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Numero do processo: 11516.720812/2013-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2008
NULIDADE. CRÉDITOS GLOSADOS EM DUPLICIDADE
Os créditos glosados não foram objeto de PER/DCOMP e não estão sendo discutidos em outros processos. Portanto, não houve glosa de créditos em duplicidade.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2008
COMPRAS DE PESSOAS FÍSICAS OU BENEFICIADAS COM SUSPENSÃO OU ALÍQUOTA ZERO. VEDAÇÃO AO REGISTRO DE CRÉDITOS BÁSICOS
Não dão direito a créditos básicos as compras de insumos de pessoas físicas ou beneficiadas com suspensão ou alíquota zero, por força do inc. II do § 2° do art. 3° das Leis n° 10.637/02.
CRÉDITO PRESUMIDO. PERCENTUAL DETERMINADO COM BASE NO PRODUTO EM QUE O INSUMO FOR APLICADO
Com a edição da Lei n° 12.865/13, que acresceu o § 10 ao art. 8° da Lei n° 10.925/04, pôs-se fim à controvérsia em torno da determinação do percentual a ser aplicado sobre os insumos, para fins de cálculo do crédito presumido. O percentual é determinado de acordo com o enquadramento do produto em que o insumo é aplicado nos inc. I ao III do § 3° do art. 8° da Lei n° 10.925/04.
REGISTRO DE CRÉDITOS BÁSICOS. CONCEITO DE INSUMOS.
Considera-se como insumo, para fins de registro de créditos básicos, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produto destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas, dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo e cuja subtração obsta a atividade da empresa ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes
Nesta linha, deve ser reconhecido o direito ao registro de créditos em relação a custos com uniformes, vestuários, equipamentos de proteção, uso pessoal, materiais de limpeza, desinfecção e higienização e com fretes em compras de insumos e em transporte de insumos e produtos acabados entre estabelecimentos.
CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. INCLUSÃO NAS BASES DE CÁLCULO
As subvenções para custeio na forma de créditos do ICMS integram o faturamento mensal e deverão ser incluídas nas bases de cálculo do PIS e da COFINS.
VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS PARA FRUIÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL
A não incidência do PIS e da COFINS prevista nos inc. III do art. 5° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 somente se aplica a vendas, cuja mercadoria é entregue no porto de embarque ou em recinto alfandegado. A Recorrente não faz jus ao beneficio fiscal, porque não atendeu aos requisitos legais.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008
COMPRAS DE PESSOAS FÍSICAS OU BENEFICIADAS COM SUSPENSÃO OU ALÍQUOTA ZERO. VEDAÇÃO AO REGISTRO DE CRÉDITOS BÁSICOS
Não dão direito a créditos básicos as compras de insumos de pessoas físicas ou beneficiadas com suspensão ou alíquota zero, por força do inc. II do § 2° do art. 3° das Leis n° 10.637/02.
CRÉDITO PRESUMIDO. PERCENTUAL DETERMINADO COM BASE NO PRODUTO EM QUE O INSUMO FOR APLICADO
Com a edição da Lei n° 12.865/13, que acresceu o § 10 ao art. 8° da Lei n° 10.925/04, pôs-se fim à controvérsia em torno da determinação do percentual a ser aplicado sobre os insumos, para fins de cálculo do crédito presumido. O percentual é determinado de acordo com o enquadramento do produto em que o insumo é aplicado nos inc. I ao III do § 3° do art. 8° da Lei n° 10.925/04.
REGISTRO DE CRÉDITOS BÁSICOS. CONCEITO DE INSUMOS.
Considera-se como insumo, para fins de registro de créditos básicos, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produto destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas, dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo e cuja subtração obsta a atividade da empresa ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes
Nesta linha, deve ser reconhecido o direito ao registro de créditos em relação a custos com uniformes, vestuários, equipamentos de proteção, uso pessoal, materiais de limpeza, desinfecção e higienização e com fretes em compras de insumos e em transporte de insumos e produtos acabados entre estabelecimentos.
CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. INCLUSÃO NAS BASES DE CÁLCULO
As subvenções para custeio na forma de créditos do ICMS integram o faturamento mensal e deverão ser incluídas nas bases de cálculo do PIS e da COFINS.
VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS PARA FRUIÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL
A não incidência do PIS e da COFINS prevista nos inc. III do art. 5° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 somente se aplica a vendas, cuja mercadoria é entregue no porto de embarque ou em recinto alfandegado. A Recorrente não faz jus ao beneficio fiscal, porque não atendeu aos requisitos legais.
Numero da decisão: 3301-002.966
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, na forma do relatório e dos votos que integram o presente julgado.
Vencido o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal que negava provimento ao recurso em relação ao aproveitamento de créditos sobre fretes de produtos acabados entre estabelecimentos. Também vencidos os conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira (relator), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Paulo Roberto Duarte Moreira, que davam provimento para não tributar as subvenções para custeio.
Designado para a redação do voto vencedor o conselheiro Francisco José Barroso Rios.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Redator designado para o voto vencedor.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2008 NULIDADE. CRÉDITOS GLOSADOS EM DUPLICIDADE Os créditos glosados não foram objeto de PER/DCOMP e não estão sendo discutidos em outros processos. Portanto, não houve glosa de créditos em duplicidade. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2008 COMPRAS DE PESSOAS FÍSICAS OU BENEFICIADAS COM SUSPENSÃO OU ALÍQUOTA ZERO. VEDAÇÃO AO REGISTRO DE CRÉDITOS BÁSICOS Não dão direito a créditos básicos as compras de insumos de pessoas físicas ou beneficiadas com suspensão ou alíquota zero, por força do inc. II do § 2° do art. 3° das Leis n° 10.637/02. CRÉDITO PRESUMIDO. PERCENTUAL DETERMINADO COM BASE NO PRODUTO EM QUE O INSUMO FOR APLICADO Com a edição da Lei n° 12.865/13, que acresceu o § 10 ao art. 8° da Lei n° 10.925/04, pôs-se fim à controvérsia em torno da determinação do percentual a ser aplicado sobre os insumos, para fins de cálculo do crédito presumido. O percentual é determinado de acordo com o enquadramento do produto em que o insumo é aplicado nos inc. I ao III do § 3° do art. 8° da Lei n° 10.925/04. REGISTRO DE CRÉDITOS BÁSICOS. CONCEITO DE INSUMOS. Considera-se como insumo, para fins de registro de créditos básicos, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produto destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas, dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo e cuja subtração obsta a atividade da empresa ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes Nesta linha, deve ser reconhecido o direito ao registro de créditos em relação a custos com uniformes, vestuários, equipamentos de proteção, uso pessoal, materiais de limpeza, desinfecção e higienização e com fretes em compras de insumos e em transporte de insumos e produtos acabados entre estabelecimentos. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. INCLUSÃO NAS BASES DE CÁLCULO As subvenções para custeio na forma de créditos do ICMS integram o faturamento mensal e deverão ser incluídas nas bases de cálculo do PIS e da COFINS. VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS PARA FRUIÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL A não incidência do PIS e da COFINS prevista nos inc. III do art. 5° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 somente se aplica a vendas, cuja mercadoria é entregue no porto de embarque ou em recinto alfandegado. A Recorrente não faz jus ao beneficio fiscal, porque não atendeu aos requisitos legais. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2008 COMPRAS DE PESSOAS FÍSICAS OU BENEFICIADAS COM SUSPENSÃO OU ALÍQUOTA ZERO. VEDAÇÃO AO REGISTRO DE CRÉDITOS BÁSICOS Não dão direito a créditos básicos as compras de insumos de pessoas físicas ou beneficiadas com suspensão ou alíquota zero, por força do inc. II do § 2° do art. 3° das Leis n° 10.637/02. CRÉDITO PRESUMIDO. PERCENTUAL DETERMINADO COM BASE NO PRODUTO EM QUE O INSUMO FOR APLICADO Com a edição da Lei n° 12.865/13, que acresceu o § 10 ao art. 8° da Lei n° 10.925/04, pôs-se fim à controvérsia em torno da determinação do percentual a ser aplicado sobre os insumos, para fins de cálculo do crédito presumido. O percentual é determinado de acordo com o enquadramento do produto em que o insumo é aplicado nos inc. I ao III do § 3° do art. 8° da Lei n° 10.925/04. REGISTRO DE CRÉDITOS BÁSICOS. CONCEITO DE INSUMOS. Considera-se como insumo, para fins de registro de créditos básicos, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produto destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas, dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo e cuja subtração obsta a atividade da empresa ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes Nesta linha, deve ser reconhecido o direito ao registro de créditos em relação a custos com uniformes, vestuários, equipamentos de proteção, uso pessoal, materiais de limpeza, desinfecção e higienização e com fretes em compras de insumos e em transporte de insumos e produtos acabados entre estabelecimentos. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. INCLUSÃO NAS BASES DE CÁLCULO As subvenções para custeio na forma de créditos do ICMS integram o faturamento mensal e deverão ser incluídas nas bases de cálculo do PIS e da COFINS. VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS PARA FRUIÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL A não incidência do PIS e da COFINS prevista nos inc. III do art. 5° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 somente se aplica a vendas, cuja mercadoria é entregue no porto de embarque ou em recinto alfandegado. A Recorrente não faz jus ao beneficio fiscal, porque não atendeu aos requisitos legais.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008 NULIDADE. CRÉDITOS GLOSADOS EM DUPLICIDADE Os créditos glosados não foram objeto de PER/DCOMP e não estão sendo discutidos em outros processos. Portanto, não houve glosa de créditos em duplicidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008 COMPRAS DE PESSOAS FÍSICAS OU BENEFICIADAS COM SUSPENSÃO OU ALÍQUOTA ZERO. VEDAÇÃO AO REGISTRO DE CRÉDITOS BÁSICOS Não dão direito a créditos básicos as compras de insumos de pessoas físicas ou beneficiadas com suspensão ou alíquota zero, por força do inc. II do § 2° do art. 3° das Leis n° 10.637/02. CRÉDITO PRESUMIDO. PERCENTUAL DETERMINADO COM BASE NO PRODUTO EM QUE O INSUMO FOR APLICADO Com a edição da Lei n° 12.865/13, que acresceu o § 10 ao art. 8° da Lei n° 10.925/04, pôsse fim à controvérsia em torno da determinação do percentual a ser aplicado sobre os insumos, para fins de cálculo do crédito presumido. O percentual é determinado de acordo com o enquadramento do produto em que o insumo é aplicado nos inc. I ao III do § 3° do art. 8° da Lei n° 10.925/04. REGISTRO DE CRÉDITOS BÁSICOS. CONCEITO DE INSUMOS. Considerase como insumo, para fins de registro de créditos básicos, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produto destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas, dependendo, para sua AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 08 12 /2 01 3- 12 Fl. 4152DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARCELO COSTA MARQU ES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11516.720812/201312 Acórdão n.º 3301002.966 S3C3T1 Fl. 4.153 2 identificação, das especificidades de cada processo produtivo e cuja subtração obsta a atividade da empresa ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes Nesta linha, deve ser reconhecido o direito ao registro de créditos em relação a custos com uniformes, vestuários, equipamentos de proteção, uso pessoal, materiais de limpeza, desinfecção e higienização e com fretes em compras de insumos e em transporte de insumos e produtos acabados entre estabelecimentos. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. INCLUSÃO NAS BASES DE CÁLCULO As subvenções para custeio na forma de créditos do ICMS integram o faturamento mensal e deverão ser incluídas nas bases de cálculo do PIS e da COFINS. VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS PARA FRUIÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL A não incidência do PIS e da COFINS prevista nos inc. III do art. 5° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 somente se aplica a vendas, cuja mercadoria é entregue no porto de embarque ou em recinto alfandegado. A Recorrente não faz jus ao beneficio fiscal, porque não atendeu aos requisitos legais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008 COMPRAS DE PESSOAS FÍSICAS OU BENEFICIADAS COM SUSPENSÃO OU ALÍQUOTA ZERO. VEDAÇÃO AO REGISTRO DE CRÉDITOS BÁSICOS Não dão direito a créditos básicos as compras de insumos de pessoas físicas ou beneficiadas com suspensão ou alíquota zero, por força do inc. II do § 2° do art. 3° das Leis n° 10.637/02. CRÉDITO PRESUMIDO. PERCENTUAL DETERMINADO COM BASE NO PRODUTO EM QUE O INSUMO FOR APLICADO Com a edição da Lei n° 12.865/13, que acresceu o § 10 ao art. 8° da Lei n° 10.925/04, pôsse fim à controvérsia em torno da determinação do percentual a ser aplicado sobre os insumos, para fins de cálculo do crédito presumido. O percentual é determinado de acordo com o enquadramento do produto em que o insumo é aplicado nos inc. I ao III do § 3° do art. 8° da Lei n° 10.925/04. REGISTRO DE CRÉDITOS BÁSICOS. CONCEITO DE INSUMOS. Considerase como insumo, para fins de registro de créditos básicos, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produto destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas, dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo e cuja Fl. 4153DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARCELO COSTA MARQU ES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11516.720812/201312 Acórdão n.º 3301002.966 S3C3T1 Fl. 4.154 3 subtração obsta a atividade da empresa ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes Nesta linha, deve ser reconhecido o direito ao registro de créditos em relação a custos com uniformes, vestuários, equipamentos de proteção, uso pessoal, materiais de limpeza, desinfecção e higienização e com fretes em compras de insumos e em transporte de insumos e produtos acabados entre estabelecimentos. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. INCLUSÃO NAS BASES DE CÁLCULO As subvenções para custeio na forma de créditos do ICMS integram o faturamento mensal e deverão ser incluídas nas bases de cálculo do PIS e da COFINS. VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS PARA FRUIÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL A não incidência do PIS e da COFINS prevista nos inc. III do art. 5° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 somente se aplica a vendas, cuja mercadoria é entregue no porto de embarque ou em recinto alfandegado. A Recorrente não faz jus ao beneficio fiscal, porque não atendeu aos requisitos legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, na forma do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal que negava provimento ao recurso em relação ao aproveitamento de créditos sobre fretes de produtos acabados entre estabelecimentos. Também vencidos os conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira (relator), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Paulo Roberto Duarte Moreira, que davam provimento para não tributar as subvenções para custeio. Designado para a redação do voto vencedor o conselheiro Francisco José Barroso Rios. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Redator designado para o voto vencedor. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Fl. 4154DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARCELO COSTA MARQU ES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11516.720812/201312 Acórdão n.º 3301002.966 S3C3T1 Fl. 4.155 4 Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Adoto o breve relatório contido na decisão de primeira instãncia. "Contra o interessado foram lavrados autos de infração de redução de base de cálculo de créditos de PIS/Pasep e Cofins não cumulativos relativo ao ano de 2008 (fls. 3.907/3.931), em função das irregularidades que se encontram descritas no Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 3.834/3.906. A empresa apresenta impugnação na qual alega, em síntese: a) DA NULIDADE DOS LANÇAMENTOS NO QUE TANGE À GLOSA DE CRÉDITOS JÁ GLOSADOS; b) DA NÃO CUMULATIVIDADE DO PIS E DA COFINS E O CONCEITO DE INSUMO PARA FINS DE CREDITAMENTO, INTERPRETADO À LUZ DA LEGISLAÇÃO E JURISPRUDÊNCIA; c) DO DIREITO AO CRÉDITO PELA AQUISIÇÃO DE BENS COM SUSPENSÃO DAS CONTRIBUIÇÕES; d) DO DIREITO AO CRÉDITO PRESUMIDO DA LEI Nº 10.925/2004 QUANTO AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS/COOPERATIVAS COM ALÍQUOTA ZERO E QUANTO AO PERCENTUAL CONFORME O INSUMO ADQUIRIDO – ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS; e) DOS CUSTOS COM UNIFORMES, VESTUÁRIO, EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO, USO PESSOAL, MATERIAIS DE LIMPEZA, DESINFECÇÃO E HIGIENIZAÇÃO; f) DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS COM ALÍQUOTA ZERO; g) DAS DESPESAS COM FRETE; h) DOS SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS; i) DA NÃO INCLUSÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS; j) DA SUPOSTA OMISSÃO DAS RECEITAS DECORRENTES DE VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO, SEM O CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS PARA FAZER JUS À ISENÇÃO; k) DA NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. É o breve relatório." A DRJ em Juiz de Fora /MG julgou improcedente a impugnação e confirmou as glosas dos créditos e os lançamentos de ofício de PIS e COFINS. O Acórdão n° 0949552, de 12/2/2014, foi assim ementado: Fl. 4155DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARCELO COSTA MARQU ES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11516.720812/201312 Acórdão n.º 3301002.966 S3C3T1 Fl. 4.156 5 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008 INSUMOS O conceito de insumos para fins de crédito de PIS/Pasep e COFINS é o previsto no § 5º do artigo 66 da Instrução Normativa SRF 247/2002, que se repetiu na IN 404/2004. AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. Nos termos da legislação de regência, as pessoas jurídicas que produzirem mercadorias de origem vegetal ou animal destinadas à alimentação humana ou animal, podem descontar créditos presumidos relativos às aquisições feitas de pessoas físicas, considerados os percentuais de redução da alíquota básica de acordo com a classificação dos insumos adquiridos e não dos produtos produzidos. PIS/PASEP COFINS. CRÉDITO SOBRE FRETE Somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que podem gerar direito a créditos a serem descontados das Contribuições. RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. IMUNIDADE DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E PARA A COFINS Só se caracteriza como venda com fim específico de exportação, aquela em que os produtos são remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, em que, basicamente, repete os argumentos contidos na impugnação. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), por sua vez, apresentou contrarazões ao Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira, O Recurso Voluntário reúne os requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Extraio alguns excerto do termo de Verificação Fiscal (fls. 3.834 a 3.906), para que este colegiado compreenda o contexto em que se insere o processo, saiba a que período de apuração se refere processo e tenha um sumário das infrações cometidas: Fl. 4156DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARCELO COSTA MARQU ES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11516.720812/201312 Acórdão n.º 3301002.966 S3C3T1 Fl. 4.157 6 "Do escopo do procedimento de fiscalização: Os procedimentos levados a efeito junto à contribuinte fazem parte da verificação de ofício da contribuição para o PIS e da COFINS, bem como dos PER/Dcomp apresentados pela contribuinte, no período entre 2006 e 2010. Os procedimentos relativos aos anos de 2006 e 2007 já foram encerrados anteriormente e o presente termo referese à apuração de 2008. O trabalho prossegue normalmente para a apuração de 2009 e 2010. (. . .) Este Termo de Verificação Fiscal integra os autos de infração por meio dos quais são constituídos os créditos tributários de PIS e COFINS apurados no período de 01 a 12/2008. Das infrações apuradas: No decorrer das verificações foram detectados fatos que constituem infrações à legislação tributária, que acarretaram a glosa de créditos a descontar informados em Dacon e o lançamento de valores de PIS/Pasep e de Cofins não considerados no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais e não declarados em DCTF." Em relação às razões de direito, a peça recursal é dividida em preliminar de nulidade e oito tópicos, os quais serão tratados na ordem em que foram apresentados pela Recorrente. DA NULIDADE DOS LANÇAMENTOS, NO QUE TANGE À GLOSA DE CRÉDITOS JÁ GLOSADOS A Recorrente alega que “tratase da glosa de créditos da incorporada Eleva e da própria Impugnante , que já tinham sido glosados, nos processos administrativos dos pedidos de ressarcimentos desses mesmos créditos”. Por este motivo, “os lançamentos ora guerreados são nulos pela supressão de instâncias e pela desconformidade com o rito processual inerente aos pedidos de ressarcimento/compensação, previsto no art. 74, da Lei n.° 9.430/96”. Idêntica preliminar de nulidade foi enfrentada pela DRJ, que a refutou com base nos seguintes argumentos: "Tal afirmação não corresponde à realidade, tendo em vista que a autoridade fiscal informa no TVF que 'o procedimento fiscal em andamento abrange a verificação dos créditos de PIS e COFINS apurados pelo sujeito passivo, bem como dos respectivos débitos. Em relação aos períodos em que o sujeito passivo apresentou saldos credores e entregou PER/Dcomp, a análise de ofício dos créditos é feita diretamente no despacho decisório dos pedidos de ressarcimento e compensação. Paralelamente, a análise dos créditos dos períodos para os quais não há PER/Dcomp, assim como a análise dos débitos de todos os períodos é feita dentro do procedimento de fiscalização. Nestes casos, o instrumento competente para eventuais glosas de créditos e lançamentos de débitos é o auto de infração'. (. . .) Ora, os pedidos de ressarcimento e as declarações de compensação constantes dos processos questionados, relacionados na fl. 3.835 do TVF, foram devidamente analisados pela DRF competente, sendo que a empresa apresentou as manifestações de inconformidade que entendeu necessárias, manifestações essas que estão sendo Fl. 4157DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARCELO COSTA MARQU ES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11516.720812/201312 Acórdão n.º 3301002.966 S3C3T1 Fl. 4.158 7 julgadas nesta mesma sessão de julgamento. Assim, não há que se falar em supressão de instâncias." A Recorrente não indicou número de Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER), cujos créditos tivessem sido eventualmente glosados em duplicidade. Minha leitura do Termo de Verificação fiscal é semelhante à da DRJ. Os processos dos PER indeferidos, para os quais foi apresentada manifestação de inconformidade, seguem seus cursos normais, sendo o presente relativo a créditos para os quais não há PER/DCOMP. Portanto, não identifiquei duplicidade na glosa de créditos. E, à luz dos art. 59 e 60 da Decreto n° 70.235/72, não vejo nulidade no auto de infração, pelo que nego provimento à preliminar de nulidade. CONCEITO DE INSUMOS Nos itens seguintes, trataremos de glosas de créditos de PIS e COFINS. Sendo assim, antes de adentrar nos casos específicos, tal qual o fez a Recorrente, consigno os conceitos jurídicos utilizados no exame. Sob o regime da não cumulatividade, é admitido o cálculo e registro de créditos de PIS e COFINS sobre aquisição bens e custos e despesas, a serem abatidos das contribuições devidas sobre vendas. O art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 dispõe sobre diversos tipos de crédito. Listamos alguns, próprios de empresas industriais, como a Recorrente: Lei n° 10.833/03 “ Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (. . .) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (. . .) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (. . .) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; (. . .) Fl. 4158DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARCELO COSTA MARQU ES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11516.720812/201312 Acórdão n.º 3301002.966 S3C3T1 Fl. 4.159 8 IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (. . .) § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (. . .)" Sobre o conceito de insumos, de suma importância para o processo em comento, transcrevo o § 4° do art. 8° da IN SRF n° 404/04: "(. . .) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (grifo nosso) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço.” O conceito de insumos ainda não está pacificado no âmbito do CARF e dos tribunais. Em decisão recente e muito importante, o Superior Tribunal de Justiça (REsp 1.246.317/MG, publicado em 29/06/2015) adotou um conceito de insumos mais amplo do que o da IN SRF n° 404/04, acima transcrita: Fl. 4159DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARCELO COSTA MARQU ES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11516.720812/201312 Acórdão n.º 3301002.966 S3C3T1 Fl. 4.160 9 "(. . .) Insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n.10.637/2002, e art.3º, II, da Lei n. 10.833/2003, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. (. . .)" Enquanto a IN SRF n° 404/04 limita o conceito de insumos a elementos aplicados diretamente no processo de produção ou prestação do serviço, o STJ ampliou. Podem ser considerados como tal os que forem imprescindíveis para a consecução do objetivo final. Ainda mais amplo é conceito de insumos do Dr. Marco Aurélio Greco, para o qual é possível calcular créditos de PIS e COFINS sobre todo o custo ou despesa que contribuir para a formação da receita: “Embora a não cumulatividade seja uma idéia comum a IPI e a PIS/COFINS, a diferença de pressuposto de fato (produto industrializado versus receita) faz com que assuma dimensão e perfil distintos. Por esta razão, pretender aplicar na interpretação de normas de PIS/COFINS critérios ou formulações construídas em relação ao IPI é: a) desconsiderar os diferentes pressupostos constitucionais; b) agredir a racionalidade da incidência de PIS/COFINS; e c) contrariar a coerência interna da exigência, pois esta se forma a partir do pressuposto ‘receita’ e não ‘produto’.” (MARCO AURELIO GRECCO “NãoCumulatividade no PIS e na COFINS”, Leandro Paulsen, São Paulo: IOB Thomsom, 2004) Por fim, em uma posição intermediária entre o entendimento do STJ e o do Dr. Marco Aurélio Greco, há o do Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, aposto no Acórdão 9303003.079, da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em sessão do dia 13/08/04: "Por conseguinte, em face de todo o exposto, entendemos que a linha mestra de interpretação quanto às despesas que geram créditos de PIS e COFINS só pode ser uma: se o legislador quis alcançar todas as receitas, justo que todas as despesas incorridas para gerar tais receitas devem ser passíveis de creditamento, observadas as limitações postas pela própria lei. Não cabe ao intérprete, assim, impor limites além do que a lei já o fez. (...) Portanto, “insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou Fl. 4160DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARCELO COSTA MARQU ES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11516.720812/201312 Acórdão n.º 3301002.966 S3C3T1 Fl. 4.161 10 encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo." Entendo que o conceito de insumos trazido pela IN SRF n° 404/04, que assemelhase ao do IPI, é demasiadamente restrito e sua aplicação severa muitas vezes afronta a sistemática da não cumulatividade prevista nas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Também considero inapropriado que qualquer despesa ou custo possa gerar crédito, não obstante o fato de serem indiretamente computadas no preço final do produto, pois, do contrário, nenhum negócio seria econômica e financeiramente viável. E, se são computadas no preço de venda, naturalmente, sofrem incidência das contribuições. Se as leis de regência falam em processo fabril e de prestação de serviços, estabelecem, ainda que de forma precária, as áreas da empresa, cujos bens, custos e despesas podem gerar créditos. Assim, não podemos cogitar a possibilidade de calcular créditos, por exemplo, sobre despesas com material de escritório incorridas pelas gerências financeira e contábil de uma fábrica de sapatos ou de uma prestadora de serviços técnicos de engenharia. Em suma, repisando as palavras do Conselheiro Rodrigo C. Miranda e trecho da citada decisão do STJ, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, considero como insumo "(. . .) todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo (. . .)" e "(. . .) cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes." Comprovação do direito ao crédito Sobre ônus da prova, vale lembrar que, na lide tributária, à autoridade lançadora incumbe o ônus da prova da ocorrência do fato jurídico tributário ou da infração que deseja imputar ao contribuinte. Por outro lado, ao contribuinte incumbe o de provar os fatos impeditivos do nascimento da obrigação tributária ou de sua extinção, ou requisitos constitutivos de uma isenção ou outro benefício tributário. Em se tratando especificamente de tomada de créditos, tema central do processo em comento, é cediço que o ônus da prova cabe àquele que alega têlos, isto é, do contribuinte. Tais entendimentos podem ser extraídos dos art. 10 do Decreto n° 70.235/72 e art. 333 do antigo Código de Processo Civil CPC, em vigor na data da autuação e reproduzido pelo art. 373 do novo CPC, cuja aplicação ao Processo Administrativo Fiscal é supletiva: "Decreto n° 70.235/72 Fl. 4161DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARCELO COSTA MARQU ES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11516.720812/201312 Acórdão n.º 3301002.966 S3C3T1 Fl. 4.162 11 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: (. . .) III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; (. . .)" "Antigo CPC Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (. . .)" Assentados os conceitos jurídicos que serão aplicados, passemos às controvérsias. DO DIREITO AO CRÉDITO PELA AQUISIÇÃO DE BENS COM SUSPENSÃO DAS CONTRIBUIÇÕES Foram glosados os créditos calculados sobre as aquisições de produtos beneficiadas com suspensão do PIS e da COFINS. A Recorrente alega que as compras realizadas no período fiscalizado (ano calendário de 2008) sofreram tributação pelo PIS e COFINS, posto que a suspensão tornouse obrigatória tão somente após a edição da IN SRF n° 977/09 (1/11/2009). Até então, sob a IN SRF n° 660/2006, era opcional. Divirjo da Recorrente. Minha leitura do art. 9° da Lei n° 10.925/04 é a de que, desde sua instituição, a aplicação da suspensão era obrigatória e não opcional, a despeito do que se pudesse inferir da leitura da IN SRF n° 660/06. Ademais, não há evidência nos autos de que as compras tenham sido oneradas pelas contribuições. E o registro de créditos, em casos de suspensão, é vedado pelos inc. II do § 2° do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, a saber: "(. . .) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (. . .) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último Fl. 4162DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARCELO COSTA MARQU ES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11516.720812/201312 Acórdão n.º 3301002.966 S3C3T1 Fl. 4.163 12 quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (. . .)" Portanto, nego provimento aos argumentos da Recorrente, previstos no tópico "Do Direito Ao Crédito Pela Aquisição De Bens Com Suspensão Das Contribuições". DO DIREITO AO CRÉDITO PRESUMIDO DA LEI Nº 10.925/04 QUANTO AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS/COOPERATIVAS COM ALÍQUOTA ZERO E QUANTO AO PERCENTUAL APLICADO CONFORME O INSUMO ADQUIRIDO ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS A controvérsia gira em torno do cálculo do crédito presumido sobre insumos aplicados na produção de produtos de origem animal, previsto no art. 8º da lei nº 10.925/04. Enquanto a fiscalização e DRJ entendem que o percentual a ser aplicado sobre o valor da compra deve ser determinado com base na classificação na TIPI do insumo adquirido, a Recorrente alega que seria a do produto no qual o insumo é aplicado. Transcrevo o art. 8º da Lei nº 10.925/04: "Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: (. . .) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: Fl. 4163DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARCELO COSTA MARQU ES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11516.720812/201312 Acórdão n.º 3301002.966 S3C3T1 Fl. 4.164 13 I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , e 10.833, de 29 de dezembro de 2003 , para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1° deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. Posteriormente, a Lei n° 12.865/13 acresceu o § 10 ao art. 8° da Lei n° 10.925/04, a saber: "(. . .) § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3°, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos." Realmente a redação original dos inciso I ao III do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925/04 enseja dúvidas. Mas, com a edição da Lei n° 12.865/13, a controvérsia terminou. O percentual deve ser determinado, de acordo com a classificação na TIPI do produto no qual o insumo é aplicado. E seus efeitos são efeitos são retroativos, abrangendo o caso em tela anocalendário de 2008 em razão do art. 106 do CTN: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (. . .)" Voto pelo provimento das alegações da Recorrente, concernentes à interpretação do art. 8º da Lei nº 10.925/04, qual seja, de que é de 60% o percentual a ser aplicado sobre insumos aplicados na produção de produtos de origem animal. DOS CUSTOS COM UNIFORMES, VESTUÁRIOS, EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO, USO PESSOAL, MATERIAIS DE LIMPEZA, DESINFECÇÃO E HIGIENIZAÇÃO Fl. 4164DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARCELO COSTA MARQU ES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11516.720812/201312 Acórdão n.º 3301002.966 S3C3T1 Fl. 4.165 14 Foram glosados os créditos de PIS e COFINS, apurados nas aquisições de dos produtos em epígrafe, porque a autuante, bem como a DRJ, entendem que não se enquadram no conceito de insumos. Em sua defesa, alega a Recorrente tratarse de material essencial e indispensável `a atividade que desenvolve, sendo inclusive exigidos pelas autoridades sanitárias. E transcreve trecho do voto proferido pelo Acórdão CARF n° 20181.723 e a ementa do Acórdão n° 930301.740, de 9/11/2011, por meio do qual a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) confirmou aquele posicionamento: Acórdão n° 20181.723 "(. . .) Quanto às despesas com indumentárias, concordo com a recorrente quando afirma que representam produtos intermediários, necessários à produção por força de exigência de autoridade sanitária. A indumentária usada pelos operários na fabricação de alimentos não se confunde com fardamento/uniforme, este é de livre uso e escolha de modelo pela empresa e aquele é de uso obrigatório e deve seguir modelos e padrões estabelecidos pelo Poder Público. Fardamento/uniforme não é insumo. A indumentária acima referida é insumo. (. . .)" Acórdão n° 930301.740, da CSRF COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. Recurso Especial do Procurador Negado. A defesa da Recorrente não merece reparos. Tratase, indiscutivelmente, de itens essenciais ao processo produtivo, sem os quais os mesmos não poderiam ser realizados. Nesta sentido, posicioneime no início deste voto, ao consignar o conceito de insumo. E, não é demais repetir a ementa da decisão do STJ sobre o conceito de insumos: "(. . .) Fl. 4165DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARCELO COSTA MARQU ES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11516.720812/201312 Acórdão n.º 3301002.966 S3C3T1 Fl. 4.166 15 Insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n.10.637/2002, e art.3º, II, da Lei n. 10.833/2003, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. (. . .)" Voto, portanto, pelo provimento das alegações concernentes ao tópico "Dos Custos Com Uniformes, Vestuários, Equipamentos De Proteção, Uso Pessoal, Materiais De Limpeza, Desinfecção e Higienização". DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS COM ALÍQUOTA ZERO Foram glosados créditos, calculados sobre compras de produtos, cujas alíquotas de PIS e COFINS estavam reduzidas a zero. A glosa se fundou nos inc. II do § 2° do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. A Recorrrente alega que a tomada dos créditos atende o princípio da não cumulatividade. Como já dispus anteriormente, o registro de créditos em casos de aquisição de produtos que não sofreram a incidência das contribuições (suspensão ou alíquota zero) é expressamente vedado pelos inc. II do § 2° do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 , acima transcritos. Portanto, nego provimento. DAS DESPESAS COM FRETE No auto de infração, há menção de glosa, em razão de o contribuinte não ter vinculado a despesa com frete a operações de venda de produtos. Na decisão recorrida, falase em glosa, em razão de tratarse de transporte de produtos acabados entre unidades da empresa. A Recorrente fez a defesa dos créditos sobre fretes em compras de insumos, vendas e transporte de insumos e produtos acabados entre seus estabelecimentos. Em suas contrarazões, a PGFN ataca os créditos sobre transporte entre estabelecimentos e aqueles, cuja operação a que estava vinculado não foi identificada. De pronto, consigno que voto pela manutenção da glosa dos créditos sobre os fretes, em relação aos quais não foi identificada a operação a que estavam vinculados. Sobre fretes em compras de insumos, de acordo com o art. 289 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99), integram o custo de aquisição dos insumos. Sendo assim, podem ser computados nas bases de cálculo dos créditos de PIS e COFINS, suportados pela regra que ampara os créditos sobre insumos (inc. II do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03). Fl. 4166DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARCELO COSTA MARQU ES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11516.720812/201312 Acórdão n.º 3301002.966 S3C3T1 Fl. 4.167 16 Em relação aos fretes sobre vendas, há previsão expressa (inc. IX do art. 3º das Leis nº 10.833/03, também aplicável ao PIS, em função do inc. II do art. 15 da Lei n° 10.833/03). Também reconheço o direito a créditos sobre os fretes relativos aos deslocamentos dos insumos e produtos acabados entre estabelecimentos da Recorrente. Como vimos, o frete pago na aquisição de insumos compõe o custo de aquisição e, como tal, pode ser computado na base de cálculo dos créditos. E, a meu ver, este frete é o incorrido para que o insumo percorra todo o caminho entre o fornecedor e o estabelecimento que o industrializará. Muitas vezes, por razões ligadas à logística de armazenamento e distribuição, no caminho, a mercadoria acaba passando por mais de um estabelecimento, até chegar ao seu destino final, o estabelecimento industrializador. Outrossim, semelhante raciocínio deve ser efetuado para produtos acabados, cujos fretes em operações de venda geram créditos de PIS e COFINS. Neste caso, devemos admitir créditos sobre a totalidade do gasto necessário para levar o produto final do armazém até o consumidor final. E, no curso deste trajeto, por motivos de ordem operacional, é possível que ele tenha de ser primeiro levado para outro estabelecimento do titular, para depois, então, ser entregue ao cliente. Em linha com meus posicionamentos, cito os Acórdãos nº 3402002.881, de 28/1/2016, e nº 340101.715, de 15/2/2012, de cujas ementas extraio excertos, a saber: "FRETES. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. Os fretes vinculados à aquisição de insumos geram créditos das contribuições não cumulativas, por se caracterizarem como custo de produção, a teor do art. 290, I, combinado com o art. 289, § 1º do RIR/99." (Acórdão nº 3402002.881) "FRETES. TRANSFERÊNCIA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. POSSIBILIDADE DE CRÉDITOS. AUSÊNCIA DE PROVAS. A norma introduzida pelo art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, segundo a qual os fretes prestados por pessoas jurídicas residentes no Brasil e suportados pela vendedora de mercadorias geram créditos a partir de 1º de fevereiro de 2004, é ampliativa em relação aos créditos previstos no inc. II do mesmo artigo. Com base neste inciso os fretes entre os estabelecimentos da pessoa jurídica, de insumos e mercadorias produzidas ou vendidas, também dão direito a créditos. Mas para tanto há necessidade de comprovação quanto aos bens transportados e aos percursos, sem a qual os créditos são negados." (Acórdão nº 340101.715) Com base no acima exposto, voto por reconhecer os direitos creditórios relacionados às despesas com fretes em compras de insumos e em transporte de insumos e produtos acabados entre estabelecimentos da Recorrente. Por outro lado, voto por manter a Fl. 4167DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARCELO COSTA MARQU ES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11516.720812/201312 Acórdão n.º 3301002.966 S3C3T1 Fl. 4.168 17 glosa dos créditos sobre fretes, cuja operação a que estava vinculada não tenha sido identificada. DA NÃO INCLUSÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS NAS BASES DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS Foram lançados PIS e COFINS sobre receita de créditos presumidos de ICMS. A Recorrente alega que não se trata de receita, mas apenas uma forma de apuração do ICMS, instituída em observância ao princípio da não cumulatividade. Colacionou importantes decisões do STJ sobre o tema (Resp nº 1.025.833/RS, de 17/11/2008, e nº 1.159.562/RS, de 16/3/2012. Primeiramente, cabe assentar que não há nos autos informação sobre a legislação básica do incentivo de ICMS de que a Recorrente gozava. Não obstante, no Auto de Infração e contrarazões da PGFN, falam de subvenção, registrada como receita. E, na decisão recorrida, da subvenção para custeio, prevista no art. 392 do do Decreto nº 3.000/99 RIR. Vamos então tratar de subvenções para custeio e da possível incidência do PIS e da COFINS, uma vez que o outro tipo de subvenção, para investimento, deve ser registrada como reserva de incentivos fiscais (art. 195A da Lei n° 6.404/76, com redação dada pela Lei n° 11.638/07) e não em conta contábil de resultado do exercício, como o fez a Recorrente. Não podermos considerar a questão como pacificada no âmbito do CARF. Contudo, vêse que a maioria das decisões mais recentes são favoráveis aos contribuintes, porque os respectivos colegiados avançaram na análise do tema e atingiram seu ponto central: não se trata de receita e, portanto, não deve ser computada nas bases de cálculo das contribuições. A Lei nº 4.320/64, que estatui Normas Gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal, em seus art. 12 e 18, trata de subvenções, a saber: "Art. 12. A despesa será classificada nas seguintes categorias econômicas: (. . .) § 3º Consideramse subvenções, para os efeitos desta lei, as transferências destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas, distinguindose como: I subvenções sociais, as que se destinem a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial ou cultural, sem finalidade lucrativa; Fl. 4168DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARCELO COSTA MARQU ES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11516.720812/201312 Acórdão n.º 3301002.966 S3C3T1 Fl. 4.169 18 II subvenções econômicas, as que se destinem a empresas públicas ou privadas de caráter industrial, comercial, agrícola ou pastoril. (. . .) II) Das Subvenções Econômicas Art. 18. A cobertura dos déficits de manutenção das emprêsas públicas, de natureza autárquica ou não, farseá mediante subvenções econômicas expressamente incluídas nas despesas correntes do orçamento da União, do Estado, do Município ou do Distrito Federal. Parágrafo único. Consideramse, igualmente, como subvenções econômicas: a) as dotações destinadas a cobrir a diferença entre os preços de mercado e os preços de revenda, pelo Governo, de gêneros alimentícios ou outros materiais; b) as dotações destinadas ao pagamento de bonificações a produtores de determinados gêneros ou materiais." A doutrina e a legislação do IRPJ (art. 392 do Decreto nº 3.000/99 RIR) referemse às subvenções econômicas como subvenções para custeio, em razão de terem como objetivo o custeio de despesas das atividades das beneficiadas. E, como a própria lei orçamentária dispõe, tais subvenções para custeio destinamse a cobrir despesas das beneficiadas no caso em tela, reduzir a despesa com ICMS. Portanto, não estamos falando de receitas, porém de redução de despesas. Em 2008 (período fiscalizado), o § 1º e o caput do art. 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 dispunham que as contribuições incidiam sobre "o faturamento total, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil" e que o total das receitas "compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pessoa jurídica." O § 3º exclui, expressamente, as receitas da venda de bens do ativo permanente, uma vez que não operacionais. Não há um dispositivo legal que apresente expressamente o conceito de receita. Todavia, no âmbito tributário, o conceito de receita deve ser extraído da legislação do IRPJ. No "Capítulo V Lucro operacional" do RIR, verificase que são tituladas como receitas operacionais o produto das vendas de bens e serviços e da aplicação capital. As doutrina e jurisprudência dominantes também vão neste sentido. No caso em tela, vemos um subsídio, cujo objetivo é o de reduzir a despesa com ICMS, a fim de incentivar a atividade empresarial. Não se trata de receita. E se imaginarmos que, ao invés de conceder o incentivo, tivesse o respectivo fisco estadual simplesmente reduzido a alíquota do ICMS, de forma alguma teria nascido este debate. Fl. 4169DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARCELO COSTA MARQU ES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11516.720812/201312 Acórdão n.º 3301002.966 S3C3T1 Fl. 4.170 19 Neste sentido, há várias decisões do CARF, tais como as proferidas por meio dos Acórdãos nº 310200.787, de 27/10/2010, 3401001.976, de 26/9/2012, e 3201002.060, de 26/2/2016. Adcionalmente, há o Acórdão nº 3201000.754, de 11/8/2011, de cuja ementa extraio o seguinte excerto: "COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA. CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS. O “crédito presumido do ICMS”, mero incentivo fiscal, não se trata de receita auferida pela empresa, portanto, está fora do campo de incidência da COFINS, não devendo compor a sua base de cálculo. Não há a subsunção do fato concreto (“crédito presumido do ICMS”) com a hipótese normativa (“auferir receita”), portanto, não se instaurará o consequente da norma (relação jurídicotributária/ obrigação tributária)." E, também nesta linha, há várias decisões do STJ, dentre as quais as colacionadas pela Recorrente, às quais acresço o AgRg no Resp nº 1.329.781 RS, cuja ementa reproduzo: "TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ART. 557 CPC. POSSIBILIDADE DE JULGAMENTO MONOCRÁTICO. EXCLUÍDA ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DE MEMORIAIS. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. AGRAVO NÃO PROVIDO (. . .) 3. De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o crédito presumido do ICMS configura incentivo voltado à redução de custos, com a finalidade de proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado Estadomembro, não assumindo natureza de receita ou faturamento. 4. Agravo regimental não provido." Isto posto, dou provimento às alegações da Recorrente. DA SUPOSTA OMISSÃO DAS RECEITAS DECORRENTES DE VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO, SEM O CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS PARA FAZER JUS À ISENÇÃO A Fiscalização lançou PIS e COFINS sobre receitas de venda de mercadorias para empresa Perdição Agroindustrial S/A, entregues em estabelecimento não alfandegado, que a Recorrente alegou terem sido amparadas pela não incidência das contribuições prevista no inc. III do art. 5° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03: "Art. 5° A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (. . .) Fl. 4170DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARCELO COSTA MARQU ES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11516.720812/201312 Acórdão n.º 3301002.966 S3C3T1 Fl. 4.171 20 III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação (. . .)" Com efeito, considerase venda com fim específico de exportação: Decreto nº 4.524/ 2002: "Art. 45. São isentas do PIS/Pasep e da Cofins as receitas (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 14, Lei nº 9.532, de 1997, art. 39, § 2º , e Lei nº 10.560,de 2002, art. 3º , e Medida Provisória nº 75, de 2002, art. 7º ): (...) VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior. (. . .) § 1º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. (...)" Em sua defesa, a Recorrente alega que, no próprio Termo de Verificação Fiscal, a Fiscalização consignou que a Perdição Agroindustrial S/A exportava os produtos adquiridos da Recorrente. Assim, teria restado provado que a venda teria sido efetuada "com fim específico de exportação". Transcreveu ementa do Acórdão n° 20313.488, de 4/11/2008, que, em suma, considerou que determinadas vendas estavam amparadas pela não incidência, a despeito do não cumprimento das formalidades legais, pelo fato de o adquirente ter revendido as mercadorias para o exterior. A condição estabelecida pelo inc. III do art. 5° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 e § 1° do art. 45 do Decreto n° 4.524/02, de fato, não foi satisfeita. A mercadoria não saiu do estabelecimento da Recorrente diretamente para embarque e tampouco para recinto alfandegado. E o argumento da Recorrente de que a Perdigão Agroindustrial S/A teria exportado todas as mercadorias adquiridas não a socorre. Não cabe estender o benefício a casos não contemplados na legislação, que restringiuo às situações em que a mercadoria é entregue no porto de embarque ou em recinto alfandegado. O art. 111 do CTN dispõe que "interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre I) suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de Fl. 4171DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARCELO COSTA MARQU ES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11516.720812/201312 Acórdão n.º 3301002.966 S3C3T1 Fl. 4.172 21 isenção (. . .)". O Dr. Carlos Maximiliano ("Hermenêutica e Aplicação do Direito" 20° Edição Rio de Janeiro: Forense, 2011) dispôs que "280 Os privilégios financeiros do fisco se não estendem a pessoas, nem a casos não contemplados no texto(. . .) 281 As isenções e simples atenuações de impostos e taxas, decretadas em proveito de determinados indivíduos ou corporações, sofrem exegese restrita (. . .)." Portanto, nego provimento. DA NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA A Recorrente protesta pela realização de perícia, para demonstrar a aplicação dos insumos glosados em seu processo de industrialização. Nos autos, há os elementos necessários à formação da opinião deste colegiado, pelo que nego provimento ao pedido da Recorrente de realização de perícia.. CONCLUSÃO Abaixo, declaro meu voto para cada um dos tópicos tratados: "Da Nulidade Dos Lançamentos, No Que Tange À Glosa De Créditos Já Glosados": nego provimento. "Do Direito Ao Crédito Pela Aquisição De Bens Com Suspensão Das Contribuições": nego provimento. "Do Direito Ao Crédito Presumido Da Lei Nº 10.925/04 Quanto Aos Insumos Adquiridos De Pessoas Físicas/Cooperativas Com Alíquota Zero E Quanto Ao Percentual Aplicado Conforme O Insumo Adquirido Atividades Agroindustriais": dou provimento às alegações da Recorrente, concernentes à interpretação do art. 8º da Lei nº 10.925/04. Como a recorrente adquiriu diversos tipos de insumo, para a execução do Acórdão, a DRF de origem deverá relacionar os insumos adquiridos aos produtos finais neles aplicados, para a determinação do percentual a ser adotado para cálculo dos créditos presumidos. "Dos Custos Com Uniformes, Vestuários, Equipamentos De Proteção, Uso Pessoal, Materiais De Limpeza, Desinfecção e Higienização": dou provimento. "Da Aquisição De Insumos Com Alíquota Zero": nego provimento. " Das Despesas Com Frete": voto por reconhecer os direitos creditórios relacionados aos fretes em compras de insumos e em transporte de insumos e produtos acabados entre estabelecimentos da Recorrente. Por outro lado, voto por manter a glosa dos créditos sobre fretes, cuja operação a que estava vinculada não tenha sido identificada "Da Não Inclusão Do Crédito Presumido De Icms Nas Bases De Cálculo Do Pis E Da Cofins": dou provimento. "Da Suposta Omissão Das Receitas Decorrentes De Vendas Com Fim Específico De Exportação, Sem O Cumprimento Dos Requisitos Legais Para Fazer Jus À Isenção ": nego provimento. "Da Necessidade De Realização De Perícia": nego provimento. Fl. 4172DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARCELO COSTA MARQU ES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11516.720812/201312 Acórdão n.º 3301002.966 S3C3T1 Fl. 4.173 22 Em suma, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Voto Vencedor Conselheiro Francisco José Barroso Rios, Peço vênia para discordar do i. conselheiro relator exclusivamente na parte em que o mesmo entende que o PIS e a COFINS não incidiriam sobre as subvenções do ICMS para custeio. Conforme relatado, foi formalizado lançamento para exigência do PIS e da COFINS incidentes sobre a receita de créditos presumidos do ICMS. Segundo o relator, a subvenção em tela, prevista no artigo 392 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda, não poderia ser tratada como receita, razão pela qual não deveria ser computada na base de cálculo das contribuições PIS e COFINS. Todavia, da leitura do inciso I do artigo 392 do Regulamento do Imposto de Renda, contido na Seção IV Outros Resultados Operacionais vêse que as subvenções correntes para custeio (inciso I) "serão computadas na determinação do lucro operacional", sujeitas, pois, à incidência do Imposto sobre a Renda. São, portanto, receitas operacionais, de sorte que integram o faturamento mensal, base de cálculo do PIS e da COFINS, "assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil" (artigo 1º, caput, das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 redação à época dos fatos). Não obstante a respeitável jurisprudência trazida pelo e. relator, há, também, entendimentos no sentido de que as subvenções para custeio tem natureza de receitas tributáveis, integrando a base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS. Confira se: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO. TRIBUTAÇÃO. São tributáveis, como receitas, as subvenções obtidas pelo contribuinte para o custeio de suas atividades, ainda mais quando não demonstrada qualquer exigência concreta e específica a título de investimentos. (Processo nº 11516.723135/201203. Acórdão nº 1201001.404, da Primeira Seção, Segunda Câmara, Primeira Turma Ordinária. Data do julgamento: 06/04/2016. Relator: Roberto Caparroz de Almeida) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 4173DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARCELO COSTA MARQU ES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11516.720812/201312 Acórdão n.º 3301002.966 S3C3T1 Fl. 4.174 23 Período de apuração: 01/01/2002 a 31/08/2002, 01/10/2002 a 31/10/2002, 01/03/2003 a 31/03/2003 [...] BASE DE CÁLCULO. REGIME NÃO CUMULATIVO. RECEITAS NÃO OPERACIONAIS. SUBVENÇÕES. INCLUSÃO. A base de cálculo da contribuição para o PIS com incidência não cumulativa, para a competência de março de 2003, é o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Processo nº 10283.005504/200300. Acórdão nº 3301002.120, da Terceira Seção, Terceira Câmara, Primeira Turma Ordinária. Data do julgamento: 27/11/2013. Relator: José Adão Vitorino de Morais) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/05/2009 a 31/12/2011 COFINS. BENEFÍCIOS ESTADUAIS ICMS. RECEITAS. CLASSIFICAÇÃO. IRRELEVÂNCIA. Na sistemática da não cumulatividade, regida pela Lei nº 10.833/2003, a COFINS incide sobre o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica”(operacionais ou não operacionais), independentemente de sua denominação ou classificação contábil sendo irrelevante a classificação das receitas como subvenções (para custeio ou operação, ou para investimento) ou outras rubricas. (Processo nº 10945.720481/201471. Acórdão nº 3401003.102, da Terceira Seção, Quarta Câmara, Primeira Turma Ordinária. Data do julgamento: 23/02/2016. Relator: Rosaldo Trevisan) Em tempo, deixo aqui registrado que, diferentemente do entendimento exarado no último julgado referenciado, penso que o PIS/Pasep e a COFINS não incidem sobre as subvenções para investimento. Conforme disposto no DecretoLei nº 1.598, de 26/12/1977 (artigo 38, § 2º), tais subvenções, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, não são computadas na determinação do lucro real, e a incidência do PIS/Pasep ou da COFINS sobre as mesmas representaria verdadeira ofensa ao princípio federativo. Com efeito, tributar pelo PIS ou pela COFINS subvenções de investimento a título de isenção ou redução do ICMS representaria verdadeira e indevida transferência de recursos dos estados membros para a União, em detrimento do estímulo empreendedor dado pelo ente federado, o qual seria parcialmente neutralizado pela indevida incidência de tributo federal sobre a subvenção concedida. Feito esse registro, e considerando que a subvenção objeto dos autos é da espécie para custeio, sendo, pois, receita operacional que integra o faturamento mensal da interessada, e ainda, diante do disposto no artigo 1º, caput, das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, segundo o qual a base de cálculo do PIS e da COFINS é o "faturamento mensal", que deve ser entendido como "[...] o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil" (redação à época dos fatos), voto, nessa parte, para negar provimento ao recurso do sujeito passivo. Fl. 4174DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARCELO COSTA MARQU ES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11516.720812/201312 Acórdão n.º 3301002.966 S3C3T1 Fl. 4.175 24 Quanto às demais questões acompanho o voto do e. relator. Sala de sessões, em 17 de maio de 2016. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 4175DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARCELO COSTA MARQU ES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Numero do processo: 13116.720723/2013-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010
LUCRO REAL. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO.
Os aportes financeiros obtidos mediante o financiamento do valor devido a titulo de ICMS, submetidos a juros e correção monetária, assim como o desconto oriundo da liquidação antecipada destes empréstimos, ainda que condicionados, não caracterizam subvenção para investimento, se não resultar demonstrada a destinação específica para a implantação ou expansão de unidades produtivas.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009, 2010
LANÇAMENTO DECORRENTE DO MESMO FATO.
Aplica-se à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL - a mesma decisão adotada em relação ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ, tendo em vista a íntima relação de causa e efeitos entre os dois lançamento.
MULTA ISOLADA
A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem.
Numero da decisão: 1401-001.562
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: I) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto ao principal. Vencidos os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório (Relator), Marcos de Aguiar Villas Boas e Aurora Tomazini de Carvalho que davam provimento para afastar a incidência sobre os valores relativos à subvenção; II) por maioria de votos, dar provimento parcial para cancelar as multas isoladas dos anos-calendário de 2009 e 2010, mas mantendo a multa isolada na parte que exceder a base da multa de ofício por ano-calendário. Contra essa tese, ficaram vencidos em primeira rodada os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório (Relator) e Aurora Tomazini de Carvalho que votaram pela tese de cancelar integralmente as multas isoladas, independente dos valores das bases de cálculo absorvidas pela multa de ofício. Em segunda rodada, onde todos participaram, contra a tese ganhadora na primeira rodada ficaram vencidos os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos e Antonio Bezerra Neto que votaram pela tese de negar provimento para manter todas as multas isoladas. Designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor em relação à multa isolada e o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos em relação as demais matérias.
Documento assinado digitalmente.
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Documento assinado digitalmente.
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Redator Designado.
Documento assinado digitalmente.
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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Glosa de exclusão de subvenção. Multas isoladas sobre estimativas. PIS/COFINS. Falta de recolhimentos. Créditos descontados indevidamente. Recorrente ISOESTE IND E COM DE ISOLANTES TÉRMICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 LUCRO REAL. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. Os aportes financeiros obtidos mediante o financiamento do valor devido a titulo de ICMS, submetidos a juros e correção monetária, assim como o desconto oriundo da liquidação antecipada destes empréstimos, ainda que condicionados, não caracterizam subvenção para investimento, se não resultar demonstrada a destinação específica para a implantação ou expansão de unidades produtivas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009, 2010 LANÇAMENTO DECORRENTE DO MESMO FATO. Aplicase à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL a mesma decisão adotada em relação ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, tendo em vista a íntima relação de causa e efeitos entre os dois lançamento. MULTA ISOLADA A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 07 23 /2 01 3- 04 Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado dig italmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 13116.720723/201304 Acórdão n.º 1401001.562 S1C4T1 Fl. 1.211 2 Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: I) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto ao principal. Vencidos os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório (Relator), Marcos de Aguiar Villas Boas e Aurora Tomazini de Carvalho que davam provimento para afastar a incidência sobre os valores relativos à subvenção; II) por maioria de votos, dar provimento parcial para cancelar as multas isoladas dos anoscalendário de 2009 e 2010, mas mantendo a multa isolada na parte que exceder a base da multa de ofício por anocalendário. Contra essa tese, ficaram vencidos em primeira rodada os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório (Relator) e Aurora Tomazini de Carvalho que votaram pela tese de cancelar integralmente as multas isoladas, independente dos valores das bases de cálculo absorvidas pela multa de ofício. Em segunda rodada, onde todos participaram, contra a tese ganhadora na primeira rodada ficaram vencidos os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos e Antonio Bezerra Neto que votaram pela tese de negar provimento para manter todas as multas isoladas. Designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor em relação à multa isolada e o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos em relação as demais matérias. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Documento assinado digitalmente. Fernando Luiz Gomes de Mattos Redator Designado. Documento assinado digitalmente. Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado dig italmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 13116.720723/201304 Acórdão n.º 1401001.562 S1C4T1 Fl. 1.212 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por ISOESTE IND E COM DE ISOLANTES TÉRMICOS LTDA contra acórdão proferido pela DRJ/Brasília que concluiu pela procedência total dos lançamentos efetuados. Os créditos tributários lançados, no âmbito da DRF/AnápolisGO, referentes ao IRPJ e CSLL, devidos nos períodos de apuração correspondentes aos anoscalendário de 2009 e 2010, totalizaram o valor de R$ 13.320.126,21. A autuação promoveu a glosa de exclusão de valores lançados a título de subvenção. Com base na mesma infração, foram lançadas multas isoladas sobre estimativas. Relativamente ao PIS e à COFINS, esses valores foram considerados tributáveis. Uma vez que a infração aproveitou de ofício créditos da não cumulatividade, isso gerou em momento posterior (agosto/2010) a infração de créditos descontados indevidamente. Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o caso: Segundo o agente fiscal, a contribuinte não incluiu os descontos obtidos com a liquidação antecipada dos contratos de empréstimo do FOMENTAR na determinação do lucro real, nem adicionou os referidos valores nas bases de cálculo da apuração da Cofins e da contribuição para o PIS, sob o entendimento de que referidos valores caracterizariam as subvenções para investimento. Quanto ao anocalendário de 2009, assevera que o desconto obtido na liquidação antecipada dos contratos do FOMENTAR, no valor de R$ 9.155.694,15, transitou por conta de resultado, mas foi excluído no Livro de Apuração do Lucro Real. Constatou também a autoridade fiscal que, da análise das DCTF, dos DACON e da escrituração contábil digital da empresa, a mesma não ofereceu o valor da receita auferida a título do citado desconto na aludida quitação antecipada, no valor de R$ 9.155.694,15, à tributação da Cofins e da contribuição para o PIS. Quanto ao anocalendário de 2010, verificou o autuante idêntico cenário, em face do desconto obtido pela contribuinte no valor total de R$ 9.266.293,91. Destacou o agente fiscal que a CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) veio a detalhar o que se entende por subvenção para investimento no Parecer Normativo n° 112, de 1978, e que esse ato administrativo concluiu que, sob a ótica da legislação do imposto de renda, não basta o "animus" de subvencionar para investimento, impõese a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Assevera o autuante que, no presente caso, não se vislumbram as características necessárias para que o benefício concedido seja considerado subvenção para investimento, por lhe faltar o sincronismo entre a intenção do subvencionador e a ação do subvencionado, haja vista que o § 1º, do art. 1º, da Lei Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado dig italmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 13116.720723/201304 Acórdão n.º 1401001.562 S1C4T1 Fl. 1.213 4 Estadual n° 13.436/98, concede o prazo de 20 (vinte) anos, a contar da data da realização do leilão, para que o contribuinte destine esses recursos à realização do investimento. Afirma a autoridade fiscal que, conforme se depreende do art. 1º, inc. IV, do Decreto nº 4.989/1998 (que regulamentou a Lei Estadual nº 13.436/1998), o incentivo fiscal apresentado pela contribuinte é um perdão de dívida condicionado ao cumprimento de determinados requisitos, ou seja, condicionado à realização dos investimentos fixados decorrentes de projetos objeto dos respectivos contratos, nos termos do Regulamento do FOMENTAR. Destaca o agente fiscal que o benefício total de R$ 18.421.988,06, referente aos anoscalendário 2009 e 2010, corresponde a 89% (oitenta e nove por cento) do saldo devedor alienado no leilão, e que, assim, na essência, o que ocorre não é um simples desconto, mas sim um perdão/remissão de dívida, receita que deve ser reconhecida em "outras receitas operacionais", sendo tributada pelo IRPJ, CSLL, Cofins e contribuição para o PIS. Conclui que o benefício concedido não é considerado subvenção para investimento, mas sim subvenção corrente para custeio ou operação, devendo ser computado na apuração dos referidos tributos. Cientificada dos lançamentos, e irresignada, a pessoa jurídica autuada apresentou a impugnação de fls. 1.103/1.142, por meio da qual, sustenta: (1) a caracterização das subvenções para investimento depende da satisfação de apenas dois requisitos: a) a destinação de recursos, como transferência de capital, pelo subvencionador, com a intenção de estimular a implantação ou expansão de empreendimentos econômicos; e b) a manutenção dos valores renunciados pelo subvencionador, em conta de reserva de lucros do subvencionado, com a posterior integralização ao capital social; (2) os incentivos fiscais recebidos do Estado de Goiás, como estimulo à implantação e expansão de empreendimento industrial, possuem a natureza jurídica de subvenção para investimento, estando fora da incidência do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; (3) as referidas subvenções para investimento foram corretamente contabilizadas em subconta "Reserva de Incentivos Fiscais", atendidos os requisitos de não distribuição do valor das subvenções para investimento e não restituição aos sócios de capital integrado pela incorporação daquelas subvenções; (4) as subvenções para investimento não estão restritas à aquisição de bens ou direitos destinados ao ativo fixo; (5) o prazo para comprovar os investimentos constitui condição suspensiva à aquisição de sua livre disponibilidade pelo seu beneficiário, não havendo como fazer incidir IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS enquanto pendente tal condição; (6) tratandose de subvenção para investimento, o valor do desconto concedido sobre o ICMS financiado/parcelado deve ser aplicado em benefício da empresa (expansão ou implantação de empreendimentos), conforme condição explicitada na Lei n° 13.436/98; (7) não há qualquer exigência legal sobre esse "sincronismo mínimo necessário", nem sobre a fixação de prazo máximo ou mínimo a que alude o autuante; (8) a autuação implica em interferência na política de renúncias fiscais concedidas pelo Estado de Goiás, como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos; (9) transferência de capital não configura renda ou receita, não havendo como fazer incidir IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS; (10) é ilegal a incidência dos juros de mora sobre a multa punitiva aplicada, uma vez que inexiste permissivo legal para tanto, nos termos dos artigos 3º e 161, do Código Tributário Nacional, e 84, inciso I, da Lei n° 8.981/95. Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado dig italmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 13116.720723/201304 Acórdão n.º 1401001.562 S1C4T1 Fl. 1.214 5 Apoiandose em doutrina de Humberto Ávila e Leonardo Freitas de Moraes e Castro, sustenta, em síntese, que: (1) o prazo de 20 anos para a implantação ou expansão dos empreendimentos se justifica, pois a elaboração e execução de projetos de expansão ou implantação de novos empreendimentos dependem de estudo e requer quantidade significativa de recursos, razão pela qual não seria razoável impor ao subvencionado que a cada parcela liberada promovesse, ato contínuo, execução de novo projeto; (2) ainda que o incentivo fiscal se destinasse unicamente ao capital de giro, tal situação não seria suficiente para afastar o benefício, pois a norma do artigo 443 do Regulamento do Imposto de Renda não impõe esse tipo de restrição, o que, aliás, é reconhecido pela Nota Explicativa da Instrução CVM n° 59/86; (3) para o gozo do benefício, o contribuinte deve íntegralizar ao capital social o valor da renúncia, bem como cumprir os projetos iniciais e subsequentes, o que de fato tem ocorrido, pois a impugnante tem experimentado crescimento constante no mercado nacional, e ao longo desse período nunca fez qualquer distribuição aos sócios dos valores recebidos a titulo de estimulo à implantação do seu empreendimento. Cita precedentes do antigo 1º Conselho de Contribuintes e do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que teriam adotado o entendimento de que para a caracterização da subvenção para investimento bastaria a prova do interesse do subvencionador e a manutenção dos recursos na empresa. Quanto às exigências de multas isoladas pela falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL, protesta a impugnante pela aplicação do princípio da tributação reflexa, pois, em sendo invalidada a autuação principal, igualmente devem ser declaradas inválidas as autuações relativas às penalidades isoladas. Ad argumentandum, sustenta, com amparo em precedentes do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), que uma vez encerrado o período de apuração do IRPJ e da CSLL, a exigência de recolhimento por estimativa perde eficácia, já que o que prevalece é a exigência dos tributos efetivamente devidos, apurados ao final do anocalendário correspondente. Ademais, alega que a jurisprudência dos mencionados tribunais administrativos (cita precedentes) teria assentado ser imprópria a cobrança de multa isolada e multa de ofício incidentes sobre bases de cálculo sobrepostas. Ao apreciar a impugnação apresentada, a 2ª Turma da já mencionada DRJ/Brasília proferiu o Acórdão nº 0353.646, de 12 de agosto de 2013, por meio do qual decidiu pela procedência total do feito fiscal. Assim figurou a ementa do referido julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado dig italmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 13116.720723/201304 Acórdão n.º 1401001.562 S1C4T1 Fl. 1.215 6 Descaracterização. Incentivos Fiscais. Programa FOMENTAR. Inexistência de Vinculação. Descaracterização. Os valores contabilizados a título de descontos na quitação de dívidas contraídas no âmbito do Programa FOMENTAR que não possuam vinculação com a aplicação específica dos recursos em bens ou direitos referentes à implantação ou expansão de empreendimento econômico não se caracterizam como subvenção para investimentos, devendo ser computados na determinação do lucro real. Os recursos fornecidos às pessoas jurídicas pela Administração Pública, quando não atrelados ao investimento na implantação ou expansão do empreendimento projetado, constituem estímulo fiscal que se reveste das características próprias das subvenções para custeio, não se confundindo com as subvenções para investimento, e devem ser computados no lucro operacional das pessoas jurídicas, sujeitandose, portanto, à incidência do imposto sobre a renda. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento do imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão dos lançamentos decorrentes relativo à CSLL, à Cofins e à contribuição para o PIS. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010 MULTA DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. ANOCALENDÁRIO ENCERRADO. NÃO CONCOMITÂNCIA. A lei autoriza a imposição de multa isolada sobre a falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais após encerrado o anocalendário, não se confundindo esta penalidade com a multa de ofício sobre o imposto devido apurado no encerramento do período. A multa exigida isoladamente sobre a falta de recolhimento das estimativas mensais é de natureza diversa da multa proporcional incidente sobre a insuficiência de recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, no regime do lucro real anual. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário no qual repete os argumentos deduzidos anteriormente. Acrescenta, no entanto, que: (i) o Decreto nº 3.822/92 do Estado de Goiás, em seus artigos 4º, 5ºA e 11, prevê rigorosa exigência e controle sobre o efetivo investimento dos valores renunciados; e (ii) o Decreto nº 5.442/05 determina que as receitas financeiras (que entende ser o caso dos descontos concedidos às dívidas fiscais caso estas não sejam caracterizadas como subvenções para investimetnos) não compõem a base de cálculo do PIS e da COFINS. É o relatório. Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado dig italmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 13116.720723/201304 Acórdão n.º 1401001.562 S1C4T1 Fl. 1.216 7 Voto Vencido Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Como bem notado pela autoridade julgadora de primeira instância, a fiscalização e a empresa recorrente não discordam quanto aos termos do programa de incentivo fiscal do Estado de Goiás (FOMENTAR) nem quanto aos fatos destacados nos autos de infração. A discussão circunscrevese quanto aos seus efeitos na esfera tributária federal. Conforme relatado pela recorrente, o programa de incentivos, historicamente, desenvolveuse em duas etapas: a primeira, mediante financiamento de 70% do valor do ICMS devido em suas operações, em até vinte anos, com condições vantajosas de juros e correção monetária; a segunda, mediante descontos de até 89% na quitação antecipada, em operações de oferta pública feitas por meio de leilões, dos impostos anteriormente financiados. É justamente nesta segunda etapa que se foca a discussão sobre a natureza da subvenção, se para investimento ou custeio, porque foi sobre os valores dos descontos obtidos com operações de quitação antecipada que se basearam as autuações efetuadas pela fiscalização. Para melhor compreensão dos contornos do incentivo fiscal concedido nesta segunda etapa, convém reproduzir o conteúdo de sua base legal, o artigo 1º, e seus §§ 1º e 2º, da Lei nº 13.436/98 do Estado de Goiás, já com suas alterações em vigor à época dos fatos: Art. 1º Os contratos de financiamento com recursos do Fundo de Participação e Fomento à Industrialização do Estado de Goiás FOMENTAR poderão ser, mensalmente, objeto de oferta pública com vistas à sua liquidação antecipada, observandose as disposições regulamentares e; ainda, as seguintes condições: (...) § 1º A pessoa jurídica titular de estabelecimento beneficiário do incentivo do Fundo de Participação e Fomento à Industrialização do Estado de Goiás FOMENTAR, aplicará o montante equivalente ao desconto obtido com a quitação antecipada do contrato de financiamento firmado com o mesmo Fundo, representado por seu agente financeiro, nos termos deste artigo, na ampliação e/ou na modernização do seu parque industrial incentivado dentro do prazo máximo de 20 (vinte) anos, a contar da data da realização do leilão respectivo. (grifei) Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado dig italmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 13116.720723/201304 Acórdão n.º 1401001.562 S1C4T1 Fl. 1.217 8 § 2º O montante a que se refere o § 1º é considerado subvenção para investimento, podendo ser incorporado ao capital social da pessoa jurídica titular do estabelecimento beneficiário do incentivo ali mencionado ou mantido em conta de reserva para futuros aumentos de capital, vedada sua destinação para distribuição de dividendos ou qualquer outra parcela a título de lucro. (grifei) Portanto, a lei estadual impôs a obrigatoriedade de a empresa aplicar o montante equivalente aos descontos obtidos com a quitação antecipada do financiamento na ampliação e/ou modernização de seu parque industrial incentivado (na 1ª etapa) dentro de vinte anos a contar da data da realização dos leilões respectivos (2ª etapa). Além disso, a mesma lei tratou de enquadrar o incentivo (da 2ª etapa) no conceito de subvenção para investimento e determinar a incorporação da contrapartida do montante beneficiado ao capital social ou sua contabilização como reserva de lucro, bem como vedar sua destinação para distribuição de dividendos ou qualquer outra parcela a título de lucro. Como se vê, a lei estadual pretendeu sinalizar que o incentivo atenderia as condições impostas na lei do imposto de renda para que o mesmo fosse considerado não tributável. Nesse sentido, confirase o que dispõe o § 2º do artigo 38 do DecretoLei nº 1.598/77: Art. 38 Não serão computadas na determinação do lucro real as importâncias, creditadas a reservas de capital, que o contribuinte com a forma de companhia receber dos subscritores de valores mobiliários de sua emissão a título de: (...) § 2º As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) (grifei) a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto nos §§ 3º e 4º do artigo 19; ou (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) (grifei) Isso porque, caso não pudesse atender a essas condições, o enquadramento do incentivo provavelmente recairia no conceito de subvenção para custeio e seria tributado na conformidade do que dispõe o artigo 392, I, do RIR/99, verbis: Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado dig italmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 13116.720723/201304 Acórdão n.º 1401001.562 S1C4T1 Fl. 1.218 9 Art. 392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: I as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais (Lei n º 4.506, de 1964, art. 44, inciso IV); O problema é que, como corretamente atestado pela autoridade julgadora da instância a quo, cabe à União Federal, por meio de seus órgãos competentes, examinar os efeitos de lei estadual na determinação e exigência de tributos federais. O fato de a lei estadual enquadrar seu incentivo fiscal como subvenção para investimento não vincula os órgãos federais na subsunção dos fatos ao contexto normativo da legislação tributária federal. Diante disso, com a força de norma complementar de lei (artigo 100, I, do CTN), há que se conceder a devida relevância ao conteúdo do Parecer Normativo CST nº 112/78, o qual procurou estabelecer diretrizes para a determinação dos conceitos de subvenção para custeio e subvenção para investimento. Destacamse, assim, os seguintes trechos: 2.11 Uma das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST nº 2/78 (DOU de 16.01.78). No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria a destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendose um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST Nº 143/73 (DOU de 16.10.73), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliá la, não nas suas despesas, mais sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2º do art. 38 do DL 1.598/77. 2.12 Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o "animus" de subvencionar para investimento. Impõese, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimentos não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado dig italmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 13116.720723/201304 Acórdão n.º 1401001.562 S1C4T1 Fl. 1.219 10 2.13 Outra característica bem nítida da SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO, para os fins do gozo dos favores previstos no § 2º do art. 38 do DL nº 1.598/77, de que seu beneficiário terá que ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. Em outras palavras quem está suportando a ônus de implantar ou expandir o empreendimento econômico é que deverá ser tido como beneficiário da subvenção, e, por decorrência, dos favores legais. Essa característica está muito bem observada nos desdobramentos do item 5 do PN CST nº 2/78. 2.14 Com o objetivo de promover a interação dos dois diplomas legais ora dissecados [Lei nº 4.506/64 e DL nº 1.598/77] podemos resumir a matéria relacionada com as SUBVENÇÕES nos seguintes termos: As SUBVENÇÕES, em princípio, serão, todas elas, computadas na determinação do lucro líquido: as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO, na qualidade de integrantes do resultado operacional; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, como parcelas do resultado nãooperacional. As primeiras integram sempre o resultado do exercício e devem ser contabilizadas como tal; as últimas, se efetivamente aplicadas em investimentos, podem ser registradas como reserva de capital, e, neste caso, não serão computadas na determinação do lucro real, desde que obedecidas as restrições. para a utilização dessa reserva. (...) 3.6 Há, também, uma modalidade de redução do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias (ICM), utilizada por vários Estados da Federação como incentivo fiscal, que preenche todos os requisitos para ser considerada como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. A mecânica do benefício fiscal consiste no depósito, em conta vinculada, de parte do ICM devido em cada mês. Os depósitos mensais, obedecidas as condições estabelecidas, retornam à empresa para serem aplicados na implantação ou expansão de empreendimento econômico. Em alguns casos que tivemos oportunidade de examinar, esse tipo de subvenção é sempre previsto em lei, da qual consta expressamente a sua destinação para o investimento; o retorno das parcelas depositadas só se efetiva após comprovadas as aplicações no empreendimento econômico; e o titular do empreendimento é o beneficiário da subvenção. (...) 7.1 Ante o exposto, o tratamento a ser dado às SUBVENÇÕES recebidas por pessoas jurídicas, para os fins de tributação do imposto de renda, a partir do exercício financeiro de 1978, face ao que dispõe o art. 67, item 1, letra "b", do Decretolei nº 1.598/77, pode ser assim consolidado: I As SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO integram o resultado operacional da pessoa jurídica; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, o resultado não operacional; Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado dig italmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 13116.720723/201304 Acórdão n.º 1401001.562 S1C4T1 Fl. 1.220 11 II SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO são as que apresentam as seguintes características: a) a intenção do subvencionador de destinálas para investimento; b) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e c) o beneficiário da subvenção ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. III As ISENÇÕES ou REDUÇÕES de impostos só se classificam como subvenções para investimento, se presentes todas as características mencionadas no item anterior; IV As SUBVENÇÕES, PARA INVESTIMENTO, se registradas como reserva de capital não serão computadas na determinação do lucro real, desde que obedecidas as restrições para a utilização dessa reserva; (grifei) Portanto, a conclusão do Parecer é no sentido de que as subvenções para investimento, para os fins de enquadramento na hipótese de não incidência veiculada no § 2º do artigo 38 do DecretoLei nº 1.598/77, sejam caracterizadas por três aspectos bastante claros: (i) a intenção do subvencionador de destinálas para investimento; (ii) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e (iii) o beneficiário da subvenção ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. Além disso, o Parecer esclarece que exigese perfeita sincronia da (i) intenção do subvencionador com a (ii) ação do subvencionado. Ademais, não basta o (i) “animus” de subvencionar, mas, também, (ii) a efetiva e específica aplicação da subvenção. Nesse ponto, não se pode concordar com a recorrente quando alega que a caracterização das subvenções para investimento depende da satisfação de apenas dois requisitos: (a) a destinação de recursos, como transferência de capital, pelo subvencionador, com a intenção de estimular a implantação ou expansão de empreendimentos econômicos; e (b) a manutenção dos valores renunciados pelo subvencionador, em conta de reserva de lucros do subvencionado, com a posterior integralização ao capital social. Isso porque a mera transferência dos recursos para a empresa com a comprovação de que não foram distribuídos aos sócios não é suficiente para fazer cumprir o objetivo da norma. Há que se verificar a implementação da condição estatuída, qual seja, o estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Neste sentido, a pertinente exigência da sincronia entre a intenção do subvencionador e ação do subvencionado. Também por esse motivo, não procede a afirmação de que se o incentivo fiscal se destinasse unicamente ao capital de giro, tal situação não seria suficiente para afastar o benefício. Os recursos transferidos podem até, num primeiro momento, oxigenar o capital de Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado dig italmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 13116.720723/201304 Acórdão n.º 1401001.562 S1C4T1 Fl. 1.221 12 giro da empresa. Contudo, em algum momento futuro, o investimento para a implantação ou expansão dos empreendimentos econômicos terá que ser efetuado. Nem se pode concordar, ainda, com a alegação de que as transferências de capital não configuram renda ou receita. Diferentemente do que ocorre em alguns países onde a renda segue a teoria da fonte definida em espectros cedulares, o conceito de renda adotado no Brasil segue a teoria do acréscimo patrimonial segundo o modelo desenvolvido pelos financistas Georg Schanz, Robert Haig e Henry Simons definido numa amplitude global (Cf. Reuven S. AviYonah, Nicola Sartori e Omri Marian, Global Perspectives on Income Taxation Law, New York: Oxford, 2011, pp. 17 a 23). Isso significa que considerase renda quaisquer fluxos monetários e demais benefícios (que possam também ser avaliados em termos monetários) que ingressem na esfera patrimonial da pessoa durante o período considerado. O que ocorre é que a lei, em situações nas quais o legislador sopesa a confluência de diversos princípios e interesses coletivos, deixa de tributar algumas categorias de renda. É isso, precisamente, o que ela faz com as subvenções para investimento. Não se trata, pois, de dizer que elas não configuram renda, mas, sim, renda não tributável. Raciocínio semelhante pode ser empreendido quanto à ideia de receita tributável ou não tributável pelas leis do PIS e da COFINS. Consequentemente, no caso do imposto de renda, a lei tributária incide de forma global sobre todo acréscimo patrimonial. Depois, sobre algumas situações específicas, afasta o campo de incidência. Diria mesmo que opera como se fosse uma isenção. Como explica Paulo de Barros Carvalho, a isenção atua no próprio campo normativo. A regra de isenção subtrai parte do campo de abrangência do antecedente ou do consequente da regra matriz de incidência, mutilando, parcialmente, um ou mais dos seus critérios (Cf. Paulo de Barros Carvalho, Curso de Direito Tributário, 17a. ed., São Paulo: Saraiva, 2005, p. 490). Por tratarse de isenção, há que se lembrar o que determina o artigo 111 do CTN, verbis: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (...) II outorga de isenção; A regramatriz de incidência é o resultado do trabalho interpretativo de um conjunto de enunciados veiculados nos textos legais. Há diversas técnicas legislativas para conformar o campo de incidência. A isenção nada mais é do que uma dessas técnicas, por meio da qual, algum aspecto de uma predefinição genérica daquele campo é mutilado. Entretanto, se o legislador opta por essa técnica, o CTN exige uma interpretação literal dos seus enunciados para a produção da regramatriz. E não é de se estranhar que seja assim. Afinal, a regra geral é a incidência sobre a renda global. A mutilação é uma exceção. Por isso, não se pode dar uma amplitude extensiva à regra de isenção. Ora, como bem interpretado pelo Parecer acima transcrito, a verificação do estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos exige não só a intenção Fl. 1227DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado dig italmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 13116.720723/201304 Acórdão n.º 1401001.562 S1C4T1 Fl. 1.222 13 do subvencionador, mas, também, a ação do subvencionado no sentido de promover a efetiva e específica aplicação do recurso na consecução do objetivo traçado. Não se exige, todavia, que o objetivo final seja alcançado, qual seja, que os empreendimentos econômicos tenham sido implantados ou expandidos. Mas, que a completude do estímulo seja garantida. Em outras palavras, só se verificará a efetividade do estímulo se o dinheiro for aplicado na consecução do objetivo final. Por isso, considero correta a necessidade de verificação da efetiva e específica aplicação da subvenção nos investimentos previstos para a implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Foi, inclusive, com essa linha de raciocínio que acompanhei a divergência contida na declaração de voto do ilustre Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, situação na qual fomos vencidos, no julgamento do Acórdão nº 1102000.868 proferido em maio de 2013. Na ocasião, o mencionado Conselheiro citou dois acórdãos da 1ª Turma da CSRF (9101 00.566 e 9101001.094) como exemplos da constatação de que a jurisprudência da CSRF vem relaxando as exigências do Parecer Normativo nº 112/78. Contudo, de forma perspicaz, observou que o posicionamento da Câmara Superior não retira do beneficiário o ônus de comprovar a aplicação do recurso recebido. Confirase, neste sentido, o seguinte trecho: Já a jurisprudência mais recente da 1a Turma da CSRF também vem relaxando as exigências do Parecer Normativo CST nº 112, de 1978, seja admitindo isenções do ICMS sem a aplicação obrigatória em ativos permanentes, seja permitindo que os valores recebidos não tenham que ser aplicados obrigatoriamente em investimentos futuros. Além do Acórdão no 910100.566 já citado pelo Conselheiro Relator, mas que, de acordo com seu entendimento, não tratou da obrigação da imediata aplicação dos recursos, destaco o Acórdão no 9101001.094, julgado na sessão de 29 de junho de 2011, tendo por relator o Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior, que enfrenta diretamente a matéria. Transcrevo sua ementa: IRPJ. Subvenção para Investimento. Na hipótese de implantação de empreendimento, há um descasamento entre o momento da aplicação do recurso e do gozo do benefício a título de subvenção para investimento, razão pela qual, natural que o beneficiário da subvenção para investimento, em um primeiro momento, aplique recursos próprios na implantação do empreendimento, para depois, quando a empresa iniciar suas operações e, consequentemente, começar a pagar o ICMS, comece também a recompor seu caixa do capital próprio anteriormente imobilizado em ativo fixo e outros gastos de implantação. Após concluir que o incentivo sob análise não exigia a aplicação de todos os recursos na implantação do empreendimento, e de que seria natural existir essa diferença entre o momento de aplicação do recurso e o gozo do benefício, o relator concluiu: Por outro lado, o montante dos valores obtidos com o benefício que exceder o total dos valores aplicados na ampliação ou expansão do empreendimento, logicamente, não gozará de isenção de IR e deverá ser tido como subvenção para custeio, já que poderá ser aplicado livremente pelo Fl. 1228DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado dig italmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 13116.720723/201304 Acórdão n.º 1401001.562 S1C4T1 Fl. 1.223 14 beneficiário. No caso em tela, se o valor aplicado na implantação e, posteriormente, na expansão do empreendimento é maior ou menor do que o valor oriundo do benefício que será recebido durante 20 anos, é uma outra questão que não foi posta para ser dirimida na presente demanda, mesmo porque deveria ter sido investigada pela autoridade lançadora, para eventualmente, desconsiderar parte dos valores oriundos do benefício não destinado à finalidade legal. Assim, salvo melhor juízo, concluise que somente poderia se considerar isentos do Imposto de Renda os valores efetivamente utilizados na ampliação ou expansão do empreendimento, mas que essa aplicação não estava em discussão naqueles autos. Como já explicado, entendo que a aplicação dos recursos está em discussão nestes autos desde o lançamento, não tendo o contribuinte comprovado o efetivo uso dos recursos nos investimentos subvencionados. Assim, salvo melhor juízo, penso que o entendimento aqui exposto está de acordo com esse posicionamento da CSRF, que flexibiliza os ditames do Parecer Normativo CST nº 112, de 1978, mas não retira do beneficiário o ônus de comprovar sua aplicação. Naquele caso, apesar dos esforços da fiscalização, a contribuinte não apresentou provas de que os incentivos fiscais foram aplicados em investimentos para a implantação ou expansão dos projetos subvencionados. Nada obstante, no presente caso, a fiscalização agiu de forma diferente. Ao invés de aprofundar a investigação sobre a ação do subvencionado, preferiu desqualificar a natureza do incentivo fiscal apenas com base na sua configuração legal. Neste sentido, no Termo de Verificação Fiscal (fls. 61 e 64), entendeu que há falta de sincronismo entre a intenção do subvencionador e a ação do subvencionado meramente porque a lei estadual concede o prazo de vinte anos, a contar da data da realização do leilão, para que o contribuinte destine os recursos do benefício à realização do investimento. Assim, amparada em decisões internas da Receita Federal (soluções de consulta), sem maiores verificações quanto ao caso concreto, concluiu que tal benefício não deve ser considerado uma subvenção para investimento, mas, sim, subvenção corrente para custeio ou operação (perdão/remissão de dívida), devendo ser computado na determinação do lucro real como outras receitas operacionais, sujeitas à apuração de IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS. Porém, com a devida vênia, a fiscalização não se deu ao trabalho de saber como foram utilizados os recursos da segunda etapa, ou seja, os valores equivalentes aos descontos obtidos nas operações de oferta pública feitas por meio de leilões. Sobre isso, não há qualquer menção, nem nos termos de intimação, nem no Termo de Verificação Fiscal que acompanhou os autos de infração. Portanto, o requisito da intenção do subvencionador foi cumprido. Faltou verificar o requisito da ação do subordinado. É certo que com um prazo de vinte anos para a consecução do objetivo final do programa, a empresa dispõe de um bom tempo para iniciar os investimentos necessários. Neste sentido, seria razoável algum tipo de prestação de conta. Mas, se a legislação estadual não a criou, isso não significa que a empresa, para fins de usufruir o benefício instituído na lei federal, não possa fazêlo. Não é necessário o casamento entre o Fl. 1229DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado dig italmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 13116.720723/201304 Acórdão n.º 1401001.562 S1C4T1 Fl. 1.224 15 momento da aplicação do recurso e o gozo do benefício, ou seja, o “dinheiro não precisa ser carimbado”. Entretanto, algum controle precisa ser feito porque se ao final do prazo concedido ficar comprovado que nem todo o montante recebido foi aplicado em investimento destinado à consecução do objetivo final do programa, ficará caracterizada a natureza de subvenção para custeio do excesso não utilizado e, neste momento, ficará consubstanciada a disponibilidade da renda para efeitos da sua tributação. Percebase que esse entendimento está perfeitamente sintonizado com o conteúdo do voto proferido na 1ª Turma da CSRF pelo Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior, citado na declaração de voto acima reproduzida. A conclusão que se chega é que só não são tributados os valores efetivamente utilizados na ampliação ou expansão do empreendimento. Destarte, é possível que a empresa autuada não esteja mesmo fazendo o devido controle dos recursos obtidos. Mas, isso não foi devidamente investigado nem se configurou como o objeto da acusação fiscal. A DRJ, por sua vez, limitouse a reproduzir os requisitos do Parecer Normativo CST nº 112/78 sem observar que a fiscalização não realizou seu trabalho nos devidos termos preconizados por esses requisitos. Por tais motivos, considero improcedentes os lançamentos do IRPJ e da CSLL. E, por se basearem na mesma infração, afasto também as multas isoladas por estimativas. Quanto aos lançamentos de PIS e COFINS (com a consequente infração de créditos descontados indevidamente em agosto/2010), a fiscalização entendeu que, por se tratarem de subvenções para custeio, os descontos obtidos na segunda etapa do Programa FOMENTAR caracterizariamse como “outras receitas operacionais” e, como tais, deveriam ser tributadas. Reforçando a procedência da autuação, a instância a quo argumentou que o conceito de receita tributável por essas contribuições é o da totalidade dos recebimentos, não importando a que titulo foram contabilizados, sejam eles classificados como subvenções para investimento ou subvenções para custeio. Sem embargo, uma vez afastada a premissa de que os descontos recebidos tratarseiam de subvenções para custeio, é de se notar que incide sobre o caso as disposições previstas para o Regime Tributário de Transição – RTT – instituído pela Lei nº 11.941/09, resultado da conversão da Medida Provisória nº 449/2008. Em primeiro lugar, porque, conforme pode ser atestado na DIPJ juntada aos autos (fls. 328), a contribuinte optou por este regime no anocalendário de 2009 e, conforme dispõe o § 3º do artigo 15 dessa mesma lei, tal regime foi obrigatório no anocalendário de 2010. Depois, porque a norma veiculada pelo artigo 21, I, c/c o artigo 18, dessa mesma lei, é categórica ao afastar, no âmbito do RTT, as subvenções para investimento do escopo da tributação do PIS e da COFINS. Confirase: Art. 18. Para fins de aplicação do disposto nos arts. 15 a 17 desta Lei às subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado dig italmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 13116.720723/201304 Acórdão n.º 1401001.562 S1C4T1 Fl. 1.225 16 implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e às doações, feitas pelo Poder Público, a que se refere o art. 38 do DecretoLei no1.598, de 26 de dezembro de 1977, a pessoa jurídica deverá: (...) Art. 21 (...) Parágrafo único. Para fins de aplicação do RTT, poderão ser excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando registrados em conta de resultado: I – o valor das subvenções e doações feitas pelo poder público, de que trata o art. 18 desta Lei; e (...) (grifei) Diante disso, considero também improcedentes os lançamentos de PIS e COFINS, bem como a consequente infração de créditos descontados indevidamente em agosto/2010. Uma vez cancelada a integralidade das autuações, tornase despicienda a apreciação das demais razões do recurso. Pelo exposto, dou provimento ao recurso voluntário. É como voto. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado dig italmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 13116.720723/201304 Acórdão n.º 1401001.562 S1C4T1 Fl. 1.226 17 Voto Vencedor Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos, Redator Designado O ilustre conselheiro Relator proferiu extenso voto, em que analisou detalhadamente a legislação do Estado de Goiás que versa sobre o benefício fiscal do Programa Fomentar. Ao final de seu alentado voto, concluiu que a citada legislação impunha a exigência de um conjunto de medidas concretas para a concessão do benefício, além de estabelecer como contrapartida uma série de obrigações a serem cumpridas pela empresa beneficiária, dentre as quais estão os investimentos para a desenvolvimento das unidades fabris. Por esta razão, considerou que o aludido beneficio fiscal recebido pela recorrente deveria ser caracterizado como subvenção para investimento. Com base neste entendimento, votou no sentido de dar provimento ao presente recurso voluntário. Colhidos os votos dos demais integrantes deste colegiado, o ilustre Relator restou vencido pelo voto de qualidade. Fui então designado para redigir o voto vencedor, expondo as razões pelas quais o colegiado considerou que o beneficio do desconto sobre o saldo devedor do ICMS não apresentava as características necessárias para que seja considerada subvenção para investimento. No entender do colegiado, o valor do citado benefício deveria ser considerado como subvenção para custeio e, conseqüentemente, computado na determinação do lucro real, por lhe faltar a vinculação e estrita correspondência entre os benefícios financeiros auferidos pelo contribuinte e o destino desses recursos à realização do investimento, especialmente na aquisição dos ativos necessários a expansão do empreendimento econômico. Características essenciais do Programa FOMENTAR O Programa FOMENTAR, de que trata o presente processo, constitui um negócio jurídico firmado entre a contribuinte e o Estado de Goiás, sendo composto por duas etapas, distintas e autônomas: a) primeira etapa consistiu no contrato de financiamento por meio do qual a contribuinte, em vez de pagar o tributo, condicionaria a aplicação dos recursos liberados na implantação ou expansão do empreendimento; b) segunda etapa (objeto do presente lançamento) – novo benefício, por meio do qual a interessada, para liquidar o empréstimo contraído na primeira etapa, poderia usufruir de um substancial desconto, cujo montante também Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado dig italmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 13116.720723/201304 Acórdão n.º 1401001.562 S1C4T1 Fl. 1.227 18 deveria ser aplicado para implantar ou expandir os ativos responsáveis pela produção da empresa. Considero que agiu corretamente o colegiado julgador a quo, ao considerar que o contrato inicial se constitui em meio hábil para demonstrar a essência do intuito negocial existente entre a recorrente o Estado de Goiás. As segunda etapa do Fomentar, conforme bem apontado pela decisão recorrida, representou uma simples alteração na forma de adimplemento do empréstimo inicialmente obtido: inicialmente , o empréstimo deveria ser pago de maneira parcelada e submetido a encargos (juros e correção monetária); depois, o empréstimo poderia ser liquidado antecipadamente e com substancial desconto. Toda a controvérsia se resume a saber se o valor deste desconto recebido pela recorrente deve ser considerado como subvenção para investimento ou como subvenção para custeio. Em outras palavras, a controvérsia resumese a analisar se há subsunção do caso concreto ao art. 443 do RIR/99, conforme alegou a recorrente. Requisitos para caracterização das subvenções para investimento A análise dos requisitos para caracterização das subvenções para investimento passa, necessariamente, pela correta interpretação do art. 443 do RIR/99. O referido artigo foi magistramente interpretado pelo Parecer Normativo CST n° 112/1978 e pela Decisão Cosit n° 04/1999. Vejamos o que dispõe sobre o tema o Parecer Normativo CST n° 112/1978, ao caracterizar a subvenção para investimento sob a ótica da legislação do imposto de renda das pessoas jurídicas, verbis: 2.4 A Ciência Contábil, por exemplo, tem condições de nos oferecer um conceito que possa abrigar toda a extensão atribuída às SUBVENÇÕES pelo texto legal, sob o ângulo da modificação produzida no patrimônio da empresa beneficiária. É o que faz o Parecer Normativo CST nº 142/73, ao incluir as SUBVENÇÕES como integrantes de recursos públicos ou privados não exigíveis. patrimônio da empresa beneficiária é enriquecido com recursos vindos de fora sem que isso importe na assunção de uma dívida ou obrigação. como se os recursos tivessem sido carreados pelos próprios donos da empresa com a condição de não serem exigidos nem cobrados, originados, pois, do chamado CAPITAL PRÓPRIO, ao contrario do CAPITAL ALHEIO ou de TERCEIROS, que é sempre exigível e cobrável. [...] 2.11 Umas das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST n° 2/78 ...No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria destinada aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendese um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado dig italmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 13116.720723/201304 Acórdão n.º 1401001.562 S1C4T1 Fl. 1.228 19 especificas. Já o Parecer Normativo CST no 143/73 ..., sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não em suas despesas, mas sim, na aplicação especifica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. 2.12 Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o "animus" de subvencionar para investimento. Impõe se, também, a "efetiva e especifica" aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimentos não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. "(grifos nossos) Como se vê, o Parecer Normativo CST n° 112/1978, com base em princípios fundamentais da Ciência Contábil, concluiu, com muito acerto que: a) As subvenções para investimento destinamse à aplicação em bens ou direitos (ativo fixo), por parte da pessoa jurídica subvencionada. Por sua vez, as subvenções para custeio caracterizamse pela não vinculação a aplicações especifica; b) Nas subvenções para investimento, há necessidade de perfeita sincronia entre a intenção do subvencionador e a ação efetiva do subvencionado, na aquisição de bens e direitos que irão compor o seu ativo fixo. c) Não basta apenas o animus de subvencionar para investimento. Impõese, também, a efetiva, especifica e adequada aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Visando complementar este entendimento, convém também analisar a inteligência da Decisão Cosit n° 04/1999, a qual elenca os requisitos que devem ser atendidos para comprovar que determinados recursos recebidos do poder público sejam, de fato, caracterizados como subvenção para investimento: Como regra geral, as Subvenções para Investimento são tributáveis. No entanto, a legislação fiscal, art. 38 do D.L. n" 1.598/77, instituiu tratamento diferenciado as subvenções para investimento que revestiremse dos seguintes requisitos: à recursos oriundos de pessoas jurídicas de direito público; Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado dig italmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 13116.720723/201304 Acórdão n.º 1401001.562 S1C4T1 Fl. 1.229 20 à possuírem destinação especifica para investimentos em implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; à sincronismo entre a intenção do subvencionador com a ação do subvencionado; à o beneficiário da subvenção deve ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico; à deve ser registrada contabilmente em conta de reserva de capital que poderá somente ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social. Assentados os princípios básicos que permitem a correta caracterização das subvenções para investimento, podemos passar à derradeira etapa de nossa análise, que consiste em verificar, no caso concreto, se benefícios da segunda etapa do FOMENTAR devem ser classificados como subvenções para investimento ou como subvenções para custeio. Verificação concreta do atendimento dos requisitos para caracterização dos benefício do FOMENTAR como subvenção para investimento Com base nos elementos constantes dos autos, verifico que os benefícios fiscais auferidos pela recorrente em decorrência da liquidação antecipada, ainda que estejam com sua utilização condicionada, não atendem aos requisitos necessários para serem caracterizados como subvenções para investimento. O Termo de Verificação Fiscal demonstra com clareza que, no caso concreto, a destinação para investimentos em implantação ou expansão do empreendimento econômico não era especifica. Em outras palavras, a realidade dos autos demonstra que os recursos econômicos obtidos pela recorrente destinavamse, inicialmente, a reforçar o capital de giro da empresa, e apenas posteriormente seriam utilizados para a formação do ativo imobilizado. Desta forma, resulta claramente desatendido o requisito de sincronismo entre a intenção do subvencionador com a ação do subvencionado, expressamente preconizada pelo Parecer Normativo CST n° 112/1978 e pela Decisão Cosit n° 04/1999, devidamente analisadas no item antecedente do presente voto. Em síntese: não basta que a lei estadual ou os correspondentes atos regulamentares demonstrem a intenção do Estado de subvencionar investimentos do contribuinte. Mera menção nos atos normativos estaduais de que o desconto do saldo devedor estaria vinculado ao investimento no setor industrial sob forma de expansão ou implantação de novo empreendimento, por si só, não caracteriza a subvenção para investimento. É essencial a comprovação de sincronismo ente o recebimento e a aplicação dos recursos. Estaria a recorrente numa situação muita cômoda, ao entender que poderia dispor do prazo de vinte anos para prestar satisfações sobre a destinação dos recursos obtidos pela liquidação antecipada do financiamento. É fato inegável que em nenhum momento restou demonstrado nos autos a efetiva aplicação dos recursos para atender às condições estabelecidas em lei. Vale reforçar: o Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado dig italmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 13116.720723/201304 Acórdão n.º 1401001.562 S1C4T1 Fl. 1.230 21 fato de dispor de vinte anos para aplicação dos ingressos não implica que terá que prestar contas apenas ao final do prazo, até mesmo porque se exige um sincronismo entre o recebimento e a aplicação dos recursos. Ademais, não há qualquer razoabilidade em negócio jurídico firmado no sentido de que, não obstante a disponibilização dos recursos ser imediata, a prestação de contas seria efetuada apenas ao final de vinte anos, sem nenhum acompanhamento ou ponto de controle da execução das obrigações contraídas. Ainda que os recursos estivessem representados na empresa por ativos diversos, como quer fazer crer o recorrente, poderiam os registros contábeis trazer as informações necessárias que tornariam possível identificar a aplicação dos ingressos no ativo imobilizado da empresa. Ocorre que o recorrente restringiuse a meras alegações, sem trazer nenhum documento que comprovasse, concretamente, a aplicação em ativos fixos dos recursos obtidos por meio da liquidação antecipada do empréstimo contraído junto ao governo do Estado de Goiás. Ressaltese, por oportuno, que os precedentes administrativos invocados pela recorrente, ainda que respeitáveis, não possuem eficácia normativa, por ausência de lei que lhes atribua expressamente este efeito, como exige o art. 100, inciso II, parte final do CTN. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Redator Designado Fl. 1236DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado dig italmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 13116.720723/201304 Acórdão n.º 1401001.562 S1C4T1 Fl. 1.231 22 Voto vencedor Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Redator Designado É de longa data meu posicionamento acerca da aplicação da multa isolada em concomitância com a multa proporcional. Abaixo, reproduzo meu voto, relativo à situação idêntica à presente neste feito, que conduziu o Acórdão nº 120100.235, de 07 de abril de 2010: As regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3º: Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. Fl. 1237DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado dig italmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 13116.720723/201304 Acórdão n.º 1401001.562 S1C4T1 Fl. 1.232 23 O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível a cessação da vigência de leis extraordinárias e certo, em relação às temporárias, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. Nada obstante, também entendo que as duas sanções (a decorrente do descumprimento do dever de antecipar e a do dever de pagar em definitivo) não devam ser aplicadas conjuntamente pelas mesmas razões de me valer, por terem a mesma função, dos institutos do Direito Penal. Nesta seara mais desenvolvida da Dogmática Jurídica, aplicase o Princípio da Consunção. Na lição de Oscar Stevenson, “pelo princípio da consunção ou absorção, a norma definidora de um crime, cuja execução atravessa fases em si representativas desta, bem como de outras que incriminem fatos anteriores e posteriores do agente, efetuados pelo mesmo fim prático”. Para Delmanto, “a norma incriminadora de fato que é meio necessário, fase normal de preparação ou execução, ou conduta anterior ou posterior de outro crime, é excluída pela norma deste”. Como exemplo, os crimes de dano, absorvem os de perigo. De igual sorte, o crime de estelionato absorve o de falso. Nada obstante, se o crime de estelionato não chega a ser executado, punese o falso. É o que ocorre em relação às sanções decorrentes do descumprimento de antecipação e de pagamento definitivo. Uma omissão de receita, que enseja o descumprimento de pagar definitivamente, também acarreta a violação do dever de antecipar. Assim, punese com multa proporcional. Todavia, se há uma mera omissão do dever de antecipar, mas não do de pagar, punese a não antecipação com multa isolada. Assim, consideramos imperioso verificar se houve, em relação aos fatos que ensejaram a autuação de multas isoladas, também a imposição de multa proporcional e em que medida. O valor tributável é o mesmo (R$ 15.470.000,00). Isso, contudo, não implica necessariamente numa perfeita coincidência Fl. 1238DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado dig italmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 13116.720723/201304 Acórdão n.º 1401001.562 S1C4T1 Fl. 1.233 24 delitiva, pois pode ocorrer também que uma omissão de receita resulte num delito quantitativamente mais intenso. Foi o que ocorreu. Em razão de prejuízos posteriores ao mês do fato gerador, o impacto da omissão sobre a tributação anual foi menor que o sofrido na antecipação mensal. Desse modo, a absorção deve é apenas parcial. Conforme o demonstrativo de fls. 21, a omissão resultou numa base tributável anual do IR no valor de R$ 5.076.300,39, mas numa base estimada de R$ 8.902.754,18. Assim, deve ser mantida a multa isolada relativa à estimativa de imposto de renda que deixou de ser recolhida sobre R$ 3.826.453,79 (R$ 8.902.754,18 – R$ 5.076.300,39), parcela essa que não foi absorvida pelo delito de não recolhimento definitivo, sobre o qual foi aplicada a multa proporcional. Abaixo, segue a discriminação dos valores: Base estimada remanescente: R$ 3.826.453,79 Estimativa remanescente (R$ 3.826.453,79 x 25%): R$ 956.613,45 Multa isolada mantida (R$ 956.613,45 x 50%): R$ 478.306,72 Multa isolada excluída (R$ 1.109.844,27 – R$ 478.306,72): R$ 631.537,55 O mesmo fundamento deve ser aplicado para a estimativa de CSLL: Base estimada remanescente (R$ 8.672.863,50 – R$ 1.736.870,86): R$ 6.935.992,64 Estimativa remanescente (R$ 6.935.992,64 x 9%): R$ 624.239,34 Multa isolada mantida (R$ 624.239,34 x 50%): R$ 312.119,67 Multa isolada excluída (R$ 390.278,86 – R$ 312.119,67): R$ 78.159,19 Dessarte, apresento o cálculo da absorção com os valores obtidos no auto de infração, fls. 0253 conforme o posicionamento acima estampado. Multa isolada IRPJ 2009 = R$ 1.144.461,77 Multa isolada IRPJ 2010 = R$ 496.982,74 Multa de ofício IRPJ 2009 = R$ 1.698.023,42 Fl. 1239DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado dig italmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 13116.720723/201304 Acórdão n.º 1401001.562 S1C4T1 Fl. 1.234 25 Multa de ofício IRPJ 2010 = R$ 401.114,53 Concomitância IRPJ 2009 = (50%/75%) x R$ 1.698.023,42 = R$ 1.132.015,61 Multa isolada exonerada IRPJ 2009 = R$ 1.132.015,61 Multa isolada mantida IRPJ 2009 = R$ 1.144.461,77 R$ 1.132.015,61 = R$ 12.446,16 Concomitância IRPJ 2010 = (50%/75%) x R$ 401.114,53= R$ 267.409,69 Multa isolada exonerada IRPJ 2009 = R$ 267.409,69 Multa isolada mantida IRPJ 2009 = R$ 401.114,53 R$ 267.409,69= R$ 133.704,84 Multa isolada CSLL 2009 = R$ 412.006,24 Multa isolada CSLL 2010 = R$ 179.629,66 Multa de ofício CSLL 2009 = R$ 614.442,83 Multa de ofício CSLL 2010 = R$ 160.381,70 Concomitância CSLL 2009 = (50%/75%) x R$ 614.442,83= R$ 409.628,55 Multa isolada exonerada CSLL 2009 = R$ 409.628,55 Multa isolada mantida CSLL 2009 = R$ 412.006,24 R$ 409.628,55= R$ 2.377,69 Concomitância CSLL 2010 = (50%/75%) x R$ 160.381,70= R$ 106.921,13 Multa isolada exonerada CSLL 2009 = R$ 106.921,13 Multa isolada mantida CSLL 2009 = R$ 179.629,66 R$ 106.921,13= R$ 72.708,53 Fl. 1240DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado dig italmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO Processo nº 13116.720723/201304 Acórdão n.º 1401001.562 S1C4T1 Fl. 1.235 26 Por todo o exposto, voto para afastar parcialmente as multas isoladas nos valores acima determinados. Documento assinado digitalmente. Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Redator Designado Fl. 1241DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado dig italmente em 02/07/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO
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Numero do processo: 12893.720087/2013-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/07/2010
ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Deve ser indeferido o pedido de restituição quando o contribuinte não apresenta provas suficientes a afastar os pressupostos de fato do indeferimento da restituição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada. Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente convocada).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2006 a 31/07/2010 ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Deve ser indeferido o pedido de restituição quando o contribuinte não apresenta provas suficientes a afastar os pressupostos de fato do indeferimento da restituição. Recurso Voluntário Negado
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INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Deve ser indeferido o pedido de restituição quando o contribuinte não apresenta provas suficientes a afastar os pressupostos de fato do indeferimento da restituição. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada. Junia AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 3. 72 00 87 /2 01 3- 30 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 2 Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente convocada). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 12893.720087/201330, em face do acórdão nº 0131.676, julgado pela 5ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (DRJ/BEL) no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem, que assim os relatou: Tratase de Pedido de Restituição protocolizado pelo contribuinte acima identificado, em 01/07/2013, no qual pleiteia ressarcimento de contribuições previdenciárias pagas a maior ou indevidamente, entregues via internet em 27/12/2010 e 12/01/2011, perfazendo o total de 44 documentos. Após análise do pedido e dos documentos apresentados, a DRF de Araraquara, concluiu pelo indeferimento da restituição, nos termos do relatório de fls. 138 a 140, do qual extraímos o seguinte excerto: “ O Contribuinte requer recolhimento indevido efetuado a maior. Decido pelo indeferimento do valor requerido. Segue Planilha contendo os valores do processo. (...) Os recolhimentos estão efetuados com código de pagamento para o CEI – Código Específico do INSS.” MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do indeferimento de seu pleito, por meio da COMUNICAÇÃO DRF/AQA/SAORT/n.º 0468/2013 (fl.141), em 15/08/2013 – AR de fl. 143,o interessado apresentou em 05/09/2013, a Manifestação de Inconformidade de fls. 145/146, acompanhada dos documentos de fls. 147/159, apresentando as seguintes alegações, em resumo: Em breve relato dos fatos informa que orientado pelo setor de obras do INSS\PIRATININGA efetuou mensalmente, os recolhimentos, até o final da obra, sob o n. do CEI 21.345.12370/61 que também poderia registrar os trabalhadores recolhendo o INSS através do mesmo n. de CEI (anexo) Ressalta que estando desempregado, foi efetuado o registro em sua a Carteira como trabalhador na mesma obra e que terminada a obra apresentou a documentação exigida a Receita Federal, que emitiu o Certificado de Quitação, e ao mesmo tempo informou que o recolhimento feito, foi em valor superior ao necessário para a referida quitação, onde a funcionária da Fl. 181DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 12893.720087/201330 Acórdão n.º 2202003.441 S2C2T2 Fl. 181 3 RFB me orientou entrar com o pedido para a restituição desta diferença paga a maior. Que assim, baseado na lei do idoso reitera a PRIORIDADE no julgamento deste manifesto de inconformidade, apontando os seguinte pontos de discordância: a) O recolhimento vinculado a CEI 21.345.12370/61, que representava a dívida foi devidamente incorporado à Receita Federal. b) A diferença recolhida a maior não tem justificativa para ser apropriada à RFB. Informa que os comprovantes de recolhimento dos tributos recolhidos a maior.permanecerão ao inteiro dispor de V.Sas. DO PEDIDO À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento do seu pleito, requer que seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade. É o relatório. A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte. Inconformado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade às fls. 172/173, onde são reiterados os argumentos já lançados na impugnação, bem como anexado documentos às fls. 175/177. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator De início, recebo a manifestação de inconformidade de fls. 172173, apresentada em face da decisão da DRJ de origem, como recurso voluntário, haja vista ser este o recurso cabível. Assim, considerando que o recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Em relação aos documentos juntados (fls. 175/177), por força do princípio da verdade material e do formalismo moderado, receboos nesta fase processual. No presente caso, verificase que o contribuinte alega ter pago indevidamente as contribuições previdenciárias listadas em fl. 175. Pela análise dos pedidos de restituição, verificase que a justificativa do pedido de restituição foi: RECOLHIMENTO INDEVIDO PARA A C.E.I 21.345.12370/61 EM NOME DE CLAUDIO ROCHA, REFERENTE IMOVEL NA Fl. 182DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 4 RUA SAO FRANCISCO, 126 LT. 13 QD. 08 VL. MENK OSASCO SP. CEP: 06273110 Tanto em manifestação de inconformidade, quanto em recurso voluntário, o contribuinte alega que, ao receber o Certificado de Quitação das contribuições previdenciárias, teria sido informado que efetuou o recolhimento destas em valor superior ao necessário para a referida quitação. Assim, segundo alega o contribuinte, a funcionária da RFB o orientou a entrar com o pedido para a restituição desta diferença paga a maior. Consoante se verifica, o contribuinte em nenhum momento explica qual a fundamentação fática ou jurídica para a restituição. Além disso, pede a restituição do valor que teria sido integralmente pago. Aliás, a verificação do pagamento também não pode ser realizada pois o contribuinte não anexa em nenhum momento os comprovantes de recolhimento do tributo. A DRJ de origem, nos termos do voto do ilustre relator, compreendeu que não havia o contribuinte apresentado provas de suas alegações. Vejamos: Ponderese que o indeferimento do pedido de restituição, é ato administrativo que goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade e, portanto, cumpre ao contribuinte o ônus de afastar, mediante prova robusta e inequívoca em contrário, essa presunção (vide art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972), o que não ocorreu no presente caso. Ressaltandose que o Interessado, mesmo obtendo o prazo para manifestarse nos autos, a ele não trouxe qualquer documento ou informação capaz de alterar o entendimento fiscal que contesta. Assim, pela não apresentação de provas pelo contribuinte, entendo que não carece de reforma o acórdão da DRJ de origem que indeferiu os pedidos de restituição realizados pelo contribuinte. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 183DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA
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Numero do processo: 13706.008178/2008-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. APOSENTADORIA. REFORMA. PENSÃO. LAUDO MÉDICO OFICIAL.
Somente são isentos de tributação os rendimentos relativos a aposentadoria, reforma ou pensão, recebidos por portador de moléstia grave devidamente comprovada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial..
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2201-003.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ISENÇÃO. APOSENTADORIA. REFORMA. PENSÃO. LAUDO MÉDICO OFICIAL. Somente são isentos de tributação os rendimentos relativos a aposentadoria, reforma ou pensão, recebidos por portador de moléstia grave devidamente comprovada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial.. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 81 78 /2 00 8- 69 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13706.008178/200869 Acórdão n.º 2201003.246 S2C2T1 Fl. 68 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 2ª Turma da DRJ/RJ2 (Fls. 33), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Em procedimento de revisão interna de declaração de rendimentos correspondente ao anocalendário de 2005, foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 7 a 14, em que foram apuradas dedução indevida de dependentes (R$ 4.212,00), dedução indevida de despesas de instrução (R$ 520,00), dedução indevida de despesas médicas (R$ 3.290,00) e omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos do Comando do Exército (R$ 99.516,24), C & C Technologies do Brasil Ltda. (R$ 7.200,00), Capemi – Caixa de Pecúlios, Pensões e Montepios Beneficente (R$ 2.719,68), Universidade do Estado do Rio de Janeiro – Uerj (R$ 3.693,50) e Prefeitura Municipal de Belford Roxo (R$ 9.000,00). Tais infrações resultaram no lançamento de imposto suplementar de R$ 10.232,37, acrescido de multa de ofício e juros de mora regulamentares, perfazendo um crédito total de R$ 20.843,33. Após ter sido cientificado da notificação de lançamento em tela em 17/09/2008 (fl. 31), o Contribuinte apresentou em 09/10/2008 a impugnação de fl. 2, valendose, em síntese, dos seguintes argumentos: 1) o Interessado concorda com as glosas de deduções de dependentes, despesas médicas e despesas com instrução; 2) o Interessado concorda com a omissão de rendimentos, no total de R$ 22.613,18, oriundos das fontes pagadoras C & C Technologies do Brasil Ltda., Capemi – Caixa de Pecúlios, Pensões e Montepios Beneficente, Universidade do Estado do Rio de Janeiro – Uerj e Prefeitura Municipal de Belford Roxo; 3) o Impugnante se insurge contra a tributação de R$ 99.516,24 pagos pelo Comando do Exército e informados como rendimentos isentos na declaração de ajuste anual; 4) o Contribuinte seria portador de moléstia grave, conforme laudos médicos anexados aos autos, fazendo jus à isenção do imposto de renda sobre os rendimentos oriundos do Comando do Exército desde fevereiro de 2004.. Passo adiante, a 2ª Turma da DRJ/RJ2 entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: MATÉRIAS NÃOIMPUGNADAS. DEDUÇÕES DE DEPENDENTES, DESPESAS COM INSTRUÇÃO, DESPESAS MÉDICAS E OMISSÃO DE RENDIMENTOS Fl. 69DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13706.008178/200869 Acórdão n.º 2201003.246 S2C2T1 Fl. 69 3 Considerase como não impugnada a parte do lançamento contra a qual o contribuinte não apresenta óbice. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. A isenção para portadores de moléstia grave só poderá ser concedida quando o contribuinte preencher os dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção: a natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, e a existência da moléstia tipificada no texto legal, comprovada por laudo médico pericial oficial. Cientificado em 26/10/2013 (Fls. 43), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 19/11/2013 (fls. 46 a 47), argumentando em síntese: (...) II O Direito O contribuinte Antonio Manoel Santiago dos Santos, encontrase isento do desconto do imposto de renda, desde fevereiro de 2004, conforme 7 (sete) documentos comprobatórios que estão anexados neste recurso. Sendo assim, o rendimento auferido do Comando do Exército (R$ 99.516,24) foi considerado como rendimento isento e não tributável classificado na linha "Pensão, proventos de aposentadoria ou reforma por moléstia grave ou aposentadoria ou reforma por acidente". . MÉRITO Estamos anexando os sete documentos comprobatórios da isenção do desconto do imposto de renda e uma declaração retificadora após estas conclusões. (...). Anexa em conjunto: Procuração; Declaração do Comando Militar do Leste, 1a Região Militar; Adt. do Comando de Apoio Regional nº22; Homologação do Parecer técnico nº664/2006, do Comando Militar do Leste; Cópia de Ata de Inspeção de Saúde do Ministério de Defesa; Cópia da Portaria nº626 – DCIP.22, DE 16 DE MAIO DE 2006 do Ministério de Defesa – Reforma por incapacidade Física; Declaração de Ajuste Anual, anocalendário 2005, exercício 2006; Fl. 70DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13706.008178/200869 Acórdão n.º 2201003.246 S2C2T1 Fl. 70 4 Cópia de Extrato do processo; É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Resta em litígio somente a omissão de rendimentos recebidos do Comando do Exército, no valor de R$99.516,24, ao longo do anocalendário 2005. Sustenta o contribuinte que faria jus a concessão de isenção por ser reformado e portador cardiopatia grave, espécie de moléstia grave tipificada pela Lei nº 7.713/1988, em seu artigo 6º, inciso XIV, com a redação dada pela Lei nº 11.052/2004, que segue abaixo transcrita: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma” Acerca do tema, o Decreto nº 3.000/99 (RIR), em seu artigo 39, inciso XXXIII, bem como o §4º do mesmo artigo, assim dispõe: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a Fl. 71DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13706.008178/200869 Acórdão n.º 2201003.246 S2C2T1 Fl. 71 5 doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); (...) § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º).” Neste sentido, para o reconhecimento da isenção, duas são as condições básicas que devem ser comprovadas, concomitantemente: 1. Que os rendimentos percebidos por portador da moléstia grave prevista em lei sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma; 2. Que a moléstia grave, contraída antes ou após a aposentadoria, reforma ou pensão, seja comprovada através de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos municípios. Como se verifica através dos documentos de fls. 18 e 19, Parecer Técnico nº 664/2006, e Cópia da Ata de Inspeção de Saúde, o Recorrente é portador de cardiopatia grave a partir de fevereiro de 2004. Destarte, fica claro que está satisfeito o segundo requisito, relativo a moléstia grave contraída antes ou após a aposentadoria, reforma ou pensão . Cabe analisar a natureza dos rendimentos auferidos. Em relação a este ponto, a decisão recorrida não reconheceu a isenção por entender que o contribuinte não comprovou serem os rendimentos relativos a aposentadoria, reforma ou pensão. Ressaltou ainda a DRJ: "...que o documento de fl. 15 foi emitido em 25/04/2007 e o boletim do Comando do Exército (fl. 17) é de 22/06/2006, datas posteriores ao anocalendário da presente lide. Inexiste no processo documento que ateste que o Interessado encontravase na condição de reformado no anocalendário de 2005. Acrescentese, ainda, que, de acordo com o Estatuto dos Militares (art. 106, I, alínea “b”, da Lei nº 6.880, de 1980), o Contribuinte só atingiria a reforma por idade limite com 64 anos, portanto, em 2011." (doc. pág. 36 dos autos) Mesmo alertado pela DRJ, o contribuinte não trouxe aos autos documentos capazes de comprovar serem os seus rendimentos decorrentes de aposentadoria, reforma ou pensão. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13706.008178/200869 Acórdão n.º 2201003.246 S2C2T1 Fl. 72 6 Deste modo, entendo que o recorrente não logrou êxito em provar sua alegada isenção. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 73DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 13896.721402/2013-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
IRPJ, CSLL, PIS E COFINS. DECADÊNCIA. CONFIGURAÇÃO.
Ultrapassado o prazo decadencial previsto no art. 173, inc. I do CTN, resta decaído o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário pelo lançamento.
AUSÊNCIA DE EMISSÃO DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF DE FISCALIZAÇÃO EM NOME DOS RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Ante a inexistência de previsão nas normas que regulamentam o Mandado de Procedimento Fiscal para emissão MPF-F em nome dos sujeitos passivos indicados como responsáveis solidários pela autoridade lançadora, não há qualquer irregularidade no lançamento realizado. Além disso, o Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização e não tem o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal do Auditor-Fiscal da Receita Federal para fiscalizar os tributos federais e realizar o lançamento quando devido. Assim, se o procedimento fiscal foi regularmente instaurado e os lançamentos foram realizados pela autoridade administrativa competente, nos termos do art. 142 do CTN, e, ainda, a recorrente pôde exercitar com plenitude o seu direito de defesa, afasta-se quaisquer alegação de nulidade relacionada à emissão, prorrogação ou alteração do MPF.
INTIMAÇÃO POR MEIO DE EDITAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Atendidos os pressupostos legais para a realização de intimação por meio de edital afixado na repartição responsável pelo lançamento do tributo, não há que se acolher alegação de nulidade.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. RECEITA CONHECIDA. OMISSÃO DE RECEITAS APURADAS POR MÉTODO DIRETO E MEDIANTE PRESUNÇÃO LEGAL. POSSIBILIDADE.
A apuração de omissão de receitas pela autoridade fiscal mediante a circularização de clientes da pessoa jurídica não exclui a possibilidade de apuração de omissão com base em créditos bancários de origem não comprovada, para compor a receita conhecida para fins de arbitramento do lucro, uma vez não comprovado que os créditos bancários foram originados daquelas mesmas receitas.
MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. NÃO ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO FEITA POR EDITAL. CARACTERIZAÇÃO.
A circunstância das intimações, não atendidas pelo sujeito passivo, terem sido feitas mediante edital não afasta a possibilidade do agravamento da penalidade, uma vez feitas (as intimações) em conformidade com as normas que regulam o procedimento fiscal, pois aquelas produzem os mesmos efeitos das intimações pessoais ou por via postal.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
O mero recebimento de valores cuja causa não se revela adequadamente justificada, não é suficiente, à míngua de outros elementos, para caracterizar o interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária, a ensejar a responsabilidade solidária prevista no art. 124, inc. I do CTN .
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS NO QUADRO SOCIETÁRIO. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO-GERENTE DE FATO.
Havendo indícios convergentes da interposição fraudulenta de pessoas no quadro social da pessoa jurídica e da existência de pessoa com poderes efetivos de gestão dos negócios da empresa autuada, expressos em instrumento de mandato, correta a imputação de responsabilidade solidária ao sócio-gerente de fato, por evidente violação à lei, nos termos do art. 135, I do CTN.
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE DE EX-SÓCIO-GERENTE. CONTINUIDADE NA GESTÃO APÓS SAÍDA DO QUADRO SOCIAL. LIMITAÇÃO. DECADÊNCIA. EFEITOS.
Tendo o Fisco apontado a continuidade da ex-sócia-gerente na gestão financeira da empresa nos três primeiros meses do ano-calendário sob fiscalização, não apontando nenhum fato a ela relacionado nos meses posteriores, e tendo sido reconhecida a decadência do lançamento do IRPJ e da CSLL relativamente aos três primeiros trimestres e das contribuições ao PIS e Cofins até o mês de novembro do período lançado, deve ser exonerada a ex-sócia de qualquer responsabilidade sobre os tributos cuja exigência remanesce.
Numero da decisão: 1302-001.921
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício e quanto aos recursos voluntários apresentados: 1- rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas; 2- quanto ao mérito do lançamento, negar-lhes provimento; e, 3- com relação à sujeição passiva solidária dos recorrentes, em dar provimento aos recursos dos responsáveis Maria José de Oliveira Grajcar, Ailton Marron e Marron Administração e Participação Ltda e por negar provimento ao recurso do responsável Newton Tullii.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Depósitos Bancários Recorrentes REAL VET COMÉRCIO DE PRODUTOS QUÍMICOS LTDA E OUTROS (RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS) FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 IRPJ, CSLL, PIS E COFINS. DECADÊNCIA. CONFIGURAÇÃO. Ultrapassado o prazo decadencial previsto no art. 173, inc. I do CTN, resta decaído o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário pelo lançamento. AUSÊNCIA DE EMISSÃO DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF DE FISCALIZAÇÃO EM NOME DOS RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Ante a inexistência de previsão nas normas que regulamentam o Mandado de Procedimento Fiscal para emissão MPFF em nome dos sujeitos passivos indicados como responsáveis solidários pela autoridade lançadora, não há qualquer irregularidade no lançamento realizado. Além disso, o Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização e não tem o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal do AuditorFiscal da Receita Federal para fiscalizar os tributos federais e realizar o lançamento quando devido. Assim, se o procedimento fiscal foi regularmente instaurado e os lançamentos foram realizados pela autoridade administrativa competente, nos termos do art. 142 do CTN, e, ainda, a recorrente pôde exercitar com plenitude o seu direito de defesa, afastase quaisquer alegação de nulidade relacionada à emissão, prorrogação ou alteração do MPF. INTIMAÇÃO POR MEIO DE EDITAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Atendidos os pressupostos legais para a realização de intimação por meio de edital afixado na repartição responsável pelo lançamento do tributo, não há que se acolher alegação de nulidade. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 14 02 /2 01 3- 89 Fl. 5371DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13896.721402/201389 Acórdão n.º 1302001.921 S1C3T2 Fl. 5.372 2 ARBITRAMENTO DO LUCRO. RECEITA CONHECIDA. OMISSÃO DE RECEITAS APURADAS POR MÉTODO DIRETO E MEDIANTE PRESUNÇÃO LEGAL. POSSIBILIDADE. A apuração de omissão de receitas pela autoridade fiscal mediante a circularização de clientes da pessoa jurídica não exclui a possibilidade de apuração de omissão com base em créditos bancários de origem não comprovada, para compor a receita conhecida para fins de arbitramento do lucro, uma vez não comprovado que os créditos bancários foram originados daquelas mesmas receitas. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. NÃO ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO FEITA POR EDITAL. CARACTERIZAÇÃO. A circunstância das intimações, não atendidas pelo sujeito passivo, terem sido feitas mediante edital não afasta a possibilidade do agravamento da penalidade, uma vez feitas (as intimações) em conformidade com as normas que regulam o procedimento fiscal, pois aquelas produzem os mesmos efeitos das intimações pessoais ou por via postal. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. O mero recebimento de valores cuja causa não se revela adequadamente justificada, não é suficiente, à míngua de outros elementos, para caracterizar o interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária, a ensejar a responsabilidade solidária prevista no art. 124, inc. I do CTN . SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS NO QUADRO SOCIETÁRIO. RESPONSABILIDADE DO SÓCIOGERENTE DE FATO. Havendo indícios convergentes da interposição fraudulenta de pessoas no quadro social da pessoa jurídica e da existência de pessoa com poderes efetivos de gestão dos negócios da empresa autuada, expressos em instrumento de mandato, correta a imputação de responsabilidade solidária ao sóciogerente de fato, por evidente violação à lei, nos termos do art. 135, I do CTN. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE DE EXSÓCIOGERENTE. CONTINUIDADE NA GESTÃO APÓS SAÍDA DO QUADRO SOCIAL. LIMITAÇÃO. DECADÊNCIA. EFEITOS. Tendo o Fisco apontado a continuidade da exsóciagerente na gestão financeira da empresa nos três primeiros meses do anocalendário sob fiscalização, não apontando nenhum fato a ela relacionado nos meses posteriores, e tendo sido reconhecida a decadência do lançamento do IRPJ e da CSLL relativamente aos três primeiros trimestres e das contribuições ao PIS e Cofins até o mês de novembro do período lançado, deve ser exonerada a exsócia de qualquer responsabilidade sobre os tributos cuja exigência remanesce. Fl. 5372DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13896.721402/201389 Acórdão n.º 1302001.921 S1C3T2 Fl. 5.373 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício e quanto aos recursos voluntários apresentados: 1 rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas; 2 quanto ao mérito do lançamento, negarlhes provimento; e, 3 com relação à sujeição passiva solidária dos recorrentes, em dar provimento aos recursos dos responsáveis Maria José de Oliveira Grajcar, Ailton Marron e Marron Administração e Participação Ltda e por negar provimento ao recurso do responsável Newton Tullii. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Talita Pimenta Félix. Fl. 5373DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13896.721402/201389 Acórdão n.º 1302001.921 S1C3T2 Fl. 5.374 4 Relatório REAL VET COMÉRCIO DE PRODUTOS QUÍMICOS LTDA , já qualificados nestes autos, foi autuada e intimada a recolher crédito tributário no valor total de R$ 11.023,905,31, discriminado no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, à fl. 002, tendo, ainda, sido feita a imputação de responsabilidade tributária a Maria José de Oliveira Grajcar, Ailton Marron, Marron Administração e Participação Ltda, Newton Tullii e Abílio Trindade Domingos. O procedimento fiscal foi sinteticamente descrito no acórdão recorrido, verbis: Foi arbitrado o lucro da empresa com base no art. 530, III, do RIR/1999, tendo em vista que, sendo intimada a apresentar os livros e documentos de sua escrituração, a contribuinte deixou de apresentálos. [...] O procedimento de fiscalização e as conclusões dele decorrentes foram relatadas no Termo de Constatação Fiscal de fls. 4602 a 4623. Segundo o relato da autoridade fiscal, a contribuinte não apresentou DIPJ relativa ao anocalendário de 2007, DCTF e Dacon relativas ao 1º semestre daquele anocalendário, apresentou DCTF do 2º semestre sem débitos a recolher e Dacon do 2º semestre com fichas em branco. Informou o fisco que não houve qualquer recolhimento de tributo no citado anocalendário. Constatou a fiscalização que a contribuinte declarou ao fisco estadual o valor de R$ 10.038.137,55. A fiscalização, tendo em vista que a contribuinte e o sócioadministrador não foram encontrados nos endereços constantes no cadastro do CNPJ, intimou os clientes do sujeito passivo para apresentarem as notas fiscais, contratos, orçamentos e propostas, que comprovassem as compras feitas da contribuinte. Tais documentos revelaram o auferimento de receita no montante de R$ 31.780.571,13. Intimouse, também, os fornecedores a apresentar os comprovantes (notas fiscais, contratos, orçamentos e propostas) das vendas efetuadas para a contribuinte. À contribuinte foi solicitada a apresentação dos extratos da movimentação financeira de todas as contas correntes, de poupança, de investimentos, vinculadas ou garantidas, mantidas no anocalendário de 2007. Como não houve atendimento por parte do sujeito passivo, foi expedida RMF para o Banco do Brasil e Bradesco requisitando tais extratos, os quais foram analisados e a contribuinte foi intimada a comprovar a origem dos valores creditados nas contas bancárias. Posteriormente, com o intuito de identificar os reais beneficiários da movimentação financeira efetuada pelo sujeito passivo, foi rastreado o destino dos recursos representados por cheques descontados e/ou sacados na boca do caixa, através da análise das fitas – detalhe de movimentação de caixa. Fl. 5374DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13896.721402/201389 Acórdão n.º 1302001.921 S1C3T2 Fl. 5.375 5 A análise dos documentos obtidos permitiram a identificação de diversas pessoas físicas e jurídicas que se relacionaram com o sujeito passivo no período, isto é, receberam ou enviaram recursos para a contribuinte. Foi apurada omissão de receita da atividade e omissão de receita caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Foram lavrados os autos de infração, com exigência da multa de ofício de 225% e foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária em nome de Maria José de Oliveira Grajcar, Ailton Marron, Marron Administração e Participação Ltda, Newton Tullii, Abílio Trindade Domingos. Intimada a contribuinte REAL VET COMÉRCIO DE PRODUTOS QUÍMICOS LTDA e os responsáveis solidários, apenas os seguintes responsáveis solidários apresentaram impugnação tempestiva do lançamento: Newton Tulli, Maria José de Oliveira Grajcar, Ailton Marron e Marron Administação e Participação Ltda. As alegações dos impugnantes foram descritas no acórdão recorrido, verbis: Notificado da autuação, Newton Tulli por meio de seu representante legal, apresentou impugnação (fls.4686 a 4717) na qual alega: ● O fisco tentou intimação da empresa em determinado endereço, sendo que algumas semanas após diligenciou verificando que este não mais estava naquele local, afixando edital de citação em suas dependências. Posteriormente, tentou diversas intimações e reintimações no mesmo endereço. Como a empresa poderia cumprir tal exigência se está sendo intimada em local que sabe não estar estabelecida. ● ADEMAIS, OS SÓCIOS E EXSÓCIOS NÃO FORAM CITADOS POR EDITAL PARA FORNECER OS DOCUMENTOS OU CONSTATAR SE SÃO PESSOAS INTERPOSTAS! ● É cediço que a citação por edital somente deve ser feita por exceção e não com a habitualidade sistemática realizada pelo fisco. ● Do mesmo modo, se o fisco fosse coerente em suas decisões, teria diligenciado cautelosamente, para localizar os sócios, mas para estes basta o retorno de um AR para fazer a citação por edital. ● As informações financeiras e bancárias são de cunho íntimo e privado do cidadão, são invioláveis e se inserem no conceito de "dados" a que faz menção o inciso XII, do art. 5o, da CF/88. ● O Poder Judiciário é quem possui a isenção para exercer o mister de, no confronto entre princípios tão caros quanto o Direito a Intimidade e Privacidade e o Interesse Público, aferir qual deles deverá ceder espaço ao outro, quebrando o sigilo bancário quando o interesse público se sobrelevar. ● Quando se passa ao fisco os detalhes e minúcias da relação havida entre o contribuinte e a instituição financeira, se está a divulgar dados a terceiro, eis que o fisco aí é terceiro. ● O fisco atribuiu sujeição passiva a todos indiscriminadamente, sem individualizar suas condutas, e sem lhes atribuir à interposição/falta de recolhimentos de impostos de forma individual. Fl. 5375DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13896.721402/201389 Acórdão n.º 1302001.921 S1C3T2 Fl. 5.376 6 No presente caso, se o Impugnante foi interposta pessoa e deixou de recolher determinado tributo somente por este pode responder. É evidente que o impugnante não descumpriu a lei, e se há eventual descumprimento se deveu a razões que escaparam a seu controle (terceiros), a infração não está caracterizada, não cabendo, pois, falarse em responsabilidade passiva solidária. ● Ademais, não conseguiu o fisco comprovar conluio entre as partes, tampouco qualquer tipo de laço entre estes. ● Quanto à falta de escrituração contábil, nenhuma responsabilidade possui o Impugnante, pois esta é única e exclusiva dos sócios, sendo este apenas assistente de diretoria, que apenas cumpria ordens, cabendo aos sócios tal responsabilidade. Afirmou a RFB no Auto de Infração, que o Impugnante era procurador da empresa (impugnante), endossou cheques, e ainda, um fornecedor informou ter este recebido pagamento por cheque destes, que não foram depositados na conta da Real, sendo depositados na conta de terceiros, chegando o fisco à conclusão que estes foram utilizados em seu proveito. Estas conclusões são descabidas e não podem prosperar. Sendo assistente de diretoria gozava de confiança para executar determinadas ordens, a mando dos sócios da empresa. Por esse motivo, somente na conta junto ao Banco do Brasil lhe foi outorgado poderes para movimentar a conta, quando necessário, porém, sempre com o consentimento e aval dos sócios. ● Em que pesem todas as alegações do fisco, mesmo que o Impugnante tenha endossado documentos, não há qualquer prova que indique qualquer vantagem financeira ou indevida. Se o Impugnante tinha uma procuração para movimentação bancária, de acordo com os documentos juntados ao processo pela fiscalização, estas foram realizadas para compromissos da empresa Real, e se houve qualquer desvio de finalidade são os sócios que devem responder, pois o Impugnante agia a mando destes. Os documentos acostados ao processo são provas cabais que não houve qualquer vantagem, e caso Vossa Senhoria não tenha se convencido, é de suma importância, sob pena de cerceamento do direito de defesa, a realização de perícia para constatar se os cheques supostamente endossados pelo Impugnante tiveram como destino sua conta bancária e consequente proveito econômico. ● Da mesma forma, se faz necessário diligenciar para encontrar os sócios, pois não é admissível que pela análise de documentos enviados pelo Estado da Bahia, que fornece "indícios" que são pessoas com baixo grau de instrução, e pior, ao ler um papel afirma veementemente que estes são pessoas simples. Quanto ao Sr. Alessandro agiram da mesma forma. Inicialmente alegam que como foi registrado em uma empresa de dedetização em 2009, isso o isenta de ter obtido proveitos na empresa de sua propriedade (Real). Para acusar o impugnante injustamente, aduz que este ainda hoje trabalha no ramo químico (veterinário), porém, ignora outra empresa aberta no mesmo ramo de atividade da Real. Fl. 5376DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13896.721402/201389 Acórdão n.º 1302001.921 S1C3T2 Fl. 5.377 7 Resta claro que o Sr. Alessandro deve ter, em determinado momento, abandonado as atividades da Real e migrado seus negócios para a Nova Aliança. Outro fator interessante, e que passou despercebido pela fiscalização, é o Sr. Alessandro ter assinado dezenas de cheques, mas mesmo assim, não teve qualquer proveito financeiro, nem administrou, gerenciou ou teve qualquer atividade na Real, conforme pode ser constatado a partir da fl. 552 do processo. Do mesmo modo, o Sr. Formozo, na fl. 390 em diante, assinou cheques, todos com endosso, é forçoso concluir que pessoa é semianalfabeta, que não teve qualquer proveito financeiro, nem administrou, gerenciou ou teve qualquer atividade na empresa Real, este quase beira a santidade. A impressão que o fisco deixa, é que pessoas honestas que nada têm a esconder, que facilmente podem ser localizadas e que respondem as intimações, devem ser acusadas e a estas têm a obrigação imputar culpa, já os que ignoram intimações ou supostamente não são encontrados, seja por desídia ou falta de interesse, até mesmo do fisco, estas não têm responsabilidade por problemas empresarias de terceiros. É absurdo o fisco atribuirlhe responsabilidade passiva solidária por ter seguido ordens, mas não ter sequer qualquer prova que era administrador ou ter tomado qualquer decisão. ● Quanto a ser indicado pelas empresas Fassim e Ciel não é de se causar qualquer espanto, uma vez que o Impugnante reconheceu que laborou na Real, tendo desempenhado função de assistente de diretoria, sempre agindo conforme determinado e a mando dos sócios, tendo contatos corriqueiros com clientes e fornecedores. ● Diante da expertise adquirida em anos de trabalho, passou a comercializar pequenas quantidades de produtos veterinários, não havendo qualquer vedação legal, ademais, é fácil constar que o volume grande das vendas da Real, até para um leigo, quase que totalidade, foi de produtos derivados de petróleo (plástico) e não veterinários, hoje vendidos pelo Impugnante. Sendo, assim, não é possível imputar a este a culpa, pois o fornecedor informou que mantinha contato com este, e um tal de Sr. Eduardo, que sequer foi investigado. Ora, estas empresas não disseram que o Impugnado era dono da empresa, disseram que mantinham contato com ele. Caindo por terra a fraca imputação de culpa ao Impugnado, pela autuante. Ademais, informaram apenas o primeiro nome, Newton, não sendo possível, desta forma, confirmar se este realmente o Impugnante, podendo ser um homônimo. ● Solicitou que se julgue improcedente o lançamento em apreço, porque sem dúvida os fatos apurados não se subsumem a hipótese sancionatória aplicada, seja por haver responsabilidade deste, pelas provas terem sido obtidas de forma ilegal, o agravamento das multas ter sido indevido, por falta de zelo e diligência do fisco e demais alegações acima, sem a responsabilização dos sócios, reais responsáveis (únicos responsáveis) na presente sujeição passiva. Maria José de Oliveira Grajcar, apresentou impugnação de fls.4725 a 4753, na qual alega: Fl. 5377DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13896.721402/201389 Acórdão n.º 1302001.921 S1C3T2 Fl. 5.378 8 ● Em que se pesem as alegações da Impugnada, esta não pode prosperar, pois não há qualquer prova juntada aos autos, bem como, qualquer ilação, diante dos fatos narrados, que possa insculpir qualquer vantagem indevida, gerência ou administração da Impugnante na empresa Real Vet. após o período de 26/11/2006, data de sua saída do quadro societário. ● A impugnante, após sua saída do quadro societário, entregou todos os documentos contábeis e referentes da Real Vet. ao Sr. Carlos Alberto, no dia 16/11/2006, tendo tomado o cuidado de tirar cópia de sua CNH, que foi juntado aos autos. Desde já, requer a impugnante que seja diligenciado para intimação do Sr. Carlos Alberto da Silva, portador da carteira de identidade RG n° 12.276.579, inscrito no CPF n° 049.910.71879, não bastando para tanto uma única tentativa de intimação, em que não houve resposta. Embora a Impugnante tenha mais dificuldades que a fiscalização para localizar o Sr. Carlos Alberto, está diligenciando para obter seu endereço e após deferimento da diligência neste processo, fornecerá o endereço para intimação deste. ● Quanto aos fatos que levaram aos exsócios Formozo e Antonio não conseguirem regularizar a situação no banco, o que levou a Impugnante a comparecer ao Banco para ajudálos, deve ser levado em consideração, que já se passaram mais de 7 (sete) anos e documentos que não são importantes, para esta, não foram guardados, nem mesmo pela mais precavida das pessoas. ● Não havia razão à impugnante para se opor à assinatura dos cheques, pois diziam respeito a uma empresa que já não era mais de sua propriedade, ademais não lhe prejudicaria em nada, e por este motivo, assinou os cheques já emitidos pelo banco no verso e anverso. Ademais, para a Impugnante era uma questão de tempo para sua substituição como sócia perante o Banco do Brasil. É cediço que para pagamentos por meio de cheque, se faz necessária assinatura do verso, quando se paga mais de uma conta, tendo adotado este procedimento para ajudálos, fato que hoje a prejudicou, pois a fiscalização se prende a este único fato não tendo nada que comprove qualquer proveito econômico. ● Ademais, os Sr. João Formoso e Alessandro, Exsócio e sócio da Real Vet., assinaram, endossaram e apuseram seus documentos de identificação em centenas de cheques, conforme documentos juntados pelos Bancos Bradesco e Banco do Brasil. Lamentável que a fiscalização não tenha medido esforços para injustamente culpar a Impugnante e tenha se limitado a enviar um AR aos sócios João Formoso e Antonio Carlos, não fazendo qualquer diligência. ● Embora a fiscalização tenha tentado, em nenhum momento conseguiu comprovar ter a Impugnante exercido função de gerência ou administração, quitação de obrigações, autorização pagamentos, tendo apenas esta efetuado um único saque e assinado os cheques até então existentes, após sua saída da sociedade, tendo isto ocorrido por um pedido dos sócios. A fim de provar que estes cheques foram assinados logo após a saída da Impugnante, requer que o Banco do Brasil seja oficiado para informar em que data os 125 cheques assinados por esta, foram confeccionados. Pois se a Impugnante era interposta pessoa na gerência ou administração da sociedade, não havia razão para Fl. 5378DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13896.721402/201389 Acórdão n.º 1302001.921 S1C3T2 Fl. 5.379 9 assinar cheques emitidos com antecedência, bastando, para tanto, assinálos conforme a necessidade de sua emissão. ● A fiscalização afirmou, mas não comprovou, que "continuou participando das atividades de gestão e administração da REAL VET", bem como continuou mantendo interesse comum em suas operações, auferindo vantagens financeiras e efetuando retiradas de recursos. ● É pessoa simples, viúva, com rendimentos quase que insignificantes, não tendo sequer casa própria, pagando aluguel e para demonstrar o alegado, junta cópia de extrato de sua conta corrente dos anos de 2007 até a data de hoje (DOC N° 02), bem com, extrato de seu Imposto de Renda do exercício de 2007 a 2012 (DOC N° 03), que é isento de tributação. Por amor a argumentação, que milionário faz um empréstimo pessoal com 10 parcelas de R$ 293,12 e por mais de 3 vezes e não consegue pagar o valor integral da parcela, conforme documento n° 03, fls. 61, 65, 67 e 71, e após 3 meses (sem quitação do primeiro empréstimo) faz novo empréstimo no valor total de R$ 911,15, documento n° 03, fl. 69. Deste modo, resta claro e é evidente que após sua saída da empresa, os cheques foram assinados a pedido dos sócios, não tendo a Impugnante permanecido na sociedade, nem sido interposta pessoa que enriqueceu ilicitamente, ou obteve quer vantagem com a empresa Autuada. ● Pretende o fisco equiparar a Impugnante a diretores, gerentes ou representantes de pessoa jurídica de direito privado, que podem ser pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários resultantes de atos praticados com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatutos, ou seja, respondendo por dívidas da empresa que tiveram origem em sua atuação irregular. Ademais, não há qualquer provas do locupletamento e o simples fato do não recolhimento de tributos não pode acarretar responsabilização pessoal, embora esta não fosse mais sócia no período autuado. ● O agravamento de multa por não apresentação de documentação se a pessoa jurídica não foi localizada não pode prosperar. Se a empresa não é localizada, por óbvio não apresentará qualquer documento, sendo indevido agravamento de multa. ● Ademais a fiscalização adotou a exceção como regra e passou a fazer publicações por edital sistematicamente agindo de forma ilegal, após realizar uma única diligência para tentar a intimação da empresa e dos sócios. ● Só pelos fatos narrados até o presente momento o presente auto é nulo, bem como responsabilização da Impugnante. ● É hialino que somente os sócios poderiam ter e fornecer tais documentos, ocorrendo cerceamento de direito de defesa da Impugnante por não ter o fisco agido com desídia, quanto aos primeiros. ● Após a fiscalização tomar todas as precauções devidas, aí sim poderia requisitar a um juiz quebra de sigilo bancário, uma vez que dispõe a Constituição Federal ser possível somente por essa autoridade. ● Requer que seja diligenciado para localização de todos sócios e exsócios e do Sr. Carlos Alberto da Silva e Newton Tullii, para esclarecerem e responderem se a Impugnante após a cessão de suas quotas realizou alguma operação, que não as Fl. 5379DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13896.721402/201389 Acórdão n.º 1302001.921 S1C3T2 Fl. 5.380 10 mencionadas neste instrumento ou se de alguma forma se beneficiou após novembro de 2006. ● Diante do exposto, requer que o lançamento seja julgado improcedente, no que diz respeito à Impugnante, tendo em vista as patentes ilegalidades praticadas e também de não ter sido comprovado qualquer locupletamento, obtenção de vantagens financeiras, controle de fluxo financeiro de recursos, gerência, administração poder de gestão ou interesse comum em seus resultados, tendo em vista, ainda a nulidade das provas obtidas para instrução e conclusão do presente Auto de Infração. Na impugnação (fls. 4842 a 4896) Ailton Marron, alegou: ● Verificase à fl. 37, ser Alessandro Francisco Souza da Silva, o único sócio, unipessoal da Real Vet, e mesmo nesta qualidade, foi o único a não ser sequer incluído como coobrigado ou responsável solidário, o que invalida o procedimento fiscal, na medida em que atribuiuse responsabilidade solidária a terceiros estranhos ao fato gerador e à empresa Real Vet, deixando de fora, o principal responsável, dada a unipessoalidade da sociedade. ● Conforme se verá, o Impugnante jamais teve qualquer vínculo com os negócios da Real Vet, e como desconhece totalmente a referida empresa, não tem condições de exercer o seu direito de defesa, na medida em que não tem acesso a nenhuma informação da Real Vet; não conhece seus sócios; seus dirigentes; e não tem nenhum modo de averiguar as acusações do Fisco, o que torna nulo o presente feito, por ofensa à ampla defesa, contraditório e devido processo legal, insculpidos no inciso LV, do artigo 5o, da Carta Magna. ● Verificase dos autos que com relação ao Impugnante foi expedido somente o Mandados de Procedimento Fiscal MPFDiligência, fl. 4.231. Não houve a expedição de MPFFiscalização, o que era mister, impossibilitando, portanto, o Impugnante de tomar conhecimento que estava sendo fiscalizada. Não havendo a emissão deste, nula é a autuação e, em conseqüência, o crédito tributário nela consubstanciado. Destarte, o MPFDiligência de fl. 4.231 foi expedido em 11/09/2012 com prazo de validade até 09/11/2012. Não houve a expedição de MPF Complementar, não havendo, portanto prorrogação do MPF originário. E a fiscalização foi concluída no dia 22/08/2013, fl. 4.673, ou seja, muito tempo após o vencimento do MPF. O MPF foi extinto e não foi expedido novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal, razão pela qual é absolutamente nula a autuação. Verificase, ainda, que o MPF de fl. 4.231 limitase a "coleta de informações e documentos destinados a subsidiar o procedimento de fiscalização junto ao contribuinte responsável Real Vet...", de forma que o Impugnante não tomou conhecimento do objeto da fiscalização, como fazia mister, nos termos do § 1o, do artigo 7o, da Portaria RFB n° 3.014, de 29 de junho de 2011, até porque quem estava sendo fiscalizada era a Real Vet, e não o Impugnante. Noutro viés, quem emitiu o MPF de fl. 4.231, foi o Delegado da Receita Federal do Brasil de Barueri. No entanto, o Impugnante está sediado em São Paulo e, portanto, o MPF com relação ao Impugnante teria que ter sido emitido pelo Delegado da Receita Federal do Brasil de São Paulo, ex vi do § 1º, do artigo 6o, da referida Portaria RFB n° 3.014. Fl. 5380DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13896.721402/201389 Acórdão n.º 1302001.921 S1C3T2 Fl. 5.381 11 Verificase que o outorgante MPFD de fl. 4.231, não tinha competência para expedilo, ferindo o artigo 6º, § 1º, da Portaria RFB n° 3.014, de 29 de junho de 2011. Portanto, em nenhum momento o Impugnante tomou conhecimento de que estava sendo fiscalizada. ● Não consta no referido MPF, o código de acesso, impossibilitando o Impugnante de consultálo e de ter acesso ao procedimento fiscal contrariando, assim, o disposto no parágrafo único do artigo 4°, da Portaria RFB n° 3.014, de 29/06/2011. ● De outro norte, embora conste do Termo de Início de Ação Fiscal a existência de um MPF emitido para a Real Vet, não há, nos autos, comprovante de entrega do MPF à mesma. Além disso, o Termo de Início de Ação Fiscal de fl. 03, lavrado unicamente contra a Real Vet, especifica unicamente o IRPJ a ser fiscalizado. Não há qualquer referência à fiscalização do PIS, COFINS, IPI e CSLL. ● Nenhum ato fiscalizatório pode ter início e fim sem que para tanto seja observado os seguintes princípios básicos: legalidade, motivação, moralidade, interesse público, imparcialidade, impessoalidade, finalidade, razoabilidade e justiça fiscal. O Fisco não obedeceu a nenhum dos requisitos essenciais e indispensáveis ao procedimento do lançamento tributário. Assim, diante da nulidade dos MPF, nulo é todo o processo tributário administrativo e, por conseqüência, nulo é o crédito tributário pretendido. Tornase, pois, imperativa a decretação de nulidade do processo tributário administrativo n° 13896.721402/201389. · Das intimações. Consta, à fl. 4.230, a primeira intimação do Impugnante, na qual se pede o esclarecimento das transferências bancárias recebidas pelo Impugnante no valor de R$480.781,37, assim como esclarecer acerca das aquisições ou transferências de bens entre as empresas. Consta, à fl. 4.236, o Termo de Reintimação Fiscal de 07/11/2012, reiterando a primeira intimação. Às fls. 4.241, consta o segundo Termo de Reintimação Fiscal, desta vez relacionando todas as transferências bancárias recebidas pelo Impugnante. Em nenhum dos Termos de Intimação Fiscal o Impugnante foi intimado a apresentar qualquer escrituração contábil, de forma a oportunizar o conhecimento dos fatos pelo Fisco, o que configurou cerceamento de defesa e ofensa aos princípios da ampla defesa, contraditório e devido processo legal, insculpidos no inciso LV, do artigo 5º, da Constituição Federal. ● O Fisco atribuiu responsabilidade ao Impugnante com base no artigo 124, I do CTN, ao fundamento de que a mesma recebeu no ano de 2007, mediante transferências de contas bancárias da Real Vet, a quantia de R$ 480.781,37. Sustentou o Fisco que "... configurase o interesse comum da pessoa fisica acima nas atividades da fiscalizada, demonstrado pelos recebimentos de recursos financeiros oriundos das operações mercantis da Real Vet, sem a comprovação das operações que justificassem o recebimento de tais valores." Fl. 5381DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13896.721402/201389 Acórdão n.º 1302001.921 S1C3T2 Fl. 5.382 12 ● O Impugnante, no período do fato gerador, não teve outra relação jurídica com a Real Vet senão o recebimento do valor acima em virtude de negócios efetivados pela empresa Korbety Aditivos para Plásticos Ltda., que tem como sócio o Impugnante, fls. 3.229, e o recebimento dos valores se deu em virtude de restituição de garantias prestadas. Em 2007 a Korbety comprou da Real Vet, com garantia da empresa Marron Administração, que é a Holding detentora do patrimônio. PORTANTO. É QUEM DETÉM FORÇA E PODER PATRIMONIAL PARA FIANÇAS E GARANTIAS, e às vezes do próprio Impugnante, o valor de R$768.411,05, fl. 3.213, promovendo o pagamento conforme se verifica às fls. 3.241/3.297. Importantíssimo ressaltar que as compras efetivadas pela Korbety ocorreram no período de março a maio de 2007. A Korbety promoveu os pagamentos de junho a setembro de 2007, enquanto o Impugnante recebeu as garantias nos meses de maio, junho, julho e outubro de 2007 (fls. 4.232/4.233). Conforme se vê, o Impugnante não teve nenhuma participação na situação que configurou o fato gerador. O Impugnante nunca foi sócio e nunca participou dos negócios da Real Vet. Não existe um só fato que possa vincular o Impugnante com a Real Vet e seus sócios. Presumir que o Impugnante teve interesse comum na situação que constituiu o fato gerador, é um absurdo. O Fisco, para atribuir responsabilidade solidária ao Impugnante com base no inciso I, do artigo 124, do CTN, teria que ter provado que a mesma realizou conjuntamente com o contribuinte, a situação configuradora do fato gerador. Em razão do disposto no artigo 142, do CTN, a prova do interesse comum do responsável solidário na situação que constitui o fato gerador da exação é do Fisco, e este não se desincumbiu deste ônus. O mero recebimento de valores da Real Vet não vincula o Impugnante ao fato gerador, sendo, nessa hipótese, impossível que a responsabilidade tributária transborde da Real Vet que supostamente realizou o fator gerador. ● Conforme fl. 37, a Junta Comercial informa que o endereço do Alessandro Francisco Souza da Silva é na Rua Tocantins, 8, Gonzaga, São Paulo, CEP 11.055.340. O Termo de Intimação Fiscal de fls. 12/14, de 07.11.2012, foi endereçado para Rua Pinheiro, 73, Jabaquara, São Paulo. Já o Termo de Intimação de fl. 15 do mesmo dia 07.11.2012, tem como endereço a Rua Tocantins, 8, Gonzaga, São Paulo, CEP 11.055.340. Conforme fl. 17, o Correio certifica que o mesmo estava AUSENTE quando da entrega do Termo. Outro Termo foi remetido para Rua Av. Conselheiro Nébias, 603, apto. 105, Boqueirão, São Paulo, sem cumprimento. Depois disso, mais três termos de intimação foram expedidos contra o Alessandro, fls. 21/28, mas todos para outros endereços. O Termo de Início de Ação Fiscal de fls. 125/127 foi enviado para a Rua Pinheirinho, 73, Jabaquara, São Paulo. Todas as intimações enviadas à Real Vet, fls. 43/112, nenhuma delas foi para o endereço do Alessandro. Em 11 de julho de 2007, fls. 36/37, a Real Vet promoveu uma alteração contratual, ocasião em que retiraramse da sociedade João Formoso dos Santos e Antônio Carlos Vieira de Souza, sendo que a partir deste momento a sociedade transformouse cm unipessoal, fls.37, apenas com o sócio ALESSANDRO FRANCISCO SOUZA DA SILVA, pelo prazo de 180 dias. Em 03 de setembro de 2013, fl. 37, a sociedade ainda continuava unipessoal, embora já decorrido o prazo legal de 180 dias. No tempo em que as intimações foram remetidas à Real Vet, a mesma já encontravase com o prazo de duração expirado; assim, todos e quaisquer atos Fl. 5382DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13896.721402/201389 Acórdão n.º 1302001.921 S1C3T2 Fl. 5.383 13 deveriam ser realizados na pessoa de seu único sócio ALESSANDRO, o que não ocorreu, ensejando a nulidade plena. O Alessandro tem endereço certo, sendo que as intimações não foram por ele recebidas, dada sua ausência no local no momento da entrega da intimação, fl. 17, e em tendo endereço certo, o Edital é nulo. Assim, requer seja declarada a nulidade do procedimento fiscal face à não intimação da sociedade extinta na pessoa do seu único sócio, Alessandro. ● Operouse a decadência do direito de o Fisco constituir o credito tributário referente ao período de janeiro a dezembro de 2007, no que concerne ao PIS, COFINS e IPI. ● A base de cálculo dos supostos tributos devidos pela impugnante tem que ser somente o valor que o Fisco alega que recebeu da Real Vet: R$ 480.781,37, fls. 4.232/4.233. Muito embora este valor não constitua nenhuma vantagem econômica, pois decorreu de conseqüências de negócios feitos pela empresa Korbety de titularidade do Impugnante, foi o único valor que efetivamente recebeu da Real Vet. Não participou de mais nenhum ato ou negócio que implicou na geração da receita de R$ 40.834.113,71. ● Quanto ao mérito, em nenhum momento a Real Vet foi intimada a justificar a origem dos depósitos bancários, ferindo de morte o disposto no artigo 287 do RIR, que determina a regular intimação do contribuinte para justificativa dos depósitos bancários. Em segundo lugar, houve a tributação em duplicidade dos valores relativos aos depósitos, senão vejamos: (i) do montante de R$ 9.053.542,68, o valor de R$ 6.922.885,22 referese a recebimento de duplicatas decorrente da receita auferida, o que está amplamente destacado nos extratos bancários e no relatório fiscal de fls. 4.644/4.651. Ali encontrase claramente identificada a origem de R$ 6.922.885,22 como sendo de COBRANÇA OU LIQUIDAÇÃO DE COBRANÇA, tratandose de recebimento das duplicatas emitidas cm decorrência da receita. Logicamente estes valores já se encontram dentro do montante da receita arbitrada de R$ 31.780.571,03, devendo, pois, ser excluídos para fins de incidência de todos os tributos; (ii) o valor de R$ 688.652,11, referese a transferência de agência para agência, ou seja, o numerário saiu do Bradesco e foi para o Banco do Brasil, ou vice versa, mas mesmo assim o Fisco tributou o valor indevidamente; (iii) o valor de R$ 138.346,99 referese a liberação de depósito anteriormente bloqueado, o que de toda maneira não pode ser objeto de tributação. Para que houvesse a tributação de depósito bancário, o Fisco teria que recompor a conta caixa, mas limitouse a relacionar os valores e não cuidou de averiguar se a Recorrente tinha ou não origem. ● Arbitramento. São duas as hipóteses: a primeira quando conhecida a receita bruta; a segunda quando não conhecida. No caso presente, o Fisco adotou dois princípios e duas formas ao mesmo tempo, o que não é autorizado, ou seja, o Fisco não conhece a receita bruta da Real Vet. A fl. 4.603, relata o Fisco que a Real Vet declarou ao Fisco Estadual o valor de R$ 10.038.137,55. Os clientes da Real Vet informaram que adquiriram R$ 31.780.571,13, fl. 4.606 de mercadoria em 2007. O Fisco não demonstrou se o valor informado ao Fisco Estadual está compondo valor de R$ 31.780.571,13; logo, não se Fl. 5383DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13896.721402/201389 Acórdão n.º 1302001.921 S1C3T2 Fl. 5.384 14 sabe o valor real da receita bruta. Ainda não demonstrou o Fisco que os clientes da Real Vet são somente aqueles constantes à fl. 4.606. Resumindo: a receita bruta não é conhecida, e em não sendo, a regra a ser aplicada é a do artigo 535 do RIR. Jamais poderia ser adotado como critério de arbitramento a Receita Bruta, quando esta é desconhecida. Finalmente, outra nulidade macula de vez o arbitramento. Se houve o arbitramento com base na Receita Bruta, os valores dos depósitos bancários jamais poderiam ser considerados na base de cálculo do arbitramento. Aqui houve um sistema misto, o que não é permitido. ● Da inclusão do IPI na base de cálculo do arbitramento. Quando o Fisco adotou a receita de fl. 4.606, ou seja, R$ 31.780.581,13, este valor referese a notas fiscais com inclusão do IPI, cujo valor não é receita, o que contraria o artigo 31, da Lei n° 8.981/1995. ● Ilegalidade do aumento do percentual da multa pela metade. Ocorre que a Real Vet foi extinta em razão da unipessoalidade além do prazo permitido, e o seu único sócio, Alessandro, não foi intimado de nenhum ato. Assim, não há que se falar em ausência de atendimento de intimação, já que não houve a intimação. Nestes termos, não se aplica, in casu, o disposto no § 2o, do artigo 44, da Lei n° 9.430/1996, sendo, pois, absolutamente ilegal o aumento do percentual da multa pela metade. ● Dos pedidos: (i) Preliminarmente, anular a autuação fiscal, declarando nulo os Autos de Infração referente ao IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IPI, embasados no PTA n° 13896.721402/201389 cancelando, por conseqüência, o crédito tributário nele apurado, face as preliminares arguidas, em especial, o reconhecimento da ausência de sujeição passiva do Impugnante e, por conseguinte, da ausência de responsabilidade solidária do mesmo pela exação pretendida, sob pena de ofensa aos artigos 124, I, e 142, ambos do CTN, e artigo 333,1, do CPC. (ii) Na remota hipótese de superadas as preliminares arguidas, o que não espera, requer seja reconhecida a decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário referente ao PIS, COFINS e IPI, do período de janeiro a dezembro de 2007, nos termos do artigo 173,1, do CTN. (iii) No mérito, se lá chegar, o que não espera, requer se digne esta E. Junta julgar improcedente o lançamento para, sucessivamente: 1) Limitar a responsabilidade do Impugnante ao valor de R$ 480.781,37, único valor recebido da Real Vet pelo mesmo a título de restituição de garantia. 2) Excluir da base de cálculo de todos os tributos o valor de R$ 6.922.885,22, relativos a recebimento de cobrança de duplicatas emitidas pela Real Vet, assim bem como a exclusão do valor de R$ 688.652,11, relativos a transferência de numerários entre agências, e o valor de R$ 138.346,99, relativo a desbloqueio de depósito bancário. 3) Reconhecer e declarar a nulidade do arbitramento, na medida em que o Fisco utilizou dois critérios, ou seja, a receita bruta e o valor dos depósitos bancários. 4) Excluir da base de cálculo o valor do IPI destacado nas notas fiscais de saída. Fl. 5384DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13896.721402/201389 Acórdão n.º 1302001.921 S1C3T2 Fl. 5.385 15 5) Reconhecer a ilegalidade da aplicação do disposto no § 2º, do artigo 44, da Lei 9.430/96, decotando (sic) da multa, o aumento aplicado. Na impugnação, a empresa Marron Administração e Participação Ltda. defende que: ● Da nulidade absoluta do feito ausência de imputação de responsabilidade ao único sócio da Real Vet. Verificase à fl. 37, ser Alessandro Francisco Souza da Silva, o único sócio, unipessoal da Real Vet, e mesmo nesta qualidade, foi o único a não ser sequer incluído como coobrigado ou responsável solidário, o que invalida o procedimento fiscal, na medida em que atribuiuse responsabilidade solidária a terceiros estranhos ao fato gerador e à empresa Real Vet, deixando de fora, o principal responsável, dada a unipessoalidade da sociedade. Além disto, com a falta de intimação do único responsável pelo suposto crédito tributário, tornase nulo todo o feito. · Da impossibilidade do exercício do direito de defesa da Impugnante. A Impugnante surge nestes autos na qualidade de responsável solidária (sujeição passiva), numa absurda tentativa do Fisco de atribuir à Impugnante, um vínculo com a empresa Real Vet. Pois bem. Conforme se verá, a Impugnante jamais teve qualquer vínculo com os negócios da Real Vet, e como desconhece totalmente a referida empresa, não tem condições de exercer o seu direito de defesa, na medida em que não tem acesso a nenhuma informação da Real Vet; não conhece seus sócios; seus dirigentes; e não tem nenhum modo de averiguar as acusações do Fisco, o que torna nulo o presente feito, por ofensa à ampla defesa, contraditório e devido processo legal, insculpidos no inciso LV, do artigo 5o, da Carta Magna. · Nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal MPF Nulidade da autuação. A Impugnante foi autuada sem que houvesse a emissão de MPFFiscalização. Houve apenas a emissão de MPFDiligência, o que não poderia ocorrer, já que não houve aqui, somente a coleta de informações de interesse da administração tributária, mas sim o lançamento de crédito tributário em face da Impugnante, pelo que tornava mister a emissão de MPFFiscalização. E em não havendo a emissão deste, nula é a autuação e, em conseqüência, o crédito tributário nela consubstanciado. Destarte, o MPFDiligência de fls. 4.286 foi expedido em 11/09/2012 com prazo de validade até 09/11/2012. Não houve a expedição de MPF Complementar, não havendo, portanto prorrogação do MPF originário. Entretanto, a fiscalização foi concluída no dia 22/08/2013. fl. 4.673, ou seja, muito tempo após o vencimento do MPF. O MPF foi extinto e não foi expedido novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal, razão pela qual é absolutamente nula a autuação. Verificase, ainda, que o MPF de fl. 4.286 limitase a "coleta de informações e documentos destinados a subsidiar o procedimento de fiscalização junto ao contribuinte responsável Real Vet...", de forma que o Impugnante não tomou conhecimento do objeto da fiscalização, como fazia mister, nos termos do § 1o, do artigo 7o, da Portaria RFB n° 3.014, de 29 de junho de 2011, até porque quem estava sendo fiscalizada era a Real Vet, e não o Impugnante. Fl. 5385DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13896.721402/201389 Acórdão n.º 1302001.921 S1C3T2 Fl. 5.386 16 Noutro viés, quem emitiu o MPF de fl. 4.286, foi o Delegado da Receita Federal do Brasil de Barueri. No entanto, o Impugnante está sediada em São Paulo e, portanto, o MPF com relação ao Impugnante teria que ter sido emitido pelo Delegado da Receita Federal do Brasil de São Paulo, ex vi do § 1º, do artigo 6o, da referida Portaria RFB n° 3.014. Verificase que o outorgante MPFD de fl. 4.286, não tinha competência para expedilo, ferindo o artigo 6º, § 1º, da Portaria RFB n° 3.014, de 29 de junho de 2011. Portanto, em nenhum momento o Impugnante tomou conhecimento de que estava sendo fiscalizada. ● Não consta no referido MPF, o código de acesso, impossibilitando o Impugnante de consultálo e de ter acesso ao procedimento fiscal contrariando, assim, o disposto no parágrafo único do artigo 4°, da Portaria RFB n° 3.014, de 29/06/2011. ● De outro norte, embora conste do Termo de Início de Ação Fiscal a existência de um MPF emitido para a Real Vet, não há, nos autos, comprovante de entrega do MPF à mesma. Além disto, o Termo de Início de Ação Fiscal de fls. 03, lavrado unicamente contra a Real Vet, especifica unicamente o IRPJ a ser fiscalizado. Não há qualquer referência à fiscalização do PIS, COFINS, IPI e CSLL. ● Nenhum ato fiscalizatório pode ter início e fim sem que para tanto seja observado os seguintes princípios básicos: legalidade, motivação, moralidade, interesse público, imparcialidade, impessoalidade, finalidade, razoabilidade e justiça fiscal. O Fisco não obedeceu a nenhum dos requisitos essenciais e indispensáveis ao procedimento do lançamento tributário. Assim, diante da nulidade dos MPF, nulo é todo o processo tributário administrativo e, por conseqüência, nulo é o crédito tributário pretendido. Tornase, pois, imperativa a decretação de nulidade do processo tributário administrativo n° 13896.721402/201389. ·À fl. 4.284, consta a primeira intimação da Marron, na qual se pede o esclarecimento das transferências bancárias recebidas pela Impugnante no valor de R$191.012,07, assim como esclarecer acerca das aquisições ou transferências de bens entre as empresas. À fl. 4.295, consta o Termo de Reintimação Fiscal de 07/11/2012, reiterando a primeira intimação. À fl. 4.299, consta o segundo Termo de Reintimação Fiscal, desta vez relacionando todas as transferências bancárias recebidas pela Impugnante. Em nenhum dos Termos de Intimação Fiscal a Impugnante foi intimada a apresentar qualquer escrituração contábil, de forma a oportunizar o conhecimento dos fatos pelo Fisco, o que configurou cerceamento de defesa e ofensa aos princípios da ampla defesa, contraditório e devido processo legal, insculpidos no inciso LV, do artigo 5º , da Constituição Federal. ● O Fisco atribuiu responsabilidade à Impugnante com base no artigo 124, I do CTN, ao fundamento de que a mesma recebeu no ano de 2007, mediante transferências de contas bancárias da Real Vet, a quantia de R$ 191.012,07. Sustentou o Fisco que "...comprovado o interesse comum da pessoa jurídica MARRON ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO LTDA. nas atividades Fl. 5386DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13896.721402/201389 Acórdão n.º 1302001.921 S1C3T2 Fl. 5.387 17 operacionais da REAL VET, caracterizado pela obtenção de vantagens financeiras, sem comprovação de fatos que justificassem o recebimento de tais valores. " A Impugnante, no período do fato gerador, não teve outra relação jurídica com a Real Vet senão o recebimento do valor acima em virtude de negócios efetivados pela empresa Korbety Aditivos para Plásticos Ltda., que tem como sócio Ailton Marron, fls. 3.229. A Impugnante também tem como sócio Ailton Marron, fl. 4.289, e o recebimento dos valores se deu em virtude de restituição de garantias prestadas. Em 2007 a Korbety comprou da Real Vet, com garantia da Impugnante, que é a Holding detentora do patrimônio. PORTANTO É QUEM DETÉM FORÇA E PODER PATRIMONIAL PARA FIANÇAS E GARANTIAS, o valor de R$ 768.411,05, fls. 3.213, promovendo o pagamento conforme se verifica às fls. 3.241/3.297. Importantíssimo ressaltar que as compras efetivadas pela Korbety ocorreram no período de março a maio de 2007. A Korbety promoveu os pagamentos de junho a setembro de 2007, enquanto a Impugnante recebeu as garantias nos meses de julho, agosto e setembro de 2007 (fls. 4.285). Conforme se vê, a Impugnante não teve nenhuma participação na situação que configurou o fato gerador. A Impugnante nunca foi sócia e nunca participou dos negócios da Real Vet. Não existe um só fato que possa vincular a Impugnante com a Real Vet e seus sócios. O Fisco, para atribuir responsabilidade solidária ao Impugnante com base no inciso I, do artigo 124, do CTN, teria que ter provado que a mesma realizou conjuntamente com o contribuinte, a situação configuradora do fato gerador. ● Conforme fl. 37, a Junta Comercial informa que o endereço do Alessandro Francisco Souza da Silva e na Rua Tocantins, 8, Gonzaga, São Paulo, CEP 11.055.340. O Termo de Intimação Fiscal de fls. 12/14, de 07.11.2012, foi endereçado para Rua Pinheiro, 73, Jabaquara, São Paulo. Já o Termo de Intimação de fls. 15 do mesmo dia 07.11.2012, tem como endereço a Rua Tocantins, 8, Gonzaga, São Paulo, CEP 11.055.340. Conforme fl. 17, o Correio certifica que o mesmo estava AUSENTE quando da entrega do Termo. Outro Termo foi remetido para Rua Av. Conselheiro Nébias, 603, apto. 105, Boqueirão, São Paulo, sem cumprimento. Depois disso, mais três termos de intimação foram expedidos contra o Alessandro, fls. 21/28, mas todos para outros endereços. O Termo de Início de Ação Fiscal de fls. 125/127 foi enviado para a Rua Pinheirinho, 73, Jabaquara, São Paulo. Todas as intimações enviadas à Real Vet, fls. 43/112, nenhuma delas foi para o endereço do Alessandro. Em 11 de julho de 2007, fls. 36/37, a Real Vet promoveu uma alteração contratual, ocasião em que retiraramse da sociedade João Formoso dos Santos e Antônio Carlos Vieira de Souza, sendo que a partir deste momento a sociedade transformouse em unipessoal, fls.37, apenas com o sócio ALESSANDRO FRANCISCO SOUZA DA SILVA, pelo prazo de 180 dias. Em 03 de setembro de 2013, fls. 37, a sociedade ainda continuava unipessoal, embora já decorrido o prazo legal de 180 dias. No tempo em que as intimações foram remetidas à Real Vet, a mesma já se encontrava com o prazo de duração expirado; assim, todos e quaisquer atos deveriam ser realizados na pessoa de seu único sócio ALESSANDRO, o que não ocorreu, ensejando a nulidade plena. O Alessandro tem endereço certo, sendo que as Fl. 5387DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13896.721402/201389 Acórdão n.º 1302001.921 S1C3T2 Fl. 5.388 18 intimações não foram por ele recebidas, dada sua ausência no local no momento da entrega da intimação, fls. 17, e em tendo endereço certo, o Edital é nulo. Assim, requer seja declarada a nulidade do procedimento fiscal face à não intimação da sociedade extinta na pessoa do seu único sócio, Alessandro. ● Operouse a decadência do direito de o Fisco constituir o credito tributário referente ao período de janeiro a dezembro de 2007, no que concerne ao PIS, COFINS e IPI. ● A base de cálculo dos supostos tributos devidos pela impugnante tem que somente o valor que o Fisco alega que recebeu da Real Vet: R$ 191.012,07, fl. 4.616. Muito embora este valor não constitua nenhuma vantagem econômica, pois decorreu de conseqüências de negócios feitos pela empresa Korbety de titularidade do mesmo sócio da Impugnante, foi o único valor que efetivamente recebeu da Real Vet. Não participou de mais nenhum ato ou negócio que implicou na geração da receita de R$ 40.834.113,71. ● Quanto ao mérito, em nenhum momento a Real Vet foi intimada a justificar a origem dos depósitos bancários, ferindo de morte o disposto no artigo 287 do RIR, que determina a regular intimação do contribuinte para justificativa dos depósitos bancários. Em segundo lugar, houve a tributação em duplicidade dos valores relativos aos depósitos, senão vejamos: (i) do montante de R$ 9.053.542,68, o valor de R$ 6.922.885,22 referese a recebimento de duplicatas decorrente da receita auferida, o que está amplamente destacado nos extratos bancários e no relatório fiscal de fls. 4.644/4.651. Ali encontrase claramente identificada a origem de R$ 6.922.885,22 como sendo de COBRANÇA OU LIQUIDAÇÃO DE COBRANÇA, tratandose de recebimento das duplicatas emitidas em decorrência da receita. Logicamente estes valores já se encontram dentro do montante da receita arbitrada de R$ 31.780.571,03, devendo, pois, ser excluídos para fins de incidência de todos os tributos; (ii) o valor de R$ 688.652,11, referese a transferência de agência para agência, ou seja, o numerário saiu do Bradesco e foi para o Banco do Brasil, ou vice versa, mas mesmo assim o Fisco tributou o valor indevidamente; (iii) o valor de R$ 138.346,99 referese a liberação de depósito anteriormente bloqueado, o que de toda maneira não pode ser objeto de tributação. Para que houvesse a tributação de depósito bancário, o Fisco teria que recompor a conta caixa, mas limitouse a relacionar os valores c não cuidou de averiguar se a Recorrente tinha ou não origem. ● Arbitramento. São duas as hipóteses: a primeira quando conhecida a receita bruta; a segunda quando não conhecida. No caso presente, o Fisco adotou dois princípios e duas formas ao mesmo tempo, o que não é autorizado, ou seja, o Fisco não conhece a receita bruta da Real Vet. As fls. 4.603, relata o Fisco que a Real Vet declarou ao Fisco Estadual o valor de RS 10.038.137,55. Os clientes da Real Vet informaram que adquiriram R$31.780.571,13, fl. 4.606 de mercadoria em 2007. O Fisco não demonstrou se o valor informado ao Fisco Estadual está compondo valor de RS31.780.571,13; logo, não se sabe o valor real da receita bruta. O fisco não demonstrou que os clientes da Fl. 5388DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13896.721402/201389 Acórdão n.º 1302001.921 S1C3T2 Fl. 5.389 19 Real Vet são somente aqueles constantes à fl. 4.606. Resumindo: a receita bruta não é conhecida, e em não sendo, a regra a ser aplicada é a do artigo 535 do RIR. Jamais poderia ser adotado como critério de arbitramento a Receita Bruta, quando esta é desconhecida. Finalmente, outra nulidade macula de vez o arbitramento. Se houve o arbitramento com base na Receita Bruta, os valores dos depósitos bancários jamais poderiam ser considerados na base de cálculo do arbitramento. Aqui houve um sistema misto, o que não é permitido. ● Da inclusão do IPI na base de cálculo do arbitramento.Quando o Fisco adotou a receita de fl. 4.606, ou seja, R$ 31.780.581,13, este valor referese a notas fiscais com inclusão do IPI, cujo valor não é receita, o que contraria o artigo 31, da Lei n° 8.981/91. ● Ilegalidade do aumento do percentual da multa pela metade. Ocorre que a Real Vet foi extinta em razão da unipessoalidade além do prazo permitido, e o seu único sócio, Alessandro, não foi intimado de nenhum ato. Assim, não há que se falar em ausência de atendimento de intimação, já que não houve a intimação. Nestes termos, não se aplica, in casu, o disposto no § 2o, do artigo 44, da Lei 9.430/96, sendo, pois, absolutamente ilegal o aumento do percentual da multa pela metade. ● Dos pedidos: (i) Preliminarmente, anular a autuação fiscal, declarando nulo os Autos de Infração referente ao IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IPI, embasados no PTA n° 13896.721402/201389 cancelando, por conseqüência, o crédito tributário nele apurado, em face das preliminares arguidas, em especial, o reconhecimento da ausência de sujeição passiva da Impugnante e, por conseguinte, da ausência de responsabilidade solidária da mesma pela exação pretendida, sob pena de ofensa aos artigos 124, I, e 142, ambos do CTN, e artigo 333,1, do CPC. (ii) Na remota hipótese de superadas as preliminares arguidas, o que não espera, requer seja reconhecida a decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário referente ao PIS, COFINS e IPI, do período de janeiro a dezembro de 2007, nos termos do artigo 173,1, do CTN. (iii) No mérito, se lá chegar, o que não espera, requer se digne esta E. Junta julgar improcedente o lançamento para, sucessivamente: 1) Limitar a responsabilidade da Impugnante ao valor de R$191.012,07, único valor recebido da Real Vet pela mesma a título de restituição de garantia. 2) Excluir da base de cálculo de todos os tributos o valor de R$6.922.885,22, relativos a recebimento de cobrança de duplicatas emitidas pela Real Vet, assim bem como a exclusão do valor de R$ 688.652,11, relativos a transferência de numerários entre agências, e o valor de R$ 138.346,99, relativo a desbloqueio de depósito bancário. 3) Reconhecer e declarar a nulidade do arbitramento, na medida em que o Fisco utilizou dois critérios, ou seja, a receita bruta e o valor dos depósitos bancários. 4) Excluir da base de cálculo o valor do IPI destacado nas notas fiscais de saída. Fl. 5389DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13896.721402/201389 Acórdão n.º 1302001.921 S1C3T2 Fl. 5.390 20 5) Reconhecer a ilegalidade da aplicação do disposto no § 2º , do artigo 44, da Lei n° 9.430/96, decotando da multa, o aumento aplicado. A 3ª Turma da DRJ em RIBEIRÃO PRETO/SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1448.733, de 20/02/2014 (fls. 4986/5022), considerou procedente em parte o lançamento, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para a contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. ARBITRAMENTO. A falta de apresentação dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal constitui hipótese de arbitramento do lucro calculado com base na receita bruta conhecida, que inclui, inclusive, as receitas omitidas apuradas em procedimento fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 DECADÊNCIA. DOLO COMPROVADO. IRPJ. CSLL. PIS. COFINS. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, extinguese no prazo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE DE FATO. Evidenciado o vínculo de fato entre pessoas estranhas ao quadro societário e a empresa autuada, regular é a atribuição de responsabilidade solidária, por interesse comum nas situações que se constituiram os fatos geradores das obrigações autuadas. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GERENTE. É solidária a responsabilidade do gerente pelos créditos decorrentes de obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração à lei. Fl. 5390DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13896.721402/201389 Acórdão n.º 1302001.921 S1C3T2 Fl. 5.391 21 MULTA AGRAVADA. Mantémse a multa de ofício agravada, quando se encontram materializados nos autos os pressupostos previstos na legislação tributária para sua majoração. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo e eventual irregularidade em sua emissão não acarreta nulidade de lançamento. INTIMAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. EDITAL. VALIDADE. Válida a intimação por edital quando resultar improfícua a via pessoal, a postal ou a eletrônica. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência. O colegiado a quo exonerou os créditos lançados relativos aos fatos geradores do IRPJ e CSLL ocorridos no 1, 2ºe 3º trimestres de 2007 e para os fatos geradores do PIS e da Cofins, relativos aos períodos de apuração de janeiro a novembro de 2007. A contribuinte e os demais responsáveis solidários foram cientificados da decisão de primeira instância nas seguintes datas: REAL VET COMÉRCIO DE PRODUTOS QUÍMICOS LTDA intimada por edital fixado em 12/05/2014 (desafixado em 27/05/2014) fls. 5048; NEWTON TULLI ciência postal AR recebido em 16/05/2014 fls. 5049; ABILIO TRINDADE DOMINGOS ciência postal AR recebido em 16/05/2014 fls. 5050; Fl. 5391DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13896.721402/201389 Acórdão n.º 1302001.921 S1C3T2 Fl. 5.392 22 AILTON MARRON ciência postal AR recebido em 16/05/2014 fls. 5051; MARRON ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO LTDA ciência postal AR recebido em 16/05/2014 fls. 5052; MARIA JOSÉ DE OLIVEIRA GRAJCAR ciência postal AR recebido em 16/05/2014 fls. 5052; A contribuinte principal (Real Vet) apresentou recurso voluntário em 30/05/2014 (fls. 5055/5132), alegando, em síntese: a) a nulidade do auto de infração por cerceamento ao direito de defesa; b) a inexistência de omissão de receitas; c) que a multa de ofício aplicada no percentual de 225% é abusiva e tem caráter confiscatório; e d) que é ilegal e inconstitucional a utilização da taxa selic para o cálculo dos juros moratórios. O responsável solidário NEWTON TULLI apresentou recurso voluntário em 04/06/2014 (fls. 5135/5167), no qual reitera os argumentos expendidos na impugnação. A responsável solidária MARIA JOSÉ DE OLIVEIRA GRAJCAR, apresentou recurso voluntário em 04/06/2014 (fls. 5170/5199), no qual repete os argumentos expendidos na impugnação. O responsável solidário AILTON MARRON apresentou recurso voluntário em 17/06/2014 (fls. 5201/5267), no qual refuta as conclusões do acórdão recorrido e reitera os argumentos expendidos na impugnação. O responsável solidário MARRON ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO LTDA apresentou recurso voluntário em 17/06/2014 (fls. 5268/5334), no qual refuta as conclusões do acórdão recorrido e reitera os argumentos expendidos na impugnação. Como a exoneração de crédito tributário superou o limite de alçada (R$ 1.000.000,00), a Turma Julgadora também recorreu de ofício a este Colegiado, nos termos do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. É o Relatório. Fl. 5392DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13896.721402/201389 Acórdão n.º 1302001.921 S1C3T2 Fl. 5.393 23 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Tratase de apreciar recursos de ofício e voluntários interpostos em face do acórdão recorrido. Recurso de Ofício. O acórdão recorrido reconheceu a decadência parcial do lançamento e exonerou os créditos tributários constituídos, relativos ao IRPJ e CSLL apurados do 1º ao 3ºª trimestres de 2007 e ao PIS e à Cofins dos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2007. Os valores exonerados extrapolam o limite de alçada previsto na Portaria MF. nº 3, de 3 de janeiro de 2008 (R$ 1.000.000,00), atendendo, portanto, ao disposto no art. 34, I do Decreto nº 70.235/1972, quanto ao reexame necessário. Dele conheço. O acórdão recorrido, assim concluiu sobre a alegação de decadência, verbis: [...] Há que se observar, entretanto, que o prazo à homologação, de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, não se aplica, de qualquer forma, à espécie dos autos, porque não ocorreu o tempestivo pagamento de tributos devidos e por estar caracterizada a ocorrência de fraude, como ficará demonstrado mais adiante, na análise da multa qualificada, o que desloca a contagem do prazo decadencial para o art. 173, I, do CTN, iniciando a sua contagem no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Com efeito, para os fatos geradores do IRPJ e CSLL relativos ao 1º, 2 º e 3º trimestres de 2007, e para aqueles do PIS e da Cofins referentes ao período de janeiro a novembro daquele ano, o prazo decadencial iniciouse em 01/01/2008 findando em 31/12/2012. Tendo a ciência do auto de infração ocorrido em 30/08/2013, deve ser declarada a decadência do direito de lançar o IRPJ e CSLL relativos ao 1º, 2º e 3º trimestres de 2007 e o PIS e a Cofins referentes aos meses de janeiro a novembro daquele ano, conforme a seguir demonstrado. VALORES (R$) DOS TRIBUTOS EXONERADOS PELA DECADÊNCIA 1º TRIM 47.218,31 JAN 2.546,64 JAN 11.753,71 IRPJ 2º TRIM 131.275,33 FEV 2.807,37 FEV 12.957,08 3º TRIM 394.238,34 MAR 9.059,29 MAR 41.812,09 1º TRIM 23.948,24 ABR 8.943,68 ABR 41.278,53 CSLL 2º TRIM 61.773,89 PIS MAI 14.677,33 COFINS MAI 67.741,54 3º TRIM 180.107,25 JUN 13.557,72 JUN 62.574,08 JUL 34.499,65 JUL 159.229,17 AGO 29.842,04 AGO 137.732,49 SET 44.056,19 SET 203.336,27 OUT 43.759,21 OUT 201.965,59 NOV 34.250,32 NOV 158.078,40 Fl. 5393DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13896.721402/201389 Acórdão n.º 1302001.921 S1C3T2 Fl. 5.394 24 Quanto ao IRPJ e CSLL referentes ao 4º trimestre e ao PIS e à Cofins do mês de dezembro de 2007, o prazo decadencial iniciouse em 01/01/2009 findando em 31/12/2013, não tendo ocorrido a decadência. A decisão recorrida é irretocável, pois mesmo diante do prazo decadencial previsto no art. 173, inc. I do CTN, aplicável ao caso, verificase que os créditos tributários, apurados no ano de 2007, foram constituídos apenas em 30/08/2013, quando já estavam alcançados pela decadência todos os créditos que poderiam ter sido lançados a partir de 01/01/2008. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. Recursos voluntários Foram apresentados recursos voluntários pela interessada, Real Vet Comércio e Produtos Químicos Ltda, e pelos responsáveis tributários: Newton Tulli, Ailton Marron, Marron Administração e Participação Ltda e Maria José de Oliveira Grajcar. O recurso da interessada e responsável principal pelos créditos tributários, embora tempestivo, não pode ser conhecido uma vez que o litígio não foi instaurado com relação a este sujeito passivo, tendo em vista que não apresentou impugnação ao lançamento. Com relação aos recursos interpostos pelos sujeitos passivos indicados na condição de responsáveis tributários solidários, verificase que todos são tempestivos e atendem aos pressupostos regimentais, devendo ser conhecidos. Observo que, tendo em vista a condição de solidariedade existente entre os sujeitos indicados como responsáveis, os argumentos que se refiram à eventuais nulidades e ao mérito da autuação, suscitados por um, a todos aproveitam, de modo que, antes de proceder ao exame das alegações contra a imputação de responsabilidade trazidas individualmente nos recursos, procedo à análise das alegações dirigidas contra a validade e materialidade do lançamento. Nulidade do lançamento por ausência de MPF. Os sujeitos passivos, indicados como responsáveis solidários, Marron Administração e Participação Ltda. e Ailton Marron, alegam que foi expedido somente um MPFDiligência cujo prazo de validade expirou sem que fosse MPF Complementar e que não houve prorrogação do MPF originário. Alegam, ainda, que quem emitiu os MPFD de fls. 4231 e 4286 (Delegado da Receita Federal do Brasil de Barueri) não tinha competência para expedilo, ferindo o artigo 6º, § 1º, da Portaria RFB n° 3.014, de 29 de junho de 2011. Sustentam que, em nenhum momento o Impugnante tomou conhecimento de que estava sendo fiscalizado, acrescentando que não consta no referido MPF, o código de acesso, impossibilitando o impugnante de consultálo e de ter acesso ao procedimento fiscal contrariando, assim, o disposto no parágrafo único do artigo 4°, da Portaria RFB n° 3.014, de 29/06/2011. Observam, ainda, que, embora conste do Termo de Início de Ação Fiscal a existência de um MPF emitido para a Real Vet, não há, nos autos, comprovante de entrega do Fl. 5394DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13896.721402/201389 Acórdão n.º 1302001.921 S1C3T2 Fl. 5.395 25 MPF à mesma e o Termo de Início de Ação Fiscal de fl. 03, lavrado unicamente contra a Real Vet, especifica unicamente o IRPJ a ser fiscalizado. Não há qualquer referência à fiscalização do PIS, COFINS, IPI e CSLL. Ante tais alegações, concluem que, diante da nulidade dos MPF, nulo seriam todos os lançamentos. As alegações não podem ser acolhidas. Os mandados de procedimento fiscal (MPFD) emitidos em face dos sujeitos indicados como responsáveis solidários tinham o único condão de formalizar o procedimento de diligências realizadas no âmbito do procedimento fiscal instaurado em face da contribuinte Real Vet e cuja conclusão não dependia da emissão de MPFF (Fiscalização) contra os sujeitos indicados como responsáveis, por inexistência de qualquer previsão regimental. No que tange aos demais vícios apontados, o acórdão recorrido bem analisou os argumentos em seu voto, os quais reproduzo abaixo e adoto como razões deste: Ao contrário do que alegam, consta, claramente, nas intimações de fls. 4230 e 4284, a informação do nº do MPF e o código de acesso para consulta ao referido mandado pela internet. Os MPFD foram expedidos pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em Barueri dentro de sua área de competência (fiscalização dos tributos administrados pela RFB) e contêm todos os requisitos fixados no art. 7º da Portaria RFB nº 3014, de 2011, devendo ser observado que o disposto no § 1º do citado artigo se refere apenas ao MPFF e MPFE, não se aplicando ao MPFD. Repisese que, ainda que o MPF (F ou D) tenha alguma irregularidade, a validade do lançamento não é abalada por ela. Quanto à alegação de ter constado que seria fiscalizado apenas o IRPJ, é preciso observar o que dispõe o art. 8o da Portaria RFB nº 3014, de 2011, verbis: Art. 8° Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa no MPF. Ademais, a Lei nº 9.249, de 1995, dispõe em seu art. 24: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. § 1º No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. § 2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. (Vide Art. 28 da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008) Fl. 5395DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13896.721402/201389 Acórdão n.º 1302001.921 S1C3T2 Fl. 5.396 26 Assim, concluise que os atos praticados no procedimento fiscal são válidos, não ocorrendo a hipótese de nulidade suscitada pelos impugnantes. De outra parte, ainda que existisse alguma irregularidade na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal, insta observar que tal documento é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização e não tem o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal do AuditorFiscal da Receita Federal, estabelecida no art. 6º da Lei nº 10.593, de 08 de dezembro de 2002, com a redação dada pela Lei nº 11.457/2007, para fiscalizar os tributos federais e realizar o lançamento quando devido. Na condição de autoridade administrativa que detém a competência para realizar o lançamento tributário, o AuditorFiscal não possui discricionariedade para não realizálo ao se deparar, no curso de procedimento fiscal regularmente instaurado, com infrações, ainda que estas não estejam previstas no escopo original da fiscalização, devendo praticar o ato, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142 do CTN. Normas administrativas que regem o procedimento fiscal não têm o condão de modificar a competência do auditorfiscal da Receita Federal do Brasil, fixada em lei. Nesse sentido a Portaria RFB nº 3014/2011 “dispõe sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil”, disciplinando administrativamente a execução dos procedimentos fiscais. É dentro desse contexto de normas de planejamento do trabalho da fiscalização que está inserido o MPF, cuja característica essencial é dar visibilidade ao sujeito passivo que o procedimento fiscal está sendo instaurado em nome da administração tributária, obedecendo ao princípio da impessoalidade. Equivocase, portanto, o recorrente ao vislumbrar o MPF como instrumento necessário para conferir competência ao AuditorFiscal para agir no caso concreto. Ao detentor da função gerencial, responsável pela emissão do MPF, é dado apenas planejar a execução dos procedimentos fiscais. Assim, sendo o Mandado de Procedimento Fiscal mero instrumento de controle administrativo da fiscalização não pode ensejar a nulidade do lançamento, especialmente no que diz respeito à competência do agente, no caso o AuditorFiscal da Receita Federal. Pelo exposto, rejeito a alegação de nulidade. Nulidades relacionadas às intimações O sujeito passivo indicado como responsável solidário, Newton Tuli, alega que a fiscalização adotou a exceção como regra e passou a fazer publicações por edital sistematicamente agindo de forma ilegal, após realizar uma única diligência para tentar a intimação da empresa e dos sócios. Alega que a empresa não poderia atender as intimações se reiteradamente intimada em endereço em que, sabidamente, não mais funcionava. Questiona ainda que, os sócios e exsócios não foram citados por edital para fornecer os documentos ou constatar se são pessoas interposta. Os recorrentes Ailton Marrom e Marron Administração e Participação Ltda, alegam que em nenhum momento a Real Vet foi intimada a justificar a origem dos depósitos Fl. 5396DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13896.721402/201389 Acórdão n.º 1302001.921 S1C3T2 Fl. 5.397 27 bancários, ferindo de morte o disposto no artigo 287 do RIR, que determina a regular intimação do contribuinte para justificativa dos depósitos bancários. Alegam também que as intimações deveriam ser dirigidas ao sócio Alessandro da Silva, que passou a ser o único sócio da pessoa jurídica a partir de julho de 2007, transformadose em sociedade unipessoal. A alegação de nulidade das intimações por edital, não se sustenta, pois estas ocorreram após a tentativa frustrada de intimação postal (fls. 3/7) e a realização de diligências (fls. 8/11) no local onde deveria funcionar a pessoa jurídica fiscalizada, no qual se constatou que a empresa não estava mais estabelecida naquele endereço e que, inclusive, nova empresa estava se estabelecendo no local. Desta feita, o procedimento fiscal foi instaurado mediante a intimação do Termo de Início por edital afixado na dependência da unidade da RFB, encarregada do procedimento, nos estritos termos do art. 34, §1º do Decreto nº 70.235/19721. As demais intimações dirigidas contra a empresa sob fiscalização feitas por edital estavam devidamente respaldadas, pois já se sabia que seria improfícuo encaminhar os novos termos de intimação via postal ou a tentativa de ciência pessoal no endereço cadastral informado à RFB, uma vez que ficou constatado que a empresa não estava mais em atividade naquele endereço. Tanto que foi efetuada representação fiscal (fls. 113/115) e realizada a declaração de inaptidão no cadastro do CNPJ (fls. 129). No que concerne a alegação de falta de intimação dos sócios e exsócios para a apresentação de documentos e constatação da existência de interposição de pessoas, verifica se nos autos que as autoridades fiscais procederam a diversas tentativas frustradas de intimação do sócio constante do cadastro no CNPJ, Sr. Alessandro Francisco Souza da Silva. Foram enviadas seis intimações a diferentes endereços (fls. 12, 15, 18, 21, 24, 27), na tentativa de intimar o referido sócio que resultaram frustradas na entrega, com exceção da última que foi recebida no endereço, mas jamais respondida. 1 Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo, a intimação poderá ser feita por edital publicado: I no endereço da administração tributária na internet; II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. Fl. 5397DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13896.721402/201389 Acórdão n.º 1302001.921 S1C3T2 Fl. 5.398 28 Com relação aos exsócios, Antônio Carlos Vieira de Souza e João Formozo dos Santos, foram feitas duas tentativas de intimação cada um em diferentes endereços (fls. 4200/4204 e 4216/4221, respectivamente), que resultaram infrutíferas. A exsócia Maria José de Oliveira Grajcar, também foi intimada a prestar esclarecimentos sobre a efetiva transferência da titularidade das quotas sociais para o Sr. Antônio Carlos Vieira de Souza e a comprovar o seu desligamento das funções gerenciais junto à empresa (fls. 4321/4436), e afirmou ter se desligado da empresa após a transferência de sua participação, inclusive com a entrega de documentos fiscais a um representante dos novos sócios, tendo se limitado a assinar diversos cheques em branco a serem sacados contra a conta bancária junto ao Banco do Brasil, de titularidade da empresa Real Vet, enquanto os novos sócios providenciavam a regularização cadastral junto ao referido banco. Nada esclareceu sobre a transferência da titularidade das quotas de capital. Ante tal quadro, as autoridades fiscais deram prosseguimento ao procedimento fiscal contra a empresa, mediante a continuidade da realização das intimações por meio de editais (fls. 59/112), inclusive para justificar a origem dos créditos bancários (fls. 90/103), até a ciência do auto de infração (fls. 4674). Assim, não procede a alegação trazida pelos recorrentes de que a empresa Real Vet não teria sido intimada a justificar a origem dos créditos bancários. Por fim, como observado no acórdão recorrido, a contribuinte não constava como extinta no órgão de registro, tampouco na RFB, de modo que não são procedentes as alegações de que o procedimento fiscal deveria ter sido realizado na pessoa do responsável pela pessoa jurídica. Assim, voto pela rejeição da nulidade apontada. Da quebra de sigilo bancário sem autorização judicial O recorrente Newton Tulli questiona a quebra de sigilo bancário da pessoa jurídica, sem autorização judicial que violaria o direito a intimidade e a privacidade e violaria o sigilo de dados previsto no inc. XII do art. 5ºda CF. O acesso pelas autoridades administrativas às informações bancárias dos contribuintes tem fundamento na própria Constituição Federal: Art. 145 ... § 1º Sempre que possível os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. E o CTN, com status de lei complementar, assim já previa, in verbis: Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que Fl. 5398DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13896.721402/201389 Acórdão n.º 1302001.921 S1C3T2 Fl. 5.399 29 disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (...) II – os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; A LC nº 105, de 10 de janeiro de 2001, veio regular, com mais detalhes, a solicitação de informações às instituições financeiras, assim determinando: Art.1o As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) §3o Não constitui violação do dever de sigilo: (...) VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2o, 3o, 4o, 5o, 6o, 7o e 9o desta Lei Complementar. (...) Art.5o O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. (...) §2o As informações transferidas na forma do caput deste artigo restringirseão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados. (...) §4o Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. §5o As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor. Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Fl. 5399DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13896.721402/201389 Acórdão n.º 1302001.921 S1C3T2 Fl. 5.400 30 Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Na sequência foram editados a Lei nº 10.174, de 2001 e o Decreto nº 3.724, de 2001, que vieram regrar com mais precisão a obtenção de dados, compondo o cenário jurídico no qual a autoridade fiscal está autorizada, nos casos previstos, a requisitar informações bancárias dos contribuintes fiscalizados. Imprópria, assim, a tentativa de vincular esta atividade tãosó ao Poder Judiciário, sob o argumento de que somente este atua com a razoabilidade necessária à garantia do direito fundamental à intimidade ou à inviolabilidade de dados. Os atos legais e regularmente mencionados disciplinaram as hipóteses específicas nas quais o acesso é permitido e, ao circunscreverse a este âmbito, a prova obtida é plenamente válida. Cabe observar que o acesso às informações bancárias não configura, propriamente, quebra do sigilo bancário, haja vista a imposição às autoridades administrativas de seu resguardo durante todo o procedimento, não só em virtude do sigilo fiscal determinado no art. 198 do CTN, como também do disposto no art. 5o, § 5o, e art. 6o, parágrafo único, ambos da LC nº 105, de 2001. Ademais, as informações se prestam apenas à constituição de crédito tributário e eventual apuração de ilícito penal. Há, na verdade, mera transferência do sigilo, que antes vinha sendo assegurado pela instituição financeira e passa a ser mantido pelas autoridades administrativas. A constitucionalidade da requisição de movimentação financeira pelo Fisco, diretamente às instituições financeiras, sem intervenção judicial, prevista na LC. 105/2001, foi objeto de questionamentos perante o STF tanto em recursos extraordinários, quanto por meio de Ações Diretas de Inconstitucionalidade ADI. Em julgamento conjunto de cinco processos (RE 601.314 E ADI's 2390, 2386, 2397 e 2859) pelo pleno do STF, finalizado em 24/02/2016, cujos acórdãos ainda não foram formalizados, prevaleceu o entendimento, por maioria de 9 votos a 2, de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. 2 Assim, embora a decisão referida ainda não transitado em julgado, restou confirmada pelo STF a constitucionalidade da LC. 105/2001, afastando de vez a existência de qualquer violação aos dispositivos constitucionais que visam preservar a intimidade , privacidade e o sigilo de dados. Da omissão de receitas apurada com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Os recorrentes Ailton Marrom e Marron Administração e Participação Ltda, alegam que teria havido tributação em duplicidade dos valores relativos a depósitos bancários uma vez que no montante de créditos apurados está claramente identificada a origem de R$ R$ 6.922.885,22 como sendo de Cobrança ou Liquidação de Cobrança, que estariam contido no montante de omissão de receitas apurado junto a fornecedores, além de R$ R$ 688.652,11, referentes a 2 http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=310670 Fl. 5400DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13896.721402/201389 Acórdão n.º 1302001.921 S1C3T2 Fl. 5.401 31 transferências entre contas e R$ 138.346,99 referentes a liberação de depósito anteriormente bloqueado, o que de toda maneira não pode ser objeto de tributação. Alega ainda que, para que houvesse a tributação de depósito bancário, o Fisco teria que recompor a conta caixa, mas limitouse a relacionar os valores e não cuidou de averiguar se a Recorrente tinha ou não origem. Começando por esta última alegação, cumpre desde logo afastála, pois os lançamentos, nesta parte, tiveram como fundamento a presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996, que dispõe que não comprovada a origem dos créditos bancários pelo sujeito passivo, resta caracterizada a omissão de receitas.Não se discute aqui saldo credor de caixa ou outra presunção qualquer estabelecida em lei. No que concerne às demais alegações penso que o voto condutor do acórdão recorrido enfrentou a questão de maneira irrefutável, motivo pelo qual procedo à sua transcrição como fundamento do meu voto a respeito, verbis: Consta no processo às fls. 90 a 103 o Demonstrativo Anexo ao Termo de Reintimaçáo Fiscal de 04/12/2012, por meio do qual o sujeito passivo foi intimado a comprovar a origem dos recursos depositados e/ou creditados em suas contas bancárias, relacionados no referido anexo. Ficou bastante claro no processo que não restou comprovada essa origem durante a ação fiscal. Portanto, a materialidade do fato gerador ficou comprovada, sendo descabido qualquer questionamento acerca da possibilidade de utilização dos valores dos depósitos como base de cálculo dos tributos lançados. A simples indicação no extrato de que o crédito se refere a “cobrança” não supre a necessidade de se comprovar que esse valor corresponde à receita já tributada e que estaria incluído no total de receita informada pelos clientes da contribuinte (R$ 31.780.571,03). Os valores que constam no histórico dos extratos bancários como “Cobrança” e “liquidação de Cobrança” não podem ser excluídos da tributação, pois não identificam o cliente a que se referem os títulos em cobrança, não se podendo afirmar com certeza que são relativos aos clientes que foram circularizados pela fiscalização. Com relação à solicitação de exclusão do valor de R$ 688.652,11, relativo a transferências de numerários entre agências, é improcedente. Verificase nas quantias relacionadas pelos impugnantes (fls. 4885/4886 e 4945/4946) que não se tratam de transferência entre contas de mesma titularidade, como se pode ver nos históricos dos lançamentos, quais sejam: “Transferência entre ag ch” ou em dinheiro, “transferÊncia entre ag. SAPEKA”, “Transf entre ag. dinh RN Distribuidora”, “Transf entre Ag. Cheque MGS Química”. Tampouco cabe a exclusão dos valores cujo histórico do lançamento bancário é“transf entre agen cheque o próprio favorecido”, uma vez que não se tem a prova de que se referem à conta bancária auditada pela fiscalização. Quanto ao valor de R$ 138.346,99 referente à liberação de depósito anteriormente bloqueado, observase no demonstrativo de fls.4644/4651 que foram tributados os valores somente no momento em que o depósito foi desbloqueado, não podendo se falar em duplicidade na tributação. Fl. 5401DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13896.721402/201389 Acórdão n.º 1302001.921 S1C3T2 Fl. 5.402 32 Como anteriormente esclarecido, tais depósitos, cuja origem não foi comprovada, são definidos pela Lei nº 9.430/1996, art. 42, como receita omitida. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar esta alegação. Do arbitramento do lucro Os recorrentes Ailton Marrom e Marron Administração e Participação Ltda, alegam que o Fisco adotou dois princípios e duas formas de arbitramento de lucro ao mesmo tempo, o que não seria autorizado por lei. Entenderam os recorrentes que o Fisco não conhece a receita bruta da Real Vet, pois o Fisco relatou que a Real Vet declarou ao Fisco Estadual o valor de RS 10.038.137,55, mas os clientes da Real Vet informaram que adquiriram R$31.780.571,13, de mercadoria em 2007. Alegam que o Fisco não demonstrou se o valor informado ao Fisco Estadual está compondo valor de RS 31.780.571,13; logo, não se saberia o valor real da receita bruta. Afirmam que a fiscalização não demonstrou se os clientes da Real Vet são somente aqueles constantes à fl. 4.606. Desta feita, concluem que a receita bruta não é conhecida, e em não sendo, a regra a ser aplicada é a do artigo 535 do RIR, pois não poderia ser adotado como critério de arbitramento a Receita Bruta, quando esta é desconhecida. Sustentam ainda, que se houve o arbitramento com base na Receita Bruta, os valores dos depósitos bancários jamais poderiam ser considerados na base de cálculo do arbitramento. Que houve um sistema misto de apuração do lucro, o que não seria permitido. Com relação às primeira alegações cumpre esclarecer o mal entendido por parte dos recorrentes. O art. 532 do RIR ao estabelecer a receita bruta conhecida como base de cálculo, está a se referir àquela que possa ser apurada pelo Fisco, por quaisquer meios, que não aqueles previstos no art. 535 do mesmo diploma, sendo estes últimos critérios adotados somente quando não seja possível apurar a receita bruta. Vejamos o que dispõem os citados dispositivos, verbis: Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). [...] Art. 535. O lucro arbitrado, quando não conhecida a receita bruta, será determinado através de procedimento de ofício, mediante a utilização de uma das seguintes alternativas de cálculo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 51): I um inteiro e cinco décimos do lucro real referente ao último período em que a pessoa jurídica manteve escrituração de acordo com as leis comerciais e fiscais; Fl. 5402DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13896.721402/201389 Acórdão n.º 1302001.921 S1C3T2 Fl. 5.403 33 II quatro centésimos da soma dos valores do ativo circulante, realizável a longo prazo e permanente, existentes no último balanço patrimonial conhecido; III sete centésimos do valor do capital, inclusive a sua correção monetária contabilizada como reserva de capital, constante do último balanço patrimonial conhecido ou registrado nos atos de constituição ou alteração da sociedade; IV cinco centésimos do valor do patrimônio líquido constante do último balanço patrimonial conhecido; V quatro décimos do valor das compras de mercadorias efetuadas no mês; VI quatro décimos da soma, em cada mês, dos valores da folha de pagamento dos empregados e das compras de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem; VII oito décimos da soma dos valores devidos no mês a empregados; VIII nove décimos do valor mensal do aluguel devido. § 1º As alternativas previstas nos incisos V, VI e VII, a critério da autoridade lançadora, poderão ter sua aplicação limitada, respectivamente, às atividades comerciais, industriais e de prestação de serviços e, no caso de empresas com atividade mista, ser adotados isoladamente em cada atividade (Lei nº 8.981, de 1995, art. 51, § 1º). § 2º Para os efeitos da aplicação do disposto no inciso I, quando o lucro real for decorrente de período de apuração anual, o valor que servirá de base ao arbitramento será proporcional ao número de meses do período de apuração considerado (Lei nº 8.981, de 1995, art. 51, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º). § 3º No caso dos incisos I a IV, deverá ser efetuada atualização monetária até 31 de dezembro de 1995 (Lei nº 8.981, de 1995, art. 51, § 3º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 4º). § 4º No caso deste artigo, os coeficientes de que tratam os incisos II, III e IV, deverão ser multiplicados pelo número de meses do período de apuração (Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, § 1º). § 5º Na hipótese de utilização das alternativas de cálculo previstas nos incisos V a VIII, o lucro arbitrado será o valor resultante da soma dos valores apurados para cada mês do período de apuração (Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, § 2º). No caso concreto, as autoridades fiscais conseguiram apurar um montante de receita bruta junto aos clientes da interessada, totalizando RS 31.780.571,13, que se revelou superior, inclusive ao montante informado ao Fisco Estadual de São Paulo (RS 10.038.137,55), considerando, por óbvio, aquele primeiro montante como parte da receita conhecida (que fora omitida integralmente ao Fisco Federal). Por outro lado, ao obter a movimentação bancária Fl. 5403DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13896.721402/201389 Acórdão n.º 1302001.921 S1C3T2 Fl. 5.404 34 junto às instituições financeiras, identificou montante expressivo de créditos, cuja origem não foi comprovada, apurando outro montante de omissão de receitas, desta feita pela presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. A somatória de ambas foi consideradas pelo Fisco, como a Receita Conhecida utilizada como base de cálculo para o arbitramento, não havendo que se cogitar da aplicação do art. 535 do RIR/199, neste caso. Assim rejeito também esta alegação. Da necessidade de exclusão do IPI da Receita Bruta. Os recorrentes alegam que no valor tributado de R$ 31.780.581,13, está incluído o IPI destacado nas notas fiscais, que não deveria compor o valor da receita. Conforme esclarecido no voto condutor do acórdão recorrido, é possível verificar no demonstrativo de fl. 4606 e às fls. 4013 a 4025 e 4046 que do valor da receita bruta tributada nos autos de infração já está excluído o valor do IPI destacado nas notas fiscais apresentadas pelos clientes da contribuinte e que nas demais notas fiscais informadas pelos clientes não há destaque de IPI. Destarte, os valores do IPI que deveriam ser descontados da receita bruta, já foram devidamente considerados no lançamento. Assim, rejeito a alegação. Do agravamento da multa de ofício Os recorrentes questionam a legalidade do agravamento da multa de ofício, argumentando que, como a pessoa jurídica não foi localizada, não poderia ser agravada a penalidade pela falta de apresentação de documentação. O agravamento da multa de ofício, deuse em face de que a interessada não apresentou quaisquer dos documentos e esclarecimentos solicitados através do Termo de Início de Ação Fiscal e dos Termos de Intimação e de Reintimação Fiscal lavrados no curso do procedimento fiscal. Conforme já devidamente analisado, a contribuinte foi regularmente intimada e reintimada, a apresentar documentos, inclusive os arquivos digitais e não atendeu às solicitações. A circunstância das intimações terem sido feitas mediante edital não afasta a possibilidade do agravamento, posto que feitas de acordo com as normas que regulam o procedimento fiscal e produzem os mesmos efeitos das intimações pessoais ou por via postal. Assim, tendo sido caracterizada a hipótese prevista no art. 44, § 2º, da Lei nº 9.430/1996 (com redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007), justificase o agravamento da penalidade. Da tributação reflexa das contribuições sociais Com relação às exigências da CSLL, PIS e a Cofins, tratandose de infrações apuradas em decorrência de constatação da omissão de receitas e do arbitramento de lucros Fl. 5404DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13896.721402/201389 Acórdão n.º 1302001.921 S1C3T2 Fl. 5.405 35 levado a efeito para a apuração do IRPJ, mantida aquela exigência (remanescente), idêntica solução deve ser aplicada às contribuições. Da imputação de responsabilidade solidária A imputação de responsabilidade solidária foi feita pelas autoridades fiscais a partir de diversos indícios de que os sócios indicados nos contratos sociais da interessada, que ingressaram no quadro social a partir do mês de novembro de 2006, João Formozo dos Santos e Antonio Carlos Vieira de Souza, sucedidos em julho de 2007, por Alessandro Francisco Souza da Silva, eram "pessoas de reduzida capacidade econômica, não possuindo bens declarados e com rendimentos insignificantes ou inexistentes, com endereços residenciais inexistentes, desconhecidos ou localizados em regiões de baixo poder aquisitivo". O Termo de Verificação Fiscal descreve as tentativas realizadas pela fiscalização com vistas a intimar o sócio e exsócios da interessada, acima citados, verbis: Foram efetuadas diversas tentativas de intimar e reintimar tanto o sócio atual como os exsócios, nos vários endereços coletados no decorrer do procedimento fiscal, a: 1) comprovar a efetiva aquisição da participação societária, discriminando datas, valores e forma de pagamento; 2) esclarecer se exerceram efetivamente a administração da sociedade, com o desempenho de atividades gerenciais e administrativas, inclusive com a assinatura de cheques, ou se cumpriam determinações de terceiros no exercício de tais funções — nesse caso, relacionar quem seriam os reais administradores da empresa, no período em questão, juntando a documentação eventualmente existente, comprobatória de tal alegação; e 3) tendo em vista o comprovado exercício, no período em questão, de atividades operacionais pela pessoa jurídica em tela, com a obtenção de receitas significativas de revenda de mercadorias, esclarecer e/ou justificar o motivo da falta de declaração e de oferecimento à tributação de tais resultados, anexando a documentação comprobatória destas alegações. Entretanto, nenhuma das intimações e reintimações supra mencionadas, encaminhadas por via postal, foi respondida. Consultas aos sistemas da RFB indicaram que o sócioadministrador ALESSANDRO FRANCISCO SOUZA DA SILVA possuiu, no anocalendário 2009, vínculo empregatício com a empresa L C DEDETIZADORA E DESENTUPIDORA LTDA, CNPJ n° 06.315.995/000166, com endereço à Avenida Afonso Pena, 369, Altos, Bairro do Macuco, Santos SP, e que desempenha as atividades de limpeza de caixa d'água e de gordura, dedetização, desentupimento, reformas em geral, locação de caçambas a aterramento. Intimada, a empresa em questão informou que a pessoa física acima mencionada efetivamente fez parte do seu quadro de funcionários em 2009, exercendo a função de ajudante. Cumpre ainda observar que a pessoa física ALESSANDRO FRANCISCO SOUZA DA SILVA também figura nos sistemas cadastrais da RFB como responsável perante o Ministério da Fazenda pela empresa NOVA ALIANÇA COMÉRCIO DE PRODUTOS QUÍMICOS LTDA, CNPJ n° 09.510.641/000160, com endereço à Rua Saracura, 178, Jardim Califórnia, Barueri SP, com data de abertura em 05/03/2008. Cabe ressaltar que a empresa em questão também não foi localizada no seu endereço cadastral. Em relação aos exsócios JOÃO FORMOZO DOS SANTOS e ANTONIO CARLOS VIEIRA DE SOUZA, as pesquisas efetuadas demonstram que ambos são Fl. 5405DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13896.721402/201389 Acórdão n.º 1302001.921 S1C3T2 Fl. 5.406 36 originários de São Gabriel, no estado da Bahia. Informações obtidas junto ao Instituto de Identificação Pedro Mello, subordinado à Secretaria de Segurança Pública do Estado da Bahia qualificam a pessoa física JOÃO FORMOZO DOS SANTOS como agricultor, com grau de instrução rudimentar. Já ANTONIO CARLOS VIEIRA DE SOUZA é qualificado como lavrador, também com nível de instrução rudimentar. Vale ressaltar que na ficha de identificação anterior, de 05/11/2005, constava a observação "NÃO ALFABETIZADO". Além disso, pesquisas no CNIS Cadastro Nacional de Informações Sociais, consultando os vínculos empregatícios do trabalhador, revelam que em 2007, JOÃO FORMOZO DOS SANTOS esteve empregado, em diversos períodos (de 18/12/2006 a 03/01/2007, de 06/03/2007 a 31/03/2007 e de 12/06/2007 a 06/08/2007), em fazendas e empreendimentos agropecuários situados no Estado da Bahia, especificamente nos municípios de Luís Eduardo Magalhães e Barreiras, exercendo as funções de trabalhador agrícola. Com efeito, apesar das autoridades fiscais não terem conseguido trazer provas diretas da condição de interpostas pessoas dos sócios que passaram a integrar o quadro social da interessada a partir de novembro de 2006, apresentou diversos elementos indiciários dessa condição, a partir de dados cadastrais que denotam reduzida condição econômica e social destas pessoas físicas em contraste com a magnitude das receitas auferidas pela pessoa jurídica no ano de 2007, que extrapolou a casa de trinta milhões de reais. A fiscalização buscou também, junto à exsócia, Maria José de Oliveira Grajcar, que transferiu suas quotas, em novembro de 2011, para o Sr. Antonio Carlos Vieira de Souza, elementos que comprovassem a efetiva alienação da participação, mas a exsócia, intimada e reintimada, nada apresentou ou esclareceu. Observei, ainda, ao examinar a documentação fornecida pelo Banco Bradesco (fls. 825/1740), que não obstante tenha havido mudança do contrato social da fiscalizada no mês de julho de 2007, com a saída do sóciogerente Sr. João Formozo e entrada do Sr. Alessandro da Silva, os cheques emitidos continuam contendo a assinatura do Sr. João Formozo (vide, p. ex.: ch. 000045, emitido em 11/09/2007, fls. 1216 ch. 000117, emitido em 07/12/2007, fls. 1214). Este me parece mais um indício evidente de que ambos (João Formozo e Alessandro da Silva) eram pessoas interpostas no quadro social da pessoa jurídica fiscalizada, denotando que suas assinaturas nos cheques da pessoa jurídica foram apostas muito antes do seu preenchimento e uso. Diante dos indícios de que os sócios que constaram do quadro social da pessoa jurídica no ano de 2007, eram interpostas pessoas à frente dos negócios, as autoridades fiscalizadoras procederam a imputação da responsabilidade solidária à diversas pessoas físicas e a uma pessoa jurídica, que, segundo os representantes do Fisco, teriam interesse ou se beneficiaram dos recursos auferidos pela fiscalizada em suas atividades operacionais, ou eram os reais responsáveis pela sua gestão, conforme conclusão extraída do TVF (fls. 4622), verbis: Portanto, considerando todo o acima exposto, restou caracterizada, nos termos do disposto nos artigos 124, inciso I, e 135, incisos I e III, do Código Tributário Nacional, acima transcritos, a condição de responsáveis solidários das pessoas físicas de MARIA JOSÉ DE OLIVEIRA GRAJCAR, CPF n° 195.849.49845, NEWTON TULLII, CPF n° 272.559.21868 e ABÍLIO TRINDADE DOMINGOS, CPF n° 432.417.94849, pelo crédito tributário ora constituído, tendo em vista que os mesmos, apesar de não fazerem formalmente parte do quadro societário e da administração da empresa, no período sob fiscalização, exerciam de fato atividades Fl. 5406DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13896.721402/201389 Acórdão n.º 1302001.921 S1C3T2 Fl. 5.407 37 de administração e gerência da sociedade, auferindo vantagens financeiras ou controlando o fluxo financeiro de recursos, o que evidencia o interesse comum em seus resultados. De outra parte, configurase a condição de responsáveis solidários da pessoa física AÍLTON MARRON, CPF n° 079.527.32820, e da pessoa jurídica MARRON ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO LTDA, CNPJ n° 05.454.138/000184, de acordo com o disposto no artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, uma vez que ambos obtiveram significativos recursos financeiros oriundos da REAL VET, o que demonstra o interesse comum nas atividades e operações da fiscalizada. Ante o acima exposto, serão lavrados os competentes Termos de Sujeição Passiva Solidária em nome das pessoas físicas e jurídicas acima relacionadas. Destes sujeitos passivos indicados como responsáveis, apenas o Sr. Abilio Trindade Domingos deixou de impugnar o lançamento. O colegiado a quo, manteve a imputação da responsabilidade dos impugnantes, que, então, apresentaram tempestivamente seu recurso voluntário. Assim, cumpre analisar, individualmente, as alegações trazidas nos recursos voluntários pelas pessoas indicadas como responsáveis e o conjunto probatório coligido pela fiscalização com vistas a determinar se restou caracterizada a hipótese legal de atribuição de responsabilidade solidária apontada pelo Fisco. Responsável: Maria José de Oliveira Grajcar Com relação à responsável acima indicada, o subitem 8.1 do TVF aponta que esta fazia parte do quadro societário da fiscalizada quando de sua constituição, na qualidade de sóciaadministradora, detendo a participação de 90% no capital da empresa e que deixou de fazer parte do quadro societário da empresa desde 24/11/2006. Não obstante, verificaram as autoridades fiscais que a exsócia continuou, no período de janeiro a março de 2007, a assinar os cheques emitidos da contacorrente n° 15.320 6, agência 1516 do Banco do Brasil S/A, de titularidade da fiscalizada. Constataram, ainda, as autoridades fiscais que a sra. Maria José efetuou a retirada "de dinheiro pessoal" no montante de R$ 25.000,00 em 09/02/2007, efetuada por meio do desconto de cheque, assinado por ela própria e emitido contra a contacorrente junto ao Banco do Brasil S/A, de titularidade da pessoa jurídica. A pessoa física, indicada como responsável solidária, foi, então, intimada a esclarecer se, apesar de formalmente não fazer mais parte do quadro societário da fiscalizada, continuou de fato a exercer funções de gerência e administração da pessoa jurídica, assinando cheques, quitando obrigações, autorizando pagamentos e saques e efetuando retiradas de valores. Foi também intimada a identificar as pessoas físicas que efetivamente passaram a executar tais funções, e a comprovar a efetiva alienação da participação societária. Na sua resposta a contribuinte alegou, que "pendências relativas às pessoas dos sócios adquirentes" teriam impossibilitado os mesmos de movimentarem as contas da empresa junto ao Banco do Brasil e que, em razão disso, teria assinado inúmeros cheques "em branco", de modo a possibilitar que a empresa arcasse, momentaneamente, com seus Fl. 5407DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13896.721402/201389 Acórdão n.º 1302001.921 S1C3T2 Fl. 5.408 38 compromissos. Com relação à retirada da quantia de R$ 25.000,00 em espécie, alegou que teria efetuado tal retirada a pedido dos novos sócios, para que a empresa pudesse fazer frente a pequenos compromissos com fornecedores. Não apresentou qualquer documentação comprobatória desta alegação. A exsócia da pessoa jurídica informou, ainda, que teria entregado todos os documentos da empresa a um representante dos novos sócios, o Sr. Carlos Alberto Da Silva, CPF n° 049.910.71879. Tal pessoa foi intimada, posteriormente, a prestar esclarecimentos, não tendo atendido à intimação. Diante da resposta da Sra. Maria José, esta foi novamente intimada, a esclarecer quais eram as "pendências relativas às pessoas dos sócios adquirentes" que teriam motivado a impossibilidade daqueles movimentarem as contas já préexistentes da empresa junto ao Banco do Brasil, e a comprovar a alegação de que havia assinado cheques em branco da pessoa jurídica a pedido dos sócios. Solicitouse, também, que esclarecesse o motivo da anotação contida no verso do cheque de retirada, no valor de R$ 25.000,00 ("RETIRADA DE DINHEIRO PESSOAL MARIA JOSÉ DE OLIVEIRA GRAJCAR"), uma vez que, de acordo com suas alegações tratarseia de quantia retirada para arcar com "pequenos compromissos" da empresa com fornecedores e afins. Foi também intimada a apresentar os documentos que comprovariam que o Sr. Carlos Alberto da Silva era, de fato, o representante dos novos sócios, habilitado a assinar protocolo de entrega de documentos. Por fim, foi reintimada a comprovar se a transferência da participação societária se fez a título oneroso, discriminando os valores efetivamente envolvidos, datas, a forma de pagamento (dinheiro, cheque, transferência bancária, etc), se houve apuração de ganho de capital, e a juntar cópia da respectiva documentação comprobatória. Apesar de intimada e reintimada a prestar os esclarecimentos acima relacionados, a pessoa física, ora recorrente, não forneceu as informações requisitadas. As autoridades fiscais ressaltaram, ainda, que a imensa maioria dos cheques que teriam sido assinados em branco, além de estarem assinados pela exsócia, também trazem no verso o seu endosso e o seu número de RG, o que desmentiria sua alegação de que teria simplesmente assinado "cheques em branco". Diante dos fatos relatados, as autoridades fiscais concluíram que, mesmo após ter deixado de fazer parte do quadro societário da fiscalizada, a Sra. Maria José continuou participando das atividades de gestão e administração da REAL VET, e a manter interesse comum em suas operações, auferindo vantagens financeiras e efetuando retiradas de recursos, havendo por bem imputarlhe a responsabilidade com base nos art. 124, inc. I e 135, I e III do CTN. A pessoa física indicada como responsável solidária, refutou as conclusões da fiscalização em sua impugnação e recurso, aduzindo em síntese que: a) não há qualquer prova juntada aos autos, bem como, qualquer ilação, diante dos fatos narrados, que possa insculpir qualquer vantagem indevida, gerência ou administração da Impugnante na empresa Real Vet. após o período de 26/11/2006, data de sua saída do quadro societário. Fl. 5408DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13896.721402/201389 Acórdão n.º 1302001.921 S1C3T2 Fl. 5.409 39 b) que entregou todos os documentos contábeis e referentes da Real Vet. ao Sr. Carlos Alberto, no dia 16/11/2006, tendo tomado o cuidado de tirar cópia de sua CNH, que foi juntado aos autos; c) que, passados mais de sete anos, não tem como esclarecer os motivos que dificultaram aos novos sócios Formozo e Antonio regularizar a situação junto ao banco; d) que não tinha motivos para não atender à solicitação de assinar os cheques da empresa, que não era mais sua, até a regularização cadastral dos novos sócios; e) que o Sr. João Formozo e Alessandro, exsócio e sócio atual da empresa também assinaram, endossaram e apuseram seus documentos de identificação em centenas de cheques, conforme documentos juntados pelos Bancos Bradesco e Banco do Brasil; f) que a fiscalização, em nenhum momento conseguiu comprovar ter a recorrente exercido função de gerência ou administração, ou mantendo interesse comum em suas operações, auferindo vantagens financeiras e efetuando retiradas de recursos, tendo efetuado um único saque e assinado os cheques até então existentes, após sua saída da sociedade, o que ocorreu por um pedido dos sócios. g) que é pessoa simples, viúva, com rendimentos quase que insignificantes, não tendo sequer casa própria, pagando aluguel, inclusive fazendo pequenos empréstimos pessoais para se manter, conforme documentos que apresentou na impugnação (extrato de conta corrente, extrato do Imposto de Renda isento, comprovantes de empréstimos, etc). h) que não há qualquer provas do seu locupletamento e o simples fato do não recolhimento de tributos não pode acarretar responsabilização pessoal, embora esta não fosse mais sócia no período autuado. A primeira acusação trazida pelo Fisco contra a recorrente é a de que teria continuado a gerir a empresa, ao menos nos três primeiros meses do ano de 2007, mesmo após ter transferido sua participação (ocorrida em novembro de 2006), imputandolhe a responsabilidade solidária com base no art. 135, I e III do CTN. O indício trazido pelo Fisco é o de que a recorrente continuou a assinar diversos cheques, no período de janeiro a março de 2007, o que revelaria que a mesma continuava à frente da gestão financeira da sociedade. Adita que a recorrente teria se beneficiado de ao menos um saque no valor de R$ 25.000,00, neste período, conforme cópia de cheque obtido junto ao Banco, imputandolhe também a responsabilidade por interesse comum na obrigação tributária, prevista no art. 124, I do CTN. A recorrente alega que apenas deixou assinado cheques em branco, da pessoa jurídica, até que se regularizasse o cadastro dos novos sócios junto ao banco e que não geria mais a sociedade. Quanto ao valor sacado (R$ 25.000,00), alega que também se destinava à quitação de pequenas despesas da empresa, a pedido dos novos sócios. Não trouxe, no entanto, nenhum elemento de prova do alegado. Me filio à corrente jurisprudencial deste Conselho firmada no sentido de admitir a responsabilidade solidária por interesse comum na situação que constitua o fato gerador, prevista no art. 124, I do CTN, além daquelas hipóteses tradicionalmente admitidas pela doutrina, quando é possível identificar a confusão patrimonial e/ou financeira entre o Fl. 5409DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13896.721402/201389 Acórdão n.º 1302001.921 S1C3T2 Fl. 5.410 40 sujeito passivo, a que se atribuiria formalmente a obrigação tributária, e seus sócios ou, ainda, com outras pessoas físicas e jurídicas. Tal situação, comumente, se evidencia quando ocorre a interposição fraudulenta no quadro societário ou na titularidade de contas correntes junto a instituições financeiras que visam ocultar não apenas a ocorrência do fato gerador pelo Fisco, como também impedir ou dificultar a realização do crédito tributário quando identificada a infração e realizado o lançamento. Além disso, os reais titulares da pessoa jurídica, geralmente, obtém benefícios diretos com tal situação, caracterizados pelo incremento patrimonial ou recebimento de numerários não registrados formalmente pela pessoa jurídica ou registrados mediante a utilização de artifícios fraudulentos ou simulações. No caso dos autos, o Fisco trouxe indícios de que o controle societário da empresa teria sido transferido pela ora recorrente a interpostas pessoas e que aquela se beneficiou de uma retirada no montante de R$ 25.000,00 após ter deixado formalmente a sociedade. Embora o Fisco não tenha conseguido apresentar uma prova direta da interposição fraudenta no quadro societário da pessoa jurídica autuada, são bastante fortes os indícios nesse sentido. Diante de tal fato, ganha força a imputação de responsabilidade da recorrente, pois esta não apresentou qualquer esclarecimentos e comprovações acerca da efetividade da transferência de suas quotas na sociedade aos novos sócios. Ocorre que o Fisco limitouse a apontar a "extensão" da atuação da recorrente na gestão financeira da empresa e o recebimento de benefício direto por ela, aos três primeiros meses do ano de 2007, não apontando nenhum fato a ela relacionado nos meses posteriores. Desta feita, tendo sido reconhecida a decadência do lançamento do IRPJ e da CSLL relativamente aos três primeiros trimestres de 2007 e das contribuições ao PIS e Cofins até o mês de novembro de 2007, entendo que a recorrente deve ser exonerada de qualquer responsabilidade sobre os tributos cuja exigência remanesce nestes autos. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário de Maria José de Oliveira Grajcar, para excluíla do pólo passivo da obrigação como responsável solidária. Responsáveis Solidários: Ailton Marron e Marrom Administração e Participação Ltda A fiscalização apurou, com base nas informações relativas a movimentação financeira da pessoa jurídica Real Vet, que a pessoa física (Ailton Marron), acima indicada, recebeu no anocalendário 2007, mediante transferências bancárias, a quantia de R$ 480.781,37. Identificou, também, que a pessoa física é sócia de um dos clientes da autuada, a empresa Korbety Aditivos para Plásticos Ltda, que adquiriu da pessoa jurídica fiscalizada, no anocalendário 2007, bens e mercadorias no montante de R$ 725.506,93. A fiscalização promoveu diligências junto ao contribuinte Ailton Marron, que foi intimado a esclarecer a motivação dos recebimentos e apresentar a documentação comprobatória. Fl. 5410DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13896.721402/201389 Acórdão n.º 1302001.921 S1C3T2 Fl. 5.411 41 De acordo com o item 8.2 do TVF, "[...] o diligenciado informou, à guisa de esclarecimento, que os valores objeto da intimação teriam sido recebidos "a título de restituição das garantias pelas compras efetuadas pela KORBETY, junto à REAL VET...", esclarecendo ainda que, "assim que a KORBETY promovia a quitação das compras realizadas, a caução era liberada, e algumas delas foram liberadas para o contribuinte". As autoridades fiscais, então, concluíram, verbis: Cumpre ressaltar que estas singelas alegações não são respaldadas por qualquer documentação comprobatória, o que era expressamente exigido no Termo de Intimação Fiscal de 20/09/2012. Além disso, há de se convir que, se os fatos ocorreram de acordo com as afirmações do diligenciado, bastaria, para comproválo, demonstrar a realização das alegadas "garantias pelas compras". Outro ponto a esclarecer, é a razão pela qual as tais "garantias", que teriam sido efetuadas pela KORBETY, foram "restituídas" na conta pessoal do sócio. Portanto, configurase o interesse comum da pessoa física acima nas atividades da fiscalizada, demonstrado pelos recebimentos de recursos financeiros oriundos das operações mercantis da REAL VET, sem a comprovação das operações que justificassem o recebimento de tais valores. Com relação à pessoa jurídica Marrom Administração e Participação Ltda a fiscalização apurou que esta recebeu, por transferência bancária da fiscalizada Real Vet, a quantia de R$ 191.012,07. Ressaltam as autoridades fiscais que a referida pessoa jurídica (Marrom Ad,m. e Part.) tem como sócioadministrador Aílton Marron, que também recebeu transferências de recursos da Real Vet no ano calendário 2007, no total de R$ 480.781,37 e que também é sócioadministrador da empresa Korbety Aditivos para Plásticos Ltda, que adquiriu da Real Vet, no ano calendário 2007, bens e mercadorias no montante de R$ 725.506,93. Em diligência realizada, a fiscalização intimou a empresa Marrom Administração e Participação Ltda a esclarecer a motivação dos recebimentos e apresentar a documentação comprobatória. De acordo com o item 8.3 do TVF, "[...] o diligenciado apresentou esclarecimentos idênticos àqueles prestados pela pessoa física AÍLTON MARRON, informando, em suma, que os valores objeto da intimação teriam sido recebidos "a título de restituição das garantias pelas compras efetuadas pela KORBETY, junto à REAL VET...", e que, "assim que a KORBETY promovia a quitação das compras realizadas, a caução era liberada, e algumas delas foram liberadas para o contribuinte". Cumpre observar que os esclarecimentos acima também são assinados por AÍLTON MARRON. As autoridades fiscais, então, concluíram, verbis: Assim como no caso dos esclarecimentos prestados pela pessoa física AÍLTON MARRON, também não foi apresentado qualquer elemento comprobatório destas alegações. Assim, as mesmas objeções levantadas naquele caso aplicamse a este, restando, da mesma forma, comprovado o interesse comum da pessoa jurídica MARRON ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO LTDA nas atividades operacionais da REAL VET, caracterizado pela obtenção de vantagens financeiras, sem comprovação de fatos que justificassem o recebimento de tais valores. Fl. 5411DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13896.721402/201389 Acórdão n.º 1302001.921 S1C3T2 Fl. 5.412 42 Assim, entendendo ter se configurado a condição de responsáveis solidários da pessoa física Aílton Marron, e da pessoa jurídica Marron Administração e Participação Ltda, uma vez que ambos teriam obtido significativos recursos financeiros oriundos da pessoa jurídica fiscalizada, o que demonstraria o interesse comum nas atividades e operações da fiscalizada, as autoridades fiscais promoveram a imputação da responsabilidade solidária prevista no artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional. Em suas impugnações e recursos, os sujeitos passivos indicados como responsáveis solidários, apresentaram, sobre tal imputação, as seguintes alegações: a) que no período do fato gerador, não tiveram outra relação jurídica com a Real Vet senão o recebimento do valor acima em virtude de negócios efetivados pela empresa Korbety Aditivos para Plásticos Ltda e o recebimento dos valores se deu em virtude de restituição de garantias prestadas. b) que em 2007 a Korbety comprou da Real Vet, com garantia da empresa Marron Administração, que é a holding detentora do patrimônio. portanto. é quem detém força e poder patrimonial para fianças e garantias, o valor de R$768.411,05, promovendo o pagamento. c) que as compras efetivadas pela Korbety ocorreram no período de março a maio de 2007. A Korbety promoveu os pagamentos de junho a setembro de 2007, enquanto os recorrentes receberam as garantias nos meses de maio, junho, julho e outubro de 2007; d) que não tiveram nenhuma participação na situação que configurou o fato gerador. Que nunca foram sócio e nunca participaram dos negócios da Real Vet; e) que não existe um só fato que possa vincular os recorrentes com a Real Vet e seus sócios; f) que o Fisco, para atribuir responsabilidade solidária ao Impugnante com base no inciso I, do artigo 124, do CTN, teria que ter provado que os recorrentes realizaram conjuntamente com o contribuinte, a situação configuradora do fato gerador. g) que, em face do disposto no artigo 142, do CTN, a prova do interesse comum do responsável solidário na situação que constitui o fato gerador da exação é do Fisco, e este não se desincumbiu deste ônus; h) que o mero recebimento de valores da Real Vet não vincula os recorrentes ao fato gerador, sendo, nessa hipótese, impossível que a responsabilidade tributária transborde da Real Vet que supostamente realizou o fator gerador. Analisando os elementos dos autos, entendo que assiste razão aos recorrentes pois não vislumbro nos autos nenhuma prova ou liame a indicar que os recorrentes participaram por qualquer forma nas operações da pessoa jurídica fiscalizada, exceto quanto ao fato do recebimento de valores cuja motivação restou, efetivamente, mal explicada tanto pela pessoa física como pela pessoa jurídica, indicados como responsáveis. Não obstante, não é possível apenas a partir da constatação trazida pelo Fisco (recebimento de valores da fiscalizada, sem uma justificação plausível) imputar aos ora recorrentes, à míngua de qualquer outro elemento, a responsabilidade solidária por interesse Fl. 5412DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13896.721402/201389 Acórdão n.º 1302001.921 S1C3T2 Fl. 5.413 43 comum nas situações que constituíram o fato gerador da obrigação tributária que restou formalizada no lançamento. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento aos recursos voluntários apresentados por Ailton Marron e Marrom Administração e Participação Ltda, para excluílos do pólo passivo da obrigação como responsável solidária. Responsável Solidário: Newton Tullii Com relação ao responsável solidário Newton Tullii, aponta a fiscalização que obteve, dentre os documentos fornecidos pelas instituições financeiras, cópia de instrumento público de procuração lavrado no 13° Tabelião de Notas da Capital, em que a pessoa jurídica Real Vet Comércio de Produtos Químicos Ltda, outorgava à pessoa física acima identificada, "amplos, gerais e ilimitados poderes para, isoladamente, gerir e administrar a empresa outorgante, em todos os atos que sejam necessários, exigidos e permitidos por seu contrato social em vigor, tratando de todos os seus assuntos, direitos e interesses...". Além disso, a fiscalização constatou que o Sr. Newton Tullii, que fez parte do quadro de funcionários da empresa sob ação fiscal, conforme informações constantes da GFIP, recebeu e endossou diversos cheques nominais à empresa fiscalizada, Real Vet, que foram depositados em contas de terceiros. Intimado a justificar sua atuação junto à empresa fiscalizada, o Sr. Newton Tullii respondeu, segundo descrito no TVF, verbis: Em resposta à intimação, o Sr. NEWTON TULLII apresentou em 05/07/2013 os seus esclarecimentos, informando em síntese que: 1) teria sido simplesmente um funcionário da fiscalizada contratado na função de assistente administrativo, juntando cópias da carteira de trabalho, onde constam os seus dados de identificação e o contrato de trabalho com a REAL VET; 2) que teria prestado serviços à empresa fiscalizada de 01/04/2006 até a sua transferência para os novos sócios (JOÃO FORMOZO DOS SANTOS e ANTONIO CARLOS VIEIRA DE SOUZA); 3) que a procuração em questão era utilizada apenas para facilitar os serviços junto aos bancos, já que o declarante estaria sempre em contato com os bancos e com a movimentação dos cheques e pagamentos da empresa, quando endossava, quando solicitado, alguns cheques recebidos pela REAL VET para auxiliar o setor financeiro; 4) que em nenhum momento teve poderes para a administração da empresa; e 5) que teve contato apenas com as antigas sócias da empresa, MARIA JOSÉ DE OLIVEIRA GRAJCAR e ANA MARIA DE MELO, e com os novos proprietários da REAL VET, logo no começo da nova gestão, apenas para auxiliar a transição das administrações, que teria ocorrido no começo de 2007. Analisando as justificativas apresentadas, as autoridades fiscais observaram que as mesmas eram contraditórias com os documentos obtidos no curso da ação fiscal e entenderam que o Sr. Newton Tulli teria responsabilidade direta pela gestão da empresa, conforme se extrai do TVF, verbis: Fl. 5413DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13896.721402/201389 Acórdão n.º 1302001.921 S1C3T2 Fl. 5.414 44 É oportuno observar, em relação aos esclarecimentos prestados pela pessoa física, que: 1) os cheques da PLASTUNION INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS LTDA, nominais à REAL VET e endossados por NEWTON TULLII, foram emitidos no período de setembro de 2007 a fevereiro de 2008, quando a REAL VET teria como sócioadministrador ALESSANDRO FRANCISCO SOUZA DA SILVA; e 2) foram endossados 125 cheques, no valor total de R$ 3.592.917,87. Tais constatações desmentem as alegações do intimado, no sentido de que exerceria a simples função de assistente administrativo, de que endossava somente "alguns cheques", de que só teria tido contato com as antigas sócias e de que só teria tido auxiliado a transição das administrações no começo de 2007. De fato, é difícil crer que um mero assistente administrativo receba tão amplos, gerais e ilimitados poderes de gestão e administração de uma empresa, endossando cheques, não de maneira esporádica e pontual, mas sistematicamente. Outrossim, cumpre registrar que tal atuação foi exercida não, como alega o intimado, somente enquanto a empresa se encontrava sob o controle nominal das antigas sócias, mas antes, perdurou de modo constante durante todo o ano calendário 2007 e até depois, imune às alterações no quadro societário da empresa, e especialmente no período posterior às alterações do contrato social que transferiram formalmente o controle da sociedade a pessoas de reduzida capacidade econômica (interpostas pessoas). Por outro lado, os fornecedores da REAL VET, CIEL CONFIANÇA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA e FASSIM LÍDER IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO S/A, intimados a indicar os seus contatos na fiscalizada, indicaram o nome do Sr. NEWTON, consignando, entre os seus telefones, o número de seu telefone residencial, 47171634, o que também parece extrapolar as funções e atribuições de um simples assistente administrativo. Ao contrário, os fatos acima relatados demonstram que a pessoa física NEWTON TULLII exercia, na verdade, funções de gerência e administração da sociedade, mantendo contatos com fornecedores e controlando o fluxo de recursos financeiros, com amplos gerais e ilimitados poderes inclusive para movimentar contas bancárias, o que demonstra o seu interesse comum nos resultados da fiscalizada. Vale ainda assinalar que, conforme consulta extraída da internet, contendo anúncio de venda de medicamento veterinário, a OXITETRACICLINA, a pessoa física acima continua atuando na área de comércio de produtos químicos e veterinários. Ante tal conclusão, as autoridades fiscais lavraram Termo de Sujeição Passiva Solidária em face do referido contribuinte, com base no art. 124, I do CTN e 135, inc. I e III do CTN. O responsável solidário indicado, apresentou impugnação e recurso voluntário, nos quais alegou, em síntese, quanto à atribuição de responsabilidade: a) que o fisco atribuiu sujeição passiva a todos indiscriminadamente, sem individualizar suas condutas, e sem lhes atribuir à interposição/falta de recolhimentos de impostos de forma individual; b) que não descumpriu a lei, e se há eventual descumprimento se deveu a razões que escaparam a seu controle (terceiros), a infração não está caracterizada, não cabendo, pois, falarse em responsabilidade passiva solidária; Fl. 5414DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13896.721402/201389 Acórdão n.º 1302001.921 S1C3T2 Fl. 5.415 45 c) que o fisco não conseguiu comprovar conluio entre as partes, tampouco qualquer tipo de laço entre estes; d) que não tem nenhuma responsabilidade pela falta de escrituração contábil, pois esta é única e exclusiva dos sócios, sendo apenas assistente de diretoria, que cumpria ordens; e) que, como assistente de diretoria, gozava de confiança para executar determinadas ordens, a mando dos sócios da empresa, por isto somente na conta junto ao Banco do Brasil lhe foi outorgado poderes para movimentar a conta, quando necessário, porém, sempre com o consentimento e aval dos sócios; f) que embora tenha endossado documentos, não há qualquer prova que indique qualquer vantagem financeira ou indevida; g) que se tinha uma procuração para movimentação bancária, estas foram realizadas para compromissos da empresa Real e se houve qualquer desvio de finalidade são os sócios que devem responder, pois o Impugnante agia a mando destes; h) que o sócio Sr. Alessandro assinou dezenas de cheques, mas mesmo assim, a fiscalização concluiu que não teve qualquer proveito financeiro, nem administrou, gerenciou ou teve qualquer atividade na Real; i) que o Sr. Formozo, também assinou cheques, todos com endosso, não se podendo concluir que pessoa é semianalfabeta, que não teve qualquer proveito financeiro, nem administrou, gerenciou ou teve qualquer atividade na empresa Real; j) que o Fisco adota critério contraditório e equivocado, pois pessoas honestas que nada têm a esconder, que facilmente podem ser localizadas e que respondem as intimações, devem ser acusadas e a estas têm a obrigação imputar culpa, já os que ignoram intimações ou supostamente não são encontrados, seja por desídia ou falta de interesse, até mesmo do fisco, estas não têm responsabilidade por problemas empresarias de terceiros; k) que o fato de ser indicado pelas empresas Fassim e Ciel não é de se causar qualquer espanto, uma vez que o recorrente reconheceu que laborou na Real, tendo desempenhado função de assistente de diretoria, sempre agindo conforme determinado e a mando dos sócios, tendo contatos corriqueiros com clientes e fornecedores. l) que diante da expertise adquirida em anos de trabalho, passou a comercializar pequenas quantidades de produtos veterinários, não havendo qualquer vedação legal, ademais, é fácil constar que o volume grande das vendas da Real, até para um leigo, quase que totalidade, foi de produtos derivados de petróleo (plástico) e não veterinários, hoje vendidos pelo recorrente; m) que não é possível imputarlhe culpa, pois o fornecedor informou que mantinha contato com este, e um tal de Sr. Eduardo, que sequer foi investigado; e n) que estas empresas não informaram que o recorrente era dono da empresa, apenas afirmaram que mantinham contato com ele, o que revela a fraca imputação de culpa atribuída pela autuante. Fl. 5415DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13896.721402/201389 Acórdão n.º 1302001.921 S1C3T2 Fl. 5.416 46 Conforme já analisado anteriormente, a fiscalização trouxe aos autos diversos indícios de que a pessoa jurídica era formalmente constituída e representada, ao menos no ano de 2007, por meio de interpostas pessoas, que denotavam não reunir condições sócio econômicas para estar a frente de um empreendimento que faturou mais de trinta milhões de Reais no ano sob fiscalização. Desta feita, apontaram como responsável solidário o Sr. Newton Tulli que, segundo os documentos apresentados por ele (Carteira de Trabalho, às fls. 4444), tinha vínculo trabalhista com a empresa fiscalizada, como assistente administrativo. Além disso, a fiscalização trouxe ao autos, cópia de procuração (fls. 4447/4448), outorgado por instrumento público em 11/04/2005, em favor do dito responsável solidário, que lhe conferia amplos poderes de gestão da empresa em todas as suas possíveis áreas de atuação e administração: administrativa, financeira/bancária, comercial, etc. A fiscalização também apontou que, contrariamente ao informado pelo sujeito passivo solidário, ora recorrente, obteve junto ao Banco Bradesco cópias de 125 cheques emitidos pela empresa Plastunion Ltda, cliente da pessoa jurídica fiscalizada, em favor desta última que foram endossados e depositados em contas de terceiros (fls. 1367/1749), que indicariam que o mesmo permaneceu ligado à gestão da fiscalizada mesmo após o ingresso dos novos sócios, Srs. João Formozo e Antonio Carlos Vieira e, posteriormente, Alessandro da Silva. Além desses elementos, chamoume a atenção, ao examinar os documentos bancários fornecidos pelas instituições financeiras, que tanto na proposta/contrato de abertura de conta junto ao Banco do Brasil assinada pela sócia originária, Sra. Maria José de Oliveira Grajcar, em 18/02/2005 (fls. 274/275), como na assinada pelo último sócio, Sr. Alessando da Silva, em 02/08/2007 (fls. 276/277), consta como fonte de referência consultada o Sr. Newton Tullii. O recorrente alega que era mero empregado da fiscalizada e que a procuração a ele conferida visava apenas a facilitar a gestão financeira da empresa, ao permitir que eventualmente assinasse ou endossasse cheques em nome da empresa. Sustenta que a fiscalização não conseguiu provar que tenha recebido qualquer vantagem financeira ou indevida e que não pode ser responsável por atos ou omissões cometidas pelos sócios. De fato, embora a fiscalização aponte que o responsável solidário, ora recorrente, endossou diversos cheques nominais à fiscalizada que foram depositados em contas de terceiros, aquela não identificou os reais destinatários desses recursos, nem apontou que o mesmo tenha se beneficiado destes. No entanto, sua condição de mero empregado da pessoa jurídica fiscalizada resta comprometida uma vez que a procuração a ele outorgada data de 11/04/2005, enquanto que o registro do contrato de trabalho em sua carteira de trabalho é de 01/04/2006. Não consta, também da carteira de trabalho o registro de seu desligamento (fls. 4444). Além disso, os cheques endossados, situação não contestada pelo recorrente, revelam que ele se manteve ligado à gestão da empresa, mesmo após as duas alterações no quadro social da fiscalizada, que, como já registrado, tem indícios convergentes de que seriam constituídos por interpostas pessoas. E, principalmente, a amplitude dos poderes de gestão conferidos pelo instrumento público de mandato, apontam para sua condição de real titular da fiscalizada. Fl. 5416DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13896.721402/201389 Acórdão n.º 1302001.921 S1C3T2 Fl. 5.417 47 Assim, ante aos indícios de utilização de interpostas pessoas à frente do quadro social da pessoa jurídica fiscalizada e de que o contribuinte indicado como responsável solidário era o real titular e gestor dos negócios, conduzidos com evidente violação à lei, entendo que o mesmo deve ser mantido no pólo passivo da obrigação tributária constituída nestes autos, como responsável solidário, nos termos do art. 135, III do CTN. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo solidário, Sr. Newton Tullii. CONCLUSÃO Ante a todo o que foi exposto, concluo meu voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e quanto aos recursos voluntários apresentados, rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e quanto ao mérito do lançamento, negarlhes provimento. Com relação à sujeição passiva solidária dos recorrentes, voto por dar provimento aos recursos dos responsáveis Maria José de Oliveira Gajcar, Ailton Marron e Marron Administração e Participação Ltda e por negar provimento ao recurso do responsável Newton Tullii. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 5417DF CARF MF Impresso em 26/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /07/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Numero do processo: 11610.012570/2002-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1997
LANÇAMENTO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO.
Deve ser cancelado o auto de infração quando a motivação do lançamento (proc jud não comprova) não se mostrou verdadeira, notadamente em face do conteúdo fático-probatório trazido aos autos.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-003.458
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BRF S/A (sucessora de PERDIGÃO AGROINDUSTRIAL S/A) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 LANÇAMENTO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO. Deve ser cancelado o auto de infração quando a motivação do lançamento (“proc jud não comprova”) não se mostrou verdadeira, notadamente em face do conteúdo fáticoprobatório trazido aos autos. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 01 25 70 /2 00 2- 51 Fl. 1484DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 11610.012570/200251 Acórdão n.º 9303003.458 CSRFT3 Fl. 227 2 Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Fl. 1485DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 11610.012570/200251 Acórdão n.º 9303003.458 CSRFT3 Fl. 228 3 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 3301002.604, cuja ementa se transcreve a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário:1997 Ementa:LANÇAMENTO FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO Não se confirmando os fundamentos de fato que deram origem à autuação, elemento obrigatório do auto de infração, é incabível a manutenção do lançamento. Recurso Voluntário Provido. O acórdão guerreado deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte para cancelar auto de infração eletrônico por erro de motivação, consistente na indicação de processo judicial inexistente, posteriormente, em impugnação, comprovado existente. O Auto de Infração foi lavrado em decorrência de revisão interna de DCTF, relativo à Cofins fins de suspensão da exigibilidade dos débitos declarados, conforme se vê do "Anexo I Demonstrativo dos Créditos Vinculados Não Confirmados", da coluna "ocorrência", que consigna “proc.jud. não comprovado”. lrresignada, a contribuinte apresentou impugnação, pleiteando “seja cancelado o presente auto de infração, dada sua total improcedência em razão da comprovação do pagamento e da comprovação de que o direito à compensação foi judicialmente reconhecido”. A PGFN argumenta que não houve nenhum cerceamento do direito de defesa do contribuinte pois este rebateu todos os pontos levantados e, se fosse considerada a alteração na motivação do lançamento, mesmo que houvesse, qualquer novo fundamento suscitado pelo contribuinte não teria o condão de modificar a situação prática verificada no processo administrativo, pois o lançamento é uma imposição legal. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido, através do despacho s/nº de fls. 1441/1444. Contrarrazões às fls. 1456/1464. É o relatório. Fl. 1486DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 11610.012570/200251 Acórdão n.º 9303003.458 CSRFT3 Fl. 229 4 Fl. 1487DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 11610.012570/200251 Acórdão n.º 9303003.458 CSRFT3 Fl. 230 5 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. O recurso interposto pelo contribuinte é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Incontroverso o fato de que houve erro na descrição dos fatos que ensejou o lançamento. O processo judicial informado na DCTF, ao contrário do informado no auto de infração existia e assegurava o direito à realização das compensações efetuadas. O lançamento decorre da suposta inexistência de processo judicial informado como justificativa para a suspensão da exigibilidade dos débitos quitados por compensação autorizada em sede de tutela antecipada. Com efeito, no presente caso, houve inovação na matéria que foi objeto de apreciação nos autos. Foi trazida uma matéria jurídica não presente originariamente. Esse fato traz um inaceitável cerceamento ao direito de defesa. O contribuinte se defende dos fatos e não do direito. Assim, se houvesse mera modificação da fundamentação legal, não haveria que se falar em nulidade do lançamento, o que não ocorreu na presente lide. A descrição incorreta do fato motivador do lançamento ofendeu o art. 10ª, inciso III, do Decreto n° 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, verbis: "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: III a descrição do fato; " (destaquei) Ao não descrever de forma correta o fato que ensejou a autuação, o Fisco deixou, também, de especificar corretamente a matéria tributável, de cuja essência se consubstanciaria o motivo do lançamento. A descrição correta dos fatos formam a motivação do lançamento, que significa a descrição dos motivos que ensejam o lançamento, que é responsável pela materialização da obrigação tributária, tornandose possível identificar os sujeitos da obrigação e quantificar o crédito. Com efeito, a motivação é um requisito formal do ato administrativo, que é o lançamento. Um vício de motivação não poderá ser sanado no decorrer do processo administrativo tributário, não restando outra alternativa, senão a nulidade do ato ( auto de infração). A lei processual tributária (Dec. 70.235/72 e Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011) é bem clara ao trazer como requisito do lançamento a descrição dos fatos. Fl. 1488DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 11610.012570/200251 Acórdão n.º 9303003.458 CSRFT3 Fl. 231 6 De fato houve uma afronta à legislação tributária e processual tributária que deve ensejar a anulação do auto de infração nos exatos termos do acórdão recorrido. Examinando situação semelhante a esta, a eminente Conselheira Maria Teresa Martinez López assim se manifestou (Acórdão nº 20217.721, de 25/05/2006): "A ausência desses elementos ou de algum deles, inquestionavelmente, dá causa à nulidade do lançamento por defeito de estrutura e não apenas por um vício formal, caracterizado, pela inobservância de uma formalidade exterior ou extrínseca necessária para a correta configuração desse ato jurídico. É lícito concluir que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelamse incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal. Sob o pretexto de corrigir o vício formal detectado no auto de infração, não pode. Fisco intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providências forem necessárias, significa que a obrigação tributária não estava definida e o vício apurado não seria apenas deforma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado. Destarte, por meio da descrição dos fatos, revelamse os motivos que levaram à autuação. Não é necessário que a descrição seja extensa, bastando que se articule de modo preciso os elementos de fato e de direito que levaram o auditor ao convencimento de que a infração deve ser imputada à contribuinte. Ainda acerca da impossibilidade de aperfeiçoamento do lançamento, cabe acrescentar colação os acórdãos abaixo: "Acórdão n° 10320.074 (Rec. 118.581), sessão de 19/8/99. Ementa: É vedado à Autoridade Julgadora o aperfeiçoamento do lançamento em face da previsão legal atribuindo tal atividade à Autoridade Lançadora. Publicado no DOU de 8/10/99 n° 194E. Acórdão n° 10320.754 (Rec. 125.219), sessão de 17/10/01 (DOU de 12/12/01). Ementa: (.) IRPJ Inovação quanto ao Lançamento no Ato Decisório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Impossibilidade. 0 deverpoder de decidir conferido ao Delegado da Receita Federal de Julgamento está adstrito aos termos do lançamento efetuado pela autoridade fiscal, não lhe cabendo aperfeiçoálo ou transformálo de qualquer forma, sob pena de transposição de sua competência legal. CSSL Erro na Apuração da Base de cálculo Impossibilidade de Aperfeiçoamento por este órgão Julgador. Não tendo a autoridade lançadora obedecido aos preceitos legais para a fixação da base de cálculo da contribuição, não cabe a este órgão aperfeiçoar o lançamento, mas apenas afastar Fl. 1489DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 11610.012570/200251 Acórdão n.º 9303003.458 CSRFT3 Fl. 232 7 a exigência, diante do erro ocorrido. (.) Recurso conhecido e provido em parte. Acórdão n° 10706.463 (Rec. 127.319), sessão de 7/11/01. Ementa:Processo Administrativo Fiscal Auto de Infração. Não deve subsistir o Auto de Infra cão que não contenha exigências tributárias, nem mesmo relativas à redução no estoque de prejuízos a compensar. Se houve erro em sua lavratura não cabe ao órgão julgador o seu aperfeiçoamento." Do exposto, voto pelo não provimento do presente recurso, mantendose, na íntegra, a decisão do colegiado a quo. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 1490DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS
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Numero do processo: 10935.002595/2010-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 31/05/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Cabem embargos de declaração para sanar eventual obscuridade, contradição ou omissão do julgamento. Não sendo detectada contradição do órgão julgador entre a decisão e os seus fundamentos, incabível a retificação pretendida.
Numero da decisão: 3402-003.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. Cabem embargos de declaração para sanar eventual obscuridade, contradição ou omissão do julgamento. Não sendo detectada contradição do órgão julgador entre a decisão e os seus fundamentos, incabível a retificação pretendida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 25 95 /2 01 0- 21 Fl. 339DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 7/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 2 Relatório O presente processo tem origem em recurso voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento ("DRJ") de Ribeirão Preto/SP (Acórdão 1448.335), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte contra auto de infração lavrado para a cobrança de multa regulamentar no montante de R$ 46.847.719,15, relativamente aos fatos geradores 31/05/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009. Para bem delimitar a controvérsia a ser enfrentada, colaciono abaixo a descrição da acusação fiscal, retirada do relatório do acórdão proferido pela DRJ, in verbis (fls 280): Consoante a descrição dos fatos, à fl. 183, e o termo de verificação fiscal às fls. 174/177, a contribuinte, fabricante de bebidas, apesar de intimada em duas ocasiões (20/11/2009 e 12/03/2010) a regularizar a situação no prazo de 10 dias, deixou de efetuar o ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil (CMB) pela execução dos procedimentos de integração, manutenção preventiva e corretiva do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (SICOBE), de que trata a IN RFB nº 869, de 2008, em todas as linhas de produção. Em curso se encontra a ação mandamental nº 5000059 36.2010.404.7005 ajuizada perante a Justiça Federal do Paraná (4ª Região), conforme cópia da inicial de fls. 19/62. Contudo, o pedido de liminar foi indeferido e o agravo de instrumento (nº 0007514 06.2010.404.0000/PR) foi convertido em agravo retido no âmbito do TRF da 4ª Região. Inexistente a suspensão da exigibilidade, portanto, o valor da multa regulamentar foi determinado conforme o disposto na Lei nº 11.488, de 2007, art. 30: 100% do valor comercial da mercadoria produzida, sem prejuízo da aplicação das demais sanções fiscais e penais cabíveis, não inferior a R$ 10.000,00. Tudo conforme os relatórios de produção, de maio a dezembro de 2009, com os preços médios dos produtos (fls. 178/180). A DRJ de Ribeirão Preto concluiu o julgamento da impugnação, tendo sido lavrada a ementa nos seguintes termos: CONCOMITÂNCIA DE OBJETO ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, com o mesmo objeto da autuação, importa em renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Foi então interposto o recurso voluntário pelo contribuinte (fls 242), que, dentre outras questões, alegou a existência de erro no julgamento proferido pela DRJ, haja vista que a matéria discutida no presente processo administrativo é diversa daquela discutida no âmbito judicial, razão pela qual não se poderia falar em concomitância. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 7/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10935.002595/201021 Acórdão n.º 3402003.180 S3C4T2 Fl. 112 3 Em 30 de janeiro de 2013, tal recurso voluntário, regularmente distribuído, foi avaliado pelo Conselheiro relator Rosaldo Trevisan, então membro da extinta 3ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, que realizou a comparação entre os processos judicial e administrativo, decidindo anular o Acórdão a quo por cerceamento do direito de defesa. Assim, a DRJ de Ribeirão Preto, em 29 de janeiro de 2014, articulou o novo julgamento determinado por este Conselho (fls 279), tendo sida lavrada a ementa nos seguintes termos: CONCOMITÂNCIA DE OBJETO ENTRE PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, com o mesmo objeto da autuação, importa em renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente. MULTA REGULAMENTAR. VALOR COMERCIAL DA MERCADORIA. O montante da multa regulamentar aplicada é de 100% (cem por cento) do valor comercial da mercadoria produzida. Já em 26 de abril de 2016, o processo retornou ao CARF, haja vista a interposição de novo recurso voluntário pelo contribuinte, o qual foi julgado procedente. Isto porque este Colegiado entendeu que a imposição da penalidade sob apreço (multa regulamentar Sicobe de 100% do valor comercial da mercadoria produzida) foi revogada pelo artigo 169, inciso III, alínea "b" da Lei nº 13.097/2015. Assim, nos termos do art. 106, II, "a" e "b" do Código Tributário Nacional, que estabelece a retroatividade benigna no direito tributário, a multa foi cancelada. A ementa atribuída ao acórdão foi lavrada nos seguintes dizeres: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Data do fato gerador: 31/05/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009 MULTA REGULAMENTAR. SICOBE. VALOR COMERCIAL DA MERCADORIA. REVOGAÇÃO DA PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa regulamentar de 100% (cem por cento) do valor comercial da mercadoria produzida, estampada no artigo 58T da Lei nº 10.833/2003 foi revogada pelo artigo 169, inciso III, alínea "b" da Lei nº 13.097/2015. Assim, nos termos do art. 106, II, "a" e "b" do Código Tributário Nacional, que estabelece a retroatividade benigna no direito tributário, a multa deve ser cancelada. Diante desta decisão, a Procuradoria da Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, afirmando existir contradição no julgamento. Com efeito, a Embargante afirma que o dispositivo revogado foi o que instituiu a obrigação acessória. O dispositivo que institui a multa, único a fundamentar o auto de infração, é o art. 30 da Lei nº 11.488/07, que se encontra ainda em vigor e é aplicável ao caso independente da revogação ou não da obrigação acessória. É esta a contradição imputada ao acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 7/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 4 Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz De acordo com o despacho de admissibilidade proferido neste processo, os Embargos de Declaração são tempestivos e preenchem os requisitos do artigo 65, §3º do Regimento Interno do CARF. Assim, passo ao mérito. Para a delimitação da questão trazida à tona pelos embargos fazendários, destaco os seguintes trechos do acórdão embargado: É pacífico nestes autos que o sujeito passivo acima estava obrigado a instalação e utilização do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe) de que trata a Instrução Normativa RFB n° 869/2008, a partir de 15 de maio de 2009. Igualmente pacífico que, de acordo com o art. 11 da mesma Instrução Normativa RFB, a Recorrente era obrigada ao ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil pela execução dos procedimentos de integração, instalação, manutenção preventiva e corretiva do Sicobe em todas as suas linhas de produção. Tais ressarcimentos não foram realizados, dando origem ao auto de infração guerreado pela Recorrente. Assim, a discussão cingese ao valor cobrado pela Receita Federal do Brasil a título da multa regulamentar que fora determinada conforme o disposto na Lei nº 11.488, de 2007, art. 30: Art. 30. A cada período de apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados, poderá ser aplicada multa de 100% (cem por cento) do valor comercial da mercadoria produzida, sem prejuízo da aplicação das demais sanções fiscais e penais cabíveis, não inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais) (grifei) (...) Contudo, o artigo 58T da Lei nº 10.833/2003 foi revogado pelo artigo 169, inciso III, alínea "b" da Lei nº 13.097/2015. Dessa forma, as obrigações acessórias de instalar equipamentos contadores de produção para empresas que industrializam os produtos de que trata o art. 58A dessa Lei não mais existe na ordem jurídica. Tal dispositivo também determinava a aplicação da multa prevista no art. 30 da Lei n. 11.488/2007, em caso de irregularidade quanto a essa obrigação acessória. Destaco abaixo o conteúdo da norma revogadora: LEI Nº 13.097, de 19 de janeiro de 2015 DOU de 20.1.2015 Art. 169. Ficam revogados: (...) Fl. 342DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 7/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10935.002595/201021 Acórdão n.º 3402003.180 S3C4T2 Fl. 113 5 III a partir do 1o (primeiro) dia do 4o (quarto) mês subsequente ao da publicação desta Lei: (...) b) os incisos VII a IX do § 1o do art. 2o, e os arts. 51, 53, 54 e 58 A a 58V da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003; (...) [grifei] Assim, não há dúvidas de que atualmente o dispositivo que fundamentou a autuação encontrase revogado pela Lei nº 13.097/2015. Dessa forma, não havendo mais a previsão legal de multa para a hipótese de anormalidade de funcionamento do Sicobe, em conformidade ao disposto no art. 106, II, "a" e "b" do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito, a multa sob análise deve ser cancelada: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática Ressalto que cumpre a este Colegiado reconhecer a citada retroatividade benigna em favor do contribuinte, em razão dos princípios e regras de regem o processo administrativo fiscal, especialmente aqueles estampado na Lei n. 9.784/99 Nas palavras de Candido Rangel Dinamarco, “contradição é a colisão de dois pensamentos que se repelem”.1 Trazendo o instituto para o âmbito do processo administrativo fiscal federal, o artigo 65 do Regimento interno do CARF dispõe que "cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma." Disto já se constata que inexiste in casu a contradição alegada pela Embargante. Explico. A Lei n. 11.488/2007 trouxe sistemática para o controle de cigarros (NCM 2402.20.00) por meio de equipamentos contadores de produção, conforme expressamente estabelecido pelos seus artigos 27 a 29. Vejamos: Art. 27. Os estabelecimentos industriais fabricantes de cigarros classificados na posição 2402.20.00 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, excetuados os classificados no Ex 01, estão obrigados à instalação de equipamentos contadores de produção, bem como de aparelhos 1 Instituições do Direito Processual Civil, Malheiros Editores, 2005, vol. III, páginas 687688. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 7/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 6 para o controle, registro, gravação e transmissão dos quantitativos medidos na forma, condições e prazos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 1o Os equipamentos de que trata o caput deste artigo deverão possibilitar, ainda, o controle e o rastreamento dos produtos em todo o território nacional e a correta utilização do selo de controle de que trata o art. 46 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, com o fim de identificar a legítima origem e reprimir a produção e importação ilegais, bem como a comercialização de contrafações. § 2o No caso de inoperância de qualquer dos equipamentos previstos neste artigo, o contribuinte deverá comunicar a ocorrência no prazo de 24 (vinte e quatro) horas, devendo manter o controle do volume de produção, enquanto perdurar a interrupção, na forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 3o A falta de comunicação de que trata o § 2o deste artigo ensejará a aplicação de multa de R$ 10.000,00 (dez mil reais). Art. 28. Os equipamentos contadores de produção de que trata o art. 27 desta Lei deverão ser instalados em todas as linhas de produção existentes nos estabelecimentos industriais fabricantes de cigarros, em local correspondente ao da aplicação do selo de controle de que trata o art. 46 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. (...) Art. 29. Os equipamentos de que trata o art. 27 desta Lei, em condições normais de operação, deverão permanecer inacessíveis para ações de configuração ou para interação manual direta com o fabricante, mediante utilização de lacre de segurança, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 1o O lacre de segurança de que trata o caput deste artigo será confeccionado pela Casa da Moeda do Brasil e deverá ser provido de proteção adequada para suportar as condições de umidade, temperatura, substâncias corrosivas, esforço mecânico e fadiga. § 2o O disposto neste artigo também se aplica aos medidores de vazão, condutivímetros e demais equipamentos de controle de produção exigidos em lei. (grifei) O artigo 30 da mesma Lei, que como bem salientou a embargante, é o fundamento do presente auto de infração, positivou multa para caso de descumprimento das obrigações criadas pelos artigos 27 a 29 da própria Lei n. 11.488/2007, ou seja, para a burla das obrigações envolvendo o controle de cigarros. Não é demais repetir seu conteúdo: Art. 30. A cada período de apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados, poderá ser aplicada multa de 100% (cem por cento) do valor comercial da mercadoria produzida, sem prejuízo da aplicação das demais sanções fiscais e penais cabíveis, não inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais) (grifei) Fl. 344DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 7/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10935.002595/201021 Acórdão n.º 3402003.180 S3C4T2 Fl. 114 7 Pois bem. A aplicação da multa trazida por este dispositivo legal ao SICOBE (devido pelas pessoas jurídicas que procediam a industrialização dos produtos classificados nos códigos 21.06.90.10 Ex 02, 22.01, 22.02, exceto os Ex 01 e Ex 02 do código 22.02.90.00, e 22.03, segundo o artigo 58A da Lei n. 10.833/2003) só era possível porque o artigo 58T da Lei 10.833/2003 assim determinava. In verbis: Art. 58T. As pessoas jurídicas que industrializam os produtos de que trata o art. 58A desta Lei ficam obrigadas a instalar equipamentos contadores de produção, que possibilitem, ainda, a identificação do tipo de produto, de embalagem e sua marca comercial, aplicandose, no que couber, as disposições contidas nos arts. 27 a 30 da Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007. (Redação dada pela Lei nº 11.827, de 2008) (Regulamento) (Revogado pela Lei nº 13.097, de 2015) (Vigência) § 1o A Secretaria da Receita Federal do Brasil estabelecerá a forma, limites, condições e prazos para a aplicação da obrigatoriedade de que trata o caput deste artigo, sem prejuízo do disposto no art. 36 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. (Incluído pela Lei nº 11.827, de 2008) § 2o As pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep ou da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido correspondente ao ressarcimento de que trata o § 3º do art. 28 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, efetivamente pago no mesmo período. (Incluído pela Lei nº 11.827, de 2008) Como consta no acórdão embargado, a Lei nº 10.833/2003 teve revogados os seus artigos 58A a 58V pelo artigo 169, inciso III, alínea "b" da Lei nº 13.097/2015. Dessa forma, as obrigações acessórias de instalar equipamentos contadores de produção para empresas que industrializam os produtos de que trata o art. 58A dessa Lei não mais existe na ordem jurídica. Tal dispositivo também determinava a aplicação da multa prevista no art. 30 da Lei n. 11.488/2007, em caso de irregularidade quanto a essa obrigação acessória. Havia, dessarte, dispositivo que estendia a multa literalmente prevista para desrespeito às obrigações sobre o controle de cigarros para o controle de bebidas, a qual foi revogado. A conclusão imediata e incontornável a que se chega é que, com tais revogações, a multa persiste apenas para outras situações que não o SICOBE. Afinal, o dispositivo legal que permitia a extensão da multa prevista no artigo 30 da Lei n. 11.488/2007 para além das situações para a qual foi expressamente criada (controle de cigarros) não mais existe. Sobre a necessidade, que chega a ser óbvia, de se interpretar a multa do artigo 30 da Lei n. 11.488/2007 como aplicável unicamente às infrações especificadas nos artigos que lhe antecedem na própria lei (controle de cigarros) e motivaram sua criação, vale destacar o que dispõe a Lei Complementar n. 95/98, responsável por delimitar normas sobre a elaboração, a redação, a alteração e a consolidação das leis: Art. 7º O primeiro artigo do texto indicará o objeto da lei e o respectivo âmbito de aplicação, observados os seguintes princípios: Fl. 345DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 7/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 8 I excetuadas as codificações, cada lei tratará de um único objeto; II a lei não conterá matéria estranha a seu objeto ou a este não vinculada por afinidade, pertinência ou conexão; III o âmbito de aplicação da lei será estabelecido de forma tão específica quanto o possibilite o conhecimento técnico ou científico da área respectiva; (grifei) Assim, é verdadeira a afirmação da Embargante de que a multa prevista no artigo 30 da Lei n. 11.488/2007 continua plenamente vigente e eficaz. Todavia, isso em nada altera as razões de decidir tomadas por esse Colegiado. A multa existe, mas não mais para o SICOBE, que é justamente a situação que foi motivo do presente auto de infração. Não por outra razão que a fundamentação da retroatividade benigna no acórdão embargado baseiase tanto na alínea "a" como na "b" do artigo 106, II do CTN. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto pela rejeição dos Embargos de Declaração. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 346DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 7/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ
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Numero do processo: 12268.000546/2008-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
PROCESSO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. IDÊNTICO OBJETO. CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo (Súmula CARF nº 1).
PROCESSO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. IDENTIDADE DE OBJETO.
A identidade de objeto ocorre nas hipóteses em que o contribuinte pode obter na esfera judicial o mesmo resultado que alcançaria por meio de seu pedido na via administrativa.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2201-002.971
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso, por concomitância com a ação judicial. Vencidos os Conselheiros CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (relator), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO e CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Suplente convocado) que conheciam integralmente do recurso. Designado para fazer o voto vencedor o Conselheiro MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA.
Assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida.
Relator designado
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah
Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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IDÊNTICO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo (Súmula CARF nº 1). PROCESSO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. IDENTIDADE DE OBJETO. A identidade de objeto ocorre nas hipóteses em que o contribuinte pode obter na esfera judicial o mesmo resultado que alcançaria por meio de seu pedido na via administrativa. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso, por concomitância com a ação judicial. Vencidos os Conselheiros CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (relator), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO e CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Suplente convocado) que conheciam integralmente do recurso. Designado para fazer o voto vencedor o Conselheiro MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 05 46 /2 00 8- 74 Fl. 466DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por MARCELO VASCONC ELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Relator Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida. Relator designado Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por MARCELO VASCONC ELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12268.000546/200874 Acórdão n.º 2201002.971 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba, Acórdão 0623.597 da 6ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de crédito lançado e constituído pela fiscalização contra a empresa HSBC BANK BRASIL S.A. BANCO MÚLTIPLO, acima identificada, de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 154/160, no montante de R$ 2.613.283,09 (dois milhões, seiscentos e treze mil, duzentos e oitenta e três reais e nove centavos), consolidado em 31/10/2008. O Auto de Infração (DEBCAD n° 37.202.2375) teve como finalidade apurar e constituir o crédito relativo a contribuições arrecadadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB e destinadas ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA , não recolhidas, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados que lhe prestaram serviços, correspondentes ao período de 01/2006 a 12/2006, incluindo o pagamento do décimoterceiro salário de 2006. Consta do Relatório Fiscal, fls. 154/160, que a Contribuinte possui o Processo n° 2005.70.00.0144228, tramitando no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, objetivando a não incidência da contribuição ao INCRA, a qual encontrase em fase de recursos de apelação e remessa oficial perante o Tribunal. Os créditos tributários ora lançados estão abrangidos por decisão provisória, com efeitos suspensivo e devolutivo. Por serem relacionadas com o crédito objeto do Auto de Infração, foi efetuado o lançamento com intuito de evitar a decadência, a qual não se interrompe nem se suspende. Os valores das remunerações lançadas foram coletados das folhas de pagamento, dos contracheques, da contabilidade e, também, de informações prestadas pela Contribuinte no arquivo digital “Ano 2006.xls”, o qual foi autenticado pelo Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos digitais SVA, conforme Recibo de Entrega de Arquivos Digitais em 22/10/2008. _ As bases de cálculo constam do Relatório de Lançamentos RL, fls. 10/11, identificadas pelo código de levantamento “INC ~ INCRA FOLHA DE PAGAMENTO”. O Discriminativo Analítico do Débito DAD informa, por competência, a rubrica, a alíquota aplicada sobre a base de cálculo (0,2%) e as contribuições devidas, fls. 5/7. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por MARCELO VASCONC ELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 O Discriminativo Sintético do Débito ~ DSD demonstra os acréscimos legais, fls. 8/9. A fundamentação legal do lançamento, inclusive dos acréscimos legais, encontrase no relatório Fundamentos Legais do Débito FLD , com os respectivos períodos de vigência, fls. 17/18. Como as contribuições envolvem remunerações que não foram declaradas em Guias de Recolhimento ao Fundo de Garantia por Tempo e Serviço e Informações à Previdência Social GFIP , e essa omissão configura, em tese, o ilícito tipificado no inciso III do art. 337A, acrescentado pela Lei n° 9.983, de 14/07/2000, no DecretoLei n° 2.848, de 7/12/1940, será lavrada Representação Fiscal para Fins Penais, em relatório à parte, para proposição de eventual ação penal. A Impugnante foi cientificada pessoalmente do Auto de Infração em 31/10/2008, fls. 1, e protocolizou impugnação em 1°/12/2008, fls. 287/302, alegando, em síntese, que: a) deve ser cancelado o lançamento pela inadequação do meio utilizado para constituição do crédito, pois deveria ser por notificação de lançamento e não por auto de infração, o qual só se justifica quando são aplicadas penalidades às infrações cometidas pelo contribuinte, o que não ocorreu, não ficando ao livre critério e oportunidade do Agente Fiscalizador, nos termos definidos pelos artigos 9° e 11 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972; o próprio AuditorFiscal reconheceu a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, constituindo o crédito com o intuito de evitar a decadência; b) conforme Relatório de Representantes Legais (REPLEG), a Fiscalização pretende, arbitrária e ilegalmente, imputar responsabilidade solidária aos representantes legais da Impugnante, haja vista que não são sujeitos passivos de qualquer obrigação tributária; as únicas hipóteses em que pessoas distintas do contribuinte poderiam ser responsabilizadas pelo cumprimento de obrigações tributárias (principal ou acessória) estão previstas nos artigos 134 e 135 do Código Tributário Nacional CTN , hipóteses que não ocorreram no presente caso, sem qualquer justificativa caracterizadora no caso concreto, não se podendo presumir tal responsabilidade solidária, sob pena de ilegalidade e inconstitucionalidade; de acordo com o art. 13, parágrafo único, da Lei n° 8.620, de 1993, a responsabilidade solidária dos diretores ocorre com o inadimplemento das obrigações por dolo ou culpa, o que também não restou configurado no caso; nem se alegue que tal relação serviria tãosomente para eventual ajuizamento de execução fiscal para cobrança judicial, isso porque, independentemente do meio processual utilizado, a cobrança de qualquer valor está condicionada à ocorrência das hipóteses expressamente previstas na legislação em vigor, o que não se verifica; assim, por qualquer ângulo que se analise, apenas ao Impugnante deveria ser imputada, se devida, a responsabilidade pelo pagamento do crédito, pelo que os representantes legais devem ser expressamente excluídos do pólo passivo da obrigação tributária; Fl. 469DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por MARCELO VASCONC ELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12268.000546/200874 Acórdão n.º 2201002.971 S2C2T1 Fl. 4 5 c) a notória ausência de infração (ilícito), por parte da Impugnante, afasta a possibilidade de prosseguimento da Representação Fiscal para Fins Penais, instaurada por meio do processo administrativo n° 12268.000581/200893; tendo em vista a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários pela medida liminar e, portanto, a ausência de recolhimento não representou infração por parte da Impugnante, é certo que não houve supressão ou redução passível de configurar crime de sonegação de contribuição previdenciária (art. 337A do Código Penal), a justificar a Representação; uma vez instaurado o processo administrativo, por meio da impugnação, deverá ser aguardada a decisão final na esfera administrativa para que se dê seguimento, se for o caso, à Representação, como decidiu o Supremo Tribunal Federal; nem se alegue que a Fiscalização agiu em conformidade com a Portaria RFB n° 665/08, que determina o encaminhamento da Representação ao Ministério Público no prazo de dez dias, uma vez que deve ser observado o artigo 1° do Decreto n° 2.346, de 1997, segundo o qual “as decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional, deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta ou indireta”, pelo que deve ser sobrestada a Representação até que seja proferida a decisão final administrativa e no Mandado de Segurança n° 2005.70.00.0144228; d) a multa e os juros de mora deverão ser cancelados, uma vez que os valores supostamente devidos encontramse com exigibilidade suspensa por medida liminar concedida no Mandado de Segurança n° 2005.70.00.0144228, nos termos do artigo 151, inciso IV, do CTN, além de que não houve nenhuma infração por parte da Impugnante, a justificar a aplicação de penalidade, não podendo ser punida por recorrer ao Poder Judiciário, sob pena de nada valer a garantia constitucional prevista no artigo 5°, incisos XXXIV e XXXV, da Constituição Federal, o que, na realidade, até exclui a mora e não caracteriza inadimplemento; o mesmo raciocínio vale para os juros de mora, devendo ser excluídos os montantes referentes à multa e aos juros de mora; e) não pode prosperar a cobrança da multa de acordo com o artigo 35 da Lei n° 8.212, de 1991, pois a progressão do percentual da multa lastreada em fatores diversos da gravidade da ilicitude faz com que a multa assuma a função compensatória que é própria e exclusiva dos juros de mora, o que configura o “bis in idem”, não existindo justificativa legal a fundamentar a onerosidade do percentual da multa, já que tais expedientes se prestam a configurar nova infração ou a modificar a infração, tornandoa mais lesiva; nem se alegue que a aplicação do referido dispositivo se justifica por se tratar de ato vinculado, pois a aplicação do princípio da legalidade deve ser ponderado em relação à aplicação de outros princípios como, por exemplo, o da razoabilidade e, principalmente, o da proporcionalidade, o que autoriza o cancelamento dos valores exigidos a título de multa de mora; Fl. 470DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por MARCELO VASCONC ELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Í) caso venham a ser cobrados juros de mora, nao poderao ser calculados mediante a utilização da taxa SELIC, eis que não foi criada por meio de lei, a ofender o princípio da legalidade, sendo instituída como uma taxa de juros remuneratórios, que visa a premiar o capital investido pelo aplicado em títulos da dívida pública federal, não podendo ser aplicada como sanção por atraso no cumprimento de uma obrigação; o artigo 161, § 1°, do CTN estabelece que “se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% ao mês (...)”, como não existe lei ordinária que tenha criado a taxa SELIC, os juros devem ser limitados a 1% ao mês; assim, considerandose a natureza remuneratória da taxa SELIC, a sua inconstitucionalidade e ilegalidade, não há que se admitir a sua utilizaç" c m a natureza de juros de mora; g) requer seja julgada procedente a impugnação, com o cancelamento integral do Auto de Infração e, independentemente do acolhimento dos pedidos acima, que os representantes legais da Impugnante sejam excluídos do pólo passivo. " Foi cientificada a empresa do grupo econômico, Losango Promotora de Eventos Ltda., CNPJ n° 42.103.531/000150, por meio de edital, fls. 366, afixado em 10/02/2009 e desafixado em 25/02/2009, mas não apresentou impugnação no prazo regulamentar. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Inexigibilidade da multa e dos juros de mora. · Ilegalidade da majoração da multa pelo decurso de tempo. · A multa de mora exigida no presente caso não pode ser superior a 20% (vinte por cento), sob pena de ilegalidade. · Descabimento da taxa SELIC. · Representação Fiscal para Fins Penais. É o relatório. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por MARCELO VASCONC ELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12268.000546/200874 Acórdão n.º 2201002.971 S2C2T1 Fl. 5 7 Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. Informo que consultando o sitio do TRF4, verifiquei que o processo judicial acima citado ainda não transitou em julgado (consulta efetuada em 10/04/2015), estando na situação “Suspenso/Sobrestado”. APELAÇÃO/REEXAME NECESSÁRIO Nº 2005.70.00.014422 8/PR CERTIDÃO NARRATÓRIA CERTIFICO, em razão do meu cargo e a pedido da parte interessada, que tramita perante este Tribunal o(a) APELAÇÃO/REEXAME NECESSÁRIO nº 2005.70.00.0144228, processo originário da 1ª Vara Federal de Curitiba PR, em que figuram, como Apelantes, INSTITUTO NACIONAL DE COLONIZACAO E REFORMA AGRARIA INCRA e UNIÃO FEDERAL FAZENDA NACIONAL) e Apelados HSBC BANK BRASIL S/A BANCO MULTIPLO e outro e HSBC SEGUROS BRASIL S/A. Revendo o processo, constatei que se trata de Mandado de Segurança, impetrado em 02 de junho de 2005, em que os impetrantes, ora apelados, se insurgem contra a contribuição previdenciária ao INCRA. O pedido de liminar foi indeferido. Objetivando a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, as impetrantes interpuseram o Agravo de Instrumento nº 2005.04.01.0259543, ao qual foi dado provimento, em acórdão ainda não transitado em julgado. Em sentença, proferida em 25 de junho de 2007, a ação foi julgada procedente para "a) declarar a ausência de relação jurídico tributária que obrigue o impetrante a recolher valores a título de contribuição ao INCRA; b) declarar o direito de crédito do impetrante, em face do INCRA, em relação aos valores recolhidos a título de contribuição ao INCRA, nos dez anos anteriores à propositura da ação, os quais poderão ser compensados com quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos termos da fundamentação." Por força dos apelos, recebidos no efeito devolutivo, e de reexame necessário, subiram os autos a esta Corte, sendo julgados pela Segunda Turma que, por unanimidade, em sessão realizada em 02 de dezembro de 2008, deu provimento às apelações e à remessa oficial. Foram opostos embargos de declaração pelas apeladas, Fl. 472DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por MARCELO VASCONC ELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 8 acolhidos em parte, em 31 de março de 2009, para fins de prequestionamento. Irresignados com o acórdão, HSBC BANK BRASIL S/A BANCO MULTIPLO e HSBC SEGUROS BRASIL S/A interpuseram recurso especial, ao qual foi negado seguimento, e recurso extraordinário, não admitido. De ambas as decisões os impetrantes intepuseram agravos. CERTIFICO, ainda, que por força das decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça na Reclamação nº 4.388/PR e no Ag nº 1.397.419 PR, o agravo da decisão que negou seguimento ao recurso especial foi julgado como agravo regimental. Em julgamento realizado pela Primeira Seção, em 06 de setembro de 2012, foi negado provimento ao recurso. Foram opostos embargos de declaração pelos apelados, rejeitados em 07 de março de 2013. CERTIFICO, por fim, que os autos aguardam decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da matéria discutida no recurso extraordinário, conforme determinado no agravo de instrumento nº 2009.04.00.0340630. ERA O QUE HAVIA A CERTIFICAR. O REFERIDO É VERDADE E DOU FÉ. Dada e passada nesta cidade de Porto Alegre, aos 03 de fevereiro de 2015. Sueli Kusakariba Diretora de Secretaria Documento eletrônico assinado por Sueli Kusakariba, Diretora de Secretaria, na forma do artigo 1º, inciso III, da Lei 11.419, de 19 de dezembro de 2006 e Resolução TRF 4ª Região nº 17, de 26 de março de 2010. A conferência da autenticidade do documento está disponível no endereço eletrônico http://www.trf4.jus.br/trf4/processos/verifica.php, mediante o preenchimento do código verificador7332614v2e, se solicitado, do código CRC43E4E8A4. Informações adicionais da assinatura: Signatário (a):Sueli Kusakariba Data e Hora:03/02/2015 15:43 REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Quanto à Representação Fiscal Para Fins Penais, verificase que essa é uma questão sobre a qual o CARF possui decisões reiteradas e, por essa razão foi editada Súmula, cuja observância é obrigatória para estes conselheiros. Abaixo apresento a Súmula número 28. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por MARCELO VASCONC ELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12268.000546/200874 Acórdão n.º 2201002.971 S2C2T1 Fl. 6 9 SELIC SÚMULA Quanto à aplicação da taxa SELIC nos juros moratórios, verificase que essa é uma questão sobre a qual o CARF possui decisões reiteradas e, por essa razão foi editada Súmula, cuja observância é obrigatória para estes conselheiros. Abaixo apresento a Súmula número 4. “Súmula nº 4 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. JUROS E MULTA – EXIGIBILIDADE O Relatório Fiscal registra que o lançamento foi efetuado com o intuito de evitar a decadência. 2. FATO GERADOR 2.1 O fato gerador da contribuição em referência é o pagamento de salários efetuado pela empresa aos seus empregados, no período de 01/2006 a 12/2006, incluindo o pagamento do DécimoTerceiro Salário de 2006. 2.2 Os créditos apurados fazem parte do levantamento "INC INCRA", constante dos Anexos "Discriminativo Analítico do DébitoDAD", “Discriminativo Sintético do Débito DSD" e “Relatório de Lançamentos RL". 2.3 O HSBC possui a seguinte ação judicial relacionada com o crédito tributário deste AI, e, portanto, efetuamos o lançamento com o intuito de evitar a decadência, que não se interrompe nem se suspende: 2.3.1 Processo n° 2005.70.00.0144228, ora em trâmite no Tribunal Regional Federal da 43 Região (TRF4), objetivando, em síntese, a não incidência da contribuição destinada ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA. Esta ação encontrase em fase de recursos de apelação e remessa oficial perante o Tribunal. Os créditos tributários ora lançados estão abrangidos pela decisão provisória, que possui efeitos suspensivo e devolutivo. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por MARCELO VASCONC ELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 10 A fundamentação legal para o lançamento dos juros e multa foi apresentada no relatório Fundamentos Legais do Débito, conforme abaixo: 601 ACRESCIMOS LEGAIS – MULTA 601.09 Competências : 01/2006 a 13/2006 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35, I, Il, Ill (com a redacao dada pela Lei n. 9.876, de 26.11.99); Regulamento da Previdencia Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 239, III, "a", "b" e paragrafos 2. ao 6. e e 11, e art. 242, paragrafos 1. e 2. (com a redacao dada pelo Decreto n. 3.265, de 29.11.99). CALCULO DA MULTA: PARA PAGAMENTO DE OBRIGACAO VENCIDA, NAO INCLUIDA EM NOTIFICACAO FISCAL DE LANCAMENTO: 8% dentro do mes do mes de vencimento da obrigacao; 14%, no mes seguinte; 20%, a partir do segundo mes seguinte ao do vencimento da obrigacao; PARA PAGAMENTO DE CREDITOS INCLUIDOS EM NOTIFICACAO FISCAL DE LANCAMENTO: 24% em ate 15 dias do recebimento da notificacao; 30% apos o 15. dia do recebimento da notificacao; 40% apos a apresentacao de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, ate quinze dias da ciencia da decisao do Conselho de Recursos da Previdencia Social CRPS; 50% apos o 15. dia da ciencia da decisao do Conselho de Recursos da Previdencia Social CRPS, enquanto nao inscrito em Divida Ativa; PARA PAGAMENTO DO CREDITO INSCRITO EM DIVIDA ATIVA: 60%, quando nao tenha sido objeto de parcelamento; 70%, se houve parcelamento; 80%, apos o ajuizamento da execucao fiscal, mesmo que o devedor ainda nao tenha sido citado, se o credito nao foi objeto de parcelamento; 100% apos o ajuizamento da execucao fiscal, mesmo que 0 devedor ainda nao tenha sido citado, se o credito foi objeto de parcela mento. OBS.: NA HIPOTESE DAS CONTRIBUICOES OBJETO DA NOTIFICACAO FISCAL DE LANCAMENTO TEREM SIDO DECLARADAS EM GFIP, EXCETUADOS OS CASOS DE DISPENSA DA APRESENTACAO DESSE DOCUMENTO, SERA A REFERIDA MULTA REDUZIDA EM 50% (CINQUENTA POR CENTO). 602 ACRESCIMOS LEGAIS JUROS 602.07 Competências 2 01/2006 a 13/2006 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 34 (restabelecido com a redacao dada pela MP n. 1.571, de 01.04.97, art. 1., e reedicoes posteriores ate a MP n. 1.5238, de 28.05.97, e reedicoes, republicada na MP n. 1.59614, de 10.11.97, convertidas na Lei n. 9.528, de 10.12.97); Regulamento da Organizacao do Custeio da Seguridade Social ROCSS, aprovado pelo Decreto n. 2.173, de 05.03.97, art. 58 , I, "a", paragrafos 1., 4. e 5. e art. 61, paragrafo unico; Regulamento da Previdencia Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.1999, art. 239, II, "a", "b" e Fl. 475DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por MARCELO VASCONC ELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12268.000546/200874 Acórdão n.º 2201002.971 S2C2T1 Fl. 7 11 paragrafos 1., 4. e 7. e art. 242, paragrafo 2.; CALCULO DOS JUROS: JUROS CALCULADOS SOBRE O VALOR ORIGINARIO, MEDIANTE A APLICACAO DOS SEGUINTES PERCENTUAIS: A) 1% (UM POR CENTO) NO MES SUBSEQUENTE AO DA COMPETENCIA; B) TAXA MEDIA MENSAL DE CAPTACAO DO TESOURO NACIONAL RELATIVA A DIVIDA MOBILIARIA FEDERAL/TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDACAO E DE CUSTODIA SELIC, NOS RESPECTIVOS PERIODOS; C) 1% (UM POR CENTO) NO MES DO PAGAMENTO. 800 PRAZO E OBRIGACAO DE RECOLHIMENTO EMPRESAS EM GERAL 800.10 Competências : 01/2006 a 13/2006 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 30, I (com a alteracao da Lei n. 8.620, de 05.01.93, e da Lei n. 9.876, de 26.11.99); Lei n. 8.620, de 05.01 .93, art. 7., paragrafos 1. e 2.; Regulamento da Previdencia Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.1999, art. 216, I, "b" e paragrafos 1. ao 6., com as alteracoes do Decreto n. 3.265, de 29.11.99. PERIODO: A PARTIR DE 04.2003: Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 30, I (com a alteracao da Lei n. 8.620, de 05.01.93 e da Lei n. 9.876, de 26.11.99); Lei n. 8.620, de 05.01.93, art. 7., paragrafos 1. e 2.; Lei n. 10.666, de 08.05.03, art. 4., paragrafo 1., combinado com o art. 15; Regulamento da Previdencia Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 216, I, "b" e paragrafos 1. ao 6., com as alteracoes do Decreto n. 3.265, de 29.11.99. Entendo correto o lançamento com a aplicação da multa e dos juros moratórios, visto que obedece o artigo 34 da lei 8.212/91, vigente à época do lançamento, estabelece que os juros e a multa são irreleváveis. Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.(Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008)(Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por MARCELO VASCONC ELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 12 MULTA DE MORA – CÁLCULO A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 477DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por MARCELO VASCONC ELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12268.000546/200874 Acórdão n.º 2201002.971 S2C2T1 Fl. 8 13 Voto Vencedor As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital. Observo, por primeiro, que o crédito tributário constituído teve por objeto as contribuições destinadas ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA. O Relatório do Auto de Infração de Obrigações Principais AIOP de fls. 156/162 do processo digital revela, por seu turno, que o Recorrente ajuizou ação judicial ainda em trâmite perante o Tribunal Regional Federal da 4ª Região objetivando a não incidência da mesma contribuição. Os créditos tributários ora lançados estão abrangidos por decisão provisória já proferida (Processo n° 2005.70.00.0144228). Assim, a procedência ou improcedência do presente crédito tributário está diretamente atrelada ao deslinde da ação ajuizada pelo Interessado, uma vez que se o Poder Judiciário acolher definitivamente o pleito principal formulado nos autos da ação judicial as contribuições lançadas não poderão ser cobradas pela União. Ao revés, ocorrendo o trânsito em julgado favorável à União, as contribuições lançadas permanecem íntegras, sem o risco de serem alcançadas pela decadência tributária. O parágrafo único do art. 38 da Lei de Execução Fiscal (Lei 6.830/1980), assim como o caput do art. 87 do Decreto nº 7.574/2011 (que regulamentou o processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários da União) e a Súmula CARF nº 1, estabelecem, sistematicamente, que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo ou mais amplo objeto do processo administrativo. Esse conjunto normativo não implica em qualquer ofensa ao devido processo legal administrativo, posto que é o sujeito passivo quem escolhe formular sua defesa na via judicial que, em julgando a mesma controvérsia, prevalece sobre a decisão do processo administrativo e faz coisa julgada, por isso mesmo não se justificando uma dupla litigiosidade nas esferas administrativa e judicial com o mesmo objeto. Em outras palavras: a opção pela discussão judicial, antes ou depois do exaurimento da instância administrativa, demonstra que o contribuinte desta abdicou, direcionando o litígio ao Poder Judiciário, a quem cabe dar a última palavra sobre a questão levada à sua apreciação. O requisito para a concomitância é a identidade de objeto. No entendimento deste Julgador a identidade de objetos ocorre nas hipóteses em que o contribuinte pode obter na esfera judicial a mesma consequência que alcançaria por meio de seu pedido na via administrativa. No mesmo sentido é o ensinamento de Eduardo Domingos Bottallo, (Processo Administrativo Tributário, Comentários ao Decreto nº 7.574/2011 e à Constituição Federal, Dialética, 2012, pp. 94/95), verbis: Fl. 478DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por MARCELO VASCONC ELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 14 Pouco importa, de outra parte, que, em um e em outro caso, esteja em pauta a mesma tese jurídica, uma vez que a prejudicialidade da existência dos dois processos (o administrativo e o judicial) só deve levar em conta os respectivos objetos, que não se confundem, com a causa de pedir. Reforçando a ideia, tal prejudicialidade só ocorre nos casos em que o sujeito passivo pode obter em juízo o mesmo resultado possibilitado pela impugnação administrativa ao auto de infração. E é exatamente isto que ocorre na situação em análise, uma vez que o êxito na ação judicial implicará no mesmo resultado pretendido pelo Recorrente no bojo deste processo administrativo, em sua integralidade, inclusive em relação à multa aplicada, aos juros e à Representação Fiscais para Fins penais. Noutros termos: transitada em julgado a ação judicial, com resultado favorável ao Recorrente, o Fisco não poderá cobrar a obrigação principal lançada (contribuição ao INCRA), os juros, a multa ou mesmo, eventualmente, os representantes legais do contribuinte serem alvo de qualquer procedimento criminal. Aplicase, nesta hipótese, a Súmula CARF nº 1, de cujo teor se extrai a seguinte dicção: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo Nesse contexto, voto por não conhecer do recurso em sua integralidade, em face da concomitância do processo judicial com o processo administrativo, ambos com o mesmo objeto, assim entendida a situação em que o sujeito passivo pode alcançar, na via judicial, em sua totalidade, aquilo que pleiteia na via administrativa. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 479DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por MARCELO VASCONC ELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 13868.720081/2012-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
EMBARGOS INOMINADOS. ACOLHIDOS. Constatada a existência de que o acórdão 2402-005.215, proferido pelo CARF, não se manifestou sobre a questão da tempestividade, correto o manejo dos embargos inominados visando sanar o vício apontado.
RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIDO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2402-005.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sanando-se o vício apontado no ACÓRDÃO Nº 2402-005.215, com efeitos infringentes, para NÃO CONHECER do recurso voluntário em razão da sua intempestividade.
Ronaldo de Lima Macedo
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: Ronaldo de Lima Macedo
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 EMBARGOS INOMINADOS. ACOLHIDOS. Constatada a existência de que o acórdão 2402-005.215, proferido pelo CARF, não se manifestou sobre a questão da tempestividade, correto o manejo dos embargos inominados visando sanar o vício apontado. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIDO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. Embargos Acolhidos.
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INTEMPESTIVIDADE Embargante CONSELHEIRO RELATOR Interessado ZILDA BORGES DE CERQUEIRA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 EMBARGOS INOMINADOS. ACOLHIDOS. Constatada a existência de que o acórdão 2402005.215, proferido pelo CARF, não se manifestou sobre a questão da tempestividade, correto o manejo dos embargos inominados visando sanar o vício apontado. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIDO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 8. 72 00 81 /2 01 2- 51 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sanandose o vício apontado no ACÓRDÃO Nº 2402005.215, com efeitos infringentes, para NÃO CONHECER do recurso voluntário em razão da sua intempestividade. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Marcelo Malagoli da Silva. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13868.720081/201251 Acórdão n.º 2402005.341 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Embargos Inominados com fundamento no artigo 66 do Regimento Interno do CARF, em face do acórdão 2402005.215 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária. Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. (Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015, RICARF) Este Conselheiro da 4a Câmara da 2ª Seção do CARF, enquanto relator do voto que ensejou o acórdão nº 2402005.215, opôs Embargos Inominados contra o referido acórdão, em face de ocorrência de erro material ou lapso manifesto na análise da tempestividade do recurso voluntário interposto em 22/04/2013 (fls. 41/60 do eProcesso), sendo que a intimação da decisão de primeira instância ocorreu em 12/03/2013 (fls. 39/40 do e Processo). No Acórdão em questão, ficou consignado na Ementa e na parte dispositiva o seguinte: “[...] Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2009 Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Inteligência dos precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC. Aplicação do art. 62, §2o, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015. CARF NÃO POSSUI ATRIBUIÇÃO PARA REFAZER LANÇAMENTO FISCAL. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. ATRIBUIÇÃO PRIVATIVA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. O lançamento adotou critério jurídico equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ, impactando a identificação incorreta da base de cálculo, das alíquotas vigentes e, consequentemente, o cálculo do tributo devido, o que caracteriza incongruência no aspecto quantitativo do fato gerador. Não compete ao CARF refazer o lançamento com outros critérios jurídicos. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário..[...]” Enfim, considerando que o conteúdo do acórdão 2402005.215 não se pronunciou sobre a questão da tempestividade, o processo foi inserido em pauta de julgamento para sanar/rerratificar o lapso manifesto ou erro material apontado acima. É o relatório. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13868.720081/201251 Acórdão n.º 2402005.341 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O processamento de recurso voluntário está condicionado ao cumprimento do requisito de tempestividade e, com isso, tal requisito será analisado neste Embargos Inominados. Inicialmente, verificase que não houve cumprimento de tal requisito de admissibilidade. A Recorrente foi intimada da decisão de primeira instância em 12/03/2013, mediante correspondência postal acompanhada de Aviso de Recebimento (AR), conforme documento dos Correios juntado aos autos (fls. 39/40 do eProcesso). Por sua vez, a Recorrente interpôs recurso voluntário, apresentando as mesmas alegações postuladas na sua peça de impugnação, não se manifestou à respeito da tempestividade do recurso. Em decorrência dos elementos fáticos constantes nos autos, verificase que a Recorrente interpôs o recurso voluntário em 22/04/2013, nos termos da papeleta do recurso voluntário, devidamente carimbado pelo Fisco da Delegacia da Receita Federal em Araçatuba/SP, papeleta inicial do recurso. O art. 5º, parágrafo único, do Decreto 70.235/1972 – diploma que trata do contencioso administrativo fiscal no âmbito dos tributos arrecadados e administrados pela União – estabelece como serão computados os prazos para interposição de recurso, transcrito abaixo: Art. 5º. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Salientase que a tempestividade do recurso voluntário é aferida pela data do protocolo junto ao órgão preparador do processo (circunscrição do domicílio fiscal da Recorrente). Em outras palavras, o que importa, para verificar a tempestividade do recurso, é que ele tenha sido apresentado ao protocolo dentro do prazo legalmente previsto, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/1972, transcrito abaixo: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão.(g.n.) A Recorrente teve ciência da decisão de primeira instância – proferida por meio do Acórdão no 1644.193 da 15a Turma da DRJ/SP1 (fls. 30/36) – em 12/03/2013 (terça feira). Assim, levandose em consideração que os prazos só se iniciam ou vencem no dia de Fl. 78DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 expediente normal no órgão, nos exatos termos do parágrafo único do artigo 5º do Decreto 70.235/1972, o prazo para interposição de recurso teve início em 13/03/2013 (quartafeira). O trigésimo dia ocorreu em 11/04/2013 (quintafeira). Entretanto o recurso só teria sido apresentado ao Fisco em 22/04/2013, segundafeira (papeleta inicial do recurso voluntário). Com o mesmo entendimento, o art. 15 do Decreto 70.235/1972 estabelece que a peça recursal deverá ser apresentada no local do órgão preparador de circunscrição do sujeito passivo. Decreto 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF): Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (g.n.) A regra na contagem dos prazos processuais é a continuidade, ou seja, os prazos não se suspendem nem se interrompem, com exceção das hipóteses de força maior ou de caso fortuito, como greves ou outros fatos que impeçam o funcionamento dos órgãos da Administração. Essas hipóteses devem ser devidamente comprovadas nos autos e, no momento, não as encontramos presentes neste processo. Nesse sentido, resta claro que a autuada não verificou o prazo para apresentação do recurso, só vindo a apresentálo após o vencimento legal que seria o dia 11/04/2013 e não o dia 22/04/2013. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de ACOLHER OS EMBARGOS INOMINADOS, sanandose o vício apontado no ACÓRDÃO Nº 2402005.215, com efeitos infringentes (modificativos), para NÃO CONHECER do recurso voluntário em razão da sua intempestividade. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/06/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 10715.003113/2010-44
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/02/2007 a 28/02/2007
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Recurso Especial Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.576
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 31 13 /2 01 0- 44 Fl. 293DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.003113/201044 Acórdão n.º 9303003.576 CSRF‐T3 Fl. 294 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.791, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa em comento. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.551, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.004458/201015, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.551): "O recurso é tempestivo e, ao contrário do alegado pelo sujeito passivo em suas contrarrazões, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser admitido. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.003113/201044 Acórdão n.º 9303003.576 CSRF‐T3 Fl. 295 3 De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo ou aéreo. O dispositivo legal interpretado é, absolutamente, idêntico, mas os resultados dos julgamentos foram distintos. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese ainda que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Importante frisar que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Atendido, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.003113/201044 Acórdão n.º 9303003.576 CSRF‐T3 Fl. 296 4 Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.003113/201044 Acórdão n.º 9303003.576 CSRF‐T3 Fl. 297 5 Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 297DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.003113/201044 Acórdão n.º 9303003.576 CSRF‐T3 Fl. 298 6 natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.003113/201044 Acórdão n.º 9303003.576 CSRF‐T3 Fl. 299 7 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.003113/201044 Acórdão n.º 9303003.576 CSRF‐T3 Fl. 300 8 Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.003113/201044 Acórdão n.º 9303003.576 CSRF‐T3 Fl. 301 9 Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 301DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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