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Numero do processo: 10245.900299/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Data do Fato Gerador: 31/12/2002
DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NECESSIDADE DE COMPLEMENTAÇÃO. Nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, caracteriza cerceamento do direito de defesa, a demandar anulação do acórdão recorrido para que
outro seja produzido com apreciação de todas as razões de inconformidade, a omissão relativa à alegação de retificação da DIPJ antes da entrega de Declaração de Compensação.
Decisão Anulada
Numero da decisão: 1101-000.557
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
ANULAR a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do Fato Gerador: 31/12/2002 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NECESSIDADE DE COMPLEMENTAÇÃO. Nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, caracteriza cerceamento do direito de defesa, a demandar anulação do acórdão recorrido para que outro seja produzido com apreciação de todas as razões de inconformidade, a omissão relativa à alegação de retificação da DIPJ antes da entrega de Declaração de Compensação. Decisão Anulada Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ANULAR a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 66DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900299/200921 Acórdão n.º 110100.557 S1C1T1 Fl. 65 2 Relatório VIMEZER FORNC. DE SERV. LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém/PA que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou compensação declarada sob nº 25158.91539.060906.1.7.048981, na qual foi utilizado crédito de R$ 854,77, apurado em recolhimento de IRPJ (código 2089), realizado em 31/01/2003 e relativo à apuração de 31/12/2002. Constou do referido despacho decisório que o recolhimento apontado foi localizado, mas já havia sido utilizado integralmente para quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte informou que o débito apurado no período em questão constou de DIPJ retificadora e foi recolhido a maior, ensejando a apuração de indébito utilizado na compensação questionada. Argumentou que a afirmação fiscal, no sentido de que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débito, deixou dúvida quanto a origem do débito considerado como quitado. Acrescentou que a simples falha no preenchimento das declarações não afasta em hipótese alguma a existência do direito material em relação à compensação, e que as informações apresentadas nas peculiares declarações permitiriam a confirmação do crédito utilizado. Discorre sobre o conceito de compensação e afirma que além de ter oferecido indevidamente valores a tributação, não se creditou de valores que foram devidamente retidos na fonte pelas fontes pagadoras, conforme documento anexado e evidenciado quando da exposição dos fatos. Daí a utilização do crédito para compensação de débitos próprios do impugnante, e que também são administrados pela Receita Federal. Ressalta que o crédito utilizado não se enquadra em qualquer das hipóteses do art. 74, §12 da Lei nº 9.430/96, e afirma ter demonstrado a insubsistência e total improcedência do Despacho Decisório. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos, acolhendo o voto condutor da decisão recorrida que, depois de destacar o efeito extintivo da Declaração de Compensação DCOMP, e a sua homologação tácita depois de transcorridos cinco anos de sua entrega, de modo a caracterizar a compensação como um procedimento efetivado pelo próprio contribuinte, sujeito apenas à posterior homologação pelo Fisco, de forma expressa ou tácita, assim abordou a defesa da interessada: • (...) a interessada indicou como crédito a compensar aquele constante de DARF relativo à receita de código 2089, do período de apuração de 31/12/2002. Ocorre que em consulta aos sistemas da Receita Federal do Brasil (telas impressas de fls. 34/36) verificase que o referido DARF encontrase inteiramente alocado a débito informado pelo próprio sujeito Fl. 67DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900299/200921 Acórdão n.º 110100.557 S1C1T1 Fl. 66 3 passivo em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), não existindo, por conseguinte, crédito a compensar. • (...) o crédito tributário resulta constituído não somente pelo lançamento, mas também nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como se dá no caso de entrega da DCTF. Com efeito, o valor informado na DCTF, por decorrer de uma confissão do contribuinte, pode ser encaminhado à divida ativa da União sem que se faça necessário o lançamento de ofício. O valor confessado faz prova contra o contribuinte. Logo, se o valor declarado (confessado) em DCTF é igual ou maior que o valor pago, a conclusão imediata é que não há valor a restituir ou compensar, pois o próprio contribuinte está informando que efetuou um pagamento igual ou menor ao confessado. • (...) é condição necessária – embora não suficiente – a que o sujeito passivo pleiteie o reconhecimento de direito creditório referente a débito confessado em DCTF a apresentação prévia de nova declaração, retificando a confissão anterior. E nos termos da legislação que rege a matéria, a alteração de informações prestadas em DCTF efetuase mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. • (...) a desconstituição do crédito confessado em DCTF não depende apenas da apresentação de DCTFRetificadora, mas igualmente da comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que houve pagamento indevido ou a maior. (...) • (...) No caso concreto, como permanece válida a confissão de dívida originalmente efetuada pela contribuinte, haja vista a não apresentação, ao que consta dos autos, de DCTFRetificadora, resulta notória a impossibilidade de ser acolhida sua pretensão. (...) em se tratando de pedido de restituição o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de apresentação de documentos comprobatórios de seu direito creditório, por ter sido ele quem inaugurou o procedimento administrativo. • Citando os arts. 15 e 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, destacou ser ônus do sujeito passivo trazer aos autos administrativos, já com sua peça impugnatória, as provas cuja produção encontrese em sua esfera de responsabilidade. Cientificada da decisão de primeira instância em 23/02/2011 (p. 43 dos autos digitalizados), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 15/03/2011 (fls. 44/57 dos autos digitalizados). Argumenta que a constituição do crédito tributário por meio de DIPJ ou DCTF é provisória, e somente se torna definitiva com a homologação, sendo que, em caso de retificação da declaração antes desta homologação, seu objeto passa a ser o valor retificado. E, ressaltando que a constituição do crédito tributário por meio de DCTF não exclui a constituição por meio de DIPJ retificadora, e citando o art. 1o da Instrução Normativa SRF nº 166/99, a recorrente discorda da afirmação, contida na decisão recorrida, de que o crédito tributário resulta constituído com a apresentação da DCTF. Fl. 68DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900299/200921 Acórdão n.º 110100.557 S1C1T1 Fl. 67 4 Assevera, também, que o ônus de aprovar ou não a compensação é do Fisco, cabendolhe questionar as informações veiculadas em declarações retificadoras, e exigir a apresentação de documentos comprobatórios, na medida em que não é permitido à contribuinte juntar estes elementos no momento da retificação. Enquanto o Fisco assim não procede, os valores declarados estarão revestidos de veracidade. Reconhece que a prova é de quem alega, mas, na constituição do crédito tributário mediante entrega de declaração, as provas devem ser guardadas na forma do art. 37 da Lei nº 9.430/96, durante o prazo em que o Fisco pode examinálas. Menciona, também, que a autoridade julgadora não atentou para o disposto no art. 9o do Decreto nº 70.235/72, que exige a juntada dos elementos comprobatórios do ilícito para formalização da exigência de crédito tributário, atuando de forma parcial de modo a, apenas, ratificar as decisões dos agentes fiscais. Esclarece que a afirmação fiscal de que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos declarados somente é verdadeira de desconsiderada a retificação da DIPJ. Acrescenta que a declaração retificadora foi juntada à impugnação, mas que em momento algum foi mencionada no relatório, como sendo uma prova sem valor, e não motivando o julgador, apresentando as razões que o levaram à aparente glosa injustificada. Reitera que, enquanto não promovida qualquer glosa em face da declaração apresentada, esta subsiste como prova do crédito alegado. E, ainda que a declaração não tivesse sido juntada, na medida em que ela está sob guarda do Fisco, caberia à autoridade julgadora comprovar se a documentação de renda apresentada está em conformidade com o que fora apresentado à época. Aduz que a autoridade julgadora deveria, ao menos, ter procedido a uma diligência para confirmação destas informações, ao invés de optar pela omissão e glosa arbitrária. Conclui estar provado que a argumentação apresentada, no despacho decisório e corroborada pelo órgão julgador de primeira instância, é fraca e insubsistente, pois não respeitou as regras legais consagradas nos diplomas legais, dentre as quais a devida motivação, juntada de provas que corroborem o despacho (Dec. 70.235/72), e negligência na análise das provas carreadas pela Recorrente aos autos, como a ventilada Declaração de Renda Retificadora. Transcrevendo os dispositivos legais que regem a compensação no âmbito da Receita Federal, reafirma a necessidade de motivação e de provas para a nãohomologação da compensação, citando também dispositivos da Lei nº 9.784/99. Novamente menciona a necessidade de que o Fisco intime a contribuinte a apresentar as provas que não foram juntadas à declaração retificadora, e a prevalência das informações nela prestadas enquanto não questionadas. Reportase, também, às hipóteses nas quais a compensação é considerada não declarada (art. 74, §12 da Lei nº 9.430/96), para afirmar que não se consegue verificar no despacho decisório, nem as provas colacionadas e nem qual das hipóteses elencadas na lei que fora firmada a decisão, ou seja, com base em que regra legal a decisão está embasa (sic). Afirma que dentre as hipóteses previstas no referido dispositivo não se encontra o fato de o pagamento estar vinculado a débito declarado em DCTF, alegado pela autoridade julgadora. Destaca, mais uma vez, que a autoridade julgadora ignorou a DIPJ retificadora, e discorda da prevalência da declaração retificada, pois nada na legislação permite Fl. 69DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900299/200921 Acórdão n.º 110100.557 S1C1T1 Fl. 68 5 concluir que erro de procedimento do contribuinte resultasse na glosa de um direito líquido e certo. Reafirma a validade do que contido na DIPJ retificadora depois de transcorridos cinco anos de sua entrega, e a necessidade de, na dúvida, se decidir em favor do contribuinte, que figura como parte hipossuficiente na relação jurídica. Quanto à menção à necessidade de DCTF retificadora, a recorrente aduz que não pode o julgador analisar algo, não carreados nos autos pelas partes, sem com isso avaliar as provas trazidas aos autos e anexas ao mesmo (sic). Reafirma as evidências do crédito presentes na DIPJ retificadora e na DCOMP, a possibilidade que tinha o Fisco de exigirlhe as demais provas necessárias, e, mais à frente, acrescenta que não foi apresentada a fundamentação legal para a exigência veiculada na decisão recorrida. Questiona se a DIPJ retificadora e a DCOMP nada valem na análise, e novamente aborda o ônus da prova, destacando que tem o dever de guarda, e não de juntada de provas como cópias de livros contábeis ou de demonstrações contábeis. Quanto aos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, acrescenta que poderia apresentar sua documentação contábil à época da elaboração do despacho decisório, mas ela não lhe foi requerida. Pede, assim, um julgamento eqüidistante e que, se for necessário que seja corrigido o despacho decisório, determinando que o agente fiscal intime a Recorrente para apresentar os livros, se não considerar válido os créditos pretendidos. Que aplique a multa em caso da não apresentação das retificadoras de forma correta, conforme preceitua a lei, mas que o faça sob a égide da lei, respeitando o princípio da legalidade e motivação, peculiares ao procedimento administrativo. Invoca a aplicação do art. 37 da Constituição Federal e do art. 2o da Lei nº 9.784/99, e cita excertos da obra de Celso Antonio Bandeira de Mello, para concluir que o despacho estava divorciado com o regramento legal. Acrescenta que no caderno processual administrativo, não se encontra carreados elementos que fundamentam a decisão do agente fiscal (sic). Complementa que a decisão recorrida foi omissa quanto à apreciação do fato da Recorrente ter informado DIPJRetificadora e ter anexado a presente, ofendendo o disposto no art. 31 do Decreto nº 70.235/72. Na medida em que os agentes fiscais não questionaram as informações prestadas nesta declaração, uma vez apresentada esta prova pela contribuinte, o ônus de desconstituila passa ao Fisco. Por fim, aborda os efeitos das declarações retificadoras, reportase ao dever de retificar a DCTF quando retificada a DIPJ (art. 18 da Medida Provisória nº 2.18949/2001 e arts. 1o e 4o da Instrução Normativa SRF nº 166/99), mas aduz que o descumprimento desta norma não tem como penalidade a perda do crédito, até porque o próprio art. 2o, inciso II da Instrução Normativa SRF nº 166/99 reconhece os efeitos da retificação da DIPJ para fins de restituição. Fl. 70DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900299/200921 Acórdão n.º 110100.557 S1C1T1 Fl. 69 6 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A contribuinte juntou, à sua impugnação, cópia da ficha de apuração de IRPJ incidente sobre o Lucro Presumido, constante de sua DIPJ do anocalendário correspondente à apuração do crédito alegado, e nela consta a declaração de tributo no valor de R$ 77.153,52, inferior ao recolhimento de R$ 78.378,79, confirmado na análise eletrônica da DCOMP nº 25158.91539.060906.1.7.048981. Nos sistemas informatizados da Receita Federal verificase que esta informação provém de declaração retificadora apresentada em 25/11/2005, e processada sob nº 1249635. Tais elementos confirmam a alegação de que a retificação de DIPJ promovida pela recorrente evidencia pagamento a maior de IRPJ no valor total de R$ 1.225,27. Contudo, na análise das demais compensações promovidas pela contribuinte com créditos de mesma natureza, observouse que este indébito já foi integralmente consumido na DCOMP nº 41183.33875.060906.1.7.049295 (processo administrativo nº 10245.900265/200937), retificadora de declaração originalmente apresentada em 29/09/2005. Cabe esclarecer, ainda, que a interessada também formalizou compensações de indébitos apurados em recolhimentos de COFINS e Contribuição ao PIS, as quais restaram, de igual forma, não homologadas, resultando em litígios já apreciados, em sua quase totalidade, pela 3a Seção de Julgamento deste Conselho, cuja 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, por meio dos Acórdãos nº 340101.262 a 340101.317, e 340101.365 a 340101.384, acolheu, à unanimidade, o voto do I. Conselheiro Emannuel Carlos Dantas de Assis, que concluiu pela nulidade da decisão recorrida com base nos seguintes fundamentos: Apesar de a Manifestação de Inconformidade estar centrada na existência de DIPJ retificadora, o acórdão recorrido tratou apenas da DCTF. Considerando que esta não foi retificada e seu valor coincide com o do recolhimento, julgou improcedente a inconformidade sem ao menos fazer menção à retificação da DIPJ. O voto nem ao menos cita a retificação da DIPJ, que para mim é tema crucial para o deslinde do litígio. Seria irrelevante a retificação? A DIPJ retificada deve ser confrontada com a DCTF ou, sem a retificação desta, deve ser simplesmente desprezada? A circunstância de a retificação ter sido anterior à DCOMP tem alguma importância? São indagações a serem respondidas, de modo a completar a fundamentação do acórdão recorrido. Houve, então, omissão do acórdão recorrido, no que desprezou por completo a retificação da DIPJ. E como essa omissão caracteriza preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, necessita ser sanada, sob pena de supressão de instância. Diante da possibilidade deste Colegiado decidir em desfavor da Recorrente, se considerar que a DCTF (não retificada) deve prevalecer sobre a DIPJ retificadora, apresentase inaplicável o § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/72.1 Para a correição do feito fazse necessário que a DRJ trate da retificação da DIPJ, podendo, se julgar pertinente, determinar diligência visando investigar os valores Fl. 71DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900299/200921 Acórdão n.º 110100.557 S1C1T1 Fl. 70 7 informados pela Recorrente. Afinal, a confissão em DCTF é relativa e admite provas em contrário, cabendo ainda admitir sua retificação se demonstrado, pelo contribuinte, que os valores nela consignados são superiores aos realmente devidos. Para verificação desses valores, pode ser conveniente análise da contabilidade, da escrita fiscal e de documentos fiscais dos perídos em questão. De todo modo, a retificação da DIPJ há de analisada pela DRJ – com ou sem realização de diligência, ao seu juízo, que deve produzir novo acórdão em substituição ao ora anulado. Pelo exposto, voto por anular o acórdão recorrido para que a primeira instância o complemente, pronunciandose, também, sobre a DIPJ retificadora. Em seguida ao novo acórdão a ser prolatado deve ser reaberto o prazo para eventual recurso voluntário, tudo conforme o rito do Decreto nº 70.235/72. Nas demais compensações de créditos de IRPJ e CSLL, cujas informações coletadas junto aos sistemas da Receita Federal confirmaram as alegações da recorrente, esta Relatora assim se manifestou: Contudo, ante a confirmação, junto aos sistemas da Receita Federal, das informações alegadas pela recorrente em sua impugnação, vislumbrase aqui a possibilidade de aplicação do art. 59, §3o do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) Isto porque estáse diante de uma DCOMP analisada mediante processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal, relativamente à qual se entendeu desnecessária uma apreciação mais aprofundada ou detalhada. E, em tais condições, não é possível, no contencioso administrativo, negar validade a outras informações, também constantes dos bancos de dados da Receita Federal antes da emissão do despacho decisório questionado. A autoridade preparadora certamente entendeu de forma diversa, adotando apenas as informações constantes da DCTF como referencial para verificação do débito apurado no período que ensejou o alegado recolhimento indevido. É possível inferir que assim o fez por considerar, como expresso desde a Instrução Normativa SRF nº 14/2000, que a informação de débitos em DIPJ não se presta a instrumentalizar inscrições em Dívida Ativa da União: Art. 1o. O art. 1o. da Instrução Normativa SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 1o. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.” Fl. 72DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900299/200921 Acórdão n.º 110100.557 S1C1T1 Fl. 71 8 [...] Esta é a interpretação que se extrai destes dispositivo, pois, até então, a Instrução Normativa SRF nº 77/98 relacionava a declaração de rendimentos da pessoa jurídica dentre os documentos que poderiam servir de base para a inscrição, em Dívida Ativa da União, de saldos de tributos a pagar: Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições , constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. Evidente, portanto, que um novo conceito foi atribuído à declaração de rendimentos da pessoa jurídica apresentada a partir do anocalendário 1999, a qual, inclusive, passou a denominarse Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ. Desta forma, tal característica pode ter influenciado a definição dos parâmetros de análise da DCOMP pela autoridade preparadora. Além disso, como a própria recorrente antecipa em sua defesa, a análise realizada pela autoridade preparadora poderia estar orientada pela obrigação imposta na Instrução Normativa SRF nº 166/99, editada com fundamento na Medida Provisória nº 2.18949/2001, nos termos a seguir transcritos: Medida Provisória nº 2.18949/2001, que convalida texto presente desde a Medida Provisória nº 1.99026, de 14 de dezembro de 1999: Art.18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] Art. 2o A pessoa jurídica que entregar declaração retificadora alterando valores que hajam sido informados na Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais – DCTF, deverá apresentar DCTF Complementar ou pedido de alteração de valores, mediante processo administrativo, conforme o caso. [...] Nestes termos, se a contribuinte estava obrigada a retificar a DCTF quando retificasse a DIPJ, desnecessária seria a comparação de ambas as declarações para aferição da compatibilidade das informações ali constantes com o indébito utilizado em DCOMP. Esclareçase, apenas, que, com a edição da Instrução Normativa SRF nº 255/2002, deixou de existir DCTF Complementar, bem como a necessidade de solicitação de alteração de DCTF, bastando a apresentação de DCTF retificadora para alteração dos valores constantes da DCTF antes apresentada. Tal mudança, inclusive, operou efeitos retroativos, como expresso nos dispositivos da referida Instrução Normativa, a seguir transcritos: Fl. 73DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900299/200921 Acórdão n.º 110100.557 S1C1T1 Fl. 72 9 Da Retificação da DCTF Art. 9º Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou II em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. § 3º As DCTF retificadoras, que vierem a ser apresentadas a partir da publicação desta Instrução Normativa, deverão consolidar todas as informações prestadas na DCTF original ou retificadoras e complementares, já apresentadas, relativas ao mesmo trimestre de ocorrência dos fatos geradores. § 4º As disposições constantes deste artigo alcançam, inclusive, as retificações de informações já prestadas nas Declarações de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) referentes aos trimestres a partir do anocalendário de 1997 até 1998 que vierem a ser apresentadas a partir da data de publicação desta Instrução Normativa. § 5º A pessoa jurídica que entregar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados na DIPJ, deverá apresentar, também, DIPJ retificadora. § 6º Verificandose a existência de imposto de renda postergado de períodos de apuração a partir do anocalendário de 1997, deverão ser apresentadas DCTF retificadoras referentes ao período em que o imposto era devido, caso as DCTF originais do mesmo período já tenham sido apresentadas. § 7º Fica extinta a DCTF complementar instituída pelo art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 45, de 05 de maio de 1998. Das Disposições Finais Art. 10. Deverão ser arquivados os processos administrativos contendo as solicitações de alteração de informações já prestadas nas DCTF, apresentadas até a data da publicação desta Instrução Normativa e ainda pendentes de apreciação, aplicandose, às DCTF retificadoras respectivas, referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, o disposto nos §§ 1º a 3º do art. 9º desta Instrução Normativa. §1º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, somente deverá ocorrer após a confirmação, pela unidade da SRF, da entrega da correspondente declaração em meio magnético. § 2º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anos calendário de 1997 e 1998, somente deverá ocorrer após os devidos acertos, pela unidade da SRF, nos Sistemas de Cobrança. Todavia, tem razão a recorrente quando afirma que o descumprimento daquela obrigação não enseja, como penalidade, a perda do crédito. A Instrução Normativa SRF nº 166/99 expressamente reconhece a produção de efeitos, por parte da DIPJ Retificadora, para fins de restituição ou compensação, e, embora firme ser dever da Fl. 74DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900299/200921 Acórdão n.º 110100.557 S1C1T1 Fl. 73 10 contribuinte também alterar o que antes informado em DCTF, em momento algum condiciona este direito à retificação da DCTF: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] § 2o A declaração retificadora referida neste artigo: I – terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa SRF no 094, de 24 de dezembro de 1997; II – será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. [...] Art. 4º Quando a retificação da declaração apresentar imposto menor que o da declaração retificada, a diferença apurada, desde que paga, poderá ser compensada ou restituída. Parágrafo único. Sobre o montante a ser compensado ou restituído incidirão juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, até o mês anterior ao da restituição ou compensação, adicionado de 1% no mês da restituição ou compensação, observado o disposto no art. 2º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 22, de 18 de abril de 1996. Adaptando estas disposições ao novo regramento da compensação, vigente desde a edição da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, uma vez formalizada a retificação da DIPJ, apresentando tributo menor que o da declaração retificada, pode a contribuinte transmitir Pedido de Restituição – PER ou DCOMP para receber o indébito em espécie, ou utilizálo em compensação, podendo o Fisco indeferir o PER, se não confirmar a veracidade da retificação, ou não homologar a compensação, desde que o faça dentro dos 5 (cinco) anos que a lei lhe confere (art. 74, §5o, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003). Logo, o fato de a contribuinte não ter retificado a DCTF para reduzir o tributo ali originalmente informado não pode obstar a utilização, em compensação, de indébito demonstrado em DIPJ retificadora apresentada antes da edição do despacho decisório que expressou a nãohomologação da compensação, especialmente porque a própria autoridade administrativa reputou desnecessária uma análise mais aprofundada ou detalhada da compensação, submetendoa ao processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal. Acrescentese, ainda, que a alteração das informações constantes em DCTF não se dá, apenas, por retificação de iniciativa do sujeito passivo. Desde a Instrução Normativa SRF nº 482/2004, que revogou a Instrução Normativa SRF nº 255/2002, antes citada, a revisão de ofício da DCTF passou a estar expressamente admitida, nos seguintes termos: Art. 10. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] Fl. 75DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900299/200921 Acórdão n.º 110100.557 S1C1T1 Fl. 74 11 § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou [...] § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já inscrito em Dívida Ativa da União, somente poderá ser efetuada pela SRF nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. [...] Observese, inclusive, que este dever de revisão pela autoridade administrativa ganhou maior relevo a partir do momento em que a interpretação quanto à impossibilidade de retificação da DCTF após o transcurso do prazo decadencial passou a ser cogente, no âmbito administrativo, a partir da edição da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. [...] Ultrapassado este limite, a observância do princípio da legalidade na exigência de tributos confessados em DCTF somente se efetiva mediante revisão de ofício, pela autoridade administrativa, do débito declarado a maior. Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ retificadora, da qual consta não apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Cabia à autoridade administrativa, minimamente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF) e, ainda que ultrapassado o prazo decadencial para retificação espontânea da declaração com erros em seu conteúdo, promover a retificação de ofício, definindo qual informação deveria prevalecer para análise da compensação declarada. Considerando que as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por conseqüência, admitir sua compensação. Assim, embora evidente que a decisão recorrida foi omissa quanto a argumento da defesa, deixase de declarar sua nulidade pois, no mérito, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, e homologar a compensação declarada. Fl. 76DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900299/200921 Acórdão n.º 110100.557 S1C1T1 Fl. 75 12 Aqui porém, os fatos alegados pela recorrente não autorizam a homologação da compensação declarada originalmente em 30/11/2005, na medida em que o indébito de IRPJ, evidenciado no recolhimento de R$ 78.378,79, relativo ao fato gerador de 31/12/2002, já foi integralmente consumido em compensação anterior, objeto da DCOMP nº 41183.33875.060906.1.7.049295 (processo administrativo nº 10245.900265/200937), originalmente apresentada em 29/09/2005. Por estas razões, não sendo possível aplicar o art. 59, §3o do Decreto nº 70.235/72, adotase, aqui, os fundamentos de decidir do I. Conselheiro Emannuel Carlos Dantas de Assis, antes transcritos, de modo que o presente voto é, também, por anular o acórdão recorrido para que a primeira instância o complemente, pronunciandose, também, sobre a DIPJ retificadora. Em seguida ao novo acórdão a ser prolatado deve ser reaberto o prazo para eventual recurso voluntário, tudo conforme o rito do Decreto nº 70.235/72. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 77DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900299/200921 Acórdão n.º 110100.557 S1C1T1 Fl. 76 13 Fl. 78DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 18108.000442/2007-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2005 a 31/03/2006
CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS AOS TERCEIROS. SALÁRIO EDUCAÇÃO.
ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. DECRETOS 76.923 E 80.743.
A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpreta-se literalmente a legislação que disponha sobre isenção A recorrente pode até ter finalidades culturais previstas no estatuto social, entretanto a finalidade cultural não é suficiente para usufruir o benefício fiscal, é imprescindível que seja reconhecida como tal na forma dos Decretos 76.923 e 80.743.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2302-000.998
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do voto do Conselheiro Relator
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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Recorrente FACULDADES METROPOLITANAS UNIDAS ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL Recorrida SRP SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2005 a 31/03/2006 CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS AOS TERCEIROS. SALÁRIO EDUCAÇÃO. ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. DECRETOS 76.923 E 80.743. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre isenção A recorrente pode até ter finalidades culturais previstas no estatuto social, entretanto a finalidade cultural não é suficiente para usufruir o benefício fiscal, é imprescindível que seja reconhecida como tal na forma dos Decretos 76.923 e 80.743. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Fl. 309DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriana Sato. Ausente momentaneamente o Conselheiro Thiago Davila Melo Fernandes. Fl. 310DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18108.000442/200706 Acórdão n.º 230200.998 S2C3T2 Fl. 436 3 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa destinada ao Salárioeducação referentes ao período compreendido entre as competências novembro de 2005 a março de 2006, conforme relatório fiscal às fls. 148 a 151. Não conformado com a notificação, foi apresentada defesa, fls. 355 a 364. A DecisãoNotificação confirmou a procedência do lançamento, fls. 387 a 396. Não concordando com a decisão da Receita Previdenciária, foi interposto recurso, conforme fls. 401 a 417. Em síntese, o recorrente em seu recurso alega o seguinte: a) Houve cerceamento do direito de defesa, pois não há um detalhamento da origem dos valores; b) A decisão de primeira instância não analisou o argumento da defesa; c) A recorrente tem direito à isenção da Contribuição destinada ao Salário educação; conforme previsto na Lei n 9.766; d) A recorrente é reconhecida, conforme documentos, com finalidade cultural. Não foram apresentadas contrarazões. É o relato suficiente. Fl. 311DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator Quanto ao argumento de que a NFLD deve ser declarada nula; não lhe confiro razão. O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, conforme relatório fiscal às fls. 148 a 151; o relatório indicou os motivos do lançamento; os fatos geradores estão devidamente descritos às fls. 30 a 37; a forma para se apurar o quantum devido, por competência, encontrase às fls. 04 a 175. Os valores foram apurados com base na ausência de recolhimento nas GPS – Guias da Previdência Social da contribuição destinada ao Salárioeducação. Os relatórios juntados pela fiscalização favorecem a ampla defesa e o contraditório, possibilitando ao notificado o pleno conhecimento acerca dos motivos que ensejaram o lançamento. Desse modo, não assiste razão à recorrente de que houve omissão na motivação do lançamento. Quanto ao argumento da recorrente de que houve omissão por parte da autoridade no julgamento proferido na decisão de primeira instância; não lhe confiro razão. Todos os pontos relevantes e controversos para o deslinde da questão, sejam preliminares ou de mérito foram apreciados pela autoridade julgadora, conforme fls. 387 a 396. De acordo com o entendimento pacificado nos tribunais superiores, STF e STJ, o julgador não é obrigado a se manifestar expressamente sobre todos os pontos levantados pelas partes. Nesse sentido segue acórdão proferido pela 1ª Turma do STJ no Recurso Especial n ° 667603, publicado no DJ em 01/08/2005, nestas palavras: MANDADO DE SEGURANÇA. AUTO DE INFRAÇÃO. DIREITO DE AMPLA DEFESA. 1. A violação do art. 535 do CPC ocorre quando há omissão, obscuridade ou contrariedade no acórdão recorrido. Inocorre a violação posto não estar o juiz obrigado a tecer comentários exaustivos sobre todos os pontos alegados pela parte, mas antes, a analisar as questões relevantes para o deslinde da controvérsia. 2. São princípios basilares do processo administrativo e judicial a ampla defesa e o contraditório, insculpidos no artigo 5º, LV, do Texto Constitucional, o qual estabelece que: "aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes". 3. A ampla defesa, constitucionalmente reconhecida, traduz a exigência de que o exercício do poder jurídicopúblico se realize de maneira justa, implicando para o Administrado o direito de conhecer os fatos e fundamentos invocados pela Autoridade, o direito de ser ouvido e de contraporse às alegações do adversário. 4. Deveras, esse postulado da ampla defesa, ou do direito de audiência, configura direito à participação procedimental, assegurando ao administrado, na maior extensão possível, a oportunidade do seu exercício pleno, com produção de provas e apresentação de alegações que lhe favoreçam. 5. Atestando a instância a quo a inexistência da intimação da decisão, a verificação que a Fazenda pretende em seu recurso esbarra em matéria fática, Fl. 312DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18108.000442/200706 Acórdão n.º 230200.998 S2C3T2 Fl. 437 5 mercê de o cumprimento do due process of law não exonerar o contribuinte do pagamento, apenas diferindoo até o cumprimento da exigência legal. 6. Recurso especial desprovido. A Decisão não foi omissa em relação a questão suscitada pela recorrente relativa à deficiência do relatório fiscal. Conforme item 10 da decisão à fl. 391, o julgador entendeu que a notificação foi lavrada de acordo com os parâmetros legais. Quanto ao mérito de a entidade ter ou não direito à isenção, há que ser analisado o histórico do salárioeducação. No período objeto do presente lançamento, a contribuição destinada ao Salárioeducação está prevista no art. 15 da Lei n ° 9.494, nestas palavras: Art 15. O SalárioEducação, previsto no art. 212, § 5º, da Constituição Federal e devido pelas empresas, na forma em que vier a ser disposto em regulamento, é calculado com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, assim definidos no art. 12, inciso I, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. (...) omissis As hipóteses de isenção da contribuição destinada ao Salárioeducação encontravase prevista no art. 1º, § 4º da Medida Provisória n ° 1.518 de 1996, após sucessivas reedições a Medida Provisória foi convertida na Lei 9.766 de 1998, que em seu artigo 1º, § 1° estabelece: Art.1o A contribuição social do SalárioEducação, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.424, de 24 de dezembro de 1996, obedecerá aos mesmos prazos e condições, e sujeitarseá às mesmas sanções administrativas ou penais e outras normas relativas às contribuições sociais e demais importâncias devidas à Seguridade Social, ressalvada a competência do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE, sobre a matéria. § 1o Estão isentas do recolhimento da contribuição social do SalárioEducação: I a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, bem como suas respectivas autarquias e fundações; II as instituições públicas de ensino de qualquer grau; III as escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas, devidamente registradas e reconhecidas pelo competente órgão de educação, e que atendam ao disposto no inciso II do art. 55 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991; IV as organizações de fins culturais que, para este fim, vierem a ser definidas em regulamento; Fl. 313DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 V as organizações hospitalares e de assistência social, desde que atendam, cumulativamente, aos requisitos estabelecidos nos incisos I a V do art. 55 da Lei no 8.212, de 1991. Desse modo, para ter direito à isenção das contribuições a entidade tem que se enquadrar em alguns dos incisos previsto no parágrafo 1º. Definitivamente a entidade recorrente não se enquadra como escola comunitária, confessional ou filantrópica. Assim, a única possibilidade seria o enquadramento como organização de fins culturais, conforme definição a ser estabelecida em regulamento. A regulamentação do inciso IV do parágrafo 1º do art. 1º da Lei 9.766 surgiu como a publicação do Decreto n ° 3.142 de 1999, nestas palavras: Art. 3oEstão isentas do recolhimento da contribuição social do salárioeducação: I a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, bem como suas respectivas autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, inclusive no que se refere à remuneração paga aos servidores públicos ocupantes de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, autarquias, inclusive em regime especial, e fundações públicas federais; II as instituições públicas de ensino de qualquer grau, conforme norma regulamentar expedida pelo Ministério da Educação; III as escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas, devidamente registradas e reconhecidas pelo competente órgão de educação, que sejam portadoras do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; IV as organizações de fins culturais, que tenham sido reconhecidas nos termos dos Decretos no 76.923, de 26 de dezembro de 1975, e no 87.043, de 22 de março de 1982; V as organizações hospitalares e de assistência social, desde que atendam, cumulativamente, aos seguintes requisitos: a) sejam reconhecidas como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; b) sejam portadoras do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; c) promovam, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; d) não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; e) apliquem integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e no desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando, anualmente, ao órgão do Instituto Fl. 314DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18108.000442/200706 Acórdão n.º 230200.998 S2C3T2 Fl. 438 7 Nacional do Seguro Social INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. Parágrafo único. A pessoa jurídica optante do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições SIMPLES está isenta do pagamento da contribuição social do salário educação, nos termos do art. 3o, § 4o, da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Em 2006 o Decreto 6.003 revogou o Decreto 3.142. De acordo com o previsto no art. 3º, inciso IV do Decreto 3.142, as organizações culturais teriam direito ao benefício fiscal se fossem reconhecidas como tal na forma dos Decretos 76.923 de 1975 e Decreto 87.043 de 1982. Conforme previsto no art. 10 do Decreto 76.923 para ter direito ao reconhecimento a entidade deveria ser reconhecida como de fins culturais por iniciativa do Ministério da Educação e Cultura por meio de decreto do Presidente da República. Art. 10. São isentas do recolhimento do SalárioEducação: I As instituições particulares de ensino de qualquer grau, devidamente autorizadas e registradas nos órgãos próprios dos sistemas de ensino, ou cujo funcionamento seja de algum modo por estes reconhecido; II As organizações hospitalares e de assistência social, desde que portadoras do Certificado de Fins Filantrópicos, expedido pelo Órgão competente, na forma da Lei nº 3.577 de 4 de julho de 1959; III As organizações de fins culturais que, por iniciativa do Ministério da Educação e Cultura, em consonância com a política nacional de cultura, venham a ser reconhecidas, por decreto presidencial, como de significação relevante para o desenvolvimento cultural do País. De acordo com o previsto no art. 8º do Decreto 87.043, a entidade para usufruir o benefício fiscal tem que ser reconhecida mediante Portaria Ministerial como de relevante significação para o desenvolvimento cultural do país, nestas palavras: Art. 8º Estão, respectivamente, excluídas ou isentas do recolhimento da contribuição do SalárioEducação: I A União, os Estados, o Distrito Federal, os Territórios e os Municípios, bem como suas respectivas Autarquias; II As instituições oficiais de ensino de qualquer grau; III As instituições particulares de ensino de qualquer grau, devidamente autorizadas ou reconhecidas, mediante apresentação dos atos de registro nos órgãos próprios dos sistemas de ensino; IV As organizações hospitalares e de assistência social, desde que portadoras do Certificado de Fins Filantrópicos expedido Fl. 315DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 pelo órgão competente, na forma do disposto no DecretoLei nº 1.572, de 1º de setembro de 1977; V As organizações de fins culturais que, através de Portaria do Ministro da Educação e Cultura, venham a ser reconhecidas como de significação relevante para o desenvolvimento cultural do País. Os Decretos transcritos pela recorrente às fls. 413 e 414 não foram lastreados nos Decretos para reconhecimento da entidade como de fins culturais. O Decreto à fl. 413 é de maio de 1972, ao passo que o Decreto que conferiria direito à isenção somente surgiu em 1975; além do que, o Decreto de fl. 413 limitase à concessão de reconhecimento à faculdade para funcionamento, na forma do art. 57 da Lei n ° 5.540. Portanto, não guarda qualquer relação ao reconhecimento como entidade de fins culturais. No mesmo sentido o Decreto de fl. 414 limita se ao credenciamento da entidade; não guardando qualquer relação aos Decretos de 1975 e de 1982 para reconhecimento da entidade como organização cultural. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre isenção, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. A recorrente pode até ter finalidades culturais previstas no estatuto social, entretanto a finalidade cultural não é suficiente para usufruir o benefício fiscal, é imprescindível que seja reconhecida como tal na forma dos Decretos citados, o que não ocorreu. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da DecisãoNotificação, a recorrente nunca teve direito à isenção da contribuição destinada ao Salárioeducação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 316DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18108.000442/200706 Acórdão n.º 230200.998 S2C3T2 Fl. 439 9 Fl. 317DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.010363/91-22
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1985, 1986, 1987
Ementa: IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. O órgão de primeira instância
não deve conhecer de impugnação intempestiva. Alegação de falta de
funcionamento da repartição por ocorrência de greve deve ser provada pelo sujeito passivo.
Numero da decisão: 1103-000.499
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado negar provimento ao recurso por
unanimidade.
Nome do relator: ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1985, 1986, 1987 Ementa: IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. O órgão de primeira instância não deve conhecer de impugnação intempestiva. Alegação de falta de funcionamento da repartição por ocorrência de greve deve ser provada pelo sujeito passivo.
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Recorrida Fazenda Nacional Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1985, 1986, 1987 Ementa: IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. O órgão de primeira instância não deve conhecer de impugnação intempestiva. Alegação de falta de funcionamento da repartição por ocorrência de greve deve ser provada pelo sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do colegiado negar provimento ao recurso por unanimidade. Aloysio José Percínio da Silva – Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA 2 Relatório Tratase de auto de infração de IRRF – imposto de renda retido na fonte (fls. 05) lavrado em razão de omissão de receitas nos exercícios 1986, 1987 e 1988, conforme art. 8º do Decretolei 2.065/1983. Cientificada do lançamento no dia 21/03/1991, a contribuinte apresentou impugnação no dia 30 do mês seguinte (fls. 09). O Delegado da Receita Federal de Julgamento de São Paulo, por intermédio da Decisão DRJ nº 002874/95.11935 (fls. 18), não conheceu da impugnação e declarou definitivamente constituído o crédito tributário. A decisão recebeu a seguinte ementa: “IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. Dela não se toma conhecimento, e, consequentemente, considerase definitivo o lançamento formalizado.” Cientificada da decisão em 06/11/1996 (fls. 29), a contribuinte formulou pedido de reexame quanto à tempestividade da impugnação no dia 6 do mês seguinte (fls. 30). Alegou ter apresentado a impugnação apenas no dia 30/04/1991 em razão de falta de funcionamento do serviço de protocolo da repartição por motivo de greve de funcionários. Requereu o julgamento do mérito “por ser questão de direito e de justiça”. Por intermédio da Resolução nº 10301.685 (fls. 35), de 20 de agosto de 1998, a colenda Terceira Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes conheceu do pedido da contribuinte como recurso voluntário e converteu o julgamento em diligência para verificação do fato alegado pela contribuinte. Em cumprimento à referida Resolução, a Derat/São Paulo expediu memorando noticiando a inexistência de qualquer “documento comprovando a ocorrência de paralisação entre os dias 22 e 30 de abril de 1991” (fls. 40). O memorando foi cientificado ao contribuinte, por edital (61), em atendimento à determinação contida no Despacho nº 1030.006/2008 (fls. 52). A contribuinte não apresentou contrarazões (fls. 62). É o relatório. Voto Conselheiro ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA, Relator Fl. 2DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10880.010363/9122 Acórdão n.º 110300.499 S1C1T3 Fl. 2 3 O auto de infração deste processo decorreu de tributação reflexa do auto de infração de IRPJ – imposto de renda pessoa jurídica (principal), lavrado em desfavor da mesma contribuinte, cujo andamento se dá no processo nº 10880.010359/9155. No processo principal (ou matriz), esta mesma turma de julgamento proferiu o Acórdão nº 110300.499/2011, negando provimento ao recurso voluntário interposto, assim resumindo a decisão: “IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. O órgão de primeira instância não deve conhecer de impugnação intempestiva. Alegação de falta de funcionamento da repartição por ocorrência de greve deve ser provada pelo sujeito passivo.” Tratandose de tributação reflexa, a decisão relativa ao auto de infração matriz deve ser igualmente adotada no julgamento do auto de infração decorrente ou reflexo, conforme entendimento amplamente consolidado na jurisprudência deste colegiado, uma vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. Conclusão Pelo exposto, nego provimento ao recurso. ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Fl. 3DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10855.003609/2006-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Feb 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E
CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE
PEQUENO PORTE — SIMPLES - E legitima a exclusão de pessoa jurídica
do sistema simplificado de tributação quando a fiscalização constata a ocorrência de omissão de receitas cujo valor supera o limite previsto pela legislação.
Numero da decisão: 1101-000.437
Decisão: ACORDAM os membros da la Câmara / la Turma Ordinária do
PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição
de nulidade da decisão recorrida e NEGAR provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: José Ricardo da Silva
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da la Câmara / la Turma Ordinária do PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade da decisão recorrida e NEGAR provimento ao recurso voluntário 6-- Francisco e Sales Ri • eiro de Queiroz i Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (Vice- Presidente), Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva e Marcos Vinícius Barros Ottoni (suplente convocado). Relatório CLOVIS BENEDITO GOMES ANGATUBA, recorre a este Colegiado (fls. 81/84), contra decisão proferida pela la Turma da DRJ/POR (fls. 64/76) no acórdão 14-15.459, em 09 de abril de 2007, que julgou parcialmente procedente o pleito do Contribuinte. A exclusão do SIMPLES se deu por intermédio do Ato Declaratório DRF/SOR n° 04, de 29 de janeiro de 2007, fundamentado no fato de o contribuinte ter auferido receita bruta superior a R$ 1.200.000,00 durante o ano-calendário 2001, conforme o inciso II, do artigo 90, da Lei n° 9.317/96 (lis. 30). Contra o Ato Declaratório Executivo que excluiu o contribuinte do SIMPLES, o Contribuinte apresentou tempestiva impugnação (fls. 43159), com as seguintes alegações: a) A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, no julgamento do RE 215.301-CE, realizado no dia 13 de abril de 1999, estabeleceu a respeito de uma variante do tema, pelo voto do Ministro Carlos Veloso, que o Ministério Público não tem legitimidade para, sem interferência do Poder Judiciário, determinar a quebra do sigilo bancário; b) Que o sigilo bancário somente pode ser quebrado por ordem do Poder Judiciário e desde que exista a necessidade, interesse e motivação; rio e desde que exista a necessidade, interesse e motivaço do Ministro Carlos Veloso, que o Ministdo no dia 13 de abril de 1999Citou acórdãos do STJ e do TRF da 10 Regido que corroboram com o sustentado; c) 0 sigilo fiscal é direito constitucional assegurado expressamente no art. 5°, incisos X e XII; d) A Constituição da República de 1988, não concedeu legitimidade ao Fisco para requerer, direta e livremente, a quebra do sigilo bancário sem interveniência do Poder Judiciário. Cita trecho do voto do Ministro Carlos Velloso, no RE 215.301—CE, Informativo do STF n 146, p. 4, no qual corrobora com seu pleito; e) Assim, a quebra do sigilo fiscal só se dará em casos expressos na Lei, por tratar- se de exceção ao direito constitucional de segredo; I) Cita trechos do voto supracitado, em que o relator fixa entendimento de que sendo o Ministério Público parte, este não tem a obrigação de ser imparcial. Logo, seus pleitos devem passar por um poder moderador, no caso, o poder judiciário; g) 0 sigilo fiscal é direito individual, estando protegido pela petrificação esculpida pelo art. 60, §4, da CF/88; 2 Processo no 10855.003609/2006-37 SI-C1T1 Acórdao n.° 1101-00.437 Fl. 2 h) Para a quebra do sigilo fiscal, faz-se necessário a presença de interesse público e da justiça, sem necessário a motivação e necessidade para a quebra; i) Tanto o § 3 0 do art. 11 da Lei 9.311/96 (NR), quanto os artigos 5 0 e 6° da Lei Complementar 105/01, regulados pelo Decreto 3.724/01 são manifestamente inconstitucionais, por contrariarem diretamente o art. 5°, X, XII, LVI da CF88, precisamente pelo fato de ignorarem a autorização judicial para determinar o acesso a informações sigilosas das contas bancárias do contribuinte; i) Sendo inconstitucional o acesso aos dados do contribuinte sem prévia ordem judicial, as informações já prestadas pela instituição financeira, consubstanciadas no malfadado § 3° do art. 11 da Lei 9.311/96 (NR), demonstra-se manifestamente ilícita, sendo portanto imprestável para qualquer fim jurídico, nos termos do art. 5°, LVI da CF, ressaltando-se que o extinto TFR cristalizou na súmula 182 que é ilegítimo o lançamento do Imposto de Renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários; k) A Administração Fazenddria pretende colher efeitos jurídicos retroativos com a aplicação da Lei Complementar 105/01, o que é vedado pelo sistema jurídico pátrio; 1) Adverte que a Lei Complementar em referencia entrou em 10 de janeiro de 2001, enquanto os fatos ocorridos são de 1° de janeiro de 2001; m) Somente leis benéficas podem retroagir, sendo vedada a retroação de Leis que tragam severidade ao fato; n) Cita o pensamento de vários doutrinadores; o) De acordo com o § 1° do art. 144 do CTN, a aplicação da Lei Tributária se da de forma imediata ao tempo do lançamento; p) Ante os argumentos lançados, requereu o cancelamento do lançamento com suporte nas razões estatuidas. A colenda Turma da DRT/POR decidiu pela manutenção parcial do lançamento, cuja ementa tem o seguir teor: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTO DE CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES Data do fato gerador: 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/05/2001, 30/06/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001, 30/11/2001, 31/12/2001 SIGILO BANCÁRIO QUEBRA CONSTITUCIONALIDADE — RETROATIVIDADE — MULTA AGRAVADA. 3 Falece competência à autoridade administrativa para apreciar alegações de inconstitucionalidade de lei inserida no ordenamento jurídico nacional. 0 artigo 144, §1 0, do CTN autoriza que a ampliação dos poderes de investigação da Administração Tributária se aplique a fatos geradores anteriores vigência da norma que conferiu novos poderes. 0 agravamento da multa é descabido quando não restar perfeitamente caracterizada a recusa em prestar esclarecimentos. Lançamento Procedente em parte. Ciente da decisão de primeira instância em 28/01/2008 (fls. 80), e com ela não se conformando, a Recorrente interpôs tempestivamente o presente recurso voluntário (fls. 81/84), apresentando, em partes, as mesmas razões de fato e de direito, tendo como novo que: q) Há em trâmite processo administrativo 10855.003553/2006-11, ainda objeto de análise pelo Conselho de Contribuinte, o que obsta a exclusão do simples até o final julgamento deste processo administrativo; r) Assim, é de se observar o devido processo legal para somente depois ser aplicada a pena de exclusão, sob pena de nulidade do ato. s) Conforme o § único do art. 42, do Decreto 70.235/72, só há decisão definitiva quando as mesmas não estiverem sujeitas a recurso voluntário, não sendo o caso nestes autos, pois há recurso voluntário no auto de infração que deu causa a toda essa desarmonia fiscal, devendo a SRF aguardar o trânsito em julgado do processo 10855.003553/2006-11, pois existe relação de causa e efeito entre os feitos; t) No final, requer a anulação da decisão de primeira para se aguardar o julgamento em definitivo na seara administrativa para então ser devida tal obrigação. o relatório. 4 Processo no 10855.003609/2006-37 SI-CITI Acórddo n.° 1101 -00.437 Fl. 3 Voto 0 recurso é tempestivo, dele tomo conhecimento. Como visto do relatório, trata-se de auto de infração por omissão de receitas, com a conseqüente exclusão do SIMPLES, em decorrência do limite de receitas ter sido extrapolado. Rejeito de pronto a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, em razão de que os processos administrativos são independentes e, por isso, devem ser apreciados e julgados de forma autônoma. A Lei n° 9.317, de 05/12/96, que dispõe sobre o regime tributário das microempresas e empresas de pequeno porte e instituiu o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — Simples, determina no art. 14 c/c a alínea "a" e "b" do inciso II do art. 13, que a pessoa jurídica será excluída de oficio do Simples quando incorrer em qualquer das situações excludentes constantes no art. 9° da referida Lei, sendo uma destas situações o fato de ultrapassar no ano- calendário anterior o limite anual de R$ 1.200.000,00 de receita bruta. A recorrente foi fiscalizada em relação aos fatos geradores ocorridos no ano- calendário de 2001, onde foi constatada a ocorrência de omissão de receitas em valor superior ao limite de permanência no Simples. Em conseqüencia, foi lavrado o auto de infração objeto do processo administrativo n° 10855.003553/2006-11 (fls. 11/23), que a interessada impugnou tempestivamente, instaurando o contraditório administrativo. A matéria já foi julgada em primeira instância administrativa através do Acórdão DRJ/RPO n° 14-15.459, de 09/04/2007, proferido pela P Turma desta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, cuja cópia consta às fls. 64/72, ocasião na qual se entendeu que a interessada, de fato, auferiu receitas em valor total superior ao limite de permanência no Simples, e que tais receitas foram omitidas de sua declaração do ano-calendário de 2001, tendo referida decisão afastado apenas o agravamento das multas impostas. Em decorrência da receita auferida, adicionada as receitas omitidas apuradas pela fiscalização, foi extrapolado o limite estabelecido para a permanência do SIMPLES, não sendo mais possível se beneficiar deste instituto. Nesse sentido, cabe transcrever o inciso II do artigo 9° da Lei n° 9.317, de 1996, com redação do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.189-47, então vigente e que se transcreve, como segue: Art. 9° la, poderá optar pelo SIMPLES, a pessoajurídica: c(\ 5 (.) II - na condição de empresa de pequeno porte que tenha auferido, no ano-calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais); (Inciso com redação do artigo 1° der Lei n° 11.317, de 19/05/2006). Redação anterior: li - na condição de empresa de pequeno porte, que tenha auferido, no ano-calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais); (Com redação dada pelo artigo 14 da Medida Provisória nO 2.189-47, de 28/06/2001). (NOTA: Lei n° 11.307, de 19/05/2006 - Art. 6° Fica revogado o art. 14 da , na parte que da nova redação aos incisos I e lido art. 9" da Lei n2 9.317, de 5 de dezembro de 1996). Redação anterior: H - na condição de empresa de pequeno porte, que tenha auferido, no ano-calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 1.200.000,00 (um male() e duzentos mil reais); (art. 14 da MP n° 2.132, de 23/02/2001) Os efeitos da exclusdo, nos casos de excesso de receita bruta estdo previstos na Lei n°9.317, de 1996, como segue: Art. 9 ° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (.) II — (já transcrito acima) (-) Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica dar-se-4: (.) II - obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9'; (-) Art. 14. A exclusão dar-se-á de oficio quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I - exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e ,sS' 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; Processo n° 10855.00360912006-37 Sl-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.437 Fl. 4 Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: I - a partir do ano-calendário subseqüente, na hipótese de que trata o inciso Ido art. 13; - a partir do Wes subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9 0 desta Lei; (Com redação dada pelo artigo 33 da Lei n ° 11.196, de 21/ 11/ 2005 ) Redação anterior: II - a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVH a XIX do art. 92; (Com redação dada pelo artigo 32 da Medida Provisória n° 252, de 15/06/2005). Redação anterior: Ii - a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIX do art. 92;" (NR) (Com redação dada pelo artigo 73, da Medida Provisória n° 2.158-35, de 24/08/2001). IV - a partir do ano-calendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses' dos incisos I e II do art. 9°; Ou seja, ocorrendo excesso de receita bruta em relação ao limite estabelecido, deve a contribuinte comunicar tal fato A Secretaria da Receita Federal mediante solicitação da alteração cadastral, solicitando sua exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples, conforme determinado na alínea "a" do inciso II do artigo 13 e seu parágrafo 1 0, todos da Lei n° 9.317, de 1996. Ao tomar as providências necessárias (solicitação de exclusão do Simples) a contribuinte ficou sujeita à exclusão de oficio do regime, nos termos da legislação mencionada, fato esse levado a efeito pela autoridade fiscal. Nessas condições, conclui-se que o procedimento fiscal não merece qualquer reparo, devendo ser mantida a exclusão do Simples em decorrência da lavratura do auto de infração que apurou o excesso de receita bruta frente ao limite estabelecido para a permanência no regime de recolhimento. 7 Ante o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, quanto ao mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 25 de fevereiro de 2011 8
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Numero do processo: 37005.004901/2006-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2000 a 30/09/2001
Ementa:
RESTITUIÇÃO
Não cabe restituição de recolhimentos efetuados durante a realização de obra de construção civil, por se referirem às remunerações pagas aos segurados que laboraram na mesma, situação que caracteriza fato gerador da contribuição previdenciária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-000.941
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2000 a 30/09/2001 Ementa: RESTITUIÇÃO Não cabe restituição de recolhimentos efetuados durante a realização de obra de construção civil, por se referirem às remunerações pagas aos segurados que laboraram na mesma, situação que caracteriza fato gerador da contribuição previdenciária. Recurso Voluntário Negado
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Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior, Edgar Silva Vidal. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 37005.004901/200634 Acórdão n.º 230200.941 S2C3T2 Fl. 22 3 Relatório Trata o presente de pedido de restituição de contribuições previdenciárias, nas competências de 12/2000 a 09/2001, relativas a mão de obra empregada em obra de construção civil, Mat. CEI 42.640.01131/67, regularizada através de DISO, em 02/2004. O pedido foi indeferido, conforme informação de fls. 12/13, por serem efetivamente devidas as contribuições recolhidas. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo, arguindo que sete amigos se reuniram e edificaram um prédio com sete apartamentos; que cinco ficaram prontos, conseguiram o Habitese e após o cálculo das contribuições previdenciárias recolhidas, obtiveram a CND, sendo que restou um valor de aproximadamente oito mil reais; que após isso as duas últimas unidades ficaram prontas, possuem Habitese e para obter a CND solicita a restituição do valor que tem em haver. Aduz que não é sonegado, que sempre recolheu suas contribuições, mas não quer pagar duas vezes, uma durante a obra e outra agora, quando da CND. Por fim, requer o deferimento da restituição ou a compensação do valor recolhido para as duas unidades restantes. A DRP ofereceu as contrarrazões pela manutenção da decisão recorrida, reafirmando que as contribuições pagas no decorrer da obra foram efetivamente devidas. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 4 Voto Conselheiro Liege Lacroix Thomasi Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. O contribuinte vem solicitar restituição de valores recolhidos sobre a mão de obra empregada durante a execução de obra de construção civil, sob a alegação que recolheu a mais do que efetivamente necessário para a obtenção de Certidão Negativa de Débito – CND. Aduz que das sete unidades edificadas os recolhimentos havidos quitaram cinco, restando um saldo que visa restituir para poder quitar as duas restantes. Do exame dos elementos constantes do processo é de se notar que o ARO – Aviso de Regularização de Obra às fls. 08/09, discrimina as guias que foram aproveitadas para o cálculo das contribuições devidas sendo que o período ali computado vai de 07/1999 a 12/2000, perfazendo 19 competências, e não estando arroladas aquelas que estão sendo objeto de restituição. Por outro lado, não há reparos a fazer na negativa do pedido de restituição de contribuições recolhidas relativamente à obra de construção civil, porque se houve mão de obra assalariada, os recolhimentos reputamse devidos. Como bem informado ao contribuinte, no caso de baixa de obra com base na área construída e no padrão da obra, como foi caso em questão, apurase um valor de contribuições devidas que podem ter sido quitadas com os recolhimentos havidos no decorrer da construção, ou pode haver um saldo a ser recolhido. No caso em tela, as contribuições efetuadas no decorrer da obra cobriram a metragem a ser regularizada, nada restando para ser recolhido. Todavia, é totalmente improcedente o pedido de restituição dos valores, uma vez que realmente resultaram da ocorrência de fato gerador, qual seja a mão de obra empregada na construção. A restituição de contribuições pressupõe o recolhimento indevido das mesmas, o que efetivamente não aconteceu no caso em questão, pois houve a prestação de serviços na obra de construção civil, o que é fato gerador de contribuição previdenciária, ocasionando os recolhimentos efetuados e não havendo que se falar em restituição. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 4DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 37005.004901/200634 Acórdão n.º 230200.941 S2C3T2 Fl. 23 5 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA
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Numero do processo: 10945.007201/2007-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO RETENÇÃO DE 11% APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. DECADÊNCIA.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a “Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.
RETENÇÃO DOS 11% CARACTERIZADA A CESSÃO DE MÃO DE
OBRA SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. FALTA CARACTERIZAÇÃO
DA CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RELATÓRIO INCOMPLETO.
NULIDADE. VÍCIO MATERIAL.
O instituto da retenção de 11% está previsto no art. 31 da Lei n° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.711/1998. O órgão previdenciário aponta que a recorrente deveria ter efetuado a retenção, entretanto não indicou no relatório fiscal os fundamentos para enquadrar os serviços prestados como sujeitos à retenção de 11%. A ausência de discriminação clara e precisa dos fatos geradores gera nulidade por vício material.
Processo Anulado.
Numero da decisão: 2401-001.811
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, I) Por maioria de votos declarar a
decadência até a competência 11/2002. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que rejeitavam a preliminar de decadência. II) Por maioria de votos, declarar a nulidade do lançamento, por vício material. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que declarava a nulidade por vício formal. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Marcelo Freitas de Souza Costa.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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DECADÊNCIA. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a “Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. RETENÇÃO DOS 11% CARACTERIZADA A CESSÃO DE MÃO DE OBRA SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. .FALTA CARACTERIZAÇÃO DA CESSÃO DE MÃODEOBRA. RELATÓRIO INCOMPLETO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. O instituto da retenção de 11% está previsto no art. 31 da Lei n ° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.711/1998. O órgão previdenciário aponta que a recorrente deveria ter efetuado a retenção, entretanto não indicou no relatório fiscal os fundamentos para enquadrar os serviços prestados como sujeitos à retenção de 11%. A ausência de discriminação clara e precisa dos fatos geradores gera nulidade por vício material. Processo Anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por maioria de votos declarar a decadência até a competência 11/2002. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que rejeitavam a preliminar de decadência. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 16/05/2011 por MARCELO FREIT AS DE SOUZA COSTA, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 II) Por maioria de votos, declarar a nulidade do lançamento, por vício material. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que declarava a nulidade por vício formal. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Marcelo Freitas de Souza Costa. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Marcelo Freitas de Souza Costa – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 16/05/2011 por MARCELO FREIT AS DE SOUZA COSTA, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10945.007201/200714 Acórdão n.º 240101.811 S2C4T1 Fl. 189 3 Relatório A presente NFLD, lavrada sob o n. 37.101.7718, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela de 11% sobre as notas fiscais, a cargo da empresa sobre a contratação de pessoas jurídicas mediante cessão de mão de obra ou empreitada, inclusive na construção civil. O lançamento compreende competências entre o período de 02/1999 a 12/2006. Segundo o relatório fiscal, fls. 70 a 72, analisando os documentos apresentados, tais como os processos de licitação, os contratos firmados e os documentos anexos às Notas de Empenho das despesas realizadas foram identificados diversos contratos de prestação de serviços sujeitos à retenção de 11%. Entretanto, as retenções de 11% não foram destacadas nas notas fiscais das prestadoras e nem retidas e recolhidas pelo Tomador, em desacordo com as normas da SRF. As notas fiscais/faturas não consignam nenhuma situação em que poderia haver a dispensa da retenção, nem foram apresentadas pelo Município declarações comprobatórias de dispensa da retenção (art. 148 da IN MPS/SRP no. 03, de 14 de julho de 2005 e suas alterações). Ainda conforme o relatório fiscal em relação aos contratos de "assessoria e consultoria" foi constatado que estão relacionados com o desempenho de atividades administrativas de rotina nas diversas secretarias (administração, educação, finanças, industria e comércio, etc) do Município. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 19/12/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 26/12/2007. Não conformada com a notificação, a recorrente apresentou defesa, fls. 100 a 112. Foi emitida DecisãoNotificação confirmando a procedência parcial do lançamento, fls.126 a 137, excluindo as competências anteriores até 11/2001, face a aplicação da decadência qüinqüenal a luz do art. 173, I do CTN. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 159 a , alegando em síntese: 1. Preliminarmente, que as contribuições anteriores a 12/2002, encontramse fulminadas pela decadência. 2. No mérito, argumenta.que não há dúvidas de que a contribuição previdenciária que prevê a retenção de 11 % sobre o valor das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços é constitucional, vez que já restou pacificada pelo Supremo Tribunal Federal. Por sua vez, o rol constante do §4", do art. 31 da Lei 8.212/91, não é taxativo, tratandose de relação exemplificativa, o que vale dizer que outras atividades poderão ser abrangidas pela retenção, constituindose o contratante em substituto tributário da exação determinada Fl. 3DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 16/05/2011 por MARCELO FREIT AS DE SOUZA COSTA, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 pela lei, contanto que inserida dentro de uma mesma moldura préordenada e limitadora constante do parágrafo 3", do art.31, da mesma Lei. 3. Por outro lado, argumenta que, quando o art. 31, § 4", da Lei 8.212/91, com conteúdo exemplificativo, diz que "além de outros estabelecidos em Regulamento" resulta na interpretação de que a enumeração de casos constantes dos incisos I a IV estão sujeitos a inclusões de outros, por meio de regulamento. No entanto, tais inclusões devem se encaixar, ou se enquadrar, perfeitamente às características encontradas no texto da própria lei, sob pena de confrontar. o princípio da legalidade tributária, não sendo cabível que veículos normativos infra legais determinem os sujeitos passivos, nem n as hipóteses . das obrigações tributárias, conforme determina o 'art. 99 do CTN. 4. Oportuno esclarecer que cessão de mão de obra, por empresa contratada, implica em disponibilização de recursos humanos para a Contratante executar sob sua orientação, os serviços pactuados. Na cessão de mão de obra, para efeitos do § 3° da Lei n° 8.212/91 terá que haver subordinação dos empregados da Contratada às determinações da Contratante e os serviços se realizarem de forma continua. 5. Também há que se ponderar que Decreto Regulamentador e/ou Instrução Normativa não podem desbordar da lei. não é cabível que veículos normativos infralegais determinem os sujeitos passivos, nem as hipóteses das obrigações tributárias, conforme determina o Art. 99, do CTN. 6. Com efeito, não há a menor possibilidade de o detentor da chefia do Poder Executivo emitir decreto inovando, criando obrigações ou extinguindo direitos, menos ainda a Secretaria da Receita Previdenciária, signatária da Instrução Normativa MPS/SRP n" 03/2005, criando précondição para i) exercício regular do direito; 7. Os serviços profissionais regulamentados pela legislação federal, exercidos pelos próprios profissionais, com ou sem concursos de empregados colocados à disposição da Contratante, não se aplica o instituto da retenção, Pois decorrem de conhecimentos 'técnicos cuja responsabilidade pela execução não pode ser transferida para terceiros, contratantes; empregados ou não; 8. Que o rol de empresas que não estão sujeitas ao regime de substituição tributária de que trata o art. 31 da Lei 8.212/91, por não conter seu objeto, nem as notas fiscais/faturas emitidas, relação com a execução de serviços mediante cessão dc mãodeobra, é significativo: 9. No presente caso, existindo inequívocos conflitos entre a pretensão fiscal e os interesses do Município Recorrente, consubstanciado na aplicação INDEVIDA de exação fiscal relativa a retenção de 11% sobre o SERVIÇOS PRESTADOS PESSOALMENTE POR PROFISSIONAIS DE ATIVIDADES REGULADAS POR LEI, entre outros, a produção de prova pericial se torna imprescindível para que haja decisão justa compatível com a lei regente da material. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 16/05/2011 por MARCELO FREIT AS DE SOUZA COSTA, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10945.007201/200714 Acórdão n.º 240101.811 S2C4T1 Fl. 190 5 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 187. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO DA DECADÊNCIA O primeiro ponto a ser apreciado diz respeito a exoneração do crédito alegada pelo recorrente, face a aplicação da decadência qüinqüenal em relação ao período de 12/2001 a 11/2002, uma vez que a autoridade de 1. Instância já excluiu as contribuições até a competência 11/2001. Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido, à decisão do STF. Dessa forma, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, entendo que razão não assiste ao recorrente. Senão vejamos: O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações Fl. 5DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 16/05/2011 por MARCELO FREIT AS DE SOUZA COSTA, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de Fl. 6DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 16/05/2011 por MARCELO FREIT AS DE SOUZA COSTA, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10945.007201/200714 Acórdão n.º 240101.811 S2C4T1 Fl. 191 7 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido Fl. 7DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 16/05/2011 por MARCELO FREIT AS DE SOUZA COSTA, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de Fl. 8DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 16/05/2011 por MARCELO FREIT AS DE SOUZA COSTA, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10945.007201/200714 Acórdão n.º 240101.811 S2C4T1 Fl. 192 9 pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 16/05/2011 por MARCELO FREIT AS DE SOUZA COSTA, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4º. Entendo que atribuir esse mesmo raciocínio a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias caso seja constatado qualquer espécie de recolhimento, mesmo que ínfimo no “Conta Corrente” da empresa, é no mínimo abrir ao contribuinte possibilidades de beneficiarse pelo seu “desconhecimento ou mesmo interpretação tendenciosa” para sempre escusarse ao pagamentos de contribuições que seriam devidas. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 16/05/2011 por MARCELO FREIT AS DE SOUZA COSTA, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10945.007201/200714 Acórdão n.º 240101.811 S2C4T1 Fl. 193 11 De forma sintética, podemos separar duas situações: em primeiro, aquelas em que não há por parte do contribuinte o reconhecimento dos valores pagos como salário de contribuição, como no caso de não ter o contribuinte promovido a retenção, posto que não a reconhecia. Nestes casos, incabível considerar que houve pagamento antecipado, simplesmente porque não houve reconhecimento do fato gerador pelo recorrente e caso não ocorresse a atuação do fisco, nunca haveria o referido recolhimento. Nesse caso, toda a máquina administrativa, em especial a fiscalização federal terá que ser movida para identificar a existência pontual de contribuições a serem recolhidas. Não é algo que se possa determinar pelo simples confronto eletrônico de declarações e guias de recolhimento. Dessa forma, em sendo desconsiderada a natureza tributária de determinada verba, como poderseia considerar que houve antecipação de pagamento de contribuições. Entendo que só se antecipa, aquilo que se considera. Assim, deverseá considerar que houve antecipação para aplicação do § 4º do art. 150 do CTN, quando ocorreu por parte do contribuinte o reconhecimento do valor devido e o seu parcial recolhimento, sendo em todos os demais casos de não reconhecimento da rubrica aplicável o art. 173 do referido diploma. Ocorre que no caso em questão, o lançamento foi efetuado em 19/12/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 26/12/2007. Os fatos geradores remanescente, após a decisão de 1. Instância, envolvem o período de 12/2001 a 12/2006, sendo assim, a luz do art. 173, I do CTN, não há decadência a ser declarada DO MÉRITO No mérito alega o recorrente, que os serviços incluídos na NFLD em tela não encontramse abrangidos dentre aqueles sujeitos a retenção de 11%, posto que não envolvem cessão de mão de obra. Quanto a este ponto, entendo que razão em parte assiste ao recorrente no sentido que não é possível identificar se os serviços encontramse sujeitos a retenção, uma vez que o relatório fiscal, não demonstrou a devida caracterização da cessão, ou mesmo da empreitada. A autoridade fiscal em seu relatório assim, descreveu o fato gerador. (...) analisando os documentos apresentados, tais como os processos de licitação, os contratos firmados e os documentos anexos às Notas de Empenho das despesas realizadas foram identificados diversos contratos de prestação de serviços sujeitos à retenção de 11%. Entretanto, as retenções de 11% não foram destacadas nas notas fiscais das prestadoras e nem retidas e recolhidas pelo Tomador, em desacordo com as normas da SRF. As notas fiscais/faturas não consignam nenhuma situação em que poderia haver a dispensa da retenção, nem foram apresentadas pelo Município declarações comprobatórias de dispensa da retenção (art. 148 da IN MPS/SRP no. 03, de 14 de julho de 2005 e suas alterações). Em relação aos contratos de "assessoria e consultoria" foi constatado que estão • relacionados com o desempenho de atividades administrativas de rotina nas diversas secretarias Fl. 11DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 16/05/2011 por MARCELO FREIT AS DE SOUZA COSTA, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 (administração, educação, finanças, industria e comércio, etc) do Município. Ou seja, entendo que não caberia ao auditor apenas dizer, “analisando os documentos apresentados, tais como os processos de licitação, os contratos firmados e os documentos anexos às Notas de Empenho das despesas realizadas foram identificados diversos contratos de prestação de serviços sujeitos à retenção de 11%.”, mas demonstrar contrato a contrato a efetiva prestação de serviços mediante cessão de mão de obra, ou empreitada na construção civil. A juntada da planilha, com o nome das empresas prestadora e do contrato e os serviços prestados, serve como elemento auxiliar na demonstração dos fatos geradores, mas na forma como disposta, não caracteriza os serviços prestados, posto que descritos de forma genérica em sua maioria (exemplos: serviços prestados, serviços odontológicos etc) A apresentação de planilhas anexas ao relatório fiscal, podem sim, substanciar ou mesmo complementar as informações contidas no relatório, possibilitando ao recorrente saber os fatos geradores lançados individualmente, o que lhe permitiria o exercício da ampla defesa e do contraditório. Contudo, não vislumbro no caso ora em análise essa situação. Quanto à ausência de caracterização da cessão de mãodeobra, assiste razão à recorrente. O relatório fiscal não indica da maneira devida quais foram os serviços prestados e as características que elevaram a considerálos sujeitos a retenção.. O órgão previdenciário aponta que a recorrente deveria ter efetuado a retenção, entretanto não indicou no relatório fiscal, as características dos contratos. Nem haveria aqui de se falar em arbitramento, como ocorre nos casos em que o recorrente ao não apresentar a documentação (contratos e notas fiscais) durante o procedimento fiscal. Nestes, casos, até poderseia inverter o ônus para que o recorrente comprovasse a inexistência da cessão. Contudo, aqui a autoridade fiscal teve acesso aos documentos o que lhe permitiria detalhar os serviços prestados A fiscalização não fez prova de indícios de ocorrência de fatos geradores, posto que nulo todo o procedimento. A simples emissão de nota fiscal não indica o tipo de serviço, local em que foram prestados. Não se pode confundir uma simples prestação de serviços com a prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra e empreitada. Somente o fato de constar na lista prevista no Regulamento da Previdência Social não é suficiente para que surja a obrigação da retenção. Salientase que no presente caso não houve destaque dos valores a serem retidos em nota fiscal, assim é dever da fiscalização indicar os fundamentos de sua convicção. É pertinente também destacar, que entendo que a nulidade que alcança os levantamentos acima descritos é formal, visto não ter o auditor formalizado da maneira devida o lançamento em relação aos levantamentos que envolveram cessão de mão de obra. Nesse sentido, podese identificar que a nulidade é aplicável por não ter o auditor fiscal discriminado de forma clara e precisa, os fatos geradores que ensejariam a retenção de 11% sobre a nota fiscal de serviços, visto não ter demonstrado que os serviços foram executados mediante cessão de mão de obra. Dessa forma, entendo que a falta da descrição pormenorizada levaria a anulação da NFLD por vício formal, por se tratar do não preenchimento de todas as formalidades necessárias a validação do ato administrativo, conforme destaco abaixo. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 16/05/2011 por MARCELO FREIT AS DE SOUZA COSTA, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10945.007201/200714 Acórdão n.º 240101.811 S2C4T1 Fl. 194 13 Em uma concepção a respeito da forma do ato administrativo é incluída não somente a exteriorização do ato, mas também as formalidades que devem ser observadas durante o processo de formação da vontade da Administração, e até os requisitos concernentes à publicidade do ato. Nesse sentido é a lição de Maria Sylvia di Pietro, na obra Manual de Direito Administrativo, 18ª edição, Ed. Atlas, página 200. Na lição expressa de Maria Sylvia di Pietro, na obra já citada, página 202, in verbis: “Integra o conceito de forma a motivação do ato administrativo, ou seja, a exposição dos fatos e dos direitos que serviram de fundamento para a prática do ato; a sua ausência impede a verificação da legitimidade do ato.” Não se pode confundir falta de motivo com a falta de motivação. A motivação é a exposição de motivos, ou seja, é a demonstração, por escrito, de que os pressupostos de fato realmente existiram. A motivação diz respeito às formalidades do ato. O motivo, por seu turno, antecede a prática do ato, correspondendo aos fatos, às circunstâncias, que levam a Administração a praticar o ato. São os pressupostos de fato e de direito da prática do ato. Na lição de Maria Sylvia di Pietro, pressuposto de direito é o dispositivo legal em que se baseia o ato; pressuposto de fato, corresponde ao conjunto de circunstâncias, de acontecimentos, de situações que levam a Administração a praticar o ato. A ausência de motivo ou a indicação de motivo falso invalidam o ato administrativo. No lançamento fiscal o motivo é a ocorrência do fato gerador, esse inexistindo torna improcedente o lançamento, não havendo como ser sanado, pois sem fato gerador não há obrigação tributária. Agora, a motivação é a expressão dos motivos, é a tradução para o papel da realidade encontrada pela fiscalização. Logo, se há falha na motivação, o vício é formal, se houver falha no pressuposto de fato ou de direito, o vício é material. Como exemplo nas contribuições previdenciárias: se houve lançamento enquadrando o segurado como empregado, mas com as provas contidas nos autos é possível afirmar que se trata de contribuinte individual, há falha no pressupostos de fato e de direito. Agora, se houve lançamento como empregado, mas o relatório fiscal falhou na caracterização; entendo que haveria falha na motivação; devendo o lançamento ser anulado por vício formal. A autoridade julgadora deverá analisar a observância dos requisitos formais do lançamento, previstos no art. 37 da Lei n ° 8.212. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para REJEITAR a preliminar de decadência e no mérito ANULAR A NFLD por vício formal, nos termos acima expostos. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 13DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 16/05/2011 por MARCELO FREIT AS DE SOUZA COSTA, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa – Redator Designado Em que pese o entendimento da Ilustre conselheira relatora em seu voto, peço vênia para discordar em dois aspectos; Aplicação da decadência e quanto ao vício encontrado. Com relação à decadência, o entendimento majoritário deste colegiado é o de que, em se tratando de lançamento cujo fato gerador é a não retenção de 11% sobre Notas Fiscais de prestadoras de serviço, deve ser aplicado o art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional, já que não se pode inferir que a(s) prestadora(s) não tenham efetuado nenhum recolhimento de contribuições previdenciárias. O artigo 150, § 4º, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Desta forma, não havendo nos autos elementos que demonstrem não haver recolhimentos por parte da prestadora, sujeitase o lançamento ao prazo decadencial com a aplicação do dispositivo supra mencionado. Como o lançamento ocorreu em dezembro de 2007 estariam decaídos todos os fatos geradores ocorridos até novembro de 2002, inclusive. Não obstante a questão do prazo decadencial, verificase no presente caso, conforme já mencionado no volto da relatora, a ocorrência de vício. No entanto peço vênia para discordar quanto a natureza do vício apontado. Sobre este aspecto, devemos trazer a distinção entre o vício formal e o material. O vício formal, está relacionado aos requisitos de validade do ato administrativo, ou seja, os pressupostos sem os quais referido ato não produziria efeitos. Ou seja, guarda relação com as formalidades legais extrínsecas do lançamento. Já o vício material ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a Fl. 14DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 16/05/2011 por MARCELO FREIT AS DE SOUZA COSTA, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10945.007201/200714 Acórdão n.º 240101.811 S2C4T1 Fl. 195 15 notificação fiscal e/ou auto de infração, guardando relação com o conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. O artigo 37 da Lei nº 8.212/91 bem como o artigo 50 da Lei nº 9.784/99, impõe ao fiscal autuante a discriminação clara e precisa dos fatos geradores do débito constituído. A ausência dessa descrição clara e precisa, especialmente no Relatório Fiscal da Notificação, ou erro nessa conduta, macula o procedimento fiscal por vício material. Não sendo possível identificar se os serviços encontramse sujeitos a retenção, uma vez que o relatório fiscal, não demonstrou a devida caracterização da cessão, ou mesmo da empreitada, não há como comprovar a ocorrência do fato gerador do tributo. Ante ao exposto VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, acolher PARCIALMENTE A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA, para declarar extintos os lançamentos ocorridos até 11/2002 e no mérito ANULAR O LANÇAMENTO POR VÍCIO MATERIAL. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 15DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 16/05/2011 por MARCELO FREIT AS DE SOUZA COSTA, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 Fl. 16DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 16/05/2011 por MARCELO FREIT AS DE SOUZA COSTA, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 19515.001571/2005-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2000
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADE IMOBILIÁRIA.
As pessoas jurídicas que explorem atividades imobiliárias relativa a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, deverão considerar como receita bruta o montante efetivamente recebido, relativo às unidades imobiliárias vendidas, e a base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente.
ERRO DE FATO. NÃO COMPROVAÇÃO.
Não comprovado o alegado erro de classificação contábil do bem alienado, improcede a alegação da defesa de que a tributação da operação deveria observar a legislação aplicável aos ganhos de capital.
DUPLICIDADE DE COBRANÇA. INOCORRÊNCIA.
Não ocorre a alegada duplicidade de exigência sobre um mesmo fato, quando os fatos arrolados nos procedimentos fiscais são distintos, tanto do ponto de vista econômico, como do ponto de vista jurídico-tributário, e ocorridos em anos-calendário distintos, muito embora digam respeito a um mesmo ativo do contribuinte.
JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC.
Sobre os débitos tributários para com a União, não pagos nos prazos previstos em lei, aplicam-se juros de mora calculados, a partir de abril de 1995, com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. CSLL. PIS/PASEP. COFINS.
Tratando-se de lançamentos decorrentes ou reflexos efetuados em razão dos mesmos fatos que deram origem ao lançamento principal IRPJ, aplica-se àqueles a mesma decisão adotada quanto à exigência deste, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1102-000.453
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: João Otavio Opperman Thome
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Recorrente ALMEIDA JÚNIOR SHOPPING CENTERS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADE IMOBILIÁRIA. As pessoas jurídicas que explorem atividades imobiliárias relativa a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, deverão considerar como receita bruta o montante efetivamente recebido, relativo às unidades imobiliárias vendidas, e a base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente. ERRO DE FATO. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovado o alegado erro de classificação contábil do bem alienado, improcede a alegação da defesa de que a tributação da operação deveria observar a legislação aplicável aos ganhos de capital. DUPLICIDADE DE COBRANÇA. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a alegada duplicidade de exigência sobre um mesmo fato, quando os fatos arrolados nos procedimentos fiscais são distintos, tanto do ponto de vista econômico, como do ponto de vista jurídicotributário, e ocorridos em anoscalendário distintos, muito embora digam respeito a um mesmo ativo do contribuinte. JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. Sobre os débitos tributários para com a União, não pagos nos prazos previstos em lei, aplicamse juros de mora calculados, a partir de abril de Fl. 1DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 05/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 19515.001571/200511 Acórdão n.º 110200.453 S1C1T2 Fl. 272 2 1995, com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. CSLL. PIS/PASEP. COFINS. Tratandose de lançamentos decorrentes ou reflexos efetuados em razão dos mesmos fatos que deram origem ao lançamento principal IRPJ, aplicase àqueles a mesma decisão adotada quanto à exigência deste, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Documento assinado digitalmente. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, João Carlos de Lima Júnior, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto, e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Relatório Contra a empresa acima qualificada foram lavrados, às fls. 80 a 97, os Autos de Infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, perfazendo um crédito tributário no montante de R$ 1.766.736,04, aí já incluídos os juros de mora e a multa de ofício de 75%. A autuação fiscal resultou da constatação de omissão de receita operacional, caracterizada pela falta de inclusão na base de cálculo do lucro presumido, do montante correspondente à venda de parte de empreendimento imobiliário (“Shopping Santa Úrsula”), ocorrida em maio de 2000. Segundo a descrição dos fatos contida no Termo de Constatação de fls. 77 a 79, o contribuinte alienou parte de sua participação no referido empreendimento, a qual se Fl. 2DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 05/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 19515.001571/200511 Acórdão n.º 110200.453 S1C1T2 Fl. 273 3 encontrava registrada no seu Ativo Circulante, à PORTUS INSTITUTO DE SEGURIDADE SOCIAL, pelo valor de R$ 10.319.282,21. O mesmo Termo de Constatação descreve as contas utilizadas pelo contribuinte para escriturar toda a operação de venda. Contudo, apesar de corretamente escriturada, observou a fiscalização que a mesma não fora declarada ao Fisco, eis que a sua DIPJ, relativamente ao 2° trimestre de apuração, informava como receita bruta tão somente o valor de R$ 237.034,20, e a sua DCTF informava e declarava como imposto de renda devido tão somente o valor de R$ 3.548,40. O contribuinte foi intimado a comprovar o recolhimento dos tributos e contribuições sociais, incidentes sobre a receita de venda do shopping, e não o fez, tendo contra si lavrados os autos sub judice. O contribuinte impugnou o feito, argumentando, em síntese, o seguinte: a) em sede de preliminares, pleiteia a nulidade do feito em razão de a empresa estar sendo tributada duplamente por um mesmo rendimento, uma vez que já foi autuada com vistas à exigência do IRPJ e da CSLL incidentes sobre a realização da reserva de reavaliação do empreendimento imobiliário Shopping Santa Úrsula, no Processo nº 19515.003224/200433, conforme cópias dos respectivos autos de infração acostadas às fls. 134 a 143, sendo que, no presente processo, a venda parcial deste empreendimento está sendo objeto de nova tributação, o que caracteriza a duplicidade; b) que a correta classificação de um bem, se no ativo circulante ou no permanente, decorre de sua própria natureza, e não da classificação contábil que porventura se tenha dado para ele; c) que a autuação guerreada decorreu de erro de classificação contábil, por parte da própria empresa, quanto ao ativo objeto da venda, pois este, por seu caráter de permanência, não poderia estar registrado no Ativo Circulante, pois não era realizável no curso do exercício seguinte, e nem tampouco no grupo do Ativo Realizável a Longo Prazo, visto não haver expectativa de realizálo após o término do exercício seguinte, ou seja, a referida inversão somente poderia ser classificada no Ativo Permanente, conforme dispõem os artigos 178 e 179, da Lei nº 6.404, de 1976, em consonância com o entendimento da Administração Tributária consubstanciado no Parecer Normativo CST nº 03, de 1980, e com a doutrina que colaciona; d) que, portanto, o resultado de sua venda, se positivo, constitui ganho de capital a ser acrescido ao lucro presumido para fins de tributação, segundo dispõe o artigo 521, § 1º, do RIR/99; e) que, portanto, errou o autor do feito ao pretender tributar a operação dandolhe o tratamento aplicável à receita bruta, com a utilização do percentual de presunção de lucro (8%) sobre o valor da transação, sendo esta também causa de nulidade do auto de infração, vez que não observada a forma correta de tributação do ganho de capital, aliás, sequer apurado pelo Autuante; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 05/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 19515.001571/200511 Acórdão n.º 110200.453 S1C1T2 Fl. 274 4 f) que os argumentos acima esposados são igualmente válidos para a CSLL, por força do que dispõe o artigo 29, da Lei nº 9.430, de 1996; g) que, da mesma forma, são também indevidas as exigências relativas ao PIS e à COFINS, por força do que dispõem o artigo 2º, e o inciso IV, do parágrafo 2º, do artigo 3º, ambos da Lei nº 9.718 de 1998, os quais autorizam a exclusão, na determinação da base de cálculo dessas exações, da receita decorrente da venda de bens classificados no ativo permanente; h) que, por fim, a adoção da Taxa SELIC para o cálculo dos juros moratórios, afronta o comando contido no artigo 161, § 1º, do Código Tributário Nacional (CTN), de modo que sua exigência deve ser afastada. A DRJ/Fortaleza–CE decidiu a lide por meio do Acórdão 0813.712, fls. 195 a 202, mantendo integralmente o lançamento efetuado, conforme ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO NULIDADE DO LANÇAMENTO IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. LUCRO PRESUMIDO. RESULTADOS NÃO OPERACIONAIS. GANHOS DE CAPITAL ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Não restando configurados os alegados vícios no procedimento fiscal, descabe a nulidade do lançamento pleiteada pelo sujeito passivo. Caracteriza omissão de receita, não elidida pela defesa, a ausência de inclusão na base imponível do imposto de renda, de valor referente à venda de imóvel classificado no ativo circulante da pessoa jurídica, com resultado apurado na escrituração contábil por ela mantida. Não comprovado o erro de classificação contábil, improcede a alegação da defesa de que a tributação da operação deveria observar a legislação aplicável aos ganhos de capital. Os órgãos julgadores da Administração Fazendária afastarão a aplicação de lei, tratado ou ato normativo federal, somente na hipótese de sua declaração de inconstitucionalidade, por decisão do Supremo Tribunal Federal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP, CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) LANÇAMENTOS DECORRENTES. Tratandose de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.” Cientificada desta decisão em 15.09.2008, conforme AR de fls. 209, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 14.10.2008, fls. 214 a 231, no qual reprisa os argumentos já expostos por ocasião da inicial, e acrescenta, ainda, o seguinte: i) que, ainda que a Recorrente também desenvolvesse atividades de incorporação imobiliária (mesmo que, à época, houvesse apenas previsão em seu contrato social para a realização de tal desiderato), este Fl. 4DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 05/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 19515.001571/200511 Acórdão n.º 110200.453 S1C1T2 Fl. 275 5 fato, isoladamente, não poderia determinar, como alegado pela Turma Julgadora, que todos os imóveis de sua propriedade deveriam ter sido classificados (mesmo que parcialmente) como Ativo Circulante, e cita, em reforço de seu entendimento, a Solução de Consulta nº 139/06, da 10ª Região Fiscal; j) que sobreveio decisão favorável à Recorrente, nos autos do processo administrativo 19515.003224/200433, por meio do Acórdão DRJ/BSA no 15.189, de 07 de outubro de 2005 (doc. 03, fls. 247 a 269), que pugnou pela exoneração de parcela do lançamento, relativamente à suposta falta de adição da reserva de reavaliação do Shopping Santa Ursula, tendo em vista se tratar, de forma inequívoca, de erro na classificação contábil realizada pela Recorrente; k) que, portanto, tendo sido reconhecido pelo próprio Fisco que a Reserva de Reavaliação não deveria ter sido tributada em 1999, quando da elaboração do Laudo de Reavaliação do Ativo, forçoso concluir que essa reserva de reavaliação deveria ter sido adicionada ao lucro líquido apenas quando da efetiva realização do ativo, no ano calendário de 2000, mas que, todavia, não foi o que ocorreu no presente caso, eis que os Srs. Auditores Fiscais constituíram crédito tributário referente à suposta receita de vendas, e não sobre a adição de reserva de reavaliação. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Quanto ao pedido de declaração da nulidade do feito em razão de a empresa estar sendo tributada duplamente por um mesmo rendimento, bem como por inobservância da forma correta de tributação do suposto rendimento, cumpre observar que, nos termos do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 – PAF, que rege o processo administrativo fiscal, somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Eventuais erros ou equívocos na apuração dos tributos devidos devem ser enfrentados como matéria de mérito, o que pode levar à insubsistência parcial, ou até, em certos casos, total, do crédito lançado, mas não importam na sua nulidade. Conforme relatado, vêse que o cerne da questão gira em torno da correta classificação contábil do bem objeto de alienação por parte da recorrente. Isto porque, se classificável no Ativo Permanente, como quer a recorrente, de sua alienação somente poderia decorrer ganho ou perda de capital, de modo que restaria insubsistente o lançamento efetuado, posto que o eventual ganho, que sequer foi objeto de Fl. 5DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 05/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 19515.001571/200511 Acórdão n.º 110200.453 S1C1T2 Fl. 276 6 apuração pelo fisco, haveria de ter sido adicionado ao lucro presumido para fins de tributação pelo IRPJ e pela CSLL – o que não foi feito – e não seria tributável para fins de PIS e COFINS. Por outro lado, se classificável no Ativo Circulante, como o fez o Fisco, de sua alienação decorrem receitas operacionais, tributáveis pelo IRPJ e pela CSLL por meio da aplicação dos respectivos percentuais de presunção, bem como pelo PIS e pela COFINS. Convém reproduzir os dispositivos legais que determinam as diferentes formas de tributação que podem recair sobre a venda de um bem imóvel, efetuada por uma empresa sujeita ao lucro presumido, como é o caso dos autos. Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. “Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995.” Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. “Art. 30. As pessoas jurídicas que explorem atividades imobiliárias relativa a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, deverão considerar como receita bruta o montante efetivamente recebido, relativo às unidades imobiliárias vendidas.” Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. “Art. 25. O lucro presumido será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: I o valor resultante da aplicação dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, sobre a receita bruta definida pelo art. 31 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, auferida no período de apuração de que trata o art. 1º desta Lei; II os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso anterior e demais valores determinados nesta Lei, auferidos naquele mesmo período.” Assim, para o correto deslinde da questão posta, é necessário perquirir qual a atividade desenvolvida pela recorrente (se imobiliária ou não), e qual a intenção da recorrente com relação ao imóvel em questão (se destinado à venda ou à permanência). Não há dúvidas de que a recorrente pratica a atividade de incorporação imobiliária. Consoante a Terceira Alteração e Consolidação do Contrato Social datada de 10.09.2003, fls. 6 a 13, o seu objeto social passou a ser o seguinte: • Participação em outras empresas; Fl. 6DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 05/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 19515.001571/200511 Acórdão n.º 110200.453 S1C1T2 Fl. 277 7 • Participação e projetos de shopping centers, • Assessoria e consultoria empresarial; • Incorporação imobiliária; • Atividades anexas e correlatas ao objeto social. Por outro lado, na época dos fatos (maio de 2000), importa observar que na sua DIPJ/2001 a recorrente informou como sua atividade econômica o CNAE 70.106/00 Incorporação e compra e venda de imóveis. Para concluir, especificamente com relação ao Shopping Santa Úrsula, conforme a Escritura de Promessa de Compra e Venda de fls. 42 a 51, verificase que a outorgante e promitente vendedora (a recorrente, então denominada Almeida Junior Invest Empreendimentos e Participações Ltda, nome empresarial anterior) declarase “proprietária e possuidora de 80% (oitenta por cento) ideais de um terreno localizado no Município e Comarca de Ribeirão Preto, Estado de São Paulo, na Rua São José, nº 933...”, terreno sobre o qual “a OUTORGANTE fará construir o SHOPPING CENTER SANTA ÚRSULA, de acordo com o projeto aprovado pela Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto, SP...” Tais circunstâncias demonstram a efetiva realização de incorporação imobiliária, e não apenas uma simples previsão contratual, conforme alegou a defesa. Por outro lado, é certo que mesmo as empresas que praticam a incorporação imobiliária e a compra e venda de imóveis também podem manter alguns destes imóveis, quer adquiridos, quer construídos, como integrantes do seu ativo permanente, sendo relevante verificar, neste aspecto, qual a intenção da empresa com relação ao imóvel em questão (se destinado à venda ou à permanência). A Recorrente alega que o Shopping Santa Úrsula representava um ativo que tinha por finalidade a manutenção das atividades previstas em seu objeto social, quais sejam, a geração de fonte de riqueza, provenientes da receita de luvas e alugueres das unidades do Shopping, no transcurso de sucessivos exercícios sociais. E que o artigo 179 da Lei nº 6.404, de 1976, expressamente dispõe que no ativo imobilizado devem ser registrados os direitos “que tenham por objeto bens destinados à manutenção das atividades da companhia”. Assim, estaria evidente o erro de classificação contábil por ela adotado. Pois bem. Quando se trata de pesquisar a respeito de intenções, cediço é que tal prova não há de ser extraída da mente do seu autor, mas sim das circunstâncias que envolvem os fatos a serem analisados. Neste sentido, importa ressaltar que a própria recorrente contabilizava o seu investimento, no empreendimento denominado Shopping Santa Úrsula, parte como integrante do Ativo Circulante e parte como integrante do Ativo Permanente. Assim, ao invés de evidenciar eventual erro na classificação contábil adotada, tese que poderia restar reforçada ante a circunstância de estar o investimento integralmente escriturado num ou noutro grupo do ativo, a segregação contábil em dois distintos grupos, ao contrário, evidencia uma consciência de que ela poderia dar diferentes destinos ao seu investimento imobiliário, por exemplo, alienando uma parte, e mantendo outra como fonte de receita por um longo período de tempo, na forma de investimento contabilizado no ativo permanente. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 05/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 19515.001571/200511 Acórdão n.º 110200.453 S1C1T2 Fl. 278 8 Esclareçase que a parcela alienada, neste contexto, pertencia ao seu Ativo Circulante, consoante os lançamentos utilizados pela própria empresa para contabilizar a operação de alienação, conforme bem já havia demonstrado a fiscalização. A recorrente alega que a própria Administração reconhece que, na hipótese de uma pessoa jurídica realizar atividades que permitem a classificação de seus imóveis como estoques ou como imobilizado, é possível a transferência de contas, inclusive sem a apuração de ganho de capital, desde que comprovada a intenção de permanência. Neste sentido, cita a Solução de Consulta nº 139/06, da 10ª Região Fiscal, com a seguinte ementa: “LUCRO PRESUMIDO. BENS PASSÍVEIS DE INTEGRAR O ATIVO CIRCULANTE E O ATIVO IMOBILIZADO. TRANSFERÊNCIA DE CONTAS. A empresa optante pelo lucro presumido que comercializa bens suscetíveis de serem contabilizados tanto no ativo permanente como na conta estoques, em virtude de suas atividades desenvolvidas constarem, em ambos os casos, de seu objeto social, pode transferir da primeira conta para segunda o respectivo bem a ser destinado para futura comercialização sem a necessidade de apurar o correspondente ganho de capital, contanto que seja adotado um conjunto de procedimentos sistematizados, baseados nas normas e padrões de contabilidade geralmente aceitos.” Em primeiro lugar, observese que se trata de Solução de Consulta cujos efeitos restringemse exclusivamente às partes naquele processo. Em segundo, a referida Solução de Consulta apenas reforça o fato de que há bens que podem ser contabilizados tanto no ativo permanente como na conta estoques, em virtude das atividades desenvolvidas pela empresa, na mesma linha do que até aqui expusemos, e salienta que isto demanda que seja adotado pela empresa um conjunto de procedimentos sistematizados, baseados nas normas e padrões de contabilidade geralmente aceitos, de modo a evidenciar se se está diante de uma ou de outra situação fática, com o que também, a priori, não há porque discordar. Portanto, ainda que não se discorde das conclusões ali expostas, o fato é que, no caso concreto, à vista de tudo o que foi até aqui relatado, justamente o que não foi comprovado pela recorrente foi a sua intenção de permanência com relação à parcela alienada. Além disto, os procedimentos contábeis adotados pela recorrente justamente evidenciavam que a recorrente já fazia uso da prática de contabilizar parte do mesmo bem no ativo permanente e parte no circulante, conforme, aliás, previsto na referida Solução de Consulta. Para finalizar, em contrário às presentes alegações de erro na classificação contábil adotada pela recorrente quanto ao seu investimento no empreendimento denominado Shopping Santa Úrsula, cumpre reproduzir a cláusula 15 da Escritura de Promessa de Compra e Venda e Outras Avenças de fls. 57 a 61, relativa à compra e venda do percentual de 8,5% do terreno e do empreendimento, de que trata especificamente os presentes autos, tendo como outorgante e promitente vendedora ALMEIDA JÚNIOR SHOPPING CENTERS LTDA (a recorrente) e outorgada e promitente compradora a PORTUS INSTITUTO DE SEGURIDADE SOCIAL: Fl. 8DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 05/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 19515.001571/200511 Acórdão n.º 110200.453 S1C1T2 Fl. 279 9 15 — A VENDEDORA declara, expressamente, sob responsabilidade civil e criminal. que: (i) exerce atividade de incorporação de imóveis e que o objeto desta escritura, não pertence ao seu ativo permanente, ficando desta forma, dispensada a apresentação das certidões negativas de débito do INSS e de Tributos da Receita Federal, conforme dispõe o Decreto nº 90.817/85, em vigor, nos termos do parecer MPS/CJ nº 41/92, confirmado pela Secretaria da Receita Federal e acolhida na decisão proferida no processo CG. nº 97.606/93, publicada no D.O.E. (Poder Judiciário), de 07.10.1993, e ato declaratório da Receita Federal, sob nº 109, de 10.08.1994. publicado no D.O.U, em 12.06.1994 Portanto, absolutamente correto o procedimento fiscal, em considerar a receita de alienação do referido imóvel como receita da atividade da recorrente, e não como ganho de capital na alienação de bem do ativo permanente. Com relação à alegação de duplicidade de cobrança sobre um mesmo fato, melhor sorte não assiste à recorrente, e tal questão foi devidamente enfrentada pela autoridade julgadora a quo. Apesar de ambos os feitos fiscais dizerem respeito a um mesmo ativo do contribuinte, no caso, a sua participação no Shopping Santa Úrsula, os fatos arrolados nos dois procedimentos fiscais são distintos, tanto do ponto de vista econômico como do ponto de vista jurídicotributário. No PAF nº 19515.003224/200433, conforme se depreende tão somente da leitura da peça acostada pela defesa aos autos (no caso, o Acórdão da DRJ/Brasília), a recorrente foi autuada com relação ao anocalendário de 1999, por ter constituído reserva de reavaliação em decorrência da atualização do valor do referido ativo classificado no Ativo Circulante, fato que, nos termos da legislação de regência, determina a necessidade de sua adição ao lucro líquido, na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Assim, inferese que a recorrente estava submetida, naquele anocalendário, ao lucro real. Os presentes autos, por sua vez, tratam da apuração dos tributos devidos na modalidade do lucro presumido, sistemática para a qual não é relevante sequer saber se houve ou não qualquer reavaliação do bem, uma vez que a tributação se faz incidir sobre a receita operacional decorrente da sua atividade, no caso, a venda de imóvel pertencente ao seu ativo circulante, venda esta que se efetivou em maio de 2000, comprovadamente pelo valor de R$ 10.319.282,21. É fato que, nos autos do referido Processo nº 19515.003224/200433, sobreveio decisão favorável à Recorrente, posteriormente confirmada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Acórdão 120100.069, de 14 de maio de 2009), ao entendimento de que o valor da reavaliação do Shopping Santa Úrsula no ativo circulante do contribuinte deveria ser excluído do Auto de Infração, porque o bem deveria ter sido contabilizado no ativo permanente da Recorrente. O i. relator, naquele processo, entendeu que houve um equívoco por parte do contribuinte, mas que “esta não conformidade, meramente contábil, não pode ser objeto de incidência tributária”. A decisão está assim ementada, no que pertine ao ponto em questão: Fl. 9DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 05/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 19515.001571/200511 Acórdão n.º 110200.453 S1C1T2 Fl. 280 10 “Assunto: Imposto Sobre a renda de pessoa — IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro líquido – CSLL Anocalendário: 1.999 REAVALIAÇÃO DE BEM. ATIVO CIRCULANTE. ERRO DE CONTABILIZAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. A reavaliação de ativo, que, por sua natureza, deveria ter sido contabilizado em conta do ativo permanente, mas que, por equívoco, fora contabilizado em conta de ativo circulante não deve ser adicionado ao lucro liquido para fins de apuração do IRPJ e da CSLL.” Em que pese tal decisão realmente tenha dado guarida ao argumento da recorrente de que houve erro de classificação, ponto do qual respeitosamente discordo, tendo em vista todo o anteriormente disposto, observo que, em consulta à página eletrônica do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (https://carf.fazenda.gov.br), o referido acórdão ainda não transitou em julgado, constando o processo como em tramitação, a indicar provável interposição de embargo e/ou recurso especial por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional. De qualquer sorte, ainda que houvesse transitado em julgado, não haveria relação de vinculação do presente julgado ao decidido naquele, uma vez que o que deve ser apreciado são os fatos e as provas trazidas ao presente feito. Num último esforço para invalidar o presente lançamento, alega ainda a recorrente que, acaso fosse procedida alguma autuação relativa ao ano calendário de 2000, esta deveria ter sido feita sobre a falta de realização da reserva de reavaliação decorrente da venda efetuada, mas nunca sobre a suposta receita de vendas. Ainda que fosse passível de lançamento a referida falta de realização da reserva de reavaliação, na sistemática de apuração do lucro presumido, circunstância para a qual, em uma primeira e rápida análise, saliento, não foi localizada base legal, tal fato de forma alguma invalidaria a forma de apuração por excelência do IRPJ e da CSLL na referida sistemática, qual seja, a aplicação de um percentual de presunção, expressamente previsto em lei, sobre a sua receita bruta da sua atividade, comprovadamente auferida e contabilizada, embora não declarada. Por fim, por se tratar de receita não declarada comprovadamente decorrente de sua atividade operacional, restam também improcedentes as alegações da recorrente quanto aos reflexos de PIS e COFINS, as quais somente fariam sentido no caso de se estar tratando de receitas não operacionais decorrentes da venda de bens do ativo permanente, o que decididamente não é o caso. Quanto à inconformidade da recorrente com relação à cobrança dos juros de mora tendo por base a taxa SELIC, cumpre observar o disposto na Súmula CARF nº 4, de observância obrigatória no âmbito deste Colegiado: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Fl. 10DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 05/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 19515.001571/200511 Acórdão n.º 110200.453 S1C1T2 Fl. 281 11 Pelo exposto, afasto as preliminares, e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 11DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 05/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
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Numero do processo: 10680.008928/2008-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2007
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Devese
restabelecer as despesas médicas quando os documentos apresentados
satisfazem as exigências da legislação em vigor.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2101-001.115
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Devese restabelecer as despesas médicas quando os documentos apresentados satisfazem as exigências da legislação em vigor. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) __________________________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Presidente substituto e relator. EDITADO EM: 20/05/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Goncalo Bonet Allage, José Evande Carvalho Araujo, Maria Paula Farina Weidlich, Celia Maria De Souza Murphy, Alexandre Naoki Nishioka. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 0220.151, proferido pela 5ª Turma da DRJ Belo Horizonte (fl. 48), que, por unanimidade de votos, Fl. 81DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 rejeitou a preliminar e, no mérito, julgou procedente em parte o lançamento, para restabelecer a dedução com a previdência privada, . A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Contra a contribuinte Lucy Costa Pereira Santos, CPF 002.083.45604, foi constituída notificação de lançamento, fls. 12 a 15, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2007, anocalendário 2006, formalizando a exigência de crédito tributário assim discriminado (valores em reais): Imposto de renda suplementar (sujeito à multa de oficio) 16.454,80 Multa de oficio 12.341,10 Juros de mora calculados até 05/2008 1.938,37 Imposto de renda (sujeito à multa de mora) 8.172,23 Multa de mora 1.634,44 Juros de mora calculados até 05/2008 962,68 Valor do crédito tributário apurado 41.503,62 O lançamento reportase aos dados informados na declaração de ajuste anual da contribuinte, entre os quais foram alteradas as despesas médicas de R$ 29.627,09 para R$ 0,00, as deduções a título de contribuição à previdência privada e fapi de R$ 1.388,24 para R$ 0,00 e o valor compensado a título de imposto de renda retido na fonte pela Empresa Unimed BH, CNPJ 16.513.178/000178, de R$ 16.097,82 para R$ 0,00, pela não comprovação do pagamento. Como enquadramento legal, são citados, entre outros, os seguintes dispositivos: art. 8, inc. II, alínea "a", alínea "e", § 2° e § 3°, art. 12, inc. V, da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 7°, § 1 0, § 2°, art. 73, art. 80, art. 82 e § 1°, art. 83, art. 87, inc. IV, § 2° art. 841, inc. II, do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, art. 43 a art. 48 da Instrução Normativa SRF n° 15, de 06 de fevereiro de 2001. Na declaração originariamente apresentada, fls. 42 a 44, foi apurado saldo de imposto a pagar no valor de R$ 3.749,52. Cientificada da exigência em 16/06/2008, fl. 45, em 09/07/2008, a contribuinte apresenta impugnação, fls. 01 a 04, por meio de seu procurador, fl. 05, instruída com os documentos de fls. 06 a 37, com as seguintes alegações em síntese: • Não é verdade que a contribuinte não atendeu à intimação, tendo em vista que entregou pessoalmente cópias dos documentos solicitados, conforme comprova o documento anexado; • Desta forma, é absolutamente nula de pleno direito a notificação ora impugnada, eis que a mesma é inteiramente calcada na falsa premissa de que a impugnante não atendera à intimação, apesar de regularmente intimada; • O contracheque comprova a despesa médica no valor de R$ 4.627,09; • Para comprovar as demais despesas médicas, foram anexados recibos dos profissionais de saúde que atenderam a impugnante; • Por se tratar de pessoa idosa, não utiliza cheques ou quaisquer outros meios para efetuar o pagamento de suas despesas, as quais são pagas em moeda corrente nacional, fazendo a retirada integral de seus proventos de aposentada quando são creditados na sua conta; • A Secretaria da Receita Federal poderá comprovar que os honorários pagos pela impugnante aos profissionais foram integralmente declarados; • Uma prova pericial, tanto no campo da psicologia, quanto no da odontologia, certamente comprovará a procedência dos tratamentos realizados e, conseqüentemente, dos dispêndios incorridos para esse atendimento; Fl. 82DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.008928/200840 Acórdão n.º 210101.115 S2C1T1 Fl. 77 3 • Com relação à dedução a título de contribuição à previdência privada e a Fapi, temse que o valor declarado foi descontado pelo Ministério da Fazenda diretamente no contra cheque da impugnante, conforme demonstra o documento anexado; • Referente à compensação de imposto de renda retido na fonte, a impugnante se equivocou ao oferecer à tributação rendimentos declarados como tendo sido pagos pela Empresa UnimedBH no anobase de 2006, vez que os referidos valores são referentes ao anobase 2005, já inseridos na Declaração do exercício de 2006; • Ao informar novamente os rendimentos que percebera em 2005 na Declaração pertinente ao exercício 2007, acrescentou receita que não auferiu, como também os descontos na fonte; • Esse engano somente foi percebido agora, assim ora apresenta a retificação da sua Declaração referente ao anobase de 2006, com a exclusão da receita e do respectivo imposto da fonte, o qual demonstra que há um crédito em favor da impugnante no importe de R$ 4.896,81, ainda não calculados juros e correção monetária em seu favor; • Ante o exposto, não são devidos o imposto de renda suplementar e as respectivas multa de mora e juros de mora que constam na notificação de lançamento impugnada; • E, ao final, protesta por produzir outras provas, caso necessário. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau consubstanciou o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2007 NULIDADE. Inexistindo incompetência ou preterição do direito de defesa, não há como alegar a nulidade do lançamento. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixe de atender aos requisitos previstos no inciso V do art. 16 do Decreto n.o 70.235, de 1972. PROVAS. PRAZO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto nos casos legalmente previstos. DEDUÇÕES. Somente são admitidas as deduções pleiteadas com a observância da legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. RETENÇÃO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. Fl. 83DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Com base na documentação constante dos autos, retificase o lançamento. Lançamento Procedente em Parte Em seu apelo ao CARF o recorrente reitera as mesmas questões suscitadas perante o juízo a quo. É o Relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Em litígio, tãosomente, a glosa das despesas médicas realizadas com os profissionais Carlos Alfredo Delgado Queiroz (odontólogo) e Kelma Menezez Rosa (psicóloga). Consta na Descrição dos Fatos da Notificação de Lançamento, à fl. 10, o seguinte fundamento para a glosa das despesas médicas: Conforme disposto no art. 73 do Decreto n. 6 3.000/99 RIR/99, todas as deduções pleiteadas na Declaração de Ajuste Anual estão sujeitas à comprovação ou justificação. Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu à Intimação até a presente data. Em decorrência do não atendimento à Intimação, foi glosado o valor de R$29.627,09, deduzido indevidamente a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação. A decisão de primeiro grau restabeleceu as deduções com previdência privada, excluiu do lançamento a infração compensação indevida de IRRF e restabeleceu a despesa médica de R$4.627,09, relacionada à fonte pagadora da contribuinte, Ministério da Saúde (fl. 17). A Notificação de Lançamento em exame foi lavrada em 02/06/2008 (fl. 12) e diferentemente do que informa a descrição dos fatos, acima transcrita, o protocolo de entrega de cópia de documentos, à fl. 16, datado de 11/04/2008, relaciona todos os recibos das despesas e declarações dos profissionais que prestaram os serviços. Consta, à fl. 10, recibo de radiografia dentária, dedução não pleiteada, mas que serve de prova complementar e evidencia acompanhamento e tratamento odontológico no ano de 2006, além da ficha dentária indicada no referido protocolo, reapresentado juntamente com o recurso voluntário (fls. 69/73). Entendo também que a idade avançada da autuada (79 anos) pode demandar os serviços psicológicos domiciliar, conforme relatado pela prestadora dos serviços. Desta forma, não procede a acusação fiscal de que a contribuinte não atendeu à intimação, motivo suficiente para a improcedência do lançamento. Por outro lado, entendo que os documentos às fls. 10/11, 16/26, 28, 67/74, formam um conjunto probatório favorável ao pleito da recorrente. Fl. 84DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.008928/200840 Acórdão n.º 210101.115 S2C1T1 Fl. 78 5 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Fl. 85DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10280.002556/2006-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DO ERRO NA INFORMAÇÃO DA FONTE PAGADORA.
Comprovado que os valores lançados a título de omissão de rendimentos decorreram de informação incorreta da fonte pagadora, não tendo o contribuinte recebido essa quantia no ano-calendário
sob fiscalização, há que se cancelar o lançamento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2101-001.130
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
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materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DO ERRO NA INFORMAÇÃO DA FONTE PAGADORA. Comprovado que os valores lançados a título de omissão de rendimentos decorreram de informação incorreta da fonte pagadora, não tendo o contribuinte recebido essa quantia no ano-calendário sob fiscalização, há que se cancelar o lançamento. Recurso Voluntário Provido.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DO ERRO NA INFORMAÇÃO DA FONTE PAGADORA. Comprovado que os valores lançados a título de omissão de rendimentos decorreram de informação incorreta da fonte pagadora, não tendo o contribuinte recebido essa quantia no anocalendário sob fiscalização, há que se cancelar o lançamento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka. Fl. 53DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 2 a 6, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2003, para lançar infração de omissão de rendimentos recebidos da Universidade Federal do Pará, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$14.491,03, acrescido de multa de ofício e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fl. 1), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fl. 24 v), que a autuação se originou de “informações erradas da fonte pagadora, no caso a Universidade Federal do Pará — UFPA , à qual recorreu em caráter administrativo, tendo a UFPA informado à Receita, em DIRF do tipo retificadora, transmitida via internet e recebida pelo agente recebedor SERPRO em 06/06/2006 às 10:48:43h, com o n° de recibo 34.39.34.47.7353, sendo excluídos os valores a mais informados anteriormente.” ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 24 a 25): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Cabível o lançamento de IRPF por omissão de rendimentos em função de DIRF retificadora apresentada pela fonte pagadora. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. INCLUSÃO. Cabível a inclusão de IRRF incidente sobre os rendimentos omitidos. Lançamento Procedente O julgador de 1a instância fundamentou sua decisão da seguinte maneira (fls. 24v e 25): Da Declaração de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte DIRF Ao apresentar sua impugnação, o contribuinte alega não proceder o lançamento por omissão de rendimentos (R$ 118.785,40) visto que a fonte pagadora teria apresentado DIRF retificadora. Fl. 54DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10280.002556/200699 Acórdão n.º 2101001.130 S2C1T1 Fl. 52 3 De fato, os documentos de fls.7/9 e 19 mostram que foi apresentada em 07/06/2006 DIRF retificadora pela UFPA com rendimentos tributáveis de R$ 32.102,10 e IRRF de R$ 2.485,01. Ocorre que a mesma fonte pagadora apresentou em 20/12/2007 nova DIRF retificadora (fl.23) alterando os rendimentos tributáveis para R$ 150.887,50 e IRRF de R$ 19.917,70, valores iguais aos lançados pela fiscalização. Assim, sendo esta a última declaração apresentada pela fonte pagadora em questão, tornamse verdadeiros os valores lançados no auto de infração a título de rendimentos tributáveis e IRRF. Destarte, o lançamento de fls.2/6 deve ser mantido. Cientificado da decisão de primeira instância em 01/08/2008 (fl. 28), o contribuinte apresentou, em 25/08/2008, pedido de retificação de acórdão(fls. 29 a 35), que foi indeferido (fls. 37 e 38). RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 30/09/2008 (fl. 49), o contribuinte apresentou, em 03/10/2008, o recurso de fls. 40 a 48, onde afirma que: a) a UFPA apresentou em 20/12/2007 nova DIRF retificadora alterando os valores tributáveis para R$ 150.887,50 e IRRF de R$ 19.917,70, o que coincide com os valores lançados pela fiscalização; b) no entanto, a fonte pagadora por mais uma vez apresentou a DIRF de maneira incorreta, porque tais rendimentos dizem respeito à uma ação em trâmite na Justiça do Trabalho em que o requerente reclama verbas não quitadas pela UFPA.; c) essa reclamação ainda está em fase de execução e pagamento por precatório, sendo que o requerente ainda sequer recebeu quaisquer valores, conforme se comprova pela Certidão em anexo emitida pela MM 8a Vara do Trabalho de Belém (doc. 1); d) diante disto, o contribuinte mais uma vez protocolou junto à Reitoria da Universidade Federal do Pará pedido administrativo para que restasse demonstrado que o mesmo efetivamente teria recebido os valores declarados (doc. 2); e) aquela Instituição respondeu, por meio de Declaração, que se tratava de valores depositados nos autos do processo judicial no 01271198900808001, ainda em trâmite na 8a Vara do Trabalho de Belém, ou seja, de acordo com o que o contribuinte afirma, já que ainda não recebeu os valores da ação judicial (doc. 3). f) ainda, reconhecendo novamente a incorreção da DIRF, a Universidade Federal do Pará providenciou nova DIRF retificadora recebida pelo agente receptor em 04/08/2008 às 17:20:15 sob o no 2998276853, onde comprova que o contribuinte não obteve rendimentos tributáveis não informados na sua declaração de imposto de renda, conforme juntase o protocolo da DIRF e o Comprovante de Rendimentos pagos e retenção de imposto de renda na fonte anocalendário 2002 (doc. 4 e 5). Fl. 55DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Ao final, requer o provimento do presente recurso voluntário, para, reformando a decisão de primeira instância, julgar o auto de infração improcedente. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 50, que também trata do envio dos autos ao então Primeiro Conselho de Contribuintes. É o Relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. O contribuinte informou, em sua declaração de ajuste do exercício de 2003, rendimentos tributáveis de R$32.102,10 recebidos da Universidade Federal do Pará – UFPA (fls. 14 a 17). Entretanto, essa fonte pagadora informou à Receita Federal ter pago R$150.887,50 ao contribuinte nesse exercício, o que motivou a presente autuação da diferença como omissão de rendimentos (fl. 3). Na impugnação, o contribuinte informa que a UFPA havia declarado erroneamente, o que se evidenciava pela apresentação de DIRF retificadora que informava os rendimentos pagos em valores iguais ao por ele declarado (fls. 7 e 8). Entretanto, por ocasião do julgamento, a UFPA havia retificado novamente sua DIRF, retornando o valor dos rendimentos pagos para R$150.887,50 (fl. 23), o que fez com que o lançamento fosse considerado procedente. No voluntário, o recorrente afirma que a fonte pagadora cometeu novo equívoco com a segunda DIRF retificadora, e informa que os valores em disputa se referem a quantias depositadas pela UFPA em função de ação trabalhista, mas que ainda não recebeu essas verbas. Na fl. 47, consta certidão da 8a Vara do Trabalho de Belém, datada de 12 de agosto de 2008, que informa que o contribuinte ainda não recebeu quaisquer valores decorrentes do processo no 01271198900808001. Na fl. 44, consta declaração do Diretor de Finanças e Contabilidade da Universidade Federal do Pará, datada de 19 de agosto de 2008, que afirma que “os valores citados no documento inicial do Processo protocolado nesta Universidade Federal do Pará sob n° 018644/2008, no dia 04/08 do corrente, referemse ao depósito efetuado por esta IFES em favor do Tribunal Regional do Trabalho – 8a Vara, relativo ao Precatório n° 062/98 incluso no Processo Judicial n° 01271198900808001”. Já o documento a que se refere essa declaração está na fl. 43 destes autos, onde o recorrente solicita que se esclareça qual a origem dos R$150.887,50 declarados em DIRF. Nas fls. 45 a 48, constam recibo de entrega de nova DIRF retificadora apresentada pela UFPA em de 04/08/2008, novo comprovante de rendimentos pagos ao Fl. 56DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10280.002556/200699 Acórdão n.º 2101001.130 S2C1T1 Fl. 53 5 contribuinte no anocalendário de 2002, emitido nessa mesma data, informando um total de rendimentos tributáveis de R$ 32.102,10, e extrato dessa informação no sistema computadorizado da Receita Federal. Desta forma, está cabalmente demonstrado que o contribuinte não recebeu, no ano de 2002, os valores lançados a título de omissão de rendimentos nesta autuação. Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 57DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 19679.000249/2004-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2000
IRPF. PROVENTOS DE APOSENTADORIA RECEBIDOS DE ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do imposto, na fonte e na declaração, a partir de 01/01/1996, os rendimentos recebidos de entidades de previdência privada a título de complementação de aposentadoria, nos termos do art. 33 da Lei n.º 9.250/95.
De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, “por força da isenção concedida pelo art. 6º., VII, b, da Lei 7.713/88, na redação anterior à que lhe foi dada pela Lei 9.250/95, é indevida a cobrança de imposto de renda sobre o valor da complementação de aposentadoria e o do resgate de
contribuições correspondentes a recolhimentos para entidade de previdência privada ocorridos no período de 1º.01.1989 a 31.12.1995”.
Hipótese em que o Recorrente não comprovou que os recolhimentos à
entidade de previdência privada teriam sido realizados no referido período.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-001.046
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA RECEBIDOS DE ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto, na fonte e na declaração, a partir de 01/01/1996, os rendimentos recebidos de entidades de previdência privada a título de complementação de aposentadoria, nos termos do art. 33 da Lei n.º 9.250/95. De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, “por força da isenção concedida pelo art. 6º., VII, b, da Lei 7.713/88, na redação anterior à que lhe foi dada pela Lei 9.250/95, é indevida a cobrança de imposto de renda sobre o valor da complementação de aposentadoria e o do resgate de contribuições correspondentes a recolhimentos para entidade de previdência privada ocorridos no período de 1º.01.1989 a 31.12.1995”. Hipótese em que o Recorrente não comprovou que os recolhimentos à entidade de previdência privada teriam sido realizados no referido período. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Substituto Fl. 1DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19679.000249/200411 Acórdão n.º 210101.046 S2C1T1 Fl. 79 2 (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos (Presidente Substituto), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Evande Carvalho Araújo (convocado), Walter Reinaldo Falcão Lima (convocado), Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 44/53) interposto em 21 de outubro de 2009 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (fls. 35/38), do qual o Recorrente teve ciência em 13 de outubro de 2009 (fl. 40, verso), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 17/19, lavrado em 29 de outubro de 2003, em decorrência de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica ou física, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício, verificada no ano calendário de 1999. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1999 APOSENTADORIA – COMPLEMENTAÇÃO RECEBIDA DE ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. Submetemse à tributação os benefícios recebidos de entidades de previdência privada a partir de 01.01.96, nos termos do artigo 33 da Lei n.º 9.250, de 1995. Lançamento Procedente” (fl. 35). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 44/53), pedindo a reforma da decisão recorrida, para cancelar o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Não há preliminares, aduzindo o Recorrente, quanto ao mérito, que (i) está ocorrendo bitributação, pois o valor descontado na fonte e recolhido à Caixa da Previdência Fl. 2DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19679.000249/200411 Acórdão n.º 210101.046 S2C1T1 Fl. 80 3 agora será novamente submetido à tributação em razão do resgate que ocorrer mês a mês; (ii) não foram respeitados os princípios constitucionais da legalidade, da proporcionalidade e da razoabilidade; (iii) é indevida a cobrança de imposto de renda sobre valores de complementação de aposentadoria e de resgate de contribuição correspondente para entidade de previdência privada. Na realidade, tratase de recurso em que se discute, basicamente, se deveria ser aplicado ao presente caso o entendimento pacífico do Superior Tribunal de Justiça, segundo o qual “por força da isenção concedida pelo art. 6º., VII, b, da Lei 7.713/88, na redação anterior à que lhe foi dada pela Lei 9.250/95, é indevida a cobrança de imposto de renda sobre o valor da complementação de aposentadoria e o do resgate de contribuições correspondentes a recolhimentos para entidade de previdência privada ocorridos no período de 1º.01.1989 a 31.12.1995” (fl. 65). Independentemente da força dos argumentos trazidos pelo Recorrente, que poderiam sim ensejar o provimento do recurso, fato é que não houve comprovação de que os recolhimentos à entidade de previdência privada teriam sido realizados no período de 1º./01/1989 a 31/12/1995. Essa circunstância é suficiente para justificar a manutenção da decisão recorrida, pois é do Recorrente o ônus de provar os fatos impeditivos, modificativos e extintivos do direito do Fisco, o que não foi feito no presente caso. Assim, ainda que aplicável à hipótese dos autos a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o Recorrente não comprovou que a situação descrita no auto de infração se subsume à decisão do referido Tribunal Superior. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 3DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 20/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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