir do mês em que o laudo pericial indicar como de início da doença, ou na falta dessa indicação, a data de emissão do laudo.
IRPF. AJUSTE ANUAL. PAGAMENTO DE COTAS CONFORME DECLARAÇÃO ORIGINAL. PAGAMENTO DAS COTAS CONFORME DECLARAÇÃO ORIGINAL. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO COM BASE EM RETIFICADORA QUE REDUZIU VALOR DO SALDO DO IMPOSTO A PAGAR. RETIFICAÇÃO DO VALOR DO IMPOSTO LANÇADO DE OFÍCIO PARA APROVEITAMENTO INTEGRAL DOS PAGAMENTOS. CABIMENTO.
O valor do imposto a pagar declarado e pago deve ser computado para reduzir o valor do imposto suplementar, ainda que haja posterior entrega de declaração retificadora que reduziu o valor do saldo do imposto a pagar. Deve ser corrigido o cálculo do imposto suplementar lançado de ofício que, ao computar o valor de saldo de imposto a pagar declarado na retificadora, acabou por não aproveitar integralmente os pagamento efetuados antes da autuação.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para retificar o valor do imposto suplementar apurado de ofício com a alteração do "Saldo do Imposto a Pagar Declarado/Calculado" (fls. 23) para R$37.335,44 (trinta e sete mil, trezentos e trinta e cinco reais e quarenta centavos), nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 19/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO A RENDIMENTOS RECEBIDOS ANTERIORMENTE À COMPROVAÇÃO DA DOENÇA POR DOCUMENTO HÁBIL. A isenção de imposto de renda dos rendimentos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios, aplica-se somente a partir do mês em que o laudo pericial indicar como de início da doença, ou na falta dessa indicação, a data de emissão do laudo. IRPF. AJUSTE ANUAL. PAGAMENTO DE COTAS CONFORME DECLARAÇÃO ORIGINAL. PAGAMENTO DAS COTAS CONFORME DECLARAÇÃO ORIGINAL. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO COM BASE EM RETIFICADORA QUE REDUZIU VALOR DO SALDO DO IMPOSTO A PAGAR. RETIFICAÇÃO DO VALOR DO IMPOSTO LANÇADO DE OFÍCIO PARA APROVEITAMENTO INTEGRAL DOS PAGAMENTOS. CABIMENTO. O valor do imposto a pagar declarado e pago deve ser computado para reduzir o valor do imposto suplementar, ainda que haja posterior entrega de declaração retificadora que reduziu o valor do saldo do imposto a pagar. Deve ser corrigido o cálculo do imposto suplementar lançado de ofício que, ao computar o valor de saldo de imposto a pagar declarado na retificadora, acabou por não aproveitar integralmente os pagamento efetuados antes da autuação. Recurso provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para retificar o valor do imposto suplementar apurado de ofício com a alteração do "Saldo do Imposto a Pagar Declarado/Calculado" (fls. 23) para R$37.335,44 (trinta e sete mil, trezentos e trinta e cinco reais e quarenta centavos), nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 19/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández.
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MOLÉSTIA GRAVE. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO A RENDIMENTOS RECEBIDOS ANTERIORMENTE À COMPROVAÇÃO DA DOENÇA POR DOCUMENTO HÁBIL. A isenção de imposto de renda dos rendimentos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios, aplicase somente a partir do mês em que o laudo pericial indicar como de início da doença, ou na falta dessa indicação, a data de emissão do laudo. IRPF. AJUSTE ANUAL. PAGAMENTO DE COTAS CONFORME DECLARAÇÃO ORIGINAL. PAGAMENTO DAS COTAS CONFORME DECLARAÇÃO ORIGINAL. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO COM BASE EM RETIFICADORA QUE REDUZIU VALOR DO SALDO DO IMPOSTO A PAGAR. RETIFICAÇÃO DO VALOR DO IMPOSTO LANÇADO DE OFÍCIO PARA APROVEITAMENTO INTEGRAL DOS PAGAMENTOS. CABIMENTO. O valor do imposto a pagar declarado e pago deve ser computado para reduzir o valor do imposto suplementar, ainda que haja posterior entrega de declaração retificadora que reduziu o valor do saldo do imposto a pagar. Deve ser corrigido o cálculo do imposto suplementar lançado de ofício que, ao computar o valor de saldo de imposto a pagar declarado na retificadora, acabou por não aproveitar integralmente os pagamento efetuados antes da autuação. Recurso provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 05 82 /2 01 1- 89 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para retificar o valor do imposto suplementar apurado de ofício com a alteração do "Saldo do Imposto a Pagar Declarado/Calculado" (fls. 23) para R$37.335,44 (trinta e sete mil, trezentos e trinta e cinco reais e quarenta centavos), nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 19/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández. Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão da 8ª Turma da DRJ Porto Alegre que declarou não impugnada a omissão de rendimentos de aluguéis e indeferiu a impugnação sob fundamento de que a isenção aplicada aos proventos de aposentadoria ou pensão somente alcança os rendimentos recebidos a partir da data em que a doença foi contraída, identificada em Laudo Pericial emitido por serviço médico oficial, de maneira que atestado médico (fls. 72) sem a citada característica não atende ao requisito legal, ao passo que o Laudo Pericial da Previdência Social (fls. 25) não assegura a isenção no anocalendário da autuação, pois atesta o início da doença em 20/04/2007. A recorrente sustenta que a doença grave foi atestada a partir de 20 de abril de 2007 conforme documentação anexada, que o acórdão recorrido não reconheceu que todos os pagamentos foram efetuados, os quais estão comprovados pelas cópias de DARF anexadas e que a restituição independe de retificação da Declaração de Ajuste Anual Ciência em 24/08/2011. Protocolo do Recurso Voluntário em 23/09/2011. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.720582/201189 Acórdão n.º 2802002.511 S2TE02 Fl. 122 3 O Laudo Médico Pericial emitido em 27/01/2011, pelo Subsistema Integrado de Atenção à Saúde do Servidor – IASSS da Universidade Federal do Rio Grande do Sul atesta (fls. 110) atesta o diagnóstico de neoplasia maligna em 20/04/2007. A isenção do imposto de renda sobre os proventos de aposentadoria ou pensão somente é aplicável aos rendimentos auferidos a contar da data em que Laudo Médico Oficial atesta a presença da doença prevista no texto legal. O recorrente requer o reconhecimento da isenção em relação aos rendimentos do anocalendário 2006 com base no Laudo que atesta a doença a contar de 20/04/2007, o que contraria a exegese do dispositivo legal (art. 6º, inciso XIV da Lei 7.713/1988). O recorrente sustenta que os pagamentos efetuados não foram computados e junta cópia de DARF que indica o pagamento de 8 cotas do IRPF com valor do principal de R$4.666,93, o que totaliza R$37.335,44. Após arredondamento, este valor é o “saldo do imposto a pagar” informado na Declaração de Ajuste Anual original, qual seja R$37.335,50 (fls. 35). Entretanto, o lançamento baseouse na declaração retificadora em que a contribuinte informou imposto a pagar de R$25.038,31 (fls. 28). Esse foi o valor computado no item 14 do Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido da notificação de lançamento (fls. 23). O valor do imposto a pagar declarado e pago deve ser computado para reduzir o valor do imposto suplementar, ainda que haja entrega de declaração retificadora que reduziu o valor do saldo do imposto a pagar (antes do lançamento). Deve ser corrigido o cálculo do imposto suplementar lançado de ofício que, ao computar o valor de saldo de imposto a pagar declarado na retificadora, acabou por não aproveitar integralmente os pagamento efetuados antes da autuação. O contribuinte não tem direito à isenção no anocalendário 2006 e consequentemente não tem direito à restituição pleiteada, entretanto o lançamento deve ser corrigido no que diz respeito ao valor que deve ser computado como “Saldo do Imposto a Pagar Declarado/Calculado” que deve ser alterado para R$37.335,44 pelas razões expostas acima. Em suma, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para retificar o valor do imposto suplementar apurado de ofício com a alteração do “Saldo do Imposto a Pagar Declarado/Calculado” (fls. 23) para R$37.335,44 (trinta e sete mil, trezentos e trinta e cinco reais e quarenta centavos). (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 123DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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