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Numero do processo: 10830.007190/96-47
Turma: Terceira Turma Superior
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jul 05 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Mon Jul 05 00:00:00 UTC 2004
Numero da decisão: CSRF/03-00.057
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais Por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOÃO HOLANDA COSTA
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Numero do processo: 15586.001369/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008
ARBITRAMENTO
A falta de apresentação dos livros fiscal impõe o arbitramento do lucro. Além de a empresa não ter comunicado à Receita Federal o alegado extravio nos termos da legislação de regência, a afirmação de que parte dos livros foi apreendida pela Polícia Federal não prospera; em primeiro lugar, por ausência de prova; em segundo lugar, porque a prova o termo de apreensão citado
pela autoridade fiscal em seu relatório e pelo julgador de primeiro grau na decisão recorrida milita em desfavor da defesa.
MULTA QUALIFICADA
O conjunto de elementos carreados aos autos, como a interposição de pessoas, são coerentes com a afirmação de que a conduta do contribuinte, com o auxílio do responsável tributário, foi intencionalmente dirigida para impedir ou dificultar o conhecimento da autoridade fazendária sobre a obrigação tributária, o que justifica plenamente a imposição da sanção
pecuniária no seu patamar majorado.
Numero da decisão: 1201-000.433
Decisão: Acordam os membros do colegiado em, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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Além de a empresa não ter comunicado à Receita Federal o alegado extravio nos termos da legislação de regência, a afirmação de que parte dos livros foi apreendida pela Polícia Federal não prospera; em primeiro lugar, por ausência de prova; em segundo lugar, porque a prova o termo de apreensão citado pela autoridade fiscal em seu relatório e pelo julgador de primeiro grau na decisão recorrida milita em desfavor da defesa. MULTA QUALIFICADA O conjunto de elementos carreados aos autos, como a interposição de pessoas, são coerentes com a afirmação de que a conduta do contribuinte, com o auxílio do responsável tributário, foi intencionalmente dirigida para impedir ou dificultar o conhecimento da autoridade fazendária sobre a obrigação tributária, o que justifica plenamente a imposição da sanção pecuniária no seu patamar majorado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 04/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 15586.001369/200910 Acórdão n.º 120100.433 S1C2T1 Fl. 2.559 2 (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Antonio Carlos Guidoni Filho, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcelo Cuba Netto, Natanael Vieira dos Santos, Rafael Correia Fuso. Relatório DA AUTUAÇÃO E DA IMPUGNAÇÃO Abaixo tomo de empréstimo o relatório elaborado pela autoridade julgadora de primeiro grau acerca das referidas peças de acusação e defesa inaugural: Versa este processo sobre os Autos de Infração de fls. 2.404/2.492 (que têm como parte integrante o Termo de Verificação de Infração), lavrados pela DRF/VitóriaES, com ciência em 24/11/2009, para a exigência de créditos tributários de IRPJ, no valor de R$182.648,65, de PIS, no valor de R$58.609,24, de CSLL, no valor de R$116.664,91, e de COFINS, no valor de R$270.504,97, acrescidos de multa de 150% e de juros de mora. O crédito tributário total lançado monta a R$1.812.495,65 (fl. 1). No Termo de Verificação de Infração (fls. 2.404/2.424), a fiscalização aponta que o início do procedimento fiscal se deu por determinação da Justiça Federal. Descreve os procedimentos fiscais: as diligências; as intimações; os depoimentos tomados a termo; etc. Diante dos elementos apontados no Termo, conclui que Roland Feiertag, designado no Estatuto Social como DiretorPresidente, responsável pelo movimento financeiro da empresa, praticou atos contrários à lei tributária e ao Estatuto Social, sendolhe atribuída responsabilidade solidária (Termo de Sujeição Passiva Solidária de fls. 2.499/2.500). Houve arbitramento do lucro tendo em vista que, reiteradamente intimado, o interessado deixou de apresentar livros e documentos da sua escrituração. Foi apurada omissão de receitas de venda de mercadorias para o mercado interno (item 1) e com o fim específico de exportação (item 2). O enquadramento legal consta dos Autos de Infração. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 04/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 15586.001369/200910 Acórdão n.º 120100.433 S1C2T1 Fl. 2.560 3 Foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais, conforme informado à fl. 2.493. Em 17/12/2009, foi apresentada a impugnação de fls. 2.502/2.513, que contém, em síntese, as seguintes alegações: a apresentação de Declaração Inativa nos anos calendários de 2004 e 2005 e a não apresentação de Declarações nos anos calendários de 2006 e 2007 não vislumbraram a prática de sonegação fiscal; a partir de 2004, enfrentou uma tempestade de reclamações trabalhistas, que culminaram com o bloqueio de contas correntes e de créditos; em 2006, houve inundação, que destruiu todos os documentos e livros contábeis, fato comprovado na ação fiscal; no ano de 2007, teve documentos apreendidos pela Polícia Federal; reconhece ter utilizado a conta corrente de titularidade do Sr. Roberto Boghi Louzada, para viabilizar suas operações comerciais; a majoração da alíquota do IR (de 8% para 9,6%) é prevista na legislação, mas a da CSLL (9% no lugar de 8%) não é prevista; a multa de 150% tem caráter confiscatório (solicita a aplicação da multa de 20%). Cumpreme aditar que a autuação tomou por base a receita conhecida por meio de notas fiscais de venda apreendidas pela Polícia Federal e que a impugnação foi única, mas conjunta do contribuinte com o responsável. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão de primeiro grau (fls. 2.536 a 2.539) negou provimento à impugnação nos termos que se seguem. O arbitramento do lucro foi corretamente efetuado segundo a legislação de vigência, uma vez que o contribuinte não apresentou a sua escrituração, a qual, a despeito das alegações de perda e extravio, deveria ter sido reconstituída. Ademais, não procede a afirmação de que teriam sido, em parte, apreendidas pela Polícia Federal, uma vez que no termo de apreensão, não consta qualquer referência a livros fiscais. Também não procede a alegação de que no período abarcado pela autuação não auferiu lucro, uma vez que não fez prova de sua afirmação. Com relação à contestação da alíquota de 9% da CSLL, a decisão afirmou que há previsão legal, conforme o art. 37 da Lei n° 10.637/2002. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 04/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 15586.001369/200910 Acórdão n.º 120100.433 S1C2T1 Fl. 2.561 4 Por fim, manteve o patamar da multa qualificada (150%), em razão de a defesa não ter infirmado qualquer dos fatos relatados pela autoridade fiscal, tais como (i) auferir elevado montante de receitas de vendas no período – R$ 10.802.313,37 – e não apresentar DIPJ ou apresentálas com os campos zerados, não apresentar DCTF, não realizar qualquer recolhimento de tributos e ainda utilizar a conta bancária de interposta pessoa. Não conheceu das razões atinentes ao caráter confiscatório da multa em face de se caracterizar como controle de constitucionalidade. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário, às fls. 2.541 a 2.535, foi, assim como a impugnação, único e conjunto do contribuinte com o responsável, e se limitou a reiterar ipsis litteris argumentos já aduzidos na peça de defesa inaugural. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Como já havia destacado no relatório, o recurso voluntário se limitou a reproduzir literalmente o mesmo conteúdo da impugnação. É uma verdadeira cópia e, portanto, não contesta os fundamentos da decisão de primeiro grau que rebateram as alegações da defesa. Tecidas essas considerações, cumpreme apenas verificar a correção da decisão de primeiro grau e, neste ofício, não encontrei qualquer reparo a fazer. De fato, a falta de apresentação dos livros fiscal impõe o arbitramento do lucro. Além de a empresa não ter comunicado à Receita Federal o alegado extravio nos termos da legislação de regência, a afirmação de que parte dos livros foi apreendida pela Polícia Federal não prospera; em primeiro lugar, por ausência de prova; em segundo lugar, porque a prova – o termo de apreensão – citado pela autoridade fiscal em seu relatório e pelo julgador de primeiro grau na decisão recorrida milita em seu desfavor e não foi sequer especificamente contestada pela defesa. É importante citar que a “justificativa” de que os documentos haviam sido apreendidos pela Polícia Federal já havia sido apresentada durante a fiscalização e que a autoridade lançadora expressamente alertou ao fiscalizado que não acataria tal justificativa para a apresentação da escrituração em razão de que tais documentos não constavam da relação apreendida pela Polícia Federal. Ora, o único documento acerca desse fato opera contra o contribuinte e é de seu pleno conhecimento desde a fase investigatória da Receita Federal. Evidentemente, caberia à defesa buscar infirmálo por meio de solicitação de esclarecimento à Polícia Federal e até mesmo mediante um pedido ao juízo que autorizou a busca. A sua inércia milita contra a sua afirmação. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 04/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 15586.001369/200910 Acórdão n.º 120100.433 S1C2T1 Fl. 2.562 5 Com relação ao alegado extravio de parte dos livros em razão de enchentes, como já salientado pelo julgador de primeiro grau, por força do disposto no art. 264 do RIR/99, a empresa é obrigada a publicar o evento em jornal de grande circulação e a dar conhecimento à autoridade fiscal e, ainda assim, tais procedimentos não a dispensariam de recompor sua escrituração, obrigação da qual foi alertada pela autoridade fiscal, conforme termo de intimação de fls. 32 a 34. Em relação à afirmação da defesa de que, no período, não auferiu lucro, sua análise não merece muita divagação; afinal, poderia ter comprovado mediante sua escrituração, não apresentada, a inexistência de lucro. Tal apresentação, porém, só poderia ter sido empreendida na fase de fiscalização, conforme mansa jurisprudência desse colegiado, segundo a qual o arbitramento não é procedimento condicional. No entanto, não declarou, em quatro anos calendário, qualquer receita, apesar de ter obtido elevada quantia, o que obrigatoriamente redunda no arbitramento do lucro pela autoridade. Quanto às exigências de PIS e Cofins, tal alegação não poderia prosperar sequer em tese, pois estas contribuições incidem sobre a receita. Só nos resta, pois, ratificar as conclusões da autoridade julgadora de primeiro grão em relação às bases de cálculo aferidas pela autoridade fiscal. Quanto à aplicação do percentual de 9% para CSLL, está, com efeito, amparada no art. 37 da Lei n° 10.637/2002. Por derradeiro, passamos a analisar as razões da defesa contra a aplicação da multa qualificada. Alegase que o emprego de entreposta pessoa teria como único intuito prevenirse contra demandas de âmbito trabalhista. Ainda que concluíssemos que a adoção de outra pessoa no lugar do contribuinte para realizar a movimentação financeira tivesse como único escopo burlar dívidas trabalhistas, seria bastante duvidoso afastarmos a qualificação com base nessa premissa, a qual se caracterizaria até como delito penal. Todavia, à luz do contexto probatório, seguramente podemos afirmar que o uso de entreposta pessoa não se limitou, como afirmado pela defesa, a se escamotear das obrigações trabalhistas. Tal subterfúgio foi evidentemente adotado como mecanismo para esconder da Fazenda Pública as informações sobre a sua atividade empresarial. Afinal, se o escopo de ocultar fosse dirigido tãosó para burlar os deveres junto aos seus trabalhadores, teria informado normalmente ao Fisco os rendimentos da sua atividade. No entanto, durante os quatro anos alcançados pelo presente feito, o contribuinte se ocultou das autoridades fazendárias, ora por não apresentar declarações, ora por apresentálas, mas com valores que não representavam a realização de atividades empresarias, isto é, nulos. Desse modo, o conjunto de elementos carreados aos autos são coerentes com a afirmação de que a conduta do contribuinte, com o auxílio do responsável tributário, foi intencionalmente dirigida para impedir ou dificultar o conhecimento da autoridade fazendária Fl. 5DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 04/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 15586.001369/200910 Acórdão n.º 120100.433 S1C2T1 Fl. 2.563 6 sobre a obrigação tributária, o que justifica plenamente a imposição da sanção pecuniária no seu patamar elevado de 150%. Ademais, deve ser observada a Súmula CARF nº 34 de aplicação regimentalmente vinculada: Súmula CARF No 34 Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 6DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 04/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS
score : 1.0
Numero do processo: 11128.000165/2002-31
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 21/09/2001
NORMAS PROCESSUAIS - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - ALEGAÇÃO DE CONTRADIÇÃO - Não havendo contradição entre o trecho trazido para confrontação com o resultado do julgamento devem ser rejeitados os Embargos de Declaração.
EMBARGOS REJEITADOS.
Numero da decisão: 301-34.243
Decisão: Acordam os membros da primeira câmara do terceiro Conselho de contribuintes Por unanimidade de votos rejeitaram-se os Embargos de Declaração. Ausente a conselheira Susy Gomes Hoffamann.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Numero do processo: 14120.000034/2005-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 18 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Aug 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2002
ÁREAS DECLARADAS DE PASTAGEM. GLOSA TOTAL. QUANTIDADE DE. ANIMAIS. NÃO COMPROVAÇÃO.Ausência de documentação hábil a comprovar as áreas de pastagem e a existência de gado na propriedade no período autuado, conforme declarado na Declaração de ITR, autoriza a glosa de área de pastagem.ÁREA DE PASTAGENS, ÍNDICE DE RENDIMENTO.Para fins de cálculo do grau de utilização do imóvel rural, considera-se área servida de pastagem a menor entre a declarada pelo contribuinte e a obtida pelo quociente entre a quantidade de cabeças do rebanho ajustada e o índice de lotação mínima.MULTA DE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO, INOCORRÊNCIA.A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa o lançamento de oficio, para exigi-lo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de oficio é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal.Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-000.674
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: NELSON MALLMANN
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GLOSA TOTAL. QUANTIDADE DE. ANIMAIS.. NÃO COMPROVAÇÃO. Ausência de documentação hábil a comprovar as áreas de pastagem e a existência de gado na propriedade no período autuado, conforme declarado na Declaração de 1TR, autoriza a glosa de área de pastagem. ÁREA DE PASTAGENS, ÍNDICE DE RENDIMENTO. Para fins de cálculo do grau de utilização do imóvel rural, considera-se área servida de pastagem a menor entre a declarada pelo contribuinte e a obtida pelo quociente entre a quantidade de cabeças do rebanho ajustada e o índice de lotação mínima. MULTA DE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO, INOCORRÊNCIA., A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de oficio, para exigi-10 com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de oficio é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal„ Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 1— Presidente e Relatar, EDITADO EM: 3V081201 Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator, Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Pedro Anan Júnior, Antonio Lopo Martinez, João Carlos Cassulli Júnior, Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmann, Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. 2 Processo n" 4 12. - J 00003472005-65 S2-C2T2 Acibrao 2 Relatório ANACH E IMOBILIÁRIA E ADMINISTRAÇÃO LIDA, contribuinte inscrita no CNRI/MF 15A95,062/0001-99, com domicílio fiscal na cidade de Campo Grande - Estado do Mato Grosso do Sul, na Rua Antonio Maria Coelho, n° 1390 — Bairro Centro, jurisdicionado, para fins de 1TR (NIRF 5.137-521-4), a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campo Grande - MS, inconformada com a decisão de Primeira Instância de fls. 46/49, prolatada pela 1" Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande - MS, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 62/65. Contra a contribuinte acima mencionada foi lavrado, em 16/03/2005, o Auto de Infração de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (fls. 01/06), com ciência, em 21/0.3/2005, através de AR (fls. 16), exigindo-se o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 17.052,08 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de imposto, acrescidos da multa de lançamento de oficio normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, 1% ao mês, calculado sobre o valor do imposto de renda relativo ao período base de 2001, fato gerador 01/01/2002 (exercício de 2002). A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização, onde a autoridade lançadora entendeu haver falta de recolhimento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, apurado após a alteração da declaração do contribuinte, conforme art 14 da Lei n" 9393, de 1996, por não terem sido comprovadas as informações nela contida, com respeito à área de utilização das pastagens, conforme art. 10, 5 1°, inciso IV, alínea b, da Lei n" 9.393, de 1996, arts, 24 e 25 do Decreto 4382, de 2002, e pela não apresentação do Laudo técnico elaborado por engenheiro agrônomo, acompanhado da anotação de responsabilidade técnica - ART, devidamente registrada no Crea, ou laudo de acompanhamento de projeto fornecido por instituições oficiais (Secretarias Estaduais de Agricultura, Banco do Brasil, Bancos e Órgãos Regionais e Estaduais de Desenvolvimento), nos quais deverão estar discriminadas as áreas utilizadas com pastagem nativa, pastagem plantada e com forrageira de corte (que tenha sido destinada à alimentação dos animais da propriedade), e da não comprovação do número de animais existentes no imóvel no ano de 2000, constante de Laudo Técnico, conforme solicitado na intimação. Infração capitulada nos artigos 1°, 7 0 , 9, 10, 11 e 14 da Lei n° 9,393, de 1996. Em sua peça impugnatória de fls.. 19/23, instruída pelos documentos de fls. 24/42, apresentada, tempestivamente, em 15/04/2005, a contribuinte se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: - que a fundamentação dada pelo ilustre auditor fiscal baseou-se na ausência de apresentação do laudo técnico elaborado por engenheiro agrônomo, e pela não comprovação das informações contidas no D1AC, o que atribuiu à Estância Chaparral um grau de utilização muito inferior ao que efetivamente se mostra; 3 - que a autuação se deve principalmente ao cálculo da área utilizada na propriedade, declarada no DIAC/DIAT corno sendo de 210,00 ha, o que equivale a praticamente 95% (noventa e cinco por cento), da área total que conta i com 221,5 ha; - que no auto de infração consta no item 08 da Distribuição "da Área Utilizada", o confronto entre o valor declarado (210 ha) e o valor apurado (0). Ora, a vocação econômica da propriedade autuada é basicamente pecuária, corno relata o Laudo Técnico do Engenheiro Agrônomo Soei Monteiro Daroz, anexado à presente impugnação. Tal atividade é explorada há mais de 40 anos neste imóvel rural, podendo sei devidamente comprovada por intermédio de oficio à Secretaria Fazendaria do" Estado de Mato Grosso do Sul, para que apresente as Declarações Anuais do Produtor (DAP), demonstrando que de longa data existe na Estância Chaparral pastagem formada e manejo de gado bovino, o que fica desde já requerido; - que, o outrossim, requer o envio de ofício ao INCRA, requisitando as informações constantes em seus cadastros relativas à propriedade rural ora impugnante. Tem-se como imprescindível para comprovação da realidade do imóvel o encaminhamento de tais ofícios requisitando as informações necessárias para aferir a veracidade das alegações ora colacionadas; - que ter-se-á, dessa forma, a cabal demonstração da veracidade da declaração do contribuinte, comprovando que a apuração contida no auto de infração não condiz com a realidade tática. Ainda que não houvesse gado na propriedade durante o exercício fiscal de 2000, como provam os documentos, devido à preocupação de restauração e preservação da pastagem, resta ululante sua infra-estrutura adequada para o manejo, com pasto formado em toda o terreno; - que, logo, não há como se conceber a apuração efetuada pela fiscal, que imputou à propriedade o Grau de Utilização 0,0, tendo em mente que há mais de 40 anos a Instância Chaparral tem subsistido por intermédio da atividade pecuária, tendo pastagem formada e cobrindo quase que a totalidade do imóel; - que frise-se que no referido laudo, o Engenheiro discrimina a distribuição de áreas, designando e colacionando a medição de cada qual, apontando a utilização de aproximadamente a totalidade do terreno, sendo que 1.888,719,6764 nr2, cio total de 2,219.521,6764 m2 são apontados corno área de pastagens; - que não há pois, irregularidade a ser autuada no que tange à área de utilização do imóvel, tendo em mente que os documentos colacionados demonstram a veracidade dos fatos aqui narrados; - que ademais, se o laudo técnico não fora juntado tempestivamente, houve uma infração de dever instrumental, podendo tão-somente ser aplicada a multa prevista no art. 7 0, da Lei 9,393/96, mas jamais a penalidade imposta ao contribuinte nos parâmetros aqui impugnados; - que, assim, por tudo o que foi exposto, requer-se a anulação cio auto de infração por não condizer com a realidade fálica, ora cabalmente demonstrada, devendo ser aplicada à situação a alíquota determinada na tabela da Lei 9.393/96, relativa à utilização de área superior a 80% da propriedade (0,10), sendo reconhecida e homologada a declaração do contribuinte, bem como o recolhimento do imposto. Após resumir os .fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, a I" Turma da Delegacia da Receita Federal cio Brasil de Processo n" 14120000034/2005-65 S2-C2T2 Acórciiin n " 2202-00.,674 FI Julgamento em Campo Grande - MS decide julgar procedente o lançamento mantendo o crédito tributário lançado, com base, em síntese, nas seguintes considerações: - que não cabe razão ao contribuinte, pois, para efeito de considerar a área de pastagens corno utilizada para a atividade rural e conseqüentemente obtenção do grau de utilização mais favorável dessa propriedade, necessária a observância da alínea "h" do inciso V do parágrafo 1° do artigo 10 da lei 9393/96, que não se verifica na situação do contribuinte que não comprovou a existência de nenhuma cabeça de gado, mas pelo contrário, confirma que não as possuía com o objetivo de recuperar pastagens degradadas. A norma citada prevê que para efeito de considerar a área efetivamente utilizada, as pastagens existentes devem estar de acordo com os índices de lotação por zona de pecuária. Significa dizer que se considera área servida de pastagem a menor entre a efetivamente utilizada e a obtida pelo quociente entre a quantidade de cabeças do rebanho ajustada e o índice de lotação por zona pecuária, conforme inciso 11 do artigo 25 da Instrução Normativa do SRF n°60/2001; - que para maior clareza, deve-se observar que o § 4° do artigo 153 da Constituição Federal define a essência do 1TR, onde está determinado que esse imposto terá suas aliquotas fixadas, destinadas a desestimular a manutenção de propriedades improdutivas. No caso específico, embora existam pastagens na propriedade, não existe produção Em conseqüência da redução a zero da área de pastagens obtida para efeito de grau de utilização, a aliquota aplicada é a relativa a esse grau e constante do lançamento; - que quanto à multa aplicada, não é a do artigo 7' da Lei n" 9393/96, pois, não é o caso de atraso na entrega da D1TR, mas, de multa de oficio prevista no inciso I do ari i io 44 da ei n" 9430/96. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL, RURAL - ITR Evercicia 2001 ÁREA DE PASTAGENS. A área de pastagens para efeito de cálculo do Imposto Territorial Rural - 1TR deve ser comprovada com documentos que demonstrem inequivocamente a existência do quantitativo médio anual, de animais na propriedade, na fbrma das normas que regulam a matéria. Para fins de cálculo do grau de utilização do imóvel rural, considera-se área servida de pastagem a menor entre a efetivamente utilizada e a obtida pelo quociente entre a quantidade de cabeças do rebanho (/mistada e o índice de lotação por zona de pecuciria fillçlinelli() Plolederde Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 15/10/2007, conforme Termo constante às fis.. 52 e 60, a recorrente interpôs, tempestivamente (06/11/2007), o recurso voluntário de tis, 62/65, instruído pelos documentos de fis, 66/70, no qual demonstra 5 ir-resignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nos mesmos argumentos apresentados na fase impugnatória, reforçado, em síntese, pelas seguintes considerações: - que Nobres Julgadores, nossa defesa não ficou muito clara, o que gerou urna série de dúvidas e de interpretação, o que se faz necessários alguns esclarecimentos; - que a Estância Chaparral realmente tinha como vocação econômica a exploração da pecuária, acontece que devido ao desgaste do solo e a necessidade cle manutenção, e a dificuldade com pessoal (mão de obra e contiabilidade) e falta financeiro, esta atividade própria da Estância Chaparral estava paralisada, mas não significa que não tinha gado de terceiros, Este é o equivoco cometido em nossa defesa, pois pautamos pela necessidade de demonstrar que não possuíamos gado, como de fato, não possuíamos; - que existiam na Estância Chaparral no ano de 2000, gados de terceiros, corno do Sr. Francisco dos Santos, brasileiro, casado, pecuarista, portador do RO 069 262- SSP/MS, Inscrição Estadual 28.629.014-6, conforme documento de Declaração Anual do Produtor — DAP , fornecido pela SEFAZ — Secretaria de Estado de Fazenda e Contrato de Arrendamento, que demonstra a existência e movimentação de gado na Estância Chaparral, pelo Sr. Francisco; - que assim ao contrário do que entendeu os Nobres Julgadores da Turma de Julgamento, a área não é improdutiva, apenas a Anache Imobiliária e Administração Ltda., e seu proprietário não tinham gado próprio na Estância Chaparral, mas existiam gados de terceiros, na medida em que não prejudicavam ainda mais o pasto. Basta observai a preocupação do recorrente com a manutenção do pasto, que não estava em boas condições, que no contrato de arrendamento não ficou estipulado o total do gado, mas sim a seguinte combinação contratual, no parágrafo único da Clausula Quinta: '"` Parágrafo Único: Fica a critério do ARRENDATÁRIO, manter na área arrendada, o numero de cabeça de gado, que não prejudique o pasto,"; - que por estas razões, e devido ao lapso de tempo decorrido, no momento da impugnação, nos faltou a lembrança da situação da época, razão pela qual solicitamos por diversas vezes na defesa, ofícios ao INCRA e a Secretaria de Fazenda do Estado de Mato Grosso do Sul, requisitando informações sobre a propriedade e a situação do contribuinte, entendendo que com as respostas teríamos a situação de toda a ocupação da área no período em litígio, de todos que ocuparam a área da Estância Chaparral, É o relatório. 6 Processo o" 14120 000034/2005-65 S2-C2T2 Acórdilo o" 2202-00..674 Fl. 4 Voto Conselheiro Nelson Malan], Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento, - A matéria enfrentada nos autos diz respeito à distribuição da área utilizada no imóvel com relação às áreas de pastagens afirmados na D1TR/2002. Assim, a matéria de mérito é decorrente da alteração a área de pastagem com repercussão na área utilizada, no grau de utilização e na aliquota aplicável.. A alteração tem por fundamento legal o ar.. 10, § 1', inciso V, "b", e § .3°, ambos da Lei n° 9,393, de 19/12/1996. Observa-se nos autos, que, na fase recursal, para comprovar suas alegações apresenta vários documentos (lis. 66/70) na tentativa de comprovar a existência dos animais questionados, entretanto, pela fragilidade dos documentos apresentados, estes não comprovam a existência de gado compatível cora a área de pastagens excluída na apuração da base de cálculo do ITR.. No Demonstrativo de Apuração do ITR de li. 04 verifica-se que o contribuinte, ao preencher o quadro "distribuição da área utilizada", fez constar, a titulo de "pastagens" (linha 08), 210,0 ha, que resultou em um valor de área utilizada" de 210,0 ha (linha 11 O Grau de Utilização apurado foi de 100,0% (linha 12), e a aliquota aplicável foi de 0,10% (linha 18). Por outro lado, a fiscalização alterou o valor da "área de pastagens" para 0,0 ha. reduzindo o valor da área utilizada cio imóvel para 0,0 ha, O Grau de Utilização, em decorrência, foi alterado para 0,0 %, e a aliquota aplicável foi alterada para 3,30%_ Ora, não basta que o imóvel possua áreas destinadas à pastagem, mas também é necessário que haja gado em quantidade suficiente na área de pastagens. No presente caso concreto, tem-se que o imóvel possui 221,5 ha e está localizado no município de Campo Grande - MS. Portanto, de acordo com a legislação regência, está obrigado à utilização de índices, O Auto de Infração noticia a irregularidade com fundamento legal no art. 10, 1°, inciso V, "b", e § 3 0 , ambos da Lei n°9.39.3, de 19/12/1996, abaixo reproduzidos: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributaria, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sideitando-se homologação posterior I" Paia os eleitm de apuração do 1TR. considerar-se-á: -) 7 V - área efetivamente utilizada, a porção do imóvel que no ano anterior tenha. ( b) servido de pastagem, nativa ou plantada, observados inclice.s de lotação por zona de pecuária, ) § 3' Os índices a que se referem as alíneas 'h 'e 'c' do inciso I/ do I° serão fixados, ouvido o Conselho Nacional de Política Agrícola, pela Secretaria da Receita Federal, que dispensará da sua aplicação os imóveis com área inferior a. a) 1:000 ha, se localizados em municípios compreendidos na Amazônia Ocidental ou no Pantanal mato-grossense e sul-mato- grossense; b) 500 ha, se localizados em municípios compreendidos no Polígono das Secas ou na Amazônia Oriental; c) 200 ha, se localizados em qualquer outro municipio Quanto aos índices de lotação por zona de pecuária mencionados na acima transcrita alínea "b" do inciso V do § 1° do art. 10 da Lei n° 9.393, de 1996, deve ser observado o art. 15 da Instrução Normativa SRF n°43, de 0710511997: Art. 15. As áreas do imóvel servidas de pastagem e as exploradas com extrativismo estão sujeitas, i espeuivIIII1C111C . a índices de lotação por zona de pecuária e de rendimento por proátto extrativo. I° Aplicam-se, até ulterior ato em contrario, os indices constantes das Tabelas n° 3 (índices de Rendimentos Mínimos para Produtos Vegetais e florestais) e n° 5 (índices de Rendimentos Mínimos para Pecuária), aprovados pela Instrução Especial INCRA n° 19, de 28 de maio de 1980 e Portaria n°14,5, de 28 ele maio de 1980, do Ministro de Estado da Agricultura (Anexos III e W, respectivamente). § 2° Estão dispensados da aplicação do.s índices de que trata o parágrafo anterior os imóveis com área inferior a - 1 - 1.000 ha, se localizados em municípios compreendidos na Amazônia Ocidental ou no Pantanal mato-grossense e sul-mato- grossense; - 500 ha, se localizados em municípios compreendidos no Polígono deis Secas ou na Amazônia Oriental, III - 200 ha, se localizados em qualquer maio município § 3° Os municípios a que se relerem os incisos do 2°, bem assim as respectivas localizações, estão relacionados no Anexo IV § 4° Estão, também, dispensadas da aplicação dos índices de rendimento mínimo para produtos vegetais e florestais as áreas do imóvel exploradas com produtos vegetais extrativos, mediante 8 Processo n" 14120 000034/-1005-05 Acórdào n." 2202-00.674 S2-C2T2 Fl 5 plano de manejo sustentado, desde que aprovado pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente - IBAMA e cujo crotiograina esteja „vendo cumprido pelo contribuinte. 50 Na ausência de índice, para produto vegetal ou .florestal extrativo ou para zona de pecuária, considerar-se-á como utilizada a á; ea infirmada pelo contribuinte. No cálculo da área de pastagem devem ser observadas as regras previstas no art. 16 da Instrução Normativa SRF n° 43/1997, com as alterações da Instrução Normativa SRF n° 67, de 01/09/1997: Ari 16. A área utilizada será obtida pela soma das áreas mencionadas nos incisos I a VII do art. 12, observado o seguinte ( ) lI - a área servida de pastagem aceita será a menor entre a declarada pelo contribuinte e a área obtida pelo quociente entre a quantidade de cabeças do rebanho ajustada e o índice de lotação mínima, observado o seguinte. a) a quantidade de cabeças do rebanho será a soma da média anual do total de animais de grande porte, de qualquer idade ou sexo, mais- a quarta parte da média anual do total de animais de médio porte existente no imóvel; b.) .vão considerados- animais de médio porte, os ovinos e caprinos, c) são consideradas- animais de grande porte, os bovinos, blifilinos, eqüinos, asininos e muares,. d) a quantidade média de cabeças de animais é o somatório da quantidade de cabeças existentes a cada mês dividida por 12 (doze), independentemente do número de meses em que existiram animais no Parágralb único. A área utilizada aceita será a própria área informada, para produto vegetal ou florestal extrativo ou para zona de pecuária, quando: 1- houver ausência de índice; Ii - se ti atar de imóveis dispensados da utilização de índices (art 15, 2'). Do que consta dos autos, infere-se que da documentação acostada pelo recorrente, com o intuito de comprovar a fragilidade do lançamento no que toca a área em cotejo, refere-se, tão somente a documentos que não tem o condão de notificar o lançamento efetuado, já que não evidencia, de forma precisa, a quantidade de animais ali instalados. Porquanto, considerando as informações extraídas do processo, conclui-se que não logrou a recorrente em comprovar de forma cabal a relação quantidade de animais por áreas de pastagens utilizadas, sequer informando com precisão a quantidade de animais 9 existentes em relação ao exercício-calendário em comento, não residindo, por essa razão, possibilidade de a autoridade fiscal proceder ao cálculo de aproveitamento da área de pastagens aproveitada, mantendo-se a glosa total da área de pastagem e, por conseguinte, a determinação do Grau de Utilização da Propriedade (GU). Frise-se que essa comprovação poderia se realizar de diversas formas, como por exemplo: fichas de vacinação e movimentação de gado, notas fiscais de aquisição de vacina, contrato de cessão gratuita de pastagens, declaração dos beneficiários, ou documentos equivalentes. Desta feita, como não houve apresentação de documentos que comprovem a totalidade do rebanho declarado, e do em vista a legislação de regência da matéria, não assiste razão ao contribuinte, devendo ser mantida a glosa realizada na área de pastagens declarada. Cabe, ainda, tecer alguns comentários sobre a aplicação da penalidade e dos acréscimos legais. No que tange às alegações de ilegalidade / ofensas a princípios constitucionais (razoabilidade, capacidade contributiva e não confiscatoriedade), o exame das mesmas escapa à competência da autoridade administrativa julgadora. Há que se destacar que à autoridade fiscal cabe verificar o fiel cumprimento da legislação em vigor, independentemente de questões de discordância, pelos contribuintes, acerca de alegadas ilegalidadestinconstitucionalidades, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como previsto no art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Não há dúvidas de que se entende como procedimento fiscal à ação fiscal para apuração de infrações e que se concretize com a lavratura do ato cabível, assim considerado o termo de inicio de fiscalização, termo de apreensão, auto de infração, notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de suas funções inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles tomar conhecimento pela intimação. Os atos que formalizam o início do procedimento fiscal encontram-se eleneados no artigo 7' do Decreto n," 70,235, de 1972, Em sintonia com o disposto no artigo 138, parágrafo único do Código Tributário Nacional, esses atos têm o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a ser verificadas. Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, rio sentido de repararem a falta cometida não exclui suas responsabilidades, sujeitando-os às penalidades próprias dos procedimentos de oficio. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e toma ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização. Ressalte-se, com efeito, que o emprego da alternativa "ou" na redação dada pelo legislador ao artigo 138, do Código "Tributário Nacional, denota que não apenas a medida de fiscalização tem o condão de constituir-se em marco inicial da ação fiscal, mas, também, consoante reza o mencionado dispositivo legal, "qualquer procedimento administrativo" relacionado com a infração é fato deflagrador do processo administrativo tributário e da conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na forma do parágrafo 2', do art. 7°, do Dec. n°70.235, de 1972 10 Processo n" 14120 000034/2005-65 Aeót dão n " 2202-00,674 S2-C2T2 F1 6 O entendimento, aqui esposado, é doutrina consagrada, conforme ensina o mestre FABIO FANUCCHI em "Prática de Direito Tributário", pág. 220: O proÉess. o conte»tioso administrativo terá inicio por uma das- seguintes fin Ma 5 1 pedido de esclarecimentos- sobre situação jurídico-tributária do sujeito passivo, atrervés de intimação a esse,. 2, representação ou denúncia de agente fiscal ou terceiro, a respeito de circunstáncias capazes de conduzir o Sujeito passivo à assunção de responsabilidades tributárias,. - (liodennocia elo _sujeito passivo .sobre sua situação irregular perante a legislação tributária; 4. loco/Onirismo expressamente manifestado pelo .sujeito passivo, insurgindo-se ele contra lançamento efetuado. ( A representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da intimação para esclarecimentos, sendo peças iniciais do processo que irá se estendei .. até a solução final, através- de uma decisão que as julguem procedentes ou improcedentes, com os efeitos naturais que possam produzir tais conclusões. No mesmo sentido, transcrevo comentário de A.A.. CONTREIRAS DE CARVALHO em "Processo Administrativo Tributário", 2" Edição, págs. 88/89 e 90, tratando de Atos e Termos Processuais: Mas é tios atos processuais que cogitamos, nestes comentários. São atos proces.suais os que se realizam confirme as regras do processo, visando dar existência à relação .jurídico-processual. Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas em razão de outro processo, tio qual depende. No processo administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros: a) o auto de infração; b) a representação, c) a intimação e d) a notificação ( ) Mas, retornando a nossa referência aos atos processuais, é de assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada, privativamente, par agentes fiscais, em fiscalização externa, já no que concerne às falias apuradas em serviço interno da Repartição .fiscal, a peça que as documenta é a representação. Note-se que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal ( ). Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a penalidade aplicável, a sua ausência implicará na invalidade do lançamento. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de oficio, para exigi-lo com acréscimos e penalidades legais. 11 É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte, entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levando-se em conta a ausência de má-fé, de dolo, e antecedentes do contribuinte. A multa que excede o montante do próprio crédito tributário, somente pode ser admitida se, em processo regular, nos casos de minuciosa comprovação, em contraditório pleno e amplo, nos termos do artigo 50, inciso LV, da Constituição Federal, restar provado um prejuízo para fazenda Pública, decorrente de ato praticado pelo contribuinte, Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de 1988, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observai a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Além disso, é de se ressaltar ., mais uma vez, que a multa de oficio é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal, não cabendo às autoridades administrativas estendê-lo. Assim, as multas são devidas, no lançamento de oficio, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da CF, não conflitando com o estatuído no art. 5 0, XXII da CF, que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência. Ora, os mecanismos de controle de legalidade / constitucional idade regulados pela própria Constituição Federal passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, tal prerrogativa. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações na esfera administrativa. De qualquer forma, há que se esclarecer que o ITR é um tributo de natureza patrimonial, pois é calculado levando-se em consideração a dimensão do imóvel, o Valor da Terra Nua da propriedade e o percentual de utilização da sua área aproveitável, não estando o seu valor limitado à capacidade contributiva do sujeito passivo da obrigação tributária. Ainda, os princípios constitucionais têm como destinatário o legislador na elaboração da norma, corno é o caso, por exemplo, do principio da Vedação ao Confisco, que orienta a feitura da lei, a qual deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco, cabendo à autoridade fiscal apenas executar as leis. Da mesma forma, não vejo como se poderia acolher o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade formal da multa de oficio e da taxa SELIC aplicada como juros de mora sobre o débito exigido no presente processo com base na Lei n." 9.065, de 20/06/95, que instituiu no seu bojo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia de Títulos Federais (SELIC).. É meu entendimento, acompanhado pelos pares desta Turma de Julgamento, que quanto à discussão sobre a inconstitucionalidade de normas legais, os órgãos administrativos judicantes estão impedidos de declarar a inconstitucionalidade de lei ou regulamento, face à inexistência de previsão constitucional. No sistema jurídico brasileiro, somente o Poder Judiciário pode declarar' a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, através do chamado controle incidental e do controle pela Ação Direta de Inconstitucionalidade, 12 Processo n'' 14121) 000034/2005-65 S2-C2T2 Acórdão n " 2202-01L674 Fl. 7 No caso de lei sancionada pelo Presidente da República é que dito controle seria mesmo incabível, por ilógico, pois se o Chefe Supremo da Administração Federal já fizera o controle preventivo da constitucionalidade e da conveniência, para poder promulgar a lei, não seria razoável que subordinados, na escala hierárquica administrativa, considerasse inconstitucional lei ou dispositivo legal que aquele houvesse considerado constitucional. Exercendo a jurisdição no limite de sua competência, o julgador administrativo não pode nunca ferir o princípio de ampla defesa, já que esta só pode ser apreciada no foro próprio. Se verdade fosse, que o Poder Executivo deva deixar aplicar lei que entenda inconstitucional, maior insegurança teriam os cidadãos, por ficarem à mercê do alvedrio do Executivo. O poder Executivo haverá de cumprir o que emana da lei, ainda que materialmente possa ela ser inconstitucional. A sanção da lei pelo Chefe do Poder Executivo afasta - sob o ponto de vista formal - a possibilidade da argüição de inconstitucionalidade, no seu âmbito interno. Se assim entendesse, o chefe de Governo vetá-la-ia, nos termos do artigo 66, § 1" da Constituição Rejeitado o veto, ao teor do § 4" do mesmo artigo constitucional, promulgue-a ou não o Presidente da República, a lei haverá de ser executada na sua inteireza, não podendo ficar exposta ao capricho ou à conveniência do Poder Executivo. Faculta-se-lhe, tão-somente, a propositura da ação própria perante o órgão jurisdicional e, enquanto pendente a decisão, continuará o Poder Executivo a lhe dar execução. Imagine-se se assim não fosse, tacultando-se ao Poder Executivo, através de seus diversos departamentos, desconhecer a norma legislativa ou simplesmente negar-lhe executoriedade por entendê-la, unilateralmente, inconstitucional. A evolução do direito, como quer o suplicante, não deve pôr em risco toda uma construção sistêmica baseada na independência e na harmonia dos Poderes, e em cujos princípios repousa o estado democrático. Não se deve a pretexto de negar validade a urna lei pretensamente inconstitucional, praticar-se inconstitucionalidade ainda maior consubstanciada no exercício de competência de que este Colegiado não dispõe, pois que deferida a outro Poder. Ademais, matéria já pacificada no âmbito administrativo, razão pela qual o Presidente do Primeiro Conselho de Contribuintes, objetivando a condensação da ,jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art .30 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF n" 55, de 16 de março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas a partir de 28 de julho de 2006. Atualmente estas súmulas foram convertidas para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, pela Portaria CARF n" 106, de 2009 (publicadas no DOU de 22/12/2009), assim redigidas: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n" 2)" e "A partir de 1' de abril de 1995, os .juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC para títulos federais (Súmula CARF n" 4)." 13 Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso,. 14
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Numero do processo: 10980.015889/97-10
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue May 17 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Tue May 17 00:00:00 UTC 2005
Ementa: PIS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE CRÉDITO NÃO OPERADA. CONTAGEM REGRESSIVA DO PRAZO DE 10 ANOS (5 + 5) A PARTIR DA PROTOCOLIZAÇÃO DO PEDIDO. ENTENDIMENTO DO STJ NA MATÉRIA. Não há que se falar em prescrição quando não se tenha operado ‘homologação do lançamento’ pelo Fisco. O prazo qüinqüenal de decadência (artigo 168, I, do CTN) conta-se a partir da ocorrência do fato gerador, que esgotado dá ensejo à contagem do qüinqüênio conferido para que a Fazenda Pública homologue o lançamento realizado pelo contribuinte (§ 4º do artigo 150 do CTN). Decadência não operada. Prescrição inaplicável à situação.
SEMESTRALIDADE. PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 7/70. A cobrança do PIS, até a produção de efeitos das normas da Medida Provisória nº 1.212/95, devia ser cobrado com base na regra do parágrafo único do artigo 6º da Lei Complementar nº 7/70, isto é, considerando-se o valor nominal do faturamento registrado no sexto mês que precedia a competência considerada para cobrança da contribuição aludida.
Recurso provido.
Numero da decisão: 203-10.141
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes em dar provimento ao recurso: I) por maioria de votos, para rejeitar a decadência. Vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Emanuel Carlos Dantas de Assis e Antonio Bezerra Neto, que votaram pela ocorrência parcial da decadência, para os fatos geradores até 18/12/92 e os Conselheiros Sílvia de Brito Oliveira e Valdemar Ludvig que votaram pelas conclusões; II) por unanimidade de votos, para acolher a semestralidade.
Nome do relator: César Piantavigna
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Numero do processo: 10650.000360/92-10
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Aug 10 00:00:00 UTC 1993
Data da publicação: Tue Aug 10 00:00:00 UTC 1993
Numero da decisão: 108-00.028
Decisão: Resolvem os membros da 8- Camara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do
recurso para que o processo retorne ao 6rgão de origem, onde deverá
aguardar decisão final do Judiciário quanto à tempestividade do apelo a este Conselho, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Mário Junqueira Franco Júnior
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Numero do processo: 13526.000007/99-76
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 13 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Thu May 13 00:00:00 UTC 2004
Ementa: FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA EXERCER O DIREITO.
O prazo para requerer o indébito tributário decorrente da declaração de inconstitucionalidade das majorações de alíquota do Finsocial é de 5 anos contados de 12/06/98, data de publicação da Medida Provisória nº 1.621-36/98, que, de forma definitiva, trouxe a manifestação do Poder Executivo no sentido de reconhecer o direito e possibilitar ao contribuinte fazer a correspondente solicitação.
RECURSO PROVIDO POR UNANIMIDADE
Numero da decisão: 301-31.176
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: José Luiz Novo Rossari
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ementa_s : FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA EXERCER O DIREITO. O prazo para requerer o indébito tributário decorrente da declaração de inconstitucionalidade das majorações de alíquota do Finsocial é de 5 anos contados de 12/06/98, data de publicação da Medida Provisória nº 1.621-36/98, que, de forma definitiva, trouxe a manifestação do Poder Executivo no sentido de reconhecer o direito e possibilitar ao contribuinte fazer a correspondente solicitação. RECURSO PROVIDO POR UNANIMIDADE
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA EXERCER O DIREITO. O prazo para requerer o indébito tributário decorrente da declaração de inconstitucionalidade das majorações de alíquota do Finsocial é de 5 anos, contado de 12/6/98, data de publicação da Medida Provisória nQ 1.621-36/98, que, de forma definitiva, trouxe a manifestação do Poder Executivo no sentido de reconhecer o direito e possibilitar ao contribuinte fazer a correspondente solicitação. RECURSO PROVIDO POR UNANIMIDADE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasilia-DF,~3 de maio de 2004 OTACILIO D S CARTAXO Presidente Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ROBERTA MARIA RIBEIRO ARAGÃO, CARLOS HENRIQUE KLASER FILHO, ATALINA RODRIGUES ALVES, JOSÉ LENCE CARLUCl, LUIZ ROBERTO DOMINGO e VALMAR FONSECA DE MENEZES. hf/l MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃOW RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) 127.644 301-31.176 IRMÃos VAZ & CIA LTDA DRI/SAL VADOR/BA JOSÉ LUIZ NOVO ROSSARI RELATÓRIO • • Em exame o recurso voluntário apresentado pela interessada acima identificada, pertinente a pedido de restituição de quantias pagas em percentual superior á aliquota de 0,5% entre outubro de 1989 e dezembro de 1991, a titulo de contribuição para o Fundo de Investimento Social - Finsocial instituida pelo art. 12 do Decreto-lei n2 1.940/82 . A solicitação teve como fundamento a declaração de inconstitucionalidade do art. ~ da Lei n2 7.689/88, que manteve a contribuição acima citada, e dos arts. 72 da Lei n2 7.787/89, 12 da Lei n2 7.894/89 e 12 da Lei n2 8.147/90, que estabeleceram sucessivos acréscimos á aliquota originalmente fixada, para 1%, 1,2% e 2%, respectivamente. O pleito foi indeferido no julgamento de primeira instância, nos termos da Decisão DRI/SDR n2 2.762, de 22/12/2000, proferida pelo Chefe da DIRCO da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA (fls. 55/59), por delegação de competência, cuja ementa dispõe, verbis: "FINSOCIAL. EXTINÇÃO DO DIREITO DE REQUERER A RESTITUIÇÃO. O direito de o contribuinte pleitear a restituição e, por conseguinte, a compensação, extingiie-se no prazo de cinco anos, a contar da data da extinção do crédito tributário, inclusive com relação aos pagamentos efetuados com base em dispositivo posteriormente declarado inconstitucional. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. No caso de lançamento por homologação, a data do pagamento antecipado do tributo é o termo inicial para contagem do prazo em que se extingue o direito de requerer a restituição . . SOLICITAÇÃO INDEFERIDA" Na fundamentação da decisão a autoridade monocrática assinalou que, no caso de lançamento por homologação, a data do pagamento antecipado do tributo é o marco inicial para contagem do prazo em que se extingue o direito de o contribuinte pleitear a restituição. Justificou sua decisão com base no que dispõem os . arts. 165, inciso I, e 168, inciso I, do CTN, e no Ato Declaratório SRF n2 96/99, este fundamentado no Parecer PGFN/CAT n2 1.538/99, que esclarece que o prazo para 2 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÀMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.644 301-31.176 • • pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente extingüe-se após o transcurso do prazo de 5 anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Assim, julgou improcedente o pleito, tendo em vista ter transcorrido mais de 5 anos entre a data dos pagamentos e a data do pedido. No recurso apresentado (fls. 63/73), a contribuinte alega que ingressou com seu pedido de restituição porque se achava em pleno vigor o Parecer Cosit nQ 58/98, a partir da qual os valores questionados poderiam ser devolvidos sem restrições. Acrescenta que o Finsocial é uma exação lançada por homologação, e que o contribuinte identifica o fato gerador da obrigação tributária, calcula o montante do tributo devido e antecipa o respectivo pagamento (art. 150 do CTN). Como no caso presente não houve homologação, a extinção do crédito tributário se deu 5 anos depois, e o prazo para requerer a restituição deve ser contado a partir da homologação tácita ou expressa - 5 anos, acrescido de mais 5 anos. Traz precedentes concernentes ao deferimento de pedidos no caso de protocolização do processo até a data de publicação do Ato Declaratório SRF nQ 96/99, considerando o entendimento antes explicitado no Parecer Cosit nQ 58/98, segundo o qual o prazo decadencial de 5 anos devia ser contado a partir da data do ato que concedeu ao contribuinte o efetivo direito de pleitear a restituição, incluida aqui a Medida Provisória nQ 1.110/95. Aduz, também, que o art. 122 do Decreto nQ 92.698/86 diz que a prescrição para requerer a restituição do Finsocial dá-se em 10 anos contados do pagamento indevido. Pelo exposto, requer o provimento do recurso. É o relatório . 3 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃOW 127.644 301-31.176 VOTO • • O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. No presente processo discute-se o pedido de restituição de créditos que o recorrente alega possuir perante a União, decorrentes de pagamentos efetuados a titulo de contribuição para o Finsocial em alíquotas superiores a 0,5%, estabelecidas em sucessivos acréscimos à aliquota originalmente prevista em lei, e cujas normas legais foram declaradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinàrio nº 150.764-PE, de 16/12/92. A questão objeto de lide diz respeito aos efeitos decorrentes da declaração de inconstitucionalidade de lei por parte do Supremo Tribunal Federal, no que respeita a pedidos de restituição de tributos indevidamente pagos sob a vigência da lei cuja aplicação foi posteriormente afastada. Verifica-se, a par da competência privativa do Senado Federal para "Suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal" (art. 52, X, da CF), que a matéria foi objeto de tratamento especifico no art. 77 da Lei nº 9.430/96, que, com objetivos de economia processual e de evitar custos desnecessàrios decorrentes de lançamentos e de ações e recursos judiciais, relativos a hipóteses cujo entendimento jà tenha sido solidificado a favor do contribuinte pelo Supremo Tribunal Federal, dispôs, verbis: "Art. 77. Fica.o Poder Executivo autorizado a disciplinar hipóteses em que a administração tributária federal, relativamente aos créditos tributários baseados em dispositivo declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, possa: I - abster-se de constituí-los; . 11- retificar o seu valor ou declará-los extintos, de ofício, quando houverem sido constituídos anteriormente, ainda que inscritos em dívida ativa; III - formular desistência de ações de execução fiscal já ajuizadas, bem como deixar de interpor recursos de decisõesjudiciais. " 4 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.644 301-31.176 • • Com base nessa autorização, o Poder Executivo editou o Decreto n° 2.346/97, que estabeleceu os procedimentos a serem observados pela Administração Pública Federal em relação a decisões judiciais, e determina em seu art. 1°, verbis: ''Art. 12.As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadaspela Administração Pública Federal direta e indireta, obedecidos os procedimentos estabelecidos nesteDecreto. 9 12. Transitada emjulgado decisão do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, em ação direta, a decisão, dotada de eficácia ex tunc, produzirá efeitos desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional, salvo se o ato praticado com base na lei ou ato nomzativo inconstitucional não mais for suscetível de revisão administrativa oujudicial. 9 22 . O disposto no parágrafo anterior aplica-se, igualmente, à lei ou ao ato normativo que tenha sua inconstitucionalidade proferida, incidentalmente, pelo Supremo Tribunal Federal, após a suspensão de sua execuçãopelo Senado Federal. 9 32 O Presidente da República, mediante proposta de Ministro de Estado, dirigente de órgão integrante da Presidência da República ou do Advogado-Geral da União, poderá autorizar a extensão dos efeitos jurídicos de decisãoproferida em caso concreto ". Dessa forma, subsumem-se nas normas disciplinadoras acima transcritas todas as hipóteses que, em tese, poderiam ser objeto de aplicação, referentes a processos fiscais cuja matéria verse sobre a extensão administrativa dos julgados judiciais, as quais passo a examinar. o Decreto nQ 2.346/97 em seu art. 1Q, caput, estabelece que deverão ser observadas pela Administração Pública Federal as decisões do STF que fixem interpretação do texto constitucional de forma inequívoca e definitiva. Do exame da norma disciplinar retro transcrita, verifico ser descabida a aplicação do S 1Q do art. 1Q, tendo em vista que essa norma refere-se a hipótese de decisão em ação direta de inconstitucionalidade, esta dotada de efeito erga omnes, o que não se coaduna com a hipótese que fundamentou o pedido contido neste processo, baseado em Recurso Extraordinário em que figuravam como partes a Uníão (Recorrente) e Empresa Distribuidora Vivacqua de Bebidas Ltda. (Recorrida). Trata- 5 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃOW 127.644 301-31176 • • se, portanto, na espécie, de decisão do Supremo Tribunal Federal em sede de controle difuso, cujos efeitos atingem tão-somente as partes litigantes. Da mesma forma, não se vislumbra, na hipótese, a aplicação do S 2Q do art. IQ, visto que os dispositivos declarados inconstitucionais não tiveram a sua execução suspensa pelo Senado Federal. No entanto, é inequívoco que a hipótese prevista no S 3Qdo art. IQ, concernente à autorização do Presidente da República para a extensão dos efeitos juridicos da decisão proferida em caso concreto, veio a ser efetivamente implementada a partir da edição da Medida Provisória nQ1.li O, de 30/8/95, que em seu art. 17 dispôs, verbis: "Art. 17. Ficam dispensados a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Divida Ativa da União, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem assim cancelados o lançamento e a inscrição, relativamente: (..) III - à contribuição ao Fundo de Investimento Social - Finsocial, exigida das empresas comerciais e mistas, com fulcro no art. ~ da Lei n2 7.689, de 1988, na aliquota superior a 0,5% (meio por cento), conforme Leis rI-' 7.787, de 30 de junho de 1989, 7.894, de 24 de novembro de 1989, e 8.147, de 28 de dezembro de 1990; (..) S 2°' O disposto neste artigo não implicará restituicão de quantias pagas. " (destaquei). Por meio dessa norma o Poder Executivo manifestou-se no sentido de reconhecer como indevidos os sucessivos acréscimos de aliquotas do Finsocial estabelecidos nas Leis nQs. 7.787/89, 7.894/89 e 8.147/90, e assegurou a dispensa da constituição de créditos tributários, a inscrição como Divida Ativa e o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem como o cancelamento do lançamento e da inscrição da contribuição em valor superior ao originalmente estabelecido em lei. Essa autorização teve como objetivo tão-somente a dispensa da eXlgencla relativa a créditos tributários constitui dos ou não, o que implica não beneficiar nem ser extensiva a eventuais pedidos de restitui cão, como se verifica do seu S 2Q,acima em destaque, que de forma expressa restringiu tal beneficio. 6 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.644 301-31.176 • • Dúvidas não existem a esse respeito: a um, porque a norma estabeleceu, de forma expressa e clara, que a dispensa de exigência do crédito tributário não implicaria a restituição de quantias pagas; e, a dois, porque a dispensa da exigência e a decorrente extinção do crédito tributário, caracterizam a hipótese de remissão (arts. 156, IV e 172, do CTN), tratando-se de matéria distinta, de interpretação restrita e que não se confunde com a legislação pertinente à restituição de tributos. Com efeito, mesmo que com o intuito de ver reduzidas as lides na esfera judicial, essa dispensa assume as caracteristicas da remissão de que trata o CTN. Assim, a superveniência original da Medida Provisória nQ 1.110/95 não teve o condão de beneficiar pedidos de restituição relativos a pagamentos feitos a maior do que o devido a titulo de Finsocial. No entanto, o Poder Executivo promoveu uma alteração nesse dispositivo, mediante a edição da Medida Provisória nQ 1.621-36, de 10/6/98 (D.O.V. de 12/6/98)1, que deu nova redação para o S 2Q e dispôs, verbis: "Art. 17. (...) S 2". O disposto neste artigo não implicará restituição ex omcio de quantias pagas. " (destaquei). A alteração prevista na norma retrotranscrita demonstrou posicionamento diverso ao originalmente estabelecido e traduziu o inequívoco reconhecimento da Administração Pública no sentido de estender os efeitos da 1 A referida Medida Provisória foi convertida na Lei nº 10.522, de 19/7/2002, nos seguintes termos: "Art. 18. Ficam dispensados a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Dívida Ativa da União, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem assim cancelados o lançamento e a inscrição, relativamente: (.) IIJ - à contribuição ao Fundo de Investimento Social - Finsocial, exigida das empresas exclusivamente vendedoras de mercadorias e mistas, com fundamento 110 ar!. g'l da Lei nº 7.689. de 1988, na aliquota superior a 0,5% (cinco décimos por cento), conforme Leis nºs 7.787, de 30 dejunho de 1989, 7.894, de 24 de novembro de 1989, e 8.147, de 28 de dezembro de 1990, acrescida do adicional de 0,1% (um décimo por cento) sobre os fatos geradores relativos ao exercício de 1988, nos termos do art. 22 do Decreto-Lei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987; (..) 3 3º O disposto neste artigo não implicará restituição ex ofjicío de quantia paga. " 7 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.644 301-31.176 • • rerrussao tributária ao direito de os contribuintes pleitearem a restituição das contribuições pagas em valor maior do que o devido. Esse dispositivo também não comporta dúvidas, sendo claro no sentido de que a dispensa relativa aos créditos tributários apenas não implicará a restituição de oficio, vale dizer, a partir de procedimentos originários. da Administração Fazendária para a restituição. Destarte, é óbvio que a norma permite, contrario senso, a restituição a partir de pedidos efetuados por parte dos contribuintes. Entendo que a alteração promovida no S 2Q do art. 17 da Medida Provisória nQ 1.621-35/98, no sentido de permitir a restituição da contribuição ao Finsocial, a pedido, quando já decorridos quase 3 anos da existência original desse dispositivo legal e quase 6 anos após ter sido declarada a inconstitucionalidade dos atos que majoraram a aliquota do Finsocial, possibilita a interpretação e conclusão, com suficiência, de que o Poder Executivo recepcionou como válidos para os fins pretendidos, os pedidos que vierem a ser efetuados após o prazo de 5 anos do pagamento da contribuição, previsto no art. 168, I, do CTN e aceito pelo Parecer PGFN/CAT nQ 1.538/99. Nesse Parecer é abordado o prazo decadencial para pleitear a restituição de tributo pago com base em lei declarada inconstitucional pelo STF em ação declaratória ou em recurso extraordinário. O parecer conclui, em seu item IH, que o prazo decadencial do direito de pleitear restituição de crédito decorrente de pagamento de tributo indevido, seja por aplicação inadequada da lei, seja pela inconstitucionalidade desta, rege-se pelo art. 168 do CTN, extinguindo-se, destarte, depois de decorridos 5 anos da ocorrência de uma das hipóteses previstas no art. 165 do mesmo Código. Posto que bem alicerçado em respeitável doutrina e explicitado suas razões e conclusões com extrema felicidade, deve ser destacado que no referido Parecer não foi examinada a Medida Provisória retrotranscrita nem os seus efeitos, decorrentes de manifestação de vontade do Poder Executivo, com base no permissivo previsto no S 3Q do art. 1Q do Decreto nQ 2.346/97. Dessarte, propõe-se neste voto interpretar a legislação a partir de ato emanado da própria Administração Pública, determinativo do prazo excepcional. No caso de que trata este processo, entendo que o prazo decadencial de 5 anos para requerer o indébito tributário deve ser contado a partir da data em que o Poder Executivo finalmente, e de forma expressa, manifestou-se no sentido de possibilitar ao contribuinte fazer a correspondente solicitação, ou seja, a partir de 12/6/98, data da publicação da Medida Provisória nQ 1.621-36/98. Existem correntes que propugnam no sentido de que esse prazo decadencial deveria ser contado a partir da data de publicação da Medida Provisória 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.644 301-31.176 • • original (MP nº 1.110/95), ou seja, de 31/8/95. Entendo que tal interpretação traduziria contrariedade à lei vigente, visto que a norma constante dessa Medida estabelecia, de forma expressa, o descabimento da restituição de quantias pagas. E diante desse descabimento, não haveria por que fazer a solicitação. Somente a partir da alteração levada a efeito, em 12/6/98, é que a Administração reconheceu a restituição, acenando com a protocolização dos correspondentes processos de restituição. E apenas para argumentar, se diversa fosse a mens legis, não haveria por que ser feita a alteração na redação da Medida Provisória original, por diversas vezes reeditada, pois a primeira versão, que simples e objetivamente vedava a restituição, era expressa e clara nesse sentido, sem permitir qualquer interpretação contrària. Já a segunda, ao vedar tão-só o procedimento de oficio, abriu a possibilidade de que os pedidos dos contribuintes pudessem ser formulados e atendidos. Entendo, assim, que a alteração levada a efeito não possibilita outro entendimento que não seja o de reconhecimento do legislador referente ao direito dos contribuintes à repetição do indébito. E isso porque a legislação brasileira é clara quanto aos procedimentos de restituição admitidos, no que se refere à iniciativa do pedido, determinando que seja feito pelo contribuinte ou de oficio. Ambas as iniciativas estão previstas expressamente no art. 165 do CTN 2 e em outros tantos dispositivos legais da legislação tributària federal V.g. art. 28, S I º, do Decreto-lei nº 37/663 e o Decreto nº 4.543/2002 - Regulamento Aduaneiro4 Aproveito para ressaltar e trazer à colação, por relevantes, as substanciais lições de Carlos Maximiliano sobre o processo de interpretação das normas, "Hermenêutica e Aplicação do Direito" - 10' ed. 1988), os quais entendo aplicarem-se perfeitamente à matéria em exame, verbis: "116 - Merecem especial menção alguns preceitos, orientadores da exegese literal: (...) 2 Art. 165 do CTN.: "O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto. à restituição tolal ou parcial do tributo, seja qual/or a modalidade do seu pagamento ... " (destaquei) 3 Art. 28, ~ IQ, do Decreto-lei nº 37/66: ':4 restituição de tributos independe da iniciativa do contribuinte, podendo processar-se de oficio, como estabelecer o regulamento, sempre que se apurar excesso de pagamento na cOlifonllidade deste artigo. ,. (destaquei) 4 Art. I I I do Decreto nº 4.54312002: "A restituição do imposto pago indevidamente poderá ser feita de oficio. º requerimento, ou mediante utilização do crédito na compensação de débitos do importador ... " (destaquei) 9 • MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • RECURSO N° ACÓRDÃOW 127.644 301-31176 f) Presume-se que a lei não contenha palavras supérfluas; devem todas ser entendidas como escritas adrede para influir no sentido dafrase respectiva. (...) j) A prescrição obrigatória acha-se contida nafórmula concreta. Se a letra não é contraditada por nenhum elemento exterior, não há motivo para hesitação: deve ser obsenJada. A linguagem tem por objetivo despertar em terceiros pensamento semelhante ao daquele que fala; presume-se que o legislador se esmerou em escolher expressões claras e precisas, com a preocupação meditada e firme de ser bem compreendido e fielmente obedecido. Por isso, em não havendo elementos de convicção em sentido diverso, atém-se o intérprete à letra do texto. " .' À vista da legislação existente, em especial a sua evolução histórica, inclino-me pela interpretação lógico-gramatical das Medidas Provisórias em exame, considerando o objetivo a que se destinavam. A lógica também impera ao se verificar que os citados atos legais, ao determinarem que fossem cancelados os débitos existentes e não fossem constituidos outros, beneficiaram os contribuintes que não pagaram ou que estavam discutindo os débitos existentes, não sendo justo que justamente aqueles que espontaneamente pagaram os seus débitos e cumpriram as obrigações tributárias fossem penalizados. De outra parte, também não vejo fundamento na adoção de prazo de 10 anos no tocante à decadência dos tributos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação de que trata o art. 150, S 4Q, do CTN. A propósito, a matéria foi objeto de exame pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça nos Embargos de Divergência em Recurso Especial nQ 101.407 - SP, relator o Ministro Ari Pargendler, em sessão de 7/4/2000, em que foi mudada a posição desse colegiado sobre o prazo de decadência nesse tipo de lançamento, para ser finalmente adotado o prazo de 5 anos a contar do ocorrência do fato gerador, verbis: "TRIBUTARIo. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO REGIME DO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, a decadência do direito de constituir o crédito tributário se rege pelo artigo 150, S 4~ do Código Tributário Nacional, isto é, o prazo para esse efeito será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; a incidência da regra supõe, evidentemente, hipótese típica de lançamento por homologação, aquela em que ocorre o pagamento antecipado do tributo. Se o pagamento do tributo não for antecipado, já não será o caso de lançamentopor homologação, 10 • • MINIsTÉRlO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.644 301-31.176 hipótese em que a constituição do crédito tributário deverá observar o disposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. Embargos de divergência acolhidos. " • • Outrossim, em decorrência do que estabeleceu o citado Decreto nO 2.346/97, e seguindo os mandamentos ali prescritos, foi alterado o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, pela Portaria nO 103, de 23/4/2002, do Ministro de Estado da Fazenda, que em seu art. 5° acrescentou o art. 22A ao referido Regimento, verbis: "Art. 22A. No julgamento de recurso voluntário, de ofício ou especial, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação, em virtude de inconstitucionalidade, de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo em vigor. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: 1- que já tenha sido declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta, após a publicação da decisão, ou pela via incidental, após a publicação da Resolução do Senado Federal que suspender a execução do ato; 11 - objeto de decisão proferida em caso concreto cuja extensão dos efeitos jurídicos tenha sido autorizada pelo Presidente da República; 111 - que embasem a exigência de crédito tributário: a) cuja constituição tenha sido dispensada por ato do Secretário da Receita Federal; ou b) objeto de determinação, pelo Procurador-Geral da Fazenda Nacional, de desistência de ação ou execuçãofiscal. " Verifica-se que a determinação retrotranscrita é clara no sentido de que, fora dos casos indicados no parágrafo único, os mesmos indicados no Decreto nQ 2.346/97, é vedada a atuação dos Conselhos de Contribuintes. No caso, vislumbra-se especificamente a ocorrência da situação prevista no inciso 11do parágrafo único do art. 22A, em que não se configura a vedação estabelecida no caput. De outra parte, denota-se ter sido examinada tão-somente a questão da decadência, no julgamento de primeira instância. Assim, em homenagem ao duplo grau de jurisdição e para evitar a supressão de instância, entendo. descaber a 11 •.~ • MINIsTÉRIO DA FAZENDA • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 127.644 301-31.176 • • apreciação do mérito do pedido por este Colegiado, devendo o processo ser devolvido à DRJ para o referido exame. Diante das razões expostas, voto por que seja dado provimento ao recurso, para aceitar a alegação do recorrente de não ter sido caracterizada a decadência do. prazo para pleitear a restituição, e para determinar o retomo do processo à DRJ de origem para apreciar o mérito do pedido e os demais aspectos concernentes ao processo de restituição da contribuição ao Finsocial. Sala das Sessões, em 13 de maio de 2004 JOS LUIZ NOVO ROSSARl - Relator 12 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012
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Numero do processo: 10980.008593/2005-32
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2008
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 15/05/2001, 15/08/2001, 14/11/2001, 15/02/2002
DCTF. MULTA MÍNIMA.
A multa mínima, aplicada ao contribuinte que não se desincumbe a contento de entregar a DCTF tempestivamente, não tem o caráter confiscatório que se lhe pretendia imprimir, não só por estar devidamente prevista no direito positivo, mas também por ser, hodiernamente, em valor razoável e compatível com a sanção por descumprimento de obrigação tributária acessória, sob pena de não ter qualquer efeito sua aplicação, seja punitiva ou preventivamente..
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 302-39.297
Decisão: ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de
contribuintes, por maioria de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do redator designado. Vencido o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, relator. Designado para redigir o acórdão o Conselheiro Corintho Oliveira Machado.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: Marcelo Ribeiro Nogueira
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Numero do processo: 10909.000606/2005-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2007
Numero da decisão: 107-00.663
Decisão: RESOLVEM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento do recurso em diligencia, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: Albertina Silva Santos de Lima
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Numero do processo: 10880.042022/90-81
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Nov 12 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Fri Nov 12 00:00:00 UTC 2004
Numero da decisão: 302-01.179
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ELIZABETH EMÍLIO DE MORAES CHIEREGATTO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 302001179_108800420229081_200411; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2017-06-07T18:56:35Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 302001179_108800420229081_200411; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: 302001179_108800420229081_200411; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:subject: ; meta:creation-date: 2017-06-07T18:56:35Z; created: 2017-06-07T18:56:35Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2017-06-07T18:56:35Z; pdf:charsPerPage: 853; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2017-06-07T18:56:35Z | Conteúdo => • • • PROCESSON" SESSÃO DE RECURSON" RECORRENTE RECORRIDA MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÃMARA 10880.042022/90-81 12 de novembro de 2004 128.045 ELGÉSIA TOBIAS LORENZONI DRJ/SÃO PAULO/SP R E S O L U ç Ã O Nº302-01-179 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos . • . RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do TerceiroConselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 12 de novembro de 2004 • • PAULOROB Presidente em x cício CUCCO ANTUNES • I • ~~~;7aa' ELIZABETH EMÍLIO DE MORAES CHIEREGATTO Relatora 2 O OUT 2005 Participaram, ainda,. do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: LUIS ANTONIO FLORA, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JÚNIOR, WALBER JOSÉ DA SILVA, SIMONE CRISTINA BISSOTO e MÉRCIA HELENA TRAJANO D' AMORIM (Suplente). Ausentes os Conselheiros HENRIQUE PRADO MEGDA. 'me • MINISTÉRIO DA FAZENDATERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA • RECURSO N° RESOLUCÃO N° RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) 128.045 302-01-179 ELGÉS1A TOBIAS LORENZON1 DRJ/SÃO PAULO/SP ELIZABETH EMÍLIO DE MORAES CHlEREGATTO RELATÓRIO • • • • • • ELGÉS1A TOBIAS LORENZON1 foi notificada e intimada a recolher o 1TR/1990 e contribuições acessórias (fl. 02), incidentes sobre a propriedade do imóvel rural denominado "Fazenda Renata", cadastrado no lNCRA sob o código 901423 000337 1, com área total de 151,0 hectares, localizado no município de Castanheira - MT. Na Notificação de Lançamento consta corno data de vencimento o dia 30/1111990. Em 12/1111990, a contribuinte protocolou a petição de fls. 01, dirigida ao Sr. Delegado da Receita Federal em São Paulo, impugnando a Notificação de Lançamento em comento, sob a alegação de que a referida área tinha sido vendida, em conjunto com a propriedade rural vizinha, para MIGUEL VICENTE FERREIRA, CPF n° 103626061-53, conforme Escritura Pública de Compra e Venda lavrada em 10/06/1985, no Cartório de l° Oficio da Comarca de Mirassol D'Oeste, Estado de Mato Grosso, sendo que os dois imóveis vendidos foram unificados. Para comprovar o alegado, juntou a citada Escritura Pública, na qual o imóvel consta corno tendo área de 151,0 hectares, estando localizado no município de Juina, anteriormente município de Aripuanã, cadastrado no lNCRA sob o código 901202.0521598 (fls. 03 a 07). Devido à divergência entre o código lNeRA do imóvel constante na Escritura Pública de Compra e Venda e o código 1NCRA do imóvel constante da Notificação de Lançamento, o processo foi baixado em diligência para que a contribuinte esclarecesse a discrepância apurada. Em 21/09/1992, a Agência da Receita Federal em Santa EfigênialSP intimou a contribuinte a prestar os esclarecimentos cabiveis. Tendo tornado ciência em 25/09/91, a interessada não se manifestou. O órgão preparador, complementando a instrução do processo, juntou os seguintes documentos, extraidos do sistema "ITR"; • consulta ITR/91 para o imóvel cadastrado sob o código 901423 0003371 (fls. 15); • pesquisa de débitos para o mesmo imóvel (cadastro nO901423 000337 1 - n° constante da Notificação de Lançamento) (fls. 16); ~C",{ 2 • MINISTÉRIO DA FAZENDATERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° RESOLUCÃO N" 128.045 302-01-179 • • • • • • • pesquisa 1TR/92 para o imóvel cadastrado sob o código 901202 062159 8 - n° constante da Escritura de Compra e Venda (fls. 17); • pesquisa ITR/92 para o CPF do "adquirente", de n° 103626061- 53 (fls. 18); e • pesquisa 1TR/94 para o referido CPF. Em 17/06/1998, o lançamento foi mantido, em primeira instância administrativa de julgamento, nos termos da DECISÃO DRJ/SP N" 21.118/98-21- 1.413 (fls. 20/21), cuja ementa transcrevo: "lTR/90 - Não comprovada a alegada alienação do imóvel, mantém-se integralmente o lançamento impugnado . IMPUGNAÇÃO IMPROCEDENTE". Regularmente cientificada em 24/03/2003 (AR às fls. 27-v), a contribuinte protocolizou, em 16/04/2003, tempestivamente, o recurso de fls. 28/29, instruido com os documentos de fls. 30 a 51, argumentando, em síntese, que: I) a Escritura Pública de Compra e Venda é documento que tem fé pública, portanto comprovação hábil da alienação do imóvel objeto deste processo; 2) com relação à diferença entre o código INCRA constante da Escritura Pública de Compra e Venda (901202 062159 8) e o código constante da Notificação de Lançamento do ITR/90 (901423000337 I), conforme informação telefônica obtida junto ao INCRA (Sr. Oswaldo - tel: Oxx65-6441469), quando há desmembramento de município é dado novo código à propriedade e, automaticamente, o código anterior é cancelado, caso que ocorreu, não uma, mas duas vezes, com a propriedade em questão; 3) a mesma foi adquirida da Prefeitura Municipal da Aripuanã em 1978 e a escritura definitiva lavrada em 04/12/1980, constando a propriedade como estando no município da Aripuanã. Nos ITR's da época, o código INCRA era 901016 024813 9, como pode ser constatado pelo ITR/80, cópia ora anexada; 3 •• MINISTÉRlO DA FAZENDATERCEIRO CONSELHO DE CONTRlBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° RESOLUCÃO N° I 128.045 302-01-179 i• • • • • 4) Posteriormente, passou à jurisdição do município de luina, sob o código lNCRA 901202 052159 8, ocasião em que ocorreu a venda; 5) A jurisdição foi novamente alterada, desta vez para Castanheira, originando o código atual, n° 901423 000337 I, ocasião em que a propriedade rural não mais pertencia à recorrente; 6) Confonne "Consulta de Dados de Imóvel" (cópia anexa), efetuada e autenticada pelo INCRA, em 25/03/2003, a propricdade de código 901423 000337 I pertence a MARIA APARECIDA ARAÚJO, tendo a denominação de "Fazenda Nossa Senhora Aparecida", com registro no Cartório de Cuiabá em 17/07/1988, Oficio 6, Matricula 9828 e Registro 0000013, portanto, anterior a 1990, ano do ITR objeto destes autos; 7) A requerente solicitou, em 26/03/2003, ao INCRA-MT, que o mesmo emitisse documento oficial explicando a alteração dos números de códigos (cópia anexa), o qual deverá ser encaminhado ao Conselho de Contribuintes, se for julgado necessário para a análise do presente recurso. Foram os autos encaminhados a este Terceiro Conselho de Contribuintes, em prosseguimento. Informo que não foi apresentado Arrolamento de Bens para garantia de instância, com base no disposto no art. 1°, S 7°, da IN SRF nO264, dc 20/12/2002 . O processo foi distribuído a esta Conselheira, por sorteio, numerado até a folha 54 (última), que trata do trâmite dos autos no âmbito deste Colegiado. É o relatório. ~ Ç4Z?h'~ 4 • MINISTÉRIO DA FAZENDATERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA • RECURSO N° RESOLUCÃO N° 128.045 302-01-179 VOTO • • • • • O recurso de que se trata preenche os requisitos para sua admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Na hipótese, a apresentação de arrolamento de bens para garantia de instância restou dispensada, por força do disposto no S 7°, do art. 2°, da IN SRF n° 264, de 20/1212002, que determina não ser o mesmo necessário na hipótese de a exigência fiscal ser inferior a R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais), como é o caso dos autos, no qual o crédito tributário, consolidado em 14/03/2003, apresenta o valor total (receita + multa + juros) de R$ 143,84 (fi. 25) . Como relatado, a contribuinte/recorrente bem diligenciou, em sua defesa recursal, em procurar comprovar que o imóvel rural objeto do lançamento questionado não é mais de sua propriedade. Empenhou-se, ainda, em explicar as diferenças existentes entre o código INCRA constante na escritura de compra e venda e o código constante do lançamento do ITRl1990, fundamentando-se em que, quando há desmembramento de município, é dado novo código à propriedade, cancelando-se automaticamente o código anterior. Esclareceu que esta situação ocorreu duas vezes com a propriedade em questão, que foi adquirida da Prefeitura Municipal de Aripuanã, em 1978, sendo a escritura definitiva lavrada em 04/12/1980; posteriormente, passou à jurisdição do municipio de Juina, sendo o código INCRA alterado, ocasião em que teria ocorrido a venda; finalmente, a jurisdição foi novamente modificada, desta vez para o município de Castanheira, originando um novo código INCRA, no caso, 901423.000.337-1. Segundo a defesa recursal apresentada, a propriedade cadastrada com este código pertence a outro sujeito passivo, com registro em 01/07/1988, anterior ao ITR objeto deste processo. Embora a Contribuinte/Recorrente tenha afirmado ter solicitado ao INCRA-MT a emissão de documento oficial sobre a alteração dos números dos códigos, o mesmo não foi acostado aos autos. Mas, à vista dos documentos juntados à peça de defesa, voto em converter o julgamento deste litigio em diligência à Repartição de Origem para que a mesma diligencie em verificar, junto aos órgãos competentes, a validade das ~c.d 5 • .. MINISTÉRlO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° RESOLUCÃOW 128.045 302-01-179 • • • • infonnações prestadas pela ora Recorrente e, no caso de as mesmas serem verdadeiras, proceder à sub-rogação do lançamento efetuado. É o meu voto . Sala das Sessões, em 12 de novembro de 2004 ~c::;.~'e<,~ZG ELlZABETH EMILlO DE MORAES CHlEREGATTO - Relatora , I I I.1 I • 6 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006
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