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Numero do processo: 10580.726306/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Feb 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
Ementa:
NULIDADE. LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade da exigência.
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV.
Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial e, por essa razão, estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda.
ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI.
Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda (art. 176 do CTN).
IRPF. MULTA. EXCLUSÃO.
Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos.
Numero da decisão: 2201-001.763
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares arguidas pelo recorrente. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE (Relator) e RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA, que deram provimento integral, e PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao mérito o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Redator ad hoc.
EDITADO EM: 15/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Eduardo Tadeu Farah, Rayana Alves de Oliveira França, Rodrigo Santos Masset Lacombe (Relator), Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
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LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade da exigência. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial e, por essa razão, estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda (art. 176 do CTN). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 63 06 /2 00 9- 14 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares arguidas pelo recorrente. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE (Relator) e RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA, que deram provimento integral, e PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao mérito o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Redator ad hoc. EDITADO EM: 15/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Eduardo Tadeu Farah, Rayana Alves de Oliveira França, Rodrigo Santos Masset Lacombe (Relator), Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Adoto o relatório de primeira instância por bem traduzir os fatos da presente lide até aquela decisão. Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 140.161,54, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em Fl. 141DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.726306/200914 Acórdão n.º 2201001.763 S2C2T1 Fl. 3 3 atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) segundo a legislação que regulamenta o imposto de renda, caberia à fonte pagadora, no caso o Estado da Bahia, e não ao autuado, o dever de retenção do referido tributo. Portanto, se a fonte pagadora não fez tal retenção, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; c) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício, pois o autuado teria cometido erro escusável em razão de ter seguido orientações da fonte pagadora; d) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB; e) o lançamento fiscal seria nulo por ter tributado de forma isolada os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar a totalidade dos rendimentos e deduções cabíveis; f) ainda que o valor decorrente do recebimento da URV em atraso fosse considerado como tributável, não caberia tributar os juros incidentes sobre ele, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) em razão da distribuição constitucional das receitas, todo o montante que fosse arrecado a título de imposto de renda incidente sobre os valores pagos a título de URV teriam como destinatário o próprio Estado da Bahia. Assim, se este último classificou legalmente tais pagamentos como indenização, foi porque renunciou ao recebimento; h) é pacífico que a União é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da relação processual nos casos em que o servidor deseja obter judicialmente a isenção ou a não incidência do IRRF, posto que além de competir ao Estado tal retenção, é dele a renda proveniente de tal recolhimento. Pelo mesmo motivo, poderia concluir se que a União é parte ilegítima para exigir o referido imposto se o Estado não fizer tal retenção; i) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Fl. 142DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; j) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos Magistrados Federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo não sofre a incidência do imposto de renda. Assim, tributar estes mesmos valores recebidos pelos Magistrados Estaduais constitui violação ao princípio constitucional da isonomia. A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância em 22/07/2010 (efl. 134), Jose de Almeida Ramos Neto interpôs, em 07/08/2010, o Recurso Voluntário de efls. 97/133, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. O Recurso Voluntário foi julgado em 14/08/2012, porém o Conselheiro Relator renunciou ao mandato sem formalizar o respectivo acórdão, razão pela qual foi necessária a designação de Redator ad hoc, conforme o art. 17, inciso III, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 2009 (Despacho de efl. 139). É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah – Redator ad hoc O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Preliminares Ilegitimidade da União Federal Quanto à alegada ilegitimidade ativa para exigir o tributo, penso que o inciso III do art. 153 da Constituição Federal atribui a União competência exclusiva para legislar sobre imposto de renda e proventos de qualquer natureza. Assim, em que pese o produto da arrecadação do IRRF pertencer ao Estado da Bahia, tal fato não tem o condão de alterar a Fl. 143DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.726306/200914 Acórdão n.º 2201001.763 S2C2T1 Fl. 4 5 competência da União relativa ao Imposto sobre a Renda, conforme prevê o parágrafo único do art. 6º do Código Tributário Nacional (CTN). Além do mais, não procede a alegação de que a União não poderia exigir o imposto pela falta de retenção do Estado da Bahia, pois o contribuinte, na qualidade de beneficiário dos rendimentos, não pode se furtar da tributação do imposto. A lei ao disciplinar a elaboração da Declaração Anual de Ajuste determina expressamente a inclusão na base de cálculo do imposto de todos os rendimentos recebidos no ano, independentemente de ter ou não havido retenção do imposto na fonte (arts. 7º e 8º da Lei nº 9.250/1995). É nesse sentido a Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Dessarte, imprópria a tentativa de vincular a responsabilidade tributária tão só ao Estado da Bahia. Nulidade o Lançamento – Constituição Inadequada da Exigência Em relação à arguição de nulidade na constituição do lançamento, conforme se infere dos autos, efls. 02/11, como se trata de rendimentos recebidos acumuladamente, os cálculos foram efetuados levando em consideração as tabelas e alíquotas das épocas própria a que se referem os rendimentos, conforme determinou o Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Ademais, não é o caso de se aplicar a alíquota considerando apenas o valor das diferenças recebidas, pois o contribuinte já estava sujeito à alíquota máxima e o lançamento se refere a imposto devido no ajuste anual. Portanto, comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. Encerrada a apreciação das questões preliminares, passase ao exame do mérito. Mérito No mérito, verifico que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV” advêm de diferenças salariais ocorridas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real. Logo, as verbas recebidas visam recompor parte do salário e, nesse sentido, configurase fato gerador do tributo, pois se trata de aquisição de disponibilidade econômica de renda, conforme prevê o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: Fl. 144DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Portanto, a definição prevista no art. 43 do CTN se subsume ao caso em questão, isso porque as quantias percebidas pelo contribuinte de fato constitui produto do trabalho (salário). Quanto à alegada afronta ao princípio constitucional da isonomia, percebo que a Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245, de 2002, conferiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável apenas aos Magistrados do Poder Judiciário Federal e, posteriormente, aos membros do Ministério Público da União (Lei nº 9.655/1998 e Lei nº 10.474/2002). Nesse caso, não há como estender o entendimento a outros contribuintes, haja vista inexistir lei federal determinando o mesmo tratamento tributário (inciso II do art. 111 do CTN). Pensar diferente implicaria na concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º do art. 150 da CF e art. 176 do CTN. Ressaltese que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN/Nº 529/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, também reconheceu a natureza indenizatória do abono apenas aos Magistrados da União, respeitando a interpretação do STF. Dessarte, pelos fundamentos expostos, entendo que a verba em exame deve ser tributada. No que tange à imposição da multa de ofício, penso que deve ser excluída, pois o sujeito passivo foi de fato induzido ao erro pela fonte pagadora. É cediço que o comprovante de rendimento elaborado pela fonte pagadora classificou a verba como rendimentos isentos e não tributáveis e, ao apresentar sua Declaração de Ajuste, o sujeito passivo meramente copiou os dados constantes do comprovante, acreditando estar agindo de forma correta. Assim, se houve erro no apontamento da natureza dos rendimentos tributáveis auferidos, esse erro não foi provocado pelo contribuinte. Desse modo, deve ser excluída a multa de ofício aplicada ao lançamento em exame. Em relação à incidência do imposto de renda sobre juros de mora, penso que não é o caso de se utilizar a sistemática prevista no art. 62A do Anexo II do RICARF (art. 543C do Código de Processo Civil – CPC), pois a matéria aqui tratada não é exatamente igual a decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Confira a ementa do Resp. nº 1227133/RS: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.726306/200914 Acórdão n.º 2201001.763 S2C2T1 Fl. 5 7 – Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Com efeito, o STJ reconheceu a não incidência de imposto de renda sobre juros de mora legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em despedida ou rescisão do contrato de trabalho, bem como incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do Imposto de Renda. Nessas condições penso que não merece acolhida a pretensão da defesa. Ante o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir a aplicação da multa de ofício. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Redator ad hoc (Despacho de efl. 139) Fl. 146DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10580.726306/200914 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201001.763. Brasília/DF, 14 de agosto de 2012 Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 147DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10120.902085/2008-15
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 10/04/1999
IMPOSTO RENDA RETIDO NA FONTE. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO COM IRPJ. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
A homologação de compensação de débito fiscal efetuado pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de declaração de compensação (DCOMP), está condicionada a certeza e liquidez do crédito utilizado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
José Valdemir da Silva Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Pasdchoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Mário Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: JOSE VALDEMIR DA SILVA
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PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO COM IRPJ. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal efetuado pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de declaração de compensação (DCOMP), está condicionada a certeza e liquidez do crédito utilizado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Pasdchoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Mário Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 20 85 /2 00 8- 15 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/01/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10120.902085/200815 Acórdão n.º 2801003.273 S2TE01 Fl. 99 2 Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/BSB. Por bem descrever os fatos, adotase o relatório da decisão recorrida: Tratase o presente processo da Declaração de Compensação (DCOMP) de n° 23028.19753.190504.1.3.048388, transmitida eletronicamente em 19/05/2004, com base em créditos relativos ao Imposto de Renda Retido na Fonte. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. Entretanto, o Darf que teria dado origem ao crédito pleiteado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Assim, em 18/07/2008, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 7), cuja decisão homologou parcialmente a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. 0 valor atualizado do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 14.319,14. Cientificado, via postal, dessa decisão em 30/07/2008 (fl. 8), bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 28/08/2008, manifestação de inconformidade as fls. 13 a 18, acrescida de documentação anexa. A contribuinte contesta a decisão proferida no Despacho Decisório, alegando que teria cometido equivoco quando preencheu o campo referente ao período de apuração do Darf informado como origem do crédito no PER/DCOMP. Esclarece que essas informações estariam corretamente na DCTF do período. Acrescenta que teria tomado conhecimento do erro cometido apenas quando teve necessidade de expedir uma Certidão Negativa de Débitos / Certidão Positiva com Efeito de Negativa em meados de 2004. Nessa ocasião, verificou que débitos que acreditava estarem quitados, encontravamse em processo de cobrança pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Assim, para obter a referido certidão, teria quitado, em duplicidade, débitos que considerava extintos, o que teria dado origem ao crédito pleiteado no presente Per/DCOMP. Adicionalmente, afirma que também teria dectado equívocos no preenchimento do PER/DCOMP objeto dos autos e da DCTF do período, ou seja, ao invés de informar os dados do Darf do segundo recolhimento efetuado por ela em 31/03/2004, teria informado erroneamente os dados daquele primeiro Darf, que teria originalmente quitado os débitos do período.' Ao final, requer que seja conhecida a Manifestação de Inconformidade e declarada extinta a obrigação tributária que se pretendia ver compensada. A Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte foi julgada improcedente, nos termos da ementa abaixo descrita: . Fl. 99DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/01/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10120.902085/200815 Acórdão n.º 2801003.273 S2TE01 Fl. 100 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 10/04/1999 INEXATIDÃO MATERIAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não foram apresentadas provas que comprovassem a ocorrência de inexatidão material nas informações contidas na DCTF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A contribuinte não possui crédito disponível para compensar os débitos informados no PER/DCOMP. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão de 1a instância em 04.02.2011 ( fl. 51), a contribuinte apresentou recurso em 03.03.2011 (fls. 52/67 ). Na peça recursal aduziu em síntese o seguinte: ● A contribuinte, supra qualificada, apresentou via eletronica Declaração de Compensação nº ( 23028.19753.190504.1.3.04 8388), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de IRRF no valor de R$ 8.018,96 relativo ao período de apuração em 10.04.1999. ● A contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório em 30.07.2008(fl.9), de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foi localizado o pagamento,mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte do período do 1o.trimestre.1999, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. ● Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada. ● Irresignado, a contribuinte apresentou em 28.08.2011. Manifestação de Inconformidade de ( fls. 11/16 ), alegando, em síntese, que: a) Incorreu em erro ao preencher a DCTF, sendo que havia apurado IRRF no montante de R$ 8.018,96, do período de apuração em 10.04.1999, ao invés de informar o darf no valor de R$ 185.588,16 com vencimento em 31.03.2004. b) No entanto a recorrente deixou de corrigir a DCTF do período do crédito no prazo legal, o que acabou gerando a inconsistência entre os valores declarados em DCTF e na PER/DCOMP. ● Alega que o preenchimento do PER/COMP e da DCTF configuram erro de fato ou material, por desatenção da contabilidade da Recorrente: “o erro de fato resulta da inexatidão ou incorreção dos dados fáticos, situações, atos ou negócios que dão origem à obrigação” Fl. 100DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/01/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10120.902085/200815 Acórdão n.º 2801003.273 S2TE01 Fl. 101 4 ●Anexou o livro razão para demonstrar o debito real de IRPJ. ● Transcreveu longos trechos da legislação e decisões do CARF; ● Por fim requer que seja provida a manifestação deinconformidade, desconstituindose a exigência fiscal formulada, seja reconhecida a DCTF retificadora e conseqüentemente o crédito tributário e homologado o pedido de compensação total. É o Relatório Voto Conselheiro José Valdemir da Silva, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A controvérsia cingese à existência de direito creditório suficiente para validar a compensação pretendida pela Recorrente. De início é importante mencionar que, a Recorrente pretendeu utilizarse do valor de R$.8.018,96 de IRRF pagamento indevido do período de apuração em 10.04.1999 (fl.13), quando o correto seria o darf no valor de R$ 185.588,16 com pagamento em 31.03.2004, (fl.14). Tal erro teria levado à não localização do crédito pleiteado. Observase que, o crédito informado pela contribuinte na PER/DCOMP no valor de R$ 8.018,96, referente à IRRF com período de apuração em 20.11.2000, não foi localizado na base de dados da RFB,tendo em vista que o vencimento correto do darf era 10.04.1999 (fl.13), por esse motivo foi indeferido o pedido de compensação do IRRF com IRPJ no valor original de R$ 15.218,38 referente ao 1o.trimestre.2004 Como se vê, o principal fundamento da improcedência da Manifestação de Inconformidade tenha sido a inexatidão material no preenchimento da PEDCOMP e da DCTF do período. Entretanto, para que esta busca chegue ao resultado esperando, a contribuinte deve comprovar o erro ocorrido e o seu direito creditório pleiteado. Releva notar que, a contribuinte apurou e declarou ao Fisco débito de IRPJ confessando a dívida detida para com o Fisco de forma a constituir o crédito tributário, natureza jurídica esta reservada à DCTF. Ou seja, para fins de constituição do crédito tributário exigível, o que valem são as informações transmitidas através da DCTF. Portanto, detectado qualquer erro no preenchimento da referida declaração, sujeito passivo tem a possibilidade de retificála antes que seja iniciado qualquer procedimento de fiscalização ou que decorra o prazo para a homologação do “lançamento” por ela praticado. Sendo a correção destinada a reduzir ou excluir tributo, a retificação somente será admitida se Fl. 101DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/01/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10120.902085/200815 Acórdão n.º 2801003.273 S2TE01 Fl. 102 5 houver comprovação do erro e realizada antes da notificação do lançamento, conforme preceituado no art. 147, §1º, do Código Tributário Nacional – CTN. Assim sendo, diante da inexistência de crédito a compensar,deve ser indeferido o pedido de compensação. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Relator Fl. 102DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/01/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/01/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA
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Numero do processo: 10830.722477/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
DESPESAS MÉDICAS. SÚMULA ADMINISTRATIVA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ. EXIGÊNCIA DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 40. LEGITIMIDADE DA GLOSA EM RELAÇÃO AOS RECIBOS E PERÍODOS MENCIONADOS NA SÚMULA.
A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas. Aplicação da Súmula nº 40 do CARF.
DESPESAS MÉDICAS. SÚMULA ADMINISTRATIVA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ. ÔNUS DE PROVA DO CONTRIBUINTE. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 40
A insuficiência probatória de efetiva prestação dos serviços médicos pelo contribuinte enseja a subsunção no § 1º do art. 40 da Lei nº 9.430/96, bem como a aplicação da Súmula nº 40 do CARF. Qualificação da multa de ofício mantida.
DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. DEPENDENTES. NÃO COMPROVAÇÃO.
Na apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, as despesas com plano de saúde somente são dedutíveis quando efetuadas pelo contribuinte, relativas ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, e comprovadas com documentação hábil e idônea. A ausência de comprovação de qual dependente legal é aproveitado no plano de saúde afasta a dedutibilidade da despesa.
PREVIDÊNCIA PRIVADA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
São passíveis de dedução as contribuições à Previdência Privada e FAPI, desde que devidamente comprovadas. Na ausência de tal comprovação, mantém-se a glosa.
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUTIBILIDADE. EFETIVO PAGAMENTO.
A dedutibilidade das despesas é condicionada à comprovação cumulativa de que a pensão alimentícia decorre de acordo homologado judicialmente ou sentença judicial, bem como da apresentação da prova do efetivo pagamento. Em não sendo comprovado o efetivo pagamento da pensão alimentícia, veda-se a dedutibilidade.
Numero da decisão: 2201-002.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 16/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, MARCIO DE LACERDA MARTINS, ODMIR FERNANDES e NATHALIA MESQUITA CEIA.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 DESPESAS MÉDICAS. SÚMULA ADMINISTRATIVA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ. EXIGÊNCIA DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 40. LEGITIMIDADE DA GLOSA EM RELAÇÃO AOS RECIBOS E PERÍODOS MENCIONADOS NA SÚMULA. A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas. Aplicação da Súmula nº 40 do CARF. DESPESAS MÉDICAS. SÚMULA ADMINISTRATIVA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ. ÔNUS DE PROVA DO CONTRIBUINTE. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 40 A insuficiência probatória de efetiva prestação dos serviços médicos pelo contribuinte enseja a subsunção no § 1º do art. 40 da Lei nº 9.430/96, bem como a aplicação da Súmula nº 40 do CARF. Qualificação da multa de ofício mantida. DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. DEPENDENTES. NÃO COMPROVAÇÃO. Na apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, as despesas com plano de saúde somente são dedutíveis quando efetuadas pelo contribuinte, relativas ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, e comprovadas com documentação hábil e idônea. A ausência de comprovação de qual dependente legal é aproveitado no plano de saúde afasta a dedutibilidade da despesa. PREVIDÊNCIA PRIVADA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. São passíveis de dedução as contribuições à Previdência Privada e FAPI, desde que devidamente comprovadas. Na ausência de tal comprovação, mantém-se a glosa. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUTIBILIDADE. EFETIVO PAGAMENTO. A dedutibilidade das despesas é condicionada à comprovação cumulativa de que a pensão alimentícia decorre de acordo homologado judicialmente ou sentença judicial, bem como da apresentação da prova do efetivo pagamento. Em não sendo comprovado o efetivo pagamento da pensão alimentícia, veda-se a dedutibilidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora. EDITADO EM: 16/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, MARCIO DE LACERDA MARTINS, ODMIR FERNANDES e NATHALIA MESQUITA CEIA.
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SÚMULA ADMINISTRATIVA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ. EXIGÊNCIA DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 40. LEGITIMIDADE DA GLOSA EM RELAÇÃO AOS RECIBOS E PERÍODOS MENCIONADOS NA SÚMULA. A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas. Aplicação da Súmula nº 40 do CARF. DESPESAS MÉDICAS. SÚMULA ADMINISTRATIVA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ. ÔNUS DE PROVA DO CONTRIBUINTE. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 40 A insuficiência probatória de efetiva prestação dos serviços médicos pelo contribuinte enseja a subsunção no § 1º do art. 40 da Lei nº 9.430/96, bem como a aplicação da Súmula nº 40 do CARF. Qualificação da multa de ofício mantida. DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. DEPENDENTES. NÃO COMPROVAÇÃO. Na apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, as despesas com plano de saúde somente são dedutíveis quando efetuadas pelo contribuinte, relativas ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, e comprovadas com documentação hábil e idônea. A ausência de comprovação de qual dependente legal é aproveitado no plano de saúde afasta a dedutibilidade da despesa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 24 77 /2 01 1- 91 Fl. 317DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 PREVIDÊNCIA PRIVADA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. São passíveis de dedução as contribuições à Previdência Privada e FAPI, desde que devidamente comprovadas. Na ausência de tal comprovação, mantémse a glosa. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUTIBILIDADE. EFETIVO PAGAMENTO. A dedutibilidade das despesas é condicionada à comprovação cumulativa de que a pensão alimentícia decorre de acordo homologado judicialmente ou sentença judicial, bem como da apresentação da prova do efetivo pagamento. Em não sendo comprovado o efetivo pagamento da pensão alimentícia, veda se a dedutibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. EDITADO EM: 16/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, MARCIO DE LACERDA MARTINS, ODMIR FERNANDES e NATHALIA MESQUITA CEIA. Relatório Por meio do Auto de Infração de fls. 05. lavrado em 11.07.11 exigese do contribuinte ALMIR JOSE DIAS VALVERDE o montante de R$ 17.820,56 de imposto, R$ 7.735,90 de juros de mora e 15.696,06 de multa proporcional relativo ao IRPF do exercício de 2007, ano calendário 2006. O Auto de Infração foi fundamentado em razão das seguintes deduções indevidas: (i) despesas médicas, (ii) pensão alimentícia e (iii) previdência privada. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 11 relata os seguintes motivos: · O contribuinte informou em sua declaração de ajuste anual/2007, ter efetuado pagamentos a título de despesas médicas para o profissional Alexandre Costa Gottschall, no valor total de R$ 11.300,00. Em face da publicação do Ato Declaratório Executivo nº 6/2010, declarando a Fl. 318DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10830.722477/201191 Acórdão n.º 2201002.199 S2C2T1 Fl. 3 3 inidoneidade dos recibos emitidos pelo referido profissional, no período de 01/01/2006 a 31/12/2007, em razão do contido na Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, objeto do processo administrativo nº 10830.003635/201020, o contribuinte foi intimado a apresentar os comprovantes originais das despesas médicas, bem como a comprovar o efetivo pagamento, juntando cópias de cheques nominais, depósitos bancários identificados, ordens de pagamentos, ou outros elementos relativos às despesas médicas efetuadas (Termo de Intimação de fls. 29); · O fiscalizado, em atendimento à intimação, apresentou seis recibos originais e informou que o pagamento foi efetuado em dinheiro (fls. 34). A despeito das informações prestadas e dos documentos entregues, não ficou caracterizado o efetivo desembolso dos pagamentos feitos ao profissional, bem como não foi apresentada documentação que fizesse prova da efetiva realização dos serviços; · Em face da utilização de recibos de despesas odontológicas que sabia, ou deveria saber, serem ideologicamente falsos, a intenção do fiscalizado era fraudar a Fazenda Pública, visando reduzir o montante de imposto devido. Tendo em vista os fatos apurados, foi elaborada a Representação Fiscal para Fins Penais, conforme determinado pelo Decreto nº 2.730/98 e Portaria RFB nº 2.439/2010, e a multa aplicada foi qualificada, passando a ser de 150%, tendo em vista o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430/96; · Com relação às demais despesas médicas (Plano de saúde Unimed, no valor de R$ 2.400,00), intimado (fls. 96/97), o contribuinte apresentou demonstrativo de pagamento da Unimed, como fonte pagadora, referência 10/2010, onde consta os valores pagos, mas não quem são os beneficiários. Como não foi apresentada a relação dos beneficiários do plano de saúde na qualidade de agregados, foi efetuada a glosa do valor acima indicado; · No que se refere aos comprovantes de pagamento da previdência privada em nome da beneficiária Real Tókio Marine Vida e Previdência, no valor de R$ 1.601,96, o fiscalizado, apesar de devidamente intimado também (fls. 96/97) informa que não logrou êxito em localizar os comprovantes (fls. 101); · Quanto à pensão alimentícia declarado de R$ 49.500,00, após decorrido mais de nove meses da data da primeira intimação na qual foi intimado a apresentar cópia da sentença da separação do casal e comprovantes de pagamento da pensão alimentícia judicial, o fiscalizado apresentou cópia do processo de homologação judicial de separação consensual e cópia dos extratos de conta corrente do Banco Real, tentando fazer prova dos pagamentos efetivos da pensão; · Analisandose referidas cópias dos extratos bancários, verificase que não há elemento capaz de evidenciar os pagamentos discriminados na Fl. 319DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 homologação judicial de separação consensual e nem o intimado efetuou qualquer vínculo entre os lançamentos do mencionado extrato e os valores declarados de forma a demonstrar, ao menos, a intenção de apresentar os esclarecimentos reiteradamente solicitados. Como não foram comprovados os pagamentos a título de pensão alimentícia, os valores pleiteados foram glosados; · Pelo exposto, o valor total de R$ 64.801,96 foi considerado dedução indevidamente pleiteada, sendo objeto do presente Auto de Infração. O contribuinte apresentou tempestivamente impugnação (fls. 256/260) alegando que toda a documentação necessária para afastar a glosa efetuada pela fiscalização fora apresentada e que se necessários outros elementos de prova, esses deveriam ser obtidos pela própria fiscalização por meio de auditorias cruzadas e confrontos com declarações já entregues pelo próprio contribuinte e demais envolvidos. A 9ª Turma da DRJ/SP2 julgou improcedente a impugnação nos seguintes termos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. EXISTÊNCIA DE SÚMULA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ. A existência de “Súmula de Documentação Tributariamente Ineficaz” impede a utilização de recibos como elementos de prova de serviços prestados, quando apresentados isoladamente, sem apoio em outros elementos. Na falta de comprovação, por outros documentos hábeis, da efetiva prestação dos serviços médicos e do correspondente pagamento, é de se manter a glosa. DEDUÇÃO. PREVIDÊNCIA PRIVADA. Na falta de comprovação por documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de contribuição à previdência privada, resulta na manutenção da glosa. DEDUÇÃO. PENSÃO JUDICIAL. COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO. A dedução a título de pensão alimentícia só é admissível quando restar demonstrado o efetivo pagamento. A demonstração de que a obrigação de prestar alimentos é decorrente de decisão judicial, por si só, não é suficiente para possibilitar a dedução. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. A realização de diligência não se presta à produção de provas que o sujeito passivo tinha o dever de trazer à colação junto com a peça impugnatória. Impugnação Improcedente Fl. 320DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10830.722477/201191 Acórdão n.º 2201002.199 S2C2T1 Fl. 4 5 Crédito Tributário Mantido” O contribuinte foi notificado da decisão em 27.02.12, fls. 303, tendo apresentado recurso voluntário, tempestivo, em 28.03.12, fls. 304, requerendo: · O contribuinte não foi intimado do processo administrativo que tornou nulo todos os documentos emitidos pelo profissional Alexandre Costa Gottschal e uma vez que o consultório odontológico não mais existe a prova exigida pela Autoridade Fiscal para comprovação do tratamento dentário tornase impossível razão pela qual os documentos apresentados pelo contribuinte devem ser aceitos. · A qualificação da multa em 150% pela utilização dos recibos do referido profissional é arbitrária, pois caberia ao fisco na sua atividade fiscalizadora fiscalizar os atos antes que eles se propaguem de forma indiscriminada. · Com relação ao plano de saúde UNIMED, o contribuinte trouxe os documentos a ele encaminhados pela UNIMED de seus gastos anuais, sendo certo que todos os valores ali lançados são referentes a sua pessoa e de seus dependentes, sendo certo que o próprio pagamento da despesas torna o beneficiário seu dependente. Argumenta ainda que pela lógica de toda a declaração, os beneficiários do plano não ultrapassam em número aqueles indicados na Declaração e devidamente comprovados pelos demais documentos acostados aos autos. · Quanto aos lançamentos referente à Empresa Real Tókio Marine via e Previdência, argumenta que o fisco pode constatar o pagamento na declaração da empresa beneficiária dos pagamentos. Na busca da verdade material, o fisco tem plenas condições de alcançar as provas complementares que entende necessárias à sua convicção, através de confronto de declarações de IR, ou de documentos que, por ordem legal, encontramse na posse da Receita Federal; · No que concerne a pensão alimentícia argumenta que a legislação é clara ao estipular que o que determina a obrigação é a sentença judicial. Sentença que o contribuinte trouxe aos autos bem como cópia de documentos eletrônicos que demonstram a inexistência de processo executivo de alimentos em razão de seu descumprimento, razão pela qual o valor estipulado na sentença a título de pensão não deve ser glosado. É o relatório. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Voto Conselheiro NATHÁLIA MESQUITA CEIA. Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. 1. Das Preliminares 1.1. Cerceamento de Defesa Preliminarmente, alega o contribuinte no Recurso Voluntário, genericamente, que seu direito de defesa foi cerceado em razão do exíguo prazo conferido à defesa, não sendo, portanto, o prazo hábil para formar o juízo de convicção necessária a convencer o julgador de seu entendimento. No presente ponto, não tendo verificado violação ao direito de defesa ou contraditório, acompanhase o V. Acórdão da 9ª Turma da DRJ/SP2 por seus próprios fundamentos, em especial quanto à ampla possibilidade de produção de provas pelo contribuinte haja vista que, pelo princípio da verdade real, citado repetidamente pelo contribuinte em sua defesa, permite a sua produção até em fase de Recurso Voluntário: “Cumpre informar, primeiramente, que o fato de o Auto de Infração ter sido enviado para o antigo endereço não trouxe prejuízo algum ao contribuinte, já que dela ele teve ciência, apresentando tempestivamente a impugnação que ora se analisa (fls. 256/260), tendo o defendente a oportunidade de se manifestar sobre as glosas efetuadas pela autoridade fiscal. Além do mais, verifica se que o contribuinte revela conhecer as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo as de forma meticulosa, com impugnação que abrange questão preliminar como também razões de mérito, descabendo a alegação de cerceamento do direito de defesa apresentada por ele. Quanto à alegação de que seu direito de defesa foi cerceado porque os prazos para apresentação de documentos foram reduzidos em virtude do endereçamento incorreto da intimação, também não tem razão. Analisandose atentamente os documentos acostados aos autos, em especial todos os pedidos de prorrogação de prazo efetuados pelo contribuinte, o primeiro, datado de 03/04/2009 (fls. 28), no qual além de informar residir à Rua Adalberto Maia, nº 190, aptº 42, Campinas, solicita prazo de 30 dias para apresentação dos documentos objeto da intimação, cujo pedido foi deferido pela autoridade fiscal (fls. 30); o segundo, datado de 02/09/2010, comunicando outra alteração de domicílio, agora para a Rua Salim Feres, 417, Campinas, no qual postula prazo suplementar Fl. 322DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10830.722477/201191 Acórdão n.º 2201002.199 S2C2T1 Fl. 5 7 de 15 dias para apresentação dos documentos faltantes (fls. 68), que foram seguidos de vários Termos de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal (fls. 89, 93, 96), estes enviados para o novo endereço informado pelo contribuinte; o terceiro, protocolizado em 18/02/2011, acompanhado de alguns documentos, no qual solicita novamente prazo adicional de mais 15 dias para apresentação das provas complementares (fls. 100/101), seguido novamente de vários Termos de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal (fls. 105, 108, 111). Por fim, o contribuinte apresenta a petição de fls. 115, datada de 22/06/2011, instruída com os documentos faltantes Portanto, ao contrário do que alega, o contribuinte teve todos os prazos por ele solicitados, e como vimos, muito mais, de modo a ter tempo suficiente para providenciar toda a documentação requerida pela autoridade fiscal. Diante do exposto, não cabe falar em cerceamento do direito de defesa no presente caso” 2. Do Mérito 2.1. Despesas Médicas Em relação às despesas médicas, foram glosados os valores vinculados ao profissional Alexandre Costa Gottschal, no valor de R$ 11.300,00, por terem sido considerados inidôneos os recibos emitidos por ele, bem como a importância de R$ 2.400,00, em nome da Unimed Campinas porque o contribuinte não comprovou quem são os dependentes beneficiários do respectivo plano de saúde. Quanto aos recibos emitidos por Alexandre Costa Gottschal (ano calendário 2006), foi elaborada Súmula de Documentação Tributariamente Ineficaz, por meio do processo administrativo nº 10830.003635/201020, conforme Termo de Verificação Fiscal às fls. 11/12. No caso em tela, a conclusão da Súmula elaborada pela DRF/SP2, cuja publicidade foi dada mediante o Ato Declaratório Executivo nº 6, de 2010, DOU de 25/03/2010 (fls. 252), foi pela inidoneidade dos recibos emitidos pelo profissional Alexandre Costa Gottschal no período de 01/01/2006 a 31/12/2007, sendo, portanto, imprestáveis e ineficazes para dedução da base de cálculo do imposto de renda por quaisquer contribuintes. O contribuinte, afirmando ter efetuado o pagamento em moeda corrente nacional (fls. 34), apresentou os recibos médicos (fls. 35/40) com as seguintes datas e valores: no valor de R$ 2.000,00 para as datas 27.04.06, 10.05.06, 20.07.06, 06.08.06 e 19.09.06 e de R$ 1.300,00 para a data de 20.12.06. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 O recibo de despesa médica devidamente preenchido pelo prestador do serviço é, a princípio, o documento hábil a comprovar a despesa dedutível na declaração de rendimentos. Entretanto, a existência de Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz homologada pela Receita Federal invalida por completo qualquer recibo emitido por tal profissional devendo o contribuinte produzir outras provas para a produção de efeitos do referido recibo, conforme dispõe o enunciado nº. 40 da Súmula do CARF: “Súmula CARF nº 40: A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício.” O contribuinte argumenta que em razão do fechamento do consultório profissional em questão, não conseguiu obter as fichas de seu tratamento dentário e uma vez que não participou do processo que deu origem ao Ato Declaratório Executivo nº 6/10 exigir do contribuinte outras provas seria exigir prova impossível. Conforme já sumulado pelo presente Conselho a dedução de despesa médica com base em recibos emitidos por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz só é aceita se acompanhada de outros documentos que comprovem o tratamento. O conteúdo jurídico do referido excerto é apontado inclusive pela doutrina balizada, conforme se retira dos ensinamentos de Eduardo Domingos Bottallo e José Eduardo Soares de Melo ao comentar o enunciado 40 da Súmula do CARF: “A aplicabilidade da súmula inserese no âmbito processual das provas, para se aquilatar se o contribuinte demonstrou documentalmente a prestação de serviços (orçamento padrão, radiografias, demais exames, laudos técnicos atestando sua efetividade), e provou o seu pagamento mediante o oferecimento de cópias de cheque, extratos bancários, etc. Tratase de questão afeta ao ônus da prova. A jurisprudência entende que a inversão legal de tal ônus, do fisco para o contribuinte, transfere para este o ônus da comprovação e justificação das deduções. Implica trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto ao fato questionado. O fisco entende que não cabe obter provas da idoneidade do recibo, mas sim o contribuinte apresentar elementos que dirimam qualquer dúvida a respeito sobre o documento, não bastando mera alegação de que o fez por meio de moeda em espécie.” (Comentários às Sumulas Tributárias do STF, STJ, TRF’s e CARF. 2ª edição, São Paulo: Quartire Lation, 2011, pág. 434.) Fl. 324DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10830.722477/201191 Acórdão n.º 2201002.199 S2C2T1 Fl. 6 9 O contribuinte não juntou outras provas do referido tratamento, como orçamento, radiografias, outros exames, receita médica indicando medicamentos, produtos ou comportamento a ser seguido pelo paciente. Ressaltase ainda que a movimentação bancária do contribuinte ao tempo dos recibos, a exceção do mês de dezembro, não costa saque de valores capazes de cobrir o valor dos recibos proferido pelo profissional. Quanto a qualificação da multa no caso do aproveitamento de despesas médicas de profissionais indicados em Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, a Súmula nº 40 do CARF também é clara ao determinar a qualificação da multa de ofício, confirase: “Súmula CARF nº 40: A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício.” (grifos nossos) Quanto as demais despesas médicas que também foram objeto de glosa – Plano de Saúde Unimed, a Autoridade Tributária e a 9ª Turma da DRJ/SP2 destacaram que o autuado não logrou êxito em comprovar quem são os beneficiários do referido plano. O contribuinte na DIRPF 2007 declarou como despesa de plano de saúde (UNIMED Campinas Coop. de Trabalho Médico) R$ 6.720,00 juntando documento as fls. 82 que comprovam o recolhimento. O referido documento é dividido em duas parcelas, PAH e PAH AGREG. A Autoridade Lançadora glosou o valor pago na coluna PAH AGREG. uma vez que o contribuinte não logrou êxito em comprovar quem eram os dependentes beneficiados nesta rubrica. Embora o contribuinte tenha 6 filhos e é factível se presumir que os dependentes do plano de saúde sejam seus filhos, o contribuinte não logrou êxito nesta comprovação de modo a afastar a possibilidade de outro beneficiário, que não seus dependentes, apontados da DIRPF, ou alimentados, como por exemplo a atual ou a exesposa, pessoas que não constam como dependente do contribuinte na DIRPF 2007. Apenas a título de ilustração, os contratos da UNIMED, retirados da Rede mundial de Comunicação permitem também como beneficiário, além dos filhos, o cônjuge e companheiro, confirase: “Podem ser inscritos no presente contrato, na qualidade de beneficiário dependente, mediante a comprovação das qualidades abaixo indicadas e da dependência econômica em relação ao titular: a) O cônjuge; Fl. 325DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 b) O companheiro(a), havendo união estável na forma da lei, sem concorrência com o cônjuge, salvo por decisão judicial; c) Os filhos(as) e enteados(as) solteiros(as), ambos com até 30 anos; d) Os filhos(as) solteiros(as) inválidos, com comprovação de dependência pelo INSS; e) Os menores tutelados e os menores sob guarda por força de decisão judicial.” http://chat.unimedumr.com.br/ftp/contratos/452624044.PDF http://chat.unimedumr.com.br/ftp/contratos/452627049.PDF http://chat.unimedumr.com.br/ftp/contratos/400112985.PDF (Acessado em 06.08.13) Pelo exposto, uma vez que a dependente do plano de saúde pode ser a atual esposa, ou até mesmo a exesposa (caso não tenha notificado o plano de saúde) mantémse o crédito tributário sobre a referida parcela, glosando o valor de R$ 2.400,00 como despesa dedutível. 2.2. Previdência Privada. A glosa foi motivada porque o contribuinte, apesar de devidamente intimado (fls. 96/97), deixou de apresentar os comprovantes de contribuições à previdência privada cujo beneficiário do pagamento declarado foi a empresa Real Tókio Marine Vida e Previdência, no total de R$ 1.601,96. Alega o contribuinte em sede recursal que, apesar de não ter localizado o recibo de pagamento, tal despesa seria facilmente comprovada pela fiscalização mediante o cruzamento de dados com a DIRPJ da sociedade beneficiária do pagamento, razão pela qual, em nome da busca da verdade material solicita que o fisco promova diligência para apurar o pagamento efetuado pelo contribuinte à previdência privada. Ressaltase que o ônus da referida prova recai sobre o contribuinte, o art. 835 do RIR determina que as declarações de rendimentos estão sujeitas a revisão por parte das repartições lançadoras devendo o contribuinte atender aos pedidos de esclarecimentos apresentando os documentos que foram dispensados de entregar ao tempo da emissão declaração de rendimentos, art. 797 do RIR: “Art. 835. As declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários. Art. 797 É dispensada a juntada à declaração de rendimentos, de comprovantes de deduções e outros valores pagos, obrigandose, todavia, os contribuintes a manter Fl. 326DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10830.722477/201191 Acórdão n.º 2201002.199 S2C2T1 Fl. 7 11 em boa guarda os aludidos documentos, que poderão ser exigidos pelas autoridades lançadoras quando estas julgarem necessários.” A alegação de que a Receita Federal possui acesso a declaração de rendimentos da sociedade de previdência privada e que, portanto pode promover cruzamento de dados para verificar os pagamentos efetuados pelo contribuinte a luz da busca da verdade real, uma vez que o mesmo não localiza em seus arquivos os referidos comprovantes de pagamento, é exigir que a Receita Federal portese como curador do contribuinte que não foi e não é capaz e diligente na defesa de seu direito. O inciso II do art. 16 do Decreto 70.235/72 é de clareza hialina ao determinar que cabe ao contribuinte apresentar na sua impugnação os motivos de fato e direito e as provas necessárias: “Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito)” A busca da verdade material que vigora no processo administrativo tributário não afasta o ônus do contribuinte em comprovar as afirmações feitas em sua declaração de renda, bem como a guarda dos referidos meios de prova, na forma do inciso II do art. 16 do Decreto 70.235/72 combinado com o art. 797 do RIR, supramencionados. Nesta senda uma vez que o contribuinte não produziu qualquer prova quanto ao pagamento a previdência privada mantémse a glosa sobre a referida parcela. 2.3. Pensão Alimentar Judicial Fl. 327DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 O contribuinte alega na impugnação que efetua o pagamento dos alimentos em natura, através do pagamento do plano de saúde dos filhos e mensalidade escolares. Desta feita colacionou aos autos do processo administrativo os seguintes documentos: · sentença de separação judicial determinando alimentos de 9 salários mínimos (fls. 236); · comprovação da filiação de: Almir José Dias Valverde Junior (fls. 76), Almir José Dias Valverde Filho (fls. 75) e Marcela Eduarda M. Dias Valverde (fls. 74) como filhos do primeiro casamento; · declaração da PUC Campinas quanto ao pagamento da mensalidade do Almir José Dias Valverde Filho no valor de R$ 736,00 (fls 77); · declaração do Colégio Visconde de Porto Seguro quanto ao pagamento da mensalidade de Almir José Dias Valverde Junior no valor de 1.230,00 (fls 78); · declaração do Colégio Visconde de Porto Seguro quanto ao pagamento da mensalidade de Marcela Eduarda M. Dias Valverde no valor de 1.230,00 (fls 78); · cópia de documento eletrônico que demonstra a inexistência de processo executivos de alimentos contra o contribuinte (fls. 276). A Autoridade Lançadora e a DRJ/SP2 apontaram que o contribuinte não logrou êxito em evidenciar os pagamentos de alimentos discriminados na homologação judicial de separação consensual, uma vez que não efetuou a vinculação entre os lançamentos dos extratos bancários a conta da ex cônjuge, ou a cheques ou a qualquer outro documento neste sentido. Pela movimentação bancária do contribuinte (fls. 200 às 251) podese verificar: · pagamento de duas parcelas de R$ 1.230,00 efetuadas todos os meses, à exceção dos meses de novembro e dezembro de 2006, entre os dias 14 e 17 de cada mês. No mês de novembro ocorreu uma movimentação no dia 13 de R$ 2.354,00 que se aproxima da soma das duas parcelas verificadas nos meses anteriores. As referidas movimentações financeiras coincidem em com as declarações fornecidas pelo Colégio Visconde de Porto Seguro, para os alunos Almir José Dias Valverde Junior e Marcela Eduarda M. Dias Valverde, quais sejam, mensalidades pagas no dia 15 de cada mês no valor de R$ 1.230,00 para cada aluno. Ocorreu ainda o pagamento de uma excursão para cada filho perfazendo o montante total no ano de 2006 de R$ 14.836,00 e R$ 14.810,00, respectivamente. · pagamento de uma parcela de R$ 735,00 efetuada todos os meses, à exceção dos meses de novembro e dezembro de 2006, entre os dias 6 Fl. 328DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10830.722477/201191 Acórdão n.º 2201002.199 S2C2T1 Fl. 8 13 e 8 de cada mês. No mês de novembro ocorreu uma transferência de R$ 750,00 no dia 08 e no mês de dezembro duas transferências em valor superior a R$ 1.000,00 nos dias 06 e 08 e um saque de R$ 850,00 no dia 19. As referidas movimentações financeiras coincidem em com as declarações fornecidas pela PUC Campinas para o aluno Almir José Dias Valverde Filho, quais sejam: mensalidades pagas entre os dias 06 e 08 (datas coincidentes com a movimentação bancária) nos valores de R$ 736,00 e no dia 19.12.06 recebimento de R$ 751,66 referente a mensalidade de janeiro de 2007, perfazendo assim o montante de R$ 8.847,66. Pelo exposto, há como se retirar dos documentos colacionados aos autos o cumprimento da obrigação de alimentos em natura pelo contribuinte. Porém, não há como restar comprovado o efetivo pagamento de pensão alimentícia em espécie pelo contribuinte no valor de 09 saláriosmínimos como determinado na sentença judicial de separação consensual e como reportado como despesa dedutível pelo contribuinte em sua DIPF 2007. Para que haja dedução da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, é necessário que a despesa seja incorrida, ou melhor, que a pensão alimentícia, no caso em questão seja efetivamente paga e não apenas determinada em sentença judicial homologada. A legislação tributária é clara ao determinar que para fins de dedutibilidade da despesa com pensão alimentícia além de homologada em sentença judicial, essa deve ser efetivamente paga. Logo, apesar de ter comprovado que a pensão alimentícia foi fixada em sentença judicial homologada, não logrou êxito o contribuinte em comprovar o efetivo pagamento da pensão alimentícia, restando mantida a glosa sobre esse montante. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido negar provimento ao recurso voluntário. NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora Fl. 329DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 14 Fl. 330DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.916349/2009-53
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado.
DCTF RETIFICADORA. EFEITOS.
A DCTF quando retificada após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável sua comprovação através da escrita fiscal e contábil do contribuinte.
Numero da decisão: 3803-004.652
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF quando retificada após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável sua comprovação através da escrita fiscal e contábil do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 63 49 /2 00 9- 53 Fl. 35DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de PER/DComp transmitido em 14/06/2006, que buscou compensar créditos alegadamente pagos indevidamente ou a maior de COFINS, competência agosto de 2004, com débitos de COFINS referentes a maio de 2006, no valor total de R$ 1.831,22. A DRF em Belo Horizonte/MG através de despacho decisório eletrônico não homologou o pedido do sujeito passivo, pois, apesar de localizar o pagamento indicado verificou que o mesmo estava totalmente alocado para pagamento de outros débitos, não restando saldo suficiente. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, onde alegou que: 1 A empresa possui créditos referentes ao Pis sobre Faturamento e Cofins recolhidos a maior no período de novembro de 2002 a setembro de 2005. 2 – Após a constatação dos créditos em virtude de recolhimento a maior dos impostos acima mencionados, a partir de 28/12/2005 procedemos a compensação de impostos federais utilizando os creditos mencionados através das Per/dcomps conforme legislação em vigor. 3 Por um lapso de nossa parte não retificamos a DCTF numero 1000.000.2004.1730284411 de 12/11/2004 a qual deveria constar o valor correto do Pis e da Cofins a serem recolhidos. 4 Na data de 20/05/2009 efetuamos a retificação da DCTF mencionado no item 03, conforme recibo de entrega numero 23.00.47.68.85. Ao final requer homologação da compensação enviada. A DRJ/BHE julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, ementando como se segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/08/2004 AUSÊNCIA DE PROVAS DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. Na ausência de outras provas, a DCTF retificadora não pode ser considerada instrumento hábil para conferir certeza ao crédito indicado na declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 36DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10680.916349/200953 Acórdão n.º 3803004.652 S3TE03 Fl. 11 3 Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário onde, preliminarmente, atesta o cumprimento de prazos, no mérito alega que errou ao preencher DCTF e apresenta retificação. Afirma demonstrar a liquidez e certeza do alegado através de relatório sintético e analítico que comprovam o valor total de peças sob alíquota zero. Pede o acolhimento do recurso e homologação da compensação. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira – Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Do direito creditório. O contribuinte buscou compensar créditos de PIS/COFINS, porém reconhece erro no preenchimento da DCTF do período, fato que inviabilizou a compensação requerida. Após ciência do despacho decisório o contribuinte alega ter retificado a DCTF. O fato do contribuinte ter retificado a DCTF após a ciência do despacho decisório, por si só, não é motivo suficiente para provocar o não reconhecimento do seu crédito, entretanto, é indispensável a apresentação de provas suficientes a justificar o erro de cálculo inicialmente cometido, nos termos do § 1º do artigo 147 do CTN: “Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.”Grifamos. O sujeito passivo não apresentou provas contábeis e fiscais suficientes para a comprovação do erro de preenchimento de DCTF, pelo que, tornase impossível reconhecer o crédito pretendido uma vez que desprovidos de elementos de prova indispensáveis. Da comprovação do crédito. As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos Fl. 37DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Como alega a recorrente, é bem verdade que a simples entrega de uma obrigação acessória de forma equivocada não retira o direito de crédito que o contribuinte possa ter, contudo, é indispensável que o contribuinte faça prova do crédito pretendido, para isso é imprescindível que a liquidez e certeza do crédito tributário seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração, conforme se extrai do art. 923 do RIR: “Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º).” O recorrente firmou sua defesa exclusivamente na afirmação de que apenas a DCTF retificadora seria suficiente para comprovar a existência do seu crédito, perdendo a oportunidade de produzir provas que sustentassem as suas alegações, ônus que lhe competia, No processo administrativo federal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 333 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Da conclusão O contribuinte anexa sua declaração retificada, posterior à ciência do despacho decisório que indeferiu seu pedido de compensação, porém, apenas traz aos autos relatórios sem valor contábil, quando deveria apresentar livros fiscais, livros contábeis e outros documentos que comprovem o crédito alegado, assim, concluímos não ter sido comprovado o direito creditório pretendido. Pelo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso e de NÃO RECONHECER o direito creditório. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 38DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10680.916349/200953 Acórdão n.º 3803004.652 S3TE03 Fl. 12 5 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 15983.001119/2008-16
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
LEGITIMIDADE DO TITULAR DO CARTÓRIO PARA RESPONDER PELA AUTUAÇÃO.
Cartório não possui personalidade jurídica, tampouco capacidade judiciária, não sendo sequer pessoa formal, portanto o auto de infração tem que ser lavrado na pessoa física, titular do cartório.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. ART. 32, IV, PARÁGRAFO 6º DA LEI Nº 8212/91.
Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8.212/91 a entrega de GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS.
O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade.
MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Em conformidade com o art. 106 do CTN, aplica-se a lei superveniente quando cominar penalidade menos gravosa que a prevista naquela vigente ao tempo da lavratura do Auto de Infração.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-002.886
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para que a multa seja recalculada de acordo com o artigo 32-A, I, da Lei nº 8.212/91, se mais benéfica ao contribuinte.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Cartório não possui personalidade jurídica, tampouco capacidade judiciária, não sendo sequer pessoa formal, portanto o auto de infração tem que ser lavrado na pessoa física, titular do cartório. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. ART. 32, IV, PARÁGRAFO 6º DA LEI Nº 8212/91. Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8.212/91 a entrega de GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 11 19 /2 00 8- 16 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/1 2/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15983.001119/200816 Acórdão n.º 2803002.886 S2TE03 Fl. 77 2 INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em conformidade com o art. 106 do CTN, aplicase a lei superveniente quando cominar penalidade menos gravosa que a prevista naquela vigente ao tempo da lavratura do Auto de Infração. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para que a multa seja recalculada de acordo com o artigo 32A, I, da Lei nº 8.212/91, se mais benéfica ao contribuinte. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/1 2/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15983.001119/200816 Acórdão n.º 2803002.886 S2TE03 Fl. 78 3 Relatório 1. Considerando que o recorrente traz em seu recurso voluntário, basicamente os mesmos argumentos apresentados na impugnação, e, por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto, em parte, o Relatório do acórdão recorrido (fls. 49/50): 1.1. Tratase de Auto de Infração lavrado por ter o autuado informado a GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, com incorreções em campos não relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias conforme Relatório Fiscal da Infração às fls. 08/10. 1.2. Informa a Auditora Fiscal, que a GFIP foi entregue na rede bancária sem a informação referente ao salário família, na competência 06/2004 e ao salário maternidade nos meses de 07 a 11/2004. Ainda, informou incorretamente os campos CNPJ/CEI e a razão social nas competências 01 a 12/2004, isto é, indicou o CNPJ 51.563.731/000177 e razão social do 4º Cartório de Notas, quando o correto seria a aposição do número do Cadastro Específico do INSS CEI e do nome do titular da serventia naqueles campos. 1.3. Tal fato constitui infração ao inciso IV, parágrafo 6º do artigo 32 da Lei n°. 8.212, de 24/07/1991, com a redação dada pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, c/c o inciso IV, parágrafo 4º do artigo 225 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n°. 3.048/99. 1.4. No Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fl. 10) consta que “(...) A empresa informou dois campos da GFIP com dados incorretos, no período de 01/2004 a 05/2004 e 12/2004 (seis competências) e três campos com dados incorretos, no período de 06/04 a 11/2004 (seis competências). Cada campo, por competência, considerase uma ocorrência.” 1.5. A multa aplicada está prevista no artigo 32, parágrafo 6º, da Lei 8.212/91 e artigo 284, inciso III e artigo 373, ambos, do Regulamento da Previdência Social RPS, regulamentado pelo Decreto 3.048/99, atualizada pela Portaria Interministerial MPS/MF n° 77, de 11/03/2008, que, na data da autuação, correspondia a R$1.882,20 (um mil, oitocentos c oitenta e dois reais e vinte centavos), conforme descrito no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa. 2. Devidamente cientificado, em 16.10.2008 (AR fls. 20/21), do lançamento fiscal, o autuado apresentou em 17/10/2008 Impugnação (fls.23/28), sobre a qual a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) proferiu acórdão que restou assim ementado: “PREVIDÊNCIA SOCIAL. TITULAR DE CARTÓRIO. EQUIPARAÇÃO À EMPRESA. FILIAÇÃO OBRIGATÓRIA. O titular notarial ou registrador é filiado obrigatório da Previdência Social como contribuinte individual e equiparado à empresa, nos termos da legislação vigente, enquadrandose Fl. 78DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/1 2/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15983.001119/200816 Acórdão n.º 2803002.886 S2TE03 Fl. 79 4 como sujeito passivo da tributação previdenciária, em relação aos contratados que lhe prestem serviços. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Apresentar Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas referentes a dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, constitui infração punível na forma da Lei. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase a lei superveniente quando cominar penalidade menos severa que a prevista naquela vigente ao tempo da lavratura do Auto de Infração. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” (fl. 48). 3. Cientificado do acórdão de primeira instância, em 25/05/2010, conforme faz prova o Aviso de Recebimento de fl. 61, o recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 63/72. 4. Ao apresentar seu inconformismo com a decisão a quo, em suas razões recursais, trazendo basicamente os argumentos utilizados na impugnação, o recorrente, ataca o lançamento fiscal, alegando em síntese que: a) no momento da fiscalização, já não mais respondia pelo Cartório, não sendo assim parte legítima do lançamento fiscal. b) durante a fiscalização teriam sido prestadas informações incorretas, obtidas de forma ilícita e omissões relevantes, notadamente em razão da fiscalização sem a concessão do constitucional direito de defesa, contrariando o comando contido no inciso LV do art. 5º da CF/88. c) os documentos fiscais sempre foram elaborados pela Contadora do Tabelionato, Sra. Tânia Mara da Costa Cardoso Nogueira, sem qualquer interferência do recorrente, razão pela qual eventual sanção não deve ser imputada a este e sim aquela, nos termos do art. 1.177 do Código Civil. d) o contido no item 1.2 do Relatório Fiscal se afigura inconstitucional por não respeitar o princípio da isonomia, ao afirmar de que os cartórios não tem personalidade jurídica embora sejam obrigados à inscrição em CNPJ, e, por conta disso equiparados a empresa. 5. Não tendo havido contrarrazões por parte da Fazenda Nacional, os autos foram remetidos a este Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/1 2/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15983.001119/200816 Acórdão n.º 2803002.886 S2TE03 Fl. 80 5 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA ILEGITIMIDADE DE PARTE 2. O recorrente, sob a alegação de que na época da ocorrência dos fatos não mais seria o titular do Cartório, busca justificarse da não responsabilidade pela imputação da obrigação tributária, declarandose como pessoa não legitima para suportar a exigência fiscal. A legislação e a jurisprudência, contudo, se posiciona exatamente ao contrário do que afirma o autuado, como pode ser visto na sequência. 3. Quanto ao desenvolvimento das atividades cartorárias, é importante inicialmente frisarse que os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter privado, por delegação do Poder Público, nos termos do art. 236 da Constituição Federal de 1988, sendo norma autoaplicável, recaindo a responsabilidade tributária sobre o titular do cartório. 4. Vejase que a Lei nº 8.935/94 dispõe sobre a responsabilidade pessoal dos titulares de serviços notariais e de registro, não reconhecendo qualquer personalidade jurídica para os cartórios, estabelecendo o seguinte: Lei nº 8.935, de 18 de novembro de 1994. (...). Art. 3°. Notário, ou tabelião, e oficial de registro, ou registrador, são profissionais do direito, dotados de fé pública, a quem é delegado o exercício da atividade notarial e de registro. (...). “Art. 21. O gerenciamento administrativo e financeiro dos serviços notariais e de registro é da responsabilidade exclusiva do respectivo titular, inclusive no que diz respeito às despesas de custeio, investimento e pessoal, cabendolhe estabelecer normas, condições e obrigações relativas à atribuição de funções e de remuneração de seus prepostos de modo a obter a melhor qualidade na prestação dos serviços. Art. 22. Os notários e oficiais de registro responderão pelos danos que eles e seus prepostos causem a terceiros, na prática de atos próprios da serventia, assegurando aos primeiros direito de regresso no caso de dolo ou culpa dos prepostos.” Fl. 80DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/1 2/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15983.001119/200816 Acórdão n.º 2803002.886 S2TE03 Fl. 81 6 5. Assim, por não ter o cartório personalidade jurídica, nos termos da legislação pertinente, especialmente o que estabelece o art. 21 da Lei nº 8.935/94, as atividades da serventia são desenvolvidas sempre sob responsabilidade do seu titular. 6. Em linha com o apontado, quanto à personalidade jurídica do cartório, para os efeitos de responsabilidade, a jurisprudência do STJ é no sentido de que o tabelionato não se trata de pessoa jurídica, tampouco possui capacidade judiciária, não sendo sequer pessoa formal, portanto, o auto de infração tem que ser lavrado na pessoa física do titular ou responsável pelo cartório. Foi assim a manifestação da referida Corte, ao proferir decisão no Recurso Especial nº 545.613/MG, que teve como Relator o Ministro CESAR ASFOR ROCHA, QUARTA TURMA, julgado em 08/05/2007, cuja publicação ocorreu no Diário da Justiça em 29 de junho de 2007, p. 630, nestes termos: “PROCESSO CIVIL. CARTÓRIO DE NOTAS. PESSOA FORMAL. AÇÃO INDENIZATÓRIA. RECONHECIMENTO DE FIRMA FALSIFICADA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. O tabelionato não detém personalidade jurídica ou judiciária, sendo a responsabilidade pessoal do titular da serventia. No caso de dano decorrente de má prestação de serviços notariais, somente o tabelião à época dos fatos e o Estado possuem legitimidade passiva. Recurso conhecido e provido.” 7. Especificamente na esfera tributária, e em consonância com a legislação previdenciária, temse jurisprudência do TRF3 onde evidenciase que os cartórios extrajudiciais não possuem personalidade jurídica, razão pela qual a responsabilidade tributária recai sobre o titular do cartório, in verbis: “Processo APELREEX 00040627520064036104 APELREEX APELAÇÃO/REEXAME NECESSÁRIO 1314208, Relator(a) DESEMBARGADOR FEDERAL NERY JUNIOR, Sigla do órgão TRF3, Órgão julgador TERCEIRA TURMA, Fonte eDJF3 Judicial 1 DATA:18/10/2010 PÁGINA: 362 EXECUÇÃO FISCAL. CARTÓRIO .ILEGITIMIDADE PASSIVA. APELAÇÃO IMPROVIDA.. 1. Os Cartórios de Nota não possuem personalidade jurídica própria, já que prestam serviço público fiscalizada pelo Poder Judiciário. 2. Os serviços notariais são delegados a um particular por meio de concurso público de provas e títulos, que é o responsável tributário. 3. A responsabilidade tributária destes entes recai sobre o Tabelião/Oficial de Cartório que atuava a época da ocorrência dos fatos geradores. 4. Apelação improvida. Data da Decisão 30/09/2010. Data da Publicação 18/10/2010.” Fl. 81DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/1 2/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15983.001119/200816 Acórdão n.º 2803002.886 S2TE03 Fl. 82 7 8. Quanto ao fato de que no momento da fiscalização, já não mais respondia o recorrente pelo Cartório, esse aspecto não cabe ser analisado e nem tomado como justificativa para exonerar o autuado da responsabilidade fiscal a ele imposta. Isto porque, nos termos da lei, os cartórios extrajudiciais configuramse como instituições administrativas, desprovidas de personalidade jurídica e de patrimônio próprio, não se caracterizando, assim, como empresa ou entidade, o que afasta sua legitimidade passiva ad causam para responder por eventuais débitos tributários. Por se tratar de serviço prestado por delegação do Estado, apenas a pessoa do titular do cartório possui legitimidade para responder por eventuais créditos previdenciários os quais devem ser lançados, insisto, diretamente em nome da pessoa física que efetivamente ocupava o cargo à época dos fatos jurígenos tributários – Princípio tempus regit actum. 9. Dessa forma, rechaço as alegações do recorrente de que não seria parte ilegítima no lançamento fiscal, por conseguinte entendo como tendo sido correta a autuação na pessoa do Sr. José Maria de Oliveira que, na época dos fatos, era o titular responsável pelo 4º Cartório de Notas. DA OBTENÇÃO DE INFORMAÇÕES POR MEIO ILÍCITO 10. Alega o recorrente que durante a fiscalização teriam sido obtidas informações de forma ilícita e com omissões relevantes. No entanto, no que tange a ilicitude, compulsando os autos verificase que tal alegação não deve prosperar, haja vista à existência de procedimento fiscalizatório em conformidade com a legislação vigente, onde os dados e documentos necessários ao lançamento em análise foram obtidos regulamente do sujeito passivo pela autoridade fiscal. 11. Igualmente não tem o condão de invalidar o procedimento fiscalizatório em análise a alegação por supostas omissões relevantes, até porque, se genericamente foram apontadas, em nenhum momento trouxe o recorrente provas de quais seriam essas informações omitidas. De sorte que, alegações verbais ou materializada em recurso, sem o amparo, se quer de indício de prova material, não desincumbe o recorrente do ônus probatório. 12. Sem que o recorrente tenha se desincumbido do ônus de provar a obtenção das informações de forma ilícita, fato que poderia tornar nulo o procedimento administrativo, não há como acatar seus argumentos, tornando oportuna a lembrança do brocardo jurídico allegatio et non probatio, quasi non allegatio , ou seja, alegar sem provar equivale a não alegar. 13. Notese que ilações nesse sentido e que, se provadas poderiam eventualmente ensejar a nulidade do lançamento por estar embasado em prova ilícita, não assiste razão ao recorrente, uma vez que a autuação foi fundamentada em GPS, emitidas com irregularidades e de forma errônea, consistente em informações inexatas e com omissões, conforme consta no item 1.2 do relatório fiscal (fls. 8/9). 14. Assim, dos autos não se vislumbra que a autoridade fiscal, para a lavratura do auto de infração, tenha se utilizado de informações obtidas por meio ilícito, sendo o procedimento fiscal regular em relação a esse aspecto. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/1 2/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15983.001119/200816 Acórdão n.º 2803002.886 S2TE03 Fl. 83 8 DO CERCEAMENTO DA AMPLA DEFESA 15. Dos autos verificase que para o autuado foi concedido o prazo legal de 30 (trinta) dias, a contar da ciência do auto de infração, para apresentar a impugnação, sendo lhe assegurado vistas ao processo, bem como a extração de cópias das peças necessárias a sua defesa, caso quisesse, garantindose desta forma o contraditório e a ampla defesa. 16. Ademais, a jurisprudência é mansa e pacífica no sentido de que quando o contribuinte revela conhecer as acusações que lhe foram impostas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa impugnação, abrangendo não só as questões preliminares como também as razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. 17. Quanto ao procedimento fiscal realizado pela agente do fisco, verificase que foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. 18. Verificase, ainda, que o Auto de Infração (fl. 2), bem como o Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal de fl. 15, identifica por nome e CEI o autuado, esclarece que foi lavrado na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santos SP, cuja ciência foi efetuada regularmente, conforme o serviços de remessa de Registro Postal nº RO 2 5.0 2 5 4 5 20 BR e nº SX 602053461 BR – Sedex 10 em 15/10/2008 (fls. 20/21). 19. No presente caso, não se tem dúvidas de que o lançamento se deu em razão da constatação das irregularidades apontadas no Auto de Infração, lavrado sem que o recorrente comprovasse efetivamente as suas alegações. 20. Vejase que o Auto de Infração, ora guerreado, em atendimento a legislação pertinente, entre outros requisitos formais, contem a capitulação legal e a descrição dos fatos, o que significa dizer que somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Nesses autos o lançamento encontrase revestidos desses requisitos, e, tanto é verdade que, da peça impugnatória, verificase que ao autuado, reiterese, possibilitouse ele conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, de forma que, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. 21. Ora, o lançamento, como ato administrativo vinculado, celebrase com estrita observância dos pressupostos estabelecidos pelo art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, cuja motivação deve estar apoiada estritamente na lei, sem a possibilidade de realização de um juízo de oportunidade e conveniência pela autoridade fiscal. O ato administrativo deve estar consubstanciado por instrumentos capazes de demonstrar, com segurança e certeza, os legítimos fundamentos reveladores da ocorrência do fato jurídico tributário. Isso tudo foi observado quando da imputação da penalidade ao autuado, através do Auto de Infração lavrado. 22. Assim, não acolho os argumentos do recorrente de que no procedimento fiscal ocorreu cerceamento de defesa, haja vista que no caso foi observado todos os requisitos legais necessários, constatandose, portanto, que a autuação é plenamente válida. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/1 2/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15983.001119/200816 Acórdão n.º 2803002.886 S2TE03 Fl. 84 9 DA RESPONSABILIDADE E IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO 23. Em busca de eximirse da responsabilidade pela o ato infracional praticado, o recorrente, em síntese, nesse ponto, alega que “a atividade precípua da Serventia então sob a responsabilidade do Autuado não era contábil e assim sendo, competialhe apenas ao receber as guias de recolhimento efetuar os pagamentos em suas épocas próprias, de acordo com instruções recebidas exatamente da Contadora (...)”, Sra. Tânia Mara da Costa Cardoso Nogueira, a qual para essa função fora contratada como responsável pela contabilidade do Tabelionato e como tal tinha a incumbência profissional para elaborar todos os documentos fiscais do cartório. 24. Em razão dessa atribuição deferida, contratualmente, a contadora do cartório, por entender o recorrente que não deu causa a autuação, entende que se procedente o auto de infração, deve o mesmo ser de responsabilidade da contadora, a luz do que dispõe o art. 1.177 do Código Civil, in verbis: Art. 1.177. Os assentos lançados nos livros ou fichas do preponente, por qualquer dos prepostos encarregados de sua escrituração, produzem, salvo se houver procedido de máfé, os mesmos efeitos como se o fossem por aquele. Parágrafo único. No exercício de suas funções, os prepostos são pessoalmente responsáveis, perante os preponentes, pelos atos culposos; e, perante terceiros, solidariamente com o preponente, pelos atos dolosos. 25. Sem maiores digressões, e, com todo respeito ao entendimento do recorrente, seus argumentos não se sustentam e não devem prosperar. Isto porque os fundamentos que o autuado se vale no Código Civil não se aplica ao Direito Tributário, pois, no caso, admitilos seria o mesmo que, na via contratual privada, admitir a alteração de um dos aspectos pessoais (sujeito passivo) da regra matriz tributária, o que encontra óbice no art. 123 do Código Tributário Nacional, onde está previsto que, salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, em matéria tributária não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. 26. Apenas para efeito de argumentação, ainda que se entenda que ao caso seja aplicável o disposto no art. 1.177 do Código Civil, mesmo assim a responsabilidade pelo ato infracional não teria como ser imposta a contadora, Sra. Tânia Mara da Costa Cardoso Nogueira, uma vez que não há nos autos comprovação que a mesma tenha agido com má fé ou dolo. Neste contexto, concordo com os julgadores a quo quando afirmam (fl.56): “(...) tanto no parágrafo único do artigo 1.177 como no caput do artigo 1.178 do Código Civil está sacramentado que a responsabilidade é do preponente, no presente caso, o Sr. José Maria. Isto porque não se comprovou nos autos qualquer ação de máfé ou dolosa efetivada pelo profissional responsável pela escrituração contábil do 4º Tabelião.” Fl. 84DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/1 2/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15983.001119/200816 Acórdão n.º 2803002.886 S2TE03 Fl. 85 10 27. Do acima arrazoado, entendo que o sujeito passivo da obrigação tributária está perfeito e legalmente identificado pela autoridade fiscal, impossibilitando com isto e pelas razões já apontadas imputar a responsabilidade desses autos a pessoa diferente do Sr. José Maria de Oliveira. DA INCONSTITUCIONALIDADE DO CONTIDO NO ITEM 1.2 DO RELATÓRIO FISCAL 28. O recorrente afirma que não bastasse a ilegitimidade passiva, o contido no item 1.2 do Relatório Fiscal se afigura inconstitucional por não respeitar o princípio da isonomia, tomando para tanto o apontado no referido relatório no sentido “de que os cartórios não tem personalidade jurídica embora sejam obrigados a inscrição em CNPJ, e, por conta disso equiparados a empresa”. 29. Trago à colação o item 1.2 do relatório fiscal a que faz referência o recorrente, onde consta o seguinte:: “1.2 As informações inexatas nos campos relativos ao CNPJ/CEI e Razão Social se deram em todo o período objeto do procedimento fiscal — 01/2004 a 12/2004. Enviou as GFIP informando como Razão Social — 4° Cartório de Notas e CNPJ — 51.653.731/000177. Embora obrigados a inscrição no CNPJ — Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, os cartórios não tem personalidade jurídica, razão pela qual considerase como responsável o titular da serventia. Em consonância com a realidade jurídica dos cartórios, a Instrução Normativa SRP 03/2005 em seu artigo 19, inciso III, alínea h, determina especificamente que a inscrição de Cartório deva ser efetuada no Cadastro Especifico do INSS (CEO, tendo como responsável pela matricula o titular de Cartório. A matricula deve ser emitida em nome do titular, ainda que a respectiva serventia seja registrada no CNPJ. Dessa forma o tabelião responsável deve preencher a GFIP informando o seu próprio nome no campo Razão Social, bem como sua matricula CEI no campo CNPJ/CEI.” 30. Ocorre que, mesmo que o referenciado pelo recorrente constasse do Relatório Fiscal, por absoluta falta de competência desta Corte para análise da matéria, não assiste razão ao recorrente, pois está previsto na legislação que em sede de instância administrativa não podem ser apreciadas questões que versem sobre inconstitucionalidade, e, quando for o caso, tais discussões estão reservadas ao Poder Judiciário. 31. Neste diapasão é o que preconiza o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências, in verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 85DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/1 2/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15983.001119/200816 Acórdão n.º 2803002.886 S2TE03 Fl. 86 11 (...). § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). b) súmula da Advocacia Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). c) pareceres do Advogado Geral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). 32. É no mesmo sentido a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda a este Conselho se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. “Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA 33. Narra o auto de infração que o recorrente foi autuada por ter informado a GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, com incorreções, inclusive em relação aos campos CNPJ/CEI e razão social, nas competências 01 a 12/2004, ali indicando indevidamente o CNPJ 51.563.731/0001 77 e razão social do 4º Cartório de Notas, quando o correto seria a aposição do número do Cadastro Específico do INSS CEI e do nome do titular da serventia naqueles campos. 34. Tal fato constitui infração ao inciso IV, parágrafo 6º do artigo 32 da Lei n°. 8.212, de 24/07/1991, com a redação dada pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, c/c o inciso IV, parágrafo 4º do artigo 225 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n°. 3.048/99, sujeitandose o infrator a aplicação da multa prevista no art. 284, inciso III , c/c o art. 373, ambos do RPS. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 “Art. 32. A empresa é também obrigada a: Fl. 86DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/1 2/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15983.001119/200816 Acórdão n.º 2803002.886 S2TE03 Fl. 87 12 (...). IV Informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS (redação dada pela lei 9.528/97) (...). § 6° A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no artigo 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no § 4°.” Decreto nº 3.048/99 Regulamento da Previdência Social RPS “Art.225. A empresa é também obrigada a: IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (...). § 4º O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa, (g.n.).” (...). Art. 284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: (...). III cinco por cento do valor mínimo previsto no caput do art. 283, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Art.373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. (...) Fl. 87DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/1 2/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15983.001119/200816 Acórdão n.º 2803002.886 S2TE03 Fl. 88 13 35. Dos dispositivos apontados, fica nítido o não cumprimento regular das obrigações acessórias relacionadas às contribuições sociais previdenciárias, como estabelecido na legislação, passível, portanto de punibilidade, principalmente por terem a finalidade de auxiliar o INSS na administração do custeio de benefícios aos segurados. DA APLICAÇÃO DA MULTA 36. No que tange à regra aplicável ao caso em análise, tendo em vista a superveniência de legislação mais benéfica no que se refere a penalidade por descumprimento de obrigação acessória passo a análise da matéria. 37. Ocorre que a Lei n.º 11.941, de 2009, alterou a Lei n.º 8.212/91 para abrandar os valores da multa aplicada: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e. II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou . II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e. II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” 38. Diante da regulamentação acima exposta, é possível identificar as regras do artigo 32A: Fl. 88DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/1 2/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15983.001119/200816 Acórdão n.º 2803002.886 S2TE03 Fl. 89 14 a) é regra aplicável a uma única espécie, dentre tantas outras existentes, de declaração: a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. 39. Nesse momento, passo a examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. 40. O inciso II do artigo 32A manteve a desvinculação entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: “II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo.” 41. Dessa forma, depreendese da leitura do inciso que o sujeito passivo estará sujeito à multa prevista no artigo, mesmo nos casos em que efetuar o pagamento em sua integralidade, ou seja, cem por cento das contribuições previdenciárias. 42. E fazendo uma comparação do referido dispositivo com o artigo 44 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996 (que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais) percebese que as regras diferem entre si, pois as multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração: “LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. (...). Fl. 89DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/1 2/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15983.001119/200816 Acórdão n.º 2803002.886 S2TE03 Fl. 90 15 Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições (...). Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis”. 43. Outra diferença é que as multas elencadas no artigo 44 justificamse pela necessidade de realização de lançamento pelo fisco, já que o sujeito passivo não efetuou o pagamento, sendo calculadas independentemente do decurso do tempo, eis que a multa de ofício não se cumula com a multa de mora. A finalidade é exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, dados esses que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. 44. Feitas essas considerações, tenho por certo que as regras postas no artigo 44 aplicamse aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. No que se refere à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, devese observar o preceito por meio do qual a norma especial prevalece sobre a geral, uma vez que o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente a uma espécie de declaração que é a GFIP, devendo assim prevalecer sobre as regras do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 o qual se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não pode ser aplicado o artigo 43 da mesma lei: “Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Fl. 90DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/1 2/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15983.001119/200816 Acórdão n.º 2803002.886 S2TE03 Fl. 91 16 45. Resumindo, é possível concluir que para a aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria, sendo irrelevante a existência ou não pagamento/recolhimento e qual tenha sido a multa aplicada no documento de constituição do crédito relativo ao tributo devido. 46. Quanto à cobrança de multa nesses lançamentos, realizados no período anterior à MP n° 449/2008, entendo que não há como aplicar o artigo 35A, pois poderia haver retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. 47. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da MP n° 449/2008 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à MP n° 449/2008 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: “Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/1 2/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15983.001119/200816 Acórdão n.º 2803002.886 S2TE03 Fl. 92 17 §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Redação anterior do artigo 35: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa;” 48. No que tange aos autos de infração referentes à GFIP, que foram lavrados antes da MP n° 449/2008, importa que seja feita a análise quanto à aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...). II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Fl. 92DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/1 2/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15983.001119/200816 Acórdão n.º 2803002.886 S2TE03 Fl. 93 18 49. E como pode ser notado, as novas regras trazidas pelo artigo 32A são, a priori, mais benéficas que as anteriores, posto que nelas há limites inferiores, senão vejamos: no caso da falta de entrega da GFIP e omissão de fatos geradores, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária, no primeiro caso; e será de R$ 20,00 por grupo de 10 informações omitidas ou incorretas, no segundo caso. 50. Portanto, nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequála ao artigo 32A. Porém, nos casos em que a multa contida no auto de infração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras, não há como se falar em retroatividade. 51. Pelas razões acima apontadas entendo que os valores impostos pelo fisco devem ser recalculados, conforme o novo regramento do citado artigo 32A, I, e comparados com o constantes dos presentes autos, prevalecendo a regra que for mais benéfico para o contribuinte. CONCLUSÃO 52. Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e darlhe parcial provimento para que a multa seja recalculada de acordo com o artigo 32A, I, da Lei nº 8.212/91, se mais benéfica ao contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 10/1 2/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.008369/2003-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/11/1998, 31/12/1998
MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Em face da retroatividade benigna, cancela-se a multa de lançamento de ofício.
Numero da decisão: 3201-001.331
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o conselheiro Paulo Sergio Celani.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
EDITADO EM: 04/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Luciano Lopes de Almeida Moraes, Carlos Alberto Nascimento Silva e Pinto, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sergio Celani e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Ausente justificadamente a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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RETROATIVIDADE BENIGNA. Em face da retroatividade benigna, cancelase a multa de lançamento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o conselheiro Paulo Sergio Celani. JOEL MIYAZAKI Presidente. DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 04/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Luciano Lopes de Almeida Moraes, Carlos Alberto Nascimento Silva e Pinto, Daniel Mariz Gudiño, Paulo Sergio Celani e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Ausente justificadamente a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 83 69 /2 00 3- 91 Fl. 241DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por JOEL MIYAZAKI 2 Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a interposição do recurso voluntário, transcrevese abaixo o relatório da decisão recorrida e sua ementa, seguidos das razões recursais: Tratase de Auto de Infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins relativa aos períodos de apuração de novembro e dezembro de 1998. A exigência fiscal originouse de procedimento de Auditoria Interna realizada na DCTF apresentada pela contribuinte, tendo sido considerado inexistente no sistema Profisc da Receita Federal o número do processo administrativo informado na referida declaração. Cientificada da exigência fiscal, a autuada apresenta impugnação alegando que compensou os débitos da Cofins lançados de ofício com crédito relativo a Saldo Negativo do Imposto de Renda dos anos calendários de 1996 e 1997, objeto do processo administrativo nº 10580.007291/9841. Ao presente processo foi anexada fotocópia do Parecer nº 443/2004, proferido pela DRF/Salvador naquele processo, em que foi reconhecido parcialmente o direito creditório pleiteado, do qual destacase o seguinte trecho: “Há que se ressaltar que em nenhum momento ao longo do desenrolar deste processo a contribuinte formalizou a compensação de qualquer débito específico, seja nos termos dos §§ 3º e 4º do art. 12 da IN SRF 21/97, mediante a apresentação do pedido de compensação constante do anexo III daquela Instrução Normativa ou através de Declaração de Compensação que veio a substituíla por conta da edição da IN SRF 210/2002. Assim, já que a requerente não indicou nenhum débito a ser compensado, ficamos limitados apenas ao reconhecimento do direito creditório proveniente do saldo negativo das declarações de imposto de renda dos exercícios de 1997 e 1998”. Também foi anexado memorando encaminhado ao DRF/SECAT/GAJ pela Procuradoria da Fazenda Nacional por meio do qual solicitou informação acerca do presente processo, “tendo em vista a necessidade de contestação da ação ordinária de anulação de créditos tributários em razão da alegada compensação com créditos de imposto de renda anteriormente declarados”. Solicitou, ainda, manifestação da DRF/Salvador “quanto à correção do valor de indevido (sic) a título de imposto de renda nos anos calendário 96 e 97, que a empresa pretende ver compensados com a COFINS”. Nenhuma menção foi feita quanto ao número da citada ação judicial. Desta forma, considerandose a possível identidade de objeto entre o presente processo e a ação ordinária de anulação de créditos tributários, foi determinada a realização de diligência visando confirmar a concomitância entre as matérias e sua repercussão quanto à renúncia às instâncias administrativas. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10580.008369/200391 Acórdão n.º 3201001.331 S3C2T1 Fl. 242 3 Assim, foram anexados ao processo os documentos de folhas 56/186. A instância a quo não conheceu a impugnação, mantendo o lançamento em parte, nos termos do Acórdão nº 1529.197, de 09/12/2011, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/1998, 31/12/1998 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL Tratandose de matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, não se conhece da impugnação administrativa, quanto ao mérito, por ter o mesmo objeto da ação judicial, em respeito ao princípio da unicidade de jurisdição contemplado na Carta Política. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/11/1998, 31/12/1998 MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em face da retroatividade benigna, cancelase a multa de lançamento de ofício. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido em Parte Como a parcela do crédito tributário que foi exonerada pela decisão da instância a quo excedeu ao patamar previsto no art. 1º da Portaria MF nº 3, de 2008 (o crédito tributário era originalmente R$ 9.362.213,54 e foi reduzido a R$ 6.633.830,43), o Presidente de 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) interpôs recurso de ofício, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. Não foi interposto recurso voluntário. O processo foi encaminhado para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e distribuído a este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Fl. 243DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por JOEL MIYAZAKI 4 O recurso de ofício atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. O referido recurso ataca a decisão recorrida pelo fato de ter exonerado a multa de ofício do lançamento original. A parte da decisão atacada está assim fundamentada: Por fim, destaquese que o art. 18 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, limitou a aplicação do art. 90 da MP no 2.15835, de 2001, à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida – nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Daí que, em face do princípio da retroatividade benigna (art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional), no julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no art. 90 da MP nº 2.15835, as multas de ofício exigidas juntamente com as diferenças lançadas devem ser exoneradas pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei no 10.833, de 2003, desde que essas penalidades não tenham sido fundamentadas nas hipóteses versadas no “caput” desse artigo. Sendo este o contexto que aqui se apresenta, impõese a exoneração da multa de ofício aplicada. A partir do excerto transcrito, percebese que as razões para a exoneração da multa de ofício estão em linha com a legislação. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício, mantendo a decisão recorrida pelos próprios fundamentos e o crédito tributário parcialmente. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 244DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 10875.004366/2001-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2001
IPI. CRÉDITO DA LEI n° 9.779/99. IN n° 33/99. EXIGÊNCIA DE ESGOTAMENTO DO CRÉDITO DO REGIME ANTERIOR. DESCABIMENTO NO CASO. Desnecessária a comprovação do esgotamento do crédito de IPI existente em 31.12.1998 para aproveitamento de créditos mais recentes, quando estes comprovadamente são derivados de aquisições ocorridas no ano de 2001. A comprovação do esgotamento só se justifica para evitar a indevida compensação de créditos não sujeitos ao regime da Lei n° 9.779/99 com tributos diversos do IPI.
Recurso Especial do Procurador negado.
Numero da decisão: 9303-002.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, e Irene Souza da Trindade Torres que davam provimento.
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ - Relatora.
EDITADO EM: 30/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso (Substituto convocado), Irene Souza da Trindade Torres (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, e Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, e Irene Souza da Trindade Torres que davam provimento. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente. MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ - Relatora. EDITADO EM: 30/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso (Substituto convocado), Irene Souza da Trindade Torres (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, e Susy Gomes Hoffmann.
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CRÉDITO DA LEI n° 9.779/99. IN n° 33/99. EXIGÊNCIA DE ESGOTAMENTO DO CRÉDITO DO REGIME ANTERIOR. DESCABIMENTO NO CASO. Desnecessária a comprovação do esgotamento do crédito de IPI existente em 31.12.1998 para aproveitamento de créditos mais recentes, quando estes comprovadamente são derivados de aquisições ocorridas no ano de 2001. A comprovação do esgotamento só se justifica para evitar a indevida compensação de créditos não sujeitos ao regime da Lei n° 9.779/99 com tributos diversos do IPI. Recurso Especial do Procurador negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, e Irene Souza da Trindade Torres que davam provimento. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ Relatora. EDITADO EM: 30/10/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 43 66 /2 00 1- 10 Fl. 308DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso (Substituto convocado), Irene Souza da Trindade Torres (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Tratase de análise de recurso especial por suposta contrariedade à lei, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, ao amparo do art. 7° , 1 do antigo RICSRF (Portaria MF n° 147/2007), em face do Acórdão n° 20403.056, por meio do qual deuse provimento ao recurso. A controvérsia suscitada cingese à questão imposta pelo art. 5° da IN SRF n° 33/99, na parte em que exige o esgotamento do crédito de IPI acumulado na escrita fiscal até 31/12/1998 para que o contribuinte possa usufruir do direito previsto no art. 11 da Lei n°. 9.779/99. Alega a recorrente, que a decisão recorrida viola o art. 11 da Lei n°. 9.779/99. A ementa da decisão recorrida possui a seguinte redação: IPI. CRÉDITO DA LEI n° 9779/99. IN n° 33/99. EXIGÊNCIA DE ESGOTAMENTO DO CRÉDITO DO REGIME ANTERIOR. DESCABIMENTO NO CASO. Desnecessária a comprovação do esgotamento do crédito de IPI existente em 31.12.1998 para aproveitamento de créditos mais recentes, quando estes comprovadamente são derivados de aquisições ocorridas no ano de 2001. A comprovação do esgotamento só se justifica para evitar a indevida compensação de créditos não sujeitos ao regime da Lei n° 9.779/99 com tributos diversos do IPI. Demonstrado que o crédito é regido por tal lei, não pode ser exigido da contribuinte comprovação que não tem utilidade e não influi na validade do crédito, sob pena de desrespeito ao direito de compensar colocado por lei. Recurso provido. Por meio do Despacho n° 34001322 4a Câmara, sob o entendimento de estarem presentes as condições legais, o recurso foi admitido. Segundo a análise de admissibilidade “O Acórdão recorrido entendeu que o art. 5°. da IN SRF n° 33/99 não poderia exigir o prévio esgotamento do crédito acumulado na escrita fiscal do contribuinte como requisito para que este usufruísse do direito estabelecido no art. 11 da Lei n° 9.779/99. A Procuradoria da Fazenda Nacional alega que esta decisão violou o próprio art. 11 da Lei n°. 9.779/99.” A interessada apresentou contrarrazões onde em apertada síntese pede: I o não conhecimento do recurso interposto pela D. procuradoria da Fazenda Nacional eis que este não logrou comprovar ter ocorrido contrariedade à lei; e II caso conhecido, para que seja negado provimento. Para tanto, (SIC) “a fim de demonstrar sua boafé e a de que observara os procedimentos regulamentares, no sentido de que havia realizado o estorno do IPI acumulado em 31/12/1998, a recorrida realiza agora a juntada do livro de Apuração n. 8, onde consta expressamente a indicação : ESTORNO DE CRÉDITO DEVIDO A NÃO UTILIZAÇÃO.” Fl. 309DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10875.004366/200110 Acórdão n.º 9303002.615 CSRFT3 Fl. 9 3 É o relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López O recurso interposto atende aos requisitos legais e dele tomo conhecimento. Esclareço que por se tratar de recurso interposto sob o fundamento de “contrariedade à lei” a sua admissibilidade se fundamenta na própria análise do recurso. A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior, cingese às seguintes questões: da possibilidade ou não da norma regulamentadora do art. 11 da n° 9.779/99, no caso IN SRF n° 33/99, estipular a exigência de esgotamento do saldo credor de IPI, existente em 31/12/1998, como requisito para aproveitamento do direito estabelecido na lei mencionada. a segunda, na linha adotada pela decisão recorrida, diz respeito ao crédito utilizado, ser proveniente, de aquisições do ano de 2001, utilizandose para compensação com tributos de 2000 e 2001. da possibilidade de acolher documentos trazidos em grau de recurso. Consta do relatório da decisão recorrida: Tratase de pedido de ressarcimento e compensação formulado pela Recorrente, em que requer a compensação de valores decorrentes da aquisição de insumos tributados pelo IPI aplicados em produtos isentos ou tributados a alíquota zero (art. 11 da Lei n° 9.779/99). Tais aquisições teriam ocorrido entre janeiro e março de 2001 ( Iº trimestre de 2001), e pretendese a compensação dos créditos com tributos devidos em novembro de 2000 e abril de 2001 (IRPJ lucro presumido e Cofíns). Analisado o pedido pela autoridade competente, verificouse que o mesmo não atende ao disposto na IN 33/99, que exige, para o aproveitamento dos referidos créditos, a comprovação do esgotamento dos créditos existentes em 31 de dezembro de 1998. De acordo com a referida decisão, a Recorrente não teria comprovado o esgotamento dos créditos, de maneira a inviabilizar o pleito. Inconformada, protocolou manifestação de inconformidade, afirmando a regularidade dos créditos e que já obteve ressarcimento e compensação de outros pedidos. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO 4 Afirma ainda que cumpriu as determinações da lei para obtenção do crédito. A DRJ julgou a manifestação improcedente, por entender que não houve o atendimento da formalidade exigida pela IN n° 33/99, não tendo sido comprovado o esgotamento dos créditos tributários de 31.12.1998. Intimada desta decisão, apresentou recurso voluntário onde sustenta seu direito de ressarcimento e compensação dos créditos, afirmando que impedir a utilização dos créditos impõe ao IPI regime cumulativo, o que contraria a Constituição Federal. Foi remetido o recurso a este Conselho para julgamento. Consta da decisão recorrida voto do ilustre relator AIRTON ADELAR HACK, o que a seguir reproduzo: Notase que a Lei n° 9.779/99 colocou o direito de ressarcir ou compensar o crédito derivado da aquisição de insumos tributados pelo IPI aplicados a produtos nãotributados. Tais créditos seriam aqueles acumulados na escrita fiscal que não poderiam ser utilizados para compensar IPI devido em outros produtos fabricados pela contribuinte. Ocorre que tal regime é válido apenas a partir de 1° de janeiro de 1999, sendo vigente para os créditos anteriores a esta data o regime anterior, que não permitia o ressarcimento ou compensação com outros tributos. A lei atribuiu à SRF a tarefa de regulamentar a forma de aproveitamento destes créditos. E a SRF assim o fez, conforme a IN 33/99 cujo art. 5 o foi citado acima. Tal artigo impôs que a utilização dos créditos da forma da Lei n° 9.779/99 só poderia ocorrer após o esgotamento integral dos créditos existente em 31 de dezembro de 1998, ou seja, créditos sujeitos ao regime anterior de tributação. Tal medida se explica pelo fato de que estes créditos anteriores não poderiam ser compensados com outros tributos ou ressarcidos. Assim, foi estabelecida a presunção de que os primeiros insumos que entraram integraram os primeiros insumos que saíram (sistema PEPS). Tal medida se deve a necessidade de impedir que a contribuinte utilizasse créditos sujeitos ao regime anterior para compensação e ressarcimento. Ocorre que, no caso em questão, notase que o crédito deriva de aquisições do ano de 2001, utilizandose para compensação com tributos de 2000 e 2001. (destaques, não do original) Ora, se os créditos foram todos obtidos em 2001, incide sobre os mesmos integralmente o regime da Lei n° 9.779/99, permitindo seu ressarcimento ou compensação com outros tributos. A formalidade da IN 33/99 se mostra ilegal, uma vez que impede o aproveitamento de um crédito que está integralmente regido pela Lei n° 9.779/99, sendo possível sua compensação com outros tributos diversos do IPI. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10875.004366/200110 Acórdão n.º 9303002.615 CSRFT3 Fl. 10 5 Não pode ser condicionado a utilização de tal crédito com o esgotamento de crédito do regime anterior. A exigência até se justificaria caso o crédito fosse derivado de aquisições em período próximo do início do ano de 1999. Mas as aquisições que comprovadamente foram efetuadas em 2001 estão claramente sujeitas ao regime da Lei n° 9.779/99, sendo a exigência da IN 33/99 abusiva e ofensiva ao direito da contribuinte de compensar o crédito com outros tributos diversos do IPI. Isso posto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, reconhecendo o pedido de compensação formulado. Passo à análise: Primeiramente, vejamos o que diz a legislação. O legislador, reporta à possibilidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil regulamentar ou não o disposto no art. 11 da Lei n° 9.779/99. Isto se resolve pela simples leitura do texto do art. 11 abaixo transcrito: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda.(Grifamos). Não parece haver dúvidas quanto à capacidade regulamentar da RFB (então Secretaria da Receita Federal – SRF) e em relação à matéria do art. 11 da Lei n° 9.779/99, a não ser que se pretenda inquinar de inconstitucionalidade este dispositivo, o que escapa à competência do CARF (Súmula n° 2, Consolidada do CARF). Na sistemática vigente até 31.12.98, o saldo credor de IPI que remanescesse na escrita fiscal não podia ser compensado com outros tributos federais, salvo situações de exceção, previstas em lei. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal1 firmouse no sentido de que os créditos de IPI registrados na escrita fiscal não tem natureza de crédito tributário, mas de crédito meramente escritural, contábil, não se incorporando ao patrimônio do contribuinte. Dessa forma, o saldo credor remanescente a cada período de apuração, excluídos os créditos incentivados, só podia ser compensado com os débitos de IPI existentes no período de apuração seguinte e, assim, sucessivamente. Empresas que não tivessem saídas de produtos tributados pelo IPI, não teriam como aproveitar o saldo credor acumulado. Isto posto, resta perquirir se o texto da IN SRF n° 33/99, especialmente o contido em seu art. 5º, § 3º, teria extrapolado os ditames legais. Eis o texto atacado da IN SRF n° 33/99: 1 RE nº 148114, de 17.06.1997 e Agravo de Instrumento nº 1988891, Ministro Moreira Alves, 16/06/97, que em determinada passagem declara: “Uma vez abatido o débito, desaparece. Não se incorpora de forma alguma ao patrimônio do contribuinte. Tanto que este, ao encerrar suas atividades, não tem o direito de cobrar seus créditos não escriturados da Fazenda. Esses créditos não existem sem o débito correspondente.” Fl. 312DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO 6 Art. 5º Os créditos acumulados na escrita fiscal, existentes em 31 de dezembro de 1998, decorrentes de excesso de crédito em relação ao débito e da saída de produtos isentos com direito apenas à manutenção dos créditos, somente poderão ser aproveitados para dedução do IPI devido, vedado seu ressarcimento ou compensação. § 1º Os créditos a que se refere este artigo deverão ficar anotados à margem da escrita fiscal do IPI. § 2º O aproveitamento dos créditos do IPI de que trata este artigo somente poderá ser efetuado com débitos decorrente da saída dos produtos acabados, existentes em 31 de dezembro de 1998, e dos fabricados a partir de 1º de janeiro de 1999, com a utilização dos insumos originadores desses créditos, considerandose que os produtos que primeiro saírem foram industrializados com a utilização dos insumos que primeiro entraram no estabelecimento. § 3º O aproveitamento dos créditos, nas condições estabelecidas no artigo anterior, somente será admitido após esgotados os créditos referidos neste artigo. (Grifamos). Necessário analisar se a Lei n° 9.779/99 institui ou não um novo regime de créditos para o IPI. Entendo que sim, i.e., com o advento da Lei n° 9.779/99, créditos que eram antes de estorno obrigatório (decorrentes de insumos que fossem utilizados na fabricação de produtos saídos com isenção ou alíquota zero), passaram a ser mantidos na escrita fiscal juntamente com os outros créditos de insumo destinados à fabricação de produto com alíquota maior que zero, e passaram a ser ressarcíveis trimestralmente (o que antes só era admitido para os créditos decorrentes da exportação). Assim, no entender desta Conselheira não há dúvida que se trata de um novo regime de créditos. Neste sentido, há que se concordar com o argumento da PGFN de que o “regramento efetuado pela IN n° 33/99, objetivou evitar a eficácia retroativa da novel legislação.” Este raciocínio é corroborado pela jurisprudência do CARF, que em sua atual Súmula 16 (consolidada) dispõe: Súmula CARF nº 16: O direito ao aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na fabricação de produtos cuja saída seja com isenção ou alíquota zero, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos pelo estabelecimento do contribuinte a partir de 1º de janeiro de 1999. Assim, sob esta ótica, não pode haver duvida da perfeita adequação do dispositivo do § 3º do art. 5º da SRF IN n° 33/99 aos objetivos pretendidos pelo art. 11 da Lei n° 9.779/99. Tal dispositivo visa tão somente a separação dos dois tipos créditos, que são regulados por regimes diferentes de utilização e aproveitamento. O contribuinte também argumenta que os créditos a serem utilizados são todos derivados de aquisições já feitas sob o regime da Lei n° 9.779/99. A decisão recorrida assim se manifesta: Fl. 313DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10875.004366/200110 Acórdão n.º 9303002.615 CSRFT3 Fl. 11 7 Ocorre que, no caso em questão, notase que o crédito deriva de aquisições do ano de 2001, utilizandose para compensação com tributos de 2000 e 2001. (destaques, não do original) Ora, se os créditos foram todos obtidos em 2001, incide sobre os mesmos integralmente o regime da Lei n° 9.779/99, permitindo seu ressarcimento ou compensação com outros tributos. Ë verdade que os créditos do IPI não são “carimbados” fisicamente numa matriz insumoproduto, mas são registrados em ordem de chegada dos insumos ao estabelecimento, daí que o marco temporal é importante na medida preconizada na IN n° 33/99 necessária para que não haja ‘mistura” de créditos dos dois regimes. Tanto é assim, que o § 2º do art. 5º da IN 33/99 impôs uma vinculação aos produtos fabricados com os insumos adquiridos antes da aplicação da Lei n° 9.779/99, considerando uma operação de débitos e créditos à margem da escrita fiscal do IPI. Ou seja, é razoável, se afirmar que o estabelecimento possua créditos na escrita (não esgotados) por um período depois do início do regime. Mas no caso dos autos, o crédito se refere a um período bem posterior, o que de certo, é razoável se pensar que já na aplicação da Lei n° 9.779/99. No caso em análise a interessada traz, ainda que em fase recursal ( contrarrazões) documento, para esclarecimento que atesta o estorno de crédito anterior a 31/12/1998. “a fim de demonstrar sua boafé e a de que observara os procedimentos regulamentares, no sentido de que havia realizado o estorno do IPI acumulado em 31/12/1998, a recorrida realiza agora a juntada do livro de Apuração n. 8, onde consta expressamente a indicação : ESTORNO DE CRÉDITO DEVIDO A NÃO UTILIZAÇÃO.” É importante ressaltar que o relator da decisão recorrida deu provimento ao recurso por duas razões: A primeira, por considerar ilegal a IN n° 33/99 ao estabelecer como exigência, o estorno dos créditos anteriores à 31/12/1998. A segunda, por entender que no caso específico, “Desnecessária a comprovação do esgotamento do crédito de IPI existente em 31.12.1998 para aproveitamento de créditos mais recentes, quando estes comprovadamente são derivados de aquisições ocorridas no ano de 2001.” Questionase se é possível ao contribuinte produzir provas em qualquer fase processual segundo seu alvedrio. A negativa, em parte, se deve a garantia do andamento lógico do procedimento até seu atofim que é a decisão, como também a seqüência ordenada de atos processuais determinados em lei, para garantia dos contribuintes em face do Estado. Há ritos e formas inerentes a todos os procedimentos, e nesse sentido não há como se aceitar a informalidade absoluta, como se o direito à contestação do direito em si ou à prova fosse ilimitado. Para Paulo Bonilha, “o processo administrativo deve observar a forma e os requisitos mínimos indispensáveis à regular constituição e segurança jurídica dos atos que compõe o processo”.2 A concentração dos atos em momentos processuais oportunos tem a finalidade de proteger o Estado contra a protelação injustificada do processo. Por exemplo, a 2 BONILHA, Paulo Celso B. Da Prova no Processo Administrativo Fiscal. 1994, 2 ed., p. 3. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO 8 liberdade de suscitar questões, a possibilidade ilimitadas de alegações, a nãoobservância das fases lógicas do procedimento, a ocultação proposital dos fatos pelo contribuinte em determinada fase processual para sua apresentação em momento posterior, constituem fatores para a demora do processo, muitas vezes contrário ao interesse público. No entanto, os Conselheiros tem aceitado a juntada de provas quando sobre as mesmas não pairem dúvidas. A perquirição da verdade material é requisito indispensável e indeclinável da Administração. No caso dos autos, dois são os motivos que me levam a conclusão de que o direito socorre à contribuinte. A primeira, diz respeito à juntada do livro de apuração de IPI onde consta expressamente a indicação : ESTORNO DE CRÉDITO DEVIDO A NÃO UTILIZAÇÃO. A segunda, na linha adotada pela decisão recorrida, diz respeito ao crédito utilizado, ser proveniente, de aquisições do ano de 2001, utilizandose para compensação com tributos de 2000 e 2001. E nesse sentido, se os créditos foram todos obtidos em 2001, incide sobre os mesmos integralmente o regime da Lei n° 9.779/99, permitindo seu ressarcimento ou compensação com outros tributos. CONCLUSÃO. Em face do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Maria Teresa Martínez López Fl. 315DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 30/ 10/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO
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Numero do processo: 11686.000040/2009-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Não há que se falar em ressarcimento/compensação de Saldo Credor PIS e Cofins, vinculado a receita oriunda de venda de produtos sujeita a referida contribuição.
PIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO.
Segue a regra geral prevista no art. 3º da Lei n. 10.637/02, cuja alíquota é de 1,65%, quando a empresa apura créditos de PIS no regime da não-cumulatividade, mesmo aquelas empresas fabricantes de produtos farmacêuticos.
Numero da decisão: 3401-002.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Ângela Sartori - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Julio Cesar Alves Ramos, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há que se falar em ressarcimento/compensação de Saldo Credor PIS e Cofins, vinculado a receita oriunda de venda de produtos sujeita a referida contribuição. PIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. Segue a regra geral prevista no art. 3º da Lei n. 10.637/02, cuja alíquota é de 1,65%, quando a empresa apura créditos de PIS no regime da não-cumulatividade, mesmo aquelas empresas fabricantes de produtos farmacêuticos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Júlio César Alves Ramos Presidente Ângela Sartori - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Julio Cesar Alves Ramos, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há que se falar em ressarcimento/compensação de Saldo Credor PIS e Cofins, vinculado a receita oriunda de venda de produtos sujeita a referida contribuição. PIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. Segue a regra geral prevista no art. 3º da Lei n. 10.637/02, cuja alíquota é de 1,65%, quando a empresa apura créditos de PIS no regime da não cumulatividade, mesmo aquelas empresas fabricantes de produtos farmacêuticos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Júlio César Alves Ramos – Presidente Ângela Sartori Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Julio Cesar Alves Ramos, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 00 40 /2 00 9- 52 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11686.000040/200952 Acórdão n.º 3401002.467 S3C4T1 Fl. 6 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido em sede de DRJ, o qual julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade ofertada, não reconhecendo, pois, o direito creditório requerido pela Recorrente, relativo ao pedido de ressarcimento de crédito de PIS na sistemática da não cumulatividade, fls. 01/03, no importe de R$ 15.808,02, quando a fiscalização reconheceu apenas o valor de R$ 124,10, no período entre 04/2006 e 06/2006. O Recorrente efetuou Pedido Eletrônico de Ressarcimento de saldo de crédito de PIS na sistemática da nãocumulatividade, nos termos do art. 17 da Lei nº. 11.033/2004, o que culminou no início de procedimento fiscal verificar a legitimidade de tais créditos. Nesta senda, a Informação Fiscal resultante da fiscalização realizada, fls. 79/84, constatou as seguintes irregularidades, in verbis: II. 1 – Consideração incorreta de créditos vinculados a receitas não tributadas no mercado interno. 4. A empresa fiscalizada tem como principal atividade econômica a produção de medicamentos contidos na Lei 10.147, de 21 de dezembro de 2000. Em seu artigo 3º, a Lei concede a essas empresas um benefício denominado regime especial de utilização de crédito presumido das contribuições para o PIS e Cofins, o qual, se a empresa cumprir os requisitos impostos, corresponde ao exato valor das contribuições devidas sobre as vendas desses medicamentos. 5. Esse crédito só pode ser utilizado para deduzir o montante devido e não se confunde com os créditos apurados na incidência nãocumulativa das contribuições ao PIS e Cofins. Esse crédito presumido tem o condão de “anular” o efeito tributário dessas contribuições, mas isso não significa que as receitas com a venda desses medicamentos estão sujeitas à alíquota zero ou são isentar ou não tenham incidência, tal como o contribuinte considerou e por isso solicitou um valor de crédito em pedidos eletrônicos de ressarcimento muito superior ao permitido. (...) 6. As únicas receitas com alíquotas zero auferidas pelo contribuinte, e portanto, cujos créditos vinculados poderiam ser objeto de pedido de ressarcimento, são as vendas efetuadas no período para a Zona Franca de Manaus, conforme disposto na MP 202/04, convertida na Lei 10.996/04. As receitas com essas vendas do contribuinte estão abaixo resumidas, bem como o percentual em relação ao total das receitas auferidas pelo contribuinte e listadas integralmente à fl. 72. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 II. 2 – Cálculo incorreto de créditos a “Alíquotas Diferenciadas” 7. A Lei 10.147/00 também determina alíquotas diferenciadas de PIS e Cofins aos produtores e importadores dos produtos nela mencionados, como é o caso da fiscalizada. Essas alíquotas são de 2,1% e 2,2%, de PIS e 9,9% e 10,3%, de Cofins. 8. Nos cálculos de créditos da nãocumulatividade de PIS e Cofins apresentados pelo contribuinte (fls. 67/71), para todo o período fiscalizado, agosto de 2004 a dezembro de 2006, ele se utilizou de alíquotas “normais” 1,65% e 7,60% e de alíquotas diferenciadas: 2,1%, 2,2%, 9,9% e 10,3%, proporcionalizando a base de cálculo dos créditos de acordo com as receitas auferidas. 9. Não existe amparo legal para esse cálculo feito pela fiscalizada. Os créditos básicos da nãocumulatividade são apurados de acordo com os artigos 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03 a alíquotas de 1,65% para o PIS e 7,60% para a Cofins. Logo os créditos apurados pelo contribuinte foram inflados, calculados de forma completamente incorreta. (...) II. 3 – Depreciação calculada incorretamente 12. O contribuinte foi intimado a apresentar demonstrativo dos valores de depreciação utilizados como base de cálculo dos créditos de PIS e Cofins do período sob fiscalização.Quando da sua análise constouse que a partir de outubro de 2004 o contribuinte passou a utilizar créditos sobre o valor da aquisição em 24 parcelas mensais de todos os bens adquiridos. 13. Para usufruir desse benefício os bens adquiridos, além da obrigação de serem utilizados no processo produtivo da empresa, devem estar listados em ato do Poder Executivo. Tal ato é o Decreto 5.222/04 que remete aos Decretos 4.995/04 e 5.173/04. Apenas parte dos bens adquiridos pelo contribuinte em sua listagem estão contemplados pelos Decretos citados. Os demais bens adquiridos geram créditos incidem sobre os valores de depreciações contábeis mensais ou, facultativamente, sobre o valor de aquisição dos bens em 48 parcelas mensais. (...) 14. Assim, nas folhas 73/78 deste processo encontramse os bens adquiridos e listados pelo contribuinte com o acréscimo dos códigos da TIPI/NCM e com uma coluna informativa do período de depreciação utilizado pela fiscalização. Os bens que não puderam ter seu valor de aquisição utilizado em 24 meses foram utilizados em 48 meses. Logo, a base de cálculo dos créditos sobre a aquisição de bens para o ativo imobilizado utilizados na produção de bens do contribuinte foi recalculada conforme quadro (...). II. 4 – Compras sem direito a crédito incluídas na base de cálculo Fl. 168DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11686.000040/200952 Acórdão n.º 3401002.467 S3C4T1 Fl. 7 5 15. Foi feito um cruzamento das informações dos valores de comprar com direito a crédito apresentados em planilhas de cálculo pelo contribuinte (fls. 64/66) com valores constantes do livro de apuração do ICMS dos códigos CFOP que geram direito a crédito e foi constatado que, no mês de maio de 2006, ao invés de excluir o valor das compras que não geram direito a crédito do total, o valor dessas compras foram adicionados. Da Informação Fiscal, resultou o Despacho Decisório DRF/POA Nº 992/2009, fl. 87, na qual reconheceu parcialmente o direito creditório em favor do requerente no valor de R$124,10. Ato contínuo, devidamente notificada do despacho decisório, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, a qual foi julgada improcedente pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA), Acórdão nº. 10 27.824, fls. 119/122, restando assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO PRESUMIDO – RESSARCIMENTO IMPOSSIBILIDADE – Não constando expressamente o crédito presumido com uma das hipóteses estabelecidas pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004, inexiste previsão legal para o ressarcimento dos créditos vinculados às operações de vendas, nos termos do previsto pelo art. 16 da Lei nº 11.116/2005. PIS – SISTEMÁTICA DA NÃO CUMULATIVIDADE – CRÉDITOS – ALÍQUOTA – Na apuração de créditos passíveis de dedução dos débitos de PIS não cumulativo deve ser utilizada a alíquota de 1,65% mesmo quando se tratar de empresa fabricante de produtos farmacêuticos com tributação concentrada (monofásica). COMPRAS – ALÍQUOTA ZERO – CREDITAMENTO – IMPOSSIBILIDADE – Não dá direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. MATÉRIA NÃOIMPUGNADA – A matéria que não for expressamente contestada tornase definitiva na esfera administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a empresa interpôs recurso voluntário, fls. 138/146, no qual elencou os seguintes argumentos: Fl. 169DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 1. Deve ser conferido o mesmo tratamento ao crédito presumido às operações com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, devendo, por conseqüência, ser reconhecido o direito à manutenção e o aproveitamento dos créditos de PIS e COFINS nessas espécie de desoneração fiscal; 2. Estando a Recorrente sujeita às alíquotas majoradas, nos percentuais de 9,9% ou 10,3% (COFINS) e 2,1% ou 2,2% (PIS), conforme o produto, previstas na Lei n. 10.147/00, aplicáveis no sistema de tributação monofásica, para fins de cálculo do crédito da COFINS e do PIS deverão ser utilizadas igualmente tais alíquotas; É o breve relato do necessário. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11686.000040/200952 Acórdão n.º 3401002.467 S3C4T1 Fl. 8 7 Voto Conselheira Ângela Sartori O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos para a sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Na sessão de 24 de outubro de 2012, foi julgado o processo nº. 11686.000038/200983, resultando no Acórdão nº. 3401002.030, de minha relatoria, em que a ora Recorrente também ocupou o pólo passivo para discutir matéria idêntica ao presente caso, diferenciando tão somente quanto ao PER/DCOMP, eis que se trata de suposto crédito de COFINS para o período de 07/2006 a 09/2006 (diferentemente do presente caso por versar sobre crédito de PIS referente ao período de 04/2006 a 06/2006), razão pela qual, em virtude da salvaguarda do princípio da segurança jurídica, reproduzo as mesmas razões ali consignadas. DA COMPENSAÇÃO A Lei n. 10.147/00, em seu art. 3º, institui um regime especial de utilização de crédito presumido do PIS e da COFINS. Portanto, para ser beneficiária do citado crédito, mister se faz que atendam às exigências contidas no dispositivo acima citado. Para a compensação e restituição, há critérios específicos, in verbis: Art. 3º Será concedido regime especial de utilização de crédito presumido da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins às pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos classificados na posição 30.03, exceto no código 3003.90.56, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3001.20.90, 3001.90.10, 3001.90.90, 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10 e 3006.60.00, todos da TIPI, tributados na forma do inciso I do art. 1º, e na posição 30.04, exceto no código 3004.90.46, da TIPI, e que, visando assegurar a repercussão nos preços da redução da carga tributária em virtude do disposto neste artigo: ( Redação dada pela Lei nº 10.548, de 13.11.2002 ) I tenham firmado, com a União, compromisso de ajustamento de conduta, nos termos do § 6º do art. 5º da Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985; ou (Redação dada pela Lei nº 10.548, de 13.11.2002 ) II cumpram a sistemática estabelecida pela Câmara de Medicamentos para utilização do crédito presumido, na forma determinada pela Lei nº 10.213, de 27 de março de 2001. ( Redação dada pela Lei nº 10.548, de 13.11.2002 ) § 1º O crédito presumido a que se refere este artigo será: Fl. 171DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 I determinado mediante a aplicação das alíquotas estabelecidas na alínea a do inciso I do art. 1o desta Lei sobre a receita bruta decorrente da venda de medicamentos, sujeitas a prescrição médica e identificados por tarja vermelha ou preta, relacionados pelo Poder Executivo; ( Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 ) II – deduzido do montante devido a título de contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins no período em que a pessoa jurídica estiver submetida ao regime especial. § 2º O crédito presumido somente será concedido na hipótese em que o compromisso de ajustamento de conduta ou a sistemática estabelecida pela Câmara de Medicamentos, de que tratam, respectivamente, os incisos I e II deste artigo, inclua todos os produtos constantes da relação referida no inciso I do § 1º , industrializados ou importados pela pessoa jurídica. ( Redação dada pela Lei nº 10.548, de 13.11.2002 ) § 3º É vedada qualquer outra forma de utilização ou compensação do crédito presumido de que trata este artigo, bem como sua restituição. Conforme transcrito, a legislação veda “qualquer outra forma de utilização ou compensação do crédito presumido (...), bem como sua restituição”. A Recorrente pleiteia, para a compensação, a aplicação do art. 17 da Lei n. 11.033/04 e as regras do art. 16 da Lei n. 11.116/05, abaixo transcritos, verbis: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. (...) Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11686.000040/200952 Acórdão n.º 3401002.467 S3C4T1 Fl. 9 9 O saldo credor acumulado de PIS e COFINS vinculados às receitas com alíquota zero, isenção, suspensão ou não incidência e ainda receitas de exportação poderão ser compensados com saldo a pagar de PIS e COFINS e com qualquer tributo administrado pela Receita Federal do Brasil, conforme disposto no citado art. 16 da Lei n. 11.116/05, regulamentada pela IN n. 900, art. 34. Nesse diapasão, segue a hodierna doutrina, nas lições do Professor Leonardo Lima Cordeiro (BERGAMINI, Adolpho; PEIXOTO, Marcelo Magalhães, coordenadores. PIS e COFINS na teoria e prática: uma abordagem completa dos regimes cumulativo e não cumulativo. 3ª Ed. São Paulo: MP Editora, 2012. p. 550): “Os saldos credores acumulados de PIS e COFINS poderão, também, ser objeto de compensação com outros tributos administrados pela RFB, desde que se refiram: · Custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas e venda a empresa comercial exportadora, com fim específico de exportação; ou · Custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. · Aquisições de embalagens para revenda pelas pessoas jurídicas comerciais a que se referem os §§ 3º e 4º do art. 51 da Lei n. 10.833, de 2003, desde que os créditos tenham sido apurados a partir de 1º de abril de 2005. O artigo 42 e seguintes da IN RFB n. 900/08 estabelecem os critérios para que o contribuinte possa realizar a compensação de saldos credores de PIS e COFINS. Nem todo crédito de PIS e COFINS não utilizado pelo contribuinte na compensação com os valores devidos das próprias contribuições poderá ser utilizado na compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal. Para tanto, deverá o crédito decorrer das situações acima discriminadas. Basicamente, os créditos de PIS e COFINS poderão ser compensados com outros tributos administrados pela RFB quando decorrentes de situações em que há a desoneração das contribuições sobre a receita decorrente da venda de mercadorias ou serviços”. (sem grifo no original) Com efeito, a Recorrente é Indústria Farmacêutica e está sujeita à Lei n. 10.147/00. Dessa forma, a sua receita de venda dos medicamentos prevista na legislação tributária (art. 1º da Lei n. 10.147/00), por meio do crédito presumido, gera crédito de 100% dessa receita. Dessa feita, o débito do PIS e COFINS termina sendo zerado. Contudo, além do Fl. 173DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 crédito presumido a empresa possui também direito aos demais créditos descritos no art. 3º das Leis ns. 10.637/02 e 10.833/03, abaixo transcrito, verbis: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)(Vide Medida Provisória nº 413, de 2008) (Vide Lei nº 11.727, de 2008). b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa Fl. 174DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11686.000040/200952 Acórdão n.º 3401002.467 S3C4T1 Fl. 10 11 jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) Dessa forma, a Recorrente redundou em saldo credor de PIS e COFINS. Porém, como esse saldo não está vinculado à receita de exportação, tampouco à receita de alíquota zero, isenção, suspensão ou não incidência, só poderá utilizar o referido crédito com o próprio PIS e COFINS devidos nos meses posteriores, ou seja, não tem base legal para permitir a compensação desses valores (créditos acumulados), com os demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. DO CÁLCULO INCORRETO DE CRÉDITOS REFERENTES A ALÍQUOTAS DIFERENCIADAS A Lei n. 10.147/00 determina as alíquotas diferenciadas “concentrado/monofásico” de PIS (2,1% e 2,2%) e COFINS (9,9% e 10,3%), em relação aos produtores e importadores dos produtos relacionados, como o caso da Recorrente. Nesses casos, em que a empresa está sujeita a tributação concentrada (monofásica), que tem como característica a tributação de produtos específicos, a tributação incide unicamente na pessoa jurídica do produtor, fabricante ou importador, a alíquotas maiores que usualmente aplicadas na tributação das demais receitas, com a conseqüente desoneração de tributação das etapas posteriores de comercialização no atacado e no varejo dos referidos produtos. Ocorre que a Recorrente, sem amparo legal, passou a tomar crédito de acordo com a base de cálculo das receitas auferidas. Em relação à tomada de crédito, temse como regra geral a aplicação das alíquotas previstas nos arts. 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03, que são de 1,65% e 7,60% para o PIS e COFINS, respectivamente. Logo, não havendo previsão em contrário, aplicase a regra geral. Sendo, portanto, improcedente a alegação de simetria/identidade de alíquotas, vez que não há lei nesse sentido. A Recorrente trouxe uma solução de consulta para fundamentar a sua tese. Ocorre que ela não se aplica ao caso em tela, tendo em vista que ela não se trata de tributação monofásica sobre medicamentos e sim sobre autopeças; assim como se refere a um importador de autopeças. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. Ângela Sartori Fl. 175DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 13054.001794/2008-19
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
DIRF. COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE.
A Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte - DIRF deve ser considerada tanto para apurar a omissão de rendimentos, quanto para compensar o imposto retido pela fonte pagadora.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2801-003.294
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para acatar a compensação de imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 1.424,47, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. A Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF deve ser considerada tanto para apurar a omissão de rendimentos, quanto para compensar o imposto retido pela fonte pagadora. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para acatar a compensação de imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 1.424,47, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 4. 00 17 94 /2 00 8- 19 Fl. 38DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13054.001794/200819 Acórdão n.º 2801003.294 S2TE01 Fl. 39 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio da qual se exigiu, inicialmente, crédito tributário no valor de R$ 14.030,28, incluídos multa de ofício e juros de mora (fl. 9 deste processo digital). Após Solicitação de Retificação de Lançamento – SRL, que foi deferida parcialmente (fl. 4), lavrouse uma segunda Notificação (fl. 5), apurandose crédito tributário no valor de R$ 9.937,52. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, à fl. 6 deste processo digital, que foi constatada omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 33.237,62, conforme SRL apresentada pelo contribuinte, onde foi descontado o recibo de advogado no valor de R$ 14.244,69. O Espólio do contribuinte, por meio de sua Inventariante, apresentou a impugnação de fl. 1, que foi julgada improcedente, por intermédio de acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 RENDIMENTOS AUFERIDOS DE PESSOA JURÍDICA DECORRENTES DE TRABALHO ASSALARIADO. Estando demonstrada a omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual, devidamente confirmada através de informação prestada em DIRF pela fonte pagadora, deve ser mantido o lançamento. Cientificado da decisão de primeira instância em 09/06/2011 (fl. 29), o Espólio interpôs, em 27/06/2011, o recurso de fl. 31/32. Na peça recursal alega, em síntese, que a segunda Notificação não considerou o valor do imposto retido na fonte e anexa a guia de fl. 34. Ao final, pugna pelo cancelamento do débito fiscal reclamado. É o essencial relatório. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. A lacônica fundamentação da decisão de 1ª instância está assim descrita: O contribuinte não discorda do lançamento de crédito tributário. Apenas requer que seja considerada a retenção do imposto de renda no valor de R$ 1.424,47. Entretanto, não apresentou nenhuma prova da alegada retenção. Dessa forma, deve ser mantido o lançamento no valor de R$ 1.424,47. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13054.001794/200819 Acórdão n.º 2801003.294 S2TE01 Fl. 40 3 Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” (fl. 9) da primeira notificação lavrada em face do Sr. Werner Porcher que: Confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 47.482,31, recebido(s) da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 1.424,47. Por outro lado, se lê na ementa do acórdão de 1ª instância: Estando demonstrada a omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual, devidamente confirmada através de informação prestada em DIRF pela fonte pagadora, deve ser mantido o lançamento. Em resumo: entenderam os julgadores da instância de piso que a DIRF deve ser considerada para apurar a omissão de rendimentos, mas deve ser esquecida para compensar o imposto de renda retido na fonte, informado pela fonte pagadora. O fato relatado, por si só, é suficiente, a meu ver, para decretar a nulidade da teratológica decisão recorrida. Nada obstante, entendo prescindível a declaração de nulidade, haja vista que, nos termos do § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.(Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Assim, ainda que a Recorrente não tivesse juntado a guia de fl. 34 deste processo digital, comprovando a retenção do imposto, penso que o recurso deveria ser provido, baseado apenas nas informações da fonte pagadora. Face ao exposto, voto por dar provimento ao recurso para acatar a compensação de imposto de renda retido na fonte e informado em DIRF pela fonte pagadora, no valor de R$ 1.424,47. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos Almeida Fl. 40DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13054.001794/200819 Acórdão n.º 2801003.294 S2TE01 Fl. 41 4 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 11853.001035/2007-26
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/2004
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN.
Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733.
No presente caso, há informação do Fisco sobre verificação de recolhimentos, motivo de aplicação do Art. 150 do CTN.
Numero da decisão: 9202-002.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (Vice-Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/2004 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN. Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. No presente caso, há informação do Fisco sobre verificação de recolhimentos, motivo de aplicação do Art. 150 do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (Vice-Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire.
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ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN. Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. No presente caso, há informação do Fisco sobre verificação de recolhimentos, motivo de aplicação do Art. 150 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 85 3. 00 10 35 /2 00 7- 26 Fl. 423DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11853.001035/200726 Acórdão n.º 9202002.989 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 0322, interposto pelo sujeito passivo, contra acórdão, fls. 0304, que decidiu negar provimento ao recurso voluntário, nos seguintes termos: “EMENTA PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS A CARGO DA EMPRESA. INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS AJUDA DE CUSTO. 1 Nos termos da Lei Complementar n° 84/96 e art. 22 da Lei n° 8212/91, com a redação dada pela Lei n° 9876/99, é devida a contribuição, a cargo da empresa incidente sobre as remunerações pagas devidas ou creditadas aos segurados autônomos/contribuintes individuais que prestem serviços a empresa sem relação de emprego. 2 Nos termos do art. 28 § 9º da referida lei, somente não há incidência de contribuição previdenciária, sobre a ajuda de custo, desde que paga nos termos do art. 470 da CLT ou art. 53 da Lei n° 8112190. 3 De acordo com o art. 45 da Lei n° 8212/91, o direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos se extingue após dez anos. 4 Nos termos do art. 34 da Lei n° 8212/91, as contribuições devidas à seguridade Social e outras importâncias , não recolhidas nas épocas próprias ficam sujeitas rios juros equivalentes à taxa Referencial de Liquidação e SELIC, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. 5 Na forma do art. 70 do Regimento Interno do CRPS, é vedado aos órgãos julgadores deste Conselho afastar a aplicabilidade da norma por inconstituciona1idade, sem que tenha sido assim reconhecida e declarada pelos órgãos competentes. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO.” Como esclarecimento inicial, informamos que o litígio em questão versa sobre a regra de prazo decadencial que deve ser aplicada, já que no lançamento foi aplica a regra do Art. 45, da Lei 8.212/1991 (dez anos). Em seu recurso especial o sujeito passivo alega, em síntese, que deve ser aplicada a regra expressa no Art. 150 do CTN, já que o Art. 45 da Lei 8.212/1991 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Pelo exposto, requer o conhecimento e o provimento de seu recurso. Por despacho, deuse seguimento ao recurso especial do sujeito passivo. A PGFN – devidamente intimada apresentou suas contra razões, fls. 0402, argumentando, em síntese, que o recurso seja provido em parte, para aplicação do determinaod no Art. 173 do CTN. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e divergência confirmada e não reformada conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. O cerne da questão sobre a decadência é a discussão sobre qual das regras decadenciais, presentes no CTN, aplicarseá: a expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, como solicitado pelo sujeito passivo, ou a constante do I, Art. 173 do CTN. Creio que já temos resposta sobre esta dúvida. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). No que diz respeito a decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 426DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11853.001035/200726 Acórdão n.º 9202002.989 CSRFT2 Fl. 4 5 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Portanto, o STJ, em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). Fl. 427DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Cabe destacar que na análise dos autos encontramos informação de que o Fisco verificou recolhimentos, fls. 064. Outro ponto importante, que deve ficar claro, é que o fato gerador da contribuição previdenciária é a totalidade da remuneração paga ou creditada pelos serviços, independentemente do título que se lhe atribua, tanto em relação ao tomador do serviço (empresa), quanto do segurado contribuinte. Portanto, para a definição da regra decadencial, devemos levar em conta se houve alguma antecipação de pagamento, não por tipo de remuneração (levantamento) pois é a totalidade desses pagamentos que se denomina Salário de Contribuição (SC), que é todo e qualquer pagamento ou crédito feito ao segurado, em decorrência da prestação de serviço, de forma direta ou indireta, em dinheiro ou sob a forma de utilidades, habituais em relação ao segurado empregado. Elucidativo o texto contido em decisão proferida na Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), processo 10640.001896/200747, pelo nobre Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior: “Feitas essas considerações, para solução da lide ora proposta, ainda resta dirimir a questão relacionada ao recolhimento específico da rubrica eventualmente lançada, conforme defende a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, ou se seria suficiente para caracterização de pagamento antecipado o recolhimento genérico relativo aos valores consolidados na folha de pagamento elaborada pelo sujeito passivo. Em relação à essa matéria, creio que a solução mais adequada deve considerar a regra matriz relacionada efetivamente à definição de qual seria a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Nesse sentido, observamos que à luz do que dispõe o inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, o elemento jurídico a ser considerado para efeito de análise do recolhimento total ou parcial referese à remuneração total paga, devida ou creditada aos segurados pelo empregador: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I. vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Nesse sentido, se eventualmente o sujeito passivo não recolhe o tributo em relação a determinada rubrica que acredita não ter incidência da contribuição previdenciária, tal fato não descaracteriza a antecipação de pagamento para o restante Fl. 428DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11853.001035/200726 Acórdão n.º 9202002.989 CSRFT2 Fl. 5 7 calculado e recolhido indicado pela folha de pagamento do empregador. Em verdade, o fracionamento dessas rubricas revelase necessário para identificação dos requisitos estabelecidos para verificação da não incidência do salário de contribuição em conformidade com as inúmeras previsões do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. Contudo, o conjunto de situações e específicas que caracterizam a contraprestação onerosa do empregado pela empresa em nada altera a natureza jurídica de cada uma dessas rubricas que são, em seu conjunto, a remuneração devida ao segurado. Em outras palavras, cada rubrica é espécie do gênero remuneração. Desse modo, para efeito de identificação do pagamento antecipado, não deve ser exigido o recolhimento específico de uma ou outra rubrica paga pelo empregador, mas sim a consolidação desses valores relativos aos itens discriminados na folha de pagamento.” Portanto, claro está que constam recolhimentos a homologar e que qualquer recolhimento está contido no termo remuneração, o que leva, conseqüentemente, a aplicação da regra esculpida no § 4º, Art. 150 do CTN, conforme decidido no acórdão recorrido. CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Assim, como a ciência do sujeito passivo ocorreu em 22/02/2006, fls. 001, e o período do lançamento compreende as competências 01/12/1999 a 31/12/2004, devem ser excluídas dos lançamento todas as contribuições apuradas até 01/2001, anteriores a 02/2001. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em DAR PROVIMENTO ao recurso do Sujeito Passivo, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 430DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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