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Numero do processo: 36266.004093/2006-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/07/2002
EMBARGOS CONTRADIÇÃO PROPOSITURA PELA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL.
Com fulcro no art. 66 e seguintes do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
No caso, havendo declaração de decadência de período não apurado no lançamento, o acordão deve ser revisto considerando a existência de contradição entre os fatos demonstrados no lançamento e os termos da decisão proferida.
A análise dos embargos deve ficar restrita aos termos da matéria embargada, mantendo inalterado o restante do julgamento.
Embargos Acolhidos
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-001.882
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para rerratificar o Acórdão nº 40100.983,
passando a rejeitar a preliminar de decadência, sem alteração do resultado do julgamento do mérito.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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Com fulcro no art. 66 e seguintes do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. No caso, havendo declaração de decadência de período não apurado no lançamento, o acordão deve ser revisto considerando a existência de contradição entre os fatos demonstrados no lançamento e os termos da decisão proferida. A análise dos embargos deve ficar restrita aos termos da matéria embargada, mantendo inalterado o restante do julgamento. Embargos Acolhidos Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para rerratificar o Acórdão nº 240100.983, passando a rejeitar a preliminar de decadência, sem alteração do resultado do julgamento do mérito. Elias Sampaio Freire Presidente Fl. 579DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 2 Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 580DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 36266.004093/200671 Acórdão n.º 240101.882 S2C4T1 Fl. 578 3 Relatório Considerando a propositura de embargos com fulcro no art. 66 do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, a Fazenda Nacional, opõe, tempestivamente, Embargos de Declaração Com fulcro no art. 66 do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, a Delegacia da Receita Federal do Brasil, opõe Embargos de Declaração contra o Acórdão nº 240100.983 – de 28 de janeiro de 2010. Segundo o embargante, após análise do processo em consonância com a decisão proferida que deu provimento parcial, para que os fatos geradores até 07/1997 fossem excluídos, por encontraremse decadentes, observouse que não existem lançamentos apurados sobre fatos geradores anteriores a 07/1997, uma vez que a contribuição previdenciária apurada no débito referese a competência 07/2002, porém a origem do débito abrange o período de 02/1999 a 07/2002, conforme relatório fiscal. Apesar de constar como início da obra períodos anteriores a 07/1997, a área constante do ARO para cálculo da contribuição devida destas obras foi obtida descontandose a área já existente em 31/01/1999 (conforme certidões obtidas durante o procedimento fiscal). Assim, só foi considerada para efeitos de cálculo a área construída após 31/01/1999, daí a afirmação de que a origem do débito deuse apenas a partir de 02/1999. Face o exposto, diante da possível “inexatidão material devido a lapso manifesto”, propõe o encaminhamento a este Conselho para ser apreciado como requerimento de retificação de decisão ou revisão do acórdão n. 240100.983/2010. Contudo para adentrar aos pontos que entende a relatora geraram contradição, transcrevo abaixo o relatório do acordão que não sofreu qualquer alteração. O presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados, da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a destinada aos Terceiros, em virtude da utilização de mãodeobra assalariada, na edificação de obra de construção civil de responsabilidade do notificado. Os valores das contribuições foram apurados por meio do Aviso de Regularização de Obra – ARO emitido em 07/2002, contudo referente ao período de 02/1999 a 07/2002, tendo a remuneração Fl. 581DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 4 sido arbitrada com base na área construída e no padrão da edificação. Segundo o relatório fiscal a remuneração de trabalhadores que executaram as obras de construção civil para notificada, não foram devidamente registradas em folhas de pagamento, sejam da própria construtora ou de subempreiteiros contratados. Ainda conforme descrito no relatório fiscal o arbitramento deveuse ao fato de a contabilidade da notificada não registrar sua real movimentação financeira, conforme preceitua o art. 49 da IN INSS/DC nº 18/2000. Considerando que a contabilidade não espelhava a realidade da movimentação financeira, o crédito foi apurado nos termos do art 33, § 6º e 4º da Lei 8.212/91. O montante dos salários pagos pela execução das obras desta construtora aqui avaliados por meio do ARO, foi obtida como determina a IN INSS/DC nº 18/2000 e a Ordem de Serviço INSS/DAF nº 161/1997, procedendose ainda a dedução do recolhido pela empresa conforme descrito nas normas. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 07/08/2002, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 12/08/2002. Inconformado com a NFLD, a notificada apresentou defesa, conforme fls. 232 a 246. O processo foi baixado em diligência, tendo o auditor emitido informação fiscal às fls. 312 a 315. Tendo considerado intempestiva a defesa, a autoridade previdenciária emitiu competente Termo de Revelia, fls. 319 a 320. Apesar de não cientificado dos termos da diligência, a empresa tendo solicitado vistas ao processo acabou por ter conhecimento dos termos da informação, tendo encaminhado aditivo a defesa às fls. 325 a 344. Tendo pairado dúvidas acerca da data da impugnação o processo foi encaminhado para procuradoria para manifestação fls. 346. O processo foi novamente submetido a auditora analista para avaliação dos argumentos apontados pelo recorrente, tendo a mesma se manifestado às fls. 351 a 364. Devidamente cientificado dos termos da análise o recorrente manifestouse às fls. 371, solicitando a reavaliação da tempestividade e apresentando os documentos para comprovar a data da efetiva interposição do recurso. A procuradoria novamente manifestouse no sentido de que fosse declarada a tempestividade do recurso e procedesse o INSS a apreciação dos argumentos apontados pelo recorrente. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, fls. 438 a 452, sendo que o principal Fl. 582DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 36266.004093/200671 Acórdão n.º 240101.882 S2C4T1 Fl. 579 5 argumento rebatido pela autoridade julgadora é no sentido de que apesar de alegar ser sua contabilidade regular, razão porque incabível o arbitramento da base de cálculo, não fez o recorrente qualquer prova do alegado. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 455 a 471, onde, em síntese a recorrente alegou o seguinte: Em momento algum apresentou recurso meramente protelatório conforme dito pela autoridade julgadora de 1ª instância, pelo contrário em primeiro lugar entendeu o recorrente ser necessário provar tratarse de recurso tempestivo. NO que concerne a desconsideração da contabilidade o recorrente tanto na impugnação , como na complementação fez extenso arrazoado, Sobre a desconsideração, tendo concluído que poucos fatos não ligados diretamente a empresa, não tem o poder de desconsiderar a contabilidade. Restou demonstrado que os relatórios fiscais encontramse falhos apresentando diversas afirmações sem lastro fático. As razões apresentados foram apreciadas de forma superficial, ou mesmo não foram apresentadas, o que fere o princípio da motivação. A doutrina brasileira é unânime ao entender que a motivação é essencial para dar validade aos atos administrativos. Conforme discutido nos itens 6.6.3 do relatório e seguintes não tem a empresa admitir que mesmo que a contabilidade seja desconsiderada não autoriza o arbitramento, sem critérios jurídicos e econômicos. Ora, tratandose de casas populares com contrato firmado com banco estatal, no caso CEF, este deve ser o custo da obra real a ser considerado e não custo avaliado como quer fazer crer a autoridade julgadora. Estamos diante, de um custo real, contratado e faturado, em contraponto com o custo pesquisado pelo sindicato, no caso o SINDUSCON. Mesmo diante da verificação da contabilidade até 12/2001, procedeu a fiscalização a desconsideração da contabilidade até 07/2002, tendo o débito sido lançado por arbitramento. Admitindose apenas com o objetivo de argumentar que a contabilidade até 12/2001, apresente problemas, não há como aceitar que o arbitramento realizado perdure até o ano de 07/2002, visto tratarse de outro exercício de apuração e ela certamente será diferente da contabilidade dos anos anteriores. Esse comportamento do fisco fere o princípio da igualdade tributária, e a conseqüência inevitável é que a empresa não terá preços competitivos para exercer a concorrência , o que significa sua extinção. Fl. 583DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 6 Nos termos da IN nº 70, só poderá ser aferido indiretamente a base de cálculo de contribuição referente a período no qual ocorreu qualquer hipótese prevista nos incisos I a II e IV. Arbitrar em período diverso do que aquele em que se constataram irregularidades constitui o típico excesso de exação.que é repelido veementemente pelo legislador. Se for considerado válido o arbitramento realizado , tornase possível em todas as obras futuras , o arbitramento da base de cálculo de contribuições, o que afetará a livre concorrência. Nenhuma nota fiscal específica de despesa fictícia foi lançada na contabilidade, sendo que somente na visão do auditor fiscal, que diante de problemas nas empresas fornecedoras, entendeu por presunção que os materiais não teriam sido fornecidos. Reafirmando a tese, é aceita por mera argumentação, que até 2001, a contabilidade registrou despesas fictícias, com o presente lançamento, essas despesas concretamente foram transformadas em salários, e com isso o fisco já fez o acerto. Portanto, a partir de 2002 vida nova! Cada matrícula apresenta uma peculiaridade, devendo ser apreciada de maneira cuidadosa, visto que algumas encontram se encerradas, outras apresentam recolhimento. Não existe em todo o lançamento e seus relatórios, bem como no procedimento administrativo a indicação, nomeação , referência a qualquer documento que diga respeito à remuneração de empregados não lançada. Tanto na impugnação, quanto no aditivo restou provado que as obras foram arbitradas tendo por base áreas não construídas, que obras regularizadas foram cobradas e que obras diferentes foram vinculadas a uma só matrícula. A autenticação de documentos só será exigida, quando houver dúvida da autenticidade do documento, e até esse momento nada foi levantado quanto aos habitese anexados ao procedimento, e que qualquer dúvida deve ser dado oportunidade a recorrente para manifestarse. Diante de todo o exposto a improcedência da NFLD há de ser decretada, mas se assim não entender apenas para argumentar, o AI deve ser tornado nulo, por todos os vícios. NO item 3.2.3.10 foi conhecido o argumento quanto ao MPF, sendo que as razões não foram contraditas, o que fere o princípio do contraditório e da ampla defesa. Nos meses de 01 e 02/2002 o auditor praticou atos sem estar devidamente amparado. O MPF cujo vencimento deuse em 28/03/2002 foi extinto, sem a emissão de novo, o que torna todo o procedimento nulo. Assim, restam maculadas as solicitações de documentos, depoimentos prestados por terceiros, bem como o resultado da ação fiscal. Fl. 584DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 36266.004093/200671 Acórdão n.º 240101.882 S2C4T1 Fl. 580 7 Protesta pela apresentação de todos os meios de prova, e requer que o débito seja tornado improcedente. A unidade da SRP apresentou contrarazões destacando não existirem fatos novos a serem apreciados. O recurso foi considerado deserto, tendo o recorrente obtido liminar para dar provimento a análise do pleito, fls. 544 a 553. É o relatório. Fl. 585DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 8 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: Os pressupostos já foram devidamente apreciados quando do julgamento realizado, ora objeto de embargos. DA ANÁLISE DOS EMBARGOS Da análise dos elementos expostos, entendo que razão assiste ao embargante, uma vez que foi proferido resultado que contempla a exclusão de fatos geradores não incluídos no lançamento em questão. Conforme descrito pelo embargante, os relatórios ARO, indicaram como início das diversas obras apuradas no lançamento períodos anteriores a 07/1997, mais precisamente 11/1994 e 05/1996, porém no relatório fiscal restou descrito que a origem do débito abrande período de 02/1999 a 07/2002, já que já existia regularização parcial de áreas das obras, o que demonstra que realmente o acórdão padece de contradição que merece ser reparada. Face o exposto, entendo que devem ser acatados os embargos propostos para que se corrija a obscuridade/contradição apontada em relação a aplicação da decadência qüinqüenal. Notese que o ponto devolvido para análise por meio dos embargos diz respeito apenas a aplicação da decadência quinquenal, sendo este o único ponto a ser abordado no voto a seguir. ANÁLISE DA DECADÊNCIA Contudo, ao contrário da fundamentação para aplicação da retroatividade benigna exarada no Acórdão nº 240101.087 – de 24 de fevereiro de 2010, a aplicação da lei 11.941/2009 deve ser assim entendida. Contudo, entendo que exista outro ponto a ser apreciado, porém não suscitado pelo recorrente, que é a aplicação do instituto da decadência ao caso em questão. Pelo que consta no DAD – Discriminativo analítico de débito, a NFLD em tela engloba diversas obras de responsabilidade da empresa, sendo que o valor das contribuições foram apuradas por meio do ARO, tendo sido anexados as fls. 49 a 57, todas as obras que ensejaram contribuições, senão vejamos: MATRÍCULA INCIO OBRA TERM. OBRA RECOLHIMENTOS 2126901030/74 01/11/1994 31/07/2002 02/1999 A 03/2000 2126901058/76 01/05/1996 31/07/2002 02/1999 A 06/2002 2126901084/77 01/03/1997 31/07/2002 02/1999 A 03/2002 Fl. 586DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 36266.004093/200671 Acórdão n.º 240101.882 S2C4T1 Fl. 581 9 2126901086/72 30/04/1997 28/02/1999 02/1999 2126901133/75 01/07/1998 28/02/1999 02/1999 A 03/1999 2126901141/77 01/07/1998 31/12/1999 02/1999 A 06/1999 2126901169/79 01/01/2000 31/07/2002 05/1999 A 07/2002 2126901171/77 01/06/1999 02/02/2000 03/1999 A 01/2000 2126901173/71 01/11/1999 30/04/2000 11/1999 A 04/2000 3777000176/71 01/05/2000 31/07/2002 05/2000 A 04/2002 3777000218/78 01/08/1999 31/07/2002 10/2001 A 05/2002 3777000242/75 01/09/1999 31/07/2002 09/1999 E 05/2000 A 06/2002. 3777000243/77 01/01/2000 30/06/2000 02/2000 A 06/2002 3777000412/71 01/01/2000 30/06/2000 02/2000, 03/2000 E 02/2002 3777000501/76 01/02/1999 31/07/2002 01/2000 A 06/2002 3777000680/70 01/07/2000 31/01/2001 07/2000 A 01/2001 5000561656/77 09/02/2002 31/07/2002 5000561656/77 09/02/2002 31/07/2002 Assim, quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, entendo cabível a sua apreciação. Nesse sentido, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido à decisão do STF, proferida recentemente. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, profiro meu entendimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos Fl. 587DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 10 casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa Fl. 588DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 36266.004093/200671 Acórdão n.º 240101.882 S2C4T1 Fl. 582 11 consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do Fl. 589DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 12 contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, Fl. 590DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 36266.004093/200671 Acórdão n.º 240101.882 S2C4T1 Fl. 583 13 "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com Fl. 591DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 14 fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas Fl. 592DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 36266.004093/200671 Acórdão n.º 240101.882 S2C4T1 Fl. 584 15 para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4º. No caso, identificamos, que ao desconsiderar a contabilidade da empresa, procedeu a autoridade fiscal ao arbitramento do valor da mão de obra com base no CUB, tendo inclusive lançado o recolhimento de todas a contribuições realizadas pela empresa. Assim, entendo ser aplicável o art. 150 § 4º. Assim, no lançamento em questão a lavratura da NFLD deuse em 07/08/2002, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 12/08/2002. Conforme descrito no relatório a regularização foi parcial e abrangeu apenas o período de 02/1999 a 07/2002. Logo, em aplicandose o art. 150, § 4º do CTN, não há decadência a ser declarada. Superadas as preliminares, passo ao análise do mérito. DO MÉRITO Quanto ao mérito, como não houve a oposição de embargos, deve ser mantido inalterado o resultado proferido, bem como as razões que fundamentaram a negativa do provimento ao recurso CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO DOS EMBARGOS, para rerratificar o acordão 240100.983, passando a rejeitar a preliminar de decadência, sem alteração do resultado do julgamento no mérito. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 593DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 16 Fl. 594DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE
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Numero do processo: 10805.720474/2007-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2003
IRPJ. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. O imposto de
renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser aproveitado na declaração da contribuinte, pessoa jurídica, se, além de comprovar a retenção do imposto, restar demonstrada a inclusão dos rendimentos, sobre os quais incidiu a retenção, na base de cálculo para determinação do resultado.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-000.428
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, relativo ao saldo negativo de recolhimentos do IRPJ/2003, no valor original de R$ 637.128,33, bem como homologar as DCOMP até o limite desse valor, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser aproveitado na declaração da contribuinte, pessoa jurídica, se, além de comprovar a retenção do imposto, restar demonstrada a inclusão dos rendimentos, sobre os quais incidiu a retenção, na base de cálculo para determinação do resultado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, relativo ao saldo negativo de recolhimentos do IRPJ/2003, no valor original de R$ 637.128,33, bem como homologar as DCOMP até o limite desse valor, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10805.720474/200744 Acórdão n.º 140200.428 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório DELPHI AUTOMOTIVE SYSTEMS DO BRASIL LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Tratase o presente processo de Declarações de Compensação eletrônicas para extinção de débitos tributários com crédito de saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2003, apurado no valor de R$ 1.614.683,31. Por meio do Despacho Decisório acostado às fls. 43/45 e cientificado em 13/11/2007 (AR de fl. 53verso), abaixo sintetizado, a autoridade preparadora deferiu parcialmente o pleito, determinando que fosse reconhecido em parte o direito creditório em favor da empresa, bem como homologadas as compensações, até o limite do direito creditório reconhecido. Ementa: COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO IRPJ de 31/12/2003.Saldo Negativo Parcialmente Reconhecido. Não é cabível a dedução do IRRF no cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real se os rendimentos que originaram esta retenção não foram oferecidos à tributação. RELATÓRIO Tratamse de Declarações de Compensação (fls. 01/12) de débitos de estimativas de IRPJ, no valor total de R$ 1.753.344,55, com crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/2003, no valor de R$ 1.614.683,31. As Dcomps foram transmitidas através do programa PER/DCOMP e estão listadas a seguir:[........] Os débitos foram cadastrados no PROFISC, conforme extrato de fls. 13. FUNDAMENTAÇÃO E PROPOSTA Conforme indica a Ficha 12 A – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, da DIPJ 2004 (fls. 13), o saldo negativo do IRPJ de 31.12.2003, de R$ 1.614.683,31, foi assim determinado: Cálculo do IR sobre o Lucro Real R$ IR sobre o Lucro Real alíquota de 15% 3.102.148,32 (+) Adicional 2.044.098,88 () Programa de Alimentação do Trabalhador 124.085,93 () Vale Transporte 0,00 () IR Retido na Fonte 68.130,55 () IR Mensal pago por Estimativa 6.568.714,03 (=) IR a Pagar (1.614.683,31) O valor de R$ 6.568.714,03, declarado na linha 17 – IR Mensal pago por Estimativa, foi composto, em parte, pelo Imposto de Renda Retido na Fonte, no valor de R$ 878.813,16. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10805.720474/200744 Acórdão n.º 140200.428 S1C4T2 Fl. 0 3 Deste total, R$ 657.271,27 correspondem ao Imposto de Renda Retido na Fonte sobre operações de SWAP (cód. 5273) conforme declarado na Ficha 53 – Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte da DIPJ 2003 (fls. 19/20). O valor declarado pelas fontes pagadoras foi de R$ 637.128,33 conforme extrato do sistema SIEFDIRF de fls. 26/37. Entretanto, em consulta à Ficha 06 A – Demonstração do Resultado, da DIPJ 2004 (fls. 38), verificase que a interessada não ofereceu à Tributação os rendimentos, no valor total de R$ 3.286.356,77, que originaram estas retenções na Fonte. As orientações para preenchimento da DIPJ/2004 (anocalendário 2003), na parte relativa às operações de “swap” estavam assim redigidas: Linha 06 A/21 – Ganhos Auferidos no Mercado de renda Variável, exceto Day Trade Indicar nesta linha: o somatório dos ganhos auferidos, em cada mês do período de apuração, em operações realizadas nas bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhados, existentes no País; os ganhos auferidos nas alienações, fora de bolsa, de ouro, ativo financeiro, e de participações societárias, exceto as alienações de participações societárias permanentes em sociedades coligadas e controladas e de participações societárias que permanecerem no ativo da pessoa jurídica até o término do anocalendário seguinte ao de suas aquisições; e os rendimentos auferidos em operações de swap e no resgate de quota de fundo de investimento cujas carteiras sejam constituídas, no mínimo por 67% (sessenta e sete por cento) de ações no mercado à vista de bolsa de valores ou entidade assemelhada (Lei nº 9.532, de 1997, art. 28, alterado pela MP nº 1.636, de 1998, art. 2º e reedições). Considerase ganho o resultado positivo auferido nas operações citadas acima, realizadas em cada mês, admitida a dedução dos custos e despesas incorridos, necessários à realização das operações. (grifouse) Compulsandose o extrato da DIPJ/2004 apresentada pela contribuinte, verificase que nenhum valor foi indicado na linha 06 A/21 (fls. 38). Uma vez que a interessada não ofereceu os rendimentos à Tributação, não é cabível a dedução do IRRF no cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, devendo o valor de R$ 657.271,27 ser DESCONSIDERADO. Com esta alteração, o saldo negativo de IRPJ de 31.12.2003, foi recalculado, resultando no valor de R$ 957.412,04: Cálculo do IR sobre o Lucro Real R$ IR sobre o Lucro Real alíquota de 15% 3.102.148,32 (+) Adicional 2.044.098,88 () Programa de Alimentação do Trabalhador 124.085,93 () Vale Transporte 0,00 () IR Retido na Fonte 68.130,55 () IR Mensal pago por Estimativa 5.911.442,76 (=) IR a Pagar (957.412,04) Diante do exposto, proponho o RECONHECIMENTO PARCIAL do direito creditório de R$ 957.412,04, base 31.12.2003, e, nos termos do art. 47 da IN SRF nº Fl. 3DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10805.720474/200744 Acórdão n.º 140200.428 S1C4T2 Fl. 0 4 600, de 28.12.2005, a HOMOLOGAÇÃO das PERDCOMP’s de fls. 01/12, ATÉ O LIMITE DO CRÉDITO RECONHECIDO. Inconformada, a defendente apresenta Manifestação de Inconformidade, protocolizada em 13/12/2007 e juntada às fls. 54/62, acompanhada dos documentos de fls. 64/113, alegando, em síntese, suas razões de fato e de direito, a seguir: Após resumos dos fatos, diz que, apesar de seu equívoco no preenchimento da DIPJ/2004, os ganhos financeiros auferidos nas operações de swap foram registrados em seu resultado – juntamente com as perdas decorrentes desse mesmo tipo de operação, bem como de outros instrumentos de proteção cambial – e regularmente oferecidos à tributação do IRPJ. A seguir, quanto ao direito, sustenta que independentemente de sua equivocada declaração na linha 32 da mesma Ficha da DIPJ/2004, as receitas financeiras decorrentes dos swaps cambiais foram indiretamente computadas no lucro real como redutores de despesas cambiais passivas e, portanto, submetidas à tributação na DIPJ/2004. Assevera ter o Despacho Decisório reconhecido a existência dos ganhos financeiros advindos dos swaps e admitiu a retenção do imposto de renda pelas instituições financeiras nos valores de, respectivamente, R$ 3.286.356,77 (ganho bruto) e R$ 657.271,27 (resultantes da aplicação da alíquota 20% aos ganhos brutos na época dos fatos geradores). Passa, então, a relatar os procedimentos contábeis adotados, relacionados aos ganhos auferidos nas operações de swap, destacando, inicialmente que: lançava a débito o valor líquido do ganho na conta de Bancos (e na subconta da instituição bancária gestora dos recursos); lançava a débito o valor do IRRF retido pela instituição intermediadora em conta de “IRRF a compensar”; e lançava em resultado o valor do ganho bruto da mesma operação, especificamente em contas relativas a ganhos com operações de hedge (conta nº 9259 e, casualmente, nº 925601). Busca comprovar que o ganho total reconhecido pela fiscalização (R$ 3.286.356,77) compôs a Demonstração de Resultado do Exercício Financeiro (DRE) de 2003 e, principalmente, foi incluído na Ficha 06/A da DIPJ/2004, reportandose a Demonstrativo do Resultado do Exercício Financeiro de 2003 (Doc. 04, fls. 103/105) e alegando ter lançado na coluna “Ajustes de Câmbio” os saldos (positivos e negativos) de todas as contas referentes aos resultados (ganhos ou perdas) auferidos em operações de hedge, o que levou a reconhecer uma despesa financeira de natureza cambial da monta de R$ 18.545.311,38, correspondente ao montante informado na DIPJ/2004, como se verifica pela soma das linhas 20 (variações cambiais ativas) e 32 (variações cambiais passivas) da Ficha 06A. A partir daí, conclui que todos os ganhos auferidos em swaps, inclusive aqueles desconsiderados pelas autoridades fiscais no presente caso e que somam R$ 3.286.356,77, foram efetivamente lançados no resultado em contas que, juntas, apuraram saldo devedor ao final do exercício e, por tal razão, foram indiretamente (via redução de despesas financeiras dedutíveis) oferecidos à tributação. Reprisa que os ganhos desconsiderados pela fiscalização, vale adicionar, compuseram o valor total das variações cambiais passivas de R$ 22.500.642,66 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10805.720474/200744 Acórdão n.º 140200.428 S1C4T2 Fl. 0 5 declarado na linha 32 da Ficha 06A da DIPJ e elabora tabela, abaixo reproduzida, objetivando demonstrar a composição da referida linha 32: Composição Linha 32 Ficha 06A DIPJ Conta Descrição Valor (R$) 925601 Aj. Câmbio Não Efet. CAR (1.237.090,05) 925604 Ganhos Cambio Efetiv.CAR (3.806.442,97) 925605 Aj.Câmbio Efet. Financ (36.079,28) 9259 Ganho Efet Oper Hedge (17 421.030,36) Total linha 32 ficha 06A (22.500.642,66) Assevera que, por sua vez, o saldo da conta contábil 9259 (incluído na linha 32) seria formado por diversos lançamentos contábeis, dentre os quais destacamse os ganhos que, somados, representam o valor de R$ 3.286.356,77: Valores questionados Rendimento IRRF Tratamento Contábil jan03 Aplicação "SWAP" Unibanco 534.030,19 106.806,03 Receita contabilizada na conta: 9259 Ganho Efet. Oper. Hedge fev03 Aplicação "SWAP" Unibanco 495.519,16 99.103,82 Receita contabilizada na conta: 9259 Ganho Efet. Oper. Hedge jun03 Aplicação "SWAP" Unibanco 64.831,84 12.966,36 Receita contabilizada na conta: 9259 Ganho Efet. Oper. Hedge mar03 Aplicação "SWAP" Banco Itaú 159.680,17 31.936,03 Receita contabilizada na conta: 925605 Aj.Câmbio Efet. Financ abr03 Aplicação "SWAP" Banco Boston 469.592,74 93.918,54 Receita contabilizada na conta: 925604 Ganhos Cambio Efetiv.CAR mai03 Aplicação "SWAP" Banco Boston 475.448,64 95.089,72 Receita contabilizada na conta: 9259 Ganho Efet. Oper. Hedge iun03 Aplicação "SWAP" Banco Boston 569.872,69 113.974,53 Receita contabilizada na conta: 9259 Ganho Efet. Oper. Hedge jan03 Aplicação "SWAP" Lloyds TSB Bank 238.346,32 47.669,25 Receita contabilizada na conta: 9259 Ganho Efet. Oper. Hedge fev03 Aplicação "SWAP" Lloyds TSB Bank 178.320,31 35.664,05 Receita contabilizada na conta: 9259 Ganho Efet. Oper. Hedge ago03 Aplicação "SWAP" Lloyds TSB Bank 55.512,81 11.102,56 Receita contabilizada na conta: 9259 Ganho Efet. Oper. Hedge set03 Aplicação "SWAP" Lloyds TSB Bank 45.201,90 9.040,38 Receita contabilizada na conta: 9259 Ganho Efet. Oper. Hedge Total 3.286.356,77 657.271,27 Informa que, por problemas de falta de integração de sistemas de sua contabilidade com lançamentos do extrato bancário, não foram identificados no livro razão da conta 9259 apenas e tãosomente os lançamentos individuais de R$ 238.436,32 e R$ 178.320,31 acima listados, mas busca demonstrar que tais valores compuseram o lançamento contábil de R$ 1.446.215,98 existente na referida conta, o que se nota Fl. 5DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10805.720474/200744 Acórdão n.º 140200.428 S1C4T2 Fl. 0 6 pela recomposição da ficha do antigo sistema IBM utilizado pela Defendente para essa instituição em específico. Apresenta a planilha a seguir reproduzida: Ficha sistema IBM conta Z 9259 Data Débito Crédito Jan/03 772.376,51 Jan/03 199.422,20 Fev/03 1.446.215,98 = 534.030,19 Banco Unibanco Fev/03 772.376,51 238.346,32 Lloyds TSB Bank 495.519,16 Banco Unibanco Fev/03 199.422,20 178.320,31 Lloyds TSB Bank 1.446,215,98 Mar/03 189.680,18 Mar/03 199.421,70 Mar/03 173.116,90 Abr/03 159.680,18 Abr/03 173.16,90 1.504.017,49 2.750.811,77 1.246.794,28 Diz que na planilha intitulada “Delphi Brasil FX Hedge Accouting”, na qual as posições desses contratos até sua efetiva liquidação são gerenciadas, os ganhos individuais acima mencionados foram registrados e reconhecidos na contabilidade da Defendente nos meses de janeiro (Doc. 05) e fevereiro de 2003 (Doc. 06). O lançamento desses ganhos na conta de resultado nº 9259, vale frisar, pode ser notado na linha da mesma planilha denominada “credit packard realized gain”. Dessa forma, pelos documentos e fatos acima analisados, a Defendente está certa de que tenha ficado absolutamente claro que a presunção das autoridades fiscais de que os ganhos brutos destacados não teriam sido oferecidos à tributação teve origem em mero equívoco no preenchimento da DIPJ, mas que, na medida em que evidenciado que referidos ganhos foram efetivamente oferecidos à tributação – ainda que como redutores das despesas de variações cambiais deduzidas do lucro real – imperativa a consideração dos respectivos créditos de IRRF cuja compensação é ora pleiteada. Transcreve ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes relativas a erro de preenchimento de declaração. A decisão recorrida está assim ementada: COMPENSAÇÃO. SALDO CREDOR IRPJ. ANTECIPAÇÕES. IRRF. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser aproveitado na declaração da contribuinte, pessoa jurídica, se, além de comprovar a retenção do imposto, restar demonstrada a inclusão dos rendimentos, sobre os quais incidiu a retenção, na base de cálculo para determinação do resultado. A alegação de que os rendimentos estariam contemplados em outra linha da declaração, como redutor de variações cambiais passivas, não considerada pela DRF, requer a apresentação de provas documentais e elementos da escrituração contemplando não somente a composição de tais rendimentos, mas também a formação do saldo da conta contábil que teria composto o valor informado na declaração, mormente se referido saldo decorre de elementos redutores, que não restaram identificados, nem justificados. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10805.720474/200744 Acórdão n.º 140200.428 S1C4T2 Fl. 0 7 No voto condutor do aludido acórdão extraise os seguintes fundamentos: Para comprovar que, no valor negativo de R$ 22.500.642,66, informado na linha 32 estariam incluídos os rendimentos de R$ 3.286.356,77, deveria a interessada demonstrar e identificar a composição de todas as parcelas que redundaram naquele montante negativo e apresentar elementos de sua escrituração, calcados em documentação hábil e idônea, refletindo a apuração desses valores. No caso, a interessada apresentou, apenas, o que seriam páginas do livro Razão Geral da conta 9259, em que estão refletidos lançamentos, dentre os quais estariam incluídos aqueles que totalizariam a quantia de R$ 3.286.356,77, mas não foi esse o valor que teria sido transferido para compor a linha 32, mas sim o saldo negativo de R$ 17.421.030,36. E, reprisese, acerca da composição das parcelas negativas que, somadas ao valor positivo de R$ 3.286.356,77, teriam redundado no saldo negativo de R$ 17.421.030,36 nada apresenta a interessada. Também não esclarece, mediante apresentação de documentos e elementos da escrituração os demais valores negativos que comporiam o valor de R$ 22.500.642,66 informado na linha 32. Se os rendimentos de R$ 3.286.356,77 estariam contemplados na linha 32, que é um valor negativo, deveria a defendente, no mínimo, identificar a que título foram considerados e contabilizados todos os redutores de tais rendimentos. Neste contexto, presentes inconsistências entre valores declarados na DIPJ (R$ 22.500.642,66 na linha 32 e zero na linha 21), e aqueles constantes da planilha apresentada pela interessada como subsídio para sua defesa (rendimento de R$ 3.286.356,77 e saldo da conta 9259 de R$ 17.421.030,36), não há como, com segurança, reconhecer crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ, dada a necessidade de certeza e liquidez para reconhecimento de direito creditório. Importa lembrar, neste ponto, que, nos termos da legislação processual em vigor, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333 do Código de Processo Civil). In casu, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que, no caso, teria apurado o pretendido saldo negativo de IRPJ. Concluise que ausentes provas documentais (a exemplo de elementos da escrituração) capazes de justificar o alegado erro na DIPJ (inclusão de rendimentos em outra linha), não há como reconhecer direito creditório já afastado pela DRF, pois os créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública devem estar devidamente comprovados e revestidos de liquidez e certeza. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual repisa as alegações da peça impugnatória , contesta uma a uma as conclusões do acórdão recorrido, e afirma que os documentos contábeis e fiscais já acostados aos autos seriam suficientes para comprovar a efetiva inclusão dessas receitas no resultado tributável da empresa. Inobstante isso, apresenta elementos de provas adicionais relativo à composição dos outros valores informados na ficha 6A da DIPJ/2003. Ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10805.720474/200744 Acórdão n.º 140200.428 S1C4T2 Fl. 0 8 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado o litígio se deve ao fato de a DRF ter constatado que a contribuinte não registrou na linha 21 da Ficha 06A da DIPJ/2004 os rendimentos de operações de swap, no valor de R$ 3.286.356,77, mas aproveitou o IRFonte dessas operações. Há também uma diferença quanto ao imposto retido na fonte que a contribuinte registrou na DIPJ pelo valor de R$ 657.271,17, enquanto as retenções informadas pelas fontes pagadores foram de R$ 637.128,33. A contribuinte alega que o erro seria do Lloyds Bank e que traria prova da retenção do valor de R$ 103.476,24, mas até o momento nada apresentou. Compulsando os autos, verificase que a DRF Santo André concluiu que os rendimentos não teriam sido tributados apenas pela análise da DIPJ/2004, isso em 03/10/2007 (fls. 36/37). Não há qualquer intimação è empresa para prestar esclarecimentos, mesmo em face de a contribuinte ter informado os rendimentos e o IRFonte na ficha 43 dessa mesma DIPJ. É certo que não havia transcorrido o prazo decadencial para o aprofundamento dessa análise (ainda restavam 15 meses). Por sua vez, diante das provas e justificativas apresentadas na manifestação de conformidade, inclusive cópia da ficha razão da conta 9259 (fl. 107), a DRJ entendeu que a contribuinte não logrou fazer prova de suas alegações. Na peça recursal a contribuinte aprofundou nas justificativas e rebateu a conclusões do ilustre Turma Julgadora de 1a. Instância, tudo para comprovar a formação do valor da Linha 32 da ficha 6A. Pois bem, a partir da análise das provas trazidas aos autos pela contribuinte, em especial à copia do ficha razão da conta 9259 (fl.1077), isso ainda na manifestação de inconformidade, na qual estão individualmente registrados os ganhos das operações de swap no ano de 2003 (objeto das retenções em fonte); considerando ainda as detalhadas justificativas trazidas na peça recursal, inclusive para contrapor as conclusões da decisão da DRJ, formei convencimento que cabe razão à recorrente nessa parte. Diante do exposto voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário e reconhecer o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, relativo ao saldo negativo de recolhimentos do IRPJ/2003, no valor original de R$ 637.128,33, bem como homologar as DCOMP até o limite desse valor. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 8DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10675.000036/2006-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Deve-se restabelecer as despesas médicas quando os documentos
apresentados satisfazem as exigências da legislação em vigor.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2101-001.067
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Devese restabelecer as despesas médicas quando os documentos apresentados satisfazem as exigências da legislação em vigor. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Presidente substituto e relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Goncalo Bonet Allage, Odmir Fernandes, José Evande Carvalho Araujo, Walter Reinaldo Falcão Lima e Alexandre Naoki Nishioka. Relatório Fl. 109DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 0920.499, proferido pela 4ª Turma da DRJ Juiz de Fora (fl. 58), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Trata o presente processo do Auto de Infração de fls.29/35 lavrado pela Fiscalização em 05/01/2006 contra o contribuinte retro identificado, do qual resultou a cobrança do crédito tributário no montante de R$ 2.758,83, sendo R$ 1.246,03 de imposto de renda, R$ 934,52 de multa proporcional (passível de redução) e R$ 578,28 de juros de mora calculados até 30/12/2006. O lançamento efetuado, referente ao exercício financeiro de 2003, decorreu da apuração pela autoridade fiscal, no anocalendário de 2002, de dedução indevida de despesas médicas, no montante de R$ 4.531,00, tudo conforme expresso no item "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" às fls.30/31 — parte integrante do Auto de Infração ora contestado — no qual os fiscais autuantes assim justificaram o procedimento adotado: "DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. ... Em resposta, o contribuinte apresentou comprovantes referentes a despesas com José Donizete de Freitas, com a empresa SILIMED (R$ 1.848,00), com Guilherme Gregário, com a CASSI, deixando de apresentar os comprovantes de despesas com Silvano Silva Domingues (R$ 1.172,00), Clínica Radiológica de Ituiutaba (R$ 35,00) e Creso Garvil (R$ 1.476,00). Da análise, verificase que a despesa com a empresa SILIMED deve ser glosada por falta de previsão legal para sua utilização, devendo, ainda, ser glosadas as despesas não comprovadas, no valor de R$ 4.531,00". (Grifos não originais). Em sua peça impugnatória de fls.40, com juntada de documentos às fls.41/50, o interessado discorda do lançamento efetuado, argumentando, em síntese, que a autoridade revisora lhe solicitou apresentar apenas comprovantes de todas as despesas médicas, sendo que os profissionais e a clínica radiológica glosados . são referentes a despesas odontológicas, e "como as despesas foram efetivadas e os recibos estavam em meu poder, faço, neste momento, a sua apresentação", solicitando, ainda, a reconsideração do recibo da empresa SILIMED "tendo em vista que tratase de prótese cirúrgica que foi utilizada em procedimento cujos exames preliminares e demais recibos foram apresentados anteriormente". Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau manteve, tão somente, a glosa no valor de R$ 1.848,00, pois entendeu que o pagamento de uma prótese cirúrgica seria admitido como despesa médica desde que seu valor estivesse incluído na conta emitida pelo estabelecimento hospitalar ou pelo médico cirurgião, o que não ocorreu no caso presente. Em seu apelo ao CARF, às fls. 78/80, o recorrente repisa as mesmas questões suscitadas perante o Órgão julgador a quo, na parte que lhe foi desfavorável: Argumenta que o caput do artigo 80 e seus parágrafos, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) estabelece, entre outros, a dedução das despesas com próteses ortopédicas e odontológicas, e não faz qualquer exigência para que estas despesas constem da conta emitida pelo estabelecimento hospitalar ou pelo médico cirurgião. Aduz que, ao lavrar o Auto de Infração, os AuditoresFiscais sequer atentaram para a previsão legal da dedução da despesa com aquisição de prótese ortopédica e odontológica e fundamentaram a glosa da despesa realizada junto à empresa Silimed por falta Fl. 110DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10675.000036/200616 Acórdão n.º 210101.067 S2C1T1 Fl. 107 3 de previsão legal. Posteriormente, no julgamento da impugnação, esta argumentação foi abandonada e apresentouse uma exigência do valor constar na conta emitida pelo estabelecimento hospitalar ou pelo médico cirurgião. Requer o restabelecimento da referida despesa, no valor de R$1.848,00, e o conseqüente cancelamento do imposto suplementar. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Subsiste em litígio a glosa da dedução de R$ 1.848,00, referente à prótese cirúrgica adquirida da SILIMED Comércio de Produtos MédicoHospital Ltda, CNPJ 03.448.093/000100, através da nota fiscal à fl. 14. Vejamos o que dispõe a Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a propósito de dedução de despesas médicas: “Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;” Do exame das peças processuais, verificase que a dedução pleiteada pelo recorrente referese a despesa médica expressamente prevista na legislação tributária como apta a reduzir os rendimentos tributáveis. A nota fiscal fatura de nº 71.967, à fl.14, no valor de R$ 1.848,00, emitida pela SILIMED Comércio de Produtos MédicoHospital Lida, CNPJ Fl. 111DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 03.448.093/000100, comprova a regular aquisição da prótese mamária, e indica no campo informações complementares (próximo ao rodapé) o nome do Dr. José Donizete de Freitas, médicocirurgião responsável pelo implante, conforme documentos às fls. 16/24. A despesa médica de R$3.300,00 com referido médico foi devidamente informada na DIPF do autuado, sendo considerada apta pela própria fiscalização. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Fl. 112DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13736.002170/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IM POSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2007
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. HIPÓTESES DE ISENÇÃO.
As exclusões do conceito de remuneração estabelecidas na Lei no. 8.852, de 1994, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.051
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Acácia Sayuri Wakasungi
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HIPÓTESES DE ISENÇÃO. As exclusões do conceito de remuneração estabelecidas na Lei no. 8.852, de 1994, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discuf dos os presentes autos. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Niabia Matos Moura, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Rubens Mauricio Carvalho e Acácia Sayuri Wakasugi. Relatório Assim, contra ALVIMAR FURTADO DE MENDONÇA foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 03/06, para alterar o resultado da Declaração de Ajuste Anual (DAA), ano-calendário 2006, exercício 2007, sendo que confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), para o titular constatou-se omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 10.833,57, percebido das fontes pagadoras. Na apuração do imposto devido, nada havia a ser compensado. Em síntese, o presente processo fiscal de lançamento, fora lavrado após o processamento da declaração de ajuste e resultado da solicitação de retificação de lançamento - SRL, por omissão de rendimentos recebidos. Cientificado, o recorrente insurgiu-se contra o lançamento focando primordialmente o inciso III do art 1° da Lei 8.852/94, o qual, segundo alega, enumera hipóteses que excluiriam rendimentos do campo de incidência do imposto de renda sobre a pessoa física e, assim, a Secretaria da Receita Federal deveria rever a autuação, tendo juntado documentos, fls. 07/17. A DRJ em acordão tombado sob o n°. 13-24.511, l a . Turma da DRJ/RJOII, em sessão de julgamento datado de 30/04//2009, julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, fls. 22/26, tendo a seguinte ementa que ora transcrevo: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributaria, disposição legal federal especifica. Lançamento Procedente" Cientificada, em 03/06/2009, fls. 43, o contribuinte apresentou, em 04/06/2009, recurso voluntário, fls. 28/29, onde repisa os argumentos elencados na impugnação ao auto de lançamento, aduzindo ainda que de acordo com a Lei Federal no 8.852/94, em seu art. 1°, inc. III, o IRPF não incidiria sob as parcelas relativas aos vencimentos dos militares/servidores civis, entre outras: Gratificação de tempo de serviço; gratificação ou adicional natalino, ou 13° Salário, Compensação Orgânica e Salário Família. É O RELATÓRIO. Voto Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi 0 recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Em sede de recurso, não foram apresentados novos argumentos ou elementos de prova para contestar as razões utilizadas pelo relator do voto do acórdão da DRJ, apenas foi solicitada novamente que fosse aceita a tese de isenção sobre parcelas referentes Processo n° 13736.002170/2008-31 52-CIT2 Acórdão n.° 2102-01.051 Fl. 46 Compensação Orgânica e Adicional de Tempo de Serviço e Compensação Orgânica, conforme a Lei 8.852, de 1994. De outro lado, o acórdão recorrido, foi minucioso acerca da impossibilidade legal e fatica para que seja aceita a tese da defesa, conforme se vê no voto do julgamento prolatado pela de primeira instância que, aqui transcrevo, em partes: O Código Tributário Nacional, Lei 5.172/66, define no artigo 43 o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. A Lei 7.713/88, em seu art 3 0, § 10, dispõe que o imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, sobre todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos (renda), os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, ressalvadas as disposições dos artigos 90 a 14 desta mesma Lei. Ademais, o § 40 do art 3° da Lei 7.713/88 define que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo. Todavia, normas legais determinam a exclusão do rendimento bruto, para fins de incidência do imposto de renda da pessoa fisica, por serem isentos ou não tributáveis. Estas exclusões estão elencadas no artigo 39 do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda). A Lei 8.852/94 dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § I°, da Constituição Federal, além de dar outras providencias, mas não contempla em seu artigo 1°, III, hipóteses de isenção ou de não incidência do imposto de renda da pessoa física. 0 artigo 10 da Lei 8.852/94 define meramente aquilo que seja vencimento básico, vencimentos e remuneração para aplicação dos seus dispositivos. Com efeito, não outorga isenção ou enumera hipóteses de não incidência de imposto, mesmo porque, lei que concede isenção deve ser especifica, nos termos do § 6° do artigo 150 da CF/88, ou seja, deve tratar exclusivamente da matéria isentiva ou de determinada espécie tributária. As alit-leas de "a" até "r" no inciso III do art 1° da Lei 8.852/94 são exclusões do conceito de remuneração, mas não são hipóteses de isenção ou não incidência de imposto de renda da pessoa física, em outras palavras, não determinam sua exclusão do rendimento bruto para fins de não incidência do imposto sobre a pessoa física, mas sim, repita-se, de sua exclusão do conceito de remuneração para os objetivos da Lei 8.852/94. (...)" Assim sendo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. No presente processo está clara pela instrução, provas prestadas e confirmadas pelos próprios interessados, que a parcela tributada não é isenta, pois, a Lei 8.852, de 1994 não é competente e não teve o objetivo de definir a isenção tributária sobre o IRIT, obrigando que a autoridade fiscal, em função da seu dever de oficio, promovesse o lançamento atendendo a legislação tributária vigente. Ademais essa matéria sobre o efeito da Lei 8.852, de 1994 em matéria tributária em tela já fora tema debates neste CARF, havendo pois, uniformidade de entendimentos: Processo n°. : 13701.000384/2006-17 Recurso n°. : 155.978 Matéria : IRPF - Ex(s): 2002 Sessão de : 25 de maio de 2007 Acórdão n°. : 104-22.484 I RPF - RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS SERVIDORES PÚBLICOS A Lei n°. 8.852, de 1994, não veicula isenção do imposto de renda das pessoas fisicas. As verbas recebidas a titulo de adicional por tempo de serviço, adicional de férias e gratificação constituem renda ou acréscimo patrimonial e devem ser tributadas, A mingua de enunciado isentivo na legislação. Recurso negado. Assim, constatadas as irregularidades descritas nos autos de infração, tendo sido observadas na autuação as respectivas legislações regentes das matérias e não tendo a contribuinte apresentado qualquer prova ou argumento capaz de elidir o que lhe foi imputado, devem ser mantidas as exigênci Desta o a , est.i éerreto o lançamento e, por conseguinte, não merecendo reparos a decisd Alicia, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. A d sugi - Relatora 4
score : 1.0
Numero do processo: 11474.000169/2007-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/02/2001 a 31/03/2006
Ementa RECURSO DE OFÍCIO VALOR CRÉDITO INFERIOR À ALÇADA NÃO
CONHECIMENTO
Não se conhece recurso de ofício, cujo crédito envolvido tenha valor inferior à alçada prevista por ato do Ministro da Fazenda vigente à época do julgamento de segunda instância
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA GRUPO ECONÔMICO SÓCIOS COMUNS UNICIDADE DE COMANDO
De acordo com o Inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/1991, as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes daquela lei. A caracterização de grupo econômico de fato não se dá unicamente quando pessoas jurídicas são controladas por outra pessoa jurídica. Considera-se que integram grupo econômico de fato as empresas submetidas à unicidade de comando que pode
ocorrer quando possuem os mesmos sócios gerente
INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE
É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais ou afrontariam legislação hierarquicamente superior
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO PRECLUSÃO NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante no prazo legal. O contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação apresentada de forma tempestiva
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2001 a 31/03/2006
ALÍQUOTA SAT
Não há que se questionar a alíquota aplicada para o cálculo da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho se a auditoria fiscal apenas aplicou a alíquota correspondente ao CNAE que a própria empresa utilizava em sua documentação
CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO AUDITORIA FISCAL COMPETÊNCIA
É atribuída à fiscalização a prerrogativa de, seja qual for a forma de contratação, desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurados empregados, se constatar a ocorrência dos requisitos da relação de emprego
RELAÇÃO JURÍDICA APARENTE DESCARACTERIZAÇÃO
Pelo Princípio da Verdade Material, se restar configurado que a relação jurídica formal apresentada não se coaduna com a relação fálica verificada, subsistirá a última. De acordo com o art. 118, inciso I do Código Tributário Nacional, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindo-se da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus
efeitos.
MULTA DE MORA LANÇAMENTO DE OFÍCIO RETROATIVIDADE BENIGNA INOCORRÊNCIA
Havendo lançamento de ofício, não há que se aplicar as disposições contidas no § 2º do art. 61 da Lei nº 9430/1996. O princípio da retroatividade benigna só é aplicado se restar demonstrado que a legislação posterior é mais favorável ao sujeito passivo
RO Não Conhecido e RV Negado.
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2402-001.592
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2001 a 31/03/2006 Ementa RECURSO DE OFÍCIO VALOR CRÉDITO INFERIOR À ALÇADA NÃO CONHECIMENTO Não se conhece recurso de ofício, cujo crédito envolvido tenha valor inferior à alçada prevista por ato do Ministro da Fazenda vigente à época do julgamento de segunda instância RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA GRUPO ECONÔMICO SÓCIOS COMUNS UNICIDADE DE COMANDO De acordo com o Inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/1991, as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes daquela lei. A caracterização de grupo econômico de fato não se dá unicamente quando pessoas jurídicas são controladas por outra pessoa jurídica. Considera-se que integram grupo econômico de fato as empresas submetidas à unicidade de comando que pode ocorrer quando possuem os mesmos sócios gerente INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais ou afrontariam legislação hierarquicamente superior MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO PRECLUSÃO NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante no prazo legal. O contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação apresentada de forma tempestiva ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2001 a 31/03/2006 ALÍQUOTA SAT Não há que se questionar a alíquota aplicada para o cálculo da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho se a auditoria fiscal apenas aplicou a alíquota correspondente ao CNAE que a própria empresa utilizava em sua documentação CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO AUDITORIA FISCAL COMPETÊNCIA É atribuída à fiscalização a prerrogativa de, seja qual for a forma de contratação, desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurados empregados, se constatar a ocorrência dos requisitos da relação de emprego RELAÇÃO JURÍDICA APARENTE DESCARACTERIZAÇÃO Pelo Princípio da Verdade Material, se restar configurado que a relação jurídica formal apresentada não se coaduna com a relação fálica verificada, subsistirá a última. De acordo com o art. 118, inciso I do Código Tributário Nacional, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindo-se da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. MULTA DE MORA LANÇAMENTO DE OFÍCIO RETROATIVIDADE BENIGNA INOCORRÊNCIA Havendo lançamento de ofício, não há que se aplicar as disposições contidas no § 2º do art. 61 da Lei nº 9430/1996. O princípio da retroatividade benigna só é aplicado se restar demonstrado que a legislação posterior é mais favorável ao sujeito passivo RO Não Conhecido e RV Negado. Crédito Tributário Mantido
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A caracterização de grupo econômico de fato não se dá unicamente quando pessoas jurídicas são controladas por outra pessoa jurídica. Considerase que integram grupo econômico de fato as empresas submetidas à unicidade de comando que pode ocorrer quando possuem os mesmos sócios gerente INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais ou afrontariam legislação hierarquicamente superior MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO PRECLUSÃO NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante no prazo legal. O contencioso administrativo Fl. 1DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 23/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11474.000169/200794 Acórdão n.º 240201.592 S2C4T2 Fl. 1.757 2 fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação apresentada de forma tempestiva ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2001 a 31/03/2006 ALÍQUOTA SAT Não há que se questionar a alíquota aplicada para o cálculo da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho se a auditoria fiscal apenas aplicou a alíquota correspondente ao CNAE que a própria empresa utilizava em sua documentação CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO AUDITORIA FISCAL COMPETÊNCIA É atribuida à fiscalização a prerrogativa de, seja qual for a forma de contratação, desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurados empregados, se constatar a ocorrência dos requisitos da relação de emprego RELAÇÃO JURÍDICA APARENTE DESCARACTERIZAÇÃO Pelo Princípio da Verdade Material, se restar configurado que a relação jurídica formal apresentada não se coaduna com a relação fálica verificada, subsistirá a última. De acordo com o art. 118, inciso I do Código Tributário Nacional, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos MULTA DE MORA LANÇAMENTO DE OFÍCIO RETROATIVIDADE BENIGNA INOCORRÊNCIA Havendo lançamento de ofício, não há que se aplicar as disposições contidas no § 2º do art. 61 da Lei nº 9430/1996. O princípio da retroatividade benigna só é aplicado se restar demonstrado que a legislação posterior é mais favorável ao sujeito passivo RO Não Conhecido e RV Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 23/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11474.000169/200794 Acórdão n.º 240201.592 S2C4T2 Fl. 1.758 3 Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (Presidente), Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Igor Araújo Soares. Ausente o Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 23/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11474.000169/200794 Acórdão n.º 240201.592 S2C4T2 Fl. 1.759 4 Relatório Tratase de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos segurados, da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, as destinadas a terceiros (SalárioEducação, SESC, SENAC, SEBRAE e INCRA), bem como a contribuição do contribuinte individual, cuja arrecadação e recolhimento passou a ser responsabilidade da empresa após a vigência da Lei nº 10.666/2003. O lançamento foi efetuado com base no instituto da responsabilidade solidária e também integra o pólo passivo a empresa BSP Organização Contábil Ltda. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 142/164), constituem fatos geradores das contribuições lançadas os seguintes valores: • Remunerações atribuídas a segurados empregados, inicialmente considerados sócios cotistas pela empresa, não declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, — GFIP, denominadas indevidamente pela empresa como Distribuição de Lucros, constante dos levantamentos de débitos intitulados DAS – sócios ex empregados; DSB – sócios fora do contrato social e DSC sócios considerados empregados. • Remuneração atribuída aos sócios gerente; não declaradas em GFIP, denominadas indevidamente pela empresa como sendo Distribuição de Lucros, desconsideradas parcialmente pela fiscalização como tal, e caracterizadas como retiradas prólabore, constantes do levantamento de débito intitulado PRA –prólabore arbitrado. Segundo a auditoria fiscal, a empresa utilizou de procedimento simulatório de constituição de sociedade empresária, com empregados enquadrados erroneamente na qualidade de sócios cotistas, percebendo valores sob a falsa rubrica de pagamento por distribuição de lucros, que na verdade objetivaram mascarar a realidade fática. A auditoria fiscal observou que pela constante movimentação de admissões e demissões próprias de uma empresa convencional, nem sempre, as empresas sob ação fiscal, conseguiram manter atualizado o quadro de seus pretensos "SÓCIOS", cuja intempestividade entre as datas de assinaturas de suas alterações e o efetivo registro na Junta Comercial, chegou ao despautério de registrar no mesmo dia (03/02/2004), três alterações com intervalo de até um ano. Constam nas mesmas empresas (BSP e EXATO), diversos trabalhadores que figuraram durante algum tempo, como segurados empregados e a partir de um determinado período, passaram a ser considerado pela empresa como sócios, ainda que com uma participação societária ínfima no capital social. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 23/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11474.000169/200794 Acórdão n.º 240201.592 S2C4T2 Fl. 1.760 5 Foi verificado que a empresa EXATO, fez constar no seu quadro de sócios, Mara Sueli Wiese Abrantes e Roleia Solange Welter, conforme Atas de Distribuição de Lucros; porém, estas seguradas não figuraram no contrato social e em nenhuma alteração contratual registrada na Junta Comercial e, no entanto, perceberam valores durante o exercício de 2005. A auditoria fiscal afirma que todos os sócios cotistas exercem atividades nas empresas, trabalhando de forma habitual, caso típico do Sr. Osmar Zimmermann Junior, que consta como sócio, e que por determinação do sócio gerente Sr. Mário da Silva, foi determinado a atender à fiscalização, como de fato atendeu durante todo período da ação fiscal. A empresa apresentou relação de seu pessoal com a respectiva lotação, conforme solicitado pela auditoria fiscal, onde consta classificação dos segurados empregados, como sendo "CLT" e "Sócios". Consta na contabilidade da empresa gastos com viagens e cursos para os ditos sócios, lançados através de comprovantes de viagens, hospedagens, constantes de relatórios específicos, onde constam elementos tais como nome do colaborador, localidade da viagem, motivo da viagem, data da mesma e os valores despendidos nas mesmas. A auditoria fiscal solicitou informações sobre o critério da pretensa "Distribuição de Lucros", o que não foi informado. Assim, da análise dos valores distribuídos foi verificado que não foram calculados com base nas participações societária de cada “sócio”. Além disso, os valores pagos estariam muito além da realidade econômico financeira, face à rentabilidade em função do capital investido não se comparar a nenhum indexador financeiro. Quanto aos valores pagos aos sócios gerentes a título de distribuição de lucros, a auditoria fiscal entendeu que seriam muito superiores àqueles retirados a título de pró labore, concluindo que a remuneração pelo trabalho não corresponderia à realidade. Assim, entendeu por arbitrar parte da distribuição de lucros como prólabore considerando o salário máximo pago a um segurado empregado. Foi caracterizado grupo econômico de fato entre as empresas EXATO Gestão Administrativa Ltda e BSP Organização Contábil Ltda. A empresa BSP teria procurado o plantão fiscal a fim de obter Certidão Negativa de Débitos a fim de proceder sua incorporação à empresa EXATO. A auditoria entendeu por fazer tal caracterização em razão de fatos que levaram à convicção da existência do grupo econômico. Foi verificado que foi elaborado um Plano de Participação nos Lucros e ou Resultados no exercício de 2005, constante do Acordo Coletivo de Trabalho, assinado entre as empresa (BSP e EXATO), e o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Assessoramento, Perícia, Pesquisa e Informações de Santa Catarina — SINDASP. A empresa EXATO apresentou defesa (fls. 648/694 – Vol III) onde alega que, equivocadamente, a Fiscalização Previdenciária enquadrou a empresa na atividade econômica identificada pelo CNAE 74.993 "outras atividades de serviços prestados principalmente às empresas não especificados anteriormente". Fl. 5DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 23/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11474.000169/200794 Acórdão n.º 240201.592 S2C4T2 Fl. 1.761 6 O grau de risco do CNAE considerado pela auditoria fiscal seria considerado médio com uma alíquota SAT corresponderia a 2%. No entanto, entende o a atividade correta seria aquela prevista no CNAE 74.160, correspondente a alíquota de 1%. Argumenta que a auditoria fiscal considerou como base de cálculo valores de distribuição de lucros e que o sujeito ativo da contribuição social que tem por fato gerador e basedecálculo (CSLL e não contribuição previdenciária), o lucro é a Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Aduz que a fiscalização de forma indevida, por lhe faltar competência legal, descaracterizou uma relação de sociedade para estabelecer uma relação de emprego, inexplicavelmente. Alega que sócio cotista de sociedade limitada só se vincula de forma obrigatória ao Regime Geral de Previdência Social, quando recebe remuneração pelos serviços que presta na sociedade. Assim, como resta demonstrado que os sócios cotistas não recebiam remuneração pelo trabalho desenvolvido da empresa, não há fato gerador de contribuição previdenciária. Manifesta inconformismo pelo arbitramento do prólabore dos sócios gerentes efetuado pela auditoria fiscal. Argumenta que o fato de empregado passar a ser sócio da empresa para a qual presta serviço só depende dos interesses das pessoas envolvidas e que se para ambas as partes, o fato do empregado se tornar sócio é vantajoso, não há qualquer restrição legal que sito aconteça. Alega que o fato de uma única notificação conter o lançamento de diversas contribuições inclusive destinadas a entes credores diversos contraria disposição do Decreto nº 70.235/1972, art. 9º. Considera a contribuição destinada ao INCRA indevida e que o débito relativo às contribuições lançadas para o SESC, SENAI e SEBRAE, cujas basesdecálculo tenham sido o montante da remuneração que excedeu o limite máximo do saláriode contribuição é indevido por falta de previsão legal. Após a apresentação da defesa, os autos foram convertidos em diligência, conforme despacho de folhas 1332/1333 – Vol V. Em resposta (fls. 1334/1336 – Vol V), a auditoria fiscal informa que a empresa BSP, ao solicitar Certidão Negativa junto ao Plantão Fiscal, para incorporação junto à EXATO, por estarem localizadas no mesmo endereço, terem como coresponsáveis as mesmas pessoas, e mesmos segurados empregados, motivou a presente ação fiscal, que foi desenvolvida junto às duas empresas, simultaneamente. Presta esclarecimentos a respeito dos parâmetros para aferição do prólabore. Quanto à manifestação do correto código CNAE, traz a descrição da atividade constante no contrato social, bem como aquelas definidas nos códigos CNAE considerado pela fiscalização e pretendido pela recorrente e informa que o objeto social da empresa, é por demais amplo expondo seus servidores em razão de suas atividades, a riscos por Fl. 6DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 23/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11474.000169/200794 Acórdão n.º 240201.592 S2C4T2 Fl. 1.762 7 viagens e/ou prestação de seus serviços em outros ambientes externos da empresa, como pôde ser verificado através dos diversos relatórios de viagens dos empregados. Além disso, a empresa, a todo tempo, utiliza em seus documentos como Rescisões de Contrato de Trabalho (Fls. 221/222; 225/226; 229; 231/232 e 233) a classificação 74.993, que também é declarada em GFIP com os competentes recolhimentos à alíquota de 2%. A solidária BSP foi intimada da notificação e apresentou defesa (fls. 1344/1359 – Vol V), onde alega que encontrase atualmente incorporada pela sociedade Exato Gestão Administrativa Ltda., estando inativa e extinta. Questiona a forma como foi intimada do lançamento, por meio de ofício. Afirma que grupo econômico caracterizase pelo fato de uma ou mais empresas estarem sob direção, controle ou administração de uma delas, o que não acontece no caso presente da contribuinte, BSP ORGANIZAÇÃO CONTÁBIL. Além disso, a solidariedade se tornaria ineficaz pela incorporação ocorrida, pois o presente lançamento contempla débito relativo a período de 06/2005 a 03/2006, cujos fatos geradores ocorreram após a extinção por incorporação da empresa BSP ORGANIZAÇÃO CONTÁBIL LTDA. Haja vista a alegação da empresa BSP de que teria ocorrido cerceamento de defesa pela remessa apenas de ofício informando da notificação, a Seção do Contencioso Administrativo de Blumenau (SC), apesar das empresas se situarem no mesmo endereço, entendeu por bem solicitar, por meio de despacho, o envio em separado das peças principais dos autos à empresa BPS, incluindo o resultado da diligência efetuada. Também foram enviadas cópias do despacho em questão e da defesa da solidária à empresa EXATO. Na oportunidade foi informado às duas empresas que os autos do processos estariam à disposição das mesmas para vista e que o prazo para reapresentação de defesa foi reaberto para a empresa BSP, bem como o pedido de dilação de prazo efetuado pelas duas empresas foi deferido em quinze dias. A empresa EXATO apresentou manifestação complementar (fls 1392/1414 – Vol VI) onde alega que a caracterização de grupo econômico dada pela fiscalização baseada em alegações de que as empresas, Exato Gestão Administrativa Ltda e BSP Organização Contábil Ltda possuem empregados, coresponsáveis e endereço comuns, padece de amparo legal. No mais, efetua repetição das alegações de defesa. A empresa BSP também apresentou nova defesa (fls. 1416/1441 – Vol VI) de igual teor da defesa apresentada pela empresa EXATO. Pelo Acórdão nº 079.987 (fls. 1466/1471 – Vol VI) a 6ª Turma da DRJ/Florianópolis (SC) julgou o lançamento procedente em parte para a retirada do levantamento PRA – Prólabore Arbitrado. A DRJ – Florianópolis (SC) recorreu de ofício da decisão encimada. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 23/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11474.000169/200794 Acórdão n.º 240201.592 S2C4T2 Fl. 1.763 8 As empresas interessadas foram intimadas do acórdão e apresentaram recurso tempestivo e conjunto (fls. 1481/1527) onde mantém o inconformismo contra a classificação de CNAE que levou à aplicação de alíquota de SAT de 2%, bem como contra a caracterização do grupo econômico, inovando na alegação de que o Artigo ,30, Inciso . IX da Lei 8.212/1991 seria inconstitucional e que a multa aplicada seria excessiva. Posteriormente, as empresas apresentaram manifestação (fls. 1751/1755 – Vol VII) onde pleiteiam com base no princípio da retroatividade benigna que seja aplicado o percentual de 20% a título de multa de acordo com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, trazida pela Medida Provisória 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. É o relatório. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 23/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11474.000169/200794 Acórdão n.º 240201.592 S2C4T2 Fl. 1.764 9 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora Inicialmente cumpre tratar do recurso de ofício proposto pela DRJ Florianópolis (SC). O processamento de recurso de ofício está condicionado ao requisito consubstanciado no fato do valor exonerado ser superior à alçada prevista em ato do Ministro da Fazenda. In casu, ainda que à época do julgamento de primeira instância, o valor do crédito exonerado fosse superior ao limite de alçada estabelecido pelo Ministério da Fazenda, atualmente, o limite estabelecido atualmente é de R$ 1.000.000,00 (hum milhão de reais). O novo limite foi estabelecido pela Portaria MF nº 03, de 3 de janeiro de 2008, publicada em 7 de janeiro de 2008, conforme se verifica do trecho abaixo transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Como a determinação acima tem entre seus objetivos dar celeridade ao contencioso administrativo fiscal, bem como desonerar a segunda instância de julgamentos da análise de recurso, cujo crédito envolvido seja inferior ao valor estabelecido, não cabe processar recurso de ofício apresentado, cujo valor seja inferior ao valor de alçada estabelecido. Assim, manifestome por não conhecer do recurso de ofício apresentado. Quanto aos recursos voluntários, estão são tempestivos e devem ser conhecidos. Após a retificação efetuada no julgamento de primeira instância, restaram no lançamento as contribuições incidentes sobre os valores pagos a sócios cotistas, a título de distribuição de lucros, valores estes considerados remuneração paga a segurados empregados em face da caracterização de vínculo de emprego entre os sócios cotistas e a empresa EXATO efetuada pela auditoria fiscal. As recorrentes alegam erro no .enquadramento da empresa no Grau de Risco de Acidente do Trabalho— RAT. Entendem que se enquadrariam em CNAE que corresponderia à alíquota de 1%, ao passo que a auditoria fiscal efetuou o enquadramento No CNAE 74993, cuja alíquota corresponde ao percentual de 2%. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 23/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11474.000169/200794 Acórdão n.º 240201.592 S2C4T2 Fl. 1.765 10 Asseverese que, de acordo com o Relatório Fiscal, a auditoria não efetuou reenquadramento da empresa no Código Nacional de Atividade Econômica – CNAE. No entanto, as recorrentes questionam o percentual aplicado de 2%. Ocorre que de acordo com o informado pela auditoria fiscal, o código CNAE utilizado para a apuração do crédito corresponde àquele em que a própria recorrente se autoenquadrava, a qual chegou, inclusive, a declarar tal código em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social e recolher a contribuição correspondente à alíquota de 2%. Nos autos do processo, especificamente nas folhas 201 e 205, a título de exemplo, estão juntadas cópias de Termos de Rescisão de Contrato de Trabalho onde é informado o código CNAE 74993. Assim, as alegações das recorrentes não podem ser consideradas. As empresas questionam a existência do grupo econômico de fato existente entre as duas. Foi informado pela auditoria fiscal que as empresas EXATO e BSP possuem empregados, coresponsáveis e endereço comuns, o que não foi considerado suficiente pelas recorrentes. A caracterização de grupo econômico de fato tem previsão legal no artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91 in verbis: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: .......................................... IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei (g.n.); À época do lançamento, dispunha a Instrução Normativa SRP nº 03/2005, em seu art. 748, o seguinte: Art. 748. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica Entendem as recorrentes que não houve a caracterização de grupo econômico pelo fato entre as duas empresas. A auditoria fiscal informou que ambas as empresas são gerenciadas pelas mesmas pessoas e, a meu ver, resta caracterizado o controle único que leva à formação do grupo econômico de fato. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 23/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11474.000169/200794 Acórdão n.º 240201.592 S2C4T2 Fl. 1.766 11 Ao conceituar grupo econômico, o legislador fez referência a dois requisitos, quais sejam, que embora possuíssem personalidade jurídica própria, uma ou mais empresas, deveriam estar sob o controle, direção ou administração de uma delas. Entendo que o controle referido na lei para a caracterização do grupo econômico não pode se restringir à hipótese de ingerência de uma pessoa jurídica sobre a outras pessoas jurídicas, pois o que se pretendeu é atingir empresas com unicidade de comando. Nesse sentido, a configuração do grupo econômico de fato pode ocorrer quando uma ou mais pessoas físicas detém partes do capital de uma ou mais empresa, bem como o poder de gerilas. As recorrente, em sede recursal, inovam no questionamento da constitucionalidade do inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/1991. Não obstante tratarse de matéria preclusa, há que se salientar que não cabe ao julgador no âmbito administrativo afastar aplicação de dispositivo legal vigente no ordenamento jurídico, sob o argumento de que este seria inconstitucional ou afrontaria legislação hierarquicamente superior. O controle da constitucionalidade no Brasil é do tipo jurisdicional, que recebe tal denominação por ser exercido por um órgão integrado ao Poder Judiciário. O controle jurisdicional da constitucionalidade das leis e atos normativos, também chamado controle repressivo típico, pode se dar pela via de defesa (também chamada controle difuso, aberto, incidental e via de exceção) e pela via de ação (também chamada de controle concentrado, abstrato, reservado, direto ou principal), e até que determinada lei seja julgada inconstitucional e então retirada do ordenamento jurídico nacional, não cabe à administração pública negarse a aplicála; Ainda excepcionalmente, admitese que, por ato administrativo expresso e formal, o chefe do Poder Executivo (mas não os seus subalternos) negue cumprimento a uma lei ou ato normativo que entenda flagrantemente inconstitucional até que a questão seja apreciada pelo Poder Judiciário, conforme já decidiu o STF (RTJ 151/331). No mesmo sentido decidiu o Tribunal de Justiça de São Paulo: “Mandado de segurança Ato administrativo Prefeito municipal Sustação de cumprimento de lei municipal Disposição sobre reenquadramento de servidores municipais em decorrência do exercício de cargo em comissão Admissibilidade Possibilidade da Administração negar aplicação a uma lei que repute inconstitucional Dever de velar pela Constituição que compete aos três poderes Desobrigatoriedade do Executivo em acatar normas legislativas contrárias à Constituição ou a leis hierarquicamente superiores Segurança denegada Recurso não provido. Nivelados no plano governamental, o Executivo e o Legislativo praticam atos de igual categoria, e com idêntica presunção de legitimidade. Se assim é, não se há de negar ao chefe do Executivo a faculdade de recusarse a cumprir ato legislativo inconstitucional, desde que por ato administrativo formal e expresso declare a sua recusa e Fl. 11DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 23/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11474.000169/200794 Acórdão n.º 240201.592 S2C4T2 Fl. 1.767 12 aponte a inconstitucionalidade de que se reveste (Apelação Cível n. 220.1551 Campinas Relator: Gonzaga Franceschini Juis Saraiva 21). (g.n.)” Ademais, tal questão já foi encontra sumulada no âmbito do então Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda que pela Súmula nº 02 publicada no DOU em 26/09/2007, decidiu o seguinte: “Súmula nº 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária”. Quanto ao mérito, as recorrentes se irresignam pelo fato de a auditoria fiscal ter considerado como segurados empregados os diversos sócios cotistas com participações mínimas e que recebiam valores sob a forma de distribuição de lucros. Tais sócios, em sua maioria, haviam sido empregados da EXATO até serem admitidos no quadro societário na condição de cotistas. As recorrentes argumentam que se interessante para ambos os, lados, não seria ilegal que empregados passem à condição de sócio de sociedade por quotas de responsabilidade limitada e, com isto, adquiram qualidade de empregador na forma da Consolidação das Leis do Trabalho, e de administrador para efeito da legislação sobre custeio da Seguridade Social. No que tange à caracterização efetuada pela auditoria fiscal, entendo importante tecer algumas considerações. Inicialmente cumpre ressaltar que a recorrente é uma sociedade por cotas de responsabilidade limitada, a qual pode ser administrada pelos próprios sócios, na condição de sóciosgerentes ou terceiros. O sócio que não participa da gestão da sociedade é o sócio cotista. Ou seja, nesse tipo de sociedade, podese verificar a existência do sócio gerente e do sócio cotista. Entretanto, a recorrente cria uma situação em que o chamado sócio cotista, ou seja, pessoa que participa do capital social, exerce atividade na sociedade, porém não é remunerado para isso. Ao meu ver a conduta da recorrente é totalmente irregular pois permite que ocorra a situação em que os sócios cotistas podem vir a não ter qualquer retomo pelo trabalho realizado. Ao determinar que os considerados sócios cotistas sejam remunerados, tão somente, via distribuição de lucros, na ausência de lucro, tais pessoas teriam trabalhado sem qualquer retribuição o que é inadmissível. Além disso, entendo ser precário sujeitar a retribuição do trabalho da pessoa, no caso, os sócios cotistas, à atuação de outra pessoa, no caso os sócios gerentes. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 23/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11474.000169/200794 Acórdão n.º 240201.592 S2C4T2 Fl. 1.768 13 Asseverese que na nova condição de sócios cotistas, os antigos empregados continuaram desempenhando as atividades que desenvolviam como tal, ou seja, atividades que fazem parte da estrutura organizacional da empresa e estão subordinados a sua política administrativa/produtiva/econômica. Tal situação foi bem demonstrada pela auditoria fiscal que verificou que os empregados, embora demitidos e continuando a trabalhar na empresa recebendo sob a forma de distribuição de lucros, não eram, de imediato, incorporados ao quadro social da empresa, cujas alterações contratuais não acompanhavam a movimentação dos trabalhadores considerados sócios cotistas. É emblemática a situação que se verifica no próprio recurso apresentado. As recorrentes, quando tratando da matéria relativa à alíquota RAT aplicada, apresenta planilha onde elenca, segundo a mesma, empregados e suas respectivas funções, por competência. Na referida planilha, especificamente à folha 1489, apresenta a empregada Jaqueline Mattei, como exercendo atividade de serviços contábeis. Já quando vai enfrentar a caracterização de sócios cotistas como segurados, as recorrentes apresentam outra tabela, na qual apresentam o período em que os sócios cotistas passaram a integrar o quadro societário da empresa, bem como o período em que estiveram vinculados como segurados empregados. À folha 1508, verificase na outra planilha elaborada pelas recorrentes que Jaqueline Mattei teria permanecido na condição de empregada no período de 07/01/2002 a 10/08/2004 e que teria iniciado sua participação como sócio cotista somente a partir da 11ª Alteração Contratual que ocorreu em 18/02/2005. Percebese a contradição das recorrentes que informam que em dezembro de 2004, a segurada Jaqueline Mattei, na condição de empregada, exercia atividades de serviços contábeis, ao passo que conforme outra informação, naquela competência, tal segurada não possuiria qualquer vínculo com a empresa, uma vez que o vínculo empregatício já se encerrara e esta não havia ainda ingressado no quadro social da empresa. Diante da situação verificada, a auditoria fiscal utilizou a competência prevista no § 2° do art. 229 do Decreto n°3.048/1999 que dispõe o seguinte: § 2° Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso 1 do caput do art. 9", deverá desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado Ou seja, ao manter segurados empregados sob a falsa condição de sócios, a conduta adotada pela recorrente revelase verdadeira simulação. Escudada no Princípio da Verdade Material e pelo poderdever de buscar o ato efetivamente praticado pelas partes, a Administração, ao verificar a ocorrência de simulação, pode superar o negócio jurídico simulado para aplicar a lei tributária, ou seja, a Fl. 13DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 23/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11474.000169/200794 Acórdão n.º 240201.592 S2C4T2 Fl. 1.769 14 auditoria fiscal, na presença de simulação não se obriga a permanecer inerte, pois tais negócios são inoponíveis ao fisco no exercício da atividade plenamente vinculada do lançamento. Nesse diapasão, podese citar o entendimento de Heleno Tôrres em sua obra Direito Tributário e Direito Privado — Autonomia Privada, Simulação, Elusão Tributária — Ed.Revista dos Tribunais –2003 pág. 371 "Como é sabido, a Administração Tributária não tem nenhum interesse direto na desconstituição dos atos simulados, salvo para superarlhes a forma, visando a alcançar a substância negocia!, nas hipóteses de simulação absoluta. Para a Administração Tributária, como bem recorda Alberto Xavier, é despiciendo que tais atos sejam considerados válidos ou nulos, eficazes ou ineficazes nas relações privadas entre os simuladores, nas relações entre terceiros ou nas relações entre terceiros com interesses conflitantes. Eles são simplesmente inoponíveis à Administração, cabendo a esta o direito de superação, pelo regime de desconsideração do ato negocia!, da personalidade jurídica ou da forma apresentada, quando em presença do respectivo "motivo" para o ato administrativo: o ato simulado" As recorrente alegam a legalidade da inclusão dos ditos sócios cotistas na sociedade, no entanto, para alcançar o fato gerador ocorrido, não é necessário que o fisco demonstre que o negócio simulado seja ilegal. Ao contrário, a natureza da simulação pressupõe atos jurídicos lícitos, uma vez que o que a caracteriza é a desconformidade entre a negócio formal e o efetivamente praticado. Portanto, o fato da inclusão dos empregados no quadro social da empresa como sócios cotistas ter ocorrido de acordo com os ditames legais, não significa que a auditoria fiscal se veja impedida de efetuar o lançamento diante da constatação da existência do fato gerador, verificada ante a abstração do negócio legal aparente. A auditoria informa, ainda, que a empresa não esclareceu quais os critérios utilizados para a suposta distribuição de lucros nos valores efetuados. O art. 1007 da Lei nº 10.406/2002, o Código Civil, estabelece que salvo estipulação em contrário, o sócio participa dos lucros e das perdas, na proporção das respectivas quotas. Da leitura do dispositivo podese verificar que os ganhos e perdas são comuns a todos os sócios na razão proporcional dos seus respectivos quinhões no fundo social, salvo se outra coisa for expressamente estipulada, o que não se verifica no presente caso. Apesar de não haver qualquer previsão expressa quanto à distribuição de lucros, os ditos sócios cotistas receberam a título de lucros distribuídos valores muito superiores aos que seriam devidos considerandose a participação de cada um no capital da sociedade, fato que corrobora a ocorrência da simulação. Resta claro que os segurados em questão não deixaram de prestar os serviços da mesma forma que já prestavam como segurados empregados pelo simples fato de a Fl. 14DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 23/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11474.000169/200794 Acórdão n.º 240201.592 S2C4T2 Fl. 1.770 15 recorrente incluílos no contrato social na condição de cotistas e efetuar a remuneração sob o título de distribuição de lucro. Portanto, o lançamento deve subsistir. Cumpre ressaltar que a matéria relativa à transformação de empregados em sócios cotistas com pagamentos efetuados por meio de distribuição de lucros já foi objeto de análise e julgamento por parte deste colegiado que decidiu pelo Acórdão nº 2.402.00364 em negar provimento ao recurso nº 157833 apresentado pela empresa notificada. As recorrentes questionam os juros e a multa aplicados e consideram a última excessiva. Asseverese que, tais alegações não foram apresentadas na defesa e, a meu ver, o contencioso administrativo fiscal só é instaurado mediante apresentação de defesa tempestiva e somente em relação às matérias expressamente impugnadas. Dessa forma, entendo que encontrase precluído o direito à discussão de matéria trazida de forma inovadora na segunda instância administrativa, em razão do que dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art.17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante” Após a apresentação de defesa, as empresas apresentaram manifestação onde pleiteiam com base no princípio da retroatividade benigna da lei que seja aplicado o percentual de 20% a título de multa de acordo com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, trazida pela Medida Provisória 449/2008, a qual foi convertida na Lei nº 11.941/2009. Com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, as contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidas de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. De acordo com o citado dispositivo, a limitação da multa se daria em 20% que é o percentual que a recorrente pretende que seja aplicado com a retroação benigna da lei. Ocorre que a MP 449, além de alterar o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996”. O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Fl. 15DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 23/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11474.000169/200794 Acórdão n.º 240201.592 S2C4T2 Fl. 1.771 16 A meu ver, a forma de cálculo que o contribuinte pretende que seja aplicada em seu favor é utilizada no caso em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso, de forma espontânea. Entretanto, se ocorreu o lançamento de ofício que é o presente caso, a multa devida seria de 75%, superior aos 50% previstos na antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991, inciso II, alínea“d” que corresponde ao percentual devido após ciência do acórdão da segunda instância, porém anterior à inscrição em dívida ativa. Assim, não há como retroagir, ainda que se considere a multa moratória como penalidade, pois a lei atual não é mais favorável ao contribuinte, pelo menos até essa instância. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de NÃO CONHECER O RECURSO DE OFÍCIO, CONHECER O RECURSO VOLUNTÁRIO, REJEITAR PRELIMINARES e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 16DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 23/03/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10530.001650/2008-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/12/2006
Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO DEIXAR DE EXIBIR DOCUMENTOS
OU LIVROS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVISTAS NA LEI 8.212/91.
Toda empresa está obrigada a exibir os documentos relacionados às
contribuições previdenciárias solicitados pela fiscalização.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-002.177
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2006 a 30/12/2006 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO DEIXAR DE EXIBIR DOCUMENTOS OU LIVROS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVISTAS NA LEI 8.212/91. Toda empresa está obrigada a exibir os documentos relacionados às contribuições previdenciárias solicitados pela fiscalização. Recurso Voluntário Negado
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Toda empresa está obrigada a exibir os documentos relacionados às contribuições previdenciárias solicitados pela fiscalização. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Wilson Antonio De Souza Correa. Ausência momentânea: Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 113DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18 /08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 26/06/2008, por ter a empresa acima identificada deixado de exibir documentos relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212/91, ou apresentálos sem que atendam as formalidades legais exigidas, infringindo, dessa forma, o art. 33, §§ 2º e 3o, da referida Lei, c/c o art. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Conforme consta do Relatório Fiscal da Infração (fls. 18), a recorrente deixou de apresentar, apesar de solicitado por meio de TIAD, o Livros Diário de 2006, Pasta de documentos mensais utilizados na escrituração contábil ref. ao meses de 11/2006 e 12/2006, Folha de Pagamento de Segurados contribuintes individuais ref. ao período de 01/2006 a 12/2006, entre outros listados pela fiscalização. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1524.245, da 6a Turma da DRJ/SDR (fls. 79), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 85), repetindo basicamente as alegações trazidas na impugnação. Reafirma que a não apresentação dos documentos deuse por clara força maior ao contribuinte, que teve seus documentos retidos pelo seu exfuncionário, que, este sim, deverá ser penalizado pelo descumprimento da referida obrigação. Ressalta que o respectivo contador, o Sr. Jaime Cedro de Oliveira, não cumpriu com a sua obrigação de exercer a profissão com zelo, diligência e honestidade, não resguardando, dessa forma, o interesse de seu cliente, e cita julgados do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná que responsabilizam o contador pela má prestação do serviço e por várias ações ilícitas. Transcreve o art. 135 do CTN e julgado do STJ para tentar comprovar que é flagrante a total responsabilidade do excontador pela má prestação do serviço, devendo ser, o mesmo, responsabilizado pelo pagamento da multa imposta pela não entrega dos documentos requeridos, ao passo que, conforme observado, a multa por descumprimento é absolutamente pessoal, verificandose desse modo a insubsistência do presente Auto de Infração. É o relatório. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18 /08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10530.001650/200801 Acórdão n.º 2301002.177 S2C3T1 Fl. 104 3 Voto Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora O recurso é tempestivo e todos os requisitos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento. Verificase, da análise do recurso apresentado, que a recorrente não nega que tenha deixado de apresentar os documentos solicitados pela fiscalização, constantes dos TIADs. Ela apenas tenta demonstrar que o seu contador é quem deixou de apresentar os documentos requeridos, e ele, o contador, é quem deveria ser responsabilizado pelo pagamento da multa imposta pela infração cometida. Ocorre que esse entendimento não possui amparo legal. O auto em tela foi lavrado por descumprimento da obrigação acessória de apresentar livros e documentos relacionados com as contribuições previdenciárias. A guarda dos documentos contábeis é de responsabilidade da própria empresa. O § 11, do art. 32, da Lei 8.212/91, determina que os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações previdenciárias devem ficar arquivados na empresa. Assim a recorrente tinha a obrigação de manter, em sua guarda, a documentação comprobatória das obrigações sociais, e deveria ter apresentado o Livro Diário e demais documentos solicitados pela fiscalização, consoante à determinação contida no art. 33, §§ 2° e 3o, da Lei 8.212/91: Art.33. (...) § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (grifei) § 3° O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Acrescentado pela MP nº 1.59614, de 10/11/97, convertida na Lei nº 9.528, de 10/12/97) Os artigos 232 e 233, do RPS dispõe que: Fl. 115DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18 /08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. Nesse sentido, toda empresa é obrigada a exibir todos os documentos relacionados com a contribuição previdenciária, como é o caso dos livros contábeis. Ao deixar de proceder dessa forma, a empresa infringiu obrigação legal a todos imposta. Ademais, conforme se verifica dos autos, a ação de busca e apreensão se deu apenas em 05/2008, ou seja, dois anos após o exercício de 2006, referente à documentação solicitada. Ou seja, a empresa autuada teve, ao menos, dois anos para se organizar e cuidar de manter arquivado os documentos comprobatórios da obrigação tributária, consoante determinação expressa do art. 32, da Lei 8.212/91, citado acima, deixando, entretanto, de fazê lo, tomando providências nesse sentido apenas após a intimação fiscal. E sendo o lançamento um ato vinculado, a fiscalização, diante do descumprimento da obrigação acessória, não poderia deixar de aplicar a penalidade prevista na legislação vigente à época. Dessa forma, houve infração à legislação previdenciária e como não é facultado ao servidor público eximirse de aplicar uma lei, a Autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente o presente auto, em observância ao art. 33 da Lei 8212/99 e art. 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18 /08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10530.001650/200801 Acórdão n.º 2301002.177 S2C3T1 Fl. 105 5 Portanto, verificase que o auto foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante identificado, de forma clara e precisa, a obrigação acessória descumprida e os fundamentos legais da autuação e da penalidade, bem como demonstrado, de forma discriminada, o cálculo da multa aplicada. Nesse sentido, CONSIDERANDO tudo o mais que dos autos consta; Voto no sentido de CONHECER do recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 117DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18 /08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13016.000628/2008-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/04/2003 a 31/07/2004
Ementa:
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A
TODOS OS FATOS GERADORES.
Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449.
REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A
à Lei n º 8.212.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase
a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe
comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO.
O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-001.173
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conceder
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória nº 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei
n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2003 a 31/07/2004 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2003 a 31/07/2004 Ementa: AUTODEINFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora EDITADO EM: 08/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13016.000628/200843 Acórdão n.º 230201.173 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente de autodeinfração, lavrado em 20/05/2008, em desfavor do sujeito passivo acima passivo acima identificado, com ciência em 23/05/2008, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por não ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s do período de 04/2003 a 07/2004, todos os valores da remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais constantes das folhas de pagamento, conforme discriminativo de fl. 05. Após a apresentação da defesa, Acórdão de fls.46/49, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso, alegando em síntese: a) o cerceamento de defesa pelo indeferimento do pedido de perícia; b) requer a prova pericial porque se tivesse os documentos os teria oferecido; c) transcreve toda a peça de defesa apresentada, onde consta que não há divergências apontadas nas folhas e GFIP’s; que devido à desorganização da empresa, pelas dificuldades econômicas não encontrou os documentos solicitados e por engano a fiscalização lançou valores a maior; d) que a prova pericial vai permitir demonstrar que não ocorreu a divergência de informação, nomeia seu perito e formula quesitos. Requer a reforma da decisão recorrida para deferir a prova pericial, a anulação do auto de infração e a manutenção da exigibilidade do crédito tributário. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Cumprido o requisito de admissibilidade frente à tempestividade, protocolo de fl. 57, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar A recorrente alega cerceamento de defesa devido ao indeferimento, na primeira instância, da realização de perícia. Entretanto, entendo que em razão da natureza da autuação, dos elementos que foram examinados, lhe deram suporte e do reconhecimento das bases de cálculo pelo próprio recorrente, é prescindível qualquer diligência ou perícia para a necessária convicção no julgamento do presente recurso, devendose aplicar o disposto nas normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis: DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) PORTARIA RFB Nº 10.875, DE 16 DE AGOSTO DE 2007, DOU de 24/08/2007 Art. 11. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 15. No caso concreto o pedido de perícia não encontra sustentação, pois a atuação referese à falta de informação em GFIP de toda a remuneração exposta nas folhas de pagamento confeccionadas pela recorrente, sendo que os dados nelas constantes são de sua inteira responsabilidade, assim como a sua posse e guarda. Ademais, o auditor fiscal autuante cuidou de anexar aos autos, os resumos das folhas de pagamento que ao serem confrontadas com os valores constantes do discriminativo de fl.05, não demonstram qualquer disparidade na autuação. As folhas de pagamentos foram preparadas pelo próprio recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas pela fiscalização. Não pertencem ao lançamento impugnado parcelas contestadas pelo recorrente quanto à sua natureza salarial ou não. Melhor dizendo, a base de cálculo considerada pela fiscalização coincide com o montante de salários informado pelo recorrente. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13016.000628/200843 Acórdão n.º 230201.173 S2C3T2 Fl. 3 5 Acrescentase, ainda, que a partir de 01/01/99, com a implantação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social – GFIP, os valores nela declarados são tratados como confissão de dívida fiscal, nos termos do artigo 225, §1° do Decreto n° 3.048, de 06/05/99: Art.225. (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituirseão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Assim sendo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento como da GFIP, caberlheia demonstrálo e providenciar sua retificação; no entanto, embora oferecida essa oportunidade durante todo o processo, não o fez. Portanto, indefiro o pedido de perícia, com base no artigo 11 da Portaria RFB n.º 10.875/2007, já que não se constitui em direito subjetivo do notificado e a prova do fato de eventual erro nos valores lançados, independe de conhecimento técnico e poderia ter sido trazida, aos autos pela recorrente, posto que sequer houve qualquer apontamento onde os cálculos poderiam estar incorretos. Do Mérito A obrigação acessória surge do descumprimento de dever instrumental a cargo do sujeito passivo, consistindo numa prestação positiva (fazer), que não seja o recolhimento do tributo, ou negativa (não fazer). Descumprida obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer) possui o Fisco o poder/dever de lavrar o AutodeInfração. A penalidade pecuniária exigida dessa forma convertese em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. No presente caso, a obrigação acessória corresponde ao dever de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, por intermédio de documento definido em regulamento (GFIP), TODOS os dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. Ao não informar os valores relativos a toda remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, a recorrente infringiu o artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, pois é obrigada a informar, mensalmente, ao INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações do interesse do Instituto, sendo que a apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, está contida no artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99.: Art.284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: I valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283, em função do número de segurados, pela não apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, independentemente do recolhimento da contribuição, conforme quadro abaixo: 0 a 5 segurados ½ valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo Acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) III cinco por cento do valor mínimo previsto no caput do art. 283, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. § 1º A multa de que trata o inciso I, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue, sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração. § 2º O valor mínimo a que se refere o inciso I será o vigente na data da lavratura do autodeinfração. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13016.000628/200843 Acórdão n.º 230201.173 S2C3T2 Fl. 4 7 Deverá ser considerado, por competência, o número total de segurados da empresa, para fins do limite máximo da multa, que será apurada por competência, somandose os valores da contribuição não declarada, e seu valor total será o somatório dos valores apurados em cada uma das competências. A aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória constante da Lei n.º 8.212/91, não foi enquinada de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, estando totalmente válida e devendo ser obedecida pela via administrativa, vez que está dentro dos pressupostos legais e constitucionais. Por derradeiro, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, nestas palavras: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. §1oPara efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. §2 Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. §3 A multa mínima a ser aplicada será de: IR$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e IIR$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos.” (NR) Fl. 74DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional. Pelo exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do artigo 32A, inciso I, da Lei n.º 11.941/2009. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 75DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 11176.000337/2007-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 20/11/2006
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESATENDIMENTO À SOLICITAÇÃO DO FISCO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO.
Deixar de atender a solicitação fiscal para apresentar documentos
relacionados às contribuições previdenciárias caracteriza infração à legislação por descumprimento de obrigação acessória.
FALTA DE IDENTIFICAÇÃO PRECISA DA LOCALIZAÇÃO DA OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
INOCORRÊNCIA.
Ao identificar a matrícula da obra de construção civil e acostar documentos a ela relacionados, os quais indicam o endereço da mesma, o Fisco possibilitou ao sujeito passivo os elementos necessários à perfeita identificação da edificação a que se refere a lavratura. Não havendo, assim, o que se falar em
prejuízo ao direito de defesa do Autuado por essa causa.
DOCUMENTOS ACOSTADOS QUE COMPROVAM QUE A OBRA ERA DE RESPONSABILIDADE DO AUTUADO. ILEGITIMIDADE PASSIVA.
INOCORRÊNCIA.
O Fisco, ao juntar aos autos documentos que comprovam que a obra era de responsabilidade do Autuado, em nome do qual foram emitidos o Alvará de Construção e a ART, demonstrou que esse era o legitimado para figurar no polo passivo da presente lide.
DOCUMENTOS QUE SE MOSTRAM ÚTEIS AO TRABALHO FISCAL.
PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. DEZ ANOS.
Não tendo sido declarado inconstitucional o § 11 do art. 32 da Lei n. 8.212/1991, era dever dos contribuintes observar, na data da ocorrência da infração, o prazo de dez anos para apresentação de documentos relacionados às contribuições previdenciárias, desde que os mesmos se mostrassem úteis à realização do trabalho fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-001.838
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) Rejeitar as preliminares suscitadas; e II) negar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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DESATENDIMENTO À SOLICITAÇÃO DO FISCO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. Deixar de atender a solicitação fiscal para apresentar documentos relacionados às contribuições previdenciárias caracteriza infração à legislação por descumprimento de obrigação acessória. FALTA DE IDENTIFICAÇÃO PRECISA DA LOCALIZAÇÃO DA OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Ao identificar a matrícula da obra de construção civil e acostar documentos a ela relacionados, os quais indicam o endereço da mesma, o Fisco possibilitou ao sujeito passivo os elementos necessários à perfeita identificação da edificação a que se refere a lavratura. Não havendo, assim, o que se falar em prejuízo ao direito de defesa do Autuado por essa causa. DOCUMENTOS ACOSTADOS QUE COMPROVAM QUE A OBRA ERA DE RESPONSABILIDADE DO AUTUADO. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. O Fisco, ao juntar aos autos documentos que comprovam que a obra era de responsabilidade do Autuado, em nome do qual foram emitidos o Alvará de Construção e a ART, demonstrou que esse era o legitimado para figurar no polo passivo da presente lide. DOCUMENTOS QUE SE MOSTRAM ÚTEIS AO TRABALHO FISCAL. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. DEZ ANOS. Não tendo sido declarado inconstitucional o § 11 do art. 32 da Lei n. 8.212/1991, era dever dos contribuintes observar, na data da ocorrência da infração, o prazo de dez anos para apresentação de documentos relacionados Fl. 77DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 às contribuições previdenciárias, desde que os mesmos se mostrassem úteis à realização do trabalho fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) Rejeitar as preliminares suscitadas; e II) negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Jhonatas Ribeiro da Silva e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 78DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 11176.000337/200714 Acórdão n.º 240101.838 S2C4T1 Fl. 74 3 Relatório Tratase do Auto de Infração n. 37.045.1490, de 20/11/2006, lavrado contra o sujeito passivo acima identificado em decorrência da conduta de deixar de apresentar documentos solicitados pelo Fisco. A penalidade aplicada importou no valor de R$ 11.569,42 (onze mil, quinhentos e sessenta e nove reais e quarenta e dois centavos). Eis os termos do Relatório Fiscal da Infração, fl. 09: 1) Durante a Auditoria Previdenciária, conforme MPF Mandado de Procedimento Fiscal n. 09350421F00, apresentado ao contribuinte em 07/11/2006 juntamente com o TIAD Termo de Intimação para Apresentação de Documentos, constatouse a seguinte ocorrência: "0 contribuinte deixou de exibir todos os documentos relacionados em TIAD, em anexo, referentes à obra matricula CEI 14.132.01879/64, tais como: projeto, ART, Alvará, Habite se, etc" 2) 0 fato relatado constitui infração ao artigo 33, parágrafos 2. e 3. , da Lei no 8.212, de 24/07/1991, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048, de 06/05/1999. Consta dos autos, fl. 20, cópia do Alvará de Construção n. 151/96, emitido em pela Prefeitura do Município de Loanda (PR) em 20/08/1996, concedendo licença ao Autuado para construção de um prédio comercial com área de 316,15 m². Também foi acostada, fl. 21, cópia da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART n. 1462053, emitida para a obra acima citada, tendo como proprietário o Sr. Gerson Pettenuci. A matrícula da obra foi efetuada de ofício, conforme documento de fl. 23. O Autuado apresentou impugnação, fls. 42/46, cujas alegações não foram acatadas pela Delegacia de Julgamento em Curitiba (PR), que declarou procedente a autuação, fls. 51/55. Inconformado o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 59/63, no qual, em apertada síntese, alegou que: a) o Fisco cerceou o seu direito de defesa, posto que não identificou precisamente a obra objeto da autuação; b) não tem legitimidade para integrar o polo passivo da presente lavratura, uma vez que o imóvel referido não é de sua propriedade; Fl. 79DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 c) não há incidência de contribuição previdenciária sobre obra edificada na zona rural; d) o crédito constituído está alcançado pela decadência/prescrição; Ao final, pede o cancelamento do AI. É o relatório. Fl. 80DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 11176.000337/200714 Acórdão n.º 240101.838 S2C4T1 Fl. 75 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Cerceamento do direito de defesa O alegado cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo em razão da falta de identificação da obra não merece acatamento. Verifico que a Auditoria se reportou à matrícula n. 1413201879/64, cuja localização encontrase estampada nos seguintes documentos constantes nos autos: a) Relatório de Consulta aos Dados do Estabelecimento – CONEST, fl. 16; b) Carta de cobrança, fl. 18; c) Declaração de Informação Sobre Obra – DISO (efetuada de ofício), fls. 23/24. Demais disso, os termos da defesa e do recurso deixam claro que o Autuado tinha pleno conhecimento da obra a qual se referia o Fisco, a qual diz respeito à construção de um Motel, edificado no Sublote 13/14, na Zona Rural do Município de Loanda (PR). Diante dessas evidências, afasto a preliminar de cerceamento do direito de defesa do Recorrente. Ilegitimidade passiva O Alvará de Construção emitido em nome do Sr. Gerson Petteluci, bem como o seu nome lançado na ART não deixa dúvida de que o Autuado era o responsável pela edificação em destaque. Por outro lado, o documento acostado à defesa para comprovar que o imóvel não seria de propriedade do Autuado, mas da empresa VARELLA E PETTENUCI, não se presta para tal fim. É que a averbação ali registrada referese a uma gleba rural de 7,26 hectares e não ao imóvel referido na matrícula n. 1413201879/64. Verifico que embora haja coincidência de localização com a obra objeto do AI, o documento do Cartório do Registro de Imóveis da Comarca de Loanda, fls. 45/46, não faz qualquer menção à construção de imóvel comercial. Assim, afasto também esse preliminar. Não incidência de contribuição sobre imóvel edificado na zona rural Não há plausibilidade na tese da inexistência da infração pelo fato de não se poder exigir contribuições previdenciárias sobre a construção de prédios rurais. Primeiro, Fl. 81DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 6 porque inexiste a isenção de contribuição do tributo em questão para imóveis localizados fora das zonas urbanas, depois pelo fato de que no presente feito não se está a discutir descumprimento da obrigação principal, consistente no dever de pagar o tributo, mas a falta do Autuado em atender ao Fisco na solicitação para apresentação de documentos. Verificase na espécie claro atropelo a norma encartada no § 2. do art. 33 da Lei n. 8.212/1991, verbis: Art.33.À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11, as contribuições incidentes a título de substituição e as devidas a outras entidades e fundos. §1oÉ prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestarem todos os esclarecimentos e informações solicitados, o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) §2oA empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (...) Tenhase em conta que nos termos do art. 15, parágrafo único, da mesma Lei, o Autuado é equiparado a empresa. Eis os termos do dispositivo: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. Forçoso concluir, então, que ao deixar de apresentar a documentação solicitada no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos, fl. 07, o sujeito passivo descumpriu dever legal, pelo que, estava o Fisco obrigado a efetuar a lavratura para aplicação da penalidade cabível. Decadência/prescrição Fl. 82DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 11176.000337/200714 Acórdão n.º 240101.838 S2C4T1 Fl. 76 7 Tendose em vista que o presente crédito tributário ainda não está aperfeiçoado, posto que é objeto de discussão não encerrada na esfera administrativa, não há de se falar em prescrição. A discussão pertinente é se o fisco houvera, na data da ciência da lavratura, perdido o direito de efetuar o lançamento, em razão do transcurso do prazo decadencial. É cediço que após a edição pelo Supremo Tribunal Federal – STF da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos relativos às contribuições previdenciárias, passou a ser de cinco anos. A contagem desse prazo para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória tem como marco inicial o primeiro dia do exercício do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido constituído, conforme dicção do inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional, que agora transcrevo: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) Na situação sob análise a falta se deu ao final do término do prazo fixado no Termo de Intimação, qual seja, no dia 07/11/2006, às 15 horas. Assim, na data da autuação, 20/11/2006, não haveria transcorrido o prazo decadencial. Ainda que se diga que as contribuições já não poderiam ser lançadas, haja vista que os fatos geradores teriam ocorrido a mais de cinco anos, posto que a data de início da obra, nos termos da DISO, fl. 23, é 01/08/1996, a obrigação para guarda e exibição documental era de dez anos da ocorrência dos fatos geradores, nos termos da Lei n. 8.212/1991: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. Vejase que esse dispositivo não foi declarado inconstitucional pela Súmula Vinculante n. 08, além de que haveria interesse do Fisco em requerer tais documentos até para que pudesse verificar a data do término da obra, a qual é imprescindível para apuração das contribuições previdenciárias, mormente para aferição da decadência. Afastada, portanto, a tese da decadência, concluindo que a documentação solicitada ainda era exigível na data fixada no TIAD, até porque o sujeito passivo não trouxe aos autos elementos que servissem para comprovar o término da obra em período decadencial. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por afastar as preliminares suscitadas e no mérito pelo desprovimento do recurso. Fl. 83DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 8 Kleber Ferreira de Araújo Fl. 84DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
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Numero do processo: 10167.001280/2007-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/1998 a 30/11/2005
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
NULIDADE.CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Incabível a argüição de nulidade do lançamento de ofício quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Quando presentes a completa descrição dos fatos e o enquadramento legal, mesmo que sucintos, de modo a atender integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-001.873
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 07/2001, anteriores a 08/2001, devido à aplicação da regra
decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Redator Designado. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do inciso I, Art. 173 para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; e II) por unanimidade de votos: a) em negar provimento às demais
alegações apresentadas pela recorrente em seu recurso, nos termos do voto do Relator. Redator designado: Marcelo Oliveira
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. NULIDADE.CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Incabível a argüição de nulidade do lançamento de ofício quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Quando presentes a completa descrição dos fatos e o enquadramento legal, mesmo que sucintos, de modo a atender integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 07/2001, anteriores a 08/2001, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Redator Designado. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do inciso I, Art. 173 para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; e II) por unanimidade de votos: a) em negar provimento às demais alegações apresentadas pela recorrente em seu recurso, nos termos do voto do Relator. Redator designado: Marcelo Oliveira Fl. 650DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Leoncio Nobre de Medeiros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 651DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10167.001280/200717 Acórdão n.º 230101.873 S2C3T1 Fl. 909 3 Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 37.017.6650, lavrada em 24/08/2006, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos a contribuintes individuais lançadas na contabilidade, mas ainda não considerados na base de cálculo do tributo, no período de 03/1998 a 11/2005, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 285.527,02, fls. 01. Após tomar ciência pessoal da autuação em 25/08/06, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 448/459, na qual argumentou pela nulidade e pela decadência. Em aditamento da impugnação, fls. 481/490, alegou que havia um equívoco no lançamento em relação aos valores pagos aos honorários advocatícios em 07/03/2005. Acrescentou as contribuições a serem pagas em relação aos honorários do Dr. Ernani deviam ser alteradas conforme planilha que apresenta. Além destas, outras incorreções foram apontadas. O serviço do contencioso da DRP/Distrito Federal determinou a realização de diligências para apurar os supostos equívocos enumerados na impugnação, fls. 857. Como resultado da diligência, foi lavrado Relatório Fiscal Complementar de fls. 859/863 no qual a autoridade fiscal admitiu que, diante dos novos documentos e informações apresentados, o lançamento deveria ser revisto da forma como consta do relatório. A recorrente foi cientificada de tal despacho em 24/05/2007. A 6ª Turma da DRJ/Brasília, no Acórdão de fls. 867/874, julgou o lançamento procedente em parte, afastando algumas incorreções materiais apontadas pela recorrente, tendo esta sido cientificada do decisório em 05/12/2007, fls. 885. O recurso voluntário, apresentado em 03/01/2008, fls. 887/900, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Sustenta a nulidade do lançamento, tendo em vista que não houve uma adequada motivação e descrição dos fatos geradores. Pleiteia a exclusão do lançamento de fatos geradores atingidos pela decadência, tendo esta prazo de cinco anos e dies a quo aquele do art. 173, inciso I ou do art. 150, §4º do CTN. Por fim, alega que o fisco teria feito presunções sem base legal. É o relatório. Fl. 652DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Vencido Conselheiro Mauro José Silva, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. DECADÊNCIA A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – dez anos ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: Fl. 653DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10167.001280/200717 Acórdão n.º 230101.873 S2C3T1 Fl. 910 5 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante nº 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto no CTN , deixando o dies a quo do prazo decadencial para ser definido segundo as regras constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN. Fl. 654DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 6 A regra geral para aplicação dos termos iniciais da decadência encontrase disciplinada no art. 173 CTN: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Observese, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de interpretar a legislação aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários. Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: Misabel Abreu Machado Derzi, Comentários ao Código Tributário Nacional, coordenado por Carlos Valder do Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404: “A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo ao lançamento de ofício, na forma disciplinada pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de infração). Fl. 655DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10167.001280/200717 Acórdão n.º 230101.873 S2C3T1 Fl. 911 7 “O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação. Portanto a forma de contagem é diferente daquela estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos, inerentes ao lançamento com base em declaração ou de ofício. Tratase de prazo mais curto, menos favorável a Administração, em razão de ter o contribuinte cumprido com seu dever tributário e realizado o pagamento do tributo.”. Luciano Amaro , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a Ed., 1999, pág. 352: “Se porém o devedor se omite no cumprimento do dever de recolher o tributo, ou efetua recolhimento incorreto, cabe a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em razão da omissão do devedor), para que possa exigir o pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”. Sob o mesmo enfoque, no Acórdão CSRF/0101.994, manifestouse o Relator: “O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no § 4º do referido artigo 150. O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício. Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” (negrito da transcrição). O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.9333 – SC (transitado em julgado em outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Fl. 656DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 8 DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Extraise do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I. Fl. 657DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10167.001280/200717 Acórdão n.º 230101.873 S2C3T1 Fl. 912 9 Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art. 150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Assim, mesmo estando obrigados à reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à abrangência do pagamento antecipado. Definida a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I, precisamos tomar seu conteúdo para prosseguirmos: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. No Resp 973.933SC, o STJ entendeu que o lançamento poderia ser efetuado a partir da ocorrência do fato gerador, mas não partilhamos desse entendimento. Aqui tratamos de lançamento de ofício e sabemos que este só pode ser realizado após a constatação da omissão do contribuinte em relação ao seu dever de calcular o montante do tributo a ser antecipado e realizar o pagamento. Seria possível, no dia seguinte ao fato gerador, a fiscalização efetuar lançamento de ofício, com aplicação de penalidades, sabendo que o contribuinte ainda dispõe de prazo legal para efetuar o pagamento? Evidentemente que não, pois, insistimos, o lançamento de ofício só pode ser realizado após transcorrido o prazo para o contribuinte efetuar o pagamento. Não pode passar sem ser notado que para fatos geradores ocorridos no último mês do ano essa circunstância pode ser relevante. No caso das contribuições regidas pela Lei 8.212/91, por exemplo, o prazo para pagamento, desde outubro de 2008 conforme estabelecido pela Lei 11.933/2009, é o 20º dia do mês subseqüente ao da competência. Logo, os fatos geradores ocorridos em dezembro de 20XX ensejam crédito tributário que deve ser adimplido em janeiro de 20(XX+1), o que resulta em considerar que o lançamento somente poderia ser realizado em 20(XX+1) e o dies a quo da decadência somente ocorre no primeiro dia de janeiro de 20(XX+2). Não obstante nossa posição sobre os fatos geradores ocorridos em dezembro de cada ano, deixamos de aplicála a partir de janeiro de 2011 em virtude do conteúdo do art. 62 A do Regimento deste CARF que obriga a todos os Conselheiros a reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STJ julgados na sistemática do art. 543C. Assim, mesmo Fl. 658DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 10 para fatos geradores ocorridos em dezembro de cada ano, consideraremos o dies a quo em primeiro de janeiro do ano subseqüente, no caso de aplicação do art. 173, inciso I. Então, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública – “considerase homologado” é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente “. Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo em um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4º do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão”pronunciado”. Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos os fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. Vejamos um exemplo. Considerando que uma fiscalização tenha sido iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade dele exigida pela lei, ou seja, o sujeito passivo realizou sua escrituração, prestou as informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/20(XX5). Os fatos geradores ocorridos depois de 20(XX5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido, desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 173, inciso I. Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. Fl. 659DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10167.001280/200717 Acórdão n.º 230101.873 S2C3T1 Fl. 913 11 Como resultado da diligência, ficou consignado que houve recolhimentos de contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos a contribuintes individuais nos anos de 2000 e 2001, o que impõe a aplicação da regra do dies a quo do art. 150, §4º do CTN. Conforme nossa posição acima, tal regra deve ser aplicada até o início da fiscalização em 03/02/2006. Para os fatos geradores não homologados tacitamente até o início da fiscalização, aplicase a regra do art. 173, inciso I. Nulidade por inconsistências no lançamento Ao contrário do que afirma a recorrente, a NFLD foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas, cumprindo adequadamente os preceitos do art. 142 do CTN. O Relatório Fiscal, juntamente com todos os anexos da NFLD constantes dos autos, traz todos os elementos que motivaram a lavratura da NFLD e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Embora a autoridade fiscal tenha feito, em um dos trecho de seu relatório, referência a uma instrução normativa, a base legal do lançamento está identificada em fls. 104/106. Não vislumbramos utilização de presunção ilegal. A autoridade fiscal indicou de quais contas retirou as informações a respeito de pagamentos a contribuintes individuais. Ou seja, demonstrou diretamente quais eram os fatos geradores. Bastaria que a recorrente comprovasse que todos os pagamentos lá constantes compuseram a base de cálculo da contribuição previdenciária, o que não foi feito. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO de modo a afastar os fatos geradores ocorridos até 04/02/2001. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Fl. 660DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 12 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, Redator Designado Com todo respeito ao nobre relator, divirjo de suas conclusões quanto à decadência. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN). A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário no inciso V do art. 156 do CTN e decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso de certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito. Esses fatores resultarão, para o sujeito que permaneceu inerte, na extinção de seu direito material. Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 4º, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). A decadência, no Direito Tributário, é modalidade de extinção do crédito tributário. No período do lançamento foram considerados recolhimentos a homologar, fls. 080. O lançamento por homologação implica pagamento pelo sujeito passivo antes de qualquer atividade ou notificação por parte da fazenda (pagamento antecipado). Feito esse pagamento, compete à Administração homologálo ou recusar a homologação. No caso de recusa da homologação, o Fisco deverá lançar, de ofício, como no presente processo, a diferença correspondente ao tributo que deixou de ser pago antecipadamente e os juros e penalidades cabíveis. Fl. 661DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10167.001280/200717 Acórdão n.º 230101.873 S2C3T1 Fl. 914 13 Esse lançamento de ofício está expressamente determinado no Código Tributário Nacional (CTN): CTN: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I. quando a lei assim o determine; Lei 8.212/1991: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Existe a possibilidade da Fazenda não se manifestar prontamente quanto ao pagamento efetuado antecipadamente pelo sujeito passivo. Este, evidentemente, não poderia permanecer indefinidamente à mercê da potencial manifestação do Fisco. Por isso, o CTN estabelece que, salvo prazo diverso previsto em lei, considerase feita a homologação e definitivamente extinto o crédito em cinco anos, contados do fato gerador. Esta extinção do crédito pela inércia da fazenda é denominada homologação tácita e sua principal conseqüência é impossibilitar a fazenda de rever de ofício o pagamento feito pelo sujeito passivo. CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Essa definição, sobre a aplicação da regara decadencial acima, possui amparo em decisões do Poder Judiciário. “Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) ... Fl. 662DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 14 “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) Vemos, portanto, que, no caso do lançamento por homologação, não ocorre exatamente decadência do direito de realizar essa modalidade de lançamento. O que ocorre é a extinção definitiva do crédito pelo instituto da homologação tácita a qual tem como conseqüência indireta a extinção do direito de rever de ofício o lançamento. Em síntese, a homologação tácita acarreta a decadência do direito da Fazenda realizar o lançamento de ofício relativo à diferença de eventual tributo que tenha deixado de ser pago e aos acréscimos legais a essa diferença. No presente processo, há apuração de contribuições no período compreendido entre as competências 03/1998 a 11/2005, e o lançamento foi efetuado em 08/2006. Portanto, devem ser excluídas do lançamento as contribuições apuradas até a competência 07/2002, anteriores a 08/2001, pois os recolhimentos que ocorreram nessas competências já estão homologados, segundo a legislação citada acima. CONCLUSÃO: Por todo exposto, voto, na questão da decadência, em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 07/2001, anteriores a 08/2001, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Redator Designado Fl. 663DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10167.001280/200717 Acórdão n.º 230101.873 S2C3T1 Fl. 915 15 Fl. 664DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 10070.000240/2004-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2003
IRPF GLOSA
DE DESPESAS MÉDICAS Tendo
o contribuinte comprovado com documentação hábil e idônea seu gasto com despesas médicas, há de ser restabelecida a dedução pleiteada, com base nas informações constantes de seu Comprovante de Rendimentos.
Numero da decisão: 2201-000.955
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade dar parcial provimento ao recurso para restabelecer a dedução a título de despesa médica no valor de R$ 1.559,28 no ano-calendário
2002. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003 IRPF GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS Tendo o contribuinte comprovado com documentação hábil e idônea seu gasto com despesas médicas, há de ser restabelecida a dedução pleiteada, com base nas informações constantes de seu Comprovante de Rendimentos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1541; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10070.000240/200476 Recurso nº 165.694 Voluntário Acórdão nº 220100.955 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de fevereiro de 2011 Matéria IRPF Recorrente ALTAMIRO ALVERNAZ FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003 IRPF GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS Tendo o contribuinte comprovado com documentação hábil e idônea seu gasto com despesas médicas, há de ser restabelecida a dedução pleiteada, com base nas informações constantes de seu Comprovante de Rendimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade dar parcial provimento ao recurso para restabelecer a dedução a título de despesa médica no valor de R$ 1.559,28 no anocalendário 2002. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. (Assinado Digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza, Gustavo Lian Haddad e Fl. 54DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 03/04, que alterou o resultado da Declaração de Ajuste Anual relativa ao exercício 2003, de imposto a pagar de R$ 1.481,15, para imposto a pagar de R$ 4.772,71. A fiscalização, por meio de revisão da Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, apurou dedução indevida a título de dependentes e dedução indevida de despesas com instrução. Cientificado do lançamento, o autuado apresentou Impugnação, contestando o fato de não ter sido levado em consideração no cálculo do imposto de renda, os valores referentes às despesas médicas e aos gastos com instrução própria. Afirma que não informou dependentes em sua Declaração de Ajuste Anual. A 1ª Turma de Julgamento da DRJ – Rio de Janeiro II converteu o processo em diligência (fl. 15) com vistas à juntada de documentos. O contribuinte não atendeu à intimação. Em seguida, em atendimento a nova diligência (fl. 19), a unidade de origem anexou aos autos cópia da Declaração de Ajuste Anual apresentada pelo contribuinte (fls. 27/30). Posteriormente, a 1ª Turma de Julgamento da DRJ – Rio de Janeiro II julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação. Não tendo o contribuinte apresentado os comprovantes referentes às despesas declaradas, é de se manter a glosa efetuada. Lançamento Procedente Intimado da decisão de primeira instância em 11/02/2008 (fl. 37), Altamiro Alvernaz Filho apresenta Recurso Voluntário em 04/03/2008 (fl. 39), sustentando, essencialmente, que, verbis: Recebi a cobrança de R$ 6.376,40 referente ao Imposto de Renda do exercício de 2003, ano base 2002. Os Membros da 1ª. Turma de Julgamento da Receita Federal consideraram, em parte, a minha impugnação apresentada anteriormente neste processo, e lançaram a despesa com minha própria instrução, nos limites da Lei (R$ 1.998,00). Sou pessoa de idade (na época tinha 60 anos de idade, atualmente tenho 66 anos), tenho a minha saúde precária pelos anos de luta pela minha sobrevivência e a de minha família (mulher e três filhos), estou aposentado e ganho salário fixo. Faço tratamentos de saúde (diabetes, insuficiência coronariana, insuficiência vascular periférica, retinopatia diabética, Fl. 55DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10070.000240/200476 Acórdão n.º 220100.955 S2C2T1 Fl. 2 3 claudicação intermitente etc.), freqüento clínicas, laboratórios e consultórios médicos, nem sempre pelo Convênio (GEAP) que, às vezes, não os cobre. Há despesas com médicos, clínicas e exames. Infelizmente não sou uma pessoa organizada, e acho que os perdi ou não me foram entregues recibos que me foram solicitados (ou jogaram fora!). Existe, porém, um comprovante que não foi considerado e que consta no "comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de Renda na fonte — Ano Calendário 2002" cuja cópia segue anexo a este Recurso. Solicito aos Srs. Conselheiros que, pelo menos, considerem esta Dedução. Solicito, também, aos Srs. Conselheiros que abatam no meu Imposto a pagar a quantia que já foi paga no dia 29.04.2003 (fazendo a devida correção, se for o caso), no valor de R$ 1.481,16, conforme comprovante anexado ao Recurso. Informo à Receita Federal que não possuo numerário para pagar à vista, qualquer importância acima de R$ 1.000,00 e solicito parcelamento em, no mínimo, seis vezes, pelo que agradeço. Lembro, por oportuno, que este Recurso está dentro do prazo que me foi dado, i.é, 30 dias da ciência da AR (AR com ciência do porteiro do prédio no dia 12.02.08). Por acreditar na isenção e lisura dos órgãos da Receita Federal é que estou recorrendo, com a certeza de que as minhas razões serão adequadamente examinadas e acolhidas, por ser uma questão de inteira JUSTIÇA. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Insurge o recorrente contra o lançamento alegando, quanto à apresentação dos recibos médicos, que “... infelizmente não sou uma pessoa organizada, e acho que os perdi ou não me foram entregues recibos que me foram solicitados (ou jogaram fora!). Existe, porém, um comprovante que não foi considerado e que consta no ‘comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de Renda na fonte Ano Calendário 2002’ cuja cópia segue anexo a este Recurso”. Assevera, ainda, o contribuinte que “... abatam no meu Imposto a pagar a quantia que já foi paga no dia 29.04.2003 (fazendo a devida correção, se for o caso), no valor de R$ 1.481,16, conforme comprovante anexado ao Recurso...”. Pois bem, em relação à dedução da despesa médica registrada no “Comprovante de Rendimentos” relativo ao anocalendário 2002, entendo como legítimo o Fl. 56DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 4 pedido do contribuinte, posto que se encontra consignado no referido documento o montante de R$ 1.559,28, relativo a despesas médicoodontohospitalares (fl. 40). Quanto ao requerimento de parcelamento, bem como abatimento do valor anteriormente recolhido deverá o recorrente se dirigir à unidade da Receita Federal do Brasil de sua jurisdição. Isto posto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para considerar a dedução a título de despesa médica no valor de R$ 1.559,28. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Fl. 57DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10070.000240/200476 Acórdão n.º 220100.955 S2C2T1 Fl. 3 5 Processo nº: 10070.000240/200476 Recurso nº: 165.694 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 220100.955. Brasília/DF, 09 de fevereiro de 2011 ______________________________________ FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 58DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH
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