Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,885)
- Primeira Turma Ordinária (16,419)
- Primeira Turma Ordinária (16,225)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,202)
- Terceira Câmara (67,872)
- Segunda Câmara (56,642)
- Primeira Câmara (20,751)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,714)
- Segunda Seção de Julgamen (115,210)
- Primeira Seção de Julgame (77,082)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,551)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,930)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,615)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,690)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13836.000018/2010-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
MATÉRIA NÃO CONTESTADA.
Tem-se como definitivamente constituído na esfera administrativa, o crédito tributário decorrente de matéria não contestada em sede recursal.
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS.
Em regra, recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, sendo certo que na ausência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados e não sendo o contribuinte intimado a fazer a comprovação do efetivo pagamento a despesa médica consignadas nos recibos devem ser acatadas.
JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO VINCULADA AO TRIBUTO LANÇADO. PERCENTUAL DO ART. 161, § 1º, DO CTN.
Sobre a multa de ofício lançada juntamente com o tributo ou contribuição, não paga no vencimento, incidem juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do art. 161 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.312
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso, para restabelecer a dedução de despesas médicas, no valor de R$ 4.240,00, e reconhecer que sobre a multa de ofício proporcional deve incidir juros de mora à taxa de 1% ao mês.
Assinado digitalmente
Giovanni Christian Nunes Campos Presidente
Assinado digitalmente
Núbia Matos Moura Relatora
EDITADO EM: 26/09/2012
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201209
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Tem-se como definitivamente constituído na esfera administrativa, o crédito tributário decorrente de matéria não contestada em sede recursal. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. Em regra, recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, sendo certo que na ausência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados e não sendo o contribuinte intimado a fazer a comprovação do efetivo pagamento a despesa médica consignadas nos recibos devem ser acatadas. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO VINCULADA AO TRIBUTO LANÇADO. PERCENTUAL DO ART. 161, § 1º, DO CTN. Sobre a multa de ofício lançada juntamente com o tributo ou contribuição, não paga no vencimento, incidem juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do art. 161 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 13836.000018/2010-19
anomes_publicacao_s : 201211
conteudo_id_s : 5175520
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 2102-002.312
nome_arquivo_s : Decisao_13836000018201019.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : NUBIA MATOS MOURA
nome_arquivo_pdf_s : 13836000018201019_5175520.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso, para restabelecer a dedução de despesas médicas, no valor de R$ 4.240,00, e reconhecer que sobre a multa de ofício proporcional deve incidir juros de mora à taxa de 1% ao mês. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora EDITADO EM: 26/09/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
id : 4380067
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:54:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041215695355904
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2118; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 71 1 70 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13836.000018/201019 Recurso nº 877.329 Voluntário Acórdão nº 2102002.312 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de setembro de 2012 Matéria IRPF Despesas médicas Recorrente PEDRO DANIEL GREGÓRIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Temse como definitivamente constituído na esfera administrativa, o crédito tributário decorrente de matéria não contestada em sede recursal. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. Em regra, recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, sendo certo que na ausência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados e não sendo o contribuinte intimado a fazer a comprovação do efetivo pagamento a despesa médica consignadas nos recibos devem ser acatadas. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO VINCULADA AO TRIBUTO LANÇADO. PERCENTUAL DO ART. 161, § 1º, DO CTN. Sobre a multa de ofício lançada juntamente com o tributo ou contribuição, não paga no vencimento, incidem juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do art. 161 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso, para restabelecer a dedução de despesas médicas, no valor de R$ 4.240,00, e reconhecer que sobre a multa de ofício proporcional deve incidir juros de mora à taxa de 1% ao mês. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 6. 00 00 18 /2 01 0- 19 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13836.000018/201019 Acórdão n.º 2102002.312 S2C1T2 Fl. 72 2 Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 26/09/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra PEDRO DANIEL GREGÓRIO foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 03/06, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2008, exercício 2009, no valor total de R$ 9.878,98, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 30/12/2009. A infração apurada pela autoridade fiscal foi dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 19.841,81. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls.01/02, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente em parte o lançamento, para restabelecer a dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 6.995,82, conforme Acórdão DRJ/SPOII nº 1741.867, de 16/06/2010, fls. 27/36. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 20/07/2010, Aviso de Recebimento (AR), fls. 41, o contribuinte apresentou, em 18/08/2010, recurso voluntário, fls. 45/64, no qual traz as alegações a seguir resumidas: Da matéria controversa e da permissão legal para as deduções a título de despesas médicas – O presente recurso contestará unicamente a interpretação equivocada exposta no acórdão recorrido, no tocante à legislação aplicável ao direito das deduções das despesas com médicos, dentistas e fisioterapeutas, para efeito de cálculo do IRPF no âmbito da Declaração de Ajuste Anual e os documentos hábeis a comprovar a efetiva realização das despesas. O Acórdão recorrido, embora não questione a idoneidade dos recibos emitidos pelos profissionais prestadores dos serviços, tenta desqualificálos como prova hábil para a comprovação da efetividade das despesas médicas sob o Fl. 81DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13836.000018/201019 Acórdão n.º 2102002.312 S2C1T2 Fl. 73 3 equivocado fundamento de que somente pode ser considerada “prova definitiva e incontestável das despesas” os “documentos que comprovem a transferência de numerário (o pagamento)”. O Recorrente deduziu da apuração do imposto de renda em sua Declaração de Ajuste, os valores relativos às despesas médicas, odontológicas e de fisioterapia efetivamente pagas e comprovadas mediante documentos idôneos emitidos pelos profissionais prestadores dos serviços, razão pela qual as glosas mantidas pelo acórdão recorrido revelemse absolutamente despropositadas e devem ser prontamente restabelecidas. Da correta interpretação do art. 8º da Lei nº 9.250/95 Da leitura do art. 8º da Lei nº 9.250/95, inferese que as deduções do imposto de renda limitamse aos pagamentos especificados e comprovados mediante documentação hábil, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita a comprovação mediante cheque nominativo. No caso ora analisado não se verifica a falta de nenhum dos requisitos, sendo que todas as informações exigidas no dispositivo indicado foram apresentadas, tanto por meio dos recibos, como pelas declarações firmadas pelos profissionais, documentos esses já acostados aos autos. Cabe registrar, ainda, que o conjunto de provas anexado os autos, foi exclusivamente apresentado pelo Recorrente em sua impugnação, caracterizando total falta de diligência por parte do agente fiscal autuante, que não se preocupou em trazer outros elementos que lhe confortassem, adotando a maneira mais cômoda, que foi de simplesmente acusar o contribuinte e exigir documentos que não dispunha! Obscuridade dos elementos de convicção utilizados no processo – O i. Relator afirma que “a apresentação de recibos, em muitos casos, deve servir apenas como ponto de partida para a comprovação das despesas declaradas” e “são analisados dentro do conjunto de provas apresentado”. Qual seria, então, esse conjunto de provas senão os documentos exclusivamente apresentados pelo Recorrente? Ressaltese que não basta desprezar os recibos e declarações trazidos ao autos, pois diante deles, é ônus do Fisco trazer elementos para desqualificálos! Da diligência para comprovação das despesas médicas – Na remota possibilidade de persistirem dúvidas quanto ao efetivo dispêndio com seu tratamento médico, o Recorrente requer que se determine a realização de diligência junto aos profissionais citados e já identificados, para que sejam indagados da efetividade dos serviços e do efetivo recebimento dos valores. Selic sobre a multa de ofício – Impossibilidade Não é pertinente a incidência de juro remuneratório sobre a multa de ofício, que sequer é mencionada no art. 61 da Lei nº 9.430/96, assim como também não é devido o juro sobre a multa de mora, que permanece fixa até a liquidação do principal, a despeito dos longos anos transcorridos. É o Relatório. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13836.000018/201019 Acórdão n.º 2102002.312 S2C1T2 Fl. 74 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Inicialmente, para melhor delimitar a matéria litigiosa, trazse a seguir as despesas médicas, cuja glosa foi mantida pela decisão recorrida, sendo destacada a motivação suscitada pela autoridade fiscal para justificar o lançamento: Profissional Valor em R$ Motivação Janice M M Sarti 470,00 Recibo em desacordo c/ o art. 80 do RIR/99 (recibo sem endereço do profissional) Raul C Sarti 840,00 Recibo em desacordo c/ o art. 80 do RIR/99 (recibo sem endereço do profissional) José Eduardo Domingues 150,00 Recibo em desacordo c/ o art. 80 do RIR/99 (recibo sem endereço do profissional) Liliane E F Oliveira 1.800,00 Recibo em desacordo c/ o art. 80 do RIR/99 (recibo sem endereço do profissional) Andréa R Rodrigues 980,00 Recibo em desacordo c/ o art. 80 do RIR/99 (recibo sem endereço do profissional) Vera Cruz Associação de Saúde 14.341,81 Falta de comprovante Instituto Penido Burnier 220,00 Despesa realizada com pessoa não dependente do contribuinte Amparo R Odontologia 40,00 Despesa realizada com pessoa não dependente do contribuinte Instituto Penido Burnier 1.000,00 Falta de comprovante Na decisão recorrida foi restabelecida a despesa médica realizada junto a Vera Cruz Associação de Saúde, no valor de R$ 6.995,82, por tratarse de plano de saúde do próprio contribuinte, entretanto, mantevese a glosa no que se refere aos planos de saúde de pessoas não dependentes do contribuinte, no valor de R$ 7.345,99. No recurso, o contribuinte nada menciona no que se refere às glosas de despesas médicas realizadas com pessoas não dependentes, tampouco menciona aquelas para as quais não apresentou comprovantes. Assim, considerarseá definitiva a decisão de primeira instância, relativamente a tais glosas, nos termos do disposto no parágrafo único do art. 42 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 19721. Portanto, temse que a lide instaurada, com a apresentação do recurso, que ora se examina, restringese a glosa das despesas médicas abaixo relacionadas, cujo somatório perfaz a quantia de R$ 4.240,00: 1 Art. 42. São definitivas as decisões: (...) Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13836.000018/201019 Acórdão n.º 2102002.312 S2C1T2 Fl. 75 5 Profissional Valor em R$ Janice M M Sarti dentista 470,00 Raul C Sarti dentista 840,00 José Eduardo Domingues médico 150,00 Liliane E F Oliveira fisioterapeuta 1.800,00 Andréa R Rodrigues fisioterapeuta 980,00 Veja que a autoridade fiscal ao descrever a infração justificou a glosa de tais despesas médicas sob o argumento de que os recibos apresentados pelo contribuinte estavam em desacordo com o disposto no art. 80 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), posto que não continham o endereço do profissional emitente dos recibos, sendo certo que em nenhum momento o contribuinte foi instado a apresentar a comprovação do efetivo pagamento ou da efetividade dos serviços prestados. Quando da apresentação da impugnação, o contribuinte trouxe aos autos os recibos médicos acompanhados de declarações firmadas pelos profissionais para suprir a falta apontada pela autoridade fiscal quando da lavratura da Notificação de Lançamento. Por seu turno, a autoridade julgadora de primeira instância não acolheu os referidos recibos por entender que o contribuinte deveria comprovar o efetivo pagamento das quantias consignadas nos recibos para ver acolhidas as respectivas despesas. Ora, a tônica das fiscalizações no que concerne à dedução de despesas médicas tem sido a de acolher os recibos médicos como documento suficiente para comprovar a dedução, sendo certo que a comprovação do efetivo pagamento somente é solicitada quando a autoridade fiscal observa a existência de indícios de que os serviços não foram de fato executados. No presente caso, a autoridade fiscal limitouse a glosar os recibos médicos sob a alegação de que tais recibos estavam em desacordo com o disposto no art. 80 do RIR/99, posto que não continham o endereço do profissional emitente dos recibos. Falta esta que foi prontamente suprimida pelo contribuinte quando da apresentação da impugnação. Frisese que não foram apontados, seja na Notificação de Lançamento ou na decisão recorrida, quaisquer indícios de que os serviços não foram de fato executados, sendo certo que do exame dos documentos acostados aos autos também não vislumbro sinais de que os serviços médicos não tenham sido de fato prestados ao contribuinte, de sorte que entendo que devam ser restabelecidas as despesas médicas, discriminadas na tabela acima, no importe de R$ 4.240,00. No que se refere à alegação da defesa de que não pode prosperar a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício proporcional, alinhome àqueles que entendem que a taxa de juros incidente é de 1% ao mês. A aplicação dos juros de mora, calculados com base na taxa Selic, sobre a multa de ofício proporcional é questão que já vem a algum tempo sendo tratada no âmbito deste CARF, existindo para a matéria três posicionamentos, quais sejam: (i) não cabe a Fl. 84DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13836.000018/201019 Acórdão n.º 2102002.312 S2C1T2 Fl. 76 6 aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício proporcional, (ii) devem incidir juros de mora sobre a multa de ofício proporcional, apurados pela variação da taxa Selic; e (iii) devem incidir juros de mora sobre a multa de ofício proporcional, apurados à razão de 1% ao mês, na forma estabelecida no art. 161 do CTN. Filiome à corrente que entende cabível os juros de mora sobre a multa proporcional, apurado à razão de 1%. O art. 161 do CTN, abaixo transcrito, estabelece que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Com o devido respeito aos que pensam de maneira diversa, considero que uma leitura harmônica do CTN, sem apego a possíveis imperfeições de escrita, principalmente no que diz respeito aos arts. 113, 139 e 142 do referido texto legal, abaixo transcritos, conduzem à conclusão de que o conceito de crédito tributário abrange a multa de ofício proporcional. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. (...) Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência Fl. 85DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13836.000018/201019 Acórdão n.º 2102002.312 S2C1T2 Fl. 77 7 do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Pois muito bem. O art. 161 do CTN prevê que sobre o crédito tributário (aí incluída a multa proporcional) não integralmente pago até a data do vencimento incide juros de mora, que serão calculados à taxa de 1% ao mês, salvo se a lei não dispuser de modo diverso. Ocorre que o parágrafo 3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a seguir transcrito, dispôs de modo diverso, introduzindo a taxa Selic ao cálculo dos juros de mora: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Contudo, o art. 61 somente autoriza a cobrança de juros de mora, calculados com base na taxa Selic, aos débitos decorrentes de tributos e contribuições. De pronto, devese observar que a multa de ofício proporcional decorre do nãopagamento do tributo ou da contribuição. Incorreta, portanto, seria a afirmação de que a multa proporcional decorre do tributo ou da contribuição. Vale destacar que o art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996 versa sobre a incidência de juros de mora e multa de mora em procedimento espontâneo. Se assim não fosse, não haveria necessidade de o art. 43, § único, da mencionada lei, dispor sobre a incidência dos juros de mora, à taxa Selic, sobre a multa de ofício isolada. Ora, se entendermos que os débitos mencionados no caput do art. 61 abarcam as multas de ofício proporcionais e isoladas, despiciendo se tornaria o § único do art. 43. Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de Fl. 86DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13836.000018/201019 Acórdão n.º 2102002.312 S2C1T2 Fl. 78 8 mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Nestes termos, há de se concluir que sobre a multa de ofício proporcional devem incidir juros de mora, apurados à razão de 1% ao mês, na forma estabelecida no art. 161 do CTN. Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso, para restabelecer a dedução de despesas médicas, no valor de R$ 4.240,00, e reconhecer que sobre a multa de ofício proporcional devem incidir juros de mora à taxa de 1% ao mês. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 87DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 11080.722784/2010-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Sep 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1998 a 28/02/1998, 01/02/1999 a 31/05/1999
Ementa: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELISÃO DA RESPONSABILIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. A tomadora de serviços é solidária com a prestadora de serviços contratado por empreitada global. A elisão é possível, mas se não realizada na época oportuna persiste a responsabilidade. Não há benefício de ordem na aplicação do instituto da responsabilidade solidária na construção civil. EMPRESA DE ECONOMIA MISTA SUJEITA-SE À LEI DE CUSTEIO Empresas públicas e os órgãos federais, estaduais, distritais e municipais que não possuam Regime Próprio de Previdência Social, estão sujeitos à Lei de Custeio da Seguridade Social, conforme disposto pelo art. 15 da Lei nº 8.212/91. AFERIÇÃO INDIRETA Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO. A CND apenas certifica que, no momento de sua emissão, não havia crédito tributário formalmente constituído em desfavor da empresa, não afastando o direito da Fazenda Pública constituir e cobrar qualquer débito eventualmente apurado após a sua emissão, conforme ressalvado na própria CND. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.106
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Paulo Roberto Lara dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriana Sato.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201209
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1998 a 28/02/1998, 01/02/1999 a 31/05/1999 Ementa: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELISÃO DA RESPONSABILIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. A tomadora de serviços é solidária com a prestadora de serviços contratado por empreitada global. A elisão é possível, mas se não realizada na época oportuna persiste a responsabilidade. Não há benefício de ordem na aplicação do instituto da responsabilidade solidária na construção civil. EMPRESA DE ECONOMIA MISTA SUJEITA-SE À LEI DE CUSTEIO Empresas públicas e os órgãos federais, estaduais, distritais e municipais que não possuam Regime Próprio de Previdência Social, estão sujeitos à Lei de Custeio da Seguridade Social, conforme disposto pelo art. 15 da Lei nº 8.212/91. AFERIÇÃO INDIRETA Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO. A CND apenas certifica que, no momento de sua emissão, não havia crédito tributário formalmente constituído em desfavor da empresa, não afastando o direito da Fazenda Pública constituir e cobrar qualquer débito eventualmente apurado após a sua emissão, conforme ressalvado na própria CND. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 28 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 11080.722784/2010-84
anomes_publicacao_s : 201209
conteudo_id_s : 5172512
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 28 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 2302-002.106
nome_arquivo_s : Decisao_11080722784201084.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : LIEGE LACROIX THOMASI
nome_arquivo_pdf_s : 11080722784201084_5172512.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Paulo Roberto Lara dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriana Sato.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
id : 4296093
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:54:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041215699550208
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2192; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 203 1 202 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.722784/201084 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302002.106 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de setembro de 2012 Matéria Construção Civil: Responsabilidade Solidária. Empresas em Geral Recorrente BANCO DO BRASIL S/A E ARTEFORMA CONSTRUÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1998 a 28/02/1998, 01/02/1999 a 31/05/1999 Ementa: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELISÃO DA RESPONSABILIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. A tomadora de serviços é solidária com a prestadora de serviços contratado por empreitada global. A elisão é possível, mas se não realizada na época oportuna persiste a responsabilidade. Não há benefício de ordem na aplicação do instituto da responsabilidade solidária na construção civil. EMPRESA DE ECONOMIA MISTA SUJEITASE À LEI DE CUSTEIO Empresas públicas e os órgãos federais, estaduais, distritais e municipais que não possuam Regime Próprio de Previdência Social, estão sujeitos à Lei de Custeio da Seguridade Social, conforme disposto pelo art. 15 da Lei nº 8.212/91. AFERIÇÃO INDIRETA Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO. A CND apenas certifica que, no momento de sua emissão, não havia crédito tributário formalmente constituído em desfavor da empresa, não afastando o direito da Fazenda Pública constituir e cobrar qualquer débito eventualmente apurado após a sua emissão, conforme ressalvado na própria CND. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 27 84 /2 01 0- 84 Fl. 207DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Paulo Roberto Lara dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriana Sato. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722784/201084 Acórdão n.º 2302002.106 S2C3T2 Fl. 204 3 Relatório Trata o Auto de Infração de Obrigação Principal de contribuições previdenciárias patronais, decorrentes da responsabilidade solidária entre a notificada e a empresa ARTEFORMA CONSTRUÇÕES LTDA., pelos serviços prestados através de empreitada global na construção civil, nas competências de 02/1998 e 02/1999 a 05/1999 A autuação foi lavrada em 20/08/2010 e cientificada ao sujeito passivo em 23/08/2010. A devedora solidária passiva foi notificada através de edital, conforme informação contida no processo. O débito foi constituído em substituição às Notificações Fiscais de Lançamento de Débito n.º 35.067.6682, referente a fatos geradores ocorridos antes de janeiro de 1999 e nº 35.067.6690, para os fatos geradores posteriores a 01/1999, ambas tornadas nulas pela 04ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, através do Acórdão n.º 1867, de 26/10/2004, devido à falta do tipo do débito, acarretando a ausência de fundamentação legal no processo. O relatório fiscal diz que o crédito foi lançado por aferição indireta com base nas notas fiscais de prestação de serviço, que não foram apresentados os contratos firmados e guias de recolhimento, que das duas NFLD’s anuladas foram emitidos 134 autos de infração, que o período originalmente lançado de 05/1995 a 02/2001, foi alcançado parcialmente pela fluência do prazo decadencial contido no artigo 173, inciso II do Código Tributário Nacional, restando no novo lançamento fiscal o período de 11/1996 a 02/2001, que foram excluídas do lançamento as empresas que sofreram auditoria fiscal total com contabilidade ou auditoria específica na obra identificada no levantamento e que foram excluídas, do lançamento primitivo, as empresas não identificadas com CNPJ ou razão social. Após a impugnação, Acórdão de fls.146/158, pugnou pela procedência da autuação. Inconformado, o contribuinte responsável solidário apresentou recurso voluntário, onde alega em apertada síntese: a) que a matrícula da obra, bem como as contribuições previdenciárias eram de obrigação da empresa contratada, a qual deve ser chamada ao processo; b) que por ser empresa de economia mista está submissa à lei das licitações; c) que existiram pagamentos e sem o chamamento da contratada há o risco do pagamento em duplicidade; d) que foram expedidas CND’s à época comprovando a inexistência de débito da contratada; Fl. 209DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 e) que deve ser aplicado o benefício de ordem para afastar a co responsabilidade do recorrente; f) que inexiste normativo legal para a fixação do percentual de 40% sobre as notas fiscais, sendo que a Instrução Normativa fere os princípios da estrita legalidade e da tipicidade cerrada em matéria tributária, devendo a Administração anular seus atos eivados de nulidade. Requer o provimento do recurso para cancelar o crédito tributário, reconhecendo a nulidade da autuação procedida e declarar a inconsistência do lançamento fiscal. É o relatório. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722784/201084 Acórdão n.º 2302002.106 S2C3T2 Fl. 205 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Primeiramente, é de se atentar que as sociedades de economia mista, as empresas públicas e os órgãos federais, estaduais, distritais e municipais que não possuam Regime Próprio de Previdência Social, estão sujeitos à Lei de Custeio da Seguridade Social, conforme disposto pelo art. 15 da Lei nº 8.212/91: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Assim, as sociedades de economia mista estão sujeitas a todas as normas contidas na Lei nº 8.212/91, dentre as quais a solidariedade tributária. A responsabilidade solidária atribuída à recorrente decorre da prestação de serviço por empreitada global em obra de construção civil, fundamentada no artigo 30, VI da Lei nº 8.212, de 24/07/91, verbis: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 8.620, de 5.1.93) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97). Fl. 211DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 A contratante para se elidir da responsabilidade solidária constante do artigo acima citado, deveria ter procedido de acordo com o disposto no parágrafo 3 , do artigo 220 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, abaixo transcrito: Art. 220. O proprietário, o incorporador definido na Lei n. 4.591 de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária cuja contratação da construção , reforma ou acréscimo não envolva cessão de mão de obra, são solidários com o construtor, e este e aqueles com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento destas obrigações , não se aplicando em qualquer hipótese o benefício de ordem. ... § 3º A responsabilidade solidária de que trata o caput será elidida: I pela comprovação, na forma do parágrafo anterior, do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando corroborada por escrituração contábil; e II pela comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, aferidas indiretamente nos termos, forma e percentuais previstos pelo Instituto Nacional do Seguro Social. E, a Instrução Normativa INSS/DAF nº 18, de 11 de maio de 2000, publicada no D.O.U. em 12 de maio de 2000, estabeleceu as seguintes rotinas e procedimentos: Art. 20. Aplicase a responsabilidade solidária de que trata inciso VI do artigo 30 da Lei Nº 8.212 de 24/07/91, nos seguintes casos: I na contratação de empreitada total; (...) Art. 28. Nas hipóteses de contratações previstas no artigo 20, a responsabilidade solidária será elidida: I com a comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal, fatura ou recibo correspondente aos serviços executados, corroborada, quando for o caso, por escrituração contábil; e II com a comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, aferidas por arbitramento nos termos, forma e percentuais previstos na Seção VIII deste Capítulo. § 1º Quando da quitação da nota fiscal, fatura ou recibo, o contratante deverá exigir da empresa construtora, os documentos abaixo, elaborados especificamente para cada obra de construção civil: Fl. 212DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722784/201084 Acórdão n.º 2302002.106 S2C3T2 Fl. 206 7 I cópia da GPS quitada e recolhida na matrícula da obra; II cópia da folha de pagamento, até a competência dezembro de 1998; III cópia da GFIP com comprovante de entrega, a partir de janeiro de 1999; e IV declaração de que possui escrituração contábil firmada pelo contador e responsável pela empresa, e que os valores ora apresentados encontram se devidamente contabilizados. (...) A recorrente não cumpriu com quaisquer das determinações legais acima citadas e tampouco trouxe aos autos provas de que as contribuições tivessem sido recolhidas pela empresa contratada, que não impugnou o lançamento. A solidariedade está prevista no Código Tributário Nacional CTN, instituído pela Lei 5.172/1966. CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I. as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II. as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. O artigo 128 do CTN, dispõe que a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação: Art. 128 Sem prejuízo do disposto neste Capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. É clara a relação entre a autuada e os segurados que prestaram serviço à empresa prestadora, pois o beneficiado pela utilização da mãodeobra foi o próprio recorrente, já que a obra é de sua propriedade. Além do que, por permissão do art. 128 do CTN, a lei pode atribuir a responsabilidade do crédito à terceira pessoa, e assim o fez a Lei n ° 8.212/1991,no artigo 30, inciso VI, já transcrito anteriormente.; Portanto, o contribuinte e o responsável tributário, no caso o recorrente, são solidários em relação à obrigação tributária, não cabendo, nos termos do parágrafo único do artigo 124 do CTN, benefício de ordem. Compete à Receita Federal do Brasil cobrar de todos os sujeitos passivos a satisfação da obrigação. Sendo a responsabilidade solidária uma garantia Fl. 213DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 do crédito tributário, não pode ser dispensada pela autoridade fiscal, conforme previsto no art. 141 do CTN, nestas palavras: Art. 141 O crédito tributário regularmente constituído somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos nesta lei, fora dos quais não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional na forma da lei, a sua efetivação ou as respectivas garantias. Responsabilidade solidária em matéria tributária somente se aplica em relação ao sujeito passivo (solidariedade passiva) e decorre sempre de lei, não podendo ser presumida ou resultar de acordo das partes, nem comporta benefício de ordem. Benefício de ordem significa que, quando duas ou mais pessoas se apresentam na condição de sujeito passivo da obrigação tributária, cada uma responde pelo total da dívida inteira. A exigência do tributo pelo credor poderá ser feita, integralmente, a qualquer um ou a todos coobrigados sem qualquer restrição ou preferência. De acordo com o art. 124 do CTN, são solidários, perante o Fisco, os que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e os designados expressamente pela lei, como determinado na Lei 8.212/1991 citada acima. De qualquer forma, a responsabilidade solidária independe de prévia verificação junto ao prestador dos serviços apurados. A propósito do tema, a extinta Câmara Superior em matéria de Custeio do CRPS, se pronunciou sobre o assunto, através do seu Enunciado nº 30: “Enunciado Nº 30”.Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços.” (Publicado no DOU pág 00030, em 05 /02/2007). A lei não exige que a tomadora dos serviços tenha o total conhecimento dos fatos ocorridos na empresa prestadora, lhe competindo apenas a guarda da documentação, como as folhas de pagamento e guias de recolhimento dos segurados utilizados na obra, para que possa afastar a solidariedade. A elisão é uma faculdade conferida ao devedor solidário e quando não utilizada, persiste a solidariedade, como no caso em tela. Como a recorrente não detém e não apresentou a documentação referida, o fisco tem a prerrogativa de lançar a importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário, por força do disposto no artigo 33, §§ 3º da Lei n.º 8.212/1991. A legislação previdenciária oferece à fiscalização mecanismos para lançar os valores devidos, utilizando como base de aferição o valor da nota fiscal de prestação de serviço, que contém a parcela referente à mãodeobra utilizada. Destarte, era obrigação do contribuinte a guarda da documentação e sua apresentação ao fisco, quando solicitado, conforme previsto no parágrafo 11, do artigo 32, da Lei n.º 8.212/91, e ao não fazêlo, sujeitouse ao lançamento do débito por aferição indireta: § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a Fl. 214DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722784/201084 Acórdão n.º 2302002.106 S2C3T2 Fl. 207 9 prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. Também não é procedente o argumento da recorrente, quanto à necessidade de chamamento ao processo da empresa prestadora dos serviços, porque a responsabilidade é pelo cumprimento da obrigação previdenciária, prova disto é que a obrigação tributária persiste independentemente do crédito tributário, que pode ser anulado, administrativamente ou judicialmente, mas sem fazer desaparecer a obrigação tributária, conforme dispõe o art. 140 do CTN, nestas palavras: Art. 140. As circunstâncias que modificam o crédito tributário, sua extensão ou seus efeitos, ou as garantias ou os privilégios a ele atribuídos, ou que excluem sua exigibilidade não afetam a obrigação tributária que lhe deu origem. Nesse mesmo sentido segue ementa do Parecer CJ/MPAS n.º 2.376/2.000, que não possui mais efeito vinculante ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mas retrata a jurisprudência administrativa acerca do assunto, nestas palavras: “DIREITO TRIBUTÁRIO E PREVIDENCIÁRIO. SOLIDARIEDADE PASSIVA NOS CASOS DE CONTRATAÇÃO DE EMPRESAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTOS. NÃO OCORRÊNCIA. A obrigação tributária é uma só e o fisco pode cobrar o seu crédito tanto do contribuinte, quanto do responsável tributário. Não há ocorrência de duplicidade de lançamento, nem de bis in idem e nem de crime de excesso de exação.” Portanto, não procede a alegação da recorrente de que a fiscalização deveria ter verificado o inadimplemento do contribuinte de direito, para se evitar o bis in idem. Na mesma linha de fundamentação, não é outro o entendimento firmado pelo STJ, conforme ementa do acórdão no Recurso Especial n ° 780.703 / SC, cujo relator foi o Ministro Castro Meira, publicado no DJ em 16/06/2006: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO DE ORDEM. ARTIGO 31, § 3º DA LEI Nº 8.212/91. ELISÃO. NECESSIDADE. COMPROVAÇÃO. RECOLHIMENTO. 1. A responsabilidade solidária na contratação de quaisquer serviços por cessão de mãodeobra foi instituída pela Lei nº 8.212/91, notadamente, em seu artigo 31, ou seja, há solidariedade entre o contratante dos serviços executados mediante cessão de mãodeobra e o executor desses serviços. A responsabilidade solidária do contratante está definida, em linhas gerais, nos artigos 124 e 128 do Código Tributário Nacional. O § 1º do artigo 124 do Código Tributário Nacional prevê expressamente que a solidariedade nele descrita não comporta benefício de ordem. 2. A solidariedade somente poderia ser elidida, caso obedecido o preceito do § 3º do artigo 31 da Lei nº 8.212/91 o executor deveria comprovar o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a Fl. 215DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 remuneração dos segurados incluída na nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da respectiva quitação. Precedentes. 3. Recurso especial provido. Quanto a alegação da existência de CND – Certidão Negativa de Débito, tal fato não é suficiente para afastar o lançamento fiscal. A CND não faz prova de que a empresa não é devedora de contribuições previdenciárias, apenas indica que no momento da emissão de tal documento, de acordo com as informações disponíveis na autarquia, não havia débitos exigíveis do contribuinte. Ainda, conforme previsto no art. 47, § 1º da Lei n ° 8.212/1991 é ressalvado o direito de cobrança de qualquer débito apurado posteriormente à emissão das referidas Certidões. Por derradeiro, quanto ao percentual aplicado de 40%, sobre as notas fiscais de prestação de serviços, que resultou no salário de contribuição lançado, esclareço que o mesmo está contido na Ordem de Serviço INSS/DAF n.º 165/1977, exarada com o respaldo do artigo 33, da lei n.º 8.212/91, na redação vigente á época dos fatos geradores, onde competia ao INSS normatizar o recolhimento das contribuições sociais : Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11; e ao Departamento da Receita FederalDRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 216DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10120.903077/2008-96
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/07/2003
NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE.
O Recurso Voluntário apresentado fora do prazo regulamentar, acarreta a preclusão do direito, impedindo ao julgador de conhecer as razões da defesa. O decurso do prazo para interposição do Recurso Voluntário consolida o crédito tributário na esfera administrativa (artigo 33, do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972).
Numero da decisão: 3801-001.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Sthal - Relator.
EDITADO EM: 31/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator)
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201205
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/07/2003 NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. O Recurso Voluntário apresentado fora do prazo regulamentar, acarreta a preclusão do direito, impedindo ao julgador de conhecer as razões da defesa. O decurso do prazo para interposição do Recurso Voluntário consolida o crédito tributário na esfera administrativa (artigo 33, do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972).
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10120.903077/2008-96
anomes_publicacao_s : 201301
conteudo_id_s : 5180204
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3801-001.198
nome_arquivo_s : Decisao_10120903077200896.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : SIDNEY EDUARDO STAHL
nome_arquivo_pdf_s : 10120903077200896_5180204.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Sthal - Relator. EDITADO EM: 31/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator)
dt_sessao_tdt : Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
id : 4433510
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:55:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041215717376000
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1775; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 73 1 72 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.903077/200896 Recurso nº 8 Voluntário Acórdão nº 3801001.198 – 1ª Turma Especial Sessão de 22 de maio de 2012 Matéria Contribuição para oPIS/PASEP Recorrente RHEDE TRANSFORMADORES E EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2003 NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. O Recurso Voluntário apresentado fora do prazo regulamentar, acarreta a preclusão do direito, impedindo ao julgador de conhecer as razões da defesa. O decurso do prazo para interposição do Recurso Voluntário consolida o crédito tributário na esfera administrativa (artigo 33, do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Sthal Relator. EDITADO EM: 31/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 30 77 /2 00 8- 96 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de pedido de compensação realizado através de PER/DCOMP, transmitida em 23/09/2004 (fls. 13), com base em suposto pagamento a maior a título de PIS/PASEP do período de apuração de julho de 2003, por meio de guia DARF, cujo recolhimento se deu em 15/08/2003, com débitos de PIS/PASEP do mesmo período de apuração de janeiro de 2003, tendo sido objetivada compensação no montante total de R$ 2.512,79. A compensação não foi homologada pela DRF de Origem, conforme despacho decisório de fls. 18, o que ensejou a apresentação de Manifestação de Inconformidade pelo contribuinte às fls. 01, e que restou julgada improcedente pela DRJ de Origem, através do acórdão de fls. 25/29, cujo relatório é suficiente para o correto entendimento da questão em debate nesses autos, cumprindo a sua transcrição integral: “Tratase o presente processo da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 27193.40836.230904.1.3.045003, transmitida eletronicamente em 23/09/2004, com base em créditos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: (...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP foi identificado pelos sistemas internos da RFB, que o referido DARF, na verdade, havia sido utilizado para pagamento de outro débito, conforme demonstrado no quadro a seguir, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada pela contribuinte no PER/DCOMP objeto da atual lide. Utilização dos pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP: (...) Assim, em 12/08/2008, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 18), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 2.512,79. Cientificado, via postal, dessa decisão em 21/08/2008 (fl. 22), bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 19/09/2008, manifestação de inconformidade às fls. 1, acrescida de documentação anexa. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.903077/200896 Acórdão n.º 3801001.198 S3TE01 Fl. 74 3 A contribuinte contesta a decisão proferida no Despacho Decisório, alegando que teria deixado de retificar os valores reais do débito compensado no PER/DCOMP e informados a maior na DCTF original. Desse modo, não teria sido possível para os sistemas da RFB confirmarem a existência do crédito pleiteado, visto que os valores teriam sido informados indevidamente na DCTF. A contribuinte informa, ainda, que já teria retificado a DCTF que conteria informações sobre o crédito informado no PER/DCOMP e solicita nova revisão do Per/DCOMP objeto da lide. Ao final, requer que seja acolhida a presente a Manifestação de Inconformidade, cancelandose o débito fiscal reclamado e constante no Despacho Decisório emitido pela RFB.” O acórdão da DRJ cujo relatório está acima transcrito restou assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2003 ERRO NAS INFORMAÇÕES CONTIDAS NA DCTF. AUSÊNCIA DECOMPROVAÇÃO. Não foram apresentadas provas que demonstrassem a existência de erro no preenchimento das informações contidas na DCTF original. A simples entrega de DCTF retificadora não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” O contribuinte, intimado do referido acórdão em 01/06/2011 (fls 33) insurge se contra o mesmo através do presente Recurso Voluntário de fls. 35/41 (protocolizado em 08/07/2011), através do qual apresenta essencialmente os mesmos argumentos de sua manifestação de inconformidade. Através do Memorando nº 146/2012/SECAT/DRFGOI/SRRF01/RFB/MF GO, endereçado a este Conselho, a procuradoria informa, ainda, a propositura de uma Ação Ordinária, distribuída sob o nº 2009.35.04.0004300 perante a Justiça Federal da Subseção de Aparecida GO, através da qual requer a contribuinte a homologação das compensações em discussão. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl Preliminarmente é dever do julgador apreciar os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário. O artigo 56 da Lei n° 9.784/99 confirma o direito constitucional de o contribuinte interpor recurso contra as decisões administrativas, determinando que “das decisões administrativas cabe recurso, em face de razões de legalidade e de mérito”. Dai, concluise, que o sujeito passivo possui o direito de recorrer das decisões administrativas, proferidas pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, pois, somente assim, estará assegurado o seu direito à ampla defesa, consagrado pela Constituição Federal e pelas normas infraconstitucionais. Vislumbrase que tal fato busca, na verdade, o reexame da decisão por outra autoridade, a fim de obterse um aprimoramento dos julgados na fundamentação de suas decisões, propiciando, desta forma, maior segurança ao sistema. Pois bem, vencido em primeira instância, o contribuinte não está obrigado a recorrer, mas, se assim proceder, estará sujeito ao prazo de 30 dias, sob pena de preclusão, apresentar Recurso Voluntário, conforme preceitua o caput do artigo 33, do Decreto n° 70.235/72. Verificase, que se ultrapassado esse período, qual seja, 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da decisão, sem a apresentação pelo contribuinte do Recurso Voluntário, estará ele impedido de apresentar referido recurso em outro momento. O contribuinte, como pode ser visto, foi intimado do acórdão ao qual recorre em 01/06/2011 (fls 33) e insurgiuse contra o mesmo através do presente Recurso Voluntário somente em 08/07/2011, quando o trintídio já houvera se esgotado. Independentemente da existência de uma possível concomitância com a noticiada ação judicial – que deve ter sido promovida pelo patrono da Recorrente apenas para mascarar as impropriedades por ele cometidas nesse processo e que somente fez perder o tempo desse Conselho e do Judiciário, porque se esse processo fosse instruído com os documentos comprobatório do crédito, ninguém lhe negaria o direito – não há como se conhecer desse recurso por intempestivo. Nesse sentido voto por não conhecer do presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 76DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.903077/200896 Acórdão n.º 3801001.198 S3TE01 Fl. 75 5 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.005328/2009-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2301-000.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201211
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 19515.005328/2009-97
anomes_publicacao_s : 201302
conteudo_id_s : 5183654
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2301-000.326
nome_arquivo_s : Decisao_19515005328200997.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MAURO JOSE SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 19515005328200997_5183654.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
dt_sessao_tdt : Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
id : 4481932
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:56:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1286; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.005328/200997 Recurso nº 999.999Voluntário Resolução nº 2301000.326 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 20 de novembro de 2012 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente BLUE TREE HOTELS & RESORTS DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 05 32 8/ 20 09 -9 7 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.005328/200997 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.326 S2C3T1 Fl. 3 2 Relatório e Voto: Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pela(o) interessada(o). O processo teve início com o Auto de Infração (AI) nº 37.239.7328, lavrado em 27/11/2009, que constituiu crédito tributário relativo a deixar de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 13.291,66, fls. 03. No Relatório Fiscal é mencionado que vários documentos necessários para a compreensão da autuação estão em um CD que pode ser consultado, porém nessa fase do julgamento não temos acesso a tais documentos. Logo, votamos pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a autoridade preparadora anexe aos autos digitais todos os documentos citados pela no Relatório Fiscal, especialmente aqueles constantes de CD que acompanha o AI 37.239.7310, justificando os motivos de não terem sido juntados. Após cumprida a diligência, a recorrente deve ser intimada a apresentar aditamento de seu recurso no prazo de dez dias previsto no art. 44 da Lei 9.784/99. Concluídas tais providências, retornem os autos para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 128DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MAURO JOSE SILVA
_version_ : 1713041215720521728
score : 1.0
Numero do processo: 10166.001235/2009-26
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. GLOSADAS. COMPROVAÇÃO.
A apresentação de documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica no restabelecimento das despesas glosadas e posteriormente comprovadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-002.804
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução com despesas médicas no montante de R$ 10.455,00, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em Exercício
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Evande Carvalho Araujo, Sandro Machado dos Reis, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Luís Cláudio Farina Ventrilho.
Matéria: glosas diversas, não atendeu à intimação
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : glosas diversas, não atendeu à intimação
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201211
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS. GLOSADAS. COMPROVAÇÃO. A apresentação de documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica no restabelecimento das despesas glosadas e posteriormente comprovadas. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10166.001235/2009-26
anomes_publicacao_s : 201301
conteudo_id_s : 5180061
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2801-002.804
nome_arquivo_s : Decisao_10166001235200926.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
nome_arquivo_pdf_s : 10166001235200926_5180061.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução com despesas médicas no montante de R$ 10.455,00, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente em Exercício Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Evande Carvalho Araujo, Sandro Machado dos Reis, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Luís Cláudio Farina Ventrilho.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
id : 4433367
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:55:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041215753027584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1759; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 98 1 97 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.001235/200926 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801002.804 – 1ª Turma Especial Sessão de 21 de novembro de 2012 Matéria IRPF Recorrente JOANA APARECIDA DA COSTA BORGES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS. GLOSADAS. COMPROVAÇÃO. A apresentação de documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica no restabelecimento das despesas glosadas e posteriormente comprovadas. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução com despesas médicas no montante de R$ 10.455,00, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em Exercício Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Evande Carvalho Araujo, Sandro Machado dos Reis, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Luís Cláudio Farina Ventrilho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 12 35 /2 00 9- 26 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10166.001235/200926 Acórdão n.º 2801002.804 S2TE01 Fl. 99 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 11.371,19, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. O crédito tributário foi constituído em razão de ter sido verificado, na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, exercício 2005, os seguintes fatos: Dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 15.703,76. Dedução indevida de Previdência Privada, no valor de R$ 1.905,99. Omissão de rendimentos recebidos de Icatu Hartford Seguros S/A, no valor de R$ 750,00. A impugnação apresentada pela contribuinte foi julgada procedente em parte, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2005 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se configura em hipótese de nulidade por cerceio ao direito de defesa, o fato de o contribuinte não ter tido a possibilidade de atender a intimação na fase de fiscalização, pois a fase do contraditório, instaurada com a impugnação, abre oportunidade para o oferecimento de todos os esclarecimentos e provas, por parte do notificado, garantindo o pleno exercício do direito de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. REVISÃO. Ante a constatação de omissão de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual, impõese a lavratura de lançamento de ofício. DEDUÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI. São dedutíveis, da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física, os pagamentos de Contribuições para entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social, no valor comprovado mediante documentos hábeis e idôneos e obedecido o limite legal. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO PARCIAL. A comprovação por documentação hábil e idônea de parte dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Fl. 99DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10166.001235/200926 Acórdão n.º 2801002.804 S2TE01 Fl. 100 3 Declaração do Imposto de Renda importa no restabelecimento das despesas, no valor efetivamente comprovado. Cientificada da decisão de primeira instância em 27/12/2011 (fl. 56), a Interessada interpôs, em 25/01/2012, o recurso de fls. 57/63. Na peça recursal expõe os motivos elencados na decisão recorrida para manutenção das glosas de despesas médicas e as razões pelas quais entende que tais glosas devem ser restabelecidas. Anexa ao recurso os documentos de fls. 64/95. Ao final, pugna a Recorrente pelo restabelecimento de despesas médicas no valor total de R$ 10.795,00. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. A Recorrente se insurge contra as glosas de despesas médicas no valor de R$ 10.795,00, mantidas pelo acórdão recorrido com base nos seguintes fundamentos: GRAN – Grupo Reunido de Anestesiologia Ltda (R$ 675,00), o documento de fl. 23 não identifica o profissional prestador dos serviços; Nelson Rassi (R$ 540,00), nos documentos apresentados (fl. 19 e 21), não constam o endereço do prestador dos serviços profissionais realizados, assim como não identificam os beneficiários dos serviços prestados; Daniele Barbosa (R$ 4.000,00), no Recibo apresentado (fl. 21), não consta o endereço do prestador do serviço profissional realizado, assim como não consta o beneficiário do serviço prestado; Paulo Ferreira Borges (R$ 100,00), no Recibo apresentado não consta o beneficiário do serviço prestado (fl. 22). Antônio V. de Andrade (R$ 5.500,00), no documento apresentado (fl. 20), não consta o endereço do prestador do serviço profissional realizado, assim com não consta o número de inscrição do prestador do serviço no órgão de classe, o que não permite classificar tal serviço como despesa médica relacionada na legislação que regulamenta a matéria para fins de dedução na declaração de ajuste anual. À peça recursal foram anexados, além dos recibos anteriormente apresentados, os seguintes documentos: fl. 84: declaração com o endereço do profissional de saúde Nelson Rassi, atestando que os recibos apresentados, no montante de R$ 520,00, referemse a consultas médicas da paciente Joana Aparecida da Costa Borges; Fl. 100DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10166.001235/200926 Acórdão n.º 2801002.804 S2TE01 Fl. 101 4 fl. 88: declaração da profissional de saúde Danielle dos Santos Barbosa indicando o endereço onde foram realizados os serviços médicos prestados à Recorrente, no valor de R$ 4.000,00, bem como o seu endereço profissional; fl. 91: declaração do profissional de saúde Paulo Ferreira Borges atestando que o recibo apresentado, no valor de R$ 100,00, referese à consulta médica da paciente Joana Aparecida da Costa Borges; fl. 95: declaração com o endereço do profissional Antônio V. de Andrade, indicando o número de seu registro profissional no Conselho Regional de Odontologia e atestando que o recibo apresentado, no valor de R$ 5.500,00, referese a serviços prestados à Recorrente. Observo que o acórdão recorrido incidiu em erro material ao manter glosas de despesas médicas no valor de R$ 540,00 (fl. 51), referentes a serviços prestados pelo médico Nelson Rassi. Os recibos apresentados totalizam uma despesa de R$ 520,00 (fls. 19 e 21), mas o contribuinte pleiteou, na declaração de ajuste anual, uma dedução de apenas R$ 180,00 (fl. 33) com o referido profissional. Quanto à falta de identificação do prestador de serviços na nota fiscal emitida pela pessoa jurídica GRAN – Grupo Reunido de Anestesiologia Ltda, penso que tal exigência é desprovida de base legal. Nada obstante, registro que a Recorrente anexou, à peça recursal, novos elementos de prova relacionados à despesa no valor de R$ 675,00. Nesse contexto, entendo que os documentos apresentados comprovam as seguintes deduções lançadas na declaração de ajuste anual: R$ 675,00 com a pessoa jurídica GRAN; R$ 180,00 com o profissional Nelson Rassi; R$ 4.000,00 com a profissional Danielle dos Santos Barbosa; R$ 100,00 com o profissional Paulo Ferreira Borges; R$ 5.500,00 com o profissional Antônio V. de Andrade. Face ao exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para que se restabeleçam as glosas de despesas médicas no montante de R$ 10.455,00. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 101DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por TANIA MARA PA SCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 13984.720197/2010-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO.
Só podem ser excluídas da base de cálculo do ITR, as áreas de interesse ecológico, declaradas mediante ato de órgão competente, federal ou estadual, que ampliem as restrições de uso para fim de supressão ou exploração da vegetação. Caso não haja essa declaração o valor não poderá ser excluído
Numero da decisão: 2202-002.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto do relator.
(Assinado Digitalmente)
Nelson Mallmann - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Pedro Anan Junior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez , Odmir Fernandes, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausente, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201210
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2006 ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. Só podem ser excluídas da base de cálculo do ITR, as áreas de interesse ecológico, declaradas mediante ato de órgão competente, federal ou estadual, que ampliem as restrições de uso para fim de supressão ou exploração da vegetação. Caso não haja essa declaração o valor não poderá ser excluído
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 13984.720197/2010-01
anomes_publicacao_s : 201211
conteudo_id_s : 5175927
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 2202-002.041
nome_arquivo_s : Decisao_13984720197201001.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : PEDRO ANAN JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 13984720197201001_5175927.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto do relator. (Assinado Digitalmente) Nelson Mallmann - Presidente. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez , Odmir Fernandes, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausente, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
id : 4390989
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:54:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041215755124736
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1780; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 129 1 128 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13984.720197/201001 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.041 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de outubro de 2012 Matéria Area de Interesse Ecológico Recorrente Agreorca Empreendimentos Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. Só podem ser excluídas da base de cálculo do ITR, as áreas de interesse ecológico, declaradas mediante ato de órgão competente, federal ou estadual, que ampliem as restrições de uso para fim de supressão ou exploração da vegetação. Caso não haja essa declaração o valor não poderá ser excluído Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto do relator. (Assinado Digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez , Odmir Fernandes, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausente, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 72 01 97 /2 01 0- 01 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/11/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 2 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/11/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 13984.720197/201001 Acórdão n.º 2202002.041 S2C2T2 Fl. 130 3 Relatório Contra a interessada supra foi lavrada a Notificação de Lançamento e respectivos demonstrativos de fls. 01 a 04, por meio do qual se exigiu o pagamento do ITR do Exercício 2006, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 88.775,37, relativo ao imóvel rural denominado Passa Dois, com área de 947,9 ha., NIRF 2.588.6754, localizado no município de Santa Cecília/SC. Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma: que, após regularmente intimada, a contribuinte não comprovou as áreas isentas declaradas a título de preservação permanente e de interesse ecológico; que, apesar da não apresentação do ADA, constatouse nos sistemas da RFB a entrega do ADA em 17/09/1998, onde constou informação de 7,3 ha. de preservação permanente e 189,4 ha. de reserva legal, o qual foi aceito posto que a entrega anual do ADA passou a ser exigida apenas a partir do exercício 2007, e, assim, restou parcialmente comprovada a área de preservação permanente declarada; que a contribuinte não apresentou ato específico do órgão competente federal ou estadual declarando área do imóvel como de interesse ecológico, imprestável para atividade rural; e que, quanto ao laudo de avaliação apresentado, observouse que a metodologia utilizada não está prevista dentre os métodos especificados na NBR 14.653 da ABNT, item 8, assim como não há especificação dos dados colhidos no mercado, que se resumem a relatos de proprietários vizinhos e a opinião do próprio avaliador, tornando o laudo inaceitável por não se enquadrar em nenhum grau de fundamentação, conforme itens 9.2.3.1, 9.2.3.3 e 9.2.3.5, e, diante disso, o VTN foi arbitrado nos moldes do art. 14 da Lei n° 9.393/96, considerando as informações do Sistema de Preços de Terras da Receita Federal para o município de localização do imóvel no exercício 2005, sendo adotado o VTN/ha. de R$ 1.653,00 referente a terras de campo ou reflorestamento. Instruíram o lançamento os documentos de fls. 05 a 34. Cientificada do lançamento, por via postal, em 20/10/2010 (fls. 36), a interessada apresentou a impugnação de fls. 37 a 40, em 16/11/2010, acompanhada dos documentos de fls. 41 a 50, onde argumentou, em suma, o que segue: • A empresa originouse em 23/06/2005, com a cisão parcial da empresa denominada Indústrias Zipperer S/A, quando o imóvel passou a pertencer a contribuinte; anteriormente, em 30/08/1979, a empresa Ziprinho Agroflorestal Ltda, registrou na matrícula da propriedade, 189,4 ha. de reserva legal, e, em 20/08/1996, a Indústrias Zipperer S/A voltou a incorporar o imóvel através da fusão das empresas; • A averbação da reserva legal teve sua denominação errônea, entretanto, o intuito de preservar foi cumprido, já que a quantidade indicada no registro é a correta; • Em 03/04/1991, a então proprietária Ziprinho Agro Florestal Ltda registrou Termo de Compromisso de Manutenção de Floresta a Manejar com extensão de 461,8 há., correspondendo 48, 71% da área de utilização limitada, podendo nela ser feita exploração racional sob Regime de Manejo Sustentado, desde que autorizado pelo Ibama; tal compromisso é cumprido pela interessada; Fl. 131DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/11/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 4 • O Ibama reconheceu através da Portaria n° 37N, de 03/04/1992, em seu art. 2o , a Lista Oficial de Espécies da Flora Brasileira Ameaçadas de Extinção, assim como o Decreto n° 750, dispõe sobre o corte, a exploração e a supressão de vegetação da Mata Atlântica e, conforme Mapas de Vegetação do Brasil e de Biomas, lançados pelo IBGE, o Bioma Mata Atlântica ocupa inteiramente o Estado de Santa Catarina, portanto, concluise que se está diante de uma área de interesse ecológico; • Foi protocolado ADA junto ao Ibama, em 17/09/1998, que foi retificado em 09/09/2004, indicando 86,3 ha. de preservação permanente, 189,4 ha. de reserva legal, 379,5 ha. de interesse ecológico e 283,2 ha. de área com reflorestamento; • Procedendo de maneira contrária à manutenção e recuperação do meio ambiente isentando as áreas preservadas, consoante legislação do ITR, o lançamento está penalizando a interessada, que preserva uma área que poderia ser produtiva, aumentando o ITR e aplicando multa de oficio; • Requer que sejam aceitos o ADA retificador do Exercício de 1997, pois na data não era exigida a entrega anual, o Termo de Compromisso de Manutenção de Floresta a Manejar, o Oficio n° 003/05 DITEC/IBAMA/SC, que comprova a área de utilização limitada e a obrigação contida no Termo de Compromisso; por fim, requer a revisão do lançamento e o cancelamento da multa de ofício, levando em consideração as novas informações e os documentos anexados, bem como o fato de nunca ter deixado de apresentar os mesmos quando solicitados, e também suas obrigações acessórias (DITR) no prazo. A autoridade recorrida, ao examinar o pleito, decidiu, por unanimidade por dar provimento parcial a impugnação através do acórdão DRJ/CGE n° 0427.411, de 13 de fevereiro de 2012, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2006 ÁREAS ISENTAS. TRIBUTAÇÃO. Para efeito de isenção do ITR, somente será aceita como de interesse ecológico a área específica do imóvel assim declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual. Impõese restabelecer a área de preservação permanente declarada, diante da comprovação de que essa foi informada em ADA entregue ao Ibama antes do fato gerador do Exercício tratado. VALOR DA TERRA NUA. A base de cálculo do imposto será o valor da terra nua apurado pela fiscalização, com base no SIPT, não impugnado pelo sujeito passivo. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. A multa de ofício e os juros de mora exigidos encontram amparo em lei. Devidamente cientificado dessa decisão, o Recorrente apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, onde reitera os argumentos da impugnação. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/11/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 13984.720197/201001 Acórdão n.º 2202002.041 S2C2T2 Fl. 131 5 É o relatório Fl. 133DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/11/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 6 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior Relator O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de lançamento tributário de ITR, exercício 2005, derivado de glosa de exclusão de área de interesse ecológico uma que o Recorrente não teria comprovado que a mesma havia sido declarada pelo órgão competente a sua restrição. A Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, assim determina em seu artigo 10: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c)comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) Fl. 134DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/11/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 13984.720197/201001 Acórdão n.º 2202002.041 S2C2T2 Fl. 132 7 e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) (...) Nos termos de referida norma legal, o contribuinte poderá excluir da base de cálculo do ITR, a área de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas, desde que o mesmo seja declarada pelo órgão competente federal ou estadual. No caso em concreto devemos verificar se isso ocorreu. Ao analisarmos os documentos, apresentado pelo contribuinte não há nos autos qualquer documento que comprove o reconhecimento dessa área por órgão competente federal ou estadual. Entendo que a declaração do IBAMA atestando que existe plano de manejo não é suficiente para atestar que a área é de interesse ecológio, diante disso não merece reparos a decisão da DRJ. Desta forma, entendo não assiste razão a Recorrente. Neste sentido conheço do recurso e no mérito nego provimento. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 135DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/11/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10715.000752/2004-18
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 22/06/1999
MEDICAMENTOS. PRODUTOS MISTURADOS. GRANEL. ANTIBIÓTICO. NCM 3003.20.59
Medicamentos constituídos por produtos misturados entre si, preparados para fins terapêuticos ou profiláticos, mas não apresentados em doses nem acondicionados para venda a retalho, contendo o antibiótico ceftriaxona sódica se classificam no código NCM 3003.20.59.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO.
Numero da decisão: 3802-001.423
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: REGIS XAVIER HOLANDA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201211
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 22/06/1999 MEDICAMENTOS. PRODUTOS MISTURADOS. GRANEL. ANTIBIÓTICO. NCM 3003.20.59 Medicamentos constituídos por produtos misturados entre si, preparados para fins terapêuticos ou profiláticos, mas não apresentados em doses nem acondicionados para venda a retalho, contendo o antibiótico ceftriaxona sódica se classificam no código NCM 3003.20.59. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 02 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10715.000752/2004-18
anomes_publicacao_s : 201301
conteudo_id_s : 5179660
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 04 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3802-001.423
nome_arquivo_s : Decisao_10715000752200418.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : REGIS XAVIER HOLANDA
nome_arquivo_pdf_s : 10715000752200418_5179660.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
id : 4430382
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:55:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041215763513344
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1676; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 183 1 182 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10715.000752/200418 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802001.423 – 2ª Turma Especial Sessão de 28 de novembro de 2012 Matéria II/IPI Falta de recolhimento Recorrente Instituto Biochimico Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 22/06/1999 MEDICAMENTOS. PRODUTOS MISTURADOS. GRANEL. ANTIBIÓTICO. NCM 3003.20.59 Medicamentos constituídos por produtos misturados entre si, preparados para fins terapêuticos ou profiláticos, mas não apresentados em doses nem acondicionados para venda a retalho, contendo o antibiótico ceftriaxona sódica se classificam no código NCM 3003.20.59. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 07 52 /2 00 4- 18 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10715.000752/200418 Acórdão n.º 3802001.423 S3TE02 Fl. 184 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por Instituto Biochimico Ltda. contra Acórdão nº 0718.996, de 26 de fevereiro de 2010 (fls. 131 a 141), proferido pela 2ª Turma da DRJ/FlorianópolisSC, que manteve o lançamento relativo ao Imposto de Importação, multa de mora e juros de mora. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida que transcrevo a seguir: A empresa em epígrafe submeteu a despacho aduaneiro mercadoria descrita como “CEFTRIAXONA SÓDICA – QUALIDADE FARMACÊUTICA – REGISTRO MIN. SAÚDE Nº 1.0063.0003.0015”, por meio da declaração de importação nº 99/05042415, registrada em 22.06.1999, classificandoa no código NCM 2941.90.31 da TEC, próprio para Ceftriaxona e seus sais, sujeita à alíquota de imposto de importação de 5% e IPI de 0%. Em ato de revisão aduaneira foi solicitado exame laboratorial, conforme Pedido de Análise nº 22135/99, que resultou na elaboração do Laudo de Análise do LABOR nº 20100/00, de 29.06.1999, esclarecendo que a mercadoria tratavase de “um medicamento contendo Ceftriaxona sódica, preparado para fins terapêuticos ou profiláticos, mas não apresentado em doses nem acondicionado para venda a retalho”. Considerando o resultado do supra citado exame, a autoridade fiscal reclassificou, com base no disposto na RGI/SH nº 1 e a Nota Explicativa da posição 3003, a mercadoria para o código NCM 3003.20.59, sujeita à alíquota de 11% de II e 0% de IPI, . O Laudo do LABOR nº 20100/00 (fl. 07) informa: AMOSTRA: Coletada pelo LABOR. Pó branco. INTERESSADO: Instituto Biochimico Ltda. PROCEDÊNCIA: ALF/AIRJ DI – 99/05042415 1ª adição I ENSAIOS REALIZADOS E RESULTADOS OBTIDOS: (RESUMO) ENSAIOS RESULTADOS Ponto de fusão 228,6C Cromatografia em camada fina Semelhante ao padrão secundário da Ceftriaxona sódica. Espectrofotometria no ultravioleta visível: abs. máx. em água (242 nm, 272 nm) 240,5 nm, 270.1 nm dosagem 90% Identificação de: Fl. 200DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10715.000752/200418 Acórdão n.º 3802001.423 S3TE02 Fl. 185 3 cloreto (nitrato de prata) positivo sódio (chama) positivo II – CONCLUSÃO: Tratase de um medicamento contendo Ceftriaxona sódica, preparado para fins terapêuticos ou profiláticos, mas não apresentado em doses nem acondicionado para venda a retalho. Não tendo o contribuinte efetuado o recolhimento da diferença de alíquota do imposto de importação, decorrente da reclassificação fiscal, foi lavrado o presente auto de infração, formalizando a exigência do crédito tributário relativo ao II, acrescido da multa de mora de 20% sobre o imposto devido, tendo em vista a ocorrência de uma das hipóteses previstas no AD(N) COSIT nº 10/97 (mercadoria descrita corretamente e com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado), e dos juros de mora calculados até 30.12.2003, totalizando o valor de R$ 2.419,88. Regularmente cientificada em 20.02.2004 (fls. 39/40), a interessada apresentou impugnação em 22.03.2004, de fls. 41 a 46, instruindoa com os documentos de fls. 47 a 63, alegando, em síntese, que: 1) a conclusão do laudo laboratorial induziu em erro a autoridade autuante, ao não mencionar que a mercadoria importada tratase de um antibiótico contemplado na subposição tarifária 2941 da TEC, nominalmente mencionado na NCM 2941.90.31, conforme utilizada pela impugnante; 2) a mercadoria importada é empregada, como matériaprima, na formulação do produto denominado “Amplospec”; 3) o produto em questão (ceftriaxona) não está misturada a nenhum outro produto químicofarmacêutico, sendo, portanto, um produto orgânico, de constituição química definida, possui peso molecular próprio e está apresentado isoladamente, preenchendo, por conseguinte, todos os requisitos erigidos pela letra “a” das Notas do Capítulo 29 para ser classificado na NCM indicada na adição 001 da declaração de importação nº 99/05042415; 4) a posição tarifária pretendida pela a autoridade autuante (NCM/TEC 3003.20.59), segundo se depreende da nota “3, a), 2.” do Capítulo 30, da redação subposição 3003 e das NESH’s (págs. 445 e 467 do Tomo I) compreende, exclusivamente, as ceftriaxonas misturadas a demais produtos farmacêuticos, principalmente a outros antibióticos, abarcando, portanto, produtos diversos do importado pela impugnante; 5) conclui a impugnante que, desta forma, nos termos da legislação em vigor, a ceftriaxona, por ser um antibiótico, deve ser classificada no código NCM 2941.90.31, ou seja, o informado na declaração de importação nº 99/05042415; 6) por precaução, solicita a realização de diligência a fim de que o LABOR responda aos quesitos formulados nos subitens 14.1 a 14.3 da impugnação (fl. 46); 7) finaliza, requerendo o arquivamento do auto de infração, que alega não ter procedência, nem amparo legal. Encaminhado os autos para julgamento de 1ª instância, estes foram baixados em diligência para que o Laboratório de Análises do Ministério da Fazenda, após a realização de novos ensaios na amostra contraprova nº 22.135/99 (fls. 95 a 98), Fl. 201DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10715.000752/200418 Acórdão n.º 3802001.423 S3TE02 Fl. 186 4 respondesse aos quesitos formulados pela impugnante, com o fim de esclarecer aspectos essenciais ao deslinde do presente litígio (fls. 81/82 e 86/87). Em decorrência, foi emitido o Parecer Técnico nº 025/2009, do Laboratório L. A. Falcão Bauer, emitido em cumprimento do Contrato ALF/STS nº 05/2005 (fls. 99 a 100), tecendo considerações sobre a mercadoria em tela e respondendo aos quesitos que lhe foram solicitados pela autoridade julgadora. Do supracitado Parecer Técnico, reproduziremos os trechos de maior interesse para a solução do presente litígio: “(...) Resultado das Análises Identificação Química: positiva para cloreto Respostas aos Quesitos constantes na Notificação Gralt nº 049/2007 1. Ceftriaxona Sódica é um princípio ativo Antibiótico. No entanto, de acordo com os Resultados das Análises constantes no laudo em epígrafe além da Ceftriaxona Sódica a mercadoria contém Substâncias Inorgânicas à base de Cloreto, constituindose em Preparação Medicamentosa à base de Ceftriaxona Sódica, uma Preparação Medicamentosa contendo Antibiótico. 2. Segundo os Resultados das Análises constantes no laudo em epígrafe, a mercadoria não se trata de um composto orgânico de constituição química definida e isolado. Além da Ceftriaxona Sódica a mercadoria contém Substâncias Inorgânicas à base de Cloreto, caracterizando a mercadoria como uma Preparação Medicamentosa. 3. Segundo os Resultados das Análises constantes no laudo em epígrafe, a mercadoria não se encontra misturada com outros antibióticos. Entretanto indicam que a mercadoria apresenta um teor de 90% de Ceftriaxona Sódica e Substâncias Inorgânicas à base de Cloreto. Portanto concluimos tratar se de uma Preparação Medicamentosa à base de Ceftriaxona Sódica e Substâncias Inorgânicas à base de Cloreto, uma Preparação Medicamentosa contendo Antibiótico, mas não apresentado em doses nem acondicionado para venda a retalho. Uma Preparação Medicamentosa, a granel (...)”. Cientificada a tomar conhecimento do Parecer Técnico nº 025/2009 (fls. 102/103), a interessada apresentou manifestação às fls. 105/106, instruindoa com os documentos de fls. 107 a 129, alegando, em especial, que: “(...) 4. O laudo com o Parecer Técnico nº 025/2009 emitido por L. A. Falcão Bauer Centro Tecnológico de Controle de Qualidade Ltda., não é conclusivo, pois: a) A matéria prima em questão foi analisada oito anos após a expiração do seu prazo de validade que é de dois anos; b) A especificação da Farmacopéia Americana (USP) em anexo, preconiza a faixa de 90,0 a 115,0 de teor do ativo em base anidra, sendo que a quantidade de água varia entre 8,0 a 10,0%, logo o valor encontrado de 90% de teor está Fl. 202DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10715.000752/200418 Acórdão n.º 3802001.423 S3TE02 Fl. 187 5 absolutamente dentro da especificação, e os 10% restantes, quase em sua totalidade, representam a quantidade de água presente; c) O cloreto encontrado na matéria prima é oriundo de substâncias usadas na sua síntese; d) O teste para detecção do íon cloreto é extremamente sensível, portanto a detecção de traços deste é absolutamente esperada; e) Não foi evidenciado pelo L. A. Falcão Bauer o método analítico que permitiu a quantificação da Ceftriaxona Sódica e também das Substâncias Inorgânicas à base de Cloreto. É necessário apresentar o método, a identificação e quantidade do cloreto encontrado; f) As referências bibliográficas apresentadas por este laboratório, os sites wikipédia, boa saúde e interações medicamentosas, não são reconhecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária; g) Nas Farmacopéias Americana e Européias não é preconizado o teste de detecção do íon cloreto na Ceftriaxona Sódica. (...)” Cumpridas as diligências propostas, os autos retornaram para julgamento (fl. 130). A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e considerou procedentes os lançamentos em acórdão com a seguinte ementa: PREPARAÇÃO MEDICAMENTOSA CONTENDO CEFTRIAXONA SÓDICA E SUBSTÂNCIAS INORGÂNICAS À BASE DE CLORETO. FORMA DE ACONDICIONAMENTO. GRANEL. Preparação Medicamentosa composta do Antibiótico Ceftriaxona Sódica e Substâncias Inorgânicas à base de Cloreto, ou seja, medicamento constituído por produtos misturados entre si, preparados para fins terapêuticos ou profiláticos, não apresentado em doses nem acondicionados para venda a retalho se classifica no código TEC/NCM 3003.20.59 Cientificado do referido acórdão em 09 de abril de 2010 (fl. 144), o interessado apresentou recurso voluntário em 07 de maio de 2010 (fls. 145 a 146) pleiteando a reforma do decisum. Anota que importa o princípio ativo isolado (antibiótico puro) em barricas de 5kg para processar em sua unidade fabril e produzir o medicamento acabado Amplospec 1g – um antibiótico estéril injetável. Destaca ainda que os medicamentos injetáveis são estéreis e são considerados a granel, quando encontramse em sua embalagem primária, conforme preconiza a Resolução RDC n° 17 de 16/04/2010 da ANVISA. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10715.000752/200418 Acórdão n.º 3802001.423 S3TE02 Fl. 188 6 Conclui que, desta forma, nos termos da legislação em vigor, a ceftriaxona, por ser um antibiótico, deve ser classificada no código NCM 2941.90.31, ou seja, o informado na declaração de importação nº 99/05042415. Por fim, argúi que em outro processo de n° 10715.000753/200454 sobre a classificação de "CEFTRIAXONA CEFTTRIAXONE SODIUM CRYSTALINE no código NCM 2941.90.31", a decisão foi favorável à impugnação e exoneração do crédito tributário, conforme pode ser verificado nos documentos acostados aos Autos. É o relatório. Voto Conselheiro Regis Xavier Holanda, Relator Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Da classificação fiscal No presente caso, o impugnante pleiteia a classificação do produto importado descrito na DI como “CEFTRIAXONA SÓDICA – QUALIDADE FARMACÊUTICA – REGISTRO MIN. SAÚDE Nº 1.0063.0003.0015” no código NCM 2941.90.31 (II: 5% e IPI: 0%) e a fiscalização pretende o código NCM 3003.20.59 (II: 11% e IPI: 0%). O laudo de assistência técnica de fl. 07 assim descreve o produto: Tratase de um medicamento contendo Ceftriaxona sódica, preparado para fins terapêuticos ou profiláticos, mas não apresentado em doses nem acondicionado para venda a retalho. Posteriormente, em cumprimento de diligência, respondendo aos quesitos formulados pela impugnante, o Parecer Técnico nº 025/2009, do Laboratório L. A. Falcão Bauer, emitido em cumprimento do Contrato ALF/STS nº 05/2005 (fls. 99 a 100), esclarece aspectos essenciais ao deslinde do presente litígio: “(...) Resultado das Análises Identificação Química: positiva para cloreto Respostas aos Quesitos constantes na Notificação Gralt nº 049/2007 1. Ceftriaxona Sódica é um princípio ativo Antibiótico. No entanto, de acordo com os Resultados das Análises constantes no laudo em epígrafe além da Ceftriaxona Sódica a mercadoria contém Substâncias Inorgânicas à Fl. 204DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10715.000752/200418 Acórdão n.º 3802001.423 S3TE02 Fl. 189 7 base de Cloreto, constituindose em Preparação Medicamentosa à base de Ceftriaxona Sódica, uma Preparação Medicamentosa contendo Antibiótico. 2. Segundo os Resultados das Análises constantes no laudo em epígrafe, a mercadoria não se trata de um composto orgânico de constituição química definida e isolado. Além da Ceftriaxona Sódica a mercadoria contém Substâncias Inorgânicas à base de Cloreto, caracterizando a mercadoria como uma Preparação Medicamentosa. 3. Segundo os Resultados das Análises constantes no laudo em epígrafe, a mercadoria não se encontra misturada com outros antibióticos. Entretanto indicam que a mercadoria apresenta um teor de 90% de Ceftriaxona Sódica e Substâncias Inorgânicas à base de Cloreto. Portanto concluimos tratar se de uma Preparação Medicamentosa à base de Ceftriaxona Sódica e Substâncias Inorgânicas à base de Cloreto, uma Preparação Medicamentosa contendo Antibiótico, mas não apresentado em doses nem acondicionado para venda a retalho. Uma Preparação Medicamentosa, a granel (...)”. (Negritei e sublinhei) De acordo com a Regra Geral nº 1 para a Interpretação do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (Decreto nº 97.409/88), “para os efeitos legais a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas regras seguintes”. Semelhante regramento, agora cuidando da classificação em subposições e em itens e subitens, encontramos na Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) nº 6 e na Regra Geral Complementar (RGC) nº 1. A Nomenclatura Comum do Mercosul, baseada no Sistema Harmonizado, traz os seguintes textos relacionados aos códigos desejados: 2941 – Antibióticos. 2941.90 – Outros 2941.90.3 – Cefalosporinas e Cefamicinas; seus derivados; sais destes produtos 2941.90.31 – Ceftriaxona e seus sais (grifei) ......................................... 3003 – Medicamentos (exceto os produtos das posições 30.02, 30.05 ou 30.06) constituídos por produtos misturados entre si, preparados para fins terapêuticos ou profiláticos, mas não apresentados em doses nem acondicionados para venda a retalho. 3003.20 – Contendo outros antibióticos 3003.20.5 – Contendo cefalosporinas, cefamicinas ou derivados destes produtos 3003.20.59 – Outros (grifei) Fl. 205DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10715.000752/200418 Acórdão n.º 3802001.423 S3TE02 Fl. 190 8 Ademais, as seguintes Notas apresentam ainda interesse: Capítulo 29, Nota 1, a: 1. Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capítulo apenas compreendem: a) os compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas; Ainda, as NESH referentes à posição 3003, que compreende as Notas Explicativas, esclarecem: “Página 569: A presente posição compreende as preparações medicamentosas de uso interno ou externo, para fins terapêuticos ou profiláticos em medicina humana ou veterinária. Estes produtos obtêmse misturando duas ou mais substâncias entre si. Todavia, apresentados em forma de doses ou acondicionados para venda a retalho, incluemse na posição 30.04. (grifei) São especialmente classificados nesta posição: 1) As preparações medicamentosas, resultantes de misturas, da natureza das que figuram nas farmacopéias oficiais e as especialidades farmacêuticas, quer se trate de colutórios, colírios, pomadas, ungüentos, linimentos, preparações injetáveis, revulsivos, etc. (exceto, todavia, as preparações compreendidas nas posições 30.02, 30.05 e 30.06). (grifei) ........................................... 2) As preparações constituídas pela mistura de um só produto medicamentoso com outro produto que seja apenas um excipiente, edulcorante, aglomerante, suporte, etc. .......................................... Dessa forma, não se tratando o produto de um composto orgânico de constituição química definida e isolado, afastamos de pronto a classificação desejada pela recorrente. Com efeito, como bem destacado pela decisão recorrida, não obstante a Ceftriaxona Sódica ser um princípio ativo antibiótico, a mercadoria efetivamente importada é constituída de Ceftriaxona Sódica e Substâncias Inorgânicas à base de Cloreto, ou seja, não atende às orientações das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) da posição 2941, pleiteada pela contribuinte, uma vez que os antibióticos podem ser constituídos por uma única substância ou por um grupo de substâncias próximas. Ocorre que a mercadoria em pauta não se constitui de uma única substância, tampouco Substâncias Inorgânicas à base de Cloreto é substância próxima da Ceftriaxona Sódica. Por outro lado, também não socorre a recorrente a alegação de que em outro processo de n° 10715.000753/200454 a decisão lhe fora favorável. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10715.000752/200418 Acórdão n.º 3802001.423 S3TE02 Fl. 191 9 Consultando o acórdão nº 0718.997, vêse claramente que o motivo da exoneração do crédito tributário lançado foi o erro da autoridade autuante em considerar que a mercadoria estava acondicionada para venda a retalho, quando, em verdade, encontravase acondicionada em tambores, o que implicou no afastamento da classificação no código NCM 3004.20.59 – adotada pela autoridade fiscal, o qual abriga medicamentos apresentados em doses, ou acondicionados para venda a retalho. Não obstante, reafirmouse nesse invocado acórdão que preparação medicamentosa composta do Antibiótico Ceftriaxona Sódica e Substâncias Inorgânicas à base de Cloreto, ou seja, medicamento constituído por produtos misturados entre si, preparados para fins terapêuticos ou profiláticos, não apresentado em doses nem acondicionados para venda a retalho se classificaria no código TEC/NCM 3003.20.59. Assim, caracterizado o produto como uma preparação medicamentosa à base de Ceftriaxona Sódica e Substâncias Inorgânicas à base de Cloreto uma preparação medicamentosa contendo antibiótico, mas não apresentada em doses nem acondicionada para venda a retalho – e sim a granel , a classificação NCM 3003.20.59 apresentase como a adequada para o produto em questão. Portanto, correta a classificação definida pela autoridade fiscal no exercício de sua atividade vinculada. Da conclusão Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário. Sala das Sessões, em 28 de novembro de 2012 (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Fl. 207DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 10909.005391/2008-44
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRRF. COMPENSAÇÃO.
Comprovada a retenção do imposto pela informação da fonte pagadora, deve ser reconhecido o direito à compensação do valor correspondente com o imposto devido, apurado quando do ajuste anual.é a fonte pagadora a responsável, enquadrando-se no crime de apropriação indébita e caracterizando-se como depositária infiel de valor pertencente à Fazenda Pública. Pode o beneficiário, neste caso, compensar o imposto retido.Recurso Provido.
Numero da decisão: 2802-001.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado:. por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM:22/11/2012
Participaram, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Lucia Reiko Sakae, Carlos Andre Ribas De Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201204
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 IRRF. COMPENSAÇÃO. Comprovada a retenção do imposto pela informação da fonte pagadora, deve ser reconhecido o direito à compensação do valor correspondente com o imposto devido, apurado quando do ajuste anual.é a fonte pagadora a responsável, enquadrando-se no crime de apropriação indébita e caracterizando-se como depositária infiel de valor pertencente à Fazenda Pública. Pode o beneficiário, neste caso, compensar o imposto retido.Recurso Provido.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10909.005391/2008-44
anomes_publicacao_s : 201211
conteudo_id_s : 5176297
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 2802-001.534
nome_arquivo_s : Decisao_10909005391200844.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : DAYSE FERNANDES LEITE
nome_arquivo_pdf_s : 10909005391200844_5176297.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado:. por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora EDITADO EM:22/11/2012 Participaram, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Lucia Reiko Sakae, Carlos Andre Ribas De Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano
dt_sessao_tdt : Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
id : 4395438
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:55:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041215781339136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1592; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 596 1 595 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10909.005391/200844 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802001.534 – 2ª Turma Especial Sessão de 18 de abril de 2012 Matéria IRPF Recorrente JÚLIO FERNANDO STAPAIT Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 IRRF. COMPENSAÇÃO. Comprovada a retenção do imposto pela informação da fonte pagadora, deve ser reconhecido o direito à compensação do valor correspondente com o imposto devido, apurado quando do ajuste anual.é a fonte pagadora a responsável, enquadrandose no crime de apropriação indébita e caracterizandose como depositária infiel de valor pertencente à Fazenda Pública. Pode o beneficiário, neste caso, compensar o imposto retido.Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado:. por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso –Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM:22/11/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 53 91 /2 00 8- 44 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Lucia Reiko Sakae, Carlos Andre Ribas De Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls.111 a 115) interposto contra acórdão proferido na Primeira instância administrativa, pela De1egacia da Receita Federal de Julgamento em Julgamento em Florianópolis (SC), que considerou improcedente, a impugnação apresentada, contra o lançamento de offício nos termos do Decreto 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda — RIR/99, tendo em vista a glosa do valor declarado a título de imposto de renda retido na fonte pela JCJ Têxtil Indústria e Comércio Ltda R$ 4.370,50 A Décima Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento São Paulo II (SP), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão n° 0724.348, de 06 de maio de 2011, que se encontra às fls. 117/120, considerando procedente o lançamento, sob o fundamento de que deve ser mantida a glosa do valor declarado a título de imposto de renda retido na fonte pela JCJ Têxtil Indústria e Comércio Ltda (R$ 4.370.50), visto que o interessado não comprovou seu efetivo recolhimento. A ciência de tal julgado se deu por via postal em 03/06/2011, consoante o AR – Aviso de Recebimento –. (fls. 63). À vista da decisão, foi protocolizado, em 04/07/2011, recurso voluntário dirigido a este colegiado, fls. (fls.111 a 115), no qual o pólo passivo, com vistas a obter a reforma do julgado, reitera, os argumentos apresentados em primeira instância e ainda: · que a notificação de lançamento deve ter sua nulidade reconhecida; · apesar de ter feito prova inconteste de que era apenas um mero funcionário da empresa JCJ Têxtil Ind. e Com. Ltda, a sua impugnação foi julgada improcedente, sendo mantido o crédito tributário exigido; · conforme se comprova através de cópia autenticada de sua Carteira de Trabalho e contrato de trabalho a título de experiência, foi admitido para laborar na empresa JCJ TÊXTIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, no dia 06/06/05, na função de gerente industrial tendo sido demitido sem justa causa em 11.09.2006, consoante se extrai da cópia do aviso prévio ". · o comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte de fl. 22 comprova que os valores descontados do seu salário pela JCJ Têxtil Indústria e Comércio Ltda, no ano de 2005, a título de imposto de renda retido na fonte, totalizaram o montante de R$ 4.370,50. · apesar da função de gerente industrial na , na empresa JCJ TÊXTIL IND E COM LTDA, verdade era um mero empregado, sem poder algum de gestão na administração, recebeu somente valores líquidos dos seus salários e não brutos, portanto não tem como ser Fl. 138DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10909.005391/200844 Acórdão n.º 2802001.534 S2TE02 Fl. 597 3 responsabilizado por pagamento algum, decorrente do não recolhimento do imposto de renda descontado na fonte, cabendo esta responsabilidade única e exclusivamente à sua empregadora JCJ TÊXTIL IND E COM. LTDA, pois foi esta a fonte que reteve os valores; · não pode ser prejudicado caso seja constatado que a fonte pagadora não repassou à União as quantias retidas de seu salário a título de IRRF. Por fim, solicita o cancelamento da presente notificação de lançamento e o pagamento do imposto a restituir no valor de R$ 1.957,25 ( hum mil, novecentos e cinqüenta e sete reais e vinte e cinco centavos), acrescido de juros de mora e correção monetária Apresenta os seguintes documentos:a) cópia da identidade e CPF do Recorrente;cópia da carteira de trabalho comprovando o vínculo empregatício junto à empresa JCJ TÊXTIL IND E COM LTDA; b)cópia contrato de trabalho e contrato trabalho a título de experiência; c) aviso prévio; d) folhas de pagamentos do ano de 2005, da empregadora do Recorrente, JCJ TÊXTIL IND E COM LTDA; e) comprovantes de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte pagadora das empregadoras do Recorrente, ano calendário2005; f) termo de rescisão contrato trabalho empresa JCJ Têxtil Ind e Com Ltda; g)cópia termo de audiência ação trabalhista 01455/2006; h) cópia contrato social da empresa JCJ Têxtil Ind e Com Ltda; i) cópia da declaração de ajuste fiscal relativa ao exercício 2006, ano calendário 2004; j) cópia da notificação de lançamento 2006/609450332824035; k)cópia da impugnação levada a efeito; l) cópia da decisão de primeiro grau; m)cópia da ação judicial interposta É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite Relatora Tempestivo e interposto por parte legítima, é de se conhecer o presente recurso. O dissídio que chega a este Colegiado trata de lançamento, relativo ao imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF), referente ao anocalendário 2005, exercício 2006, no montante de R$ 4.370,50, em face de haver sido constatada a dedução indevida de imposto sobre a renda retido na fonte (IRF). Em sede de Recurso Voluntário, o recorrente reafirma que apesar da função de gerente industrial na , empresa JCJ TÊXTIL IND E COM LTDA, na verdade era um mero empregado, sem poder algum de gestão na administração, recebeu somente valores líquidos dos seus salários e não brutos, portanto não tem como ser responsabilizado por pagamento algum, decorrente do não recolhimento do imposto de renda descontado na fonte, cabendo esta responsabilidade única e exclusivamente à sua empregadora JCJ TÊXTIL IND E COM. LTDA, pois foi esta a fonte que reteve os valores; Fl. 139DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Faz prova do alegado por meio de : a) cópia da carteira de trabalho comprovando o vínculo empregatício junto à empresa JCJ TÊXTIL IND E COM LTDA; b)cópia contrato de trabalho e contrato trabalho a título de experiência; c) aviso prévio; d) folhas de pagamentos do ano de 2005, da empregadora do Recorrente, JCJ TÊXTIL IND E COM LTDA; e) comprovantes de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte pagadora das empregadoras do Recorrente, ano calendário 2005; f) termo de rescisão contrato trabalho empresa JCJ Têxtil Ind e Com Ltda; g)cópia termo de audiência ação trabalhista 01455/2006 O Regulamento do Imposto sobre a Renda (Decreto n.º 3.000, de 1999), em seu artigo 624, prevê estarem sujeitos à incidência do imposto na fonte, calculado na forma do art. 620 do mesmo diploma, os rendimentos do trabalho assalariado pagos por pessoas físicas ou jurídicas (Lei nº 7.713, de 1988, art. 7º, inciso I).). Em seu artigo 717, o mesmo ato regulamentar, fundamentado nos artigos 99 e 100 do DecretoLei n.º 5.844, de 1943 e no artigo 7.º, § 1.º, da Lei n.º 7.713, de 1988, determina que compete è fonte pagadora reter o imposto na fonte, salvo disposição em contrário. A fonte pagadora fica ainda obrigada ao recolhimento do imposto, mesmo que não o tenha retido (Decreto n.º 3.000, de 1999, artigo 722, caput, cuja matriz legal é o artigo 103 do DecretoLei n.º5.844, de 1943). Isto significa afirmar que a fonte pagadora tem o dever de descontar o imposto de renda quando paga a renda ou provento. Por outro lado, o contribuinte tem o direito de receber da fonte o informe de rendimento e retenção, para que possa exercer os efeitos de direito daí derivados, no caso, o de compensar o imposto retido na fonte com o imposto que tiver que pagar na declaração de ajuste anual. No recurso o Contribuinte reafirma que o valor foi retido e que não pode ser responsabilizada por uma obrigação que é da fonte pagadora. Pois bem, às fls. 22 dos autos o Contribuinte apresenta Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, demonstrando que foi retido da recorrente, durante o ano calendário de 2005, o valor de R$ 4.370,50. A DRJ em FlorianópolisSC, entendeu que o contribuinte era gerente da fonte pagadora e. assim sendo, somente seria cabível a compensação do Imposto de Renda Retido na Fonte com o devido na Declaração de Ajuste Anual se houvesse a efetiva comprovação do recolhimento do valor retido, já que, por força do disposto no artigo 8o do Decretolei n° 1.736. de 20 de dezembro de 1979. e no artigo 723 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99), são solidariamente responsáveis pelos débitos decorrentes do não recolhimento do imposto de renda descontado na fonte os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. No presente caso, em que os valores de imposto de renda na fonte foram retidos do beneficiário do rendimento, mas não foram recolhidos aos cofres públicos, aplicase o Parecer Normativo COSIT n.º 1, de 24 de setembro de 2002, que assim determina: Imposto retido e não recolhido 17. Ocorrendo a retenção do imposto sem o recolhimento aos cofres públicos, a fonte pagadora, responsável pelo imposto, enquadrase no crime de apropriação indébita previsto no art. 11 da Lei nº 4.357, de 16 de julho de 1964, e caracterizase como depositária infiel de valor pertencente à Fazenda Pública, conforme a Lei nº 8.866, de 11 de abril de 1994. Ressaltese que a obrigação do Fl. 140DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10909.005391/200844 Acórdão n.º 2802001.534 S2TE02 Fl. 598 5 contribuinte de oferecer o rendimento à tributação permanece, podendo, nesse caso, compensar o imposto retido. Concluise, da compreensão do texto acima transcrito, que, tendo a pessoa jurídica denominada JCJ TÊXTIL IND E COM LTDA, retido o imposto de renda, é ela a responsável por seu recolhimento, podendo o Recorrente, na qualidade de beneficiário do pagamento, compensar o imposto retido, mesmo que não recolhido. Conclusão Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso (assinado digitalmente) Dayse Fernandes LeiteRelatora Fl. 141DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10293.720042/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. LAUDO DE AVALIAÇÃO.
O arbitramento do valor da terra nua (VTN), apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve ser reduzido para aquele demonstrado nos autos, mediante a apresentação de Laudo Técnico de Avaliação do imóvel, elaborado nos termos da NBR-ABNT 14653-3.
MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009)
RO e RV Negados
Numero da decisão: 2102-002.393
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento aos recursos de ofício e voluntário.
Assinado digitalmente
Giovanni Christian Nunes Campos Presidente
Assinado digitalmente
Núbia Matos Moura Relatora
EDITADO EM: 26/11/2012
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201211
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. O arbitramento do valor da terra nua (VTN), apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve ser reduzido para aquele demonstrado nos autos, mediante a apresentação de Laudo Técnico de Avaliação do imóvel, elaborado nos termos da NBR-ABNT 14653-3. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) RO e RV Negados
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10293.720042/2008-31
anomes_publicacao_s : 201212
conteudo_id_s : 5177189
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 2102-002.393
nome_arquivo_s : Decisao_10293720042200831.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : NUBIA MATOS MOURA
nome_arquivo_pdf_s : 10293720042200831_5177189.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento aos recursos de ofício e voluntário. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora EDITADO EM: 26/11/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
id : 4414151
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:55:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041215796019200
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1455; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 118 1 117 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10293.720042/200831 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2102002.393 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de novembro de 2012 Matéria ITR Arbirtramento do VTN Recorrentes AGROPECUÁRIA SANTO ELIAS LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. O arbitramento do valor da terra nua (VTN), apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve ser reduzido para aquele demonstrado nos autos, mediante a apresentação de Laudo Técnico de Avaliação do imóvel, elaborado nos termos da NBRABNT 146533. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃOCONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) RO e RV Negados AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 29 3. 72 00 42 /2 00 8- 31 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10293.720042/200831 Acórdão n.º 2102002.393 S2C1T2 Fl. 119 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento aos recursos de ofício e voluntário. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 26/11/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra AGROPECUÁRIA SANTO ELIAS LTDA foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 08/12, para formalização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do imóvel denominado Seringal Santo Elias, com 7.943,5 ha (NIRF 3.983.5790), relativo ao exercício 2005, no valor de R$ 2.177.541,92, incluindo multa de ofício e juros de mora. No lançamento procedeuse ao arbitramento do valor da terra nua (VTN), mediante utilização do valor extraído do Sistema de Preços de Terra (SIPT), alterandose o VTN de R$ 2.000,00 (R$ 0,25/ha) para R$ 5.163.275,00 (R$ 650,00/ha), em virtude de a contribuinte ter deixado de apresentar laudo de avaliação do imóvel, comprovando o VTN declarado. Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 55/58, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou a impugnação procedente, para manter em parte o crédito tributário consubstanciado na Notificação, tributando o imóvel com base no VTN de R$ 142.200,45, equivalente a R$ 17,90/ha, indicado no Laudo Técnico de Avaliação, fls. 60/77, e seus anexos, fls. 78/83. (Acórdão DRJ/BSB nº 0343.664, de 22/06/2011, fls. 103/108) Fl. 119DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10293.720042/200831 Acórdão n.º 2102002.393 S2C1T2 Fl. 120 3 A DRJ Brasília recorreu de ofício de sua decisão a este Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (CARF), em razão do limite de alçada estabelecido na Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008. Cientificada da decisão de primeira instância, em 01/09/2011, fls. 112, a contribuinte apresentou, em 03/10/2011, recurso voluntário, fls. 113/115, onde alega que o percentual de 75% da multa de ofício ofende aos critérios da razoabilidade e proporcionalidade, configurando confisco. É o Relatório. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10293.720042/200831 Acórdão n.º 2102002.393 S2C1T2 Fl. 121 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora Do recurso de ofício O recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele conheço. No lançamento, procedeuse ao arbitramento do valor da terra nua (VTN), mediante utilização do valor extraído do Sistema de Preços de Terra (SIPT), alterandose o VTN de R$ 2.000,00 (R$ 0,25/ha) para R$ 5.163.275,00 (R$ 650,00/ha) e a decisão recorrida, acolhendo Laudo Técnico de Avaliação, fls. 60/77, apresentado pela contribuinte, juntamente com a impugnação, reduziu o VTN para R$ 142.200,45 (R$ 17,90/ha). A decisão recorrida está assim fundamentada: Por sua vez, a Requerente apresenta, nesta fase, o “Laudo Técnico de Avaliação”, doc. de fls. 60/77, e seus anexos, doc de fls. 78/83, elaborado pelo engenheiro Ermilson Maciel Pinto (Agrônomo), com ART, devidamente anotada no CREA/AC, doc./cópia de fls. 84, onde se concluiu que o valor da terra nua do imóvel, para o exercício de 2005, é de R$ 142.200,45 (R$ 17,90/ha) e solicita o seu acolhimento. De fato, o referido documento, elaborado pelo citado engenheiro, profissional legalmente habilitado, e, nesta condição, responsável pelas informações constantes do trabalho por ele desenvolvido, possibilita a revisão do VTN arbitrado pela fiscalização. Na análise do laudo apresentado, verificase que o autor do trabalho descreve as características do imóvel rural em particular (localização, acesso, caracterização da região e do imóvel), indicando que o terreno possui má localização e acesso restrito (sendo parte da viagem feita por caminhada ou em animais de transporte) e cerca de 99 % do imóvel é de floresta nativa, existindo apenas resquícios de áreas abertas por posseiros. Quanto à avaliação em si, o autor do trabalho utiliza o método comparativo de dados de mercado, sendo que a coleta de informações da época só se tornou possível devido ao acesso ao banco de dados do Incra; sendo que, para a obtenção do valor unitário do terreno foi obtida a Nota Agronômica e apresentadas 17 (dezessete) amostras. Após a apresentação dessas fontes, que totalizaram 17, e efetuar os devidos tratamentos estatísticos (média aritmética, desvio padrão, etc), chega ao valor da terra nua de R$ 142.200,45, o Fl. 121DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10293.720042/200831 Acórdão n.º 2102002.393 S2C1T2 Fl. 122 5 equivalente a R$ 17,90/ha (valor este igual ao Valor Total do Imóvel), e conclui que alcançou o grau de fundamentação II e precisão III, conforme pontuação definida na NBR 146533. Ressaltese, novamente, que o laudo demonstra a existência de características particulares desfavoráveis que justificam a utilização de VTN, por hectare, inferior ao obtido com base no SIPT. Também entendo que, por se tratar de um imóvel atípico, sem registro de qualquer benfeitoria útil e necessária à atividade rural, a falta de avaliação das suas benfeitorias não pode prejudicar todo o trabalho de avaliação, pois o que se busca nos autos é, de fato, o preço fundiário (das terras) do imóvel, àquela época. E ainda, que o VTN por hectare, apontado no referido “laudo técnico”, representa 71,6 vezes o VTN declarado de R$ 0,25/ha, demonstrando que a própria Impugnante reconhece que o valor por ela informado na sua DITR/2005 estava de fato subavaliado. Assim, entendo que o laudo de fls. 60/77, e seus anexos, doc de fls. 78/83, além de ter sido emitido por profissional habilitado (Engenheiro), atende aos requisitos essenciais estabelecidos na NBR 14.6533 da ABNT e demonstra de maneira inequívoca o valor fundiário do imóvel àquela época, constituindo documento hábil para alteração do VTN arbitrado pela fiscalização, nos termos da Norma de Execução Cofis nº 003/2006, de 29/05/2006, aplicada ao exercício de 2003 e posteriores. Por fim, temse que a matéria, além de eminentemente técnica, por envolver as normas da ABNT (NBR 14.6533), também possui um viés subjetivo, sendo permitido ao julgador administrativo, com fulcro no art. 29 do Decreto 70.235, de 1972, formar livremente convicção quando da apreciação do laudo apresentado pelo Impugnante, com o intuito de se chegar a um juízo quanto a aceitação ou não do mesmo para revisão do VTN arbitrado pela autoridade fiscal. Portanto, cabe acatar o “Laudo Técnico de Avaliação”, doc. de fls. 60/77, e seus anexos, doc de fls. 78/83, apresentado para revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, passando a ser aceito o VTN/ha de R$ 17,90/ha, o quê corresponde a um VTN de R$ 142.200,45. As razões de decidir da decisão recorrida, acima transcritas, não merecem reparos. De fato, o Laudo Técnico de Avaliação, fls. 60/77, atende ao disposto na NBR/ABNT 14653 parte 3. E mais, na Complementação da Descrição dos Fatos, fls. 17, a autoridade fiscal fez constar que o SIPT para o município de Sena Madureira era de R$ 800,00, R$ 650,00 e R$ 286,38, para os exercícios de 2004, 2005 e 2006, respectivamente. Tal fato demonstra a existência de inconsistência nos valores do SIPT, posto que não é razoável admitirse que os preços de imóveis rurais sofram tamanha desvalorização, da ordem de 64,21%, no período de 2 anos, salvo na ocorrência de fatos atípicos, dos quais não se tem notícias nos autos. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10293.720042/200831 Acórdão n.º 2102002.393 S2C1T2 Fl. 123 6 Corroborando este entendimento temse que para o exercício 2004, a média dos VTN nas DITR foi de R$ 116,86, conforme extrato SIPT, fls. 87. Nestes termos, devese negar provimento ao recurso de ofício. Do recurso voluntário O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A recorrente alega em seu recurso que o percentual de 75% da multa de ofício ofende aos critérios da razoabilidade e proporcionalidade, configurando confisco. De imediato, cumpre dizer que a multa de ofício foi aplicada com base no disposto no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que a seguir se transcreve: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Importa destacar ainda que o exame da obediência das leis tributárias aos princípios constitucionais é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa, conforme se infere da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Como se vê, os julgamentos administrativos não contemplam o exame de constitucionalidade de leis tributárias, de sorte que não será neste voto apreciada a alegação da recorrente de ofensa aos princípios constitucionais. Assim, deve ser mantida a multa de ofício, no percentual de 75%, conforme consubstanciado na Notificação de Lançamento. Da conclusão Ante o exposto, voto por NEGAR provimento aos recursos de ofício e voluntário. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 123DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10293.720042/200831 Acórdão n.º 2102002.393 S2C1T2 Fl. 124 7 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10120.004763/2010-05
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2008
DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO
LANÇAMENTO.
Cabe ao AuditorFiscal
da Receita Federal do Brasil, na atribuição do
exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em
caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito
tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de
responsabilidade funcional.
DIPJ. DCTF. APRESENTAÇÃO. ASPECTO TEMPORAL.
A DIPJ e a DCTF apresentadas após o início do procedimento fiscal não
produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício.
MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL.
A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em
razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento
direto com a comprovação da conduta culposa.
MULTA ISOLADA. FALTA DE CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES
TRIBUTÁRIAS. LUCRO REAL ANUAL.
A pessoa jurídica que adota o regime de tributação do lucro real optante pela
apuração anual que não cumprir as obrigações tributárias fica sujeita à multa
cinquenta por cento, aplicada isoladamente, calculada sobre o montante das
parcelas dos tributos estimados não recolhidos ou das insuficiências
apuradas.
DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e
jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade
de lei tributária.
LANÇAMENTO DECORRENTE.
O lançamento de CSLL sendo decorrente da mesma infração tributária, a
relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento
deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1801-001.016
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros
Marcos Vinicius Barros Ottoni e Luiz Guilherme Medeiros Ferreira que votaram pela
exoneração da multa de ofício proporcional isolada determinada sobre a base de cálculo
estimada.
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201205
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008 DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. DIPJ. DCTF. APRESENTAÇÃO. ASPECTO TEMPORAL. A DIPJ e a DCTF apresentadas após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. MULTA ISOLADA. FALTA DE CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS. LUCRO REAL ANUAL. A pessoa jurídica que adota o regime de tributação do lucro real optante pela apuração anual que não cumprir as obrigações tributárias fica sujeita à multa cinquenta por cento, aplicada isoladamente, calculada sobre o montante das parcelas dos tributos estimados não recolhidos ou das insuficiências apuradas. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTO DECORRENTE. O lançamento de CSLL sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência de IRPJ.
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 10120.004763/2010-05
conteudo_id_s : 5009733
numero_decisao_s : 1801-001.016
nome_arquivo_s : 180101016_10120004763201005_201205.pdf
nome_arquivo_pdf_s : 10120004763201005_5009733.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Marcos Vinicius Barros Ottoni e Luiz Guilherme Medeiros Ferreira que votaram pela exoneração da multa de ofício proporcional isolada determinada sobre a base de cálculo estimada.
dt_sessao_tdt : Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
id : 4079125
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:53:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041215805456384
conteudo_txt : Metadados => date: 2012-05-17T01:20:30Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2012-05-17T01:20:30Z; Last-Modified: 2012-05-17T01:20:30Z; dcterms:modified: 2012-05-17T01:20:30Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:c9374dfe-606a-4348-a0fd-6e7c922d860b; Last-Save-Date: 2012-05-17T01:20:30Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2012-05-17T01:20:30Z; meta:save-date: 2012-05-17T01:20:30Z; pdf:encrypted: true; modified: 2012-05-17T01:20:30Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2012-05-17T01:20:30Z; created: 2012-05-17T01:20:30Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2012-05-17T01:20:30Z; pdf:charsPerPage: 1762; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2012-05-17T01:20:30Z | Conteúdo => S1TE01 Fl. 388 1 387 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.004763/201005 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180101.016 – 1ª Turma Especial Sessão de 09 de maio de 2012 Matéria LUCRO REAL Recorrente RECOMAP REPRESENTAÇÕES E COMÉRCIO DE MÁQUINAS E PEÇAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008 DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. DIPJ. DCTF. APRESENTAÇÃO. ASPECTO TEMPORAL. A DIPJ e a DCTF apresentadas após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. MULTA ISOLADA. FALTA DE CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS. LUCRO REAL ANUAL. A pessoa jurídica que adota o regime de tributação do lucro real optante pela apuração anual que não cumprir as obrigações tributárias fica sujeita à multa cinquenta por cento, aplicada isoladamente, calculada sobre o montante das parcelas dos tributos estimados não recolhidos ou das insuficiências apuradas. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. Processo nº 10120.004763/201005 Acórdão n.º 180101.016 S1TE01 Fl. 389 2 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTO DECORRENTE. O lançamento de CSLL sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Marcos Vinicius Barros Ottoni e Luiz Guilherme Medeiros Ferreira que votaram pela exoneração da multa de ofício proporcional isolada determinada sobre a base de cálculo estimada. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente em Exercício Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Jaci de Assis Junior, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 4149 com a exigência do crédito tributário no valor total de R$425.310,76 que compreende: R$351.555,36 a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional, referente ao anocalendário de 2007, apurado pelo regime de tributação com base no lucro real anual, pela insuficiência de recolhimento do tributo determinada pelo cotejo dos valores informados na Declaração Integrada de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 1124, com aqueles constantes nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), fls. 2734, nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), em que não foi informado qualquer valor de IRPJ, fls. 2526 e nos Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), em conformidade com dos demonstrativos às fls. 35 e 38; R$73.755,40 a título de multa de ofício proporcional isolada por falta de recolhimento de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) determinado sobre a base de cálculo estimada referente aos fatos geradores ocorridos em março, maio, agosto e setembro do anocalendário de 2007. Processo nº 10120.004763/201005 Acórdão n.º 180101.016 S1TE01 Fl. 390 3 Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 222, incisos I, III e IV do art. 841 e art. 843 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999), bem como § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 5056 com a exigência do crédito tributário no valor total de R$178.328,69: R$147.251,57 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional referente ao anocalendário de 2007, apurado pelo regime de tributação com base no lucro real anual, pela insuficiência de recolhimento do tributo determinada pelo cotejo dos valores informados na Declaração Integrada de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 1124, com aqueles constantes nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), fls. 2734, nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), em que não foi informado qualquer valor de IRPJ, fls. 2526 e nos Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), em conformidade com dos demonstrativos às fls. 36 e 40; R$31.077,12 a título de multa de ofício isolada por falta de recolhimento de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) determinada sobre a base de cálculo estimada referente aos fatos geradores ocorridos em março, maio, agosto e setembro do ano calendário de 2007. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 222, incisos I, III e IV do art. 841 e art. 843 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999), bem como § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Cientificada em 18.06.2010, fl. 60, a Recorrente apresentou a impugnação em 15.07.2010, fls. 6468, com as alegações abaixo sintetizadas. Aduz que há erro no preenchimento da DIPJ e da DCTF, que são passíveis de serem retificadas. Defende a tese de que seus registros contábeis estão com os valores corretos e que devem ser considerados de ofício. Suscita que fez o balanço de suspensão anual e que apurou ao final do ano calendário os valores devidos de R$209.065,08 e de R$83.903,43, respectivamente, de IRPJ e de CSLL. Informa que fez provisões mensais para evitar possíveis pagamentos a maior de tributos, cujos valores foram revertidos. Apresenta argumentos contra a aplicação da multa de ofício proporcional e da multa de ofício isolada por falta de recolhimento de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Processo nº 10120.004763/201005 Acórdão n.º 180101.016 S1TE01 Fl. 391 4 Conclui 1) Que abra oportunidade para a empresa esclarecer e retificar as informações junto a [RFB] e que torne sem efeito [os Autos de Infração]. 2) Que [os valores dos referidos débitos] do IRPJ e da CSLL sejam juntados no montante a ser parcelado em conformidade [com] o pedido de parcelamento da Lei nº 11.941/2009, que já foi deferido. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BSA/DF nº 0342.645, de 18.04.2011, fls. 259266: “Impugnação Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008 ACÓRDÃO RETIFICADOR. ABRANGÊNCIA INCOMPLETA DA MATÉRIA EM LITÍGIO. Tendo sido o acórdão anterior incompleto, por deixar de apreciar matéria em litígio nos autos, impõese retificar a decisão anterior para incluíla. PARCELAMENTO LEI Nº 11.941, DE 2009. INAPLICABILIDADE AOS DÉBITOS DECORRENTES DE MULTA PROPORCIONAL E ISOLADA COM VENCIMENTO APÓS 30 DE NOVEMBRO DE 2008. Não são incluídos no parcelamento de que trata a Lei nº 11.941, de 2009, os débitos decorrentes de multa proporcional e isolada com vencimento posterior a 30 de novembro de 2008. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A confissão, de forma irrevogável e irretratável, do débito que deu origem ao lançamento das multas proporcional e isolada pelo não pagamento das estimativas devidas implica na aceitação da referida multa. CONFISCO. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2008 MESMOS ELEMENTOS DE PROVA. MESMA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. Aplicase à CSLL o disposto em relação ao lançamento do IRPJ por decorrer dos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável. Notificada em 09.06.2011, fl. 277, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 11.07.2011 (segundafeira), fls. 278282, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge Processo nº 10120.004763/201005 Acórdão n.º 180101.016 S1TE01 Fl. 392 5 e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória em relação à multa de ofício proporcional pela diferença do percentual em relação à multa de mora e à multa de ofício proporcional isolada por falta de recolhimento de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. Acrescenta que os demais valores foram objeto de parcelamento formalizado no processo nº 10120.006310/201013. Conclui Diante do exposto, requer a Vossa Senhoria o recebimento do presente Recurso Administrativo, julgandoo procedente, anulando e tornando sem efeito [os Autos de Infração], pois somente assim estará aplicando a verdadeira JUSTIÇA! É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A matéria objeto de litígio devolvida para reexame nesta segunda instância de julgamento restringese à multa de ofício proporcional pela diferença do percentual em relação à multa de mora e à multa de ofício isolada por falta de recolhimento de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A Recorrente menciona que a exigência não poderia ter sido formalizada. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador1. Os Autos de Infração foram lavrados com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo, aplicação da penalidade cabível e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente expõe que apresenta declarações retificadoras com os valores que diz estarem corrigidos. 1 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. Processo nº 10120.004763/201005 Acórdão n.º 180101.016 S1TE01 Fl. 393 6 Sobre o aspecto temporal da possibilidade jurídica da entrega da DIPJ e da DCTF, temse que não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício quando apresentadas após o início do procedimento fiscal, ou seja, o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária. Neste momento, a sua espontaneidade é excluída em relação aos atos anteriores, independentemente de intimação dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Por esta razão, a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício2. A DIPJ e a DCTF entregues pela Recorrente depois de cientificada do Termo de Intimação recebido em 19.02.2010, fls. 03 e 06 não tem efeito jurídico sobre a exigência. A afirmação suscitada pela defendente, destarte, não é pertinente. A Recorrente discorda da aplicação da multa de ofício proporcional. Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária é uma penalidade procedente da lei em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direto, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta culposa do agente, que é a falta cometida contra um dever, por ação ou omissão, de forma a evidenciar a inobservância de diligência que deveria ser observada quando da prática de um ato a que se está obrigado3. No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, de modo que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional. A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. A Recorrente discorda da aplicação da aplicação da multa de ofício proporcional isolada determinada sobre a base de cálculo estimada. A pessoa jurídica que adota o regime de tributação do lucro real pode optar pela apuração anual de IRPJ e de CSLL, o que lhe impõe o pagamento destes tributos em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada, ainda que venha a apurar prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa no balanço encerrado em 31 de dezembro do anocalendário. Pode, todavia, suspender ou reduzir os pagamentos dos tributos devidos em cada mês, desde que demonstre, mediante de balanços ou balancetes mensais, que as quantias acumuladas já recolhidas excedem os valores dos tributos devidos referentes ao período em curso. Para tanto, estes balanços ou balancetes devem ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário e a demonstração do lucro real relativa ao período deve ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur). O pressuposto é de que a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária, penalidade que tem como fonte a lei, é imposta em razão do 2 Fundamentação legal: art. 142 e art. 147 do Código Tributário Nacional, art. 7º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF n° 33. 3 Base legal: art. 142, art. 149 e art. 150 do Código Tributário Nacional, art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Processo nº 10120.004763/201005 Acórdão n.º 180101.016 S1TE01 Fl. 394 7 inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. Por esta razão, caso obrigações tributárias mencionadas não sejam cumpridas a pessoa jurídica fica sujeita à multa de 50% (cinquenta por cento), aplicada isoladamente, calculada sobre o montante das parcelas dos tributos não recolhidos ou das insuficiências apuradas. Este percentual foi fixado a partir 15.06.2007, abrandando aquele originalmente previsto. Assim, para os atos não definitivamente julgados em for imposta a penalidade em percentual mais severo previsto na lei vigente ao tempo da sua prática, a lei superveniente mais branda aplicase ao ato pretérito, tendo em vista a excepcionalidade prevista no princípio da retroatividade benigna4. Os presentes autos não estão instruídos com a comprovação dos pagamentos integrais, tampouco com as transcrições no Livro Diário dos balanços ou balancetes mensais de suspensão ou redução e no Lalur da demonstração do lucro real do respectivo período. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso5. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade6. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo7. O lançamento de CSLL sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência de IRPJ. Em face do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 4 Fundamentação legal: art. 106 do Código Tributário Nacional, art. 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 2º e art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 13 da Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997 e art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. 5 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 6 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. 7 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Processo nº 10120.004763/201005 Acórdão n.º 180101.016 S1TE01 Fl. 395 8
score : 1.0
