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Numero do processo: 10909.900180/2008-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2002 a 30/11/2002
CONCOMITÂNCIA AÇÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO COM O MESMO OBJETO EM DISCUSSÃO. PREVALÊNCIA DA ESFERA JUDICIAL SOBRE A ADMINISTRATIVA EM RESPEITO AO PRINCÍPIO DA SUPREMACIA DAS DECISÕES JUDICIAIS. DESISTÊNCIA DA DISCUSSÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA.
A existência de ação judicial com o mesmo objeto da discussão na esfera administrativa pressupõe a sua concomitância, tendo como consequência a desistência da discussão na esfera administrativa, por respeito ao Princípio da Supremacia das Decisões Judiciais, estabelecendo a prevalência da esfera judicial sobre a esfera administrativa.
Diante desta concomitância aplica-se ao caso a Súmula CARF nº 1, a qual estabelece que importa renúncia ás instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 3301-006.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário em razão da concomitância.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Nunes Marinho e Ari Vendramini.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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PREVALÊNCIA DA ESFERA JUDICIAL SOBRE A ADMINISTRATIVA EM RESPEITO AO PRINCÍPIO DA SUPREMACIA DAS DECISÕES JUDICIAIS. DESISTÊNCIA DA DISCUSSÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A existência de ação judicial com o mesmo objeto da discussão na esfera administrativa pressupõe a sua concomitância, tendo como consequência a desistência da discussão na esfera administrativa, por respeito ao Princípio da Supremacia das Decisões Judiciais, estabelecendo a prevalência da esfera judicial sobre a esfera administrativa. Diante desta concomitância aplicase ao caso a Súmula CARF nº 1, a qual estabelece que importa renúncia ás instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário em razão da concomitância. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 90 01 80 /2 00 8- 17 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10909.900180/200817 Acórdão n.º 3301006.013 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Nunes Marinho e Ari Vendramini. Relatório Tratase de processo formalizado para o tratamento do contencioso referente á Declaração de Compensação onde se pleiteia a compensação de pagamento indevido ou a maior de contribuição não cumulativa com débitos próprios. Em análise dos pedidos transmitidos, foi emitido Despacho Decisório que não reconheceu o pleito na forma requerida. Contra esta decisão a recorrente apresentou suas razões de irresignação, via Manifestação de Inconformidade, onde discorda do critério de imputação adotado pela unidade de origem. Alega que a autoridade fiscal partiu da equivocada e ilegal premissa de que, sendo o débito em questão vencido em data anterior e tendo sido efetivada a compensação via DCOMP apenas em período posterior, haveria a incidência de multa mora sobre a compensação. Entende que, em face do artigo 138 do Código Tributário Nacional – CTN, o adimplemento de um valor já vencido, antes da instauração de procedimento de ofício e antes da declaração em DCTF, torna inaplicável a imposição da multa de mora. Junta jurisprudência e doutrina que estariam a corroborar sua tese. Decidindo a matéria impugnada, a DRJ/FLORIANÓPOLIS exarou o Acórdão nº 0715.780, que não acolheu integralmente seu pleito. Inconformado com tal decisão, o requerente apresentou Recurso Voluntário, onde traz, como razões de defesa os mesmos fundamentos e argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade dirigida á DRJ, defendendo a tese de que, havendo a transmissão da DCOMP antes da entrega da DCTF, teria ocorrido o fenômeno da Denúncia Espontânea, portanto, a multa de mora não seria devida, pois não havendo mora, não há multa. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301006.011 de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10909.900178/200848, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10909.900180/200817 Acórdão n.º 3301006.013 S3C3T1 Fl. 4 3 Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301006.011): "8. Em consulta ao eprocesso nº 10909.900105/2006 56, citado pela DRF/ITAJAÍ , encontramos, ás fls. 95/133, peças do MS nº 2008.72.08.0022084/SC, sendo que ás fls. 101/125 consta a petição inicial da ação judicial demandada e ás fls. 130/132 consta a sentença monocrática exarada pelo Juízo Federal da Seção Judiciária de Santa Catarina/ 2ª Vara Federal de Itajaí. 9. Da petição inicial extraímos os seguintes trechos ; A requerente é pessoa jurídica de direito privado, constituída nos termos e na forma da legislação comercial vigente e, consoante o que estabelece o Edital n° 005/2001, da Superintendência do Porto de Itajaí, "tem por objeto única e exclusivamente a administração e exploração do Terminal de Contêineres localizado dento da área Porto Organizado de Itajaí, compreendendo a movimentação e armazenagem de contêineres, cargas unitizadas e veículos", conforme art. 3 0 de seu Estatuto Social. Ocorre que a impetrante, no período compreendido entre janeiro de 2002 e junho de 2004, realizou diversos recolhimentos a maior/indevidamente, a titulo de PIS — códigos de arrecadação 8109 e 6912 e de COFINS — códigos de arrecadação 2172 c 5856. Os referidos pagamentos à maior/indevidos, realizados "em DARF", cuja comprovação foi reconhecida pelos próprios agentes fiscais do ente tributante, foram objeto de Despachos Decisórios que reconheceram a existência do direito creditário. Porém, com base em argumentação desprovida de fundamentação legal, a despeito de reconhecer o crédito (volume e origem), de reconhecer e tratarem de pagamentos à maior que o devido "em DARF" muito anterioreas aos vencimentos dos débitos compensados, tratou de propor a incidência de multa sob as compensações admitidas por terem sido objeto de regulares "Per/Dcomp" enviados via Internet para a Receita Federal do Brasil, em momento posterior ao vencimento dos débitos compensados. Primeiramente, assentemos que, com todo o respeito, com 'a devida vênia, é absurdo cogitar que, por exemplo, o valor da COFINS da competência jan/2002, recolhido à maior que o devido em 15/02/2002, que foi oferecido para a liquidação por compensação da competência 11/2002 de IRPJ, através da Per/Dcomp 30874.09986.231004.1.7.04 2853 em outubro de 2004, possa sofrer a imposição de "multa de mora" por que a "informação" ocorreu em 10/2004, cm relação a um débito vencido em 31/12/2002, Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10909.900180/200817 Acórdão n.º 3301006.013 S3C3T1 Fl. 5 4 sendo que o ENTE TRIBUTANTE JÁ TEVE INGRESSADO O RECURSO A MAIOR EM SEUS COFRES, PARA SEU USO E PROVEITO DESDE 15/02/2002. Mora de quem? …………………………………………………. Além de serem constituídos duas vezes de oficio, os referidos débitos não poderiam ser lançados antes mesmo da própria formalização do Despacho Decisório que propôs sua existência !!! Qual seria a fundamentação legal e/ou motivação técnica pará a realização de tal procedimento mediúnico, onde o débito é constituído antes de ser formalizado? Nesse sentido, mister se faz a realização do detalhamento dos processos como segue (Doc 01): 1) PA 10909.900.181/200861 — 2) PA 10909.900.168/200811 — 3) PA 10909.900.174/200860 — 4) PA 10909.900.180/200817 — 5) PA 10909.900.176/200817 — 6) PA 10909.900.170/200881 — 7) PA 10909.900.1791200892 — 8) PA 10909.900.177/200801 — 9) PA 10909.900.123/200838 — 10) PA 10909.900.105/200856 —11) PA 10909.900.184/200803 — 12) PA 10909.900.140/2008 75 — 13) PA 10909.900.182/200814 — 14) PA 10909.900.165/200879 — 15) PA 10909.900.169/2008 57 16) PA 10909.900.183/200851 — 17) PA 10909.900.178/200851 — pagamento à maior de PIS nãocumulativo em 15/05/2003 — suposto valor devido de IRPJ (2362) — 08/2003 — vencido em 30/09/2003 original de R$ 13.535 13 e IRPJ (2362) — 09/2003 — vencido em 31/10/2003 original de R$ 1.877,32 — Total de R$ 15.412 45 ciente em 0S/05/2008 impugnado em 04/06/2008 Exigibilidade Suspensa Nova cobrança PA 10909.900.356/200831 — criado do nada em 04/04/2008 — não foi dado ciência ao contribuinte — lançado indevidamente na conta corrente do contribuinte como "Débito SIEÉ" o mesmo valor de IRPJ (2362) — 08/2003 — original de R$ 13.535,13 e, IRPJ (2362)] 09/2003 original de R$ 1.877 32 — Total de R$ 15.412 45. 18) PA 10909.900.145/200860 …………………………………………………………… …………………. IV. DO PEDIDO Demonstrado o direito líquido e certo da impetrante, e a possibilidade de sofrer violação desses direitos, requer: Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10909.900180/200817 Acórdão n.º 3301006.013 S3C3T1 Fl. 6 5 • a) a concessão de liminar inaudita altera pars, • determinando a autoridade coatora, no caso o Delegado da Receita Federal em Itajai — SC, que se abstenha de promover qualquer procedimento, no sentido de promover a cobrança de valores cuja exigibilidade encontrase suspensa por impugnaçao administrativa em Manifestações de Inconformidade, ou de promover atos à inscrição de divida ativa da impetrante e mesmo a sua inscrição no CADIN, determinandose assim, a imediata emissão de Certidão Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos, vez que presentes os pressupostos delicados no art. 7° da Lei n° 1.533/51, até julgamento final do presente mandado; b) seja expedido oficio à autoridade coatora para que preste, no prazo de lei, as informações que entender cabíveis; • c) após prestadas as informações, seja ouvido o representante do Ministério Público; d) a concessão em definitivo da segurança pleiteada,reconhecendo a ilegitimidade do procedimento adotado pelo ente tribuntante para promover qualquer procedimento, no sentido de promover a cobrança de valores cuja exigibilidade encontrase suspensa por impugnação administrativa em Manifestações de Inconformidade, face às flagrantes ilegalidades sobejamente apontadas, que contrariam as prescrições legais aplicáveis a matéria. e) a concessão cm definitivo da segurança pleiteada, determinando o cancelamento dos lançamentos indevidamente administrativo pendente de julgamento, em atendimento a disposto no art. 151, III, do CTN. 12. Da sentença monocrática extraímos os trechos : Tratase de mandado de segurança postulando expedição de CND ou CPD/EN, além da declaração da impossibilidade de promoverse a cobrança de valores com exigibilidade suspensa por impugnação administrativa, bem como o cancelamento destes lançamentos fiscais. ………………………… A autoridade explicou que a impetrante teve créditos reconhecidos a seu favor, sendo que compensou estes créditos com débitos confessados (DCOMP). O sistema de processamento de dados aplicou automaticamente sistemática proporcional de quitação do débito, utilizando o crédito reconhecido para pagamento parcial do principal do débito, para pagamento parcial da multa moratória e pagamento parcial dos juros de mora. Assim, o valor do Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10909.900180/200817 Acórdão n.º 3301006.013 S3C3T1 Fl. 7 6 débito remanescente especificado, em cada um dos 53 despachos decisórios da PER/COMP, é composto de parcela remanescente do principal, da multa de mora e dos juros de mora, que não foram quitados, impedindo a aplicação do art. 138 do CTN (denúncia espontânea). Aduziu que todos os lançamentos hostilizados no writ decorrem da compensação proporcional dos valores principal, multa e juros, sendo que os novos lançamentos representam apenas a diferença encontrada a favor do Fisco, recebendo estes créditos novos números de processo administrativo. Por fim, diz que a impetrante, quando do ajuizamento, tinha outros débitos, os quais foram quitados somente em 28/07/2008 – fis. 630/642. …………………………….. 3. Dispositivo Concedo a segurança, com base no art. 138 do CTN, para anular todos os despachos decisórios emitidos contra a impetrante (relacionados na inicial e nas informações) que incluam a multa de mora (ainda que parcial) no lançamento, em face da denúncia espontânea efetuada nos débitos confessados/declarados pela impetrante através de DCOMP. Ordeno que a autoridade coatora expeça CND ou CPD EN, salvo se por outros motivos deva ser negada, na forma do art. 151,1V, do CTN. Custas na forma da Lei. Sem honorários. Espécie sujeita ao reexame necessário. Itajaí, 12 de novembro de 2008. Antonio Fernando Schenkel do Amaral e Silva Juiz Federal 13. Em pesquisa no sítio do TRF4, encontramos as seguintes informações a respeito do MS 2008.72.08.002208 4/SC: APELAÇÃO/REEXAME NECESSÁRIO Nº 2008.72.08.0022084/SC RELATORA: Des. Federal MARIA DE FÁTIMA FREITAS LABARRÈRE APELANTE: UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) ADVOGADO: ProcuradoriaRegional da Fazenda Nacional Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10909.900180/200817 Acórdão n.º 3301006.013 S3C3T1 Fl. 8 7 APELADO: TECONVI TERMINAL DE CONTEINERES DO VALE DO ITAJAÍ ADVOGADO: Jackeline Daros Abreu de Oliveira REMETENTE: JUÍZO FEDERAL DA 02ª VF e JEF PREVIDENCIÁRIO DE ITAJÁI EMENTA TRIBUTÁRIO. APELAÇÃO/REEXAME NECESSÁRIO. PRELIMINARES REJEITADAS. CABIMENTO DE MANDADO DE SEGURNÇA. INCOMPATIBILIDADE DAS RAZÕES DO APELO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ARTIGO 138, CAPUT E PARÁGRAFO ÚNICO, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. PRESENÇA DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES. O mandado de segurança visa proteger direito líquido e certo, assim considerado aquele que pode ser reconhecido só pela leitura da documentação anexada à inicial do mandado de segurança. No caso dos autos, as alegadas irregularidades foram sobejamente detalhadas pela impetrante na peça vestibular, com amparo na farta documentação que a acompanhou. O Juízo acolheu a pretensão da empresa com base na inobservância do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da multa de mora dos débitos cobrados pelo Fisco, tendo a ré dirigido sua inconformidade dentro de tais parâmetros, de modo que as razões do recurso mostramse compatíveis em face da decisão de primeiro grau. A dívida não foi paga no vencimento (incidindo juros de mora), mas a compensação (entendase pagamento) deu se no momento em que remetida a DCOMP ao órgão fazendário. Daí não ser cabível a multa de mora em virtude da denúncia espontânea, já que nenhum procedimento administrativo fora até então instaurado. "[...] 4. Todavia, conforme ressalvou o eminente Ministro Teori Albino Zavascki no julgamento do REsp 962.379/RS, a aplicação da Súmula 360 do STJ não é absoluta. Ainda que se trate de tributo sujeito a lançamento por homologação, se o crédito não foi previamente declarado pelo contribuinte, podese configurar a denúncia espontânea, desde que concorram as demais hipóteses do art. 138 do Código Tributário Nacional. [...]" (STJ, AGEDAG nº 1009777, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJE 19/02/2010) As diferenças de principal e de juros de mora, apontadas pela Fazenda Nacional como impeditivo da denúncia espontânea, decorrem da indevida inclusão da multa Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10909.900180/200817 Acórdão n.º 3301006.013 S3C3T1 Fl. 9 8 moratória no montante do débito atualizado. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia 1ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, em preliminar, rejeitar as teses de descabimento do mandado de segurança e de incompatibilidade das razões recursais e, no mérito, negar provimento ao apelo e à remessa oficial, nos termos do relatório, votos e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 26 de janeiro de 2011. Des. Federal MARIA DE FÁTIMA FREITAS LABARRÈRE Relatora FASES MANDADO DE SEGURANÇA Nº 2008.72.08.0022084 (SC) Data: 30/09/2010 Tipo: SUBSTABELECIMENTO Número: 10/1223191 Peticionante: APM TERMINALS ITAJAÍ S.A. Órgão atual: SCITA02 Status: Aguardando Juntada 29/03/2011 18:10 Remessa Externa Remessa Vara de origem GUIA NR.: 110042774 ORIGEM: EXPED DESTINO: 02a VF e JEF REVIDENCIÁRIO DE ITAJAÍ 29/03/2011 18:10 Recebimento 22/03/2011 15:05 Baixa Definitiva remetido a(o) GUIA NR.: 110038005 ORIGEM: ST1 DESTINO: EXPEDIÇÃO JUDICIÁRIA E ADMINISTRATIVA 22/03/2011 15:04 Trânsito em Julgado conforme certidão constante nos autos ……………………………….. 01/12/2010 19:00 Julgamento APÓS O VOTO DA DES. FEDERAL MARIA DE FÁTIMA FREITAS LABARRÈRE NO SENTIDO DE, EM PRELIMINAR, REJEITAR AS TESES DE DESCABIMENTO DO MANDADO DE SEGURANÇA E DE INCOMPATIBILIDADE DAS RAZÕES RECURSAIS E, NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO AO APELO E À REMESSA OFICIAL, PEDIU VISTA O DES. FEDERAL ALVARO EDUARDO JUNQUEIRA. AGUARDA A DES. FEDERAL LUCIANE AMARAL CORRÊA MÜNCH. 19/11/2010 13:50 Pauta de Julgamentos Inclusão pelo Relator DO DIA 01.12.2010 SEQ.: 009 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10909.900180/200817 Acórdão n.º 3301006.013 S3C3T1 Fl. 10 9 ……………………………….. 19/02/2009 18:40 Distribuição Ordinária por sorteio eletrônico – n. 54310 14. Verificase, no caso presente em exame, que as razões de recurso administrativo são idênticas ás causas de pedir da ação judicial impetrada pela recorrente. 15. As razões do recurso voluntário trazem á tona a questão do adimplemento da obrigação tributária principal, por compensação, antes de ser o valor da obrigação tributária principal declarado em DCTF, mesmo que em atraso o que, no entendimento da recorrente, afastaria a mora e, por consequência, multa de mora, por aplicação do instituto da denúncia espontânea, nos moldes do artigo 138 do Código Tributário Nacional. 16. A ação judicial demandada, no caso, mandado de segurança contra ato do Delegado da Receita Federal em Itajaí/SC, qual seja despacho decisório eletrônico que homologou parcialmente a compensação declarada na Declaração de Compensação – DCOMP, transmitida pelo sistema eletrônico PER/DCOMP, da Secretaria da Receita Federal, discute o mesmo tema, tendo tifo como resultado a sentença monocrática, confirmada em acórdão do TRF4, que teve como decisão a anulação do despacho decisório emitido. 17. Portanto, clara está a coincidência dos objetos dos pedidos, tanto na esfera administrativa, como na esfera judicial. 18. Desta forma, devese obediência ao Princípio Constitucional da Supremacia das Decisões Judiciais e da Prevalência da Esfera Judicial sobre a Administrativa, ambos insculpidos no Inciso XXXV do Artigo 5ª da Constituição Federal : Art.5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: ………………………………. XXXV a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. 19. Para tanto, este CARF emitiu a Súmula nº 1 Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10909.900180/200817 Acórdão n.º 3301006.013 S3C3T1 Fl. 11 10 órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria nº 227, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Conclusão 20. Assim, diante da coincidência de objetos entre as razões de recurso administrativo apresentado e a causa de pedir das ações judiciais impetradas, caracterizada está a concomitância entre elas e a consequente renúncia á esfera administrativa. 21. Portanto, em razão da matéria em julgamento por este CARF encontrarse contida na matéria submetida á análise do Poder Judiciário, é de se aplicar ao caso concreto em exame a Súmula CARF nº 1. 22. Quanto aos efeitos da concomitância, deixase de conhecer as alegações relativas á matéria objeto das ações judiciais, cabendo á Unidade Administrativa de origem (DRF/ITAJAÍ/SC) a verificação do atual andamento das ações judiciais e os efeitos das suas decisões sobre a matéria em questão, para seu cumprimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do recurso voluntário em razão da concomitância. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 107DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.902381/2014-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/05/2000
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais.
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE.
Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
Numero da decisão: 3401-005.816
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/05/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 23 81 /2 01 4- 47 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10580.902381/201447 Acórdão n.º 3401005.816 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou insubsistente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório que indeferiu pedido de restituição de PIS. Do Pedido de Compensação e do Despacho Decisório O contribuinte pleiteou compensação, referente a pagamento efetuado indevidamente ou a maior, transmitido através de PER. Em despacho decisório, o pedido foi indeferido sob a alegação que o “recolhimento apontado como origem do crédito encontrase integralmente alocado ao débito informado pelo contribuinte, não restando qualquer saldo de pagamento a ser restituído. ” Da Manifestação de Inconformidade O Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, argumentando o seguinte: 1. O Supremo Tribunal Federal declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, contida no §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998 e que o presente pedido de restituição se mostra subsistente, pois os recolhimentos da contribuição em tela foram realizados nos estritos lindes do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, cujo descompasso com o sistema normativo acabou por provocar o recolhimento a maior nesse tocante e, por conseguinte, não há como prosperar o indeferimento do presente pedido de restituição. 2. O STF declarou a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98 porque reconheceu que as contribuições sociais ao PIS e à Cofins só poderiam incidir sobre o faturamento das empresas, assim entendida “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, não podendo incluir na base de cálculo receitas não operacionais. 3. O conceito de faturamento não varia em função do objeto social de cada contribuinte, pois a base de cálculo ficaria sujeita a um grau de incerteza absolutamente incompatível com uma obrigação tributária. Assim sendo, não há qualquer relação de identidade entre o conceito de faturamento com a atividade principal dos contribuintes. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10580.902381/201447 Acórdão n.º 3401005.816 S3C4T1 Fl. 4 3 4. Mesmo que se entenda que as receitas financeiras auferidas por instituições financeiras têm natureza de receita de prestação de serviços, integrando o conceito de faturamento, o que se admite apenas para argumentar, não podem integrar referida base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolvam intermediação financeira. 5. A base de cálculo, deveria ficar restrita somente às receitas auferidas no exercício de seu objeto social, com a prestação de serviços bancários, tais como administração de fundos de investimentos, assessoria em operações de fusão e aquisição, intermediação financeira e concessão de crédito, dentre outras atividades. 6. As receitas financeiras obtidas com a aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias, realizadas no seu único e exclusivo interesse, sem intermediação, não configuram prestação de serviços, uma vez que ninguém presta serviço para si próprio. Junto com a impugnação, o recorrente apresentou planilhas de cálculo, e balancete analítico do mês de referência. Da Decisão de Primeiro Grau O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 14061.489. Do Recurso Voluntário Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso, reprisando as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.809, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10580.902382/201491, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.809): "Da Admissibilidade Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10580.902381/201447 Acórdão n.º 3401005.816 S3C4T1 Fl. 5 4 O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade; de modo que tomo seu conhecimento. Do Mérito O núcleo do litígio reside na forma de aplicação da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei Federal 9718/1998 pelo STF – quando do julgamento do RE nº 585.235, sob a forma do art. 543B, do CPC, sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, no que tange às instituições financeiras. Naquela oportunidade, restou pacificado que, para fins de incidência cumulativa das contribuições sociais, o faturamento é o resultado das atividades típicas, ou seja, que decorram do objeto social do contribuinte. Como não poderia ser diferente, esse vem sendo o entendimento adotado nessa Seção, e na Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 COFINS. FATURAMENTO. LEI 9.784/98 [SIC]. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Consoante entendimento firmado pelo STF, as receitas operacionais obtidas pelas instituições financeiras, decorrentes de sua atividade fim, integram o conceito de receita bruta utilizado pelo art. 3º da Lei nº 9.718/98. RECUPERAÇÃO DE ENCARGOS E DESPESAS E REVERSÃO DE PROVISÕES OPERACIONAIS. Lançamentos que não representes ingressos de receita oriundos das atividades típicas das instituições financeiras não podem ser alcançados pela incidência da COFINS. (Acórdão nº 3201004.445, Relatora Tatiana Josefovicz Belisário, sessão de 27.11.2018) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10580.902381/201447 Acórdão n.º 3401005.816 S3C4T1 Fl. 6 5 As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. (Acórdão nº 9303002.934, Redator designado: Ricardo Paulo Rosa, sessão de 03.06.2014). Acertadamente, a decisão ora recorrida destacou que as atividades operacionais das instituições financeiras se encontram elencadas no Plano de Conta COSIF, nos termos emanados pelo Banco Central do Brasil: O Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional, instituído pela Circular do Banco Central do Brasil nº 1.273, de 29 de dezembro de 1987, traz em seu Capítulo 1 Normas Básicas, Seção 17 Receitas e Despesas, item 3, que as rendas obtidas tanto com as operações ativas como com a prestação de serviços, ambas referentes a atividades típicas, regulares e habituais da instituição financeira, são classificadas como operacionais. Confirase: 3 As rendas operacionais representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais. (grifos nossos) No Cosif, as contas de receitas operacionais são divididas em: 7.1 RECEITAS OPERACIONAIS 7.1.1.00.001 Rendas de Operações de Crédito 7.1.2.00.004 Rendas de Arrendamento Mercantil 7.1.3.00.007 Rendas de Câmbio 7.1.4.00.000 Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez 7.1.5.00.003 Rendas com Títulos e Valores Mobiliários e Instrumentos Financeiros Derivativos Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10580.902381/201447 Acórdão n.º 3401005.816 S3C4T1 Fl. 7 6 7.1.7.00.009 Rendas de Prestação de Serviços 7.1.8.00.002 Rendas de Participações 7.1.9.00.005 Outras Receitas Operacionais (...) Portanto, em uma instituição financeira as receitas financeiras decorrem de serviços prestados aos clientes (financiamentos, empréstimos, operações de câmbio na importação ou exportação, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, seguros, arrendamento mercantil, administração de planos de previdência privada e tantas outras mais) não constituindo mero ganho financeiro como acontece em outras empresas. São, portanto, receitas operacionais, que compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins. (...) Especificamente quanto a instituições financeiras e contribuintes a ela equiparadas por força do artigo 22, § 1° da Lei 8.212/91, devese entender por faturamento os ganhos obtidos com operações financeiras realizadas por tais entidades, quanto à captação, movimentação e aplicação de ativos que proporcionem alguma forma de ganho pecuniário, posto não ser outro o objeto social de tais sociedades. Observando o caso concreto, tratase de instituição financeira que tem por objeto social “efetuar operações bancárias em geral, inclusive câmbio”. Esse, portanto, é o limite das atividades típicas que devem ser objeto de escrutínio para sua inclusão na base de cálculo das contribuições sociais. No presente processo, a Recorrente pleiteia crédito de COFINS no montante calculado sobre a diferença entre a totalidade de receitas operacionais e a receita de prestação de serviços bancários (conta 7.1.7.00.00.9), entendendo, a despeito do entendimento acima esposado, que somente as atividades de prestação de serviços bancários poderiam vir a ser objeto de incidência das contribuições sociais, ignorando que a atividade bancária per si não se restringe, por óbvio, aos serviços prestados aos clientes. Adicionese aos argumentos anteriores que a própria Lei Federal 9.718/1998 partiu da premissa que as receitas financeiras geradas nas atividades das instituições bancárias eram tributadas, quando previu, em seus parágrafos 5º e 6º, hipóteses específicas de dedução: Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10580.902381/201447 Acórdão n.º 3401005.816 S3C4T1 Fl. 8 7 I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. Assim, todas as receitas decorrentes da atividade bancária, seja pela prestação de serviços, seja pela fruição de resultados financeiros dos ativos próprios e de terceiros, devem ser tributadas pelas contribuições sociais, observadas das deduções acima. Por outro lado, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente, nos termos do RE 1.104.184/RS, do STJ, julgado sob efeitos do artigo 543C do antigo CPC. Sob a mesma ótica, não é possível admitir na base de cálculo das contribuições as receitas decorrentes da locação de imóveis, eis que essa atividade não se encontra contemplada no seu contrato social. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10580.902381/201447 Acórdão n.º 3401005.816 S3C4T1 Fl. 9 8 Tratase, portanto, de resultados que não decorre da atividade bancária, de forma que a parcela do lançamento referente a essa rubrica deve ser cancelada. Por todo o exposto, conheço do Recurso, e doulhe parcial provimento para afastar a glosa sobre as receitas decorrentes da remuneração de juros sobre o capital próprio e locação de imóveis próprios." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. . Da mesma forma, a Declaração de Voto do Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, apresentada no processo paradigma, é extensível ao presente processo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso voluntário, e darlhe parcial provimento para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10580.902381/201447 Acórdão n.º 3401005.816 S3C4T1 Fl. 10 9 Fl. 161DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.003917/2008-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2005
DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 173, I, DO CTN. NÃO CONSTATADA.
Constatado que não houve antecipação de pagamento, aplica-se a regra decadencial prevista no art. 173, I, do CTN. Apenas se considera ocorrida a decadência quando decorridos mais de 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Não há cerceamento do direito de defesa se o auto de infração não apresenta quaisquer falhas ou inconsistências, contendo todos os requisitos determinados pelo art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972 e pelo art. 142 do CTN.
ERRO NA SUJEIÇÃO PASSIVA. NÃO CONSTATADA.
Todos os documentos de prova que embasam o procedimento fiscal foram obtidos de forma legal, com autorização judicial, sendo os documentos e informações fornecidos por instituições financeiras americanas idôneas que comprovam a sujeição passiva do Contribuinte.
CASO BANESTADO - BEACON HILL. PROVAS ENVIADAS LEGALMENTE PARA O BRASIL. TRANSFERÊNCIAS DE INFORMAÇÕES À RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPARTILHAMENTO DE INFORMAÇÕES. ACORDO DE ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA EM MATÉRIA PENAL ENTRE EUA E BRASIL. LIMITAÇÕES.
Dados enviados ao Brasil pela Promotoria Distrital de Nova Iorque, Estados Unidos da América, periciados e objeto de laudo conclusivo pela Polícia Federal, transferidos à Receita Federal do Brasil por força de decisão da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba/PR, constituem-se em elementos de prova robustos de que o sujeito passivo manteve depósito bancário em conta no exterior, cujas origens dos recursos que possibilitaram as transações financeiras discriminadas não restaram comprovadas durante o desenvolvimento do procedimento fiscal. Não há de se falar em restrição no uso das informações repassadas à Receita Federal do Brasil para lavratura de autuações fiscais se o Estado Requerido não fez ressalva neste sentido, tampouco a 2ª Vara Federal Criminal de Curitiba - PR no despacho que determinou o compartilhamento de informações.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. FATO GERADOR ANTERIOR AO FALECIMENTO DO TITULAR DA CONTA BANCÁRIA.
Não é válida a intimação para comprovar a origem de depósitos bancários em cumprimento ao art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, quando dirigida ao espólio, relativamente aos fatos geradores ocorridos antes do falecimento do titular da conta bancária (Súmula CARF nº 120).
Numero da decisão: 2401-006.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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APLICAÇÃO DO ART. 173, I, DO CTN. NÃO CONSTATADA. Constatado que não houve antecipação de pagamento, aplicase a regra decadencial prevista no art. 173, I, do CTN. Apenas se considera ocorrida a decadência quando decorridos mais de 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há cerceamento do direito de defesa se o auto de infração não apresenta quaisquer falhas ou inconsistências, contendo todos os requisitos determinados pelo art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972 e pelo art. 142 do CTN. ERRO NA SUJEIÇÃO PASSIVA. NÃO CONSTATADA. Todos os documentos de prova que embasam o procedimento fiscal foram obtidos de forma legal, com autorização judicial, sendo os documentos e informações fornecidos por instituições financeiras americanas idôneas que comprovam a sujeição passiva do Contribuinte. CASO BANESTADO BEACON HILL. PROVAS ENVIADAS LEGALMENTE PARA O BRASIL. TRANSFERÊNCIAS DE INFORMAÇÕES À RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPARTILHAMENTO DE INFORMAÇÕES. ACORDO DE ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA EM MATÉRIA PENAL ENTRE EUA E BRASIL. LIMITAÇÕES. Dados enviados ao Brasil pela Promotoria Distrital de Nova Iorque, Estados Unidos da América, periciados e objeto de laudo conclusivo pela Polícia Federal, transferidos à Receita Federal do Brasil por força de decisão da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba/PR, constituemse em elementos de prova AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 39 17 /2 00 8- 50 Fl. 952DF CARF MF 2 robustos de que o sujeito passivo manteve depósito bancário em conta no exterior, cujas origens dos recursos que possibilitaram as transações financeiras discriminadas não restaram comprovadas durante o desenvolvimento do procedimento fiscal. Não há de se falar em restrição no uso das informações repassadas à Receita Federal do Brasil para lavratura de autuações fiscais se o Estado Requerido não fez ressalva neste sentido, tampouco a 2ª Vara Federal Criminal de Curitiba PR no despacho que determinou o compartilhamento de informações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. FATO GERADOR ANTERIOR AO FALECIMENTO DO TITULAR DA CONTA BANCÁRIA. Não é válida a intimação para comprovar a origem de depósitos bancários em cumprimento ao art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, quando dirigida ao espólio, relativamente aos fatos geradores ocorridos antes do falecimento do titular da conta bancária (Súmula CARF nº 120). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Fl. 953DF CARF MF Processo nº 19515.003917/200850 Acórdão n.º 2401006.205 S2C4T1 Fl. 3 3 Tratase de auto de infração de fls. 770/774, lavrado para a exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (“IRPF”), acrescido de juros de mora e multa proporcional de 75%, referente a determinados períodos de 2003 e 2005, com fundamento em omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. O lançamento de ofício é oriundo da fiscalização de vários órgãos públicos do Brasil e do exterior da chamada CPMI Banestado ou “Beacon Hill” e se refere às movimentações financeiras realizadas pelo contribuinte no Brasil e no exterior, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 754/766. Segundo a acusação, o Recorrente seria cotitular da conta nº 71453, denominada Causin Trading Corp. – Verona, mantida no MTBCBCHudson Bank de Nova York, juntamente com os Srs. Joseph Nasser e Raymond Lisbona (seu pai). Assim, teria sido demonstrado por meio do Laudo Pericial nº 1808/2005 – INC que houve movimentação financeira no exterior no anocalendário de 2003 cujas origens não teriam sido comprovadas. Devidamente cientificado do lançamento o Contribuinte apresentou impugnação tempestiva em 12/09/2008 (fls. 785/833), alegando que: efetuou o parcelamento da parte dos depósitos bancários relativos às movimentações financeiras no Brasil, não impugnando esta parte da autuação; decadência dos lançamentos entre abril/03 e agosto/03, com base no art. 150, § 4º, do CTN; ilegitimidade passiva para figurar no lançamento, pois não é titular da conta ou sócio da pessoa jurídica titular da empresa; os valores movimentados considerados para a apuração do lançamento são insustentáveis, cabendo inclusive a sua nulidade; e não cabe o uso de prova emprestada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) lavrou o Acórdão nº 1731.543 da 10ª Turma da DRJ/SPOII, às fls. 856/869, julgando integralmente procedente o lançamento, no sentido de afastar as seguintes preliminares: (i) considerou incontroverso o tema da omissão de receitas das movimentações financeiras realizadas no Brasil; (ii) rejeitou a preliminar de decadência arguida, aplicando o art. 173, inciso I, do CTN; (iii) quanto às alegações de nulidade, afastou por ausência de violação do art 59, do Decreto 70.235/1972; (iv) manteve a legitimidade passiva do contribuinte, haja vista que não teria apresentado elementos hábeis para desconstituir os documentos da Fiscalização, oriundos de um trabalho abrangente efetuado por vários órgãos públicos do Brasil e do exterior na CPMI Banestado / Beacon Hill. (v) Quanto ao mérito, considerou válida a chamada “prova emprestada” e negou provimento à impugnação, pois o contribuinte não teria comprovado a origem dos recursos questionados. Recordese: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2004, 2006 PRELIMINAR. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue se após cinco anos nos termos do art. 173, I do CTN. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Fl. 954DF CARF MF 4 Existindo nos autos elementos que identificam o contribuinte como sendo o responsável por transferências bancárias no exterior, não há como prosperar a alegação de erro na identificação do sujeito passivo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Após 1° de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei n° 9.430/96, consideramse rendimentos omitidos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, os depósitos junto a instituições financaieras, quando o contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. É lícito ao Fisco Federal valerse de informações colhidas por outras autoridades fiscais, administrativas ou judiciais para efeito de lançamento, desde que estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer, Artigo 332 do CPC. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 28/09/2009 (às fls. 877/920), repisando as alegações de Impugnação, e argumentando o que segue: a) que efetuou o parcelamento da parte dos depósitos bancários relativos às movimentações financeiras no Brasil, não impugnando esta parte da autuação; b) a decadência dos lançamentos entre abril/03 e agosto/03, com base no art. 150, § 4º, do CTN; c) sua ilegitimidade passiva para figurar no lançamento, pois não é titular da conta ou sócio da pessoa jurídica titular da empresa; d) os valores movimentados considerados para a apuração do lançamento são insustentáveis, cabendo inclusive a sua nulidade; e) não cabe o uso de prova emprestada, afastandose a existência do Laudo Pericial nº 1808/2005. Portanto, tendo em vista a inclusão em parcelamento de todos os valores referentes ao tema “movimentações de recursos no país”, anocalendário de 2005, restam em discussão apenas “movimentação de recursos no exterior”, anocalendário de 2003, que passará a ser analisada por meio do Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora Fl. 955DF CARF MF Processo nº 19515.003917/200850 Acórdão n.º 2401006.205 S2C4T1 Fl. 4 5 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 28/08/2009, conforme AR de fl. 874, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 28/09/2009 (fls. 877/920), razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. PRELIMINARES a) DA DECADÊNCIA O Recorrente alega às fls. 891/896 a ocorrência de decadência dos períodos entre abril/03 e agosto/03, aplicandose a regra do art. 150, § 4º, do CTN, por entender tratarse de lançamento por homologação. Além disso, acrescentou que o fato gerador do tributo seria mensal, de acordo com o art. 2º, §2º c/c art. 38, parágrafo único do Decreto 3.000/1999, Nesse contexto, o Recorrente alegou que foi cientificado da autuação em 13/03/2008, oportunidade em que os débitos de abril/03 a agosto/03 já estariam decaídos. Deixou de demonstrar a existência de qualquer pagamento do tributo, ainda que parcial. O Instituto da decadência no Direito Tributário, encontra se regulamentado nos arts. 150 e 173, ambos do Código Tributário Nacional (“CTN”). Recordese: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) §4ª Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data Fl. 956DF CARF MF 6 em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Para o bom emprego do instituto da decadência previsto no CTN é preciso verificar o dies a quo do prazo decadencial de 5 (cinco) anos aplicável ao caso: se é o estabelecido pelo art. 150, § 4º ou pelo art. 173, I, ambos do CTN. Em 12/08/2009, o C. Superior Tribunal de Justiça julgou o Recurso Especial nº 973.733/SC (2007/01769940), com acórdão submetido ao regime do art. 543C do antigo Código de Processo Civil (CPC/1973) e da Resolução STJ n° 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), da relatoria do Ministro Luiz Fux, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose Fl. 957DF CARF MF Processo nº 19515.003917/200850 Acórdão n.º 2401006.205 S2C4T1 Fl. 5 7 inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ, 1ª Seção, REsp 973.733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, , julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Portanto, sempre que o contribuinte efetuar o pagamento antecipado, o prazo decadencial se encerrará depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador, conforme regra insculpida no art. 150, § 4º, do CTN. Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o lustro decadencial para se constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, de acordo com o art. 173, I, do CTN. Por ter sido sob a sistemática do art. 543C do CPC/1973, a referida decisão do C. STJ deve ser observada por este CARF, nos termos do art. 62, § 2º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF. Vejase: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 958DF CARF MF 8 No caso em apreço, o Recorrente não demonstrou a ocorrência de pagamento do IRPF, ainda que parcial, chamando ao feito à aplicação da regra geral prevista no art. 173, inciso I, do CTN. Com efeito, o termo inicial para a contagem decadencial do prazo quinquenal dos fatos geradores ocorridos nos anoscalendários de 2004 e 2006 se inicia, respectivamente, em 31/12/2004 e 31/12/2006 (Súmula CARF Vinculante n° 38), e os prazos finais se encerram em 31/12/2010 e 31/12/2012. Tendo em vista que o Recorrente foi cientificado da autuação fiscal em 13/03/2008, não há que se cogitar na ocorrência de decadência in casu. Súmula CARF nº 38 O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário. Portanto, rejeito a preliminar de decadência arguida pelo Recorrente. b) DA NULIDADE – POR CERCEAMENTO DE DEFESA E POR USO DE PROVA EMPRESTADA O Recorrente alegou ao longo de seu Recurso Voluntário e em tópico específico às fls. 904/917, que a autuação seria nula, pois os elementos fundamentais em que se baseia a acusação são informações fornecidas por autoridades internas e externas sobre rendimentos supostamente havidos no Brasil e no exterior na CPMI Banestado / Beacon Hill, as quais são meras presunções incapazes de ensejar a ocorrência de fato gerador tributário. Aduziu que os valores verificados em conta bancária no exterior foram extraídos de prova emprestada, qual seja, laudo elaborado pela Polícia Federal para fins de instrução de investigação criminal alheia ao Recorrente, de modo que caberia ao Fisco adotar medidas visando validar os valores globais nele apontados, em atenção ao art. 142 do CTN. Além disso, o Recorrente afirmou que não recebeu o Anexo 12 quando da intimação de início do procedimento fiscal, bem como que não restou comprovado ser contribuinte do IRPF, o real beneficiário das movimentações financeiras no exterior, sendo, portanto, configurado o cerceamento do seu direito de defesa e do contraditório, devendo o Auto de Infração ser declarado nulo. Entretanto, não assiste razão ao Recorrente. Sobre nulidade, o Decreto nº 70.235/1972 elucida as hipóteses cabíveis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; Fl. 959DF CARF MF Processo nº 19515.003917/200850 Acórdão n.º 2401006.205 S2C4T1 Fl. 6 9 V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No presente caso, verificase que não ocorreu quaisquer das hipóteses elencadas no supracitado art. 10, para ensejar a nulidade da autuação, ou do art. 59, para incorrer na nulidade do procedimento fiscal. O auto foi lavrado por servidor competente, havendo a qualificação do autuado, o local, a data e a hora da lavratura, a descrição do fato, a disposição legal infringida e a penalidade aplicável, a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugná la no prazo legal, a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula, houve o correto respeito ao direito de defesa. O lançamento foi motivado por Representação Fiscal nº 1927/05, lavrada pela Equipe Especial de Fiscalização (constituída pela Portaria nº 463/2004), em decorrência do Memorando Circular Cofis/GAB nº 2004/00652, de 25/07/2004, onde o Recorrente foi identificado como beneficiário de divisas no exterior, através das contas/subcontas mantidas no Banco Chase de Nova York pela empresa BHSC – Beacon Hill Service Corporation. Com base na documentação acostada aos autos, restou comprovado que a empresa Beacon Hill Service Corporation BHSC tinha como função atuar como preposta bancária financeira de pessoas físicas e jurídicas brasileiras, buscando, assim, encobrir a identidade dos reais beneficiários de movimentações de divisas nos Estados Unidos da América, sendo que todas as informações bancárias da conta administrada pela BHSC foram encaminhadas ao Brasil em arquivos de mídia eletrônica pela Promotoria Distrital de Nova Iorque e que nas quais foram identificadas operações tendo o Recorrente como beneficiário de recursos no exterior. Os documentos que comprovam a imputação do Recorrente como beneficiário de recursos no exterior são: 1. Oficio n° 120/03 PF/FT/SR/DPF/PR, de 04/08/2003, do Delegado de Polícia Federal ao MM Juiz Federal da 2ª vara criminal de Curitiba/PR, versando sobre pedido de Quebra de Sigilo Bancário no exterior, via Tratado de Mutua Assistência em Matéria Penal (MLAT); 2. Decisão do MM. Juiz Federal da 2ª Vara Criminal de Curitiba/PR, de 14/08/2003, definindo extensão e compartilhamento das quebras de sigilos bancários no exterior, via MLAT (IPL 207/98); Fl. 960DF CARF MF 10 3. Oficio n° 001/03 PF/FT/NY/SR/DPF/PR, de 27/08/2003, do Delegado de Polícia Federal ao Dr. Robert Morgenthau, "District Attorney's Office of the County of New York", solicitando o afastamento de sigilos bancários e pedindo investigação criminal nos EUA; 4. "Order to Disclose", emitida pela Justiça da Suprema Corte, Judge Renee White; 5. Expediente da Sra, Rebecca Roiphe, "Assistant District Attorney of the Conty of New York", de 09/09/2003, permitindo o acesso aos dados que discrimina; 6. Oficio n°146/2004GJ do M.M. Juiz Federal Sérgio Fernando Moro de 06 de maio de 2004; 7. Decisões do M.M Juiz Federal; da 2ª Vara Criminal de Curitiba/PR, de 20/04/2004 e 27/04/2004, transferindo os dados da quebra de sigilo bancário para a Receita Federal; 8. Ofícios do Delegado da Policia Federal aos Peritos Federais Criminais FT/CC5, para emissão de Laudo Pericial referente aos elementos existentes nos arquivos magnéticos de cada conta ou subconta; 9. Laudo de Exame Econômico Financeiro n° 1258, de 18/05/2004 (fls. 43/49), demonstrando a consolidação da movimentação financeira de todas contas e subcontas administradas pela Beacon Hill (Laudo Global) ; 10. Laudo de Exame Econômico Financeiro n° 1.808/2005 (fls. 57/69), demonstrando a análise das movimentações na conta n° 71453; 11. Cópia das informações financeiras apresentadas pelo Departamento da Policia Federal e autenticadas pelo Consulado Geral do Brasil em Nova York; 12. Representação Fiscal 1927/05 da Equipe Especial de Fiscalização Portaria SRF n°463/04; 13. Informações da Receita Federal consolidando a movimentação específica da empresa Casuin Trading Corp. – conhecida como Verona, constando a assinatura do Recorrente como um dos responsáveis pela movimentação da conta n° 71453. Além disto, as informações bancárias foram repassadas à Fiscalização, conforme Laudos de Exame Econômico Financeiro da Polícia Federal nº 1258/04 (fls. 43/49), 1.808/2005 (fls. 57/69) e documentos seguintes, os quais demonstram os dados e as movimentações financeiras ocorridas na conta nº 71453 em nome da Casuin Trading Corp. – Verona, por meio de pesquisa na base de dados do MTBCBC Hudson Bank, BanestadoNY, Beacon Hill, Merchants Bank, SafraNY e Lespan (base de dados unificada), resultando no Recorrente como beneficiário dessas movimentações financeiras. Tratase de documentação hábil, produzida pela Justiça Federal, com auxílio da Justiça americana, totalmente hígida para comprovar a ocorrência do fato gerador, a sujeição passiva e a base de cálculo. Fl. 961DF CARF MF Processo nº 19515.003917/200850 Acórdão n.º 2401006.205 S2C4T1 Fl. 7 11 Toda essa documentação que acompanhou o presente processo administrativo fiscal foi fornecida ao Recorrente desde o início de suas intimações, assim como renovado quando das diversas intimações no interregno do processo, sendolhe permitido o pleno acesso aos autos e resposta às intimações com fornecimento de documentação hábil e idônea. A Autoridade Fiscal possibilitou ao Recorrente por inúmeras vezes trazer documentos idôneos que comprovasse a veracidade destes documentos, capazes de contrariar as informações ali constantes. Em todas as vezes o Recorrente apenas rejeitou a imposição, sem afastar de forma concreta as alegações e documentação da Fiscalização. Além disso, houve cumprimento ao devido processo legal, sendo oportunizado ao Recorrente o direito de ampla defesa. Em complemento, sobre a legalidade das provas obtidas pela operação Beacon Hill, verificase a jurisprudência consolidada deste Conselho: BEACON HILL PROVA OBTIDA COM AUTORIZAÇÃO DA JUSTIÇA FEDERAL – REMESSA AO FISCO – AUSÊNCIA DE ILICITUDE Eventual mácula da colheita da prova não pode ser deferida no processo administrativo fiscal, sob pena de a autoridade administrativa se sobrepor à ordem da autoridade judicial, a qual, constitucionalmente, tem o monopólio da condução do processo criminal e entendeu que a prova colhida no processo crime poderia ser utilizada pelo fisco. Acatar a pretensão do recorrente seria fazer tabula rasa da decisão judicial que determinou que o fisco cumprisse seu mister constitucional (art. 37, XVIII e XXII e art. 145, §1º, da Constituição Federal) de apurar o crédito tributário no caso vertente. (Acórdão n° 10617.155, Sessão de 06 de novembro de 2008) Portanto, no caso em apreço, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração, seja por cerceamento do direito de defesa, seja por uso indevido de prova emprestada. Isto porque o Recorrente foi regularmente cientificado da autuação, sendolhe concedido prazo para manifestação e apresentação de provas hábeis e idôneas a combater a infração fiscal; além disto, a autuação se embasou em documentos oficiais fornecidos pela Justiça Federal, em parceria com autoridades estrangeiras, cujos elementos são aptos a demonstrar a titularidade do Recorrente em relação à conta mantida no exterior. Com efeito, afasto as alegações de nulidade por cerceamento do direito de defesa e de nulidade por impossibilidade de uso de prova emprestada. Por fim, quanto ao tema movimentações financeiras no Brasil, o contribuinte informou a inclusão dos valores em parcelamento (embora sem colacionar qualquer comprovante de adesão à parcelamento) e deixou de impugnála, sendo certo que os valores quitados devem ser abatidos da presente autuação fiscal ao final do procedimento administrativo fiscal. 3. DO MÉRITO Fl. 962DF CARF MF 12 a) DA LEGITIMIDADE PASSIVA E DA TITULARIDADE DA CONTA BANCÁRIA Como visto, a presente autuação fiscal deriva da chamada operação Beacon Hill e visa à cobrança de valores de IRPF sobre depósitos bancários e créditos verificados em conta corrente no exterior da pessoa jurídica Casuin Trading Corp. – Verona, na qual o Recorrente possui autorização para movimentar, e cujas origens não restaram comprovadas mesmo após a devida intimação do Recorrente para fazêlo. Em face disto, o Recorrente alega às fls. 882/891 e 896/903: (ii) Da movimentação financeiro no exterior 1) A presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/96 é personalíssima e se aplica ao titular da conta bancária de depósito (e não a terceiros), sendo que a Fiscalização não teria demonstrado sua titularidade na conta no exterior em nome da pessoa jurídica Casuin Trading Corp. 2) Defende que não é titular da referida conta no exterior, mas apenas procurador da pessoa jurídica, razão pela qual não poderia ser aplicada a presunção legal supracitada. 3) “Ora, conforme se verifica dos autos, a referida conta de n.º 71543, mantida no MTBCBCHUDSON BANK, é de titularidade da pessoa jurídica Causin Trading Corp. Além disso, e conforme igualmente verificado pela própria fiscalização, o Recorrente SEQUER É SÓCIO DE TAL PESSOA JURÍDICA, o que, em última análise, até poderia gerar responsabilização por suposto imposto devido pela pessoa jurídica, nos termos do artigo 135 do Código Tributário Nacional, o que não é o caso!” 4) Mesmo que se admitida a responsabilidade solidária do Recorrente por depósitos de titularidade da pessoa jurídica estrangeira, e desde que comprovadas as hipóteses do art. 135 do CTN, alega que a exigência deveria ser apenas sobre os créditos tributários devidos pela empresa – apuração que não teria ocorrido no caso em apreço Primeiro ponto a ser esclarecido é quanto à validade da quebra do sigilo bancário do Recorrente e do compartilhamento de informações sem a necessidade de prévia autorização judicial. No entanto, não bastasse isso, no caso em apreço houve a legítima verificação da operação Beacon Hill no Poder Judiciário, corroborando ainda mais todo o arcabouço probatório e a validade do procedimento dotado pela fiscalização. Sobre o tema, o E. STF julgou o RE n° 601.314/SP, com repercussão geral reconhecida, fixando a tese que “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”; e, quanto ao item “b”, a tese: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. Fl. 963DF CARF MF Processo nº 19515.003917/200850 Acórdão n.º 2401006.205 S2C4T1 Fl. 8 13 Com efeito, prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto, não há ofensa a Constituição Federal. Confirase abaixo: RE 601.314 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. Fl. 964DF CARF MF 14 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Nesse sentido, é válido trazer à baila o disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“RI/CARF”), art. 62, §2, Anexo II, o qual determina que as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869/1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do CPC/2015, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicacã̧o ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Portanto, por mais estes motivos, conheço das provas colacionadas aos autos, oriundas da operação Beacon Hill, e passo à análise das alegações quanto à omissão de rendimentos do Recorrente. A tributação da omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários de origem não comprovada tem como supedâneo o art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Com efeito, tratase de uma presunção legal de omissão de rendimentos que ocorrerá sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Presunção esta relativa, que pode ser infirmada por prova em contrário apresentada pelo contribuinte, o qual possui a incumbência de elidir a imputação, mediante a Fl. 965DF CARF MF Processo nº 19515.003917/200850 Acórdão n.º 2401006.205 S2C4T1 Fl. 9 15 comprovação da origem dos recursos, já que a própria lei define os depósitos bancários de origem não comprovada como omissão de receita ou de rendimentos. Outra questão relevante sobre o tema é que a comprovação da origem dos recursos deve ser individualizada, ou seja, há que existir correspondência de datas e valores constantes da movimentação bancária, a fim de que se tenha certeza inequívoca da procedência dos créditos movimentados, consoante o §3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Assim, não é preciso a coincidência absoluta entre os dados, mas os valores auferidos devem corresponder aos depósitos efetuados nas contas, para fins de provas robustas da origem do recurso. Inclusive, este E. Conselho já sumulou o assunto no sentido de que o Fisco não precisa comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada, prevalecendo a presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Assim, tendo em vista a presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, cabe ao contribuinte demonstrar, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos questionados. Noutro giro, é válido trazer à baila o teor dos arts. 43, 44 e 45 do CTN, os quais tratam do fato gerador, base imponível e contribuinte do IRPF, bem como elucidam que, inclusive, a renda e os rendimentos podem ser presumidos ou arbitrados com base em sinais indicativos de sua existência – presunção legal. A solução da lide perpassa fato relevantíssimo: como o próprio Recorrente alega em seu Recurso Voluntário, os únicos sócios da empresa Casuin Trading Corp. – Verona, conta corrente n° 71453 no exterior, são os Srs. Raymond Lisbona (seu pai) e Joseph Nasser. Com efeito, com o falecimento de seu pai em 11/01/2005, passou a assumir a conta como procurador, para fins de movimentações necessárias do espólio. Temse, que o fato gerador questionado é de 2003, período em que o Sr. Raymond Lisbona ainda era vivo e, portanto, deveria ter sido intimado a fornecer as informações necessárias à Fiscalização – e não o Recorrente. A despeito disso, a primeira intimação ocorreu apenas em 25/06/2007, quando já estava falecido e em tempo que o Recorrente não poderia ter controle ou conhecimento sobre movimentações financeiras realizadas em 2003 porque não era cotitular da conta corrente no exterior à época. Com efeito, aplicase ao caso concreto o teor da Súmula CARF nº 120, com efeito vinculante, para reconhecer a improcedência do presente lançamento fiscal. Súmula CARF nº 120 Não é válida a intimação para comprovar a origem de depósitos bancários em cumprimento ao art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, quando dirigida ao espólio, relativamente aos fatos geradores ocorridos antes Fl. 966DF CARF MF 16 do falecimento do titular da conta bancária. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário, para no mérito DAR LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 967DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13646.000059/2006-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
IRPF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. BENS OU DIREITOS COM VALOR TOTAL SUPERIOR A R$80.000,00.
Está obrigada a apresentar a Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda a pessoa física residente no Brasil, que teve a posse ou a propriedade, em 31 de dezembro do ano-calendário, de bens ou direitos, inclusive terra nua, de valor total superior a R$ 80.000,00 (oitenta mil reais).
Estando o contribuinte obrigado à entrega da declaração de rendimentos, sua não apresentação no prazo estabelecido impõe a aplicação da multa por atraso na entrega correspondente a 1% ao mês ou fração sobre o imposto devido, limitada a 20%, com multa de no mínimo R$ 165,74.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-000.784
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPF- auto infração - multa por atraso na entrega da DIRPF
Nome do relator: José Evande Carvalho Araujo
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-11-18T19:19:17Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-11-18T19:19:17Z; Last-Modified: 2010-11-18T19:19:17Z; dcterms:modified: 2010-11-18T19:19:17Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:4dafdc7b-3cf8-42ce-b2e1-8ab9d112c46e; Last-Save-Date: 2010-11-18T19:19:17Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-11-18T19:19:17Z; meta:save-date: 2010-11-18T19:19:17Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-11-18T19:19:17Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-11-18T19:19:17Z; created: 2010-11-18T19:19:17Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2010-11-18T19:19:17Z; pdf:charsPerPage: 1351; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-11-18T19:19:17Z | Conteúdo => S2-CITI F] 24 I. MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 13646..000059/2006-58 Recurso n* 172.208 Voluntário Acórdão n" 2101.-00.784 — 1" Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 24 de setembro de 2010 Matéria IRPI" Recorrente JOSE ADAO DOS SANTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IRPF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. BENS OU DIREITOS COM VALOR TOTAL SUPERIOR A R$80.000,00. Está obrigada a apresentar a Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda a pessoa física residente no Brasil, que teve a posse ou a propriedade, em .31 de dezembro do ano-calendário, de bens ou direitos, inclusive terra nua, de valor total superior a R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). Estando o contribuinte obrigado à entrega da declaração de rendimentos, sua não apresentação no prazo estabelecido impõe a aplicação da multa por atraso na entrega correspondente a 1% ao mês ou fração sobre o imposto devido, limitada a 20%, com multa de no mínimo R$ 165,74. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado, (assinado digitalmente) Caio Marcos Candido - Presidente. ID(1 2 P,[- (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo- Relato'''. EDITADO EM: 05/10/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Candido, Ana Neyle Olímpio Holanda, José Evande Carvalho Araujo, Alexandre Naoki Nishioka, Odmir Femandes e Gonçalo Bonet Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado 'foi lavrada a Notificação de Lançamento de fl. 03, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, relativa à multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos, formalizando a exigência de multa no valor de R$165,74. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação (fls 01 a 02), acatada como tempestiva, onde alegou ser isento do imposto de renda. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 1 Turma da DRI/Juiz de Fora/MG julgou procedente o lançamento com base, em síntese, nas seguintes considerações (fls.. 14 a 16): Versam os autos sobre multa por atraso na entrega da declaração de ajuste anual, referente ao exercício 2005, tendo em vista que sua apresentação foi feita fora do prazo legal previsto para o exercício em foco. ( ) No caso presente, o contribuinte encontrava-se obrigado à entrega da Declaração de Ajuste Anual, exercício 2005, uma vez que incorreu em uma das hipóteses de obrigatoriedade previstas na legislação tributária Ressalte-se que a apresentação da Declaração de Ajuste Anual é uma obrigação tributária acessória para os contribuintes que se enquadram nos parâmetros legalmente estabelecidos de obrigatoriedade. Quando há o inadimplernento dessa obrigação, pela não-apresentação no prazo estabelecido, está caracterizado o fato gerador da penalidade pecuniária. Pelos fundamentos acima apresentados, não há sustentação para se exonerar a multa aplicada, tendo em vista que o interessado não cumpriu a referida obrigação acessória no prazo determinado, a despeito de suas considerações na peca impunnatória. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CAIU) EmiL:dc. 2(" Processo o 3646 000059/2006-58 82-C1T Acórdão n " 2101-00,784 Fl 25 Cientificado da decisão de primeira instância em 08/10/2008 (fl. 18-v), o contribuinte apresentou, em 24/10/2008 (ti, 19), o recurso de fls. 19 a 22, onde afirmou que o julgamento de I" instância foi obscuro ao não explicitar em qual hipótese de obrigatoriedade de declaração incorreu. Após alegar que não foi em função dos rendimentos tributáveis, concluiu ter sido pelo valor dos bens e direitos declarados, mas defendeu que seu patrimônio foi formado em periodos anteriores, sendo que o acréscimo patrimonial do ano-calendário de 2004 foi de apenas R$553,80, o que o desobrigaria a declarar. Ao final, pugnou pelo cancelamento da multa aplicada. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl.. 23, que também trata do envio dos autos ao então Primeiro Conselho de Contribuintes. É o Relatório. Voto Conselheira José Evande Carvalho Araujo, Relatar.. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há argüição de qualquer preliminar.. O contribuinte apresentou, no dia 30/12/2005, Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física - DIRPF do exercício de 2005 (fl, 4). A Instrução Normativa SRF n" 507, de 11 de fevereiro de 2005, era o ato legal que regulamentava a declaração daquele exercício, e determinava, em seu art 1 0, inciso VI, que estava obrigado a declarar quem teve a posse ou a propriedade, em 31 de dezembro do ano-calendário, de bens ou direitos, inclusive terra nua, de valor total superior a R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), e fixava o prazo de entrega para 29/04/2005 (art. 3 0 ). Desta forma, por estar obrigado a apresentar declaração anual de ajuste por ter declarado que possuía bens e direitos que totalizavam R$85 497,03 em 31 de dezembro de 2004 (fl. 6), e por fazê-lo em atraso, recebeu a multa no valor mínimo de R$165,74 De início, há que se concordar que o acórdão da l a instância foi omisso ao não explicitar em qual hipótese de obrigatoriedade de declarar incidiu o contribuinte. Mas se constata, pelo teor da peça impugnatória, que o recorrente conseguiu entender perfeitamente que a obrigatoriedade decorreu em função do valor dos bens declarados, e apresentou os argumentos de defesa que julgou apropriados.. Desta forma, não verifico qualquer prejuízo à defesa e prossigo com o julgamento. A exigência da multa por atraso na entrega da declaração exigida no lançamento em exame está devidamente alicerçada na legislação que rege a matéria, Confira- se: Lei n"9.250, de 26 de dezembro de 1995. art 7" A pessoa física deverá apurar o saldo em Reais do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no ano-calendário, e apresentar 3¡i") 4 Dr CA RI' MV anualmente, até o último dia útil do mês de abril do ano- calendário subseqüente, declaração de rendimentos em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal ) Lei n°8.981, de 20 de janeiro de 1995. Art 88 A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo . fixado, sujeitará a pessoa fisica ou /tu idica- 1 - à multa de mora de um por cento ao mês ou fração sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago,- (Vide Lei n" 9 532, de 1997) 11 - à multa de duzentas Ufirs a oito mil Ufirs, no caso de declaração de que não resulte imposto devido 5-ç 1" O valor mínimo a sei aplicado será a) de duzentas Ufirs, para as pessoas fisicas, b) de quinhentas Ufirs, para as pessoas jurídicas Lei n" 9.532 de 10 de dezembro de 1997. Art 27, A multa a que se refere o inciso 1 do art 88 da Lei n" 8.981, cie 1995, é limitada a vinte por cento do imposto de renda devido, respeitado o valor mínimo de que trata o 1" do referido art 88, convertido em reais de acordo com o disposto no art 30 da Lei n°9249, de 26 de dezembro de 1995 ) Lei n°9.779, de 19 dejaneiro de 1999. Art.16 Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável Como se vê, de acordo com a legislação acima transcrita, resta claro que a falta de apresentação da declaração ou sua apresentação fora do prazo enseja o lançamento da multa por atraso correspondente a 1% por mês de atraso ou fração sobre o imposto devido, limitada a 20%, com o valor mínimo previsto no §1°, alínea "a", do artigo 88 da Lei n" 8.981, de 1995, quantia que, convertida pata reais, resulta em RS 165,74. A lei autorizou, também, a Secretaria da Receita Federal a dispor sobre forma, prazo e condições para as obrigações acessórias relativas a impostos, o que, para a declaração anual de ajuste do ano-calendário de 2004, foi feito por meio da Instrução Normativa SRF ri 507, de 2005, que fixou as hipóteses de obrigatoriedade de declarar e o prazo de entrega Assim, resta evidente que o contribuinte se encontrava obrigado a declarar por possuir bens ou direitos que totalizaram mais de R$80.000,00 em 31 de dezembro de 2004, valor infc)rmado pelo próprio sujeito passivo. . 1.. V..., ;,.. 1'1 Processo o" 13646 00005912006-58 52-C1Ti Acórdão o" 2101-00,784 Fi 26 O tato alegado de que o valor do patrimônio foi construido em anos anteriores, sendo pequeno o acréscimo no ano de 2004, não tem qualquer relevância para o caso, pois a obrigatoriedade de declarar é para quem possuir bens ou direitos com valor total superior a R$80.000,00, e não apenas para quem aumentar seu patrimônio nesse valor em um único ano. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário, .José Evande Carvalho Araujo
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Numero do processo: 11065.725095/2011-09
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009
INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA - INEXISTÊNCIA MATERIAL DE SEPARAÇÃO ENTRE A ENCOMENDANTE E A PRESTADORA DE SERVIÇOS.
SIMULAÇÃO - DESCARACTERIZAÇÃO DA OPERAÇÃO - GLOSA DOS CRÉDITOS FAVORÁVEIS AO CONTRIBUINTE. LANÇAMENTO DO DÉBITO NÃO RECOLHIDO.
A realização da industrialização da produção quando a empresa encomendante e a empresa prestadora de serviços são separadas formalmente, no papel, mas na realidade, de fato, inexiste separação, pois, materialmente, são e atuam como uma única entidade, caracteriza simulação de atos visando benefícios tributários, acarretando a ilegalidade da operação. Por conseguinte, a simulação gera a descaracterização da industrialização por encomenda e a conseqüente glosa dos créditos favoráveis ao contribuinte gerados pela operação realizada de forma ilegal, de modo a resultar no lançamento do débito não recolhido, nos termos da legislação específica.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009
INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA INEXISTÊNCIA MATERIAL DE SEPARAÇÃO ENTRE A ENCOMENDANTE E A PRESTADORA DE SERVIÇOS SIMULAÇÃO DESCARACTERIZAÇÃO DA OPERAÇÃO GLOSA DOS CRÉDITOS FAVORÁVEIS AO CONTRIBUINTE. LANÇAMENTO DO DÉBITO NÃO RECOLHIDO.
A realização da industrialização da produção quando a empresa encomendante e a empresa prestadora de serviços são separadas formalmente, no papel, mas na realidade, de fato, inexiste separação, pois, materialmente, são e atuam como uma única entidade, caracteriza simulação de atos visando benefícios tributários, acarretando a ilegalidade da operação. Por conseguinte, a simulação gera a descaracterização da industrialização por encomenda e a conseqüente glosa dos créditos favoráveis ao contribuinte gerados pela operação realizada de forma ilegal, de modo a resultar no lançamento do débito não recolhido, nos termos da legislação específica.
Numero da decisão: 9303-008.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe negou provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA - INEXISTÊNCIA MATERIAL DE SEPARAÇÃO ENTRE A ENCOMENDANTE E A PRESTADORA DE SERVIÇOS. SIMULAÇÃO - DESCARACTERIZAÇÃO DA OPERAÇÃO - GLOSA DOS CRÉDITOS FAVORÁVEIS AO CONTRIBUINTE. LANÇAMENTO DO DÉBITO NÃO RECOLHIDO. A realização da industrialização da produção quando a empresa encomendante e a empresa prestadora de serviços são separadas formalmente, no papel, mas na realidade, de fato, inexiste separação, pois, materialmente, são e atuam como uma única entidade, caracteriza simulação de atos visando benefícios tributários, acarretando a ilegalidade da operação. Por conseguinte, a simulação gera a descaracterização da industrialização por encomenda e a conseqüente glosa dos créditos favoráveis ao contribuinte gerados pela operação realizada de forma ilegal, de modo a resultar no lançamento do débito não recolhido, nos termos da legislação específica. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA INEXISTÊNCIA MATERIAL DE SEPARAÇÃO ENTRE A ENCOMENDANTE E A PRESTADORA DE SERVIÇOS SIMULAÇÃO DESCARACTERIZAÇÃO DA OPERAÇÃO GLOSA DOS CRÉDITOS FAVORÁVEIS AO CONTRIBUINTE. LANÇAMENTO DO DÉBITO NÃO RECOLHIDO. A realização da industrialização da produção quando a empresa encomendante e a empresa prestadora de serviços são separadas formalmente, no papel, mas na realidade, de fato, inexiste separação, pois, materialmente, são e atuam como uma única entidade, caracteriza simulação de atos visando benefícios tributários, acarretando a ilegalidade da operação. Por conseguinte, a simulação gera a descaracterização da industrialização por encomenda e a conseqüente glosa dos créditos favoráveis ao contribuinte gerados pela operação realizada de forma ilegal, de modo a resultar no lançamento do débito não recolhido, nos termos da legislação específica.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe negou provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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SIMULAÇÃO DESCARACTERIZAÇÃO DA OPERAÇÃO GLOSA DOS CRÉDITOS FAVORÁVEIS AO CONTRIBUINTE. LANÇAMENTO DO DÉBITO NÃO RECOLHIDO. A realização da industrialização da produção quando a empresa encomendante e a empresa prestadora de serviços são separadas formalmente, no papel, mas na realidade, de fato, inexiste separação, pois, materialmente, são e atuam como uma única entidade, caracteriza simulação de atos visando benefícios tributários, acarretando a ilegalidade da operação. Por conseguinte, a simulação gera a descaracterização da industrialização por encomenda e a conseqüente glosa dos créditos favoráveis ao contribuinte gerados pela operação realizada de forma ilegal, de modo a resultar no lançamento do débito não recolhido, nos termos da legislação específica. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA INEXISTÊNCIA MATERIAL DE SEPARAÇÃO ENTRE A ENCOMENDANTE E A PRESTADORA DE SERVIÇOS SIMULAÇÃO DESCARACTERIZAÇÃO DA OPERAÇÃO GLOSA DOS CRÉDITOS FAVORÁVEIS AO CONTRIBUINTE. LANÇAMENTO DO DÉBITO NÃO RECOLHIDO. A realização da industrialização da produção quando a empresa encomendante e a empresa prestadora de serviços são separadas formalmente, no papel, mas na realidade, de fato, inexiste separação, pois, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 50 95 /2 01 1- 09 Fl. 917DF CARF MF Processo nº 11065.725095/201109 Acórdão n.º 9303008.511 CSRFT3 Fl. 3 2 materialmente, são e atuam como uma única entidade, caracteriza simulação de atos visando benefícios tributários, acarretando a ilegalidade da operação. Por conseguinte, a simulação gera a descaracterização da industrialização por encomenda e a conseqüente glosa dos créditos favoráveis ao contribuinte gerados pela operação realizada de forma ilegal, de modo a resultar no lançamento do débito não recolhido, nos termos da legislação específica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe negou provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial do Procurador (fls. 856/866), admitido pelo despacho de fls. 904/908. Insurgese contra o Acórdão 3401002.457 (fls. 1/8), de 27/11/2013, o qual foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REUNIÃO DE PROCESSOS. FALTA DE MOTIVO. Quando os processos, apesar de nascerem no mesmo fato, têm objetos de distintos e os tributos tratados neles são de competências de seções de julgamento diferentes, não há necessidade de reunilos para julgamento. DECISÃO DA DRJ. FALTA DA ANÁLISE DE TODOS OS TÓPICOS SUSCITADO NA IMPUGNAÇÃO. NULIDADE INEXISTENTE. Fl. 918DF CARF MF Processo nº 11065.725095/201109 Acórdão n.º 9303008.511 CSRFT3 Fl. 4 3 A DRJ não é obrigada a se posicionar sobre cada tópico destacado na impugnação quando a análise geral de todos os argumentos ventilados pela Recorrente é suficiente para julgar o processo. FISCALIZAÇÃO. ACESSO À INFORMAÇÕES JÁ CONSTANTES NO BANCO DE DADOS DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. INEXISTÊNCIA DE QUEBRA DE SIGILO FISCAL. Inexiste quebra de sigilo quando as informações utilizadas em procedimento fiscal, apesar de serem sigilosas, são colhidas do banco de dados da Receita Federal por autoridade fiscal competente. PIS E COFINS. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. SIMULAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. RELAÇÃO DAS DUAS EMPRESAS DENTRO DA LEGALIDADE. A relação comercial de duas empresas não pode ser considerada simulada quando os negócios ocorrem de fato e não há ilegalidade provada na relação das duas. Eis o acórdão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso voluntário interposto. Vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl (Substituto) e Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente). Ausentes os Conselheiros Fernando Marques Cleto Duarte e Angela Sartori. A Fazenda colaciona como paradigma acórdãos (2402004.119 e 2402 004.119) em processos (11065.725088/201107 e 11065.725089/201143) da mesma contribuinte, oriundos da mesma ação fiscal (porém com exigência de contribuições previdenciárias), nos quais, analisando os mesmo fatos que deram azo a presente exação de contribuições sociais, os lançamentos foram mantidos. No mérito, alega que para fazer jus aos créditos na sistemática nãocumulativa é preciso que a empresa prestadora de serviço tenha independência em relação à contribuinte interessada no ressarcimento do insumo caracterizado pela prestação de serviço. No caso, argui que "restou caracterizada a nítida dependência da empresa Bruna C Feller para com a empresa Top Vision, o que afasta o direito ao crédito", demonstrando os fatos que a levam a tal conclusão: 1) atividade econômica principal conforme Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica das 2 (duas) empresas é 15.31.9.01 Fabricação de Calçados de Couro; 2) O contribuinte é proprietário do imóvel onde funciona a empresa Bruna C Feller; 3) Os sócios das empresas têm vínculo familiar; 4) A administração da empresa Bruna C Feller era exercida pela pelos sócios da Top Vision; Fl. 919DF CARF MF Processo nº 11065.725095/201109 Acórdão n.º 9303008.511 CSRFT3 Fl. 5 4 5) A empresa Bruna C Feller não possui ativo permanente para utilizar na prestação de serviço por encomenda; 6) Nos registros contábeis da empresa Bruna C Feller, não há lançamento de custos com fabricação tais como insumos, água, manutenção de equipamentos, depreciação ou aluguéis de equipamentos; 7) O sócio da top Vision era o responsável pela movimentação da conta bancária da Bruna. Com base em tais fatos, entende que "a prestadora de serviços era, em realidade, um estabelecimento industrial do contribuinte, e não uma pessoa jurídica independente como seria necessário". Acresce que a criação formal da empresa Bruna C Feller serviu aos interesses da autuada, inclusive no que diz respeito à folha de pagamentos com empregados, pretendendo esta levar vantagem também no que concerne à tributação, por ser aquela optante do SIMPLES e sofrer tributação diferenciada como tal. Conclui afirmando que a legislação permite que os contribuintes optem por estruturas que lhes sejam menos onerosas do ponto de vista fiscal, porém desde que não implementadas com dolo, fraude ou simulação, como ocorreu no presente caso em que a contribuinte simulou a criação de determinada pessoa jurídica, que na prática não possuía independência econômica e gerencial, com a finalidade de ver ressarcidas as despesas relativas aos serviços aplicados ou consumidos na fabricação de produtos. Alfim, pede o conhecimento e provimento do recurso para reformar o aresto recorrido, e, desta forma, restabelecer o lançamento em sua integralidade. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator Conheço do recurso nos termos em que foi processado, mormente em se tratando de paradigmas referente à mesma ação fiscal e mesma base fática, porém com exação de distintos tributos. Versam os autos lançamento de PIS e COFINS, ambos nãocumulativos, devido a constatação de falta/insuficiência de recolhimento daquelas contribuições, com multa qualificada, pois a autuada (Indústria de Calçados TOP VISION Ltda) utilizouse da empresa BRUNA C FELLER, optante pelo SIMPLES, para criar uma situação jurídica favorável, através de simulação, para pagar menos contribuições previdenciárias e, também, gerar créditos de PIS e COFINS nãocumulativos. Tal simulação/dissimulação seria caracterizada, conforme consta do Relatório de Atividade Fiscal, de fls. 41 a 57, por diversos fatores, dentre os quais, ressalto: a) Os sócios da empresa TOP VISION são Dejair Airton Feller e Jorge Fernando Brussius, cada um com 50% de participação. A empresa individual BRUNA C FELLER tem como titular Bruna Cristine Feller, a qual é filha de Dejair Airton Feller. Além disso, a empresa individual NADIA BEATRIZ BRUSSIUS, que antecedeu a função de Fl. 920DF CARF MF Processo nº 11065.725095/201109 Acórdão n.º 9303008.511 CSRFT3 Fl. 6 5 prestadora de serviços atualmente exercida por BRUNA C FELLER, teve como titular a cônjugue de Jorge Fernando Brussius. Bruna Cristine Feller também foi empregada da TOP VISION no período de 03/04/2000 a 31/10/2006 na função de auxiliar de escritório, desligandose um pouco antes da constituição de sua empresa individual. b) Foi constatada uma sequência cronológica nas notas fiscais emitidas pela empresa BRUNA C FELLER, NF nº 1 datada de 17/01/2007 e a última nota emitida pela empresa NADIA BEATRIZ BRUSSIUS, datada de 08/01/2007, o que leva a crer que uma empresa teria sucedido a outra nas mesmas funções. Além disso, constatouse uma semelhança na diagramação das notas fiscais confeccionadas pelas empresas NÁDIA e BRUNA e no preenchimento das mesmas. Também ocorreu uma migração de funcionários quando do encerramento da NÁDIA e a abertura da BRUNA, dos 33 empregados admitidos por BRUNA em 01/2007, 30 eram oriundos da NÁDIA. c) O imóvel onde funciona a empresa BRUNA C FELLER pertence à TOP VISION. Também é ressaltado que o pagamento (via carnê) do IPTU 2009 foi custeado pela TOP VISION e que inexistem registros contábeis referentes ao pagamento de aluguéis pelo imóvel. d) Uma empregada da empresa TOP VISION, Analise Beatriz Fulber Linden, foi responsável pela remessa das GFIP da TOP VISION e também da empresa BRUNA C FELLER para o sistema da Receita Federal do Brasil. Esta mesma pessoa, também atuou como preposta de BRUNA em Ata de Audiência de Conciliação de Reclamatória Trabalhista movida por outra funcionária. e) A receita de BRUNA era constituída quase que exclusivamente de serviços de industrialização por encomenda prestada para a fiscalizada. Foi também observada a emissão de notas fiscais seqüenciais e periódicas pela prestadora de serviços de industrialização para a fiscalizada. Além disso, as despesas de salários da empresa BRUNA C FELLER representam quase a totalidade de sua receita auferida. f) Verificouse que a empresa BRUNA C FELLER não possui empregados registrados em setores administrativos, financeiros de vendas e de recursos humanos no prédio onde opera, somente possui empregados no setor fabril, sendo que também não possui ativo permanente para utilizar na prestação de serviços de industrialização por encomenda. Ainda, não foram constatados lançamentos de custos com fabricação tais como insumos, água, manutenção de equipamentos, depreciação ou aluguéis de equipamentos, somente valores relativos à mão de obra. A única despesa de produção que BRUNA possui, segundo seus registros contábeis, é com energia elétrica. g) O capital social da empresa BRUNA C FELLER é de somente R$ 10.000,00 (dez mil reais) e no período de existência da empresa foi integralizado somente o valor de R$ 100,00 (cem reais). Também não foram encontrados registros de despesas típicas de uma empresa normal tais como telefone, material de limpeza, material de expediente e mesmo honorários do contador, embora se utilizasse dos serviços desse profissional. Nas notas fiscais de remessa de materiais emitidas por TOP VISION para BRUNA, consta como telefone de BRUNA um número que na verdade pertence à TOP VISION. h) Pela análise de seus registros contábeis, verificouse que a empresa BRUNA C FELLER tinha forte dependência econômica e financeira da fiscalizada. Para fazer frente às suas despesas a emissão das notas fiscais ocorreu gradualmente, na medida da Fl. 921DF CARF MF Processo nº 11065.725095/201109 Acórdão n.º 9303008.511 CSRFT3 Fl. 7 6 necessidade de recursos, sendo uma característica marcante dessa prática a emissão e liquidação simultâneas de notas fiscais de serviços nas vésperas do pagamento da folha de empregados. O exame dos documentos de caixa também revelou que o sócio da fiscalizada, Sr. Dejair Airton Feller era o responsável pela movimentação da conta bancária da Bruna. Com arrimo nesses fatos, verificase claramente uma confusão entre a contribuinte autuada (TOP VISION) e a empresa prestadora de serviços (BRUNA C FELLER), de forma que se conclui que não são empresas independentes, pois sua separação é uma ficção meramente formal, e faticamente são somente uma única entidade, sendo a prestadora de serviços, em realidade, uma filial/departamento da contribuinte, com o intuito exclusivo de se beneficiar do tratamento fiscal/previdenciário favorável aplicado às micro e pequenas empresas denominado SIMPLES, acarretando, no caso deste processo, valores de créditos de PIS e COFINS nãocumulativos ilegítimos, haja vista que o pagamento da folha de salário, de modo indireto, pela contribuinte não pode gerar direito creditórios, nos termos da legislação destas contribuições. Patente, portanto, que a prestação de serviço de industrialização realizada pela empresa individual BRUNA C FELLER para a contribuinte autuada é um acerto entre ambas para simular a existência de transação jurídica entre duas pessoas jurídicas, mas que na realidade compõe uma única entidade, cujo efeito foi, sob a ótica do PIS e da COFINS, ambos nãocumulativos, resultar na constituição de crédito favorável das contribuições à contribuinte, de forma a diminuir o valor a pagar da contribuição ou, já tendo sido utilizado para cancelar o débito, resultar em valor de crédito a ressarcir, caracterizando locupletamento ilícito. Estreme de dúvidas que estamos diante de uma fraude grosseira. O cerne da questão reside na análise do conjunto das evidências apresentadas, em especial no que se refere à total dependência econômica e operacional da prestadora de serviços para a contribuinte, sendo que os recursos (maquinário, imóvel para funcionamento, alguns funcionários, etc...) são cedidos gratuitamente ou suportados pela própria contribuinte. Examinandose a ocorrência simultânea de todos os indícios já relatados, tornase evidente que BRUNA C FELLER e a fiscalizada atuam como se fossem apenas uma única empresa, conforme concluiu o procedimento fiscal. Sem embargo, a existência da empresa prestadora de serviços BRUNA C FELLER e de suas operações para a contribuinte são meramente formais, na qual a contribuinte se fundamenta em simulação (planejamento tributário ilícito) para obter vantagens tributárias de maneira ilegal, criando uma situação artificial com fins de ludibriar o Fisco e ter ganhos de uma forma que a legislação não permite. Logo, não pode sequer ser alegado que houve planejamento tributário válido, que é a escolha entre opções legalmente aceitas na legislação tributária, pois não foi o que ocorreu nos caso em análise. A liberdade constitucional de contratar e da livre iniciativa não pode ser utilizada de forma simulada, de modo atingir a eficiência econômica da operação da contribuinte através de fraude fiscal. Em verdade, ao agir de forma simulada a empresa agride a livre iniciativa e a livre concorrência, pois obra contra esses princípios. Gizese que não houve nenhum arbitramento ou ato discricionário por parte do Fisco, somente a constatação da fraude fiscal e a exigência tributária como efeito do ato ilegal, tudo com base nos elementos e documentos trazidos aos autos, haja vista que os atos simulados não podem ter efeitos tributários válidos. Fl. 922DF CARF MF Processo nº 11065.725095/201109 Acórdão n.º 9303008.511 CSRFT3 Fl. 8 7 No caso em apreço, houve uma simulação (falsa aparência de existência de duas empresas, quando na realidade era uma só entidade) que acarretou uma dissimulação, qual seja, a ocultação de débitos previdenciários e correlatos e da inexistência de crédito de PIS e COFINS nãocumulativo. O art. 149, inciso VII, do CTN, autoriza o lançamento em caso de simulação e no art. 167 do Código Civil, que define o que seja simulação. O referido art.149, inciso VII, do CTN dispõe: “ Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: .... VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação;.. “ Quanto á multa de ofício aplicada, a penalidade incidente sobre os valores glosados, devido à simulação, acima analisada, fundamentouse no art. 44, §1º da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 14 da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007, que manteve a mesma multa para os casos dos arts.71 a 73 da Lei 4.502/1964. Portanto, vigente à época dos fatos geradores (01/01/2008 a 31/12/2009). Assim, provada a fraude, deve ser aplicada a multa qualificada. Deveras, sem reparos à exação. CONCLUSÃO Em face do exposto, conheço do recurso especial do Procurador e doulhe provimento, desta forma revigorando os termos do auto de infração. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 923DF CARF MF Processo nº 11065.725095/201109 Acórdão n.º 9303008.511 CSRFT3 Fl. 9 8 Fl. 924DF CARF MF
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Numero do processo: 13873.720290/2016-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2014
MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSSIBILIDADE
A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias, ainda que o contribuinte efetua a regularização antes de iniciado procedimento fiscal. Aplicável o teor da Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, invocando o princípio do não-confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Aplicável o teor da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1201-002.780
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em conhecer e negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13873.720284/2016-01, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSSIBILIDADE A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias, ainda que o contribuinte efetua a regularização antes de iniciado procedimento fiscal. Aplicável o teor da Súmula CARF nº 49: “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, invocando o princípio do nãoconfisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Aplicável o teor da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em conhecer e negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13873.720284/201601, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 3. 72 02 90 /2 01 6- 50 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13873.720290/201650 Acórdão n.º 1201002.780 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de notificação de lançamento lavrado para a cobrança de multa, no montante de R$ R$ 23.980,14, decorrente de atraso na entrega da DCTF, referente ao mês de julho de 2014. A contribuinte teria entregue a referida declaração apenas em 07/06/2016, com 22 meses de atraso. Segundo consta na descrição dos fatos do Auto de Infração, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) entregue fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa de 2% ao mês ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que tenham sido integralmente pagos, reduzida em 50% em virtude da entrega espontânea da declaração, respeitado o percentual máximo de 20% e o valor mínimo de R$ 200,00 no caso de inatividade e de R$ 500,00 nos demais casos”. Devidamente intimada a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, na qual afirma que o auto de infração não merece prosperar, seja em razão da ocorrência da denúncia espontânea (artigo 138 do CTN), seja porque exige multa com caráter confiscatório e desproporcional, já que foi calculada com base em percentual dos tributos informados na declaração. Em sessão de 11 de setembro de 2017, a 4ª Turma da DRJ/REC, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos do voto relator, Acórdão nº 1157.566, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2014 ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, sujeitarseá a multa especificada na legislação. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não se considera como denúncia espontânea o cumprimento de obrigações acessórias depois de decorrido o prazo legal para seu adimplemento. A multa aplicada decorre da impontualidade do contribuinte e não tem qualquer vínculo com a existência de fato gerador de tributo. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13873.720290/201650 Acórdão n.º 1201002.780 S1C2T1 Fl. 4 3 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO OBRIGATORIEDADE DO CERTIFICADO DIGITAL E VALOR DA MULTA APLICADA. As autoridades administrativas são obrigadas a observar a legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para apreciar arguições de inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. Cientificada da decisão (AR de 11/10/2017), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 09/11/2017, onde reitera as razões apresentadas em sede impugnação para requerer o afastamento da multa exigida considerando a denúncia espontânea (artigo 138 do CTN) e o efeito de confisco da exigência (vedado pelo artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal). É o relatório. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.774, de 20/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº 13873.720284/2016 01, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1201002.774): O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Questões de Mérito I. Da Aplicação da Súmula CARF nº 49 Conforme exposto no relatório, a exigência em questão referese a multa decorrente de atraso na apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais referente a janeiro de 2014. A Recorrente não cumpriu o prazo do dia 25/03/2014 e apresentou a declaração apenas em 07/06/2016. Em sede recursal, a Recorrente afirma que apresentou a declaração de forma espontânea, antes de qualquer manifestação do Fisco. Segundo ela, a espontaneidade enseja a exclusão de qualquer penalidade. Para corroborar sua alegação, apresenta jurisprudência judicial e doutrina. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13873.720290/201650 Acórdão n.º 1201002.780 S1C2T1 Fl. 5 4 De antemão, vale registrar que o instituto da denúncia espontânea foi altamente debatido por este E. CARF e, inclusive, é objeto da Súmula CARF nº 49: “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018)”. (Grifos nossos). A partir da edição da referida Súmula, não há que se aplicar o benefício da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do CTN, para afastar penalidade decorrente de atraso na entrega de declaração. Nesse mesmo sentido são as ementas abaixo transcritas, verbis: “MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. EFEITOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF nº. 49. Assim, impossível aplicarse o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de FCONT em atraso”. (Processo nº 13770.002101/200721, Acórdão nº 1001000.973, Turma Extraordinária / 1ª Seção, Sessão de 04 de setembro de 2018) “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 49 Ainda que o contribuinte efetue a regularização da entrega de obrigação acessória (DIFPapel Imune) antes de iniciado procedimento fiscal, não é aplicável o benefício da denúncia espontânea, previsto no artigo 138, do CTN. Precedentes do STJ. Existência de súmula desse Colegiado, o que impede decisão em contrário.” (Processo nº 19515.000850/200559, Acórdão nº 3401004.461, 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária / 3ª Seção, Sessão de 22 de março de 2018) Assim, como situação fática apresentada nos presentes autos configura a hipótese tratada pela Súmula CARF nº 49, a multa exigida (fl. 17) no lançamento deve ser mantida. II. Da Alegação do Caráter Confiscatório da Multa Outro argumento manifesto pela Recorrente é o do caráter confiscatório da multa exigida, o que seria vedado pelo artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. Alega que o cálculo da exigência, a partir de percentual do valor declarado, é ilógico e que deveria ter sido aplicado o princípio da proporcionalidade. Em que pese a inconformidade da Recorrente, cumpre consignar que a exigência da multa está compreendida no artigo 7º da Lei nº 10.426/2002. E, em análise da composição da exigência, Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13873.720290/201650 Acórdão n.º 1201002.780 S1C2T1 Fl. 6 5 constatei que a autoridade fiscal realizou o lançamento corretamente e de acordo com o dispositivo mencionado. O argumento da Recorrente caracteriza a arguição de inconstitucionalidade dos dispositivos legais que dão suporte à penalidade aplicada e, a respeito, não cabe à Administração Pública afastar a legislação vigente. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento. Ora, como é cediço, somente os órgãos judiciais tem esse poder. Essa é a diretriz da Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Conclusão Diante do exposto, VOTO no sentido de CONHECER do RECURSO interposto e, no mérito, NEGARLHE provimento. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, VOTO no sentido de CONHECER do RECURSO interposto e, no mérito, NEGARLHE provimento (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.721905/2017-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2014
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A identificação clara e precisa dos motivos que ensejaram a autuação afasta a alegação de nulidade. Não há que se falar em nulidade quando a autoridade lançadora indicou expressamente a infração imputada ao sujeito passivo e propôs a aplicação da penalidade cabível, efetivando o lançamento com base na legislação tributária e previdenciária aplicáveis. A atividade da autoridade administrativa é privativa, competindo-lhe constituir o crédito tributário com a aplicação da penalidade prevista na lei. Não há que se falar em nulidade da decisão hostilizada quando ela decidiu fundamentadamente a matéria, inclusive quando apreciou, no mérito, a alegada violação de dispositivo legal pelo ato de lançamento.
Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2014
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO DE DETERMINADAS RUBRICAS. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO EFETUADO E REVISTO DE OFÍCIO PARA LANÇAR RUBRICA COMPLEMENTAR ESPECÍFICA DE MESMA ESPÉCIE E NATUREZA. SÚMULA CARF N.º 99.
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4.º, do CTN, para as contribuições sociais previdenciárias, cuja natureza é de tributo sujeito a lançamento por homologação, não se observando dolo, fraude ou simulação, considera-se a existência de pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato imponível, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo que resultou no referido recolhimento, rubrica específica de mesma espécie e natureza das antecipações que vem a ser exigida pela autoridade fiscal no auto de infração do lançamento substitutivo efetuado e revisto de ofício com base em omissão ou inexatidão, lavrado por ocasião do procedimento de homologação da atividade exercida pelo contribuinte. Deste modo, o prazo decadencial para esta rubrica de mesma espécie e natureza deve ser contado a partir da ocorrência do respectivo fato imponível. Ocorrendo a caducidade, deve-se declarar o perecimento do direito potestativo da Administração Tributária de realizar o lançamento.
GFIP. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO DE OUTRA ESPÉCIE E DESTINAÇÃO. GLOSA.
A compensação é uma faculdade conferida ao contribuinte que deve comprovar de forma inequívoca ter dela se utilizado nos termos da lei. Sendo apresentado direito creditório de oura espécie e destinação, não estando este tipo de compensação autorizada, é legítima a glosa, consubstanciando-se indevida a declaração de compensação efetivada. Ademais, não estando constituído o crédito tributário, deve-se exarar o auto de infração para fins do lançamento substitutivo efetuado e revisto de ofício.
Numero da decisão: 2202-005.096
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência do lançamento referente à rubrica PLR-Diretores.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Thiago Duca Amoni (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2014 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A identificação clara e precisa dos motivos que ensejaram a autuação afasta a alegação de nulidade. Não há que se falar em nulidade quando a autoridade lançadora indicou expressamente a infração imputada ao sujeito passivo e propôs a aplicação da penalidade cabível, efetivando o lançamento com base na legislação tributária e previdenciária aplicáveis. A atividade da autoridade administrativa é privativa, competindo-lhe constituir o crédito tributário com a aplicação da penalidade prevista na lei. Não há que se falar em nulidade da decisão hostilizada quando ela decidiu fundamentadamente a matéria, inclusive quando apreciou, no mérito, a alegada violação de dispositivo legal pelo ato de lançamento. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2014 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO DE DETERMINADAS RUBRICAS. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO EFETUADO E REVISTO DE OFÍCIO PARA LANÇAR RUBRICA COMPLEMENTAR ESPECÍFICA DE MESMA ESPÉCIE E NATUREZA. SÚMULA CARF N.º 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4.º, do CTN, para as contribuições sociais previdenciárias, cuja natureza é de tributo sujeito a lançamento por homologação, não se observando dolo, fraude ou simulação, considera-se a existência de pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato imponível, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo que resultou no referido recolhimento, rubrica específica de mesma espécie e natureza das antecipações que vem a ser exigida pela autoridade fiscal no auto de infração do lançamento substitutivo efetuado e revisto de ofício com base em omissão ou inexatidão, lavrado por ocasião do procedimento de homologação da atividade exercida pelo contribuinte. Deste modo, o prazo decadencial para esta rubrica de mesma espécie e natureza deve ser contado a partir da ocorrência do respectivo fato imponível. Ocorrendo a caducidade, deve-se declarar o perecimento do direito potestativo da Administração Tributária de realizar o lançamento. GFIP. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO DE OUTRA ESPÉCIE E DESTINAÇÃO. GLOSA. A compensação é uma faculdade conferida ao contribuinte que deve comprovar de forma inequívoca ter dela se utilizado nos termos da lei. Sendo apresentado direito creditório de oura espécie e destinação, não estando este tipo de compensação autorizada, é legítima a glosa, consubstanciando-se indevida a declaração de compensação efetivada. Ademais, não estando constituído o crédito tributário, deve-se exarar o auto de infração para fins do lançamento substitutivo efetuado e revisto de ofício.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2014 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A identificação clara e precisa dos motivos que ensejaram a autuação afasta a alegação de nulidade. Não há que se falar em nulidade quando a autoridade lançadora indicou expressamente a infração imputada ao sujeito passivo e propôs a aplicação da penalidade cabível, efetivando o lançamento com base na legislação tributária e previdenciária aplicáveis. A atividade da autoridade administrativa é privativa, competindolhe constituir o crédito tributário com a aplicação da penalidade prevista na lei. Não há que se falar em nulidade da decisão hostilizada quando ela decidiu fundamentadamente a matéria, inclusive quando apreciou, no mérito, a alegada violação de dispositivo legal pelo ato de lançamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2014 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO DE DETERMINADAS RUBRICAS. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO EFETUADO E REVISTO DE OFÍCIO PARA LANÇAR RUBRICA COMPLEMENTAR ESPECÍFICA DE MESMA ESPÉCIE E NATUREZA. SÚMULA CARF N.º 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4.º, do CTN, para as contribuições sociais previdenciárias, cuja natureza é de tributo sujeito a lançamento por homologação, não se observando dolo, fraude ou simulação, considerase a existência de pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato imponível, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo que resultou no referido recolhimento, rubrica específica de mesma espécie e natureza das antecipações que vem a ser AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 19 05 /2 01 7- 31 Fl. 620DF CARF MF Processo nº 10980.721905/201731 Acórdão n.º 2202005.096 S2C2T2 Fl. 621 2 exigida pela autoridade fiscal no auto de infração do lançamento substitutivo efetuado e revisto de ofício com base em omissão ou inexatidão, lavrado por ocasião do procedimento de homologação da atividade exercida pelo contribuinte. Deste modo, o prazo decadencial para esta rubrica de mesma espécie e natureza deve ser contado a partir da ocorrência do respectivo fato imponível. Ocorrendo a caducidade, devese declarar o perecimento do direito potestativo da Administração Tributária de realizar o lançamento. GFIP. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO DE OUTRA ESPÉCIE E DESTINAÇÃO. GLOSA. A compensação é uma faculdade conferida ao contribuinte que deve comprovar de forma inequívoca ter dela se utilizado nos termos da lei. Sendo apresentado direito creditório de oura espécie e destinação, não estando este tipo de compensação autorizada, é legítima a glosa, consubstanciandose indevida a declaração de compensação efetivada. Ademais, não estando constituído o crédito tributário, devese exarar o auto de infração para fins do lançamento substitutivo efetuado e revisto de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência do lançamento referente à rubrica PLRDiretores. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Thiago Duca Amoni (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 571/615), com efeito suspensivo e devolutivo ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal ―, interposto pelo recorrente, devidamente qualificado nos fólios processuais, relativo ao seu inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 548/560), proferida em sessão de 19/10/2017, consubstanciada no Acórdão n.º 0276.767, da 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Fl. 621DF CARF MF Processo nº 10980.721905/201731 Acórdão n.º 2202005.096 S2C2T2 Fl. 622 3 Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG (DRJ/BHE), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente à impugnação (efls. 327/366), mantendo integralmente o crédito tributário lançado (efls. 277/284), cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2014 NULIDADE Não há que se falar em nulidade quando a exigência fiscal sustentase em processo instruído com todas as peças indispensáveis, contendo o lançamento descrição da legislação e dos fatos suficientes para o conhecimento da infração cometida e não se vislumbrando nos autos a ocorrência de preterição do direito de defesa. DECADÊNCIA. Quando ocorrer lançamento de ofício de crédito tributário que o sujeito passivo não tenha antecipado o pagamento, aplicase o disposto no artigo 173 do Código Tributário Nacional CTN COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PARA OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. DEPÓSITO RECURSAL. GLOSA. Serão glosados pelo Fisco os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com contribuições para Outras Entidades e Fundos Terceiros e com depósitos recursais, por serem de espécies diferentes. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. DIRETORES NÃO EMPREGADOS. A Lei n.º 10.101, de 2000, não é extensiva a diretores não empregados. O pagamento ou crédito de participação nos lucros ou resultados a diretores não empregados integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por falta de previsão legal de nãoincidência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do lançamento fiscal A essência e as circunstâncias do lançamento, no Procedimento Fiscal n.º 0900100.2014.00054, em face de procedimento de análise de compensação declarada de per si pelo sujeito passivo, que foram glosadas, para fatos geradores ocorridos entre 01/01/2012 a 31/12/2014, na qual não se reconheceu a certeza e a liquidez do direito creditório vindicado para validar a compensação, efetivandose auto de infração em 06/07/2017 (efls. 277/284), notificado o destinatário em 11/07/2017 (efl. 302), cujo crédito tributário total constituído foi de R$ 13.708.863,60 (efl. 277), com Termo de Verificação Fiscal (TVF) plenamente juntado aos autos (efls. 287/301), foram bem delineadas e sumariadas no relatório do acórdão objeto da irresignação, pelo que passo a adotálo: TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL Glosa de Compensações Tratase de crédito tributário decorrente de glosa de compensações efetuadas pelo contribuinte acima identificado, através de GFIP nas competências de 01/2012 a 12/2014. As referidas compensações foram consideradas indevidas em Fl. 622DF CARF MF Processo nº 10980.721905/201731 Acórdão n.º 2202005.096 S2C2T2 Fl. 623 4 procedimento de auditoria fiscal, pois não ficou demonstrada a certeza e liquidez dos créditos utilizados para abater das contribuições previdenciárias declaradas devidas nessas GFIP. Consta no Termo de Verificação Fiscal TVF, de fls. 287 a 301, que o contribuinte apresentou a "Planilha Apuração de Compensações" (fls. 122/199), em que "demonstra a origem dos valores apurados. No canto inferior direito de cada página encontrase registrada a competência à que a apuração se refere. Podese verificar na planilha que o contribuinte apurou, por estabelecimento, os valores recolhidos e os cotejou com os valores devidos subtraídos dos valores dos depósitos judiciais. Obteve desta forma uma diferença de valor recolhida a maior por estabelecimento. Conforme relatado no TVF, o contribuinte utilizou valores recolhidos a título de Outras Entidades e Fundos Terceiros para efetuar as compensações. Contudo, de acordo com a legislação de regência, "não há previsão permissiva de compensação de créditos de contribuições destinadas a outras entidades ou fundos (terceiros) com contribuições previdenciárias, só podendo tais créditos serem objeto de pedido de restituição, pela empresa". No TVF a Fiscalização demonstra a segregação dos valores de terceiros que foram objeto da glosa efetuada na presente autuação. Consta no TVF que, na "competência 05/2014 o contribuinte compensou R$ 94.352,92 referente a depósito recursal dos Embargos à Execução Fiscal 2003.72.05.0023805 da autuação fiscal representada pela NFLD 35.246.8874. Da mesma forma em 09/2014 compensou R$ 1.276.939,74 referente a depósito recursal dos Embargos à Execução Fiscal 2004.72.05.0046975 da autuação fiscal representada pelas NFLDs 35.246.4240, 35.246.4259, 35.246.4291, 35.246.4305 e 35.246.4321. Nas duas ações de embargos à execução foi requerido a devolução do depósito recursal, contudo, o MM. Juiz entendeu que esta não era a via correta e que a devolução deveria ser requerida em ação própria. O contribuinte decidiu então optar pela compensação evitando abrir outra discussão judicial ou administrativa a esse respeito". Entretanto, também não há previsão legal para a utilização de valores de depósitos recursais em compensações em GFIP, conforme demonstrado no TVF. Participação nos Lucros e Resultados Relata a Fiscalização que a "empresa efetuou pagamento à título de participação de lucros e resultados a diretores não empregados na competência 03/2012. A alínea "j", do parágrafo 9.º, do art. 28 da Lei 8.212/91 estabelece que não integra o saláriodecontribuição para efeitos de incidência da contribuição previdenciária somente a PLR paga ou creditada de acordo com lei específica. Considerando que a lei específica de que trata a referida alínea é a Lei 10.101/00, a PLR da empresa deve ser "objeto de negociação entre empresa e seus empregados" e o valor a ser pago em decorrência dessa participação "não pode substituir ou complementar a remuneração devida a qualquer empregado". Fica claro, Fl. 623DF CARF MF Processo nº 10980.721905/201731 Acórdão n.º 2202005.096 S2C2T2 Fl. 624 5 portanto, que a PLR se destina especificamente aos empregados da empresa tendo o diretor estatutário de sociedade anônima por não ser empregado , sua participação nos lucros e resultados inserida na base de cálculo da contribuição previdenciária, nos termos do art. 28 da Lei n.º 8.212/91". Decadência Quando não ocorre o pagamento antecipado não há que se falar em fato homologável, passando o lançamento a ser direto ou de ofício, tal qual previsto no art. 149 do CTN, o que desloca a norma de contagem do prazo decadencial para a regra geral prevista no art. 173, inciso I, do mesmo diploma, contandose o quinquênio a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a autoridade poderia fazêlo. Este é o caso dos autos, pois a empresa não declarou quaisquer dos fatos geradores de contribuição previdenciária que ensejaram a presente atuação, deixando também de efetuar o pagamento da contribuição devida em sua totalidade em relação aos créditos tributários exigidos nos Autos de Infração, não havendo que se falar em pagamento parcial ou recolhimento a menor da contribuição sobre a folha de salários. Da Impugnação ao lançamento O contencioso administrativo teve início com a impugnação efetivada pelo recorrente, em 08/08/2017 (efls. 327/366), a qual delimitou os contornos da lide. Em suma, controverteuse na forma apresentada nas razões de inconformismo, conforme bem relatado na decisão vergastada, pelo que replico, litteris: Decadência Inicialmente afirma que, por ter sido intimada do presente auto de infração em 11/07/2017, ocorreu a decadência dos fatos geradores anteriores a 12/07/2012. Diz que, por se tratar de lançamento por homologação, aplicase a regra do artigo 150, § 4.º, do CTN. Acrescenta que ocorreu pagamento parcial de contribuições previdenciárias em 03/2012, o que obriga a aplicação do artigo 150, § 4.º, do CTN. Apresenta jurisprudência e doutrina que entende lhe ser favorável. Nulidade por Falta de Fundamentação Legal Alega que a fundamentação legal indicada pela Fiscalização não ampara o lançamento efetuado. Aduz que os arts. 31 da Lei 8.212/91 e o 219 do Decreto n.º 3.048/99 tratam de "empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra", sem qualquer relação com a atividade da impugnante ou com os fatos descritos na motivação. Assevera que os demais dispositivos da Lei 8.212/91 e do Decreto n.º 3.048/99 tratam das regras gerais para restituição e compensação, nos exatos moldes do procedimento adotado pela impugnante, e sem qualquer referência específica, direta, ou indireta, relativamente a vedação/limitação a compensação de contribuições de terceiros ou dos valores decorrentes dos depósitos recursais. Fl. 624DF CARF MF Processo nº 10980.721905/201731 Acórdão n.º 2202005.096 S2C2T2 Fl. 625 6 Afirma que foi afrontado o princípio da legalidade e apresenta doutrina. Terceiros Alega que a IN/RFB n.º 1.300/2012, ao restringir a compensação das contribuições de terceiros, violou o disposto no próprio art. 89 da Lei n.º 8.212/91, embora sob o pretexto de regulamentálo. Houve violação também aos artigos 66 da Lei n.º 8.383/91 e 39 da Lei n.º 9.250/95, que não restringem as compensações com terceiros. Depósitos Recursais Aduz que a solução de consulta interna n.º 7/2016 COSIT não pode servir de fundamento legal para a glosa de compensação efetuada. Destaca que "não é parte na referida consulta, tão pouco conhece o objeto da mesma, de forma a permitir aferir se o que foi consultado e respondido/solucionado tem coincidência ou semelhança com os fatos jurídicos aqui tratados. Tal situação já caracteriza um cerceamento de defesa. PLR Diretores Não Empregados Afirma que, ao contrário do entendimento da Fiscalização, todos os trabalhadores da empresa, incluindose os diretores não empregados, podem receber valores a título de PLR sem sofrer a tributação previdenciária. Assevera que "não obstante haver disposição na Lei n.º 6.404/76 sobre distribuição de lucros aos administradores, há lei mais recente tratando especificamente da matéria, e na qual evidentemente se inserem os Diretores na condição indiscutível de 'trabalhadores' ". Alega que a Lei n.º 10.101/2000 e a Constituição Federal mencionam o termo "trabalhadores" e não apenas "empregados". Apresenta doutrina. Por fim, requer que seja reconhecida a preliminar de decadência do lançamento quanto à exigência referente ao PLR Diretores e de nulidade por falta de fundamentação legal da exigência referente à compensação depósito recursal, e no mérito, provida a impugnação quanto a improcedência da autuação fiscal. Do Acórdão de Impugnação A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, primeira instância do contencioso tributário, eis, em síntese, nas palavras do juízo a quo, as razões de decidir do meritum causae: DECADÊNCIA A alegação de que as contribuições apuradas e relativas à competência de 03/2012 teriam sido alcançadas pela decadência, uma vez que seria aplicável o artigo 150, § 4.º, do CTN não pode prosperar, pelas razões que se apresentam a seguir. Sobre a decadência, quando se tratar de crédito tributário o qual o sujeito passivo tenha antecipado o pagamento do tributo, aplicase o disposto no Código Tributário Nacional – CTN, Lei n.º 5.175, de 25 de outubro de 1.966, artigo 150, § 4.º: Fl. 625DF CARF MF Processo nº 10980.721905/201731 Acórdão n.º 2202005.096 S2C2T2 Fl. 626 7 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4.º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Por outro lado, quando ocorrer lançamento de ofício de crédito tributário que o sujeito passivo não tenha antecipado o pagamento, aplicase o disposto no artigo 173 do Código Tributário Nacional – CTN, Lei n.º 5.175, de 25 de outubro de 1.966: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Da leitura da impugnação de fls. 327/366, especificamente no item PLR (fls. 361/365), verificase que o sujeito passivo não se conforma com a presente autuação alegando que não caberia o lançamento das contribuições incidentes sobre a PLR paga aos diretores não empregados. Assim, tendo em vista que o impugnante nunca concordou com a incidência de contribuições sobre tais pagamentos, não é possível considerar que houve qualquer antecipação de recolhimentos em relação a esses fatos geradores. Não houve declaração em GFIP de remuneração para nenhum dos diretores que receberam PLR objeto do presente lançamento, portanto os recolhimentos efetuados não podem se referir a essas remunerações. Assim, diante do fato de que não houve antecipação do pagamento do tributo ora lançado, pois o sujeito passivo sequer o reconhecia, os pagamentos efetuados aos diretores não empregados, à título de PLR, como fato gerador de contribuição previdenciária, aplicase o disposto no CTN, artigo 173, inciso I; logo, o presente lançamento, ocorrido em 11/07/2017, poderia retroagir à 12/2011 (vencimento da obrigação em 02/01/2012). A partir desta data, o lançamento poderia ser constituído. Portanto, o prazo decadencial começou a fluir em 01/01/13, extinguindose o direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento em 31/12/17, não tendo se operado a decadência em relação aos valores lançados no presente auto de infração. Dessa feita, na data da lavratura do presente Auto de Infração (11/07/2017) não haviam sido alcançadas pela decadência as contribuições lançadas relativamente a competência de 03/2012 uma vez que, considerandose o disposto no citado artigo 173, inciso I do CTN, o prazo para constituição do crédito tributário respectivo terminará apenas em 31/12/2017. NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL GLOSA DE COMPENSAÇÃO OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS Fl. 626DF CARF MF Processo nº 10980.721905/201731 Acórdão n.º 2202005.096 S2C2T2 Fl. 627 8 DEPÓSITO RECURSAL A Defendente alega, preliminarmente, cerceamento do direito a ampla defesa, porquanto o auto de infração não apresenta a fundamentação legal que possa amparar o lançamento. Primeiramente, a respeito das nulidades que podem afetar o processo administrativo fiscal, importa registrar o que dispõe o Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1.º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. § 2.º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3.º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir lhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Depreendese, do texto legal acima citado, que as únicas situações que afetam o processo de lançamento tributário de forma absoluta são os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Irregularidades, incorreções ou omissões diferentes destas poderão ser sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo. Assim sendo, da análise dos elementos que compõem os autos, observase que a referida preliminar não pode ser acolhida, porquanto não condiz com a realidade dos fatos. Vejamos a fundamentação indicada no auto de infração: Lei n.º 8.212, de 24.07.91, art. 89 , § 9.º, art. 31, § 1.º e alterações posteriores; Decreto n.º 3.048, de 06.05.99, artigos 247 a 249, 251 caput, § 2.º ao 5.º, 253, art. 219, § 4.º e 9.º e alterações posteriores. Ao contrário das alegações da Impugnante, os fundamentos legais acima amparam o presente lançamento, conforme será demonstrada abaixo. Foram glosadas compensações efetuadas em que foram utilizados créditos referentes a recolhimentos para as Outras Entidades e Fundos Terceiros e de Depósitos recursais. Quanto às contribuições para os Terceiros, são contribuições sociais na medida em que se destinam a financiar políticas sociais e serviços desenvolvidos pelos diversos órgãos ligados a interesses de categorias profissionais e grupos econômicos, conforme previstas no art. 149 da Constituição Federal. Elas estão previstas em leis específicas. A Receita Federal do Brasil RFB é um mero órgão arrecadador, haja vista ser uma receita que não lhe compete e que tem destinação Fl. 627DF CARF MF Processo nº 10980.721905/201731 Acórdão n.º 2202005.096 S2C2T2 Fl. 628 9 constitucional diversa das vinculadas ao financiamento da Seguridade Social. Assim sendo, em se tratando de contribuições com destinação a órgãos e finalidades distintas, não há possibilidade de compensação entre elas, conforme disposição do parágrafo 2.º do art. 251 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.º 3048/99 (citado na fundamentação legal indicada no auto de infração), que determina que a compensação somente poderá ser efetuada com parcelas de contribuição da mesma espécie. Art. 251. A partir de 1.º de janeiro de 1992, nos casos de pagamento indevido ou a maior de contribuições, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte pode efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importâncias correspondentes a períodos subsequentes. [...] § 2.º A compensação somente poderá ser efetuada com parcelas de contribuição da mesma espécie. O tema foi abordado no art. 89 da lei n.º 8.212/91 (citado na fundamentação legal indicada no auto de infração), que assim preceitua: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei n.º 11.941, de 2009). Pelo que se colhe dos dispositivos acima colacionados, somente podem ser compensados os tributos de mesma espécie, o que não é caso das contribuições devidas às outras entidades e fundos. Corroborando esse entendimento, há decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em sede de Embargos de Divergência, que consagrou o entendimento de que somente pode ocorrer compensação entre contribuições – valores – que tenham mesmo fato gerador e destinação, a seguir transcritas: REsp 749.430/PR; RECURSO ESPECIAL 2005/00757184. Ministro CASTRO MEIRA (1125). TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. LC 11/71. COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS AO INSS. IMPOSSIBILIDADE. DESTINAÇÃO DIVERSA. INAPLICABILIDADE DO ART. 66, § 1.º, DA LEI N.º 8.383/91. ART. 165 E 170 DO CTN E ART. 39 DA LEI N.º 9.250/95. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULAS N.º 282 E 356 DO STF. 1. A matéria inserta nos dispositivos legais apontados como violados (arts. 165, 170 do CTN e 39 da Lei n.º 9.250/95) não foram objeto de pronunciamento pelo Tribunal de origem, e a recorrente sequer opôs embargos de declaração como o fim de prequestionálos. Incide, in casu, as Súmulas 282 e 356 do Pretório Excelso. 2. A contribuição para o INCRA não se destina a financiar a Seguridade Social. Assim, os valores recolhidos indevidamente a este título não podem ser compensados com outras contribuições arrecadadas pelo INSS que se destinam ao custeio da Seguridade Social. 3. Não se aplica, portanto, o § 1.º do art. 66 da Lei n. 8.383/91, que permite a compensação entre tributos e contribuições distintas, desde que sejam da mesma espécie e apresentem a mesma destinação orçamentária. Afigurase inviável o deferimento do Fl. 628DF CARF MF Processo nº 10980.721905/201731 Acórdão n.º 2202005.096 S2C2T2 Fl. 629 10 pleito de compensação desta contribuição com quaisquer exações administradas pelo INSS, por ausência de amparo legal. O encontro de contas só pode ser efetuado com prestações vincendas da mesma espécie, ou seja, destinadas ao mesmo orçamento. 4. Recurso especial conhecido em parte e improvido. Por outro lado, embora exista a vedação de compensação das contribuições devidas às outras entidades, o legislador permitiu que a RFB efetuasse a restituição dos valores recolhidos, exceto nos casos de arrecadação direta realizada mediante convênio, desde que o pedido seja devidamente formulado pelo sujeito passivo nos termos da instrução normativa que rege a matéria. Em suma temos que o art. 89 da Lei n.º 8.212/1991 remete à Secretaria da Receita Federal do Brasil os termos e condições para compensação. O Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, art. 251, § 2.º, determina que a compensação somente poderá ser efetuada com parcelas de contribuição da mesma espécie. Sendo todos esses dispositivos citados no auto de infração, demonstrando não ter havido nenhum prejuízo para o contribuinte no tocante ao seu direito ao contraditório e ampla defesa. Ademais o art. 59 da Instrução Normativa RFB n.º 1.300/2012 dispõe que é vedada a compensação das contribuições previdenciárias com as contribuições destinadas a outras entidades e fundos. IN RFB n.º 1.300/2012: Art. 1.º A restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), a restituição e a compensação de outras receitas da União arrecadadas mediante Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) ou Guia da Previdência Social (GPS) e o ressarcimento e a compensação de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e do Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (Reintegra), serão efetuados conforme o disposto nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase ao reembolso de quotas de saláriofamília e saláriomaternidade, bem como à restituição e à compensação relativas a: I contribuições previdenciárias: a) das empresas e equiparadas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço, bem como sobre o valor bruto da nota fiscal ou da fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhes são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho; b) dos empregadores domésticos; c) dos trabalhadores e facultativos, incidentes sobre seu salário de contribuição; e d) instituídas a título de substituição; e e) valores referentes à retenção de contribuições previdenciárias na cessão de mãodeobra e na empreitada; e II contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. (...) Art. 56. O sujeito passivo que apurar crédito relativo às contribuições previdenciárias previstas nas alíneas "a" a "d" do inciso I do parágrafo único do art. 1.º, passível de restituição ou de reembolso, poderá utilizálo na compensação de contribuições previdenciárias correspondentes a períodos subsequentes. (...) Fl. 629DF CARF MF Processo nº 10980.721905/201731 Acórdão n.º 2202005.096 S2C2T2 Fl. 630 11 Art. 57. No caso de compensação indevida, o sujeito passivo deverá recolher o valor indevidamente compensado, acrescido de juros e multa de mora devidos. (...) Art. 59. É vedada a compensação, pelo sujeito passivo, das contribuições destinadas a outras entidades ou fundos. De todos os dispositivos acima transcritos, extraise que somente é possível a compensação de créditos tributários relativos a contribuições previdenciárias com indébitos referentes a esta mesma exação, sendo vedada, pela legislação, a compensação de contribuições previdenciárias com créditos oriundos de contribuições destinadas a outras entidades e fundos (terceiros), como bem explicitado no Relatório Fiscal. Quanto à glosa referente aos Depósitos Recursais para Embargos à Execução Fiscal, assim relatou a Fiscalização: Na competência 05/2014 o contribuinte compensou R$ 94.352,92 referente a depósito recursal dos Embargos à Execução Fiscal 2003.72.05.0023805 da autuação fiscal representada pela NFLD 35.246.8874. Da mesma forma em 09/2014 compensou R$ 1.276.939,74 referente a depósito recursal dos Embargos à Execução Fiscal 2004.72.05.0046975 da autuação fiscal representada pelas NFLDs 35.246.4240, 35.246.4259, 35.246.4291, 35.246.4305 e 35.246.4321. Nas duas ações de embargos à execução foi requerido a devolução do depósito recursal, contudo, o MM. Juiz entendeu que esta não era a via correta e que a devolução deveria ser requerida em ação própria. O contribuinte decidiu então optar pela compensação evitando abrir outra discussão judicial ou administrativa a esse respeito. Então, conforme relatado pela Fiscalização, constatase que são depósitos recursais efetuados em âmbito judicial. Salientase que o impedimento para compensação levada a efeito pelo contribuinte segue na mesma esteira da referente aos Terceiros, descrita acima. O depósito recursal para embargos à execução não é passível de compensação por não se confundir com pagamento de tributo nem com pagamento de receita administrada pela RFB. Analogamente ao que acontece com o depósito recursal administrativo, citado pela Fiscalização e objeto da Solução de Consulta Interna Cosit n.º 7/2016, o valor recolhido a título de depósito recursal objeto da glosa de compensação sob análise configura mera garantia de instância judicial para interposição de recurso, portanto não se confunde com pagamento de tributo e, portanto, não cabe sua utilização em compensações realizadas na instância administrativa. Assim, no tocante a tais valores relativos à depósitos recursais efetuados em âmbito judicial, temse que não há possibilidade de compensação com contribuições previdenciárias, conforme disposição do parágrafo 2.º do art. 251 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.º 3048/99 (citado na fundamentação legal indicada no auto de infração), que determina que a compensação somente poderá ser efetuada com parcelas de contribuição da mesma espécie. PLR DIRETORES NÃO EMPREGADOS Fl. 630DF CARF MF Processo nº 10980.721905/201731 Acórdão n.º 2202005.096 S2C2T2 Fl. 631 12 Em relação a essa rubrica, houve impugnação do fato gerador com a alegação de que a Lei n.º 10.101, de 2000, ou o artigo 28, § 9.º, da Lei n.º 8.212, de 24/07/1991, não fazem ressalva de que apenas os empregados possam ser beneficiados com valores a título de Participação nos Lucros ou Resultados – PLR. A Impugnante diz que é garantido aos trabalhadores o direito à PLR, de acordo com o artigo 7.º da Constituição Federal e o artigo 1.º da Lei n.º 10.101, de 2000. Em que pesem as alegações da Impugnante, essas não merecem prosperar. O artigo 7.º da Constituição Federal deve ser lido pelos seus incisos, sem se ater a expressão genérica de “trabalhadores urbanos e rurais”, considerando que, muitos tratam de empregados, e não de empregados e de outros trabalhadores, conjuntamente. O inciso XI do artigo 7.º desvincula a participação nos lucros ou resultados da remuneração, e conforme definido em lei. Essa lei, a de n.º 10.101/2000, em seu artigo 3.º, é explícita em que a PLR não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, e não em relação a qualquer trabalhador, observando, aqui, que as leis não contêm termos e/ou palavras inúteis. Assim, para que a parcela relativa à Participação nos Lucros/Resultados não integre o salário de contribuição, por força do inciso XI do artigo 7.º da Constituição Federal e alínea “j” do parágrafo 9.º do artigo 28 da Lei 8.212/91, a empresa deve cumprir as exigências da legislação específica, que no caso, é a Lei n.º 10.101, de 19/12/2000. A referida lei dispõe em seu art. 2.º, de forma clara, que: Art. 2.º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. Percebese assim que a PLR, sem incidência de contribuições previdenciárias, não é um benefício destinado a segurados contribuintes individuais, no caso, aos diretores não empregados da autuada, porque o artigo 2.º da Lei 10.101/2000 dispõe expressamente sobre negociação com os empregados, e não com os diretores não empregados. Acordo coletivo é instrumento de negociação entre empresa e empregados, ainda que tivesse sido atendida essa exigência legal, tal acordo não contemplaria os diretores não empregados. A Lei 8.212/1991, na aliena “j” do § 9.º de seu artigo 28, não é diferente, uma vez que esse artigo trata de salário de contribuição do empregado e do trabalhador avulso, e não do trabalhador contribuinte individual, cuja contribuição previdenciária é sobre o total da remuneração percebida (inciso III do artigo 22 da também Lei 8.212, de 1991), sem a exclusão, portanto, de valores a título de PLR, os quais em nada se relacionam com verbas indenizatórias e/ou ressarcitórias, que Fl. 631DF CARF MF Processo nº 10980.721905/201731 Acórdão n.º 2202005.096 S2C2T2 Fl. 632 13 poderiam até serem excluídas da remuneração de segurados diretores, dado o vínculo econômico desses para com a empresa. Acrescentase que a previsão de participação de administradores nos resultados da empresa, expressa na Lei das Sociedades Anônimas – Lei 6.404/76, não supre a condição referenciada no artigo 28, § 9.º, alínea “j”, da Lei n.º 8.212/91, para exclusão da citada verba da composição do salário de contribuição. Portanto, o pagamento ou crédito de participação nos lucros ou resultados de administradores, regida pela Lei n.º 6.404/76, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por falta de previsão legal de nãoincidência. Desta forma, seja a participação nos lucros ou resultados paga aos diretores não empregados regida ou não pela Lei 6.404/76, ela sofre incidência de contribuições previdenciárias, conforme confirmam os seguintes julgados: 2.ª TURMA DO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4.ª REGIÃO. APELAÇÃO CÍVEL N.º 2002.71.07.0136520/RS, D.J.U. de 29/06/2005. RELATOR: Des. Federal JOÃO SURREAUX CHAGAS EMENTA: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. DIRETORES EMPREGADOS E NÃO EMPREGADOS. TAXA SELIC. A participação nos lucros paga ao diretor não empregado integra o saláriodecontribuição. O mesmo sucede em relação ao diretor empregado, se o mesmo, quanto à participação nos lucros, goza de situação privilegiada em relação aos demais empregados. A taxa SELIC é computável a título de juros e correção monetária no tocante aos débitos fiscais, nos termos do art. 13 da Lei 9.065/95, não havendo que se cogitar de sua inconstitucionalidade. Apelação desprovida. TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3.ª REGIÃO. AGRAVO LEGAL EM APELAÇÃO CÍVEL Nº 2008.61.00.0108340/SP. EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. AGRAVO. ARTIGO 557, § 1.º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DIRETORES ESTATUTÁRIOS. 1. Pagamento aos diretores de R$ 29.680,09 como remuneração, e de R$ 800.000,00 a título de participação nos lucros. 2. Não há nos autos prova de que a distribuição de lucros aos administradores obedeceu às condições e aos limites estabelecidos pela Lei n.º 6.404/76 (artigo 152, caput e §§ 1.º e 2.º). 3. Ainda que houvesse tal prova, apenas se exclui da remuneração a participação nos lucros paga a todos os empregados na forma da Lei n.º 10.101/2000, e não aquela paga exclusivamente aos dirigentes. 4. Agravo a que se nega provimento. Assim, seja porque as leis (de n.º 10.101, de 2000, e de n.º 8.212, de 1991) definem a participação no lucro ou resultados para os trabalhadores empregados; seja porque acordo coletivo não é instrumento de negociação entre a empresa e seus diretores; fica mantida a incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de suposta PLR aos diretores não empregados da autuada. DAS JURISPRUDÊNCIAS INVOCADAS No que concerne às jurisprudências invocadas há que ser esclarecido que as decisões administrativas e judiciais, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas Fl. 632DF CARF MF Processo nº 10980.721905/201731 Acórdão n.º 2202005.096 S2C2T2 Fl. 633 14 complementares do Direito Tributário. Destarte, não podem ser estendidas genericamente a outros casos, somente aplicamse sobre a questão em análise e vinculam as partes envolvidas naqueles litígios, exceto nos casos regulamentados pela Portaria Conjunta PGFN/RFB n.º 1/2014. CONCLUSÃO Isto posto, voto pela IMPROCEDÊNCIA da impugnação, e pela MANUTENÇÃO do crédito tributário exigido. Do Recurso Voluntário No recurso voluntário, interposto em 07/11/2017 (efls. 571/615), o sujeito passivo, reiterando os termos da impugnação, postula o acolhimento da preliminar de decadência do lançamento quanto a exigência referente ao item "PLRDiretores" e de nulidade por falta de fundamentação legal da exigência referente à "compensação depósito recursal"; no mérito, o provimento para reformar o acórdão recorrido, cancelando a exigência levada a efeito pelo auto de infração. Na peça recursal aborda os seguintes capítulos para devolução da matéria ao CARF: a) preliminar de decadência; b) preliminar de nulidade do auto de infração por falta de fundamentação legal; c) irresignação quanto o não reconhecimento da compensação de créditos de recolhimento de terceiros; d) irresignação quanto o não reconhecimento da compensação de créditos de depósitos judiciais; e) não incidência de contribuição previdenciária sobre PLR de Diretores não empregados. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído por sorteio público para este relator, em data de 12/02/2019. Consta, ainda, dos autos que não houve requisição para apresentação de contrarrazões pela PGFN (efl. 619). É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando, primeiramente, o juízo de admissibilidade e, se superado este, o juízo de mérito para, posteriormente, finalizar com o dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos, relativos ao direito de recorrer, e extrínsecos, relativos ao exercício deste direito, sendo caso de conhecêlo. Especialmente, quanto aos pressupostos extrínsecos, observo que o recurso se apresenta tempestivo (notificação em 20/10/2017, efl. 568, protocolo recursal em 07/11/2017, efls. 569/571, e despacho de encaminhamento, efl. 618), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe Fl. 633DF CARF MF Processo nº 10980.721905/201731 Acórdão n.º 2202005.096 S2C2T2 Fl. 634 15 sobre o Processo Administrativo Fiscal, bem como resta adequada a representação processual, inclusive contando com advogado regularmente habilitado, de toda sorte, anoto que, conforme a Súmula CARF n.º 110, no processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo, sendo a intimação destinada ao contribuinte. Por conseguinte, conheço do recurso voluntário. Apreciação de preliminar antecedente a análise do mérito Preliminar de nulidade A defesa, na impugnação, advoga que se evidência a nulidade por falta de fundamentação legal da exigência referente à "compensação depósito recursal" no auto de infração. No entanto, no recurso voluntário, a despeito do capítulo aberto para este debate, o contribuinte consigna que a temática se confunde, em alguns aspectos, com o mérito, de modo que ele vem a tratar da matéria no mérito do seu recurso. Por conseguinte, não há muito o que comentar sobre a alegada preliminar. De toda sorte, observando a decisão de piso para este capítulo, não observo reparos na decisão hostilizada. De mais a mais, a identificação clara e precisa dos motivos que ensejaram a autuação afasta a alegação de nulidade. De igual modo, estão ausentes as causas de nulidade previstas no art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972. Não há que se falar em nulidade quando a autoridade lançadora indicou expressamente a infração imputada ao sujeito passivo e propôs a aplicação da penalidade cabível, efetivando o lançamento com base na legislação tributária e previdenciária aplicáveis. A atividade da autoridade administrativa é privativa, competindolhe constituir o crédito tributário com a aplicação da penalidade prevista na lei. Não há que se falar em nulidade da decisão hostilizada quando ela decidiu fundamentadamente a matéria, inclusive quando apreciou, no mérito, a alegada violação de dispositivo legal pelo ato de lançamento. É certo que eventual inconformismo com as razões da decisão ou com os motivos da autuação é caso de debate no mérito e não de nulidade, o que, de fato, já pretende o recorrente, conforme razões do recurso voluntário. Sendo assim, rejeito a preliminar de nulidade veiculada em capítulo do recurso voluntário. Decadência A defesa advoga a ocorrência de decadência de parte do lançamento efetivado e apresenta suas razões em preliminar. Por tratarse de prejudicial de mérito, aprecio no capítulo seguinte. Mérito Quanto ao juízo de mérito, passo a apreciálo, porém, inicialmente, conheço da temática envolvendo a decadência, por ser uma prejudicial de mérito. Fl. 634DF CARF MF Processo nº 10980.721905/201731 Acórdão n.º 2202005.096 S2C2T2 Fl. 635 16 Decadência A defesa advoga que se operou a decadência quanto a exigência de contribuições sociais previdenciárias referente a rubrica "PLRDiretores" para a competência 03/2012, vez que intimado do lançamento em 11/07/2017 (efl. 302), enquanto isto a decisão vergastada não reconhece a decadência, pois, em síntese, conclui que o recorrente "nunca concordou com a incidência de contribuições sobre tais pagamentos, não sendo possível considerar que houve qualquer antecipação de recolhimentos em relação a esses fatos geradores. Não houve declaração em GFIP de remuneração para nenhum dos diretores que receberam PLR objeto do presente lançamento, portanto os recolhimentos efetuados não podem se referir a essas remunerações." Pois bem. É incontroverso que o lançamento se efetivou com a intimação do sujeito passivo em 11/07/2017 (efl. 302). Por sua vez, também é incontroverso que o referido item "PLRDiretores" é uma rubrica, dentre outras possíveis, enquadrada como contribuição social previdenciária patronal, em especial a devida por valores pagos ou creditados a contribuintes individuais que lhe prestem serviços, que tem por base legal o inciso III do art. 22 da Lei n.º 8.212, de 1991 (efl. 280). Noutro prisma, constato que há, sim, prova nos autos de que houve recolhimento de contribuição social previdenciária patronal devida por valores pagos ou creditados a contribuintes individuais que lhe prestem serviços, relacionado, como diz o recorrente, aos "honorários mensais devidos aos diretores não empregados", ainda que não tenha sido englobado no recolhimento a rubrica referente ao item "PLRDiretores" (efls. 367/542, com especial destaque para os documentos efls. 2951, 3752, 3833, 402, 538/542). Desta forma, entendo que assiste razão ao recorrente quanto a decadência. Isto porque, para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4.º, do CTN, para as contribuições sociais previdenciárias, cuja natureza é de tributo sujeito a lançamento por homologação, não se observando dolo, fraude ou simulação, considerase a existência de pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato imponível, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo que resultou no referido recolhimento, rubrica específica de mesma espécie e natureza das antecipações que vem a ser exigida pela autoridade fiscal no auto de infração do lançamento substitutivo efetuado e revisto de ofício com base em omissão ou inexatidão, lavrado por ocasião do procedimento de homologação da atividade exercida pelo contribuinte. Deste modo, o prazo decadencial para esta rubrica de mesma espécie e natureza deve ser contado a partir da ocorrência do respectivo fato imponível. O certo é que, para a Competência 03/2012, em face ao pagamento antecipado de rubrica de contribuição social previdenciária patronal devida por valores pagos ou creditados a contribuintes individuais que lhe prestem serviços, na forma do inciso III do art. 22 da Lei n.º 8.212, de 1991, ainda que ausente o recolhimento de parcela 1 A base de cálculo da PLRDiretores, relativo a competência 03/2012, foi composta por pagamentos efetivados aos Diretores "Gilberto Tomazoni" e "Murilo Braz Sant Anna". 2 Consta nos autos que o Diretor Gilberto Tomazoni recebeu honorários na competência 03/2012, sendo o valor oferecido a tributação da contribuição previdenciária. 3 Consta nos autos que o Diretor Murilo Braz Sant Anna recebeu honorários na competência 03/2012, sendo o valor oferecido a tributação da contribuição previdenciária. Fl. 635DF CARF MF Processo nº 10980.721905/201731 Acórdão n.º 2202005.096 S2C2T2 Fl. 636 17 relativa a alguma rubrica desta contribuição, estava a autoridade fiscal obrigada a iniciar o procedimento de homologação da atividade exercida pelo contribuinte, dentro do prazo decadencial quinquenal, contados do fato imponível, haja vista o autolançamento valorado pelo sujeito passivo. Verificando omissão ou inexatidão, não concordando com a declaração e com o recolhimento realizado pelo sujeito passivo, obrigavase a autoridade fiscal ao lançamento substitutivo a ser efetivado e revisto de ofício. Isto é, a correta validação da contribuição social previdenciária patronal devida por valores pagos ou creditados a contribuintes individuais que lhe prestem serviços, na forma do inciso III do art. 22 da Lei n.º 8.212, de 1991, para a Competência 03/2012, estava sobre o crivo da autoridade administrativa para homologação, considerando que houve antecipação de pagamento para a dada competência. Sendo assim, tratandose exclusivamente de contribuição social previdenciária, aplicase a Súmula CARF n.º 99, nestes termos: "Súmula CARF n.º 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4.º, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração." A mencionada súmula foi lavrada com base nos seguintes acórdãos precedentes (paradigmas): Acórdãos ns.º 9202002.669, de 25/04/2013; 9202002.596, de 07/03/2013; 9202002.436, de 07/11/2012; 920201.413, de 12/04/2011; 2301003.452, de 17/04/2013; 2403001.742, de 20/11/2012; 2401002.299, de 12/03/2012; e 2301002.092, de 12/05/2011. Deste modo, deve ser observado o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4.º, do CTN, e não aquele previsto no art. 173, I, do mesmo codex, de forma que o prazo decadencial em específico é contado a partir da ocorrência do respectivo fato imponível (03/2012), logo, se a notificação do lançamento se realizou somente em 11/07/2017 (efl. 302), decaiu a competência 03/2012. Sendo assim, declaro o perecimento do direito potestativo da Administração Tributária de realizar o lançamento e declaro a decadência em relação a competência 03/2012, devendose excluir os valores (efls. 277, 278, 280, 283): Código de Receita DARF 5141 CP PATRONAL CONTRIB EMPRESA/EMPREGADOR L O (efl. 277) Período de Apuração Vencimento Contribuição Valor da Multa Valor dos Juros 03/2012 20/04/2012 R$ 541.682,84 R$ 406.262,13 R$ 301.175,65 Total: R$ 1.249.120,62 Compensações: Aspectos Gerais Em continuidade, analisando o restante da autuação, cuida o caso de lançamento substitutivo efetuado e revisto de ofício com base em omissão ou inexatidão na Fl. 636DF CARF MF Processo nº 10980.721905/201731 Acórdão n.º 2202005.096 S2C2T2 Fl. 637 18 GFIP, lavrado por ocasião do procedimento de homologação da atividade exercida pelo contribuinte, decorrente de procedimento administrativofiscal, tendo o procedimento de autuação sido instruído com Termo de Verificação Fiscal (TVF) plenamente juntado aos autos (efls. 287/301), robustecendo o relato das constatações da fiscalização, resultando ao final na lavratura de auto de infração (efls. 277/284) e na notificação do recorrente quanto a constituição de crédito tributário, em 11/07/2017 (efl. 302). Importante consignar que em se tratando, no plano de fundo, de compensações o procedimento é iniciado pelo próprio sujeito passivo, o qual fica na obrigação de comprovar possuir crédito líquido e certo (direito creditório) contra a Administração Tributária. O regime jurídico da compensação tributária tem fundamento no art. 170 do CTN dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte para com o Fisco) com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (débitos do Fisco para com o contribuinte). Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, vindo a ser complementado pelo art. 39 da Lei n.º 9.250, de 1995, que disciplinou somente poder ser efetuada a compensação com correspondente tributo de mesma espécie e destinação constitucional. Especialmente, no âmbito previdenciário, a compensação tem tutela na forma do art. 89 da Lei n.º 8.212, de 1991, estabelecendose que as contribuições sociais previdenciárias poderão ser compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. No mais, as normas regulamentares apontam para a necessidade do contribuinte apresentar a documentação solicitada pela autoridade fiscal, inclusive em arquivos magnéticos, aptas a comprovação de direito creditório. Para que a compensação seja homologada tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu alegado crédito é líquido e certo, que seu crédito efetivamente existe e é oponível ao Fisco. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a homologação da compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e a certeza de seu direito creditório. Nulidade do auto de infração Pois bem. Retomando a análise, podese relatar que o recorrente afirma repisar os argumentos da manifestação de inconformidade, posto que a decisão da DRJ referendou o entendimento da autoridade autuante. Neste contexto, o recorrente volta a alegar haver nulidade, sob o argumento de que "nenhum dos dispositivos relacionados pelo Sr. AFRFB como fundamento da infração em tela contém comando legal que ampare o lançamento", de modo a ter se violado a estrita legalidade e o art. 142 do CTN, relativo ao lançamento como atividade plenamente vinculada. Não se conforma com a indicação dos arts. 31 da Lei 8.212 e 219 do Decreto 3.048 como fundamentos da autuação, pois relacionados com serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, não relacionado a Fl. 637DF CARF MF Processo nº 10980.721905/201731 Acórdão n.º 2202005.096 S2C2T2 Fl. 638 19 atividade do recorrente. Diz que os demais dispositivos legais citados tratam de forma geral da compensação, mas sem qualquer referência específica. Então, alega ser nulo o procedimento, pois o fundamento utilizado não seria compatível com a exigência. Em que pese os argumentos do recorrente, entendo que não lhe assiste razão neste capítulo, inexistindo nulidade absoluta no auto de infração. Realmente, os arts. 31 da Lei n.º 8.212, de 1991, e 219 do Decreto n.º 3.048, de 1999, parecem estar deslocados, mas os demais fundamentos legais estão bem postos e dão lastro a autuação, bem como permitem a compreensão da lavratura do auto de infração e o exercício do direito de defesa, desta forma não há nulidade absoluta, não se aplica quaisquer das causas de nulidade previstas no Decreto n.º 70.235, de 1972. Vejase que outros dispositivos dão amplo fundamento ao auto de infração lavrado: Lei n.º 8.212, de 24.07.91, art. 89, § 9.º; Decreto n.º 3.048, de 06.05.99, artigos 247 a 249, 251 caput, § 2.º ao 5.º, 253; Lei n.º 8.212, de 24.07.91, art. 22, III e alterações posteriores; Decreto n.º 3.048, de 06.05.99, art. 12, I, parágrafo único, art. 201, II, § 1.º, 2.º, 3.º, 5.º e 8.º e alterações posteriores. Não se discute a autuação quanto ao PLR, sendo o fundamento muito elucidativo, não havendo no recurso um questionamento mais direto e preciso. Quanto as compensações glosadas, outro ponto do auto de infração, este diretamente atacado, podese dizer que o auto de infração deixa muito claro que não houve a homologação das compensações, sendo glosadas estas, por ter sido entendido como indevidas, sob o argumento de que foram utilizados créditos de outras espécies e destinação. O fundamento resta elucidativo, não havendo que se cogitar de nulidade. Em suma, operouse as exclusões das compensações por se entender, motivadamente, que foram utilizados créditos referentes a recolhimentos para Outras Entidades e Fundos Terceiros e de Depósitos recursais para extinguir contribuições previdenciárias não relativas a tributos da mesma espécie e destinação. Neste prisma, os fundamentos legais estão bem delineados. Sendo assim, sem razão o recorrente quanto a nulidade da autuação. Glosas de compensações: Créditos decorrentes de recolhimento de contribuições para "Terceiros" A defesa sustenta que não poderia ter ocorrido a glosa dos créditos provenientes de recolhimentos de contribuições para terceiros, não havendo infringência ao art. 89 da Lei n.º 8.212, de 1991, pois a Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob o subterfúgio de regulamentar o referido dispositivo, não poderia, em verdade, criar regras para restringir o direito de efetivar compensações. Pois bem. A despeito do argumento do recorrente, a legislação de regência estabelece que a compensação só deve ser efetivada com tributo da mesma espécie e destinação constitucional, ex vi do art. 39 da Lei n.º 9.250, de 1995, que complementa o art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991. De mais a mais, quando a Secretaria da Receita Federal do Brasil, com base no art. 89 da Lei n.º 8.212, de 1991, estabelece condições pautadas na mencionada premissa fixada em lei, não está violando o regime jurídico da compensação. Fl. 638DF CARF MF Processo nº 10980.721905/201731 Acórdão n.º 2202005.096 S2C2T2 Fl. 639 20 A exigência para que a compensação seja efetivada com tributo da mesma espécie e destinação constitucional, especialmente no âmbito previdenciário, é uma decorrência lógica para higidez da fonte de custeio. Como bem ponderou a decisão vergastada, a Receita Federal do Brasil é um mero órgão arrecadador das contribuições para os Terceiros, sendo que elas se destinam a financiar políticas sociais e serviços desenvolvidos pelos diversos entes ligados a interesses de categorias profissionais e grupos econômicos possuindo destinação constitucional diversa das vinculadas ao financiamento da Seguridade Social. Logo, não há como serem utilizadas para compensar contribuições devidas especificamente à Seguridade Social. A destinação diversa proíbe a compensação. Sendo assim, sem razão o recorrente neste capítulo. Glosas de compensações: Créditos decorrentes de depósitos recursais O recorrente advoga que não poderia ter ocorrido a glosa dos créditos provenientes de recolhimentos de depósitos recursais, não havendo infringência ao art. 89 da Lei n.º 8.212, de 1991, pois a Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob o subterfúgio de regulamentar o referido dispositivo, não poderia, em verdade, criar regras para restringir o direito de efetivar compensações. Pois bem. Em que pese a alegação da defesa, a legislação de regência estabelece que a compensação só deve ser efetivada com tributo da mesma espécie e destinação constitucional, ex vi do art. 39 da Lei n.º 9.250, de 1995, que complementa o art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991. De mais a mais, quando a Secretaria da Receita Federal do Brasil, com base no art. 89 da Lei n.º 8.212, de 1991, estabelece condições pautadas na mencionada premissa fixada em lei, não está violando o regime jurídico da compensação. A exigência para que a compensação seja efetivada com tributo da mesma espécie e destinação constitucional, especialmente no âmbito previdenciário, é uma decorrência lógica para higidez da fonte de custeio. Apesar do recorrente alegar que ao final da demanda o depósito se converteria para pagamento da exigência fiscal e que esta era pertinente a contribuições previdenciárias, ou que se cuidava de depósito de trinta por cento do valor da exação e que a mesma tratava de contribuição previdenciária e serviu para pagar NFLD posteriormente cancelada judicialmente, entendo, de igual modo a decisão de piso, que a natureza jurídica do depósito não se confunde com a espécie tributária em si mesma considerada, de modo que a compensação não pode se efetivar. Logo, tratandose de rubricas de espécies diversas, não é pertinente acatar a compensação, sendo correta a glosa efetivada. Sendo assim, sem razão o recorrente neste capítulo. Conclusão quanto ao Recurso Voluntário Sendo assim, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, sem razão o recorrente, exceto quanto a decadência, reformandose a Fl. 639DF CARF MF Processo nº 10980.721905/201731 Acórdão n.º 2202005.096 S2C2T2 Fl. 640 21 decisão hostilizada neste específico ponto pertinente a caducidade, de modo que conheço do recurso voluntário, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, reconheço a decadência do lançamento constituído em 11/07/2017 (efl. 302) relacionado a competência 03/2012, no total de R$ 1.249.120,62 (efls. 277, 278, 280, 283, 295), pertinente a contribuição social previdenciária patronal devida por valores pagos ou creditados a contribuintes individuais que lhe prestem serviços decorrente do pagamento efetuado pela empresa à título de participação de lucros e resultados a diretores não empregados. Dispositivo Ante o exposto, conheço do recurso voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para reconhecer a decadência do lançamento referente à rubrica PLRDiretores. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 640DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.000586/2003-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001
DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.
Na hipótese de pagamento antecipado do tributo, o direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido no ajuste anual decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador, que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano-calendário, desde que não seja constada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do art. 150, §4º, do CTN.
IRPF. DEDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA OFICIAL.
A dedução de pagamentos efetuados à previdência oficial deve respeitar os limites de contribuição fixados pela legislação previdenciária.
IRPF. DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
Apenas podem ser deduzidos na Declaração do Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente.
IRPF. DEDUÇÃO DE DEPENDENTES. RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS.
O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória.
No caso de filhos de pais separados, é dever do contribuinte comprovar que ficou com a guarda deles a fim de considerá-los como dependentes em sua declaração de ajuste.
IRPF. DESPESAS MÉDICAS E COM INSTRUÇÃO DE ALIMENTANDO. NECESSIDADE DE PREVISÃO EM DECISÃO JUDICIAL OU ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE.
As despesas médicas e/ou de educação dos alimentandos somente podem ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda quando realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, respeitando os limites previstos em lei no caso das despesas com instrução.
É dever do contribuinte apresentar a decisão judicial ou o acordo homologado judicialmente determinado que ele ficou responsável pelas despesas médicas e/ou de educação dos alimentandos.
IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A dedução das despesas médicas é condicionada a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea que atenda aos requisitos legais e que atestem que o beneficiário do tratamento médico foi o próprio contribuinte ou algum de seus dependentes relacionados na Declaração de Ajuste Anual.
Numero da decisão: 2201-005.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada, de ofício, pelo Relator para reconhecer a decadência do crédito tributário lançado para o ano-calendário de 1997. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas consideradas comprovadas e que se refiram ao tratamento do próprio contribuinte, nos valores descritos no voto condutor do Acórdão. Vencido o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Relator, que deu provimento parcial em maior extensão, acatando, também, a dedução integral dos valores pagos a título de previdência oficial. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Débora Fófano dos Santos.
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
Débora Fófano dos Santos - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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DEDUÇÕES PLEITEADAS INDEVIDAMENTE Recorrente CLAUDIO LUIZ BAPTISTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Na hipótese de pagamento antecipado do tributo, o direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido no ajuste anual decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador, que se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário, desde que não seja constada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do art. 150, §4º, do CTN. IRPF. DEDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA OFICIAL. A dedução de pagamentos efetuados à previdência oficial deve respeitar os limites de contribuição fixados pela legislação previdenciária. IRPF. DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Apenas podem ser deduzidos na Declaração do Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. IRPF. DEDUÇÃO DE DEPENDENTES. RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória. No caso de filhos de pais separados, é dever do contribuinte comprovar que ficou com a guarda deles a fim de considerálos como dependentes em sua declaração de ajuste. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 05 86 /2 00 3- 35 Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10920.000586/200335 Acórdão n.º 2201005.093 S2C2T1 Fl. 440 2 IRPF. DESPESAS MÉDICAS E COM INSTRUÇÃO DE ALIMENTANDO. NECESSIDADE DE PREVISÃO EM DECISÃO JUDICIAL OU ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. As despesas médicas e/ou de educação dos alimentandos somente podem ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda quando realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, respeitando os limites previstos em lei no caso das despesas com instrução. É dever do contribuinte apresentar a decisão judicial ou o acordo homologado judicialmente determinado que ele ficou responsável pelas despesas médicas e/ou de educação dos alimentandos. IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A dedução das despesas médicas é condicionada a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea que atenda aos requisitos legais e que atestem que o beneficiário do tratamento médico foi o próprio contribuinte ou algum de seus dependentes relacionados na Declaração de Ajuste Anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada, de ofício, pelo Relator para reconhecer a decadência do crédito tributário lançado para o anocalendário de 1997. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas consideradas comprovadas e que se refiram ao tratamento do próprio contribuinte, nos valores descritos no voto condutor do Acórdão. Vencido o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Relator, que deu provimento parcial em maior extensão, acatando, também, a dedução integral dos valores pagos a título de previdência oficial. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Débora Fófano dos Santos. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. Débora Fófano dos Santos Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10920.000586/200335 Acórdão n.º 2201005.093 S2C2T1 Fl. 441 3 Cuidase de Recurso Voluntário de efls. 402/418 interposto contra decisão da DRJ em Florianópolis/SC, de fls. 363/389 a qual julgou, por maioria, procedente em parte o lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF de fls. 44/57, lavrado em 7/3/2003, relativo aos anoscalendário de 1997 a 2001, com ciência do contribuinte em 19/3/2003, conforme AR de fls. 60. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado: (i) por omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, de trabalho sem vínculo empregatício, nos anoscalendários de 1999 e 2000. Em razão da não manifestação do contribuinte, foram tributados os valores constantes em DIRF e não declarados pelo autuado, conforme abaixo: Anocalendário 1999 Portobelo Armazens Gerais S/A .R$ 7.458,69 Anocalendário 2000 Agência Marítima Cargonave Ltda. RS 27,38 Rocha Top Term e Operadores Portuários Ltda. RS 190,64 WR Operadores Portuários Ltda. RS 9.924,72. Marsud Serviços Marítimos e Portuários R$ 1.944,60; (ii) por dedução indevida da previdência oficial, nos anoscalendários 1997 a 2001. Em razão da não manifestação do contribuinte, e na falta de outros elementos, foram excluídos os valores não comprovados, conforme abaixo: Anocalendário 1997 R$ 12.299,88 Anocalendário 1998 R$ 14.911,97 Anocalendário 1999 R$ 11.250,81 Anocalendário 2000 R$ 18.379,44 Anocalendário 2001 R$ 2.413,80 (iii) por dedução indevida de dependente, nos anoscalendários 1997 a 2001. Em razão da não manifestação do contribuinte, e na falta de outros elementos, foram excluídos os dependentes não comprovados, conforme abaixo: Anocalendário 1997 R$ 3.240,00 Anocalendário 1998 R$ 4.320,00 Anocalendário 1999 R$ 5.400,00 Fl. 441DF CARF MF Processo nº 10920.000586/200335 Acórdão n.º 2201005.093 S2C2T1 Fl. 442 4 Anocalendário 2000 R$ 5.400,00 Anocalendário 2001 R$ 5.400,00 (iv) por dedução indevida com despesas médicas, nos anoscalendários 1997 a 2001. Em razão da não manifestação do contribuinte, e na falta de outros elementos, foram excluídos os valores não comprovados, conforme abaixo: Anocalendário 1997 R$ 11.126,21 Anocalendário 1998 R$ 10.302,57 Anocalendário 1999 R$ 11.267,89 Anocalendário 2000 R$ 12.529,81 Anocalendário 2001 R$ 11.167,16 (v) por dedução indevida com pensão judicial, nos anoscalendários 1997 a 2001. Em razão da não manifestação do contribuinte, e na falta de outros elementos, foram excluídos os valores não comprovados, conforme abaixo: Anocalendário 1997 R$ 17.903,13 Anocalendário 1998 R$ 32.905,00 Anocalendário 1999 R$ 25.808,09 Anocalendário 2000 R$ 35.966,00 Anocalendário 2001 R$ 26.951,00 (vi) por dedução indevida com instrução, no anocalendário 2000. Em razão da não manifestação do contribuinte, e na falta de outros elementos, foram excluídos os valores não comprovados, conforme abaixo: Anocalendário 1997 R$ 5.100,00 Anocalendário 1998 R$ 5.100,00 Anocalendário 1999 R$ 5.100,00 Anocalendário 2000 R$ 5.100,00 Anocalendário 2001 R$ 6.800,00 (vii) por compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, nos anos calendários 1997 a 1999. Fl. 442DF CARF MF Processo nº 10920.000586/200335 Acórdão n.º 2201005.093 S2C2T1 Fl. 443 5 Em razão da não manifestação do contribuinte, e na falta de outros elementos, foram excluídos os valores não constantes em DIRF apresentada à Receita Federal, conforme abaixo: Anocalendário 1997 Sernaval Serv Rep Navais Ag Mar Ass Ltda. R$ 3.765,55; Lachamann Agências Marítimas S/A R$ 421,98 Libraport Ag Marit e op Port s/A Rs 207,57 Anocalendário 1998 Lachamann Agências Marítimas S/A R$ 878,07 Wilport Operadores Portuários S/A – R$ 2.865,12; Sernaval Serv Rep Navais Ag Mar Ass Ltda. R$ 4.044,41; e WR Operadores Portuários Ltda. R$ 448,16 Anocalendário 1999 Seatrade Agência Marítima LTDA. – R$ 12,98 (viii) por dedução indevida de imposto com doações aos fundos da criança e do adolescente, no anocalendário de 1999. Glosa de valores informados indevidamente na DIRF do ano calendário de 1999, a título de dedução com doações aos fundos da criança e do adolescente, tendo em vista tratarse de entidade diversa. Anocalendário 1999 Lions Clube de São Francisco de Sul – R$ 100,00 O valor total do crédito tributário lançado foi de R$ 244.860,86, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício aplicada no percentual agravado de 112,5% em relação às infrações descritas nos itens “ii” a “vi” acima descritos. Quanto aos itens “i”, “vii” e “viii”, foi aplicada a multa no percentual de 75%. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramentos legais (fls. 53/57), o RECORRENTE foi intimado por via postal, com Aviso de Recebimento (AR), a apresentar os documentos constantes no Termo de Intimação (fl. 03). A citada correspondência foi recebida em 01/10/2002 por Fabiana G. Nascimento (fl. 04). Contudo, até a data da lavratura do Auto de Infração, o contribuinte não apresentou os documentos solicitados e não tomou qualquer outra providência tendente a cumprir os termos da intimação. A autoridade fiscal observou que a Sra. Fabiana G. Nascimento (receptora da intimação) consta nas declarações de imposto de renda de pessoa física do RECORRENTE. Por este motivo, houve a aplicação da multa agravada em 112,5% para algumas infrações. As declarações de ajuste do RECORRENTE, assim como as DIRFs dos respectivos anoscalendários, encontramse acostadas às fls. 5/43. Da Impugnação Fl. 443DF CARF MF Processo nº 10920.000586/200335 Acórdão n.º 2201005.093 S2C2T1 Fl. 444 6 O RECORRENTE apresentou sua Impugnação de efls. 62/65 em 17/4/2003, acompanhada dos documentos de fls. 66/357. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela DRJ em Florianópolis/SC, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: Em sua impugnação de fls. 61 a 64, o contribuinte contestou integralmente a autuação, com as alegações que, em síntese, se passa a expor. Afirma que as omissões de rendimentos tributáveis apuradas pela autoridade fiscal não ocorreram, pois declarou todos os rendimentos recebidos nos anoscalendário 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001. Diz que cumpriu totalmente suas obrigações, pois, diante da “notificação”, efetuou a retificação das declarações de ajuste anual dos anoscalendário 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001. Aduz que as deduções declaradas a título de contribuição à previdência oficial estão de acordo com as informações recebidas das fontes pagadoras. Alega que todas as deduções declaradas a título de dependentes contam com embasamento legal. Argumenta que as deduções declaradas a título de despesas médicas retratam fielmente valores pagos a planos de saúde e a profissionais desta área. Afirma que as deduções declaradas a título de pensão alimentícia judicial encontramse comprovadas pela documentação apresentada juntamente com a presente impugnação (fls. 61 a 64). Diz que as deduções declaradas a título de despesas com instrução se referem a pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino particular. Aduz que os valores declarados a título de imposto de renda retido na fonte estão de acordo com os comprovantes de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte fornecidos pelas fontes pagadoras. Alega que jamais efetuará nova doação, pois não poderá deduzi la na declaração de ajuste anual do imposto de renda. Por fim, o contribuinte alega que foi “notificado” a revelia e pleiteia a declaração de improcedência do presente lançamento. Juntamente com a impugnação apresentou os documentos de fls. 65 a 411. É o relatório. Da Decisão da DRJ Fl. 444DF CARF MF Processo nº 10920.000586/200335 Acórdão n.º 2201005.093 S2C2T1 Fl. 445 7 Quando da apreciação do caso, a DRJ em Florianópolis/SC julgou parcialmente procedente o lançamento, conforme ementa abaixo (fls. 363/389): Assumo: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA Física IRPF Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 DECLARAÇÃO RETIFICADORA. ESPONTANEIDADE. Declaração retificadora apresentada após o início da ação fiscal não tem o caráter de denúncia espontânea e não exime o contribuinte de sofrer autuação, compreendendo principal, multa de oficio e juros de mora. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Não comprovado pelo interessado que a DIRF apresentada pela fonte pagadora é incorreta, devese manter o lançamento de omissão de rendimentos. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. Comprovada a retenção do imposto na fonte, restabelecese a sua compensação, conforme informado pela fonte pagadora no comprovante de rendimentos pagos e de imposto de renda retido na fonte. DEDUÇÕES. PREVIDÊNCIA OFICIAL. A dedução de pagamentos efetuados à previdência oficial deve respeitar os limites de contribuição fixados pela legislação previdenciária. DEDUÇÕES. DEPENDENTES. COMPROVAÇÃO DA RELAÇÃO DE DEPENDÊNCIA. São dedutíveis dos rendimentos tributáveis os valores relativos a dependentes estabelecidos pela legislação tributária, se devidamente comprovada a relação de dependência. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. DEDUTIBILIDADE. Somente a pensão alimentícia paga em cumprimento de decisão judicial, em face das normas do Direito de Família, pode ser deduzida dos rendimentos tributáveis na declaração, no montante comprovado com documentação hábil. DOAÇÃO. DEDUÇÃO DO IMPOSTO. somente são dedutíveis do imposto as doações que se enquadrem em alguma das hipóteses previstas no artigo 87 do Regulamento1lo Irnposto1le¬Renda. DEDUÇOES. DESPESAS COM EDUCAÇAO. COMPROVAÇÃO. Somente são dedutíveis dos rendimentos tributáveis os dispêndios com instrução do contribuinte e/ou dos seus dependentes devidamente comprovados. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. São dedutíveis dos rendimentos tributáveis as despesas médicas do contribuinte e/ou de seus dependentes, quando devidamente especificadas e comprovadas. Fl. 445DF CARF MF Processo nº 10920.000586/200335 Acórdão n.º 2201005.093 S2C2T1 Fl. 446 8 LIVRO CAIXA. CONTRIBUIÇÃO “DESCONTO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL”. A contribuição paga a título de Desconto de Assistência Social só poderia ser considerada dedutível se o contribuinte comprovasse que ela se enquadra em alguma das hipóteses previstas no artigo 6°, incisos I, II e III, da Lei n° 8.134/1990. Lançamento Procedente em Parte No mérito, a DRJ acatou o argumento do contribuinte de que houve glosa indevida dos valores compensados pelo contribuinte ao título de imposto de renda retido na fonte nos anoscalendário 1997 e 1998, ante a apresentação dos comprovantes de pagamento emitidos pelas fontes pagadoras comprovando a retenção do imposto. A autoridade julgadora também entendeu pela procedência parcial da dedução das despesas com previdência oficial, até o limite fixado pela legislação previdenciária, mantendo a glosa no que exceder R$ 1.312,99 no anocalendário 1997, R$ 1.394,76 no anocalendário 1998, R$ 1.607,44 no anocalendário de 1999, R$ 1.705,08, no anocalendário de 2000 e R$ 1.820,40 no ano calendário de 2001. No que se refere a glosa por dedução indevida de despesas com dependentes, a autoridade julgadora acatou parcialmente o argumento do RECORRENTE, entendendo que ele não comprovou que ficou com a guarda de Luiz Cláudio Baptista (fls. 113), Luiz Felipe Baptista (fls. 114) e Luiz Fernando Baptista (fls. 115), após ter se separado judicialmente da mãe deles (Rosemary Machado) em 22 de julho de 1997 (conforme averbação na certidão de casamento de fls. 110). Assim, manteve a glosa relacionadas a estes nos anoscalendário 1998 a 2001. Consequentemente, restabeleceu totalmente a dedução em relação ao anocalendário 1997 (por ter sido o ano da separação e o art. 38, §5º, da IN nº 15/2001 permitir a dedução concomitante nestes casos) e parcialmente a dedução em relação aos anoscalendário 1998 a 2001 (pois foi comprovada a relação de dependência da companheira Fabiana Gisele Nascimento a partir de 1998 e da filha Mariana Milena Nascimento Baptista a partir de 1999). Sob este mesmo fundamento, a DRJ manteve grande parte da glosa das deduções de despesas de instrução, pois entendeu que o contribuinte não comprovou que Luiz Cláudio Baptista, Luiz Felipe Baptista e Luiz Fernando Baptista eram seus dependentes após a separação judicial. Contudo, reestabeleceu parte das deduções das despesas de instrução de referentes ao anocalendário de 1997, posto que anterior a separação judicial, e referente ao anocalendário de 2001, na medida em que entendeu que o RECORRENTE comprovou a relação de dependência de sua filha Mariana Milena Nascimento Baptista. Considerando que o RECORRENTE apresentou cópia de ofício comprovando que estava obrigado por força de decisão judicial a pagar pensão alimentícia desde outubro de 1997, e considerando que o RECORRENTE apresentou cópia dos comprovantes de pagamento da pensão alimentícia que demonstra o desembolso de valores, foi parcialmente reestabelecida a dedução dos valores declarados ao título de pensão alimentícia judicial, nos seguintes montantes: R$ 5.658,56 no anocalendário 1997, R$ 31.904,50 no ano calendário 1998, R$ 23.947,09 no anocalendário 1999, R$ 33.995,00 no anocalendário 2000 e R$ 26.378,00 no anocalendário 2001. Assim, foi restabelecida a dedução de quase que a totalidade dos valores pleiteados, exceto em relação ao anocalendário 1997, pois a DRJ entendeu que o RECORRENTE somente estava obrigado ao pagamento da pensão a partir de outubro/97 (data do ofício). Fl. 446DF CARF MF Processo nº 10920.000586/200335 Acórdão n.º 2201005.093 S2C2T1 Fl. 447 9 Quanto às despesas médicas, a DRJ entendeu que os recibos apresentados com a impugnação comprovam parte das despesas declaradas. Assim, acatou as deduções ao título de despesas médicas nos montantes de R$ 3.230,43 no anocalendário 1997, R$ 2.450,86 no anocalendário 1998, R$ 2.820,55 no anocalendário 1999, R$ 3.619,12 no anocalendário 2000 e R$ 2.742,36 no anocalendário 2001, a conferir: Fl. 447DF CARF MF Processo nº 10920.000586/200335 Acórdão n.º 2201005.093 S2C2T1 Fl. 448 10 Grande parte dos valores pleiteados pelo RECORRENTE não foi aceita pois se refere a plano de saúde e demais despesas médicas dos 03 filhos para os quais o contribuinte não apresentou prova de que ficou com a guarda judicial após a separação, conforme exposto. Além disso, parte dos recibos não foram aceitos por não poderem ser considerados como meios de prova vez que possuem falhas (não indicação do beneficiário do tratamento, não foram firmados pelos profissionais cujos nomes constam carimbados, etc. – vide fls. 380/382). Por fim, a DRJ entendeu que o RECORRENTE, apesar de não ter expressamente declarado nenhuma dedução ao título de livro caixa, pretende que as contribuições sindicais pagas (DAS) sejam aceitas como dedução a esse título, posto que são despesas necessárias à percepção da receita. Contudo, a DRJ entendeu que o contribuinte não comprovou que as despesas com contribuição sindicais são necessárias à percepção dos rendimentos da atividade de trabalhador avulso portuário, razão pela qual indeferiu o pedido. Fl. 448DF CARF MF Processo nº 10920.000586/200335 Acórdão n.º 2201005.093 S2C2T1 Fl. 449 11 A DRJ compilou todos os efeitos da decisão, por ano calendário, na planilha de fls. 384/388. Destacase que o julgamento em primeira instância não foi por unanimidade, conforme declaração de voto vencido de fls. 388/389. Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 20/05/2009, conforme AR de fl. 397, apresentou o recurso voluntário de fls. 402/418 em 18/6/2009, bem como as razões complementares de fls. 428/434 em 9/9/2009 e de fls. 425/427 em 10/9/2009. Em suas razões, alegou que: (i) mantida a relação de dependência, não é necessário comprovar que manteve a guarda judicial de Luiz Cláudio Baptista, Luiz Felipe Baptista e Luiz Fernando Baptista, após sua separação judicial; (ii) que os recibos apresentados cumprem todos os requisitos da legislação tributária; (iii) que não existe limite legal para dedução com previdência oficial; (iv) que o ofício expedido pela vara de família não pode ser considerado o marco inicial do pagamento da pensão judicial; (v) que a multa foi aplicada em caráter confiscatório; (vi) e que a taxa SELIC sobre a multa de ofício é ilegal. Além disso, no aditamento ao recurso voluntário de fls. 428/434 o RECORRENTE junta ao processo novos documentos e pleiteia o reconhecimento da prescrição intercorrente. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. I. PRELIMINAR I.1. Decadência Observo, de ofício, que, pela regra do art. 150, §4º do CTN, houve decadência dos créditos relativos ao anocalendário 1997, uma vez que o RECORRENTE somente foi intimado do auto de infração em 19/3/2003, conforme AR de fls. 60. Quanto à decadência, é preciso esclarecer que o fato gerador do IRPF é complexivo. Ou seja, embora apurado mensalmente, está sujeito ao ajuste anual quando é Fl. 449DF CARF MF Processo nº 10920.000586/200335 Acórdão n.º 2201005.093 S2C2T1 Fl. 450 12 possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva, aperfeiçoandose no dia 31/12 de cada anocalendário. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2005,2006 IRPF. DECADÊNCIA. FATO GERADOR QUE SOMENTE SE APERFEIÇOA NO DIA 31 DE DEZEMBRO DE CADA ANO. O fato gerador do IRPF é complexivo, aperfeiçoandose no dia 31/12 de cada anocalendário. Assim, como não houve o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos entre a ocorrência do fato gerador e a intimação do contribuinte da lavratura do auto de infração, devese afastar a alegação de decadência do crédito tributário. (...)” Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010). (acórdão nº 2402005.594; 19/01/2017) No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, o Superior Tribunal de Justiça – STJ julgou o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/0176994 0), em 12 de agosto de 2009, com acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do antigo CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), da relatoria do Ministro Luiz Fux, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, Fl. 450DF CARF MF Processo nº 10920.000586/200335 Acórdão n.º 2201005.093 S2C2T1 Fl. 451 13 consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008 (grifou se) Portanto, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial se encerra depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador, conforme regra do art. 150, § 4º, CTN. Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o lustro decadencial para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, CTN. Por ter sido prolatada sob a sistemática do art. 543C do antigo CPC, a decisão supramencionada deve ser observada por este CARF, nos termos do art. 61, §2º, do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015): § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria Fl. 451DF CARF MF Processo nº 10920.000586/200335 Acórdão n.º 2201005.093 S2C2T1 Fl. 452 14 infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Desta forma, no presente caso, o prazo decadencial deve ser contado nos termos do art. 150, § 4º, CTN, pois houve pagamento antecipado de imposto de renda, a título de imposto retido na fonte, conforme comprova a declaração de ajuste anual do ano calendário de 1997 de fls. 05/08 e DIRFs de fls. 09/14. O imposto retido relativo a rendimentos sujeitos ao ajuste anual é considerado pagamento antecipado para fins de aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º, do CTN, conforme Súmula CARF nº 123: Súmula CARF nº 123 Imposto de renda retido na fonte relativo a rendimentos sujeitos a ajuste anual caracteriza pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Em verdade, no presente processo, a existência de pagamento antecipado é flagrante, pois uma das infrações apontadas trata justamente de eventual compensação indevida de parte do IRRF declarado pelo contribuinte, o que já foi objeto de cancelamento pela DRJ uma vez que o contribuinte comprovou as retenções através dos comprovantes de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte para os anoscalendário 1997 (fl. 86) e 1998 (fl. 92). Nestes termos, em relação ao anocalendário 1997, o fato gerador do imposto de renda aconteceu no dia 31/12/1997, portanto, o lançamento poderia ter sido efetuado até 31/12/2002. Considerando que a data de intimação do RECORRENTE foi 19/3/2003, houve o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos. Portanto, deve ser reconhecida a decadência do direito da autoridade fiscalizadora de revisar a declaração apresentada do referido período (ano calendário 1997). I.2. Da prescrição intercorrente Em suas razões aditivas, o RECORRENTE alega a ocorrência da prescrição intercorrente, ante o transcurso de 6 anos entre a apresentação do recurso voluntário e seu julgamento. Acontece que, de acordo com a súmula nº 11 deste CARF, não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo. Súmula CARF nº 11 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Assim, não merecem prosperar os argumentos do RECORRENTE. Fl. 452DF CARF MF Processo nº 10920.000586/200335 Acórdão n.º 2201005.093 S2C2T1 Fl. 453 15 II. MÉRITO II.1. Da dedução das despesas com previdência social Como dito, a decisão da DRJ entendeu que o contribuinte apenas poderia deduzir a título de despesas com previdência social oficial, o montante máximo estabelecido pela legislação previdenciária para trabalhador avulso, posto que o RECORRENTE faz jus ao ressarcimento da parcela excedente retida sobre suas remunerações. Por sua vez, o RECORRENTE defende que não existe limitação legal para as deduções com previdência oficial. Pois bem, entendo que assiste razão ao RECORRENTE. Em primeiro lugar, de fato a legislação de regência não estabelece qualquer limite para as deduções com previdência oficial, apenas sendo exigido o comprovante que a contribuição social foi efetivamente paga, nos termos dos arts. 73 e 74, inciso I, do Decreto nº 3000/1999 (Antigo Regulamento do Imposto de Renda – “RIR/1999”): Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). [...] Art. 74. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderão ser deduzidas (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, incisos IV e V): I as contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; Ademais, quando o legislador quis estipular um limite para dedução, ele assim o fez de maneira expressa, como demonstra, por exemplo, o §1º do art. 75 do Decreto 9.580/2018 (RIR/2018), que possui matriz legal no art. 11 da Lei nº 9.532/97, e, ao tratar da dedução da contribuição para as entidades de previdência privada, limita tal valor a doze por cento do total dos rendimentos informados na declaração de ajuste anual: Art. 75. Na determinação da base de cálculo do imposto sobre a renda devido na declaração de ajuste anual poderão ser deduzidas as contribuições para (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, caput, inciso II, alíneas “d”, “e” e “i”; Lei nº 9.532, de 1997, art. 11; e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 61): I a previdência social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; II as entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da previdência social e para o FAPI, cujo ônus seja da pessoa física e o titular ou o quotista seja o próprio declarante ou o seu dependente; e Fl. 453DF CARF MF Processo nº 10920.000586/200335 Acórdão n.º 2201005.093 S2C2T1 Fl. 454 16 III as contribuições para as entidades fechadas de previdência complementar de natureza pública de que trata o § 15 do art. 40 da Constituição, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da previdência social. § 1º As deduções previstas no inciso II do caput ficam condicionadas ao recolhimento, também, de contribuições para o Regime Geral de Previdência Social ou, quando for o caso, para Regime Próprio de Previdência Social dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, observada a contribuição mínima, e limitadas a doze por cento do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto sobre a renda devido na declaração de ajuste anual (Lei Complementar nº 109, de 2001, art. 69, caput; Lei nº 9.532, de 1997, art. 11; e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 61). De igual modo, o CARF entende ser apenas necessário comprovar que houve retenção ou que a contribuição à previdência social foi efetivamente paga: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA OFICIAL. Poderá ser considerado como dedução dos rendimentos tributáveis, para fins de apuração da base de cálculo do imposto, valor pago a título de contribuição previdenciária oficial. (Acórdão nº 2801 01.692 – 1º Turma Especial) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA OFICIAL. DEDUÇÃO INDEVIDA. A retenção a título de contribuição para a previdência social somente é dedutível da base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física quando devidamente comprovada. Na hipótese, não se comprovou a retenção a título de contribuição à previdência oficial. (Acórdão nº 210101.514 – 1º Câmara / 1º Turma Ordinária) Desse modo, entendo que não existe limite legal para dedução. Quanto ao argumento de que o RECORRENTE fará jus à restituição do montante pago que for superior ao limite estabelecido pela legislação previdenciária, entendo que este fato, por si só, não é suficiente para impedir o RECORRENTE de deduzir tais despesas. Isto porque, como cediço, o IRPF é regido pelo regime de caixa. Assim, para fins de apuração do imposto, a autoridade fiscalizadora deve levar em consideração os rendimentos ganhos e as despesas incorridas ao longo do ano calendário. Exemplificando, se no anocalendário de 1997 o RECORRENTE pagou o valor R$ X a título de contribuições à previdência oficial, ele tem direito de deduzir a integralidade do valor X, e, caso no anocalendário seguinte ele seja restituído de parcela deste valor, a medida Fl. 454DF CARF MF Processo nº 10920.000586/200335 Acórdão n.º 2201005.093 S2C2T1 Fl. 455 17 cabível é considerar, no anocalendário de 1998, esta restituição como rendimento tributável (salvo comprovação de que o montante não foi deduzido no ano calendário de 1997). Exatamente como ocorre nos casos de dedução de despesas médicas para as quais o contribuinte pleiteou o reembolso perante o seu plano de saúde, mas dito reembolso somente ocorreu no anocalendário posterior ao da despesa. Neste caso, o contribuinte comprovou efetivamente que houve retenção na fonte dos montantes declarados. Logo, o RECORRENTE comprovou o efetivo pagamento das contribuições para previdência oficial, único requisito necessário para a dedução. Não tendo a autoridade fiscalizadora comprovado que houve restituição dos valores que excederam o limite estabelecido pela legislação previdenciária, entendo que deve ser cancelado o lançamento decorrente desta infração. Assim, devem ser restabelecidas as deduções a título de previdência oficial pleiteadas originalmente pelo contribuinte em suas declarações de ajuste anual, nos seguintes montantes: R$ 12.299,88 no anocalendário 1997 (fl. 05), R$ 14.911,97 no anocalendário 1998 (fl. 15), R$ 11.250,81 no anocalendário 1999 (fl. 21), R$ 18.379,44 no anocalendário 2000 (fl. 31), e R$ 2.413,80 no anocalendário 2001 (fl. 26). II.2. Dos dependentes Em síntese, aduz o RECORRENTE que por ser pai de Luiz Cláudio Baptista, Luiz Felipe Baptista e Luiz Fernando Baptista, existe relação de dependência, ainda que não tenha a guarda judicial. Sobre o tema, assim dispõe o art. 77 do RIR/1999: Art. 77. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida do rendimento tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso III). § 1º Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, § 3º, e 5º, parágrafo único (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): I o cônjuge; II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV o menor pobre, até vinte e um anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até vinte e um anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou Fl. 455DF CARF MF Processo nº 10920.000586/200335 Acórdão n.º 2201005.093 S2C2T1 Fl. 456 18 de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. § 2º Os dependentes a que referem os incisos III e V do parágrafo anterior poderão ser assim considerados quando maiores até vinte e quatro anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 1º). § 3º Os dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 2º). § 4º No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 3º). § 5º É vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do imposto, por mais de um contribuinte (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 4º). (Grifouse) Interpretando sistematicamente os §§ 3º, 4º e 5º, inferese que durante a relação conjugal, os dependentes poderão ser considerados por qualquer um dos cônjuges, sendo vedada a dedução de um mesmo dependente na base de dois contribuintes. Por sua vez, após a separação, a lei determina que o filho será dependente daquele contribuinte que ficar com a guarda, também sendo vedado a dedução concomitante por mais de um contribuinte. Logo, para poder considerar os três mencionados filhos como seus dependentes, o RECORRENTE deveria comprovar que ficou com a guarda deles após ter se separado judicialmente da sua exesposa em 22/07/1997. Ademais, a pensão alimentícia paga aos três mencionados filhos atesta que o RECORRENTE não possui a guarda deles. Assim, nos termos da legislação acima (que possui matriz legal no art. 35, § 3º, da Lei nº 9.250/95), deve ser mantida a glosa da dedução com dependente em relação a Luiz Cláudio Baptista, Luiz Felipe Baptista e Luiz Fernando Baptista nos anoscalendário 1998 a 2001. II.3. Dos recibos de despesas médicas apresentados Em suma, alega o RECORRENTE de que a legislação não estabelece como condição para dedução das despesas médicas que os recibos indiquem quem foi o paciente atendido, e nem estabelece a exigência que o recibo seja firmado. Fl. 456DF CARF MF Processo nº 10920.000586/200335 Acórdão n.º 2201005.093 S2C2T1 Fl. 457 19 As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido desde que preenchidos os seguintes requisitos: indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ. Ademais, a norma é expressa quanto ao fato de que as deduções se restringem aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Fl. 457DF CARF MF Processo nº 10920.000586/200335 Acórdão n.º 2201005.093 S2C2T1 Fl. 458 20 Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Sobre o tema, merece destaque o acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecelo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Fl. 458DF CARF MF Processo nº 10920.000586/200335 Acórdão n.º 2201005.093 S2C2T1 Fl. 459 21 Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Inferese, assim, que existe uma certa “relativização” quanto aos requisitos formais do recibo como comprovante da despesa médica, sendo apenas necessários os “requisitos mínimos” para indicar quem recebeu os valores e para quem o serviço foi prestado. Existindo todos os requisitos mínimos estipulados pelos incisos II e III do art. artigo 8º da Lei nº 9.250/95, inverterseá o ônus da prova, cabendo a fiscalização comprovar a inidoneidade dos recibos apresentados pelo contribuinte. Nesse sentido entende o CARF: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. (Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018) Por sua vez, a jurisprudência do CARF também vem aceitando a apresentação de declarações complementares para corroborar as informações contidas nos recibos: Fl. 459DF CARF MF Processo nº 10920.000586/200335 Acórdão n.º 2201005.093 S2C2T1 Fl. 460 22 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. (Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012) (Grifouse) No presente caso, ainda que se aceite o argumento da DRJ de que os recibos apresentados contêm vícios formais, em especial pela ausência de indicação do beneficiário do serviço, da ausência de assinatura ou por estar assinado por pessoa diversa daquela que consta no carimbo, é imperioso reconhecer que as declarações de fls. 426/427 suprem tais formalidades para alguns dos recibos. Dos recibos indicados pelas declarações de fls. 426/427, constatase que o beneficiário de algumas despesas foi o RECORRENTE (Claudio Luiz Baptista) e outros tiveram Luiz Claudio Baptista como beneficiário do tratamento. Analisando a declaração de fls. 426, percebese que todas as despesas com serviços médicos prestados a Luiz Claudio Baptista (filho não dependente do RECORRENTE) foram posteriores a 07/1997 (data da separação judicial). Logo, pelos motivos já expostos, tais despesas não podem ser aceitas como dedução do RECORRENTE. Assim, da relação de fls. 426/427, apenas devem ser restabelecidas as deduções das despesas médicas em favor de Claudio Luiz Baptista (o RECORRENTE). Ademais, quanto aos demais recibos, verifico que a DRJ de origem não acatou diversos deles por não demonstrar a indicação de quem foi o paciente. Conforme já exposto, a legislação exige que o recibo indique para quem o serviço foi prestado, o que é necessário para pleitear a dedução do valor, sobretudo em casos como o dos presentes autos, onde se verifica que o RECORRENTE assume, expressamente, que paga – além da pensão alimentícia – as despesas médicas e de educação de seus 3 filhos com o excônjuge, mesmo não possuindo a guarda deles e, portanto, não podendo considerálos como dependentes nos termos da legislação do imposto de renda. No entanto, me inclino ao entendimento da própria Receita Federal, expresso através da Solução de Consulta Interna COSIT nº 23, de 30 de agosto de 2013, no sentido de que o comprovante de pagamento emitido em nome do contribuinte sem indicação do beneficiário pode presumir que o beneficiário foi o próprio. Transcrevo abaixo ementa da referida Solução de Consulta: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF DESPESAS MÉDICAS. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. Fl. 460DF CARF MF Processo nº 10920.000586/200335 Acórdão n.º 2201005.093 S2C2T1 Fl. 461 23 São dedutíveis, da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte, referentes ao próprio tratamento e de seus dependentes, desde que especificadas e comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, podese presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades. No caso de o serviço médico ter sido prestado a dependente do contribuinte, sem a especificação do beneficiário do serviço no comprovante, essa informação poderá ser prestada por outros meios de prova, inclusive por declaração do profissional ou da empresa emissora do referido documento comprobatório. Dispositivos Legais: Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil (CPC), art. 332; Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 8º, inciso II, alínea “a” e § 2º, e Decreto nº 3.000, de 26 de dezembro de 1999 (RIR/1999), art. 80, § 1º, incisos II e III. Portanto, tendo em vista que não foram apontados indícios de irregularidades, entendo pelo restabelecimento da dedução das despesas médicas representadas pelos recibos emitidos em nome do contribuinte, porém sem a indicação do paciente atendido. Ou seja, para aqueles recibos não aceitos unicamente pela ausência de indicação do paciente atendido, entendo que não deve prevalecer a glosa, desde que o recibo tenha sido emitido em nome do RECORRENTE, conforme Solução de Consulta Interna COSIT nº 23, de 30 de agosto de 2013. A DRJ de origem entendeu como comprovadas algumas despesas médicas apontadas pelo RECORRENTE e apresentou, em sua decisão, a relação de despesas médicas não aceitas como dedutíveis com o motivo para a manutenção da glosa, e que são objeto desta decisão (fls. 380/382). Neste ponto, para esclarecer a relação de recibos aceitos e os não aceitos após o julgamento do recurso voluntário, utilizo tal trecho extraído da decisão recorrida para apontar o tratamento dado nesta decisão a cada conjunto de recibos médicos apresentados (a indicação das folhas aponta a numeração original dos autos e não aquela após a sua digitalização): Decisão da DRJ Resultado do CARF a) o recibo cuja cópia consta no topo da fl. 158 dos autos (R$ 600,00 Dr. Antônio Celino P. Pardo anocalendário 1997) não pode ser considerado, por si só, como prova de despesa médica dedutível, pois, ao não indicar quem foi 0 paciente atendido, não demonstra que o beneficiário do tratamento Referese ao período atingido pela decadência (anocalendário 1997). Além disso, o contribuinte apresentou documentação de efl. 426 onde o dentista atesta que o beneficiário do tratamento foi o Fl. 461DF CARF MF Processo nº 10920.000586/200335 Acórdão n.º 2201005.093 S2C2T1 Fl. 462 24 odontológico foi o contribuinte ou dependente (artigo 80, § 1°, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda Acórdãos 10243460 e 106 16828 do 1° Conselho de Contribuintes); próprio contribuinte. Dedução restabelecida. b) os recibos cujas cópias constam na parte de baixo da fi. 158 (R$ 60,00) e nas fls. 159 (R$ 250,00 / R$ 40,00) e 162 (R$ 2.970,00/ R$ 250,00 / 250,00), relativos ao ano calendário 1997, não podem ser considerados como prova de despesas médicas dedutíveis, pois não foram firmados pelos dentistas. cujos nomes constam carimbados nos citados recibos (Antônio Celino P. Pardo e Maria Rodrigues Pardo); Referese ao período atingido pela decadência (anocalendário 1997). Além disso, o contribuinte apresentou documentação de efl. 426 onde o dentista atesta que o beneficiário dos tratamentos relativos aos recibos de fls. 159 e 162 (efls. 163 e 166) foi o próprio contribuinte. Deduções restabelecidas. c) os recibos cujas cópias constam no meio e na parte de baixo da fl. 167 (R$ 225,00 / R$ 500,00 psicóloga Karla G. ›A S. Csermak) e na fl. 164 (R$ 500,00 – psicóloga Karla G. A. S. Csermak), não podem ser considerados como prova de despesas médicas dedutíveis, pois o contribuinte não comprovou, que na época em que foram firrnados (novembro e dezembro de 1997), 0 beneficiário do tratamento psicológico (Luiz Cláudio Baptista) ainda podia ser enquadrado como seu dependente (artigo 80, § 1°, inciso ll, do Regulamento do Imposto de Renda); Referese ao período atingido pela decadência (anocalendário 1997). Deduções restabelecidas. d) o recibo cuja cópia consta às fls. 170 (R$ 30,00 Dentista Mauricio Colin B. Cordeiro anocalendário 1997) não pode ser considerado, por si só, como prova de despesa médica dedutível, pois, ao não indicar quem foi o paciente atendido, não demonstra que o beneficiário do tratamento odontológico foi o contribuinte ou dependente (artigo 80, § 1°, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda Acórdãos 10243460 e 10616828 do 1° Conselho de Contribuintes); Referese ao período atingido pela decadência (anocalendário 1997). Dedução restabelecida. e) a nota fiscal cuja cópia consta às fls. 171 (R$ 84,00 CEDOC Centro Esp. em Docum. Comput. e Radiolog. Odonto Ltda. ano calendário 1997) não pode ser considerado, por si só, como prova de despesa médica dedutível, pois, ao não indicar quem foi o paciente atendido, não demonstra que o beneficiário dos serviços foi o contribuinte ou dependente (artigo 80, § 1°, inciso II, do Referese ao período atingido pela decadência (anocalendário 1997). Dedução restabelecida. Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10920.000586/200335 Acórdão n.º 2201005.093 S2C2T1 Fl. 463 25 Regulamento do Imposto de Renda Acórdãos 102 43460 e 10616828 do 1° Conselho de Contribuintes); f) o recibo cuja cópia consta às fls. 172 (R$ 60,00 Ginecologista Jocelyn Mara Miers May anocalendário 1997) não pode ser considerado como prova de despesa médica dedutível, pois, além de não ter sido firnado, não indica quem foi a paciente atendida; Referese ao período atingido pela decadência (anocalendário 1997). Dedução restabelecida. g) a nota fiscal cuja cópia consta às fls. 172 (R$ 35,00 Centro de Patologia Médica S/C Ltda. anocalendário 1997) não pode ser considerada como prova de despesa médica dedutível, pois, ao não indicar quem foi a paciente atendida, não demonstra que a beneficiária do exame colpocitológico (Papanicolau) foi dependente do contribuinte (artigo 80, § 1°, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda Acórdãos 10243460 e 10616828 do 1° Conselho de Contribuintes); Referese ao período atingido pela decadência (anocalendário 1997). Dedução restabelecida. h) as notas fiscais cujas cópias constam às fls. 173 (R$ 78,00 / R$ 41,00 – RDO Radiologia e Diagnóstico por Imagem S/C Ltda.) não podem ser consideradas, por si só, como prova de despesa médica dedutível, pois, ao não indicar quem foi o paciente atendido, não demonstram que o beneficiário das radiografias foi o contribuinte ou dependente (artigo 80, § 1°, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda Acórdãos 10243460 e 10616828 do 1° Conselho de Contribuintes); Referese ao período atingido pela decadência (anocalendário 1997). Deduções restabelecidas. i) o recibo de fls. 385 (R$ 521,60 Hospital São Luiz 26/04/1997) não pode ser considerado, por si só, como prova de despesa médica dedutível, pois, ao não indicar quem foi o paciente atendido, não demonstra que o beneficiário do atendimento hospitalar foi o contribuinte ou dependente (artigo 80, § 1°, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda Acórdãos 10243460 e 10616828 do 1° Conselho de Contribuintes); Referese ao período atingido pela decadência (anocalendário 1997). Dedução restabelecida. j) o documento de fls. 386 (R$ 350,00 Médico José Flávio Scheffer 26/04/1997) não pode ser considerado, por si só, como prova de despesa médica dedutível, pois, ao não indicar quem foi o paciente atendido, não demonstra que o beneficiário do serviço Referese ao período atingido pela decadência (anocalendário 1997). Dedução restabelecida. Fl. 463DF CARF MF Processo nº 10920.000586/200335 Acórdão n.º 2201005.093 S2C2T1 Fl. 464 26 médico foi o contribuinte ou dependente (artigo 80, § 1°, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda Acórdãos 10243460 e 10616828 do 1° Conselho de Contribuintes); k) o documento de fls. 387 (R$ 700,00 Médica Ruth Maria Gonçalves Guimarães 26/04/ 1997) não pode ser considerado, por si só, como prova de despesa médica dedutível, pois, ao não indicar quem foi o paciente atendido, não demonstra que o` beneficiário do serviço médico foi o contribuinte ou dependente (artigo 80, § 1°, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda Acórdãos 10243460 e 10616828 do 1° Conselho de Contribuintes); Referese ao período atingido pela decadência (anocalendário 1997). Além disso, o contribuinte apresentou documentação de efl. 427 onde a médica atesta que o beneficiário do tratamento foi o próprio contribuinte. Dedução restabelecida. l) os recibos de fls. 199 (R$ 130,00), 200 (R$ 120,00), 201 (R$ 130,00), 202 (R$ 240,00), 203 (R$ 125,00), 204 (R$ 130,00), 205 (R$ 175,00) e 206 (R$ 550,00), relativos ao ano calendário 1998, não podem ser considerados, por si só, como prova de despesas médicas dedutíveis, pois, além de não terem sido firmados pelo dentista Antônio Celino P. Pardo, não indicam quem foi o paciente atendido; O contribuinte apresentou documentação de efl. 426 onde o dentista atesta que o beneficiário dos tratamentos relativos aos recibos de fls. 205 e 206 (efl. 208) foi o próprio contribuinte. Por sua vez, o beneficiário do tratamento representado pelos recibos de fls. 199 a 204 (efls. 204/207) foi Luiz Claudio Baptista, filho não dependente do contribuinte. Portanto, devem ser restabelecidas as deduções apenas das despesas médicas representadas pelos recibos de fls. 205 e 206 (efl. 208), no valor de R$ 175,00 e R$ 550,00, respectivamente. Mantidas as demais glosas por corresponderem a despesas médicas de não dependente. m) os recibos de fls. 254, 255, 256, 257, 258, 259. e 260, relativos ao anocalendário 1998, firmados pela psicóloga Karla G. A. S. Cserrnak, não podem ser considerados como prova de despesas médicas dedutíveis, pois o contribuinte não comprovou que o beneficiário do tratarnento psicológico (Luiz Cláudio Baptista) era seu dependente em 1998 (artigo 80, § 1°, inciso II, do Regulamento do Irnposto de Renda); Mantidas as glosas por corresponderem a despesas médicas de não dependente (Luiz Claudio Baptista). n) os recibos de fls. 290, 291, 292 e 293, relativos ao anocalendário 1999, firmados Mantidas as glosas por corresponderem a despesas médicas Fl. 464DF CARF MF Processo nº 10920.000586/200335 Acórdão n.º 2201005.093 S2C2T1 Fl. 465 27 pela psicóloga Karla G. A. S. Csermak, não podem ser considerados como prova de despesas médicas dedutíveis, pois o contribuinte não comprovou que o beneficiário do tratamento psicológico (Luiz Cláudio Baptista) era seu dependente em 1999 (artigo 80, § 1°, inciso II, do Regulamento do Irnposto de Renda); de não dependente (Luiz Claudio Baptista). o) os recibos de fls. 294 (R$ 3.080,00), 295 (R$ 130,00) e 297 (R$ 175,00), relativos ao anocalendário 1999, não comprovam despesas médicas dedutíveis, pois, além de não terem sido firmados pelo dentista Antônio Celino P. Pardo, não indicam quem foi o paciente atendido; O contribuinte apresentou documentação de efl. 426 onde o dentista atesta que o beneficiário dos tratamentos relativos aos recibos de fl. 294 (efl. 260) foi o próprio contribuinte. Por sua vez, o beneficiário do tratamento representado pelos recibos de fls. 295 e 297 (efls. 261/262) foi Luiz Claudio Baptista, filho não dependente do contribuinte. Portanto, deve ser restabelecida a dedução apenas da despesa médica representada pelo recibo de fls. 294 (efl. 260), no valor de R$ 3.080,00. Mantidas as demais glosas por corresponderem a despesas médicas de não dependente. p) os recibos de fls. 296 (R$ 136,00), 298 (R$ 68,00) e 299 (R$ 195,00), . médicas dedutíveis, pois além de não terem. Sido firmados pelo. Dentista Antônio Celino Pardo, registram que o beneficiário dos serviços odontológicos foi pessoa (Luiz Cláudio Baptista) que o contribuinte não comprovou ser sua dependente no ano calendário 1999; Mantidas as glosas por corresponderem a despesas médicas de não dependente (Luiz Claudio Baptista). q) a nota fiscal de fls. 326 (R$ 35,00 Instituto de Ortopedia e Traumatologia Sta. Cat. Ltda 26/11/1999), não pode ser considerada como prova de despesa médica dedutível, pois o contribuinte não comprovou que o beneficiário do serviço prestado (Luiz Cláudio Baptista) era seu dependente em 1999 (artigo 80, § 1°, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda); Mantida a glosa por corresponder a despesa médica de não dependente (Luiz Claudio Baptista). r) as notas fiscais de fls. 328 (R$ 54,00 RDO Radiologia e Diagnóstico por Imagem S/C Ltda 18/07/1999) e 329 (R$ 63,00 Instituto de Ortopedia e Traumatologia Sta. Apesar de não especificarem o beneficiário do serviço, os recibos foram emitidos em nome do Fl. 465DF CARF MF Processo nº 10920.000586/200335 Acórdão n.º 2201005.093 S2C2T1 Fl. 466 28 Cat. Ltda 20/09/1999) não podem ser consideradas, por si só, como prova de despesas médicas dedutíveis, pois, ao não indicarem quem foi o paciente atendido, não demonstram que o beneficiário dos serviços prestados foi o contribuinte ou dependente (artigo 80, § 1°, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda Acórdãos 10243460 e 10616828 do 1° Conselho de Contribuintes); contribuinte. Portanto, podese presumir que o beneficiário foi o próprio contribuinte, nos termos da Solução de Consulta Interna COSIT nº 23, de 30 de agosto de 2013. Deduções restabelecidas. s) a despesa registrada na nota de serviço de fls. 346 (R$ 1.250,00 – Hemocardio HSC S/S Ltda 13/04/2000), não pode ser considerada dedutível, pois se refere à pessoa (Luiz Felipe Baptista) que, de acordo com a cópia de oficio judicial de fls. 114, não podia ser enquadrada como dependente do contribuinte no anocalendário 2000; Mantida a glosa por corresponder a despesa médica de não dependente (Luiz Felipe Baptista). t) o recibo de fls. 347 (R$ 2.900,00 Antônio Celino Peres Pardo 25/08/2000), não comprova despesa médica dedutível, pois, além de não ter sido firmado pelo ` dentista Antônio Celino P. Pardo, não indica quem foi o beneficiário do tratamento dentário; O contribuinte apresentou documentação de efl. 426 onde o dentista atesta que o beneficiário do tratamento foi o próprio contribuinte. Dedução restabelecida. u) a nota fiscal de fls. 348 (R$ 69,00 RDO Radiologia e Diagnóstico por 1 Imagem S/C Ltda 18/07/1999 (sic) [na realidade, a nota é datada de 28/06/2000]) não pode ser considerada, por si só, como prova de despesa médica dedutível, pois, ao não indicar quem foi o paciente atendido, não demonstrou que o beneficiário dos serviços prestados foi o contribuinte ou dependente (artigo 80, § 1°, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda Acórdãos 10243460 e 10616828 do 1° Conselho de Contribuintes); Apesar de não especificar o beneficiário do serviço, o recibo foi emitido em nome do contribuinte. Portanto, podese presumir que o beneficiário foi o próprio contribuinte, nos termos da Solução de Consulta Interna COSIT nº 23, de 30 de agosto de 2013. Dedução restabelecida. v) o recibo de fls. 378 (R$ 120,00 Denise Stainer Oliveira Hostin 10/04/2001) não pode ser considerado, por si só, como prova de despesa médica dedutível, pois, ao não indicar quem foi o paciente atendido, não demonstrou que o beneficiário dos serviços prestados foi o contribuinte ou dependente (artigo 80, § 1°, inciso Il, do Regulamento do Imposto de Renda Acórdãos 10243460 e 10616828 do 1° Conselho de Contribuintes); Apesar de não especificar o beneficiário do serviço, o recibo foi emitido em nome do contribuinte. Portanto, podese presumir que o beneficiário foi o próprio contribuinte, nos termos da Solução de Consulta Interna COSIT nº 23, de 30 de agosto de 2013. Dedução restabelecida. w) a despesa registrada no extrato de fls. Referese ao período atingido pela Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10920.000586/200335 Acórdão n.º 2201005.093 S2C2T1 Fl. 467 29 131 e 149 (R$ 226,76 UNIMED de Fabiana G. Nascimento anocalendário 1997), não pode ser considerada dedutível, pois se refere a pessoa que não foi declara como dependente do contribuinte no ano calendário 1997. decadência (anocalendário 1997). Deduções restabelecidas. Esclareço que, conforme itens acima transcritos (extraídos da decisão recorrida – fls. 380/382), diversos valores não foram aceitos pois referemse a tratamento em pessoa que não é dependente do RECORRENTE. Como exposto, o RECORRENTE não pode declarar os filhos Luiz Cláudio Baptista, Luiz Felipe Baptista e Luiz Fernando Baptista como dependentes pois não possui a guarda judicial deles. Assim, mesmo que alguns recibos apresentados atendam aos requisitos da lei, a dedução da despesa médica simplesmente não pode ocorrer pois não se refere ao próprio tratamento do RECORRENTE nem de seus dependentes. Por este mesmo motivo é que deve permanecer inalterada a decisão da DRJ a respeito das despesas com plano de saúde (UNIMED), pois os valores pagos “não podem ser considerados em sua integralidade como dedutíveis, pois (...) se referem, em parte, a gastos relativos a pessoas que não eram dependentes do contribuinte na época em que foram feitos” (fl. 378). Desta feita, correta a decisão da DRJ ao não aceitar como dedutíveis as despesas com o plano de saúde dos filhos Luiz Cláudio Baptista, Luiz Felipe Baptista e Luiz Fernando Baptista após 07/1997 (data da separação judicial), aceitando apenas aqueles valores relativos ao plano do próprio contribuinte e de seus dependentes legais. Portanto, sobre as despesas médicas, devem ser restabelecidas as deduções apenas dos pagamentos indicados às fls. 426/427 que apontem o RECORRENTE (Claudio Luiz Baptista) como beneficiário do tratamento. Além disso, devem ser acatados os demais recibos não especificados nas fls. 426/427 que, apesar de não indicarem o beneficiário do serviço, foram emitidos em nome do contribuinte. Portanto, devem ser restabelecidas as deduções de despesas médicas nos nos seguintes valores (consolidados por anocalendário): Período Valor da dedução médica restabelecida Anocalendário 1997 (período atingido pela decadência) Anocalendário 1998 R$ 725,00 Anocalendário 1999 R$ 3.197,00 Anocalendário 2000 R$ 2.969,00 Anocalendário 2001 R$ 120,00 No mais, mantenho a decisão recorrida. II.4. Da alegação de que tem direito à dedução em relação as despesas médicas e com instrução de seus filhos O RECORRENTE defende que “na qualidade de pai (...) preza pela saúde e formação de seus filhos, arcando, desta forma, com outros custos e despesas além da pensão alimentícia”. Com isso, entende que “as parcelas relativas as despesas declaradas a título dos dependentes Luiz Cláudio Baptista, Luiz Felipe Baptista e Luiz Fernando Baptista, inclusive Fl. 467DF CARF MF Processo nº 10920.000586/200335 Acórdão n.º 2201005.093 S2C2T1 Fl. 468 30 em relação as despesas médicas, com o plano de saúde (Unimed) e as despesas com instrução, merecem ser restabelecidas na sua integralidade” (fl. 407). Contudo, em relação às despesas médicas e de educação de alimentandos (não dependentes do contribuinte), a legislação permite a dedução de tais despesas desde que em cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente. Desta forma, aplicase o disposto no §3º do art. 8º da Lei nº 9.250/95, in verbis: § 3º As despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração, observado, no caso de despesas de educação, o limite previsto na alínea b do inciso II do caput deste artigo. Não constam nos autos a cópia do acordo judicial, tampouco da decisão judicial que estabeleceu que as despesas médicas e de instrução dos alimentandos ficaram a cargo do RECORRENTE na qualidade de alimentante, razão pela qual foi indevida a dedução. O RECORRENTE precisa ter em mente que a apresentação da decisão judicial ou do acordo homologado judicialmente é imprescindível no presente caso, a fim de evitar que o pai e mãe se beneficiem de deduções do imposto de renda de forma concomitante sobre os mesmos fatos. Apenas um dos pais pode se beneficiar da dedução pleiteada e, ante a ausência da documentação necessária, não se pode considerar o RECORRENTE como possuidor legítimo do direito ao benefício fiscal. Neste caso, despesas médicas e com instrução feitas sem o amparo legal para a sua dedução devem ser consideradas como pagamentos realizados por mera liberalidade do contribuinte. É importante reforçar que o valor dos alimentos que o RECORRENTE paga a seus filhos em cumprimento a decisão judicial já é voltado, entre outras coisas, para cobrir as despesas com a saúde e educação deles. Assim, somente poderia deduzir valores além dos alimentos que paga caso a decisão judicial ou o acordo homologado judicialmente determinasse que ele ficou responsável pelas despesas médicas e de instrução dos alimentandos. II.5. Da pensão judicial deduzida É possível o RECORRENTE deduzir as despesas declaradas a título pensão alimentícia, desde que comprove que os valores são pagos em cumprimento a decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, nos termos do art. 78 do RIR/1999: Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo Fl. 468DF CARF MF Processo nº 10920.000586/200335 Acórdão n.º 2201005.093 S2C2T1 Fl. 469 31 homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). § 1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. § 2º O valor da pensão alimentícia não utilizado, como dedução, no próprio mês de seu pagamento, poderá ser deduzido nos meses subseqüentes. § 3º Caberá ao prestador da pensão fornecer o comprovante do pagamento à fonte pagadora, quando esta não for responsável pelo respectivo desconto. § 4º Não são dedutíveis da base de cálculo mensal as importâncias pagas a título de despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). § 5º As despesas referidas no parágrafo anterior poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração anual, a título de despesa médica (art. 80) ou despesa com educação (art. 81) (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). Logo, é necessário a comprovação de que os pagamentos sejam decorrentes de decisão judicial. No presente caso, o único documento existente é o ofício de fls. 116 datado de 10/1997, determinando a retenção em fonte de parte do salário do RECORRENTE. Assim, considerando que o RECORRENTE não comprovou que estava judicialmente obrigado a efetuar os pagamentos anteriormente a data de 1º de outubro de 1997, não é possível reestabelecer a dedução para os pagamentos/depósitos anteriores a esta data. Destacase que a prova poderia ser facilmente obtida pelo RECORRENTE, bastando uma simples cópia da decisão judicial que determinou o pagamento, constante nos autos do processo de separação. II.6. Da multa confiscatória e demais alegações de inconstitucionalidade Quanto às alegações de inconstitucionalidade levantadas pelo RECORRENTE, sobre a aplicação de multa com suposto efeito de confisco, devese esclarecer que, de acordo com o disposto na Súmula nº 02 deste órgão julgador, esta é matéria estranha à sua competência: “SÚMULA CARF Nº 02 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” A aplicação da multa é dever da autoridade fiscal, que tem a obrigação de aplicala sob pena de responsabilidade funcional. Não é, portanto, penalidade aplicada ao livre arbítrio pelo auditor fiscal a ensejar a discussão acerca de seu efeito confiscatório. Fl. 469DF CARF MF Processo nº 10920.000586/200335 Acórdão n.º 2201005.093 S2C2T1 Fl. 470 32 A análise de tal matéria é de competência do judiciário, notadamente do STF, que é o competente pela guarda da Constituição da República, nos termos do art. 102 da Carta Magna. II.7. Da Alegação de Inaplicabilidade da Taxa Selic O RECORRENTE alega ser indevida a aplicação da correção pela SELIC sobre a multa de ofício. No entanto, de acordo com a Súmula nº 108 deste CARF, sobre a multa de ofício, é devido, são devidos os juros moratórios calculados à taxa referencial do SELIC, a conferir: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Portanto, não se pode requerer que a autoridade lançadora afaste a aplicação da lei, na medida em que não há permissão ou exceção que autorize o afastamento dos juros moratórios. A aplicação de tal índice de correção e juros moratórios é dever funcional do Fisco. III. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto em epígrafe, para: (i) reconhecer a decadência em relação a todas as infrações do anocalendário 1997; (ii) restabelecer as deduções a título de previdência oficial pleiteadas originalmente pelo contribuinte em suas declarações de ajuste anual, nos seguintes montantes: R$ 14.911,97 no anocalendário 1998 (fl. 15), R$ 11.250,81 no anocalendário 1999 (fl. 21), R$ 18.379,44 no ano calendário 2000 (fl. 31), e R$ 2.413,80 no anocalendário 2001 (fl. 26); e (iii) restabelecer as seguintes deduções a título de despesas médicas: Período Valor da dedução médica restabelecida Anocalendário 1997 (período atingido pela decadência) Anocalendário 1998 R$ 725,00 Anocalendário 1999 R$ 3.197,00 Anocalendário 2000 R$ 2.969,00 Anocalendário 2001 R$ 120,00 Fl. 470DF CARF MF Processo nº 10920.000586/200335 Acórdão n.º 2201005.093 S2C2T1 Fl. 471 33 Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim – Relator Voto Vencedor Conselheira Débora Fófano dos Santos Redatora designada Não obstante as razões e fundamentos legais do voto do Ilustre Conselheiro Relator, fomos designada a apresentar a redação do voto vencedor especificamente em relação à infração de dedução indevida de previdência oficial. De acordo com relatado no auto de infração (fls. 44/58), ante a falta de outros elementos, o lançamento ocorreu por falta de comprovação dos valores declarados, conforme resumo apresentado abaixo: Previdência Oficial Deduzida Indevidamente Valores em R$ Ano Calendário Declarados na DAA Considerados no Auto de Infração Glosados por Falta de Comprovação 1997 13.098,84 798,96 12.299,88 1998 15.653,71 741,74 14.911,97 1999 12.940,06 1.689,25 11.250,81 2000 18.379,44 0,00 18.379,44 2001 2.413,80 0,00 2.413,80 Na impugnação (fls. 62/65) o contribuinte alegou que "foram efetuadas as deduções de acordo com as informações recebidas das fontes pagadoras e documentação anexa". À partir dos documentos apresentados foram extraídas as seguintes informações apontadas de forma resumida no quadro abaixo: Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte Trabalhador Portuário Avulso Categoria: Conferente Total Rendimentos INSS AnoCalendário Valores (em R$) Doc. Folha nº 1997 119.080,34 13.098,84 86 1998 142.306,48 15.653,71 92 1999 117.636,93 12.940,06 98 2000 167.085,70 18.379,44 104 2001 152.466,46 2.413,80 109 A autoridade julgadora, em sessão de 20 de fevereiro de 2009, no acórdão 07 15.271 5ª Turma da DRJ/FNS (fls. 363/389) entendeu pela procedência parcial da dedução Fl. 471DF CARF MF Processo nº 10920.000586/200335 Acórdão n.º 2201005.093 S2C2T1 Fl. 472 34 das despesas com previdência oficial, até o limite fixado pela legislação previdenciária, nos termos do voto a seguir: "(...) Ocorre que de acordo com os limites fixados pela legislação previdenciária vigente durante os anos de 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001, a soma das contribuições previdenciárias pagas por trabalhador avulso ao Regime Geral de Previdência Social não poderia exceder R$ 1.312,99 no anocalendário 1997, R$ 1.394,76 no anocalendário 1998, R$ 1.607,44 no ano calendário 1999, R$ 1.705,08 no anocalendário 2000 e R$ 1.820,40 no calendário 2001. Destarte, devem ser restabelecidos a título de contribuição à previdência oficial os montantes de R$ 1.312,99 no ano calendário 1997, R$ 1.394,76 no anocalendário 1998, R$ 1.607,44 no anocalendário 1999, R$ 1.705,08 no ano calendário 2000 e R$ 1.820,40 no anocalendário 2001." Em que pese as alegações do contribuinte, o texto base que define os limites para a dedução do valor da contribuição previdenciária oficial está contido na legislação que dispõe sobre a seguridade social (Lei nº 8.212 de 24 de julho de 1991, Lei nº 8.213 de 24 de julho de 1991 e Lei nº 9.876 de 26 de novembro de 1999 que altera dispositivos das anteriores mencionadas), nos regulamentos dos benefícios da previdência social (Decreto nº 2.172, de 5 de março de 1997 e Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999), Portarias do Ministério da Previdência e Assistência Social MPAS e demais atos normativos vigentes à época dos fatos, como segue: Lei nº 8.212 de 24 de julho de 1991 CAPÍTULO I DOS CONTRIBUINTES Seção I Dos Segurados "(...) Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) VI como trabalhador avulso: quem presta, a diversas empresas, sem vínculo empregatício, serviços de natureza urbana ou rural definidos no regulamento; (...) § 2º Todo aquele que exercer, concomitantemente, mais de uma atividade remunerada sujeita ao Regime Geral de Previdência Social é obrigatoriamente filiado em relação a cada uma delas. (...) CAPÍTULO III DA CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO Seção I Fl. 472DF CARF MF Processo nº 10920.000586/200335 Acórdão n.º 2201005.093 S2C2T1 Fl. 473 35 Da Contribuição dos Segurados Empregado, Empregado Doméstico e Trabalhador Avulso Art. 20. A contribuição do empregado, inclusive o doméstico, e a do trabalhador avulso é calculada mediante a aplicação da correspondente alíquota sobre o seu saláriodecontribuição mensal, de forma não cumulativa, observado o disposto no art. 28, de acordo com a seguinte tabela: (Redação dada pela Lei n° 9.032, de 28.4.95) (Vide Lei Complementar nº 150, de 2015) Saláriodecontribuição Alíquota em % até 249,80 8,00 de 249,81 até 416,33 9,00 de 416,34 até 832,66 11,00 (Valores e alíquotas dados pela Lei nº 9.129, de 20.11.95)1 Parágrafo único. Os valores do saláriodecontribuição serão reajustados, a partir da data de entrada em vigor desta lei, na mesma época e com os mesmos índices que os do reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. § 1º Os valores do saláriodecontribuição serão reajustados, a partir da data de entrada em vigor desta Lei, na mesma época e com os mesmos índices que os do reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) § 2º O disposto neste artigo aplicase também aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que prestem serviços a microempresas. (Incluído pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) (...) CAPÍTULO IX DO SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração efetivamente recebida ou creditada a qualquer título, durante o mês em uma ou mais empresas, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades, ressalvado o disposto no § 8° e respeitados os limites dos §§ 3°, 4° e 5° deste artigo; I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos 1 4 Valores atualizados a partir de 1º de junho de 1998 pela Portaria MPAS nº 4.479, de 4.6.98, como segue: Saláriodecontribuição Alíquota em % até R$ 324,45 8,00 de R$ 324,46 até R$ 540,75 9,00 de R$ 540,76 até R$ 1.081,50 11,00 Fl. 473DF CARF MF Processo nº 10920.000586/200335 Acórdão n.º 2201005.093 S2C2T1 Fl. 474 36 termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) § 3º O limite mínimo do saláriodecontribuição corresponde ao piso salarial, legal ou normativo, da categoria ou, inexistindo este, ao salário mínimo, tomado no seu valor mensal, diário ou horário, conforme o ajustado e o tempo de trabalho efetivo durante o mês. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) § 5º O limite máximo do saláriodecontribuição é de Cr$ 170.000,00 (cento e setenta mil cruzeiros), reajustado a partir da data da entrada em vigor desta Lei, na mesma época e com os mesmos índices que os do reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. 12 2 (...)" Decreto nº 2.172 de 5 de março de 1997 "(...) Art. 6º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: (...) VI como trabalhador avulso aquele que, sindicalizado ou não, presta serviço de natureza urbana ou rural, a diversas empresas, sem vínculo empregatício, com a intermediação obrigatória do sindicato da categoria ou do órgão gestor de mãodeobra, nos termos da Lei n° 8.630, de 25 de fevereiro de 1993, assim considerados: o trabalhador que exerce atividade portuária de capatazia, estiva, conferência e conserto de carga, vigilância de embarcação e bloco; a) o trabalhador de estiva de mercadorias de qualquer natureza, inclusive carvão e minério; b) o trabalhador em alvarenga (embarcação para carga e descarga de navios); c) o amarrador de embarcação; d) o ensacador de café, cacau, sal e similares; e) o trabalhador na indústria de extração de sal; f) o carregador de bagagem em porto; g) o prático de barra em porto; h) o guindasteiro; i) o classificador, o movimentador e o empacotador de mercadorias em portos; 2 12 Valor atualizado a partir de 1º de junho de 1998 para R$ 1.081,50 (um mil, oitenta e um reais e cinqüenta centavos Fl. 474DF CARF MF Processo nº 10920.000586/200335 Acórdão n.º 2201005.093 S2C2T1 Fl. 475 37 j) outros assim classificados pelo Ministério do Trabalho MTb; (...) § 7° Para efeito do disposto na alínea "a" do inciso VI, entende se por: a) capatazia a atividade de movimentação de mercadorias nas instalações de uso público, compreendendo o recebimento, conferência, transporte interno, abertura de volumes para conferência aduaneira, manipulação, arrumação e entrega, bem como o carregamento e descarga de embarcações, quando efetuados por aparelhamento portuário; b) estiva a atividade de movimentação de mercadorias nos conveses ou nos porões das embarcações principais ou auxiliares, incluindo transbordo, arrumação, peação e despeação, bem como o carregamento e a descarga das mesmas, quando realizados com equipamentos de bordo; c) conferência de carga a contagem de volumes, anotação de suas características, procedência ou destino, verificação do estado das mercadorias, assistência à pesagem, conferência do manifesto e demais serviços correlatos, nas operações de carregamento e descarga de embarcações; d) conserto de carga o reparo e a restauração das embalagens de mercadoria, nas operações de carregamento e descarga de embarcações, reembalagem, marcação, remarcação, carimbagem, etiquetagem, abertura de volumes para vistoria e posterior recomposição; e) vigilância de embarcações a atividade de fiscalização da entrada e saída de pessoas a bordo das embarcações atracadas ou fundeadas ao largo, bem corno da movimentação de mercadorias nos portalós, rampas, porões, conveses, plataformas e em outros locais da embarcação; f) bloco a atividade de limpeza e conservação de embarcações mercantes e de seus tanques, incluindo batimento de ferrugem, pintura, reparo de pequena monta e serviços correlatos. (...) Art 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e o trabalhador avulso: a remuneração efetivamente recebida ou creditada a qualquer titulo, durante o mês, em uma ou mais empresas, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades, ressalvado o disposto no § 9° e respeitados os limites previstos nos §§ 3° e 5°; (...) § 3° O limite mínimo do saláriodecontribuição é de um salário mínimo, tomado no seu valor mensal, diário ou horário, conforme o ajustado e o tempo de trabalho efetivo durante o mês. § 4° O valor do limite máximo do saláriodecontribuição será publicado mediante Portaria do Ministério da Previdência e Fl. 475DF CARF MF Processo nº 10920.000586/200335 Acórdão n.º 2201005.093 S2C2T1 Fl. 476 38 Assistência Social MPAS, sempre que ocorrer alteração do valor dos benefícios. (...)" Decreto nº 3.048 de 6 de maio de 1999 Seção I Dos Segurados "(...) Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: (...) VI como trabalhador avulso aquele que, sindicalizado ou não, presta serviço de natureza urbana ou rural, a diversas empresas, sem vínculo empregatício, com a intermediação obrigatória do órgão gestor de mãodeobra, nos termos da Lei nº 8.630, de 25 de fevereiro de 1993, ou do sindicato da categoria, assim considerados: a) o trabalhador que exerce atividade portuária de capatazia, estiva, conferência e conserto de carga, vigilância de embarcação e bloco; (...) § 7º Para efeito do disposto na alínea "a" do inciso VI do caput, entendese por: I capatazia a atividade de movimentação de mercadorias nas instalações de uso público, compreendendo o recebimento, conferência, transporte interno, abertura de volumes para conferência aduaneira, manipulação, arrumação e entrega, bem como o carregamento e descarga de embarcações, quando efetuados por aparelhamento portuário; (...) § 13. Aquele que exerce, concomitantemente, mais de uma atividade remunerada sujeita ao Regime Geral de Previdência Social RGPS é obrigatoriamente filiado em relação a cada uma dessas atividades, observada, para os segurados inscritos até 29 de novembro de 1999 e sujeitos a saláriobase, a tabela de transitoriedade de que trata o § 2º do art. 278A e, para os segurados inscritos a partir daquela data, o disposto no inciso III do caput do art. 214. (Redação dada pelo Decreto nº 3.452, de 2000) (...) CAPÍTULO VII DO SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO Art. 214. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e o trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que Fl. 476DF CARF MF Processo nº 10920.000586/200335 Acórdão n.º 2201005.093 S2C2T1 Fl. 477 39 seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) § 3º O limite mínimo do saláriodecontribuição corresponde: (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) (...) II para os segurados empregado, inclusive o doméstico, e trabalhador avulso, ao piso salarial legal ou normativo da categoria ou, inexistindo este, ao salário mínimo, tomado no seu valor mensal, diário ou horário, conforme o ajustado e o tempo de trabalho efetivo durante o mês. (Incluído pelo Decreto nº 3.265, de 1999) (...) § 5º O valor do limite máximo do saláriodecontribuição será publicado mediante portaria do Ministério da Previdência e Assistência Social, sempre que ocorrer alteração do valor dos benefícios. (...)" Devese ressaltar que o contribuinte pode prestar serviços para empresas e concomitantemente exercer atividade como empregado devendo, contudo, observar o limite máximo de salário de contribuição, correspondente ao valor definido periodicamente pelo Ministério da Previdência Social (MPS). Cabendolhe, no mês que prestar serviços a mais de uma empresa, cuja soma das remunerações superar o limite mensal do salário de contribuição, comprovar às que sucederem a primeira o valor ou valores sobre os quais já tenha incidido o desconto da contribuição, de forma a se observar o limite máximo do salário de contribuição. No caso de recolhimento de contribuições em valor excedente ao teto máximo do salário de contribuição, decorrente do exercício concomitante de atividades remuneradas vinculadas ao Regime Geral da Previdência Social, consideradas isoladamente para fins contributivos, é assegurado o direito à restituição, nos termos do artigo 165, caput e inciso I do Código Tributário Nacional, desde que observado o prazo prescricional. Os valores restabelecidos pela DRJ/FNS foram apurados levandose em conta o limite mensal máximo do salário de contribuição fixado pela legislação previdenciária, qual seja, o teto mensal correspondente à alíquota de 11%, não merecendo, portanto, reparo neste ponto o acórdão recorrido. Débora Fófano dos Santos Fl. 477DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.907337/2011-17
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/08/2007
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1001-001.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan.
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 73 37 /2 01 1- 17 Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10480.907337/201117 Acórdão n.º 1001001.258 S1C0T1 Fl. 299 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 163/166) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório à folha 06, que não homologou a compensação constante da DCOMP 13987.41114.191207.1.3.049441 (folhas 02/05), de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior, por ausência de crédito disponível no DARF informado. No acórdão a quo, a nãohomologação por ausência de crédito no DARF informado foi mantida tendo em vista a constatação de que a contribuinte alterou, para menos, após ciência do despacho decisório de nãohomologação, o valor do débito que teria sido pago a maior, retificando a DCTF relativa ao período, sem, contudo, apresentar qualquer escrituração contábil e documentação fiscal que comprovasse a liquidez e certeza do alegado crédito. Ciência do acórdão DRJ em 13/02/2014 (folha 168). Recurso voluntário apresentado em 17/03/2014 (folhas 171). A recorrente, às folhas 171/185, alega, em síntese: I Que a retificação da DCTF antes do despacho decisório não é condição nem requisito essencial ao conhecimento e homologação do crédito de pagamento a maior indicado em Declaração de Compensação; II Que seu direito à compensação pleiteada depende tãosomente da comprovação da existência do pagamento a maior, o que é facilmente inferido da divergência entre o valor apurado a título de IRPJ na DIPJ 2008 e o valor originalmente informado em DCTF; III _ Que a DCTF retificadora constitui mera declaração acessória, que pode ser utilizada pela fiscalização como forma auxiliar de identificar o pagamento a maior. É o relatório. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10480.907337/201117 Acórdão n.º 1001001.258 S1C0T1 Fl. 300 3 Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. A contribuinte discorre longamente contra uma suposta exigência de retificação da DCTF antes da ciência do Despacho Decisório, classifica a DCTF como documento auxiliar, mas pretende que a liquidez e certeza do crédito que pleiteia seja comprovado pela divergência entre os valores declarados em DIPJ e DCTF. É plausível que o contribuinte possa retificar a DCTF a qualquer tempo, observado o prazo de cinco anos e respeitadas as condições impostas pela legislação. A retificação da declaração, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originalmente apresentada, independente de autorização pela autoridade administrativa. Ocorre que a simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar o despacho decisório. O sujeito passivo é obrigado a comprovar a veracidade das informações declaradas na DCTF e no PER/DCOMP e a autoridade administrativa tem o poderdever de confirmálas. Malgrado o intento da contribuinte, cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, verificandose a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Nesse contexto, não se pode olvidar que nos termos do artigo 333, inciso I. do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ónus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Consequentemente, as declarações de compensação devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de indeferimento. Por regra, a escrituração contábil e fiscal mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º § 1º) ". Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10480.907337/201117 Acórdão n.º 1001001.258 S1C0T1 Fl. 301 4 Nesse prisma, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca da base de cálculo do IRPJ são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. O artigo 45 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, dispõe: "Art. 45. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter: I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário abrangido pelo regime de tributação simplificada; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadência! e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal especifica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária ". No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória. não apresentou qualquer documentação com esta intenção, limitandose a tãosomente apresentar a Declaraçãoretificadora (DCTF), na qual se destaca o novo valor declarado. Nesse sentido, tal qual o pagamento de tributos e contribuições, que necessita, para convalidar o recolhimento efetuado, de uma série de atos do sujeito passivo, como manter escrituração contábil, baseada em documentos hábeis e idôneos, e a partir desta documentação determinar o tributo devido e recolher o correspondente valor, a restituição também almeja, para materializar o indébito, atividade semelhante. Por tais razões, quando a contribuinte apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, demonstrar um crédito tributário a seu favor, para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário deve ser o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. A propósito do tema, cumpre destacar o informativo de jurisprudência do STJ de n° 320, de 14 a 18 de maio de 2007, que trouxe o seguinte julgado: RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PROVA. RECOLHIMENTOS. A recorrente aduz que a eventual restituição, se cabível, haveria de ser respaldada em prova documental, acostada na inicial, dos valores efetivamente pagos com as devidas comprovações de recolhimento, e ante tal incerteza não pode ser a União condenada à restituição dos valores postulados (pela via da compensação), sob pena de infração ao princípio do enriquecimento sem causa. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10480.907337/201117 Acórdão n.º 1001001.258 S1C0T1 Fl. 302 5 Isso posto, a Turma deu provimento ao recurso ao argumento de que o pressuposto fático do direito de compensar é a existência do indébito. Sem prova desse pressuposto, a sentença teria caráter apenas normativo, condicionada à futura comprovação de um fato. REsp 924.550SC, Rei. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 15/5/2007. (gn) Nesse diapasão, o indébito em questão não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). A contribuinte não juntou nenhuma documentação que comprove a veracidade do valor retificado do débito, que supostamente teria gerado o crédito pleiteado no referido DARF. Apenas apresentou DIPJ original tempestiva coerente com suas alegações e retificou a DCTF posteriormente à ciência do despacho decisório de não homologação. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso, para não reconhecer o direito creditório pleiteado e não homologar a compensação declarada. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 302DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.720811/2013-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
LIMITES DO LITÍGIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada impugnação ou manifestação de inconformidade contendo as matérias expressamente contestadas, as quais determinam os limites do litígio.
A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscreve-se ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial, de sorte que tudo que escape a este espectro de atribuições não deve ser apreciado por este Conselho, incluindo-se toda a matéria não impugnada ou não recorrida.
PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA CARF N. 125.
Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
O entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas (PIS/Cofins), eis que, para estas há vedação legal expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI.
Recurso Voluntário negado na parte conhecida
Numero da decisão: 3402-006.442
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada impugnação ou manifestação de inconformidade contendo as matérias expressamente contestadas, as quais determinam os limites do litígio. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de sorte que tudo que escape a este espectro de atribuições não deve ser apreciado por este Conselho, incluindose toda a matéria não impugnada ou não recorrida. PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA CARF N. 125. Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. O entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas (PIS/Cofins), eis que, para estas há vedação legal expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI. Recurso Voluntário negado na parte conhecida AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 08 11 /2 01 3- 85 Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10925.720811/201385 Acórdão n.º 3402006.442 S3C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versam os autos sobre Pedido de Ressarcimento de crédito de contribuição não cumulativa, transmitido pela Cooperativa Rio do Peixe, CNPJ nº 84.590.314/000181, posteriormente incorporada pela Cooperativa de Produção de Consumo de Concórdia. A autoridade administrativa não deferiu integralmente o pleito, em síntese, sob os seguintes fundamentos: a) as receitas de revendas da interessada gerariam créditos passíveis apenas de abatimento do valor da contribuição a pagar, mas não de ressarcimento; b) seria vedado o aproveitamento de crédito decorrente da aquisição de insumos referentes a produtos agropecuários vendidos com suspensão das contribuições; c) houve necessidade de ajuste do percentual de rateio para o ressarcimento dos créditos, pois representa a relação proporcional entre as receitas de venda de produtos produzidos com alíquota maior que zero, isentos ou não alcançados pela tributação em relação à receita total obtida; d) as receitas de revendas de produtos adquiridos com alíquota zero, isentos ou não tributáveis não gerariam direito ao crédito, conforme art. 3º, § 2º, II, Lei nº 10.637/2002; e) não seria possível a tomada de créditos em relação a produtos farmacêuticos com tributação concentrada, em virtude da vedação contida nos arts. 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. A interessada apresentou sua defesa em face da parte do despacho decisório relativa às glosas do crédito da contribuição sobre vendas e revenda de mercadorias com suspensão, com base nas Leis nºs 11.033/2004 e 11.116/2005, bem como requereu a aplicação da taxa Selic entre a data do pedido de restituição e a satisfação do crédito. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, nos termos do Acórdão nº 14075.897. Cientificada dessa decisão, a interessada interpôs o recurso voluntário ora em apreço, sustentando, em síntese: Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10925.720811/201385 Acórdão n.º 3402006.442 S3C4T2 Fl. 4 3 i) O critério de rateio adotado pela fiscalização não tem amparo legal. Não há, em toda a legislação que rege o PIS/Pasep e a Cofins, no regime não cumulativo, nada que prescreva ou autorize o procedimento adotado pela fiscalização, no sentido de excluir as receitas suspensas, isentas, alíquota zero e sem incidência, na composição do montante das receitas não tributadas. ii) A autoridade fiscal não pode se valer do prazo previsto na IN nº 660/2006 para deixar de reconhecer a suspensão da incidência de PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes de venda de suínos e leite “in natura”, sob argumento que não aplica suspensão a estes produtos. iii) A realocação da totalidade do crédito sobre a revenda de mercadorias exclusivamente para o mercado interno tributado está em evidente descompasso com as disposições legais que tratam dessa matéria. Em sintonia com as disposições do art. 17 da Lei nº 11.033/2004, o art. 16 da Lei nº 11.116/2005 erigiu comando muito claro do sentido de que o saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 e do art. 15 da Lei n° 10.865/2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário, em virtude da manutenção de crédito assegurada pelo art. 17, da Lei nº 11.033/2004, poderá ser objeto de compensação ou, então, de pedido de ressarcimento em espécie. iv) A recorrente requer o reconhecimento do direito de direito de receber o valor do seu crédito atualizado monetariamente pela taxa Selic desde a data do protocolo do seu pedido até a data do efetivo ressarcimento. Ademais, a atualização do crédito pela taxa Selic decorre também da aplicação do disposto no art. 62 do Regimento Interno do CARF, abaixo transcrito na parte pertinente, por se tratar de matéria julgada na sistemática do art. 543 C, do Código do Processo Civil pelo Superior Tribunal de Justiça (REsp 993.164). É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.431, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10925.720269/201018, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3402006.431): "Cotejandose o conteúdo da manifestação de inconformidade com o do recurso voluntário, verificase que a recorrente inova neste último em relação à matéria contestada. Na manifestação de inconformidade, a interessada somente se insurgiu em face das glosas relativas ao crédito da contribuição sobre vendas e revenda de mercadorias com Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10925.720811/201385 Acórdão n.º 3402006.442 S3C4T2 Fl. 5 4 suspensão, com base nas Leis nºs 11.033/2004 e 11.116/2005, bem como requereu a aplicação da taxa Selic entre a data do pedido de restituição e a satisfação do crédito. Posteriormente, no recurso voluntário, a recorrente traz alegações sobre outras matérias objeto do Despacho Decisório que não constaram na sua primeira defesa, quais sejam: a) recálculo efetuado pela fiscalização do índice de rateio (receita não tributada no mercado interno/receita total) para a obtenção do montante do crédito a ressarcir e b) realocação da "totalidade do crédito relativo a bens para revenda, informado na linha 01, das Fichas 06A e 16A, do Dacon, exclusivamente, para o mercado interno tributado". Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/721, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou impugnação contendo as matérias expressamente contestadas, de forma que a matéria contestada submetida à primeira instância que determina os limites do litígio. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de sorte que tudo que escape a este espectro de atribuições não deve ser apreciado por este Conselho, incluindose toda a matéria não impugnada ou não recorrida. O efeito devolutivo do recurso somente pode dizer respeito àquilo que foi decidido pelo órgão a quo que, por conseguinte, poderá ser objeto de revisão pelo órgão ad quem. Se não houve decisão pelo órgão a quo por não ter sido a 1 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10925.720811/201385 Acórdão n.º 3402006.442 S3C4T2 Fl. 6 5 matéria sequer impugnada, não se há de falar em reforma do julgado nesta parte (Acórdão nº 2402006.480, de 07/08/2018, Relatora: Renata Toratti Cassini). O entendimento acima coadunase com o que tem sido decidido neste CARF, no sentido de não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, como consta nas ementas que ora se transcreve: Acórdão nº 9303004.566 – 3ª Turma /CSRF, Relator: Demes Brito, j. 08/12/2016 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/2003 PRECLUSÃO. JULGAMENTO PELO COLEGIADO DE SEGUNDA INSTÂNCIA DE MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastarse do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por consequência, redunda na preclusão do direito de fazêlo em outra oportunidade. (...) Acórdão 3301002.475 – 3º Seção/3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Relator: Sidney Eduardo Stahl, j. 11/11/ 2014 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. (...) Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10925.720811/201385 Acórdão n.º 3402006.442 S3C4T2 Fl. 7 6 Dessa forma, em face da preclusão, não se deve conhecer de parte da matéria do recurso voluntário relativa ao "recálculo do índice de rateio" e à "realocação de crédito relativo a bens para revenda". De outra parte, tomase conhecimento, por atender aos requisitos de admissibilidade, da parte restante do recurso voluntário relativa à correção monetária e às glosas de crédito da contribuição sobre vendas e revenda de mercadorias com suspensão, ainda que contida nos tópicos da peça recursal relativos ao índice de rateio e à realocação de crédito. O pedido de ressarcimento tem fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e no art. 16 da Lei nº 11.116/2005, que assim dispõem: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação (...) II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...) Nesse ponto, cabe reiterar o entendimento deste Colegiado, conforme consta na ementa do Acórdão nº 3402 006.223, julgado em 26 de fevereiro de 2019 no sentido de que: "O art. 17 da Lei nº 11.033/2004, que possibilita a manutenção do crédito das operações vinculadas a vendas desoneradas das contribuições, não tem o condão de derrogar as vedações de creditamento já existentes em outras leis", sendo que tal "dispositivo possibilita apenas a manutenção do crédito já existente para aquela operação". Dessa forma, para o ressarcimento do saldo credor da contribuição com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 c/c o art. 16 da Lei nº 11.116/2005, deve haver um crédito preexistente na aquisição de determinado bem, a qual é vinculada à venda da contribuinte com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da contribuição PIS/Cofins. Alega a recorrente que "não procede o argumento lançado pela autoridade fiscal no sentido de que as vendas de suínos e de leite “in natura”, efetuadas pela recorrente, não se Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10925.720811/201385 Acórdão n.º 3402006.442 S3C4T2 Fl. 8 7 deram nas condições em que se aplicaria a suspensão do pagamento das contribuições". Argumenta que "a autoridade fiscal não pode se valer do prazo previsto na IN nº 660/2006, para deixar de reconhecer a suspensão da incidência de PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes de venda de suínos e leite “in natura”, sob argumento que não aplica suspensão a estes produtos". No entanto, especificamente no presente processo, observase da leitura atenta do Despacho Decisório que a questão da não vigência da suspensão no período de apuração (prazo prorrogado no art. 11 da IN nº 660/2006) não foi suscitada pela fiscalização e não representou nenhum óbice ao pedido de ressarcimento da interessada, como se denota nos trechos abaixo do Despacho Decisório: (...) (...)[as] operações classificadas pela contribuinte como saídas com suspensão não ocorreram as condições de suspensão elencadas na legislação de regência – é o caso da compra para revenda de suínos, que na verdade estavam sob o campo de incidência das contribuições sociais em causa. (...) Com efeito, não estão inseridos no contexto da suspensão de incidência de que trata o art. 9º da Lei nº 10.925/2004 as aquisições de produtos agropecuários para revenda –o que ocorreu em larga escala ao efetuar a compra de leitoões de associados e não associados para revendêlos a outros, além da compra de suínos para revenda a Cooperativa Central Oeste Catarinense Aurora. De fato, às aquisições para revenda não se aplica a apuração dos créditos presumidos e nem a suspensão. A concessão de favor fiscal vinculado ao requisito de destinação a consumo humano ou animal deve ser entendido como destinação imediata do produto ao consumo (produtos do art. 8º, caput, da Lei nº 10.925/2004). Conseguintemente, se a agroindústria comercializar as mercadorias produzidas para outras indústrias, sejam ou não do setor alimentício, onde serão utilizadas em novo processo industrial, resta descaracterizada a destinação ao consumo humano ou animal. (...) De outra banda, a determinação estampada na IN SRF nº 636/2006 que dispõe sobre a suspensão da exigibilidade das indigitadas contribuições é claro no sentido na impossibilidade do aproveitamento de créditos em relação as aquisições de insumos de produtos agropecuários Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10925.720811/201385 Acórdão n.º 3402006.442 S3C4T2 Fl. 9 8 vendidos com suspensão dessas contribuições. Observe se: (...) 2.2.2. Operações com suspensão da exigibilidade das contribuições. Sistema de parceria para a criação de Suínos e da Venda do leite “in natura” e cereais (milho e soja). A receita da venda de cereais (milho e soja) da venda de suínos que foram criados pelo sistema de integração e da venda de leite “in natura” ocorreu com suspensão da exigibilidade das contribuições Pis e Cofins não cumulativo de acordo com os registros contábeis e fiscais apresentados. Observese: (...) De fato, os artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925/2004 permitem às sociedades cooperativas efetuarem a venda destes insumos com suspensão da incidência das indigitas contribuições. O artigo 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, propicia às pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, destinadas à alimentação humana ou animal, deduzir crédito presumido calculado sobre o valor dos insumos adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Permite também, no seu § 1º, I, que as aquisições, por essas mesmas pessoas, quando efetuadas de cerealistas também tenham direito a esse crédito presumido: (...) A par do crédito presumido atribuído ao adquirente dos produtos, o artigo 9º da Lei nº 10.925/2004 determina a suspensão das contribuições, quando da venda de certos produtos agrícolas, por, entre outros, cooperativas, “litteris”: Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (grifei) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10925.720811/201385 Acórdão n.º 3402006.442 S3C4T2 Fl. 10 9 do § 1o do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (grifouse) Os produtos relacionados no § 1º do artigo 8º, que quando de sua venda admitem suspensão, são os incluídos nos códigos NCM 09.01 (café), 10.01 a 10.08 (trigo, centeio, cevada, aveia, milho, arroz, sorgo de grão, alpiste e outros cereais) exceto os dos códigos 1006.20 (arroz descascado) e 1006.30 (arroz semibranqueado ou branqueado), 12.01 (soja) e 18.01 (cacau). Ao conceder a suspensão quando da venda desses produtos, a Lei nº 10.925/2004 também estabeleceu a vedação ao aproveitamento do crédito presumido e de créditos em geral por parte de quem vende com suspensão. Essa vedação aparece no § 4º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004: (...) 2.2.3 Apuração dos créditos de bens para revenda (Linha 1 do DACON). (...) Como regra geral, a aquisição de produtos para revenda gera direito ao crédito, no entanto, em relação aos produtos adquiridos com alíquota zero, isentos ou não alcançados pela tributação, há vedação expressa neste sentido por parte do revendedor e do produtor. (...) Dos dispositivos legais acima colacionados, verificase que a regra é a apuração de crédito em relação à aquisição de bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Todavia, o texto legal constante no art. 3º, § 2º, II, determina expressamente que não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. Nesse diapasão, possível concluir que não dá direito a crédito a aquisição de bens para revenda sujeitos à incidência da alíquota zero uma vez que o legislador determinou que não gera crédito o valor das aquisições de bens e serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições, exceto quando adquiridos com isenção, se os referidos bens forem utilizados para gerar receita tributável. (...) Em outras palavras, tendo a contribuinte adquirido créditos, na forma do art.3º, das Leis nºs 10.637, de 2002 e Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10925.720811/201385 Acórdão n.º 3402006.442 S3C4T2 Fl. 11 10 10.833, de 2003, por haver arcado com o ônus do pagamento dos tributos incidentes na cadeia da produção, esses créditos serão mantidos, ainda que as vendas efetuadas forem efetivadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição, por determinação legal. É o caso, por exemplo, dos próprios custos suportados pela contribuinte, na operação de revenda dos seus produtos, tais como, energia elétrica, transporte, locações e outros créditos vinculados que sofreram a incidência do PIS e da Cofins. Não podendo ser incluído aí o custo das compras da mercadoria por ela revendida, quando foi afastada a tributação como no caso da ocorrência de alíquota zero ou isenção, o que é o caso da revenda de: sementes, fertilizantes, defensivos, corretivos, medicamentos, etc. Assim, o art.17 da Lei nº 11.033/2004 permite a manutenção de créditos na tributação concentrada no fabricante ou importador não sendo possível manter crédito do PIS/Pasep e da Cofins nas aquisições para revenda de produtos sujeitos à incidência monofásica ou sujeitos a alíquota zero, isentos ou não tributados e, por conseguinte, conceder ressarcimento ou compensação. Alega também a recorrente que a "lei assegura a possibilidade da compensação ou do ressarcimento para todos os créditos previstos no art. 3º, das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 e no art. 15, da Lei nº 10.865/2004, dentre os quais constam os créditos sobre os bens adquiridos para revenda". Embora da leitura isolada de alguns trechos do Despacho Decisório pudesse parecer que a fiscalização estaria entendendo incabível o creditamento com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e no art. 16 da Lei nº 11.116/2005 a todos bens para revenda, isso não se confirma numa análise mais aprofundada do Despacho Decisório. Em verdade, nenhuma glosa ou ajuste de crédito foi efetuada simplesmente por se tratar de revenda, mas em face de tratar de revenda de: a) produtos agropecuários que não atenderiam às condições para a fruição do crédito presumido da agroindústria (art. 8º da Lei nº 10.925/2004) ou da suspensão da incidência da contribuição na venda prevista no art. 9º dessa Lei, vez que a revenda descaracterizaria a destinação imediata ao consumo humano ou animal; ou de b) de produtos que não dariam direito a crédito básico. Além disso, outro obstáculo ao pleito de ressarcimento da interessada quanto aos bens para revenda foi o fato de o crédito presumido da agroindústria, quando aplicável, só poderia ser utilizado para a dedução das próprias contribuições de PIS/Cofins devidas no período de apuração. Relativamente à correção monetária, alega a recorrente descumprimento do disposto no art. 24 da Lei nº 11.457/2007 e violação do princípio constitucional da razoável duração do Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10925.720811/201385 Acórdão n.º 3402006.442 S3C4T2 Fl. 12 11 processo, requerendo a atualização monetária de eventual crédito que seja reconhecido em seu favor. No entanto, a pretensão da recorrente encontra obstáculo expresso no art. 13 da Lei nº 10.833/2003, aplicável à Cofins e também ao PIS/Pasep, por força do art. 15 dessa Lei. Além disso, a previsão legal de atualização do valor pela taxa Selic, nos termos do art. 39, §4º da Lei 9.250/1995, somente é aplicável para os casos de compensação e restituição, mas não para o ressarcimento. Ademais, como bem esclareceu o Conselheiro Relator Bernardo Motta Moreira, em seu Voto no Acórdão nº 3301 002.088, da 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, em sessão de 23/10/2013, o entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos prevista no artigo 543C do CPC/73, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas, eis que, para essas, há, na lei, a vedação expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI. Essa matéria já está pacificada neste CARF, tendo sido objeto da Súmula abaixo, de aplicação obrigatória pelos seus membros: Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Acórdãos Precedentes: 20313.354, de 07/10/2008; 3301 00.809, de 03/02/2011; 330200.872, de 01/03/2011; 310101.072, de 22/03/2012; 310101.106, de 26/04/2012; 3301002.123, de 27/11/2013; 3302002.097, de 21/05/2013; 3403001.590, de 22/05/2012; 3801001.506, de 25/09/2012; 9303005.303, de 25/07/2017; 9303 005.941, de 28/11/2017. Assim, pelo exposto, voto no sentido de: a) não conhecer o recurso voluntário quanto à alegação de "recálculo do índice de rateio" e de "realocação dos créditos sobre revendas"; b) conhecer o restante do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. " Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por: Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10925.720811/201385 Acórdão n.º 3402006.442 S3C4T2 Fl. 13 12 a) não conhecer o recurso voluntário quanto à alegação de "recálculo do índice de rateio" e de "realocação dos créditos sobre revendas"; b) conhecer o restante do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 245DF CARF MF
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