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Numero do processo: 15374.901804/2008-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1999
IRRF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. AUSÊNCIA.
Compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante documentos, a liquidez e a certeza do crédito. Uma vez não comprovada a sua pretensão, não se homologam as compensações requeridas.
IRRF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO PLEITEADO. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. VINCULADO DEBITO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
Mantém-se o despacho decisório que não homologou a compensação requerida, quando se verifica que o crédito pleiteado já foi integralmente utilizado na quitação de outro débito confessado pela contribuinte.
PROVAS. MOMENTO PROCESSUAL OPORTUNO. NÃO APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO.
A prova documental deve ser produzida no início da fase litigiosa, considerado o momento processual oportuno, precluindo o direito do sujeito passivo de fazê-lo posteriormente, salvo a ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação posterior.
VERDADE MATERIAL. SITUAÇÃO EXCEPCIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. PROVA EXTEMPORÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
A busca da verdade material, em situações excepcionais, confere ao julgador a aceitação extemporânea de provas, todavia não permite ao julgador conceder novo prazo para a contribuinte apresentar todas provas que não foram apresentadas no início da fase litigiosa. Ressalvando as hipóteses previstas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72.
PERÍCIA. CONHECIMENTO TÉCNICO ESPECIALIZADO. SUBSTITUIR PROVA DOCUMENTAL. NÃO SE APLICA. PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO.
A perícia, pela sua especificidade, não tem a faculdade de substituir provas que poderiam ser produzidas pela contribuinte com a juntada de documentos ao autos no momento oportuno. Assim, o pedido de perícia será indeferido se o fato a ser provado não necessitar de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador.
Numero da decisão: 2202-005.099
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar proposta de realização de diligência, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni, que encaminhou a proposta. Acordam ainda, quanto ao mérito, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Martin da Silva Gesto, Thiago Duca Amoni e Leonam Rocha de Medeiros.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson. - Presidente
(assinado digitalmente)
Rorildo Barbosa Correia - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Leonam Rocha de Medeiros, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RORILDO BARBOSA CORREIA
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. AUSÊNCIA. Compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante documentos, a liquidez e a certeza do crédito. Uma vez não comprovada a sua pretensão, não se homologam as compensações requeridas. IRRF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO PLEITEADO. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. VINCULADO DEBITO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação requerida, quando se verifica que o crédito pleiteado já foi integralmente utilizado na quitação de outro débito confessado pela contribuinte. PROVAS. MOMENTO PROCESSUAL OPORTUNO. NÃO APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. A prova documental deve ser produzida no início da fase litigiosa, considerado o momento processual oportuno, precluindo o direito do sujeito passivo de fazêlo posteriormente, salvo a ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação posterior. VERDADE MATERIAL. SITUAÇÃO EXCEPCIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. PROVA EXTEMPORÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. A busca da verdade material, em situações excepcionais, confere ao julgador a aceitação extemporânea de provas, todavia não permite ao julgador conceder novo prazo para a contribuinte apresentar todas provas que não foram apresentadas no início da fase litigiosa. Ressalvando as hipóteses previstas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 18 04 /2 00 8- 12 Fl. 176DF CARF MF Processo nº 15374.901804/200812 Acórdão n.º 2202005.099 S2C2T2 Fl. 177 2 PERÍCIA. CONHECIMENTO TÉCNICO ESPECIALIZADO. SUBSTITUIR PROVA DOCUMENTAL. NÃO SE APLICA. PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO. A perícia, pela sua especificidade, não tem a faculdade de substituir provas que poderiam ser produzidas pela contribuinte com a juntada de documentos ao autos no momento oportuno. Assim, o pedido de perícia será indeferido se o fato a ser provado não necessitar de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar proposta de realização de diligência, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni, que encaminhou a proposta. Acordam ainda, quanto ao mérito, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Martin da Silva Gesto, Thiago Duca Amoni e Leonam Rocha de Medeiros. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Presidente (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Leonam Rocha de Medeiros, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ, a qual julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e não homologou o pedido de compensação. Do Pedido de Compensação O pedido de compensação tratase de processo referente ao PER/DCOMP eletrônico no qual a Soft Consultoria Ltda pretende aproveitar o crédito de IRRF que teria sido recolhido indevidamente. Da Análise do PER/DCOMP Fl. 177DF CARF MF Processo nº 15374.901804/200812 Acórdão n.º 2202005.099 S2C2T2 Fl. 178 3 De acordo com o Despacho Decisório eletrônico, a compensação não foi homologada, pois o direito creditório pleiteado não foi reconhecido, uma vez que o recolhimento realizado pelo DARF indicado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de outros débitos declarados pela contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito requerido no pedido de compensação (PER/DCOMP): A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP Regularmente intimada do Despacho Decisório com a não homologação da compensação declarada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que: Do direito ao crédito de imposto de renda retido na fonte sobre royalties remessa ao exterior. Logo, diante dos fundamentos apresentados, entende a Manifestante que os valores referentes ao IRRF pagos por ela sobre remessas para pagamento de importações de "softwares" de prateleira são passíveis de pedido de indébito e por isso a impossibilidade de se manter o indeferimento em tela. Por fim, outro argumento deve ser realçado pela ora Manifestante, é a necessidade expressa de se realizar perícia a fim de se apurar o tipo de software comercializado pela empresa no presente processo. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Quando da análise do presente caso, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento apreciou a Manifestação de Inconformidade, proferiu o Acórdão negandolhe provimento, mantendo o Despacho Decisório e não homologando o PER/DCOMP. Do Recurso Voluntário A Soft Consultoria, devidamente intimada da decisão da DRJ, conforme aviso de recebimento, apresentou recurso voluntário. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente se insurgiu contra a decisão da DRJ, alegando que: Concessa maxima venia, cabe ao Contribuinte eleger o meio de prova que julga adequado à demonstração dos fatos. Na espécie, dada a natureza da matéria sub examine, entendeu ser a prova pericial. A própria norma reguladora da matéria é clara ao determinar tal possibilidade. Nos termos postos, a defesa do Contribuinte fica inviabilizada, vez que não carreou aos autos a prova apontada pelo nobre Fl. 178DF CARF MF Processo nº 15374.901804/200812 Acórdão n.º 2202005.099 S2C2T2 Fl. 179 4 relator, a saber, embalagens dos softwares "de prateleira" e respectivos documentos de importação. Paralelamente, além de indeferir o pedido formulado, o julgador administrativo também não oportunizou ao contribuinte a possibilidade de trazer aos autos as provas apontadas. Alegou também a necessidade de se observar o Princípio da Verdade Material, afirmou que em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material e que a referida verdade material é um princípio específico do processo administrativo, contrapondose ao princípio do dispositivo, próprio do processo civil, bem como alegou ainda que: Nesse diapasão, a produção de prova documental no processo administrativo tributário federal não se limita ao momento da impugnação. É que em nome dos princípios da ampla defesa, legalidade, oficialidade e verdade material, dentre outros, não se pode negar ao Administrado a produção de prova em outra fase. Não poderia ser de outra forma, vez que, o órgão judicante, ao afastar a prova pretendida pelo Contribuinte, não poderia negarlhe a possibilidade de apresentar, em outra oportunidade, a prova que ele mesmo julgou conveniente. Ademais, pelo Princípio da Informalidade Moderada, que é a mais adequado ao autocontrole da legalidade pela Administração Pública e mais aberta à busca da verdade material (base de todo sistema), poderia, sem qualquer violação, o julgador administrativo ter determinado exofício a juntada dos documentos que julgou conveniente. Do Pedido Ao final, a Recorrente requer que seja reformado o acórdão e analisados os documentos acostados junto ao recurso: 1 A reforma do v. acórdão fustigado, com o conseqüente deferimento do pedido de produção de prova pericial; conforme formulado da Manifestação de Inconformidade, ou, caso assim não entendam Vs.Sas., 2 Seja, com base nos princípios apontados e na economia processual, analisada a documentação ora acostada, a qual corresponde aos meios de prova apontados pelos julgadores a quo, com o conseqüente deferimento do PER/DCOMP versado na aludida Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Fl. 179DF CARF MF Processo nº 15374.901804/200812 Acórdão n.º 2202005.099 S2C2T2 Fl. 180 5 Conselheiro Rorildo Barbosa Correia Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar Da Apresentação De Provas e Da Verdade Material A Recorrente questionou, invocando a necessidade de observância ao Princípio da Verdade Material, que a produção de prova documental no processo administrativo tributário federal não se limita ao momento da impugnação. No mesmo sentido, a Recorrente ainda questionou a decisão de primeira instância alegando que o julgador administrativo poderia ter determinado exofício a juntada dos documentos que julgou conveniente. Além disso, a Recorrente, quando da apresentação do recurso voluntário, solicitou a juntada de diversos documentos com o objetivo de comprovar suas alegações. No que diz respeito ao pedido da recorrente, entendo que não merece acolhimento, uma vez que, a partir da Manifestação de Inconformidade, início da fase litigiosa, era dever da contribuinte municiar sua defesa com os elementos de prova que suportassem as informações consignadas no seu pedido de compensação. Neste contexto, cabe registrar que a fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a contribuinte deveria, sob pena de preclusão, instruir sua Manifestação de Inconformidade apresentando junto com os motivos de fato e de direito que fundamentaram sua pretensão, os documentos que respaldassem suas afirmações, conforme disciplina os dispositivos legais pertinentes à matéria, os artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, bem como o disposto no inciso I, do art. 373 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; (...) Assim, como não apresentou elementos necessárias para comprovar suas alegações, apenas requereu a realização de perícia, a autoridade julgadora de primeira instância apreciou a Manifestação de Inconformidade, negandolhe provimento, pois verificou a inexistência de elementos probantes, dessa forma indeferiu o pedido de perícia e não homologou a compensação declarada, confirmando as razões do despacho decisório. No tocante as novas provas apresentadas, entendo que, além de extemporâneas, estão ausentes os requisitos que autorizariam o afastamento da preclusão de que trata as alíneas do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Do mesmo modo, observo não há fato ou razão renovada trazida aos autos pela DRJ, porquanto o voto proferido pelos julgadores daquela DRJ, apresentou considerações no sentido de que tais provas independem de perícia, pois poderiam ter sido produzidas por meio de documentos. Todavia, ao fazer estas considerações, entendo que a DRJ estava Fl. 180DF CARF MF Processo nº 15374.901804/200812 Acórdão n.º 2202005.099 S2C2T2 Fl. 181 6 demonstrando que a contribuinte perdeu a oportunidade legal de apresentar os documentos que, em tese, poderiam comprovar o seu pleito. Inclusive, no que diz respeito a apresentação de prova apenas em sede de recurso voluntário, compartilho o entendimento apresentado no Acórdão nº 3201004.710, sessão de 29 de janeiro de 2019, proferido pela 2ª Câmara da 1ª Turma Ordinária, que em situação semelhante negou provimento ao recurso do contribuinte. Com base no citado Acórdão, observo o entendimento de que a jurisprudência apresenta certo grau de atenuação dos rigores das normas processuais acerca da preclusão, afastandoa em alguns casos referentes a fatos notórios ou incontroversos que podem permitir o pronto convencimento do julgador. No mesmo sentido, entendo que o direito da parte produzir provas posteriores, até o momento da decisão administrativa, comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fundamento em seu juízo de valor, acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que no caso é de responsabilidade da contribuinte. No caso dos autos, notase que a Recorrente não produziu oportunamente os documentos que poderiam justificar as suas alegações, responsabilidade esta que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Decreto nº 70.235/72 e, de forma subsidiária, pela Lei nº 13.105/2015 (CPC). Neste contexto, observase que o princípio da verdade material confere ao julgador administrativo maior liberdade na apreciação das provas, podendo coletar provas ou determinar a produção de provas não produzidas pelas partes, se assim for necessário para o seu convencimento diante das provas já apresentadas. Contudo, não permite ao julgador conceder novo prazo para a contribuinte apresentar todas provas que não foram apresentadas no início da fase litigiosa. Desse modo, não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a compensação para extinção de crédito tributário, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também, em sede de julgamento se oportunize tais demonstração e comprovação, pois a busca pela verdade material não se presta a suprir a inércia da contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias a possível comprovação do crédito alegado, bem como não permite a supressão de instância. Isto posto, rejeito, preliminarmente, o pedido para acatar os documentos apresentados após a decisão de primeira instância administrativa. Da Perícia Na peça de defesa inicial, a contribuinte requereu a realização de perícia com o objetivo de comprovar os seus argumentos, todavia, quando apreciou a Manifestação de Inconformidade, a DRJ indeferiu o pedido de realização de perícia, porque entendeu desnecessária, uma vez que a pretensão da contribuinte poderia ser comprovada por meio de prova documental. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 15374.901804/200812 Acórdão n.º 2202005.099 S2C2T2 Fl. 182 7 Dessa forma, percebese que a contribuinte optou por não apresentar documentos que pudessem comprovar suas alegações, pois, no seu entendimento, poderia eleger o meio de prova que julgasse adequado e neste caso, devido a natureza da matéria em exame, a empresa optou pelo pedido de prova pericial, que a seu ver seria a mais adequada. Neste aspecto, observo que não podem prosperar os argumentos e os questionamentos apresentados, pois entendo que a Recorrente ao invés de apresentar oportunamente os documentos que, em tese, poderiam comprovar suas alegações, optou por substituir sua incumbência probatória com providências a cargo do Fisco ou do perito técnico, por meio de realização de perícia. Ademais, a prova pericial, além do caráter específico, não depende exclusivamente da vontade das partes, mas sim de circunstâncias que justifiquem a necessidade de apreciações técnicas, por especialistas com conhecimento específico em determinadas matérias, com o intuito de esclarecer aspectos controvertidos, para quando o julgador, diante de indícios ou elementos incipientes de prova, pudesse melhor elucidar os fatos para formar sua convicção. À vista disso, entendo que seja prescindível a realização da perícia, tendo em vista que a mesma se destinava a suprir prova que poderia ser produzida pela contribuinte com a juntada de documentos carreados aos autos no momento oportuno. Esclarecendo ainda que a contribuinte tem a obrigação jurídica de manter os meios probatório de seu interesse. Assim sendo, indefiro o pedido de perícia, por considerálo desnecessário à produção das provas pretendidas pela empresa Soft Consultoria Ltda, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/1972, que permite a autoridade julgadora, na apreciação das provas, formar livremente sua convicção, podendo indeferir o pedido de perícia/diligência que entender desnecessário. Da Defesa Inviabilizada No tocante a alegação da Recorrente de que a sua defesa ficou inviabilizada, porque o julgador administrativo não oportunizou à contribuinte a possibilidade de trazer aos autos as provas apontadas, também não merece acolhida, pois a recorrente teve oportunidade de apresentar tempestivamente a documentação pertinente relativo aos fatos, mas não o fez. Além do mais, cabe registrar que nos pedidos de compensação/restituição o ônus da prova cabe ao sujeito passivo, como pode ser observado no disposto do art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, disciplinando que o ônus da prova incumbe ao autor, enquanto que o art. 36 da Lei nº 9.784, de 29/01/99, impõe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. No mesmo sentido, dispõe o Decreto nº 70.235, de 1972, que, regendo as compensações por força do art. 74, § 11, da Lei 9.430/96, determina em seu art. 15 que as impugnações administrativas já devem trazer os elementos de prova: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 15374.901804/200812 Acórdão n.º 2202005.099 S2C2T2 Fl. 183 8 Dessa forma, entendo que não caberia ao julgador de primeira instância oportunizar ao contribuinte a possibilidade de trazer aos autos as provas apontadas, pois as provas já deveriam ser apresentadas no momento da contestação por meio da Manifestação de Inconformidade, conforme disciplina o art. 15 do Decreto nº 70.235/72, uma vez que caberia à contribuinte, ao ofertar a sua defesa, produzir a prova em contrário, por meio de documentação hábil e idônea. Como não o fez, o seu pedido de compensação não foi homologado, conforme decisão proferida no Acórdão de primeira instância que manteve o Despacho Decisório. Por tudo aqui exposto, rejeito o argumento da contribuinte de que a sua defesa ficou inviabilizada, porque o julgador administrativo não oportunizou à contribuinte a possibilidade de trazer aos autos as provas apontadas. Da Ausência de Comprovação da Liquidez e Certeza do Crédito De acordo com os autos, percebese que a Recorrente alegou que houve recolhimento indevido de tributo e por este motivo requereu, mediante apresentação de PER/DCOMP, compensação destes valores. No entanto, quando da análise do seu pedido de compensação, o direito creditório pleiteado não foi reconhecido, pois o crédito indicado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitar outros débitos, motivo pelo qual se fundamentou a não homologação da compensação declarada, conforme o Despacho Decisório. Além disso, quando apresentou a sua Manifestação de Inconformidade, a contribuinte não apresentou documentos que pudessem comprovar que houve recolhimento indevido bem como se o valor pleiteado estaria disponível, demonstrando a existência da liquidez e certeza do crédito. Isto posto, cabe esclarecer que o ponto chave para atender pedido de compensação diz respeito a necessidade de comprovar que o crédito aludido estivesse disponível para ser utilizado na quitação do débito indicado no PER/DCOMP. Dessa forma, caberia a contribuinte demonstrar a existência da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, para um análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido, o montante e comparálo ao pagamento efetuado, nos termos do art. 1701 do CTN, que estabelece as condições para o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional. Por fim, percebese que a contribuinte não logrou êxito em comprovar a liquidez e certeza do crédito e, dessa forma, entendo como correto o resultado exarado no Despacho Decisório eletrônico bem com na decisão proferida pelo Acórdão de primeira instância administrativa que negou provimento à Manifestação de Inconformidade e não homologou a compensação declarada, tendo em vista que o crédito indicado na DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitar outros débitos declarados pela contribuinte. 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 15374.901804/200812 Acórdão n.º 2202005.099 S2C2T2 Fl. 184 9 Destarte, com base em tudo que foi exposto, entendo que não há espaço para reanálise do despacho decisório e nem qualquer reforma na decisão recorrida. No tocante ao pedido de realização de perícia, entendo desnecessária. Decisão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Fl. 184DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.720457/2015-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2011
IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA COMPROVADA.
Incide imposto de renda exclusivamente na fonte sobre o valor dos pagamentos efetuados a terceiros, cuja operação ou causa não for comprovada.
MULTA QUALIFICADA.
Se as provas carreadas aos autos evidenciam a intenção dolosa de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, de modo a reduzir o montante do imposto devido, cabível a aplicação da multa qualificada.
Numero da decisão: 1301-003.815
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário..
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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PAGAMENTO SEM CAUSA COMPROVADA. Incide imposto de renda exclusivamente na fonte sobre o valor dos pagamentos efetuados a terceiros, cuja operação ou causa não for comprovada. MULTA QUALIFICADA. Se as provas carreadas aos autos evidenciam a intenção dolosa de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, de modo a reduzir o montante do imposto devido, cabível a aplicação da multa qualificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 04 57 /2 01 5- 33 Fl. 484DF CARF MF 2 Relatório Tratase de auto de infração referente ao lançamento de ofício do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), consubstanciado no auto de infração de fls. 234/238, cientificado à contribuinte em 27/02/2015, conforme AR de fl. 302. O montante do crédito tributário lançado a título de IRRF é de R$ 6.448.345,10 (ver fl. 234), já incluídos os acréscimos legais, calculados até fevereiro de 2015. A descrição dos fatos está complementada no Termo de Verificação Fiscal de fls. 240/297. A fiscalização teve por objeto a análise de quatro pagamentos realizados pela contribuinte CONCESSIONÁRIA SPMAR S/A a título de “adiantamento a fornecedores”, em junho e julho de 2011, no valor total de R$ 4.220.000,00, supostamente vinculados a locação de equipamentos junto à pessoa jurídica LEGEND ENGENHEIROS ASSOCIADOS LTDA. – EPP (CNPJ nº 07.794.669/000142). Os registros contábeis correspondentes estão listados na tabela de fls. 290 e correspondem a quadro documentos fiscais (recibos emitidos por LEGEND) distintos. Após empreender verificações junto às pessoas jurídicas SPMAR e LEGEND, a fiscalização concluiu que, apesar de os pagamentos terem sido efetivamente realizados, as locações em tela não existiram de fato. Os fundamentos foram os seguintes: “(...) as Notas Fiscais emitidas pela sociedade LEGEND (...) são documentos inidôneos, pois foram emitidas por pessoa jurídica que não existe de fato, apesar de constituída formalmente, ou seja não possuiu existência de fato, e cuja inscrição no CNPJ foi baixada no órgão competente, não produzindo, esses documentos, quaisquer efeitos tributários em favor de terceiros por se caracterizarem como uma hipótese de inidoneidade (...)”. “Em que pese todos os esforços e tentativas no sentido de localizar a empresa, e também através de seus responsáveis não foi possível identificar onde realmente está localizada. A empresa apesar de cientificada da lavratura da Representação Fiscal — Baixa de Ofício, processo n° 13896.721020/201436, não apresentou quaisquer esclarecimentos e nem adotou qualquer providência no sentido de regularizar sua situação cadastral que se encontra na situação de BAIXADA DE OFÍCIO desde o dia 03/07/2014, nos cadastros da Receita Federal do Brasil, com a publicação do Ato Declaratório Executivo ADE n° 190, de 27/06/2014, publicado no DOU Diário Oficial da União em 03/07/2014”. “(...) apesar da empresa ter uma elevada movimentação financeira, nos anos calendários de 2008 a 2011, não consta na base de dados da RFB qualquer Fl. 485DF CARF MF Processo nº 13896.720457/201533 Acórdão n.º 1301003.815 S1C3T1 Fl. 3 3 recolhimento de contribuição previdenciária ou informação, desde a constituição da empresa, de movimentação de segurados através da entrega das GFIP — Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, ou mesmo retenções de imposto de renda na fonte declarada através de DIRF —Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte, relativo à prestação de serviços por empregados ou prestadores de serviços pessoa física (autônomos) e todas as RAIS — Relação Anual de Informações Sociais, estão negativas, indicando a inexistência de vínculos empregatícios ou prestadores de serviços pessoa física para este contribuinte, e também em todas as DIPJ Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, destes anos calendários, a empresa declarou não possuir nenhum funcionário ou custos referentes às despesas com pessoal, e também não existe informações que esta empresa tenha contratado uma outra Pessoa Jurídica que poderia ter fornecido mão de obra temporária ou terceirizada; “(...) ou seja, desde a constituição da sociedade até o presente momento não existe nenhuma informação ou recolhimento de impostos relativos à contratação de funcionários, prestadores de serviços pessoas físicas e confirmando que uma empresa de prestação de serviço da área da construção civil, que alega a posse de diversas máquinas, equipamentos e caminhões não teria condições de operar sem a existência de funcionários para lhe prestar serviços”. “(...) a LEGEND (...) não possui Equipamentos/Máquinas/Veículos em sua posse ou em seu nome. Voltamos a frisar, não é viável ou factível que uma empresa que gerou uma Receita Bruta de mais de 150 milhões em 2010 e mais de 120 milhões em 2011 não possua ativos imobilizados em seu nome, não disponha de um único funcionário em toda a existência da sociedade, e nem de um local adequado para o funcionamento de uma empresa deste porte (...). “Outras informações esclarecedoras obtidas nas DIPJ's da sociedade LEGEND (...) demonstram que o Capital Registrado era de R$ 100.000,00 da sua constituição até a data de 07/02/2011 quando foi alterado para R$ 800.000,00, ano em que a LEGEND declara ter obtido uma Receita Bruta de mais de 150 milhões. Ressaltamos que nas DIPJ's relativas aos anos calendários fiscalizados as linhas referentes a ESTOQUES, CONTAS A PAGAR, COMPRAS DE MERCADORIA NO ANO CALENDÁRIO e COMPRAS ATIVO ANO CALENDÁRIO encontravamse zeradas”. “Na resposta do DETRAN Diretoria de Veículos através do Ofício n° 0.385AJ / Protocolo Detran 2115956/2014 este departamento informa que foram encontrados 5 (cinco) veículos nos seus registros em nome da LEGEND ENGENHEIROS ASSOCIADOS LTDA EPP. CNPJ: 07.794.669/000141, todos automóveis de luxo, de uso particular de pessoas de elevada capacidade financeira, que não se propõe para serviços de engenharia e terraplenagem (...)”. “Também na análise dos extratos bancários da LEGEND ficou comprovado que nos débitos efetuados pela empresa não se encontram pagamentos para a manutenção operacional de qualquer empresa de engenharia ou terraplenagem, tais como, pagamentos a funcionários ou prestadores de serviços pessoa física, aluguel de máquinas e equipamentos, aluguel de espaços físicos, pagamentos de luz, água, telefone, pagamento a escritórios de contabilidade. Também não localizamos alguns outros pagamentos extremamente necessários e básicos para que uma empresa de locação de máquinas e equipamentos possa funcionar, tais como, compra de combustíveis, peças e Fl. 486DF CARF MF 4 acessórios para manutenção das máquinas e equipamentos, pagamento de mecânicos de manutenção ou empresas especializadas neste tipo de prestação de serviços. Tais pagamentos não foram encontrados simplesmente porque não foram necessários já que a empresa não existe e foi constituída apenas para operar o seu esquema fraudulento”. “Todos os esquemas fraudulentos que têm a intenção de sonegar tributos ou desviar recursos públicos ou privados apresentam como característica serem extremamente engenhosos e sofisticados e o que se apresenta aqui não foge desta regra. Nestas ações as empresas tentam dar ao negócio um aspecto de legalidade, emitindo as Notas Fiscais como se assim tivessem prestado os serviços que nelas discriminam, mas que possuem apenas o condão de dar um aspecto de normalidade a estas ações criminosas, e conforme as provas aqui colhidas, não passam de documentos inidôneos emitidos com o evidente intuito de fraude, conduta que está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio como descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64”. “Além de todas as informações e provas coletadas por esta fiscalização que comprovam que a LEGEND (...) é uma empresa de fachada, sem capacidade operacional de prestar os serviços discriminados no seu objetivo social, ou seja, pessoa jurídica que não existe de fato, e que apesar de constituída formalmente, não possuiu existência real, e que cuja inscrição no CNPJ foi BAIXADA DE OFÍCIO no órgão competente, três outros órgãos de Estado, integrantes da República Federativa do Brasil, com poderes de investigação previstos em legislação, chegaram às mesmas conclusões desta auditoria que são: a CPMI Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI do Cachoeira) instaurada pelo Congresso Nacional, a Justiça Federal representada pela 7ª Vara Federal Criminal da Capital / RJ e investigações conduzidas pela Polícia Federal dentro da ‘Operação Monte Carlo’, ‘Operação Vegas’ e ‘Operação Saqueador’. “A titulo de informação, abaixo colocamos diversas reportagens da mídia em geral, sobre as empresas investigadas na CPMI do Cachoeira, Operação Monte Cario e Operação Saqueador, em especial das empresas sediadas no Estado de São Paulo, entre elas a LEGEND ENGENHEIROS ASSOCIADOS LTDA EPP., em que o próprio ADIR ASSAD confirma ser o dono de fato destas empresas, e da vinculação do Sr. MARCELLO JOSÉ ABBUD. Nestas reportagens fica claro toda a engenharia montada pelos empresários acima citados, que demonstram como "empresas fantasmas", inexistentes de fato foram utilizadas para simularem supostas prestações de serviços para grandes construtoras do país, geralmente em grandes obras contratadas junto ao setor público, com o intuito de desviarem recursos destas obras”. “O contribuinte não apresentou um só documento que comprove a efetiva prestação dos serviços contratados, sendo que para a grande maioria das máquinas e equipamentos locados o documento CRLV Certificado de Registro e Licenciamento de Veículos é imprescindível para a locomoção destes equipamentos em vias públicas, ainda mais neste caso em que a locação se deu sem a contratação de operadores, ou seja estas máquinas e equipamentos teriam que ser operados pelos funcionários da própria fiscalizada”. “(...) máquinas e equipamentos que valem milhares de reais são tratados como simples bens de consumo, sem valor comercial. A verdade é que a empresa LOCATÁRIA (CONCESSIONÁRIA SPMAR) não consegue comprovar a posse das máquinas e equipamentos locados, que estão na descrição das Notas Fiscais/Recibos, simplesmente porque tais veículos, caminhões, tratores e similares nunca foram locados, pois a empresa LEGEND (...) nunca existiu de fato e nunca teve em sua posse tais equipamentos para que pudessem ser locados. Mais uma vez ressaltamos que a empresa regularmente intimada apresentou declaração que não Fl. 487DF CARF MF Processo nº 13896.720457/201533 Acórdão n.º 1301003.815 S1C3T1 Fl. 4 5 dispõe da lista destas máquinas e equipamentos e também não firmou contrato de locação”. “Os canteiros de obras destas grandes empresas e construtoras, e como a própria fiscalizada alega, geralmente contêm diversas máquinas e equipamentos, de propriedade das próprias empresas como também de diversas LOCADORAS, às vezes centenas de máquinas equipamentos, e não pode ser verossímil a afirmação de que a CONCESSIONÁRIA SPMAR não disponha de um controle rígido da entrega e do retomo destes equipamentos, veículos e máquinas, e também há a necessidade de se fazer um controle rigoroso e exato, através de vários apontadores das horas trabalhadas por cada máquina ou equipamento, para a correta confecção das planilhas de medições, e para o correto pagamento, computando as paradas, as horas de manutenção e até informando ao LOCADOR a quebra de algum deles”. “Comprovamos no presente caso que as Notas Fiscais, os Recibos, os TED, transferências eletrônicas, recibos de pagamentos e a contabilidade do contribuinte registra o pagamento de um serviço a um destinatário irreal, BAIXADO DE OFICIO, inexistente de fato, e por uma operação igualmente irreal, inexistente, circunstâncias que caracterizam o pagamento sem causa”. Em face da caracterização da inidoneidade dos documentos fiscais examinados e da ausência de comprovação da causa dos pagamentos realizados à LEGEND no valor total de R$ 6.492.307,69 , a fiscalização levou a efeito a caracterização de “pagamentos sem causa”, de que trata o art. 61, §1º, da Lei nº 8.981,1995 1, relativamente às transferências bancárias havidas entre CONCESSIONÁRIA SPMAR e LEGEND, o que repercutiu no lançamento de ofício de IRRF junto ao presente processo. Houve aplicação da multa qualificada de 150%, de que trata o art. 44, I, §1º, da Lei nº 9.430/1996 2, conforme caracterizado pela fiscalização à fl. 293: “(...) Assim, como neste caso, há evidência nos autos deste processo de que a autuada utilizou um esquema de emissão de Notas Fiscais/Recibos inidôneos, em que a fiscalizada desde a contratação destas empresas inexistentes de fato, "fantasma", até o momento do lançamento destes valores na sua contabilidade e nas Declarações entregue à Receita Federal do Brasil, tinha conhecimento da falta de capacidade operacional da empresa prestar os serviços declarados nos documentos fiscais. Houve um conluio, que é "o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando produzir os efeitos referidos nos artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502, de 30/11/1964", ou seja, a sonegação e a fraude”. Notificado, o Contribuinte apresentou Impugnação aduzindo: I) A DRF/Barueri não teria competência para autuar a empresa; II) Nulidade por não ter sido lavrada autuação contra a LEGEND, como contribuinte ou responsável. Essa falta de inclusão geraria cerceamento do direito de defesa do SPMAR; III) Levantamento e acusação precários; IV) as conclusões da fiscalização estão baseadas em sua grande parte por constatações realizadas nos anos de 2013 e 2014; quanto à questão envolvendo a propriedade de veículos (...) apenas foram solicitadas informações ao DETRAN/SP, desconsiderando o fato de ser possível esta empresa ou eventuais filiais possuírem veículos registrados em outros Estados da Federação”. Fl. 488DF CARF MF 6 V) A contribuinte não teria ingerência sobre a falta de empregados e demais fatos verificados na LEGEND; VI) consta na própria Certidão de Baixa a data do dia 03/07/2014 como baixa da LEGEND, abrangendo assim período posteriores aos pagamentos realizados pela IMPUGNANTE no ano de 2011”. VII) “Não deveriam ter sido aplicados ao caso os artigos 674 e 675 do RIR/99 e artigo 61 da Lei nº 8.981/95, uma vez que na hipótese de inidoneidade de documentos fiscais a fiscalização apenas deveria ter glosado a despesa eventualmente lançada em razão desses pagamentos correspondente aos valores pagos à LEGEND”. VIII) "O auto de infração ainda está eivado de erro de Direito porque além dos motivos descritos alhures jamais seriam aplicáveis os artigos 674 e 675 do RIR/99 e artigo 61 da Lei nº 8.981/95 considerando ter a LEGEND declarado à RFB na sua DIPJ o seu faturamento realizado no ano de 2011”. IX) “A IMPUGNANTE não pode suportar a exigibilidade do IRRF mesmo se a acusação fiscal fosse procedente, o que se admite apenas para considerar, porque já encerrouse o período de apuração relacionado ao ano de 2011 somente sendo possível a exigibilidade do tributo da própria LEGEND"; X) A presente IMPUGNAÇÃO também merece ser provida porque a IMPUGNANTE não foi intimada previamente para se manifestar sobre o encerramento da fase instrutória os trabalhos fiscais. XI) “Como se não bastasse isto, a verdadeira natureza do IRRF exigido da IMPUGNANTE é de penalidade decorrente dos atos descritos pela fiscalização, ocasionando mais um motivo da nulidade da AUTUAÇÃO, porque simultaneamente foi constituído o crédito tributário da MULTA QUALIFICADA na ordem de 150%." XII) "Não existiu por parte da IMPUGNANTE a prática de sonegação, fraude e conluio objetivando impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador do imposto como causas da qualificação da Multa especialmente porque, como indicado acima, o pagamento não representa motivo da cobrança do IR conforme os artigos 43 e 44 do CTN”. XIII) Afastamento de juros sobre multa de ofício; XIV) Sobrestamento do feito até o julgamento do RE nº 640.452. O pleito foi julgado integralmente improcedente pela DRJ, razão pela qual foi apresentado Recurso Voluntário, repisando as razões da impugnação. Adicionalmente, aduziu a nulidade da decisão recorrida por não ter analisado todos os argumentos. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Fl. 489DF CARF MF Processo nº 13896.720457/201533 Acórdão n.º 1301003.815 S1C3T1 Fl. 5 7 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende a todos os requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido pelo Colegiado. Em primeiro lugar, há que se aplaudir o trabalho feito pela fiscalização. O TVF demonstra o extenso trabalho do auditor, identificando diversos elementos probatórios para demonstrar que a empresa LEGEND era inexistente de fato, para justificar a inidoneidade das notas fiscais emitidas por ela. Aduz o Recorrente a nulidade da decisão a quo por não ter analisado os seguintes pontos: Tópico ii.a da Impugnação: não apreciou o argumento baseado nos efeitos do artigo 13, inciso III da Lei Ordinária nº 9.784/99 como causa da nulidade do Auto de Infração por incompetência da DRF/Barueri em razão de não ser possível delegação de competência; Tópico ii.e da Impugnação: não apreciou o argumento baseado na nulidade do Lançamento por ter praticado um Erro de Direito considerando as circunstâncias fáticas descritas pela própria fiscalização baseadas na inidoneidade de documentos fiscais emitidos pela LEGEND; e Tópico iii.a da Impugnação: não apreciou o argumento de cancelamento da autuação porque não existe renda, proventos e demais montantes indicados pelos artigos 43 e 44 do CTN como sendo fato gerador e base de cálculo do IR. Com a devida vênia, a alegação não procede. Quanto ao primeiro item, se manifestou nos seguintes termos: Ao contrário do que alega a impugnante, o auto de infração foi lavrado por servidor competente, qual seja, AuditorFiscal da Receita Federal localizado na DRF/Barueri. Em que pese tratar se de unidade da Receita Federal diversa daquela do domicílio tributário do sujeito passivo, a prorrogação da competência é garantida expressamente pelo disposto no art. 9º, §§ 2º e 3º, do mesmo Decreto nº 70.235/1972, conforme aliás referido pela decisão administrativa citada pela própria impugnante à fl. 310. Quanto ao segundo e terceiro itens, eles se confundem com o próprio mérito analisado. A DRJ aponta que a subsunção normativa foi feita corretamente pela fiscalização, por se tratar de pagamento sem causa, escorado em notas fiscais inidônea. Quanto à inexistência de renda, o Recorrente parece desconhecer o art. 45 do CTN, que fundamenta a cobrança do IRRF, verbis: Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Fl. 490DF CARF MF 8 Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. Desse modo, voto por rejeitar a preliminar arguida. Em relação aos demais pontos, acompanho integralmente o decidido na instância a quo, tomando seus fundamentos como razão de decidir, com fulcro no art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99. De plano, cumpre registrar que o procedimento fiscal foi realizado com estrita observância ao disposto no art. 10 da norma matriz reguladora do Processo Administrativo Fiscal, o Decreto nº 70.235/1972 (PAF), que transcrevo a seguir: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O relatório fiscal, que é parte integrante do auto de infração, apresenta descrição minuciosa dos fatos que foram objeto do lançamento de ofício, identificando com clareza (i) o sujeito passivo da obrigação tributária, (ii) a disposição legal infringida e (iii) a penalidade aplicável. A exigência foi devidamente cientificada à fiscalizada, com a regular abertura de prazo para impugnação. Ao contrário do que alega a impugnante, o auto de infração foi lavrado por servidor competente, qual seja, AuditorFiscal da Receita Federal localizado na DRF/Barueri. Em que pese tratarse de unidade da da Receita Federal diversa daquela do domicílio tributário do sujeito passivo, a prorrogação da competência é garantida expressamente pelo disposto no art. 9º, §§ 2º e 3º, do mesmo Decreto nº 70.235/1972, conforme aliás referido pela decisão administrativa citada pela própria impugnante à fl. 310. Devem ser rejeitadas, portanto, as preliminares de nulidade atinentes a eventual descumprimento dessas formalidades legais. No que tange ao mérito, a auditoriafiscal teve por objeto a verificação dos pagamentos realizados pela fiscalizada à pessoa jurídica LEGEND, em junho e julho de 2011. Em face da ausência de comprovação da causa desses pagamentos, a fiscalização entendeu aplicável aos fatos a hipótese de incidência prevista no art. 61 da Lei nº 8.981/1995, verbis: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas Fl. 491DF CARF MF Processo nº 13896.720457/201533 Acórdão n.º 1301003.815 S1C3T1 Fl. 6 9 pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. O relatório fiscal não deixa dúvidas quanto à prefeita subsunção dos fatos à norma tributária. O conjunto de verificações realizado pela autoridade fazendária certifica (i) que a pessoa jurídica LEGEND ENGENHEIROS ASSOCIADOS LTDA. – EPP não passa de uma “empresa de papel” e (ii) que, exceto no plano formal, inexistiram as locações de equipamentos supostamente vinculadas aos pagamentos realizados pela fiscalizada à LEGEND. A expressão “empresa de papel” é usualmente empregada na doutrina, jurisprudência e no meio jornalístico para referir pessoas jurídicas que apresentam existência formal, mas que não mantêm atividade real3. É esse exatamente o caso dos autos. À vista do manancial probatório trazidos aos autos pela autoridade fazendária, verificase que a LEGEND (i) não mantinha funcionários; (ii) não possuía máquinas vinculadas ao seu patrimônio; (iii) não se encontrava estabelecida em local adequado para operar a empresa; (iv) não mantinha sítio na internet; (v) desatendia sistematicamente a obrigações tributárias, fiscais e trabalhistas (nesse particular, ver relato à fl. 255), principais e acessórias. A sua existência formal prestavase tãosomente para dar suporte a operações ilícitas, conforme ratificado pela decisão proferida pelo Juiz Federal Eduardo de Assis Ribeiro Filho, da 7ª Vara Federal Criminal, nos autos do Processo nº 0802315 42.2013.4.025101 (juntada às fls. 171/190), cujo excerto transcrevo a seguir: Narra a representação policial a existência de desvio de aproximadamente 360 milhões de reais oriundos de contratos da empresa Delta Construções Lida com Entes Federativos. Segundo a representação, os valores recebidos pela Delta Ltda foram depositados em contas de empresas que existem apenas formalmente, estando essas empresas localizadas nos Estados de Goiás, Distrito Federal e São Paulo. (...) 1.2 Empresas criadas em São Paulo. Conforme já dito, em São Paulo as empresas criadas estão supostamente ligadas aos Senhores ADIR ASSAD e MARCELLO JOSÉ ABBUD, tendo sido, até o momento, verificadas as seguintes empresas (...) 8.1 LEGEND Engenheiros Associados Ltda (Recebeu da Delta montante aproximado de RS 26,9 milhões de reais) No Estado de Goiás e Distrito Federal as empresas criadas teriam ligações com organização comandada por "Carlinhos Cachoeira", enquanto em São Paulo as empresas estariam ligadas aos empresários ADIR ASSAD e Marcelo José ABBUD. Assim, como as empresas criadas no Estado de Goiás, as receptoras de recursos da Delta no Estado de São Paulo apresentam como uma das características o tato de não possuir empregados registrados (RAIS zero), característica essa incompatível com empresas que movimentam considerável Fl. 492DF CARF MF 10 volume monetário e que atuam no setor de construção civil ou de entretenimento. A inexistência de fato da pessoa jurídica LEGEND, vale ressaltar, repercutiu na formalização do Ato Declaratório Executivo nº 190, de 27/06/2014 (ver fl. 39 do processo nº 13896.721020/201436), onde está consubstanciada a baixa de ofício perante o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica. Com a declaração de inaptidão do CNPJ, temse a presunção juris tantum de inidoneidade dos documentos emitidos pela pessoa jurídica baixada. Os efeitos da presunção são aplicáveis a partir da data da exclusão, à vista da redação do art. 217 do RIR/99. Em que pese a presunção de inidoneidade somente seja aplicável em relação aos atos praticados a partir de 27/06/2014 (data de publicação do ADE nº 190/2014) –como aliás suscita a impugnante –, os elementos coligidos pela autoridade fazendária certificam que os documentos fiscais emitidos em data anterior a 27/06/2014 também são inidôneos. Ou seja, além das verificações atinentes à inexistência material da beneficiária dos pagamentos [LEGEND], a fiscalização reuniu outros elementos que evidenciam – especificamente – a falsidade da causa aparente dos “recibos de locação” emitidos em 2011 e contabilizados pela CONCESSIONÁRIA SPMAR, qual seja, a locação ou “mobilização” de máquinas. Se não, vejamos. Os recibos de locação que deram suporte ao pagamentos realizados à LEGEND foram juntados aos autos às fls. 137/147. A título de exemplo, reproduzo a seguir imagem do recibo de nº 142, presente à fl. 137 dos autos: De início, chama a atenção o fato de que locações de equipamentos de valor tão expressivo tenham sido formalizadas por meio de documentos de tamanha simplicidade, firmados mediante a utilização de termos genéricos, sem qualquer especificação do objeto contratado. Tal circunstância é totalmente incompatível com Fl. 493DF CARF MF Processo nº 13896.720457/201533 Acórdão n.º 1301003.815 S1C3T1 Fl. 7 11 contratações dessa envergadura, o que por si só já representa indício marcante da inidoneidade desses documentos. Mas há um aspecto em particular que descortina de maneira inarredável a falsidade dos “recibos de locação” de que se trata: enquanto o campo “descrição” desses documentos indica expressamente a vinculação a “Contrato firmado entre as partes”, a fiscalizada, intimada a apresentar os contratos de prestação de serviço relativos à locação, respondeu taxativamente não ter firmado contrato com o prestador ora citado, “pois os serviços executados não foram contínuos” (ver declaração à fl. 08). Repisando: (i) os recibos indicam a existência de contratos – onde inclusive os serviços estariam discriminados –, (ii) enquanto a fiscalizada simplesmente declara a inexistência de instrumentos formais! Tal contradição, somada ao restante do conjunto probatório, certifica a inidoneidade dos recibos apresentados pela contribuinte, que evidentemente não correspondem a operações de locação de máquinas. Além do que, conforme evidenciado pela autoridade fazendária à fl. 282, a fiscalizada “não apresentou um só documento que comprove a efetiva prestação dos serviços contratados”. Nesse particular, a fiscalização registra, à fl. 283, que “não se está exigindo exclusivamente e apenas os documentos dos veículos, mas qualquer documentos produzido pelo contribuinte que indique a procedência destas máquinas e equipamentos, como placas, identificações, etc., que deveriam ter sido anotados quando da verificação que o próprio contribuinte alegou ter havido”. Creio ser desnecessário avançar quanto a análise dos elementos de prova nesse particular, visto que é inequívoca a falsidade dos documentos que deram suporte aos registros contábeis atinentes aos pagamentos. Diante desse cenário, em que foram descortinados pagamentos de valores expressivos sem causa justificada, concluise pelo acerto da exigência fiscal firmada com suporte no art. 61 da Lei nº 8.981/1995, que levou ao pólo passivo da exigência fiscal a pessoa jurídica responsável pelos pagamentos sem causa justificada: a Concessionária SPMAR S/A. E mais! A constatação de que o negócio jurídico retratado nos recibos de locação – a locação de máquinas – inexistiu de fato dá azo a uma segunda conclusão igualmente inarredável: os recibos de locação, bem como os correspondentes registros contábeis e fiscais da fiscalizada, configuram prova material do dolo de reduzir indevidamente os tributos devidos à Fazenda Pública. Ou seja, a realização de pagamentos a terceiro, mediante a simulação de causa não verdadeira, configura ação dolosa tendente a excluir ou modificar as características essenciais da obrigação tributária, tal qual tipificado no art. 72 da Lei nº 4.502/19644, o que repercutiu na adequada aplicação de penalidade qualificada de 150%, com forte no art. 44, I, §1º, da Lei nº 9.430/19965, bem como na acertada formalização de representação fiscal para fins penais. Cito como paradigma desse entendimento a recente decisão da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária do CARF, exarada junto ao acórdão 2201002.707, cuja ementa transcrevo a seguir: PAGAMENTO SEM CAUSA. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a multa qualificada de 150% quando estiver perfeitamente demonstrado nos autos que o agente envolvido subtraiu recursos da pessoa Fl. 494DF CARF MF 12 jurídica, utilizadose de empresa prestadora de serviço, cuja causa ou a operação não foi comprovada. Os demais argumentos apresentados pela impugnante são igualmente improcedentes, conforme analisado a seguir: a) A conduta adotada pela contribuinte configura relação pessoal e direta com a situação que constitui o respectivo fato gerador do Imposto de Renda Retido na Fonte, conforme tipificado no art. 121 do CTN 6. Insubsistente, pois, a alegação de que a fiscalização deveria ter incluído no lançamento a pessoa jurídica LEGEND, visto que esta não é atingida pela norma matriz de incidência. b) No mesmo diapasão, inexiste cerceamento do direito de defesa em função da “falta de inclusão da LEGEND como contribuinte e/ou responsável tributário”. A exigência fiscal tem por pressuposto a inexistência de comprovação a respeito da causa dos “recibos de locação” supostamente emitidos pela LEGEND. E a apresentação de elementos de prova em relação à matéria independe de a LEGEND ter sido incluída, ou não, no polo passivo da demanda. c) A alegação de que “o levantamento e acusação fiscais realizadas contra a IMPUGNANTE são precários por estarem baseados em dados insuficientes” e de que teria havido “inexistência de motivos de direito” são insubsistentes, de vez que o lançamento encontrase perfeitamente motivado e tipificado. d) A consideração de que “(...) apenas foram solicitadas informações ao DETRAN/SP, desconsiderando o falo de ser possível esta empresa ou eventuais filiais possuírem veículos registrados em outros Estados da Federação” é insuscetível de elidir a robustez do conjunto probatório trazido aos autos pela fiscalização. A análise realizada junto ao DETRAN/SP representa somente mais um indício dentre outros tantos juntados aos autos pela autoridade fazendária. e) O fato de que a LEGEND teria “declarado à RFB na sua DIPJ o seu faturamento realizado no ano de 2011” não tem o condão de elidir a subsunção dos fatos à hipótese normativa do art. 61 da Lei nº 8.981/1995. O lançamento de ofício, como se viu à exaustão, diz respeito à ausência de comprovação da causa dos pagamentos realizados pela SPMAR à LEGEND. Para elidir tal circunstância, seria necessário que a contribuinte comprovasse a efetividade das locações de máquinas que alega ter realizado. O eventual registro de receitas pela LEGEND no mesmo ano em que fora realizada a ação fiscal na SPMAR obviamente não comprova a efetividade das locações e tampouco certifica que as receitas contabilizadas na LEGEND são derivadas de negócios jurídicos praticados com a SPMAR. Improcedentes, pois, as alegações relativas a esse tópico. f) As alegações pertinentes à eventual aplicação do Parecer Normativo COSIT n° 1, de 24/09/2002, ao caso concreto são improcedentes, visto que o lançamento de ofício diz respeito a hipótese de incidência diversa, que não é objeto do referido parecer, qual seja, a incidência de imposto de renda retido na fonte em relação a pagamentos sem causa. No mesmo contexto, a reclamação de que o tributo deveria ter sido exigido diretamente da LEGEND é improcedente, visto que o tipo legal prevê a tributação exclusivamente na fonte pagadora, em caso de pagamento sem causa. g) A alegação de que a fiscalização deveria ter “glosado a despesa eventualmente lançada” não tem o condão de elidir a exigência fiscal, por dois motivos: (i) Primeiro, porque os gastos em questão não foram levados a conta de resultado, mas sim registrados em conta de imobilizado, o que desvanece a ocorrência de fato gerador de IRPJ e CSLL nesse período de apuração; (ii) segundo, porque mesmo que tal lançamento tivesse ocorrido, ele deveria ocorrer de maneira Fl. 495DF CARF MF Processo nº 13896.720457/201533 Acórdão n.º 1301003.815 S1C3T1 Fl. 8 13 cumulativa com a exigência do IRRF, tal qual orientado na Solução de Consulta Interna nº 11 – Cosit, de 08 de maio de 2013, exarada pela CoordenaçãoGeral de Contencioso Administrativo e Judicial – COCAJ da RFB. NESSE PONTO, ALTERO A POSIÇÃO QUE ADOTEI NO PAF 15956.720225/201630 (ATNAS ENGENHARIA). h) As alegações pertinentes à eventual aplicação do artigo 44 da Lei n° 9.784/99 ao caso concreto são igualmente improcedentes, de vez que o rito processual aplicável ao caso dos autos é aquele previsto no Decreto nº 70.235/1972, que prevê o exercício do contraditório mediante a apresentação de impugnação após a ciência da exigência fiscal, conforme disposto no art. 10, V, do PAF. i) A alegação de que a exigência fiscal institui uma penalidade, que não poderia ser cumulada com a multa de ofício, é improcedente, de vez que o artigo 61, caput e §1º, da Lei nº 8.981/1995, define objetivamente uma hipótese de incidência do IRRF e não uma sanção. j) O argumento de que “(...) o pagamento realizado pela IMPUGNANTE não gera crédito tributário algum, (...), por não existir renda e proventos de qualquer natureza” é equivocado. O pagamento realizado a terceiro materializa a transferência de recursos e configura sim geração de renda ao beneficiário. A tributação do imposto de renda, na hipótese de causa não comprovada, cabe à fonte pagadora, por expressa determinação legal, à alíquota de 35%. Quanto aos juros sobre multa de ofício, tratase de matéria sumulada no CARF, cuja observância é obrigatória: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Quanto ao pedido de sobrestamento do feito, não vislumbro nenhuma justificativa regimental para tanto, devendo o mesmo ser indeferido. Conclusão Ante o exposto, voto por rejeitar todos os pedidos e alegações, julgando integralmente improcedente o Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 496DF CARF MF 14 Fl. 497DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.006604/00-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/1990 a 30/09/1994
DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, INCISO I DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
O prazo decadencial para constituição do crédito tributário rege-se pelo artigo 173, inciso I do CTN, quando inexistem pagamentos antecipados, conforme julgamento proferido pelo STJ, no REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543-C do anterior CPC, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 3302-006.807
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a prejudicial de decadência e dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado).
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1990 a 30/09/1994 DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, INCISO I DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário regese pelo artigo 173, inciso I do CTN, quando inexistem pagamentos antecipados, conforme julgamento proferido pelo STJ, no REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543C do anterior CPC, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a prejudicial de decadência e dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 66 04 /0 0- 46 Fl. 310DF CARF MF Processo nº 10980.006604/0046 Acórdão n.º 3302006.807 S3C3T2 Fl. 311 2 Relatório Por bem retratar os fatos, adoto o relatório da decisão de piso de fls. 153177: Trata o presente processo de auto de infração de fls. 22/34, que exige o recolhimento de R$ 477.954,34 de contribuição para o Programa de Integração Social PIS e R$ 355.265,29 de multa de lançamento de oficio de 50%, prevista no art. 21, II, do Decretolei n° 401, de 30 de dezembro de 1968, c/c o art. 86, § 1°, da Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985, e art. 2° da Lei n° 7.683, de 02 de dezembro de 1988, e de 75%, prevista no art. 86, § 1°, da Lei n° 7.450, de 1985, e art. 2° da Lei n° 7.683, de 1988, c/c o art. 4°, I, da Medida Provisória n° 297, de 28 de junho de 1991, o art. 4°, I, da Medida Provisória n° 298, de 29 de julho de 1991, o art. 4°, I, da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991, 0 art. 44, I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e o art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional CTN (Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966), além dos encargos legais. 2. A autuação, cientificada em 27/09/2000, ocorreu devido à falta de recolhimento da contribuição para o PIS, relativa aos períodos de apuração de 01/08/1990 a 30/09/1994, conforme demonstrativos de apuração às fls. 22/26 e de multa e juros de mora às fls. 27/30, tendo como fundamento legal o art. 3°, “b”, da Lei Complementar n° 7, de 07 de setembro de 1970, o art. 1°, parágrafo único, da Lei Complementar n° 17, de 12 de dezembro de 1973; título 5, capítulo 1, seção 1, alínea “b”, itens I e 11, do Regulamento do PIS/Pasep, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda n° 142, de 15 de julho de 1982. 3. Às fls. 04/05, no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal, parte integrante do auto de infração, é descrito o procedimento administrativo, constando que o presente lançamento referese à formalização da exigência da contribuição para o PIS, devida pela contribuinte nos moldes da Lei Complementar n° 7, de 1970, na parcela que excedeu àquela que já se encontrava constituída no Processo Administrativo Fiscal n° l0980.001216/9521. Relata a autoridade fiscal que naquele processo foi formalizado o lançamento do PISReceita Operacional à alíquota de 0,65%, porém, a adequação da cobrança da diferença correspondente às Leis Complementares n°s 7, de 1970, e 17, de 1973, exigida por meio do Aviso de Cobrança n° 39, de 1997, no Processo n° l0980.007850/9982, não preencheu os requisitos essenciais de lançamento, motivo pelo qual estão sendo constituídos no presente processo. 4. Tempestivamente, em 25/10/2000, a interessada, por intermédio de representante regularmente habilitado (procuração à fl. 80), apresentou a impugnação de fls. 39/78, instruída com os documentos de fls. 81/ 134, cujo teor é sintetizado a seguir. 5. Preliminarmente, alega a decadência do direito de constituir o crédito de PIS, fundamentandose no prazo de 5 anos previstos no art. 150, § 4° do CTN, e amparadose, também, em doutrina de juristas. Refuta a contagem do prazo a partir do primeiro dia do exercício subseqüente ao da ocorrência do fato gerador por se tratar de regra genérica do art. 173, I do CTN, ao contrário da norma específica para o lançamento por homologação do art. 150 do CTN. Nesse sentido, transcreve jurisprudência. 6. Contesta a exigência da multa de oficio, argumentando que, com a decretação da falência da empresa, a atribuição de administração ao síndico não lhe Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10980.006604/0046 Acórdão n.º 3302006.807 S3C3T2 Fl. 312 3 permite dispor livremente do patrimônio da massa falida. Acrescenta que as multas são penas pessoais que devem ser pagas pelo infrator e não pelos bens reservados à garantia dos credores. Cita o art. 23 da Lei de Falências (Decretolei n° 7.661, de 21 de junho de 1945) e jurisprudência. 7. Ainda como questões preliminares, defende a suspensão da correção monetária por um ano a contar da decretação da falência (01/06/2000), nos termos do art. 1° do Decretolei n° 858, de 11 de setembro de 1969, e a contagem dos juros apenas até aquela data, conforme o art. 26 da Lei de Falências. Sobre o assunto, transcreve jurisprudência. 8. Quanto ao mérito, atribui a diferença apurada ao fato de ter a autoridade fiscal corrigido monetariamente a base de cálculo da contribuição, em manifesta violação ao disposto na Lei Complementar n° 7, de 1970. Aduz que a regra do parágrafo único do art. 6° da referida lei complementar indica, exemplificando, que o fato gerador de julho possui como base decálculo o faturamento de janeiro. Nesse sentido, cita doutrina de Roque Antônio Carraza, exarada em parecer de fls. 84/ 134, e em jurisprudência do Conselho de Contribuintes. 9. Prossegue, distinguindo o fato gerador da obrigação de sua respectiva base de cálculo, argumentando que as leis que indexam a contribuição devida (Leis n°s 7.799, de 1989, 9.177, de 1991, 8.383, de 1991, etc) o fazem a partir da ocorrência do fato gerador, não admitindo que o PIS devido em julho seja corrigido a partir de janeiro. 10. Descarta a possibilidade de os seis meses configurarem prazo de recolhimento, pois tratase do tempo necessário para o aperfeiçoamento do fato jurídico do PIS, não incidindo, portanto, correção monetária. Acerca do assunto, faz nova remissão ao citado parecer de Roque Antonio Carraza. 11. Complementa argüindo que corrigindo monetariamente a base de cálculo da contribuição, violase o princípio da legalidade (arts. 5°, H e 150, 11 da Constituição Federal de 1938). 12. Assim, defende seu direito de, até a edição da Medida Provisória n° 1.212, de 1995, ter recolhido a contribuição à alíquota de 0,75% incidente sobre o faturamento de seis meses antes, sem correção monetária da base de cálculo. Nesse sentido, transcreve jurisprudência do Tribunal Regional Federal TRF da 4” Região e do Superior Tribunal de Justiça STJ. 13. Quanto aos juros de mora, alega que a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) é ilegal e não se presta à utilização como equivalente aos juros moratórios incidentes sobre os débitos de natureza fiscal, seja porque carente de legislação que a institua (contrariando assim o disposto no art. 161, § 1° do CTN), ou porque os valores acumulados de tal taxa em nada coadunam com o dispositivo constitucional (art. 192, § 3°), ou seja, ainda, porque sua natureza é de juros remuneratórios e não moratórios, contrariando uma vez mais o dispositivo da lei complementar (CTN), norma de hierarquia superior à que traz a taxa Selic como aplicável aos débitos de natureza fiscal (lei ordinária). 14. Argumenta, também, que a exigência da taxa Selic, pela Medida Provisória n° 1.542, de 18 de dezembro de 1996, e suas reedições, relativamente à contribuição cujos fatos geradores ocorreram antes de 31/12/1994, viola o disposto nos arts. 5°, LV (direito adquirido, ato jurídico perfeito e coisa julga), e 150, Ill, “a” (irretroatividade da lei tributária), da Constituição Federal de 1988 e no an. 105 do CTN (aplicação da lei aos fatos jurídicos futuros e aos pendentes). Acrescenta que a Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10980.006604/0046 Acórdão n.º 3302006.807 S3C3T2 Fl. 313 4 nãoconversão em lei da Medida Provisória n° 1.542, de 1996, e suas reedições, no prazo de trinta dias, conduz à perda de eficácia desde sua edição. 15. Para corroborar sua contestação à aplicação da taxa Selic, transcreve julgado do Superior Tribunal de Justiça STJ, no Recurso Especial n° 215.881PR, de 19/06/2000. 16. Quanto à multa de oficio, reivindica a aplicação do limite de 30% sob pena de ofensa ao principio constitucional do nãoconfisco, consagrado implicitamente no art. 5°, XXII (garantia do direito de propriedade), da Constituição Federal de 1988. Cita doutrina que corrobora essa tese e transcreve decisões do Supremo Tribunal Federal 7 STF que reduziram multas moratórias de ICMS, de 100 para 30%, por entendêlas incidentes em confisco. 17. Encontrase apensado ao presente processo o de n° 10980007850/9982. Cientificada da decisão em 19.04.2001 (fls.181), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 21.05.2001 (fls. 189226), reproduzindo seus argumentos de impugnação. O recurso teve seu seguimento negado por ausência de depósito prévio de 30% do valor da exigência e foi encaminhado à inscrição em dívida ativa e posterior cobrança judicial. Ato contínuo, houve o cancelamento da exigência do depósito prévio por ordem judicial obtida pela Recorrente, cancelamento da inscrição em dívida e a reabertura do contencioso administrativo. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Prejudicial de mérito II.2 Decadência para o lançamento de tributos Conforme exposto anteriormente, tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação, nos termos do artigo 150 do CTN. De acordo com referido artigo, para que se configure o lançamento por homologação é requisito indispensável o recolhimento do tributo, caso em que o sujeito passivo antecipase à atuação da autoridade administrativa. Neste caso, aplicase o prazo decadencial previsto no § 1º do referido artigo 150. Por outro lado, não havendo pagamento, não há o que se homologar e, nesse caso, aplicase à regra prevista no artigo 173, inciso I, do mesmo diploma legal. Esse entendimento, inclusive, já foi pacificada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial no 973.733/SC, realizado sob o regime do Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10980.006604/0046 Acórdão n.º 3302006.807 S3C3T2 Fl. 314 5 recurso repetitivo, disciplinado no art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), conforme exposto no enunciado da ementa que segue transcrito: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). [...] 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) – Grifos não originais. Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10980.006604/0046 Acórdão n.º 3302006.807 S3C3T2 Fl. 315 6 Desse modo, em cumprimento ao disposto no art. 62A1 do Regimento Interno deste Conselho, aplicase o entendimento explicitado no âmbito do referido julgado, no sentido de que, sem a realização do pagamento antecipado, o dies a quo do prazo quinquenal de decadência, regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, e passa a ser o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato gerador. Havendo pagamento, aplicase a regra do §4º, do artigo 150. No presente caso, não obstante a Recorrente tenha pleiteado a incidência da regra prevista no artigo 150, §4º, do CTN, fazse incidir a contagem prevista no artigo 173, inciso I, daquele permissivo, considerando que não há nos autos notícia de pagamento do tributo. Nestes termos, aplicandose a regra do artigo 173, I, do CTN , verificase que os débitos cobrados pela fiscalização estão totalmente decaídos, posto que ultrapassou o limite temporal previsto neste dispositivo. É o que se verifica para o tributo mais recente, cujo vencimento se deu em 10.10.1994 (FG 09/1994) e a Recorrente foi cientificada em 27.09.2000, fora do prazo decadencial de 05 anos que, findouse em 01/2000. III Conclusão Diante do exposto, voto por acolher a prejudicial de mérito e, dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo 1 "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF." Fl. 315DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.011212/91-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 1990
IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. IMÓVEL CUJA ÁREA INSERE-SE NA DE OUTRO IMÓVEL RURAL.
É de se cancelar a cobrança do imposto, uma vez comprovado que incide sobre a propriedade de imóvel rural cuja área se insere em outro imóvel rural que, por sua vez, já foi tributado.
Numero da decisão: 2101-001.943
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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IMÓVEL CUJA ÁREA INSERESE NA DE OUTRO IMÓVEL RURAL. É de se cancelar a cobrança do imposto, uma vez comprovado que incide sobre a propriedade de imóvel rural cuja área se insere em outro imóvel rural que, por sua vez, já foi tributado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________________________ JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente Substituto. (assinado digitalmente) ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (Presidente Substituto), Gonçalo Bonet Allage, José Evande Carvalho Araujo, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 01 12 12 /9 1- 82 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 04/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Relatório Trata o presente processo de Notificação do ITR/1990 contra o contribuinte em epígrafe (fls. 2), para pagar, no prazo estabelecido, o valor de Cr$ 8.375,08, referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, Taxa de Serviços Cadastrais e Contribuições (Parafiscal e Sindical Rural CNA e CONTAG), referente ao imóvel denominado Sítio Muirakita, com 4,8 hectares, situado no Município de Juquitiba (SP), cadastrado no INCRA sob o n.º 638.200.024.6940. Em 24.4.1991, o contribuinte impugnou o lançamento (fls. 1), informando que o imóvel n.º 638.200.024.6940 foi indevidamente cadastrado, eis que desmembrado do imóvel n.º 638.200.004.7904, e que o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR correspondente ao imóvel desmembrado (de 4,8 hectares), no exercício 1990, já teria sido quitado quando do recolhimento do ITR para o imóvel original (638.200.004.7904, de 36,3 hectares). O Chefe da DIVTRI da Delegacia da Receita Federal em São Paulo (SP) julgou a impugnação improcedente, por meio da Decisão SECJTD n.º 322/92, de 19 de agosto de 1992, que contou com a seguinte ementa: ITR/90 Nos autos do processo não foi com provado que o imóvel é parte de outro, cujo tributo foi quitado. IMPUGNAÇÃO INDEFERIDA. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 14, no qual esclarece que: (i) a área rural em questão não é de posse, mas foi comprada em 28.3.1985; (ii) em 19.9.1989, solicitou o recadastramento do imóvel no INCRA, procedendo ao desmembramento da área; (iii) em 28.9.1992 voltou a solicitar o recadastramento; (iv) em 14.3.1991 foi recolhido o ITR lançado correspondente à área total, cadastro n.º 638.200.004.7904; e (v) em abril de 1991 recebeu nova cobrança, apenas do ITR correspondente à área cadastrada em 19.9.1989. Pede seja aceito o ITR recolhido em 14.3.1991, eis que o lançamento foi feito em duplicidade: o primeiro sobre a área total do imóvel e o segundo sobre a área já dividida. Os autos foram encaminhados ao Segundo Conselho de Contribuintes para julgamento do recurso. Em 6 de dezembro de 1994, por meio da Diligência n.° 20104.035, os membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes resolveram converter o julgamento em diligência, para que o órgão local se pronunciasse acerca dos documentos acostados aos autos com o recurso e especialmente acerca do recadastramento que teria sido efetuado em 1992, informando se ficou evidenciado o desmembramento, configurandose assim a duplicidade de lançamento, ou se há qualquer evidência emergente dos cadastros existentes de que os imóveis tributados são distintos entre si. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo (SP) oficiou o Superintendente Regional de São Paulo do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária — INCRA, para fornecer o histórico dos imóveis rurais cadastrados sob os números 638.200.024.6940 (Sitio Muirakita, 4,8 ha; localizado no município de Juquitiba — SP, em nome de Vilmar Kobuszewski) e 638.200.004.7904, a fim Fl. 54DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 04/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10880.011212/9182 Acórdão n.º 2101001.943 S2C1T1 Fl. 92 3 de tornar possível concluir se houve desmembramento de imóvel, com duplicidade de lançamento, ou se os números de cadastro no INCRA seriam de imóveis distintos. O Ofício foi atendido por meio da CARTA/INCRA/SCR/SR(08)T/N°32/09, acostada às fls. 43, e, em seguida, os autos retornaram a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. A questão a ser decidida no presente processo é se existe ou não cobrança em duplicidade do ITR/1990 sobre o imóvel rural cadastrado em nome do contribuinte e se, neste caso, a notificação de lançamento deve ser cancelada, uma vez comprovada a existência de pagamento do tributo em relação a outro imóvel, em cuja área o imóvel rural do contribuinte se insere. Segundo a defesa, o imposto que, neste processo, está sendo cobrado sobre o imóvel de 4,8 hectares, de propriedade do contribuinte, cadastrado no INCRA sob o n.º 638.200.024.6940, referese ao imposto incidente sobre uma parte do imóvel rural de 36,3 hectares, cadastrado no mesmo órgão sob o n.º 638.200.004.7904. Tendo em vista que o imposto incidente sobre este último imóvel já teria sido recolhido, o recorrente alega que está havendo cobrança em duplicidade. O contribuinte argumenta que o imóvel n.º 638.200.004.7904, de 36,3 hectares, foi adquirido em condomínio, segundo Escritura de Venda e Compra anexa às fls. 5, frente e verso, e 6. Já o INCRA (vide Informação Técnica n.º 248/92) informa que a área de 4,8 hectares foi declarada como Posse Simples Ocupação de 1987. O órgão julgador a quo entendeu que a alegação não se comprovou. O recurso interposto foi encaminhado ao Segundo Conselho de Contribuintes, que resolveu converter o julgamento em diligência. Após a decisão administrativa de primeira instância, foram carreados aos autos documentos que, juntamente com aqueles anexados em decorrência da diligência levada a efeito pela repartição de origem, vieram esclarecer pontos que haviam ficado obscuros anteriormente. Entre esses documentos, há uma cópia legível da Escritura de Venda e Compra do imóvel cadastrado no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária sob n.º 638.200.0040.7904, com área total de 36,3 hectares, lavrada em 26.9.1990, na qual figura Fl. 55DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 04/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 como outorgante vendedora a pessoa jurídica Agropan Sociedade Agro Pecuária Ltda. e como outorgados compradores, entre outros, o contribuinte Vilmar Kobuszewski (fls. 18 a 19verso). Foi também anexada cópia da Certidão de matrícula do imóvel n.º 51.738, emitida pelo Cartório de Registro de Imóveis de Itapecerica da Serra (SP), na qual consta o registro, em 28.6.1991, de que o imóvel rural cadastrado no INCRA sob n.º 638.200.0040.790 4 foi vendido ao contribuinte e outros em 26.9.1990 (fls. 20, frente e verso, e 21). Neste documento, constatase que o imóvel possui registro anterior, na 11.ª Circunscrição Imobiliária da Capital, transcrição n.º 21.588, e ainda que referido imóvel, nos autos do arrolamento de bens deixados pelo falecimento de Deolinda Maria de Jesus, foi adjudicado para Agropan Sociedade Agropecuária Ltda., por sentença proferida em 28.12.1976, que transitou em julgado. No Instrumento Particular de Promessa de Venda e Compra constante das fls. 24 a 25verso, cuja comitente vendedora é a Agropan Sociedade Agropecuária Ltda. e cujo promissário comprador é Vilmar Kobuszewski, consta que o objeto do contrato é “um imóvel situado no Bairro do Jacuba, Município de Juquitiba, Comarca de Itapecerica da Serra, Estado de São Paulo, com área titulada de 15 alqueires mais ou menos, transcrita originariamente no 11.º Cartório de Registro de Imóveis da Comarca da Capital de São Paulo sob o n.º 21588 em nome de Deolinda Maria de Jesus, sendo que a Vendedora adquiriu a mencionada área por Adjudicação expedida pelo MM. Juiz da Comarca de Itapecerica da Serra nos autos de Inventário de Deolinda Maria de Jesus que ainda não foi levado a Registro” (destacouse), do qual o vendedor se declara senhor e legítimo possuidor. Isso comprova que o imóvel objeto desse instrumento particular é o mesmo imóvel matriculado sob o n.º 51.738, no Cartório de Registro de Imóveis de Itapecerica da Serra (SP). Salientase ainda que a área objeto do referido instrumento particular equivale a “dois alqueires mais ou menos situada no lado direito da estrada de servidão, no inicio da gleba total, em cujo (sic) descrição e demarcação será objeto de levantamento topográfico”. Considerandose que um alqueire paulista corresponde a 24.200,00 m2, tem se que a área total do imóvel é de 15 x 24.200,00 = 363.000,00 m2, o que equivale a 36,3 hectares, e a área cuja venda foi, por aquele instrumento, prometida para o contribuinte, de “mais ou menos dois alqueires”, é de 2 x 24.200,00 = 48.400,00 m2 ou 4,84 hectares (vide fls. 24). A área de 4,84 hectares é também a que consta do Memorial Descritivo – Gleba 2, às fls. 26, de propriedade do contribuinte no Município de Juquitiba (SP). Os dados constantes do CAFIR – Cadastro de Imóveis Rurais da Secretaria da Receita Federal (fls. 39) chegam a uma área aproximada, de 4,356 hectares. Neste ponto, se a área que cabe ao contribuinte, no condomínio, no CAFIR, não é exatamente 4,84 hectares, há de se convir que a soma dos percentuais de todos os condôminos, nesse documento, é 98%, e não 100%, como deveria ser, e esse erro justifica facilmente aquela diferença. Além disso, verificase que o Sistema Nacional de Cadastro Rural SNCR/SIR, do INCRA, vincula a matrícula 879 ao registro do imóvel n.º 638.200.024.6940, cujo proprietário é o recorrente (vide CARTA/INCRA/SCR/SR(08)T/N°32/09, às fls. 43). Observase ainda que o número de matrícula 879 é o mesmo ao qual alude o Cartório do Registro de Imóveis de Itapecerica das Serra, na Certidão obtida a partir do Livro Auxiliar – Registro de Terras Rurais Adquiridas por Estrangeiros (fls. 22verso) quando trata da área rural Fl. 56DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 04/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10880.011212/9182 Acórdão n.º 2101001.943 S2C1T1 Fl. 93 5 “de mais ou menos 15 alqueires”, da qual o contribuinte é condômino, registrada sob o n.º 638.200.004 7904. Todos esses indícios convergem para a conclusão que tem razão o recorrente quando alega que o imóvel n.º 638.200.024.6940 está inserido no imóvel n.º 638.200.004 790 4. Sendo assim, tendo em vista que o ITR do exercício de 1990, do imóvel n.º 638.200.004 7904 foi pago, de acordo com o DARF e Certificado e Guia de Pagamento às fls. 3, não há que se exigir o mesmo tributo, no mesmo exercício, em relação ao imóvel n.º 638.200.024.6940 o qual, como se concluiu, inserese naquele. Conclusão Ante todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 57DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 04/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13784.720069/2018-62
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2015
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Súmula CARF nº63.
Numero da decisão: 2002-001.057
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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MOLÉSTIA GRAVE. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Súmula CARF nº63. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 78 4. 72 00 69 /2 01 8- 62 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13784.720069/201862 Acórdão n.º 2002001.057 S2C0T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 45/47) contra decisão de primeira instância (fls. 35/40), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Trata o processo de impugnação à notificação de lançamento de imposto de renda de pessoa física, resultante de procedimento de revisão de declaração de ajuste do exercício 2016, anocalendário 2015, por meio da qual cancelou o imposto a restituir declarado de R$2.277,43 e exige o crédito tributário de R$791,89. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal da Notificação de Lançamento foi apurada a seguinte infração: Rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave Não comprovação da moléstia ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos de Pessoa Jurídica, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 54.791,31 recebido(s) pelo titular e/ou dependentes, da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo, indevidamente declarados como isentos e/ou nãotributáveis, em razão de o contribuinte não ter comprovado ser portador de moléstia considerada grave ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado nos termos da legislação em vigor, para fins de isenção do Imposto de Renda. Mesmo intimado, o contribuinte não apresentou Laudo Pericial emitido por serviço médico oficial, especificando a moléstia grave e quando esta se manifestou (mês e ano). Compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre rendimentos declarados como isentos por moléstia grave ou acidente em serviço – não comprovação da moléstia ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado ou não comprovação da retenção do imposto de renda na fonte sobre rendimentos isentos. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse a compensação Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13784.720069/201862 Acórdão n.º 2002001.057 S2C0T2 Fl. 4 3 indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre rendimentos declarados como Isentos e Não Tributáveis em decorrência de proventos de aposentadoria, pensão, ou reforma por moléstia grave, ou aposentadoria ou reforma por acidente em serviço, no valor de R$ * ** ** * ** * 319,79, glosa esta referente às fontes pagadoras abaixo relacionadas. O contribuinte não comprovou ser portador de moléstia considerada grave, ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado, nos termos da legislação em vigor, ou não comprovou a efetiva retenção do Imposto de Renda sobre rendimentos isentos e/ou não tributáveis, para fins da compensação pleiteada. Cientificado do lançamento em 13/04/2018 (fl.17), o contribuinte apresentou impugnação em 19/04/2018. Alega que ao atender a intimação apresentou cópia da publicação do ato concessivo da reforma e também Laudo Pericial. Salienta que solicitou antecipação de análise da DIRPF e protocolou a documentação solicitada com exceção do Laudo Médico. Anexa agora Laudo do Ministério do Exército e da Prefeitura de Porto Real. Pede o acolhimento da impugnação e o cancelamento do débito fiscal. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação, juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 07/08/2018 (fl. 81); Recurso Voluntário protocolado em 17/08/2018 (fl. 45), assinado pelo próprio contribuinte. Responde o contribuinte nestes autos, pelas seguintes infrações: a) Rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave Não comprovação da moléstia ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado; b) Compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre rendimentos declarados como isentos por moléstia grave ou acidente em serviço – não comprovação da moléstia ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado ou não comprovação da retenção do imposto de renda na fonte sobre rendimentos isentos. Relata o Sr. AFRF que: Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13784.720069/201862 Acórdão n.º 2002001.057 S2C0T2 Fl. 5 4 Mesmo intimado, o contribuinte não apresentou Laudo Pericial emitido por serviço médico oficial, especificando a moléstia grave e quando esta se manifestou (mês e ano). A r. decisão revisanda, assim concluiu: “em face da não apresentação de Laudo para o período em análise, não comprova o contribuinte ter atendido os requisitos previstos no art. art. 6º, XIV da Lei nº 7.713/88 para ter reconhecida a isenção dos rendimentos de aposentadoria recebidos, devendo ser mantido o lançamento”. Irresignado, o contribuinte maneja recurso próprio, juntando documentos. Alega o recorrente, razões preliminares que se confundem com o mérito, assim sendo, com este será apreciado. Diz o recorrente que esta mesma situação já ocorreu em outros anos calendários, 2011, 2012, 2013 e 2014, sendo certo que obteve êxito em todos. Ressalvo desde já que pode não ser este o entendimento deste julgador. No mérito, juntou documentos de sua condição de reformado, bem como cópia do laudo pericial expedido pelo Posto de Saúde do Município de Porto Real ,bem como laudo do Ministério do Exército. A controvérsia tida nestes autos não aborda a condição de reformado do contribuinte, eis que a mesma foi reconhecida, e sim o laudo médico apresentado, que não consta o período ora em análise (laudo do Ministério do Exército). Pois bem, o recorrente trouxe aos autos um novo laudo às fls. 48, que diz ser do Posto de Saúde do Município de Porto Real, ocorre que o referido laudo não atende o disposto na Solução de Consulta Interna Cosit n°11, de 28 de junho de 2012; senão vejamos: O laudo pericial deve conter no mínimo as seguintes informações: a) o órgão emissor; b) a qualificação do portador da moléstia c) o diagnóstico da moléstia (descrição CID10); elementos que o fundamentaram; a data em que a pessoa física é considerada portadora da moléstia grave, nos casos de constatação da existência da doença em período anterior à emissão do laudo; d) caso a moléstia seja passível de controle, o prazo de validade do laudo pericial ao fim do qual o portador de moléstia grave provavelmente esteja assintomático; e) o nome completo, a assinatura, o n° de inscrição no Conselho Regional de Medicina (CRM); o n° de registro no órgão público e a qualificação do(s) profissional(is) do serviço médico oficial responsável pela emissão do laudo médico. Como podemos verificar o laudo trazido pelo recorrente não serve ao fim que se destina. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito negase provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.900184/2013-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 31/03/2008
OMISSÃO. APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO. INOCORRÊNCIA.
Todas as medidas necessárias para se verificar a efetiva ocorrência do fato gerador do IRRF no presente caso, foram adotadas pela autoridade fiscal, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa, nem tampouco em nulidade. Na mesma esteira, não prospera a alegação de nulidade atribuída à DRJ por não ter se manifestado explicitamente sobre a alegação da Recorrente de que a I. Fiscalização deveria intimar os prestadores de serviços a apresentarem documentos que comprovassem o cancelamento da prestação dos serviços que geraram os recolhimentos indevidos de IRRF, tendo em vista que a decisão de piso deixou claro que compete ao Recorrente o ônus da prova para apresentar as notas fiscais eletrônicas canceladas. Essa foi a linha de entendimento adotada pela instância a quo; via de consequência, se o julgador entende que o ônus da prova para apresentação das notas fiscais eletrônicas canceladas é do Recorrente, despicienda, em face da convicção que já se formou, qualquer argumentação relacionada à necessidade da fiscalização em intimar os prestadores de serviço a apresentarem documentos que o julgador entende que é de obrigação do Recorrente apresentar; assim, o argumento da Recorrente não se tornou essencial à solução da lide, posto que o Relator adotou tese contrária à defendida pela empresa, não preterindo seu direito de defesa, apenas adotando entendimento contrário ao seus interesses. Conforme entendimento já consolidado pela Corte Superior de Justiça, o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO E RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. ÔNUS DA PROVA.
Ao contribuinte pertence o ônus da prova de comprovar os fatos, em sede de pleito de compensação ou restituição de tributos, a teor do que dispõe o art.333 do CPC c/c o art. 923 do Decreto nº 3.000/99. Em especial no caso concreto, quando se trata de desfazimento de negócios entre empresas representadas pelo mesmo diretor e/ou sócio e integrantes de mesmo grupo econômico de fato.
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. INOCORRÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO. ART.170 CTN.
Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. As meras declarações dos prestadores de serviços oriundas de mesmo signatário, que também é o mesmo diretor da Recorrente, sem nenhuma formalidade, além da produção unilateral, per si, não é documento hábil e idôneo a comprovar os fatos alegados. O artigo 170 do Código Tributário Nacional determina que só podem ser objeto de compensação, créditos líquidos e certos.
Numero da decisão: 2401-006.483
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
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Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 31/03/2008 OMISSÃO. APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO. INOCORRÊNCIA. Todas as medidas necessárias para se verificar a efetiva ocorrência do fato gerador do IRRF no presente caso, foram adotadas pela autoridade fiscal, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa, nem tampouco em nulidade. Na mesma esteira, não prospera a alegação de nulidade atribuída à DRJ por não ter se manifestado explicitamente sobre a alegação da Recorrente de que a I. Fiscalização deveria intimar os prestadores de serviços a apresentarem documentos que comprovassem o cancelamento da prestação dos serviços que geraram os recolhimentos indevidos de IRRF, tendo em vista que a decisão de piso deixou claro que compete ao Recorrente o ônus da prova para apresentar as notas fiscais eletrônicas canceladas. Essa foi a linha de entendimento adotada pela instância a quo; via de consequência, se o julgador entende que o ônus da prova para apresentação das notas fiscais eletrônicas canceladas é do Recorrente, despicienda, em face da convicção que já se formou, qualquer argumentação relacionada à necessidade da fiscalização em intimar os prestadores de serviço a apresentarem documentos que o julgador entende que é de obrigação do Recorrente apresentar; assim, o argumento da Recorrente não se tornou essencial à solução da lide, posto que o Relator adotou tese contrária à defendida pela empresa, não preterindo seu direito de defesa, apenas adotando entendimento contrário ao seus interesses. Conforme entendimento já consolidado pela Corte Superior de Justiça, o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO E RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. ÔNUS DA PROVA. Ao contribuinte pertence o ônus da prova de comprovar os fatos, em sede de pleito de compensação ou restituição de tributos, a teor do que dispõe o art.333 do CPC c/c o art. 923 do Decreto nº 3.000/99. Em especial no caso concreto, quando se trata de desfazimento de negócios entre empresas representadas pelo mesmo diretor e/ou sócio e integrantes de mesmo grupo econômico de fato. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. INOCORRÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO. ART.170 CTN. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. As meras declarações dos prestadores de serviços oriundas de mesmo signatário, que também é o mesmo diretor da Recorrente, sem nenhuma formalidade, além da produção unilateral, per si, não é documento hábil e idôneo a comprovar os fatos alegados. O artigo 170 do Código Tributário Nacional determina que só podem ser objeto de compensação, créditos líquidos e certos.
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APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO. INOCORRÊNCIA. Todas as medidas necessárias para se verificar a efetiva ocorrência do fato gerador do IRRF no presente caso, foram adotadas pela autoridade fiscal, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa, nem tampouco em nulidade. Na mesma esteira, não prospera a alegação de nulidade atribuída à DRJ por não ter se manifestado explicitamente sobre a alegação da Recorrente de que a I. Fiscalização deveria intimar os prestadores de serviços a apresentarem documentos que comprovassem o cancelamento da prestação dos serviços que geraram os recolhimentos indevidos de IRRF, tendo em vista que a decisão de piso deixou claro que compete ao Recorrente o ônus da prova para apresentar as notas fiscais eletrônicas canceladas. Essa foi a linha de entendimento adotada pela instância a quo; via de consequência, se o julgador entende que o ônus da prova para apresentação das notas fiscais eletrônicas canceladas é do Recorrente, despicienda, em face da convicção que já se formou, qualquer argumentação relacionada à necessidade da fiscalização em intimar os prestadores de serviço a apresentarem documentos que o julgador entende que é de obrigação do Recorrente apresentar; assim, o argumento da Recorrente não se tornou essencial à solução da lide, posto que o Relator adotou tese contrária à defendida pela empresa, não preterindo seu direito de defesa, apenas adotando entendimento contrário ao seus interesses. Conforme entendimento já consolidado pela Corte Superior de Justiça, o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO E RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. ÔNUS DA PROVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 01 84 /2 01 3- 47 Fl. 235DF CARF MF 2 Ao contribuinte pertence o ônus da prova de comprovar os fatos, em sede de pleito de compensação ou restituição de tributos, a teor do que dispõe o art.333 do CPC c/c o art. 923 do Decreto nº 3.000/99. Em especial no caso concreto, quando se trata de desfazimento de negócios entre empresas representadas pelo mesmo diretor e/ou sócio e integrantes de mesmo grupo econômico de fato. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. INOCORRÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO. ART.170 CTN. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. As meras declarações dos prestadores de serviços oriundas de mesmo signatário, que também é o mesmo diretor da Recorrente, sem nenhuma formalidade, além da produção unilateral, per si, não é documento hábil e idôneo a comprovar os fatos alegados. O artigo 170 do Código Tributário Nacional determina que só podem ser objeto de compensação, créditos líquidos e certos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. . Relatório Fl. 236DF CARF MF Processo nº 13896.900184/201347 Acórdão n.º 2401006.483 S2C4T1 Fl. 3 3 Tratase de DCOMP de Pagamento Indevido/a Maior, código de receita 1708 (IRRF), PA 31/03/2008, vencimento 10/04/2008. O valor recolhido foi R$ 113.258,78, sendo que R$ 97.209,50 correspondente ao principal, R$ 15.077,19 à multa e R$ 972,09 aos juros. A arrecadação se deu em 27/05/2008. O contribuinte alega ter sido o recolhimento totalmente indevido. O Despacho Decisório de fls. 93, não homologou a compensação dos débitos informados no presente PER/DCOMP, porque o valor do crédito não foi reconhecido. A Recorrente apresentou os PER/DCOMP(PD) de números 14929.73687.100608.1.3.040092 (processo nº. 13896.900.184/201347), 05172.32409.10709.1.7.04 6851 (processo nº. 13896.900266/201391), 36157.11694.130608.1.3.041348 (processo nº.13896.900.267/201336), e 02226.92219.190608.1.3.046398 (processo nº. 13896.900.268/201381),onde pretende aproveitar supostos créditos de Pagamento Indevido ou a Maior, utilizando o mesmo DARF, código de receita 1708 (IRRF), no valor de R$ 113.258,78, PA 31/03/2008, com vencimento em 10/04/2008, e pagamento feito em 27/05/2008, objetivando quitar débitos Conforme consta do Relatório Fiscal de fls. 163/167, em 27/05/2008, o contribuinte recolheu o DARF com valor de principal R$ 97.209,50. Em 10/06/2008 transmitiu a primeira das DCOMPs referenciadas ao pagamento. Em 06/10/2008 transmitiu a DCTF original, declarando dever de IRRF código 1708, PA março, 2008, R$ 109.906,04, quitados por meio de três pagamentos, um deles o DARF em questão, recolhido em 27/05/2008. Em 22/07/2009 retificou a DCTF, reduzindo o valor devido para R$ 12.444,43. O contribuinte primeiramente foi intimado pela fiscalização (Intimação 1299/2012) a explicar como chegara ao valor devido de R$ 109.906,04 e posteriormente a R$ 12.444,43, assim como a apresentar documentos que comprovassem que o valor devido é mesmo R$ 12.444.43. Em resposta apresentou planilha (fl. 12) em que relaciona os prestadores de serviço, notas fiscais e respectivas retenções na fonte, que totalizariam os R$ 12.444,43. Explicou (fl. 5, item 4) que a diferença se refere a quatro notas fiscais de prestação de serviços canceladas, no valor total de R$ 6.480.633,41 (IRRF R$ 97.209,50), cujos serviços não teriam chegado a ser prestados pelos fornecedores. Assim, foi novamente intimado, desta vez para apresentar os quatro títulos/NF que informou terem sido cancelados, além de todos os documentos que julgasse necessários para a comprovação do efetivo cancelamento dos serviços. Apresentou em resposta impressões de quatro NFe de prestadores de serviços de São Paulo, SP (fls. 24 a 27). Apresentou ainda planilhas (fls 28 a 32), supostamente reprodução folhas de seus Livros Contábeis, onde constam lançamentos a crédito e a débito, sempre datados de 31/03/2008, dos valores líquidos e IRRF correspondente às NFe apresentadas. Juntou ainda cópias de correspondências (fls. 34 a 48) datadas de 10/09/2008, emitidas pelo próprio contribuinte e endereçadas aos quatro fornecedores emitentes das NFe, em que os notifica que não efetuará os pagamentos dos valores das NFe, tendo em vista a alegada não prestação dos serviços. Uma das correspondências possui nome e data – 04/10/08 mas não assinatura, no protocolo de recebimento (fl. 36). As outras três possuem carimbo (“Documento recebido por”) com data 29/09/2008 e rubrica, sem identificação de nome ou Fl. 237DF CARF MF 4 empresa alguma. Os três carimbos e as rubricas são idênticos, embora se tratem de três prestadores de serviços diferentes. Em função da análise dos documentos apresentados, nova intimação (1453/2012) foi emitida. Observouse que nenhuma das NFe constavam como canceladas no sítio da Prefeitura Municipal de São Paulo na internet. Por meio dos documentos apresentados, deuse a entender que os cancelamentos teriam ocorrido após o pagamento do ISS, o que , de acordo com a legislação municipal, faria com que os cancelamentos tivessem que ser solicitados via Processos Administrativos. Intimouse o contribuinte a apresentar cópias de tais processos, incluindo os despachos que teriam deferido os cancelamentos. Diante desses fatos, e com base na legislação de regência, a fiscalização concluiu pela não homologação das compensações, em face da total falta de certeza e liquidez do direito creditório. Após intimação a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, sustentando a legalidade da compensação realizada, e argumentando que cabe ao emissor da nota o cancelamento das mesmas, e que ele não teria como deles exigir os documentos. Manifestou entendimento de que os lançamentos contábeis e as cartas entregues aos prestadores de serviço comunicando o cancelamento são provas suficientes para comproválos, o que também tornaria indevida a retenção na fonte. Alega ainda que, em obediência ao princípio da verdade material, a forma não deve prevalecer sobre o conteúdo, sendo irrelevante “o procedimento formal de cancelamento da notas perante o Município”. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 1283.149 da 9ª Turma da DRJ/RJ1, às fls. 174/189, julgando improcedente a Manifestação de Inconformidade do Contribuinte. Inconformada, a empresa apresentou Recurso Voluntário às fls. 197/220 alegando em síntese que: a) a insuficiência da fiscalização levada a cabo antes da prolação do r.despacho decisório eletrônico; b) cabe à I. Fiscalização intimar os prestadores de serviços a apresentar documentos que comprovassem o cancelamento da prestação dos serviços que geraram os recolhimentos indevidos de IRRF; c) aduz que tais documentos representariam a manifestação inconteste da outra parte da relação civil de prestação de serviços, que serviria como mais um documento a comprovar a existência do crédito, e que a I. Fiscalização poderia se valer do seu natural poder de polícia para intimar os prestadores de serviços a provar que os serviços de fato foram cancelados; d)o fato da Delegacia Regional de Julgamento (“DRJ”) não se dignar a combater tal insuficiência da fiscalização alegada na manifestação de inconformidade, macula de nulidade a r. decisão recorrida; e)em que pese constar do relatório do v. acórdão, em leitura atenta do r. julgado, não se nota qualquer passagem na fundamentação pela improcedência da manifestação de inconformidade em que a I. DRJ tenha apreciado os argumentos de insuficiência da fiscalização tecidos pela Recorrente; Fl. 238DF CARF MF Processo nº 13896.900184/201347 Acórdão n.º 2401006.483 S2C4T1 Fl. 4 5 f)tal omissão, contudo, macula de nulidade o v. acórdão recorrido, nos termos do artigo 12, II, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011; g)na prática, referido direito de defesa resta mitigado especialmente porque, ainda que implicitamente se considere que o argumento de insuficiência da fiscalização não tenha sido acolhido pela I. DRJ pelo fato de ter julgado improcedente a manifestação de inconformidade, fato é que a Recorrente não sabe os motivos que levaram a I. DRJ a não acolher sua alegação formulada, cerceando seu direito de defesa; h)nesse contexto, resta claro o cerceamento do direito de defesa da Recorrente em relação ao argumento de insuficiência da fiscalização, cuja apreciação imediata por essa I. Corte Administrativa pode ensejar em supressão de instância, agravando ainda mais a preterição do direito de defesa da Recorrente, portanto, é de rigor seja reconhecida a nulidade do v. acórdão recorrido,com a consequente remessa dos autos à I. DRJ de origem, para que aprecie os; i)a I. Fiscalização não se dignou a adotar as medidas necessárias para se verificar a efetiva ocorrência do fato gerador do IRRF que se busca sustentar para glosar o crédito da Recorrente, tal postura, além de violar o artigo 142 do Código Tributário Nacional, viola também a busca pela verdade material, inerente a todo ato administrativo; j) ao se afirmar no relatório fiscal que “tampouco podem ser aceitas como provas, como pretende o contribuinte, meras cartas enviadas aos fornecedores, sem quaisquer respostas dos mesmos concordando com o que nelas é comunicado”, a I. Fiscalização poderia, ao menos, ter intimado a Recorrente a apresentar qualquer declaração dos prestadores dos serviços que comunicasse o cancelamento das notas. Tais documentos representariam a manifestação inconteste da outra parte da relação cível de prestação de serviços, que serviria como mais um documento a comprovar a existência do crédito. k)a I. Fiscalização preferiu adotar a postura cômoda de simplesmente não homologar as compensações, mesmo não sendo possível afirmar que os serviços foram concluídos e que o IRRF recolhido era devido. A esse respeito, aliás, após intimada do r. despacho decisório, a Recorrente pleiteou, perante os prestadores dos serviços, que lhe fossem fornecidas declarações que atestassem o cancelamento das notas, o que foi de pronto atendido por três dos prestadores, conforme se nota das declarações acostadas aos autos (vide fls. 6264); l)Como se vê, referidas declarações poderiam ter sido providenciadas durante o procedimento fiscalizatório, caso o I. Agente Fiscal tivesse consignado sua insatisfação com a não comprovação do cancelamento das notas pelos prestadores dos serviços, o que veio a restar consignado apenas no relatório fiscal que instruiu o r.despacho decisório. Além disso, devese apontar que, somente no relatório final, a I.Fiscalização afirmou Fl. 239DF CARF MF 6 que as cópias dos espelhos do Livro Razão apresentados não seriam hábeis a comprovar os registros contábeis, por não ser possível verificar a autenticidade desses espelhos. Notase aí outra omissão que macula o procedimento fiscalizatório, haja vista que bastaria que a Recorrente fosse intimada novamente a apresentar o Livro Razão original onde constam as folhas apresentadas, ou, quando muito, apresentar as folhas devidamente autenticadas; m) Nesse aspecto, adicionalmente, afirma a I. Fiscalização, com base no Código de Processo Civil, que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo do seu direito. Contudo, é importante lembrar que, em se tratando de obrigação tributária, o lançamento é atividade administrativa plenamente vinculada, conforme previsto no artigo 3º do Código Tributário Nacional. Nessa qualidade, o lançamento é ato administrativo cuja verificação incumbe à Fiscalização, cabendo a ela, portanto o dever de provar a ocorrência do fato gerador. Por outra banda, também é fato, que, em se tratando de fiscalização de compensações declaradas pelo contribuinte, é dever do contribuinte possuir o respaldo de provas que estejam ao seu alcance para atestar a regularidade dessas compensações, tal como abordado no v. acórdão recorrido; n) Entretanto, o ônus da prova nesse caso se confunde com a obrigação da Fiscalização de comprovar a ocorrência o fato gerador, o que conduz à inconteste assertiva de que não há que se falar de ônus da prova exclusivo a uma das partes da obrigação tributária, como pretendeu a I. Fiscalização ao repassar tal responsabilidade à Recorrente, inclusive em relação a obrigações que seriam de responsabilidade exclusiva dos prestadores dos serviços cancelados; o)destaca uma vez mais, que a Recorrente apresentou todos os documentos que estavam ao seu alcance para comprovar a existência de crédito em seu favor suficiente à realização das compensações. Com efeito, a Recorrente apresentou a seguinte documentação: (i) DARFs de recolhimento do IRRF; (ii) DCTF retificadora que constituiu o crédito de recolhimento a maior; (iii) Planilha com a composição do crédito; (iv) Notas fiscais que vieram a ser canceladas; (v) Lançamentos contábeis em Livro Razão; (vi) Declarações apresentadas aos prestadores dos serviços para fins de atendimento ao artigo 166 do Código Tributário Nacional, que comunicam os cancelamentos extemporâneos das notas fiscais; (vii) Declarações dos prestadores dos serviços que atestam a não realização dos serviços. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 13896.900184/201347 Acórdão n.º 2401006.483 S2C4T1 Fl. 5 7 p)que não cabe à Recorrente, na qualidade de tomadora dos serviços, a tarefa de proceder ao cancelamento das notas fiscais analisadas, mas sim aos prestadores dos serviços. É o que se observa, aliás, do próprio dispositivo transcrito por pela I. Fiscalização no último Termo de Intimação expedido, de nº 1453/2012. Observe o conteúdo normativo transcrito a seguir: “Seção V – Do Cancelamento da NFe Art. 12. A NFe poderá ser cancelada pelo emitente, por meio do sistema, antes do pagamento do Imposto. Parágrafo único. Após o pagamento do Imposto, a NFe somente poderá ser cancelada por meio de processo administrativo.” q) No caso concreto, sendo a Recorrente apenas a tomadora dos serviços, não cabe, por consequência, exigir dela documentos relacionados aos cancelamentos, cuja incumbência, reiterase, é restrita aos prestadores.Aliás, também não cabe exigir que a Recorrente pressione os seus tomadores de serviços para que providenciem os respectivos cancelamentos formais das notas fiscais, uma vez que não possui poderes para tanto. Tal incumbência é restrita à Fiscalização, diante dos poderes coatores que viabilizam atingir a finalidade almejada.Nada mais justo, portanto, que a I. Fiscalização exerça sua parcela de ônus da prova e contate os prestadores dos serviços para que comprovem as formalidades exigidas para o reconhecimento do cancelamento das notas fiscais, uma vez que cogitarse a glosa dos créditos pela não comprovação do cancelamento formal é o mesmo que tributar fatos geradores que não ocorreram. r) Caso não se entenda pela nulidade supramencionada – o que se cogita apenas por argumentar – cumpre apontar que, no mérito, o v. acórdão recorrido também não merece prosperar, tendo em vista a inequívoca existência do crédito de IRRF utilizado na compensação não homologada devidamente comprovada nesses autos, não merecendo prosperar a insuficiência de provas sustentada pelo I. Agente Fiscal e pela I. DRJ; s) Conforme brevemente exposto, para sustentar o crédito de IRRF utilizado na compensação, a I. Fiscalização afirmou que a Recorrente deveria comprovar a certeza e liquidez daquele.Nesse sentido, sendo o caso de retenção indevida, a Recorrente apresentou documentos que demonstram a inocorrência do fato gerador para fazer jus ao direito creditório. De fato, consoante brevemente exposto, o pagamento de IRRF é indevido em razão de serviços que jamais se realizaram, pois, não tendo ocorrida a prestação de serviços, há que se concluir que não houve a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária.In casu, os serviços que originaram as retenções indevidas estão relacionados a quatro notas fiscais que, por sua vez, estão relacionadas a serviços que não foram prestados; t) Deveras, tendo os serviços sido cancelados, procedeu a Recorrente aos (i)lançamentos contábeis, que identificam os Fl. 241DF CARF MF 8 débitos dos valores de IRRF na conta do passivo IRRF a Recolher – “IRRF P.J. 1708 a Rec” – referentes a essas notas, e os respectivos créditos da mesma conta – que representam os cancelamentos das notas e, consequentemente, o cancelamento dos valores a recolher, (ii) à retificação da DCTF apresentada, bem como, para fins de atendimento ao artigo 166 do Código Tributário Nacional, (iii) comunicou aos prestadores dos serviços os cancelamentos; u) De fato, tanto o relatório fiscal que acompanhou o r. despacho decisório eletrônico, quanto o v. acórdão recorrido apoiamse na inexistência de procedimentos de cancelamento das notas fiscais dos serviços não prestados perante a Prefeitura do Município de São Paulo, como também em supostas inconsistências das cartas de cancelamento dos serviços. De toda forma, ainda que se cogite pela responsabilidade da Recorrente em providenciar as comprovações necessárias do efetivo cancelamento das notas fiscais– o que se cogita apenas por argumentar – cumpre esclarecer que, relativamente às impropriedades e suspeitas destacadas no v. acórdão contidas das declarações apresentadas pelos prestadores de serviços, na verdade, não são suficientes a afastar o valor probatório de tais declarações. A esse respeito, afirmou a I. DRJ que as declarações foram “emitidas em uma mesma data (14/03/2013), com rubricas de assinaturas idênticas e sem identificação, apesar de serem de três empresas distintas, levando a crer que foram emitidas por um mesmo remetente”. Acontece que as assinaturas das Declarações são de fato oriundas do mesmo signatário. Isso porque, as três empresas possuem os mesmos sócios que assinaram as declarações, conforme se observa dos primeiros sócios mencionados no quadro de sócios dos cartões de CNPJ dos prestadores que ora se acosta (doc. j.).Pelo exposto, é incabível que a forma prevaleça sobre o conteúdo, sobre pena de a I. Fiscalização passar a cobrar valores despropositados, apenas em razão de alguma irregularidade formal não ter sido cumprida. (Cita o art. 112 do CC e art.4º do CTN, além de jurisprudências administrativas para reforcar sua tese); v) que a ordem cronológica dos fatos destacados pela I. Fiscalização em seu relatório, e reiterados pela I. DRJ no v.acórdão recorrido, não deve implicar na não homologação das compensações realizadas pela Recorrente. Ao traçar a ordem cronológica envolvendo o recolhimento do IRRF, a apresentação das DCTFs original e retificadora, a apresentação de PER/DCOMP e as declarações firmadas entre os prestadores dos serviços e a Recorrente, a I. Fiscalização procurou evidenciar erros de procedimento que ensejariam no não reconhecimento do crédito. Diante do elevado grau burocrático, é esperado que os contribuintesde grande porte, como é o caso do Recorrente, incorram em erros, havendo, inclusive, mecanismos para corrigilos. Referidos erros comumente são verificados somente por meio de auditorias, realizadas tempos após a ocorrência do ato.E a verificação do erro com a correspondente correção deve ser admitida para fins fiscais, tendo em vista que os mecanismos próprios para tanto estão previstos em lei. Nesse contexto, mister se faz afirmar que foi exatamente o que ocorreu no caso em tela, tendo originado a Fl. 242DF CARF MF Processo nº 13896.900184/201347 Acórdão n.º 2401006.483 S2C4T1 Fl. 6 9 confusão cronológica dos atos que legitimaram a existência do crédito de IRRF. A DCTF do período foi devidamente retificada quando o procedimento de auditoria verificou a inconsistência. A mesma situação ocorreu com as declarações para fins de ISS apresentadas pela Recorrente aos prestadores dos serviços. Desta feita, não há que se falar de procedimentos suspeitos quando as retificações e providências foram realizadas nos termos da lei. Assim, uma vez provada a impossibilidade de constituição de crédito tributário por erro de declaração, é de rigor seja reformado o r. despacho decisório combatido para que restem homologadas as compensações realizadas pela Recorrente. x)Diante do exposto, requer a procedência do recurso voluntário para reconhecer a nulidade do v. acórdão recorrido, com a remessa dos autos à I. DRJ de origem, para que aprecie os argumentos de insuficiência da fiscalização prévia ao despacho decisório que não homologou as compensações, e reconheça a nulidade daquele despacho decisório. Subsidiariamente, caso não se entenda pelo reconhecimento da nulidade , requer a procedência do recurso para julgar a reforma do v. acórdão recorrido e, por conseguinte, homologar integralmente a compensação inicialmente declarada. É o relatório Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. DA ADMISSIBILIDADE A Recorrente foi cientificada da r. decisão em debate no dia 10/02/2017 conforme Termo de Ciência às fls. 174, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 10/03/2017 (fl. 197/220), razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO VOLUNTÁRIO já que presentes os requisitos de sua admissibilidade 1. DA PRELIMINAR a) nulidade A alegação de nulidade atribuída à DRJ por não ter se manifestado explicitamente sobre a alegação da Recorrente de que a I. Fiscalização deveria intimar os prestadores de serviços a apresentarem documentos que comprovassem o cancelamento da Fl. 243DF CARF MF 10 prestação dos serviços que geraram os recolhimentos indevidos de IRRF; não merece prosperar. Conforme entendimento já consolidado pela Corte Superior de Justiça, o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. A decisão ora atacada foi proferida dentro dos ditames delineados em lei, apresentando de forma clara e objetiva o motivo porque negou provimento à Manifestação de Inconformidade, para não reconhecer qualquer direito creditório, referente a Pagamento Indevido ou a Maior, utilizando o DARF, código de receita 1708 (IRRF), no valor de R$ 113.258,78, PA 31/03/2008, com vencimento em 10/04/2008, e pagamento feito em 27/05/2008. Notese que no voto ora atacado a instância a quo, registra que: 14. Ressaltese que as Cartas enviadas aos prestadores de serviços, bem como as Declarações que serviram de resposta às respectivas Cartas, não podem ser aceitas como prova, sobretudo pelas incorreções destacadas, conforme demonstrado acima. 15. Registrese que, in casu, o cancelamento ou não das notas fiscais eletrônicas não é mero procedimento formal, uma vez que a Interessada alega que a prestação de serviços de quatro fornecedores, que emitiram as respectivas notas fiscais, de fato não ocorreram, de modo que a retenção e o recolhimento de IRRF, que houve, foi indevida. 16. Reforcese que as folhas do livro Razão Analítico apresentadas pela Interessada, onde constam lançamentos contábeis cancelando os pagamentos e a retenção dos serviços desamparados dos documentos que lhes dão suporte, por si só, não são suficientes para dirimir a questão em apreço, pois os fatos nelas registrados não foram comprovados por documentos hábeis, que seriam as notas fiscais eletrônicas canceladas. Entendo ser oportuno transcrever o disposto no Artigo 923, do Decreto 3000/99, in verbis: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). 17. Diante de todo o exposto, entendo que a Interessada não se desincumbiu do ônus de comprovar os fatos alegados, faltando, pois, certeza e liquidez ao crédito pleiteado. (g.n) Ou seja, a decisão de piso deixou claro que compete ao Recorrente o ônus da prova para apresentar as notas fiscais eletrônicas canceladas. Essa foi a linha de entendimento adotada pela instância a quo; via de consequência, se o julgador entende que o ônus da prova para apresentação das notas fiscais eletrônicas canceladas é do Recorrente, despicienda, em face da convicção que já se formou, qualquer argumentação relacionada à necessidade da fiscalização em intimar os prestadores de serviço a apresentarem documentos que o julgador Fl. 244DF CARF MF Processo nº 13896.900184/201347 Acórdão n.º 2401006.483 S2C4T1 Fl. 7 11 entende que é de obrigação do Recorrente apresentar; assim, o argumento da Recorrente não se tornou essencial à solução da lide, posto que o Relator adotou tese contrária à defendida pela empresa, não preterindo seu direito de defesa, apenas adotando entendimento contrário ao seus interesses. Aliás, entendimento que esta Relatora também compartilha em sua integralidade, em especial no presente feito, pois além do respaldo legal constante no art. 333 do CPC c/c o artigo 923 do Decreto nº 3.000/99, somase ainda as circunstâncias fáticas peculiares ao presente caso, onde tanto a Interessada, ora Recorrente, como as três prestadoras de serviços que apresentaram as "Declarações de Não Prestação de Serviços", são representadas pelo mesmo socio/diretor, Sr. ROGÉRIO IGREJA BRECHA JR, conforme se verifica nos documentos abaixo: a) CPM BRAXIS TECNOLOGIA LTDA RECORRENTE.(fl. 42) ATA DE REUNIÃO DE SÓCIOS Diretor: ROGÉRIO IGREJA BRECHA JR; b) BRAXIS ERP SOFTWARE S.A (fls 222/223) DECLARAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS R$ 248.572,98 Diretor: ROGÉRIO IGREJA BRECHA JR; c) BRAXIS TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO S.A (fls. 224/226) DECLARAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS R$ 1.234.737,16 Sócio: ROGÉRIO IGREJA BRECHA JR; d) SBS SERVIÇOS DE INFORMÁTICA LTDA (fls. 227/232) DECLARAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS R$ 3.670,64 Diretor: ROGÉRIO IGREJA BRECHA JR; Dos fatos narrados e da documentação carreada aos autos, depreendese que a atuação das mencionadas empresas em alguns aspectos se assemelham a um Grupo Econômico de fato, pois possuem atividades complementares, propósito econômico comuns, formação do quadro societário com alguns indivíduos integrando todas as empresas, dentre outras características. Não há como prescindir da formalidade exigida por lei em relação ao cancelamento das notas fiscais eletrônicas, via processo administrativo, e acatar declarações unilaterais produzidas pelo mesmo representante de todas as empresas, tanto na condição de contratante como na condição de contratado. Não é possível atribuir qualquer critério de isenção e imparcialidade na produção das referidas declarações. Ou seja, o documento não é apto, apropriado, ao fim que se pretende destinar. Noutro giro, a posição que a Recorrente se coloca de mera tomadora de serviços, sem nenhum "poder" sobre as prestadoras para exigirlhes os referidos cancelamentos das notas fiscais, diante da representação comum exercida pelo Sr Rogério Igreja, referida alegação aproximase da má fé, já que como se observa, é uma prova que está inteiramente ao seu alcance e já deveria ter sido produzida desde a fase de Manifestação de Inconformidade, estando preclusa sua produção no momento presente. Assim, que fique consignado que o ônus da prova é inteiramente do Recorrente conforme já mencionado no Relatório Fiscal e Acórdão ora Recorrido, não havendo que se transferir para a fiscalização a obrigação legal do Recorrente de apresentar os Fl. 245DF CARF MF 12 documentos hábeis a demonstrar o direito que alega possuir, razão pela qual indefiro o retorno dos autos à DRJ, por entender que não houve cerceamento do direito de defesa do Contribuinte, nem tampouco que há embasamento legal para a inversão do ônus da prova por ele pretendido. Nesse diapasão, não há cerceamento de defesa em nenhuma fase do curso processual capaz de produzir qualquer tipo de nulidade ou óbice para que se avance na análise de mérito no presente feito. 2. DO MÉRITO Em seu Recurso Voluntário o contribuinte se restringe a alegar, no mérito, que tendo os serviços sido cancelados, procedeu a Recorrente aos (i)lançamentos contábeis, que identificam os débitos dos valores de IRRF na conta do passivo IRRF a Recolher – “IRRF P.J. 1708 a Rec” – referentes a essas notas, e os respectivos créditos da mesma conta – que representam os cancelamentos das notas e, consequentemente, o cancelamento dos valores a recolher, (ii) à retificação da DCTF apresentada, bem como, para fins de atendimento ao artigo 166 do Código Tributário Nacional, (iii) comunicou aos prestadores dos serviços os cancelamentos. A) DA INEXISTÊNCIA DE PROCEDIMENTO DE CANCELAMENTO DAS NOTAS FISCAIS DE SERVIÇOS PERANTE A PREFEITURA DE SÃO PAULO E AS CARTAS DE CANCELAMENTO DOS SERVIÇOS O ponto controvertido que sobreveio à análise deste colegiado referese à falta de certeza e liquidez do direito creditório, seja pela inexistência de procedimentos de cancelamento das notas fiscais dos alegados serviços não prestados perante a Prefeitura do Município de São Paulo, sejam pelas inconsistências das cartas de cancelamento fornecidas pelos prestadores dos serviços, acostadas aos autos pela Recorrente. A instância a quo entendeu que as declarações foram “emitidas em uma mesma data (14/03/2013), com rubricas de assinaturas idênticas e sem identificação, apesar, de serem de três empresas distintas, levando a crer que foram emitidas por um mesmo remetente, afastando o valor probatório de tais declarações, além de não comprovar o cancelamento das notas fiscais. Em sede de Recurso Voluntário a Recorrente esclarece que as assinaturas das Declarações são de fato oriundas do mesmo signatário; isso porque, as três empresas possuem os mesmos sócios que assinaram as declarações, conforme se observa dos primeiros sócios mencionados no quadro de sócios dos cartões de CNPJ dos prestadores que acostou ao Recurso, concluindo assim que é incabível que a forma prevaleça sobre o conteúdo, sobre pena de a I. Fiscalização passar a cobrar valores despropositados, apenas em razão de alguma irregularidade formal não ter sido cumprida. (Cita o art. 112 do CC e art.4º do CTN, além de jurisprudências administrativas para reforçar sua tese). Todavia, razão não assiste à Recorrente, senão vejamos: Conforme já me posicionei no item referente à preliminar, pertence ao contribuinte o ônus da prova de comprovar os fatos, em sede de pleito de compensação ou restituição de tributos. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 13896.900184/201347 Acórdão n.º 2401006.483 S2C4T1 Fl. 8 13 O Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73), estabelece, em caráter geral, preceito nesse sentido: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.(g.n) Já o artigo 170 do Código Tributário Nacional determina que só podem ser objeto de compensação, créditos líquidos e certos, in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (g.n) E o Artigo 923, do Decreto 3000/99,dispõe que: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais.(g.n) A Recorrente trouxe aos autos as Notas Fiscais Eletrônicas objeto da questão (123 a 126), as folhas do Razão Analítico (fls.65 a 67), as Cartas que teria enviado aos prestadores de serviço comunicando o cancelamento extemporâneo das notas fiscais (fls.133 a 147), as Declarações fornecidas pelos prestadores de serviços visando atestar os cancelamentos das notas fiscais eletrônicas (fls. 62 a 64), bem como cartões de CNPJ dos três prestadores, para demonstrar que as referidas empresas possuem o mesmo sócio que assinou as declarações de que inexistiu a prestação dos referidos serviços. (fls. 222/232). Ocorre que, como já lhe foi esclarecido pela instância a quo, o cancelamento das notas fiscais não é mero procedimento formal. O contribuinte alega que a prestação de serviços de quatro fornecedores ( embora só tenha apresentado declaração de três), que emitiram as respectivas notas fiscais, de fato não ocorreram, de modo que a retenção e recolhimento de IRRF, que houve, foi indevida. Para que seja deferido o pleito de restituição/compensação, é fundamental que esses fatos sejam comprovados, em obediência aos dispositivos legais citados acima. O que não ocorreu , já que não foram apresentadas as notas fiscais canceladas. Conforme o art. 923 do RIR/99 a escrituração contábil faz prova em favor do contribuinte, mas desde que os fatos nela registrados sejam comprovados por documentos hábeis. Assim, entendo que não podem ser aceitas como provas, como pretende o contribuinte, meras cartas enviadas por fornecedores, pertencentes ao que se assemelha a um mesmo grupo econômico de fato da Recorrente, inclusive assinada pelo mesmo diretor da Recorrente, Sr ROGÉRIO IGREJA BRECHA JR. Fl. 247DF CARF MF 14 Pois, como já fundamentado em minhas razões em sede de preliminar, não há como prescindir da formalidade exigida por lei em relação ao cancelamento das notas fiscais eletrônicas, via processo administrativo, e acatar declarações unilaterais produzidas pelo mesmo representante de todas as empresas, tanto na condição de contratante como na condição de contratado. Não é possível atribuir qualquer critério de isenção e imparcialidade na produção das referidas declarações. Ou seja, o documento não é apto, apropriado, ao fim que se pretende destinar. E também não é possível considerar a posição que a Recorrente pretende se colocar de mera tomadora de serviços, sem nenhum "poder" sobre as prestadoras para exigir lhes os referidos cancelamentos das notas fiscais, diante da representação comum exercida pelo Sr Rogério Igreja; referida alegação aproximase da má fé, já que como se observa, é uma prova que está inteiramente ao seu alcance e já deveria ter sido produzida desde a fase de Manifestação de Inconformidade, já que ele é sócio/diretor de todas as empresas envolvidas. Diante do exposto, entendo que o único documento hábil capaz de fazer prova e demonstrar que o crédito pretendido seria líquido e certo seria o cancelamento, via respectivo processo administrativo, das respectivas notas fiscais, o que, durante todo o curso processual não foi apresentado, e nem poderia pois conforme consulta realizada pela DRJ, as Notas Fiscais Eletrônicas NÃO CONSTAM COMO CANCELADAS no endereço virtual da Prefeitura do Município de São Paulo (https://nfe.prefeitura.sp.gov.br), vide cópias juntadas às fls. 170 a 173. E a Recorrente não apresentou qualquer comprovação da existência de processo administrativo objetivando o cancelamento das referidas notas fiscais eletrônicas, à luz das exigências previstas no Artigo 12, Parágrafo Único, do Decreto Nº 47.350, de 06/06/2006, da Prefeitura da Cidade de São Paulo Razão pela qual não há como se reconhecer qualquer direito creditório referente a pagamento indevido ou maior da Recorrente. B) ORDEM CRONOLÓGICA DOS FATOS . RECOLHIMENTO IRRF O Recorrente alega ainda em sede recursal que ao traçar a ordem cronológica envolvendo o recolhimento do IRRF, a apresentação das DCTFs original e retificadora, a apresentação de PER/DCOMP e as declarações firmadas entre os prestadores dos serviços e a Recorrente, a I. Fiscalização procurou evidenciar erros de procedimento que ensejariam no não reconhecimento do crédito. Todavia, diante do elevado grau burocrático, é esperado que os contribuintes de grande porte, como é o caso do Recorrente, incorram em erros, havendo, inclusive, mecanismos para corrigilos. Referidos erros comumente são verificados somente por meio de auditorias, realizadas tempos após a ocorrência do ato.E a verificação do erro com a correspondente correção deve ser admitida para fins fiscais, tendo em vista que os mecanismos próprios para tanto estão previstos em lei. Nesse contexto, mister se faz afirmar que foi exatamente o que ocorreu no caso em tela, tendo originado a confusão cronológica dos atos que legitimaram a existência do crédito de IRRF. A DCTF do período foi devidamente retificada quando o procedimento de auditoria verificou a inconsistência. A mesma situação ocorreu com as declarações para fins de ISS apresentadas pela Recorrente aos prestadores dos serviços. Desta feita, não há que se falar de procedimentos suspeitos quando as retificações e providências foram realizadas nos termos da lei. Assim, uma vez provada a impossibilidade de constituição de crédito tributário por erro de declaração, é de rigor seja reformado o r. despacho decisório combatido para que restem homologadas as compensações realizadas pela Recorrente. Novamente, não assiste razão ao Contribuinte, senão vejamos. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 13896.900184/201347 Acórdão n.º 2401006.483 S2C4T1 Fl. 9 15 Conforme relatado pela DRJ e pela I. Fiscalização a ordem cronológica em que os fatos ocorreram não corroboraram o reconhecimento de crédito do contribuinte; por óbvio que erros ocorrem, todavia os mecanismos de correção utilizados pelo Recorrente, não estavam aptos a serem admitidos para fins fiscais, nem tampouco a legitimar a existência de eventual crédito de IRRF, e, ao contrário do entendimento esposado pela Recorrente, após a análise dos presentes autos e das provas nele carreadas, verificouse que as retificações e providências não foram realizadas nos termos da lei, faltando demonstrar o principal, que é a certeza e liquidez dos créditos que se pretendia obter autorização para compensar. Assim, mantenho o entendimento esposado pela DRJ de que não há como se reconhecer qualquer direito creditório referente a pagamento indevido ou maior da Recorrente 3. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso rejeitar a preliminar e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pela falta de certeza e liquidez do direito creditório pleiteado, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 249DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.006611/2006-46
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
NULIDADE DECLARADA DE OFÍCIO - DECISÃO DRJ - ENFRENTAMENTO DO MÉRITO - CERCEAMENTO DE DEFESA - DEVIDO PROCESSO LEGAL
A decisão da DRJ deve enfrentar o mérito da lide, sobretudo analisando e pontuando os documentos apresentados pelo contribuinte em sede de impugnação, sob pena de nulidade pela violação do devido processo legal, provocando verdadeiro cerceamento de defesa
Numero da decisão: 2002-000.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário e declarar nula a decisão de piso, devendo os autos retornarem a DRJ para que se enfrente o mérito da lide, vencido a conselheiro Virgílio Cansino Gil que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 NULIDADE DECLARADA DE OFÍCIO - DECISÃO DRJ - ENFRENTAMENTO DO MÉRITO - CERCEAMENTO DE DEFESA - DEVIDO PROCESSO LEGAL A decisão da DRJ deve enfrentar o mérito da lide, sobretudo analisando e pontuando os documentos apresentados pelo contribuinte em sede de impugnação, sob pena de nulidade pela violação do devido processo legal, provocando verdadeiro cerceamento de defesa
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Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário e declarar nula a decisão de piso, devendo os autos retornarem a DRJ para que se enfrente o mérito da lide, vencido a conselheiro Virgílio Cansino Gil que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 66 11 /2 00 6- 46 Fl. 388DF CARF MF 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 19 a 31), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$28.547,43, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 45 a 239 dos autos, que, conforme decisão da DRJ: 2. Inconformado com a autuação da qual tomou ciência em 18.12.2006 (fl. 09), o contribuinte apresentou impugnação em 16.01.2007 (fls. 106/118) alegando: a) Que a lavratura de auto de infração sem prévia anuência do contribuinte seria nula; b) Que o fiscal poderia propor, mas não impor multa; c) Que o valor da multa seria absurdo e caracterizaria confisco; d) Que não poderia haver a cobrança concomitante de multa e juros; e) Que a taxa SELIC não poderia ser aplicada a titulo de juros de mora. 3. Por fim, requereu: a) Que o lançamento fosse considerado improcedente; b) Que, subsidiariamente, fosse afastada a cobrança da multa e utilizada a taxa de juros de 1% ao mês. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/BEL, que, por unanimidade, em 23/12/2008, no acórdão 0112.759, às efls. 357 a 359, julgou a impugnação improcedente. Recurso Voluntário Ainda inconformado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário, às efls. 369 a 383, alegando, em síntese, que: Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10830.006611/200646 Acórdão n.º 2002000.878 S2C0T2 Fl. 389 3 · que o auto de infração deve ser afastado, pois o contribuinte anexou todos os recibos originais; · que a multa de mora é improcedente, vez que possui efeito confiscatório; · que a cobrança de juros de mora e multa de mora configura bis in idem; · a taxa SELIC não pode ser aplicada ao caso, vez que sua finalidade é remunerar o capital. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 28/05/2009, efls. 365, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 25/06/2009, efls. 383, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. O contribuinte foi autuado pela dedução indevida das seguintes despesas médicas, conforme Termo de Verificação Fiscal (TVF), às efls. 07 a 17: Em sua impugnação, o contribuinte pede a exclusão do crédito tributário, anexando diversos recibos que, em sua opinião, são provas cabais que demonstram as despesas médicas contraídas. Fl. 390DF CARF MF 4 Em que pese a anexação de vasta documentação, a decisão da DRJ sequer se manifesta quanto a matéria objeto do lançamento, qual seja, a glosa das despesas médicas dos anoscalendário 2001, 2002 e 2003. Por mais que o contribuinte não alegue nulidade da decisão de piso, em sede de Recurso Voluntário, por tratarse de patente ferimento ao direito de defesa do contribuinte, é competência deste CARF, de ofício, anular a decisão a quo para novo pronunciamento da DRJ quanto ao mérito da lide. É o que se extrai do inciso II do artigo 59, do Decreto nº 70.235/72: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Em que pese o §3º do supracitado artigo aduza que, quando a autoridade julgadora puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo da obrigação tributária, suprirseá declaração de nulidade, como no presente caso, tratase de um julgamento colegiado e cada conselheiro desta turma tem o livre convencimento para fundamentar a decisão proferida, o resultado da contenda pode ser desfavorável ao contribuinte, de forma que o acolhimento da nulidade seja a medida mais razoável para se preservar o devido processo legal, ampla defesa e contraditório. O artigo 60 do mesmo diploma legal também preleciona que a declaração de nulidade deve ocorrer caso configure prejuízo ao sujeito passivo da obrigação tributária: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Como alhures mencionado, a meu sentir, resta configurado o prejuízo ao contribuinte, vez que tratase de verdadeira supressão de instâncias. Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10830.006611/200646 Acórdão n.º 2002000.878 S2C0T2 Fl. 390 5 É imperativo, em um Estado Democrático de Direito, que se respeite o devido processo legal, sobretudo se a providência administrativa implicar sanções. É o que se extrai do artigo 5º, incisos LIV, LV da CRFB/88: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) LIV ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; (...) Feitas estas considerações, dou provimento parcial e declaro nula a decisão de piso, devendo os autos retornarem a DRJ para que se enfrente o mérito da lide. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 392DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720193/2014-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
AJUSTES AO LUCRO LÍQUIDO. TRIBUTOS SOB EXIGIBILIDADE SUSPENSA. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO DA CSLL. OBRIGATORIEDADE.
Despesas com tributos e contribuições contabilizados no período por regime competência cuja exigibilidade tenha sido suspensa devem ser adicionados à base de cálculo da CSLL.
ALEGAÇÃO DE TRIBUTAÇÃO DE VALORES BRUTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Compete à interessada comprovar que as adições feitas ao Lucro Real que deixaram de ser feitas às bases da CSLL deveriam ter sido confrontadas com outras exclusões.
Numero da decisão: 1201-002.885
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo a tributação. Vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Alexandre Evaristo Pinto, que davam provimento. Apresentou declaração de voto o conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) Presidente
(assinado digitalmente)
Allan Marcel Warwar Teixeira Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: ALLAN MARCEL WARWAR TEIXEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 AJUSTES AO LUCRO LÍQUIDO. TRIBUTOS SOB EXIGIBILIDADE SUSPENSA. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO DA CSLL. OBRIGATORIEDADE. Despesas com tributos e contribuições contabilizados no período por regime competência cuja exigibilidade tenha sido suspensa devem ser adicionados à base de cálculo da CSLL. ALEGAÇÃO DE TRIBUTAÇÃO DE VALORES BRUTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Compete à interessada comprovar que as adições feitas ao Lucro Real que deixaram de ser feitas às bases da CSLL deveriam ter sido confrontadas com outras exclusões. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo a tributação. Vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Alexandre Evaristo Pinto, que davam provimento. Apresentou declaração de voto o conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 01 93 /2 01 4- 31 Fl. 977DF CARF MF Processo nº 16682.720193/201431 Acórdão n.º 1201002.885 S1C2T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Allan Marcel Warwar Teixeira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que manteve autuação fiscal de CSLL referente ao anocalendário de 2009. A motivação da autuação fiscal residiu no fato de ter deixado a Recorrente de adicionar também à base de cálculo da CSLL valores reputados com natureza de provisão, os quais haviam sido regulamente adicionados ao Lucro Real. Em sede de Impugnação, alegou a Recorrente, em síntese, que: · A fiscalização classificou erradamente como provisões pagamentos e parcelamentos efetuados em programas de anistia/remissão, além de parte referente a tributos com a exigibilidade suspensa, hipóteses não abarcadas pela legislação de regência. · Inexiste identidade entre as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, tendo a autuação desrespeitado o disposto no art. 57 da Lei 8.981/95, que dispõe sejam mantidas as bases de cada tributo; · Há ausência de base legal vedando a dedução conforme os dispositivos utilizados pela fiscalização; · No caso de tributos com exigibilidade suspensa, estes são indedutíveis apenas nas hipóteses previstas nos incisos II a IV do art. 151 do CTN; e · Este entendimento já teria sido objeto de pronunciamento pela própria RFB em Solução de Consulta e diversos precedentes do CARF. A Impugnação foi julgada improcedente pela DRJ/RJO em acórdão assim ementado: Fl. 978DF CARF MF Processo nº 16682.720193/201431 Acórdão n.º 1201002.885 S1C2T1 Fl. 4 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apresentando nítido caráter de provisão. Nos casos de parcelamento em que não há comprovação cabal, através de documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, demonstrando que no ano calendário em curso a situação tributária havia sido definida, não há como ser afastada a imputação fiscal. ARGUIÇÕES DE ILEGALIDADE E DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, e são incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e de ilegalidade de atos legais regularmente editados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Irresignada, interpôs a Recorrente Recurso Voluntário alegando, em síntese, que: · A decisão da DRJ baseouse em premissa diversa da situação sob análise, no tocante à declaração de incompetência para conhecer de questões atinentes a inconstitucionalidade da legislação, quando o questionamento é de eventual ilegalidade; · Esquivouse de enfrentar o questionamento quanto ao fato de os valores em questão tomados por base na autuação se referirem a situação definitiva provocada por baixa de provisões para pagamento de tributos; No mais, reiterou as suas razões aduzidas na Impugnação, pedindo o cancelamento da autuação fiscal. Conversão do feito em diligência Fl. 979DF CARF MF Processo nº 16682.720193/201431 Acórdão n.º 1201002.885 S1C2T1 Fl. 5 4 Às fls. 823, decidiu o colegiado converter o julgamento em diligência com o fim de que a DRF de origem juntasse aos autos o pedido e a consolidação dos tributos e contribuições parcelados pela Recorrente no âmbito da Lei 11.941/2009. Às fls. 901, decidiu o colegiado converter o julgamento em nova diligência, desta vez com o fim de se esclarecer se havia na base de cálculo do Auto de Infração valores que não se enquadrariam nas hipótese previstas no art. 151 do CTN. Em resposta ao solicitado nesta segunda Resolução, a autoridade preparadora foi categórica informando não ter encontrado, entre as parcelas sob litígio, nenhuma que correspondesse aos incisos I, V e VI do art. 151 do CTN, isto é, moratória, liminar ou tutela antecipada e parcelamento esta última, a alegada pela Recorrente. Reproduzo trecho do relatório de diligência que sintetiza a conclusão: Pois bem, a contribuinte foi então intimada a, em relação as suas contas contábeis de provisão para contingências tributárias, as mesmas apresentadas no quadro acima citado, apresentar os lançamentos contábeis que constituem os valores de despesas não adicionadas na apuração da base de cálculo da CSLL e, também, comprovar que tais lançamentos correspondem a despesas referentes à exigibilidade suspensa em função dos incisos I, V e VI do artigo 151 do CTN. Desta forma, mais uma oportunidade estava sendo dada à contribuinte para comprovar suas repetidas alegações. Em resposta, o sujeito passivo manteve a argumentação até aqui exposta. Apresentou, também, uma “recomposição dos lançamentos do 1º trimestre de 2009”. Nas palavras da contribuinte, “a título meramente exemplificativo, e por se tratar do trimestre com valores mais relevantes”. Segue a mesma, defendendo mais uma vez que “seu principal argumento é o de que, embora por vezes semelhantes, IRPJ e CSLL não se confundem”. Concluise, destarte, que apesar das repetidas oportunidades, não avançam as alegações da impugnante. Prosseguese a ausência de comprovação, da apresentação de documentação, hábil e idônea, capaz através de elementos concretos demonstrar a divergência entre os valores adicionados a título de IRPJ e CSLL que justificasse o tratamento divergente na apuração de suas bases de cálculo no que se refere aos valores lançados e objetos deste processo. Finalmente, em Memoriais, a Recorrente explica, por outro ângulo, por quais razões os valores tributados no Auto de Infração abarcariam outros que, conforme suas alegações, não deveriam compor a base da CSLL. Fl. 980DF CARF MF Processo nº 16682.720193/201431 Acórdão n.º 1201002.885 S1C2T1 Fl. 6 5 Explica ainda a Recorrente que a Fiscalização teria tomado valores brutos referentes a adições feitas no LALUR sem perceber que para estes registros havia uma vinculação com exclusões registradas em outra parte do livro fiscal. Conclui que, na pior das hipóteses, a atuação deveria ter tido por base outro valor, absolutamente menor, em razão de necessário prévio confronto das adições com as exclusões correspondentes. É o relatório Voto Conselheiro Allan Marcel Warwar Teixeira, Relator Admissibilidade O recurso atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Mérito 1 Da obrigatoriedade de se adicionar também à base da CSLL despesas com tributos sob exigibilidade suspensa Alega a Recorrente que não adicionou os tributos com exigibilidade suspensa ao resultado ajustado da CSLL por entender não haver previsão legal neste sentido. Vejo a previsão legal nos próprios dispositivos da Lei 8.981/1995 citados no próprio Recurso Voluntário, aos quais reproduzo a seguir: Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial. (...) Fl. 981DF CARF MF Processo nº 16682.720193/201431 Acórdão n.º 1201002.885 S1C2T1 Fl. 7 6 Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) Embora não se questione que as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL sejam diferentes implicando, portanto, reconhecer a inexistência de identidade entre as adições e exclusões tanto de um, quanto de outro , neste caso entendo que os ajustes no lucro líquido referente a aplicação ou não do regime de competência estendese também à CSLL. Assim, julgo improcedente a alegação de que a apuração da CSLL não deve observância ao regime de caixa no que se refere a despesas com tributos sob exigibilidade suspensa. 2 Tributos sob exigibilidade suspensa por parcelamentos e moratória Alega a Recorrente que, entre os valores adicionados pela fiscalização à base de cálculo da CSLL, haveria parcelamentos e, inclusive, moratória, hipóteses do art. 151 do CTN que não teriam sido eleitas pela lei 8.981/1995 para observarem o regime de caixa. Não tendo a lei mencionado os incisos I (moratória), V (concessão de tutela antecipada ou liminar em outras espécies de ação judicial) e VI (parcelamento), sustenta a Recorrente que seus parcelamentos deveriam ser reconhecidos por regime de competência, e não de caixa,conforme o previsto no art. 41 da Lei 8.981/1995. A tomar como verídicas as alegações da Recorrente, a sua conduta seria contraditória, pois estes mesmos motivos justificariam a também não adição destas mesmas despesas com tributos com exigibilidade suspensa à base do IRPJ. Como visto, a Recorrente adicionou estes valores à base do IRPJ. Mas, ainda que se tome como um equívoco as adições feitas pela Recorrente à base do IRPJ, a questão de direito suscitada não estarem os tributos parcelados sujeitos ao reconhecimento como despesa por regime de caixa a meu ver, não procede. Em primeiro lugar, analiso as alegações de parcelamento. O fato de o art. 41 da Lei 8.981/1995 fazer remissão apenas aos incisos II a IV do art. 151 do CTN não quer dizer que os incisos V e VI não devam observar a mesma regra. Isto porque a lei em comento não quis eleger casuisticamente os incisos II a IV, mas, sim, excluir o inciso I, referente à moratória, tendo apenas, no entanto, não se utilizado da melhor redação. Fl. 982DF CARF MF Processo nº 16682.720193/201431 Acórdão n.º 1201002.885 S1C2T1 Fl. 8 7 Como os incisos V (concessão de tutela antecipada ou liminar em outras espécies de ação judicial) e VI (parcelamento) foram incluídos no art. 151 do CTN após a lei 8.981/1995, entendo tratarse de um problema relacionado à desatualização da remissão aos incisos. A razão da dispensa do inciso I (moratória) é óbvia: tratandose de concessão legal para casos extremos, de calamidade pública ou grave comprometimento da ordem econômica, a moratória tem por público e notório que não foi o contribuinte por ela beneficiado quem deu causa a seu estado de inadimplência ou mesmo de insolvência, justificandose, portanto, a diferença de tratamento. Não se pode comparar a situação de alguém que recebe moratória com as demais previstas nos outros incisos do art. 151 do CTN como, por exemplo, a de quem adere a estes tantos estes programas de remissões e anistias, comumente chamados de parcelamentos. Assim, a faculdade concedida a um contribuinte sob moratória, de reconhecer antecipadamente determinadas despesas antes mesmo de estas serem pagas, trata de um benefício fiscal (permissão para deduzir antecipadamente despesas tributárias) sobre outro (suspensão da exigibilidade por moratória), claramente justificáveis. Tanto o parcelamento, quanto a concessão de liminar em ações diversas da do mandado de segurança, bem como de tutela antecipada, devem, portanto também, observar o regime de caixa, posto não haver qualquer razão para se beneficiarem com o registro antecipado de despesas tributárias pelo regime de competência. Do contrário, teríamos a absurda situação onde uma liminar concedida em mandado de segurança para suspender a exigibilidade de tributos provocaria a adoção do regime de caixa para estas despesas, enquanto uma liminar em outros ritos ou a concessão de tutela antecipada na ação ordinária importaria adoção do regime de competência, permitindo postergação no pagamento do tributo. Interpretar desta forma provocaria, assim, uma diferenciação absurda, por ter como critério para o discrímen o tipo de ação judicial escolhida pelo autor. Por isso entendo que a lei quis apenas excluir a moratória porque, como já exposto, esta possui claras razões para ser beneficiada em relação às demais hipóteses. Dito isto, é de se acrescentar, ainda, que não se pode esperar do legislador que atualize as remissões vindas de todos os dispositivos legais ordinários ao CTN quando resolver apenas alterar a redação deste último. Assim, não faz sentido, a pretexto de se observar uma suposta legalidade baseada na pobreza de uma interpretação literal que privilegia as remissões desatualizadas de uma lei ordinária, sustentar que quem pede parcelamento ou obtém antecipação de tutela deve gozar do mesmo benefício fiscal concedido a quem recebeu moratória. Embora ainda a Recorrente alegue também ter sido beneficiada por moratória, não comprovou tal fato. Por ser concedida de forma absolutamente excepcional pelos entes tributantes, devese assumir, por falta de comprovação, que a Recorrente não foi beneficiada por moratória, em sentido estrito, no período da autuação. Por todo o exposto, julgo improcedente a alegação de que a apuração da CSLL, no caso de despesas com tributos parcelados, não está obrigada a observar o regime de Fl. 983DF CARF MF Processo nº 16682.720193/201431 Acórdão n.º 1201002.885 S1C2T1 Fl. 9 8 caixa conforme o previsto no §1º do art. 41 da Lei 8.981/95. Quanto a alegação de moratória, julgo improcedente por não ter comprovado a Recorrente ter sido beneficiada com este tipo de regime. 3 Da natureza das parcelas adicionadas pela Fiscalização à base de cálculo da CSLL Contesta a Recorrente alegando que a fiscalização acabou por adicionar despesas que teriam sido efetivamente pagas no ano em questão, referentes a tributos incluídos em programas instituídos pelos governos federais ou estaduais, mormente, cotas de parcelamentos. A acusação fiscal, por outro lado, afirma apenas ter a Recorrente deixado de adicionar à base de cálculo da CSLL adições feitas ao Lucro Real sob o título de "Tributos e Contribuições com Exigibilidade Suspensa". A seguir, reproduzo trecho do LALUR referente ao 1TRI/2009, a título de exemplificação (fls. 10), de onde foram extraídos pela fiscalização os valores tomados por base para a autuação da CSLL: Este é o exato valor, como se observa no TVF, tomado por base na autuação da CSLL no 1º trimestre: Fl. 984DF CARF MF Processo nº 16682.720193/201431 Acórdão n.º 1201002.885 S1C2T1 Fl. 10 9 Esta constatação foi devidamente levada a conhecimento da Recorrente ainda no curso do procedimento fiscal, conforme intimação de fls. 3 a 4, que teve por propósito questionar o porquê desta diferença de procedimentos adotada pela então fiscalizada para o IRPJ e a CSLL. Em resposta à intimação, informou a Recorrente que não haveria obrigatoriedade de observar, para a CSLL, as mesmas adições feitas ao Lucro Real para o caso em tela. Mas não alegou tratarse de parcelamentos ou de cotas destes, o que só fez na impugnação. De todo o caso, o Colegiado chegou a converter o julgamento em diligência, conforme fls. 823 e 901, exatamente para confirmar qual seria a natureza destes valores, isto é, se dentre eles haveria parcelamentos ou cotas de pagamento destes. A própria autoridade preparadora, em sede de diligência, examinando também os documentos apresentados pela Recorrente, não encontrou entre os valores adicionados à base da CSLL na autuação fiscal nenhum que tivesse relação com parcelamentos ou outras hipóteses que excepcionasse a obrigatoriedade do regime de caixa para a dedutibilidade de tributos com exigibilidade suspensa, como se observa: Pois bem, a contribuinte foi então intimada a, em relação as suas contas contábeis de provisão para contingências tributárias, as mesmas apresentadas no quadro acima citado, apresentar os lançamentos contábeis que constituem os valores de despesas não adicionadas na apuração da base de cálculo da CSLL e, também, comprovar que tais lançamentos correspondem a despesas referentes à exigibilidade suspensa em função dos incisos I, V e VI do artigo 151 do CTN. Desta forma, mais uma oportunidade estava sendo dada à contribuinte para comprovar suas repetidas alegações. Em resposta, o sujeito passivo manteve a argumentação até aqui exposta. Apresentou, também, uma “recomposição dos lançamentos do 1º trimestre de 2009”. Nas palavras da contribuinte, “a título meramente exemplificativo, e Fl. 985DF CARF MF Processo nº 16682.720193/201431 Acórdão n.º 1201002.885 S1C2T1 Fl. 11 10 por se tratar do trimestre com valores mais relevantes”. Segue a mesma, defendendo mais uma vez que “seu principal argumento é o de que, embora por vezes semelhantes, IRPJ e CSLL não se confundem”. Concluise, destarte, que apesar das repetidas oportunidades, não avançam as alegações da impugnante. Prosseguese a ausência de comprovação, da apresentação de documentação, hábil e idônea, capaz através de elementos concretos demonstrar a divergência entre os valores adicionados a título de IRPJ e CSLL que justificasse o tratamento divergente na apuração de suas bases de cálculo no que se refere aos valores lançados e objetos deste processo. Frisese ainda que os valores tomados pela Fiscalização referemse à constituição de tributos (créditos tributários) suspensos na parte A do LALUR sobre os quais a própria fiscalizada reconheceu a necessária adição ao Lucro Real. A Recorrente, por outro lado, alega também que estes valores resultariam de reversões de provisões, contestação que não teria sido enfrentada pela DRJ. Ocorre que reversões de provisões implicam exclusões ao Lucro Real, sendo que a autuação fiscal trata de adições. Vale ressaltar ainda, a acusação fiscal não trata também de exclusão de valores da base de cálculo da CSLL como por vezes a Recorrente faz menção , mas de valores que lá deveriam ter sido adicionados. E foi seguindo o escriturado no LALUR que concluiu a fiscalização pela necessidade de adição destes valores à base da CSLL. Além disso, os registros no LALUR de adição aqui mencionados fazem clara referência à Lei 8.981/95, cujo §1º do art. 41 é o que exclui do regime de competência o reconhecimento de despesas referentes a tributos com exigibilidade suspensa, reforçando a conclusão a que ora se chega acerca de a verdadeira natureza de tais parcelas tributadas na autuação fiscal não estarem, portanto, excepcionadas ao regime de caixa. Ao menos em face do até aqui examinado, julgo improcedentes as alegações de que entre os valores adicionados pela fiscalização à base de cálculo da CSLL haveria pagamentos de tributos feitos no próprio ano de apuração. 4 Da não consideração de exclusões no LALUR supostamente relacionadas às adições tributadas Em memoriais, a Recorrente arguiu que deveriam ter sido consideradas no cálculo do auto de infração determinadas exclusões no LALUR que, em tese, relacionarseiam com as adições tributadas. Entre elas, baixas de provisões. Fl. 986DF CARF MF Processo nº 16682.720193/201431 Acórdão n.º 1201002.885 S1C2T1 Fl. 12 11 Entendo que a alegação, apesar de trazida em memoriais, deve ser conhecida, pois se trata, na essência, de questão já provocada no Recurso Voluntário, porém reformulada. Alega a Recorrente que a autoridade autuante deveria ter tomado o valor líquido resultado do confronto com as exclusões referentes a reversão de saldo de contingência de tributos com exigibilidade suspensa; que os valores tributados no Auto de Infração abarcam outros que não deveriam ser tributados, por se referirem a situações definitivas. Para demonstrar isto, aponta as fls. do LALUR de onde foram extraídos pela fiscalização os registros de adição e aponta as outras fls. onde estariam os registros correspondentes de exclusão, em tese deixados de serem confrontados quando dos cálculos da autuação fiscal. Por exemplo, verificase que a fiscalização extraiu as adições feitas a título de tributos sob exigibilidade suspensa relativas ao 1TRI/2009 do trecho a seguir (fls.10): Adições: Como se observa acima, o lançamento no LALUR discrimina que se trata de ajuste feito por meio de subcontas, isto é, contas analíticas existentes no plano de contas que existem para a finalidade legal de neutralizar determinados efeitos contábeis no Lucro Real. As exclusões envolvendo praticamente as mesmas subcontas encontramse, de fato, às fls. 18: Exclusões: Fl. 987DF CARF MF Processo nº 16682.720193/201431 Acórdão n.º 1201002.885 S1C2T1 Fl. 13 12 Aparentemente, vejo que a Recorrente busca demonstrar, ao menos em parte, os lançamentos destas subcontas da seguinte forma: Fl. 988DF CARF MF Processo nº 16682.720193/201431 Acórdão n.º 1201002.885 S1C2T1 Fl. 14 13 Compulsando os documentos juntados pela Recorrente aos autos, cheguei, contudo, à mesma conclusão tirada em primeira instância, a qual tomo a liberdade de reproduzir: Contudo, em que pese a interessada trazer inúmeros documentos em conjunto a sua peça defensiva, não se consegue inferir se há correspondência entre o quadro demonstrativo da impugnação nos valores objeto de autuação, já que não há uma consolidação comparativa entre o que foi adicionado no IRPJ e glosado pelo fisco para a CSLL e a documentação trazida pela interessada, totalmente desencontrada e com inúmeras informações não discriminadas ou consolidadas que tivesse o condão de demonstrar que tudo o que foi adicionado ao lucro real para os quatro trimestres de 2009 a título de tributos e contribuições com a exigibilidade suspensa era exatamente o que constava do quadro demonstrativo. Ou seja, não há como correlacionar os documentos juntados e o quadro acima com os valores e os motivos adotados no lançamento. A conclusão semelhante chegou a autoridade preparadora, em diligência determinada por este Colegiado, no sentido de não ter encontrado registros que justificassem as alegações da Recorrente, como já expus no item 2 deste meu voto. A se tomar ainda como verdadeiras as informações no quadro produzido pela Recorrente, a conclusão contábilfiscal que se poderia tirar, na melhor das hipóteses, é que tais justificativas se relacionam apenas com as exclusões (ver quadros logo acima), posto que, uma vez tornadas certas determinadas obrigações tributárias provisionadas no balanço, estas são baixadas e a providência a ser tomada na escrita fiscal é a de excluir tais valores do Lucro Real. Mas, quanto às adições em razão de reconhecimento contábil de créditos tributários sob exigibilidade suspensa, como está registrado no LALUR e que deram causa à autuação, nada é possível afirmar. Isto porque o fato ainda de se constatar algumas das mesmas subcontas contábeis estarem registradas tanto no lado das adições, quanto no lado das exclusões, não permite inferir que o que deu causa às exclusões derive ou se relacione com o que deu causa às adições. Aliás, tenho dificuldade em conceber de que forma uma baixa de provisão para contingências tributárias poderia ser uma causa ou uma consequência de uma adição ao Lucro Real por extinção destas mesmas obrigações, em linha do que tentar demonstrar a Recorrente. Assim, julgo improcedente, por falta de devida comprovação, que os valores tomados na autuação deveriam ser líquidos das exclusões registradas no LALUR referentemente às mesmas subcontas contábeis envolvidas. Fl. 989DF CARF MF Processo nº 16682.720193/201431 Acórdão n.º 1201002.885 S1C2T1 Fl. 15 14 5 Da Inexistência de ofensa ao princípio da legalidade na autuação fiscal Alega a Recorrente que a fiscalização fundamentou equivocadamente a autuação fiscal. Isto porque, para formalizar a cobrança, indicou os arts. 2º, §1º, c, item 3 da Lei 7.689/88 e o art. 13, I, da Lei 9.249/95, sendo que nenhum destes dispositivos vedariam expressamente a dedução de valores que tenham exigibilidade suspensa. Assim, restaria caracterizada ofensa ao princípio da legalidade nos termos em que foi lavrada a autuação fiscal. Os dispositivos mencionados no Termo de Verificação são os seguintes: Lei 7.689/88 Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1º Para efeito do disposto neste artigo: (...) c ) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) (...) 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) Lei 9.249/95 Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; (Vide Lei 9.430, de 1996) Fl. 990DF CARF MF Processo nº 16682.720193/201431 Acórdão n.º 1201002.885 S1C2T1 Fl. 16 15 Também não assiste razão à Recorrente quanto a este ponto. Observase que os dispositivos retromencionados, citados no TVF, não estão incorretos para o caso aplicado, posto que a acusação fiscal descreve terem os valores questionados natureza de provisão. Ou seja, não disse a autoridade autuante que os valores eram provisões, mas que teriam a mesma natureza destas, por serem tributos com exigibilidade suspensa. Daí a indicação dos artigos referentes a provisões. E o raciocínio da autoridade autuante está correto, pois tanto provisões quanto tributos com exigibilidade suspensa têm expectativas incertas quanto ao momento de suas realizações. Isto explica a referência a terem a mesma natureza. Logo, seja por terem natureza de provisão, seja por deverem observância ao art. 41 da lei 8.981/95, as despesas com tributos sob exigibilidade suspensa devem ser reconhecidas por regime de caixa. A autoridade atuante apenas não citou os dispositivos legais mais específicos que respaldam o seu raciocínio em relação a necessária adição de tais parcelas às bases da CSLL, os artigos 41, §1º, e 57 da Lei 8.981/95, mas tal imprecisão em nada prejudicou nem a defesa e nem a classificação jurídica (ou fiscal) aplicada na autuação. Assim sendo, julgo improcedente a alegação de ofensa da autuação fiscal ao princípio da legalidade. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Allan Marcel Warwar Teixeira Relator Fl. 991DF CARF MF Processo nº 16682.720193/201431 Acórdão n.º 1201002.885 S1C2T1 Fl. 17 16 Declaração de Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli. Na sessão de julgamento do recurso voluntário interposto nos autos do presente processo, solicitei declaração de voto no tocante às teses vencidas, quais sejam: (i) a de que a dedução de tributos com exigibilidade suspensa pela regra do regime de caixa, prevista no art. 344 do RIR/99, não se aplica à CSLL; e (ii) de que o parcelamento dos tributos suspensos desqualifica a natureza de provisão que foi conferida aos dispêndios pela autoridade autuante. Com efeito, de acordo com o caput do art. 344 do RIR/99 (cuja base legal é justamente o art. 41 da Lei nº 8.981/95), os tributos são dedutíveis, para fins de apuração do lucro real, segundo o regime de competência. No entanto, o § 1º do referido artigo esclarece que a referida dedutibilidade, a qual, repitase, é dirigida apenas ao lucro real, não se aplica aos tributos suspensos em razão de depósito, medida liminar em Mandado de Segurança ou discussão administrativa (incisos II, III e IV do art. 151 do CTN), os quais podem ser deduzidos excepcionalmente pelo regime de caixa. Nesse contexto, cumpre observar que, quando da edição da Lei nº 8.981/95, a CSLL já existia (ela foi instituída pela Lei nº 7.689/88). Assim, se o legislador realmente quisesse tornar tais valores indedutíveis também da sua base de cálculo, deveria ter feito de forma expressa. Isso porque, em razão da estrita legalidade, não cabe ao intérprete acrescentar disposição ou vedação quando a lei assim não prescrever. Notase, aqui, que ainda que a regra geral de dedutibilidade (art. 299 do RIR/99) seja aplicável ao IRPJ e CSLL, havendo regras específicas, estas devem ser dirigidas em conformidade ao comando legal, o qual, nesse caso, deixou de igualar o referido tratamento. Não custa lembrar, nesse ponto, que as grandezas passíveis de tributação (renda IRPJ x lucro líquido CSLL) não necessariamente são iguais. Tanto é assim que o artigo 57 da Lei n. 8.981/95 dispôs que, embora a CSLL deva obedecer às mesmas normas (gerais) de apuração e pagamento do IRPJ, deve ser mantida a base de cálculo prevista na legislação. Isso significa dizer que a regra de regime de caixa para fins de dedução de tributos com exigibilidade suspensa na forma dos incisos II, III e IV do art. 151 do CTN não deveria ser estendida à CSLL. Não há base legal para isso... Mas, não é só. Outro fato que chama atenção é o de que a fiscalização, ao apontar os dispositivos legais que embasaria a adição fiscal, passa a sustentar que os lançamentos Fl. 992DF CARF MF Processo nº 16682.720193/201431 Acórdão n.º 1201002.885 S1C2T1 Fl. 18 17 correspondentes às despesas adicionadas possuiriam natureza de provisão e, portanto, indedutíveis da base de cálculo da CSLL por existir norma expressa nesse sentido. Nenhum reparo caberia ao raciocínio, não fosse, é certo, a existência de parcelamento dos débitos, parcelamento este no qual, digase, sequer constitui hipótese de suspensão incluída no § 1º, do artigo 41 da Lei nº 8.981/95. Não obstante, o parcelamento, como se sabe, pressupõe a confissão do débito, razão pela qual ele constitui um passivo exigível, vale dizer, uma “obrigação” dedutível, e não a uma “provisão” (indedutível). Feitas essas considerações, entendo que a adição fiscal que gerou a cobrança ora discutida não se sustenta, razão pela qual o recurso voluntário deve ser considerado procedente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 993DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.002554/2001-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 07 00:00:00 UTC 2010
Ementa: II- CLASSIFICAÇÃO FISCAL
Fato gerador: 10/07/2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE DE INGERÊNCIA NO PROCESSO DE CONSULTA.
Não se admite a anulação de auto de infração tão-somente com base em análise do processo de consulta, sob pena de se avocar competência não estabelecida na legislação. Ingerência incabível, também, por se transmudar, o órgão julgador, no processo administrativo fiscal, em verdadeira instância recursal de decisão tomada em processo de consulta.
Retorno dos autos à DRJ para a análise do auto de infração.
Numero da decisão: 9303-001.289
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Vencido(a) o(a) Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto
Nome do relator: Susy Gomes Hofmann
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E SOTENCO EQUIPAMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: II CLASSIFICAÇÃO FISCAL Fato gerador: 10/07/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE DE INGERÊNCIA NO PROCESSO DE CONSULTA. Não se admite a anulação de auto de infração tãosomente com base em análise do processo de consulta, sob pena de se avocar competência não estabelecida na legislação. Ingerência incabível, também, por se transmudar, o órgão julgador, no processo administrativo fiscal, em verdadeira instância recursal de decisão tomada em processo de consulta. Retorno dos autos à DRJ para a análise do auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Vencido(a) o(a) Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 1DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12466.002554/200142 Acórdão n.º 9303001.289 CSRFT3 Fl. 2 2 Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Nayra Bastos Manatta, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte, contra a decisão da antiga Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que deu provimento a recurso de ofício. Adoto, inicialmente, por seu detalhado conteúdo, o relatório constante de fls. 972/979. “Por meio dos autos de infração de fls. 1 a 16, e 32 a 36, integrados pelos demonstrativos de fls. 17 a 31, e 37 a 52, exige se da contribuinte acima identificada e da responsável solidária Sotenco Equipamentos Ltda. a quantia de R$ 616.921,50, a título de imposto de importação, e o valor de R$ 30.845,87 relativamente ao imposto sobre produtos industrializados, acrescidos de multa de ofício de 150% e juros de mora devidos à época do pagamento. Segundo Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 2 a 16, a empresa Target Importação, Exportação e Representações Ltda, promoveu, por força de contrato com a empresa Sotenco Equipamentos Ltda, a importação de 20 perfuratrizes horizontais HDD Navigator, com acessórios, nos modelos D16x20A (12 unidades), D24x40A (07 nulidades) e D33x44A (01 unidade), fabricadas pela empresa Wermeer Manufacturing Company, descrevendoas como máquina de sondagem rotativa, modelo navigator... com (sem) tanque... com os seguintes acessórios: localizadores”. Classificandoas no código TEC 8430.41.30, cuja alíquota era de 3% para II no ano de 2000 e zero no ano de 2001. Por ocasião do desembaraço da DI 00/06117380, em 10/07/2000, foi efetuada conferência física da mercadoria, e solicitado laudo técnico, visando a sua perfeita identificação. Assim, o Instituto de tecnologia da Universidade Federal do Espírito Santo emitiu Relatório de Identificação de Equipamentos n° 105/2000 (fls. 314/316), afirmando que se trata de uma Perfuratriz Horizontal cuja função principal é perfurar o solo horizontalmente para colocação de cabos e tubos, sem a necessidade de abertura de trincheiras. O mesmo laudo declara, ainda, que na documentação apresentada e nas informações do fabricante disponíveis na Internet não consta que a HDD Navigator D24x40A, na configuração importada, seja usada Fl. 2DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12466.002554/200142 Acórdão n.º 9303001.289 CSRFT3 Fl. 3 3 para a retirada de amostras do solo, com a preservação dos testemunhos. A classificação fiscal das referidas máquinas foi objeto de consulta, protocolada em 15/02/2000 pela Target, e solucionada pela SRRF/7° Rf DIANA, através da Decisão n° 124, de 09 de junho de 2000, na qual restou consignado que os produtos sob consulta classificamse no código TEC 8430.41.30 “Máquinas de Sondagem Rotativa”. Referida decisão tomou por base as informações constantes de catálogos das citadas máquinas, os quais foram confeccionados pela empresa Sotenco Equipamentos ltda., e fornecidos à autoridade pela consulente. No entanto, a autoridade aduaneira, com base no Laudo Técnico, constatou que o produto importado é uma máquina de perfuração horizontal direcionada, classificada no código TEC 8430.41.20 “Perfuratrizes Rotativa Autopropulsoras”, cuja alíquota de o II para os anos de 2000 e 2001 era de 18%. Assim, a mesma autoridade encaminhou à Diana/7° RF documentação para revisão da classificação adotada no processo de consulta (fls. 319). Da mesma forma, encaminhou à Coordenação Geral do Sistema Aduaneiro Coana catálogos dos produtos em inglês, demonstrando que os catálogos apresentados em português não apresentavam tradução correta, tratandose de peças imbuídas de falsidade ideológicas confeccionadas com o fito de iludir o fisco (fls. 350 a 352). Assim, a Diana/SRRF/7° RF, em consonância com a orientação emitida pela Coana, publicou, em 04/05/2001, a solução de Consulta n° 127/01 (fls. 595 a 598), declarando ineficaz a consulta de classificação fiscal do processo 12466.000451/00 87, e tornando insubsistente a Decisão SRRF/7° RF n° 124 de 09/06/2000, com efeitos “ex tunc”, sob o argumento de que não produz efeito a consulta quando as informações prestadas não se referem ao equipamento a ser classificado, conforme o art. 4°, incisos I, III e V e art. 11, inciso I, ambos da IN SRF n° 2/97. A autoridade lançadora constatou, ainda, que a mercadoria descrita nas DIs como “tanque” é, na verdade, sistema completo de bombeamento de fluído e perfuração, composto de bomba centrífuga acionada por conjunto motriz (motor diesel e/ou gasolina), sistema de mistura, tanque, tubos e mangueiras; e a mercadoria descrita como “localizadores” é um sistema de localização de cabeça de perfuração no subsolo. De acordo com as Notas Explicativas no Sistema Harmonizado, a posição 8430 engloba apenas as máquinas de perfuração propriamente ditas, sendo que outros mecanismos distintos, de fácil identificação, que formam com ela uma instalação de perfuração, seguem classificação própria, mesmo que se apresentem com a máquina de perfuração. Com relação ao sistema de bombeamento de fluído de perfuração, a autoridade autuante indicou como correta a Fl. 3DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12466.002554/200142 Acórdão n.º 9303001.289 CSRFT3 Fl. 4 4 classificação no código 8413.70.90 Outras bombas Centrífugas, cuja alíquota do II em 2000 era de 18%. Já, para o sistema de localização da cabeça de perfuração apontou como adequada a classificação no código 9031.80.90 Outros Instrumentos, Aparelhos e Máquinas de Medida ou Controle, não especificados nem compreendidos em outras disposições do presente capítulo, com alíquota de 18% para o II em 2000. Com base nas informações fornecidas pela empresa importadora, a autoridade lançadora elaborou planilhas de decomposição dos valores informados nas DI, separando os valores FOB das perfuratrizes, dos sistemas de bombeamento de fluído e dos sistemas de localização da cabeça de perfuração, bem como os valores relativos a fretes e tributos recolhidos para cada item (fls. 62 a 66), tornando possível a realização de cálculos individualizados dos tributos devidos em relação a cada produto. Tendo verificado que a empresa interessada apresentou, em processo de consulta, catálogos com conteúdo ideologicamente falso, entendeu, a autoridade fiscal, restar caracterizada a prática de infração qualificada, que implica na aplicação de multa de ofício agravada. No entanto, em relação aos sistema de bombeamento de fluído e aos sistemas de localização da cabeça de perfuração, declarados respectivamente como “tanques” e “localizadores”, entendeu a mesma autoridade não haver evidências de prática de fraude, configurandose a hipótese de declaração inexata das mercadorias, situação esta passível de aplicação de multa de ofício. Na descrição dos fatos a autoridade lançadora demonstrou, também, que restou caracterizada a solidariedade passiva entre as empresas Target e Sotenco, nos termos do art. 124 da lei 5.172/66 (CTN). A Target, empresa beneficiária do sistema FUNDAP, figura como importadora para a obtenção de benefícios fiscais concedidos pelo estado do Espírito Santo, enquanto as mercadorias foram efetivamente compradas, no exterior, pela empresa Sotenco, conforme disposto no “contrato de importação de mercadorias e/ou Produtos, entre Consignatário e Importador” (fls. 75 a 91). As interessadas foram cientificadas da exigência que lhes foi imposta, sendo que a empresa Target apresentou a impugnação de fls. 646 a 690, acompanhada da procuração de fls. 691 e demais documentos relativos a sua identificação (fls. 692 a 717), bem como estudos técnicos redigidos em língua estrangeira, sem tradução (fls. 718 a 746, e 755 a 769), e laudo técnico emitido pelo engenheiro mecânico Juarez Porto Henriques (fls. 747 e 748). A mesma empresa apresentou, também, cópia de partes do dicionário Inglês Português Michaelis e do Dicionário Collins Gem (fls. 751 e 754), e tradução de catálogo relativo à máquina importada, tendo como tradutor Manoel Antonio Schimidt (fls. 770 a 775). Em síntese, alega que: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12466.002554/200142 Acórdão n.º 9303001.289 CSRFT3 Fl. 5 5 autoridade autuante criou a presunção de houve dolo na submissão da consulta à Receita Federal, e forçou a interpretação para ensejar a fraude; o fato de existirem duas interpretações possíveis acerca da utilidade do produto (pois a referida máquina está habilitada para realizar a tarefa de sondagem) não pode implicar na intitulada “insofismável conclusão” de que houve dolo na apresentação da consulta. o excesso de adjetivos utilizados pela autoridade fiscal no Auto de Infração, bem como as manifestações carregadas de sentimentalismo demonstram que houve ofensa ao princípio da impessoalidade consagrado no art. 37 da Constituição Federal; alíquota válida em 2001 para o Código TEC 8430.41.20 é de 14% e não 18% como afirma a autoridade lançadora; não usou de falsidade ideológica ao apresentar a consulta de classificação fiscal, pois disponibilizou o equipamento para vistoria, bem como juntou diversos documentos para provar que a descrição da máquina tem lastro técnico, inclusive, em laudo do Eng. Juarez Porto Henriques, que é credenciado pela Receita Federal; não há sondagem sem perfuração, ou seja, a perfuração é necessária e preliminar à sondagem; se de um lado a Receita Federal obteve laudo do ITUFES, por outro lado o impugnante o laudo técnico do Eng. Juarez Porto Henriques, o qual concluiu justamente o inverso. Porém tal laudo foi sequer considerado na apreciação do caso, demonstrando parcialidade por parte do agente fiscal; não cabe a aplicação de penalidade agravada, pois a alegação de que ocorreu dolo ou fraude não tem suporte fático suficiente para se sustentar; os fatos previstos como fraude são dirigidos para a ocultação do fato gerador. No caso presente, o fato gerador do imposto foi devidamente declarado na importação, e a Fazenda tinha conhecimento e condições de analisar os equipamentos e suas características. o lançamento em apreço é nulo, visto que o agente fiscal exerceu suas funções legais de forma arbitrária, desrespeitando os princípios constitucionais da impessoalidade, moralidade, legalidade e da verdade material; as traduções dos termos “boring” e “drilling”, segundo os dicionários Inglês Português Collins Prático e Webster’s, podem significar “sondagem” e “perfuração”; o único documento técnico que embasa a ação fiscal, qual seja, o relatório de identificação de equipamentos n° 105/2000 e seu Adendo, faz afirmações que não são atinentes ao caso, como declinar a respeito do conteúdo semântico das traduções, além Fl. 5DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12466.002554/200142 Acórdão n.º 9303001.289 CSRFT3 Fl. 6 6 de não qualificar nem apontar a habilitação técnica legal de seu subscritor. Tais fatos depõem contra a validade técnica desse documento; sondagem é uma investigação e não contempla, necessariamente, a coleta de amostras do solo para análise, como foi dito no laudo. O simples reconhecimento das estruturas do subsolo já é considerado sondagem; é dever da Administração Pública dirimir as dúvidas dos contribuintes no âmbito da classificação fiscal dos produtos, detendo as prerrogativas de requerer laudos técnicos, realizar vistorias e obter todas as informações que entenda necessárias para a solução da consulta; não pode o contribuinte sofrer qualquer conseqüência se a Administração cometeu, a seu critério, erro na prolação de ato jurídico perfeito; tendo a Administração prolatado seu ato de acordo com sua convicção e dentro dos parâmetros legais, não pode, após isso, declara ineficaz a consulta; é certo que o ato administrativo poderia ser revogado, mas a mudança de seu critério não pode afetar a relação jurídica tributária perfeita e acabada; a omissão foi da Administração que, num primeiro momento, podendo e devendo, deixou de diligenciar, e num segundo momento, deixou de dirimir a dúvida; o processo de consulta seguiu trâmite regular até a publicação da Decisão SRRF/ 7°RF/DIANA n° 124, de 09/06/2000. Após a retomada da questão, em julho de 2000, foram realizados novos laudos e elaboradas traduções juramentadas, não tendo lhe sido dado o direito de exercer a ampla defesa e o contraditório; a Coana apreciou ofício da Diana, e exarou parecer a respeito da revisão da consulta, sem publicálo, desrespeitando as disposições da IN/SRF n°02/97, normatizada pela IN/SRF n° 49/97, que determina que os atos e pareceres relativos às consultas formuladas devem ser publicadas no prazo de 90 dias; ocorreu ofensa ao princípio hierárquico, pois se a superintendência da 7° Região declinou acerca da classificação fiscal da mercadoria, a autoridade competente para a revisão e revogação do ato é o órgão hierarquicamente superior, na forma do art. 8°, parágrafo único da IN/SRF n° 02/97; a ineficácia da consulta é critério de admissibilidade da mesma, e não de revogação de ato administrativo. Assim, não pode a declaração de ineficácia ser produzida em momento posterior à solução da consulta; a própria autoridade lançadora não tem certeza acerca da correta classificação das máquinas em apreço, pois indica Fl. 6DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12466.002554/200142 Acórdão n.º 9303001.289 CSRFT3 Fl. 7 7 subsidiariamente posição que contempla ambas as máquinas, de perfuração e de sondagem: 8430.41.90. Pelo exposto, a impugnante requer seja acolhida a preliminar de nulidade suscitada, sendo que, se assim não entender a autoridade julgadora, seja dado provimento à impugnação para desconstituir o crédito tributário lançado através do presente Auto de Infração, bem como seja revisto o agravamento da multa de ofício. Também a empresa Sotenco apresentou peça impugnatória, a qual foi anexada às fls. 776 a 826, acompanhada da procuração de fls. 827 e 828, documentos de identificação (fls. 829 a 847) e cópia da manifestação de inconformidade por ela apresentada no processo de consulta n° 12466.000451/0087 (fls. 848 a 853). A interessada argumenta, em resumo, que demonstrou boafé ao encaminhar consulta prévia à SRF a respeito da classificação fiscal da mercadoria, tendo agido em consonância com a decisão prolatada no referido processo de consulta. Aduz, ainda, a interessada, que os caminhos percorridos pela SRF para desconstituição da decisão lavrada foram ilegais, abusivos e desastrosamente viciados, afetando a segurança jurídica que possuíam os contribuintes envolvidos. Assim, requer a juntada aos autos de cópia de inteiro teor do processo de consulta fiscal n° 12466.000451/0087, o qual terá de ser apreciado pela autoridade julgadora, já que umbilicalmente ligada ao presente processo. A impugnante prossegue tecendo extensas considerações a respeito do processo de consulta e seus efeitos. Em seguida passa a apontar irregularidades por ela constatadas no referido processo, as quais também foram descritas pela Target em sua impugnação, e já constam deste relatório. Com respeito à tradução juramentada apresentada nos autos do processo de consulta fiscal, em atendimento à intimação, assinada pelo tradutor Manoel Antonio Schimidt, aduz a impugnante que tem ela todos os requisitos extrínsecos e intrínsecos que uma tradução juramentada deve ter, não lhe faltando absolutamente nenhum requisito legal de validade e fé pública. Insurgese, ainda, com o fato de autoridade lançadora haver utilizado, na produção de sua convicção e provas, informações colhidas na internet, no site do fabricante, por entender que tais provas são imprestáveis, e para serem legítimas deveriam ter sido produzidas através de perícia específica. Ainda com relação à construção de provas, alega a impugnante que a autoridade fiscal, quando da realização da diligência em seu estabelecimento, trouxe o documento “termo de declaração” praticamente pronto, para que fosse assinado pelos representantes legais da empresa, não lhes sendo dada efetiva oportunidade de se manifestarem oportunamente sobre o tema. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12466.002554/200142 Acórdão n.º 9303001.289 CSRFT3 Fl. 8 8 No que se refere ao dolo, por se tratar de assunto muito sério em direito, aduz a autuada que sua acusação pressupõe a prova cabal de sua prática, bem como a perfeita configuração de todas as condições e requisitos, sem o que não pode ser reconhecido, sob pena de ofensa às mais basilares normas jurídicas. A interessada, com base no art. 17 do Decreto n° 70.235/72, requer a abertura de prazo suplementar para a juntada de eventuais documentos técnicos, bem como requer designação de junta pericial com especialistas linnguísticos, que deverão promover críticas sobre traduções até agora juntadas ao processo. Por fim, requer a designação do IPT, Instituto de Pesquisas Tecnológicas, com entidade destinada à elaboração de laudo capaz de dirimir as dúvidas levantadas na presente lide. Assim, propugna pela declaração de improcedência do presente Auto de Infração, sob os argumentos de que agiu com boafé e lisura, o que afasta a aplicação de multa agravada, bem como entende ser nulo o processo de consulta, por não haverem respeitado requisitos intrínsecos e extrínsecos, e colhidas provas de forma irregular e ilegítima, não tendo o Fisco logrado comprovar a existência de vícios cometidos pela impugnante. Segue argumentando que, ainda que se pretendesse exigir o II em bases diferentes daquelas traçadas pelo procedimento de consulta, a implementação do novo entendimento só poderia ser “ex nunc”, nunca “ex tunc”. Afirma, também, que nada lucrou ao não ter recolhido o II ora exigido, pois não repassou ao custo dos produtos revendidos esta suposta dívida, pois o resultado da consulta lhe garantia que não havia nenhum imposto adicional a ser pago. Por fim, reitera a afirmação de que as máquinas objeto da presente autuação são sondas, ainda que sejam capazes, também, de perfurar, até porque, para se sondar qualquer terreno, é fundamental que ele seja antes perfurado. Esta autoridade julgadora, entendendo ser imprescindível esclarecer, com segurança, se as máquinas importadas são capazes de realizar sondagens, ou se suas funções encontramse limitadas a perfurações direcionadas do solo, e considerando que do processo constam dois laudos, cujos resultados são conflitantes, determinou a realização de diligência, para que o Instituto de Pesquisas Tecnológicas IPT realizasse perícia, examinado, se possível, fisicamente as máquinas em questão, e respondendo aos quesitos formulados (fls. 878 e 879). Tal determinação tinha por finalidade, também, atender a pleito formulado pela impugnante Sotenco, que solicitou expressamente a designação do IPt para a elaboração de laudo técnico. As empresas interessadas apresentaram requerimento no sentido de que o laudo técnico fosse produzido pelo Instituto Nacional de Tecnologia INT, em observância ao disposto no art. 30 do Fl. 8DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12466.002554/200142 Acórdão n.º 9303001.289 CSRFT3 Fl. 9 9 Decreto 70.235/72, visto que o IPT é órgão de natureza estadual (fls. 915). A autoridade diligenciadora também formulou quesitos (fls. 916), os quais foram encaminhados ao INT, órgão este que restou designado para a realização da perícia, sendo que as conclusões do referido instituto constam do Relatório Técnico n° 014/2003, anexado às fls. 930/945. Inicialmente, os peritos descrevem os documentos que examinaram, e os lugares que visitaram, com o objetivos de adquirir conhecimentos específicos necessários ao estudo das operações dos equipamentos importados. Em seguida, relatam que, ao acompanhar as operações dos equipamentos, constataram que o processo utilizado trata da instalação de dutos pelo método não destrutivo com operação de uma máquina com cinemática e princípios de sonda rotativas. Os peritos afirmam, também, que o trabalho realizado pelas máquinas se resume apenas no aspecto geotécnico da perfuração horizontal do solo para instalação de dutos de variados diâmetros, sendo que a prévia sondagem, alegada pelas impugnantes, ocorre durante a perfuração devido à necessidade de conhecimento do solo a ser trabalhado. A sondagem que a máquina executa compreende a identificação do solo que está sendo perfurado, visando a eventual troca de ferramental ou, até mesmo, a alteração da trajetória da tubulação em instalação, podendo, ainda, demonstrar a inviabilidade da instalação pretendida. O laudo discorre sobre os componentes das máquinas, e os procedimentos que compreendem a perfuração de um solo, afirmando que as instaladoras de dutos têm como atividade fundamental e primordial a execução de um furo piloto, horizontal, que após alcançar fisicamente o ponto desejado, é alargado para receber o diâmetro do duto. Para a identificação do momento adequado em que deve ser trocado o ferramental, é utilizada uma lama de perfuração que é injetada, sob pressão, no furo. Os peritos asseveram que as máquinas examinadas aplicamse, também, ao processo de remediação do solo, isto é, sondagem da contaminação do solo quanto ao vazamento de produtos químicos, combustíveis ou esgoto. Por fim, concluem que as máquinas Navigator D16x20A, D24x40A e D33x44A são capazes de realizar sondagem, que é uma operação simultânea à perfuração, porém sua função principal é a instalação de dutos. Diante do relatório acima referido, a autoridade diligenciadora solicitou ao Instituto que o emitiu a elaboração de complemento, visando esclarecer os pontos por ela arrolados, conforme Pedido de Aditamento de Laudo Técnico n° 01/2003, de fls. 948 a 952. As perguntas apresentadas centraramse nas seguintes questões: Fl. 9DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12466.002554/200142 Acórdão n.º 9303001.289 CSRFT3 Fl. 10 10 É correto o entendimento de que a sondagem realizada pelas máquinas examinadas é uma atividademeio, e que sua atividadefim é abertura de furos horizontais? Podese concluir que a atividade sondagem é executada não pela máquinas, mas sim, por seus operadores/ Quando o relatório 014/2003 trata da sondagem de contaminação do solo, está se referindo apenas a uma das atividades dentro de um projeto de remediação, ou ao projeto completo? Na afirmação de que as máquinas Navigator são capazes de realizar sodagens de contaminação do solo, está implícita a utilização de sensores ou acessórios específicos, ou considerou se apenas as configurações importadas pela interessada? Em atendimento ao solicitado, o Instituto Nacional de Tecnologia emitiu a Resposta Técnica n° 14/2003 (fls. 954/957), aduzindo, em síntese, que: a análise dos tipos de solo encontrados durante a execução da instalação de dos dutos é atividademeio inerente à tecnologia de perfuração direcionada, sendo que a instalação dos dutos, após a abertura dos furos horizontais, é a atividadefim; os trabalhos exercidos pelo homem e pela máquina são interativos, não sendo correto afirmar que a atividade de sondagem em apreço seja executada pelo homem de forma isolada, uma vez que ele necessita do equipamento para realizar a sondagem; no que se refere ao processo de remediação, preocupouse o perito em dissertar sobre a sondagem quando há vazamento de produtos químicos, combustíveis ou esgoto, demonstrando suas vantagens em relação à sondagem vertical, na técnica da remediação; o uso de sensores ou acessórios especiais nas máquinas Navigator poderá ser necessário, dependendo da qualidade da informação que se deseja obter. As interessadas foram cientificadas do relatório Técnico e da Resposta Técnica, tendo a empresa Sotenco Equipamento Ltda. apresentado aditamento à impugnação, o qual foi anexado às fls. 961 a 969, alegando, em resumo, que: o parecer técnico deixa claro que as máquinas por ela importadas são capazes de realizar funções de remediação do solo e sondagem do tipo de subsolo, possibilitando determinar o momento da troca de ferramental necessário para a perfuração horizontal do solo; a acusação de fraude, em razão da declaração das máquinas como sendo da espécie de sondagem, mostrase insustentável, pois foi atestado pelo órgão oficial governamental que as mesmas realizam operações de sondagem; Fl. 10DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12466.002554/200142 Acórdão n.º 9303001.289 CSRFT3 Fl. 11 11 Ao final, a interessada requer a declaração de nulidade do auto de infração, e o conseqüente arquivamento do processo administrativo. Em não sendo este o entendimento da autoridade julgadora, requer seja afastada a acusação de fraude, com o cancelamento das penalidades correspondentes. Submetido o litígio a julgamento, decidiu o colegiado, em primeira instância administrativa, pela realização de diligência para fins de que fosse juntado aos presentes autos o processo relativo à consulta formulada pelo contribuinte, de cujos atos decorreu o lançamento ora sob apreciação. Houve a juntada do processo de consulta n° 12466.000451/0087 (apenso ao volume I). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 970/985) declarou a nulidade do lançamento, sob o entendimento de que não houve fraude por parte do contribuinte, prevalecendo “a solução de consulta objeto de decisão que, proferida por autoridade competente, foi devidamente notificada ao sujeito passivo e publicada no Diário Oficial da União”. A antiga Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes (fls. 997/1013) deu provimento ao recurso de ofício. Eis a ementa do julgado: “Ementa: processo administrativo fiscal processo de consulta retroatividade de seus efeitos. No âmbito da Secretaria da Receita Federal, os processos administrativos de consulta serão solucionados em instância única, sendo que a competência para solucionar a consulta ou declarar sua ineficácia será atribuída ao órgão regional da Secretaria da Receita Federal, no caso de consultas não formuladas por órgão central da Administração Pública Federal ou por entidade representativa de categoria econômica ou profissional de âmbito nacional (art. 48, §1°, II, da lei n° 9.430/96) Não cabe recurso nem pedido de reconsideração da solução da consulta ou do despacho que declarar sua ineficácia (art. 48, §3°, da lei n° 9.430, de 27/12/96) Não se aplicam aos processos de consulta, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, as disposições dos artigos 54 a 58 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972 (art. 49, da lei n° 9.430/96). Aplicamse aos processos de consulta referentes à classificação de mercadorias as disposições dos artigos 46 a 53 do Decreto n° 70.235/72 (art. 50, lei n° 9.430/96) Recurso de ofício provido. O órgão julgador, afastando a nulidade do auto de infração ensejador do presente processo, em vista da impossibilidade de análise pela autoridade de primeira instância do processo de consulta, quanto mais no que tange a aspectos constitucionais, de reserva Fl. 11DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12466.002554/200142 Acórdão n.º 9303001.289 CSRFT3 Fl. 12 12 exclusiva do Poder Judiciário, determinou o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento para que se manifestasse acerca do mérito da lide. O contribuinte (Sotenco) apresentou o presente recurso voluntário às fls. 1024/1067. Atacou a decisão recorrida no ponto em que se entendeu incabível a análise, por parte do órgão julgador de primeira instância, do processo de consulta. Argumentou que tal apreciação foi imprescindível ao deslinde da questão, já que a autuação fiscal baseouse justamente na anulação da resposta à consulta concebida pela própria Administração Tributária, com fundamento na indução a erro perpetrada pelo contribuinte. Concluindose que a solução de consulta não foi induzida pelas informações, supostamente fraudulentas, do contribuinte, mas sim pela efetiva convicção do Fisco à época, e, pois, tendo em vista a inocorrência de fraude, tal solução não poderia ter sido descartada com efeitos “ex tunc”. A delegacia da Receita Federal de Julgamento entendeu, destarte, pela insubsistência do auto de infração, que teve por base o cancelamento da consulta. Por outro lado, o recorrente atacou a fundamentação do acórdão recorrido no sentido de que não cabe à autoridade administrativa proferir juízos de constitucionalidade. Alegou que, na verdade, não houve juízo de constitucionalidade sobre ato normativo, isto é, o órgão julgador de primeira instância não avaliou qualquer compatibilidade entre a Constituição e lei ou ato normativo. O que ocorreu foi a análise, sob o ponto de vista dos mandamentos constitucionais, da atuação da autoridade fiscalizadora. Ressaltou, no entanto, que o juízo de constitucionalidade deve sim ser efetuado pelas autoridades administrativas, que antes de tudo devem respeito à ordem constitucional. No que tange à desconsideração do desfecho da consulta por parte da autoridade fiscal, com efeitos retroativos, alegou que, com fulcro no disposto no art. 48, §12, da lei 9.430/96, e art. 14, §6°, da IN SRF 573/2005, a mudança de entendimento da Administração após a consulta não pode acarretar efeitos “ex tunc” em desfavor do contribuinte. O recorrente, ainda, repeliu a afirmação da autoridade fiscalizadora no sentido de que a resposta à consulta foi induzida por ato fraudulento, inclusive com a prática de falsidade ideológica. Expôs que, consoante laudo técnico presente nos autos, “as máquinas perfuratrizes executam primordialmente serviços de sondagem dos subsolos”, o que foi ratificado pelo Relatório Técnico n° 014/2003, produzido Instituto Nacional de Tecnologia. Tal relatório é expresso: “as máquinas Navigator D16x20A, D24x40A e D33x44A são capazes de realizar sondagem”. Diante disso, tendo em vista toda essa gama de fundamentos técnicos a respaldar o seu posicionamento, não houve qualquer fraude de sua parte. Finalmente, o recorrente aduziu que a autoridade fiscal incorreu, durante todo trâmite da fiscalização, em desrespeito aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Expôs que “procederam a uma vasta seqüência de atos nos autos do referido Processo Administrativo de Consulta após proferida a decisão, sem, no entanto, intimar os contribuintes para se manifestarem, ou sequer notificálos do que estava sendo processado, conforme restou devidamente reconhecido pela r. Decisão de Primeira Instância”. Além disso, ressaltou que o auto de infração baseouse em laudo técnico elaborado por profissional que se encontrava com o registro cancelado junto ao CREA/ES. Postulou, assim, pela ratificação do reconhecimento de nulidade de tais atos, restaurandose a decisão de primeira instância. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12466.002554/200142 Acórdão n.º 9303001.289 CSRFT3 Fl. 13 13 Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso voluntário é tempestivo. Foi interposto contra decisão da antiga Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que deu provimento a recurso de ofício, nos termos do artigo 8° do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O acórdão recorrido, com base no artigo 48 da Lei n° 9.430/96, entendeu, em síntese, que o órgão julgador de primeira instância não possui competência para apreciar o processo de consulta. Suscitou a Declaração de Voto na DRJ, em que se ressaltou que “Ademais, a manifestação desta autoridade julgadora, relativamente ao referido processo, significaria modalidade de recurso, com possibilidade de reforma da Solução de Consulta SRRF/7°RF/DIANA n° 127/01 (fls. 595 a 598), da qual, no entanto, não cabe recurso, a teor do disposto no parágrafo 3°, do artigo 48, acima reproduzido”. Desta forma, de acordo com o voto prolatado pela eminente relatora da decisão recorrida, deuse provimento ao recurso de ofício, determinandose a devolução dos autos ao órgão de primeira instância, para o julgamento do mérito da lide, porque a DRJ limitouse ao acolhimento da preliminar de nulidade do Auto de Infração. Com efeito, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento declarou nulo o lançamento, fundamentandose em sua análise acerca do que ocorreu no processo de consulta em questão. Considerouse que: “tendo em vista que não foi a denominação atribuída pela consulente à espécie consultada que induziu a decisão contestada ao termos em que foi proferida; que, depois de a interessada ter sido legalmente notificada, a mera divergência interna de entendimento não é suficiente para modificar as decisões proferidas nos limites da lei, por autoridade competente, e considerando que as provas dos autos afastam a acusação de fraude praticada no âmbito do processo de consulta, de que se constitui a Decisão SRRF/7° RF/Diana n°124, de 09/06/2000. A inconformidade diante eventuais excrescências, particularmente se decorrentes de um juízo equivocado a respeito das coisas, não é o bastante para que se desacate o ordenamento legal vigente”. Em face dessas circunstâncias, impõese que se delineie, aqui, o que se deve enfrentar no julgamento do presente recurso voluntário. Declarando, o órgão julgador de primeira instância, a nulidade do lançamento, tendo em vista a análise do processo de consulta, e determinando, o acórdão recorrido, o retorno dos autos à DRJ, para a análise do mérito da lide, sem adentrar no exame das decisões do processo de consulta; a questão que ora se deve enfrentar é se, no âmbito do processo administrativo fiscal contencioso, é possível examinar o desfecho do processo de consulta, é dizer, se é possível uma tal ingerência. A questão em tela deve ser analisada sob dois prismas diferentes, um relativo à competência para a solução de consulta e declaração de sua ineficácia, e outro concernente à questão recursal das decisões proferidas em solução de consulta e declaração de ineficácia. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12466.002554/200142 Acórdão n.º 9303001.289 CSRFT3 Fl. 14 14 Os dispositivos legais que se deve ter em mente, especificamente, para o deslinde da questão são os seguintes: Art. 48. No âmbito da Secretaria da Receita Federal, os processos administrativos de consulta serão solucionados em instância única. § 1º A competência para solucionar a consulta ou declarar sua ineficácia será atribuída: I a órgão central da Secretaria da Receita Federal, nos casos de consultas formuladas por órgão central da administração pública federal ou por entidade representativa de categoria econômica ou profissional de âmbito nacional; II a órgão regional da Secretaria da Receita Federal, nos demais casos. § 3º Não cabe recurso nem pedido de reconsideração da solução da consulta ou do despacho que declarar sua ineficácia. No que diz respeito ao ponto em discussão, cumpre destacar que o contribuinte procedeu à classificação fiscal da mercadoria importada no código TEC 8430.41.30 (Máquinas de Sondagem Rotativa), com base em solução de consulta, perpetrada pela SRRF/7° RFDIANA, por meio da decisão n° 124, de 09 de junho de 2000. A consulta foi protocolizada em 15/02/2000. Sucede que, por ocasião do desembaraço aduaneiro, em 10/07/2000, ao ser efetuada a conferência física da mercadoria, solicitouse laudo técnico, o qual foi feito pelo Instituto de Tecnologia da Universidade Federal do Espírito Santo. Nesse laudo, concluiuse tratarse, o produto importado, de uma Perfuratriz Horizontal, cuja função principal é perfurar o solo horizontalmente para a colocação de cabos e tubos, sem necessidade de abertura de trincheiras. A autoridade aduaneira, constatou, assim, com base no laudo técnico, que a classificação fiscal correta é aquele designada pelo código TEC 8430.41.20 (Perfuratrizes Rotativas Autopropulosoras). Encaminhou, consequentemente, à DIANA/ 7° RF documentação para revisão da classificação adotada naquele processo de consulta. Enviou, também, à CoordenaçãoGeral do Sistema AduaneiroCoana catálogos dos produtos importados, em inglês, demonstrando que os catálogos apresentados pelo contribuinte, num primeiro momento, para subsidiar a solução de consulta por ele postulada, continha tradução errada para o português. Segundo a autoridade fiscal, as traduções eram falsas. Desta forma, a DIANA/SRRF/7° RF, em 04/05/2001, proferiu a Solução de Consulta n° 127/01, declarando ineficaz a consulta de classificação fiscal do processo 12466.000451/0087, tornando insubsistente a Decisão SRRF/7° RF n° 124, com efeito ex tunc, sob o fundamento de que não produz efeito a consulta quando as informações prestadas não se referem ao equipamento a ser classificado, nos termos do art. 4°, inciso I, III e V, e art. 11, inciso I, ambos da IN SRF n° 02/97. Assim, o auto de infração acabou sendo lavrado, em razão da incorreta classificação fiscal perpetrada pelo contribuinte. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12466.002554/200142 Acórdão n.º 9303001.289 CSRFT3 Fl. 15 15 O processo administrativo fiscal e o processo de consulta constituem realidades distintas, com finalidades diversas. Aquele, inerentemente contencioso, em regra, originase pela lavratura de um auto de infração, que vem a ser impugnado pelo contribuinte autuado. O processo de consulta, a seu turno, consubstancia materialização do direito de petição, constitucionalmente garantido, nos termos do artigo 5°, inciso XXXIV, da Constituição Federal. Não há nele uma contenda. O processo de consulta, por essência, não tem como pressuposta uma situação conflitiva. Segundo José Souto Maior Borges, com efeito: “Não é entretanto a consulta originária de um pressupostode fato, antecedente à sua formulação, contencioso. A situação que a antecede não é contenciosa. O contencioso fiscal se instaura em sede administrativa diversa: processo fiscal decorrente de auto de infração. No seu desdobramento até a decisão de 1° instância administrativa, nos processos em que é admitido recurso, a consulta não consiste em procedimento fiscal contencioso, mas de coparticipação do fisco e contribuinte na busca e preservação da certeza da certeza jurídica. Até sua decisão, não há contencioso fiscal. Porque inexistem pretensões conflitantes até então” 1. Nas duas situações, o Poder Público, especificamente o Poder Executivo, desempenha funções diferentes. Podese citar aqui a diferenciação perpetrada por Eduardo Domingos Bottallo, entre “função administrativa de aplicação da lei” e “função administrativa judicante”, no seguinte sentido: “Em diversa perspectiva, podemos assentar que a função judicante, do ponto de vista substancial ou material, distinguese da função administrativa na medida em que esta não tem o litígio como pressuposto de exercício, realizase através de atos de aplicação da lei e visa ao estabelecimento de situações jurídicas individuais por outros meios que não o da remoção de conflitos”. 2 Tal distinção revelase relevante para a fixação do seguinte ponto: o procedimento administrativo fiscal não pode servir de instância recursal da decisão tomada no processo de consulta: por um lado, porque macularia a competência própria deste processo fixada no artigo 48, §1°, da Lei n° 9430/96, que estabelece taxativamente os órgãos competentes para a solução de consulta e para a declaração de sua ineficácia; por outro, porque referido artigo 48 é expresso no sentido de que os processos administrativos fiscais são solucionados em instância única, bem como que da solução de consulta e do despacho que declarar a sua ineficácia não cabe nem recurso nem pedido de reconsideração. O ponto é extremamente sutil e merece que se dispense acurada atenção. Não se está a dizer que o Tribunal Administrativo Fiscal encontrase vinculado ao que decidido no processo de consulta, sob pena de se ter uma ingerência indevida entre as duas funções. Querse explicitar, sim, que, lavrado um auto de infração contra o 1 BORGES, José Souto Maior. Sobre a preclusão da faculdade de rever resposta prócontribuinte em consulta fiscal e descabimento de recurso pela Administração Fiscal. Revista Dialética de Direito Tributário. n° 154.p. 76. 2 BOTTALLO, Eduardo Domigos. Procedimento Administrativo Tributário.RT. São Paulo. 1997. p. 47/48. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12466.002554/200142 Acórdão n.º 9303001.289 CSRFT3 Fl. 16 16 contribuinte, e apresentada impugnação, dandose início ao contencioso administrativo, a existência pretérita, nos moldes do que ocorreu no presente caso, de um processo de consulta, não pode ser objeto único de apreciação pelo órgão julgador administrativo, para fins de se anular o auto de infração. Devese, sim, analisar o conteúdo do auto de infração, e não o trâmite do processo de consulta, seja no que se refere à primeira decisão, proferida diante do pedido de solução de consulta, seja em relação à decisão que declarou a ineficácia daquela solução. Ao declararse a nulidade do auto de infração, com base em análise do processo de consulta e de suas circunstâncias, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento acabou transmudandose, indevidamente, em instância recursal do processo de consulta, o que não se pode admitir. Com efeito, por serem, como já citado, duas realidades distintas, o processo administrativo fiscal e o processo de consulta, cada qual com suas atribuições e competências devidamente préestabelecidas, à Delegacia da Receita Federal de julgamento cabia analisar, tãosomente, como órgão julgador que é, a fiscalização perpetrada pela autoridade Fiscal, em contraposição às alegações declinadas pelo contribuinte em sua impugnação, para decidir pela procedência ou não do lançamento. Não lhe era dado imiscuirse na competência ou atribuição de outro órgão, a fim de desnaturar a validade do auto de infração, sem analisar, efetivamente, o seu mérito. Salientese que os órgãos que compõem as instâncias de julgamento do processo administrativo fiscal não dispõem de poder hierárquico ou de controle sobre os órgãos competentes para a concretização do processo de consulta, de modo que não podem embasar suas decisões, tais órgãos de julgamento, em considerações sobre o processo de consulta. Diante do exposto, nego provimento ao presente recurso voluntário, interposto pelo contribuinte, a fim de que os autos sejam remetidos novamente à DRJ para que analise o mérito do auto de infração. Sala das Sessões, em 07 de dezembro de 2010 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 16DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 10/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10580.911416/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO.
Não subsiste o ato de não-homologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP.
Numero da decisão: 1402-003.776
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone e Evandro Correa Dias, que convertiam o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10580.911414/2009-82, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de nãohomologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone e Evandro Correa Dias, que convertiam o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10580.911414/200982, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 14 16 /2 00 9- 71 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10580.911416/200971 Acórdão n.º 1402003.776 S1C4T2 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório SOLL DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília/DF que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou compensação com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de não confirmado na medida em que o recolhimento correspondente teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada do despacho decisório antes do transcurso do prazo de 5 (cinco) anos da entrega da Declaração de Compensação DCOMP, a contribuinte alegou que teria prestado informação equivocada em DCTF, fato evidenciado depois que foi apresentada a Declaração do Imposto de Renda (DIPJ) pertinente àquele ano. Assim, não assistiria razão para a não homologação da compensação, mesmo existindo erro na DCTF, em razão da Declaração do Imposto de Renda (DIPJ) que fora feita e inteiramente acatada pela Receita Federal. Entendeu que a Receita Federal poderia promover tal correção, na medida em que emite notificações para cobrança quando constatadas divergências, e assim deveria observar o mesmo critério na compensação. Acrescentou que a DCTF foi retificada e pleiteou prazo complementar para trazer aos autos maiores informações e documentos. A Turma Julgadora rejeitou estes argumentos observando que a DCTF é confissão de dívida, e assim sua retificação somente é admissível mediante a comprovação do erro em que se fundo, e antes de notificação do ato fiscal ou qualquer procedimento administrativo. Neste contexto, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado no pedido de restituição é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração, mormente tendo em conta o disposto no art. 333 do Código de Processo Civil. Assim, como o erro não foi provado documentalmente por ocasião da manifestação de inconformidade, não há o que ser reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa. Afirmou, ainda, o cabimento de encargos moratórios sobre débitos não pagos no vencimento, e observou que o prazo solicitado para anexação de novos documentos já havia se esgotado, sem que nada fosse apresentado. Cientificada da decisão de primeira instância, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual reprisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade e Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10580.911416/200971 Acórdão n.º 1402003.776 S1C4T2 Fl. 4 3 acrescenta que, para sanear o processo, a Recorrente, além da DIPJ apresentada, traz outros documentos que sustentam o pleito, a saber: Demonstrativo do Lucro Real e Demonstração do Resultado transcrito no Livro Diário, correspondente ao trimestre in casu, bem como, os Termos de Abertura e Encerramento do Livro Diário contemporaneamente registrado na Junta Comercial. Observa que as normas que tratam da matéria não elencam documento obrigatório que seja prova suficiente da existência de direito de crédito decorrente de pagamento a maior ou indevido, e reportandose ao art. 18 do Decreto nº 70.235/72, defende que o Julgador ao considerar a DIPJ como prova insuficiente para sua convicção, deveria, então, requerer em diligências a produção de provas ou mera confirmação dos créditos. Pede, assim, frente às provas apresentadas, que seja reconhecido o direito creditório e determinados os procedimentos necessários para a homologação dos débitos fiscais apresentados na PER/DCOMP in casu. Voto Conselheira Edeli Pereira Bessa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.767, de 21/02/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10580.911414/2009 82, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.767): O recurso voluntário é dotado dos pressupostos de admissibilidade e assim deve ser conhecido. O exame da DCOMP sob análise evidencia que o indébito utilizado em compensação, apesar de integrar pagamento totalmente vinculado a débito declarado em DCTF à época da edição do despacho decisório, é inferior à diferença entre o recolhimento indicado e o débito correspondente informado em DIPJ apresentada antes da edição do despacho decisório e contemporaneamente à transmissão da DCOMP. Confirmase, assim, a alegação da recorrente de que o indébito foi constatado por ocasião da apresentação da DIPJ, devendo apenas se ressalvar que tal se deu por ocasião da retificação da DIPJ original, mas ainda assim apresentada quase dois anos antes da análise pela autoridade fiscal que resultou no despacho decisório de não homologação sob debate. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10580.911416/200971 Acórdão n.º 1402003.776 S1C4T2 Fl. 5 4 A autoridade julgadora de 1ª instância expressou o entendimento de que, nos termos dos arts. 26 e 27 do Decreto nº 7.574/20111, faz prova a favor do sujeito passivo a escrituração mantida com observância das disposições legais, contudo deve estar embasada em documentos hábeis, segundo sua natureza, e que, no caso, o contribuinte deveria fundamentar seus lançamentos contábeis com o comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Observou que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, e que, na forma do art. 147, §1º do Código Tributário Nacional, a retificação de declaração por iniciativa do próprio declarante depende da comprovação do erro em que se funde, e deve ser promovida antes da notificação do ato fiscal. Sob esta ótica, entendeu imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. Em recurso voluntário, a contribuinte apresenta cópia do Livro Diário no qual está reproduzida a demonstração de resultado do período, bem como os ajustes correspondentes no LALUR, dos quais resulta o lucro real que, informado na DIPJ retificadora, origina os tributos devidos em valor inferior aos recolhidos e informados em DCTF. Contudo, desnecessária se mostra a confirmação da regularidade da escrituração fiscal e contábil assim apresentada, dado que esta Conselheira já apreciou litígio semelhante, assim decidindo nos termos do voto condutor do Acórdão nº 110100.536: Isto porque estáse diante de uma DCOMP analisada mediante processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal, relativamente à qual se entendeu desnecessária uma apreciação mais aprofundada ou detalhada. E, em tais condições, não é possível, no contencioso administrativo, negar validade a outras informações, também constantes dos bancos de dados da Receita Federal antes da emissão do despacho decisório questionado. A autoridade preparadora certamente entendeu de forma diversa, adotando apenas as informações constantes da DCTF como referencial para verificação do débito apurado no período que ensejou o alegado recolhimento indevido. É possível inferir que assim o fez por considerar, como expresso desde a Instrução Normativa SRF nº 14/2000, que a informação de débitos em DIPJ não se presta a instrumentalizar inscrições em Dívida Ativa da União: Art. 1o. O art. 1o. da Instrução Normativa SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 1o. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10580.911416/200971 Acórdão n.º 1402003.776 S1C4T2 Fl. 6 5 nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.” [...] Esta é a interpretação que se extrai destes dispositivo, pois, até então, a Instrução Normativa SRF nº 77/98 relacionava a declaração de rendimentos da pessoa jurídica dentre os documentos que poderiam servir de base para a inscrição, em Dívida Ativa da União, de saldos de tributos a pagar: Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições , constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. Evidente, portanto, que um novo conceito foi atribuído à declaração de rendimentos da pessoa jurídica apresentada a partir do anocalendário 1999, a qual, inclusive, passou a denominarse Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ. Desta forma, tal característica pode ter influenciado a definição dos parâmetros de análise da DCOMP pela autoridade preparadora. Além disso, como a própria recorrente antecipa em sua defesa, a análise realizada pela autoridade preparadora poderia estar orientada pela obrigação imposta na Instrução Normativa SRF nº 166/99, editada com fundamento na Medida Provisória nº 2.18949/2001, nos termos a seguir transcritos: Medida Provisória nº 2.18949/2001, que convalida texto presente desde a Medida Provisória nº 1.99026, de 14 de dezembro de 1999: Art.18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10580.911416/200971 Acórdão n.º 1402003.776 S1C4T2 Fl. 7 6 declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] Art. 2o A pessoa jurídica que entregar declaração retificadora alterando valores que hajam sido informados na Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais – DCTF, deverá apresentar DCTF Complementar ou pedido de alteração de valores, mediante processo administrativo, conforme o caso. [...] Nestes termos, se a contribuinte estava obrigada a retificar a DCTF quando retificasse a DIPJ, desnecessária seria a comparação de ambas as declarações para aferição da compatibilidade das informações ali constantes com o indébito utilizado em DCOMP. Esclareçase, apenas, que, com a edição da Instrução Normativa SRF nº 255/2002, deixou de existir DCTF Complementar, bem como a necessidade de solicitação de alteração de DCTF, bastando a apresentação de DCTF retificadora para alteração dos valores constantes da DCTF antes apresentada. Tal mudança, inclusive, operou efeitos retroativos, como expresso nos dispositivos da referida Instrução Normativa, a seguir transcritos: Da Retificação da DCTF Art. 9º Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou II em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. § 3º As DCTF retificadoras, que vierem a ser apresentadas a partir da publicação desta Instrução Normativa, deverão consolidar todas as informações prestadas na DCTF original ou retificadoras e complementares, já apresentadas, relativas ao mesmo trimestre de ocorrência dos fatos geradores. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10580.911416/200971 Acórdão n.º 1402003.776 S1C4T2 Fl. 8 7 § 4º As disposições constantes deste artigo alcançam, inclusive, as retificações de informações já prestadas nas Declarações de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) referentes aos trimestres a partir do anocalendário de 1997 até 1998 que vierem a ser apresentadas a partir da data de publicação desta Instrução Normativa. § 5º A pessoa jurídica que entregar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados na DIPJ, deverá apresentar, também, DIPJ retificadora. § 6º Verificandose a existência de imposto de renda postergado de períodos de apuração a partir do anocalendário de 1997, deverão ser apresentadas DCTF retificadoras referentes ao período em que o imposto era devido, caso as DCTF originais do mesmo período já tenham sido apresentadas. § 7º Fica extinta a DCTF complementar instituída pelo art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 45, de 05 de maio de 1998. Das Disposições Finais Art. 10. Deverão ser arquivados os processos administrativos contendo as solicitações de alteração de informações já prestadas nas DCTF, apresentadas até a data da publicação desta Instrução Normativa e ainda pendentes de apreciação, aplicandose, às DCTF retificadoras respectivas, referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, o disposto nos §§ 1º a 3º do art. 9º desta Instrução Normativa. §1º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, somente deverá ocorrer após a confirmação, pela unidade da SRF, da entrega da correspondente declaração em meio magnético. § 2º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anos calendário de 1997 e 1998, somente deverá ocorrer após os devidos acertos, pela unidade da SRF, nos Sistemas de Cobrança. Todavia, tem razão a recorrente quando afirma que o descumprimento daquela obrigação não enseja, como penalidade, a perda do crédito. A Instrução Normativa SRF nº 166/99 expressamente reconhece a produção de efeitos, por parte da DIPJ Retificadora, para fins de restituição ou compensação, e, embora firme ser dever da contribuinte também alterar o que antes informado em DCTF, em momento algum condiciona este direito à retificação da DCTF: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10580.911416/200971 Acórdão n.º 1402003.776 S1C4T2 Fl. 9 8 § 2o A declaração retificadora referida neste artigo: I – terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa SRF no 094, de 24 de dezembro de 1997; II – será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. [...] Art. 4º Quando a retificação da declaração apresentar imposto menor que o da declaração retificada, a diferença apurada, desde que paga, poderá ser compensada ou restituída. Parágrafo único. Sobre o montante a ser compensado ou restituído incidirão juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, até o mês anterior ao da restituição ou compensação, adicionado de 1% no mês da restituição ou compensação, observado o disposto no art. 2º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 22, de 18 de abril de 1996. Adaptando estas disposições ao novo regramento da compensação, vigente desde a edição da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, uma vez formalizada a retificação da DIPJ, apresentando tributo menor que o da declaração retificada, pode a contribuinte transmitir Pedido de Restituição – PER ou DCOMP para receber o indébito em espécie, ou utilizálo em compensação, podendo o Fisco indeferir o PER, se não confirmar a veracidade da retificação, ou não homologar a compensação, desde que o faça dentro dos 5 (cinco) anos que a lei lhe confere (art. 74, §5o, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003). Logo, o fato de a contribuinte não ter retificado a DCTF para reduzir o tributo ali originalmente informado não pode obstar a utilização, em compensação, de indébito demonstrado em DIPJ retificadora apresentada antes da edição do despacho decisório que expressou a nãohomologação da compensação, especialmente porque a própria autoridade administrativa reputou desnecessária uma análise mais aprofundada ou detalhada da compensação, submetendoa ao processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal. Acrescentese, ainda, que a alteração das informações constantes em DCTF não se dá, apenas, por retificação de iniciativa do sujeito passivo. Desde a Instrução Normativa SRF nº 482/2004, que revogou a Instrução Normativa SRF nº 255/2002, antes citada, a revisão de ofício da DCTF passou a estar expressamente admitida, nos seguintes termos: Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10580.911416/200971 Acórdão n.º 1402003.776 S1C4T2 Fl. 10 9 Art. 10. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou [...] § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já inscrito em Dívida Ativa da União, somente poderá ser efetuada pela SRF nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. [...] Observese, inclusive, que este dever de revisão pela autoridade administrativa ganhou maior relevo a partir do momento em que a interpretação quanto à impossibilidade de retificação da DCTF após o transcurso do prazo decadencial passou a ser cogente, no âmbito administrativo, a partir da edição da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. [...] Ultrapassado este limite, a observância do princípio da legalidade na exigência de tributos confessados em DCTF somente se efetiva mediante revisão de ofício, pela autoridade administrativa, do débito declarado a maior. Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10580.911416/200971 Acórdão n.º 1402003.776 S1C4T2 Fl. 11 10 período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ retificadora, da qual consta não apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Cabia à autoridade administrativa, minimamente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF) e, ainda que ultrapassado o prazo decadencial para retificação espontânea da declaração com erros em seu conteúdo, promover a retificação de ofício, definindo qual informação deveria prevalecer para análise da compensação declarada. Considerando que as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por conseqüência, admitir sua compensação. Assim, embora evidente que a decisão recorrida foi omissa quanto a argumento da defesa, deixase de declarar sua nulidade pois, no mérito, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, e homologar a compensação declarada. É certo que o entendimento assim exposto foi reformado pela 1ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9101002.766, que deu provimento a recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, consolidando seu entendimento na seguinte ementa: DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. NÃO COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF devem ter por fundamento os dados da escrita fiscal do contribuinte acompanhados de documentação de suporte. Todavia, o fato é que, embora não retificada a DCTF antes do procedimento de análise da compensação, a DIPJ retificada contemporaneamente à apresentação da DCOMP evidenciava débito inferior ao recolhido, em medida suficiente para justificar o indébito utilizado em compensação, conduta esta que o Fisco não poderia alegar desconhecimento, e que assim se presta a exigir verificação antes de se negar a existência do indébito correspondente a tributo sujeito a demonstração em DIPJ. Por tais razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10580.911416/200971 Acórdão n.º 1402003.776 S1C4T2 Fl. 12 11 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa – Relatora Fl. 91DF CARF MF
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