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Numero do processo: 16682.720326/2011-26
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA.
A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial.
Numero da decisão: 9101-002.302
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decisão dos membros do colegiado: Recurso Especial da Fazenda Nacional não conhecido por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio PereiraValadão, Adriana Gomes Rego, André Mendes Moura e Carlos Alberto Freitas Barreto.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal De Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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(NOME ATUAL: F'NA EOURO GESTÃO DE FRANCHISING E NEGÓCIOS LTDA.) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão dos membros do colegiado: Recurso Especial da Fazenda Nacional não conhecido por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio PereiraValadão, Adriana Gomes Rego, André Mendes Moura e Carlos Alberto Freitas Barreto. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, HELIO EDUARDO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 03 26 /2 01 1- 26 Fl. 4126DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16682.720326/201126 Acórdão n.º 9101002.302 CSRFT1 Fl. 3 2 DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), pelo qual se alega divergência jurisprudencial em relação à dedutibilidade de amortização de prêmio pago na aquisição de debêntures. A recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 1102001.199, de 23/09/2014, por meio do qual a 2a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, deu provimento parcial a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, para fins de cancelar a exigência de IRPJ e de CSLL relativa à glosa da amortização do prêmio pago na aquisição de debêntures. O acórdão recorrido possui a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 RECURSO DE OFÍCIO. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. No cômputo da depreciação, devem ser considerados os prazos de vida útil dos bens recomendados pelo Instituto Nacional de Tecnologia INT nos pareceres juntados aos autos, na forma do art. 310 do RIR/99. RECURSO VOLUNTÁRIO. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. Incumbe ao Contribuinte fazer a prova da correção do registro de suas despesas de depreciação, com indicação precisa das datas de aquisição/início de operação dos bens adquiridos, bem como quais bens encerraram a sua depreciação ou ainda quais foram baixadas no referido ano. A quota anual de depreciação deve ser proporcionalizada, na forma do disposto no art. 309 do RIR/99, de modo que o cálculo da despesa correlata não passa exclusivamente pela aplicação da taxa aplicável sobre o valor do bem em questão: é preciso saber o momento em que o bem foi adquirido e posto em utilização para se aferir a quota que pode ser apropriada como despesa. POSTERGAÇÃO TRIBUTÁRIA. Compete ao contribuinte o ônus da prova sobre a efetiva ocorrência de postergação tributária. PRÊMIO NA EMISSÃO DE DEBÊNTURES. AMORTIZAÇÃO. GLOSA. Não se nega à Fiscalização o direito de glosar despesas relativas à emissão de debêntures quando constatada a existência de planejamento tributário abusivo e simulação entre as partes. Nesses casos, o abuso no planejamento tributário e a simulação são o cerne da acusação fiscal e, via de regra, são apenados com Fl. 4127DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16682.720326/201126 Acórdão n.º 9101002.302 CSRFT1 Fl. 4 3 penalidade de ofício em percentual qualificado, inclusive. Em contrapartida, não se deve admitir como legítima acusação fiscal genérica no sentido de que despesas com prêmios de emissão de debêntures são indedutíveis por definição e princípio, apenas pelo fato de não terem relação com a atividade desenvolvida pela Contribuinte ou envolverem algum risco em relação a seu retorno, mormente quando não analisados pela Fiscalização os critérios econômicos que determinaram a realização da operação. Recurso oficio negado. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para cancelar a exigência de IRPJ e de CSLL relativa à glosa sobre amortização do prêmio de debêntures, vencido o conselheiro Ricardo Marozzi Gregório, que negava provimento. O conselheiro José Evande Carvalho Araújo acompanhou o relator pelas conclusões com relação ao recurso voluntário. (grifos acrescidos) A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, especificamente quanto à glosa de amortização do prêmio pago na aquisição de debêntures. Para o processamento de seu recurso, ela desenvolve os argumentos descritos abaixo: DA COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA há nítida divergência entre o v. acórdão recorrido e o acórdão paradigma, prolatado pela então 3ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, cuja ementa se transcreve, verbis: Acórdão nº 10321543 PROCESSO ADMINSTRATIVO TRIBUTÁRIO. NULIDADES. São nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Outras irregularidades, incorreções ou omissões não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo. DESPESA. DEDUTIBILIDADE. Despesa dedutível é aquela necessária à atividade da pessoa jurídica, relativa à contraprestação de algo recebido, e comprovada com documentação hábil e idônea. DESPESAS DE DEBÊNTURES. DEDUTIBILIDADE. A dedução das despesas decorrentes das obrigações relativas a debêntures está condicionada, entre outras, à efetiva captação de novos recursos financeiros inerente à emissão desses títulos. Fl. 4128DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16682.720326/201126 Acórdão n.º 9101002.302 CSRFT1 Fl. 5 4 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora em percentual equivalente à taxa SELIC. MULTA EX OFFICIO. CONFISCO. O princípio constitucional da vedação ao confisco é dirigido aos tributos em geral, não alcança as multas de lançamento ex officio. (grifamos) a acusação fiscal foi sobre operação em tudo semelhante à discutida no caso em epígrafe; a divergência é manifesta porque, diante dos mesmos fatos, enquanto o v. acórdão recorrido determinou a exclusão das glosas de remuneração de debêntures, tendo em vista que o Fisco não se desencumbiu de seu ônus de demonstrar que as despesas são não necessárias, usuais e formais; o acórdão paradigma entendeu como comprovadas a artificialidade negocial e a busca de reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, criando despesas desnecessárias e inusuais; citese, ainda, como acórdão divergente o de nº 140200.494, proferido pela antiga 2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, no qual se entendeu que o objetivo da autuada com essa operação artificial foi reduzir as bases de cálculo do IRPJ e CSLL. Segue a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 RECURSO DE OFICIO. OMISSÃO DE RECEITA. AUDITORIA DE PRODUÇÃO. Constatado, mediante diligência fiscal, o equívoco do Fisco na determinação das receitas omitidas apurada em auditoria de produção, correto o ajuste na base de cálculo e conseqüente cancelamento parcial da exigência. GLOSA DE DESPESAS INIDÔNEAS. AMORTIZAÇÕES DE ÁGIO SUPOSTAMENTE PAGO NA AQUISIÇÃO DE DEBÊNTURES. Correta a glosa de despesas contabilizadas a titulo de pagamento de prêmio na aquisição de debêntures entre pessoas ligadas, amparados em contratos eivados de fraude, cujo objetivo, a toda evidência, foi reduzir o IRPJ e CSLL pelo contribuinte, devendo ser restabelecida a multa qualificada, no percentual de 150%. [...] resta plenamente comprovada a divergência jurisprudencial; DOS FUNDAMENTOS DO PEDIDO DE REFORMA DO ACÓRDÃO RECORRIDO DAS DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE PRÊMIO PAGO NA EMISSÃO DE DEBÊNTURES segundo a Fiscalização, a CERVEJARIA PETRÓPOLIS emitiu debêntures, que foram subscritas pela recorrente, no dia 30/08/2007, correspondendo ao montante de R$ 233.700.00,00 (duzentos e trinta e três milhões de reais). No dia 31/08/2007, apenas um dia após a contribuinte ter optado pela subscrição dos títulos, a CERVEJARIA PETRÓPOLIS e a recorrente celebraram um acordo de compensação de dívidas, com o seguinte objetivo: Fl. 4129DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16682.720326/201126 Acórdão n.º 9101002.302 CSRFT1 Fl. 6 5 compensar a dívida confessada da CERVEJARIA PETRÓPOLIS com a PRAIAMAR – no montante de R$ 206.242.721,69 – pela recém assumida obrigação da PRAIAMAR de pagar o bônus na emissão das debêntures. Diante desse contexto, a autoridade administrativa entendeu que era indedutível, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, a despesa com a amortização do prêmio na emissão das debêntures. Isso porque não foram cumpridos os requisitos estipulados nos §§ 1º e 2º do art. 299 e no § 4º do art. 324, todos do RIR/99; DA APLICABILIDADE DO ART. 299 DO RIR/99 o primeiro ponto que precisa ser debatido diz respeito à aplicabilidade do art. 299 do RIR/99 ao presente caso. Isso porque o fundamento da autuação foi justamente a indedutibilidade de despesas consideradas desnecessárias pela Fiscalização. Portanto, a controvérsia se resume em definir se o gasto com o pagamento do prêmio das debêntures emitidas pela CERVEJARIA PETRÓPOLIS podem ou não ser qualificadas como usuais ou normais – nos termos do art. 299 do RIR/99; o art. 299 do RIR/99 indica claramente quais serão as despesas que poderão ser deduzidas da base de cálculo do IRPJ e, conseqüentemente, da CSLL; a regra prevista no art. 299 do RIR/99 não foi afastada pelo art. 324 do RIR/99; o caput do art. 324 do RIR/99 admite a amortização de “despesas que contribuam para a formação do resultado de mais de um período de apuração”. Esse é o requisito mínimo para que a despesa seja amortizada. Contudo, isso não quer dizer que o mencionado dispositivo tenha elencado todos os requisitos para a dedutibilidade; não há nenhuma indicação, no art. 324 do RIR/99, que faça pressupor a inaplicabilidade das exigências trazidas pelo art. 299 do RIR/99. Ao contrário, o § 2º do art. 324 preceitua que somente serão admitidas amortizações de custos ou despesas que observem as determinações previstas no RIR/99; o prêmio pago na emissão de debêntures – ativo diferido possui natureza contábil e jurídica de despesa. Assim, plenamente cabível verificar se essa despesa enquadrase ou não nos critérios de dedutibilidade, quais sejam: ser necessária à atividade da empresa e à manutenção da fonte produtora, além de classificarse como usual ou normal no tipo de transações, operações ou atividades da empresa; corrobora esse entendimento o fato de o § 4º do art. 324 do RIR/99 ter vinculado a amortização à finalidade dos custos ou despesas. Significa dizer que somente será possível amortizar gastos relativos a bens e direitos “intrinsecamente relacionados com a produção de bens e serviços”; portanto, mostrase plenamente cabível analisar se o prêmio pago pela recorrente, quando subscreveu as debêntures emitidas pela CERVEJARIA PETRÓPOLIS, enquadrase no perfil de despesas essencial para o desenvlvimento de suas atividades operacionais; DA INDEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS DECORRENTES DO PRÊMIO PAGO NA EMISSÃO DE DEBÊNTURES Fl. 4130DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16682.720326/201126 Acórdão n.º 9101002.302 CSRFT1 Fl. 7 6 deve ser glosada qualquer despesa que não ostente os requisitos indispensáveis para fins de dedutibilidade. Implica dizer que não é qualquer despesa com debêntures, contabilizada pela pessoa jurídica, que pode ser deduzida; a despesa somente é dedutível quando for necessária à atividade da empresa e à manutenção da fonte produtora de receitas, e desde que seja usual ou normal no tipo de operações ou atividades da entidade; basta examinar as circunstâncias que envolveram o negócio jurídico realizado para constatar, claramente, que os valores pagos não se enquadram na concepção de despesas necessárias, normais ou usuais; as debêntures são valores mobiliários emitidos pela pessoa jurídica para captação de recursos – a fim de custear a implementação de projetos, a ampliação de algum empreendimento, entre outros. Por outro lado, as debêntures representam uma alternativa de investimento para aquele que as adquire, uma vez que o debenturista investe seus recursos financeiros na compra dos títulos com a expectativa de obter retorno com a remuneração prometida pelo emitente. Dessa maneira, tratase de um título que viabiliza o aporte de dinheiro na empresa emitente das debêntures, por parte de terceiros, com o intuito de capitalizar e financiar atividades daquela; a CERVEJARIA PETRÓPOLIS emitiu debêntures prevendo o recebimento de um prêmio a ser pago por aquele que resolvesse subscrever os títulos. A operação, em si, é plenamente possível, tendo a autoridade administrativa ressaltado esse ponto no Termo de Verificação Fiscal. Com efeito, tratandose de uma operação cujo objetivo é a geração de receitas, mostrase razoável que a emitente das debêntures estipule o pagamento de adicionais, superando o valor nominal dos títulos; o problema é que justamente a maior parte do valor a ser recebido pela CERVEJARIA PETRÓPOLIS jamais ingressou em seus cofres. Isso porque a debenturista – a contribuinte PRAIAMAR – não pagou o valor do prêmio. Ao invés disso, liquidou o montante devido por meio da compensação de um crédito que possuía perante a CERVEJARIA PETRÓPOLIS. Essa particularidade do negócio contraria a lógica de uma emissão de debêntures com pagamento de prêmio. Primeiro, porque a operação não cumpriu efetivamente o propósito de gerar recursos para a emitente do título – uma vez que não ocorreu o necessário repasse de recursos financeiros, mas apenas a compensação de créditos e débitos entre a emitente do título e a debenturista; por outro lado, temse que o pressuposto para o pagamento do prêmio é a expectativa de ganhos que a debenturista teria com uma futura valorização ou lucratividade da emitente do título. Dessa forma, o prêmio equivaleria a uma contrapartida em face dos resultados positivos que a CERVEJARIA PETRÓPOLIS proporcionaria à PRAIAMAR. Nessa perspectiva, se o prêmio seria pago mediante uma compensação, revelase uma incompatibilidade entre o fator que justificaria a previsão do prêmio na emissão de debêntures – isto é, a expectativa de ganhos futuros oriundos da emitente do título – e a motivação da debenturista para assumir o encargo de pagar o prêmio. Com efeito, levando em conta que a compensação teve como objeto uma dívida que já era reconhecida pela CERVEJARIA PETRÓPOLIS, resta patente que a intenção da PRAIAMAR sempre foi utilizar seu direito de crédito com aquela empresa para adimplir o pagamento do prêmio. Dessa forma, não havia fundamento econômico e jurídico que legitimasse a estipulação de prêmio vinculado a Fl. 4131DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16682.720326/201126 Acórdão n.º 9101002.302 CSRFT1 Fl. 8 7 debênture, uma vez que a debenturista e a emitente do título já sabiam, desde antes da operação, que não haveria pagamento do prêmio; fica evidente que a intenção da contribuinte era construir uma operação que lhe permitisse deduzir indevidamente a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Implica dizer que a previsão de prêmio na emissão das debêntures serviu apenas para que a PRAIAMAR recebesse seu crédito com a CERVEJARIA PETRÓPOLIS como se fosse uma despesa dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSLL; o colegiado a quo argumenta que a DRJ/RJ1 não poderia ter fundamentado o acórdão com a questão do efetivo ingresso de recursos na CERVEJARIA PETRÓPOLIS, e que os julgadores de primeira instância inovaram no acórdão recorrido, trazendo matéria totalmente estranha ao lançamento. Contudo, tais alegações não merecem prosperar; cumpre lembrar que o fundamento principal utilizado pela autoridade responsável pelo lançamento foi no sentido do não cumprimento dos requisitos exigidos pela legislação tributária para que uma despesa possa ser deduzida da base de cálculo do IRPJ e da CSLL; a Fiscalização considerou que a despesa com o pagamento do prêmio na emissão de debêntures não era usual e necessária para a debenturista – a PRAIAMAR. Para embasar essa conclusão, a autoridade administrativa apontou, como um dos indícios, a compensação feita entre a CERVEJARIA PETRÓPOLIS e a PRAIAMAR; significa dizer que a ausência de pagamento em dinheiro do prêmio na emissão das debêntures representou um dos fundamentos do auto de infração – o que justifica a referência expressa à compensação; revelase de extrema pertinência a análise feita pela DRJ/RJ1, enfocando a falta de circulação efetiva de recursos financeiros para a quitação do prêmio na emissão das debêntures. Portanto, não merece prosperar a alegação da recorrente no sentido de que os julgadores de primeira instância inovaram ou alteraram o suporte fático e jurídico do lançamento. a operação não atende ao requisito da normalidade porque não houve o aporte de recursos financeiros, por parte de terceiros, para integralizar as debêntures e o respectivo prêmio. Com efeito, a Fiscalização identificou que não houve a presença de um investidor, que decidiu aplicar seu dinheiro em um título emitido pela contribuinte, mas sim o mero encontro de contas entre credor e devedor; como se poderia considerar normal ou usual o pagamento de prêmio na emissão de debêntures, quando a debenturista era, antes da operação, credora da emitente do título? além disso, se o título é emitido para captar recursos financeiros de investidores externos, não faz sentido que a integralização seja concretizada mediante a compensação com dívidas da emitente da debênture; por oportuno, cumpre mencionar que, na sessão de fevereiro de 2011 da 1ª Turma da CSRF, o colegiado deu provimento a Recurso Especial da Fazenda Nacional em caso envolvendo planejamento tributário com a emissão de debêntures. Tratase do Processo nº Fl. 4132DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16682.720326/201126 Acórdão n.º 9101002.302 CSRFT1 Fl. 9 8 18471.002941/200277, que discutiu a tributação envolvendo o licenciamento da marca Vasco da Gama. É a ementa do julgado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 1998, 1999 Ementa: REMUNERAÇÃO DE DEBÊNTURES SIMULAÇÃO – NÃO DEDUÇÃO DO LUCRO REAL Se a emissão das debêntures não foi efetiva, restando manifesto o motivo simulatório de, por meio da emissão das debêntures e apropriação dos respectivos juros, originar despesas dedutíveis, essas devem ser consideradas como indedutíveis do lucro real. Revelada a simulação, não pode prevalecer a aplicação do art. 430 do RIR/94, atual art. 462 do RIR/99, que autoriza a dedução, na apuração do lucro líquido do períodobase, das participações nos lucros da pessoa jurídica asseguradas a debêntures de sua emissão. Este dispositivo se aplica à verdade declarada, mas não à verdade real apurada, que prevalece sobre aquela. [...] o julgamento examinou hipótese muito semelhante ao presente caso, pois se referiu à glosa de despesas com a remuneração das debêntures (o lançamento também foi feito na emitente das debêntures); a Câmara Superior rechaçou uma série de operações realizadas em seqüência, sem causa real, consubstanciadas na emissão de debêntures cuja remuneração consistia em um elevado percentual de participação nos lucros, sem capitalização de recursos financeiros externos de terceiros; a utilização de fração módica dos lucros como remuneração do título mobiliário até pode ser tida como razoável. Todavia, o comprometimento do percentual de 70% dos lucros com essa finalidade assim não se apresenta. Essa questão, aliás, também foi tratada no Acórdão nº 10194986. Vejase que naquele caso o percentual ajustado era exatamente o mesmo do caso dos presentes autos, isto é, 70% dos lucros. Nessas circunstâncias, o CARF tem entendido que a operação é incomum e que as despesas por ela geradas são indedutíveis; além da emissão de debêntures com prêmio não ter proporcionado a captação de novos investimentos, a opção de remunerar os títulos com percentual elevado dos lucros da emitente permite concluir que a despesa não pode ser classificada como normal ou usual. Ora, Srs. Conselheiros, não faz sentido que uma empresa comprometa um valor tão significativo de seus resultados; diante disso, é possível concluir que a contribuinte utilizou um artifício para reduzir, artificialmente, o resultado operacional. Com efeito, o prêmio na emissão das debêntures configurou uma despesa notadamente desnecessária, incomum e não usual; DO PEDIDO em face do exposto, requer a União (Fazenda Nacional) o conhecimento e o provimento do presente recurso especial para que seja reformada a decisão recorrida e restabelecida a autuação fiscal em sua inteireza, nos termos da DRJ de origem. Fl. 4133DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16682.720326/201126 Acórdão n.º 9101002.302 CSRFT1 Fl. 10 9 Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 19/08/2015, admitiu o recurso especial reconhecendo a existência da divergência suscitada, nos seguintes termos: [...] Da contraposição dos fundamentos expressos nas ementas e nos votos condutores dos acórdãos, evidenciase que a Recorrente logrou êxito em comprovar a ocorrência do alegado dissenso jurisprudencial, pois, em situações fáticas semelhantes, sob a mesma incidência tributária e à luz das mesmas normas jurídicas, chegouse a conclusões distintas. Enquanto a decisão recorrida entendeu ser dedutível a despesa com amortização sobre prêmio pago na emissão e aquisição de debêntures, um dos acórdãos paradigmas apontados (Acórdão nº 140200.494, de 2011) decidiu, de modo diametralmente oposto, ser correta a glosa dessa mesma despesa. Por tais razões, neste juízo de cognição sumária, concluise pela caracterização da divergência de interpretação suscitada. Em 03/09/2015, a contribuinte foi intimada do despacho que admitiu o recurso especial da PGFN, e em 18/09/2015 ela apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os argumentos descritos a seguir: o recurso especial da Fazenda Nacional é claramente inadmissível, uma vez que não preenche os requisitos necessários ao seu cabimento. Ainda que assim não fosse, o seu desprovimento é medida que se impõe, tendo em vista que todo o seu desiderato é salvar autuações rigorosamente descabidas; DO IMPERIOSO NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL a Fazenda Nacional que indica em seu recurso que haveria divergência jurisprudencial entre os Acórdãos Recorrido e os Paradigmas n. 10321.543 e 140200.494 jamais chegou a comprovar o dissídio jurisprudencial que é pressuposto do recurso à instância especial; é indiscutível que o cotejo analítico não foi realizado no caso concreto, de modo que não atendido o requisito inserto no §6° do art. 67 do Regimento Interno deste Colendo CARF; a recorrente não se dá ao trabalho de cotejar as decisões recorrida e paradigmas, sendo que unicamente admite como preenchida uma divergência que deveria ser demonstrada; noutros termos, incorre no conhecido vício lógico da Petição de Princípio; a divergência jurisprudencial que enseja o cabimento de Recurso Especial apenas se faz presente nos casos em que dois colegiados, debruçados sobre situações fáticas e acusações fiscais semelhantes, chegam a entendimentos discrepantes; ocorre que as situações fáticas confrontadas no recurso fazendário são claramente diversas; Fl. 4134DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16682.720326/201126 Acórdão n.º 9101002.302 CSRFT1 Fl. 11 10 realmente, no caso dos autos, a contribuinte (Praiamar) adquiriu debêntures emitidas com expressivo prêmio, sendo que o valor devido a título do prêmio foi compensado com créditos que detinha em face da emitente; é importantíssimo asseverar que a Fiscalização nunca questionou: (i) nem o valor do prêmio que estava embasado em laudo constante dos autos; e (ii) nem a existência dos créditos da Praiamar que foram usados para o pagamento do prêmio. a autoridade lançadora, então, glosou a amortização desse prêmio, basicamente por considerar essa despesa desnecessária às atividades da Praiamar, que teria assumido muitos riscos nessa operação; importante considerar que o fato de o prêmio ter sido pago com créditos da debenturista não é fundamento do auto de infração, sendo que essa circunstância apenas foi relevante para a DRJ dar pela manutenção da autuação; a partir dessas premissas fáticas, o judicioso voto condutor do Conselheiro Antonio Guidoni afastou cada um dos fundamentos da autuação constantes do TVF, tendo revelado (a) a necessidade e normalidade da despesa, (b) o fato de que a transferência de recursos para a emitente sem tributação decorre da lei, (c) a complementaridade entre as atividades da emitente e da debenturista e também (d) que as debêntures, como alternativa de investimento, podem envolver risco sem que isso as desnature; acerca especificamente da questão de o prêmio ter sido pago com créditos anteriores da debenturista fundamento esse inexistente na autuação, sendo que foi trazido pela decisão de 1ª instância , foram as seguintes as considerações do acórdão recorrido: [...]; percebese claramente que não existe divergência entre essa decisão e os acórdãos apontados como paradigmas; tratando especificamente do Acórdão nº 10321.543, a diferença entre os contextos fáticos é de clareza solar; em primeiro lugar, verificase que esse acórdão sequer trata de uma glosa de amortização de prêmio pago em compra de debênture: de fato, tratase de um lançamento feito contra a emitente das debêntures pelo fato de essa ter diminuído seus resultados em virtude de participações atribuídas a debêntures emitidas , e não contra a debenturista (caso deste processo); além dessa manifesta diferença entre as autuações — que talvez já fosse suficiente para afastar qualquer consideração no sentido de divergência jurisprudencial —, é preciso dizer que o caso examinado no Acórdão nº 10321.543 envolve uma gritante acusação de artificialidade das operações realizadas, que no caso do acórdão recorrido também não se faz presente; realmente, tratase de situação em que a empresa autuada reduziu o seu capital contra a constituição de créditos em favor de seus acionistas. No final das contas, foram Fl. 4135DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16682.720326/201126 Acórdão n.º 9101002.302 CSRFT1 Fl. 12 11 esses mesmos créditos constituídos com a redução de capital que foram utilizados para o pagamento do valor de face das debêntures emitidas. Os resultados da emitente foram reduzidos com as participações atribuídas a essas debêntures, sendo que o capital voltou ao patamar anterior (anterior à redução) assim que tais participações foram pagas aos debenturistas; naquela autuação levouse em consideração essa circularidade de recursos sendo claríssima a objeção da Fiscalização quanto à própria existência dos créditos utilizados para pagamento do valor de face dos títulos; diversamente, não houve qualquer discussão quanto à existência dos créditos usados para pagamento do prêmio das debêntures e não do valor de face no caso concreto; essa mesma diferença entre os contextos fáticos também se observa no cotejo entre o acórdão recorrido e o Acórdão nº 140200.494; de fato, esse último paradigma apontado trata de uma operação de debêntures entre partes relacionadas, sendo que a empresa emitente das debêntures foi inclusive considerada como inexistente de fato. Além disso, verificase que a empresa debenturista iniciou a amortização do prêmio discutido antes mesmo do pagamento dessa importância; essas relevantes circunstâncias minuciosamente descritas nas folhas 35 a 39 do Acórdão nº 140200.494 não se verificam no caso do acórdão recorrido, em que não existe qualquer ilação quanto à vinculação societária entre emitente e debenturista; repitase: a acusação do caso dos autos fundouse na "(a) anormalidade da despesa; (b) possibilidade de transferência de recursos à emitente livres de tributação; (c) falta da essencialidade do investimento para o desenvolvimento das atividades da Contribuinte; (d) risco da operação para a debenturista"; por todo o exposto, percebese claramente que não existe similitude entre as situações discutidas no Acórdão Recorrido e nos Acórdãos Paradigmas citados, do que conclui se que a recorrente não se desincumbiu do seu ônus de demonstrar a necessária divergência jurisprudencial; diante de todo, não resta outra possibilidade que seja negar seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional; DO DESPROVIMENTO DO RECURSO ESPECIAL na remotíssima hipótese de o v. recurso especial do Fisco ser conhecido o que apenas se admite por amor ao debate, temse que ele é claramente improsperável; com a ressalva do trecho que repousa às fls. 14 e 15 do recurso (fls. 3982 3983), o arrazoado do recurso especial em apreço é idêntico ao texto das contrarrazões (fls. 38943914) opostas pela Fazenda Nacional ao recurso voluntário, apresentado pela contribuinte contra a decisão de 1ª instância administrativa; Fl. 4136DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16682.720326/201126 Acórdão n.º 9101002.302 CSRFT1 Fl. 13 12 essa singela circunstância já é mais do que suficiente para a constatação da manifesta incapacidade desta irresignação de infirmar as judiciosas razões do Acórdão n. 1102 001.199; a conclusão do v. Acórdão Recorrido pela improcedência das autuações de IRPJ e CSLL repousa sobre uma série de fundamentos que em momento algum foram combatidos pelo Recurso Especial objeto desta manifestação; basta aludir ao argumento da Fazenda Nacional no sentido de que o prêmio das debêntures emitidas pela Cervejaria Petrópolis não teria redundado em aporte de recursos financeiros por parte da subscritora ora Recorrida; ora, nobres conselheiros, o v. acórdão recorrido enfrenta diretamente essa questão suscitada pela Fazenda Nacional no recurso especial e nas anteriores contrarrazões, revelandolhe o completo desacerto; o voto condutor do v. acórdão recorrido asseverou expressamente que essa questão da compensação do prêmio na emissão das debêntures com créditos já anteriormente existentes da debenturista (recorrida) com a emitente dos títulos (Cervejaria Petrópolis) não consubstancia fundamento das autuações em testilha, tendo sido inovadoramente levantada pela decisão da DRJ em violação ao art. 146 do CTN; para além disso, o v. acórdão recorrido explicou muito claramente que essa e várias outras confusões da r. autoridade lançadora, da DRJ e também da repetitiva Fazenda Nacional derivam diretamente do fato de que, pasmem, nenhuma dessas autoridades físcalistas alude à Escritura de Emissão de Debêntures que presidiu a colocação dos títulos adquiridos pela Praiamar; o exame da Escritura de Emissão das Debêntures não convém aos interesses fazendários, e talvez por isso esse importantíssimo documento foi solenemente ignorado (i) pela r. autoridade lançadora, (ii) pela r. DRJ e pela (iii) Fazenda Nacional em suas contrarrazões e no vertente recurso especial; o fato é que, nos parcos dez parágrafos que perfazem a íntegra da acusação fiscal de infração quanto às debêntures (fls. 3 e 4 do Termo de Constatação Fiscal, ou fls. 3017 3018), a r. autoridade fiscal não se desincumbiu do ônus de demonstrar que a dedutibilidade do prêmio suportado pela recorrida na subscrição das debêntures da Petrópolis seriam contrária à legislação de regência, sendo certo que os fundamentos declinados na autuação para a glosa — tais como o risco de uma operação como essa ou a expressividade da participação nos lucros da emitente conferida aos títulos não resistem às sólidas razões do v. acórdão recorrido; conforme expressamente asseverado no v. decisum atacado pela Fazenda Nacional, é estreme de dúvidas que operações com debêntures emitidas com prêmios podem, sim, dar azo a práticas fraudulentas, com vistas a erodir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL; nada obstante, tais operações e as conseqüentes amortizações de prêmio não são vedadas por definição e por princípio, de modo que, para desconstituirlhes os naturais efeitos, deve a r. autoridade fiscal hialina e inarredavelmente demonstrar o abuso cometido; e essa demonstração simplesmente inexiste no caso concreto, conforme claramente revela o v. acórdão recorrido; Fl. 4137DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16682.720326/201126 Acórdão n.º 9101002.302 CSRFT1 Fl. 14 13 tendo em vista os sólidos fundamentos do v. acórdão recorrido, cujas razões não foram jamais infirmadas pelo repetitivo e estreito recurso especial da Fazenda Nacional, temse que sua manutenção é medida que se impõe; DA CONCLUSÃO por todo o exposto, a ora recorrida requer o não conhecimento do vertente recurso especial ante a manifesta ausência de divergência jurisprudencial entre o v. acórdão recorrido e os supostos paradigmas ou, quando menos, o seu desprovimento integral. É o relatório. Fl. 4138DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16682.720326/201126 Acórdão n.º 9101002.302 CSRFT1 Fl. 15 14 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Não há condições para se conhecer do recurso especial da PGFN. O presente processo tem por objeto lançamento a título de IRPJ e CSLL sobre fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2007 e 2008. A autuação fiscal envolveu mais de uma infração, mas o recurso especial da PGFN trata especificamente da infração intitulada como "Dedução Indevida de Amortizações de Ágio na Aquisição de Debêntures". Essa infração foi mantida pela decisão de primeira instância, e afastada pela segunda instância administrativa (acórdão recorrido). O recurso especial da PGFN busca exatamente restabelecer a parte da autuação que correspondente à referida infração, ou seja, à dedução indevida de amortização de ágio pago na aquisição de debêntures. É oportuno registrar que a contribuinte também apresentou recurso especial, relativamente à parte da decisão de segunda instância que lhe foi desfavorável. Contudo, o Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF negou seguimento a esse recurso por entender que não restaram comprovadas as divergências suscitadas, afirmando que os paradigmas tratavam de situações fáticas distintas, decisão que foi confirmada pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em despacho de reexame de admissibilidade de recurso especial. A meu ver, os paradigmas apresentados pela PGFN em seu recurso especial trazem problema semelhante, que prejudicam a caracterização de divergência a ser sanada por processamento de recurso especial. Vale transcrever a seguir os fundamentos pelos quais o acórdão recorrido cancelou as exigências de IRPJ e CSLL relativamente à "Dedução Indevida de Amortizações de Ágio na Aquisição de Debêntures": Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho [...] II.2 Glosa do prêmio na aquisição de debêntures Sobre a glosa de despesas relativas ao prêmio na aquisição de debêntures, pedese vênia para transcrever o trecho do TVF que versa a respeito do tema, verbis: [...] Fl. 4139DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16682.720326/201126 Acórdão n.º 9101002.302 CSRFT1 Fl. 16 15 O trecho acima citado do TVF compreende o inteiro teor da acusação fiscal para justificar a glosa das despesas em referência. Do teor da acusação fiscal, depreendese que a Fiscalização procedeu à glosa das despesas de amortização do prêmio na aquisição de debêntures sob o fundamento de (a) anormalidade da despesa; (b) possibilidade de transferência de recursos à emitente livres de tributação; (c) falta da essencialidade do investimento para o desenvolvimento das atividades da Contribuinte; (d) risco da operação para a debenturista. Após apresentada a impugnação pela Contribuinte e contraditados os argumentos aduzidos pela Fiscalização para justificar a citada glosa de despesas, a procedência da acusação fiscal foi reconhecida pelo acórdão recorrido com base nos seguintes fundamentos, verbis: [...] Depreendese que o acórdão recorrido manteve os lançamentos em apreço ante o fundamento de que, no caso, não teria havido o “efetivo” pagamento do prêmio pela emissão das debêntures adquiridas, pois tal prêmio foi compensado com créditos que a Contribuinte detinha contra a emitente das debêntures (Cervejaria Petrópolis). Na medida em que não teria havido ingresso do valor do prêmio no patrimônio da emitente, mas apenas a compensação de dívidas, inexistiria o direito à dedutibilidade de sua amortização ante a frustração dos próprios objetivos da emissão dos títulos (relacionados à captação de novos recursos para a emitente). Delimitados os fundamentos utilizados pelas respectivas autoridades para a manutenção da glosa de despesas, passase ao exame do mérito da questão. [...] Conforme se verá, a glosa levada a efeito pela Fiscalização nesta hipótese não tomou em conta as circunstâncias e justificativas da emissão no caso concreto, assim como a circunstância de as debêntures serem, aos olhos da debenturista, uma (boa) alternativa de investimento. Em nenhum momento houve contestação ao laudo que chancelava o valor do prêmio estipulado pela emitente e pago pela Contribuinte, como também os fundamentos (econômicos) que levaram a Contribuinte a realizar o investimento em apreço. Como se sabe, o prêmio de uma debênture corresponde ao valor exigido pela emitente como condição para que o investidor interessado (debenturista) possa realizar tal investimento. De fato, algumas debêntures oferecem vantagens tão significativas aos debenturistas – a saber e exemplificativamente, a possibilidade de conversão em ações ou expressivas parcelas de resultados futuros – que as companhias emitentes exigem prêmios vultosos, como condição para que os interessados possam realizar o investimento nesses valores mobiliários. Tais valores mobiliários em nada se confundem com os valores de face dos títulos, que consistem, em última análise, no montante do direito creditório dos debenturistas. Essa observação já revela que as quantias versadas à emitente a título de prêmio na emissão de debêntures consubstanciam despesas necessárias à realização do investimento em debêntures. Fl. 4140DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16682.720326/201126 Acórdão n.º 9101002.302 CSRFT1 Fl. 17 16 Tratase de exigência das companhias emitentes que, se não atendida pelo potencial interessado, inviabilizará a própria realização do investimento. Tal circunstância revela claramente a imprescindibilidade desse dispêndio. Vale lembrar, ainda, o fato de que as debêntures, na esteira do precedente do CARF acima transcrito, consistem em uma das muitas possibilidades de investimento à disposição de pessoas jurídicas que pretendam realizar aplicação de seus recursos, mormente quando tal investimento guarda pertinência com sua fonte produtiva, adiante tratada. Uma vez que se trata de uma dentre muitas possibilidades de investimento, não causa espécie o fato de a compra de uma debênture envolver certo risco ao debenturista, em estrita consonância com a realização de outros investimentos – em, exemplificativamente, ações ou em títulos da dívida pública, que não estão isentos de risco. Essas considerações revelam a fragilidade dos fundamentos constantes do TVF no sentido da (a) anormalidade da despesa – que, em verdade, é usual e imprescindível para a realização do investimento, por ostensiva exigência da companhia emitente – e (b) da existência de risco no investimento em destaque. Sobre esse último ponto, digase, ainda, que o próprio TVF assevera que a companhia emitente é promissora empresa num mercado em expansão – o que acaba por fazer com que a acusação seja até contraditória quando aponta a existência de risco como um dos fundamentos determinantes da glosa em análise. Por sua vez, a possibilidade de a emissão de debêntures com prêmio ensejar a transferência de recursos à sua emitente livre de tributação também não pode justificar a glosa de despesas em referência. É a própria legislação tributária que determina que os valores recebidos pela emitente de debêntures a título de prêmio não serão objeto de tributação (cf. DL 1.598/77, art. 38, III). Não bastasse, relevese que o valor do prêmio que a cervejaria Petrópolis estipulou como uma condição para a emissão de suas debêntures está lastreado em laudo técnico juntado a fls. 31773200 dos autos. Os critérios e fundamentos do laudo de avaliação que instruíram a emissão e aquisição das debêntures não foram objeto de contestação pela Fiscalização pelo acórdão recorrido. Assim, também por tal fundamento, não se pode reconhecer como válida acusação da Fiscalização da “transferência de recursos sem tributação” sem que Fiscalização e acórdão recorrido tenham infirmado as premissas e conclusões do laudo de avaliação em referência. Conforme mencionado no voto do precedente acima citado, a anormalidade no pagamento do prêmio pela emissão de debêntures ocorre quando a Fiscalização se desincumbe do ônus de comprovar que esse pagamento não é acompanhado de razoável expectativa de retorno do investimento para a debenturista. Ora, no caso, nem Fiscalização nem acórdão recorrido contestaram a opinião técnica que respalda o valor do prêmio das debêntures emitidas, sendo que, ao contrário, o TVF dá conta de que as debêntures, cuja remuneração era da ordem de 70% dos lucros futuros da Fl. 4141DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16682.720326/201126 Acórdão n.º 9101002.302 CSRFT1 Fl. 18 17 companhia emitente – foram emitidas por promissora empresa num mercado em expansão. Não se nega que o fato de não serem tributáveis os valores recebidos a título de prêmio por uma companhia poderia dar azo a situações em que a companhia emitente – numa espécie de conluio com determinada debenturista, que estaria disposta a pagar valor de face acrescido do prêmio – abusasse de seu direito de receber tais valores desonerados de tributação pelo imposto de renda. Ocorre que não é essa a acusação dirigida à Contribuinte. Não há acusação de conluio ou intenção deliberada de suprimir ou minorar o pagamento de tributos pelas partes. Não há acusação de dolo ou aplicação de penalidade qualificada na hipótese, qualificação essa mandatória nos casos em que se verifica conluio entre as partes para prejudicar o Fisco. Com vistas a demonstrar a fragilidade dos fundamentos indicados pela Fiscalização no TVF, cumpre tratar sobre a suposta ausência de relação entre as atividades da Contribuinte – transportadora e distribuidora de bebidas – e o investimento realizado de compra das debêntures emitidas pela Cervejaria Petrópolis. Vale citar, preliminarmente, que não existe na legislação tributária determinação que condicione a dedutibilidade da amortização do prêmio pago na compra de debêntures à direta relação do investimento às atividades do debenturista. Conforme salientado linhas acima, debêntures estão relacionadas entre as opções de investimento postas à disposição de pessoas físicas e jurídicas e o prêmio (para a emissão correspondente) é condição sine qua non para realização do investimento. Em outros termos, os custos do investimento são justificados exclusivamente pelos respectivos retornos. Citado prêmio nada mais é senão uma mais valia em relação ao valor de face do título emitido pela companhia – mais valia essa que, no caso, encontra a sua justificativa no (incontroverso) laudo de fls. 31773200. O debenturista aplica os recursos correspondentes com a finalidade de obter ganhos, diretos e indiretos, com o investimento. Tendo em vista que, no caso, o resgate das debêntures ocorreria em 36 (trinta e seis) meses contados da colocação dos títulos no mercado – conforme a Cláusula V da Escritura de Emissão, fls. 3174, período esse em que a debenturista potencialmente receberia os rendimentos do investimento, impõese reconhecer que a dedutibilidade do prêmio pago encontra respaldo no art. 324 do RIR/99, do seguinte teor, verbis: [...] Improcede, pois, o fundamento da acusação fiscal no sentido de que o prêmio exigido pelas companhias emitentes apenas possa ser amortizado por debenturistas cujo objeto social vinculese ao objeto social da emitente. A par de expressa previsão legal, tal vedação não é razoável e implicaria notória desvantagem àqueles que resolvessem aplicar nessa modalidade de investimento, que é indispensável para o desenvolvimento econômico das empresas. Fl. 4142DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16682.720326/201126 Acórdão n.º 9101002.302 CSRFT1 Fl. 19 18 Nada obstante, ainda que esse requisito pudesse ser exigido para fins de dedutibilidade do prêmio de debêntures, o que se admite apenas para argumentar, digase que a situação dos autos revelaria o preenchimento desse requisito por conta das particularidades da operação sob exame. De fato, conforme Contrato de Cessão de Área Comercial de fls. 31653168, a Contribuinte detinha exclusividade na distribuição dos produtos fabricados pela Cervejaria Petrópolis S.A. em muitos estados da federação. Nesses termos, considerandose que a emitente é fabricante de produtos distribuídos com exclusividade pela debenturista, é legítimo afirmar que o investimento guarda pertinência com as atividades da Contribuinte, ante a relevante vinculação entre as pessoas jurídicas a justificar o investimento realizado. De fato, o relacionamento entre as empresas serve de fundamento para o fato de a Contribuinte ter sido convidada a participar da – e ter aceito a Oferta Privada de debêntures em apreço. Por sua vez, ante o citado contrato de distribuição com exclusividade, é intuitivo que o crescimento da Cervejaria Petrópolis –motivo pelo qual essa companhia emitiu debêntures para modificar o perfil de suas dívidas e captar recursos no mercado – implicaria conseqüente crescimento nas atividades econômicas da Contribuinte. Inquestionável que, quanto maior fosse a fatia de mercado da Cervejaria Petrópolis no respectivo mercado relevante, maiores seriam as vendas da Contribuinte, cuja atividade consistia essencialmente na distribuição dos produtos dessa companhia, com exclusividade. Notese que as debêntures em apreço eram conversíveis em ações – é dizer, a debenturista tinha a possibilidade, através da compra desses títulos, de ingressar no capital de uma promissora, nos termos da própria Fiscalização, companhia de capital fechado cujas atividades eram conexas às suas. Ainda, a remuneração dos títulos equivaleria a 70% dos resultados da emitente – elevado percentual esse que justifica o pagamento do prêmio em referência. Exaurindose o exame das acusações postas no auto de infração, por fim, digase que o art. 13, III da Lei nº 9.249/95 também não é aplicável ao caso. Assim dispõe citado dispositivo, verbis: “Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: (...) III de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços;” O prêmio pago na aquisição de debênture não pode ser tratado como “bem móvel” ou “imóvel”. Fl. 4143DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16682.720326/201126 Acórdão n.º 9101002.302 CSRFT1 Fl. 20 19 Segundo definição do direito civil (arts. 79 e 82 do Código Civil), são considerados bens imóveis o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou artificialmente. Os bens móveis, por sua vez, são os bens suscetíveis de movimento próprio, ou de remoção for força alheia, sem alteração da substância ou da destinação econômicosocial. Notese, ainda sob a perspectiva jurídica, que o prêmio pago não pode ser considerado bem móvel, imóvel ou direito também pelo fato de que sobre ele (prêmio) não é possível exercer nenhum dos poderes inerentes à propriedade (o que é próprio das coisas, bens e direitos), quais sejam, o uso, gozo e fruição, nos termos do art. 1.228 do Código Civil. Verbis: “Art. 1.228. O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavêla do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha.” O prêmio pago na emissão da debênture tem natureza de despesa, que, apenas em virtude do Princípio Contábil da Confrontação de Receitas e Despesas, deveria, de acordo com as regras contábeis então vigentes, ser registrada no ativo diferido e amortizada conforme a geração de receitas financeiras vinculadas ao respectivo título de crédito. Citado prêmio não é recuperável e nem alienável. O valor do prêmio não é devolvido quando do pagamento da debênture, uma vez que somente o valor de face será devolvido ao adquirente do título. Tratase de um fundo perdido, uma despesa, a qual, tão somente em virtude de um princípio contábil e não jurídico, era registrada em conta de ativo. Nos termos da Norma de Procedimento Contábil (NPC) do IBRACON, nº 8, os lançamentos efetuados no ativo diferido, apesar de ser um grupo de contas do ativo, tinham a natureza de despesas e não bens. Confirase: “1.Classificamse no ativo diferido as aplicações de recursos em despesas que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício social. Estão compreendidas nesta classificação, entre outras, as despesas de organização, custo de estudos e projetos, despesas préoperacionais, despesas com investigação científica e tecnológica para desenvolvimento de produtos ou processos de produção e encargos incorridos com a reorganização ou reestruturação da entidade.” Da análise da exposição de motivos do Projeto de Lei nº 913/95, o qual resultou na edição da Lei n. 9.249/95, verificase que o intuito do legislador ao redigir o art. 13 da referida lei foi evitar que despesas, relacionadas a benefícios a empregados e diretores, denominados “fringe benefits”, fossem deduzidas do IRPJ e CSLL. Ou seja, ao determinar que somente seriam dedutíveis as despesas que estivessem intrinsecamente relacionadas à produção ou comercialização de bens ou serviços, o que se pretendeu restringir foi a dedutibilidade da depreciação de bens, alugueis, leasings etc. de bens utilizados por prepostos da pessoa jurídica. Confirase trecho da exposição de motivos que trata do referido art. 13: [...] Fl. 4144DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16682.720326/201126 Acórdão n.º 9101002.302 CSRFT1 Fl. 21 20 As considerações supra seriam suficientes para determinar o cancelamento das glosas de despesas em referência, porquanto afastam os fundamentos adotados pela Fiscalização para a lavratura dos lançamentos. Contudo, considerado o teor da decisão objeto de recurso voluntário, impõese enfrentar o (novo) argumento aduzido pelo acórdão recorrido para declarar a procedência dos lançamentos, qual seja: a inexistência do investimento (debêntures) pelo fato de que o prêmio em referência não teria sido pago, mas apenas compensado com créditos que a Contribuinte detinha contra a Cervejaria Petrópolis, o que, segundo o acórdão recorrido, desvirtuaria a razão de ser da emissão de debêntures. Ressaltese, primeiramente, que o acórdão recorrido não andou bem ao manter os lançamentos com base em fundamento diverso daqueles constantes dos autos de infração, pois citada inovação encontra óbice no art. 146 do CTN e afronta o direito de ampla defesa e contraditório da Contribuinte, já que essa (Contribuinte) não teve a prerrogativa de se defender desse argumento de acusação. De fato, a Contribuinte não teve oportunidade – antes desse recurso voluntário – de se manifestar acerca do citado fundamento de desconsideração das debêntures pela inexistência de efetivo pagamento do prêmio. Não bastasse, tal fundamento também não pode ser acolhido em seu mérito. [...] No tocante ao mérito do fundamento ora tratado em si, depreendese que este (fundamento) decorre do fato de que, tanto Fiscalização, quanto acórdão recorrido, não dispensaram a atenção devida à escritura de emissão das debêntures em causa. Afirma o acórdão recorrido que o prêmio em referência seria indedutível porque não teria sido pago pela Contribuinte, que compensou esses valores com créditos que detinha contra a Cervejaria Petrópolis. Como o objetivo da emissão de debêntures seria a captação de recursos por parte da emitente, então obviamente essa emissão teria sido frustrada, já que não redundou em ingresso de recursos na companhia, o que inviabilizaria a amortização. Digase, primeiramente, que o acórdão recorrido não põe em dúvida a existência do crédito que a Contribuinte detinha contra a Cervejaria Petrópolis, cuja existência encontrase materializada a fls. 3613/3620. Em que pesem os fundamentos do acórdão recorrido, não há dispositivo legal que vede a quitação do prêmio de uma debênture com um crédito preexistente. Esse o provável motivo pelo qual o acórdão recorrido não embasa as suas conclusões em qualquer preceito de lei. Ao contrário do alegado pela decisão impugnada, a quitação do prêmio em apreço via compensação não frustra os objetivos da emissão das debêntures em destaque. Para que tal alegação pudesse ser validamente aduzida, seria indispensável que o acórdão recorrido tivesse examinado a escritura de emissão das debêntures, documento que arrola todas as condições da emissão dos valores mobiliários em análise, cotejando os Fl. 4145DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16682.720326/201126 Acórdão n.º 9101002.302 CSRFT1 Fl. 22 21 motivos dessa emissão com os fatos narrados no processo, o que, como se disse, não foi feito no caso. Conforme se verifica do subitem 3.4, da Cláusula III da escritura de emissão das debêntures (fls. 3170), denominada de “das características da emissão”, um dos objetivos da emissão das debêntures – senão o principal – é a quitação de dívidas de curto prazo, dentre as quais as dívidas mantidas pela Cervejaria Petrópolis com a Contribuinte. Verbis: “3.4. Destinação dos recursos. Os recursos obtidos através da presente emissão de debêntures serão destinados ao pagamento de dívidas de curto prazo, no desenvolvimento de projetos correlatos a fabricação e comercialização de cervejas, reorganização societária, aquisição de outras sociedades e plantas industriais, na melhoria dos métodos industriais e de gestão, e desenvolvimento de knowhow na fabricação de novos produtos.” Ora, se a própria escritura de emissão de debêntures estipula que os recursos captados seriam empregados para o pagamento de dívidas, como asseverar que o recebimento do prêmio contra a baixa de um passivo teria frustrado os objetivos da emissão? Como se constata, a emissão ocorreu, dentre outros motivos, para que a emitente pudesse ter suas dívidas quitadas, e foi justamente isso que ocorreu quando o prêmio foi quitado pela debenturista com um crédito que detinha contra a emitente. É incontroverso que o acórdão recorrido não examinou a escritura de emissão de debêntures – reiterese: documento que informa todos os objetivos e particularidades da operação de emissão das debêntures – ao afirmar que a quitação do prêmio via compensação teria frustrado os objetivos da emissão. Os objetivos da emissão sempre estiveram informados na citada escritura de emissão, cuja juntada aos autos foi providenciada sponte propria pela Contribuinte ante a ausência de solicitação respectiva pela Fiscalização ou pelo órgão julgador de primeira instância. Reiterese, por relevante, que foi por não levar em conta os objetivos declarados da emissão das debêntures que o acórdão recorrido atestou (equivocadamente, com a devida vênia) que tais objetivos (de emissão) terseiam frustrados com a compensação da dívida da emitente, sendo certo que a quitação de dívidas era justamente o que a emitente buscava com a emissão dos valores mobiliários em destaque. Nesse ponto, digase que, nos termos da Cláusula IX da emissão – intitulada “previsão de aplicação dos recursos”, pelo menos 55% dos valores captados com a emissão das debêntures seriam utilizados pela Cervejaria Petrópolis para o pagamento de dívidas, sendo que, nem Fiscalização, nem acórdão recorrido, teceram qualquer consideração a respeito do fato. Salientese que não procede a alegação da Fazenda Nacional em suas contrarrazões, no sentido de que a previsão de prêmio na emissão Fl. 4146DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16682.720326/201126 Acórdão n.º 9101002.302 CSRFT1 Fl. 23 22 das debêntures serviu apenas para que a Contribuinte recebesse seu crédito com a Cervejaria Petrópolis como se fosse uma despesa dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSLL (fls. 3909). A controvérsia dos autos referese à compra pela Contribuinte de debêntures da Cervejaria Petrópolis, no valor de R$233.700.000,00 – dos quais R$28.700.000,00 corresponderiam ao valor de face dos títulos, ao passo que os R$205.000.000,00 restantes consubstanciariam o prêmio em apreço. Ora, tanto a escritura de emissão das debêntures – que, como visto, não foi sequer examinada pela Fiscalização e acórdão recorrido – quanto o Boletim de Subscrição dão conta de que o valor da emissão era de R$570.000.000,00 – dos quais R$70.000.000,00 equivaleriam a valor de face, sendo os R$500.000.000,00 remanescentes correspondentes ao prêmio. Os próprios números revelam que a Contribuinte não foi a única adquirente das debêntures no mercado primário. As debêntures não foram oferecidas apenas à Contribuinte, razão pela qual não se pode concluir que a emissão tenha ocorrido apenas em virtude da Contribuinte. Tanto assim é que, ao tempo da Fiscalização, a Contribuinte foi intimada a apresentar demonstrativos de compra de debêntures emitidas pela Cervejaria Petrópolis perante uma terceira empresa – é dizer, aquisição no mercado secundário, tendo em vista que essa terceira empresa tinha adquirido, ao tempo da emissão, parcela dos títulos emitidos pela Cervejaria Petrópolis, que posteriormente foram vendidos à Contribuinte por essa terceira empresa. Vale reiterar, por relevante, que não existe nos autos acusação de conluio entre as partes, de modo que é incorreto afirmar que a emissão de debêntures pela emitente, que é decisão empresarial que compete exclusivamente à emitente, deuse apenas com vistas a criar despesas dedutíveis na debenturista (Contribuinte). Frisese que o fato de a emitente ter se comprometido a remunerar as debêntures com 70% de seus resultados jamais foi tratado, seja pela Fiscalização, seja pelo acórdão recorrido. Com efeito, o trecho abaixo transcrito do acórdão recorrido revela que esse ponto jamais foi controvertido nos autos, verbis: “Alega também que a remuneração da subscritora das debêntures em 70% do lucro está prevista na Lei 6.404/76. Cita o princípio da livre iniciativa, que não há nenhuma ilegalidade na aquisição de debêntures visto que é forma típica de captação de recursos prevista na lei 6.404/76 e que não houve prova da desnecessidade da operação. Cita decisão do Conselho de Contribuintes neste sentido. Não se trata de discussão a respeito da possibilidade de remuneração das debêntures em percentual do lucro, o que se discute é a dedutibilidade da amortização do prêmio na aquisição das debêntures considerando a especificidade da operação realizada no presente caso.” Fl. 4147DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16682.720326/201126 Acórdão n.º 9101002.302 CSRFT1 Fl. 24 23 Mas, ainda que assim não fosse, essa questão não poderia ser suscitada para sustentar a glosa da amortização do prêmio, tendo em vista a ausência de vedação legal respectiva e, mais ainda, pelo fato de que esse elevado percentual é a própria justificativa à exigência do alto preço dos prêmios. O fato de uma companhia dispensar aos debenturistas significativa parcela dos seus resultados em virtude dos recursos obtidos na emissão de debêntures pode ser até revelador de um esquema fraudulento entre emitente e debenturista com vistas à ilícita economia de tributos. Nada obstante, tal circunstância não autoriza conclusão (negativa) quanto à conduta das partes envolvidas, considerado o fato de que a própria Fiscalização não identificou a presença de indícios de fraude no caso. Além disso, o precedente do CARF acima colacionado cuidava de operação de emissão de debêntures em que a emitente se comprometia a remunerar as debenturistas com 90% dos seus resultados, sendo que, naquela operação, emitente e debenturista integravam o mesmo grupo econômico. Se a glosa levada a efeito naquele precedente não prevaleceu, entendese que, neste processo, a glosa também não merece prevalecer, eis que vários elementos que poderiam macular uma operação dessa natureza estão presentes naquele caso e ausentes neste. Repitase: a Cervejaria Petrópolis efetivamente experimentou vertiginoso crescimento após a emissão das debêntures, o que provavelmente redundou em expressivos benefícios aos debenturistas e, em especial, à Contribuinte que é uma das suas principais distribuidoras e desfrutou dessa maior projeção da emitente das debêntures. Não se nega à Fiscalização o direito de glosar despesas relativas à emissão de debêntures quando constatada a existência de planejamento tributário abusivo e simulação entre as partes. Nesses casos, o abuso no planejamento tributário e a simulação são o cerne da acusação fiscal. Em contrapartida, não se deve admitir como legítima acusação fiscal genérica no sentido de que despesas com prêmios de emissão de debêntures são indedutíveis por definição e princípio, pelo fato de não terem relação com a atividade desenvolvida pela Contribuinte ou envolverem algum risco em relação a seu retorno. Nada obstante, essa questão – qual seja, o que se passou ao final da operação em questão e o que teve lugar no momento dos resgates dos títulos (em síntese, os objetivos e causa da emissão de debêntures e escolha do investimento) – jamais foi tida como relevante pela Fiscalização e pelo acórdão recorrido, o que corrobora a insuficiência da autuação fiscal nessa parte. (iii) Conclusão Por todo o exposto, orientase voto no sentido de (a) conhecer do recurso de ofício para negarlhe provimento; (b) conhecer do recurso voluntário para rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, darlhe parcial provimento a fim de que seja cancelada a exigência de IRPJ e de CSLL relativa à glosa sobre a amortização do prêmio de debêntures. Fl. 4148DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16682.720326/201126 Acórdão n.º 9101002.302 CSRFT1 Fl. 25 24 No caso do acórdão recorrido, a autuação fiscal teve como fundamento: (a) a anormalidade da despesa; (b) a possibilidade de transferência de recursos à emitente livres de tributação; (c) a falta da essencialidade do investimento para o desenvolvimento das atividades da contribuinte; (d) e o risco da operação para a debenturista. A decisão de primeira instância administrativa manteve o lançamento dando destaque para mais um aspecto que entendeu relevante: não teria havido o efetivo pagamento do prêmio pela emissão das debêntures adquiridas, pois tal prêmio foi compensado com créditos que a contribuinte detinha contra a emitente das debêntures (Cervejaria Petrópolis). A transcrição acima evidencia as razões constantes do acórdão recorrido para o afastamento de cada um desses fundamentos de autuação, com a conclusão final de que não se deve admitir como legítima acusação fiscal genérica no sentido de que despesas com prêmios pagos na aquisição de debêntures são indedutíveis por definição e princípio, pelo fato de não terem relação com a atividade desenvolvida pela contribuinte ou envolverem algum risco em relação a seu retorno. Cotejando tudo isso com os acórdãos paradigmas, vêse que eles não se prestam para a caracterização da alegada divergência. As próprias ementas já revelam importantes diferenças nas situações examinadas pelas decisões cotejadas, o que se confirma pela leitura dos votos que orientaram os acórdãos paradigmas. Vale registrar que o despacho de admissibilidade reconheceu a existência de divergência apenas para um dos paradigmas (o segundo paradigma), de modo que o primeiro paradigma nem mesmo tinha servido para que se desse, em momento anterior, seguimento ao recurso: Enquanto a decisão recorrida entendeu ser dedutível a despesa com amortização sobre prêmio pago na emissão e aquisição de debêntures, um dos acórdãos paradigmas apontados (Acórdão nº 140200.494, de 2011) decidiu, de modo diametralmente oposto, ser correta a glosa dessa mesma despesa. Por tais razões, neste juízo de cognição sumária, concluise pela caracterização da divergência de interpretação suscitada. De qualquer forma, cabe esclarecer que o primeiro paradigma apresentado pela PGFN, Acórdão nº 10321.543, nem mesmo trata da glosa de amortização de prêmio pago na aquisição de debênture. Aquele acórdão trata de lançamento contra a emitente das debêntures, em que se glosou despesas referentes à remuneração paga aos debenturistas. Além desse problema, tem razão a contribuinte quando alega em suas contrarrazões que o primeiro paradigma envolve uma acusação de artificialidade que não está presente no acórdão recorrido. No paradigma, a empresa autuada reduziu o seu capital contra a constituição de créditos em favor de seus acionistas, e, na seqüência, o pagamento do valor de face das debêntures emitidas foi realizado com esses mesmos créditos constituídos com a redução de capital. Fl. 4149DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16682.720326/201126 Acórdão n.º 9101002.302 CSRFT1 Fl. 26 25 Realmente, naquela autuação levouse em consideração essa circularidade de recursos, sendo claríssima a objeção da Fiscalização quanto à própria existência dos créditos utilizados para pagamento do valor de face dos títulos, o que não ocorreu no acórdão recorrido. Nesse sentido, vale registrar o seguinte trecho do voto que orientou o referido paradigma: Acórdão nº 10321.543 Voto [...] Conforme aqui já relatado, todas as operações vinculadas à emissão das debêntures foram quitadas por intermédio de créditos entre os contratantes, desde a primeira operação, redução de capital deliberada pela AGE em 23/06/95, até a derradeira, aumento de capital deliberado pela AGE em 27/12/95. [...] A meu ver, a deliberação para emissão de debêntures pressupõe a necessidade de ingresso de recursos financeiros novos para a realização das atividades empresariais da sociedade. Não importa se esses recursos serão destinados à implantação de projetos de modernização, de ampliação, etc, ou mesmo se representarão um instrumento para superação de momentânea dificuldade financeira. Nesse contexto, as despesas correspondentes são dedutíveis para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. No entanto, no caso concreto, a ausência de captação de novos recursos veio demonstrar a desnecessidade da emissão das debêntures. Ainda mais quando os créditos utilizados na aquisição dos citados títulos foram originários da redução de capital promovida pela recorrente. Na prática, nem a redução de capital provocou a saída de recursos financeiros da empresa nem o pagamento pela aquisição dos títulos resultou em ingresso, assim como o posterior aumento de capital. Em suma, as transações não ensejaram qualquer fluxo financeiro. Donde só se pode concluir pela desnecessidade das despesas correspondentes, uma vez que a emissão das debêntures nada acrescentou à atividade empresarial da recorrente. Poderseia até definir como uma "operação vazia". Todos esses aspectos devem ter sido levados em conta pelo despacho de admissibilidade, quando se consignou que apenas um dos acórdãos paradigmas (Acórdão nº 140200.494, de 2011) tinha decidido de modo diametralmente oposto ao acórdão recorrido. Contudo, apesar da conclusão manifestada no referido despacho de admissibilidade do recurso especial, esse segundo paradigma (Acórdão nº 140200.494) também não se presta para a comprovação da alegada divergência. A própria ementa já é bastante reveladora desse problema: Fl. 4150DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16682.720326/201126 Acórdão n.º 9101002.302 CSRFT1 Fl. 27 26 GLOSA DE DESPESAS INIDÔNEAS. AMORTIZAÇÕES DE ÁGIO SUPOSTAMENTE PAGO NA AQUISIÇÃO DE DEBÊNTURES. Correta a glosa de despesas contabilizadas a titulo de pagamento de prêmio na aquisição de debêntures entre pessoas ligadas, amparados em contratos eivados de fraude, cujo objetivo, a toda evidência, foi reduzir o IRPJ e CSLL pelo contribuinte, devendo ser restabelecida a multa qualificada, no percentual de 150%. Vale também transcrever alguns trechos do voto que orientou esse paradigma, que explicitam a situação lá examinada, para a qual foi mantida a autuação fiscal: Acórdão nº 140200.494 [...] Voto Vencedor Conselheiro Antonio José Praga de Souza – Redator Designado [...] III. GLOSA DE DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE DEBÊNTURES Vejamos os fundamentos do voto condutor da decisão recorrida quanto a essa matéria: [...] Pois bem, ao contrário dos ilustres julgadores de primeira instância, que demonstraram uma pequena incerteza, a partir da análise dos mesmo fatos e provas acima transcritos, formei pleno convencimento do artificialismo dessa operação, tal qual descrito no auto de infração, sendo os autos foram instruídos com um robusto conjunto probatório da acusação fiscal. Em verdade, o objetivo da autuada com essa operação foi reduzir as bases de cálculo do IRPJ e CSLL. A Representação fiscal de fls. 1891/1893, elaborada pela Delegacia da Receita Federal em Campo Grande, reforça essa conclusão. Vejamos seus termos: [...] Verificase, que no endereço informado existe apenas o terreno, nada mais. Portanto, a pessoa jurídica em questão não tem sequer um estabelecimento ou sede. [...] A análise dos processos administrativos citados, incluindo a verificação dos Livros Diário e Razão dos anos 1999 a 2005 e outros documentos trazidos aos autos, revelou que a sociedade formalizada "produz" apenas documentos (atas, estatuto, livros contábeis, entre outros) utilizados para movimentar contabilmente recursos de outras empresas do grupo Schincariol. Até mesmo as atas contém informação "fictícia" uma vez que o local de realização indicado como sendo Fl. 4151DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16682.720326/201126 Acórdão n.º 9101002.302 CSRFT1 Fl. 28 27 a "Sede social da empresa, localizada na Avenida 5, s/n°, Distrito Industrial de Três Lagoas, no município de Três Lagoas/MS, CEP 79.601970" também não existe, é apenas um terreno sem nenhuma edificação. [...] Da análise dos fatos à luz da disciplina legal e doutrina apresentadas, constatase que a empresa PRIMO SCHINCARIOL INDÚSTRIA DE CERVEJAS E REFRIGERANTES DO MS S/A NÃO EXISTE DE FATO, uma vez que não existe a sua atividade fim, a atividade econômica organizada, declarada em seu objeto social e consignada junto ao CNPJ, qual seja "FABRICAÇÃO DE CERVEJAS E CHOPES". [...] Ainda que a Forcit tenha obtido êxito no restabelecimento de seu CNPJ o que importa aqui são os fatos e as provas dos mesmos. A Forcit teve apenas existência formal, e dentre outros fins, prestouse à emissão das debêntures cujo o “ágio” foi utilizado pela autuada para reduzir os tributos devidos. [...] IV. RESTABELECIMENTO DA MULTA DE OFICIO QUALIFICADA (PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO VOLUNTÁRIO). Os ilustres julgadores de primeira instância afastaram a aplicação de multa qualificada por não ter sido suficientemente comprovado, nos autos, o dolo nesta operação mesmo que se reconheça nela todo o artificialismo argüido pela Fiscalização. Assim não entendo. Repito: são robustas as provas trazidas aos autos da artificialidade das operações. A começar pelo fato de a Forcit, que teria emitido as debêntures possuir apenas existência formal. Nas palavras da Fiscalização: “a sociedade formalizada "produz" apenas documentos (atas, estatuto, livros contábeis, entre outros) utilizados para movimentar contabilmente recursos de outras empresas do grupo Schincariol”. [...] Diante de tais circunstâncias, não se concebe que outra tenha sido a intenção do sujeito passivo que não a impedir a ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária principal, de modo a evitar seu pagamento, o que evidencia o intuito de fraude e obriga à qualificação da penalidade. Portanto, deve ser mantida a tributação sobre a glosa, restabelecendo a aplicação da multa qualificada sobre os valores devidos. O problema é que, realmente, esse segundo paradigma trata de operação de debêntures entre empresas do mesmo grupo, em que a empresa emitente nem mesmo tinha existência de fato. O acórdão recorrido não aborda situação semelhante a essa, de modo que resta prejudicado o cotejo das decisões para fins de caracterização de divergência. Fl. 4152DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 16682.720326/201126 Acórdão n.º 9101002.302 CSRFT1 Fl. 29 28 Assim, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 4153DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/04/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O
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Numero do processo: 11762.720046/2014-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.800
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, converteu-se o julgamento em diligência. Esteve presente ao julgamento o Dr. André Alves de Melo, OAB/RJ n. 145.859.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
DIEGO DINIZ RIBEIRO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Por unanimidade de votos, converteuse o julgamento em diligência. Esteve presente ao julgamento o Dr. André Alves de Melo, OAB/RJ n. 145.859. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. DIEGO DINIZ RIBEIRO Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratase de Auto de Infração para exigência de Imposto de Importação, PIS Importação e CofinsImportação, acrescidos dos juros de mora e multa de mora, totalizando um crédito tributário exigível no valor de R$ 11.028.955,47. Referida exigência decorre de fiscalização que teve por escopo averiguar em concreto se a Recorrente tinha cumprido os requisitos e condições para fruição de benefícios fiscais (isenção e redução de alíquotas) em operações de importação de partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção de aeronaves e embarcações. 2. Segundo a fiscalização, nas operações perpetradas pela Recorrente a isenção do II só seria válida na hipótese dos bens importados não apresentarem similar nacional, nos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 17 62 .7 20 04 6/ 20 14 -5 7 Fl. 5873DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO Processo nº 11762.720046/201457 Resolução nº 3402000.800 S3C4T2 Fl. 5.874 2 termos do art. 17 do Decretolei n. 37/661, o que deveria ser constatado previamente à importação. Ademais, ainda de acordo com a fiscalização, o benefício fiscal só seria válido se os bens importados fossem empregados em navios de bandeira estrangeira. 3. Por entender que a Recorrente não cumpriu com os requisitos estabelecidos na legislação que julgou pertinente, a fiscalização lavrou o sobredito Auto de Infração, promovendo a notificação do contribuinte que, em sede de Impugnação, alegou o que segue sumarizado abaixo: (i) decadência ; (ii) inexigibilidade da prova da não similaridade na importação dos produtos beneficiados pelas leis n.° 8.032/90 e n.° 9.493/97; e (iii) que os bens importados de fato tiveram a destinação exigida em lei, o que estaria demonstrado por amostragem (cruzamento das mercadorias apontadas em parcela das DIs fiscalizadas com as correlatas notas fiscais de saída), bem como pela escrituração dos livros fiscais de saída apresentados pelo contribuinte (fls. 3.439/3.628) e referentes ao período em debate, no qual não consta o registro de qualquer operação com CFOP diverso da destinação exigida em lei ("revisão e manutenção de embarcações"). 4. Devidamente processada, a Impugnação apresentada foi julgada parcialmente procedente pela DRJFlorianópolis (Acórdão n. 0736.113), o qual apresenta a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2009 a 12/06/2012 ISENÇÃO DE IMPOSTOS NA IMPORTAÇÃO. NORMAS APLICÁVEIS. As normas a serem observadas na concessão ou reconhecimento de isenção de impostos na importação de mercadorias são aquelas que regem a matéria específica. Cumpridos os requisitos específicos instituídos para a concessão ou reconhecimento da isenção esta deve ser deferida. ISENÇÃO DE IMPOSTOS NA IMPORTAÇÃO. EXAME DE SIMILARIDADE. EXIGÊNCIA. Como regra geral, a isenção ou a redução de imposto de importação somente beneficiará mercadoria sem similar nacional e transportada em navio de bandeira brasileira. Excetuamse da regra geral os casos previstos em lei específica ou no Regulamento Aduaneiro. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2009 a 12/06/2012 1 "Art. 17 A isenção do impôsto de importação sòmente beneficia produto sem similar nacional, em condições de substituir o importado." Fl. 5874DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO Processo nº 11762.720046/201457 Resolução nº 3402000.800 S3C4T2 Fl. 5.875 3 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DIFERENÇA DE PAGAMENTO. O prazo de cinco anos, a partir do fato gerador, para formalizar a exigência do imposto relativo ao lançamento considerado por homologação (§ 4o do art. 150 do CTN) somente se opera na hipótese de diferença de tributos na importação. No caso em que se apurar a inexistência de qualquer pagamento de imposto, como no despacho aduaneiro com isenção, o prazo para formalizar o crédito tributário passa a ser o previsto no art. 173, inciso I, do CTN, e no caput do art. 138 do Decretolei no 37/1966, cuja contagem é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. 5. Diante deste quadro, a sobredita decisão foi sujeita ao recurso de ofício, bem como também foi atacada pelo contribuinte por intermédio do Recurso Voluntário de fls. 5.072/5.093, oportunidade em que o Recorrente insistiu ter feito prova hábil da destinação dos produtos importados. 6. É o relatório. Voto 7. Conforme se depreende dos autos, a discussão posta pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário gravita em torno de saber se os documentos por ele colacionados (livros contábeis de saída para o período fiscalizado), combinado com os documentos apresentados por amostragem (cruzamento das mercadorias apontadas em parcela das DIs fiscalizadas com as correlatas notas fiscais de saída) e seu objeto social seriam ou não suficientes para demonstrar a destinação dos produtos importados e aqui debatidos. 8. A decisão da DRJ, por sua vez, chancela a visão fiscal, qual seja, de que apenas o confronto analítico de cada nota de saída com cada uma das mercadorias indicadas nas DIs fiscalizadas seria prova hábil da destinação dos produtos importados. 9. Ao se analisar a legislação de regência constatase que esta estabelece a destinação a ser cumprida ("revisão e manutenção de aeronaves e embarcações") pelos bens importados para gozo dos benefícios fiscais aqui tratados, sem, todavia, especificar quais são os documentos contábeis que deverão ser empregados a título de prova. 10. Assim, em tese, parece ser crível a prova apresentada pelo contribuinte, especialmente aquela consistente em seus livros de saída. Todavia, para a devida comprovação da assertiva do Recorrente, mister se faz detalhar os CFOP's indicados em tais livros contábeis, de modo a permitir que este Tribunal constate se, de fato, todas as saídas ali indicadas representam códigos fiscais de operações que têm por finalidade a revisão e manutenção de embarcações. 11. Neste sentido, resolvo por converter o presente julgamento em diligência para que a fiscalização promova: Fl. 5875DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO Processo nº 11762.720046/201457 Resolução nº 3402000.800 S3C4T2 Fl. 5.876 4 (i) a análise dos livros de saída de fls. 3.439/3.628, detalhando quais são os códigos fiscais ali apontados e as correlatas descrições das operações perpetradas, criando uma tabela analítica para separar as operações afetadas pelo benefício fiscal aqui tratado daquelas que não gozam de tal benesse. 12. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência ao contribuinte, abrindo lhe o prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito, o que deve ser feito com especial ênfase para as questões fáticas aqui tratadas. 13. Ato contínuo, sejam devolvidos os autos para seu processamento e julgamento por este Tribunal Administrativo. 14. É a resolução. Diego Diniz Ribeiro Relator Fl. 5876DF CARF MF Impresso em 30/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Numero do processo: 13971.720547/2013-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PESSOA JURÍDICA INTERPOSTA. TRABALHADORES. DESCONSIDERAÇÃO DO VÍNCULO FORMAL. RELAÇÃO TRIBUTÁRIA COM A EMPRESA AUTUADA. INSUFICIÊNCIA DAS PROVAS NO LANÇAMENTO.
Cabe ao Fisco lançar de ofício o crédito correspondente à relação tributária efetivamente existente, desconsiderando o vínculo formal pactuado com pessoa jurídica interposta, optante pelo Simples Nacional, desde que demonstrado, por meio da linguagem de provas, que os trabalhadores prestavam serviços diretamente à empresa autuada, caracterizando relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, na condição de contribuinte. A insuficiência das provas no lançamento acarreta a impossibilidade da manutenção do crédito tributário constituído pela fiscalização.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-004.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário. Por maioria de votos, no mérito, em DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, em razão de não estar comprovada nos autos a acusação fiscal. Vencidos o Relator e a Conselheira MARIA CLECI COTI MARTINS que negavam provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro CLEBERSON ALEX FRIESS fará o voto vencedor.
André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Cleberson Alex Friess Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PESSOA JURÍDICA INTERPOSTA. TRABALHADORES. DESCONSIDERAÇÃO DO VÍNCULO FORMAL. RELAÇÃO TRIBUTÁRIA COM A EMPRESA AUTUADA. INSUFICIÊNCIA DAS PROVAS NO LANÇAMENTO. Cabe ao Fisco lançar de ofício o crédito correspondente à relação tributária efetivamente existente, desconsiderando o vínculo formal pactuado com pessoa jurídica interposta, optante pelo Simples Nacional, desde que demonstrado, por meio da linguagem de provas, que os trabalhadores prestavam serviços diretamente à empresa autuada, caracterizando relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, na condição de contribuinte. A insuficiência das provas no lançamento acarreta a impossibilidade da manutenção do crédito tributário constituído pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário. Por maioria de votos, no mérito, em DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, em razão de não estar comprovada nos autos a acusação fiscal. Vencidos o Relator e a Conselheira MARIA CLECI COTI MARTINS que negavam provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro CLEBERSON ALEX FRIESS fará o voto vencedor. André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Cleberson Alex Friess Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
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TRABALHADORES. DESCONSIDERAÇÃO DO VÍNCULO FORMAL. RELAÇÃO TRIBUTÁRIA COM A EMPRESA AUTUADA. INSUFICIÊNCIA DAS PROVAS NO LANÇAMENTO. Cabe ao Fisco lançar de ofício o crédito correspondente à relação tributária efetivamente existente, desconsiderando o vínculo formal pactuado com pessoa jurídica interposta, optante pelo Simples Nacional, desde que demonstrado, por meio da linguagem de provas, que os trabalhadores prestavam serviços diretamente à empresa autuada, caracterizando relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, na condição de contribuinte. A insuficiência das provas no lançamento acarreta a impossibilidade da manutenção do crédito tributário constituído pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário. Por maioria de votos, no mérito, em DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, em razão de não estar comprovada nos autos a acusação fiscal. Vencidos o Relator e a Conselheira MARIA CLECI COTI MARTINS que negavam provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro CLEBERSON ALEX FRIESS fará o voto vencedor. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 05 47 /2 01 3- 12 Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 2 Arlindo da Costa e Silva Relator. Cleberson Alex Friess – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720547/201312 Acórdão n.º 2401004.199 S2C4T1 Fl. 1.206 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008. Data de lavratura dos Autos de Infração: 28/03/2013. Data da ciência dos Autos de Infração: 08/04/2013. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Curitiba/PR, que julgou improcedente a impugnação oferecida pelos sujeitos passivos do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.096.5027, consistente em contribuições previdenciárias a cargo da empresa, destinadas a Outras Entidades e Fundos, a saber, FNDE – Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE, incidentes sobre os valores pagos a pessoas físicas que prestaram serviços à empresa com todos os requisitos da figura do segurado empregado, contratados, porém, por intermédio de interposta pessoa, optante do Simples Nacional, conforme descrito no Relatório Fiscal, a fls. 671/698. De acordo com a Resenha Fiscal, mediante procedimento de auditoria realizada na empresa Autuada IRMÃOS LIPPEL E CIA LTDA, doravante LIPPEL, e na empresa VJG INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, daqui pra frente VJG, esta, optante do regime simplificado de tributação do Simples Nacional, verificouse a ocorrência dos pressupostos da relação de segurado empregado entre os segurados empregados e sócios formalmente registrados na VJG e LIPPEL, ora Autuada, procedendose a apuração da contribuição previdenciária patronal incidente sobre a remuneração dos segurados, não constante nas folhas de pagamento e não declarados nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP da Autuada. Conforme consignado no Relatório Fiscal, “evidenciase uma situação fática completamente divergente da situação jurídica, existindo uma simulação na contratação de pessoa jurídica, cujos empregados e sócios atuam, na verdade, como empregados da contratante. Por meio dos mesmos verificase uma interdependência econômica e interligação administrativa, com unicidade de comando exercida, na prática, pela família LIPPEL nas empresas, sendo a VJG (optante pelo regime de tributação SIMPLES) apenas uma empresa interposta na contratação formal da mão de obra utilizada, efetivamente, em benefício da empresa IRMÃOS LIPPEL, com o principal objetivo de REDUÇÃO DE ENCARGOS PREVIDENCIÁRIOS”. Os fatos apurados na Ação Fiscal foram objeto de Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP) por restar configurado, em tese, crime de Sonegação de Contribuição Previdenciária, previsto no art. 337A, inciso III, do Código Penal, com redação dada pela Lei nº 9.983/2000. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Sujeito Passivo ofereceu impugnação administrativa, a fls. 711/768. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0647.558 6ª Turma da DRJ/CTA, a fls. 1101/1128, julgando procedente o lançamento tributário, e mantendo crédito lançado em sua integralidade. Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 4 Devidamente cientificado da decisão de 1ª Instância em 15/07/20104, conforme Avisos de Recebimento a fls. 1132/1134, e inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário em petição acostada a fls. 1137/1191, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Nulidade do Auto de Infração, em razão da capitulação genérica e da falta de motivação que ensejou a qualificação da multa de ofício; · Inexistência dos requisitos para a responsabilização passiva solidária dos sócios da autuada e ilegitimidade passiva dos sócios administradores da Autuada; · Que a opção pela terceirização de serviços, mediante a industrialização por encomenda, se deu de forma regular e em plena conformidade com a lei; · Que a empresa Autuada jamais simulou a contratação de pessoa jurídica; · Inexistência de norma antielisiva e impossibilidade de desconsideração de atos e negócios da Pessoa Jurídica; · Incompetência do Auditor Fiscal para reconhecer vínculo empregatício; · Que as Contribuições Previdenciárias já recolhidas na sistemática do Simples Nacional devem ser abatidas do crédito lançado; · Decadência parcial; · Que deve ser afastada a Taxa SELIC incidente sobre a Multa de Ofício; · Que a Representação Fiscal para Fins Penais só pode ocorrer após proferida a decisão final na Instância administrativa; · Falta de motivação a ensejar a qualificação da Multa de Ofício; Ao fim, requerem o afastamento dos sócios administradores do polo passivo da Relação JurídicoTributária em questão, bem como o cancelamento da exigência fiscal. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720547/201312 Acórdão n.º 2401004.199 S2C4T1 Fl. 1.207 5 Voto Vencido Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi valida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 15/07/2014. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 08/08/2014, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA NULIDADE O Recorrente alega nulidade do Auto de Infração em razão de capitulação genérica e da falta de motivação que ensejou a aplicação da multa de ofício qualificada. Não. Os itens 43e seguintes expõe a capitulação específica da multa de ofício qualificada, assim como as razões de fato e de direito que motivaram a aplicação da multa de 150%. Com efeito, a Fiscalização honrou consignar em seu Relatório Fiscal que “Nos itens seguintes serão abordados os aspectos relacionados à aplicação da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei 9.430/96. Em suma, será demonstrado que no presente caso, devese se aplicar a multa em seu percentual duplicado (2 x 75% = 150%) por restar caracterizada a prática de sonegação e conluio previstas nos arts. 71 e 73 da Lei 4.502/64. A aplicação da multa qualificada se dará na competência 12/2008, tendo em vista que os dispositivos acima citados aplicamse as contribuições previdenciárias e para terceiras entidades a partir da edição da Medida Provisória n° 449 de 04/12/2008”. Na sequência, após transcrever os dispositivos legais específicos da multa de ofício e das circunstâncias que implicam a sua aplicação deforma qualificada, o Relatório Fiscal expressa a motivação de sua aplicação no patamar de 150%, conforme se vos segue: “Numa análise objetiva dos fatos relatados nos itens 5 a 40 acima, frente aos dispositivos legais em comento, não há como não enquadrar a ação dolosa, intencional e consciente de constituir, FORMALMENTE, a empresa VJG (optante pelo SIMPES) para abrigar a mão de obra utilizada, de fato, na produção da empresa IRMÃOS LIPPEL, com o evidente intuito de impedir o conhecimento do Fisco da incidência das Contribuições da empresa sobre as Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 6 remunerações de seus segurados, nas definições de sonegação e conluio contida no arts. 72 e 73 da Lei 4.502/64, já transcritos. Desta forma, a multa de ofício de 75% sobre as contribuições não recolhidas será duplicada na forma do artigo 44, §1º da Lei 9.430/96 [...]” Conforme demonstrado, a Fiscalização descreveu em seu Relatório Fiscal as razões de fato e de Direito específicas que desaguaram na aplicação da multa de ofício qualificada, razão pela qual rejeitamos a preliminar de nulidade suscitada pelo Recorrente. Vencidas as questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 3.1. DA CARACTERIZAÇÃO DA CONDIÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO O Recorrente alega que a empresa Autuada jamais simulou a contratação de pessoa jurídica. Aduz que a opção pela terceirização de serviços, mediante a industrialização por encomenda, se deu de forma regular e em plena conformidade com a lei. Argumenta ainda a inexistência de norma antielisiva e impossibilidade de desconsideração de atos e negócios da Pessoa Jurídica, assim como a incompetência do Auditor Fiscal para reconhecer vínculo empregatício. Em primeiro lugar, há que se deixar claro que o presente caso não trata da caracterização do vínculo trabalhista de empregado (instituto de Direito do Trabalho), previsto no art. 3º da CLT, mas, sim, da caracterização do vínculo previdenciário de empregado (instituto de Direito Previdenciário) assentado no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, assim como do lançamento das contribuições previdenciárias devidas pela empresa em decorrência da prestação remunerada de serviços por tais trabalhadores à Autuada. Consolidação das Leis do Trabalho CLT Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. (grifos nossos) Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720547/201312 Acórdão n.º 2401004.199 S2C4T1 Fl. 1.208 7 Parágrafo único. Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico e manual. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: (grifos nossos) a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; (grifos nossos) b) aquele que, contratado por empresa de trabalho temporário, definida em legislação específica, presta serviço para atender a necessidade transitória de substituição de pessoal regular e permanente ou a acréscimo extraordinário de serviços de outras empresas; c) o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em sucursal ou agência de empresa nacional no exterior; d) aquele que presta serviço no Brasil a missão diplomática ou a repartição consular de carreira estrangeira e a órgãos a ela subordinados, ou a membros dessas missões e repartições, excluídos o não brasileiro sem residência permanente no Brasil e o brasileiro amparado pela legislação previdenciária do país da respectiva missão diplomática ou repartição consular; e) o brasileiro civil que trabalha para a União, no exterior, em organismos oficiais brasileiros ou internacionais dos quais o Brasil seja membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo se segurado na forma da legislação vigente do país do domicílio; f) o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior, cuja maioria do capital votante pertença a empresa brasileira de capital nacional; g) o servidor público ocupante de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, Autarquias, inclusive em regime especial, e Fundações Públicas Federais; (Alínea acrescentada pela Lei n° 8.647/93) i) o empregado de organismo oficial internacional ou estrangeiro em funcionamento no Brasil, salvo quando coberto por regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 9.876/99). j) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 10.887/2004). II como empregado doméstico: aquele que presta serviço de natureza contínua a pessoa ou família, no âmbito residencial desta, em atividades sem fins lucrativos; Muito embora semelhantes em alguns pequenos aspectos, as legislações trabalhista e previdenciária não se confundem. Tendo como assentada tal premissa, fácil é perceber que o segurado Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 8 obrigatório do Regime Geral de Previdência Social RGPS qualificado com “segurado empregado” não é aquele definido no art. 3º da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, mas, sim, a pessoa física especificamente conceituada para fins previdenciários no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, em seguimentos acima rememorados para facilitar a compreensão da questão posta em debate. Olhando com os olhos de ver, avulta que os conceitos de “empregado” e “segurado empregado” presentes nas legislações trabalhista e previdenciária, respectivamente, são plenamente distintos. Esta qualifica como “segurado empregado” não somente os trabalhadores tipificados como “empregados” na CLT, mas, também, outras categorias de laboristas. De outro eito, determinadas categorias de trabalhadores tidas como “empregados” pela CLT podem não ser qualificadas como segurados empregados para os fins colimados pela lei de custeio da Seguridade Social. Exemplo emblemático do que acabamos de expor é o caso dos empregados domésticos. Malgrado este trabalhador seja qualificado como empregado pela Consolidação Laboral, para a Seguridade Social, tal segurado não integra a categoria de “segurado empregado”, art. 12, I da Lei nº 8.212/91, mas, sim, a de “segurado empregado doméstico”, art. 12, II da Lei nº 8.212/91, uma classe absolutamente distinta da de “segurado empregado”, com regras de tributação distintas e completamente diversas daquelas aplicáveis aos “segurados empregados”. Dessarte, mostrase irrelevante para fins de custeio da seguridade social o conceito de “empregado” estampado na Consolidação das Leis do Trabalho. Prevalecerá, sempre, para tais fins, a conformação dos segurados obrigatórios abrigada nos incisos do art. 12 da Lei nº 8.212/91. Portanto, para os fins do custeio da Seguridade Social, serão qualificados como segurados empregados, e nessa qualidade se subordinando empregador e segurados às normas encartadas na Lei nº 8.212/91, as pessoas físicas que prestarem serviços de natureza urbana ou rural à empresa, aqui incluídos os órgãos públicos por força do art. 15 da Lei nº 8.212/91, em caráter não eventual, sob sua subordinação jurídica e mediante remuneração. Conforme já salientado anteriormente, vigora no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade sobre a Forma, o qual propugna que, havendo divergência entre a realidade das condições ajustadas numa determinada relação jurídica e as verificadas em sua execução, prevalecerá a realidade dos fatos. Havendo discordância entre o que ocorre na prática e o que está expresso em assentamentos públicos, documentos ou acordos, prevalece a realidade dos fatos. O que conta não é a qualificação contratual, mas a natureza das funções exercidas em concreto. No caso sub examine, o auditor fiscal acusou a presença ostensiva dos elementos caracterizadores da relação de segurado empregado (reiterese, não a de vínculo empregatício, que é irrelevante ao caso), consubstanciados na prestação de serviço de natureza urbana por pessoa física ao Recorrente, em caráter não eventual, sob subordinação jurídica do contratado pessoa física ao contratante e mediante remuneração. Não procede, portanto, a alegação de incompetência do Auditor Fiscal para reconhecer vínculo empregatício. Não há qualquer reconhecimento de vínculo empregatício, mas, tão somente, reconhecimento da existência material de vínculo de segurado empregado, prerrogativa privativa contida no portfolio de competências da Secretaria da Receita Federal do Brasil, tendo por fundamento o princípio da primazia da realidade dos fatos sobre a forma dos atos. O episódio em pauta configurase num típico caso de terceirização fraudulenta da atividade fim da empresa, na qual a pessoa jurídica cria uma outra empresa sob o seu pleno comando, direção e subordinação, porém, constituída em nome de parentes ou de terceiros, conhecidos Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720547/201312 Acórdão n.º 2401004.199 S2C4T1 Fl. 1.209 9 coloquialmente como “laranjas”, optante do regime simplificado de tributação do Simples Nacional, para abrigar formalmente o registro trabalhista dos trabalhadores utilizados pela empresa mãe na execução de sua atividade fim, uma relação fática em que figuram ostensivamente presentes a pessoalidade, a não eventualidade do serviço, a subordinação jurídica e, obviamente, a onerosidade, de maneira a se beneficiar indevidamente dos benefícios fiscais atávicos ao Sistema Simplificado previsto na Lei Complementar n° 123/2006. Na estrutura de tal mecanismo, formalmente a empresa contrata uma outra pessoa jurídica para executar a sua atividade fim, porém, na realidade nua dos fatos, quem efetivamente presta o serviço remunerado são os trabalhadores pessoas físicas formalmente registrados na pessoa jurídica artificialmente contratada, porém, de maneira não eventual, sob subordinação jurídica à contratante e em caráter intuitu personae. No que pertine à subordinação, tal atributo tem que ser averiguado em seu aspecto jurídico, não apenas no hierárquico ou técnico. O conceito geral de subordinação foi elaborado levando se em consideração a evolução social do trabalho, com sua consequente democratização, passando da escravidão e da servidão para o trabalho contratado, segundo a vontade livre das partes. Sob tal prisma, revelase inconteste que a subordinação jurídica é intrínseca a toda a prestação remunerada de serviços por pessoa física, seja a empresas, seja a outras pessoas físicas. A subordinação jurídica configurase como o elemento da relação contratual na qual a pessoa física contratada sujeita o exercício de suas atividades laborais à vontade do contratante, em contrapartida à remuneração paga por este àquele. Irradia de maneira nítida da subordinação jurídica a identificação de quem manda e de quem obedece; de quem remunera e de quem é remunerado, de quem determina o que fazer, como, quando e quanto e de quem executa o serviço de acordo com o parametrizado. Podemos identificar no conceito de subordinação jurídica duas vestes de uma mesma nudez: De um lado, figura a faculdade do contratante de utilizarse da força de trabalho do contratado pessoa física como um dos fatores da produção, sempre no interesse do empreendimento cujos riscos assumiu, e do outro, a obrigação do empregado de sujeitar a execução do seu serviço à direção do empregador, no poder de ordenar o que fazer e como fazêlo, dentro dos fins a que este se propõe a alcançar, em contrapartida à remuneração que irá auferir. Para Gomes e Gottschalk (in Curso de direito do trabalho, Rio de Janeiro, Forense, 2005, pag. 134), “todo contrato gera o que denomina de estado de subordinação do empregado, pois este deve sujeitarse aos critérios diretivos do empregador, suas disposições quanto ao tempo, modo e lugar da prestação do trabalho, bem como aos métodos de execução e modalidade próprios da empresa, da indústria e do comércio”. À vista dos ensinamentos colhidos na melhor doutrina, vislumbrase que a subordinação jurídica conformase como um estado de sujeição em que se coloca o trabalhador, por sua livre e espontânea vontade, diante do empregador, em virtude de um contrato de trabalho pelo qual ao contratante é dado o poder de dirigir a força de trabalho do empregado, seja manual ou intelectual, em troca de uma contraprestação remuneratória. Dessarte, havendo prestação remunerada de serviços por pessoa física, por mais autonomia que tenha o contratado na condução do serviço a ser prestado, presente sempre estará, em menor ou maior grau, a subordinação jurídica do contratado ao contratante. Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 10 Como exemplo meramente ilustrativo, se o treinador de futebol, Sr. Luiz Felipe Scolari, celebrar contrato de prestação de serviço de pintura artística com o pintor de fama internacional Romero Britto para a confecção de um quadro representativo da Seleção Brasileira de futebol de 2014, mas este renomado pintor, em honra de suposta autonomia funcional e de ausência de subordinação, decidir, ao seu único e exclusivo arbítrio, retratar em pop art a Seleção Alemã da copa do Mundo do Brasil do mesmo ano, com certeza o contrato será imediatamente rescindido, com fundamento em justa causa decorrente de insubordinação consistente no descumprimento, por parte do oblato, das determinações contidas no liame ajustado. No caso ora em apreciação, as provas colhidas pela Fiscalização demonstram que as empresas LIPPEL e VJG eram controladas pela família LIPPEL, ressaltandose a participação simultânea do Sr. Guideon LIPPEL (01/06/2001 a 28/10/2007) e do Sr. Lucas LIPPEL (29/10/2007 a 23/01/2008). A empresa IRMÃOS LIPPEL foi constituída em julho/75 pelos Srs. Vigoldo LIPPEL (66,7%) e Renaldo LIPPEL (33,3%). Em 02/05/1995, conforme 5ª alteração contratual, a localização da empresa passa a ser o atual endereço: rua pitangueira, 733, bairro siegel, Agrolândia/SC. Permanecem o casal Vigoldo LIPPEL (65%) e Érica LIPPEL (15%) e ingressam seus filhos: os Srs. Guideon LIPPEL (10%) e Jonas LIPPEL (10%). Retirase da sociedade o Sr. Renaldo LIPPEL. § Em 10/07/1999, conforme 7ª alteração contratual, retirase da sociedade o Sr. Vigoldo LIPPEL, permanecendo a Sra. Érica LIPPEL (50%) e seus filhos Srs. Guideon LIPPEL (25%) e Jonas LIPPEL (25%). § Em 04/04/2001, conforme item III da 8ª alteração contratual, a participação dos sócios passa a ser: Sra. Érica LIPPEL (50%) e seus filhos Srs. Guideon LIPPEL (9%) e Jonas LIPPEL (41%); · Em 28/08/2001, conforme 9ª alteração contratual, é criada uma filial à rua pitangueira, 311, bairro siegel, Agrolândia/SC. A sociedade passa a adotar como título do estabelecimento: “VJG MÁQUINAS INDUSTRIAIS” (observese que VJG faz referência às letras iniciais dos Srs. Vigoldo, Jonas e Guideon LIPPEL – pai e filhos). · Em 01/07/2002, conforme 10ª alteração contratual, transferese a filial para a rodovia BR 470, 2.420, KM 67, bairro encano do norte, Indaial/SC; · Em 04/10/2002, conforme 11ª alteração contratual, excluise o título: “VJG MÁQUINAS INDUSTRIAIS” da sede da empresa e a filial passa a adotar o título: “GIDO MÁQUINAS”; § Em 29/10/2007, conforme 13ª alteração contratual, extinguese a filial. Retiramse da sociedade a Sra. Érica LIPPEL e seu filho Guideon LIPPEL, permanece o Sr. Jonas LIPPEL (80%) e ingressa o seu irmão Lucas LIPPEL (20%). § Em 03/07/2008, conforme 14ª alteração contratual, Retirase da sociedade o sr. Lucas LIPPEL, permanece o Sr. Jonas LIPPEL (50%) e reingressa seu irmão, Sr. Guideon LIPPEL (50%). § Em 31/10/2008, conforme 15ª alteração contratual, permanecem os irmãos: Srs. Jonas LIPPEL (49%) e Guideon LIPPEL (49%) e reingressa o pai: Sr. Vigoldo LIPPEL (2%). Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720547/201312 Acórdão n.º 2401004.199 S2C4T1 Fl. 1.210 11 A empresa VJG INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA foi constituída em 01/06/2001 pelo Sr. Guideon LIPPEL (90%) também sócio (9%) da empresa IRMÃO LIPPEL e pelo seu irmão Sr. Lucas LIPPEL (10%) na época menor de idade e representado por seu pai Sr. Vigoldo LIPPEL , com capital social irrisório de R$ 15.000,00. · Em 24/01/2008, conforme 2ª alteração contratual, permanece na sociedade o Sr. Guideon LIPPEL (98%), retirase seu irmão o Sr. Lucas LIPPEL e ingressa o Sr. Samuel Zilse (2%), que era empregado da empresa. · Em 03/07/2008, 3ª alteração contratual, permanece na sociedade o Sr. Samuel Zilse (2%), retirase o Sr. Guideon LIPPEL e ingressa seu irmão o Sr. Lucas LIPPEL (98%); · Em 13/03/2009, conforme 4ª alteração contratual, o objeto social passa a ser: “comércio atacadista, manutenção, reforma e fabricação de peças e equipamentos industriais, e industrialização por encomenda de equipamentos industriais; e serviços especializados de apoio administrativo, como a preparação de documentos diversos”; · Em 13/03/2009, conforme 5ª alteração contratual, permanece na sociedade o Sr. Samuel Zilse (2%), retirase o Sr. Lucas LIPPEL e ingressa a Sra. Odineia Ferreira Soares (98%), cônjuge do Sr. Guideon LIPPEL; · Em 01/07/2010, conforme 6ª alteração contratual, permanece na sociedade a Sra. Odineia Ferreira Soares (98%), retirase o Sr. Samuel Zilse e reingressa o Sr. Lucas LIPPEL (2%). O quadro a fl. 679 demonstra, com precisão, o controle societário integral das empresas LIPPEL e VJG pelos membros da Familia LIPPEL, ressaltandose: (i) a participação simultânea do Sr. Guideon LIPPEL no período (01/06/2001 a 28/10/2007) e do Sr. Lucas LIPPEL no período (29/10/2007 a 23/01/2008); (ii) a adoção, posteriormente à constituição da empresa VJG INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, no período de 28/08/2001 a 04/10/2002, do título do estabelecimento “VJG MÁQUINAS INDUSTRIAIS” pela empresa IRMÃOS LIPPEL & CIA LTDA; (iii) a troca de participação societária, em 07/07/2008, entre os irmãos Srs. Guideon LIPPEL e Lucas LIPPEL, ou seja, aquele retorna para a empresa IRMÃOS LIPPEL e este para a empresa VJG e (iv) a participação, a partir de 16/06/2009, da Sra. Odineia Ferreira Soares (98%), cônjuge do Sr. Guideon LIPPEL. Merece destaque a atuação do Sr. Samuel Zilse, constantemente figurando como empregado da LIPPEL, ora empregado da VJG, ora figurando como sócio administrador na empresa VJG, bem como as várias procurações outorgadas pelas empresas LIPPEL e VJG conferindolhe amplos poderes administrativos, evidenciando a efetiva interligação de tais empresas, conforme quadro demonstrativo a fl. 680. Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 12 Conforme verificação física levada a cabo pela Fiscalização, as empresas compartilham as mesmas instalações industriais, as quais são de propriedade da empresa IRMÃOS LIPPEL, sendo que o endereço da empresa VJG corresponde a um acesso lateral das instalações da empresa IRMÃOS LIPPEL, conforme ilustrado a fls. 682/683. Do exame das informações declaradas pelas empresas LIPPEL e VJG em suas GFIP, a Fiscalização apurou que partir da constituição da empresa VJG (optante pelo SIMPLES), em 01/06/2001, a empresa IRMÃOS LIPPEL passou a demitir, sem justa causa, vários empregados dos seus quadros, os quais, logo em seguida, foram admitidos pela empresa VJG, revelando, insofismavelmente, uma efetiva e real transferência dos trabalhadores da LIPPEL para a VJG, conforme ilustrado no Quadro a fls. 684/685. Em realidade, dos 53 empregados da empresa VJG informados na sua GFIP do mês 12/2001, 37 (70%) eram exempregados da empresa IRMÃOS LIPPEL. Deve ser destacado que nas petições iniciais das ações trabalhistas nº 1086/02; 1462/03 e 00453200604812004 , ajuizadas na Vara do Trabalho de Rio do Sul/SC, em face das empresas IRMÃOS LIPPEL e VJG, os autores, respectivamente, Aristiliano Waltrick Bennert, Claudemir Maververk e Ademir Oscar Koch afirmam terem sido contratados inicialmente pela empresa IRMÃOS LIPPEL e posteriormente pela empresa VJG, porém asseveram que sempre mantiveram as mesmas condições de trabalho, sem solução de continuidade, laborando no mesmo local, nas mesmas funções e sob o comando das mesmas pessoas. Os depoimentos do autor e das testemunhas da Ação Trabalhista de nº 1462/03 do Sr. Claudemir Maververk corroboram os dados apresentados pela Fiscalização, e evidenciam que a empresa VJG, optante pelo SIMPLES, houvese por foi constituída com único objetivo de redução dos encargos previdenciários, em flagrante desrespeito à legislação vigente. O Quadro demonstrativo a fl. 686 bem demonstra que, a partir do ano de 2001, quando da constituição da empresa VJG, optante pelo Simples Nacional, a empresa IRMÃOS LIPPEL, tributada pelo Lucro Real, sofreu significativa redução de despesas com empregados, de 0,52% a 2,83% da Receita Bruta, de 2002 a 2011, apesar do aumento significativo de 730% do seu faturamento. Em contrapartida, a empresa VJG, prestadora de serviços para a empresa IRMÃOS LIPPEL, apresentou no mesmo período índices bem superiores de despesas com empregados, de 69% a 99% do seu faturamento, demonstrando claramente que a VJG era utilizada para concentrar as despesas com mão de obra utilizada na produção enquanto que a LIPPEL registrava o faturamento proveniente da comercialização dos produtos. Extraise do Quadro Demonstrativo a fl. 686 que a receita bruta anual da VJG jamais ultrapassou o limite de R$ 2.200.000,00 , sob pena de se ver excluída da sistemática do Simples Nacional, e, assim, jogar por terra todo o esquema fraudulento arquitetado. Notese que no exercício de 2010 a VJG comprometeu 99,29 % do seu faturamento com as despesas de pessoal, uma vez que a receita bruta anual não poderia ultrapassar o limite anual de 2,4 milhões de reais. Coincidentemente, com a publicação da Lei Complementar nº 139/2011, que alterou o limite anual para 3,6 milhões, a VJG, já no mesmo exercício de 2011, registrou receita bruta de R$ 3.027.493,11 e o percentual de despesas com empregados despencou para 85%. Deflui do Quadro Ilustrativo a fl. 686 que a administração do grupo econômico em tela manipulava contabilmente o faturamento e as despesas com pessoal da VJG, de molde a mantêlos nos lindes do Simples Nacional, com a evidente finalidade de reduzir os encargos previdenciários incidentes sobre as remunerações dos seus empregados. Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720547/201312 Acórdão n.º 2401004.199 S2C4T1 Fl. 1.211 13 A Fiscalização apurou que o faturamento da empresa VJG, no período de 2007 a 2011, é resultante da prestação de SERVIÇOS DE INDUSTRIALIZAÇÃO, quase que exclusivamente para a empresa IRMÃOS LIPPEL, vinculados diretamente à sua atividade fim, utilizandose das instalações, máquinas e equipamentos de propriedade da empresa IRMÃOS LIPPEL. Apesar de formalmente intimadas, as empresas IRMÃOS LIPPEL e VJG não apresentaram os contratos de prestação de serviços supostamente celebrados entre elas. A tabela a fl. 687 revela que no período de apuração do presente lançamento os serviços prestados pela VJG à LIPPEL corresponderam a 98,6 % do faturamento. Do exame das notas fiscais emitidas pelas empresas, referentes as prestações de serviços, a Fiscalização concluiu que a empresa IRMÃOS LIPPEL adquire a matériaprima e remete para a empresa VJG, a qual, por sua vez, realiza o serviço de industrialização e retorna o produto acabado para ser comercializado por aquela. Tudo isso sem sair do mesmo local físico, eis que ambas as empresas ocupam o mesmo galpão, que é de propriedade da LIPPEL. As operações de remessa e retorno de mercadorias entre as empresas são fictícias, meramente contábeis, uma vez que estas empresas compartilham as mesmas instalações. Avulta das contingências apontadas que a empresa VJG, optante pelo SIMPLES NACIONAL, concentra o custo da mão de obra e a empresa IRMÃOS LIPPEL, tributada pelo Lucro Real, concentra os outros custos de produção e as receitas com a comercialização dos produtos. Tal ilação é corroborada pelos depoimentos das rés (IRMÃOS LIPPEL e VJG) no Termo de Audiência da Ação trabalhista de nº 1462/03, movida pelo Sr. Claudemir Maveverk, em excertos adiante transcritos. LIPPEL: “que a primeira ré alugou o prédio e maquinários para a segunda ré, por volta de 2001, sendo que a partir desta data apenas a segunda ré deu seguimento ao empreendimento, sendo que a primeira ré compra os serviços da segunda ré e os comercializa”. VJG: “que a primeira ré terceirizou toda a parte de produção, que passou a ser encargo da segunda ré, ficando apenas a parte comercial para a primeira ré, que encomenda os produtos e fornece matéria prima à segunda ré e vende ditos produtos; os galpões são alugados pela segunda ré e o maquinário é através de contrato de comodato com esta”. Autor: “que não houve solução de continuidade do vínculo de emprego, já que trabalhou para a primeira ré, que mudou de denominação social, até a saída em 01.10.2003; sempre trabalhou na mesma atividade, como operador de empilhadeira; anotava corretamente os horários nos cartões de ponto, tendo assinado o documento de fl. 110, embora seja analfabeto.” Dos extratos bancários apresentados, contabilizados pelas empresas, a Fiscalização constatou que a IRMÃOS LIPPEL e VJG mantêm contas correntes na mesma agência nº 36331 do Banco do Brasil S/A. A análise desses extratos demonstra que as despesas com as folhas de pagamentos dos empregados registrados na empresa VJG, dentre outras, eram, de fato, pagas pela empresa IRMÃOS LIPPEL, utilizandose de transferências online entre suas contas correntes, conforme exposto em extratos bancários, onde se verifica que tais transferências online, realizadas mensalmente, da conta Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 14 corrente (2063X) da empresa IRMÃOS LIPPEL para a conta corrente (93270) da empresa VJG, em datas coincidentes com as do pagamento dos salários da VJG. Observese que o número do documento (553633000002063), constante nos extratos, identifica o código da operação referente à transferência online (55) e os números da agência (3633) e da conta corrente (2063) de origem das transferências. Avulta, mais uma vez, a manipulação do faturamento da VJG, de molde a não ultrapassar os limites de receita bruta necessários à sua manutenção no Simples Nacional. O Quadro Demonstrativo a fls. 688/689 arrola os cargos/funções e respectivos códigos da Classificação Brasileira de Ocupações – CBO dos empregados da empresa VJG, constantes em suas folhas de pagamentos, no período de 01/2008 a 12/2011. O exame dos LTCAT de 2008 a 2011 apresentados pelas empresas revelam que a descrição física dos locais de trabalho do escritório, usinagem e montagem são idênticos, evidenciando que os empregados dessas empresas compartilham das mesmas instalações, conforme verificado in loco pela Fiscalização. Além disso, a descrição das atividades desenvolvidas pelos empregados da empresa VJG nos vários setores (escritório, usinagem, montagem, corte e dobra, pintura e jato de abrasivo) não deixam dúvidas de que os serviços prestados por estes empregados estão diretamente vinculados à ATIVIDADE FIM da empresa IRMÃOS LIPPEL: “Indústria e comércio varejista de máquinas industriais e jato de granalha, comércio varejista de materiais mecânicos e industriais, compra, venda, manutenção, reforma e fabricação de equipamentos industriais, fabricação de máquinas e equipamentos para os setores de reciclagem e florestal, industrialização por encomenda de equipamentos industriais, importação e exportação”, caracterizandose, portanto, uma terceirização ilegal, a teor do Enunciado 331 do TST, e, consequentemente, formandose o vínculo empregatício dos trabalhadores da empresa VJG diretamente coma a empresa IRMÃOS LIPPEL. Tal fato demonstra, ainda, a não eventualidade dos serviços prestados pelos trabalhadores formalmente registrados na VJG à LIPPEL. Os Balanços Patrimoniais e as relações dos bens apresentadas pelas empresas demonstram que as instalações, máquinas e equipamentos utilizados pelos empregados da VJG nos vários setores administração, usinagem, montagem, pintura, jato de granalha, corte e dobra e almoxarifado , bem como nas várias etapas do processo de industrialização, pertencem a empresa IRMÃOS LIPPEL, devendo ser ressaltado que não foram apresentados contratos de aluguéis ou de comodato entre as empresas, bem como também não se verificaram quaisquer lançamentos contábeis referentes a aluguéis de instalações, máquinas e equipamentos entre as empresas. Além das procurações outorgadas pelas empresas para o Sr. Samuel Zilse, já abordadas alhures, a Fiscalização apurou a existência de procurações outorgadas pela empresa VJG, em 08/03/2006 e 31/05/2011, para a Sra. Mara Daiane Marangoni, empregada (coordenadora administrativa financeira) da empresa IRMÃOS LIPPEL desde 18/02/2002, conferindolhe poderes administrativos e constituindo se, portanto, em mais uma evidência da interligação das empresas. Merece ser ressaltado que, para fins tributários, considerase fraude toda ação ou omissão dolosa tendente a (a) impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal; (b) excluir a ocorrência do fato gerador; ou (c) modificar as características Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720547/201312 Acórdão n.º 2401004.199 S2C4T1 Fl. 1.212 15 essenciais do fato gerador, de modo a (i) reduzir o montante do tributo devido; (ii) evitar o seu pagamento ou (iii) diferir o seu pagamento. Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964 Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento. A fraude tributária se materializa, portanto, pelo emprego de ardis e estratagemas visando a ludibriar o Fisco, induzindoo a erro a respeito das reais características dos fatos jurídicos ocorridos, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento. Por outro viés, na simulação o ato jurídico é deliberadamente dissimulado, a fim de representar externamente perante terceiros uma outra realidade que não aquela pretendida volitivamente pelo Praticante do ato simulado, e que enseje para este algum resultado econômico favorável. Assim, haverá simulação nos atos jurídicos quando estes contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula sabidamente não verdadeira; Na definição de Clóvis Beviláqua, citado por Silvio Rodrigues (in Direito Civil Parte Geral, vol. 1, 15ª edição, São Paulo : Saraiva, 1985, p. 218), “a simulação é uma declaração enganosa da vontade, visando a produzir efeito diverso do ostensivamente indicado”. Segundo Orlando Gomes (in Introdução ao Estudo do Direito, 7a. ed., Rio de Janeiro : Forense, 1983, p. 374), ocorre a simulação quando "em um negócio jurídico se verifica intencional divergência entre a vontade real e a vontade declarada, com o fim de enganar terceiros". A simulação, em resumo, consubstanciase numa deformação voluntária do ato jurídico com o intuito de fugir à disciplina normal prevista em lei, consistente num desacordo intencional entre a vontade interna das partes, efetivamente pretendida, e a formalmente declarada no ato simulado. O ato jurídico simulado ostenta formalmente uma aparência diversa do efetivo querer das partes, pois simulam pretender um efeito jurídico que as partes, na realidade, não intencionam nem desejam. A doutrina tradicional da simulação, numa visão voluntarista do ato jurídico, considera serem simulados e passíveis de desconsideração pelo Fisco os atos e os negócios jurídicos praticados pelas partes com a intenção de enganar, ocultar, iludir, dificultar ou até mesmo tornar impossível a atuação fiscal. A simulação, portanto, traduzse pela falta de correspondência entre o ato praticado e o formalizado, encerrando uma declaração enganosa visando a produzir efeito diverso do fato ocorrido. Sobre as dificuldades da comprovação de simulação, que devem ser levadas em conta na análise das provas coletadas pelas autoridades fiscais, cabe lembrar os ensinamentos de GALVÃO TELLES (in Manual dos contratos em geral, 3ª ed., Lisboa, 1995, pag. 172174) “Em regra, porém, dado que os simuladores procuram furtarse a olhares indiscretos e dado que as contra declarações são entre nós pouco utilizadas, não existe prova direta da simulação. Esta terá de provarse indiretamente, através de presunções. Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 16 A simulação deixa quase sempre vestígio que a denunciam: há fatos, circunstâncias que a experiência aponta como sintomas ou índices do caráter fictício ou imaginário de um ato jurídico. Pelos meios admissíveis em direito, nomeadamente, através de testemunhas ou documentos, o interessado provará esses fatos ou circunstâncias e, conjugandoos e apreciandoos segundo o seu prudente critério, o tribunal formará juízo. A simulação representa um esforço de construção artificial, distanciada e deformadora da realidade, e raras vezes essa construção será um todo lógico e coerente, que forma cobertura completa dos fatos. A verdade vem à superfície e denunciase através de brechas daquela construção. Os indícios que fazem presumir a simulação serão particularmente convincentes se se tornar aparente um motivo simulatório. Por exemplo, alguém que está crivado de dívidas e com ameaças de execuções, declara vender a um parente próximo a maior parte dos seus bens, mas continua na posse deles e a satisfazer os respectivos encargos e cobrar os respectivos rendimentos; as circunstâncias são suspeitas, e o motivo simulatório ou causa simulandi está à vista, é o intuito de fraudar os credores”. Como visto, a fraude e a simulação deixam quase sempre rastros e vestígios que as denunciam: produzem fatos, atos e circunstâncias que a experiência aponta como sintomas ou indícios do caráter fictício ou imaginário de um ato jurídico fraudulento ou simulado. Em razão de tal acobertamento, tais defeitos da vontade declarada têm que ser provados através do conjunto de indícios e evidências que as operações realizadas na execução de tais esquemas vão deixando pelo seu caminho. Assim, pelos meios admissíveis em direito, nomeadamente, através de testemunhas, documentos, a experiência, etc., a Fiscalização reúne os meios de prova relativos a esses fatos, indícios ou circunstâncias, e o Julgador, apreciandoos segundo o seu livre convencimento e prudente critério, conjugandoos com os fins pretendidos pelo Increpado, forma o seu juízo de convicção. Da análise conjunta dos fatos ora apresentados, a Fiscalização constatou a existência de uma situação fática completamente divergente da situação jurídica, existindo uma simulação na contratação de pessoa jurídica VJG, optante do Simples Nacional, cujos empregados e sócios atuam, na verdade, como empregados da LIPPEL. Com efeito, da análise das provas dos autos, exsurge, de maneira nítida e clara, a ocorrência de simulação, na exata medida em que o Contribuinte, mediante ato volitivo e consciente, simulou a prestação de serviços de industrialização por encomenda pela VJG à LIPPEL, com a finalidade de encobrir a relação previdenciária de segurado empregado existente, na realidade nua dos fatos, entre a Autuada e os trabalhadores formalmente registrados na interposta pessoa, visando, tão somente, à redução dos encargos trabalhistas e previdenciários. Os fatos revelam uma intensa interdependência econômica e interligação administrativa, com unicidade de comando exercida, na prática, pela família Lippel em ambas as empresas, sendo a VJG, optante pelo regime de tributação SIMPLES NACIONAL, apenas uma empresa interposta na contratação formal da mão de obra utilizada, efetivamente, em benefício das empresas do grupo econômico de fato capitaneado pela IRMÃOS LIPPEL, com o principal objetivo de REDUÇÃO DE ENCARGOS PREVIDENCIÁRIOS. Exsurge das provas dos autos que a Autuada LIPPEL utilizouse da empresa VJG, optante do Simples Nacional, como interposta pessoa, com a finalidade de acobertar, sob aparente manto de legalidade, a mão de obra por ela utilizada na execução de sua atividade fim, com significativa redução de encargos previdenciários decorrentes da opção pelo regime tributário simplificado acima citado, circunstância que demonstra e comprova o elemento volitivo do Recorrente de suprimir/reduzir Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720547/201312 Acórdão n.º 2401004.199 S2C4T1 Fl. 1.213 17 tributo, mediante a omissão de informações à administração fazendária, pela omissão dessas operações nas GFIP, impedindo a Autoridade Fazendária de ter conhecimento da ocorrência de fatos geradores de Contribuições Previdenciárias. A fraude se manifesta na volitiva e consciente utilização de Pessoa Jurídica optante do SIMPLES, para abrigar, como interposta pessoa, o registro trabalhista formal de trabalhadores visando a intermediar a mão de obra utilizada na execução das tarefas inerentes à atividade econômica da Autuada, com vistas a reduzir a sua carga tributária. Reforça a caracterização da fraude a volitiva e consciente manipulação do faturamento da empresa VJG, de molde a mantêla nos lindes possíveis de permanência no regime simplificado do Simples Nacional, e nessa condição abrigar o registro formal dos contratos de trabalho dos empregados utilizados na execução das atividades fins da Autuada, de maneira a se beneficiar do regime simplificado previsto na Lei Complementar n° 123/2006, impedindo, dessa maneira, na órbita jurídica da Autuada, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, visando a reduzir o montante do tributo devido pelo empreendimento econômico. Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964 Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Estivessem devidamente registrados nos livros da VJG os reais custos de produção e o efetivo faturamento, tal empresa não poderia se beneficiar das benesses fiscais oferecidas pelo Simples Nacional, e o grupo econômico ora em trato teria que arcar com os encargos previdenciários e trabalhistas incidentes sobre a folha de salários de tais obreiros, na forma prevista na Lei nº 8.212/91 e nas demais leis de regência. De outro canto, estando tais operários registrados, mediante vínculo formal de emprego, em empresa optante do Simples Nacional, não se observa a ocorrência de tais fatos geradores de contribuições previdenciárias, uma vez que, na sistemática do Simples Nacional, a tributação não incide sobre a folha de pagamento, mas, sim, sobre a receita bruta anual, esta devidamente manipulada, independentemente do quantitativo, da qualificação legal ou da remuneração dos trabalhadores a ela vinculados. Conforme demonstrado anteriormente, a partir das provas coligidas, mediante o controle adequado dos registros contábeis de receitas e despesas, manipulouse o faturamento anual da empresa interposta, de molde a mantêla nos limites de enquadramento do Simples Nacional, sendo descarregado em seus Livros de Registro de Empregados os contratados de trabalho dos obreiros utilizados na execução da atividade fim da LIPPEL, assim como, em seus livros fiscais, os custos de mão de obra, para que, dessa forma, a empresa não optante, e efetiva consumidora da mão de obra acima referida, se mantivesse a salvo da tributação previdenciária incidente sobre o montante das remunerações pagas aos segurados em foco. Reforça a compreensão acerca da existência de fraude o fato de a empresa interposta existir, tão somente, no plano formal, em nome de parentes da Família Lippel, os verdadeiros donos do empreendimento econômico em tela, sem autonomia administrativa, financeira, patrimonial e operacional, em total dependência da Autuada, procedimento que demonstra o cuidado da Recorrente de buscar conferir, artificialmente, um falacioso ar de total independência jurídica e econômica entre tais Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 18 empresas, como se fossem unidades empresariais totalmente autônomas e independentes, assumindo fantasiosamente, cada uma, o risco da atividade econômica, o que de fato não ocorre no caso em tela. Por via de tal conduta, visou a Autuada induzir o Fisco a erro mediante o artifício da celebração de atos jurídicos formais, porém divorciados da realidade dos fatos, mas aptos a conferir uma sofismática aparência de legalidade às operações levadas a efeito no seio do empreendimento em xeque, encobrindo, dessarte, as circunstâncias materiais de Fatos Jurígenos Tributários que implicariam a incidência das obrigações tributárias estabelecidas na Lei de Custeio da Seguridade Social, bem como a responsabilidade tributária da Autuada pelo seu adimplemento. Colimou a Autuada, mediante tal ardil, afastar das dependências do empreendimento em realce os auditores fiscais da RFB, pela compreensão de “empresa que aparentemente nada deve ao Fisco, por este não é fiscalizada in loco”. As operações fraudulentas levadas a efeito pela Autuada configuramse, coloquialmente falando, como verdadeiros “estelionatos tributários”, uma vez que tem por objetivo obter vantagem ilícita, consistente na redução indevida da tributação previdenciária, em prejuízo da Seguridade Social, induzindo o Fisco Federal em erro, mediante a utilização de mão de obra formalmente registrada em empresa optante do Simples Nacional para a execução das tarefas inerentes à atividade empresarial de empresa não optante. A sonegação também se mostra patente, na medida em que, ao se manipular, volitiva e conscientemente, o faturamento da VJG, de molde a mantêla nos limites legais de opção pelo Simples Nacional, a Autuada impediu o conhecimento por parte da Autoridade Fazendária das reais condições pessoais das empresas acima citadas, afetando assim a obrigação tributária principal bem como o Crédito Tributário correspondente. Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Por outro lado, ao proceder ao registro formal dos trabalhadores utilizados na execução de sua atividade fim em empresa distinta, a VJG, optante do Simples Nacional, a LIPPEL volitiva e conscientemente excluiu da Autoridade Fazendária o conhecimento da ocorrência dos fatos geradores previstos na Lei nº 8.212/91, de sua responsabilidade tributária, eis que tais fatos jurígenos tributários deixaram de ser declarados ao Fisco em suas GFIP, além de restarem omitidos nas respectivas Folhas de Pagamento e nos títulos próprios da contabilidade. Assim, estando as empresas LIPPEL e VJG mancomunadas no fim específico de fraudar a Administração Tributária e de sonegar tributos, caracterizada também se revela a existência de conluio, a teor do art. 73 da Lei nº 4.502/64. Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964 Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720547/201312 Acórdão n.º 2401004.199 S2C4T1 Fl. 1.214 19 Conforme acima elucidado, presentes estão na conduta descrita nos autos os elementos objetivos e subjetivos qualificadores da fraude, da sonegação e do conluio, nos termos dos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, circunstâncias que implicam a incidência da multa de ofício qualificada, nas competências regidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 449/2008) Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) (...) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.48/2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) Não procede, portanto, a alegação de falta de motivação a ensejar a qualificação da Multa de Ofício. Os diversos fatos narrados no Relatório Fiscal, quando apreciados em seu conjunto, bem demonstram que a empresa VJG e, consequentemente, todos os seus empregados e sócios, estão diretamente subordinados à empresa IRMÃOS LIPPEL, destacandose as atividades vinculadas diretamente a atividade fim, as transferências dos empregados entre as empresas, as Procurações outorgadas, a interligação administrativa através de seus sócios, a dependência econômica entre as empresas, a manipulação de faturamento, a propriedade de todos os meios de produção, etc. Como visto, a subordinação se revela às escancaras com o tomador em foco, que detém todo o poder de chefia, de comando de como, o quê, quando, onde e quanto do serviço será executado, além do poder de controle sobre o serviço realizado e de dispensa do trabalhador, mesmo sem justa causa. Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 20 A jornada de trabalho é diária, definida pelo Contratante, sendo controlada por meio de cartõesponto. O trabalho é prestado nas dependências da empresa contratante. É definido por turnos, com horários certos de entrada e saída. A Fiscalização apurou que os trabalhadores registrados na VJG possuem em comum características que deixam claro que a pessoa jurídica em tela houvese por criada, tão somente, para atender ao modelo de contratação de empregados implementado pela LIPPEL, visando a excluirse dos encargos tributários e trabalhistas previstos na legislação federal. A não eventualidade encontrase patente no prolongado período em que os obreiros prestaram serviços ao Recorrente, combinado com a espécie de serviços prestados, os quais são inerentes ao atuar típico da empresa Autuada. Registrese que a sindicância da não eventualidade se apura mais em razão da atividade realizada pelo tomador do serviço do que pelo prazo de vigência do contrato. Nessas circunstâncias, sendo o serviço contratado uma necessidade contínua da empresa contratante, eis que inerente à sua atividade econômica, ou essencial ao desempenho satisfatório do objeto social da pessoa jurídica, caracterizada estará a não eventualidade do serviço, independentemente do prazo em que cada serviço seja contratado. Esta necessidade permanente da contratação destes profissionais comprova, com contundência, a não eventualidade dos serviços prestados. A pessoalidade tem sua caracterização realçada no fato de os trabalhadores serem admitidos pessoalmente por meio de um contrato de trabalho, ainda que formalizados registrados nos LRE da empresa interposta VJG. As provas colhidas pela Fiscalização revelam que os serviços prestados por tais trabalhadores à Autuada ostentam natureza intuitu personae, inexistindo nos autos qualquer elemento fático ou jurídico de convicção que possa desaguar na ilação de que tais trabalhadores, ao seu alvedrio único, exclusivo e próprio, e sem qualquer ingerência da empresa autuada, pudessem se fazer substituir, na execução do serviço para o qual fora contratado, por outro trabalhador qualquer, mesmo que de idêntica capacitação. Avulta das circunstâncias do caso que o risco da atividade econômica é integral da empresa Autuada que, além do encargo de captar clientes para a compra de seus produtos, contrata e remunera trabalhadores para a produção daquilo que vende, e assume toda a responsabilidade perante estes terceiros pelos produtos vendidos, respondendo tais trabalhadores, quando muito, de maneira regressiva, e tão somente nas hipóteses em que atuarem com dolo ou culpa, como sói ocorrer nas típicas relações jurídicas patrãoempregado. Dessarte, também sob esse prisma, a condição de empregador da Recorrente se revela emblemática, eis que o art. 2º da CLT qualifica com empregador a empresa individual ou coletiva que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. A onerosidade, por derradeiro, foi devidamente comprovada pela Fiscalização. Com efeito, tais trabalhadores são remunerados mensalmente e constam nas folhas de pagamento da VJG, ainda que a formalização dos vínculos empregatícios aconteça por intermédio da interposta pessoa. Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720547/201312 Acórdão n.º 2401004.199 S2C4T1 Fl. 1.215 21 As conclusões pautadas nos parágrafos precedentes não discrepam das vigílias assentadas no Enunciado nº 331 do Tribunal Superior do Trabalho, o qual impõe, na contratação de trabalhadores por interposta pessoa, o estabelecimento de vínculo do obreiro diretamente com o contratante, tomador dos serviços. Enunciado nº 331 do TST Contrato de Prestação de Serviços Legalidade I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). (grifos nossos) II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da administração pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). (Revisão do Enunciado nº 256 TST) III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20061983), de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. IV O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços, quanto àquelas obrigações, inclusive quanto aos órgãos da administração direta, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista, desde que hajam participado da relação processual e constem também do título executivo judicial (art. 71 da Lei nº 8.666/93). Não procede, portanto, a alegação de que a opção pela terceirização de serviços, mediante a industrialização por encomenda, se deu de forma regular e em plena conformidade com a lei. As provas e circunstâncias do caso revelam que a “industrialização por encomenda” não passou de mera simulação, visando a encobrir a real e efetiva relação jurídica de segurado empregado existente entre a LIPPEL e os trabalhadores utilizados na execução de todas as operações ligadas à sua atividade fim, mediante a prestação de serviços remunerados de natureza não eventual por pessoa física à empresa e sob total subordinação a esta, tendo por finalidade a redução drástica dos encargos previdenciários. A fiscalização Trabalhista, em sua atividade de rotina, ao se deparar com semelhante burla à legislação do trabalho, tem a competência de promover ex officio a desconstituição da aludida irregularidade, com fulcro nos artigos 3º e 9º da CLT, restaurandose o statu quo ante. De forma semelhante, mas vinho de outra pipa, a fiscalização previdenciária, diante de situação concreta nas circunstâncias acima delineadas, com esteio no princípio da Primazia da Realidade, identificando estarem presentes os elementos caracterizadores da condição de segurado empregado, impõe a incidência dos preceitos estatuídos na Lei nº 8.212/91 associados a tal condição, desconsiderando, para fins meramente tributários, o contrato formal celebrado pelo contratante com a pessoa jurídica prestadora de serviços, fazendo prevalecer, repisese, para fins unicamente previdenciários, os efeitos da condição de segurado empregado verificada no caso concreto. Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 22 A atuação fiscal empreendida no presente caso encontra lastro jurídico nas disposições encaixadas no Parágrafo Único do art. 116 do Código Tributário Nacional, que confere à Autoridade Notificante a competência para desconsiderar os efeitos de atos e negócios jurídicos praticados com o fito de ocultar a ocorrência do fato gerador tributário. Código Tributário Nacional CTN Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; (grifos nossos) II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (grifos nossos) Nesse panorama, muito embora os assentamentos contratuais formais apontem para a celebração de contrato de prestação de serviços com pessoas jurídicas, as condições em que os serviços contratados foram prestados ao Recorrente subsumemse à hipótese genérica e abstrata das de segurado empregado estabelecida no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, eis que presentes todos os ingredientes atávicos à receita típica de segurado empregado. Ante tal quadratura, a fiscalização constatou a existência dos elementos qualificadores da citada condição de segurado empregados existente entre a Autuada e as pessoas físicas dos trabalhadores formalmente registrados nos LRE da VJG, importando na submissão do Contratante – LIPPEL e tais obreiros, estes na qualidade de segurado empregado, às obrigações fixadas na aludida Lei de Custeio da Seguridade Social. Conforme assinalado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN, é prerrogativa da autoridade administrativa a desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. Para o mesmo norte aponta a regra trabalhista fixada no art. 9º do DecretoLei nº 5.452, de 1º de maio de 1943 – CLT ao dispor que “Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação”. Tratamse de normas antielisivas, visando ao combate à fraude à lei, com fundamento no primado da substância sobre a forma. A desconsideração do ato ou do negócio jurídico praticado visa apenas a reaproximar a qualificação jurídica do verdadeiro conteúdo material do ato decorrente do desenho da hipótese de incidência. Assim, a norma antielisiva mune a administração tributária com o poder/dever de proceder à requalificação jurídica formal da relação, fazendoa coincidir com a realidade substancial. Investido em tal poder, o Fisco pode prescindir das aparências do ato simulado e determinar a obrigação tributária segundo a realidade oculta, sem necessidade de declarar a nulidade do ato jurídico aparente. Merece ser destacado que a jurisprudência do STJ não nega auto aplicabilidade à norma antielisiva assentada no Parágrafo Único do art. 116 do CTN, conforme se depreende dos seguintes julgados, de cujas ementas, transcrevemos os excertos a seguir: Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720547/201312 Acórdão n.º 2401004.199 S2C4T1 Fl. 1.216 23 “AREsp 323.808SC Rel. Min. Humberto Martins DJe: 27/05/2013 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ART. 116, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. INEXISTÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. AUTOAPLICABILIDADE. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. NÃO ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. [...] O caso da empresa de vigilância é perfeitamente análogo: as câmaras são parte do equipamento que é utilizado pela sociedade Patrimonial Segurança Ltda. para a prestação do serviço de segurança, que é a sua atividade fim. As filmadoras ou sensores de movimento que sejam instaladas na residência do contratante sem que este as adquira integram o custo do serviço. (situação diversa ocorreria se houvesse venda dos bens, caso em que a transferência de titularidade do bem ensejaria a incidência do ICMS. Não e, entretanto, o caso). Ao destacar do valor do serviço uma quantia correspondente a aluguel dos bens utilizados, a apelada incorreu em prática coibida pelo artigo 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, que dispõe: A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Com razão, assim, a Procuradoria do Município, ao afirmar que: "A obrigação da apelada consiste em prestar um serviço de vigilância, uma obrigação de fazer portanto, sendo a denominação de 'locação de equipamento eletrônico' dada pela apelada uma forma de dissimular a ocorrência do fato gerador, que é a prestação do serviço" (fl. 217). Nesse contexto, merece acolhida o recurso para se julgar improcedente a demanda. [...]" No mesmo sentido, o Agravo Regimental no RECURSO ESPECIAL Nº 1.070.292 – RS, da Relatoria do Ministro Humberto Martins: AgRg no REsp 1.070.292 RS Rel. Min. Humberto Martins DJe: 23/11/2010 EMENTA: Fl. 1227DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 24 TRIBUTÁRIO. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA VINCENDA. PERCEPÇÃO PAGA MEDIANTE TRANSAÇÃO EM DEMANDA TRABALHISTA. VERBA DE NATUREZA NÃO INDENIZATÓRIA. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. POSSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL PROVIDO. [...] Notese que o montante pago teve por fim o cumprimento de prestações vincendas, ou seja, a partir de agosto de 1996. Isto deve ser frisado para que não se invoque a isenção anteriormente prevista no artigo 6º da Lei 7.713/88, mas que foi revogada pela Lei 9.250/95. Cabe, ainda, asseverar que o tópico do acordo, afirmando a natureza indenizatória do montante pago, nenhum efeito opera para o fisco. O reconhecimento da natureza indenizatória de determinada verba se impõe quando for possível constatar que aquela visava à recomposição de uma perda patrimonial, e não pela mera denominação de indenizatória (parágrafo único do artigo 116 do CTN: A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária). Tratase, no caso, de aplicação da Teoria da Interpretação Econômica do Fato Gerador. A hipótese dos autos caracteriza a aquisição de disponibilidade de renda, assim entendido o produto do trabalho, nos exatos termos do art. 43 do CTN. Bem por isso, tal verba está sujeita à incidência de imposto de renda. [...] Ainda, nesse sentido, REsp nº 1.363.920 SC Rel. Min. Og Fernandes, DJe: 24/10/2013. Por outro viés, ainda que se admita que o preceito instalado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN demande regulamentação procedimental via lei ordinária, nada impede que se recorra a procedimentos já previstos em leis ordinárias já integrantes do Ordenamento Jurídico Pátrio. Tratase da realização de um princípio jurídico consistente na recepção de leis já vigentes e eficazes, bastante consagrado no Ordenamento Pátrio, máxime no ramo do Direito Tributário, que permite que uma lei ordinária em sua origem seja recepcionada com status de Lei Complementar, uma vez que suas normas, por força da CF/88, só podem ser revogadas ou alteradas mediante um Diploma Normativo dessa natureza. A realização do princípio da Recepção das Leis permite a convivência de normas jurídicas vigentes no Ordenamento Jurídico anterior com o Direito Positivo atual, desde que com este guardem perfeita harmonia. Por este princípio, todas as leis do Direito anterior que não se chocam com o Direito atual são por este Direito recepcionadas, eliminandose, assim, a necessidade de se regular por inteiro toda a estrutura legislativa. Seria, em verdade, ilógico que leis anteriores, cujo conteúdo permanece inalterado em face da nova Ordem Jurídica, tivessem que ser recriadas para continuarem a estabelecer normas jurídicas de conduta da Sociedade. Pela ótica de tal princípio, quando se cria uma nova estrutura normativa, o conjunto de normas jurídicas préexistente, no que não conflite materialmente com o Direito Anterior, permanece em vigor e produzindo os efeitos que lhe são típicos, sendo automaticamente aceita a pela nova Ordem Jurídica, qualquer que tenha sido o processo de sua elaboração originária, desde que conforme ao Fl. 1228DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720547/201312 Acórdão n.º 2401004.199 S2C4T1 Fl. 1.217 25 previsto na época de sua elaboração, pois, não o sendo, a invalidade já teria atingido a legislação pretérita desde o seu nascedouro. A consagração de tal princípio jurídico na seara tributária encontra amparo na Jurisprudência dos Tribunais Superiores, mormente o Superior Tribunal de Justiça, conforme se depreende dos seguintes julgados: REsp nº 1.427.949 SC Rel. Min. Mauro Campbell Marques DJe: 02/04/2014 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. PARCELAMENTO. REFIS. EXCLUSÃO. SIMULAÇÃO. EMPRESA INATIVA. PARCELA ÍNFIMA. ART. 5º, II E XI, DA LEI N. 9.964/2000. FUNDAMENTO SUFICIENTE INATACADO (SÚMULA Nº 283/STF). AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO (SÚMULA N. 282/STF). IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO DE MATÉRIA FÁTICA (SÚMULA Nº 7/STJ). RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. ART. 557, CAPUT, CPC. DECISÃO [...] Em outras palavras, a simulação da existência das empresas foi ato de abuso de direito, e, destarte, plenamente válidos e legais os atos de exclusão do REFIS e CNPJ, com fulcro no art. 5º, XI, da Lei nº 9.964/2000, e o art. 81 da Lei nº 9.430/1996. Lícito o procedimento de inativação do CNPJ das empresas, por força do art. 81 da Lei nº 9.964/2000, in verbis (eSTJ fls.9734/9739): Ao contrário do que defende a autora, a declaração de inaptidão do CNPJ foi fundamentado no artigo 80 e 81 da Lei nº 9.430, de 1996, diante de inexistência de fato, e não no artigo 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Além de diversos aspectos fáticos e concretos a seguir analisados, a Administração Tributária fundamentou a inaptidão também na existência de simulação (art. 167 do Código Civil), mas, destaco: não somente na simulação. [...] Ainda que se considere que, no caso concreto, incidiria o artigo 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, que, por sua vez, remete a procedimentos estabelecidos em lei ordinária, tais procedimentos (relativos à declaração de inaptidão) já se encontram previstos nos próprios artigos 81 e 82, ambos da Lei nº 9.430/96, c/c o artigo 5º da Lei nº 5.614, de 5 de outubro de 1970, e a Instrução Normativa nº 568, de 8 de setembro de 2005. [...] (grifos nossos) No mesmo sentido, REsp nº 1.427.233/SC, DJe de 01/04/2014. No caso em estudo, mediante os procedimentos estabelecidos na Lei Ordinária nº 8.212/91, foram desconsiderados substancialmente os atos ou negócios jurídicos praticados pelos atores Fl. 1229DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 26 do esquema fraudulento acima descortinado, praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, mas não da personalidade jurídica da empresa interposta. Anotese que na formalização do presente lançamento, houvese por operada, tão somente, a desconsideração substancial dos atos simulados, mas não a desconstituição formal desses atos. O permissivo estampado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN apenas autoriza que se desconsidere, para fins exclusivamente de constituição do crédito previdenciário, os efeitos jurídicos dos atos simulados, na seara previdenciária, sem necessidade, no entanto, de desconstituílos. Reiterese que a administração tributária federal não se encontra jungida à obtenção prévia de declaração administrativa ou judicial definitiva de nulidade de atos jurídicos simulados como condição de procedibilidade para a tributação da real operação ocorrida, visto que os atos simulados são ineficazes perante o Fisco, conforme dessai do preceito inscrito no art. 118 do CTN: Código Tributário Nacional CTN Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I – da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II – dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Por tais razões, para os fins exclusivos do presente lançamento, revelase desnecessária a declaração judicial de nulidade dos atos simulados. No caso dos autos, da dicção do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91 deflui que a relação jurídica real existente entre o Recorrente e os segurados apurados pela fiscalização é a de segurado empregado, circunstância que impinge às partes dessa relação jurídica a obediência às obrigações tributárias estabelecidas no diploma legal acima citado. Dessarte, conforme determinado no art. 37 do mesmo Pergaminho Legal aludido no parágrafo precedente, constatado o não recolhimento total ou parcial das contribuições tratadas na Lei de Custeio da Seguridade Social, a fiscalização tem por dever de ofício, plenamente vinculado, que lavrar o competente Auto de Infração de Obrigação Principal, como assim sucedeuse no caso presente. Não procede, portanto, a alegação de inexistência de norma antielisiva e de impossibilidade de desconsideração de atos e negócios da Pessoa Jurídica. As constatações empreendidas in loco pela Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil não deixam dúvidas: Efetiva ocorrência de contratação fraudulenta de profissionais especializados pela Recorrente para o atendimento de demandas contínuas e múltiplas inerentes à sua atividade fim e ao desempenho satisfatório do seu objeto social. A fraude se deu, portanto, pela criação de Pessoa Jurídica optante do Simples Nacional visando unicamente a albergar a mão de obra utilizada pela Autuada, tributada pelo Lucro Real, na execução das tarefas e demandas inerentes à sua atividade fim, de maneira a mascarar a relação previdenciária de segurado empregado da LIPPEL com tais trabalhadores, restando presentes, todavia, entre tais obreiros e a Autuada, todos os pressupostos de fato e de Direito caracterizadores do vínculo previdenciário na condição de segurado empregado, com a execução de trabalho de natureza não eventual, por pessoa física, com pessoalidade, subordinação jurídica e onerosidade, insculpidos no art. 12, I da Lei nº 8.212/91, fato que deságua, como consequência inafastável, na observância das normas de custeio inscritas no supracitado diploma legal. Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720547/201312 Acórdão n.º 2401004.199 S2C4T1 Fl. 1.218 27 Não procede, portanto, a alegação de que a empresa Autuada jamais simulou a contratação de pessoa jurídica. 3.2. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Constituição Federal de 1988 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, urge serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. A decadência tributária conceituase como a perda do poder potestativo da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário mediante o lançamento, em razão do exaurimento integral do prazo previsto na legislação competente. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 28 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Conforme detalhadamente explicitado e fundamentado no Acórdão nº 230201.387 proferido nesta 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, na Sessão de 26 de outubro de 2011, nos autos do Processo nº 10240.000230/200865, convicto encontrase este Conselheiro de que, após a implementação do sistema GFIP/SEFIP, o lançamento das contribuições previdenciárias não mais se enquadra na sistemática de lançamento por homologação, mas, sim, na de lançamento por declaração, nos termos do art. 147 do CTN, contingência que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito inscrito no art. 150, §4º do CTN. Além do mais, a verve de fundamentação do lançamento por homologação baseiase no fato de, desde a ocorrência do fato gerador do tributo até a ocorrência do lançamento, o que existe é, tão somente, obrigação tributária, a qual é ilíquida e incerta, não dispondo a Administração Tributária de justo título para a cobrança. Tornase, por isso, necessário o procedimento administrativo do lançamento para, conferindo à obrigação tributária os atributos da liquidez e certeza, convolála em crédito tributário, este sim exigível pelo Fisco. Daí a natureza jurídica dúplice do lançamento: declaratória da obrigação tributária e constitutiva do crédito tributário. Trocando em miúdos, somente após a efetiva convolação, pelo lançamento, da obrigação tributária em crédito tributário, passa a administração tributária a dispor de justo título para a exigência do crédito decorrente. Antes não. Antes do lançamento há, apenas, obrigação tributária: ilíquida, incerta e inexigível. No caso das contribuições previdenciárias, como originariamente o sujeito passivo efetuava o recolhimento do tributo com fundamento em obrigação tributária, e não em crédito tributário, tal recolhimento, nessa condição, era ainda indevido, haja vista que o beneficiário do pagamento – o Fisco, até então, não dispunha de justo título, o qual é constituído por intermédio do Lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. Ocorrido o fato gerador, a obrigação tributária correspondente ao pagamento realizado antecipadamente pelo Sujeito Passivo passava a depender da efetivação do respectivo lançamento, por parte da administração tributária, o qual, ocorrendo, convolava a obrigação em crédito tributário sendo este, imediatamente extinto pelo recolhimento antecipado efetuado pelo Sujeito Passivo. É o que diz o §1º do art. 150 do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. §1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (grifos nossos) Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720547/201312 Acórdão n.º 2401004.199 S2C4T1 Fl. 1.219 29 §2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. §3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. §4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Em outras palavras, a extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado realiza se sob condição resolutória de ulterior homologação ao lançamento. Ou seja, se não houver lançamento, resolvese a extinção do crédito tributário correspondente ao pagamento efetuado, podendo o Obrigado repetir o que se houve por indevidamente pago, haja vista que o pagamento deuse com fundamento, não em razão de crédito tributário, e não em virtude de obrigação tributária, ilíquida, incerta e inexigível. Daí a necessidade de lançamento associado, especificamente, ao montante que se houve por recolhido antecipadamente: Para convolar a obrigação tributária nascida com os fatos geradores praticados pelo Contribuinte no crédito tributário correspondente, este dotado de liquidez, certeza e exigibilidade, excluindo, a partir de então a possibilidade do Sujeito Passivo de repetir o que foi pago antecipadamente. Notese que, nos termos do §1º do art. 150 do CTN, a extinção do crédito tributário encontrase sujeita a condição resolutória do lançamento. Ocorre que, nos termos do art. 173, I, do CTN, o direito da Fazenda Pública efetuar o lançamento extinguese após 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que tal lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, exaurido o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN sem que tenha ocorrido o lançamento, passa a dispor o Contribuinte do direito de repetir o que se houve por recolhido antecipadamente. Para evitar tal repetição tributária, o legislador ordinário instituiu a figura do lançamento por homologação tácita daquilo se houve por antecipadamente recolhido a título de tributo, nos termos assentados no §4º do art. 150 do CTN. Assim, escoado o prazo de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador, a Lei homologa o valor recolhido correspondente como se lançamento fosse. Daí o lançamento por homologação ser conhecido pela Doutrina e jurisprudência pelo termo “auto lançamento”. Notese que o lançamento por homologação tácita sempre, sempre, irá ocorrer antes de exaurido o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN. Registrese, todavia, que a modalidade de lançamento por homologação somente é aplicável aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Nos termos da lei, o lançamento por homologação operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento do recolhimento antecipado realizado pelo Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 30 Sujeito Passivo, expressamente o homologa como se lançamento fosse. Inexistindo tal homologação expressa, esta soerá advir tacitamente, após o decurso de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Acontece que o §1º do art. 113 do CTN estatui que “A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue se juntamente com o crédito dela decorrente”. Assim, com a homologação expressa ou tácita, apenas a fração da obrigação tributária correspondente ao crédito tributário pago antecipadamente se houve por extinta com o pagamento. Iluminese que a própria lei estatui que não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, aqui incluído por óbvio o ato do pagamento antecipado, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito, os quais serão considerados na apuração do saldo porventura devido. Assim, nos termos do art. 150, caput e parágrafos, do CTN, apenas encontrase extinta pelo pagamento antecipado e correspondente homologação tácita a fração da obrigação tributária correspondente ao pagamento realizado. Dessarte, as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores cujo crédito tributário correspondente não se houve por contemplado pelo recolhimento antecipado permanecem hígidas, não sofrendo qualquer influência do pagamento realizado pelo Sujeito Passivo, nos termos do §2º do art. 150 do CTN. Nessa vertente, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário referente às obrigações tributárias ainda não extintas pelo pagamento extinguese após 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em atenção ao preceito inscrito no art. 173, I, do CTN. De outro eito, mas vinho de outra pipa, pelas razões expendidas nos autos do Processo Administrativo Fiscal referido nos parágrafos anteriores, entende este relator que o lançamento tributário encontrase perfeito e acabado na data de sua lavratura, representada pela assinatura da Autoridade Fiscal lançadora, figurando a ciência do contribuinte como atributo de publicidade do ato e condição de eficácia do lançamento perante o sujeito passivo, mas, não, atributo de sua existência. Nada obstante, o entendimento dominante nesta 2ª Turma Ordinária, em sua composição permanente, comunga a concepção de que a data de ciência do contribuinte produz, como um de seus efeitos, a demarcação temporal do dies a quo do prazo decadencial. Diante de tal cenário, o entendimento deste que vos relata mostrase isolado perante o Colegiado. Dessarte, em atenção aos clamores da eficiência exigida pela Lex Excelsior, curvome ao entendimento majoritário deste Sodalício, em respeito à opinio iuris dos demais Conselheiros. Cumpre focalizar, neste comenos, a questão pertinente ao dies a quo do prazo decadencial relativo à competência dezembro de cada ano calendário. O art. 37 da Lei Orgânica da Seguridade Social prevê o lançamento de ofício de contribuições previdenciárias sempre que a fiscalização constatar o atraso total ou parcial no recolhimento das exações em apreço. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720547/201312 Acórdão n.º 2401004.199 S2C4T1 Fl. 1.220 31 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. De outro canto, o art. 30 do mesmo Diploma Legal, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, estabelece como obrigação da empresa de recolher as contribuições previdenciárias a seu encargo e aquelas descontadas dos segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço até o dia 02 do mês seguinte ao da competência. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; b) recolher o produto arrecadado na forma da alínea anterior, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). No caso da competência dezembro, até que se expire o prazo para o recolhimento, diga se, o dia 02 de janeiro do ano seguinte, não pode a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício, eis que o sujeito passivo ainda não se encontra em atraso com o adimplemento da obrigação principal. Tratase de concepção análoga ao o princípio da actio nata, impondose que o prazo decadencial para o exercício de um direito potestativo somente começa a fluir a contar da data em que o sujeito ativo dele detentor pode, efetivamente, exercelo. Dessarte, a deflagração do aludido lançamento, referente ao mês de dezembro, somente pode ser perpetrada a contar do dia 03 de janeiro do ano seguinte. Nesse contexto, a contagem do prazo decadencial assentado no inciso I do art. 173 do CTN relativo à competência dezembro do ano xx somente terá início a partir de 1º de janeiro do ano xx + 2. Pacificando o entendimento acerca do assunto em realce, o Superior Tribunal de Justiça assentou em sua jurisprudência a interpretação que deve prevalecer, espancando definitivamente qualquer controvérsia ainda renitente, conforme dessai em cores vivas do julgado dos Embargos de Declaração nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 674.497, assim ementado: Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 32 PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirando se em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. No caso vertente, o prazo decadencial relativo às obrigações tributárias nascidas na competência dezembro de 2007tem seu dies a quo assentado no dia 1º de janeiro de 2009, o que implica dizer que a constituição do crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos nessa competência poderia ser objeto de lançamento até o dia 31 de dezembro de 2013, inclusive. No que pertine à homologação tácita do Crédito Tributário, o §4º, in fine, do art. 150 do CTN é de precisão cirúrgica ao dispor que “Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação”. Ocorre, todavia, que a Fiscalização logrou demonstrar que no período de apuração do Crédito Tributário objeto do vertente lançamento, houveramse por presentes os elementos objetivos e subjetivos das condutas tipificadas legalmente como fraude e sonegação tributárias, nos termos dos artigos 72 da Lei nº 4.502/64 e 337A, III, do Código Penal. Por tal razão, em virtude de os fatos apurados na Ação Fiscal configurarem, em tese, Crime de Sonegação de Contribuição Previdenciária, previsto no artigo 337A, inciso III, do Código Penal, com redação dada pela Lei 9.983/2000, houvese por lavrada a competente REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS, com comunicação à autoridade competente para providências cabíveis. De outro giro, a mera comprovação da existência dos elementos objetivos e subjetivos da conduta de fraude tributária afasta, de per se, peremptoriamente, a homologação tácita do Crédito Tributário, de maneira que o Direito Potestativo do Fisco de constituir o Crédito Tributário decorrente dos fatos geradores ocorridos nas competências de janeiro a dezembro/2008 se sujeita, unicamente, ao regime jurídico encartado no inciso I do art. 173 do CTN. A fraude dolosa se deu, portanto, pela volitiva e consciente utilização de Pessoa Jurídica optante do Simples Nacional visando unicamente a albergar a mão de obra utilizada pela Autuada na execução das tarefas e demandas inerentes à sua atividade fim, de maneira a mascarar a relação previdenciária de segurado empregado existente entre a LIPPEL e tais trabalhadores, visando a impedir, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal nas ordens de responsabilidade da Recorrente, de modo a reduzir o montante do tributo devido ou a evitar o seu Fl. 1236DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720547/201312 Acórdão n.º 2401004.199 S2C4T1 Fl. 1.221 33 pagamento, restando presentes, todavia, entre tais obreiros e a Autuada, todos os pressupostos de fato e de Direito caracterizadores do vínculo previdenciário na condição de segurado empregado, com a execução de trabalho de natureza não eventual, por pessoa física, com pessoalidade, subordinação jurídica e onerosidade, insculpidos no art. 12, I da Lei nº 8.212/91. Com efeito, através do artifício ardiloso de se constituir Pessoa Jurídica optante do Simples Nacional, para nesta registrar os vínculos trabalhistas formais dos trabalhadores utilizados, com exclusividade quase integral, na execução da atividade fim da LIPPEL, a Autuada, fraudulentamente, modificou as características essenciais do fato gerador, impedindo que este viesse a ocorrer na sua órbita de responsabilidade, mas, sim, na esfera de abrangência da interposta pessoa, fato que resultou na substancial redução do tributo devido, graças às benesses fiscais aviadas na Lei Complementar n° 123/2006. Mediante tal conduta, o Autuado ardilosamente omitiu fatos geradores de contribuições previdenciárias da sua contabilidade, da sua folha de pagamento e também das suas GFIP, ao mesmo tempo em que omitiu segurados obrigatórios do RGPS das folhas de pagamento e das GFIP também. Nestes casos, apenas mediante a deflagração de procedimento formal de fiscalização, nas dependências do sujeito passivo, tem condições a Administração Tributária de tomar conhecimento da ocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias e de apurar a sua matéria tributável. Além disso, da análise das provas dos autos, exsurge, de maneira nítida e clara, também a existência de simulação, na medida em que o Contribuinte, mediante ato volitivo e consciente, simulou a prestação de serviços de industrialização por encomenda pela VJG à LIPPEL, com a finalidade de encobrir a relação previdenciária de segurado empregado existente, na realidade nua dos fatos, entre a Autuada e os trabalhadores formalmente registrados na interposta pessoa, visando, tão somente, à redução dos encargos trabalhistas e previdenciários. Assim, a constatação da efetiva ocorrência de fraude e simulação afasta da espécie em exame a ocorrência de homologação tácita do crédito tributário, por determinação expressa do preceito inscrito no §4º, in fine, do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. §4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifos nossos) Tal entendimento encontrase plasmado na Súmula nº 72 do CARF, in verbis: Súmula CARF nº 72: Fl. 1237DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 34 Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Nesse contexto, assim delimitadas as nuances materiais do lançamento, nesse específico particular, tendo sido a ciência do Auto de Infração em debate realizada aos 08 dias do mês de abril de 2013, os efeitos do lançamento em questão alcançarão, com a mesma eficácia constitutiva, todas as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos a contar da competência dezembro/2007, inclusive, nos termos do art. 173, I do CTN, excluídos os fatos geradores relativos ao 13º salário desse mesmo ano. Pelo exposto, consoante o entendimento majoritário deste Sodalício, sendo o período de apuração do crédito tributário ora em constituição de 01/01/2008 a 31/12/2008, não demanda áurea mestria concluir que todas as Obrigações Tributárias objeto do vertente lançamento decorrem de fatos geradores ocorridos em competências ainda não fulminadas pela decadência tributária, nos termos do art. 173, I, do CTN, permanecendo hígido o direito do Fisco de constituir o Crédito Tributário deles decorrente. 3.3. DAS DEDUÇÕES O Recorrente alega que as Contribuições Previdenciárias já recolhidas na sistemática do Simples Nacional devem ser abatidas do crédito lançado. Ocorre, todavia, que nos recolhimentos efetuados na sistemática do Simples Nacional inexiste qualquer parcela a ser destinada a Outras Entidades e Fundos, in casu, FNDE – Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE, de maneira que não há qualquer crédito a ser deduzido. 3.4. DOS JUROS SOBRE A MULTA PUNITIVA O Recorrente alega que deve ser afastada a Taxa SELIC incidente sobre a Multa de Ofício. A Constituição Federal de 1988 outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários, nas cores desenhadas em seu art. 146, III, ‘b’, in verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Fl. 1238DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720547/201312 Acórdão n.º 2401004.199 S2C4T1 Fl. 1.222 35 Imerso nessa ordem constitucional, ao tratar do crédito tributário, já no âmbito infraconstitucional, o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN, topograficamente inserido no Capítulo que versa sobre a Extinção do Crédito Tributário, estabeleceu que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis: Código Tributário Nacional Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. §2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Salientese que o percentual enunciado no parágrafo primeiro acima transcrito será o aplicável se a lei não dispuser de modo diverso. Ocorre que a lei de custeio da seguridade social disciplinou inteiramente a matéria relativa aos acessórios financeiros do crédito previdenciário em constituição e de forma distinta, devendo esta ser observada em detrimento do percentual previsto no §1º do art. 161 do CTN. Nesse sentido já se manifestou o Tribunal Regional Federal da 4ª Região ao proferir, ipsis litteris: “Na esfera infraconstitucional, o Código Tributário Nacional, norma de caráter complementar, não proíbe a capitalização de juros nem limita a sua cobrança ao patamar de 1% ao mês. pois o art. 161, §1º desse diploma legal prevê que essa taxa de juros somente será aplicada se a lei não dispuser de modo contrário. Assim, não tendo o Código Tributário Nacional determinado a necessidade de lei complementar, pode a lei ordinária fixar taxas de juros diversas daquela prevista no citado art. 161, §1º do CTN, donde se conclui que a incidência da SELIC sobre os créditos fiscais se dá por forca de instrumento legislativo próprio (lei ordinária) sem importar qualquer afronta à Constituição Federal” (TRF 4ª Região, Apelação Cível 200471100006514, Rel. Álvaro Eduardo Junqueira; 1ª Turma; DJ de 15/06/2005, p. 552). Com efeito, as contribuições sociais destinadas ao custeio da seguridade social estão sujeitas não só à incidência de multa moratória, como também de juros computados segundo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do art. 34 da Lei nº 8.212/91 que, pela sua importância ao deslinde da questão, o transcrevemos a seguir, com a redação vigente à data dos fatos geradores. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) Fl. 1239DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 36 A matéria relativa à incidência da taxa SELIC já foi bater à porta da Suprema Corte de Justiça, que firmou jurisprudência no sentido de sua legalidade, consoante ressai do julgado a seguir ementado: TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO DE DÉBITO. JUROS MORA TÓRIOS. TAXA SELIC. CABIMENTO. 1. O artigo 161 do CTN estipulou que os créditos não pagos no vencimento serão acrescidos de juros de mora calculados à taxa de 1%, ressalvando, expressamente, em seu parágrafo primeiro, a possibilidade de sua regulamentação por lei extravagante. o que ocorre no caso dos créditos tributários, em que a Lei 9.065/95 prevê a cobrança de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais (art. 13). 2. Diante dai previsão legal e considerando que a mora é calculada de acordo com a legislação vigente à época de sua apuração, nenhuma ilegalidade há na aplicação da Taxa SELIC sobre os débitos tributários recolhidos a destempo, ou que foram objeto de parcelamento administrativo. 3. Também, há de se considerar que os contribuintes têm postulado a utilização da Taxa SELIC na compensação e repetição dos indébitos tributários de que são credores. Assim, reconhecida a legalidade da incidência da Taxa SELIC em favor dos contribuintes, do mesmo modo deve ser aplicada na cobrança do crédito fiscal diante do princípio da isonomia. 4. Embargos de divergência a que se dá provimento. STJ EREsp nº 396.554/SC, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI; 1ª SEÇÃO; DJ 13/09/2004; p. 167. Mostrase auspicioso esclarecer que o conceito de crédito tributário abarca não somente o principal como, também, os seus acessórios pecuniários legais, in casu, os juros moratórios e a multa punitiva, consolidados até a data da lavratura do Auto de Infração. Ou seja, verificado o inadimplemento do tributo, é cabível a incidência de juros moratórios sobre o principal, desde a data do vencimento da obrigação até a data da lavratura do Auto de Infração, bem como a aplicação de multa punitiva, que passam a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Uma vez consolidado o crédito tributário (principal + juros + multa), ao Sujeito Passivo é concedido prazo legal para o adimplemento espontâneo da obrigação. Não se deve perder de vista que os juros moratórios representam, efetivamente, o preço do dinheiro, isto é, o valor que o detentor da moeda (o Sujeito Passivo) paga ao seu legítimo proprietário (o Fisco) pela posse temporária do numerário que desde o vencimento da obrigação já é de sua titularidade. No caso dos autos, a partir da data de vencimento especificado, o Sujeito Passivo passa a figurar como potencial devedor do montante consolidado objeto do lançamento tributário. Nessa perspectiva, os juros de mora são devidos para compensar a demora do Sujeito Passivo no pagamento do crédito tributário consolidado. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do crédito tributário consolidado, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. Nesse sentido, a súmula nº 5 do CARF: Súmula CARF nº 5 Fl. 1240DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720547/201312 Acórdão n.º 2401004.199 S2C4T1 Fl. 1.223 37 São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Com efeito, a posição assumida pelo acórdão recorrido espelha a jurisprudência firmada por ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ, conforme se depreende dos seguintes julgados adiante ementados: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.335.688 – PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJ de 10/12/2012) Aditese que a matéria em questão já se houve por decidida pela 1ª Seção do STJ, no REsp 879.844/MG, DJe de 25/11/2009, julgado sob o regime do art. 543C do CPC, com eficácia vinculativa desse precedente, que deverá ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força do preceito insculpido no art. 62A do Regimento Interno do CARF. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO PARA TRIBUTOS ESTADUAIS DIANTE DA EXISTÊNCIA DE LEI AUTORIZADORA. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 879.844/MG, DJE DE 25/11/2009, JULGADO SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. ESPECIAL EFICÁCIA VINCULATIVA DESSE PRECEDENTE (CPC, ART. 543C, §7º), QUE IMPÕE A ADOÇÃO EM CASOS ANÁLOGOS. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. PRECEDENTE DA 2ª TURMA DO STJ. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. (REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010). Regimento Interno do CARF Fl. 1241DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 38 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Por tais razões, entendemos inexistir irregularidade na incidência de juros moratórios sobre o crédito tributário consolidado. 3.5. DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS O Recorrente alega que a Representação Fiscal para Fins Penais só pode ocorrer após proferida a decisão final na Instância administrativa; O art. 66 do Decretolei nº 3.688, de 3 de outubro de 1941 lei das contravenções penais – qualifica como “Omissão de Comunicação de Crime” o comportamento perpetrado por servidor público consistente na não comunicação à autoridade competente de conduta que represente, em tese, crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício de função pública. DECRETOLEI Nº 3.688 DE 3 DE OUTUBRO DE 1941 OMISSÃO DE COMUNICAÇÃO DE CRIME Art. 66. Deixar de comunicar à autoridade competente: I crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício de função pública, desde que a ação penal não dependa de representação; II crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício da medicina ou de outra profissão sanitária, desde que a ação penal não dependa de representação e a comunicação não exponha o cliente a procedimento criminal: Pena multa. Calcando nas mesmas teclas, o art. 16 da Lei nº 8.137/90, a qual define os crimes contra a ordem tributária, estatui que qualquer pessoa, aqui incluídos, por óbvio, os agentes públicos, poderá provocar a iniciativa do Ministério Público nos crimes descritos nessa lei, fornecendolhe por escrito informações sobre o fato e a autoria, bem como indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicção. Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990 Art. 16. Qualquer pessoa poderá provocar a iniciativa do Ministério Público, nos crimes descritos nesta lei, fornecendolhe por escrito informações sobre o fato e a autoria, bem como indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicção. Parágrafo único. Nos crimes previstos nesta Lei, cometidos em quadrilha ou coautoria, o coautor ou partícipe que através de confissão espontânea revelar à autoridade policial ou judicial toda a trama delituosa terá a sua Fl. 1242DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720547/201312 Acórdão n.º 2401004.199 S2C4T1 Fl. 1.224 39 pena reduzida de um a dois terços. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.080, de 19.7.1995) Nessa perspectiva, revelase a Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP mera peça processual de informações, coletadas no curso da ação fiscal, a ser elaborada pelo agente público sempre que se deparar com conduta que represente, em tese, crime contra a ordem tributária, devendo conter, dentre outros elementos, exposição minuciosa do fato e os elementos caracterizadores do ilícito; indícios de prova material do ilícito ou qualquer outro documento sob suspeição que tenha sido apreendido no curso da ação fiscal; cópia autenticada do auto de infração e de termos fiscais lavrados; termos lavrados de depoimentos, declarações, perícias e outras informações obtidas de terceiros, utilizados para fundamentar a constituição do crédito tributário ou a apreensão de bens sujeitos à pena de perdimento; a qualificação completa das pessoas físicas responsáveis; a qualificação completa da pessoa ou das pessoas físicas a quem se atribua a prática do delito, mesmo que o fiscalizado seja pessoa jurídica; A identificação completa, se for o caso, da pessoa jurídica autuada, cópia dos contratos sociais e suas alterações, ou dos estatutos e atas das assembleias; qualificação completa das pessoas que possam ser arroladas como testemunhas; cópia das declarações de rendimentos, relativas ao período em que se apurou ilícito, da pessoa ou das pessoas físicas representadas e da pessoa jurídica envolvida, no caso de crime contra a ordem tributária; etc. No âmbito da legislação previdenciária, o art. 616 da IN SRP nº 3/2005 impõe ao auditor fiscal o dever funcional de formalizar a RFFP sempre que este, no exercício de suas atribuições institucionais, tiver conhecimento da ocorrência de comportamento omissivo ou comissivo que configure, em tese, crime de ação penal pública que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça, bem como qualquer contravenção penal. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 616. Por disposição expressa no art. 66 do DecretoLei nº 3.688, de 1941 (Lei de Contravenções Penais), o AFPS formalizará RFFP sempre que, no exercício de suas funções internas ou externas, tiver conhecimento da ocorrência, em tese, de: I crime de ação penal pública que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça; II contravenção penal. Parágrafo único. Considerase, nos termos do DecretoLei nº 3.914, de 1941 (Lei de Introdução ao Código Penal e à Lei de Contravenções Penais): I crime, a infração penal a que a lei comina pena de reclusão ou de detenção, quer isoladamente, quer alternativa ou cumulativamente com a pena de multa; II contravenção, a infração penal a que a lei comina isoladamente pena de prisão simples ou de multa, ou ambas, alternativa ou cumulativamente. Art. 617. São crimes de ação penal pública, dentre outros, os previstos nos arts. 15 e 16 da Lei nº 7.802, de 1989, alterada pela Lei nº 9.974, de 2000, nos arts. 1º, 2º e 3º da Lei nº 8.137, de 1990, nos arts. 54 a 56, 60 e 61 da Lei nº 9.605, de 1998, e os a seguir relacionados, previstos no DecretoLei nº 2.848, de 1940 (Código Penal):(Revogado pela IN RFB nº 851, de 28 de maio de 2008) Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 40 I homicídio culposo simples ou qualificado, com previsão nos §§ 3º e 4º do art. 121; II exposição ao risco, com previsão no art. 132; III a apropriação indébita previdenciária, com previsão no art. 168A; IV o estelionato, com previsão no art. 171; V a falsificação de selo ou de sinal público, com previsão no art. 296; VI a falsificação de documento público, com previsão no art. 297; VII a falsificação de documento particular, com previsão no art. 298; VIII a falsidade ideológica, com previsão no art. 299; IX o uso de documento falso, com previsão no art. 304; X a supressão de documento, com previsão no art. 305; XI a falsa identidade, com previsão nos arts. 307 e 308; XII o extravio, a sonegação ou a inutilização de livro ou documento, com previsão no art. 314; XIII o emprego irregular de verbas ou rendas públicas, com previsão no art. 315; XIV a prevaricação, com previsão no art. 319; XV a violência arbitrária, com previsão no art. 322; XVI a resistência, com previsão no art. 329; XVII a desobediência, com previsão no art. 330; XVIII o desacato, com previsão no art. 331; XIX a corrupção ativa, com previsão no art. 333; XX a inutilização de edital ou de sinal, com previsão no art. 336; XXI a subtração ou a inutilização de livro ou de documento, com previsão no art. 337; XXII a sonegação de contribuição social previdenciária, com previsão no art. 337A. Art. 618. São contravenções penais, entre outras:(Revogado pela IN RFB nº 851, de 28 de maio de 2008) I recusar dados sobre a própria identidade ou qualificação, com previsão no art. 68 do Decretolei nº 3.688, de 1941 (Lei das Contravenções Penais); II deixar de cumprir normas de higiene e segurança do trabalho, com previsão no §2º do art. 19 da Lei nº 8.213, de 1991. Diante desse quadro, constituise dever funcional do auditor fiscal a elaboração, ainda no curso da ação fiscal, da Representação Fiscal para Fins Penais, sempre que, no exercício de suas atribuições institucionais, tiver conhecimento da ocorrência de comportamento omissivo ou comissivo que configure, em tese, crime de ação penal pública que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça, bem como qualquer contravenção penal. A representação penal ora em debate, instruída com os elementos de prova e demais informações pertinentes, constituirseá de autos apartados e permanecerá sobrestada no âmbito da administração tributária até decisão definitiva na esfera administrativa que paute pela procedência total ou parcial do lançamento, quando, então, poderá ser encaminhada ao órgão do Ministério Público, para a devida instauração da persecução penal. Aditese, por derradeiro, que a súmula CARF nº 28, de observância obrigatória, exclui a competência deste Conselho para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720547/201312 Acórdão n.º 2401004.199 S2C4T1 Fl. 1.225 41 Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Assim esculpido o arcabouço legislativo/jurisprudencial, podemos afirmar inexistir qualquer irregularidade da formalização da RFFP em destaque, eis que o seu encaminhamento ao Ministério Público somente se dará após o Trânsito em Julgado administrativo do Auto de Infração em julgo, mesmo assim, na estrita hipótese da procedência total ou parcial do lançamento levado a efeito pela Autoridade Lançadora. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO . É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 42 Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess, Redator Designado Peço licença ao nobre relator para discordar do seu ponto de vista. Tratase de autuação em que a fiscalização caracterizou a sujeição passiva em nome do tomador dos serviços, relativamente à prestação de serviços por segurados vinculados formalmente à empresa fornecedora da mão de obra. Em atenção aos princípios da primazia da realidade e da verdade material, cabe à fiscalização lançar de ofício o crédito correspondente à relação tributária efetivamente existente, desconsiderando o vínculo formal pactuado com pessoa jurídica interposta optante pelo Simples Nacional, desde que demonstrado, por meio da linguagem de provas, que os trabalhadores efetivamente prestaram serviços à empresa principal, esta não optante pelo regime diferenciado de tributação. Tal situação, uma vez constatada, caracteriza a terceirização ilícita. É de verse, contudo, que cuidase de um procedimento excepcional de constituição do crédito tributário, que privilegia a relação jurídica material existente na realidade e exige a coleta de provas na fase prévia ao lançamento em grau suficiente para demonstrar univocamente a prestação de serviços diretamente à empresa autuada. Pautado nas provas articuladas por ambas as partes, estabelecese a convicção do julgador a respeito da ocorrência ou não dos fatos imputados pela autoridade lançadora. Como bem destaca Fabiana Del Padre Tomé 1, este convencimento decorre do conjunto probatório avaliado como um todo, atribuindo o julgador maior ou menor força axiológica a cada prova. Pois bem. Reconheço que os elementos apontados pela fiscalização são indícios fortes de que a empresa prestadora (VJG Indústria e Comércio Ltda.) poderia ter sido constituída com o propósito de servir como mero instrumento para desviar a sujeição passiva tributária, mediante utilização do artifício de utilizar uma pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional para concentrar a mão de obra necessária ao processo produtivo da empresa principal (Irmãos Lippel & Cia Ltda). Nesse sentido, cabe destacar, entre outros, os seguintes elementos de prova enumerados pela autoridade lançadora: a instalação física das empresas em um mesmo terreno, ou em áreas contíguas; a transferência de segurados empregados entre as empresas, quando da constituição da prestadora de mão de obra, empresa VJG, no ano de 2001; a interligação familiar entre os sócios das empresas; a existência de reclamatória trabalhista ajuizada por reclamante contra ambas as empresas; a relação entre faturamento e mão de obra das empresas, o percentual significativo da prestação de serviços de industrialização à Lippel, tomadora dos serviços; a outorga de procurações entre as empresas; e a propriedade dos meios de produção por parte da empresa principal (Lippel). 1 TOMÉ, Fabiana Del Padre. A prova no direito tributário. 3 ed. São Paulo : Editora Noeses, 2011, p. 358. Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13971.720547/201312 Acórdão n.º 2401004.199 S2C4T1 Fl. 1.226 43 Tenho opinião, porém, que para o fim a que se propõe a acusação fiscal tais elementos indiciários ainda são insatisfatórios. Tornase imprescindível que a autoridade lançadora, a quem incumbe o dever da prova, realize uma apropriada construção probatória a ponto de espancar quaisquer incertezas no tocante à ocorrência dos fatos jurídicos que invoca como fundamento à sua pretensão. Não tenho dúvidas que os elementos coletados pela fiscalização são indícios contundentes da existência de efetiva interligação de tais empresas, até porque incontroverso os laços familiares na administração das sociedades comerciais, mas não comprovam uma inequívoca unicidade de gestão, mediante compartilhamento de funcionários, instalações e equipamentos, ou incontestável confusão financeira, patrimonial e administrativa entre as empresas. É certo também que as provas dos autos deixam claro que as empresas envolvidas compõem um grupo econômico de fato, o que implica atribuição de responsabilidade tributária, na forma prevista em lei. Por outro lado, não ficou demonstrado que não se tratam de empresas distintas, formando, na verdade, um único empreendimento de fato. Embora dependentes um da outra no exercício da atividade empresarial, não fiquei convencido que não há separação das personalidades jurídicas. Como alhures salientado, não há provas de que a empresa VJG não possui autonomia diretiva na condução dos negócios e que sua existência é meramente formal. Ainda que não preponderante, a empresa prestou serviços no período fiscalizado a outras pessoas jurídicas, conforme cópias das notas fiscais emitidas na industrialização por encomenda e acostadas aos processo administrativo (fls. 826/1.001). Nos termos expostos pela autoridade lançadora, sem informações e/ou documentos adicionais conclusivos, são ainda incertos os elos de conexão para atribuir a relação tributária diretamente com a empresa recorrente, na condição de contribuinte, e não como responsável tributário, inviabilizando a tentativa de caracterizála como o verdadeiro tomador dos serviços remunerados prestados pelos segurados que constituem o aspecto material do fato gerador do lançamento. Tampouco localizei nos autos qualquer indicação pela fiscalização, mediante provas convergentes e concretas, do gerenciamento do pessoal vinculado formalmente à empresa supostamente interposta (VJG) por parte de sócios, diretores, mandatários ou prepostos da empresa Lippel, evidenciando subordinação jurídica, a exemplo do controle de horários e afastamentos, exigência de uniformes, realização de contratação e demissão, ou seja, sobre direitos e deveres trabalhistas dos segurados empregados registrados na empresa industrializadora (prestador de serviços). Identificou a fiscalização, é verdade, duas procurações públicas outorgadas pela empresa VJG à funcionária da empresa Lippel, conferindolhe poderes administrativos (fls. 650/654). Como salienta o relatório fiscal, tais fatos evidenciam certamente a interligação das empresas; contudo, não demonstram por si só, sem a mínima avaliação de fatos concretos, que os setores administrativo e financeiro das empresas eram submetidos a um só comando, utilizandose do mesmo pessoal, estrutura física e responsável. Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS 44 Em que pese haver procedido à verificação física no endereço das empresas, não consta que a autoridade fiscal entrevistou os trabalhadores, cujos depoimentos sobre as condições e o gerenciamento das atividades no período fiscalizado poderiam ser esclarecedores e reveladores dos elementos de ligação faltantes para se estabelecer a sujeição passiva da empresa Lippel na qualidade de contribuinte. Saliento que as ações trabalhistas e os depoimentos dos reclamantes mencionados no relatório fiscal são elementos indiciários dos fatos que a acusação fiscal pretende provar; nada obstante, seu valor probante acaba enfraquecido por referirse a fatos anteriores ao período sob fiscalização, mais especificamente aos anos de 2002 a 2006 (fls. 179/261). Logo, entendo insuficiente o conjunto fáticoprobatório juntado pelo Fisco para efeitos do lançamento fiscal em nome da empresa autuada, ora recorrente, carecendo a atividade probatória de elementos adicionais para considerar a pessoa jurídica como quem possui relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO. É como voto. Cleberson Alex Friess Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/05/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/05/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
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Numero do processo: 16707.001359/2004-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/1994 a 31/12/2003
TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
Numero da decisão: 9303-003.500
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, nos termos do voto do Relator. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que negavam provimento. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Maria Teresa Martínez López.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, nos termos do voto do Relator. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que negavam provimento. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Maria Teresa Martínez López. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 13 59 /2 00 4- 19 Fl. 1908DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 16707.001359/200419 Acórdão n.º 9303003.500 CSRFT3 Fl. 1.909 2 (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra acórdão proferido pela 3ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF que deu provimento parcial ao recurso voluntário interposto por considerar que o prazo para a Fazenda Pública constituir crédito tributário relativo à Contribuição para o PIS e à Cofins é de cinco anos contados a partir do fato gerador, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) interpôs recurso especial de divergência alegando que a decisão proferida é contrária à lei ao deixar de aplicar, no caso de não haver antecipação de pagamento, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o disposto no artigo 173, inciso I, do CTN, já que o artigo 150, parágrafo 4º, do CTN aplicase aos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação quando o sujeito passivo apura o montante tributável e antecipa o pagamento do tributo devido. Em não havendo antecipação de pagamento não se pode falar em lançamento por homologação, razão pela qual o início do prazo decadencial é aquele previsto no artigo 173 inciso I do CTN, qual seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido exigido. Em suas contrarrazões, o contribuinte alega que, em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, para fins de se aferir a decadência, aplicase o disposto no § 4º do art. 150 do CTN, independentemente de pagamento antecipado, não se cogitando a aplicação do art. 173, inciso I, do CTN. Negouse seguimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte, por ausência de prequestionamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Fl. 1909DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 16707.001359/200419 Acórdão n.º 9303003.500 CSRFT3 Fl. 1.910 3 O contribuinte, em 14/05/2004, foi cientificado dos autos de infração relativos à Contribuição para o PIS e à Cofins devidas, respectivamente, nos períodos de apuração 01/06/1994 a 31/12/2003 e 28/02/1999 a 31/12/2003. O acórdão recorrido, após o acolhimento dos embargos declaratórios manejados pela PGFN, considerou decaído o lançamento relativamente ao período de 01/06/1994 a 30/04/1999, vez que efetuado após cinco anos da data do fato gerador, em que pese não ter havido pagamento nos meses objeto do lançamento. A PGFN pugna pela aplicação do art. 173, I do CTN, ante a inexistência de pagamentos antecipados, em razão do quê devia ser revertido o cancelamento do auto de infração relativamente aos períodos de apuração 1997 e 1998. Já o sujeito passivo baseia toda a sua argumentação na tese jurídica de aplicação do art. 150, § 4º, do mesmo Código, independentemente de ter havido ou não pagamento antecipado. Em nenhum momento contesta a ausência de pagamento. O CTN preceitua duas formas para se contar o prazo decadencial: na primeira delas o termo de início deve coincidir com data de ocorrência do fato gerador, quando o sujeito passivo tenha antecipado o pagamento, e, na segunda, o termo inicial é o 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, quando não tiver havido antecipação de pagamento ou ainda houver sido verificada a existência de dolo, fraude ou simulação, por parte do sujeito passivo. Com relação ao mérito, especificamente quanto ao prazo decadencial para lançamento dos créditos tributários nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação, é de se destacar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça (STJ) já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Fl. 1910DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 16707.001359/200419 Acórdão n.º 9303003.500 CSRFT3 Fl. 1.911 4 Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifos e destaques nossos) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio STJ o entendimento de que, nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação e não havendo pagamento, o Fl. 1911DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 16707.001359/200419 Acórdão n.º 9303003.500 CSRFT3 Fl. 1.912 5 termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I do artigo 173 do CTN, e não no § 4º do artigo 150 do mesmo Código. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) No novo Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 323, de 2015, a questão encontrase disciplinada nos seguintes termos: Art. 62 (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 1912DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 16707.001359/200419 Acórdão n.º 9303003.500 CSRFT3 Fl. 1.913 6 Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, não havendo pagamento, nos termos da jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, aplicase ao presente caso o disposto no inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional. Como os lançamentos se referem aos períodos de apuração 30/06/1994 a 31/12/2003 (PIS) e 28/02/1999 a 31/12/2003 (Cofins), e o sujeito passivo foi cientificado em 14/05/2004, estará decaído somente o período anterior a dezembro de 1998, alcançando, portanto, apenas o lançamento da Contribuição para o PIS do período de 30/06/1994 a 30/11/1998. A PFN defende a possibilidade de se aplicar a regra do art. 173, inciso I, do CTN, afastandose a decadência para os períodos de apuração de 1997 a 1998, arguindo que, para os fatos geradores ocorridos em 1997/1998, os respectivos lançamentos somente poderiam ser efetuados, respectivamente, em 1999/2000. Tal pedido, contudo, não encontra guarida no entendimento acima externado. Considerando a data da ciência dos autos de infração (14/05/2004) e aplicandose a regra do art. 173, inciso I, do CTN, temse que o lançamento somente poderia ser efetuado em relação às contribuições devidas a partir de dezembro de 1998, exigíveis a partir de janeiro de 1999, iniciandose o quinquênio decadencial em 1º de janeiro de 2000. As contribuições devidas em novembro de 1998 podiam ser exigidas em dezembro de 1998, iniciandose o prazo do art. 173, I, do CTN, em 1º de janeiro de 1999, encontrandose, por conseguinte, decaído o direito de lançamento dos períodos janeiro de 1997 a novembro de 1998 na data da ciência dos autos de infração. Pelo exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso interposto pela PGFN, revertendose o cancelamento dos autos de infração relativamente ao período de dezembro de 1998 a 30 de abril de 1999. É como voto. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 1913DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 16707.001359/200419 Acórdão n.º 9303003.500 CSRFT3 Fl. 1.914 7 Fl. 1914DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/06/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
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Numero do processo: 13839.720522/2014-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria ou pensão percebidos pelos portadores de moléstia grave comprovada por laudo médico oficial, forte no art. 30 da Lei nº 9.250/1995 e na Súmula CARF nº 63: "para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios".
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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MOLÉSTIA GRAVE. São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria ou pensão percebidos pelos portadores de moléstia grave comprovada por laudo médico oficial, forte no art. 30 da Lei nº 9.250/1995 e na Súmula CARF nº 63: "para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios". Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 72 05 22 /2 01 4- 24 Fl. 47DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 13839.720522/201424 Acórdão n.º 2402005.108 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém (PA) DRJ/BEL, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) ajustando o saldo de imposto a restituir de R$ 12.685,83, relativo ao anocalendário 2011, para o montante de R$ 2.901,25 (fls. 18/25). O lançamento acima foi decorrente da constatação das seguintes infrações: rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave, recebidos da fonte pagadora São Paulo Previdência SPREV no valor de R$ 131.442,87, e dedução indevida de despesas médicas, pois os recibos vinculados à Rosi Gladys Guitarrari, foram apresentados sem atender as formalidades legais (falta de endereço da profissional). A contribuinte apresentou impugnação, acompanhada de documentos, afirmando que os rendimentos são isentos por corresponderem a proventos de aposentadoria, pensão ou reforma, recebidos por portador de moléstia grave. Afirma, ainda que foi a beneficiária das despesas médicas. Mantida a exigência pela primeira instância (fls. 30/34), dada a falta de laudo médico oficial e do endereço da prestadora de serviços médicos, interpôs a contribuinte recurso voluntário, repisando as razões de impugnação e juntando documentos (fls. 38/40). É o relatório. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Registrese que o recurso é parcial, pois a contribuinte nele não manifestou inconformidade quanto à manutenção da glosa de despesas médicas levada a efeito pela fiscalização. A isenção do imposto de renda para os portadores de moléstia grave tem de como base legal os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelas Leis nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004, abaixo transcritos: Art. 6o Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Pagel (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. Por sua vez, o art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, passou a veicular a exigência de que a moléstia fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos termos a seguir: Art. 30. A partir de 1o de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 13839.720522/201424 Acórdão n.º 2402005.108 S2C4T2 Fl. 4 5 § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). Então, é necessário o cumprimento cumulativo de dois requisitos para que o beneficiário faça jus à isenção em foco, a saber: que ele seja portador de uma das doenças mencionadas no texto legal, e que os rendimentos auferidos sejam provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão. A controvérsia cingese, tendo em vista as razões vertidas no acórdão contestado, tãosomente à comprovação de ser a contribuinte portadora de moléstia grave, assim definida nos termos da lei. Ora, tanto os documentos carreados à impugnação (fls. 4 e 7), quanto o juntado à fl. 40 com o recurso voluntário, foram lavrados por profissional médico vinculado ao Hospital de Caridade de São Vicente de Paulo o qual se trata de instituição de natureza privada, ainda que receba recursos vinculados ao SUS. Não podem ser quaisquer desses documentos, portanto, ser equiparado a laudo médico oficial. Nesse sentido, temse a Súmula CARF nº 63, aprovada pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recurso Fiscais em sessão de 29/11/2010: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Lembrese que referido enunciado sumular é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado por força do art. 72 do Regimento Interno do CARF (RICARF Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015). Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário Ronnie Soares Anderson. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON
score : 1.0
Numero do processo: 13826.000354/2002-62
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/1995 a31/01/1999
PRAZO DE RECOLHIMENTO. ANTERIORIDADE
NONAGESIMAL. VACATIO LEGIS.
Inocorre o fenômeno da vacatio legis por conta da
declaração da inconstitucionalidade de parte do art.
18 da Lei risa 9.715/98. Aplicável, nos fatos geradores
entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996, o prazo
afeiçoado à LC d? 7/70, e a partir daí as regras da Lei
if 9.715/98 (MP tf 1.212/95 e reedições).
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
O direito de pleitear a restituição de tributo ou
contribuição pagos indevidamente, ou em valor maior
que o devido, extingue-se com o decurso do prazo de
cinco anos contados da data de extinção do crédito
tributário, assim entendido como o pagamento
antecipado, nos casos de lançamento por
homologação. Observância aos princípios da estrita
legalidade e da segurança jurídica.
Recurso negado
Numero da decisão: 201-80.907
Decisão: ACORDAM os membros a PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Walber José Da Silva.
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P.e GONTREUINTES CONFEC CC:.:C; ORIGNAL Brasilia 011 OL( O/ CCO2/C01 Fls. 481 Márcii: Cr i &Feira Garcia Si.1114: 17502 MINISTERIO DA -ZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES fr PRIMEIRA CÂMARA Processo n° 13826.000354/2002-62 Recurso n° 133.875 Voluntário Matéria PIS/Pasep de Contlotes nado Canse" Wal Acórdão n° 201-80.907 to-seg— no oit_i de Sessão de 13 de fevereiro de 2008 fulocs fr Recorrente SUPERMERCADO BUCHAIM LTDA. Recorrida DRJ em Ribeirão Preto - SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1995 a31/01/1999 PRAZO DE RECOLHIMENTO. ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. VACATIO LEGIS. Inocorre o fenômeno da vacatio legis por conta da declaração da inconstitucionalidade de parte do art. 18 da Lei risa 9.715/98. Aplicável, nos fatos geradores entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996, o prazo afeiçoado à LC d? 7/70, e a partir daí as regras da Lei if 9.715/98 (MP tf 1.212/95 e reedições). PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. O direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pagos indevidamente, ou em valor maior que o devido, extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. Observância aos princípios da estrita legalidade e da segurança jurídica. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 4, ci • MF - SEGUNDO Dr.:NfT!»" :ONTRIEU;NTLEs1 Processo n.° 13826.000354/2002-62 b CO*IERE i";.;; f132NAL CCO2/C01 Acórdão n.° 201-80.907 Sragia_ 01-4_1_03 Fls. 482 Ce<rcia ACORDAM os em ros a PRIMEIRA—CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. 4 e • I 00/5UtiCa• JACIOr No SE • A MARIA COELHO MARQUE Presidente WALB JOaLVA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Mauricio Taveira e Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, José Antonio Francisco e Antônio Ricardo Accioly Campos. Ausente o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Processo n.° 13826.000354/2002-62 - SEGUNDO CONSE!. CCO2/C01 Acórdão n.° 201-80.907 CONFERE COM O ORIC:NAL Fls. 483 Márcia Ct isti . _.ra Garcia Mai Siapv $117502 Relatório No dia 28/08/2002 a empresa SUPERMERCADO BUCHAIM LTDA., já qualificada nos autos, ingressou com o pedido de restituição de contribuição para o PIS, relativo a pagamentos efetuados no período de apuração de outubro de 1995 a janeiro de 1999, alegando que o PIS não poderia ser exigido nesse período, em face da inconstitucionalidade declarada, pelo STF, na ADIn da 1.417, até a vigência da Lei n2 9.715/98. Junto com o pedido de restituição veio o pedido de compensação dos créditos pleiteados com débitos de tributos administrados pela RFB. A DRF em Manha - SP indeferiu os pedidos da recorrente, alegando, preliminarmente, a extinção do direito de a recorrente pleitear a restituição dos recolhimentos efetuados até 28/08/1997 e, para os demais recolhimento, alega que não houve recolhimentos indevidos, posto que os mesmos foram efetuados em consonância com a legislação da exação vigente no período objeto do pedido. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 383/409, cujas alegações estão resumidas no Relatório do Acórdão recorrido, que leio em sessão. A 1' Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto - SP indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão DRJ/RPO ri2 10.400, de 09/01/2006, cuja ementa abaixo transcrevo: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 13/11/1995 a 28/08/1997 Ementa: INDÉBITO FISCAL. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. A decadência do direito de se pleitear restituição e/ ou compensação de indébito fiscal ocorre em cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento, inclusive, na hipótese de ter sido efetuado com base em lei, posteriormente, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/1995 a 28/02/1996 Ementa: FUNDAMENTO LEGAL. Em face da suspensão da execução dos Decretos-lei n° 2.445 e n° 2.449, ambos de 1988, por meio da Resolução n°49, de 09 de outubro de 1995, do Senado Federal, a contribuição para o PIS voltou a ser devida nos termos da Lei Complementar n° 7, de 1970, e ulteriores alterações legais, até a entrada em vigor da Medida Provisória n° 1.212, de 28 de novembro de 1995, em 1° de março de 1996. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/1996 a 31/01/1999 • MF SEGUNDO C.C.,Nf,:!».nt:r2 CONTRIntmilt.S liCONFr Processo e.° 13826.000354/2002-62 3_ _ CCO2/C01 Acórdão n°201-80.907 Fls. 484 Márcia Cristi(artCGaxia Mat. Supe 0117302 Ementa: FUNDAMENTO LEGAL. A partir de 1° de março de 1996, a contribuição para o PIS passou a ser devida de conformidade com a Medida Provisória 1.212, de 28 de novembro de 1995, e suas reedições, que elegeram como base de cálculo dessa contribuição o faturamento mensal da pessoa jurídica. Solicitação Indeferida". A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 06/03/2006, conforme AR de fl. 422, e, discordando da mesma, impetrou, no dia 20/03/2006, o recurso voluntário de fls. 423/476, no qual reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade e contesta as razões do Acórdão recorrido e que pode ser assim resumido: 1 - em face da liminar concedida pelo STF na ADIn ri2 1.417, declarando inconstitucional a Medida Provisória n2 1.212/95 e porque a Lei n2 9.715/98 entrou em vigor somente a partir de fevereiro de 1999, a lei foi repristinada, ocorrendo uma verdadeira trombada de leis que vigeram ao mesmo tempo entre outubro de 1995 e janeiro de 1999. Os recolhimentos feitos a título de PIS nesse período são indevidos; 2 - discorre sobre o princípio da anterioridade da lei tributária, as conseqüências da reedição de medidas provisórias e conclui dizendo como a administração fazendária deveria proceder no presente caso: deveria se desvincular da lei para observar "um plus constitucional, qual seja, o atendimento às normas morais que regem o ato público"; 3 - alega que o prazo para pleitear a restituição é de 10 (dez) anos no caso de tributos lançados por homologação. É a tese dos cinco mais cinco anos; 4 - discorre sobre o direito de efetuar a compensação de débitos tributários e que o mesmo não está sujeito a prazo prescricional por ser um direito potestativo; e 5 - discorre, também, sobre a semestralidade (fato gerador ou base de cálculo) do PIS na vigência da Lei Complementar n2 7/70. Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído no dia 20/11/2007, conforme despacho exarado na última folha dos autos - fl. 480. É o Relatório. Processo n.• 13826.000354/2002-62 CCO21C01 Acórdão re.° 201-80.907 MF - SEGUNDO CO>'en ^7 r^ k iTRP;:thNTES Fls. 485 . . errs:ILT; , ()g (.02 Voto Mare: ,arcia mai sh • ir 42 Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator O recurso voluntário é tempestivo e dele conheço. Trata o presente processo de pedido de restituição, combinado com pedido de compensação, de PIS supostamente recolhido indevidamente no período de outubro de 1995 a janeiro de 1999, porque entende a recorrente inexistia legislação que a obrigasse a efetuar o pagamento da exação. Afirma a empresa recorrente que o PIS foi recolhido para os períodos de apuração de outubro de 1995 a janeiro de 1999 com base nas disposições contidas na Medida Provisória n2 1.212/95 e reedições. Assevera que o art. 17 desta Medida Provisória foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento da ADIn n2 1.417-0. Alega que esta norma determinava a aplicação da nova sistemática de apuração do PIS a partir de 01/10/95, de modo que, após o reconhecimento de sua inconstitucionalidade, para os períodos de apuração mencionados não há que se falar em ocorrência do fato gerador. Sustenta que a própria Secretaria da Receita Federal reconheceu, por meio da Instrução Normativa SRF n2 6/2000, a inconstitucionalidade do referido dispositivo, razão pela qual os valores pagos devem ser restituídos. Aduz que a Lei Complementar n. 2 7/70 não teve sua vigência restaurada após o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 17 da Medida Provisória n 2 1.212/95, pois o direito pátrio não admite a repristinação. Daí sua conclusão no sentido de que, para os períodos de apuração de outubro de 1995 a janeiro de 1999, não há base legal para a exigência do PIS. Quanto à base legal para a exigência do PIS para os períodos de apuração de outubro de 1995 a janeiro de 1999, convém, inicialmente, esclarecer que a legislação declarada inconstitucional pela ADIn n2 1.417-0 perdeu totalmente a eficácia, desde a sua instituição. Neste caso, voltou a ser aplicado, em sua integralidade, o texto constitucional infringido e, com ele, o restante do ordenamento jurídico afetado, que o legislador intentara modificar, inclusive os demais dispositivos da Medida Provisória n2 1.212/95 e suas reedições. Assim, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 18 da Lei n 2 9.715/98 (resultante da conversão da Medida Provisória n2 1.212/95 e reedições), que determinava a aplicação retroativa da nova sistemática de apuração do PIS, esta contribuição passou a ser devida com base nas disposições da Lei Complementar n2 7/70 até o período de apuração de fevereiro de 1996 e, para os demais períodos objeto do pedido, com base nas disposições da Medida Provisória n2 1.212/95 e suas reedições. Ressalte-se que a vigência da Lei Complementar ri2 7/70 para estes períodos de apuração não caracteriza repristinação, pois a lei posterior não foi revogada, mas declarada inconstitucional, de modo que não é aplicável à espécie o disposto no art. 2 2, § 32, da Lei de Introdução ao Código Civil. Portanto, a contribuinte não logrou demonstrar que realizou recolhimentos indevidos do PIS para os períodos de apuração de outubro de 1995 a janeiro de 1999, pois esta contribuição permaneceu devida com base nas disposições da Lei Complementar n 2 7/70 e alterações posteriores válidas, inclusive a Medida Provisória n2 1.212/95 e suas reedições, como bem demonstrou a decisão recorrida. Á I?, IA, • SEGUNDO C0ISr lF10 n CONTRIBU CONFERE' cu o ORicir:AL • Processo ti.' 13826.000354/2002-62 g CCO2/C01 Acórdão rx.° 201-80.907 Brasilta,_ Li_O t Fls. 486 Márcia Cristin Moreira G ia Mai Sia . 01175:11 A recorrente ente • t• • pa—fã p eitear a restituiçao em tela é, na prática, de 10 (dez) anos, contados do pagamento, em face de o PIS ser lançado por homologação. O Acórdão recorrido manteve o entendimento da decisão originária de que o crédito tributário do PIS extingue-se com o pagamento antecipado, sendo a data do pagamento o termo inicial para a contagem do prazo previsto no art. 168 do CTN. Sem razão a recorrente. Não merece prosperar o argumento da recorrente de que o crédito tributário do PIS somente se considera extinto com a homologação expressa do lançamento ou, não havendo homologação expressa, com o decurso do prazo de cinco anos, contado do pagamento antecipado (art. 150, § O, do CTN), sendo este o termo inicial para a contagem do prazo qüinqüenal a que se refere o art. 168 do CIN. Isso porque o prazo a que se refere o § 4 2 do art. 150 é para a Fazenda Pública homologar o pagamento antecipado e não para estabelecer o momento em que o crédito se considera extinto, que foi definido no § I Q, do mesmo artigo, transcrito a seguir: "g P - O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutó ria da ulterior homologação do lançamento". Conforme disposto no parágrafo supra, o crédito referente aos tributos lançados por homologação é extinto pelo pagamento antecipado pelo obrigado. A dúvida que pode ser suscitada, neste caso, é quanto 'ao termo "sob condição resolutária da ulterior homologação do lançamento", incluído no dispositivo legal. De acordo com De Plácido e Silva: "Condição resolutória (..,) ocorre quando a convenção ou o ato jurídico é puro e simples, exerce sua eficácia desde logo, mas fica sujeito a evento futuro e incerto que lhe pode tirar a eficácia, rompendo a relação jurídica anteriormente formada." (grifo acrescido) (DE PLÁCIDO E SILVA. Vocabulário Jurídico, vol. I e II, Forense, Rio de Janeiro, 1994, pág. 497) Por conseguinte, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação os efeitos da extinção do crédito tributário operam desde o pagamento antecipado pelo sujeito passivo, nos termos da legislação de regência do tributo. Entendo descabida e temerária para a segurança do ordenamento jurídico pátrio, especialmente depois da publicação da Lei Complementar ti° 118/2005, qualquer tentativa de querer-se atribuir outro termo de início para a contagem do prazo para pleitear restituição, ou outra data (ou momento) para extinção do crédito tributário sujeito ao lançamento por homologação, que não os previstos nos arts. 150, caput, § 156, VII; 165, I, e 168, I, todos do Código Tributário Nacional. Também não há que se falar em oposição do Fisco ao direito de a recorrente efetuar compensação de débitos que possui junto à RFB com créditos decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior de impostos ou contribuições administrados pela RFB. A recorrente pode exercer seu direito de compensar a qualquer tempo, desde que o crédito utilizado na compensação seja líquido e certo, como exige o art. 170 do CTN. tei mF Gli(11:„Iiils.it„L;;:rii.ii:..-.00„gA:1 ri 181:tTIS • Processo .* 13826.000354/2002-62 CCO2./C01 Acórdão 201-80.907 Er23;I:3,—. O ki.—.014 Fls. 487 Márcia a a Cilsih•- ;itrcia " Dai No caso em t , açã' en en eu que inexiste o direito creditório pleiteado na inicial e, portanto, improcedente é o pedido de compensação da recorrente. Deixo de analisar os argumentos da recorrente sobre a semestralidade da base de cálculo do PIS porque tal matéria não foi objeto de deliberação pela autoridade fiscal que indeferiu o pedido de restituição de fl. 01. Não há lide sobre esta matéria. Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os andamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei. Por tais razões, que reputo suficientes ao deslinde, ainda que outras tenham sido alinhadas, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sesg- es, em 13 de fevereiro de 2008. WALB É-41 JOSÉ DA S LVA •t' Page 1 _0009100.PDF Page 1 _0009300.PDF Page 1 _0009500.PDF Page 1 _0009700.PDF Page 1 _0009900.PDF Page 1 _0010100.PDF Page 1
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Numero do processo: 10830.006485/2006-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE CONTRADIÇÃO, OMISSÃO OU OBSCURIDADE NO ACÓRDÃO EMBARGADO. EVIDENTE PRETENSÃO MODIFICATIVA. QUESTÕES JÁ APRECIADAS NO JULGAMENTO DO RECURSO. EMBARGOS REJEITADOS.
A via dos embargos não pode conduzir à renovação do julgamento que não se ressente do vício apontado.
Na concreta situação dos autos, o que se procura, sob pretexto de vícios inexistentes, é o reexame da fundamentação do aresto que deu provimento parcial ao recurso para restabelecer as deduções de livro-caixa e de Contribuição a Previdência Privada, bem como para excluir da exigência a multa isolada do carnê-leão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício.
Numero da decisão: 2201-003.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer dos Embargos, vencido o Conselheiro relator que conhecia e negava-lhe provimento. Designada para elaboração do voto vencedor a Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente e Relator.
Assinado Digitalmente
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa da Cruz e Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada).
Nome do relator: Relator
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AUSÊNCIA DE CONTRADIÇÃO, OMISSÃO OU OBSCURIDADE NO ACÓRDÃO EMBARGADO. EVIDENTE PRETENSÃO MODIFICATIVA. QUESTÕES JÁ APRECIADAS NO JULGAMENTO DO RECURSO. EMBARGOS REJEITADOS. A via dos embargos não pode conduzir à renovação do julgamento que não se ressente do vício apontado. Na concreta situação dos autos, o que se procura, sob pretexto de vícios inexistentes, é o reexame da fundamentação do aresto que deu provimento parcial ao recurso para restabelecer as deduções de livrocaixa e de Contribuição a Previdência Privada, bem como para excluir da exigência a multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer dos Embargos, vencido o Conselheiro relator que conhecia e negavalhe provimento. Designada para elaboração do voto vencedor a Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 64 85 /2 00 6- 20 Fl. 1972DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ 2 Assinado Digitalmente Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa da Cruz e Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Relatório Tratase de Embargos de Declaração apresentado, tempestivamente, pelo Contribuinte contra o Acórdão nº 2201002.496, de 14 de agosto de 2014. De início, verificase que a autoridade fiscal constituiu o crédito tributário no valor de R$ 3.938.089,93, relativamente às seguintes infrações (fl. 27): Omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoa física sujeito ao carnêleão, com aplicação de multa de ofício de 75%, relativamente ao anocalendário de 2001. Dedução indevida de: (i) dependente sujeitas ao ajuste anual (anos calendário 2001/2002); (ii) despesa médica (anoscalendário 2001/2002); (iii) despesas de livro caixa, decorrentes de suas atividades no 3º Cartório de Registro de Imóveis e Anexos à comarca de Campinas (anoscalendário 2001/2002); (iv) pagamento de previdência privada (anocalendário 2001); (v) de dependente da apuração do carnêleão (anoscalendário 2001/2002); (vi) despesa do livro caixa sujeitas ao carnêleão (anoscalendário 2001/2002) e (vii) doações aos fundos da criança e do adolescente (anoscalendário 2001/2002). Multa isolada por falta de recolhimento de IRPF a título de carnêleão. Em sessão plenária realizada em 14 de agosto de 2014, os membros da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª SEJUL, deram provimento parcial ao recurso para restabelecer as deduções de livrocaixa, nos valores de R$ 773.750,00, R$ 14.000,00 e R$ 11.992,25, e de Contribuição a Previdência Privada, no valor de R$ 44.071,51, nos termos do voto da Relatora, bem como para excluir da exigência a multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Transcrevemse as ementas: IRPF. CARTÓRIO DE REGISTRO. LIVRO CAIXA. DEDUÇÕES AUTORIZADAS. O titular de serviços notariais e de registro pode deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade as despesas de custeios pagas necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, tais como os encargos trabalhistas e previdenciários e os emolumentos pagos a terceiros. Gastos com combustível, transporte de funcionários, despesas com investimentos, pagamentos à pessoas físicas sem vínculo empregatício quando não vinculados à atividade desempenhada, aviso prévio pago a servidor público não se enquadram nas hipóteses legais de dedução. Fl. 1973DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ Processo nº 10830.006485/200620 Acórdão n.º 2201003.051 S2C2T1 Fl. 3 3 IRPF. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA CARNÊLEÃO CONCOMITÂNCIA. Improcede a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento de Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física devido a título de carnêleão quando cumulada com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, uma vez possuírem base de cálculo idênticas. Por sua vez, a presidente 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª SEJUL, opôs Embargos de Declaração, alegando, em síntese, verbis: O posicionamento histórico dos Conselhos de Contribuintes e do CARF sempre foi no sentido de rejeitar a concomitância de multa de ofício com multa isolada do carnêleão, obviamente quando a multa isolada incide sobre os rendimentos recebidos de pessoas físicas omitidos e, ao mesmo tempo, sobre a falta de recolhimento de carnêleão referente a esses mesmos rendimentos omitidos. (...) No presente caso, a multa isolada do carnêleão não foi aplicada somente em relação a rendimentos recebidos de pessoas físicas omitidos (item 1 do Auto de Infração), mas também foi resultante de glosas efetuadas no LivroCaixa (item 4 e 7 do Auto de Infração) e de glosas de dependentes (item 6 do Auto de Infração), valores estes que foram indevidamente deduzidos dos rendimentos declarados e, consequentemente, reduziram indevidamente a base de cálculo do carnêleão. Ditas deduções indevidas constituem infrações autônomas, que nada têm a ver com omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, cuja concomitância com a multa isolada do carnêleão tem sido o fundamento para entenderse pela existência de concomitância de multas. Nesse contexto, a análise da concomitância não necessariamente redundaria, automaticamente, no afastamento total da multa isolada, como constou no voto condutor do acórdão embargado, o que demanda manifestação clara por parte do Colegiado. Nesses termos, a presidente 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª SEJUL determinou o retorno dos autos à pauta de julgamento, para que o Colegiado se pronuncie sobre a questão. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator Os embargos são tempestivos e reúnem os requisitos de admissibilidade. Fl. 1974DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ 4 Como visto do relatório, a controvérsia dos Embargos cingese à exclusão da multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Nos aclaratórios alega a Embargante que a multa isolada do carnêleão não foi aplicada somente em relação aos rendimentos recebidos de pessoas físicas omitidos (item 1 do Auto de Infração), mas também foi resultante de glosas efetuadas no livrocaixa (itens 4 e 7 do Auto de Infração) e de glosas de dependentes (item 6 do Auto de Infração), valores estes que foram indevidamente deduzidos dos rendimentos declarados e, consequentemente, reduziram indevidamente a base de cálculo do carnêleão. Portanto, sobre as glosas do livro caixa não há concomitância. Pois bem, no que tange à exigência cumulativa de multa de oficio e multa isolada, vejamos o que prevê a Lei nº 9.430/1996, no seu art. 44, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito defraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8° da Lei n° 7.713 de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2; que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente. (grifei) Pelo que se vê, existem duas modalidades de multa aplicáveis ao contribuinte: a multa de 75% por falta de pagamento; pagamento após o vencimento; falta de declaração ou por declaração inexata e a multa qualificada de 150% em casos de evidente intuito de fraude. Por sua vez, o § 1° apenas especifica a forma de cobrança das multas definidas no caput, já que podem ser cobradas juntamente com o imposto devido ou de forma isolada. Nesse passo, constatado que o contribuinte deixou de efetuar o recolhimento mensal Fl. 1975DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ Processo nº 10830.006485/200620 Acórdão n.º 2201003.051 S2C2T1 Fl. 4 5 obrigatório (carnêleão) sobre os rendimentos recebidos de pessoas físicas, correta à imposição da multa isolada, calculada sobre o valor do imposto devido mensalmente que, já que o imposto não foi objeto de lançamento do lançamento de oficio, ou seja, o contribuinte informou em sua DIRPF o recolhimento mensal obrigatório e simplesmente não pagou. Contudo, in casu, as glosas perpetradas pela autoridade fiscal no livrocaixa (item 4 e 7 do Auto de Infração) e de dependentes (item 6 do Auto de Infração), elevaram a base de cálculo do recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), valor sobre o qual é calculada a multa isolada, e ensejaram o aumento da base de cálculo do imposto devido no ajuste anual, que foi objeto de lançamento de oficio também com multa de 75%. Embora alegue a Embargante que as deduções indevidas do carnêleão constituem infrações autônomas, que nada têm a ver com omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, penso que em razão do procedimento fiscal houve a cobrança de uma “multa isolada” em concomitância com a “multa de oficio”. Assim, não cabe razão à Embargante, já que houve, efetivamente, dupla incidência da penalidade sobre os valores recebidos de pessoas físicas (item 1 do Auto de Infração), tributados no ajuste anual dos anoscalendário de 2001 e 2002, bem como sobre as glosas efetuadas no livrocaixa (item 4 e 7 do Auto de Infração) e de glosas de dependentes (item 6 do Auto de Infração). Ante a todo o exposto, voto no sentido de acolher os embargos apresentados para rerratificar o Acórdão nº 2201002.496, de 14/08/2014, manter a respectiva decisão no sentido de dar provimento parcial ao recurso para restabelecer as deduções de livrocaixa, nos valores de R$ 773.750,00, R$ 14.000,00 e R$ 11.992,25, e de Contribuição a Previdência Privada, no valor de R$ 44.071,51, nos termos do voto da Relatora, bem como para excluir da exigência a multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Voto Vencedor Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz, Redatora designada A oposição dos presentes embargos de declaração pretende a rediscussão da questão relativa à concomitância da multa isolada com a multa de ofício. Sustenta a Embargante que a análise da concomitância não necessariamente redundaria, automaticamente, no afastamento total da multa isolada, como constou no voto condutor do acórdão embargado, o que demanda manifestação clara por parte do Colegiado. Desse modo, sem maior esforço de interpretação, os embargos em análise procuram, sob pretexto de vício inexistente, o reexame da fundamentação do aresto que deu provimento parcial ao recurso para restabelecer as deduções de livrocaixa e de Contribuição Fl. 1976DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ 6 a Previdência Privada, bem como para excluir da exigência a multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Ora, a via dos embargos não pode conduzir à renovação do julgamento que não se ressente do vício apontado, pois ausentes os pressupostos da obscuridade, omissão ou contradição, conforme o disposto no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). Nesse contexto, rejeito os embargos de declaração. Assinado digitalmente Ana Cecília Lustosa da Cruz Fl. 1977DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
score : 1.0
Numero do processo: 12448.722650/2011-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE.
Somente são isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada. A doença deve ser comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.572
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
João Bellini Júnior- Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. Somente são isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada. A doença deve ser comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior- Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva.
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ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. Somente são isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada. A doença deve ser comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 26 50 /2 01 1- 09 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso voluntário, f. 52, interposto em 03/06/2014, contra o Acórdão nº 1247.004, da 18ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, f. 4346, cientificado ao contribuinte em 23/05/2014, conforme aviso de f. 49, no qual foi julgada improcedente a impugnação à Notificação de Lançamento n° 2006/607451723114149, f. 0610. O lançamento reduziu o saldo do imposto a restituir apurado na declaração de ajuste do exercício 2006 de R$ 6.723,33 para R$ 1.252,66 (já restituído) em razão de não terem sido comprovados os requisitos para a isenção por moléstia grave de rendimentos no valor de R$ 22.110,55, e por falta de comprovação do imposto declarado como retido na fonte, no valor de R$ 885,76. O impugnante insurgiuse contra o lançamento com o argumento de ser portador de doença grave prevista no inc. XIV, art. 6°, da Lei 7.713, de 1988, e que o imposto retido consta do comprovante fornecido pela fonte pagadora. O Acórdão recorrido considerou improcedente a impugnação por ter sido comprovada a moléstia grave apenas a partir de 14/03/2006, e por ter sido o contribuinte reformado a partir de junho de 2005, razão pela qual os rendimentos recebidos até esse mês não estariam isentos. Com o recurso interposto, o contribuinte apresenta parecer da Junta Superior de Saúde do Comando da Aeronáutica, comprovante anual de rendimentos do anocalendário 2005 e “tela” do programa de declaração de imposto retido pela fonte pagadora, detalhando a retenção do imposto por mês, nesse anocalendário, f. 5456. É a síntese do necessário. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 12448.722650/201109 Acórdão n.º 2301004.572 S2C3T1 Fl. 63 3 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A decisão recorrida considerou improcedente a impugnação, por falta de comprovação, mediante laudo oficial, de que o recorrente padecia de moléstia grave no ano calendário 2005 e por falta de comprovação do imposto retido. No que tange à isenção por moléstia grave, a questão é tratada na Súmula CARF n° 43 (Portaria MF n° 383 – DOU de 14/07/2010), abaixo transcrita: Súmula CARF n ° 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Com o recurso foi apresentado parecer da Junta Superior de Saúde do Comando da Aeronáutica, à f. 49, com diagnóstico de neoplasia maligna, e data de início da doença 14/06/2005, literalmente “data do laudo histopatológico da peça cirúrgica”. Assim, caso o interessado estivesse reformado ou integrasse a reserva remunerada, os rendimentos recebidos a partir dessa data estariam isentos do imposto de renda, questão que foi assim analisada no Acórdão recorrido: Sabese que de acordo com o artigo 106 da Lei nº 6880/80, abaixo transcrito que a idade limite para SO é de 56 anos, tendo o contribuinte nascido em 22/07/1949 ele estaria reformado a partir de julho de 2005. Art . 106. A reforma ex officio será aplicada ao militar que: I atingir as seguintes idades limite de permanência na reserva: a) para Oficial General, 68 (sessenta e oito) anos; b) para Oficial Superior, inclusive membros do Magistério Militar, 64 (sessenta e quatro) anos; c) para Capitão Tenente, Capitão e oficial subalterno, 60 (sessenta) anos; e d) para Praças, 56 (cinqüenta e seis) anos. Portanto, a partir de julho de 2005 os rendimentos recebidos têm natureza de reforma.(g/n) Assim, é forçoso concluir que os rendimentos recebidos pelo contribuinte a partir de julho de 2005 estão isentos, nos termos do inc. XIV do artigo 6° da Lei n° 7.713, de 1988 e alterações posteriores. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 4 Analisandose os documentos de f. 5556, a saber, comprovante anual de rendimentos e detalhamento da declaração de imposto de renda retido pela fonte pagadora, constatase que esta separou corretamente os rendimentos como tributáveis até junho de 2005, no valor de R$ 26.094,42 e isentos a partir de então, no valor de R$ 27.222,60. Quanto à retenção do imposto, o comprovante anual de rendimentos indica o imposto retido na fonte de R$ 7.487,14, o que leva ao cálculo do saldo de imposto a restituir ao contribuinte no seguinte quadro: Exercício 2006 Total dos rendimentos tributáveis 26.094,42 Desconto simplificado 5.218,88 Base de cálculo 20.875,54 Imposto calculado pela tabela progressiva 1.036,13 Imposto retido 7.487,14 Imposto a restituir calculado 6.451,01 Imposto já restituído 1.252,66 Imposto a restituir 5.198,35 Com base no exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o saldo de imposto a restituir ao contribuinte no valor de R$ 5.198,35. Luciana de Souza Espíndola Reis Fl. 65DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR
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Numero do processo: 10932.720021/2014-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 31/01/2013 a 31/12/2013
MULTA. SICOBE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Tratando-se de ato não definitivamente julgado, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, quando deixe de defini-lo como infração. Não havendo mais a previsão legal de multa para a hipótese de anormalidade de funcionamento do Sicobe (Sistema de Controle de Produção de Bebidas), a multa correspondente deve ser cancelada.
Recurso provido.
Numero da decisão: 3402-003.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
assinado digitalmente
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 31/01/2013 a 31/12/2013 MULTA. SICOBE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de ato não definitivamente julgado, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, quando deixe de definilo como infração. Não havendo mais a previsão legal de multa para a hipótese de anormalidade de funcionamento do Sicobe (Sistema de Controle de Produção de Bebidas), a multa correspondente deve ser cancelada. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. assinado digitalmente Antônio Carlos Atulim Presidente. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 72 00 21 /2 01 4- 91 Fl. 281DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 25/07/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10932.720021/201491 Acórdão n.º 3402003.176 S3C4T2 Fl. 282 2 Relatório Por bem descrever os fatos e com a devida concisão, adoto o relatório da decisão recorrida, vazado nos seguintes termos: Consoante capitulação legal consignada à fl. 63, foi lavrado o auto de infração à fl. 62, em 09/04/2014, para exigir R$ 701.645.471,20 de multa regulamentar por ação ou omissão tendente a prejudicar o normal funcionamento do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (SICOBE). Segundo a descrição dos fatos do auto de infração (fl. 63), que remete ao termo de verificação fiscal (fls. 67/80), a anormalidade do funcionamento do SICOBE foi constatada em procedimento fiscal, não tendo o sujeito passivo efetuado o pagamento do ressarcimento devido à Casa da Moeda do Brasil no período de abril em diante. A irregularidade consta do Relatório Técnico de Ocorrências SICOBE nº 06, de 07/10/2011 (fl.69). Em razão disso, foi baixado o Ato Declaratório Executivo COFIS nº 68, de 17/11/2011 (fl. 70), estando sujeita a contribuinte à multa prevista na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, c/c a Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 58T, com a redação dada pela Lei nº 11.827, de 20 de novembro de 2008, e disciplinada pela Instrução Normativa RFB nº 869, de 12 de agosto de 2008, art. 13. Foi lavrado, no decorrer do procedimento fiscal, em 21/02/2014, o termo de constatação fiscal às fls. 55/58 pelo qual foi solicitada, entre outras providências, a comprovação documental da natureza jurídica dos valores lançados no Livro Registro de Apuração do IPI sob o CFOP nº 5125 (industrialização para terceiros), CFOP nº 5405 (venda de mercadoria adquirida de terceiros) e nº 5905 (remessa para depósito fechado ou armazém geral). Para fins de ciência do sujeito passivo, foi afixado em 14/04/2014 o Edital SEFIS nº 36/2014 (fl. 60), informado pelo termo de constatação, à fl. 59, que trata da tentativa frustrada de ciência pessoal do sujeito passivo, tendo ocorrido mudança de endereço deste. A intimação permaneceu in albis e as saídas com CFOP nº 5125, 5405 e 5905 foram então incluídas nos valores comerciais das mercadorias (base de cálculo da multa regulamentar). O valor da multa regulamentar foi calculado conforme o disposto na Lei nº 11.488, de 2007, art. 30, caput: 100% do valor comercial da mercadoria produzida se o fabricante não efetuar o controle de volume de produção, sem prejuízo da aplicação das demais sanções fiscais e penais cabíveis, com o valor global não inferior a R$ 10.000,00. Tudo conforme o demonstrativo de apuração de multas regulamentares (fl. 64), com os totais Fl. 282DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 25/07/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10932.720021/201491 Acórdão n.º 3402003.176 S3C4T2 Fl. 283 3 mensais levantados pela autoridade fiscal, de janeiro a dezembro de 2013, conforme segue: Período de Apuração Valor em Reais Janeiro/2013 57.527.661,24 Fevereiro/2013 56.393.759,30 Março/2013 71.973.366,53 Abril/2013 51.683.965,08 Maio/2.013 57.867.390,11 Junho/2013 48.028.405,75 Julho/2013 59.458.786,49 Agosto/2013 59.423.925,53 Setembro/2013 55.202.038,07 Outubro/2013 49.264.240,46 Novembro/2013 55.454.420,38 Dezembro/2013 79.367.512,26 Total 701.645.471,20 Em 28/04/2014 foi afixado o Edital SEFIS nº 40/2014 (fls. 81/82) e em 07/05/2014 a peça fiscal foi cientificada por procurador da empresa (instrumento legal à fl. 83). Apresentou, então, o sujeito passivo a impugnação às fls. 96/131 em 29/05/2014, subscrita por patrono munido da procuração à fl. 133, em que, basicamente, sustenta que: a) a impugnante alterou o domicílio tributário de Diadema para Guaratinguetá em março de 2014, tendo deixado de fabricar refrigerantes no próprio estabelecimento e passado a ser encomendante de industrialização por terceiros; b) cumpriu a determinação constante do Caderno de Requisitos de Instalação (RQI) em abril de 2011; c) apesar das custosas alterações na planta industrial, foi imposta multa pela DRFB em São Bernardo, SP; d) é exorbitante a taxa de manutenção de integração do SICOBE exigida como ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil, sendo impossível o respectivo recolhimento sem o comprometimento da atividade da empresa; e) a declaração de anormalidade e a imposição da multa espúria são ilegais e arbitrárias: e.1) a declaração de anormalidade e posterior desligamento do SICOBE implica violação do princípio da livre iniciativa e é uma forma de coação ilegal imposta à empresa para a exigência de tributo; e.2) a taxa cobrada a título de ressarcimento viola os princípios da legalidade e da tipicidade, sendo inconstitucional; representa ofensa à proporcionalidade da Lei nº 11.488/2007 tendo em conta a capacidade produtiva da empresa; também constitui ofensa à isonomia tributária prevista na Constituição Federal, pois não reflete a capacidade contributiva dos diversos fabricantes de refrigerantes controlados pelo SICOBE; f) a exigência é improcedente, pois representa uma violação do princípio da estrita legalidade porque uma instrução normativa não pode prever penalidade para a infração, indo muito além do preconizado na lei; g) há nítida violação dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, pois a cobrança da taxa de ressarcimento e da multa em 100% do valor comercial das operações não refletem os verdadeiros custos incorridos pela CMB para a instalação e manutenção do sistema; também há violação do princípio da isonomia; h) há, outrossim, evidente violação do princípio do nãoconfisco, pois a multa equivale à própria base de cálculo do IPI; i) há nulidade insanável do auto de infração porque o termo de verificação fiscal trata de operações e valores referentes ao período de julho a dezembro de 2012, em completa dissonância com a descrição da infração; Fl. 283DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 25/07/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10932.720021/201491 Acórdão n.º 3402003.176 S3C4T2 Fl. 284 4 os valores dizem respeito ao auto de infração relativo ao processo nº 10932.720095/201347; conforme doutrina colacionada, a inobservância dos princípios da motivação e da fundamentação implica nulidade absoluta. Por fim, repisa a argumentação e requer o conhecimento da impugnação e que esta seja julgada procedente ao final, sendo afastada integralmente a multa imposta, com a produção de todos os meios de prova admitidos em direito para a demonstração da veracidade das alegações, notadamente a oferta de novos documentos, realização de diligências e outras providências porventura necessárias, além da juntada das cópias anexas de documentos, declaradas autênticas pela impugnante e necessários à instrução da impugnação. Sobreveio acórdão exarado pela DRJ/RPO (fls. 172/186) em 25/08/2014, julgando improcedente a impugnação. Contra essa decisão foi interposto o presente Voluntário (fls. 244/274), no qual, em suma, a recorrente repisa os argumentos expendidos em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, relator. Como é consabido, o agente administrativo e também o julgador do CARF ou da DRJ não podem se furtar a cumprir a lei, nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235/72. Nesse sentido também dispõe a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Assim, não se toma conhecimento das alegações da recorrente de inconstitucionalidade da multa em face da lesão ao princípio do não confisco e proporcionalidade. Não obstante, verificase a existência de questão de ordem pública que deve ser apreciada pelo julgador independentemente de alegação das partes, qual seja, a retroatividade benigna. Posteriormente à decisão recorrida, a Lei nº 13.097/2015 revogou o art. 58T da Lei nº 10.833/2003, o qual dispunha sobre as obrigações acessórias de instalar equipamentos contadores de produção para empresas que industrializam os produtos de que trata o art. 58A dessa Lei, como a recorrente, bem como determinava a aplicação da multa prevista no art. 30 da Lei n°11.488/2007, em caso de irregularidade quanto a essa obrigação acessória: LEI Nº 13.097, de 19 de janeiro de 2015 DOU de 20.1.2015 Art. 169. Ficam revogados: (...) Fl. 284DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 25/07/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10932.720021/201491 Acórdão n.º 3402003.176 S3C4T2 Fl. 285 5 III a partir do 1o (primeiro) dia do 4o (quarto) mês subsequente ao da publicação desta Lei: (...) b) os incisos VII a IX do § 1o do art. 2o, e os arts. 51, 53, 54 e 58 A a 58V da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003; (...) [negrito desta Relatora] Assim, atualmente o dispositivo que fundamentou a autuação encontrase revogado pelo art. 169, III, "b" da Lei nº 13.097/2015. Dessa forma, não havendo mais a previsão legal de multa para a hipótese de anormalidade de funcionamento do SICOBE para a recorrente, em conformidade ao disposto no art. 106, II, "a" e "b" do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito, a multa sob análise deve ser cancelada: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nesse mesmo sentido foi decidido pelo Tribunal Regional da 1ª Região, conforme ementa abaixo: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. MANDADO DE SEGURANÇA. "OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA". SICOBE. REVOGAÇÃO. RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA. 1. A "obrigação acessória" objeto deste MS (Sistema de Controle de Bebidas/Sicobe) foi revogada pelo art. 169/III, alínea "b", da Lei 13.097/2015. Esse fato superveniente deve ser levado em consideração (CPC, art. 462). 2. "A revogação de obrigação acessória imposta ao contribuinte constitui exceção à regra da irretroatividade da lei mais benéfica, nos estritos termos do art. 106, II, b, do Código Tributário Nacional, observada, naturalmente, a inexistência de fraude associada ao não recolhimento do tributo" (REsp 1.349.667DF, r. Ministro Og Fernandes, 2ª Turma do STJ em 14/10/2014). 3. Agravo regimental da União desprovido. (AMS 005021165.2011.4.01.3500/GO, Rel. DESEMBARGADOR FEDERAL NOVÉLY VILANOVA, OITAVA TURMA, eDJF1 p.5243 de 20/11/2015) Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para exonerar a exigência tributária. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 25/07/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10932.720021/201491 Acórdão n.º 3402003.176 S3C4T2 Fl. 286 6 Jorge Olmiro Lock Freire relator. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 25/07/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 16696.720415/2014-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
PETIÇÃO. RECONHECIMENO DA PERTINÊNCIA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Não se conhece como recurso voluntário de petição que não se insurge contra o crédito tributário exigido.
Numero da decisão: 2301-004.634
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso, nos termos do voto do relator.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 25/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Fábio Piovesan Bozza e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente).
Nome do relator: Relator João Bellini Júnior
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RECONHECIMENO DA PERTINÊNCIA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Não se conhece como recurso voluntário de petição que não se insurge contra o crédito tributário exigido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso, nos termos do voto do relator. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 25/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Fábio Piovesan Bozza e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 06050.150, exarado pela 4ª Turma da DRJ em Curitiba (fls. 71 a 78 – numeração dos autos eletrônicos). Reproduzo o relatório do acórdão recorrido: Trata o presente processo de Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, às fls. 04/11, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 69 6. 72 04 15 /2 01 4- 66 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 lavrada em face da revisão da declaração de ajuste anual do exercício 2010, anocalendário 2009, que exige R$ 11.887,91 de imposto suplementar, R$ 8.915,93 de multa de ofício de 75%, e encargos legais que, conforme descrição dos fatos e enquadramentos legais de fls. 06/11, constatou: · dedução indevida de dependentes no valor de R$ 5.191,20; · dedução indevida de pensão alimentícia no valor de R$ 16.800,00, · dedução indevida de previdência privada e FAPI no valor de R$ 11.318,23, e · dedução indevida de despesa com instrução no valor de R$ 10.835,76 e · dedução indevida de despesas médicas no valor de R$ 10.486,05. Regularmente cientificado do lançamento em 18/06/2014 (fl. 67), o interessado ingressou, em 15/07/2014, com a impugnação de fls. 02/03, instruída com os anexos de fls. 14/66. Em sua impugnação o contribuinte insurgese contra toda a notificação, argumentando que os valores declarados estão corretos e de acordo com a legislação vigente. Em relação aos dependentes afirma que são todos membros de sua família e, portanto legalmente passíveis de serem deduzidos. Quanto à Previdência Privada afirma que a mesma em realidade referese a desconto de INSS de seu salário. No que diz respeito às despesas médicas e com instrução afirma que apresenta documentos que comprovam as referidas despesas e que as mesmas dizem respeito a seus dependentes. Finalmente, em relação à pensão alimentícia, afirma que acosta aos autos documentos comprobatórios da existência e legalidade da mesma. Requer o acolhimento da defesa e conseqüente cancelamento da Notificação. A DRJ julgou parcialmente procedente a impugnação, e o acórdão recorrido recebeu as seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 DEPENDENTES. DIREITO ÀS DEDUÇÕES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Diante da ausência de comprovação do direito às deduções glosadas, deve ser mantido o lançamento fiscal. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO NO AJUSTE ANUAL. COMPROVAÇÃO. Para a dedução de pensão alimentícia na declaração de ajuste anual devem ser comprovados a existência da obrigação e o efetivo pagamento. CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA PRIVADA. DEDUÇÃO NO AJUSTE ANUAL. REQUISITOS. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16696.720415/201466 Acórdão n.º 2301004.634 S2C3T1 Fl. 122 3 Podem ser deduzidas, da base de cálculo do imposto devido no ajuste anual, as importâncias comprovadamente pagas de contribuição para a previdência privada. DEDUÇÕES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS REQUISITOS. A dedução de despesas médicas e com instrução está condicionada à comprovação de que os gastos foram efetuados com o contribuinte e/ou seus dependentes. A ciência dessa decisão ocorreu em 15/12/2014 (fl. 81). Em 09/01/2015, o contribuinte peticionou nos autos, reconhecendo como corretos os valores dele exigidos, e referindo ser portador de cardiopatia grave, não tendo retornado para refazer a perícia no INSS um ano após a perícia na qual sua condição de portador de moléstia grave foi reconhecida. Afirma ter solicitado o agendamento de nova perícia, que deveria ser realizada entre janeiro e fevereiro de 2015, referindo que, tão logo tenha recebido novo laudo, o juntaria aos autos. O processo foi distribuído para este relator em 09/12/2015 (fl. 120). É o relatório. Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior O contribuinte não se insurge contra a exigência tributária; ao contrário, refere ser correta a exigência. A seu turno, caso venha a ser reconhecida condição que lhe dê direito à isenção do imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF), poderá se dirigir à unidade da Receita Federal do Brasil (RFB) de seu domicílio fiscal, para as medidas cabíveis. Com base em tais fundamentos, voto por DESCONHECER o recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Relator Fl. 130DF CARF MF Impresso em 17/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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