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Numero do processo: 13433.720963/2012-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO
Caracterizam-se como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RECEITAS. VENDAS DE MERCADORIA. INFORMAÇÕES DO SINTEGRA-RN. TRÂNSITO PELAS CONTAS BANCÁRIAS AUDITADAS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO LANÇAMENTO.
Considerando que a base de cálculo das infrações era oriunda da movimentação financeira nas contas bancárias da empresa, quer pela receita confessada no Livro Caixa (créditos bancários de origem comprovada), quer pelos depósitos de origem não comprovada, não seria plausível supor que a empresa não depositasse em suas contas bancárias a venda de mercadoria constante dos registros do Sintegra-RN. Pensar de forma diversa seria o mesmo que defender que as receitas omitidas transitam pelas contas bancárias, situação diversa das receitas declaradas ao fisco estadual. Ambas, receitas omitidas e declaradas, transitam pelas contas bancárias, presumidamente.
MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ARGUIÇÃO DE EFEITO CONFISCATÓRIO.
As multas de ofício não possuem natureza confiscatória, constituindo-se antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de consequência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais.
MULTA QUALIFICADA. DOLO COMPROVADO.
Estando devidamente comprovado nos autos que a conduta do contribuinte se subsumiu a uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964, é de se aplicar a multa de ofício na forma qualificada, nos termos da legislação específica.
MULTA DE OFÍCIO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE QUALQUER ATO DOLOSO A JUSTIFICAR A QUALIFICAÇÃO.
Sendo o fato gerador da obrigação presumido, como na omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, não se pode, simplesmente, vincular a ele uma multa qualificada, pois se estaria também indo além da presunção legal de omissão de receitas, com uma outra presunção, a de que presunção dos depósitos bancários justifica, por si mesma, a qualificação da multa de ofício, quando não há nos autos qualquer conduta adicional a qualificar a conduta, além da existência dos depósitos de origem não comprovada. Não que seja impossível aplicar uma multa qualificada na hipótese de tributação por presunção legal, mas se exige do contribuinte a prática de uma conduta adicional qualificada, além daquele que justificou a presunção legal, um plus doloso, o que não ocorreu nestes autos. Ademais, em autuação de ano precedente aos dos autos, mantidas as mesmas condicionantes, a autoridade lançadora não qualificou a multa de ofício.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.
O entendimento adotado para o lançamento matriz se estende aos lançamentos reflexos.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. ATO PRATICADO COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO DE FATO. INTELIGÊNCIA DO ART. 135, III, DO CTN.
Responde pelos créditos tributários os sócios de fato da pessoa jurídica quando tenham praticado atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos.
RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado (Art. 124, I, do CTN).
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SUCESSÃO.
A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato.
PRAZO DE DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
O prazo para a constituição de crédito tributário, quando não há pagamento antecipado de tributo ou quando comprovados o dolo, a fraude ou a simulação, é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indo além, havendo pagamento antecipado, sem dolo, fraude ou simulação, o qüinqüênio conta-se a partir do fato gerador, na forma do art. 150, § 4°, do CTN.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA.
Incabível na esfera administrativa a discussão de que uma determinada norma legal não é aplicável por ferir princípios constitucionais, pois essa competência é atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário, na forma dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO.
A vedação quanto à instituição de tributo com efeito confiscatório é dirigida ao legislador e não ao aplicador da lei.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Recurso de Ofício Negado.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-002.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto que votou por dar provimento parcial para restabelecer a exigência referente à omissão de receitas do Sintegra. Por unanimidade de votos, acolher a arguição de decadência de PIS referente aos meses de janeiro e fevereiro de 2007, e, no mérito, negar provimento aos recursos voluntários unanimidade de votos.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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Considerando que a base de cálculo das infrações era oriunda da movimentação financeira nas contas bancárias da empresa, quer pela receita confessada no Livro Caixa (créditos bancários de origem comprovada), quer pelos depósitos de origem não comprovada, não seria plausível supor que a empresa não depositasse em suas contas bancárias a venda de mercadoria constante dos registros do Sintegra-RN. Pensar de forma diversa seria o mesmo que defender que as receitas omitidas transitam pelas contas bancárias, situação diversa das receitas declaradas ao fisco estadual. Ambas, receitas omitidas e declaradas, transitam pelas contas bancárias, presumidamente. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ARGUIÇÃO DE EFEITO CONFISCATÓRIO. As multas de ofício não possuem natureza confiscatória, constituindo-se antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de consequência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. MULTA QUALIFICADA. DOLO COMPROVADO. Estando devidamente comprovado nos autos que a conduta do contribuinte se subsumiu a uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964, é de se aplicar a multa de ofício na forma qualificada, nos termos da legislação específica. MULTA DE OFÍCIO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE QUALQUER ATO DOLOSO A JUSTIFICAR A QUALIFICAÇÃO. Sendo o fato gerador da obrigação presumido, como na omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, não se pode, simplesmente, vincular a ele uma multa qualificada, pois se estaria também indo além da presunção legal de omissão de receitas, com uma outra presunção, a de que presunção dos depósitos bancários justifica, por si mesma, a qualificação da multa de ofício, quando não há nos autos qualquer conduta adicional a qualificar a conduta, além da existência dos depósitos de origem não comprovada. Não que seja impossível aplicar uma multa qualificada na hipótese de tributação por presunção legal, mas se exige do contribuinte a prática de uma conduta adicional qualificada, além daquele que justificou a presunção legal, um plus doloso, o que não ocorreu nestes autos. Ademais, em autuação de ano precedente aos dos autos, mantidas as mesmas condicionantes, a autoridade lançadora não qualificou a multa de ofício. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. O entendimento adotado para o lançamento matriz se estende aos lançamentos reflexos. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. ATO PRATICADO COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO DE FATO. INTELIGÊNCIA DO ART. 135, III, DO CTN. Responde pelos créditos tributários os sócios de fato da pessoa jurídica quando tenham praticado atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado (Art. 124, I, do CTN). RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SUCESSÃO. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato. PRAZO DE DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O prazo para a constituição de crédito tributário, quando não há pagamento antecipado de tributo ou quando comprovados o dolo, a fraude ou a simulação, é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indo além, havendo pagamento antecipado, sem dolo, fraude ou simulação, o qüinqüênio conta-se a partir do fato gerador, na forma do art. 150, § 4°, do CTN. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. Incabível na esfera administrativa a discussão de que uma determinada norma legal não é aplicável por ferir princípios constitucionais, pois essa competência é atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário, na forma dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. A vedação quanto à instituição de tributo com efeito confiscatório é dirigida ao legislador e não ao aplicador da lei. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). 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ME) e FAZENDA NACIONAL ZZZZ ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RECEITAS. VENDAS DE MERCADORIA. INFORMAÇÕES DO SINTEGRARN. TRÂNSITO PELAS CONTAS BANCÁRIAS AUDITADAS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO LANÇAMENTO. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 72 09 63 /2 01 2- 27 Fl. 13099DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO CARF Retângulo Processo nº 13433.720963/201227 Acórdão n.º 1402002.140 S1C4T2 Fl. 13.100 2 As multas de ofício não possuem natureza confiscatória, constituindose antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de consequência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. MULTA QUALIFICADA. DOLO COMPROVADO. Estando devidamente comprovado nos autos que a conduta do contribuinte se subsumiu a uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964, é de se aplicar a multa de ofício na forma qualificada, nos termos da legislação específica. MULTA DE OFÍCIO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE QUALQUER ATO DOLOSO A JUSTIFICAR A QUALIFICAÇÃO. Sendo o fato gerador da obrigação presumido, como na omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, não se pode, simplesmente, vincular a ele uma multa qualificada, pois se estaria também indo além da presunção legal de omissão de receitas, com uma outra presunção, a de que presunção dos depósitos bancários justifica, por si mesma, a qualificação da multa de ofício, quando não há nos autos qualquer conduta adicional a qualificar a conduta, além da existência dos depósitos de origem não comprovada. Não que seja impossível aplicar uma multa qualificada na hipótese de tributação por presunção legal, mas se exige do contribuinte a prática de uma conduta adicional qualificada, além daquele que justificou a presunção legal, um plus doloso, o que não ocorreu nestes autos. Ademais, em autuação de ano precedente aos dos autos, mantidas as mesmas condicionantes, a autoridade lançadora não qualificou a multa de ofício. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. O entendimento adotado para o lançamento matriz se estende aos lançamentos reflexos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008, 2009 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. ATO PRATICADO COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO DE FATO. INTELIGÊNCIA DO ART. 135, III, DO CTN. Responde pelos créditos tributários os sócios de fato da pessoa jurídica quando tenham praticado atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado (Art. 124, I, do CTN). Fl. 13100DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720963/201227 Acórdão n.º 1402002.140 S1C4T2 Fl. 13.101 3 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SUCESSÃO. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato. PRAZO DE DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O prazo para a constituição de crédito tributário, quando não há pagamento antecipado de tributo ou quando comprovados o dolo, a fraude ou a simulação, é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indo além, havendo pagamento antecipado, sem dolo, fraude ou simulação, o qüinqüênio contase a partir do fato gerador, na forma do art. 150, § 4°, do CTN. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. Incabível na esfera administrativa a discussão de que uma determinada norma legal não é aplicável por ferir princípios constitucionais, pois essa competência é atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário, na forma dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. A vedação quanto à instituição de tributo com efeito confiscatório é dirigida ao legislador e não ao aplicador da lei. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto que votou por dar provimento parcial para restabelecer a exigência referente à omissão de receitas do Sintegra. Por unanimidade de votos, Fl. 13101DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720963/201227 Acórdão n.º 1402002.140 S1C4T2 Fl. 13.102 4 acolher a arguição de decadência de PIS referente aos meses de janeiro e fevereiro de 2007, e, no mérito, negar provimento aos recursos voluntários unanimidade de votos. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 13102DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720963/201227 Acórdão n.º 1402002.140 S1C4T2 Fl. 13.103 5 Relatório Os presentes autos foram pautados inicialmente para a sessão de 22 de outubro de 2014, tendo sido proferida, naquela ocasião, a decisão consubstanciada na Resolução nº 1402000.290. Reproduzo o relatório contido em tal decisão, fazendo as adequações necessárias em razão do retorno dos autos para julgamento. HOTEL THERMAS EIRELI recorre a este Conselho em face do acórdão nº 11 41.350 proferido pela 4ª Turma da DRJ em Recife que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Por bem retratar o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: Contra a contribuinte acima qualificada, lavraramse autos de infração formalizando a exigência do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, do Programa de Integração Social PIS e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins, através dos quais se constituiu crédito tributário, referente aos anoscalendário de 2007 a 2009, no valor total de R$ 10.443.846,02, incluídos multas de ofício de 150% e juros de mora. 2. No lançamento referente ao IRPJ (fls. 12075/12094), apurado com base no lucro arbitrado, encontramse registradas as seguintes infrações, ao final tipificadas: 2.1. "001 OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE A PARTIR DO AC 93. OMISSÃO DE RECEITAS DA REVENDA DE MERCADORIAS E DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOTELEIROS" (3° e 4° trimestres do anocalendário 2007 ao ano calendário de 2009) Lucro presumido; 2.2. "002 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA" (3° e 4° trimestres do anocalendário 2007 ao anocalendário de 2009) Lucro presumido; 2.3. "003 RECEITAS OPERACIONAL OMITIDA (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA). REVENDA DE MERCADORIAS" (1° e 2° trimestres do ano calendário 2007) Lucro arbitrado; 2.4. "004 RECEITAS OPERACIONAL OMITIDA (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA). PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOTELEIROS" (1° e 2° trimestres do anocalendário 2007) Lucro arbitrado; 2.5. "005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA" (1° e 2° trimestres do anocalendário 2007) Lucro presumido. Fl. 13103DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720963/201227 Acórdão n.º 1402002.140 S1C4T2 Fl. 13.104 6 3. Em minucioso Relatório Fiscal de fls. 12152/12237, a autoridade autuante, depois de descrever todo o procedimento fiscal, informa as diversas fontes a partir das quais estimados os valores de receita omitidos (depósitos bancários, venda de mercadorias e prestação de serviços). Registra que a contribuinte era optante do Simples Federal e Nacional, dos quais foi regularmente excluída. Consigna que o IRPJ e a CSLL exigidos no período de janeiro a junho de 2007 foram calculados com base na sistemática de arbitramento do lucro, enquanto que, no período compreendido entre julho de 2007 a dezembro de 2009, com base na sistemática de presunção, haja vista que, além de ter feito esta opção, a contribuinte promoveu a entrega do Livro Caixa. Destaca o fato de a penalidade aplicada ter sido no percentual de 150%, porquanto caracterizada a prática da sonegação, nos termos em que preconizada no art. 71 da Lei n.° 4.502, de 1964, bem como a prática de conluio, nos termos do art. 73 da referida Lei n° 4.502/1964. Ao final, descreve os motivos pelos quais indica como responsáveis solidários pelo crédito lançado a Sra. PATRÍCIA MATOSO BARBOSA BARCELLOS CHAVES, o Sr. RAIMUNDO CORREIA BARBOSA FILHO e as empresas MATOSO & BARBOSA LTDA. ME e HOST ADMINISTRAÇÃO HOTELEIRA LTDA. EPP (Termos de Sujeição Passiva Solidária às fls. 12851/12867). 4. Devidamente cientificada, a contribuinte apresentou tempestiva impugnação de fls. 12917/12931 (a ciência do lançamento se deu em 3/10/2012, conforme AR de fl. 12871; a peça de defesa foi postada em 1/11/2012, conforme envelope de fl. 12932), por meio da qual requer a improcedência do lançamento com base nos seguintes argumentos, tecidos após o relato dos fatos e da afirmação de que as decisões administrativas que a excluíram do Simples Federal e Nacional estão sendo questionadas administrativamente: Exclusão do Simples Federal e Nacional 4.1. A impugnante foi indevidamente excluída do Simples Federal de acordo com o Despacho Decisório 382/2011 e Ato Declaratório 13/2011, cuja manifestação de inconformidade foi protocolizada tempestivamente. Também foi excluída do Simples Nacional por força do Despacho Decisório 400/2011, mediante Ato Declaratório 15/2011, que também está questionada administrativamente. A fiscalização sequer aguardou o julgamento de primeira instância dos processos de exclusão dos Simples para efetuar o lançamento; 4.2. A exclusão se calcou em mera presunção sem amparo legal; 4.2.1. A empresa Host Hotéis e Turismo Ltda iniciou suas atividades na década de 1990, mas o Sr. Raimundo e a Sra. Riane exerciam suas atividades empresarias desde antes. No início da década de 2000, diante do diagnóstico de câncer do genitor, o casal resolveu transferir a empresa para suas filhas para que dessem continuidade aos negócios. Como o casal possuía 3 filhas, houve a constituição das empresas Restaurante Thermas, Hotel Thermas e Planeta Água Bar e Restaurante, que a Fiscalização, de forma arbitrária e equivocada, conclui tratarse de uma única empresa. Documentos contábeis Fl. 13104DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720963/201227 Acórdão n.º 1402002.140 S1C4T2 Fl. 13.105 7 4.3. A autoridade autuante não apenas exigiu a entrega dos livros contábeis, como também exigiu a forma e conteúdo para que fossem aceitos. Os Livros Caixa apresentados foram elaborados de acordo com a determinação da fiscalização, contra os quais não se insurge. Toda a movimentação financeira está neles lançada, assim como os documentos fiscais; Ilegal quebra de sigilo bancário 4.4. O Supremo Tribunal Federal proveu, em 15/12/2010, o Recurso Extraordinário n.° 389.808 (DJe086, de 9/5/2011), afastando a possibilidade de a Receita Federal ter acesso aos dados bancários do contribuinte, o que macula na íntegra o lançamento; Depósito de origem não identificada 4.5. Por engano, a fiscalização cita o art. 42 da Lei n.° 9.430, de 1996, como fundamento para a tributação indiciária. A única operação da empresa é a venda de alimentos e bebidas. Os valores que dela decorrem não podem ser depósitos de origem não identificada. Não ficou confirmado "que há outro depósito nessa conta que não seja de outra atividade e que não esteja devidamente lançado no livro entregue" (sic). Nenhum lançamento bancário foi omitido; 4.6. Todos os créditos referemse a recebimento de cliente, nas mais diversas formas. Todas as movimentações financeiras estão detalhadas nos livros Caixa apresentados. Os valores movimentados nas instituições financeiras foram sacados e eventualmente devolvidos às respectivas contas, aplicados, retornados, pelos bancos às contas gráficas ao final das aplicações. Ademais, os valores foram escriturados e declarados; 4.7. Não basta somar todos os depósitos/crédito. É preciso excluir as transferências entre as contas das mesmas pessoas físicas ou jurídicas e aquelas de origem conhecida; Arbitramento 4.8. Em caso de dúvida, a fiscalização deve solicitar esclarecimentos ao contribuinte, nos termos do art. 845 do Decreto n.° 3.000, de 1999 (RIR/99). Quanto ao período de janeiro a junho de 2007, a fiscalização afirma que arbitrou o lucro, porque não foram entregues os livros e documentos solicitados. Não há razão para essa medida extrema, pois o Livro Caixa referente ao anocalendário de 2007 (Livro Caixa n.° 2) foi entregue completo. Não houve a devida subsunção por parte da autoridade lançadora, prejudicando essa parte da decisão administrativa, sob pena de cerceamento ao direito de defesa, via supressão de instância; Utilização indevida das receitas declaradas no SINTEGRA 4.9. Foram utilizadas no lançamento todas as receitas conhecidas. Da análise das bases de cálculo dos lucros presumido e arbitrado, verificase que os valores foram os Fl. 13105DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720963/201227 Acórdão n.º 1402002.140 S1C4T2 Fl. 13.106 8 constantes da movimentação financeira, detalhada da seguinte forma: receitas confirmadas c/c BB 14.8202, receitas confirmadas c/c BB 14.8229 (...), receitas registro R50 (Sintegra), receitas registro R50 A (Sintegra), depósitos de origem não comprovada c/c BB 14.8202, depósitos de origem não comprovada c/c BB 14.8229 (...) (grifos do original). No ponto, há uma duplicidade, pois o pagamento desses cupons emitidos foi depositado na conta bancária e já está incluído nas receitas confirmadas. Não é plausível supor que a empresa não depositasse apenas esses valores. Seria o mesmo que supor que a empresa tivesse toda a sua movimentação financeira em suas contascorrentes, salvo a receita já declarada. Supor que apenas as vendas de mercadorias não eram depositadas nas contas bancárias é inadmissível, inclusive esses valores são mínimos frente à movimentação bancária; Transferências entre as empresas 4.10. Caso o lançamento não seja anulado pelos motivos já expostos, temse que os valores transferidos são mais um elemento não considerado pela fiscalização ao lançar os valores como depósito de origem não comprovada; Dolo não comprovado 4.11. Sobre todas as infrações apuradas aplicouse a multa de 150%. Estranhamente, sobre os fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2006, objeto de outro processo administrativo (13433.720113/201148), aplicouse multa de 75% sobre os depósitos bancários e multa qualificada de 150% sobre a receita operacional omitida; 4.12. A jurisprudência é pacífica no sentido de que a simples omissão de receitas não enseja a aplicação da multa qualificada, sendo necessária a configuração do evidente intuito de fraude (Súmula CARF n.° 14). Cita excerto de decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais no sentido de que "o retardamento ou redução do imposto a pagar, mesmo reiteradamente, por si só, não corresponde à hipótese legal"; 4.13. A exclusão do Simples Federal não foi capitulada no inciso VII do art. 14 da Lei n.° 9.317, de 1996, que corresponde ao inciso VII do art. 23 da Instrução Normativa IN SRF n.° 34, de 2001, que se coaduna com a multa qualificada, prevista no inciso I do art. 44 da Lei n.° 9.430, de 1996; 4.14. Não houve omissão de informação. Todos os livros apresentados foram refeitos nos moldes exigidos pela fiscalização, foi vasculhada a fundo a vida da empresa etc., nada comprovando a atitude dolosa da empresa ou de seus sócios; 4.15. A criação das empresas não foi a manutenção do Simples, mas uma sucessão de negócios entre a família. Foram criadas três empresas, uma para cada filha. Se fosse aquele o motivo, não haveria razão para a criação da empresa PLANETA ÁGUA BAR E RESTAURANTE, pois o faturamento dessa, somado ao do RESTAURANTE THERMAS, nunca alcançou o limite legal do Simples; 4.16. Não fosse a sucessão natural dos negócios da família nunca haveria razão para a criação da terceira empresa; Fl. 13106DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720963/201227 Acórdão n.º 1402002.140 S1C4T2 Fl. 13.107 9 4.17. A jurisprudência já firmou o entendimento de que a reiterada omissão de receitas e a elevada movimentação financeira não acarretam a qualificação da penalidade; 4.18. Não há sentido em "a autoridade autuante ter tipificado o lançamento como crime contra a ordem tributária, lavrando a consequente Representação para Fins Penais" (s/c); Decadência do direito de lançar 4.19. Restando afastada a qualificação da multa, deve ser aplicado o art. 150, § 4°, do CTN. Desse modo, como o lançamento só foi cientificado em 2/10/2012, o fatos geradores ocorridos entre janeiro a setembro de 2007 já estavam decadentes, pois no referido anocalendário, a impugnante declarou e recolheu seus tributos a título de Simples; Não aproveitamento dos pagamentos 4.20. Ao longo dos anoscalendário objeto do lançamento, houve pagamentos sob o regime do Simples. Essa informação consta do Anexo 30, no entanto, não foram compensados com o crédito tributário em lide; Inaplicabilidade da taxa Selic e da multa de ofício 4.21. A aplicação da taxa Selic ofende preceitos da Constituição Federal e do CTN. A multa de ofício representa confisco, o que também é vedado pela Constituição. Pedidos finais 5. Ao final, após requerer o sobrestamento do presente processo até o julgamento dos de n.°s 13433.720113/201148 e 13433.721106/201163 (versam sobre exclusão do Simples), a contribuinte pleiteia a procedência da impugnação e nulidade do auto de infração, alegando inobservância do devido processo legal por lançamento antes do julgamento da exclusão do Simples, quebra de sigilo bancário sem autorização judicial, decadência dos períodos de janeiro a outubro de 2007, inexistência de depósitos de origem não comprovada, aplicação indevida da medida extrema do arbitramento, não observância de preceitos legais de apuração de omissão de receita pelo lucro presumido, erro de base de cálculo, forma indevida de aproveitamento de valores pagos a título de Simples, inaplicabilidade da taxa Selic e da multa de 75%. Protesta, ainda, pela produção de todas as provas admitidas em direito, inclusive por apresentar provas e alegações complementares. 6. Cientificado em 4/10/2012 (fl. 12875), o espólio do apontado responsável solidário RAIMUNDO CORREA BARBOSA FILHO apresentou, no prazo legal (a peça de defesa foi postada em 1/11/2012, conforme envelope de fl. 12892), a impugnação de fls. 12883/12890, por meio da qual, depois de referir os autos de infração lavrados contra a empresa e de defender a ilegalidade da exclusão do Simples Federal e Nacional, ao final requer, noutros termos, a sua exclusão do polo passivo do lançamento, com base nos seguintes argumentos: Fl. 13107DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720963/201227 Acórdão n.º 1402002.140 S1C4T2 Fl. 13.108 10 6.1. Apesar de os processos relativos à exclusão do Simples Federal e Nacional ainda não terem sido julgados, a fiscalização lavrou os autos de infração, não aguardando o desfecho do litígio na esfera administrativa, em afronta ao princípio constitucional do devido processo legal; 6.2. A fiscalização tratou uma transferência normal de empresa familiar, de "pai para filhos", como sendo fraudulenta. A verdade é que o Sr. RAIMUNDO CORREIA BARBOSA FILHO e sua esposa, a Sra. RIANE MATOSO BARBOSA tiveram três filhas, TAÍSA MATOSO BARBOSA, sócia do PLANETA ÁGUA, PATRÍCIA MATOSO BARBOSA BARCELLOS CHAVES, sócia do HOTEL THERMAS, e ANA CARLA MATOSO BARBOSA DE AZEVEDO, sócia do RESTAURANTE THERMAS. No início da década de 2000, quando diagnosticado com câncer (faleceu no natal de 2010), o Sr. RAIMUNDO resolveu transferir seus negócios para as filhas, daí a constituição das três empresas, uma para cada filha, evitando possíveis problemas sucessórios. Tais alterações contratuais estão de acordo com a legislação que rege a matéria, inexistindo motivo para desconsiderar a personalidade jurídica dessas empresas. A fiscalização, no entanto, concluiu tratarse de uma única empresa, excluindoas do Simples; 6.3. Não tem como prosperar o argumento de que o HOTEL THERMAS contribuiu para pagar as despesas do Sr. RAIMUNDO CORREIA BARBOSA FILHO. O HOTEL THERMAS pagava aluguel mensal para à HOST HOTÉIS E TURISMO LTDA., de propriedade daquele, a quem alguns pagamentos eram diretamente realizados, valores que eram escriturados e tributados na HOST, que foi fiscalizada e nenhuma irregularidade contestada; 6.4. Não foi detectado qualquer documento do Hotel Thermas com a assinatura do Sr. RAIMUNDO BARBOSA ou qualquer prova que comprovasse que era por ele gerida ou que houve interposição de pessoas. Não há qualquer procuração das empresas ou das filhas do Sr. RAIMUNDO BARBOSA concedendo poderes para este administrálas/representálas, sendo inadmissível a inclusão do Espólio do Sr. Raimundo no polo passivo tributário de empresa que sequer era sócio ou tinha poder de mando; 6.5. O próprio Relatório Fiscal afasta a preposição de pessoas ao afirmar que a sóciagerente do PLANETA ÁGUA, a Sra. PATRÍCIA MATOSO BARBOSA BARCELLOS CHAVES, tinha poderes gerenciais e administrativos; 6.6. O Sr. RAIMUNDO BARBOSA não se enquadra em nenhuma das situações previstas no art. 135 do CTN, tampouco está incluída no art. 134 do mesmo diploma legal. Transcreve excerto de decisão do STJ sobre a matéria; 6.7. Cabe ao autor provar o fato constitutivo do direito, enquanto que ao réu a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo; 6.8. A jurisprudência administrativa entende ser nula a atribuição da responsabilidade solidária pela fiscalização, sendo esta atribuição da Procuradoria da Fazenda Nacional. 7. Cientificada em 4/10/2012 (fl. 12879), a apontada responsável solidária HOST ADMINISTRAÇÃO HOTELEIRA LTDA. apresentou, no prazo legal (a peça de defesa foi postada em 1/11/2012, conforme envelope de fl. 12898), a impugnação de fls. 12893/12896, por meio da qual, depois de referir os autos de infração lavrados contra Fl. 13108DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720963/201227 Acórdão n.º 1402002.140 S1C4T2 Fl. 13.109 11 a empresa, ao final requer, noutros termos, a sua exclusão do polo passivo do lançamento, com base nos seguintes argumentos: 7.1. A HOST ADMINISTRAÇÃO HOTELEIRA LTDA. exercia suas atividades desde a década de 1990, sendo que o Sr. RAIMUNDO BARBOSA e a Sra. RIANE MATOSO BARBOSA exerciam a atividade empresarial desde antes. No início da década de 2000, quando diagnosticado com câncer, o casal resolveu transferir a empresa para que suas filhas dessem continuidade aos negócios; 7.2. A fiscalização tratou uma transferência normal de empresa familiar, de "pai para filhos", como sendo fraudulenta; 7.3. O casal teve três filhas, daí a constituição das empresas PLANETA ÁGUA, HOTEL THERMAS e RESTAURANTE THERMAS, que a fiscalização entendeu equivocadamente tratarse de um grupo econômico. Tais alterações contratuais estão de acordo com a legislação que rege a matéria; 7.4. O art. 133 do CTN prevê as hipóteses dos sucessores. A sua aplicação é restrita às hipóteses em que se adquire fundo de comércio ou estabelecimento comercial, o que não é o caso; 7.5. Cabe ao autor provar o fato constitutivo do direito, enquanto que ao réu a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo; 7.6. Para ser transferida a responsabilidade à HOST, é preciso que se prove a prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto; 7.7. A jurisprudência administrativa entende ser nula a atribuição da responsabilidade solidária pela fiscalização, sendo esta atribuição da Procuradoria da Fazenda Nacional. 8. Cientificada em 3/10/2012 (fl. 12877), a apontada responsável solidária MATOSO & BARBOSA LTDA. apresentou, no prazo legal (a peça de defesa foi postada em 1/11/2012, conforme envelope de fl. 12904), a impugnação de fls. 12899/12902, por meio da qual, depois de referir os autos de infração lavrados contra a empresa, ao final requer, noutros termos, a sua exclusão do polo passivo do lançamento, com base nos seguintes argumentos: 8.1. A Sra. RIANE MATOSO BARBOSA ficou viúva no natal de 2011 (sic). Após anos de batalha ao lado de seu marido, o Sr. RAIMUNDO BARBOSA, decidiu retornar a sua atividade profissional. Nada há nesse fato que configure fraude ou infração a lei; 8.2. Apesar do entendimento da fiscalização, o exercício de atividade no mesmo local é fato indiciário, não absoluto. Sequer há decisão transitada em julgado excluindo o HOTEL THERMAS do Simples; 8.3. O art. 133 do CTN prevê as hipóteses de responsabilidade dos sucessores. A sua aplicação é restrita às hipóteses em que se adquire fundo de comércio ou estabelecimento comercial, o que não é o caso; 8.4. Cabe ao autor provar o fato constitutivo do direito, enquanto que ao réu a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo; Fl. 13109DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720963/201227 Acórdão n.º 1402002.140 S1C4T2 Fl. 13.110 12 8.5. Para ser transferida a responsabilidade à HOST, é preciso que se prove a prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto; 8.6. A jurisprudência administrativa entende ser nula a atribuição da responsabilidade solidária pela fiscalização, sendo esta atribuição da Procuradoria da Fazenda Nacional. 9. Cientificada em 4/10/2012 (fl. 12873), a apontada responsável solidária PATRÍCIA MATOSO BARBOSA BARCELLOS CHAVES apresentou, no prazo legal (a peça de defesa foi postada em 1/11/2012, conforme envelope de fl. 12914), a impugnação de fls. 12908/12913, por meio da qual, depois de referir os autos de infração lavrados contra a empresa e de defender a ilegalidade da exclusão do Simples Federal e Nacional, requer, noutros termos, a sua exclusão do polo passivo do lançamento, com base nos seguintes argumentos: 9.1. A fiscalização tratou uma transferência normal de empresa familiar, de "pai para filhos", como sendo fraudulenta. A verdade é que o Sr. RAIMUNDO CORREIA BARBOSA FILHO e sua esposa, a Sra. RIANE MATOSO BARBOSA tiveram três filhas, TAÍSA MATOSO BARBOSA, sócia do PLANETA ÁGUA, PATRÍCIA MATOSO BARBOSA BARCELLOS CHAVES, sócia do HOTEL THERMAS, e ANA CARLA MATODO BARBOSA DE AZEVEDO, sócia do RESTAURANTE THERMAS. No início da década de 2000, quando diagnosticado com câncer (faleceu no natal de 2010), o Sr. RAIMUNDO resolveu transferir seus negócios para as filhas, daí a constituição das três empresas, uma para cada filha, evitando possíveis problemas sucessórios. Tais alterações contratuais estão de acordo com a legislação que rege a matéria, inexistindo motivo para desconsiderar a personalidade jurídica dessas empresas. A fiscalização, no entanto, concluiu tratarse de uma única empresa, excluindoas do Simples; 9.2. O art. 135 do CTN estabelece as hipóteses de atribuição de responsabilidade solidária; 9.3. Cabe ao autor provar o fato constitutivo do direito, enquanto que ao réu a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo; 9.4. Para ser transferida a responsabilidade, é preciso que se prove a prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto. A transferência de "pai para filhos" não evidencia quaisquer dessas situações. Transcreve excerto de decisão do STJ sobre a matéria; 9.5. A jurisprudência administrativa entende ser nula a atribuição da responsabilidade solidária pela fiscalização, sendo esta atribuição da Procuradoria da Fazenda Nacional. A 4ª Turma da DRJ em Recife, analisando a impugnação, julgoua parcialmente procedente, nos seguintes termos: “Acordam os membros da 4ª Turma de Julgamento em julgar PROCEDENTE EM PARTE a impugnação, por maioria de votos, para excluir da base de cálculo do lançamento a omissão de receitas oriunda do SintegraFisco Estadual do Rio Grande do Norte, vencido o julgador Renato Albuquerque (relator), e, por voto de qualidade, para reduzir a multa de ofício qualificada no percentual de 150% para 75% vinculada à omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada e Fl. 13110DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720963/201227 Acórdão n.º 1402002.140 S1C4T2 Fl. 13.111 13 reconhecer que a decadência extinguiu o IRPJ e a CSLL do 1°, 2° e 3° trimestre de 2007, a Cofins dos períodos de apuração de janeiro de 2007 a setembro de 2007 e o PIS/Pasep dos períodos de apuração de março de 2007 a setembro de 2007, vencidos os julgadores Renato Albuquerque (relator) e Saulo Loureiro Dubourcq Santana. Designado para redigir o voto vencedor o julgador Giovanni Christian Nunes Campos.” O contribuinte foi cientificado da decisão em 08/07/2013 (fl. 1300913010) apresentando recurso voluntário de fls. 1302513041 em 07/08/2013 (data de postagem nos Correios). Podese afirmar que o recurso reafirma, em síntese, os pontos tratados em impugnação. A coobrigada Patrícia Matoso Barbosa Barcellos Chaves foi intimada em 09/07/2013 (fl. 13005), apresentando recurso voluntário em 07/08/2013 (fls. 1306713073), contestando, em síntese, somente a responsabilidade tributária que lhe foi atribuída, tendo como fundamento legal o art. 135 do CTN. O coobrigado Matoso e Barbosa ME foi intimado em 08/07/2013 (fls. 13011 13012), apresentando recurso voluntário em 07/08/2013 (fls. 1307613081), limitandose a contestar a responsabilidade tributária que lhe foi cominada com base no art. 133 do CTN. O coobrigado Host Administração Hoteleira Ltda foi intimado em 08/07/2013 (fls. 1301813019 – conforme data do carimbo aposto pelos Correios), apresentando recurso voluntário em 07/08/2013 (fls. 1305913064), limitandose também a contestar a responsabilidade tributária que lhe foi cominada com base no art. 133 do CTN. O coobrigado Raimundo Barbosa (Espólio) foi intimado em 08/07/2013 (fls. 132013021), apresentando recurso voluntário em 07/08/2013 (fls. 1304413056), contestando, em síntese, somente a responsabilidade tributária que lhe foi atribuída, tendo como fundamento legal o art. 135 do CTN. Na primeira análise dos autos, esta turma, por meio da Resolução nº 1402.000290, assim concluiu: Os autos de infração lavrados são decorrentes da exclusão do contribuinte dos sistemas diferenciados de tributação do Simples e do Simples Nacional. Assim, para que se julgue a presente exigência, fazse necessário analisar se a exclusão de tais sistemas diferenciados deuse na forma exigida pela legislação. Ocorre que tanto o processo de exclusão do Simples (nº 13433.720314/201226), quanto o processo de exclusão do Simples Nacional (13433.721106/201163), encontramse nesta data aguardando distribuição para uma das câmaras/turmas da 1ª Seção do CARF. Nesse contexto, voto por sobrestar os presentes autos, aguardando que sejam distribuídos a esta turma os processos 13433.720314/201226 e 13433.721106/201163 para que eu também os relate para futuro julgamento conjunto dos feitos. Fl. 13111DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720963/201227 Acórdão n.º 1402002.140 S1C4T2 Fl. 13.112 14 Estando todos os autos sob a mesma relatoria, e aptos a julgamento, todos foram incluídos em pauta. É o relatório. Fl. 13112DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720963/201227 Acórdão n.º 1402002.140 S1C4T2 Fl. 13.113 15 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE Os recursos voluntários são tempestivos e preenchem os demais pressupostos de admissibilidade. Deles, portanto, conheço. O Presidente da 4ª Turma da DRJ em Recife recorre de ofício a este Conselho, com fulcro no art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, c/c , art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, haja vista que no julgamento dos autos do qual resultou o acórdão nº 1141.350 julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada, exonerando o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 1.000.000,00. Preenchidos os requisitos legais, conheço também do recurso de ofício. 2 EXCLUSÕES DO SIMPLES NACIONAL A discussão sobre a exclusão do Simples Federal consta do processo 13433.721106/201163, analisando nesta mesma sessão de julgamentos, tendo sido negado provimento ao recurso voluntário (acórdão 1402002.139). Quanto ao pedido de sobrestamento do presente feito até a decisão definitiva no processo de exclusão do Simples Nacional, não há base legal para tanto. A legislação impõe, inclusive, o julgamento do processo de exclusão como preliminar dos autos de infração lavrados em decorrência de tal exclusão. 3 RECURSO DE OFÍCIO As matérias a que se referem o recurso de ofício dizem respeito à redução da multa para 75% em relação à omissão de receita referente a depósitos bancários de origem não comprovada e ao cancelamento da infração atinente à omissão de receitas oriunda das informações do SintegraRN. Em razão da desqualificação da multa de ofício, a contagem do prazo decadencial foi realizada com base no art. 150, §4º, do CTN para os tributos em que houve pagamento antecipado nos respectivos períodos e apuração. Em decorrência, e considerandose que a ciência do lançamento se deu em 03/10/2012, acolheuse a decadência do IRPJ e do CSLL do 1º, 2º e 3º trimestres de 2007, da Cofins dos períodos de apuração de janeiro a setembro de 2007 e do PIS dos períodos de apuração de março a setembro de 2007. Quanto à multa qualificada para a infração referente a omissão de receitas advindas de depósitos bancários sem comprovação de origem, tratandose de presunção legal, e na ausência de qualquer elemento que denote o dolo, correta a decisão de reduzir a penalidade para 75%. Fl. 13113DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720963/201227 Acórdão n.º 1402002.140 S1C4T2 Fl. 13.114 16 Em relação à omissão de receitas oriunda das informações do SintegraRN, tal qual a decisão recorrida, entendo ser inverossímil admitirse de que tais valores não estariam incluídos nos depósitos bancários já tributados, de ofício e neste mesmo lançamento, com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Em decorrência da redução da multa de ofício para 75% em relação à infração de omissão de receitas oriundas de depósitos bancários sem comprovação de origem, a decisão recorrida realizou a contagem do prazo decadencial com base no art. 150, §4º, do CTN para os tributos em que houve recolhimento antecipado em cada um dos períodos de apuração. Embora entenda que o lançamento seja uno, e, considerandose que em item próprio deste voto encaminharei meu entendimento na manutenção de multa qualificada para outra infração que compõe o lançamento (infração 04 – RECEITAS OPERACIONAL OMITIDA (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA). PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOTELEIROS), adotarei, a partir desta sessão, a interpretação dos demais membros desta turma julgadora de que há de se aferir a decadência por infração, tal qual realizada pela decisão recorrida. Por bem analisar todas as questões envolvidas, transcrevo a decisão recorrida em relação aos temas: Como dito pelo próprio impugnante autuado (fl. 9 da impugnação), considerando que a base de cálculo das infrações era oriunda da movimentação financeira nas contas bancárias da empresa, quer pela receita confessada no Livro Caixa, quer pelos depósitos de origem não comprovada, não seria plausível supor que a empresa não depositasse em suas contas bancárias a venda de mercadoria constante dos registros do SintegraRN. Aceitar o entendimento contrário seria o mesmo que defender que as receitas omitidas transitam pelas contas bancárias, situação diversa das receitas declaradas ao fisco estadual. Ambas, receitas omitidas e declaradas, transitam pelas contas bancárias, presumidamente. Observese ainda que as receitas do SintegraRN são uma pequena parcela das receitas oriundas da movimentação bancária, estas que foram confessadas no Livro Caixa ou presumidas como omitidas (art. 42 da Lei n° 9.430/96), sendo desarrazoado, pelo seu pequeno montante, que as receitas do Sintegra (venda de mercadorias) não tenham transitado pelas contas bancárias. Com as razões, devemse afastar da omissão de receitas do lançamento os montantes que constaram na omissão de receitas de vendas de mercadoria oriunda do Sintegra RN. Indo mais além, a maioria qualificada entendeu que a multa de ofício vinculada à omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada deveria ser ordinária, no percentual de 75% sobre os tributos lançados, e não no percentual de 150%. No âmbito de uma presunção legal de omissão de receitas (ou rendimentos), a lei presume que, ocorrido determinado evento, sucedeu igualmente o fato tributável. No caso destes autos, ordinariamente, depósitos bancários não estão na incidência do imposto de renda. Porém, intimado o contribuinte a comprovar as suas origens, não se desincumbindo desse ônus, presumemse tais depósitos como receitas ou rendimentos omitidos. Fl. 13114DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720963/201227 Acórdão n.º 1402002.140 S1C4T2 Fl. 13.115 17 Ora, se, no caso vertente, o fato gerador é presumido, não se pode, simplesmente, imputar a ele uma multa qualificada, pois se estaria também indo além da presunção legal de omissão de receitas, com uma outra presunção, a de que a existência de depósitos bancários incomprovados, mesmo que se agregue o montante ou pluralidade de exercícios, justifica, em si mesmos, a qualificação da multa de ofício. Esta última presunção não existe na Lei. Não que seja impossível aplicar uma multa qualificada na hipótese de tributação por presunção legal, mas se exige do contribuinte a prática de uma conduta adicional qualificada, além daquele que justificou a presunção legal, um plus doloso. Assim, por exemplo, no âmbito da presunção de omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF autoriza a qualificação nas seguintes hipóteses: • utilização de documentos, material ou ideologicamente, falsos para abertura ou movimentação de conta bancária; • conta de depósito aberta em nome interposta pessoa (Acórdão n° 10420.713, sessão de 19/05/2005, relator o Conselheiro Remis Almeida Estol; Acórdão n° 104 22.618, sessão de 13/09/2007, relator o Conselheiro Nelson Mallmann; Acórdão n° 1103000.819, sessão de 06 de março de 2013, relator o Conselheiro Marcos Takata); • utilização de um segundo número de CPF para dificultar a identificação do contribuinte (Acórdão n° 10247.157, sessão de 20/10/2005, relatora a Conselheira Silvana Mancini Karam); • contribuinte que utiliza conta de terceiro para movimentar recursos de origem não comprovada (Acórdão n° 10616.646, sessão de 05/12/2007, relatora a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti; Acórdão n° 1402001.145, sessão de 08 de agosto de 2012, relator o Conselheiro Antonio José Praga de Souza); • omissão da escrituração de depósitos bancários, aliado ao exercício de atividades paralelas, as quais dependem de autorização de órgão governamental (Acórdão n° 10193.865, sessão de 19/06/2002, relator o Conselheiro Paulo Roberto Cortez). No caso dos autos, as contas bancárias estavam titularizadas em nome do autuado, que apenas não logrou comprovar a origem de todos os depósitos bancários. A hipótese dos autos não se amolda integralmente a qualquer das exceções acima. Qualificar a multa vinculada aos tributos incidentes sobre a presunção de omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada seria equiparar a conduta do autuado aos atos dolosos acima e, indo mais além, às seguintes hipóteses, exemplificadamente: emissão de nota fiscal inidônea ou calçada, movimentação de conta bancária em nome fictício, movimentação bancária em nome de pessoas já falecidas, falsidade documental ou ideológica, utilização de Fl. 13115DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720963/201227 Acórdão n.º 1402002.140 S1C4T2 Fl. 13.116 18 notas fiscais de empresas inexistentes (notas frias), subfaturamento na exportação, superfaturamento na importação. Ora, este não pode ser o melhor entendimento. Em adição, devese lembrar que, no processo n° 13433.720113/201148, com omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, para ano precedente aos dos autos, também em desfavor do autuado, em tudo semelhante à presente autuação, a autoridade fiscal não qualificou a multa de ofício para a omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, a demonstrar as bases movediças dessa qualificação. Parece claro que não houve um plus doloso na conduta do contribuinte, que, não comprovando a origem dos depósitos bancários, já sofreu o ônus da presunção plena do art. 42 da Lei n° 9.430/96, não havendo, assim, qualquer justificativa para qualificar a multa de ofício lançada, sendo de rigor reduzila do percentual de 150% para 75% sobre os tributos apurados sobre tal presunção omissão de receitas. Desqualificada a multa de ofício incidente sobre a omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, necessário reconhecer que a multa ordinária de 75%, aliada à existência de pagamento antecipado (vide o anexo 30 destes autos, onde se vêem os pagamentos antecipados no ano de 2007 e seguintes), atrai a regra decadencial contada na forma do art. 150, § 4°, do CTN, ou seja, o qüinqüênio decadencial contase a partir do fato gerador, para a infração decorrente da omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Considerando que o contribuinte fiscalizado foi cientificado do auto de infração em 03/10/2012, e, havendo pagamento, forçoso reconhecer que a decadência se operou em desfavor dos fatos geradores anteriores a 30/09/2007. No caso destes autos, como se vê no anexo 30, há pagamentos de IRPJ, CSLL e COFINS nos três primeiros trimestres de 2007, implicando que a decadência atingiu todos os fatos geradores desses tributos até o terceiro trimestre de 2007, relacionados à omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Para o PIS/Pasep, não há pagamento alocado para as competências de janeiro e fevereiro de 2007, o que as submete ao prazo decadencial na forma do art. 173, I, do CTN (termo decadencial iniciando 1°/01/2008 e terminando em 31/12/2012), sempre para a omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, não havendo falar, no ponto, em decadência. Já para as competências de PIS/Pasep de março a setembro de 2007, há pagamento antecipado, com incidência da decadência na forma do art. 150, § 4°, do CTN, ou seja, tais competências estão caducas. Na forma acima, reconhecese que o fenômeno da decadência extinguiu os fatos geradores de IRPJ e CSLL dos três primeiros trimestres de 2007, da Cofins até a competência setembro de 2007 e do PIS/Pasep das competências março a setembro de 2007, todos vinculados à omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Assim sendo, confirmo a decisão recorrida, negando provimento ao recurso de ofício. 4 RECURSO VOLUNTÁRIO 4.1 PREJUDICIAL DE MÉRITO DECADÊNCIA Fl. 13116DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720963/201227 Acórdão n.º 1402002.140 S1C4T2 Fl. 13.117 19 Já em sua impugnação, o contribuinte alega que haveria decadência em relação ao crédito tributário referente aos fatos geradores entre janeiro de 2007 a setembro de 2007, uma vez que a ciência dos autos somente se deu em 03/10/2012. A decisão recorrida afastou a multa qualificada para a infração de depósito de origem não identificada, acolhendo a decadência do IRPJ e do CSLL do 1º, 2º e 3º trimestres de 2007, a Cofins dos períodos de apuração de janeiro a setembro de 2007 e do PIS referente aos períodos de apuração de março a setembro de 2007. Contudo, argumenta que a decisão recorrida não acolheu a decadência de PIS referentes aos meses de janeiro e fevereiro de 2007, embora tenha havido recolhimentos antecipados também em relação a tais períodos. Entendo assistir razão à Recorrente: há recolhimentos de Simples Nacional para os meses de janeiro e fevereiro. O demonstrativo a que se refere a decisão recorrida (anexo 30) referese a decomposição dos tributos que compõem o Simples Nacional, e o fato de não constar recolhimento de PIS em relação aos meses de janeiro e fevereiro adveio da faixa de receita bruta acumulada pelo contribuinte nos últimos 12 meses e a consequente composição dos tributos que estão incluídos na composição do coeficiente de Simples Nacional. A meu ver, havendo recolhimento de Simples Nacional referente aos meses de janeiro e fevereiro de 2007, há de se reconhecer haver recolhimento antecipado de todos os tributos que compõem o Simples Nacional. Por conseguinte, acolho a arguição de decadência de PIS relativo ao meses de janeiro e fevereiro de 2007. 4.2 PRELIMINARES NULIDADES Para a RECORRENTE o lançamento seria nulo em razão de as exclusões do Simples Federal e Simples Nacional ainda não haviam sido encerrados, portanto, não poderia haver o lançamento de tributos em outra forma de apuração antes das decisões definitivas naqueles autos. Conforme já explanado, a exclusão do Simples Federal e Simples Nacional enseja o lançamento imediato dos tributos apurados em outros regimes de apuração. Não há, pois, qualquer nulidade no procedimento adotado. Além disso, os referidos processos foram julgados nesta mesma sessão de julgamentos, tendo sido negado provimento a ambos os recursos. No que atine à alegação quanto à forma de tributação adotada (lucro arbitrado nos dois primeiros trimestres de 2007 e lucro presumido nos demais períodos de apuração), não há qualquer irregularidade no procedimento adotado pelo Fisco: excluído do Simples Federal (dois primeiros trimestres de 2007), o contribuinte se sujeita às mesmas normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas, ou seja, o lucro real trimestral. Como o contribuinte não dispunha de escrituração contábil, procedeuse ao arbitramento de lucro, uma vez que o livro caixa apresentado não supre, de modo algum, a ausência da apresentação dos livros Diário e Razão. Já em relação aos demais períodos de apuração (terceiro trimestre de 2007 em diante), já vigia Fl. 13117DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720963/201227 Acórdão n.º 1402002.140 S1C4T2 Fl. 13.118 20 o disposto no § 2º do art. 32 da Lei Complementar 1231 que impunha ao Fisco o dever de oferecer ao contribuinte qual a nova opção de regime de tributação em razão da exclusão do Simples Nacional. Por conseguinte, tendo o contribuinte escriturado livro caixa e optado pela tributação com base no lucro presumido, não há o que se contestar a respeito. Nesse mesmo sentido, transcrevo as conclusões da decisão recorrida sobre o tema: 22. A tributação pela sistemática do arbitramento nada teve de equivocado, uma vez que, excluída dos regimes simplificados, ficou a impugnante sujeita às normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas, nos termos do art. 16 da Lei n.° 9.317, de 1996, e art. 32 da Lei Complementar n.° 123, de 2006. Assim, deveria apurar o lucro pela sistemática do lucro real trimestral, porquanto constitui a regra geral aplicável às pessoas jurídicas, apuração que reclama a manutenção de escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 7°). Como, embora intimado, não promoveu a entrega de sua escrituração, não restou outra alternativa à fiscalização, senão a de arbitrar o lucro, com fundamento no art. 530 do Decreto n.° 3.000, de 1999 RIR/99 (Lei n° 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 1°). 22.1. Observase, porém, que o arbitramento foi referente ao período de janeiro a junho de 2007, pois de acordo com as regras do Simples Federal então vigentes, a opção da contribuinte pelo lucro presumido deveria ser feita por meio de pagamento da primeira ou única cota do tributo devido pelo lucro presumido para o anocalendário em questão, conforme art. 26, §1°, da Lei 9.430/96 e art. 13, §1°, da Lei 9.718/1998, e/ou pela entrega de suas declarações de tributos devidamente preenchidas e com tal opção, nos termos da Solução de Consulta Interna n° 5 Cosit, de 11 de fevereiro de 2008, não tendo ocorrido nenhuma dessas hipóteses, pois a contribuinte efetuou pagamentos pelo Simples para a anocalendário de 2007, conforme se depreende dos autos, e em sua DIPJ a forma de tributação indicada também era pelo Simples, observandose que a simples entrega de livro caixa e informação de tal opção em resposta à intimação de ação fiscal posterior ao anocalendário dos efeitos da exclusão, não caracteriza tal opção, por falta de previsão legal para o caso do período em que foi excluída do Simples Federal. 22.2. A única opção que restava à contribuinte, como excluída do Simples Federal, eram as normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, a saber, de tributação pelo lucro real trimestral ou arbitrado para o referido período (janeiro a junho de 2007). Como a contribuinte, em resposta à intimação, comunicou que não entregaria os livros contábeis Diário e Razão não atendeu à intimação no sentido de apresentar os livros contábeis e fiscais 1 Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. [...] § 2º Para efeito do disposto no caput deste artigo, o sujeito passivo poderá optar pelo recolhimento do imposto de renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido na forma do lucro presumido, lucro real trimestral ou anual. Fl. 13118DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720963/201227 Acórdão n.º 1402002.140 S1C4T2 Fl. 13.119 21 para a tributação pelo lucro real, teve o lucro arbitrado para esse período, nos termos do art. 530, III, do Decreto 3.000/1999 RIR/1999. Lei 9.317/96 Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Lei 9.430/96 "Art. 26. .......................................................................... § 1° A opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano calendário. Lei 9.718/98 "Art. 13 ........................................................................... § 1° A opção pela tributação com base no lucro presumido será definitiva em relação a todo o anocalendário. Decreto 3.000/1999 RIR/99 Art.530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n° 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n° 9.430, de 1996, art. (...); III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (...) 22.2. Já no caso do Simples Nacional, a partir de 1707/2007, a legislação, Lei Complementar n° 123/2006, no seu art. 32, §2°, permitiu que a contribuinte pudesse expressar sua opção. Nesse sentido, observase que, em resposta a intimação que lhe questionou sua opção, tal como facultada por esse dispositivo, a contribuinte expressou tal opção pelo lucro presumido, além de ter apresentado livro caixa, sendo respeitada a sua opção, em função da previsão legal. Lei Complementar n° 123/2006 Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. (...) Fl. 13119DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720963/201227 Acórdão n.º 1402002.140 S1C4T2 Fl. 13.120 22 § 2o Para efeito do disposto no caput deste artigo, o sujeito passivo poderá optar pelo recolhimento do imposto de renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido na forma do lucro presumido, lucro real trimestral ou anual. (...) 22.3. Concluise, portanto, estar correto o procedimento quanto ao arbitramento no período em que este ocorreu. No que atine às questões que envolvem os demais princípios constitucionais e inconstitucionalidade de leis apontadas pela Recorrente, seu mérito não pode ser analisado por este Colegiado. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Devese observar que as supostas ofensas aos princípios constitucionais levam a discussão para além das possibilidades de juízo desta autoridade. No âmbito do procedimento administrativo tributário, cabe, tão somente, verificar se o ato praticado pelo agente do fisco está, ou não, conforme à lei, sem emitir juízo de constitucionalidade das normas jurídicas que embasam aquele ato. Ademais, o próprio Regimento Interno do CARF, em seu art. 62, dispõe que “Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” O caso concreto não se enquadra nas exceções elencada no parágrafo único de tal dispositivo regimental, portanto, as normas atacadas são de aplicação cogente aos membros do CARF. Por fim, sobre a matéria este Conselho já pacificou seu entendimento por meio da Súmula nº 2, cujo teor é o seguinte: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em relação aos argumentos sobre confisco, esclareçase, ainda, que a vedação à utilização de tributo com efeito de confisco, preceituada pelo art. 150, IV, da Constituição da República Federativa do Brasil não se destina aos aplicadores da Lei, mas sim ao Poder Legislativo, que deve tomar em consideração tal preceito quando da elaboração das leis. Ressaltese ainda que os pressupostos legais para a validade do auto de infração são determinados pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, que trata do Processo Administrativo Fiscal, a seguir transcrito: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; Fl. 13120DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720963/201227 Acórdão n.º 1402002.140 S1C4T2 Fl. 13.121 23 II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. A respeito da nulidade, o mesmo diploma legal assim dispõe: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1.º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2.º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3.º. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Acrescido pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (grifo nosso) Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Compulsando os autos, constatase que os autos de infração lavrados preenchem os requisitos elencados pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Além disso, no caso concreto, não há qualquer dúvida quanto à ausência de prejuízo ao contribuinte, tanto que, já em sede de impugnação defendeuse plenamente, despendendo com clareza e qualidade, todos os argumentos necessários ao pleno exercício de sua defesa. Nesse aspecto, frisese que a possibilidade de defesa foi amplamente viabilizada pelos detalhes da descrição dos fatos realizada pela autoridade fiscal e enquadramento legal utilizado nos autos de infração. Portanto, não há que se falar em cerceamento de defesa. Isso porque, não se constata qualquer prejuízo ao pleno exercício do contraditório e da ampla defesa por parte da Recorrente, aliás, prejuízo esse primordial à caracterização de nulidade, conforme apregoa o art. 60 do Decreto nº 70.235/72: “As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das Fl. 13121DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720963/201227 Acórdão n.º 1402002.140 S1C4T2 Fl. 13.122 24 referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo”. Assim sendo, sob os aspectos formais, não há qualquer mácula no auto de infração lavrado. No mais, o agir da autoridade fiscal se deu no desempenho das funções estatais, de acordo com as normas legais e com respeito a todas as garantias constitucionais e legais dirigidas aos contribuintes. Portanto, voto por não conhecer das questões atinentes à constitucionalidade de leis e rejeitar as arguições de nulidade do lançamento. 4 MÉRITO 4.1 OMISSÃO DE RECEITAS – CRÉDITOS EM CONTAS BANCÁRIAS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM A RECORRENTE é acusada de omissão de receita, caracterizada pela falta de comprovação da origem dos depósitos/créditos efetuados em suas contas bancária, tendo por base legal o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que assim dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tal dispositivo legal estabeleceu uma presunção de omissão de receitas, autorizando a exigência de imposto de renda e de contribuições correspondentes, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. A inversão legal do ônus da prova é perfeitamente aceita por nosso ordenamento jurídico, estando regulada também no artigo 334, inciso IV, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), aplicado subsidiariamente ao Decreto nº 70.235/1972 no Processo Administrativo Fiscal: Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (...) IV – em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. A Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), recepcionada pela nova Constituição, consoante artigo 34, § 5º, do Ato das Disposições Transitórias, define, em seus artigos 43, 44 e 45, o fato gerador, a base de cálculo e os contribuintes do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. De acordo com o artigo 44, a tributação do imposto de renda não se dá só sobre rendimentos reais, mas, também, sobre rendimentos Fl. 13122DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720963/201227 Acórdão n.º 1402002.140 S1C4T2 Fl. 13.123 25 arbitrados ou presumidos por sinais indicativos de sua existência e montantes. Esses artigos assim dispõem: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos utilizados para efetuar os depósitos bancários. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. É função do Fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos, informações e esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de receitas de que trata o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder e o dever de considerar os valores depositados em conta bancária como receita, efetuando o lançamento do imposto e contribuições correspondentes. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente seguir a legislação. Dessa forma, detectadas irregularidades que conduzem à presunção de omissão de receita, por imposição legal e por ser a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional, cabe à fiscalização efetuar o lançamento de acordo com a legislação aplicável ao caso. A RECORRENTE foi intimada a comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados/creditados nas suas contas corrente, não o fazendo durante o procedimento fiscal, e tampouco em sede de impugnação ou recurso voluntário. A esse respeito, assim consta na decisão recorrida: Fl. 13123DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720963/201227 Acórdão n.º 1402002.140 S1C4T2 Fl. 13.124 26 19. No caso em exame, de acordo com a regra insculpida no art. 42 da Lei n° 9.430/96, apenas cabia à fiscalização a comprovação do fato signo presuntivo da omissão, qual seja, o crédito em conta de depósito ou de investimento sem a comprovação da origem, enquanto que, à impugnante, restava a incumbência de afastar a presunção, por meio de justificativas escoradas em provas idôneas, tarefa que, como visto, não se desincumbiu, pois a afirmação que os valores movimentados foram sacados e eventualmente devolvidos às respectivas contas precisaria ser e de modo algum foi devidamente comprovada. As transferências entre contas do mesmo titular já foram consideradas pela fiscalização, tal como restou informado no Relatório Fiscal. Além disso, os valores dos créditos que foram identificados como receitas operacionais da contribuinte (recebimentos de clientes), foram assim tratadas e não como créditos de origem não comprovada, tanto que as infrações lançadas foram distintas, para relacionar as omissões de rendimentos cuja origem foi identificada como receitas de sua atividade (recebimentos de clientes) e as omissões de rendimentos caracterizados por depósitos cuja origem não restou comprovada, mesmo após a autuada para isso ter sido intimada. Observase que foi intimada inclusive a comprovar os alegados empréstimos e transferências de caixa para bancos, mas para aqueles valores não comprovados, de sorte que os valores dos créditos não comprovados como tendo origem nestas alegadas operações também foram considerados como omissão por créditos de origem comprovada. A fiscalização destacou, todavia, que os empréstimos efetivamente comprovados, como tais foram considerados, não integrando base de cálculo dos lançamentos, assim como os valores conciliados entre as contas da contribuinte, estornos etc (vide item 122 do Relatório Fiscal, fl. 12188). 21.1. Com relação à alegação da autuada de que a sua única atividade é a venda de alimentos e bebidas e que esses valores não podem ser depósitos de origem não identificada, é de se observar, como já mencionado, que sobre os créditos bancários identificados nos livros caixa da contribuinte como sendo relativos a recebimentos de clientes a fiscalização procedeu ao lançamento das respectivas omissões como receitas da atividade de revenda de mercadorias e da prestação de serviços, somente tendo lançado as omissões por depósitos de origem não comprovada para aqueles valores em relação aos quais a contribuinte, intimada, efetivamente não comprovou a sua origem (vide, por exemplo, descrição dos fatos, fls. 12076, 12083, e Relatório Fiscal, itens 145 e 161, fls. 12191/12193 e 12196/12200). Caberia à contribuinte apresentar a comprovação da origem dos créditos com documentação hábil e idônea que os relacione com coincidência de datas e valores, sem o que não há como afastar o lançamento em face da presunção legal do art. 42 da Lei 9.430/96. Fl. 13124DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720963/201227 Acórdão n.º 1402002.140 S1C4T2 Fl. 13.125 27 Especificamente em relação à alegação de transferência de valores advinda da conta de Planeta Água e Restaurantes Thermas, não basta identificar a origem dos depósitos, mas sim justificar sua causa, o que, em nenhum momento, foi realizado por parte da RECORRENTE. Assim sendo, confirmase a omissão de receita apontada pelo Fisco. 4.2 OMISSÃO DE RECEITAS DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE HOTELARIA Confrontando diversos depósitos bancários, constatouse que se tratavam, na realidade, de diversos recebidos de clientes cujos pagamentos foram realizados utilizandose de cartões de crédito. Tal conclusão decorre do cotejo entre os extratos bancários e os próprios valores escriturados no Livro Caixa da Recorrente. Para a autoridade fiscal, além da comprovação da omissão direta de omissão de receitas, houve a comprovação do dolo por parte da Recorrente. Extraise do Relatório Fiscal que a autoridade fiscal autuante justifica a aplicação da multa qualificada não se baseando apenas em indícios, mas em prova direta de omissão de receitas da atividade da Recorrente percebidas em suas contas correntes e oriundas de pagamentos realizados com cartão de crédito e em total descompasso com os valores declarados para a Receita Federal. De fato, ao escriturar, em todos os meses, os recebimentos de clientes em seu Livro Caixa e deixar de declarar na DIPJ Simplificada transmitida no período seguinte, denota, sem sombra de dúvida, tratarse não de mera omissão de receitas, mas sim de conduta dolosa que caracteriza a sonegação. Além disso, convém transcrever outros pontos muito bem analisados na decisão recorrida: os créditos bancários do fiscalizado, nos livros Caixa da empresa, ou foram reconhecidos pela empresa contribuinte como suas receitas, como recebimentos de clientes ou de cartões de crédito, ou foram reconhecidos como recebimentos de empréstimos, ou como depósitos nas contas bancárias de valores que estavam em seu caixa; além da omissão de receitas relativa aos valores reconhecidos como suas receitas recebidas de clientes e cartões de crédito, com relação aos alegados empréstimos, mesmo quando os extratos das contas bancárias não indicavam se tratarem de empréstimos concedidos à empresa, a contribuinte foi intimada a apresentar documentação comprobatória de todos os valores creditados em suas contas bancárias, inclusive daqueles incluídos no livro caixa como empréstimos recebidos, à exceção dos empréstimos bancários já devidamente afastados, não tendo a contribuinte apresentado qualquer documentação comprobatória desses supostos empréstimos bancários, sendo tributados como de origem não comprovada. Os vários empréstimos junto às Fl. 13125DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720963/201227 Acórdão n.º 1402002.140 S1C4T2 Fl. 13.126 28 instituições financeiras, que foram escriturados na conta contábil 21106.0001 EMPRÉSTIMOS BANCÁRIOS, e que constam nos extratos bancários, foram devidamente excluídos para fins da autuação fiscal; em relação aos valores em livro caixa reconhecidos pela contribuinte como depositados em suas contas bancárias e provenientes do seu caixa, observou se que para não levar a conta caixa a ficar negativada devido a tais lançamentos, a empresa escriturou em 2007 no livro caixa diversos lançamentos de venda de ativo imobilizado, no montante de R$ 1.316.300,00. Intimado a comprovar tais vendas e custos dos ativos vendidos, nada apresentou. É ressaltado no Relatório Fiscal (fl. 1208) que essas supostas vendas do ativo imobilizado em valores individuais elevados registrados no livro caixa não transitaram pelas suas contas bancárias, enquanto que até pequenos depósitos de operações comerciais inferiores a R$ 100,00 transitaram pelas contas bancárias. Para fazer face valores "reconhecidos" como depósitos oriundos do caixa da empresa, a empresa escriturou em livro caixa outros empréstimos. Parte desses supostos empréstimos são provenientes de valores conciliados de outras contas bancárias da própria contribuinte, não se tratando de empréstimo recebido, mas de receitas suas recebidas, conforme extrato bancário. Outros supostos empréstimos recebidos, de valores elevados e escriturados em sábados e domingos, sequer transitaram por conta bancária da contribuinte e não restaram comprovados. Portanto, esses valores creditados em suas contas bancárias, "reconhecidos" em livros caixa como depósitos em contas bancárias provenientes de valores anteriormente em seu caixa, serão tributados como créditos de origem não comprovada. Essas tentativas da empresa de transformar créditos de origem não comprovada em empréstimos recebidos, pela utilização de escrituração de vendas de ativos imobilizados não comprovadas e de "empréstimos" baseados em valores conciliados ou empréstimos não comprovados, também foram considerados no conceito de sonegação, de acordo com o art. 71 da Lei 4.502/64, considerandose, ainda, que mesmo intimada a comprovar a origem dos créditos não o fez com apresentação de documentação hábil e idônea; destacase ainda, no Relatório Fiscal, o fato de ter a contribuinte tentado esconder de forma reiterada as verdadeiras origens de créditos em valores expressivos, incompatíveis com sua renda declarada (afastando o mero equívoco, esquecimento ou falta de controle), utilizandose de escrituração em livros caixa de supostos empréstimos recebidos e depósitos de valores como se fossem oriundos do seu caixa, configurandose hipótese prevista no art. 71 da Lei 4.502/64. A movimentação financeira em 2006 não justificada foi de R$ 2.878.473,68 enquanto as receitas declaradas foram de R$ 1.315.931,39; em 2007, a movimentação financeira não justificada foi de R$ 1.873.151,96 e as receitas declaradas de R$ 1.629.846,12; em 2008, foram Fl. 13126DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720963/201227 Acórdão n.º 1402002.140 S1C4T2 Fl. 13.127 29 R$ 4.071.653,05 de movimentação financeira não justificada contra R$ 2.412.013,91 de receitas declaradas; e 2009, a movimentação financeira não justificada foi de R$ 3.100.062,63 enquanto as receitas declaradas somaram R$ 2.162.297,01. Isso posto, mantenho a penalidade de 150% aplicada em relação a tal infração. Como consequência, o crédito tributário correspondente não está alcançado pela decadência, uma vez que a contagem do prazo decadencial deve ser realizada com base no art. 173, I, do CTN, conforme já observado em ponto específico deste voto. 4.3 DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA ATRIBUÍDA AOS COOBRIGADOS Conforme muito bem evidenciado nos termos de sujeição passiva solidária e também pela decisão recorrida, a autoridade fiscal imputou responsabilidade aos reais administradores da Recorrente, atraindo ainda ao polo passivo as pessoas jurídicas sucessoras em razão da aquisição do fundo de comércio. Entendo que a decisão recorrida encontrase muito bem fundamentada, e, na ausência de novos argumentos no recurso voluntário em análise, há de se mantêla por seus próprios fundamentos. Assim, com fulcro no art. 50, §1 º, da Lei nº 9.784/99, transcrevo os fundamentos da decisão recorrida, adotandoos na íntegra nas razões de meu voto em relação ao tema: Dos responsáveis solidários 32. Todos os arrolados como responsáveis solidários pelo crédito tributário lançado apresentaram tempestiva impugnação, que a seguir passam a ser apreciadas as suas razões de defesa. 33. Com relação àquelas direcionadas a contestar os atos de exclusão do Simples Federal e Nacional, ou a necessidade serem julgados antes do presente lançamento, cabe esclarecer que o contencioso sobre a exclusão do Simples Federal foi objeto do Processo n.° 13433.720114/2012 26, no qual esta mesma 4a. Turma da DRJ/Recife, por meio do Acórdão DRJ/REC n.° 41.314, de 29/05/2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela impugnante, mantendo a referida exclusão do regime simplificado. Já a exclusão do Simples Nacional foi objeto do processo de n.° 13433.721106/201163, já julgado pela 5a. Turma desta DRJ/Recife, por meio do Acórdão DRJ/REC n.° 38.383, de 9/10/2012, que também considerou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, mantendo a referida exclusão. 34. De antemão, é importante observar que, conforme informado no corpo dos Termos de Sujeição Passiva Solidária (fls. 12852, Fl. 13127DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720963/201227 Acórdão n.º 1402002.140 S1C4T2 Fl. 13.128 30 12857, 12862, 12867), os responsáveis solidários foram cientificados não somente da sujeição passiva solidária mas também dos próprios autos de infração, dos quais é integrante o Relatório Fiscal de fls. 12152 a 12237, quando todos os referidos Termos de Sujeição Passiva se referem igualmente, quanto a este aspecto, que: "No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, tendo em vista a apuração das responsabilidades pelas fraudes e omissões apuradas e relatadas durante o procedimento fiscal (conforme descrito nos Relatórios Fiscais dos Autos de Infração dos processos administrativos processos n° 13433.720.963/201227, (....) Fica o sujeito passivo solidário supra mencionado CIENTIFICADO, a partir do recebimento do presente termo, da exigência tributária de quem tratam os Autos de Infração lavrados nos processos administrativos supra, contra o sujeito passivo supra referido". 34.1. No Relatório Fiscal, fls. 12152/12237, mais especificamente nas fls. 12229/12230, foi informado que a Sra. Patrícia Matoso Barbosa Barcellos Chaves, CPF 031.431.59421, sóciagerente da empresa Hotel Thermas, em função dos seus poderes gerenciais e administrativos, exercidos de procuradores/representantes (Sra. Auremiza Cordeiro Freitas da Paixão, Sr. Marcos Roberto de Souza, Sr. José Humberto Reis, Sr. José Rodel Bartolome, Sr. Paulo Miguel Neves de Sá Gouveia) está sujeita, pelas infrações à lei praticadas e apuradas no procedimento fiscal, às conseqüências previstas nos incisos II e III do art. 135 da Lei 5.172/1966 (CTN), bem como à responsabilidade solidária prevista no art. 124, I, da mesma lei, este último em função do interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal. 34.2. Semelhantemente, para o Sr. Raimundo Correia Barbosa Filho, CPF 016.084.44449, conforme descrito no Relatório Fiscal, mais precisamente na fl. 12230, ficou demonstrado o seu interesse comum no fato gerador (art. 124, I, do CTN), na medida em que arquitetou o desmembramento da empresa Host Hotéis e Turismo Ltda (Host Administração Hoteleira Ltda) em empresas com participação societária das suas filhas, além de ser beneficiário de recursos transferidos pelas empresas sucessoras Hotel Thermas Ltda, Restaurante Thermas Ltda e Planeta Água, seja através de transferências para suas contas pessoais como se fossem pagamentos de aluguéis e arrendamentos das empresas sucessoras para empresa Host, seja como beneficiário do pagamentos de despesas pessoais suas e de sua esposa pelas referidas empresas sucessoras. 34.2.1. Além disso, o Sr. Raimundo tinha participação ativa nas operações bancárias da empresa Hotel Thermas Ltda junto ao Banco Industrial e Comercial S/A BICBANCO, em relação ao qual aparece como procurador com amplos poderes para movimentar conta corrente da empresa e garantidor/devedor solidário de empréstimos bancários conseguidos junto a tal instituição financeira (vide descrição de fl. 12230). Tendo em vista o conjunto de tais fatos e características, o Sr. Raimundo Fl. 13128DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720963/201227 Acórdão n.º 1402002.140 S1C4T2 Fl. 13.129 31 foi considerado sócio de fato, enquadrandose na hipótese do art. 135, III, do CTN, além daquela do art. 124, I, do mesmo Código. 34.3. A empresa Host Administração Hoteleira Ltda EPP, CNPJ 35.297.522/000181, também foi alvo de responsabilidade solidária, conforme descrito nas fls. 12230/12231 do Relatório Fiscal, por se tratar de empresa do mesmo grupo familiar, considerandose que as empresas Hotel Thermas Ltda e Restaurante Thermas Ltda tiveram sua criação em 2000 identificada com o intuito de eximir a empresa HOST das responsabilidades tributárias e previdenciárias mais onerosas do que aquelas incidentes para as novas empresas no Simples Nacional, sendo observado que as pessoas com poder de mando nas novas empresas (Hotel Thermas, Restaurante Thermas e Planeta Água) também tinham poder de mando sobre a empresa Host Adminstração Hoteleira por meio de procurações, demonstrando tratarse de um único grupo denominado Thermas, em que a empresa Host é a real proprietária dos imóveis onde fisicamente se localizam o Hotel Thermas, o Restaurante Moinhos (Restaurante Thermas) e os pontos comerciais do Restaurante Planeta Água etc e piscinas do Planeta Água, enquanto as empresas criadas não possuem bens conhecidos. 34.4. Ainda consoante descrito no Relatório Fiscal, fl. 12231, foi verificado que no endereço do Hotel Thermas Ltda está cadastrada nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil a empresa Matoso & Barbosa Ltda ME, CNPJ 10.452.941/000110, CNAE 5510801 Hotéis, tendo como sócios a Sra. Riane Matoso Barbosa e Raimundo Correia Barbosa Filho. Verificouse também que esta empresa assumiu operações comerciais do Hotel Thermas Ltda pela transferência total de empregados do hotel para a empresa Matoso & Barbosa Ltda, conforme informações em GFIPs de janeiro/2012 e documentos fiscais emitidos em nome da nova empresa. Semelhantemente, os empregados do Restaurante Thermas Ltda e do Planeta Água Bar e Restaurante Ltda também foram transferidos para a empresa Matoso & Barbosa Ltda, conforme GFIPS de janeiro/2012. Considerando a situação descrita, a empresa Matoso & Barbosa Ltda também figurou no pólo passivo como sucessora de fato da fiscalizada, conforme art. 133 do CTN. 35. Depreendese do descrito no Relatório Fiscal, que todas as pessoas físicas ou jurídicas arroladas como responsáveis solidárias (a saber, a Sra. Patrícia Matoso Barbosa Barcellos Chaves, o Sr. Raimundo Correia Barbosa Filho (Espólio), e as empresas Host Administração Hoteleira Ltda EPP e Matoso & Barbosa Ltda ME), tiveram interesse comum no fato gerador, do que decorre responsabilidade solidária nos termos do art. 124, I, do CTN, transcrito, inclusive, na fl. 12229 do Relatório Fiscal, tendo em vista a subsunção dos fatos atinentes a tais pessoas à referida norma. Percebese também que houve responsabilidade por cometimento de infrações à lei tributária nos atos praticados por sócio formal (Sra. Patrícia) ou de fato (Sr. Raimundo) (art. 135, III, do CTN), além do que a empresa (Matoso & Barbosa Ltda ME) sucessora da autuada, nos termos descritos no Relatório Fiscal, está sujeita à Fl. 13129DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720963/201227 Acórdão n.º 1402002.140 S1C4T2 Fl. 13.130 32 incidência da responsabilidade tributária também nos termos do art. 133 do CTN. 36. Do que ressai dos autos, além das alterações societárias (criação de empresas) engendradas com a só finalidade de reduzir o pagamento dos tributos federais (a legislação que rege os regimes simplificados, Simples Federal e Nacional, prevê a impossibilidade de desmembramento das atividades realizadas pela empresa optante que aufira receita em valor superior ao limite permitido para o seu enquadramento), constatouse a reiterada infração de se declarar a receita bruta em valores bem inferiores aos efetivamente auferidos nos períodosbase da autuação, fatos que, por si sós, já qualificam infração a lei. Portanto, tal como fez a fiscalização, às pessoas físicas com poderes de gerência deveria ser atribuída a responsabilidade solidária de que trata o inciso III do art. 135 do CTN, segundo o qual são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. 36.1. Por todas as razões exaustivamente relatadas e documentalmente provadas no procedimento fiscal, temse a responsabilidade da(o): a) Sra. PATRÍCIA MATOSO BARBOSA BARCELLOS CHAVES, porque sóciagerente do HOTEL THERMAS, tendo exercido, por si ou por outras pessoas (funcionários), amplos poderes de gerência; b) Sr. RAIMUNDO CORREIA BARBOSA FILHO, porque, além de ter sido o mentor intelectual das operações societárias realizadas com a finalidade de recolher menos tributos, também foi destinatário direto de recursos financeiros auferidos pelo HOTEL THERMAS, para pagamento de despesas pessoais (também das demais empresas aqui mencionadas), além de figurar como garantidor de vários empréstimos tomados pela contribuinte autuada, o que o caracteriza como seu sócio de fato; c) empresa HOST Administração Hoteleira Ltda EPP, porque, além de pertencer ao mesmo grupo familiar, temse o fato de que a criação do HOTEL THERMAS e do RESTAURANTE THERMAS teve o claro desiderato de reduzir a sua carga tributária, além do que os imóveis utilizados pelo HOTEL THERMAS, pelo PLANETA ÁGUA e pelo RESTAURANTE THERMAS a ela pertencem; 37. Já à empresa MATOSO & BARBOSA LTDA. ME, atribuiuse a responsabilidade e aqui é de se mantêla porque, além de ter como sócios a Sra. Riane Matoso Barbosa e Raimundo Correia Barbosa Filho, verificouse também que esta empresa assumiu operações comerciais do Hotel Thermas Ltda, Restaurante Thermas Ltda e do Planeta Água Bar e Restaurante Ltda, pela transferência de empregados destas últimas para a primeira (Matoso & Barbosa Ltda), conforme informações em GFIPs de janeiro/2012 e documentos fiscais emitidos em nome da nova empresa, atraindo a responsabilidade, solidária ou Fl. 13130DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720963/201227 Acórdão n.º 1402002.140 S1C4T2 Fl. 13.131 33 subsidiária, de que trata o art. 133 do CTN ("Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato:'"). 38. No que concerne à alegação de que compete somente à Procuradoria da Fazenda Nacional atribuir responsabilidade solidária a quem quer que seja, nada mais equivocado. Afinal, o lançamento, ato vinculado por excelência, reclama, entre seus requisitos inarredáveis, a indicação precisa do sujeito passivo, expressão que abarca não apenas o contribuinte, mas também o responsável, nos termos do art. 121 do CTN. 5 TAXA SELIC No que tange ao questionamento da aplicação da taxa Selic, a matéria encontrase absolutamente pacificada no âmbito do CARF, tendo sido alvo, inclusive de súmula, cujo enunciado número 4 recebeu a seguinte redação: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Conforme determina o caput do art. 72 do Regimento Interno do CARF, os enunciado da súmula CARF são de observância obrigatória por parte de seus membros. Desse modo, correta a aplicação da taxa Selic sobre os tributos apurados. 5 CONCLUSÃO Isso posto, voto por negar provimento ao recurso de ofício, acolher a arguição de decadência de PIS referente aos meses de janeiro e fevereiro de 2007, e, no mérito, negar provimento aos recursos voluntários. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 13131DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720963/201227 Acórdão n.º 1402002.140 S1C4T2 Fl. 13.132 34 Fl. 13132DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 15983.001102/2008-69
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
Ementa:
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. VALORES DECLARADOS A TÍTULO DE RECEBIMENTO DE LUCRO OU MÚTUO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DO EFETIVO RECEBIMENTO.
Na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, somente cabe a consideração de valores de lucros ou mútuos recebidos em espécie de pessoa jurídica, como origem, caso reste comprovada sua efetiva existência no patrimônio dessa pessoa jurídica e na forma de disponibilidades.
Hipótese em que não houve comprovação da existência desses valores e sua efetiva entrega ao beneficiário.
Numero da decisão: 9202-004.257
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra (relator) e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Acompanhou o julgamento o patrono do contribuinte, Dr. Remis Almeida Estol OAB-RJ 045.196.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 Ementa: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. VALORES DECLARADOS A TÍTULO DE RECEBIMENTO DE LUCRO OU MÚTUO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DO EFETIVO RECEBIMENTO. Na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, somente cabe a consideração de valores de lucros ou mútuos recebidos em espécie de pessoa jurídica, como origem, caso reste comprovada sua efetiva existência no patrimônio dessa pessoa jurídica e na forma de disponibilidades. Hipótese em que não houve comprovação da existência desses valores e sua efetiva entrega ao beneficiário.
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VALORES DECLARADOS A TÍTULO DE RECEBIMENTO DE LUCRO OU MÚTUO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DO EFETIVO RECEBIMENTO. Na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, somente cabe a consideração de valores de lucros ou mútuos recebidos em espécie de pessoa jurídica, como origem, caso reste comprovada sua efetiva existência no patrimônio dessa pessoa jurídica e na forma de disponibilidades. Hipótese em que não houve comprovação da existência desses valores e sua efetiva entrega ao beneficiário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra (relator) e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Acompanhou o julgamento o patrono do contribuinte, Dr. Remis Almeida Estol OABRJ 045.196. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 11 02 /2 00 8- 69 Fl. 2091DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15983.001102/200869 Acórdão n.º 9202004.257 CSRFT2 Fl. 2.092 2 (Assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de Auto de infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe para cobrança de IRPF diante da constatação de omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, bem como pela verificação de depósitos bancários de origem não comprovadas. A multa aplicada foi qualificada, pela constatação de fraude. No julgamento da impugnação administrativa, a DRJ competente decidiu pela procedência do Auto de Infração. Inconformado o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, cuja análise pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, da 2ª Sessão do CARF redundou em seu provimento parcial, para "reduzir o acréscimo patrimonial a descoberto e a omissão de rendimentos caracterizada pelos depósitos bancários, bem como para reduzir a multa de ofício do percentual de 150% para 75%". Transcrevese a ementa do acórdão guerreado na parte de interesse: LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÕES. ORIGEM COMPROVADA. Excluemse da tributação valores cuja origem tenha sido comprovada como os depósitos e créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física e os referentes a resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos e empréstimos bancários, cabendo, se for o caso, a tributação segundo legislação específica. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ORIGEM COMPROVADA. Comprovada a existência de recursos correspondentes ou superiores, não incluídos no fluxo financeiro, que apurou o acréscimo do patrimônio da pessoa física e ensejando o lançamento, cancelase a autuação. Fl. 2092DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15983.001102/200869 Acórdão n.º 9202004.257 CSRFT2 Fl. 2.093 3 Em resumo, no julgamento do Voluntário entendeuse que os documentos trazidos pelo contribuinte para comprovação de lucros recebidos e empréstimos tomados era suficiente para comprovar a ocorrência da operação, ficando dispensada a comprovação do efetivo recebimento dos valores. Assim sendo, tais valores foram considerados para redução do valor do APD e para a comprovação parcial dos depósitos de origem não comprovada. Inconformada com essa decisão a União, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, nos termos do artigo 67, do RICARF então vigente, apenas no que tange à omissão de rendimentos, nada falando sobre a desqualificação da multa. Para demonstrar a admissibilidade de seu recurso, a União trouxe aos autos o Acórdão nº 280101.825, 10422.902 e 10612.836, objetivando demonstrar divergência quanto ao acréscimo patrimonial a descoberto e Acórdãos nº 10616.977 e 10423.562 visando demonstrar a divergência quanto aos depósitos bancários de origem não comprovada. Nos dois primeiros acórdãos retro mencionados é evidente o entendimento de que a comprovação do efetivo recebimento de recursos relativos a lucros é necessária para serem estes considerados como origens no cálculo da APD. Já os dois acórdãos tratam da necessidade de "documentos hábeis e idôneos, coincidentes em data e valor, que comprovem a origem dos recursos depositados nas contas bancárias do interessado" para ilidir a presunção de omissão de receitas de que trata o art. 42 da Lei n° 9.430, de1996. Na análise de admissibilidade do Recurso Especial, o Presidente da 1ª Câmara da 2ª Sessão, entendeu que há divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e os acórdão paradigmas. Intimado da decisão e do Recurso da Fazenda, o contribuinte apresentou e contra razões, argumentando que por não possuir natureza remuneratória o salário educação não deve ser incluído na base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme já decidiu o STJ. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Inicialmente, entendo prudente tecer alguns comentários acerca da admissibilidade do Recurso da União. A meu ver, os Acórdãos paradigma de nº 280101.825, 10422.902, que expõem entendimento de que a comprovação da efetiva transação financeira é elemento necessário para que se possa considerálos como origens de recursos na análise da evolução patrimonial do contribuinte, são suficientes para demonstrar a divergência quanto a este tema. Contudo, o Acórdão 10612.836 que demonstra o mesmo entendimento quanto à empréstimos não pode ser aceito, na medida em que apenas os dois primeiros devem ser considerados no exame de admissibilidade de Recurso Especial. Fl. 2093DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15983.001102/200869 Acórdão n.º 9202004.257 CSRFT2 Fl. 2.094 4 Por sua vez, os Acórdãos paradigma nº 10616.977 e 10423.562 também são suficientes para demonstrar a divergência na medida em que demonstram entendimento de que para comprovação da origem dos depósitos devese considerar cada um individualmente, enquanto que o recorrido desconsidera a individualização e reconhece que depósitos realizados nos meses em que ingressaram recursos relativos a lucros e empréstimos são por estes comprovados. Assim, entendo que deve ser admitido o recurso da União. Quanto ao mérito, contudo, penso que a comprovação do recebimento dos valores relativos a lucros e empréstimos dispensa a identificação da transferência financeira respectiva. Ou seja, a comprovação dessa transação é dispensável, quando há diversos outras elementos de prova que justificam a origem. Ora, no caso em questão foram trazidos pelo contribuinte ainda em fase de fiscalização o informe de rendimentos das fontes pagadoras, razão da conta contábil relativa à distribuição de lucro, ficha da DIPJ da fonte que demonstra a distribuição e recibos formados. Isso de diversas sociedades das quais o contribuinte era sócio à época. Da mesma forma entendo que os empréstimos tomados das sociedades ficaram efetivamente comprovados, na medida em que juntados aos autos razões contábeis que indicam em datas e valores em que os recursos foram disponibilizados ao contribuinte, bem como a sua liquidação parcial. Penso que a comprovação da transação financeira á desnecessária até mesmo porque, a pedido da contribuinte, na qualidade de credor da sociedade, esta pode efetuar o pagamento a terceiro, que eventualmente seja credor do contribuinte. Nesse contexto, entendo que é demasiada a exigência do comprovante da transação para se comprovar a origem dos recursos, no âmbito da apuração do acréscimo patrimonial à descoberto. Por outro lado, ao se pensar em comprovação da origem de depósitos efetuados em contas do contribuinte a indicação exata, coincidente em data e valor é deveras relevante. Como disse antes, pode o contribuinte determinar que recurso a ele devido seja entregue a terceiro por seu credor, logo, se isso ocorreu no caso, não se pode afirmar que aquele recurso depositado é oriundo de lucro a ele distribuído ou empréstimo tomado. Assim, quando a Lei permite a cobrança de imposto seja feita por presunção, invertendo o ônus da prova, cabe ao contribuinte indicar a exata origem do valor ingressado. Não se pode agora presumir a favor do contribuinte. Fazer isso seria admitir que a presunção pode ser afastada por presunção. Ocorre que a Lei apenas permite ao fisco cobrar por presunção, não permitindo que o contribuinte comprove a origem também por presunção. Nesse contexto, voto por dar parcial provimento ao recurso da União, mantendo decisão a quo no que toca ao acréscimo patrimonial a descoberto e determinando sua reforma quanto aos depósitos de origem não identificada, de modo a manter o quanto cobrado pelo Auto de Infração. Fl. 2094DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15983.001102/200869 Acórdão n.º 9202004.257 CSRFT2 Fl. 2.095 5 Gerson Macedo Guerra Relator Fl. 2095DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15983.001102/200869 Acórdão n.º 9202004.257 CSRFT2 Fl. 2.096 6 Voto Vencedor Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos CONSIDERAÇÕES INICIAIS Em que pesem os sempre bem articulados fundamentos apresentados pelo Sr. Conselheiro Relator, peço vênia para discordar de suas conclusões, apenas quanto à consideração dos valores de lucros recebidos e de empréstimos recebidos, para fins de apuração do acréscimo patrimonial a descoberto APD. Registrese que acompanho o relator nas demais questões postas. Com efeito, discutese a possibilidade de consideração de valores em dinheiro declarados a título de recebimento de lucros e empréstimos de pessoa jurídica, como origem, para fins de apuração de acréscimo patrimonial a descoberto (APD). Em sede de fiscalização, entendeuse que esses valores poderiam ser aceitos na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto (APD), entendimento corroborado pela decisão de primeira instância. Entretanto, na decisão recorrida, entendeuse que os valores, em dinheiro, estariam satisfatoriamente comprovados, pela coerência entre o valor declarado pela pessoa jurídica com o declarado pela pessoa física beneficiária; entendimento acompanhado pelo ilustre Conselheiro Relator. Salientese que o acórdãos apresentados a título de paradigma entendem que a distribuição de lucros deve ser comprovada por movimentação bancária. Portanto, delimitando o litígio, temos a discussão quanto ao critério jurídico aplicável para aceitação de valores declarados como recebidos em espécie. Respeitosamente, divirjo do Conselheiro Relator, entendo que, para valores transacionados em espécie, é necessária comprovação da efetiva entrega dos valores. Não considero que a mera declaração coerente das duas partes seja comprovação da efetiva entrega, mormente por se tratar de partes relacionadas. Consequentemente, a movimentação bancária é que seria a prova cabal da entrega. Todavia, na inexistência da comprovação pela movimentação bancária, ainda seria possível aceitar como comprovada a entrega, se houvesse comprovação da movimentação bancária anterior, que comprovasse a existência e origem do valor em espécie posteriormente entregue à pessoa física. Ocorre que, nos autos, não há quaisquer dessas comprovações. Tanto em relação aos empréstimos, quanto aos lucros distribuídos, (a) não há prova da entrega dos valores e (b) admitindose, contudo, que o pagamento tivesse sido feito em dinheiro, não há prova da origem desses valores no patrimônio da pessoa jurídica (mutuante ou responsável pela distribuição de resultados). A seguir, encontrase esclarecido como o critério jurídico que entendo corretamente aplicável, deve incidir aos fatos cujas provas foram trazidas aos autos. APRESENTAÇÃO RESUMIDA DA SITUAÇÃO VERIFICADA Fl. 2096DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15983.001102/200869 Acórdão n.º 9202004.257 CSRFT2 Fl. 2.097 7 De início, faço rápida referência ao extenso Termo de Verificação Fiscal, decorrente do minucioso trabalho da fiscalização, e aos correspondentes documentos nele referidos, resumindo a questão e considerando para fins de facilitação do entendimento números redondos, e analisando especificamente: o recebimento de lucros, declarado em DIRPF, no valor de 220 mil reais; o recebimento de empréstimos, declarado em DIRPF, no valor de 740 mil reais. I Lucros recebidos 220 mil reais Rádio Cultura São Vicente 23 mil reais Para comprovação da operação, foram apresentados os seguintes documentos: (a) informe de rendimentos, no valor de 23 mil, (b) recibos de 8 mil e 15 mil, (c) a DIPJ da Rádio cultura São Vicente, com informação de pagamento ao fiscalizado, no valor de 23 mil e (d) cópia do livro razão analítico, com informação de distribuição de lucro a crédito de caixa, no valor de 8 + 15 mil, com histórico refere o fiscalizado. Entretanto, não houve apresentação de documento de efetiva transferência de valores (cópia de cheque ou extratos bancários). Em face da situação levantada, foi realizada diligência (fl. 1.122 e seguintes), com intimação para verificação da existência do lucro e do numerário em caixa, para o pagamento registrado de valores aos sócios, solicitando apresentação de: (a) extratos bancários, (b) documentação do recebimento de serviços prestados, registrados a débito de caixa, (c) cópia dos cheques sacados e registrados a débito de caixa, (d) documentação do recebimento de 19 mil registrados a débito de caixa, a título de dividendos, (e) documentação comprobatória de 20 mil registrados a débito de caixa, a título de empréstimos. Rádio Cultura FM Santos 89 mil reais Para comprovação da operação, foram apresentados os seguintes documentos: (a) recibos de 32 + 33 + 23 mil, (b) DIPJ da Rádio Cultura FM Santos, com informação de pagamento ao fiscalizado, no valor de 89 mil, (c) cópia do Livro razão analítico, com registro de distribuição a crédito de caixa de 32 + 33 + 23 mil e histórico referente ao fiscalizado. Porém, não houve apresentação de documento de efetiva transferência de valores (cópia de cheque ou extratos bancários). Em face da situação levantada, foi realizada diligência (fl. 1043 e seguintes), com intimação para verificação da existência do lucro e do numerário em caixa, para o pagamento registrado de valores aos sócios, solicitando apresentação de: (a) extratos bancários, (b) documentação do recebimento de serviços prestados, registrados a débito de caixa, (c) cópia dos cheques sacados e registrados a débito de caixa, (d) documentação do recebimento de 48 mil registrados a débito de caixa, a título de venda de bens imobilizados e (e) documentação comprobatória do recebimento de 270 mil registrados a débito de caixa, a título de quitação de empréstimo concedido ao fiscalizado. Rede VTVendas Telemarketing Ltda 95 mil reais. Fl. 2097DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15983.001102/200869 Acórdão n.º 9202004.257 CSRFT2 Fl. 2.098 8 Para comprovação da operação, foram apresentados os seguintes documentos: (a) recibos de 32 + 0,5 + 31 + 31 mil, (b) DIPJ da Rede VTVendas Telemarketing, com informação de pagamento ao fiscalizado no valor de 95 mil e (c) cópia do Livro razão analítico, com registro de distribuição a crédito de caixa 32 mil, e a crédito de Distribuição de Lucros 31 + 0,5 + 31 mil. Entretanto, não houve apresentação de documento de efetiva transferência de valores (cópia de cheque ou extratos bancários). Em face da situação levantada, foi realizada diligência (fl. 1156 e seguintes) com intimação para verificação da existência do lucro e do numerário em caixa, para o pagamento registrado de valores aos sócios, solicitando apresentação de: (a) extratos bancários, (b) documentação do recebimento de serviços prestados, registrados a débito de caixa, (c) cópia dos cheques sacados e registrados a débito de caixa, (d) cópia dos documentos comprobatórios dos saques em conta bancária, registrados a débito de caixa e (e) documentação comprobatória do recebimento de 62 mil registrados a débito de caixa, a título de empréstimo. Empresa de Comunicação PRM Ltda 12 mil reais. Para comprovação da operação, foram apresentados os seguintes documentos: (a) DIPJ da Empresa de Comunicação PRM, com informação de pagamento ao fiscalizado de 12 mil, (b) cópia do Livro razão analítico, com registro distribuição de lucros a pagar, a crédito de caixa, no valor de 12 mil. Entretanto, não houve apresentação de documento de efetiva transferência de valores (cópia de cheque ou extratos bancários). Em face da situação levantada, foi realizada diligência (fl. 1079 e seguintes) com intimação para verificação da existência do lucro e do numerário em caixa, para o pagamento registrado de valores aos sócios, solicitando apresentação de: (a) extratos bancários, (b) documentação do recebimento de serviços prestados, registrados a débito de caixa, (c) cópia dos cheques sacados e registrados a débito de caixa e (d) cópia dos documentos comprobatórios dos saques em conta bancária, registrados a débito de caixa sob o histórico "Aviso de Débito". Resposta para todos os casos Em todos os casos, não foi apresentada documentação e, consequentemente, não foram comprovados os fatos alegados, sob o argumento de "impossibilidade da composição da documentação dentro das conformidades para atender o objetivo principal da fiscalização" (fl. 1375). II Empréstimos recebidos 740 mil reais Iporanga Agropecuária 440 mil Para comprovação da operação, foram apresentados os seguintes documentos: (a) instrumento particular de mútuo (300 mil em 2002 + aditivo de 440 mil em 2003) e (b) razão analítico conta CONTAS A RECEBER, porém com lançamentos em 2003, nos valores de 447 mil + 292 mil. O fiscalizado apresentou informação dos valores e datas, porém sem documentação (fls. 923 e seguintes). Em face da situação levantada, foi realizada diligência (fl. 434 e seguintes) com intimação para verificação da efetiva existência e entrega do numerário. Fl. 2098DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15983.001102/200869 Acórdão n.º 9202004.257 CSRFT2 Fl. 2.099 9 Foi alegado (fls. 910 / 911) que as operações "foram realizadas de acordo com a disponibilidade da mutuante, e a necessidade do mutuário, e as liquidações foram efetuadas mediante pagamentos em cheque, transferências bancárias e venda de sorgo", sem apresentação de documentação de suporte. Rádio Cultura FM Santos 300 mil Para comprovação da operação, foram apresentados os seguintes documentos: (a) instrumento particular de mútuo 300 mil entregue em moeda corrente, para pagamento sem prazo determinado, totalmente livre de juros, correção monetária e qualquer outro tipo de encargo, (b) cópia do Livro razão analítico referente a conta denominada c/corrente Paulo Roberto Gomes Mansur. Entretanto, não houve apresentação de documento de efetiva transferência de valores (cópia de cheque ou extratos bancários). Em face da situação levantada, foi realizada diligência (fls. 1043 e seguintes), com intimação para verificação da efetiva existência e entrega do numerário, solicitando apresentação de: (a) extratos bancários, (b) documentação do recebimento de serviços prestados, registrados a débito de caixa, (c) cópia dos cheques sacados e registrados a débito de caixa, (d) documentação do recebimento de 48 mil registrados a débito de caixa, a título de venda de bens imobilizados e (e) documentação comprobatória do recebimento de 270 mil registrados a débito de caixa, a título de quitação de empréstimo concedido ao fiscalizado. Para esse caso, também , não foi apresentada documentação e, consequentemente, não foram comprovados os fatos alegados, sob o argumento de "impossibilidade da composição da documentação dentro das conformidades para atender o objetivo principal da fiscalização" (fl. 1375). ANÁLISE DA SITUAÇÃO O cerne da discussão reside na verificação da existência do recebimento de lucros e empréstimos, como origem para justificativa de aumento patrimonial do fiscalizado. No caso, os valores foram recebidos de pessoas jurídicas que, em sede de diligência, não apresentaram a documentação que comprovaria a existência dos valores entregues nem sua efetiva entrega. Os valores aqui discutidos ultrapassam a cifra de 950 mil reais, no ano, sendo em todos os casos entregues em dinheiro. Não é proibida a negociação em espécie, porém a prova da operação fica dificultada, justamente por prejudicar a possibilidade de rastreamento da origem dos recursos alegadamente recebidos. Assim, para sua comprovação, é necessária uma instrução probatória robusta, que espanque dúvidas quanto (a) à existência dos recursos e (b) à entrega dos recursos ao beneficiário. Ocorre que, no caso, não houve apresentação de provas em nenhum desses dois aspectos. Com relação à simples existência do lucro cuja distribuição é declarada, as pessoas jurídicas que os teriam distribuído, não apresentam documentação da prestação de serviços registrada, impossibilitando a verificação de sua ocorrência. Ora, sem serviços prestados, não há receita, sem receita não há lucro e, sem lucro, não pode haver distribuição. Fl. 2099DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15983.001102/200869 Acórdão n.º 9202004.257 CSRFT2 Fl. 2.100 10 Já com relação à existência de numerário em caixa, para possibilitar a distribuição de valores em espécie, as pessoas jurídicas, não apresentam documentação de saques de cheque, saques de valores em conta bancária ou recebimento de valores de terceiros. Ora, sem entrada de dinheiro em caixa, não há numerário e, sem numerário, não pode haver pagamento em espécie, nem de lucros nem de empréstimos. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto no sentido de também dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, no tocante à desconsideração dos valores de distribuição de lucros e de mútuo, declarados, na apuração do aumento patrimonial a descoberto (APD), para fins de lançamento de rendimentos omitidos. Fl. 2100DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 08/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10314.001928/2008-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 18 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.694
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Todos os integrantes da turma presentes no julgamento votaram pelas conclusões, considerando necessário que se acrescentasse outras questões às já levantadas na proposta de diligência elaborada pelo relator-Ana Clarissa Masuko dos Santos. Designou-se, para redigir o voto vencedor, a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
assinado digitalmente
Charles Mayer de Castro Souza Presidente
assinado digitalmente
Mércia Helena Trajano DAmorim-redator designado
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros:Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano DAmorim, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Todos os integrantes da turma presentes no julgamento votaram pelas conclusões, considerando necessário que se acrescentasse outras questões às já levantadas na proposta de diligência elaborada pelo relator-Ana Clarissa Masuko dos Santos. Designou-se, para redigir o voto vencedor, a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza Presidente assinado digitalmente Mércia Helena Trajano DAmorim-redator designado Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros:Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano DAmorim, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Todos os integrantes da turma presentes no julgamento votaram pelas conclusões, considerando necessário que se acrescentasse outras questões às já levantadas na proposta de diligência elaborada pelo relatorAna Clarissa Masuko dos Santos. Designouse, para redigir o voto vencedor, a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza– Presidente assinado digitalmente Mércia Helena Trajano DAmorimredator designado Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros:Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano DAmorim, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 14 .0 01 92 8/ 20 08 -9 7 Fl. 1820DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10314.001928/200897 Resolução nº 3201000.694 S3C2T1 Fl. 94 2 Referese o presente processo a auto de infração decorrente de desclassificação fiscal de mercadorias. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o presente processo de autos de infração lavrados para exigência de imposto de importação, juros de mora, multa de oficio de setenta e cinco por cento, aplicada por recolhimento fora do prazo legal, prevista no art. 44, I da Lei 9430/96 e multa de um por cento do valor aduaneiro, aplicada por classificação incorreta de mercadoria, prevista no art.84, I da MP 215835 c/c art. 69 e 81,1V da Lei 10833/03. Tal cobrança se faz em face de reclassificação fiscal das mercadorias importadas pela interessada. 0 produto Symbicort, medicamento composto por budesonida e fumarato de formoterol, foi classificado no código 3004.90.49, relativo a medicamentos à base de fumarato de formoterol. Os produtos Pulmicort, Budecort e Entocort, medicamentos à base de budesonida, foram colocados na classificação 3004.39.99, relativa a medicamentos à base de budesonida. 0 produto Oxis Turbuhaler, medicamento à base de fumarato de formoterol, foram reclassificados no código 3004.90.49, relativo a medicamentos à base de fumarato de formoterol. No período de 31 de março a 30 de junho de 2004, os medicamentos à base de budesonida foram enquadrados no código 3004.32.90 pela Resolução CAMEX 09/2004. A fiscalização analisou as bulas dos medicamentos SYMBICORT, PULMICORT, BUDECORT, ENTOCORT e OXIS TURBUHALER para embasar a autuação. Acrescenta a fiscalização que no anexo da IN SRF 603/2005, alterada por outras Instruções Normativas que mantiveram o anexo, encontram se as mercadorias cuja Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística (NVE) é obrigatória. Nela constam os medicamentos à base de budesonida e à base de fumarato de formoterol. 0 primeiro com classificação 3004.39.99 e o outro 3004.90.49. Cientificada do auto de infração, a interessada protocolizou impugnação,alegando, em síntese, que: quanto aos produtos PULMICORT, BUDECORT e ENTOCORT, a correta classificação é 3004.32.90, não cabendo a classificação 3004.39.99; havia dúvidas sobre o enquadramento do fumarato de formoterol até a edição da Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística, razão pela qual 6tou a classificação para o Symbicort; o art. 654 do Regulamento Aduaneiro prevê a relevação de penalidade caso se trate de equivoco de classificação; Fl. 1821DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10314.001928/200897 Resolução nº 3201000.694 S3C2T1 Fl. 95 3 de 2003 a 2006 os critérios para classificação estavam obscuros, não se tratando de equivoco de classificação; o código utilizado para os medicamentos à base de budesonida era o mais especifico na época A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 23/05/2003 a 01/10/2007 SYMBICORT. 0 produto Symbicort, medicamento composto por budesonida e fumarato de formoterol, apresenta correta classificação tarifária 3004.90.49, relativa a medicamentos à base de fumarato de formoterol, conforme as regras gerais para interpretação do sistema harmonizado. PULMICORT. BUDECORT. ENTOCORT. Os produtos Pulmicort, Budecort e Entocort, medicamentos à base de budesonida, apresentam correta classificação 3004.39.99, relativa a medicamentos à base de budesonida. OXIS TURBUHALER. 0 produto Oxis Turbuhaler, medicamento à base de fumarato de formoterol, classificase no código 3004.90.49, relativa a medicamentos base de fumarato de formoterol. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO MULTA Verificada em procedimento de oficio a falta de declaração e de recolhimento de contribuição ou tributo, cabe a aplicação da multa de 75%, por expressa determinação do artigo 44, I da Lei n° 9.430/96. MULTA DE 1% DO VALOR ADUANEIRO A infração capitulada no art. 84 da Medida Provisória n° 2.15835, de agosto de 2001, inserese no plano da responsabilidade objetiva, não reclamando, portanto, para sua caracterização, a presença de intuito doloso ou máfé por parte do sujeito passivo. Demonstrado insuficiência na descrição detalhada da mercadoria ou classificação incorreta, impõese a aplicação da multa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Na decisão recorrida, quanto ao mérito da classificação fiscal, entendeuse que, com base nas bulas doas medicações apresentadas, e aplicandose as regras gerais de interpretação do Sistema Harmonizado, bem como a NVE Nomenclatura de Valor e Estatística, estariam incorretas as classificações dos produtos SYMBICORT TURBUHALER, à base de fumarato de formoterol e budesonida, dos produtos PULMICORT, o BUDECORT e o ENTOCORT, à base de budesonida, e o OXIS TURBUHALER,medicamento à base de fumarato de formoterol. Afirmase na decisão recorrida: Iniciaremos a classificação fiscal pelo produto SYMBICORT TURBUHALER, medicamento composto por fumarato de formoterol e budesonida, sendo, conforme visto, que o primeiro induz a um relaxamento e o segundo é um antiinflamatório. Fl. 1822DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10314.001928/200897 Resolução nº 3201000.694 S3C2T1 Fl. 96 4 Instrução Normativa da Receita Federal prevê a classificação fiscal de medicamentos à base de budesonida, 3004.39.99, e de medicamentos à base de fumarato de formoterol, 3004.90.49. Ocorre que, pelas informações constantes da bula do remédio, notase que os dois elementos principais que o compõem tem função bem demarcadas, não havendo como definir um deles como principal. A primeira regra para classificação não pode ser aplicada ao caso, tendo em vista haver especificamente duas classificações possíveis para o produto em questão. Em razão disso, a aplicação da terceira regra, em seu item c, prevê a classificação na posição situada em último lugar na ordem numérica. Assim, corretamente agiu a fiscalização com relação ao SYMBICORT TURBUHALER, classificandoo no código 3004.90.49. Quanto ao produtos PULMICORT, o BUDECORT e ENTOCORT, todos medicamentos à base de budesonida, a aplicação da primeira regra de classificação é imediata. Os produtos classificamse no código 3004.39.99, o que é previsto por Instrução Normativa da Receita Federal para medicamentos à base de budesonida Finalizando, o produto OXIS TURBUHALER, que é um medicamento à base de fumarato de formoterol, classificase com utilização da primeira regra de classificação. O produto classificase no código 3004.90.49, o que é previsto por Instrução Normativa da Receita Federal para medicamentos à base de fumarato de formoterol. Quanto à alegação de que quanto aos produtos PULMICORT, BUDECORT e ENTOCORT, a correta classificação é 3004.32.90, não cabendo a classificação 3004.39.99, isso é verdade somente com relação ao período de 31 de março a 30 de junho de 2004, quando os medicamentos à base de budesonida foram enquadrados no código 3004.32.90 pela Resolução CAMEX 09/2004, o que também consta dos autos. Com relação às penalidades aplicadas, verificase que, em decorrência do erro de classificação fiscal, houve pagamento a menor do imposto de importação, portanto, ocorrido o fato gerador da multa de ofício. Quanto à multa por classificação incorreta da mercadoria, a Medida Provisória n § 2.15835, com vigência a partir de 27/08/2001, prevê sua exigência em seu artigo 84, inciso I. No recurso voluntário apresentado, foram reiterados os argumentos aduzidos na peça de impugnação. É o relatório. Voto Vencido Fl. 1823DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10314.001928/200897 Resolução nº 3201000.694 S3C2T1 Fl. 97 5 Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Preambularmente, algumas questões devem ser postas, antes de examinar a questão concreta. O Brasil ratificou a Convenção do Sistema Harmonizado pelo Decreto legislativo n. 71/1988 e Decreto n.97.409/1988, vigendo até 31/12/1996 a NBM/SH Nomenclatura Brasileira de Mercadorias. Com o processo de integração na América Latina, passou a viger a NCM ou Nomenclatura Comum do Mercosul, para fazer frente à necessidade de estabelecimento de nomenclatura unificada entre os Estados Membros, para instauração da Zona de Livre Comércio e União Aduaneira, no Mercosul. Ao se criar código tarifário uniforme e sistemático no mundo, ou uma “linguagem comum” para o comércio internacional, possibilitase a facilitação de análises e comprovações de estatísticas, fundamentais para a formulação de políticas governamentais, como para o estabelecimento de direitos de defesa comercial (antidumping, direitos compensatórios e medidas de salvaguarda), para a formação da NVENomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística, que permite a identificação da mercadoria submetida a despacho de importação, para fins de valoração aduaneira e dados estatísticos de comércio exterior, para aplicação de regimes aduaneiros especiais, tratamentos administrativos, obtenção de Licença de Importação. O Sistema Harmonizado configurase com uma estrutura lógica e legal, composta de 97 capítulos, ordenados em 21 Seções, por sua vez, compostos por subdivisões em três níveis hierárquicos para enquadramento das mercadorias, representados por 6 dígitos: posição de 1º nível (4 dígitos), subposição simples e de 2º nível, respectivamente representados por 1 dígito cada, além da subposição composta, de 3º nível, também representada por um dígito. Além dos seis dígitos do SH (posição, subposição simples e subposição composta), no âmbito do direito interno, são acrescidos dois dígitos de identificação, itens e subitens, na NCM/SH, de maneira que os seis primeiros números, cuja base é o Sistema Harmonizado, serão iguais em todos os países do mundo que ratificaram a convenção internacional, ao passo que o 7º e 8º dígitos, são próprios da codificação tarifária interna. Observese que, por força de seu escopo – contemplar todo o universo de mercadoria existentes no mundo, que existiram, existem e que serão criadas, atribuindo código tarifário para cada uma delas – o Sistema Harmonizado não se configura como simples “tarifa”, arrolando de forma exaustiva todas as possibilidades de codificação. Antes, como se seu próprio nome denuncia, o Sistema Harmonizado tem natureza sistêmica, i.e., é guarnecido de normas jurídicas e estruturação suficiente, que lhe atribuem fechamento operacional e condições para contemplar as possibilidades que se apresentem concretamente, que não se resumem a existência de posições residuais em cada uma das posições e subposições da tarifa (“outros”). Cada Seção e Capítulo possuem Notas interpretativas que deverão ser observadas pelo intérprete, para levar determinada mercadoria para uma ou outra classificação, além de observância das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado. Fl. 1824DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10314.001928/200897 Resolução nº 3201000.694 S3C2T1 Fl. 98 6 Por outro lado, há robusto instrumental subsidiário para auxiliar o intérprete, como as NESH Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias, produzidas pela Organização Mundial das Alfândegas e que trazem elementos de esclarecimento da significação das posições subposições, das Notas de Seção, Capítulo, posições e subposições, veiculadas no direito interno por meio de instruções normativas da Receita Federal do Brasil. As soluções de consulta proferidas em procedimento administrativo de classificação fiscal e a jurisprudência do antigo 3º Conselho de Contribuintes e da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, da mesma forma, trazem importantes parâmetros para nortear a exegese da classificação fiscal. Ainda, podem ser citados os pareceres da OMA Organização Mundial das Alfândegas sobre classificação Fiscal (também veiculados por instruções normativas da Receita Federal), ditames de classificação fiscal do Mercosul, por meio dos quais as administrações nacionais emitem critérios e pareceres sobre classificação de mercadorias na NCM/SH. Por outro lado, não se pode olvidar que ademais do conhecimento do regime jurídico de classificação fiscal incidente sobre determinada mercadoria, o intérprete deverá ter profundo conhecimento merceológico da mesma, ou seja, de suas características técnicas características operacionais e usuais; os insumos e matériasprimas do qual é composta, além de suas informações comerciais. Pois bem, fezse o intróito, para, especialmente, destacar que a base da da NVE Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística é a NCM, sendo a recíproca falsa, isto é, a NVE não está dentro do universo normativo de classificação de mercadorias, sendo instrumento com o escopo totalmente distinto, de controle estatístico do comércio exterior. Nesse sentido, não se reveste do mesmo rigor das normas de classificação fiscal do Sistema Harmonizado, não se legitimando a classificação fiscal que tenha como base apenas a NVE, sem sequer espreitar as disposições do Sistema Harmonizado sobre determinado produto. Como máximo, poderia ter um vetor indiciário, mas jamais respalda o emprego de um ou outro código tarifário. Outrossim, considerando o infinito universo de mercadorias existentes, com as mais variadas características técnicas, o intérprete deverá dispor de informações precisas sobre dada mercadoria, o que, invariavelmente, deverá ser buscado em fontes extrajurídicas, de conhecimentos técnicos especializados. No âmbito do processo administrativo fiscal tributário, a busca pela Verdade Material compele o intérprete a estar seguro das informações merceológicas que detém sobre determinada mercadoria, suficientes para enfrentar de forma objetiva, os critérios classificatórios empregados pelo Sistema Harmonizado e, assim, pela NCM. Feitas as considerações e voltandose para o caso em tela, entendese que não há informações suficientes nos autos para se ter o pleno convencimento acerca da desclassificação fiscal perpetrada, seja porque foi respaldada no NVE, seja porque não se verificou que as bulas acostadas fossem suficientes para verificar se os critérios de classificação fiscal foram preenchidos. Fl. 1825DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10314.001928/200897 Resolução nº 3201000.694 S3C2T1 Fl. 99 7 Os códigos tarifários gravitam em torno da posição 3004 e suas subposições, que assim constam da nomenclatura: 3004.10 Que contenham penicilinas ou seus derivados, com estrutura de ácido penicilânico, ou estreptomicinas ou seus derivados 3004.10.1 Que contenham penicilinas ou seus derivados, com estrutura de ácido penicilânico 3004.10.11 Ampicilina ou seus sais 3004.10.12 Amoxicilina ou seus sais 3004.10.13 Penicilina G benzatínica 3004.10.14 Penicilina G potássica 3004.10.15 Penicilina G procaínica 3004.10.19 Outros 3004.10.20 Que contenham estreptomicinas ou seus derivados 3004.20 Que contenham outros antibióticos 3004.20.1 Que contenham anfenicóis ou seus sais 3004.20.11 Cloranfenicol, seu palmitato, seu succinato ou seu hemissuccinato 3004.20.19 Outros 3004.20.2 Que contenham macrolídios ou seus derivados 3004.20.21 Eritromicina ou seus sais 3004.20.29 Outros 3004.20.3 Que contenham ansamicinas ou seus derivados 3004.20.31 Rifamicina SV sódica 3004.20.32 Rifampicina 3004.20.39 Outros 3004.20.4 Que contenham lincosamidas ou seus derivados 3004.20.41 Cloridrato de lincomicina 3004.20.49 Outros 3004.20.5 Que contenham cefalosporinas, cefamicinas ou derivados destes produtos 3004.20.51 Cefalotina sódica 3004.20.52 Cefaclor ou cefalexina monoidratados 3004.20.59 Outros 3004.20.6 Que contenham aminoglucosídios ou seus derivados 3004.20.61 Sulfato de gentamicina 3004.20.62 Daunorubicina 3004.20.63 Idarubicina; pirarubicina 3004.20.69 Outros 3004.20.7 Que contenham polipeptídios ou seus derivados 3004.20.71 Vancomicina 3004.20.72 Actinomicinas 3004.20.73 Ciclosporina A 3004.20.79 Outros 3004.20.9 Outros 3004.20.91 Mitomicina 3004.20.92 Fumarato de tiamulina 3004.20.93 Bleomicinas ou seus sais 3004.20.94 Imipenem 3004.20.95 Anfotericina B em lipossomas 3004.20.99 Outros 3004.3 Que contenham hormônios ou outros produtos da posição 29.37, mas que não contenham antibióticos: 3004.31.00 Que contenham insulina 3004.32 Que contenham hormônios corticosteróides, seus derivados ou análogos estruturais 3004.32.10 Hormônios corticosteróides 3004.32.20 Espironolactona 3004.32.90 Outros 3004.39 Outros 3004.39.1 Que contenham os seguintes hormônios polipeptídicos ou protéicos: buserelina ou seu acetato; corticotropina (ACTH); gonadotropina coriônica (hCG); gonadotropina sérica (PMSG); leuprolida ou seu acetato; menotropinas; somatostatina ou seus sais; somatotropina; triptorelina ou seus sais 3004.39.11 Somatotropina 3004.39.12 Gonadotropina coriônica (hCG) 3004.39.13 Menotropinas 3004.39.14 Corticotropina (ACTH) Fl. 1826DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10314.001928/200897 Resolução nº 3201000.694 S3C2T1 Fl. 100 8 3004.39.15 Gonadotropina sérica (PMSG) 3004.39.16 Somatostatina ou seus sais 3004.39.17 Buserelina ou seu acetato 3004.39.18 Triptorelina ou seus sais 3004.39.19 Leuprolida ou seu acetato 3004.39.2 Que contenham outros hormônios polipeptídicos ou protéicos, mas que não contenham produtos do item 3004.39.1 3004.39.21 LHRH (gonadorelina) 3004.39.22 Oxitocina 3004.39.23 Sais de insulina 3004.39.24 Timosinas 3004.39.25 Calcitonina 3004.39.26 Octreotida 3004.39.27 Goserelina ou seu acetato 3004.39.28 Nafarelina ou seu acetato 3004.39.29 Outros 3004.39.3 Que contenham estrogênios ou progestogênios 3004.39.31 Hemissuccinato de estradiol 3004.39.32 Fempropionato de estradiol 3004.39.33 Estriol ou seu succinato 3004.39.34 Alilestrenol 3004.39.35 Linestrenol 3004.39.36 Acetato de megestrol; formestano; fulvestranto 3004.39.37 Desogestrel 3004.39.39 Outros 3004.39.8 Levotiroxina sódica; liotironina sódica 3004.39.81 Levotiroxina sódica 3004.39.82 Liotironina sódica 3004.39.9 Outros 3004.39.91 Sal sódico ou éster metílico do ácido 9,11,15triidroxi16(3clorofenoxi)prosta5,13dien1 óico (derivado da prostaglandina F2alfa) 3004.39.92 Tiratricol (triac) ou seu sal sódico 3004.39.94 Exemestano 3004.39.99 Outros 3004.40 Que contenham alcalóides ou seus derivados, mas que não contenham hormônios nem outros produtos da posição 29.37, nem antibióticos 3004.40.10 Vimblastina; vincristina; derivados destes produtos; topotecan ou seu cloridrato 3004.40.20 Pilocarpina, seu nitrato ou seu cloridrato 3004.40.30 Metanossulfonato de diidroergocristina 3004.40.40 Codeína ou seus sais 3004.40.50 Granisetron; tropisetrona ou seu cloridrato 3004.40.90 Outros 3004.50 Outros medicamentos que contenham vitaminas ou outros produtos da posição 29.36 3004.50.10 Folinato de cálcio (leucovorina) 3004.50.20 Nicotinamida 3004.50.30 Hidroxocobalamina ou seus sais; cianocobalamina 3004.50.40 Vitamina A1 (retinol) ou seus derivados, exceto o ácido retinóico 3004.50.50 DPantotenato de cálcio; vitamina D3 (colecalciferol) 3004.50.60 Ácido retinóico (tretinoína) 3004.50.90 Outros 3004.90 Outros 3004.90.1 Que contenham enzimas 3004.90.11 Estreptoquinase 3004.90.12 LAsparaginase 3004.90.13 Deoxirribonuclease 3004.90.19 Outros 3004.90.2 Que contenham produtos das posições 29.16 a 29.20, mas que não contenham produtos do item 3004.90.1 3004.90.21 Permetrina; nitrato de propatila; benzoato de benzila; dioctilsulfossuccinato de sódio 3004.90.22 Ácido cólico; ácido deoxicólico; sal magnésico do ácido deidrocólico 3004.90.23 Ácido glucônico, seus sais ou seus ésteres 3004.90.24 Ácido Oacetilsalicílico; Oacetilsalicilato de alumínio; salicilato de metila; diclorvós 3004.90.25 Lactofosfato de cálcio Fl. 1827DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10314.001928/200897 Resolução nº 3201000.694 S3C2T1 Fl. 101 9 3004.90.26 Ácido láctico, seus sais ou seus ésteres; ácido 4(4hidroxifenoxi)3,5diiodofenilacético; ácido fumárico, seus sais ou seus ésteres 3004.90.27 Nitroglicerina, destinada a ser administrada por via percutânea 3004.90.28 Etretinato; fosfestrol ou seus sais de di ou tetrassódio 3004.90.29 Outros 3004.90.3 Que contenham produtos das posições 29.21 e 29.22, mas que não contenham produtos dos itens 3004.90.1 e 3004.90.2 3004.90.31 Sulfato de tranilcipromina; dietilpropiona 3004.90.32 Cloridrato de ketamina 3004.90.33 Clembuterol ou seu cloridrato 3004.90.34 Tamoxifen ou seu citrato 3004.90.35 Levodopa; alfametildopa 3004.90.36 Cloridrato de fenilefrina; mirtecaína; propranolol ou seus sais 3004.90.37 Diclofenaco de sódio; diclofenaco de potássio; diclofenaco de dietilamônio 3004.90.38 Clorambucil; clormetina (DCI) ou seu cloridrato; melfalano; toremifene ou seu citrato 3004.90.39 Outros 3004.90.4 Que contenham produtos das posições 29.24 a 29.26, mas que não contenham produtos dos itens 3004.90.1 a 3004.90.3 3004.90.41 Metoclopramida ou seu cloridrato; closantel 3004.90.42 Atenolol; prilocaína ou seu cloridrato; talidomida 3004.90.43 Lidocaína ou seu cloridrato; flutamida 3004.90.44 Femproporex 3004.90.45 Paracetamol; bromoprida 3004.90.46 Amitraz; cipermetrina 3004.90.47 Clorexidina ou seus sais; isetionato de pentamidina 3004.90.48 Aminoglutetimida; carmustina; deferoxamina (desferrioxamina B) ou seus sais, derivados destes produtos; lomustina 3004.90.49 Outros 3004.90.5 Que contenham produtos das posições 29.30 a 29.32, mas que não contenham produtos dos itens 3004.90.1 a 3004.90.4 3004.90.51 Quercetina 3004.90.52 Tiaprida 3004.90.53 Etidronato dissódico 3004.90.54 Cloridrato de amiodarona 3004.90.55 Nitrovin; moxidectina 3004.90.57 Carbocisteína; sulfiram 3004.90.58 Ácido clodrônico ou seu sal dissódico; estreptozocina; fotemustina 3004.90.59 Outros 3004.90.6 Que contenham produtos da posição 29.33, mas que não contenham produtos dos itens 3004.90.1 a 3004.90.5 3004.90.61 Terfenadina; talniflumato; malato ácido de cleboprida; econazol ou seu nitrato; nitrato de isoconazol; flubendazol; cloridrato de mepivacaína; trimetoprima; cloridrato de bupivacaína 3004.90.62 Cloridrato de loperamida; fembendazol; ketorolac trometamina; nifedipina nimodipina; nitrendipina 3004.90.63 Albendazol ou seu sulfóxido; mebendazol; 6mercaptopurina; metilsulfato de amezínio; oxifendazol; praziquantel 3004.90.64 Alprazolam; bromazepam; clordiazepóxido; cloridrato de petidina; diazepam; droperidol; mazindol; triazolam 3004.90.65 Benzetimida ou seu cloridrato; fenitoína ou seu sal sódico; isoniazida; pirazinamida 3004.90.66 Ácido 2(2metil3cloroanilina)nicotínico ou seu sal de lisina; metronidazol ou seus sais; azatioprina; nitrato de miconazol 3004.90.67 Enrofloxacina; maleato de enalapril; maleato de pirilamina; nicarbazina; norfloxacina; sais de piperazina 3004.90.68 Altretamina; bortezomib; cloridrato de erlotinibe; dacarbazina; disoproxilfumarato de tenofovir; enfuvirtida; fluspirileno; letrozol; lopinavir; mesilato de imatinib; nelfinavir ou seu mesilato; nevirapine; pemetrexed; saquinavir; sulfato de abacavir; sulfato de atazanavir; sulfato de indinavir; temozolomida; tioguanina; tiopental sódico; trietilenotiofosforamida; trimetrexato; uracil e tegafur; verteporfin 3004.90.69 Outros 3004.90.7 Que contenham produtos das posições 29.34, 29.35 e 29.38, mas que não contenham produtos dos itens 3004.90.1 a 3004.90.6 3004.90.71 Levamisol ou seus sais; tetramisol 3004.90.72 Sulfadiazina ou seu sal sódico; sulfametoxazol 3004.90.73 Cloxazolam; ketazolam; piroxicam; tenoxicam Fl. 1828DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10314.001928/200897 Resolução nº 3201000.694 S3C2T1 Fl. 102 10 3004.90.74 Ftalilsulfatiazol; inosina 3004.90.75 Enantato de flufenazina; prometazina; gliburida; rutosídio; deslanosídio 3004.90.76 Clortalidona; furosemida 3004.90.77 Cloridrato de tizanidina; cetoconazol; furazolidona 3004.90.78 Amprenavir; aprepitanto; delavirdina ou seu mesilato; efavirenz; emtricitabina; etopósido; everolimus; fosamprenavir cálcico; fosfato de fludarabina; gencitabina ou seu cloridrato; raltitrexida; ritonavir; sirolimus; tacrolimus; temsirolimus; tenipósido 3004.90.79 Outros 3004.90.9 Outros 3004.90.91 Extrato de pólen 3004.90.92 Crisarobina; disofenol 3004.90.93 Diclofenaco resinato 3004.90.94 Silimarina 3004.90.95 Bussulfano; dexormaplatina; dietilestilbestrol ou seu dipropionato; enloplatina; iproplatina; lobaplatina; miboplatina; miltefosina; mitotano; ormaplatina; procarbazina ou seu cloridrato; propofol; sebriplatina; zeniplatina 3004.90.96 Complexo de ferro dextrana 3004.90.99 Outros * Hormônios, prostaglandinas, tromboxanas e leucotrienos, naturais ou reproduzidos por síntese; seus derivados e análogos estruturais, incluindo os polipeptídios de cadeia modificada, utilizados principalmente como hormônios. ** 29.34 Ácidos nucléicos e seus sais, de constituição química definida ou não; outros compostos heterocíclicos. 2935.00 Sulfonamidas. 29.38 Heterosídios, naturais ou reproduzidos por síntese, seus sais, éteres, ésteres e outros derivados. Sobre cada produto, tecemse as respectivas considerações a seguir. PRODUTO SYMBICORT De acordo com o decisão recorrida, o produto em referência é medicamento composto por fumarato de formoterol e budesonida, que, de acordo com Instrução Normativa da Receita Federal, que veiculava a NVE, tinha como classificação fiscal de medicamentos à base de budesonida, 3004.39.99, e de medicamentos à base de fiunarato de formoterol, 3004.90.49. De acordo com a bula do remédio, os dois elementos principais que o compõem tem função bem demarcadas, não havendo como definir um deles como principal, deveria ser aplicada a regra para classificação 3 c, que prevê que no caso de haver duas classificações possíveis para o produto , deve ser a classificação na posição situada em último lugar na ordem numérica, o que levaria o Symbicort Turbuhaler, ao código 3004.90.49. Sob o prisma da Recorrente, o medicamento em questão encontravase corretamente classificado no código 3004.32.90, com base nas Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado, alínea "a" da Regra 03e na Resolução CAMEX n° 09, de 31 de março de 2004. Verificase dos autos que a classificação fiscal foi elaborada com base ba bula da medicação, a qual, em relação à formulação do produto em questão, assim afirma: Fl. 1829DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10314.001928/200897 Resolução nº 3201000.694 S3C2T1 Fl. 103 11 Symbicort TURBUHALER contém formoterol e budesonida, substâncias que possuem diferentes modos de ação e que apresentam efeitos aditivos em termos de redução das exacerbações asmáticas. Os mecanismos de ação das duas substancias estão discutidos a seguir: Budesonida A budesonida é um glicocorticosteróide com um elevado efeito antiinflamatório local. A budesonida mostrou exercer efeitos antianafilaticos e antiinflamatórios nos estudos de provocação realizados em animais e em humanos, os quais se manifestaram por redução da obstrução brônquica tanto na fase precoce como tardia de uma reação alérgica. A budesonida também demonstrou reduzir a reatividade das vias aéreas em pacientes hiperreativos submetidos tanto a provocação direta como indireta. A terapêutica com budesonida inalatória demonstrou ser eficaz na prevenção da asma induzida por exercício. Estudos de longo prazo mostram que as crianças e adolescentes tratados com budesonida inalatória atingem, na idade adulta, a sua altura esperada. Porém, foi observada uma pequena redução inicial, mas passageira, no crescimento (aproximadamente 1 cm). Isto geralmente acontece no primeiro ano de tratamento (ver Precauções e Advertências). Formoterol O formoterol é um agonista beta2 adrenérgico seletivo, que induz o relaxamento do músculo liso brônquico em pacientes com obstrução reversível das vias aéreas. 0 efeito broncodilatador manifestase muito rapidamente no período de 13 minutos após a inalação e a sua duração 6 de 12 horas após uma dose única. Foi demonstrado em ensaios clínicos que a adição de formoterol à budesonida melhorou os sintomas asmáticos e a função pulmonar e reduziu as exacerbações. 0 efeito de Symbicort TURBUHALER sobre a função pulmonar foi igual ao da associação livre de budesonida e formoterol, em inaladores separados, em adultos, e superior A da budesonida isoladamente, em adultos e crianças. A associação livre de budesonida e formoterol não mascara o inicio ou gravidade das exacerbações. Não se observaram sinais de atenuação do efeito antiasmatico no decorrer do tempo. Observese que, da leitura da bula, não se pode depreender, com tranquilidade e certeza, que ambas as substâncias têm funções bem definidas, e que não tenha uma que se sobreponha sobre a outra, no sentido de definição do efeito principal do remédio. Ademais, não está assente nos autos qual a classificação fiscal da budesonida e formoterol, pois não há subsídios suficientes, para verificar se estão enquadrados nos critérios da posição 3004. PRODUTOS PULMICORT, BUDECORT E ENTOCORT As mesmas dúvidas pairam sobre os produtos em epígrafe. Com efeito, na decisão recorrida afirmouse que esses produtos, sendo à base de budesonida, e pela aplicação da RGISH1, deveriam ter sido classificados no código 3004.39.99 em razão do disposto na Instrução Normativa SRF n° 603, de 29 de dezembro de 2005. Fl. 1830DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10314.001928/200897 Resolução nº 3201000.694 S3C2T1 Fl. 104 12 De acordo com a Recorrente, os medicamentos PULMICORT, BUDECORT AQUA e ENTORCORT classificamse no código 3004.32.90, pois a a subposição (3004.3) teria sido estruturada para abrigar os medicamentos que contenham hormônios ou outros produtos na posição 2937, mas que não contenham antibióticos, como é o caso dos medicamentos em referência. Não seria por outra razão que a Resolução CAMEX n° 09, de 31 de março de 2004, previa a classificação dos medicamentos a base de budesonida como "Ex" vinculado ao código NCM 3004.32.90. Ao se verificar as bulas dos remédios, temse que: BUDECORT AQUA Informações A budesonida é um glicocorticosteróide com grande efeito antiinflamatório local. 0 mecanismo de ação exato dos glicocorticosteróides no tratamento da rinite não está totalmente elucidado. Ações antiinflamatórias, como a inibição da liberação do mediador inflamatório e das respostas imunes mediadas pela citocina são provavelmente importantes. PULMICORT Informações A budesonida é um glicocorticosteróide com grande ação local. ENTOCORT Informações Entocort Cápsulas para uso oral consiste de uma cápsula de gelatina repleta de grânulos gastroresistentes de liberação controlada ileal. Os grânulos são praticamente insolúveis no suco gástrico e Vein liberação prolongada com propriedades de ajustar a liberação da budesonida no Ile° e cólon ascendente. Propriedades Farmacodindmicas A budesonida é um glicocorticosteróide com elevada ação antiinflamatória local. 0 exato mecanismo de ação dos glicocorticosteróides no tratamento da Doença de Crohn não está completamente elucidado. As ações antiinflamatórias, como a inibição da liberação do mediador inflamatório e das respostas imunes mediadas pela citocina, são, provavelmente, importantes. A potência intrínseca da budesonida, medida como a afinidade pelo receptor de glicocorticosteróide, é cerca de 15 vezes maior que a da prednisolona. Depreendese que das informações veiculadas pela bula, não se depreendem as informações necessárias para o correto enquadramento tarifário. PRODUTO OXIS TURBUHALER Verificase que entendeu a DRJ que o medicamento OXI TURBUHALER, medicamento a base de Fumarato de Formoterol deveria ter sido classificado no código 3004.90.49 e não no código 3004.90.79. Fl. 1831DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10314.001928/200897 Resolução nº 3201000.694 S3C2T1 Fl. 105 13 Contudo, de acordo com a Recorrente, o medicamento contém os produtos das posições 29.34, 29.35 e 29.38 e não contém produtos dos itens 3004.90.1 a 3004.90.6, correta a sua classificação no código 3004.90.79 outros, uma vez que não havia outro mais especifico entre os itens 3004.90.71 a 3004.90.79. Da bula acostada aos autos, temse que: OXIS TURBUHALER Informações O formoterol é um potente estimulante seletivo beta2 adrenérgico que causa relaxamento da musculatura lisa dos brônquios. Diante do exposto, proponho a conversão do processo em diligência, para que seja elaborado laudo técnico que traga informações sobre cada um dos medicamentos em questão, identificandoos à luz dos critérios estabelecidos na posição 3004 da Nomenclatura Comum do Mercosul, tais como: Symbicort: quais são as substâncias que o compõem, suas funções e características físico químicas? há uma substância que defina a função terapêutica principal do medicamento, ou ambas possuem a mesma importância? e que não tenha uma que se sobreponha sobre a outra, no sentido de definição do efeito principal do remédio. Pulmicort, Budecort E Entocort quais são as substâncias que o compõem, suas funções e características físico químicas? tratamse de medicamentos que contenham hormônios ou outros produtos como prostaglandinas, tromboxanas e leucotrienos, naturais ou reproduzidos por síntese; seus derivados e análogos estruturais, incluindo os polipeptídios de cadeia modificada, utilizados principalmente como hormônios, mas que não contenham antibióticos? Oxis Turbuhaler quais são as substâncias que o compõem, suas funções e características físico químicas? o medicamento contém os produtos compostos de Ácidos nucléicos e seus sais, de constituição química definida ou não; outros compostos heterocíclicos, Sulfonamidas.ou Heterosídios, naturais ou reproduzidos, por síntese, seus sais, éteres, ésteres e outros derivados? Deverão ser acrescidas todas as informações necessárias para a correta identificação dos medicamentos, que se julgarem necessárias à formação do convencimento da turma julgadora. Fl. 1832DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10314.001928/200897 Resolução nº 3201000.694 S3C2T1 Fl. 106 14 Após, deve ser oportunizada a manifestação da autoridade preparadora e da Recorrente, no prazo de 30 dias, prorrogáveis por mais trinta, devendo, então , os autos retornarem para prosseguimento do julgamento. Em face do exposto, voto por converter o julgamento em diligência. Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Voto Vencedor Conselheira Mércia Helena Trajano DAmorim, Redatora Designada Versa o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de imposto de importação, juros de mora, multa de ofício de setenta e cinco por cento, aplicada por recolhimento fora do prazo legal, prevista no art. 44, I da Lei 9430/96, bem como a multa de um por cento do valor aduaneiro, aplicada por classificação incorreta de mercadoria, prevista no art. 84, I da MP 215835 c/c art. 69 e 81, IV da Lei 10833/03. O auto de infração é decorrente da reclassificação fiscal das mercadorias importadas pela recorrente. O produto Symbicort, medicamento composto por budesonida e fumarato de formoterol, foi classificado no código 3004.90.49, relativo a medicamentos à base de fumarato de formoterol. Os produtos Pulmicort, Budecort e Entocort, medicamentos à base de budesonida, foram colocados na classificação 3004.39.99, relativa a medicamentos à base de budesonida. O produto Oxis Turbuhaler, medicamento à base de fumarato de formoterol, foram reclassificados no código 3004.90.49, relativo a medicamentos à base de fumarato de formoterol. No período de 31 de março a 30 de junho de 2004, os medicamentos à base de budesonida foram enquadrados no código 3004.32.90 pela Resolução CAMEX 09/2004. A fiscalização analisou as bulas dos medicamentos SYMBICORT, PULMICORT, BUDECORT, ENTOCORT e OXIS TURBUHALER para embasar a respectiva autuação. Assim como, acrescenta a fiscalização que no anexo da IN SRF 603/2005, alterada por outras Instruções Normativas que mantiveram o anexo, encontramse as mercadorias cuja Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística (NVE) é obrigatória. Nela constam os medicamentos à base de budesonida e à base de fumarato de formoterol. O primeiro com classificação 3004.39.99 e o outro 3004.90.49. Consta a informação, à fl. 1545 (paginação em papel) (volume VIII) em 05/08/2008 que foram constatados os recolhimentos dos valores referentes ao II — Lançamento de Oficio (código 2892), multa de ofício, com redução (código 3005), juros (código 3101) e da multa proporcional ao valor aduaneiro, com redução (cód. 5149), conforme fls. 15421544 (papel). Foram alocados ao crédito no sistema Sief, extinguindo parte deste e caracterizando a impugnação como parcial. A ciência do auto de infração ocorreu em 14/03/08, conforme fl. 1447/anverso. A impugnação foi apresentada no dia 15/04/08, sendo, portanto, considerado tempestiva. A empresa, alegou em síntese: que os produtos PULMICORT, BUDECORT e ENTOCORT, a correta classificação é 3004.32.90, não cabendo a classificação 3004.39.99; Fl. 1833DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10314.001928/200897 Resolução nº 3201000.694 S3C2T1 Fl. 107 15 havia dúvidas sobre o enquadramento do fumarato de formoterol até a edição da Nomenclatura de Valor Aduaneiro e EstatísticaNVE, razão pela qual adotou a classificação para o Symbicort; o art. 654 do Regulamento Aduaneiro prevê a relevação de penalidade caso se trate de equívoco de classificação; ou seja, Ministro da Fazenda tem competência para relevar penalidades; de 2003 a 2006 os critérios para classificação estavam obscuros, não se tratando de equívoco de classificação; o código utilizado para os medicamentos à base de budesonida era o mais específico na época. requer subsidiariamente, seja RELEVADA a aplicação da multa fundamentada no artigo da Medida Provisória 2.158,24/08/01, tendo em vista que a infração supostamente cometida, nos itens 2 e 3, sequer causaram prejuízo ao Fisco. Foi proferida a decisão de primeira instância, conforme acórdão 1746.190 da 2ª turma da DRJ/SP 2, de 18/11/2019, cuja ementa, transcrevese a seguir: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 23/05/2003 a 01/10/2007 SYMBICORT. O produto Symbicort, medicamento composto por budesonida e fumarato de formoterol, apresenta correta classificação tarifária 3004.90.49, relativa a medicamentos à base de fumarato de formoterol, conforme as regras gerais para interpretação do sistema harmonizado. PULMICORT. BUDECORT. ENTOCORT. Os produtos Pulmicort, Budecort e Entocort, medicamentos à base de budesonida, apresentam correta classificação 3004.39.99, relativa a medicamentos à base de budesonida. OXIS TURBUHALER. O produto Oxis Turbuhaler, medicamento à base de fumarato de formoterol, classificase no código 3004.90.49, relativa a medicamentos à base de fumarato de formoterol. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO MULTA Verificada em procedimento de ofício a falta de declaração e de recolhimento de contribuição ou tributo, cabe a aplicação da multa de 75%, por expressa determinação do artigo 44, I da Lei nº 9.430/96. MULTA DE 1% DO VALOR ADUANEIRO A infração capitulada no art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de agosto de 2001, inserese no plano da responsabilidade objetiva, não reclamando, portanto, para sua caracterização, a presença de intuito doloso ou máfé por parte do sujeito passivo. Demonstrado insuficiência na descrição detalhada da mercadoria ou classificação incorreta, impõese a aplicação da multa. Impugnação Improcedente Fl. 1834DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10314.001928/200897 Resolução nº 3201000.694 S3C2T1 Fl. 108 16 Crédito Tributário Mantido Em sede de recurso voluntário, a recorrente argumenta, dentre outros: 1) que teria submetido ao despacho aduaneiro de importação, o medicamento denominado SYMBICORT, que possui dois princípios ativos, quais sejam a Budesonida e o Fumarato de Formoterol, classificandoos no código 3004.32.90, quando o correto seria a classificação no código 3004.90.49. Com a reclassificação das mercadorias pelas autoridades administrativas, especificamente da Declaração de Importação no 04/04654783 (adições 12 e 13), a alíquota do Imposto de Importação passou de 0% para 8%, razão pela qual houve o lançamento do Imposto de Importação, com os acréscimos legais; 2) contesta as reclassificações fiscais e que houve mudança de critério jurídico; 3) a multa regulamentar não trouxe qualquer prejuízo ao erário, além deste não ter agido com dolo ou máfé; 4) a multa regulamentar foi aplicada sob uma base de cálculo errada, deveria ser a taxa de câmbio vigente à época do lançamento; 5) que a única possibilidade de revisão do lançamento pela autoridade fiscal seria a comprovação da ocorrência de qualquer uma das hipóteses previstas no art. 149, do Código Tributário Nacional, entre elas a demonstração de ter o contribuinte agido com dolo, fraude ou simulação no preenchimento da declaração de importação, o que não é o caso dos autos; e 6) e insiste, caso os argumentos acima não sejam acatados, que os autos deverão ser encaminhados ao Secretário da Receita Federal do Brasil, para apreciação do presente pedido de relevação da pena, o qual encontra amparo no artigo 4°, do DecretoLei n° 1.042/69, que prevê sejam relevadas as penalidades relativas a infrações de que não tenha resultado falta ou insuficiência no pagamento dos tributos. Pelo exposto, observase que houve pagamento referente ao imposto de importação, bem como a multa de ofício (com redução) e juros, especificamente da DI Declaração de Importação n° 04/04654783, com registro em 17/05/2004 (das adições 12 e 13) (fls. 347 a 351 (papel no volume II, o extrato da DI mencionada) e ainda recolhimento da multa sobre o valor aduaneiro, da parte com redução. Registrese que os volumes II ao início do volume VIII referemse aos extratos das DIS, pertencentes ao litígio. Não obstante o pagamento acima, e a linha de defesa possuir alguns argumentos preclusos, mas o que resta para análise, para julgamento, é a multa regulamentar (de 1%), não passível de redução, prevista no art. 84, inc. I da MP n° 2.158/3501, c/c o art. 69 e art. 81 da Lei de n° 10.833/03, que foi defendida, em sede de impugnação, de uma forma ampla, em contestação por conta das reclassificações das mercadorias, onde o mesmo não concorda com essas reclassificações e que não trouxe prejuízo ao erário e não agiu de máfé, mas foi contestada; entendo (por conta de ter pedido vista do processo em sessão de março/2016), que deve ser mantida a diligência da relatora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, pois a mesma é direcionada sobre as propriedades, os princípios ativos, funções e características dos produtos; em litígio, tendo em vista as reclassificações fiscais, que exceto a DI referida, as Fl. 1835DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10314.001928/200897 Resolução nº 3201000.694 S3C2T1 Fl. 109 17 alíquotas para o II e IPI, permanecem as mesmas, não havendo, portanto diferença de tributo, mas permanece ainda a divergência de classificação fiscal na NCM. A diligência resta necessária, para esclarecimentos, para posterior julgamento, sobre qual será o código numérico da NCM dos diversos produtos; pois permanece dúvida, a título de exemplo a multa regulamentar, para a citada DI (04/0465478), conforme fl. 36 (papel, no volume I), cuja DI houve o pagamento do tributo. Feitas essas considerações, acrescentaria, portanto, à diligência original, que fossem anexadas, cópias das adições 12 e 13 da Declaração de Importação n° 04/04654783, com registro em 17/05/2004, pois não as encontrei nos diversos volumes deste processo. Em sendo assim, a diligência passa a ser dessa forma (que fique bem claro, que concordei com a diligência original, com todos os seus fundamentos e acrescento o pedido de anexar as cópias das adições mencionadas, tendo em vista que a relatora encontrase em licençamaternidade): Diante do exposto, proponho a conversão do processo em diligência, para que seja elaborado laudo técnico que traga informações sobre cada um dos medicamentos em questão, identificandoos à luz dos critérios estabelecidos na posição 3004 da Nomenclatura Comum do Mercosul, tais como: Symbicort: quais são as substâncias que o compõem, suas funções e características físico químicas? há uma substância que defina a função terapêutica principal do medicamento, ou ambas possuem a mesma importância? e que não tenha uma que se sobreponha sobre a outra, no sentido de definição do efeito principal do remédio. Pulmicort, Budecort E Entocort quais são as substâncias que o compõem, suas funções e características físicoquímicas? tratamse de medicamentos que contenham hormônios ou outros produtos como prostaglandinas, tromboxanas e leucotrienos, naturais ou reproduzidos por síntese; seus derivados e análogos estruturais, incluindo os polipeptídios de cadeia modificada, utilizados principalmente como hormônios, mas que não contenham antibióticos? Oxis Turbuhaler quais são as substâncias que o compõem, suas funções e características físicoquímicas? o medicamento contém os produtos compostos de Ácidos nucléicos e seus sais, de constituição química definida ou não; outros compostos heterocíclicos, Sulfonamidas.ou Heterosídios, naturais ou reproduzidos, por síntese, seus sais, éteres, ésteres e outros derivados? Fl. 1836DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10314.001928/200897 Resolução nº 3201000.694 S3C2T1 Fl. 110 18 Deverão ser acrescidas todas as informações necessárias para a correta identificação dos medicamentos, que se julgarem necessárias à formação do convencimento da turma julgadora. Bem como, anexar cópias das adições 12 e 13 da Declaração de Importação n° 04/04654783, com registro em 17/05/2004. Após, deve ser oportunizada a manifestação da autoridade preparadora e da Recorrente, no prazo de 30 dias, prorrogáveis por mais trinta, devendo, então, os autos retornarem para prosseguimento do julgamento. assinado digitalmente Mércia Helena Trajano DAmorim Fl. 1837DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 10166.009969/2010-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
DESPESA COM PREVIDÊNCIA OFICIAL. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. NÃO COMPROVAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE.
Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência do imposto de renda pessoa física, poderão ser deduzidas as contribuições à previdência oficial devidamente comprovadas, fato este não evidenciados nos autos.
Quando não há elementos probatórios das despesas com previdência oficial que motivaram a autuação por dedução indevida da base de cálculo do imposto de renda, mantém-se a glosa apurada pelo Fisco.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. NÃO COMPROVAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência do imposto de renda pessoa física, poderão ser deduzidas as contribuições à previdência oficial devidamente comprovadas, fato este não evidenciados nos autos. Quando não há elementos probatórios das despesas com previdência oficial que motivaram a autuação por dedução indevida da base de cálculo do imposto de renda, mantémse a glosa apurada pelo Fisco. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 99 69 /2 01 0- 97 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de fls. 43/48, resultante de alterações na Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício de 2009, anocalendário de 2008, que implicou apuração de imposto suplementar, sujeito à multa de ofício (75%) e juros legais, em face da constatação das seguintes infrações: · Dedução Indevida de Previdência Oficial. Glosa de R$18.024,99, indevidamente deduzido a título de contribuição à Previdência Oficial, por falta de comprovação. Nas Guias de Recolhimentos apresentadas não consta o CPF do contribuinte. Enquadramento legal nos autos (fl. 49). A decisão de primeira instância julgou improcedente a impugnação, mantendose as glosas apontadas pelo Fisco. Cientificado da decisão de primeira instância em 16/11/2012 (fls. 96), o interessado interpôs, em 05/12/2012, o recurso de fls. 97/108. Nas razões recursais aduz as mesmas questões postuladas na peça de impugnação, a saber: 1. É tabelião titular do Cartório do 10º Ofício de Notas e Protesto de Títulos de Ceilândia, inscrito no CNPJ 01.720.259/000170; 2. De fato, nas GRU do ano calendário não consta o CPF do contribuinte, mas está registrado o número 100234. Este número corresponde a Servidor Civil Ativo, o que comprova que o contribuinte, no caso, é o tabelião; 3. O Cartório do 10º Ofício de Notas e Protesto aparece no sítio “contribuinte/recolhedor” como recolhedor. Não há espaço físico para se constar o nome do contribuinte e do recolhedor no formulário usado na época; 4. A contribuição previdenciária do Notário, recolhida em nome da Serventia, não é lançada no LivroCaixa como despesa de custeio e, por essa razão, é declarada como dedução de Previdência Oficial; 5. O TJDFT decidiu, ao julgar o Processo Administrativo 9.909/2007, sobre consulta feita pelo titular de cartório Dr. Manoel Aristides Sobrinho que o requerente e os titulares investidos no exercício dos Serviços Notariais e de Registro do DF, até a véspera da data que entrou em vigor a Lei 8.935/1994, devem contribuir para o Plano de Previdência do Servidor Público. Os cálculos efetuados pelo TJDFT estampam o valor da contribuição, na época, de R$1.357,81. Observe que é o mesmo valor recolhido em janeiro de 2008 pelo Cartório do 10º Ofício, cujo tabelião é o contribuinte; 6. O cartório não possui personalidade jurídica, sendo que todos os valores relativos a impostos recolhidos diretamente pelo titular, no caso Affonso Gonzaga de Carvalho; Fl. 114DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10166.009969/201097 Acórdão n.º 2402005.024 S2C4T2 Fl. 3 3 7. Houve mero erro material no preenchimento da GRU, tanto é verdade que o código de recolhimento 100234 referese ao servidor civil na atividade, no caso o Tabelião. Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso para cancelar o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. GLOSA DE PREVIDÊNCIA OFICIAL A controvérsia cingese à dedução indevida de Previdência Oficial, no valor de R$18.024,99, sendo que estes valores foram glosados por falta do CPF do contribuinte nas Guias de Recolhimento da União (GRU). A peça recursal reproduz as mesmas alegações da peça de impugnação e não traz qualquer documento para esclarecer o fato de que os recolhimentos destinados à Previdência Oficial foram realizado em nome do Cartório do 10º Ofício de Notas Prot. Tits. Ceilândia, sob o número de CNPJ 01.720.259/000170. Assim, os recolhimentos à Previdência Oficial constantes dos autos não foram recolhidos em nome do Recorrente e nem consta o seu CPF. O Recorrente afirma que foi nomeado em novembro de 1991 como titular do Cartório do 10º Ofício de Notas Prot. Tits. Ceilândia e que o código de recolhimento 100234 é de servidor ativo; assim, entende que supostamente estaria amparado pelo Regime Próprio de Previdência Social (RPPS). Entendo que esses fatos, por si sós, não demonstram que os recolhimentos realizados por meio das GRU’s, com o CNPJ do Cartório, foram decorrentes exclusivamente da contribuição devida pela remuneração do Recorrente, pois poderão existir outros serventuários ativos, com atividades neste Cartório, que recolheram também para o Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) e com o mesmo código de recolhimento 10023 4. Em outras palavras, os documentos acostados aos autos, que sinalizam os recolhimentos destinados à Previdência Oficial (fls. 07/18), não são suficientes, por si sós, para firmar juízo de certeza ou juízo de convencimento de que os valores foram decorrentes exclusivamente da contribuição devida pela remuneração do Recorrente, necessitando de outras provas que a corroborem, já que os recolhimentos foram realizados em nome do Cartório, contendo inclusive o CNPJ de número 01.720.259/000170. Com isso, dentro dos elementos de valoração da prova de completude1 e de coerência, impõese afirmar que o Recorrente não se desincumbiu de comprovar que os recolhimentos destinados à Previdência Oficial foram decorrentes de sua remuneração e, por consectário lógico, entendo que a glosa deve ser mantida, pois não há amparo legal para a 1 Completude da prova: se todas as provas disponíveis nos autos forem levadas em consideração na decisão. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10166.009969/201097 Acórdão n.º 2402005.024 S2C4T2 Fl. 4 5 dedução da base de cálculo do imposto de renda de valores destinados à Previdência Oficial, recolhidos em nome do Cartório, e não em nome do contribuinte (Recorrente). CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 10711.721133/2011-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 19/06/2008
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.655
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 19/06/2008 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 11 33 /2 01 1- 11 Fl. 216DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10711.721133/201111 Acórdão n.º 9303003.655 CSRF‐T3 Fl. 217 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.811. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Fl. 217DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10711.721133/201111 Acórdão n.º 9303003.655 CSRF‐T3 Fl. 218 3 Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se Fl. 218DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10711.721133/201111 Acórdão n.º 9303003.655 CSRF‐T3 Fl. 219 4 refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10711.721133/201111 Acórdão n.º 9303003.655 CSRF‐T3 Fl. 220 5 entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, Fl. 220DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10711.721133/201111 Acórdão n.º 9303003.655 CSRF‐T3 Fl. 221 6 inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está Fl. 221DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10711.721133/201111 Acórdão n.º 9303003.655 CSRF‐T3 Fl. 222 7 vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10711.721133/201111 Acórdão n.º 9303003.655 CSRF‐T3 Fl. 223 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 223DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10711.721133/201111 Acórdão n.º 9303003.655 CSRF‐T3 Fl. 224 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10711.721133/201111 Acórdão n.º 9303003.655 CSRF‐T3 Fl. 225 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 225DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10711.721133/201111 Acórdão n.º 9303003.655 CSRF‐T3 Fl. 226 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 226DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10711.721133/201111 Acórdão n.º 9303003.655 CSRF‐T3 Fl. 227 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 227DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13502.000014/99-09
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998
IPI. RESSARCIMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE
PROVA DOCUMENTAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do
contribuinte que, regularmente intimado, tenha deixado de
apresentar as provas solicitadas, visando à comprovação dos
procedimentos efetuados, ainda que a destempo.
Recurso negado.
Numero da decisão: 201-80.910
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Mauricio Taveira e Silva
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Sire M745 ' 1 MINISTÉ • ' ' - . :•• • ; ,fr. SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES P.. p . :"n5 PRIMEIRA CÂMARA Processo n° 13502.000014/99-09 Recurso n° 138.948 Voluntário Matéria Ressarcimento de 1PI Acórdão n° 201-80.910 % cot •00 voo 1 1, Sessão de 13 de fevereiro de 2008 os) " Recorrente PRONOR PETROQUÍMICA S/A Recorrida DRJ em Recife - PE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998 IPI. RESSARCIMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que, regularmente intimado, tenha deixado de apresentar as provas solicitadas, visando à comprovação dos procedimentos efetuados, ainda que a destempo. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. SE A MA IA C'ãLHO ARQ ES Presidente MAURI IO TAV r • E SILVA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, José Antonio Francisco e Antônio Ricardo Accioly Campos. Ausente o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. . Processo n.° 13502.000014/99-09 Mi - SEGUNDO CONSELE0 DE CONTSCUMS CCOVCO 1 Acórdão n.° 201-80.910 CONFERE CM O ORCO" Fls. 251 &adia, _Lr/ • I Zo ar Sfivw‘91:2rb°38 . List S'iape 91745 Relatório PRONOR PETROQUÍMICA S/A, devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 172/189, contra o Acórdão ri2 13.032, de 05/08/2005, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife - PE, fls. 151/155, que indeferiu solicitação de ressarcimento referente à crédito presumido de IPI, fl. 01, de que trata a Portaria MF ri2 38/97, no valor de R$ 168.495,32, relativo ao 1' trimestre de 1998. Requereu, ainda, a compensação com débitos de outros tributos através dos pedidos de fls. 43/44. A autoridade fiscal efetuou diligência junto à contribuinte e, tendo em vista o não atendimento às intimações fiscais de fls. 87 e 88 e, por conseguinte, não tendo sido apresentada pela interessada a documentação solicitada, o auditor encerrou a diligência sem exame do mérito. Na seqüência, a DRF emitiu o Parecer ri 2 567/2004, de fls. 90/92, indeferindo o pedido de ressarcimento, não homologando as compensações pleiteadas e determinando o arquivamento do processo. Irresignada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 119/128, acompanhada dos documentos de fls. 129/147, com as seguintes alegações: I. em decorrência da inexistência, desde fevereiro de 1998, de planta de produção ativa e de pessoal técnico, além do fato de os documentos solicitados remontarem há mais de cinco anos, encontrou dificuldades em providenciá-los no momento em que exigidos. Todavia, após empreender os esforços necessários, conseguiu reunir documentação hábil a atestar a existência do crédito requerido; 2. com fulcro na busca da verdade material, não há como eximir a autoridade fazendária da apreciação das provas angariadas, ainda que a destempo; e 3. a juntada posterior da documentação necessária à demonstração do crédito pretendido encontra guarida no art. 60 da Lei n2 9.784/99, a qual regula o processo administrativo no âmbito da Administração Federal. Colaciona decisões administrativas corroborando sua tese. Por fim, requer seja revogado o despacho denegatório e deferido o direito ao aproveitamento dos créditos requeridos. A DRJ indeferiu a solicitação, tendo o Acórdão a seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998 Ementa: RESSARCIMENTO DO IPL FALTA DE COMPROVA çÃo. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentaçã o acarreta o indeferimento do pleito. ofáSolicitação Indeferida" 7, ' ewstk, (/ NIF - SEGUNDO CONSELHO DECONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL • Processo n.• 13502.000014/99-09 i,)ç, ,20.02;2 CCO2/C01 • Acórdão n? 201-80.910 Brasão. „ri Fls. 252 . Shiol, ssosa ma: Siace 91745 Tempestivamente, em 19/10/2006 a contribuinte protocolizou recurso voluntário de fls. 172/189, aduzindo as mesmas questões anteriormente apresentadas, concluindo que a juntada de documentos comprobatórios do crédito postulado deveria ser aceita a qualquer tempo, inclusive na fase recursal, sob pena de negligenciar os princípios do contraditório, da ampla defesa e da busca da verdade real. Alega, ainda, que a decisão de primeira instância não pode prosperar, haja vista que a contribuinte faz jus, sim, ao crédito presumido de IPI. Informa que procedeu ao cálculo do crédito presumido de acordo com os arts. 3' da Portaria MF n2 38/97; 3' da IN SRF n2 23/97; e 3 2 e 42 da IN SRF n9 103/97. Ao final, requereu a reforma da decisão de primeira instância para que seja reconhecido o seu direito ao crédito presumido de IPI, com a conseqüente homologação das compensações efetuadas. É o Relatório. . (1/215-AX- c ,, • Processo n." 13502.000014/99-09 MI' - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CCO2/C01 Acórdão n.° 201-80.910 CONFERE COM O ORIGINAL Fls. 253 Brasília, _d_K 2..00 e &Ni° Mat:Smae 91745 Voto Conselheiro MAURÍCIO TAVEIRA E SILVA, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Versa o presente processo acerca do crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor de PIS e Cofins, beneficio originário da MI n 2 948/95, posteriormente normatizado pela Lei ri° 9.363/96 e regulamentado pela Portaria MF rip 38/97. Com vistas à analise da regularidade do pleito da contribuinte, foi iniciado procedimento de diligência com o respectivo Termo de Inicio de Diligência (fl. 88), datado de 08/09/2004, por meio do qual a contribuinte foi intimada a apresentar os documentos solicitados. Tendo em vista o não atendimento, a contribuinte foi novamente demandada, por meio do Termo de Reintimação de fl. 87, datado de 13/10/2004. Novamente sendo desatendido, o agente fiscal encerrou o procedimento de diligência em 03/11/2004, sem exame do mérito, pois os documentos solicitados não foram disponibilizados. Na fase de impugnação a contribuinte apresenta os documentos de fls. 131/147, referentes a alguns dos elementos solicitados, porém, ainda assim, conforme consignado na decisão recorrida (fl. 155), deixa de apresentar, dentre outros documentos, "o registro de apuração do IPI, o registro de inventário, a relação de todos os produtos fabricados pela empresa, informando: nome, classificação NCM e aliquota do IPI, não se prestando, portanto, para fins de comprovação do crédito pleiteado." Na fase recursal traz aos autos os documentos de fls. 192/242, consistindo de balancetes, relatório destinado ao Ministério da Previdência e Assistência Social referente a atividades e operações insalubres (fls. 198/216) e cópias de processos de ressarcimento de crédito presumido de IPI de interesse da contribuinte referente a outros períodos, cujos valores foram deferidos parcialmente (fls. 217/240). Contudo, novamente a contribuinte deixa de apresentar os documentos solicitados. Não se trata, pois, de busca da verdade material como alega a recorrente. Cabe a interessada apresentar os documentos solicitados, com vistas a demonstrar a justeza de seu pleito. Tendo em vista que em momento algum a contribuinte apresentou os documentos solicitados, não há como se deferir o ressarcimento pleiteado. Ademais, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, consoante art. 16 do Decreto n9 70.235/72. Os pedidos de diligência ou perícia se findam na impossibilidade de que as provas possam ser trazidas aos autos pelo recorrente, como no caso de os elementos examináveis consistirem em máquinas, construções ou de processos produtivos, o que não se verifica no presente caso. ME.sEnugocerzoggrreuirms • Pmuson,13502.000014/99-09 CCO2/01 Acórdão 201-80.910 arasaa. ff Fls. 254 SidaScçríergra Mau som 91745 Tendo em vista que a recorrente não apresentou nenhum motivo de fato ou de direito capaz de modificar a decisão recorrida, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 13 de fevereiro de 2008. MAURV216171EI SILVA Ui') • Page 1 _0013300.PDF Page 1 _0013500.PDF Page 1 _0013700.PDF Page 1 _0013900.PDF Page 1
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Numero do processo: 10325.721652/2014-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2014 a 31/08/2014
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO FINANCEIRO NÃO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO DE TERCEIROS. IMPROCEDÊNCIA. GLOSA.
Não atendidas as condições e exigências legais, os valores indevidamente compensados devem ser glosados. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com créditos financeiro não tributário e decorrente de cessão de terceiros titulares do direito creditório reconhecido em sentença judicial.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-004.624
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, FABIO PIOVESAN BOZZA, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2014 a 31/08/2014 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO FINANCEIRO NÃO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO DE TERCEIROS. IMPROCEDÊNCIA. GLOSA. Não atendidas as condições e exigências legais, os valores indevidamente compensados devem ser glosados. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com créditos financeiro não tributário e decorrente de cessão de terceiros titulares do direito creditório reconhecido em sentença judicial. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. João Bellini Junior - Presidente Julio Cesar Vieira Gomes - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, FABIO PIOVESAN BOZZA, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES.
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CRÉDITO FINANCEIRO NÃO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO DE TERCEIROS. IMPROCEDÊNCIA. GLOSA. Não atendidas as condições e exigências legais, os valores indevidamente compensados devem ser glosados. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com créditos financeiro não tributário e decorrente de cessão de terceiros titulares do direito creditório reconhecido em sentença judicial. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 5. 72 16 52 /2 01 4- 86 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, FABIO PIOVESAN BOZZA, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10325.721652/201486 Acórdão n.º 2300004.624 S2C3T0 Fl. 192 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contra a decisão denegatória do direito de compensação de contribuições previdenciárias com créditos de terceiros oriundos de sentença transitada em julgado que reconheceu direito sobre correção monetária devida sobre valores a serem reembolsados pela União a clínica conveniada com o SUS. Seguem transcrições da decisão recorrida: Período de apuração: 01/04/2014 a 31/08/2014 Ementa: COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CRÉDITO DE ESPÉCIE DISTINTA. CRÉDITO DE TERCEIROS. AÇÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. GLOSA. Compensação é o procedimento facultativo através do qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, deduzindoos das contribuições devidas à Previdência Social. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação previdenciária e no Código Tributário Nacional CTN, os valores indevidamente compensados devem ser glosados. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com créditos de espécie distinta, adquiridos de terceiros e decorrentes de ação judicial não transitada em julgado. PROCESSO ADMINISTRATIVO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. A apresentação de manifestação de inconformidade suspende a exigibilidade do crédito tributário até o encerramento da fase administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido ... Os processos administrativos citados versam sobre Pedido de Habilitação de Crédito Decorrentes de Decisão Judicial Transitada em Julgado, tendo em vista o contribuinte ter adquirido, mediante Escritura Pública de Cessão de Direitos Creditórios, créditos decorrentes do processo nº 99.001.26548, que tem como autora a Clínica de Repouso Campo Belo Ltda., CNPJ 34.389.718/000133, e como ré a União Federal, e tem Fl. 193DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 como objetivo cobrar valores referentes à correção da Tabela do SUS por ocasião do Plano Real. ... Os processos nº 10325.721.399/201380, nº 10325.720.323/201418 e nº 10325.720.324/201462 foram apreciados pela Delegacia da Receita Federal de Imperatriz/MA e, resumidamente, tiveram o pedido indeferido pelas seguintes razões: (i) o contribuinte não figura no polo ativo da ação judicial; (ii) o crédito não é tributário; (iii) o crédito é de terceiros e (iv) ação judicial não transitou em julgado. ... Contra a decisão, a recorrente reitera os argumentos da manifestação: Conforme consta do relatório do DespachoDecisório nº 375/2014, o contribuinte protocolizou tempestivamente junto à Delegacia da Receita Federal do Brasil resposta à carta Eqmac n° 03/2014, descrevendo as motivações pelas quais foram utilizados os créditos. Foram juntados no processo em epígrafe diversos documentos, inserindose no rol uma Certidão de Objeto e Pé do Processo, na qual se transcreve a informação do trânsito em julgado do processo (referente aos créditos) no penúltimo item. No caso em tela o referido processo já transitou em julgado e o crédito não é de natureza tributária, mas sim de natureza financeira, oriundo de decisão transitada em julgado em ação ordinária e pode ser perfeitamente objeto de contrato de cessão, pois não se opõe à natureza da obrigação, à lei ou convenção. Esclarecese que o crédito reconhecido em decisão transitada em julgado em ação ordinária, de caráter condenatório, de ressarcimento de valores oriundos de erro de cálculo de pagamento a ser realizado pela União, constituise em título executivo judicial, o que demonstra a certeza do crédito, logo, pode ser perfeitamente objeto de cessão. Observase, também, que não existe convenção entre as partes, União Federal e empresa cedente, que impeça a cessão de crédito decorrente de decisão transitada em julgado referente ao Processo n° 001265484.1999.4.02.5101, número antigo: 99.00126548. Da mesma forma, averiguase que as legislações civis e tributárias vigentes não proíbem a transferência deste crédito financeiro. Portanto, dessumese ser claramente possível a cessão do crédito financeiro a terceiro. Ademais, cumpre lembrar que o crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado possui permissão expressa na Constituição Federal para ceder a terceiros,conforme art. 78 do ADCT. Portanto, a legislação supracitada reforça o entendimento de que o crédito oriundo de decisão judicial transitada em julgado pode ser objeto de cessão de crédito, desde que decorra de precatório pendente em 13.09.2000 ou de ações iniciais Fl. 194DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10325.721652/201486 Acórdão n.º 2300004.624 S2C3T0 Fl. 193 5 ajuizadas até 31 de dezembro de 1999, conforme autorização expressa da Constituição, como no caso em tela, em que a ação fora proposta em 17/05/1999. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça já se manifestou sobre a matéria, acompanhando o posicionamento exposto. A 8ª Vara Federal de Execução Fiscal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro determinou a penhora de valor, no processo originário do crédito em que se pediu a homologação, como pagamento de débito fiscal de terceiro, conforme já foi demonstrado em certidão juntada ao processo. É o Relatório. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Atendidos os pressupostos de admissibilidade do recurso, dele conheço e passo ao seu exame. Conforme depreende dos autos, o crédito é oriundo sentença transitada em julgado em favor de terceiros sem, contudo, autorizar o titular da ação para transferir seu crédito, onerosa ou gratuitamente, a contribuinte com fins de compensação tributária. Isso porque existe regra jurídica exigindo o cumprimento de requisitos mínimos para a compensação: crédito próprio líquido e certo, sentença transitada em julgado e natureza tributária do crédito. No presente caso, o recorrente não atendeu a esses requisitos: Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) E o Parecer COSIT nº 11, de 19/12/2014 também exige que o interessado protocole previamente um pedido de habilitação do crédito decorrente de ação judicial: COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO DECORRENTE DE AÇÃO JUDICIAL. PRAZO PARA APRESENTAR DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE HABILITAÇÃO PRÉVIA. SUSPENSÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL. ... Para a apresentação da Declaração de Compensação, o sujeito passivo deverá ter o pedido de habilitação prévia deferido. A habilitação prévia do crédito decorrente de ação judicial é medida que tem por objetivo analisar os requisitos preliminares acerca da existência do crédito, a par do que ocorre com a ação de execução contra a Fazenda Nacional, quais sejam, legitimidade do requerente, existência de sentença transitada em julgado e inexistência de execução judicial, em respeito ao princípio da indisponibilidade do interesse público. ... Ressaltase que não se está aqui vedando a transferência de créditos decorrentes de sentenças judiciais inter pars, mas apenas apresentando os fundamentos e Fl. 196DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10325.721652/201486 Acórdão n.º 2300004.624 S2C3T0 Fl. 194 7 conclusão acerca de utilização em compensação tributária desses créditos por terceira pessoa que não o titular da ação judicial. Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 197DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10218.721349/2013-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
IRRF. RECOLHIMENTO ANTECIPADOS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 150, §4º, DO CTN.
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no §4° do art. 150 do CTN, caracteriza-se pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída na base de cálculo deste recolhimento parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Súmula CARF nº 99.
Encontra-se finada pela decadência/homologação tácita o direito do Fisco de constituir o crédito tributário decorrente dos fatos geradores objeto do presente Auto de Infração.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2401-004.309
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso de Ofício para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do voto do Relator.
André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 IRRF. RECOLHIMENTO ANTECIPADOS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 150, §4º, DO CTN. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no §4° do art. 150 do CTN, caracteriza-se pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída na base de cálculo deste recolhimento parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Súmula CARF nº 99. Encontra-se finada pela decadência/homologação tácita o direito do Fisco de constituir o crédito tributário decorrente dos fatos geradores objeto do presente Auto de Infração. Recurso de Ofício Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso de Ofício para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do voto do Relator. André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1955; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 6.315 1 6.314 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10218.721349/201310 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 2401004.309 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de abril de 2016 Matéria ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SIDENORTE SIDERURGIA LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 IRRF. RECOLHIMENTO ANTECIPADOS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 150, §4º, DO CTN. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no §4° do art. 150 do CTN, caracterizase pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída na base de cálculo deste recolhimento parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Súmula CARF nº 99. Encontrase finada pela decadência/homologação tácita o direito do Fisco de constituir o crédito tributário decorrente dos fatos geradores objeto do presente Auto de Infração. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso de Ofício para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO, nos termos do voto do Relator. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 13 49 /2 01 3- 10 Fl. 6315DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 6316DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10218.721349/201310 Acórdão n.º 2401004.309 S2C4T1 Fl. 6.316 3 Relatório Período de apuração: 02/01/2008 a 21/10/2008 Data da lavratura do AIOP: 27/12/2013. Data da Ciência do AIOP: 30/12/2013. Temse em pauta Recurso de Ofício interposto pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA, em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância que julgou procedente a impugnação apresentada pelo Sujeito Passivo acima identificado para exonerar em sua integralidade o crédito tributário formalizado mediante o Auto de Infração de Obrigação Principal a fls. 02/22, consistente em IMPOSTO DE RENDA NA FONTE incidente sobre PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal a fls. 23/64. Informa a Autoridade Lançadora que em relação aos pagamentos realizados pela fiscalizada à empresa G J DINIZ, não ficou comprovada a efetividade da totalidade dos valores. Aduz que dos trabalhos realizados no curso da ação fiscal concluiuse que diversos cheques, supostamente utilizados para quitação de dívidas adquiridas pela aquisição de carvão vegetal, foram na verdade emitidos em nome da própria fiscalizada para realização de saques diretos em caixa ou endossados a terceiros, os quais eram estranhos à relação jurídica. Neste último caso, o que não se comprova é a causa do pagamento. Nos controles administrativos apresentados pelo sujeito (item 18) há uma listagem de 1.323 cheques, conforme demonstrativo a fls. 50/62. Devidamente cientificada do lançamento tributário, a Autuada ofereceu impugnação a fls. 6266/6270. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0129.954 1ª Turma da DRJ/BEL, a fls. 6296/6308, julgando procedente a impugnação apresentada pelo Sujeito Passivo para, reconhecendo a fluência integral do prazo decadencial do direito da Fazenda Pública de proceder ao lançamento ora em litígio, exonerar integralmente o crédito tributário assim constituído, e recorrendo de ofício de sua decisão. Devidamente intimada, em 01/12/2014, a tomar ciência do Acórdão nº 01 29.954 1ª Turma da DRJ/BE, nos termos da Intimação nº 335/2014, a fl. 6310, e Aviso de Recebimento a fl. 6311, a Autuado deixou transcorrer in albis o prazo que lhe fora concedido pela Legislação Tributária, sem se manifestar nos autos do processo. Relatados sumariamente os fatos de maior relevo. Fl. 6317DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DO CONHECIMENTO DO RECURSO Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso de Ofício, dele conheço. 2. DO RECURSO DE OFICIO A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0129.954 1ª Turma da DRJ/BEL, a fls. 6296/6308, julgando procedente a impugnação apresentada pelo Sujeito Passivo para, reconhecendo a fluência integral do prazo decadencial do direito da Fazenda Pública de proceder ao lançamento ora em litígio, exonerar integralmente o crédito tributário assim constituído, e recorrendo de ofício de sua decisão. A decadência tributária conceituase como a perda do poder potestativo da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário mediante o lançamento, em razão do exaurimento integral do prazo previsto na legislação competente. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. No caso dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como originariamente o sujeito passivo efetuava o recolhimento do tributo com fundamento em obrigação tributária, e não em crédito tributário, tal recolhimento, nessa condição, era ainda indevido, haja vista que o beneficiário do pagamento – o Fisco, até então, não dispunha de Fl. 6318DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10218.721349/201310 Acórdão n.º 2401004.309 S2C4T1 Fl. 6.317 5 justo título, o qual é constituído por intermédio do Lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. Ocorrido o fato gerador, a obrigação tributária correspondente ao pagamento realizado antecipadamente pelo Sujeito Passivo passava a depender da efetivação do respectivo lançamento, por parte da administração tributária, o qual, ocorrendo, convolava a obrigação em crédito tributário sendo este, imediatamente extinto pelo recolhimento antecipado efetuado pelo Sujeito Passivo. É o que diz o §1º do art. 150 do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. §1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (grifos nossos) §2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. §3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. §4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Em outras palavras, a extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado realizase sob condição resolutória de ulterior homologação ao lançamento. Ou seja, se não houver lançamento, resolvese a extinção do crédito tributário correspondente ao pagamento efetuado, podendo o Obrigado repetir o que se houve por indevidamente pago, haja vista que o pagamento deuse com fundamento, não em razão de crédito tributário, e não em virtude de obrigação tributária, ilíquida, incerta e inexigível. Daí a necessidade de lançamento associado, especificamente, ao montante que se houve por recolhido antecipadamente: Para convolar a obrigação tributária nascida com os fatos geradores praticados pelo Contribuinte no crédito tributário correspondente, este dotado de liquidez, certeza e exigibilidade, excluindo, a partir de então a possibilidade do Sujeito Passivo de repetir o que foi pago antecipadamente. Notese que, nos termos do §1º do art. 150 do CTN, a extinção do crédito tributário encontrase sujeita a condição resolutória do lançamento. Ocorre que, nos termos do art. 173, I, do CTN, o direito da Fazenda Pública efetuar o lançamento extinguese após 5 anos Fl. 6319DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 6 contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que tal lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, exaurido o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN sem que tenha ocorrido o lançamento, passa a dispor o Contribuinte do direito de repetir o que se houve por recolhido antecipadamente. Para evitar tal repetição tributária, o legislador ordinário instituiu a figura do lançamento por homologação tácita daquilo se houve por antecipadamente recolhido a título de tributo, nos termos assentados no §4º do art. 150 do CTN. Assim, escoado o prazo de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador, a Lei homologa o valor recolhido correspondente como se lançamento fosse. Daí o lançamento por homologação ser conhecido pela Doutrina e jurisprudência pelo termo “auto lançamento”. Notese que o lançamento por homologação tácita sempre, sempre irá ocorrer antes de exaurido o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN. Registrese, todavia, que a modalidade de lançamento por homologação somente é aplicável aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Nos termos da lei, o lançamento por homologação operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento do recolhimento antecipado realizado pelo Sujeito Passivo, expressamente o homologa como se lançamento fosse. Inexistindo tal homologação expressa, esta soerá advir tacitamente, após o decurso de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Acontece que o §1º do art. 113 do CTN estatui que “A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente”. Assim, com a homologação expressa ou tácita, apenas a fração da obrigação tributária correspondente ao crédito tributário pago antecipadamente se houve por extinta com o pagamento. Iluminese que a própria lei estatui que não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, aqui incluído por óbvio o ato do pagamento antecipado, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito, os quais serão considerados na apuração do saldo porventura devido. Assim, nos termos do art. 150, caput e parágrafos, do CTN, apenas encontra se extinta pelo pagamento antecipado e correspondente homologação tácita a fração da obrigação tributária correspondente ao pagamento realizado. Dessarte, as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores cujo crédito tributário correspondente não se houve por contemplado pelo recolhimento antecipado permanecem hígidas, não sofrendo qualquer influência do pagamento realizado pelo Sujeito Passivo, nos termos do §2º do art. 150 do CTN. Nessa vertente, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário referente às obrigações tributárias ainda não extintas pelo pagamento extinguese após 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em atenção ao preceito inscrito no art. 173, I, do CTN. Fl. 6320DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10218.721349/201310 Acórdão n.º 2401004.309 S2C4T1 Fl. 6.318 7 De outro eito, mas vinho de outra pipa, pelas razões expendidas nos autos do Processo Administrativo Fiscal referido nos parágrafos anteriores, entende este relator que o lançamento tributário encontrase perfeito e acabado na data de sua lavratura, representada pela assinatura da Autoridade Fiscal lançadora, figurando a ciência do contribuinte como atributo de publicidade do ato e condição de eficácia do lançamento perante o sujeito passivo, mas, não, atributo de sua existência. Nada obstante, o entendimento dominante nesta 1ª Turma Ordinária, em sua composição permanente, comunga a concepção de que a data de ciência do contribuinte produz, como um de seus efeitos, a demarcação temporal do dies a quo do prazo decadencial. Diante de tal cenário, o entendimento deste subscritor mostrase isolado perante o Colegiado. Dessarte, em atenção aos clamores da eficiência exigida pela Lex Excelsior, curvome ao entendimento majoritário deste Sodalício, em respeito à opinio iuris dos demais Conselheiros. Ocorre que, em 18/09/2009, houvese por publicado o Acórdão do Recurso Especial nº 973.733 – SC, proferido na sistemática prevista no art. 543C do Código de Processo Civil, tendo por objeto de mérito questão referente ao termo inicial do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pelo Fisco nas hipóteses em que o contribuinte não declara, nem efetua o pagamento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, cuja ementa ora se vos segue: Recurso Especial nº 973.733 – SC (2007/01769940) Rel. : Min. Luiz Fux Data de Publicação: 18/09/2009. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por Fl. 6321DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 8 homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, §4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Na fundamentação do Acórdão, o Ministro Relator destaca que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem tendo sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, a decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário obedece à regra prevista na primeira parte do §4º do artigo 150 do CTN, conforme se depreende do excerto extraído do voto condutor do Acórdão, adiante transcrito para melhor compreensão de seus fundamentos: “13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece à regra prevista na primeira parte do §4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidam se simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de Fl. 6322DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10218.721349/201310 Acórdão n.º 2401004.309 S2C4T1 Fl. 6.319 9 homologar expressamente e, consequentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170).” (REsp 973.733 – SC, Rel.: Min. Luiz Fux, DJ: 18/09/2009) O entendimento esposado pela Suprema Corte de Justiça houvese por assimilado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o que motivou a edição da Súmula nº 99, cujo verbete reproduzimos abaixo: SÚMULA CARF Nº 99 Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, §4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Acórdãos Precedentes: 9202002.669, de 25/04/2013; 9202 002.596, de 07/03/2013; 9202002.436, de 07/11/2012; 9202 01.413, de 12/04/2011; 2301003.452, de 17/04/2013; 2403 001.742, de 20/11/2012; 2401002.299, de 12/03/2012; 2301 002.092, de 12/ 05/ 2011. Muito embora os precedentes supra refiramse a Contribuições Previdenciárias, entendo que também se aplicam ao Imposto de Renda Retido na Fonte. No caso presente, consulta aos sistemas informatizados da RFB, fls. 6305/6306, indica a existência de recolhimentos antecipados de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF. Nessa prumada, de acordo com o entendimento da Suprema Corte de Justiça vertido no Acórdão do Recurso Especial nº 973.733 – SC, o qual transitou em julgado em 29/10/2009, assessorado pela Súmula nº 99 do CARF, tendo havido recolhimento antecipado do tributo, mesmo que em montante inferior ao efetivamente devido, inexistindo demonstração de que o Sujeito Passivo tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, o direito do Fisco de constituir o crédito tributário deve obedecer à regra prevista na primeira parte do §4º do artigo 150 do CTN. Nessa perspectiva, diante das razões até então esplanadas, malgrado não esposar tal entendimento, este Subscritor não pode postarse ao largo do comando imperativo inscrito no art. 62A do Regimento Interno do CARF, que impõe aos Conselheiros desta Corte Administrativa a reprodução das decisões definitivas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista no art. 543C do Código de Processo Civil. Regimento Interno do CARF Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em Fl. 6323DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 10 matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. §1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. §2º O sobrestamento de que trata o §1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Código de Processo Civil Art. 543C. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o recurso especial será processado nos termos deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §1o Caberá ao presidente do tribunal de origem admitir um ou mais recursos representativos da controvérsia, os quais serão encaminhados ao Superior Tribunal de Justiça, ficando suspensos os demais recursos especiais até o pronunciamento definitivo do Superior Tribunal de Justiça. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §2o Não adotada a providência descrita no § 1o deste artigo, o relator no Superior Tribunal de Justiça, ao identificar que sobre a controvérsia já existe jurisprudência dominante ou que a matéria já está afeta ao colegiado, poderá determinar a suspensão, nos tribunais de segunda instância, dos recursos nos quais a controvérsia esteja estabelecida. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §3o O relator poderá solicitar informações, a serem prestadas no prazo de quinze dias, aos tribunais federais ou estaduais a respeito da controvérsia. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §4o O relator, conforme dispuser o regimento interno do Superior Tribunal de Justiça e considerando a relevância da matéria, poderá admitir manifestação de pessoas, órgãos ou entidades com interesse na controvérsia. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §5o Recebidas as informações e, se for o caso, após cumprido o disposto no § 4o deste artigo, terá vista o Ministério Público pelo prazo de quinze dias. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §6o Transcorrido o prazo para o Ministério Público e remetida cópia do relatório aos demais Ministros, o processo será incluído em pauta na seção ou na Corte Especial, devendo ser julgado com preferência sobre os demais feitos, ressalvados os que envolvam réu preso e os pedidos de habeas corpus. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §7o Publicado o acórdão do Superior Tribunal de Justiça, os recursos especiais sobrestados na origem: (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). I terão seguimento denegado na hipótese de o acórdão recorrido coincidir com a orientação do Superior Tribunal de Justiça; ou (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). II serão novamente examinados pelo tribunal de origem na hipótese de o acórdão recorrido divergir da orientação do Superior Tribunal de Justiça. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §8o Na hipótese prevista no inciso II do § 7o deste artigo, mantida a decisão divergente pelo tribunal de origem, farseá o exame de admissibilidade do recurso especial. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §9o O Superior Tribunal de Justiça e os tribunais de segunda instância regulamentarão, no âmbito de suas competências, os procedimentos relativos ao processamento e julgamento do recurso especial nos casos previstos neste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). Fl. 6324DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10218.721349/201310 Acórdão n.º 2401004.309 S2C4T1 Fl. 6.320 11 Assim delimitadas as nuances materiais do lançamento, nesse específico particular, tendo sido o Sujeito Passivo cientificado do lançamento aviado no Auto de Infração em debate no dia 30/12/2013, há que se considerar como homologado tacitamente o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos em datas anteriores a 30 de dezembro de 2008, inclusive, nos termos do §4º do art. 150 do Codex tributário. Nessa vertente, sendo de 02/01/2008 a 21/10/2008 o período de apuração do crédito tributário em realce, há que se reconhecer que se encontra fulminado pela decadência o direito do Fisco Federal de proceder à constituição do Crédito Tributário decorrente de todos os fatos geradores apurados pela Fiscalização, motivo pelo qual pugnamos pela negativa de provimento ao Recurso de Ofício ora em exame. Há que se reconhecer que, à luz da Súmula nº 99 do CARF e do Recurso Especial nº 973.733 – SC, na data da lavratura do presente lançamento, já se encontrava tacitamente homologado o crédito tributário decorrente dos fatos geradores ocorridos até a data de 30/12/2008, na expressão do §4º do art. 150 do CTN, circunstância que se configura óbice intransponível ao Fisco para o exercício do seu direito de constituir o crédito tributário em relação a esses fatos geradores, dada a sua extinção legal, nos termos do art. 156, V, in fine, do Código Tributário Nacional. Código Tributário Nacional CTN Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) V a prescrição e a decadência; (...) 3. CONCLUSÃO Pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, CONHEÇO do Recurso de Ofício para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 6325DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 12 Fl. 6326DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
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Numero do processo: 10510.720040/2007-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/01/2002, 01/12/2002 a 31/01/2003, 01/10/2003 a 30/11/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PIS.
INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/98.
INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO.
A declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal está restrita ao texto inserto no § 1º. Não se admite a extensão dos efeitos da declaração pela Suprema Corte aos demais preceitos contidos no art. 3º da Lei n. 9.718/98.
Numero da decisão: 3302-003.241
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, foram rejeitados os Embargos de Declaração para ratificar o Acórdão embargado. O Conselheiro José Fernandes do Nascimento votou pelas conclusões. Fez sustentação oral: Dra. Hanna Carolina Maia Tavares - OAB 28.184 - BA
Nome do relator: LENISA RODRIGUES PRADO
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ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/12/2001 a 31/01/2002, 01/12/2002 a 31/01/2003, 01/10/2003 a 30/11/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PIS. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO. A declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal está restrita ao texto inserto no § 1º. Não se admite a extensão dos efeitos da declaração pela Suprema Corte aos demais preceitos contidos no art. 3º da Lei n. 9.718/98. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, foram rejeitados os Embargos de Declaração para ratificar o Acórdão embargado. O Conselheiro José Fernandes do Nascimento votou pelas conclusões. Fez sustentação oral: Dra. Hanna Carolina Maia Tavares - OAB 28.184 - BA. RICARDO PAULO ROSA - Presidente. Lenisa Prado - Relatora. EDITADO EM: 04/07/2016 A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 05 10 .7 20 04 0/ 20 07 -5 0 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária junho de 2016 Normas de Administração Tributária Normas de Administração Tributária FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL BANCO DO ESTADO DE SERGIPE S.A. BANCO DO ESTADO DE SERGIPE S.A. AA Fl. 378DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Paulo Guilherme Dérouledé, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes Souza, José Luiz Feistauer, Walker Araújo e Lenisa Prado. Relatório Tratam-se de embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com arrimo no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, com a redação aprovada pela Portaria MF n. 343, de 9/06/2015, contra o Acórdão n. 3802-004.038, proferido na sessão de julgamentos do dia 27/01/2015. Esse julgado recebeu a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2001 a 31/01/2002; 01/12/2002 a 31/01/2003; 01/10/2003 a 30/11/2003. PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ARTIGO 3º DA LEI N. 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/98, uma vez que o referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, "b", na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional n. 2, de 1998. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2001 a 31/01/2002; 01/12/2002 a 31/01/2003; 01/10/2003 a 30/11/2003. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE CONTRA A HOMOLOGAÇÃO EM PARTE DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE APRECIAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO NÃO EXAMINADA PELA PRIMEIRA INSTÂNCIA. Realidade em que a primeira instância de julgamento não examinou o direito creditório reclamado pelo sujeito passivo, eis que a decisão considerou como inadmissível pronunciar-se sobre inconstitucionalidade de norma tributária. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10510.720040/2007-50 Acórdão n.º 3302-003.241 S3-C3T2 Fl. 378 3 Recurso a que se dá parcial provimento para determinar a remessa dos autos à instância a quo para que esta se pronuncie sobre a legitimidade do crédito frente à documentação acostada aos autos pela recorrente. Em 19/04/2016 foi proferido o juízo de admissibilidade, oportunidade na qual o recurso foi considerado tempestivo e remetido à este Colegiado por que concluiu-se que: "Nos dizeres da Fazenda Nacional, houve omissão em relação à aplicação do 'caput' do art. 3º da Lei n. 9.718/98, que não foi declarado inconstitucional pelo STF, para as instituições financeiras. Entendo restar evidenciado que o vício está apontado objetivamente. Verifica-se que não houve expressa manifestação do julgado sobre ponto em que se impunha o seu pronunciamento. De fato, o Acórdão embargado, por força do art. 62-A do RICARF, aplicou o entendimento do STF ao afastar o disposto no §1º do art. 3º da Lei n. 9.718/98 para limitar a inclusão das receitas financeiras da contribuinte na base de cálculo da Contribuição. Contudo, silenciou-se em relação à interpretação do disposto no caput relativamente à natureza das receitas da contribuinte, instituição financeira. Com essas considerações, admito os embargos de declaração, por constatada omissão na decisão embargada". (fls. 363/366). É o relatório. Voto Conselheira Lenisa Prado A questão tem início em Manifestação de Inconformidade (fls. 127/141) apresentada pelo Banco do Estado de Sergipe S.A. contra o Despacho Decisório n. 769/ 2008 (fls. 97/100), que homologou apenas em parte as compensações apresentadas. A contribuinte visa compensar débitos diversos com créditos relativos a pagamentos indevidos ou a maior de PIS referente aos períodos de apuração de 01/12/2001 a 31/01/2002; 01/12/2002 a 31/01/2003; 01/10/2003 a 30/11/2003, perfazendo o montante de R$ 333.929,99. No entanto, a Delegacia de Julgamentos da Receita em Aracaju (DRF/AJU) indeferiu parcialmente a compensação pretendida porque não identificou nos sistemas da Receita Federal os pagamentos a maior ou indevidos, visto que, para todos os períodos analisados contavam informações que os recolhimentos estavam perfeitamente alocados em Fl. 380DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA 4 relação aos débitos confessados em DCTFs, não restando créditos a serem aproveitados além dos reconhecidos R$ 51,87. A contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade que foi rejeitada pela instância de origem em julgamento assim sumariado: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2001 a 31/01/2002; 01/12/2002 a 31/01/2003; 01/10/2003 a 30/11/2003. COMPENSAÇÃO. DCTF. DCOMP. Cabe à contribuinte que pleiteia compensação o correto preenchimento ou retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e da Declaração de Compensação (DCOMP), informando, entre outras coisas, a efetiva origem dos créditos. AÇÕES JUDICIAIS DE TERCEIROS. EFEITOS. Decisões do Supremo Tribunal Federal no âmbito das ações judiciais de terceiros na via incidental só geral efeitos para as partes da ação (inter partes), não se estendendo automaticamente para todos os contribuintes (efeito erga omnes). Compensação não homologada. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 214/232) alegando que a instância de origem se omitiu em se pronunciar sobre a declaração do Supremo Tribunal acerca da inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei n. 9.718/98, o que torna ilegítima a compensação pretendida. A já extinta 2ª Turma Especial desta 3ª Seção de julgamentos deu parcial provimento ao recurso, devolvendo os autos para a instância de origem, para que "esta se manifeste sobre a legitimidade do crédito alegado pela suplicante, devendo ser tratada como superada a questão relativa à inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei n. 9.718, 1998". Destaco trechos do voto condutor do acórdão, por ser essencial para o julgamento dos embargos: "No exame do mérito, como se sabe, o julgador administrativo está vinculado à legalidade estrita, por força do disposto no artigo 116, inciso III, da Lei n. 8.112/90, preceito o qual se repete no artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n. 256, de 22/06/2009. Especificamente sobre exame de constitucionalidade de norma, o caput do artigo 62 do Anexo II do mesmo Regimento veda '[...] aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade', admitidas, contudo, as exceções elencadas no parágrafo único do referenciado artigo, dentre as quais a de que trata a hipótese objeto do seu inciso I, qual seja, Fl. 381DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10510.720040/2007-50 Acórdão n.º 3302-003.241 S3-C3T2 Fl. 379 5 afastar preceito 'que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal', como na hipótese presente. (...) Da análise do julgado proferido pela instância a quo constata- se que o mesmo se restringiu a ressaltar a inexistência de retificação das DCTF apresentadas pelo sujeito passivo, bem como à impossibilidade de a instância administrativa se manifestar sobre inconstitucionalidade de norma. Isso resta evidente diante da própria ementa do acórdão, reproduzida no relatório supra. Não foi feita, pois, nenhuma análise do direito creditório em si. Não obstante, diante do disposto no parágrafo único do art. 4º do Decreto n. 2.346, de 10/10/1997, acima transcrito, entendo que a DRJ recorrida deveria, sim, ter se pronunciado sobre o direito creditório reclamado. Portanto, e para não caracterizar a supressão de instância, voto para que os autos sejam devolvidos à DRJ recorrida, a fim de que esta se manifeste sobre a legitimidade do crédito alegado pela suplicante, devendo ser tratada como superada a questão relativa à inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998". (grifos nossos) Por sua vez, a Procuradoria da Fazenda Nacional argumenta que: "o v. acórdão embargado deu provimento ao recurso voluntário para afastar a aplicação do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei n. 9.718/98, por inconstitucionalidade, com amparo em RE n. 585.235-1/MG (repercussão geral) (...) Ocorre que houve omissão em relação à aplicação do 'caput' do art. 3º da Lei n. 9.718/98, que não foi declarado inconstitucional pelo STF, para as instituições financeiras" (fls. 356/357 - grifos nossos) Percebe-se das transcrições do voto condutor do acórdão embargado que a turma deu parcial provimento ao recurso, ao reconhecer a omissão da instância de origem em se manifestar sobre a inconstitucionalidade já reconhecida pela Suprema Corte, motivo pelo qual foi determinada a devolução dos autos. A questão considerada "superada" é relativa especificamente à declaração de inconstitucionalidade do § 1º1 do art. 3º da Lei n. 9.718/1998, nos moldes delimitados pela jurisprudência, culminando com o julgamento do Recurso Extraordinário n. 585.235, que se tornou paradigma da questão. 1 § 1º. Entende-se por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA 6 Não há nenhuma instrução no acórdão embargado sobre como a instância de origem deverá apreciar os fatos narrados nos autos em face do que dispõe o caput do art. 3º da Lei n. 9.718/98, ou os demais dispositivos dessa norma. E tal fato se dá por coerência, já que é evidente que a inconstitucionalidade declarada restringe-se ao texto contido no § 1º, e não se distende aos outros artigos, incisos ou até mesmo ao caput do artigo 3º. E é com fundamento nesse raciocínio lógico que este Conselho tem apreciado questões análogas à dos autos, aplicando os preceitos da norma que não foram objeto da declaração de inconstitucionalidade. A saber: "Contribuição para o PIS/Pasep. Ano- calendário: 2006, 2007, 2008, 2009. PIS. COISA JULGADA. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/98 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras. As receitas oriundas de todas as operações bancárias (receitas operacionais), em sentido lato, incluídas as receitas advindas da cobrança de taxas/tarifas (serviços bancários) e das operações de intermediação financeiras, compõem o faturamento das instituições financeiras nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei n. 9.718/98 e há incidência da contribuição ao PIS sobre essas receitas, pois são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais. Recurso voluntário negado".(Acórdão n. 3202-001.129, proferido pela 2ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção em 25/03/2014, grifos nossos) Ao meu ver o acórdão embargado está correto e não merece reparos, uma vez que devolve à instância de origem a tarefa de apreciar o direito creditório da contribuinte, analisando as provas contidas nos autos e a legislação pertinente, ressaltando que não há possibilidades de aplicar dispositivo de lei já retirado do ordenamento jurídico em decorrência de sua declarada inconstitucionalidade. Assim, entendo que a pretensão da Fazenda Nacional, em prestar efeitos infringentes ao acórdão embargado não merece prosperar, uma vez que inexiste a omissão indicada. Diante do exposto, voto por negar provimento aos embargos de declaração. Lenisa Prado - Relatora Fl. 383DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10510.720040/2007-50 Acórdão n.º 3302-003.241 S3-C3T2 Fl. 380 7 Fl. 384DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 13748.720875/2012-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
GLOSA DESPESAS MÉDICAS. IDONEIDADE DE RECIBOS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL A COMPROVAR DESPESAS MÉDICAS. A apresentação de recibos médicos, sem que haja qualquer indício de falsidade ou outros fatos capazes de macular a sua idoneidade declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos prestados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física, sobretudo quando corroborados por Declaração do Profissional Prestador de Serviços confirmando a sua efetividade e o pagamento.
Recurso Provido
Numero da decisão: 2301-004.679
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio da Rosa, Fabio Piovesan Bozza, Andrea Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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IDONEIDADE DE RECIBOS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL A COMPROVAR DESPESAS MÉDICAS. A apresentação de recibos médicos, sem que haja qualquer indício de falsidade ou outros fatos capazes de macular a sua idoneidade declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos prestados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física, sobretudo quando corroborados por Declaração do Profissional Prestador de Serviços confirmando a sua efetividade e o pagamento. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 72 08 75 /2 01 2- 81 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio da Rosa, Fabio Piovesan Bozza, Andrea Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes Relatório Contra o contribuinte acima referido, foi lavrada notificação de lançamento em 12/11/2012 (fls. 30/35), resultante de procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual DAA do exercício 2010, anocalendário 2009, por meio do qual se exige o crédito tributário de R$ 9.761,70, tendo o imposto suplementar sujeito a multa de ofício o valor originário de R$ 4.861,41. A descrição dos fatos e enquadramento legal estão às fls. 32/33. O lançamento decorre da seguinte infração: dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 20.085,00, por falta de comprovação ou de previsão legal para sua dedução, em virtude de falta de informação de quem foi o paciente em relação a três prestadores, bem como falta de endereço do profissional em relação a um desses prestadores. O contribuinte foi cientificado em 19/11/2012 (fl. 36). O recorrente apresentou impugnação em 17/12/2012 (fl. 02), acompanhada de documentos (fls. 04/18). Em sua defesa, alegou que o valor referese a despesas médicas do próprio contribuinte; que entendia que por ser o próprio declarante e não tendo dependentes, não seria relevante o recibo conter o nome do paciente. Ao final solicita prioridade na análise da impugnação, de acordo com a previsão contida no artigo 71 da Lei nº 10.471/2003. A Turma de Primeiro Grau julgou improcedente a impugnação nos seguintes termos: [...] são ineficazes para comprovar a dedução na DAA seis recibos de pagamento para Lívia Machado Lima no anocalendário 2009 de tratamento odontológico, no valor total de R$ 10.500,00 (fls. 04/06), sendo necessário para justificar a dedutibilidade destas despesas médicas a apresentação de provas complementares correspondentes a prescrições e exames médicos, bem como a comprovação dos pagamentos efetuados; são ineficazes para comprovar a dedução na DAA nove recibos de pagamento para Monique Leocornil Silva no anocalendário 2009 de sessões de fisioterapia, no valor total de R$ 2.585,00 (fls. 07/10), sendo necessário para justificar a dedutibilidade destas despesas médicas a apresentação de provas complementares correspondentes a prescrições e exames médicos, bem como a comprovação dos pagamentos efetuados; são ineficazes para comprovar a dedução na DAA nove recibos de pagamento para Paulo Heitor de Carvalho Guimarães no anocalendário 2009 de tratamento médico na Fl. 83DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13748.720875/201281 Acórdão n.º 2301004.679 S2C3T1 Fl. 83 3 área de ortopedia, no valor total de R$ 7.000,00 (fls. 11/18), sendo necessário para justificar a dedutibilidade destas despesas médicas a apresentação de provas complementares correspondentes a prescrições e exames médicos, bem como a comprovação dos pagamentos efetuados. [...] O contribuinte foi cientificado do Acórdão 0431.508 3ª Turma da DRJ/CGEA em 10/05/2013 (fl. 48). Sobreveio recurso voluntário em 06/06/2013 (fls. 50/55), acompanhado de documentos (fls. 56/77) complementares aos recibos. Em suas razões, alega primeiramente que cumpriu o Termo de Intimação Fiscal nº 2010/525679749901958, apresentando todos os documentos solicitados relativos às despesas médicas e que, não obstante ao atendimento da intimação, foi surpreendido com notificação de lançamento. Em apertada síntese, aduz que os recibos juntados não podem ser glosados por simples subjetividade do julgador; que não pode o funcionário público desclassificar documentos emitidos dentro das formalidades legais por entendimento subjetivo, sob pena de incorrer em crime de Excesso de Exação; que os documentos glosados contém o nome dos profissionais que os emitiram, número de CPF, assinaturas, endereços e nome do usuário dos serviços conforme dispõe legislação; alega que a para desqualificar algum documento é necessário que se comprove a máfé, tendo em vista que a boafé é presumida; que não acatar os documentos juntados caracteriza injustiça fiscal. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheiro Relatora Alice Grecchi O presente recurso possui os requisitos de admissibilidade previstos no art. 33, do Decreto nº 70.235/1972, merecendo ser conhecido. O recorrente insurgese quanto à glosa efetuada relativa às despesas médicas no exercício de 2010. Em suas razões recursais, pretende o contribuinte a reforma da decisão "a quo", sob o argumento de que os recibos trazidos, bem como as declarações dos profissionais prestadores de serviços são documentos hábeis a comprovar e justificar a dedutibilidade das despesas médicas. Para enfrentando da questão, trago legislação em regência acerca da matéria: Lei nº 9.250/1995. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: [...] II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] Decreto nº 3.000/1999 – Regulamento do Imposto de Renda Art 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 5º) [...] Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; [...] Fl. 85DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13748.720875/201281 Acórdão n.º 2301004.679 S2C3T1 Fl. 84 5 Consoante se infere dos dispositivos legais acima transcritos, de fato, as despesas dedutíveis do imposto de renda, in casu, despesas médicas, deverão ser comprovadas, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu. Compulsando os autos e analisando os documentos acostados pelo contribuinte, constatase: que há 09 recibos emitidos pela Dra. Monique Leocornil Silva, CPF nº 107.718.82777, no total de R$ 2.585,00, referente a sessões de fisioterapia (fls. 68 a 72). Consta declaração à fls. 67 informando o beneficiário dos serviços prestados, bem como os dados do prestador. que há 07 recibos emitidos pelo Dr. Paulo Roberto Bittencourt, CPF nº 373.903.25704, no valor de R$ 7.000,00, referente a tratamento ortopédico na coluna (fls. 74 a 77). Consta declaração à fls. 73 informando o beneficiário dos serviços prestados, bem como os dados do prestador. que há 06 recibos emitidos pela Dra. Livia Machado Lima, CPF nº 093.404.84797, no valor de R$ 10.500,00, referente a tratamento odontológico (fls. 64 a 66). Consta declaração à fls. 63 informando o beneficiário dos serviços prestados, bem como os dados do prestador. O julgador "a quo" entendeu que os documentos carreados pelo contribuinte em sede de impugnação não eram suficientes para comprovar a efetiva prestação de serviços médicos e que se fazia necessário documentos complementares como exames, laudos médicos e prova de pagamento ou desembolso dos respectivos valores alvo de deduções. Com a devida vênia, esta julgadora não coaduna com esse entendimento. Não pode a autoridade fiscal, inverter o ônus da prova do Fisco para o contribuinte, exigir documentação que a própria lei atinente não menciona. Sabese, por exemplo, que comprovar pagamento por meio de cheque nominal, cartões de crédito, ou saques com data e valor correspondes aos comprovantes apresentados é onerar o contribuinte a produzir prova que muitas vezes é impossível. Assim, entendo que os recibos e declarações apresentados pelo recorrente são os que a lei preceitua e que, portanto, o contribuinte logrou êxito em fazer a comprovação das despesas médicas, posto que a documentação trazida é idônea e preenche os pressupostos previstos na legislação em vigência. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso interposto, de maneira a restabelecer a dedução das despesas médicas glosadas. (Assinado Digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 86DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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