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Numero do processo: 13005.722253/2016-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012, 2013
MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO.
Comprovada a intenção de violação da norma fiscal com a finalidade de escapar do pagamento do imposto devido é cabível a imposição da multa qualificada.
MULTA COM EFEITO DE CONFISCO.
É vedado ao órgão administrativo o exame da constitucionalidade de lei, bem como o de eventuais ofensas pela norma legal aos princípios constitucionais da razoabilidade e da vedação de efeito confiscatório.
INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. APÓS ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO.CABIMENTO.
Cabível a multa exigida isoladamente, quando a pessoa jurídica sujeita ao pagamento mensal do IRPJ, determinada sobre a base de cálculo estimada, deixar de efetuar o seu recolhimento dentro do prazo legal de vencimento, por expressa previsão legal. A referida multa é aplicável quando a falta é detectada após o encerramento do exercício de apuração da base de cálculo destes tributos, por interpretação lógica do disposto no artigo 44, II, b da Lei 9.430/96.
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS.
A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma refere-se ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. DIRETORES. AFASTAMENTO.
Ausência dos requisitos para atribuição de responsabilidade nos termos do art. 135, III do CTN.
Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2011, 2012, 2013
CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova.
Numero da decisão: 1402-003.737
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: i) por unanimidade de votos: i.i) negar conhecimento às alegações de inconstitucionalidade, i.ii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade, i.iii) dar provimento aos recursos voluntários dos responsáveis tributários Hilton Kappaun, Henrique Duarte Campestrini e Alexandre Strohscoen; e ii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário relativamente à aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada, vencido o Relator, acompanhado pelos Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Eduardo Morgado Rodrigues, sendo designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Evandro Correa Dias.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente e Redatora ad hoc
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias- Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011, 2012, 2013 MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Comprovada a intenção de violação da norma fiscal com a finalidade de escapar do pagamento do imposto devido é cabível a imposição da multa qualificada. MULTA COM EFEITO DE CONFISCO. É vedado ao órgão administrativo o exame da constitucionalidade de lei, bem como o de eventuais ofensas pela norma legal aos princípios constitucionais da razoabilidade e da vedação de efeito confiscatório. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. APÓS ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO.CABIMENTO. Cabível a multa exigida isoladamente, quando a pessoa jurídica sujeita ao pagamento mensal do IRPJ, determinada sobre a base de cálculo estimada, deixar de efetuar o seu recolhimento dentro do prazo legal de vencimento, por expressa previsão legal. A referida multa é aplicável quando a falta é detectada após o encerramento do exercício de apuração da base de cálculo destes tributos, por interpretação lógica do disposto no artigo 44, II, b da Lei 9.430/96. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma refere-se ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. DIRETORES. AFASTAMENTO. Ausência dos requisitos para atribuição de responsabilidade nos termos do art. 135, III do CTN. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2011, 2012, 2013 CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012, 2013 MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Comprovada a intenção de violação da norma fiscal com a finalidade de escapar do pagamento do imposto devido é cabível a imposição da multa qualificada. MULTA COM EFEITO DE CONFISCO. É vedado ao órgão administrativo o exame da constitucionalidade de lei, bem como o de eventuais ofensas pela norma legal aos princípios constitucionais da razoabilidade e da vedação de efeito confiscatório. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. APÓS ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO.CABIMENTO. Cabível a multa exigida isoladamente, quando a pessoa jurídica sujeita ao pagamento mensal do IRPJ, determinada sobre a base de cálculo estimada, deixar de efetuar o seu recolhimento dentro do prazo legal de vencimento, por expressa previsão legal. A referida multa é aplicável quando a falta é detectada após o encerramento do exercício de apuração da base de cálculo destes tributos, por interpretação lógica do disposto no artigo 44, II, b da Lei 9.430/96. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma referese ao ressarcimento ao Estado pela AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 72 22 53 /2 01 6- 13 Fl. 3518DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.518 2 não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. DIRETORES. AFASTAMENTO. Ausência dos requisitos para atribuição de responsabilidade nos termos do art. 135, III do CTN. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2011, 2012, 2013 CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: i) por unanimidade de votos: i.i) negar conhecimento às alegações de inconstitucionalidade, i.ii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade, i.iii) dar provimento aos recursos voluntários dos responsáveis tributários Hilton Kappaun, Henrique Duarte Campestrini e Alexandre Strohscoen; e ii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário relativamente à aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada, vencido o Relator, acompanhado pelos Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Eduardo Morgado Rodrigues, sendo designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Evandro Correa Dias. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente e Redatora ad hoc (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Fl. 3519DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.519 3 Relatório (Na condição de redatora hoc, designada na forma do art. 17, inciso III do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, reproduzo o relatório apresentado na sessão de julgamento de 19 de fevereiro de 2019 pelo Relator original, Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, dispensado do mandato de Conselheiro junto a este Colegiado por meio da Portaria ME/SE nº 713, publicada no Diário Oficial da União de 29 de abril de 2019). Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face da r. decisão proferida pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ do Rio de Janeiro que decidiu: (i) Por unanimidade REJEITAR AS PRELIMINARES DE NULIDADE argüidas pelos Diretores, responsáveis solidários tributários; ACOLHER a apensação deste processo aos de números 13005.001065/200911; 13005.722696/201353 e 13005.721718/201449, aguardando julgamento no E. CARF, sem, no entanto acolher o sobrestamento do feito, pelo princípio da oficialidade do processo administrativo para, no mérito,; (ii) Por maioria DEIXAR DE ACOLHER A IMPUGNAÇÃO e considerar devidos os autos de infração de IRPJ e CSLL, respectivamente nos valores de R$ 8.523.807,89 e R$ 2.591.173,67, acrescidos das multas de ofício qualificada de 150% e juros de mora, e multas isoladas pelo não recolhimento das estimativas nos valores de R$ 5.523.344,09 para o IRPJ e de R$ 1.630.094,51 para a CSLL. Adoto o relatório da r. DRJ em sua integralidade, complementandoo ao final no que entender necessário. Versa a controvérsia instaurada, em razão da lavratura dos Autos de Infração de IRPJ (fls. 2.641/2.662), no valor de R$ 8.523.807,89 e de CSLL (fls. 2.663/2.681), no valor de R$ 2.591.173,67, acrescidos das multas de ofício de 75%, dos juros de mora e das multas isoladas por não recolhimento das estimativas no valor de R$ 5.523.344,09 e R$ 1.630.094,51 para a CSLL. Foram atribuídas ainda a responsabilidade tributária solidária às seguintes pessoas físicas: Hilton Kappaun (Hilton); Henrique Duarte Campestrini (Henrique) e Alexandre Strohschoen (Alexandre). As razões da autuação encontramse descritas no Relatório Fiscal (fls. 2.683/2.703), cujo teor, em síntese, a seguir, reproduzo: a) Este procedimento tem como marco inicial ação fiscal realizada no ano de 2009, que apurou infrações à lei tributária cometida nos anos de 2005, 2006 e 2007 e procedeu autuação da contribuinte, através da lavratura de autos de infração do IRPJ e CSLL, conforme processo administrativo fiscal nº 13005.001065/200911, o qual foi levado à discussão até a última instância administrativa e mantido integralmente, inclusive com a qualificação da multa de ofício. O processo encontra se definitivamente julgado na esfera administrativa; b) No procedimento fiscal realizado durante o ano de 2009, a fiscalização constatou que, através de um ato simulatório de venda da participação acionária detida por sua controladora à época (INTABEX) para empresa MERIDIONAL TABACOS LTDA. (incorporada), a ALLIANCE gerou um ágio interno fictício no ano de 2005e logo após procedeu a incorporação reversa da sua recém controladora fictícia, MERIDIONAL. Com essa operação, o ágio interno gerado através de simulação de compra e venda passou a ser aproveitado a razão de 1/60 por mês na redução ilícita do lucro real e da base de cálculo da CSLL; c) Comprovouse que o ágio interno foi gerado a partir de fatos materialmente inexistentes. Sua criação derivou de ato simulatório de compra e venda de quotas da incorporadora pela incorporada, com posterior incorporação reversa da sociedade Fl. 3520DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.520 4 controladora. Por força de ato de reorganização empresarial materialmente existente e realizado no exterior, que produziu efeitos direto no Brasil, a fiscalização apurou que a sociedade sucessora no Brasil (ALLIANCE) já se encontrava definida em data anterior ao ato de compra e venda entabulado pela controadora no exterior com a sociedade a ser incorporada no Brasil. A reorganização societária apresentada no Brasil no ano de 2005 que gerou o ágio, antes da incorporação formal já previamente definida no exterior, foi de encontro com a verdade material apurada e teve como fins específicos: gerar um ágio interno na própria incorporadora para ser aproveitado imediatamente; implementar uma condição exigida pela Lei Tributária para usufruir a amortização fiscal; por consequência, apenas reduzir ilicitamente os tributos devidos a partir da criação artificial da compra e venda da participação societária – ato simulado; d) Após a referida autuação, a contribuinte iniciou a fase litigiosa administrativa do processo através da apresentação da impugnação aos autos de infração lavrados. A impugnação foi julgada improcedente e o crédito tributário foi mantido integralmente, conforme Acórdão nº 18.11872 – 1ª Turma da DRJ/STM, exarado em 25/02/2010 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria/RS; e) A contribuinte manteve sua irresignação ao julgamento de primeira instância administrativa e interpôs recurso voluntário contra a referida decisão. Em 03/10/2012, a Terceira Câmara da Segunda Turma do CARF exarou o Acórdão nº 1302000991 que negou provimento ao recurso voluntário e manteve, integralmente, o crédito tributário e a qualificação da multa; f) A contribuinte, após a rejeição de dois embargos declaratórios interpostos contra o Acórdão nº 1302000991 interpôs recurso especial em 01/09/2015 à CSRF do CARF. A Presidente da Primeira Seção do CARF deu seguimento parcial ao recurso em 18/09/2015; g) Em sessão realizada em 03/05/2016 foi exarado o Acórdão 9101002311 que conheceu e negou provimento ao recurso do contribuinte e manteve integralmente a autuação: h) Em 15/06/2016, o contribuinte foi devidamente cientificado da decisão e interpôs embargos de declaração, o qual foi declarado improcedente pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais e não admitiu os respectivos embargos; i) Foi o contribuinte devidamente cientificado de tais embargos e, em 22/07/2016, apresentou novos embargos de declaração. Através do Despacho Decisório DRF/SCS nº 493/2016, a DRF/SANTA CRUZ DO SUL negou seguimento aos novos embargos declaratórios, já que não havia previsão para esse tipo de recurso nos termos do Regimento Interno do CARF; Fl. 3521DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.521 5 j) Apresentou ainda o contribuinte o pedido de reanálise do Despacho Decisório DRF/SCS 493 de 2016. Entretanto a DRF/SCS ratificou o despacho anteriormente exarado; k) Esgotadas todas as instâncias administrativas no curso do processo (o qual aguarda prazo para a cobrança amigável) a interessada impetrou Mandado de Segurança com pedido de liminar contra o Delegado da Receita Federal em Santa Cruz do Sul que negou seguimento aos novos embargos declaratórios, para que os mesmos fossem processados em seguimento ao CARF (suspendendose a cobranaça do crédito); l) A liminar foi indeferida em 22/09/2016. O processo judicial aguarda a sentença. Irresignada, a contribuinte interpôs Agravo de Instrumento junto ao TRF 4ª Região com fins de ver atendido seu pleito; m) O Tribunal indeferiu o pedido de antecipação recursal em 11/10/2016 e o recurso encontrase no aguardo da pauta para julgamento; n) Na esteira da fiscalização anterior, outro procedimento fiscal foi realizado no contribuinte para fins de averiguação dos anos 2008, 2009 e 2010; o) Apesar de autuada em 25/11/2009 pelos fatos expostos no PAF 13005.001065/200911, cuja exação fiscal referiase aos anos de 2005, 2006 e 2007, a contribuinte não desfez os efeitos tributários da conduta infratora no ano de 2008 e, ainda, não obstou os efeitos da conduta infratora nos anos de 2009 e 2010; p) Por manter a mesma conduta do procedimento anterior, aliada a nova infração identificada por indedutibilidade de juros sobre o capital próprio, o fisco procedeu a autuação dos fatos decorrentes do ano de 2008 (processo 13005.722696/201353); q) Além da amortização fiscal do ágio interno originado em ato simulado de compra e venda, a fiscalização também constatou que a interessada calculou juros sobre o capital próprio sobre um patrimônio líquido irreal de 01/01/2008 a 31/12/2008 e ainda não respeitou os limites legais exigidos para a sua dedutibilidade na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Os juros sobre o capital próprio pagos/creditados em desconformidade com os limites legais estabelecidos não são dedutíveis na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL; r) Os autos de infração de IRPJ e da CSLL foram lavrados sem a constituição do crédito tributário (processo 13005.722696/201353) e tiveram como fim proceder de ofício os ajustes na apuração das bases de cálculo do IRPJ e CSLL para a redução do prejuízo fiscal e da base negativa da CSLL apurados no ano de 2008; s) Em razão disso, foi a interessada cientificada da infração e dos efeitos tributários que a redução provocaria em períodos futuros se houvesse através de compensação, do prejuízo fiscal e da base que foram majorados artificialmente através de uma conduta prévia dolosa, inclusive com qualificação da multa de ofício; t) Após a autuação a interessada impugnou os autos de infração lavrados. A impugnação foi julgada improcedente e as reduções do prejuízo fiscal e da base negativa foram mantidas integralmente conforme decisão da DRJ/POR (13ª Turma); u) Em que pese ter apresentado Recurso Voluntário, a matéria encontrase pendente de julgamento no CARF; v) No mesmo procedimento amparado pelo MPF nº 10.0.01.002013000200, a interessada foi novamente autuada (processo 13005.721718/201449) pelos fatos apurados nos anos de 2009 e 2010, em razão da constatação pelas fiscalização das mesmas infrações à legislação do IRPJ e da CSLL que as já apuradas no procedimento fiscal executado em 2009. Em suma, constatouse a redução das bases de cálculo dos tributos IRPJ e CSLL dos anos de 2009 e 2010 através da amortização fiscal do ágio interno gerado a partir de simulação de compra e venda e participação acionária, com incorporação reversa da controladora. O crédito tributário foi constituído com a qualificação da multa de ofício e com a imputação de Fl. 3522DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.522 6 responsabilidade solidária aos diretores da contribuitne que implementaram a fraude tributária; w) Irresignados com a autuação, a interessada e os responsáveis tributários apresentam impugnações. Entretanto a DRJ/Ribeirão Preto (3ª Turma) considerou improcedente a impugnação e manteve integralmente o crédito com a qualificação da multa; x) Também foi apresentado recurso ao CARF pela interessada, que nesse caso também manteve o lançamento, dando provimento parcial, afastando a qualificação da multa de ofício e afastar a imputação da responsabilidade solidária; y) Entretanto, sobre tais afastamentos a PFN apresentou recursos especiais que ainda aguardam julgamento no CARF; Da Autuação Propriamente Dita: a) Do ano de 2005 até meados do ano de 2010 e mesmo depois de ter sido autuada em meados de 2009, a contribuinte procedeu sucessivas reduções ilícitas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL por ato continuado da infração tributária; b) Quando essas infrações não promoveram reduções das bases de cálculo dos tributos que deveria recolher, passaram a majorar indevidamente os prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL, formando um saldo irreal registrado na Parte B do LALUR e de Apuração da CSLL, passível de aproveitamento fiscal em anos seguintes para a redução da base de cálculo; c) Nos anos de 2011, 2012 e 2013, anos seguintes ao esgotamento da amortização fiscal do ágio interno criado de forma fraudulenta e simulada, a contribuinte usou de prejuízos fiscais e base negativa que foram inflados pelas sucessivas infrações combatidas pela fiscalizaçõa nos processos anteriormente mencionados, reduzindo o lucro real e a base de cálculo da CSLL; d) Assim, o presente procedimento fiscal tem por objetivo constituir o crédito tributário relativo aos tributos IRPJ e CSLL que foram reduzidos ilicitamente por infração ao disposto nos artigos 15 e 16 da Lei nº 9065/1995, caracterizados como aproveitamento ilícito de benefício fiscal da compensação tributária nos anos de 2011, 2012 e 2013, de saldos fictícios de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL mantidos pela contribuinte; e) Nesse sentido, foram glosadas as compensações realizadas no Lucro Real e na CSLL por inexistência de saldo de prejuízo fiscal acumulado em exercícios anteriores, que foi majorado ilicitamente a partir de reiteradas infrações à legislação tributária nos anos de 2005 a 2010; Fl. 3523DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.523 7 Do Direito de a Fazenda Realizar o Lançamento Fl. 3524DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.524 8 a) Nos casos de lançamento por homologaçõa o prazo decadencial do direito de a Fazenda constituir o crédito tributário extinguese em 5 anos contados a partir da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação; b) Restou evidenciada ao longo do presente relatório a conduta simulada do contribuinte no que diz respeito aos fatos apurados em 2005; c) A fraude, o dolo e a simulação foram fartamente demonstrados ao longo dos processo administrativos 13005.001065/200911; 13005.722696/201353 e 13005.721718/201449. A primeira autuação julgada definitivamente na última instância administrativa do Ministério da Fazenda firmou posicionamento pela manutenção da qualificação da multa a partir da conduta do contribuinte, maculada pelo dolo e pela simulação; d) Somase à conduta dolosa e simulada do contribuinte o fato de que mesmo depois de autuada por utilizarse de ato simulado para alcançar benefícios fiscais que não estariam disponíveis ao seu desfrute, não ter obstado os reflexos tributários ilícitos que a conduta atacada provocava nas apurações das bases de cálculo dos tributos devidos durante os anos de 2011, 2012 e 2013. Por sua livre iniciativa manteve os saldos de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL majorados ilicitamente; e) Por fim, após derrota na última instância do CARF, insistiu na discussão da coisa julgada, através da interposição reiterada de embargos para retardar a cobrança do crédito tributário e, por certo, ver os períodos futuros alcançados pela decadência; f) Isto posto, a fiscalização aplica o disposto no artigo 173, inciso I do CTN pelo qual o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário extinguese após 5 anos contados somente do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, por ter incorrido em conduta dolosa, fraudulenta e simulatória na redução ilegal dos tributos de IRPJ e CSLL apurados nos anos de 2011, 2012 e 2013; g) O Fisco qualificou ainda a multa de ofício no percentual de 150%, em função da apuração de forma contundene que os agentes que participaram da operação de compra e venda não eram os verdadeiros interessados na operação. Foram usados, tiveram a vontade manipulada em favor de terceiro. O poder de mando conferido aos Diretores pelos contratos sociais que dão foram à operação em nome da interposta MERIDIONAL já se encontrava deturpado. Foi provado que nem a PJ que implementa a condiçoa necessária ao aproveitamento fiscal do ágio gerado, nem seus representantes, estavam à frente da condução do negócio apresentado ao FISCO. Não havia qualquer interesse econômico ou mesmo capacidade financeira para que uma empresa à beira da extinção implementasse uma operação de grande monta sem ter qualquer objetivo econômico ou financeiro ou simplesmente para realizar o seu objeto através de terceiros; h) Foi uma conduta continuada que se refletiu em diversos períodos de apuração até finalmente ser ultimada nos anos de 2011, 2012 e 2013, provocada pela interposição do ato societário simulado em 2005, que gerou o ágio interno e, por 60 meses consecutivos provocou reduções ilícitas nas bases de cálculo dos tributos e/ou majorou ilicitamente so saldos dos prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL, usados para erodir as bases de cálculo dos tributos dos perídos subseqüentes, cujo crédito tributário é agora constituído por iniciativa do FISCO, por ter constatado a inércia do contribuinte frente à irreversível matéria definitivamente julgada no âmbito administrativo; i) Também foi aplicada a multa pelo não recolhimento das estimativas no período de 50%. Fl. 3525DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.525 9 Fl. 3526DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.526 10 j) Foi lavrada ainda a Representação Fiscal para Fins Penais e Termos de Responsabilidade Solidária aos Diretores da fiscalizada que detinham o poder de administração no momento da confecção das operações que fizeram nascer o ágio interno através da simulação da compra e venda de participação societária em mão contrária à reorganização societária concretizada no exterior, onde a relação de controle entre as empresas ALLIANCE e MERIDIONAL já administradas pelos mesmos foi criada e desfeita num curto espaço de tempo, com fins de criar artificialmente condições dispostas na Lei Tributária para amortizar o ágio interno, e reduzir os tributos e/ou majorar ilicitamente os saldos de prejuízos e bases negativas de CSLL que foram objeto de compensação nos anos de 2011, 2012 e 2013, incorrendo em clara infração ao artigo 7º da Lei nº 9.532/1997; k) Os seguintes diretores foram relacionados como Responsáveis Tributários Solidários: Fl. 3527DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.527 11 Devidamente cientificada em 20/10/2016 (fls. 2.717), a interessada, em 17/11/2016 apresentou impugnação (fls. 2.880/2.939), bem como seus Diretores, nomeados pelo fisco como responsáveis solidários, cujas defesas foram apresentads em 18/11/2016. I Da impugnação apresentada pela empresa Alliance One Brasil Exportadora de Tabacaria Ltda. a) Na autuação o Fisco sustenta que, em razão da amortização do ágio interno criado de forma supostamente fraudulenta e simulada pela interessada nos anos de 2005 a 2010, foram apurados prejuízos e bases de cálculo negativas os quais foram indevidamente compensados e resultaram no recolhimento a menor de IRPJ e de CSLL nos anos de 2011, 2012, 2013; b) Considerando que o presente lançamento fiscal tem por fundamento a glosa de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL realizada nas autuações que estão sob questionamento na esfera administrativa, não há dúvida de que a solução deste processo depende, diretamente, do resultado das referidas autuações; c) Apesar de as questõe prejudicial e prejudicada estarem divididas em processos separados, nunca é demais lembrar que a administração pública é uma, e portanto, com base nos princípios reguladores das suas atividades, tem a administraçõa a obrigação e o contribuinte o direito de receber uma só soluçõa para as matérias em disputa; d) Nesse contexto, é cristalina a vinculação deste processo aos demais processos administrativos 13005.001065/200911; 13005722696/201353 e 13005.721718/201449, razão pela qual devem ser reunidos para julgamento simultâneo ou alternativamente deve ser sobrestado o presente processo até o julgamento final da glosa das despesas com amortização do ágio; II – Da impossibilidade de aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada a) Além da aplicação equivocada da multa de 150% sobre os valores de IRPJ e CSLL considerados como não recolhidos pela impugnante, o Fisco aplicou multa isolada de 50% pela suposta insuficiência de recolhimentos mensais por estimativas; b) Esses percentuais não são razoáveis e possuem caráter confiscatório; c) Assim, diante da clara impossibilidade de aplicaçõa concomitante das multas de ofício e isolada, cumpre analisar qual delas seria, em tese, aplicável no presente caso, na remota hipótese de manutenção das infrações acima; d) Nesse contexto, na possível existência de infração tanto à obrigação de pagamento de estimativas mensais quanto à obrigação de pagamento anual do IRPJ e da CSLL em virtude dos mesmos fatos, é evidente que a segunda infração se sobrepõe à primeira, sendo ela a única punível mediante a aplicação da multa de ofício; Fl. 3528DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.528 12 III – Da inexistência de simulação e da impossibilidade de aplicação da multa agravada a) A mera leitura dos autos de infração é suficiente para concluir que o Fisco está sustentando a apuração da multa qualificada com base nos fatos que tratam a amortização de ágio e não na suposta compensação indevida de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativaa da CSLL, a qual é matéria efetivamente autuada no presente processo; Fl. 3529DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.529 13 Fl. 3530DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.530 14 b) Da leitura do referido comparativo vêse que para justificar a aplicação da multa qualificada na presente autuação o Fisco simplesmente copiou os mesmos argumentos que trata da amortização de ágio; c) A infração de ágio é totalmente autônoma e dissociada da suposta compensação indevida de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL; d) Isso porque é possível haver a suposta amortização indevida de ágio sem a compensaçõa de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL e viceversa; e) Se o Fisco optasse por exigir nas autuações o recolhimento dos tributos (IRPJ e CSLL) correspondentes à amortizaçõa do ágio sem aproveitamento do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL detido pela Alliance One, não teria havido qualquer repercussão tributária nos anos de 2011, 2012 e 2013 e, por conseqüência, a presente autuação sequer existiria; f) Da mesma forma, a interessada poderia, por exemplo, ter amortizado o ágio e optado por não utilizar o prejuízo fiscal e a base negativa da CSLL resultante dessa amortizaçõa na apuração do IRPJ e da CSLL nos anos seguintes; g) Não há como trazer os fatos pertinentes à amortização do ágio para tratar da multa qualificada pela compensação de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL, pois este ato não é uma mera decorrência daquele outro; h) Deveria o fisco demonstrar qual foi a fraude no caso da presente autuação; i) Vale dizer que o efetivo propósito negocial das operações que engendraram o registro e a amortização do ágio foi legítimo; j) Cada uma das operações realizadas no âmbito da reestruturação societária das atividades da impugnante refletiu exatamente a vontade entre as partes envolvidas e foi baseada em documentos válidos e declarações verdadeiras; k) A justificativa do Fisco para explicar a ocorrência de suposta simulação no caso em exame nõa se funda em qualquer hipótese de simulação indicada no artigo 167 do Código Civil; l) O auto de infração não tem fundamento no instituto da simulaçõa, estando baseado, estritamente, em uma análise subjetiva das operações em exame sob o enfoque da “substância sobre a forma”, o que não só não tem respaldo na legislação fiscal, como certamente nõa autoriza a aplicação de multa agravada; m) O evidente intuito de fraude deve ser comprovado pela autoridade fiscal; n) As operações envolvendo a impugnante foram realizadas sob o estrito amparo da legislação tributária e comercial, com claro e evidente intuito negocial e em absoluta transparência perante as autoridades fiscais; o) Não deverá prevalecer, portanto, a multa agravada; p) Por fim, considerandose que não se está diante de caso de aplicação inequívoca da multa agravada, fazse necessária a aplicação do artigo 112 do CTN (interpretação benigna); Neste sentido, requer sejam esses autos apensados aos demais processos administrativos; ou alternativamente o sobrestamento do feito e ainda requer o cancelamento das multas isoladas e a redução da multa qualificada para 75%. Quanto às impugnações dos responsáveis solidários, seguem as razões reunidas no texto abaixo, dado que as três impugnações possuem as mesmas alegações defensivas. Dos Responsáveis Solidários I – Da nulidade dos autos de infração Fl. 3531DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.531 15 a) As razões apresentadas pelo Fisco para justificar a responsabilidade solidária do impugnante não tem qualquer pertinência lógica com o objeto da autuação ora sob análise; b) Há ausência de nexo causal entre a infração tributária ora apontada e a justificativa apresentada para responsabilizar os Diretores (aqui impugnantes) por tal infração; c) Embora a autuação tenha por fundamento a compensação indevida de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL, a motivação para responsabilizar os impugnantes pelo crédito tributário está totalmente embasada na criação de ágio interno; d) Tal fato é evidenciado pelo quadro comparativo apresentado a seguir, no qual os impugnantes transcrevem a motivação apresentada pelo Fisco para responsabilizálo: Fl. 3532DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.532 16 Fl. 3533DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.533 17 e) Contudo, a suposta infração de registro e amortização de ágio é totalmente autônoma e dissociada da suposta compensação indevida de prejuízo fiscal e de base negativa da CSLL; f) Isso porque é possível haver a suposta amortizaçõa indevida de ágio sem a compensação de prejuízo fiscal e de base negativa da CSLL e viceversa; g) Não houve a demonstração pelo fisco qual foi a participação dos diretores na suposta compensação indevida de prejuízo fiscal e base negativa da CSLL; h) Evidente, portanto, a nulidade dos autos de infração; i) Quanto ao mérito, entendem os diretores que, ao contrário do que sustenta o Fisco, o simples fato de que a reorganização societária que ensejou o registro e a amortização do ágio, em 2005, quando eram Diretores da Meridional, não seria Fl. 3534DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.534 18 suficiente para justificar a responsabilidade tributária dos fatos gerados de 2011, 2012 e 2013; j) Para a imputação da responsabilidade solidária, seria imprescindível que as pessoas indicadas tivessem praticado atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos e que tal prática tenha resultado no surgimento da obrigação tributária (artigo 135 do CTN); k) A responsabilização constante no artigo 135 do CTN é uma medida de exceção, cabível tão somente em situações em que os requisitos lá previstos são exaustivamente comprovados; l) Vejase o Parecer PGFN/CRJ/CAT/nº 55/2009: m) A responsabilidade deve ser rejeitada, considerando que em nenhum momento foram indicadas e comprovadas as razões pelas quais o impugnante deveria ser responsabilizado pela suposta compensação indevida de prejuízo fiscal e de base negativa da CSLL; n) No que toca à simulação, entendem os diretores que inexiste nas operações em comento. Isso porque cada uma das operações mencionadas no Relatório Fiscal, realizadas no âmbito da reestruturação societária das atividades das Alliance One e da Meridional, refletiu exatamente a vontade entre as partes envolvidas e foi baseada em documentos válidos e declarações verdadeiras; o) As justificativas do Fisco não encontram respaldo no artigo 167 do Código Civil, para caracterizar a simulação; Fl. 3535DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.535 19 p) Os autos de infração encontramse baseados estritamente em uma análise subjetiva das operações em exame sob o enfoque da “substância sobre a forma”, o que não só tem respaldo na legislação fiscal, como certamente não autoriza a aplicação de multa agravada, nem a responsabilização dos diretores da impugnante; q) Também inexiste sonegação, fraude à lei, ou mesmo o dolo, pois o fisco não esclarece qual foi a conduta dolosa ativa ou omissiva dos diretores; r) O fisco imputa graves acusações sem sequer apresentar os mínimos esclarecimentos necessários para motiválas em evidente desrespeito aos princípios da legalidade, da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa; s) Assim, no caso em que o contribuinte organiza suas atividades estritamente de acordo com a lei e não utiliza de artifícios na tentativa de evitar ou de esconder qualquer elemento da obrigação tributária, devese concluir que a acusação de sonegação não é cabível, mesmo que as autoridades fiscais divirjam quanto à forma de tributação de tais atividades; t) Com base no acima exposto, fica evidente que todos os atos da Alliance One e da Meridional no contexto da unificação de suas atividades no Brasil foram praticados nos estritos termos da legislação aplicável à época, sem ocorrência de simulação, fraude ou dolo; u) Os atos foram praticados de forma transparente, aprovados pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e registrados perante as autoridades fiscais (Receita Federal) e comerciais (JUCERGS); v) Se o fisco, cinco anos depois da realização das operações de unificação das atividades dos grupos Dimon e Standard – e cujos resultados operacionais persistem até hoje – resolveu questionar os efeitos fiscais de tais operações, com base em argumentos sequer previstos na legislação nacional, isso certamente não significa que os atos tenham sido originalmente praticados com excesso de poderes ou infração da lei; w) O prório CARF afastou a responsabilidade solidária dos diretores nos autos do processo 13005.721718/201449, razão pela qual se requer a improcedência das imputações de responsabilidade solidária sobre os Diretores impugnantes. A r. DRJ em Brasília proferiu decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Deixa de se considerar a alegação de cerceamento ao direito de defesa da interessada, quando inexiste demonstração de prejuízo causado, bem como a interessada contesta todas as razões aventadas no instrumento administrativo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012, 2013 OPERAÇÕES DE REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. SIMULAÇÃO. COISA JULGADA NA ESFERA ADMINISTRATIVA. As operações de reorganização societária, para serem legítimas, devem possuir causa negocial real, inalterável ao arbítrio de quem as pratica e decorrer de atos efetivamente existentes e não serem artificiais e apenas formalmente registrados nos contratos sociais e na escrituração contábil. Quando o fato que deu origem a autuação já teve seu deslinde apreciado, prestigiase a coisa julgada, não mais podendo se decidir de forma diversa no âmbito da primeira instância administrativa. ÁGIO. SIMULAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. COISA JULGADA NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Constatada a simulação na criação de ágio, e em prestígio à coisa julgada, a simulação de ato continuado deve ser mantida. Fl. 3536DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.536 20 GLOSA DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASE NEGATIVA DA CSLL. PROCEDÊNCIA. A interessada, ao realizar reduções ilícitas em suas bases de cálculo de forma continuada e sobre elas apurar prejuízos e bases negativas, deve sofrer as respectivas glosas na forma da lei. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Comprovada a intenção de violação da norma fiscal com a finalidade de escapar do pagamento do imposto devido é cabível a imposição da multa qualificada. MULTA COM EFEITO DE CONFISCO. É vedado ao órgão administrativo o exame da constitucionalidade de lei, bem como o de eventuais ofensas pela norma legal aos princípios constitucionais da razoabilidade e da vedação de efeito confiscatório. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. APÓS ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO.CABIMENTO. Cabível a multa exigida isoladamente, quando a pessoa jurídica sujeita ao pagamento mensal do IRPJ, determinada sobre a base de cálculo estimada, deixar de efetuar o seu recolhimento dentro do prazo legal de vencimento, por expressa previsão legal. A referida multa é aplicável quando a falta é detectada após o encerramento do exercício de apuração da base de cálculo destes tributos, por interpretação lógica do disposto no artigo 44, II, b da Lei 9.430/96. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma referese ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. DIRETORES. É solidária a responsabilidade dos diretores pelos créditos decorrentes de obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração à lei. Respeito à COISA JULGADA na efera administrativa. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2011, 2012, 2013 CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Mantida a glosa de prejuízos, pelos mesmos fatos e conclusões, devem ser mantidas as glosas de base negativa da CSLL. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário para contestar o lançamento tributário e a decisão recorrida em relação à aplicação da multa qualificada de 150% e à cobrança cumulativa das multas de ofício e de multa isolada por suposta. Quanto à multa qualificada, afirma que não houve ato simulado, seja na compensação de prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSL, seja nas operações que resultaram no registro e amortização de ágio. Afirma que as autoridades utilizaram como motivação para manutenção da multa qualificada, os mesmos argumentos mencionados na autuação que trata da amortização indevida de ágio, como se fossem autuações idênticas. Enquanto se tratam de autuações autônomas e dissociadas da suposta compensação indevida de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL. Fl. 3537DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.537 21 Sustenta que embora o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL tenham sido aumentados em razão da amortização do ágio, a decisão por compensálos é autônoma e não pode ser considerada como uma decorrência direta da amortização. E que, portanto, deveriam as autoridades fiscais ter demostrado qual a fraude, sonegação ou conluio que justifica a multa qualificada. Afirma ainda que não merece guarida a decisão da DRJ no que afirma que a Recorrente havia conhecimento acerca da impossibilidade de manter os prejuízos fiscais em sua escrituração, pois as autuações fiscais que englobam grande parte do período aqui tratado são posteriores ao aproveitamento do crédito. Sustenta ainda que o fato de compensar créditos de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL, ainda que estejam em litígio, não se enquadra em nenhuma das hipóteses de simulação descritas no art. 167 do Código Civil. E acentua que os prejuízos fiscais e a base de cálculo negativa da CSLL, bem como as compensações sempre foram declaradas às autoridades administrativas na parte B do Lalur. E que mesmo as operações que deram ensejo ao ágio não seriam simuladas. Defende que o art. 112, do CTN deveria levar as autoridades administrativas a interpretarem o art. 44 da Lei nº 9.430/96 de maneira mais favorável à Recorrente. Sustenta ainda a impossibilidade de aplicação concomitante das multas de ofício e isolada, na medida em que sua aplicação conjunta resultaria em multa no monte de 200%, o que violaria os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Defende a aplicabilidade da Súmula 105 do CARF. Os responsáveis Henrique Duarte Campestrini, Hilton Kappaun e Alexandre Strohscoen, apresentaram Recurso Voluntário em que alegou a nulidade dos autos de infração, porque as autoridades fiscais não teriam apresentado a motivação necessária para fundamentar a responsabilidade tributária, invés disso fazendo constar as justificativas utilizadas na autuação que resultou na glosa do ágio amortizado. Além disso, os responsáveis Henrique Duarte Campestrini e Hilton Kappaun teriam deixado a empresa em 2008 e junho de 2006, respectivamente, de sorte que não poderia ser responsabilizado por atos realizados em 2011, 2012 e 2013. O que teria inclusive sido reconhecido pelas autoridades julgadoras. Acrescenta que não estão presentes os requisitos do art. 135 do CTN, haja vista que não poderia ter praticado atos com excesso de poderes após sua saída. Afirmam que não foi indicada qual a conduta sonegatória ou fraudulenta do responsável. Sustenta que as autoridades administrativas não se desincumbiram do ônus de provar a conduta infracional, nem a conduta dolosa. Sustentam, por fim, que não houve simulação na relação tributária que deu ensejo ao ágio. É o relatório. Fl. 3538DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.538 22 Voto Vencido (Na condição de redatora hoc, designada na forma do art. 17, inciso III do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, reproduzo o voto apresentado na sessão de julgamento de 19 de fevereiro de 2019 pelo Relator original, Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, dispensado do mandato de Conselheiro junto a este Colegiado por meio da Portaria ME/SE nº 713, publicada no Diário Oficial da União de 29 de abril de 2019.) 1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. – MÉRITO Desde logo pontuo que não serão analisadas as razões aduzidas pautadas nos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, pois demandaria uma análise acerca dos fundamentos da norma aplicável e eventual afastamento em decorrência de sua inconstitucionalidade. Tal medida, entretanto, não é possível em âmbito administrativo, no CARF sendo vedada por força da Súmula 2 do CARF que assim preceitua: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Gostaria de anotar também que as operações subjacentes que deram ensejo ao aumento dos prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL foram objetos de processos próprios, motivo pelo qual não me manifestarei sobre o tema, adotando como premissa o resultado daqueles julgamentos que reconheceram a existência de simulação. Vejamos as ementas: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PREMISSA. INSTITUTO JURÍDICOTRIBUTÁRIO. O conceito do ágio é disciplinado pelo art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 27/12/1977 e os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, e tratase de instituto jurídico tributário, premissa para a sua análise sob uma perspectiva histórica e sistêmica. APROVEITAMENTO DO ÁGIO. INVESTIDORA E INVESTIDA. EVENTOS. SEPARAÇÃO. UNIÃO. São dois os eventos em que a investidora pode se aproveitar do ágio contabilizado: (1) a investidora deixa de ser a detentora do investimento, ao alienar a participação da pessoa jurídica adquirida com ágio; (2) a investidora e a investida transformamse em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão). DESPESAS. AMORTIZAÇÃO. ÁGIO. A amortização, a qual se submete o ágio para o seu aproveitamento, constituise em espécie de gênero despesa, e, naturalmente, encontrase submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99, submetendose aos testes de necessidade, usualidade e normalidade. DESPESAS. FATOS ESPONTÂNEOS. Fl. 3539DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.539 23 Não há norma de despesa que recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Não há como estender os atributos de normalidade, ou usualidade, para despesas derivadas de operações atípicas, não consentâneas com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica. CONDIÇÕES PARA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TESTES DE VERIFICAÇÃO. A cognição para verificar se a amortização do ágio passa por verificar, primeiro, se os fatos se amoldam à hipótese de incidência dos arts. 385 e 386 do RIR/99, segundo, se requisitos de ordem formal estabelecidos encontramse atendidos, como arquivamento da demonstração de rentabilidade futura do investimento e efetivo pagamento na aquisição, e, terceiro, se as condições do negócio atenderam os padrões normais de mercado, com atuação de agentes independentes e reorganizações societárias com substância econômica. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. INVESTIDOR E INVESTIDA. MESMA UNIVERSALIDADE. Os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997 se dirigem às pessoas jurídicas (1) real sociedade investidora, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura, decidiu pela aquisição e desembolsou originariamente os recursos, e (2) pessoa jurídica investida. Devese consumar a confusão de patrimônio entre essas duas pessoas jurídicas, ou seja, o lucro e o investimento que lhe deu causa passam a se comunicar diretamente. Compartilhando do mesmo patrimônio a controladora e a controlada ou coligada, consolidase cenário no qual os lucros auferidos pelo investimento passam a ser tributados precisamente pela pessoa jurídica que adquiriu o ativo com mais valia (ágio). Enfim, tomase o momento em que o contribuinte aproveitase da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, para se aperfeiçoar o lançamento fiscal com base no regime de tributação aplicável ao caso e estabelecer o termo inicial para contagem do prazo decadencial. ALIENAÇÃO FICTÍCIA. INEXISTÊNCIA DE INVESTIDOR OU INVESTIDA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. Alienação fictícia no qual o alienante é o financiador do adquirente, passa a integrar o quadro societário do adquirente e a gerir indiretamente o investimento que já era de sua propriedade, descaracteriza por completo a operação. A valorização do investimento deuse especificamente para o registro do ágio, meramente escritural e sem nenhum pagamento. Tratase de caso em que não há que se falar de investidor ou investida, inexistindo subsunção aos arts. arts. 385 e 386 do RIR/99. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. PLUS NA CONDUTA. DOLO. Operações empreendidas que desvirtuaram o instituto de alienação, com reorganizações fictícias, que viabilizaram uma reavaliação no investimento meramente escritural, registro de ágio e posterior amortização, sem sacrifício de ativos e sem pagamento pelo sobrepreço, implicam na presença dos elementos volitivo e cognitivo, caracterizando o dolo, o plus na conduta que ultrapassa o tipo objetivo da norma tributária e é apenado com a qualificação da multa de ofício. (Processo Administrativo nº 13005.001065/200911, acórdão nº 9101002.311, relator André Mendes de Moura, sessão: 03/05/2016) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008 SIMULAÇÃO. Desencontro entre a verdade declarada e a verdade real satisfaz ao conceito de simulação. No caso, a vontade real era a criação de ágio amortizável, ao passo que a vontade declarada era a de aquisição de pessoa jurídica. Fl. 3540DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.540 24 ÁGIO INTERNO. RAZOABILIDADE. Não é razoável o argumento de reconhecimento de valor de mercado da empresa ante o benefício e consequente prejuízo a terceiro decorrente da criação fictícia do ágio. ÁGIO INTERNO. É rechaçada a criação de ágio por operações societárias dentro do mesmo grupo econômico, em especial quando não há movimentação financeira, apenas havendo alterações na escrituração contábil e notarial. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO (JCP). PATRIMÔNIO LÍQUIDO. CORREÇÃO DO BALANÇO. O registro de supostos equívocos na escrita contábil de ano anterior nas notas explicativas às demonstrações financeiras de 2008, feitos por auditoria independente, por si só, não permite a desconsideração do balanço patrimonial do ano de 2007 pela fiscalização, sem o aprofundamento e detalhamento dos motivos da autoridade fiscal. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO (JCP). INEFICÁCIA DE AUMENTO DE PATRIMÔNIO LÍQUIDO. Tendo sido considerado no resultado aumento de patrimônio líquido decorrente de operação cuja ineficácia tributária foi reconhecida (ágio inoponível ao Fisco), há que se corrigir os cálculos efetuados. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A simulação de operação societária operada dentro do mesmo grupo econômico com a criação de ágio amortizável caracteriza fraude, por atitude dolosa tendente a reduzir o montante do tributo devido, e justifica a aplicação da multa qualificada. (Processo Administrativo nº 13005.722696/201353, acordão nº 1302002.387, relator CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO, sessão: 17/10/2017) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2009, 2010 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. MATÉRIA PREJUDICADA NO JULGAMENTO DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS. RESTABELECIMENTO DA MULTA QUALIFICADA. CESSAÇÃO DA QUESTÃO PREJUDICIAL. NECESSIDADE DE JULGAMENTO DO MÉRITO. Uma vez restabelecida a aplicação da multa de ofício qualificada, deixa de existir questão implicitamente considerada como prejudicial pela Turma a quo por ocasião do julgamento dos recursos voluntários dos sujeitos passivos. Naquela ocasião, a responsabilidade solidária foi afastada em decorrência da desqualificação da multa de ofício. Tendo sido restabelecida, em sede de julgamento de recurso especial, a multa de ofício ao seu percentual qualificado de 150%, fazse necessário o retorno dos autos à Turma a quo para julgamento quanto ao cabimento da responsabilidade tributária solidária imputada aos exdiretores da contribuinte. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. A hipótese de incidência tributária da possibilidade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer a participação de uma pessoa jurídica investidora originária, que efetivamente tenha acreditado na "mais valia" do investimento e feito sacrifícios patrimoniais para sua aquisição. Inexistentes tais sacrifícios, notadamente em razão do fato de alienante e adquirente integrarem o mesmo grupo econômico e estarem submetidos a controle comum, evidenciase a artificialidade da reorganização societária que, carecendo de propósito Fl. 3541DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.541 25 negocial e substrato econômico, não tem o condão de autorizar o aproveitamento tributário do ágio que pretendeu criar. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. A constatação de evidente intuito de fraudar o Fisco, pela intencional prática de atos simulados, enseja a qualificação da multa de ofício. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2009, 2010 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Sendo a tributação decorrente dos mesmos fatos e inexistindo razão que demande tratamento diferenciado, aplicase à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ. (Processo Administrativo nº 13005.721718/201449, acórdão nº 9101003.442, relator Rafael Vidal de Araújo, sessão: 06/03/2018) Passo a análise dos argumentos aduzidos no Recurso Voluntário. 2.1 DA MULTA QUALIFICADA Como dito, adoto como premissa a existência de ato simulado, conforme o quanto disposto nos processos acima. Assim, resta saber se o aproveitamento de prejuízos fiscais e bases negativas advindas de operação simulada é por ela contaminada ou não. A meu ver, ainda que as duas ações – registro do ágio e compensação – não estejam necessariamente vinculadas, quando se utiliza de ato simulado para a produção do ágio, não é possível que se visualize outro objetivo que não sua amortização ou compensação. Desta forma, não há como ignorar a origem dos valores compensados indevidamente quando se analisa a existência dos elementos necessários exigidos pelo art. 44 da Lei nº 9.430/96 para a qualificação da multa: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 3542DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.542 26 Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Bem apontou o relator na r. DRJ: De forma alguma as autuações são dissonantes. Uma é decorrente da outra. Em função do resultado reiterado de amortizar um ágio advindo de atos simulatórios, de onde surgiram prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL apurados de forma ilícita e mantidos na contabilidade, mesmo após as decisões proferidas em julgados nos respectivos processos administrativos, não há como se dissociar as infrações e muito menos deixar de qualificar a multa de ofício. Assim, estando provada a ocorrência de conduta lesiva ao erário, dolosa, da autuada, justificase a aplicação da multa de ofício com o percentual de 150%, conforme enquadramento legal citado nos autos. Nessa toada, reconhecida a fraude na operação que origina o pretenso crédito a ser compensado, resta contaminada a própria compensação. A operação de ágio interno caracterizada como simulada não pode dar azo a compensação ou amortização que não sofram do mesmo vício na origem. Pelo exposto, concluo pela manutenção da multa qualificada. 2.2 DA CONCOMITÂNCIA ENTRE MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO Apesar de constante a discussão nessa turma, insisto na aplicabilidade da Súmula 105 deste e. CARF aos casos de concomitância de multa isolada e de ofício quando em razão do não pagamento de estimativas: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. É importante ressaltar que a própria C. Câmara Superior de Recursos Fiscais entendeu que a multa hoje prevista no art. 44, II, b da Lei nº 9430/96 corresponde a multa prevista no art. 44, §1º, IV da mesma Lei. Ou seja, a mera alteração geográfica da multa não é suficiente para afastar o racional subjacente da Súmula: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA ISOLADA. A falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL por contribuinte optante pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa isolada, independentemente do resultado apurado pela empresa no período. MULTA ISOLADA. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO APÓS O ENCERRAMENTO DO ANOCALENDÁRIO. Fl. 3543DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.543 27 Não há dúvida quanto à possibilidade de aplicação da multa isolada após o fim do anocalendário a que corresponde a estimativa faltante. O texto da lei diz que a pessoa jurídica que deixar de recolher estimativa fica sujeita à multa isolada “ainda que tenha sido apurado prejuízo ....” e não “ainda que venha a ser apurado prejuízo...”, numa clara indicação de que a multa deve ser aplicada mesmo com o período já encerrado, e não apenas no ano em curso. REVOGAÇÃO DE NORMA LEGAL. INOCORRÊNCIA. A Lei nº 11.488/2007 não implicou em qualquer revogação da norma que prevê a aplicação de multa isolada para o caso de falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa mensal. Houve apenas uma nova disposição do texto normativo, que não se confunde com a norma que dele se extrai. A referida norma legal, antes prevista no art. 44, § 1º, IV, da Lei 9.430/1996, apenas passou a constar do art. 44, II, “b”, da mesma lei, com um percentual menor do que o anteriormente previsto (50% e não mais 75%). CSLL. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA ISOLADA. Em relação à multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais, devem ser aplicados à CSLL os mesmos fundamentos adotados para o IRPJ. (Processo administrativo nº 10980.016269/200750, acórdão nº 9101003.869, relatoria do Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, julgado em 04/10/2018) A alteração da legislação em 2007, a meu ver, não altera o raciocínio subjacente à súmula. Assim, entendo que deva ser afastada a multa isolada. 2.3 RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES Entendo que assiste razão aos responsáveis solidários quando alegam a nulidade do auto de infração, no que imputa a responsabilidade, por ausência de motivação. O fato de eles terem sido os diretores em cargo quando da operação que ensejou o ágio apontado como simulado, não pode ensejar responsabilização por compensação levada a cargo inclusive após sua retirada da empresa. Peço vênia para transcrever o excerto do acórdão da r. DRJ em relação à matéria: E, assim sendo, diante da falta de demonstração do prejuízo causado à sua defesa, e verificando que o interessado contestou de forma precisa todos os pontos tanto da Representação Administrativa quanto do Ato Declaratório de exclusãose, não há como sustentar que tenha sido maculado o ato administrativo, sob a alegação de que estaria cerceado o interessado no seu direito de defesa, razão pela qual REJEITO a presente alegação. Fazse oportuno enfatizar que HILTON KAPPAUN e HENRIQUE DUARTE CAMPESTRINI foram sóciosadministradores da "DIMON do Brasil Ltda. no período da incorporação internacional e exerciam o cargo de Diretor Presidente e Diretor Financeiro, respectivamente, conforme Contrato Social, alteração de 12/05/2004. Na alteração contratual de 16/05/2005, momento em que a DIMON DO BRASIL assumiu a identidade do novo grupo internacional com a mudança de seu nome para ALLIANCE ONE EXPORTADORA, ainda mantinham a qualidade de sócios administradores e o cargo de Diretor Presidente e Diretor Financeiro. Fl. 3544DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.544 28 Na alteração contratual de 18/08/2005, cedem sua(s) quota(s) à INTABEX (controladora estrangeira), porém continuam a exercer a administração da empresa nos cargos antes mencionados. Nessa data, ainda são promovidos os ajustes para que seja implementada a alteração contratual que admitiu a MERIDIONAL como sócia da ALLIANCE pela "venda" das quotas pela INTABEX com ágio. Quanto a Alexandre Strohscoen, foi administrador eleito da MERIDIONAL DE TABACOS Ltda. no período da incorporação internacional. Exercia o cargo de Diretor Financeiro da MERIDIONAL conforme ata de eleição de administradores de 16/06/2004. Assinou a alteração contratual de 30/08/2005, da ALLIANCE EXPORTADORA DE TABACOS LTDA e representou a MERIDIONAL formalmente no ato que criou o ágio interno por ato de simulação de compra e venda de quotas sociais e que teve por objetivo a criação artificial da relação de controle entre a futura incorporada com a sua futura incorporadora. Ressaltese que não possuía poderes emanados pelo contrato social para representar a empresa em negócios alheios ao seu objetivo social. Após o ato de incorporação da MERIDIONAL pela ALLIANCE foi o único diretor da MERIDIONAL que assumiu cargo de DIRETOR na ALLIANCE ONE, conforme alteração contratual de 30/09/2005. Portanto, ato contínuo aos fatos de criação artificial do ágio interno da ALLIANCE e da relação de controle, e após a incorporação reversa concretizada, foi nomeado administrador e responsável pela área financeira, no exercício do cargo de Diretor Financeiro da empresa que se beneficiou da redução tributária de forma ilícita. Mantevese no cargo de Diretor Financeiro da ALLIANCE até 01/08/2008, momento em que assumiu o cargo de Diretor Financeiro Regional para América do Sul, compondo a administração regional do grupo ALLIANCE, cargo que manteve até 01/08/2010, momento que assumiu o cargo de Diretor Regional para a América do Sul. conforme alteração do contrato social de 01/08/2010, compondo a administração do início ao final dos efeitos tributários que a beneficiaram. A participação do Diretor nos atos societários das MERIDIONAL que viabilizaram a criação do ágio interno e a sua imediata nomeação no cargo de DIRETOR FINANCEIRO da ALLIANCE, demonstra que possuía plena ciência dos fatos que fez nascer o pseudo direito ao benefício fiscal sem obstar seus efeitos no futuro. A fiscalização identificou que a administração local do Grupo Alliance foi a responsável pela contratação e avaliação do seu próprio capital, conforme revela a exposição de motivos no Laudo de Avaliação exarado por PricewaterhouseCoopers, que gerou o ágio e contribuiu decisivamente para implementar uma condição fictícia necessária ao uso da Lei (a futura incorporada se tornasse controladora para, em ato contínuo, fosse incorporada pela sua controlada com ágio interno gerado da incorporadora já eleita), e assim, a contribuinte se enquadrasse no permissivo legal que dava vazão a dedução da base de cálculo do IRPJ e CSLL nos sessenta meses posteriores ao ato, materializando a redução ilícita dos tributos que são constituídos no presente auto de infração. As pessoas apontadas como responsáveis eram diretores e estavam à frente da administração regional do grupo ALLIANCE, que efetivamente implantou a reorganização de forma a criar o ágio e a relação fictícia de controle da ALLIANCE pela MERIDIONAL no reduzido lapso temporal. Apesar de terem deixado o cargo em 06/06/2007 e 01/08/2008, os atos implementados sob sua administração em 2005 tiveram reflexos continuados até 09/2010. Diante do exposto, temse que HILTON KAPPAUN, HENRIQUE DUARTE CAMPESTRINI e ALEXANDRE STROHSCOEN, no exercício de suas funções de diretores, infringiram deliberadamente a lei tributária, mais especificamente o art. 7º da Lei 9.532/1997, criando artificialmente, por meio de simulação, condições exigidas Fl. 3545DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.545 29 pela lei para usufruir do benefício fiscal, inalcançável se a formalidade da incorporação no Brasil retratasse a materialidade da incorporação internacional, o que caracterizou a conduta sonegatória e fraudulenta. Dessa forma, mantémse a imputação de responsabilidade solidária às referidas pessoas físicas, feita nos termos do art.135, III, do CTN. O próprio acórdão emanado pela d. DRJ é confuso nesse tópico, mas acentua a saída dos responsáveis em momento anterior a compensação glosada. De sorte que impossível se vislumbrar o nexo causal suficiente para lhes atribuir responsabilidade. Não bastasse isso o art. 135 do CTN é claro ao afirmar que são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Embora eu entenda que a simulação fraudulenta que deu origem ao crédito pleiteado contamine a compensação para o contribuinte, este mesmo elemento não é suficiente para a atribuição de responsabilidade no que concerne fatos geradores ocorridos após a saída dos pretensos responsáveis do cargo de gerência. A meu ver, estão ausentes os requisitos para atribuição de responsabilidade. Isto posto, acolho a preliminar de nulidade suscitada pelos responsáveis, e caso não seja o entendimento compartilhado por essa c. Turma, no mérito, entendo estarem ausentes os requisitos para atribuição de responsabilidade nos termos do art. 135, III do CTN. 3. Conclusões Isto posto, encaminho voto no sentido de: 1) manter as multas qualificada e de ofício; e 2) afastar multa isolada, 3) afastar a responsabilidade dos três diretores. É como voto. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Redatora ad hoc Fl. 3546DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.546 30 Voto Vencedor Evandro Correa Dias Redator Designado O i. relator, no seu voto, entendeu pela aplicabilidade da Súmula 105 deste e. CARF aos casos de concomitância de multa isolada e de ofício quando em razão do não pagamento de estimativas, motivo pelo qual concluiu que deveria ser afastado a multa isolada no caso concreto. Contudo, no entender do colegiado discordase do i. relator, decidindose, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário em relação à aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO IMPOSTA AO FINAL DO ANOCALENDÁRIO POR FALTA DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS DO IRPJ E DO CSLL A questão a ser dirimida diz respeito à possibilidade de serem aplicadas, simultaneamente, a multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas mensais, e a multa de ofício pela falta de recolhimento do tributo devido no ajuste anual. Em relação à possibilidade de aplicação cumulativa das multas de ofício e isolada cumpre salientar, preliminarmente, que não se aplica à espécie a Súmula CARF nº 105, segundo a qual “a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício”. Isso porque a cumulação entre as multas só é vedada pela referida súmula em relação às autuações relativas a períodos anteriores a 22 de janeiro de 2007, data da entrada em vigor da MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou significativamente o art. 44 da Lei nº 9.430/96, confirase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 3547DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.547 31 b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) Observase que o art. 44 da Lei nº 9.430/96 foi alterado pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, dandolhe nova redação, reduzindo a multa isolada para 50%; deixando claro que a referida multa isolada era cabível no caso de estimativa mensal não paga e não de tributo final não pago. Ressaltase que as bases de cálculo das citadas multas foram diferenciadas, afastandose, dessa forma, qualquer alegação de bis in idem. Com efeito, segundo texto dado pela Lei nº 11.488/2007, a base de cálculo da multa isolada pela falta de pagamento da estimativa consiste no valor do pagamento mensal, no percentual de 50%, enquanto a multa pelo lançamento de ofício incide sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, no percentual de 75%. Por fim, cabe registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais sinalizou ser possível a cobrança concomitante da multa de ofício com a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas após a entrada em vigor da MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007. Confirase, por oportuno, o que ficou registrado no Acórdão nº 910102.438: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário:2008, 2009 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, deixa clara a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". A lei ainda estabelece a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no anocalendário correspondente. No caso em apreço, não tem aplicação a Súmula CARF nº 105, eis que a penalidade isolada foi exigida após alterações promovidas pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Diante do exposto e considerando que restou plenamente configurado o desrespeito do recorrente ao disposto no art. 44, II, “b” da Lei nº 9.430/96 e, ainda, que o fato gerador do presente feito é posterior ao advento da MP nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007), não há qualquer dúvida sobre a possibilidade/necessidade de cobrança da multa isolada, exigida em face do não pagamento do tributo devido pelo regime de estimativa. Fl. 3548DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.548 32 Concluise que é possível a cumulação entre multa de ofício e multa isolada, pois são penalidades distintas que incidem sobre bases de cálculo diversas, mormente em face da alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007) na redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário relativamente à aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada, o que já foi acatado pelo colegiado, nos termos supracitados. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 3549DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.904583/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2002
PER/DCOMP. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Não havendo comprovação da liquidez e certeza do crédito objeto de PER/DComp, é de se negar o pedido repetitório.
Numero da decisão: 1401-003.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedida de participar do julgamento a Conselheira Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin substituída pela conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10880.904582/2009-37, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não havendo comprovação da liquidez e certeza do crédito objeto de PER/DComp, é de se negar o pedido repetitório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedida de participar do julgamento a Conselheira Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin substituída pela conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10880.904582/200937, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 45 83 /2 00 9- 81 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.904583/200981 Acórdão n.º 1401003.224 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DComp por meio do qual o contribuinte pediu a restituição de pagamento a maior ou indevido e declarou a compensação de débitos. A Delegacia da Receita Federal indeferiu o pedido e não homologou a compensação declarada em face de o DARF indicado pelo contribuinte ter sido inteiramente utilizado para a quitação de débito declarado em DCTF, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DComp. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade no qual aduziu que, sendo um consultório de odontologia, enquadraseia na regra que prevê a tributação de serviços hospitalares, com percentual de presunção do IRPJ de 8% e da CSLL de 12%, ao invés do percentual de 32% dos serviços em geral. Contudo, os débitos originalmente declarados em DCTF foram apurados com o percentual de 32%. Assim, a diferença entre os montantes calculados com o percentual de 32%, efetivamente recolhidos, e o montantes devidos com a aplicação do percentual mais benéfico configurariam pagamento indevido ou a maior. Esta diferença é que estaria sendo pleiteada no PER/DComp sob análise. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento não acolheu a manifestação de inconformidade do contribuinte. O fundamento utilizado pela DRJ para indeferir o pedido de reforma do Despacho Decisório da DRF foi a ausência de comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Alegou a DRJ que a DCTF constitui confissão de dívida e que, portanto, para que o débito declarado, que não foi retificado pelo contribuinte, seja desconstituído é preciso que sejam apresentadas provas contundentes de que a verdade material é outra. Destacou a DRJ que o ônus de comprovar o direito creditório é do contribuinte, mas que este não detalhou a composição da receita auferida no período e não trouxe nenhuma comprovação de que se enquadre na prestação de serviços hospitalares de que trata o artigo 23 da IN SRF nº 306/2003 (notas fiscais de serviço, relatórios). Irresignado, o contribuinte manejou o recurso voluntário ora sob análise, no qual reiterou os argumentos da manifestação de inconformidade. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.904583/200981 Acórdão n.º 1401003.224 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401003.220, de 19/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.904582/2009 37, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1401003.220): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos legais. Dele, tomo conhecimento. Conforme relatado, a DRJ delineou de forma correta a controvérsia posta para solução. Tratase de matéria probatória. Tratase de determinar a liquidez e certeza do crédito objeto do pedido de repetição, com declaração de compensação, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. No recurso voluntário, o contribuinte fez longa defesa da interpretação do artigo 23 da IN SRF nº 306/2003, vigente à época dos fatos, de forma a enquadrar sua atividade consultório de odontologia como serviço hospitalar. Com isso, defendeu o direito a apurar o lucro presumido conforme a alíquota mais benéfica e não a alíquota aplicável aos serviços em geral. Contudo, esta não é a questão posta. Nem a DRF no Despacho Decisório, nem a DRJ no Acórdão de Manifestação de Inconformidade fundamentaram suas decisões na inaplicabilidade do disposto no artigo 23 da IN SRF nº 306/2003 ao contribuinte. A questão posta desde o início é a desconstituição de débito constituído por meio de DCTF, que requer a comprovação de qual é o débito condizente com a verdade material. Em outras palavras, se o contribuinte equivocouse na DCTF e na DIPJ e declarou débitos maiores do que os devidos, deve comprovar qual o montante efetivamente devido e, por consequência, comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. É preciso lembrar que, de acordo com artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, o contribuinte deve apresentar na manifestação de inconformidade "os motivos de fato e de direito em que se Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10880.904583/200981 Acórdão n.º 1401003.224 S1C4T1 Fl. 5 4 fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". No mesmo sentido, o artigo 373, I, do Código de Processo Civil determina que incumbe ao autor o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Não é demais lembrar, também, que a determinação da aplicação do percentual de 8% (IRPJ) e 12% (CSLL) é dirigido à atividade e não à pessoa que desenvolve serviços hospitalares. É o que se depreende da dicção do artigo 15, § 1º, III, "a", e § 2º, da Lei nº 9.249/95, verbis: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; (...) 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. (...)”. grifei. Assim, não basta que o contribuinte faça prova, por meio do contrato social, de que desenvolve atividades enquadradas no conceito de serviços hospitalares para que, automaticamente, toda a receita operacional auferida seja enquadrada nos percentuais de 8% (IRPJ) e 12% (CSLL). É preciso que o contribuinte junte elementos para vincular a receita à atividade de serviço hospitalar. Daí a DRJ mencionar notas fiscais e relatórios. Também é preciso juntar elementos de prova da contabilidade para se determinar se as receitas declaradas estão de acordo com a escrita comercial (ou Livro Caixa). Sem a apresentação de tais elementos probatórios, o pedido do contribuinte carece de liquidez e certeza. Conclusão. Portanto, não tendo o contribuinte logrado apresentar elementos mínimos de prova da liquidez e certeza do crédito pleiteado, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10880.904583/200981 Acórdão n.º 1401003.224 S1C4T1 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.007535/2008-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 27/01/2004
IRRF. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO.
Cabe ao contribuinte comprovar o imposto de renda retido na fonte para poder utilizá-lo na compensação de crédito tributário.
PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA.
A impugnação deverá vir instruída com todos os documentos e provas que o interessado possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária.
PRETERIÇÃO DE DIRETO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há preterição de direito de defesa quando os autos demonstram que o contribuinte teve amplas possiblidade de apresentar suas razões.
Numero da decisão: 2402-006.950
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar proposta de conversão do julgamento em diligência, sendo vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior (autor da proposta) e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11020.007525/2008-10, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira- Presidente e Relator.
Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 27/01/2004 IRRF. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO. Cabe ao contribuinte comprovar o imposto de renda retido na fonte para poder utilizá-lo na compensação de crédito tributário. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. A impugnação deverá vir instruída com todos os documentos e provas que o interessado possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária. PRETERIÇÃO DE DIRETO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há preterição de direito de defesa quando os autos demonstram que o contribuinte teve amplas possiblidade de apresentar suas razões.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1908; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.007535/200855 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.950 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de fevereiro de 2019 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Recorrente UNIMED NORDESTE RS SOC COOP SERV MED Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 27/01/2004 IRRF. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO. Cabe ao contribuinte comprovar o imposto de renda retido na fonte para poder utilizálo na compensação de crédito tributário. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. A impugnação deverá vir instruída com todos os documentos e provas que o interessado possuir, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária. PRETERIÇÃO DE DIRETO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há preterição de direito de defesa quando os autos demonstram que o contribuinte teve amplas possiblidade de apresentar suas razões. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar proposta de conversão do julgamento em diligência, sendo vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior (autor da proposta) e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 75 35 /2 00 8- 55 Fl. 244DF CARF MF Processo nº 11020.007535/200855 Acórdão n.º 2402006.950 S2C4T2 Fl. 3 2 julgamento do processo 11020.007525/200810, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator. Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.938, de 12 de fevereiro de 2019 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 11020.007525/200810, paradigma deste julgamento, com adaptações na forma a seguir apresentada. Tratase de recurso voluntário pelo qual a recorrente se indispõe contra acórdão de impugnação, onde a Turma de DRJ competente acolheu apenas parcialmente pedido de compensação de IRRF apresentado pela empresa. A recorrente apresentou PER/DCOMP requerendo a compensação de débito de IRRF, código 0588, com valores retidos no mesmo mês, por tomadores de serviços prestados por seus associados. A contribuinte foi cientificada da homologação apenas parcial de seu pedido, vindo a apresentar manifestação de inconformidade contra tal decisão. A autoridade de piso, ao examinar o caso, decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a fiscalização intimasse, recebesse e analisasse os comprovantes de retenção emitidos em nome da recorrente, bem como emitisse um relatório circunstanciado acerca do montante do crédito comprovado, cientificando ao final a empresa sobre as suas conclusões. Realizado tal procedimento, a recorrente manifestou concordância com a parte do crédito reconhecido pela auditoria, pedindo, entretanto, que a DRJ ordenasse uma complementação da diligencia, para que a auditoria examinasse sua contabilidade e detectasse os casos de retenções não declaradas em DIRF pelos tomadores de seus serviços. Pediu, ainda, que, caso o julgador não concordasse com tal complementação, que ao menos concedesse um novo prazo para a empresa juntar as faturas de sua emissão contendo destaques das retenções sofridas no período. Posteriormente, a Turma de DRJ exarou o acórdão recorrido, decidindo pela procedência parcial da manifestação de inconformidade da contribuinte e indeferindo o novo pedido de diligência, ao argumento de que o ônus de prova seria da contribuinte e que caberia a Fl. 245DF CARF MF Processo nº 11020.007535/200855 Acórdão n.º 2402006.950 S2C4T2 Fl. 4 3 essa, portanto, ter apresentado os elementos probantes de suas alegações junto com inconformidade, em vez de tãosomente disponibilizar sua contabilidade à fiscalização. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário em apreço, pedindo a anulação do acórdão combatido, por preterição de direito de defesa, e requereu a realização de nova diligência (a fim de comprovar as retenções sofridas) ou que, ao menos, fosse autorizada a juntada de cópias de faturas com os destaques das retenções sofridas. É o relatório. Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira, Relator. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.938, de 12 de fevereiro de 2019 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 11020.007525/200810, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2402006. 938, de 12 de fevereiro de 2019 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2402005.938 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Da admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais para sua admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Do pedido de anulação da decisão recorrida Quanto ao pedido de anulação do acórdão recorrido, analisados os autos, verificase que a autoridade de piso concedeu amplas possibilidades de a contribuinte apresentar suas razões e juntar todos os elementos de prova que considerasse necessários. Consta, inclusive, que o primeiro grau autorizou a realização de diligência requerida pela empresa, tendo a fiscalização estendido por 80 dias o prazo para a recorrente apresentar as provas constitutivas de seu direito, além de outros 30 dias para, ao final do procedimento, manifestarse sobre as conclusões da auditoria. Foi observado, também, que o acórdão combatido detalha e análise todos os argumentos e pedidos apresentados pela recorrente, expondo de forma clara as razões que motivaram a decisão proferida. Assim, entendese que o indeferimento do segundo pedido de diligência da recorrente, apresentado logo após a conclusão do primeiro Fl. 246DF CARF MF Processo nº 11020.007535/200855 Acórdão n.º 2402006.950 S2C4T2 Fl. 5 4 procedimento, em nada afetou seu direito de defesa, descabendo razão à empresa quanto a esse aspecto. Da diligência requerida Sobre o pedido de diligência apresentado no recurso voluntário, conforme exposto, os autos demonstram que foram disponibilizadas à contribuinte todas as oportunidades para a apresentação dos elementos probantes que desejasse, descabendo ao fisco auditar a contabilidade da empresa a fim de localizar informações que a própria contribuinte afirma possuir, uma vez que, na dicção do Art. 373, I do CPC, é do autor o ônus da prova dos fatos constitutivos de seu direito. Do pedido para apresentação de novos documentos A respeito do pedido para apresentação, neste momento processual, de faturas de emissão da recorrente, contendo destaques das retenções sofridas no período, deve ser observada a norma contida no art. 16, §4º, do DL 70.235/72, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Conforme se verifica, tais provas deveriam ter sido produzidas junto com a impugnação (manifestação de inconformidade), estando precluso o direto de a contribuinte apresentálas em outro momento processual, a menos que se demonstre a impossibilidade de fazêlo anteriormente, seja por motivo de força maior, fato ou direto superveniente ou, ainda, que a prova vise contrapor fatos ou razões trazidas posteriormente aos autos, circunstâncias que não se vislumbram no presente caso, devendo, por isso, ser denegado o pedido. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 11020.007535/200855 Acórdão n.º 2402006.950 S2C4T2 Fl. 6 5 Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário apresentado e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o crédito tributário discutido." Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário apresentado e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o crédito tributário discutido. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 248DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.902992/2008-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
DIREITO CREDITÓRIO. VINCULAÇÃO AO PEDIDO.
A autoridade julgadora está vinculada ao crédito original formalizado no Pedido de Ressarcimento ou Restituição, sendo vedado reconhecer além deste montante.
DECISÃO DRJ. ERRO. REFORMA DA DECISÃO EM SEGUNDA INSTÂNCIA.
Constatando-se que a DRJ incorreu em erro ao considerar que todas as Declarações de Compensação estava calcadas em um único Pedido de Ressarcimento ou Restituição, é de se reformar a decisão a quo para homologar as compensações feitas até o montante formalizado nos respectivos PER.
Numero da decisão: 1401-003.321
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário reconhecendo o direito creditório de R$ 1.642.549,88 e homologar as compensações até o limite do valor reconhecido, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Soares Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
Nome do relator: CARLOS ANDRE SOARES NOGUEIRA
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VINCULAÇÃO AO PEDIDO. A autoridade julgadora está vinculada ao crédito original formalizado no Pedido de Ressarcimento ou Restituição, sendo vedado reconhecer além deste montante. DECISÃO DRJ. ERRO. REFORMA DA DECISÃO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. Constatandose que a DRJ incorreu em erro ao considerar que todas as Declarações de Compensação estava calcadas em um único Pedido de Ressarcimento ou Restituição, é de se reformar a decisão a quo para homologar as compensações feitas até o montante formalizado nos respectivos PER. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário reconhecendo o direito creditório de R$ 1.642.549,88 e homologar as compensações até o limite do valor reconhecido, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 29 92 /2 00 8- 00 Fl. 243DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente). Relatório Tratase de Pedidos de Restituição/Ressarcimento e de Declarações de Compensação (PER/DComp) apresentados pelo contribuinte em 31/10/2006, por meio dos quais formalizou os seguintes créditos e declarou compensações nos seguintes montantes: PER/DComp Crédito Original R$ Débitos Compensados R$ 05076.61546.311006.1.3.020476 845.093,12 845.093,12 31739.46208.311006.1.3.029490 162,65 162,65 11870.44925.311006.1.3.028498 5.294,11 5.294,11 14008.26727.311006.1.3.023472 347.294,12 347.294,12 40214.18900.311006.1.3.021881 10.588,23 10.588,23 06374.00306.311006.1.7.022455 434.117,65 434.129,25 Total do crédito pleiteado 1.642.549,88 Total dos débitos compensados 1.642.561,48 Os créditos pleiteados pelo contribuinte decorriam de saldo negativo de IRPJ apurado no quarto trimestre de 2005. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Manaus, ao tratar os PER/DComp do contribuinte, indeferiu o crédito formalizado no PER nº 05076.61546. 311006.1.3.020476 e não homologou as compensações declaradas nas DComp acima listadas. O motivo do indeferimento foi a ausência de saldo negativo de IRPJ na DIPJ/2006 (anocalendário 2005). Impende destacar que a DRF considerou que todas as Declarações de Compensação estavam calcadas no crédito formalizado pelo contribuinte no PER nº 05076.61546.311006.1.3.020476, conforme se pode observar no seguinte trecho do Despacho decisório: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que não houve apuração de crédito na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo Informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 845.093,12 Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10283.902992/200800 Acórdão n.º 1401003.321 S1C4T1 Fl. 235 3 Valor do crédito na DIPJ: R$ 0,00 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: 31739.46208.311006.1.3.029490 05076.61546.311006.1.3.020476 11870.44925.311006.1.3.028498 40214.18900.311006.1.3.021881 06374.00306.311006.1.7.022455 14008.26727.311006.1.3.023472 Inconformado com o Despacho Decisório, o contribuinte manejou a manifestação de conformidade, por meio da qual, em síntese, informou a retificação da DIPJ para que esta passasse a refletir o saldo negativo de IRPJ. Alegou tratarse de erro formal que não poderia afetar seu direito ao crédito pleiteado. Segundo alegado, teria deixado de declarar a utilização de juros sobre capital próprio e o respectivo IRRF. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém ao analisar a matéria, chegou à conclusão de que o contribuinte havia comprovado de forma suficiente que havia apurado, no quarto trimestre de 2005, um saldo negativo de R$ 2.092.331,38. Contudo, reconheceu apenas o direito ao crédito de R$ 845.093,12, que foi formalizado no PER nº 05076.61546.311006.1.3.020476. É o que se pode depreender do seguinte trecho do acórdão de piso: Conforme DIPJ/2006, anocalendário 2005 retificadora apresentada em 08/09/2009 (fls.24/26), no 4º trimestre houve apuração de saldo negativo IRPJ de R$ 2.092.331,38, o qual seria composto por IRPJ Retido na Fonte no mesmo valor em função da apuração de prejuízo fiscal no período. Na mesma DIPJ, agora analisando a Ficha 50 – IRPJ Retido na Fonte (fls.47/51) verificamos os seguintes dados acerca do recebimento de juros sobre o capital próprio no 4º trimestre: • Juros Sobre o Capital Próprio Recebidos: R$ 11.853.688,89. • IRPJ Retido na Fonte sobre os Juros Recebidos: R$ 1.778.053,28. No que se refere aos rendimentos de aplicações financeiras, por sua vez, em função dos mesmos documentos de fls.47/51 e tratando do 4º trimestre/2005, temos: • Rendimentos de Aplicações Financeiras: R$ 1.397.719,46. • IRPJ Retido na Fonte: R$ 314.278,10. Comparando os dados acima com os informados pelo contribuinte na Demonstração do Resultado (Ficha 06A) – Fl. 245DF CARF MF 4 fls.52/54, verificamos que o contribuinte ofereceu à tributação os juros sobre o capital próprio e os rendimentos de aplicações financeiras exatamente no montante informado pelas fontes pagadoras, sendo cabível portanto o aproveitamento da respectiva retenção, cujo total é de R$ 2.092.331,38. Admitindose como corretos os valores informados pelo contribuinte na Ficha 12A da DIPJ/2006 – 4º trimestre/2005, o saldo negativo correto corresponde ao total das retenções na fonte, ou seja, R$ 2.092.331,38, somatório das retenções constantes das DIRF`s (fls.55/72) e declarado pelo contribuinte na DIPJ/2006 (fls.25/26). Por outro lado, o crédito a ser reconhecido, no caso em tela, é o indicado no PER/DCOMP 05076.61546.311006.1.3.020476, qual seja, R$ 845.093,12. (as folhas mencionadas são do processo em papel) A DRJ entendeu, da mesma forma que a DRF, que as compensações declaradas nas DComp acima citadas estavam calcadas no crédito de R$ 845.093,12. Desta forma, considerou a manifestação de inconformidade parcialmente procedente para homologar as compensações até o limite de R$ 845.093,12. A ementa da decisão de primeira instância restou consignada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 SALDO NEGATIVO IRPJ. IRRF. COMPROVAÇÃO. Tendo o contribuinte apurado na DIPJ saldo negativo equivalente ao somatório das retenções na fonte e uma vez comprovados o oferecimento à tributação dos rendimentos que deram origem às retenções e a existência das retenções aproveitadas, o direito creditório resta incontroverso. COMPENSAÇÃO.HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. As compensações resultam homologadas até o limite do crédito reconhecido. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido Irresignado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual alegou, resumidamente, que o saldo negativo de R$ 2.092.331,38 foi reconhecido pela DRJ e, portanto, seria incontroverso no processo, e que o erro formal de registrar no PER nº 05076.61546.311006.1.3.020476 apenas o crédito de R$ 845.093,12 não poderia fundamentar o indeferimento do direito à compensação de R$ 1.247.238,26 (R$ 2.092.331,38 R$ 845.093,12). No final deste relatório, é oportuno destacar que foram apensados ao processo nº 10283.902992/200800 os processos nº 10283.903053/200874, Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10283.902992/200800 Acórdão n.º 1401003.321 S1C4T1 Fl. 236 5 10283.904386/200811, 10283.904388/200818 e 10283.904389/200854. Todos tratam das Declarações de Compensação mencionadas e estão sob julgamento na presente sessão. Era o que havia a relatar. Voto Conselheiro Carlos André Soares Nogueira, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos legais. Dele, tomo conhecimento. À partida, é preciso delimitar a matéria que está sendo devolvida para análise da segunda instância administrativa. Conforme relatado acima, a DRJ, ao analisar os elementos probatórios juntados pelo contribuinte, reconheceu que este logrou comprovar suficientemente o saldo negativo de IRPJ de R$ 2.092.331,38 no quarto trimestre de 2005. Considerando que, na parte dispositiva, a DRJ deferiu apenas R$ 845.093,12, não houve recurso de ofício. Na espécie, entendo que o reconhecimento do saldo negativo, no que tange à matéria probatória, é definitivo. Pensar de forma diversa redundaria em reformatio in pejus. Vejamos. As provas juntadas pelo contribuinte resumiramse à DIPJ retificadora e à Demonstração de Resultado. A DRJ considerou as provas hábeis para comprovar o crédito pleiteado. Caso os elementos de prova fossem considerados, no presente julgamento de segunda instância, insuficientes para a comprovação do saldo negativo pleiteado, chegarseia à conclusão de que o crédito seria inteiramente indevido, o que é vedado. Assim, entendo que a matéria que está sendo devolvida para análise desta Turma, por força do recurso voluntário, é o direito do contribuinte à repetição do montante original de R$ 1.247.238,26, em complemento ao valor de R$ 845.093,12 já reconhecido na decisão de piso, totalizando R$ 2.092.331,38. Inicialmente, é de se dizer que parte do pedido do contribuinte não deve ser conhecida. Conforme relatado, a soma dos PER apresentados pelo contribuinte totaliza R$ 1.642.549,88. A presente lide, portanto, está limitada a este valor. A diferença entre o total do saldo negativo (R$ 2.092.331,38) e o montante de crédito formalizado nos PER anteriormente relacionados está fora do escopo do presente feito e não deve ser conhecido nesta segunda instância administrativa. Fl. 247DF CARF MF 6 Limitada a questão ao valor de R$ 1.642.549,88 que consta dos PER, tenho que o recurso voluntário deve ser integralmente acolhido, como passo a demonstrar. Compulsando os autos dos processos apensados, verifico que o contribuinte formalizou parcialmente os créditos nos diversos PER/DComp apresentados, conforme a tabela abaixo: PER/DComp Crédito Original R$ Débitos Compensados R$ 05076.61546.311006.1.3.020476 845.093,12 845.093,12 31739.46208.311006.1.3.029490 162,65 162,65 11870.44925.311006.1.3.028498 5.294,11 5.294,11 14008.26727.311006.1.3.023472 347.294,12 347.294,12 40214.18900.311006.1.3.021881 10.588,23 10.588,23 06374.00306.311006.1.7.022455 434.117,65 434.129,25 Total do crédito pleiteado 1.642.549,88 Total do crédito utilizado 1.642.561,48 Constatase que o contribuinte não formalizou integralmente o crédito de R$ 2.092.331,38 no PER/Dcomp nº 05076.61546.311006.1.3.020476. Se o tivesse feito, poderia, depois, apenas utilizar o crédito integral nas Declarações de Compensação. O que fez foi declarar, em cada PER/DComp, valores idênticos de Saldo Negativo e de Crédito Original na data da transmissão, sempre com valores parciais do Saldo Negativo efetivamente apurado na DIPJ. Tanto é assim que, somandose todos os PER, o total de créditos formalizados chegou a R$ 1.642.549,88, enquanto o saldo negativo apurado em DIPJ é de R$ 2.093.331,38. Duas conclusões importantes podem ser extraídas dessa constatação. Primeiro, tanto o Despacho Decisório quanto a decisão a quo padecem do mesmo vício: em ambos, a autoridade considerou que as Declarações de Compensação estavam calcadas apenas no crédito de R$ 845.093,12 formalizado no PER nº 05076.61546.311006.1.3.020476. Em verdade, o contribuinte formalizou um total de R$ 1.642.549,88 de crédito em valores originais e esse total não foi considerado no Despacho Decisório e na decisão da DRJ. Por outro lado, a segunda conclusão é que o contribuinte não formalizou pedidos de restituição/ressarcimento equivalentes ao total do saldo negativo (R$ 2.092.331,38). Nos processos sob análise, o contribuinte formalizou pedidos de repetição de indébito apenas em relação a uma parte do saldo negativo de IRPJ, totalizando R$ 1.642.549,88. Neste caso, descabe a autoridade julgadora reconhecer crédito além do que foi pedido nos competentes Pedidos de Ressarcimento ou Restituição transmitidos pelo contribuinte. Os procedimentos originais relativos a restituições e compensações de tributos e contribuições são de competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme disposição expressa do artigo 73 da Lei nº 9.430, na redação original, vigente na época dos fatos, verbis: Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10283.902992/200800 Acórdão n.º 1401003.321 S1C4T1 Fl. 237 7 Art. 73. Para efeito do disposto no art. 7º do Decretolei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte: I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo ou da contribuição a que se referir; II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo ou da respectiva contribuição. grifei. E, para que não pairem dúvidas, é oportuno lembrar que, na época dos fatos ora sob análise, as compensações de créditos havidos pelos contribuintes deviam ser declaradas por meio de PER/DComp, cuja instituição foi feita por meio da Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002. É neste sentido a jurisprudência deste Conselho, conforme se pode observar no seguinte precedente: CRÉDITO FINANCEIRO. AUTO COMPENSAÇÃO. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. PER/DCOMP. APRESENTAÇÃO. NECESSIDADE. A compensação de crédito financeiro certo e líquido contra a Fazenda Nacional, a partir de 1º de janeiro de 1997, estava sujeita a apresentação de pedido de restituição dos indébitos reclamados, cumulado com pedido de compensação dos débitos fiscais vencidos. (Acórdão nº 9303007.477, de 16/10/2018, redator designado Andrada Márcio Canuto Natal). Ademais, os pedidos de repetição de indébito estão sujeitos ao prazo decadencial de que trata o artigo 168 do Código Tributário Nacional. Portanto, descabe o reconhecimento por parte da autoridade julgadora de crédito que não foi pedido pelo contribuinte pelos meios competentes, dentro do prazo decadencial legal. Por fim, constatandose que a DRJ incorreu em erro ao considerar que todas as Declarações de Compensação estava calcadas em um único Pedido de Ressarcimento ou Restituição, é de se reformar a decisão a quo para homologar as compensações feitas até o montante formalizado nos respectivos PER (R$ 1.642.549,88). Conclusão. Voto por não conhecer do pedido do recorrente no que concerne à diferença entre o total dos créditos formalizados nos PER (R$ 1.642.549,88) e o saldo negativo apurado no quarto trimestre de 2005 (R$ 2.092.331,38) e, na parte conhecida, dar provimento integral ao recurso voluntário para reformar a decisão da DRJ e ampliar o reconhecimento do direito Fl. 249DF CARF MF 8 creditório do contribuinte de R$ 845.093,12 para R$ 1.642.549,88, homologandose as compensações até este valor, nos termos da fundamentação acima. (assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira Relator Fl. 250DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13736.001733/2008-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício:2007
OMISSÃO DE RENDIMENTOS
As exclusões estabelecidas no inciso III, do art. 10 da Lei 8.852/94, correspondem ao conceito de remuneração, não se referem a isenção ou não incidência do IRPF
Recurso Negado.
Numero da decisão: 2101-000.754
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Odmir Fernandes
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MARCOS CÂNon O - Presidente S2-C li I Cl. MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ' SEGUNDA SEÇÃO DE JUIX3AMFNTO Processo n" 13736 001733/2008-74 Recurso n" 178.919 Volunttirio Acórdi-io n" 2101-00.754 — F Camara /1" Turma Ordinaria Seso de 23 de setembro de 2010 Matéria WIT Recorrente H JAQUIM DOS SANTOS FERREIRA Recorrida la Turma/1)10-Rio de Janeiro 11/RJ ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF 1 xerci.cio:2007 OMISSÃO DE Rlq\IDIMENTOS As exclusOes estabelecidas no inciso III, do art. 10 da Lei 8.852/94, correspondent ao conceito de tetnunera0o, niiti se reFerem a isençâo ou Iran rricidr'neia do IRPF Recurso Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. .A.cordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos tetmos do voto do Re r. O llttI. !,S - Relator EDITA O EM: 10/02/2011 Participaram da sessao de julgamento os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Ana Neyle Olímpio Holanda, Caio Marcos Cândi do, Gonçalo Bonct.Aiiame , José aial undo Tosta Santos e Odmir I,ernandes, Relatório Trata-se de Recurso Voluntãrio da decisdo da 1' Turma de Julgamento da 'Mt do Rio de .Janeiro • II, que .manteve a exigência do IRPF do exercício de 2005, decorrente da omissão de rendimentos de R$ 15.205,17, com compensação do IRR.F. A decisdo recorrida manteve a exigência por aio haver a exclusao do rendimento tributavel do adicional por tempo de serviço, previsto na Arica "n" inciso -11-1, do art 10, da I ei 8.852/94. Nas razões de recurso sustenta, em síntese, os rendimentos ditos omitidos decorrem do adicional por tempo de serviço, recebido da Marinha do Brasil, não sujeito ao imposto na lisnina do art 10, III, n, da Lei 8.852/94, Voto Conselheiro Odmir Fernandes, Relator 0 recurso preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido Sustenta o Recorrente que os rendimentos omitidos decorrem dos adicionais poi tempo de sei viço, previstos na alínea "n", inciso III, do art 10 da Lei 8852/94. A fiscalizayao não nega este lato, diz apenas que a exelusdo prevista e.m lei 6 do conceito de remuncraçao, sem. excluir o rendimento da tributação. Vejamos a disposição normativa da alínea "n", inciso I li, do art I() da. Lei. 8..852/94, e o paragrafo primeiro.. -Air I" Para os eleitos desta Lei, a retribuição pecuniária devida na adminiSfra(C10 pith /lea Ca (lit eta, indireta e . finidacional de qualquer dos Podere.s da compreende: 1- como vencimento básico - a) a retribuicão a que se refere o art, 40 da Lei n" 8.112, de 11 de dezembro dc 1990, devida pelo eletivo eyercieio do cargo, para os servidores civis por ela regidos; c) o salário básico estipulado cm planos ou tabelas -de retribuição OU no,s contratos de trabalho, convenções. acordos ou dissidios coletivos, para os empiçgado.s de empresas públicas, de sociedades de economia mista, de suas subs idiár ias, controladas ou coligadas, ou de quaisquer empreraN ou entidades de cujo capital ou patrinionio o poder público tenha o controle direto ou indireto, inclusive em virtude de incorporação ao patrimônio publico; 2 F'i accso n'' I 71() (10 I 7"-; -3/200;.;-74 S2-C IT I A cot (Flo '' 2101.-00.154. Fl 2 11 - como ven(4inentos, a soma do vencimento básico coin as vantagens permanentes. ielativas (10 catgo, empt CO, posto ou graduação; - coma remuneraccia, a soma dos vencimmtos cow 0. 5. adicionais de caráter itutividual e delimits vantagens, nestas compreenthdas as relativas à natureza ou ao local dc trabalho e a prevista no art 62 da Lei n°8 112, de 1990, ou outra paga sob o mesmolim(/amento, sendo evelnidas -: a) (liárias, b) ajuda de custo em razão de mudança de sede ou indenizaçãO de tr(lnsporte; c.) Gnu' ioTtat damento; d) gratificação de compensação orgânica, a que se Tekre o (irt. 18 da Lei n" 8,237, de / 99 I; e) I) gratificação ou adicional natalino, ou décimo -terceiro saia do; g) abono pec-uniário resultante da convetsão de até 1/3 (um terço) das 11) adicional natalidade; adicional ou auxilio funeral, adicional de férias, até o linute de 1/3 (iun terço) sobre a I. etc ibuição habitual; adicional pela prestação de serviço extraordinát io, paid atender situa çães evcepcionais e temporárias, obedecidos os Unifies de duração previstos em lei, contratos', egulamentos, conveiNdes, acordos ou dissidios coletivos e desde que o valor pago não exceda eia mais de .VM) (cinqüenta por cento) o estipulado para a hora de trabalho na /ornada normal; in) adicional noturno, enquanto o serviço permanecer .sendo prestado em horário que. fitndainente sua concessão, a) adicional por tempo de servko; o) conversão de licença-premio eia pecunia facultada para os empregados de empresa pública on sociedade de economia Mister por au) POI 1116111)0, estatutário ou regulamentar anterior a 1"de kVerCilo de 199 -I; p) adicional dc insalubridade, de periculosidade pelo CA:ercicio de alividades penosas pe3cebido durante o iyeriodo ern qtte O beneficiario estiver sujeito as con(/içOes ou aos riscos que deram causa a sua eoncessao; q) hora repouso c aliinenta0o e adicional de sobreaviso„ a que se referem, respectivamente, o inciso Ii do art. 3" e o inciso 11 do art. 6" da Lei n" 5.811, de 11 de outubro de 1972; outras ptueelas cujo caráter indenizatório esteja delinido em lei, oil seja reconhecido, no âmbito das empresas pUblictis e .sociedadcs de economia mista, por ato do Poder Executivo. .1" 0 disposter no inciso III abrange adiantamentos desprovidos de natureza indenizatória. 0 atlicional por tempo de serviço, previsto na alínea "n", inciso HI, do art.. 10 da Lei 8.852/94, não significa dispensa da tributação do rendimento pelo imposto de renda D a. pessoa lisica. 0 parágrafo primeiro, ao estabelecer que todas as alíneas, de "a" a "r" do retérindo inciso, decorrem de adiantamcntas, "desprovido de natureza indenizatúria", esta se referindo a remunera(Cio„ a "soma dos vencimentos corn os adicionais de carâter individual e demais vantrwens, nestas compreendidas as relativas à natureza OU ao local de Irabalho... , previsto no inciso III. Por essa razao, a expressão "exclusão", referida no dispositivo, não signified exclusão do rendimento, mas exclusão do conceito dc remuneração. Direito não é texto de lei, mas sistema, o conjunto das disposições normativos, eon' Os princípios, conceitos e regras, dai porque no contexto, o dispositivo nos conduz ao entendimento esposado pela decisão Recoirida. Basta ligeira leitura ao dispositivo para ver que existem outras verbas citadas na mesma disposição normativa, a exemplo das diárias, ajuda de custo, salário de familia que possuem isenção do nposto; outras a exemplo do décimo terceiro salario, na ITICSMa disposição, que possui tributação exclusiva na fonte sem permitir sequer o ajuste ou compensação na declaração anual de rendimentos. Ante o exposto, conheço e nego provimento ao recurso para manter a decisão recorrida e a autuação
score : 1.0
Numero do processo: 12466.720529/2017-10
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 10/10/2016
NÃO-APRESENTAÇÃO DE RESPOSTA À INTIMAÇÃO FISCAL. MULTA POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO ADUANEIRA. CABIMENTO.
A não-apresentação de resposta à intimação fiscal configura hipótese para a aplicação da multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea c do Decreto-Lei nº 37/1966, por expressa previsão legal.
INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO ADUANEIRA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. AUSÊNCIA DE EXCLUDENTE.
Eventual desconhecimento do teor de intimação regularmente efetuada não tem o condão de afastar a penalidade cabível pela não-apresentação de resposta à intimação fiscal, pois se trata de responsabilidade de natureza objetiva, exigível de quem tenha se omitido, independentemente da intenção do agente, da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
Numero da decisão: 3002-000.682
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Larissa Nunes Girard (Presidente).
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 10/10/2016 NÃO-APRESENTAÇÃO DE RESPOSTA À INTIMAÇÃO FISCAL. MULTA POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO ADUANEIRA. CABIMENTO. A não-apresentação de resposta à intimação fiscal configura hipótese para a aplicação da multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea c do Decreto-Lei nº 37/1966, por expressa previsão legal. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO ADUANEIRA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. AUSÊNCIA DE EXCLUDENTE. Eventual desconhecimento do teor de intimação regularmente efetuada não tem o condão de afastar a penalidade cabível pela não-apresentação de resposta à intimação fiscal, pois se trata de responsabilidade de natureza objetiva, exigível de quem tenha se omitido, independentemente da intenção do agente, da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
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MULTA POR EMBARAÇO. Recorrente ANDRE SCHNEIDER SANTOS PIOMTE KOWISKY PIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 10/10/2016 NÃOAPRESENTAÇÃO DE RESPOSTA À INTIMAÇÃO FISCAL. MULTA POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO ADUANEIRA. CABIMENTO. A nãoapresentação de resposta à intimação fiscal configura hipótese para a aplicação da multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “c” do DecretoLei nº 37/1966, por expressa previsão legal. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO ADUANEIRA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. AUSÊNCIA DE EXCLUDENTE. Eventual desconhecimento do teor de intimação regularmente efetuada não tem o condão de afastar a penalidade cabível pela nãoapresentação de resposta à intimação fiscal, pois se trata de responsabilidade de natureza objetiva, exigível de quem tenha se omitido, independentemente da intenção do agente, da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Larissa Nunes Girard (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 05 29 /2 01 7- 10 Fl. 100DF CARF MF Processo nº 12466.720529/201710 Acórdão n.º 3002000.682 S3C0T2 Fl. 101 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado para a exigência da multa por embaraço à fiscalização aduaneira, prevista no art. 107, inciso IV, alínea “c” do DecretoLei nº 37/1966, em virtude de o interessado não haver respondido à intimação. De acordo com o auto de infração e seus anexos (fls. 2 27), ao se constatar a tentativa de importação de uma pistola de plástico pelos Correios, produto de importação proibida, foi determinada a apreensão do bem e autorizada a abertura de procedimento de fiscalização sobre o importador. Decorrido o prazo das intimações, em abril/2016 e setembro/2016, sem apresentação de resposta ou de justificativa para o desatendimento da intimação, foi providenciada a lavratura do auto de infração para a exigência da multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “c” do DecretoLei nº 37/1966, transcrita a seguir: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; (grifado) O autuado apresentou impugnação (fls. 35 a 56), na qual explicou que não respondeu às intimações porque estava nos Estados Unidos, onde residiu por mais de três anos a partir de 2014, por motivo de estudo, tendo providenciado a juntada aos autos das provas de sua permanência no exterior. Alegou nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa e, quanto ao mérito, a impossibilidade de atender às intimações, a inexistência de intenção de embaraçar ou impossibilitar qualquer tipo de fiscalização, enfim, sua boa fé. A Delegacia de Julgamento em Fortaleza proferiu o Acórdão nº 0843.166 (fls. 64 a 68), por meio do qual decidiu rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, julgar a impugnação improcedente por entender que o tipo legal (não apresentação de resposta no prazo estipulado) está perfeitamente configurado na conduta adotada pelo autuado. Tal infração tem natureza objetiva, não sendo, portanto, descaracterizada pelo fato de o autuado encontrarse fora do país. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 10/10/2016 EMBARAÇO À AÇÃO DE FISCALIZAÇÃO ADUANEIRA. OCORRÊNCIA. NÃOAPRESENTAÇÃO DE RESPOSTA, NO PRAZO ESTIPULADO. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 12466.720529/201710 Acórdão n.º 3002000.682 S3C0T2 Fl. 102 3 Aplicase a multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a quem, por qualquer meio ou forma, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, à intimação em procedimento fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 29.06.2018, conforme AR constante à fl. 76, e protocolizou seu Recurso Voluntário em 16.07.2018, conforme Termo de Solicitação de Juntada à fl. 77. No Recurso Voluntário (fls. 79 a 93), o recorrente repisa os mesmos argumentos, inclusive quanto ao cerceamento do direito de defesa. Requer a nulidade da autuação ou, alternativamente, que o autuado seja novamente intimado, de forma ter seu direito ao contraditório resguardado, e possa finalmente prestar os esclarecimentos devidos. É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. A recorrente apresenta como Recurso Voluntário uma cópia de sua impugnação, sem contestar especificamente nenhum dos fundamentos adotados na decisão de primeira instância. Temos então, novamente, a alegação de cerceamento do direito de defesa, como preliminar de nulidade e, quanto ao mérito, sua defesa consiste basicamente na alegação de impossibilidade de responder à intimação por estar no exterior e de sua boa fé. Em relação à preliminar de nulidade, vêse que o processo está bem instruído, com os termos de início de procedimento fiscal, de intimação, de reintimação, comprovantes de recebimento, etc., em clara demonstração de que todos os atos e prazos processuais foram cumpridos. Ademais, o auto de infração apresenta descrição clara da conduta que acarretou a aplicação da penalidade, não havendo qualquer dúvida do autuado sobre a falta incorrida nem sobre a sua capitulação legal. A alegação de que o interessado não teve o seu “direito de defesa obedecido” porque vivia no exterior no momento das intimações não se presta para demonstrar cerceamento do direito de defesa pela Administração Fazendária, já que o único responsável por essa condição é o próprio autuado. Não foi a Fazenda que deixou de dar ciência ou que descumpriu o prazo. Ela procedeu da forma como o faz rotineiramente. Ademais, consta das duas intimações que a resposta poderia se dar tanto mediante a entrega da documentação, pessoalmente, ou como pelo envio de arquivos pela internet. Logo, apesar de habitar nos Estados Unidos, alguma resposta poderia ter sido produzida. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 12466.720529/201710 Acórdão n.º 3002000.682 S3C0T2 Fl. 103 4 Em não se constatando nenhum ato administrativo em desconformidade com a legislação, mas apenas omissão do contribuinte, rejeito a preliminar de nulidade. Quanto ao mérito, em relação à impossibilidade de responder por viver no exterior, já foi explicado que poderia ter sido enviada resposta por meio eletrônico, não constituindo tal fato óbice para a apresentação de resposta. Prossegue a defesa afirmando que só tomou ciência do teor da intimação após retornar ao país, em 2017. A ciência no processo administrativo fiscal pode se dar de diferentes formas, mas, no caso concreto, deuse por via postal, considerandose intimado o contribuinte na data que constar no aviso de recebimento da correspondência, entregue no endereço postal por ele fornecido à Administração Tributária, como se vê nos artigos transcritos do Decreto nº 70.235/1972: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (...) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (...) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (...) (grifado) Os avisos de recebimento mostram que a primeira intimação foi recebida por um parente, provavelmente irmão, o sr. José Henrique S. Piomte Kowisky Pio, e a segunda intimação, pela própria mãe, sra. Lina Piomte Kowisky (fls. 18 e 24). Dada a relação próxima, não parece razoável afirmar que não teria sido informado sobre o seu conteúdo ou que desconhecesse a existência de uma intimação emitida pela Receita Federal. De qualquer forma, ainda que assim tenha se passado, o desconhecimento do teor de uma intimação efetuada em estrito acordo com as normas processuais não configura excludente de responsabilidade que possa ser alegado para fins de afastar a aplicação da multa. A responsabilidade por infração somente pode ser afastada se houver previsão expressa nesse sentido, o que inexiste no nosso caso. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 12466.720529/201710 Acórdão n.º 3002000.682 S3C0T2 Fl. 104 5 A alegação de boafé também não pode ser acolhida pois, em se tratando de infração aduaneira, deve ser salientado o seu caráter objetivo, que tem como consequência a aplicação da penalidade prevista em lei, independentemente da intenção, da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato, como determina o art. 94 do DecretoLei nº 37/1966, in verbis: Art. 94. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (grifado) Portanto, a demonstração de que habitava no exterior não tem o condão de alterar o curso deste processo, por inexistir dispositivo legal que autorize afastar a responsabilidade por esse motivo e por não se constituir um excludente de responsabilidade, como caso fortuito ou força maior, por exemplo. O fato é que as intimações jamais foram respondidas. Na ocorrência de tal situação, o art. 107, inciso IV, alínea “c” do DecretoLei nº 37/1966 prevê a aplicação de multa. O requerimento alternativo para que fosse permitido ao autuado prestar as informações neste momento, ainda que aceito pela fiscalização, não teria força para exonerar a multa. Por todo o exposto, rejeito a preliminar de nulidade do e, quanto ao mérito, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 104DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.722218/2017-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. CONTROLADA DIRETA OU INDIRETA. CONVENÇÕES BRASIL-HOLANDA E BRASIL-ÁUSTRIA DESTINADAS A EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO DA RENDA. ART. 74 DA MP Nº 2.158-35/2001. COMPATIBILIDADE.
O art. 74 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, que prevê a tributação no país dos lucros auferidos, no exterior, por meio de empresa controlada, direta ou indiretamente, é compatível com as disposições dos tratados firmados entre Brasil e Holanda e Brasil e Áustria para evitar a dupla tributação da renda.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
Aplicação da Súmula CARF 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Numero da decisão: 1301-003.770
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rotschild que votaram por lhe dar provimento. Designado o Conselheiro Roberto Silva Junior para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. CONTROLADA DIRETA OU INDIRETA. CONVENÇÕES BRASILHOLANDA E BRASIL ÁUSTRIA DESTINADAS A EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO DA RENDA. ART. 74 DA MP Nº 2.15835/2001. COMPATIBILIDADE. O art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, que prevê a tributação no país dos lucros auferidos, no exterior, por meio de empresa controlada, direta ou indiretamente, é compatível com as disposições dos tratados firmados entre Brasil e Holanda e Brasil e Áustria para evitar a dupla tributação da renda. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Aplicação da Súmula CARF 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rotschild que votaram por lhe dar provimento. Designado o Conselheiro Roberto Silva Junior para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 22 18 /2 01 7- 83 Fl. 1605DF CARF MF Processo nº 16682.722218/201783 Acórdão n.º 1301003.770 S1C3T1 Fl. 1.606 2 (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 1606DF CARF MF Processo nº 16682.722218/201783 Acórdão n.º 1301003.770 S1C3T1 Fl. 1.607 3 Relatório OSX BRASIL SA (EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL), já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 3a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) DRJ/FOR, que, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, e manteve o lançamento de IRPJ e CSLL, decorrente do não computo no lucro real, do lucro auferido por empresas controladas, direta ou indiretamente, sediadas no exterior, especificamente na Áustria e na Holanda, relativo ao anocalendário de 2012, acrescidos de juros de mora e multa de ofício de 75%, totalizando o crédito de R$134.008.670,49. Conforme relatório da decisão recorrida as razões do lançamento foram: Do Lançamento Com base na documentação exigida durante o procedimento fiscal, no ano base 2012, a autoridade tributária verificou que a impugnante detinha 100% (cem por cento) de participação no capital social da OSX GmbH, com sede na Áustria, e esta, a seu turno, possuía 100% (cem por cento) dos capitais sociais da OSX Leasing Group B. V., residente na Holanda, e OSX Asia Management Ltda, em Cingapura. Isto está explicitado no organograma a seguir: Além disto, a autoridade tributária também pôde compilar a tabela a seguir em que reúne as informações do Lucro / Prejuízo antes do Imposto de Renda, a Receita de Dividendos, o Lucro Tributável e o eventual Prejuízo Compensável apurado por estas empresas sediadas no exterior: Fl. 1607DF CARF MF Processo nº 16682.722218/201783 Acórdão n.º 1301003.770 S1C3T1 Fl. 1.608 4 Por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 1 (fls. 12 a 16), a autoridade tributária requereu a informação se os lucros auferidos no exterior no ano base 2012, por todas as pessoas jurídicas sobre as quais a impugnante exercia controle direto e indireto, foram tributados no Brasil em 31 de dezembro daquele mesmo ano, nos termos d o art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 e art. 25 da Lei nº 9.249/1996. Afora a resposta negativa da impugnante ao quesito anterior (fls. 20 e 21), a autoridade tributária pôde verificar que o total do lucro tributável convertido em reais não foi adicionado à base de cálculo do IRPJ e da CSLL em consulta à Linha 7 da Ficha 09A da DIPJ. Em seguida, é apresentado o histórico legislativo da tributação dos lucros auferidos no exterior por pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil com a gênese nos arts. 25 a 27 da Lei nº 9.249/1995 e a edição das Leis nº 9.430/1996 e 9.532/1997, até chegar na Medida Provisória nº 2.158 35/2001, particularmente o art. 74, que determinou que os lucros auferidos por controladora no Brasil por meio de controlada no exterior passariam a ser considerados disponibilizados na data do balanço em que fossem apurados. Esta alteração consolidouse com a inclusão dos parágrafos 1º e 2º no art. 43 do Código Tributário Nacional. Sobre essa modificação legislativa, a autoridade tributária cita que os arts. 43, § 2º, CTN e 74 da MP 2.15835/2001 foram tema de Ação Direta de Inconstitucionalidade, em que o Supremo Tribunal Federal determinou a aplicação do dispositivo às empresas nacionais controladoras de pessoas Fl. 1608DF CARF MF Processo nº 16682.722218/201783 Acórdão n.º 1301003.770 S1C3T1 Fl. 1.609 5 jurídicas sediadas em países de tributação favorecida ou desprovidos de controles societários e fiscais e silenciou quanto à aplicabilidade nos demais casos, eis que se presume sua constitucionalidade. Prossegue a autoridade tributária mencionando que, no âmbito infralegal, a tributação de lucros no exterior foi regulamentada pela Instrução Normativa SRF nº 213/2002, tendo mapeado, detidamente, a metodologia empregada para cálculo da exação em conformidade com os dispositivos deste ato. No tópico seguinte, a autoridade tributária explica por que as convenções para evitar a dupla tributação, firmadas entre Brasil e Áustria e Brasil e Reino dos Países Baixos (para simplificação, apenas Holanda), não impedem o Estado de residência dos sócios de tributar a renda obtida por intermédio de sua participação em sociedades domiciliadas no exterior. E faz isto com guarida na Solução de Consulta Interna Cosit nº 18/2013. Somase a esse entendimento a jurisprudência colecionada do CARF em relação à tributação dos lucros auferidos por empresas coligadas ou controladas no exterior, não havendo que se falar em violação de tratados internacionais que adotam como parâmetro a Convenção Modelo da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Com relação à CSLL, a autoridade tributária assevera que as convenções Brasil e Áustria e Brasil e Holanda não mencionam a contribuição, ainda que esta já tenha sido instituída desde 1988. Neste sentido, exuma o conteúdo do art. 2º e enfatiza que o alcance da norma internacional abrange “impostos” de natureza idêntica ou substancialmente análoga que forem estabelecidos após a assinatura dos pactos, situação que não se amolda à contribuição. Em que pese a similitude do IRPJ e da CSLL, inclusive com a intenção do legislador em aproximar suas bases de cálculo, os comandos normativos que veiculam adições, exclusões ou compensações devem estar manifestados explicitamente no texto legal, como é o caso da Lei nº 8.981/1995. Há também tópico específico em que a autoridade tributária diferencia o conceito de lucros auferidos no exterior por meio de coligadas ou controladas do resultado completo da avaliação de investimentos pelo Método da Equivalência Patrimonial (MEP). Noutro, invocase o direito à compensação do imposto de renda pago no exterior, a ser feito proporcionalmente ao total do imposto e adicional devidos pela pessoa jurídica no Brasil, após a adição dos lucros auferidos no exterior, ajustado pela taxa de câmbio. Intimada, através do Termo nº 15 (fls. 1.118 a 1.122), a esclarecer se o prejuízo compensável apurado no anobase 2011 teria sido compensado ou se desejaria que este procedimento fosse feito com o lucro tributável respectivo apurado em cada controlada, a impugnante silenciouse. Ao término, para efeito de lançamento tributário, foram adicionados ao lucro líquido os valores correspondentes aos lucros auferidos pela impugnante por intermédio de suas controladas no exterior, na forma abaixo: Fl. 1609DF CARF MF Processo nº 16682.722218/201783 Acórdão n.º 1301003.770 S1C3T1 Fl. 1.610 6 Da Impugnação Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Impugnação, apresentada às fls. 1345 e ss: Durante a contextualização sintética dos fatos, a impugnante antevê o ponto nuclear de sua discordância: o equívoco da autoridade tributária em afirmar não ser cabível a aplicação das convenções para evitar a dupla tributação estabelecidas entre Brasil e Áustria (Decreto nº 78.107/1976) e Holanda (Decreto nº 355/1991), citando, para tanto, a Solução de Consulta Interna Cosit nº 18/2013. Seu primeiro argumento é relativo à inaplicabilidade do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 ante o art. 7º das convenções supramencionadas, cuja leitura tirada da impugnante é a de que a tributação dos lucros auferidos é de competência exclusiva do país de residência da empresa. Em favor desta hermenêutica, invoca o art. 98 do Codex tributário, o ementário do Recurso Especial nº 1.325.709/RJ, em que o Superior Tribunal de Justiça entende pela prevalência dos tratados internacionais frente à legislação tributária interna, a doutrina de Alberto Xavier, além da jurisprudência dos Tribunais Regionais Federais da 3ª e 4ª Regiões. Noutro capítulo, a impugnante rebate a assertiva da autoridade tributária de que o art. 7º das convenções não se aplica à CSLL, com base no art. 2º das normas internacionais e na Lei nº 13.202/2015. Primeiramente, referente ao aspecto semântico, alega que o emprego de “imposto” na versão em Fl. 1610DF CARF MF Processo nº 16682.722218/201783 Acórdão n.º 1301003.770 S1C3T1 Fl. 1.611 7 português das convenções corresponde à “tax” no original, termo cuja abrangência deve ser entendida como gênero (ou seja, tributo), não espécie. Sob o aspecto cronológico, apela à jurisprudência administrativa da CSRF, que pacificou o entendimento de que a CSLL constitui escopo das convenções internacionais para evitar a dupla tributação, independentemente do país contratante ou do momento em que foram celebradas, e ao art. 11 da Lei nº 13.302/2015. Ademais, a impugnante desconta a eliminação da contribuição do escopo da auditoria na falta de boafé interpretativa. Crê que, caso contrário, o Estado poderia instituir, a bel prazer, novos tributos sobre a renda e isto significaria a revogação implícita da convenção celebrada. Logo, a exegese admissível é a de que as convenções discorridas estendemse aos tributos que tenham hipótese de incidência idêntica ou similar à do imposto sobre a renda, independentemente de sua espécie tributária. Subsidiariamente, na hipótese de ser reconhecida a compatibilidade entre o disposto no art. 7º das convenções e no 74 da MP 2.15835/2001, a autuação fiscal não pode subsistir em relação à parte dos lucros auferidos pela controlada direta domiciliada na Áustria, por expressa disposição na convenção assinada. Da decisão da DRJ Em julgamento realizado em 25 de abril de 2018, a 3ª Turma da DRJ/FOR, considerou improcedente a impugnação da contribuinte e prolatou o acórdão 0842.749, (efls. 1415 e ss), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 LUCRO AUFERIDO NO EXTERIOR. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA EM EMPRESA CONTROLADA. INAPLICABILIDADE DAS CONVENÇÕES FIRMADAS ENTRE O BRASIL E O REINO DOS PAÍSES BAIXOS (HOLANDA) E A ÁUSTRIA PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO DA RENDA. MATERIALIDADES DIVERSAS. É procedente o lançamento incidente sobre o lucro auferido por empresa controlada sediada no exterior e disponibilizado, na forma prescrita na lei, à empresa controladora sediada no Brasil. Destarte, as convenções para evitar a dupla tributação da renda firmadas entre o Brasil e os Países Baixos e entre o Brasil e a Áustria não são aplicáveis ao caso concreto, pois não se está tributando a empresa estrangeira, mas os lucros auferidos por empresa brasileira na proporção de sua participação no investimento localizado no exterior. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2012 DECORRÊNCIA. Fl. 1611DF CARF MF Processo nº 16682.722218/201783 Acórdão n.º 1301003.770 S1C3T1 Fl. 1.612 8 Decorrendo a exigência da CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a decisão proferida para esta espécie tributária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário A ora recorrente, devidamente cientificada do acórdão recorrido, apresentou recurso voluntário (efls. 1454 e ss), onde sustenta os argumentos apresentados em sede de impugnação, principalmente nos seguintes tópicos: I Do direito Da violação ao art. 7 das Convenções para evitar a dupla tributação firmadas entre Brasil e Áustria e entre Brasil e Reino dos Países Baixos frente à tributação dos lucros ou dividendos fictos recebidos de controlada domiciliada na Áustria e na Holanda, pelo art. 74 da MP 2.15835/2001; Da violação ao art. 7 das Convenções para evitar a dupla tributação firmadas entre Brasil e Áustria e entre Brasil e Reino dos Países Baixos, no que se refere à CSLL, frente à tributação dos lucros ou dividendos fictos recebidos de controlada domiciliada na Áustria e na Holanda, pelo art. 74 da MP 2.15835/2001; Da não aplicação do art. 74 da MP 2.15835/2001 à parcela dos lucros auferidos pela "OSX GmbH, domiciliada na Áustria inteligência do art. 10 e do art. 23 da Convenção para evitar a dupla tributação Brasil Áustria; Da impossibilidade de se exigir Juros de Mora sobre os valores exigidos a título de multa de ofício; Das Contrarrazões da PGFN A PGFN apresentou contrarrazões ao Recurso Voluntário, às fls. 1551 e ss cujos argumentos, sinteticamente são: Da Tributação dos lucros auferidos por intermédio de controladas e coligadas residentes no exterior; Da disponibilidade da Renda para a controladora brasileira art. 74 da MP 2.15835/2001; Da Aplicabilidade do art. 74 da MP 2.15835/2001 às controladas diretas e indiretas; Interpretação do art. 74 da MP 2.15835/2001; Do Regime de tributação em bases universais brasileiro; Fl. 1612DF CARF MF Processo nº 16682.722218/201783 Acórdão n.º 1301003.770 S1C3T1 Fl. 1.613 9 Da interpretação e da qualificação de lucros auferidos no exterior por intermédio de controladas ou coligadas; Classificação do art. 74 da MP 2.15835/2001, como norma CFC; Da Aplicabilidade do art. 74 da MP 2.15835/2001, frente ao tratado para evitar a dupla tributação firmado entre BrasilÁustria e BrasilHolanda; Normas CFC e o alcance do art. 74 da MP 2.15835/2001; O entendimento da OCDE sobre a eficácia das normas CFC em face dos tratados para evitar dupla tributação; Do método de Equivalência Patrimonial; Da Inaplicabilidade da isenção prevista no parágrafo 2 do art. 23 do tratado BrasilÁustria; Da Jurisprudência CARF; Da incidência dos juros sobre a multa; Assim, recebi os autos por sorteio em 17/10/2018. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora Os autos de infração trazem exigências de IRPJ e de CSLL, relativo ao ano calendário de 2012 sob a sistemática do Lucro Real e regime de apuração anual, nos importes de R$ 98.521.273,84 e R$ 35.487.396,65, respectivamente, entre principal, multa de ofício de 75% e juros de mora, por não ter adicionado em seus cálculos os lucros auferidos por suas controladas no exterior, com fundamento nos arts. 25 a 27 da Lei nº 9.249/1995, que introduziram o regime de tributação em bases universais em matéria de imposto sobre a renda da pessoa jurídica, e 74 da MP nº 2.15835/2001, que definiu o momento da disponibilização do lucro auferido através de coligadas e controladas estrangeiras. Ela foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/FOR, que lhe foi improcedente e intimada ao recolhimento dos débitos em 07/05/2018 (Abertura de documento de fl. 1449), e apresentou em 06/06/2018, recurso voluntário e demais documentos, juntados às fls. 1453 e ss. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, dele conheço. DA TRIBUTAÇÃO DOS LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR Segundo o TVF, o lançamento se deu em razão do recorrente não ter adicionado ao seu lucro líquido os valores correspondentes aos lucros auferidos por seu meio Fl. 1613DF CARF MF Processo nº 16682.722218/201783 Acórdão n.º 1301003.770 S1C3T1 Fl. 1.614 10 de suas controladas no exterior, especificamente Holanda e Áustria, conforme quadro a seguir elaborado pela fiscalização, com base nas informações disponibilizadas pelo contribuinte: Alega a recorrente a violação ao art. 7 das Convenções para evitar a dupla tributação firmadas entre Brasil e Áustria e entre Brasil e Reino dos Países Baixos frente à tributação dos lucros ou dividendos fictos recebidos de controlada domiciliada na Áustria e na Holanda, pelo art. 74 da MP 2.15835/2001, inclusive a CSLL. A DRJ, por sua vez, manteve o lançamento, pois entendeu que plenamente aplicável o art. 74 da MP 2.15835/2001, mesmo após a apreciação do STF nos autos da ADI 2.588, e que posteriormente, com relação à prevalência dos tratados internacionais sobre a lei interna foi apreciada pela SRF, através da Solução de Consulta Interna COSIT 18/2013, não haveria conflito entre eles pois a tributação não incide sobre os lucros da investida no exterior, mas sobre os lucros que já se encontram incorporados ao patrimônio da investidora. Vejamos, agora, o que decidiu, de fato, o STF por ocasião do julgamento da ADI 2.588: TRIBUTÁRIO. INTERNACIONAL. IMPOSTO DE RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA. PARTICIPAÇÃO DE EMPRESA CONTROLADORA OU COLIGADA NACIONAL NOS LUCROS AUFERIDOS POR PESSOA JURÍDICA CONTROLADA OU COLIGADA SEDIADA NO EXTERIOR. LEGISLAÇÃO QUE CONSIDERA DISPONIBILIZADOS OS LUCROS NA DATA DO BALANÇO EM QUE TIVEREM SIDO APURADOS (“31 DE DEZEMBRO DE CADA ANO”). ALEGADA Fl. 1614DF CARF MF Processo nº 16682.722218/201783 Acórdão n.º 1301003.770 S1C3T1 Fl. 1.615 11 VIOLAÇÃO DO CONCEITO CONSTITUCIONAL DE RENDA (ART. 143, III DA CONSTITUIÇÃO). APLICAÇÃO DA NOVA METODOLOGIA DE APURAÇÃO DO TRIBUTO PARA A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS APURADA EM 2001. VIOLAÇÃO DAS REGRAS DA IRRETROATIVIDADE E DA ANTERIORIDADE. MP 2.15835/2001, ART. 74. LEI 5.720/1966, ART. 43, § 2º (LC 104/2000). 1. Ao examinar a constitucionalidade do art. 43, § 2º do CTN e do art. 74 da MP 2.158/2001, o Plenário desta Suprema Corte se dividiu em quatro resultados: 1.1. Inconstitucionalidade incondicional, já que o dia 31 de dezembro de cada ano está dissociado de qualquer ato jurídico ou econômico necessário ao pagamento de participação nos l ucros; 1.2. Constitucionalidade incondicional, seja em razão do caráter antielisivo (impedir “planejamento tributário”) ou antievasivo (impedir sonegação) da normatização, ou devido à submissão obrigatória das empresas nacionais investidoras ao Método de de Equivalência Patrimonial – MEP, previsto na Lei das Sociedades por Ações (Lei 6.404/1976, art. 248); 1.3. Inconstitucionalidade condicional, afastada a aplicabilidade dos textos impugnados apenas em relação às empresas coligadas, porquanto as empresas nacionais controladoras teriam plena disponibilidade jurídica e econômica dos lucros auferidos pela empresa estrangeira controlada; 1.4. Inconstitucionalidade condicional, afastada a aplicabilidade do texto impugnado para as empresas controladas ou coligadas sediadas em países de tributação normal, com o objetivo de preservar a função antievasiva da normatização. 2. Orientada pelos pontos comuns às opiniões majoritárias, a composição do resultado reconhece: 2.1. A inaplicabilidade do art. 74 da MP 2.15835 às empresas nacionais coligadas a pessoas jurídicas sediadas em países sem tributação favorecida, ou que não sejam “paraísos fiscais”; 2.2. A aplicabilidade do art. 74 da MP 2.15835 às empresas nacionais controladoras de pessoas jurídicas sediadas em países de tributação favorecida, ou desprovidos de controles societários e fiscais adequados (“paraísos fiscais”, assim definidos em lei); 2.3. A inconstitucionalidade do art. 74 par. ún., da MP 2.158 35/2001, de modo que o texto impugnado não pode ser aplicado em relação aos lucros apurados até 31 de dezembro de 2001. Ação Direta de Inconstitucionalidade conhecida e julgada parcialmente procedente, para dar interpretação conforme ao art. 74 da MP 2.15835/2001, bem como para declarar a inconstitucionalidade da clausula de retroatividade prevista no art. 74, par. ún., da MP 2.158/2001. Empresas coligadas à pessoas jurídicas sediadas em países sem tributação favorecida não se sujeitarão à regra encartada no art. 74 da MP 2.15835/2001. Quanto aos efeitos, e a sua vinculação, inclusive, aos órgãos administrativos, vejase a decisão final extraída da ata de julgamento, reproduzida na ementa do julgado ora tratado: Decisão: Prosseguindo no julgamento, o Tribunal, por maioria, julgou parcialmente procedente a ação para, com eficácia erga omnes e efeito vinculante, conferir interpretação conforme, no sentido de que o art. 74 da MP nº 2.158 35/2001 não se aplica às empresas “coligadas” localizadas em países sem tributação favorecida (não “paraísos fiscais”), e que o referido dispositivo se aplica às empresas “controladas” localizadas em países de tributação favorecida ou desprovidos de controles societários e Fl. 1615DF CARF MF Processo nº 16682.722218/201783 Acórdão n.º 1301003.770 S1C3T1 Fl. 1.616 12 fiscais adequados (“paraísos fiscais”, assim definidos em lei), vencidos os Ministros Marco Aurélio, Sepúlveda Pertence, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello. Não é o caso dos autos, já que aqui não se trata de empresas localizadas em paraíso fiscal. Ora, assim, ainda não foi objeto de análise pelo STF, do caso dos autos, ou seja, a aplicação ou não do art. 74 da MP no caso de a entidade controlada ser domiciliada em países que firmaram Tratados para evitar a dupla tributação da renda com o Brasil, conforme visto acima. No que concerne aos tratados, vejamos o que determina o art. 7º do Tratado entre Brasil e Áustria (Decreto 78.107/1976): Artigo 7º Lucros das Empresas 1. Os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente aí situado. Se a empresa exercer sua atividade na forma indicada, seus lucros serão tributáveis no outro Estado, mas unicamente na medida em que forem atribuíveis a esse estabelecimento permanente. 2. Quando uma empresa de um Estado Contratante exercer sua atividade no outro Estado Contratante através de um estabelecimento permanente aí situado, serão atribuídos em cada Estado Contratante a esse estabelecimento permanente os lucros que obteria se constituísse uma empresa distinta e separada exercendo atividades idênticas ou similares, em condições idênticas ou similares, e transacionando com absoluta independência com a empresa de que é um estabelecimento permanente. 3. No cálculo dos lucros de um estabelecimento permanente é permitido deduzir as despesas que tiverem sido feitas para a consecução dos objetivos do estabelecimento permanente, incluindo as despesas de administração e os encargos gerais de direção assim realizados. 4. Nenhum lucro será atribuído a um estabelecimento permanente pelo simples fato de comprar mercadorias para a empresa. 5. Quando os lucros compreenderem elementos de rendimentos tratados separadamente nos outros artigos da presente Convenção, as disposições desses artigos não serão afetadas pelas disposições deste Artigo. 6. O disposto nos parágrafos 1 a 5 também se aplica aos rendimentos recebidos pelo "Stille Gesellschafter" de uma "Stille Gesellschaft" da lei austríaca. E Brasil e Holanda (Dereto 355/1991): Artigo 7º Lucros das Empresas Fl. 1616DF CARF MF Processo nº 16682.722218/201783 Acórdão n.º 1301003.770 S1C3T1 Fl. 1.617 13 1. Os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado; a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante, por meio de um estabelecimento permanente ali situado. Se a empresa exerce suas atividades na forma indicada, seus lucros podem ser tributados no outro Estado, mas unicamente na medida em que forem atribuíveis àquele estabelecimento permanente. 2. Ressalvado o disposto no parágrafo 3, quando uma empresa de um Estado Contratante exercer sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente ali situado, serão atribuídos, a esse estabelecimento permanente, em cada Estado Contratante, os lucros que obteria se fosse uma empresa distinta e separada, exercendo atividades iguais ou similares, sob condições iguais ou similares e transacionando com absoluta independência com a empresa da qual é estabelecimento permanente. 3. Na determinação dos lucros de um estabelecimento permanente, é permitido deduzir as despesas incorridas para a consecução dos seus objetivos, inclusive as despesas de direção e os encargos gerais de administração assim realizados. 4. Nenhum lucro será atribuído a um estabelecimento permanente pelo simples fato de comprar bens ou mercadorias para a empresa. 5. Quando os lucros compreenderem elementos de rendimentos disciplinados separadamente em outros artigos desta Convenção, o disposto em tais artigos não é prejudicado pelo que dispõe este Artigo. Abaixo, trechos do ilustre professor Alberto Xavier: "a conclusão de que os tratados têm supremacia hierárquica sobre a lei interna e se encontram numa relação de especialidade em relação a esta, é confirmada em matéria tributária, pelo artigo 98 do Código Tributário Nacional que, em preceito declaratório dispõe que 'os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna e serão observados pela que lhes sobrevenha'. Observase, em homenagem à exatidão, que é incorreta a redação deste preceito quando se refere a revogação da lei interna pelos tratados. Com efeito, não se está aqui perante um fenômeno abrogativo, já que a lei interna mantém a sua eficácia plena fora dos casos subtraídos à sua explicação pelo tratado. Tratase, isso sim, de delimitação da eficácia da lei que se torna relativamente inaplicável a certo círculo de pessoas e situações, limitação esta que caracteriza precisamente o instituto da derrogação e decorre da relação de especialidade entre tratados e leis. Cumpre notar que a supremacia hierárquica dos tratados sobre as leis internas tem com o efeito exclusivo proibir a sua revogação por leis internas subseqüentes, não sendo porém o Fl. 1617DF CARF MF Processo nº 16682.722218/201783 Acórdão n.º 1301003.770 S1C3T1 Fl. 1.618 14 fundamento da sua 'aplicação prevalecente'. É que, ainda que tratado e lei ordinária tivessem paridade de valor hierárquico, a aplicação prevalecente do primeiro resulta diretamente de uma relação de especialidade". Ademais, de se considerar, que o STJ decidiu que os Tratados Internacionais prevalecem sobre as normas de direito interno, em razão de sua especialidade, nos termos do artigo 98, do Código Tributário Nacional, conforme acórdão cuja ementa é parcialmente transcrita a seguir: “(...) 3. A interpretação das normas de Direito Tributário não se orienta e nem se condiciona pela expressão econômica dos fatos, por mais avultada que seja, do valor atribuído à demanda, ou por outro elemento extrajurídico; a especificidade exegética do Direito Tributário não deriva apenas das peculiaridades evidentes da matéria jurídica por ele regulada, mas sobretudo da singularidade dos seus princípios, sem cuja perfeita absorção e efetivação, o afazer judicial se confundiria com as atividades administrativas fiscais. 4. O poder estatal de arrecadar tributos tem por fonte exclusiva sistema tributário, que abarca não apenas a norma regulatória editada pelo órgão competente, mas também todos os demais elementos normativos do ordenamento, inclusive os ideológicos, os sociais, os históricos e os operacionais; ainda que uma norma seja editada, a sua efetividade dependerá de harmonizarse com as demais concepções do sistema: a compatibilidade com a hierarquia internormativa, os princípios jurídicos gerais e constitucionais, as ilustrações doutrinárias e as lições da jurisprudência dos Tribunais, dentre outras. 5. A jurisprudência desta Corte Superior orienta que as disposições dos Tratados Internacionais Tributários prevalecem sobre as normas de Direito Interno, em razão da sua especificidade. Inteligência do art. 98 do CTN. Precedente: (RESP 1.161.467RS, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJe 01.06.2012). 6. O art. VII do Modelo de Acordo Tributário sobre a Renda e o Capital da OCDE utilizado pela maioria dos Países ocidentais, inclusive pelo Brasil, conforme Tratados Internacionais Tributários celebrados com a Bélgica (Decreto 72.542/73), a Dinamarca (Decreto 75.106/74) e o Principado de Luxemburgo (Decreto 85.051/80), disciplina que os lucros de uma empresa de um Estado contratante só são tributáveis nesse mesmo Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante, por meio de um estabelecimento permanente ali situado (dependência, sucursal ou filial); ademais, impõe a Convenção de Viena que uma parte não pode invocar as disposições de seu direito interno para justificar o inadimplemento de um tratado (art. 27), em reverência ao princípio basilar da boafé. 7. No caso de empresa controlada, dotada de personalidade jurídica própria e distinta da controladora, nos termos dos Tratados Internacionais, os lucros por ela auferidos são lucros próprios e assim tributados somente no País do Fl. 1618DF CARF MF Processo nº 16682.722218/201783 Acórdão n.º 1301003.770 S1C3T1 Fl. 1.619 15 seu domicílio; a sistemática adotada pela legislação fiscal nacional de adicionálos ao lucro da empresa controladora brasileira termina por ferir os Pactos Internacionais Tributários e infringir o princípio da boafé na relações exteriores, a que o Direito Internacional não confere abono. 8. Tendo em vista que o STF considerou constitucional o caput do art. 74 da MP 2.15835/2001, aderese a esse entendimento, para considerar que os lucros auferidos pela controlada sediada nas Bermudas, País com o qual o Brasil não possui acordo internacional nos moldes da OCDE, devem ser considerados disponibilizados para a controladora na data do balanço no qual tiverem sido apurados. 9. O art. 7o, § 1o. da IN/SRF 213/02 extrapolou os limites impostos pela própria Lei Federal (art. 25 da Lei 9.249/95 e 74 da MP (Recurso Especial nº 1.325.709, 1ª Turma, DJe de 20/05/2014 grifamos) Assim, meu entendimento é no sentido da prevalência da norma internacional, em caso de conflito, diante da sua especificidade. No caso aqui tratado, não há essa discussão, o próprio TVF reconhece que as empresas investidas estão localizadas tanto na Áustria quanto na Holanda, países com os quais o Brasil possui tratados para se evitar a bitributação. Aplicandose este mesmo entendimento à CSLL, nos termos do art. 11 da Lei 13.202/2015: Art. 11. Para efeito de interpretação, os acordos e convenções internacionais celebrados pelo Governo da República Federativa do Brasil para evitar dupla tributação da renda abrangem a CSLL. (grifamos) Dessa forma, já que de eficácia retroativa, mesmo que ocorridos antes da entrada em vigor da legislação, nos exatos termos do comando do artigo 106 do Código Tributário Nacional. Já que nesse ponto sou vencida, sigo na análise quanto ao seguinte ponto apresentado pela recorrente: Da não aplicação do art. 74 da MP 2.15835/2001 à parcela dos lucros auferidos pela "OSX GmbH, domiciliada na Áustria inteligência do art. 10 e do art. 23 da Convenção para evitar a dupla tributação Brasil Áustria; Argumenta, a recorrente com relação à parcela de lucros auferidos pela controlada direta domiciliada na Áustria, a autuação não pode subsistir, diante do art. 10 e 23 do referido tratado, que menciona acerca dos dividendos e metodologia de cálculo: ARTIGO 10 Dividendos 1. Os dividendos pagos por uma sociedade residente de um Estado Contratante a um residente do outro Estado Contratante são tributáveis nesse outro Estado. Fl. 1619DF CARF MF Processo nº 16682.722218/201783 Acórdão n.º 1301003.770 S1C3T1 Fl. 1.620 16 2. Todavia, esses dividendos podem ser tributados no Estado Contratante onde reside a sociedade que os paga, de acordo com a legislação desse Estado, mas o imposto assim estabelecido não poderá exceder 15% do montante bruto dos dividendos. Este parágrafo não afetará a tributação da sociedade com referência aos lucros que deram origem aos dividendos pagos. 3. O disposto nos parágrafos 1 e 2 não se aplica quando o beneficiário dos dividendos, residente de um Estado Contratante, tiver, no outro Estado Contratante de que é residente a sociedade que paga os dividendos, um estabelecimento permanente a que estiver ligada efetivamente a participação geradora dos dividendos. Neste caso, serão aplicáveis as disposições do Artigo7. 4. O termo "dividendos" usado no presente artigo, designa os rendimentos provenientes de ações, ações ou direitos de fruição, ações de empresas mineradoras, partes de fundador ou outros direitos de participação em lucros, com exceção de créditos, bem como rendimentos de outras participações de capital assemelhados aos rendimentos de ações pela legislação fiscal do Estado Contratante em que a sociedade que os distribuir seja residente. 5. Quando uma sociedade residente da Áustria tiver um estabelecimento permanente no Brasil, esse estabelecimento permanente poderá aí estar sujeito a um imposto retido na fonte de acordo com a legislação brasileira. Todavia, esse imposto não poderá exceder 15% do montante bruto dos lucros do estabelecimento permanente, determinado após o pagamento do imposto de renda de sociedades referente a esses lucros. 6. A limitação da alíquota do imposto prevista nos parágrafos 2 e 5 não se aplica aos dividendos ou lucros pagos ou remetidos do Brasil antes de 1º de janeiro de 1976. ARTIGO 23 Método para eliminar a dupla tributação 1. Com ressalva das disposições do Artigo 11, parágrafo 3.b, e Artigos 18 e 19, quando um residente do Brasil receber rendimentos que, de acordo com as disposições da presente Convenção, sejam tributáveis na Áustria, o Brasil permitirá que seja deduzido do imposto que cobrar sobre os rendimentos dessa pessoa, um montante igual ao imposto sobre o rendimento pago na Áustria. Todavia, o montante deduzido não poderá exceder à fração do imposto sobre o rendimento, calculado antes da dedução, correspondente aos rendimentos tributáveis na Áustria. 2. Os dividendos pagos por uma sociedade residente da Áustria a uma sociedade residente do Brasil que possua no mínimo 25% Fl. 1620DF CARF MF Processo nº 16682.722218/201783 Acórdão n.º 1301003.770 S1C3T1 Fl. 1.621 17 das ações do capital da sociedade que paga os dividendos serão isentos do imposto de sociedade no Brasil. 3. Quando um residente da Áustria receber rendimentos que, de acordo com as disposições da presente Convenção, sejam tributáveis no Brasil, a Áustria, ressalvado o disposto nos parágrafos 4 a 7, isentará de imposto esses rendimentos, podendo no entanto, ao calcular o imposto incidente sobre o resto do rendimento dessa pessoa, aplicar a taxa que teria sido aplicável se tais rendimentos não houvessem sido isentos. 4. Com ressalva das disposições do Artigo 11 parágrafo 3.b, quando um residente da Áustria receber rendimento que, de acordo com as disposições dos Artigos 10, 11, 12 e 13 parágrafo 3, sejam tributáveis no Brasil, a Áustria permitirá que do imposto que recair sobre os rendimentos dessa pessoa seja deduzido um montante igual ao imposto pago no Brasil. Todavia, o montante deduzido não poderá exceder à fração do imposto, calculado antes da dedução correspondente aos rendimentos recebidos do Brasil. 5. Na aplicação do parágrafo 4 o imposto pago sobre dividendos, juros e "royalties" recebidos do Brasil será considerado como tendo sido pago à alíquota de 25% do montante bruto do rendimento. 6. Os dividendos pagos por uma sociedade residente do Brasil a uma sociedade residente da Áustria que possua no mínimo 25% das ações do capital da sociedade que paga os dividendos serão isentos do imposto de sociedade e do imposto incidente sobre empresas industriais e comerciais na Áustria. 7. Enquanto os "royalties" que forem pagos por uma sociedade residente do Brasil a uma sociedade residente da Áustria que possua mais de 50% do capital votante da sociedade que paga os "royalties" não forem dedutíveis para fins tributários no Brasil, esses "royalties" serão isentos de imposto na Áustria. 8. Quando um residente da Áustria possuir capital que, de acordo com as disposições da presente Convenção seja tributável no Brasil, a Áustria isentará de imposto esse capital. 9. Quando uma sociedade residente da Áustria possuir no mínimo 25% das ações do capital de uma sociedade residente do Brasil tal participação será isenta de imposto sobre o capital na Áustria . Entende a recorrente, subsidiariamente, que por atender aos requisitos da norma, também por este motivo não está sujeita à tributação no momento da distribuição de dividendos da empresa controlada, já que o art. 74 da MP adotou a sistemática de tributar antecipadamente esses dividendos, independentes de terem sido distribuídos ou não. E assim não devem ser tributados, por se tratarem de dividendos fictos. Fl. 1621DF CARF MF Processo nº 16682.722218/201783 Acórdão n.º 1301003.770 S1C3T1 Fl. 1.622 18 Nesse aspecto, concordo com o mencionado pela DRJ, a fiscalização não tratou de distribuição ficta de dividendos oriundos da controlada austríaca, e sim os lucros, o que foi de fato dividendos, foi inclusive excluído da tributação. Ademais, o próprio parágrafo 2 do artigo 23 do Tratado BrasilÁustria menciona a isenção de tributação, no Brasil, sobre os dividendos pagos por pessoas jurídicas residentes na Áustria em favor dos sócios residentes no Brasil. Ou seja, a interpretação literal desse dispositivo do Tratado exige que haja a aprovação, pelos sócios da controlada residente na Áustria, da distribuição de dividendos em benefícios dos sócios residentes no Brasil. Dessa forma, sem a deliberação societária para aprovar a distribuição de dividendos, não se concretizará a situação prevista no parágrafo 2 do artigo 23 do Tratado BrasilÁustria, o que impede a aplicação da isenção. Juros sobre a multa de ofício Há requerimento por parte da recorrente de se afastar a incidência dos juros sobre a multa de ofício, entretanto, diante da edição da recente Súmula deste CARF 108, a aplico. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, e DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 1622DF CARF MF Processo nº 16682.722218/201783 Acórdão n.º 1301003.770 S1C3T1 Fl. 1.623 19 Voto Vencedor Conselheiro Roberto Silva Junior Redator designado Não obstante o bem fundamentado voto da ilustre Conselheira Relatora, peço licença para divergir do entendimento ali exposto. Ressaltese, de início, que o recurso busca a reforma da decisão da DRJ baseado em três pontos que a própria recorrente assim resumiu: i) há violação ao artigo 7 das Convenções para Evitar a Dupla Tributação firmadas entre Brasil e Áustria e Brasil e o Reino dos Países Baixos, quando há a tributação, pelo IRPJ e pela CSLL, dos lucros auferidos por controlada direta e indireta por controladora brasileira nesses países pelo artigo 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, já que o artigo 7 dos Tratados determina que os lucros da empresa apenas serão tributados no país de sua residência;... ii) Ainda que se admitida a legalidade da tributação dos lucros no exterior auferidos por controladas domiciliadas em país com o qual o Brasil mantém Tratado para Evitar a Dupla Tributação, há violação aos artigos 10 e 23 da Convenção Brasil Áustria, uma vez que a única interpretação possível seria a de tributação ficta dos dividendos e há expressa isenção para tal questão no referido Tratado...; iii) Inaplicáveis os juros de mora sobre a multa de ofício, conforme precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais...(fl. 1.460) O art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835/2001 A constitucionalidade do art. 74 da MP nº 2.15835 foi questionada. A discussão chegou ao E. Supremo Tribunal Federal STF, que na ADI nº 2.588 se manifestou de forma definitiva sobre a matéria. No julgamento da referida ação direta, o E. STF afastou, com eficácia erga omnes, a aplicação da norma aos lucros apurados por empresas coligadas, situadas em países sem tributação favorecida, ou seja, países que não se enquadram no conceito de "paraíso fiscal". No mesmo julgado, entretanto, reconheceu a Corte Suprema, de forma expressa e também com eficácia erga omnes, a constitucionalidade da norma quando aplicada aos lucros de empresas controladas, situadas em países que não tributam a renda, ou que o fazem em patamares inferiores aos praticados pelos demais países, ou que sejam desprovidos de controles societários e fiscais adequados. Aqui, ao contrário, do primeiro caso, tratase de países tidos como "paraísos fiscais". O E. STF, naquela assentada, considerou relevantes dois critérios: o da "jurisdição", ou seja, aquele que leva em conta o tipo de tratamento tributário dispensado ao lucro pelo país de residência da empresa estrangeira; e o critério da influência da empresa estabelecida no Brasil sobre as decisões tomadas pela empresa estabelecida no exterior. Daí a importância de saber se a empresa do exterior é coligada ou controlada da empresa brasileira. Em outras palavras, importa saber se a empresa brasileira pode apenas interferir nas decisões Fl. 1623DF CARF MF Processo nº 16682.722218/201783 Acórdão n.º 1301003.770 S1C3T1 Fl. 1.624 20 da empresa do exterior, ou se tem o poder de determinar, unilateralmente, tais decisões. Considerando esses critérios, foram identificadas duas formas de aplicação da norma: a primeira tida por constitucional, a segunda incompatível com a Constituição. Entre esses dois extremos, existem situações a que, em tese, o art. 74 seria aplicável, mas para as quais o colegiado do E. STF não logrou obter o necessário consenso a respaldar um pronunciamento expresso sobre a constitucionalidade da norma. Portanto, para todos os casos que se encontram entre aqueles dois extremos, o art. 74 deve ser tido pelo CARF como constitucional, dado o princípio da presunção de constitucionalidade que milita em favor das leis. Entretanto, o CARF, em situações específicas, pode afastar a aplicação do art. 74 da MP nº 2.15835, se entender que o dispositivo está em conflito com norma de tratado internacional firmado pelo Brasil. Pelo critério da especialidade, o tratado há de prevalecer sobre as normas internas, cuja eficácia fica suspensa enquanto vigorar a disciplina específica conferida pelo tratado. No caso concreto, a controvérsia consiste em saber se a disposição do art. 74 da MP nº 2.15835 é compatível com o artigo 7 dos tratados firmados entre Brasil e Países Baixos e Brasil e Áustria. Em primeiro lugar, cumpre destacar que o art. 74 é majoritariamente considerado uma norma CFC (controlled foreign corporation). O E. STF, em certa medida, assim também entendeu, tanto que atribuiu especial importância ao fato de a empresa estrangeira ter residência em paraíso fiscal, bem como ao grau de influência da empresa brasileira nas decisões tomadas pela empresa no exterior. Como norma CFC, o art. 74 se destina a eliminar os efeitos de práticas elisivas adotadas por empresas residentes no Brasil. Tais práticas consistiriam basicamente em postergar por tempo indeterminado a distribuição de lucros apurados por coligadas ou controladas no exterior, de modo a também diferir, por tempo indeterminado, a tributação dos respectivos dividendos. Discutese, nesse ponto, a compatibilidade das normas CFC com os tratados internacionais que seguem o modelo da OCDE, como é o caso dos tratados firmados pelo Brasil com os Países Baixos e a Áustria. A esse respeito, a própria OCDE divulgou comentário, sustentando que as normas que buscam coibir práticas elisivas podem efetivamente ser aplicadas, a despeito da existência de tratado internacional para evitar a dupla tributação. Naquilo que interessa ao problema aqui examinado, reproduzo os comentários da OCDE, extraídos do artigo do Professor Sérgio André Rocha: Uma questão sempre levantada quando do exame das relações entre tratados internacionais e regras de tributação de lucros do exterior consiste no fato de a OCDE, nos comentários à sua Convenção Modelo, deixar claro que, salvo disposição específica negociada pelos Estados Contratantes, as regras previstas no tratado não afastariam a aplicação de regras antielusivas no formato CFC. Vejase, neste sentido, a seguinte passagem: Fl. 1624DF CARF MF Processo nº 16682.722218/201783 Acórdão n.º 1301003.770 S1C3T1 Fl. 1.625 21 "O uso de 'base companies' pode ser controlado através do uso de regras a respeito de 'controlled foreign companies'. Um número significativo de países membros e não membros adotaram este tipo de legislação. Embora o design desse tipo de legislação varie consideravelmente entre os países, uma característica comum dessas regras, que atualmente são reconhecias internacionalmente como um instrumento legítimo de proteção da base tributável doméstica, é que elas resultam em um Estado Contratante tributar seus residentes sobre renda atribuível à sua participação em certas entidades estrangeiras. Temse argumentado, com base em certa interpretação de regras da Convenção como o parágrafo 1 do artigo 7 e o parágrafo 5 do artigo 10, que esta característica comum da legislação sobre 'controlled foreign companies' conflitaria com esses dispositivos. Pelas razões explicadas nos parágrafos 14 do Comentário sobre o Artigo 7 e 37 do Comentário sobre o Artigo 10, essa interpretação não está de acordo com o texto de tais dispositivos. Ela também não prospera quando os mesmos são lidos em seu contexto. Portanto, embora alguns países tenham achado ser útil esclarecer, em suas convenções, que a legislação sobre 'controlled fereign companies' não conflita com a Convenção, tal esclarecimento não é necessário. É reconhecido que a legislação sobre 'controlled foreing companies' estruturada dessa maneira não é contrária às regras da Convenção. (g.n.) (citado por Sérgio André Rocha no artigo Tributação de Lucros do Exterior, o Supremo Tribunal Federal e os Tratados Internacionais Tributários Celebrados pelo Brasil. Em Grandes Questões Atuais do Direito Tributário, 17º Volume / Coordenador Valdir de Oliveira Rocha. São Paulo: Dialética, 2013.) É certo que os comentários da OCDE não vinculam, nem precisam ser adotados de forma obrigatória. Mas seu posicionamento diante do problema é importante, tendo em vista que os tratados Brasil Países Baixos e Brasil Áustira adotaram o modelo da OCDE. Além disso, os referidos tratados não buscam apenas evitar a dupla tributação, mas também evitar práticas tendentes à evasão fiscal. Não é por outra razão que o Decreto nº 355/1991, que promulgou o tratado firmado entre Brasil e Paises Baixos, menciona expressamente tais objetivos. Portanto, a interpretação das cláusulas do tratado deve levar em conta estes objetivos: evitar a dupla tributação e prevenir a evasão fiscal em relação ao imposto sobre a renda. Por isso, a própria OCDE afirma que as normas CFC não conflitam com a Convenção, nem são contrárias às suas regras. Alguns alegam que o art. 74 da MP nº 2.15835 não se enquadraria no conceito de norma CFC, em face da amplitude de seu campo de incidência, pois esse tipo de norma tem sua aplicação restrita a países de tributação favorecida (critério jurisdicional), ou a determinadas espécies de receitas (critério transacional). Não obstante esse entendimento, a própria OCDE admite que o desenho da legislação que cuida do regime de transparência fiscal internacional varia de um país para outro. Não existe um padrão previamente definido no que tange aos pressupostos específicos de aplicação da norma CFC. O que confere à norma esse caráter é o escopo de anular ou impedir os efeitos de procedimentos elisivos. De resto, a maior ou menor amplitude de uma norma CFC depende de escolha política de cada país. Fl. 1625DF CARF MF Processo nº 16682.722218/201783 Acórdão n.º 1301003.770 S1C3T1 Fl. 1.626 22 O artigo 7 dos tratados internacionais Não há conflito entre o art. 74 da MP nº 2.15835 e o artigo 7 dos tratados firmado entre Brasil e Países Baixos e Brasil e Áustria. O objetivo do tratado é estabelecer regra básica segundo a qual cada país tributa o lucro da empresa fixada em seu território, chamada de estabelecimento permanente. A recorrente afirma, sem razão, que o art. 74 da MP nº 2.15835 alcançaria o lucro da empresa residente no exterior e, assim, violaria o artigo 7 do tratado. A norma do art. 74 nem de longe tangenciou o patrimônio ou o lucro da empresa estrangeira. O efeito tributário da incidência da norma não implicou qualquer despesa ou decréscimo patrimonial que pudesse se refletir sobre as empresas controladas no exterior. A tributação atingiu, sim, o lucro que cabe à recorrente. Não há, portanto, afronta ao tratado. Nesse sentido, existem reiteradas decisões da Câmara Superior de Recurso Fiscal CSRF, de cuja jurisprudência se pode tomar como exemplo o Acórdão nº 9101 003.924, da relatoria do ilustre Conselheiro André Mendes de Moura. O voto condutor da decisão trouxe os seguintes fundamentos: Contudo, não há que se concordar com o recurso especial, quando se deduz que, como a materialidade seria "lucros", não se poderia haver tributação dos resultados, por não estarem incorporados ao patrimônio do investidor brasileiro, e que caberia a incidência do art 7 do Tratado BrasilHolanda. Tampouco há que se amparar entendimento sobre a suposta impossibilidade de utilização do MEP para fins de se apurar a base de cálculo tributável. Isso porque não há colisão entre as materialidades tratadas pelo art. 74 da MP n° 2.15835, de 2001, e pelo Tratado BrasilHolanda. Como já visto, o lucro pode ter diversas destinações. Contudo, a legislação brasileira adotou, para os lucros percebidos no exterior por meio de investimentos em controladas ou coligadas, um tratamento diferenciado. Fato é que, tanto para investimentos de controladas/coligadas no Brasil, quanto no exterior, os lucros auferidos pelas investidas são refletidas na contabilidade da investidora por meio do Método de Equivalência Patrimonial. Para investimentos no Brasil, a investidora contabiliza o resultado positivo da investida, proporcional à sua participação, e exclui o resultado na apuração do lucro real. Nesse caso, viabilizase a neutralidade porque, como o lucro auferido pela investida já foi tributado no Brasil, não cabe sua tributação no resultado da investidora. E principalmente porque a investida encontrase no Brasil, ou seja, os lucros auferidos pela investida são necessariamente oferecidos à tributação. Situação diferente ocorre quando o investimento tem sede no exterior. Nesse caso, a legislação brasileira previu, inicialmente, o mesmo tratamento em relação à contabilização do resultado positivo da investida: o lucro proporcional à sua participação é incluído no resultado da empresa brasileira, e excluído na apuração do lucro real. Contudo, dispôs uma etapa complementar: se os lucros forem auferidos de controladas e coligadas, cabe a adição no resultado tributável, na proporção de participação da investidora brasileira sobre o investimento, ao final de cada anocalendário. Fl. 1626DF CARF MF Processo nº 16682.722218/201783 Acórdão n.º 1301003.770 S1C3T1 Fl. 1.627 23 Partese da premissa de que os lucros são da investidora brasileira, e, por isso, a sua tributação não deve estar subordinada à política tributária adotada pelo país onde se encontra o investimento. Isso porque o país onde se encontra o investimento pode optar por tributar o lucro em bases tributáveis menores, e a controladora brasileira, que detêm poder de decisão sobre a investida, pode optar em não receber os lucros auferidos. Tratase de situação em que a neutralidade que ocorre quando investidora e investida estão no Brasil é desvirtuada. Isso porque, quando ambas estão no Brasil, a mesma alíquota é aplicada sobre o lucro da investida e o da investidora. Tributase o lucro de investida, e tal valor não é tributado pela investidora. Não há prejuízo no sistema. Por outro lado, se investida está em país de tributação menor, não há que se falar em neutralidade. Na realidade, operacionalizase um diferimento em tempo indeterminado da tributação. E, precisamente para se evitar tal diferimento, o art. 74 da norma em debate dispôs expressamente sobre aspecto temporal: o lucro presumese distribuído para a empresa brasileira (na condição de detentora das ações/quotas da investida), na proporção de sua participação, ao final do anocalendário. E a neutralidade, que se operacionaliza quando tanto investida quanto investidora estão no Brasil, também é tutelada ao se dispor quando a investida está no exterior. Vale transcrever o art. 26 da Lei n° 9.249, de 1995: Art. 26. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. Como se pode observar, não se pode falar em bitributaçâo. A neutralidade da tributação entre investida e investidora é operacionalizada por meio de outro mecanismo, mediante compensação do que a investida já recolheu aos cofres no exterior, e superase a questão do diferimento de tributação por tempo indeterminado. A tributação só se consuma se as alíquotas no exterior foram inferiores à praticadas no Brasil. Isso porque os lucros, apesar de auferidos pela empresa no exterior, pertencem, na medida da participação societária, ao seu investidor que se localiza no Brasil. Ou seja, a legislação brasileira diz respeito aos lucros auferidos pelo contribuinte, investidor, residente no Brasil. Portanto, os lucros tributados pela legislação brasileira são aqueles auferidos pelo investidor brasileiro na proporção de sua participação no investimento localizado no exterior. Nesse contexto, não há que se falar aplicação do Tratado BrasilHolanda no caso concreto, nem do art. 10, tampouco do art. 7º. O Tratado BrasilHolanda vem proteger os investidores que não são brasileiros da incidência do art. 74 da MP n° 2.15835, de 2001, assim como os investidores que não são holandeses da legislação tributária que produzida na Holanda. Ou seja, a legislação brasileira não tem repercussão nos lucros auferidos pelos investidores estrangeiros. Fl. 1627DF CARF MF Processo nº 16682.722218/201783 Acórdão n.º 1301003.770 S1C3T1 Fl. 1.628 24 E, considerando que a materialidade do art. 74 da MP n° 2.15835, de 2001 não colide com o Tratado BrasilHolanda, não cabe discussão sobre enquadramento dos arts. 7 ou 10 do tratado internacional, ou sobre prevalência de tratados sobre legislação interna, tampouco sobre suposta aplicação de regime de transparência fiscal internacional decorrente da existência de cláusulas abusivas, conforme aduzido pela Contribuinte. Precisamente porque os lucros tributáveis pela legislação brasileira não se comunicam com os lucros tutelados pelo tratado internacional. Por isso que entendo não haver reparos na interpretação conferida pela Receita Federal, por meio da Solução de Consulta Interna n° 18, da Cosit: As convenções internacionais para evitar dupla tributação que seguem o modelo da OCDE trazem uma regra de tributação exclusiva dos lucros disposta no Parágrafo 1 do Artigo 7, segundo a qual os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente ali situado. Se a empresa exercer suas atividades na forma indicada, seus lucros poderão ser tributados no outro Estado, mas unicamente na medida em que forem atribuíveis àquele estabelecimento permanente. Transcrevese a redação do citado parágrafo: "Os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só podem ser tributados nesse Estado, a não ser que a empresa exerça a sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento estável aí situado. Se a empresa exercer a sua atividade deste modo, os seus lucros podem ser tributados no outro Estado, mas unicamente na medida em que forem imputáveis a esse estabelecimento estável." 26. Assim, para entender a compatibilidade entre os acordos celebrados pelo Brasil para evitar a dupla tributação que seguem o modelo da OCDE e a legislação sobre a tributação de lucros de controladas e coligadas no exterior, é importante destacar o Comentário da própria OCDE sobre o Parágrafo 1º do Artigo 7 da Convenção Modelo (tradução livre): " 10.1 O propósito do § 1° é traçar limites ao direito de um Estado Contratante tributar os lucros de empresas situadas em outro Estado Contratante. O parágrafo não limita o direito de um Estado Contratante tributar seus residentes com base nos dispositivos relativos a sociedades controladas no exterior encontradas em sua legislação interna, ainda que tal tributo, imposto a esses residentes, possa ser computado em relação à parte dos lucros de uma empresa residente em outro Estado Contratante atribuída à participação desses residentes nessa empresa. O tributo assim imposto por um Estado sobre seus próprios residentes não reduz os lucros da empresa de outro Estado e não se pode dizer, portanto, que teve por objeto tais lucros." 27. Conforme exposto pela OCDE, não seriam os lucros da sociedade investida tributados pelo Estado de residência dos sócios, mas os lucros auferidos pelos próprios sócios, em que pese na apuração da base de cálculo tributável seja utilizado como referência o valor dos lucros auferidos pela sociedade sediada no outro Estado. Portanto, o parágrafo 1º não visa impedir o Estado de residência dos Fl. 1628DF CARF MF Processo nº 16682.722218/201783 Acórdão n.º 1301003.770 S1C3T1 Fl. 1.629 25 sócios de tributar a renda obtida por intermédio de sua participação em sociedades domiciliadas no exterior. 28. O art. 74 da MP n° 2.15835, de 2001, prevê a tributação da renda dos sócios brasileiros decorrente de sua participação em empresas domiciliadas no exterior. Ou seja, a norma interna incide em contribuinte brasileiro, não gerando qualquer conflito com os dispositivos do tratado que versam sobre a tributação de lucros. 29. E certo que a função primordial dos tratados è promover, mediante a eliminação da dupla tributação, as trocas de bens e serviços e a movimentação de capitais e pessoas. Esse objetivo é igualmente alcançado uma vez que o art. 26 da Lei n° 9.249, de 1995, autoriza a compensação dos tributos pagos no exterior, na hipótese de reconhecimento de lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real. Portanto, a aplicação da norma interna brasileira não acarreta a bitributação econômica dos lucros decorrentes de investimentos no exterior. 30. Além disso, é importante ressaltar que, segundo o Comitê de Assuntos Fiscais da OCDE, os acordos para evitar dupla tributação também têm por escopo a prevenção da elisão e evasão fiscal, já que os contribuintes poderiam ser tentados a abusar da legislação fiscal de um Estado, através da exploração das diferenças entre as várias legislações dos países ou jurisdições, de maneira a evitar a dupla não tributação. Transcrevese, por elucidativo, o parágrafo 7 dos Comentários da ConvençãoModelo: " 7. O objetivo principal das convenções para evitar a dupla tributação é promover, mediante a eliminação da dupla tributação internacional, o comércio internacional de bens e serviços, e a circulação de capitais e de pessoas. Também é objetivo das convenções evitar a fraude e evasão fiscal. 7.1 Os contribuintes podem ser tentados a abusar das leis tributárias do Estado, explorando as diferenças entre as legislações dos países ..." Portanto, não se comunicam as materialidades previstas no art. 74 da MP n° 2.15835, de 2001, e as dispostas na Convenção BrasilHolanda para evitar bitributação de renda. Tributase, dos lucros auferidos pela investida estrangeira, apenas aqueles que dizem respeito ao investidor brasileiro, na proporção de sua participação no investimento localizado no exterior, ao final de cada ano calendário. Enfim, tendo em vista que o Tratado BrasilHolanda não se aplica ao caso em análise, sendo tributáveis apenas os lucros auferidos pelo investidor brasileiro, resta consumada a incidência sobre o IRPJ quanto para CSLL. Observase que eventual discussão sobre CSLL se aplicaria apenas se prevalecesse entendimento de que os lucros da legislação brasileira entrassem em colisão com o tratado internacional, o que implicaria em dizer que o tratado, em tese, também seria aplicável para a tributação sobre a contribuição de seguridade social (conforme art. 11 da Lei n° 13.202/2015). Contudo, não é o caso tratado nos presentes autos. Por essas razões, é indiscutível a aplicabilidade, no caso concreto, do art. 74 da MP 2.15835, alcançando os lucros auferidos, no exterior, por empresa domiciliada no Fl. 1629DF CARF MF Processo nº 16682.722218/201783 Acórdão n.º 1301003.770 S1C3T1 Fl. 1.630 26 Brasil, mediante controladas no exterior, ainda que o controle seja indireto (Lei nº 6.404/1976, art. 243, § 2º). Como bem frisou a Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, nas contrarrazões: ...resta evidente que a norma inserida no art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, deve ser aplicada tanto às controladas diretas quanto às controladas indiretas. Primeiro, por respeito a uma regra elementar de hermenêutica, que deve orientar o trabalho do intérprete, qual seja: não se podem fazer distinções quando o texto da norma não o fez. Nessa perspectiva, ao interpretar o art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, devese ter em mente a mesma lógica da legislação civil, que introduziu o conceito de sociedade controlada em caráter geral, sem diferenciar entre a modalidade direta ou indireta. Em segundo lugar, há que se considerar o objetivo do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, isto é, implementar a tributação universal da renda das pessoas jurídicas e, ao mesmo tempo, evitar o diferimento por tempo indeterminado da renda auferida por intermédio de controladas ou coligadas no exterior. (...) Diante dessas explicações, forçoso concluir que aceitar a aplicação do dispositivo somente para as controladas diretas significaria esvaziar o sentido da norma. Isso porque bastaria um artifício muito simples para que os contribuintes pudessem continuar não se sujeitando à tributação no Brasil: constituir pessoas jurídicas intermediárias controladas diretas entre a controladora brasileira e a subsidiária que concentra a produção de riqueza – que figuraria como controlada indireta. Diante disso, é fundamental para concretizar a finalidade do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, que a sua aplicação atinja controladas diretas e indiretas situadas no exterior. (fls. 1.558 e 1.559) Artigo 23 da Convenção Brasil Áustria A recorrente alegou a existência de isenção específica para dividendos distribuídos, prevista no parágrafo 2 do artigo 23 do Tratado Brasil Áustria, assim redigido: 2. Os dividendos pagos por uma sociedade residente da Áustria a uma sociedade residente do Brasil que possua no mínimo 25% das ações do capital da sociedade que paga os dividendos serão isentos do imposto de sociedade no Brasil. A isenção, se destinando exclusivamente a dividendos pagos, não tem aplicação ao caso em exame. Nesse sentido, é correta a manifestação da PFN. Confirase: No tocante ao primeiro fundamento, cumpre lembrar que os incisos I e II do art. 111 do CTN determinam que a interpretação da legislação tributária seja literal quando tratar sobre exclusão do crédito tributário o que inclui a isenção e sobre outorga de isenção. Os Tratados para evitar dupla tributação da renda estão inseridos no conceito de legislação tributária, conforme disposto no art. 96 do CTN, de modo que a interpretação de seus dispositivos deve ser literal quando se tratar de isenção de tributos. Portanto, não há como se alegar que a Solução de Consulta COSIT n° 400, de 2017, errou ao firmar como premissa a necessidade de se interpretar literalmente os dispositivos dos Tratados que versem sobre isenção. Fl. 1630DF CARF MF Processo nº 16682.722218/201783 Acórdão n.º 1301003.770 S1C3T1 Fl. 1.631 27 Partindo desse pressuposto, temse que o parágrafo 2 do artigo 23 do Tratado Brasil Áustria prevê a isenção de tributação, no Brasil, sobre os dividendos pagos por pessoas jurídicas residentes na Áustria em favor dos sócios residentes no Brasil. Assim, a interpretação literal desse dispositivo do Tratado exige que haja a aprovação, pelos sócios da controlada residente na Áustria, da distribuição de dividendos em benefícios dos sócios residentes no Brasil. Com efeito, sem a deliberação societária para aprovar a distribuição de dividendos, não se concretizará a situação prevista no parágrafo 2 do artigo 23 do Tratado Brasil Austria, o que impede a aplicação da isenção. E por essa razão que os tributos constituídos com base no art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, não estão sob a abrangência do parágrafo 2 do artigo 23 do Tratado Brasil Áustria. Isso porque os lucros tributados com base no referido art. 74 não dependem de deliberação dos sócios para aprovar distribuição de dividendos, bastando que a controlada residente no exterior registre a obtenção de lucros em seu balanço. E a partir do registro dos lucros no balanço da controlada residente no exterior, estes são considerados disponibilizados para a controladora brasileira independente da deliberação dos sócios da controlada determinando a disponibilização. (fls. 1.588 e 1.589) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Ao auto de infração de CSLL deve ser aplicada a mesma decisão dada ao IRPJ, pois ambos os procedimentos recaíram sobre a mesma base fática, inexistindo qualquer dispositivo específico da legislação da CSLL que imponha solução distinta. Frisese, ademais, que se o tratado internacional não impede a exigência do IRPJ, o mesmo se dá em relação à CSLL. Incidência de juros de mora sobre multa Quanto à incidência de juros de mora sobre a multa, tratase de matéria pacificada no âmbito administrativo, com o advento da Súmula CARF 108: Súmula CARF 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 1631DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.902427/2014-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/2000
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais.
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE.
Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
Numero da decisão: 3401-005.861
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 24 27 /2 01 4- 28 Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10580.902427/201428 Acórdão n.º 3401005.861 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou insubsistente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório que indeferiu pedido de restituição de PIS. Do Pedido de Compensação e do Despacho Decisório O contribuinte pleiteou compensação, referente a pagamento efetuado indevidamente ou a maior, transmitido através de PER. Em despacho decisório, o pedido foi indeferido sob a alegação que o “recolhimento apontado como origem do crédito encontrase integralmente alocado ao débito informado pelo contribuinte, não restando qualquer saldo de pagamento a ser restituído. ” Da Manifestação de Inconformidade O Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, argumentando o seguinte: 1. O Supremo Tribunal Federal declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, contida no §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998 e que o presente pedido de restituição se mostra subsistente, pois os recolhimentos da contribuição em tela foram realizados nos estritos lindes do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, cujo descompasso com o sistema normativo acabou por provocar o recolhimento a maior nesse tocante e, por conseguinte, não há como prosperar o indeferimento do presente pedido de restituição. 2. O STF declarou a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98 porque reconheceu que as contribuições sociais ao PIS e à Cofins só poderiam incidir sobre o faturamento das empresas, assim entendida “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, não podendo incluir na base de cálculo receitas não operacionais. 3. O conceito de faturamento não varia em função do objeto social de cada contribuinte, pois a base de cálculo ficaria sujeita a um grau de incerteza absolutamente incompatível com uma obrigação tributária. Assim sendo, não há qualquer relação de identidade entre o conceito de faturamento com a atividade principal dos contribuintes. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10580.902427/201428 Acórdão n.º 3401005.861 S3C4T1 Fl. 4 3 4. Mesmo que se entenda que as receitas financeiras auferidas por instituições financeiras têm natureza de receita de prestação de serviços, integrando o conceito de faturamento, o que se admite apenas para argumentar, não podem integrar referida base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolvam intermediação financeira. 5. A base de cálculo, deveria ficar restrita somente às receitas auferidas no exercício de seu objeto social, com a prestação de serviços bancários, tais como administração de fundos de investimentos, assessoria em operações de fusão e aquisição, intermediação financeira e concessão de crédito, dentre outras atividades. 6. As receitas financeiras obtidas com a aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias, realizadas no seu único e exclusivo interesse, sem intermediação, não configuram prestação de serviços, uma vez que ninguém presta serviço para si próprio. Junto com a impugnação, o recorrente apresentou planilhas de cálculo, e balancete analítico do mês de referência. Da Decisão de Primeiro Grau O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 14061.535. Do Recurso Voluntário Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso, reprisando as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.809, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10580.902382/201491, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.809): "Da Admissibilidade Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10580.902427/201428 Acórdão n.º 3401005.861 S3C4T1 Fl. 5 4 O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade; de modo que tomo seu conhecimento. Do Mérito O núcleo do litígio reside na forma de aplicação da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei Federal 9718/1998 pelo STF – quando do julgamento do RE nº 585.235, sob a forma do art. 543B, do CPC, sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, no que tange às instituições financeiras. Naquela oportunidade, restou pacificado que, para fins de incidência cumulativa das contribuições sociais, o faturamento é o resultado das atividades típicas, ou seja, que decorram do objeto social do contribuinte. Como não poderia ser diferente, esse vem sendo o entendimento adotado nessa Seção, e na Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 COFINS. FATURAMENTO. LEI 9.784/98 [SIC]. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Consoante entendimento firmado pelo STF, as receitas operacionais obtidas pelas instituições financeiras, decorrentes de sua atividade fim, integram o conceito de receita bruta utilizado pelo art. 3º da Lei nº 9.718/98. RECUPERAÇÃO DE ENCARGOS E DESPESAS E REVERSÃO DE PROVISÕES OPERACIONAIS. Lançamentos que não representes ingressos de receita oriundos das atividades típicas das instituições financeiras não podem ser alcançados pela incidência da COFINS. (Acórdão nº 3201004.445, Relatora Tatiana Josefovicz Belisário, sessão de 27.11.2018) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10580.902427/201428 Acórdão n.º 3401005.861 S3C4T1 Fl. 6 5 As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. (Acórdão nº 9303002.934, Redator designado: Ricardo Paulo Rosa, sessão de 03.06.2014). Acertadamente, a decisão ora recorrida destacou que as atividades operacionais das instituições financeiras se encontram elencadas no Plano de Conta COSIF, nos termos emanados pelo Banco Central do Brasil: O Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional, instituído pela Circular do Banco Central do Brasil nº 1.273, de 29 de dezembro de 1987, traz em seu Capítulo 1 Normas Básicas, Seção 17 Receitas e Despesas, item 3, que as rendas obtidas tanto com as operações ativas como com a prestação de serviços, ambas referentes a atividades típicas, regulares e habituais da instituição financeira, são classificadas como operacionais. Confirase: 3 As rendas operacionais representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais. (grifos nossos) No Cosif, as contas de receitas operacionais são divididas em: 7.1 RECEITAS OPERACIONAIS 7.1.1.00.001 Rendas de Operações de Crédito 7.1.2.00.004 Rendas de Arrendamento Mercantil 7.1.3.00.007 Rendas de Câmbio 7.1.4.00.000 Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez 7.1.5.00.003 Rendas com Títulos e Valores Mobiliários e Instrumentos Financeiros Derivativos Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10580.902427/201428 Acórdão n.º 3401005.861 S3C4T1 Fl. 7 6 7.1.7.00.009 Rendas de Prestação de Serviços 7.1.8.00.002 Rendas de Participações 7.1.9.00.005 Outras Receitas Operacionais (...) Portanto, em uma instituição financeira as receitas financeiras decorrem de serviços prestados aos clientes (financiamentos, empréstimos, operações de câmbio na importação ou exportação, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, seguros, arrendamento mercantil, administração de planos de previdência privada e tantas outras mais) não constituindo mero ganho financeiro como acontece em outras empresas. São, portanto, receitas operacionais, que compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins. (...) Especificamente quanto a instituições financeiras e contribuintes a ela equiparadas por força do artigo 22, § 1° da Lei 8.212/91, devese entender por faturamento os ganhos obtidos com operações financeiras realizadas por tais entidades, quanto à captação, movimentação e aplicação de ativos que proporcionem alguma forma de ganho pecuniário, posto não ser outro o objeto social de tais sociedades. Observando o caso concreto, tratase de instituição financeira que tem por objeto social “efetuar operações bancárias em geral, inclusive câmbio”. Esse, portanto, é o limite das atividades típicas que devem ser objeto de escrutínio para sua inclusão na base de cálculo das contribuições sociais. No presente processo, a Recorrente pleiteia crédito de COFINS no montante calculado sobre a diferença entre a totalidade de receitas operacionais e a receita de prestação de serviços bancários (conta 7.1.7.00.00.9), entendendo, a despeito do entendimento acima esposado, que somente as atividades de prestação de serviços bancários poderiam vir a ser objeto de incidência das contribuições sociais, ignorando que a atividade bancária per si não se restringe, por óbvio, aos serviços prestados aos clientes. Adicionese aos argumentos anteriores que a própria Lei Federal 9.718/1998 partiu da premissa que as receitas financeiras geradas nas atividades das instituições bancárias eram tributadas, quando previu, em seus parágrafos 5º e 6º, hipóteses específicas de dedução: Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10580.902427/201428 Acórdão n.º 3401005.861 S3C4T1 Fl. 8 7 I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. Assim, todas as receitas decorrentes da atividade bancária, seja pela prestação de serviços, seja pela fruição de resultados financeiros dos ativos próprios e de terceiros, devem ser tributadas pelas contribuições sociais, observadas das deduções acima. Por outro lado, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente, nos termos do RE 1.104.184/RS, do STJ, julgado sob efeitos do artigo 543C do antigo CPC. Sob a mesma ótica, não é possível admitir na base de cálculo das contribuições as receitas decorrentes da locação de imóveis, eis que essa atividade não se encontra contemplada no seu contrato social. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10580.902427/201428 Acórdão n.º 3401005.861 S3C4T1 Fl. 9 8 Tratase, portanto, de resultados que não decorre da atividade bancária, de forma que a parcela do lançamento referente a essa rubrica deve ser cancelada. Por todo o exposto, conheço do Recurso, e doulhe parcial provimento para afastar a glosa sobre as receitas decorrentes da remuneração de juros sobre o capital próprio e locação de imóveis próprios." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. . Da mesma forma, a Declaração de Voto do Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, apresentada no processo paradigma, é extensível ao presente processo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso voluntário, e darlhe parcial provimento para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10580.902427/201428 Acórdão n.º 3401005.861 S3C4T1 Fl. 10 9 Fl. 186DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11030.000759/2006-55
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
IPI RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO PIS-PASEP E COFINS. CONCEITO DE RECEITA DE EXPORTAÇÃO.
A norma jurídica instituidora do benefício fiscal atribui ao Ministro de Estado da Fazenda a competência para definir “receita de exportação” e para o período pleiteado a receita deve corresponder a venda para o exterior de produtos industrializados, conforme fato gerador do IPI, não sendo confundidos com produtos “NT” que se encontram apenas fora do campo abrangido pela tributação do imposto.
“IPI – CRÉDITO PRESUMIDO – RESSARCIMENTO – AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS – A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei nº 9.363/96). A lei citada refere-se a “valor total” e não prevê qualquer exclusão.
As Instruções Normativas nºs 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei nº 9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e
às Contribuições ao PIS/PASEP (IN nº 23/97), bem como que as matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN nº 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 3101-000.784
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para: 1) afastar o impedimento ao uso do benefício em face da saída de produtos NT; 2) desconsiderar a vedação de se incluir na base de cálculo do crédito presumido as matérias- primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas ou de cooperativas; e 3) determinar o retorno dos autos ao órgão julgador de primeira instância para apreciar as demais questões de mérito. Vencidos os conselheiros Corintho Oliveira Machado e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: Valdete Aparecida Marinheiro
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 IPI RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO PIS-PASEP E COFINS. CONCEITO DE RECEITA DE EXPORTAÇÃO. A norma jurídica instituidora do benefício fiscal atribui ao Ministro de Estado da Fazenda a competência para definir “receita de exportação” e para o período pleiteado a receita deve corresponder a venda para o exterior de produtos industrializados, conforme fato gerador do IPI, não sendo confundidos com produtos “NT” que se encontram apenas fora do campo abrangido pela tributação do imposto. “IPI – CRÉDITO PRESUMIDO – RESSARCIMENTO – AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS – A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei nº 9.363/96). A lei citada refere-se a “valor total” e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas nºs 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei nº 9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN nº 23/97), bem como que as matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN nº 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
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E EXPORTAÇÃO LTDA Recorrida DRJ PORTO ALEGRE/RS “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 IPI RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO PISPASEP E COFINS. CONCEITO DE RECEITA DE EXPORTAÇÃO. A norma jurídica instituidora do benefício fiscal atribui ao Ministro de Estado da Fazenda a competência para definir “receita de exportação” e para o período pleiteado a receita deve corresponder a venda para o exterior de produtos industrializados, conforme fato gerador do IPI, não sendo confundidos com produtos “NT” que se encontram apenas fora do campo abrangido pela tributação do imposto. “IPI – CRÉDITO PRESUMIDO – RESSARCIMENTO – AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS – A base de cáculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei nº 9.363/96). A lei citada refere se a “valor total” e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas nºs 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei nº 9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN nº 23/97), bem como que as matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN nº 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Fl. 1DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11 /11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11030.000759/200655 Acórdão n.º 3101 000784 S3C1T1 Fl. 2 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para: 1) afastar o impedimento ao uso do benefício em face da saída de produtos NT; 2) desconsiderar a vedação de se incluir na base de cálculo do crédito presumido as matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas ou de cooperativas; e 3) determinar o retorno dos autos ao órgão julgador de primeira instância para apreciar as demais questões de mérito. Vencidos os conselheiros Corintho Oliveira Machado e Henrique Pinheiro Torres. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Tarásio Campelo Borges e Vanessa Albuquerque Valente.Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Luiz Roberto Domingo. . Relatório Por bem relatar, adotase o Relatório de fls. 81 dos autos emanados da decisão DRJ/POA, por meio do voto do relator Carlos Alberto Donassolo, nos seguintes termos: “O estabelecimento acima qualificado formalizou pedido de ressarcimento do crédito presumido do IPI (CP), instituído pela Lei nº. 9.363, de 13 de dezembro de 1996, para se ressarcir das contribuições da Cofins e do PIS/PASEP, incidentes sobre as aquisições , no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, empregados na fabricação de produtos exportados durante o período de 01/07/2005 a 30/09/2005, no valor de R$ 49.385,70, conforme pedido de ressarcimento PER/DCOMP, de fls. 02 e 03. 1.1 A verificação prévia do pedido foi feita pela fiscalização que, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal, de fls. 09 e 10, concluiu que o requerente não teria direito ao ressarcimento pleiteado, em razão de que as exportações efetuadas pelo requerente são referentes a produtos classificados no código 7103.10.00 da TIPI, com a notação NT (não tributável) e, portanto, ditos produtos se encontram fora do campo de incidência do IPI, desatendendo a condição para a fruição do benefício fiscal, prevista no art. 1º da Lei nº. 9.363, de 1996, ou seja, de que o produto deve ser industrializado sujeito à incidência desse imposto. Não bastasse isso, prossegue o agente fiscal, a maior parte das matériasprima adquiridas são provenientes de pessoas físicas, que não sofreram o gravame das contribuições para o Fl. 2DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11 /11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11030.000759/200655 Acórdão n.º 3101 000784 S3C1T1 Fl. 3 3 PIS/PASEP e Cofins a que o benefício fiscal visa ressarcir e, dessa forma, essas aquisições também não dariam direito ao crédito presumido. 1.2 O Delegado da DRF/Passo Fundo, acolhendo a proposição da Fiscalização, indeferiu integralmente o pedido de ressarcimento, conforme teor do Despacho Decisório, de fls. 12. 2 Regularmente intimado do Despacho Decisório referido, mas discordando daquele entendimento, o requerente apresentou a manifestação de inconformidade, de fls. 17 a 32, alegando, em síntese, o que segue: a) que realiza uma operação de beneficiamento da pedra denominada “ametista”, caracterizada como sendo uma operação típica de industrialização, uma vez que a matéria prima adquirida (ametista) passa por todo um processo de tratamento/acabamento antes de ser comercializada, operação essa caracterizada como sendo de industrialização pelo Regulamento do IPI; b) que no caso da não admissão na base de cálculo das aquisições de insumos de pessoas físicas houve ofensa ao princípio da legalidade estrita, previsto no art. 150, I, da Constituição Federal/88, de forma que a fiscalização não poderia impor restrições na composição do cálculo com base em atos infralegais, posto que tanto o conceito insculpido na Lei nº 9.363, de 1996 quanto na Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, estendem o benefício para toda a cadeia produtiva e não somente para a última etapa desta. Transcreve jurisprudência administrativa em apoio à sua tese; 2.1. Finaliza, requerendo a procedência de sua manifestação de inconformidade para que seja reformado o Despacho Decisório e que se defira integralmente o crédito presumido do IPI pleiteado, acrescido de juros pela taxa Selic, desde a protocolização do pedido.” A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 1015.451 de fls. 80 traz a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. Inexiste direito ao crédito presumido do IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT (nãotributado). IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. Não se incluem na base de cálculo do benefício as aquisições de matérias primas de pessoas físicas, por não terem sofrido a incidência das contribuições para o PIS/PASEP e a Cofins. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11 /11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11030.000759/200655 Acórdão n.º 3101 000784 S3C1T1 Fl. 4 4 ABONO DE JUROS SELIC. DESCABIMENTO. Por falta de previsão legal, é incabível o abono de correção monetária e de juros Selic, aos ressarcimentos de créditos do IPI. Solicitação Indeferida “ Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho – CARF (fls.90 a 105) onde faz as mesmas alegações antes apresentadas e finalmente requer: a) a reforma do acórdão recorrido, com escopo de que seja declarado o direito integral pleiteado, relativo ao crédito presumido do IPI; b) acrescido da respectiva correção monetária e, por conseguinte, homologada a compensação tributária levada a cabo pela Contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Inicialmente, cabe destacar que o motivo principal de controvérsia no presente processo se deve ao fato da fiscalização ter considerado que os produtos exportados pelo interessado estariam classificados na TIPI com a notação “NT” (nãotributado), ou seja, são produtos que não são considerados industrializados pela legislação do IPI e, portanto, sem direito ao crédito presumido do IPI. Nesse sentido, a decisão recorrida, analisou a classificação fiscal dos produtos exportados e concluiu “... que se tratam de produtos que se encontram fora do campo de incidência do IPI, ou seja, indicação típica de produtos que não são considerados industrializados pela legislação do IPI e, por essa razão, sem direito ao crédito presumido do IPI pela legislação que trata do benefício fiscal”. Assim, não obstante, demais considerações é importante lembrar que o IPI é um imposto seletivo em virtude da essencialidade do produto, e não cumulativo conforme artigo 153 § 3º da CF/88, logo, por imposição constitucional, o IPI deve ser seletivo, não cumulativo e não poderá incidir sobre produtos industrializados, destinados ao exterior. Esses são os limites mínimos a serem respeitados pelo legislador infraconstitucional. Verificase na TIPI, que inumeros produtos ficaram sem tributação, outros tantos, reduzidos à alíquota zero, outros, ainda, tiveram isenções decretadas por leis específicas. No caso concreto, como o produto exportado está na TIPI como produto não tributado, significa que o objeto encontrase fora do campo abrangido pela tributação, isto é, é o fato de não estar contemplado na norma jurídica definidora do fato gerador da obrigação Fl. 4DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11 /11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11030.000759/200655 Acórdão n.º 3101 000784 S3C1T1 Fl. 5 5 tributária. Acontece que o fato gerador do IPI é a industrialização e a lei definiu o que seja produto industrializado (artigo 46 do CTN e art. 3º da Lei nº 4.502/64). Assim, uma tabela aprovada por mero decreto ao promover enumeração de produtos não tributados, motivados tãosomente pelo caráter da seletização gradual do imposto, não pode implicar em alteração do fato gerador, a ponto de excluir os produtos não tributados do rol de produtos industrializados, abrangidos pela definição do fato gerador do IPI. Logo, produto classificado na TIPI como NT, não significa necessáriamente tratarse de produto não industrializado. Portanto, o relevante é que a Recorrente tenha exportado produtos industrializados, ainda que esses produtos estejam classificados na TIPI como NT, nada considerável, também, que seus insumos sejam classificados como NT, pois, não estamos tratando de créditos normais de IPI, mas um crédito pressumido, uma ficção, onde as bases para sua apuração estão contempladas pela Lei 9.363/96. Também, a Recorrente pretende ver incluído no seu pedido de ressarcimento crédito referente a aquisições de pessoas físicas e cooperativa e nesse sentido discordando da decisão recorrida, corroboro com o entendimento exposto pelo nosso Presidente Dr. Henrique Pinheiros Torres no Recurso nº 201116199 da CSRF – 2º Turma nos seguintes termos: “IPI – CRÉDITO PRESUMIDO – RESSARCIMENTO – AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS – A base de cáculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei nº 9.363/96). A lei citada referese a “valor total” e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas nºs 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei nº 9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN nº 23/97), bem como que as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN nº 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam.” Diante do todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO determinando afastar a exclusão na receita bruta de exportação, os produtos exportados pela Recorrente, ainda que classificados como NT na TIPI, por estar afastados do campo de tributação, mas, não afastados do fato gerador do IPI; afastar a glosa dos créditos referentes a aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem de pessoa físicas e cooperativas e determinar o retorno do processo ao órgão julgador de primeira instância para análise dos demais pressupostos a garantir o crédito pleiteado. É como voto Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 5DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11 /11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11030.000759/200655 Acórdão n.º 3101 000784 S3C1T1 Fl. 6 6 Fl. 6DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11 /11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10860.900088/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
CRÉDITO DE IPI. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DO STF.
Excepcionadas as permissões previstas na lei, é vedada a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos de IPI na aquisição de insumos isentos, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior e conforme jurisprudência do STF nos RE nº 370.682 e nº 566.819.
Numero da decisão: 3302-006.782
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CRÉDITO DE IPI. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DO STF. Excepcionadas as permissões previstas na lei, é vedada a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos de IPI na aquisição de insumos isentos, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior e conforme jurisprudência do STF nos RE nº 370.682 e nº 566.819.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1765; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10860.900088/200931 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302006.782 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de abril de 2019 Matéria Aquisição de insumos isentos ZFM Recorrente LG ELECTRONICS DE SÃO PAULO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CRÉDITO DE IPI. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DO STF. Excepcionadas as permissões previstas na lei, é vedada a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos de IPI na aquisição de insumos isentos, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior e conforme jurisprudência do STF nos RE nº 370.682 e nº 566.819. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado). Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito de IPI, relativo ao segundo trimestre de 2004, cumulado com declarações de compensação, parcialmente indeferido, em razão da utilização de crédito indevido por entrada de produtos isentos, por glosas nas aquisições de PJ optante pelo SIMPLES AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 00 88 /2 00 9- 31 Fl. 666DF CARF MF Processo nº 10860.900088/200931 Acórdão n.º 3302006.782 S3C3T2 Fl. 3 2 Em manifestação de inconformidade, a recorrente alegou a regularidade da tomada de créditos em aquisições isentas em consequência do princípio da nãocumulatividade e a atualização dos créditos pela taxa Selic. A 2º Turma da DRJ em Ribeirão Preto julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. RESSARCIMENTO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, alegando, inicialmente, erro material quanto à numeração do acórdão recorrido e reprisando as alegações concernentes ao cerceamento de defesa, à regular tomada de créditos sobre aquisições isentas e a incidência da taxa Selic como fator de atualização dos créditos. Houve pedido de retirada de pauta às efls. 649 e ss. Na forma regimental, o processo foi a este relator distribuído. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Dérouléde, Relator. Fl. 667DF CARF MF Processo nº 10860.900088/200931 Acórdão n.º 3302006.782 S3C3T2 Fl. 4 3 O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Do erro contido na numeração do acórdão recorrido A recorrente alegou que a numeração do acórdão recorrido, nº 1441.908, seria a mesma do acórdão proferido no processo 10860.900087/200997. De fato, verificando os autos do referido processo, constatase que o acórdão lá proferido recebeu a mesma numeração do acórdão aqui recorrido. Verificase que o julgamento ocorreu no mesmo dia, 15 de maio de 2013 e pela mesma turma julgadora. Destarte, certamente, ocorreu um equívoco na numeração de um dos acórdãos. Tal fato configura mero erro ou lapso manifesto. Contudo tal erro é formal, externo ao julgamento e ao conteúdo decisório, não trazendo qualquer prejuízo à recorrente quanto ao contraditório ou à ampla defesa e nem se refere à incompetência do agente, o que afasta a aplicação do artigo 59 e atrai a aplicação do artigo 60. Salientase que tal incorreção não importa em nulidade do acórdão recorrido, uma vez que não causou nenhum prejuízo ao recorrente, nem influencia na solução do litígio, nos termos do artigo 60 do Decreto nº 70.235/72: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. [...] Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Da aquisição de produtos isentos O principal litígio diz respeito ao creditamento de insumos adquiridos com isenção de IPI de fornecedores situados na Zona Franca de Manaus. Defendeu que a vedação ao creditamento na aquisição de produtos isentos afronta o princípio da nãocumulatividade do IPI, conforme jurisprudência do STF (RE nº 212.484/RS) e jurisprudência administrativa do antigo Conselho de Contribuintes, informando, ainda, que a matéria está sujeita à apreciação pelo STF do RE nº 592.891/SP, de repercussão geral reconhecida. Relativamente à matéria, os princípios da nãocumulatividade e o da seletividade do IPI estão assim expostos na Constituição Federal de 1988: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: (...) IV produtos industrializados; (...) Fl. 668DF CARF MF Processo nº 10860.900088/200931 Acórdão n.º 3302006.782 S3C3T2 Fl. 5 4 § 3º O imposto previsto no inciso IV: I será seletivo, em função da essencialidade do produto; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...). Por sua vez, o Código Tributário Nacional estabeleceu a regra a ser observada por lei específica, no sentido de que o direito ao crédito do IPI resulte do imposto pago pelo adquirente quando da entrada dos produtos em seu estabelecimento, nos seguintes termos: Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte, transferese para o período ou períodos seguintes. Nesta direção, o principio constitucional da nãocumulatividade teve sua sistemática regulada por lei ordinária, qual seja, o art. 25 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, e alterações posteriores, que assim estabelecia: Art. 25 A importância a recolher será o montante do imposto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuído do imposto relativo aos produtos nele entrados, no mesmo período, obedecidas as especificações e normas que o regulamento estabelecer. § 1° 0 direito de dedução só é aplicável aos casos em que os produtos entrados se destinem à comercialização, industrialização ou acondicionamento e desde que os mesmos produtos ou os que resultarem do processo industrial sejam tributados na saída do estabelecimento. (grifos acrescidos). Por seu turno, o Regulamento do IPI RIPI 2002 (Decreto nº 4.544/2002), em seu art. 163 (equivalente ao art. 225 do Decreto nº 7.212/2010 RIPI/2010) estabeleceu: CAPÍTULO X DOS CRÉDITOS Seção I Disposições Preliminares NãoCumulatividade do Imposto Art. 163. A nãocumulatividade do imposto é efetivada pelo sistema de crédito, atribuído ao contribuinte, do imposto relativo a produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido do Fl. 669DF CARF MF Processo nº 10860.900088/200931 Acórdão n.º 3302006.782 S3C3T2 Fl. 6 5 que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). § 1º O direito ao crédito é também atribuído para anular o débito do imposto referente a produtos saídos do estabelecimento e a este devolvidos ou retornados. § 2º Regemse, também, pelo sistema de crédito os valores escriturados a título de incentivo, bem assim os resultantes das situações indicadas no art. 178.” CAPÍTULO X DOS CRÉDITOS Seção I Das Disposições Preliminares NãoCumulatividade do Imposto Art. 225. A não cumulatividade é efetivada pelo sistema de crédito do imposto relativo a produtos entrados no estabelecimento do contribuinte, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). § 1o O direito ao crédito é também atribuído para anular o débito do imposto referente a produtos saídos do estabelecimento e a este devolvidos ou retornados. § 2o Regemse, também, pelo sistema de crédito os valores escriturados a título de incentivo, bem como os resultantes das situações indicadas no art. 240. Pelos dispositivos constitucionais e legais acima expostos verificase que a sistemática de nãocumulatividade adotada pelo o Brasil operase mediante a apropriação e utilização de créditos, por meio do encontro entre o valor do IPI recebido dos adquirentes do produto fabricado pelo o industrial e o IPI pago pelo o industrial quando da aquisição dos insumos onerados, apurandose a diferença, que pode ser credora ou devedora, nos termos do estabelecido pela regra do art. 153, §3º, II da Constituição Federal. Seu foco não está no valor agregado pelo o contribuinte aos insumos por ele adquirido, mas na diferença do confronto entre o imposto devido nas saídas de seu produto com o suportado nas aquisições dos insumos, técnica esta denominada “imposto sobre imposto”. Como a sistemática da não cumulatividade não dá direito à apropriação de crédito de IPI em entradas de insumos desoneradas por tal imposto, este creditamento só poderá ser admitido quando lei específica o autorize expressamente na condição de um benefício. É que a Constituição da República proíbe expressamente a concessão de crédito presumido ou ficto, sem lei que autorize, conforme dispõe o §6º do art. 150 da Carta Magna, cujo texto se transcreve a seguir, o que se harmoniza com a opção do constituinte pelo sistema de crédito para efetivação do princípio da nãocumulatividade. Fl. 670DF CARF MF Processo nº 10860.900088/200931 Acórdão n.º 3302006.782 S3C3T2 Fl. 7 6 Seção II Das Limitações do Poder de Tributar Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...); § 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no Art. 155, § 2.º, XII, g. (Alterado pela EC000.0031993). Destarte, para que haja o direito ao crédito de IPI na aquisição de insumos desonerados,a título de crédito presumido, fazse necessário lei específica nesse sentido. Jurisprudencialmente, a matéria está pacificada no STJ, mediante a prolação do julgado no REsp nº 1.134.903, submetido ao regime do artigo 543C do anterior CPC, cuja ementa abaixo transcrevese: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. DIREITO AO CREDITAMENTO DECORRENTE DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS OU MATÉRIASPRIMAS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA FIRMADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. A aquisição de matériaprima e/ou insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial, exegese que se coaduna com o princípio constitucional da não cumulatividade (Precedentes oriundos do Pleno do Supremo Tribunal Federal: (RE 370.682, Rel. Ministro Ilmar Galvão, julgado em 25.06.2007, DJe165 DIVULG 18.12.2007 PUBLIC 19.12.2007 DJ 19.12.2007; e RE 353.657, Rel. Ministro Marco Aurélio, julgado em 25.06.2007, DJe041 DIVULG 06.03.2008 PUBLIC 07.03.2008). 2. É que a compensação, à luz do princípio constitucional da nãocumulatividade (erigido pelo artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988), dar seá somente com o que foi anteriormente cobrado, sendo certo que nada há a compensar se nada foi cobrado na operação anterior. 3. Deveras, a análise da violação do artigo 49, do CTN, revela se insindicável ao Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista sua umbilical conexão com o disposto no artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição (princípio da nãocumulatividade), matéria Fl. 671DF CARF MF Processo nº 10860.900088/200931 Acórdão n.º 3302006.782 S3C3T2 Fl. 8 7 de índole eminentemente constitucional, cuja apreciação incumbe, exclusivamente, ao Supremo Tribunal Federal. 4. Entrementes, no que concerne às operações de aquisição de matériaprima ou insumo não tributado ou sujeito à alíquota zero, é mister a submissão do STJ à exegese consolidada pela Excelsa Corte, como técnica de uniformização jurisprudencial, instrumento oriundo do Sistema da Common Law e que tem como desígnio a consagração da Isonomia Fiscal. 5. Outrossim, o artigo 481, do Codex Processual, no seu parágrafo único, por influxo do princípio da economia processual, determina que "os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário, ou ao órgão especial, a argüição de inconstitucionalidade, quando já houver pronunciamento destes ou do plenário, do Supremo Tribunal Federal sobre a questão" . 6. Ao revés, não se revela cognoscível a insurgência especial atinente às operações de aquisição de matériaprima ou insumo isento, uma vez pendente, no Supremo Tribunal Federal, a discussão acerca da aplicabilidade, à espécie, da orientação firmada nos Recursos Extraordinários 353.657 e 370.682 (que versaram sobre operações não tributadas e/ou sujeitas à alíquota zero) ou da manutenção da tese firmada no Recurso Extraordinário 212.484 (Tribunal Pleno, julgado em 05.03.1998, DJ 27.11.1998), problemática que poderá vir a ser solucionada quando do julgamento do Recurso Extraordinário 590.809, submetido ao rito do artigo 543B, do CPC (repercussão geral). 7. In casu, o acórdão regional consignou que: "Autorizase a apropriação dos créditos decorrentes de insumos, matériaprima e material de embalagem adquiridos sob o regime de isenção, tão somente quando o forem junto à Zona Franca de Manaus, certo que inviável o aproveitamento dos créditos para a hipótese de insumos que não foram tributados ou suportaram a incidência à alíquota zero, na medida em que a providência substancia, em verdade, agravo ao quanto estabelecido no art. 153, § 3°, inciso II da Lei Fundamental, já que havida opção pelo método de subtração variante imposto sobre imposto, o qual não se compadece com tais creditamentos inerentes que são à variável base sobre base, que não foi o prestigiado pelo nosso ordenamento constitucional." 8. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. RECURSO ESPECIAL Nº 1.134.903 SP (2009/00675369). RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX. Tal decisão deve ser obrigatoriamente adotada nos julgados deste Conselho, a teor do artigo 62 do Anexo II do RICARF. Já o STF também pacificou a impossibilidade de creditamento na aquisição de produtos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, nos julgamentos dos RREE º Fl. 672DF CARF MF Processo nº 10860.900088/200931 Acórdão n.º 3302006.782 S3C3T2 Fl. 9 8 370.682, nº 398.365 e nº 566.819. Salientase que o RE nº 398.365 foi submetido à repercussão geral, ainda não definitivamente julgado, mas cuja ementa assim dispôs: Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Tributário. Aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 3. Creditamento de IPI. Impossibilidade. 4. Os princípios da não cumulatividade e da seletividade, previstos no art. 153, § 3º, I e II, da Constituição Federal, não asseguram direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Precedentes. 5. Recurso não provido. Reafirmação de jurisprudência. Destacase, ainda, que a CSRF decidiu pela impossibilidade de creditamento na aquisição de produtos isentos, conforme acórdãos abaixo: Acórdão nº 930301.274: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2000 IPI. JURISPRUDÊNCIA. As decisões do Supremo Tribunal Federal STF que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, nos termas do Decreto n° 2.346, de 10.10.97. CRÉDITOS DE IPI DE PRODUTOS ISENTOS. Conforme decisão do STF RE n° 566.819, há de negar direito ao creditamento. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acórdão nº 9303005.571: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. AQUISIÇÕES DE MATÉRIASPRIMAS ISENTAS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Em regra, é inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos a alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. A apropriação de crédito ficto ou presumido de IPI depende de autorização de lei específica a teor do que dispõe o § 6º do art. 150 da CF. Especificamente sobre a possibilidade de tomada de créditos sobre aquisições isentas oriundas da ZFM por força do artigo 40 do ADCT da Constituição Federal, esta turma já se pronunciou conforme Acórdãos nº 3302002.673, de 24/07/2014, proferido pela Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó no processo nº 11080.727828/201143, nº 3302 Fl. 673DF CARF MF Processo nº 10860.900088/200931 Acórdão n.º 3302006.782 S3C3T2 Fl. 10 9 003.741, de 29/03/2017, proferido pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento no processo nº 13839.002752/200274 e o de nº 3302004.410, proferido pelo Conselheiro Walker Araújo no processo nº 10384.720215/201360. Pontuese que a matéria está sob julgamento do STF, com repercussão geral reconhecida, no RE nº 592.891/SP e que o decidido no RE nº 212.484/RS não abordou especificamente a aplicação do artigo 40 do ADCT, mas sim o princípio da nãocumulatividade do IPI, restando superado por decisões posteriores como as proferidas nos RE nº 370.682, nº 398.365 e nº 566.819, já mencionados Em adição, transcrevese parte do voto do Conselheiro Walker Araújo proferido no Acórdão nº 3302004.410, o qual adoto como razão de decidir, complementarmente, nos termos do artigo 50, §1º da Lei nº 9.784/1999: "A respeito de todas as matérias levantadas pela Recorrente neste tópico, a saber: (i) isenção concedida pelo SUFRAMA; (ii) reconhecimento do direito ao crédito por força do tratamento tributário diferenciado advindo do artigo 40 da ADCT; e (iii) e do direito ao crédito previsto no artigo 82, inciso III, do RIPI/2002, pego emprestado as considerações apresentada pelo Conselheiro Antônio Carlos Atulim ao analisar caso idêntico ao aqui tratado (acórdão 3402002.927), o qual adoto como fundamento de decidir: "Conforme se pode verificar nos autos, as glosas efetuadas pela fiscalização foram motivadas no fato de que os insumos não se enquadravam no disposto no art. 82, III, do RIPI/2002, por não terem sido elaborados com matériaprima agrícola e extrativa vegetal de produção regional, bem como no fato de que a isenção prevista no art. 69, II, do RIPI/2002 não gera direito ao crédito do IPI para o estabelecimento adquirente. [...] A defesa invocou a isenção prevista no art. 9° do DecretoLei n° 288/67, pois os produtos foram produzidos na Zona Franca de Manaus. O direito ao crédito teria sido reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal no RE 212.484 e o art. 163 do CTN garantiria o direito aos créditos como incentivo. Além disso, o art. 40 do ADCT também garantiria o direito de crédito ao dispensar tratamento diferenciado aos produtos produzidos na Zona Franca, não podendo o fisco aplicar à espécie o regime jurídico normal dos créditos de IPI. No que tange à isenção do art. 9° do DL n° 288/67, o referido diploma legal não estabeleceu de forma expressa o direito dos adquirentes aos créditos fictos do imposto. O art. 9° do DecretoLei n° 288/67 foi regulamentado pelo art. 69, I e II, do RIPI/2002. Da leitura desses dispositivos legais e regulamentares se constata que não houve previsão expressa do direito ao aproveitamento do crédito ficto. Tendo em vista que nas notas fiscais de aquisição dos concentrados adquiridos com isenção não houve o destaque do imposto, não há direito do Fl. 674DF CARF MF Processo nº 10860.900088/200931 Acórdão n.º 3302006.782 S3C3T2 Fl. 11 10 contribuinte efetuar o crédito, sendo inaplicável o art. 163, § 2° do RIPI/2002. Se o regulamento do IPI não contemplou com o direito de crédito os produtos adquiridos com isenção (exceção feita ao art. 175, do RIPI/2002), então, no âmbito do julgamento administrativo, não há como reconhecer o direito pleiteado pela recorrente, sob pena de ofensa ao art. 26A do Decreto n° 70.235/72, que vincula a atuação deste colegiado à observância e cumprimento de dispositivos com hierarquia igual ou superior a decreto. A Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal também não pode ser aplicada em benefício da recorrente, pois no julgamento do RE n° 566.819 o STF reformou seu entendimento quanto ao direito de crédito do IPI na aquisição de insumos isentos. [...] Sendo assim, devem ser mantidas as glosas dos créditos incentivados nos moldes em que foi efetuada pela fiscalização."" Destarte, não é permitida, em regra, a tomada de créditos sobre aquisições de produtos isentos, ainda que adquiridos da Zona Franca de Manaus. Quanto à subsunção do pedido de compensação ao disposto no artigo 11 da Lei nº 9.779/99, a matéria restou prejudicada em razão da inexistência de créditos a serem ressarcidos. Da atualização dos créditos pela taxa Selic A recorrente pleiteou a atualização dos créditos pedidos em ressarcimento pela taxa Selic desde seu protocolo. Acerca da matéria, transcrevo voto vencedor proferido pelo Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal no Acórdão nº 9303005.425: "A questão da atualização monetária, pela Taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, tem rendido inúmeras discussões, tanto na esfera administrativa como judicial. A verdade é que não há previsão legal para o seu reconhecimento na análise dos pedidos administrativos. Vêse que no âmbito das turmas de julgamento do CARF, tem se reconhecido sua incidência em decorrência da aplicação do que foi decidido pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no âmbito dos REsp nº 1.035.847 e no REsp nº 993.164. Ambos julgados estabeleceram que é devida a incidência da correção monetária, pela aplicação da Taxa Selic, aos pedidos de ressarcimento de IPI cujo deferimento foi postergado em face de oposição ilegítima por parte do Fisco. Portanto, sem dúvida, o reconhecimento da incidência da aplicação da Taxa Selic nos processos de ressarcimento decorrem de uma construção jurisprudencial e não por disposição expressa da Lei. Vêse que o STJ nos dois julgados Fl. 675DF CARF MF Processo nº 10860.900088/200931 Acórdão n.º 3302006.782 S3C3T2 Fl. 12 11 acima citados reconhecem expressamente a falta de previsão legal a autorizar tal incidência. Vejamos o que dispôs referidos julgados: REsp 1.035.847/RS: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. REsp nº 993.164: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI Fl. 676DF CARF MF Processo nº 10860.900088/200931 Acórdão n.º 3302006.782 S3C3T2 Fl. 13 12 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. (...) 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). (...) 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Concluise que a oposição ilegítima por parte do Fisco, ao aproveitamento de referidos créditos, permite que seja Fl. 677DF CARF MF Processo nº 10860.900088/200931 Acórdão n.º 3302006.782 S3C3T2 Fl. 14 13 reconhecida a incidência da correção monetária pela aplicação da Taxa Selic. Porém da leitura que se faz, para a incidência da correção que se pretende, há que existir necessariamente o ato de oposição estatal que foi reconhecido como ilegítimo. No âmbito do processo administrativo de pedidos de ressarcimento tem se que estes atos administrativos só se tornam ilegítimos caso seu entendimento seja revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Portanto somente sobre a parcela do pedido de ressarcimento que foi inicialmente indeferida e depois revertida é que é possível o reconhecimento da incidência da Taxa Selic. Tudo isso por força do efeito vinculante das decisões do STJ acima citadas e transcritas. Porém resta uma discussão quanto ao prazo inicial da incidênca da Taxa Selic. No CARF a grande maioria das decisões dividem se em duas vertentes. A primeira que a aplicação da correção daria se somente a partir da edição do Despacho Decisório, pela autoridade administrativa da DRF de origem, que teria denegado parte ou integralmente o pedido. A justificativa desta primeira tese seria no sentido de que só a partir daí é que teria nascido o ato ilegítimo a permitir a aplicação dos repetitivos do STJ. A segunda vertente é reconhecer a aplicação da correção monetária desde a data do protocolo do pedido, hipótese que até então estava sendo adotada por este relator e pela própria CSRF. Entretanto, refletindo melhor sobre a matéria, penso que não existe base legal e nem comando vinculante de nossos tribunais a autorizar nenhuma dessas duas hipóteses, sobretudo a segunda, referente à incidênca da correção monetária desde a data do protocolo do pedido. Essa hipótese permite uma correção monetária integral que nunca foi permitida do ponto de vista legal e, smj, nem pela interpretação dos referidos julgados. Entendo que a melhor interpretação está vinculada ao que dispôs o próprio STJ, também em sede de recurso repetitivo, no REsp nº 1.138.206, abaixo transcrito com destaques: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5º, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a Fl. 678DF CARF MF Processo nº 10860.900088/200931 Acórdão n.º 3302006.782 S3C3T2 Fl. 15 14 razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, DJe 26/06/2009; REsp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 29/10/2008, DJe 07/11/2008; REsp 690.819/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, DJ 19/12/2005) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal , o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum, dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7º, § 2º, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2º Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.º 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." Fl. 679DF CARF MF Processo nº 10860.900088/200931 Acórdão n.º 3302006.782 S3C3T2 Fl. 16 15 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Concluise da leitura acima, que o STJ determinou a aplicação do art. 24 da Lei nº 11.457/2007 aos processos administrativos fiscais, inclusive aos requerimentos efetuados antes de sua vigência. Assim, manifestouse de forma vinculante que o prazo razoável para duração do processo administrativo, ou seja, para que a autoridade administrativa de origem desse uma solução aos pedidos de restituição, ressarcimento e afins seria de 360 dias. Ora, se a administração tem o prazo de 360 dias para solucionar os processos administrativos de ressarcimento, e não há previsão legal para incidência da correção monetária sobre referidos pedidos, a conclusão inequívoca transmitida por esses julgados é que não há possibilidade de incidência da correção monetária neste interregno, uma vez que este seria o prazo razoável determinado na lei. Importante ressaltar que referido julgado não dispõe absolutamente nada sobre incidência de correção monetária ou aplicação da taxa Selic nos processos de ressarcimento. Portanto, como não há previsão legal para incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento, o seu reconhecimento em sede dos julgados administrativos deve ser erigido a partir da interpretação do que se construiu nos julgados do STJ com efeitos vinculantes. Portanto, para reconhecimento da incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento de IPI, devemos partir de duas premissas: 1) existe ato administrativo que indeferiu de forma ilegítima parcial ou integralmente o pedido? e 2) o trânsito em julgado da decisão administrativa ultrapassou os 360 dias? A resposta positiva para as duas premissas importa em reconhecer a incidência da taxa Selic somente para os créditos indeferidos de forma ilegítima, cujo termo inicial da incidência da correção Fl. 680DF CARF MF Processo nº 10860.900088/200931 Acórdão n.º 3302006.782 S3C3T2 Fl. 17 16 somente poderá ser contado a partir dos 360 dias do protocolo do pedido. Esta conclusão coadunase com a aplicação do princípio da igualdade. Veja que se o processo for deferido em 359 dias, o contribuinte não receberá qualquer ajuste monetário e caso seja deferido em 361 dias haveria incidência integral desta correção. Pareceme um casuísmo não pretendido, a justificar a interpretação de que esta correção monetária só seria aplicada a partir de 360 dias do protocolo do pedido e, desde que exista um ato administrativo que teria sido considerado ilegítimo, assim considerado aquele cujo entendimento foi revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Assim, no presente processo, tendo entendido a turma de julgamento, a despeito de voto contrário deste julgador, que é possível o aproveitamento de crédito presumido de IPI sobre os serviços de industrialização por encomenda, sobre esta parcela permitese a incidência da taxa Selic a ser aplicada a partir de 360 dias contados do protocolo do pedido de ressarcimento até a sua efetiva utilização. Somente a título de esclarecimento, contestase especificamente o argumento da ilustre relatora, em seu voto, de que seria aplicável à espécie o art. 39 da Lei nº 9.250/95, o qual, segundo o entendimento dela, deveria ser utilizado também para o fim de ressarcimento de tributos. O § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/95 é aplicável à restituição do indébito (pagamento indevido ou a maior) e não ao ressarcimento, que é do que trata a Lei nº 9.363/96. Ao contrário do que muitos defendem, o ressarcimento não é "espécie do gênero restituição". São dois institutos completamente distintos (pois senão não faria qualquer sentido a discussão em tela sobre a atualização monetária, pois expressamente prevista em lei para a repetição do indébito). O direito à restituição é decorrência "automática" do pagamento indevido ou maior que o devido, conforme art. 165, I, do CTN. O ressarcimento tem que estar previsto em lei. Neste sentido, voto por dar parcial provimento ao recurso especial do contribuinte para estabelecer a incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento." Destarte, a incidência da taxa Selic pressupõe a oposição estatal ilegítima, o que não ocorreu para os créditos deferidos e, para os créditos indeferidos, a análise resta prejudicada, já que inexistentes. Fl. 681DF CARF MF Processo nº 10860.900088/200931 Acórdão n.º 3302006.782 S3C3T2 Fl. 18 17 No que tange ao pedido de retirada de pauta, tal apreciação é de competência do presidente da turma, tendo sido negada em procedimento próprio, conforme artigo 56 do Anexo II do RICARF. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 682DF CARF MF
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