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Numero do processo: 10940.001634/2004-55
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2001, 01/09/2001 a 30/09/2001, 01/01/2002 a 31/01/2002, 01/03/2002 a 31/03/2002, 01/06/2002 a 30/06/2002, 01/09/2002 a 30/09/2002, 01/12/2002 a 31/12/2002
DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF ANTES DE 31/10/2003. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
Antes de 31.10.2003 havia a necessidade de lançamento de ofício para se cobrar a diferença do débito apurado em DCTF. Interpretação dada pelo art. 5º do Decreto-Lei nº 2.124/84, art. 2º, da Instrução Normativa SRF nº 45, de 1998, art. 7º, da Instrução Normativa SRF nº 126, de 1998, art. 90, da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, art. 3º da Medida Provisória nº 75, de 2002, e art. 8º, da Instrução Normativa SRF nº 255, de 2002.
Precedentes STJ.
Numero da decisão: 9303-006.528
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Antes de 31.10.2003 havia a necessidade de lançamento de ofício para se cobrar a diferença do débito apurado em DCTF. Interpretação dada pelo art. 5º do DecretoLei nº 2.124/84, art. 2º, da Instrução Normativa SRF nº 45, de 1998, art. 7º, da Instrução Normativa SRF nº 126, de 1998, art. 90, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 3º da Medida Provisória nº 75, de 2002, e art. 8º, da Instrução Normativa SRF nº 255, de 2002. Precedentes STJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 16 34 /2 00 4- 55 Fl. 4960DF CARF MF Processo nº 10940.001634/200455 Acórdão n.º 9303006.528 CSRFT3 Fl. 4.961 2 Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, contra acórdão nº 20402.429, proferido pela 4º Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, que por unanimidade de votos negou provimento ao Recurso de Ofício. Transcrevo, inicialmente, parte que interessa do excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Em decorrência de ação fiscal de verificação do cumprimento das obrigações fiscais pela contribuinte qualificada, foi lavrado o auto de infração de fls. 130/136, que exige o recolhimento de R$ 584.688,67 de Cofins e R$ 438.516,48 de multa de lançamento de oficio de 75%, prevista no art. 10, parágrafo único, da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991, e art. 44, I, da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, além dos acréscimos legais. A autuação, lavrada em 09/08/2004 e cientificada, por via postal, em 11/08/2004 (fl. 140), ocorreu devido A falta de recolhimento da Cofins dos períodos de apuração de 01107/2001 a 31/07/2001, 01109/2001 a 30/09/2001, 0110112002 a 31101/2002, 01/03/2002 a 30/06/2002, 01/09/2002 a 30/09/2002 e de 01112/2002 a 31/12/2002, conforme demonstrativos de apuração de fl. 135 e de multa e juros de mora de fl. 136, tendo como fundamento legal: art. 10 da Lei Complementar n° 70, de 1991; arts. 2°, 3° e 8° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, com as alterações da Medida Provisória n° 1.807, de 28 de janeiro de 1999, e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória n° 1.858, de 29 de junho de 1999, e suas reedições; art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pela Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002, que posteriormente foi transformada na Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002; arts. 142 e 149 do Código Tributário Nacional CTN (Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966); art. 9° do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pela Lei n° 8.748, de 9 de dezembro de 1993; e arts. 14, 16, 17 e 18 da Portaria Cofis n° 34, de 1° de outubro de 2003. Na descrição dos fatos, As fls. 131/134, consta, em síntese, que o lançamento dos períodos de apuração de 01/07/2001 a 31107/2001, 01/09/2001 a 30/09/2001, 01101/2002 a 31/01/2002, 01/03/2002 31/03/2002, 01106/2002 a 30/06/2002, 01109/2002 a 30/09/2002 e de 01//12/2002 a 31/12/2002 Fl. 4961DF CARF MF Processo nº 10940.001634/200455 Acórdão n.º 9303006.528 CSRFT3 Fl. 4.962 3 referese a compensações que foram indeferidas nos Processos Administrativos nºs 13933.000.031/200171, 13933.000.079/200189, 13933.000.082/200101, 13933.000.063/200257, 13933.000.108/200293, 13933.000.182/200218 e 13933.000.013/200351, em relação As quais foi, então, implementada a condição resolutória prevista no § 2° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, e, uma vez não extinto e nem confessado o crédito tributário, fezse necessária a sua constituição de oficio; e que o lançamento dos períodos de apuração de 01/04/2002 a 31/05/2002 referese a valores apurados como devidos, mas que não foram declarados pela contribuinte em DCTF, não se encontrando totalmente extintos por nenhuma das formas previstas no art. 156 do CTN". O acórdão da decisão recorrida restou assim ementado: COFINS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ENQUADRAMENTO LEGAL. INOBSERVÂNCIA. Indevido o lançamento de oficio que, quando formalizado, foi efetuado em desacordo com as normas legais que limitavam a sua forma de constituição e os seus pressupostos. PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO. Deve ser cancelado o lançamento de oficio exigindo pagamento de Cofins quando restar comprovado nos autos que os recolhimentos foram efetuados pela contribuinte. Recurso de oficio negado. Da decisão exarada pela E. Turma baixa, a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração. O Presidente da Primeira Turma da Quarta Câmara da 3ª Seção do CARF, rejeitou os embargos, ás fls. 4906/ 4908. Inconformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, alegando divergência jurisprudencial em relação ao art. 18 da Lei nº 10.833/2003, o que deve retroagir para alcançar os fatos geradores anteriores a sua vigência. Considerando que deve permanecer hígido o lançamento efetuado, nos termos do art. 90 da MP 2.15835, legislação vigente à época do período da autuação. Para respaldar a dissonância jurisprudencial, aponta como paradigma o acórdão nº9202003.611. Em seguida, por ter sido comprovada a divergência jurisprudencial, o Presidente da 4º Câmara da 3º Seção do Carf, deu seguimento ao Recurso, fls.4932/4933, especialmente quanto a irretroatividade do art.18 da Lei nº 10.833/03, para alcançar lançamento efetuado segundo o art. 90 da MP 2.15835. A Contribuinte apresentou contrarrazões, ás fls. 4945/4951, requerendo que seja negado provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, mantendose o acórdão proferido pela eg. Turma a quo por seus próprios fundamentos. É o relatório. Fl. 4962DF CARF MF Processo nº 10940.001634/200455 Acórdão n.º 9303006.528 CSRFT3 Fl. 4.963 4 Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Portanto, a matéria divergente posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito exclusivamente sobre a irretroatividade ou não do art. 18 da Lei nº 10.833/03, para alcançar o lançamento efetuado nos termos do artigo 90 da MP nº 2.15835. Passo ao julgamento. Com efeito, a DRJ/CuritibaPR, por maioria de votos, considerou improcedente o lançamento, bem como exonerou multa de ofício e juros de mora. Vejamos: "Preliminarmente A análise de mérito da autuação e respectivas razões de impugnação, há que se avaliar se o presente lançamento encontrase em conformidade com as disposições legais pertinentes. Isso porque, como apurado pela fiscalização e alegado pela interessada, parte dos créditos constituídos (períodos de apuração de 01/07/2001 a 31/07/2001, 01/09/2001 a 30/09/2001, 01/01/2002 a 31/0112002, 01103/2002 31/03/2002, 01106/2002 a 30/06/2002, 01/09/2002 a 30/09/2002 e de 01/12/2002 a 31/12/2002) referemse a compensações que, embora indeferidas pela autoridade competente por meio dos respectivos processos administrativos, foram declaradas em DCTF (fl 129) No caso em análise, temse um lançamento de oficio formalizado em 09/08/2004 e que, não obstante estar sujeito A norma prevista pelo art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, com ela não se encontra em conformidade.. Desse modo, o lançamento da contribuição cuja compensação foi reputada indevida, encontrandose em desacordo com o texto legal, deve ser cancelado, o que repercute nos juros de mora correspondentes. Fl. 4963DF CARF MF Processo nº 10940.001634/200455 Acórdão n.º 9303006.528 CSRFT3 Fl. 4.964 5 Quanto A multa de oficio aplicada sobre os débitos em que a compensação foi considerada indevida, além de na presente autuação estar constituída com fundamento legal exclusivamente no art. 44, I, da Lei n° 9.430, de 1996 — não tendo sido aplicada como preceitua o art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, ou seja, de forma isolada —, não se encontra caracterizado no auto de infração (nem mesmo nos despachos decisórios de fls. 13/55), no aspecto material, pressuposto algum daqueles que a justificariam, que seriam: o fato de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal; ou a utilização de crédito de natureza não tributária; ou em que ficasse caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n°4.502, de 30 de novembro de 1964. Devese, então, cancelar a multa de oficio que não se reveste da forma prescrita em lei e que, a despeito desse aspecto, ainda que se pretendesse mantêla sob a análise material dos fatos, não teve os pressupostos do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, devidamente caracterizados. Isso posto, voto para que seja julgado improcedente o lançamento de Cofins e de multa de oficio, além dos acréscimos legais". Por outro lado, a decisão recorrida, negou provimento ao Recurso de Ofício por entender que: "A lavratura se deu a partir de compensações que, embora indeferidas em processos administrativos, foram declaradas em DCTF pela contribuinte. Assim, foi lançada a Cofins, nos termos do artigo 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, que se encontrava em plena eficácia quando da lavratura deste auto de infração. O citado dispositivo é cristalino ao determinar que "serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e as contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Posteriormente, foi editada a MP n° 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003 que limitou o lançamento à imposição da multa isolada somente nas hipóteses em que a compensação for indevida ou quando restar comprovada qualquer situação prevista nos artigos 71 a 73 da Lei n°4.502/64". Ora, de acordo com a norma retro transcrita, no lançamento de oficio somente será exigível a multa isolada nos casos em que ficar demonstrada a compensação indevida. E, como na hipótese dos autos, não se configurou qualquer das hipóteses descritas pelo citado artigo 18, tampouco foi aplicada a multa isolada prevista na mesma, é indevida a exigência contida neste período do lançamento. Fl. 4964DF CARF MF Processo nº 10940.001634/200455 Acórdão n.º 9303006.528 CSRFT3 Fl. 4.965 6 Sem embargo, o Acórdão recorrido entendeu que o lançamento, embora formalizado nos termos do artigo 90 da Medida Provisória nº 215835/20011, deve ser cancelado, por não configurar nenhuma hipótese do que dispõe o artigo 18 da Lei nº 10.833/20032. Por outro lado, a Fazenda Nacional pugna em seu Recurso, por meio de divergência jurisprudencial, a possibilidade de irretroatividade do artigo 18 da Lei nº 10.833/03, para alcançar o lançamento efetuado nos termos do artigo 90 da MP 2.15835. Compulsando aos autos, observo que se trata de Pedido de Ressarcimento de IPI, nos termos da Instrução Normativa n° 33, de 04 de março de 1999, referente ao 3° trimestre de 2000, cumulado com Pedido de Compensação de débitos diversos. O Auto de Infração, foi lavrado em 09/08/2004, em razão da Contribuinte não ter recolhimento a Cofins referente aos períodos de: 01/07/2001 a 31/07/2001, 01/09/2001 a 30/09/2001, 01/11/2002 a 31/01/2002, 01/03/2002 a 30/06/2002, 01/09/2002 a 30/09/2002 e de 01/12/2002 a 31/12/2002, conforme demonstrativos de apuração, ás fls. 135, multa e juros de mora ás fls. 136, tendo como fundamento legal o art. 10 da Lei Complementar n° 70, de 1991, arts 2°, 3° e 8° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, com as alterações da Medida Provisória n° 1.807, de 28 de janeiro de 1999, e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória n° 1.858, de 29 de junho de 1999, e suas reedições; art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pela Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002, que posteriormente foi transformada na Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002; arts. 142 e 149 do Código Tributário Nacional CTN (Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966); art. 9° do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pela Lei n° 8.748, de 9 de dezembro de 1993; e arts. 14, 16, 17 e 18 da Portaria Cofis n° 34, de 1° de outubro de 2003. Na descrição dos fatos, conforme consta ás fls. 131/134, em síntese, relata que o lançamento referente aos períodos de apuração de 01/07/2001 a 31/07/2001, 01/09/2001 a 30/09/2001, 01/11//2002 a 31/01/2002, 01/03/2002 31/03/2002, 01106/2002 a 30/06/2002, 01/09/2002 a 30/09/2002 e de 01/12/2002 a 31/12/2002, referese a compensações que foram indeferidas nos Processos Administrativos nºs 13933.000.031/200171, 13933.000.079/2001 89,13933.000.082/200101,13933.000.63/200257,13933.000.108/20029/200293, 13933.000. 182/200218 e 13933.000.013/200351, as quais foram implementadas a condição resolutória, prevista no § 2° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, e, uma vez não extinto e nem confessado o crédito tributário, fezse necessária a sua constituição de oficio; e que o lançamento dos períodos de apuração de 01/04/2002 a 31/05/2002, referese a valores apurados como devidos, mas que não foram declarados pela contribuinte em DCTF, não sendo totalmente extintos por nenhuma das formas previstas no art. 156 do CTN. 1 Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. 2 Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 4965DF CARF MF Processo nº 10940.001634/200455 Acórdão n.º 9303006.528 CSRFT3 Fl. 4.966 7 Por sua vez, a Autoridade Fiscal apurou que parte dos créditos constituídos, referemse a compensações que, embora indeferidas foram declaradas em DCTF (fls. 703. por amostragem) referentes aos períodos de apuração de 01/07/2001 a 31/07/2001, 01/09/2001 a 30/09/2001, 01/01/2002 a 31/0112002, 01103/2002 31/03/2002, 01106/2002 a 30/06/2002, 01/09/2002 a 30/09/2002 e de 01112/2002 a 31112/2002. Vejamos: Como se observa, o pedido de ressarcimento, bem como a declaração dos débitos em DCTF, convertidos em declaração de compensação são anteriores a 2003. Sem embargo, com a máxima vênia, a turma de piso (DRJ) bem como, a turma a quo, não empreenderam a correta decisão, ao considerar a legislação superveniente, Fl. 4966DF CARF MF Processo nº 10940.001634/200455 Acórdão n.º 9303006.528 CSRFT3 Fl. 4.967 8 vigente à época julgamento, para afirmar que o lançamento de ofício das diferenças apuradas em DCTF era necessário ou não. Penso que legislação a ser considerada não pode ser outra senão àquela vigente à época dos fatos geradores, como preceitua o art. 144 do CTN. Pouco importa se o Recurso é da Fazenda ou da Contribuinte, mantenho meu juízo de imparcialidade, para que não ocorra nenhuma insegurança jurídica, sigo na estrita legalidade o Regimento deste Tribunal. Portanto, entendo que o lançamento deve ser mantido. Fundamento. Com efeito, os débitos declarados na Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF, constitui definitivamente o crédito tributário, já que é confissão de dívida, e permite, desde já, a sua exigência, inclusive mediante cobrança executiva. Na época dos fatos, a sistemática da DCTF vigente, dispunha que a cobrança direta da rubrica "saldo a pagar" havia a exigência de lançamento de ofício para formalizar a cobrança das diferenças apuradas em declaração prestada pela Contribuinte, decorrentes de compensação indevida/ressarcimento ou não comprovada. A regra estava contida nas Instruções Normativas SRF nº 45, de 1998, e seguintes. Vejamos: Art. 2º Os saldos a pagar, relativos a cada imposto ou contribuição, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, imediatamente após o término dos prazos fixados para a entrega da DCTF. (Redação dada pela IN SRF nº 15∕00, de 14∕02∕2000) § 1º Na hipótese de indeferimento de pedido de compensação, efetuado segundo o disposto nos arts. 12 e 15 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997, alterada pela Instrução Normativa SRF nº 73, de 15 de setembro de 1997, os débitos decorrentes da compensação indevida na DCTF serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União, trinta dias após a ciência da decisão definitiva na esfera administrativa que manteve o indeferimento. § 2º Os saldos a pagar relativos ao Imposto de Renda das Pessoas JurídicasIRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL serão objeto de verificação fiscal, em procedimento de auditoria interna, abrangendo as informações prestadas nas DCTF e na Declaração de Rendimentos, antes do envio para inscrição em Dívida Ativa da União. § 3º Os demais valores informados na DCTF, serão, também, objeto de auditoria interna. (Redação dada pela IN SRF nº 15∕00, de 14∕02∕2000) § 4º Os créditos tributários, apurados nos procedimentos de auditoria interna a que se referem os §§ 2º e 3º, serão exigidos por meio de lançamento de ofício, com o acréscimo de juros moratórios e multa, moratória ou de ofício, conforme o caso, efetuado com observância do disposto na Instrução Normativa SRF nº 094, de 24 de dezembro de 1997. (Incluído pela IN SRF nº 15∕00, de 14∕02∕2000). Fl. 4967DF CARF MF Processo nº 10940.001634/200455 Acórdão n.º 9303006.528 CSRFT3 Fl. 4.968 9 IN SRF nº 77, de 24/08/1998 “Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. (...) Art. 2º Os débitos apurados nos procedimentos de auditoria interna, decorrentes de verificação dos dados informados na DCTF, a que se refere o art. 2° da Instrução Normativa SRF n° 45, de 1998, na declaração de rendimentos da pessoa física ou jurídica e na declaração do ITR, serão exigidos por meio de auto de infração, com o acréscimo da multa de lançamento de ofício e dos juros moratórios, previstos, respectivamente, nos arts. 44 e 61, § 3º, da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observado o disposto nas Instruções Normativas SRF nºs 94, de 24 de dezembro de 1997, e 45, de 1998.” IN SRF nº 126, de 30/10/1998 “Art. 7º Todos os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. § 1º Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição,informados na DCTF, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, imediatamente após a entrega da DCTF. § 2º Os saldos a pagar relativos ao imposto de renda e à contribuição social sobre o lucro líquido das pessoas jurídicas sujeitas à tributação com base no lucro real, apurado anualmente, serão, também, objeto de auditoria interna, abrangendo as informações prestadas na DCTF e na Declaração Integrada de Informações da Pessoa Jurídica DIPJ, antes do envio para inscrição em Dívida Ativa da União. § 3º Os débitos apurados nos procedimentos de auditoria interna serão exigidos de ofício, com o acréscimo de multa, moratória ou de ofício, conforme o caso, efetuado com observância do disposto nas Instruções Normativas SRF nº 094, de 24 de dezembro de 1997, e nº 077, de 24 de julho de 1998.” Nesse mesmo diapasão, as Instruções Normativas acima transcritas, consideravam como confessadas pela Contribuinte apenas os valores constantes do campo “saldo a pagar”, tendo em vista, que "saldo a pagar", determinou a inscrição em Dívida Ativa da União, referente aos débitos apurados em procedimento de auditoria interna, assim, impôs à Autoridade Fiscal a efetuar o lançamento de ofício dos valores correspondentes. Ao passo que, o art. 90 da MP nº 2.15835/2001, limitou o lançamento de ofício das diferenças apuradas em declaração prestada pela Contribuinte, impondo, assim, a obrigatoriedade de aplicação dos §§ 1º e 2º do art. 5º do DL nº 2.124/84 c/c art. 16 da Lei nº Fl. 4968DF CARF MF Processo nº 10940.001634/200455 Acórdão n.º 9303006.528 CSRFT3 Fl. 4.969 10 9.779/99, referente as declarações, o que, por conseguinte sua redação não considerava como parcela confessada as denominadas “diferenças apuradas” em declaração do contribuinte, em tudo redutoras do campo “saldo a pagar”. Entrementes, a imposição de lançamento referentes aos “débitos ou diferenças apuradas” em DCTF, não decorre simplesmente de previsão das Instruções Normativas que regulavam a matéria, mas pela lei, nos termos do art. 90 da MP nº 2.158 35/2001. Dessa forma, temse que o art. 90 da MP nº 2.15835/2001, não alterou a disciplina jurídica das IN's SRF’s nº 45/98, 77/98 e 126/98, pelo que o “saldo a pagar” declarado em DCTF, continuava a ser encaminhado à inscrição em Dívida Ativa da União. logo, os “débitos ou diferenças apuradas” em declaração da Contribuinte, devem ser objeto de exigência fiscal por meio de lançamento de ofício Auto de Infração. Após o advento da MP nº 135, de 30/10/2003, em seu art. 18, caput, é que se retirou do ordenamento jurídico a limitação criada pela regra jurídica do artigo 90 da MP nº 2.15835/2001 aos efeitos dos §§ 1º e 2º do art. 5º do Decreto Lei nº 2.124/84 c/c art. 16 da Lei nº 9.779/99, de modo que as “diferenças apuradas” em declarações da Contribuinte passaram também a ser equiparadas a instrumento de confissão de dívida, assim como os “saldos a pagar”, não mais estando obrigatoriamente sujeitas ao lançamento. È importante destacar, que após a criação em 1º de outubro de 2002 da Declaração de Compensação Medida Provisória n. 66, de 2002, convertida na Lei nº. 10.637∕2002, sobreveio a Medida Provisória n. 75, de 20023, que, foi posteriormente rejeitada pelo Legislativo. A MP trouxe em seu bojo a limitação da necessidade de lançamento de ofício dos débitos apurados em DCTF, mas mantinha o procedimento para as hipóteses de compensação. Por derradeiro, para o deslinde da lide, na seqüência, sobreveio a Lei nº. 10.833∕2003 (MP n. 135, de 2003) que em 31.10.2003 ,novamente limitou as hipóteses em que se fazia necessário o lançamento de ofício das diferenças apuradas em declaração, desta vez apenas para exigir a multa isolada, fixando, assim, a desnecessidade de lançamento de ofício em relação às diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida. In verbis: § 3º Os débitos apurados nos procedimentos de auditoria interna serão exigidos de ofício, com o acréscimo de multa, moratória ou de ofício, conforme o caso, efetuado com observância do disposto nas Instruções Normativas SRF nº 094, de 24 de dezembro de 1997, e nº 077, de 24 de julho de 1998.” Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa 3 Medida Provisória n. 75, de 2002 Art. 3º A aplicação do disposto no art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, fica limitada aos casos em que as diferenças apuradas decorrem de:I na hipótese de compensação, direito creditório alegado com base em crédito:a) de natureza não tributária;b) não passível de compensação por expressa disposição normativa;c) inexistente de fato; d) fundados em documentação falsa;II demais hipóteses, além das referidas no inciso I, em que também fica caracterizado o evidente intuito da prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Fl. 4969DF CARF MF Processo nº 10940.001634/200455 Acórdão n.º 9303006.528 CSRFT3 Fl. 4.970 11 isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 1996. § 2o A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme o caso. § 3o Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. Portanto a tese de que DCTF declarada é confissão de dívida capaz de cancelar o lançamento não se sustenta, pois, somente as DCTF's apresentadas a partir desta data (30/10/2003) é que se pode falar em natureza de confissão de dívida, também para os débitos ou diferenças apuradas na referida declaração, passando a ser prescindível o lançamento de ofício. Como visto, os “débitos ou diferenças apuradas” com base nas DCTF´s apresentadas antes de 31/10/2003, referentes a fatos geradores anteriores a referida data, permanecem como parcelas não confessadas pelo sujeito passivo; agiu bem, a Autoridade Lançadora em efetuar o lançamento de ofício nos termo da lei, o que em via reflexa, coaduna se com a impossibilidade de cancelamento das exigências formalizadas àquele tempo, em razão do crédito tributário ter sido constituído na estrita legalidade. Para corroborar meu entendimento, o Superior Tribunal de Justiça STJ, no julgamento do REsp nº 1.240.110 PR (2011/00423784), decidiu que Antes de 31.10.2003, havia a necessidade de lançamento de ofício para se cobrar a diferença do "débito apurado" em DCTF decorrente de compensação indevida. Interpretação do art. 5º do DecretoLei nº 2.124/84, art. 2º, da Instrução Normativa SRF nº 45, de 1998, art. 7º, da Instrução Normativa SRF n. 126, de 1998, art. 90, da Medida Provisória n. 2.15835, de 2001, art. 3º da Medida Provisória n. 75, de 2002, e art. 8º, da Instrução Normativa SRF n. 255, de 2002. Vejamos a transcrição do aresto: "TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO INFORMADA EM DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF E PRETENDIDA EM PEDIDO DE COMPENSAÇÃO ATRELADO A PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPRESCINDIBILIDADE DE LANÇAMENTO DOS DÉBITOS OBJETO DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA DECLARADA EM DCTF ENTREGUE ANTES DE 31.10.2003. CONVERSÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO PENDENTE EM 01.10.2002 EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO E EXTINÇÃO SOB CONDIÇÃO RESOLUTÓRIA. PRAZO DECADENCIAL PARA HOMOLOGAÇÃO. Fl. 4970DF CARF MF Processo nº 10940.001634/200455 Acórdão n.º 9303006.528 CSRFT3 Fl. 4.971 12 1. Antes de 31.10.2003 havia a necessidade de lançamento de ofício para se cobrar a diferença do "débito apurado" em DCTF decorrente de compensação indevida. Interpretação do art. 5º do DecretoLei nº 2.124/84, art. 2º, da Instrução Normativa SRF n. 45, de 1998, art. 7º, da Instrução Normativa SRF n. 126, de 1998, art. 90, da Medida Provisória n. 2.15835, de 2001, art. 3º da Medida Provisória n. 75, de 2002, e art. 8º, da Instrução Normativa SRF n. 255, de 2002. 2. De 31.10.2003 em diante (eficácia do art. 18, da MP n. 135/2003, convertida na Lei n. 10.833/2003) o lançamento de ofício deixou de ser necessário para a hipótese, no entanto, o encaminhamento do "débito apurado" em DCTF decorrente de compensação indevida para inscrição em dívida ativa passou a ser precedido de notificação ao sujeito passivo para pagar ou apresentar manifestação de inconformidade, recurso este que suspende a exigibilidade do crédito tributário na forma do art. 151, III, do CTN (art. 74, §11, da Lei n. 9.430/96). 3. Desse modo, no que diz respeito à DCTF apresentada em 25/05/1998, onde foi apontada compensação indevida, havia a necessidade de lançamento de ofício para ser cobrada a diferença do "débito apurado ", a teor da jurisprudência deste STJ, o que não ocorreu, de modo que inevitável a decadência do crédito tributário, nessa primeira linha de pensar. 4. No entanto, no caso em apreço não houve apenas DCTF. Há também pedido de compensação formulado pelo contribuinte datado de 01.12.1997 (Pedido de Compensação n. 10305.001728/9701) atrelado a pedido de ressarcimento (Pedido de ressarcimento n. 13888.000209/9639) que recebeu julgamento em 27/09/2001. 5. Os Pedidos de Compensação pendentes em 01.10.2002 (vigência estabelecida pelo art. 63, I, da Medida Provisória n. 66/2002) foram convertidos em DCOMP, desde o seu protocolo, constituindo o crédito tributário definitivamente, em analogia com a Súmula n. 436/STJ ("A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco") e extinguindo esse mesmo crédito na data de sua entrega/protocolo, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pelo fisco, que poderia se dar no prazo decadencial de 5 (cinco) anos (art. 150, §4º, do CTN, e art. 74, §§ 2º, 4º e 5º, da Lei n. 9.430/96). 6. No caso concreto, o Pedido de Compensação n. 10305.001728/9701 estava pendente em 01.10.2002. Sendo assim, foi convertido em DCOMP desde o seu protocolo (01.12.1997). Da data desse protocolo a Secretaria da Receita Federal dispunha de 5 (cinco) anos para efetuar a homologação da compensação, coisa que fez somente em 23/06/2004, conforme a carta de cobrança constante das eSTJ fl. 79/81. Portanto, fora do lustro do prazo decadencial que se findaria em 01.12.2002. Irrelevante o julgamento do Pedido de ressarcimento n. 13888.000209/9639 em 27/09/2001, pois imprescindível a decisão nos autos do pedido de compensação. Nessa Fl. 4971DF CARF MF Processo nº 10940.001634/200455 Acórdão n.º 9303006.528 CSRFT3 Fl. 4.972 13 segunda linha de pensar, também inevitável a decadência do crédito tributário. 7. Recurso especial provido". Não se trata de decisum isolado, a jurisprudência do STJ é farta em precedentes no sentido de que os débitos objeto de compensação indevida declarada em DCTF carecem de lançamento de ofício para serem cobrados. Vejase: RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF COMPENSAÇÃO INDEVIDA. LANÇAMENTO DA DIFERENÇA DO "DÉBITO APURADO" . REGIMES JURÍDICOS APLICÁVEIS. DCTF RETIFICADORA. EFICÁCIA. 1. Antes de 31.10.2003 havia a necessidade de lançamento de ofício para se cobrar a diferença do "débito apurado" em DCTF decorrente de compensação indevida. Interpretação do art. 5º do DecretoLei nº 2.124/84, art. 2º, da Instrução Normativa SRF n. 45, de 1998, art. 7º, da Instrução Normativa SRF n. 126, de 1998, art. 90, da Medida Provisória n. 2.15835, de 2001, art. 3º da Medida Provisória n. 75, de 2002, e art. 8º, da Instrução Normativa SRF n. 255, de 2002. 2. De 31.10.2003 em diante (eficácia do art. 18, da MP n. 135/2003, convertida na Lei n. 10.833/2003) o lançamento de ofício deixou de ser necessário para a hipótese, no entanto, o encaminhamento do "débito apurado" em DCTF decorrente de compensação indevida para inscrição em dívida ativa passou a ser precedido de notificação ao sujeito passivo para pagar ou apresentar manifestação de inconformidade, recurso este que suspende a exigibilidade do crédito tributário na forma do art. 151, III, do CTN (art. 74, §11, da Lei n. 9.430/96). 3. Às DCTF's retificadoras apresentadas de 31.10.2003 em diante se aplica o regime das DCTF's retificadas, na forma do art. 18, da Medida Provisória nº 2.18949, de 2001, que estabelece que a declaração retificadora tem os mesmos efeitos da declaração originária. 4. No caso concreto, as DCTF's originais antecedem a data de 31.10.2003, pois foram apresentadas em 13.11.2000, 15.02.2001 e 15.05.2001. Desse modo, em que pese a presença de DCTF's retificadoras em 02.09.2004, os créditos ali veiculados decorrentes de compensações indevidas não estavam constituídos, pois careciam de lançamento de ofício para serem encaminhados para inscrição em dívida ativa. Ausente o lançamento até a data do ajuizamento do mandado de segurança preventivo (19.12.2006), é de ser reconhecida a decadência. 5. Recurso especial conhecido e provido (Ementa de votovista do Min. Mauro Campbell Marques, proferido no REsp. n. 1.205.004SC, Segunda Turma, Fl. 4972DF CARF MF Processo nº 10940.001634/200455 Acórdão n.º 9303006.528 CSRFT3 Fl. 4.973 14 Rel. Min. César Asfor Rocha, julgado em 22.03.2011). Não poderia ser diferente, este E. Tribunal, já decidiu nos autos do Acórdão nº 9202003.611, de 03 de março de 2015, CSRF, que inexiste óbice legal para o lançamento de oficio exigindo tributos declarados pelo contribuinte mediante Declaração de Contribuições e Tributos Federais. Vejamos fragmentos do aresto: "Reportome à explicação constante do voto proferido pelo I. Conselheiro José Antônio Francisco, da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, formalizado no Acórdão 20177.839, in verbis: “Em outubro de 2003, com a publicação da MP nº 135 (convertida na Lei n. 10.833, de 2003), o lançamento anteriormente previsto no art. 90 da MP nº 2.15835, de 2001, passou a ser cabível somente nas hipóteses de compensação indevida, em que houvesse dolo, fraude ou conluio, relativamente à multa de ofício qualificada, não havendo lançamento em relação aos débitos declarados em DCTF. (...) A primeira conseqüência das referidas alterações implicaram a restrição da aplicação da multa de ofício, no caso de débitos declarados em DCTF, nos termos do art. 106, II, “a”, do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), uma vez que a vinculação do débito em DCTF somente representa infração, segundo a nova legislação, nos casos em que tenha havido dolo. A conclusão mencionada foi objeto da Solução de Consulta Interna nº 3, de 8 de janeiro de 2004, emitida pela Coordenação do Sistema de Tributação, que também concluiu que os lançamentos, nas hipóteses da antiga redação do art. 90 da MP nº 2.15835, de 2001, e os recursos apresentados, entre a publicação daquela MP e a da MP nº 135, de 2003, seriam atos perfeitos, cabendo, portanto, a apreciação do recurso. Ademais, ainda, concluiu que “no julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no art. 90 da MP nº 2.15835, as multas de ofício exigidas juntamente com as diferenças lançadas devem ser exoneradas pela aplicação retroativa do ‘caput’ do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que essas penalidades não tenham sido fundamentadas nas hipóteses versadas no ‘caput’ desse artigo”. A aplicação de tais conclusões não se restringe aos casos de apresentação de pedido de compensação válido formalmente, como se poderia supor, uma vez que a disposição da MP nº 135, de 2003, foi bastante clara em restringir o lançamento à aplicação da multa e somente nos casos em que tenha havido dolo, fraude, ou conluio. Embora se concorde com o afastamento da aplicação da multa de ofício, aplicandose, entretanto, a de mora, se for o caso, não se pode concordar com a conclusão de que o auto de infração seja considerado improcedente, relativamente ao lançamento da contribuição. Fl. 4973DF CARF MF Processo nº 10940.001634/200455 Acórdão n.º 9303006.528 CSRFT3 Fl. 4.974 15 Se o auto de infração é um ato jurídico perfeito, por ter sido lavrado nos termos da legislação vigente, então passou a ser o meio adequado para cobrança dos valores lançados, ainda que a multa de ofício não seja aplicável. Segundo o art. 144 do CTN, “O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada”, de forma que o auto de infração foi regularmente lavrado, sob seus aspectos formais".” Diante de tudo que foi exposto, forte em meus fundamentos e precedentes do Superior Tribunal de Justiça STJ, dou provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 4974DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19558.000121/2006-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 04/10/2006
ATIPICIDADE. AUSÊNCIA SUBSUNÇÃO. ART. 70, II, 'B' LEI N.º 10.833/03
O fato ocorrido no presente caso (apresentação de fatura comercial original à fiscalização assinada pelo exportador por chancela mecânica) não se subsume ao tipo legal da infração (deixar de manter em boa guarda e ordem ou deixar de apresentar documento), devendo ser cancelada a autuação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-004.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por dar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto.
(Assinado com certificado digital)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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ASSINATURA. Recorrente TBM TEXTIL BEZERRA DE MENEZES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 04/10/2006 ATIPICIDADE. AUSÊNCIA SUBSUNÇÃO. ART. 70, II, 'B' LEI N.º 10.833/03 O fato ocorrido no presente caso (apresentação de fatura comercial original à fiscalização assinada pelo exportador por chancela mecânica) não se subsume ao tipo legal da infração (deixar de manter em boa guarda e ordem ou deixar de apresentar documento), devendo ser cancelada a autuação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por dar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 55 8. 00 01 21 /2 00 6- 87 Fl. 110DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Auto de Infração para a cobrança de multa de 5% sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada, prevista no art. 70 inciso II, letra “b” da Lei n° 10.833/03, em razão de descumprimento, pelo importador, da obrigação de apresentar, à fiscalização aduaneira, documento obrigatório de instrução da Declaração de Importação, qual seja a fatura comercial. Como descrito pela fiscalização, a Declaração de Importação nº 06/11642632 foi instruída com a fatura n° EG611403BR sem a devida assinatura de próprio punho do exportador (efl. 10), conforme determina o art. 493, inciso II, do Decreto n° 4.543/02. No entendimento fiscal, “como a assinatura de próprio punho do exportador na fatura comercial para a instrução da declaração de importação, é obrigatória sob pena de invalidação do documento, a falta dessa assinatura caracteriza inexistência ou falta de apresentação do documento, para fins de imposição de penalidade.” (efl. 3) Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, julgada improcedente pelo Acórdão 0824.269 da 7ª Turma da DRJ/FOR, ementada nos seguintes termos: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 04/10/2006 FATURA COMERCIAL. CHANCELA MECÂNICA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não havendo previsão legal, a chancela mecânica, na fatura comercial, também conhecida como sinal gravado, não pode ser considerada como substitutiva da assinatura do exportador. DOCUMENTO SEM ASSINATURA. INEXISTÊNCIA. A assinatura do exportador na fatura comercial consiste em requisito essencial à substância do documento, que lhe confere existência jurídica e o torna apto para produzir os efeitos perante o Fisco. Como consequência, a ausência de assinatura do exportador conduz à própria inexistência da fatura. A falta de apresentação de fatura comercial é punível com a multa equivalente a cinco por cento do valor aduaneiro da mercadoria importada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" (efl. 69) Intimada desta decisão em 18/01/2013 (efl. 81), a empresa apresentou Recurso Voluntário em 15/02/2013 (efls. 82/93) alegando, em síntese, que a chancela mecânica feita pelo exportador garantiria a validade da fatura, por se tratar de sinal gravado, representativo da assinatura oficial da empresa exportadora. Sustenta que o entendimento contrário fere o princípio da razoabilidade, devendo ser aplicada a interpretação mais favorável à Recorrente à luz do art. 112 do Código Tributário Nacional CTN. Traz jurisprudência administrativa que admite a validade de fatura independentemente de assinatura do exportador e precedente judicial proferido em caso semelhante em processo no qual a empresa fez parte, entendendo que a chancela mecânica cumpre a finalidade da norma que exige a assinatura do exportador na fatura. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 19558.000121/200687 Acórdão n.º 3402004.844 S3C4T2 Fl. 111 3 Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento. Como relatado, o Auto de Infração foi lavrado no presente caso para a exigência de multa do art. 70, II, 'b', da Lei n.º 10.833/03, aplicada quando a empresa deixa de apresentar documento essencial para o despacho de importação. Vejamos a exata previsão legal: Art. 70. O descumprimento pelo importador, exportador ou adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem, da obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, pelo prazo decadencial estabelecido na legislação tributária a que estão submetidos, ou da obrigação de os apresentar à fiscalização aduaneira quando exigidos, implicará: (...) II se relativo aos documentos obrigatórios de instrução das declarações aduaneiras: (...) b) a aplicação cumulativa das multas de: 1. 5% (cinco por cento) do valor aduaneiro das mercadorias importadas; e 2. 100% (cem por cento) sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado. § 1o Os documentos de que trata o caput compreendem os documentos de instrução das declarações aduaneiras, a correspondência comercial, incluídos os documentos de negociação e cotação de preços, os instrumentos de contrato comercial, financeiro e cambial, de transporte e seguro das mercadorias, os registros contábeis e os correspondentes documentos fiscais, bem como outros que a Secretaria da Receita Federal venha a exigir em ato normativo." (grifei) Atentandose para o presente caso, vislumbrase que a Recorrente efetivamente apresentou uma fatura comercial com a assinatura do exportador. Contudo, no entender da fiscalização, essa assinatura deveria necessariamente ser feita de próprio punho pelo exportador. Na sintética fundamentação trazida no Auto de Infração cujo trecho já foi reproduzido no relatório: "O contribuinte submeteu a despacho através da declaração de importação de n° 06/11642632, registrada em 27/09/2006, 14.112 kg de fios de filamentos sintéticos, instruindo referida declaração de importação com a fatura n° EG611403BR sem a devida assinatura do exportador como prescreve o Decreto n° 4543/02 em seu art. 493, inciso II. Como a assinatura de próprio punho do exportador na fatura comercial, para a instrução da declaração de importação, é obrigatória sob pena de invalidação do Fl. 112DF CARF MF 4 documento, a falta dessa assinatura caracteriza inexistência ou falta de apresentação do documento, para fins de imposição de penalidade. Dessa forma, cobrase a multa prevista no art. 70, inciso II, da Lei 10.833/2003." (efl. 3 grifei) Entretanto, a exigência de uma assinatura de próprio punho do exportador não é depreendida da legislação aduaneira, tratandose de uma exigência que não consta do texto normativo. Como bem esclarecido pelo Conselheiro Rosaldo Trevisan em seu voto proferido no Acórdão 3401003.260, "a assinatura do exportador é, indubitavelmente, um requisito de validade do documento, e que apresentar uma fatura comercial sem assinatura do exportador produz exatamente a mesma consequência da não apresentação de fatura, que seja no curso do despacho aduaneiro de importação, antes do desembaraço, ou em ato de revisão aduaneira." Contudo, atentandose para o presente caso, vislumbrase que foi efetivamente apresentada uma fatura comercial assinada pelo exportador por meio de chancela mecânica, tendo cumprido sua obrigação de apresentar a fatura comercial original assinada. Como se depreende do documento às efl. 10 abaixo reproduzido: O único entendimento trazido pela fiscalização para desconsiderar a fatura seria a suposta necessidade da fatura ser necessariamente assinada de próprio punho pelo exportador. Todavia, pela leitura da disciplina legal e normativa aplicável à hipótese, Fl. 113DF CARF MF Processo nº 19558.000121/200687 Acórdão n.º 3402004.844 S3C4T2 Fl. 112 5 vislumbrase que em nenhum momento a legislação exige que a assinatura oposta na fatura seja de próprio punho do exportador, como bem apontado pela 2ª Turma da Delegacia de Julgamento de Fortaleza ao tratar de fatura assinada por mandatário do exportador: "ASSUNTO: Normas de Administração Tributária (...) DESPACHO DE IMPORTAÇÃO. INSTRUÇÃO COM FATURA COMERCIAL ASSINADA POR MANDATÁRIO DO EXPORTADOR. IMPOSSIBILIDADE DE DESCARACTERIZAÇÃO DO DOCUMENTO. Inexiste disciplinamento normativo que possibilite considerar como não apresentada a fatura comercial pelo simples fato desta, em substituição à assinatura de próprio punho do exportador, estar firmada por procurador deste. Período de apuração: : 01/01/2005 a 31/08/2006" (2ª Turma. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza Acórdão n.º 0810403 de 23 de Marco de 2007 grifei) Com efeito, a própria Secretaria da Receita Federal, desde 1981, já admitia a assinatura de documentos fiscais utilizado no processo de despacho aduaneiro de mercadorias por meio da chancela mecânica, conforme Instrução Normativa n.º 19/1981 vigente à época da emissão da fatura1: "INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 19, DE 24 DE MARÇO DE 1981 (DOU 27/03/1981) Faculta o Uso de Chancela Mecânica da Assinatura dos Documentos Fiscais Utilizados no Processo de Despacho Aduaneiro de Mercadorias. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e considerando a orientação fixada no Decreto nº 83.740, de 18 de julho de 1979, que instituiu o Programa Nacional de Desburocratização, resolve: Facultar o uso de chancela mecânica (reprodução exata da assinatura de próprio punho, obtida por máquinas especialmente destinadas a esse fim), nos documentos relativos ao despacho aduaneiro de mercadorias. 2. Aprovar as normas constantes do anexo que disciplinam a utilização da chancela mecânica a que se refere esta Instrução Normativa." (grifei) Ora, sendo possível a utilização de chancela mecânica2, caberia à fiscalização eventualmente demonstrar alguma fraude na assinatura ou mesmo o eventual descumprimento dos requisitos normativos previstos para a assinatura por chancela mecânica, e não simplesmente desconsiderar a fatura apresentada. 1 Revogada em 05/10/2006 pela Instrução Normativa n.º 680/2006: "Art. 72. Ficam formalmente revogados, sem interrupção de sua força normativa, a Instrução Normativa DpRF nº 113/91, de 4 de dezembro de 1991; e as Instruções Normativas SRF nº 19/81, de 24 de março de 1981; nº 74/87, de 20 de maio de 1987; nº 39/95, de 1º de agosto de 1995; nº 54/95, de 24 de novembro de 1995; nº 18/98, de 16 de fevereiro de 1998; nº 39/98, de 8 de abril de 1998; nº 1, de 2 de janeiro de 2001; nº 406, de 15 de março de 2004; o art. 19 da Instrução Normativa SRF nº 40, de 9 de abril de 1999; os arts. 1 a 64 e 70 a 80 e os anexos I, II e III da Instrução Normativa SRF nº 206, de 25 de setembro de 2002; o art. 18 da Instrução Normativa SRF nº 386, de 14 de janeiro de 2004; o art. 15 da Instrução Normativa SRF nº 409, de 19 de março de 2004; o art. 26 da Instrução Normativa SRF nº 417, de 20 de abril de 2004; o art. 22 da Instrução Normativa SRF nº 476, de 13 de dezembro de 2004; e o art. 55 da Instrução Normativa SRF nº 611, de 18 de janeiro de 2006." (grifei) 2 Quanto a possibilidade de utilização de chancela mecânica, vide ainda os acórdãos da DRJ/FOR n.º 0819657 de 17/12/2010, 0819165 de 29/10/2010 e n.º 0818801 de 10/09/2010. Fl. 114DF CARF MF 6 E aqui frisese que a fiscalização deixa claro que a Recorrente cumpriu com o seu dever de boa guarda do documento original, devidamente apresentado à fiscalização, apontando como problema, apenas, a ausência da assinatura de próprio punho do exportador. Assim, confirmase no caso em tela a ausência de tipicidade, inexistindo subsunção dos fatos descritos e documentados pela fiscalização à norma do art. 70, inciso II, alínea "b" da Lei n.º 10.833/2003. Como se depreende da expressão deste dispositivo acima transcrito, essa penalidade somente será aplicada quando o agente deixa de cumprir suas obrigações de (i) "manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, pelo prazo decadencial estabelecido na legislação tributária a que estão submetidos", e (ii) apresentar estes documentos à fiscalização aduaneira quando exigidos. O fato ocorrido no presente caso (apresentação de fatura comercial original à fiscalização assinada pelo exportador por chancela mecânica) não se subsume ao tipo legal da infração (deixar de manter em boa guarda e ordem ou deixar de apresentar documento), devendo ser cancelada a autuação. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Fl. 115DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.010891/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 10/07/2003 a 10/01/2006
IPI. SUSPENSÃO. SAÍDA DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL E EQUIPARADO A INDUSTRIAL. DISTINÇÃO.
O direito previsto no art. 5º da Lei nº 9.826/99 só foi estendido aos estabelecimentos equiparados a industrial com o advento do art. 4º da Lei nº 10.485/2002, a qual restringiu o direito aos estabelecimentos que fossem empresa comercial atacadista adquirente dos produtos resultantes da industrialização por encomenda.
PRINCÍPIO DO TRATAMENTO NACIONAL PREVISTO NO ACORDO GERAL SOBRE TARIFAS E COMÉRCIO (GATT) . O princípio do tratamento nacional, albergado pelo Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT), não determina tratamento isonômico para situações distintas, e este CARF não tem competência para ampliar tratamento suspensivo de tributo em prejuízo de disposição expressa de lei.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidas as Conselheiras Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Semíramis de Oliveira Duro, que davam provimento ao recurso. Ficou designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Liziane Angelotti Meira.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora (voto vencido).
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Redatora designada (voto vencedor).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidas as Conselheiras Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Semíramis de Oliveira Duro, que davam provimento ao recurso. Ficou designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Liziane Angelotti Meira. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora (voto vencido). (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Redatora designada (voto vencedor). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente).
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Suspensão. Estabelecimento equiparado a industrual. Recorrente PARKER HANNIFIN INDÚSTRIA E COMERCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/07/2003 a 10/01/2006 IPI. SUSPENSÃO. SAÍDA DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL E EQUIPARADO A INDUSTRIAL. DISTINÇÃO. O direito previsto no art. 5º da Lei nº 9.826/99 só foi estendido aos estabelecimentos equiparados a industrial com o advento do art. 4º da Lei nº 10.485/2002, a qual restringiu o direito aos estabelecimentos que fossem “empresa comercial atacadista adquirente dos produtos resultantes da industrialização por encomenda”. PRINCÍPIO DO TRATAMENTO NACIONAL PREVISTO NO ACORDO GERAL SOBRE TARIFAS E COMÉRCIO (GATT) . O princípio do tratamento nacional, albergado pelo Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT), não determina tratamento isonômico para situações distintas, e este CARF não tem competência para ampliar tratamento suspensivo de tributo em prejuízo de disposição expressa de lei. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidas as Conselheiras Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Semíramis de Oliveira Duro, que davam provimento ao recurso. Ficou designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Liziane Angelotti Meira. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 08 91 /2 00 8- 41 Fl. 369DF CARF MF 2 Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora (voto vencido). (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Redatora designada (voto vencedor). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente). Fl. 370DF CARF MF Processo nº 11080.010891/200841 Acórdão n.º 3301004.192 S3C3T1 Fl. 370 3 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 101/104 dos autos: Tratase de exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada no auto de infração de fls. 54/55, lavrado em 16/09/2008, totalizando o crédito tributário de R$ 361.218,54. Segundo a descrição dos fatos de fls. 56, houve falta de lançamento de IPI por ter o estabelecimento, em operações que o caracterizava como equiparado a industrial, promovido a saídas de produtos tributados, sem o devido destaque. O contribuinte industrializou e comercializou, no período de julho de 2003 a dezembro de 2005, diversos produtos tributados pelo IPI, em especial componentes de máquinas agrícolas, tais como, válvulas, cilindros hidráulicos e bombas hidráulicas, produtos esses sujeitos às alíquotas positivas de IPI. Não houve constatação de irregularidades quanto às notas fiscais referentes a entradas de insumos que geraram o aproveitamento de crédito de IPI, razão pela qual a fiscalização opinou pela legitimidade dos créditos objeto de pedidos de ressarcimento/compensação que relaciona. Quanto ao exame das notas fiscais referentes à saída de produtos, constatou a fiscalização que o contribuinte deu saída a boa parte de sua produção com a suspensão do IPI prevista no art. 4° da Lei n° 10.485/2002, que alterou o art. 5° da Lei n° 9.826/99. Porém, como a referida suspensão somente se aplica a estabelecimentos industriais, e não atinge as operações em que há a equiparação a estabelecimento industrial, foi lançado o imposto, e aplicada a multa de oficio de 75%. Relata ainda que a escrita não foi reconstituída em virtude da inexistência de saldos credores de IPI, pois os créditos excedentes apurados pelo contribuinte foram todos utilizados em Declarações de Compensação. Inconformado com a autuação, o contribuinte, por intermédio de seu representante legal, protocolizou impugnação de fls. 62/79, aduzindo em sua defesa, após relato dos fatos, as seguintes razões: 1. Os estabelecimentos equiparados a industrial estão sujeitos aos mesmos direitos e obrigações fiscais que os estabelecimentos industriais; Fl. 371DF CARF MF 4 2. As disposições da legislação que versam sobre obrigações e direitos endereçados aos "estabelecimentos industriais", também se destinam aos estabelecimentos equiparados; 3. O Conselho de Contribuintes já se manifestou no sentido de estender o referido beneficio aos estabelecimentos equiparados, conforme Acórdão n° 20217.844; 4. A Lei n° 9.826/99 criou o beneficio de suspensão do IPI na importação de alguns produtos específicos, bem como na saída desses mesmos produtos dos estabelecimentos industriais, deixando claro que o intuito principal era o de desonerar a aquisição de autopeças e, em última instância, a indústria automobilística; 5. O intuito acima foi reforçado com a edição da Lei n° 10.485/2002, trazendo para o âmbito do benefício em pauta as pessoas jurídicas controladas de pessoas jurídicas fabricante ou de suas controladoras que comercializem os produtos beneficiados, o que permitiu ampliar as hipótese de destinatários da norma; 6. A Lei n° 10.865/2004 eliminou a possibilidade de utilização do benefício em exame pela controlada, mas, por outro lado, facultou sua aplicação também ao estabelecimento equiparado a industrial especificado no parágrafo 5º do art. 17 da Medida Provisória n° 2.18949/2001, cuja equiparação não se deu através do RIPI, mas sim de uma Medida Provisória; 7. O tratamento desigual realizado pela autoridades fiscais entre os produtos importados e os produtos nacionais ferem frontalmente as regras do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio — GATT; 8. Decadência da exigência dos créditos tributários compreendidos entre o primeiro decêndio de julho de 2003 e o primeiro decêndio de setembro de 2003. Por fim, requer o cancelamento do auto de infração. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar procedente em parte a impugnação, determinando o cancelamento do imposto abrangido pelo período decadencial, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/07/2003 a 10/01/2006 SETOR AUTOMOTIVO. SUSPENSÃO. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. As hipóteses de suspensão do IPI previstas no art. 5º da Lei no 9.826/99, com a redação dada pelo art. 4° da Lei n° 10.485/2002, não são aplicáveis a estabelecimento equiparado a industrial, salvo quando se tratar da hipótese de equiparação prevista no § 5° do art. 17 da Medida Provisória n° 2.18949, de 23 de agosto de 2001. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 11080.010891/200841 Acórdão n.º 3301004.192 S3C3T1 Fl. 371 5 DECADÊNCIA Verificada a antecipação de pagamento, sob a forma de dedução parcial de débitos do IPI, mediante utilização de créditos admitidos, e expirado o prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, decaindo a Fazenda Pública do direito de exigir eventuais diferenças, a titulo de IPI não recolhido. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 23/08/2011 (vide AR à fl. 318 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 21/09/2011, Recurso Voluntário (fls. 320/362), através do qual requereu: (i) reforma da parcela desfavorável da decisão de primeira instância, para cancelar as exigências fiscais presentes no auto de infração, referentes à suspensão do IPI prevista na Lei n.° 9.826/99; ii) reconhecimento da extinção dos créditos tributários recolhidos antes da apresentação da impugnação, nos termos do artigo 156, I do CTN. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o breve relatório. Fl. 373DF CARF MF 6 Voto Vencido Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima indicado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 320/362), através do qual requereu: (i) reforma da parcela desfavorável da decisão de primeira instância, para cancelar as exigências fiscais presentes no auto de infração, referentes à suspensão do IPI prevista na Lei n.° 9.826/99; ii) reconhecimento da extinção dos créditos tributários recolhidos antes da apresentação da impugnação, nos termos do artigo 156, I do CTN. Tais argumentos serão devidamente analisados a seguir. 1. Dos fundamentos do Recurso Voluntário 1.1 Da possibilidade de utilização da suspensão do IPI prevista na Lei n.° 9.826/99 na saída dos produtos auditados pela fiscalização O recorrente informa em seu recurso que a controvérsia existente neste ponto reside na definição da amplitude do benefício concedido pela lei 9.826/99, no que se refere à suspensão do IPI prevista em seu artigo 5º. Afirma que, segundo o entendimento da fiscalização, ratificado pelos julgadores de primeira instância, a utilização da suspensão do IPI pelo contribuinte foi indevida. No entanto, insurgese o contribuinte contra este entendimento, afirmando que a questão em disputa versa sobre a extensão do benefício, no sentido de se ele “é restrito aos estabelecimentos industriais em virtude de sua atividade ou se também abrange os estabelecimentos industriais em virtude de sua atividade mas que em algumas operações especificas — no caso, importação — é equiparado a tanto por determinação legal”. Argui o não enfrentamento de seus argumentos pelos julgadores que proferiram o acórdão recorrido, e traz novamente os fundamentos segundo os quais entende que ao caso concreto se aplica a suspensão do IPI, a seguir resumidos. 1.1.1 Da equivalência entre o estabelecimento industrial e o estabelecimento equiparado a industrial Afirma que é estabelecimento equiparado ao industrial, e que tal condição foi reconhecida pela fiscalização e pelo órgão julgador federais, com fundamento no artigo 9°, inciso I, do Regulamento do IPI de 2002, que apresenta a seguinte redação: Art. 9º Equiparamse a estabelecimento industrial: 1 os estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira, que derem saída a esses produtos." Argumenta que a ficção da equiparação a estabelecimentos industriais foi criada pela lei 4.502/64, para incluir entre os contribuintes de IPI estabelecimentos cujas atividades, apesar de não serem de industrialização, apresentaram conveniência de serem Fl. 374DF CARF MF Processo nº 11080.010891/200841 Acórdão n.º 3301004.192 S3C3T1 Fl. 372 7 incluídas na arrecadação do referido imposto, por questão de equalização da carga tributária entre produtos nacionais e importados. Nesse sentido, afirma que, tendo se tornado contribuinte do IPI em razão da equiparação legal aos estabelecimentos industriais, tornouse, conforme a equidade inerente à equiparação, sujeito não só das mesmas obrigações fiscais, mas também dos mesmos direitos atribuídos aos estabelecimentos industriais. Argumenta que a previsão do artigo 5º lei da lei 9.826/99, referente à “saída do estabelecimento industrial” não visa a excluir os estabelecimentos equiparados, mas a incluir todos os estabelecimentos industriais, sejam eles por natureza ou por equiparação, e que conclusão diversa representa restrição ilegal do benefício. Tratandose de norma de suspensão de tributo, sujeita às mesmas regras gerais das normas de isenção, deve ser interpretada com vistas a atingir o resultado almejado pelo legislador, sem ampliar nem restringir seu resultado. Ademais, apresenta entendimentos doutrinários para reforçar sua tese, e uma decisão do Conselho de Contribuintes, que corrobora seus argumentos de defesa. 1.1.2 Do beneficio previsto pela Lei n.° 9.826/99 O recorrente argumenta que o benefício previsto no artigo 5º da lei 9.826/99 tem a finalidade de desonerar a indústria automobilística nacional. Afirma que tal benefício foi ampliado pela lei 10.485/2002, a qual deu, através de seu artigo 4º, nova redação à norma do referido artigo 5º. Assim, com a nova redação, o benefício passou a alcançar uma gama maior de produtos, como também deixou mais claro quem são os beneficiários da suspensão do IPI, confirmando a intenção do legislador de desonerar a cadeia de comercialização de autopeças. Prossegue argumentando que em 2004 foi publicada a Lei 10.865, que também alterou o artigo 5º da lei 9.826/99 (com redação dada pela lei 10.485/2002). Tal alteração teria implicado na previsão expressa de extensão do benefício aos estabelecimentos equiparados ao industrial. Frisa que a redação dada pela nova lei não traz uma novidade, pois desde a edição da lei 9.826/99 já se abrangia, entre os beneficiários, os estabelecimentos equiparados. A lei de 2004 traria, em suma, um acréscimo ao artigo 9º do regulamento do IPI, que elenca os estabelecimentos considerados equiparados ao industrial. Impugna o entendimento das autoridades julgadoras de que a IN SRF n.° 296/2003 prevê o não alcance da suspensão do IPI aos estabelecimentos equiparados, sob a alegação de que tal norma interpreta extensivamente o inciso III, do artigo 113 do Regulamento do IPI, o qual não faz qualquer distinção entre estabelecimentos industriais e equiparados, estando a instrução normativa, assim, restringindo ilegalmente a utilização do benefício por parte dos estabelecimentos equiparados, listados no RIPI. Afirma que nenhuma das alterações pelas quais passou o artigo 5º da Lei 9.826/99 modificou o intuito de desonerar a indústria automotiva. Informa que é estabelecimento primordialmente industrial em todas as suas demais atividades, enquadrando se na condição de equiparado apenas no tocante à atividade atacada pela fiscalização, qual seja, de importação de produtos acabados para revenda. Afirma que o entendimento das autoridades fiscais impossibilitam que as montadoras usufruam do benefício e que passem a arcar com a incidência do IPI, fato que não ocorreria se procedessem à importação das peças diretamente. 1.1.3 Da infração às regras do GATT Fl. 375DF CARF MF 8 Afirma que, além de todo exposto, o tratamento desigual existente entre os produtos nacionais e os produtos objeto da fiscalização ferem as regras do Acordo Geral Sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio — GATT. O argumento é de que o GATT, inserido no Direito Pátrio pela lei 313 de 1948, prevê igualdade de tratamento tributário aos produtos oriundos dos países signatários. O recorrente apresenta decisões administrativas fiscais para corroborar seu argumento. No entanto, tais decisões abordam casos que se enquadram na hipótese de importação de produtos oriundos de países em que há reciprocidade de tratamento quanto aos tributos internos, diversamente da hipótese em que o recorrente se declara prejudicado, que é a de estar sendo impedido pelas autoridades fiscais de importar “um produto acabado e o repassar a seus clientes com o mesmo benefício que teria se tivesse comprado e repassado o mesmo produto no mercado interno”. Afirma, por fim, que se os produtos em pauta, caso adquiridos localmente, podem usufruir dos benefícios da lei 9.826/99, é imperativo aplicarse o mesmo tratamento para os produtos importados, sob pena de afronta às regras do GATT. Acerca da possibilidade de utilização do benefício de suspensão do IPI, a primeira instância administrativa consignou que o contribuinte não atua como estabelecimento industrial, mas como equiparado, e que a legislação trata da suspensão do IPI para saída de produtos de estabelecimentos industriais, não abrangendo os equiparados. Entendeu o órgão julgador, com base no artigo 113 do RIPI/2002, no artigo 23 da IN SRF 296/2003, e no § 5 do art. 17 da Medida Provisória 2.18949, que a administração tributária expressamente excluiu das hipóteses de suspensão os produtos saídos de estabelecimentos equiparados a industriais, e que não cabe ao julgador de 1ª instancia administrativa questionar o entendimento da SRF, nos termos do artigo 7º da Portaria MF n.° 341, de12/07/2011. A primeira instancia julgadora afirma, ainda, que não faz sentido a argumentação do contribuinte de que a lei 10.865/2004 teria incluído expressamente nas hipóteses de suspensão do IPI os produtos saídos de estabelecimento equiparado pois, segundo seus próprios argumentos, a lei já estendia o benefício a todos os estabelecimentos equiparados. A inclusão operada pela lei não teria, então, qualquer necessidade. Conclui a decisão de primeira instância que os estabelecimentos, industriais ou equiparados, quando importam produtos e a eles dão saída sem efetuar qualquer operação industrial, equiparamse a estabelecimento industrial na operação de saída. Contudo, não há previsão legal, para essas operações, para saída de produtos tributados com suspensão do IPI, razão porque entendeu procedente a exigência. 1.2 Reconhecimento da extinção dos créditos tributários recolhidos O recorrente traz em suas razões recursais, ainda, questão não tratada em sua impugnação. Alega que teria havido erro na decisão de primeira instância, visto que não teria sido homologado o reconhecimento e recolhimento, por parte do contribuinte, de parcela do crédito exigido no auto de infração que gerou o presente processo. Aduz que, em sua impugnação, já havia reconhecido parte do crédito exigido, bem como comprovado seu recolhimento, através do Doc. 02 anexo àquela peça defensiva. Afirma que, não obstante o reconhecimento e recolhimento procedidos, as autoridades julgadoras de primeira instância não se manifestaram a respeito, e, além disso, os valores pagos continuam constando do demonstrativo de débito relativo a este processo administrativo. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 11080.010891/200841 Acórdão n.º 3301004.192 S3C3T1 Fl. 373 9 Pede, por fim, o reconhecimento da extinção da referida parcela de crédito tributário recolhido. 2. Da análise do caso Como é cediço, o CARF possui inúmeras decisões em que o cerne da contenda é identificar se o estabelecimento equiparado a industrial pode usufruir da suspensão disposta no art. 5º da Lei nº 9.826/99. Ou seja, em muitos casos, a discussão gira em torno da extensão do benefício aos equiparados a industrial. E, conforme já tive a oportunidade de me manifestar anteriormente em decisões deste Conselho, ainda que ciente que este entendimento atualmente costuma ser vencido na maior parte das Turmas de Julgamento e na Câmara Superior desta 3ª Seção, entendo que a suspensão art. 5º da Lei nº 9.826/99 também deva ser aplicada ao estabelecimento equiparado a industrial. Acontece que, face à sua particularidade, a análise da presente contenda não se restringe a tal discussão, demandando a sua apreciação sob um viés distinto. Repisese que o contribuinte insurgiuse contra a decisão da DRJ ressaltando que a questão em disputa versa sobre a extensão do benefício, no sentido de se ele “é restrito aos estabelecimentos industriais em virtude de sua atividade ou se também abrange os estabelecimentos industriais em virtude de sua atividade mas que em algumas operações específicas — no caso, importação — é equiparado a tanto por determinação legal”. Para que seja devidamente caracterizada a situação dos autos, transcrevese novamente passagem do relatório da DRJ que bem resumiu o caso aqui analisado: Segundo a descrição dos fatos de fls. 56, houve falta de lançamento de IPI por ter o estabelecimento, em operações que o caracterizava como equiparado a industrial, promovido a saídas de produtos tributados, sem o devido destaque. O contribuinte industrializou e comercializou, no período de julho de 2003 a dezembro de 2005, diversos produtos tributados pelo IPI, em especial componentes de máquinas agrícolas, tais como, válvulas, cilindros hidráulicos e bombas hidráulicas, produtos esses sujeitos às alíquotas positivas de IPI. Não houve constatação de irregularidades quanto às notas fiscais referentes a entradas de insumos que geraram o aproveitamento de crédito de IPI, razão pela qual a fiscalização opinou pela legitimidade dos créditos objeto de pedidos de ressarcimento/compensação que relaciona. Quanto ao exame das notas fiscais referentes à saída de produtos, constatou a fiscalização que o contribuinte deu saída a boa parte de sua produção com a suspensão do IPI prevista no art. 4° da Lei n° 10.485/2002, que alterou o art. 5° da Lei n° 9.826/99. Porém, como a referida suspensão somente se aplica a estabelecimentos industriais, e não atinge as operações em que há a equiparação a estabelecimento industrial, foi lançado o imposto, e aplicada a multa de oficio de 75%. Fl. 377DF CARF MF 10 Extraise da transcrição, acima, portanto, ser incontroverso que a Recorrente é estabelecimento industrial, tendo a própria fiscalização reconhecido que, no período autuado (10/07/2003 a 10/01/2006), industrializou e comercializou diversos produtos tributados pelo IPI. Tal reconhecimento também constou da decisão da DRJ. O que está em discussão, portanto, não é se a empresa é ou não estabelecimento industrial, mas sim se, em relação às operações que realizou na qualidade de equiparado a industrial, possuiria direito à suspensão do IPI prevista no art. 5º da Lei nº 9.826/99, in verbis: Art. 5º Os componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01 a 87.06 e 87.11, da TIPI, sairão com suspensão do IPI do estabelecimento industrial. (Redação dada pela Lei nº 10.485, de 2002) § 1º Os componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças, referidos no caput, de origem estrangeira, serão desembaraçados com suspensão do IPI quando importados diretamente por estabelecimento industrial. (Redação dada pela Lei nº 10.485, de 2002) § 2º A suspensão de que trata este artigo é condicionada a que o produto, inclusive importado, seja destinado a emprego, pelo estabelecimento industrial adquirente: (Redação dada pela Lei nº 10.485, de 2002)I na produção de componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes ou peças dos produtos autopropulsados; (Incluído pela Lei nº 10.485, de 2002) II na montagem dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01, 87.02, 87.03, 87.05, 87.06 e 87.11, e nos códigos 8704.10.00, 8704.2 e 8704.3, da TIPI. (Incluído pela Lei nº 10.485, de 2002) § 3º A suspensão do imposto não impede a manutenção e a utilização dos créditos do IPI pelo respectivo estabelecimento industrial. (Redação dada pela Lei nº 10.485, de 2002) § 4º Nas notas fiscais relativas às saídas referidas no caput deverá constar a expressão ‘Saída com suspensão do IPI com a especificação do dispositivo legal correspondente, vedado o registro do imposto nas referidas notas. (Incluído pela Lei nº 10.485, de 2002) § 5º Na hipótese de destinação dos produtos adquiridos ou importados com suspensão do IPI, distinta da prevista no § 2º deste artigo, a saída dos mesmos do estabelecimento industrial adquirente ou importador darseá com a incidência do imposto. (Incluído pela Lei nº 10.485, de 2002) § 6º O disposto neste artigo aplicase, também, ao estabelecimento equiparado a industrial, de que trata o § 5o do art. 17 da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Ao analisar o caso, assim concluiu a DRJ: As hipóteses de suspensão do IPI previstas no art. 5º da Lei no 9.826/99, com a redação dada pelo art. 4° da Lei n° 10.485/2002, não são aplicáveis a estabelecimento equiparado a industrial, salvo quando se tratar da hipótese de equiparação prevista no § 5° do art. 17 da Medida Provisória n° 2.18949, de 23 de agosto de 2001. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 11080.010891/200841 Acórdão n.º 3301004.192 S3C3T1 Fl. 374 11 Ou seja, entendeu a DRJ que as hipóteses de suspensão do IPI previstas no referido art. 5º não são aplicáveis a estabelecimento equiparado a industrial. Ainda que ciente que o Recorrente realiza atividades industriais, concluiu a DRJ que este não faria jus ao benefício da suspensão. É o que se infere da seguinte passagem do voto do Relator, proferido na decisão recorrida: Tratase de auto de infração referente a saídas de produtos tributados sem o lançamento do imposto, em razão da utilização indevida da suspensão prevista no art. 40 da Lei n° 10.485/2002, que alterou o art. 50 da Lei n° 9.826/99, e no art. 113, inciso Ill, do RIPI/2002. A referida suspensão somente se aplica a estabelecimentos industriais, enquanto a autuada, nessas operações, caracterizavase como estabelecimento equiparado a industrial, pois importava e revendia os produtos no mercado interno. O impugnante sustenta que os estabelecimentos equiparados a industriais têm os mesmos direitos e obrigações que os estabelecimentos industriais, e que o tratamento desigual entre os produtos nacionais e os importados desrespeita o GATT. Inicialmente, devese ressaltar que não há discordância em relação à natureza das operações. O contribuinte dá saída de produtos adquiridos de terceiros, em geral de origem estrangeira, conforme relação de fls. 25/45, sem passar por qualquer processo de industrialização, atuando nessas operações, como um estabelecimento equiparado a industrial. (...). Como se pode notar, os comandos legais estabelecem a hipótese de suspensão do imposto para o caso de saídas de produtos de estabelecimentos industriais, não incluindo no rol, os estabelecimentos equiparados. (...). Concluindose, o estabelecimento, mesmo que industrial, quando importa produtos de procedência estrangeira e dá saída a esses mesmos produtos sem efetuar qualquer operação de industrialização, equiparase, na operação de saída, a estabelecimento industrial. No entanto, não há previsão legal, nessas operações, para a saída de produtos tributados com suspensão do IPI, razão pela qual é procedente a exigência do IPI. Não resta dúvidas, portanto, que a DRJ considerou a particularidade do caso concreto, embora tenha, pela sua interpretação da legislação aplicável, concluído em desfavor dos interesses do contribuinte. Cabese, portanto, analisar o acerto desta decisão proferida pela DRJ. Afinal de contas, é a qualidade do contribuinte (estabelecimento industrial ou estabelecimento equiparado a industrial) que deve influenciar este julgamento, ou a qualidade das operações por ele realizadas (se na qualidade de industrial ou equiparado a industrial)? Entendo que esta questão foi muito bem analisada pela Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz em seu voto vencedor apresentado no Acórdão n. 3402004.295, de 25 de julho de 2017, através do qual aquele Colegiado entendeu, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário do contribuinte. Transcrevo, então, o conteúdo de parte do referido voto, a qual adoto como razões de decidir: Fl. 379DF CARF MF 12 Contudo, o legislador ordinário entendeu por bem, dentre tantas outras benesses concedidas à indústria automotiva no contexto das importações (e.g. alíquota menos onerosa de PIS/COFINSimportação para nacionalização de peças por montadoras, de acordo com a Lei 10.485/2002; ou redução da alíquota do II para importação de peças importadas por montadoras, conforme a Lei n. 10.182/2001) criar hipótese de suspensão do IPI para este segmento da economia. Tal desoneração tributária foi positivada pelo artigo 29 da Lei n. 10.637/2002, cuja redação vigente à época dos fatos geradores abarcados por esse processo é a seguinte: Art. 29. As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28, 29, 30, 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00.00, e nas posições 21.01 a 21.05.00, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (não tributados), sairão do estabelecimento industrial com suspensão do referido imposto. (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) § 1o O disposto neste artigo aplicase, também, às saídas de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, quando adquiridos por: I estabelecimentos industriais fabricantes, preponderantemente, de: a) componentes, chassis, carroçarias, partes e peças dos produtos a que se refere o art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002; b) partes e peças destinadas a estabelecimento industrial fabricante de produto classificado no Capítulo 88 da Tipi; c) bens de que trata o § 1oC do art. 4o da Lei no 8.248, de 23 de outubro de 1991, que gozem do benefício referido no caput do mencionado artigo; (Incluído pela Lei nº 11.908, de 2009). II pessoas jurídicas preponderantemente exportadoras. § 2o O disposto no caput e no inciso I do § 1o aplicase ao estabelecimento industrial cuja receita bruta decorrente dos produtos ali referidos, no ano calendário imediatamente anterior ao da aquisição, houver sido superior a 60% (sessenta por cento) de sua receita bruta total no mesmo período. § 3o Para fins do disposto no inciso II do § 1o, considerase pessoa jurídica preponderantemente exportadora aquela cuja receita bruta decorrente de exportação para o exterior, no anocalendário imediatamente anterior ao da aquisição, houver sido superior a 80% (oitenta por cento) de sua receita bruta total no mesmo período. § 4o As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, importados diretamente por estabelecimento de que tratam o caput e o § 1o serão desembaraçados com suspensão do IPI. § 5o A suspensão do imposto não impede a manutenção e a utilização dos créditos do IPI pelo respectivo estabelecimento industrial, fabricante das referidas matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Fl. 380DF CARF MF Processo nº 11080.010891/200841 Acórdão n.º 3301004.192 S3C3T1 Fl. 375 13 § 6o Nas notas fiscais relativas às saídas referidas no § 5o, deverá constar a expressão "Saída com suspensão do IPI", com a especificação do dispositivo legal correspondente, vedado o registro do imposto nas referidas notas. § 7o Para os fins do disposto neste artigo, as empresas adquirentes deverão: I atender aos termos e às condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal; II declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, que atende a todos os requisitos estabelecidos. Pela literalidade do caput, §1º, inciso I e §4º do citado dispositivo legal, depreendemos que são três os requisitos para que o importador possa se valer da suspensão do IPI, quais sejam: i) ser estabelecimento industrial; ii) que dê saída à MP, PI ou ME; iii) para estabelecimentos fabricantes dos produtos mencionados no dispositivo. É na interpretação do primeiro desses itens que reside o equívoco da Fiscalização, ratificado pelo Acórdão recorrido. Vejamos. A infração apontada pela Fiscalização, de falta de destaque do IPI nas saídas dos produtos importados (Transponder, matéria prima para a linha de produção dos clientes TRW Automotive e Valeo Sistemas Automotivos da Recorrente, conforme fls 483 do TVF) teve como pressuposto que: “com base nas informações obtidas da impugnante, a fiscalização concluiu que não era realizada nenhuma operação industrial”. Foi esse também o argumento utilizado pela decisão da DRJ e pelo ilustre Relator para manter o auto de infração incólume. Entretanto, tal pressuposto da inexistência de industrialização, além de confirmado pela Recorrente em suas razões ao CARF (não sendo então objeto de controvérsia e, por conseguinte, do contencioso administrativo) é indiferente para o direito pleiteado, qual seja, das saídas do IPI com a suspensão prevista pelo artigo 29 da Lei n. 10.637. Com efeito, o critério utilizado pela Lei n. 10.637/2002 para o direito à suspensão do IPI é subjetivo (quanto ao estabelecimento industrial importador, a montadora de veículos, vale dizer, na pessoa vendedora) e não objetivo (quanto à operação de industrialização realizada). Repisemos os dizeres do artigo 29: “as matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos (...), sairão do estabelecimento industrial com suspensão do referido imposto. (...) O disposto neste artigo aplicase, também, às saídas de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, quando adquiridos por estabelecimentos industriais fabricantes.” Ou seja, é inequívoco que a Lei não fala, em nenhum instante, da necessidade de haver industrialização dos produtos para que exista o direito à suspensão do IPI. E nem faria sentido o fazer, porque o que se quer é simplesmente desonerar as importações efetuadas pela indústria automotiva, assim como feito para outros tributos federais (II e PIS/COFINSimportação), conforme destacado alhures. A alíquota mais baixa de PIS/COFINSimportação estabelecida pela Lei 10.485/2002 para a nacionalização de peças se aplica às vendas efetuadas por "pessoas jurídicas fabricantes e os importadores" (artigo 3º), pouco importando Fl. 381DF CARF MF 14 existir ou não a efetiva industrialização. Igualmente a redução da alíquota do II para a importação de peças por montadoras, trazida pela Lei n. 10.182/2001, concede o benefício fiscal para indústria automotiva tendo como exclusivo critério o importador ser uma montadora de veículos, mesmo que atuando no mercado de reposição (artigo 5º, §1º, inciso X). Tal fato, inclusive, levou outros contribuintes, que realizam importações nas mesmas condições porém sem ostentar a qualidade de montadoras de veículos, a contestar a constitucionalidade da norma perante o Poder Judiciário (RE 405.579), 4 alegando ofensa ao princípio da isonomia. Afinal, a operação de importar peças de veículos é a mesma e as montadoras também atuam como revendedora das peças no mercado nacional, todavia a lei só concedeu o benefício às montadoras, e não aos demais importadores. Disto o que se percebe é que há um movimento da legislação federal no sentido de desonerar as importações efetuadas pela industria automotiva, simplesmente pelo o fato de serem montadoras de veículos (critério subjetivo, como já citado), e não de efetivamente utilizarem as peças na industrialização tão logo entrem em território nacional (critério objetivo). Em nenhuma dessas situações de desoneração das importações (PIS/COFINSimportação e II) realizadas por montadoras adveio o problema enfrentado nesses autos, que só surgiu pelo fato de a legislação do IPI apresentar a conceituação de estabelecimento produtor como "todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto" (artigo 3º da Lei n. 4.502/1964), o que levou a Autoridade Fiscal a abraçar o entendimento exposto no lançamento tributário. Entretanto, como já se pode constatar, seja pela literalidade do texto normativo, seja pela leitura teleológica do artigo 29 da Lei n. 10.637/2002, tal interpretação não tem respaldo jurídico. (...) Assim, pela literalidade do caput, do §1º, inciso I e do §4º do citado dispositivo legal, os três os requisitos para o gozo da suspensão do IPI foram cumpridos no presente caso, haja vista que (i) a Recorrente é estabelecimento industrial (em sua essência, constituição social, e não quanto àquela específica operação), (ii) que deu saída a matéria prima (transponder) (iii) para estabelecimentos fabricantes dos produtos descritos pela lei (TRW Automotive e Valeo Sistemas Automotivos). Corroborando tal conclusão, é importante notar que caso o intuito da regra fosse desonerar as importações com base em outro critério, delimitando com precisão as atividades a serem exercidas sobre o produto como requisito para a suspensão do imposto, assim o teria dito o artigo 29 da Lei n. 10.637/2002, como em tantas outras oportunidades fez a legislação do IPI. Efetivamente, o RIPI/2002, então vigente, era cauteloso ao definir o que é “estabelecimento industrial”, sendo que toda a sua disciplina toma esse conceito como premissa. Ademais, na Seção II de seu Capítulo II encontramse as hipóteses de suspensão do IPI, dentre as quais visualizamos dois critérios de concessão do benefício fiscal: critérios subjetivos ou objetivos. No caso do artigo 29, o critério foi subjetivo, e assim deve ser cumprido pelos contribuintes. Repito que foi essa a vontade do legislador ao positivar o artigo 29 da Lei n. 10.637/2002: mais uma vez desonerar as importações da indústria automotiva (realizadas por qualquer ‘estabelecimento industrial’), da qual a Recorrente faz parte. (...). Fl. 382DF CARF MF Processo nº 11080.010891/200841 Acórdão n.º 3301004.192 S3C3T1 Fl. 376 15 Diante de tudo quanto exposto, entendo que a Recorrente cumpriu os requisitos legais para usufruir da suspensão do IPI, devendo ser cancelada a autuação fiscal sobre esse ponto. Sobre a transcrição acima, é válido destacar que, naqueles autos, "a fiscalização concluiu que não era realizada nenhuma operação industrial”. E foi justamente esse o argumento utilizado pela decisão da DRJ para manter o auto de infração incólume. Na presente demanda, diversamente, a própria fiscalização reconheceu desde a lavratura do auto de infração que a empresa realiza atividades industriais. A autuação se deu exclusivamente em razão de que aquelas operações específicas haviam sido realizadas na qualidade de equiparado a industrial. Tal entendimento, contudo, conforme razões acima apontadas, não merece acolhida, visto que o que define o direito ou não ao usufruto do benefício em questão é o enquadramento do contribuinte como estabelecimento industrial ou não, e não se este praticou determinada operação nesta qualidade. Notese que o art. 5º da Lei nº 9.826/99 fala em saída "do estabelecimento industrial". E, conforme acima esclarecido, resta incontroverso nos presentes autos que a Recorrente é estabelecimento industrial, devendo essa caracterização ser considerada em razão da sua essência, e não quanto àquelas específicas operações objeto de autuação. A norma indicou um critério subjetivo para fins de usufruto do benefício e, pela sua própria interpretação literal, não poderia a fiscalização deixar de conceder o benefício da suspensão àquelas empresas que se enquadram em tal critério. Entendo, portanto, que deverá ser dado provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso, para fins de cancelar integralmente o auto de infração combatido, visto que o Recorrente fazia jus à suspensão do IPI prevista no art. 5º da Lei nº 9.826/99. Por fim, quanto ao requerimento do contribuinte no sentido de que sejam excluídos do auto de infração os valores já quitados em razão do reconhecimento da sua procedência realizado pelo próprio contribuinte, entendo que a análise de tal demanda resta prejudicada em razão do cancelamento integral do auto de infração combatido. Não sendo este o entendimento dos demais Conselheiros desta Turma, ressalto que deverá ser analisado o pedido subsidiário do contribuinte no sentido de que sejam excluídos do auto de infração os valores já quitados em razão do reconhecimento da sua procedência realizado pelo próprio contribuinte e comprovante anexado à sua impugnação. 3. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso, para fins de cancelar o auto de infração combatido em sua integralidade. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 383DF CARF MF 16 Voto Vencedor Conselheira Liziane Angelotti Meira, redatora designada: Apresento, nas linhas seguintes, os motivos pelos quais o Colegiado decidiu por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. Admitese a fungibilidade da causa de suspensão do IPI, do artigo 29, § 1°, inciso I, alínea "a", da Lei n° 10.637/2002, para o artigo 5°, da Lei n° 9.826/1999; e que a referida lei impõe duas condições para fruição do benefício da suspensão do IPI: (i) que a saída dos produtos seja feita por um estabelecimento industrial; e (ii) que os insumos sejam empregados pelo estabelecimento industrial adquirente. Dessa forma, a controvérsia principal cingese ao entendimento de que a Recorrente não seria um estabelecimento industrial e, sendo equiparada a industrial, não faria jus ao benefício. A Recorrente alega ser um estabelecimento industrial para os fins jurídico tributários, não havendo restrição à aplicação da suspensão aos estabelecimentos industriais por equiparação legal; passando a analisar o sentido jurídico do termo “equiparação”; além da ilegalidade da da IN RFB n° 296, de 2003; defende também que essa diferenciação infringe o princípio do tratamento nacional constante do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT). Nesse contexto, seguese a mesma linha decisória adotada, por unanimidade, no precedente do Acórdão nº 310200.906, de 04/02/2011, cuja ementa abaixo transcrevese: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 30/06/2008 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. REGIME SUSPENSIVO. SETOR AUTOMOTIVO. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. APLICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A suspensão do Imposto sobre Produtos Industrializados na saída de mercadorias do estabelecimento, prevista no art. 5° da Lei n° 9.826/99, com a redação dada pelo art. 4° da Lei n° 10.485/2002, não é aplicável aos estabelecimentos equiparados a industrial, salvo quando se tratar da hipótese de equiparação prevista no § 5° do art. 17 da Medida Provisória n°2.18949, de 23 de agosto de 2001. Nas palavras do Relator Conselheiro Ricardo Paulo Rosa: A despeito disso, não restam dúvidas de que o texto normativo apenas autoriza os estabelecimentos industriais a darem saída com suspensão do Imposto. As alegações contidas no recurso voluntário não podem conduzir à conclusão sugerida pela empresa, pois, se fosse a intenção do legislador estender o benefício às equiparadas a industrial, é claro que o teria feito expressamente. A questão encontra manifestações da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, v.g., os Acórdãos n° 0203.810, e 0203.816, de 12/02/09; Acórdão nº 9303001.167, 28/09/10; e 3401004.008, de 28/07/17; predominando a jurisprudência no sentido de que o direito previsto no art. 5°, da Lei n° 9.826/99, só foi estendido à filial equiparada a industrial com o advento do art. 4°, da Lei n° 10.485/02. Fl. 384DF CARF MF Processo nº 11080.010891/200841 Acórdão n.º 3301004.192 S3C3T1 Fl. 377 17 Notese que os precedentes citados no parágrafo anterior, com exceção do Acórdão nº 3401004.008, referemse a períodos anteriores às alterações legislativas, promovidas pela Lei n° 10.485/02, que alterou o art. 5°, da Lei n° 9.826/99, estendendo indiscriminadamente o benefício aos estabelecimentos equiparados a industrial, no período de 03/07/2002 à 30/04/2004, quando foi restringido, pela Lei n° 10.865/04, confirmandose o entendimento predominante na jurisprudência do CARF da necessidade de que o legislador estenda expressamente o benefício às equiparadas a industrial. Não se trata de restrição administrativa à aplicação da suspensão aos estabelecimentos industriais por equiparação legal; ao contrário, tratase de falta de base legal expressa para suspensão nos casos de estabelecimento equiparado a industrial para fins jurídicotributários. Ademais, há expressa restrição legal aos equiparados, admitindose a suspensão somente para empresa comercial atacadista adquirente dos produtos classificados nas posições 8701 a 8705 da TIPI, resultantes da industrialização por encomenda por conta e ordem de pessoa jurídica domiciliada no exterior, na hipótese de equiparação prevista no § 5°, do art. 17, da MP n° 2.18949/2001. Não é possível darse a amplitude pretendida ao sentido jurídico do termo “equiparação”, nas palavras do Redator Conselheiro Antonio Carlos Atulim, no precedente do Acórdão n° 0203.810, de 12/02/09: A questão pode ser resolvida a partir da leitura do art. 4º da Lei n° 4.502/64. A equiparação prevista no referido dispositivo legal, não é para "todos os efeitos legais", mas apenas e tãosomente para os "efeitos desta lei. Isto significa que os estabelecimentos enumerados no art. 42 da Lei n° 4.502/64 são estabelecimentos industriais para todos os efeitos da Lei n° 4.502/64, estando, portanto, sujeitos a todos os ônus e bônus de um contribuinte do IPI. Entretanto, isto não impede que leis futuras criem regimes ou benefícios específicos para o industrial e equiparados, ou para alguns equiparados em detrimento de outros, conforme seja o desígnio que o legislador pretenda atingir. Quanto às alegações de que a IN SRF n° 296/2003 estaria restringindo ilegalmente a utilização do benefício por parte dos estabelecimentos equiparados, listados no RIPI, não merecem prosperar. Não há de se arguir ilegalidade, visto que a citada norma complementar, simplesmente teve sua redação ajustada, pela IN SRF nº 429, de 2004, reproduzindo as restrições às hipóteses de suspensão do imposto promovidas pela Lei n° 10.865/04. Cumpre ter presente que tratamos de normas de exceção aos regimes comuns das saídas com incidência, devendose buscar a finalidade da lei, dentre as balizas da literalidade, do art. 111, do CTN. A Recorrente alega ainda que o tratamento desigual existente entre os produtos nacionais e os produtos objeto da fiscalização feriria as regras do Acordo Geral Sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio (GATT). O argumento é de que o GATT prevê igualdade de tratamento tributário aos produtos oriundos dos países signatários em relação aos produtos brasileiros. Essa questão pode ser analisada em dois prismas. Primeiro, o referido acordo não exige a aplicação do tratamento nacional a situações distintas. O regime de suspensão do Fl. 385DF CARF MF 18 IPI é voltado à cadeia produtiva; a contribuinte do IPI por equiparação não exerce atividades industriais. Estender o regime como pleiteia a Recorrente seria estabelecer uma nova hipótese, com comprometimento do propósito do regime e também do controle fiscal. De outro, ainda que a Recorrente se encontrasse em situação de igualdade, o que, ressaltese, não é o caso, este CARF não poderia afastar as disposições restritivas constantes expressamente da Lei. Por fim, quanto ao requerimento do contribuinte no sentido de que sejam excluídos do auto de infração os valores já quitados em razão do reconhecimento da sua procedência, considerando que não há mais lide quanto a tal ponto, entendo que não há o que ser deliberado nesta fase processual de conhecimento. O montante em questão é devido, já tendo sido quitado pelo contribuinte. Determino, contudo, que a unidade de origem, quando da execução do presente julgado, proceda à exclusão dos valores cuja comprovação de pagamento fora anexada aos autos. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Redatora designada. Fl. 386DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.733008/2012-24
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DCTF. PREVISÃO LEGAL.
A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
É cabível a imposição de penalidade quando da entrega extemporânea da DCTF, haja vista previsão na Lei n.º 10.426/2002.
ABORDAGEM CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2).
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF n.º 49).
Numero da decisão: 1002-000.089
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Ailton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1610; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 54 1 53 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.733008/201224 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.089 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 8 de março de 2018 Matéria Penalidade Multa por Atraso na Entrega de Declaração DCTF. Denúncia Espontânea. Recorrente SISTEMA DE SAUDE VICENTINA MARGARIDA NASEAU SSVMN Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DCTF. PREVISÃO LEGAL. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. É cabível a imposição de penalidade quando da entrega extemporânea da DCTF, haja vista previsão na Lei n.º 10.426/2002. ABORDAGEM CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2). DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF n.º 49). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 73 30 08 /2 01 2- 24 Fl. 54DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Ailton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância, datada de 27/09/2013, consubstanciada no Acórdão n.º 0827.053, da 3.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE (DRJ/FOR), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento efetivado pela fiscalização da administração fazendária decorrente da aplicação de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) de Janeiro, Fevereiro, Março, Abril e Maio do AnoCalendário 2010, deixando de acolher a impugnação apresentada pela recorrente, tendo sido assim ementada a decisão vergastada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/05/2010 DCTF. MULTA, PESSOA JURÍDICA SEM FINS LUCRATIVOS. As pessoas jurídicas de direito privado em geral, inclusive as equiparadas, as imunes e as isentas, deverão apresentar, de forma centralizada, pela matriz, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. O auto de infração em espécie foi lavrado em 26/11/2012, na DRF Fortaleza, por Auditor Fiscal da Receita Federal, sumariando o seguinte contexto e enquadramento para aduzida infração à legislação tributária e respectivo demonstrativo do crédito tributário: Descrição dos fatos: Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) entregue fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa (...). Fundamentação: Art. 7.º da Lei n.º 10.426, de 24/04/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei n.º 11.051, de 2004. Demonstrativo: Janeiro/2010, Multa R$1.991,29 Fevereiro/2010, Multa R$2.399,82 Março/2010, Multa R$2.996,55 Abril/2010, Multa R$2.346,64 Maio/2010, Multa R$5.023,92 A impugnação instaurou a fase litigiosa do procedimento, no entanto não foi acolhida pela DRJ. O recurso voluntário, inconformado com a decisão a quo, além de reiterar os termos da impugnação, contraargumentou, em outras palavras, que não poderia ser autuada, antes de que fosse intimada para regularizar a situação, bem como, enquanto entidade sem fins Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10380.733008/201224 Acórdão n.º 1002000.089 S1C0T2 Fl. 55 3 lucrativos, não estaria obrigada a cumprir quaisquer obrigações instrumentais, pois sequer estaria vinculada a obrigação principal. Os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo, tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B do Regimento Interno, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, dele conheço. Quanto ao juízo de mérito, não assiste razão a recorrente. É que não se discute nos autos a apresentação extemporânea da DCTF, nem se desincumbiu a recorrente de demonstrar fato impeditivo, modificativo ou extintivo de tal obrigação. Como bem ponderou a decisão recorrida, a Instrução Normativa RFB n.º 974, de 27 de novembro de 2009, combinada com o art. 7.º da Lei n.º 10.426, de 24 de abril de 2002, enuncia a obrigação de entrega da DCTF, sob pena de sanção, não havendo exceção do cumprimento da obrigação para as pessoas jurídicas sem fins lucrativos. O art. 2.º da a Instrução Normativa RFB n.º 974, de 27 de novembro de 2009, é muito nítido ao afirmar que: Art. 2º As pessoas jurídicas de direito privado em geral, inclusive as equiparadas, as imunes e as isentas, as autarquias e fundações da administração pública dos Estados, Distrito Federal e Municípios e os órgãos públicos dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário dos Estados e do Distrito Federal e dos Poderes Executivo e Legislativo dos Municípios, desde que se constituam em unidades gestoras de orçamento, deverão apresentar, de forma centralizada, pela matriz, mensalmente, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Registrese, por oportuno, que é vedado a este Conselho apreciar questão de constitucionalidade, ou não, da legislação tributária que impôs a exigência e a multa correspondente, enquanto que a denúncia espontânea não se aplica no caso em tela estando sumulada a matéria no CARF. Fl. 56DF CARF MF 4 A Súmula CARF n.º 2 dispõe que: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." A referida súmula teve por suporte os seguintes paradigmas: Acórdão n.º 10194876, de 25/02/2005, Acórdão n.º 10321568, de 18/03/2004, Acórdão n.º 105 14586, de 11/08/2004, Acórdão n.º 10806035, de 14/03/2000, Acórdão n.º 10246146, de 15/10/2003, Acórdão n.º 20309298, de 05/11/2003, Acórdão n.º 20177691, de 16/06/2004, Acórdão n.º 20215674, de 06/07/2004, Acórdão n.º 20178180, de 27/01/2005, Acórdão n.º 20400115, de 17/05/2005. Por corolário lógico, não há que se admitir matéria que pretenda discutir constitucionalidade e limites constitucionais para os valores das multas fiscais, caso contrário, estaria sendo declarada uma inconstitucionalidade incidenter tantum da norma infraconstitucional que impôs a multa, o que é vedado no Regimento Interno do CARF (art. 62, Anexo II, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 2015), havendo que se respeitar, demais disto, o enunciado da Súmula CARF n.º 2, acima mencionado. Observese, igualmente, o disposto no art. 26A do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, com redação dada pela Lei n.º 11.941, de 2009, que enuncia o mesmo entendimento ao dispor que: "No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." Por sua vez, a temática da denúncia espontânea, também está sumulada, nestes termos: "Súmula CARF n.º 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração." A mencionada súmula foi lavrada com base nos seguintes paradigmas: Acórdão n.º CSRF/0400.574, de 19/06/2007, Acórdão n.º 19200.096, de 06/10/2008, Acórdão n.º 19200.010, de 08/09/2008, Acórdão n.º 10709.410, de 30/05/2008, Acórdão n.º 10249.353, de 10/10/2008, Acórdão n.º 10196.625, de 07/03/2008, Acórdão n.º 107 09.330, de 06/03/2008, Acórdão n.º 10709.230, de 08/11/2007, Acórdão n.º 10516.674, de 14/09/2007, Acórdão n.º 10516.676, de 14/09/2007, Acórdão n.º 10516.489, de 23/05/2007, Acórdão n.º 10809.252, de 02/03/2007, Acórdão n.º 10195.964, de 25/01/2007, Acórdão n.º 10809.029, de 22/09/2006, Acórdão n.º 10194.871, de 25/02/2005. Portanto, não há reformas a serem acolhidas em relação a decisão vergastada. Observo, outrossim, que a multa foi aplicada de acordo com a legislação em vigor. Importa acrescentar que a ninguém é permitido deixar de cumprir as normas legais alegando que não as conhece, consoante se extrai do art. 3.º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, constante do DecretoLei n.º 4.657, de 1942. Dito isto, asseverese que o art. 7.º da Lei n.º 10.426, de 24 de abril de 2002, com a redação vigente na época da infração, estabelece a obrigação de entrega da DCTF, sob pena de aplicação de multa, ao enunciar que: Art. 7.º O sujeito passivo que deixar de apresentar (...), Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, (...), nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10380.733008/201224 Acórdão n.º 1002000.089 S1C0T2 Fl. 56 5 prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) § 1.º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, da lavratura do auto de infração. Neste contexto, temse que o fundamento de validade constante do auto de infração (art. 7.º da Lei n.º 10.426, de 24/04/2002) apresentase adequado e pertinente ao caso em comento. Constróise, a partir do texto acima transcrito, a norma jurídica instituidora do dever instrumental de entregar declaração, a instituidora da regramatriz sancionadora da violação deste dever instrumental e a instituidora da regramatriz da lavratura da autuação. Estas, em conjunto, atuando sistemicamente, regulam, de modo objetivo e transpessoal, as condutas intersubjetivas, via modal deôntico Obrigatório, no sentido de que, uma vez descumprida a obrigação de dar/entregar, a qual estava obrigado a contribuinte, impõese a autoridade lançadora o dever de constituir a relação jurídica que impõe a obrigação de pagar a multa. Se havia o dever jurídico de adimplir a obrigação de entregar a DCTF, no prazo estabelecido, descumprido o comando normativo, surge para a administração tributária o direito subjetivo de exigir o adimplemento da multa, sendo, em verdade, o agente competente obrigado a proceder com o lançamento, sob pena de violar a norma enunciada no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN). Se é verdade que a administração tributária não pode cobrar mais do que lhe é efetivamente devido, também não pode cobrar menos do que lhe é ordenado exigir em atividade vinculada e obrigatória de lançamento. No caso em comento, observo a atuação dentro dos padrões delineados pelo campo da legalidade. Somese a isto o fato de que a análise deve seguir o critério objetivo, não sendo necessário perquirir sobre a existência de eventuais prejuízos pela não entrega da declaração. A sanção quedase alheia à vontade do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado da inobservância das regras de cumprimento do dever instrumental. A responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou do responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do CTN. Destaco, outrossim, que a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, exsurge a possibilidade da constituição de um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). Isto porque, o art. 113 do CTN ao enunciar que “a obrigação tributária é principal ou acessória” estabeleceu que, para fins de cobrança, o direito de exigir o pagamento de tributo ou o direito de exigir o adimplemento em pecúnia do valor equivalente a multa imposta por descumprimento de dever instrumental devem ser tratados de igual maneira para todos os fins de exigibilidade. Fl. 58DF CARF MF 6 A importância do cumprimento do dever instrumental devese a necessidade de transportar para o mundo jurídico, via linguagem competente, elementos enriquecedores para que seja possível a instauração da pretensão tributária, principalmente facilitando o estabelecimento de “fatos jurídicos”, após o relato dos eventos em linguagem competente. Aliás, este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), analisando caso semelhante, já decidiu no mesmo sentido. Peço vênia para transcrever a ementa, verbo ad verbum: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2001 DCTF. ENTREGA EXTEMPORÂNEA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. MULTA PECUNIÁRIA. O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal. Não sendo a entrega serôdia infração de natureza tributária, e sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo. (...) ÔNUS DA PROVA. Para elidir o fato constitutivo do direito do fisco, incumbe ao sujeito passivo o ônus probatório da existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo. (CARF, Recurso Voluntário, Acórdão 1802001.539 2ª Turma Especial, Rel. Conselheiro Nelso Kichel, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 06/02/2013) Valhome aqui, de igual modo, dos precedentes desta 2.ª Turma Extraordinária, desta Primeira Seção de Julgamentos do CARF, que nos Acórdãos ns. 1002000.006, 1002000.007, 1002000.009, 1002000.010, 1002000.011, 1002000.012, 1002000.013 e 1002000.016 seguiram a tese de que a entrega extemporânea da DCTF enseja a aplicação de multa. Destarte, o controle de legalidade do ato administrativo de lançamento, ora exercido por força da devolutividade recursal, aponta, em nossa análise, a correta aplicação do direito, não havendo reparos a serem efetivados. Por conseguinte, a recorrente não conseguiu se desincumbir do ônus probatório que lhe competia de demonstrar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da administração tributária de lhe exigir a entrega da declaração, a tempo e modo, sob pena de sanção. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10380.733008/201224 Acórdão n.º 1002000.089 S1C0T2 Fl. 57 7 Demais disto, observo que o Superior Tribunal de Justiça possui precedente acerca da legalidade da exigibilidade da multa por descumprimento do dever instrumental de entregar declaração, vejase: TRIBUTÁRIO. MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE DCTF. ARTIGO 11, §§ 1º e 3º, DO DECRETOLEI 1.968/82 (REDAÇÃO DADA PELO DECRETOLEI 2.065/83). 1. A multa pelo descumprimento do dever instrumental de entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF regese pelo disposto no § 3º, do artigo 11, do DecretoLei 1.968/82 (redação dada pelo DecretoLei 2.065/83), verbis: "Art. 11. A pessoa física ou jurídica é obrigada a informar à Secretaria da Receita Federal os rendimentos que, por si ou como representante de terceiros, pagar ou creditar no ano anterior, bem como o Imposto de Renda que tenha retido. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 1º A informação deve ser prestada nos prazos fixados e em formulário padronizado aprovado pela Secretaria da Receita Federal. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 2º Será aplicada multa de valor equivalente ao de uma OTRN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas nos formulários entregues em cada período determinado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 3º Se o formulário padronizado (§ 1º) for apresentado após o período determinado, será aplicada multa de 10 ORTN, ao mêscalendário ou fração, independentemente da sanção prevista no parágrafo anterior. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 4º Apresentado o formulário, ou a informação, fora de prazo, mas antes de qualquer procedimento ex officio, ou se, após a intimação, houver a apresentação dentro do prazo nesta fixado, as multas cabíveis serão reduzidas à metade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983)." 2. Deveras, o artigo 11, do DecretoLei 1.968/82, instituiu o dever instrumental do contribuinte (pessoa física ou jurídica) da entrega de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre os rendimentos pagos ou creditados no ano anterior e o imposto de renda porventura retido (caput). 3. As aludidas informações são prestadas por meio de formulário padronizado, sendo certo que a Instrução Normativa SRF nº 126/1998 instituiu a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF a ser apresentada pelas pessoas jurídicas. 4. O inadimplemento da obrigação de entrega da DCTF, no prazo estipulado, importa na aplicação de multa de 10 ORTN's (§ 3º, do artigo 11, do DL 1.968/82), independentemente da sanção prevista no § 2º (multa de 1 ORTN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas em cada DCTF). Fl. 60DF CARF MF 8 5. Conseqüentemente, revelase escorreita a penalidade aplicada para cada declaração apresentada extemporaneamente. 6. Recurso especial desprovido. (REsp 1081395/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 02/06/2009, DJe 06/08/2009) Pela oportunidade, destaco que a Doutrina se posiciona no seguinte sentido acerca das infrações às normas instrumentais enunciadas na legislação, chegando a apontar a sua importância para a sistemática da administração tributária: Professor Paulo de Barros Carvalho1: O antecedente da regra sancionatória descreve fato ilícito qualificado pelo descumprimento de um dever estipulado no consequente da regramatriz de incidência. É a não prestação do objeto da relação jurídica. Essa conduta é tida como antijurídica, por transgredir o mandamento prescrito, e recebe um nome de ilícito ou infração tributária. Atrelada ao antecedente ou suposto da norma sancionadora está a relação deôntica, vinculando, abstratamente, o autor da conduta ilícita ao titular do direito violado. No caso das penalidades pecuniárias ou multas fiscais, o liame também é de natureza obrigacional, uma vez que tem substrato econômico, denominase relação jurídica sancionatória e o pagamento da quantia estabelecida é promovida a título de sanção. Professor Sacha Calmon Navarro2: Podemos, então, sem medo de errar, afirmar que a infração fiscal configurase pelo simples descumprimento dos deveres tributários de dar, fazer e não fazer, previstos na legislação. Esta a sua característica básica. (...) É preciso ver que a sanção, em Direito Tributário, cumpre relevante papel educativo. Noutras palavras, provoca na comunidade dos obrigados a necessidade de inteirarse dos deveres e direitos defluentes da lei fiscal, certo que o erro ou a ignorância possuem total desvalia como excludente de responsabilidade, ... O dever instrumental é necessário ao controle das atividades estatais de arrecadação no livre mercado, perfectibilizando as exigências das leis tributárias, sendo o direito aplicado de igual modo para todos. A multa nasce a partir de uma conduta contrária à legislação tributária, conduta esta que pode ser evitada com uma boa governança tributária, logo é possível ficar livre da sanção fiscal, caso siga o caminho regulamentar, dirigindo sua atuação conforme a disciplina normativa correta e atuando com o dever de ofício que lhe impõe a lei. Vale dizer, o contribuinte só eventualmente é onerado pela multa e isto se deve as suas escolhas, a sua governança tributária, considerando que não há punição sem culpa, decorrente de um agir ou de uma omissão quando estava obrigado ao exercício de uma conduta e não a executou. Por isso, no caso em apreço, o controle de legalidade se apresenta correto. 1 CARVALHO, Paulo de Barros Curso de Direito Tributário, São Paulo: Saraiva, 1999, p. 465 e 466. 2 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2ª ed. Rio de Janeiro, Forense. 2001, p.29. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10380.733008/201224 Acórdão n.º 1002000.089 S1C0T2 Fl. 58 9 Considerando o até aqui esposado e enfrentadas todas as questões necessárias para a decisão, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ. Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário. No mérito, em negarlhe provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida e o crédito tributário lançado na forma constante do auto de infração. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 62DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.916047/2011-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 30/04/2001
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-006.152
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 30/04/2001 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Recorrente FÊNIX EMPREENDIMENTOS S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 30/04/2001 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 60 47 /2 01 1- 61 Fl. 171DF CARF MF Processo nº 13888.916047/201161 Acórdão n.º 9303006.152 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II, 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra ao Acórdão nº 3802002.818, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do Fato Gerador: 30/04/2001 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 30/04/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO. Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. Recurso a que se nega provimento". Não conformada com tal decisão a Contribuinte interpôs o presente recurso. Visando comprovar o dissenso jurisprudencial apontou como paradigmas os Acórdãos nºs 3302002.226 e 330201.748. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 13888.916047/201161 Acórdão n.º 9303006.152 CSRFT3 Fl. 4 3 Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF foi dado seguimento ao recurso. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões nas quais requer o nãoconhecimento do recurso especial interposto pela Contribuinte. Alternativamente, requer, no mérito, que seja negado provimento ao recurso, mantendose o acórdão proferido pela eg. Turma a quo por seus próprios fundamentos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.142, de 13/12/2017, proferido no julgamento do processo 13888.916042/201139, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.142): "O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame de admissibilidade do Recurso Especial. A divergência suscitada pela Contribuinte em razão do acórdão recorrido ter decidido que o Recorrente não teria demonstrado nos autos o recolhimento indevido, pois apesar de ter acostado documentos, deixou de retificar a DCTF e o DACON, sendo que este último seria imprescindível para se confirmar a alegada inclusão indevida de receitas não tributáveis, na base de cálculo da contribuição em questão. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 13888.916047/201161 Acórdão n.º 9303006.152 CSRFT3 Fl. 5 4 Verificase que o voto condutor da decisão recorrida, o recurso voluntário não mereceu provimento sob o fundamento de que: "Agora, além dos documentos acima citados, a suplicante acosta aos autos cópias das folhas do Livro Razão inerentes à contabilização das receitas financeiras do período (ver fls. 80/81). Todavia, permanece sem apresentar a DCTF retificadora, o mesmo podendo ser dito em relação à DIPJ retificadora e ao DACON retificador. Ou seja, mesmo considerando a possibilidade de retificação de ofício da DCTF por parte da autoridade administrativa – acaso demonstrada a legitimidade da correção dos valores declarados – , entendimento que esta Turma tem adotado em muitos de seus julgados, não se pode olvidar da necessidade de apresentação dos documentos comprobatórios do reclamado indébito, dentre os quais o DACON retificador, imprescindível para verificar se, na base de cálculo da contribuição, foram originalmente consideradas as receitas financeiras do sujeito passivo, fonte do direito creditório reclamado. Sem a devida comprovação não há como afirmar que o crédito reclamado é indevido, ainda que admitidas as novas provas acostadas aos autos (Livro Razão) em homenagem ao princípio da efetividade do processo, que tem como norte um processo menos formalista, que deságua na busca pela verdade material. Mas esta há que ser harmonizada com a segurança e a celeridade exigidas nas lides administrativas, não se podendo transferir para o Fisco o ônus de comprovar o direito creditório alegado, que é do sujeito passivo, a teor do disposto no artigo 333, inciso I, do CPC". Como se observa, a decisão recorrida, fundamentou que a Contribuinte não comprovou o direito ao crédito reclamado, se desincumbiu do ônus probatório consistente em demonstrar o seu direito creditório. Isto é, não comprovou que houve erro ou pagamento a maior hábil a gerar o indébito alegado. Por outro lado, o acórdão paradigma nº 330201748, analisou tão somente a questão relativa a necessidade de retificação da DCTF em momento anterior à apresentação da DCOMP. Além disso, naquele caso o Sujeito Passivo providenciou a retificação da DCTF, circunstância que não se verifica no presente caso. Transcrevo parte do aresto: “Como relatado, a empresa Recorrente apurou a existência de pagamento indevido de Cofins e o utilizou para compensação de débito seu, apresentando a competente PER/DCOMP sem, contudo, efetuar a retificação da DCTF anteriormente apresentada. Corretamente, a DRF verificou que o valor do pagamento (Darfs) informado pela Recorrente foi integralmente aproveitado no débito informado na DCTF e, por esta razão, não reconheceu a existência de crédito e não homologou a compensação declarada. Somente após a ciência da decisão que não homologou a compensação declarada é que a Recorrente providenciou a retificação da DCTF e ingressou com manifestação de inconformidade, esta indeferida pela DRJ porque a DCTF fora apresentada após a ciência do Despacho Decisório da DRF e porque a Recorrente não apresentou a prova da existência do crédito alegado. Por seu turno, no recurso voluntário a empresa Recorrente sustente que o crédito efetivamente existe e está devidamente provado nos autos e que efetuou a retificação da DCTF após a ciência do despacho decisório. Concluindo: à mingua de previsão legal, a falta de apresentação de DCTF retificadora, ou a sua apresentação após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não se constitui em motivo para o indeferimento do pedido de restituição e, conseqüentemente, para a não homologação da compensação declarada pela Recorrente. Deve, portanto, a autoridade administrativa da RFB apurar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado considerando Fl. 174DF CARF MF Processo nº 13888.916047/201161 Acórdão n.º 9303006.152 CSRFT3 Fl. 6 5 todas as provas trazidas aos autos e outras que julgar imprescindível para apurar a verdade material e formar sua convicção.” Neste mesmo sentido, o acórdão paradigma nº 3302002.226, trata de situação na qual foi apresentado o DACON retificador. Vejamos: Por seu turno, no recurso voluntário a empresa Recorrente sustente que o crédito efetivamente existe e está devidamente provado nos autos e que efetuou a retificação da DCTF após a ciência do despacho decisório. Relatório “Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Brasília: (...) Considerado cientificado dessa decisão em 22/10/2009, bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 23/11/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2 a 6, acrescida de documentação anexa. A contribuinte alega que houve inúmeros erros na consolidação dos dados da apuração da contribuição, o que teria originado o crédito pleiteado. Retificou a Dacon do período para demonstrar o valor que seria realmente devido. Anexa cópias das declarações retificadas. Voto “Em síntese, a Recorrente advoga a existência de pagamentos indevidos e junta ao processo a Dacon retificadora transmitida em data anterior ao despacho decisório exarado pela DRF.” Como se vê, as decisões paragonadas não se identifica semelhança fática, o acórdão recorrido entendeu imprescindível a apresentação dos documentos comprobatórios do indébito, dentre os quais o DACON retificador, para verificar se, na base de cálculo da contribuição, foram originalmente consideradas as receitas financeiras da Contribuinte, fonte do direito creditório guerreado. Por outro lado, Os acórdãos indicados como paradigmas, não apresentam similitude fática, considerada relevante para o resultado do julgamento. No que tange o acórdão nº 330201748, nada fala sobre a questão da apresentação do DACON retificador. Além disso, traz o fundamento com o qual concorda a Turma a quo, relativa à necessidade ou não de retificação da DCTF em momento anterior à emissão do despacho decisório. Se a presente controvérsia girasse apenas em torno dessa matéria, a Turma a quo poderia ter acatado a pretensão da Contribuinte. A decisão recorrida encampou o fundamento de que: “mesmo considerando a possibilidade de retificação de ofício da DCTF por parte da autoridade administrativa – acaso demonstrada a legitimidade da correção dos valores declarados –, entendimento que esta Turma tem adotado em muitos de seus julgados”. Sem embargo, a retificação do DACON, embora, possa parecer irrelevante para o Acórdão n. 3302002.226, o mesmo não ocorre em relação a decisão recorrida. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13888.916047/201161 Acórdão n.º 9303006.152 CSRFT3 Fl. 7 6 Entretanto, o fato é que essa retificação do DACON ocorreu no caso discutido no acórdão indicado como paradigma (Acórdão nº 3302002.226), ao passo que o mesmo não se verificou no presente caso. Com efeito, a situação examinada pelo Acórdão n. 3302002.226, poderia a Turma a quo ter decidido de forma diversa, ou acolhendo a pretensão da contribuinte, ou determinando o retorno dos autos em diligência. O fato é que ocorreu na situação abordada pelo Acórdão n. 3302002.226 circunstância relevante, não presente na decisão recorrida, que poderia ter alterado a convicção ou a fundamentação do colegiado a quo. O contexto fático exposto nas decisões paradigmas e no acórdão recorrido, patente pela leitura das passagens acima transcritas, demanda do mesmo modo, que o recurso especial não seja conhecido em face da ausência de demonstração de que, discutindo casos similares, foi dada interpretação jurídica diversa. Neste sentido, O Manual de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial (versão atualizada, pg.30) estabelece que: O RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, assim estabeleceu, em seu art. 67, § 1º, do Anexo II: "§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma divergente." Em 15 de fevereiro de 2016, foi publicada a Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, com a seguinte redação: “§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente.” Neste sentido, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Contribuinte, em razão de não ter sido comprovada divergência, e similitude fática, nos termos do § 1º da Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte não foi conhecido. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 176DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.679859/2009-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO.
A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
Numero da decisão: 2201-004.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 22/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. EDITADO EM: 22/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 22/03/2018 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 98 59 /2 00 9- 88 Fl. 84DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Trata o presente de Declaração de Compensação formalizada por meio eletrônico e registrada sob o número 10101.41230.180607.1.3.047903, fl. 02 a 04, com a qual o contribuinte extinguiu, nos termos da legislação, débito com a utilização de suposto indébito tributário decorrente de pagamento efetuado a maior ou indevidamente. Tal documento foi analisado pelo Sistema da Controle de Créditos SCC, tendo sido emitido o Despacho Decisório de fl. 05, por meio do qual o Titular da unidade de jurisdição do sujeito passivo não homologou a compensação declarada, detalhando os motivos que lastrearam tal decisão que, em apertada síntese, seria a inexistência de saldo disponível do suposto pagamento indevido ou a maior, integralmente utilizado para extinguir débito declarado pelo contribuinte. Cientificado do Despacho Decisório de não homologação em 05/11/2009, fl. 07, não concordando com seus termos, o contribuinte apresentou, em 03/12/2009, a manifestação de inconformidade de fl. 08 a 22. Os argumentos da defesa foram estruturados nos seguintes tópicos: Preliminar: do efeito suspensivo da presente manifestação de inconformidade; Pleiteia a atribuição de efeito suspensivo nos termos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. da carência de fundamentação do Despacho Decisório. Sustenta a nulidade do Despacho Decisório por entender que a carência de sua motivação ofende aos Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa. Mérito: O mero preenchimento incorreto da declaração não gera direito à crédito em favor da fazenda nacional da necessária observância aos princípios da busca pela verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade. Sustenta o recorrente que a lide administrativa em curso é fruto de um mero equívoco cometido na elaboração das DCTF originais apresentadas e da incapacidade do sistema informatizado da RFB. Afirma que, se fosse dada ao contribuinte a chance de apresentar explicações à Fazenda Nacional, poupariase tempo com cobranças infundadas, já que qualquer Agente Fiscal que analisasse a situação em tela notaria que houve tão somente um erro de preenchimento de declaração. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.679859/200988 Acórdão n.º 2201004.326 S2C2T1 Fl. 85 3 Cita precedentes judiciais e administrativos, além de conclusões doutrinárias que apontam para a necessidade da Administração Pública investigar e valorar corretamente os fatos que dão ensejo à cobrança, em particular se já possui dados para identificálos, não podendo se ater a minúcias formais em manifesto prejuízo ao contribuinte. Informa já estar levantando internamente toda a documentação probante do seu direito creditório e providenciando a retificação da DCTF que demonstrará a existência do crédito indicado na DCOMP. Por fim, após ratificar os pedidos de atribuição de efeito suspensivo e de reconhecimento da nulidade do Despacho Decisório, pugna pela conversão do julgamento em diligência para que seja efetivamente examinada sua escrita fiscal para confirmação do seu direito creditório e a consequente homologação da compensação declarada. Debruçada sobre os termos da manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP consideroua improcedente, nos termos do Acórdão de fl. 43 a 49, cujas conclusões podem ser assim resumidas: (...) Primeiramente, esclarecese à douta manifestante que, ao contrário do que alega, o despacho decisório do presente processo não é nulo pois, foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções e sem preterimento do direito de defesa da contribuinte. (...) A analise eletrônica do despacho decisório de fls. 03, demonstra que os alegados pagamentos indevidos foram utilizados para quitar débitos declarados em DCTF , não restando qualquer crédito para ser compensado. (...) Assim, de acordo com o art. 59 do Decreto n° 70.235/72, não há qualquer nulidade no despacho decisório em comento, não assistindo razão a reclamante. (...) Relativamente à alegação que teria cometido erros no preenchimento da DCTF e que, sanados esses erros , haveria o crédito que utilizou nas PER/DCOMP , observase que a contribuinte limitase a declarar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova do que alega. De fato, a contribuinte limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF, mas reconhece perfeitamente não haver apresentado qualquer DCTF retificadora até a data da ciência do Despacho Decisório. (...) Alias a simples alegação e mesmo a apresentação de DCTF retificadora não faz qualquer prova, por si só, nessa altura do rito processual, devendo, ao contrário, vir acompanhada dos documentos comprobatórios de eventual equivoco cometido na elaboração da declaração original.. Assim, a contribuinte deveria ter acostado aos autos a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa. Fl. 86DF CARF MF 4 (...) Tratandose de exibição de documentos, cuja guarda e apresentação compete à contribuinte, desnecessária se revela também a realização de diligencias, que se presta mais a elucidar detalhes cuja prova cabe ao Fisco Federal, não aplicável ao presente caso, conforme infere dos dispositivos do Decreto n° 70.235/1972 que tratam da matéria: Cientificado do Acórdão da DRJ em 26/11/2010, conforme AR de fl. 51, e ainda inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário de fl. 52 a 68, que, em sua essência, reafirma as alegações já produzidas na impugnação, e que serão detalhadas no curso voto abaixo. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. DA CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO Após resumir os fatos, o recorrente contesta a conclusão do Acórdão recorrido de que a motivação do despacho decisório e os demais elementos do mesmo são suficientemente claros. Afirma que tal ato administrativo é absolutamente carente de fundamentação, do que resulta sua nulidade. Alega que, embora o avanço da tecnologia imponha o tratamento de demandas de forma eletrônica, não se pode admitir que sua agilidade viole direitos expressos na Constituição federal, resultando em prejuízo ao contraditório e à ampla defesa, já que desconhecidas as razões da negativa do crédito pleiteado. Não merecem acolhida as alegações recursais. A análise superficial do Despacho Decisório de fl. 05 não deixa nenhuma dúvida sobre os motivos que levaram à não homologação da compensação declarada. Tal documento indica claramente o número da DCOMP a que se refere, sua data de transmissão, o tipo de crédito pleiteado (pagamento indevido ou a maior), as características do DARF relativo ao suposto recolhimento em excesso, bem assim informa que tal recolhimento teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, indicando código de receita e data do vencimento de tal débito. Diante de tais informações, não há necessidade de nenhuma outra motivação para se concluir pela inexistência de saldo disponível para lastrear a compensação pretendida. Portanto, presentes os elementos necessários ao pleno entendimento das razões que levaram à não homologação da compensação declarada, além de terem sido observados todos os requisitos de validade do ato administrativo, rejeito a preliminar de nulidade arguida. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10880.679859/200988 Acórdão n.º 2201004.326 S2C2T1 Fl. 86 5 DA VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA ESTRITA LEGALIDADE, DA VERDADE MATERIAL, DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE Sustenta o recorrente que a lide administrativa em curso é fruto de um mero equívoco cometido na elaboração das DCTF originais apresentadas e da incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento destas com as informações prestadas via DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais créditos. Afirma que, se fosse dada ao contribuinte a chance de apresentar explicações à Fazenda Nacional, poupariase tempo com cobranças infundadas, já que qualquer Agente Fiscal que analisasse a situação em tela notaria que não há justificativas válidas para a glosa ora em comento. Aduz que não merece amparo a conclusão do Julgador de 1ª Instância sobre a impossibilidade da DRJ e do Carf reconhecerem direito a crédito sem suporte documental produzido previamente pelo contribuinte. Cita precedentes administrativos e conclusões doutrinárias que apontam para a necessidade da Administração Pública investigar e valorar corretamente os fatos que dão ensejo à cobrança, em particular se já possui dados para identificálos, não podendo se ater a minúcias formais em manifesto prejuízo ao contribuinte. Afirma que a não homologação da compensação ofende ao Principio da Proporcionalidade, que impõe a adequação das medidas restritivas. Destaca que a Autoridade recorrida desconsiderou seu protesto pela apresentação posterior da DCTF retificada. Como é de elementar sabença, no exercício de seu mister, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais promove a verificação da legalidade dos atos administrativos produzidos no curso do procedimento fiscal e do julgamento em primeira instância, cotejando os fatos identificados e os efetivamente ocorridos com a legislação tributária correspondente. No caso ora sob análise, temos que o contribuinte, utilizando de indébito tributário decorrente de pagamento a maior ou indevido, extinguiu débitos de sua responsabilidade, nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) Fl. 88DF CARF MF 6 § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Dentro do lapso temporal legal, a Autoridade Administrativa emitiu o Despacho Decisório de fl. 05, por identificar que o pagamento que lastreava o crédito utilizado na compensação estaria integralmente comprometido com a liquidação de débito confessado pelo contribuinte em DCTF. Por sua vez, o recorrente reconhece que houve erro nas informações prestadas na DCTF ativa na data análise da DCOMP, tendo apresentado a impugnação alegando que estaria levantando internamente toda a documentação probante do seu direito creditório e providenciando a retificação da DCTF. Como se vê, pelas palavras do próprio recorrente, o crédito utilizado na DCOMP apresentada em junho de 2007 ainda não havia sido levantado na época da manifestação de inconformidade, em 2009. Tampouco foi juntada aos autos a DCTF retificadora, a qual foi, conforme informações disponíveis nos sistemas da RFB, apresentada em 03/12/2009, evidentemente após ciência do inteiro teor do Despacho Decisório ora sob análise. Assim, dispõe o DecretoLei nº 2.124/1984: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Portanto, considerando que, no momento da ulterior homologação do procedimento compensatório, de fato, os valores confessados pelo contribuinte como devidos, por meio de instrumento hábil e suficiente a sua exigência, não deixavam dúvidas da inexistência de crédito passível de restituição ou compensação. A criação do Sistema de Controle de CréditosSCC objetivou dar maior celeridade e segurança à necessária conferência dos pedidos de restituição, ressarcimentos e declarações de compensação formalizados pelos contribuintes. Naturalmente, tratase de ferramenta de extrema utilidade e eficiência quando batimentos de sistemas podem indicar a existência dos direitos pleiteados. Por outro lado, quando a complexidade da demanda exige, remanesce a necessidade de análise manual dos créditos pleiteados. Das situações possíveis de serem tratadas eletronicamente, sem sombra de dúvida, os indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior são, como regra, os que apresentam menor complexidade de análise, já que basta o SCC localizar o pagamento, identificar suas características e verificar, no sistema próprio, se há débitos compatíveis que demonstrem, no todo ou em parte, a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior. Assim, não merece prosperar a alegação da defesa sobre a suposta incapacidade dos sistemas da RFB em cruzar informações. Ora, o sistema foi preciso em suas verificações e as alegações recursais sobre o erro no preenchimento da DCTF apenas corroboram a excelência do trabalho efetuado pelos sistemas da RFB. Afinal, nem mesmo o Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10880.679859/200988 Acórdão n.º 2201004.326 S2C2T1 Fl. 87 7 contribuinte havia apurado a efetiva existência do seu direito creditório quando da apresentação da DCOMP ou da impugnação. Menos procedente ainda é a argumentação recursal de que o contribuinte deveria ter sido instado a apresentar explicações à Fazenda Nacional. Se assim fosse, em particular nestes casos mais simples, do que teria adiantado a construção de um sistema eletrônico para tratamento de demandas dessa natureza, já que um simples cotejo de informações declaradas daria lugar a um lento e manual procedimento fiscal? Portando, em uma análise primária, notase que a não homologação em discussão é procedente, o que não impede que se reconheça, em respeito à verdade material, que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro. Veja o que preceitua a Lei 13.105/2015 (Código de Processo Civil): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Assim, caso a retificação tivesse ocorrido antes do procedimento de homologação, decerto que caberia ao Fisco buscar elementos que apontassem eventual impropriedade na alteração para menor do débito anteriormente declarado. Contudo, efetuada a retificação em momento posterior àquele em que o Fisco exerce com precisão o seu direito, passa ser do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. Ocorre que o contribuinte limitase a contestar a Decisão recorrida afirmando a ocorrência de mero erro de informação e que estaria providenciando o levantamento do seu crédito e a retificação da DCTF. Ora, não merece prosperar tais conclusões. Não foi trazida aos autos nenhuma documentação que tenha sido produzida em tal levantamento e que pudesse lastrear a alegação de erro. Por outro lado, a DCTF retificadora, ainda que não haja impedimento para que seja apresentada após a não homologação de uma compensação, por si só não se constituiu em elemento capaz de confirmar a correção dos dados nela inseridos. As manifestações doutrinárias e os precedentes administrativos colacionados no recurso não vinculam a presente análise, sendo certo que tantas outras decisões em sentido oposto poderiam ser citadas, com se verifica no Acórdão nº 3201001.713 da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 90DF CARF MF 8 Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Quanto à alegação de que a Autoridade recorrida desconsiderou seu protesto pela apresentação posterior da DCTF retificada, bem assim quanto à sugestão para conversão do julgado em diligência, é evidente que não poderia a DRJ suspender o julgamento sobre a procedência de um crédito pleiteado em 2007, quando já deveria ter sido apurada a sua liquidez e certeza, para aguardar o contribuinte a efetuar o levantamento de seu suposto direito. Notase que, mesmo sabendo da necessidade de apresentação de elementos probatórios, do mesmo modo agiu o recorrente ao apresentar seu recurso voluntário, lastreando o suposto direito ao crédito unicamente no erro que teria levado à retificação da DCTF levada a termo após o Despacho Decisório de não homologação, quando já decorridos quase 5 anos do fato gerador que pretende ver alterado. É inegável que, comprovada a ocorrência de erro que justifique a alteração de ato administrativo que tenha constituído crédito tributário em razão de infração à legislação tributária, ou mesmo negado direito pleiteado pelo contribuinte, pode a Administração, diante do seu dever de auto tutela, reconhecer efeitos de ofício. Contudo, não há nos autos nenhuma evidência da ocorrência de tal erro, que se mostra presente apenas nas alegações do recorrente. Assim, não tendo sido apresentado pelo recorrente elementos que justificassem a conversão do julgamento em diligência ou que comprovassem os supostos erros de fato que levaram à retificação da DCTF em momento posterior à Decisão administrativa, correta a decisão recorrida ao negar a conversão do julgamento em diligência e ao entender improcedente a manifestação de inconformidade. Por fim, não há nada nos autos que indique eventual ofensa aos Princípios da Estrita Legalidade, da Verdade Material, da Razoabilidade ou da Proporcionalidade. Afinal, todo o procedimento foi efetuado de acordo com os elementos de fato e de direito disponíveis; não foi efetivamente comprovada a ocorrência de erro de fato; a cobrança de um débito indevidamente compensado é medida que se impõe como consequência da não homologação da compensação, devendo sobre estes incidir os acréscimos legais previstos para os casos de pagamento a destempo. Assim, nego provimento ao recurso voluntário neste tema. DO ESCORREITO PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO REALIZADO PELA ORA RECORRENTE Sustenta a defesa que, apresentada a DCTF retificadora, a qual corrigiria equívoco contido na DCTF ativa no momento da análise da compensação declarada, cai por terra qualquer dúvida quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado. Afirma que tal equívoco é perfeitamente sanável até mesmo de ofício, já que o fisco que tem livre acesso à escrituração fiscal da recorrente. Por fim, não tendo sido possível apresentar a manifestação de inconformidade com a instrução da documentação acostada ao recurso voluntário, requer sua apreciação. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.679859/200988 Acórdão n.º 2201004.326 S2C2T1 Fl. 88 9 Ao contrário do que quer fazer crer a defesa, mesmo com o recurso voluntário, nenhuma documentação comprobatória do direito pleiteado foi apresentada. Os argumentos em tela foram aqui reproduzidos exclusivamente em respeito ao esforço argumentativo do recorrente, mas não merecem qualquer acolhida, devendo às questões do ônus da prova e do conteúdo probatório contido nos autos serem aplicadas as razões e fundamentos legais citados no item precedente, que adoto com razão de decidir para, da mesma forma, negar provimento ao recurso voluntário no tema em questão. Conclusão Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais que integram o presente, nego provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.901499/2008-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2003 BUSCA DA VERDADE MATERIAL - No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador e se a obrigação teve seu nascimento e regular constituição. Nesse contexto, devem ser superados os erros de procedimentos dos contribuintes ou da fiscalização que não impliquem em prejuízo às partes e, por conseqüência, ao processo. IRPJ E CSLL .RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO DE DIPJ. COMPROVAÇÃO APRECIAÇÃO. CABIMENTO. Cumpre a autoridade administrativa apreciar alegações de defesa, no sentido de que incorreu em erros de preenchimento das declarações de IRPJ, ainda que não tenha apresentado declarações retificadoras das DCTF. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 1402-000.714
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que adentre no mérito, superando o erro de preenchimento da DCOMP nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira que entendia que o colegiado poderia adentrar no mérito, ao amparo do art. 59,§3 o. do Decreto 70.235/1972.
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
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Nesse contexto, devem ser superados os erros de procedimentos dos contribuintes ou da fiscalização que não impliquem em prejuízo às partes e, por conseqüência, ao processo. IRPJ E CSLL .RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO DE DIPJ. COMPROVAÇÃO APRECIAÇÃO. CABIMENTO. Cumpre a autoridade administrativa apreciar alegações de defesa, no sentido de que incorreu em erros de preenchimento das declarações de IRPJ, ainda que não tenha apresentado declarações retificadoras das DCTF. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que adentre no mérito, superando o erro de preenchimento da DCOMP nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira que entendia que o colegiado poderia adentrar no mérito, ao amparo do art. 59,§3o. do Decreto 70.235/1972. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Fl. 278DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10980.901499/200805 Acórdão n.º 140200.714 S1C4T2 Fl. 0 2 Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório VOLVO DO BRASIL VEICULOS LTDA com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que confirmou o despacho decisório da Delegacia da Receita Federal de origem e indeferiu seu pleito. Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: O presente processo referese a despacho decisório emitido por processamento eletrônico, em que é não homologada a compensação declarada por meio de três PER/DCOMPs, indicados no despacho, fl. 01, sendo que o PER/DCOMP com o demonstrativo de crédito é o no 00043.19234.220906.1.7.035877, em razão de o contribuinte ter informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) a pagar. 2. A fundamentação da decisão do referido despacho decisório constituise do seguinte: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que não foi apurado saldo negativo, urna vez que, na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), correspondente ao período de apuração do crédito informado no PER/DCOMP, consta contribuição social a pagar. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: RS 4.526.888,68. Valor da contribuição social a pagar na DIPJ: RS 7.898.083,45. 3. O contribuinte foi cientificado do despacho em 20/05/2008. Em 04/06/2008, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em que se insurge contra o decidido no despacho, alegando o que segue, em síntese. 4. Em se tratando de tributação com base no lucro real anual, com pagamentos mensais, de que trata o art. 35 da Lei n" 8.981/96, conforme as informações de recolhimentos efetivos de tributos ao erário, relacionados na fl. 07, por meio de DARF ou de declaração de compensação, a empresa demonstra ter havido crédito de tributo no anocalendário de 2003. Portanto, o montante de tributo recolhido ao Fisco em 2003 foi de R$ 12.427.920,14 (R$ 505.214,46, declaração de compensação; R$ 11.922.705,68, DARF), porém, a empresa cometeu um equívoco ao preencher a ficha 17 da DIPJ, deixando de informar o valor da CSLL mensal já paga durante o anocalendário. Sendo assim, o valor final de CSLL apurado em dez/2003 foi de R$ 7.889.960,62 e um total já recolhido de R$ 12.427.920,14, restando um saldo negativo, conforme demonstrado na DIPJ retificadora, de R$ 4.537.959,52. Fl. 279DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10980.901499/200805 Acórdão n.º 140200.714 S1C4T2 Fl. 0 3 5. Ao final, pede a apreciação dos fatos expostos e da decisão do despacho decisório. A decisão recorrida está assim ementada: SALDO NEGATIVO DE CSLL. DIPJ X PER/DCOMP. INFORMAÇÃO DE SALDO DE CSLL A PAGAR EM DIPJ. Havendo informação de saldo a pagar de CSLL, na DIPJ, e tendo quedado inerte o contribuinte após ter sido regularmente intimado para sanar a divergência, pode ser nãohomologada sua declaração de compensação, conforme a Norma de Execução Codac/Cosit/Cofis/Cocaj/Cotec n 2 6, de 21 de novembro de 2007. Manifestação de Inconformidade Improcedente No voto condutor do aludido acórdão de 1a. instancia, extraise os seguintes fundamentos: (...) Como se pode observar, a lei expressamente confere à Secretaria da Receita Federal, hoje Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), competência para disciplinar as regras sobre a compensação estabelecidas no art. 74. Para além disso, a lei, direta e expressamente, determina que a compensação poderá ser efetuada exclusivamente mediante a entrega de declaração em que constem as informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Concluise que a única via admissivel para a efetuação de compensação é por meio da entrega da respectiva declaração, a qual deve, obrigatoriamente, (a) seguir as regras de preenchimento estabelecidas pela RFB, conforme o §14, acima; e (b) informar os créditos que foram utilizados naquela declaração de compensação, conforme o §1". A Secretaria da Receita Federal do Brasil instituiu o processamento eletrônico das declarações de compensação apresentadas pelos contribuintes, possibilitando que a decisão de homologação ou de não homologação das compensações declaradas possa ser efetuada por meio de despacho decisório emitido eletronicamente pelo sistema de informática. O presente despacho decisório é justamente um despacho emitido eletronicamente por meio desse sistema de informática, designado Sistema de Controle de Créditos (SCC). O processamento eletrônico das declarações de compensação, a que referi, é normatizado por meio da Norma de Execução Codac/Cosit/Cofis/Cocaj/Cotec No. 6, de 21 de novembro de 2007 (...) Depreendese da leitura da Norma de Execução que a adminitração tributária, diante da divergência entre a DIPJ e o PER/DCOMP, no que se refere à existência de saldo negativo, deve_ proceder à. intimação do sujeito passivo, para que retifityre infla das declarações, de maneira a possibilitar o prosseguimento da análise. Não havendo a compatibilização do valor informado nas declarações, por meio de retificação empreendida pelo contribuinte, revelase inviável o prosseguimento da análise, por não possuir o Fisco as informações necessárias para tal. E isso por falha do próprio contribuinte, consistente na apresentação de declarações divergentes. Fl. 280DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10980.901499/200805 Acórdão n.º 140200.714 S1C4T2 Fl. 0 4 Conforme visto, foi feita a devida intimação solicitando providências, como determinado pela Norma de Execução. O contribuinte quedou inerte. Não tendo o contribuinte retificado suas declarações mesmo tendo sido intimado para tanto, está escorreito o despacho decisório guerreado. (...) Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, aduzindo que: (...) Importante esclarecer, desde logo, que o cerne da questão não é, nem nunca foi, a existência de Saldo Negativo de CSLL para o anocalendário de 2003, mas as divergências havidas no valor do crédito informado em DIPJ e PER/DCOMP. Como se vê, muito embora os Eminentes Julgadores de primeira instância tenham reconhecido que a Recorrente retificou a DIPJ para informar corretamente o crédito, os mesmos acabam por rejeitar as compensações pretendidas, sob a premissa de que a divergência entre os valores informados em PER/DCOMP e DIPJ deveria ter sido corrigida antes de proferido o despachodecisório (cf. Norma de Execução Codac/Cosit/Cofis/Cocaj/Cotec n° 6/2007), o que impediria a sua homologação. Tudo está relacionado, pois, com a forma de apresentação das declarações de compensação, e não com a existência do crédito (conteúdo). Ocorre que, ao considerar não homologadas as compensações objeto da manifestação de inconformidade, o v. acórdão recorrido olvidase de que, apesar do equívoco na informação originalmente prestada em sua declaração de rendimentos, a Contribuinte efetivamente apurou Saldo Negativo para o anocalendário de 2003, razão pela merece ser revisto por esse Eg. Colegiado. De fato, embora o preenchimento da DIPJOriginal não tenha sido absolutamente perfeito quanto às informações relacionadas ao crédito, é certo, por outro lado, que a finalidade da norma que prevê a compensação foi atingida, não se podendo colocar a forma do ato em plano superior à realidade da situação, em face da observância de diversos princípios norteadores do processo administrativo (v.g. legalidade, informalismo/formalismo moderado, proporcionalidade, razoabilidade e verdade material). Ora, diante disso, constatando a inconsistência entre o crédito indicado na declaração de compensação e na DIPJ, a autoridade administrativa, em observância aos princípios acima indicados deveria determinar a realização de diligência fiscal apta a verificar o quantum debeatur, e não partir parae rejeitálas. Ainda mais em situação como a presente, em que a divergência inicialmente havida em PER/DCOMP e DIPJ restou superada com a retificação da .declaração pela Contribuinte. .(...) In casu, tendo a Contribuinte comprovado a existência do direito creditório, não só pela retificação da DIPJ, mas também pela documentação contábil acostada aos autos, a adequada apreciação das compensações era medida que se impunha. Contudo, ao invés de diligenciar nesse sentido, averiguando a real composição do Saldo Negativo, a autoridade administrativa acabou optando pela solução mais simplista e rigorosa, a não homologação dos pedidos. Fl. 281DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10980.901499/200805 Acórdão n.º 140200.714 S1C4T2 Fl. 0 5 Ora, havendo dúvidas pelo julgador de origem no tocante à consistência do crédito requerido, impunhase o dever do mesmo aprofundar a análise das informações prestadas, diligenciando na busca de outros dados. Como não o fez, é evidente que o acórdão recorrido deve ser anulado por esse Eg. Conselho,ao efeito de seja determinada a reapreciação dos PER/DCOMPs pela autoridade competente, com a realização das diligências fiscais pertinentes, garantindo, desse modo, a prevalência da verdade material sobre o rigorismo formal. Alternativamente, acaso V. Sas entendam por bem em não anulara de7 cisão dé primeira instancia administrativa, por economia processual, de qualquer modo, o presente feito deve ser baixado em diligência, como forma de propiciar os elementos necessários à verificação da verdade material nO CasO concreto Ou seja, ainda que não se anule o acór _ dãO reconido, a diligência fiscal é medida que se impõe para a correta solução da con trovérsia, o que deverá ser determinado por esse Conselho. (...) Desse modo, uma vez que a não homologação das compensações se fundamenta em questões meramente formais, sem levar em conta a realidade fática que circunscreve o presente processo administrativo, a reforma do v. acórdão recorrido é medida que se impõe. PELO EXPOSTO e com. os. suprimentos de Vossas Senhorias, a Recorrente espera seja provido o presente recurso, anulandose o v. acórdão recorrido, a fim de que seja procedida à diligência fiscal necessária à solução da controvérsia. Subsidiariamente, acaso não anulada a decisão recorrida, com a baixa do feito em diligência ou não, a mesma deverá ser reformada por esse Eg. Conselho, ao efeito de que reste reconhecido o direito creditório da Recorrente, homologando as compensações, nos termos da fundamentação antes deduzida. É o relatório. Fl. 282DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10980.901499/200805 Acórdão n.º 140200.714 S1C4T2 Fl. 0 6 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, tratase de pedido de reconhecimento de direito creditório da CSLL, anocalendário de 2003, relativo a alegado saldo negativo de recolhimento que não constou na DIPJ originalmente apresentada pelo contribuinte, que foi objeto de retificação em 29/05/2008 (recibo de fl. 50), após a ciência do despacho decisório. No que tange especificamente à declarações retificadoras de IRPJ apresentadas pelo contribuinte, entendo que não assiste razão a autoridade tributária (DRF de origem), tampouco aos nobres julgadores de 1a. instância. Isso porque o entendimento que tem prevalecido neste colegiado e no sentido de que não há impedimento legal para reconhecimento de erro material cometido no preenchimento de DIPJ. Este Conselho já reconheceu a possibilidade da comprovação de erro no preenchimento de declarações no transcurso do processo administrativo. Vejamos alguns julgados que amparam esse entendimento. Acórdão 10808689, de 25/1/2006 IRPJ ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração, deve a verdade material prevalecer sobre a formal, e exigido o valor efetivamente devido conforme o lucro real. Acórdão 10194955, de 15/04/2005 IRPJ AUDITORIA EM DCTF FALTA DE PAGAMENTO. Comprovado que a diferença apurada na auditoria deveuse, exclusivamente, a erro no preenchimento da declaração, cancelase o auto de infração. Acórdão 10321472, de 5/12/2003 CSLL ERRO O PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL IMPRESCINDÍVEL COMPROVAÇÃO MATERIAL DO EQUÍVOCO OU DO ERRO DE FATO A ordem jurídica vigente não permite a cobrança de tributos sem que seja procedida a determinação da matéria tributável, consoante dispõe o artigo 142 do CTN. Entretanto, nos casos em que o contribuinte não logra comprovar, materialmente, os equívocos ou erros de fato que teria cometido quando do preenchimento da declaração não vejo como não prevalecer à tributação pretendida exclusivamente com base no procedimento sumário de revisão das declarações de ajuste (malhas fiscais). No caso do autos aduz a recorrente que incorreu em erro na informação dos valores recolhidos por estimativa, tendo retificado as Declarações de IRPJ dentro do prazo de 5 anos contados da ocorrência do fato gerador, sendo que os valores corretos estão devidamente amparados em seus registro contábeis (balancetes de suspensão transcritos no Diário). Fl. 283DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10980.901499/200805 Acórdão n.º 140200.714 S1C4T2 Fl. 0 7 Portanto, cabível a apreciação do mérito pela autoridade administrativa, considerando as declarações retificadoras, desde que comprovado o erro. Registre que nessa nova apreciação do mérito, a DRF deverá levar em consideração as alegações de fato e de direito, bem como os elementos de prova, trazidos aos auto no recurso voluntário. Outrossim, desse novo despacho decisório, se desfavorável, o contribuinte poderá, caso deseje, apresentar manifestação de inconformidade à DRJ no prazo de 30 dias. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para determinar o retorno dos autos à DRF de Origem, para que aprecie o pleito, levando em consideração a DIPJ retificadora, adentrando ao mérito. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 284DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA
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Numero do processo: 11516.721278/2011-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006
MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE. SUCESSÃO TRIBUTÁRIA.
Em sendo a sucessora responsável pelos créditos tributários da sucedida, cabível é exigir daquela a multa por infração por esta cometida.
DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ERRO CONTAGEM NA DECISÃO RECORRIDA. A aplicação do art. 173, I, do CTN na hipótese de ausência de pagamento antecipado encontra-se pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 973.733, julgado sob o rito dos recursos representativos de controvérsia, que deve ser aplicado por este CARF à luz do art. 62, §2º do RICARF.
AUTO DE INFRAÇÃO. CRÉDITOS DE PIS E COFINS. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. A distribuição do ônus da prova possui certas características quando se trata de lançamentos tributários decorrentes de glosa de créditos de PIS/COFINS no regime da não-cumulatividade. Verifica-se que eles se encontram na esfera do dever probatório dos contribuintes. Tal afirmação decorre da simples aplicação da regra geral, de que àquele que pleiteia um direito tem o dever de provar os fatos que geram este direito. Sendo os créditos um benefício que permite ao contribuinte diminuir o valor do tributo a ser recolhido, cumpre a ele que quer usufruir deste benefício o ônus de provar que possui este direito.
COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril (custo de produção), e, consequentemente, à obtenção do produto final.
NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO
Não há direito à tomada de crédito na aquisição de bens ou serviços sujeitos à alíquota zero. As Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, no inciso II do §2º do art. 3º, expressamente vedam o crédito sobre o valor da aquisição de bens ou de serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições.
CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. FRETE ESPECIALIZADO. ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTO ACABADO. EXIGÊNCIAS SANITÁRIAS. DESPESA OPERACIONAL.
Tratando-se de frete especializado de produtos acabados entre os estabelecimentos, para atender às exigências sanitárias essenciais para que o produto final chegue ao comprador sem perder suas qualidades intrínsecas, cabe o creditamento das contribuições sociais não cumulativas sobre tais dispêndios como insumos, por se tratar de despesas operacionais.
CRÉDITO. PALLETS DE MADEIRA PARA TRANSPORTE. AQUISIÇÃO E REPAROS. MATERIAL DE EMBALAGEM.
Apenas com a embalagem para o transporte é que a fase produtiva se finda, de modo que é indispensável e necessária para a composição do produto final, uma vez que a madeira tem que estar em condições para poder ser disponibilizada ao consumidor; e sem dúvida está relacionado à atividade da Recorrente, dando direito ao crédito como insumo do processo produtivo.
CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO .
O crédito do presumido das contribuições sociais não cumulativas corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo.
CRÉDITO. VENDA PARA ENTREGA FUTURA. SOLUÇÃO COSIT Nº 507/2017.
Na apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e COFINS pelo regime não cumulativo, os bens faturados em venda para entrega futura dão direito ao crédito devem reconhecer as receitas decorrentes dessa aquisição no momento da celebração do contrato, quando o negócio se aperfeiçoa e o comprador tornase proprietário dos referidos bens, e não no momento da transmissão da posse das mercadorias vendidas. Inteligência da Solução COSIT nº 507/2017.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006
PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA.
Aplica-se ao lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à COFINS lançada a partir da mesma matéria fática.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3402-004.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, por reconhecer os créditos dos materiais de embalagem para transporte e para recalcular o valor do crédito presumido pela aplicação da alíquota de 60% (sessenta por cento) na forma do §10º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004; (ii) por maioria de votos, por reconhecer a validade dos créditos de faturamento de compras para entrega futura, dos fretes especializados dos produtos acabados entre estabelecimentos para atender as exigências sanitárias e das aquisições de "pallets" para transporte. Vencido nestas matérias o Relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto; (iii) por maioria de votos, por negar provimento ao Recurso quanto à redução na base de cálculo das contribuições dos valores de bonificações. Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Maysa de Sá Pittondo Deligne, que davam provimento ao recurso; (iv) pelo voto de qualidade, por negar provimento ao Recurso quanto a não inclusão do juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Rodolfo Tsuboi, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Maysa de Sá Pittondo Deligne. O Conselheiro suplente Rodolfo Tsuboi participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, que se declarou impedido.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz e Carlos Roberto da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006 MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE. SUCESSÃO TRIBUTÁRIA. Em sendo a sucessora responsável pelos créditos tributários da sucedida, cabível é exigir daquela a multa por infração por esta cometida. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ERRO CONTAGEM NA DECISÃO RECORRIDA. A aplicação do art. 173, I, do CTN na hipótese de ausência de pagamento antecipado encontrase pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 973.733, julgado sob o rito dos recursos representativos de controvérsia, que deve ser aplicado por este CARF à luz do art. 62, §2º do RICARF. AUTO DE INFRAÇÃO. CRÉDITOS DE PIS E COFINS. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. A distribuição do ônus da prova possui certas características quando se trata de lançamentos tributários decorrentes de glosa de créditos de PIS/COFINS no regime da nãocumulatividade. Verificase que eles se encontram na esfera do dever probatório dos contribuintes. Tal afirmação decorre da simples aplicação da regra geral, de que àquele que pleiteia um direito tem o dever de provar os fatos que geram este direito. Sendo os créditos um benefício que permite ao contribuinte diminuir o valor do tributo a ser recolhido, cumpre a ele que quer usufruir deste benefício o ônus de provar que possui este direito. COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 12 78 /2 01 1- 91 Fl. 2810DF CARF MF 2 produtivo/fabril (custo de produção), e, consequentemente, à obtenção do produto final. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO Não há direito à tomada de crédito na aquisição de bens ou serviços sujeitos à alíquota zero. As Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, no inciso II do §2º do art. 3º, expressamente vedam o crédito sobre o valor da aquisição de bens ou de serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. FRETE ESPECIALIZADO. ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTO ACABADO. EXIGÊNCIAS SANITÁRIAS. DESPESA OPERACIONAL. Tratandose de frete especializado de produtos acabados entre os estabelecimentos, para atender às exigências sanitárias essenciais para que o produto final chegue ao comprador sem perder suas qualidades intrínsecas, cabe o creditamento das contribuições sociais não cumulativas sobre tais dispêndios como insumos, por se tratar de despesas operacionais. CRÉDITO. PALLETS DE MADEIRA PARA TRANSPORTE. AQUISIÇÃO E REPAROS. MATERIAL DE EMBALAGEM. Apenas com a embalagem para o transporte é que a fase produtiva se finda, de modo que é indispensável e necessária para a composição do produto final, uma vez que a madeira tem que estar em condições para poder ser disponibilizada ao consumidor; e sem dúvida está relacionado à atividade da Recorrente, dando direito ao crédito como insumo do processo produtivo. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO . O crédito do presumido das contribuições sociais não cumulativas corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. CRÉDITO. VENDA PARA ENTREGA FUTURA. SOLUÇÃO COSIT Nº 507/2017. Na apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e COFINS pelo regime não cumulativo, os bens faturados em venda para entrega futura dão direito ao crédito devem reconhecer as receitas decorrentes dessa aquisição no momento da celebração do contrato, quando o negócio se aperfeiçoa e o comprador tornase proprietário dos referidos bens, e não no momento da transmissão da posse das mercadorias vendidas. Inteligência da Solução COSIT nº 507/2017. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006 PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplicase ao lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à COFINS lançada a partir da mesma matéria fática. Fl. 2811DF CARF MF Processo nº 11516.721278/201191 Acórdão n.º 3402004.904 S3C4T2 Fl. 2.811 3 Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, por reconhecer os créditos dos materiais de embalagem para transporte e para recalcular o valor do crédito presumido pela aplicação da alíquota de 60% (sessenta por cento) na forma do §10º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004; (ii) por maioria de votos, por reconhecer a validade dos créditos de faturamento de compras para entrega futura, dos fretes especializados dos produtos acabados entre estabelecimentos para atender as exigências sanitárias e das aquisições de "pallets" para transporte. Vencido nestas matérias o Relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto; (iii) por maioria de votos, por negar provimento ao Recurso quanto à redução na base de cálculo das contribuições dos valores de bonificações. Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Maysa de Sá Pittondo Deligne, que davam provimento ao recurso; (iv) pelo voto de qualidade, por negar provimento ao Recurso quanto a não inclusão do juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Rodolfo Tsuboi, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Maysa de Sá Pittondo Deligne. O Conselheiro suplente Rodolfo Tsuboi participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, que se declarou impedido. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Redator designado Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz e Carlos Roberto da Silva (Suplente convocado). Relatório O processo trata de Autos de Infração por meio dos quais estão sendo exigidas da empresa BRF BRASIL FOODS S.A., as quantias de R$ 8.114.605,74 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e de R$ 1.737.345,64 de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, nãocumulativas, correspondentes a fatos geradores ocorridos em 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006 (1º trimestre de 2006). A essas importâncias foram acrescidos multa de ofício, no percentual de 75%, e juros de mora. Do quadro Descrição Dos Fatos e Enquadramento Legal verificase que a infração consiste de INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO da contribuição para o PIS e da COFINS, insuficiência que se deu em razão de glosas de créditos utilizados por meio de desconto e de apuração de omissão de receita. Fl. 2812DF CARF MF 4 Dos Processos Conexos Relata, a Fiscalização, que o trabalho do qual decorrem os presentes Autos de Infração teve início para analisar os Pedidos de Ressarcimento de Crédito/PER de PIS e da COFINS. Explica que cada trimestre do ano de 2006 foi tratado separadamente e que o presente processo está vinculado ao PAF nº 16349.000271/200919 (COFINS), e ao PAF nº 16349.000279/200977 (PIS), que devem tramitar em conjunto, dada a coincidência de matéria fática existente entre eles. No entanto, verificase no site do CARF, que o processo nº 16349.000271/200919 (referente à COFINS), encontrase julgado por esta 2ªTO/4ªC, conforme Acórdão nº 3402003.152, publicado em 20/07/2016. Das Glosas de créditos utilizados por meio de desconto no Dacon Nos respectivos Autos de infração aqui tratado, foram lançadas as contribuições declaradas no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais DACON, que restaram inadimplidas em razão de glosas de créditos utilizados por meio de desconto, glosas analisadas nos PAF nº 16349.000271/200919 e nº 16349.000279/200977. O Fisco informa no TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL TVF (fls. 2.003/2.019), que foram integralmente copiados neste processo todos os documentos de interesse dos referidos processos, até os respectivos Despachos Decisórios, e desta forma destaca (fl. 2006): 2.2. Do PIS/Pasep a pagar Com base no Despacho Decisório do processo 16349.000279/200977 (folhas 535/574 deste processo), com as glosas efetuadas houve diminuição dos créditos a descontar informados em Dacon. Por outro lado, os valores informados da contribuição devida não foram questionados, sendo aceitos como os valores corretos. Assim, a diferença entre as contribuições calculadas e os créditos a descontar, no recalculo das fichas 15B (fl. 568 deste processo), resulta saldo a pagar a ser lançado neste processo. [...] 2.3. Da Cofins a pagar Com base no Despacho Decisório do processo 16349.000271/200919, cópia integral a fls. 276/315 deste processo, com as glosas efetuadas houve diminuição dos créditos a descontar informados em Dacon. Por outro lado, os valores informados da contribuição devida não foram questionados, sendo aceitos como os valores corretos. Assim, a diferença entre as contribuições calculadas e os créditos a descontar, no recálculo das fichas 25B (fls. 309/310 deste processo), resulta saldo a pagar a ser lançado neste processo. Conforme relatado nos mencionados Despachos Decisório, juntados aos autos pela Fiscalização, a redução dos créditos a descontar se deu em razão da exclusão, da base de cálculo dos créditos, dos seguintes valores: 1. Bens Adquiridos no Mercado Interno para Revenda linha 01 da ficha 06A e 16A do DACON Do valor informado a título de "Bens Adquiridos para Revenda", foram glosados os valores das aquisições de produtos sujeitos à alíquota zero, de acordo com o inciso X do art. 1º da Lei nº 10.925/2004, no caso, "X leite fluido pasteurizado ou industrializado, Fl. 2813DF CARF MF Processo nº 11516.721278/201191 Acórdão n.º 3402004.904 S3C4T2 Fl. 2.812 5 na forma ultra pasteurizado, destinado ao consumo humano. (Incluído pela Lei nº 11.051. de 2004)". 2. Aquisição no Mercado Interno de Bens Utilizados como Insumos linha 02 da ficha 16A Inicialmente, a Fiscalização relata que, em desconformidade com o requerido no Termo de Intimação, o critério estabelecido de separar as informações de acordo com as linhas do Dacon (a exceção da linha 09) não foi observado pela Recorrente que apresentou as memórias discriminando as aquisições dos bens utilizados como insumos, no mesmo arquivo digital (DEMONSTRATIVO CRÉDITO PIS COFINS JANEIRO 2006.txt; DEMONSTRATIVO CRÉDITO PIS COFINS SEM CFOP JANEIRO 2006.txt) contendo os itens referentes a outras rubricas do Dacon. Informa que a forma como a empresa entregou as memórias de cálculo, sem a perfeita identificação da linha do Dacon, dificultou a comprovação do seu direito ao crédito da contribuição. Assim, com a finalidade de determinar os valores corretos das aquisições dos bens utilizados como insumos a serem informados na linha 02, das mencionadas fichas do Dacon, a autoridade fiscal excluiu: 2.1) os itens nos quais o CFOP (Código Fiscal de Operações e de Prestações) corresponde a outras rubricas do Dacon (tais como: Compra para comercialização, Industrialização efetuada por outra empresa, Compra de energia elétrica e Aquisição de serviço tributado pelo Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza); Após a exclusão dos itens acima, foram também excluídos os valores: 2.2) os itens cujos CFOP não correspondem a aquisição de insumo (tais como: Transferência para comercialização, Retorno de animal do estabelecimento produtor, Compra de bem para o ativo imobilizado, Compra de material para uso ou consumo, Entrada para industrialização por encomenda, Compra para recebimento futuro, ent 2.3) das aquisições de produtos cuja alíquota foi reduzida a zero; 2.4) dos serviços de fretes que não geram direito a crédito a título de “bens utilizados como insumo” foram glosados os serviços contratados para transferências de produtos acabados entre filiais, escriturados nas contas "Frete Tramf.Prod. Acabados (UP p/Filiais)", conta contábil n.° 5.01.01.12.01.01.48 e "Frete Transf.Prod.Acabados (Entre Filiais)", conta contábil n.° 5.01.01.12.01.01.49, conforme registro sintético existente nos balancetes dos meses de janeiro, fevereiro e março de 2006. 2.5) das aquisições de materiais de embalagens utilizadas para o transporte dos produtos acabados; 2.6) do IPI incidente na compra de insumos; 2.7) das devoluções de compras de insumos, fornecidos por pessoa jurídica e não submetidos à alíquota zero; 3. Créditos Presumidos Atividades Agroindustriais calculados à alíquota de 4,56% linha 25 Da base de cálculo do crédito presumido foram excluídos valores relativos a aquisições de pessoas jurídicas, indicados com a alíquota de Cofins 4,56%. Informa a Fl. 2814DF CARF MF 6 Fiscalização que essas aquisições foram consideradas na base dos créditos calculados à alíquota de 7,6%. Nos termos do caput do art. 82 da Lei nº 10.925/2004, às aquisições de pessoas físicas foram aplicadas: a alíquota de 4,56% (60% de 7,6%) para os insumos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e a alíquota de 2,66% (35% de 7,6%) para os demais insumos. 4. Aquisição no Mercado Externo de Bens Utilizados como Insumos, linha 02 da ficha 06B e 16B Dos valores informados nessa linha, conforme memória de cálculo apresentada, foram glosados os valores: dos bens importados sob o regime aduaneiro especial drawback (notas com CFOP 3127); dos bens importados para serem incorporados ao ativo imobilizado (CFOP 3551); e dos bens para uso e consumo (CFOP 3556). 5. Apuração do crédito A fiscalização informa que os créditos relativos a: (i) aquisições no mercado interno vinculados à receita nãotributada no mercado interno, (ii) relativos a importações vinculados à receita nãotributada no mercado interno e (iii) relativos a importações vinculados à receita de exportação foram integralmente utilizados para desconto da contribuição apurada, não restando créditos desses tipos remanescentes, disponíveis para ressarcimento e compensações. Esclarece que após a utilização de todos os tipos de crédito, ainda seria necessária a utilização de parte dos créditos referentes às aquisições no mercado interno vinculados à receita de exportação para deduzir a contribuição apurada no mês: no valor de R$ 779.587,94, conforme informados pela empresa na ficha 24 do Dacon Crédito de Aquisição no Mercado Interno Vinculado à Receita de Exportação e na Ficha 28B Saldos de Créditos Não Utilizados até 31/12/2005 Cofins; no valor de R$ 252.199,97, conforme informados pela empresa na ficha 14 do Dacon Crédito de Aquisição no Mercado Interno Vinculado à Receita de Exportação e na Ficha 26B Saldos de Créditos Não Utilizados até 31/12/2005 PIS/Pasep. No entanto, nega, e justifica, a possibilidade do aproveitamento de ofício deste crédito, para fins de "Crédito Descontado no Mês". Em restando saldos a pagar das contribuições, não declarados em DCTF, foi efetuado o lançamento dos valores devidos. 6. Omissão de receita Também foram lançados valores da Contribuição para o PIS e da Cofins não declarados em DCTF. A omissão de receitas se deu em razão de a contribuinte ter deduzido, indevidamente, da base de cálculo da contribuição devida no período, a título de "descontos incondicionais", valores que não consistem deste tipo de desconto. Relata a fiscalização: "(...) Foi constatado que o contribuinte tem previsto em seu plano de contas 510855 Bonificação Promocional, inserida nas despesas com vendas no Fl. 2815DF CARF MF Processo nº 11516.721278/201191 Acórdão n.º 3402004.904 S3C4T2 Fl. 2.813 7 mercado interno e 530579 Bonificação, quanto ao mercado externo. Tais contas não tiveram movimentação no período em tela. [...] A toda evidência, todas as bonificações, inclusive as condicionadas, estavam escrituradas na contabilidade como descontos incondicionais. As respostas da contribuinte restaram por confirmar as suspeitas. [...]Bastante claro fica que basta que a redução de preço não dependa de evento posterior à emissão da nota fiscal de venda ou da fatura de serviços para ser considerada desconto incondicional. Assim, as bonificações que se constituírem de entrega de produtos em quantidade maior do que a adquirida com redução do preço unitário, constante da nota fiscal e independente de condição também são considerados descontos incondicionais. Verificouse que, nas citadas contas contábeis relativas a descontos incondicionais muitas tinham, de fato, o número da nota fiscal a que se referia o desconto. Porém, muitos lançamentos traziam no histórico claros indícios de que tratavamse de descontos ou bonificações condicionadas a atingimento de metas ou relativos a rateio de despesas de publicidade, como por exemplo "APROP. ANGELONI E CIA LTDA 05/2006 PROPAGANDA", "REFERENTE 5% SOBRE O TOTAL DE VENDAS (R$ 780.000,0" e "REFERENTE INAUGURAÇÃO DE LOJA EM CAJAZEIRAS FIL.I". Ficou claro que estes casos que não apresentavam o número da nota fiscal correspondente referiamse a descontos ou bonificações condicionadas, inclusive o montante de vendas ou inauguração de lojas. A toda evidência, tais "descontos" são concedidos em momento posterior à operação de venda e sua contabilização não passa pelas contas de receita. Também não se pode esquecer que, se o valor das mercadorias dadas em bonificações não tiverem representado um acréscimo no valor total da nota fiscal e, conforme informado pela contribuinte não é este o caso, não há razão para que fossem subtraídas da base de cálculo da Cofins, vez que não alteraram o valor contabilizado na receita de vendas. Assim, não haveria necessidade de excluir a bonificação sequer incondicionada, vez que não foi incluído na receita o valor das mercadorias dadas em bonificação. Apenas o estoque é alterado. [...]Para tentar obter as informações relativas aos citados lançamentos e tendo em vista o não atendimento do item 08 da citada Intimação n° 002/00242 foi a contribuinte reintimada, através do Termo de Constatação e de Intimação n° 003/00242 (fls. 1861/1866 deste processo), conforme abaixo: [...]A contribuinte respondeu, em 28/06/2011 (fl. 1867 deste processo), que "não foram encontrados os documentos necessários que dão suporte aos lançamentos mencionados". Assim, o valor informado na linha 01 da Ficha 7A e 17A, base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e COFINS, deixou de tributar os valores tidos por descontos incondicionais. Fl. 2816DF CARF MF 8 E, dos valores presentes nas contas relativas a descontos incondicionais, a quantidade de lançamentos que não se enquadram nas condições de descontos incondicionais é de 3.289 entre janeiro e março. Não há como analisar individualmente cada caso. As intimações não atendidas solicitavam documentos que foram selecionados a fim de representarem o conjunto investigado. A contribuinte foi intimada e reintimada, não fornecendo os documentos solicitados. Sendo assim, todos os lançamentos contábeis do grupo em questão foram totalizados por mês, gerando base de cálculo de PIS/Pasep e COFINS a tributar. Tais lançamentos estão listados a fls. 613/689 deste processo, assim como o Razão das contas contábeis de interesse, a folhas 1032/1831 deste processo. Da Impugnação Em sua peça impugnatória, traz argumentações sobre todos os tópicos acima pontuados e resumese as seguintes razões: A Recorrente requer que seja reconhecida a decadência do direito de lançar débitos de PIS e Cofins do período de janeiro a março de 2006, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, tendo em vista que a intimação dos Autos de infração ocorreu em 29/07/2011. Em caso contrário, pugna pela total improcedência dos autos de infração ante as razões de contestação expendidas; alternativamente, pelo afastamento da multa e pelo reconhecimento da inaplicabilidade do art. 61, §3°, da Lei n° 9.430/1996 (juros de mora) à multa de ofício exigida nos presentes autos. No entanto, os argumentos aduzidos pela Recorrente, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão DRJ em Florianópolis (SC) nº 0727.941, de 26/03/2012, abaixo reproduzida (fls. 2.541/2.544): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006 MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE. SUCESSÃO TRIBUTÁRIA. Em sendo a sucessora responsável pelos créditos tributários da sucedida, cabível é exigir daquela a multa por infração por esta cometida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. Inexistindo qualquer pagamento das contribuições sociais devidas, o direito de a Receita Federal do Brasil lançar o correspondente crédito tributário decai em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. PIS. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO DESCONTADO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE Na apuração das Contribuições para o PIS e da Cofins nãocumulativas, é do contribuinte o ônus de demonstrar ao Fisco e comprovar minudente a existência do crédito utilizado por meio de desconto das contribuições devidas. Fl. 2817DF CARF MF Processo nº 11516.721278/201191 Acórdão n.º 3402004.904 S3C4T2 Fl. 2.814 9 PIS. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DO CRÉDITO. DACON. A apuração dos créditos das Contribuições para o PIS e da Cofins, nãocumulativas, é realizada pelo contribuinte por meio do Dacon, não cabendo a autoridade tributária, em sede do contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses créditos, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados neste demonstrativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006 NÃO CUMULATIVIDADE. LEGISLAÇÃO. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Cofins são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo da Cofins, somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO. Por disposição expressa em lei, o contribuinte não tem direito a créditos da Cofins nãocumulativa sobre as aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição; nos casos de isenção, quando os bens sejam revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÃO DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, as despesas com serviços de frete somente geram crédito quando: o serviço consista de insumo; o frete contratado esteja relacionado a uma operação de venda, tendo as despesas sido arcadas pelo vendedor; o frete contratado esteja relacionado a uma operação de aquisição de insumo, tendo as despesas sido arcadas pelo adquirente. Fl. 2818DF CARF MF 10 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A adoção do regime de competência na apuração da Cofins e dos correspondentes créditos da não cumulatividade decorre da legislação tributária, sendo, portanto, de observação obrigatória pelo contribuinte. NÃO CUMULATIVIDADE. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CRÉDITO PRESUMIDO. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, a natureza do bem produzido pela empresa que desenvolva atividade agroindustrial é considerada para fins de aferir seu direito ao aproveitamento do crédito presumido, já no cálculo do crédito deve ser observada a alíquota conforme a natureza do insumo adquirido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006 NÃO CUMULATIVIDADE. LEGISLAÇÃO. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo da Contribuição para o PIS, somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO. Por disposição expressa em lei, o contribuinte não tem direito a créditos da Contribuição para o PIS nãocumulativa sobre as aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição; nos casos de isenção, quando os bens sejam revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÃO DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS, as despesas com serviços de frete somente geram crédito quando: o serviço consista de insumo; o frete contratado esteja relacionado a uma operação de venda, tendo as despesas sido arcadas pelo vendedor; o frete contratado esteja relacionado a uma operação de aquisição de insumo, tendo as despesas sido arcadas pelo adquirente. Fl. 2819DF CARF MF Processo nº 11516.721278/201191 Acórdão n.º 3402004.904 S3C4T2 Fl. 2.815 11 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A adoção do regime de competência na apuração da Contribuição para o PIS e dos correspondentes créditos da não cumulatividade decorre da legislação tributária, sendo, portanto, de observação obrigatória pelo contribuinte. NÃO CUMULATIVIDADE. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CRÉDITO PRESUMIDO. No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS, a natureza do bem produzido pela empresa que desenvolva atividade agroindustrial é considerada para fins de aferir seu direito ao aproveitamento do crédito presumido, já no cálculo do crédito deve ser observada a alíquota conforme a natureza do insumo adquirido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Nas razões de Recurso Voluntário interposto em 03/07/2012 (fls. 2.589/2.640), oportunamente apresentadas, a Recorrente sustenta a reforma da decisão recorrida e a legitimidade dos créditos, tendo em vista as razões, resumidamente, abaixo descritas: i Do Acórdão Recorrido: Explica que o crédito não foi reconhecido sob a alegação de que a Recorrente teria se apropriado de créditos de PIS e COFINS em valor supostamente superior ao permitido pela legislação; ii da conexão entre os PAF's n° 16349.000279/200977, 16349.000271/200919, 11516.721278/2011 91, 16349.000280/200900, 16349.000272/2009 55 e 11516.721279/201136 Aduz que como resultado desta verificação, o Fisco (i) emitiu despachos decisórios nos Processos Administrativos Fiscais PAF n° 16349.000279/200977, 16349.000271/200919, 16349.000280/200900, 16349.000272/200955, através dos quais indeferiram pedidos de ressarcimento das contribuições relativos aos 1º e 3º trimestres de 2006, e não homologaram compensações declaradas com os referidos créditos, e (ii) e lavrou os Autos de infração objeto dos PAF's n° 11516.721278/201191 e 11516.721279/201136, através dos quais se exige o PIS e a COFINS relativos aos 1º, 2º e 3º trimestres de 2006; Considerando (i) que as matérias de fato e de direito que serão tratadas nos recursos voluntários dos referidos processos são conexas, (ii) que o reconhecimento de crédito ou débito do PIS e da COFINS em um período de apuração pode afetar o período subsequente, bem como (iii) para evitar eventuais decisões contraditórias e (iv) o fato de que a DRJ reconheceu a conexão e a necessidade de que os processos devem ser julgados em conjunto, deve ser reconhecida a conexão entre os processos n° 16349.000279/200977, 16349.000271/200919, 11516.721278/201191, 16349.000280/200900, 16349.000272/2009 55 e 11516.721279/201136, distribuindoos a um mesmo relator deste CARF. iii Preliminarmente decadência do crédito tributário Na Impugnação ao Auto de Infração, a Recorrente demonstrou que o crédito tributário ora exigido é integralmente improcedente, haja vista a ocorrência da decadência do Fl. 2820DF CARF MF 12 direito do fisco efetuar os lançamentos de PIS e COFINS relativos ao período de janeiro a março de 2006, nos termos dos arts. 150 §4° c/c 156, V do CTN; Conforme amplamente demonstrado, o caso em análise é absolutamente diferente, haja vista que, para os períodos ora discutidos, não houve a apuração de PIS ou COFINS a pagar, mas sim de crédito das contribuições, devidamente lançados pela Recorrente; Assim, considerando que a intimação da autuação fiscal se deu em 29/07/2011, deve ser reconhecida a decadência dos supostos débitos das competências de janeiro a março de 2006 de PIS e da COFINS, para o fim de julgar improcedente o lançamento objeto do presente Auto de Infração, nos termos dos arts. 150, §4° e 156, V do CTN. iv DO MÉRITO Improcedência do Auto de Infração e da necessidade de reforma integral do acórdão recorrido. iv.1 da diferença entre o DACON e as memórias de cálculo glosas indevidas. conforme demonstrado na Impugnação, as glosas decorrentes da diferença entre DACON e memória de cálculo são improcedentes, haja vista que decorrem de equívoco por parte da Recorrente na elaboração das memórias de cálculo, além do fato de que a r. autoridade fiscal, ao realizar as glosas, não analisou detidamente as mercadorias glosadas e sua caracterização como insumo, para fins de possibilitar o creditamento; a glosa se deu, exclusivamente, pela inconsistência entre os valores constantes na planilha apresentada e os valores informados em DACON's, sem que fosse oportunizado à Recorrente prestar esclarecimentos sobre a referida divergência ou analisada a documentação acostada pela Recorrente no decorrer do processo; a fim de demonstrar a regularidade dos creditamentos com base na escrituração contábil, a Recorrente apresentou cópia dos balancetes de verificação do período, bem como planilhas que demonstram o adequado lançamento de informações nas linhas dos DACON's (Doc. 04 anexo à Impugnação ao Auto de Infração). Tais documentos não foram analisados pelo acórdão recorrido que se limitou a afirmar o acerto do lançamento; conforme se verifica nos referidos documentos, a divergência apontada pela r. autoridade fiscal, que motivou as glosas ora tratadas e ultrapassa dezenas de milhões, inexiste. Tratase de mero erro formal na apresentação dos dados, sendo que, em momento algum, foi oportunizada à Recorrente, anteriormente ao lançamento, as explicações acerca das supostas diferenças apuradas. Além disso, a DRJ de Florianópolis se limitou a manter o lançamento, sem se manifestar acerca da prova documental acostada à Impugnação, o que demonstra cerceamento ao direito de defesa da Recorrente. iv.2 Da apropriação dos créditos de PIS e COFINS sobre os custos necessários à atividade da empresa antes de adentrar as razões para reforma do acórdão recorrido e demonstrar a improcedência das glosas de cada um dos itens referidos pela autoridade fiscal, a Recorrente passa a tratar das regras da nãocumulatividade aplicáveis ao PIS e à COFINS; e conclui que em uma interpretação sistemática e teleológica das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03, observase que os serviços considerados essenciais para o desenvolvimento da atividade da pessoa jurídica, e consequentemente geração da receita tributável, geram créditos de PIS e da COFINS. A adequada interpretação dos dispositivos Fl. 2821DF CARF MF Processo nº 11516.721278/201191 Acórdão n.º 3402004.904 S3C4T2 Fl. 2.816 13 citados, permite concluir que as despesas que são importantes para a fabricação e a venda de produtos, ou seja, que levarão ao auferimento de receita tributável pelo PIS e pela COFINS, devem permitir o direito ao crédito. Essa conclusão é facilmente confirmada pela própria sistemática nãocumulativa do PIS e da COFINS. IV.2.a DOS CFOP'S QUE NÃO SERIAM INSUMOS aduz que além das informações prestadas nas Manifestações de Inconformidade apresentadas nos PAF's n° 16349.000279/200977 (PIS) e 16349.000271/200919 (COFINS), nas quais se relacionou as notas fiscais questionadas pela r. autoridade fiscal, a Recorrente demonstrou que (i) os CFOP's n° 1931 e 2931 correspondem a operações de serviços de transporte realizado de insumos adquiridos e para as mercadorias industrializadas (tratados no próximo tópico), e que (ii) as notas fiscais emitidas com os CFOP's n° 1922 e 2922 seriam referentes a operações de simples faturamento decorrente da compra para recebimento futuro; nestas operações o fornecedor de insumos vende uma determinada quantidade de mercadorias à Recorrente, que, devido ao seu volume, não pode ser transportada e entregue de uma só vez. Desta forma, o fornecedor emite uma nota fiscal de simples faturamento (nota fiscal mãe), através da qual fatura a integralidade da operação. IV.2.b DOS FRETES DE PRODUTOS ACABADOS (TRANSFERÊNCIAS) a autoridade fiscal sustenta que a ora Recorrente teria se apropriado indevidamente de créditos sobre fretes de produtos acabados, relativos às transferências realizadas entre os estabelecimentos da empresa. Ou seja, por supostamente não estarem diretamente envolvidos na cadeia produtiva, os transportes entre filiais não concederiam direito aos créditos do PIS e também da COFINS; conforme já demonstrado no curso do processo, a Recorrente se dedica a diversas atividades, dentre as quais se destaca o comércio de produtos de origem animal resfriados e friqorificados. Assim, os produtos resfriados e frigorificados são produzidos em um determinado estabelecimento e posteriormente são remetidos a outro, em caminhões refrigerados que mantém o produto na condição térmica em que foi produzido. IV.2.C DOS CRÉDITOS RELATIVOS ÀS AQUISIÇÕES DE MATERIAIS DE EMBALAGEM COMO INSUMO a fiscalização glosou créditos do PIS e da COFINS apropriados sobre material de embalagem (pallets, filme plástico, dentre outros), por entender que somente confeririam créditos ao contribuinte as embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização, não podendo ser aceitos os créditos sobre os materiais de embalagem destinados a armazenagem e ao transporte de produtos acabados; os pallets são estruturas nos quais as mercadorias produzidas pela Recorrente são empilhadas e embaladas com filme plástico, viabilizando o seu transporte, o seu posicionamento nos caminhões ou mesmo nos contêineres. Para tanto, é necessária a sua devida embalagem para garantir a segurança do transporte e, sobretudo, para garantir a Fl. 2822DF CARF MF 14 qualidade do produto final. Tratamse de bens necessários para a venda do produto final e, portanto, para as atividades da empresa. IV.2.d DEVOLUÇÃO DE INSUMOS conforme demonstrado na Impugnação, a fiscalização excluiu da base de cálculo do crédito das contribuições (bens utilizados como insumos), as devoluções de insumos fornecidos por pessoas jurídicas, quando a alíquota da contribuição era diferente de ZERO; ocorre que, para fins de elaboração do DACON, conforme tratado no tópico IV. 1, a Impugnante não utilizou o relatório "DEMONSTRATIVO CRÉDITO PIS E COFINS", fornecido a fiscalização, mas sim os saldos contábeis existentes nos balancetes de verificação. Ou seja, o preenchimento das fichas de crédito do DACON já foi realizado considerando os saldos contábeis líquidos de devoluções; tal fato pode ser facilmente verificado na cópia dos balancetes de verificação do período, bem como planilhas que demonstram o adequado lançamento de informações nas linhas dos DACON's (Doc. 04). IV.3 DA AQUISIÇÃO DE BENS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO ao analisar a apropriação de créditos do PIS e da COFINS sobre "bens adquiridos para a revenda" e "bens utilizados como insumos", a autoridade fiscal glosou créditos da contribuição sob a alegação que a Recorrente teria adquirido bens sujeitos à alíquota zero, para os quais os créditos seriam vedados pela legislação. a partir de 1º de agosto de 2004, o art. 21 da Lei n° 10.865/04 alterou substancialmente o § 2º do art. 3º das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, ao vedar a apropriação de créditos decorrentes da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. Contudo, no caso da isenção esta vedação aplicase tãosomente quando os bens ou serviços são revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. IV.4 DOS CRÉDITOS PRESUMIDOS REGULARMENTE APROPRIADOS PELA RECORRENTE a fiscalização entendeu que a ora Recorrente teria se apropriado de créditos presumidos do PIS em valor superior ao permitido pela legislação. Analisandose a planilha constante na Informação Fiscal e no Despacho Decisório, constatase que a autoridade fiscal calculou os créditos presumidos utilizando o percentual de 35%, nos termos do art. 8º, §3°, II, da Lei n° 10.925/2004, haja vista que considerou a Nomenclatura Comum do Mercosul NCM do produto adquirido. como demonstrado nas razões recursais, tal entendimento está equivocado, pois a Recorrente apropriou os créditos presumidos de acordo com o que determina a legislação, interpretando corretamente o art. 8º da Lei n° 10.925/2004 (conforme se verá mais abaixo), ao contrário do que quer fazer crer a autoridade fiscal. analisandose o referido dispositivo, concluise que as pessoas jurídicas que produzirem mercadorias de origem animal ou vegetal poderão se apropriar de créditos presumidos do PIS e da COFINS sobre o valor dos bens, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, ou ainda de cerealistas. Fl. 2823DF CARF MF Processo nº 11516.721278/201191 Acórdão n.º 3402004.904 S3C4T2 Fl. 2.817 15 para fins de apropriação do crédito, determina o §3°, art. 8o, da Lei n° 10.925/2004 que este será de 60% para a produção de produtos de origem animal e de 35% para os demais produtos. No caso em tela, considerando que os produtos adquiridos para Recorrente foram utilizados para a produção de mercadorias de origem animal, classificados nos Capítulos 2 e 16 da NCM, o crédito presumido do PIS e da COFINS a ser calculado é de 60% das alíquotas das contribuições, sobre o valor das aquisições. IV.5 DOS DESCONTOS INCONDICIONAIS DIREITO À REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS o acórdão recorrido manteve o lançamento, por entender que "a toda evidência, tais descontos são concedidos em momento posterior à operação de venda e sua contabilização não passa pelas contas de receitas". Novamente o acórdão recorrido, tentando justificar o lançamento, se apega às presunções, sem qualquer embasamento fático, o que, conforme demonstrado acima é completamente ilegal e arbitrário e ocasiona o cerceamento ao direito de defesa da Recorrente. ao contrário do que entendeu o acórdão recorrido, os descontos incondicionais representaram acréscimos nas contas de receita da Recorrente, vez que o registro contábil foi realizado nas contas de receitas, em contrapartidas da conta de clientes, no valor liquido a receber (líquido do desconto), e das contas de descontos incondicionais, no valor do desconto concedido. frisese que descontos concedidos pela companhia configuramse incondicionais, vez que são definidos no momento da negociação venda e não dependem de evento futuro e incerto, até mesmo quando identificado um percentual no histórico do registro contábil. IV.6 DA AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE DA RECORRENTE PELA MULTA APLICADA Em sua Impugnação, a Recorrente requereu que, caso fosse reconhecida a total ou parcial procedência do Auto de Infração impugnado, deveria ser cancelada a multa imposta à Recorrente sobre os débitos que pretendeu compensar, tendo em vista a ilegalidade da sua exigência, diante da interpretação adequada dos artigos 132 e 133 do CTN; constatase, portanto, que: (i) a multa fiscal, imposta à empresa sucedida, já constituída ou em discussão no momento da incorporação é absorvida pela empresa sucessora; ao passo que (ii) a multa fiscal, imposta à empresa sucedida, constituída após a incorporação e referente à fatos geradores anteriores à incorporação não é exigível da empresa sucessora. IV.7 DA NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA (SELIC) SOBRE A MULTA DE OFÍCIO conforme se infere da análise do art. 61, §3° da Lei n° 9.430/96, o legislador estabeleceu a aplicação de juros de mora sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições (que é uma espécie do gênero tributo), não pagos em seu vencimento. Contudo, o art. 61 da Lei n° 9.430/1996, não autorizou a aplicação de juros de mora (SELIC) sobre multas de ofício, tal como se está exigindo no processo em tela. Fl. 2824DF CARF MF 16 V PEDIDO: preliminarmente, requer seja distribuído o presente recurso em conjunto com os recursos interpostos nos processos n° 16349.000279/200977, 16349.000271/200919, 16349.000280/200900, 16349.000272/200955 e 11516.721279/201136 a um mesmo relator; no mérito, requer o provimento do Recurso Voluntário, para o fim de reformar o acórdão recorrido, reconhecendo a decadência integral do crédito tributário (art. 150, §4° c/c 156, V do CTN); caso não seja reconhecida a decadência, requer seja dado provimento ao Recurso e julgados improcedentes os Autos de Infração de PIS e COFINS, diante da demonstração da regularidade da apropriação de créditos das contribuições e apuração de débitos pela Recorrente, bem como seja afastada a multa aplicada, por ausência de responsabilidade da Recorrente em face das condutas supostamente praticadas pela Perdigão Agroindustrial S.A. antes da incorporação, cuja penalidade foi constituída após sua incorporação pela Recorrente. E, não sendo o entendimento pela total improcedência dos Autos de Infração, ou pelo afastamento da multa, requer seja reconhecida a inaplicabilidade do art. 61, §3°, da Lei n° 9.430/1996 (juros de mora) à multa de ofício exigida nos presentes autos em respeito ao Princípio da Legalidade. Os autos, então, foram remetidos a este CARF, que ao analisar o recurso, definiu pela conversão do processo em Diligência, conforme a Resolução nº 3402000.779, de 27/04/2016, com o seguinte teor (fl. 2.724/2.727): Em seu recurso voluntário (fl. 2.589), a Recorrente requer preliminarmente a distribuição do feito por dependência (conexão) aos respectivos processos de PER/DComps. Posto isto, verificase que na página do CARF, na internet que, em 20 de abril de 2016, os processos acima referenciados nºs 16349.000271/200919 e 16349.000279/200977 (processos prejudiciais), se encontram localizados da seguinte forma: a) o PAF nº 16349.000279/200977 (PIS), se encontra localizado na Unidade preparadora (DRF/Florianópolis), a fim do cumprimento da Diligência, conforme o contido na Resolução nº 3402000.481, de 22/04/2015, prolatada por este CARF, e b) o PAF nº 16349.000271/200919 (COFINS), já se encontra no CARF, é distribuído/sorteado para este Relator já em condições de ser analisado e julgado. Em razão disto, voto por converter o processo em diligência, a fim de que os autos retorne a DRF/Florianópolis (SC), a fim de que se aguarde a conclusão da referida diligência que está sendo realizada no processo nº 16349.000279/200977 e que após conclusa, retorne juntamente com este, para prosseguindo do julgamento do recurso voluntário". Consta dos autos que em 27/11/2013, a empresa protocola documento referente ao Relatório Técnico nº 000.903/13, tratandose de um PARECER elaborado pela Divisão de Engenharia de Avaliação e de Produção DEAP, do INT Instituto Nacional de Tecnologia (fls. 2.654/2.704). Em 25/05/2017, a unidade de origem (DRF/FlorianópolisSC), cumprindo o contido na Resolução, concluiu a diligência e intimou a Recorrente do resultado, conforme decorre do Termo de Intimação SEORT nº 117/2017 às fls. 2.730. Fl. 2825DF CARF MF Processo nº 11516.721278/201191 Acórdão n.º 3402004.904 S3C4T2 Fl. 2.818 17 Destacase que o Relatório Fiscal de Diligência (elaborado pelo Fisco), encontrase anexado às fls. 3.567/3.575 do PAF nº 16349/000279/200977 que se encontra apenso a este. Após tomar ciência do resultado da diligência, a Recorrente, em 28/06/2017, apresentou sua Manifestação (fls. 2.736/2.752) e juntou documentos e informações, tais como: Relatório de Operações elaborado pela empresa TYNO Consultoria e da Declaração de Validação da ITAL(anexados em arquivo não paginável). Os autos, então, retornou a este CARF, para prosseguimento do julgamento do recurso. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator 1 Da admissibilidade do recurso O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. 2. Objeto da lide Tratase da lavratura de Autos de Infração, para a exigência de PIS e COFINS relativos ao 1º trimestre de 2006, acrescidos de multa de ofício e juros de mora, nos valores de R$ 4.052.299,43 (PIS) e R$ 18.928.428,10 (COFINS), respectivamente. No Despacho Decisório, os créditos não foram reconhecidos sob a alegação de que a empresa teria se apropriado de créditos de PIS e COFINS em valores superiores ao permitido pela legislação. 3. Da conexão entre os Processos Aduz a Recorrente que "(...) como resultado desta verificação, as autoridades autuantes (i) emitiram despachos decisórios nos Processos Administrativos Fiscais PAF n° 16349.000279/200977, 16349.000271/200919, 16349.000280/200900, 16349.000272/200955, através dos quais indeferiram pedidos de ressarcimento das contribuições relativos aos 1º e 3º trimestres de 2006, e não homologaram compensações declaradas com os referidos créditos, (ii) e lavraram os autos de infração objeto dos PAF's n° 11516.721278/201191 e 11516.721279/201136, através dos quais se exige o PIS e a COFINS relativos aos 1o, 2o e 3o trimestres de 2006". Ante o exposto, requer, para evitar eventuais decisões contraditórias, a necessidade de que os processos devem ser julgados em conjunto. Como bem pontuado pela decisão recorrida e por isso adoto seus fundamentos, nos Autos de infração de que aqui se trata foram lançadas as contribuições declaradas em DACON que restaram inadimplidas em razão de glosas de créditos utilizados por meio de desconto, glosas também e igualmente tratadas nos processos 16349.000271/2009 19 (COFINS) e 16349.000279/200977 (PIS). Fl. 2826DF CARF MF 18 O Fisco relata que o trabalho do qual decorrem os presentes Autos de infração teve início para analisar os Pedidos de Ressarcimento de Crédito PER de PIS e da COFINS; explica que o presente processo está vinculado aos mencionados processos e que, dada a coincidência de matéria fática, devem tramitar em conjunto. A Recorrente, por seu turno, pugna pelo reconhecimento da conexão entre os processos decorrentes da mesma ação fiscal, e distribuição dos mesmos a um mesmo órgão julgador, a fim de evitar eventuais decisões contraditórias. Posto isto, embora não haja previsão legal para que os processos, no âmbito do julgamento administrativo, sejam reunidos e julgados por meio de um só ato decisório, há que se dizer que, dada a coincidência de matéria fática, em conformidade com os princípios da eficiência e economia processual, os processos devem tramitar juntos, como colocado pela fiscalização. No entanto, verifico no site do CARF, que o processo nº 16349.000271/2009 19 (referente à COFINS), encontrase julgado por esta 2ªTO/4ªC, conforme Acórdão nº 3402 003.152, publicado em 20/07/2016. Já o outro PAF nº 16349.000279/200977 (referente ao PIS) encontrase apensado a este e também será apreciado por este Colegiado. Por fim, ressaltese que a lide aqui estabelecida é a que decorre do recurso Voluntário apresentado contra os Autos de Infração e será analisada no escopo do presente processo, à luz dos fatos e elementos que compõem seus próprios autos. 4. Preliminar Decadência do crédito tributário Aduz a Recorrente em seu recurso que, "(...) Na Impugnação ao Auto de Infração, a Recorrente demonstrou que o crédito tributário ora exigido é integralmente improcedente, haja vista a ocorrência da decadência do direito do fisco efetuar os lançamentos de PIS e COFINS relativos ao período de janeiro a março de 2006, nos termos dos arts. 150 §4° c/c 156, V do CTN". E prossegue informando que no caso sob análise é absolutamente diferente, haja vista que, para os períodos ora discutidos, não houve a apuração de PIS ou COFINS a pagar, mas sim de crédito das contribuições, devidamente lançados. Assim, considerando que a intimação se deu em 29/07/2011, deve ser reconhecida a decadência dos supostos débitos das competências de janeiro a março de 2006, para o fim de julgar improcedente o lançamento objeto do presente Auto de Infração, nos termos dos arts. 150, §4° e 156, V do CTN. Como se vê, sustenta a Recorrente a aplicação na hipótese do art. 150, §4º do CTN dos períodos compreendidos entre 01/01/2006 e 31/03/2006, uma vez que os autuados foram cientificados dos Autos de Infração em 29/07/2011. Segundo indicado na peça recursal, a empresa autuada informa que "não foi apurado valor a pagar das contribuições no período de janeiro a março de 2006, quando da entrega das DCTF's do período (Doc. 03 anexas à Impugnação), a Recorrente preencheu as fichas do PIS e da COFINS com o valor zero, como de fato deveria ser, conforme se constata nas DCTF's". A Recorrente entende que pela sistemática nãocumulativa do PIS e da COFINS, eventuais créditos das contribuições podem ser compensados com os respectivos débitos apurados, acarretando na situação em que há apuração de créditos (decorrentes da não cumulatividade), sem saldo a ser recolhido das contribuições ou em valores superiores aos débitos, havendo o registro apenas dos créditos nos DACON. Nestes casos, a fiscalização Fl. 2827DF CARF MF Processo nº 11516.721278/201191 Acórdão n.º 3402004.904 S3C4T2 Fl. 2.819 19 também realiza a homologação da apropriação dos referidos créditos, que futuramente poderão ser usados para compensar os saldos devidos. Pois bem. Notase que no presente caso, a Recorrente declarou a existência de créditos de PIS e COFINS do período, não havendo qualquer recolhimento a ser efetuado por ausência de valor a ser pago nestes períodos. Assim, portanto, a afirmação da Recorrente no sentido de que haveria pagamento antecipado no presente caso não se confirma. Desta forma, correto o entendimento da decisão de primeira instância que aplicou na hipótese o art. 173, I, do CTN. A aplicação do art. 173, I, do CTN na hipótese de ausência de pagamento antecipado foi pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial n.º 973.733, julgado sob o rito dos recursos representativos de controvérsia previsto à época pelo atualmente revogado art. 543C do CPC/73, que deve ser aplicado por este CARF à luz do art. 62, §2º do RICARF. Reproduzse abaixo este julgado: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, Fl. 2828DF CARF MF 20 págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008." (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009 (Grifei) Quanto a alegação de que "(...) Nestes casos, a fiscalização também realiza a homologação da apropriação dos referidos créditos, que futuramente poderão ser usados para compensar os saldos devidos", temos que, em sessão de 12 de junho de 2008, o Supremo Tribunal Federal editou o enunciado da Súmula Vinculante nº 8, que foi publicada no DOU de 20/06/2008. Em 18/08/2008, o Ministro da Fazenda aprovou o Parecer PGFN/CAT nº 1.617, o qual estabeleceu orientações a serem observadas pela Administração Tributária em face da edição da Súmula. Do referido Parecer extraise parte de suas conclusões, in verbis: a) A Súmula Vinculante nº 8 não admite leitura que suscite interpretação restritiva, no sentido de não se aplicar efetivamente o prazo de decadência previsto no Código Tributário Nacional; é o regime de prazos do CTN que deve prevalecer, em desfavor de quaisquer outras orientações normativas, a exemplo das regras fulminadas; b) (...) d) para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, inc. I do CTN, pouco importando se houve ou não declaração, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; e) para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do § 4º do art. 150 do CTN; (...). A partir de então, para fins do cômputo do prazo decadencial, cabível a adoção do entendimento de que: tendo havido pagamento antecipado (sujeito portanto à homologação), aplicase a regra do § 4º do art. 150 do CTN; não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, inc. I, do CTN, pouco importando se houve ou não declaração. No presente caso, não foram efetuados pagamentos relativos à contribuição para o PIS e à COFINS (as declaradas e as não declaradas em DCTF) para os períodos de apuração de janeiro a março de 2006. Aplicase, portanto, a regra decadencial definida no artigo 173, I, do CTN. Concluindose, considerando que a ciência dos Autos de Infração ocorreu em 29/07/2011, não há que se falar em decadência dos lançamentos, uma vez que para as contribuições devidas para o fato gerador mais antigo, ocorrido em 01/2006, a contagem do prazo decadencial iniciou em 01/01/2007 e expirou em 31/12/2011, antes, portanto, da ciência dos lançamentos de ofício. Fl. 2829DF CARF MF Processo nº 11516.721278/201191 Acórdão n.º 3402004.904 S3C4T2 Fl. 2.820 21 Afastada, portanto, a preliminar de decadência. De se passar, agora, à análise das questões concretas relacionadas com cada uma das matérias postas. 5. Das GLOSAS diferença entre o DACON e as memórias de cálculo Aduz a Recorrente que "(...) conforme demonstrado na Impugnação, as glosas decorrentes da diferença entre DACON e memória de cálculo são improcedentes, haja vista que decorrem de equívoco por parte da Recorrente na elaboração das memórias de cálculo, além do fato de que a r. autoridade fiscal, ao realizar as glosas, não analisou detidamente as mercadorias glosadas e sua caracterização como insumo, para fins de possibilitar o creditamento". Alega a Recorrente serem improcedentes as glosas das diferenças verificadas entre os valores informados em DACON e na memória de cálculo alegando que as "tais diferenças decorrem de equívoco na elaboração das memórias de cálculo e que a glosa se deu, exclusivamente, pela inconsistência entre os valores constantes na planilha apresentada e os valores informados em DACON's, sem que fosse oportunizado à Recorrente prestar esclarecimentos sobre a referida divergência ou analisada a documentação acostada pela Recorrente no decorrer do processo". Explica que a "migração" dos valores apurados nos balancetes de verificação, conforme a conta contábil previamente estabelecida para cada linha do DACON" se deu de forma equivocada "haja vista que diversas informações foram perdidas. Conclui que as memórias de cálculo apresentadas à fiscalização não refletiram fielmente a apuração dos créditos de PIS e COFINS. A fim de demonstrar a regularidade dos creditamentos com base na escrituração contábil, a Recorrente apresentou "cópia dos balancetes de verificação do período, bem como planilhas que demonstram o adequado lançamento de informações nas linhas dos DACON's" (Doc. 04 anexo à Impugnação ao Auto de Infração). Reclama que "tais documentos não foram analisados pelo acórdão recorrido que se limitou a afirmar o acerto do lançamento". Afirma que conforme se verifica nos referidos documentos, a divergência apontada pela Fiscalização, que motivou as glosas ora tratadas, inexiste. Tratase de mero erro formal na apresentação dos dados, sendo que, em momento algum, foi oportunizada à Recorrente, anteriormente ao lançamento, as explicações acerca das supostas diferenças apuradas. Além disso, a DRJ de Florianópolis se limitou a manter o lançamento, sem se manifestar acerca da prova documental acostada à Impugnação, o que demonstra cerceamento ao direito de defesa da Recorrente. Pois bem. Conforme disposto no caput do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, a utilização de créditos na apuração da Contribuição devida representa uma faculdade do contribuinte. Só que em optando o contribuinte em utilizarse de crédito que entende ter direito, lhe cabe, o ônus de estar à frente da atividade probatória do direito alegado, nesse sentido trazendo as informações e esclarecimentos solicitados pelo fisco e as provas hábeis e suficientes a atestar não só a existência dos custos e despesas incluídos na base do crédito apurado, como sua natureza, conforme por ele informado em DACON, para fins da necessária análise e conferência dos créditos pela autoridade fazendária competente. Fl. 2830DF CARF MF 22 Verificase nos autos que a Fiscalização solicitou, mediante Termo de Intimação Fiscal, a memória de cálculo dos diversos valores informados no DACON da empresa, conforme as linhas de que dispõe o tal demonstrativo. De posse das informações prestadas pela própria Recorrente, o Fisco, considerando que a memória de cálculo fornecida continha os registros das notas fiscais de todas as operações de entrada incluídas pela contribuinte no cálculo do crédito pleiteado e que estas teriam ocorrido e foram incluídas pela contribuinte no cálculo de seu crédito conforme lá registradas (CFOP e valores), em verificando que os valores declarados em cada linha do demonstrativo não correspondiam aos informados na memória de cálculo, procedeu da seguinte forma: (i) glosou a diferença a maior no DACON, por considerála resultante da inclusão na base de cálculo de operações não comprovadas, já que decorrentes de notas fiscais não registradas pela empresa; (ii) em sendo os valores do DACON iguais aos da memória de cálculo, os manteve por aceitálos como verdadeiros, já que registrados; e (iii) em sendo menores, manteve os valores do DACON por presumilos verdadeiros e por ter sido este o valor pedido. Em suma, a Fiscalização reconheceu o crédito em relação à totalização dos itens de notas fiscais registradas na memória de cálculo e admitidos como geradores de crédito em cada linha do DACON, tendo como limite superior o valor informado na respectiva linha do DACON, haja vista, à evidência, não poder conceder crédito maior do que foi apurado pelo próprio contribuinte. Restou claro que o procedimento fiscal foi o correto, pois é justamente a memória de cálculo o instrumento através do qual o contribuinte, quando intimado para tanto, deve demonstrar ao Fisco de forma individualizada e precisa todos os valores incluídos na composição do valor que declarou em cada linha do DACON para fins de análise da pertinência e existência do crédito pretendido, sob pena de não ter reconhecido o crédito, tal como lá declarado. Assim, no âmbito de um procedimento fiscal de análise de direito creditório, ante o fim colimado com a sua solicitação, tal instrumento vincula o contribuinte perante o Fisco. Por outro giro, em havendo dúvidas quanto ao crédito, a memória de cálculo, assim como o DACON e a escrituração contábil da empresa, somente faz prova a favor do contribuinte, quanto à existência do direito que declare, se calcada em documentos fiscais. No entanto, verificase que quando de sua Impugnação e agora nesta fase de Recurso, as alegações da Recorrente não foram acompanhadas de qualquer prova documental, ainda que indiciária, que pudesse corroborar a versão apresentada pela empresa, tais como as Notas Fiscais, contratos, cópia Livros contábeis e fiscais, etc. No caso sob exame, o ônus da prova de tais fatos competiria à Recorrente, dado que não seria lícito atribuir à fiscalização o controle que as normas de escrituração contábil e fiscal exigem das sociedades empresárias. Muito embora tratase de Auto de Infração, por envolver a fruição de créditos de PIS, cabe à postulante o ônus da comprovação da sua existência. Tratase de postulado do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015), adotado de forma subsidiária na esfera administrativotributária. O art. 373 do CPC (Código de Processo Civil) disciplina a distribuição do ônus probatório da seguinte forma: Fl. 2831DF CARF MF Processo nº 11516.721278/201191 Acórdão n.º 3402004.904 S3C4T2 Fl. 2.821 23 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Como se vê, estatuiuse por meio desta norma que o ônus da prova no processo civil incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, cada interessado, portanto, tem o ônus de provar os pressupostos fáticos do direito que pretenda seja aplicado pelo julgador na solução do litígio. Tratase de matéria de extremada importância em sede processual no que se refere à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do ônus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9.° do Decreto n.° 70.235/1972, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto n.° 70.235/1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". No mesmo sentido se depreende da parte final do caput do art. 38, § 1º, do Decreto nº 7.574, de 2011, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do fato motivador da exigência. De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do art. 57 do mesmo Decreto, que determina que a impugnação conterá os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe as provas encenadoras do lançamento. A distribuição do ônus da prova possui ainda certas características quando se trata de lançamentos tributários decorrentes de glosa de créditos de PIS/COFINS no regime da Fl. 2832DF CARF MF 24 nãocumulatividade (possibilidade de dedução, do valor a ser recolhido, de créditos calculados sobre bens e serviços). No que se refere aos créditos, todavia, diante das particularidades deste regime tributário, verificase que eles se encontram na esfera do dever probatório dos contribuintes. Tal afirmação decorre da simples aplicação da regra geral, qual seja, de que àquele que pleiteia um direito tem o dever de provar os fatos que geram este direito. Sendo os créditos deste regime tributário um benefício que permite ao contribuinte diminuir o valor do tributo a ser recolhido, cumpre ao contribuinte que quer usufruir deste benefício o ônus de provar que possui este direito. Exigese a apresentação de documentos comprobatórios da existência do direito creditório, ou seja, documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito pleiteado. Não comprovado possuir este direito, seus créditos devem ser cancelados, sendo exigida a contribuição devida que estava acobertada por estes créditos. No caso sob análise, a Fiscalização sustenta suas glosas com base nas informações buscadas pelos Termos de Intimação lavrados, informações prestadas pela empresa, documentos disponibilizados pela empresa, planos de contas, Livros contábeis e fiscais verificados durante o procedimento fiscal. Já a Recorrente, em regra, não apensou aos autos elementos necessários à comprovação de suas alegações de seu recurso voluntário, limitandose, em muito, a informar que os valores informados na "memória de cálculo" não representam, como deveriam (a teor do que foi demandado na intimação fiscal), a composição dos valores declarados no DACON. Destarte, não basta a Recorrente alegar que, ante a divergência verificada pela fiscalização entre declarações por ela própria prestadas, válida seria aquela declaração que lhe convém, principalmente se esta declaração se referir a direito creditório, cuja comprovação está a seu cargo. Concluindo, correto é que para comprovar que os valores gerados do crédito são, efetivamente, os declarados no DACON, cabia à Recorrente demonstrar/comprovar, por meio de documentos hábeis e suficientes pata tanto, que estes valores, e não os consignados na memória de cálculo, é que correspondem aos reais montantes de suas operações. Por final, aduz a Recorrente que, (...) Tratase de mero erro formal na apresentação dos dados, sendo que, em momento algum, foi oportunizada à Recorrente, anteriormente ao lançamento, as explicações acerca das supostas diferenças apuradas. Além disso, a DRJ de Florianópolis se limitou a manter o lançamento, sem se manifestar acerca da prova documental acostada à Impugnação, o que demonstra cerceamento ao direito de defesa da Recorrente. Não assiste razão à Recorrente. Quanto a não ter oportunizado explicações à Recorrente antes do lançamento, não existe qualquer norma, constitucional ou infra constitucional, que torne obrigatório o contraditório na fase de investigação dos atos praticados pelo Contribuinte, sejam eles penais ou administrativos. Quanto a alegação de que a decisão recorrida não ter analisados as provas acostadas na Impugnação também não procede, uma vez que os julgadores entenderam que não havia documentos comprobatórios das alagações trazidas. Vejase trecho abaixo reproduzido: "(...) De outro turno, em havendo dúvidas quanto ao crédito, a memória de cálculo, assim como o Dacon e a escrituração contábil da empresa, somente faz prova a Fl. 2833DF CARF MF Processo nº 11516.721278/201191 Acórdão n.º 3402004.904 S3C4T2 Fl. 2.822 25 favor do contribuinte, quanto à existência do direito que declare, se calcada em documentos fiscais. O Dacon e a memória de cálculo, bem como os registros contábeis da empresa, não consistem de documentos fiscais; tendose como tal aquele que tem como característica que lhe é própria, decorrente de sua oficialidade e obrigatoriedade, a presunção, embora relativa, de veracidade, como ocorre com a nota fiscal. Em verdade, tais documentos, cada um com suas características próprias, consistem de documentos elaborados pelo contribuinte cujos registros e declarações, para os fins e os efeitos que se pretenda perante o fisco, devem estar calcados em documentos fiscais, ou seja, nas notas fiscais representativas das operações registradas. (Grifei) Dante do exposto, há que se manter a glosa procedida pela Fisco. 6. Do Conceito de Insumos O núcleo da questão em combate concentrase sobre a subsunção no conceito de insumos bens e serviços adquiridos, que geram direito aos créditos do PIS e da COFINS. É pertinente, portanto, que, antes do exame das questões fáticas objeto da controvérsia sejam feitas breves considerações acerca do referido regime de incidência, nas quais abordaremos, em conjunto, questões atinentes aos regimes da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, dada a similitude existente entre os mesmos. O regime de incidência nãocumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS foi instituído, respectivamente, pelas leis nº 10.637, de 30/12/2002 (conversão da Medida Provisória no 66, de 2002), e 10.833, de 29/12/2003 (conversão da medida Provisória no 135, de 2003), tendo passado a produzir efeitos, em relação à nãocumulatividade dessas contribuições – na mesma ordem a partir de 1o de dezembro de 2002 e de 1o de fevereiro de 2004. Atualmente, este Conselho Administrativo, na maior parte de suas decisões, não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a interpretação do conceito de insumos segundo a legislação do Imposto de Renda, nem aquela veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, conforme bem esclarece o Acórdão nº 3403002.656, julgado em 28/11/2013, Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan, cuja ementa ora se transcreve: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Fl. 2834DF CARF MF 26 Filiome ao entendimento deste CARF que tem aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que neles sejam empregados indiretamente, conforme ilustra a ementa abaixo do Acórdão nº 3403003.052, julgado em 23/07/2014, por voto condutor do Relator Conselheiro Alexandre Kern: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. O custo dos serviços de remoção de resíduos, em face das exigências do controle ambiental, subsumemse no conceito de insumo e ensejam a tomada de créditos. (...) Como vimos acima, concluímos que geram direito de crédito todos os insumos bens ou serviços que sejam aplicados na produção de bens ou serviços, cuja receita esteja sujeita à incidência sob o regime nãocumulativo. No entanto, não é toda e qualquer aquisição que gera direito de crédito, mas apenas aquelas que se enquadrem nas hipóteses de crédito previstas nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. São estas Leis a fonte primária de definição dos critérios para o direito de crédito. O entendimento deste Conselho, com efeito, é de que: “O conceito de insumo previsto no inciso II do art. 3° da Lei n° 10.637/02 e normalizado pela IN SRF n° 247/02, art. 66, § 5°, inciso I, na apuração de créditos a descontar do PIS não cumulativo, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária à atividade da empresa, mas tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. (…) (Acórdão 330100.423, Processo 11080.003383/200483, Rel. Cons. Maurício Taveira e Silva, j. 03/02/2010). Em resumo, especificamente falando, são os custos de produção, gastos incorridos no processo direto propriamente dito de obtenção de produtos e de serviços colocados à venda, não se incluindo nesse grupo, como exemplo, as despesas financeiras, as Fl. 2835DF CARF MF Processo nº 11516.721278/201191 Acórdão n.º 3402004.904 S3C4T2 Fl. 2.823 27 despesas de venda e as de administração, as quais constituem, do ponto de vista contábil, as despesas gerais de uma empresa. Nesse escopo, para decidir quanto ao direito ao crédito de PIS e da Cofins nãocumulativo é imprescindível que primeiro se confiram as características da atividade produtiva desenvolvida pela empresa para, então, analisar quais as aquisições que configuram insumo para os bens e serviços por ela produzidos (que integram o custo de produção). Verificase no Estatuto Social e também informado pela Recorrente em seu recurso, que a empresa BRF é uma tradicional e importante agroindústria, tendo por objeto social a atividades no mercado interno e externo de industrialização, comercialização e exploração de alimentos em geral, produção e processamento de carnes (de aves, suínos), tais como presuntos, lingüiças, salsichas e mortadelas (fl. 212). É com este enfoque que passaremos a examinar os argumentos apresentados pela Recorrente frente os elementos e constatações presentes nos autos. 7 Da apresentação do Parecer Técnico e Fluxograma Consta dos autos que em 27/11/2013, a empresa protocola documento referente ao Relatório Técnico nº 000.903/13, tratandose de um PARECER elaborado pela Divisão de Engenharia de Avaliação e de Produção DEAP, do INT Instituto Nacional de Tecnologia (fls. 2.654/2.704). Em resumo, entende a Recorrente que a natureza, essencialidade e imprescindibilidade dos insumos utilizados, bem como dos gastos/encargos/despesas incorridas no processo produtivo restaram demonstradas em suas petições, escorados nas informações constante do laudo interno com descrição do processo produtivo e do laudo elaborado pelo INT. Que no concernente à essencialidade dos gastos incorridos e que lhe conferem direito aos créditos de PIS/COFINS, devese pontuar que o ramo a que se dedica indústria alimentícia está sujeita a rigorosas normas da Secretaria de Vigilância Sanitária ANVISA. Das GLOSAS realizadas pelo Fisco 8. DOS CFOP'S QUE NÃO SERIAM INSUMOS Argumenta a Recorrente em seu recurso que "(...) além das informações prestadas nas Manifestações de Inconformidade apresentadas nos PAF's n° 16349.000279/200977 (PIS) e 16349.000271/200919 (COFINS), nas quais se relacionou as notas fiscais questionadas pela r. autoridade fiscal, a Recorrente demonstrou que (i) os CFOP's n° 1931 e 2931 correspondem a operações de serviços de transporte realizado de insumos adquiridos e para as mercadorias industrializadas (tratados no próximo tópico), e que (ii) as notas fiscais emitidas com os CFOP's n° 1922 e 2922 seriam referentes a operações de simples faturamento decorrente da compra para recebimento futuro". 8.1 Dos CFOP'S n° 1922 Esclarece a Recorrente que nestas operações o fornecedor de insumos vende uma determinada quantidade de mercadorias para a empresa, que, devido ao seu volume, não pode ser transportada e entregue de uma só vez. Desta forma, o fornecedor emite uma nota fiscal de simples faturamento (nota fiscal mãe), através da qual fatura a integralidade da Fl. 2836DF CARF MF 28 operação. Em resumo, parte das aquisições de bens utilizados como insumos pela Recorrente se dá através de aquisições para entrega futura (notas ficais filhotes). Em suas razões, argumenta que a sistemática do creditamento, para fins de PIS e COFINS, é diversa da prática adotada para o ICMS e o IPI, já que está intimamente ligada à aquisição dos insumos para utilização na produção e não a efetiva entrega das mercadorias (insumos). O PIS e a COFINS não são tributos incidentes nas operações de industrialização e de compra e venda, incidindo sobre a receita/faturamento dos contribuintes. Portanto, havendo o efetivo dispêndio para pagamento dos insumos, passa a ser valido o creditamento pela Recorrente, não havendo a necessidade de se aguardar a entrega de todos os insumos dispostos nas Notas Fiscais de aquisição. Por outro lado, ao analisar o caso, a DRJ/FNS manteve o lançamento, ao considerar que "(...) o reconhecimento do direito de crédito passa pela comprovação da operação de aquisição de um bem, a ser utilizado como insumo, e firmase com a comprovação da entrada deste bem no estabelecimento da adquirente, quando somente então tal bem adquire a condição de insumo, para fins de geração do crédito do período". Conforme alegado nos autos pela Recorrente, as notas com o CFOP 1922 e 2922 (referese a aquisição de soja e milho a granel) de que o crédito de PIS e COFINS foi apropriado, parcial ou totalmente, pelo registro da nota mãe, porém as notas filhotes também foram registradas no mesmo mês ou no mesmo trimestre, não podendo ser alegado, outrossim, tratarse de apropriação antecipada do crédito. No entanto, entendo que a fiscalização procedeu corretamente ao glosar os valores das referidas notas, referentes a compras para recebimento futuro, haja vista que, mesmos que as mercadorias consistissem de insumo a ser utilizado no futuro, o crédito correspondente somente poderia ser apropriado pela contribuinte com o ingresso destas mercadorias no estabelecimento produtor. Inicialmente, não se verifica por parte do Fisco, qualquer questionamento em relação à regularidade e ocorrência da operação de venda efetuada por meio da nota emitida no referido CFOP 1922, assim como não há qualquer menção em relação à natureza do bem adquirido. A recorrente alega ter apropriado o crédito, parcial ou totalmente, por meio das “notas mãe”, a saber as com CFOP 1922, mas que as “notas filhas” também teriam sido registradas no mesmo mês ou no mesmo trimestre, conforme demonstrado nas planilhas que anexa, de onde constam listagens de notas com CFOP 1116 código próprio a ser utilizado em notas de "Compra de mercadoria, a ser utilizada em processo de industrialização ou produção rural, quando da entrada real da mercadoria, cuja aquisição tenha sido classificada no código 1.922 Lançamento efetuado a título de simples faturamento decorrente de compra para recebimento futuro". Como bem asseverado pela decisão recorrida, "o regime da não cumulatividade, para o caso específico da Contribuição para o PIS e da COFINS, consiste da possibilidade de o contribuinte deduzir da contribuição devida no mês, incidente sobre seu faturamento mensal, créditos calculados sobre algumas despesas e encargos, previstos em lei, que concorreram para a produção deste faturamento. Com efeito, a adoção do regime de competência na apuração das contribuições para o PIS e da COFINS e dos correspondentes créditos da não cumulatividade está prevista nas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, sendo, portanto, de observação obrigatória pelo contribuinte. Fl. 2837DF CARF MF Processo nº 11516.721278/201191 Acórdão n.º 3402004.904 S3C4T2 Fl. 2.824 29 Assim, o reconhecimento do direito de crédito passa pela comprovação da operação de aquisição de um bem, a ser utilizado como insumo, e firmase com a comprovação da entrada deste bem no estabelecimento da adquirente, quando somente então tal bem adquire a condição de insumo, para fins de geração do crédito do período". Não há nos autos elementos que confirme que tenham ocorrido as entradas alegadas (notas filhotes) na competência e nos exatos valores considerados na apuração do crédito pleiteado; e mais, que não há como verificar que estas entradas estejam vinculadas as notas com CFOP 1922 identificadas pela Recorrente nos documentos apresentados. Portanto, procedeu corretamente o Fisco ao glosar os valores das referidas notas, referentes a compras para recebimento futuro, haja vista que, mesmos que as mercadorias se destinassem a futura utilização como insumo, entendo que o crédito correspondente somente poderia ser apropriado pela contribuinte com o ingresso destas no processo de produção/industrialização da empresa. 8.2 Dos CFOP'S n° 1931 e 2931 (Operações de Serviços de Transporte) A Recorrente sustenta em seu recurso que "(...) além das informações prestadas nas Manifestações de Inconformidade apresentadas nos PAF's n° 16349.000279/200977 (PIS) e 16349.000271/200919 (COFINS), nas quais se relacionou as notas fiscais questionadas pela r. autoridade fiscal, a Recorrente demonstrou que (i) os CFOP's n° 1931 e 2931 correspondem a operações de serviços de transporte realizado de insumos adquiridos e para as mercadorias industrializadas (...)" . (Grifei) Por outro lado, o Fisco destaca que ao atender o Termo de Intimação, a empresa apresentou dois tipos de arquivos contendo as memórias de cálculo relacionadas às despesas com fretes. O primeiro conjunto de arquivos digitais está denominado como: DEMONSTRATIVO CRÉDITO PIS COFINS JANEIRO 2006.txt; DEMONSTRATIVO CRÉDITO PIS COFINS FEVEREIRO 2006.txt; e DEMONSTRATIVO CRÉDITO PIS COFINS MARÇO 2006.txt. Nestes demonstrativos estão informadas as despesas com fretes relacionadas com as aquisições de insumos e com a distribuição dos produtos acabados entre as unidades de produção e entre as filiais, identificadas com nome do material/insumo transportado ou simplesmente como "serviços de fretes e carretos" ou "serviços de transporte interno"'; todos lançados na escrita fiscal utilizando os CFOP 1352 e 2352 Aquisição de serviço de transporte por estabelecimento industrial, 1353 e 2353 Aquisição de serviço de transporte por estabelecimento comercial, 1932 e 2932 Aquisição de serviço de transporte iniciado em Unidade da Federação diversa daquela onde esteja inscrito o prestador. O segundo conjunto referese aos arquivos digitais: DEMONSTRATIVO CRÉDITO PIS COFINS SEM CFOP JANEIRO 2006.txt; DEMONSTRATIVO CRÉDITO PIS COFINS SEM CFOP FEVEREIRO 2006.txt; DEMONSTRATIVO CRÉDITO PIS COFINS SEM CFOP MARÇO 2006.1x1. Nestes foram tratadas as demais despesas com fretes e serviços de armazenagem, informados nas fichas 06A e 16A, linha 07; os gastos com aluguéis de equipamentos e máquinas contidos nas fichas 06A e 16A, linha 06 e os demais serviços utilizados como insumos informados nas fichas 06A e 16A, linha 03. Informa a autoridade Fl. 2838DF CARF MF 30 fiscal que os valores informados na linha 07 das fichas 06A e 16A do DACON, foram aceitos no cálculo do crédito da contribuição. O Fisco sustenta que a Recorrente teria se apropriado indevidamente de créditos sobre fretes de produtos acabados, relativos às transferências realizadas entre os estabelecimentos da empresa. Ou seja, por não estarem diretamente envolvidos na cadeia produtiva, os transportes entre filiais não concederiam direito aos créditos do PIS e também da COFINS. Neste contexto, o acórdão recorrido manteve na integralidade o lançamento, onde restou concluído que: "Em restando pacífico nos autos o entendimento de que os valores dos fretes glosados de fato não se referem a fretes vinculados a operações de aquisição de insumos, correta, portanto, a exclusão destes valores dos montantes mensais informados no Dacon a título de despesas com aquisição de insumos linha 02 do Dacon. (...) À evidência o transporte entre filiais de produtos já acabados não está inserido na cadeia produtiva da empresa. Assim, os tais serviços não se enquadram na primeira hipótese de creditamento possível, como pretende a contribuinte". (Grifei) Já a Recorrente argumenta que o transporte das mercadorias ocorria em caminhões refrigerados necessários à atividade e à geração de receita da Recorrente, constituindose em verdadeiro insumo, motivo pelo qual devem ser julgadas improcedentes as glosas realizadas. A Recorrente se dedica a diversas atividades, dentre as quais se destaca o comércio de produtos de origem animal resfriados e frigorificados. Considerando diversos aspectos atinentes à sua operação, em especial a sua logística de produção e distribuição de produtos resfriados e frigorificados, a Recorrente necessita de serviços de transporte especiais, com vistas à manutenção da integridade e qualidade de seus produtos (decorre de obrigação normativa estabelecida pelo Ministério da Agricultura e pela ANVISA). E arremata afirmando que: "(...) Assim, os produtos resfriados e frigorificados são produzidos em um determinado estabelecimento e posteriormente são remetidos a outro, em caminhões refrigerados que mantém o produto na condição térmica em que foi produzido". (Grifei) Como se vê a Recorrente defende que não há duvidas de que os fretes são insumos que conferem direito à apropriação de créditos, pois sem eles não há como realizar a sua atividade, não há como transportar os insumos por ela adquiridos, tampouco "os produtos por ela industrializados". Por outro lado, a fiscalização relata que na apuração das despesas com fretes que compuseram a base de cálculo informada pela empresa na linha 02 do DACON, não foram incluídos os valores dos serviços contratados para transferências de produtos acabados entre filiais, escriturados nas contas "Frete Tramf.Prod.Acabados (UP p/Filiais)", conta contábil n.° 5.01.01.12.01.01.48 e "Frete Transf.Prod.Acabados (Entre Filiais)", conta contábil n.° 5.01.01.12.01.01.49, conforme registro sintético existente nos balancetes dos meses de janeiro, fevereiro e março de 2006. Ora, o mero deslocamento das mercadorias (produtos acabados) dos estabelecimentos produtores até os estabelecimentos distribuidores, com o intuito de facilitar a Fl. 2839DF CARF MF Processo nº 11516.721278/201191 Acórdão n.º 3402004.904 S3C4T2 Fl. 2.825 31 entrega dos bens aos futuros compradores, não integra a "operação de venda" referida no art. 3º, inciso IX, da Lei nº10.833/2003, linha 07 do DACON, tampouco se adequa ao conceito de insumo disposto no inciso II, art. 3º , da mencionada Lei e da Lei nº 10.637/2002. Verificase que a glosa de que aqui se trata referese a valores que compõem a base de cálculo informada na linha 2 do DACON, linha própria para informar as despesas com aquisição bens utilizados como insumos, razão pela qual a análise deve ser se os valores glosados referemse a custos, suportados pelo contribuinte, vinculados a aquisições de insumos. A Recorrente, por sua vez, labora nesse sentido, qual seja, de defender que as despesas glosadas dão direito a crédito a título serviços utilizados como insumo; despesa que deve ser informada na linha 03 das fichas 06A e 16A do DACON. Explica que produtos resfriados e frigorificados são produzidos em um determinado estabelecimento e posteriormente são remetidos a outro, em caminhões refrigerados que mantém o produto na condição térmica em que foi produzido e defende que em sendo o transporte em caminhões refrigerados necessário à atividade e à geração de receita consiste de insumo. No entanto, há que se deixar claro que, a teor do Relatório Fiscal, não foram glosadas (do mencionado primeiro conjunto de arquivos digitais) as despesas com frete pago na aquisição dos insumos, mas somente as despesas com a contratação de fretes destinados a realizar transferências de produtos acabados para as filiais e entre as filiais. Como é cediço, com o advento da Lei nº 10.833/2003, que instituiu o regime de apuração nãocumulativa da COFINS, passou a ser admitido também o aproveitamento de crédito sobre os valores dos gastos efetuados com serviços de armazenagem de mercadoria e de frete, na operação de venda, caso o ônus seja suportado pela própria empresa vendedora, conforme estabelece o inciso IX do art. 3º desta lei. Concluindo, restando pacífico nos autos o entendimento de que os valores dos fretes glosados de fato não se referem a fretes vinculados a operações de aquisição de insumo e nem de operação venda, correta, portanto, a glosa destes valores dos montantes mensais informados no DACON a título de despesas com aquisição de insumos (linha 02 do DACON). 9. DOS CRÉDITOS AQUISIÇÕES DE MATERIAIS DE EMBALAGEM PARA TRANSPORTE Aduz a Recorrente que a Fiscalização glosou créditos do PIS e da COFINS apropriados sobre material de embalagem (pallets, filme plástico stretch, dentre outros), por entender que somente confeririam créditos ao contribuinte as embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização, não podendo ser aceitos os créditos sobre os materiais de embalagem destinados a armazenagem e ao transporte de produtos acabados. Por outro lado a Recorrente ressalta em seu recurso que os pallets são estruturas nos quais as mercadorias produzidas pela Recorrente são empilhadas e embaladas com filme plástico, viabilizando o seu transporte, o seu posicionamento nos caminhões ou mesmo nos contêineres. Para tanto, é necessária a sua devida embalagem para garantir a Fl. 2840DF CARF MF 32 segurança do transporte e, sobretudo, para garantir a qualidade do produto final. Tratam se de bens necessários para a venda do produto final e, portanto, para as atividades da empresa. Essa matéria, já foi objeto de discussão por este Colegiado, quando da análise do PAF nº 16349.000271/200919 (mesmo período de apuração e conexo a este, referente a COFINS), de relatoria deste Conselheiro (Acórdão nº 3402003.152), que tomo emprestado seus termos e fundamentos como razão de decidir deste voto. Vejase: "A Recorrente ressalta que estaria incorreto tal entendimento, "(...) pois a recorrente bem demonstrou que tais pallets são necessários para acondicionar as mercadorias até o destino final, ou seja, até o cliente e não retomam à origem". Juntou, inclusive, uma foto a fim de demonstrar que os produtos exportados peletizados (acondicionados em caixas de papelão) são envolvidos por 4 camadas de filme stretch desde a base do pallet até topo, abrangendo toda a área lateral. Afirma que "(...) Em relação ao filme plástico, a própria Receita Federal do Brasil, por meio de recente Solução de Consulta, manifestouse pela legalidade da apropriação dos créditos do PIS e COFINS, já que tais produtos são insumos utilizados para proteção das mercadorias durante o transporte". Arremata, informando que "(...) Verificase, desta forma, que todos os bens utilizados para garantir a qualidade e o devido transporte dos produtos fabricados pela Recorrente apontados pela r. autoridade fiscal (pallets, filme plástico, bolsas térmicas, etc.) são, em verdade, insumos, entendidos estes como custos necessários para a atividade da empresa, havendo, pois direito ao creditamento sobre tais aquisições". Pois bem. A legislação faz distinção entre aquela embalagem incorporada ao produto durante seu processo de industrialização (esteja agregada ao produto pronto a ser adquirido pelo seu consumidor final) e aquela embalagem somente utilizada depois de concluído o processo produtivo do bem (que seja utilizada para o acondicionamento do produto acabado e viabilizar o adequado transporte dos produtos acabados até os seus pontos de venda). Dentro deste quadro legal, verificase que da própria descrição dos pallets feita pela Recorrente, é possível de pronto verificar que este de fato não consiste de insumo, pois consiste de material que não é agregado ao produto final durante sua industrialização, mas, somente é utilizado para acondicionar, e transportar até os destinos finais, as caixas de papelão contendo os produtos prontos para exportação. Informa a Recorrente que os PALLET de madeira (descritos na relação de glosas à fl. 226), têm por finalidade a armazenagem de matériasprimas ou as mercadorias produzidas e destinadas à comercialização (exportação), o que possui expressa permissão legal para descontar créditos. Alega que os pallets são amplamente aplicados dentro do processo produtivo da requerente, sendo essenciais, relevantes e participam do processo produtivo, uma vez que são utilizados na: (i) industrialização (emprego para movimentar as matériasprimas e os produtos em fase de industrialização a serem utilizados); (ii) armazenagem de matériasprimas em condições de higiene para serem utilizadas no processo fabril; (iii) armazenagem de produto industrializado a ser comercializado; (iv) armazenagem durante o ciclo de industrialização. Conforme PARECER (laudo) do INT anexado aos autos, há expressa menção no sentido de que os pallets são utilizados "sempre nas movimentações externas às linhas de Fl. 2841DF CARF MF Processo nº 11516.721278/201191 Acórdão n.º 3402004.904 S3C4T2 Fl. 2.826 33 produção", sendo que no ambiente interno "são utilizadas para armazenar e transportar matériasprimas e produtos em elaboração no interior da unidade produtora". Ademais, principalmente, quanto aos pallets de madeira, ainda possuem a função indispensável dentro do processo produtivo de transporte para área de estocagem, dentro da unidade produtora, expedição com carregamento em caminhões, viagem até o cliente, descarregamento do caminhão, movimentação interna no cliente. Em fim, são insumos por ser inerente à atividade econômica da recorrente, inclusive, visando cumprir exigências de higiene e limpeza para a produção de um bem de maior qualidade. Por outro lado, o Fisco, na Informação Fiscal da Diligência (fl. 4.019), informa que: "(...) as Aquisições de embalagens de transporte, que, esta glosa sim, baseiase no conceito de insumo da IN SRF 404/2004 e poderia gerar alguma dúvida quanto à forma de utilização dos bens em tela. De todas as glosas listadas, apenas cerca de 2% em janeiro e 5% em fevereiro e março são devidas ao não enquadramento no conceito de insumo da IN SRF 404/2004. Foram tratadas nos parágrafos 52 e 53, folhas 225 e seguintes (...)". Portanto, resta claro que a razão da glosa, à luz da IN SRF 404/2004 é evidente: os pallet de madeira são meros equipamentos de transporte de produto acabado, que não se incorpora ao produto, não é consumido na sua produção e não é material de embalagem do produto, sendo inclusive boa parcela retornável. O relatório técnico apresentado pela contribuinte informa que, nas linhas de produção são utilizados apenas 'paletes' de fibra de vidro, e nenhum destes foram glosados. Ressaltese que nunca foi questionada a utilidade dos paletes, a todos evidente. Quanto ao Relatório Técnico do INT nº 000.903/13, fl. 2.096, a partir do item 13, localizase a parte relativa a palete, onde é verificado que são utilizados para diversos fins. Verificase que à folha 2.136, informa no item 15: (...) No caso da BRF S. A., nas unidades visitadas, foi apurado que existem três tipos de paletes em uso sendo dois de madeira e outro em fibradevidro [sic]. Nos casos das peças fabricadas em madeira há um tipo que é retornável (denominado PBR) e outro que é enviado para o cliente e descartado pelo mesmo (denominado “one way”), ambos utilizados sempre nas movimentações externas às linhas de produção. Já no ambiente interno, onde são utilizados para armazenar e transportar matériasprimas e produtos em elaboração no interior da unidade produtora, há exigência do Serviço de Inspeção Federal – SIF para que sejam utilizados somente paletes de fibradevidro [sic]. (...) (destaquei) Não resta dúvidas que tais materiais (pallets) objetivam também garantir regras de higiene e limpeza, como enuncia as normas da ANVISA. A Recorrente informa ainda que os pallets ficam no setor de palletização e que são utilizados para paletizar as caixas e produtos como embalagem secundária protegendo os insumos e materiais do contato direto com o solo. Portanto, segundo a descrição oferecida pela recorrente, concluise de imediato não se tratar de material de embalagem, já que o item não acompanha ou seria agregado ao produto acabado. O Fisco em sua Informação Fiscal conclui (fl. 2.244): "Conforme informações do Relatório Técnico fornecido pela contribuinte, os paletes de madeira glosados são utilizados sempre nas movimentações externas às linhas de produção”. Fl. 2842DF CARF MF 34 A tomada de créditos, nestas condições, dependeria do critério adotado pelo próprio contribuinte para a contabilização do bem. Se a aquisição dos pallets for lançada à conta de despesa operacional, em função do seu valor unitário e de sua vida útil, entendo admissível o creditamento do gasto como insumo. No entanto, tratandose de bem de ativação obrigatória, como parece ser (observo que, entre os serviços contratados pelo contribuinte, há o de manutenção de pallets, o que induz à conclusão nesse sentido), o creditamento só seria possível como despesa de depreciação. O deslinde da controvérsia portanto leva em conta o sistema de distribuição do ônus da prova adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tratandose de glosa de créditos, como é o caso, a iniciativa é do contribuinte, e sobretudo, de insistência recursal de que o item seja considerado como insumo (e que os bens não foram ativados), a ele incumbe a prova de que deu a tal gasto a natureza de despesa operacional. A prova requerida, no entanto, não se encontra nos autos. Não tendo o contribuinte se desincumbido do ônus de comprovar o direito alegado no recurso, há que se manter as glosas referente aos "pallets". Concluindo, deve ser revertido a glosa dos valores da aquisição dos materiais de embalagem para transporte e mantendose a glosa referente aos "pallets". 10. DEVOLUÇÃO DE INSUMOS Reclama a Recorrente que, "(...) conforme demonstrado na Impugnação, a fiscalização excluiu da base de cálculo do crédito das contribuições (bens utilizados como insumos), as devoluções de insumos fornecidos por pessoas jurídicas, quando a alíquota da contribuição era diferente de ZERO". Afirma que, para fins de elaboração do DACON, conforme tratado no tópico IV. 1, a Recorrente não utilizou o relatório "DEMONSTRATIVO CRÉDITO PIS E COFINS", fornecido a fiscalização, mas sim os saldos contábeis existentes nos balancetes de verificação. Ou seja, o preenchimento das fichas de crédito do DACON já foi realizado considerando os saldos contábeis líquidos de devoluções e que tal fato pode ser facilmente verificado na cópia dos balancetes de verificação do período, bem como planilhas que demonstram o adequado lançamento de informações nas linhas dos DACON's. Por outro giro, o Fisco relata que com base nas informações prestadas pela Recorrente, em especial os arquivos digitais de Notas Fiscal no formato do SINTEGRA, Fl. 2843DF CARF MF Processo nº 11516.721278/201191 Acórdão n.º 3402004.904 S3C4T2 Fl. 2.827 35 verificase que no período sob análise ocorreram devoluções de insumos conforme quadro que demonstra. A Recorrente afirma que não incluiu no valor informado na linha 2 do DACON os valores das devoluções de insumos. No entanto, neste caso, considero correto os fundamentos adotados e filiome à decisão recorrida, pois tal alegação é inócua haja vista não demonstrar e provar, como pretende a Recorrente, que o Fisco tenha errado ao excluir da memória de cálculo fornecida os valores das notas das devoluções de vendas. Vejase: "(...) É que se a contribuinte apurou corretamente os saldos contábeis existentes em cada conta de crédito de PIS e COFINS, já líquidos de devoluções, considerando nestes todos os valores das aquisições de insumo (CFOP 1.101, 2.101) e das respectivas devoluções (CFOP 5.201, 6.201), estes certamente hão de coincidir com os valores apurados pela autoridade fiscal: a teor do que relata, o fiscal em seus cálculos considerou na base de cálculo (somou) os valores das notas de aquisição de insumos e excluiu (diminuiu) os valores das notas de devolução, ou seja, assim como a contribuinte alega ter feito, considerou na apuração do crédito os valores das aquisições de insumo “já líquidos de devoluções”. Portanto, por falta de comprovação nos autos das alegações da Recorrente, deve ser mantido a glosas referente aos valores tratados neste tópico. 11. AQUISIÇÃO DE BENS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO A Recorrente informa em seu recurso que ao analisar a apropriação de créditos do PIS e da COFINS sobre "bens adquiridos para a revenda" e "bens utilizados como insumos", a autoridade fiscal glosou créditos da contribuição sob a alegação que a Recorrente teria adquirido bens sujeitos à alíquota zero, para os quais os créditos seriam vedados pela legislação. Ocorre que a partir de 1º de agosto de 2004, o art. 21 da Lei n° 10.865/04 alterou substancialmente o § 2º do art. 3º das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, ao vedar a apropriação de créditos decorrentes da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. Contudo, no caso da isenção, esta vedação aplicase tãosomente quando os bens ou serviços são revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. Essa matéria, também foi objeto de discussão por este Colegiado, quando da análise do PAF nº 16349.000271/200919 (mesmo período de apuração e conexo a este, referente a COFINS), de relatoria deste Conselheiro (Acórdão nº 3402003.152), que tomo emprestado seus termos e fundamentos como razão de decidir deste voto. Vejase: "Quanto à glosa na apuração do crédito pela fiscalização dos valores das aquisições de produtos cuja alíquota foi reduzida a zero, alega a Recorrente que, "(...) Como alegado na inicial, considerando a hipótese de um contribuinte industrial adquirir insumo de um fornecedor cuja receita decorrente da venda de seu produto está sujeita à alíquota zero de PIS e COFINS e, depois de fabricar o seu produto, vender o mesmo auferindo receita tributável por alíquota maior do que zero, como é o caso em questão, resta patente que a vedação ao crédito resultará numa tributação que vai além do valor real agregado, atingindo todo o faturamento, isto é, alcançará Fl. 2844DF CARF MF 36 também a receita decorrente da venda anterior da referida cadeia submetida à alíquota zero de PIS e COFINS. Diante deste cenário, não há de fato uma alíquota zero, mas um diferimento de pagamento de contribuições e, porque não dizer, um desvio de finalidade do modelo de tributação que fora concebido para esses tributos, porquanto se tributará valor além do agregado, o que equivale a dar continuidade à cobrança cumulativa, porém dentro do modelo de cobrança não cumulativa criado justamente para evitar os efeitos perversos do primeiro. Afirma que a vedação ao crédito em relação a essas aquisições se revela injusta e onerosa ao contribuinte quando os insumos são aplicados na industrialização de produtos cuja receita decorrente da venda será submetida à tributação de PIS a 1,65% e de COFINS a 7,6%. Nesse sentido tece várias considerações e conclui que a glosa destes créditos é ilegítima, vez que são insumos utilizados na produção de mercadorias cuja venda ocorreu com tributação o PIS e da Cofins. Em que pese os argumentos expostos pela Recorrente, as Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, no inciso II do §2º do art. 3º, expressamente vedam o crédito sobre o valor da aquisição de bens ou de serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. Vejase: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor:(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004). É importante ressaltar que verificase às fls. 217 a 220 do Parecer SARAC nº 16/2001, a relação detalhada de cada material cujo credito foi glosado, onde demonstra a classificação NCM, os valores da Base de Calculo, bem como a fundamentação legal para cada item glosado. Citase como exemplos: Ovo Imcubável Cobb e Massa de mandioca, art. 28, inciso III, da Lei nº 10.865/04 e Farinha de Milho (empanados) e Trigo para kibe, Lei nº 10.925/04, art. 1, inciso IX. Tais aquisições de pessoas jurídicas, constam também do ANEXO II, às fls. 247/271". Desta feita, ante a expressa vedação legal detalhada pelo Fisco em seu Parecer, entendo escorreita, não há como reconhecer o direito pretendido pela Recorrente. 12. DOS CRÉDITOS PRESUMIDOS APROPRIADOS PELA RECORRENTE Aduz a Recorrente que: a) a fiscalização entendeu que a ora Recorrente teria se apropriado de créditos presumidos do PIS em valor superior ao permitido pela legislação. Analisandose a planilha constante na Informação Fiscal e no Despacho Decisório, constatase que a autoridade fiscal calculou os créditos presumidos utilizando o percentual de 35%, nos termos do art. 8º, §3°, II, da Lei n° 10.925/2004, haja vista que considerou a Nomenclatura Comum do Mercosul NCM do produto adquirido; b) como demonstrado nas razões recursais, tal entendimento está equivocado, pois a Recorrente apropriou os créditos presumidos de acordo com o que determina a legislação, interpretando corretamente o art. 8º da Fl. 2845DF CARF MF Processo nº 11516.721278/201191 Acórdão n.º 3402004.904 S3C4T2 Fl. 2.828 37 Lei n° 10.925/2004 (conforme se verá mais abaixo), ao contrário do que quer fazer crer a autoridade fiscal; e c) analisandose o referido dispositivo, concluise que as pessoas jurídicas que produzirem mercadorias de origem animal ou vegetal poderão se apropriar de créditos presumidos do PIS e da COFINS sobre o valor dos bens, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, ou ainda de cerealistas, e d) para fins de apropriação do crédito, determina o §3°, art. 8o, da Lei n° 10.925/2004 que este será de 60% para a produção de produtos de origem animal e de 35% para os demais produtos. No caso em tela, considerando que os produtos adquiridos para Recorrente foram utilizados para a produção de mercadorias de origem animal, classificados nos Capítulos 2 e 16 da NCM, o crédito presumido do PIS e da COFINS a ser calculado é de 60% das alíquotas das contribuições, sobre o valor das aquisições. Essa matéria, também foi objeto de discussão por este Colegiado, quando da análise do PAF nº 16349.000271/200919 (mesmo período de apuração e conexo a este, referente a COFINS), de relatoria deste Conselheiro (Acórdão nº 3402003.152), que tomo emprestado seus termos e fundamentos como razão de decidir deste voto. Vejase: "Alega a Recorrente que diferentemente do que concluiu a decisão recorrida, no tocante às aquisições de animais para abate (boi, vaca, suínos, leitão, peru e frango) classificados no capítulo 01, a alíquota aplicável é 4,56% (60% de 7,6%), isso porque tais insumos foram utilizados pela Impugnante para produção de mercadorias classificadas nos capítulos 02 e 16. "(...) A Lei n° 10.925/94, no artigo 82, ao definir os percentuais para fins de cálculo do crédito presumido às pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal classificadas nos capítulos 2, 3 ... 16, destinadas à alimentação humana, não vincula tais percentuais ao tipo de insumo que é adquirido pela pessoa jurídica, mas sim ao tipo de produto que é produzido com o insumo adquirido". Por outro lado, a decisão recorrida consigna que nos termos do caput do art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, às aquisições de pessoas físicas foram aplicadas da seguinte forma: a alíquota de 4,56% (60% de 7,60%) para os insumos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e a alíquota de 2,66% (35% de 7,6%) para os demais insumos. Conclui que: "Assim, resta claro que, ao contrário do que defende a interessada, sobre as aquisições de produtos para utilização como insumo classificado no capítulo 01 é aplicável a alíquota de 2,66%". Pois bem. No § 3º , do art. 8º, encontrase fixada as alíquotas a serem aplicadas no cálculo do crédito presumido, estabelecendo uma distinção em função dos produtos adquiridos para utilização como insumo. Do referido parágrafo restam claras as alíquotas aplicadas, conforme a natureza do insumo adquirido: 4,56% (60% de 7,6%) para produtos de origem animal, classificados nos Capítulos 2 a 4 e 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e nas misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e 2,66% (35% de 7,6%) para os demais produtos. Para o deslinde da questão, transcrevese ao artigo 8º e parágrafos da Lei nº 10.925/2004: Fl. 2846DF CARF MF 38 Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica e cooperativa que exerçam atividades agropecuárias. § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; Fl. 2847DF CARF MF Processo nº 11516.721278/201191 Acórdão n.º 3402004.904 S3C4T2 Fl. 2.829 39 II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. § 5º Relativamente ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo, o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem, pela Secretaria da Receita Federal. § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3º, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos. (Incluído pela Lei nº 12.865, de 2013) (grifo nosso). Verificase, portanto, que o valor de crédito presumido é determinado pela aplicação da alíquota de 60% (sessenta por cento) para as empresas que produzam mercadorias de origem animal nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. A Recorrente, em defesa ao crédito, afirma que a Lei nº 10.925/94, no artigo 8º, ao definir os percentuais (60 ou 30% da alíquota da contribuição) para fins de cálculo do crédito presumido às pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal, destinadas à alimentação humana e classificadas nos capítulos e códigos que indica, não vincula tais percentuais ao tipo de bem que é adquirido pela pessoa jurídica, mas sim ao tipo de produto que é produzido com o bem adquirido. Assim, defende a legitimidade do crédito presumido apurado no percentual de 60% da alíquota, em relação aos insumos destinados à fabricação dos produtos destinados a alimentação humana ou animal, descritos nos Capítulos 2 a 4 e 16 da NCM e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e às misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. De outro modo, sobressai que o legislador elegeu o critério da natureza do "produto" a ser produzido (isto é, do resultado decorrente do processo industrial) como método de discriminação das alíquotas. Assim, se o produto a ser produzido (ao qual os insumos agregados/consumidos) for de origem animal ou vegetal (carne para alimentação humana, p. ex.), deverá ser aplicada a alíquota de 60%, independente da qualificação desses insumos. Posto isto, verificase que com as modificações introduzidas pela Lei nº 12.865, de 2013, o percentual aplicado aos insumos utilizados para industrialização dos produtos previstos no § 1º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, é de 60% das aquisições realizadas. Ressaltese que o argumento definitivo em favor do quanto se afirmou, veio recentemente, com a promulgação da Lei nº 12.865/13, cujo artigo 33 acresceu enunciado interpretativo ao § 10, do artigo 8°, da Lei nº 10.925/04, com o seguinte teor: “Para efeito de interpretação do inciso I, do §3º, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos”. Pareceme, pois, fundado o argumento de que a IN SRF nº 660/06 modifica, de fato, os critérios com base nos quais o artigo 8°, da Lei nº 10.925, de 2004 define o montante do crédito presumido. Fl. 2848DF CARF MF 40 Posto isto, reconheçase à recorrente o direito à apropriação do crédito presumido na forma do artigo 8º, §3°, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, ou seja, no equivalente a 60% do valor dos créditos previstos no artigo 3°, da Lei nº 10.833, de 2002. 13. DOS DESCONTOS INCONDICIONAIS DIREITO À REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS OMISSÃO DE RECEITAS A Recorrente argumenta que no acórdão recorrido manteve o lançamento, por entender que "a toda evidência, tais descontos são concedidos em momento posterior à operação de venda e sua contabilização não passa pelas contas de receitas". Afirma que ao contrário do que entendeu o acórdão recorrido, os descontos incondicionais representaram acréscimos nas contas de receita da empresa, vez que o registro contábil foi realizado nas contas de receitas, em contrapartidas da conta de clientes, no valor liquido a receber (líquido do desconto), e das contas de descontos incondicionais, no valor do desconto concedido. Finaliza afirmando que "(...) frisese que descontos concedidos pela companhia configuramse incondicionais, vez que são definidos no momento da negociação venda e não dependem de evento futuro e incerto, até mesmo quando identificado um percentual no histórico do registro contábil". Para solucionar essa matéria, subscrevo as considerações tecidas na decisão recorrida, adotandoas como razão de decidir (forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 1999), passando as mesmas a fazer parte integrante desse voto. "Também foram lançados valores da Contribuição para o PIS e da Cofins não declarados em DCTF. A omissão de receitas se deu em razão de a contribuinte ter deduzido, indevidamente, da base de cálculo da contribuição devida no período, a título de "descontos incondicionais", valores que não consistem deste tipo de desconto. Relata a autoridade fiscal: Foi constatado que o contribuinte tem previsto em seu plano de contas 510855 Bonificação Promocional, inserida nas despesas com vendas no mercado interno e 530579 Bonificação, quanto ao mercado externo. Tais contas não tiveram movimentação no período em tela. [...]A toda evidência, todas as bonificações, inclusive as condicionadas, estavam escrituradas na contabilidade como descontos incondicionais. As respostas da contribuinte restaram por confirmar as suspeitas. [...] A autoridade fiscal defende que “A bonificação é uma modalidade de desconto que consiste na entrega de uma maior quantidade de produto vendido em vez de conceder uma redução do valor da venda” e diz que a RFB admite como descontos incondicionais as bonificações que constem da nota fiscal como redução do preço médio e nesse sentido e cita a Instrução Normativa SRF n° 51/1978, que define o que são descontos incondicionais: 4.2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. Conclui: Bastante claro fica que basta que a redução de preço não dependa de evento posterior à emissão da nota fiscal de venda ou da fatura de serviços para ser considerada desconto incondicional. Assim, as bonificações que se constituírem de entrega de produtos em quantidade maior do que a adquirida com redução do Fl. 2849DF CARF MF Processo nº 11516.721278/201191 Acórdão n.º 3402004.904 S3C4T2 Fl. 2.830 41 preço unitário, constante da nota fiscal e independente de condição também são considerados descontos incondicionais. Verificouse que, nas citadas contas contábeis relativas a descontos incondicionais muitas tinham, de fato, o número da nota fiscal a que se referia o desconto. Porém, muitos lançamentos traziam no histórico claros indícios de que tratavamse de descontos ou bonificações condicionadas a atingimento de metas ou relativos a rateio de despesas de publicidade, como por exemplo "APROP. ANGELONI E CIA LTDA 05/2006 PROPAGANDA", "REFERENTE 5% SOBRE O TOTAL DE VENDAS (R$ 780.000,0" e "REFERENTE INAUGURACAO DE LOJA EM CAJAZEIRAS FILI". Ficou claro que estes casos que não apresentavam o número da nota fiscal correspondente referiamse a descontos ou bonificações condicionadas, inclusive o montante de vendas ou inauguração de lojas. A toda evidência, tais "descontos" são concedidos em momento posterior à operação de venda e sua contabilização não passa pelas contas de receita. Também não se pode esquecer que, se o valor das mercadorias dadas em bonificações não tiverem representado um acréscimo no valor total da nota fiscal e, conforme informado pela contribuinte não é este o caso, não há razão para que fossem subtraídas da base de cálculo da Cofins, vez que não alteraram o valor contabilizado na receita de vendas. Assim, não haveria necessidade de excluir a bonificação sequer incondicionada, vez que não foi incluído na receita o valor das mercadorias dadas em bonificação. Apenas o estoque é alterado. [...] Para tentar obter as informações relativas aos citados lançamentos e tendo em vista o não atendimento do item 08 da citada Intimação n° 002/00242 foi a contribuinte reintimada, através do Termo de Constatação e de Intimação n° 003/00242 (fls. 1861/1866 deste processo), conforme abaixo: [...] A contribuinte respondeu, em 28/06/2011 (fl. 1867 deste processo), que "não foram encontrados os documentos necessários que dão suporte aos lançamentos mencionados". Assim, o valor informado na linha 01 da Ficha 7A e 17A, base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e COFINS, deixou de tributar os valores tidos por descontos incondicionais. E, dos valores presentes nas contas relativas a descontos incondicionais, a quantidade de lançamentos que não se enquadram nas condições de descontos incondicionais é de 3.289 entre janeiro e março. Não há como analisar individualmente cada caso. As intimações não atendidas solicitavam documentos que foram selecionados a fim de representarem o conjunto investigado. A contribuinte foi intimada e reintimada, não fornecendo os documentos solicitados. Sendo assim, todos os lançamentos contábeis do grupo em questão foram totalizados por mês, gerando base de cálculo de PIS/Pasep e COFINS a tributar. Tais lançamentos estão listados a fls. 613/689 deste processo, assim como o Razão das contas contábeis de interesse, a folhas 1032/1831 deste processo. A contribuinte contesta os valores lançados alegando que a autoridade fiscal errou quando, “em vez de proceder à glosa destes supostos descontos condicionados, a r. autoridade fiscal Fl. 2850DF CARF MF 42 glosou todos os descontos do período”. Com base neste argumento defende que devem ser abatidos da base de cálculo da contribuição os seguintes descontos incondicionais, “definidos no momento da negociação da venda e não dependem de evento futuro e incerto”: Exemplificativamente, citamos os descontos concedidos visando a fidelização dos clientes, os quais referemse a acordos comerciais estabelecidos entre a companhia e seus clientes e são concedidos pelos simples fato de fornecer mercadorias para as grandes redes de supermercados e hipermercados no país. Outro tipo de desconto incondicional concedido pela companhia são os descontos de inauguração e aniversário de clientes. Semelhante aos descontos de fidelização, estes descontos referemse um percentual sobre o valor das vendas num determinado período (inauguração ou aniversário). Este desconto é uma imposição por parte das grandes redes para se manter como cliente e não apresenta qualquer condição para a aplicação do desconto. Assim, configurase a sua incondicionalidade. O desconto concedido para o fechamento de volume/lotes também é um exemplo de desconto incondicional aplicado pela companhia. Nestes casos, no momento da negociação da venda, ou seja, não depende de evento futuro e muito menos incerto, a sociedade concede um desconto para que o cliente adquira uma quantidade maior de produtos, de modo a conseguir fechar um determinado volume. Destaquese que, em algumas vezes, esta prática resulta também na otimização dos gastos com frete para a entrega da mercadoria. O quadro a seguir demonstra os valores relativos aos principais descontos incondicionais concedidos pela companhia no período objeto do procedimento fiscal: [...]Deve, portanto, ser reconhecida a improcedência das glosas relativas aos descontos incondicionais, haja vista que tais valores devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. (grifo nosso) Compulsados os autos verificase que a autoridade fiscal, na verificação da regularidade da apuração dos créditos e dos débitos das contribuições demonstrados em Dacon, laborou a partir dos demonstrativos contábeis apresentados pela contribuinte. Identificou no plano de contas apresentado a conta “510855 Bonificação Promocional”, inserida nas despesas com vendas no mercado interno, e a “530579 – Bonificação”, em relação ao mercado externo, sem qualquer lançamento em 2006. Intimou, então, a contribuinte: a prestar esclarecimento sobre a natureza, operacionalização e contabilização das tais bonificações; prestar esclarecimentos sobre as contas contábeis “330040 Desconto Incondicional –Frigorificados”, “330042 Desconto Incondicional c.c.”, “330044 Desconto Incondicional –Ração” e “330047 Desconto Incondicional Frigorificados CD”; a apresentar os documentos representativos de uma determinada amostra de lançamentos a débito presentes na conta contábil “330040 Desconto Incondicional — Frigorificados”, inclusive, se fosse o caso, “os contratos com os clientes que estabeleçam os descontos lançados”. Em análise às respostas apresentadas pela contribuinte, verificase que correta é a conclusão da autoridade fiscal de que todas as bonificações estavam escrituradas na contabilidade como descontos incondicionais; fato, observese, não contestado pela impugnante. Salientese que a contribuinte, naquela ocasião, não se manifestou em relação aos lançamentos a débito presentes na conta contábil “330040 Desconto Incondicional —Frigorificados”. Analisando o que relata a autoridade fiscal, verificase que este, ao contrário do que alega a impugnante, não “glosou todos os descontos do período”, mas somente aqueles cujos “lançamentos traziam no histórico claros indícios de que se tratavam de descontos ou bonificações condicionadas a atingimento de metas ou relativos a rateio de despesas de publicidade”. Notese que para esses lançamentos não há a indicação da nota fiscal correspondente e que a contribuinte, intimada e reintimada, não forneceu os documentos solicitados que foram selecionados a fim de representarem o Fl. 2851DF CARF MF Processo nº 11516.721278/201191 Acórdão n.º 3402004.904 S3C4T2 Fl. 2.831 43 conjunto investigado (dos lançamentos a débito presentes na conta contábil 330040 Desconto Incondicional —Frigorificados); em resposta à segunda intimação, a contribuinte disse apenas que “não foram encontrados os documentos necessários que dão suporte aos lançamentos mencionados”. A autoridade fiscal, portanto, glosou somente os valores presentes nas contas relativas a descontos incondicionais, desacompanhados das respectivas notas fiscais, cujos lançamentos (3.289 entre janeiro e março) não se enquadram nas condições de descontos incondicionais – como disse a autoridade fiscal tais valores “referiamse a descontos ou bonificações condicionadas, inclusive o montante de vendas ou inauguração de lojas. A toda evidência, tais ‘descontos’ são concedidos em momento posterior à operação de venda e sua contabilização não passa pelas contas de receita”. Como se vê, a partir da escrituração contábil e dos esclarecimentos prestados pela contribuinte, verificouse que dentre os valores lançados a título de descontos incondicionais há valores que não correspondem a descontos desta natureza e que, portanto não poderiam ser utilizados para reduzir a base de cálculo da contribuição devida. A contribuinte, instada mais de uma vez para tanto, não foi capaz de comprovar que tais descontos de fato consistiam de descontos incondicionais, razão pela qual a autoridade fiscal lançou a contribuição devida sobre os valores indevidamente deduzidos da base de cálculo da contribuição. Observese que, em se tratando de valores redutores da contribuição devida (descontados da base de cálculo da contribuição, no caso, das receitas de venda), é do contribuinte o ônus de comprovar a natureza e efetiva ocorrência das operações dos quais estes decorrem, nos termos e valores por ele escriturado. Em sede de impugnação, a contribuinte igualmente nada trouxe no sentido de comprovar o direito de descontar da base de cálculo das contribuições os valores ora em análise. Em verdade, como visto, em sua impugnação a contribuinte limitouse a defender o direito de deduzir os valores ditos como “descontos concedidos visando a fidelização”, “descontos de inauguração e aniversário de clientes” e “desconto concedido para o fechamento de volume/lotes”. Alega que tais descontos são “concedidos pela companhia configuramse incondicionais, vez que são definidos no momento da negociação da venda e não dependem de evento futuro e incerto, até mesmo quando identificado um percentual no histórico do registro contábil”. Trouxe uma consolidação de valores referente a tais descontos, mas não juntou nada no sentido de comprovar a natureza que alega de tais descontos; não juntou qualquer documento nota fiscal ou contratos com os clientes que estabeleçam os descontos lançados capaz de comprovar que tais descontos são concedidos no momento da operação de venda, e não em momento posterior, e que tenham transitado por contas de receita (alterando o valor contabilizado na receita de vendas)". Assim, é procedente o lançamento da contribuição sobre os valores indevidamente deduzidos das receitas de venda. 14. DA RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA Em sua Impugnação, a Recorrente requereu que, "caso fosse reconhecida a total ou parcial procedência do Auto de Infração impugnado, deveria ser cancelada a multa imposta à Recorrente sobre os débitos que pretendeu compensar, tendo em vista a ilegalidade da sua exigência, diante da interpretação adequada dos artigos 132 e 133 do CTN; constatase, portanto, que: (i) a multa fiscal, imposta à empresa sucedida, já constituída ou em discussão no momento da incorporação é absorvida pela empresa sucessora; ao passo que (ii) a multa fiscal, imposta à empresa sucedida, constituída após a incorporação e referente à fatos geradores anteriores à incorporação não é exigível da empresa sucessora". Fl. 2852DF CARF MF 44 Como se vê, entende a Recorrente que deve ser cancelada a multa imposta no presente feito, tendo em vista a ilegalidade da sua exigência, diante da interpretação adequada dos artigos 132 e 133 do CTN. Pois bem. A ciência do Auto de Infração se deu em 29/07/2011 (fl. 2.020), portanto, em data posterior à incorporação da Perdigão Agroindustrial S.A. pela Perdigão S.A. (atual BRF Brasil Foods S.A.), que ocorreu em 2009, conforme Ata da Assembléia Geral Extraordinária da Perdigão Agroindustrial S.A. Alega a Recorrente não ser a responsável pela multa aplicada, a teor dos artigos 132 e 133 do CTN. A multa, imposta à empresa sucedida, já constituída ou em discussão no momento da incorporação é absorvida pela empresa sucessora e que a multa imposta à empresa sucedida, constituída após a incorporação e referente à fatos geradores anteriores à incorporação não pode ser exigível da empresa sucessora. Notese, primeiramente, que tratase de auto de infração e de multa de ofício decorrente pelo não pagamento de tributos devidos pela sucedida, decorrentes de fatos geradores ocorridos antes do ato de sucessão. Registrese, que tratase de créditos declarados em DComp, aspecto incontroverso quanto à responsabilidade da incorporadora pelos tributos devidos pela incorporada. Pretende a Recorrente dar interpretação literal ao artigo 132 do CTN, todavia, esta não é a melhor exegese sobre a responsabilidade pelo crédito tributário na sucessão. Na interpretação legislativa, não há como de ater somente a literalidade da lei; há que se buscar a exegese de forma completa, estudando o preceito em relação ao sistema em que se insere – considerando a própria lei e o sistema em vigor alcançando o seu sentido e a finalidade para a qual foi editada. Ressaltese que o artigo 132 está inserido, no referido diploma legal, no Livro Segundo, Título II, Capítulo V, Seção II, seção que trata da “Responsabilidade dos Sucessores”, inaugurada pelo art. 129, in verbis: Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. Tal artigo enuncia a regra geral aplicável a todas as disposições sobre a responsabilidade dos sucessores, portanto, incabível interpretar o referido artigo 132 de forma literal e isoladamente, de modo a exonerar o sucessor da responsabilidade pelas multas, tendo em conta que a regra geral trata expressamente de “crédito tributário”, que engloba não apenas o valor atualizado dos tributos até então devidos pela sucedida, como também as multas (moratórias ou de ofício), posto que ambos integram o passivo fiscal da incorporada. Na redação dos artigos acima referidos (129 e 132), “tributo” equivale a “crédito tributário”, abrangendo o principal e as cominações legais. Nesse sentido, importa mencionar outros artigos do CTN: o art. 113 que determina que a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária; o art. 114 que define o fato gerador da obrigação principal como a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência; e o art. 139 do CTN que define que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Destarte, se a lei excluísse as multas da responsabilidade dos sucessores, estaria criada uma permissão legal para que as empresas, por meio de sucessivas Fl. 2853DF CARF MF Processo nº 11516.721278/201191 Acórdão n.º 3402004.904 S3C4T2 Fl. 2.832 45 transformações societárias, ficassem sempre a salvo de imposições de multas por infrações à legislação tributária. Certamente, não foi essa a intenção do legislador. Portanto, o artigo expressamente declara que os sucessores respondem não somente pelos créditos tributários definitivamente constituídos na data da sucessão e pelos créditos tributários em curso de constituição na mesma data, mas também pelos créditos tributários cuja constituição se iniciou posteriormente à data da sucessão, desde que relativos a fatos geradores surgidos até a referida data. Desta forma correto o lançamento. Sendo a sucessora responsável pelos créditos tributários constituídos posteriormente ao ato de sucessão, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até data do referido ato, cabível é a exigência de multa de ofício da sucessora por infração cometida pela sucedida. 15. Inconstitucionalidade das leis, ilegalidade das IN, conceito de insumo. Em síntese, a Recorrente argumenta que as instruções normativas citadas e a própria fiscalização nos presentes autos, ao empregarem o conceito extremamente restritivo e equivocado de insumo, inovaram na ordem jurídica criando deveres e obrigações ao contribuinte em detrimento da legislação constitucional. Tratase de matéria que, como se sabe, não pode ser apreciada no âmbito administrativo, consoante entendimento consolidado na Súmula CARF nº 2, segundo o qual o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não tem competência para a declaração de inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses do art. 62 do Regimento Interno: Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 16. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA (SELIC) SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Aduz em seu recurso que, "(...) conforme se infere da análise do art. 61, §3° da Lei n° 9.430/96, o legislador estabeleceu a aplicação de juros de mora sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições (que é uma espécie do gênero tributo), não pagos em seu vencimento. Contudo, o art. 61 da Lei n° 9.430/1996, não autorizou a aplicação de juros de mora (SELIC) sobre multas de ofício, tal como se está exigindo no processo em tela". Essa matéria é recorrente neste Colegiado, sendo minha posição conhecida no sentido de sua pertinência. Em seu recurso, defende a Recorrente ser incabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, por ausência de dispositivo legal. Contudo, pareceme induvidoso que a multa de ofício integra o conceito de obrigação tributária esposado pelo artigo 113 do Código Tributário Nacional. Como é cediço, o conceito de crédito tributário no Brasil engloba tributo e multa, como expressamente estabelece o artigo 43 da Lei nº 9.430/96: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Fl. 2854DF CARF MF 46 Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o §3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifei) O artigo 5º, §3º, da Lei nº 9.430/96: As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (grifei) No mesmo sentido, impõe o Código Tributário Nacional que: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.(grifei) Do exposto podemos concluir que há disposição expressa para a cobrança de juros sobre multas, porque incluídas no conceito de crédito tributário, e que a taxa aplicável à espécie é a referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Esse também é o entendimento do STJ sobre o assunto, conforme se observa da ementa a seguir transcrita (AgRgnoREsp1335.688/PR DJe de 10/12/2012): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1.Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel.Min.Teori Albino Zavascki, DJde2/6/2010. (grifei). E no CARF, a matéria vem sendo debatida exaustivamente, razão pelaqual colaciono alguns de seus julgados a respeito: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional.Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdãonº 9101002.180, CSRF, 1ª Turma) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente Fl. 2855DF CARF MF Processo nº 11516.721278/201191 Acórdão n.º 3402004.904 S3C4T2 Fl. 2.833 47 do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão nº 9202003.821,CSRF 2ª Turma) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão nº 9303003.385, CSRF, 3ª Turma). Assim, devem ser mantidos os juros de mora sobre a multa de ofício. 17. Dispositivo Diante do exposto, voto no sentido de dar PARCIAL provimento ao recurso voluntário apresentado, para que reconheçase à Recorrente, o direito à apropriação do crédito presumido na forma do artigo 8º, §3°, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, ou seja, no equivalente a 60% do valor dos créditos previstos no artigo 3°, da Lei nº 10.833, de 2002, nos termos do "item 12" deste voto e deve ser revertido a glosa dos valores da aquisição dos materiais de embalagem para transporte, mantendose a glosa referente aos "pallets". Mantenhase a decisão recorrida em TODOS os demais termos. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 2856DF CARF MF 48 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Fui designado pela Presidência desta turma para a redação do voto vencedor nos seguintes pontos: i) reconhecimento da validade dos créditos de faturamento de compras para entrega futura; ii) do direito ao crédito das despesas com fretes especializados dos produtos acabados entre estabelecimentos para atender as exigências sanitárias; e iii) do direito ao crédito das aquisições de pallets para transporte. i) Validade dos créditos de faturamento de compras para entrega futura Neste caso, foi rejeitado pela fiscalização o crédito relativamente a notas fiscais com o código 1922, que representa o faturamento decorrente de compra para futuro recebimento, ou seja, essas notas fiscais não representam a entrada do insumo adquirido no estabelecimento produtor, entrada esta que ocorrerá posteriormente, amparada por notas fiscais de remessa das mercadorias com o código CFOP 1116, que tenham relação com as notas anteriores. Entendeu a fiscalização, pois que apenas no momento efetivo da entrada é que se dá o direito ao crédito da contribuição que incidiu na aquisição de insumos. Tal posição, todavia, restou afastada recentemente na Solução de Consulta COSIT nº 507/2017, assim ementada: EMENTA: NÃO CUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA. VENDA PARA ENTREGA FUTURA. RECEITAS. MOMENTO DO RECONHECIMENTO. REGIME DE COMPETÊNCIA. Considerase como venda para entrega futura aquela resultante de contrato de compra e venda em que, no momento de concretização do negócio, o vendedor já possui em estoque as mercadorias ou produtos vendidos, os quais, por vontade dos contratantes, permanecerão com o vendedor, na condição de mero depositário, para entrega ao comprador em ocasião posterior. Na apuração da Contribuição para o PIS/Pasep pelo regime não cumulativo, as agroindústrias que vendem para entrega futura mercadorias resultantes da industrialização de sua própria produção devem reconhecer as receitas decorrentes dessas vendas no momento da celebração do contrato, quando o negócio se aperfeiçoa e o comprador tornase proprietário dos referidos bens, e não no momento da transmissão da posse das mercadorias vendidas. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, art. 1º; MP nº 2.15835, de 2001, art. 20; Decreto lei nº 1.598, de 1974, arts. 7º, § 4º, e 67, caput, XI; Lei nº 6.404, de 1976, arts. 177 e 187, § 1º; RIPI/2010, arts. 187, I e II, 407, VII, e 410; Convenio Sinief s/nº, de 1970, art. 40; PN CST nº 58, de 1977, item 4.3; PN CST nº 40, de 1976, item 4; PN CST nº 73, de 1973, itens 5 a 8; Resolução CFC nº 750, de 1993, art. 9º. Tal solução de consulta reconhece expressamente a distinção entre o chamado "faturamento antecipado" (no qual a mercadoria ainda será produzida) e a "venda para entrega futura" (na qual a mercadoria já existe, mas tem sua entrega postergada por liberalidade do comprador), para aduzir que no segundo caso o negócio se aperfeiçoa com a Fl. 2857DF CARF MF Processo nº 11516.721278/201191 Acórdão n.º 3402004.904 S3C4T2 Fl. 2.834 49 respectiva aquisição dos bens no momento da celebração do contrato, e não no momento da transmissão da posse. Portanto, a interpretação vigente e vinculante para os auditores da RFB para o art. 3º, §3º, I da Lei 10.833/03 e 10.637/02, em relação à venda para entrega futura, é que o fato gerador do direito ao crédito é a celebração do contrato, que marca a aquisição do bem, a despeito da transmissão se operar posteriormente. Desse modo, há que se reconhecer créditos do faturamento de compras para entrega futura, com fundamento expresso na Solução COSIT nº 507/2017. ii) Créditos de frete especializado Foram glosados pela fiscalização os CFOPs 1931 e 2931, referentes a pagamento de fretes de transferência. Conforme consta do processo tais despesas correspondem ao pagamento de fretes sobre o transporte de mercadorias entre estabelecimentos da empresa. No que concerne aos fretes de transferências de produtos acabados entre filiais, a recorrente afirma que seu processo produtivo não se esgota no estabelecimento industrial, pois quando o produto industrializado é finalizado ele deve ser entregue o destinatário final em condições de aptidão ao consumo humano, segundo critérios estabelecidos pelos órgãos competentes, razão pela qual participam do próprio processo de industrialização e obtenção de receita (Portaria da ANVISA SVS/MS nº326/2007 e Resolução CISA/MA/MS nº 10/1984). Adiro ao entendimento majoritário desse colegiado, versado no Acórdão CARF nº 3402003.148, redigido pela Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que reconhece o direito a este creditamento por se tratar de um frete especializado para atender a exigências sanitárias, essenciais para que o produto final chegue ao comprador sem perder suas qualidades intrínsecas, sendo despesas operacionais da Recorrente. Desse modo, devem ser revertidas as glosas dos créditos de fretes especializados para transporte dos produtos acabados, em conformidade com as regras sanitárias pertinentes. iii) Créditos de pallets para transporte Foram glosados também os valores relativos à aquisição de pallets por não se enquadrarem no conceito de insumo e sim trataremse de aquisições e serviços sobre materiais destinados ao transporte da produção da empresa, conforme o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “a” da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004, (IN SRF 247/2002, art. 66 para o PIS). Em relação aos custos de aquisição de pallets de transporte este Colegiado também já se manifestou, majoritariamente, sobre estes insumos, no Acórdão nº 3402004.343, no qual fui designado para a redação do voto vencedor, com os fundamentos abaixo transcritos: Apesar de não se incorporarem ao produto final, entendo que pode ser considerado como insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas, o material de embalagem ou transporte, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo Fl. 2858DF CARF MF 50 produtivo, de forma que o produto final destinado à venda tenha as características desejadas quando chegar ao comprador. Nesse sentido é a jurisprudência desta 3ª Seção, conforme trecho do Voto Vencedor da Conselheira Fabíola Cassiano Keramidas: Processo nº 12571.000126/201079 Acórdão nº 3302001.858 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária (...) Após análise dos autos constato que o único item possível para o crédito do PIS e COFINS não cumulativo tratase da embalagem para transporte. Em relação a este item, ouso divergir do parecer apresentado pelo ilustre Conselheiro Relator. Pareceme claro que a embalagem de transporte é UTILIZADO no processo produtivo (isso porque entendo que a produção alcança até este momento, apenas com a embalagem para o transporte é que a fase produtiva se finda), é INDISPENSÁVEL e necessária para a composição do produto final, uma vez que a madeira tem que estar em condições para poder ser disponibilizada ao consumidor; e sem dúvida está RELACIONADO à atividade da Recorrente. (...) Além dos materiais de embalagem e transporte, os itens relativos à movimentação e à armazenagem dos produtos em elaboração também podem ensejar o creditamento das contribuições sociais não cumulativas desde que não se tratem de bens ativáveis. Conforme já foi decidido por este Conselho Administrativo, no Acórdão nº 3403002.648, de 27/11/2013, cujo Relator foi o Conselheiro Antonio Carlos Atulim, para fins de creditamento da contribuição não cumulativa, nos termos do art. 3º, II da Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, o bem deve ser aplicado no processo produtivo e não ser passível de ativação obrigatória, sendo que, na hipótese de o bem ser de ativação obrigatória, o crédito deveria ser apropriado com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. Verificase no caso concreto que os pallets são da modalidade one way, isto é, são utilizados e não retornam ao estabelecimento industrial do Recorrente, de modo que não estão sujeitos à ativação. Além disso, eventual serviço de reparo pode ser necessário durante a manutenção de um estoque de pallets e para fins de garantir que esse material de embalagem para transporte esteja em condições adequadas para garantir a higidez sanitária essencial do produto a ser transportado. Nesse sentido, inclusive, é o AgRg no REsp nº 1.125.253/SC, cuja ementa é literal a respeito: PROCESSUAL CIVIL TRIBUTÁRIO PIS/ COFINS NÃO CUMULATIVIDADE INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA POSSIBILIDADE EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. Fl. 2859DF CARF MF Processo nº 11516.721278/201191 Acórdão n.º 3402004.904 S3C4T2 Fl. 2.835 51 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1125253/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/04/2010, DJe 27/04/2010) Assim, voto por reverter as glosas de créditos de aquisição dos pallets para transporte e demais materiais de embalagem para transporte. É como voto. Fl. 2860DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.923118/2012-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do Fato Gerador: 25/05/2009
CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE.
No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento.
AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa.
COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA
Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.831
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Dèrouléde - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do Fato Gerador: 25/05/2009 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado.
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DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. Recorrente ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do Fato Gerador: 25/05/2009 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dèrouléde Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 31 18 /2 01 2- 45 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.923118/201245 Acórdão n.º 3302004.831 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB com créditos decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio de Despacho Decisório emitido pela DERATSP, a compensação declarada não foi homologada na sua totalidade, tendo em vista que o valor do pagamento tido como origem do crédito pretendido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Na Manifestação de Inconformidade apresentada, a contribuinte salienta que sempre cumpriu com suas obrigações tributárias, recolhendoas nos seus devidos prazos ou por força maior, com os devidos encargos legais, por isso discorda do débito cobrado no Despacho Decisório. Diz ser detentora de crédito decorrente de pagamento supostamente indevido ou a maior, que foi utilizado para compensar débito no mesmo valor, cuja data de vencimento é a mesma do recolhimento. Lembra que não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores declarados em Per/Dcomp e não imputou multa e juros sobre os débitos compensados porque são do mesmo período de apuração. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06045.294. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que, na compensação declarada pelo sujeito passivo, os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da Declaração de Compensação, na forma da legislação de regência. Cientificada daquela decisão a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese que: · existe nulidade do despacho decisório e do acórdão recorrido por ausência de motivação, dada a generalidade da fundamentação sem aferir o real motivo do indeferimento ou o equívoco cometido pela recorrente, com consequente cerceamento do direito de defesa; · o despacho que não homologa o pedido de compensação deve conter, tal qual o auto de infração, a descrição do fato, disposição legal infringida e multa aplicável; · não houve prejuízo para o Erário, pois apenas houve erro na rubrica no DARF, e não atraso no recolhimento; · a cobrança de multa de mora sem atraso no recolhimento constitui enriquecimento sem causa Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.923118/201245 Acórdão n.º 3302004.831 S3C3T2 Fl. 4 3 · não há que se falar em juros de mora uma vez que, no caso, o período de apuração é o mesmo para o crédito e o débito. · subsidiariamente solicita diligência para reexame dos documentos; · reitera a necessidade de suspensão da exigibilidade do crédito tributário em análise , finalmente · solicita que a advogada da causa seja intimada e informada de todas as publicações sob pena de arguição de nulidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.825, de 25 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.923119/201290, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.825): "O Recurso deve ser conhecido por ter sido apresentado tempestivamente e atender os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. Do pedido do subscritor do recurso (advogada) para recebimento de futuras publicações/intimações no endereço por ela indicado. No Processo Administrativo Fiscal PAF o artigo 10 do Decreto nº 7.574 estabelece as formas de intimação sempre direcionadas ao próprio contribuinte. Por sua vez o artigo 26 e seguintes da Lei nº 9.784, de 1999 Processo Administrativo Federal também não prevê que o advogado possa ser comunicado dos atos de interesse do administrado que em última instância é quem sofrerá seus efeitos. Atentese, ainda, que a intimação em sede de PAF é de competência da RFB não havendo pronunciamento normativo do CARF amparando a pretensão, assim sendo, indefiro o pedido. Do alegado cerceamento ao direito de defesa Sem razão a Recorrente. O Despacho Decisório de fl, 17, assim como a Decisão recorrida estão perfeitamente fundamentados, com enquadramento legal, descrição dos fatos e cálculo da valoração (detalhamento da compensação, valores devedores e Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.923118/201245 Acórdão n.º 3302004.831 S3C3T2 Fl. 5 4 emissão de DARF, fl. 11), portanto não há que se falar em nulidade de atos ou cerceamento ao direito de defesa. Mérito Cuida o presente processo de erro cometido pela Recorrente no preenchimento de código em DARF pago, cujo valor a Recorrente deseja aproveitar para pagamento do débito correspondente ao código/tributo correto sem, entretanto, sofrer os acréscimos legais da multa de mora. A recorrente não alega qualquer tipo de erro nos débitos nem há notícia de que os mesmos não tenham sido informados nas correspondentes declarações entregues antes do PerDcomp, assim sendo, os fatos mostramse incontroversos e dispensam diligência. Não se vislumbra incorreção no procedimento da RFB na análise do PerDcomp que culminou com cobrança de débitos indevidamente compensados em virtude do contribuinte não ter considerado a multa de mora no pagamento/compensação dos débitos. Pois bem, um tributo só é considerado efetivamente pago, total ou parcialmente, quando o sistema de dados da Fazenda Nacional compara o código informado no DARF com o correspondente código do débito informado em declaração específica e faz a vinculação entre ambos. Caso contrário o valor recolhido equivocadamente permanece "em aberto" como crédito e não como pagamento, podendo por isso ser restituído acrescido dos juros compensatórios. Por outro lado o débito formalmente declarado, que não corresponde ao código informado equivocadamente no DARF, continua sem quitação e a sofrer os acréscimos de juros e multa de mora. Optando ou não a contribuinte pela compensação, sempre haverá cobrança de mora se o débito não foi formalmente liquidado na data do vencimento, independente de quando tenha sido realizado o pagamento indevido. A sistemática de análise de PerDcomp não altera essas duas situações distintas e independentes (pagamento indevido e pagamento em atraso), pois ela apenas faz o encontro de contas na data da entrega do PerdComp, momento da valoração do crédito para restituição e automática conversão em pagamento do débito em aberto, total ou parcialmente, mediante compensação. Repitase que este encontro de contas sempre será desfavorável ao contribuinte tendo em vista que o código do débito1, 1 Lei 9.430, de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.923118/201245 Acórdão n.º 3302004.831 S3C3T2 Fl. 6 5 correspondente ao código correto que deveria constar no DARF, não foi encontrado pelo sistema e assim o débito em aberto sofre acréscimos da multa de mora diária mais juros de mora mensais até a data a entrega do Perdcomp, enquanto que (ii) o crédito2 a ser restituído e compensando sofre somente os juros compensatórios mensais, calculados também até a data da entrega do PerDcomp. Em resumo, se no momento da valoração, ou seja na data da transmissão da PerDcomp, o débito que se buscou compensar já estava sujeito a acréscimos moratórios, e o crédito com seus acréscimos não foram suficientes para quitálos, então a compensação é homologada parcialmente e o saldo residual do débito considerado indevidamente compensado, exigindose, em consequência, seu pagamento com os acréscimos legais3. A mesma sistemática se repete em sucessivos PerDcomp quando existe saldo residual de crédito na compensação homologada a ser aproveitado em outro(s) PerdComp. A situação parece injusta mormente porque o pagamento indevido ou a maior decorre em regra de um erro do contribuinte que não pretendia ficar em mora, porém não é o caso de se aplicar o art. 108 do CTN, pois verificase que não foi a RFB que deu causa ao erro. Ademais, mesmo sem levar em consideração os transtornos e custos que os erros causam à administração, há de se observar ainda que o julgador administrativo está vinculado à lei, ainda na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 2 Art. 72. O crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou reembolso, será restituído, reembolsado ou compensado com o acréscimo de juros Selic para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: II houver a entrega da Declaração de Compensação ...; § 1º No cálculo dos juros de que trata o caput, observarseá, como termo inicial da incidência: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) III na hipótese de pagamento indevido ou a maior: c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997; 3 Lei nº 9.430 /1996 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito... § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) IN 900/2009 Art. 38. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.923118/201245 Acórdão n.º 3302004.831 S3C3T2 Fl. 7 6 que esta reflita apenas aspectos sobre cumprimento dos prazos e forma de apuração dos valores, e assim não pode deixar de reconhecer a aplicação destas formalidades legais utilizadas para cálculo da restituição de pagamentos indevidos e para cobrança de débitos vencidos, independente deste tipo de erro cometido pela contribuinte que o deixou em mora. Não se vislumbra ilegalidade no procedimento da Receita Federal e tampouco enriquecimento ilícito da União, pois decorrente da lei. Conclusão Diante de tudo que foi exposto, rejeito a preliminar arguida, e no mérito nego provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o(s) débito(s) que se procuravam compensar já se encontravam vencidos na data em que foi transmitida a DCOMP inicial. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 146DF CARF MF
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Numero do processo: 16151.720110/2017-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1998
PAGAMENTO SEM CAUSA. REMESSA A EMPRESA CONTROLADA PARA AQUISIÇÃO DE T-BILLS. QUESTÃO COMPROBATÓRIA.
A remessa efetuada a empresa controlada, para aquisição de títulos do tesouro americano - denominados T-Bills -, deve estar suportada pelo documento que comprova sua causa, qual seja, o próprio título. Se o referido título não foi apresentado, não há como comprovar a causa da operação, mesmo que a remessa tenha sido concretizada, razão pela qual correto o lançamento do IRRF à alíquota de 35%, reajustada sua base.
MULTA AGRAVADA EM 112,5%. FALTA DE ENTREGA DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS.
Se referido arquivo magnético, cuja falta de apresentação ensejou o agravamento da multa de ofício para 112,5%, foi apresentado durante o procedimento fiscal, correta a redução da aludida multa para 75%. Ainda que o arquivo tenha sido apresentado com erro de forma, a imputação não deve prosperar, eis que há tipificação específica para tal violação - art. 12, I, da Lei 8.218/1991 -, que inclusive foi objeto de multa regulamentar aplicada devidamente pela fiscalização. Afastamento que se faz necessário.
Numero da decisão: 1401-002.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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REMESSA A EMPRESA CONTROLADA PARA AQUISIÇÃO DE TBILLS. QUESTÃO COMPROBATÓRIA. A remessa efetuada a empresa controlada, para aquisição de títulos do tesouro americano denominados TBills , deve estar suportada pelo documento que comprova sua causa, qual seja, o próprio título. Se o referido título não foi apresentado, não há como comprovar a causa da operação, mesmo que a remessa tenha sido concretizada, razão pela qual correto o lançamento do IRRF à alíquota de 35%, reajustada sua base. MULTA AGRAVADA EM 112,5%. FALTA DE ENTREGA DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS. Se referido arquivo magnético, cuja falta de apresentação ensejou o agravamento da multa de ofício para 112,5%, foi apresentado durante o procedimento fiscal, correta a redução da aludida multa para 75%. Ainda que o arquivo tenha sido apresentado com erro de forma, a imputação não deve prosperar, eis que há tipificação específica para tal violação art. 12, I, da Lei 8.218/1991 , que inclusive foi objeto de multa regulamentar aplicada devidamente pela fiscalização. Afastamento que se faz necessário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 15 1. 72 01 10 /2 01 7- 54 Fl. 3145DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso de Ofício e de Recurso Voluntário interpostos em face de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SPO I), que, por meio do Acórdão 05.222, de 06 de abril de 2004, julgou procedente em parte a impugnação apresentada pela empresa, conforme a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1998 Ementa: MAJORAÇÃO DOS CUSTOS DAS MERCADORIAS VENDIDAS. IRPJ. CSLL. O custo das mercadorias vendidas deve ser comprovado por meio de documentos hábeis e idôneos. COMPENSAÇÃO. IRPJ. CSLL. Incabível a solicitação de compensação de saldos de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa com valores apurados em ação fiscal quando comprovado que esses saldos já foram totalmente utilizados pelo contribuinte quando da opção pelo REFIS. IRRF. PRELIMINAR. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Não há que se cogitar de lançamento por homologação quando não ocorre o pagamento antecipado, hipótese em que o prazo de que dispõe o Fisco para a constituição do crédito tributário é regido pelo disposto no artigo 173 do CTN. (negritei) PAGAMENTO SEM CAUSA. IRRF. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou sua causa. (negritei) MULTA DE OFICIO. AGRAVAMENTO. MULTA REGULAMENTAR. Quando os registros e respectivos arquivos magnéticos solicitados pela Fiscalização, durante a ação fiscal, não são apresentados na forma devida, não é cabível o agravamento da multa de oficio, mas sim a aplicação da multa regulamentar de 0,5% da Receita Bruta. (negritei) Lançamento Procedente em Parte Este acórdão referese tão somente ao julgamento do que segue: Fl. 3146DF CARF MF Processo nº 16151.720110/201754 Acórdão n.º 1401002.178 S1C4T1 Fl. 3.146 3 a) Recurso Voluntário lançamento do Imposto de Renda na Fonte (IRF) decorrente de pagamento sem causa, sobre remessa efetuada ao exterior na data de 22/04/1998, que foi mantida pela DRJ. O referido lançamento faz parte do Termo de Verificação nº 3 (efls. 469 a 483). b) Recurso de Ofício multa de ofício agravada (112,5%) aplicada sobre o Imposto de Renda na Fonte (IRF) acima, que foi reduzida pela DRJ ao patamar de 75%. O referido lançamento faz parte do Termo de Verificação nº 2 (efls. 457 a 467). Como a 7ª Câmara do antigo Conselho de Contribuintes reconheceu a decadência do IRRF, em sede de preliminar, não adentrou ao mérito das questões do IRRF e da multa agravada de 112,5%. Quanto aos demais fatos geradores apurados pela fiscalização, observese que já foram julgados pela citada 7ª Câmara, cuja decisão já transitou em julgado administrativamente. Desta forma, reproduzirei neste relatório o quanto disposto no relatório do acórdão 10709.127, da sessão de 12 de setembro de 2007, proferido pela 7ª Câmara do antigo Conselho de Contribuintes, mas tão somente em relação às questões intrínsecas ao lançamento do IRF de 1998 e da multa agravada de 112,5% (efl. 2.802 e ss): O lançamento de IRRF referese a "pagamentos a beneficiários não identificados / pagamentos sem causa". Conforme relatado no Termo de Verificação nº 03 (fls. 232/239), a infração referese a operação de aquisição de títulos do governo americano, denominados TBills, no valor de R$ 12.082.980,00. Regularmente intimada, a empresa não conseguiu fazer a prova material da existência dos títulos, o que leva concluir por sua inexistência, tornando o pagamento realizado sem causa, uma vez que o fato econômico que poderia ter sujeitado tal pagamento não existiu. Nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, o imposto foi cobrado à alíquota de 35%, com a base de cálculo reajustada. Todos os lançamentos, de IRPJ, CSLL e IRRF, tiveram a multa de oficio agravada para 112,5%, em face da não apresentação dos arquivos e sistemas magnéticos, como relatado no Termo de Verificação nº 2 (fls. 226/231). Não se conformando com o lançamento, a autuada apresentou impugnação articulada da seguinte forma, em síntese, conforme os termos do relatório constante da decisão de primeira instância: (...) PENALIDADES VINCULADAS AOS ARQUIVOS MAGNÉTICOS (IRPJ. CSLL e IRRF) (...) não restou configurada, outrossim, a situação fática inserida ao § 2° do artigo 44 da Lei 9430/1996 pelo artigo 70 da Lei 9532/1997, que tem o embaraço à fiscalização, quando materializado pela não entrega dos arquivos magnéticos, como conduta típica passive l de punição mediante o agravamento das penalidades aplicadas sobre os tributos lançados de oficio. Isso porque a não apresentação dos referidos arquivos não criou nenhum embaraço à fiscalização, pois o agente fiscal Fl. 3147DF CARF MF 4 conseguiu realizar plenamente seu trabalho, que resultou em várias matérias autuadas; sem a caracterização desse embaraço, tornase indevido o agravamento das penalidades aplicadas, que resultou numa punição desproporcional à omissão constatada, malferindo o principio da proporcionalidade. IRRF não se consegue definir com clareza se a autuação tem origem em pagamento sem causa ou em pagamento a beneficiários não identificados e também sem causa; esta indefinição concorre para a invalidade do discutido lançamento porque o artigo 61 da Lei 8.981/1995, na condição de norma especial, criou uma modalidade de tributação também especial, o que determina a observância de uma subsunção rigorosamente estrita. Vale dizer, a situação fática indicada pelo Fisco deve coincidir exatamente com o fato modelo previsto na hipótese legal, não se admitindo elastério interpretativo do aplicador da norma; no caso vertente, forçadamente, a Autuante construiu um processo integrativo para sentenciar que o pagamento efetuado, em 22.04.1998, à empresa ARAPUA INTERNATIONAL INVESTIMENT CORP não tem relação com a captação de recursos feita por essa empresa no exterior, que foram aplicados na aquisição em letras do tesouro dos EUA (títulos denominados de TBILLS), que posteriormente foram transferidos para a Impugnante, mediante Instrumento Particular de Compra a Termo de Ativo Financeiro firmado em 23 de abril de 1997; a síntese apresentada pela Fiscalização no Termo de Verificação nº 03 (fls. 277) evidencia que a situação fática nela apontada não se encaixa nos estreitos limites do artigo 61 da Lei 8.981/1995. No caso presente, no rigor da própria descrição apresentada pelo Autuante, está identificado o beneficiário da remessa dos recursos a ARAPUA INTERNATIONAL INVESTIMENT CORP, como também está comprovada a operação e indicada a sua causa; o confronto entre as respostas oferecidas ao Termo de Verificação nº 08 e o resumo apresentado pelo Autuante no Termo de Verificação nº 03 demonstra que o Autuante omitiu duas informações prestadas pela então fiscalizada que comprovam, cabalmente, a realização das operações por ele questionadas. A comprovada cessão dos títulos à empresa Telenergia Adm. e Participação Ltda. pelo valor de R$ 26.468.700,00 depositados no Banco Fenícia e a habilitação dos credores externos no processo de concordata; no Termo de Verificação nº 03, há várias objeções sobre documentos que não teriam sido vertidos para a língua pátria. Não é Verdade. Foram redigidos em português todos os contratos firmados entre Impugnante e a ARAPUÃ INTERNATIONAL INVESTIMENT CORP. Quanto ao comprovante da custódia dos títulos, por exigência do agente fiscal, ele foi vertido para o português, recebendo o título de "DEPÓSITO DE ATIVO EM CUSTODIA", no rigor dos termos utilizados pela instituição responsável por essa custódia a Tiger Internacional Overseas Fund. LTD; indevida, portanto, a autuação centrada no artigo 61 da Lei 8.981/1995, por absoluta ausência de nexo causal entre o fato apontado e o citado no dispositivo legal (jurisprudência da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro às fls. 286 Decisão nº 3701); Fl. 3148DF CARF MF Processo nº 16151.720110/201754 Acórdão n.º 1401002.178 S1C4T1 Fl. 3.147 5 ademais, a Impugnante forneceu ao Banco Central do Brasil esclarecimentos sobre a operação financeira em análise (fls. 287/288), conforme comprova a cópia anexa do email expedido pela entidade (fls. 352/357), foram solicitadas em 15/05/2003 e fornecidas em 02/07/2003, antes, portanto, da lavratura do discutido auto de infração. O Banco Central do Brasil é o órgão responsável pelo controle desse tipo de remessa, motivo pelo qual são impertinentes as referências feitas pela Fiscalização sobre normas expedidas por ele, em especial as lançadas na parte "B" do termo de Verificação nº 03; os esclarecimentos prestados ao Banco Central do Brasil, lastreados nos documentos exigidos por essa instituição, representam mais uma prova cabal da efetividade da operação indevidamente questionada pela Fiscalização; o agravamento da penalidade é absurdo, visto que a apuração dessa matéria independe do controle magnético dos registros contábeis, sendo a autuação relativa ao IRRF isolada e instantânea: DECADÊNCIA. IRRF. ainda há que se observar que o Imposto de Renda Retido na Fonte obedece à sistemática de lançamento denominada por homologação, no qual a regra para contagem do prazo decadencial é dada pelo § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional. Tendo o pagamento, no caso presente, ocorrido em 22.04.1998, em 22.04.2003, já estava expirado o prazo para o Fisco expedir o questionado lançamento de oficio. Analisando o feito, a 3ª Turma da DRJ/São Paulo considerou procedente em parte o lançamento, para reduzir a multa agravada, de 112,5% para 75%. (...) (...) Inconformada com a decisão, a interessada apresentou recurso a este Conselho, articulada da seguinte forma, em síntese: a. quanto ao IRRF, diz que o Acórdão recorrido não enfrentou a questão levantada sobre o âmbito restritivo de aplicação do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, certamente porque o alcance e o significado desse dispositivo ainda não foram compreendidos pelos integrantes do Fisco; b. explica que, de acordo com o caput do referido artigo, a ausência de identificação do beneficiário é que determina a tributação do imposto exclusivamente na fonte, uma vez que o anonimato do beneficiário autoriza presumir que o valor em questão acabou sendo destinado aos integrantes da pessoa jurídica; já a tributação prevista no § 1º do mesmo artigo ocorre quando, apesar de conhecido o beneficiário, restar no anonimato a causa desse pagamento, ou seja, quando não for conhecida a natureza da operação. Não se trata nesta última hipótese, portanto, de falta de comprovação da operação, mas sim de ausência de identificação da causa do pagamento; c. diz que o Fisco, tomando unilateralmente o § 1º do artigo em comento, conferindo interpretação dissociada do caput, quer tributar, na modalidade de fonte, alíquota de 35%, todas as operações para as quais não admite as provas apresentadas. A prevalecer esse entendimento radical, o Fisco estaria liberado do encargo probatório de todo fato tributado, uma vez que, em qualquer situação, poderia afirmar que a operação realizada não tem causa comprovada. Seria Fl. 3149DF CARF MF 6 suficiente, como fez no caso vertente, colocar algumas objeções sobre as provas apresentadas pelo contribuinte; d. em suma, entende que o desconhecimento do beneficiário ou o desconhecimento da causa do pagamento é que justificam a tributação especial em análise. Por decorrência, havendo prova da operação realizada como ocorre no caso presente , a recusa dessas provas não autoriza centrar a autuação na regra especial instituída pelo citado art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995; e. assevera que, no caso, a vasta documentação carreada processo demonstra que os recursos foram encaminhados à empresa Arapuã Internacional, pela aquisição de T. Bill, por Instrumento Particular de Compra a Termo de Ativo Financeiro. f. assevera que a habilitação dos credores internacionais no processo de concordata, ao qual a Loja Arapuã foi forçada a recorrer, representa a prova definitiva de que houve captação de recursos no exterior, e que a prova material de que houve remessa dos recursos à beneficiária indicada na documentação apresentada ao Fisco Arapuã Internacional está no fato de que tal remessa foi efetivada por intermédio do Banco Francês e Brasileiro, em cuja autorização dada a esse Banco está indicada como beneficiária da remessa a Arapuã Internacional, como também está indicada a natureza da operação; g. alega que o agente fiscal colocou em dúvida a forma de envio dos recursos, deixando insinuado que essa remessa não é compatível com a operação realizada. Porém, se essa remessa não for admitida, a acusação fiscal desaparece, pois deixaria de existir o pagamento questionado; h. diz que outra prova inconteste da existência dos TBill é o contrato Particular de Compra e Venda de Ativo Financeiro em que a Lojas Arapuã cede os títulos adquiridos da Arapuã Internacional para a empresa Telenergia Adm. E Participação Ltda., cujo recebimento do preço acertado se confirma na documentação bancária trazida aos autos; i. levanta preliminar de decadência do lançamento de IRRF, por ter sido realizado em 15/07/2003, quando já decorridos mais de 5 (cinco) anos do fato gerador, ocorrido em 22/04/1998. Esclarece que a tributação na fonte decorre da auditoria efetivada no âmbito da fiscalização do imposto de renda, que indiscutivelmente se enquadra na sistemática do lançamento por homologação. (...) No CARF, a 7ª Câmara reconheceu a decadência do IRRF sobre pagamento sem causa, por entender que o prazo para homologação é aquele previsto no art. 150, § 4º, do CTN, mesmo que houvesse pagamento. Assim, na data do lançamento fiscal (15/07/2003), o lançamento já havia sido atingido pela decadência de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador (22/04/1998). Veja na ementa: MAJORAÇÃO DE CUSTOS. FRAGILIDADE DA PROVA. Não se mantém o lançamento por majoração de custos apoiado apenas em planilha de demonstrativo da composição do valor das compras registrado na DIPJ, sem que a Fiscalização tenha aprofundado as investigações na escrituração da empresa ou intimado a contribuinte a explicar a inconsistência, sendo que, em diligência determinada para esse fim, não foi confirmado o correto valor dos compras no período. APRESENTAÇÃO DOS REGISTROS E ARQUIVOS MAGNÉTICOS. FALTA DE ATENDIMENTO QUANTO À FORMA. MULTA. Fl. 3150DF CARF MF Processo nº 16151.720110/201754 Acórdão n.º 1401002.178 S1C4T1 Fl. 3.148 7 É devida multa de 0,5% do valor da receita bruta do período, por falta de atendimento quanto à forma em que devem ser apresentados os registros e arquivos magnéticos. DECADÊNCIA IRF A ausência de pagamento do tributo não é razão para que a exação sujeita a lançamento por homologação tenha o prazo de decadência contado pelo art. 173 do CTN, ao invés de adotar o prazo previsto no art. 150, § 4º do mesmo Código, pois o que este dispositivo homologa é a atividade exercida pelo contribuinte. (negritei) NEGADO provimento ao recurso de oficio e DADO provimento parcial ao recurso voluntário. Após decisão da turma do Conselho de Contribuintes, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial (efls. 2.864 a 2.878) à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em que pediu pelo afastamento do reconhecimento da decadência. A empresa apresentou contrarrazões ao Recurso Especial da Procuradoria, nas efls. 2.930 a 2.938. Na sessão de 16 de março de 2017, por meio do Acórdão 9101002.703 (e fls. 3.069 a 3.076), a 1ª Turma da CSRF conheceu do Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda e deulhe provimento, determinando o retorno dos autos à turma a quo para análise dos demais pontos relacionados ao IRF. No retorno do processo, coube a mim sua relatoria. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Como visto, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais afastou o reconhecimento de decadência pela 7ª Câmara do antigo Conselho de Contribuintes, por entender que a decadência não se operou em razão da falta de pagamento do IRRF, o que teria deslocado a contagem do prazo decadencial para o art. 173, I, do CTN. Nesse sentido, uma vez que o fato gerador do IRRF concretizouse em 22/04/1998, o prazo decadencial teve seu curso iniciado em 1º de janeiro de 1999, que é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Desta forma, o prazo fatal para o lançamento tributário se encerraria em 31/12/2003. Como a autuação fiscal foi efetuada em 15/07/2003, o lançamento não foi atingido pela decadência. Ultrapassado isto, resta verificar os demais pontos em relação ao IRRF. Fl. 3151DF CARF MF 8 Como visto, o recurso de ofício trata de questão complementar ao ponto a ser enfrentado no recurso voluntário. Desta forma, para que o recurso de ofício seja analisado, entendo que devo primeiramente enfrentar a matéria constante no recurso voluntário, visto que, uma decisão favorável à recorrente, torna a análise do recurso de ofício prejudicada. RECURSO VOLUNTÁRIO A meu ver, a questão central aqui a ser debatida é meramente probatória. A fiscalização aduziu que a empresa não comprovou que os títulos indicados por ela (empresa), os quais davam suporte à remessa ao exterior, efetivamente existiram. A recorrente, por sua vez, alega que a operação existiu e, para tanto, apresenta alguns documentos que supostamente fazem prova da existência da operação de remessa ao exterior e de sua causa. Pois bem. O art. 61 da Lei nº 8.981/1995 é muito claro ao dispor sobre a regra matriz de incidência do IRF em questão: Art. 61. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, a alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74. da Lei nº 8.383, de 1991. Como se pode ver, o IRF incide sobre 1º) pagamentos; que não tiveram 2º) comprovação de sua operação ou a sua causa. A recorrente apresenta vários documentos que comprovam que a operação de remessa (o pagamento) efetivamente existiu, vejase (efls. 187 e ss): 1) Instrumento Particular de Compra e Venda a Termo de Ativo Financeiro firmado em 23/04/1997. 2) Instrumento Particular de Aditamento ao Instrumento Particular de Compra e Venda a Termo de Ativo Financeiro datado de 01/10/1997. 3) Cópia da folha do livro diário geral onde consta o lançamento de valor R$12.082.980,00. 4) Cópia de cheque referente pagamento de valor R$12.082.980,00 emitido em 22/04/1998; Cópia de carta enviada ao Credit Lyonnais em 22/04/1998 autorizando a transferência do numerário; Fl. 3152DF CARF MF Processo nº 16151.720110/201754 Acórdão n.º 1401002.178 S1C4T1 Fl. 3.149 9 Cópia de carta enviada ao BSIBanca Della Svizzera Italiana em 28/04/1998 efetivando o pagamento a Arapuã International; Cópia extrato bancário, Banco Fenícia, onde consta o débito de valor R$12.082.980,00 em 22/04/1998; Como se pode perceber, os documentos acostados ao processo são suficientes a comprovar que os valores foram remetidos pela ora recorrente à sua empresa controlada no exterior Arapuã International. Quanto à causa da operação, a fiscalização concluiu que a empresa não conseguiu fazer prova material da existência dos títulos TBills supostamente adquiridos, pela empresa, de sua filial no exterior. Desta forma, podese inferir a seguinte percepção pelo fisco: se a empresa indica uma causa, mas não a prova, deduzse que a causa não está indicada. A DRJ, seguindo o que fora aferido pelo fisco, manteve o lançamento fiscal com base na falta de formalidade de documentos relevantes à comprovação da causa da operação (efls. 2.048 a 2.052): 33. A Impugnante alega que a Fiscalização omitiu no Termo de Verificação nº 03 dois dados importantes que foram objeto de resposta ao Termo de Intimação nº 08: A interessada teria comprovado a cessão do títulos à empresa Telenergia Adm. e ParticiPação Ltda. pelo montante de R$ 26.468.700,00 depositados no Banco Fenícia (fls. l9/125) e a habilitação dos credores externos no processo de concordata. Ademais, a acusação de que os documentos não teriam sido vertidos para a língua pátria não seria verdade. Argumentou, outrossim, que foram prestados esclarecimentos ao Banco Central do Brasil, lastreados nos documentos solicitados, órgão esse responsável pelo controle desse tipo de operação, motivo pelo qual são impertinentes as referências feitas pela Fiscalização sobre normas expedidas por ele, em especial as indicadas na arte "B" do Termo de Verificação nº03. 34. Ocorre que a Fiscalização demonstrou diversas inconsistências com relação à comprovação da operação por meio da qual a Arapuã Internacional Investiment Corp. teria supostamente adquirido, inicialmente, da Liberal Banking Corporation Limited, as TBILLS. 35. O contrato (fls. 203/205) da suposta compra de TBILLS apresentado pela Impugnante durante a ação fiscal está em inglês (Lei 6015/1973), os seus signatários não estão identificados, não há prova de que eles representem as empresas indicadas no contrato, não há assinaturas de testemunhas do acordo supostamente realizado, não há qualquer tipo de autenticação das assinaturas dos contratantes, nem registro do contrato ou visto consular (Súmula 259 do STF) e não há comprovação de que a ofertante (Liberal Banking Corporation Limited) possuía de fato os títulos ("confirmation"). 36. Ademais, a comprovação da custódia também não foi considerada a contento. O documento para comprovar a custódia dos títulos consistiu em uma cópia reprográfica simples (fls. 206) e a respectiva tradução juramentada de um "depósito de ativos em custódia" (fls. 211/212); entretanto, em nenhum momento foi apresentado o recibo de custódia e nem mesmo documentos comprobatórios da conta. Fl. 3153DF CARF MF 10 37. Além disso, apesar de a empresa ter apresentado documentos relativos a uma movimentação bancária no valor de R$ 26.468.700,00 (fls. 122/125), que corresponderiam à venda das TBILLS por parte das Lojas Arapuã S/A, não apresentou a ordem de transferência ao Banco custodiante de que o novo proprietário dos títulos seria a Telenergia Adm. e Participações Ltda. (item "i" do Termo de Intimação nº 08), e o contrato particular de compra e venda (fls. 200/202) não tem a assinatura de testemunhas, não foi registrado e as assinaturas dos contratantes dele constantes não foram autenticadas. 38. A respeito do fato desse último contrato não apresentar carimbo atestando sua inscrição no Registro de Títulos e Documentos, leiase, o que o caput do art. 135 do Código Civil (Lei nº 3.071, de 01/01/1916) então em vigor diz sobre a matéria: "O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na disposição e administração livre de seus bens, sendo subscrito por 2 (duas) testemunhas, prova as obrigações convencionais de qualquer valor. Mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de transcrito no Registro Público." 39. Observese que o valor total da operação foi por volta de US$ 25.000.000,00, valor expressivo, o que reforça a idéia da necessidade da efetiva comprovação das cautelas usuais à operação em pauta, e não as apresentadas pela Defendente, não tendo sido comprovada por parte da empresa a existência do ativo financeiro. 40. A empresa, outrossim, não apresentou, em sua defesa, qualquer justificativa sobre o fato do valor remetido para o exterior não se encontrar refletido nos registros contábeis, como determina o artigo 197 do RIR/1994, já transcrito acima. 41. O contribuinte deve manter registros precisos, bem como os documentos que os suportam, para poder comprovar adequadamente suas transações, o que definitivamente não ocorreu no presente caso. 42. Por fim, a alegação de que a empresa teria fornecido esclarecimentos ao Banco Central do Brasil BACEN, por email (fls. 352/357), da operação por ela realizála, e de que o BACEN é o órgão responsável pelo controle desse tipo de remessa, não elide a infração verificada pela Fiscalização, dado que a competência para analisar os aspectos tributários das operações realizadas pela Lojas Arapuã S/A, como a tratada no Termo de Verificação nº 03, é da Secretaria da Receita Federal SRF. Salientese que as cópias dos emails anexadas não trazem informações que não tenham sido discutidas nos autos. A recorrente, por sua vez, argumenta que os documentos apresentados são suficientes para referida comprovação (efls. 2.133): Em primeiro lugar, a habilitação dos credores internacionais no processo de concordata, ao qual a Recorrente foi forçada a recorrer, representa a prova definitiva de que houve captação de recursos no exterior. Há prova material, portanto, sobre a aquisição dos denominados TBills. Há igualmente prova material de que houve remessa dos recursos à beneficiária indicada na documentação apresentada ao Fisco a Arapuã International , posto que essa remessa foi efetivada por intermédio do Banco Francês e Brasileiro. Na autorização dada a esse Banco está indicada como beneficiária da referida remessa a Arapuã International, como também está indicada a natureza da operação realizada entre as empresas ligadas Arapuã brasileira e a Arapuã International. (...) Fl. 3154DF CARF MF Processo nº 16151.720110/201754 Acórdão n.º 1401002.178 S1C4T1 Fl. 3.150 11 Nas folhas 2.137, a recorrente conclui: A remessa dos recursos, portanto, está cabalmente comprovada. Como também está comprovado que esses recursos foram encaminhados à empresa Arapuã International, que é a beneficiária da operação em análise, que em nenhum momento teve sequer questionada essa sua condição. Pois bem. Para entendermos a operação, convém reproduzir a ordem cronológica dos fatos: Em 23/04/1997, a Arapuã International adquire títulos no exterior, no valor de US$ 25,000,000.00. Na mesma data (23/04/1997), a Arapuã International figurou como vendedora em contrato de venda e compra de ativos financeiros no valor de face de US$ 25,090,366.45, cuja compradora era a recorrente. Tal contrato tinha como objeto a aquisição de títulos do tesouro americano, denominado TBills, e que tinha como previsão de pagamento, pela compradora, a data de 24/04/2000, mediante depósito em conta corrente, a ser previamente determinada pela vendedora, de um montante em reais equivalente naquela data a US$ 40,000,000.00. No mesmo mês de abril de 1997, a recorrente cedeu os direitos aos títulos à Telenergia Adm. e Participações, recebendo à vista pelo montante de R$ 26.468.700,00. Na data de 01/10/1997, houve aditamento do contrato entre a recorrente e a Arupuã International, em que a previsão para pagamento foi postergada para 24/04/2005, em que restou consignado que valor a pagar seria de US$ 25,000,000.00. Na data de 22/04/1998, a recorrente efetuou a remessa no montante de R$ 12.082.980,00 à Arapuã internacional, cuja natureza da remessa é de Disponibilidades no Exterior. Na data de 22/06/1998, a Arapuã (recorrente) requereu concordata, em que foram habilitados seus credores, cujo montante da dívida era de US$ 19.400.000,00. O Anexo I (efl. 196) do contrato de venda e compra de ativos financeiros apenas reproduz o objeto do contrato, não se tratando do próprio TBill adquirido no exterior, vejase: ANEXO I ATIVOS TIPO: US TREASURY N/B EMITENTE: GOVERNO DOS ESTADOS UNIDOS NÚMERO DE REGISTRO: 9128272N1 DATA DE EMISSÃO: 31 DE MARÇO DE 1997 VENCIMENTO: 31 DE MARÇO DE 1999 Fl. 3155DF CARF MF 12 VALOR DE FACE: US$ 25.090.366,45 Inicialmente, mister rebater argumento ofertado pela recorrente de que não se sabe se a autuação decorreu de pagamento a i) beneficiário não identificado ou a ii) beneficiário não identificado e sem causa. Ora, resta muito evidente que o lançamento fiscal trata da falta de comprovação da causa da operação de remessa do montante de R$ 12.082.980,00 e assim foi trazido pela fiscalização, veja (efl. 481): De todo o exposto, fica cabalmente comprovado que a fiscalizada não conseguiu fazer a prova material da existência dos títulos. Tal fato nos leva a concluir por sua inexistência. O pagamento realizado tornase sem causa econômica. O fato econômico que poderia ter sujeitado ao seu pagamento não existiu. (destaques são meus) A lei 8.981/95, atualizada pela Lei 9.065/95, em seu artigo 61, parágrafo primeiro prevê a incidência na fonte à alíquota de 35% com base de cálculo reajustada a todos os pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. (destaques são meus) Outrossim, não entendo haver recusa das provas por parte da fiscalização, como alegou a recorrente. O fisco examinou as provas apresentadas, mas seu fundamento para a autuação reside na falta de apresentação dos títulos TBILLS que, digase, não foram apresentados em nenhum momento. E também não percebo que a responsabilidade do encargo probatório seja (exclusiva) do fisco, como afirmou a recorrente. O fisco solicitou a comprovação da operação da remessa e de sua causa. Se a empresa não apresentou, correto o entendimento do fisco de que a causa da operação não foi comprovada. Caso a empresa tivesse razão em suas alegações quanto ao ônus probante, nenhum lançamento fiscal em que algum contribuinte deixe de apresentar documentos e esclarecimentos à fiscalização deveria prosperar, pois se o fisco não faz prova de que os documentos existiram, mas não condizem com a essência, o lançamento estaria eivado de vício de nulidade. É uma incoerência pensar assim. Por outro lado, tenho que ressaltar que sou partidário de que a falta de formalização de alguns documentos, por si só, não é capaz de afastar o argumento da recorrente quanto à causa do pagamento. Entretanto, somados esses indicativos a outros indícios, a justificativa torna se mais enfraquecida. E foi o que percebi no caso. Não obstante a recorrente apresentar vários documentos referentes à operação, o que me faz inferir que a operação efetivamente não tinha uma causa justificável é a falta de apresentação dos referidos títulos (TBills) durante o procedimento fiscal, tampouco durante o processo administrativo fiscal. Assim, não há como aceitar o fundamento econômico indicado pela recorrente, razão pela qual tornase insubsistente a causa trazida pela recorrente aos autos do processo. Esta conclusão é reforçada pelo fato da operação ter sido contratada com empresa ligada, o que demandaria menos esforços à recorrente para levantar a documentação e apresentála ao fisco. Fl. 3156DF CARF MF Processo nº 16151.720110/201754 Acórdão n.º 1401002.178 S1C4T1 Fl. 3.151 13 E nem os elementos e documentos apresentados pela recorrente por exemplo, justificativas apresentadas junto ao Banco Central do Brasil, habilitação de seus credores são suficientes para fazer prova de que os títulos efetivamente existem, eles apenas comprovam que a operação foi realizada, mas isso não nos permite inferir que a causa foi justificada. Outro argumento que entendo não merecer guarida é o que segue (efl. 2.117): Na interpretação desse parágrafo, a primeira dúvida a ser sanada exige resposta para a seguinte indagação: pode um parágrafo ter conteúdo distinto da regra prevista no caput do artigo? A resposta, evidentemente é negativa, já que o parágrafo deve explicitar o comando previsto no caput. Dessa forma, também nesse parágrafo deve estar prevista situação em que o Fisco, por desconhecimento da causa da operação, vêse impedido de realizar a prova do fato tributado que a lei lhe impõe. Isso ocorrerá quando, apesar de conhecido o beneficiário, restar no anonimato a causa desse pagamento. Em suma, quando não for conhecida a natureza da operação. Não se trata, portanto, de falta de comprovação da operação, mas sim de ausência de identificação da causa do pagamento. A recorrente parte de premissa distinta da que partiu o fisco, pois alega que a causa já está comprovada. O fisco, por sua vez, entende que, independentemente da comprovação da realização da operação de remessa, sua causa também deve estar suportada por documentação hábil e idônea, para que seja reconhecida como aquela indicada pela empresa. Concordo com o entendimento exposto pela autoridade fiscal, razão pela qual proponho manter o lançamento fiscal quanto ao IRRF remetido ao exterior. RECURSO DE OFÍCIO O recurso de ofício atende aos requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Como visto, a DRJ exonerou do lançamento fiscal a parte correspondente ao agravamento da multa de ofício incidente sobre o IRRF decorrente de pagamento sem causa, reduzindo de 112,5% para 75%. Como bem destacado pela delegacia de piso, entendo que o recurso não merece prosperar. A fiscalização havia aplicado a multa agravada (de 112,5%) com base na redação do art. 44, inciso I, § 2º, da Lei nº 9.430/1996, vigente na época da apuração do fato gerador, que remete ao art. 12 da Lei nº 8.218/1991, em razão da falta de apresentação de arquivos magnéticos, por parte da fiscalizada. Veja os textos legais: Lei nº 9.430/1996 Fl. 3157DF CARF MF 14 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; § 2º As multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: a) prestar esclarecimentos; b) apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, com as alterações introduzidas pelo art. 62 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991; (negritei) c) apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38. Lei nº 8.218/1991 Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas; III multa equivalente a Cr$ 30.000,00, por dia de atraso, até o máximo de trinta dias, aos que não cumprirem o prazo estabelecido pelo Departamento da Receita Federal ou diretamente pelo AuditorFiscal, para apresentação dos arquivos e sistemas. Parágrafo único. O prazo de apresentação de que trata o inciso III deste artigo será de, no mínimo, vinte dias, que poderá ser prorrogado por igual período pela autoridade solicitante, em despacho fundamentado, atendendo a requerimento circunstanciado e por escrito da pessoa jurídica. Não obstante a fiscalização ter aplicado a multa conforme consta no Termo de Verificação Fiscal nº 02, compulsando os autos do processo, percebese que a empresa apresentou os arquivos magnéticos, embora tenham sido apresentados em forma diversa da solicitada pela fiscalização arquivo conforme layout estabelecido pela IN 68/1995 c/c Port. COFIS 13/1995 . No Termo de Intimação nº 6 (efl. 377), a fiscalização intima a empresa para corrigir os erros de forma contido no arquivo magnético apresentado pela empresa: Fl. 3158DF CARF MF Processo nº 16151.720110/201754 Acórdão n.º 1401002.178 S1C4T1 Fl. 3.152 15 No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal, em decorrência do Termo de Inicio de Fiscalização lavrado em18/07/02 e das Intimações ns. 4 e 5, de 12/12/02, referentes à apresentação dos arquivos magnéticos, recebidos que foram condicionalmente, e que, após os testes de consistência, constatouse a inobservância as especificações da IN 68/95 e da Port. COFIS 13/95, notadamente quanto aos arquivos por estabelecimentos e por mês, fica a empresa intimada a esclarecer e/ou apresentar os arquivos magnéticos devidamente recuperados, no prazo de cinco dias, nos termos dos arts. 910 e 927 do Decrreto n. 3.000, de 26/03/99. (negritei). Outrossim, consta no processo os relatórios de acompanhamento dos arquivos magnéticos, que têm a função de validar os arquivos (efls. 331 a 373). Ou seja, tudo isso demonstra que os arquivos magnéticos foram apresentados, razão pela qual entendo correto o entendimento da DRJ por exonerar a multa agravada de 112, 5% da infração aqui discutida. Quanto ao erro de forma nos arquivos apresentados, apenas a título de observação, a fiscalização autuou a empresa com fundamento no art. 12, I, da Lei nº 8.218/1991, infração esta que foi mantida no CARF, não sendo objeto deste acórdão em razão de seu trânsito em julgado. Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; Desta feita, proponho negar provimento ao recurso de ofício. Conclusão Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 3159DF CARF MF 16 Fl. 3160DF CARF MF
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