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Numero do processo: 15374.917262/2008-08
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004
PROVA DOCUMENTAL. CLAREZA DOS REGISTROS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. MOMENTO PROCESSUAL DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO. LEGALIDADE.
Somente se reconhece indébito fiscal e cogita-se da possibilidade da sua utilização na compensação de outros tributos quando devidamente comprovado por meio da escrituração contábil/fiscal, quando a DCTF é retificada após o despacho decisório. A documentação deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, observadas as ressalvas previstas na norma e a possibilidade objetiva de aplicação do princípio da verdade material, que rege o Processo Administrativo Fiscal.
Numero da decisão: 3803-003.774
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa Relator
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os Conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 PROVA DOCUMENTAL. CLAREZA DOS REGISTROS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. MOMENTO PROCESSUAL DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO. LEGALIDADE. Somente se reconhece indébito fiscal e cogita-se da possibilidade da sua utilização na compensação de outros tributos quando devidamente comprovado por meio da escrituração contábil/fiscal, quando a DCTF é retificada após o despacho decisório. A documentação deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, observadas as ressalvas previstas na norma e a possibilidade objetiva de aplicação do princípio da verdade material, que rege o Processo Administrativo Fiscal.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1864; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. !Configuração não válida de caractere 1 1.073 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.917262/200808 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803003.774 – 3ª Turma Especial Sessão de 29 de novembro de 2012 Matéria COMPENSAÇÃO PIS Recorrente BETUNEL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 PROVA DOCUMENTAL. CLAREZA DOS REGISTROS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. MOMENTO PROCESSUAL DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO. LEGALIDADE. Somente se reconhece indébito fiscal e cogitase da possibilidade da sua utilização na compensação de outros tributos quando devidamente comprovado por meio da escrituração contábil/fiscal, quando a DCTF é retificada após o despacho decisório. A documentação deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, observadas as ressalvas previstas na norma e a possibilidade objetiva de aplicação do princípio da verdade material, que rege o Processo Administrativo Fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 72 62 /2 00 8- 08 Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/12/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Participaram, ainda, da sessão de julgamento os Conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Trata o presente processo de compensação declarada pela Contribuinte, por meio da DComp nº 01367.61068.111104.1.3.046120, em que utilizou o alegado crédito de pagamento indevido ou a maior, no valor de R$ 11.572,41, relativo ao mês de setembro de 2004, homologada parcialmente, por meio do despacho decisório eletrônico proferido pela Derat/Rio de Janeiro II. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Interessada alegou, em síntese, que: a) a contribuição foi paga no valor de R$ 77.786,46, e equivocadamente declarada na DCTF e no Dacon no valor de R$ 68.446,34, por sua vez divergente e maior que o devido; b) o referido erro foi identificado e corrigido através de retificação de ambas as declarações, após emissão do despacho decisório. Em julgamento da lide a DRJ/Rio de Janeiro II verificou, nos sistemas da RFB, relativamente ao 3º trimestre de 2004, que a Contribuinte apresentara, além da DCTF original, oito DCTFs retificadoras, fl. 68, sendo as duas últimas apresentadas em data posterior à ciência do despacho decisório, com a alteração da contribuição a pagar para o valor de R$ 66.214,05. Da mesma forma, apresentou, além do Dacon original, quatro Dacons retificadores, fl. 69, com diversas alterações no valor da contribuição a pagar, e somente no último, apresentado, após a ciência da dita decisão administrativa, o valor foi retificado para R$ 66.214,05. Destacou a falta da espontaneidade das declarações retificadoras, e, em consequência, considerouas documentos insuficientes, por si sós, para fazer prova em favor da Manifestante, pois não se fizeram acompanhar de documentos fiscais e contábeis, capazes de demonstrar que a contribuição efetivamente devida não corresponde à importância anteriormente informada à RFB, mas, sim, ao último valor que declarou, tudo, conforme o exigem os arts. 15 e 16 do Decreto n º 70.235, de 1972. Cientificada da decisão, em 12 de setembro de 20112, a Interessada apresentou o recurso voluntário de fls. 82 a 83, em 03 de outubro de 2011, em que reitera a singela menção ao erro de apuração cometido e declara estar anexando cópias da DCTF retificadora, do Dacon retificador, do Livro Razão, do Balancete Contábil e do Termo de Abertura e Encerramento do Livro Diário, para que não reste dúvidas quanto ao direito alegado. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa Relator Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/12/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15374.917262/200808 Acórdão n.º 3803003.774 S3TE03 Fl. !Configuração não válida de caractere 3 O recurso é tempestivo, e atende a todos os requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A Recorrente não desenvolve argumentos em sua defesa. Apenas afirma que pagou a maior e em um resumido parágrafo declara estar anexando as cópias dos documentos supramencionados, para o fim de ter a compensação realizada homologada integralmente. A DCTF e o Dacon foram documentos já não aceitos pelo Colegiado a quo, como documentos comprobatórios de que houvera pagamento a maior da contribuição. Com acerto foi proferida a decisão, eis que as declarações não se fizeram acompanhar da escrituração contábil e/ou fiscal naquela instância. A exemplo do anterior processo analisado por este Julgador, o balancete no mês de setembro mostra um sem número de registros relativos ao PIS, sem que a Recorrente tenha sido diligente em sua defesa para demonstrar com que números do balancete e/ou do razão compôs o cálculo do PIS o valor que pretendeu provar/ O Razão, por sua vez, mostra uma escrituração capilarizada em um sem número de operações, e, não obstante ser denominada de Razão Acumulado também é um Razão Analítico, de difícil identificação do efetivo débito que a Recorrente pretende provar existir. Em vista do registro sobremodo acentuado de operações, números em intensidade, deveria a Recorrente ter sido razoável e ter elaborado demonstrativo que melhor elucidasse a apuração que fez constar no Dacon e o valor que declarou por fim na DCTF retificadora ativa, e fornecesse o itinerário desse cálculo apontandoo no balancete e/ou no Razão, com indicação das contas ou saldos de contas e respectivos valores e páginas, a permitir um cotejo prático do valor da contribuição a que chegara. Mesmo que a Recorrente houvesse apontado para a identidade visível entre esses registros do cálculo do PIS, e que minudentemente estivesse descrita a natureza dos créditos apenas nesta fase recursal, tais elementos de defesa não se tornariam ainda uma justificação suficiente para converter o julgamento em diligência. Isso, porque os conceitos envolvidos na apuração dos créditos tem a forte probabilidade de suscitar uma nova disputa, que passaria ao largo da apreciação do órgão julgador de primeira instância, a subverter o rito do processo administrativo fiscal. Ora, se na hipótese acima esses elementos de defesa assim organizados talvez não pudessem socorrer a Recorrente, sequer para o fim de sua confirmação por meio de diligência, pela possibilidade de julgar preclusa a sua apresentação apenas nesta fase recursal, o que dizer da defesa que nada organiza, que anexa centenas, ou mais de um milhar, de registros, à espera de que a Auditoria Fiscal garimpe no meio dos números, realizando um trabalho que é da Recorrente, que já estaria realizado, mas que não chega ao órgão julgador devidamente esquadrinhado? Não há de ter expectativa de êxito quem se defende com esse descaso. Gizese que é ônus da Contribuinte trazer aos autos a completa prova da alegação de existência de crédito de pagamento indevido ou a maior, perante a Receita Federal do Brasil, nas circunstâncias em que este, após ter confessado e pago o débito, provê, posteriormente, a redução do crédito tributário. E esta prova deveria ter sido provida no momento processual da manifestação de inconformidade, nos termos dos arts. 15 e 16 do Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/12/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Decreto n º 70.235, de 1972, em que respaldouse a decisão de primeira instância, precluindo o direito de fazêlo em momento posterior. Assim, não merece reparos a decisão recorrida, em vista de toda a exposição retro. Pelo que, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 29 de novembro de 2012 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/12/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 11060.002506/2009-10
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. SUSPENSÃO DO DIREITO DE LANÇAMENTO DO FISCO. INOCORRÊNCIA
Sob pena de responsabilidade funcional, o Auditor Fiscal da Receita Federal tem a obrigação de efetivar o devido lançamento quando presentes as condições legais para tanto. A discussão, em diverso processo administrativo, acerca da exclusão do SIMPLES não tem efeito suspensivo, não obstacularizando o fisco de lançar o que devido, inclusive evitando a decadência de eventuais créditos.
MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE. APLICABILIDADE SOMENTE SE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE.
Os valores da multas referentes a descumprimento de obrigação principal foram alterados pela MP 449/08, de 03.12.2008, convertida na lei n º 11.941/09. Assim sendo, como os fatos geradores se referem aos anos de 2004 a 2007, o valor da multa aplicada deve ser calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior a lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-001.932
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para que o valor da multa aplicada seja calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior a lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. A comparação dar-se-á no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art.2º. da portaria conjunta RFB/PGFN no. 14, de 04.12.2009.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, André Luis Marsico Lombardi e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. SUSPENSÃO DO DIREITO DE LANÇAMENTO DO FISCO. INOCORRÊNCIA Sob pena de responsabilidade funcional, o Auditor Fiscal da Receita Federal tem a obrigação de efetivar o devido lançamento quando presentes as condições legais para tanto. A discussão, em diverso processo administrativo, acerca da exclusão do SIMPLES não tem efeito suspensivo, não obstacularizando o fisco de lançar o que devido, inclusive evitando a decadência de eventuais créditos. MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE. APLICABILIDADE SOMENTE SE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. Os valores da multas referentes a descumprimento de obrigação principal foram alterados pela MP 449/08, de 03.12.2008, convertida na lei n º 11.941/09. Assim sendo, como os fatos geradores se referem aos anos de 2004 a 2007, o valor da multa aplicada deve ser calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior a lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte Recurso Voluntário Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2210; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11060.002506/200910 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803001.932 – 3ª Turma Especial Sessão de 21 de novembro de 2012 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente SECURISYSTEM SISTEMAS DE MONITORAMENTO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. SUSPENSÃO DO DIREITO DE LANÇAMENTO DO FISCO. INOCORRÊNCIA Sob pena de responsabilidade funcional, o Auditor Fiscal da Receita Federal tem a obrigação de efetivar o devido lançamento quando presentes as condições legais para tanto. A discussão, em diverso processo administrativo, acerca da exclusão do SIMPLES não tem efeito suspensivo, não obstacularizando o fisco de lançar o que devido, inclusive evitando a decadência de eventuais créditos. MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE. APLICABILIDADE SOMENTE SE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. Os valores da multas referentes a descumprimento de obrigação principal foram alterados pela MP 449/08, de 03.12.2008, convertida na lei n º 11.941/09. Assim sendo, como os fatos geradores se referem aos anos de 2004 a 2007, o valor da multa aplicada deve ser calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior a lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para que o valor da multa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 25 06 /2 00 9- 10 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11060.002506/200910 Acórdão n.º 2803001.932 S2TE03 Fl. 3 2 aplicada seja calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior a lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. A comparação darseá no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art.2º. da portaria conjunta RFB/PGFN no. 14, de 04.12.2009. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, André Luis Marsico Lombardi e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11060.002506/200910 Acórdão n.º 2803001.932 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado, referente a parte dos segurados, a qual deveria ser retida e repassada à fazenda nacional. A DecisãoNotificação – fls 75 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o auto de infração lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · Destaca que, à época, a empresa ora Recorrente era optante pelo Regime de Apuração Simplificada de Arrecadação, SIMPLES FEDERAL. · Os fatos geradores descritos no relatório constante do Auto de Infração devem ser revistos, pois não foram analisados com a devida acuidade pela fiscalização. · A Fiscalização não logrou comprovar qualquer suposta irregularidade praticada pela Empresa, o que, por si só, já é suficiente para ensejar a procedência do presente recurso, visto que este ônus cabe ao exclusivamente ao Fisco. · A Fiscalização ao descrever as supostas infrações à norma tributária, aduz de forma clara que a empresa ora Recorrente supostamente cometeu infrações em seus recolhimentos, desconsiderando por completo os registros da empresa, e por ela apresentados e a atividade que desempenha. · Os Agentes Fiscais, ao confeccionar o Auto de Infração e compor novos lançamentos a serem efetivados na contabilidade fiscal, o faz de forma completamente unilateral, em ofensa a ampla defesa e ao contraditório. · A Impugnação/Recurso Administrativo apresentada ao processo administrativo n° 11060.000758/200734 – exclusão do SIMPLES, encontrase em trâmite, sem uma decisão final, devendo ser suspenso o presente processo até o julgamento da exclusão. · Os efeitos da exclusão, se é que legalmente amparada, só poderão alcançar os fatos supervenientes ao entendimento manifestado pela Secretaria da Receita Federal, isto por força do principio constitucional da segurança jurídica, consubstanciado na garantia individual da irretroatividade das normas e das disposições expressas no Código Tributário Nacional em seus artigos 103,I e 146. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11060.002506/200910 Acórdão n.º 2803001.932 S2TE03 Fl. 5 4 · Requer a anulação do Auto de Infração n° 37.160.3927, tendo em vista da constituição de Contribuições destinadas ao Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, serem totalmente irregulares, em vista das ilegalidades apontadas no presente Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11060.002506/200910 Acórdão n.º 2803001.932 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Acerca da análise dos fatos geradores, temos que o relatório fiscal detalha o lançamento, deixando claro o que consta de cada levantamento, senão vejamos: b) Z1 O levantamento Z I referese a parcela da remuneração paga a titulo de Auxilio Alimentação em desacordo com o Programa de alimentação do Trabalhador PAT. O beneficio é pago em dinheiro, está lançado na folha de pagamento como parcela não tributada e o empregado sofre um desconto equivalente á 20% (vinte"por cento) do valor que lhe é creditado.A base de calculo considerada no lançamento é valor liquido/recebido pelo trabalhador, demonstrativo anexo às fls 85. Diante de tal quadro, caberia a recorrente apontar objetivamente onde residem eventuais irregularidades – art. 16 do decreto 70.235/72, o que não foi feito, pois a mesma se limitou a informar, de forma genérica, que a fiscalização não agiu como deveria, sem explicitar os pontos de divergência. Fica assim demonstrado que o contribuinte não trouxe nenhum elemento e nem apresentou provas que desconstituísse o que confirmado pela decisão de primeiro grau e, uma vez não comprovado vícios no lançamento, temos a procedência da autuação. DA EXCLUSÃO DO SIMPLES Os autos se referem ao período de 01/03/2004 a 30/06/2007. Observase assim que abrange período no qual a recorrente não se encontrava no referido regime diferenciado, em razão de sua exclusão através do Ato Declaratório Sivex n° 011/2007 com efeitos a partir de 01/03/2004. Sob pena de responsabilidade funcional, o Auditor Fiscal da Receita Federal tem a obrigação de efetivar o devido lançamento quando presentes as condições legais para tanto. A discussão, em outro processo administrativo fiscal, acerca da exclusão do SIMPLES, não tem efeito suspensivo, não obstacularizando o fisco de lançar o que devido, inclusive evitando a decadência de eventuais créditos, senão vejamos jurisprudência deste Colegiado. LANÇAMENTO DE OFICIO — ARGÜIÇÃO DE NULIDADE — DECISÃO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES — CONTRADITÓRIO Fl. 122DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11060.002506/200910 Acórdão n.º 2803001.932 S2TE03 Fl. 7 6 E AMPLA DEFESA — DESNECESSIDADE — É desnecessário que o Fisco percorra todas as instâncias administrativas com o processo de exclusão do SIMPLES para só então, com a decisão final desfavorável ao contribuinte, proceder ao lançamento de oficio. A tramitação conjunta dos processos de exclusão do SIMPLES e do auto de infração evita a ocorrência da decadência tributária. Assim sendo, considerados os fatos geradores em período não alcançado pela regular opção ao SIMPLES, procedente a autuação lavrada. (...).Processo n°. : 10166.016255/200225. Acórdão n°. :10808.231 de 16.03.2005 Não cabe a esta Turma, neste processo, se manifestar acerca das razões da exclusão do SIMPLES – o que já esta sendo feito em processo próprio – cabendolhe somente decidir acerca da procedência ou não dos autos lavrados nesta ação fiscal. Finalmente, temos que as verbas apuradas – parte devida pelo segurado – são devidas tanto pelas empresas aderentes ao SIMPLES quanto por aquelas que não usufruem o favor legal, sendo assim despicienda a discussão acerca da adesão da recorrente ao sistema simplificado. DA MULTA DE OFÍCIO APLICADA A multa aplicada tem seu valor determinado pela legislação em vigor. A atividade tributária é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais, sendolhe vedada a discricionariedade de aplicação da norma quando presentes os requisitos materiais e formais para sua aplicação. A presente multa encontra fundamento nos dispositivos legais trazidos no relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD. No entanto, o art. 106, inciso II,”c” do CTN determina a aplicação de legislação superveniente apenas quando esta seja mais benéfica ao contribuinte. Os valores da multas referentes a descumprimento de obrigação principal foram alterados pela MP 449/08, de 03.12.2008, convertida na lei n º 11.941/09. Assim sendo, como os fatos geradores se referem ao período de 2004 e 2007, o valor da multa aplicada deve ser calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior a lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11060.002506/200910 Acórdão n.º 2803001.932 S2TE03 Fl. 8 7 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe parcial provimento para que o valor da multa aplicada seja calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior a lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. A comparação darseá no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art.2º. da portaria conjunta RFB/PGFN no. 14, de 04.12.2009. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Numero do processo: 15582.000301/2007-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/03/2007
COMPETÊNCIA DA AUDITORIA FISCAL PARA CARACTERIZAR SEGURADO EMPREGADO. AUTORIZAÇÃO NORMATIVA.
A Auditoria Fiscal dispõe de instrumentos normativos para caracterizar o trabalhador como segurado empregado quando presentes na prestação de serviço os elementos caracterizadores da relação de emprego, mesmo quando a prestação se dê mediante interposta empresa.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO -SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO DE EMPRESA INTERPOSTA - - PRINCIPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE.
Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que a contratação de autônomos ou mesmo pessoas jurídicas, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado.
No procedimento em questão a AUTORIDADE FISCAL EM IDENTIFICANDO a caracterização do vínculo empregatício com diversas sócios de pessoas jurídicas, procedeu a caracterização do vínculo para efeitos previdenciários na empresa notificada, que era a verdadeira empregadora de fato.
LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria, não há que se falar em nulidade do lançamento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade; e II) Por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (relator) e Marcelo Freitas de Souza Costa, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo Relator
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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AUTORIZAÇÃO NORMATIVA. A Auditoria Fiscal dispõe de instrumentos normativos para caracterizar o trabalhador como segurado empregado quando presentes na prestação de serviço os elementos caracterizadores da relação de emprego, mesmo quando a prestação se dê mediante interposta empresa. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO DE EMPRESA INTERPOSTA PRINCIPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que a contratação de autônomos ou mesmo pessoas jurídicas, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. No procedimento em questão a AUTORIDADE FISCAL EM IDENTIFICANDO a caracterização do vínculo empregatício com diversas sócios de pessoas jurídicas, procedeu a caracterização do vínculo para efeitos previdenciários na empresa notificada, que era a verdadeira empregadora de fato. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria, não há que se falar em nulidade do lançamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 2. 00 03 01 /2 00 7- 91 Fl. 833DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade; e II) Por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (relator) e Marcelo Freitas de Souza Costa, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo – Relator Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora Designada Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 834DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15582.000301/200791 Acórdão n.º 2401002.444 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n.º 37.019.8450, lavrada contra o contribuinte acima identificado para exigência das contribuições dos segurados e das seguintes contribuições patronais: a) para o Fundo de Previdência e Assistência Social; b) para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT; c) para outras entidades e fundos. De acordo com o relatório fiscal, fls. 62 e segs., os fatos geradores foram os pagamentos de remuneração a segurados enquadrados na categoria de empregados, uma vez que foram identificados os elementos caracterizadores da relação de emprego. Afirmase que a empresa notificada, no período do lançamento, contratava microempresas para executarem serviços de processamento de dados (atividade incluída no seu objeto social), sendo que tais serviços foram prestados pelos empresários, titulares das empresas, uma vez que, no período, estas não possuíam empregados. Sustenta o fisco que, com esteio na documentação apresentada, foi possível verificar que os prestadores de serviço preenchiam os requisitos da relação empregatícia, pelo que os sócios/titulares das empresas contratadas foram caracterizados como segurados empregados da notificada. A seguir, são apresentadas as justificativas que levaram a Auditoria a concluir pela ocorrência do liame empregatício, onde, mediante análise do contrato padrão firmado com entre a Vixteam e as prestadoras, o fisco busca demonstrar a ocorrência da pessoalidade, onerosidade, subordinação e não eventualidade. A base de cálculo da apuração foi o valor das notas fiscais emitidas pelas empresas contratadas. Asseverase ainda que, em tese, a prática adotada se configura em crime de sonegação previdenciária, tendo sido lavrada representação fiscal para fins penais. Foram anexados vários documentos que o fisco entendeu serem hábeis a comprovar suas afirmações (notas fiscais, comprovantes de despesas, cópia de livros contábeis, etc.) Cientificada do lançamento em 11/09/2007, a empresa apresentou impugnação, fls. 239 e segs., na qual alegou, em apertada síntese, que: a) deve ser declarada a decadência do crédito até a competência 12/2001; Fl. 835DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 b) o fisco não detém competência para desconsiderar a personalidade jurídica de empresas, tampouco de imputar vínculo de emprego em relação contratual efetivada entre empresas; c) nos termos do art. 129 da Lei n.º 11.196/2005, a prestação de serviços de natureza intelectual, como é o caso dos contratados pela notificada, está sujeita exclusivamente à legislação aplicável às pessoas jurídicas; d) cabe tãosomente ao Poder Judiciário declarar a desconsideração da personalidade jurídica, para fins fiscais e previdenciários, tendo por base o suposto abuso ou desvio de finalidade; e) nem mesmo o parágrafo único do art. 116 do CTN permite que o fisco caracterize como relação empregatícia os ajustes efetuados entre pessoas jurídicas, haja vista que o referido dispositivo, além de se aplicar apenas para desconsiderar atos e negócios jurídicos simulados, o exercício desta competência pelo fisco depende de lei ordinária regulamentando o seu procedimento; f) o IX do art. 114 da Constituição Federal determina ser competência exclusiva da Justiça do Trabalho o reconhecimento de vínculo de emprego; g) dispositivos de decreto ou outro ato administrativo não tem força para contrariar as disposições de lei e da própria Constituição, portanto é nulo o art. 229 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999; h) a Autoridade Fiscal ignorou por completo a realidade do mercado de informática, que obriga as empresas a subcontratarem outras empresas da área, nem sempre apenas pelo volume do trabalho, mas pelo grau de especialização existente nesse setor empresarial; i) ao contrário do que afirmou a Auditoria, há empresas contratadas que possuíam empregados, como é o caso da DLN — Consultoria & Informática Ltda e VT Serviços Ltda, conforme demonstram os documentos acostados; j) diversas empresas relacionadas pelo procedimento fiscal prestaram serviço a outras contratantes, o que é o caso das DLN — Consultoria & Informática Ltda; WS0 Informática e informação Ltda; G. P. Gujawski; Renato Costa Salomão — Avalon Informática; J.F. de Moraes Gomes; INFORVILA Informação e Qualidade Ltda; Globaltec Soluções em Informática Ltda; Gouvêa Tostes Sistemas e Logística Ltda; DB de Oliveira; AGN Processamento de Dados Ltda; RCP Informática Processamento de Dados Ltda; Lugon Consultoria e Sistemas Ltda; Turing Tecnologia de Informação Ltda; INFOSOLUTIONS Serviços e Tecnologia Ltda; Leonardo Bustamante de Oliveira; Hiperlink Informática Ltda; Portal Sistemas Ltda; e RPA de Rogério da Silva Quintão. Foram juntadas as notas fiscais que comprovam essa alegação; k) Ressaltase que os empresários Daniel Barbosa de Oliveira e Aluízio Medeiros de Freitas também exerceram e exercem atividade com vinculo empregatício com outras empresas, o que se pode ver dos documentos juntados; l) impõese que os valores pagos pela notificada às empresas acima citadas sejam excluídos da base de cálculo da contribuição previdenciária apurada pelo procedimento fiscal; Fl. 836DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15582.000301/200791 Acórdão n.º 2401002.444 S2C4T1 Fl. 4 5 m) não corresponde à realidade a afirmação do fisco de que as prestadoras não possuíam sede própria. É que consta nos cadastros dos órgão tributários a indicação do domicílio fiscal de cada uma delas, além de que a Auditoria sequer diligenciou no sentido de verificar a existência das sedes das empresas. Por outro lado, o fato da contratante disponibilizar espaço para os trabalhadores das prestadoras em suas dependências decorreu de necessidade de utilização de equipamentos softwares de propriedade da recorrente; n) é praxe nos contratos de serviço de natureza intelectual que os prestadores sejam reembolsados de despesas com transporte e alimentação, quando esses precisam se deslocar para outras cidades na execução do contrato; o) há casos que requerem que a impugnante submeta os trabalhadores das contratadas a treinamentos específicos, a fim de garantir a qualidade dos trabalhos por elas executados; p) os serviços foram executados dentro de um pacote de atividades previamente acordadas, com total autonomia das contratadas na sua execução, não havendo subordinação hierárquica e nem sujeição a horários. Verificase que contratadas não aguardavam e nem executavam ordens da contratante, não havendo, portanto, subordinação jurídica; q) os representantes legais dessas empresas declararam expressamente sobre a inexistência de subordinação, ressaltando também que não há exclusividade, essas empresas podiam livremente contratar com outras (declarações anexadas); r) o princípio da primazia da realidade deve ser invocado em seu favor, isso porque, no caso concreto, não se evidencia uma suposta fraude, e sim, verdadeiramente, a contratação de serviços prestados por empresas; s) percebese que é totalmente equivocada a interpretação dada pela agente fiscal à clausula 3.7 dos contratos, uma vez que não se verifica na mesma a ocorrência de subordinação jurídica, mas um dispositivo vedando a concorrência desleal, comum no setor de informática e em qualquer contrato de prestação de serviços profissionais de natureza intelectual; t) a não eventualidade e onerosidade não são elementos exclusivos do contrato de emprego, podendo estar presente em outras modalidades da prestação de serviço, como é o caso do autônomo que presta assessoria contábil; u) a subcontratação para prestação de serviço em atividadesfim da contratante, por si só, não caracteriza o liame empregatício, posto que a própria legislação admite esse tipo de contratação, como, por exemplo, a Lei n.º 8.666/1994. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ no Rio de Janeiro II determinou a realização de diligência fiscal, fl. 520, para que o fisco se manifestasse sobre a documentação acostada pela notificada, a qual serviria para comprovar que havia prestadoras com empregados e outras que prestaram serviço a outras empresas no período do lançamento. Na informação fiscal prestada às fls. 533/539, a Autoridade Fiscal lançou as seguintes considerações: Fl. 837DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 a) em todos os contratos, os serviços que foram prestados estão contidos nas atividades que compõe o objetivo social da empresa, configurandose a não eventualidade; b) a pessoalidade da prestação dos serviços e a subordinação à notificada, surgem da cláusula que estipula a prestação dos serviços exclusivamente pelos sócios, sendo que os casos de subcontratação, de qualquer outro profissional, deveriam ser previamente autorizados pela Notificada; c) as despesas necessárias à execução das tarefas contratadas eram assumidas pela VIXTEAM, como se pode ver da cláusula 2.3 do contrato padrão, ou seja, era a VIXTEAM assumia o risco econômico da atividade desenvolvida e, por conseguinte, assumia o papel de empregador das pessoas que realizaram o trabalho contratado; d) nas cláusulas 3.7 e 3.8 percebese a existência de subordinação e exclusividade, como se segue: Cláusula 3.7. Não prestar quaisquer serviços profissionais de consultoria ou de natureza semelhante ao objeto deste contrato. com ou sem remuneração, assim como não participar na gerência ou na operação, de qualquer empresa que possa a vir ser concorrente, fornecedor,cliente, ou participante de um contrato com a CONTRATANTE, ou qualquer uma de suas subsidiárias, associadas,coligadas,controladoras,controladas ou consorciadas sem expressa. prévia e especifica autorização da CONTRATANTE. Cláusula 3.8. No curso da prestação dos Serviços aqui contratados,a CONTRATADA,e/ou profissionais em ANEXO, que por ela venham a ser indicados, somente usarão software, hardware, dados e/ou firmware para as quais estejam devidamente autorizados a fazêlos. e) verificase lançamentos contábeis de despesas em nome sócios das empresas contratadas, além de despesas com empregados da empresa VT Serviços. Tais despesas referemse a: transporte, alimentação, telefone, treinamento e testes psicológicos, o que indica que a empresa notificada assumia as despesas da contratada, mostrandose responsável pelo risco econômico das atividades desenvolvidas; f) apresenta exemplificação dos lançamentos contábeis; g) que, a exceção das empresas DLN Consultoria e VT Serviços, na pesquisa ao banco de dados da Previdência Social, verificouse a não existência de empregados nas empresas de informática contratadas; h) para a empresa DLN Consultoria foi verificada a presença de apenas um empregado; i) a empresa VT Serviços foi incluída neste levantamento em face dos lançamentos contábeis de despesas em nome de seus sócios e de seus empregados; j) Daniel Barbosa de Oliveira, sócio da empresa D.B.Oliveira, a época da prestação de serviços à Vixteam, só possuía vinculo empregatício como professor da Faculdade Avies, a qual não oferece aulas no período vespertino; Fl. 838DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15582.000301/200791 Acórdão n.º 2401002.444 S2C4T1 Fl. 5 7 k) da empresa Portal Sistemas Ltda, que prestou serviços à notificada no período de 01/2003 a 12/2006, era sócio o Sr. Aluízio Medeiros de Freitas; l) para a empresa Rogério da Silva Quintão ME, não foi apresentada qualquer nota fiscal, apenas um recibo de prestação de serviços de autônomo do sócio Rogério Quintão. A notificada se manifestou sobre os termos da diligência fiscal, fls. 545 e segs., afirmando que: a) o fato da contratante disponibilizar espaço físico, equipamentos e software nada indica quanto à alegada subordinação jurídica, posto que há situações em que há necessidade de utilização de máquinas e programas de propriedade exclusiva da tomadora, como é o caso de softwares que somente funcionam em determinados equipamentos; b) a cláusula 3.7 não caracteriza subordinação jurídica, mas apenas visa a evitar que ocorra concorrência desleal, com a divulgação pelas contratadas de projetos e produtos desenvolvidos pela contratante; c) a cláusula 3.8 tem por escopo garantir que as prestadoras utilizemse de sistemas que a contratante e seus clientes tenham licença de uso, evitando assim futuras incompatibilidades; d) é praxe no setor de prestação de serviços de informática que os empregados das prestadoras sejam reembolsados de despesas com transporte e alimentação; e) há casos que requerem que a notificada submeta as contratadas a treinamentos específicos, a fim de garantir a qualidade dos trabalhos executados; f) a jurisprudência administrativa e a judicial entendem que, se a prestadora possui empregados, além daqueles prestando serviço a determinada tomadora, não há de se falar em vínculo de emprego de trabalhadores da prestadora para com a tomadora; g) assim, impõese que os valores pagos pela contratante às empresas comprovadamente com empregados e para as que prestaram serviço a diversos clientes, sejam excluídos da base de cálculo da contribuição previdenciária apurada no procedimento fiscal. Ao final, requer a juntada e apreciação dos documentos juntados, que se referem a complemento da documentação relativa aos contratos de sociedades e inscrições de empresários na Junta Comercial, bem como também declarações dos sócios das empresas, atestando a inexistência de exclusividade e subordinação de suas empresas à notificada. A DRJ declarou, fls. 576 e segs, parcialmente procedente o lançamento, reconhecendo a decadência para o período de 10/2001 a 08/2002. O órgão a quo afastou a preliminar de incompetência da Auditoria para caracterizar trabalhadores como segurados empregados e conclui pela ocorrência dos elementos que configuram a relação empregatícia entre os sócios das empresas prestadoras e a empresa notificada. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 673 e segs., no qual, a exceção da decadência, repetiu as alegações apresentadas na defesa e na manifestação sobre a diligência fiscal. Fl. 839DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 Ao final, requer a declaração de nulidade da NFLD, por incompetência da Autoridade Fiscal, ou a declaração de improcedência do lançamento, por não se verificarem os pressupostos da relação empregatícia entre os sócios das prestadoras e a recorrente ou, ainda, a exclusão da base de cálculo das notas fiscais das empresas que possuíam empregados e que não prestaram serviços à notificada, no período da NFLD, com exclusividade. É o relatório. Fl. 840DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15582.000301/200791 Acórdão n.º 2401002.444 S2C4T1 Fl. 6 9 Voto Vencido Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Incompetência da Auditoria para caracterizar a relação de emprego Alega a recorrente que o fisco teria invadido a competência do Judiciário ao caracterizar relação empregatícia entre os sócios das empresas prestadoras com a tomadora dos serviços, a notificada. Equivocase a recorrente. A Auditoria Fiscal, tendo inegavelmente a atribuição de aplicar a legislação previdenciária, é competente para, diante do caso concreto, interpretar se determinada relação jurídica revestese das características do liame de emprego Essa autorização é dada pelo Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, que no § 2.º do art. 229 dispõe: Art.229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: (...) §2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (...) Por outro lado, a constituição do crédito tributário sobre as parcelas em questão é autorizada ao Fisco, conforme dispõe a Lei n.º 11.457/2007: “Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (...) Fl. 841DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 10 Pois que, diante do surgimento da obrigação tributária, fato sobre o qual nos debruçaremos ao tratar do mérito da contenda, tem a Auditoria Fiscal autorização legal para constituir o crédito tributário, não se verificando na espécie qualquer invasão da competência da Justiça Laboral. O Auditor Fiscal, dentro de sua área de atuação, caracteriza empregado aquele cujas peculiaridades da prestação de serviço indique a presença dos requisitos da relação laboral. A suposta incompatibilidade entre o § 2.º do art. 229 do RPS e o art. 129 da Lei n.º 11.196/2005 pode ser resolvida mediante interpretação sistemática das normas aplicáveis à espécie. Eis o dispositivo: Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Dos termos legais acima, percebese que o dispositivo é aplicável às prestações de serviço intelectuais realizados por pessoas jurídicas, mesmo que esse serviço deva ser obrigatoriamente prestado pelo sócio ou qualquer empregado e independentemente de haver designação de obrigações aos trabalhadores. Todavia, verificandose presentes os elementos caracterizadores da relação de emprego não há de se cogitar da aplicação do art. 129 da Lei n.º 11.196/2005, mas do art. 9.º da CLT, in verbis: Art. 9º Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação. Ou seja, se a Auditoria observa que a execução de um contrato, formalmente firmado entre pessoas jurídicas, na verdade busca escamotear uma relação de emprego, esse negócio jurídico há de ser afastado de modo que se preservem os direitos dos empregados consagrados pela Carta Magna. Observese que tal procedimento não implica em desconsideração da personalidade jurídica da empresa, que permanece incólume, mas apenas de caracterização do liame empregatício, privilegiando a realidade verificada durante o procedimento fiscal, em detrimento da aparência formal de que se revestem determinados contratos. Assim, mesmo após a edição da Lei n.º 11.196/2005 é perfeitamente aplicável os preceitos do § 2.º do art. 229 do RPS, não devendo prevalecer a tese de incompetência da Auditoria Fiscal para caracterizar a relação de emprego e fazer valer os ditames da legislação previdenciária. Afastase, assim, a alegada nulidade. Da existência da relação de emprego Fl. 842DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15582.000301/200791 Acórdão n.º 2401002.444 S2C4T1 Fl. 7 11 Chego agora ao mérito da contenda, o qual se resume em avaliar a existência dos pressupostos da relação de emprego, de modo a se concluir se deve prevalecer a caracterização dos sócios da empresa prestadora como empregados da recorrente. A solução da lide passa, assim, inexoravelmente pela avaliação dos fatos e documentos presentes nos autos, de modo a se concluir pela ocorrência da pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação. a) pessoalidade É fato incontroverso que, na maioria dos casos apresentados pelo fisco, os serviços eram prestados pelos sócios da empresa contrata que, a exceção das empresas DLN Consultoria & Informática Ltda e VT Serviços Ltda, não possuíam empregados. Vêse, assim, que eram definidas as pessoas físicas que deveriam executar os serviços para a contratante, ficando patente a existência de pessoalidade nos contratos. Todavia, nos termos do art. 129 da Lei n.º 11.196/2005, já transcrito, mesmo que o contrato seja personalíssimo, as prestações de serviços de intelectuais hão de ser regidas pela legislação aplicável às pessoas jurídicas. Assim, a pessoalidade, tomada isoladamente, não configura a relação de emprego. b) nãoeventualidade Considerandose que os serviços prestados diziam respeito a atividades relacionadas ao objeto social da recorrente, não há como afirma que eram eventuais. De fato, para cumprir as suas obrigações empresariais, a notificada não poderia prescindir dos serviços prestados pelos sócios das empresas contratadas, fato que me leva a concluir que o pressuposto da não eventualidade está presente no caso posto a julgamento. Todavia, essa constatação, tomada em separado, não deve levar a caracterização do vínculo de emprego, uma vez que a própria legislação previdenciária admite a terceirização em atividades fins, como se pode ver do § 3.º do art. 31 da Lei n.º 8.212/1991, que, ao conceituar cessão de mãodeobra, assim dispõe: §3oPara os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. De se convir, assim, que a não eventualidade pode também estar presente nos contratos de prestação de serviço entre pessoas jurídicas. c) onerosidade Independente de ser executado por pessoa física ou por empresa, o contrato de prestação de serviço é sempre oneroso, portanto, embora presente na espécie, esse requisito não pode acarretar em reconhecimento de vínculo de emprego, haja vista que não houve Fl. 843DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 12 demonstração da existência de pagamento de verbas exclusivamente trabalhistas como férias, aviso prévio, 13.º salário, etc. d) subordinação Esse requisito, sem dúvida, será o fiel da balança na configuração do vínculo de emprego, posto que se a conclusão for pela sua ocorrência, restará localizado o lado que faltava ao fechamento quadrilátero da relação empregatícia. Caso se conclua de modo diverso, enxergaremos apenas uma figura geométrica aberta, que não se presta aos fins pretendidos pelo fisco. As conclusões da Auditoria quanto à ocorrência da subordinação jurídica, edificaramse em análises das cláusulas 3.7 e 3.8 do contrato padrão de prestação de serviço firmado entre a recorrente e as suas prestadoras. Eis as estipulações: CLÁUSULA TERCEIRA – OBRIGAÇÕES DA CONTRATADA (...) 3.7 — Não prestar quaisquer serviços profissionais de natureza semelhante ao objeto deste contrato, com ou sem remuneração, assim como não participar na gerência, ou na operação de qualquer empresa, que possa vir a ser concorrente, fornecedor ou cliente ou participante de um contrato com a CONTRATANTE ou qualquer de uma das suas subsidiárias,associadas, coligadas,controladoras, controladas ou consorciadas, sem expressa, previa e especifica autorização da CONTRATANTE. 3.8. No curso da prestação dos Serviços aqui contratados, a CONTRATADA, e/ou profissionais em ANEXO, que por ela venham a ser indicados, somente usarão software, hardware, dados e/ou firmware para as quais estejam devidamente autorizados a fazêlos. A recorrente alega que as disposições da cláusula 3.7 apenas visam evitar a ocorrência de concorrência desleal, na medida em que a prestadora, tendo acesso a informações sigilosas da contratante, poderia disponibilizar tais informações a concorrentes ou potenciais clientes da sua tomadora de serviços. A meu ver, ao impedir que o prestador de serviços atue livremente no mercado, impondolhe a proibição de contratar com outras empresas do ramo, a recorrente cria com aquele uma relação de sujeição, em que a contratada subordinase ao direito potestativo da contratante, que unilateralmente irá decidir com quais empresas o seu prestador pode se relacionar. Todavia, essa cláusula, a despeito de poder ser considerada abusiva, não se aplica à verificação da subordinação jurídica com vistas a caracterizar o liame de emprego, dizendo mais respeito à relação entre empresas. A subordinação empregatícia é mais voltada ao comando dos trabalhos pela contratante, ao estabelecimento de escalas de trabalho, a existência do poder hierárquico, etc. Fl. 844DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15582.000301/200791 Acórdão n.º 2401002.444 S2C4T1 Fl. 8 13 Esses traços, sinceramente, não localizei. Já a cláusula 3.8 encerra uma preocupação de caráter técnico que tem por objetivo evitar que nos projetos contratados sejam utilizados softwares incompatíveis com aqueles que a contratante e seus clientes detenham licença de uso. Vejo que esse aspecto não dá margem a que se interprete como uma interferência da contratante no poder de direção da prestadora, mas uma exigência constante nos contratos de prestação de serviço em geral, que garantem ao tomador dos serviços escolher o material a ser utilizado na execução do ajuste. Outra ponto ressaltado pelo fisco é o disposto no cláusula 2.3 das avenças em que: CLAUSULA SEGUNDA — OBRIGAÇÕES DA CONTRATANTE (...) 2.3 — Disponibilizar a CONTRATADA, espaço físico, equipamentos e software necessários á execução dos serviços. (...) Nos contratos de cessão de mãodeobra os empregados da contratada devem ficar a disposição da contratante nas dependências desta ou de terceiros por ela indicadas (§ 3.º do art. 31 da Lei n.º 8.212/1991), sem que tal situação venha a caracterizar o vínculo empregatício entre esses e a contratante. Esse é um dos motivos que me levam a concluir que a utilização de espaço físico, de equipamentos e de programas computacionais de propriedade da notificada, não é indicativo seguro de que havia subordinação jurídica dos prestadores para com a tomadora. Ainda mais quando se observa as peculiaridades do segmentos da recorrente, no qual, como foi citado no recurso, motivos de segurança fazem com que determinados softwares só funcionem em computadores específicos, os quais possuam o que no jargão técnico é chamado de “hard lock”. Por outro lado é de se observar que na fase de integração e validação dos programas desenvolvidos, existe a necessidade de se utilizar ambiente tecnológico único, que, via de regra, é instalado na sede do contratante do pacote de software. Os autos revelam que a situação de cada empresa prestadora não era exatamente a mesma, posto que o objeto contratado variava, que havia empresas com empregados e outras em que o serviço era prestado unicamente pelos sócios, além de que a exclusividade na prestação de serviços não se deu para todas as contratadas. Assim, entendo que a caracterização deveria ter sido feita individualmente, indicandose para cada trabalhador tomado como segurado empregado a ocorrência dos pressupostos da relação de emprego e outras circunstâncias que o fisco entendesse necessárias a corroborar suas conclusões. Os lançamentos contábeis Fl. 845DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 14 Por fim, tratou o fisco da existência de lançamentos contábeis em nome dos sócios e empregados das empresas prestadoras, os quais indicariam que a tomadora estaria assumindo o risco da atividade empresarial, ao arcar com despesas de transporte, alimentação, treinamento e avaliação psicológica de trabalhadores pertencentes aos quadros das suas contratadas. Considerando que na cláusula 3.5 do contrato padrão está estabelecido como obrigações da contratante responsabilizarse com todas as despesas para execução contratual, é de se concluir que o pagamento das despesas acima está em desacordo com o ajuste firmado. Eis os termos da referida cláusula: 3.5 Responsabilizarse pelo pagamento de todos os impostos, taxas emolumentos e contribuições, fiscais e parafiscais, federais, estaduais e municipais, encargos sociais, trabalhistas, previdenciários e administrativos e demais despesas diretas e indiretas, devidas em decorrência do Contrato, comprovando o seu atendimento, através de certidão negativa, sempre que solicitado pela CONTRATANTE. Todavia, a existência desses pagamentos, para mim, não vem a caracterizar a relação de emprego entre os beneficiários e a recorrente, uma vez que, conforme vimos acima, os dados apresentados não comprovam a ocorrência da subordinação jurídica, sem a qual não se forma o laço que amarra o prestador ao tomador na condição de empregado. Essas despesas podem ser consideradas mera liberalidade do contratante ou, mesmo que se considere remuneração, as mesmas deveriam ser tidos como pagamentos a contribuintes individuais, posto que o vínculo de emprego não se configurou. Conforme já afirmei alhures, esses elementos deveriam ser apreciados individualmente para cada trabalhador, os quais poderiam vir a reforçar às conclusões da Auditoria quanto a ocorrência do liame de emprego, jamais serem utilizados para caracterizála de forma genérica, até porque há prestadores de serviço que não receberam as verbas acima listadas. Conclusão Assim, voto por afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, por dar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 846DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15582.000301/200791 Acórdão n.º 2401002.444 S2C4T1 Fl. 9 15 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora Designada Em que pese o excelente arrazoado do ilustre relator quanto ao seu entendimento de ausência de caracterização de vinculo de emprego, divirjo quanto a demonstração nos presentes autos de que se trata verdadeiramente de serviços prestados com características de empregado. Ao contrário do que entendeu o relator, a regra de prestação de serviços, ou mesmo contratação de mão de obra terceirizada é sim possível, desde que em atividades meio, e mesmo assim, em que não haja a subordinação e pessoalidade. A contratação de pessoas jurídicas para prestação de serviços nada mais é do que uma espécie de terceirização previstas na normatização brasileira, mais especificamente hoje temos a súmula 331 do TST, senão vejamos: Súmula nº 331 do TST CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LEGALIDADE (nova redação do item IV e inseridos os itens V e VI à redação) Res. 174/2011, DEJT divulgado em 27, 30 e 31.05.2011 I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da Administração Pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20.06.1983) e de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. IV O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços quanto àquelas obrigações, desde que haja participado da relação processual e conste também do título executivo judicial. V Os entes integrantes da Administração Pública direta e indireta respondem subsidiariamente, nas mesmas condições do item IV, caso evidenciada a sua conduta culposa no cumprimento das obrigações da Lei n.º 8.666, de 21.06.1993, especialmente na fiscalização do cumprimento das obrigações contratuais e legais da prestadora de serviço como empregadora. A aludida responsabilidade não decorre de mero Fl. 847DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 16 inadimplemento das obrigações trabalhistas assumidas pela empresa regularmente contratada. VI – A responsabilidade subsidiária do tomador de serviços abrange todas as verbas decorrentes da condenação referentes ao período da prestação laboral. Entendo, que a empresa pode valerse de mão de obra terceirizada, para execução de suas atividades, todavia, ao contratar pessoas jurídicas para prestação de serviços em sua atividade fim, deve a empresa cercarse de todos os cuidados para que dita contratação não venha a colidir com os requisitos do vínculo de emprego. Porque o legislador e a própria jurisprudência trabalhista destacam ditos cuidados? É sabido que muitas empresas no intuito de esquivarse da pesada carga tributária, buscam meios lícitos de diminuir seus encargos sociais. A contratação de pessoas jurídicas, nada mais é do que uma dessas formas de diminuição de custos. Contudo, pessoa jurídica não é subordinada, não tem pessoalidade, muito menos alteridade. A contratação de pessoas jurídicas deve ser enfatizada na contratação de um “serviço”, não de uma determinada pessoas para executálo. Isto posto, quanto mais presente o liame entre o tomador do serviço e o prestador, mas difícil tornase demonstrar uma mera contratação, sem características de contrato de trabalho. Dessa forma, entendo que a contratação de pessoas jurídicas, com requisitos de exclusividade na prestação de serviços, exigência de prestação de serviços pelo próprio sócio, incumbirse a empresa contratante do ônus de despesas para o desempenho da atividade, tais como alimentação e transporte, nada mais demonstra do que a contratação de mão de obra . na condição assemelhada a de empregado. Nesse sentido, entendo que o auditor fiscal em seu relatório, fl. 63 a 69, logrou êxito em demonstrar como se dava a execução dos serviços, bem como em demonstrar que a contratação, na forma como exigida, caracterizava verdadeira prestação de serviços na condição de empregado, estando correto o posicionamento de lançar contribuições previdenciárias com a caracterização de vínculo de emprego para efeitos previdenciários. Pontuou o auditor, com cláusulas do próprio contrato de prestação de serviços, quais seus elementos de convicção. Apenas, para esclarecer, concordo com o voto do ilustre relator que os requisitos: nãoeventualidade, pessoalidade, onerosidade, e subordinação, tomados de forma isolada, não são suficientes para caracterizar a condição de empregado. Porém, com as características fáticas demonstradas pelo auditor nos presentes autos, entendo restou caracterizado devidamente tal vínculo, razão porque os argumentos trazidos pelo recorrente não são suficientes para desconstituir o lançamento. CONCLUSÃO Face o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 848DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 11080.722596/2010-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Sep 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/08/1997 a 30/11/1998, 01/06/1999 a 31/08/2000
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELISÃO DA RESPONSABILIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. A tomadora de serviços é solidária com a prestadora de serviços contratado por empreitada global. A elisão é possível, mas se não realizada na época oportuna persiste a responsabilidade. Não há benefício de ordem na aplicação do instituto da responsabilidade solidária na construção civil. EMPRESA DE ECONOMIA MISTA SUJEITA-SE À LEI DE CUSTEIO Empresas públicas e os órgãos federais, estaduais, distritais e municipais que não possuam Regime Próprio de Previdência Social, estão sujeitos à Lei de Custeio da Seguridade Social, conforme disposto pelo art. 15 da Lei nº 8.212/91. AFERIÇÃO INDIRETA Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO. A CND apenas certifica que, no momento de sua emissão, não havia crédito tributário formalmente constituído em desfavor da empresa, não afastando o direito da Fazenda Pública constituir e cobrar qualquer débito eventualmente apurado após a sua emissão, conforme ressalvado na própria CND. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Paulo Roberto Lara dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Empresas em Geral Recorrente BANCO DO BRASIL S/A E SERRO ENGENHARIA ELÉTRICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/08/1997 a 30/11/1998, 01/06/1999 a 31/08/2000 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELISÃO DA RESPONSABILIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. A tomadora de serviços é solidária com a prestadora de serviços contratado por empreitada global. A elisão é possível, mas se não realizada na época oportuna persiste a responsabilidade. Não há benefício de ordem na aplicação do instituto da responsabilidade solidária na construção civil. EMPRESA DE ECONOMIA MISTA SUJEITASE À LEI DE CUSTEIO Empresas públicas e os órgãos federais, estaduais, distritais e municipais que não possuam Regime Próprio de Previdência Social, estão sujeitos à Lei de Custeio da Seguridade Social, conforme disposto pelo art. 15 da Lei nº 8.212/91. AFERIÇÃO INDIRETA Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO. A CND apenas certifica que, no momento de sua emissão, não havia crédito tributário formalmente constituído em desfavor da empresa, não afastando o direito da Fazenda Pública constituir e cobrar qualquer débito eventualmente apurado após a sua emissão, conforme ressalvado na própria CND. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 25 96 /2 01 0- 56 Fl. 227DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Paulo Roberto Lara dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722596/201056 Acórdão n.º 2302002.083 S2C3T2 Fl. 212 3 Relatório Trata o Auto de Infração de Obrigação Principal de contribuições previdenciárias patronais, decorrentes da responsabilidade solidária entre a notificada e a empresa SERRO ENGENHARIA ELÉTRICA LTDA., pelos serviços prestados na construção civil, nas competências de 08/1997 a 11/1998 e 06/1999 a 08/2000. A autuação foi lavrada em 20/08/2010 e cientificada ao sujeito passivo em 23/08/2010. A devedora solidária passiva foi notificada através de aviso de recebimento postal em 08/09/2010. O débito foi constituído em substituição às Notificações Fiscais de Lançamento de Débito n.º 35.067.6682, referente a fatos geradores ocorridos antes de janeiro de 1999 e nº 35.067.6690, para os fatos geradores posteriores a 01/1999, ambas tornadas nulas pela 04ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, através do Acórdão n.º 1867, de 26/10/2004, devido à falta do tipo do débito, acarretando a ausência de fundamentação legal no processo. O relatório fiscal diz que o crédito foi lançado por aferição indireta com base nas notas fiscais de prestação de serviço, que não foram apresentados os contratos firmados e guias de recolhimento, que das duas NFLD’s anuladas foram emitidos 134 autos de infração, que o período originalmente lançado de 05/1995 a 02/2001, foi alcançado parcialmente pela fluência do prazo decadencial contido no artigo 173, inciso II do Código Tributário Nacional, restando no novo lançamento fiscal o período de 11/1996 a 02/2001, que foram excluídas do lançamento as empresas que sofreram auditoria fiscal total com contabilidade ou auditoria específica na obra identificada no levantamento e que foram excluídas, do lançamento primitivo, as empresas não identificadas com CNPJ ou razão social. Após a impugnação, Acórdão de fls.151/166, pugnou pela procedência parcial da autuação, excluindo do lançamento o período de 06/1999 a 08/2000, por nulidade formal, em face do instituto da retenção instituído pela Lei n.º 9.711/98. Ainda inconformado, o contribuinte responsável solidário apresentou recurso voluntário, onde alega em apertada síntese: a) que a matrícula da obra, bem como as contribuições previdenciárias eram de obrigação da empresa contratada, a qual deve ser chamada ao processo; b) que por ser empresa de economia mista está submissa à lei das licitações; c) que existiram pagamentos e sem o chamamento da contratada há o risco do pagamento em duplicidade; d) que foram expedidas CND’s à época comprovando a inexistência de débito da contratada; Fl. 229DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 e) que deve ser aplicado o benefício de ordem para afastar a co responsabilidade do recorrente; f) que inexiste normativo legal para a fixação do percentual de 40% sobre as notas fiscais, sendo que a Instrução Normativa fere os princípios da estrita legalidade e da tipicidade cerrada em matéria tributária, devendo a Administração anular seus atos eivados de nulidade. Requer o provimento do recurso para cancelar o crédito tributário, reconhecendo a nulidade da autuação procedida e declarar a inconsistência do lançamento fiscal. É o relatório. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722596/201056 Acórdão n.º 2302002.083 S2C3T2 Fl. 213 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Primeiramente, é de se atentar que as sociedades de economia mista, as empresas públicas e os órgãos federais, estaduais, distritais e municipais que não possuam Regime Próprio de Previdência Social, estão sujeitos à Lei de Custeio da Seguridade Social, conforme disposto pelo art. 15 da Lei nº 8.212/91: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Assim, as sociedades de economia mista estão sujeitas a todas as normas contidas na Lei nº 8.212/91, dentre as quais a solidariedade tributária. A responsabilidade solidária atribuída à recorrente decorre da prestação de serviço por empreitada global em obra de construção civil, fundamentada no artigo 30, VI da Lei nº 8.212, de 24/07/91, verbis: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 8.620, de 5.1.93) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97). Fl. 231DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 A contratante para se elidir da responsabilidade solidária constante do artigo acima citado, deveria ter procedido de acordo com o disposto no parágrafo 3 , do artigo 220 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, abaixo transcrito: Art. 220. O proprietário, o incorporador definido na Lei n. 4.591 de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária cuja contratação da construção , reforma ou acréscimo não envolva cessão de mão de obra, são solidários com o construtor, e este e aqueles com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento destas obrigações , não se aplicando em qualquer hipótese o benefício de ordem. ... § 3º A responsabilidade solidária de que trata o caput será elidida: I pela comprovação, na forma do parágrafo anterior, do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando corroborada por escrituração contábil; e II pela comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, aferidas indiretamente nos termos, forma epercentuais previstos pelo Instituto Nacional do Seguro Social. E, a Instrução Normativa INSS/DAF nº 18, de 11 de maio de 2000, publicada no D.O.U. em 12 de maio de 2000, estabeleceu as seguintes rotinas e procedimentos: Art. 20. Aplicase a responsabilidade solidária de que trata inciso VI do artigo 30 da Lei Nº 8.212 de 24/07/91, nos seguintes casos: I na contratação de empreitada total; (...) Art. 28. Nas hipóteses de contratações previstas no artigo 20, a responsabilidade solidária será elidida: I com a comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal, fatura ou recibo correspondente aos serviços executados, corroborada, quando for o caso, por escrituração contábil; e II com a comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, aferidas por arbitramento nos termos, forma e percentuais previstos na Seção VIII deste Capítulo. § 1º Quando da quitação da nota fiscal, fatura ou recibo, o contratante deverá exigir da empresa construtora, os documentos abaixo, elaborados especificamente para cada obra de construção civil: Fl. 232DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722596/201056 Acórdão n.º 2302002.083 S2C3T2 Fl. 214 7 I cópia da GPS quitada e recolhida na matrícula da obra; II cópia da folha de pagamento, até a competência dezembro de 1998; III cópia da GFIP com comprovante de entrega, a partir de janeiro de 1999; e IV declaração de que possui escrituração contábil firmada pelo contador e responsável pela empresa, e que os valores ora apresentados encontram se devidamente contabilizados. (...) A recorrente não cumpriu com quaisquer das determinações legais acima citadas e tampouco trouxe aos autos provas de que as contribuições tivessem sido recolhidas pela empresa contratada, que não impugnou o lançamento. A solidariedade está prevista no Código Tributário Nacional CTN, instituído pela Lei 5.172/1966. CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I. as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II. as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. O artigo 128 do CTN, dispõe que a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação: Art. 128 Sem prejuízo do disposto neste Capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. É clara a relação entre a autuada e os segurados que prestaram serviço à empresa prestadora, pois o beneficiado pela utilização da mãodeobra foi o próprio recorrente, já que a obra é de sua propriedade. Além do que, por permissão do art. 128 do CTN, a lei pode atribuir a responsabilidade do crédito à terceira pessoa, e assim o fez a Lei n ° 8.212/1991,no artigo 30, inciso VI, já transcrito anteriormente.; Portanto, o contribuinte e o responsável tributário, no caso o recorrente, são solidários em relação à obrigação tributária, não cabendo, nos termos do parágrafo único do artigo 124 do CTN, benefício de ordem. Compete à Receita Federal do Brasil cobrar de todos os sujeitos passivos a satisfação da obrigação. Sendo a responsabilidade solidária uma garantia Fl. 233DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 do crédito tributário, não pode ser dispensada pela autoridade fiscal, conforme previsto no art. 141 do CTN, nestas palavras: Art. 141 O crédito tributário regularmente constituído somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos nesta lei, fora dos quais não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional na forma da lei, a sua efetivação ou as respectivas garantias. Responsabilidade solidária em matéria tributária somente se aplica em relação ao sujeito passivo (solidariedade passiva) e decorre sempre de lei, não podendo ser presumida ou resultar de acordo das partes, nem comporta benefício de ordem. Benefício de ordem significa que, quando duas ou mais pessoas se apresentam na condição de sujeito passivo da obrigação tributária, cada uma responde pelo total da dívida inteira. A exigência do tributo pelo credor poderá ser feita, integralmente, a qualquer um ou a todos coobrigados sem qualquer restrição ou preferência. De acordo com o art. 124 do CTN, são solidários, perante o Fisco, os que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e os designados expressamente pela lei, como determinado na Lei 8.212/1991 citada acima. De qualquer forma, a responsabilidade solidária independe de prévia verificação junto ao prestador dos serviços apurados. A propósito do tema, a extinta Câmara Superior em matéria de Custeio do CRPS, se pronunciou sobre o assunto, através do seu Enunciado nº 30: “Enunciado Nº 30”.Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços.” (Publicado no DOU pág 00030, em 05 /02/2007). A lei não exige que a tomadora dos serviços tenha o total conhecimento dos fatos ocorridos na empresa prestadora, lhe competindo apenas a guarda da documentação, como as folhas de pagamento e guias de recolhimento dos segurados utilizados na obra, para que possa afastar a solidariedade. A elisão é uma faculdade conferida ao devedor solidário e quando não utilizada, persiste a solidariedade, como no caso em tela. Como a recorrente não detém e não apresentou a documentação referida, o fisco tem a prerrogativa de lançar a importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário, por força do disposto no artigo 33, §§ 3º da Lei n.º 8.212/1991. A legislação previdenciária oferece à fiscalização mecanismos para lançar os valores devidos, utilizando como base de aferição o valor da nota fiscal de prestação de serviço, que contém a parcela referente à mãodeobra utilizada. Destarte, era obrigação do contribuinte a guarda da documentação e sua apresentação ao fisco, quando solicitado, conforme previsto no parágrafo 11, do artigo 32, da Lei n.º 8.212/91, e ao não fazêlo, sujeitouse ao lançamento do débito por aferição indireta: § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a Fl. 234DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722596/201056 Acórdão n.º 2302002.083 S2C3T2 Fl. 215 9 prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. Também não é procedente o argumento da recorrente, quanto à necessidade de chamamento ao processo da empresa prestadora dos serviços, porque a responsabilidade é pelo cumprimento da obrigação previdenciária, prova disto é que a obrigação tributária persiste independentemente do crédito tributário, que pode ser anulado, administrativamente ou judicialmente, mas sem fazer desaparecer a obrigação tributária, conforme dispõe o art. 140 do CTN, nestas palavras: Art. 140. As circunstâncias que modificam o crédito tributário, sua extensão ou seus efeitos, ou as garantias ou os privilégios a ele atribuídos, ou que excluem sua exigibilidade não afetam a obrigação tributária que lhe deu origem. Nesse mesmo sentido segue ementa do Parecer CJ/MPAS n.º 2.376/2.000, que não possui mais efeito vinculante ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mas retrata a jurisprudência administrativa acerca do assunto, nestas palavras: “DIREITO TRIBUTÁRIO E PREVIDENCIÁRIO. SOLIDARIEDADE PASSIVA NOS CASOS DE CONTRATAÇÃO DE EMPRESAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTOS. NÃO OCORRÊNCIA. A obrigação tributária é uma só e o fisco pode cobrar o seu crédito tanto do contribuinte, quanto do responsável tributário. Não há ocorrência de duplicidade de lançamento, nem de bis in idem e nem de crime de excesso de exação.” Portanto, não procede a alegação da recorrente de que a fiscalização deveria ter verificado o inadimplemento do contribuinte de direito, para se evitar o bis in idem. Na mesma linha de fundamentação, não é outro o entendimento firmado pelo STJ, conforme ementa do acórdão no Recurso Especial n ° 780.703 / SC, cujo relator foi o Ministro Castro Meira, publicado no DJ em 16/06/2006: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO DE ORDEM. ARTIGO 31, § 3º DA LEI Nº 8.212/91. ELISÃO. NECESSIDADE. COMPROVAÇÃO. RECOLHIMENTO. 1. A responsabilidade solidária na contratação de quaisquer serviços por cessão de mãodeobra foi instituída pela Lei nº 8.212/91, notadamente, em seu artigo 31, ou seja, há solidariedade entre o contratante dos serviços executados mediante cessão de mãodeobra e o executor desses serviços. A responsabilidade solidária do contratante está definida, em linhas gerais, nos artigos 124 e 128 do Código Tributário Nacional. O § 1º do artigo 124 do Código Tributário Nacional prevê expressamente que a solidariedade nele descrita não comporta benefício de ordem. 2. A solidariedade somente poderia ser elidida, caso obedecido o preceito do § 3º do artigo 31 da Lei nº 8.212/91 o executor deveria comprovar o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a Fl. 235DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 remuneração dos segurados incluída na nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da respectiva quitação. Precedentes. 3. Recurso especial provido. Quanto a alegação da existência de CND – Certidão Negativa de Débito, tal fato não é suficiente para afastar o lançamento fiscal. A CND não faz prova de que a empresa não é devedora de contribuições previdenciárias, apenas indica que no momento da emissão de tal documento, de acordo com as informações disponíveis na autarquia, não havia débitos exigíveis do contribuinte. Ainda, conforme previsto no art. 47, § 1º da Lei n ° 8.212/1991 é ressalvado o direito de cobrança de qualquer débito apurado posteriormente à emissão das referidas Certidões. Por derradeiro, quanto ao percentual aplicado de 40%, sobre as notas fiscais de prestação de serviços, que resultou no salário de contribuição lançado, esclareço que o mesmo está contido na Ordem de Serviço INSS/DAF n.º 165/1977, exarada com o respaldo do artigo 33, da lei n.º 8.212/91, na redação vigente á época dos fatos geradores, onde competia ao INSS normatizar o recolhimento das contribuições sociais : Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11; e ao Departamento da Receita FederalDRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 236DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10680.901109/2008-73
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Anocalendário:
2003
RETIFICAÇÃO DE PERDCOMP. ALEGADO ERRO DE FATO
Não se admite a retificação de PERDCOMP por via de recurso voluntário,
mormente quando a parte sequer pode indicar o alegado “erro de fato” no seu
preenchimento.
RESTITUIÇÃO COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA DA CERTEZA E
LIQUIDEZ.
Somente são passíveis de restituição, para utilização em compensações,
direito creditório liquido e certo não se admitindo o reconhecimento de
indébito tributário em valor maior que o devido.
Numero da decisão: 1801-001.013
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 RETIFICAÇÃO DE PERDCOMP. ALEGADO ERRO DE FATO Não se admite a retificação de PERDCOMP por via de recurso voluntário, mormente quando a parte sequer pode indicar o alegado “erro de fato” no seu preenchimento. RESTITUIÇÃO COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA DA CERTEZA E LIQUIDEZ. Somente são passíveis de restituição, para utilização em compensações, direito creditório liquido e certo não se admitindo o reconhecimento de indébito tributário em valor maior que o devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Carmen Ferreira Saraiva – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Jaci de Assis Junior, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório A empresa recorrente apresentou PERDCOMP, em 10/11/2003, para reivindicar direito creditório que alega possuir, referente a pagamento indevido ou a maior de IRPJ apurado pelo lucro real trimestral. De acordo com o PERDCOMP, do valor pago de R$ 41.822,00 relativo ao IRPJ devido no 2o. trimestre de 2002, a parcela de R$ 2.557,45 teria sido recolhida indevidamente a maior (fls. 06 e 28 a 30). A consistência do pedido foi averiguada e constatouse que o pagamento no valor de R$ 41.822,00 teria sido localizado nos sistemas internos da RFB, mas parcialmente alocado ao saldo devedor de R$ 41.019,50, declarado pela contribuinte como IRPJ devido no 2o. trimestre de 2002, na DCTF retificadora do respectivo período de apuração, apresentada em 27/10/2004, conforme cópia às fls. 04/05. Por tal razão a compensação pleiteada foi parcialmente homologada, tendo sido reconhecido o direito creditório relativo à parte disponível do crédito, de R$ 802,50, nos termos do Despacho Decisório Eletrônico de fl. 03. Irresignada a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, em 23/05/2008, alegando que havia se equivocado e cometido erro no preenchimento do PERDCOMP na indicação do DARF de recolhimento do indébito. Dessa forma, deveria ser ignorado o DARF de recolhimento originalmente indicado no PERDCOMP, no valor de R$ 41.822,00 do IRPJ do código 3373 PA 30/06/2002 (fl. 08) – e no seu lugar deveria ser considerado o DARF de recolhimento no valor de R$ 5.728,62 do IRPJ do código 3373 PA 30/06/2002 (fl. 07). A DRJ em Belo Horizonte julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório reivindicado pela interessada, ao argumento de que retificações de PERDCOMP e de DCTF não podem ser formalizadas em manifestação de inconformidade. Salientou, ainda, que o valor do segundo DARF indicado pela empresa que representaria o indébito de IRPJ do 2o. trimestre de 2002, de R$ 5.728,62, já havia sido indicado como direito creditório em outro PERDCOMP transmitido em 23/12/2004, com cópia acostada à fls. 37. No recurso voluntário apresentado contra aquela decisão a interessada argumenta que, em verdade, teria efetuado não apenas um, mas vários recolhimentos indevidos de IRPJ ao longo dos anoscalendário 2002 e 2003, tendolhe restado, ao final de tais períodos, um crédito que estaria demonstrado na planilha apresentada à fl. 64, denominada “LEVANTAMENTO E COMPARATIVO DE DÉBITOS E PAGAMENTOS ANOSCALENDÁRIO 2002 E 2003”. Justifica que em função do preenchimento e envio de várias declarações – DIPJ, DCTF e PERDCOMP, certamente haveria erro de preenchimento especialmente nos PERDCOMP, o que teria dificultado o cruzamento dos dados referentes aos pagamentos e aos débitos. Assim, entende que poderia haver valores “disponíveis” nos sistemas internos da RFB, relativos a recolhimentos de IRPJ efetuados a maior ou indevidamente. Processo nº 10680.901109/200873 Acórdão n.º 180101.013 S1TE01 Fl. 92 3 Observa que tentou retificar as DCTF e PERDCOMP mas foi impedida pelos próprios sistemas e tal pedido junto à DRJ em Belo Horizonte foi negado. Por tal motivo solicita que a questão seja analisada sob a ótica do princípio da verdade material, admitindose os pagamentos considerandose o conjunto de DARFs recolhidos relativamente aos anos calendário 2002 e 2003, assim como requer sejam analisados em conjunto os diversos processos que tratariam da mesma cobrança, a seguir indicados: 10680.901.475/200822 10680.902.378/200857 10680.918.732/200865 10680.918.733/200818 10680.900.985/200882 10680.902.290/200835 Ao final pugna pelo acolhimento de suas razões e a conseqüente homologação das compensações. É o relatório. Voto Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. O PERDCOMP transmitido eletronicamente encerra um pedido de restituição de crédito e um pedido de compensação de débitos com o crédito reclamado. Nele deve indicar, o interessado, o tipo e valor do direito creditório que julga possuir, assim como os débitos que pretende compensar com o crédito reivindicado. Para além de meras questões formais de preenchimento, o pedido de restituição eletrônico contém, necessariamente, a reivindicação de um direito, questão que deverá ser dirimida: a existência e a suficiência daquele direito creditório alegado pela parte interessada. No caso em apreço a recorrente formalizou, em 10/11/2003, o pedido de restituição/compensação eletrônico PERDCOMP de fls. 06 e 28/30, indicando o seu desejo de ver reconhecido o direito de reaver pagamento que alega ser indevido ou maior que o devido, de IRPJ relativo ao 2o. trimestre de 2002, efetuado em 31/07/2002, no valor de R$ 2.557,45, conforme demonstrou na página 2 do referido PERDCOMP (fl. 28, verso). Na página seguinte, de número 3 (fl. 29) a interessada descreveu as características do DARF utilizado no pagamento do IRPJ, cuja restituição reclama, no total recolhido de R$ 41.822,00. Na página 4 4 do PERDCOMP (fl. 29, verso) indicou o débito que pretendia saldar por via da compensação com o direito creditório pleiteado. Nestes termos, a interessada fixou os limites do seu pedido. Somente em 2008, com o indeferimento do pleito em 05/05/2008 ou seja, passados mais de quatro anos da transmissão do PERDCOMP, a recorrente teria se dado conta de que havia cometido erro no preenchimento do PERDCOMP ou erro no preenchimento da respectiva DCTF. O erro de fato residiria na indicação do DARF que teria originado o recolhimento indevido/maior que o devido, que passou a ser o DARF recolhido em R$ 5.728,62 do IRPJ do código 3373 PA 30/06/2002 (fl. 07).Vejase, a propósito, o seguinte trecho extraído da manifestação de inconformidade: Diante do exposto, solicitamos que para quitação do débito apontado no DESPACHO DECISÓRIO objeto da presente impugnação, seja utilizado pela Receita Federal, o Darf conforme dados abaixo, que na época foi recolhido a maior pelo contribuinte, ficando portanto como crédito para futuras compensações, mas não informado nem nas PERDCOMP's nem no DCTF como composição do pagamento dos débitos correspondentes PA Vencimento Valor Principal Data Recolhimento 30.06.2002 31.07.2002 5.728,62 14.08.2002 Nova negativa do pleito pela DRJ em Belo Horizonte/MG, nova defesa da parte, agora no sentido de que não teria havido apenas erro de indicação de DARF de recolhimento no preenchimento do PERDCOMP analisado. Além do erro no preenchimento do PERDCOMP, do erro no recolhimento do IRPJ relativo ao 2o. trimestre de 2002, teria havido erro no recolhimento do IRPJ devido em todo o decorrer dos anoscalendário 2002 e 2003, cujo indébito total estaria representado pela somatória dos recolhimentos em comparação com os valores declarados em DCTF, assim como haveria, ainda, erro no preenchimento de diversos PERDCOMP. Diante de nova negativa, desta vez proferida em decisão da DRJ em Belo Horizonte/MG, a interessada passou a afirmar, em sede de recurso voluntário, que teria efetuado diversos recolhimentos a maior de IRPJ relativamente aos anoscalendário 2002 e 2003, demonstrados na planilha apresentada à fl. 64. Além desses recolhimentos a maior, várias declarações, especialmente PERDCOMPs, também teriam sido transmitidas com erro de preenchimento. O que se pretende demonstrar neste voto é que, até este momento sequer a recorrente pode indicar, com exatidão, qual o alegado “erro de fato” no preenchimento do PERDCOMP. Aliás, não se pode concluir qual dos PERDCOMP foi preenchido com erro, se o que se analisa nos presentes autos ou aqueles que estão sendo analisados nos demais processos relacionados pela defesa no recurso voluntário. Analisandose o referido demonstrativo de fl. 64 verificase, por exemplo, que para quitar o IRPJ apurado no 1o. trimestre de 2002, a empresa efetuou diversos recolhimentos, em 2002, 2003 e até em novembro de 2004, ou seja, um ano depois da transmissão do PERDCOMP, em novembro de 2003. Com base nas afirmações da defesa e informações consignadas na referida planilha, na data de transmissão do PERDCOMP sequer havia certeza e liquidez do indébito pleiteado. Não se pode sequer afirmar a existência de tais necessários atributos – certeza e liquidez do indébito– no presente momento em que se aprecia o litígio E somente são passíveis de restituição, como direito creditório em declarações de compensação, créditos líquidos e certos do sujeito passivo, o que por si só bastaria para o indeferimento do pleito. Processo nº 10680.901109/200873 Acórdão n.º 180101.013 S1TE01 Fl. 93 5 Aliás, nem a própria interessada afirma haver direito creditório a ser reconhecido a seu favor. Verifiquese, a propósito, o demonstrativo (fl. 64), denominado “LEVANTAMENTO E COMPARATIVO DE DÉBITOS E PAGAMENTOS ANOSCALENDÁRIO 2002 E 2003”. Na coluna “A” do demonstrativo, constam os valores declarados em DCTF de IRPJ sob os códigos 3373 e 2089, no decorrer dos anoscalendário 2002 e 2003, que somam R$ 383.697,28, em ambos os anoscalendário. Na coluna “B” do demonstrativo constam os recolhimentos mediante DARF efetuados no decorrer dos anoscalendário 2002 e 2003 de IRPJ sob os códigos 3373 e 2089, totalizando R$ 382.588,26. Na coluna “C” do demonstrativo consta um valor que teria sido compensado – “Créditos/Processos – de retificação de DCTF em 2002”, no valor de R$ 1.293,82. Ao final da planilha a defesa assim demonstra o resultado: Apuração (+) Total A – DEVIDOS........................... 383.697,28 () Total B – PAGAMENTOS ................. 382.588,26 () Total C – COMPENSAÇÕES ............ 1.293,82 (=) Total a Recolher ................................. (184,80) E faz as seguintes observações: Obs.: A) Como se observa houve pagamentos a maior do que o devido, mas que em função das compensações pode se referir aos juros Selic calculados entre a data do pagamento a maior e o da compensação. B) Para efeito desse cálculo foram consideradas as guias pelos seus valores principais, ou seja, campo 07 do DARF. Assim, como demonstrou a recorrente nos cálculos apresentados, se em algum momento foi apurado indébito tributário por recolhimento de IRPJ maior que o devido, este se deu à razão de R$ 184,80. Assim, o Despacho Decisório Eletrônico que reconheceu à favor da contribuinte, o direito creditório no valor de R$ 802,50, já lhe concedeu valor maior do que o devido. Destarte, descabida a pretensão da recorrente de invocar erro de preenchimento de PERDCOMP e o pedido para sua retificação. O Artigo 74 da Lei n º 9.430, de 1996, estabelece as regras para a restituição e a compensação de tributos. Nesse sentido a Lei expressamente confere à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), competência para disciplinar as regras sobre a compensação estabelecidas no art. 74. Para além disso, a lei, direta e expressamente, determina que a compensação poderá ser efetuada exclusivamente mediante a entrega de declaração em que constem as informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Portanto, a única via admissível para a efetuar a compensação é por meio da entrega da respectiva declaração, a qual deve, obrigatoriamente, (a) seguir as regras de preenchimento estabelecidas pela RFB, conforme o §14, do artigo 74; e (b) informar os 6 créditos que foram utilizados naquela declaração de compensação, conforme o §1º do mesmo dispositivo. Quando o PERDOMP foi transmitido, em 11/2003, estava em vigor a IN SRF 360/2003, que no artigo 6 º, assim dispunha: Art. 6º O Pedido Eletrônico de Restituição, o Pedido Eletrônico de Ressarcimento e a Declaração de Compensação gerados a partir do Programa PER/DCOMP 1.1 (ou versão anterior) e transmitidos à SRF poderão ser retificados pelo sujeito passivo mediante o preenchimento e envio à SRF de documento retificador gerado a partir do Programa PER/DCOMP 1.1, desde que o pedido ou a declaração se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 7º e 8º. Parágrafo único. Na hipótese de Pedido de Restituição, de Pedido de Ressarcimento ou de Declaração de Compensação elaborado mediante utilização dos formulários a que se refere o art. 3º, a retificação de que trata o caput será requerida pelo sujeito passivo mediante o encaminhamento à SRF de pedido de retificação e de novo formulário, os quais serão juntados ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento ou de compensação para posterior exame pela autoridade competente da SRF. A referida Instrução Normativa foi sucessivamente sendo substituída e atualmente se encontra em vigor a IN SRF n º 900, de 2008, que assim dispõe: Art. 76. A retificação do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso e da Declaração de Compensação gerados a partir do programa PER/DCOMP, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB de documento retificador gerado a partir do referido Programa. Parágrafo único. A retificação do pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e da Declaração de Compensação apresentados em formulário em meio papel, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB de formulário retificador, o qual será juntado ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento, de reembolso ou de compensação para posterior exame pela autoridade competente da RFB. Art. 77. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 78 e 79 no que se refere à Declaração de Compensação. Art. 78. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário em meio papel somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no Processo nº 10680.901109/200873 Acórdão n.º 180101.013 S1TE01 Fl. 94 7 preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 79. Verificase, assim, que nas sucessivas alterações regulamentares, mantevese a autorização de retificação de PERDCOMP somente nos casos de inexatidão material e desde que pendente de decisão administrativa, o que não se verifica no presente processo conforme amplamente consignado nos parágrafos anteriores. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora
score : 1.0
Numero do processo: 10725.001004/2005-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
PAF. DILIGÊNCIA. CABIMENTO. A diligência deve ser determinada pela autoridade julgadora, de ofício ou a requerimento do impugnante/recorrente, para o esclarecimento de fatos ou a adoção de providências, considerados necessários para a formação de convencimento sobre as matérias em discussão no processo e não para produzir provas de responsabilidade das partes.
IRRF. COMPENSAÇÃO. PROVA DA RETENÇÃO. A compensação de imposto de renda na fonte, na declaração de ajuste anual, só é devida se comprovada a efetiva retenção do imposto pelas fontes pagadoras dos rendimentos declarados.
Recurso negado
Numero da decisão: 2201-001.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Assinatura digital
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator
EDITADO EM: 25/10/2012
Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator EDITADO EM: 25/10/2012 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França.
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DILIGÊNCIA. CABIMENTO. A diligência deve ser determinada pela autoridade julgadora, de ofício ou a requerimento do impugnante/recorrente, para o esclarecimento de fatos ou a adoção de providências, considerados necessários para a formação de convencimento sobre as matérias em discussão no processo e não para produzir provas de responsabilidade das partes. IRRF. COMPENSAÇÃO. PROVA DA RETENÇÃO. A compensação de imposto de renda na fonte, na declaração de ajuste anual, só é devida se comprovada a efetiva retenção do imposto pelas fontes pagadoras dos rendimentos declarados. Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 00 10 04 /2 00 5- 14 Fl. 221DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 EDITADO EM: 25/10/2012 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França. Relatório ÉLIO FERREIRA ALVES interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJBELO HORIZONTE/MG (fls. 191) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 16/21, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF suplementar, referente ao exercício de 2003, no valor de R$ 71.077/36, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 152.809,21. As infrações que ensejaram o lançamento estão assim descritas no auto de infração: 1) Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício, no valor de R$ 55.865,49, da fonte CNPJ 21.562.962/000104, homologada pelo processo trabalhista RT 2056/88 da Primeira Vara do Trabalho de Campos, conforme Alvarás 1798/02, no valor de R$ 177.210,39, data de pagamento 06/12/02; 1802/02, no valor de R$ 123.789,32, data de pagamento de 06/12/02, e de acordo com ofício nº 1152/2005/AG. Campos da CEF que efetuou os pagamentos dos respectivos alvarás, outrossim, foram descontados dos rendimentos tributáveis os valores pagos a maior, em 06/12/02, do Aalvará 1802/02, referente aos 15% de honorários advocatícios, de acordo com a ata de audiência expedida pelo Dr. Marcelo Segal – Juiz do Trabalho, em 29/08/021, conforme comprovante da Agência 180 da CEF: no valor de R$ 32.914,96, debitado na conta 489.130/0, devolvidos à conta 0180.009.99942/7 da AG. 180 da CEF, em 11/02/2003. 2) Omissão de rendimentos excedentes ao limite de isenção para declarantes com 65 anos ou mais, no valor de R$ 291,13, pagos pela fonte CNPJ 29.979.036/000140. 3) Dedução indevida de imposto de renda retido na fonte (IRRF) referente à fonte pagadora CNPJ 21.562.962/000104, no valor de R$ 72.104,21, correspondente aos processos trabalhistas RT 2056/88 da Primeira Vara do Trabalho de Campos, em relação aos valores recebidos pelos alvarás 1798/02 e 1802/02, cujos valores pagos por meio dos alvarás representam valores brutos, incluindo o imposto de renda devido pelo contribuinte, sem que houvesse comprovação no processo do recolhimento do imposto de renda, conforme ofício nº 1097/05, de 13/04/05, da Primeira Vara do Trabalho de Campos, do Dr. André Corrêa Gigueira, Juiz do Trabalho. O Contribuinte impugnou o lançamento e aduziu as razões de defesa assim resumidos no acórdão de primeira instância: a Lei Maior concede a todos, sem estabelecer restrições, o direito de petição em defesa de direitos ou contra ilegalidade, exercitável por meio de impugnações e recursos, os quais, em se tratando de processo administrativo fiscal, achamse previstos no Decreto nº 70.235, de 1972; Fl. 222DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10725.001004/200514 Acórdão n.º 2201001.847 S2C2T1 Fl. 3 3 o contribuinte, não se conformando com o lançamento fiscal quer, de graça, reclamar por meio da impugnação, com fundamento no art. 5º, incisos XXXIV e LV da Constituição Federal, fazendo jus a uma decisão administrativa definitiva; tempestivamente, o contribuinte apresentou sua Declaração de Ajuste Anual, tendo informado todos os rendimentos auferidos no anocalendário de 2002, assim não há que se falar em omissão de rendimentos; o contribuinte, na qualidade de um dos reclamantes na ação trabalhista, declarou os rendimentos provenientes desta ação exatamente como estão demonstrados na planilha “Atualização dos Créditos dos Autores relativos ao período de 07/94 a 07/01”constante dos autos; a Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2003, anocalendário de 2002, foi elaborada tomando por base os valores extraídos da planilha homologada pela Justiça do Trabalho e que norteou a expedição dos alvarás de pagamento; o valor informado pelo contribuinte pode não coincidir exatamente com os valores dos alvarás por causa da variação dos juros e das TRs; os rendimentos foram percebidos acumuladamente pelo impugnante, desta forma o imposto retido na fonte incidirá no mês do recebimento sobre a totalidade, conforme legislação transcrita; a condição de responsável tributário pode ser atribuída à fonte pagadora, segundo prevê o parágrafo único do art. 45 do CTN; a fonte pagadora, portanto, e não o beneficiário da renda ou dos proventos, é que tem a obrigação de providenciar o pagamento, sujeitandose às sanções legais, caso não o faça; não cabe ao beneficiário dos rendimentos proceder nem a retenção e nem o recolhimento do imposto de renda retido na fonte; esta obrigação é de inteira responsabilidade da pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento dos rendimentos; todos os procedimentos pertinentes à retenção e à comprovação do recolhimento do imposto retido estão bem claros nos dispositivos da Instrução Normativa nº391, de 2004, sendo certo que não pode ser imputada nenhuma culpa ao beneficiário dos rendimentos; não existe norma anterior ou atual que exonere o responsável da retenção e recolhimento do imposto; ao contrário, no ano de 2005, foi editada a Instrução Normativa SRF nº 491, de 2005, ratificando o entendimento anterior acerca da retenção e recolhimento do imposto pelo responsável tributário; Fl. 223DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 nas decisões dos tribunais transcritas, não resta dúvida sobre o papel da fonte pagadora; quando da expedição dos alvarás, alguém da administração da 1ª Vara do Trabalho de Campos dos Goytacazes não teria procedido de acordo com as normas do imposto de renda que determinam que este seja retido na fonte no momento em que o rendimento se torne disponível para o beneficiário; provado esta nos autos que a reclamada depositou todos os valores, inclusive o imposto retido dos reclamados, não havendo, portanto, justificativa plausível para o não recolhimento do imposto de renda; o Sr. Marco Antônio Soares, técnico judiciário e secretário especializado calculista, apurou como valor da causa R$ 753.219,22, sendo R$ 203.750,63, referente ao imposto de renda, chegando ao crédito líquido de R$ 549.468,59; o citado senhor afirma de forma peremptória que no valor acima está incluído o imposto de renda e que “foi determinado à fl. 1602 o cálculo do valor devido a cada autor relativamente ao depósito do remanescente, o que foi feito a fl. 1605 (retificação de fl. 1603), porém de forma equivocada, uma vez que o referido depósito continha o valor relativo ao imposto de renda calculado pela ré à fl. 1545”; considerando que o depósito foi efetuado em TR, em relação à guia de fl. 1601, esclarece o Sr. Marco Antônio que são devidos proporcionalmente os valores de R$103.558,32, de R$ 58.599,58, de R$ 71.179,77, de R$ 61.280,59, de R$ 74.962,90 e de R$205.134,36 respectivamente ao Élio Ferreira Alves, ao Estanislau Michalsky Neto, ao Laerth da Cunha Brocado e ao Paulo Santos Araújo, a título de honorários e a título de imposto de renda retido na fonte; opina ainda o Sr. Marco Antônio que os valores devidos aos autores relativos à multa sejam atualizados para cobrir parte do imposto de renda; o advogado dos reclamantes incansavelmente alertou o juízo em várias petições sobre o imposto de renda; há fortes indícios de que não teria havido um bom entrosamento entre a Receita Federal de Campos dos Goytacazes e a 1ª Vara do Trabalho, porque não consta dos autos que a Delegacia da Receita Federal local tenha respondido à solicitação do Juízo constante no Ofício de fl. 1806, datado de 05/08/05, pelo qual o Juiz do Trabalho solicita “as providências cabíveis, no sentido de informar se os valores dos créditos dos autores e advogado devem ser retido por este Juízo a título de cota fiscal. Caso positivo, informe os valores discriminados de cada um deles”; o advogado dos reclamantes, em petição datada de 19 de setembro de 2005, requereu a “conversão do depósito de fls. 1744 dos autos da RT 2056/88 em renda da União para fins de quitação do imposto de renda retido na fonte, conforme consta às fls. 1750/1752 para os efeitos legais”; Fl. 224DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10725.001004/200514 Acórdão n.º 2201001.847 S2C2T1 Fl. 4 5 a penalização do autuado se deve a uma ação fiscal conturbada, superficialista, sem um aprofundamento maior nos trabalhos de auditoria fiscal que procederam a lavratura do processo; não houve empenho para descobrir se o dinheiro para pagar o imposto tinha sido depositado ou não pela reclamada; se o valor estava depositado na Caixa Econômica Federal, à disposição do Juízo, não havia motivo para a lavratura do Auto de Infração porque, se solicitado fosse, certamente o Juiz determinaria o repasse ou a conversão em renda a favor da União; a fiscalização optou por autuar, esquecendose que a imposição tributária confiscatória de que foi vítima o impugnante absorve quase a totalidade dos valores recebidos e já gastos, representando um verdadeiro confisco, o que é vedado pela Constituição Federal. A DRJBELO HORIZONTE/MG julgou procedente em parte o lançamento para reduzir o valor do imposto suplementar para R$ 56.019,57, conforme detalhadamente descrito no voto condutor do acórdão recorrido, com base nas considerações a seguir resumidas. Inicialmente, a DRJBELO HORIZONTE/MG ressaltou a natureza vinculada das atividades fiscalizadora e de julgamento administrativo, afastando a possibilidade de os agentes públicos incumbidos dessas tarefas deixarem de aplicar as leis aos casos concretos, seja com base em juízo subjetivo sobre a constitucionalidade destas, seja pela aplicação de jurisprudência administrativa ou judicial. A DRJBELO HORIZONTE/MG indeferiu o pedido de perícia, considerandoo não formulado, por não ter o mesmo atendido aos requisitos formais previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, que rege o contencioso administrativo em matéria tributária, e sobre o pedido de coleta de prova testemunhal, observou que não há previsão nas normas que regem o processo administrativo tributário deste tipo de prova, indeferindo também o pedido. Quanto ao mérito, sobre a imputação de omissão de rendimentos, a DRJ acolheu a alegação da defesa quanto ao pagamento de honorários advocatícios, subtraindo do total dos rendimentos omitidos R$ 43.054,81, comprovadamente pago a este título. Também subtraiu da base de cálculo o valor de R$ 1.700,82, recebido a título de 13º salário, e cuja tributação é exclusiva de fonte. Quanto à glosa do imposto de renda na fonte, contrariando o que foi sustentado pela defesa, a DRJ concluiu que nos autos “não há nenhum documento que comprove que a reclamada reteve dos reclamantes algum valor a título de imposto de renda.” E mais, observa que: A fonte pagadora, consoante documentos anexados aos autos, acordou com os reclamantes, registrando novamente, o pagamento do crédito no valor total de R$ 753.219,22, valor este que incluía o valor total de imposto a ser retido. No entanto, não Fl. 225DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 houve retenção do imposto, tendo o valor de imposto acordado também sido repassado aos reclamantes. Assim, concluiu a DRJ pela regularidade do lançamento quanto à glosa do valor declarado como imposto retido na fonte, de R$ 72.104,21. A decisão de primeira instância também reduziu o valor da multa aplicável, fazendo incidir a multa de ofício, de 75%, apenas sobre a diferença entre o imposto devido apurado após os ajustes e o imposto devido declarado pelo Contribuinte (R$ 385,28) e reduzindo para 20%, como multa de mora, sobre a diferença entre o imposto de renda retido na fonte apurado na autuação e mantido no voto e o valor declarado pelo contribuinte a este título (R$ 72.489,49). O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 31/08/2011 (fls. 208) e, em 30/09/2011, interpôs o recurso voluntário de fls. 209/218, que ora se examina, e no qual agúi a nulidade da decisão de primeira instância por não ter a autoridade julgadora apreciado pedido expresso por ela formulado para que fossem adotadas providência junto à 1ª Vara da Justiça do Trabalho com vistas à conversão do depósito em renda da União para fins de quitação do imposto, ferindo o direito ao contraditório e à ampla defesa. Quanto ao mérito, o Recorrente embora concorde expressamente com a afirmação contida no voto condutor do acórdão recorrido de que “não há nos autos documentos que comprovem a retenção de valores a título de imposto de renda”, afirma, porém, que: da análise que se faz das peças do Processo Trabalhista nº 2056/88 anexadas à impugnação para formação de convicção do julgador, constatase que há a certeza da existência de valores de créditos do recorrente que poderiam ser retidos pelo juízo, a título de Imposto de Renda ou cota fiscal como referido em várias partes do processo. E diz que as providências solicitadas e que não foram adotadas pelo julgador esclareceriam tais pontos, “haja vista existir o depósito de valores que poderiam extinguir o crédito reclamado no todo ou em parte”. Nesse sentido, referese a documentos acostados aos autos às fls. 11, 40, 42 e 45 dos autos. O Contribuinte também se insurge contra a manutenção da exigência quanto à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente e, sobre este ponto, invoca a aplicação da jurisprudência do STJ submetida ao regime do efeito repetitivo. Por fim, formula pedido nos seguintes termos: 1) Que se acate as preliminares suscitadas no recurso, desconstituindose o crédito tributário dele decorrente; 2) Em qualquer caso, que sejam acatadas todas as alegações de defesa apresentadas, por todas as razões expostas, demonstradas e comprovadas, requer ainda, que seja declarado improcedente o lançamento contra o recorrente, reconstituindose sua declaração de rendimentos originalmente apresentada, sendo reconhecida e determinada a restituição do valor IRPF pago a maior indevidamente no valor original de R$ 16.469,92, devidamente corrigido na forma da legislação de regência. Relatório. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10725.001004/200514 Acórdão n.º 2201001.847 S2C2T1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Examino, inicialmente, a arguição de nulidade da decisão de primeira instância. Afirma a Recorrente que a decisão de primeira instância deixou de apreciar pedido feito expressamente da impugnação. Compulsando os autos, todavia, não vislumbro a alegada omissão. Como relatado acima, a DRJ, expressamente, indeferiu os pedidos de perícia e de providências junto à Justiça do Trabalho e, portanto, não silenciou quanto a estes pedidos. O que se poderia discutir é se a DRJ, diante dos pedidos, poderia adotar tal posição. E sobre este ponto, o Decreto nº 70.235, de 1972, é bastante claro, vejamos: Art. 18. A autoridade administrativa de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine.(sublinhei) Portanto, compete à autoridade julgadora avaliar a necessidade e oportunidade da diligência ou da perícia e, no caso, a DRJ concluiu pela inépcia do pedido, com relação à perícia e a desnecessidade da diligência quanto à providência perante a Justiça do Trabalho. Não vislumbro, portanto, o alegado vício ou qualquer outro que pudesse ensejar a nulidade da decisão de primeira instância , razão pela qual rejeito a preliminar. Também não vislumbro vício no procedimento fiscal ou na decisão dele decorrente que comprometa sua higidez. E com relação às alegações quanto ao possível efeito confiscatório da exigência do imposto e/ou da penalidade, este tipo de afirmação, como ressaltado pela decisão de primeira instância, busca ferir a própria constitucionalidade das normas que determinam a exigência, e falece competência aos órgãos julgadores administrativos para examinar este tipo de matéria, conforme entendimento consagrado em súmula, a saber: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto ao mérito, embora o Recorrente insista na ausência de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, é importante deixar registrado que a decisão de primeira instância afastou a quase totalidade desta, subtraindo do valor dos rendimentos apurados parcela correspondente a honorários advocatícios. Restou, portanto, como omissão de rendimentos apenas o valor residual de R$ 1.400,99, sendo que parte deste valor corresponde à classificação indevida de rendimentos isentos a contribuintes com mais de 65 anos (R$ 291,13). Fl. 227DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 Com relação a este ponto, portanto, a diferença que persiste decorre apenas de eventual erro de cálculo entre o valor efetivamente recebido e aquele informado na declaração e, quanto a esta diferença, nada foi dito no recurso. O Contribuinte, por outro lado, reivindica a aplicação, quanto aos rendimentos recebidos acumuladamente, da nova jurisprudência do STJ segundo a qual, rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de ações trabalhistas devem ser tributados segundo o regime de competência. Pelo art. 62A do CARF, nestes casos, o recurso deveria ser sobrestado até decisão definitiva da matéria pelo Poder Judiciário, pois se trata de matéria submetida ao regime do efeito repetitivo. Ocorre que, como ressaltado acima, afastouse a exigência com relação à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, restando apenas uma parcela residual que, além de ínfima, com relação ao valor total do processo, decorre de rendimentos recebidos a outro título. Não é o caso, portanto, de se sobrestar o processo. Quanto ao imposto de renda retido na fonte, como o próprio Contribuinte reconhece, não há prova nos autos de que tenha havido tal retenção, e caberia ao Contribuinte apresentar tais provas. Diferentemente do que sugere tanto na impugnação quanto no recurso, não cabe à Receita Federal imiscuirse nos processos trabalhistas para colher informações que são do interesse das partes. Cabe, sim, orientar as fontes pagadoras sobre a necessidade da retenção do imposto na fonte quando devida, e isto foi feito, conforme elementos carreados aos autos. Sobre a existência de créditos que poderiam, eventualmente, ser convertidos em renda da União e extinguir o crédito tributário ora exigido, que também não foram comprovados, o ônus da prova também era do Contribuinte. Assim, em conclusão, não vislumbro quanto a este ou aos outros aspectos acima analisados nada que pudesse modificar o quanto decidido em primeira instância. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 228DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10725.001004/200514 Acórdão n.º 2201001.847 S2C2T1 Fl. 6 9 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 13502.001246/2009-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS PRESUMIDOS DE IPI. ÓBICE AFASTADO.
Em virtude do afastamento do óbice apontado pela Administração Tributária para a compensação aqui encetada - fruição cumulativa dos benefícios da Lei nº 9.440/97 e MP nº 2.158-35/2001 - pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, em processo conexo que tratava do mesmo substrato fático, cumpre acatar o recurso voluntário para legitimar o direito creditório glosado.
Numero da decisão: 3101-001.235
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Corintho Oliveira Machado - Relator.
EDITADO EM: 18/10/2012
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Vanessa Albuquerque Valente, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS PRESUMIDOS DE IPI. ÓBICE AFASTADO. Em virtude do afastamento do óbice apontado pela Administração Tributária para a compensação aqui encetada fruição cumulativa dos benefícios da Lei nº 9.440/97 e MP nº 2.15835/2001 pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, em processo conexo que tratava do mesmo substrato fático, cumpre acatar o recurso voluntário para legitimar o direito creditório glosado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Corintho Oliveira Machado Relator. EDITADO EM: 18/10/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 12 46 /2 00 9- 36 Fl. 404DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Vanessa Albuquerque Valente, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro e Corintho Oliveira Machado. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: O estabelecimento acima identificado formalizou pedido de ressarcimento de créditos presumido de IPI, decorrentes de benefício fiscal previsto no inciso IX, art. 1º da Lei nº 9.440, de 1997, e no art. 56 da MP nº 2.15835, 2001, relativo ao 4º trimestre de 2008, no valor de R$ 62.111.710,44, conforme Perdcomp nº 12566.72140.230609.1.1.018070, fls. 03 a 11, cumulado com as declarações de compensação relacionadas às fls. 221 /222, constantes dos processos, nº 13502.001247/2009 81, 13502.001249/200970, 13502.001248/200925 e 13502.001250/200902, juntados por apensação, conforme termo de juntada à fl. 252. Consta do Relatório Fiscal, fls. 143 a 149, entre outras, as seguintes informações: c em 29/12/2006, a Ford Motor Company Brasil Ltda., CNPJ nº 03.470.727/000120, incorporou a empresa Troller Veículos Especiais Ltda., CNPJ nº 00.059.993/000143, titular da habilitação ao Regime Automotivo regido pela Lei nº 9.440, de 14 de março de 1997, e pelo Decreto nº 3.893, de 22 de agosto de 2001, alterado pelo Decreto nº 5.710, de 24 de fevereiro de 2006, cuja titularidade foi assim transferida à Ford, conforme Despacho do Secretário do Desenvolvimento da Produção de 17 de janeiro de 2007, Nota Técnica nº 03/07 SDP/DIETE, Parecer MDIC/CONJUR/LGP nº 00338.4/2007, constante do processo nº 52000.000133/200764, fundamentada no art. 8º da Lei nº 11.434, de 28 de dezembro de 2006. c de acordo com o Termo de Compromisso e Rerratificação ao Termo Aditivo de Ratificação de Habilitação MDIC/SDP/Nº 168/I/02, a filial da Ford inscrita no CNPJ sob o nº 03.470.727/001607 foi habilitada ao Regime Automotivo da Lei nº 9.440, de 1997, passando a usufruir do benefício do crédito presumido do IPI de que trata a referida lei, em substituição ao Regime Automotivo da Lei nº 9.826, de 1999, ao qual a filial havia se habilitado originalmente. c Assim, a partir de janeiro de 2007, a Ford passou a utilizar o benefício do crédito presumido do IPI previsto no inciso IX do art. 1º da Lei nº 9.440, de 1997, que corresponde ao dobro do valor da contribuição para o PIS e da Cofins de que tratam as Leis Complementares nº 7, de 7 de setembro de 1970, nº 8, de 3 de dezembro de 1970, e nº 70, de 30 de dezembro de 1991, que incidirem sobre o faturamento do estabelecimento beneficiado; Fl. 405DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13502.001246/200936 Acórdão n.º 3101001.235 S3C1T1 Fl. 405 3 c além desse benefício, a contribuinte utiliza o benefício fiscal estabelecido pelo artigo 56 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, que consiste no aproveitamento do crédito presumido do IPI em montante equivalente a 3% (três por cento) do valor do imposto destacado na nota fiscal de venda dos produtos cujos códigos estão enumerados no próprio artigo 56 da MP. c no período de janeiro de 2007 a dezembro de 2008, o contribuinte infringiu o disposto no inciso II do art. 16 da Lei nº 9.440, de 1997, ao usufruir o benefício fiscal previsto nessa Lei cumulativamente com o benefício fiscal do crédito presumido do IPI previsto na MP nº 2.15835, de 2001; c a utilização do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.440/97 em desacordo com a norma do inciso II do art. 16 da referida Lei, que proíbe a acumulação, acarreta a imediata perda da habilitação e do incentivo fiscal, conforme cláusula nona do Termo de Compromisso de 17/01/2007, bem como a exigência do IPI que deixou de ser apurado em função desse creditamento, acompanhado dos acréscimos legais, conforme sanção prevista no art. 4º do Dec. nº 3.893, de 2001; c de acordo com as planilhas de reconstituição da escrita do RAIPI (fl. 189), ao desconsiderar os créditos oriundos do incentivo fiscal de que trata a Lei nº 9.440, de 1997, e o débito relativo ao pedido de ressarcimento referente ao mês de setembro/2008, no valor de R$ 327.544.970,67, surgiram saldos devedores, discriminados na coluna “VALOR A LANÇAR”, objeto do presente Auto de Infração (processo administrativo nº 13502.001001/200917) A Delegacia da Receita Federal em Camaçari, mediante Despacho Decisório nº 0105/2010, fls. 219 a 235, não reconheceu o direito creditório em favor da Ford Motor Company Brasil Ltda., relativo ao 4º trimestre de 2008, no valor de R$ 62.111.710,44, e não homologou as compensações dos débitos discriminados às fls. 221/222, nos termos do Relatório e Fundamentação deste Despacho Decisório. Cientificada do despacho decisório em 22/11/2010, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, em 17/12/2010, fls. 255 a 286, alegando, em síntese, que: ] com fundamento jurídico na suposta cumulação de benefícios fiscais (benefício da Lei nº 9.440/97 com o Regime Especial da MP nº 2.158/2001) foi lavrado auto de infração (nº 13502.001001/200917) devidamente impugnado; ]com o lançamento de ofício do referido auto de infração, a autoridade fiscal entendeu por bem não reconhecer o direito creditório referente ao ressarcimento de IPI apurado no 4º trimestre de 2008, no valor de R$ 62.111.710,44 e não homologar a compensação dos débitos descriminados nos pedido de compensação manejados pela recorrente; Fl. 406DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 ] inegável que mantido a glosa do crédito presumido apontado nos livros fiscais, objeto do processo administrativo em referência, seria a compensação impossível de homologação, por falta de crédito tributário. Porém, inegável da mesma maneira, que uma vez cancelado o lançamento de ofício e mantida a escrituração original dos créditos presumidos do contribuinte, estaria infundado o despacho ora impugnado; ]há uma litispendência do presente processo administrativo ao que será decidido no processo administrativo nº 13502.001001/200917, uma vez que mantido o lançamento objeto daquele processo, inegável a improcedência das compensações objeto do presente processo, porém, afastada àquele lançamento, insubsistente a decisão ora recorrida, pois válidos os créditos tributários do contribuinte utilizado para as compensações ora não reconhecidas; ] por esta razão, requer em sede de preliminar, que seja sobrestado o presente processo até o desfecho do processo administrativo nº 13502.001001/200917, como mecanismo de se evitar decisões contraditórias sobre a mesma matéria, merecendo o reconhecimento da litispendência, o que se quer; ] uma vez não suspenso o presente processo até o desfecho do outro, o que se admite apenas ad argumentandum tantum também seriam improcedentes as razões do indeferimento dos pedidos de compensação, pois mais uma vez fundamentase a referida decisão na suposta cumulação de benefícios fiscais da mesma natureza, que de fato não ocorre e não se sustenta, como a seguir amplamente demonstrado; ] nesse contexto, firmou com a União Federal o Termo de Compromisso de Rerratificação ao Termo Aditivo de Ratificação de Habilitação MDIC/SDP/Nº 168/I/02, tendo sido emitido o Certificado de Rerratificação de Habilitação ao Certificado Aditivo de Ratificação de Habilitação MDIC/SDP/Nº 168/I/02, ato que aprovou a fruição pela Ford Motor Company Brasil Ltda., em seu estabelecimento de Camaçari e Horizonte do benefício fiscal da Lei nº 9.440/97, certificando o atendimento de todos os requisitos para a sua fruição, de modo a assegurar o benefício a partir de 29/12/2006 até 31/12/2010, mediante atos de renovação a cada 12 meses; ] assim, a recorrente passou a usufruir do benefício descrito no art. 1º, inciso IX c/c art. 11, VI, regulamentado pelo Dec. nº 3.893, de 22 de agosto de 2001, consistente em crédito presumido de IPI correspondente ao dobro do valor das contribuições de que tratam as Lei Complementares nº 7 e 8, de 1970 e a Lei Complementar nº 70 de 1991 (Contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS), incidentes sobre o faturamento; ] desde o primeiro semestre de 2003, antes mesmo da aprovação pelo MDIC do seu direito ao benefício fiscal da Lei nº 9.440, de 1997, a recorrente adota o regime especial de apuração do IPI instituído pelo artigo 56 da MP nº 2.15835, de 2001; ] a inclusão do frete no preço do produto vendido (cláusula CIF) significaria um evidente aumento da base de cálculo do IPI Fl. 407DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13502.001246/200936 Acórdão n.º 3101001.235 S3C1T1 Fl. 406 5 a ser pago, o que sempre foi visto como um autêntico obstáculo por parte das montadoras para a adoção dessa modalidade de contrato, pois aumentaria o preço praticado ao consumidor final; ] o regime especial de apuração do IPI nas vendas de veículos das montadoras previsto no art. 56 da MP nº 2.158/2001 tem como função garantir a possibilidade de os fabricantes de veículos automotores, ao decidirem pela inclusão do custo do frete na nota fiscal dos seus veículos (o que gera um IPI adicional), ressarciremse do IPI incidente sobre o frete, por meio de um crédito presumido de 3%; ] mesmo ciente do disposto no art. 16, II da Lei nº 9.440, de 1997, que dispõe sobre a vedação ao usufruto cumulativo do tratamento fiscal ali instituído com outros da mesma natureza, nunca houve dúvida quanto a ser o ressarcimento do IPI sobre o frete um regime especial de apuração do IPI inconfundível com o tratamento daquela lei, que é um benefício fiscal para o desenvolvimento regional; ] essa suposta cumulação do benefício fiscal da Lei nº 9.440/97 com o regime especial veiculado pela MP nº 2.158/01, não pode subsistir, pois está maculado por diversos vícios que afetam sua validade; ] a legislação pertinente conferiu apenas ao Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior – MDIC a competência para, em nome da União Federal, avaliar, aprovar e fiscalizar a utilização do benefício fiscal em decorrência dos projetos habilitados, cabendo ao Poder Executivo estabelecer os requisitos para habilitação, bem como os mecanismos de controle ao cumprimento das condições do programa de incentivo, conforme art. 13 da Lei nº 9.440, de 1997; ] o Decreto nº 3.893, de 2001, também cuidou da matéria referente à concessão, acompanhamento (fiscalização) e eventual cassação do benefício fiscal em caso de descumprimento das regras do programa, sendo que seu art. 2º estabeleceu que o órgão responsável pela verificação das exigências legais e pela expedição da habilitação que reconhece o direito ao gozo do benefício é a Secretaria de Desenvolvimento da Produção do MDIC – SDP/MDIC; ] do teor do art. 5º do Decreto nº 3.893, de 2001, resta inequívoca a conclusão de que a fiscalização quanto ao cumprimento das condições relativas ao incentivo fiscal, inclusive a ausência de cumulação de benefícios fiscais, cabe exclusivamente à SDP/MDIC, só podendo haver qualquer iniciativa da Receita Federal mediante prévia notificação daquele órgão, após, evidentemente, a aferição de eventual irregularidade no âmbito do procedimento específico ] constatase irremediável afronta ao devido processo legal, na medida em que foram desconsideradas, para fins de lavratura do auto de infração que glosou os créditos tributários ora compensados, todas as regras que disciplinam o processo de Fl. 408DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 fiscalização e controle da correta fruição do benefício fiscal da Lei nº 9.440/97, afrontandose a própria esfera de atribuições da SDP/MDIC; ] a cassação do seu direito ao incentivo fiscal da Lei nº 9.440/97, concedido por atos administrativos da SDP/MDIC, sem que lhe tivesse sido dada a prévia oportunidade para formular e apresentar documentos comprobatórios do equívoco incorrido pelo ato de cassação, ofendeu ao art. 3º, inciso III, da Lei nº 9.784; ] na medida em que não foi dada qualquer oportunidade à recorrente na fase introdutória do procedimento administrativo que resultou na cassação do benefício fiscal, bem como não tendo sido intimada para apresentar manifestação no prazo de 10 dias antes de proferida a decisão que cancelou os atos concessivos e os homologatórios do usufruto do benefício em questão, restaram também violados os seguintes dispositivos da Lei nº 9.784/99: art. 2º, inciso X, art. 3º, incisos II e III, art. 38 e art. 44; ] a SDP/MDIC não foi conferida competência apenas para editar os atos concessivos do benefício fiscal da Lei nº 9.440/97, mas também para acompanhar e fiscalizar o cumprimento dos requisitos do programa; ] o Termo de Compromisso, o Certificado de Habilitação e os Certificados Aditivos de Habilitação emitidos entre os anos de 2006 e 2008, que concederam e renovaram o direito à fruição do benefício fiscal da Lei nº 9.440, de 1997, possuem natureza inequívoca de “atos administrativos”, percebendose que a maior parte deles assume forma de “habilitações”, produzidas em caráter originário sob o rótulo “certificado de habilitação”, e, em caráter de renovações da habilitação originária, sob a designação de “certificado aditivo de habilitação”; ] tratandose de benefício fiscal condicionado ao cumprimento de determinadas condições por parte da impugnante (benefício oneroso), estabeleceuse a necessidade de determinados atos certificatórios intermediários, praticáveis ano a ano, para fins de averiguar o pleno atendimento dos requisitos assumidos pelo particular com relação ao exercício pretérito, bem como conferir o direito ao exercício do benefício fiscal no tocante ao exercício subseqüente; ] o efeito de cassação ou invalidação de atos administrativos prévios inerente ao auto de infração é inequívoco, pois o direito à fruição do benefício fiscal da Lei nº 9.440, de 1997, não decorre pura e simplesmente da norma geral e abstrata, mas de atos certificatórios (e homologatórios) individuais e concretos, que possuíam, e ainda possuem, o condão de regular a situação individualizada da empresa no tocante à fruição do incentivo; ] assim, a conduta do Auditor Fiscal, ao efetivar o não reconhecimento dos créditos presumidos apurados pela recorrente cuida, pura e simplesmente, da constituição do crédito tributário, mas de autêntica e desmedida supressão da eficácia dos atos administrativos praticados pelo MDIC, não Fl. 409DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13502.001246/200936 Acórdão n.º 3101001.235 S3C1T1 Fl. 407 7 possuindo o auditor competência para cassar o benefício fiscal, que é privativa daquele ministério; ] em situações análogas – concessão e acompanhamento do incentivo fiscal feitos por órgão externo à estrutura da RFB –, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (então Conselho de Contribuintes) exarou reiteradamente seu posicionamento delimitando a competência do Auditor Fiscal para efetuar o lançamento se, e somente se, houver prévia manifestação do órgão competente para a concessão e gestão do programa de incentivo, conforme julgados mencionados pela impugnante; ] a penalidade aplicada diante da suposta cumulação de benefícios fiscais, consistente na cobrança de todo o IPI, desconsiderando o benefício fiscal, não está tipificada em lei, visto que a fiscalização aduz que a impugnante teria desrespeitado o disposto no art. 16, II da Lei nº 9.440, de 1997, e, por esta razão, aplicou a sanção prevista no art. 4º do Decreto nº 3.893, de 2001, e no art. 7º, parágrafo único, da Portaria MDIC/MF nº 258, de 2001; ] muito embora a impossibilidade de cumulação esteja tipificada em lei, a sanção pretensamente correlata não dispõe do mesmo status normativo, em clara ofensa ao princípio da legalidade, da tipicidade cerrada e da tripartição dos poderes, e jamais poderia ser instituída por meio de decreto, muito menos por intermédio de portaria, transcrevendo jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça – STJ que corroboraria seus argumentos; ] houve manifesto erro da fiscalização na interpretação dos conceitos de “benefício fiscal” e de “regime especial”, pois no caso da Lei nº 9.440, de 1997, temse a presença de uma espécie do gênero incentivo fiscal, da categoria dos condicionados e por prazo certo, ao passo em que, na figura criada pela referida MP nº 2.158, de 2001, vêse com nitidez um sistema especial de tributação, uma espécie do gênero regime especial, que apresenta como característica marcante a inexistência de renúncia fiscal, pois a finalidade imediata de sua instituição não foi promover a redução da carga tributária do contribuinte, mas instrumentalizar propósitos outros, relativos à política fiscal e à otimização dos mecanismos de arrecadação; ] o conceito nuclear da expressão “regime especial” consiste basicamente em um conjunto de normas cujo principal objetivo é aumentar a eficácia dos dispositivos que regem a incidência tributaria, não representando, necessariamente, uma redução da carga fiscal imposta aos contribuintes, que pode eventualmente ocorrer, mas de forma meramente acidental; ] o regime especial da MP nº 2.158, de 2001, não implicou e nem visava qualquer desoneração ou redução na arrecadação do IPI, e se valeu de uma presunção legal, qual seja, a de que a inclusão do frete na base de cálculo do IPI tinha equivalência ou referência com o percentual de 3% sobre o valor das saídas, bastando, para tal conclusão, que se leia a exposição de motivos Fl. 410DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 8 da referida MP e a manifestação da RFB na Ação Popular nº 2002.34.00.0023380; ] ainda que possa existir dúvida quanto à possibilidade de atribuição de créditos presumidos como mecanismo tanto para os sistemas especiais de tributação (regimes especiais) quanto para os benefícios fiscais onerosos e por prazo certo, o elemento essencial para se determinar a natureza jurídica do incentivo fiscal está relacionado às razões que levaram à criação deste, e a necessária redução na carga fiscal, nunca ao mecanismo adotado pela lei para sua implantação; ] na exposição de motivos da MP nº 2.158, de 2001 e conforme reconhece a própria RFB, a criação do regime especial não resultou em qualquer perda de receita para os cofres públicos, pois, ao propor ao Presidente a adoção da referida MP, o Ministro de Estado da Fazenda sublinhou que, na prática, o IPI incidente sobre os custos de frete não vinham sendo recolhidos pelas montadoras de veículos em razão de tais empresas estarem, então, vendendo veículos segundo a cláusula FOB e terceirizando o frete (o qual deve compor a base de cálculo do IPI somente quando o veículo é vendido de acordo com a cláusula CIF), restando claro que a principal preocupação do legislador era melhor controlar as receitas auferidas pelas pessoas jurídicas dedicadas ao transporte de veículos, sem que isso implicasse qualquer incremento ou redução na carga fiscal suportada pelas montadoras de veículos; ] se, de um lado, a opção pelo regime especial resulta na adoção obrigatória da cláusula CIF sobre as vendas realizadas pelas montadoras de veículos, o que implica em aumento do IPI devido se comparado à cláusula FOB anteriormente utilizada, por outro lado o regime também concede créditos presumidos de IPI ao contribuinte a fim de que, por presunção jurídica, se possa neutralizar os efeitos negativos que a adoção da cláusula CIF poderia trazer ao preço final do veículo ao consumidor final, representando o índice de 3% a estimativa da carga adicional média do IPI imposta às montadoras de veículos em conseqüência da inclusão dos custos com o frete na base cálculo do IPI; ] a criação de benefícios fiscais deve vir, sempre, acompanhada de medidas de recomposição do equilíbrio orçamentário em função da renúncia de receita que lhe é inerente, conforme determina o art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal – LRF (Lei Complementar nº 101/2000) e, por serem desnecessárias no caso concreto, estas medidas não foram adotadas; ] a RFB, por meio de sua mais alta autoridade, bem como a União Federal, pela PGFN, expressamente se manifestaram acerca do regime Especial em questão nos autos da Ação Popular nº 2002.34.00.0023380, no sentido de que o referido regime não implica qualquer desoneração ou redução da arrecadação do IPI; ] logo, ou o regime especial não tem natureza jurídica de benefício fiscal ou, em se tratando de autêntico benefício fiscal, Fl. 411DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13502.001246/200936 Acórdão n.º 3101001.235 S3C1T1 Fl. 408 9 houve infração ao artigo 14 da LRF, estando os agentes públicos envolvidos na criação do referido regime sujeitos às sanções criminais e administrativas previstas no art. 73 da mesma Lei; ] em 30/01/2002, foi ajuizada Ação Popular em face do teor da IN nº 91, de 2001, cujo objeto consiste exatamente na regulamentação do Regime Especial da MP nº 2158, de 2001, alegandose, dentre os fundamentos do pedido da referida ação, que o citado regime consistiria em renúncia de receita e redução privilegiada de carga tributária para as montadoras de veículos; ] a impugnante transcreve trechos da Nota SRF/Asesp nº 5/2002 na qual a RFB confirma não ter havido redução do IPI a ser pago pelas montadoras em função do Regime Especial da MP nº 2.158, de 2001, e declara não existir qualquer renúncia de arrecadação por parte do Fisco, mas sim aumento da carga tributária, o que leva à conclusão de que a própria União Federal compareceu nos autos da Ação Popular, por meio do Procurador da Fazenda Nacional, e, ao contestar a ação, endossou as conclusões da RFB; ] a impugnante foi citada para integrar a referida ação na condição de litisconsorte passiva necessária, tomando inequívoca ciência das manifestações em apreço, elaboradas pelo Secretário da RFB e pela União Federal, momento a partir do qual ficou convicta e segura quanto à ausência de natureza jurídica de benefício fiscal relativamente ao regime especial em questão; ] após a migração da recorrente para o benefício fiscal da Lei nº 9.440, de 1997, a Administração exarou seu entendimento no sentido de renovar ano a ano esse benefício, diante da legislação de regência e do estrito cumprimento de todas as condições onerosas anteriormente estabelecidas, ciente de todas as circunstâncias e sabedora das inconfundíveis naturezas jurídicas entre o benefício fiscal da Lei nº 9.440 e do Regime Especial da MP nº 2.158, que a impugnante já gozava anteriormente à migração; ]a modificação de entendimento da Administração em hipótese alguma poderia ser aplicada para desconstituir os fatos pretéritos, concretizados sob o manto da interpretação vigente naquele momento. Qualquer entendimento diverso estaria endossando flagrante ofensa aos princípios da segurança jurídica, da proteção da confiança e da boafé dos administrados, da moralidade administrativa e também aos arts. 145, 146, 149 e 178 do CTN e ao art. 2º, parágrafo único, XIII da Lei nº 9.784, de 1999, impondose, desta forma, o cancelamento integral da cobrança perpetrada pela Auto de Infração; ] a recorrente direcionou sua conduta com base no entendimento formalmente manifestado pela então RFB, nos autos da citada Ação popular, e também nos sucessivos atos de habilitação (homologação) oriundos do MDIC, razão pela qual não procede a cobrança em tela, na remota hipótese de entender Fl. 412DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 10 que é devido algum tributo, devem ser afastados os juros, as penalidades e a atualização monetária, nos termos do que dispõe o parágrafo único do art. 100, incisos I e III, do CTN; ] se o verdadeiro objetivo do lançamento fosse o zelo pelo interesse público, o respeito à proporcionalidade na imposição de penalidade e a restauração do equilíbrio da arrecadação, o lançamento deveria se limitar ao valor, acaso existente, correspondente à diminuição da carga tributária verificada a partir do esforço comparativo entre os dois regimes de apuração – o anteriormente adotado – Cláusula FOB e o objeto da opção – Cláusula CIF neutralizada por crédito presumido de 3%; ] a recorrente, diante de todos os motivos de fato e de todas as razões de direito expostas na manifestação de incorformidade, requer: a) o reconhecimento da litispendência com o processo administrativo nº 13502.001001/200917, uma vez que o julgamento do auto de infração que glosou os créditos presumidos da recorrente em razão da suposta cumulação de benefícios fiscais, sendo favorável ao contribuinte, deverá reverter necessariamente a presente decisão recorrida, e sendo desfavorável, deverá manter na integra a decisão ora recorrida; b) reconhecida a litispendência, manter sobrestado o julgamento da presente manifestação de inconformidade até o transito em julgado da decisão do processo administrativo nº 13502.001001/200917, para que a decisão naquele produza os efeitos no presente procedimento compensatório; c) não reconhecida a litispendência, o que se admite apenas “ad argumentandum”, seja no mérito reconhecido que não houve nenhuma cumulação indevida de benefícios fiscais, devendo ser mantida a integralidade dos créditos presumidos da Lei nº 9.440, de 1997, lançados nos seus livros de registro e apuração de IPI, mantidos os saldos credores de IPI do 4º trimestre de 2008, de forma a garantir e reconhecer o direito creditório ora afastado pela decisão recorrida, para que sejam homologadas as compensações dos débitos discriminados nas DCOMP transmitidas pela interessada, dando integral provimento a presente MI; ] por fim, protesta pela juntada posterior de quaisquer documentos que se façam necessários e pela produção de todas as provas em direito admitidas. A DRJ em SALVADOR/BA julgou a Manifestação de Inconformidade Improcedente, ficando a ementa do acórdão com a seguinte dicção: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13502.001246/200936 Acórdão n.º 3101001.235 S3C1T1 Fl. 409 11 O processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. BENEFÍCIO FISCAL. GLOSA Restando provado o usufruto cumulativo de benefícios fiscais, em desacordo com as normas estabelecidas para fruição do incentivo fiscal, correta a glosa realizada pelo Fisco e a exigência do IPI com os acréscimos legais correspondentes. CRÉDITO PRESUMIDO. AUTO DE INFRAÇÃO. COMPETÊNCIA DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. A fiscalização e o lançamento de ofício do IPI decorrentes da utilização do crédito presumido em desacordo com as normas estabelecidas na legislação de regência encontramse inseridas dentre as competências exercidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL. SALDO DEVEDOR. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A apuração de saldos devedores do IPI em reconstituição da escrita fiscal, decorrente da glosa de créditos indevidamente escriturados, impossibilita o reconhecimento do direito creditório originalmente apurado pela contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 331 e seguintes, onde alega usurpação de competência do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e vulneração do devido processo legal; discorre acerca da natureza jurídica do tratamento fiscal preconizado na Lei n° 9.440/97 e na medida provisória nº 2.15835/2001; evoca modificação de critérios jurídicos anteriormente adotados, com efeitos retroativos; aponta impossibilidade de imposição de penalidade prevista em norma regulamentar; e por fim, requer a reforma da decisão recorrida, para reconhecer o direito de crédito, com a conseqüente homologação das compensações efetuadas. Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Relatados, passo a votar. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 12 Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em não havendo preliminares, passase, de plano, ao mérito do contencioso. Tratase aqui da não homologação de compensação, em razão da fruição apontada como indevida pelo Fisco, porquanto teria havido cumulatividade de dois benefícios fiscais. Além do não reconhecimento do direito creditório, houve reconstituição da escrita fiscal da ora recorrente e lavratura de auto de infração, esse discutido até a última instância administrativa (Câmara Superior de Recursos Fiscais) sob o nº 13502.001001/200917, relativo ao débito de IPI apurado no período de janeiro de 2007 a dezembro de 2008. Por ocasião do julgamento deste feito na Delegacia da Receita Federal de Julgamento em SALVADOR/BA, as decisões no indigitado processo 13502.001001/200917, tanto na Delegacia da Receita Federal de Julgamento (acórdão 1521.905 4ª Turma) quanto no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (acórdão 340101.084) eram desfavoráveis ao contribuinte, motivo por que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Todavia, em 04/10/2011, a Câmara Superior de Recursos Fiscais pronunciou se de forma favorável ao contribuinte, dandolhe provimento, em recurso especial, por unanimidade de votos (acórdão nº 930301.667 3ª Turma), que ficou com a seguinte dicção na respectiva ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 20/07/2007 a 31/12/2008 BENEFÍCIOS FISCAIS. LEI N° 9.440/97, ART. 1°, IX, INCENTIVO A INSTALAÇÃO DE MONTADORAS DE AUTOMÓVEIS NO NORTE, NORDESTE E CENTROOESTE. MP 2.15835/2001, ART. 56. INCENTIVO A VENDA DE VEÍCULOS COM FRETE A CARGO DAS MONTADORAS. CUMULAÇÃO. POSSIBILIDADE. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13502.001246/200936 Acórdão n.º 3101001.235 S3C1T1 Fl. 410 13 O beneficio gerado pela MP 215835, não tem o condão de se enquadrar como incentivo fiscal na conformidade do § 4° do art.56. O art. 2° da Lei n° 12.407/2011 acrescentou parágrafo único ao art. 16 da Lei n° 9.440 permitindo a fruição cumulativa dos benefícios fiscais ínsitos ao presente caso. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Em virtude de o presente processo ser consequência imediata daquela discussão travada naqueles autos, penso que o recurso voluntário merece acatamento, porquanto consubstanciado ilegítimo o óbice apontado pela Administração Tributária para a compensação aqui encetada. Posto isso, voto por PROVER o apelo da recorrente. Sala das Sessões, em 25 de setembro de 2012. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 416DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 31/10 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 10283.900999/2009-60
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. PLEITO DE CONSIDERAÇÃO DE BENEFÍCIOS FISCAIS. MATÉRIA ESTRANHA.
Trata-se de matéria estranha aos autos em que se discute Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), não se comportando em seus estreitos limites, pleito de consideração de eventuais benefícios fiscais a que faça - ou venha a fazer - jus o sujeito passivo.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME.
O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante.
Numero da decisão: 1803-001.566
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que o direito creditório pleiteado seja apreciado, pela DRF de origem, como saldo negativo de IRPJ, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Selene Ferreira de Moraes - Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Rodrigues Mendes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Viviani Aparecida Bacchmi.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. PLEITO DE CONSIDERAÇÃO DE BENEFÍCIOS FISCAIS. MATÉRIA ESTRANHA. Trata-se de matéria estranha aos autos em que se discute Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), não se comportando em seus estreitos limites, pleito de consideração de eventuais benefícios fiscais a que faça - ou venha a fazer - jus o sujeito passivo. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que o direito creditório pleiteado seja apreciado, pela DRF de origem, como saldo negativo de IRPJ, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes - Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Rodrigues Mendes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Viviani Aparecida Bacchmi.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. PLEITO DE CONSIDERAÇÃO DE BENEFÍCIOS FISCAIS. MATÉRIA ESTRANHA. Tratase de matéria estranha aos autos em que se discute Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), não se comportando em seus estreitos limites, pleito de consideração de eventuais benefícios fiscais a que faça ou venha a fazer jus o sujeito passivo. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 09 99 /2 00 9- 60 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/11/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10283.900999/200960 Acórdão n.º 1803001.566 S1TE03 Fl. 111 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que o direito creditório pleiteado seja apreciado, pela DRF de origem, como saldo negativo de IRPJ, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Rodrigues Mendes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Viviani Aparecida Bacchmi. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/11/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10283.900999/200960 Acórdão n.º 1803001.566 S1TE03 Fl. 112 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 73verso e 74): Tratase de declaração de compensação transmitida em 14/09/2005 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito de R$ 97.834,23 resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2362, do período de apuração de 31/08/2004, no valor originário de R$ 683.206,38. A Delegacia de origem, em análise datada de 18/02/2009 (fl. 06), asseverou que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada em 05/03/2009, a interessada apresentou, em 03/04/2009, manifestação de inconformidade na qual alega (fls. 10/16): a) O equívoco decorre do fato de que a Manifestante apurou erroneamente o valor do tributo a pagar, o que será corrigido através desta manifestação com a disponibilidade dos documentos comprobatórios do crédito. b) Após têlo apurado e efetuado o pagamento, foi detectado pelo setor de contabilidade do contribuinte o pagamento a maior, bem como saldo credor decorrente de saldo negativo da CSLL (sic), que resultara no pedido de compensação, na forma prevista na legislação que trata do assunto. c) Inadvertidamente, não houve a retificação da DCTF na qual deveria constar o valor do crédito a ser compensado e o efetivo valor do imposto apurado pela Manifestante. (Demonstrativo Anexo). Pelo demonstrativo que segue anexo à manifestação de inconformidade constatase o valor do tributo pago a maior, conforme DARF, sendo o crédito, objeto de compensação, decorrente de saldo negativo da contribuição social sobre o lucro líquido (sic). d) Além do saldo credor da CSLL (sic), a manifestante possui ainda crédito originário de benefício fiscal amparado no Ato Declaratório nº 58, de 04 de abril de 2005, e no DecretoLei nº 756/69, o primeiro expedido pelo Sr. Delegado da Receita Federal, com efeito retroativo ao ano de 2004. e) Enquanto aguardava a expedição do ato declaratório, a requerente apurou e efetuou o pagamento do imposto, o que gerou crédito passível de compensação após a publicação do documento. f) Para aferição do crédito e até mesmo do débito, é indispensável que a autoridade administrativa autorize a realização de diligência nos livros fiscais e contábeis do contribuinte. Todos os valores objeto do pedido de ressarcimento/restituição e compensação dizem respeito ao exercício de 2005 – ano calendário de 2004, abrangendo todo o ano de 2004 e, por esse motivo, fica inviável anexar a esta manifestação todos os livros e documentos que comprovam a apuração do crédito. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/11/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10283.900999/200960 Acórdão n.º 1803001.566 S1TE03 Fl. 113 4 Diante do exposto, requer: a) seja dado efeito suspensivo à presente Manifestação de Inconformidade, na forma do artigo 151, inciso II, do CTN, possibilitando a obtenção da Certidão Conjunta Positiva de Débito com Efeito de Negativa, prevista no artigo 206 do Código Tributário Nacional; b) a reforma total do despacho decisório, a fim de determinar a realização da diligência para comprovação efetiva do crédito alegado pelo contribuinte; c) o reconhecimento do crédito, amparado nos documentos anexos a esta Manifestação de Inconformidade e naqueles examinados por ocasião da diligência, autorizando a compensação do crédito reconhecido com o débito informado pelo contribuinte; d) pedese finalmente a Vossa Senhoria autorização para juntada de documentos, antes da decisão dessa augusta Câmara. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 73): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. OBJETO. CRÉDITO. LIMITE. A análise da Declaração de Compensação efetuase em relação à data de sua transmissão, encontrandose vinculada também aos exatos limites do crédito originalmente identificado pelo contribuinte como compensável. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 3. Cientificada da referida decisão, apresenta a interessada, em 24/03/2011, Recurso de fls. 79 (numeração digital ND) a 86 (ND), instruído com os documentos de fls. 87 (ND) a 106 (ND), nele argumentando, em síntese: a) que, ainda que seja de competência da autoridade administrativa deferir ou não a diligência requerida, deve ser levado em consideração que se trata de um direito do litigante, em processo administrativo ou judicial (CF/88, art. 5º, inciso LV), merecendo tal pleito ser mais bem analisado pelos ilustres Conselheiros; b) que a exibição de documentos e a juntada destes aos autos administrativos depende do sujeito passivo, mas o exame, a verificação e a análise para atestar a veracidade das informações é ato discricionário da administração tributária, ao qual devem ser aplicados os princípios do devido processo legal, previstos no Decretolei nº 70.235/72, na Lei nº 9.784/99 e na Instrução Normativa nº 900/09, art. 65; c) que é dever da administração realizar as diligências, no estabelecimento do sujeito passivo, para constatar a exatidão das informações; Fl. 113DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/11/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10283.900999/200960 Acórdão n.º 1803001.566 S1TE03 Fl. 114 5 d) que, do mesmo modo que o contribuinte não pode negar a exibição dos livros, o fisco também não pode negarse a examiná los para que se detecte a verdade material dos fatos alegados e efetivamente ocorridos, tanto no interesse da arrecadação e daquele que efetua o pagamento dos tributos; e) que não é prudente que a Administração negue ao contribuinte o exame de documentos para demonstrar a existência do crédito apontado no PER/DCOMP; f) que, no ano de 2004, houve pagamento do imposto de renda, nascendo o crédito objeto de restituição e informado no PER/DCOMP, não podendo ser negado pela autoridade administrativa sem antes fazer o exame dos documentos comprobatórios do pagamento e do registro dos créditos na contabilidade do contribuinte; e g) que resta demonstrado, de forma cristalina, que a Recorrente tem o direito de ver os seus livros contábeis e fiscais examinados para aferir a existência do crédito e, ao depois, depararse com a decisão da autoridade administrativa reconhecendo ou não o direito creditório e a homologação da compensação. 4. É o que importa relatar. Em mesa para julgamento. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/11/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10283.900999/200960 Acórdão n.º 1803001.566 S1TE03 Fl. 115 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Tempestividade do Recurso 5. Não constando do presente processo prova da data da ciência da decisão recorrida, temse como tempestivo o Recurso ora interposto. Objeto de julgamento 6. De início, cumpre deixar claro que é objeto do Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), de fls. 1 a 5, pleito de compensação de suposto crédito de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), a título de “pagamento indevido ou a maior”, decorrente de Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf), no valor de R$ 683.206,38 (código de receita: 2362; período de apuração: 31/08/2004; data de arrecadação: 30/09/2004). 7. Dessa forma, eventuais benefícios fiscais a que faça ou venha a fazer jus a Recorrente, e que poderiam vir a reduzir o montante do imposto a pagar, não serão aqui analisados, por se constituírem em matéria estranha aos estreitos limites destes autos. 8. Nesse sentido, concordase inteiramente com a decisão recorrida (fls. 74 verso – destacouse): Constatase, dessa forma, que, com tal mudança de sistemática, a compensação deixou de ser um pedido submetido à apreciação da autoridade administrativa, tratandose, antes, de procedimento efetivado pelo próprio contribuinte, sujeito apenas à posterior homologação pelo Fisco, de forma expressa ou tácita. Por decorrência, a análise de procedência da declaração de compensação deve ser efetuada em relação à data de sua transmissão, encontrandose vinculada, também, aos exatos limites do crédito identificado originalmente pelo contribuinte como compensável. Resulta, pois, que não se faz possível, em sede de declaração de compensação, pretenderse inovar o seu conteúdo, também sendo irrelevante a existência de outros créditos do sujeito passivo em tese oponíveis à Receita Federal do Brasil, os quais, nesta qualidade, dependeriam da apresentação de Pedido de Restituição/Ressarcimento cumulado com nova DCOMP. 9. Por conseguinte, é irrelevante toda a discussão encetada pela Recorrente com relação ao Ato Declaratório nº 58, de 4 de abril de 2005 [redução de 75% do imposto de renda das pessoas jurídicas e adicionais não restituíveis, incidente sobre o lucro da exploração, Fl. 115DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/11/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10283.900999/200960 Acórdão n.º 1803001.566 S1TE03 Fl. 116 7 relativo ao projeto de modernização de empreendimento da empresa, na área da atuação da extinta SUDAM, pelo prazo de 9 (nove) anos a partir do anocalendário de 2004], como também a referência feita pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) acerca desse ato. Pedido de compensação 10. No presente caso, admite a própria Recorrente que deveria ter indicado o pagamento de estimativa mensal na dedução do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) devido ao final do período de apuração, compondo o saldo negativo correspondente. 11. Assim, aquele pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório na correspondente Per/DComp, compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante, em conjunto com outras Per/DComp que porventura tenham a mesma origem de crédito. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que o direito creditório pleiteado seja apreciado, pela DRF de origem, como saldo negativo de IRPJ. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 116DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/11/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10768.720173/2007-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO.
Segundo a Súmula nº. 1 do Segundo Conselho de Contribuintes, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Numero da decisão: 3401-001.749
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar o provimento ao Recurso Voluntário nos termos do voto do relator.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
RELATOR FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator.
EDITADO EM: 19/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi GuerzoniFilho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. Segundo a Súmula nº. 1 do Segundo Conselho de Contribuintes, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar o provimento ao Recurso Voluntário nos termos do voto do relator. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente. RELATOR FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator. EDITADO EM: 19/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi GuerzoniFilho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
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Segundo a Súmula nº. 1 do Segundo Conselho de Contribuintes, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar o provimento ao Recurso Voluntário nos termos do voto do relator. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. RELATOR FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. EDITADO EM: 19/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 72 01 73 /2 00 7- 12 Fl. 959DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 9/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 12/01/2013 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS 2 Relatório Em 15.9.2005 a contribuinte Petróleo Brasileiro S/A Petrobrás emitiu Declaração de Compensação (fl.3), afim de recuperar o valor de R$ 1.240.315,33, referente ao pagamento a maior de Cofins no período de apuração dez/2003. Em 3.2.2010, a Demac/RJO/Diort decidiu pela não homologação da Compensação. No Parecer Conclusivo (fls. 126/132) consta resumidamente que: a) A contribuinte retificou a DCTF alterando o valor da Confis devida para o período em questão e incluindo a compensação com a CIDE. O valor retificado em DCTF é igual ao declarado na DIPJ, constando recolhimento de R$ 9.787.429,91; b) O processo foi encaminhado à DIPAC/DEFIC/RJO para realização de diligência com o objetivo de esclarecer o valor Da Cofins devida e verificar a procedência do valor da CIDE. O resultado pode ser conferido às fls. 69/78; c) Em virtude de divergências entre relatórios dos processos nº 10768.720173/200712 e nº 10768.720423/2007 – 14, sendo o segundo relativo a Cofins, código 2172 do mesmo período de apuração, houve uma revisão das diligências anteriores e exarado relatório fiscal complementar as fls. 119/125; d) O relatório conclui que, após revisão das diligências, o montante a ser pago, código 2172, foi retificado para R$ 84.208.925,40 e código 6840 pra R$ 621.300.766,06. A dedução da CIDE admitida foi a informada pela contribuinte em DCTF; e) Foi admitido o valor da receita de venda de GLP informado no relatório complementar de fl. 123; f) As deduções classificadas pela contribuinte como “liminares impetradas”, tanto para a receita de venda de gasolina, quanto de óleo diesel, admitidas no relatório fiscal, admitidas no relatório fiscal, não serão levadas em conta, dado que não há legislação da Cofins qualquer autorização para efetuar tal exclusão. No caso de discussão judicial sobre determinada receita, o procedimento a ser tomado é informar na DIPJ o total da receita auferida, apurar o tributo devido e , na DCTF, especificar o montante discutido, que ficará com a exigibilidade suspensa até findar a lide. Sendo assim, foi retificada a planilha elaborada pela fiscalização, para que fosse inclusa na base de cálculo sujeita a alíquotas diferenciadas, o valor indevidamente excluído, bem como para corrigir a receita de venda de GLP, conforme demonstrativo elaborado no Parecer em fl. 130; h) Foram também efetuadas as seguintes retificações relativas à Cofins sob o código 2172: foi considerado o valor líquido da venda de produtos sujeitos à alíquota diferenciada para evitar duplicidade de dedução; a receita de exportação e as receitas de venda e revenda no mercado interno foram alterados para os valores constantes da planilha do contribuinte em fl. 64; as receitas isentas ou sujeitas à alíquota zero foram consideradas pelo valor informado no 2º relatório fiscal, com base na planilha do contribuinte; o valor referente a outras receitas será indicado no 2º relatório; o valor das vendas canceladas, descontos e devoluções de venda foi considerado pelo indicado na DIPJ e na planilha de fl. 69; g) Após as retificações que constam em fls. 131/132 e considerando os pagamentos constantes do sistema SINAL, concluise que não há pagamento a maior, já que os Fl. 960DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 9/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 12/01/2013 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS Processo nº 10768.720173/200712 Acórdão n.º 3401001.749 S3C4T1 Fl. 953 3 pagamentos não são suficientes para quitar o débito apurado, seja ele referente ao código 2172 ou código 6840. Cientificada da decisão, em 9.9.2010 a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 8.10.10, alegando, em síntese, que: a) Quanto à gasolina, não foram levadas em conta as deduções da gasolina de aviação, tributada à alíquota de 3%, da mesma forma que não foram consideradas as deduções de venda para empresas com liminares que dão direito a suspensão da Cofins; b) Se tratando do Diesel,não foram consideradas as deduções de venda para empresas com liminares, bem como não foi deduzido o valor relativo a revenda REPAR de monofásico REFAP; c) Referente ao GLP, não foi deduzido o valor relativo ao propano/butano; d) A liminar existente ampara a empresa no sentido de que ao vender o produto não possa fazer incidir sobre o preço o valor referente à Cofins, justamente por se discutir no bojo dessas ações se este tributo não seria devido; e) A discussão judicial torna o fato gerador da Cofins em fato condicional , tendo em vista que a concretização do fato gerador está condicionada a uma decisão definitiva em âmbito judicial. Por fim, requer a legitimidade e homologação da compensação efetuada e protesta pela juntada posterior de documentos complementares necessários à presente defesa. Em 23.2.11, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela 5ª Turma da DRJ/RJ2,com base nos seguintes argumentos: a)Tratandose da gasolina de aviação, o valor da receita bruta de venda de gasolina considerado no Parecer Conclusivo é correspondente àquele informado pela contribuinte na planilha apresentada durante o processo de diligência. Tal planilha já contém os ajustes extra contábeis comunicados pela requerente, analisados e aceitos pela fiscalização, não havendo qualquer informação referente à alegada inclusão numa mesma conta contábil de receita de vendas de produtos diversos. Além disso, a empresa não apresentou elementos de prova que permitam a comprovação dos fatos alegados e quantificar os valores que, segundo sem entendimento, deveriam ser segregados para fins de aplicação da alíquota geral da Cofins. b) Quanto à inclusão de propano e butano na base de cálculo do GLP, foi definido em Solução de Consulta que a expressão gás liquefeito de petróleo, para efeitos de tributação de PIS/Pasesp e Cofins, atinge também propano bruto liquefeito, outros propanos liquefeitos, etileno, propileno, butileno e butadieno, liquefeitos e outros. Desta forma, com relação à venda de propano/butano, não é cabível a exclusão pleiteada pela contribuinte, já que estes produtos estavam sujeitos à aplicação do regime especial de tributação concentrada. c) No que tange a aquisição de óleo diesel, a contribuinte contesta a base de cálculo da Cofins apurada em relação às vendas de óleo diesel alegando que parte da receita considerada, no montante de R$ 3.872.814,67, referese a revenda de produto adquirido de outra empresa e que por ser o óleo diesel produto sujeito ao regime monofásico, tal valor deve ser excluído da base se cálculo, uma vez que já foi tributado anteriormente. Entretanto, a Fl. 961DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 9/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 12/01/2013 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS 4 manifestação de inconformidade da contribuinte é desacompanhada de elementos capazes de comprovar os fatos alegados e de quantificar a pretendida exclusão. Destacase que a receita de venda de óleo diesel considerada pela autoridade fiscal no Parecer Conclusivo está de acordo com as informações prestadas pela contribuinte no que se refere à receita bruta de venda e às exclusões relativas a exportações e devoluções, exceto em relação à exclusão e venda com liminares . d) Quanto às medidas liminares, não foram levadas aos autos informações acerca de tais medidas e ações judiciais correspondentes a elas, a requerente apenas apresentou a fiscalização as exclusões pretendidas no valor de R$ 1.440.900,00, referente à Cofins sobre a venda de gasolina, e R$ 3.967.160,64 relativo a Cofins sobre venda de óleo diesel. Além disso, crédito tributário suspenso por decisão judicial não definitiva deve ser declarado à Receita Federal do Brasil nesta condição não havendo autorização para a exclusão de tais receitas na composição da base de cálculo da contribuição devida. Sendo assim, não procede, portanto, a exclusão efetuada pela contribuinte relativa a “liminares impetradas”, devendo ser mantido o cálculo efetuado pela Delegacia de origem neste item. e) Por fim, em relação ao pedido pela produção de provas, segundo voto do acórdão de impugnação da decisão de 23.2.11, é ônus da interessada juntar aos autos os elementos de prova que possui, não podendo dele se eximir, mediante protesto final pela produção de provas. Em 24.6.11 a requerente é cientificada da decisão judicial,e em 18.7.11, protocolou, tempestivamente, Recurso Voluntário, no qual a contribuinte alega em síntese que: a) No que tange a gasolina, a fiscalização não leva em conta as deduções de gasolina de aviação, tributada a alíquota de 3%, relativo a R$ 7.219.158,60, além da dedução sobre vendas para empresas com liminares que garantem a suspensão da Cofins, no valor de R$ 3.967.160,84. b) Sobre o diesel, não foi incluída na lista de deduções: o valor relativo a venda para empresas detentoras de liminares que garantem a suspensão da Cofins, no valor de R$ 1.440.900,00, bem como o valor relativo a revenda de REPAR de monofásico REFAP, equivalente a R$ 3.872.814,67 a qual, por ser monofásica, não poderia se sujeitar novamente à tributação. c) Em relação ao GPL, na lista de deduções não foi incluído o valor relativo ao propano/butano, equivalente a R$ 32.223.830,40. d) Sobre a gasolina de aviação, destaca a existência do crédito, embora contabilizada na mesma conta contábil da gasolina. e) No que tange a venda de propeno, a contabilização foi feita na conta contábil relativa ao GPL, mesmo que esse produto não pertença a esse grupo, motivo pelo qual a tributação da Cofins foi realizada com alíquota geral, não pela alíquota monofásica/diferenciada. f) Quanto as deduções realizadas com liminar judicial para não reconhecimento da Cofins: 1) O entendimento do fisco não pode prevalecer, já que obrigar a requerente a declarar na DIPJ o total de receitas auferidas e apurar os tributos nestes moldes, apesar da liminar existente que obsta a tributação dessa receita pela Fl. 962DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 9/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 12/01/2013 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS Processo nº 10768.720173/200712 Acórdão n.º 3401001.749 S3C4T1 Fl. 954 5 Cofins, implica em antecipar decisão judicial de que tal tributo seria devido, já que a declaração na DIPJ representa confissão de dúvida. 2) Pelo fato de não constar expressamente espaço específico nas demonstrações contábeis para a dedução da receita auferida pela venda de produtos a empresas que gozam de liminares, não se pode admitir que esta não possa ser deduzida, por uma simples questão de razoabilidade. 3) A discussão em relação a existência de obrigação tributária na hipótese, torna o fato gerador da COFINS, nesses casos de liminar, em fato condicional, tendo em vista que a concretização do fato gerador está condicionada a uma decisão definitiva em âmbito judicial, ou seja, ao implemento de uma condição suspensiva, que é aquela que somente produz efeito a partir do momento do implemento da condição. g) Quanto à juntada de documentos, a recorrente alega ter o direito e o dever de carrear aos autos todos os dados, informações e documentos a respeito da matéria tratada, não podendo a Administração Pública impedir essa instrução com base em aspetos formais. Além disso, destaca que tais documentos não foram apresentas anteriormente devido ao volume grande de informações que foram levantadas, tornado impossível a tarefa, dentro do prazo de 30 dias, quando da apresentação da manifestação de inconformidade. Por fim, diante de todo exposto, a contribuinte requer o provimento de seu Recurso Voluntário, afim de que seja desconstituído o crédito tributário em debate, bem como para que seja homologada a compensação declarada na PER/DCOMP. É o relatório. Voto Conselheiro Relator FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Em suma a contribuinte emitiu Declaração de Compensação devido ao pagamento a maior de COFINS, tendo obtido êxito parcial em sua demanda, protocolou Recurso Voluntário, onde defende seu pleito, tendo em vista a existência de liminares judiciais, bem como, de diferentes alíquotas. Neste caso não é possível conhecer do Recurso, devido a Súmula CARF nº 1, que diz o seguinte. “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante no processo judicial” Neste caso não cabe à autoridade administrativa adentrar ao mérito dá questão, devendo ser obedecida à decisão judicial, uma vez que está esfera é superior à administrativa, não sendo possível a discussão da mesma matéria em ambas as instâncias, Fl. 963DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 9/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 12/01/2013 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS 6 assim não cabe a este conselho analisar pedidos de compensação embasados em liminar judicial, devendo aguardar o trânsito em julgado definitivo, cumprindo a decisão proferida.. Frente a todo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, tendo em vista a Súmula CARF nº. 1. É Como Voto! Relator FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE – Relator. Fl. 964DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 9/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 12/01/2013 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS
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Numero do processo: 10315.001036/2010-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA.
Impugnação não conhecida pelo órgão julgador de 1ª Instância, por falta de requisito essencial de admissibilidade, já que interposto fora do prazo normativo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta (na data da formalização do Acordão).
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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Impugnação não conhecida pelo órgão julgador de 1ª Instância, por falta de requisito essencial de admissibilidade, já que interposto fora do prazo normativo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta (na data da formalização do Acordão). Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Arlindo da Costa e Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 00 10 36 /2 01 0- 09 Fl. 343DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 Data da lavratura do AIOP: 08/12/2010. Data da Ciência do AIOP: 13/12/2010. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor do Município em epígrafe, tendo por objeto as contribuições previdenciárias a cargo de segurados contribuintes individuais, destinadas ao custeio da Seguridade Social, incidentes sobre os seus Salários de Contribuição, não recolhidas aos cofres da autarquia previdenciária em suas épocas próprias, tampouco declaradas em GFIP, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 61/64, e discriminativo a fls. 65/201. O contribuinte foi intimado a apresentar informações sobre os segurados que recebiam remunerações de mais de uma fonte pagadora, mas não apresentou tais informações. Dessa forma, a alíquota aplicada foi de 11% sobre o valor das remunerações de cada segurado respeitado o limite máximo permitido. Integram, igualmente, o lançamento em referência, as contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores das remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados eletivos, efetivos, contratados e comissionados da Prefeitura Municipal, correspondentes à parte devida pelos segurados, conforme o constante nos resumos das folhas de pagamento menos os valores declarados em GFIP. Os valores que originaram a lavratura do presente Auto de Infração foram extraídos da contabilidade (arquivos digitais), processos de pagamento e folhas de pagamento de segurados. Também foram examinadas as GFIP e as folhas de pagamento do período. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 307/311. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE, constatando a intempestividade da impugnação, negou conhecimento à impugnação referida no parágrafo precedente, nos termos do Acórdão 08022.233 5ª Turma da DRJ/FOR a fls. 318/322, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O sujeito passivo houvese por cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 24 de janeiro de 2012, conforme Aviso de Recebimento a fl. 328. Inconformado, o Notificado apresentou recurso a fls. 329/335, argumentando, dentre outras matéria de mérito, que o Auto de Infração em pauta foi recebido pela funcionária do município no dia 13 de dezembro de 2010, após as 17:30 h, horário esse em que a prefeitura já se encontrava com as portas praticamente fechadas. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10315.001036/201009 Acórdão n.º 2302002.038 S2C3T2 Fl. 344 3 Aduz que a funcionária, mesmo com o expediente encerrado, por conhecer o carteiro, em se tratando de cidade pequena, recebeu a correspondência, entregandoa e datandoa com data do dia posterior ao efetivamente recebido. Alfim, requer o afastamento da intempestividade. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 24 de janeiro de 2012. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 09 de fevereiro do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 2. DAS PRELIMINARES Limitase o presente julgamento a avaliar se a impugnação do Autuado ao lançamento constituído pela Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.291.5779, de 08/12/2010, houve por oferecida tempestivamente ou não. No caso em estudo, a empresa foi cientificada do Auto de Infração em apreço no dia 13 de dezembro de 2010, segundafeira, dia útil, conforme Aviso de Recebimento a fl. 305, iniciandose o prazo do contraditório no dia 14 do mesmo mês e ano, terçafeira. Nesse contexto, o dies a quo do aludido prazo de impugnação recaiu, para todos os efeitos jurídicos, no dia 14 de dezembro de 2010, o que implicou a fixação do dia 12 de janeiro de 2011, quartafeira, dia útil, como o dies ad quem para a protocolização do instrumento de defesa em debate. Tendo sido a impugnação apresentada somente no dia 13 de janeiro de 2011, esta não foi conhecida pelo Órgão Julgador de 1ª Instância, Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Fortaleza/CE , ao argumento de intempestividade. Não restam arestas a serem reparadas na decisão de 1ª Instância. Nos Processos Administrativos Fiscais que tratam da constituição de crédito tributário de natureza previdenciária, a matéria pertinente ao oferecimento de recursos Fl. 345DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 administrativos foi confiada ao Decreto nº 70.235/72, cujo art. 15 concedeu ao sujeito passivo o prazo de 30 dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência, para o oferecimento, ao órgão julgador de 1ª instância, de impugnação a lançamento tributário. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Revelase auspicioso destacar que o art. 5º do aludido Decreto nº 70.235/72 dispõe de forma hialina que os prazos são contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 6º A autoridade preparadora, atendendo a circunstâncias especiais, poderá, em despacho fundamentado: (Revogado pela Lei nº 8.748, de 1993) I acrescer de metade o prazo para a impugnação da exigência; (Revogado pela Lei nº 8.748, de 1993) Registrese que o prazo para o oferecimento de impugnação ao lançamento tem natureza ex lege, sendo excluído da administração tributária qualquer veio de liberdade/discricionariedade para dispor de modo diverso. Cumpre ser destacado que, originariamente, o art. 6º do diploma normativo de regência do Processo Administrativo Fiscal previa hipótese excepcional que autorizava a autoridade preparadora à acrescer de metade o prazo para a impugnação da exigência, atendendo a circunstâncias especiais, mediante Despacho fundado. Tal hipótese extraordinária, por opção política, houvese por excluída do ordenamento jurídico pátrio pela Lei nº 8.748/93, circunstância que deságua no entendimento insofismável de que o elastecimento do prazo para o oferecimento de defesa administrativa em face de lançamento tributário não pode mais ser admitido em hipótese alguma, ostentando natureza objetiva, independentemente dos motivos aventados pelo interessado. Além disso, o fato de a funcionária ter recebido o Auto de Infração após as 17h30min não se figura como hipótese legal de dilatação dos prazos ora em voga, cabendo destacar que se ela tivesse recebido tal documento às 17h29min do mesmo dia 13 de dezembro de 2010, ou seja, ainda dentro do horário de expediente da repartição, conforme alegado, o prazo concedido pela lei para a elaboração da defesa seria exatamente o mesmo. Não é por outro motivo que, em atenção ao princípio da isonomia, a contagem do prazo para o oferecimento de impugnação só se inicia no dia seguinte ao recebimento da notificação, para evitar que o contribuinte que tenha sido notificado às Fl. 346DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10315.001036/201009 Acórdão n.º 2302002.038 S2C3T2 Fl. 345 5 17h00min tenha um tratamento diferenciado em relação a outro que, na mesma situação, haja sido notificado às 08h00min do mesmo dia. A comunicação dos atos processuais consiste na transmissão de informações sobre os atos praticados no curso do processo às pessoas sobre cujas esferas de direito atuarão os efeitos deste, permitindo dessarte às partes envolvidas a perpetração de condutas positivas ou negativas do seu interesse. Configurase, portanto, elemento essencial à efetividade do princípio do contraditório e da ampla defesa. Colho da Cartilha estabelecida pelo Decreto nº 70.235/72 que a ciência de atos processuais ao sujeito passivo poderá ser realizada, dentre outras formas, pessoalmente, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar. O ato de ciência em foco pode, igualmente, ser levada a cabo por via postal, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim considerado o endereço postal por ele fornecido à administração tributária para fins cadastrais. Cumpre salientar, de molde a nocautear qualquer dúvida, que os meios de intimação previstos no Decreto nº 70.235/72 não estão sujeitos a qualquer ordem de preferência, conforme assim determina o §3º do art. 23 do citado Diploma Legal. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) §1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 347DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; (grifos nossos) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (grifos nossos) §4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (grifos nossos) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (grifos nossos) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §5º O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §6º As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §7º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda na sessão das respectivas câmaras subsequente à formalização do acórdão.(Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) §8º Se os Procuradores da Fazenda Nacional não tiverem sido intimados pessoalmente em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão do Conselho de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, os respectivos autos serão remetidos e entregues, Fl. 348DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10315.001036/201009 Acórdão n.º 2302002.038 S2C3T2 Fl. 346 7 mediante protocolo, à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de intimação.(Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) §9º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à Procuradoria na forma do § 8o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) Assim conduzido o ato de ciência do sujeito passivo, este será considerado formalmente intimado do ato em apreço na data aposta no termo de ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal, ou, de outro canto, tratandose de intimação via postal, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação. Diante de tal quadro, o dies a quo do aludido prazo de defesa recaiu, para todos os efeitos jurídicos, exatamente, no dia 14 de dezembro de 2010, terçafeira, o que implicou a fixação do dia 12 de janeiro do ano seguinte, quartafeira, como o dies ad quem para a protocolização do instrumento de bloqueio em debate. No caso vertente, havendo sido a impugnação ao lançamento protocolizada no dia 13 de janeiro de 2011, imperioso se mostra o reconhecimento da intempestividade da peça de defesa, fato que impede o seu conhecimento pelo Órgão Julgador de 1ª Instância. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no art. 63, I da Lei nº 9.784/99, a qual estabelece normas básicas sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Federal direta e indireta, visando, em especial, à proteção dos direitos dos administrados e ao melhor cumprimento dos fins da Administração. Lei nº 9.784 , de 29 de janeiro de 1999. Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto: (grifos nossos) I fora do prazo; (grifos nossos) II perante órgão incompetente; III por quem não seja legitimado; IV após exaurida a esfera administrativa. §1º Na hipótese do inciso II, será indicada ao recorrente a autoridade competente, sendolhe devolvido o prazo para recurso. §2º O não conhecimento do recurso não impede a Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde que não ocorrida preclusão administrativa. Não merece reparo, portanto, a decisão prolatada pelo órgão julgador de 1ª Instância. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE provimento. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 350DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI
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